UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
INSTITUTO DE ESTUDOS SÓCIO-AMBIENTAIS
LABORATÓRIO DE GEOLOGIA E GEOGRAFIA FÍSICA
AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS –
MUNICÍPIO DE RIO VERDE (GO)
RELATÓRIO TÉCNICO PARCIAL I:
MAPAS TEMÁTICOS DE SERVIÇO E MEMORIAIS EXPLICATIVOS
CONTRATO FUNAPE/SIOL/LABOGEF
ÓRGÃO ADMINISTRATIVO: FUNDAÇÃO DE
APOIO À PESQUISA DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DE GOIÁS (FUNAPE/UFG).
UNIDADE EXECUTIVA: LABORATÓRIO DE
GEOLOGIA E GEOGRAFIA FÍSICA DO
INSTITUTO DE ESTUDOS SÓCIO-AMBIENTAIS
DA UFG (LABOGEF/IESA/UFG).
GOIÂNIA, FEVEREIRO DE 2009.
i
APRESENTAÇÃO
Este relatório vincula-se ao estudo denominado AVALIAÇÃO DE IMPACTOS
AMBIENTAIS - MUNICÍPIO DE RIO VERDE (GO) e refere-se ao RELATÓRIO PARCIAL I,
que apresenta os resultados da primeira etapa do trabalho proposto e acordado no contrato
entre a Fundação de Apoio à Pesquisa e a Siol Goiás Indústria de Alimentos LTDA, com
interveniência da Universidade Federal de Goiás, através do Laboratório de Geologia e
Geografia Física.
É apresentada a primeira versão dos MAPAS BÁSICOS (ou de Serviço) relativos ao
meio físico e biótico do Município de Rio Verde - GO, na escala 1:100.000, com seus
respectivos memoriais explicativos. Nesta etapa não foi possível finalizar o Mapa de
Impactos Ambientais, devido ao calendário de desembolso dos recursos financeiros e
demora na finalização de processo admistrativo para a aquisição das imagens ALOS (com
resolução de 10m, considerada de ultradetalhe). Esse mapa foi substituído por outros de
interesse para esse trabalho e que servirão de base para elaboração do Mapa de Impactos
Ambientais.
Os Mapas Temáticos de serviço elaborados para o presente relatório foram:
1. Mapa Hipsométrico (classes de altitudes);
2. Mapa Clinográfico (classes de declives);
3. Mapa Geomorfológico (relevos diferenciados);
4. Mapa Geológico (Grupos e Formações rochosas e sua estrutura);
5. Mapas de Recursos Hídricos (Drenagem; Bacias Hidrográficas; Sistemas
Aqüíferos e Poços Tubulares);
6. Mapa de Solos (classes de solos);
7. Mapa de Uso do Solo;
8. Mapas Climáticos.
Os memoriais explicativos de cada mapa elaborado contêm uma Introdução onde
são apresentados os conceitos adotados, a metodologia utilizada e os comentários relativos
à distribuição dos fatos mapeados e respectivas conclusões. Os memoriais apresentam os
temas agrupados em temas afins, como a seguir:
1. Topografia, Hipsométria, Clinográfia;
2. Geologia e Potencial Mineral, Geomorfologia e Sistemas Aqüíferos e Poços
Tubulares;
3. Drenagem do Município de Rio Verde - GO;
4. Pedologia (Solos);
ii
*
5. Uso do Solo ;
6. Caracterização Climática;
7. Remanescentes da Cobertura Vegetal Nativa
Convém ressaltar que os mapas aqui apresentados correspondem à versão
preliminar dos mesmos, dado que os trabalhos de validação em campo (in loco) serão
realizados na segunda etapa do trabalho, quando serão eventualmente ajustados
diretamente em campo, como previsto no cronograma de atividades. Nesta etapa serão
acrescidas as informações relativas ao Mapa de Impactos Ambientais e do Mapa de
Suscetibilidade e o de Riscos, ambos previstos para essa segunda etapa.
Goiânia, Fevereiro de 2009.
Profa. Dra. Selma Simões de Castro
Coordenadora Geral
*
Incluindo comentários da sócio-economia.
iii
EQUIPE TÉCNICA
Informamos que procedemos a algumas pequenas mudanças na equipe técnica
prevista inicialmente, sendo a mesma listada a seguir com suas atribuições devidamente
especificadas.
COORDENAÇÃO GERAL
Profa. Dra. Selma Simões de Castro
Geógrafa, Pedóloga, professora da Universidade Federal de Goiás - UFG
[email protected]
GERÊNCIA DE PROJETO
MSc. Rosane Amaral Alves da Silva
Geógrafa
[email protected]
APOIO TÉCNICO
André Luiz Oliveira
Biólogo, Técnico de nível superior
[email protected]
GEOLOGIA, GEOMORFOLOGIA E RECURSOS HÍDRICOS
Prof. Dr. Alfredo Borges de Campos
Geólogo, Geologia e Geomorfologia, professor da Universidade Federal de Goiás - UFG
(Coordenação técnica do tema).
[email protected]
MSc. Maximiliano Bayer
Geólogo, Recursos Hídricos; doutorando em Ciências Ambientais – UFG
[email protected]
Diego Antonio B. de Cedro
Geógrafo, Estagiário
[email protected]
TOPOGRAFIA, HIPSOMETRIA, CLINOGRAFIA
MSc. Rosane Amaral Alves da Silva
Geógrafa, doutoranda em Geografia - UFG
(Coordenação técnica do tema; Geoprocessamento;)
[email protected]
Pós-Graduando. Raphael de Oliveira Borges
Geógrafo, doutorando em Geografia – UFG
(Sensoriamento remoto e Geoprocessamento)
[email protected]
PEDOLOGIA (SOLOS)
Profa. Dra. Selma Simões de Castro
Geógrafa e Pedóloga, professora da Universidade Federal de Goiás - UFG
(Coordenação técnica do tema)
[email protected]
MSc. Maria da Silva Gonçalves Barbalho
Geógrafa, doutoranda em Ciências Ambientais - UFG
iv
(Cartografia e Sensoriamento Remoto)
MSc. Rosane Amaral Alves da Silva
Geógrafa, doutoranda em Geografia – UFG
(compatibilização de nomenclaturas e cartografia)
[email protected]
USO DO SOLO MUNICIPAL E URBANO E IMPACTOS AMBIENTAIS
RURAIS E URBANOS
MSc. Karla Maria Silva de Faria
Geógrafa, doutoranda em Geografia - UFG
(Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento; Coordenação e execução)
[email protected]
Graduanda Hellbia Samara M. de C. Rodrigues
Estagiária, sócio-economia.
[email protected]
REMANESCENTES DA COBERTURA VEGETAL NATIVA
MSc. Karla Maria Silva de Faria
Geógrafa, doutoranda em Geografia - UFG
(Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento; Coordenação do tema)
[email protected]
MSc. Gabriel Tenaglia Carneiro
Biólogo, doutorando em Ciências Ambientais - UFG
(Tratamento estatístico das métricas da paisagem)
[email protected]
André Luiz Oliveira
Biólogo, técnico de nível superior
(Tratamento estatístico das métricas da paisagem)
[email protected]
CLIMA
MSc. Neiva Pio de Santana
Geógrafa (Coordenação e execução)
[email protected]
v
ESCOPO DO RELATÓRIO
O escopo do presente relatório consistiu em elaborar os MAPAS BÁSICOS
(TEMÁTICOS BÁSICOS DO MEIO FÍSICO E BIÓTICO) os quais servirão para subsidiar a
elaboração dos Mapas de Impactos Ambientais (atuais, Suscetibilidades e Riscos) e o
diagnóstico da distribuição e condicionantes dos impactos ambientais do território municipal
de Rio Verde (GO), em escala 1:100.000, previstos para a próxima etapa.
OPERACIONALIZAÇÃO GERAL DA ETAPA I
A execução do trabalho baseou-se nos seguintes procedimentos gerais:
- Compilação de documentos cartográficos e bibliográficos existentes como inidcado
no memorial de cada tema;
- Seleção, tratamento e interpretação de imagens de sensoriamento remoto (satélite
Landsat) segundo critérios e metodologias específicas para cada tema, indicadas
em cada memorial descritivo;
- Aplicação de técnicas de geoprocessamento, com ênfase na utilização dos
softwares ArcGis para espacialização e FRAGSTATS para as métricas da
paisagem contendo os remanescente da cobertura original.
- Aplicação de técnicas estatísticas com uso do pacote Office – Excel ®.
Reuniões Técnicas por tema com o fim de análise das interfaces e correlações
possíveis entre os vários documertos produzidos.
6
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO..................................................................................................................... i
EQUIPE TÉCNICA .................................................................................................................. iii
ESCOPO DO RELATÓRIO......................................................................................................v
OPERACIONALIZAÇÃO GERAL DA ETAPA I ........................................................................ v
SUMÁRIO.................................................................................................................................6
LISTA DE FIGURAS ................................................................................................................8
LISTA DE TABELAS ................................................................................................................9
LISTA DE TABELAS ................................................................................................................9
CARACTERÍSTICAS GERAIS DO MUNICÍPIO.....................................................................10
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DA ETAPA I...........................................................12
TEMA 1 - HIPSOMETRIA E CLINOGRAFIA..........................................................................13
Introdução ..........................................................................................................................13
MAPA HIPSOMÉTRICO ........................................................................................................13
Metodologia........................................................................................................................13
Descrição ...........................................................................................................................14
MAPA CLINOGRÁFICO OU DE DECLIVIDADE ...................................................................16
Metodologia........................................................................................................................16
Descrição ...........................................................................................................................16
TEMA 2 – GEOLOGIA E POTENCIAL MINERAL, GEOMORFOLOGIA, SISTEMAS DE
AQUÍFEROS E POÇOS TUBULARES ..................................................................................20
Introdução ..........................................................................................................................20
MAPA GEOLÓGICO E DO POTENCIAL MINERAL ..............................................................20
Metodologia........................................................................................................................20
Aspectos Geológicos e do Potencial Mineral .....................................................................20
Grupo Passa Dois ..............................................................................................................21
Formação Serra Geral........................................................................................................21
Província Alcalina do Sul de Goiás ....................................................................................23
Formação Verdinho............................................................................................................23
Grupo Bauru.......................................................................................................................23
Formação Cachoeirinha .....................................................................................................24
Cobertura Terciária Quaternária (Cobertura Detrito-Laterítica)..........................................24
Cobertura Arenosa Indiferenciada .....................................................................................24
Aluvião................................................................................................................................24
Lineamentos Estruturais.....................................................................................................25
MAPA GEOMORFOLÓGICO.................................................................................................25
Metodologia........................................................................................................................25
Descrição ...........................................................................................................................25
Aspectos Geomorfológicos ................................................................................................25
Unidade Geomorfológica SRAII .........................................................................................27
Unidade Geomorfológica SRAIII ........................................................................................27
ZER ....................................................................................................................................28
MAPA DE SISTEMAS AQUÍFEROS (HIDROGEOLÓGICO) E DE POÇOS TUBULARES ...29
7
Metodologia........................................................................................................................29
Definição de Sistema Aquífero (ALMEIDA et al. 2006) ......................................................29
Descrição ...........................................................................................................................31
OS SISTEMAS AQUÍFEROS DE RIO VERDE ......................................................................31
Sistema Aquífero Bauru .....................................................................................................31
Sistema Aquífero Serra Geral ............................................................................................31
Sistema Aquífero Cachoeirinha..........................................................................................32
Sistema Aquífero Aquidauana............................................................................................32
CÁLCULOS DAS RESERVAS DE ÁGUA SUBTERRÂNEA PARA O MUNICÍPIO ...............32
LOCALIZAÇÃO E ANÁLISE DOS POÇOS TUBULARES PARA EXPLOTAÇÃO DE ÁGUA
SUBTERRÂNEA ....................................................................................................................34
TEMA 3 - DRENAGEM DO MUNICÍPIO DE RIO VERDE – GO............................................35
Introdução ..........................................................................................................................35
Metodologia........................................................................................................................35
Descrição ...........................................................................................................................36
COMPARTIMENTAÇÃO DO SISTEMA DE DRENAGEM .....................................................36
Compartimento 1 - Subacias do Topo de Chapada ...........................................................39
Compartimento 2 - Subacias do extremo Leste .................................................................40
Compartimento 3 - Subacias do Sul...................................................................................40
Compartimento 4 - Subacias do Rio Doce .........................................................................41
Compartimento 5 - Depressão Central - Bacia do rio Santo Tomaz ..................................41
TEMA 4 – PEDOLOGIA DO MUNICÍPIO DE RIO VERDE – GO ..........................................43
Introdução ..........................................................................................................................43
Metodologia........................................................................................................................43
TEMA 5 – USO DO SOLO DO MUNICÍPIO DE RIO VERDE – GO ......................................51
Introdução ..........................................................................................................................51
Metodologia........................................................................................................................51
Descrição ...........................................................................................................................53
Evolução do Uso do Solo no Município..............................................................................57
Dados Censitários ..............................................................................................................59
TEMA 5 – CARACTERIZAÇÃO CLIMÁTICA .........................................................................62
Introdução ..........................................................................................................................62
Metodologia........................................................................................................................62
Descrição ...........................................................................................................................64
Características Climáticas do Município ............................................................................64
Temperaturas, umidade, evaporação, déficit e/ou excedente hídrico e insolação ............65
Distribuição pluviométrica da precipitação mensal, sazonal e anual para o município de
Rio Verde ...........................................................................................................................68
Distribuição da erosividade média mensal, sazonal e anual para o município de Rio Verde
...........................................................................................................................................72
TEMA 4 – REMANESCENTES DA COBERTURA VEGETAL NATIVA .................................76
Introdução ..........................................................................................................................76
Memorial Descritivo............................................................................................................80
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................................................88
8
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Localização do Município de Rio Verde - GO........................................................10
Figura 2 – Mapa Hipsométrico do Município de Rio Verde – GO. .........................................15
Figura 3 – Mapa de Declividades (Clinográfico) do Município de Rio Verde - GO ................17
Figura 4 – Mapa Geológico e de Potencial Mineral do Município de Rio Verde - GO ...........22
Figura 5 – Mapa Geomorfológico do Município de Rio Verde - GO.......................................26
Figura 6 – Mapa dos Sistemas Aquiferos e de Poços Tubulares do Município de Rio Verde GO..........................................................................................................................................30
Figura 7 - Sistemas de Drenagem e Bacias Hidrográficas do Município de Rio Verde. ........37
Figura 8 – Mapa de Solos do Município de Rio Verde - GO ..................................................44
Figura 9 – Mapa de Uso do Solo em 2008 do Município de Rio Verde - GO ........................54
Figura 10 - Gráfico de evolução do uso do solo entre os anos de 1975 e 2008....................58
Figura 11 – Área Plantada das Lavoura temporária, no Município de Rio Verde - GO. ........59
Figura 12 – Área Plantada das Lavouras Permanentes, no Município de Rio Verde - GO. ..60
Figura 13 - Efetivo de rebanhos (Bovino e Galináceos) em Rio Verde. Fonte: IBGE, 2008..61
Figura 14 - Estações meteorológicas da área de pesquisa ou próxima à ela........................64
Figura 15 - Climograma: temperatura e precipitação (média mensal) de Rio Verde. ...........65
Figura 16 - Temperatura máxima e temperatura mínima do ar (média mensal) de Rio Verde.
...............................................................................................................................................66
Figura 17 - Evaporação média mensal para o município de Rio Verde.................................67
Figura 18 - Insolação média mensal para o município de Rio Verde.....................................67
Figura 19 - Umidade relativa do ar média mensal para o município de Rio Verde................67
Figura 20 - Déficit e/ou excedente hídrico (média mensal) para o município de Rio Verde ..67
Figura 21 - Precipitação pluvial (média mensal) para o município de Rio Verde...................70
Figura 22 - Precipitação pluvial (média sazonal) para o município de Rio Verde..................71
Figura 23 - Distribuição da precipitação (média anual) para o município de Rio Verde. .......71
Figura 24 - Erosividade (média anual) para o município de Rio Verde..................................73
Figura 25 - Erosividade (média sazonal) para o município de Rio Verde. .............................73
Figura 26 - Erosividade (média anual) para o município de Rio Verde..................................74
Figura 27 - Descrição das etapas para a elaboração e análise dos mapas temáticos, visando
à caracterização e análise ambiental da paisagem. ..............................................................77
Figura 28 - Área das classes (CA) em hectares (ha) no município de Rio Verde (GO) em
2005 e 2008. ..........................................................................................................................81
Figura 29 - Número de Fragmentos de Cerrado distribuídos em freqüência para o município
de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008. .....................................................................................82
Figura 30 - Índice médio de correlação com forma circular (CIRCLE_MN) que avalia a
circularidade dos fragmentos amostrados no município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008
...............................................................................................................................................84
Figura 31 - Total de bordas (TE) de classes de fragmentos no município de Rio Verde (GO)
em 2005 e 2008.(unidade de medida em metros) .................................................................85
Figura 32 - Área Central Total (TCA) das classes de fragmentos no município de Rio Verde
(GO) em 2005 e 2008. (unidade de medida em hectares).....................................................85
Figura 33 - Distância Euclidiana média do vizinho mais próximo (ENN_MN) entre os
fragmentos remanescentes de Cerrado no município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008 .86
9
LISTA DE TABELAS
Tabela 1- Classes Hipsométricas do Município de Rio Verde – GO......................................14
Tabela 2 - Classes Declividade do Município de Rio Verde – GO.........................................18
Tabela 3 - Cálculos da Reservas Renovável, Permanente e Explotável (Re) para os
sistemas aquíferos que ocorrem no município de Rio Verde.................................................33
Tabela 4 - Compartimentos de Drenagem .............................................................................38
Tabela 5 - Modelo de Correlação entre as Classes de declive, tipos de relevo e agrupamento
de solos ..................................................................................................................................45
Tabela 6 - Classes de Solos ..................................................................................................46
Tabela 7 - Resumo das áreas ocupadas pelas classes de solos no município de RioVerde 47
Tabela 8 - Chave de interpretação adotada para a classificação da imagem .......................52
Tabela 9 - Quantificação do uso do Município de Rio Verde .................................................56
Tabela 10 - Evolução do Uso do Solo do Município de Rio Verde (1975 a 2008). ................58
Tabela 11 - Dados Meteorológicos e Médias Mensais, para o Município de Rio Verde - GO
...............................................................................................................................................63
Tabela 12 - Índices Pluviométricos, Médias Mensais, de Algumas Localidades Próximas e
Dentro do Município de Rio Verde - GO. ...............................................................................69
Tabela 13 - Erosividade, médias mensais, de algumas localidades próximas e dentro do
município de Rio Verde. .........................................................................................................75
Tabela 14 - Métricas de Ecologia da Paisagem usadas na análise da fragmentação aplicada
à cobertura vegetal remanescente de Cerrado em Rio Verde (GO)......................................78
Tabela 15 - Tabela de correlação em Profundidade de Efeito de Borda que foi usada no
município de Rio Verde (GO) em 2008. .................................................................................79
Tabela 16 - Tabela de correlação em Profundidade de Efeito de Borda que foi usada no
município de Rio Verde (GO) em 2005. .................................................................................80
Tabela 17 - Percentual da Paisagem (PLAND) no município de Rio Verde (GO) em 2005 e
2008. ......................................................................................................................................81
Tabela 18 - Percentual do Total de Áreas Centrais (CPLAND) no município de Rio Verde em
2005 e 2008 ...........................................................................................................................86
10
CARACTERÍSTICAS GERAIS DO MUNICÍPIO
A área objeto do presente relatório corresponde ao município de Rio Verde,
localizado na porção sudoeste do estado de Goiás, que abrange uma área do 8.388 km² .
Tem como Municípios Limítrofes: Aparecida do Rio Doce, Cachoeira Alta, Caiapônia,
Castelândia, Jataí, Maurilândia, Montividiu, Paraúna, Quirinópolis, Santa Helena de Goiás,
Santo Antônio da Barra (Figura 1).
Figura 1 - Localização do Município de Rio Verde - GO
Localiza-se entre as coordenadas geográficas de 17º 02’ 19” a 18º 23’ 24” de latitude
Sul e 50º 18’ 33” a 51º 46’ 58” de longitude Oeste e esta inserida na mesorregião Sul Goiano
e na microrregião Sudoeste de Goiás constituída pelos municípios de Aporé, Mineiros,
Aparecida do Rio Doce, Chapadão do Céu, Castelândia, Maurilândia, Serranópolis, Santa
Helena de Goiás, Santo Antonio da Barra, Perolândia, Jataí, Portelândia, Rio Verde,
Montividiu, Santa Rita do Araguaia, Mineiros, Doverlândia, Palestina de Goiás e Caiapônia.
Como sua principal via de acesso, destaca-se a BR-060. Mas, o acesso ao interior
do município pode ser feito por inúmeras estradas vicinais, que constituem ramificações das
rodovias existentes. Dista da Capital, Goiânia, cerca de 220 km e 420 km de Brasília.
