0 SOCIEDADE DO VALE DO IPOJUCA FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA CURSO DE BACHARELADO EM ENFERMAGEM MARIA DE LOURDES DE VASCONCELOS SANTOS RENATA NATALI DE VASCONCELOS SANTOS RISCOS OCUPACIONAIS A QUE ESTÃO EXPOSTOS OS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM: UMA REVISTA DE LITERATURA. CARUARU - PE 2010 1 MARIA DE LOURDES DE VASCONCELOS SANTOS RENATA NATALI DE VASCONCELOS SANTOS RISCOS OCUPACIONAIS A QUE ESTÃO EXPOSTOS OS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM: UMA REVISTA DE LITERATURA. Monografia apresentada ao Curso de Graduação de Enfermagem da Faculdade do Vale do Ipojuca, como parte dos requisitos para obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem. ORIENTADORA: Batista Ferreira. CARUARU - PE 2010 Profª Msc. Emanuela 2 Catalogação na fonte Biblioteca da Faculdade do Vale do Ipojuca, Caruaru/PE S237r Santos, Maria de Lourdes de Vasconcelos. Riscos ocupacionais a que estão expostos os profissionais de Enfermagem: uma revista de literatura / Maria de Lourdes de Vasconcelos Santos e Renata Natali de Vasconcelos Santos. -Caruaru : FAVIP, 2010. 18 f. Orientador(a) : Emanuela Batista Ferreira. Trabalho de Conclusão de Curso (Enfermagem) -- Faculdade do Vale do Ipojuca. 1. Riscos ocupacionais. 2. Equipamente de proteção. 3. Profissional de Enfermagem. I. Santos, Renata Natali de Vasconcelos. II. Título. CDU 616-083[11.1] Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367 3 MARIA DE LOURDES DE VASCONCELOS SANTOS RENATA NATALI DE VASCONCELOS SANTOS RISCOS OCUPACIONAIS A QUE ESTÃO EXPOSTOS OS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM: UMA REVISTA DE LITERATURA. Monografia apresentada ao Curso de Graduação de Enfermagem da Faculdade do Vale do Ipojuca como parte dos requisitos para obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem. APROVADO EM: ______/ ______/ ______. ________________________________________________________________ Profª Msc. Emanuela Batista Ferreira- ORIENTADORA ________________________________________________________________ (1º EXAMINADOR) _________________________________________________________________ (2º EXAMINADOR) CARUARU - PE 2010 4 RISCOS OCUPACIONAIS A QUE ESTÃO EXPOSTOS OS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM: UMA REVISTA DE LITERATURA OCCUPATIONAL RISKS WHICH ARE EXPOSED THE NURSING PROFESSIONALS: A REVIEW OF LITERATURE Maria de Lourdes de Vasconcelos Santos1; Renata Natali de Vasconcelos Santos2; Emanuela Batista Ferreira3. RESUMO O propósito deste estudo foi revisar de forma sistemática a literatura nacional sobre os riscos ocupacionais a que estão expostas as equipes de enfermagem. A busca foi realizada na base de dados Scielo, através dos descritores: riscos ocupacionais, equipamento de proteção e enfermagem. Foram encontrados 113 artigos e após leitura dos resumos para identificar a pertinência aos critérios de inclusão, 14 artigos foram selecionados. Em adição incluiu-se a Norma Regulamentadora (NR) 32 e sua importância para a prevenção dos riscos ocupacionais. A análise dos resultados contemplou enfoques de discussão quanto aos riscos ocupacionais predominantes e as medidas preventivas previstas na NR 32. Descritores: Riscos ocupacionais. Equipamento de proteção. Enfermagem. ABSTRACT The purpose of this study was to systematically review the literature on the risks occupational they are exposed to the nursing staff. The search was conducted in the Scielo database using the descriptors: occupational hazards, protective equipment and nursing. We found 113 articles and after reading the abstracts to identify the relevance of the inclusion criteria, 14 articles were selected. In addition we included if Regulatory Norm (NR) 32 and its importance for the prevention of risks occupational. The results included discussion focuses on the risks prevalent ocupational and preventive measures provided for in NR 32. Keywords: Occupational Risks. Protective equipament. Nursing. __________________________ Graduanda em Enfermagem pela Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP. Email: [email protected] 1 ² Graduanda em Enfermagem pela Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP. E-mail: [email protected] ³ Enfermeira, Mestre em Hebiatria, Docente da Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP. E-mail: [email protected]. 