O Provão: os cursos A são os que mais oferecem aos alunos? José Francisco Soares Cláudio de Moura Castro Leandro Molhano Ribeiro O Provão foi um vendaval no ensino superior brasileiro. Varreu mitos e eliminou superstições na identificação sobre quem gradua os melhores estudantes de nível superior. De uma lufada, foram-se reputações imerecidas e subiram outras surpresas. Com uma margem de erro mais do que tolerável, sabemos quem são os melhores e quem são os piores. Comparando um provão com o próximo, sabemos quem consegue subir de nota – com certeza, fruto de muitos esforços – e sabemos quem caiu do galho. Poucos países podem identificar o desempenho dos seus cursos superiores com tanta segurança. Foi um avanço colossal. Todavia, o Provão tem seu calcanhar de Aquiles. Sabemos quem se saiu melhor na prova e temos bastante confiança nos resultados. Mas, não sabemos se o bom resultado é fruto do bom ensino ou se, simplesmente, do fato de a IES - Instituição de Ensino Superior- haver recrutado alunos que já eram os melhores ao entrar no superior. Não há boas razões para desmerecer IES capazes de recrutar os melhores alunos. Porém, o caso inverso é muito mais crítico. Algumas IES de notas baixas vêm sendo execradas pelos seus resultados lamentáveis. Mas é preciso perguntar: tiveram notas baixas porque ensinaram mal ou porque receberam no seu primeiro ano alunos muito mal preparados? Do ponto de vista de política educativa – e de justiça – a diferença é tremenda. Uma IES cujos resultados fracos resultam de um mau ensino merece o opróbrio que recebe da imprensa e da opinião pública. Nada mais correto do que divulgar quem foi incompetente ou negligente na operação de seus cursos. Contudo, há outros cursos cujo pecado pode haver sido o de receber alunos mal preparados, usualmente, fruto de um ensino inadequado. Fazem o que podem com esses alunos, mas não pode transformá-los em alunos tipo A. Não é menos meritório tentar ajudar alunos mal preparados do que lidar com as elites intelectuais que saem das melhores escolas de segundo grau. Pelo contrário, podemos mesmo dizer que as elites intelectuais aprendem qualquer que seja o ensino superior, já os mais fracos requerem desvelo e cuidado para que melhorem seu rendimento. Portanto, o Provão tem esse pecado na sua folha corrida: execra os mais fracos, sem distinguir se a culpa é do curso ou da fragilidade da matéria prima e do segundo grau cursado. Que escolas chegam na frente e que escolas oferecem mais aos seus alunos? Neste ensaio apresentamos os primeiros resultados de uma pesquisa que visa justamente separar a contribuição do curso superior daquilo que resulta do que já sabia o aluno ao fazer o vestibular. Seguimos uma linha de pesquisas justamente conhecida como Valor Adicionado, pois queremos verificar o que cada IES “adicionou” em contraste com o que o aluno já trazia. Do ponto de vista metodológico, trata-se de uma área já razoavelmente consolidada. Esta pesquisa como sua congêneres feitas na Europa e Estados Unidos, utiliza-se, como ferramenta básica de análise, dos modelos hierárquicos de regressão múltipla. O leitor interessado na parte técnica dos métodos encontrará acompanhando o presente ensaio um apêndice técnico com mais explicações e a bibliografia clássica da área. O grande desafio de calcular o valor adicionado não é técnico mas de obter os dados necessários. Isso porque, é preciso que existam duas bases de dados articuladas: uma medindo o rendimento do aluno após o curso superior e outra medindo o seu desempenho ao fazer o vestibular. Ou seja, uma medida de qualidade na entrada e outra na saída. Até há pouco tempo, nada tínhamos como medida de resultado de fim de curso. Agora temos o Provão. Mas necessitamos também medidas de quanto sabiam os alunos ao entrar nos seus respectivos cursos superiores. Isso é mais difícil, pois os vestibulares não são unificados e não se pode combinar pontuação de um com a de outro. Quando o ENEM estiver universalizado e graduarem-se do superior as primeiras turmas que o fizeram, teremos tudo que é preciso para calcular o valor adicionado. No presente, estamos meio bloqueados. Mas há uma saída parcial, explorada na pesquisa aqui descrita. A Universidade Federal de Minas Gerais- UFMG- por ser gratuita e muito bem conceituada, é a mais cobiçada no Estado. Ofereceu uma média de 4000 vagas entre 1992 e 1996, tendo entre 32000 e 42000 candidatos. Sobravam, portanto, mais de 28000 candidatos, que obviamente dirige-se a outras instituições. Em muitas outras IES o número dos que fizeram o vestibular da UFMG é suficientemente grande, para podermos tomar a pontuação média destes alunos no vestibular da UFMG como medida do nível acadêmico dos alunos da respectiva IES. (Verificamos através da técnica estatística apropriada que os que fizeram o vestibular da UFMG das diferentes IES incluídas neste trabalho, não diferem em termos de desempenho no provão dos outros alunos da IES.) Assim, a medida de proficiência é a mesma para todos: a pontuação na primeira etapa do vestibular da UFMG. Feito isso, ficou faltando um procedimento tedioso e manual de conectar os nomes dos vestibulandos com as notas do provão – isso