Anais da SemanaCS. Volume 1, número 1, Campinas: IFCH/UNICAMP, 2012 AGROINDÚSTRIA E MIGRAÇÃO: O CASO DE LUCAS DO RIO VERDE – MT 1 Kelly C. M. Camargo2 Resumo A presente pesquisa analisa o processo de expansão urbana a partir da implementação da agroindústria no município de Lucas do Rio Verde (MT). A hipótese formulada é de que ocorreram importantes mudanças sociais e ambientais advindas do novo momento da produção. A pesquisa está centrada em duas etapas do processo de expansão de fronteira: o primeiro com a ampliação do agronegócio, entre 1980-2000. O segundo com a atual expansão das atividades industriais que integram o processamento da soja e atividades de produção avícola e suína. Nesse momento mais recente há necessidade intensiva de mão-de-obra, gerando expressivo crescimento da população urbana. As informações para a pesquisa provêm de duas fontes de dados: os Censos Demográficos do IBGE, e os resultados da pesquisa em execução denominada “Urbanização, Processo de Ocupação Espacial e Sustentabilidade no Cerrado” Palavras chave: Agroindústria – Migração – Centro-Oeste – Lucas do Rio Verde. Introdução A intenção de integrar a região Centro-Oeste nos moldes do sistema capitalista nacional e internacional vem desde o Estado Novo com o programa “conquista do Oeste”, que pensava em fomentar o interesse de migrantes e de produtores por áreas distantes dos centros de produção. Segundo Nascimento (2010), o projeto “Marcha para o Oeste” foi efetivado no ano de 1938 e tinha como intuito colonizar o Centro-Oeste e a Amazônia. Com o Golpe Militar de 1964 tal intenção teve seus intentos retomados, de forma que o Estado assumiu o papel de condutor do desenvolvimento nacional, procurando planejar, estimular e promover a economia através da ocupação dos “vazios demográficos” e do investimento em tecnologias. Um exemplo das formas de atuação 1 Trabalho apresentado na Semana de Ciências Sociais 2012, realizada no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas. 2 Cursando o sexto semestre em Licenciatura em Ciências Sociais da Unicamp, sendo a presente pesquisa financiada pelo CNPq através do projeto PIBIC - Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica, no âmbito do projeto “Urbanização, processo de ocupação espacial e sustentabilidade no Cerrado”, coordenado pelo Prof. Dr. Roberto Luiz do Carmo (financiamento CNPq, processo n.o 309975/2010-7). 1 Anais da SemanaCS. Volume 1, número 1, Campinas: IFCH/UNICAMP, 2012 do momento foi o programa POLOCENTRO, que possuía apor meta modernizar algumas regiões do Centro-Oeste. Com tal incentivo foram construídos armazéns, investiu-se em pesquisas, e o governo facilitou o acesso dos produtores a créditos governamentais. Como propõem Alvarez e Carmo (2009), nos anos 1970 também foi introduzida a Revolução Verde, que trouxe equipamentos agrícolas mecanizados e uso intensivo de fertilizantes, herbicidas e praguicidas. Representando um importante fator responsável pelo crescimento do cultivo da soja no Brasil. A partir de 1984 houve a constituição de programas regionais e estaduais, incentivando o desenvolvimento regional com a atração de indústrias, incentivos fiscais e financeiros. Assim, como argumentam Salviano e Wander (2011) se tornou corrente a formulação de manobras desvinculadas do projeto nacional, - mesmo que ainda hoje o Estado continue ofertando créditos para alavancar a produção - a responsabilidade dos desenvolvimentos recai sobre os próprios estados, cidades, e municípios que competem entre si pela instalação de complexos industriais através de guerra fiscal. Segundo Cunha (2002), as décadas de 1970 e, principalmente, 1980 compreendem um período de grandes mudanças para o Centro-Oeste, pois há intensos fluxos migratórios e a mecanização da agricultura em algumas regiões. No entanto, também foi quando ocorreu