UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS INSTITUTO DE ESTUDOS SÓCIO-AMBIENTAIS LABORATÓRIO DE GEOLOGIA E GEOGRAFIA FÍSICA AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS – MUNICÍPIO DE RIO VERDE (GO) RELATÓRIO TÉCNICO PARCIAL I: MAPAS TEMÁTICOS DE SERVIÇO E MEMORIAIS EXPLICATIVOS CONTRATO FUNAPE/SIOL/LABOGEF ÓRGÃO ADMINISTRATIVO: FUNDAÇÃO DE APOIO À PESQUISA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS (FUNAPE/UFG). UNIDADE EXECUTIVA: LABORATÓRIO DE GEOLOGIA E GEOGRAFIA FÍSICA DO INSTITUTO DE ESTUDOS SÓCIO-AMBIENTAIS DA UFG (LABOGEF/IESA/UFG). GOIÂNIA, FEVEREIRO DE 2009. i APRESENTAÇÃO Este relatório vincula-se ao estudo denominado AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS - MUNICÍPIO DE RIO VERDE (GO) e refere-se ao RELATÓRIO PARCIAL I, que apresenta os resultados da primeira etapa do trabalho proposto e acordado no contrato entre a Fundação de Apoio à Pesquisa e a Siol Goiás Indústria de Alimentos LTDA, com interveniência da Universidade Federal de Goiás, através do Laboratório de Geologia e Geografia Física. É apresentada a primeira versão dos MAPAS BÁSICOS (ou de Serviço) relativos ao meio físico e biótico do Município de Rio Verde - GO, na escala 1:100.000, com seus respectivos memoriais explicativos. Nesta etapa não foi possível finalizar o Mapa de Impactos Ambientais, devido ao calendário de desembolso dos recursos financeiros e demora na finalização de processo admistrativo para a aquisição das imagens ALOS (com resolução de 10m, considerada de ultradetalhe). Esse mapa foi substituído por outros de interesse para esse trabalho e que servirão de base para elaboração do Mapa de Impactos Ambientais. Os Mapas Temáticos de serviço elaborados para o presente relatório foram: 1. Mapa Hipsométrico (classes de altitudes); 2. Mapa Clinográfico (classes de declives); 3. Mapa Geomorfológico (relevos diferenciados); 4. Mapa Geológico (Grupos e Formações rochosas e sua estrutura); 5. Mapas de Recursos Hídricos (Drenagem; Bacias Hidrográficas; Sistemas Aqüíferos e Poços Tubulares); 6. Mapa de Solos (classes de solos); 7. Mapa de Uso do Solo; 8. Mapas Climáticos. Os memoriais explicativos de cada mapa elaborado contêm uma Introdução onde são apresentados os conceitos adotados, a metodologia utilizada e os comentários relativos à distribuição dos fatos mapeados e respectivas conclusões. Os memoriais apresentam os temas agrupados em temas afins, como a seguir: 1. Topografia, Hipsométria, Clinográfia; 2. Geologia e Potencial Mineral, Geomorfologia e Sistemas Aqüíferos e Poços Tubulares; 3. Drenagem do Município de Rio Verde - GO; 4. Pedologia (Solos); ii * 5. Uso do Solo ; 6. Caracterização Climática; 7. Remanescentes da Cobertura Vegetal Nativa Convém ressaltar que os mapas aqui apresentados correspondem à versão preliminar dos mesmos, dado que os trabalhos de validação em campo (in loco) serão realizados na segunda etapa do trabalho, quando serão eventualmente ajustados diretamente em campo, como previsto no cronograma de atividades. Nesta etapa serão acrescidas as informações relativas ao Mapa de Impactos Ambientais e do Mapa de Suscetibilidade e o de Riscos, ambos previstos para essa segunda etapa. Goiânia, Fevereiro de 2009. Profa. Dra. Selma Simões de Castro Coordenadora Geral * Incluindo comentários da sócio-economia. iii EQUIPE TÉCNICA Informamos que procedemos a algumas pequenas mudanças na equipe técnica prevista inicialmente, sendo a mesma listada a seguir com suas atribuições devidamente especificadas. COORDENAÇÃO GERAL Profa. Dra. Selma Simões de Castro Geógrafa, Pedóloga, professora da Universidade Federal de Goiás - UFG [email protected] GERÊNCIA DE PROJETO MSc. Rosane Amaral Alves da Silva Geógrafa [email protected] APOIO TÉCNICO André Luiz Oliveira Biólogo, Técnico de nível superior [email protected] GEOLOGIA, GEOMORFOLOGIA E RECURSOS HÍDRICOS Prof. Dr. Alfredo Borges de Campos Geólogo, Geologia e Geomorfologia, professor da Universidade Federal de Goiás - UFG (Coordenação técnica do tema). [email protected] MSc. Maximiliano Bayer Geólogo, Recursos Hídricos; doutorando em Ciências Ambientais – UFG [email protected] Diego Antonio B. de Cedro Geógrafo, Estagiário [email protected] TOPOGRAFIA, HIPSOMETRIA, CLINOGRAFIA MSc. Rosane Amaral Alves da Silva Geógrafa, doutoranda em Geografia - UFG (Coordenação técnica do tema; Geoprocessamento;) [email protected] Pós-Graduando. Raphael de Oliveira Borges Geógrafo, doutorando em Geografia – UFG (Sensoriamento remoto e Geoprocessamento) [email protected] PEDOLOGIA (SOLOS) Profa. Dra. Selma Simões de Castro Geógrafa e Pedóloga, professora da Universidade Federal de Goiás - UFG (Coordenação técnica do tema) [email protected] MSc. Maria da Silva Gonçalves Barbalho Geógrafa, doutoranda em Ciências Ambientais - UFG iv (Cartografia e Sensoriamento Remoto) MSc. Rosane Amaral Alves da Silva Geógrafa, doutoranda em Geografia – UFG (compatibilização de nomenclaturas e cartografia) [email protected] USO DO SOLO MUNICIPAL E URBANO E IMPACTOS AMBIENTAIS RURAIS E URBANOS MSc. Karla Maria Silva de Faria Geógrafa, doutoranda em Geografia - UFG (Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento; Coordenação e execução) [email protected] Graduanda Hellbia Samara M. de C. Rodrigues Estagiária, sócio-economia. [email protected] REMANESCENTES DA COBERTURA VEGETAL NATIVA MSc. Karla Maria Silva de Faria Geógrafa, doutoranda em Geografia - UFG (Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento; Coordenação do tema) [email protected] MSc. Gabriel Tenaglia Carneiro Biólogo, doutorando em Ciências Ambientais - UFG (Tratamento estatístico das métricas da paisagem) [email protected] André Luiz Oliveira Biólogo, técnico de nível superior (Tratamento estatístico das métricas da paisagem) [email protected] CLIMA MSc. Neiva Pio de Santana Geógrafa (Coordenação e execução) [email protected] v ESCOPO DO RELATÓRIO O escopo do presente relatório consistiu em elaborar os MAPAS BÁSICOS (TEMÁTICOS BÁSICOS DO MEIO FÍSICO E BIÓTICO) os quais servirão para subsidiar a elaboração dos Mapas de Impactos Ambientais (atuais, Suscetibilidades e Riscos) e o diagnóstico da distribuição e condicionantes dos impactos ambientais do território municipal de Rio Verde (GO), em escala 1:100.000, previstos para a próxima etapa. OPERACIONALIZAÇÃO GERAL DA ETAPA I A execução do trabalho baseou-se nos seguintes procedimentos gerais: - Compilação de documentos cartográficos e bibliográficos existentes como inidcado no memorial de cada tema; - Seleção, tratamento e interpretação de imagens de sensoriamento remoto (satélite Landsat) segundo critérios e metodologias específicas para cada tema, indicadas em cada memorial descritivo; - Aplicação de técnicas de geoprocessamento, com ênfase na utilização dos softwares ArcGis para espacialização e FRAGSTATS para as métricas da paisagem contendo os remanescente da cobertura original. - Aplicação de técnicas estatísticas com uso do pacote Office – Excel ®. Reuniões Técnicas por tema com o fim de análise das interfaces e correlações possíveis entre os vários documertos produzidos. 6 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO..................................................................................................................... i EQUIPE TÉCNICA .................................................................................................................. iii ESCOPO DO RELATÓRIO......................................................................................................v OPERACIONALIZAÇÃO GERAL DA ETAPA I ........................................................................ v SUMÁRIO.................................................................................................................................6 LISTA DE FIGURAS ................................................................................................................8 LISTA DE TABELAS ................................................................................................................9 LISTA DE TABELAS ................................................................................................................9 CARACTERÍSTICAS GERAIS DO MUNICÍPIO.....................................................................10 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DA ETAPA I...........................................................12 TEMA 1 - HIPSOMETRIA E CLINOGRAFIA..........................................................................13 Introdução ..........................................................................................................................13 MAPA HIPSOMÉTRICO ........................................................................................................13 Metodologia........................................................................................................................13 Descrição ...........................................................................................................................14 MAPA CLINOGRÁFICO OU DE DECLIVIDADE ...................................................................16 Metodologia........................................................................................................................16 Descrição ...........................................................................................................................16 TEMA 2 – GEOLOGIA E POTENCIAL MINERAL, GEOMORFOLOGIA, SISTEMAS DE AQUÍFEROS E POÇOS TUBULARES ..................................................................................20 Introdução ..........................................................................................................................20 MAPA GEOLÓGICO E DO POTENCIAL MINERAL ..............................................................20 Metodologia........................................................................................................................20 Aspectos Geológicos e do Potencial Mineral .....................................................................20 Grupo Passa Dois ..............................................................................................................21 Formação Serra Geral........................................................................................................21 Província Alcalina do Sul de Goiás ....................................................................................23 Formação Verdinho............................................................................................................23 Grupo Bauru.......................................................................................................................23 Formação Cachoeirinha .....................................................................................................24 Cobertura Terciária Quaternária (Cobertura Detrito-Laterítica)..........................................24 Cobertura Arenosa Indiferenciada .....................................................................................24 Aluvião................................................................................................................................24 Lineamentos Estruturais.....................................................................................................25 MAPA GEOMORFOLÓGICO.................................................................................................25 Metodologia........................................................................................................................25 Descrição ...........................................................................................................................25 Aspectos Geomorfológicos ................................................................................................25 Unidade Geomorfológica SRAII .........................................................................................27 Unidade Geomorfológica SRAIII ........................................................................................27 ZER ....................................................................................................................................28 MAPA DE SISTEMAS AQUÍFEROS (HIDROGEOLÓGICO) E DE POÇOS TUBULARES ...29 7 Metodologia........................................................................................................................29 Definição de Sistema Aquífero (ALMEIDA et al. 2006) ......................................................29 Descrição ...........................................................................................................................31 OS SISTEMAS AQUÍFEROS DE RIO VERDE ......................................................................31 Sistema Aquífero Bauru .....................................................................................................31 Sistema Aquífero Serra Geral ............................................................................................31 Sistema Aquífero Cachoeirinha..........................................................................................32 Sistema Aquífero Aquidauana............................................................................................32 CÁLCULOS DAS RESERVAS DE ÁGUA SUBTERRÂNEA PARA O MUNICÍPIO ...............32 LOCALIZAÇÃO E ANÁLISE DOS POÇOS TUBULARES PARA EXPLOTAÇÃO DE ÁGUA SUBTERRÂNEA ....................................................................................................................34 TEMA 3 - DRENAGEM DO MUNICÍPIO DE RIO VERDE – GO............................................35 Introdução ..........................................................................................................................35 Metodologia........................................................................................................................35 Descrição ...........................................................................................................................36 COMPARTIMENTAÇÃO DO SISTEMA DE DRENAGEM .....................................................36 Compartimento 1 - Subacias do Topo de Chapada ...........................................................39 Compartimento 2 - Subacias do extremo Leste .................................................................40 Compartimento 3 - Subacias do Sul...................................................................................40 Compartimento 4 - Subacias do Rio Doce .........................................................................41 Compartimento 5 - Depressão Central - Bacia do rio Santo Tomaz ..................................41 TEMA 4 – PEDOLOGIA DO MUNICÍPIO DE RIO VERDE – GO ..........................................43 Introdução ..........................................................................................................................43 Metodologia........................................................................................................................43 TEMA 5 – USO DO SOLO DO MUNICÍPIO DE RIO VERDE – GO ......................................51 Introdução ..........................................................................................................................51 Metodologia........................................................................................................................51 Descrição ...........................................................................................................................53 Evolução do Uso do Solo no Município..............................................................................57 Dados Censitários ..............................................................................................................59 TEMA 5 – CARACTERIZAÇÃO CLIMÁTICA .........................................................................62 Introdução ..........................................................................................................................62 Metodologia........................................................................................................................62 Descrição ...........................................................................................................................64 Características Climáticas do Município ............................................................................64 Temperaturas, umidade, evaporação, déficit e/ou excedente hídrico e insolação ............65 Distribuição pluviométrica da precipitação mensal, sazonal e anual para o município de Rio Verde ...........................................................................................................................68 Distribuição da erosividade média mensal, sazonal e anual para o município de Rio Verde ...........................................................................................................................................72 TEMA 4 – REMANESCENTES DA COBERTURA VEGETAL NATIVA .................................76 Introdução ..........................................................................................................................76 Memorial Descritivo............................................................................................................80 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................................................88 8 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Localização do Município de Rio Verde - GO........................................................10 Figura 2 – Mapa Hipsométrico do Município de Rio Verde – GO. .........................................15 Figura 3 – Mapa de Declividades (Clinográfico) do Município de Rio Verde - GO ................17 Figura 4 – Mapa Geológico e de Potencial Mineral do Município de Rio Verde - GO ...........22 Figura 5 – Mapa Geomorfológico do Município de Rio Verde - GO.......................................26 Figura 6 – Mapa dos Sistemas Aquiferos e de Poços Tubulares do Município de Rio Verde GO..........................................................................................................................................30 Figura 7 - Sistemas de Drenagem e Bacias Hidrográficas do Município de Rio Verde. ........37 Figura 8 – Mapa de Solos do Município de Rio Verde - GO ..................................................44 Figura 9 – Mapa de Uso do Solo em 2008 do Município de Rio Verde - GO ........................54 Figura 10 - Gráfico de evolução do uso do solo entre os anos de 1975 e 2008....................58 Figura 11 – Área Plantada das Lavoura temporária, no Município de Rio Verde - GO. ........59 Figura 12 – Área Plantada das Lavouras Permanentes, no Município de Rio Verde - GO. ..60 Figura 13 - Efetivo de rebanhos (Bovino e Galináceos) em Rio Verde. Fonte: IBGE, 2008..61 Figura 14 - Estações meteorológicas da área de pesquisa ou próxima à ela........................64 Figura 15 - Climograma: temperatura e precipitação (média mensal) de Rio Verde. ...........65 Figura 16 - Temperatura máxima e temperatura mínima do ar (média mensal) de Rio Verde. ...............................................................................................................................................66 Figura 17 - Evaporação média mensal para o município de Rio Verde.................................67 Figura 18 - Insolação média mensal para o município de Rio Verde.....................................67 Figura 19 - Umidade relativa do ar média mensal para o município de Rio Verde................67 Figura 20 - Déficit e/ou excedente hídrico (média mensal) para o município de Rio Verde ..67 Figura 21 - Precipitação pluvial (média mensal) para o município de Rio Verde...................70 Figura 22 - Precipitação pluvial (média sazonal) para o município de Rio Verde..................71 Figura 23 - Distribuição da precipitação (média anual) para o município de Rio Verde. .......71 Figura 24 - Erosividade (média anual) para o município de Rio Verde..................................73 Figura 25 - Erosividade (média sazonal) para o município de Rio Verde. .............................73 Figura 26 - Erosividade (média anual) para o município de Rio Verde..................................74 Figura 27 - Descrição das etapas para a elaboração e análise dos mapas temáticos, visando à caracterização e análise ambiental da paisagem. ..............................................................77 Figura 28 - Área das classes (CA) em hectares (ha) no município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008. ..........................................................................................................................81 Figura 29 - Número de Fragmentos de Cerrado distribuídos em freqüência para o município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008. .....................................................................................82 Figura 30 - Índice médio de correlação com forma circular (CIRCLE_MN) que avalia a circularidade dos fragmentos amostrados no município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008 ...............................................................................................................................................84 Figura 31 - Total de bordas (TE) de classes de fragmentos no município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008.