tudo se ferir o sigilo, prescrito em lei, dos resultados individuais do provão. Terminado esse trabalho, temos uma base de dados com uma medida de entrada (a nota na primeira etapa do vestibular da UFMG) e uma medida de saída (Provão). Isso para as três carreiras que primeiro tiveram o Provão: Direito, Administração e Engenharia Civil. Como bônus, temos os resultados do questionário aplicado a cada candidato ao Provão e ao vestibular que nos permite traçar o perfil sócioeconômico dos alunos. A Tabela 1, mostra os resultados finais da amostra gerada, desagregada por cursos e ano de realização do Provão Esta é a matéria prima da análise. Tabela 1: Distribuição dos Estudantes incluídos no estudo, discriminados por Curso e ano de realização do Vestibular da UFMG. Estudantes que realizaram o ENC nos anos de 1996 a 1999 e pelo menos um vestibular da UFMG Total em 1996 1997 1998 1999 cada curso Direito 468 893 665 1520 3546 Administração 312 560 90 943 1905 Engenharia Civil 85 188 22 396 691 Total em cada ano 865 1641 777 2859 6142 Fonte: Dados Básicos: INEP Curso Os métodos de análise Como é o caso com todos os métodos multi variados, as análises hierárquicas buscam isolar o efeito de cada variável em fenômenos sociais onde simultaneamente muitas determinam os resultados que estamos apreciando. Deixando os detalhes técnicos para o apêndice, vale apenas dizer que os modelos hierárquicos nos levam a determinar em uma primeira fase o impacto líquido das variáveis individuais que precedem o ingresso no curso superior e, depois, o impacto da IES, em contraste com outras IES que oferecem cursos superiores na mesma área. Definimos as seguintes variáveis para a análise de regressão hierárquica: Nota no Provão: a variável dependente, a ser explicada pela análise Usou-se aqui a pontuação original baseada nas perguntas acertadas. A divulgação do Provão é baseada em desvios da média aritmética encontrada. Transformados em intervalos, estes desvios geram os conceitos de A a E, tão bem conhecidos hoje. Mas para a análise estatística, os escores brutos são melhores. Como se usam resultados de vários anos, foi feita a equalização das notas, conforme descrito no apêndice. Esta é a medida do resultado dos alunos que saem de cada instituição. É um indicador do quê saíram sabendo, após quatro anos de curso. Mas, justamente, não indicam quais os méritos da instituição em obtê-los, pois alunos que entram com níveis diferentes, terão aproveitamentos diferentes. Daí o objetivo do presente exercício. Mas note-se, não está em discussão o nível obtido pelos alunos, isso o Provão mostra de forma definitiva. O que está em jogo é a atribuição de competência de cada instituição pelos resultados obtidos. Poderíamos pensar em instituições oferecendo um ensino fraco mas cujas notas no Provão são altas, por conta da excelência dos alunos que entram. Nota no Vestibular: a medida de qualidade dos alunos ao entrar no ensino superior Usamos a pontuação obtida na primeira etapa do vestibular da UFMG, devidamente equalizada. Por trata-se de uma prova competente – pois mede o que se propõe medir, isto é, os conteúdos centrais do currículo de ensino médio podemos aceitar que capture o nível de conhecimentos exigidos para entrar no superior. Portanto, é uma variável que, de certa maneira, captura as dimensões de entrada que gostaríamos de conhecer. Tudo que vem antes, poderia ser muito importante para explicar o desempenho futuro, mas do ponto de vista da preparação acadêmica, é capturado pelo vestibular. Gênero As diferenças encontradas entre sexos, algumas vezes significativas, não oferecem uma contribuição para a análise presente. Não serão comentadas aqui com detalhes por não terem relevo ou aportes interessantes em uma discussão do valor adicionado da escola. Índice sócioeconômico, Bem sabemos que o status sócioeconômico é de vital importância no desempenho escolar. Daí a inclusão de uma variável combinando educação do pai, educação da mãe, o tipo de escola cursada (privado/público) e o turno. Mas, a interpretação desta variável no presente estudo requer cuidados pois, em grande medida, seu impacto é também capturado pelos resultados do vestibular, de tal forma que estes resultados já refletem o poder explicativo da origem do aluno. Portanto, esta variável vai nos informar a respeito de três questões: (i) Qual é o peso do ambiente familiar na explicação dos resultados no vestibular? (ii) Qual a segmentação da matrícula em cada instituição por nível sócioeconômico (escolas de rico, escolas de pobre)? (iii) Qual o impacto residual do status sócioeconômico no provão, isto é, haverá mais impacto, além do que foi captado pelo vestibular? Efeito dos pares, medido pela média dos estudantes de cada IES no vestibular É bastante fácil entender o impacto do nível sócioeconômico do aluno, pois vemos no cotidiano os filhos de famílias mais educadas saírem-se melhor em tudo que tem a ver com educação. Mas se tentamos separar o impacto líquido da instituição de ensino sobre o desempenho dos alunos, não basta considerar o que os alunos trazem como bagagem educacional e cultural. Há também o impacto desta mesma bagagem dos outros alunos