5 LISTA DE TABELAS páginas Tabela1- Relação dos artigos pesquisados segundo ano de publicação, periódico, autor(es) e título............................................................................................................ 09 Tabela 2- Distribuição dos artigos segundo a linha de discussão................................ 10 6 SUMÁRIO páginas 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 07 2 METODOLOGIA ......................................................................................................... 08 3 RESULTADOS ............................................................................................................ 08 4 DISCUSSÃO ................................................................................................................ 11 4.1 Riscos biológicos .......................................................................................................... 11 4.2 Riscos químicos ............................................................................................................ 12 4.3 Medidas preventivas aos riscos ocupacionais e Norma Regulamentadora 32 .............. 13 5 CONCLUSÃO .............................................................................................................. 15 REFERÊNCIAS............................................................................................................. 16 7 1 INTRODUÇÃO Os ambientes hospitalares são considerados insalubres por agruparem pacientes enfermos, além de viabilizar práticas de procedimentos que trazem riscos profissionais aos funcionários (SÊCCO; GUTIERREZ; MATSUO, 2002). Nesse contexto, Almeida, Pagliuca e Leite (2005) descrevem que dentre os profissionais de saúde, a equipe de enfermagem é a que presta uma maior assistência direta ao cliente em tempo integral e dessa forma estão em constante exposição aos riscos ocupacionais. Os riscos ocupacionais são aqueles em que os profissionais estão expostos no ambiente laboral, entendidos como agentes nocivos a saúde do trabalhador, que dependendo da concentração, da natureza ou tempo de exposição são capazes de provocar doenças ou acidentes. Esses riscos podem ser classificados em biológicos, químicos, ergonômicos, físicos, que são provenientes de cargas de materialidade externas, ou psíquicas e fisiológicas provenientes de cargas internas (SILVA; FELLI, 2002 e NISHIDE; BENATTI, 2004). Chiodi e Marziale (2006) referem os riscos biológicos como os mais incidentes entre a equipe de enfermagem e estão caracterizados pela exposição a agentes como fungos, protozoários, bacilos, parasitas e bactérias, seguidos pelos riscos químicos que são os que podem provocar prejuízo à saúde por meio de produtos químicos que venham a penetrar no organismo no trabalhador. Os agravos à saúde do trabalhador podem ser prevenidos, desde que se aceitem precauções padrão (VIEIRA; PADILHA, 2008). Como recurso e estratégia de prevenção aos riscos, existem diretrizes específicas para a segurança do trabalhador na saúde, que é a norma regulamentadora n° 32. Essa legislação brasileira permite que haja mudanças favoráveis no desenvolvimento cotidiano das atividades laborais (BRASIL, 2008). A importância de pesquisar o tema em questão se desenvolveu no contexto das práticas clínicas, onde as autoras perceberam os riscos existentes nos ambientes de saúde e na realização das atividades inerentes ao profissional de enfermagem. Justificando assim, que em enfermagem a procura por estudos baseados no tema proposto é essencial para embasar as equipes inseridas nesse contexto, tornando-as atuante na prevenção dos riscos ocupacionais e na efetiva adesão de precauções nas atividades corriqueiras em estabelecimentos de assistência à saúde. 8 Este estudo tem como objetivos revisar a literatura sobre os principais riscos ocupacionais a que estão expostas as equipes de enfermagem, destacando-se a Norma Regulamentadora-32 e a sua importância para o direcionamento das ações da equipe de enfermagem na prevenção dos riscos ocupacionais. 