a concentração da terra de maneira geral, porque a população rural não conseguiu competir com os níveis elevados de produtividade das áreas de monocultura, além de não obterem acesso a créditos governamentais. O estado do Mato Grosso passou por toda essa movimentação, porque foi alvo de incentivo governamental durante o Governo Militar de 1964, passou pelas mudanças dos anos 1980, e continuou com a expansão da fronteira agrícola na década de 1990, mesmo que mais lenta. Já a partir dos anos 2000, o estado intensificou sua produção com a instalação da agroindústria em alguns de seus municípios. A agroindústria no Mato Grosso objetiva agregar valor aos produtos primários da região, e construir uma cadeia produtiva, baseada principalmente na soja, ou seja, trata-se de plantas industriais que possuem como matérias-primas os produtos agropecuários da região. Hoje o Mato Grosso é o maior produtor de soja do Brasil. O município alvo desse estudo se localiza no norte do Mato Grosso, e foi fundado em 1982 com a colonização agrícola através da política de ocupação dos “vazios demográficos” do regime militar. Lucas do Rio Verde compreende um município que cresceu muito rápido, pois até o final da década de 1990 não tinha rede de energia elétrica e hoje em dia tem um dos melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil; e já possui uma população de 45.134 2 Anais da SemanaCS. Volume 1, número 1, Campinas: IFCH/UNICAMP, 2012 habitantes, segundo o Censo Demográfico de 2010. Assim, como afirma o site da prefeitura3, Lucas do Rio Verde é uma cidade de migrantes porque esses foram atraídos pelas obras de abertura da rodovia BR-163 que liga Cuiabá a Santarém. A partir de 1981, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) começou com seu intento de implantar 203 famílias sem-terra vindas do município de Ronda Alta (RS), outros 85 posseiros que já habitavam o local e mais 50 colonos vindos de São Paulo também foram assentados nessa época, sendo que 1982 ficou estipulada como data da fundação. Mapa da Localização do Município de Lucas do Rio Verde Fonte: Caparroz, M. (2011) Em Lucas do Rio Verde a agroindústria foi implantada na década de 2000, com o fomento à instalação de poucos grandes produtores. A partir de 2000 se formaram intensos fluxos migratórios para a região em função da demanda de mão-de-obra para trabalhar na agroindústria. A etapa anterior, quando predominavam as lavouras de soja e o milho como principais produtos da economia regional, não se percebia altas demandas de mão-de-obra. Portanto, tem se formado um novo momento econômico baseado na transformação da produção, que agora é comandada por complexos agroindustriais que 3 Prefeitura Municipal Lucas do Rio Verde. Disponível em: http://www.lucasdorioverde.mt.gov.br/. Acessado em 31/09 /2012. 3 Anais da SemanaCS. Volume 1, número 1, Campinas: IFCH/UNICAMP, 2012 são atraídos para a região. Por exemplo, em 2008 o grupo Sadia iniciou seu funcionamento no município. Gráfico da população residente, Lucas do Rio Verde. Fonte: Caparroz, M. (2011) Fronteira Agrícola, Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente A fronteira agrícola no Mato Grosso tem características diferentes das encontradas em outras áreas da Amazônia Legal, pois o Mato Grosso abriga tanto a floresta tropical úmida quanto o Cerrado. Segundo Carmo e Lombardi (2012), a atual fronteira do estado seria essencialmente urbana e sustentada por aportes técnicos: “A fronteira agrícola no Mato Grosso é a expressão de uma mudança na forma como se expande a agropecuária e sua estrutura, fomentada por mudanças na relação ruralurbano, e na relação entre a população e ambiente” (CARMO; LOMBARDI, 2012, p. 4). Pode-se entender que aconteceram algumas mudanças na organização da região, principalmente, a partir da década de 1990, como o aumento da