que freqüentam a mesma instituição. Ou seja não é apenas a qualidade da instrução que conta, mas a companhia com quem se estuda. Quem tem colegas intelectualmente mais preparados, sabe-se por outras pesquisas, aprende mais. Ou seja, independentemente de seus méritos, uma instituição oferece mais a um aluno quando os outros que a freqüentam tem níveis mais elevados de desempenho. Esta não é uma variável fácil de entender. Mas teoricamente é correta a sua introdução pois captura um efeito que influencia o desempenho, embora tenha a ver apenas indiretamente com a excelência do ensino oferecido. Pobres e ricos no ensino superior O efeito da origem sócioeconômica sobre o desempenho educativo é um assunto antigo mas que permanece e permanecerá vigente. Trata-se de uma questão onde jogam princípios de equidade e igualdade de oportunidades versus uma influência profunda e insidiosa do ambiente familiar, da estimulação oferecida pelo meio ambiente mais próximo e pelas diferenças entre escolas previamente freqüentadas. Esse é um assunto a respeito do qual as políticas públicas não podem se omitir. Assim sendo, o conjunto de dados disponíveis oferece uma oportunidade única para revisitar esse problema sempre candente. Examinando os três cursos (Direito, Administração e Engenharia Civil) três constatações relevantes são cabíveis. Em primeiro lugar, o nível sócioeconômico é um poderoso determinante do resultado no vestibular. Não é surpresa dizer que alunos de níveis mais elevados tendem a obter resultados melhores. Esse é um dos resultados mais constantes de todas as pesquisas que associam a origem do aluno com resultados escolares. Quer meçamos o impacto pelo nível de escolaridade atingido, quer por pontuação em testes (como o SAEB, por exemplo), a família jamais deixa de impor a sua força no rendimento escolar. O gráfico 1 ilustra esta associação com os dados do vestibular da UFMG de 1995. Gráfico1: Distribuição do índice socioeconômico no total dos alunos do vestibular da UFMG de 1995 TOTAL DA 1ª ETAPA 200 100 0 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 Índice socioeconômico ao fazer o vestibular 20 21 22 Em segundo lugar, quando tabulamos os resultados do Provão contra o nível social do estudantes, há uma quase completa eliminação desta associação, como nos indicam os Gráficos 2, 3 e 4, correspondentes aos cursos de Direito, Administração e Engenharia. Gráfico 2: Gráfico de caixas do desempenho no Provão, em cada nível do índice socioeconômico: Curso de Direito 100 80 Desempenho no ENC 60 40 20 0 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 Índice Socioeconômico Gráfico 3: Gráfico de caixas do desempenho no Provão, em cada nível do índice sócioeconômico: Curso de Administração 100 80 Desempenho no ENC 60 40 20 0 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Índice Socioeconômico 17 18 19 20 21 22 Gráfico 4: Gráfico de caixas do desempenho no Provão, em cada nível do índice socioeconômico: Curso de Engenharia Civil 100 80 60 Desempenho no ENC 40 20 0 -20 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 Índice Socioeconômico Os gráficos acima mostram uma associação praticamente nula entre nível sócioeconômico e desempenho no Provão. Um resultado em aparentemente contradição com o quadro mostrado no gráfico 1. Eles se devem a um processo chamado de auto-seleção. A associação entre status e desempenho não significa que todos os filhos de família bem educada sejam melhores estudantes, o oposto se dando para os filhos de famílias menos educadas. Pelo contrário, há uma grande dispersão nos resultados, havendo filhos de famílias melhor educadas com desempenho inferior e de famílias pobres com excelentes resultados (embora sejam menos freqüentes ambos os casos). Mas a dura realidade do processo escolar vai progressivamente eliminando os alunos de famílias menos educadas, ficando na escola apenas os poucos pobres que tem desempenho superior e, portanto, equivalente aos de famílias mais educadas. Ou seja, o processo seletivo que vai tendo lugar ao longo da trajetória escolar vai eliminando a metade de baixo da distribuição de desempenho, onde se situa a maioria dos alunos de famílias menos educadas. Os que ficam são cada vez mais são mais homogêneos no seu desempenho. Portanto, são populações onde apenas estão os melhores: os muitos de nível social mais alto e os pouco sobreviventes de nível social mais baixo. Na transição entre vestibular e Provão, a queda na influência do status da família resulta também de uma peneirada adicional, pois não nos esqueçamos de que muitos dos que entram no superior não o terminam. Isso nos levaria a concluir que dentre os que chegam ao fim da maratona escolar e tomam o Provão, o grupo já foi tão homogeneizado que o status de origem já não tem mais peso. Em outras palavras, a força do status familiar é tão grande e se exerce de forma tão brutal nos níveis anteriores que dentre os formados no superior só sobraram os mais modestos excepcionalmente dotados. A terceira conclusão permitida pelos dados, mostra um outro lado remanescente da origem sócio econômica. Quando tabulamos status sócioeconômico por faculdade cursada, novamente aparece