31º Encontro Anual da ANPOCS 22 a 26 de outubro de 2007 ST 6: Coleções, Museus e Patrimônios Coord. José Reginaldo Santos Gonçalves e Myriam Sepulveda dos Santos Sant'Ana de Caicó, avó do sertão: festa, turismo religioso e patrimônio cultural do Seridó (RN) Julie A. Cavignac - DAN/UFRN, IPHAN [email protected] Maria Lúcia Bastos Alves - DCS/UFRN, CNPq [email protected] [email protected] Resumo: O Inventário das referências culturais do Seridó (IPHAN/UFRN)1, que aglutina pesquisadores de diferentes áreas, priorizou, numa primeira fase, a festa de Sant'Ana de Caicó por ser a maior do gênero e uma das marcas mais expressivas da identidade local. É a ocasião para relembrar a história da cidade, reavivar laços de solidariedade fundados na família ampliada, reafirmar valores, e acionar registros específicos da cultura seridoense. A festa de Sant’Ana é um bom observatório para entender as mudanças sociais ocorridas recentemente com a patrimonialização da figura da santa. Além das dificuldades encontradas nas tentativas de adequação das categorias locais dos bens levantados com a terminologia elaborada pelo Iphan e na aplicação da metodologia utilizada, outros problemas aparecem, próprios às políticas públicas para o desenvolvimento da cultura e do turismo local. 1 O projeto foi aprovado no final de 2006, pelo Ministério da Cultura, como parte das ações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN - 3ª sub-regional/20°SR/PB-RN. É administrado pela Fundação de Pesquisa e Ensino do Rio Grande do Norte - FUNCERN.1 Senhora doce e clemente, Mãe da graça e do perdão, Abrigai-nos docemente Dentro em vosso coração (bis) Salve Santana gloriosa, Nosso amparo e nossa luz Salve Santana ditosa, Terno afeto de Jesus (bis) Vossos filhos dessa terra (bis) Vos suplicam que sejais O seu refúgio na guerra E sua alegria na paz (bis) Hino de Sant’Ana Wanderley) (Palmira e Carolina Localizada no semi-árido da região do Seridó norte-riograndense, a atual “capital do Seridó” teve a sua origem em 1687 com a construção da casa Forte do Cuó e, em 1735, com o povoamento da Fazenda Penedo, posteriormente denominada Vila Nova do Príncipe. Em 1890, elevou-se à categoria de cidade, recebendo os nomes de Cidade do Príncipe, Cidade do Seridó e, finalmente, Caicó.2 Possui expressividade regional nos setores agropecuário, educacional e cultural com destaque para o artesanato de bordados, as “comidas típicas” e, sobretudo, a Festa de Sant’Ana, realizada anualmente entre o final de julho e início de agosto. Ocasião para relembrar a história da 2 De acordo com Câmara Cascudo (1955), a origem do nome Caicó é indígena. Entre as versões existentes, o nome Caicó seria formado a partir dos termos Acauã e Cuó que servem à designação de acidentes geográficos (rio e serra, respectivamente) da região. Acauã pertence ao idioma tupi, enquanto Cuó, à língua dos Tapuias ou Tarairiús. As populações indígenas identificavam ainda o rio pelo nome de "quei", o que sugere que Caicó seja uma corruptela de "Queicuó", o mesmo que rio do Cuó (Macedo 2005; 2007: 41;). cidade, reavivar laços de solidariedade fundados na família ampliada, reafirmar valores, e acionar registros específicos da cultura seridoense. A festa de Sant’Ana é um bom observatório para entender as mudanças sociais ocorridas recentemente com a patrimonialização da figura da santa, com a projeção da festa a nível nacional, a atuação de agentes de órgãos culturais ou de representantes políticos e a interiorização do turismo no estado. A Festa de Sant’Ana torna–se relevante do ponto de vista cultural, histórico e social, pois é um dos principais veículo da memória e da identidade coletiva, em especial os relacionados com as expressões ligadas à fé católica. Para compreender o significado dessa festa enquanto patrimônio cultural e meio de difusão de um turismo religioso a nível regional, buscou-se priorizar o estudo das expressões simbólicas ligadas tanto ao mito de fundação da cidade quanto às práticas religiosas tradicionais presentes hoje. Tais expressões, inscritas nos discursos produzidos localmente, nos permitem perceber a existência de um sentimento de identidade fortemente consolidado a nível local, antes da entrada de órgãos oficiais na divulgação do evento festivo. A realização de duas pesquisas integradas - o Inventário das referências culturais do Seridó (IPHAN/UFRN) e Religiosidade, Turismo e Cultura no Rio Grande do Norte- RN – auxiliou a entender porque a Festa de Sant’Ana de Caicó, por ser a maior do gênero e por aglutinar todos os elementos da “cultura seridoense”, foi visualizada como um elemento importante do patrimônio imaterial do Seridó pelos representantes dos órgãos públicos. Também procuraremos saber como esse evento veio se integrar a projetos de desenvolvimento econômico através da implementação de ações