TRABALHANDO COM ENDOPHOTON LASERTERAPIA Elaborado por Elaine Canhassi e Bianca Longo com base em Literatura A palavra laser é uma sigla oriunda da língua inglesa: Light Amplification Stimulation Emission Radiation Ou seja, “Amplificação de luz por emissão estimulada da irradiação”. HISTÓRICO Em 1917, Albert Einstein, iniciou os estudos de Laser, sendo o mesmo o primeiro a expor o princípio físico de emissão estimulada de irradiação. Os grandes avanços de descorbertas foram adquiridos através da interligação dos estudos realizados nas áreas da Física, Química, Biofísica, Medicina entre outras. Os principais fatos de desenvolvimento da radiação Laser são: 1950: Townes, Gordon e Zeiger construíram o primeiro oscilador na gama de ondas milimétricas. 1958: Os norte-americanos e russos demonstraram e construíram o primeiro Laser. 1960: Theodoro H. Maiman construiu --os primeiros Lasers sólidos, utilizando-se do material Rubi. 1961: Realizou-se a primeira cirurgia a Laser, e com isso estudos demonstrando, que a cicatrização e a epitelização eram acelerados após a cirurgia Laser. 1962: Foi criado o primeiro Laser semicondutor e dois anos após surgiram os primeiros lasers de gases e o primeiro laser molecular de CO2. 1965: Dr. Sinclain e Dr. Knoll adaptaram o Laser para a prática terapêutica. É importante ressaltar que os conhecimentos da física e outras áreas são necessários, pois a terapia Laser exige conhecimentos do tipo de energia aplicada, de uma investigação dos efeitos produzidos no organismo e conseqüentemente do modo de aplicação. CONCEITOS FÍSICOS BÁSICOS Período: é o tempo necessário para executar um ciclo completo. Seu símbolo é T e sua unidade é dada em segundos (s). Freqüência: é o número de períodos realizados em um segundo. Recebe o símbolo f e sua unidade de medida é dada em Hertz (Hz). Relação entre período e freqüência: o período e freqüência guardam entre si uma relação inversa expressa pela seguinte equação: T=1/f Rev. 01-30/01/2008 1 Ou f= 1/T A partir destas fórmulas é fácil de deduzir que quanto maior a freqüência menor é o período. Velocidade de propagação: toda a onda eletromagnética se propaga a uma velocidade de 300.000 Km/s e seu símbolo é c. Comprimento de onda: é a distância percorrida por uma onda em um período. Seu símbolo é λ e sua unidade é em nanômetros (Nm): λ = c/f Com isso denota-se que quanto maior a freqüência maior o comprimento de onda. Energia: é a capacidade de efetuar um trabalho. Símbolo E e sua unidade de trabalho é o Joule (J). Potência: é a quantidade de energia transmitida por unidade de tempo. O símbolo é P e a unidade de medidas em Watts (W) e sua fórmula da seguinte forma. P=E/t Ou seja: E (j)=P (w)X t(s) Densidade de Energia: é a quantidade de energia aportada em uma superfície determinada e sua fórmula é: D= E/S Dada em Joules por centímetro quadrado (j/cm2), sendo: D= densidade de energia E= energia S= superfície a ser irradiada A densidade de energia será maior quanto maior for a energia depositada a quanto menor for a superfície de aplicação. Radiação Eletromagnética: emissão de ondas de energia associada à campos elétricos e magnéticos. Estes campos podem se propagar sem necessidade de um meio de suporte possui uma disposição perpendicular entre si e a direção de propagação. A irradiação eletromagnética é emitida pela matéria em unidades chamadas fótons. Espectro Eletromagnético: gama total de freqüências ou comprimento de ondas nas quais se propaga a radiação de rádio, depois aumentando a freqüência seguem-se radiações infravermelhas, luz invisível, radiação ultravioleta, raios X, raios gama e radiações cósmicas. Unidades Utilizadas freqüentemente: • Energia: Joule (J) Rev. 01-30/01/2008 2 • • • • Potência: Watts (W) 1W=1j/seg Tempo: segundos Comprimento de Ondas: Nanômetro (nm) Freqüência: Hertz (Hz), 1 Hz= 1 ciclo/seg. Parâmetros do Laser a serem considerados: Laser de Emissão Contínua • Potência; Divergência do feixe; • • Diâmetro do feixe: Comprimento de onda de emissão. • Laser de Emissão Pulsada • • • • • • Potência