XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. PROPOSTA DE FERRAMENTA DE CÁLCULO PARA REDUÇÃO DE DESPERDÍCIOS COM EMBALAGENS EM UM FRIGORÍFICO DE AVES NO MT Francisca Amanda Barbosa (La Salle) [email protected] Sandra Ines Horn Bohm (La Salle) [email protected] Tendo conhecimento que o desafio das organizações é a busca incansável pela redução de custos e desperdícios e que os processos industriais devidamente padronizados nem sempre conseguem abranger os desafios imprevistos em uma linha de produção com tantas variáveis que de fato comprometem a qualidade final do produto, haja visto, que o Padrão sempre concorda com uma situação ideal geralmente encontrada em laboratórios sob condições ideais. Assim o objetivo geral desse trabalho foi propor uma ferramenta de cálculo para redução de desperdícios em uma indústria de grande porte do setor alimentício do médio norte do Mato Grosso. Para tanto, utilizou-se o método de abordagem indutivo, pois partimos de uma situação particular para posteriormente generalizá-la. Quanto ao procedimento, utilizou-se o estudo de caso, pois fez-se um estudo sobre as condições do processo de marinação, especificamente em um frigorífico de carne de aves. Sobre a classificação da pesquisa, ela é descritiva, pois foram feitos levantamentos ou observações sistemáticas dos fatos. O procedimento técnico utilizado foi o estudo de caso, pois se buscou estudar de maneira profunda e específica sobre o processo de marinação de um frigorífico de carne de aves no MT. Quanto à natureza, a pesquisa é qualitativa. Após a apresentação e análise dos resultados e levando em consideração a teoria estudada pode-se afirmar que a proposta de ferramenta de cálculo apresentada a empresa, reduz significativamente os custos com embalagens e o impacto ambiental. A ferramenta foi desenvolvida pelos pesquisadores, que atuam na organização e assim, puderam contribuir através do conhecimento do processo. Palavras-chave: Embalagens, Ferramenta de Cálculo, Produção XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. 1. Introdução Tendo conhecimento que o desafio das organizações é a busca incansável pela redução de custos e desperdícios e que os processos industriais devidamente padronizados nem sempre conseguem abranger os desafios imprevistos em uma linha de produção com tantas variáveis que de fato comprometem a qualidade final do produto, haja visto, que o Padrão sempre concorda com uma situação ideal geralmente encontrada em laboratórios sob condições ideais. A realidade das linhas de produção e os processos industriais nem sempre obedecem esta linearidade anelada pelos desenvolvedores no âmbito do P&D. Sobre tais condições imprevistas e até adversas apresentamos o estudo baseado em uma adequação tecnológica para desafios que surgiram no lançamento e desenvolvimento de uma nova linha de produtos alimentícios em um frigorífico da região do Meio Norte de Mato Grosso. Depois de meses de desenvolvimento entrou em operação a linha de produção de produtos condimentados “Assa Fácil” cuja matéria-prima é a carne de aves, a inovação do produto no mercado nacional se deve ao fato de ser um produto já preparado para o consumo em uma embalagem plástica adequada para ir ao forno convencional. Assim, o objetivo geral deste estudo é propor uma ferramenta de cálculo para redução de desperdícios de embalagens em um frigorifico de aves de MT, onde através dos conhecimentos dos colaboradores, tal proposta não apresentará impacto financeiro significativo para a empresa em estudo. 2. Administração da Produção A produção acompanha o homem desde a sua origem, o qual vem buscando transformar um bem em outro que possua maior utilidade. Nesta fase as ferramentas e utensílios transformados eram usados somente por quem os produziu. A demanda começou a se tornar intensa e foram surgindo às primeiras fábricas, onde os artesãos se juntavam para produzir. Com essa mudança começaram a ser necessárias algumas mudanças como: padronização dos produtos e processos, treinamentos, planejamento da produção, controle financeiro, supervisão, entre outros. 