urbanização. A qual adveio da expulsão dos pequenos produtores das áreas rurais, pois com a concentração da posse da terra não havia mais a necessidade e que grandes contingentes de mão-deobra se estabelecessem nas propriedades rurais. Assim, a primeira etapa de expansão da fronteira tratada pela presente pesquisa se baseia no que Carmo e Lombardi (2012) afirmam em seu estudo: provém do agronegócio baseado na mecanização agrícola e nos programas de desenvolvimento da região, acoplados à parceria entre governo e produtores que tem por consequência aumento da área ocupada, refletindo no aumento 4 Anais da SemanaCS. Volume 1, número 1, Campinas: IFCH/UNICAMP, 2012 da produtividade e da produção, mas também na alteração decorrente da contaminação do solo e dos aquíferos por pesticidas e agrotóxicos. Já a segunda etapa, e mais relevante para este projeto, aponta que a fronteira agrícola está se configurando em um espaço para a expansão de atividades produtivas a partir da proximidade com suas matérias-primas. Segundo Caparroz (2011) em Lucas do Rio Verde, por exemplo, a soja é o principal produto cultivado, de forma que o município é o quinto maior produtor do estado. De maneira integrada, nesse novo contexto agroindustrial, ocorre o esmagamento de grãos (soja, milho, arroz e feijão), e a transformação destes em biocombustíveis e em ração para suínos, bovinos e aves. Alguns fatores dessa segunda etapa de expansão da fronteira agrícola são essenciais: como o grande crescimento na produção de aves e suínos; a diminuição da necessidade de mão de obra rural, mas aumento na demanda da indústria ligada à agropecuária; além da manutenção da soja como o grande produto agrícola do estado. Através de dados obtidos a partir da Pesquisa Agrícola Municipal do IBGE para os anos de 1994 até 2009, há a estimava de que no estado do Mato Grosso entre período de 2004 a 2009 houve um aumento de 21,2% para a produção de aves e 7,2% para suínos (CARMO; LOMBARDI, 2012). E em Lucas do Rio Verde vemos as incríveis porcentagens de 137,5% de aves e 18,8% de suínos na década de 2000, como mostra a tabela abaixo: Taxa de crescimento do número de cabeças 1994-1999 2004-2009 1994-1999 Aves Aves Suínos Suínos 18,7 137,5 1,8 18,8 Mato Grosso 8,8 21,2 4,0 7,2 Brasil 5,7 6,2 2,6 2,8 Lucas do Rio 2004-2009 Verde – MT Fonte: Taxa de crescimento no número de cabeças calculado a partir de dados da Pesquisa Agrícola Municipal para os anos de 1994 até 2009, (CARMO; LOMBARDI, 2012). Uma hipótese que se apresentou durante a análise da bibliografia, foi a similaridade entre os processos em andamento nos municípios de Lucas do Rio Verde e 5 Anais da SemanaCS. Volume 1, número 1, Campinas: IFCH/UNICAMP, 2012 Rio Verde, Goiás. Esta é uma cidade mais antiga, fundada em 1840, com a modernização da agropecuária realizada na década de 1970, e com a instalação de um grande complexo industrial em 1998. Por isso, o município está em outro momento do desenvolvimento econômico e social. A partir da concepção de que a agroindústria obedece a um padrão de desenvolvimento, podemos também supor que ela acarrete consequências similares em regiões que tenham capacidades produtivas semelhantes. Portanto, é possível que ao analisar Rio Verde (GO) encontremos um panorama que facilite a visualização dos problemas que podem ser enfrentados por Lucas Rio Verde (MT). Assim, em Rio Verde o enorme crescimento demográfico não foi embasado pela expansão da infraestrutura, por exemplo. Segundo Coelho e Matos (2012): “Em decorrência do desenvolvimento do agronegócio em Rio Verde, aconteceu de forma brusca o crescimento populacional devido ao deslocamento de muitas famílias em busca de melhores oportunidades de emprego, mas a cidade não acompanhou este crescimento, principalmente na parte de infraestrutura.” (COELHO; MATOS, 2012, p.139). Como