de pico; Potência média; Freqüência de repetição de pulsos; Divergência do feixe; Diâmetro do feixe; Comprimento de onda de emissão. CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS DA RADIAÇÃO LASER O laser possui quatro características fundamentais que permitem diferenciá-lo das demais irradiações. São elas: Monocromaticidade: A luz Laser possui um comprimento de onda específico e uma pureza de cor. Coerência: Durante a emissão, suas ondas lúminicas apresentam oscilações uniformes e ordenadas ao contrário de uma fonte de luz convencional. Polarização: Mínima divergência entre os raios. O laser pela sua constituição física, quando emitida, tem a capacidade de seguir uma única direção com raios paralelos. CLASSIFICAÇÃO DOS LASERS Os Lasers são divididos em três grandes grupos, sendo que esta ocorre segundo a presença ou não de efeito térmico: Biodestrutivo (Biodegenerativo) São os Lasers que possuem efeito térmico e potência. • Power Laser Neste grupo estão os aparelhos de alta potência, promovendo ação de corte e coagulação dos tecidos, devido a produção de calor que ele provoca. Estes Lasers são utilizados na prática cirúrgica trazendo grandes vantagens como a diminuição do período de hospitalização, diminuindo os riscos de infecção no pós operatório e provocando também uma queda nas transfusões sanguíneas (pois a perda de sangue é pequena. Para exemplificar podemos citar o Laser de CO2, Laser de Argônio e o Laser de Rubi. Rev. 01-30/01/2008 3 O Laser de CO2 tem como absorvente o meio aquoso, por isso volatiza os tecidos realizando desta forma um corte fino, rápido e limpo. O Laser de Argônio tem sua energia absorvida pela hemoglobina, sendo assim um fotogoagulador com grande atuação em hemorragias superficiais, intervenções dérmicas, eliminação de tatuagens e destruição de angiomas. O Laser de Rubi é muito indicado para tratamento de hemorragias arteriais profundas. Em cirurgias é utilizado em intervenções na retina por causa de seu comprimento de onda que permite que a radiação se transmita do meio aquoso e seja absorvida pela retina. • Biodestritivo ou Bioestimulante É o Laser que pode ou não ter efeito térmico. • MID Laser É um Laser que provoca a bioestimulação com ou sem efeito térmico. • Bioestimulante (Biopositivo) É o Laser que não apresenta efeito térmico. SOFT Laser: este tipo é usado na prática terapêutica,e os mais usados são AsGa e AsGaAl, que serão descritos à seguir: LASER SEMI CONDUTOR É aquele que é formado por substâncias que apresentam uma condutibilidade inferior a dos metais. Arsieneto de Gálio (AsGa) O Laser mais empregado atualmente é o Arsieneto de Gálio o qual possui comprimento de onda de 904nm, situando–se no espectro infravermelho e emite potência média de 50 mW e potência de pico de 50 Watts (Endophoton). Arsieneto de Gálio Alumínio (AsGaAl) Usado desde os anos 80, gerados por diodo. O comprimento de onda é de 660 nm (Endophoton caneta emissora 660 nm). EFEITOS BIOLÓGICOS A laserterapia produz efeitos pela absorção de uma radiação incidida sobre o tecido, produzindo e ou transformando a energia luminosa em calórica, química e propagando seus efeitos aos tecidos e zonas circundantes. 1. EFEITOS BIOQUÍMICOS Estimula a liberação de substâncias pré-formadas (autacóide), como a histamina, serotonina, bradicinina etc. Rev. 01-30/01/2008 4 Modifica as reações enzimáticas normais, tanto no sentido de excitação como os de inibição. Segundo diversos autores (Low & Reed. 2000) (Karu, 1999; TUNER RODE, 2004, CALDERHEAD S.D.), a radiação Laser estimula a produção de ATP no interior das células, originando e provocando aceleração da mitose (que se produz quando há aumento do ATP e das mitocôndrias). Os efeitos bioquímicos, em alguns casos, interferem na produção de certas substâncias como as prostaglandinas. Dentre estes também incluímos a ação fibrinolítica. 