2 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. A administração da produção vem se tornando um dos maiores segmentos do mercado, as empresas reconhecem que ela oferece o potencial necessário para aumentar receitas e facilita que bens e serviços sejam produzidos de forma mais eficiente. Sendo uma área complexa que compreende várias atividades: A administração das operações fornece bens e serviços para os clientes ou usuários. Toda organização tem uma área funcional de operações ou produção. É nessa área que ocorrem os processos que transformam e os insumos (ou recursos) em bens e serviços e os entregam para os clientes e usuários. As tarefas dessa área compreendem um ciclo de atividades produtivas que vão desde a determinação da quantidade de produtos a serem fabricados, ou clientes a serem atendidos, até a entrega efetiva dos produtos e serviços (MAXIMIANO, 2000, p. 245). Ela auxilia os responsáveis pela produção a usarem de modo eficaz seus recursos para produzir bens e serviços que satisfaçam os consumidores, buscando sempre novas formas de melhorar seus processos visando meios de sobrevivência em longo prazo, já que dará a empresa vantagens competitivas em relação aos rivais. As atividades desenvolvidas por uma empresa visando atender seus objetivos de curto, médio e longo prazos se inter-relacionam, muitas vezes, de forma extremamente complexa. Como tais atividades, na tentativa de transformar insumos, tais como matérias-primas, em produtos acabados e/ou serviços, consomem recursos e nem sempre agregam valor ao produto final. É objetivo da Administração da Produção /Operações a gestão eficaz dessas atividades (MARTINS, 2005, p. 06). O sucesso de uma organização está intimamente ligado com o conhecimento que seus colaboradores possuem, é através dele que será possível a sobrevivência da empresa frente a problemas cotidianos. Para Drucker (apud CARBONE, 2006) a aplicação de um conhecimento contribuirá para uma gerência eficaz, sendo peça chave para o desenvolvimento de uma empresa: Na verdade, o conhecimento é hoje o único recurso com significado. Os tradicionais fatores de produção – terra (isto é, recursos naturais), mão-de-obra e capital – não desapareceram, mas tornaram-se secundários. Eles podem ser obtidos facilmente, desde que haja conhecimento (DRUCKER, apud CARBONE, 2006, p. 80). Conforme Becker (apud CARBONE, 2006, p. 81) “conhecer é uma relação entre um sujeito e um objeto, onde se deve transformar o objeto e a si mesmo, um processo educacional sem 3 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. transformações não é válido. O conhecimento não nasce com os indivíduos, o próprio sujeito constrói seu conhecimento através da interação com o meio social”. O conhecimento conduz novas formas de trabalho, comunicação e interação humana, sendo encontrado em cada pessoa de uma maneira diferente. Cada um aprende, desenvolve e aplica de maneira distinta o conhecimento em seu cotidiano, quanto mais conhecimento o indivíduo possui mais vantagens ele tem Maximiano (2000, p. 41) reforça essa ideia: Os conhecimentos funcionam como pontos de referência para a compreensão da realidade e como base para o desenvolvimento de habilidades. Quanto mais ampla a gama de conhecimentos de que uma pessoa dispõe, mais ampla a realidade que ela consegue interpretar. Em muitas indústrias, o conhecimento está se tornando mais importante do que os tradicionais fatores de produção, como natureza, capital e trabalho. Cada vez mais, as organizações estão dependendo do conhecimento para melhorar seus produtos, serviços, processos, reduzir seus tempos de ciclo, etc. (CHIAVENATO, 2003, p. 594). Assim, as organizações vitoriosas são aquelas que sabem conquistar e motivar as pessoas para que elas aprendam e apliquem esses conhecimentos na solução dos problemas que surgem no cotidiano da empresa e na busca da inovação e prosperidade da empresa. As organizações de sucesso estão administrando o conhecimento adquirido por meio de suas operações, desenvolvimento de produtos e serviços, pesquisas, atendimento ao cliente e marketing- de tal forma que as pessoas que precisam desse conhecimento para seu trabalho têm condições de obtê-lo com facilidade (LACOMBE, 2008, p. 523). O conhecimento é importante para o crescimento da empresa e está onde o funcionário está. É o funcionário que levanta informações e desenvolve a base de conhecimento que será útil ao trabalho. “A esse funcionário interessa muito o crescimento da empresa e