É um dos municípios mais antigos de Goiás e a Lei de Criação do Município foi a Lei
Provincial n.º 08, de 06/11/1854. Possui PIB per capita de 19.818 Reais, sua atividade
econômica principal sempre foi agropecuária, devido suas características de relevo e solo,
acrescentada hoje da agroindústria. Os principais produtos agropecuários do município são
11
soja, milho, sorgo granífero, e carne (bovina, suína e avícola). Na agroindústria, o município
se destaca pela presença de grandes agroindústrias e de um número grande agregados.
Destaca-se na produção de óleo vegetal, frios, rações, farinhas e farelos, abates e
frigoríficos de aves e suínos.
Segundo o IBGE (Contagem da População, 2007), a população do município é de
149.382 habitantes, sendo que 91% reside na zona urbana e 9% na zona rural.
12
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DA ETAPA I
MAPAS BÁSICOS (DE SERVIÇO) E MEMORIAIS
DESCRITIVOS POR TEMA
13
TEMA 1 - HIPSOMETRIA E CLINOGRAFIA
Introdução
Neste tema são apresentados os mapas de hipsometria e declividade. As
informações necessárias à confecção dos mapas foram extraídas dos modelos digitais de
elevação do terreno denominado SRTM (Shutlle Radar Topographic Mission) que
corresponde a um programa de tecnologia e pesquisa da topografia em longo prazo da
superfície terrestre, oceanos, atmosfera, gelo e vida.
Os dados de elevação SRTM são determinados relativamente ao elipsóide ou para a
superfície de referência que foi usada para medir pontos de controle no campo. Os produtos
finais resultam em elevações relativas ao geóide. As curvas de nível foram extraídas da
referida imagem SRTM com eqüidistância de 20 metros e salvas em arquivos shapefiles no
software ArcGIS 9.x. De um modo geral, a partir destes dados realizam-se os tratamentos e
sínteses interpretativas temáticas obtidas a partir de outros métodos.
Nos mapas gerados adotou-se a escala de 1:50.000, mas o tratamento final foi feito
na escala de 1:100.000. A adoção desta escala maior para o processamento serviu para
subsidiar melhor as análises durante a integração destes mapas com outras bases geradas.
A seguir são apresentados: a metodologia específica, os resultados e discussões e
as conclusões do levantamento das declividades e hipsometria do município.
MAPA HIPSOMÉTRICO
Metodologia
Os dados altimétricos (curvas de nível) foram trabalhados no software Spring 5.0
com base numa grade triangular ou TIN (vide item Mapa Clinográfico). A partir dos dados
altimétricos do SRTM em formato matricial elaborou-se um fatiamento dos níveis
topográficos com eqüidistância de 50 metros, que também adotou como limite a área
municipal mais o referido buffer de 5 km. Para tal, foi efetuado no software ArcGIS 9.x um
procedimento geoestatístico nos dados SRTM, o qual permitiu seu refinamento de 90 metros
de resolução espacial para 30 metros de resolução. Procedimento esse denominado de
Spline, o qual corresponde a um método de interpolação em que são estimados valores
médios entre os pontos inseridos utilizando uma função matemática que minimiza em todas
as partes a curvatura das superfícies, o que resulta em uma superfície suave que passa
exatamente através de pontos de entrada. Este método é melhor para a geração de
14
superfícies delicadamente variadas, tais como altitude, altura de lençol freático, ou para
concentrações de poluição.
Esta nova resolução espacial permitiu delimitar as faixas topográficas sem problemas
de sobreposição e com um bom ajuste em relação às classes de declividades geradas. Ao
fim deste processo as faixas foram convertidas para o formato shapefile ainda no software
ArcGIS 9.x. No mapa gerado delimitou-se 12 faixas topográficas com 50 metros de
eqüidistância, de 450 - 500 metros de altitude na faixa mais rebaixada a sudeste do
município, até 1000 – 1050 metros nas cotas mais altas localizadas a noroeste do município.
Descrição
Observando-se mapa hipsométrico (Figura 2) pode-se perceber que há uma
predominância de uma topografia plana, suave ondulada e ondulada, principalmente na
parte central e norte do município e de uma zona situada ao sul. Predominam as altitudes
que variam de 650 a 900 m, sendo 750 a 800m com 19,1%, 700 a 750m com 16,2%, 800 a
850 com ≅16%, 650 a 700 com ≅12% e 850 a 900 com ≅ 12,8% que juntas soma mais de
75% da área do município, conforme tabela 1.
As menores altitudes concentram-se ao sul do município, com pequenas faixas a
oeste e nordeste, contornando a zona de maior altitude.
Tabela 1- Classes Hipsométricas do Município de Rio Verde – GO
Classes Hipsométricas
450-500
500-550
550-600
600-650
650-700
700-750
750-800
800-850
850-900
900-950
950-1000
1000-1050
Total
Km²
4,76
95,25
369,61
757,08
1011,79
1361,31
1604,39
1312,67
1077,44
494,47
261,49
38,33
8388,58
Área
Ha
475,60
9524,61
36961,40
75708,20
101179,08
136130,80
160438,66
131267,37
107743,72
49446,78
26148,57
3833,36
838858,15
%
0,06
1,14
4,41
9,03
12,06
16,23
19,13
15,65
12,84
5,89
3,12
0,46
100,00
15
Figura 2 – Mapa Hipsométrico do Município de Rio Verde – GO.
16
MAPA CLINOGRÁFICO OU DE DECLIVIDADE
Metodologia
Para a geração do mapa clinográfico utilizou-se também dos dados altimétricos
(curvas de nível) no software Spring 5.0 com base numa grade triangular ou TIN, que é uma
estrutura do tipo vetorial que representa a superfície através de um conjunto de faces
triangulares interligadas. Estas facetas triangulares permitem o calculo das declividades a
partir de interpolação espacial. Posteriormente, foi realizado o fatiamento da grade de
declividades gerada em intervalos determinados: 0-3%; 3-6%; 6-12%; 12-20%; 20-45% e
>45%. Esses intervalos contemplam os intervalos de declives adotados na definição das
classes de capacidade de uso das terras (Salomão, 1999), e possuem as seguintes
características gerais:
- 0 a 3% - corresponde a áreas planas ou quase planas onde o escoamento
superficial é lento, não oferecendo dificuldades ao uso de máquinas agrícolas.
- 3 a 6% - são áreas de declives suaves, onde o escoamento superficial é lento ou
médio. Em alguns tipos de solos a erosão hídrica não oferece problemas. Solos
com textura média em rampas muito longas necessitam de práticas de
conservação.
- 6 a 12% - são áreas com relevo ondulado e o escoamento superficial é médio ou
rápido. São facilmente erodíveis (exceto em solos argilosos ou muito argilosos).
- 20 a 45 % - constituem vertentes fortemente inclinadas, cujo escoamento é muito
rápido, independente do tipo de solo. Solos muito suscetíveis à erosão.
- > 45% - constituem vertentes íngremes. Escoamento superficial muito rápido e
solos extremamente suscetíveis à erosão hídrica.
Descrição
Observando-se o mapa clinográfico (Figura 3) percebe-se que dominam os declives
entre 0 e 3%, bem distribuídos em toda a extensão do município, somando 45,53% de sua
área, conforme tabela 2. Esta classe está relacionada aos pequenos topos planos nos
relevos convexizados e às planícies fluviais a jusante, distribuídos na porção topográfica
inferior e média do município, as quais abrangem as cotas de 450 a 750 metros de altitude.
Além desta, compreendem principalmente os topos planos de rampas longas nos grandes
tabuleiros, com cotas superiores a 750 metros de altitude, principalmente na parte Norte e
Noroeste do município e no tabuleiro residual ao sul.
17
Figura 3 – Mapa de Declividades (Clinográfico) do Município de Rio Verde - GO
18
Tabela 2 - Classes Declividade do Município de Rio Verde – GO
Classes de
Declividade (%)
Área
Km²
Ha
%
0-3
3819,22
381922,37
45,53
3-6
2828,90
282890,23
33,72
6-12
1377,63
137762,58
16,42
12-20
237,58
23757,90
2,83
20-45
116,46
11645,73
1,39
8,79
878,83
0,10
8388,58
838857,64
100,00
>45
Total
No que se refere aos solos, podem apresentar solos profundos e bem drenados, com
baixa suscetibilidade ao desenvolvimento de processos erosivos lineares devido à sua
condição plana, a qual não permite grandes fluxos superficiais. Em caso de uso indevido e
sem práticas conservacionistas podem acarretar em um risco moderado ao desenvolvimento
de processos erosivos os quais provocariam além perda de solo agricultável a sedimentação
de pequenos corpos hídricos (Salomão, 1999).
As classes de 3 a 6% compreendem a segunda maior distribuição no município, com
33,72%, também estão relacionadas aos relevos convexizados, só que em sua meia
encosta, na porção topográfica média do município, as quais abrangem as cotas de 550 a
750 metros de altitude. Na porção superior relacionam-se entre os topos e os fundos de vale
superiores, também em sua meia encosta.
Quanto aos solos, podem também apresentar solos profundos e bem drenados, com
baixa suscetibilidade ao desenvolvimento de processos erosivos lineares devido à sua
condição de relevo suave, a qual não permite grandes fluxos superficiais. Ainda segundo
Salomão (1999), em caso de uso indevido e sem práticas conservacionistas podem, assim
como o anterior, acarretar em um risco moderado ao desenvolvimento de processos
erosivos.
Compreendendo a terceira maior classe, com 16,42%, as áreas de 6 a 12% estão
relacionadas aos relevos suave ondulados, associados à meia encosta dos vales
encaixados na porção centro-norte do município, nas cotas de 700 a 800 metros de altitude.
Aos solos, já os apresenta não tão profundos e com moderada a alta suscetibilidade ao
desenvolvimento de processos erosivos lineares devido à sua condição de relevo suave
ondulado, a qual pode gerar fluxos hídricos superficiais. Em caso de uso indevido e sem
práticas conservacionistas acarretam em um risco alto ao desenvolvimento de processos
erosivos, os quais podem promover uma alta carga de sedimentos a serem transportados
para os cursos d’água (Campagnoli, 2006).
19
Já com 2,83%, as áreas de 12 a 20% estão relacionadas aos relevos ondulados nas
escarpas erosivas, tanto na parte Sul, como em pontos a Norte e a Nordeste do município,
nas cotas de 800 a 850 metros de altitude. Apresentam solos rasos e com alta
suscetibilidade ao desenvolvimento de processos erosivos lineares devido à sua condição
de relevo ondulado, devido à falta de coesão no solo e da livre circulação dos fluxos hídricos
superficiais. O uso indevido e sem práticas conservacionistas acarretam em um risco muito
alto ou iminente ao desenvolvimento de processos erosivos.
Somando 1,4%, as áreas de declividade maior que 20% estão relacionadas aos
relevos forte ondulados nas escarpas erosivas e algumas rochosas, principalmente na parte
Sul, ou em alguns pontos a Norte e a Nordeste, nas cotas de 850 a 900 metros de altitude.
Não apresentam o desenvolvimento de solos, ou caso apresentem, encontram-se muito
rasos, em via de regra constituem-se basicamente de afloramentos rochosos e com alta
suscetibilidade ao desenvolvimento de processos erosivos lineares na forma de ravinas,
devido à inexistência de lençol freático a ser interceptado e desenvolver voçorocas nestas
áreas.
20
TEMA 2 – GEOLOGIA E POTENCIAL MINERAL, GEOMORFOLOGIA, SISTEMAS
DE AQUÍFEROS E POÇOS TUBULARES
Introdução
Neste Tema 2 são apresentados os mapas temáticos de Geologia e Potencial
Mineral, de Geomorfologia e dos Sistemas de Aqüíferos e Poços Tubulares. Os mapas
foram elaborados com base em compilação de informações pré-existentes e interpretação
de imagens de satélite (QUICKBIRD), conforme metodologias específicas indicadas para
cada um. Complementarmente aos mapas temáticos, alguns cálculos e estimativas foram
realizadas para fins de gestão de águas subterrâneas.
Novas informações relativas à qualidade de água e aspectos do relevo estão sendo
obtidas através de banco de dados da SANEAGO, da aquisição de imagens de alta
resolução espacial do satélite ALOS, e da coleta de dados em campo. Essas informações
serão utilizadas para complementação e/ou atualização das informações contidas nos
mapas temáticos apresentados nesse relatório parcial. A seguir são apresentados os
memoriais descritivos para cada mapa temático, bem como os cálculos e estimativas
realizados para fins de gestão de recursos hídricos subsuperficiais.
MAPA GEOLÓGICO E DO POTENCIAL MINERAL
Metodologia
O mapa de Geologia e do Potencial Mineral do município de Rio Verde foi elaborado
a partir do mapa Geologia e Recursos Minerais do Estado de Goiás e do Distrito Federal
produzido pela CPRM/METAGO/UnB (Lacerda Filho et al., 2000). Foram compiladas
informações relativas às unidades geológicas, lineamentos estruturais e do potencial mineral
da base de dados de Lacerda Filho et al. (2000), as quais estavam disponíveis em sua
quase totalidade na escala 1:100.000. Durante a compilação das informações, foram
realizados recortes espaciais da área do município de Rio Verde e do mapa temático de
Geologia elaborado por Lacerda Filho et al. (2000). Dados relativos ao potencial mineral de
cada unidade geológica foram compilados de tabelas que acompanham o mapa temático de
Geologia e serviram de base para as informações apresentadas no mapa Geologia e
Potencial Mineral produzido para o município de Rio Verde.
Descrição
Aspectos Geológicos e do Potencial Mineral
O município de Rio Verde apresenta geologia dominada pelas unidades pertencentes
ao Grupo Passa Dois de idade Paleozóica; à Formação Serra Geral, à Província Alcalina do
21
Sul de Goiás, à Formação Verdinho e ao Grupo Bauru de idade Mesozóica; e as coberturas
lateríticas e sedimentares de idade Terciária e Quaternária (Figura 4). Cerca de 52,4 % da
área do município é recoberta por rochas do Grupo Bauru (Formações Adamantino e
Marília); 29,9 % de coberturas Quaternárias (Cobertura Arenosa Indiferenciada e Aluvião);
11,8 % de rochas da Formação Serra Geral; 3 % de rochas pertencentes à Província
Alcalina do Sul de Goiás (Suíte Vulcânica de Santo Antônio da Barra); 2,1 % de coberturas
Terciárias (Formação Cachoeirinha); 0,7 % de coberturas Terciário/Quaternário (Cobertura
Detrito-Laterítica); 0,1 % de rochas do Grupo Passa Dois (Formação Corumbataí) e 0,1 %
de rochas da Formação Verdinho. Lineamentos estruturais (falhas ou fraturas) ocorrem nas
unidades mais antigas datadas do Mesozóico e Paleozóico. A seguir são apresentadas as
características geológicas de cada unidade.
Grupo Passa Dois
Constitui a unidade geológica mais antiga da área do município de Rio Verde com
rochas aflorantes no extremo noroeste deste. É representada pela Formação Corumbatai,
que se caracteriza por apresentar sequências rítmicas de siltitos e argilitos intercalados
ocasionalmente por arenitos finos a muito finos. As rochas dessa unidade apresentam
colorações variadas com nuances das cores cinza, verde, rosa e roxa e podem estar
intercaladas por lentes e concreções de calcários silicificado e chert. A espessura da
Formação Corumbataí em Goiás varia em média de 20 a 60 m podendo chegar a 150 m. O
potencial mineral dessa unidade está relacionado à presença de níveis centimétricos com
concreções de manganês encontradas em arenitos e argilitos.
Formação Serra Geral
A Formação Serra Geral recobre as rochas pertencentes à Formação Corumbataí.
Esta Formação se caracteriza pela presença de rochas vulcânicas de natureza basáltica,
que em geral se apresentam com estrutura maciça, muito fraturadas, de cor cinza-escura,
granulação fina a média, e ocasionalmente com formação de amígdalas. As rochas dessa
unidade afloram com maior freqüência na porção leste do município de Rio Verde, em geral
ao longo de vales fluviais que se encontram em cotas altimétricas inferiores (entre 500 e 700
m de altitude). A espessura média da Formação Serra Geral em Goiás é de 100 m e suas
rochas são muito apropriadas para uso na construção civil, como fonte de brita,
paraleleípedos e pedras para revestimento.
22
Figura 4 – Mapa Geológico e de Potencial Mineral do Município de Rio Verde - GO
23
Província Alcalina do Sul de Goiás
Esta unidade é constituída por corpos ígneos de natureza alcalina com caráter mixto
plutônico-vulcânico. Os corpos ígneos são representados em geral por sills, diques e
derrames de lavas piroclásticas. No município de Rio Verde esta unidade está representada
pela Suíte Vulcânica de Santo Antônio da Barra, que se caracteriza por uma sequência de
derrames e brechas com composição alcalina. Nessa suíte vulcânica podem ser
identificados, dentre outras rochas, alcalibasaltos, basanitos, nefelinitos, lamprófiros,
fonolitos e melamonchiquitos. Está unidade aflora na área nordeste do município entre as
cotas altimétricas de 500 à 700 m e apresenta potencial mineral para extração de
calcedônia.
Formação Verdinho
Esta unidade é representada por uma espessa camada de material sedimentar
conglomerático, com seixos e matacões, a qual foi produzida pelo retrabalhamento das
unidades vulcânicas subjacentes. Suas rochas se caracterizam por possuir matriz
avermelhada e clastos de cor esverdeada. Ocorre na área nordeste do município de Rio
Verde em associação com a unidade Suíte Vulcânica de Santo Antônio da Barra.
Grupo Bauru
O Grupo Bauru é a unidade mais representativa na área do município de Rio Verde.
Constitui
uma
unidade
sedimentar
de
caráter
flúvio-lacustre
e
composição
predominantemente arenosa, a qual recobre as unidades anteriores e se subdivide nas
Formações Adamantina e Marília.
Formação Adamantina – é a unidade basal e predominante do Grupo Bauru no
município de Rio Verde recobrindo 44,8% de sua área total. Predomina em quase toda a
área do município, especialmente na porção centro-nordeste, onde ocorre entre as cotas
altimétricas de 700 a 800 m. É caracterizada pela presença de arenitos finos a muito finos
de coloração cinza-claro, bege ou rósea, os quais frequentemente apresentam bolas de
argila. Podem ocorrer níveis conglomeráticos e de siltitos areno-argilosos de coloração
arroxeada ou rósea intercalados na sequência de arenitos na forma de lentes.
Formação Marília – constitui a unidade de topo do Grupo Bauru e ocorre em 7,5% da
área do município de Rio Verde. Encontra-se concentrada na porção sul do município onde
aflora entre as cotas altimétricas de 750 a 850 m. Caracteriza-se pela presença de arenitos
vermelhos, finos a grossos e mal selecionados, que em geral estão cimentados por matriz
constituída de silica amorfa. Camadas de arenitos argilosos, siltitos e siltitos areno-argilosos
ocorrem associados aos arenitos vermelhos. Níveis conglomeráticos com cimento e
concreções carbonáticas, e lentes de chert e de brechas conglomeráticas de natureza
calcária, podem ser encontradas intercalados na sequência de arenitos. Potencial mineral
24
para extração de calcário pode ocorrer em áreas onde as lentes de composição carbonática
são mais espessas.
Formação Cachoeirinha
Esta unidade está disposta sobre rochas das unidades anteriores, as quais foram
seccionadas pela superfície de aplainamento regional (SRAII – vide item Gemorfologia) e
posteriormente recobertas pelos sedimentos da Formação Cachoeirinha. Esta Formação é
representada por sedimentos areno-argilosos inconsolidados de coloração vermelha,
argilitos cinza e arenitos mal selecionados com níveis decimétricos e lenticulares de
conglomerados. Sua área de ocorrência está localizada na área sul do município de Rio
Verde entre as cotas altimétricas de 800 e 900 m.
Cobertura Terciária Quaternária (Cobertura Detrito-Laterítica)
Esta unidade é constituída por latossolos vermelhos de textura areno-argilosa com
mineralogia rica em minerais de ferro (goethita) associados à caolinita e gibsita. Apresentam
perfis lateríticos com ocorrência de níveis e crostas ferruginosas e linhas de pedras
constituída de quartzo angulosos (stone line). Depósitos de Ni e Mn provenientes de
enriquecimento supergênicos podem ser encontrados nos perfis lateríticos mais evoluídos.
Ocorre descontinuamente na porção centro-norte do município de Rio Verde em diversos
níveis altimétricos.
Cobertura Arenosa Indiferenciada
É a segunda unidade de maior ocorrência na área do município de Rio Verde.
Abrange amplas áreas na porção centro-norte do município onde aflora em cotas
altimétricas superiores (entre 800 e 1000 m de altitude). Constitui uma unidade sedimentar
caracterizada por areias finas a grossas associadas a camadas síltico-argilosas e mais
raramente conglomeráticas. É proveniente do retrabalhamento de rochas e sedimentos
pertencentes às Formações Botucatu, Bauru e Cachoerinha e está relacionada ao
desenvolvimento das superfícies de aplainamento regionais presentes na área (SRAIII - vide
ítem Geomorfologia). Forma terraços argilo-arenosos associados a cascalhos e níveis de
material alóctone ferruginizado.