turísticas. Essa reflexão preliminar parte do levantamento de dados empíricos realizado durante o período festivo, momento em que se procurou acompanhar as ocorrências religiosas, para-religiosas e não-religiosas efetivadas, bem como documentar elementos culturais seguindo a classificação proposta pelo Iphan que distingue os saberes e fazeres, das expressões, dos lugares e das celebrações. Dessa forma, o trabalho propõe avaliar o impacto da presença dos órgãos oficiais na organização e na divulgação da festa de Sant’Ana e as mudanças ocorridas. A lenda da fundação da cidade de Caicó e a Festa da Sant’Ana A festa de Sant’Ana pode ser lida a partir do mito de fundação da cidade, pois, como nos ensina Claude Lévi-Strauss (1974), é interessante analisar conjuntamente as diferentes expressões simbólicas, mesmo essas não correspondem totalmente. Á luz das práticas rituais e da história local é possível alcançar uma perspectiva clássica, pois reunidos, (...) os mitos e os ritos oferecem com valor principal de preservar até a nossa época, sob uma forma residual, modos de observação e de reflexão que foram e, sem dúvida, ficam exatamente adaptados a descobertas de um certo tipo: as que autorizavam a natureza, a partir da organização e da exploração especulativas do mundo sensível em termos de sensível (Lévi-Strauss 1989: 2930). Porém, se a via do estruturalismo continua pertinente, precisamos adaptar o nosso olhar a situações sociais delimitadas e enfatizar a dimensão temporal em nossas investigações: Sabemos melhor agora que as lógicas que regem as formações sociais, em seus diferentes recortes, têm uma pertinência poderíamos dizer regional, circunscrita no tempo e no espaço. Elas dão lugar a configurações diversas, mas comparáveis entre si, cada uma atualizando historicamente um dos casos de uma série de possíveis (Wachtel 1990: 21). Dessa forma, a “maior festa do Seridó” será analisada junto às narrativas que encenam a fundação da cidade e revelam a presença de forças sobrenaturais anteriores à chegada dos portugueses no Brasil. Suportes rituais de um discurso sobre o passado, os atos de fé dos “filhos de Sant’Ana” reafirmam o mito de fundação de Caicó e ilustram as narrativas que dão origem à cidade, sejam elas escritas ou orais, eruditas ou populares. Os rituais religiosos servem também de suporte à memória local, pois revelam (...) uma outra história, mais longínqua e confusa que merece nossa atenção. Esta conserva as marcas do contato e da imbricação definitiva de uma tradição européia nas cosmologias e usos dessas populações (Galinier 1993: 286). Essa síntese encontra-se formulada tanto nas narrativas quanto nas práticas devocionais. Para fins de análise, ensaiamos um esforço de leitura comparada das diferentes formas simbólicas, no sentido de entender a produção e a transmissão da tradição cultural presente na celebração da festa da avó do sertão. Fotografia 1 - A lenda do vaqueiro (Museu do Seridó, UFRN, 2007) Do mito... Verificamos que a celebração da Festa de Sant’Ana remete, constantemente, à lenda de fundação da cidade, encenando uma luta dos primeiros moradores contra a adversidade da natureza ainda não “domesticada”. Entre as diferentes versões existentes, escolhemos duas, uma oral e outra escrita: Versão oral Valfredo (Caicó 1991) Versão publicada Manoel Dantas (1941: 97) [..]Por volta de 1630, 1635, um vaqueiro andava perdido, por dentro da mata... do sertão, à procura do gado. Ele entrou num mufumbal, é uma mata muito fechada e lá, ele se deparou com um touro, um touro bravio enfurecido, e ele não tinha como sair. Então ele fez uma prece a Nossa Senhora de Sant’Ana, avó de Maria... Mãe de Maria e avó de Jesus Antes da colonização, a tribo dos caicós era composta de índios ferozes. Eles se tornaram invencíveis porque sua divindade (Tupã) transformou-se num touro selvagem. Somente Tupã sobrevive após a chegada dos colonos e se refugia no fundo da mata (hoje é a localização da cidade de Caicó). Um dia, um vaqueiro experiente perde-se para que ela salvasse ele daquele atropelo e como por encanto, o touro desapareceu. Daí ele edificou no mesmo local uma capela dedicada a venerar Nossa Senhora Sant’Ana... Quando o vaqueiro iniciou a construção da capela a região estava passando por uma seca muito forte, muito grande, e ele encontrou um poço. E ele, novamente recorreu a Sant’Ana, pedindo a ela que nunca deixasse esse poço secar. E até em 1977 e até 82, 83 nós tivemos uma seca muito grande e mesmo assim, o poço não secou. Nunca, na estória de Caicó se tem notícia que esse poço tenha secado [...] na mata ainda não explorada. Ele é atacado pelo touro. Ele promete então a Sant’Ana construir uma capela se escapar: o touro desaparece. A floresta é então desmatada e construída uma igreja. Mais o ano foi de seca e só havia um poço. O vaqueiro dirige-se