UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS I
PEDAGOGIA – ANOS INICIAIS
ANNE CAROLINE DOS SANTOS SOUZA
A EXPERIÊNCIA DO INTERCÂMBIO COMO ELEMENTO
POTENCIALIZADOR NA FORMAÇÃO DO PEDAGOGO:
CASO UNEB/UNIPd
SALVADOR
2010
ANNE CAROLINE DOS SANTOS SOUZA
A EXPERIÊNCIA DO INTERCÂMBIO COMO ELEMENTO
POTENCIALIZADOR NA FORMAÇÃO DO PEDAGOGO:
CASO UNEB/UNIPd
Monografia apresentada a Universidade do
Estado da Bahia – UNEB, Departamento de
Educação, Campus I, como pré-requisito para a
conclusão do curso de Pedagogia, habilitação
em anos iniciais.
Orientador(a): Profª Me. Heloisa Lopes
Co-orientador(a): Profª Dr. Ana Paula Feitosa
SALVADOR
2010
ANNE CAROLINE DOS SANTOS SOUZA
A EXPERIÊNCIA DO INTERCÂMBIO COMO ELEMENTO
POTENCIALIZADOR NA FORMAÇÃO DO PEDAGOGO:
CASO UNEB/UNIPd
Monografia apresentada a Universidade do
Estado da Bahia – UNEB, Departamento de
Educação, Campus I, como pré-requisito para a
conclusão do curso de Pedagogia, habilitação
em anos iniciais.
Orientador(a): Profª Heloisa Lopes
Aprovado em ____de Agosto de 2010
BANCA EXAMINADORA
Profª . Heloisa Lopes
Profª.
Profª.
Dedico este trabalho a todos aqueles
que contribuíram para sua realização.
AGRADECIMENTOS
O primeiro agradecimento especial caberá a Deus que permitiu a conclusão desse
trabalho na minha caminhada acadêmica.
Gostaria de agradecer a todos aqueles que de certa forma contribuíram na
construção deste trabalho. Não citarei nomes, pois não quero ser injusta com
ninguém. A todos os amigos, familiares, conhecidos, amores, colegas de turma,
minhas professoras orientadoras, vizinhos etc. sintam-se agradecidos.
“Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita.
Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi”.
(MARIO QUINTANA DE ANDRADE)
RESUMO
O trabalho versou sobre: a experiência do intercâmbio como elemento
potencializador na formação do pedagogo: o caso da Universidade do Estado da
Bahia e a Universidade de Padova. A indagação central buscou investigar a
importância do intercâmbio na formação do pedagogo. Os objetivos traçados foram
conhecer: o que é educação, pedagogia, a polissemia dos termos intercultura,
multicultura e os processos formativos por intercâmbio. Para tal esta monografia
mapeará relatos de algumas experiências de estudantes de pedagogia da UNEB
campus- I que participaram do intercâmbio. Como resultado pode-se dizer que a
experiência do intercâmbio possibilita uma ampliação dos conhecimentos vistos na
Universidade, crescimento pessoal, oportunidades de emprego. A UNEB precisa
ampliar essa pratica com os outros departamentos, outros campi e outras
Universidades no exterior.
Palavras-chave: Intercâmbio, Educação, Intercultura.
ABSTRACT
The work was about: The experience of the exchange as an enhancer of teacher
training: the case of the University of Bahia and the University of Padova. The central
question sought to investigate the importance of sharing in teacher training. The
objectives were to know: what is education, pedagogy, the multiple meanings of the
terms intercultural, multiculturalism and the formative processes by exchange. For
such maps this monograph reports of some experiences of students of pedagogy
UNEB campus-I participated in the exchange. As a result we can say that the
experience of exchanging knowledge enables an expansion of visas at the university,
personal growth, job opportunities. The UNEB needs to extend this practice to other
departments, other campuses and other universities abroad.
Keywords: Exchange,education,intercultural.
LISTA DE ILUSTRAÇÃO
QUADRO 1 - Diferença entre educação multicultural e intercultural, p. 22.
QUADRO 2 - Relação de nomes das participantes da pesquisa, p. 35.
FIGURA 1 - Reitoria da Universitá degli studi di Padova, p. 60
FIGURA 2 - Departamento de Educação da Facoltá di scienze delle formazione
primaria, p. 61.
FIGURA 3 - Portaria da residência Universitária Don Nicola Mazza, p. 63.
LISTA DE SIGLAS
FAEEBA – Faculdade de educação do Estado da Bahia
NESTI - Núcleo de estudos italianos
UNEB – Universidade do Estado da Bahia
UNIPd – Università degli studi di Padova
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................. 12
2. O QUE É EDUCAÇÃO ..................................................................................... 15
2.1. O que é pedagogia ........................................................................................ 16
3. PEDAGOGIA INTERCULTURAL .................................................................... 22
3.1. A polissemia dos termos: educação multi, inter e pluricultura ....................... 24
4. INTERCÂMBIO: UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA/UNIVERSITÁ
DEGLI STUDI DI PADOVA .................................................................................. 29
4.1. Breve histórico da UNEB ............................................................................... 29
4.2. Breve histórico da UNIVERSITÁ DEGLI STUDI DI PADOVA ....................... 29
4.3. Surgimento do convênio da universidade do estado da bahia com a universitá
degli studi di padova ............................................................................................. 31
4.4. Facoltà di scienze della formazione............................................................... 33
4.5. Collegio universitario don nicola mazza ........................................................ 34
5. EXPERIÊNCIA DO INTERCÂMBIO NA UNIVERSITÀ DEGLI STUDI DI
PADOVA..................................................... ......................................................... 36
5.1.Intercâmbio para adentrar na cultura.............................................................. 36
5.2. Intercâmbio como emancipação da vida pessoal .......................................... 38
5.3. Intercâmbio para ampliar conhecimentos ...................................................... 39
5.4. Intercâmbio para estreitar e alargar relações interpessoais .......................... 40
5.5. Intercâmbio para avançar no processo formativo .......................................... 49
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 52
REFERÊNCIAS .................................................................................................... 54
APÊNDICES ......................................................................................................... 56
ANEXOS .............................................................................................................. 59
12
1. INTRODUÇÃO
O termo intercâmbio é recente, significa troca. Troca esta que pode ser: cultural,
comercial, trocas de experiências de vida, troca de idiomas dentre outros.
A prática de migrar e trocar ocorre há muitos anos. Desde a existência dos
primeiros grupos humanos os homens migram e buscam conhecer outras culturas,
outras formas de vida.
Com o advento das novas tecnologias e da globalização fica mais fácil conhecer o
mundo sem sair de casa. Com o computador e a internet é possível ver imagens em
tempo real de qualquer lugar do mundo, conhecer pessoas, fazer novas amizades,
casar, fazer compras dentre outros.
Atualmente o intercâmbio é usado para estudos e/ou trabalho, há aqueles que
buscam aprender outro idioma, fazer novas amizades, aprender uma profissão ou se
especializar nela.
Com as constantes transformações no mundo do trabalho e do capital, a educação
passa ser dotada de um valor econômico e social que anteriormente não tinha. A
revolução tecnológica traz consigo a grande busca por diplomas, já que o trabalho
braçal começa a ser substituído por maquinas. É nesse meio que aqueles com maior
grau de instrução (ou maior quantidades de diplomas) terão mais chances no
mercado de trabalho atual. Estudar em outro país e falar uma segunda língua te
coloca um passo a frente de outras pessoas na busca por empregos e melhores
condições de vida.
Nessa
presente
pesquisa
será
discutida
a
relevância
sócio-educativa
especificamente do intercâmbio cultural entre a Universidade do Estado da Bahia
(UNEB) campus-I e a Università Degli Studi di Padova (UNIPd) para a formação das
estudantes de pedagogia. A indagação central é: qual a importância do intercâmbio
para a formação do estudante de pedagogia?
Os objetivos desta investigação são: conhecer e analisar algumas experiências de
estudantes que participaram do intercâmbio ao longo desses anos de convênio entre
13
a UNEB e a UNIPd. Identificar de que forma essa experiência na Universidade
italiana tem contribuído para a formação das estudantes de pedagogia.
A idéia de se pesquisar sobre a temática surgiu após ter participado do intercambio
cultural promovido entre a Faculdade de Educação da UNEB campus- I e a
Università Degli Studi di Padova (UNIPd).
Sabendo que o intercambio iniciou-se em 1996 e ainda não existem registros
documentados sobre o mesmo, observa-se a grande necessidade de pesquisas e
registros na área, tendo em vista que anualmente duas estudantes de pedagogia da
UNEB participam do intercâmbio.
Faz-se necessário um aprofundamento a cerca de como essa experiência atua e
potencializa/ ou não, a formação acadêmica dessas estudantes.
A proposta metodológica escolhida para subsidiar este trabalho segue a linha de
pesquisa qualitativa. Conseqüentemente, sintonizada com a temática e na busca de
investigar o problema proposto, tomando como ponto de partida os estudos de
Bogdan e Biklen (1982, apud André 1986), na pesquisa qualitativa em virtude de
considerar essa abordagem a mais apropriada com o objeto de estudo, por ter um
vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito.
Do ponto de vista dos procedimentos técnicos, foi o estudo de caso o tipo de
pesquisa qualitativa escolhida que estruturou a análise de dados através de um
roteiro de entrevista semi-estruturada dividida em três blocos: o primeiro
denominado de identificação, o segundo chama-se experiência do intercâmbio na
Universidade de Padova onde as estudantes relatam sobre disciplinas e autores
estudados e o terceiro bloco que é leitura de mundo a partir da experiência do
intercâmbio no qual fazem analises da vivência do intercâmbio na vida pessoal e
acadêmica.
O trabalho foi organizado em quatro tópicos. No primeiro tópico tratou-se de
concentrar o que é educação e pedagogia a partir dos autores: Libâneo (2009),
Brandão (2006), Osório (2006). O segundo tópico aborda questões referentes à
pedagogia intercultural e a polissemia dos termos intercultura, multicultura, dentre
outros referentes à temática do intercâmbio utilizando para tal finalidade autores
14
como Candau (2002), Fleuri (2003), Pimenta (2002) que trazem grandes
contribuições sobre as temáticas.
No terceiro tópico trago breves históricos da Universidade do Estado da Bahia,
Università degli studi di Padova e como se firmou o convênio entre as duas.
No quarto tópico relatos e experiências de algumas estudantes que participaram do
intercâmbio.
E finalmente as conclusões, na qual ponderei algumas considerações acerca da
temática, baseado nas analises feitas.
15
2. O QUE É EDUCAÇÃO
Para falarmos de formação de pedagogos pelo intercâmbio, por processos de
intercultura, precisamos definir antes o que é a pedagogia, como surgiu o curso de
pedagogia, que tipo de formação o curso propõe, e claro precisamos falar de
educação.
Segundo Brandão no livro “o que é educação” diz que “ninguém escapa da
educação” (2006, p.7), ela acontece em diversos lugares, em casa, na rua, na igreja,
em baixo de uma árvore e/ou na escola às vezes para aprender, ensinar ou para
ambas. É algo que está intrínseco a nossa existência “misturada a nossa vida com
uma ou mais educações”.
Brandão usará o termo “endoculturação” (2006, p.24) para se referir a todas as
formas de educação intencional em que há relações e trocas entre pessoas e que
não ocorrem no ambiente escolar, como por exemplo, quando uma mãe deseja
ensinar ao filho os saberes e valores da comunidade em que vivem, ensiná-lo a ser
um adulto que respeite e viva de acordo com as regras ditadas pela comunidade.
Tudo o que existe disponível e criado em uma cultura como
conhecimento que se adquire através da experiência pessoal com o
mundo ou com o outro; tudo que se aprende de um modo ou de outro
faz parte do processo de endoculturação, através do qual um grupo
social aos poucos socializa, em sua cultura, os seus membros, como
tipos de sujeitos sociais. (BRANDÃO, 2006, p.25)
Brandão destaca ainda baseado nas idéias do filosofo Emile Durkheim que a
educação nada mais é que representações sociais. Educamos de acordo com
modelos políticos e sociais na qual estamos inseridos de acordo com os ideais
sociais que se tem de um e do outro. Segundo Brandão (2006, p.70) é falso
pretender educar mentalmente e fisicamente sujeitos soltos, fora dos contextos
sociais.