2 METODOLOGIA Trata-se de uma revisão sistemática de literatura, realizada a partir da seleção de artigos científicos que abordam a produção nacional sobre os riscos ocupacionais a que estão expostos os profissionais de enfermagem. No rastreamento dos artigos foi usada como fonte de busca consultas junto à base de dados Scielo. Em adição, foram inclusos manual do Conselho Regional de Enfermagem e fontes disponibilizadas pelos Ministérios do Trabalho e Emprego – Normas Regulamentadoras 07, 09 e 32. A análise abrangeu tais critérios de inclusão: artigos publicados e situados no tempo cronológico entre os anos 2000 e 2010, redigidos na língua portuguesa e disponibilizados na íntegra na base de dados online, e documentos que serviram de base para a Norma Regulamentadora 32. Os descritores utilizados na busca foram: riscos ocupacionais, equipamento de proteção e enfermagem, este último não foi descritor para todos os artigos. Optou-se por não incluir teses, dissertações e monografias, visto que seria inviável realizar uma busca sistemática das mesmas. A busca foi realizada entre os meses de julho e setembro de 2010. Após a leitura dos resumos dos artigos, que pareciam preencher a todos os critérios de inclusão, do total de 113 (cento e treze) artigos 14 (quatorze) foram selecionados. Esses artigos foram classificados pelo período de sua publicação, de forma a avaliar se houve ou não um crescimento de publicações sobre o tema, e organizados em subdivisões de acordo com o enfoque principal. 3 RESULTADOS Da consulta realizada, localizou-se 113 (cento e treze) artigos relativos à temática, sendo que 99 (noventa e nove) foram descartados por não se ajustarem aos critérios de 9 inclusão definidos anteriormente. Dessa forma, 14 (quatorze) artigos foram selecionados para serem submetidos à análise que será apresentada a seguir. Em relação ao período em que a produção foi divulgada, observou-se dentre os artigos selecionados, que não houve publicações nos anos de 2000, 2001 e 2010, e que há predominância de publicações no ano de 2004, conforme a Tabela 1. Tabela 1: Relação dos artigos pesquisados segundo ano de publicação, periódico, autor(es) e título. Ano Periódico Autor(es) Canini SRMS, Gir E, Rev Latino-am Hayashida M, Enfermagem Machado AA. Título do artigo Acidente perfuro cortantes entre trabalhadores de enfermagem de um hospital universitário do interior paulista. 2002 Rev Esc Enferm USP Silva RCG, Felli VEA Xelegati R, Rev Latino-am Robazzi MLCC. 2003 Enfermagem Nishide VM, Rev Esc Benatti MCC. Enferm USP Marziale MHP, Rev Latino-am Nishimura KYN, Enfermagem Ferreira MM. 2004 Rev Latino-am Robazzi MLCC, Enfermagem Marziale MHP. Revista Brasileira de Enfermagem Campos ALA, Gutierrez PSG. Costa TF, Rev Latino-am Felli VEA. 2005 Enfermagem 2006 Rev Latino-am Balsamo AC, Enfermagem Felli VEA. Revista 2007 Brasileira de Enfermagem Ribeiro EJG, Shimizu HE. Castro MR, Esc Anna Nery Farias SNP. Um estudo comparativo sobre a identificação dos riscos ocupacionais por trabalhadores de enfermagem de duas unidades básicas de saúde do município de São Paulo. Riscos químicos a que estão submetidos os trabalhadores de enfermagem: uma revisão de literatura. Riscos ocupacionais entre trabalhadores de enfermagem de uma unidade de terapia intensiva. Riscos de contaminação ocasionados por acidentes de trabalho com material perfuro-cortante entre trabalhadores de enfermagem. A norma regulamentadora 32 e suas implicações sobre os trabalhadores de enfermagem A assistência preventiva do enfermeiro ao trabalhador de enfermagem. Exposição dos trabalhadores de enfermagem às cargas químicas em um hospital público universitário da cidade de São Paulo Estudo sobre os acidentes de trabalho com exposição aos líquidos corporais humanos em trabalhadores da saúde de um hospital universitário. Acidentes de trabalho com trabalhadores de enfermagem A produção científica sobre riscos ocupacionais a que estão expostos os 10 2008 Rev Enferm Malaguti SE, Rev Esc Hayashida M, Canini Enferm USP SRMS, Gir E. Esc Anna Nery Silva MKD, Rev Enferm Zeitoune RCG. trabalhadores de enfermagem Enfermeiros com cargos de chefia e medidas preventivas à exposição ocupacional: facilidades e barreiras. Riscos ocupacionais em um setor de hemodiálise na perspectiva dos trabalhadores da equipe de enfermagem. 