2. EFEITO BIOELÉTRICO Há a normalização do potencial de membrana. Toda célula tem, em seu interior, mais cargas negativas que positivas e exteriormente há substâncias com diferentes concentrações de cargas positivas, como o potássio e o sódio. A membrana é mais permeável a íons de potássio que as de sódio, com isso há uma diferença de potencial entre as cargas internas e externas. A propagação de qualquer impulso nervoso (equivalente a uma passagem e corrente elétrica), produz um movimento dos íons de sódio através da membrana celular, desde o exterior até o interior. O sódio é abundante e penetra com facilidade, com isso, a célula deve expulsá-lo mediante a “Bomba de Sódio e Potássio”, onde a energia para seu funcionamento é extraída da quebra de ATP. Em condições patológicas as células não podem manter seu potencial de membrana, ou seja, o gradiente iônico de ambos os lados da membrana se transformam. Sendo assim a ação do Laser é dupla: atua diretamente na mobilidade iônica e indiretamente da quantidade de ATP produzido. Seu efeito bioelétrico ajuda a normalizar o potencial de membrana, atuando como reequilibrante e normalizador da atividade funcional celular. 3. EFEITO BIOENERGÉTICO As radiações do Laser proporcionam às células e tecidos do organismo em conjunto, uma energia que estimula todos os níveis de sua troficidade e fisiologia, normalizando diferenças e equilibrando desigualdades. • ESTÍMULO A MICROCIRCULAÇÃO As arteríola e vênulas possuem uma comunicação direta que serve como corta circuito e uma comunicação mediante as redes capilares, que se inicia junto à arteríola e se abre e fecha mediante a atuação do esfíncter pré-capilar. Em condições normais, funciona de forma periódica, ativando e cessando o funcionamento das diferentes zonas permitindo assim sua alternância. A radiação laser possui uma ação indireta sobre o esfíncter pré-capilar, através de mediadores químicos paralisando-os, o que produz suas aberturas constantes, estimulando assim a microcirculação, que é um dos intermediários na liberação da histamina. O possível aumento da temperatura não é só conseqüência da radiação efetuada, mas também do aumento do metabolismo celular e da vasodilatação provocada, com isso Rev. 01-30/01/2008 5 melhorando a troficidade zonal pelo aumento de nutrientes e oxigênio, eliminando os catabólitos também. Ocorre o aporte de elementos defensivos, tanto humorais como celulares, que presumem a capacidade antiinflamatória. • AUMENTO DA TROFICIDADE LOCAL Tem como conseqüência um aumento da troficidade das células, dos tecidos e órgãos. A produção de ATP mitocôndrial é ativada e com isso aumentando a velocidade mitótica celular. O Laser aumenta o processo de reparação devido à capacidade de cicatrização do tecido conjuntivo, assim como a neoformação de vasos a partir dos já existentes. Ambos contribuem para reparar perdas de substâncias, principalmente em úlceras de diversas origens, feridas traumáticas ou pós-operatórias (exemplo pós cirurgia plástica, lipoaspiração etc). Podemos destacar também: • • • • • • Aumento da velocidade de regenação das fibras nervosas danificadas; Estimulação da reparação do tecido ósseo Estimulo geral sobre a hematopoiese na medula; Aumento da troficidade na pele; Ativação do folículo piloso e dos fibroblastos responsáveis pela formação das fibras colágenas e elásticas. Incidência no desaparecimento das calcificações; EFEITOS TERAPÊUTICOS GERAIS Os benefícios terapêuticos podem ser agrupados em três classes: 1. Efeito analgésico; 2. Efeito Anti Inflamatório, anti-edematoso e normalizador da circulação; 3. Estimulador do trofismo tissular. • EFEITO ANALGÉSICO Nas camadas superficiais da pele, alguns tecidos do periósteo, nas articulações, nas paredes arteriais, nas superfícies articulares, há terminações nervosas de recebem o nome de receptores da dor (RD). Estes se excitam mediante diferentes tipos de agressões tissulares, classificando-se segundo este critério em: RD mecanossensíveis (sensíveis a estímulos mecânicos) RD termossensíveis (sensíveis a estímulos de calor e frio) RD quimiosensíveis (sensíveis à substância químicas) Entre as substâncias químicas, cabe citar a bradicinina, a serotonina e a histamina como