(unidade de medida em metros) .................................................................85 Figura 32 - Área Central Total (TCA) das classes de fragmentos no município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008. (unidade de medida em hectares).....................................................85 Figura 33 - Distância Euclidiana média do vizinho mais próximo (ENN_MN) entre os fragmentos remanescentes de Cerrado no município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008 .86 9 LISTA DE TABELAS Tabela 1- Classes Hipsométricas do Município de Rio Verde – GO......................................14 Tabela 2 - Classes Declividade do Município de Rio Verde – GO.........................................18 Tabela 3 - Cálculos da Reservas Renovável, Permanente e Explotável (Re) para os sistemas aquíferos que ocorrem no município de Rio Verde.................................................33 Tabela 4 - Compartimentos de Drenagem .............................................................................38 Tabela 5 - Modelo de Correlação entre as Classes de declive, tipos de relevo e agrupamento de solos ..................................................................................................................................45 Tabela 6 - Classes de Solos ..................................................................................................46 Tabela 7 - Resumo das áreas ocupadas pelas classes de solos no município de RioVerde 47 Tabela 8 - Chave de interpretação adotada para a classificação da imagem .......................52 Tabela 9 - Quantificação do uso do Município de Rio Verde .................................................56 Tabela 10 - Evolução do Uso do Solo do Município de Rio Verde (1975 a 2008). ................58 Tabela 11 - Dados Meteorológicos e Médias Mensais, para o Município de Rio Verde - GO ...............................................................................................................................................63 Tabela 12 - Índices Pluviométricos, Médias Mensais, de Algumas Localidades Próximas e Dentro do Município de Rio Verde - GO. ...............................................................................69 Tabela 13 - Erosividade, médias mensais, de algumas localidades próximas e dentro do município de Rio Verde. .........................................................................................................75 Tabela 14 - Métricas de Ecologia da Paisagem usadas na análise da fragmentação aplicada à cobertura vegetal remanescente de Cerrado em Rio Verde (GO)......................................78 Tabela 15 - Tabela de correlação em Profundidade de Efeito de Borda que foi usada no município de Rio Verde (GO) em 2008. .................................................................................79 Tabela 16 - Tabela de correlação em Profundidade de Efeito de Borda que foi usada no município de Rio Verde (GO) em 2005. .................................................................................80 Tabela 17 - Percentual da Paisagem (PLAND) no município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008. ......................................................................................................................................81 Tabela 18 - Percentual do Total de Áreas Centrais (CPLAND) no município de Rio Verde em 2005 e 2008 ...........................................................................................................................86 10 CARACTERÍSTICAS GERAIS DO MUNICÍPIO A área objeto do presente relatório corresponde ao município de Rio Verde, localizado na porção sudoeste do estado de Goiás, que abrange uma área do 8.388 km² . Tem como Municípios Limítrofes: Aparecida do Rio Doce, Cachoeira Alta, Caiapônia, Castelândia, Jataí, Maurilândia, Montividiu, Paraúna, Quirinópolis, Santa Helena de Goiás, Santo Antônio da Barra (Figura 1). Figura 1 - Localização do Município de Rio Verde - GO Localiza-se entre as coordenadas geográficas de 17º 02’ 19” a 18º 23’ 24” de latitude Sul e 50º 18’ 33” a 51º 46’ 58” de longitude Oeste e esta inserida na mesorregião Sul Goiano e na microrregião Sudoeste de Goiás constituída pelos municípios de Aporé, Mineiros, Aparecida do Rio Doce, Chapadão do Céu, Castelândia, Maurilândia, Serranópolis, Santa Helena de Goiás, Santo Antonio da Barra, Perolândia, Jataí, Portelândia, Rio Verde, Montividiu, Santa Rita do Araguaia, Mineiros, Doverlândia, Palestina de Goiás e Caiapônia. Como sua principal via de acesso, destaca-se a BR-060. Mas, o acesso ao interior do município pode ser feito por inúmeras estradas vicinais, que constituem ramificações das rodovias existentes. Dista da Capital, Goiânia, cerca de 220 km e 420 km de Brasília. É um dos municípios mais antigos de Goiás e a Lei de Criação do Município foi a Lei Provincial n.º 08, de 06/11/1854. Possui PIB per capita de 19.818 Reais, sua atividade econômica principal sempre foi agropecuária, devido suas características de relevo e solo, acrescentada hoje da agroindústria. Os principais produtos agropecuários do município são 11 soja, milho, sorgo granífero, e carne (bovina, suína e avícola). Na agroindústria, o município se destaca pela presença de grandes agroindústrias e de um número grande agregados. Destaca-se na produção de óleo vegetal, frios, rações, farinhas e farelos, abates e frigoríficos de aves e suínos. Segundo o IBGE (Contagem da População, 2007), a população do município é de 149.382 habitantes, sendo que 91% reside na zona urbana e 9% na zona rural. 12 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DA ETAPA I MAPAS BÁSICOS (DE SERVIÇO) E MEMORIAIS DESCRITIVOS POR TEMA 13 TEMA 1 - HIPSOMETRIA E CLINOGRAFIA Introdução Neste tema são apresentados os mapas de hipsometria e declividade. As informações necessárias à confecção dos mapas foram extraídas dos modelos digitais de elevação do terreno denominado SRTM (Shutlle Radar Topographic Mission) que corresponde a um programa de tecnologia e pesquisa da topografia em longo prazo da superfície terrestre, oceanos, atmosfera, gelo e vida. Os dados de elevação SRTM são determinados relativamente ao elipsóide ou para a superfície de referência que foi usada para medir pontos de controle no campo. Os produtos finais resultam em elevações relativas ao geóide. As curvas de nível foram extraídas da referida imagem SRTM com eqüidistância de 20 metros e salvas em arquivos shapefiles no software ArcGIS 9.x. De um modo geral, a partir destes dados realizam-se os tratamentos e sínteses interpretativas temáticas obtidas a partir de outros métodos. Nos mapas gerados adotou-se a escala de 1:50.000, mas o tratamento final foi feito na escala de 1:100.000. A adoção desta escala maior para o processamento serviu para subsidiar melhor as análises durante a integração destes mapas com outras bases geradas. A seguir são apresentados: a metodologia específica, os resultados e discussões e as conclusões do levantamento das declividades e hipsometria do município. MAPA HIPSOMÉTRICO Metodologia Os dados altimétricos (curvas de nível) foram trabalhados no software Spring 5.0 com base numa grade triangular ou TIN (vide item Mapa Clinográfico). A partir dos dados altimétricos do SRTM em formato matricial elaborou-se um fatiamento dos níveis topográficos com eqüidistância de 50 metros, que também adotou como limite a área municipal mais o referido buffer de 5 km. Para tal, foi efetuado no software ArcGIS 9.x um procedimento geoestatístico nos dados SRTM, o qual permitiu seu refinamento de 90 metros de resolução espacial para 30 metros de resolução. Procedimento esse denominado de Spline, o qual corresponde a um método de interpolação em que são estimados valores médios entre os pontos inseridos utilizando uma função matemática que minimiza em todas as partes a curvatura das superfícies, o que resulta em uma superfície suave que passa exatamente através de pontos de entrada. Este método é melhor para a geração de 14 superfícies delicadamente variadas, tais como altitude, altura de lençol freático, ou para concentrações de poluição. Esta nova resolução espacial permitiu delimitar as faixas topográficas sem problemas de sobreposição e com um bom ajuste em relação às classes de declividades geradas. Ao fim deste processo as faixas foram convertidas para o formato shapefile ainda no software ArcGIS 9.x. No mapa gerado delimitou-se 12 faixas topográficas com 50 metros de eqüidistância, de 450 - 500 metros de altitude na faixa mais rebaixada a sudeste do município, até 1000 – 1050 metros nas cotas mais altas localizadas a noroeste do município. Descrição Observando-se mapa hipsométrico (Figura 2) pode-se perceber que há uma predominância de uma topografia plana, suave ondulada e ondulada, principalmente na parte central e norte do município e de uma zona situada ao sul. Predominam as altitudes que variam de 650 a 900 m, sendo 750 a 800m com 19,1%, 700 a 750m com 16,2%, 800 a 850 com ≅16%, 650 a 700 com ≅12% e 850 a 900 com ≅ 12,8% que juntas soma mais de 75% da área do município, conforme tabela 1. As menores altitudes concentram-se ao sul do município, com pequenas faixas a oeste e nordeste, contornando a zona de maior altitude. Tabela 1- Classes Hipsométricas do Município de Rio Verde – GO Classes Hipsométricas 450-500 500-550 550-600 600-650 650-700 700-750 750-800 800-850 850-900 900-950 950-1000 1000-1050 Total Km² 4,76 95,25 369,61 757,08 1011,79 1361,31 1604,39 1312,67 1077,44 494,47 261,49 38,33 8388,58 Área Ha 475,60 9524,61 36961,40 75708,20 101179,08 136130,80 160438,66 131267,37 107743,72 49446,78 26148,57 3833,36 838858,15 % 0,06 1,14 4,41 9,03 12,06 16,23 19,13 15,65 12,84 5,89 3,12 0,46 100,00 15 Figura 2 – Mapa Hipsométrico do Município de Rio Verde – GO. 16 MAPA CLINOGRÁFICO OU DE DECLIVIDADE Metodologia Para a geração do mapa clinográfico utilizou-se também dos dados altimétricos (curvas de nível) no software Spring 5.0 com base numa grade triangular ou TIN, que é uma estrutura do tipo vetorial que representa a superfície através de um conjunto de faces triangulares interligadas. Estas facetas triangulares permitem o calculo das declividades a partir de interpolação espacial. Posteriormente, foi realizado o fatiamento da grade de declividades gerada em intervalos determinados: 0-3%; 3-6%; 6-12%; 12-20%; 20-45% e >45%. Esses intervalos contemplam os intervalos de declives adotados na definição das classes de capacidade de uso das terras (Salomão, 1999), e possuem as seguintes características gerais: - 0 a 3% - corresponde a áreas planas ou quase planas onde o escoamento superficial é lento, não oferecendo dificuldades ao uso de máquinas agrícolas. - 3 a 6% - são áreas de declives suaves, onde o escoamento superficial é lento ou médio. Em alguns tipos de solos a erosão hídrica não oferece problemas. Solos com textura média em rampas muito longas necessitam de práticas de conservação. - 6 a 12% - são áreas com relevo ondulado e o escoamento superficial é médio ou rápido. São facilmente erodíveis (exceto em solos argilosos ou muito argilosos). - 20 a 45 % - constituem vertentes fortemente inclinadas, cujo escoamento é muito rápido, independente do tipo de solo. Solos muito suscetíveis à erosão. - > 45% - constituem vertentes íngremes. Escoamento superficial muito rápido e solos extremamente suscetíveis à erosão hídrica. Descrição Observando-se o mapa clinográfico (Figura 3) percebe-se que dominam os declives entre 0 e 3%, bem distribuídos em toda a extensão do município, somando 45,53% de sua área, conforme tabela 2. Esta classe está relacionada aos pequenos topos planos nos relevos convexizados e às planícies fluviais a jusante, distribuídos na porção topográfica inferior e média do município, as quais abrangem as cotas de 450 a 750 metros de altitude. Além desta, compreendem principalmente os topos planos de rampas longas nos grandes tabuleiros, com cotas superiores a 750 metros de altitude, principalmente na parte Norte e Noroeste do município e no tabuleiro residual ao sul. 17 Figura 3 – Mapa de Declividades (Clinográfico) do Município de Rio Verde - GO 18 Tabela 2 - Classes Declividade do Município de Rio Verde – GO Classes de Declividade (%) Área Km² Ha % 0-3 3819,22 381922,37 45,53 3-6 2828,90 282890,23 33,72 6-12 1377,63 137762,58 16,42 12-20 237,58 23757,90 2,83 20-45 116,46 11645,73 1,39 8,79 878,83 0,10 8388,58 838857,64 100,00 >45 Total No que se refere aos solos, podem apresentar solos profundos e bem drenados, com baixa suscetibilidade ao desenvolvimento de processos erosivos lineares devido à sua condição plana, a qual não permite grandes fluxos superficiais. Em caso de uso indevido e sem práticas conservacionistas podem acarretar em um risco moderado ao desenvolvimento de processos erosivos os quais provocariam além perda de solo agricultável a sedimentação de pequenos corpos hídricos (Salomão, 1999). As classes de 3 a 6% compreendem a segunda maior distribuição no município, com 33,72%, também estão relacionadas aos relevos convexizados, só que em sua meia encosta, na porção topográfica média do município, as quais abrangem as cotas de 550 a 750 metros de altitude. Na porção superior relacionam-se entre os topos e os fundos de vale superiores, também em sua meia encosta. Quanto aos solos, podem também apresentar solos profundos e bem drenados, com baixa suscetibilidade ao desenvolvimento de processos erosivos lineares devido à sua condição de relevo suave, a qual não permite grandes fluxos superficiais. Ainda segundo Salomão (1999), em caso de uso indevido e sem práticas conservacionistas podem, assim como o anterior, acarretar em um risco moderado ao desenvolvimento de processos erosivos. Compreendendo a terceira maior classe, com 16,42%, as áreas de 6 a 12% estão relacionadas aos relevos suave ondulados, associados à meia encosta dos vales encaixados na porção centro-norte do município, nas cotas de 700 a 800 metros de altitude. Aos solos, já os apresenta não tão profundos e com moderada a alta suscetibilidade ao desenvolvimento de processos erosivos lineares devido à sua condição de relevo suave ondulado, a qual pode gerar fluxos hídricos superficiais. Em caso de uso indevido e sem práticas conservacionistas acarretam em um risco alto ao desenvolvimento de processos erosivos, os quais podem promover uma alta carga de sedimentos a serem transportados para os cursos d’água (Campagnoli, 2006). 19 Já com 2,83%, as áreas de 12 a 20% estão relacionadas aos relevos ondulados nas escarpas erosivas, tanto na parte Sul, como em pontos a Norte e a Nordeste do município, nas cotas de 800 a 850 metros de altitude. Apresentam solos rasos e com alta suscetibilidade ao desenvolvimento de processos erosivos lineares devido à sua condição de relevo ondulado, devido à falta de coesão no solo e da livre circulação dos fluxos hídricos superficiais. O uso indevido e sem práticas conservacionistas acarretam em um risco muito alto ou iminente ao desenvolvimento de processos erosivos. Somando 1,4%, as áreas de declividade maior que 20% estão relacionadas aos relevos forte ondulados nas escarpas erosivas e algumas rochosas, principalmente na parte Sul, ou em alguns pontos a Norte e a Nordeste, nas cotas de 850 a 900 metros de altitude. Não apresentam o desenvolvimento de solos, ou caso apresentem, encontram-se muito rasos, em via de regra constituem-se basicamente de afloramentos rochosos e com alta suscetibilidade ao desenvolvimento de processos erosivos lineares na forma de ravinas, devido à inexistência de lençol freático a ser interceptado e desenvolver voçorocas nestas áreas. 20 TEMA 2 – GEOLOGIA E POTENCIAL MINERAL, GEOMORFOLOGIA, SISTEMAS DE AQUÍFEROS E POÇOS TUBULARES Introdução Neste Tema 2 são apresentados os mapas temáticos de Geologia e Potencial Mineral, de Geomorfologia e dos Sistemas de Aqüíferos e Poços Tubulares. Os mapas foram elaborados com base em compilação de informações pré-existentes e interpretação de imagens de satélite (QUICKBIRD), conforme metodologias específicas indicadas para cada um. Complementarmente aos mapas temáticos, alguns cálculos e estimativas foram realizadas para fins de gestão de águas subterrâneas. Novas informações relativas à qualidade de água e aspectos do relevo estão sendo obtidas através de banco de dados da SANEAGO, da aquisição de imagens de alta resolução espacial do satélite ALOS, e da coleta de dados em campo. Essas informações serão utilizadas para complementação e/ou atualização das informações contidas nos mapas temáticos apresentados nesse relatório parcial. A seguir são apresentados os memoriais descritivos para cada mapa temático, bem como os cálculos e estimativas realizados para fins de gestão de recursos hídricos subsuperficiais. MAPA GEOLÓGICO E DO POTENCIAL MINERAL Metodologia O mapa de Geologia e do Potencial Mineral do município de Rio Verde foi elaborado a partir do mapa Geologia e Recursos Minerais do Estado de Goiás e do Distrito Federal produzido pela CPRM/METAGO/UnB (Lacerda Filho et al., 2000). Foram compiladas informações relativas às unidades geológicas, lineamentos estruturais e do potencial mineral da base de dados de Lacerda Filho et al. (2000), as quais estavam disponíveis em sua quase totalidade na escala 1:100.000. Durante a compilação das informações, foram realizados recortes espaciais da área do município de Rio Verde e do mapa temático de Geologia elaborado por Lacerda Filho et al. (2000). Dados relativos ao potencial mineral de cada unidade geológica foram compilados de tabelas que acompanham o mapa temático de Geologia e serviram de base para as informações apresentadas no mapa Geologia e Potencial Mineral produzido para o município de Rio Verde. Descrição Aspectos Geológicos e do Potencial Mineral O município de Rio Verde apresenta geologia dominada pelas unidades pertencentes ao Grupo Passa Dois de idade Paleozóica; à Formação Serra Geral, à Província Alcalina do 21 Sul de Goiás, à Formação Verdinho e ao Grupo Bauru de idade Mesozóica; e as coberturas lateríticas e sedimentares de idade Terciária e Quaternária (Figura 4). Cerca de 52,4 % da área do município é recoberta por rochas do Grupo Bauru (Formações Adamantino e Marília); 29,9 % de coberturas Quaternárias (Cobertura Arenosa Indiferenciada e Aluvião); 11,8 % de rochas da Formação Serra Geral; 3 % de rochas pertencentes à Província Alcalina do Sul de Goiás (Suíte Vulcânica de Santo Antônio da Barra); 2,1 % de coberturas Terciárias (Formação Cachoeirinha); 0,7 % de coberturas Terciário/Quaternário (Cobertura Detrito-Laterítica); 0,1 % de rochas do Grupo Passa Dois (Formação Corumbataí) e 0,1 % de rochas da Formação Verdinho. Lineamentos estruturais (falhas ou fraturas) ocorrem nas unidades mais antigas datadas do Mesozóico e Paleozóico. A seguir são apresentadas as características geológicas de cada unidade. Grupo Passa Dois Constitui a unidade geológica mais antiga da área do município de Rio Verde com rochas aflorantes no extremo noroeste deste. É representada pela Formação Corumbatai, que se caracteriza por apresentar sequências rítmicas de siltitos e argilitos intercalados ocasionalmente por arenitos finos a muito finos. As rochas dessa unidade apresentam colorações variadas com nuances das cores cinza, verde, rosa e roxa e podem estar intercaladas por lentes e concreções de calcários silicificado e chert. A espessura da Formação Corumbataí em Goiás varia em média de 20 a 60 m podendo chegar a 150 m. O potencial mineral dessa unidade está relacionado à presença de níveis centimétricos com concreções de manganês encontradas em arenitos e argilitos. Formação Serra Geral A Formação Serra Geral recobre as rochas pertencentes à Formação Corumbataí. Esta Formação se caracteriza pela presença de rochas vulcânicas de natureza basáltica, que em geral se apresentam com estrutura maciça, muito fraturadas, de cor cinza-escura, granulação fina a média, e ocasionalmente com formação de amígdalas. As rochas dessa unidade afloram com maior freqüência na porção leste do município de Rio Verde, em geral ao longo de vales fluviais que se encontram em cotas altimétricas inferiores (entre 500 e 700 m de altitude). A espessura média da Formação Serra Geral em Goiás é de 100 m e suas rochas são muito apropriadas para uso na construção civil, como fonte de brita, paraleleípedos e pedras para revestimento. 