Aluvião
Esta
unidade
caracteriza-se
pela
presença
de
sedimentos
inconsolidados,
preferencialmente arenosos, associados a níveis de cascalhos e lentes de sedimentos
siltíco-argiloso e turfa. Estão presentes com maior frequência junto às áreas de inundação
dos cursos fluviais posicionadas em cotas altimétricas variadas na porção centro-norte do
município. Podem ocorrer depósitos de minerais pesados (rutilo, ouro, zircão e diamante)
associados às áreas com sedimentos grosseiros.
25
Lineamentos Estruturais
Os lineamentos estruturais constituem falhas ou fraturas indiscriminadas. Estes
ocorrem em toda a área do município exceto na porção norte onde está presente a unidade
Cobertura Arenosa Indiferenciada de idade Quaternária. Os lineamentos estruturais seguem
as direções predominantes NE-SW e NW-SE e estão associados, em sua maioria, às áreas
com presença de rochas vulcânicas pertencentes à Formação Serra Geral e a Suíte
Vulcânica de Santo Antônio da Barra.
MAPA GEOMORFOLÓGICO
Metodologia
O mapa geomorfológico do município de Rio Verde foi elaborado com base no mapa
Geomorfologia do Estado de Goiás e Distrito Federal (Latrubesse e Carvalho, 2006)
produzido pela Secretaria de Geologia e Mineração do Estado de Goiás, e através de
modificações introduzidas no mapa base para fins desse projeto. O procedimento adotado
foi de compilação das unidades geomorfológicas presentes no mapa Geomorfológico do
estado de Goiás e o refinamento destas por meio de interpretação de imagens QUICKBIRD
do ano 2007, para atendimento à escala espacial de 1:100.000 de referência desse projeto.
Informações relativas ao grau de dissecação do relevo obtidas por imagem SRTM foram
também acrescentadas no mapa gerado para o município de Rio Verde em escala
1:100.000, assim como foi realizada uma divisão de unidades de relevo com base nas
subacias hidrográficas presentes na área do município.
Descrição
Aspectos Geomorfológicos
A geomorfologia do município de Rio Verde é caracterizada pela presença de três
unidades geomorfológicas básicas (SRAII, SRAIII e ZER - Figura 5), as quais foram
subdivididas em sete subunidades com base nas diferentes subacias presentes na área do
município. As unidades SRAII e SRAIII constituem unidades de aplainamento regionais que
ocorrem entre as cotas 800-1000m e 650-750m, respectivamente, enquanto a unidade ZER
constitui uma zona com atividade degradacional intensa por processos erosivos ativos. A
unidade SRAII ocorre no setor centro-norte e sul do município ocupando 56,7 % da área
total, enquanto a unidade SRAIII predomina na área centro-sul e a unidade ZER ocorre na
porção sul e nordeste do município perfazendo 33,1 % e 10,2 % da área total,
respectivamente.
26
Figura 5 – Mapa Geomorfológico do Município de Rio Verde - GO
27
Unidade Geomorfológica SRAII
A unidade SRAII se caracteriza por apresentar dois padrões de dissecação (fraco e
médio – Figura 5). As zonas de dissecação fraca encontram-se nas porções do município
dominadas pela unidade geológica Cobertura Arenosa Indiferenciada (Figura 4). Estas
zonas posicionam-se no topo das áreas altimetricamente superiores, denominadas
localmente Chapadas, e são representadas por extensas superfícies planas secionadas por
vales fluviais pouco profundos e pouco ramificados, que em geral apresentam padrão de
drenagem subparalelo com baixa densidade de canais. Os interflúvios amplos e longos com
baixo declive, que dominam o relevo local, associam-se as áreas planas das Chapadas.
Vales fluviais com fundo plano e pouco entalhados, caracterizados pela presença de áreas
com alta umidade (localmente denominadas Veredas ou brejos), ocorrem entre os
interflúvios amplos. As zonas de dissecação fraca representam áreas em inicio de processo
de dissecação com pouca movimentação de materiais superfíciais por processos de
degradação e de agradação.
As zonas de dissecação média ocorrem em setores do relevo com declives mais
acentuados, os quais formam muitas vezes áreas íngremes ou mesmo escarpadas nas
bordas das Chapadas. Essas zonas se desenvolvem sob litologias pertencentes às
unidades das Formações Adamantino e Serra Geral e da Suíte Vulcânica de Santo Antônio
da Barra. Caracterizam-se pela presença de interflúvios estreitos e curtos associados a
vertentes com alto declive e comprimento de rampa curto. Vales fluviais profundos em forma
de V, densidade de drenagem média a alta e predomínio de padrão de drenagem em treliça,
são típicos dessa unidade. A presença de padrão de drenagem em treliça indica forte
controle estrutural da rede de drenagem, a qual se organiza segundo a disposição de
lineamentos estruturais (Figura 4). Nas zonas de dissecação média é comum a ocorrência
de processos de degradação por erosão laminar e linear (sulcos, ravinas e voçorocas).
Para fins deste trabalho, as zonas de dissecação média foram subdivididas em duas
subunidades com base nas áreas drenadas por diferentes sub-bacias hidrográficas. Como
resultado tem-se a zona de dissecação média drenada pela bacia hidrográfica do rio dos
Bois e a zona de dissecação média drenada pela bacia hidrográfica do rio Claro, sendo que
ambas constituem subacias do rio Paranaíba (Figura 5). Tendo em vista que as subacias
hidrográficas dos rios Paranaíba em geral apresentam morfologia e gênese diferentes, estas
duas subunidades geomorfológicas devem também apresentar comportamentos distintos
quanto à morfologia, gênese e dinâmica.
Unidade Geomorfológica SRAIII
Esta unidade predomina em áreas sob domínio geológico das Formações Serra
Geral e Adamantino (Figuras 4 e 5). A unidade SRAIII se caracteriza pela presença de vales
encaixados e interflúvios estreitos com comprimento de rampa longo. Os interflúvios dessa
28
unidade apresentam morfologias semelhantes àquelas encontradas nas áreas mais
dissecadas da superfície SRAII, entretanto os interflúvios da unidade SRAIII posicionam-se
em cotas altimétricas inferiores. Em geral, os interflúvios estão dissecados por uma rede de
drenagem com densidade média a alta e padrão predominante dendrítico. Vertentes com
declividade média a alta ocorrem nas áreas mais dissecadas posicionadas sobre os arenitos
da Formação Adamantino, onde é comum a ocorrência de feições erosivas laminares e
lineares (sulcos, ravinas e voçorocas). Vales fluviais encaixados de fundo plano,
frequentemente orientados segundo lineamentos estruturais (Figura 4), são encontrados nas
áreas altimetricamente inferiores localizadas sobre rochas de filiação basáltica da Formação
Serra Geral. Formas de agradação (aluviões e terraços) estão em geral associadas a esses
vales e são controladas pela dinâmica dos canais fluviais de maior porte.
Observa-se, portanto, uma forte associação entre o tipo de litologia e presença de
lineamentos estruturais e a ocorrência das formas de relevo na superfície de aplainamento
SRAIII, o que demonstra um nítido controle geológico na gênese dos interflúvios, vertentes e
vales fluviais. Assim, nas áreas de ocorrência dos arenitos da Formação Adamantino se
identifica processo erosivo intenso responsável pela morfologia dos interflúvios e vertentes,
enquanto nas áreas de ocorrência da Formação Serra Geral se observa processo erosivo
menos ativo e predomínio de áreas de agradação junto aos cursos fluviais orientados por
lineamentos estruturais. Isso indica que o nível de base local associado aos cursos fluviais é
controlado por fatores litológicos associados à presença de rochas mais resistentes a
erosão como os basaltos da Formação Serra Geral.
Assim como foi realizado na unidade SRAII, a unidade SRAIII foi subdividida em três
subunidades geomorfológicas tendo como base a ocorrência de distintas subacias
hidrográficas nas áreas de domínio da unidade SRAIII, as quais apresentam morfologia,
gênese e dinâmica diferentes. Dividiu-se a unidade SRAIII nas subunidades zona de
dissecação média drenada pela bacia hidrográfica do rio dos Bois, zona de dissecação
média drenada pela bacia hidrográfica do rio Claro e zona de dissecação média drenada
pela bacia hidrográfica do rio Preto, todas pertencentes à bacia hidrográfica do rio
Paranaíba.
ZER
A unidade ZER ocorre no extremo sul e no setor nordeste do município de Rio Verde.
No extremo sul esta unidade é mais expressiva e se desenvolveu sobre rochas pertencentes
à Formação Marília, enquanto no setor nordeste esta se localiza sobre litologias
pertencentes à Suíte Vulcânica de Santo Antônio da Barra. Zonas com interflúvios residuais
estreitos fortemente dissecados caracterizam a unidade ZER encontrada no extremo sul do
município, enquanto presença de área escarpada com forte declive e desnível altimétrico
abrupto, de cerca de 300 m, caracteriza a unidade ZER encontrada no setor nordeste.
29
Em ambas áreas há presença de formas de relevo elaboradas por recuo de escarpas
de erosão localizadas nas bordas da superfície regional de aplainamento SRAII. As formas
de relevo resultantes do recuo de escarpas de erosão são escarpas, interflúvios dissecados
e vertentes íngremes; onde as escarpas representam formas de relevo em estágio evolutivo
erosivo menos avançado do que os interflúvios dissecados.
As áreas com escarpa caracterizam um relevo com alta energia mecânica e forte
poder erosivo, enquanto as áreas com interflúvios dissecados representam formas de relevo
com menor energia mecânica e mais próximas dos níveis de base locais. É comum a
ocorrência de processos erosivos lineares (sulcos e ravinas) nas áreas com interflúvios
dissecados enquanto movimentos de massa (queda de blocos ou desmoronamentos) são
encontrados nas áreas escarpadas. No sopé das escarpas são frequentemente encontrados
depósitos de talus com fragmentos de lateritas provenientes do desgaste por recúo da
escarpa de erosão dos materiais que suportam a superfície de aplainamento SRAII.
MAPA DE SISTEMAS
TUBULARES
AQUÍFEROS
(OU
HIDROGEOLÓGICO)
E
DE
POÇOS
Metodologia
O mapa de sistemas aquíferos do município de Rio Verde contendo a área de
ocorrência de cada sistema aquíferos e a localização de poços tubulares perfurados para
extração de água subterrânea na área do município está apresentado na Figura 6 e
descritos em seguida.
O limite e a classificação dos sistemas aquíferos e os dados dos poços tubulares
foram compilados da publicação Hidrogeologia do Estado de Goiás (ALMEIDA et al., 2006)
produzida
pela
Secretaria
de
Geologia
e
Mineração
do
Estado
de
Goiás.
Complementarmente a compilação, foi calculada a reserva explotável de água subterrânea
para cada sistema aquífero do município de Rio Verde com base nas equações propostas
por Almeida et al. (2006), como também foi avaliada a procedência geológica das águas
subterrâneas presentes nos poços tubulares perfurados.
Definição de Sistema Aquífero (ALMEIDA et al. 2006)
Um sistema aquífero constitui uma unidade hidrogeológica homogênea quanto ao
tipo de aquífero (freático ou profundo) e aos aspectos geológicos (litologia e estrutura). Na
área do município de Rio Verde ocorrem os sistemas aquíferos Bauru, Serra Geral,
Cachoerinha e Aquidauana. Em geral, esses sistemas aquíferos apresentam águas
subterrâneas de boa qualidade, predominantemente bicarbonatadas cálcicas, e pouco
salinas.
30
Figura 6 – Mapa dos Sistemas Aquiferos e de Poços Tubulares do Município de Rio Verde - GO
31
Descrição
OS SISTEMAS AQUÍFEROS DE RIO VERDE
Sistema Aquífero Bauru
O sistema aquífero Bauru é o de maior ocorrência na área do município de Rio Verde
(83% da área total – Figura 6). Este representa aquíferos onde esta localizado o maior
número de poços tubulares para extração de água subterrânea (267 poços tubulares). O
sistema aquífero Bauru constitui um reservatório de água subterrânea presente nos arenitos
grossos a muito finos das Formações Adamantina e Marília. Estes reservatórios constituem
aquíferos livres, porosos, homogêneos e isotrópicos.
Os aquíferos desse sistema possuem potencial hidrogeológico variável de acordo
com suas capacidades de recarga e de reserva, as quais estão relacionadas à espessura do
material inconsolidado sobreposto às rochas, ao grau de intemperismo dos arenitos e ao
tipo litológico presente. Por exemplo, em áreas da Formação Marília com arenitos
cimentados o potencial hidrogeológico é baixo, em decorrência da baixa porosidade da
rocha, enquanto nas unidades constituidas por arenitos friáveis o potencial hidrogeológico é
alto. Os dados de vazão dos poços tubulares nesse sistema de aquífero indicam que as
vazões variam de 1 m3/h (mínima) até 98 m3/h (máxima) com valor médio de 8,26 m3/h.
Sistema Aquífero Serra Geral
O sistema aquífero Serra Geral representa o segundo maior sistema em área de
ocorrência no município de Rio Verde (14,9% da área total). Rochas vulcânicas
pertencentes às unidades Formação Serra Geral, Suíte Vulcânica de Santo Antônio da
Barra e Formação Verdinho constituem as litologias formadoras desse sistema aquífero. Por
se tratar de rochas vulcânicas pouco porosas, as águas subterrâneas são encontradas em
zonas fraturadas ou planos de falha. O aquífero é, portanto, do tipo fraturado e anisotrópico
com grande variabilidade nos parâmetros hidrodinâmicos e dimensionais. Sendo assim, a
potencialidade de armazenamento e extração de águas subterrâneas nesse sistema é
fortemente dependente do padrão de fraturamento ou ocorrência de falhas.
Conforme pode ser observado no mapa Geologia e Potencial Mineral (Figura 4), a
zona de ocorrência de lineamentos estruturais (fraturas ou falhas) está concentrada
especialmente no setor centro-leste do município, onde afloram rochas pertencentes à
Formação Serra Geral e onde há ocorrência desse sistema aquífero. No município de Rio
Verde foram encontrados 87 poços tubulares associados a esse sistema de aquífero. Os
dados de vazão dos poços tubulares nesse sistema de aquífero indicam que as vazões
variam de 0,56 m3/h (mínima) até 22 m3/h (máxima) com valor médio de 7,14 m3/h.
32
Sistema Aquífero Cachoeirinha
Esse sistema aquífero ocorre sobre substrato areno-argiloso friável pertencente à
Formação Cachoerinha (Figuras 4 e 6). A área de ocorrência do sistema aquífero
Cachoerinha soma 2 % da área total do município de Rio Verde e está restrita a sua porção
extremo sul. O sistema aquífero Cachoerinha é constituido por um conjunto de aquíferos
livres e semiconfinados, homogêneos e isotrópicos. Alcança em média 20 metros de
espessura e constitui um sistema aquífero de díficil explotação, dada a tendência do
substrato areno-argiloso a causar desmoramentos durante a perfuração dos poços e
turbidez nas águas bombeadas pelos poços. De acordo com os dados consultados (Almeida
et al., 2006), não foi encontrado nenhum poço tubular perfurado para explotação de água
subterrânea em área de ocorrência desse sistema aquífero no município de Rio Verde.
Sistema Aquífero Aquidauana
O sistema aquífero Aquidauana é encontrado no município de Rio Verde em zona de
domínio da Formação Corumbataí, a qual ocorre numa pequena parcela à norte do
município (Figura 4 e 6). Esse sistema aflora em 0,1 % da área total do município e constitui
um sistema aquífero confinado, anisotrópico, heterogêneo e com grande variação lateral,
que se desenvolve sobre as sequências rítmicas de siltitos e argilitos intercalados
ocasionalmente por arenitos finos a muito finos da Formação Corumbataí. Em zonas com
alto grau de cimentação dos estratos arenosos e presença de siltitos e argilitos ocorre
diminuição da potencialidade de armazenamento e fornecimento de água desse sistema,
enquanto em áreas onde as rochas sedimentares da Formação Corumbataí se apresentam
fortemente intemperizadas há maior potencialidade desse sistema aquífero para
armazenamento e fornecimento de água. Também de acordo com os dados consultados
(Almeida et al., 2006), não foi encontrado nenhum poço tubular perfurado para explotação
de água subterrânea em área de ocorrência desse sistema aquífero no município de Rio
Verde.
CÁLCULOS DAS RESERVAS DE ÁGUA SUBTERRÂNEA PARA O MUNICÍPIO DE RIO
VERDE
A definição de reservas renovável, permanente e explotável obedece ao proposto
por Almeida et al ( 2006), a saber:
Reserva renovável - também chamada de reserva reguladora, compõe os volumes
que anualmente circulam pelo aqüífero, compondo um volume de rápida circulação, de
águas jovens e em geral vinculadas a fluxo hidrogeológico local.
Reserva permanente ou secular - compõe o volume de água de lenta circulação que
ocupa a porosidade efetiva abaixo do nível da superfície piezométrica (freática) média. Esta
33
reserva é composta por águas mais antigas, associadas à sistemas de fluxo intermediário a
regional e em geral mais mineralizadas.
Reserva explotável - esta compõe o volume que pode ser retirado do aqüífero em
termos sustentáveis, sem causar danos irreversíveis aos reservatórios subterrâneos. Este
tipo de reserva é também denominada de ecológica e quando os sistemas são bombeados
em taxas muito superiores à reserva explotável ocorrem problemas de rebaixamento
demasiado dos níveis d’água, ativação ou reativação de dolinas, desenvolvimento de sismos
induzidos e colapso no abastecimento.
A equação utilizada para o cálculo da reserva explotável de água subterrânea para
cada sistema aquífero é apresentada abaixo:
Reserva explotável (Re) = Reserva renovável (Rr) + % da Reserva permanente (Rp) a ser explotada
onde,
Rr = A x p x I
sendo A = área aflorante do sistema aquífero (m2), p = percentagem da precipitação média
anual que participa da recarga, I = precipitação média anual (m/ano).
Rp = A x b x ηe (ou IFi)
sendo A = área aflorante do sistema aquífero (m2), b = espessura saturada das unidades
que compõe o sistema aquífero (m), ηe = porosidade efetiva para aquíferos intergranulares,
IFi = índice de fraturamento interconectado para aquíferos fissurais.
Os valores obtidos aplicando as equações acima são apresentados na Tabela 3
abaixo:
Tabela 3 - Cálculos da Reservas Renovável, Permanente e Explotável (Re) para os sistemas
aquíferos que ocorrem no município de Rio Verde
Reserva Permanente
Reserva Renovável
Sistema
Aquífero
Reserva
Explotável
A
(m2)
P
(%)
I
(m/ano)
Rr
(m /ano)
A (m2)
b
(m)
ηe
(ou
IFi)
Rp
(m3)
% Rp
a ser
explotada
Re
(m3/ano)
Bauru
69560000
0.12
1.7
14.190.240
69560000
200
0.1
1.391.200.000
0.1
139.120.000
Serra Geral
12970000
0.12
1.7
2.645.880
12970000
100
0.035
45.395.000
0.1
4.539.500
Cachoeirinha
1740
0.12
1.7
354,96
1740
20
0.08
2.784,00
0.1
278,40
Aquidauana
65,7
0.12
1.7
13,40
65.7
200
0.06
788,40
0.1
78,84
3
34
LOCALIZAÇÃO E ANÁLISE DOS POÇOS TUBULARES PARA EXPLOTAÇÃO DE ÁGUA
SUBTERRÂNEA
Conforme a Figura 6 já apresenta (Mapa de Sistemas Aqüíferos e Poços Tubulares
para o município de Rio Verde), constata-se uma concentração de poços na área urbana e,
secundariamente, na porção central do município. Vários aqüíferos alimentam tais poços.
O sistema aquífero Bauru é o que apresenta o maior número de poços tubulares
perfurados no município de Rio Verde, seguido pelo sistema aquífero Serra Geral. Não há
registro de poços tubulares perfurados nos sistemas aquíferos Cachoerinha e Aquidauana.
O sistema aquífero Bauru apresenta um total de 267 poços tubulares perfurados na
sua área de ocorrência. A vazão média calculada para o total de poços é de 8,26 m3/h e a
soma das vazões é de 2.196 m3/h. Tem-se que a vazão estimada de água subterrânea
explotada pelos 267 poços é de 19.236.960 m3/ano, valor este calculado para o período de
um ano (365 dias) com os poços tubulares operando em sua capacidade máxima (vazão
máxima) durante 24 horas por dia. Esse valor é superior à quantidade anual de 14.190.240
m3/ano calculada para a reserva renovável de água subterrênea desse sistema aquífero
(Tabela 3). Isso indica que a perfuração de novos poços tubulares, sem um criterioso estudo
de viabilidade ambiental, pode comprometer seriamente a reserva renovável e parte da
reserva permanente desse sistema aquífero.