outra vez a Sant’Ana a fim de que o poço não seque antes do fim da construção da capela. Seu pedido é atendido; o poço nunca fica seco. O espírito dos índios, expulso da floresta, transforma-se numa enorme serpente que vai instalar-se no poço. Se o poço secar ou se uma cheia muito forte fizer a água subir até o campanário da igreja dedicada a Sant’Ana, a cidade será destruída. Essa serpente, dona das águas subterrâneas, mora numa gruta; quando a serpente morrer, a cidade será recoberta pelas águas. Quer se trate da versão contada por Valfredo (Caicó), ou a de Manoel Dantas (1941: 97) que faz uma referência explícita à presença indígena9, nota-se a existência de um milagre na origem da aldeia que se transformará, mais tarde, numa cidade. A metamorfose da divindade indígena em animal selvagem seguido do seu desaparecimento mostra claramente o poder da mãe de Maria. A versão mais completa do mito de fundação da cidade é a de Manoel Dantas (1941: 97) que contém pelo menos dois mitos: um primeiro, contando a origem da cidade, que põe em cena os inícios da colonização onde dois representantes do divino se confrontam – Santa Ana e Tupã –, ambos utilizando o milagre como arma. Um segundo mito pode-se ler nas entrelinhas: a ameaça dos índios continua presente através da possível destruição da cidade pela seca ou pela inundação. A divindade indígena metamorfoseada num animal feroz – touro (animal terrestre) ou cobra (animal aquático) – encarna então as características principais dos ancestrais primordiais; metamorfoseados em animais ou almas que vagam pelas florestas, nos pontos de água ou debaixo da terra. Entre Sant’Ana, o touro, as cobras e as baleias, um combate é travado e que continua até hoje.3 Sant’Ana domina e canaliza as forças da natureza com o auxílio dos seus fiéis. Esses elementos narrativos 3 Segundo a tradição oral, embaixo da igreja de Caicó, teria duas “camas de baleia”. Em caso de enchente, as baleias iriam invadir a cidade de Caicó. ressaltam a autoctonia da santa que defende incansavelmente os habitantes da cidade contra todas as adversidades. De um modo geral, os relatos de fundação de cidades colocam em cena os colonos que entraram num espaço ainda selvagem: são fazendeiros, vaqueiros, caçadores, tropeiros cujas aventuras levam a um universo desconhecido onde a manifestação dos poderes de um santo ajuda a resolver todas as dificuldades com que se defrontam. A revelação dos poderes sobrenaturais, sejam eles autóctones ou santificados, se dá sob a forma de uma aparição milagrosa, de uma manifestação do além ou de um sonho, ponto de partida para a construção de uma capela que se tornará local de celebrações religiosas. Assim, como no mito de Sant’Ana, observamos que os lugares definidores de identidade local (igrejas, centros de romaria, cemitérios, túneis, árvores, lagoas ou montanhas encantadas, etc.) são associados aos fenômenos sobrenaturais e se constituem em lugares de memória (Nora 1984). Nesse sentido, a festa de Sant’Ana reativa a memória, produtora de ‘identidade’, seja ela individual, familiar ou do grupo (Pollak 1989). ... à festa A festa de Sant’Ana é mais um exemplo de expressão da religiosidade oriunda de uma síntese operada entre elementos de um conjunto cosmológico heterogêneo e do catolicismo europeu difundido ao longo da colonização em que as invocações a Nossa Senhora, a Jesus Cristo e aos santos protetores; estes serviriam de intermediários entre Deus e os homens, estimulando devoções relacionadas a milagres a partir de seus lugares sociais, elaborando uma identidade cultural e religiosa baseada, principalmente, no pagamento de promessas e na realização de festas aos santos padroeiros (Zaluar 1983: 13-4). Assim, nesta primeira reflexão, percebemos que o mito de origem de fundação e sua história são elementos significativos para compreender as manifestações festivas do local. Entretanto, sabemos que não são suficientes para explicar o fenômeno num contexto mais amplo, uma vez que elementos inerentes a própria formação organização socioeconômica e a estrutura política do “sertão” são indispensáveis para sua compreensão. Fazemos referência aqui a fenômenos semelhantes aos analisados por estudiosos do catolicismo “popular”, “tradicional” ou “rústico” (Pereira de Queiroz 1968) que ressalta fatores internos e externos dos movimentos religiosos no interior do Brasil; nesses, a estrutura social está associada à religião, pois esta funciona como instrumento para solucionar injustiças sociais e resolver problemas básicos como saúde, moradia, alimentação e desemprego. De acordo com Maria Isaura Pereira de Queiroz, valores mágico-religiosos disponíveis para uma população carente de recursos, dimensionam e configuram os locais de peregrinação como terra de esperança. Entretanto, sabemos que a diversas expressões religiosas