uma diferença relevante na sua distribuição de freqüência (ver Gráficos 5,6,7 ). Há escolas de ricos e escolas de menos ricos (obviamente, não há ensino superior de pobre no presente quadro da educação brasileira). No caso do Direito, UFMG e FUMEC atendem a populações de mais alto status, seguida da Milton Campos e da PUC. No outro extremo, algumas escolas do interior (Teófilo Otoni, Sete Lagoas e Conselheiro Lafaiete) tem alunos de origens bem mais modestas. Em Administração sobressai o nível mais alto dos alunos da FUMEC e UFMG e em Engenharia os da UFMG e PUC. Gráfico 5: Gráfico de caixas do índice socioeconômico, discriminado por IES: Curso de direito 30 Índice Sócio-Econômico 20 10 2791 2508 2248 2349 2104 2562 0 N= 40 446 153 71 76 80 33 48 215 23 98 33 60 40 582 706 173 576 G FM U EC M FU C M FD C PU V FD FU U SM FD E I U AL ES IV T N N U O S IM A N U EN IF N U E FV L U IVA D FA BE IU N U OM D FA L C FD L S FD ITO D FA Gráfico 6: Gráfico de caixas do índice socioeconômico, discriminado por IES: Curso de Administração 30 Índice Sócio-Econômico 20 1823 10 371 271 256 0 N = 20 16 16 22 34 29 49 26 29 47 51 365 18 51 356 311 164 276 EC M FU G FM U A N U C PU G M O EG R FL T U EN IC N U IH FV U JM G FC V G I FA RE N FU G M IC ES C NT FA O IM N U O S FU CI C FA PL H FC ISE Gráfico 7: Índice socioeconômico por IES: Curso de Engenharia Civil 30 Índice Sócio-Econômico 20 10 0 N= 20 111 15 36 143 73 280 UNIVALE EEK UFV UFOP FUMEC PUC UFMG ISE Portanto, vemos nestes três casos um jogo complexo e, para os desavisados, enganoso das interações entre o status do aluno e seu rendimento. (i) (ii) (iii) O vestibular peneira, eliminando ou separando a grande parte dos de status mais baixo que tem menos rendimento. Mas peneira tanto que dentre os remanescentes, candidatos ao Provão, pouco impacto residual tem o status familiar. Não obstante, as escolas tendem a atrair clientelas mais homogêneas, isto é, algumas recrutam grupos de maior status familiar, outras de menor. Ensino ou conhecimento prévio: quem determina o desempenho? Os modelos ajustados permitem imediatamente verificar qual o peso da instituição de ensino na determinação da nota obtida no Provão. Os resultados nos trazem, se não uma surpresa, pelo menos um dado que merece muita reflexão. Da variação não explicada pela equação de regressão, apenas 16% se deve à escola, no caso do curso de Direito. A proporção é de 20% e 23% para os cursos de Administração e Engenharia. A explicação para o resto da variância deve ser procurado nas diferenças que os alunos já trazem ao se matricular no curso superior. Em outras palavras, o que a escola oferece pode explicar apenas 16%, 20% e 23% dos resultados obtidos na prova. Em outras palavras, a escola pode favorecer mas não empurrar o aluno. Quem está em uma boa escola ganha muito com isso. Mas a boa escola sozinha é impotente para carregar os alunos fracos e malandros ou para freiar os bem dotados e mais estudiosos matriculados em escolas fracas. Esse é um resultado de extraordinária importância. Revela a força do que traz o aluno ao entrar no ensino superior (sejam seus talentos e conhecimentos ou sua disciplina de trabalho). Certamente, enfraquece a hipótese de um determinismo social, uma vez escolhido o curso superior. O talento e o esforço são amplamente mais importantes do que a fama e a qualidade do ensino. Não é um achado de menor importância. Mas, note-se bem, os alunos melhores e os piores não se distribuem de forma aleatória entre as escolas. Algumas concentram os de melhor desempenho e outras os mais fracos. A diferença é sutil mas importante. As análises de variância que estamos examinando mostram dois resultados importantes: (i) Os resultados dependem mais dos alunos do que das escolas que cursam (isto se mede pelo alto poder de explicação das diferenças observadas ao fazer o vestibular. As boas escolas ajudam o aluno, as piores atrapalham (ou ajudam menos), mas a importância da escola é quantitativamente muito menor do que o peso dos atributos pessoais dos alunos). (ii) Algumas escolas recebem os alunos de maior desempenho prévio, outras os mais fracos, dai se originando boa parte das diferenças nas médias dos seus graduados. Esse é um ponto cuja compreensão não é tão óbvia. As melhores escolas têm alunos melhores, mas estes alunos, apenas em parte, são melhores por estarem em melhores escolas. Sobretudo, eles já tinham mais potencial ao entrar. Outra advertência importante é que não se trata aqui de falar de características inatas ou de genética, discussão totalmente irrelevante e equivocada no presente contexto. O que se trata é de mostrar que o resultado ao fim do curso superior é o somatório de um potencial genético (desconhecido) e de experiências familiares e educativas que aconteceram muito antes do vestibular. Naturalmente, isso torna mais difíceis as análises, ao mesmo tempo em que destroem as explicações simplistas de atribuição de culpa ou mérito. Não se trata aqui de absolver os erros dos cursos superiores ou minimizar a sua importância mas de colocar o problema em sua própria perspectiva. O valor adicionado: o prêmio de estudar em uma boa escola Com os elementos já