0
SOCIEDADE DO VALE DO IPOJUCA
FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA
CURSO DE BACHARELADO EM ENFERMAGEM
MARIA DE LOURDES DE VASCONCELOS SANTOS
RENATA NATALI DE VASCONCELOS SANTOS
RISCOS OCUPACIONAIS A QUE ESTÃO EXPOSTOS OS PROFISSIONAIS DE
ENFERMAGEM: UMA REVISTA DE LITERATURA.
CARUARU - PE
2010
1
MARIA DE LOURDES DE VASCONCELOS SANTOS
RENATA NATALI DE VASCONCELOS SANTOS
RISCOS OCUPACIONAIS A QUE ESTÃO EXPOSTOS OS PROFISSIONAIS DE
ENFERMAGEM: UMA REVISTA DE LITERATURA.
Monografia apresentada ao Curso de
Graduação de Enfermagem da Faculdade do
Vale do Ipojuca, como parte dos requisitos
para obtenção do grau de Bacharel em
Enfermagem.
ORIENTADORA:
Batista Ferreira.
CARUARU - PE
2010
Profª
Msc.
Emanuela
2
Catalogação na fonte Biblioteca da Faculdade do Vale do Ipojuca, Caruaru/PE
S237r
Santos, Maria de Lourdes de Vasconcelos.
Riscos ocupacionais a que estão expostos os profissionais de
Enfermagem: uma revista de literatura / Maria de Lourdes de
Vasconcelos Santos e Renata Natali de Vasconcelos Santos. -Caruaru : FAVIP, 2010.
18 f.
Orientador(a) : Emanuela Batista Ferreira.
Trabalho de Conclusão de Curso (Enfermagem) -- Faculdade do
Vale do Ipojuca.
1. Riscos ocupacionais. 2. Equipamente de proteção. 3.
Profissional de Enfermagem. I. Santos, Renata Natali de
Vasconcelos. II. Título.
CDU 616-083[11.1]
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367
3
MARIA DE LOURDES DE VASCONCELOS SANTOS
RENATA NATALI DE VASCONCELOS SANTOS
RISCOS OCUPACIONAIS A QUE ESTÃO EXPOSTOS OS PROFISSIONAIS DE
ENFERMAGEM: UMA REVISTA DE LITERATURA.
Monografia apresentada ao Curso de
Graduação de Enfermagem da Faculdade do
Vale do Ipojuca como parte dos requisitos para
obtenção do grau de Bacharel em
Enfermagem.
APROVADO EM: ______/ ______/ ______.
________________________________________________________________
Profª Msc. Emanuela Batista Ferreira- ORIENTADORA
________________________________________________________________
(1º EXAMINADOR)
_________________________________________________________________
(2º EXAMINADOR)
CARUARU - PE
2010
4
RISCOS OCUPACIONAIS A QUE ESTÃO EXPOSTOS OS PROFISSIONAIS DE
ENFERMAGEM: UMA REVISTA DE LITERATURA
OCCUPATIONAL RISKS WHICH ARE EXPOSED THE NURSING PROFESSIONALS: A
REVIEW OF LITERATURE
Maria de Lourdes de Vasconcelos Santos1; Renata Natali de Vasconcelos Santos2; Emanuela
Batista Ferreira3.
RESUMO
O propósito deste estudo foi revisar de forma sistemática a literatura nacional sobre os riscos
ocupacionais a que estão expostas as equipes de enfermagem. A busca foi realizada na base
de dados Scielo, através dos descritores: riscos ocupacionais, equipamento de proteção e
enfermagem. Foram encontrados 113 artigos e após leitura dos resumos para identificar a
pertinência aos critérios de inclusão, 14 artigos foram selecionados. Em adição incluiu-se a
Norma Regulamentadora (NR) 32 e sua importância para a prevenção dos riscos
ocupacionais. A análise dos resultados contemplou enfoques de discussão quanto aos riscos
ocupacionais predominantes e as medidas preventivas previstas na NR 32.