2009 Silva JA, Esc Anna Nery Paula VS, Rev Enferm Almeida AJ, Vilar LM. Investigação de acidentes biológicos entre profissionais de saúde O periódico que mais publicou artigos sobre a temática em questão foi a Revista Latino-americana em Enfermagem, totalizando 06 artigos, seguida da Escola Anna Nery Revista de Enfermagem e da Revista da Escola de Enfermagem da USP, ambas com 03 artigos cada. Diante da leitura dos artigos selecionados, constatou-se que 09 (64,3%) publicações referem-se aos riscos biológicos conforme ilustra a Tabela 2. Tabela 2: Distribuição dos artigos segundo a linha de discussão (enfoque principal do artigo) Enfoque Total (n) Total (%) Riscos biológicos 09 64,3 Riscos químicos 02 14,3 NR 32 e Medidas preventivas 03 21,4 Total 14 100 Em relação à idéia central dos artigos, verificou-se que nove estudos (64,3%) enfocam riscos biológicos e estão relacionados a atividades envolvendo o contato direto com sangue e fluidos corporais de pacientes, além de abordarem o descarte inadequado dos materiais perfuro cortantes e a falta de adesão às medidas de proteção. Em dois artigos (14,3%) são abordados os riscos químicos como foco principal, enfatizado a exposição às cargas químicas como a manipulação de drogas e exposição aos gases anestésicos. Três artigos, então (21,4%), abordam a NR 32 e medidas preventivas aos riscos ocupacionais, prevalecendo o enfoque da apresentação de uma norma específica para saúde do trabalhador na saúde e a efetiva adesão às ações de precaução. A seguir serão apresentadas as análises encontradas segundo a tabela 2 de acordo com os enfoques encontrados nos artigos selecionados anteriormente. 11 4 DISCUSSÃO 4.1 Riscos biológicos Segundo Balsamo e Felli (2006), os hospitais por serem ambientes insalubres, expõem constantemente os trabalhadores da equipe de enfermagem aos riscos biológicos. A prestação da assistência direta ou indireta ao paciente nas execuções das atividades torna-os suscetíveis a infecções, que podem ser transmitidas tanto por secreções, micro-organismos e sangue, como também por manuseio de material perfuro cortante contaminado. As unidades básicas de saúde (UBS) estão condizentes aos hospitais, com a predominância dos riscos biológicos, adicionando a forma de transmissão desses patógenos por vias aéreas (SILVA; FELLI, 2002). A exposição aos riscos ocupacionais biológicos, é descrita por Silva et al (2009) como a contaminação que ocorre de duas formas, quando há o contato direto: parenteral, que é a inoculação percutânea; e pelo contato na pele ou mucosa que estejam com comprometimento de sua integridade. Silva e Zeitoune (2009) afirmam que essa exposição preocupa, pois causam vários problemas de saúde nos profissionais. Assim, Ribeiro e Shimizu (2007) acrescentam o contato direto, com secreções humanas de feridas cirúrgicas contaminadas, ostomias, entre outras, e a manipulação de materiais por meio de rotinas de limpeza, desinfecção e esterilização como os principais veículos de exposição ao risco em questão, destacando ainda agravantes como a resistência ao uso correto do equipamento de proteção individual (EPI). Canini et al (2002) atentam que os acidentes com materiais perfuro cortantes representam uma quantia importante no total de acidentes ocupacionais, e boa parte poderia ser evitada com a manipulação correta das medidas de precaução padrão. São frequentes esses acidentes com profissionais de enfermagem, pela grande manipulação com material contaminado no desenvolvimento de suas atividades, trazendo, portanto prejuízos às instituições e principalmente aos trabalhadores, causando danos à saúde física e mental dos funcionários (MARZIALE; NISHIMURA; FERREIRA, 2004). Assim sendo, Ribeiro e Shimizu (2007) descrevem os profissionais de enfermagem como possivelmente os mais afetados em acidentes de trabalho com agentes biológicos em virtude de situações e fatores desencadeantes como: inadequadas condições ambientais, escassez de capacitações específicas, ausência de materiais adequados em qualidade e quantidade para a realização de procedimentos, sobrecarga excessiva de atividades laborais e falta de manutenção preventiva de equipamentos. 12 Castro e Farias (2008) e Nishide e Benatti (2004), referem que essa frequente exposição aos riscos biológicos acarreta uma preocupação constante por parte dos profissionais de enfermagem em relação à transmissão de micro-organismos nocivos à saúde, conduzidos pelo sangue e por secreções corpóreas, sendo necessárias capacitações para o correto uso de equipamentos de proteção individual (EPI), quando medidas de precauções coletivas não oferecerem proteção completa e prevenção por parte dos empregadores. Entretanto, não somente a adoção de precauções é satisfatória para garantir as medidas de prevenção, sendo objetivadas também as mudanças comportamentais em torno da adesão na utilização de barreiras de proteção e as causas de acidentes com material biológico (BALSAMO; FELLI, 2006). 