apresentados anteriormente, podemos passar ao próximo passo que é estabelecer o valor agregado ou adicionado pelas escolas boas. O conceito já foi quase antecipado pelas explicações anteriores. Vimos que algumas escolas obtêm médias mais elevadas do que as outras. A Tabela 1 abaixo mostra como se situa cada instituição, ordenada da média mais alta para a mais baixa. Tabela 1: Média bruta para as notas do Provão: Curso de Direito Média IES Tabela 2: Média bruta para as notas no Provão: Curso de Administração IES Média UFMG 60,51 UFMG 55,63 UFV 57,23 EGMG 52,33 PUC 53,32 UFV 49,14 FDMC 53,20 PUC 47,84 UFU 51,32 FCGJM 46,76 FUMEC 48,40 FACCI 45,79 UNIMONTES 48,31 UNIMONTES 44,22 UNIVALE 46,50 FCG- UNA 42,66 FDSM 46,30 FCHPL 42,55 UNIPAC 46,10 UFL 42,14 FDV 45,76 FUSO 41,60 UI 45,30 FUNREI 41,14 FDCL 44,76 ICMG 40,66 FDSL 44,70 FUMEC 40,50 UNIFENAS 43,42 UNICENTRO 40,19 UNIUBE 42,95 FADOM 42,45 FADIVALE 41,44 FADITO 36,40 FAGV 38,92 FAC 38,13 IH 36,24 Tabela 2: Média bruta para as notas no Provão: Curso de Engenharia Civil IES Média UFMG 37,27 UFV 28,67 UFOP 23,56 PUC 22,95 FUMEC 18,62 UNIVALE 17,71 EEK 13,44 Não se pode dizer que haja surpresas. Afinal, esse é o resultado bruto que gera as notas do Provão, já tão bem conhecidas. Tampouco se trata de um resultado contrariando nossa intuição. As grandes instituições federais e as privadas mais prestigiosas lideram a lista. As do interior e as mais modestas, ficam para trás. Mas a pergunta maior de todas neste ensaio é saber se as melhores são melhores por oferecerem um ensino melhor ou por receberem alunos melhores. O exercício estatístico apresentado adiante consiste em controlar o nível inicial dos alunos e perguntar como ficam os resultados. A maneira mais fácil de entender a questão é imaginar duas escolas com alunos cujo desempenho no vestibular é igual. A que obtêm médias maiores no Provão, é a que “adiciona” mais aos conhecimentos dos alunos. Esta diferença captaria a contribuição líquida da escola, isto é eliminaria a diferença devida ao nível diferente de conhecimentos trazidos pelos alunos de uma ou outra escola. Mas infelizmente, os dados não se comportam como gostaríamos. Não encontramos disponíveis para a observação, escolas com alunos iguais e desempenhos diferentes. A solução deste problema se encontra justamente no uso dos modelos de regressão múltipla onde por via de métodos estatísticos “controla-se” o efeito das variáveis explicativas. Em outras palavras, as equações de regressão mostram quanto da variância se deve à influência da escola e que parte resulta de que os alunos das escolas melhor sucedidas já sabiam mais ao entrar. O próximo passo é óbvio. Uma vez estimada a contribuição líquida das IES – o seu valor adicionado – classificamos as IES por ordem decrescente de resultados. Tinham-se antes uma classificação pelo resultado bruto, agora preparamos uma outra pelo que a escola adiciona em termos líquidos ao ensino. Examinando as duas ordenações (pelo Provão e pelo valor adicionado) podemos tirar várias conclusões. Serão as melhores também as que oferecem mais? Há escolas que recebem alunos muito modestos mas conseguem levá-los mais longe? Note-se aqui que o novo critério não é chegar no topo mas viajar mais longe. Uma escola muito modesta, mas que oferece um ensino muito bom para os seus alunos, poderá ter um valor adicionado mais alto que outra cujos resultados superiores ocorrem simplesmente porque seus alunos já eram melhores ao entrar. As mesmas tabelas 4,5,e 6 nos indicam claramente os resultados. Uma primeira leitura geral mostra que mudam pouco de posição os cursos, quando ordenados pelo seu valor adicionado. Há casos de mudança, alguns saltos até grandes. Mas no todo, as posições permanecem. Tabela 4: Média no Provão e valor adicionado de cada IES: Curso de Direito IES Média obtida no Provão Valor adicionado de cada IES UFV 57,23 (2) 6,44 (1) UFMG 60,51 (1) 4,27 (2) FDMC 53,20 (4) 4,00 (3) PUC 53,32 (3) 3,40 (4) UFU 51,32 (5) 2,24 (5) UNIVALE 46,50 (8) 0,40 (6) UNIMONTES 48,31 (7) 0,40 (7) FDSM 46,30 (9) 0,38 (8) UNIPAC 46,10 (10) 0,28 (9) FDV 45,76 (11) -0,19 (10) FUMEC 48,40 (6) -0,53 (11) UNIFENAS 43,42 (15) -0,89 (12) FDCL 44,76 (13) -1,06 (13) UI 45,30 (12) -1,52 (14) UNIUBE 42,95 (16) -2,10 (15) FADOM 42,45 (17) -2,32 (16) FDSL 44,70 (14) -2,45 (17) FADIVALE 41,44 (18) -3,65 (18) FADITO 36,40 (19) -7,10 (19) Tabela 5: Média no Provão e valor adicionado de cada IES: Curso de Administração IES Média obtida no Provão Valor adicionado de cada IES UFMG 55,63 (1) 3,33 (1) PUC 47,84 (4) 3,26 (2) FCGJM 46,76 (5) 3,22 (3) UFV 49,14 (3) 3,06 (4) EGMG 52,33 (2) 2,36 (5) FCHPL 42,55 (9) 1,23 (6) UNIMONTES 44,22 (7) 1,18 (7) FACCI 45,79 (6) 1,15 (8) ICMG 40,66 (13) -0,77 (9) UFL 42,14 (10) -0,87 (10) FUSO 41,6 (11) -0,95 (10) FUNREI 41,14 (12) -1,13 (11) FCG- UNA 42,66 (8) -1,52 (12) FAGV 38,92 (15) -1,90 (13) UNICENTRO 40,19 (14) -1,91 (14) FAC 38,13 (16) -2,12 (15) FUMEC 40,5 (13) -3,11 (16) IH 36,24 (17) -4,53 (17) Tabela 6: Média no Provão e valor adicionado de cada IES: Curso de Engenharia Civil IES Média obtida no Provão Valor adicionado de cada IES UFMG 37,27 (1) 4,41 (1) UFV 28,67 (2) 2,84 (2) UFOP 23,56 (3) 