apontado anteriormente, em Lucas do Rio Verde os fluxos migratórios não eram tão intensos quando a produção se baseava apenas no cultivo de grãos durante a década de 1990, mas isso mudou com a instalação da agroindústria que necessita de alta demanda de mão de obra. Tabela de População Ridente em Lucas do Rio Verde (MT) Fonte: IBGE – Censo Demográfico Para Silvia e Nunes (2012), em Rio Verde (GO) o desenvolvimento econômico instigou os fluxos migratórios, de forma que a ocupação rápida e desordenada fomentada pelo processo de industrialização e pelo desenvolvimento da cadeia produtiva local tem o efeito cíclico. O aumento do contingente populacional gera elevação do custo de vida, o que implica no crescimento da pobreza, não propiciando outra opção além da ocupação desordenada da cidade, um movimento que sobrecarrega os sistemas de saúde e educação. Por exemplo, em 1994 existiam 80 bairros em Rio 6 Anais da SemanaCS. Volume 1, número 1, Campinas: IFCH/UNICAMP, 2012 Verde, hoje são 157. Ainda para Silvia e Nunes (2012), a população pobre não consegue morar perto do centro e, por conta disso, precisa se deslocar para a periferia, onde a infraestrutura e a acessibilidade são ainda mais precárias. Não se trata de um movimento determinante, ou da intenção de culpabilizar o aumento demográfico, mas o fato é que a falta de planejamento urbano, e a falta de preocupação com desenvolvimento social acabam culminando em uma piora das condições de vida para boa parte da população. Tabela de População Ridente em Rio Verde Fonte: IBGE – Censo demográfico. Portanto, Salviano e Wander (2012) argumentam que quando o município implementa novas atividades econômicas que podem elevar a produção, renda e emprego, não implica necessariamente que também ocorrerá um processo de desenvolvimento social e sustentável. É importante salientar como Coelho e Matos (2012), que são muitos os impactos socioambientais acarretados pela agroindústria, porque os produtores buscam altos índices de rentabilidade e, para tanto, retiram a vegetação nativa, comprometendo as águas de mananciais, introduzem monoculturas de uso comercial, usam herbicidas e defensivos agrícolas que são altamente contaminantes da natureza. Além de que o desmatamento torna difícil a absorção da água das chuvas, o que diminui o abastecimento dos lençóis freáticos e com isso, percebe-se um menor nível de água nos aquíferos. Carmo e Alvarez (2009) afirmam que os contaminantes agrícolas representam perigo à saúde da população, esses riscos são vários, mas se baseiam, principalmente, na má formação congênita do feto, abortos espontâneos, bebês natimortos, nascimentos prematuros, enfermidades bronco pulmonares, problemas endócrinos, e formação de tumores. Estudos também apontam em infecções do sistema imunológico, câncer no cérebro e leucemias. Segundo Carmo e Alvarez (2009), em muitos casos, os trabalhadores rurais não são instruídos corretamente sobre as formas adequadas da aplicação desses agrotóxicos causando acidentes ambientais e consequências negativas para sua própria saúde e da 7 Anais da SemanaCS. Volume 1, número 1, Campinas: IFCH/UNICAMP, 2012 população. Outra condição que favorece a contaminação por defensivos agrícolas são as especificidades climáticas dos países, por exemplo, a predominância de constantes correntes de ventos; e a proximidade entre as plantações e as zonas urbanas também é um fator de preocupação. As grandes plantações necessitam da utilização de pequenos aviões para a aplicação dos pesticidas, pois esses facilitam a dispersão dos produtos químicos. Na cidade de Lucas do Rio Verde (MT) aconteceu um “acidente rural ampliado” no ano de 2006, no qual o avião acabou aplicando os pesticidas em cima das áreas rurais e urbanas que rodeavam os campos de soja. Depois do ocorrido a população organizou manifestações