4.2 Riscos químicos Para Xelegati e Robazzi (2003), os riscos químicos são os originados pela manipulação de substâncias químicas, como preparo e administração de medicamentos que podem gerar problemas simples ou mais complexos, como alergias e neoplasias. Drogas antineoplásicas, gases anestésicos, agentes esterilizantes e irritantes de pele, são os de maior intensidade para o desenvolvimento de intoxicações agudas que evoluem para estados crônicos e até doenças ocupacionais. Costa e Felli (2005), em sua pesquisa, incluem os quimioterápicos, antibióticos, e produtos como analgésicos, cremes, pomadas, e psicotrópicos como exemplos desencadeadores de doenças do ambiente laboral, por serem instrumentos de trabalho e, portanto necessitarem do uso de equipamentos de proteção individual (EPI). A suscetibilidade da equipe de enfermagem às cargas químicas ocorre devido à presença de fatores como: ambientes mal ventilados e inadequados, ritmo de trabalho acelerado, pressão de superiores, uso inadequado de equipamentos de proteção individual (EPI), jornadas longas e falta de medidas coletivas de proteção (COSTA; FELLI, 2005). Xelegati e Robazzi (2003) referem que problemas clínicos como anencefalia, espinha bífida, defeitos do sistema urinário e genital, assim como complicações nos processos reprodutivos das trabalhadoras, e, consequente, infertilidade, defeitos congênitos e abortos espontâneos, podem se tornar mais prováveis entre os trabalhadores expostos ao mercúrio, agentes anestésicos e esterilizantes. Recomenda-se especificamente entre as funcionárias grávidas e as que planejam engravidar evitar ou minimizar o contato com tais substâncias. 13 No que diz respeito à exposição aos riscos químicos, os enfermeiros estão repletos de possibilidades de intervenções para a melhoria das condições de trabalho, como o reconhecimento dos produtos que geram riscos químicos por meio de exigências feitas antes da compra, para um conhecimento por parte dos profissionais de enfermagem sobre as adequadas medidas de controle desses riscos (COSTA; FELLI, 2005). 4.3 Medidas preventivas aos riscos ocupacionais e a Norma Regulamentadora 32 Segundo Campos e Guitierrez (2005) é necessário que os profissionais lutem por melhores condições de trabalho e por ambientes cada vez menos agressivos. A ocorrência dos acidentes de trabalho é decorrente do inadequado uso de precauções universais, a preconização de tais medidas preventivas é viabilizada por meio de condutas como: uso de luvas, máscaras, óculos protetores, aventais, lavagem das mãos, não reencape de agulhas e desprezo de materiais nos recipientes adequados. Robazzi e Marziale (2004) explanam que houve a elaboração de uma Norma Regulamentadora, n° 32, que trata especificamente de segurança e saúde do trabalho no setor da saúde, e tem sua importância e relevância direcionada aos profissionais de enfermagem. Esta política nacional permite o alcance de mudanças benéficas nas atividades cotidianas. Diante disso, a Norma Regulamentadora (NR) 32 estabelece “diretrizes básicas para implementação de medidas de proteção para a segurança dos trabalhadores nos serviços de saúde”, objetivando prevenir o adoecimento e os acidentes causados pelo trabalho. Portanto, é de responsabilidade do empregador e do empregado o cumprimento dessa norma (BRASIL, 2008). Perante os riscos biológicos a NR 32 dispõe para as unidades assistenciais a implementação do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA, prevista na Norma Regulamentadora (NR) 09, que propõe “identificação dos riscos biológicos possíveis, em função da localização geográfica e da característica do serviço de saúde e seus setores”, bem como a “avaliação de cada local de trabalho e do trabalhador” (BRASIL, 1994). A obrigatoriedade da elaboração do PPRA, por parte de todas as instituições e empregadores, visa à preservação da integridade e saúde do empregado, por meio da antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos ambientais existentes ou que possam existir, exigindo também a sua reavaliação uma vez ao ano (BRASIL, 1994). 