22 Figura 4 – Mapa Geológico e de Potencial Mineral do Município de Rio Verde - GO 23 Província Alcalina do Sul de Goiás Esta unidade é constituída por corpos ígneos de natureza alcalina com caráter mixto plutônico-vulcânico. Os corpos ígneos são representados em geral por sills, diques e derrames de lavas piroclásticas. No município de Rio Verde esta unidade está representada pela Suíte Vulcânica de Santo Antônio da Barra, que se caracteriza por uma sequência de derrames e brechas com composição alcalina. Nessa suíte vulcânica podem ser identificados, dentre outras rochas, alcalibasaltos, basanitos, nefelinitos, lamprófiros, fonolitos e melamonchiquitos. Está unidade aflora na área nordeste do município entre as cotas altimétricas de 500 à 700 m e apresenta potencial mineral para extração de calcedônia. Formação Verdinho Esta unidade é representada por uma espessa camada de material sedimentar conglomerático, com seixos e matacões, a qual foi produzida pelo retrabalhamento das unidades vulcânicas subjacentes. Suas rochas se caracterizam por possuir matriz avermelhada e clastos de cor esverdeada. Ocorre na área nordeste do município de Rio Verde em associação com a unidade Suíte Vulcânica de Santo Antônio da Barra. Grupo Bauru O Grupo Bauru é a unidade mais representativa na área do município de Rio Verde. Constitui uma unidade sedimentar de caráter flúvio-lacustre e composição predominantemente arenosa, a qual recobre as unidades anteriores e se subdivide nas Formações Adamantina e Marília. Formação Adamantina – é a unidade basal e predominante do Grupo Bauru no município de Rio Verde recobrindo 44,8% de sua área total. Predomina em quase toda a área do município, especialmente na porção centro-nordeste, onde ocorre entre as cotas altimétricas de 700 a 800 m. É caracterizada pela presença de arenitos finos a muito finos de coloração cinza-claro, bege ou rósea, os quais frequentemente apresentam bolas de argila. Podem ocorrer níveis conglomeráticos e de siltitos areno-argilosos de coloração arroxeada ou rósea intercalados na sequência de arenitos na forma de lentes. Formação Marília – constitui a unidade de topo do Grupo Bauru e ocorre em 7,5% da área do município de Rio Verde. Encontra-se concentrada na porção sul do município onde aflora entre as cotas altimétricas de 750 a 850 m. Caracteriza-se pela presença de arenitos vermelhos, finos a grossos e mal selecionados, que em geral estão cimentados por matriz constituída de silica amorfa. Camadas de arenitos argilosos, siltitos e siltitos areno-argilosos ocorrem associados aos arenitos vermelhos. Níveis conglomeráticos com cimento e concreções carbonáticas, e lentes de chert e de brechas conglomeráticas de natureza calcária, podem ser encontradas intercalados na sequência de arenitos. Potencial mineral 24 para extração de calcário pode ocorrer em áreas onde as lentes de composição carbonática são mais espessas. Formação Cachoeirinha Esta unidade está disposta sobre rochas das unidades anteriores, as quais foram seccionadas pela superfície de aplainamento regional (SRAII – vide item Gemorfologia) e posteriormente recobertas pelos sedimentos da Formação Cachoeirinha. Esta Formação é representada por sedimentos areno-argilosos inconsolidados de coloração vermelha, argilitos cinza e arenitos mal selecionados com níveis decimétricos e lenticulares de conglomerados. Sua área de ocorrência está localizada na área sul do município de Rio Verde entre as cotas altimétricas de 800 e 900 m. Cobertura Terciária Quaternária (Cobertura Detrito-Laterítica) Esta unidade é constituída por latossolos vermelhos de textura areno-argilosa com mineralogia rica em minerais de ferro (goethita) associados à caolinita e gibsita. Apresentam perfis lateríticos com ocorrência de níveis e crostas ferruginosas e linhas de pedras constituída de quartzo angulosos (stone line). Depósitos de Ni e Mn provenientes de enriquecimento supergênicos podem ser encontrados nos perfis lateríticos mais evoluídos. Ocorre descontinuamente na porção centro-norte do município de Rio Verde em diversos níveis altimétricos. Cobertura Arenosa Indiferenciada É a segunda unidade de maior ocorrência na área do município de Rio Verde. Abrange amplas áreas na porção centro-norte do município onde aflora em cotas altimétricas superiores (entre 800 e 1000 m de altitude). Constitui uma unidade sedimentar caracterizada por areias finas a grossas associadas a camadas síltico-argilosas e mais raramente conglomeráticas. É proveniente do retrabalhamento de rochas e sedimentos pertencentes às Formações Botucatu, Bauru e Cachoerinha e está relacionada ao desenvolvimento das superfícies de aplainamento regionais presentes na área (SRAIII - vide ítem Geomorfologia). Forma terraços argilo-arenosos associados a cascalhos e níveis de material alóctone ferruginizado. Aluvião Esta unidade caracteriza-se pela presença de sedimentos inconsolidados, preferencialmente arenosos, associados a níveis de cascalhos e lentes de sedimentos siltíco-argiloso e turfa. Estão presentes com maior frequência junto às áreas de inundação dos cursos fluviais posicionadas em cotas altimétricas variadas na porção centro-norte do município. Podem ocorrer depósitos de minerais pesados (rutilo, ouro, zircão e diamante) associados às áreas com sedimentos grosseiros. 25 Lineamentos Estruturais Os lineamentos estruturais constituem falhas ou fraturas indiscriminadas. Estes ocorrem em toda a área do município exceto na porção norte onde está presente a unidade Cobertura Arenosa Indiferenciada de idade Quaternária. Os lineamentos estruturais seguem as direções predominantes NE-SW e NW-SE e estão associados, em sua maioria, às áreas com presença de rochas vulcânicas pertencentes à Formação Serra Geral e a Suíte Vulcânica de Santo Antônio da Barra. MAPA GEOMORFOLÓGICO Metodologia O mapa geomorfológico do município de Rio Verde foi elaborado com base no mapa Geomorfologia do Estado de Goiás e Distrito Federal (Latrubesse e Carvalho, 2006) produzido pela Secretaria de Geologia e Mineração do Estado de Goiás, e através de modificações introduzidas no mapa base para fins desse projeto. O procedimento adotado foi de compilação das unidades geomorfológicas presentes no mapa Geomorfológico do estado de Goiás e o refinamento destas por meio de interpretação de imagens QUICKBIRD do ano 2007, para atendimento à escala espacial de 1:100.000 de referência desse projeto. Informações relativas ao grau de dissecação do relevo obtidas por imagem SRTM foram também acrescentadas no mapa gerado para o município de Rio Verde em escala 1:100.000, assim como foi realizada uma divisão de unidades de relevo com base nas subacias hidrográficas presentes na área do município. Descrição Aspectos Geomorfológicos A geomorfologia do município de Rio Verde é caracterizada pela presença de três unidades geomorfológicas básicas (SRAII, SRAIII e ZER - Figura 5), as quais foram subdivididas em sete subunidades com base nas diferentes subacias presentes na área do município. As unidades SRAII e SRAIII constituem unidades de aplainamento regionais que ocorrem entre as cotas 800-1000m e 650-750m, respectivamente, enquanto a unidade ZER constitui uma zona com atividade degradacional intensa por processos erosivos ativos. A unidade SRAII ocorre no setor centro-norte e sul do município ocupando 56,7 % da área total, enquanto a unidade SRAIII predomina na área centro-sul e a unidade ZER ocorre na porção sul e nordeste do município perfazendo 33,1 % e 10,2 % da área total, respectivamente. 26 Figura 5 – Mapa Geomorfológico do Município de Rio Verde - GO 27 Unidade Geomorfológica SRAII A unidade SRAII se caracteriza por apresentar dois padrões de dissecação (fraco e médio – Figura 5). As zonas de dissecação fraca encontram-se nas porções do município dominadas pela unidade geológica Cobertura Arenosa Indiferenciada (Figura 4). Estas zonas posicionam-se no topo das áreas altimetricamente superiores, denominadas localmente Chapadas, e são representadas por extensas superfícies planas secionadas por vales fluviais pouco profundos e pouco ramificados, que em geral apresentam padrão de drenagem subparalelo com baixa densidade de canais. Os interflúvios amplos e longos com baixo declive, que dominam o relevo local, associam-se as áreas planas das Chapadas. Vales fluviais com fundo plano e pouco entalhados, caracterizados pela presença de áreas com alta umidade (localmente denominadas Veredas ou brejos), ocorrem entre os interflúvios amplos. As zonas de dissecação fraca representam áreas em inicio de processo de dissecação com pouca movimentação de materiais superfíciais por processos de degradação e de agradação. As zonas de dissecação média ocorrem em setores do relevo com declives mais acentuados, os quais formam muitas vezes áreas íngremes ou mesmo escarpadas nas bordas das Chapadas. Essas zonas se desenvolvem sob litologias pertencentes às unidades das Formações Adamantino e Serra Geral e da Suíte Vulcânica de Santo Antônio da Barra. Caracterizam-se pela presença de interflúvios estreitos e curtos associados a vertentes com alto declive e comprimento de rampa curto. Vales fluviais profundos em forma de V, densidade de drenagem média a alta e predomínio de padrão de drenagem em treliça, são típicos dessa unidade. A presença de padrão de drenagem em treliça indica forte controle estrutural da rede de drenagem, a qual se organiza segundo a disposição de lineamentos estruturais (Figura 4). Nas zonas de dissecação média é comum a ocorrência de processos de degradação por erosão laminar e linear (sulcos, ravinas e voçorocas). Para fins deste trabalho, as zonas de dissecação média foram subdivididas em duas subunidades com base nas áreas drenadas por diferentes sub-bacias hidrográficas. Como resultado tem-se a zona de dissecação média drenada pela bacia hidrográfica do rio dos Bois e a zona de dissecação média drenada pela bacia hidrográfica do rio Claro, sendo que ambas constituem subacias do rio Paranaíba (Figura 5). Tendo em vista que as subacias hidrográficas dos rios Paranaíba em geral apresentam morfologia e gênese diferentes, estas duas subunidades geomorfológicas devem também apresentar comportamentos distintos quanto à morfologia, gênese e dinâmica. Unidade Geomorfológica SRAIII Esta unidade predomina em áreas sob domínio geológico das Formações Serra Geral e Adamantino (Figuras 4 e 5). A unidade SRAIII se caracteriza pela presença de vales encaixados e interflúvios estreitos com comprimento de rampa longo. Os interflúvios dessa 28 unidade apresentam morfologias semelhantes àquelas encontradas nas áreas mais dissecadas da superfície SRAII, entretanto os interflúvios da unidade SRAIII posicionam-se em cotas altimétricas inferiores. Em geral, os interflúvios estão dissecados por uma rede de drenagem com densidade média a alta e padrão predominante dendrítico. Vertentes com declividade média a alta ocorrem nas áreas mais dissecadas posicionadas sobre os arenitos da Formação Adamantino, onde é comum a ocorrência de feições erosivas laminares e lineares (sulcos, ravinas e voçorocas). Vales fluviais encaixados de fundo plano, frequentemente orientados segundo lineamentos estruturais (Figura 4), são encontrados nas áreas altimetricamente inferiores localizadas sobre rochas de filiação basáltica da Formação Serra Geral. Formas de agradação (aluviões e terraços) estão em geral associadas a esses vales e são controladas pela dinâmica dos canais fluviais de maior porte. Observa-se, portanto, uma forte associação entre o tipo de litologia e presença de lineamentos estruturais e a ocorrência das formas de relevo na superfície de aplainamento SRAIII, o que demonstra um nítido controle geológico na gênese dos interflúvios, vertentes e vales fluviais. Assim, nas áreas de ocorrência dos arenitos da Formação Adamantino se identifica processo erosivo intenso responsável pela morfologia dos interflúvios e vertentes, enquanto nas áreas de ocorrência da Formação Serra Geral se observa processo erosivo menos ativo e predomínio de áreas de agradação junto aos cursos fluviais orientados por lineamentos estruturais. Isso indica que o nível de base local associado aos cursos fluviais é controlado por fatores litológicos associados à presença de rochas mais resistentes a erosão como os basaltos da Formação Serra Geral. Assim como foi realizado na unidade SRAII, a unidade SRAIII foi subdividida em três subunidades geomorfológicas tendo como base a ocorrência de distintas subacias hidrográficas nas áreas de domínio da unidade SRAIII, as quais apresentam morfologia, gênese e dinâmica diferentes. Dividiu-se a unidade SRAIII nas subunidades zona de dissecação média drenada pela bacia hidrográfica do rio dos Bois, zona de dissecação média drenada pela bacia hidrográfica do rio Claro e zona de dissecação média drenada pela bacia hidrográfica do rio Preto, todas pertencentes à bacia hidrográfica do rio Paranaíba. ZER A unidade ZER ocorre no extremo sul e no setor nordeste do município de Rio Verde. No extremo sul esta unidade é mais expressiva e se desenvolveu sobre rochas pertencentes à Formação Marília, enquanto no setor nordeste esta se localiza sobre litologias pertencentes à Suíte Vulcânica de Santo Antônio da Barra. Zonas com interflúvios residuais estreitos fortemente dissecados caracterizam a unidade ZER encontrada no extremo sul do município, enquanto presença de área escarpada com forte declive e desnível altimétrico abrupto, de cerca de 300 m, caracteriza a unidade ZER encontrada no setor nordeste. 29 Em ambas áreas há presença de formas de relevo elaboradas por recuo de escarpas de erosão localizadas nas bordas da superfície regional de aplainamento SRAII. As formas de relevo resultantes do recuo de escarpas de erosão são escarpas, interflúvios dissecados e vertentes íngremes; onde as escarpas representam formas de relevo em estágio evolutivo erosivo menos avançado do que os interflúvios dissecados. As áreas com escarpa caracterizam um relevo com alta energia mecânica e forte poder erosivo, enquanto as áreas com interflúvios dissecados representam formas de relevo com menor energia mecânica e mais próximas dos níveis de base locais. É comum a ocorrência de processos erosivos lineares (sulcos e ravinas) nas áreas com interflúvios dissecados enquanto movimentos de massa (queda de blocos ou desmoronamentos) são encontrados nas áreas escarpadas. No sopé das escarpas são frequentemente encontrados depósitos de talus com fragmentos de lateritas provenientes do desgaste por recúo da escarpa de erosão dos materiais que suportam a superfície de aplainamento SRAII. MAPA DE SISTEMAS TUBULARES AQUÍFEROS (OU HIDROGEOLÓGICO) E DE POÇOS Metodologia O mapa de sistemas aquíferos do município de Rio Verde contendo a área de ocorrência de cada sistema aquíferos e a localização de poços tubulares perfurados para extração de água subterrânea na área do município está apresentado na Figura 6 e descritos em seguida. O limite e a classificação dos sistemas aquíferos e os dados dos poços tubulares foram compilados da publicação Hidrogeologia do Estado de Goiás (ALMEIDA et al., 2006) produzida pela Secretaria de Geologia e Mineração do Estado de Goiás. Complementarmente a compilação, foi calculada a reserva explotável de água subterrânea para cada sistema aquífero do município de Rio Verde com base nas equações propostas por Almeida et al. (2006), como também foi avaliada a procedência geológica das águas subterrâneas presentes nos poços tubulares perfurados. Definição de Sistema Aquífero (ALMEIDA et al. 2006) Um sistema aquífero constitui uma unidade hidrogeológica homogênea quanto ao tipo de aquífero (freático ou profundo) e aos aspectos geológicos (litologia e estrutura). Na área do município de Rio Verde ocorrem os sistemas aquíferos Bauru, Serra Geral, Cachoerinha e Aquidauana. Em geral, esses sistemas aquíferos apresentam águas subterrâneas de boa qualidade, predominantemente bicarbonatadas cálcicas, e pouco salinas. 30 Figura 6 – Mapa dos Sistemas Aquiferos e de Poços Tubulares do Município de Rio Verde - GO 31 Descrição OS SISTEMAS AQUÍFEROS DE RIO VERDE Sistema Aquífero Bauru O sistema aquífero Bauru é o de maior ocorrência na área do município de Rio Verde (83% da área total – Figura 6). Este representa aquíferos onde esta localizado o maior número de poços tubulares para extração de água subterrânea (267 poços tubulares). O sistema aquífero Bauru constitui um reservatório de água subterrânea presente nos arenitos grossos a muito finos das Formações Adamantina e Marília. Estes reservatórios constituem aquíferos livres, porosos, homogêneos e isotrópicos. Os aquíferos desse sistema possuem potencial hidrogeológico variável de acordo com suas capacidades de recarga e de reserva, as quais estão relacionadas à espessura do material inconsolidado sobreposto às rochas, ao grau de intemperismo dos arenitos e ao tipo litológico presente. Por exemplo, em áreas da Formação Marília com arenitos cimentados o potencial hidrogeológico é baixo, em decorrência da baixa porosidade da rocha, enquanto nas unidades constituidas por arenitos friáveis o potencial hidrogeológico é alto. Os dados de vazão dos poços tubulares nesse sistema de aquífero indicam que as vazões variam de 1 m3/h (mínima) até 98 m3/h (máxima) com valor médio de 8,26 m3/h. Sistema Aquífero Serra Geral O sistema aquífero Serra Geral representa o segundo maior sistema em área de ocorrência no município de Rio Verde (14,9% da área total). Rochas vulcânicas pertencentes às unidades Formação Serra Geral, Suíte Vulcânica de Santo Antônio da Barra e Formação Verdinho constituem as litologias formadoras desse sistema aquífero. Por se tratar de rochas vulcânicas pouco porosas, as águas subterrâneas são encontradas em zonas fraturadas ou planos de falha. O aquífero é, portanto, do tipo fraturado e anisotrópico com grande variabilidade nos parâmetros hidrodinâmicos e dimensionais. Sendo assim, a potencialidade de armazenamento e extração de águas subterrâneas nesse sistema é fortemente dependente do padrão de fraturamento ou ocorrência de falhas. Conforme pode ser observado no mapa Geologia e Potencial Mineral (Figura 4), a zona de ocorrência de lineamentos estruturais (fraturas ou falhas) está concentrada especialmente no setor centro-leste do município, onde afloram rochas pertencentes à Formação Serra Geral e onde há ocorrência desse sistema aquífero. No município de Rio Verde foram encontrados 87 poços tubulares associados a esse sistema de aquífero. Os dados de vazão dos poços tubulares nesse sistema de aquífero indicam que as vazões variam de 0,56 m3/h (mínima) até 22 m3/h (máxima) com valor médio de 7,14 m3/h. 32 Sistema Aquífero Cachoeirinha Esse sistema aquífero ocorre sobre substrato areno-argiloso friável pertencente à Formação Cachoerinha (Figuras 4 e 6). A área de ocorrência do sistema aquífero Cachoerinha soma 2 % da área total do município de Rio Verde e está restrita a sua porção extremo sul. O sistema aquífero Cachoerinha é constituido por um conjunto de aquíferos livres e semiconfinados, homogêneos e isotrópicos. Alcança em média 20 metros de espessura e constitui um sistema aquífero de díficil explotação, dada a tendência do substrato areno-argiloso a causar desmoramentos durante a perfuração dos poços e turbidez nas águas bombeadas pelos poços. De acordo com os dados consultados (Almeida et al., 2006), não foi encontrado nenhum poço tubular