Descritores: Riscos ocupacionais. Equipamento de proteção. Enfermagem.
ABSTRACT
The purpose of this study was to systematically review the literature on the risks occupational
they are exposed to the nursing staff. The search was conducted in the Scielo database using
the descriptors: occupational hazards, protective equipment and nursing. We found 113
articles and after reading the abstracts to identify the relevance of the inclusion criteria, 14
articles were selected. In addition we included if Regulatory Norm (NR) 32 and its
importance for the prevention of risks occupational. The results included discussion focuses
on the risks prevalent ocupational and preventive measures provided for in NR 32.
Keywords: Occupational Risks. Protective equipament. Nursing.
__________________________
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP. Email:
[email protected]
1
² Graduanda em Enfermagem pela Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP. E-mail:
[email protected]
³ Enfermeira, Mestre em Hebiatria, Docente da Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP. E-mail:
[email protected].
5
LISTA DE TABELAS
páginas
Tabela1- Relação dos artigos pesquisados segundo ano de publicação, periódico,
autor(es) e título............................................................................................................
09
Tabela 2- Distribuição dos artigos segundo a linha de discussão................................
10
6
SUMÁRIO
páginas
1
INTRODUÇÃO ............................................................................................................
07
2
METODOLOGIA ......................................................................................................... 08
3
RESULTADOS ............................................................................................................
08
4
DISCUSSÃO ................................................................................................................
11
4.1 Riscos biológicos ..........................................................................................................
11
4.2 Riscos químicos ............................................................................................................
12
4.3 Medidas preventivas aos riscos ocupacionais e Norma Regulamentadora 32 .............. 13
5
CONCLUSÃO ..............................................................................................................
15
REFERÊNCIAS............................................................................................................. 16
7
1 INTRODUÇÃO
Os ambientes hospitalares são considerados insalubres por agruparem pacientes
enfermos, além de viabilizar práticas de procedimentos que trazem riscos profissionais aos
funcionários (SÊCCO; GUTIERREZ; MATSUO, 2002). Nesse contexto, Almeida, Pagliuca
e Leite (2005) descrevem que dentre os profissionais de saúde, a equipe de enfermagem é a
que presta uma maior assistência direta ao cliente em tempo integral e dessa forma estão em
constante exposição aos riscos ocupacionais.
Os riscos ocupacionais são aqueles em que os profissionais estão expostos no
ambiente laboral, entendidos como agentes nocivos a saúde do trabalhador, que dependendo
da concentração, da natureza ou tempo de exposição são capazes de provocar doenças ou
acidentes. Esses riscos podem ser classificados em biológicos, químicos, ergonômicos,
físicos, que são provenientes de cargas de materialidade externas, ou psíquicas e fisiológicas
provenientes de cargas internas (SILVA; FELLI, 2002 e NISHIDE; BENATTI, 2004).
Chiodi e Marziale (2006) referem os riscos biológicos como os mais incidentes entre a
equipe de enfermagem e estão caracterizados pela exposição a agentes como fungos,
protozoários, bacilos, parasitas e bactérias, seguidos pelos riscos químicos que são os que
podem provocar prejuízo à saúde por meio de produtos químicos que venham a penetrar no
organismo no trabalhador.
Os agravos à saúde do trabalhador podem ser prevenidos, desde que se aceitem
precauções padrão (VIEIRA; PADILHA, 2008). Como recurso e estratégia de prevenção aos
riscos, existem diretrizes específicas para a segurança do trabalhador na saúde, que é a norma
regulamentadora n° 32. Essa legislação brasileira permite que haja mudanças favoráveis no
desenvolvimento cotidiano das atividades laborais (BRASIL, 2008).