continuam a ocupar um lugar central na vida de número significativo de brasileiros, pertencente a todas as classes e regiões do país. Como não é nosso propósito discutir tais aspectos, cabe-nos apenas analisar as expressões culturais e religiosas por meio da festa através das experiências dos sujeitos que a constitui. Celebrada há 259 anos a Festa de Santa’ Ana de Caicó demarca um tempo e um espaço de sociabilidade no qual o sagrado e o profano se entrelaçam na construção de uma identidade coletiva. É uma ocasião especial para relembrar a história da cidade, reavivar laços de solidariedade fundados na família ampliada, reafirmar valores cristãos e acionar registros específicos da cultura seridoense, sobretudo no que diz respeito à sociabilidade fundada no inter-conhecimento. Seguindo um intenso calendário sócioreligioso, composto por múltiplos eventos, a exemplo das Peregrinações rural e urbana, da Caminhada de Sant’Ana, do Novenário, do Baile dos Coroas,da Feirinha de Sant’Ana , da Missa Solene, da Procissão, registramos a presença de uma sociabilidade festiva e uma religiosidade fundada em valores morais fixados pela tradição. As Peregrinações urbanas e rurais, com inicio no mês de junho, são organizadas por leigos e líderes religiosos e possui a finalidade de criar uma rede de visitação da imagem de Sant’Ana nas casas dos fiéis. Representando a figura máxima da família, a Avó de Jesus, Sant’Ana vem reavivar os laços de parentesco e solidificar a fé entre os sertanejos. É o momento em que as famílias católicas se preparam espiritualmente para receber a imagem da santa, mobilizando amigos e parentes para uma recepção calorosa. Durante a visita rezam novenas, depositam dinheiro na urna de Sant’Ana e confraternizam com lanche patrocinado pelo anfitrião. No caso da peregrinação rural a imagem da santa percorre os sítios, as fazendas e os povoados mais próximos. Os rituais de celebração compostos por novenas e missas, geralmente finalizam-se com leilões de produtos agrícolas e outros bens doados, vendas de bebidas e comidas, como fonte de arrecadação para a realização da festa. Essa peregrinação finaliza com o “Encontro das Imagens” trazidas pelos peregrinos em frente à Catedral onde é celebrada uma missa em ação de graças aos “peregrinos de Santa´Ana”. A presença da música, da dança, dos shows, dos fogos, da cachaça, das comidas “pesadas”, muitas vezes em excesso, poderia levar a pensar que a festa está inserida no assim denominado tempo profano, condição inerente para o cotidiano, sua quebra e simultaneamente sua retomada. A festa é, na verdade, um dos elementos que funda o coletivo, fundamentando-se em um ritual que marca o princípio de reciprocidade, que é central a toda vida social: A tríplice obrigação de dar, receber e retribuir constitui o universal sócio-antropológico sobre o qual foram construídas as sociedades antigas e tradicionais. (Mauss 1974: 72) Inspirados no amor materno da santa, os caicoenses aplicam os princípios da hospitalidade e da generosidade irrestrita. As casas de família acolhem os visitantes, aplicando sem restrição os preceitos cristãos. Todos aproveitam a ocasião para lembrar o passado, apreciar a “comida caseira”, festejar, encontrar amigos, visitar parentes e fazer novas amizades. Trocas materiais e simbólicas realizadas no espaço da Festa, solidificando as relações sociais travadas no cotidiano. Lugares e espaços festivos Recuperando a idéia de Michel de Certeau (1994) de que o “espaço” seria o lugar praticado a partir das ações dos sujeitos que significam e ressignificam o “lugar” dandolhe movimento e construindo-lhe os significados, consideramos a Catedral de Sant’Ana, a Praça da Matriz, o Arco do Triunfo, a Praça da Liberdade, o Poço de Sant’Ana e, hoje, a Ilha de Sant’Ana, como espaços onde acontece a festa e ganham novas dimensões a partir das práticas instituídas. Fotografia 2 - Arco de Sant'Ana (2007). Mediante as múltiplas atividades exercidas durante a festa, esses lugares transformam-se num novo “espaço” que envolve toda uma rede de sociabilidade envolta num emaranhado de novos significados que a cidade incorpora. São espaços onde o profano e o sagrado se mesclam; neles, os devotos, os visitantes e a população em geral consolidam laços de sociabilidade e reafirmam uma identidade local construída, sobretudo, no sentimento do “sentir-se caicoense” e de pertencer à “família Seridoense” no compartilhamento de uma devoção religiosa. É comum observarmos que Caicó é pensada como uma cidade com fortes referências culturais, como um “povo hospitaleiro, generoso e muito religioso”. A antiga Vila do Príncipe caracteriza-se, portanto, segundo Marc Augé (1994: 31), como “o lugar antropológico” representado na construção concreta e simbólica do espaço que os indivíduos reivindicam como seus. Lugar, ainda, que