Para Brandão (2006, p.10) “A educação é, como outras, uma fração do modo de
vida dos grupos sociais que a criam e recriam, entre tantas outras invenções de sua
16
cultura, em sua sociedade.” A educação servirá para manter viva e repassar através
do constante processo chamado por Brandão de “ensinar-e-aprender” os valores,
costumes, religiões, formas de trabalho, arte etc. de uma comunidade.
Segundo o sociólogo Alberto Rodrigues (2004) baseado nas idéias de Max Weber
na sociedade moderna a educação deixa de ter por principal objetivo a formação
humana e passa a ser um “pacote de conteúdos” voltados para o treinamento do
indivíduo a desempenhar papeis na sociedade, ou seja, se educa para formar novos
lideres do Estado ou novos líderes capitalista, situação na qual Weber condenava,
pois suas idéias são a favor da educação para a formação humana. “A educação
passa a ser, na medida em que a sociedade se racionaliza, historicamente, um fator
de estratificação social, um meio de distinção, de obtenção de honras, de
prebendas, de poder e de dinheiro” (RODRIGUES, 2004, p. 78)
Não existe um modelo único de educação como já foi discutido por diversos autores
e nem a escola é o único local onde ela pode acontecer e nem sempre será o
melhor. A educação pode servir para tornar comum o saber de uma nação, mas,
esse saber pode de nada servir para outra nação. Pode existir imposta e/ou como
forma de controle e imposição de um governante sobre as pessoas de seu estado
ou país reforçando e mantendo um período de desigualdade entre as pessoas e
pode ser usada como forma de emancipação social e política.
2.1 O QUE É PEDAGOGIA
Chega o momento em que a educação deixa de ser livre entre as pessoas, as
maneiras informais em que um aprende com o outro em casa, na rua no trabalho
passa a ser formalizada e centralizada em um local. O ensino formal nas escolas
será uma das praticas mais adotadas em todo o mundo e o mais duradouro. Os
ensinamentos dos anciões para os mais novos já não é tão valorizado. Surge um
ramo dentro da educação especialista no processo de ensinar e aprender: a
pedagogia.
Existem diversas modalidades de praticas educativas: educação informal, nãoformal, e formal. Segundo Libâneo (2009) no livro “pedagogia e pedagogos para
quê?” Fala-nos que a educação informal corresponderia a ações e influências
17
exercidas pelo meio, pelo ambiente sociocultural, e que se desenvolve por meio das
relações com os indivíduos e grupos com seu ambiente humano, social não estando
ligado especificamente a instituições de ensino. A educação não-formal seria
realizada em instituições, com certo grau de estruturação, mas, fora dos marcos
institucional. A educação formal compreenderia instâncias de formação, escolares
ou não, onde há objetivos educativos explícitos e uma ação intencional
institucionalizada, estruturada, sistemática.
Os gregos foram uns dos primeiros a pensar sobre a educação e formalizá-la no
ambiente que posteriormente seria chamado escola.
A Paidéia grega que inicialmente era utilizada para expressar “criação de menino”
tinha seu ideal na formação do homem para a gramática, artes, ofícios etc. Passou a
representar um ideal de educação que forma o homem pleno. Não bastam saber os
ofícios, artes e musica mecanicamente, busca-se o desenvolvimento intelectual, a
formação do cidadão por inteiro. A Paidéia almeja formar um ideal humano que
cultiva e desenvolve dentro de si o homem político e sábio.
Desvaloriza-se a educação técnica e dos ofícios, a arte mecânica muitas vezes
utilizada por escravos e homens livres e até o ensinamento da escola de escrita,
para valorização da formação geral do homem. Eram considerados sábios aqueles
que sabem por natureza, por haverem nascido assim e não aqueles que
aprenderam.
Na Grécia antiga as crianças a partir de sete anos ficavam sob os cuidados de um
escravo velho que lhe acompanha o dia inteiro e lhe ensina a conduzir a vida no
mundo esse era chamado de pedagogo, “peda” do termo pedagogia vem do grego
paidós que significa criança. Aos 13 anos os meninos de famílias mais abastadas
prosseguiam com a escola secundária rudimentar. O oficio de ensinante era mal
visto e mal pago, mal dizer alguém era desejar-lhe o oficio conhecido na época como
mestre-escola.
Daí vem à tradição de que pedagogo são aqueles que cuidam de crianças. Tem-se
a idéia de que as crianças que precisam de ensino, que precisam aprender e quem
ensina criança é pedagogo, e para ser pedagogo faz o curso de pedagogia.
18
Para Osorio (2006) essa idéia surge por volta de 1930 no cenário educacional
brasileiro uma tradição na formação de professores onde o pedagogo é aquele que
ensina, e que o curso de pedagogia é para formar professores das series iniciais.
Inicialmente o curso de pedagogia se constituía em três anos para bacharelado e
quatro anos para licenciatura destinada as escolas normais1.
Segundo Osorio (2006) no II encontro nacional de pedagogia em 1986 discutiu-se a
identidade do curso de pedagogia. Ao curso caberia a função de formar profissionais
da educação, construindo permanentemente um espaço de reflexão entre a teoria e
a pratica e a construção de conhecimentos sobre a teoria da educação.
Entretanto, no cenário da educação em geral e inclusive entre os pedagogos como
explica Libâneo (2002, p. 62) surge à idéia que pedagogia é “ritos e praticas de
como ensinar algo a alguém”. Algumas pessoas usam os termos “quem ensina bem,
tem boa pedagogia”.
Segundo Libâneo (2002) a pedagogia de fato ocupa-se também da formação de
professores para séries iniciais, mas não podemos reduzi-la a isso. Ela tem um
significado mais amplo, é um campo de conhecimento que estuda e pensa sobre a
educação, sobre a prática educativa. O pedagogo Mialaret (1991 apud LIBÂNEO,
2002, p. 63) diz:
A pedagogia é uma reflexão sobre as finalidades da educação
e uma análise objetiva de suas condições de existência e de
funcionamento. Ela está em direção direta com a prática
educativa que constitui seu campo de reflexão e análise, sem,
todavia, confundir-se com ela.
Seguindo a linha de raciocínio de Libâneo não podemos reduzir educação a ensino
nem pedagogia aos métodos de ensino, a pedagogia é um campo cientifico que
fundamentará a educação. A educação pode ocorrer em diversos ambientes sua
finalidade é modificar os seres humanos nos estados físicos, social, espiritual,
cultural através da transmissão de saberes acumulados, valores, técnicas e atitudes
partindo do pressuposto que o homem é um ser inacabado, incompleto que aprende
constantemente nas diferentes situações.
O curso de pedagogia para Libâneo (2002) não está restrito para a formação do
docente, segundo ele o curso de pedagogia pode desdobra-se em diversas
1
Como eram conhecidas as atuais escolas de ensino médio.
19
especializações a docência é uma delas. A pedagogia é um campo cientifico que
investigará o trabalho pedagógico, mas nem todo trabalho pedagógico é trabalho
docente. As praticas educativas nem sempre ocorrerão no ambiente formal que é a
escola e o pedagogo pode atuar em diversos ambientes sejam eles: escolas,
hospitais, empresas publicas e privadas, pesquisas educacionais, assistência social,
atividades de animação cultural e lazer, educação de adultos, sindicatos, produção
de vídeos e filmes educativos etc.
Libâneo (2002, p. 60 e 61) apresenta seis posições sobre pedagogia:
A primeira trata-se de compreender a pedagogia como campo científico, não apenas
um curso. Como campo científico, investigará o que é educação. Como curso
formará o profissional e investigador que realizará atividades educativas. Assim o
campo investigativo da pedagogia, apresenta como substrato a teoria e a prática da
educação ou a teoria e a pratica da formação humana.
Na segunda posição o autor diz que existe uma variedade de praticas educativas
realizadas na sociedade, que ocorrem em diversos ambientes sob diversas
modalidades e que como toda educação corresponde a uma pedagogia existe uma
diversidade de trabalhos pedagógicos que vão além da educação escolar.
Na terceira posição o autor fala que em geral todas as pessoas que lidam com
algum tipo de pratica educativa relacionada com o mundo dos saberes e modos de
ação são pedagogos. Sejam eles todos os que exercem atividades de magistério em
qualquer lugar, os que trabalham em meios de comunicação, formadores de pessoal
em empresas, animadores culturais e desportivos, produtores culturais etc. São
pedagogos, em sentido estrito, os professores e pedagogos-especialistas.
Na quarta posição Libâneo nos diz que o curso de pedagogia pode, pois, desdobrase em múltiplas especializações profissionais, uma delas a docência. Portanto, o
curso de pedagogia não se reduz a formação de professores como infelizmente
criou-se a idéia para o curso de pedagogia. O professor está no pedagogo, o
pedagogo está no professor, mas cada profissional específico pede uma formação
diferenciada.
Na quinta posição Libâneo discorre sobre a base da formação de educadores que
não é a docência, mas a formação pedagógica. O autor defende a idéia que a
docência é uma das modalidades de trabalho pedagógico, mas não o único. A
formação de educadores extrapola, pois, o âmbito escolar formal, abrangendo
também esferas mais amplas da educação não-formal e formal.
20
Na sexta posição, Libâneo discutirá sobre um curso de pedagogia que atenda às
necessidades de formação profissional para atividades educativas diversificadas, o
autor propõe uma faculdade de pedagogia com três cursos distintos, mas articulados
entre si de modo a constituírem uma concepção unitária de formação: o curso de
pedagogia, o curso de formação de professores e os cursos de formação
continuada.
Neste sentido pode-se dizer que: Pedagogo é o profissional que desenvolve praticas
educativas de caráter intencional. Pedagogia é o campo cientifico que investiga a
teoria e a pratica da educação buscando aportes teóricos nas demais ciências da
educação e em todos os campos de atuação desenvolverá funções de coordenação,
execução de projetos educacionais, avaliação educacional, assistência pedagógicodidática dentre outros.
As atividades de pesquisa, gestão e coordenação são atividades não docentes em
que o pedagogo pode atuar. É cada vez mais imprescindível a presença de
coordenador pedagógico que prestará suporte aos docentes referente à relação
professor-aluno, execução e elaboração de projetos didáticos, incentivo a pesquisa e
reflexão, atividades de formação continuada e do diretor que guia e norteia toda
comunidade escolar.
Seja qual for o caminho escolhido para atuar dentro da pedagogia ou em qualquer
outra profissão, é imprescindível e indispensável à reflexão e a pesquisa sobre a
prática. Precisa estar bem claro para o pedagogo que deseja atuar com a docência,
por exemplo, a questionar qual o papel da escola, qual a função social que esta
desempenha, qual a função do professor escolar, e se essa pratica está construindo
conhecimento, e para ser mais objetivo: qual o meu papel enquanto pedagogo na
escola.
O professor não é mero transmissor de conhecimento e a escola não serve somente
para perpassar os saberes acumulados pela humanidade. Temos que pensar na
comunidade escolar como agente transformador, que transforma e /ou modifica
comunidades e pessoas através e pela educação, com o objetivo de desenvolver
nos alunos a capacidade e competências de pensar.
Segundo Libâneo (2002, p.85) “a formação de professores de educação infantil e de
1ª a 4º serie não podem mais prescindir de conhecimentos específicos dos
conteúdos de português, matemática, história, geografia e ciências”. O que Libâneo
quer dizer é que não basta tratar das metodologias como vem ocorrendo nos cursos
21
de pedagogia, é necessário repensar o currículo ou pensar em um curso especifico
de formação de professores dentro do curso de pedagogia.