A importância de pesquisar o tema em questão se desenvolveu no contexto das
práticas clínicas, onde as autoras perceberam os riscos existentes nos ambientes de saúde e na
realização das atividades inerentes ao profissional de enfermagem. Justificando assim, que em
enfermagem a procura por estudos baseados no tema proposto é essencial para embasar as
equipes inseridas nesse contexto, tornando-as atuante na prevenção dos riscos ocupacionais e
na efetiva adesão de precauções nas atividades corriqueiras em estabelecimentos de
assistência à saúde.
8
Este estudo tem como objetivos revisar a literatura sobre os principais riscos
ocupacionais a que estão expostas as equipes de enfermagem, destacando-se a Norma
Regulamentadora-32 e a sua importância para o direcionamento das ações da equipe de
enfermagem na prevenção dos riscos ocupacionais.
2 METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão sistemática de literatura, realizada a partir da seleção de
artigos científicos que abordam a produção nacional sobre os riscos ocupacionais a que estão
expostos os profissionais de enfermagem. No rastreamento dos artigos foi usada como fonte
de busca consultas junto à base de dados Scielo. Em adição, foram inclusos manual do
Conselho Regional de Enfermagem e fontes disponibilizadas pelos Ministérios do Trabalho e
Emprego – Normas Regulamentadoras 07, 09 e 32.
A análise abrangeu tais critérios de inclusão: artigos publicados e situados no tempo
cronológico entre os anos 2000 e 2010, redigidos na língua portuguesa e disponibilizados na
íntegra na base de dados online, e documentos que serviram de base para a Norma
Regulamentadora 32. Os descritores utilizados na busca foram: riscos ocupacionais,
equipamento de proteção e enfermagem, este último não foi descritor para todos os artigos.
Optou-se por não incluir teses, dissertações e monografias, visto que seria inviável realizar
uma busca sistemática das mesmas.
A busca foi realizada entre os meses de julho e setembro de 2010. Após a leitura dos
resumos dos artigos, que pareciam preencher a todos os critérios de inclusão, do total de 113
(cento e treze) artigos 14 (quatorze) foram selecionados.
Esses artigos foram classificados pelo período de sua publicação, de forma a avaliar se
houve ou não um crescimento de publicações sobre o tema, e organizados em subdivisões de
acordo com o enfoque principal.
3 RESULTADOS
Da consulta realizada, localizou-se 113 (cento e treze) artigos relativos à temática,
sendo que 99 (noventa e nove) foram descartados por não se ajustarem aos critérios de
9
inclusão definidos anteriormente. Dessa forma, 14 (quatorze) artigos foram selecionados para
serem submetidos à análise que será apresentada a seguir.
Em relação ao período em que a produção foi divulgada, observou-se dentre os artigos
selecionados, que não houve publicações nos anos de 2000, 2001 e 2010, e que há
predominância de publicações no ano de 2004, conforme a Tabela 1.
Tabela 1: Relação dos artigos pesquisados segundo ano de publicação, periódico, autor(es) e título.
Ano
Periódico
Autor(es)
Canini SRMS, Gir E,
Rev Latino-am Hayashida M,
Enfermagem
Machado AA.
Título do artigo
Acidente
perfuro
cortantes
entre
trabalhadores de enfermagem de um
hospital universitário do interior paulista.
2002
Rev Esc
Enferm USP
Silva RCG,
Felli VEA
Xelegati R,
Rev Latino-am Robazzi MLCC.
2003 Enfermagem
Nishide VM,
Rev Esc
Benatti MCC.
Enferm USP
Marziale MHP,
Rev Latino-am Nishimura KYN,
Enfermagem
Ferreira MM.
2004 Rev Latino-am Robazzi MLCC,
Enfermagem
Marziale MHP.
Revista
Brasileira de
Enfermagem
Campos ALA,
Gutierrez PSG.
Costa TF,
Rev Latino-am Felli VEA.
2005 Enfermagem
2006 Rev Latino-am Balsamo AC,
Enfermagem
Felli VEA.
Revista
2007 Brasileira de
Enfermagem
Ribeiro EJG,
Shimizu HE.