0,62 (3) PUC 22,95 (4) -0,25 (4) UNIVALE 17,71 (6) -0,38 (5) FUMEC 18,62 (5) -2,53 (6) EEK 13,44 (7) -4,71 (7) Isso significa que as melhores escolas nos escores de rendimento são também as que oferecem mais aos alunos. Obviamente, é um resultado reconfortante. Se os cursos com as melhores notas não oferecessem também valores adicionados mais elevados, estaríamos diante de uma notícia difícil de processar e tirar resultados para a política educacional. Portanto, a primeira conclusão relevante é que as escolas recebendo os melhores alunos são também as que oferecem mais aos alunos que recebem. Palmas para as melhores escolas, não estão apenas mostrando melhores resultados por ter os melhores alunos. Todavia, há exceções, isto é escolas que mostram resultados melhores do que se deveria esperar com os alunos que têm, bem como as que deveriam mostrar resultados superiores, pelos seus alunos, embora isso não aconteça. Esta correspondência aproximada entre a ordenação das médias por instituição e o valor adicionado estimado para elas é uma boa notícia para a política educacional. Mostra que ao valorizar o maior desempenho de algumas instituições não se está cometendo uma injustiça grave com as outras. Isto é as piores na média de resultados são também piores no valor adicionado. Mas não podemos confundir uma tendência geral com casos individuais. De fato, há os casos isolados de escolas com médias altas e valor adicionado baixo e, vice-versa. Nos cursos de Direito, há alguns desvios, embora não sejam enormes. A FUMEC desce de sexto na média do Provão para décimo primeiro lugar na lista decrescente dos valores adicionados. A FDSL (Sete Lagoas), de décimo quarto passa para décimo sétimo. As demais mudanças não ultrapassam uma posição para cima ou para baixo. Não se observam, portanto, casos notáveis de ganhos. Na Administração, as mudanças são mais pronunciadas do que no Direito, embora tampouco sejam dramáticas. A FCHPL (Pedro Leopoldo) sobe de nono lugar na média do Provão para sexto no valor adicionado. Igualmente o ICMG (Instituto Católico) sobe de décimo terceiro para nono lugar. Em contraste, A EGMG (Escola de Governo) cai de segundo para quinto lugar, a UNA baixa de oitavo para décimo segundo e a FUMEC de décimo terceiro para décimo sexto. Em contraste, na Engenharia Civil mantém-se em praticamente todos os casos a mesma ordenação, quer tomemos as médias no Provão ou o valor adicionado que estimamos. Os melhores no desempenho no Provão são também os melhores no valor adicionado. Não há discrepâncias a se registrar. Aprende-se também com os colegas Nas atividades desportivas, bem sabemos que treinar com companheiros ou adversários mais fortes é melhor do que fazê-lo com mais fracos. Igualmente, na educação aprende-se com os professores, mas este aprendizado é afetado pelos colegas. Sempre se disse, com base em observação casual que bons alunos puxam para cima o rendimento de todos. O Coleman Report, já em 1966 mostrava que o efeito dos pares era uma variável de importância. Podemos questionar até que ponto é adequado introduzir uma tal variável na análise dos dados. Por um lado, Ter bons colegas é parte do ambiente mais favorável ao aprendizado que oferecem as melhores escolas. É mérito de uma instituição boa ser capaz de atrair bons alunos. Isso, em si, é um atributo da sua qualidade. E se o ensino piorar, os bons alunos irão progressivamente migrando para outros lugares. Demais, pode-se argumentar que os melhores alunos vão para aonde está o melhor ensino e esse melhor ensino estará onde estão os melhores alunos. Ou seja, há círculos viciosos e virtuosos. Quem por alguma razão atraiu bons alunos, beneficia-se de um clima intelectual onde fica mais fácil oferecer um ensino melhor. Tentar isolar o impacto da excelência dos colegas do ensino é, em princípio, uma preocupação legítima, ainda que tarefa muito difícil com dados observacionais como os do presente exercício. Estamos longe de poder concluir que o efeito dos pares é algo separado da qualidade oferecida pela instituição. Apesar de entendermos que a conveniência dou não de introduzir o efeito dos pares para o cálculo do valor agregado de uma IES é questão ainda polêmica, vamos fazer os cálculos e comentar os resultados. As Tabelas 7,8 mostram uma terceira coluna com a hierarquia das escolas, depois de introduzir o impacto dos pares no rendimento. No todo, as ordenações não são alteradas dramaticamente. Isto significa que ao levar em consideração o efeito dos pares, não se vira de pernas para o ar a ordenação de quem oferece mais aos seus alunos. Há uma tendência clara, os que obtêm os melhores resultados no Provão são também os que oferecem mais aos alunos, inclusive em termos da qualidade dos colegas. Tabela 7: Média no Provão, valor adicionado e efeito dos pares para cada IES: Curso de Direito IES Média obtida no Provão Valor adicionado de cada IES Valor Adicionado com efeito do pares UFV 57,23 6,44 3,47 FDMC 53,20 4,00 2,47 PUC 53,32 3,40 1,43 UFU 51,32 2,24 1,11 UNIPAC 46,10 0,28 1,05 UNIVALE 46,50 0,40 0,97 UNIFENAS 43,42 -0,89 0,91 FDSM 46,30 0,38 0,88 FDV 45,76 -0,19 0,59 FDCL 44,76 -1,06 0,18 UNIMONTES 48,31 0,40 0,03 