fundamentais. Outros elementos podem excitar qualquer receptor de dor, como os íons de K+ em excesso, ácidos, prostaglandinas, acetilcolina e enzimas proteolíticas. A isquemia tissular e o espasmo muscular podem produzir uma reação dolorosa. Sendo que, uma vez estimulados os RD por qualquer dos mecanismos citados, os sinais são transmitidos ao SNC através de vias nervosas sensitivas, penetrando na medula espinhal dorsal posteriormente e se unem no feixe espinitalâmico que transmite o estímulo ao tálamo e par ao córtex cerebral pelo feixe talâmico cortical. Rev. 01-30/01/2008 6 Distinguem-se dois tipos de dor: Dor rápida (como picada de agulha) Dor lenta (como cólica renal, onde a dor é generalizada). As fibras nervosas que transmitem estes dois tipos são diferentes. A dor rápida estimula as fibras A alfa e beta, e a dor lenta estimula as fibras do tipo C. As fibras A alfa Beta são de condução rápida (velocidade de 6 a 30 m/s), enquanto que as C são de condução lenta (0,5 a 2 m/s). Este sistema de dupla enervação permite a chegada de informação rápida ao cérebro, sendo assim possível uma reação rápida para afastar o estímulo doloroso. Ambos tipos se diferenciam pela localização da dor. As fibras A localizam-se entre 10 a 20 cm da zona estimulada, já a dor lenta procede das fibras C, (onde a localização é difusa e extensa) em toda a perna, (por exemplo). A ação antálgica ocorre pela soma de intervenções a níveis distintos, pois exerce uma analgesia de curto período (12 a 24hrs), sendo que no decorrer das sessões transforma-se em duradoura ou definitiva. Os níveis que o Laser pode atuar são: Nível Local: reduzindo a inflamação, provocando a reabsorção de exsudados e favorecendo a eliminação de substâncias algógenas. Interfere na mensagem elétrica durante a transmissão do estímulo, mantendo o gradiente iônico de ambos lados da membrana celular evitando ou reduzindo a despolarização da mesma. Estimula a produção de betaendorfinas; Atua sobre as fibras nervosas grossas (tácteis), que provocam através do Laser bloqueio das fibras finas (dolorosas). Evita a descida do umbral doloroso dos RD; Normaliza e equilibra a energia presente no ponto doloroso. A ação fisiológica reduz os níveis de bradicinina no local e ativa a liberação de peptídeos endógenos (endorfinas), que atuam como inibidores da sensação dolorosa. A carga fotônica do Laser exerce uma ação sobre os lipídios. Estes normalmente se posicionam perpendicularmente à membrana de estrutura de dupla camada, o que dá liberdade ao movimento da mesma, esta ação consistiria em movimentação dos lipídios, bloqueando os canais de penetração dos íons. • EFEITO ANTI INFLAMATÓRIO, CIRCULATÓRIO ANTI EDEMATOSO E NORMALIZADOR A inflamação é uma reação dos tecidos às agressões. Os agentes causadores são: bactérias e outros microorganismos, traumatismos, agentes químicos, calóricos, reações imunológicas etc. O tecido lesionado libera substâncias anormais como a histamina, bradicinina e serotonina, que atuam principalmente aumentando o fluxo sanguíneo local e a permeabilidade dos capilares venosos e vênulas, o que provoca uma grande saída de líquidos e proteínas dos vasos para o líquido intersticial, produzindo edema local. Entre as proteínas que saem do sangue está o pirogênio, que junto com as substâncias liberadas pelas células, coagula o líquido extracelular e linfático, formando um edema duro ao redor das células lesadas. As respostas das células defensoras do organismo iniciam rapidamente, sendo que todos os tecidos derivados do conjuntivo possuem células móveis de vários tipos, que possuem em comum a capacidade de fagocitar os agentes estranhos que se encontram Rev. 01-30/01/2008 7 no local, que são os macrófagos. Esta é a primeira forma de defesa contra a infecção no momento inicial. Num segundo momento são liberadas substancias no tecido lesionado que provocam um aumento do numero de neutrófilos no sangue, após algumas horas do início da inflamação. Existem três mecanismos que os leucócitos chegam à região lesionada através do