perfurado para explotação de água subterrânea em área de ocorrência desse sistema aquífero no município de Rio Verde. Sistema Aquífero Aquidauana O sistema aquífero Aquidauana é encontrado no município de Rio Verde em zona de domínio da Formação Corumbataí, a qual ocorre numa pequena parcela à norte do município (Figura 4 e 6). Esse sistema aflora em 0,1 % da área total do município e constitui um sistema aquífero confinado, anisotrópico, heterogêneo e com grande variação lateral, que se desenvolve sobre as sequências rítmicas de siltitos e argilitos intercalados ocasionalmente por arenitos finos a muito finos da Formação Corumbataí. Em zonas com alto grau de cimentação dos estratos arenosos e presença de siltitos e argilitos ocorre diminuição da potencialidade de armazenamento e fornecimento de água desse sistema, enquanto em áreas onde as rochas sedimentares da Formação Corumbataí se apresentam fortemente intemperizadas há maior potencialidade desse sistema aquífero para armazenamento e fornecimento de água. Também de acordo com os dados consultados (Almeida et al., 2006), não foi encontrado nenhum poço tubular perfurado para explotação de água subterrânea em área de ocorrência desse sistema aquífero no município de Rio Verde. CÁLCULOS DAS RESERVAS DE ÁGUA SUBTERRÂNEA PARA O MUNICÍPIO DE RIO VERDE A definição de reservas renovável, permanente e explotável obedece ao proposto por Almeida et al ( 2006), a saber: Reserva renovável - também chamada de reserva reguladora, compõe os volumes que anualmente circulam pelo aqüífero, compondo um volume de rápida circulação, de águas jovens e em geral vinculadas a fluxo hidrogeológico local. Reserva permanente ou secular - compõe o volume de água de lenta circulação que ocupa a porosidade efetiva abaixo do nível da superfície piezométrica (freática) média. Esta 33 reserva é composta por águas mais antigas, associadas à sistemas de fluxo intermediário a regional e em geral mais mineralizadas. Reserva explotável - esta compõe o volume que pode ser retirado do aqüífero em termos sustentáveis, sem causar danos irreversíveis aos reservatórios subterrâneos. Este tipo de reserva é também denominada de ecológica e quando os sistemas são bombeados em taxas muito superiores à reserva explotável ocorrem problemas de rebaixamento demasiado dos níveis d’água, ativação ou reativação de dolinas, desenvolvimento de sismos induzidos e colapso no abastecimento. A equação utilizada para o cálculo da reserva explotável de água subterrânea para cada sistema aquífero é apresentada abaixo: Reserva explotável (Re) = Reserva renovável (Rr) + % da Reserva permanente (Rp) a ser explotada onde, Rr = A x p x I sendo A = área aflorante do sistema aquífero (m2), p = percentagem da precipitação média anual que participa da recarga, I = precipitação média anual (m/ano). Rp = A x b x ηe (ou IFi) sendo A = área aflorante do sistema aquífero (m2), b = espessura saturada das unidades que compõe o sistema aquífero (m), ηe = porosidade efetiva para aquíferos intergranulares, IFi = índice de fraturamento interconectado para aquíferos fissurais. Os valores obtidos aplicando as equações acima são apresentados na Tabela 3 abaixo: Tabela 3 - Cálculos da Reservas Renovável, Permanente e Explotável (Re) para os sistemas aquíferos que ocorrem no município de Rio Verde Reserva Permanente Reserva Renovável Sistema Aquífero Reserva Explotável A (m2) P (%) I (m/ano) Rr (m /ano) A (m2) b (m) ηe (ou IFi) Rp (m3) % Rp a ser explotada Re (m3/ano) Bauru 69560000 0.12 1.7 14.190.240 69560000 200 0.1 1.391.200.000 0.1 139.120.000 Serra Geral 12970000 0.12 1.7 2.645.880 12970000 100 0.035 45.395.000 0.1 4.539.500 Cachoeirinha 1740 0.12 1.7 354,96 1740 20 0.08 2.784,00 0.1 278,40 Aquidauana 65,7 0.12 1.7 13,40 65.7 200 0.06 788,40 0.1 78,84 3 34 LOCALIZAÇÃO E ANÁLISE DOS POÇOS TUBULARES PARA EXPLOTAÇÃO DE ÁGUA SUBTERRÂNEA Conforme a Figura 6 já apresenta (Mapa de Sistemas Aqüíferos e Poços Tubulares para o município de Rio Verde), constata-se uma concentração de poços na área urbana e, secundariamente, na porção central do município. Vários aqüíferos alimentam tais poços. O sistema aquífero Bauru é o que apresenta o maior número de poços tubulares perfurados no município de Rio Verde, seguido pelo sistema aquífero Serra Geral. Não há registro de poços tubulares perfurados nos sistemas aquíferos Cachoerinha e Aquidauana. O sistema aquífero Bauru apresenta um total de 267 poços tubulares perfurados na sua área de ocorrência. A vazão média calculada para o total de poços é de 8,26 m3/h e a soma das vazões é de 2.196 m3/h. Tem-se que a vazão estimada de água subterrânea explotada pelos 267 poços é de 19.236.960 m3/ano, valor este calculado para o período de um ano (365 dias) com os poços tubulares operando em sua capacidade máxima (vazão máxima) durante 24 horas por dia. Esse valor é superior à quantidade anual de 14.190.240 m3/ano calculada para a reserva renovável de água subterrênea desse sistema aquífero (Tabela 3). Isso indica que a perfuração de novos poços tubulares, sem um criterioso estudo de viabilidade ambiental, pode comprometer seriamente a reserva renovável e parte da reserva permanente desse sistema aquífero. Segundo os dados de Almeida et al. (2006), no sistema aquífero Serra Geral foram perfurados um total de 87 poços tubulares. A soma das vazões de todos os poços é de 621 m3/h sendo a vazão média de 7,14 m3/h. A vazão total anual estimada para os 87 poços é de 5.439.960 m3/ano, considerando nessa estimativa que os poços operam 24 horas por dia em sua capacidade máxima durante 365 dias no ano. Esse valor equivale a quantidade anual da reserva explotável, que é de 4.539.500 m3/ano, e aproximadamente ao dobro da quantidade anual de água subterrânea proveniente da reserva renovável, que é de 2.645.880 m3/ano (Tabela 3). Nesse caso, estudos criteriosos de viabilidade ambiental para perfuração de novos poços tubulares se fazem altamente necessários, face ao atual comprometimento da reserva explotável desse sistema aquífero. 35 TEMA 3 - DRENAGEM DO MUNICÍPIO DE RIO VERDE – GO Introdução Na análise da rede de drenagem enfatizou-se a identificação do conjunto de subbacias que compõem a rede de drenagem e a avaliação de suas variáveis internas como: área e desnível geral da bacia, padrão de drenagem; morfologia de canais; perfil longitudinal; aporte de sedimentos; controles litoestruturais. A mensuração destas variáveis possibilitará, numa próxima etapa, definir áreas de risco, susceptíveis a impactos ambientais derivados da atividade dos fluxos hídricos, através da identificação e reconhecimento dos processos de erosão/assoreamento atuantes nas calhas e vales dos canais fluviais. A decisão de abordar essas informações disponíveis no recorte das bacias hidrográficas se deveu ao fato de que a análise do comportamento das variáveis ambientais, segundo este parâmetro, vem ganhando importância estratégica no planejamento e na gestão de políticas territoriais. Esta abordagem assume especial relevância quando se considera a necessidade da regulação dos recursos hídricos, tendo em vista as conseqüências político-sociais de seu uso compartilhado sobre a qualidade de vida da população. Metodologia Para a realização do Mapa de Drenagem em escala 1:100.000 do Município de Rio Verde acessou-se o portal do IBGE e através da sessão Mapas Interativos, obteve-se as cartas que compõem a área do município. As cartas de interesse em escala 1:100.000 foram: SE.22-V-D-II, SE.22-V-D-III, SE.22-V-D-V, SE.22-V-D-VI, SE.22-V-D-I, SE.22-V-D-II, SE.22-V-D-IV, SE.22-V-D-V, SE.22-Y-B-III, SE.22-Z-A-I e SE.22-Z-A-II. Todas essas cartas estão disponibilizadas em formato.dgn e foi necessário realizar conversão para o formato shapefile (.shp) no programa ArcGIS, tornando os arquivos compatíveis a esse programa, podendo assim trabalhar sobre tais informações. Com os dados convertidos para shapefile no ArcGIS foram extraídas as informações sobre drenagens contidas nas cartas e realizada a junção dessas cartas através da ferramenta “Merge”, que junta vários shapefiles e suas respectivas informações em um shapefile maior e mais completo. Após essa junção, foi realizado através da ferramenta “Clip” o recorte da área do municio de Rio Verde; O shapefile do limite municipal foi adicionado ao projeto e a ferramenta “Clip” realizou o recorte de acordo com o limite, criando assim um arquivo com os dados somente da área de interesse para o projeto. 36 Aliado a esse projeto, foi obtido também o shapefile dos estudos de Compartimentação do Estado de Goiás em Bacias Hidrográficas, segundo metodologia definida por Otto Pfafstetter, através da página do SIEG Goiás e Superintendência de Geologia e Mineração – SIC. As chamadas Ottobacias são classificadas de acordo com determinado curso d’agua, tornando-o desta forma o curso principal e, a partir deste, é possível hierarquizar os cursos e localizar as bacias e interbacias posteriores, permitindo a definição do posicionamento destas e seus ordenamentos. Em procedimento já mencionado utilizando a ferramenta “Clip”, foram obtidas as bacias correspondentes à drenagem presente na área do Municio de Rio Verde. Foram contabilizadas doze Ottobacias, sendo elas agrupadas em cinco compartimentos, como mostra a Tabela 4, adiante. As distintas sub-bacias foram agrupadas em compartimentos que representam setores do Município com características hidrológicas superficiais similares. Essa compartimentação estabelece-se nas relações entre a altimetria, topografias, declividades, rochas, solos, cobertura vegetal e o uso do solo. Em outro nível de análise, posteriormente deverá se considerar aspectos internos da bacia, como a morfometria da rede de canais, o comportamento dos fluxos, as características da carga transportada etc, variáveis que vão explicar a geração e mobilidade dos depósitos fluviais além de outras características sedimentológicas e morfológicas dos mesmos, visando determinar os potenciais riscos ambientais que caracterizam as condições da bacia e permitem o planejamento da sua ocupação. Descrição A Figura 7 apresenta o Mapa de drenagem do município e a Tabela 2 os Compartimentos citados. COMPARTIMENTAÇÃO DO SISTEMA DE DRENAGEM A análise do arranjo espacial de cursos fluviais dentro de uma bacia hidrográfica, que em grande parte é controlada pela estrutura geológica, estabelece o padrão de drenagem da mesma (STRALHER, 1952). Esses fatores geológicos, como a disposição, natureza e grau de resistência das rochas, geram padrões de drenagem diferentes, inclusos na mesma bacia. As subacias que compõem a rede hidrográfica do Município de Rio Verde, apresentam variados padrões de drenagem baseados nos padrões descritos na literatura (CHRISTOFOLETTI 1980), podendo-se distinguir os tipos retangular, espinha de peixe, subparalelo e dendritico-subdendrítico. 37 Figura 7 - Sistemas de Drenagem e Bacias Hidrográficas do Município de Rio Verde. 38 38 Comparti mento 1 Tabela 4 - Compartimentos de Drenagem Desnível Área total Sup Área Bacia- Subacias geral (Km²) (Km²) (%) (mts) Região hidrográfica a montante Foz do Rio 919,8 10,98 250-300 Ponte de Pedra Região hidrográfica Rio Verdinho/Rib. 3483,0 2311,0 27,57 41,55 300 Monte Alegre Região hidrográfica Foz do Rio São 252,2 3 250-300 Tomaz/Rio Verdinho Bacia hidrográfica do Rio Ponte de Pedra 2 3 4 5 Região hidrográfica Foz do Ribeirão Monte Alegre/Rio Ponte de Pedra Bacia hidrográfica Foz do Rio Verdinho/Ribeirão Monte Alegre Região hidrográfica Foz do Rio Verde ou Verdão/Rio São Tomaz, Região hidrográfica Foz do Rio Santa Bárbara/Rio Verdão 303,4 21,1 3,61 416,9 0,25 4,96 Longitude canal ppal (Km) 100 110 100 50-100 5-10 50-100 3-5 92,4 1,10 50-100 5-7 663,1 7,91 250 50 200 10-15 101,7 1,21 1480,3 17,64 Bacia hidrográfica do rio São Francisco 282,7 3,36 200 10-15 Região hidrográfica a montante do Ribeirão Foz do rio João Pinto 432,8 5,16 200 5-7 Bacia hidrográfica Rio Doce Bacia hidrográfica Rio São Tomaz 1787,0 1217,9 1787,0 1217,9 21,31 14,53 21,31 14,53 150-200 200-250 Observações Bacias alongadas, padrões morfológicos com forte controle lito-estrutural. Vales entalhados na espessa cobertura arenosa. Bacias menores do extremo Leste do Município. Canais curtos com elevada pendente. Nivel de base sobre basaltos e vulcanitas. Bacias menores do extremo Sul do Município. Canais curtos com elevada pendente. Nascentes alojadas sobre remanentes de áreas planares e escarpas abruptas. Superfícies irregulares muito movimentadas. 15-25 Sub-bacias da margem esquerda do rio Doce. Canais curtos com importante desnível. O Tramo inferior sobre basaltos Serra Geral. 50 Bacia com padrão dendrítico, sobre sedimentos da Fm Adamantina. Nível de base suportado pelos basaltos da serra Geral. 39 Esses padrões refletem distintos estágios na evolução da paisagem regional, determinada pela predominância atual de processos erosivos e a presença de importantes condicionantes estruturais em alguns setores, representados pela atividade tectônica recente (Neotectônica). As morfologias de canais fluviais analisadas nesta etapa são oriundas dos processos erosivos e deposicionais do agente fluvial. Entretanto, sua atividade é subsidiada por outros processos e agentes que atuam previamente e concomitantemente, como a ação do intemperismo e a atração gravitacional, agindo sobre os produtos do primeiro, como os solos e depósitos nas encostas das elevações e mesmo nos leitos dos rios. Compartimento 1 - Subacias do Topo de Chapada As superfícies aplainadas constituem a feição morfológica dominante na porção Norte do Município. Apresentam topografia plana a suavemente ondulada, levemente dissecadas em colinas amplas e suaves com desnivelamentos inferiores a 40 metros e uma densidade de drenagem muito baixa (Figura 7). Entre os interflúvios amplos ocorrem vales fluviais com fundo plano e pouco entalhado, caracterizados pela presença de áreas com alta umidade (localmente denominadas Veredas ou brejos). A rede de drenagem é formada por bacias estreitas e alongadas que apresentam caracteristicamente um grande desenvolvimento em direções preferenciais determinadas pelos condicionantes lito-estruturais regionais. Desta maneira a rede de drenagem desenvolve-se sob forte controle estrutural, como por exemplo o padrão retangular (espinha de peixe) que na área pesquisada é controlado por lineamentos NW-SE, os quais cortam transversalmente um segundo lineamento com direção NE-SW (Lineamento Transbrasiliano). Neste Compartimento a forte influencia da Neotectonica, refletida na reativação destes antigos e importantes lineamentos de escala regional, possibilita o encaixamento da rede de drenagem local, em busca de re-equilíbrio com o nível de base regional, desta forma os cursos fluviais tendem a incidir verticalmente os vales (encaixamento), desencadeando, por sua vez, um aumento no gradiente de declividade das vertentes. O desnível geral destas sub-bacias é de 300mts (900/600 mts) aproximadamente e a rede de drenagem apresenta uma importante extensão (aprox. 40 100 km), mas uma ordem hierárquica muito baixa (STRALHER, 1952 ). A seção inferior dos vales aparece entalhada na espessa cobertura arenosa. Os principais cursos d’água neste Compartimento (rio Verdinho e outros) são todos tributários do Rio Verdão, e exibem um padrão de drenagem paralelo. No trecho inferior destes vales, observa-se um perfil de equilíbrio escalonado em diferentes patamares litológicos, onde cada soleira controla um nível de base local. Esses ressaltos estão associados á presença de afloramentos de rochas mais resistentes pertencentes à Formação Serra Geral. Compartimento 2 - Subacias do extremo Leste Este compartimento agrupa 3 subacias menores localizadas no extremo Nordeste do município. Em conjunto ocupam uma área de 417 km2, representando aproximadamente 5 % da área do Município de Rio Verde. Os canais principais, com padrões subparalelos têm um curto percurso (< 10 km) e um perfil irregular, vales em “V”, topos angulosos e o predomínio de vertentes côncavo-convexas. Esses afluentes do rio Verdão apresentam importantes desníveis, uma vez que suas cabeceiras se desenvolvem em ressaltos gerados pela intercalação de rochas de distinta resistência a erosão, como os basaltos da Formação Serra Geral, e principalmente as rochas vulcânicas da Suíte de São Antonio da Barra. Compartimento 3 - Subacias do Sul Este Compartimento é formado por 4 subacias de menor porte. Localiza-se na porção sul da área de estudo e sua área de abrangência ocupa 1480 Km2, ou seja, 17,64 % do total da área do Município. Nestas bacias, as cabeceiras estabelecem-se no topo e escarpas de antigas superfícies de topo plano. Nestas geoformas remanecentes, a altitude chega a 800 metros e abriga as nascentes de rios curtos com perfis longitudinais de elevada pendente. A foz destes canais se encontram em uma cota altimétrica de 600 mts aproximadamente A forte declividade destes cursos promove o predomínio de erosão linear, padrões de drenagem paralelos, pouco desenvolvidos, vales em “V”, vertentes retilíneas, côncavas e côncava-convexas, topos angulosos, assimétricos e alongados. O predomínio, entretanto, nestas superfícies planares é das coberturas argilosas da Formação Cachoeirinha, de idade Terciária, o substrato geológico 41 predominante é representado pela Formação Marilia, o que confere a este compartimento um fator adicional ao considerar o seu potencial erosivo. No “front” das escarpas são geradas as condições para intensificação da erosão, sobretudo nos segmentos de alta e média vertente. Nestes terrenos íngremes, os solos tendem a ser muito rasos, ainda que sustentem uma vegetação de porte florestal. Esta condição geo-ecológica caracteriza a escarpa com presença de geoformas planares remanecentes, como uma unidade geomorfológica muito susceptível a movimentos de massa, destacando-se deslizamentos rasos translacionais no contato solo-rocha durante eventos climáticos de extrema pluviosidade. Compartimento 4 - Subacias do Rio Doce O Compartimento de Oeste esta representado pelos cursos da margem esquerda do rio Doce. As nascentes se desenvolvem nas escarpas da Superfície Regional de Aplainamento do setor Norte, e nos afloramentos da Formação Adamantina no setor Sul do Município. O gradiente dos canais é muito elevado nas subacias deste compartimento. Apresentam uma área de 1787 Km2, ou seja, 21,3 % do total. Os canais curtos apresentam um perfil irregular, vales em “V”, topos angulosos e o predomínio de vertentes côncavo-convexas. Os basaltos da Formação Serra Geral constituem o piso dos vales na porção inferior das subacias.. Neste compartimento a Formação Serra Geral é constituída por basalto toleítico, de coloração escura, marrom a cinza escuro e esverdeado, textura predominantemente afanítica, e amigdalóide no topo dos afloramentos. A estrutura geral pode apresentar descontinuidades pela presença de diques e soleiras de diabásio granular. Compartimento 5 - Depressão Central - Bacia do rio Santo Tomaz Nesta área mais rebaixada do Município, o substrato é formado pelas rochas sedimentares e vulcânicas básicas constituintes da Bacia do Paraná. O relevo neste compartimento caracteriza-se por colinas e morros dissecados, com média a alta densidade de drenagem, apresentando, em geral, desníveis inferiores a 60 metros, e vertentes de gradiente suave a moderado. O padrão dendrítico-subdendrítico, predominante na sub-bacia do rio Santo Tomaz, sofre pouca ou nenhuma influência de elementos estruturais e se caracteriza 42 por apresentar uma ramificação arborescente, cujos tributários se unem em uma só corrente principal formando ângulos agudos. As cabeceiras da subacia estão desenvolvidas sobre as rochas da Formação Adamantina compostas de metassedimentos argilosos, arenosos e carbonáticos, tornando-a uma área vulnerável a fortes atividades erosivas. Os trechos médios e inferior geralmente ocorrem sobre rochas resistentes e uniformemente erodidas (Basaltos Serra Geral ). A bacia mais importante neste compartimento é aquela do rio Santo Tomaz, a qual apresenta um desenho dendrítico, com um elevado índice de circularidade. Essa característica morfológica constitui um importante fator na ponderação do risco hídrico potencial, uma vez que os núcleos urbanos do Município de Rio Verde estão alojados neste compartimento. Em termos de hierarquia de drenagem, o rio Santo Tomaz consiste no principal coletor da bacia homônima Apresenta um padrão de canal meandrante com trechos retilíneos e consiste num típico rio de planície com gradiente do canal relativamente baixo. 