Gilvânia Maurício Dias de Pontes
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da FACED/UFRGS
Profª. Ms. da UFRN – Natal/RN
Delírios de Consumo de Becky Bloom ou de todos nós?1
Delusions of consumption Becky Bloom or all of us?
Resumo: Com os aportes teóricos da semiótica discursiva o artigo aborda alguns efeitos
de sentido produzidos na análise da primeira cena do filme Delírios de Consumo de
Becky Bloom. Nesta cena, que tem como temática central a instauração do “desejo de
consumo” em Becky, e no enunciatário, a relação entre proxêmia, moda e linguagem
verbal é significativa da construção identitária da personagem. A interação de Becky
criança e Becky adulta com a moda proposta na e pelas vitrinas das lojas pode ser
observada como regimes de presença em que o “ser consumista” se constitui como tal.
Palavras – chaves: semiótica, cinema, consumo, corpo, moda.
Abstract: Based on the theoretical discourse of semiotics this study discusses some
effects of meaning produced in the analysis of the first scene of the movie Confessions
of a shopaholic – in Portuguese Delírios de Consumo de Becky Bloom. In this scene,
which has as its central theme the establishment of the "desire for consumption" on
Becky, and in the enunciatee, the relationship among proxemics, fashion and verbal
identity construction is significant of the character. The interaction of Becky as a child
and as an adult with fashion proposed in and by the window-shopping can be observed
as the presence of regimes in which the "shopaholic" is constituted.
Key - words: semiotics, cinema, consumption, body, fashion.
1
Texto apresentado no I V Congresso Internacional da Associação Brasileira de Estudos Semióticos –
São Paulo 03/05/2010 – 05/05/2010.
Falas sobre o texto
O filme Delírios de Consumo de Becky Bloom, que estreou no Brasil em abril de 2009,
é baseado no livro Confessions of a Shopaholic da escritora Sophie Kinsella. O
personagem central a jornalista Rebeca Bloomwood, Becky. Vivendo em Nova York,
Becky é uma compradora compulsiva, com doze cartões de crédito estourados. Não
resiste a uma liquidação de luxuosas grifes, mas o seu salário nunca é suficiente para
pagar as suas incessantes compras. Para ela comprar funciona como o alívio,
temporário, de todos os seus problemas. Sobre a criação da personagem, Kinsella
ressalta:
Rebeca sou eu. São minhas irmãs. São todas as minhas amigas que já
saíram para comprar um chocolate e voltaram para casa como um par
de botas. Rebeca é todas as mulheres (e homens) que já se viram
parados diante de uma vitrine e souberam, com certeza absoluta, que
precisavam comprar aquele casaco e.... ai, meu Deus, calças que
combinassem com ele (Kinsella, 2009 : 02).
O figurino do filme é assinado pela estilista norte - americana Patrícia Fieldsi, a
responsável pelos figurinos de Sex and the City e O Diabo Veste Prada. Segundo a
estilista, para a protagonista do filme, foram escolhidos tons vivos: vermelhos, roxos,
amarelos, verdes, turquesas e laranjas. Figurino inspirado na moda japonesa
contemporânea. Sobre a construção do figurino de Becky afirma Fields:
Eu descreveria o visual como jovem, inovador e sensual. Becky tem
muitas, muitas roupas, de todos os tipos. Eu imagino que ela deva ter
uns 50 casacos, um de cada cor. Para mim, a cor era muito importante
e essa constatação veio das minhas observações dos ensaios dos
atores. [...] Sou grande fã do famoso centro comercial chamado Mall
109, em Tóquio, que é cheio de pequenas lojas maravilhosas. Ele se
destaca porque é direcionado a jovens que se vestem com estilo
contemporâneo e alegre. São as meninas muito influenciadas pelo hiphop. Você vê casacos laranja e amarelo e botas cor-de-rosa, em vez de
cores mortas e neutras. Os acessórios são muito divertidos. Eu adoro
aquele esplendor e foi uma grande inspiração para este filme
(http://www.terra.com.br/istoegente/edicoes/499/artigo130141-1.htm).
Os comentários de Kinsellaii e Fields, sujeitos da enunciação, sobre a personagem são as nossas
primeiras indicações para compreensão do percurso gerativo de sentido do filme “Delírios de
Consumo de Becky Bloom”.
