AS COMPETÊNCIAS DO ADMINISTRADOR. SER OU TER? SÃO DUAS QUESTÕES. SANDRA MARIA COLTRE UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ–UNIOESTE–CAMPUS CASCAVEL. RUA UNIVERSITÁRIA, 2069 – JARDIM UNIVERSITÁRIO – CEP:85.814-110 FONE-(045)225-2100 R:220 – FAX(045)223-4584 – CASCAVEL – PARANÁ. RESUMO Refletindo sobre a história da evolução da humanidade encontramos o surgimento da profissão do Administrador. Suas primeiras decisões foram em relação a satisfação de suas necessidades de segurança como a fome e o frio. Solucionada tais questões outras questões surgiram levando a divisão entre aqueles que sabem e os que fazem. Até o surgimento da pessoa adm. questionado inato e sua primeira tentativa em compreender o porquê que as pessoas viviam no deveria e não no que é. Tais reflexões levam aos dias atuais a questionar a definição dos conhecimentos e habilidades necessárias ao Administrador e como podemos evitar de continuar a perpetuar o paradigma universal do deveria e o que é. A saída está no trabalho de muitos para muitos, pois qualquer mudança vitoriosa começa pelas pessoas. ABSTRATC Reflecting about the history of mankind evolution we find the manager emerging. His first decisions conserned about his sapety necessities satisfacion. Like hanger and cold. Soluing such matters, others came out, leading to division between those who know and those who don’t. Until the emergence of the adm.person born question man and his first attempt on understanding why people lived on “should”and not on “that is”. Those reflection lead to ask nowadays the definition of the necessary konwlwdge and skills to the manager and how we should avoid perpetuating the universal paradigm of “should”and “that is”. The resolution is on the work of many to many. ÁREA TEMÁTICA: COMPETÊNCIAS HUMANAS 2 AS COMPETÊNCIAS DO ADMINISTRADOR. SER OU TER? SÃO DUAS QUESTÕES. 1 Aspectos Históricos Era uma vez, um mundo onde os humanóides viviam em bandos e sua rotina diária era caçar de dia para alimentar-se e a noite ir para a caverna abrigarse das coisas que não compreendiam como a noite, o frio, a chuva. Um dia, houve um eclipse e o dia demorou para chegar. Apavorados e principalmente com fome, não entendiam o que acontecia e muitos gritaram e pularam tentando resolver ou compreender aquele mistério. Finalmente, o dia chegou, e todos em bando saíram rapidamente em busca do seu sustento abalados ainda com aquele mistério. Dentre eles havia o Sr.1, geneticamente privilegiado e em um lapso de raciocínio refletiu enquanto caçava. - E se o dia não chegar amanhã? Como ficarei? O que deve fazer? E lembrando-se de sua necessidade básica, a fome, levou sob suas parcas vestes algumas raízes e frutas com reserva. No dia seguinte o dia chegou normalmente e o Sr.1 refletiu o seguinte. - Já que eu tenho esse alimento, vou ficar aqui na caverna e não irei hoje, correr os perigos da busca de alimento. E assim o fez. Alguns de seus colegas observaram a atitude do Sr.1 e no final do dia o questionaram e descobriram o que se passara. Indagado sobre o que ele ficou fazendo o dia todo, ele respondeu que ficou prestando atenção em coisas a sua volta como o movimento do sol, das nuvens, do vento e havia descoberto coisas interessantes antes não percebidas por eles. Conversa vai conversa vem, o Sr.2, primo do Sr.1 teve uma idéia. Sugeriu que todos deveriam trazer alimentos excedentes para a caverna todos os dias, deste modo as vantagens seriam enormes. As mulheres, as crianças e os velhos não necessitariam exporem -se aos perigos da caça e ficariam fora da caverna. Além disso, eles os donos da idéia, ficariam na caverna cuidando dos alimentos para que não fossem devorados pelos roedores. E finalmente, os mais preparados fisicamente iriam a caça e receberiam o título importante de Sr. Guerreiro, pois seriam os provedores dos sustento dos demais. Todos discutiram empolgados acertando os detalhes. À noite, expuseram a idéia para os demais, destacando as vantagens e que após algumas indagações foram aceitas sem maiores problemas. Afinal a segurança e a fome seriam resolvidas por outras pessoas. A mulheres por sua vez, ao passarem o dia nas adjacências da caverna começaram a observar que dos restos de comida e sementes brotavam plantas. A Sra.1 comentou o assunto na hora do lanche das crianças e todas