43 TEMA 4 – PEDOLOGIA DO MUNICÍPIO DE RIO VERDE – GO Introdução A relação entre as formas do relevo e os solos (morfopedologia) tem sido a base para o mapeamento da distribuição de solos na paisagem, o que tradicionalmente era feito de forma manual através da análise estereoscópica das fotografias aéreas, posteriormente validada em campo. Entretanto, com a análise digital do terreno e a utilização de filtros para realçar as imagens de satélite, a separação das unidades morfopedológicas tornou-se uma alternativa mais rápida e que possibilita a definição de forma automática ou semi-automática das unidades morfológicas da paisagem (PPOLIT ET AL, 2003). Com base nesse princípio realizouse o mapeamento dos solos do município de Rio Verde, ainda que sem validação em campo, o que será feito na próxima etapa. Metodologia O mapa de solos do município de Rio Verde (Figura 8) foi elaborado na escala 1/100000, de semi-detalhe, a partir do tratamento e modelagem dos dados digitais de elevação (SRTM), a interpretação visual das imagens de satélite LANDSAT TM5, utilizando-se ferramentas do programa SPRING 5.02 desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Espaciais – INPE, o cruzamento com o mapa de declividade e tendo por referência a compilação do mapa de solos do Estado de Goiás disponibilizado pelo Sistema Estadual de Estatística e de Informações Geográficas do Estado de Goiás – SIEG. As classes de solos foram atualizadas conforme as normas taxonômicas do Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos da EMBRAPA (2006). Especificamente, a delimitação das classes de solos foi realizada no programa SPRING, a partir da filtragem das cenas das imagens do Satélite LANDSAT TM5 bandas 543/RGB de 2008, que serve para minimizar/realçar ruídos ou minimizar e realçar bordas, sem alterar ou diminuir a sua resolução. Com a imagem resultante do processamento foi gerada a segmentação e a classificação. Posteriormente, a imagem classificada foi transformada do formato matricial para o vetorial. Com os dados no formato vetorial foi realizado o cruzamento com o mapa de declividades e delimitadas as classes de solos. Na tabela 5 tem-se o modelo de correlação entre relevo e solos (morfopedológica) usada para a delimitação das unidades de mapeamento. 44 Figura 8 – Mapa de Solos do Município de Rio Verde - GO 45 Tabela 5 - Modelo de Correlação entre as Classes de declive, tipos de relevo e agrupamento de solos CLASSES DE DECLIVE (%) CLASSES DE RELEVO CLASSES DE SOLOS PREDOMINANTES 0-12 Plano a suave ondulado Latossolos, Gleissolos, Neossolos Quartzarênicos 12 -20 Ondulado Argissolos, Nitossolos 20 – 45 Forte ondulado Cambissolos, Neossolos Litólicos >45 Montanhoso Neossolos Litólicos No mapa de solos (Figura 8), percebe-se claramente o predomínio da classe dos Latossolos, cobrindo pouco mais de 70% da área total. Seguem-se os Gleissolos com pouco mais de 10%, os Argissolos Vermelho-Amarelos, com quase 9% e os Cambissolos com pouco mais de 4% da área do município. Do restante se destacam os Neossolos Litólicos, os Neossolos Quartzarênicos e os Nitossolos. A maioria dessas classes está subdividida em subclasses que especificam alguma característica de fertilidade, de feições ou de riqueza em algum componente, como ferro ou alumínio. Na tabela 6, em seguida apresenta-se as classes de solos que ocorrem no município de Rio Verde, com as respectivas áreas em relação à área total do município, sua nomenclatura, siglas e características gerais de acordo com a classificação apresentada no SIEG (RADAMBRASIL, 1983), o atual Sistema Brasileiro de Classificação de Solos - SisBCS (Embrapa, 2006), até o 4º. Nível categórico, ou seja em subclasses. 46 Tabela 6 - Classes de Solos Classes RADAMBRASIL (1983) SisBCS (2006)* Siglas SisBCS (2006)* + Subclasse Latossolo Vermelho Aluminoférrico Ha % 423,38 42338,2 5,05 102,3 10229,72 1,22 378,68 37867,65 4,51 2167,92 216791,9 25,84 447,98 44797,51 5,34 771,54 77154,35 9,20 1184,17 118417,1 14,12 227,16 22715,86 2,71 28,93 2892,98 0,34 237,62 23761,95 2,83 39,61 3961,19 0,47 PVAd2 Bem desenvolvido, presença de horizonte Bt enriquecido em argila de textura média ou argilosa sob horizonte A ou E arenoso ou de textura média, argila Tb. 264,04 26404,47 3,15 PVAd3 Bem desenvolvido, presença de horizonte Bt enriquecido em argila de textura média sob horizonte A ou E arenoso ou de textura média, Tb + PVAe Tb de textura média em relevo ondulado + PVAe Tb cascalhento, textura média/argilosa. 398,54 39854,34 4,75 PVAd4 Similar ao anterior + CXbd + RQo. 18,94 1894,4 0,23 PVAe Bem desenvolvido, presença de horizonte Bt enriquecido em argila de textura média ou argilosa sob horizonte A ou E arenoso ou de textura média. 31,06 3106,49 0,37 LVaf2 LVaf3 LVd1 Latossolo Vermelho Escuro distrófico (LEd) Latossolo Vermelho Distrófico LVd2 LVd3 LVdf1 Latossolo Roxo distrófico (LRd) Latossolo Vermelho Distroférrico LVdf2 LVdf3 Latossolo Vermelho Amarelo distrófico (LVd) Latossolo Vermelho – Amarelo Distrófico LVAd PVAd1 Podzólicos Vermelho Amarelo distrófico (PVAd) Podzólicos Vermelho Amarelo eutrófico (PVAe) Argissolo VermelhoAmarelo Distrófico Argissolo VermelhoAmarelo Eutrófico Características gerais Km² LVaf1 Latossolo Vermelho Escuro álico (LEa) Área Bem desenvolvido, profundo, homogêneo, textura média, relevo plano a suave ondulado, teores elevados de alumínio, baixa saturação em bases. Idem anterior + RQo. Idem LVaf1, mas distrófico e + PVAd de textura média a arenosa/média de relevo suave ondulado + RQo de relevo plano a ondulado. Bem desenvolvido, profundo, homogêneo, textura argilosa a muito argilosa, relevo plano a suave ondulado + LVAd argiloso a muito argiloso. Bem desenvolvido, profundo, homogêneo, argiloso, relevo plano a suave ondulado, + LVAd argiloso + LVd de textura média. Bem desenvolvido, profundo, homogêneo, homogêneo, argiloso, relevo plano a suave ondulado, + LVd textura média + RQo. Bem desenvolvido, profundo, homogêneo, horizonte A moderado e proeminente, textura muito argilosa a argilosa, relevo suave ondulado a plano. Similar ao anterior, porém com A proeminente a chernozêmico + Nitossolos e Latossolos com A chernozêmico. Similar ao anterior, mas o horizonte A pode ser moderado a chernozêmico. Bem desenvolvido, profundo, homogêneo, argiloso a muito argiloso, relevo plano a suave ondulado, + LVd + LVaf. Bem desenvolvido, presença de horizonte Bt enriquecido em argila de textura média ou argilosa sob horizonte A ou E arenoso ou de textura média, argila Tb. + PVAd cascalhento Tb, suave ondulado a ondulado. Terra Roxa Estruturada distrófica Nitossolo Vermelho Eutrófico Nve Cambissolo Distrófico (Cd) Cambissolo Háplico Tb Distrófico CXbd Gleissolo Húmico distrófico (HGPd) Gleissolo Melânico Tb Distrófico GMbd Gleissolo Pouco Húmico distrófico (HGPd) Gleissolo Háplico Tb Distrófico GXbd RLd1 Solo Litólico distrófico (Rd) Neossolo Litólico Distróficos RLd2 RQo1 Areias Quartzosas álicas (AQa) Neossolo Quartzarênico Órtico RQo2 Bem desenvolvido, argiloso, estrutura forte, relevo ondulado a forte ondulado, horizonte A moderado a chernozêmico, + RL com A chernozêmico argiloso de relevo forte ondulado + LVdf muito argiloso de relevo suave ondulado. Pouco desenvolvido, horizonte B inicipiente, argila Tb, não cascalhento a cascalhento, textura média, baixa saturação em bases, relevo ondulado a suave ondulado + PVAd Tb cascalhento. Baixa saturação em bases, textura argilosa, relevo plano + RYbd (Neossolo Flúvico Tb Distrófico). Textura média/argiloso, relevo plano a suave ondulado, fundos de vale hidromórfico argiloso e veredas, argila Tb, baixa saturação em bases, + FXd (Plintossolo Háplico Distrófico) + LVAd. Não desenvolvido, sem horizonte B, textura arenosa/média, cascalhento ou não, relevo forte ondulado +PVAe, argila Tb. Não desenvolvido, sem horizonte B, cascalhento, relevo forte ondulado + CXd, argila Tb, cascalhento + afloramento de rochas. Não desenvolvido, sem horizonte B, relevo suave ondulado + PVAd Tb textura arenosa/média. Não desenvolvido, sem horizonte B, relevo plano a suave ondulado + LVd de textura média, + Cxa (Cambissolo Háplico alumínico) não cascalhento a cascalhento e relevo suave ondulado a ondulado. TOTAL * Sistema Brasileiro de Classificação de Solos - EMBRAPA 47 111,58 11157,74 1,33 365,31 36530,78 4,36 11,5 1149,71 0,14 865,03 86503,44 10,31 58,66 5866,43 0,70 105,42 10541,95 1,26 88,51 8850,85 1,06 60,36 6036,38 0,72 8388,24 838825,4 100,00 A tabela 7, a seguir, resume a participação das classes em ordem decrescente de área. Tabela 7 - Resumo das áreas ocupadas pelas classes de solos no município de RioVerde Classes de Solo LVd LVdf LVaf GXbd PVAd CXbd LVAd RL RQo NVe PVAe GMbd Total Km² Área Ha % 3387,44 1440,26 904,36 865,03 721,14 365,31 237,62 164,08 148,87 111,58 31,06 11,50 8388,25 3387437,11 1440259,75 904355,67 865030,00 721144,01 365310,00 237620,00 164083,81 148872,34 111580,00 31060,00 11500,00 8388252,69 40,38 17,17 10,78 10,31 8,60 4,36 2,83 1,96 1,77 1,33 0,37 0,14 100 48 Pode-se constatar pelas tabelas 6 e 7 e pela Figura 8, que os Latossolos dominam mais de 2/3 da área municipal, mas subdividem-se em LVd (Latossolo Vermelho distrófico), LVdf (Latossolo Vermelho distroférrico), LVaf (Latossolo Vermelho aluminoférrico) e LVAd (Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico), sendo que o primeiro (LVd) representa mais da metade desse total. Os Latossolos são solos muito intemperizados, resultantes da remoção de sílica e de bases trocáveis no perfil de solo e apresentam minerais secundários do grupo da caulinita, óxidos, hidróxidos e oxi-hidroxidos de Fe e Al como a hematita, goethita, gibssita e outros. São solos minerais, não hidromórficos, profundos apresentando horizonte B latossólico (Bw) muito espesso. Apresentam uma seqüência de horizontes A, Bw e C pouco diferenciada com cores variando de vermelha a amarela. As estruturas predominantes são em blocos subangulares e ou em forma muito pequena granular podendo compreender partes com aspecto maciço poroso. Apresentam baixo teor de silte podendo geralmente ser argilosos a areno-argilosos argila. São excessivamente a acentuadamente drenados, conforme a natureza da textura, da estrutura e da situação topográfica, as no geral apresentam boa retenção de umidade para as plantas. Quanto à fertilidade costumam ser ácidos a muito ácidos, com baixa saturação em bases, baixa capacidade de troca catiônica, mas podem ser corrigidos e adubados pois apresentam um bom potencial para retenção de cátions. Não raro, apresentam teores elevados de alumínio e pode concentrar concreções ferruginosas. Ocorrem em terrenos de baixa declividade, formas planas ou muito suaves e normalmente em posição de topo, representando os níveis de recarga de freáticos locais e até mesmo regionais. Em geral não são suscetíveis à erosão hídrica, podendo desenvolvê-la sobretudo se desenvolver compactação superficial relacionada com pisoteio de animais ou subsuperficial (pé-de-grade ou pé-de-arado) pela passagem de máquinas agrícolas mais pesadas. Quando irrigado e compactado pode desenvolver fungos (mofo branco ou outros) e pode promover a dissociação entre argila e ferro causando dispersão forte de argilas e dificuldades de manutenção de implementos agrícolas. Na área de Rio Verde os Latossolos ocorrem principalmente nas áreas reconhecidas como das chapadas, que são superfícies residuais de aplainamento, com topografia plana e suave ondulada e de recarga local. O LVd, que domina no município, representa bem as características citadas. O LVdf já apresenta maiores teores de ferro e o LVaf de ferro e também de alumínio, o que condiciona maiores restrições de manejo. Ocorrem mais nas bordas das chapadas. Como se verá adiante Os Gleissolos Háplicos (CX) e os Melânicos (GM) somam juntos mais de 10% da área do município. São classes de solos que geralmente ocupam as depressões do relevo 49 muito suavemente concavizadas e sujeitas a saturação permanente pelo lençol freático, como também os fundos de vale, veredas, áreas de nascentes e planícies inundáveis. São mal ou muito mal drenados, apresentando com freqüência, uma espessa camada de matéria orgânica mal decomposta (turfa) sobre uma camada acinzentada (gleizada), resultante do ambiente saturado onde dominam processos de oxi-redução do ferro. Apresentam textura bastante variável ao longo do perfil. Quando argilosos ou muito argilosos, sua consistência é plástica e pegajosa. Podem ser ricos quimicamente ou pobres em bases com teores de alumínio elevados. Costumam ser dominantes e áreas de Preservação Permanente (APP) de drenagem e de nascentes, por isso representam terrenos sensíveis sendo muito importante preservá-los para não comprometer o reservatório hídrico e não promover voçorocamentos. No município de Rio Verde eles ocorrem em praticamente todos os rios e ribeirões do município. Os Argissolos Vermelho-Amarelos (PVA) correspondem a pouco mais de 8% da área do município. Apresentam como característica típica um aumento substancial no teor de argila em profundidade resultante de movimentação de argila do horizonte A para o B, formando horizonte B textural. São solos minerais, não hidromórficos, cujo horizonte B textural apresenta cores avermelhadas e/ou amareladas, com tendência a tonalidades mais escuras do que as cores dos horizontes acima, com os quais contrastam também e textura. Ocorrem nas áreas de relevo ondulado ou forte ondulado com declividades de 12% até 45%. No município são distróficos e ocorrem predominantemente no seu quadrante sul associados aos terrenos moderadamente declivosos. Ocorrem também nos setores mais declivosos associados aos Cambissolos e aos Neossolos Litólicos. São suscetíveis à erosão hídrica linear (sulcos, ravinas e mesmo voçorocas) e por isso necessitam de práticas conservacionistas de moderadas a severas. Os Cambissolos correspondem a 4,36 % da área e constituem manchas situadas preferencialmente a nordeste do município relacionadas com os declives moderados que precedem as superfícies de aplainamento . Apresentam horizonte superficial submetido a pouca alteração química e física, porém suficiente para o desenvolvimento de cor e estrutura, todavia de pouca expressão em espessura e em grau de desenvolvimento, daí a nomenclatura de horizonte B incipiente. Em geral ainda conservam minerais primários facilmente intemperizáveis e geralmente ocorrem em relevos mais movimentados (ondulados e forte ondulados) podendo aparecer em cotas intermediárias entre os argissolos e neossolos litóllicos. Os Nitossolos correspondem a 1,33 % e ocorrem em porções suito localizadas, sobretudo a nordeste do município, nos segmentos médios e inferiores das encostas onduladas até forte onduladas, em geral associados à presença de rochas básicas do 50 substrato, como os basaltos. De modo geral, apresentam estrutura bem desenvolvida no horizonte B nítico, sendo do tipo prismática ou em blocos subangulares. Costumam ser argilosos, eutróficos e por isso apresentarem boa fertilidade natural. Os Neossolos Quartzarênicos correspondem a 1,77 % da área, geralmente são profundos, apresentando textura arenosa ou franco-arenosa, constituídos essencialmente de quartzo, com máximo de 15% de argila e seqüência de horizontes do tipo A-C. Normalmente ocorrem em relevo plano ou suave ondulado sobre substratos areníticos ou arenosos (depósitos sedimentares). Caracterizam-se por apresentar areias inconsolidadas, cuja estrutura é fraca, pouco coerente e constituida basicamente de grãos simples de areia solta. São muito porosos e excessivamente drenados, exceto quando são finos a muito finos. Quimicamente apresentam baixa disponibilidade em nutrientes para as plantas, porém são muito suscetíveis à erosão hídrica quando ocorrem nas cabeceiras de drenagem ou fundos de vale e encontram-se expostos. Na área ocorrem em duas manchas visíveis na escala adotada, uma a oeste e outra ao sul. Os Neossolos Litólicos apresentam horizonte A ou hístico, assente diretamente sobre a rocha ou sobre um C ou Cr e são constituídos por fragmentos de rocha com diâmetro maior que 2 mm (cascalhos, calhaus e matacões). Apresentam contato lítico típico ou fragmentário dentro de 50 cm da superfície do solo. Ocupam os relevos mais declivosos onde o escoamento superficial é intenso, favorecendo a erosão superficial e não o desenvolvimento dos solos. Costuma estar relacionados a APP de encosta e por isso devem ser preservados. Na área ocorrem preferencialmente a oeste e ao sul relacionados às bordas e escarpas das chapadas. Em síntese, os Latossolos Vermelhos distróficos apresentam aptidão agrícola elevada, suportando bem lavouras intensivas, seguindo-se os demais latossolos com boa aptidão, mas requerendo mais cuidados por restrição devida à presença de concreções e muito baixa fertilidade. Com aptidão intermediária situam-se os Argissolos que exigem práticas conservacionistas moderadas a severas. Os Neossolos Quartzarênicos apresentam aptidão boa para pastagens desde que bem manejadas e os demais solos apresentam diferentes restrições devido ou ao excesso de declive ou de água. No geral, o município apresenta notável aptidão agrícola para uso e manejo intensivos, o que é corroborado pelo uso do solo, como se pdoerá constara a seguir. 51 TEMA 5 – USO DO SOLO DO MUNICÍPIO DE RIO VERDE – GO Introdução A elaboração de mapas de uso do solo é útil para a atualização das formas de uso e de ocupação do Município, apresentando-se, portanto, como uma importante ferramenta para o planejamento. Esse tipo de mapa possibilita também a identificação de indicadores ambientais, a avaliação da capacidade de suporte ambiental diante dos diferentes manejos empregados, contribuindo, então, para a identificação de alternativas promotoras da sustentabilidade do desenvolvimento (IBGE, 2006). Nesta seção do relatório é apresentado o mapa de uso do solo e de remanescentes das fitofisionomias originais (nativas), a fim de interpretar os tipos de uso do solo adotados pelo município de Rio Verde. Metodologia O mapa de uso do solo e de remanescentes foi realizado no software Spring, a partir da ferramenta de classificação segmentada por regiões. Esta ferramenta utiliza como critérios de análise para a classificação a informação espectral de cada pixel e relação deste entre seus vizinhos (MOREIRA, 2003). Assim, obedeceu-se às seguintes etapas: 1. Aquisição da imagem de satélite Landsat TM-5 de 27 de julho de 2008, nas bandas 3, 4 e 5; 2. Georreferenciamento da imagem no software ENVI e recorte da imagem ao limite do município de Rio Verde; 3. Importação da imagem já recortada ao limite do Município de Rio Verde para o software SPRING. O limite do município foi obtido na base de dados do Sistema Geográficas do Estado de Goiás; 4. Como a interpretação para classificação da imagem considera a interpretação de fatores como cor, textura, forma e relevo, é necessário adotar-se uma composição de bandas com falsa-cor. Adota-se, então, a composição nas bandas 5R, 4G e 3B que apresenta forte semelhança com as cores da natureza e é freqüentemente utilizada por facilitar a interpretação da cobertura e uso do solo; 52 5. Realização da segmentação por meio do crescimento de regiões onde a imagem é dividida em regiões espectralmente homogêneas. O segmentador calcula a média, a variância e a textura, sendo que a agregação das regiões é feita por critérios de similiaridade e de área que foram, para ambos, adotados o valor de 10; 6. Definição das classes de uso após análise dos parâmetros espaciais e espectrais das imagens, conforme 4o etapa e obtenção de amostras de treinamento. A definição da nomenclatura/classes adotada para mapas de uso do solo deve ser compatível com a escala, tamanho da área, adequada ao mapeamento da diversidade do território. Deve, portanto, ser clara, precisa para os usuários. No entanto nem sempre é possível durante uma classificação para mapeamento de uso do solo, abranger toda a complexidade do alvo de estudo. Segundo Diniz (1984) as classificações só podem ser julgadas “na esfera do adequado – inadequado; significante – não-significante, e jamais na do certo e errado”. Conforme IBGE (2006 p.35): “Classificar é agrupar objetos, elementos e eventos em conjuntos levando-se em conta suas propriedades consoante um método ou sistema de avaliação”. Foram, então, identificadas