Para Libâneo (2009, p.30):
Pedagogia é, então, o campo do conhecimento que se ocupa do
estudo sistemático da educação, isto é, do ato educativo, da pratica
educativa concreta que se realiza na sociedade como um dos
ingredientes básicos da configuração da atividade humana.
A pedagogia pensada por Libâneo será uma pratica social que atua na formação do
sujeito humano, tendo a educação como conjuntos de praticas, ações que intervirá
no desenvolvimento humano individual e grupal para realizar no sujeito humano
características de ser humano dotado de valores morais e éticos regidos e
determinados pela sociedade em que se vive.
22
3. PEDAGOGIA INTERCULTURAL
O termo “pedagogia intercultural” ainda é muito recente e não tem um significado
preciso, muitos autores e estudiosos usam o termo para designar pesquisas e
trabalhos com grupos culturalmente diferentes como, por exemplo, estudos feitos em
tribos indígenas, remanescentes de quilombolas e portadores de necessidades
educativas especiais.
De fato a pedagogia intercultural busca novas perspectivas de compreensão das
diferenças e das identidades culturais dentro da sala de aula. Segundo Fleuri (2003,
p.16) “a significação da infância e da criança não se encontra no que dizemos dela,
mas, o que ela nos diz na sua alteridade”, ou seja, na sua relação com o outro, com
o diferente.
A pedagogia intercultural tratará do olhar ao “estranhamento” deslocando-se do
conhecido para o desconhecido e não se anulando a si mesmo, mas, reconhecendo
no outro suas características especificas que o torna diferente. Para Fleuri (2003,
p.17):
A educação intercultural se preocupa com as relações entre seres
humanos culturalmente diferentes uns dos outros. Não apenas na
busca de apreender o caráter de várias culturas, mas, sobretudo na
busca de compreender os sentidos que suas ações assumem no
contexto de seus respectivos padrões culturais e na disponibilidade
de se deixar interpelar pelos sentidos de tais ações e pelos
significados constituídos por tais contextos.
Fleuri (2002) traz algumas diferenças entre a perspectiva multicultural e intercultural
de educação, para ele ambos se referem a processos históricos de interação entre
diferentes culturas, a distinção está em como cada uma concebe essas diferenças
culturais
A primeira distinção que Fleuri (2002) destaca entre educação multicultural e
intercultural é a “intencionalidade”, segundo ele o multiculturalismo reconhece as
diferenças culturais, étnicas e religiosas entre grupos que habitam no mesmo
contexto, e o educador que segue essa prática percebe as diferenças como um fato
tentando adaptar a uma proposta educativa, já a perspectiva intercultural constrói um
projeto intencional com o objetivo de promover a interação entre sujeitos de culturas
diferentes.
23
A segunda distinção feita por Fleuri (2002) são os diferentes modo como se entende
a relação entre culturas na pratica educativa, pois na perspectiva multicultural
entende-se como um objeto de estudo a mais, na perspectiva intercultural não se
pode dizer que seja algo a mais a ser estudado, mas um modo próprio de um grupo
social ver e interagir com a realidade.
A terceira distinção citada por Fleuri (2002) diz respeito a educação intercultural que
coloca a ênfase no sujeitos, pois são os sujeitos criadores e produtores de cultura e
a educação intercultural nada mais é que a troca entre pessoas de culturas
diferentes, é o exercício mental, emocional para saber conviver com o outro
respeitando-se mutuamente.
Será que dentro da escola estamos atentos para compreender as crianças e acolher
suas diferenças culturais sem padronizar com conceitos e praticas que tiram de suas
infâncias particularidades de suas características culturais? Será que essa quebra e
padronização escolar é o que tem causado um estranhamento entre a cultura
escolar e a cultura vivida extra-escola? A pedagogia intercultural investiga praticas
de acolhimento das diferentes culturas dentro da sala de aula.
A seguir para efeito de comparação trago um quadro com as principais
características de uma educação multicultural e intercultural baseado nas idéias de
Fleuri(2002).
QUADRO 1- Diferença entre educação multicultural e intercultural.
EDUCAÇÃO
Grupos culturais diferentes coexistem um ao lado do outro
sem necessariamente interagir entre si.
MULTICULTURAL
Percebe-se de modo geral as culturas diferentes como
objetos de estudo como uma matéria a ser aprendida.
Propõe novas estratégias de relação entre sujeitos e entre
grupos diferentes.
INTERCULTURAL
Busca promover a construção de identidades particulares e o
reconhecimento das diferenças culturais.
Ênfase nos sujeitos da relação, não simplesmente na cultura
24
como algo abstrato.
Elaborado por: Própria autora.
3.1
A
POLISSEMIA
DOS
TERMOS:
EDUCAÇÃO
MULTI,
INTER
E
PLURICULTURAL.
Com o objetivo de abordar a problemática do processo de intercâmbio na formação
de pedagogos é indispensável esclarecer alguns termos que circundam a temática.
Os termos: cultura, Interculturalismo, multiculturalismo, diversidade, educação pluri,
multi, inter e transcultural tem significados e conotações variadas abarcando
diferentes interpretações que não são fáceis de conceituar. Esses termos têm
ganhando espaço no cenário educacional, seja para falar da inserção da cultura da
minoria na cultura de massa, seja para falar de inclusão de pessoas portadoras de
necessidades educativas especiais, globalização da economia ou propostas de uma
pedagogia de paz entre diferentes povos.
Falar do termo “cultura” é complicado, pois existem significados amplos e bastante
gerais havendo varias maneiras de interpretá-lo. Popularmente quando nos
referimos à cultura pensamos nas tradições e manifestações artísticas e intelectuais
de um povo ou dizemos que tem cultura aquelas pessoas que têm vários títulos
acadêmicos, fala vários idiomas e/ou entende de obras artísticas.
A importância e o respeito à diversidade cultural vêem crescendo. A visão
reducionista de cultura como se referindo unicamente as expressões artísticas,
literárias e intelectuais “passaram a uma perspectiva mais ampla, na qual se entende
cultura como o estruturante profundo do cotidiano de todo grupo social”, (CANDAU,
2002 p.72).
Cultura pode então ser entendida como tudo aquilo que é produzido
pelo ser humano. Assim sendo, toda pessoa humana é produtora de
cultura. Não é apenas um privilegio de certos grupos sociais nem
pode ser apenas atribuída á escolarização formal. A cultura é um
fenômeno plural, multiforme, heterogêneo, dinâmico. Envolve criação
e recriação, é atividade, ação. É considerado também como um
sistema de símbolos que fornece as indicações e contornos de
grupos sociais e sociedades específicas. Podemos, então, entendê-la
como código, como sistema de comunicação, e não mais um
repositório estático de hábitos e costumes, ou uma coleção de
objetos e tradições, mas o próprio elemento através do qual a vida
social se processa (CANDAU, 2002 p.72).
25
Analisar um sistema cultural para Candau (2002, p.73) “envolve o esforço de despirse da tendência etnocêntrica, tentado interpretar cada cultura segundo seus próprios
sistemas de relação”. Cada cultura é vivida de acordo com o modo que é visto pelas
pessoas que a vivem, tendo a sua cultura como a natural e correta fortalecendo a
visão etnocêntrica.
Os fenômenos culturais são complexos, se modificam constantemente e sofrem
diversas influências. Não podemos falar de cultura “pura” na sociedade atual, pois
tudo e todos se misturam. Para Candau (2002, p.74) “o grande desafio dos estudos
sobre a questão da cultura é lidar com a diversidade, com a multiplicidade de
perspectivas e tendências em relação á questão da cultura, ou melhor, das culturas”.
Multiculturalismo
também é
um termo
que
abarca
vários
significados e
interpretações, muitos autores tentam fazer uma analise semântica para tentar
conceituá-lo. Alguns autores citados por Candau (2002) dizem sobre os termos multi,
inter, pluri, trans cultural: Bartolomé Pina(1997 apud CANDAU, 2002, P.75) diz que o
“multiculturalismo é a presença de varias culturas em uma mesma sociedade”.
Sedano (1997 apud CANDAU, 2002, P.75) afirma que o “interculturalismo faz
referência
a
inter-relação
entre
diferentes
culturas
e
multiculturalismo
e
pluriculturalismo á existência de diferentes culturas em uma mesma sociedade”.
Jordán (1996 apud CANDAU, 2002, p.75) tenta fazer uma diferenciação dos termos
multicultural e intercultural que muitas vezes segundo ele é utilizado como
sinônimos. Em seu trabalho Jordán usa o termo intercultural com uma abordagem
mais educativa e tenta desmitificar a idéia da pedagogia intercultural ser uma
educação compensatória para os grupos culturalmente minoritários. Segundo Stuart
Hall no livro: Da diáspora: identidades e mediações culturais afirma que:
Multicultural é um termo qualificativo. Descreve as características
sociais e os problemas de governabilidade apresentados por qualquer
sociedade na qual diferentes comunidades culturais convivem e
tentam construir uma vida em comum, ao mesmo tempo em que
retêm algo da sua identidade “original”. Em contrapartida, o termo
“multicultural” é substantivo. Refere-se às estratégias e políticas
adotadas para governar ou administrar problemas de diversidade e
multiplicidade gerados pelas sociedades multiculturais. (2003, p. 50)
26
Para Forquin (1993 apud CANDAU, 2002, p.75 e 76) o termo multiculturalismo tem
ao mesmo tempo dois significados: um descritivo e outro normativo. O descritivo
refere-se à coexistência de grupos de origem étnica e geográfica diferentes, com
língua e religiões diferentes. O normativo refere-se a vários significados, tomando
como base o pedagógico. Forquin diz que “a educação só será multicultural no
momento em que a escola põe em ação escolhas pedagógicas que representem em
seus conteúdos e métodos a diversidade cultural do público a que se dirige” (1993
apud CANDAU, 2002, p.75 e 76).
Para Aguado Ondina (1991 apud CANDAU, 2002 p.76):
Com o termo multicultural define-se a situação das sociedades,
grupos ou entidades sociais nas quais muitos grupos ou indivíduos
pertencentes a diferentes culturas vivem juntos, seja qual for o estilo
de vida escolhido. Pluricultura é quase sinônimo, indica simplesmente
a existência de uma situação particular. Utiliza-se nas mesmas
circunstâncias que a anterior, mas, em lugar de frisar a existência de
um grande número de culturas em contato, ressalta-se apenas sua
pluralidade.
Segundo Fleuri (2003) inicialmente o termo de “multicultural education” surgiu na
região anglo-saxão assumindo outros nomes como pedagogia intercultural,
pedagogia do acolhimento, pedagogia de paz etc. Em outras regiões como a
Europa, que recebe e tem passado por grandes processos emigratórios, havendo
lutas e protestos por parte dos emigrados que buscam a inserção e uma igualdade
de oportunidades para todos, sem deixar de lado suas respectivas culturas e
tradições.
Stephen Stoer e María Luiza Cortesão (apud FLEURI, 2003, p. 2) têm utilizado o
termo
educação
inter/multicultural
para
indicar
o
“conjunto
de
propostas
educacionais que visam a promover a relação e o respeito entre grupos
socioculturais, mediante processos democráticos e dialógicos”. Há aqueles que
usam o termo intercultura para discutir o respeito às diferenças, para falar de grupos
folclóricos ou mestiçagem.
Candau (2002, p.96) entende o multiculturalismo como “realidade social na qual
convivem diferentes grupos culturais”. Segundo ela a perspectiva intercultural é a
inter-relação entre diferentes grupos culturais.
27
Candau (2002, p.99) enumera cinco pontos básicos para promover processos
educativos em uma perspectiva intercultural.
No primeiro ponto nos diz que devemos perceber a educação intercultural como
pratica social real, relacionada às dinâmicas concretas da sociedade.
No segundo ponto discorre sobre a importância do reconhecimento e valorização da
diversidade cultural com relação à igualdade e direito a educação para todos que
segundo ela é independente as lutas pela atenção as diferentes identidades.
