Sala de aula virtual:
um novo espaço incorporado à escola para se fazer educação
Autores:
Márcia de Borba Campos,
Lucia Maria Martins Giraffa.
Institución:
Facultade de Informática – FACIN - PUCRS
Brasil
Resumo
Este trabalho apresenta o framework utilizado para suporte as Salas de Aula Virtuais e uma
metodologia que orienta sua utilização como espaço interativo para a Educação.
A modalidade de Educação a Distância que suporta tais atividades é a interativa. Nesta abordagem
o mais importante é a participação dos alunos e suas contribuições ao longo do processo. Também
são apresentadas considerações sobre o papel do professor e dos alunos neste contexto.
Palavras - chave:
Educação a Distância - EAD, Sala de Aula Virtual - SAV, Internet, Ambientes Interativos de
Aprendizagem, Cooperação.
1. Introdução
A Educação à Distância (EAD) sofreu uma mudança significativa com a utilização da Internet como
espaço para se fazer educação. Segundo Pereira [PER99], a Internet, através de seus mais
diversificados recursos, possibilita a comunicação de seus usuários a longas distâncias, unificando
diferentes plataformas e disponibilizando diversas informações e serviços. Ainda, tornando-se o
meio mais utilizado para troca de informações de forma rápida, acessível e com baixa
complexidade de uso, a Internet rompe barreiras de espaço e tempo, permitindo o
compartilhamento de informações, cooperação e comunicação.
As propostas do uso desta tecnologia para fins educacionais possibilitam muitas alternativas no
que concerne às áreas de pesquisa. Entre essas, encontram-se aplicações de hipermídia,
sistemas de autoria para elaboração de materiais instrucionais para suporte ao processo de
ensino-aprendizagem, sistemas de aprendizado à distância, ambientes de comunicação e
colaboração para fins educacionais, frameworks para aprendizagem cooperativa e ambientes
distribuídos de ensino-aprendizagem.
Segundo Moore [Apud CAM99], muito da literatura sobre educação a distância tem dado ênfase
nas logísticas práticas e mecânicas do envio do material instrucional e das técnicas utilizadas. Tal
fato ocorre porque, muito freqüentemente, EAD tem consistido num simples envio de material ou
disponibilização do mesmo no WWW, por exemplo.
Por outro lado, pode-se encontrar relatos (Campos [CAM99], Moore [Apud CAM99], Nunes
[NUN98], Ramos [RAM95]) de projetos em EAD baseados na interatividade, troca, comunicação
entre seus participantes onde, mais importante que a própria informação, está o desenvolvimento
de habilidades para trabalhar com esta. E isso, porque com as tecnologias de comunicação que se
tem hoje, disponibilizar ou acessar informações não é mais problema. A dificuldade está
justamente em compreendê-la, em trabalhar cooperativamente na resolução de problemas, na
construção do conhecimento.
Este artigo apresenta a descrição e os resultados obtidos em EAD baseado num framework
composto por um conjunto de ferramentas disponíveis na Internet e uma metodologia que integra
estes recursos de maneira a construir uma dinâmica de trabalho onde alunos e professores
trabalham de forma integrada e cooperativa.
A seção 2 apresenta uma contextualização dos conceitos de EAD e sua forma de aplicação e
interpretação no escopo deste trabalho. A seção 3 apresenta considerações sobre o papel do
professor e do aluno, exemplificadas pelos resultados obtidos nos cursos na modalidade de Sala
de aula virtual – SAV - ministrados pelas autoras. A seção 4 apresenta as considerações finais
onde são comentadas as restrições encontradas e as soluções que estão sendo consideradas para
ampliar os resultados já obtidos. A seção 5 apresenta a bibliografia utilizada para este artigo.