ficaram mais atentas ao fato. Descobriram que não haveria necessidade de ir a busca de certos alimentos já que poderia “fabricá-los” ali. Além disso, tais plantas atraíam animais os quais eram capturados e que proviam outras vitaminas. Decidiram montar suas cabanas perto das plantas e dos cercados dos animais. Foram as mulheres que descobriram a agropecuária. Os homens que ficavam na caverna ao saberem da descoberta ficaram orgulhosos de suas mulheres e se interessaram em ver mais de perto tais maravilhas. Após comprovarem a veracidade de tal descoberta decidiram que elas iriam cuidar de tais aspectos enquanto os guerreiros caçavam e eles, os senhores da caverna observando com mais acuidade o mundo em sua volta e as atividades 3 das mulheres e dos guerreiros, estabeleceriam as estratégias de sobrevivência e segurança para todos. Eis que surge a divisão do trabalho entre aqueles que fazem e os que pensam, garantindo a satisfação da necessidade primária de sobrevivência. O trabalho das mulheres não tomava todo o seu dia e elas aproveitavam para conversar sobre suas vidas e as coisas que descobriam, novas formas de prender animais ou um planta nova que surgia. Todo esse tempo de ócio trocando informações as levava a realizar trocas de conhecimento e de produtos. Então do ócio desenvolveu-se o negócio. A essa altura da evolução, os senhores da caverna preocupados em que certas informações sobre a quantidade de seus alimentos e armas fossem descobertos por pessoas de outros grupos, restringiram o acesso a caverna. Apenas aqueles com o símbolo do Sr.1 poderiam saber de certas informações. Também incentivaram que cada família construíssem sua cabana nas redondezas da caverna e à noite em volta da fogueira, contariam suas façanhas do dia. Durante muito tempo isso foi aceito, afinal os senhores da caverna garantiam a segurança física e a fome de muitas pessoas, além de reconhecê-los como guerreiros e como companheiras. Enquanto o mundo girava, nasceu dentre os ficavam fora da caverna uma pessoa que tinha como destino ser o primeiro administrador do planeta Terra. Desde criança ele investigava não só a natureza e suas causas como o comportamento e as coisas que as pessoas falavam. Certo dia, os senhores da caverna observando que outras tribos estavam prosperando tanto quanto eles, ficaram temerosos de que elas quisessem roubar sua comida e mulheres. Comunicaram para os demais que eles iriam atacar e dominar o adversário. Como prêmio, os vencidos seriam escravos e iram trabalhar para eles poupando o povo de sua tribo de certos trabalhos pesados. Outra vantagem é que as riquezas seriam tomadas e divididas entre eles. Seria um grande feito e o sol e a lua e os espíritos da natureza estariam do lado deles (os bons) contra os maus. Foi um delírio, aquele mundo de riquezas e alegria os aguardam e todos rapidamente começaram a preparar suas armas para grande aventura. Então, uma pessoa levanta o braço, a pessoa adm, e indaga o por quê da guerra, porque somente alguns podiam ficar na caverna e tantas outras indagações nunca antes feitas. Houve um silêncio moribundo. O Sr. 1 levantou-se de sua privilegiada cadeira e disse em tom solene: Porquê sim! Ao que a pessoa adm. retrucou: Porque sim não é resposta, seja mais específico. O Sr.1 pigarreou, olhou de soslaio para os seus pares, respirou fundo e disse: Jovem, veja bem, quem é que os protege, que garante o seu alimento, sua segurança e que se preocupa com vocês? Visando isso, queremos dar-lhes mais, todavia para que possamos realizar isso, necessitamos do apoio de vocês. Compreendeu? Resposta: Não. Continue sim. E muitos se interessaram e já o estavam apoiando-o. - Matem o ingrato, explodiu o Sr.2, como essa pessoa adm, ousa desfiar a nós, os senhores da caverna que fizemos tanto por ele? 4 - Filhos, disse o Sr. Sacerdote. Vamos todos para casa orar e pedir iluminação sobre esse assunto e você pessoa adm, entre na caverna e vamos conversar com calma. Tudo vai dar certo, ninguém vai precisar mudar sua vida. Dentro da caverna, após debates nervosos, decidiram exilar a pessoa adm. afinal é melhor um herói exilado do que morto. Sob protestos, a pessoa adm, não teve outra alternativa senão aceitar o exílio sob ameaça de que seus familiares poderiam sofrer com sua reticência. E as guerras começaram, pois ficar o