No terceiro ponto retrata a importância de não confundir a educação intercultural
com situações ou atividades isoladas focadas em um único grupo social realizadas
em um único momento da grade curricular. A educação intercultural segundo ela
deve ter um enfoque global que deve afetar toda a comunidade escolar em todas as
dimensões.
No quarto ponto questiona o etnocentrismo que de uma maneira ou de outra sempre
está presente nas políticas educativas e questiona quais critérios são utilizados para
selecionar e justificar os conteúdos.
No quinto e último ponto destaca que a educação intercultural envolve não somente
o currículo explícito, mas também o currículo oculto e os agentes que participam
desse processo como: professores, pais, alunos, coordenadores, a comunidade
escolar etc.
Para Fleuri (2003) em seu artigo “intercultura e educação” a proposta de se trabalhar
com a intercultura é contribuir para superação do medo e atitudes de intolerância
frente ao “outro”, criando possibilidades para uma leitura positiva de aceitação
baseado no respeito às diferenças e igualdade de direitos.
Vários autores trazem grandes contribuições a cerca da flexibilidade dos temas:
intercultural, multiculturalismo, pedagogia intercultural, educação multicultural etc.
Analisando-as pude perceber que todas as palavras e conceitos remetem um
especifico que a meu ver seria “troca”. Troca de experiências, de saberes, de estilos
de vida, religião. É o “cruzamento de culturas” sem desmerecer nenhuma das partes,
e nem tornar uma mais importante que a outra, é conhecer e conviver com a
28
diferença de maneira harmônica numa relação dualista em que ambas as partes se
beneficiam.
29
4. INTERCÂMBIO ENTRE A UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA
E A UNIVERSITÀ DEGLI STUDI DI PADOVA
4.1. BREVE HISTÓRICO DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA
A Universidade do Estado da Bahia (UNEB) mantida pelo governo do Estado da
Bahia e pela secretaria de educação (SEC) foi inaugurada em 1983.
Com um sistema multicampi, está situada em todas as regiões do estado, conta com
mais de cento e cinqüenta cursos na modalidade presencial e educação a distância.
Possui vinte e nove departamentos distribuídos em vinte e quatro campi um deles
situado na capital do Estado: Salvador.
A Universidade tem por missão o desenvolvimento socioeducacional do estado e do
país. Atua e desenvolve projetos de iniciação cientifica e atitudes que tragam
melhoria para a população de segmentos menos favorecidos das regiões em que se
faz presente.
Em parceria com municípios e redes privadas promove projetos como: alfabetização
de jovens e adultos, educação em assentamentos de reforma agrária, quilombos e
tribos indígenas.
As pessoas que desejam fazer parte do grupo de estudantes da UNEB precisam
passar por um processo seletivo conhecido atualmente como: vestibular, além de já
haverem concluído o ensino médio. A UNEB também conta com um sistema de
contas no qual uma porcentagem das vagas de cada curso é reservada a
estudantes negros que tenha feito o ensino médio e pelo menos um ano do ensino
fundamental em escolas públicas.
4.2. BREVE HISTÓRICO DA UNIVERSITÀ DEGLI STUDI DI PADOVA
A universidade de Padova surgiu por volta 1222 fundada por estudantes e
professores que saíram de Bologna para atender a elite social da época.
Inicialmente com os cursos de direito civil, canônico e teologia, posteriormente criase os cursos de astronomia, filosofia, gramática, retórica e medicina. Entre os
séculos XV a XVIII a Universidade ganha grande prestígio por desenvolver
pesquisas cientificas na área de medicina, graças a grandes contribuições de Galileu
30
Galilei que lecionou na Universidade por alguns anos e por ter a primeira mulher a
concluir o nível superior no mundo no ano de 1678.
Atualmente conta com sessenta e quatro departamentos, treze faculdades e mais de
oitenta cursos, dentre eles está o departamento de ciências da educação, onde as
estudantes da UNEB têm a oportunidade de estudar. O ano acadêmico inicia em
outubro e finaliza em julho dividido em dois semestres. O primeiro semestre inicia-se
por volta de outubro a janeiro e o segundo semestre de fevereiro a julho. Cada
semestre é subdivido em dois blocos: A e B, geralmente as matérias disponibilizadas
no bloco A são pré-requisito para as que serão oferecidas no bloco B.
A universidade de Padova é publica, mas não gratuita, os estudantes pagam uma
taxa anual de acordo com a renda familiar. Além dos estudantes italianos a
Universidade recebe muitos estudantes estrangeiros que cursam de forma integral o
curso ou há aqueles que cursam um ano ou um semestre através do projeto
erasmus2
O sistema de avaliação é através de provas oral e escrita e do laboratório, onde os
alunos colocam em pratica o que foi visto em classe. Geralmente quase todas as
disciplinas possuem laboratório. Se por ventura o aluno não conseguiu atingir a nota
mínima exigida ou não está satisfeito com seu desempenho tem o direito de repetir
os “exames” como são conhecidas as avaliações na Itália, quantas vezes quiserem
ou deixar para fazer o exame desejado no próximo ano acadêmico, atentando-se
sempre para o numero mínimo de créditos exigidos por cada curso para poder
avançar para o próximo semestre.
Algumas disciplinas contam com cerca de duzentos alunos e outras podem ter
apenas vinte, as estruturas físicas das salas de aula são em forma de teatro com
cadeiras presas ao chão não permitindo que as aulas sejam mais dinâmicas e que
ocorram trabalhos em grupo.
Não existe um relacionamento próximo entre alunos e professores como ocorre na
UNEB, os professores na UNIPd são tratados com bastante respeito e certo grau de
2
Programa de apoio interuniversitário de mobilidade de estudantes e docentes do Ensino Superior,
entre estados membros da União Européia e estados associados, permite a alunos que estudem
noutro país por um período de tempo entre 3 e 12 meses. Fonte: Wikipédia a enciclopédia livre.
31
superioridade.
Em anexo trago imagens da reitoria da Universitá degli studi di
Padova.
4.3. O CONVÊNIO DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA COM A
UNIVERSITÀ DEGLI STUDI DI PADOVA.
As informações relatadas a seguir foram coletadas através de conversas informais
com o presidente do NESTI (núcleo de estudos italianos da UNEB) Professor Gianni
Boscolo.
No início dos anos 90, na antiga Faculdade de Formação de Professores - FAEEBA,
por iniciativa de professores e alunos interessados em conhecer a Itália, surgiu o
Curso de Língua e Cultura italiana, que tinha por objetivos: oferecer aos alunos a
oportunidade de conhecer o idioma e a cultura italiana, manter contatos com
visitantes italianos (estudantes, professores, convidados) e viabilizar acordos entre
universidades Italianas e a UNEB.
Por volta de 1996 através do professor titular da UNEB Gianni Boscolo, foi firmado
acordos com as Universidades italianas de Padova e Firenze, que proporciona a
estudantes de pedagogia participar do intercâmbio cultural de seis meses nas
referidas Universidades italianas e aos professores da UNEB a possibilidade de
pesquisas e especializações.
Nesse período as tramitações para que as estudantes participassem do intercâmbio
era realizada através da Agata esmeralda, ONG na qual o professor Gianni Boscolo
era presidente da filial em Salvador no período em que se iniciou o intercâmbio. Na
Italia a Agata Esmeralda recebia e acolhia as estudantes que participavam do
convênio, prestando apoio no que lhes fosse necessário.
Agata Esmeralda é uma ONG que foi fundada oficialmente em 1996 a partir de uma
amizade e de um acordo firmado entre o professor italiano Mauro Barsi e o Cardeal
Lucas Moreira Neves então arcebispo de Salvador na época, com o objetivo de
ajudar crianças carentes em salvador e em outros lugares onde a Ágata se fazia
presente através da adoção à distância. Atualmente a Ágata Esmeralda atua em
Salvador com parceria com o projeto conexão vida.
32
Com a fundação do Núcleo de Estudos italianos – NESTI, em 2006, como órgão
suplementar da UNEB, vinculado à Pró-reitoria de extensão PROEX, os objetivos
iniciais que regiam o Curso foram alcançados e fomentados, desdobrando-se em
ações de teor científico e cultural que sustentam a cooperação Brasil-Itália
promovida por este Núcleo.
Atualmente o Curso de Língua e Cultura Italiana está também vinculado à
Associação Científica e Sócio-cultural PATÍ e atende em média a 130 alunos por
semestre tanto na UNEB –Cabula, como na sede do PATÍ- Barris.
Com a finalidade de fomentar atividades de cunho comunitário, tendo como seu foco
o desenvolvimento sócio-educativo das escolas da periferia de Salvador, o PATÌ
oferece a possibilidade de iniciar outras atividades de interesse social, que dizem
respeito aos grupos marginalizados esquecidos pelo poder público.
O Patì tem como seu foco o desenvolvimento sócio-educativo das escolas da
periferia de Salvador, apoiando/propondo e implementando troca de ajuda, entre
Brasil e Itália de recursos humanos e financeiros, comprometidos com atividades de
educação formal e não-formal.
Infelizmente como nem tudo é perfeito existem falhas no intercâmbio que precisam
ser relatadas para que possam ser corrigidas e re-pensadas. Fala-se no acordo
entre a UNEB e a UNIPD, mas, academicamente não temos como comprovar tal
experiência, pois na UNEB não consta nos registros dos estudantes um afastamento
para o intercâmbio e sim um trancamento que precisamos fazer para participar do
mesmo, as disciplinas cursas e o período que as estudantes ficam na UNIPd não
são aproveitados pela UNEB. Todas as tramitações para o intercâmbio como o visto
de estudo são realizadas através do PATÌ, na UNIPd não fazemos matricula regular,
freqüentamos as aulas na modalidade de ouvinte. O acordo prevê que a UNEB
financie as passagens e uma ajuda de custo e a UNIPd a moradia e alimentação na
Itália, mas muitas vezes as estudantes interessadas que financia as passagens pois,
a UNEB alega falta de dinheiro ou não compra em tempo hábil.
Na Itália faz-se necessário uma equipe de apoio que receba as estudantes, oriente
sobre as aulas, leve a residência e preste todo tipo de suporte nesse período.
33
4.4. FACOLTÁ DI SCIENZE DELLA FORMAZIONE
A faculdade de ciências da formação é onde as estudantes da UNEB estudam
quando vão a Itália, ela conta atualmente com seis cursos de licenciatura são eles:
ciência da formação primaria, ciências da educação e da formação, ciências para a
formação da infância e da pré-adolescência (à distância), ciências para a formação
profissional (à distância), serviço social e cooperação para o desenvolvimento sendo
que o curso de ciências da formação primaria tem a duração de quatro anos e os
demais de três anos e a possibilidade de fazer mais dois anos na modalidade de
especialização totalizando cinco. E também seis cursos de bacharelado são eles:
ciências do serviço social, ciências humanas e pedagógicas, ciências da formação
continuada, teorias e metodologias e-learning e educação para a escola media,
desenvolvimento local.
O curso ciências da formação primaria é o curso que equivale à pedagogia
habilitação anos iniciais da UNEB, e o curso no qual freqüentei as aulas no período
em que estive na UNIPd.
É o único curso da faculdade de educação que tem atualmente a duração de quatro
anos. O curso é dedicado a formar professores para a educação infantil e
professores pra o ensino fundamental I. Os dois primeiros anos são exclusivos a
uma abordagem inicial nas ciências e na profissão docente com ensinamentos
pedagógicos, metodológicos e ciências da educação, psicológicos, higiene e
medicina, jurídica, sócio-antropológica, lingüística e literária, matemática e ciência da
computação, natural, físico e ambiental, música e comunicação de som, a ciência
motor, o ensino das línguas modernas, o desenvolvimento sócio- histórico, design e
artes visuais, educação inclusiva para alunos com deficiência, e o pensamento
filosófico.
Os dois últimos anos é um aprofundamento nas várias disciplinas e a possibilidade
de se aprofundar em uma das três áreas: língua, ciências, artes visuais e da música.