o seu aprimoramento pessoal e profissional” (CARBONE, 2006, p. 132). O desenvolvimento e a aplicação de conhecimentos adquiridos na empresa ajudam a organização a superar diversos problemas. Qualquer alteração no cenário econômico, político ou social que aconteça no ambiente em que a empresa está inserida pode tornar obsoleta qualquer tipo de vantagem competitiva que a empresa possua. A partir daí, entra em cena o conhecimento humano que quando aplicado no contexto empresarial oferece solução para os 4 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. problemas encontrados e inovações para ajudar a empresa a superar as dificuldades (CARBONE, 2006). Está havendo um crescente número daquilo que Drucker chama de trabalhadores do conhecimento. Isso significa que há vantagens para a organização em possuir pessoas com expertise e habilidades de alta qualidade. Por essa razão, o mercado está exigindo profissionais altamente qualificados (CHIAVENATO, 2003, p. 597). Por fim, não importa o quanto de informações e conhecimentos a empresa possui se não repassá-los a todos que fazem parte de sua estrutura. Lacombe (2008, p. 523) afirma que “Um conhecimento mantido em segredo pode ser comparado a um capital entesourado que não rende juros”, assim um conhecimento repassado significa agregar cada vez mais informações a ele, contribuindo para melhores resultados. A fabricação pode ser vista como um sistema que engloba atividades interdependentes em entidades diferentes como materiais, ferramentas, máquinas, energia e recursos humanos. “Os processos de fabricação envolvem a configuração do processo de conversão física dos materiais e insumos pelo qual se produz algo e estão normalmente associados a uma abordagem de processamento individual de um bem físico” (NEUMANN, 2013, p. 144). As indústrias englobam todas as atividades humanas que transformem matérias-primas em produtos acabados, para melhor entender o conceito de indústria é preciso fazer a distinção entre empresas ou firmas e indústrias: A empresa ou firma consiste em uma unidade primaria de ação, dentro da qual organizam-se os recursos com o fim de produção, em busca da maximização dos seus resultados. Nesse sentido, a unidade procura os fatores de produção na forma de capital, trabalho, tecnologia e terra (atuando como unidade de consumo intermediário), empregando-os para a produção dos bens e serviços (unidade de produção), que são vendidos no mercado (unidade de distribuição). [...] Por sua vez, a indústria, como considerada por Marshall, constitui um conjunto de firmas que elaboram produtos idênticos ou semelhantes quanto à constituição física ou ainda baseados na mesma matéria-prima, de modo que podem ser tratados analiticamente em conjunto (KON, 1999, p. 13). Já para a classificação do porte da indústria o SEBRAE (2014) utiliza o critério de número de empregados com base nos censos do IBGE, onde as micros são aquelas com até 19 5 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. empregados; pequena: de 20 a 99 empregados; média: 100 a 499 empregados e as de grande porte são as que possuem mais de 500 empregados. As indústrias permitem a criação constante de empregos, reduzem a dependência de exportações, aumentam o potencial econômico do país, e quanto mais o setor industrial se desenvolve mais oportunidades econômicas são abertas para o país. Por fim, as atividades industriais possuem uma importância significativa para o crescimento dos países, graças a elas é que conseguimos transformar insumos em produtos acabados que necessitamos diariamente para nossa sobrevivência. 3. Metodologia Para esta pesquisa utilizou-se o método de abordagem indutivo, pois partimos de uma situação particular para posteriormente generalizá-la. Quanto ao procedimento, utilizou-se o estudo de caso, pois fez-se um estudo sobre as condições do processo de marinação, especificamente em um frigorífico de carne de aves. Sobre a classificação da pesquisa, ela é descritiva, pois foram feitos levantamentos ou observações sistemáticas dos fatos. O procedimento técnico utilizado foi o estudo de caso, pois se buscou estudar de maneira profunda e específica sobre o processo de marinação de um frigorífico de carne de aves no MT. Quanto à natureza, a pesquisa é qualitativa. Para a coleta de dados, os pesquisadores utilizaram os recursos disponíveis no local de trabalho registrando em planilha os volumes dos insumos em relação ao plano de produção e as perdas resultantes do processo. As pesquisas foram efetuadas no início do mês de janeiro de 2014 até meados de outubro do mesmo ano. 4. Análise dos dados 4.1 A Empresa A empresa nasceu como um dos maiores players globais do setor alimentício, reforçando a posição do país como potência no agronegócio. Atuam nos segmentos de carnes (aves, suínos e bovinos), alimentos industrializados (margarinas e massas) e lácteos, com marcas consagradas tanto no mercado nacional como internacional. 