2. Ead suportada pela Internet
Ao utilizarmos a Internet como espaço e veículo para EAD utilizamos o framework para SAV
desenvolvido no projeto Campus Global da Faculdade de Informática da PUCRS, desenvolvido por
Campos e Ferreira [CAM98], onde um conjunto de ferramentas são integradas via uma
metodologia de trabalho, levando em consideração as seguintes questões/características
propostas por Barros [BAR94]:
• Encontros síncronos: ocorrem ao mesmo tempo e local. Seriam as interações
face-a-face. Cabe salientar que os encontros presenciais são bem-vindos nos
cursos a distância para, por exemplo, quebrar resistências. No caso do nosso
trabalho são utilizados para a aula inaugural em cursos de graduação e pósgraduação; e opcionais nos cursos de extensão onde os alunos são moradores de
outra cidade. Nestes encontros presenciais, fortalece-se os objetivos do curso e
tenta-se começar a construir a identidade do grupo.
•
Encontros síncronos distribuídos: são ao mesmo tempo mas em locais
diferentes. Pode ocorrer por meio de conferência eletrônica, chat – que são a base
de nosso trabalho e amplamente utilizados nas turmas na modalidade de sala de
virtual da FACIN – e telefone – usado como suporte aos alunos e a própria infraestrutura do ambiente.
• Encontros assíncronos: ocorrem no mesmo local mas em momentos diferentes.
Os participantes do curso (professor e alunos) podem acessar ou disponibilizar
material sem a necessidade da presença conjunta no mesmo horário, mantendose apenas fixo o local.
• Encontros assíncronos distribuídos: ocorre em locais e momentos diferentes. É
o caso da comunicação por meio do correio eletrônico, da lista de discussão ou
envio de material impresso para o site, por exemplo.
Então, assincronicidade não deve ser vista somente como uma forma de interação para os
participantes que não possuem um horário em comum. Mais do que simples alternativa "temporal",
deve estar alicerçada num projeto pedagógico, deve ser acompanhada e incentivada para que a
comunicação não seja intensa no início e fraca ou inexistente no final do curso. Ainda, por se
observar uma maior desistência em cursos ou grupos de estudo assíncronos do que em cursos
síncronos ou mistos, a eficácia e a efetividade da comunicação docente/aluno, que se dá no
acompanhamento e na tutoria, são essenciais para aumentar o incentivo ao estudo e diminuir e/ou
evitar a evasão.
Campos [CAM98] na sua prática observou que alguns alunos apresentaram uma participação
menos intensa em comunicações assíncronas por considerarem desnecessário apresentar seu
ponto de vista quando este já havia sido abordado por outro colega.
Por outro lado, Barros [BAR94] salienta que as interações assíncronas são bastante úteis quando
o indivíduo necessita de tempo para reflexão ou estudo antes de emitir uma opinião, por exemplo.
Já a sincronicidade é bem-vinda para as conferências eletrônicas, discussões, debates, salas de
aula virtuais onde seus participantes parecem mais motivados e participativos. Assim, por haver
maior interação em um mesmo momento, aconselha-se que o número de participantes seja
pequeno. Além disso, os encontros síncronos propiciam a sensação de que não se está só,
favorecendo/fortalecendo a consciência ativa do grupo, "corporativando-o".
Enfim, deve-se ater na escolha dos meios que possibilitem as interações sejam elas, síncronas ou
assíncronas, uma vez que, dependendo dos objetivos e dos participantes, estes podem modificar
as relações entre eles e com o objeto de conhecimento.
Com relação ao framework que suporta os cursos nas SAV, este está baseado nos seguintes
serviços:
• WWW (incluso FTP): onde são disponibilizados os materiais das disciplinas, o
que inclui conteúdos, agenda das atividades mês a mês, registro das interações,
descrição das atividades extra-classe, materiais complementares, fórum para
discussão de dúvidas e uma biblioteca virtual e digital, dentre outras (figura 1).
Figura 1: Site de um curso na modalidade SAV
• E-mail: utilizado para esclarecimento de dúvidas e comunicação privada do
professor com seus alunos e vice-versa.
• Lista de Discussão: criada para complementar o trabalho desenvolvido nos
encontros síncronos e servir de espaço para as contribuições dos alunos, envio de
tarefas complementares e informações do professor para o grupo e entre
participantes do grupo;
• Ferramenta de Chat: utilizada para suporte aos encontros síncronos
distribuídos. Temos utilizado o CuSeeMe (versão freeware), Netmeeting e
Microsoft Chat. Em função do tipo de trabalho a ser desenvolvido, escolhe-se a
ferramenta de chat que visa permitir um trabalho cooperativo on-line. Estas
ferramentas operam na modalidade cliente-servidor, onde cada aluno recebe uma
cópia do software para instalar na sua máquina – download do site. Atualmente,
estamos utilizando assiduamente o CuSeeMe.
