Emprego marca procura
de formação
em Tl
Apesar da elevada taxa de desemprego em Portugal, a verdade é que o sector de tecnologias
de informação tem conseguido contornar as dificuldades e até remar contra a maré. Feitas as
mantém-se estável nesta área, com estudos recentes a dar conta
contas, a empregabilidade
de que 58% das empresas consideram contratar mais colaboradores
no corrente ano. Esta
realidade tem contribuído para impulsionar a procura de formação superior na área de Tl,
que se amplia com cursos do 2.° ciclo. As universidades estão atentas a esta situação,
disponibilizando
pós-graduações e mestrados pensados e adaptados às necessidades mais
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específicas do mercado tecnológico.
É inegável que a empregabilidade
continua a impulsionar a procura de formação superior na área de tecnologias de informação.
As universidades, por sua vez, mostram-se cada vez mais atentas às necessidades do mercado, adaptando as suas ofertas
Patrícia Cale Casa dos Bits
e garantindo resultados positivos para todas as partes envolvidas
I
o cenário
geral, o sec-
tor de tecnologias de informação
continua a dinamizar a oferta de
Contrariando
emprego em Portugal. O «Guia
Laborai 2014», elaborado pela
Hays Portugal, não deixa espaço para dúvidas: 58% das empresas consideram contrado Mercado
tar mais colaboradores
do os programadores,
funcionais
no corrente
consultores
os profissionais
mais desejados.
A constante evolução tecnológica,
são do segmento
das redes
sociais
mobile
criaram
ano, sene analistas
a
explo-
e a
popularidade
no sector de TI
oportunidades que, em alguns casos, não esdevido à
tão a ser plenamente concretizadas,
escassez
de profissionais
com as competên-
cias adequadas
e específicas
deste mercado.
pensa-se que existam cerca
de 5000 ofertas de emprego por preencher
no sector de tecnologias, 900 mil se pensarmos no cenário europeu.
Neste momento,
A garantia
de empregabilidade
continua a levar cada vez mais estudantes a optar por um
curso superior na área de TI e a avançar na
formação, apostando em cursos do 2.° ciclo.
O balanço entre a maioria
das instituições
ensino que responderam
mática é positivo.
ao Semana
«A procura dos
uma tendência
nossos
crescente.
res têm consistentemente
gas disponíveis
de
Infor-
cursos tem mantido
Os cursos
nuclea-
preenchido as vamais recentes,
e os cursos
como são o mestrado
mática
e o mestrado
em Segurança Infore
em Bioinformática
Biologia Computacional,
têm também visto
crescer o número de candidatos
e inscritos»,
assegura Carlos Duarte, do departamento
de Informática da Faculdade de Ciências
da Universidade de Lisboa.
Carlos Duarte não nega que a popularidade
destes cursos está muito relacionada com
como uma porta de
no mercado de trabalho.
o facto de serem vistos
ciatura e nos
1
00% nos cursos pós-gradua-
dos.
INSTITUIÇÕES OPTIMISTAS,
MAS MENOS
Sem diferenças
no que toca ao grau de emdos alunos que saem dos seus
pregabilidade
cursos, há instituições
que sentiram algumas
menos positivas neste ano lectivo
diferenças
face aos últimos
Minho
A Universidade
anos.
do
um desses exemplos.
«Mantendo uma boa procura,
é
como o são realmente, em virtude da procura que se mantém por alunos formados nesta
foi possível
uma ligeira descida partilhada a
do
quase todos os cursos da Universidade
Minho. Sem dúvida um resultado directo da
área», acrescenta.
crise que Portugal
entrada
directa
«Não só continuam
a ser vistos
A taxa de empregabilidade
como tal,
dos alunos
do
Departamento de Informática da Universidade de Lisboa ronda os 100%. «A grande
verificar
te empobrecimento
Luís Amaral, do departamento
de Sistemas
de Informação
da Escola de Engenharia
Universidade
do Minho.
maioria daqueles que realizam o seu projecto final de curso numa empresa acaba por
A universidade
continuar
mestrados
nessa empresa depois de concluí-
atravessa e do consequenrefere
das famílias»,
tem neste
e um programa
da
três
momento
de ini-
doutoral
do o curso. Aqueles que realizam o projecto
no departamento de Informática tipicamente
ciativa e coordenação
são alvo das acções de recrutamento
ainda
antes de terminarem o projecto», explica
envolvido
Carlos Duarte.