Castro MR,
Esc Anna Nery Farias SNP.
Um estudo comparativo sobre a
identificação dos riscos ocupacionais por
trabalhadores de enfermagem de duas
unidades básicas de saúde do município
de São Paulo.
Riscos químicos a que estão submetidos
os trabalhadores de enfermagem: uma
revisão de literatura.
Riscos ocupacionais entre trabalhadores
de enfermagem de uma unidade de
terapia intensiva.
Riscos de contaminação ocasionados por
acidentes de trabalho com material
perfuro-cortante entre trabalhadores de
enfermagem.
A norma regulamentadora 32 e suas
implicações sobre os trabalhadores de
enfermagem
A assistência preventiva do enfermeiro ao
trabalhador de enfermagem.
Exposição
dos
trabalhadores
de
enfermagem às cargas químicas em um
hospital público universitário da cidade
de São Paulo
Estudo sobre os acidentes de trabalho
com exposição aos líquidos corporais
humanos em trabalhadores da saúde de
um hospital universitário.
Acidentes de trabalho com trabalhadores
de enfermagem
A produção científica sobre riscos
ocupacionais a que estão expostos os
10
2008
Rev Enferm
Malaguti SE,
Rev Esc
Hayashida M, Canini
Enferm USP
SRMS, Gir E.
Esc Anna Nery Silva MKD,
Rev Enferm
Zeitoune RCG.
trabalhadores de enfermagem
Enfermeiros com cargos de chefia e
medidas preventivas à exposição
ocupacional: facilidades e barreiras.
Riscos ocupacionais em um setor de
hemodiálise
na
perspectiva
dos
trabalhadores da equipe de enfermagem.
2009
Silva JA,
Esc Anna Nery Paula VS,
Rev Enferm
Almeida AJ,
Vilar LM.
Investigação de acidentes biológicos
entre profissionais de saúde
O periódico que mais publicou artigos sobre a temática em questão foi a Revista
Latino-americana em Enfermagem, totalizando 06 artigos, seguida da Escola Anna Nery
Revista de Enfermagem e da Revista da Escola de Enfermagem da USP, ambas com 03
artigos cada.
Diante da leitura dos artigos selecionados, constatou-se que 09 (64,3%) publicações
referem-se aos riscos biológicos conforme ilustra a Tabela 2.
Tabela 2: Distribuição dos artigos segundo a linha de discussão (enfoque principal do artigo)
Enfoque
Total (n)
Total (%)
Riscos biológicos
09
64,3
Riscos químicos
02
14,3
NR 32 e Medidas preventivas
03
21,4
Total
14
100
Em relação à idéia central dos artigos, verificou-se que nove estudos (64,3%) enfocam
riscos biológicos e estão relacionados a atividades envolvendo o contato direto com sangue e
fluidos corporais de pacientes, além de abordarem o descarte inadequado dos materiais
perfuro cortantes e a falta de adesão às medidas de proteção. Em dois artigos (14,3%) são
abordados os riscos químicos como foco principal, enfatizado a exposição às cargas químicas
como a manipulação de drogas e exposição aos gases anestésicos. Três artigos, então (21,4%),
abordam a NR 32 e medidas preventivas aos riscos ocupacionais, prevalecendo o enfoque da
apresentação de uma norma específica para saúde do trabalhador na saúde e a efetiva adesão
às ações de precaução.
A seguir serão apresentadas as análises encontradas segundo a tabela 2 de acordo com
os enfoques encontrados nos artigos selecionados anteriormente.
11
4 DISCUSSÃO
4.1 Riscos biológicos
Segundo Balsamo e Felli (2006), os hospitais por serem ambientes insalubres, expõem
constantemente os trabalhadores da equipe de enfermagem aos riscos biológicos. A prestação
da assistência direta ou indireta ao paciente nas execuções das atividades torna-os suscetíveis
a infecções, que podem ser transmitidas tanto por secreções, micro-organismos e sangue,
como também por manuseio de material perfuro cortante contaminado. As unidades básicas
de saúde (UBS) estão condizentes aos hospitais, com a predominância dos riscos biológicos,
adicionando a forma de transmissão desses patógenos por vias aéreas (SILVA; FELLI, 2002).