sangue: Marginação: os neutrófilos aderem às paredes lesionadas dos capilares; Diapedese: passam ao espasmo tissular facilmente, pois há uma permeabilidade aumentada dos capilares e vênulas. • Quimiotaxia: o produto bacteriano ou celular, fatores da coagulação, antígenos, anticorpos e alguns componentes provocam migração dos neutrófilos em direção a região inflamada. Em poucas horas teremos um acumulo de neutrófilos na lesão que realizarão a fagocitose do material estranho e finalmente produz um aumento progressivo de macrófagos na região lesionada. Isso depende de sua reprodução e da migração de um número de monócitos. O Laser atuará neste complexo sistema de defesa do organismo, frente à sintomatologia clássica de tumefação, dor, rubor e calor, conseguindo uma melhora bastante favorável. • • Mecanismo de Ação: centra-se na circulação local, provocando um estímulo desta e vasodilatação arteriolar, ao aumentar a renovação do sangue, favorecendo o aporte de neutrófilos e monócitos e a reabsorção de exsudado fibroso. A eliminação da estase sanguínea favorece a resolução de uma reação inflamatória mais rapidamente do que o organismo é capaz. • EFEITO BIOESTIMULATIVO DO TROFISMO CELULAR O estímulo trófico ocorre da união do efeito circulatório com o potencializador da produção de energia disponível na célula. Uma irradiação posterior aumenta a neoformação capilar e a multiplicação celular, que se aplica em tratamentos de úlceras varicosas e de decúbito. Alguns estudos demonstram: O aumento de fibroblastos e fibras colágenas; Acelera a velocidade de crescimento dos nervos seccionados; Incremento da reepitelização a partir de restos basais e do ritmo de divisão celular. PRECAUÇÕES AO UTILIZAR O LASER A irradiação do laser, se transpassar o meio aquoso e transparente do olho, será absorvida ou depositada na retina, produzindo um efeito degenerativo que poderia conduzir a cegueira. Sempre se deve evitar a irradiação direta com os óculos escuros especiais que somente permitem a passagem de 5% da irradiação. Também evitar que no local do tratamento possua objetos metálicos, espelhos que possam refletir a irradiação Laser. CONTRA INDICAÇÕES ABSOLUTAS • • Retina Áreas Neoplásicas Rev. 01-30/01/2008 8 • • Processos infecciosos bacterianos Zonas tumorais CONTRA INDICAÇÕES RELATIVAS • • • • • Pacientes submetidos a tratamentos com medicamentos esteróides; Na mama de pacientes com mastopatia fibrocística; Pacientes epiléticos (há um fator psicossomático frente a um tratamento estranho); Gestantes; Disfunções tireoidianas, arritmias cardíacas e marca-passos. TÉCNICAS DE APLICAÇÃO DO LASER (ENDOPHOTON) PONTUAL: consiste na aplicação do Laser sobre os pontos anatômicos e aleatórios da região lesada. No Laser de AsGa (904 nm), o tratamento ocorre com a ponta em contato direto com a região a ser tratada, pois este possui certa divergência do seu feixe. O feixe deve sempre estar perpendicular a área da lesão para serem evitadas perdas devido à reflexão que irá surgir. Recomenda-se distanciar os pontos de 1 a 2 cm. Este método também é aplicado em pontos de acupuntura (Laserpuntura). Não se deve encostar a ponta da caneta quando a pele apresentar ulcerações ou muita dor. Nas aplicações pontuais geralmente em tendões, grupos musculares ou ossos, deve-se buscar o fechamento da área com diversos pontos. Se possível irradiar a estrutura nas suas diversas faces. VARREDURA: este método somente deve ser empregado em lesões dermatológicas como úlceras de decúbito, diabéticas ou outras alterações nas quais se busca acelerar o processo cicatricial (pós-cirurgias plásticas e ou reconstrutoras). Em função de suas indicações, ela requer muita atenção do profissional que irá operar, principalmente quanto ao estabelecimento da determinação da dose a ser empregada. O tamanho e a profundidade da área, a velocidade da mão para movimentar a caneta aplicadora, o tempo total de aplicação, a manutenção da distância e da posição perpendicular da caneta em relação à área são fatores determinantes da eficácia do