6 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. As vendas externas responderam por 39,3% das receitas líquidas em 2011. A empresa exporta para 140 países; opera 51 fábricas no Brasil (distribuídas em 11 Estados) e 11 no exterior (Argentina, Reino Unido e Holanda). Mantém mais de 19 escritórios comerciais no Exterior e está entre as principais empregadoras privadas do país, com mais de 115 mil funcionários. Em 2006 começou o desenvolvimento dos projetos do Complexo Frigorífico no MT, totalizando mais de 145.000,00m2 de área construída. Investiu mais de R$ 800 milhões, que inclui abatedouros com capacidade de 375 mil a 500 mil aves e 4 mil a 5 mil suínos por dia, além de setores já em operação, como a fábrica de rações, unidade de armazenamento de cereais, e granjas de diversas etapas da produção. Na sua 1ª fase, no ano de 2008 o abatedouro de aves atingiu a faixa de 375.000 aves/dia, na 2ª fase chega a atingir 500.000 aves/dia. 4.2 O processo O processamento da carne de aves ocorre após a seleção em uma Nórea equipada com sensores e ganchos que pré-selecionam a ave pelo tamanho e peso, em seguida as aves selecionas passam por inspeção uma a uma em uma linha de produção onde as operadoras retiram o excesso de gordura além de avaliação qualitativa sobre pequenos hematomas ou mesmo fraturas e penas, a peça selecionada é então depositada em Combos de aço inox alimentício (Caixa em formato hexagonal) com capacidade para uma tonelada de matériaprima, já imersos em uma solução salina com condimentos; “Salmoura”. Os Combos são levados pelos colaboradores sobre transpalete hidráulico manual para uma câmara fria onde descansam por pelo menos duas horas para garantir a absorção da Salmoura pela carne, a mistura é basicamente composto por sal, açúcar, óleo vegetal de soja, ervas, aromatizantes, colorífico, água e sabor de acordo com a especificação do produto descrito na embalagem. Com o combo já preparado e toda a carne imersa na Salmoura após passadas duas horas de descanso o produto segue para a linha de produção onde é despejado através de um elevador hidráulico, na linha (esteira) o produto é pesado em balanças aferidas e segue para o processo de embalagem (1ª embalagem primária), está recebe um grampo metálico de alumínio e é perfurada para evitar que durante o processo de cocção no consumidor final a embalagem infle com os gases e estoure dentro do forno ou quando da sua retirada do mesmo. Depois disso é posta em outra embalagem (2ª embalagem primária), esta contém o logo da empresa o carimbo com data de validade, características do produto, receita, informações da empresa, 7 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. etc. A selagem desta embalagem é feita a quente sobre a pressão de chapa quente revestida de teflon, em seguida em volume de oito unidade é posta em uma caixa de papelão sendo então etiquetada, segue para aplicação de filme termo encolhível, paletização sobre estrado de madeira do tipo PBR padronizado, são empilhadas as caixas em camadas com n caixas por camada seguindo a amarração entre caixa e caixa formando assim uma pilha até certa altura, então o lote empilhado é envolvido por filme do tipo Stretch transparente, recebe nova etiqueta e segue para a Expedição. O processo de carimbo das embalagens é manual e feito uma a uma por colaboradoras em uma sala específica destinada a este fim, o carimbo é composto por unidades tipográficas com letras e números para identificar Lote, dia da semana, dia do mês ano e uma sequência corresponde ao número de dias decorridos segundo o calendário Juliano. O cálculo da quantidade de embalagens em função do plano de produção