Segundo os dados de Almeida et al. (2006), no sistema aquífero Serra Geral foram
perfurados um total de 87 poços tubulares. A soma das vazões de todos os poços é de 621
m3/h sendo a vazão média de 7,14 m3/h. A vazão total anual estimada para os 87 poços é
de 5.439.960 m3/ano, considerando nessa estimativa que os poços operam 24 horas por dia
em sua capacidade máxima durante 365 dias no ano. Esse valor equivale a quantidade
anual da reserva explotável, que é de 4.539.500 m3/ano, e aproximadamente ao dobro da
quantidade anual de água subterrânea proveniente da reserva renovável, que é de
2.645.880 m3/ano (Tabela 3). Nesse caso, estudos criteriosos de viabilidade ambiental para
perfuração de novos poços tubulares se fazem altamente necessários, face ao atual
comprometimento da reserva explotável desse sistema aquífero.
35
TEMA 3 - DRENAGEM DO MUNICÍPIO DE RIO VERDE – GO
Introdução
Na análise da rede de drenagem enfatizou-se a identificação do conjunto de subbacias que compõem a rede de drenagem e a avaliação de suas variáveis internas como:
área e desnível geral da bacia, padrão de drenagem; morfologia de canais; perfil
longitudinal; aporte de sedimentos; controles litoestruturais.
A mensuração destas variáveis possibilitará, numa próxima etapa, definir áreas de
risco, susceptíveis a impactos ambientais derivados da atividade dos fluxos hídricos, através
da identificação e reconhecimento dos processos de erosão/assoreamento atuantes nas
calhas e vales dos canais fluviais.
A decisão de abordar essas informações disponíveis no recorte das bacias
hidrográficas se deveu ao fato de que a análise do comportamento das variáveis ambientais,
segundo este parâmetro, vem ganhando importância estratégica no planejamento e na
gestão de políticas territoriais.
Esta abordagem assume especial relevância quando se considera a necessidade da
regulação dos recursos hídricos, tendo em vista as conseqüências político-sociais de seu
uso compartilhado sobre a qualidade de vida da população.
Metodologia
Para a realização do Mapa de Drenagem em escala 1:100.000 do Município de Rio
Verde acessou-se o portal do IBGE e através da sessão Mapas Interativos, obteve-se as
cartas que compõem a área do município. As cartas de interesse em escala 1:100.000
foram: SE.22-V-D-II, SE.22-V-D-III, SE.22-V-D-V, SE.22-V-D-VI, SE.22-V-D-I, SE.22-V-D-II,
SE.22-V-D-IV, SE.22-V-D-V, SE.22-Y-B-III, SE.22-Z-A-I e SE.22-Z-A-II. Todas essas cartas
estão disponibilizadas em formato.dgn e foi necessário realizar conversão para o formato
shapefile (.shp) no programa ArcGIS, tornando os arquivos compatíveis a esse programa,
podendo assim trabalhar sobre tais informações.
Com os dados convertidos para shapefile no ArcGIS foram extraídas as informações
sobre drenagens contidas nas cartas e realizada a junção dessas cartas através da
ferramenta “Merge”, que junta vários shapefiles e suas respectivas informações em um
shapefile maior e mais completo. Após essa junção, foi realizado através da ferramenta
“Clip” o recorte da área do municio de Rio Verde; O shapefile do limite municipal foi
adicionado ao projeto e a ferramenta “Clip” realizou o recorte de acordo com o limite, criando
assim um arquivo com os dados somente da área de interesse para o projeto.
36
Aliado
a
esse
projeto,
foi
obtido
também
o
shapefile
dos
estudos
de
Compartimentação do Estado de Goiás em Bacias Hidrográficas, segundo metodologia
definida por Otto Pfafstetter, através da página do SIEG Goiás e Superintendência de
Geologia e Mineração – SIC. As chamadas Ottobacias são classificadas de acordo com
determinado curso d’agua, tornando-o desta forma o curso principal e, a partir deste, é
possível hierarquizar os cursos e localizar as bacias e interbacias posteriores, permitindo a
definição do posicionamento destas e seus ordenamentos.
Em procedimento já mencionado utilizando a ferramenta “Clip”, foram obtidas as
bacias correspondentes à drenagem presente na área do Municio de Rio Verde.
Foram
contabilizadas
doze
Ottobacias,
sendo
elas
agrupadas
em
cinco
compartimentos, como mostra a Tabela 4, adiante. As distintas sub-bacias foram agrupadas
em compartimentos que representam setores do Município com características hidrológicas
superficiais similares. Essa compartimentação estabelece-se nas relações entre a altimetria,
topografias, declividades, rochas, solos, cobertura vegetal e o uso do solo.
Em outro nível de análise, posteriormente deverá se considerar aspectos internos da
bacia, como a morfometria da rede de canais, o comportamento dos fluxos, as
características da carga transportada etc, variáveis que vão explicar a geração e mobilidade
dos depósitos fluviais além de outras características sedimentológicas e morfológicas dos
mesmos, visando determinar os potenciais riscos ambientais que caracterizam as condições
da bacia e permitem o planejamento da sua ocupação.
Descrição
A Figura 7 apresenta o Mapa de drenagem do município e a Tabela 2 os
Compartimentos citados.
COMPARTIMENTAÇÃO DO SISTEMA DE DRENAGEM
A análise do arranjo espacial de cursos fluviais dentro de uma bacia hidrográfica, que
em grande parte é controlada pela estrutura geológica, estabelece o padrão de drenagem
da mesma (STRALHER, 1952). Esses fatores geológicos, como a disposição, natureza e
grau de resistência das rochas, geram padrões de drenagem diferentes, inclusos na mesma
bacia.
As subacias que compõem a rede hidrográfica do Município de Rio Verde,
apresentam variados padrões de drenagem baseados nos padrões descritos na literatura
(CHRISTOFOLETTI 1980), podendo-se distinguir os tipos retangular, espinha de peixe,
subparalelo e dendritico-subdendrítico.
37
Figura 7 - Sistemas de Drenagem e Bacias Hidrográficas do Município de Rio Verde.
38
38
Comparti
mento
1
Tabela 4 - Compartimentos de Drenagem
Desnível
Área total
Sup
Área
Bacia- Subacias
geral
(Km²)
(Km²)
(%)
(mts)
Região hidrográfica a montante Foz do Rio
919,8
10,98
250-300
Ponte de Pedra
Região hidrográfica Rio Verdinho/Rib.
3483,0
2311,0
27,57 41,55
300
Monte Alegre
Região hidrográfica Foz do Rio São
252,2
3
250-300
Tomaz/Rio Verdinho
Bacia hidrográfica do Rio Ponte de Pedra
2
3
4
5
Região hidrográfica Foz do Ribeirão Monte
Alegre/Rio Ponte de Pedra
Bacia
hidrográfica
Foz
do
Rio
Verdinho/Ribeirão Monte Alegre
Região hidrográfica Foz do Rio Verde ou
Verdão/Rio São Tomaz,
Região hidrográfica Foz do Rio Santa
Bárbara/Rio Verdão
303,4
21,1
3,61
416,9
0,25
4,96
Longitude
canal ppal
(Km)
100
110
100
50-100
5-10
50-100
3-5
92,4
1,10
50-100
5-7
663,1
7,91
250
50
200
10-15
101,7
1,21
1480,3
17,64
Bacia hidrográfica do rio São Francisco
282,7
3,36
200
10-15
Região hidrográfica a montante do Ribeirão
Foz do rio João Pinto
432,8
5,16
200
5-7
Bacia hidrográfica Rio Doce
Bacia hidrográfica Rio São Tomaz
1787,0
1217,9
1787,0
1217,9
21,31
14,53
21,31
14,53
150-200
200-250
Observações
Bacias alongadas, padrões
morfológicos com forte controle
lito-estrutural.
Vales entalhados na espessa
cobertura arenosa.
Bacias menores do extremo
Leste do Município. Canais
curtos com elevada pendente.
Nivel de base sobre basaltos e
vulcanitas.
Bacias menores do extremo
Sul do Município. Canais curtos
com
elevada
pendente.
Nascentes
alojadas
sobre
remanentes de áreas planares
e
escarpas
abruptas.
Superfícies irregulares muito
movimentadas.
15-25
Sub-bacias
da
margem
esquerda do rio Doce. Canais
curtos
com
importante
desnível. O Tramo inferior
sobre basaltos Serra Geral.
50
Bacia com padrão dendrítico,
sobre sedimentos da Fm
Adamantina. Nível de base
suportado pelos basaltos da
serra Geral.
39
Esses padrões refletem distintos estágios na evolução da paisagem regional,
determinada pela predominância atual de processos erosivos e a presença de
importantes condicionantes estruturais em alguns setores, representados pela
atividade tectônica recente (Neotectônica).
As morfologias de canais fluviais analisadas nesta etapa são oriundas dos
processos erosivos e deposicionais do agente fluvial. Entretanto, sua atividade é
subsidiada
por
outros
processos
e
agentes
que
atuam
previamente
e
concomitantemente, como a ação do intemperismo e a atração gravitacional, agindo
sobre os produtos do primeiro, como os solos e depósitos nas encostas das elevações
e mesmo nos leitos dos rios.
Compartimento 1 - Subacias do Topo de Chapada
As superfícies aplainadas constituem a feição morfológica dominante na porção
Norte do Município. Apresentam topografia plana a suavemente ondulada, levemente
dissecadas em colinas amplas e suaves com desnivelamentos inferiores a 40 metros e
uma densidade de drenagem muito baixa (Figura 7).
Entre os interflúvios amplos ocorrem vales fluviais com fundo plano e pouco
entalhado, caracterizados pela presença de áreas com alta umidade (localmente
denominadas Veredas ou brejos).
A rede de drenagem é formada por bacias estreitas e alongadas que
apresentam
caracteristicamente
um
grande
desenvolvimento
em
direções
preferenciais determinadas pelos condicionantes lito-estruturais regionais. Desta
maneira a rede de drenagem desenvolve-se sob forte controle estrutural, como por
exemplo o padrão retangular (espinha de peixe) que na área pesquisada é controlado
por lineamentos NW-SE, os quais cortam transversalmente um segundo lineamento
com direção NE-SW (Lineamento Transbrasiliano).
Neste Compartimento a forte influencia da Neotectonica, refletida na reativação
destes antigos e importantes lineamentos de escala regional, possibilita o
encaixamento da rede de drenagem local, em busca de re-equilíbrio com o nível de
base regional, desta forma os cursos fluviais tendem a incidir verticalmente os vales
(encaixamento), desencadeando, por sua vez, um aumento no gradiente de
declividade das vertentes.
O
desnível
geral
destas
sub-bacias
é
de
300mts
(900/600
mts)
aproximadamente e a rede de drenagem apresenta uma importante extensão (aprox.
40
100 km), mas uma ordem hierárquica muito baixa (STRALHER, 1952 ). A seção
inferior dos vales aparece entalhada na espessa cobertura arenosa.
Os principais cursos d’água neste Compartimento (rio Verdinho e outros) são
todos tributários do Rio Verdão, e exibem um padrão de drenagem paralelo. No trecho
inferior destes vales, observa-se um perfil de equilíbrio escalonado em diferentes
patamares litológicos, onde cada soleira controla um nível de base local. Esses
ressaltos estão associados á presença de afloramentos de rochas mais resistentes
pertencentes à Formação Serra Geral.
Compartimento 2 - Subacias do extremo Leste
Este compartimento agrupa 3 subacias menores localizadas no extremo
Nordeste do município. Em conjunto ocupam uma área de 417 km2, representando
aproximadamente 5 % da área do Município de Rio Verde.
Os canais principais, com padrões subparalelos têm um curto percurso (< 10
km) e um perfil irregular, vales em “V”, topos angulosos e o predomínio de vertentes
côncavo-convexas.
Esses afluentes do rio Verdão apresentam importantes desníveis, uma vez que
suas cabeceiras se desenvolvem em ressaltos gerados pela intercalação de rochas de
distinta resistência a erosão, como os basaltos da Formação Serra Geral, e
principalmente as rochas vulcânicas da Suíte de São Antonio da Barra.
Compartimento 3 - Subacias do Sul
Este Compartimento é formado por 4 subacias de menor porte. Localiza-se na
porção sul da área de estudo e sua área de abrangência ocupa 1480 Km2, ou seja,
17,64 % do total da área do Município.
Nestas bacias, as cabeceiras estabelecem-se no topo e escarpas de antigas
superfícies de topo plano. Nestas geoformas remanecentes, a altitude chega a 800
metros e abriga as nascentes de rios curtos com perfis longitudinais de elevada
pendente. A foz destes canais se encontram em uma cota altimétrica de 600 mts
aproximadamente
A forte declividade destes cursos promove o predomínio de erosão linear,
padrões de drenagem paralelos, pouco desenvolvidos, vales em “V”, vertentes
retilíneas, côncavas e côncava-convexas, topos angulosos, assimétricos e alongados.
O predomínio, entretanto, nestas superfícies planares é das coberturas
argilosas da Formação Cachoeirinha, de idade Terciária, o substrato geológico
41
predominante é representado pela Formação Marilia, o que confere a este
compartimento um fator adicional ao considerar o seu potencial erosivo.
No “front” das escarpas são geradas as condições para intensificação da
erosão, sobretudo nos segmentos de alta e média vertente. Nestes terrenos íngremes,
os solos tendem a ser muito rasos, ainda que sustentem uma vegetação de porte
florestal.
Esta condição geo-ecológica caracteriza a escarpa com presença de
geoformas planares remanecentes, como uma unidade geomorfológica muito
susceptível
a
movimentos
de
massa,
destacando-se
deslizamentos
rasos
translacionais no contato solo-rocha durante eventos climáticos de extrema
pluviosidade.
Compartimento 4 - Subacias do Rio Doce
O Compartimento de Oeste esta representado pelos cursos da margem
esquerda do rio Doce. As nascentes se desenvolvem nas escarpas da Superfície
Regional de Aplainamento do setor Norte, e nos afloramentos da Formação
Adamantina no setor Sul do Município.
O gradiente dos canais é muito elevado nas subacias deste compartimento.
Apresentam uma área de 1787 Km2, ou seja, 21,3 % do total. Os canais curtos
apresentam um perfil irregular, vales em “V”, topos angulosos e o predomínio de
vertentes côncavo-convexas. Os basaltos da Formação Serra Geral constituem o piso
dos vales na porção inferior das subacias..
Neste compartimento a Formação Serra Geral é constituída por basalto
toleítico, de coloração escura, marrom a cinza escuro e esverdeado, textura
predominantemente afanítica, e amigdalóide no topo dos afloramentos. A estrutura
geral pode apresentar descontinuidades pela presença de diques e soleiras de
diabásio granular.
Compartimento 5 - Depressão Central - Bacia do rio Santo Tomaz
Nesta área mais rebaixada do Município, o substrato é formado pelas rochas
sedimentares e vulcânicas básicas constituintes da Bacia do Paraná. O relevo neste
compartimento caracteriza-se por colinas e morros dissecados, com média a alta
densidade de drenagem, apresentando, em geral, desníveis inferiores a 60 metros, e
vertentes de gradiente suave a moderado.
O padrão dendrítico-subdendrítico, predominante na sub-bacia do rio Santo
Tomaz, sofre pouca ou nenhuma influência de elementos estruturais e se caracteriza
42
por apresentar uma ramificação arborescente, cujos tributários se unem em uma só
corrente principal formando ângulos agudos.
As cabeceiras da subacia estão desenvolvidas sobre as rochas da Formação
Adamantina compostas de metassedimentos argilosos, arenosos e carbonáticos,
tornando-a uma área vulnerável a fortes atividades erosivas. Os trechos médios e
inferior geralmente ocorrem sobre rochas resistentes e uniformemente erodidas
(Basaltos Serra Geral ).
A bacia mais importante neste compartimento é aquela do rio Santo Tomaz, a
qual apresenta um desenho dendrítico, com um elevado índice de circularidade. Essa
característica morfológica constitui um importante fator na ponderação do risco hídrico
potencial, uma vez que os núcleos urbanos do Município de Rio Verde estão alojados
neste compartimento.
Em termos de hierarquia de drenagem, o rio Santo Tomaz consiste no principal
coletor da bacia homônima Apresenta um padrão de canal meandrante com trechos
retilíneos e consiste num típico rio de planície com gradiente do canal relativamente
baixo.
43
TEMA 4 – PEDOLOGIA DO MUNICÍPIO DE RIO VERDE – GO
Introdução
A relação entre as formas do relevo e os solos (morfopedologia) tem sido a
base para o mapeamento da distribuição de solos na paisagem, o que
tradicionalmente era feito de forma manual através da análise estereoscópica das
fotografias aéreas, posteriormente validada em campo. Entretanto, com a análise
digital do terreno e a utilização de filtros para realçar as imagens de satélite, a
separação das unidades morfopedológicas tornou-se uma alternativa mais rápida e
que possibilita a definição de forma automática ou semi-automática das unidades
morfológicas da paisagem (PPOLIT ET AL, 2003). Com base nesse princípio realizouse o mapeamento dos solos do município de Rio Verde, ainda que sem validação em
campo, o que será feito na próxima etapa.
Metodologia
O mapa de solos do município de Rio Verde (Figura 8) foi elaborado na escala
1/100000, de semi-detalhe, a partir do tratamento e modelagem dos dados digitais de
elevação (SRTM), a interpretação visual das imagens de satélite LANDSAT TM5,
utilizando-se ferramentas do programa SPRING 5.02 desenvolvido pelo Instituto de
Pesquisas Espaciais – INPE, o cruzamento com o mapa de declividade e tendo por
referência a compilação do mapa de solos do Estado de Goiás disponibilizado pelo
Sistema Estadual de Estatística e de Informações Geográficas do Estado de Goiás –
SIEG. As classes de solos foram atualizadas conforme as normas taxonômicas do
Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos da EMBRAPA (2006).
Especificamente, a delimitação das classes de solos foi realizada no programa
SPRING, a partir da filtragem das cenas das imagens do Satélite LANDSAT TM5
bandas 543/RGB de 2008, que serve para minimizar/realçar ruídos ou minimizar e
realçar bordas, sem alterar ou diminuir a sua resolução. Com a imagem resultante do
processamento foi gerada a segmentação e a classificação. Posteriormente, a imagem
classificada foi transformada do formato matricial para o vetorial. Com os dados no
formato vetorial foi realizado o cruzamento com o mapa de declividades e delimitadas
as classes de solos. Na tabela 5 tem-se o modelo de correlação entre relevo e solos
(morfopedológica) usada para a delimitação das unidades de mapeamento.
44
Figura 8 – Mapa de Solos do Município de Rio Verde - GO
45
Tabela 5 - Modelo de Correlação entre as Classes de declive, tipos de relevo e
agrupamento de solos
CLASSES DE
DECLIVE (%)
CLASSES DE RELEVO
CLASSES DE SOLOS
PREDOMINANTES
0-12
Plano a suave ondulado
Latossolos, Gleissolos,
Neossolos Quartzarênicos
12 -20
Ondulado
Argissolos, Nitossolos
20 – 45
Forte ondulado
Cambissolos, Neossolos
Litólicos
>45
Montanhoso
Neossolos Litólicos
No mapa de solos (Figura 8), percebe-se claramente o predomínio da classe
dos Latossolos, cobrindo pouco mais de 70% da área total. Seguem-se os Gleissolos
com pouco mais de 10%, os Argissolos Vermelho-Amarelos, com quase 9% e os
Cambissolos com pouco mais de 4% da área do município. Do restante se destacam
os Neossolos Litólicos, os Neossolos Quartzarênicos e os Nitossolos. A maioria
dessas classes está subdividida em subclasses que especificam alguma característica
de fertilidade, de feições ou de riqueza em algum componente, como ferro ou
alumínio.
Na tabela 6, em seguida apresenta-se as classes de solos que ocorrem no
município de Rio Verde, com as respectivas áreas em relação à área total do
município, sua nomenclatura, siglas e características gerais de acordo com a
classificação apresentada no SIEG (RADAMBRASIL, 1983), o atual Sistema Brasileiro
de Classificação de Solos - SisBCS (Embrapa, 2006), até o 4º. Nível categórico, ou
seja em subclasses.
46
Tabela 6 - Classes de Solos
Classes
RADAMBRASIL
(1983)
SisBCS (2006)*
Siglas
SisBCS
(2006)* +
Subclasse
Latossolo Vermelho
Aluminoférrico
Ha
%
423,38
42338,2
5,05
102,3
10229,72
1,22
378,68
37867,65
4,51
2167,92
216791,9
25,84
447,98
44797,51
5,34
771,54
77154,35
9,20
1184,17
118417,1
14,12
227,16
22715,86
2,71
28,93
2892,98
0,34
237,62
23761,95
2,83
39,61
3961,19
0,47
PVAd2
Bem
desenvolvido,
presença
de
horizonte Bt enriquecido em argila de
textura média ou argilosa sob horizonte
A ou E arenoso ou de textura média,
argila Tb.