áreas de uso antrópico (agricultura, pastagens, solo exposto, áreas urbanas e solo em preparo que se trata de área destina a agricultura), de remanescentes (Cerrado Denso, Cerrado Ralo,) e áreas de corpos d’água, sendo adotada para a chave de interpretação as características apresentadas na Tabela 8. Tabela 8 - Chave de interpretação adotada para a classificação da imagem CLASSES DE USO TEXTURA TONALIDADE PORTE Mata Ciliar Homogêneo Verde escuro Alto Cerrado Denso Cerrado Ralo Solo em Preparo Homogêneo Grossa Fina Fina; aveludada e granular. Verde médio Verde claro Rosa, verde claro Médio/Alto Baixo rasteiro Rosa; verde claro. Rasteiro Agricultura Pastagens Fina/homogêne Clara com a/aveludada algumas variações Sitio Urbano Grossa Solo Exposto grossa Corpos d’ água Lisa Cinza claro e médio vermelho Cinza escuro a negro Baixo - ASPECTOS ASSOCIADOS Fundos de Vale; cursos d'água Formas irregulares Árvores isoladas Talhões de cultivo Formas geométricas; carreadores/pivôs. Formas geométricas, trilhas/arvores isoladas. Formas geométricas/arruament os Formas irregulares Áreas rebaixadas e fundos de vale 7. Extração das regiões através da extração de informações de média, variáveis na região de cada banda; 53 8. Classificação da imagem segmentada através do classificador ISOEG onde é definido o limiar de aceitação e as classes são ordenadas e agrupadas; 9. Transformação da imagem gerada em modo matricial em um mapa vetorial; 10. Verificação e edição das áreas mapeadas com a imagem. Neste processo foram observadas inicialmente as classificações das áreas antrópicas: áreas de cultura agrícola irrigada, culturas agrícolas e áreas urbanas foram re-classificadas e redefinidas, quando necessária a correção, utilizando-se da função da delimitação de polígonos. Para a edição das classes de remanescentes contou-se com auxílio do mapa de uso do solo e de fitofisionomias do Estado de Goiás, elaborado pela IMAGEM/WWF (2004); 11. Atribuição de cores as classes identificadas conforme metodologia sugerida pelo Manual Técnico de Uso da Terra do IBGE (2006); 12. Cálculos de área de cada uso mapeado e sumarização dos resultados da classificação em forma de tabelas, tratadas no software Excel; Na definição e classificação das classes de uso e remanescentes foram necessários alguns ajustes e agrupamentos, em virtude, especialmente, do tamanho da área e escala. Assim, foram agrupadas: • Áreas de agricultura temporária e permanente, assim como as áreas de culturas irrigadas (pivôs) e áreas destinadas à agricultura na Classe de Agricultura; • A fisionomia associada aos córregos e rios da bacia foram todas classificadas como Mata Ciliar. Em função da escala e métodos, não foi possível a definição entre Mata Ciliar e Mata de Galeria que segundo a classificação de Ribeiro e Walter (1998) baseiase fundamentalmente em critérios florísticos; • Serão necessários trabalhos de campo para validação, especialmente dos remanescentes. Descrição O mapa de uso do solo atual e de remanescentes do município de Rio Verde (Figura 9), obtido através de análise de imagens de satélite LANDSAT TM5 conforme metodologia exposta, indica que dentre as atividades antrópicas aplicadas à área a atividade de agricultura é a predominante, correspondendo a 66,88% da área. 54 Figura 9 – Mapa de Uso do Solo em 2008 do Município de Rio Verde - GO 55 Esta se encontra distribuída por todo o município, o que confirma a vocação agrícola do mesmo. Ressalta-se que essa atividade utiliza uma grande quantidade de insumos químicos e maquinários para a elevação da produtividade, além de irrigação, o que pode conduzir ao desenvolvimento de inúmeros impactos ambientais. As atividades de pastagens concentram-se na porção sul do município e correspondem a 8,75 de sua área. Os outros usos antrópicos mapeados correspondem a 0,86% da área e são representados pelas áreas urbanas dos municípios e por áreas de solo exposto (áreas degradadas pelas atividades agrícolas que se encontram, na data da imagem, abandonadas). Os remanescentes da vegetação nativa mapeados nesta pesquisa encontram-se pulverizados e fragmentados pelo processo de antropização do município. Estão restritos a fragmentos de Cerrado, raramente grandes, a áreas de reserva legal, ou áreas onde não é possível atividades agropecuárias. Encontram-se, portanto, “ilhados” pelo uso predominante de agricultura. Segundo a classificação de Ribeiro e Walter (1998) esses remanescentes foram identificados como Mata Ciliar, Cerrado Denso, Cerrado Ralo. A predominância é de fitofisionomias de Mata ciliar que corresponde a 14% da área do município. Essa classe é identificada ao longo dos cursos d`água e apresenta-se altamente fragmentada devido ao processo de desmatamento. Alguns cursos d’ água chegam a não apresentar essa vegetação ou a apresentam de forma descontínua. Ribeiro e Walter (1998) alertam para ocorrência de transição, nem sempre evidente, entre essa fitofisionomia e as formações florestais, por isso acredita-se que as áreas de Mata Ciliar mapeadas possam estar superestimadas. A classe de Cerrado Denso corresponde a 5,3% da área e encontra-se dispersa na área do município. As áreas de Cerrado Ralo correspondem a 4,17% e também se apresentam de forma dispersa. Foi ainda identificada na área a classe de corpos d’ água (classe água) que corresponde a 0,04% da área total do município. Os remanescentes de vegetação natural do município correspondem a 2 1.966.274.098 km , ou seja, 23,48% de toda a área, na escala adotada, quando somadas todas as áreas das fisionomias mapeadas, mas estes encontram fragmentados pelas atividades antrópicas. 56 A tabela 9 indica a participação de cada classe em relação à área total do município e para com a área total dos remanescentes. Tabela 9 - Quantificação do uso do Município de Rio Verde Classes de usos Área (km2) Cerrado Ralo Cerrado Denso Mata Ciliar área total dos Remanescentes 350.054.570 444.797.451 1.171.422.077 % em relação à área total dos remanescentes 17,8 22,6 59,6 1.966.274.098 100% Usos antrópicos - Solo exposto Pastagem Agricultura Área urbana área total dos usos Água (*) Área total do municipio (remanescentes + usos+ classe água) 33.479.321 732.292.110 5.606.768.038 34.571.797 6.407.111.266 3.525.164 8.376.910.528 % em relação à área total com usos antrópicos 0,52 11,43 87,51 0,54 100 100 % em relação a área total do município 4,17 5,3 14 23,48 0,45 8,75 66,88 0,41 76,49 0,04 100 (*) canais de drenagem, lagos, represas. Analisando-se a Tabela 9 constata-se quanto aos usos antrópicos, o uso agrícola e a pastagem juntos respondem por pouco mais de 75% da área total do município e que a cobertura vegetal natural não chega a 24% da área total do município e que os usos antrópicos ultrapassam ligeiramente os 76%, o que caracteriza o município como fortemente antropizado. Percebe-se também que as matas ciliares dominam largamente as tipologias das coberturas vegetais naturais, embora estas cubram aproximadamente 14% da área total do município. As matas ciliares são seguidas pelo Cerrado Denso que não alcança 23 % do total de remanescentes e cobrem aproximadamente 5% da área do município. Em outras palavras, quando se observa os dados da Tabela 9 e o mapa apresentado na Figura 9 pode-se afirmar que se trata de um município fortemente antropizado, onde dominam as atividades agrícolas. Observa-se ainda, quanto à cobertura vegetal que as matas ciliares (Áreas de Preservação Permanente - APP, protegidas por lei), além de responderem pelo domínio em área de cobertura natural, não são contínuas, o que não se observa para os demais tipos de vegetações naturais, cujo aspecto é de remanescentes fragmentários na forma de manchas em formas tendendo à circular, aí se incluindo, certamente, as reservas legais e outros tipos de áreas de preservação permanente, além de 57 eventuais unidades de conservação (UC) e reservas legais (RL), ambas não analisadas neste tópico. Deve-se ressaltar, no entanto, que é necessário ainda trabalho de campo para validação do presente mapa (Figura 9) e consequentemente da Tabela 9. Igualmente, é necessário também um melhor detalhamento das classes de usos do solo, o que será possível com o uso da imagem ALOS (em aquisição pelo presente projeto), além de um detalhamento das APP, RL e UC. Evolução do Uso do Solo no Município Santos (2006) elaborou mapa de uso do solo para o município de Rio Verde para os anos de 1975 e 2005. O mapa e os dados gerados para o ano de 2005 foram obtidos pela autora através de classificação realizada no software ENVI de imagem CBERS do mês de julho/agosto.Embora as imagens utilizadas e a metodologia adotada por esta autora foram diferentes da metodologia adotada na elaboração do mapa de 2008 aqui apresentado, o que fica claro em primeira instância é que as classes de uso são diferenciadas e através delas é possível fazer uma análise geral da evolução do uso do solo e do processo de fragmentação da vegetação natural do município. Adotando-se a classificação proposta pelo Manual Técnico de Uso da Terra do IBGE (2006) que trabalha com base em sistema de multinível, que realiza a divisão sucessiva em três níveis de abstração, é possível realizar o agrupamento das classes identificadas para os anos de 1975, 2005 e 2008 nas categorias do 1º nível de classificação, como: Água (corpos d`água); Áreas de vegetação natural (classes de cerrado denso, cerrado aberto, cerrado ralo, mata ciliar e mata de galeria); Áreas antrópicas não agrícolas (áreas urbanizadas), e Áreas antrópicas agrícolas (Inclui todas as terras cultivadas, caracterizadas pelo delineamento de áreas cultivadas ou em descanso, encontram-se inseridas nesta categoria as lavouras temporárias e lavouras permanentes). Deve-se ressaltaar que conforme essa metodologia, esse agrupamento foi adotado apenas para comparação da evolução dos usos do solo deste município. A Figura 10 e Tabela 10 evidenciam a evolução do uso do solo no município de Rio Verde. 58 Evolução do Uso da Terra entre 1975 e 2008 80 70 60 Áreas de vegetação natural 50 Áreas antrópicas agrícolas Área (%) 40 30 Áreas antrópicas não agrícolas 20 Água 10 0 1975 2005 2008 Anos Figura 10 - Gráfico de evolução do uso do solo entre os anos de 1975 e 2008. Fonte: Santos, 2006; Faria, 2008. Tabela 10 - Evolução do Uso do Solo do Município de Rio Verde (1975 a 2008). Categorias 1975 Área (%) 2005 2008 Áreas de vegetação natural 78,719 19,038 23,48 Áreas antrópicas agrícolas 21,241 79,908 76,08 0,04 1,054 0,40 Água 0 0 0,04 Total 100 100 100 Áreas antrópicas não agrícolas Fonte: Santos, 2006; Faria, 2008. Analisando a Figura 10 e a Tabela 10 se pode constatar que após 1975 ocorreu uma notável conversão de áreas de vegetação natural em áreas antrópicas agrícolas (agricultura e pastagens), as quais foram mantidas nos anos de 2005 e 2008. Trata-se praticamente de uma inversão de percentuais nessas duas categorias. Deve-se ressaltar que nesse período do final dos anos 70 a substituição das áreas naturais por áreas antrópicas relaciona-se aos grandes investimentos para incorporação das áreas de cerrado ao sistema produtivo e através da modernização da agricultra. Assim, a ocupação e desenvolvimento agrícola da região sudoeste do Estado de Goiás beneficiaramse de Políticas integrantes do II Plano Nacional de Desenvolvimento, através do POLOCENTRO. Ressalta-se que o município de Rio Verde, por possuir infra-estrutura mínima foi selecionado como uma das 12 áreas para receber os incentivos diretos desse Programa. 59 As análises da Figura 10 e da Tabela 10 ainda indicam um fato notável, que entre os anos de 2005 e 2008 houve um acréscimo de 4,44 %, no ano de 2008, para a categoria de vegetação natural, mas acredita-se que esse acréscimo tenha ocorrido em função das diferentes metodologias adotadas para a elaboração dos mapas e também das imagens utilizadas. Por outro lado, quando a cobertura era nativa a mata ciliar se confundia com a cobertura de seu entorno, podendo ter sido classificada como outro tipo. Dados Censitários Analisando os dados censitários, obtidos do site do IBGE, relativos à pecuária (efetivo de rebanho), lavouras temporárias e lavouras permanentes (área plantada de ambas), para o período de 1991 a 2006, tem-se a confirmação do que revelou o mapa de uso do solo para 2008. Neste a atividade antrópica predominante é a agricultura, com aproximadamente 67% da área distribuída por todo o município de Rio Verde, seguida pela pastagem, que corresponde a pouco mais de 8% da área do município. Na agricultura, as principais produções do município são de soja, milho e sorgo granífero (todas lavoura temporária), com maior destaque para a cultura da soja que aumentou mais 150% de 1991 a 2006, conforme Figura 11. Dados Econômicos - Lavoura Temporária - Área Plantada - Rio Verde (GO) (Ton) 300.000 250.000 200.000 Milho 150.000 Soja Sorgo Granífero 100.000 50.000 0 1991 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Figura 11 – Área Plantada das Lavoura temporária, no Município de Rio Verde - GO. Fonte: IBGE, 2008 60 Em relação às Lavouras Permanentes, a laranja manteve-se com uma produção constante no período de 1991 a 2006 (Figura 12), porém a produção de café, que em 1991 era a mais representativa (produção de mais de 800 toneladas) praticamente desaparece no período de 2000 a 2002, retornando em 2003 e mantendo-se como a segunda maior produção até 2006. Dados Econômicos - Lavoura Permanente - Área Plantada - Rio Verde (GO) Borracha, Café, Palmito (Ton.) ; Banana : Mil Cachos ; Laranja : Mil Frutos 1000 900 800 700 Banana 600 Borracha 500 Café 400 Laranja 300 Palmito 200 100 0 1991 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Figura 12 – Área Plantada das Lavouras Permanentes, no Município de Rio Verde - GO. Fonte: IBGE, 2008 Nas informações de Pecuária, efetivo de rebanho (cabeça), pode - se observar através do gráfico apresentado na Figura 13, que o rebanho Bovino sofreu uma queda de mais de 50% na produção, de 595.500 em 1991 caiu para 320.000 em 2006. Neste mesmo período houve um crescimento substancial na produção de Galináceos, que de 200.000 cabeças em 1991 passou para 11.000.000 em 2006. Estes dados, unidos aos da agricultura do município, sugerem a substituição de áreas de pastagem para áreas agrícolas. 61 Dados Econômicos - Pecuária - Efetivo de Rebanhos (cabeça )- Rio Verde (GO) 12.000.000 10.000.000 8.000.000 Bovino 6.000.000 Galinha Galo 4.000.000 2.000.000 0 1991 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Figura 13 - Efetivo de rebanhos (Bovino e Galináceos) em Rio Verde. Fonte: IBGE, 2008. Quanto à vegetação nativa, nos anos de 1975,1989 e 2005, Barreto & Ribeiro (2006) constataram que o desmatamento era prática corriqueira nos anos estudados, e que esse era um problema ambiental em Rio Verde, acarretando em perda substancial do Cerrado Denso, Mata Ciliar, Cerrado Aberto, enquanto cresciam as áreas de pastagens e agricultura. A área com maior redução nesses 16 anos foi a de a mata ciliar com 598,09 Km². Segundo os dados do IBGE, de 1991 a 2006, a extração vegetal caiu substancialmente, chegando a valor de quase 0. Em síntese o município concentrou-se em soja, laranja, café, galináceos e gado bovino nos últimos anos. 62 TEMA 5 – CARACTERIZAÇÃO CLIMÁTICA Introdução As variações climáticas no tempo e no espaço têm exercido papel fundamental no entendimento do agravamento dos problemas ambientais. Sendo um fenômeno praticamente incontrolável, convém avaliar os riscos no desenvolvimento de qualquer atividade humana de modo a não causar danos ao clima, sobretudo da área a ser explorada. Assim, a caracterização dos principais elementos climáticos de uma região pode ser decisiva na melhoria da qualidade ambiental, uma vez que a interação entre homem e meio ambiente passa a ser feita de modo racional. Metodologia Os elementos climáticos apresentados, a saber: a precipitação, temperatura máxima e mínima do ar, evaporação de água para a atmosfera, umidade relativa do ar e insolação (Tabela 11), foram obtidos através do processamento dos dados publicados pela FUNMINERAL (Fundo de Fomento a Mineração do Estado de Goiás) (SILVA et al., 2006). Os dados foram organizados no Microsoft Office Excel 2003 da Microsoft Corporation, tornando possível a elaboração dos gráficos. Ainda no Excel, foi possível, a partir dos dados de chuva, calcular os valores de erosividade da chuva para cada localidade selecionada. O cálculo dos valores de erosividade da chuva foram feitos utilizando-se da equação de EI30 = 111,6 * (p2 / P)0,714 Tommaselli et al (1997), validada em trabalhos posteriores para outras localidades que tinham comportamento pluviométrico semelhante, como é o caso do município de Rio Verde (BOIN, 2000; SANTANA, 2007, dentre outros), onde: EI = média mensal do índice de erosão (MJ.mm.h-1.ha-1) 2 p = precipitação média mensal em milímetro P = precipitação média anual em milímetro. Os mapas de chuva e erosividade da chuva foram gerados utilizando-se de uma ferramenta do SGI (Sistema de Informações Geográficas), SPRING (Sistema de Processamento de Informações Georeferenciadas) versão 4.3.1. Para a espacialização utilizou-se dos seguintes procedimentos técnicos: digitação de arquivos de pontos (em formato ASCII), organizados em três colunas, com latitude, longitude e valores a serem espacializados; transformação das coordenadas geográficas em coordenadas de projeção 2 Megajoule/ milímetro/hora/hectare 63 63 Tabela 11 - Dados Meteorológicos e Médias Mensais, para o Município de Rio Verde - GO N° Município 008 Rio Verde Latitude Longitude Período Código 17°47’52 50°55’40” 61/90 83470 ” Valores médios mensais de temperatura máxima do ar para o município de Rio Verde. Valores médios mensais de temperatura mínima do ar para o município de Rio Verde. Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Anual 29,1 29,7 29,7 29,0 28,3 27,7 27,8 30,6 30,6 30,5 29,3 28,7 29,3 19,3 19,2 19,2 17,8 16,4 14,8 14,1 15,8 16,9 18,5 19,0 19,2 17,5 Valores médios mensais de temperatura média do ar para o município de Rio Verde. 24,2 24,45 24,45 23,4 22,35 21,25 20,95 23,2 Valores médios mensais de evaporação para o município de Rio Verde. 76,6 78,9 77,2 94,1 106,6 130,0 165,4 198,2 181,1 145,7 93,7 82,8 119,2 81 78 81 76 71 64 57 52 61 68 75 81 70,4 89 59 87 0 -4 -23 -37 -64 -47 -14 0 95 11,8 Valores médios mensais de umidade relativa do ar para o município de Rio Verde. Valores médios mensais de déficit e/ou excedente hídrico para o município de Rio Verde. Valores médios mensais de insolação para o município de Rio Verde. Organizados por Santana (2008). Fonte: Silva et al. (2006) Meses 23,75 24,5 24,15 23,95 23,4 159,7 172,0 180,3 211,7 236,9 260,4 282,0 244,2 172,0 189,2 156,9 149,4 2414,7 64 cartográfica policônica; leitura do arquivo de pontos; organização das amostras; e geração de uma grade regular (grade retangular, regularmente espaçada de pontos, em que o valor de Z de cada ponto é estimado a partir da interpolação de um número de vizinhos mais próximos). Para a elaboração dos mapas de chuva e erosividade foram utilizados os dados das estações meteorológicas distribuídas no mapa abaixo. E para a elaboração dos gráficos de chuva e erosividade, além dos outros dados climáticos foram utilizados os dados da estação do município de Rio Verde, estação número 08 no mapa (Figura 14). Figura 14 - Estações meteorológicas da área de pesquisa ou próxima à ela. Descrição Características Climáticas do Município A região Centro-Oeste sofre influência direta da dinâmica atmosférica que afeta a América do Sul. Segundo Nimer (1979) essa dinâmica determina o clima da região, onde predomina um padrão climático do tipo Aw (clima tropical chuvoso de savana) e localizadamente Cw (clima temperado chuvoso e quente, com chuvas de Verão). Esse padrão climático é caracterizado por um período chuvoso e outro de estiagem, normalmente com variações espaciais pouco significativas quanto à temperatura, precipitação, umidade 65 relativa, insolação, direção dos ventos, dentre os demais elementos climáticos (PRODIAT, 1982), principalmente quando a área considerada é pequena. Temperaturas, umidade, evaporação, déficit e/ou excedente hídrico e insolação Situado no sul do estado de Goiás, o município de Rio Verde sofre influência direta da dinâmica atmosférica que afeta a região Centro-Oeste do Brasil. O clima é tropical subúmido típico, quente, com temperaturas médias variando entre 20 ºC e 25ºC e apresentando também duas estações bem definidas – Verão chuvoso e inverno seco. Essa realidade pode ser observada no climograma abaixo (Figura 15), onde pode ser constatado seis meses chuvosos no período Primavera-Verão e seis meses secos, ou com precipitação abaixo de 100 mm, período outono-inverno. Climograma 350 25 300 24 23 200 22 150 (ºC) (mm) 250 21 100 20 50 0 19 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Precipitação média mensal temperatura média mensal Figura 15 - Climograma: temperatura e precipitação (média mensal) de Rio Verde. Ao analisar os valores de temperaturas máxima e mínima do ar constata-se que o período seco (considerado o inverno) é a estação mais amena, com temperaturas baixas, principalmente nos meses de junho e julho. Essa estação é influenciada predominante pelos sistemas polares. Já o período chuvoso (Primavera-Verão), influenciado pelos sistemas tropicais, é a época mais quente, fato também constatado por Nimer (1979). Nesse período as temperaturas são constantemente elevadas, atingindo valores médios superiores a 30ºC, principalmente na Primavera. Entretanto, essas altas temperaturas são amenizadas pela nebulosidade e conseqüentes chuvas, que também são constantes nessa época do ano. 66 Quanto às diferenças de temperaturas registradas, observa-se que a amplitude térmica apresenta valores em torno de até 14 ºC. Na Figura 16 as menores temperaturas do ar são registradas nos meses de junho e julho, sendo considerados os meses mais frios para o município de Rio Verde e as maiores temperaturas são registradas nos meses de agosto, setembro e outubro, podendo ser considerados os meses mais quentes para a região. 