vaia em decorrência do número de funcionário na linha, no turno e na seleção dos produtos na linha estas variáveis comprometem o resultado final em termos de quantidade de embalagens que precisam ser carimbadas de acordo com o volume de produtos que se encontra em processo. Mesmo após o prévio treinamento dos colaboradores é inevitável os problemas de comunicação que ocorrem entre os setores envolvidos, tendo início no PCP, passando pelo Estoque, DMS (almoxarifado), sala de cortes e linha de produção; como a referida empresa não adota o sistema LEAN em sua base produtora isto explica em parte os desafios imprevistos que ocorrem ao longo do processo, tais como: A produção em si demanda o consumo de tempo, mão-de-obra, máquinas e insumos para a finalização de um produto, os desafios residem no fato da busca constante da qualidade de produtos e serviços, pois a exigência dos mercados internos e externo é cada vez maior, portanto, o principal desafio é aumentar a produção com qualidade reduzindo os custos envolvidos o máximo possível, por tratar-se de uma atividade cem por cento manual, os erros de processo são inevitáveis, por conseguinte temos perdas no processo de produção, neste caso especifico da empresa em estudo nesta linha de produtos condimentados, os erros são quantitativos, haja visto que os padrões e especificações do produtos são bem claros e definidos. Todavia, os erros de cálculo e as falhas de comunicação demandam prejuízos ao longo de todo o processo, aliado a este fato temos ainda que levar em conta que o processo é novo dentro da empresa e carece de ajustes ao longo de toda a linha com embalagens ao preço médio de R$2,10 por unidade, um erro de cálculo e 1.000 embalagens em um único turno gera um prejuízo considerável, até 8 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. porque os dois turnos são insipientes no processo demandando perdas consideráveis ao longo dos vinte dias de produção do mês. 4.3 Ferramenta de cálculo Com base no volume de cada cuba de inox (mil litros), mais o volume de salmoura em que o produto fica imerso além da quantidade de peças que são imersas no tangue é possível calcular quantas embalagens são necessárias para atender a demanda, dependendo, obviamente, do volume de produção em toneladas. Um cálculo simples feiro pelos colaboradores determinam a quantidade de embalagens para a linha, o problema reside no fato de os cálculos terem de ser feitos todos os dias várias vezes por dia por colaboradores diferentes aumentando assim a margem de erro, outro fato é que o pessoal responsável pela datação das embalagens não tem acesso ao plano de produção, logo há informações divergentes nos dois sentidos. A solução foi padronizar os volumes de produção em função do plano de produção independente da capacidade de demanda do dia, bem como do tipo de produto a ser produzido A ou B, desta forma eliminando as variáveis foi estimado um padrão de produção em função dos volumes reais da linha com uma ferramenta fixa graduada em volume e quilos que são convertidos em unidades de embalagens, por conseguinte é dimensionado também a quantidade de grampos, etiquetas, embalagens primárias, secundárias (caixas de papelão – tampa e fundo), quantidade de lotes por turno e paletes para a expedição. Além disso apenas um colaborador por turno deveria solicitar ao carimbo as embalagens para atender a demanda e o pessoal do carimbo deveria sempre validar a informação com o plano de produção, imprimindo sempre uma quantidade menor do que a solicitada. Uma régua feita em PVC, com uma escala e as quantidades de Cubas de inox avaliada em 1.000 quilos para cada cuba com o produto mais a salmoura necessário para produzir até 50.000 quilos por turno, com os pesos padrão dos produtos “A” e “B” e suas respectivas quantidades por caixa e caixas por pallet PBR, para uma quantidade de x pacotes por caixa, estes cálculos eram realizados dezenas de vezes ao longo do turno com uma margem de erro elevada, a Régua de cálculo proposta reduziu os erros pois já apresenta de antemão qual deve ser o consumo de embalagens para uma demanda de produção de x toneladas, além disso a informação sobre o plano de produção passou a ser informada para os colaboradores responsáveis pelo carimbo (datação das embalagens). 