sintetiza a cultura, a identidade, as relações sociais e a história da cidade. Nesse sentido, a cada ano que passa, a Festa de Sant’Ana adquire novas dimensões, configurando-se num cenário renovado, ressignificado e atualizado pela memória coletiva que se faz presente nas práticas devocionais e nas reuniões das famílias caicoenses. Entre as atividades que compõem o cenário da Festa, encontramos a Cavalgada de Sant’Ana, expressão da “fé do homem do campo”, que reúne vaqueiros e pequenos proprietários rurais na Praça da Matriz, no primeiro domingo da Festa. As novenas compostas por orações dedicadas à santa protetora são realizadas tanto nas casas das famílias quanto nas igrejas dedicadas à Sant’Ana em Natal e em Caicó. Organizada por leigos e líderes religiosos, essa atividade reúne os membros da comunidade caicoense e os moradores dos demais municípios da região e do estado, configurando-se como uma preparação espiritual para o maior evento religioso da região. Fotografia 3 - Procissão antiga (Arquivo pessoal do Prof. Muirakytan K. de Macêdo). Fotografia 4 - Procissão 2007. Do ponto de vista das atividades estritamente religiosas organizadas pela Igreja local, as celebrações mais importantes da Festa são as missas: a de Abertura, realizada na quarta-feira e a Missa Solene, celebrada às 10 horas da manhã no último domingo. Em seguida, a igreja é fechada para a ornamentação do andor que conduzirá a imagem da santa em procissão e a “arrumação” da santa: Sant’Ana é ricamente vestida e adornada com jóias e flores. Ápice da festividade e antecedendo o momento final da festa, a procissão reúne peregrinos, população local, autoridades religiosas e civis, percorrendo as principais ruas da cidade: uma multidão de fiéis acompanha o andor de “Nossa Senhora Sant’Ana”, pagando promessas, entoando cantos e orações. Após o cortejo, há uma missa campal seguida da exposição da imagem da Santa para veneração, com o tradicional “beija” que é um momento de euforia em que os fiéis depositam sua última oferenda em dinheiro. Em troca, trazem consigo flores que representam as virtudes da santa; essas serão guardadas como lembrança da festa e objeto sagrado. Fotografia 5 - “O Beija” (IRCS, 2007) Compondo o cenário da Festa, a “Feirinha” destaca-se como um acontecimento lúdico e profano, na qual são armadas barracas repletas de carnes assadas, galinhas cabidelas, paçocas, caldos, queijos, feijões, buchadas, etc. Realizada sempre na quintafeira, no centro da cidade, é ponto de encontro entre peregrinos, turistas, moradores da cidade e migrantes, os chamados “caicoenses ausentes”. Momento em que se evidencia a estratificação social identificada nos diferentes estilos de vida visíveis nas práticas e atitudes correspondentes à posição social de cada grupo. Os filhos das famílias mais abastardas, vulgarmente conhecidos como “cú doce” disputam com a “mundiça” os espaços cobiçados da praça pública durante as noites animadas por bandas regionais de forró. Representantes da política local e regional não deixam de participarem desse momento de grande visibilidade social, bem como do tradicional "Baile dos Coroas", evento que prestigia a elite caicoense. O Poço de Sant’Ana, o Serrote da Cruz e a Capelinha de São Sebastião compõem o cenário festivo e a história da cidade relembrada a todo instante como patrimônio imaterial do “povo de Sant’Ana de Caicó”. Na ocasião da Festa, são montados parques de diversão, exposições culturais, feiras de artesanato, são apresentados shows musicais, fogos de artifício e performances teatrais, “bens culturais da terra”. A recém construída "Ilha de Sant'Ana", local de origem da cidade, tornou-se um espaço inteiramente dedicado ao lazer. Situada numa ilha fluvial incrustada no rio Seridó que banha a cidade de Caicó, apresenta uma imponente estrutura para realização de espetáculos e shows musicais com bandas famosas. A peça teatral "Terra de Sant'Ana", apresentada apenas há dois anos, narra a história dos sertanejos e do Seridó, dos filhos de Sant’Ana em seu cotidiano. Trata-se de uma encenação dos costumes e dos hábitos dos seridoenses, enfatizando a devoção à Sant’Ana. O espetáculo acontece durante os três dias que precedem a realização da procissão de encerramento das comemorações a Sant’Ana e transforma a festa em um mega empreendimento cultural destinado para "a grande família do Seridó" e a um turismo regional que enaltece a cultura local. Designada como a capital do Seridó norte-rio-grandense, a cidade de Caicó torna-se hoje, uma referência central no roteiro turístico implementado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - Sebrae. Assim, o espaço sagrado, as expressões narrativas, os atores sociais envolvidos e a tradição festiva são elementos que permitam manter a continuidade entre o passado e o presente. Reminiscências, permanências