35 30 (ºC) 25 20 15 10 5 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Temperatura máxima média Temperatura mínima média Figura 16 - Temperatura máxima e temperatura mínima do ar (média mensal) de Rio Verde. Com base nas Figuras 17, 18, 19 e 20 é possível definir diretrizes para um melhor aproveitamento dos recursos hídricos, principalmente, quanto a utilização da água para as práticas agrícolas. A evaporação diz respeito à quantidade de água, em forma de vapor que foi liberada na atmosfera, advinda dos reservatórios oceânicos, dos mares, rios, lagos, do solo e mesmo das plantas. Essa quantidade de água que é liberada na atmosfera depende da quantidade e intensidade de luz solar, ou seja, sua capacidade de aquecer a água a ponto de evaporar. Entretanto, a evaporação é maior quando o ar está seco, assim, quanto menor for a umidade, maior será a evaporação. Devem ser considerados os outros fatores que interferem na evaporação. Em relação a umidade relativa do ar, quanto maior é a quantidade de vapor de água na atmosfera, maior será a umidade. E ar úmido representa excedente hídrico na atmosfera. O contrário terá um déficit hídrico. Tudo isso vai interferir no desenvolvimento da planta, e consequentemente, na produtividade da lavoura. Caso ocorra um déficit hídrico, necessário se faz, a utilização de irrigação, aliás, a quantidade de água necessária à planta pode ser calculada á partir dos valores de déficit hídrico e/ou excedente hídrico. 67 Evaporação (média mensal) Insolação (média mensal) 200 300 180 250 160 200 120 (horas) (mm) 140 100 80 150 100 60 40 50 20 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul 0 Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 18 - Insolação média mensal para o município de Rio Verde. Umidade relativa do ar (média mensal) Déficit e/ou excedente hídrico (média mensal) 90 100 80 80 70 60 60 40 50 20 (mm) (%) Figura 17 - Evaporação média mensal para o município de Rio Verde. 40 0 30 -20 20 -40 10 -60 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out -80 Nov Dez Figura 19 - Umidade relativa do ar média mensal para o município de Rio Verde. Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 20 - Déficit e/ou excedente hídrico (média mensal) para o município de Rio Verde Os maiores valores de evaporação da água são encontrados nos meses de julho, agosto e setembro, sendo que o mês de agosto apresenta valores próximos a 200 mm média mensal. Considera-se que esses são os meses mais secos do ano, onde os valores precipitados podem ser inferiores a 10 mm em média, e com as maiores temperaturas, o que caracteriza a situação. Nesses meses têm-se também os maiores valores de insolação. Entretanto, se a insolação representa a quantidade de incidência de luz solar em horas dias num determinado lugar, e sabendo-se que os dias são maiores no Verão, no gráfico (Figura 16) observa-se o contrário em relação a insolação. Isso ocorre devido à existência de uma alta nebulosidade no período chuvoso. Assim, a insolação apresenta-se com valores mais baixos. Entretanto, no período “seco”, quando a nebulosidade é quase nula, a insolação mostra-se com índices bem elevados, atingindo valores acima de 150 horas ao mês, como pode ser observado no mês de julho (Figuras 15, 17 e 18). Segundo Silva et. al (2006) a umidade atmosférica é fator determinante para as atividades, afetando o desenvolvimento de plantas, pragas e doenças e o conforto térmico animal e humano. Com relação aos vegetais, altas concentrações de vapor favorecem a absorção direta de umidade pelas plantas e o aumento da taxa de 68 fotossíntese. Os autores encontraram valores médios mensais de umidade relativa do ar para o Estado de Goiás situado entre 50% a 82%. O município de Rio Verde não difere dessa dinâmica, sendo que valores aproximados a estes são encontrados. A maioria dos meses apresenta valores de umidade médio acima de 60%, podendo chegar, como é o caso do mês de dezembro e janeiro, a aproximadamente 80% (Figura 19). Quanto ao excedente e/ou déficit hídrico, os meses de dezembro a março apresentam excedente hídrico, principalmente, dezembro, janeiro e março. Nesses meses (meio ao final do período chuvoso) têm-se grandes volumes pluviométricos e grande acúmulo de água nos reservatório, no solo e consequentemente no ar atmosférico. Nos meses de outubro e novembro, principalmente novembro, os volumes pluviométricos são bastante significativos e apresentam déficit hídrico. Isso se dá, normalmente, pelo fato de que os meses que os antecedem serem consideravelmente secos e as chuvas não serem contínuas, muitas delas intensas, mas de curta duração e seguidas de períodos de estiagem, consideravelmente quentes, o que não resultará na formação de excedente hídrico (Figuras 18 e 20). Distribuição pluviométrica da precipitação mensal, sazonal e anual para o município de Rio Verde A precipitação, sua quantidade e/ou distribuição, é um componente climático fundamental na definição de áreas ou regiões potenciais ao desenvolvimento de determinadas atividades humanas, podendo, quando não levada em consideração, levar a danos ambientais que comprometem o potencial produtivo. Sendo um processo aleatório, ou seja, no qual não é possível saber que evolução terá os valores de precipitação pluvial ao longo do tempo e espaço, esta incerteza gera dificuldades no planejamento das atividades agrícolas. Acredita-se que a utilização de séries longas de dados possibilitará um melhor entendimento sobre a distribuição espacial da precipitação pluvial de uma região. Para a realização desse trabalho foram utilizados 08 pontos de coletas de dados de precipitação pluvial (chuva) com uma série de dados aproximada ou superior a 20 anos de informações. Para as demais informações climáticas utilizaram-se os dados da Estação do município de Rio Verde (Tabela 12). Esses dados (temperatura, umidade, insolação, dentre outros) não possuem uma variação tão significativa numa área pequena como a que está sendo por ora considerada, assim, o estudo se torna viável. 69 69 Tabela 12 - Índices Pluviométricos, Médias Mensais, de Algumas Localidades Próximas e Dentro do Município de Rio Verde - GO. N° Município Latitude Longitude Período Meses Código Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Anual 01 Aparecida do Rio Doce 18°17’56” 51°08’42” 78/96 1851004 283,3 188,9 226,4 120,0 41,9 23,0 9,0 22,7 72,8 131,3 200,2 255,8 1575,3 02 Caiapônia 16°57’25” 51°48’36” 78/01 1651000 283,3 251,5 191,6 113,6 26,7 8,5 6,5 17,6 71,8 107,1 210,7 260,6 1549,5 03 Jataí 17°52’51” 51°42’50” 86/02 1751002 259,1 205,4 221,6 103,8 53,8 16,6 5,7 25,1 75,8 126,6 183,7 233,8 1511,0 04 Maurilândia 17°58’15” 50°20’20” 78/02 1850003 315,6 160,5 227,4 78,6 38,4 7,5 2,6 20,7 41,9 137,7 214,4 314,8 1560,1 05 Montividiu 17°26’38” 51°10’30” 76/01 1751004 255,5 191,1 213,0 126,5 42,3 20,1 9,1 20,2 36,1 126,7 181,3 251,5 1473,4 06 Paraúna 16°56’52” 50°26’56” 79/02 1750013 255,4 180,8 215,6 110,7 38,4 22,3 4,3 13,4 45,4 134,4 181,4 256,4 1458,5 07 Quirinópolis 18°26’52” 50°27’07” 76/01 1850002 302,2 184,5 171,6 91,8 39,3 17,0 8,0 19,2 75,8 101,0 204,7 258,3 1473,4 08 Rio Verde 17°47’52” 50°55’40” 72/02 1750008 272,0 196,8 230,8 116,6 47,4 15,2 5,4 13,7 45,7 189,0 295,1 310,2 1737,9 Organizados por Santana (2008). Fonte: Silva et al. (2006) 70 Assim como no Estado de Goiás (SILVA et al, 2006), o município de Rio verde é caracterizado por um período chuvoso (outubro a abril) e outro seco (maio a setembro). Anualmente, cerca de 95% das chuvas precipitam no período chuvoso que vai de outubro a março, apresentando volumes médios de chuva acima de 150 mm, sendo o mês de dezembro aquele que apresenta maior volume precipitado, acima de 300 mm em média. Os cinco meses mais secos do ano apresentam volume pluviométrico abaixo de 50 mm e o mês mais seco é julho, com volume médio aproximado de 5 mm. Sabe-se que os meses de junho, julho e agosto, na maioria dos anos, não apresentam ocorrência de chuvas no estado. O mês de abril situa-se na transição entre o período chuvoso e seco, assim, possui um volume pluviométrico diferenciado do período seco de mais de 100 mm em média (Figura 21). Dessa forma, mesmo que o município apresente um volume de precipitação pluvial significativo (cerca de 1700 mm em média), essas chuvas se distribuem de forma irregular no decorrer do ano, alternando períodos muito secos e períodos com grandes volumes de precipitação. Precipitação (média mensal) 350 300 (mm) 250 200 150 100 50 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 21 - Precipitação pluvial (média mensal) para o município de Rio Verde. Ao observar a Figura 22, precipitação sazonal, essa situação fica ainda mais evidente. Verificam-se na imagem que o outono e o inverno são bastante secos, juntos não somam 200 mm de precipitação – e a Primavera-Verão chuvosa, com maior volume sendo precipitado no início do período chuvoso, principalmente no mês de dezembro, cerca de 300 mm em média (Figuras 21). Esse grande volume de chuva, concentrado em alguns meses, contribui para o agravamento de questões ambientais como o aparecimento de focos erosivos. Considera que no início desse período chuvoso os solos agricultáveis encontram-se preparados para o plantio da safra, ou seja, desprovidos de qualquer tipo de vegetação. 71 Precipitação (média sazonal) 800,00 700,00 600,00 (mm) 500,00 400,00 300,00 200,00 100,00 0,00 VERÃO OUTONO INVERNO PRIMAVERA Figura 22 - Precipitação pluvial (média sazonal) para o município de Rio Verde. Espacialmente, pode ser observado na Figura 23 que o comportamento da precipitação se dá de forma diferenciada, caracterizada por um centro chuvoso e as extremidades mais secas. Considera-se que a espacialização foi feita somente para a precipitação média anual e que foram utilizados valores de estações fora do limite do município, visto que, existe uma dificuldade muito grande de obtenção de dados climáticos, não só para o município, mas para o país em geral. Figura 23 - Distribuição da precipitação (média anual) para o município de Rio Verde. Assim, a necessidade de verificar o comportamento espacial da precipitação, onde predominam áreas mais chuvosas e outras mais secas, necessário se faz a utilização de estações próximas para validar a informação. Pode ser constatado que 72 espacialmente a precipitação no município concentra-se na direção centro-leste, onde são encontrados os maiores volumes de precipitação média anual, variando de 1600 a 1737 mm, bem acima da média estadual em torno de 1500 mm. Ao sul e ao norte esse volume médio precipitado tende a diminuir, principalmente ao norte, onde uma pequena área apresenta valores abaixo de 1500 mm. O fato de haver uma alta concentração de chuva no centro do município pode ser explicado pelo relevo da região. As áreas de planaltos situadas ao norte do município constituem uma certa barreira orográfica, e fazem com que haja valores diferenciados de norte para o sul. Acredita-se que as chuvas advindas do sul são barradas pelas áreas de planaltos ao norte do município acabam por precipitarem, a maior parte, no centro do município. Mesmo que apresente um epicentro de chuva no centro do município, os valores encontrados ao sul são mais elevados que aqueles do norte do município, assim como no norte do Estado (SILVA, et al., 2006). Mesmo assim, o volume precipitado em todo o município é bastante significativo e deve ser levado em consideração no planejamento das atividades, pois esse volume de precipitação pode resultar em complicações ambientais. Distribuição da erosividade média mensal, sazonal e anual para o município de Rio Verde Os valores médios de erosividade da chuva, bem como sua distribuição, estão fortemente relacionados aos da precipitação. Comportamento este esperado para o método adotado, visto que, o cálculo foi feito com base nas médias anuais e mensais. Assim, todas as explicações ou interpretações relativas à distribuição dos totais de chuva, tanto anual, como sazonal e mensal, são também válidas para a erosividade das chuvas, onde sua distribuição espacial também não se diferencia. A erosividade mensal (Figura 24) apresenta valores que variam de menos de 200 a até aproximadamente 2000 MJ.mm.h-1.ha-1. O mês de dezembro é aquele que apresenta maior erosividade e os meses de junho, julho e agosto, apresentas valores próximos de zero, podendo ser desconsiderados quanto ao seu poder erosivo. Observa-se uma maior concentração da erosividade na Primavera, cerca de 5000 MJ.mm.h-1.ha-1, que junto com o período de Verão, segundo maior valor de erosividade, somam mais de 8000 MJ.mm.h-1.ha-1 (Figura 25), caracterizando o período Primavera-Verão como aquele de maior potencial erosivo, principalmente naquelas áreas mais susceptíveis, sejam por características intrínsecas do terreno ou pela interferência humana. É importante lembrar que o período da Primavera é aquele em que se inicia o período chuvoso e também o início da preparação do solo e o 73 plantio das safras, ou seja, o solo está completamente sem vegetação, totalmente vulnerável a ação da chuva. O outono e inverno apresentam valores abaixo de 500 MJ.mm.h-1.ha-1, ou seja, possuem pouca representatividade em relação ao potencial erosivo da chuva. Erosividade (média mensal) 2000 (MJ.mm.h-h-1.ha-1) 1 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 24 - Erosividade (média anual) para o município de Rio Verde. Erosividade (média sazonal) 5000 (MJ.mm.h-1.ha-1) 1 4500 4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 VERÃO OUTONO INVERNO PRIMAVERA Figura 25 - Erosividade (média sazonal) para o município de Rio Verde. Espacialmente (Figura 26), o centro-leste do município de Rio verde é a área de maior erosividade com valores médios anuais circulando acima de 9000 MJ.mm.h.ha-1. Esses valores diminuem tanto em relação ao norte, quanto ao sul do município. 1 Entretanto, os valores de erosividade são altos em toda a área do município, sendo superiores a 8000 MJ.mm.h-1.ha-1. O epicentro de erosividade no interior do município se dá pelos altos valores de precipitação apresentados na estação de Rio Verde, bem superior aos valores encontrados nas demais estações (Tabela 13). Ao norte do município encontram-se os menores valores médios anuais de precipitação, mas isso 74 não é verificado no mapa de erosividade, sendo os menores valores iguais tanto para o norte quanto para o sul. Figura 26 - Erosividade (média anual) para o município de Rio Verde. Em síntesse, o município de Rio Verde apresenta um clima tropical, com duas estações bem definidas, uma chuvosa e quente (outubro a março) e outra seca e com temperaturas mais amenas (abril a setembro), concorrendo para uma variação anual dos elementos climáticos. Espacialmente a precipitação também apresenta variação, sendo crescente de sul para o norte, com um epicentro no centro do município. Os menores valores de precipitação são verificados no norte do município. No mapa da precipitação média anual pode ser observado esse comportamento. Observa-se ainda que o índice pluviométrico chega a mais de 1700 mm com cerca de 95% das chuvas ocorrendo no período de outubro a abril. Quanto à erosividade, por ser calculada a partir dos valores de chuva, apresenta valores semelhantes quanto a sua distribuição mensal, sazonal e anual. Os meses de maior erosividade concentram-se no período Primavera-Verão, sendo o mês de dezembro aquele que apresenta maior erosividade, acima de 300 MJ.mm.h-1.ha-1. A erosividade é considerada alta para toda a área pois os valores variam entre 8270 a 9200 MJ.mm.h-1.ha-1. 75 75 Tabela 13 - Erosividade, médias mensais, de algumas localidades próximas e dentro do município de Rio Verde. Abr Mai Jun Meses Jul Ago Set Out 1847,4 1035,6 1341,3 541,8 120,6 51,2 13,4 50,3 265,4 616,1 1125,2 1596,7 8604,9 1651000 1869,3 1577,0 1069,4 506,9 64,1 12,5 8,5 35,4 263,3 466,0 1224,8 1659,1 8756,3 86/02 1751002 1675,3 1202,4 1340,1 453,7 177,5 33,1 7,2 59,8 289,6 602,5 1025,2 1446,7 8313,2 50°20’20” 78/02 1850003 2170,3 1359,1 298,1 107,2 10,4 2,3 44,4 121,4 664,0 1249,5 2162,5 9015,5 17°26’38” 51°10’30” 76/01 1751004 1672,0 1104,4 1289,5 612,7 128,2 44,3 14,3 44,6 102,2 614,1 1024,4 1634,8 8285,5 Paraúna 16°56’52” 50°26’56” 79/02 1750013 1683,2 1027,8 1321,6 510,1 112,5 51,8 4,9 25,0 142,9 673,0 1032,7 1692,7 8278,1 Quirinópolis 18°26’52” 50°27’07” 76/01 1850002 2124,9 1050,3 947,1 387,6 115,4 34,9 11,9 41,5 294,9 444,3 1218,3 1698,2 8369,3 Rio Verde 17°47’52” 50°55’40” 72/02 1750008 1625,0 1023,7 1285,2 484,8 134,1 26,4 6,0 22,8 127,2 966,2 1825,6 1960,4 9487,4 Município Latitude Longitude Período Código Aparecida do Rio Doce 18°17’56” 51°08’42” 78/96 1851004 Caiapônia 16°57’25” 51°48’36” 78/01 Jataí 17°52’51” 51°42’50” Maurilândia 17°58’15” Montividiu Organizados por Santana (2008). Fonte: Silva et al. (2006) Jan Fev 826,4 Mar Nov Dez Anual 76 TEMA 4 – REMANESCENTES DA COBERTURA VEGETAL NATIVA Introdução A Ecologia de Paisagens é uma área de conhecimento da ecologia, marcada pela existência de duas principais abordagens: (1) uma geográfica, que privilegia o estudo da influência do homem sobre a paisagem e a gestão do território; e outra (2) ecológica, que enfatiza a importância do contexto espacial sobre os processos ecológicos, e a importância destas relações em termos de conservação biológica (Metzger, 2001). Para trabalhar nessa específica área do conhecimento foi desenvolvido o software estatístico FRAGSTATS™ 3.3 (Mcgarigal & Marks, 1995), que calcula um conjunto de mais de 50 métricas de Ecologia de Paisagens (Volotão, 1998), as quais são usadas tanto na abordagem geográfica como na ecológica. Nesse sentido, as métricas geradas pelo FRAGSTATS são muito importantes para avaliações de como se encontra o estado de fragmentação do Cerrado, o qual vem sendo ocupado pela agricultura e pecuária. A paisagem do Cerrado em Goiás apresenta muitos fragmentos pequenos isolados por extensas áreas de pastagem e/ou monoculturas. Cerca de 90% desses fragmentos, que foram amostrados em Campos Belos, Jaciara, Brasília, Goianésia, Goiânia e Morrinhos, são menores ou iguais a 1ha demonstrando que as atividades de expansão econômica em Goiás vêm crescendo de forma descontrolada. Pesquisas confirmam que fragmentos dessa dimensão dificilmente suportam populações de animais de grande porte. Atualmente, restam poucos fragmentos com dimensões equivalentes aos tamanhos das Unidades de Conservação conhecidas em Goiás (Cunha et al., 2007). Desta forma, este trabalho teve o objetivo de avaliar o estado da fragmentação dos remanescentes de Cerrado no município de Rio Verde utilizando as métricas de Ecologia da Paisagem calculadas no FRAGSTATS™ 3.3. As métricas foram usadas na avaliação da complexidade espacial e ecológica de fragmentos de Cerrado, visando estabelecer os graus de sustentabilidade dos fragmentos e identificação de quais deles são sustentáveis após medidas rápidas de recuperação e manejo, até aqueles com sustentabilidade moderadas em termos de recuperação. 