ciclos) em Engenharia e Gestão de Sistemas de Informação (curso nuclear do Departamento de Sis-
O cenário
instituições,
repete-se noutras
como é o caso da Lusófona. A oferta formativa pós-licenciatura da universidade passa por
um MBA de Sistemas de Informação e Emum MBA de Sistemas de
preendedorismo,
Informação em Saúde, uma pós-graduação
em IT Governance, uma pós-graduação
em
Gestão Avançada de Projectos
PMI, um mesde
Informática
trado
e Sistemas
Engenharia
de Informação e um doutoramento NEMPS
-
Novos Media e Sistemas Übíquos.
«A procura de profissionais
de tecnologias
tem sido cada vez maior. Ac-
de informação
mais dois programas
mestrado integrado
ter no mínimo
as qualidades
Se a isso o aluno sustentar
participação
num
em Engenharia de
Segundo Luís Amaral, o mestrado Integrado
em Engenharia e Gestão de Sistemas de Informação enche a totalidade das vagas «porque é um curso que tem tradição, reconheci-
-
herdeiro
mento e forte empregabilidade
licenciatura em Informática de Gestão».
O mestrado em Sistemas
de Informação
da
e o
em Tecnologias e Sistemas de Informação tem nos últimos anos
preenchido cerca de 80% das suas vagas,
alunos de todo o país e do estran-
geiro, fundamentalmente
pela sua reputação
de excelência (merecida) no domínio dos
sistemas
de informação,
na investigação
muito em particular
deste domínio».
sociais e de gestão, então
elevado potencial de empresalienta Rui Ribeiro.
A empregabilidade
para quem aposta nestes
é
cursos «real»
próxima dos 00%, «apesar
de os números oficiais não serem tão bons,
de que a taxa de
nesta área está acima dos
pois acontece que alguns programas de estágio exigem a inscrição no lEFP, sendo con-
outras capacidades
terá certamente
gabilidade»,
Acrescente-se
2°
Comunicações.
«atraindo
exigidas.
e
e a
integrado
School (LISS)
«Claramente, esta é uma área em que a entrada no mercado de trabalho é quase garan.
Há ainda um
doutorais.
(I .°
temas de Informação)
outro mestrado
até temos pouca oferta para a procura sentida», refere Rui Ribeiro, presidenInformation
te da Lusófona
Systems
tualmente
técnicas
de
que também está
mais
dois
mestrados e em
em
programa doutoral
tida, bastando
do Departamento
Sistemas de Informação,
a indicação
empregabilidade
96% nos primeiros
seis meses após a licen-
1
tabilizados
como desempregados»,
explica
digital e de marketing. Basta abrirde referência para
de trabalho
encontrarmos
oportunidades
Luís Amaral.
mercial,
mos um jornal nacional
MERCADO
OFERTA ACOMPANHA
da Beira Interior (ÜBI
na área de tecnologias
Na Universidade
nesta área; continua
de cursos
a procura
a ser um sector
com
da informação
cresceu por causa da escassez
existente no mercado de trabalho, mas tam-
procura elevada», acrescenta a directora
Corporate Education do IPAM.
bém graças aos projectos que têm beneficiado a região, como a instalação do novo data-
O «método de observação,
center da Portugal Telecom
(PT) ou
a exis-
como
tecnológicos
parques
na Covilhã, e de estruturas
o Parkurbis,
tência
de
como o CoVVork e o Fab Lab, no Fundão.
A instituição
tem neste momento
ramentos
disponíveis,
três pós-
sendo os cursos
Na ÜBI
são adaptados
os cursos
mais
de traba-
às necessi-
ÜBI.
center) e o curso intensivo de Java Enterprio messe Edition. Este ano acrescentámos
trado em Design e Desenvolvimento
de JoAo nível do I.° ciclo foi
gos Digitais.
a licenciatura
e Sistemas
em Tecnologias
e nasceu o I .° ci-
de Informação
clo em Informática
Web», exemplifica
João
do mercado
a "auscultação"
é
um procedimento
comum a todas as instituições de ensino, interessadas em terem ofertas à
medida das necessidades
das organiza-
ções.