tratamento. Usada para Laser AsGaAl (660 nm). LASERPUNTURA A técnica consiste no uso do laser em substituição das técnicas de acupuntura clássica (agulhas, moxas) ou como coadjuvante das mesmas. Assim, diversos autores deixam bem claro que a acupuntura e a laserpuntura são diferentes em suas indicações e efeitos. As vantagens do Laser como estímulo no ponto de acupuntura são: • • • • Assepsia; Rapidez; Ausência de dor e estress Método não invasivo. • A Laserterapia se limita entre as os primeiros centímetros de tecido. Já através dos pontos da acupuntura podemos alcançar órgãos internos. Rev. 01-30/01/2008 9 Por analogia, tem-se considerado o raio de Laser como um moxa (o soft laser libera aproximadamente uma caloria a cada 40 minutos e eleva a temperatura da pele entre 0,5 e 1° C) alumínica ou uma agulha eletromagnética. Esta idéia, todavia, é incompleta, mas pode servir, em princípio para juntar a concepção do bioplasma com a concepção do sistema bioenergético humana da medicina chinesa. Esta provem da fusão da energia ancestral (a informação genética que portam as gametas), a energia celeste (que inalamos através da respiração) e a energia terrestre ( que assimilamos a partir da alimentação) As técnicas próprias da acupuntura e da eletroacupuntura servem de modelo para descrever o uso do laser nesta combinação terapêutica (FERREIROS ET AL, 1983): • Para estimular se utiliza tempos curtos e freqüências pulsadas • Para inibir se utiliza tempos maiores e freqüência contínua. O resultado terapêutico se nota após 15 minutos. Localização dos Pontos generalizados: Existem três métodos clássicos de localização de pontos de acupuntura. Uns seguem a extensão dos ossos, outros seguem a localização anatômica e por último, o que usaremos, a medida do cun. O dedo polegar das mãos é usualmente utilizado para o estabelecimento de uma unidade de medida relativa corporal, conhecida em chinês como cun e que se pronuncia tsun. O cun ou polegada chinesa, medido no dedo polegar, é a medida tomada da falange distal do polegar na sua parte mais larga, ao nível da articulação interfalangeana. Para distâncias maiores que 1,0 cun, podem ser utilizados como referência outros dedos da mão do paciente, como: para 1,5 cun, o dedo indicador e o médio, para 2,0 cun, os dedos indicador, médio e anular e para 3,0 cun, os dedos indicador, médio, anular e mínimo. Contudo, à medida que a distância aumenta, maiores serão as dificuldades encontradas para o correto estabelecimento do ponto de acupuntura. Alterações foram encontradas quando se avaliou as distâncias de 1,5, 2,0 e 3,0 cun tomadas em várias partes dos dedos (altura das articulações interdigitais distais ou proximais) propostos para localização, não sendo portanto confiáveis, as medidas encontradas por este método8. Assim, instrumentos ou métodos que possam facilitar e determinar com maior precisão a localização exata do ponto de acupuntura, oferecendo aos indivíduos o resultado mais adequado para o seu tratamento, será sempre bem-vindo. É necessário, para se conseguir o máximo de rendimento da Laserpuntura, localizar com a maior precisão a localização exata dos pontos. Um método mais avançado, prático e exato de localizar os pontos são os detectores eletrônicos, o que exclui o método anterior. PONTOS DA ORELHA Os pontos da orelha podem ser localizados consultando o mapa topográfico dos pontos auriculares ou com a ponta de uma caneta sem carga ou também pelo sistema de detecção eletrônica. Rev. 01-30/01/2008 10 Sensibilidade Física e Elétrica dos Pontos Geralmente os pontos de acupuntura são sensíveis a pressão. As vezes esta sensação pode ser dolorosa, dado que terá que ser anotado a medida que for localizado, pois servirá para selecionar os pontos de tratamento. Localização dos Trajetos de Meridianos O trajeto dos meridianos está localizado em ilustrações respectivas, para descrições mais detalhadas consulte bibliografia que se referem a acupuntura clássica. A localização não é difícil, mas requer prática. Sinalização dos Pontos Uma vez detectado