264,04
26404,47
3,15
PVAd3
Bem
desenvolvido,
presença
de
horizonte Bt enriquecido em argila de
textura média sob horizonte A ou E
arenoso ou de textura média, Tb + PVAe
Tb de textura média em relevo ondulado
+ PVAe Tb cascalhento, textura
média/argilosa.
398,54
39854,34
4,75
PVAd4
Similar ao anterior + CXbd + RQo.
18,94
1894,4
0,23
PVAe
Bem
desenvolvido,
presença
de
horizonte Bt enriquecido em argila de
textura média ou argilosa sob horizonte
A ou E arenoso ou de textura média.
31,06
3106,49
0,37
LVaf2
LVaf3
LVd1
Latossolo Vermelho
Escuro distrófico
(LEd)
Latossolo Vermelho
Distrófico
LVd2
LVd3
LVdf1
Latossolo Roxo
distrófico (LRd)
Latossolo Vermelho
Distroférrico
LVdf2
LVdf3
Latossolo Vermelho
Amarelo distrófico
(LVd)
Latossolo Vermelho
– Amarelo Distrófico
LVAd
PVAd1
Podzólicos Vermelho
Amarelo distrófico
(PVAd)
Podzólicos Vermelho
Amarelo eutrófico
(PVAe)
Argissolo VermelhoAmarelo Distrófico
Argissolo VermelhoAmarelo Eutrófico
Características gerais
Km²
LVaf1
Latossolo Vermelho
Escuro álico (LEa)
Área
Bem
desenvolvido,
profundo,
homogêneo, textura média, relevo plano
a suave ondulado, teores elevados de
alumínio, baixa saturação em bases.
Idem anterior + RQo.
Idem LVaf1, mas distrófico e + PVAd de
textura média a arenosa/média de relevo
suave ondulado + RQo de relevo plano a
ondulado.
Bem
desenvolvido,
profundo,
homogêneo, textura argilosa a muito
argilosa, relevo plano a suave ondulado
+ LVAd argiloso a muito argiloso.
Bem
desenvolvido,
profundo,
homogêneo, argiloso, relevo plano a
suave ondulado, + LVAd argiloso + LVd
de textura média.
Bem
desenvolvido,
profundo,
homogêneo,
homogêneo,
argiloso,
relevo plano a suave ondulado, + LVd
textura média + RQo.
Bem
desenvolvido,
profundo,
homogêneo, horizonte A moderado e
proeminente, textura muito argilosa a
argilosa, relevo suave ondulado a plano.
Similar ao anterior, porém com A
proeminente
a
chernozêmico
+
Nitossolos e Latossolos com A
chernozêmico.
Similar ao anterior, mas o horizonte A
pode ser moderado a chernozêmico.
Bem
desenvolvido,
profundo,
homogêneo, argiloso a muito argiloso,
relevo plano a suave ondulado, + LVd +
LVaf.
Bem
desenvolvido,
presença
de
horizonte Bt enriquecido em argila de
textura média ou argilosa sob horizonte
A ou E arenoso ou de textura média,
argila Tb. + PVAd cascalhento Tb, suave
ondulado a ondulado.
Terra Roxa
Estruturada distrófica
Nitossolo Vermelho
Eutrófico
Nve
Cambissolo Distrófico
(Cd)
Cambissolo Háplico
Tb Distrófico
CXbd
Gleissolo Húmico
distrófico (HGPd)
Gleissolo Melânico
Tb Distrófico
GMbd
Gleissolo Pouco
Húmico distrófico
(HGPd)
Gleissolo Háplico Tb
Distrófico
GXbd
RLd1
Solo Litólico distrófico
(Rd)
Neossolo Litólico
Distróficos
RLd2
RQo1
Areias Quartzosas
álicas (AQa)
Neossolo
Quartzarênico Órtico
RQo2
Bem desenvolvido, argiloso, estrutura
forte, relevo ondulado a forte ondulado,
horizonte A moderado a chernozêmico,
+ RL com A chernozêmico argiloso de
relevo forte ondulado + LVdf muito
argiloso de relevo suave ondulado.
Pouco desenvolvido, horizonte B
inicipiente, argila Tb, não cascalhento a
cascalhento, textura média, baixa
saturação em bases, relevo ondulado a
suave ondulado + PVAd Tb cascalhento.
Baixa saturação em bases, textura
argilosa, relevo plano + RYbd (Neossolo
Flúvico Tb Distrófico).
Textura média/argiloso, relevo plano a
suave ondulado, fundos de vale
hidromórfico argiloso e veredas, argila
Tb, baixa saturação em bases, + FXd
(Plintossolo Háplico Distrófico) + LVAd.
Não desenvolvido, sem horizonte B,
textura arenosa/média, cascalhento ou
não, relevo forte ondulado +PVAe, argila
Tb.
Não desenvolvido, sem horizonte B,
cascalhento, relevo forte ondulado +
CXd,
argila
Tb,
cascalhento
+
afloramento de rochas.
Não desenvolvido, sem horizonte B,
relevo suave ondulado + PVAd Tb
textura arenosa/média.
Não desenvolvido, sem horizonte B,
relevo plano a suave ondulado + LVd de
textura média, + Cxa (Cambissolo
Háplico alumínico) não cascalhento a
cascalhento e relevo suave ondulado a
ondulado.
TOTAL
* Sistema Brasileiro de Classificação de Solos - EMBRAPA
47
111,58
11157,74
1,33
365,31
36530,78
4,36
11,5
1149,71
0,14
865,03
86503,44
10,31
58,66
5866,43
0,70
105,42
10541,95
1,26
88,51
8850,85
1,06
60,36
6036,38
0,72
8388,24
838825,4
100,00
A tabela 7, a seguir, resume a participação das classes em ordem decrescente de
área.
Tabela 7 - Resumo das áreas ocupadas pelas classes de solos no município de RioVerde
Classes de Solo
LVd
LVdf
LVaf
GXbd
PVAd
CXbd
LVAd
RL
RQo
NVe
PVAe
GMbd
Total
Km²
Área
Ha
%
3387,44
1440,26
904,36
865,03
721,14
365,31
237,62
164,08
148,87
111,58
31,06
11,50
8388,25
3387437,11
1440259,75
904355,67
865030,00
721144,01
365310,00
237620,00
164083,81
148872,34
111580,00
31060,00
11500,00
8388252,69
40,38
17,17
10,78
10,31
8,60
4,36
2,83
1,96
1,77
1,33
0,37
0,14
100
48
Pode-se constatar pelas tabelas 6 e 7 e pela Figura 8, que os Latossolos dominam
mais de 2/3 da área municipal, mas subdividem-se em LVd (Latossolo Vermelho distrófico),
LVdf (Latossolo Vermelho distroférrico), LVaf (Latossolo Vermelho aluminoférrico) e LVAd
(Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico), sendo que o primeiro (LVd) representa mais da
metade desse total.
Os Latossolos são solos muito intemperizados, resultantes da remoção de sílica e de
bases trocáveis no perfil de solo e apresentam minerais secundários do grupo da caulinita,
óxidos, hidróxidos e oxi-hidroxidos de Fe e Al como a hematita, goethita, gibssita e outros.
São solos minerais, não hidromórficos, profundos apresentando horizonte B latossólico (Bw)
muito espesso. Apresentam uma seqüência de horizontes A, Bw e C pouco diferenciada
com cores variando de vermelha a amarela. As estruturas predominantes são em blocos
subangulares e ou em forma muito pequena granular podendo compreender partes com
aspecto maciço poroso. Apresentam baixo teor de silte podendo geralmente ser argilosos a
areno-argilosos argila. São excessivamente a acentuadamente drenados, conforme a
natureza da textura, da estrutura e da situação topográfica, as no geral apresentam boa
retenção de umidade para as plantas. Quanto à fertilidade costumam ser ácidos a muito
ácidos, com baixa saturação em bases, baixa capacidade de troca catiônica, mas podem ser
corrigidos e adubados pois apresentam um bom potencial para retenção de cátions. Não
raro, apresentam teores elevados de alumínio e pode concentrar concreções ferruginosas.
Ocorrem em terrenos de baixa declividade, formas planas ou muito suaves e normalmente
em posição de topo, representando os níveis de recarga de freáticos locais e até mesmo
regionais. Em geral não são suscetíveis à erosão hídrica, podendo desenvolvê-la sobretudo
se desenvolver compactação superficial relacionada com pisoteio de animais ou
subsuperficial (pé-de-grade ou pé-de-arado) pela passagem de máquinas agrícolas mais
pesadas. Quando irrigado e compactado pode desenvolver fungos (mofo branco ou outros)
e pode promover a dissociação entre argila e ferro causando dispersão forte de argilas e
dificuldades de manutenção de implementos agrícolas.
Na área de Rio Verde os Latossolos ocorrem principalmente nas áreas reconhecidas
como das chapadas, que são superfícies residuais de aplainamento, com topografia plana e
suave ondulada e de recarga local. O LVd, que domina no município, representa bem as
características citadas. O LVdf já apresenta maiores teores de ferro e o LVaf de ferro e
também de alumínio, o que condiciona maiores restrições de manejo. Ocorrem mais nas
bordas das chapadas. Como se verá adiante
Os Gleissolos Háplicos (CX) e os Melânicos (GM) somam juntos mais de 10% da
área do município. São classes de solos que geralmente ocupam as depressões do relevo
49
muito suavemente concavizadas e sujeitas a saturação permanente pelo lençol freático,
como também os fundos de vale, veredas, áreas de nascentes e planícies inundáveis. São
mal ou muito mal drenados, apresentando com freqüência, uma espessa camada de matéria
orgânica mal decomposta (turfa) sobre uma camada acinzentada (gleizada), resultante do
ambiente saturado onde dominam processos de oxi-redução do ferro. Apresentam textura
bastante variável ao longo do perfil. Quando argilosos ou muito argilosos, sua consistência é
plástica e pegajosa. Podem ser ricos quimicamente ou pobres em bases com teores de
alumínio elevados. Costumam ser dominantes e áreas de Preservação Permanente (APP)
de drenagem e de nascentes, por isso representam terrenos sensíveis sendo muito
importante preservá-los para não comprometer o reservatório hídrico e não promover
voçorocamentos. No município de Rio Verde eles ocorrem em praticamente todos os rios e
ribeirões do município.
Os Argissolos Vermelho-Amarelos (PVA) correspondem a pouco mais de 8% da área
do município. Apresentam como característica típica um aumento substancial no teor de
argila em profundidade resultante de movimentação de argila do horizonte A para o B,
formando horizonte B textural. São solos minerais, não hidromórficos, cujo horizonte B
textural apresenta cores avermelhadas e/ou amareladas, com tendência a tonalidades mais
escuras do que as cores dos horizontes acima, com os quais contrastam também e textura.
Ocorrem nas áreas de relevo ondulado ou forte ondulado com declividades de 12% até
45%. No município são distróficos e ocorrem predominantemente no seu quadrante sul
associados aos terrenos moderadamente declivosos. Ocorrem também nos setores mais
declivosos associados aos Cambissolos e aos Neossolos Litólicos. São suscetíveis à erosão
hídrica linear (sulcos, ravinas e mesmo voçorocas) e por isso necessitam de práticas
conservacionistas de moderadas a severas.
Os Cambissolos correspondem a 4,36 % da área e constituem manchas situadas
preferencialmente a nordeste do município relacionadas com os declives moderados que
precedem as superfícies de aplainamento . Apresentam horizonte superficial submetido a
pouca alteração química e física, porém suficiente para o desenvolvimento de cor e
estrutura, todavia de pouca expressão em espessura e em grau de desenvolvimento, daí a
nomenclatura de horizonte B incipiente. Em geral ainda conservam minerais primários
facilmente intemperizáveis e geralmente ocorrem em relevos mais movimentados
(ondulados e forte ondulados) podendo aparecer em cotas intermediárias entre os
argissolos e neossolos litóllicos.
Os Nitossolos correspondem a 1,33 % e ocorrem em porções suito localizadas,
sobretudo a nordeste do município, nos segmentos médios e inferiores das encostas
onduladas até forte onduladas, em geral associados à presença de rochas básicas do
50
substrato, como os basaltos. De modo geral, apresentam estrutura bem desenvolvida no
horizonte B nítico, sendo do tipo prismática ou em blocos subangulares. Costumam ser
argilosos, eutróficos e por isso apresentarem boa fertilidade natural.
Os Neossolos Quartzarênicos correspondem a 1,77 % da área, geralmente são
profundos, apresentando textura arenosa ou franco-arenosa, constituídos essencialmente
de quartzo, com máximo de 15% de argila e seqüência de horizontes do tipo A-C.
Normalmente ocorrem em relevo plano ou suave ondulado sobre substratos areníticos ou
arenosos (depósitos sedimentares). Caracterizam-se por apresentar areias inconsolidadas,
cuja estrutura é fraca, pouco coerente e constituida basicamente de grãos simples de areia
solta. São muito porosos e excessivamente drenados, exceto quando são finos a muito
finos. Quimicamente apresentam baixa disponibilidade em nutrientes para as plantas, porém
são muito suscetíveis à erosão hídrica quando ocorrem nas cabeceiras de drenagem ou
fundos de vale e encontram-se expostos. Na área ocorrem em duas manchas visíveis na
escala adotada, uma a oeste e outra ao sul.
Os Neossolos Litólicos apresentam horizonte A ou hístico, assente diretamente sobre
a rocha ou sobre um C ou Cr e são constituídos por fragmentos de rocha com diâmetro
maior que 2 mm (cascalhos, calhaus e matacões). Apresentam contato lítico típico ou
fragmentário dentro de 50 cm da superfície do solo. Ocupam os relevos mais declivosos
onde o escoamento superficial é intenso, favorecendo a erosão superficial e não o
desenvolvimento dos solos. Costuma estar relacionados a APP de encosta e por isso devem
ser preservados. Na área ocorrem preferencialmente a oeste e ao sul relacionados às
bordas e escarpas das chapadas.
Em síntese, os Latossolos Vermelhos distróficos apresentam aptidão agrícola
elevada, suportando bem lavouras intensivas, seguindo-se os demais latossolos com boa
aptidão, mas requerendo mais cuidados por restrição devida à presença de concreções e
muito baixa fertilidade. Com aptidão intermediária situam-se os Argissolos que exigem
práticas conservacionistas moderadas a severas. Os Neossolos Quartzarênicos apresentam
aptidão boa para pastagens desde que bem manejadas e os demais solos apresentam
diferentes restrições devido ou ao excesso de declive ou de água. No geral, o município
apresenta notável aptidão agrícola para uso e manejo intensivos, o que é corroborado pelo
uso do solo, como se pdoerá constara a seguir.
51
TEMA 5 – USO DO SOLO DO MUNICÍPIO DE RIO VERDE – GO
Introdução
A elaboração de mapas de uso do solo é útil para a atualização das formas de uso e
de ocupação do Município, apresentando-se, portanto, como uma importante ferramenta
para o planejamento. Esse tipo de mapa possibilita também a identificação de indicadores
ambientais, a avaliação da capacidade de suporte ambiental diante dos diferentes manejos
empregados, contribuindo, então, para a identificação de alternativas promotoras da
sustentabilidade do desenvolvimento (IBGE, 2006).
Nesta seção do relatório é apresentado o mapa de uso do solo e de remanescentes
das fitofisionomias originais (nativas), a fim de interpretar os tipos de uso do solo adotados
pelo município de Rio Verde.
Metodologia
O mapa de uso do solo e de remanescentes foi realizado no software Spring, a partir
da ferramenta de classificação segmentada por regiões. Esta ferramenta utiliza como
critérios de análise para a classificação a informação espectral de cada pixel e relação deste
entre seus vizinhos (MOREIRA, 2003).
Assim, obedeceu-se às seguintes etapas:
1. Aquisição da imagem de satélite Landsat TM-5 de 27 de julho de 2008, nas bandas 3, 4
e 5;
2. Georreferenciamento da imagem no software ENVI e recorte da imagem ao limite do
município de Rio Verde;
3. Importação da imagem já recortada ao limite do Município de Rio Verde para o software
SPRING. O limite do município foi obtido na base de dados do Sistema Geográficas do
Estado de Goiás;
4. Como a interpretação para classificação da imagem considera a interpretação de fatores
como cor, textura, forma e relevo, é necessário adotar-se uma composição de bandas
com falsa-cor. Adota-se, então, a composição nas bandas 5R, 4G e 3B que apresenta
forte semelhança com as cores da natureza e é freqüentemente utilizada por facilitar a
interpretação da cobertura e uso do solo;
52
5. Realização da segmentação por meio do crescimento de regiões onde a imagem é
dividida em regiões espectralmente homogêneas. O segmentador calcula a média, a
variância e a textura, sendo que a agregação das regiões é feita por critérios de
similiaridade e de área que foram, para ambos, adotados o valor de 10;
6. Definição das classes de uso após análise dos parâmetros espaciais e espectrais das
imagens, conforme 4o etapa e obtenção de amostras de treinamento. A definição da
nomenclatura/classes adotada para mapas de uso do solo deve ser compatível com a
escala, tamanho da área, adequada ao mapeamento da diversidade do território. Deve,
portanto, ser clara, precisa para os usuários. No entanto nem sempre é possível durante
uma classificação para mapeamento de uso do solo, abranger toda a complexidade do
alvo de estudo. Segundo Diniz (1984) as classificações só podem ser julgadas “na
esfera do adequado – inadequado; significante – não-significante, e jamais na do certo e
errado”. Conforme IBGE (2006 p.35): “Classificar é agrupar objetos, elementos e eventos
em conjuntos levando-se em conta suas propriedades consoante um método ou sistema
de avaliação”.
Foram, então, identificadas áreas de uso antrópico (agricultura,
pastagens, solo exposto, áreas urbanas e solo em preparo que se trata de área destina
a agricultura), de remanescentes (Cerrado Denso, Cerrado Ralo,) e áreas de corpos
d’água, sendo adotada para a chave de interpretação as características apresentadas na
Tabela 8.
Tabela 8 - Chave de interpretação adotada para a classificação da imagem
CLASSES DE
USO
TEXTURA
TONALIDADE
PORTE
Mata Ciliar
Homogêneo
Verde escuro
Alto
Cerrado Denso
Cerrado Ralo
Solo em Preparo
Homogêneo
Grossa
Fina
Fina;
aveludada e
granular.
Verde médio
Verde claro
Rosa, verde claro
Médio/Alto
Baixo
rasteiro
Rosa; verde claro.
Rasteiro
Agricultura
Pastagens
Fina/homogêne
Clara com
a/aveludada
algumas variações
Sitio Urbano
Grossa
Solo Exposto
grossa
Corpos d’ água
Lisa
Cinza claro e
médio
vermelho
Cinza escuro a
negro
Baixo
-
ASPECTOS
ASSOCIADOS
Fundos de Vale;
cursos d'água
Formas irregulares
Árvores isoladas
Talhões de cultivo
Formas geométricas;
carreadores/pivôs.
Formas geométricas,
trilhas/arvores
isoladas.
Formas
geométricas/arruament
os
Formas irregulares
Áreas rebaixadas e
fundos de vale
7. Extração das regiões através da extração de informações de média, variáveis na região
de cada banda;
53
8. Classificação da imagem segmentada através do classificador ISOEG onde é definido o
limiar de aceitação e as classes são ordenadas e agrupadas;
9. Transformação da imagem gerada em modo matricial em um mapa vetorial;
10. Verificação e edição das áreas mapeadas com a imagem. Neste processo foram
observadas inicialmente as classificações das áreas antrópicas: áreas de cultura
agrícola irrigada, culturas agrícolas e áreas urbanas foram re-classificadas e redefinidas,
quando necessária a correção, utilizando-se da função da delimitação de polígonos.
Para a edição das classes de remanescentes contou-se com auxílio do mapa de uso do
solo e de fitofisionomias do Estado de Goiás, elaborado pela IMAGEM/WWF (2004);
11. Atribuição de cores as classes identificadas conforme metodologia sugerida pelo Manual
Técnico de Uso da Terra do IBGE (2006);
12. Cálculos de área de cada uso mapeado e sumarização dos resultados da classificação
em forma de tabelas, tratadas no software Excel;
Na definição e classificação das classes de uso e remanescentes foram necessários
alguns ajustes e agrupamentos, em virtude, especialmente, do tamanho da área e escala.
Assim, foram agrupadas:
•
Áreas de agricultura temporária e permanente, assim como as áreas de culturas
irrigadas (pivôs) e áreas destinadas à agricultura na Classe de Agricultura;
•
A fisionomia associada aos córregos e rios da bacia foram todas classificadas como
Mata Ciliar. Em função da escala e métodos, não foi possível a definição entre Mata
Ciliar e Mata de Galeria que segundo a classificação de Ribeiro e Walter (1998) baseiase fundamentalmente em critérios florísticos;
•
Serão
necessários
trabalhos
de
campo
para
validação,
especialmente
dos
remanescentes.
Descrição
O mapa de uso do solo atual e de remanescentes do município de Rio Verde (Figura
9), obtido através de análise de imagens de satélite LANDSAT TM5 conforme metodologia
exposta, indica que dentre as atividades antrópicas aplicadas à área a atividade de
agricultura é a predominante, correspondendo a 66,88% da área.