e variações que, no entanto, mantêm uma tradição atuante nos diversos momentos da vida cotidiana os habitantes de Caicó. Esses têm orgulho em expressar um sentimento de autoctonia fundada numa religiosidade e num conjunto cultural material e imaterial que se adapta às configurações temporais e espaciais. Dessa maneira, a Festa configura-se como um bom observatório para entender as mudanças sociais ocorridas recentemente, em particular as referentes à patrimonialização da figura da santa com o desenvolvimento de um turismo cultural; processo pelo qual a presença do passado no presente se expressa numa polifonia em que o velho e o novo se cruzam, na evocação de uma temporalidade contínua. O Turismo religioso Visto como uma prática social capaz de causar fortes repercussões no âmbito econômico e cultural, o turismo tem sido enfocado pelos estudiosos da área como gerador de empregos e renda (URRY 1990). No Rio Grande do Norte, o turismo tem sido um dos setores econômicos mais dinâmicos e com maior potencial de crescimento do estado, estimulando a atenção dos consumidores, agentes políticos e econômicos. No caso específico do turismo cultural/religioso, este envolve atividades muito diversificadas, como as romarias, as peregrinações ou a participação em celebrações festivas4 que, associadas à dimensão e importância simbólica das manifestações religiosas detêm um peso nas escolhas turísticas que não deve ser desprezado pelos operadores que atuam na área. O turismo religioso é uma modalidade relativamente recente no Brasil, particularmente no Nordeste quando comparada a outros centros religiosos, como Aparecida do Norte, Lourdes, Fátima, Roma e outros cenários que 4 Sobre festividades recomendamos o texto de Dumazedier (1976) onde o autor caracteriza estas manifestações sociais como fazendo parte do tempo ritualizado, marcado por datas fixas, em que os valores de dimensão religiosa estão muitas vezes presentes e são utilizados pelas instituições religiosas e políticas como instrumentos de coesão social e de celebração espiritual. atraem milhões de visitantes anualmente (Savola 2003). Seu objetivo principal é divulgar a religiosidade e a cultura local por meio da divulgação dos eventos que, por sua vez, tornam-se produtos turísticos. O turismo proporciona diversos saberes articulados à necessidade de conhecer realidades específicas em ambientes de religiosidade, divertimento e prazeres. Trata-se de uma atividade que se harmoniza com o conceito de “turismo sustentável” uma vez que conhecendo localidades da sua região ou do país de origem, o peregrino/turista passa a desenvolver um sentimento de valorização das crenças, dos patrimônios culturais e ambientais das referidas comunidades. Os centros religiosos caracterizam-se por uma grande circulação de pessoas, tornando-se passagem de fluxos e comunicação, desejos, comércio, ritos, etc.; tornam-se mais do que um elemento de fé, crença, de peregrinação e romaria. Transformam-se em espaços dentro dos quais se desenrolam práticas de deslocamento de pessoas e de consumo que, associados a formas de devoção, configuram se novos cenários culturais e econômicos. Danielle Hervieu-Léger (1997) chama atenção para o processo de dessimbolização ou perda da eficácia do símbolo na esfera religiosa que, paradoxalmente, trouxe à sociedade laica, a emoção, a experiência religiosa como o cerne de religiosidades emergentes, reconfigurando outros tipos de experiência: a viagem, o prazer, o fluxo turístico. Paralelamente, o turismo tornou-se uma prática de consumo intensamente divulgada e, segundo Bauman (1998), um sintoma exemplar dos novos arranjos sociais da “pós-modernidade”. O estilo de vida e o deslocamento dos turistas imbricam-se, produzindo seu “inverso simétrico”, os vagabundos (Bauman 1998), ou os nômades “forçados” em oposição aos nômades por opção, os turistas, para usar um termo de Maffesoli (2001). Há uma relação entre a religião (forma) e o consumo/viagem/deslocamento (conteúdo) na qual a tradição peregrínica é, por exemplo, encompassada pelo turismo, forma secular de sociabilidade, rearranjos demonstrados com clareza conceptual nos estudos de Steil ( 2003). A cidade de Caicó tem se revelado como um potencial a ser explorado para o desenvolvimento de atividades turísticas. A presença do patrimônio religioso e de outras manifestações relacionadas à cultura seridoense a exemplo da tradição dos bordados, da culinária, dos biscoitos e licores são considerados como patrimonial imaterial e bens simbólicos atraindo o interesse por parte dos operadores privados do turismo. Associado a este processo, a transformação conceitual da noção de “turismo” têm sofrido grandes alterações: ao conceito tradicional, o do turismo como utilização do tempo livre em viagens ou estadia em outros locais, acrescentaram-se dimensões