Ainda, uma vez que tudo o que foi discutido está devidamente registrado no ambiente da turma,
este torna-se um valioso material para o professor e para os alunos uma vez que através dele, os
participantes podem tanto obter o que foi discutido quanto elaborar sua auto-avaliação; sendo fonte
valiosa de informação para acompanhamento dos alunos e da avaliação do trabalho do professor.
Desta forma, esta é uma das opções do ambiente mais utilizadas por representar a "memória" do
grupo.
Quanto aos alunos, estes encontram-se separados fisicamente participando dos encontros de sua
casa ou empresa; existindo ainda, a possibilidade de usar o laboratório da universidade caso ele
tenha algum problema de conexão ou com seu equipamento. Já, o professor participa desta, da
universidade onde possui uma sala equipada com um microcomputador multimídia conectado à
Internet, um telefone para atendimento de dúvidas de conexão (com linha direta ao setor de
suporte da rede), livros e materiais que necessita durante o encontro síncrono distribuído.
Como a metodologia adotada não incentiva a EAD como forma industrializada de ensinar e
aprender – ou como um programa de educação massiva - o número de alunos ficou limitado em
vinte (20) onde, através da experiência, comprovou-se que este número possibilita um alto grau de
colaboração, de interatividade, identidade como grupo, permitindo qualidade nas interações e um
equilíbrio entre organização e flexibilidade.
3. Salas de aula virtuais: o papel do professor e do alunos
A mudança na postura do professor que atua a distância em relação ao professor presencial é
sempre questionada por todos aqueles que desejam trabalhar neste novo espaço suportado pelas
novas tecnologias.
Segundo Moran [MOR95], as tecnologias de comunicação não substituem o professor senão que
modificam algumas de suas funções. E isso, porque a base maior de informações não virá deste,
mas sim dos computadores, das bibliotecas digitais/virtuais, dos museus, da interação com as
outras pessoas. "O professor não é mais e nem consegue ser o depositário de todo o
conhecimento. Ele tem que se comunicar e colaborar com seus pares, para se manter atualizado,
acompanhar as transformações para poder exercer seu papel de orientador, mediador e
estimulador de seus alunos" [Apud CAM99].
Então, o professor passa a ser um facilitador, um orientador ou, nas colocações de Levy [LEV98],
"um animador da inteligência coletiva de seus grupos de alunos, em vez de um dispensador direto
de conhecimentos". Desta forma, cabe a ele, motivar o grupo e monitorar a participação levando
em conta que o silêncio não significa, necessariamente, uma não aprendizagem e que o barulho
(principalmente em encontros síncronos) não é sinônimo de bagunça; mas de que algo está
acontecendo.
Observamos que a experiência adquirida nos cursos a distância implicou numa profunda reflexão
da nossa postura nos cursos presencias. O professor de SAV necessita organizar-se de tal
maneira que os conteúdos e atividades a serem trabalhadas com seus alunos estejam
antecipadamente disponibilizados para os mesmos. A metodologia prevê uma organização prévia
do curso, onde os materiais vão sendo disponibilizados em porções que abranjam um período de,
no mínimo, duas semanas. Ainda, na opção agenda são apresentadas as atividades a serem
desenvolvidas aula por aula, disponibilizando links para textos, programas, sites, etc. onde o aluno
deve procurar material para estudar previamente, preparando-se para o encontro com a turma.
Esta organização implica numa visão geral e detalhada de todo o curso e um pensar prospectivo a
fim de garantir que seus alunos recebam as informações e possam organizar-se. Ao mesmo tempo
que esta organização se faz necessária, o professor tem de acompanhar os encontros síncronos e
estar atento aos ajustes que se fazem necessários para garantir um trabalho personalizado e
adequado às necessidades que emergem na sua turma.