Desta forma, temos como objeto de análise um filme cujos elementos centrais são o consumo e
a moda. Com os aportes teóricos da semiótica discursiva iremos abordar alguns efeitos de
sentido produzidos pela leitura das relações entre moda e consumo expressos pelo sincretismo
entre corpo e moda na primeira cena do filme Delírios de Consumo.
O texto e a linguagem
A semiótica discursiva estuda as linguagens tendo como foco a produção e apreensão de
sentidos a partir das marcas que estão no texto.
O objeto da semiótica discursiva é o texto
entendido como objeto de significação. “A semiótica tem por objeto o texto, ou melhor, procura
descrever e explicar o que o texto diz e como ele faz para dizer o que diz” (Barros, 2005: 6).
Um texto se organiza em dois planos: o plano de conteúdo e o plano de expressão.
“Plano do conteúdo, lugar dos conceitos ou onde o texto diz o que diz; Plano da
expressão, lugar de trabalho das diferentes linguagens que vão, no mínimo, carregar os
sentidos do plano do conteúdo” (Hernandes, 2005: 228). Pietroforte (2007, p: 11) reforça
essa afirmação quando ressalta que:
A semiótica estuda a significação que é definida no conceito de texto.
O texto por sua vez, pode ser definido como uma relação entre um
plano da expressão e um plano do conteúdo. O plano do conteúdo
refere-se ao significado do texto [...] O plano da expressão refere-se à
manifestação de um sistema de significação, verbal, não verbal ou
sincrético.
O texto sincrético constitui seu plano de expressão com elementos de várias semióticas, mas,
deve ser lido como um todo de significação. O foco de interesse da análise de um texto
sincrético reside nos efeitos de sentido produzidos pelas relações entre linguagens.
A este respeito Médola (2000, p: 201) ressalta:
A leitura semiótica de um texto requer do analista o equilíbrio entre
dois movimentos operacionais contrários, e ao mesmo tempo
complementares, que pretendem dar conta do percurso gerativo da
significação. Trata-se do ir e vir da desconstrução e reconstrução do
discurso.
O cinema se constitui como um texto sincrético ao estabelecer, entre imagens visuais, verbais e
sonoras, um jogo de efeitos de sentido envolvendo o espectador nos aspectos mais variados de
sua capacidade de percepção. Assim, há no processo gerativo cinematográfico um diálogo entre
textos elaborados por diferentes semióticas.
Médola (2000) sugere que, na análise de um texto sincrético, seja considerada a relação entre os
sistemas semióticos que participam da construção da visualidade do texto: imagético,
verbal/escrito, gestual, proxêmica e moda.
Sobre a proxêmica Greimas e Courtés esclarecem que:
A proxêmica é uma disciplina – ou melhor, um projeto de disciplina –
semiótica que visa analisar a disposição dos sujeitos e dos objetos no
espaço e, mais particularmente, o uso que os sujeitos fazem do espaço
para fins de significação. [...] A proxêmica não poderia satisfazer-se
apenas com a descrição dos dispositivos espaciais formulados em
termos de enunciados de estado; ela deve ter em mira igualmente os
movimentos dos sujeitos e os “deslocamentos” de objetos, que não são
menos significativos, porque são representações espaço-temporais das
transformações (entre estados). Sendo assim a proxêmica vai além dos
limites a que se propôs e se vê obrigada a integrar em seu campo de
análise também as linguagens gestuais tanto quanto as linguagens
espaciais (Greimas A. J; Courtés, J. 2008: 395 – 396).
A proxêmica traduz-se nos modos pelos quais os actantes colocam-se e movem-se uns
em relação aos outros: a orientação do corpo e do rosto, a forma como se tocam ou se
evitam, o o modo como dispõem e se posicionam entre os objetos e os espaços. Dessa
forma, olhar o texto do ponto de vista da proxêmica diz respeito à observação do jogo
de distâncias e proximidades que entretecem as pessoas no espaço. Jogo significativo
dos modos pelos quais os actantes se movimentam na produção de sentidos.
A moda é um dos temas ressaltados pelo plano de conteúdo do filme se constituindo em
uma linguagem, imprescindível, na produção de sentidos sobre o percurso narrativo
deste texto. Tal linguagem atua em relação às linguagens do corpo e à proxêmica. O
movimento do corpo vestido é carregado de sentidos em que se sincretizam as
linguagens do corpo, moda e deslocamentos no espaço para veicular o mesmo plano de
conteúdo.