No caso do IPAM sublinha-se
formação
em marketing
a procura
digital.
digital cresceu exponencialmente
so das empresas
com
formação
de
«A área do
no univer-
nos últimos
contexto, as organizações
dade de terem profissionais
anos e, nesse
sentem a necessi-
académica
especializados,
e
de
Coimbra, onde sempre que há reformulapara além das questões ciené dada muita importântífico-pedagógicas,
ções de cursos,
cia às necessidades
de mercado,
Pedro Paiva. Nesse sentido,
garante Rui
os conselhos
são formados
dos cursos
professores
com os
e cientistas,
Na FCTUC há actualmente
-licenciatura:
mestrado
três cursos
pós-
em Engenharia
In-
formática
e
(MEI), mestrado em Design
Multimedia (MDM) e o programa de douem Ciências
toramento
formação
da In-
(PDTCI).
O programa
curricular
do recentemente,
lectivo
e Tecnologias
MEI foi actualiza-
do
entrando
de 2014-2015. «O
em vigor no ano
reestrutu-
MEI foi
rado de acordo com às áreas mais relevantes
Canavilhas.
Actualmente
de
relacionadas,
instituições
empregadores,
como a Ordem dos Engenheiros, o Centro
Português de Design, entre outros.
«No ano anterior foi lançado o curso de TIC
para telco (novo ICT for Cloud and Data-
descontinuada
na Faculdade
da Universidade
é idêntica
vários stakeholders:
de mercado, havendo uma relação
muito próxima com as empresas, garante
o vice-reitor para o Ensino, Internacionalizada
A situação
consultivos
dades
ção e Saídas Profissionais
de novas ofertas formati-
desenvolvimento
Ciências e Tecnologia
ICT for Cloud
procurados a pós-graduação
and Datacenter (antigo TIC para telco) e o
mestrado em Engenharia Informática. «Trata-se de uma resposta ao mercado
lho», referiu João Canavilhas.
com
empresários, o escutar os actuais alunos e a
existência de uma relação próxima com o
mercado» estão na base do lançamento e do
vas nesta instituição.
e dois douto-
quatro mestrados
-graduações,
as reuniões
da
experiência
a nível de mercado,
empresarial
e científico,
explica o responsável.
Nomeadamente foram criados quatro ramos
explícitos, embora já os houvesse implicitamente, explica
Inteligentes,
Rui Pedro Paiva: Sistemas
Engenharia
mas de Informação
ços e Infra-estruturas.
de Software,
«Além disso, os temas
de cada ramo foram redefinidos
com as necessidades
informação
de acordo
de mercado
internacionais
comendações
lEEE. Em particular,
Siste-
Servi-
e Comunicações,
da
e com re-
ACM
a área de sistemas
foi reforçada»,
e
de
acrescenta.
nesta área», refere
Carla Viana, directora
da Corporate Education do IPAM.
Em relação ao MDM, «o curso está actualmente muito focado em design de comuni-
«Sem dúvida que a procura está relacionada
com as ofertas de trabalho nos domínios co-
cação, pelo que o âmbito da formação vai
ser alargado. Neste momento estão a ser dis-
cutidas as alterações
Na Universidade
do estudo de case studies com aplicação
a propon>.
tica à realidade profissional»,
son Santos de Brito.
Europeia todos os progracom as necessidades
mas estão alinhados
do
«quer na definição de
programas em conjunto com as empresas,
como com o nosso corpo docente», garante
Nelson Santos de Brito, director-geral.
mercado de trabalho,
pra-
diz ainda Neland In-
Executive
Master Entrepreneurship
novation,
em Marketing
pós-graduações
e E-Tourism e mestrado em Ges-
Analytics
tão da Segurança são algumas das ofertas
introduzidas mais recentemente.
I
«Também ao nível da metodologia pedagógica esta proximidade é garantida, através
COM ESPAÇO
INTERESSE PELAS ÁREAS TECNOLÓGICAS
PARA AUMENTAR?
de cursos no sector de tecnologias é
ter
tudo
aumentar
não para abrandar, na opinião das
e
que parece
para
de ensino ouvidas pelo Semana Informática.