Em outras palavras, o professor prepara a estrutura inicial do material de apoio e juntamente com
os alunos, alimenta esta. Ou seja, a construção do material de apoio, principalmente do site do
curso, esta em constante construção e depende basicamente das contribuições dos alunos. Neste
sentido, o aumento significativo dos links que constituem a biblioteca virtual da disciplina, ocorre de
forma sistemática onde os alunos sentem-se motivados a colaborar; e isso também porque quando
suas contribuições são disponibilizadas aos colegas e eles se sentem ainda mais como parte
integrante do processo.
Quanto aos alunos, deixam de ser receptores passivos de informações geradas pelo professor,
para serem agentes de busca, seleção, processamento e construção do seu conhecimento
desempenhando, assim, habilidades mais importantes que a própria informação. Um aluno de
cursos a distância não deve, portanto, assistir a uma aula à distância como quem assiste a um
filme. Ele deve participar, fazer parte desta e isso porque todo conhecimento resulta de uma
construção do sujeito que ocorre a partir de sua ação sobre o mundo. Ou, como coloca Piaget
[PIA72]:
"O conhecimento não é uma copia da realidade. Conhecer um objeto, um acontecimento não é
simplesmente olhar e fazer uma cópia mental, ou imagem, do mesmo. Para Conhecer um objeto é
necessário agir sobre ele. Conhecer é modificar, transformar o objeto, é compreender o processo
desta transformação e, consequentemente, compreender o modo como o objeto é construído."
Ainda, um indicador do preparo do aluno é medido pela quantidade e qualidade das interações que
ele realiza durante o encontro – o que demostra interesse e reflexão sobre o que está sendo
discutido. Assim, mesmo as dúvidas e os questionamentos expressam o grau de trabalho prévio
deste, no assunto em discussão na aula, e isto é facilmente observável através dos registros das
aulas.
Também, relatos de nossos alunos, durante os encontros e nas avaliações, mostraram que eles
percebem claramente a importância da auto-organização, do estudo prévio e, que a qualidade da
sua participação nos encontros está diretamente ligada ao seu envolvimento na sua preparação
pessoal, também no estudo extra-classe. Desta forma, a experiência nos cursos a distância tem
demonstrado uma melhoria na participação dos alunos e aumento de qualidade e quantidade nas
contribuições relativas ao assunto trabalhado no curso.
Tendo em vista a importância do papel do professor na orientação e motivação do aluno e o aluno
desempenhando um papel ativo no seu desenvolvimento com alta participação e comunicação no
processo, fica inaceitável admitir que o corpo docente em EAD seja bastante reduzido em relação
ao ensino presencial como afirma Guimarães [GUI98]: "... uma sala de aula é considerada ideal
com 25 alunos por professor, chegando até, em casos especiais, à relação de 15 alunos por
professor. No caso de ensino a distância, a relação é de 100 alunos por um professor, tendo em
vista que a comunicação entre alunos e professor não é sistemática, mas ocasional." (fl. 30)
Tal afirmação não deve fazer sentido uma vez que hoje não há problema em acessar informações
mas sim em transformá-las em conhecimento, em aprender a interagir, cooperar. Portanto, o
professor não deve somente responder as consultas; deve, pois, provocar desafios, colocar
questões relevantes para promover o debate entre os participantes. O que se torna impossível na
proporção de cem alunos para um professor.
A improvisação que se faz necessária nos cursos a distância é de certa maneira um tanto dirigida e
traz consigo uma grande dose de planejamento prévio. Não temos espaço para planejar uma aula
faltando dez minutos para esta começar. Não existe espaço para improvisações decorrente da falta
de planejamento do professor. O descaso ou a falta de envolvimento adequado no preparo do
curso por parte do docente se torna evidente e comprometedora.
Interessante, também é observar as profundas reflexões que a experiência em ministrar um curso
a distância tem desencadeado entre os docentes da nossa comunidade e entre os alunos. Na
realidade, as ações e procedimentos realizados pelos docentes e discentes nos cursos nesta
modalidade de SAV não diferem muito do que se faz (ou se deveria fazer) nos cursos presenciais.
Mas, de um modo geral, os docentes da nossa comunidade passaram a se questionar sobre seus
métodos de trabalho em face aos resultados apresentados nas turmas não presenciais.