54
Figura 9 – Mapa de Uso do Solo em 2008 do Município de Rio Verde - GO
55
Esta se encontra distribuída por todo o município, o que confirma a vocação agrícola
do mesmo. Ressalta-se que essa atividade utiliza uma grande quantidade de insumos
químicos e maquinários para a elevação da produtividade, além de irrigação, o que pode
conduzir ao desenvolvimento de inúmeros impactos ambientais.
As atividades de pastagens concentram-se na porção sul do município e
correspondem a 8,75 de sua área.
Os outros usos antrópicos mapeados correspondem a 0,86% da área e são
representados pelas áreas urbanas dos municípios e por áreas de solo exposto (áreas
degradadas pelas atividades agrícolas que se encontram, na data da imagem,
abandonadas).
Os remanescentes da vegetação nativa mapeados nesta pesquisa encontram-se
pulverizados e fragmentados pelo processo de antropização do município. Estão restritos a
fragmentos de Cerrado, raramente grandes, a áreas de reserva legal, ou áreas onde não é
possível atividades agropecuárias. Encontram-se, portanto, “ilhados” pelo uso predominante
de agricultura. Segundo a classificação de Ribeiro e Walter (1998) esses remanescentes
foram identificados como Mata Ciliar, Cerrado Denso, Cerrado Ralo.
A predominância é de fitofisionomias de Mata ciliar que corresponde a 14% da área
do município. Essa classe é identificada ao longo dos cursos d`água e apresenta-se
altamente fragmentada devido ao processo de desmatamento. Alguns cursos d’ água
chegam a não apresentar essa vegetação ou a apresentam de forma descontínua. Ribeiro e
Walter (1998) alertam para ocorrência de transição, nem sempre evidente, entre essa
fitofisionomia e as formações florestais, por isso acredita-se que as áreas de Mata Ciliar
mapeadas possam estar superestimadas.
A classe de Cerrado Denso corresponde a 5,3% da área e encontra-se dispersa na
área do município. As áreas de Cerrado Ralo correspondem a 4,17% e também se
apresentam de forma dispersa.
Foi ainda identificada na área a classe de corpos d’ água (classe água) que
corresponde a 0,04% da área total do município.
Os
remanescentes
de
vegetação
natural
do
município
correspondem
a
2
1.966.274.098 km , ou seja, 23,48% de toda a área, na escala adotada, quando somadas
todas as áreas das fisionomias mapeadas, mas estes encontram fragmentados pelas
atividades antrópicas.
56
A tabela 9 indica a participação de cada classe em relação à área total do município
e para com a área total dos remanescentes.
Tabela 9 - Quantificação do uso do Município de Rio Verde
Classes de usos
Área (km2)
Cerrado Ralo
Cerrado Denso
Mata Ciliar
área total dos
Remanescentes
350.054.570
444.797.451
1.171.422.077
% em relação à área
total dos
remanescentes
17,8
22,6
59,6
1.966.274.098
100%
Usos antrópicos
-
Solo exposto
Pastagem
Agricultura
Área urbana
área total dos usos
Água (*)
Área total do municipio
(remanescentes +
usos+ classe água)
33.479.321
732.292.110
5.606.768.038
34.571.797
6.407.111.266
3.525.164
8.376.910.528
% em relação à área
total com usos
antrópicos
0,52
11,43
87,51
0,54
100
100
% em relação a área
total do município
4,17
5,3
14
23,48
0,45
8,75
66,88
0,41
76,49
0,04
100
(*) canais de drenagem, lagos, represas.
Analisando-se a Tabela 9 constata-se quanto aos usos antrópicos, o uso agrícola e a
pastagem juntos respondem por pouco mais de 75% da área total do município e que a
cobertura vegetal natural não chega a 24% da área total do município e que os usos
antrópicos ultrapassam ligeiramente os 76%, o que caracteriza o município como fortemente
antropizado. Percebe-se também que as matas ciliares dominam largamente as tipologias
das coberturas vegetais naturais, embora estas cubram aproximadamente 14% da área total
do município. As matas ciliares são seguidas pelo Cerrado Denso que não alcança 23 % do
total de remanescentes e cobrem aproximadamente 5% da área do município.
Em outras palavras, quando se observa os dados da Tabela 9 e o mapa apresentado
na Figura 9 pode-se afirmar que se trata de um município fortemente antropizado, onde
dominam as atividades agrícolas. Observa-se ainda, quanto à cobertura vegetal que as
matas ciliares (Áreas de Preservação Permanente - APP, protegidas por lei), além de
responderem pelo domínio em área de cobertura natural, não são contínuas, o que não se
observa para os demais tipos de vegetações naturais, cujo aspecto é de remanescentes
fragmentários na forma de manchas em formas tendendo à circular, aí se incluindo,
certamente, as reservas legais e outros tipos de áreas de preservação permanente, além de
57
eventuais unidades de conservação (UC) e reservas legais (RL), ambas não analisadas
neste tópico.
Deve-se ressaltar, no entanto, que é necessário ainda trabalho de campo para
validação do presente mapa (Figura 9) e consequentemente da Tabela 9. Igualmente, é
necessário também um melhor detalhamento das classes de usos do solo, o que será
possível com o uso da imagem ALOS (em aquisição pelo presente projeto), além de um
detalhamento das APP, RL e UC.
Evolução do Uso do Solo no Município
Santos (2006) elaborou mapa de uso do solo para o município de Rio Verde para os
anos de 1975 e 2005. O mapa e os dados gerados para o ano de 2005 foram obtidos pela
autora através de classificação realizada no software ENVI de imagem CBERS do mês de
julho/agosto.Embora as imagens utilizadas e a metodologia adotada por esta autora foram
diferentes da metodologia adotada na elaboração do mapa de 2008 aqui apresentado, o que
fica claro em primeira instância é que as classes de uso são diferenciadas e através delas é
possível fazer uma análise geral da evolução do uso do solo e do processo de fragmentação
da vegetação natural do município.
Adotando-se a classificação proposta pelo Manual Técnico de Uso da Terra do
IBGE (2006) que trabalha com base em sistema de multinível, que realiza a divisão
sucessiva em três níveis de abstração, é possível realizar o agrupamento das classes
identificadas para os anos de 1975, 2005 e 2008 nas categorias do 1º nível de classificação,
como: Água (corpos d`água); Áreas de vegetação natural (classes de cerrado denso,
cerrado aberto, cerrado ralo, mata ciliar e mata de galeria); Áreas antrópicas não
agrícolas (áreas urbanizadas), e Áreas antrópicas agrícolas (Inclui todas as terras
cultivadas, caracterizadas pelo delineamento de áreas cultivadas ou em descanso,
encontram-se inseridas nesta categoria as lavouras temporárias e lavouras permanentes).
Deve-se ressaltaar que conforme essa metodologia, esse agrupamento foi adotado apenas
para comparação da evolução dos usos do solo deste município. A Figura 10 e Tabela 10
evidenciam a evolução do uso do solo no município de Rio Verde.
58
Evolução do Uso da Terra entre 1975 e 2008
80
70
60
Áreas de vegetação natural
50
Áreas antrópicas agrícolas
Área (%) 40
30
Áreas antrópicas não
agrícolas
20
Água
10
0
1975
2005
2008
Anos
Figura 10 - Gráfico de evolução do uso do solo entre os anos de 1975 e 2008.
Fonte: Santos, 2006; Faria, 2008.
Tabela 10 - Evolução do Uso do Solo do Município de Rio Verde (1975 a 2008).
Categorias
1975
Área (%)
2005
2008
Áreas de vegetação natural
78,719
19,038
23,48
Áreas antrópicas agrícolas
21,241
79,908
76,08
0,04
1,054
0,40
Água
0
0
0,04
Total
100
100
100
Áreas antrópicas não agrícolas
Fonte: Santos, 2006; Faria, 2008.
Analisando a Figura 10 e a Tabela 10 se pode constatar que após 1975 ocorreu uma
notável conversão de áreas de vegetação natural em áreas antrópicas agrícolas (agricultura
e pastagens), as quais foram mantidas nos anos de 2005 e 2008. Trata-se praticamente de
uma inversão de percentuais nessas duas categorias.
Deve-se ressaltar que nesse período do final dos anos 70 a substituição das áreas
naturais por áreas antrópicas relaciona-se aos grandes investimentos para incorporação das
áreas de cerrado ao sistema produtivo e através da modernização da agricultra. Assim, a
ocupação e desenvolvimento agrícola da região sudoeste do Estado de Goiás beneficiaramse de Políticas integrantes do II Plano Nacional de Desenvolvimento, através do
POLOCENTRO. Ressalta-se que o município de Rio Verde, por possuir infra-estrutura
mínima foi selecionado como uma das 12 áreas para receber os incentivos diretos desse
Programa.
59
As análises da Figura 10 e da Tabela 10 ainda indicam um fato notável, que entre os
anos de 2005 e 2008 houve um acréscimo de 4,44 %, no ano de 2008, para a categoria de
vegetação natural, mas acredita-se que esse acréscimo tenha ocorrido em função das
diferentes metodologias adotadas para a elaboração dos mapas e também das imagens
utilizadas. Por outro lado, quando a cobertura era nativa a mata ciliar se confundia com a
cobertura de seu entorno, podendo ter sido classificada como outro tipo.
Dados Censitários
Analisando os dados censitários, obtidos do site do IBGE, relativos à pecuária
(efetivo de rebanho), lavouras temporárias e lavouras permanentes (área plantada de
ambas), para o período de 1991 a 2006, tem-se a confirmação do que revelou o mapa de
uso do solo para 2008. Neste a atividade antrópica predominante é a agricultura, com
aproximadamente 67% da área distribuída por todo o município de Rio Verde, seguida pela
pastagem, que corresponde a pouco mais de 8% da área do município.
Na agricultura, as principais produções do município são de soja, milho e sorgo
granífero (todas lavoura temporária), com maior destaque para a cultura da soja que
aumentou mais 150% de 1991 a 2006, conforme Figura 11.
Dados Econômicos - Lavoura Temporária - Área
Plantada - Rio Verde (GO)
(Ton)
300.000
250.000
200.000
Milho
150.000
Soja
Sorgo Granífero
100.000
50.000
0
1991 2000
2001 2002
2003 2004
2005 2006
Figura 11 – Área Plantada das Lavoura temporária, no Município de Rio Verde - GO.
Fonte: IBGE, 2008
60
Em relação às Lavouras Permanentes, a laranja manteve-se com uma produção
constante no período de 1991 a 2006 (Figura 12), porém a produção de café, que em 1991
era a mais representativa (produção de mais de 800 toneladas) praticamente desaparece no
período de 2000 a 2002, retornando em 2003 e mantendo-se como a segunda maior
produção até 2006.
Dados Econômicos - Lavoura Permanente - Área
Plantada - Rio Verde (GO)
Borracha, Café, Palmito (Ton.) ; Banana : Mil Cachos ; Laranja : Mil Frutos
1000
900
800
700
Banana
600
Borracha
500
Café
400
Laranja
300
Palmito
200
100
0
1991
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
Figura 12 – Área Plantada das Lavouras Permanentes, no Município de Rio Verde - GO.
Fonte: IBGE, 2008
Nas informações de Pecuária, efetivo de rebanho (cabeça), pode - se observar
através do gráfico apresentado na Figura 13, que o rebanho Bovino sofreu uma queda de
mais de 50% na produção, de 595.500 em 1991 caiu para 320.000 em 2006. Neste mesmo
período houve um crescimento substancial na produção de Galináceos, que de 200.000
cabeças em 1991 passou para 11.000.000 em 2006. Estes dados, unidos aos da agricultura
do município, sugerem a substituição de áreas de pastagem para áreas agrícolas.
61
Dados Econômicos - Pecuária - Efetivo de
Rebanhos (cabeça )- Rio Verde (GO)
12.000.000
10.000.000
8.000.000
Bovino
6.000.000
Galinha
Galo
4.000.000
2.000.000
0
1991 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Figura 13 - Efetivo de rebanhos (Bovino e Galináceos) em Rio Verde. Fonte: IBGE, 2008.
Quanto à vegetação nativa, nos anos de 1975,1989 e 2005, Barreto & Ribeiro (2006)
constataram que o desmatamento era prática corriqueira nos anos estudados, e que esse
era um problema ambiental em Rio Verde, acarretando em perda substancial do Cerrado
Denso, Mata Ciliar, Cerrado Aberto, enquanto cresciam as áreas de pastagens e agricultura.
A área com maior redução nesses 16 anos foi a de a mata ciliar com 598,09 Km². Segundo
os dados do IBGE, de 1991 a 2006, a extração vegetal caiu substancialmente, chegando a
valor de quase 0.
Em síntese o município concentrou-se em soja, laranja, café, galináceos e gado
bovino nos últimos anos.
62
TEMA 5 – CARACTERIZAÇÃO CLIMÁTICA
Introdução
As variações climáticas no tempo e no espaço têm exercido papel fundamental no
entendimento
do
agravamento
dos
problemas
ambientais.
Sendo
um
fenômeno
praticamente incontrolável, convém avaliar os riscos no desenvolvimento de qualquer
atividade humana de modo a não causar danos ao clima, sobretudo da área a ser
explorada. Assim, a caracterização dos principais elementos climáticos de uma região pode
ser decisiva na melhoria da qualidade ambiental, uma vez que a interação entre homem e
meio ambiente passa a ser feita de modo racional.
Metodologia
Os elementos climáticos apresentados, a saber: a precipitação, temperatura máxima
e mínima do ar, evaporação de água para a atmosfera, umidade relativa do ar e insolação
(Tabela 11), foram obtidos através do processamento dos dados publicados pela
FUNMINERAL (Fundo de Fomento a Mineração do Estado de Goiás) (SILVA et al., 2006).
Os dados foram organizados no Microsoft Office Excel 2003 da Microsoft Corporation,
tornando possível a elaboração dos gráficos.
Ainda no Excel, foi possível, a partir dos dados de chuva, calcular os valores de
erosividade da chuva para cada localidade selecionada. O cálculo dos valores de
erosividade da chuva foram feitos utilizando-se da equação de EI30 = 111,6 * (p2 / P)0,714
Tommaselli et al (1997), validada em trabalhos posteriores para outras localidades que
tinham comportamento pluviométrico semelhante, como é o caso do município de Rio Verde
(BOIN, 2000; SANTANA, 2007, dentre outros), onde:
EI = média mensal do índice de erosão (MJ.mm.h-1.ha-1) 2
p = precipitação média mensal em milímetro
P = precipitação média anual em milímetro.
Os mapas de chuva e erosividade da chuva foram gerados utilizando-se de uma
ferramenta do SGI (Sistema de Informações Geográficas), SPRING (Sistema de
Processamento de Informações Georeferenciadas) versão 4.3.1. Para a espacialização
utilizou-se dos seguintes procedimentos técnicos: digitação de arquivos de pontos (em
formato ASCII), organizados em três colunas, com latitude, longitude e valores a serem
espacializados; transformação das coordenadas geográficas em coordenadas de projeção
2
Megajoule/ milímetro/hora/hectare
63
63
Tabela 11 - Dados Meteorológicos e Médias Mensais, para o Município de Rio Verde - GO
N°
Município
008
Rio Verde
Latitude Longitude Período Código
17°47’52
50°55’40”
61/90
83470
”
Valores médios mensais de temperatura
máxima do ar para o município de Rio
Verde.
Valores médios mensais de temperatura
mínima do ar para o município de Rio
Verde.
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Anual
29,1
29,7
29,7
29,0
28,3
27,7
27,8
30,6
30,6
30,5
29,3
28,7
29,3
19,3
19,2
19,2
17,8
16,4
14,8
14,1
15,8
16,9
18,5
19,0
19,2
17,5
Valores médios mensais de temperatura
média do ar para o município de Rio Verde.
24,2
24,45 24,45 23,4
22,35 21,25 20,95 23,2
Valores médios mensais de evaporação
para o município de Rio Verde.
76,6
78,9
77,2
94,1
106,6 130,0 165,4 198,2 181,1 145,7 93,7
82,8
119,2
81
78
81
76
71
64
57
52
61
68
75
81
70,4
89
59
87
0
-4
-23
-37
-64
-47
-14
0
95
11,8
Valores médios mensais de umidade
relativa do ar para o município de Rio
Verde.
Valores médios mensais de déficit e/ou
excedente hídrico para o município de Rio
Verde.
Valores médios mensais de insolação para
o município de Rio Verde.
Organizados por Santana (2008). Fonte: Silva et al. (2006)
Meses
23,75 24,5
24,15 23,95 23,4
159,7 172,0 180,3 211,7 236,9 260,4 282,0 244,2 172,0 189,2 156,9 149,4 2414,7
64
cartográfica policônica; leitura do arquivo de pontos; organização das amostras; e geração
de uma grade regular (grade retangular, regularmente espaçada de pontos, em que o valor
de Z de cada ponto é estimado a partir da interpolação de um número de vizinhos mais
próximos).
Para a elaboração dos mapas de chuva e erosividade foram utilizados os dados das
estações meteorológicas distribuídas no mapa abaixo. E para a elaboração dos gráficos de
chuva e erosividade, além dos outros dados climáticos foram utilizados os dados da estação
do município de Rio Verde, estação número 08 no mapa (Figura 14).
Figura 14 - Estações meteorológicas da área de pesquisa ou próxima à ela.
Descrição
Características Climáticas do Município
A região Centro-Oeste sofre influência direta da dinâmica atmosférica que afeta a
América do Sul. Segundo Nimer (1979) essa dinâmica determina o clima da região, onde
predomina um padrão climático do tipo Aw (clima tropical chuvoso de savana) e
localizadamente Cw (clima temperado chuvoso e quente, com chuvas de Verão). Esse
padrão climático é caracterizado por um período chuvoso e outro de estiagem, normalmente
com variações espaciais pouco significativas quanto à temperatura, precipitação, umidade
65
relativa, insolação, direção dos ventos, dentre os demais elementos climáticos (PRODIAT,
1982), principalmente quando a área considerada é pequena.
Temperaturas, umidade, evaporação, déficit e/ou excedente hídrico e insolação
Situado no sul do estado de Goiás, o município de Rio Verde sofre influência direta
da dinâmica atmosférica que afeta a região Centro-Oeste do Brasil. O clima é tropical
subúmido típico, quente, com temperaturas médias variando entre 20 ºC e 25ºC e
apresentando também duas estações bem definidas – Verão chuvoso e inverno seco. Essa
realidade pode ser observada no climograma abaixo (Figura 15), onde pode ser constatado
seis meses chuvosos no período Primavera-Verão e seis meses secos, ou com precipitação
abaixo de 100 mm, período outono-inverno.
Climograma
350
25
300
24
23
200
22
150
(ºC)
(mm)
250
21
100
20
50
0
19
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Precipitação média mensal
temperatura média mensal
Figura 15 - Climograma: temperatura e precipitação (média mensal) de Rio Verde.
Ao analisar os valores de temperaturas máxima e mínima do ar constata-se que o
período seco (considerado o inverno) é a estação mais amena, com temperaturas baixas,
principalmente nos meses de junho e julho. Essa estação é influenciada predominante pelos
sistemas polares. Já o período chuvoso (Primavera-Verão), influenciado pelos sistemas
tropicais, é a época mais quente, fato também constatado por Nimer (1979). Nesse período
as temperaturas são constantemente elevadas, atingindo valores médios superiores a 30ºC,
principalmente na Primavera. Entretanto, essas altas temperaturas são amenizadas pela
nebulosidade e conseqüentes chuvas, que também são constantes nessa época do ano.
66
Quanto às diferenças de temperaturas registradas, observa-se que a amplitude
térmica apresenta valores em torno de até 14 ºC. Na Figura 16 as menores temperaturas do
ar são registradas nos meses de junho e julho, sendo considerados os meses mais frios
para o município de Rio Verde e as maiores temperaturas são registradas nos meses de
agosto, setembro e outubro, podendo ser considerados os meses mais quentes para a
região.
35
30
(ºC)
25
20
15
10
5
0
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Temperatura máxima média
Temperatura mínima média
Figura 16 - Temperatura máxima e temperatura mínima do ar (média mensal) de Rio Verde.
Com base nas Figuras 17, 18, 19 e 20 é possível definir diretrizes para um melhor
aproveitamento dos recursos hídricos, principalmente, quanto a utilização da água para as
práticas agrícolas. A evaporação diz respeito à quantidade de água, em forma de vapor que
foi liberada na atmosfera, advinda dos reservatórios oceânicos, dos mares, rios, lagos, do
solo e mesmo das plantas. Essa quantidade de água que é liberada na atmosfera depende
da quantidade e intensidade de luz solar, ou seja, sua capacidade de aquecer a água a
ponto de evaporar. Entretanto, a evaporação é maior quando o ar está seco, assim, quanto
menor for a umidade, maior será a evaporação. Devem ser considerados os outros fatores
que interferem na evaporação. Em relação a umidade relativa do ar, quanto maior é a
quantidade de vapor de água na atmosfera, maior será a umidade. E ar úmido representa
excedente hídrico na atmosfera. O contrário terá um déficit hídrico. Tudo isso vai interferir no
desenvolvimento da planta, e consequentemente, na produtividade da lavoura. Caso ocorra
um déficit hídrico, necessário se faz, a utilização de irrigação, aliás, a quantidade de água
necessária à planta pode ser calculada á partir dos valores de déficit hídrico e/ou excedente
hídrico.