Nesse curso os laboratórios (local onde se coloca em pratica o que foi visto nas
aulas) são obrigatórios.
Após a graduação o profissional poderá atuar com a educação infantil ou o ensino
fundamental I de acordo com a habilitação escolhida e se quiser trabalhar com
34
crianças com necessidades educativas especiais deverá fazer mais um ano de
especialização tornado-se o que eles chamam de “insegnante di sostegno”, que é o
profissional especializado dentro da sala de aula em crianças com necessidades
educativas especiais. Em anexo trago imagens do departamento de educação da
Facoltá di scienze delle formazione primaria.
Em anexo destacarei a grade curricular do curso de scienze delle formazione
primaria.
4.5. COLLEGIO UIVERSITÁRIO DON NICOLA MAZZA
A residência Universitária surgiu no século XIX fundada pelo sacerdode Don Nicola
Mazza na cidade de Padova, que tinha a missão de ajudar jovens pobres a
complementar os estudos. Por motivos políticos a residência foi fechada alguns após
aberta e reaberta em 1948 por Don Giuseppe Tosi. Atualmente existem sedes da
residência em Padova, Verona (masculino e feminino) e Roma (apenas masculino)
As estudantes da UNEB que participam do intercâmbio e vão para a cidade de
Padova, ficam hospedadas durante todo o período do intercâmbio na residência
universitária Don Nicola Mazza masculina, pois esta conta com a estrutura de um
restaurante e cozinha industrial onde as estudantes podem fazer as refeições já que
no acordo firmado com a UNEB e a UNIPd determina que a Universidade de Padova
financie a hospedagem e a alimentação e a UNEB as passagens e uma ajuda de
custo.
A residência Don Mazza não é simplesmente um local para morar, mas um local
onde as estudantes possam se sentir em casa. Os diretores da residência bem como
todo o grupo pedagógico desenvolvem atividades para que os estudantes interajam
uns com os outros, criando vínculos de amizade durante todo o período em que
estejam na residência, bem como uma infra-estrutura adequada e propicia para um
bom desenvolvimento acadêmico.
No período em que participei do intercâmbio a residência possibilitou-me aulas de
italiano com um professor que também morava ali, serviço de biblioteca, sala de
informática com acesso a internet, sala de música, academia, cinema, teatro,
seminários e visitas a outras cidades.
35
Existe uma grande preocupação por parte de todo o grupo pedagógico da residência
com a formação dos estudantes que moram ali, muitos saem de casa ainda bastante
jovem e ali aprendem valores para uma vida.
Para fazer parte da residência é preciso passar por um criterioso processo seletivo
com provas escritas e praticas além de pagar uma taxa anual de acordo com a
renda familiar para custear as despesas na residência. Aqueles que não obtiverem
boas notas no ano acadêmico não poderão permanecer na residência no ano
seguinte, pois este é um dos critérios para morar no Don Nicola Mazza.
Fisicamente o Don Nicola Mazza residência Giuseppe Tosi (como é chamada a
residência masculina de Padova) é divido em três prédios. No edifício “A” encontrase a portaria, secretária acadêmica, diretoria, teatro, sala de informática, restaurante,
sala de piano forte, biblioteca, sala de música, lavanderia, sala de TV, enfermaria,
bar, a igreja e alguns dormitórios que poderiam ser triplos, duplos ou singulares com
banheiros nos quartos ou no andar. No edifício “B” encontrava-se sala de estudos e
dormitórios. No edifício “C” onde fiquei hospedada tinha sala de visitas, duas salas
de estudo e academia no andar térreo no primeiro andar os dormitórios e cozinha,
no ultimo andar a lavanderia. Todos os edifícios eram intercalados entre si e na
maioria do tempo os estudantes estavam no edifício “A” para fazer as refeições,
utilizar biblioteca etc.
Em anexo trago imagens da residência Don Nicola Mazza.
36
5. EXPERIÊNCIA DO INTERCÂMBIO NA UNIVERSITÀ DEGLI STUDI
DI PADOVA
Tendo
por
base,
portanto,
os
pressupostos
da
pesquisa
qualitativa
e,
especificamente, o modelo de estudo de casos, os dados obtidos para a construção
deste trabalho serão triangulados por meio de comparações, descrições e análises
centradas na(s) contribuições do intercâmbio cultural entre a Universidade do Estado
da Bahia e a Università degli studi di Padova para a formação das estudantes de
pedagogia campus-I.
Os dados que serão apresentados, a seguir, foram coletados em dois momentos: o
primeiro se refere às minhas experiências como participante do intercâmbio no ano
de 2008 por um período de quatro meses. O segundo através de entrevistas
realizadas com cinco estudantes e ex-estudantes da UNEB campus-I, que
participaram do intercâmbio ao longo do período em que o mesmo ocorre.
Os nomes das estudantes foram substituídos por flores com o objetivo de resguardar
suas identidades.
QUADRO 2 - Relação de nomes das participantes da pesquisa
ESTUDANTE
ANO DO INTERCÂMBIO
IDADE ATUAL
Margarida
2009
26
Rosa
2009
24
Orquídea
1997
36
Tulipa
2008
22
Girassol
2010
26
5.1. INTERCÂMBIO PARA ADENTRAR NA CULTURA
A estudante denominada Margarida inicia relatando que no intercâmbio teve a
possibilidade de adentrar na cultura do outro e assim sentir de fato as diferenças que
existem entre sua cultura e uma outra, até então desconhecida. Destaca que entrou
37
na Universidade (UNEB) já decidida a estudar a temática da inclusão, e através do
intercâmbio encontrou a forma de “sentir na pele” o que é a diferença.
Numa viagem (e aqui a viagem foi de caráter vertical, ou seja, para
dentro de si) a capacidade de perceber a si mesmo e de perceber o
outro é estimulada, na medida em que se entra em contato com o
diferente, com o não familiar, com a escuta sensível do(s) outro(s),
promovendo a construção social da pessoa. (FEITOSA, 2010, p. 17)
Hoje, Margarida percebe que o conhecimento ultrapassa a sala de aula, as
experiências vivenciadas levaram ao verdadeiro sentido do que é de fato a
Educação. Através da Universidade de Padova, Margarida relata que além de
experienciar, também pode comparar como se realiza o processo de conceitos
estabelecidos diante de uma determinada cultura, o que para ela transfigura-se em
aquisição de conhecimentos e que auxiliará de maneira extremamente significativa
na sua vida como um todo e na prática de ensino.
Intercultura é você adentrar na cultura, do outro, é o choque entre culturas
diferentes, é vivenciar como determinado povo se realiza em suas ações e como
vivem em sociedade, é entender que o outro é diferente, mas essa diferença não
demonstra superioridade e nem inferioridade, é compreender as inter-relações entre
culturas diferentes.
Interculturalidade é um movimento de reciprocidade. O prefixo inter
quer dizer troca, interação e ainda superação do processo unilateral
de transmissão do saber. A verdadeira interação cultural estimula o
sujeito a abrir-se ao “decentramento” e a circulação dos pontos de
vista. (NANNI, 2005, apud FEITOSA, 2010, p. 42)
Questionada sobre o que a levou para a Itália Margarida diz: “levei para Itália a sede
de aprender, a busca de novos conhecimentos, o receio de estar em um país longe
de tudo e de todos, enfim expectativas, expectativas e expectativas.”
Continua ela relatando que: “encontrei literalmente um choque entre culturas, no que
diz respeito desde ao modo de falar, ouvir, olhar, comer, pegar quanto à maneira de
ver o mundo. Encontrei muitas diferenças mesmo! A visão da educação se
38
contrapõe ao meu modo de pensar o que é a Educação, encontrei pontos positivos e
negativos ao que vi na Universidade de Padova. Encontrei também pessoas de
outros países que me ajudaram a experimentar um pouco de suas culturas através
de longas conversas; encontrei um grupo de pessoas que me ajudaram na minha
trajetória durante o período que estive na Residência Don Nicola Mazza; pude
encontrar auxílio em todas as minhas dificuldades e necessidades. São tantos os
pontos positivos, que se eu for falar dará algumas folhas... Pra resumir então digo
que encontrei muito além do que levei e muito mais que esperava”.
Finalizando Margarida diz que trouxe uma significativa experiência de vida, trouxe
nela um novo ser, hoje capaz de ver o mundo de ângulos diferentes. Confessa que
depois do intercâmbio transformou-se em um ser humano melhor no que tange
vários aspectos da sua vida. Percebe que quanto mais aprende, precisa aprender
mais. O intercâmbio a impulsionou para buscar sempre mais e mais conhecimento.
Trouxe novas amizades que jamais serão esquecidas. Trouxe vivências de
experiências que tiveram total relevância para a prática acadêmica e futura
profissão. “Se fosse fazer a comparação do que levei e do que trouxe como se fosse
numa mala, eu digo que levei a minha mala vazia e a trouxe transbordando de
experiências e fatos importantes na minha vida”.
5.2. INTERCÂMBIO PARA EMANCIPAÇÃO DA VIDA PESSOAL.
A segunda estudante investigada na pesquisa aqui denominada de Rosa relata que
o intercâmbio contribuiu mais para sua vida pessoal que a vida acadêmica, segundo
ela, tornou-se autônoma, independente e mais madura. Ajudou-a desconstruir a
ilusão de que o primeiro mundo é perfeito, pois na Itália percebeu muitas falhas que
ela achava que não existissem. Conseguiu fazer o diagnostico que o educador
transformador tem que querer estar no local de educador, não basta fazer o curso de
pedagogia e ir para a sala de aula, tem que quer transformar o meio social em que
vive pela e com a educação. “No limite são muitos os viajantes que buscam e
rebuscam o seu eu, ou sua sombra. Mesmo quando parecem fugir, estão se
procurando no diferente, desconhecido, no outro”. (IANNI, 2003 apud FEITOSA,
2010, P.17)
39
Constatou também que na Itália há uma maior preocupação com a educação, com a
formação do educador e maior valorização da profissão docente. Ela Reconhece
que existem diferenças sócio-culturais entre Brasil e Itália que não podem ser
negadas. Segundo a mesma a maioria das pessoas na Itália cursa a Universidade
ainda jovem, não precisa trabalhar e estudar ao mesmo tempo como ocorre aqui no
Brasil.
Questionada sobre o que a levou para a Itália Rosa diz: “um verdadeiro retrato do
Brasil”. Acrescenta ainda que encontrou um pedaço da família e trouxe uma visão
mais realista do que é o primeiro mundo.
5.3. INTERCÂMBIO PARA AMPLIAR CONHECIMENTOS
A terceira estudante denominada de Orquídea considera que intercâmbio ajudou-a
aprofundar os conhecimentos já vistos na UNEB, pois quando a mesma participou
do intercâmbio já estava no oitavo semestre e já havia estudado todas as disciplinas
da grade curricular restando apenas o ultimo estagio e monografia. Acrescenta ainda
que a ajudou construir novos conhecimentos, segundo ela: “os nove messes do
intercâmbio tiveram a mesma intensidade dos quatro anos da Universidade”.
Para
Orquídea
o
intercâmbio
possibilita
uma
formação
humana
e
um
amadurecimento pessoal. Aprendeu a valorizar e conhecer melhor as obras de arte.
Segundo ela na Itália é impossível não respirar arte, em todas as esquinas existem
obras a serem contempladas. Quando retornou trouxe esse hábito para o Brasil,
antes ela relata que passeava pelo relógio de são Pedro e não percebia a arte
existente ali. O mercado de trabalho também se abriu para ela após a experiência do
intercâmbio e conseguiu um bom emprego no qual esteve empregada por dez anos.