4. Consideraçoes finais
Segundo Garcia [GAR98] para a educação, "a Internet pode ser considerada a mais completa,
abrangente e complexa ferramenta de aprendizado do mundo. Podemos, através dela, localizar
fontes de informação que, virtualmente, nos habilitam a estudar diferentes áreas do conhecimento."
Desta forma, a informação está ao alcance de qualquer pessoa, a qualquer momento e em
qualquer lugar. Então, acessar a informação não é o problema.
O problema é que educação é mais que possuir informação. Como salienta Nunes [NUN98], "o
conhecimento se firma na informação, mas esta não é educação". O conhecimento implica
informação interiorizada e adequadamente integrada às estruturas cognitivas do sujeito. Roszak
[Apud ALM92] também coloca que, por informação não ser conhecimento, "Você pode produzir
dados primários em massa e incríveis quantidades de fatos e números. Mas não pode fazer
produções em massa de conhecimento ..." . Sendo assim, esta, além de não "viajar" pelas redes
de computadores, é pessoal e intransferível e, por isso, transmite-se informação que pode (ou não)
ser convertida para conhecimento pela receptor da mesma.
Quanto a metodologia de ensino-aprendizagem, pode-se ter modelos tradicionais de EAD quando
ela é utilizada como um repositório de informações, previamente selecionadas pelo professor, para
os alunos. Ou, por outro lado, como um ambiente interativo onde se primazia as interações, a
aprendizagem colaborativa/cooperativa.
O que se pretende com a metodologia desenvolvida no framework aqui apresentado, é promover
um diálogo efetivo entre todos os participantes de forma multidirecional. Procuramos incentivar
atividades em grupos onde estes se estabelecem por afinidades de idéias e observamos uma
incremento do processo de socialização da informação promovida pelo tipo de atividade
desenvolvidas durante o curso. As turmas na modalidade de SAV criaram um espaço alternativo e
muito rico para se trabalhar.
Quanto aos alunos e o professor, estes têm de negociar, trabalhar num constante processo de
construção de significados individuais e coletivos. Assim, a postura destes muda no espaço virtual.
E, então, podemos questionar se isto é correto ou não; em outras palavras, entendemos que a
questão a ser discutida é:
Deveria a postura de professores e alunos mudar por que a aula acontece num espaço
virtual?
A mudança na forma de trabalhar sempre implica numa mudança de todos, ou pelo menos na
adaptação de métodos usualmente utilizados. Neste sentido, vemos a Internet funcionar como uma
terceira onda (parafraseando Alvim Toffler) dentro da história da Informática na Educação.
Passamos do estágio de questionar se os computadores serviriam, ou não, como ferramenta de
trabalho para auxiliar o processo de ensino-aprendizagem para o estágio de observar os avanços
da tecnologia e os utilizarmos para fazer da Educação uma forma mais diversifica atendendo cada
vez mais o paradigma centrado no aluno; uma vez que nossos cursos a distância são
eminentemente baseados e centrados na participação dos alunos.
E é por isso que, se os alunos não se engajam nas atividades, a aula não acontece. As interações
não ocorrem e passa a ser um longo monólogo aborrecido com intervenções unilaterais do
professor. Se isto já é enfadonho o suficiente nas aulas presenciais, a sua repetição no espaço
virtual é ampliada.
Uma limitação que observamos nos cursos de SAV ministrados nesta metodologia e, que se
constituem numa fator de qualidade, é a quantidade de alunos que se trabalha nos encontros
síncronos. O fato de podermos trabalhar em turmas menores aumenta significativamente a
qualidade do trabalho e possibilita um maior número de interações. È inegável que este tipo de
turma demanda um custo maior do que as turmas presenciais, uma vez que os recurso
computacionais e infra-estrutura necessária para viabilizar os curso são mais dispendiosos do que
o tradicional utilizado presencialmente.
A criação de cursos em SAV requer um infra-estrutura técnica e computacional para viabilizar e
garantir o fluxo das informações tanto de forma assíncrona, como nos encontros síncronos. Isto
implica em custos para toda a escola que deseja lançar-se no ciberespaço com fins educacionais.
Além disto, requer professores tecnicamente e metodologicamente preparados para os desafios
inerentes ao tipo de trabalho a ser desenvolvido.