67
Evaporação (média mensal)
Insolação (média mensal)
200
300
180
250
160
200
120
(horas)
(mm)
140
100
80
150
100
60
40
50
20
0
Jan Fev Mar Abr Mai Jun
Jul
0
Ago Set Out Nov Dez
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov Dez
Figura 18 - Insolação média mensal para o
município de Rio Verde.
Umidade relativa do ar (média mensal)
Déficit e/ou excedente hídrico (média mensal)
90
100
80
80
70
60
60
40
50
20
(mm)
(%)
Figura 17 - Evaporação média mensal para o
município de Rio Verde.
40
0
30
-20
20
-40
10
-60
0
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
-80
Nov Dez
Figura 19 - Umidade relativa do ar média mensal
para o município de Rio Verde.
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov Dez
Figura 20 - Déficit e/ou excedente hídrico (média
mensal) para o município de Rio Verde
Os maiores valores de evaporação da água são encontrados nos meses de
julho, agosto e setembro, sendo que o mês de agosto apresenta valores próximos a
200 mm média mensal. Considera-se que esses são os meses mais secos do ano,
onde os valores precipitados podem ser inferiores a 10 mm em média, e com as
maiores temperaturas, o que caracteriza a situação. Nesses meses têm-se também os
maiores valores de insolação. Entretanto, se a insolação representa a quantidade de
incidência de luz solar em horas dias num determinado lugar, e sabendo-se que os
dias são maiores no Verão, no gráfico (Figura 16) observa-se o contrário em relação a
insolação. Isso ocorre devido à existência de uma alta nebulosidade no período
chuvoso. Assim, a insolação apresenta-se com valores mais baixos. Entretanto, no
período “seco”, quando a nebulosidade é quase nula, a insolação mostra-se com
índices bem elevados, atingindo valores acima de 150 horas ao mês, como pode ser
observado no mês de julho (Figuras 15, 17 e 18).
Segundo Silva et. al (2006) a umidade atmosférica é fator determinante para as
atividades, afetando o desenvolvimento de plantas, pragas e doenças e o conforto
térmico animal e humano. Com relação aos vegetais, altas concentrações de vapor
favorecem a absorção direta de umidade pelas plantas e o aumento da taxa de
68
fotossíntese. Os autores encontraram valores médios mensais de umidade relativa do
ar para o Estado de Goiás situado entre 50% a 82%. O município de Rio Verde não
difere dessa dinâmica, sendo que valores aproximados a estes são encontrados. A
maioria dos meses apresenta valores de umidade médio acima de 60%, podendo
chegar, como é o caso do mês de dezembro e janeiro, a aproximadamente 80%
(Figura 19).
Quanto ao excedente e/ou déficit hídrico, os meses de dezembro a março
apresentam excedente hídrico, principalmente, dezembro, janeiro e março. Nesses
meses (meio ao final do período chuvoso) têm-se grandes volumes pluviométricos e
grande acúmulo de água nos reservatório, no solo e consequentemente no ar
atmosférico. Nos meses de outubro e novembro, principalmente novembro, os
volumes pluviométricos são bastante significativos e apresentam déficit hídrico. Isso se
dá, normalmente, pelo fato de que os meses que os antecedem serem
consideravelmente secos e as chuvas não serem contínuas, muitas delas intensas,
mas de curta duração e seguidas de períodos de estiagem, consideravelmente
quentes, o que não resultará na formação de excedente hídrico (Figuras 18 e 20).
Distribuição pluviométrica da precipitação mensal, sazonal e anual para o
município de Rio Verde
A precipitação, sua quantidade e/ou distribuição, é um componente climático
fundamental na definição de áreas ou regiões potenciais ao desenvolvimento de
determinadas atividades humanas, podendo, quando não levada em consideração,
levar a danos ambientais que comprometem o potencial produtivo. Sendo um
processo aleatório, ou seja, no qual não é possível saber que evolução terá os valores
de precipitação pluvial ao longo do tempo e espaço, esta incerteza gera dificuldades
no planejamento das atividades agrícolas. Acredita-se que a utilização de séries
longas de dados possibilitará um melhor entendimento sobre a distribuição espacial da
precipitação pluvial de uma região.
Para a realização desse trabalho foram utilizados 08 pontos de coletas de
dados de precipitação pluvial (chuva) com uma série de dados aproximada ou superior
a 20 anos de informações. Para as demais informações climáticas utilizaram-se os
dados da Estação do município de Rio Verde (Tabela 12). Esses dados (temperatura,
umidade, insolação, dentre outros) não possuem uma variação tão significativa numa
área pequena como a que está sendo por ora considerada, assim, o estudo se torna
viável.
69
69
Tabela 12 - Índices Pluviométricos, Médias Mensais, de Algumas Localidades Próximas e Dentro do Município de Rio Verde - GO.
N°
Município
Latitude Longitude Período
Meses
Código
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Anual
01
Aparecida do
Rio Doce
18°17’56”
51°08’42”
78/96
1851004 283,3 188,9 226,4 120,0
41,9
23,0
9,0
22,7
72,8
131,3 200,2 255,8
1575,3
02
Caiapônia
16°57’25”
51°48’36”
78/01
1651000 283,3 251,5 191,6 113,6
26,7
8,5
6,5
17,6
71,8
107,1 210,7 260,6
1549,5
03
Jataí
17°52’51”
51°42’50”
86/02
1751002 259,1 205,4 221,6 103,8
53,8
16,6
5,7
25,1
75,8
126,6 183,7 233,8
1511,0
04
Maurilândia
17°58’15”
50°20’20”
78/02
1850003 315,6 160,5 227,4
78,6
38,4
7,5
2,6
20,7
41,9
137,7 214,4 314,8
1560,1
05
Montividiu
17°26’38”
51°10’30”
76/01
1751004 255,5 191,1 213,0 126,5
42,3
20,1
9,1
20,2
36,1
126,7 181,3 251,5
1473,4
06
Paraúna
16°56’52”
50°26’56”
79/02
1750013 255,4 180,8 215,6 110,7
38,4
22,3
4,3
13,4
45,4
134,4 181,4 256,4
1458,5
07
Quirinópolis
18°26’52”
50°27’07”
76/01
1850002 302,2 184,5 171,6
91,8
39,3
17,0
8,0
19,2
75,8
101,0 204,7 258,3
1473,4
08
Rio Verde
17°47’52”
50°55’40”
72/02
1750008 272,0 196,8 230,8 116,6
47,4
15,2
5,4
13,7
45,7
189,0 295,1 310,2
1737,9
Organizados por Santana (2008). Fonte: Silva et al. (2006)
70
Assim como no Estado de Goiás (SILVA et al, 2006), o município de Rio verde
é caracterizado por um período chuvoso (outubro a abril) e outro seco (maio a
setembro). Anualmente, cerca de 95% das chuvas precipitam no período chuvoso que
vai de outubro a março, apresentando volumes médios de chuva acima de 150 mm,
sendo o mês de dezembro aquele que apresenta maior volume precipitado, acima de
300 mm em média. Os cinco meses mais secos do ano apresentam volume
pluviométrico abaixo de 50 mm e o mês mais seco é julho, com volume médio
aproximado de 5 mm. Sabe-se que os meses de junho, julho e agosto, na maioria dos
anos, não apresentam ocorrência de chuvas no estado. O mês de abril situa-se na
transição entre o período chuvoso e seco, assim, possui um volume pluviométrico
diferenciado do período seco de mais de 100 mm em média (Figura 21). Dessa forma,
mesmo que o município apresente um volume de precipitação pluvial significativo
(cerca de 1700 mm em média), essas chuvas se distribuem de forma irregular no
decorrer do ano, alternando períodos muito secos e períodos com grandes volumes de
precipitação.
Precipitação (média mensal)
350
300
(mm)
250
200
150
100
50
0
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov Dez
Figura 21 - Precipitação pluvial (média mensal) para o município de Rio Verde.
Ao observar a Figura 22, precipitação sazonal, essa situação fica ainda mais
evidente. Verificam-se na imagem que o outono e o inverno são bastante secos, juntos
não somam 200 mm de precipitação – e a Primavera-Verão chuvosa, com maior
volume sendo precipitado no início do período chuvoso, principalmente no mês de
dezembro, cerca de 300 mm em média (Figuras 21). Esse grande volume de chuva,
concentrado em alguns meses, contribui para o agravamento de questões ambientais
como o aparecimento de focos erosivos. Considera que no início desse período
chuvoso os solos agricultáveis encontram-se preparados para o plantio da safra, ou
seja, desprovidos de qualquer tipo de vegetação.
71
Precipitação (média sazonal)
800,00
700,00
600,00
(mm)
500,00
400,00
300,00
200,00
100,00
0,00
VERÃO
OUTONO
INVERNO
PRIMAVERA
Figura 22 - Precipitação pluvial (média sazonal) para o município de Rio Verde.
Espacialmente, pode ser observado na Figura 23 que o comportamento da
precipitação se dá de forma diferenciada, caracterizada por um centro chuvoso e as
extremidades mais secas. Considera-se que a espacialização foi feita somente para a
precipitação média anual e que foram utilizados valores de estações fora do limite do
município, visto que, existe uma dificuldade muito grande de obtenção de dados
climáticos, não só para o município, mas para o país em geral.
Figura 23 - Distribuição da precipitação (média anual) para o município de Rio Verde.
Assim, a necessidade de verificar o comportamento espacial da precipitação,
onde predominam áreas mais chuvosas e outras mais secas, necessário se faz a
utilização de estações próximas para validar a informação. Pode ser constatado que
72
espacialmente a precipitação no município concentra-se na direção centro-leste, onde
são encontrados os maiores volumes de precipitação média anual, variando de 1600 a
1737 mm, bem acima da média estadual em torno de 1500 mm. Ao sul e ao norte esse
volume médio precipitado tende a diminuir, principalmente ao norte, onde uma
pequena área apresenta valores abaixo de 1500 mm.
O fato de haver uma alta concentração de chuva no centro do município pode
ser explicado pelo relevo da região. As áreas de planaltos situadas ao norte do
município constituem uma certa barreira orográfica, e fazem com que haja valores
diferenciados de norte para o sul. Acredita-se que as chuvas advindas do sul são
barradas pelas áreas de planaltos ao norte do município acabam por precipitarem, a
maior parte, no centro do município. Mesmo que apresente um epicentro de chuva no
centro do município, os valores encontrados ao sul são mais elevados que aqueles do
norte do município, assim como no norte do Estado (SILVA, et al., 2006).
Mesmo assim, o volume precipitado em todo o município é bastante
significativo e deve ser levado em consideração no planejamento das atividades, pois
esse volume de precipitação pode resultar em complicações ambientais.
Distribuição da erosividade média mensal, sazonal e anual para o município de
Rio Verde
Os valores médios de erosividade da chuva, bem como sua distribuição, estão
fortemente relacionados aos da precipitação. Comportamento este esperado para o
método adotado, visto que, o cálculo foi feito com base nas médias anuais e mensais.
Assim, todas as explicações ou interpretações relativas à distribuição dos totais de
chuva, tanto anual, como sazonal e mensal, são também válidas para a erosividade
das chuvas, onde sua distribuição espacial também não se diferencia.
A erosividade mensal (Figura 24) apresenta valores que variam de menos de
200 a até aproximadamente 2000 MJ.mm.h-1.ha-1. O mês de dezembro é aquele que
apresenta maior erosividade e os meses de junho, julho e agosto, apresentas valores
próximos de zero, podendo ser desconsiderados quanto ao seu poder erosivo.
Observa-se uma maior concentração da erosividade na Primavera, cerca de 5000
MJ.mm.h-1.ha-1, que junto com o período de Verão, segundo maior valor de
erosividade, somam mais de 8000 MJ.mm.h-1.ha-1 (Figura 25), caracterizando o
período Primavera-Verão como aquele de maior potencial erosivo, principalmente
naquelas áreas mais susceptíveis, sejam por características intrínsecas do terreno ou
pela interferência humana. É importante lembrar que o período da Primavera é aquele
em que se inicia o período chuvoso e também o início da preparação do solo e o
73
plantio das safras, ou seja, o solo está completamente sem vegetação, totalmente
vulnerável a ação da chuva. O outono e inverno apresentam valores abaixo de 500
MJ.mm.h-1.ha-1, ou seja, possuem pouca representatividade em relação ao potencial
erosivo da chuva.
Erosividade (média mensal)
2000
(MJ.mm.h-h-1.ha-1) 1
1800
1600
1400
1200
1000
800
600
400
200
0
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov Dez
Figura 24 - Erosividade (média anual) para o município de Rio Verde.
Erosividade (média sazonal)
5000
(MJ.mm.h-1.ha-1) 1
4500
4000
3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
VERÃO
OUTONO
INVERNO
PRIMAVERA
Figura 25 - Erosividade (média sazonal) para o município de Rio Verde.
Espacialmente (Figura 26), o centro-leste do município de Rio verde é a área
de maior erosividade com valores médios anuais circulando acima de 9000 MJ.mm.h.ha-1. Esses valores diminuem tanto em relação ao norte, quanto ao sul do município.
1
Entretanto, os valores de erosividade são altos em toda a área do município, sendo
superiores a 8000 MJ.mm.h-1.ha-1. O epicentro de erosividade no interior do município
se dá pelos altos valores de precipitação apresentados na estação de Rio Verde, bem
superior aos valores encontrados nas demais estações (Tabela 13). Ao norte do
município encontram-se os menores valores médios anuais de precipitação, mas isso
74
não é verificado no mapa de erosividade, sendo os menores valores iguais tanto para
o norte quanto para o sul.
Figura 26 - Erosividade (média anual) para o município de Rio Verde.
Em síntesse, o município de Rio Verde apresenta um clima tropical, com duas
estações bem definidas, uma chuvosa e quente (outubro a março) e outra seca e com
temperaturas mais amenas (abril a setembro), concorrendo para uma variação anual
dos elementos climáticos. Espacialmente a precipitação também apresenta variação,
sendo crescente de sul para o norte, com um epicentro no centro do município. Os
menores valores de precipitação são verificados no norte do município. No mapa da
precipitação média anual pode ser observado esse comportamento. Observa-se ainda
que o índice pluviométrico chega a mais de 1700 mm com cerca de 95% das chuvas
ocorrendo no período de outubro a abril.
Quanto à erosividade, por ser calculada a partir dos valores de chuva,
apresenta valores semelhantes quanto a sua distribuição mensal, sazonal e anual. Os
meses de maior erosividade concentram-se no período Primavera-Verão, sendo o mês
de dezembro aquele que apresenta maior erosividade, acima de 300 MJ.mm.h-1.ha-1. A
erosividade é considerada alta para toda a área pois os valores variam entre 8270 a
9200 MJ.mm.h-1.ha-1.
75
75
Tabela 13 - Erosividade, médias mensais, de algumas localidades próximas e dentro do município de Rio Verde.
Abr
Mai
Jun
Meses
Jul
Ago
Set
Out
1847,4 1035,6 1341,3
541,8
120,6
51,2
13,4
50,3
265,4
616,1
1125,2 1596,7 8604,9
1651000
1869,3 1577,0 1069,4
506,9
64,1
12,5
8,5
35,4
263,3
466,0
1224,8 1659,1 8756,3
86/02
1751002
1675,3 1202,4 1340,1
453,7
177,5
33,1
7,2
59,8
289,6
602,5
1025,2 1446,7 8313,2
50°20’20”
78/02
1850003
2170,3
1359,1
298,1
107,2
10,4
2,3
44,4
121,4
664,0
1249,5 2162,5 9015,5
17°26’38”
51°10’30”
76/01
1751004
1672,0 1104,4 1289,5
612,7
128,2
44,3
14,3
44,6
102,2
614,1
1024,4 1634,8 8285,5
Paraúna
16°56’52”
50°26’56”
79/02
1750013
1683,2 1027,8 1321,6
510,1
112,5
51,8
4,9
25,0
142,9
673,0
1032,7 1692,7 8278,1
Quirinópolis
18°26’52”
50°27’07”
76/01
1850002
2124,9 1050,3
947,1
387,6
115,4
34,9
11,9
41,5
294,9
444,3
1218,3 1698,2 8369,3
Rio Verde
17°47’52”
50°55’40”
72/02
1750008
1625,0 1023,7 1285,2
484,8
134,1
26,4
6,0
22,8
127,2
966,2
1825,6 1960,4 9487,4
Município
Latitude
Longitude
Período
Código
Aparecida do
Rio Doce
18°17’56”
51°08’42”
78/96
1851004
Caiapônia
16°57’25”
51°48’36”
78/01
Jataí
17°52’51”
51°42’50”
Maurilândia
17°58’15”
Montividiu
Organizados por Santana (2008). Fonte: Silva et al. (2006)
Jan
Fev
826,4
Mar
Nov
Dez
Anual
76
TEMA 4 – REMANESCENTES DA COBERTURA VEGETAL NATIVA
Introdução
A Ecologia de Paisagens é uma área de conhecimento da ecologia, marcada
pela existência de duas principais abordagens: (1) uma geográfica, que privilegia o
estudo da influência do homem sobre a paisagem e a gestão do território; e outra (2)
ecológica, que enfatiza a importância do contexto espacial sobre os processos
ecológicos, e a importância destas relações em termos de conservação biológica
(Metzger, 2001).
Para trabalhar nessa específica área do conhecimento foi desenvolvido o
software estatístico FRAGSTATS™ 3.3 (Mcgarigal & Marks, 1995), que calcula um
conjunto de mais de 50 métricas de Ecologia de Paisagens (Volotão, 1998), as quais
são usadas tanto na abordagem geográfica como na ecológica. Nesse sentido, as
métricas geradas pelo FRAGSTATS são muito importantes para avaliações de como
se encontra o estado de fragmentação do Cerrado, o qual vem sendo ocupado pela
agricultura e pecuária.
A paisagem do Cerrado em Goiás apresenta muitos fragmentos pequenos
isolados por extensas áreas de pastagem e/ou monoculturas. Cerca de 90% desses
fragmentos, que foram amostrados em Campos Belos, Jaciara, Brasília, Goianésia,
Goiânia e Morrinhos, são menores ou iguais a 1ha demonstrando que as atividades de
expansão econômica em Goiás vêm crescendo de forma descontrolada. Pesquisas
confirmam que fragmentos dessa dimensão dificilmente suportam populações de
animais de grande porte. Atualmente, restam poucos fragmentos com dimensões
equivalentes aos tamanhos das Unidades de Conservação conhecidas em Goiás
(Cunha et al., 2007).
Desta forma, este trabalho teve o objetivo de avaliar o estado da fragmentação
dos remanescentes de Cerrado no município de Rio Verde utilizando as métricas de
Ecologia da Paisagem calculadas no FRAGSTATS™ 3.3. As métricas foram usadas
na avaliação da complexidade espacial e ecológica de fragmentos de Cerrado,
visando estabelecer os graus de sustentabilidade dos fragmentos e identificação de
quais deles são sustentáveis após medidas rápidas de recuperação e manejo, até
aqueles com sustentabilidade moderadas em termos de recuperação.
77
Metodologia
As etapas relacionadas na análise da complexidade espacial e
ecológica de fragmentos de Cerrado foram baseadas na elaboração de mapas
temáticos relacionados à dinâmica do Uso do solo no período de 2005 e 2008 no
município de Rio Verde, as quais estão resumidamente descritas no modelo
operacional apresentado na Figura 27.
Figura 27 - Descrição das etapas para a elaboração e análise dos mapas
temáticos, visando à caracterização e análise ambiental da paisagem.
A descrição de cada etapa do modelo operacional apresentado na Figura 27
está dividida em 5 fases, sendo:
1º-Fase: Aquisição das imagens CBERS CCD e LANDSAT TM 5 pelo sítio do
INPE (www.inpe.br). A partir da união das cenas (órbita/ponto, 161/119,
161/120, 160/119, 160/120, 159/120 para CBERS CCD e 223/072, 223/073 e
222/072 para LANDSAT TM 5), imageadas respectivamente em agosto de
2005 e em julho de 2008, foi montado o mosaico que cobre todo o limite
municipal de Rio Verde – GO para depois a imagem ser recortada no limite do
município, em formato TIFF/GEOTIFF com o uso do SPRING 5.0.2.® (Câmara
et al., 1996). O limite municipal foi obtido em forma de shape file baixado no
sítio do SIEG (www.sieg.go.gov.br).
2º-Fase: A imagem recortada foi segmentada no SPRING 5.0.2.® (Câmara et
al., 1996), e depois classificada com o uso do algoritmo de Distância Mínima e
78
Crescimento de Regiões respectivamente para os mapas de 2005 e 2008. A
classificação resultou nos mapas de Uso do solo dos anos de 2005 e 2008.