9 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. O modelo proposto segue abaixo, ver figura 1; a régua tem aproximadamente 140 mm de altura por 60mm de largura e 1,5mm de espessura, apresenta ainda dupla escala frente e verso com os cortes (tamanho e peso) de cada tipo de produto da linha, a escala é disposta em ordem crescente partindo do numeral Um até o numeral 100, ou seja, pressupõe uma demanda de produção que vai de uma tonelada a cem toneladas de produto dia, a capacidade real não ultrapassa 40 toneladas. Os campos são dispostos da esquerda para a direita e de cima para baixo em quatro colunas, um cursor envolve as duas faces da escala permitindo que a mesma deslize sobre a superfície da régua orientando na direção do cálculo. Cada coluna divide-se em duas informações distintas, a saber : quantidade de embalagens primárias à ser carimbadas (datadas) e a quantidade de etiquetas por caixa contendo até oito unidades de embalagem, logo a Régua informa a quantidade de embalagens primárias 1 e 2, a quantidade de grampos metálicos por embalagem, quantas unidades de embalagem devem ser carimbadas, a quantidade de caixas de papelão (secundária) fundo e tampa, além da produção estimada do dia, a escala contempla ainda uma margem de erro sempre para baixo evitando assim o desperdício de unidade carimbadas está margem, obviamente, foi determinada com base no peso médio de cada corte de carne de aves em função do volume de salmoura e do grau de absorção de cada corte. Figura 1 - Régua feita em PVC e papel, utiliza um “cursor” feito a partir de uma fita Pet de 15mm. Fonte: Os autores, 2014. Houve significativa queda na perda de embalagens carimbadas em excesso, verificou-se ainda, que o número de etiquetas para identificação das caixas também diminuiu em função 10 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. de uma maior precisão dos cálculos, diminuiu o stress causado pela expectativa de consumo x desperdício de embalagens carimbadas em excesso, reduziu a produção de lixo plástico, o consumo de tinta para carimbo, redução no retrabalho em caso de erro de datação, melhor aproveitamento dos grampos metálicos, melhor ordenação do consumo e na preparação das caixas para a produção, fitas carbono, plástico termo encolhível, filme stretch, tempo e mãode-obra. Todos esses insumos entram no processo final do produto em estudo e em geral sobram muitos dos quais não são recicláveis. Considerações Finais Após apresentação e análise dos resultados, considerando a literatura estudada no trabalho e o problema de pesquisa proposto, percebeu-se que através da proposta da régua de cálculo, a empresa estudada, poderá obter significativo redução de desperdícios de valores com as embalagens utilizadas no processo produtivo e, que através do conhecimento e empenho dos colaboradores os resultados podem ser ainda maiores. Contudo, é importante que as ações sejam desempenhadas em conjunto para que o resultado seja eficaz, desta forma torna-se fundamental que haja o entendimento entre colaboradores e supervisores. Outra sugestão seria que a empresa adotasse métodos ou equipamentos mais modernos que simplificassem os seus processos e, constantemente instiguem seus colaboradores na busca de contribuição, visto do conhecimento que estes possuem nos processos. Portanto, pode-se afirmar que o objetivo proposto foi alcançado, visto que, os pesquisadores propuseram uma ferramenta de fácil aplicabilidade, sem necessidade de grande investimento por parte da empresa em estudo. REFERÊNCIAS CARBONE, Pedro Paulo; et al. Gestão por competências e gestão do conhecimento. 2 ed. Rio de Janeiro: FGV, 2006. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. 7 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. KON, Anita. Economia industrial. São Paulo: Nobel, 1999. LACOMBE, Francisco J. M.; HEILBORN, Gilberto L. J. Administração: princípios e tendências. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2008. 11 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. MAXIMIANO, A.C.A. Introdução à administração. São Paulo: Atlas, 2004. MARTINS, Petronio G.; LAUGENI, Fernando P. Administração da produção. 2 ed. São Paulo: Saraiva: 2005. NEUMANN, Clóvis. Gestão de sistemas de produção e operações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. 12