77 Metodologia As etapas relacionadas na análise da complexidade espacial e ecológica de fragmentos de Cerrado foram baseadas na elaboração de mapas temáticos relacionados à dinâmica do Uso do solo no período de 2005 e 2008 no município de Rio Verde, as quais estão resumidamente descritas no modelo operacional apresentado na Figura 27. Figura 27 - Descrição das etapas para a elaboração e análise dos mapas temáticos, visando à caracterização e análise ambiental da paisagem. A descrição de cada etapa do modelo operacional apresentado na Figura 27 está dividida em 5 fases, sendo: 1º-Fase: Aquisição das imagens CBERS CCD e LANDSAT TM 5 pelo sítio do INPE (www.inpe.br). A partir da união das cenas (órbita/ponto, 161/119, 161/120, 160/119, 160/120, 159/120 para CBERS CCD e 223/072, 223/073 e 222/072 para LANDSAT TM 5), imageadas respectivamente em agosto de 2005 e em julho de 2008, foi montado o mosaico que cobre todo o limite municipal de Rio Verde – GO para depois a imagem ser recortada no limite do município, em formato TIFF/GEOTIFF com o uso do SPRING 5.0.2.® (Câmara et al., 1996). O limite municipal foi obtido em forma de shape file baixado no sítio do SIEG (www.sieg.go.gov.br). 2º-Fase: A imagem recortada foi segmentada no SPRING 5.0.2.® (Câmara et al., 1996), e depois classificada com o uso do algoritmo de Distância Mínima e 78 Crescimento de Regiões respectivamente para os mapas de 2005 e 2008. A classificação resultou nos mapas de Uso do solo dos anos de 2005 e 2008. 3º-Fase: Exportação dos mapas de Uso do solo (2005 e 2008) para o formato ASCII usando o SPRING 5.0.2.®. 4º-Fase: Importação dessas informações para o programa FRAGSTATS™ 3.3, no qual foram selecionadas as métricas desejadas de Ecologia da Paisagem, as quais são apresentadas no Figura 35. Com base nas métricas de Ecologia da Paisagem foram elaboradas tabelas e gráficos de correlação entre as classes dos mapas. 5º-Fase: Análise e interpretação das informações adquiridas visando estabelecer os graus de sustentabilidade dos fragmentos e identificação de quais deles são sustentáveis após medidas rápidas de recuperação e manejo, até aqueles com sustentabilidade moderadas em termos de recuperação. As métricas de Total de Bordas (TE), Área Central Total (TCA) e Percentual da Área Central (CPLAND), foram influenciadas pela Tabela de correlação em Profundidade de Efeito de Borda. O procedimento de criação é descrito na Tabela 14. Tabela 14 - Métricas de Ecologia da Paisagem usadas na análise da fragmentação aplicada à cobertura vegetal remanescente de Cerrado em Rio Verde (GO) MÉTRICA CATEGORIA UNIDADE CA Área/Densidade/Borda ha PLAND Área/Densidade/Borda % NP Área/Densidade/Borda discreta TE Área/Densidade/Borda m TCA Área central ha CPLAND Área central % CIRCLE_MN Forma contínua ENN_MN Isolamento/Proximidade m DESCRIÇÃO Área da classe é a soma da área de todos os fragmentos da classe Percentual da paisagem é Área da classe dividido pela área total da paisagem Número de fragmentos da classe correspondente Total de bordas é a soma de todas as bordas da classe Área Central Total é a soma das áreas centrais de toda a classe Percentual de área central na paisagem é a área central total da classe dividido pela área total da paisagem Índice médio de correlação com forma circular é igual 1 menos área do fragmento dividido pela área do menor círculo circunscrito Distância Euclidiana média do vizinho mais próximo é igual à distância média entre todos os fragmentos da classe até seu fragmento vizinho mais próximo Fonte: Manual do FRAGSTATS™ 3.3 (Mcgarigal & Marks, 1995) 79 Infelizmente, em muitos casos não há nenhuma base empírica para especificar quaisquer valores de profundidade em efeito de borda particular, e assim deve-se escolher esses valores de maneira um pouco arbitrárias (Mcgarigal & Marks, 1995). Esses valores são proporcionais ao tamanho do pixel, e numa imagem LANDSAT TM 5 que possui resolução espacial de 30m, então os valores de profundidade de efeito de borda serão 30m, 60m, 90m, 120m e assim por diante. Note-se na Tabela 15 que a matriz pode ser assimétrica, de forma que uma classe pode influenciar mais em outra, mas o contrário não. Veja a classe Cerrado ralo (linha 2), ela sofre 90m de efeito de borda quando seu vizinho é da classe Solo exposto (coluna 5) ou Solo em preparo (coluna 10), mas observe o contrário e perceba que a classe Solo exposto (linha 5) ou Solo em preparo (linha 10) sofre um efeito de borda de 30m quando seu vizinho é da classe Cerrado ralo (coluna 2). Esta assimetria é importante em muitas aplicações, quando o efeito de borda urbano penetra profundamente no Cerrado, mas efeito de borda de Cerrado penetra muito pouco, ou quase nada, em áreas urbanas (Mcgarigal & Marks, 1995). Cerrado ralo Cerrado denso Mata ciliar Solo exposto Pastagem Campo limpo Água Agricultura Solo em preparo Área urbana Tabela 15 - Tabela de correlação em Profundidade de Efeito de Borda que foi usada no município de Rio Verde (GO) em 2008. Cerrado ralo 0 30 30 90 60 60 30 90 90 90 Cerrado denso 30 0 30 90 60 60 30 90 90 90 Mata ciliar 30 30 0 90 60 60 30 90 90 90 Solo exposto 30 30 30 0 30 30 30 30 0 30 Pastagem 30 30 30 90 0 30 30 90 90 90 Campo limpo 30 30 30 90 30 0 30 90 90 90 Água 30 30 30 30 30 30 0 30 30 30 Agricultura 30 30 30 30 30 30 30 0 30 30 Solo em preparo 30 30 30 0 30 30 30 30 0 30 Área urbana 30 30 30 90 30 30 30 90 90 0 Matriz de Profundidade em Efeito de Borda Nota: Levou-se em conta a resolução espacial da imagem LANDSAT TM 5 que é de 30m. Devido à resolução espacial na imagem CBERS CCD ser diferente foi necessário a criação de outra Tabela de correlação em Profundidade de Efeito de Borda (Tabela 16) para o cálculo das métricas no ano de 2005. 80 Solo exposto Pastagem Agricultura Área urbana Mata ciliar Cerrado denso Cerrado ralo Reflorestam ento Tabela 16 - Tabela de correlação em Profundidade de Efeito de Borda que foi usada no município de Rio Verde (GO) em 2005. Solo exposto 0 20 20 80 60 60 20 80 Pastagem 20 0 20 80 60 60 20 80 Agricultura 20 20 0 80 60 60 20 80 Área urbana 20 20 20 0 20 20 20 20 Mata ciliar 20 20 20 80 0 20 20 80 Cerrado denso 20 20 20 80 20 0 20 80 Cerrado ralo 20 20 20 20 20 20 0 20 Reflorestamento 20 20 20 20 20 20 20 0 Matriz de Profundidade em Efeito de Borda Nota: Levou-se em conta a resolução espacial da imagem CBERS CCD que é de 20m. Memorial Descritivo Para avaliar o estado e entender a evolução da fragmentação dos remanescentes de Cerrado no município de Rio Verde, foi necessária uma comparação das métricas geradas a partir dos mapas de Uso do solo de 2005 e 2008. A análise da Figura 28 e da Tabela 17 revela que o município de Rio Verde mudou subitamente sua atividade econômica predominante de pecuária para agricultura, visto que a área de Pastagem reduziu 80% de 2005 a 2008 e a área de Agricultura mais Solo exposto aumentaram 186% nesse mesmo período. Com isso, quase todas as classes de Cerrado foram afetadas por essa transformação do uso do solo em Rio Verde. Note-se ainda que houve uma redução de 64% na área da classe de Cerrado denso, cuja área foi convertida em Agricultura, Solo exposto ou Cerrado ralo (por degradação). O Cerrado ralo, apesar de possuir apenas 38.787,21ha (4,18% da paisagem), aumentou sua área em 760%. Esse aumento não é interessante do ponto de vista ecológico, porque é provável que o aumento de seu território seja resultante das atividades antrópicas incidentes nas áreas de Cerrado denso, ou então, de áreas de pastagem abandonada que estão em processo de sucessão ecológica, no qual as espécies das áreas circundantes estão recolonizando a região. 81 Cerrado denso Mata ciliar Cerrado ralo CA (2005) CA (2008) Area urbana Pastagem Agricultura Solo exposto 0 00 0. 60 0 00 0. 50 0 00 0. 40 0 00 0. 30 0 00 0. 20 0 00 0. 10 0 Figura 28 - Área das classes (CA) em hectares (ha) no município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008. Tabela 17 - Percentual da Paisagem (PLAND) no município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008. PLAND (%) 2005 14,96 PLAND (%) 2008 5,33 Mata Ciliar 3,48 13,98 Cerrado ralo 0,55 4,18 Área Urbana 0,29 0,41 Pastagem 43,87 8,73 Agricultura 24,39 7,54 Solo exposto 11,80 59,79 Classes Cerrado denso A Mata ciliar teve um aumento de cerca de 400% no valor de sua área de 2005 para 2008, o que provavelmente mostra que o município esteve controlando de alguma forma as propriedades rurais no que se refere a esse importante remanescente de Cerrado, que é um dos mais importantes para manter a conectividade entre os fragmentos, funcionando como corredores ecológicos. A classe de Cerrado ralo apresenta-se mais homogênea na distribuição dos fragmentos em freqüência por tamanho (Figura 29), mas por outro lado apresentou um aumento do número de fragmentos de cerca de 400% de 2005 a 2008, passando de um total de 108 fragmentos para 431, ou seja, houve uma quadruplicação do número de fragmentos. 82 Número de Fragmentos - Cerrado ralo (2005) 45 Número de Fragmentos - Cerrado Ralo (2008) 140 40 120 35 100 30 25 80 20 60 15 40 10 20 5 0 0 < 1ha de 1 a 10ha de 10 a 50ha de 50 a 100ha < 1 ha > 100ha Número de Fragmentos - Cerrado denso (2005) 9000 de 1 a 10 ha de 10 a 50 ha de 50 a 100 ha >100 ha Número de Fragmentos - Cerrado Denso 2008 3.000 8000 2.500 7000 6000 2.000 5000 1.500 4000 3000 1.000 2000 500 1000 0 0 < 1ha de 1 a 10ha de 10 a 50ha de 50 a 100ha < 1 ha > 100ha Número de fragmentos - Mata ciliar (2005) 18000 de 1 a 10 de 10 a ha 50 ha de 50 a 100 ha >100 ha Número de Fragmentos - Mata Ciliar 2008 2500 16000 2000 14000 12000 1500 10000 8000 1000 6000 4000 500 2000 0 0 < 1ha de 1 a 10ha de 10 a 50ha de 50 a 100ha > 100ha < 1 ha de 1 a 10 de 10 a 50 ha ha de 50 a 100 ha >100 ha Figura 29 - Número de Fragmentos de Cerrado distribuídos em freqüência para o município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008. Nessa classe, respectivamente, 32 e 37% dos fragmentos eram menores do que 1ha e de 1 a 10ha em 2005, diminuindo pouco em 2008 para 30 e 20%. A homogeneidade na distribuição dos fragmentos em freqüência por tamanho é um ponto positivo para esta classe, que apresenta o menor número de fragmentos e ainda possui os fragmentos de maior área, tanto em 2005 quanto em 2008, comparando-se com as outras classes de Cerrado. Dos 7 fragmentos maiores do que 100ha em 2005, 1 possuía 900ha e 1 possuía 1.000ha, passando em 2008 para 3 com 1.000ha e 1 com 7.000ha. 83 A classe de Cerrado denso apresenta-se heterogênea na distribuição dos fragmentos em freqüência por tamanho (Figura 29). Ela apresentou cerca de 83% dos fragmentos com área menor que 1ha em 2005, passando para 60% em 2008. Dos fragmentos maiores do que 100ha, em 2005 havia 206 (1,5% do total da classe) dos quais 5 com 1.000ha e 5 com 2.000ha passando em 2008 para 107 (3,22% do total da classe) dos quais 3 com 1.000ha e 2 com 2.000ha. A classe de Mata ciliar apresentou maior número de fragmentos do que as outras classes de Cerrado, tanto em 2005 quanto em 2008 (Figura 29). Mas por outro lado apresentou uma melhor distribuição destes nesse período, sendo que em 2005 apresentava 2 fragmentos com 100ha (os maiores no período) passando em 2008 para 213 fragmentos maiores do que 100ha, tendo 3 com 2.000ha, 3 com 3.000 e 1 com 4.000ha, o que revela tendência à preservação desse tipo de cobertura. Essa melhora está relacionada ao fato da área total da classe (CA) ter aumentado 400% (Figura 29) nesse período, como explicado anteriormente. E importante ressaltar a relação existente entre o tamanho do fragmento e sua proporção entre borda e interior, pois quanto menor for o fragmento maior é o efeito de borda em relação à área central do fragmento observado, e quanto maior for o fragmento maior será o número de espécies esperadas (Odum, 1988). Cunha et al. (2007) mostraram que 90% dos fragmentos amostrados em Campos Belos, Jaciara, Brasília, Goianésia, Goiânia e Morrinhos, são menores ou iguais a 1ha. Neste trabalho, Rio Verde apresentou em 2005 cerca de 68% dos fragmentos de Cerrado menores do que 1ha e em 2008 esse valor diminuiu para 45%. Entretanto, isso não significa que houve melhora do estado da fragmentação nesse período frente a essa diminuição do número de pequenos fragmentos. Esse fato mostra apenas que em 2005 a paisagem em Rio Verde era mais heterogênea e agora ela está mais homogênea com a predominância de Agricultura na paisagem (Figura 28). Nota-se que as classes de Cerrado em 2005 representavam 19% do território de Rio Verde e agora esse valor subiu para cerca de 23%. O Cerrado em Rio Verde, apesar de estar bastante fragmentado, atualmente ocupa apenas 23% da paisagem, o que está de acordo com o Novo Código Florestal (Lei n° 4.771 de 15/09/1965) e a Política Florestal do Estado de Goiás (Lei nº 12.596, de 14/03/1995) que estabelecem que mínimo 20% da área de Cerrado deve ser mantida a título de reserva legal. Esse valor é, no entanto, muito menor do que a estimativa para todo bioma Cerrado que afirma restar cerca de 50% deste, tendo a previsão de que se continuar o ritmo de devastação ele possa desaparecer até 2035, 84 devido ocupação dos últimos 35 anos, que coloca a região como uma das produtoras de bife e soja do mundo (Marris, 2005). O Índice médio de correlação com forma circular (CIRCLE_MN) avalia a forma geométrica do fragmento mensurando sua circularidade para saber se sua forma está alongada, o que é mais suscetível ao efeito de borda, ou se é mais circular, o que é menos suscetível ao efeito de borda (Mcgarigal & Marks, 1995). O índice médio de circularidade dos fragmentos (CIRCLE_MN) de Cerrado ralo e Mata ciliar pioraram de 2005 a 2008, pois diminuíram a circularidade (Figura 30). Nesse mesmo período a circularidade da forma dos fragmentos de Cerrado denso melhorou bastante, sendo o menor índice encontrado (0,48). Cerrado denso CIRCLE_MN (2005) Mata ciliar CIRCLE_MN (2008) Cerrado ralo 0 0,2 0,4 0,6 0,8 Figura 30 - Índice médio de correlação com forma circular (CIRCLE_MN) que avalia a circularidade dos fragmentos amostrados no município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008. Castelani & Batista (2007) encontraram valores semelhantes ao analisar a forma de fragmentos florestais do Vale do Paraíba (SP), obtendo o valor de 0,68, o qual não é muito distante dos encontrados atualmente em Rio Verde para Cerrado ralo (0,65) e Mata ciliar (0,68). A forma alongada dos fragmentos de Mata ciliar ao longo dos rios em forma de faixas ao redor dos corpos de água explica seu alto índice de circularidade que é muito suscetível ao efeito de borda. A análise da métrica de total de bordas (TE) de classes de fragmentos no município de Rio Verde (Figura 31) revela uma mesma tendência encontrada para a métrica de área da classe (CA da Tabela 14). Essa tendência mostra que o total de bordas (TE) da classe de Cerrado denso diminuiu 38%, devido à redução que houve no tamanho da área da classe (CA). A mesma explicação é concebida para o aumento 85 do total de bordas (TE) das classes de Mata ciliar e Cerrado ralo, com respectivamente 33 e 8%. Cerrado Denso Mata Ciliar Cerrado Ralo 2005 2008 Área Urbana Pastagem Agricultura 0 ,0 50 0 ,0 45 0 ,0 40 0 ,0 35 0 ,0 30 0 ,0 25 0 ,0 20 0 ,0 15 0 ,0 10 00 5, 00 0, Figura 31 - Total de bordas (TE) de classes de fragmentos no município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008.(unidade de medida em metros) A análise da Figura 32 e da Tabela 18 expõe que a métrica de área central total (TCA), esta correlacionada às métricas de total de bordas (TE) e de área das classes (CA), sendo observado que o aumento da área das classes (CA) leva conseqüentemente ao aumento de total de bordas (TE) e de área central total (TCA). A classe de Cerrado denso apresentou redução de 41% no total de áreas centrais (TCA). As classes de Cerrado ralo e Mata ciliar obtiveram um aumento de respectivamente 17 e 26%. . Cerrado Denso Mata Ciliar Cerrado Ralo 2005 Área Urbana 2008 Pastagem Agricultura 00 0, 00 0. ,00 50 00 0 0. ,00 45 00 0 0. ,00 40 00 0 0. ,00 35 00 0 0. ,00 30 0 00 0. ,00 25 00 0 0. ,00 20 00 0 0. ,00 15 00 0 0. 0 10 0,0 0 .0 50 00 0, Figura 32 - Área Central Total (TCA) das classes de fragmentos no município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008. (unidade de medida em hectares) 86 Tabela 18 - Percentual do Total de Áreas Centrais (CPLAND) no município de Rio Verde em 2005 e 2008 CLASSES CPLAND (%) 2005 CPLAND(%) 2008 Cerrado Denso 11,93 4,96 Mata Ciliar 1,85 7,08 Cerrado Ralo 0,6 3,54 O cálculo da distância Euclidiana média do vizinho mais próximo (ENN_MN) mostra que atualmente no Cerrado ralo um animal ou pólen deve se deslocar em média 428m até encontrar outro fragmento da mesma classe, o que é muito prejudicial para as espécies endêmicas desta classe e não se adaptariam a outra classe de Cerrado. Na Figura 33 é observado que as classes remanescentes de Cerrado aumentaram as distâncias entre os fragmentos. Atualmente, Cerrado denso e Mata ciliar possuem respectivamente 238 e 210m de distância Euclidiana média do vizinho mais próximo (ENN_MN). Cerrado denso ENN_MN 2005 Mata ciliar ENN_MN 2008 Cerrado ralo 0 100 200 300 400 500 metros Figura 33 - Distância Euclidiana média do vizinho mais próximo (ENN_MN) entre os fragmentos remanescentes de Cerrado no município de Rio Verde (GO) em 2005 e 2008 Os animais do topo da cadeia alimentar, como a onça-pintada (Panthera onca), são bioindicadoras de áreas preservadas, visto que o ambiente deve estar ecologicamente equilibrado para manter a diversidade e densidade de presas que vivem em diversos tipos habitats. Uma onça adulta utiliza em média um território de 10.000ha, onde ela anda por toda área para acazalar-se ou a procura de alimento (Cullen et al., 2005). Devido ao tamanho dos fragmentos encontrados em Rio Verde é 87 muito difícil que grandes carnívoros possam sobreviver nesse território, apesar da distância do vizinho mais próximo (ENN_MN) ser pequena quando comparado ao tamanho de área de circulação, por exemplo, desse animal (10.000ha). Em síntese, as métricas de área permitem constatar que a dinâmica econômica do município de Rio Verde está em transformação, pois a grande redução de 80% das áreas de Pastagens de 2005 para 2008 e o aumento de 186% de Agricultura serve como indicativo da substituição do uso do solo em Rio Verde. Destacou-se o aumento do Cerrado Ralo e a diminuição do Cerrado Denso, uma constatação que pode ser ambientalmente negativa, pois do ponto de vista ecológico esse fato pode ser resultante da forte ação antrópica no município. Já a Mata Ciliar apresentou um aumento de 400% em relação aos anos de 2005 e 2008, indicando provavelmente que a fiscalização de APP do município melhorou.Todavia esse valor elevado pode se justificar também pela classificação da imagem em conseqüência das áreas de conversão, fato que deverá ser verificado em campo. Em geral observa-se que 23% da paisagem do município de Rio Verde continua como Cerrado, mas como observado, o avanço da agricultura ameaça este Cerrado remanescente, sendo necessário criar mecanismos de planejamento e fiscalização para a conservação, a manutenção e a recuperação do Cerrado em Rio Verde. Em relação aos remanescentes, eles são fragmentários e o tamanho dos fragmentos, considerando-se que para que o fragmento/remanescente seja sustentável precisa de uma área mínima entre 70 e 100ha, os dados obtidos revelaram que o maior número de fragmentos sustentáveis correspondeu ao da Mata Ciliar, com 213 fragmentos maiores que 100ha no ano de 2008. 88 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADÁMOLI, J. MACEDO, J.; AZEVEDO, L.G; MADEIRA NETO, J. Caracterização da região dos cerrados In: GOEDERT, W.J. Ed. Solos dos Cerrados: tecnologias e estratégias de manejo. (Planaltina, DF): EMBRAPA –CPAC/ São Paulo: Nobel, 1986. ALMEIDA, L., RESENDE, L., RODRIGUES, A.P. E CAMPOS, J.E.G. 2006. Hidrogeologia do Estado de Goiás. Superintendência de Geologia e Mineração do Estado de Goiás (SGM). Série Geologia e Mineração, n.1. 232 p. ASSAD, E.D.; SANO, E. E. Sistema de Informações Geográficas: aplicações na agricultura. Brasília: Embrapa-SPI/Embrapa-CPAC, 1998. BARRETO, C. de A.; RIBEIRO, H. 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