Sobre a relação corpo e moda Oliveira (2008, p: 93) observa:
A plástica do corpo e a plástica da roupa são comandadas por um só
procedimento de enunciação, o qual faz do discurso uma especificação
particular das estruturas semio-narrativas. Assim, o sentido de uma
roupa só se completa ao vestir um corpo, quando, o que determinamos
por um sintagma composto, o corpo vestido, assume sua plena
competência de atuar.
O corpo interage com a roupa produzindo visualidades para o sujeito. O corpo vestido
dá a ver os modos do sujeito estar no mundo, um conjunto de modos de presença. A
roupa não veste um suporte vazio, o corpo, ela confere visibilidade ao corpo que se
presentifica em situações concretas do seu contexto social. O sincretismo entre corpo e
roupa é, nesse sentido, fundante da construção identitária do sujeito.
A este respeito Oliveira (2008, p: 94) comenta:
A definição de uma aparência se dá por intermédio de reiterações, de
constantes que, em ciclos de duração variáveis de uma dada
configuração formam, de um lado, as suas marcas de permanência e,
de outro, as de sua transformação. Assim, essa construção é dinâmica
e as aparências do corpo vestido podem ser tomadas como um dos
alicerces da construção identitária.
Para a significação das tomadas da primeira cena do filme “Delírios de Consumo de
Becky Bloom” priorizamos a relação entre proxêmia, moda e linguagem verbal como
parte da construção identitária da personagem central, Becky Bloom.
Para a semiótica discursiva não há “o” sentido ou “um” sentido. Os sentidos são
evidenciados pela leitura – relações que se estabelecem com o texto. Assim, os sentidos
enunciados a seguir foram produzidos na nossa relação com o filme. Eles dizem do
nosso ato de leitura, da nossa experiência particular com o texto. Envolvimento
intersubjetivo com o tema em que estão presentes os nossos modos de relacionamento,
conosco e com o outro, na inevitável tarefa humana de significar.
Efeitos de sentido da cena
1- A cena tem início com a câmera focalizando uma caixa de sapato, em
movimento, sapato prateado envolto em papel rosa. Em seguida mostra
vários sapatos e caixas: sapato rosa dento de uma caixa, envolto em um papel
azul, vários sapatos, tênis e sapatilhas. Em cores: azul, rosa, vermelhos e
prateados. As caixas dos sapatos também são coloridas, os papéis que
guardavam os sapatos nas caixas têm cores complementares às das caixas e
estão espalhados pelo chão, ao lado das caixas. Muitos sapatos e caixas
coloridas espalhados enquanto uma mão (da vendedora) entrega sapatos para
que as clientes os provem. Os sapatos passam de mão em mão é possível
perceber que são mãos de três meninas. As meninas, com calças vermelhas,
provam tênis vermelhos e sapatilhas douradas. Acompanhando essa tomava
há o título do filme em inglês: Confessions of a Shopaholic; e, o início das
confissões da personagem sobre os seus delírios de consumo.
2- A câmera segue mostrando os sapatos espalhados no chão até chegar a um
carpete mostarda com apenas uma caixa de sapato, de cor parda e com papel
fino branco por dentro. A cor vibrante dá lugar a cor mais sóbria. Mostra
dois pés calçando sapatos pretos, modelo tradicional/antigo. A câmera vai
subindo e mostra pernas vestidas com meias brancas e calças jeans, azul
claro, colocadas por dentro das meias.
3- A câmera sobe: pés, pernas até focalizar o rosto, desapontado e ombros
curvados, da menina que prova o sapato.
Por trás da menina há duas
mulheres que decidem a escolha do sapato preto. A menina veste casaco rosa
e gorro azul. Não há brilho e nem cores vivas em seu figurino, isso ocorre
também com o figurino das duas mulheres que a acompanham. Roupas
sóbrias e sem acessórios. Essa tomada da câmera quando relacionada a
tomada a tomada anterior deixa perceptível a oposição funcionalidade X
estética e fetiche da roupa.