A exposição aos riscos ocupacionais biológicos, é descrita por Silva et al (2009) como
a contaminação que ocorre de duas formas, quando há o contato direto: parenteral, que é a
inoculação percutânea; e pelo contato na pele ou mucosa que estejam com comprometimento
de sua integridade.
Silva e Zeitoune (2009) afirmam que essa exposição preocupa, pois causam vários
problemas de saúde nos profissionais. Assim, Ribeiro e Shimizu (2007) acrescentam o contato
direto, com secreções humanas de feridas cirúrgicas contaminadas, ostomias, entre outras, e a
manipulação de materiais por meio de rotinas de limpeza, desinfecção e esterilização como os
principais veículos de exposição ao risco em questão, destacando ainda agravantes como a
resistência ao uso correto do equipamento de proteção individual (EPI).
Canini et al (2002) atentam que os acidentes com materiais perfuro cortantes
representam uma quantia importante no total de acidentes ocupacionais, e boa parte poderia
ser evitada com a manipulação correta das medidas de precaução padrão.
São frequentes esses acidentes com profissionais de enfermagem, pela grande
manipulação com material contaminado no desenvolvimento de suas atividades, trazendo,
portanto prejuízos às instituições e principalmente aos trabalhadores, causando danos à saúde
física e mental dos funcionários (MARZIALE; NISHIMURA; FERREIRA, 2004).
Assim sendo, Ribeiro e Shimizu (2007) descrevem os profissionais de enfermagem
como possivelmente os mais afetados em acidentes de trabalho com agentes biológicos em
virtude de situações e fatores desencadeantes como: inadequadas condições ambientais,
escassez de capacitações específicas, ausência de materiais adequados em qualidade e
quantidade para a realização de procedimentos, sobrecarga excessiva de atividades laborais e
falta de manutenção preventiva de equipamentos.
12
Castro e Farias (2008) e Nishide e Benatti (2004), referem que essa frequente
exposição aos riscos biológicos acarreta uma preocupação constante por parte dos
profissionais de enfermagem em relação à transmissão de micro-organismos nocivos à saúde,
conduzidos pelo sangue e por secreções corpóreas, sendo necessárias capacitações para o
correto uso de equipamentos de proteção individual (EPI), quando medidas de precauções
coletivas não oferecerem proteção completa e prevenção por parte dos empregadores.
Entretanto, não somente a adoção de precauções é satisfatória para garantir as medidas
de prevenção, sendo objetivadas também as mudanças comportamentais em torno da adesão
na utilização de barreiras de proteção e as causas de acidentes com material biológico
(BALSAMO; FELLI, 2006).
4.2 Riscos químicos
Para Xelegati e Robazzi (2003), os riscos químicos são os originados pela
manipulação de substâncias químicas, como preparo e administração de medicamentos que
podem gerar problemas simples ou mais complexos, como alergias e neoplasias. Drogas
antineoplásicas, gases anestésicos, agentes esterilizantes e irritantes de pele, são os de maior
intensidade para o desenvolvimento de intoxicações agudas que evoluem para estados
crônicos e até doenças ocupacionais.
Costa e Felli (2005), em sua pesquisa, incluem os quimioterápicos, antibióticos, e
produtos
como
analgésicos,
cremes,
pomadas,
e
psicotrópicos
como
exemplos
desencadeadores de doenças do ambiente laboral, por serem instrumentos de trabalho e,
portanto necessitarem do uso de equipamentos de proteção individual (EPI).