Por fim, nunca foi tão necessário contar com a competência do professor e o domínio do conteúdo
como agora. Voltamos, então, à raiz do processo: professores bem preparados e criativos são
capazes de usar o espaço virtual na sua potencialidade. Ainda, devemos considerar que utilizar os
avanços tecnológicos para se ampliar o fazer na Educação não significa uma forma sofisticada ou
rápida de se reproduzir procedimentos tradicionais, muitas vezes já inoperantes para a educação.
EAD não deve representar uma forma de massificação da Educação.
5. Bibliografia
[ALM92] ALMEIDA, Maria Christina de. Ansiedade da Informação: como transformar informação
em compreensão. Acesso, ano 3, n. 8, p.51-52, dez. 1992
[BAR94] BARROS, Lígia Alves. Suporte a ambientes distribuídos para aprendizagem cooperativa.
(Resumo da tese de doutorado). COPPE/UFRJ. 1994.
[CAM99] CAMPOS, Márcia de Borba. Educação a Distância: uma oportunidade ao construtivismo e
sua utilização na Educação Especial. Porto Alegre: CPGIE/UFRGS. 1999. 116p. (Exame de
qualificação – Doutorado em Informática na Educação).
[CAM98] CAMPOS, Márcia de Borba; FERREIRA, Simone Nunes. CBP2001: uma experiência
prática de sala de aula virtual nos cursos de graduação da PUCRS. In: SIMPOSIO EN REDES Y
SISTEMAS DISTRIBUIDOS - REDES’98. 1998. Memorias … Buenos Aires: Faculdad de
Ingeniería, UBA, 1998.
[GAR98] GARCIA, Paulo Sérgio. A Internet como nova mídia na Educação. Capturado em 22 jul.
1998. Online. Disponível na Internet http://www.geocities.com/Athens/Delphi/2361/intmid.html
[GUI98] GUIMARÃES, Paulo Vicente. A contribuição do consórcio interuniversitário de educação
continuada e a distância - BRASILEAD - para o desenvolvimento da educação nacional. Em
Aberto, Brasília, ano 16, n. 70, p. 28-33, abr./jun. 1998.
[LEV98] LEVY, Pierre. Educação e Cybercultura: a nova relação com o saber. Capturado em 27
maio 1998. Online. Disponível na Internet http://netu.unisinos.tche.br/levy/educaecyber.html
[MOR95] MORAN, José Manuel. Novas tecnologias e o reencantamento do mundo. Revista
Tecnologia Educacional. Rio de Janeiro, vol. 23, nº 126, setembro-outubro, 1995, p. 24-26.
Capturado
em
31
mar.
1998.
Online.
Disponível
na
Internet
http://www.eca.usp.vr/eca/prof/moran/novtec.htm. 31/03/98. 4 pág.
[NUN98] NUNES, Ivônio Barros. Noções de Educação a Distância. Capturado em 20 jan. 1998.
Online. Disponível na Internet http://www.ibase.org.br/~ined/ivonio1.html
[PER99] PEREIRA, Adriana .S. Um Agente para Seleção de Estratégias de Ensino em Ambientes
Educacionais na Internet. Porto alegre: PGCC/UFRGS, 1999. (Dissertação de mestrado)
[PIA72] PIAGET, Jean. Development and learning. In LAVATTELLY, C. S. e STENDLER, F.
Reading in child behavior and development. New York: HartcourtBrace Janovich, 1972. Trad. Paulo
Francisco
Slomp.
capturado
em
14
abr.
1998.
Disponível
na
Internet.
http://www.ufrgs.br/faced/slomp
[RAM95] RAMOS, Edla Maria F. Análise ergométrica do sistema hipernet buscando o aprendizado
da cooperação. In.: CONGRESSO INTERNACIONAL LOGO, 7, CONGRESSO DE INFORMÁTICA
EDUCATIVA DO MERCOSUL, 1, 1995, Porto Alegre. Anais … Porto Alegre, 1995.
[SAR98] SARAIVA, Terezinha. Educação a Distância no Brasil: lições da história. Em Aberto,
Brasília, ano 16, n. 70, p.17-27, abr./jun. 1998.
Download

Sala de aula virtual: um novo espaço incorporado à escola