QUARTA QUE DANÇA 2011
De 14 de setembro a 14 de dezembro de 2011, o Quarta que Dança promove
apresentações de um total de 15 trabalhos em todas as quartas-feiras do período,
em espaços da capital (Espaço Xisto Bahia, Centro Cultural Plataforma, Cine-Teatro
Solar Boa Vista, Sala do Coro do TCA, ruas, praças e praias da cidade), de Juazeiro
(Centro de Cultura João Gilberto) e Paulo Afonso (Centro Cultural Lindinalva
Cabral). Os projetos que compõem a programação foram selecionados através do
edital Quarta que Dança 2011, da FUNCEB/SecultBA, que contabilizou 99 propostas
inscritas – um recorde na história do certame.
Como grande novidade da edição deste ano, está o fato de que cada proposta
selecionada irá realizar três apresentações, em locais diferentes. Antes, era uma
única apresentação na Sala do Coro do TCA ou no Espaço Xisto Bahia, quando do
início do projeto. Com a mudança, o Quarta que Dança diversifica seus circuitos de
atuação, ampliando o alcance e a acessibilidade de públicos distintos.
Também com isso, o cachê ofertado aos contemplados cresce, fazendo o total de
recursos financeiros disponibilizado aumentar – serão R$ 100 mil assim
distribuídos: sete Espetáculos (cada um recebendo cachê total de R$ 8 mil); duas
Intervenções Urbanas e dois trabalhos de Dança de Rua (cada um com cachê total
de R$ 6 mil); e quatro Trabalhos em Processo de Criação (cada um com cachê total
de R$ 5 mil). Na edição 2009/2010, o montante concedido foi de R$ 87 mil; em
2008, foi de R$ 76 mil.
Assim, durante três meses, todas as quartas-feiras serão ocupadas por sessões do
Quarta que Dança, que têm valor de ingresso de R$ 2 (inteira), quando nos palcos,
e de acesso gratuito, quando em espaços públicos. E não apenas Salvador está no
roteiro: a proposta selecionada do interior do estado (o espetáculo Aluga-se um
Coração, de Juazeiro) fará apresentações em Paulo Afonso (16 de novembro) e
Juazeiro (23 de novembro), chegando à capital em 14 de dezembro para ocupar a
Sala do Coro do TCA.
O projeto Quarta que Dança, que visa à difusão da dança em suas diversas
vertentes e ao estímulo à pesquisa e à produção coreográficas na Bahia, surgiu em
1998 e, ao longo destes anos, proporcionou a montagem de mais de 150
apresentações de variados grupos e propostas artísticas. Em 2007, as inscrições
passaram a ser feitas exclusivamente via edital, em duas categorias – além dos
tradicionais Espetáculos de Dança, deu-se espaço para os Trabalhos em Processo
de Criação, com objetivo de estimular o debate em torno dos processos
construtivos. No ano seguinte, 2008, as outras duas categorias foram criadas:
Intervenção Urbana e Dança de Rua, ampliando as possibilidades estéticas
abrigadas e levando o Quarta que Dança também para as ruas da cidade.
TRABALHOS EM PROCESSO DE CRIAÇÃO
Neste ano, além do recorde de inscrições em relação a todas as edições do projeto,
destaca-se também a procura expressiva de Trabalhos em Processo de Criação,
categoria com maior número de inscritos: foram 52 propostas nesta modalidade,
39 para Espetáculo, cinco para Intervenção Urbana e três para Dança de Rua. “Isso
pode significar um grande interesse dos artistas baianos em desenvolver propostas
de pesquisa artística em dança. Tivemos, em 2007, um mecanismo de fomento
específico para este fim e, em 2010, o Edital de Apoio a Grupos Artísticos, que
contemplou seis propostas de dança, oferecendo a possibilidade do
desenvolvimento de pesquisas. Estes dados indicam que devemos implementar
incentivos a este segmento”, considera Alexandre Molina, coordenador de Dança da
FUNCEB.
Para esta modalidade, há uma outra novidade da edição 2011: a inclusão de um
profissional para acompanhamento das propostas. Cada proponente selecionado
nesta categoria indicou um nome para acompanhamento de seu processo de
pesquisa, que também participará das apresentações públicas do projeto. Isto vem
garantir uma maior qualificação no desenvolvimento das propostas, ao mesmo
tempo em que amplia as possibilidades de troca geradas pelo Quarta que Dança.
COMISSÃO DE SELEÇÃO
Para formar a Comissão de Seleção do Quarta que Dança, foram consultados
diferentes colegiados representativos dos profissionais de dança da Bahia, tais
como Fórum de Dança da Bahia, Sindicato dos Artistas e Técnicos, Associação de
Escolas de Dança, Frente de Descentralização e Difusão de Ações/Produções e
Informações da Dança na Bahia e Movimento Dança Bahia – este último formado
por profissionais que atuam no interior do estado.
Os membros da Comissão foram Jorge Alencar (criador em dança, teatro e
audiovisual, além de educador, pesquisador e curador; diretor artístico e fundador
do grupo Dimenti e Mestre em Artes Cênicas pelo PPGAC-UFBA), Robertha Carneiro
(coreógrafa e professora de dança, estudou na Tanz Probebune Marameo, na
Alemanha; é diretora e coreógrafa da Ópera do Descobrimento em Porto Seguro e
diretora do Grupo de Dança Bailarico, em Santa Cruz Cabrália) e Joffre Santos
(coreógrafo, bailarino e professor de dança, ex-integrante do Balé Teatro Castro
Alves).
“Havia muitos projetos interessantes apresentados. Os contemplados representam
o que está sendo produzido em Dança na Bahia porque prezamos por uma seleção
democrática, de propostas diferenciadas e diversidade de expressões. Creio que o
resultado é representativo. Há gente jovem começando, mistura de classes,
trabalhos de gente que não está à luz das escolas oficiais de Dança, como da
FUNCEB e da UFBA. Infelizmente, a Dança e o Teatro não têm na mídia o mesmo
espaço que a Música, então esta é uma oportunidade de expansão proveitosa; é
preciso abrir este leque na cidade e dar visibilidade a estes artistas, que também
poderão se conhecer, interagir”, afirma Joffre Santos. “As propostas também
mostram o grande interesse dos artistas em realizar trabalhos de pesquisa,
categoria que deveria ser incluída no edital. Também esperamos por mais projetos
oriundos do interior e da periferia”, pontua.
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