A suscetibilidade da equipe de enfermagem às cargas químicas ocorre devido à
presença de fatores como: ambientes mal ventilados e inadequados, ritmo de trabalho
acelerado, pressão de superiores, uso inadequado de equipamentos de proteção individual
(EPI), jornadas longas e falta de medidas coletivas de proteção (COSTA; FELLI, 2005).
Xelegati e Robazzi (2003) referem que problemas clínicos como anencefalia, espinha
bífida, defeitos do sistema urinário e genital, assim como complicações nos processos
reprodutivos das trabalhadoras, e, consequente, infertilidade, defeitos congênitos e abortos
espontâneos, podem se tornar mais prováveis entre os trabalhadores expostos ao mercúrio,
agentes anestésicos e esterilizantes. Recomenda-se especificamente entre as funcionárias
grávidas e as que planejam engravidar evitar ou minimizar o contato com tais substâncias.
13
No que diz respeito à exposição aos riscos químicos, os enfermeiros estão repletos de
possibilidades de intervenções para a melhoria das condições de trabalho, como o
reconhecimento dos produtos que geram riscos químicos por meio de exigências feitas antes
da compra, para um conhecimento por parte dos profissionais de enfermagem sobre as
adequadas medidas de controle desses riscos (COSTA; FELLI, 2005).
4.3 Medidas preventivas aos riscos ocupacionais e a Norma Regulamentadora 32
Segundo Campos e Guitierrez (2005) é necessário que os profissionais lutem por
melhores condições de trabalho e por ambientes cada vez menos agressivos. A ocorrência dos
acidentes de trabalho é decorrente do inadequado uso de precauções universais, a
preconização de tais medidas preventivas é viabilizada por meio de condutas como: uso de
luvas, máscaras, óculos protetores, aventais, lavagem das mãos, não reencape de agulhas e
desprezo de materiais nos recipientes adequados.
Robazzi e Marziale (2004) explanam que houve a elaboração de uma Norma
Regulamentadora, n° 32, que trata especificamente de segurança e saúde do trabalho no setor
da saúde, e tem sua importância e relevância direcionada aos profissionais de enfermagem.
Esta política nacional permite o alcance de mudanças benéficas nas atividades cotidianas.
Diante disso, a Norma Regulamentadora (NR) 32 estabelece “diretrizes básicas para
implementação de medidas de proteção para a segurança dos trabalhadores nos serviços de
saúde”, objetivando prevenir o adoecimento e os acidentes causados pelo trabalho. Portanto, é
de responsabilidade do empregador e do empregado o cumprimento dessa norma (BRASIL,
2008).
Perante os riscos biológicos a NR 32 dispõe para as unidades assistenciais a
implementação do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA, prevista na Norma
Regulamentadora (NR) 09, que propõe “identificação dos riscos biológicos possíveis, em
função da localização geográfica e da característica do serviço de saúde e seus setores”, bem
como a “avaliação de cada local de trabalho e do trabalhador” (BRASIL, 1994).
A obrigatoriedade da elaboração do PPRA, por parte de todas as instituições e
empregadores, visa à preservação da integridade e saúde do empregado, por meio da
antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos ambientais existentes ou que
possam existir, exigindo também a sua reavaliação uma vez ao ano (BRASIL, 1994).
14
Dessa forma, para os riscos químicos, o PPRA propõe que os serviços de saúde
preconizem que haja um registro de todos os produtos químicos, até mesmo os intermediários
e os resíduos, destacando os que impliquem em riscos à saúde dos funcionários. Por
intermédio deste registro serão notificadas informações necessárias sobre os produtos, forma
de utilização e definições quanto aos casos ou procedimentos a serem operacionalizados em
situações de emergência nas unidades de atuação dos trabalhadores (BRASIL, 2008).
Ainda como iniciativas a serem implementadas pelos empregadores e instituições que
admitam trabalhadores, existe o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional –
PCMSO, disposto na Norma Regulamentadora (NR) 07, que objetiva promoção e preservação
da saúde dos trabalhadores através da realização dos exames admissionais, periódicos, de
retorno ao trabalho, mudança de função e demissionais (BRASIL, 1996).