4- As três meninas estão ao lado. Uma delas olha a menina que prova o sapato
preto e chama as outras duas para perceber o que acontece. Com olhares
irônicos e risos, as meninas apontam para a situação ao lado.
5- A menina olha para baixo desapontada, como que comparando suas roupas
às das outras meninas.
6- A narração da menina acompanha as tomadas anteriores: “Quando eu era
criança, existiam os preços reais e os com desconto (preços das mães). Os
preços reais compravam coisas brilhantes que duravam três semanas. Os
com desconto compravam coisas sem graça que duravam para sempre”. A
narração é seguida dos comentários das duas mulheres, olhando para o
sapato nos pés da menina: “- É durável; - Está com 50% de desconto”.
7- A menina de casaco rosa agora caminha pela rua, sozinha, olhando vitrinas.
A câmera, na altura do seu olhar, mostra a vitrina com um sapato rosa em
cima de um tule branco. Em seguida, há um cabide com um vestido rosa. Ela
olha para o sapato com desejo, depois direciona o olhar para o vestido no
cabide. E, os comentários seguem as imagens: “... quando eu olhava as
vitrines eu via outro mundo. Um mundo de sonhos, cheio de coisas perfeitas.
Um mundo onde as garotas adultas tinham o que queriam”.
8- A menina está dentro de uma loja, olhando encantada. Vê vestidos: azul,
rosa, branco e vermelho.
9- A câmera abre o ângulo, a partir dos vestidos, e mostra prateleiras com
bolsas coloridas, nas mesmas cores dos vestidos.
10- Há uma vendedora, mostrando algo para uma moça negra, com um vestido
em tecido leve, verde e banco. Outra vendedora, de vestido vermelho, segura
uma roupa roxa enquanto as moças giram e ficam de frente para a menina.
11- O olhar de encanto para as moças que giram, como bailarinas com os
vestidos esvoaçantes, é deslocado para outra moça de branco que
experimenta uma tiara prateada. “...elas eram lindas, como fadas e
princesas...”.
12- A menina está próxima ao caixa da loja e lança um olhar ao mesmo tempo,
surpreso e feliz, para uma moça que paga as compras com cartão de crédito.
...e nem precisavam de dinheiro. Tinham cartões mágicos! Eu queria um.
Mal sabia que acabaria com doze...
13- Mudança de cenário e de ritmo. Há uma passagem de tempo. Rebeca, adulta,
caminha pela avenida como se estivesse em uma passarela, desfila. Fornece
ao enunciatário seus dados identitários: “Essa sou eu atualmente: Rebeca
Bloomwood; Profissão: jornalista; Jaqueta: VISA; Vestido: AMEX; Cinto:
Master Card; Bolsa: Gucci. Valeu cada centavo!
14- Rebeca continua caminhando/desfilando quando, vindo da direção oposta,
surge um homem bem vestido falando ao celular. Os olhos de Rebeca
encontram os do rapaz, que continua falando e olhando para ela: Olhem
como me olha! Que vergonha me dá só de pensar o que quer dizer com sua
olhada... Sabe quando você vê alguém bonito e ele sorri, e o seu coração
fica igual a manteiga derretida no pão quente....
15- O homem passa e Rebeca continua, agora olhando para a vitrina da loja: É
assim que eu me sinto quando vejo uma loja. Só que melhor.
16- Ela vê na vitrina: um manequim, um vestido branco e acessório rosa. A
câmera faz uma tomada de dentro para fora da loja, como se a vitrina olhasse
para Rebeca.
17- Rebeca entra na loja. De cima para baixo vemos Rebeca, admirada, e
pequena diante da variedade de produtos dispostos na loja. Em cima há seres
alados, com roupas esvoaçantes. Ela olha para cima. Parece ter entrado no
paraíso. E, continua os comentários da tomada anterior:... é que um homem
nunca vai te tratar tão bem quanto uma loja...
18- A câmera mostra uma Rebeca refletida no brilho da loja, misturada, como
uma marca d’água para uma mesa, transparente, sob a qual há blusas,
arrumadas em colunas por cor. E Becky continua seus comentários sobre
compras: ... se um homem não combinar, você não pode trocar sete dias
depois por um suéter de casimira maravilhoso!
19- A mão de Becky aparece acariciando as blusas: ... todas as coisas que posso
comprar!