sociais de repúdio, com a intenção de evitar episódios semelhantes. No entanto, é necessário observar que a contaminação das pessoas e dos recursos naturais, como a terra e a água, só será realmente percebido em médio e longo prazo. Nesse sentido, um ponto complexo de estudar esse município compreende a existência do projeto Lucas do Rio Verde Legal, que segundo Caparroz (2011), parece se tratar de um mecanismo adotado para rebater a pressão da regulamentação ambiental e de mercados exigentes. Este representa um projeto iniciado efetivamente em 2007, que mapeia as propriedades rurais, identificando os passivos ambientais, e violação da existência ou preservação das Reservas Legais (RLs) e Áreas de Proteção Permanente (APPs). O projeto também pretende regularizar os trabalhadores rurais: “Revestido pelo discurso da sustentabilidade, ao maior exemplo da modernização ecológica discorrido, o projeto ostenta prêmios e a pretensão de ser uma inovada estratégia de desenvolvimento agrícola associado à preservação da natureza, a qual servirá para outros municípios e regiões” (CAPARROZ, 2011, p. 10). No entanto, ainda segundo Caparroz (2011), a fim de liberar as áreas de reservas permanentes houve flexibilização das regras estabelecidas para preservação, através de uma compensação dessas terras; porque para um município no qual a soja é produto tão essencial economicamente, a necessidade de área para plantação só aumenta. Além disso, alguns problemas sociais foram influenciados pelo aumento de áreas de reserva, como a especulação imobiliária que aumenta os custos de moradia. Pois o programa Lucas do Rio Verde Legal diminuiu as áreas que seriam utilizadas, mas o urbano continua em expansão, o que passa a noção de que as áreas utilizáveis estão mais caras. Outro ponto que também ajudou a encarecer essas áreas são os discursos de que o município está cercado pela natureza, tendo a comodidade do urbano com as qualidades 8 Anais da SemanaCS. Volume 1, número 1, Campinas: IFCH/UNICAMP, 2012 de estar envolvido pelo rural. No entanto, não podemos desviar a atenção de que independente das motivações há o intento, pelo menos em tese, de transformar Lucas do Rio Verde em um município sustentável. Considerações Finais: Sistematização dos Questionamentos O município de Lucas do Rio Verde vem mudando sua configuração espacial através da intensa expansão urbana advinda dos novos fluxos migratórios, estes que são provenientes do atual momento da produção diferenciado pela inserção da agroindústria a partir da década de 2000. No Mato Grosso de maneira geral, mas principalmente em Lucas do Rio Verde, é observada a expansão da fronteira que se caracteriza por ser avícola e suína; categorias estas que sofreram os maiores aumentos nos percentuais de produção da região, e são as responsáveis pela organização social, política, e econômica do município. É importante observar que a soja continua sendo um dos principais produtos de Lucas, porque ela é cultivada de maneira integrada à pecuária e à indústria, já que passa pelo processamento no qual se transformará em ração para bovinos, suínos e aves. A hipótese apresentada pela pesquisa se baseia na comparação do município de Lucas (MT) com Rio Verde (GO), pois o último está há mais tempo no desenvolvimento da agroindústria e obteve intenso aumento populacional por conta dela; um aumento que não foi acompanhado de infraestrutura, ocasionando piora nas condições de vida de uma parte significativa da população. Assim, há a possibilidade de averiguar Rio Verde e perceber problemas que Lucas pode a vir enfrentar devido às similaridades entre as capacidades produtivas dos dois municípios. Também é importante sublinhar que a agroindústria é um setor próspero, mas que causa sérios impactos ambientais, por utilizar diversos agrotóxicos que são altamente