14 Dessa forma, para os riscos químicos, o PPRA propõe que os serviços de saúde preconizem que haja um registro de todos os produtos químicos, até mesmo os intermediários e os resíduos, destacando os que impliquem em riscos à saúde dos funcionários. Por intermédio deste registro serão notificadas informações necessárias sobre os produtos, forma de utilização e definições quanto aos casos ou procedimentos a serem operacionalizados em situações de emergência nas unidades de atuação dos trabalhadores (BRASIL, 2008). Ainda como iniciativas a serem implementadas pelos empregadores e instituições que admitam trabalhadores, existe o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO, disposto na Norma Regulamentadora (NR) 07, que objetiva promoção e preservação da saúde dos trabalhadores através da realização dos exames admissionais, periódicos, de retorno ao trabalho, mudança de função e demissionais (BRASIL, 1996). O PCMSO direcionado para os estabelecimentos de saúde preconizam a avaliação dos riscos específicos, detalhando o que os empregadores devem adotar/executar como medidas de proteção e promoção nos setores de saúde. Tanto o PPRA e o PCMSO devem estar disponíveis aos funcionários (BRASIL, 2008). Em relação aos riscos biológicos, a NR 32 (2008) preconiza ações específicas como: reconhecimento e avaliação dos riscos, localização das áreas de risco, relação nominal dos funcionários contendo função, localidade de trabalho e os agentes a que estão expostos. Podem ser acrescidas ainda medidas como vigilância médica, programa de vacinação, descontaminação do ambiente, adoção de condutas para diagnóstico, acompanhamento e prevenção das doenças. No que diz respeito aos riscos químicos, a NR 32 (2008) complementa o PCMSO e enfatiza a capacitação dos trabalhadores quanto às medidas de proteção, manipulação, transporte, administração, armazenamento e descarte dos produtos químicos, Assim como os procedimentos a serem adotados em caso de acidente. Sendo assim, Malaguti et al (2008) reforçam que a adoção a essas medidas preventivas dependem da mudança de hábitos dos profissionais, que quando experientes, tem dificuldades de adesão, causando obstáculos para a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. As medidas eficazes dependem da educação continuada e utilização de equipamentos de proteção individual (EPI). Destaca-se como iniciativa prévia a avaliação da satisfação, adaptação e aceitação de cada trabalhador em relação às atividades que desenvolve, identificando as deficiências e planejando soluções que adéquem o ambiente ao trabalhador, reduzindo os fatores prejudiciais à saúde (CAMPOS; GUTIERREZ, 2005). 15 5 CONCLUSÃO Este estudo contribuiu para investigar publicações sobre a temática exposição à riscos ocupacionais entre os trabalhadores de enfermagem. As publicações selecionadas forneceram ferramentas importantes para o desenvolvimento do trabalho. Considerando que riscos ocupacionais são aqueles inerentes ao ambiente laboral, que podem ocasionar danos à saúde dos profissionais de enfermagem. Evidenciou-se que os principais riscos aos quais estão expostos os trabalhadores de enfermagem são os biológicos, seguidos dos químicos, conforme especificado nos objetivos. Tais riscos estão associados diretamente à profissão independendo do setor de atuação. Destacou-se que a criação das Normas Regulamentadoras 07 e 09 possibilitaram a complementação da NR 32, e acentuaram a suma importância desta última para a prevenção de acidentes e promoção à saúde do trabalhador de enfermagem ao ressaltar a relevância da adesão às medidas preventivas, como o uso de EPI na redução de problemas de saúde gerados pelos riscos ocupacionais. É fundamental estimular o interesse dos profissionais de enfermagem sobre a exposição ocupacional a esses riscos, divulgando publicações científicas e estatísticas de ocorrência dos acidentes no ambiente de trabalho. A capacitação e educação continuada devem ser efetivamente realizadas, pois é capacitando, fornecendo materiais necessários aos profissionais e conscientizando o uso de práticas seguras, como adoção de medidas de proteção e promoção à saúde da categoria profissional em questão que se reduzirão os acidentes de trabalho e as doenças ocupacionais. 16 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Cristiana Brasil de; PAGLIUCA, Lorita Marlena Freitag; LEITE, Ana Lourdes Almeida e Silva. Acidente de trabalho envolvendo os olhos: avaliação de riscos ocupacionais com trabalhadores de enfermagem. Rev Latino-am Enfermagem. 2005 setembro-outubro;13(5):708-16. Disponível em:< http://www.scielo.br/pdf/rlae/v13n5/v13n5 a15.pdf>. Acesso em: 06 jul. 2010. BALSAMO, Ana Cristina; FELLI, Vanda Elisa Andres. Estudo sobre os acidentes de trabalho com exposição aos líquidos corporais humanos em trabalhadores da saúde de um hospital universitário. Rev Latino-am Enfermagem. 2006 maio-junho; 14(3):346-53. 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