20- Na sessão de cosméticos, entre vários frascos de perfumes, Becky
experimenta os cheiros: As lojas cheiram bem...
21- Gira, vestida com um casaco mostarda e, em seguida, acaricia uma blusa
verde, que está em um manequim, encostando seu rosto na blusa: ...fazem
despertar em você o desejo por coisas que você nem sabia que precisava.
22- Becky recebe três sacolas da vendedora na sessão de maquiagens. Abraça a
vendedora como se fossem velhas amigas. Esses momentos de compras me
deixam muito feliz.
As tomadas da primeira cena do filme têm como temática central a instauração do
“desejo de consumo” em Becky, e no enunciatário, como parte significativa de sua
identidade. As formas pelas quais o consumo se instaura, estesicamente, nos modos ser
da personagem são salientadas nas tomadas da câmera.
A interação de Becky criança e Becky adulta com a moda proposta na e pelas vitrinas
das lojas pode ser observada como regimes de presença em que o “ser consumista” se
constitui como tal. A respeito dos regimes de presença, Fechine (2008: 87) diz que:
Nas suas distintas formas de manifestações, a noção de presença
corresponde, essencialmente, à descrição de uma modalidade de
encontro entre o sujeito e o objeto na qual o momento evanescente no
qual ambos estão em contato determina o sentido. Pode-se postular
que, no limite, o próprio sentido que emerge deste tipo de situação se
dá como um tipo de interação, com uma duração específica, entre
sujeito e objeto e num lugar semióticos forjados para e pelo seu
próprio encontro.
A presença como um tipo de sentido vivido em ato é perceptível nos movimentos,
interação sensível, de Becky com os objetos da loja. A atração visual ao olhar as vitrinas
de fora das lojas; o toque nas roupas para sentir texturas e cores dos tecidos; os cheiros,
mobilizam a percepção da personagem instaurando um primeiro modo de existência do
sentido. Sedução e encantamento capturando os sentidos. Ao refletir sobre este
momento envolvente, Fechine (2008: 91) observa que:
Um sentido que pode ser pensado como tipo particular de percepção
funsional do sujeito com o objeto, admitindo, com isso, a
anterioridade de um mundo sensível em relação ás construções do
intelecto com suas representações figurativas, com seus pensamentos
abstratos e formais.
A interação de Becky com as vitrinas mobilizam o movimento de inserir-se no mundo,
“encantado”, das lojas. A vitrina como enunciador / destinador do consumo se impõem
ao olhar de Becky, como se a refletisse, desencadeando um processo interativo em que o
enunciatário, Becky, é levado a,
feicionar na interatividade com o destinador, o enunciador, o
enunciado. Uma interação participativa do tipo interlocucional é
vivida e torna o enunciatário um dos constituintes do sentido da
configuração em processo, e os efeitos desse tipo de processamento
são os de promover uma aliança entre corpos sensíveis, corpos
racionais e estados de alma que fazem o texto ser (Oliveira, 2008: 29).
Nos contratos inter - relacionais presentes na cena, especialmente na relação de Becky
com as vitrinas, há a intencionalidade do destinador em atuar sobre a volição do
destinatário, um tipo de atuação sobre a sensibilidade, sobre as formas de sentir o outro.
Um despertar do desejo de consumo através de artifícios de sedução que mobilizam
todos os sentidos em busca da “identidade” sonhada. Assim, cabe novamente perguntar
sobre a constituição dos “delírios de consumo” e se tais delírios são de fato delírios de
todos nós. Visto que estamos fadados a significar de forma particular a nossa relação
com o mundo, como a relação corpo-moda-consumo tem sido vivenciada/significada
por cada um?
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http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_2449.html: Acessado em 14/07/09
i
Patricia Field foi indicada para um Óscar da Academia de cinema por O Diabo veste Prada, e é
vencedora de seis Emmy’s, cinco
deles pelo filme SEXO E
A CIDADE.
Fonte:http://entertainment.pt.msn.com/loucaporcompras.aspx?cp-documentid=15824999.
Acesso:
15/07/09.
ii
Até o momento, já são cinco os livros da autora publicados sobre um tema tão presente no cotidiano do
século XXI: comportamentos de consumo, consumo compulsivo, compras por impulso, endividamento.
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3692763-EI6785,00-Consumo+delirante.html. Acesso em
11/07/2009.
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