poluentes do solo, água e ar; como também por acarretar desmatamento e compactação do solo. Além de que pesquisas comprovam que os defensivos agrícolas são prejudiciais à saúde humana, favorecendo desde enfermidades bronco-pulmonares até tumores, ou mesmo abortos espontâneos. Para atender a demanda do mercado, o município está à procura de se tornar mais sustentável e, por isso, organizou a iniciativa Lucas do Rio Verde Legal, que tenta prever a violação da existência ou preservação das Reservas Legais e de Áreas de Proteção Permanente. Em suma, é por essa complexidade entre meio ambiente e população, como pela nova dinâmica urbana 9 Anais da SemanaCS. Volume 1, número 1, Campinas: IFCH/UNICAMP, 2012 advinda dos intensos fluxos migratórios que Lucas do Rio Verde necessita de uma análise pormenorizada. A presente pesquisa continua em vigência, portanto, ainda não há conclusões a serem apresentadas, mas sim novas perguntas que irão nortear a continuidade do estudo. Muitas indagações ainda serão respondidas e estas são, por exemplo, como se estabelece a organização do espaço urbano de Lucas do Rio Verde a partir da nova dinâmica econômica instituída pela agroindústria? Ou quem são esses migrantes e até que ponto Lucas do Rio Verde consegue absorver os fluxos migratórios dentro de seu planejamento urbano? Portanto, a análise bibliográfica pertinente continuará em execução, como também o exame dos dados da pesquisa vigente no Núcleo de Estudos de População (Nepo) denominada “Urbanização, Processo de Ocupação Espacial e Sustentabilidade no Cerrado”, e futuramente será realizada uma pesquisa de campo no município de Lucas do Rio Verde. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ALVAREZ, M.; CARMO, L. R. do. “Expansión del cultivo de soja, salud y medio ambiente: Situación en Córdoba (Argentina) y Mato Grosso (Brasil)”. In. CARMO; L. R. do (Org.); TRIMIÑO, G. J. C. (Org.), Población y medio ambiente en Latinoamérica y el Caribe: Cuestiones recientes y desafíos para el futuro. Serie Investigaciones Nº 6, ALAP. Río de Janeiro, Brasil, 2009. BARBIERI, A. F. (2007). Mobilidade populacional, meio ambiente e uso da terra em áreas de fronteira: uma abordagem multiescalar. Revista Brasileira de Estudos da População. v. 24, n. 2, jul/dez 2007. CAPARROZ, M. B. Ambiente, urbanização e agroindústria: a especificidade de Lucas do Rio Verde – MT. XVII Encontro Nacional de Estudos Populacionais. ABEP, 2010. CARMO, R. L.; LOMBARDI, Thais Tartalha do Nascimento. Fronteira agrícola e urbanização no estado do Mato Grosso: Aspectos de suas consequências sociais e ambientais. In: LASA 2012 Latin American Studies Association 2012 Congress, 2012, San Francisco. Annals of LASA 2012 Latin American Studies Association 2012 Congress, 2012. CUNHA, José Marcos Pinto da. A Migração no Centro-Oeste Brasileiro no período de 1970-96: O Esgotamento de um Processo de Ocupação. Campinas: Núcleo de Estudos de População. UNICAMP, 2002. 10 Anais da SemanaCS. Volume 1, número 1, Campinas: IFCH/UNICAMP, 2012 FERNANDEZ, Fernando Negret et al. Temas em desenvolvimento regional e urbano. Vila Velha, ES, Opção Editora. 2011. IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. MARANDOLA Jr., E. (Org.); D’ANTONA, Álvaro de Oliveira (Org.); OJIMA, Ricardo (Org.). População,Ambiente e Desenvolvimento: Mudanças climáticas e urbanização no Centro-Oeste. Campinas: Núcleo de Estudos de População – Nepo/Unicamp; Brasília: UNFPA, 2011. NEGRET, Fernando (Org.). Desenvolvimento Regional e Gestão de empreendimentos: conceitos, métodos, instrumentos e estratégias. Goiânia: Faculdade Alves de Faria, 2010. PEDROSO, I. L. P. B. Meio Ambiente, Agroindústria e Ocupação dos Cerrados: O caso do município de Rio verde no sudoeste de Goiás. Revista Urutágua: revista acadêmica multidisciplinar, n. 06. Paraná: Maringá. UEM, 2006. 11