O PCMSO direcionado para os estabelecimentos de saúde preconizam a avaliação dos
riscos específicos, detalhando o que os empregadores devem adotar/executar como medidas
de proteção e promoção nos setores de saúde. Tanto o PPRA e o PCMSO devem estar
disponíveis aos funcionários (BRASIL, 2008).
Em relação aos riscos biológicos, a NR 32 (2008) preconiza ações específicas como:
reconhecimento e avaliação dos riscos, localização das áreas de risco, relação nominal dos
funcionários contendo função, localidade de trabalho e os agentes a que estão expostos.
Podem ser acrescidas ainda medidas como vigilância médica, programa de vacinação,
descontaminação do ambiente, adoção de condutas para diagnóstico, acompanhamento e
prevenção das doenças.
No que diz respeito aos riscos químicos, a NR 32 (2008) complementa o PCMSO e
enfatiza a capacitação dos trabalhadores quanto às medidas de proteção, manipulação,
transporte, administração, armazenamento e descarte dos produtos químicos, Assim como os
procedimentos a serem adotados em caso de acidente.
Sendo assim, Malaguti et al (2008) reforçam que a adoção a essas medidas preventivas
dependem da mudança de hábitos dos profissionais, que quando experientes, tem dificuldades
de adesão, causando obstáculos para a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.
As medidas eficazes dependem da educação continuada e utilização de equipamentos
de proteção individual (EPI). Destaca-se como iniciativa prévia a avaliação da satisfação,
adaptação e aceitação de cada trabalhador em relação às atividades que desenvolve,
identificando as deficiências e planejando soluções que adéquem o ambiente ao trabalhador,
reduzindo os fatores prejudiciais à saúde (CAMPOS; GUTIERREZ, 2005).
15
5 CONCLUSÃO
Este estudo contribuiu para investigar publicações sobre a temática exposição à riscos
ocupacionais entre os trabalhadores de enfermagem. As publicações selecionadas forneceram
ferramentas importantes para o desenvolvimento do trabalho. Considerando que riscos
ocupacionais são aqueles inerentes ao ambiente laboral, que podem ocasionar danos à saúde
dos profissionais de enfermagem.
Evidenciou-se que os principais riscos aos quais estão expostos os trabalhadores de
enfermagem são os biológicos, seguidos dos químicos, conforme especificado nos objetivos.
Tais riscos estão associados diretamente à profissão independendo do setor de atuação.
Destacou-se que a criação das Normas Regulamentadoras 07 e 09 possibilitaram a
complementação da NR 32, e acentuaram a suma importância desta última para a prevenção
de acidentes e promoção à saúde do trabalhador de enfermagem ao ressaltar a relevância da
adesão às medidas preventivas, como o uso de EPI na redução de problemas de saúde gerados
pelos riscos ocupacionais.
É fundamental estimular o interesse dos profissionais de enfermagem sobre a
exposição ocupacional a esses riscos, divulgando publicações científicas e estatísticas de
ocorrência dos acidentes no ambiente de trabalho. A capacitação e educação continuada
devem ser efetivamente realizadas, pois é capacitando, fornecendo materiais necessários aos
profissionais e conscientizando o uso de práticas seguras, como adoção de medidas de
proteção e promoção à saúde da categoria profissional em questão que se reduzirão os
acidentes de trabalho e as doenças ocupacionais.
16
REFERÊNCIAS
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1990; Portaria SSST n.º 24, de 29 de dezembro de 1994; Portaria SSST n.º 08, de 08 de maio
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BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora N° 09 - Programa
de Prevenção de Riscos Ambientais. Portaria GM n.º 3.214, de 08 de junho de 1978;
Portaria SSST n.º 25, de 29 de dezembro de 1994. Disponível em:
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22 set. 2010.
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