dia sobre as coisas da natureza não era interesse de todos e havia o perigo das pessoas fora da caverna conscientizar-se de outras atividades além do seu trabalho rotineiro e provedor. E, o mundo continuou sua história. Porém, a pessoa adm. que estava em seu retiro forçado escapou e com a ajuda de outras pessoas adm. se disfarçaram de figuras que historicamente influenciaram sutilmente certas decisões até hoje. Estas pessoas adm. disfarçavam-se no bobo da corte, que dizia as grandes verdades brincando, do conselheiro (consultor) do Rei que aos cochichos dizia-lhe como tomar decisões, de mulheres arrojadas que utilizando de sua inteligência e suavidade, argumentavam sobre questões do reino e tantos outros. Isso levou muito tempo, pois descendentes dos senhores da caverna ainda estavam de olho. Toda essa ação era indireta da pessoa adm. devido as forças políticas e de poder que foram construídas pela humanidade. O paradigma universal que todos vivemos até hoje e que foi construído por nós, reflete-se nessa frase: Existe um jeito de como as coisas devem ser. E quando elas são deste jeito, são certas. Quando não são deste jeito, interpretamos que: ou há algo errado comigo, ou com as outras pessoas ou com qualquer coisa no mundo.(GOSS, 1997). O paradigma universal implica que vivemos nossa vida de acordo de como as coisas deveriam ser. Durante a evolução da humanidade, muitas pessoas adm, tentaram e tentam transmitir um contra paradigma para a humanidade. Esse paradigma diz que a vida não é como deveria ou como não deveria ser. A vida é como é. E para viver a vida como ela é, o conhecimento de quem somos como pessoas e como profissionais se complementam e são fundamentais. Afinal, somos o que realizamos e o mundo é o que fazemos dele. Dentro deste contexto, o surgimento da profissão de administrador é tão antiga quanto as demais. Oficialmente aceita em torno de 100 anos no Estados Unidos é que começou a ser repensada por homens e mulheres em termos de conhecimentos e habilidades necessárias para o seu exercício na busca da construção de um mundo melhor. 2 O Sr. Administrador A legalização da profissão junto aos Conselhos Estaduais de Administração é condição necessária para qualquer um que conclua o terceiro grau em qualquer curso de Administração do País. Além disso, somente a obtenção do CRA, implica em habilitação para exercer a profissão. Apesar de controvérsias sobre isso, atualmente o próprio mercado exige tal credenciamento seja para trabalhar em uma empresa ou lecionar em uma universidade. Muito tem -se debatido já à alguns anos sobre os conhecimentos e habilidades necessários do Administrador. Tal iniciativa partiu da Anangrad e Conselho Federal de Administração com o apoio de muitos administradores. 5 Muitas controvérsias existiram sobre tal iniciativa e que foram sendo solucionadas e compreendidas através de discussões e contribuições de muitos. Até tese de doutorado estudaram a questão humanística da administração na tentativa de contribuir com o entendimento e domínio da questão. Todavia questões ainda incomodam muita gente. Quem é o nosso administrador e que conhecimentos e habilidades ele deve Ter? Será que já chegamos a um denominador comum? O que percebe-se é que isso não está claro para muitas pessoas. Existe uma pretensão do que deveria um administrador Ter em termos de conhecimento e de habilidades e, ao mesmo tempo, existe uma distância do ele é na prática. Muitas pessoas acreditam que o administrador deve administrar mudanças, crença essa justificada pelo contexto atual. Todavia o que se espera dele é resultados. Alguns argumentam que uma coisa tem correlação com a outra e outros que não. A definição dos conhecimentos e habilidades que um Administrador deve Ter foram definidos através de pesquisas de opinião pela Anangrad nestes últimos anos, ou seja, foram definidos a partir de uma percepção do próprio administrador frente a sua experiência profissional e docente. Tal trabalho possui uma validade grande principalmente por provocar nunca antes na história, uma avaliação de quem é esse tal Sr. Administrador. O contexto avaliativo desencadeado pelo MEC influenciou esse empreendimento, é importante ressaltar que houve iniciativa e um apelo em não temer o processo e o engajamentos de muitos foi realizado. Isso possibilitou a