FADOM 42,45 -2,32 -0,22 UNIUBE 42,95 -2,10 -0,42 UI 45,30 -1,52 -0,75 FUMEC 48,40 -0,53 -1,57 FADIVALE 41,44 -3,65 -1,78 FDSL 44,70 -2,45 -1,91 UFMG 60,51 4,27 -2,55 FADITO 36,40 -7,10 -3,91 Tabela 8: Média no Provão, valor adicionado e efeito dos pares para cada IES: Curso de Administração IES Média obtida no Provão Valor adicionado de cada IES Valor Adicionado com efeito do pares FCGJM 46,76 3,22 3,04 PUC 47,84 3,26 2,92 UFV 49,14 3,06 2,04 FCHPL 42,55 1,23 1,88 UNIMONTES 44,22 1,18 1,39 FACCI 45,79 1,15 0,74 ICMG 40,66 -0,77 0,06 EGMG 52,33 2,36 -0,31 FUNREI 41,14 -1,13 -0,42 FUSO 41,60 -0,95 -0,45 UFL 42,14 -0,87 -0,50 FAC 38,13 -2,12 -0,60 FAGV 38,92 -1,90 -0,67 UFMG 55,63 3,33 -0,71 UNICENTRO 40,19 -1,91 -1,01 FCG- UNA 42,66 -1,52 -1,64 IH 36,24 -4,53 -2,83 FUMEC 40,50 -3,11 -2,93 Todavia, há vários casos em que essa correspondência não se observa. De fato, o efeito dos pares cria casos dramáticos de saltos para frente e para trás. No caso dos cursos de Direito, podemos verificar que há algumas mudanças importantes de posição. Por exemplo, a UFMG que se saia muito bem, tanto nas médias do Provão como no valor agregado, quando se considera o efeito dos pares, passa para 13º lugar. Ou seja, a escola recruta os melhores alunos e pareceria oferecer também o melhor ensino (seu valor adicionado é alto), mas quando introduzimos o efeito dos pares, os resultados permitem sugerir, embora não possam comprovar, que é mais a qualidade dos colegas do que a própria excelência do ensino que fez subir o desempenho. Em contraste, Viçosa brilha em todos as medidas, está entre as duas melhores na média do Provão, no valor adicionado e no valor adicionado considerando também o efeito dos pares. No outro extremo, Alfenas que está em 15º na média do Provão, e 13 no valor agregado, sobe para terceiro quando o modelo inclui o efeito dos pares. Isto significa que, considerando o conjunto de seus alunos seu ensino é melhor do que pareceria antes de considerar o efeito dos pares. No curso de Administração, notamos uma queda no desempenho da UFMG, para o modelo que inclui o efeito dos pares, passando de primeiro lugar na média no Provão para 11 no valor agregado. Pela mesma forma, a UNA passa de oitavo para décimo sexto. Em contraste, Pedro Leopoldo sobe de nono para quarto e o Instituto Católico de 14 para 7. No caso da Engenharia Civil, novamente, a UFMG cai de primeiro para sexto lugar, tanto no modelo simples de valor agregado quanto no que introduz o efeito dos pares. Novamente, brilha Viçosa, estando entre os dois primeiros nas três medidas. Mas faz bonito a Vale do Rio Doce (Univale) ao subir de sexto na média do Provão e quinto no valor adicionado para segundo quando se introduz o efeito dos pares. Não há como evitar uma forte circunspeção ao examinar os resultados ao se incluir o efeito dos pares. Em que pese o fato de que a sua introdução no modelo não afeta as tendências gerais de que se mantém a mesma ordenação das escolas, há saltos bruscos em casos individuais. Isso nos trás ao primeiro plano uma certa ambigüidade do próprio conceito de efeito dos pares. Não seria mérito da escola atrair melhores alunos? Diante de tais ambigüidades, os autores sugerem que se tome e efeito dos pares apenas como um detalhamento da forma pela qual as instituições obtêm a sua qualidade. Ter bons colegas é parte do que se constitui em um bom ensino. Não estamos preparados para aceitar o efeito dos pares como um substituto independente da qualidade do ensino, para efeito da presente análise. O que ficamos sabendo: um sumário O presente ensaio trata de um assunto que se tornou crítico após o aparecimento do Provão: em que medida a excelência dos resultados de uma escola são devidos ao próprio esforço da escola ou do mero fato de que recebe alunos melhores? Visto por outro ângulo, uma escola de resultados lamentáveis é culpada por tal performance ou, simplesmente, está condenada a ser assim, diante dos alunos mas fracos que recebe? Qual o valor adicionado pela escola? Qual a fração do desempenho que se deve à escola, isolado o efeito das diferenças individuais dos alunos? Do ponto de vista de quem maneja as políticas educativas, há questões de justiça e equidade. São merecidos os elogios aos melhores figurantes? São justas as críticas aos desempenhos mais lamentáveis? Os modelos hierárquicos de regressão múltipla oferecem uma forma elegante e confiável de isolar os resultados da escola daqueles que se devem às características dos alunos. Mas até que resultados do ENEM se tornem generalizados e os primeiros alunos que fizeram esse teste façam o Provão, não há formas confiáveis de realizar tal exercício para o Brasil como um todo. Em outras palavras, o Provão é uma medida nacional de desempenho e está disponível. Contudo, não há uma medida nacional da qualidade dos alunos admitidos no ensino superior. A presente pesquisa beneficia-se de um potencial de análise criado pelo vestibular da UFMG, levando à entrada na IES mais cobiçada do Estado e feito por dez vezes mais alunos do que há vagas naquela universidade. De cada dez candidatos, os nove reprovados se encaminham para outras instituições de ensino superior. Portanto, cada