como a “cultural”, a “gastronômica”5, e a “religiosa” (Lanfant 1999). Neste movimento de mudança, o patrimônio e as tradições religiosas são, de certa forma, apropriados e mercantilizados pela economia do turismo, passando a fazer parte do segmento comummente designado por turismo religioso6. Durante a pesquisa, verificamos que a festa de Sant'Ana agrega os fiéis e os parentes numa celebração ritualizada da família e, ao mesmo tempo revela hierarquias, poder econômico e embates políticos que incitam políticas públicas para o desenvolvimento da cultura e do turismo local. Apoiados nos dados empíricos obtidos através de questionários semi-estruturados e da observação direta e entrevistas, aplicados a representantes dos órgãos públicos e empresários estaduais e locais, observamos que o enfoque na cultura e revalorização dos lugares de memória têm sido alvo de exploração das políticas publicas e privadas para o desenvolvimento do turismo cultural. Assim, as expressões culturais, em especial os elementos que se relacionam com as tradições e os modos de vida, constituem fatores de atração turística importante. Dando especial ênfase à componente motivacional do turismo religioso é preciso enfatizar que a moticação primordial é exclusivamente por razões religiosas. Porém deve-se considerar que como parte do turismo cultural, as viagens são, em regra, multifuncionais, mesmo quando o fator religioso domina. Como tal, as motivações de ordem religiosa, que podem estar na origem da deslocação do turista, não o impedem de desenvolver durante a viagem outros consumos turísticos, nomeadamente em áreas conexas da oferta cultural , como praia, dunas, trilhas etc. Por exemplo, uma viagem religiosa aos municípios de Currais Novos e Caicó, com a tradicional de Festa de Sant”Ana pode se tornar uma oportunidade de fazer passeio na natureza formada por rochas, trilhas, rios, açudes, vegetações rasteiras, sítios arqueológicos, inscrições 5 Dentre as “comidas festivas” presentes da culinária do município de Caicó e que são degustadas na Festa de Sant’Ana figuram pratos tradicionais como a buchada, a panelada, a fritada, a galinha caipira, a carne de criação e de porco torrada, a paçoca de carne de sol, os queijos de manteiga e de coalho, os biscoitos (raivas, sequilhos, palitos) e os doces, como o chouriço e os filhoses guarnecidos com mel. 6 O conceito de patrimônio aqui utilizado segue de perto as propostas da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco): herança comum da humanidade, testemunho singular do nosso passado cujo desaparecimento redundaria numa perda irreparável. O instrumento jurídico fundador é a convenção para a proteção do patrimônio cultural e natural aprovada em 16/11/1972 pela conferência geral da Unesco (www.unesco.org), no qual o patrimônio é entendido numa dupla dimensão, simultaneamente natural e cultural. Considerados como bens comuns da humanidade, a proteção dos monumentos e lugares está ligada à preservação da diversidade natural e cultural. rupestres que além de motivar o ecoturismo, ainda conta com os aspectos culturais como: o artesanato, a culinária e uma forte identidade religiosa. As potencialidades turísticas da região do Seridó, particularmente para Caicó, constituem hoje uma excelente oportunidade para a dinamização turística. Acreditamos ser necessário investir em recursos e apostar em novos produtos turísticos que funcionem com fator de atração de visitantes e turistas para a região. O turismo religioso em conjunto com o cultural, a monumentalidade, a história, a gastronomia, o artesanato, a etnografia e os eventos têm condições para reforçar o seu papel central na oferta turística da região. Os agentes do turismo da cidade Natal, juntamente com órgãos governamentais reconhecem as potencialidades deste setor específico e apontam para a existência de locais consagrados a nível internacional, ainda que em alguns casos os empresários não sejam sensíveis ao potencial que o mercado do turismo religioso representa para os respectivos estabelecimentos. Assim, aos olhos de determinados agentes, do mercado e de parte das instituições política e religiosa, a religiosidade torna-se um espetáculo e performance, não só pelo olhar externo, advindo do turista, mas pelo próprio olhar interno, do adepto, à medida que as modernas transformações culturais vão impactando à maneira como os fiéis manifestam e vivem a religião, mesmo que a opção seja viver os costumes e a tradição. De forma cíclica, tais eventos abrem possibilidades de gerar negócios: os transportes multiplicam, empresas de ônibus e aéreas criam e revitalizam novas e antigas rotas, surgem novos empregos; o comércio de artesanato e de outros artigos cresce, enfim, uma série de mudanças passa a ocorrer e que pode significar a revitalização da economia local de muitos