A interculturalidade, como moldura de conexões, é passível de
realizar um enriquecimento de saberes, ampliamento de horizontes,
um alargamento de confins, uma apertura de passagens e códigos
culturais uma capacidade de saber viver com os outros, na
diversidade e na integração entre as diversidades. (NANNI, 2005
apud FEITOSA, 2010, p. 44 e 45)
40
Questionada sobre o que levou para a Itália Orquídea diz: “a cultura brasileira,
abertura para coisas novas e a vontade de aprender”. Acrescenta ainda que
encontrou pessoas abertas a receber o estrangeiro e uma educação mais severa
que a do Brasil e trouxe conhecimento e uma nova pessoa: mais humana e mais
critica.
5.4.
INTERCÂMBIO
PARA
ESTREITAR
E
ALARGAR
RELAÇÕES
INTERPESSOAIS.
Tulipa relata a experiência do intercâmbio desde o momento em que se preparou
para a viagem no sábado de aleluia, dia 22 de março de 2008. Precisamente
15h55min. Ela Deveria estar a caminho do aeroporto para fazer o check-in do vôo
Salvador - Lisboa que sairia ás 18h45min. Seria sua primeira vez viagem de avião, a
primeira vez que sairia do Brasil e segunda vez que sairia da Bahia (a primeira vez
foi ao rio de janeiro). A própria não acreditava que passaria uma temporada
estudando na Europa.
Segundo Tulipa qualquer pessoa ficaria nervosa em situações como essa. O ato de
viajar já causa certo “frisson”, um misto de ansiedade e animação, mas, não usa
nenhum desses adjetivos para qualificar o que sentiu no momento. Esperança, diz
ela, esperança de não frustrar seu imaginário, sua curiosidade. Somente esperança.
Sua companheira de viagem a telefonou mais cedo e já estava no aeroporto. Ainda
estava colocando as últimas coisas na mala. Algumas pessoas a desejaram boa
viagem e perguntaram como ela tinha coragem de ir para tão longe. Tulipa diz que
não sentia que deixava algo para trás, não gostava de pensar assim, voltaria tão
rápido e com uma bagagem tão grande quanto a que levou, mas não seriam roupas
que carregaria. Guardaria também as saudades para o momento exato de senti-las.
Sair do Brasil sempre foi seu sonho, não importava o destino... Só precisava sair.
Costumava dizer aos amigos que foi criada pela televisão, na infância o máximo de
contato com crianças da mesma idade era na escola e como seus pais trabalhavam
e sua mãe tinha medo de deixá-la brincar na rua, então passava as tardes e noites
em frente à TV, acredita que vem daí seu desejo de sair do Brasil e conhecer os
lugares que passam na televisão, o único filme brasileiro que assistiu quando criança
41
foi “Central do Brasil” todos os outros mostravam o mundo encantado dos Estados
Unidos e Europa.
No aeroporto, depois das despedidas, é chegada a hora de embarcar, agora sim
relata que estava começando a sentir um frio na barriga, o frio aumentou quando
passou pelo detector de metais e eles pediram para olhar sua bolsa, não tinha
nenhuma arma nuclear, tampouco uma pistola automática, mas sentiu medo, e o
mais chocante foi o policial federal, que em poder do seu passaporte começou a lhe
fazer algumas perguntas.
Sempre viu nos filmes que as perguntas são feitas quando se entra no outro país e
não quando se está saindo do seu, mas, enfim, não lhe restava outra saída a não
ser responder. A 1º pergunta: Para onde você vai? 2º: qual o seu destino final? (essa
pergunta foi feita porque ela disse que iria para Lisboa, mas no meu passaporte
tinha um visto de estudo para Itália, em Lisboa trocaria de avião e iria para Veneza)
3º: o que vai fazer lá? E 4º: por quanto tempo ficará? Ela se questionou se essas
perguntas são de praxe, sua companheira de viagem, por exemplo, que estava logo
à sua frente, não foi questionada. Seguramente, e cabe colocar, ela é branca, olhos
claros, diferente da sua cor de pele. Relata que se perguntou o que o policial poderia
estar pensando que ela iria fazer na Itália, não que fossem importantes os seus
pensamentos, mas não gostava do estereótipo que se tem da mulher latina indo
rumo a Europa. Mas tudo bem embarcou: a caminho dos seus sonhos.
Após oito horas de vôo, primeira parada: Lisboa. Relata que foi tão emocionante
quando ainda descendo as escadas do avião sentiu o vento gelado no rosto, nunca
sentiu vento frio na vida, era madrugada e, primeiro dia da primavera, fazia 8°, o
maior frio que havia sentido anteriormente foi à brisa forte do mar no inicio da noite,
e afirmou que a sensação é tão gostosa quanto. Não iria perder a oportunidade de
inaugurar suas luvas, pois nunca na Bahia precisou usar luvas e casacos, nunca faz
frio... Mas sua aventura com casacos e luvas durou pouco, dentro do aeroporto é
tudo aquecido e lá ia ela tendo que se desfazer da sua adorada primeira aventura
com frio.
Ao contrario de Salvador, não fizeram perguntas em Lisboa, mas um policial revistou
sua bolsa outra vez e fez uma brincadeira muito desagradável, perguntou se ela não
42
estava carregando uma bomba e deu risada, ela nem se deu ao trabalho de
responder e se retirou assim que ele terminou. Outro avião, agora rumo a Veneza,
que ainda não era seu destino final, (depois de Veneza deveria pegar um trem para
Padova, essa sim, seria sua morada por quatro meses). Como era domingo de
páscoa, um feriado, sabia que encontraria a universidade fechada, resolveu ficar ali
e conhecer o destino turístico de milhares de pessoas: Veneza.
Veneza estava frio e cinzento, às vezes o sol dava algum sinal de vida. Dentre todos
os becos, igrejas e gôndolas, o que mais a impressionou foram algumas mulheres
na rua com os corpos curvados, as cabeças para baixo e mãos estendidas à espera
de alguma ajuda, percebia-se que não eram italianas, relata que seguramente eram
mulçumanas pelas roupas que usavam, e algumas tinham os rostos cobertos.
Segundo ela estava fazendo muito frio, a própria que usava duas blusas, casaco e
botas já não conseguia sentir os dedos dos pés e naquele instante tentou se colocar
no lugar daquelas mulheres e tentou imaginar como elas estavam se sentindo
naquela posição.
Percebeu que as pessoas já havia “naturalizado” o fato de ver mulheres com os
corpos curvados pedindo esmolas. Conta que a maioria das pessoas desviava como
se estivesse desviando de um entulho ou qualquer outra coisa insignificante no meio
da rua e seguia seu caminho, pensou em dar algumas moedas, mas, se perguntou
se iria resolver o problema. A resposta foi não. Então, seguiu seu caminho, e
aquelas mulheres continuariam nos seus.
É chegado o momento de ir para Padova.
Continua relatando que ao chegar se deparou com uma cidadezinha que pensava
existir somente nos filmes, relata que no fundo sabia que existia. Segundo ela
Padova é a mistura de um estilo medieval e um sistema de transporte ultramoderno,
prédios e casarões que datam mais de 300 anos combinado ao estilo “teen” dos
seus habitantes, é onde se localiza a Università degli studi di Padova, a segunda
mais velha da Europa com cerca de 800 anos que teve Galileu Galilei como mestre e
onde ela teve o prazer de estudar. Sem contar com sua riqueza em museus, igrejas
e a maravilhosa gastronomia italiana. Padova é a cidade que comporta o viajante, o
estudante, o intelectual, o viandante... Padova comporta o mundo.
43
Tulipa diz que como assiste muitos filmes, e muitos deles realistas. Não esperava
receber uma recepção calorosa. E como não havia expectativas. Não houve
frustrações. Mas não estava preocupada com isso, queria era está lá. Claro que,
como uma jovem de 19 quase 20 anos, ela precisaria “fazer o social”, mas
decididamente não estava disposta a agradar gregos e troianos. Confessa que era
difícil ou quase impossível conviver no fechado grupo de meninas italianas que
moravam na mesma residência masculina (Don Nicola Mazza) que morou.
Convivendo no meio de aproximadamente os 200 rapazes que moram ali, contando
ela e sua companheira de viagem eram 10 garotas. Dentre elas uma da Moldávia e
outra da Geórgia, essa última nunca trocaram um simples “oi”.
Começava a estreitar e alargar laços e relações interpessoais.
Afirma Bauman :
a modernidade liquida em que vivemos traz consigo uma misteriosa
fragilidade dos laços humanos, um amor liquido. A insegurança
inspirada por essa condição estimula desejos conflitantes de estreitar
esses laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxos. (2004, p.8)
Relata que diferentemente de nós que recebemos os estrangeiros como “deuses”,
os Europeus em geral tratam o estrangeiro como “inimigo” ou aquele que
representará o caos, que trará problemas para a sociedade tida como “perfeita”.
Tulipa pensa que essa rejeição aos estrangeiros se dá pelo medo de se envolver
com o outro, o diferente. Um medo criado na sociedade pós-moderna.
Deixou as coisas rolarem, relata. Não forçaria nada, ali ela era a estrangeira e
deveria se habituar aos costumes locais.
Para sobreviver em determinada cultura o individuo precisa renunciar
à sua individualidade – desejos, fantasias, instintos animais, o que
pode ser considerado como “pecado”, erro, indisciplina – e assumir
comportamentos socialmente aceitos pelo grupo. (KENSKI, 1997,
p.147 e 148)
Conheceu Francesca (ela não mora na residência) uma bela Italiana que recebe as
brasileiras que chegam lá e as leva para a residência, mostra a universidade etc.
Francesca coordena o “Grita Brasil”, um grupo que estuda a cultura brasileira e
ensina o português dentro da Universidade por interesse próprio e por gostar da
44
cultura brasileira, também cabe ao Grita Brasil auxiliar com a parte burocrática como:
retirada do visto e outros documentos junto ao governo italiano.
No Grita relata que conheceu alguns italianos e também brasileiros que moram na
Itália e freqüentavam o Grita, seja por necessidade, por prazer, para colaborar ou
mesmo para matar as saudades de casa, enfim cada qual com seus motivos.
Conheceu também a professora da UNEB Ana Feitosa que estava na Itália fazendo
uma especialização. Aí sim seu ciclo de amizade começou a aumentar. Era incrível
como Ana conhecia Padova “em peso”: italianos, brasileiros e os extra-comunitários
(como se chamam os migrantes, seja por motivo de trabalho ou estudo). E através
dela conheceu ainda: Éden do México, Izabel do Paraguai, Miriam do Peru, Yeslane
da Venezuela e Maria Chiara metade brasileira metade italiana. Juntas, resolveram
criar o grupo: “Donne della latina America”, onde o objetivo era travar discussões
acerca do papel da mulher, e como essa é tratada. Infelizmente existe o preconceito
de que, por serem latino-americanas, são primeiramente vistas como somente
mulheres bonitas e desejáveis. Claro, era mais um motivo para elas se reunirem.
Relata que Ana era mentora e organizadora de festas, reuniões, piqueniques etc. De
tudo ela inventava uma ocasião para se reunirem e se juntarem e foi assim que
conheceu pessoas do mundo inteiro.
Tulipa conheceu também a bela Anna Correale na aula de psicologia do
desenvolvimento, uma jovem italiana que se mostrou muito gentil e prestativa desde
o primeiro dia que a conheceu. Emprestava-lhe seu caderno sempre no fim das
aulas para copiar algumas anotações que às vezes não conseguia acompanhar.
Tulipa diz que não pode esquecer a “galera” de Angola.
Os conheceu no
restaurante universitário e era ali que geralmente se encontravam. A aproximação foi
imediata, existia a língua em comum, os ritmos musicais, etc. Havia uma relação de
irmandade, pois, eram assim que eles se tratavam entre si: “irmãos”. E nós,
brasileiros, éramos os “primos”.
Para Tulipa morar em residência universitária era super novo, sempre morou com
seus pais e nunca passou mais de um mês fora de casa, não podia dizer que
precisou aprender a cozinhar e lavar porque as refeições eram realizadas no
45
restaurante do colégio (como era chamada a residência Don Nicola Mazza onde
morou), e a maquina de lavar era um bem comunitário. Sabe que não são todas as
residências que se parecem com o Don Mazza, onde se encontra sala de música
com isolamento acústico, restaurante, teatro, academia etc. Diz ela: “tudo muito
encantador e organizado”.