Em crescendo
de há alguns anos para cá, a procura
uma tendência
instituições
de inovação. Acreditamos que esta será sempre uma área de
até porque o mundo, hoje, não concebe viver sem tecnologia. É uma área
que se reinventa todos os dias, logo, as necessidades e as exigências terão,
necessariamente,
que acompanhar estas evoluções, sendo a formação um pilar basilar
é sinónimo
«A tecnologia
grande interesse,
para que tal aconteça», defende Nelson Santos de Brito, director-geral
da Universidade
Europeia.
Carlos Duarte partilha da mesma visão: «As tecnologias de informação vão manter um
papel de relevo na sociedade nos anos vindouros», por isso «acreditamos que a procura,
tanto por alunos, como por empregadores,
Entre as mudanças
acredita
esperadas,
irá continuar
que o modo como interagimos
vão ser cada vez mais pequenos,
elevada em conformidade.»
de Informática
o departamento
da Universidade
de Lisboa
computacionais vai mudar: «Estes
diluindo-se no contexto envolvente»,
com sistemas
mais distribuídos,
antecipa.
Ao mesmo tempo, a informação
conhecimento
«Assim,
que poderemos
que estes sistemas vão disponibilizar vai aumentar, e o
extrair dessa informação irá abrir novas oportunidades.
áreas como a computação
informação
übíqua ou o processamento
irão ter um papel cada vez mais relevante
de grandes
no futuro»,
segundo
quantidades
fonte do
de
mesmo departamento.
Para o director-geral
Europeia, por sua vez, uma das áreas que poderemos
«com a relevância que as plataformas on/inetèm ganho e
da Universidade
ver emergir é a área do digital,
perante os desafios que se colocam no mercado
de diferenciação
e adaptação
a um mercado
Outra área de futuro é a de empreendedorismo,
tecnológicas
de suporte
à inovação
de trabalho,
nomeadamente
que está em constante
com destaque
e internacionalização.
mudança
a capacidade
e evolução».
para as ferramentas
UNIVERSIDADES APONTAM CARÊNCIAS A FORMAÇÃO
EM TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO
O mercado
português
está bem provido
de profissionais
de Tl e a prova disso é o constante
recrutamento
profissionais por parte de empresas no estrangeiro, como aponta
de Informática da Universidade de Lisboa. Contudo há
Carlos Duarte, do departamento
desses
quem identifique carências, em diferentes aspectos.
Em termos de formação em Tl, João Canavilhas, da Universidade
da Beira Interior,
que não há carências no mercado português, mas sublinha que por vezes as
empresas não são da mesma opinião. «Isto acontece devido à existência das tecnologias
proprietárias, ou seja, tecnologias específicas das empresas. Ora, a formação não está, nem
considera
tecnologia. A formação deve sim, permitir que os
alunos tenham a capacidade para trabalhar com todas as tecnologias e isso tem sido
conseguido com sucesso», defende.
pode estar, baseada numa determinada
Os responsáveis
Universidade
que falaram pela Universidade do Minho, pelo IPAM, pela Lusófona
identificam carências na mesma área específica.
e pela
Europeia
da Universidade do Minho, aponta como as maiores carências do mercado
português tudo o que se relacione com a formação para a gestão do processo de adopção
das Tl pelas organizações e pela sociedade.
Já Carla Viana, do IPAM, acha que faltam profissionais
que façam a ligação entre a
tecnologia e o dia-a-dia das organizações e das pessoas, de tal forma que umas e outras
utilizem mais as Tl para aumentar a produtividade e a eficácia das organizações.
Luís Amaral,
Na Lusófona
negócio.
refere-se, principalmente,
«É fundamental
a capacidade
que os quadros
de gestão e de conhecimento
de
conheçam como funciona o
mais tecnológicos
das empresas, de forma a poderem integrar e a desenvolver as aplicações mais
adaptadas às necessidades empresariais», refere Rui Ribeiro, presidente da Lusófona
negócio
Information
Systems School.
Para Nelson
Santos de Brito, da Universidade
aliar as competências
competências
técnicas e altamente
de gestão empresarial».
está em «conseguir
que estas áreas exigem às
Europeia, o problema
especializadas
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