municípios de pequeno porte. Por outro lado, não se pode deixar de salientar que turismo religioso coloca em cena novos processos de inter-relações que exigem um esforço de adaptação, por parte de populações locais, que freqüentemente sofrem com o processo de mudanças. Se, por um lado, as manifestações religiosas de cunho tradicional tornam-se um atrativo para atividade turística promovendo o desenvolvimento para os municípios, por outro lado, geram o perecimento de várias práticas culturais as quais sobreviveram em função de seu isolamento. As mais longínquas grutas e locais de devoções religiosas estão em contato com as grandes cidades, fazendo com os deslocamentos aumentem cada vez mais. Paradoxalmente, o chamado turismo religioso ocorre justamente em função destes bens culturais que devem ser preservados. Isto é, tendo em vista que o turismo leva à divulgação do patrimônio e que, consequentemente atinge diretamente setores os econômicos e sociais, podendo causar danos irreversíveis, urge a necessidade que se promovam políticas culturais de proteção ajustadas às realidades regionais, de modo a preservar suas peculiaridades e a participação dos atores locais enquanto uma dimensão cultural que agrega significados que estruturam á memória coletiva enraizada e subjacente na ação social. A festa como patrimônio A necessidade de realizar uma investigação sobre a festa de Sant’Ana enquanto patrimônio cultural com base numa perspectiva teórico-metodológica pluridisciplinar, privilegiou as identidades e as representações simbólicas concernentes à historiografia, à memória social e à construção de uma reflexão sobre o sentido do patrimônio em geral. Assim, visamos apreender também o estatuto reservado, pelos moradores, aos monumentos e aos lugares de memória. A partir dos resultados de investigações empíricas, o trabalho vem dando continuidade a uma reflexão sobre a existência de modos de narrar e de encenar o passado apreendidos por meio de suas múltiplas expressões. Nesta primeira fase, tentamos entender os resultados da análise cultural à luz das observações in loco e dos dados históricos, para podermos apreender os contornos das produções simbólicas que nos permite avaliar, em conjunto, o papel da memória na definição da identidade individual e na diferenciação dos grupos entre si, bem como auxilia na reflexão patrimônio imaterial que se materializa dentro de uma lógica cultural. Ao elegermos a Festa de Sant’Ana como objeto de estudo para se discutir questões relacionadas à etnografia e à história, abrem-se novas perspectivas que permitem entender como se elaboram os processos identitários conjuntamente à reiteração de uma cultura nativa através da tradição, perspectiva tradicionalmente utilizada pela antropologia (Carvalho s.d.; Cunha 1992; Wachtel 1993; 2001). Podemos aproximar esta perspectiva à de Nathan Wachtel (2001: 32) quando ele propõe a abordagem da “problemática da construção da identidade nas suas relações com a memória coletiva”. Com efeito, esta pesquisa tem se desenvolvido a partir de uma reflexão sobre a existência de expressões simbólicas e de modalidades de percepções do passado, num “sistema de oralidade mista” (Goody, 1979). Deparamo-nos, então, com a necessidade de um tratamento específico das expressões simbólicas coletadas em campo. Nestas, sejam elas narrativas ou rituais, desenham-se uma representação normativa do passado, surgindo daí uma memória histórica e identitária. Outrossim, fazemos referência às correntes teóricas que apontam pistas para solucionar o problema da análise simbólica, examinando a importância da dimensão identitária que nela encontram-se embutidas, localizando alguns dos principais regimes de temporalidades que orientam os discursos sobre o passado. Na tentativa uma leitura cruzada das festas, da realidade cotidiana dos moradores, dos seus discursos e das suas narrativas, sublinhamos a importância do corpus narrativo na elaboração de uma identidade e, através desta, uma apropriação da história do lugar e do espaço. As questões relativas ao sentimento de autoctonia, a identidade e as representações simbólicas – em particular, as noções de sagrado e a cosmologia. Longe de serem o simples reflexo da realidade social, as produções simbólicas informam sobre os modos de resolução de problemas lógicos, existenciais e até filosóficos; questionamentos universais estudados pela antropologia clássica e contemporânea mas que a reflexão sobre o patrimônio imaterial ainda não atingiu. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS AUGÉ, Marc. 1994. Não-lugares. Trad. Lúcia Muznic. Portugal: Bertrand. Azzi, Riolando. 1978. O catolicismo popular no Brasil. Rio de janeiro: Vozes BAUMAN, Z. Globalização: as conseqüências humanas. Rio de Janeiro: Zahar, 1999. 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