Relata que as pessoas na residência foram se “achegando” aos poucos. No inicio,
ao entrar no restaurante, para fazer as refeições todos a olhavam... era como um
misto de curiosidade por parte de alguns e desprezo por parte de outros, e os mais
curiosos sentavam na mesma mesa que ela estava sentada para saber mais
informações como: de onde você veio?, O lugar que você mora fica em são Paulo?
(São Paulo é o único lugar do Brasil que todos conhecem), lá vocês usam talheres?
(essa pergunta é um absurdo, diz ela, mas a fizeram).
Foi assim que conheceu Roberta Messina. Ela convidou Tulipa e sua companheira
de viagem para almoçarem juntas com todas as outras garotas. Segundo ela foi
legal o almoço, conversaram um pouco, foi simpático da parte delas a convidarem.
Nesse período ela ainda era muito calada, só ouvia e não dominava o idioma. E
deixava sempre sua companheira de viagem falar por ela. Mas tarde Roberta a
convidou para dar uma volta pela cidade e conhecer um pouco a noite padovana. E
assim, seu ciclo de amizades foi aumentando, mais especificamente com os
rapazes, porque dentre as 8 garotas somente com Roberta e Silvia (a garota da
Moldávia) que existia um vinculo maior, se freqüentavam, saíam juntas etc. Com as
outras mal existia um “Bom dia”
Sua relação era melhor com os rapazes, pois não existia a competição de quem usa
a melhor roupa ou faz o melhor penteado, eles eram gentis e atenciosos, se sentia
melhor na companhia deles.
Depois de certo tempo, conta que deixou de ser a novidade e passava despercebida
pelos salões e restaurante do Mazza e, num processo natural, as outras pessoas
que iam chegando é que se tornavam o centro das atenções. Lembra-se bem do dia
em que chegou um Indiano na residência, Tulipa estava jantando com Silvia (a
garota da Moldávia) ela simplesmente disse: “quem é aquele garoto de cor?” Fingiu
que não percebeu o racismo e indagou: “de quem você está falando? Não vejo
46
ninguém vermelho ou azul por aqui”. Silvia não respondeu mais nada. Segundo
Tulipa, Silvia era de verdade um tipo estranho, que merecia ser um caso de estudo,
não era má pessoa, mas tinha alguns conceitos tão antigos que não imaginava que
ainda fosse possível existir.
Tulipa relata que certas vezes, quando Silvia se referia aos extra-comunitários como:
ladrões, traficantes e todos os tipos à margem da sociedade, a lembrava que ambas
eram também estrangeiras. Silvia dizia que eram pessoas boas que não fariam mal
a ninguém, e Tulipa sempre lhe dizia que eles também eram iguais a elas, mas Silvia
não se convenceu disso. Enfim, Tulipa ainda não sabe como ela andava em sua
companhia, pois para Silvia todos os negros representavam perigo eminente, só
bastava ser negro. Quando a indagou sobre isso, ela lhe disse que considerava
Tulipa uma pessoa “boa”, não era como os outros (todos os estrangeiros negros,
que supostamente eram maus. Tulipa ainda não sabe seu conceito de “bom”, mas,
deixou passar).
É atribuído à sociedade do eu tudo o que for mais elaborado ou
civilizado. Já a sociedade do outro é marcada pela reificação de
idéias etnocêntricas. Caracterizando-se como primitivo, nãohumanizado, ele é percebido como um "intruso" que trará a desordem
[...] Nesse sentido, ao outro é negado o direito de viver a sua
identidade étnica, pois o padrão do eu prevalece, e ele o percebe sob
uma ótica de estranhamento, desprestígio e não-reconhecimento.
Dessa forma, a sociedade do outro passa a ser percebida como
ameaçadora inferior; é vivida de modo odioso, sendo a própria
possibilidade da guerra. (MENEZES. 2002)
Para começar a falar da Universidade Tulipa relata um fato que ocorreu no caminho
para tal: Certo dia, ao sair da universidade um rapaz: alto, negro, com um perfil
atlético começa a gritar: AFRICA, AFRICA, AFRICA. Continuou caminhando até o
momento que se deu conta que era consigo, parou e esperou ele se aproximar,
inicialmente não entendeu nada do que ele falava (ele não estava falando em
italiano e não reconheceu que idioma era aquele), então começou a falar seu italiano
improvisado e ele também a respondeu em um italiano pior que o seu, ele a
perguntou de onde ela era, Tulipa respondeu: Brasil. Relata que percebeu a
decepção em seus olhos, ele estava convicto que ela era africana.
47
Segundo Tulipa milhões de conflitos ocorreram na sua cabeça, e se questionou se
todos pensavam que ela era africana por ser negra ou por que grande maioria dos
brasileiros que se encontram na Itália é, fenotipicamente falando, de pele branca e
olhos claros e possuem um maior poder aquisitivo? Era quase uma piada quando
ela falava que era brasileira, como se toda população afro-descendente estivesse
trancada na África e todo o resto da população do planeta fosse genuinamente
branco.
Ser Americano, Europeu, Asiático ou Africano está na aparência? Ou no sentimento
de compartilhar tal cultura, costumes etc.? No século XXI, isso ainda tem
importância? Não somos todos da raça humana? Acredito que não existe mais os
negros na África e os brancos na Europa. O mundo ta em constante movimento, as
pessoas migram todos os dias, por diversos motivos. A África está na Europa e ali
eles constituem famílias e seus filhos nascerão imersos na cultura local e ainda sim
serão africanos por serem negros?
Para Tulipa os conflitos aumentaram porque sabe que no Brasil temos origem:
européia, africana e indígena, e não sabemos ao certo nem quem foram nossos
bisavôs, nossas famílias não têm brasão e nem heróis. Como se constrói a
identidade do brasileiro?
Relata que sabe que tem uma raiz africana, mas não se sentiu conterrânea do rapaz
que a chamou de África. Sente-se BRASILEIRA, mesmo que não saiba ainda ao
certo o que isso signifique.
Para Stuart Hall:
[...] as identidades nacionais não são coisas com as quais nós
nascemos, mas são formadas e transformadas no interior da
representação [...] Essas identidades não são impressas literalmente
em nossos genes. Entretanto, nós efetivamente pensamos nelas
como se fossem parte da nossa natureza essencial. (2006, p.47 e 48)
Continua ela relatando que foram enumeras as vezes em que foi parada nas ruas
por africanos, eles sempre tentavam adivinhar seu país de origem. Sempre erravam.
Quando não tinham coragem de vir a ela, seguia-a com os olhos até a perderem de
vista.
48
A universidade de padova é um pouco diferente da UNEB. Teve aulas em salas com
200 alunos e em outras disciplinas com 15, não existiam listas de freqüência e nem
a obrigatoriedade assistir as aulas, entretanto era obrigatório fazer o laboratório, e as
provas orais e escritas. Segundo Tulipa Existe certa pressão em relação às
avaliações, as pessoas se cobram muito passam horas decorando livros para fazer
as provas orais, em sua opinião esse método de avaliação é arcaico, o Brasil está a
frente em relação a esse quesito, aqui as aulas são mais dinâmicas, existe uma
relação mais próxima entre professor e aluno.
Notou também que nas aulas não se encontrava muitos estudantes negros, uma vez
contando com ela eram somente duas garotas negras dentre duzentas pessoas.
Bom, agora depois das experiências, vivências, pessoas, a universidade etc. Eis a
questão: o que mudou na sua vida e/ou qual o legado que tudo isso lhe deixou?
Segundo Tulipa: Ir ao exterior ajudou-a enxergar a si mesma e ao próximo. A
confrontar-se com todas as suas certezas e valores. Foi um “renascimento” uma
descoberta do “Eu” relata. Ajudou-a valorizar mais a sua Universidade, sua cultura,
seu país, desconstruir estereótipos com os países estrangeiros.
Finalizando Tulipa relata que: “estou mais madura, segura de mim. Posso dizer que
passei a perceber o curso de pedagogia com outros olhos e sei que profissional
quero ser”.
Na sua última semana na Itália Tulipa relata que o pai de Roberta (garota que
morava no Don Mazza) disse-lhe: “tutti hanno bisogno de andare a l’estero per
confrontare i loro valori, loro idee e per conoscere a se stesse 3”. Foi o que ela fez, e
o que o pretende fazer sempre. Continua Tulipa: “Aprendi que questionar-me é um
exercício diário, que a cada novo dia, cada momento vivido traz consigo um
aprendizado e que tenho uma eterna alma viajante, mas sempre tornarei a casa”.
3
Todos têm a necessidade de ir ao exterior para confrontar suas idéias, valores e conhecer a si
mesmo.
49
5.5. INTERCÂMBIO PARA AVANÇAR NO PROCESSO FORMATIVO
A quinta e ultima estudante investigada foi a Girassol. Ela inicia seu relato afirmando
que o intercâmbio contribuiu muito na sua formação, porque além de proporcionar
um aprimoramento na língua pôde viver perceber e compartilhar no âmbito da
cultura alheia. Segundo ela, criou outro olhar através da desnaturalização do olhar,
isto è, a visão e a noção e o conceito de sistema educacional e de cultura que
conhecia através de experiências prévias foram desnaturalizando através de outras
experiências na qual compõe uma estrutura organizacional um pouco diferenciada,
assim como o modo de vida em que estudantes em cada cultura vivem.
Girassol fala também sobre a formação acadêmica e profissional, o tipo de
graduação trienal e da qüinqüenal (que existe na Itália) atuando como uma
especialização, assim como o mestrado e o doutorado. Segundo Girassol na Itália, a
maioria dos cursos pode fazer doutorado assim que termina o curso de graduação
plena é uma diferença do Brasil que, neste, antes do doutorado é necessário o
mestrado e sem este é quase impossível conseguir um doutorado por varias
questões diz ela.
Continua Girassol que outro ponto interessante é que na Itália, em especifico na
Universidade de Padova, o ensino superior é público, mas não gratuito as pessoas
pagam o valor equivalente a renda que recebe e isso possibilita a todos ter acesso a
Universidade e escolher o curso que gosta. No Brasil existe a privatização da
educação, mas no sentido em que só pode estudar naquele espaço privado quem
tem dinheiro sendo que é o mesmo valor para todos, independente se tem dinheiro
ou não. Além do âmbito educacional Girassol destaca vários outros pontos
importantes entre diferenças culturais entre Brasil e Itália tais como: a questão do
meio ambiente, a importância que se dá à coleta seletiva, a forma de privatização
dos espaços públicos, como as praças públicas que são privatizadas pelo Estado
para uso de bares, estacionamentos, dentre outras formas culturais, políticas e
administrativas.
Questionada sobre a Universidade de Padova Girassol diz que: Ainda percorre na
Universidade um olhar tradicionalista sobre métodos de avaliação, mas questões
financeiras não é o problema, pois, segundo ela há uma preocupação com o
50
investimento na educação e principalmente nas bibliotecas, onde se faltar um livro
seja qual for a obra literária a compra é feita de imediato mediante uma requisição
do professor que vai utilizar o livro nos conteúdos programáticos.
Girassol enfatiza que durante o período na Itália percebeu que a maioria dos
estudantes, é realmente estudantes, pois têm tempo para estudar e se dedicam a
esta atividade não precisam trabalhar como é o caso de muitos brasileiros que
trabalham para financiar os estudos.
Girassol diz que esta experiência foi muito importante na sua vida, pois vivenciou e
conheceu modelos de vida e de educação para que assim possa contribuir na
melhoria educacional do seu país.