3º-Fase: Exportação dos mapas de Uso do solo (2005 e 2008) para o formato
ASCII usando o SPRING 5.0.2.®.
4º-Fase: Importação dessas informações para o programa FRAGSTATS™ 3.3,
no qual foram selecionadas as métricas desejadas de Ecologia da Paisagem,
as quais são apresentadas no Figura 35. Com base nas métricas de Ecologia
da Paisagem foram elaboradas tabelas e gráficos de correlação entre as
classes dos mapas.
5º-Fase: Análise e interpretação das informações adquiridas visando
estabelecer os graus de sustentabilidade dos fragmentos e identificação de
quais deles são sustentáveis após medidas rápidas de recuperação e manejo,
até aqueles com sustentabilidade moderadas em termos de recuperação.
As métricas de Total de Bordas (TE), Área Central Total (TCA) e Percentual da
Área Central (CPLAND), foram influenciadas pela Tabela de correlação em
Profundidade de Efeito de Borda. O procedimento de criação é descrito na Tabela 14.
Tabela 14 - Métricas de Ecologia da Paisagem usadas na análise da fragmentação
aplicada à cobertura vegetal remanescente de Cerrado em Rio Verde (GO)
MÉTRICA
CATEGORIA
UNIDADE
CA
Área/Densidade/Borda
ha
PLAND
Área/Densidade/Borda
%
NP
Área/Densidade/Borda
discreta
TE
Área/Densidade/Borda
m
TCA
Área central
ha
CPLAND
Área central
%
CIRCLE_MN
Forma
contínua
ENN_MN
Isolamento/Proximidade
m
DESCRIÇÃO
Área da classe é a soma da área de
todos os fragmentos da classe
Percentual da paisagem é Área da
classe dividido pela área total da
paisagem
Número de fragmentos da classe
correspondente
Total de bordas é a soma de todas as
bordas da classe
Área Central Total é a soma das áreas
centrais de toda a classe
Percentual de área central na paisagem
é a área central total da classe dividido
pela área total da paisagem
Índice médio de correlação com forma
circular é igual 1 menos área do
fragmento dividido pela área do menor
círculo circunscrito
Distância Euclidiana média do vizinho
mais próximo é igual à distância média
entre todos os fragmentos da classe até
seu fragmento vizinho mais próximo
Fonte: Manual do FRAGSTATS™ 3.3 (Mcgarigal & Marks, 1995)
79
Infelizmente, em muitos casos não há nenhuma base empírica para especificar
quaisquer valores de profundidade em efeito de borda particular, e assim deve-se
escolher esses valores de maneira um pouco arbitrárias (Mcgarigal & Marks, 1995).
Esses valores são proporcionais ao tamanho do pixel, e numa imagem LANDSAT TM
5 que possui resolução espacial de 30m, então os valores de profundidade de efeito
de borda serão 30m, 60m, 90m, 120m e assim por diante. Note-se na Tabela 15 que a
matriz pode ser assimétrica, de forma que uma classe pode influenciar mais em outra,
mas o contrário não. Veja a classe Cerrado ralo (linha 2), ela sofre 90m de efeito de
borda quando seu vizinho é da classe Solo exposto (coluna 5) ou Solo em preparo
(coluna 10), mas observe o contrário e perceba que a classe Solo exposto (linha 5) ou
Solo em preparo (linha 10) sofre um efeito de borda de 30m quando seu vizinho é da
classe Cerrado ralo (coluna 2). Esta assimetria é importante em muitas aplicações,
quando o efeito de borda urbano penetra profundamente no Cerrado, mas efeito de
borda de Cerrado penetra muito pouco, ou quase nada, em áreas urbanas (Mcgarigal
& Marks, 1995).
Cerrado ralo
Cerrado
denso
Mata ciliar
Solo
exposto
Pastagem
Campo
limpo
Água
Agricultura
Solo em
preparo
Área urbana
Tabela 15 - Tabela de correlação em Profundidade de Efeito de Borda que foi
usada no município de Rio Verde (GO) em 2008.
Cerrado ralo
0
30
30
90
60
60
30
90
90
90
Cerrado denso
30
0
30
90
60
60
30
90
90
90
Mata ciliar
30
30
0
90
60
60
30
90
90
90
Solo exposto
30
30
30
0
30
30
30
30
0
30
Pastagem
30
30
30
90
0
30
30
90
90
90
Campo limpo
30
30
30
90
30
0
30
90
90
90
Água
30
30
30
30
30
30
0
30
30
30
Agricultura
30
30
30
30
30
30
30
0
30
30
Solo em preparo
30
30
30
0
30
30
30
30
0
30
Área urbana
30
30
30
90
30
30
30
90
90
0
Matriz de
Profundidade em
Efeito de Borda
Nota: Levou-se em conta a resolução espacial da imagem LANDSAT TM 5 que é de 30m.
Devido à resolução espacial na imagem CBERS CCD ser diferente foi
necessário a criação de outra Tabela de correlação em Profundidade de Efeito de
Borda (Tabela 16) para o cálculo das métricas no ano de 2005.
80
Solo
exposto
Pastagem
Agricultura
Área urbana
Mata ciliar
Cerrado
denso
Cerrado ralo
Reflorestam
ento
Tabela 16 - Tabela de correlação em Profundidade de Efeito de Borda que
foi usada no município de Rio Verde (GO) em 2005.
Solo exposto
0
20
20
80
60
60
20
80
Pastagem
20
0
20
80
60
60
20
80
Agricultura
20
20
0
80
60
60
20
80
Área urbana
20
20
20
0
20
20
20
20
Mata ciliar
20
20
20
80
0
20
20
80
Cerrado denso
20
20
20
80
20
0
20
80
Cerrado ralo
20
20
20
20
20
20
0
20
Reflorestamento
20
20
20
20
20
20
20
0
Matriz de
Profundidade em
Efeito de Borda
Nota: Levou-se em conta a resolução espacial da imagem CBERS CCD que é de 20m.
Memorial Descritivo
Para avaliar o estado e entender a evolução da fragmentação dos
remanescentes de Cerrado no município de Rio Verde, foi necessária uma
comparação das métricas geradas a partir dos mapas de Uso do solo de 2005 e 2008.
A análise da Figura 28 e da Tabela 17 revela que o município de Rio Verde
mudou subitamente sua atividade econômica predominante de pecuária para
agricultura, visto que a área de Pastagem reduziu 80% de 2005 a 2008 e a área de
Agricultura mais Solo exposto aumentaram 186% nesse mesmo período. Com isso,
quase todas as classes de Cerrado foram afetadas por essa transformação do uso do
solo em Rio Verde. Note-se ainda que houve uma redução de 64% na área da classe
de Cerrado denso, cuja área foi convertida em Agricultura, Solo exposto ou Cerrado
ralo (por degradação).
O Cerrado ralo, apesar de possuir apenas 38.787,21ha (4,18% da paisagem),
aumentou sua área em 760%. Esse aumento não é interessante do ponto de vista
ecológico, porque é provável que o aumento de seu território seja resultante das
atividades antrópicas incidentes nas áreas de Cerrado denso, ou então, de áreas de
pastagem abandonada que estão em processo de sucessão ecológica, no qual as
espécies das áreas circundantes estão recolonizando a região.
81
Cerrado denso
Mata ciliar
Cerrado ralo
CA (2005)
CA (2008)
Area urbana
Pastagem
Agricultura
Solo exposto
0
00
0.
60
0
00
0.
50
0
00
0.
40
0
00
0.
30
0
00
0.
20
0
00
0.
10
0
Figura 28 - Área das classes (CA) em hectares (ha) no município de Rio Verde
(GO) em 2005 e 2008.
Tabela 17 - Percentual da Paisagem (PLAND) no município de
Rio Verde (GO) em 2005 e 2008.
PLAND (%)
2005
14,96
PLAND (%)
2008
5,33
Mata Ciliar
3,48
13,98
Cerrado ralo
0,55
4,18
Área Urbana
0,29
0,41
Pastagem
43,87
8,73
Agricultura
24,39
7,54
Solo exposto
11,80
59,79
Classes
Cerrado denso
A Mata ciliar teve um aumento de cerca de 400% no valor de sua área de 2005
para 2008, o que provavelmente mostra que o município esteve controlando de
alguma forma as propriedades rurais no que se refere a esse importante
remanescente de Cerrado, que é um dos mais importantes para manter a
conectividade entre os fragmentos, funcionando como corredores ecológicos.
A classe de Cerrado ralo apresenta-se mais homogênea na distribuição dos
fragmentos em freqüência por tamanho (Figura 29), mas por outro lado apresentou um
aumento do número de fragmentos de cerca de 400% de 2005 a 2008, passando de
um total de 108 fragmentos para 431, ou seja, houve uma quadruplicação do número
de fragmentos.
82
Número de Fragmentos - Cerrado ralo (2005)
45
Número de Fragmentos - Cerrado Ralo (2008)
140
40
120
35
100
30
25
80
20
60
15
40
10
20
5
0
0
< 1ha
de 1 a
10ha
de 10 a
50ha
de 50 a
100ha
< 1 ha
> 100ha
Número de Fragmentos - Cerrado denso (2005)
9000
de 1 a
10 ha
de 10 a
50 ha
de 50 a
100 ha
>100 ha
Número de Fragmentos - Cerrado Denso 2008
3.000
8000
2.500
7000
6000
2.000
5000
1.500
4000
3000
1.000
2000
500
1000
0
0
< 1ha
de 1 a
10ha
de 10 a
50ha
de 50 a
100ha
< 1 ha
> 100ha
Número de fragmentos - Mata ciliar (2005)
18000
de 1 a 10 de 10 a
ha
50 ha
de 50 a
100 ha
>100 ha
Número de Fragmentos - Mata Ciliar 2008
2500
16000
2000
14000
12000
1500
10000
8000
1000
6000
4000
500
2000
0
0
< 1ha
de 1 a
10ha
de 10 a
50ha
de 50 a
100ha
> 100ha
< 1 ha
de 1 a 10 de 10 a 50
ha
ha
de 50 a
100 ha
>100 ha
Figura 29 - Número de Fragmentos de Cerrado distribuídos em freqüência para o município de
Rio Verde (GO) em 2005 e 2008.
Nessa classe, respectivamente, 32 e 37% dos fragmentos eram menores do
que 1ha e de 1 a 10ha em 2005, diminuindo pouco em 2008 para 30 e 20%. A
homogeneidade na distribuição dos fragmentos em freqüência por tamanho é um
ponto positivo para esta classe, que apresenta o menor número de fragmentos e ainda
possui os fragmentos de maior área, tanto em 2005 quanto em 2008, comparando-se
com as outras classes de Cerrado. Dos 7 fragmentos maiores do que 100ha em 2005,
1 possuía 900ha e 1 possuía 1.000ha, passando em 2008 para 3 com 1.000ha e 1
com 7.000ha.
83
A classe de Cerrado denso apresenta-se heterogênea na distribuição dos
fragmentos em freqüência por tamanho (Figura 29). Ela apresentou cerca de 83% dos
fragmentos com área menor que 1ha em 2005, passando para 60% em 2008. Dos
fragmentos maiores do que 100ha, em 2005 havia 206 (1,5% do total da classe) dos
quais 5 com 1.000ha e 5 com 2.000ha passando em 2008 para 107 (3,22% do total da
classe) dos quais 3 com 1.000ha e 2 com 2.000ha.
A classe de Mata ciliar apresentou maior número de fragmentos do que as
outras classes de Cerrado, tanto em 2005 quanto em 2008 (Figura 29). Mas por outro
lado apresentou uma melhor distribuição destes nesse período, sendo que em 2005
apresentava 2 fragmentos com 100ha (os maiores no período) passando em 2008
para 213 fragmentos maiores do que 100ha, tendo 3 com 2.000ha, 3 com 3.000 e 1
com 4.000ha, o que revela tendência à preservação desse tipo de cobertura. Essa
melhora está relacionada ao fato da área total da classe (CA) ter aumentado 400%
(Figura 29) nesse período, como explicado anteriormente.
E importante ressaltar a relação existente entre o tamanho do fragmento e sua
proporção entre borda e interior, pois quanto menor for o fragmento maior é o efeito de
borda em relação à área central do fragmento observado, e quanto maior for o
fragmento maior será o número de espécies esperadas (Odum, 1988).
Cunha et al. (2007) mostraram que 90% dos fragmentos amostrados em
Campos Belos, Jaciara, Brasília, Goianésia, Goiânia e Morrinhos, são menores ou
iguais a 1ha. Neste trabalho, Rio Verde apresentou em 2005 cerca de 68% dos
fragmentos de Cerrado menores do que 1ha e em 2008 esse valor diminuiu para 45%.
Entretanto, isso não significa que houve melhora do estado da fragmentação nesse
período frente a essa diminuição do número de pequenos fragmentos. Esse fato
mostra apenas que em 2005 a paisagem em Rio Verde era mais heterogênea e agora
ela está mais homogênea com a predominância de Agricultura na paisagem (Figura
28). Nota-se que as classes de Cerrado em 2005 representavam 19% do território de
Rio Verde e agora esse valor subiu para cerca de 23%.
O Cerrado em Rio Verde, apesar de estar bastante fragmentado, atualmente
ocupa apenas 23% da paisagem, o que está de acordo com o Novo Código Florestal
(Lei n° 4.771 de 15/09/1965) e a Política Florestal do Estado de Goiás (Lei nº 12.596,
de 14/03/1995) que estabelecem que mínimo 20% da área de Cerrado deve ser
mantida a título de reserva legal. Esse valor é, no entanto, muito menor do que a
estimativa para todo bioma Cerrado que afirma restar cerca de 50% deste, tendo a
previsão de que se continuar o ritmo de devastação ele possa desaparecer até 2035,
84
devido ocupação dos últimos 35 anos, que coloca a região como uma das produtoras
de bife e soja do mundo (Marris, 2005).
O Índice médio de correlação com forma circular (CIRCLE_MN) avalia a forma
geométrica do fragmento mensurando sua circularidade para saber se sua forma está
alongada, o que é mais suscetível ao efeito de borda, ou se é mais circular, o que é
menos suscetível ao efeito de borda (Mcgarigal & Marks, 1995). O índice médio de
circularidade dos fragmentos (CIRCLE_MN) de Cerrado ralo e Mata ciliar pioraram de
2005 a 2008, pois diminuíram a circularidade (Figura 30). Nesse mesmo período a
circularidade da forma dos fragmentos de Cerrado denso melhorou bastante, sendo o
menor índice encontrado (0,48).
Cerrado
denso
CIRCLE_MN (2005)
Mata ciliar
CIRCLE_MN (2008)
Cerrado ralo
0
0,2
0,4
0,6
0,8
Figura 30 - Índice médio de correlação com forma circular (CIRCLE_MN)
que avalia a circularidade dos fragmentos amostrados no município de Rio
Verde (GO) em 2005 e 2008.
Castelani & Batista (2007) encontraram valores semelhantes ao analisar a
forma de fragmentos florestais do Vale do Paraíba (SP), obtendo o valor de 0,68, o
qual não é muito distante dos encontrados atualmente em Rio Verde para Cerrado ralo
(0,65) e Mata ciliar (0,68). A forma alongada dos fragmentos de Mata ciliar ao longo
dos rios em forma de faixas ao redor dos corpos de água explica seu alto índice de
circularidade que é muito suscetível ao efeito de borda.
A análise da métrica de total de bordas (TE) de classes de fragmentos no
município de Rio Verde (Figura 31) revela uma mesma tendência encontrada para a
métrica de área da classe (CA da Tabela 14). Essa tendência mostra que o total de
bordas (TE) da classe de Cerrado denso diminuiu 38%, devido à redução que houve
no tamanho da área da classe (CA). A mesma explicação é concebida para o aumento
85
do total de bordas (TE) das classes de Mata ciliar e Cerrado ralo, com
respectivamente 33 e 8%.
Cerrado Denso
Mata Ciliar
Cerrado Ralo
2005
2008
Área Urbana
Pastagem
Agricultura
0
,0
50
0
,0
45
0
,0
40
0
,0
35
0
,0
30
0
,0
25
0
,0
20
0
,0
15
0
,0
10
00
5,
00
0,
Figura 31 - Total de bordas (TE) de classes de fragmentos no município de Rio
Verde (GO) em 2005 e 2008.(unidade de medida em metros)
A análise da Figura 32 e da Tabela 18 expõe que a métrica de área central total
(TCA), esta correlacionada às métricas de total de bordas (TE) e de área das classes
(CA), sendo observado que o aumento da área das classes (CA) leva
conseqüentemente ao aumento de total de bordas (TE) e de área central total (TCA).
A classe de Cerrado denso apresentou redução de 41% no total de áreas centrais
(TCA). As classes de Cerrado ralo e Mata ciliar obtiveram um aumento de
respectivamente 17 e 26%.
.
Cerrado Denso
Mata Ciliar
Cerrado Ralo
2005
Área Urbana
2008
Pastagem
Agricultura
00
0,
00
0. ,00
50 00
0
0. ,00
45 00
0
0. ,00
40 00
0
0. ,00
35 00
0
0. ,00
30 0 00
0. ,00
25 00
0
0. ,00
20 00
0
0. ,00
15 00
0
0. 0
10 0,0
0
.0
50
00
0,
Figura 32 - Área Central Total (TCA) das classes de fragmentos no município de
Rio Verde (GO) em 2005 e 2008. (unidade de medida em hectares)
86
Tabela 18 - Percentual do Total de Áreas Centrais
(CPLAND) no município de Rio Verde em 2005 e 2008
CLASSES
CPLAND (%) 2005
CPLAND(%) 2008
Cerrado Denso
11,93
4,96
Mata Ciliar
1,85
7,08
Cerrado Ralo
0,6
3,54
O cálculo da distância Euclidiana média do vizinho mais próximo (ENN_MN)
mostra que atualmente no Cerrado ralo um animal ou pólen deve se deslocar em
média 428m até encontrar outro fragmento da mesma classe, o que é muito prejudicial
para as espécies endêmicas desta classe e não se adaptariam a outra classe de
Cerrado. Na Figura 33 é observado que as classes remanescentes de Cerrado
aumentaram as distâncias entre os fragmentos. Atualmente, Cerrado denso e Mata
ciliar possuem respectivamente 238 e 210m de distância Euclidiana média do vizinho
mais próximo (ENN_MN).
Cerrado
denso
ENN_MN 2005
Mata ciliar
ENN_MN 2008
Cerrado ralo
0
100
200
300
400
500
metros
Figura 33 - Distância Euclidiana média do vizinho mais próximo (ENN_MN) entre
os fragmentos remanescentes de Cerrado no município de Rio Verde (GO) em
2005 e 2008
Os animais do topo da cadeia alimentar, como a onça-pintada (Panthera onca),
são bioindicadoras de áreas preservadas, visto que o ambiente deve estar
ecologicamente equilibrado para manter a diversidade e densidade de presas que
vivem em diversos tipos habitats. Uma onça adulta utiliza em média um território de
10.000ha, onde ela anda por toda área para acazalar-se ou a procura de alimento
(Cullen et al., 2005). Devido ao tamanho dos fragmentos encontrados em Rio Verde é
87
muito difícil que grandes carnívoros possam sobreviver nesse território, apesar da
distância do vizinho mais próximo (ENN_MN) ser pequena quando comparado ao
tamanho de área de circulação, por exemplo, desse animal (10.000ha).
Em síntese, as métricas de área permitem constatar que a dinâmica econômica
do município de Rio Verde está em transformação, pois a grande redução de 80% das
áreas de Pastagens de 2005 para 2008 e o aumento de 186% de Agricultura serve
como indicativo da substituição do uso do solo em Rio Verde.
Destacou-se o aumento do Cerrado Ralo e a diminuição do Cerrado Denso,
uma constatação que pode ser ambientalmente negativa, pois do ponto de vista
ecológico esse fato pode ser resultante da forte ação antrópica no município. Já a
Mata Ciliar apresentou um aumento de 400% em relação aos anos de 2005 e 2008,
indicando provavelmente que a fiscalização de APP do município melhorou.Todavia
esse valor elevado pode se justificar também pela classificação da imagem em
conseqüência das áreas de conversão, fato que deverá ser verificado em campo.
Em geral observa-se que 23% da paisagem do município de Rio Verde
continua como Cerrado, mas como observado, o avanço da agricultura ameaça este
Cerrado remanescente, sendo necessário criar mecanismos de planejamento e
fiscalização para a conservação, a manutenção e a recuperação do Cerrado em Rio
Verde. Em relação aos remanescentes, eles são fragmentários e o tamanho dos
fragmentos,
considerando-se
que
para
que
o
fragmento/remanescente
seja
sustentável precisa de uma área mínima entre 70 e 100ha, os dados obtidos
revelaram que o maior número de fragmentos sustentáveis correspondeu ao da Mata
Ciliar, com 213 fragmentos maiores que 100ha no ano de 2008.
88
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avaliação de impactos ambientais