o ponto, este será demarcado com um lápis dermatofráfico, mas não em cima do ponto (como se faz habitualmente), e sim e volta do ponto como um pequeno círculo ao seu redor. Deste modo evitaremos a reflexão, refração e absorção por tecidos adjacentes, provocados pelo material do lápis. Outra forma é recortar um círculo em um papel branco e colocar o mesmo ao redor do ponto. Para demarcar os pontos da orelha, já que os mesmo são inúmeros, usaremos um lápis com ponta bem fina e afiada, afim de não estimular pontos indesejáveis. Em meridianos, nunca marcaremos com o lápis em cima do trajeto, a melhor forma é demarcar pontos de referencia para os mesmos, que indiquem as possíveis mudanças do sentido dos trajetos retilíneos. Toposcopia Do Laser O botão da sensibilidade tem a função de localizar os pontos de menor impedância da pele (local onde se tem a maior passagem de corrente) com isso você localiza os pontos motores, pontos de dor e acupuntura, e dependendo da umidade e textura da pele regulamos a sensibilidade de acordo cima dificuldade de encontrar os pontos (quando a caneta localizadora passa pelo ponto o aparelho soa um alarme e quando sai do ponto o mesmo desliga o alarme). Nota: se em qualquer local a caneta localizadora acusar ponto deve-se diminuir a sensibilidade. Rev. 01-30/01/2008 11 DOSIMETRIA LASER AsGa (904nm) A dosimetria é de suma importância para o sucesso da laserterapia. Alguns fatos colocam em evidência a observação de dois fatores: 1. Limiar fotônico do tecido 2. Quantidade de energia depositada Estes fatores levam a uma dosimetria que, para efeito de entendimento, pode ser comparada à de um fármaco injetável, ou seja: Para dosificar um produto injetável é necessário saber sua concentração do princípio ativo e que volume desse produto deve ser injetado no tecido. Podemos comparar: Concentração --------------- Limiar Fotônico= DENSIDADE Volume ---------------------- Energia depositada= TEMPO DE APLICAÇÃO LIMIAR FOTÔNICO A intensidade luminosa, ou tecnicamente densidade de energia luminosa é fator imprescindível na obtenção de efeitos fisiológicos. Por definição a energia é dada em Joules (J). a potência é a quantidade de energia fornecida em um segundo e dada em Watts: 1 W = 1 J/cm2 Nestas condições, a densidade é a concentração de energia (ou de potência) e é dada por unidade de área, ou seja, um feixe luminoso de uma dada potência (ou energia) pode ter valores de densidade diferentes dependendo do diâmetro (ou área) desse feixe. Comparando-se com uma lupa exposta ao sol, veremos que é possível concentrar o feixe luminoso solar de maneira a obter um diâmetro (ponto) pequeno, conseguindo-se provocar até queimaduras. Assim não variamos a quantidade de energia (ou potência) mas aumentamos a densidade luminosa. Em equações teremos: Onde: Dp= P/A = Watts/cm2 Ou De= E/ A= Joules/cm2 Dp: densidade de potência De= densidade de energia P = Potência luminosa dada em Watts E = Energia luminosa dada em Joules A= Área do feixe luminoso, dada em centímetros quadrados Não esquecer que a potência é igual a energia por tempo, ou seja: Exemplo: Rev. 01-30/01/2008 P= E/s= 1 Watt= 1 Joule/ 1 segundo 12 Um laser de diodo de 45 W deve ser utilizado para laserterapia. Calcularemos a potência média, pois este laser é pulsado. Pelos dados do fabricante teremos: 45 watts (instantâneos) Tempo de Pulso: 200 nanosegundos= 200x 10-9 s Freqüência de trabalho = 1100 pulsos por segundo= 1,1 x 10-3 Hz Portanto, potência média é: P= 45 . 