Questionada sobre o que levou para a Itália, Girassol diz: “Conhecimentos,
esperança, expectativa, cultura, língua, contribuição” sobre o que encontrou relata
que: “Intolerância, diferentes formas culturais, sejam elas educativas, ambientais,
sociais falta de acolhimento ao estrangeiro, cultura escolar, formas de viver e de
estudar, vida de estudante, funcionamento do sistema escolar, distribuição das
universidades e acesso, bibliotecas, composição da população, clima e temperatura,
doutorado,
mestrado,
coleta
seletiva,
leis,
diferentes
formas
do
olhar,
tradicionalismo, catolicismo, igrejas, resistência a mudança” finaliza relatando o que
trouxe: “Conhecimentos, decisões, curiosidades para uma nova descoberta e
aventura, novos planos, novas formas de olhar o mundo e de ver a educação”.
Aqui se conclui baseado nas entrevistas cedidas por estudantes que participaram do
intercâmbio que a referida pratica educativa potencializa não somente a vida
acadêmica, como também a vida pessoal, alarga possibilidades no mercado de
trabalho, proporciona a inter-relação com estudantes estrangeiros ampliando o
conhecimento de mundo.
Dentre as estudantes entrevistadas a maioria cursou na Università degli studi di
Padova a disciplina: Pedagogia intercultural, que aborda a dimensão entre os
fundamentos pedagógicos da interculturalidade e a educação do encontro. Utiliza
para tal a pedagogia de Martin Buber, contribuição de Giuseppe Milan e a
Pedagogia de Paulo Freire com o livro “Pedagogia do oprimido”. Giuseppe Milan é o
51
professor titular da referida disciplina, autor do livro: Pedagogia Interculturalle que
também é utilizado como referência na disciplina e orientador das estudantes no
período em que elas se encontram na cidade de Padova.
52
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ter participado do intercâmbio foi à concretização de um sonho que através da
Universidade consegui realizar e uma oportunidade única e ímpar na minha vida
pessoal e acadêmica.
Desenvolver essa pesquisa antes de tudo foi um desejo e uma realização pessoal.
Por hora, destaco que foi através dessa pesquisa que passei a entender
precisamente esta experiência e sua importância não somente para minha formação
enquanto pedagoga, mas para a vida. Esta é uma das razões pela qual o presente
trabalho foi delicadamente construído.
Assim também entender em que consiste a educação e quais os pressupostos
teóricos que dão subsidio a formação do pedagogo e que profissional se deseja ser.
Às vezes é necessário mudar de país, cidade, continente para conhecer a si mesmo,
para confrontar-se com suas idéias e valores através da imersão em outras culturas
e realidades de vida que sabemos que existem através dos livros, mas não tivemos
a oportunidade de vivenciá-la.
Quando estamos no nosso meio social, nos fechamos e não conseguimos fazer
essa auto-analise, essa busca e apropriação da cultura do outro que às vezes
inconscientemente tentamos negar tornando a nossa a mais importante.
Através dessa pesquisa tive a oportunidade de conhecer e partilhar com outras
pessoas a experiência de morar em outro país na condição de estudante, de
conhecer outras praticas e métodos de estudo, outros autores e outros significados
para o que é educação e o que é ser educador.
Como resultado da pesquisa pode-se dizer que a experiência do intercâmbio
possibilita uma ampliação dos conhecimentos vistos na Universidade, crescimento
pessoal, oportunidades de emprego dentro outros já citados.
A prática do intercâmbio não é puramente uma viagem externa, mas também uma
viagem interna para dentro de si, para o crescimento pessoal e intelectual. Segundo
53
as estudantes entrevistadas suas vidas foram divididas em dois momentos: o antes
e o depois do intercâmbio na Università degli studi di Padova.
Em minha opinião o intercâmbio é uma pratica social e educativa que deveria ser
realizada por todos. O mundo está em constante transformação e movimento, e nós
devemos estar também.
A UNEB enquanto instituição dedicada à educação e a formação humana deve
afirmar a pratica do intercâmbio como modalidade educativa fundamental a
formação e ampliar projetos como o pesquisado que levam estudantes de pedagogia
para a Itália, para outros departamentos, outros campi e firmar convênios com outras
Universidades em outros países.
54
REFERÊNCIAS
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Cortez, 2005.
BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio
de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2004.
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2006.
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Janeiro: 7Letras, 2006.
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Petropolis,RJ: Vozes, 2002.
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transformações do conhecimento. São Paulo: Papirus, 1997.
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sujeitos, saberes e pesquisa. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
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GOLDENBERG, Miriam. A arte de pesquisar. Rio de Janeiro: Record, 1997
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LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e pedagogos, para que?. São Paulo, SP:
Cortez, 2009.
LIBÂNEO, José Carlos. PIMENTA, Selma Garrido (org.). Pedagogia e pedagogos:
caminhos e perspectivas. São Paulo, SP: Cortez, 2002.
LUDKME, M & André, M.E.A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas.
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Unijuí,2006.
55
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Unijuí,2006.
MENEZES, Valeria. O PRECONCEITO RACIAL E SUAS REPERCUSSÕES NA
INSTITUIÇÃO ESCOLA. 147/2002. Agosto 2002. http://www.fundaj.gov.br47
Acessado em:17/09/2009.
RODRIGUES, Alberto Tosi. Sociedade da educação. Rio de Janeiro:DP&A, 2004.
VALEMTIM, Marta. Métodos de pesquisa: técnicas de coletas de dados. Marilia,
SP: 2008. Disponível em: www.valentim.pro.br/slide/tecnica-coleta-dedados
.Acessado em: 11/07/2010.
http://www.agatasmeralda.org/perche-noi/la-nostra-storia/la-nostra-storia_0_16.html
56
APÊNDICE
APÊNDICE
A
-
QUESTIONÁRIO
QUE
SUBSIDIOU
AS
ENTREVISTAS
REALIZADAS.
UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS I
CURSO: PEDAGOGIA
ALUNA: ANNE CAROLINE
QUESTIONARIO - PARTE DA PESQUISA EMPIRICA DO TCC.
1º BLOCO- IDENTIFICAÇÃO
1º) Nome:
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
2º) Idade: ____________
3º) Sexo: Masculino ( )
Feminino ( )
4º) Universidade de origem:
UNEB ( ) Cite campus ____________________________
UFBA ( )
OUTRA (
) Qual?__________________________________
2º BLOCO- EXPERIÊNCIA DO INTERCÂMBIO NA UNIVERSIDADE DE PADOVA
1º) Qual curso fazia e/ ou faz quando participou do intercâmbio?
__________________________________________________
2º) Em que ano que participou do intercâmbio?
________________________________________________
3º) Qual a duração do intercâmbio?
(
) 3 messes
(
(
) 6 messes
(
) Outros ____________________________________
(
) 4 messes
) 1 ano
57
4º) Liste as disciplinas cursadas no intercâmbio.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
5º) Estabeleça uma relação entre as disciplinas cursadas, seus respectivos conteúdos e autores
estudados.
Disciplina
Conteúdo
Autores
6º) Além das disciplinas cursadas na Universidade de Padova, participou de algum
curso de extensão ou de formação extra-curricular? Quais? Por quanto tempo? Qual a
temática?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
7º) Qual a importância do Grita Brasil para esse Intercâmbio?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
3º BLOCO – LEITURA DE MUNDO A PARTIR DO INTERCÂMBIO
1º) De que forma o intercambio contribuiu para sua formação enquanto pedagoga e/ou
pedagogo? (Pode marcar mais de uma opção)
Ampliou sua visão de mundo (
)
Possibilitou-lhe perceber e/ou conhecer outras praticas educativas (
)
Ajudou-a conhecer e respeitar as diferenças culturais existentes entre Brasil e Itália ( )
58
Outros:_____________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
2º) Por quais motivos você decidiu participar do intercâmbio? (Pode marcar mais de uma
opção)
Para aprender ou aprimorar o Italiano ( )
Fazer novas amizades ( )
Estudar na Europa ( )
Outros ( ) Cite_______
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
______________
Agregar conhecimentos na sua área de formação ( )
3º) A partir do seu deslocamento como se “processa” o seu olhar acadêmico mediante sua
experiência na UNIPD?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________
4º) Após sua experiência na Universidade de Padova qual o seu conceito de intercultura?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________
5º) Pense e responda:
O que eu levei para a Itália? O que encontrei na Itália? E o que eu trouxe da Itália?
___________________________________________________________________________
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ANEXOS
ANEXO A – FIGURA 1: REITORIA DA UNIVERSITÀ DEGLI STUDI DI PADOVA
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ANEXO B- FIGURA 2: DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO DA FACOLTÀ
SCIENZE DELLE FORMAZIONE PRIMARIA.
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ANEXO C – FIGURA 3: PORTARIA DO COLLEGIO UNIVERSITARIO DON
NICOLA MAZZA
ANEXO D - DISCIPLINAS DO CURSO DE SCIENZE DELLE FORMAZIONE
PRIMARIA.
As disciplinas cursadas durante os quatro anos do curso de ciências da formação
primaria são divididos por áreas que são;
1. AREA PEDAGOGICA
Pedagogia general
Pedagogia intercultural
Pedagogia especial
Filosofia da educação
História da pedagogia
História das escolas e das instituições educativas
Educação comparada
Pedagogia da familia
Psicopedagogia da linguagem e da comunicação
Literatura infantil
2. AREA METODOLOGICO-DIDÁTICA
Metodologia da pesquisa pedagogica
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Pedagogia experimental
Didática geral
Teoria e métodos da programação e avaliação escolar
Tecnologia da instrução e da aprendizagem
Métodos e técnicas de trabalho em grupo
Metodologia e didática Audio-visual
Progeção e progamação informática pela didatica
Docimologia
Métodos e técnicas do jogo e da animação
Metodologia de ensinar
3. AREA PSICOLOGICA
Psicologia da educação
Psicologia do desenvolvimento
Psicologia da personalidade
Psicologia social
Psicologia geral
Psicobiologia
4. AREA HIGIÊNICO-MÉDICA
Neuropsiquiatria infantil
Logopedia
Higiene e educação sanitária
5. AREA JURIDICA
Direito público e escolar
Direito da família
6. AREA SÓCIO-ANTROPOLOGICA
Sociologia
Sociologia da educação
Economia da instrução
Antropologia cultural
Sociologia do processo cultural
Sociologia da comunicação
Metodologia da pesquisa social
7. AREA LINGUISTICO-LITARÁRIA
Documentação e biblioteconomia
Lingua e literatuta italiana
Didatica da língua italiana
Literatura comparada
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8. AREA MATEMATICO-INFORMATICA
Fundamentos da matemática
Didática da matemática
Informática
Lógica
Modelo estatistico para analise a avaliação do processo de formação
9. AREA CIÊNCIA NATURAL, FÍSICA E AMBIENTAL
Ciência natural
Fundamentos da física
Didática da fisica
Didatica da ciência da terra
Didática da ciência da vida
Ciência da vida
Geografia
Didatica da geografia
Educação ambiental
10. AREA DA MÚSICA E DA COMUNICAÇÃO SONORA
Didatica da música
Metodologia da educação musical
Estética musical
11. AREA DA CIÊNCIA MOTORA
Didática da ciência motora
Educação física e esportiva
12. AREA DA DIDATICA DA LINGUA MODERNA
Lingua e literatura inglesa
Lingua e literatura francesa
Lingua e literatura alemã
Lingua e literatura espanhola
Didatica da língua inglesa
Didática da língua francesa
Didática da língua alemã
Didática da língua espanhola
13. AREA HISTORICO- SOCIAL
História
Didática da história
História da ciência
14. AREA DO DESENHO E ARTES VISUAIS
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Desenho
Didatica da arte (visual e plastica)
Percepção e comunicação
Pedagogia da comunicação social
15. AREA INTEGRAÇÃO ESCOLAR PARA OS ALUNOS DEFICIENTES
Didatica especial
Tecnicas de observação do comportamento infantil
Psicologia do handicap e da reabilitação
Psicologia clinica
Psicopatologia do desenvimento
Pediatria preventiva e social
Reabilitação neurológica
16. AREA FILOSOFICA
Antropologia filosófica
Ética
Filosofia da religião
Filosofia da linguagem
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anne caroline dos santos souza