realização do trabalho que trouxe muita luz sobre o assunto. Apesar disso, é preciso esclarecer que não vamos conseguir formar tal profissional com todos esses conhecimentos e habilidades definidas. Ë preciso Ter discernimento entre do que deve e o que é. Que cada curso defina essa distância de modo concreto para que possamos saber exatamente para onde estamos indo. Outro ponto interessante é que hoje muitas pessoas ocupam o espaço do Administrador e exercem suas funções. Explicações várias para tal fenômeno foram dadas. Se o Administrador não pode medicar, construir, legislar então porquê os outros podem Administrar? A resposta no meu entender é clara. Porque permitimos e não existe um culpado para isso. Tanto que a procura de Pós-Graduação a nível de especialização é grande por profissionais de outras áreas que necessitam administrar e não possuem conhecimentos para tal, além da procura crescente pelo curso a nível de graduação. Particularmente pela primeira vez em 13 anos de formada que percebo uma situação de classe dos Administradores. Uma classe de modo geral, não só preocupada com o mercado mas com sua transformação em um mundo melhor. Acredito que temos massa crítica e engajamento dos profissionais para criar esse espaço na profissão do Administrador e até ultrapassar, quem sabe, o conceito de classe para um conceito de parceira. Somos uma esperança para muitos porque enquanto pessoas tivemos a coragem de nos questionar e nos avaliar, para realizar a passagem pelo portal do óbvio em busca de soluções criativas e mais humanizados. Como diz Upanishad Chandogya, (apud Shinyashiki, 1995). existe uma luz que brilha além de todas as coisas na terra, além dos mais altos, dos mais altíssimos céus. É a luz que brilha em teu coração. 6 Por isso, o empenho não apenas como administradores mas como pessoas também, nos leva a um esforço disciplinado em diminuir a distância entre o que pretendemos e o que estamos realmente fazendo. É concretizar tais intenções na formação e no desenvolvimento desse Administrador de tal forma que o administrador do deveria Ter passe a Ser e produza os resultados dentro deste contexto mutante de como é, sem perder o sentido do seu trabalho, do seu ser e do seu fazer. Ainda existe a divisão do trabalho entre os que sabem e os que fazem, o preconceito contra as mulheres no trabalho, a disputa de classes profissionais, o que se julgam no direito de Ter a caverna apenas para eles, de fazerem guerras para uma satisfação de poder, os que incomodam questionando por quê?. Afinal o mundo é o que é. A questão é a interpretação que estamos fazendo dele. E é essa interpretação que nos leva a tomarmos decisões sobre nossa vida e a vida de muitas pessoas. Para mudarmos o mundo temos que mudar a nós mesmos e a maneira de como interpretamos o mundo. E se não mudamos é porque ainda não aprendemos a assumir a responsabilidade pelo nossos resultados, principalmente se ele não são os esperados. Precisamos saber para onde estamos indo de forma consciente e direcionada, senão qualquer lugar servirá. Tais reflexões ainda não tem um como fazer pois Ter uma boa idéia não é nada até que você a realize. A resposta está em descobrir soluções dentro do nosso local de trabalho de como promover situações de comprometimento e de trabalho em equipe na busca de tais resultados e contar aos outros como estamos fazendo, como contribuição ao trabalho deste outro. Muita literatura há sobre o tema, o que falta é nós Administradores e a comissão de especialistas buscarem aqui e agora soluções que nos leve a deixar de administrar apenas o óbvio. Como ressalta prof. Eda Coutinho Machado, nos Anais do Encontro em Vitória (1997): “... os próprios membros das comissões se tornem parceria de uma verdadeira aventura pedagógica,..., pois entende-se que a gestão é o ponto fundamental para o encaminhamento de mudanças”. Com certeza será um trabalho grandioso de muitos para muitos, pois qualquer mudança vitoriosa começa pelas pessoas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GOOS, Tracy. A última palavra em poder. Rio de Janeiro : Rocco, 1997. SHINYASHIKI, Roberto. A revolução dos campeões. 27.ed. São Paulo : Ed. Gente, 1995. II Seminário Nacional sobre qualidade e avaliação dos Cursos de Administração. Anais. Vitória : Universidade do Espírito Santo, 1997.