200x10-9 1100 P= 8, 18 De acordo com investigações recentes (T. Karu-Laser Science & Tecnology) que os tecidos possuem limiares fotônicos específicos que se situam na faixa de décimos de miliwatts/cm2, Por exemplo 0, 7 mW/cm2 para síntese de DNA Portanto, com um equipamento que produz centenas de miliwatts/cm estamos bem acima do limiar fotônico. Este dado, no entanto, é válido para a superfície da pele. Se houver necessidade de abranger tecidos mais profundos, deveremos levar em conta as perdas (atenuação) do feixe. Através da tabela abaixo vemos que existe uma enorme atenuação do feixe, à medida que penetra nos tecidos: PROFUNDIDADE ALCANÇADA 15 mm 5 mm 1 cm 2 cm 3 cm 4 cm 5 cm 6 cm 7 cm 8 cm INTENSIDADE ATENUADA 100% 50 % 25% 10% 5% 1% 0,5% 0,25% 0,1% 0,5 Aplicando-se as características da tabela anterior, compreendemos que a uma profundidade de 4 a 5 cm estaremos no limiar fotônico e abaixo disto não teremos efeito terapêutico, conforme a tabela a seguir: PROFUNDIDADE ALCANÇADA DENSIDADE FORNECIDA (mJ/cm2) 15 mm 5 mm 1 cm 2 cm 3 cm 140 70 35 14 7 Rev. 01-30/01/2008 13 4 cm 5 cm 6 cm 1,4 0,7 (limiar fotônico) 0,35 ENERGIA DEPOSITADA NO TECIDO Este fator é tão importante quanto limiar fotônico, pois se é necessário atingir (ou sobrepassar) este limiar, é também necessário que depositemos um mínimo de energia no local. Podemos conceituar estes dois pontos da seguinte maneira: • Para uma aplicação eficaz é necessário um depósito mínimo de energia transmitida (ou depositada) com DENSIDADE mínima de energia para se obter os efeitos fisiológicos. Se uma das duas condições (ou as duas) não forem atingidas, a aplicação será inócua. No caso do Laser Infra vermelho (Endophoton 904 nm), é impossível determinar a área da irradiação Laser em função da profundidade (uso em Traumato-Ortopedia), por isso utiliza-se a dosimetria em mJ, pois através deste é possível determinar a absorção em profundidade. Trabalhando com Endophoton (904)-Colocação dos Parâmetros 1º Passo: Escolher a Dosimetria • • Energia (mJ) para uso em profundidade; Densidade de energia (j/cm2) em superfície; 2º Passo: Escolher a dose Tabela Sugerida para utilização por ponto: Efeito Antálgico: 20 a 40 mJ Efeito Anti Inflamatório: 10 a 30 mJ Efeito Regerativo: 30 a 60 mJ Efeito Circulatório: 10 a 30 mJ 3º Passo: escolha da profundidade Esta é feita de acordo com a profundidade da estrutura a ser tratada. Varia de 1 a 40 mm. 4º Passo: Corrigir a dose já estabelecida 5º Passo: Freqüência Escolha Contínuo ou uma das freqüências de pulso (variam de 2 a 80 Hz) de acordo com seu objetivo e patologia. 6º Clique start e acione o plug da caneta e comece sua aplicação pontual. Rev. 01-30/01/2008 14 Endophoton LASER AsGaAl (660 nm) Dosimetria utilizada: Para o laser de 660 nm deve-se considerar a área a ser tratada e as condições do paciente para que se possa atribuir a quantidade de energia distribuída pelo equipamento. No laser de 660 nm, consideram-se os fatores regenerativos, portanto as doses recomendadas são de 3 a 6 J/cm². Para calcular a densidade de energia que será entregue ao tecido devem-se considerar: 1. 2. 3. 4. 5. 6. Idade Nutrição Hidratação da pele Estado geral Estado fisiopatológico Doenças concomitantes 7. Idade Quanto maior for a idade do paciente, menor será a quantidade de energia entregue, ou seja, pacientes idosos, menos energia. 8. Nutrição Quanto maior o nível de nutrição do paciente, mais energia terá de ser distribuída. 9. Hidratação da pele Quanto maior for a condição de hidratação cutânea do paciente, maior será a quantidade de energia. 10. Estado geral O estado geral engloba distúrbios e disfunções como estado febril ou pressão arterial descompensada. Se o estado geral for ruim ou regular, deverá ser entregue quantidades menores de energia. 11. Estado fisiopatológico Nesse item, considera-se o estágio da afecção, então, em um estado agudo, menor quantidade de energia, em um estado subagudo, pode-se aumentar a quantidade e em um estágio crônico, mais energia deverá ser depositada no tecido em questão. 12. Doenças concomitantes Se o paciente tem uma doença associada ou concomitante, por exemplo, diabetes deve ser dada uma menor quantidade de energia. • Para calcular o tempo por ponto de aplicação, as variáveis abaixo devem ser consideradas: Rev. 01-30/01/2008 15 Densidade de energia: J/cm² Potência: em watts* Tempo: em segundos Área do feixe: cm² * Então, é utilizada a fórmula: De= P(w) x T(s) área do feixe *A área do feixe e a potência constam no manual de seu equipamento. Técnica de Aplicação: • • Pontual Varredura Rev. 01-30/01/2008 16