uma destas outras instituições abriga alunos que fizeram o vestibular da UFMG. Cruzando a pontuação no vestibular destes alunos com os seus resultados no Provão, temos uma amostra suficientemente grande para analisar a qualidade na entrada e na saída de alunos de todas as instituições importantes do Estado (onde a medida de entrada é a media dos escores no vestibular da UFMG). Foram escolhidos os cursos Direito, Administração e Engenharia Civil, por terem sido os primeiro a entrarem na avaliação do Provão. As estimativas aqui apresentadas devem ser tomadas com cautela, pois são as primeiras tentativas de cálculo de valor agregado de IES brasileiras. No entanto, tomadas as precauções devidas, estamos diante de resultados tanto úteis para a política educativa como interessantes. Tudo o que se sabe sobre desempenho em educação revela o tremendo poder explicativo do ambiente familiar, determinante também da qualidade do ambiente escolar freqüentado mais adiante. Famílias mais educadas preparam melhor seus filhos para o que exige a escola e, também, são muito mais seletivas na escolha das primeiras escolas freqüentadas por seus filhos. Portanto, em uma análise deste tipo, é preciso que fique muito claro como as medidas indicadoras deste ambiente influenciam os resultados tratados. Em uma escola excludente como a nossa, a força das variáveis criadas pelo ambiente familiar tem como conseqüência mais poderosa a evasão. Vão saindo da escola aqueles cujas famílias geraram ambientes menos propícios às realizações escolares. Portanto, após onze anos de escolaridade, a proporção de filhos de famílias menos educadas – e mais pobres – cai de dois terços para dez a vinte por cento. A escola depura. Ficam apenas aqueles de famílias mais modestas cujo desempenho é excepcional, ou seja, o efeito do status familiar é tão grande que homogeneiza os grupos que sobem. Só ficam os pobres que são iguais aos ricos em desempenho. A análise presente mostra exatamente isso. O status familiar explica o desempenho no vestibular, pois ainda há um resíduo de variância devido à família. Mas quando tomamos o provão e o relacionamos com o vestibular, não sobra praticamente mais nenhum resíduo a ser explicado por status familiar. Em outras palavras, todo o efeito do status é captado pelo vestibular. Conhecendo os escores no vestibular, nada mais ficamos sabendo ao conhecer o status familiar. Portanto, do ponto de vista da eficiência dos nossos modelos, o vestibular mede melhor tudo que poderia ser medido pelo status familiar. Esta se torna, portanto, uma variável sem interesse estatístico nas análises subsequentes. Não obstante, há uma outra dimensão interessante da estratificação social ainda presente no ensino superior. As instituições tendem a recrutar de forma seletiva. Algumas concentram seu recrutamento em grupos de maior status familiar, outras ficam com alunos de origem mais modesta. O primeiro resultado verdadeiramente novo da presente análise é a medida da variância explicada pela escola em oposição ao que é explicado pelo que já sabia o aluno ao entrar no ensino superior (medido pelo vestibular). Surpresa ou não, a diferença que pode ser atribuída às escolas só corresponde da ordem de 15% da variância. A maior parte do resultado é devida a os méritos próprios dos alunos. Não é possível subestimar a importância de tal resultado. Por muito boa ou por muito fraca que seja a faculdade cursada, os méritos individuais do aluno pesam seis vezes mais nos resultados do Provão. Isso, de certa maneira, mostra um peso atenuado da diferenciação entre escolas de ensino superior na determinação dos resultados finais no Provão. Os alunos que tiram boas notas, o fazem mais por serem bons alunos do que por serem alunos de boas escolas (não obstante o fato de que os bons alunos estão predominantemente nas boas escolas). O resultado anterior é o primeiro passo para calcular o valor adicionado pelas escolas. O ajuste do modelo nos mostra um resultado surpreendente e tranquilizador. Ao contrário do que se poderia temer, as escolas cuja pontuação é maior no vestibular são justamente aquelas que produzem os maiores valores adicionados. Quando hierarquizamos as escolas pela sua pontuação no Provão, temos uma ordem que é muito aproximada daquela obtida quando hierarquizamos pelo valor adicionado. Em outras palavras, ao louvarmos a excelência no Provão, como acaba sendo feito pela imprensa ao anunciar os seus resultados, grosso modo, não estamos cometendo injustiças sérias. À parte algumas notáveis exceções, estamos justamente premiando as escolas que oferecem o melhor ensino. Ou seja, não são escolas que mostram bons resultados simplesmente por receber alunos melhores do que os das outras. Mas, naturalmente, os resultados permitem identificar os desvios que são boas escolas com alunos fracos e escolas cujo único mérito é receber bons alunos. Mostrar esses casos fora das tendências principais de equivalência entre valor adicionado e pontuação absoluta é de grande importância para a política educativa, pois permite valorizar os enormes méritos de quem consegue oferecer melhor ensino, ao arrepio das tendências usuais a que o ensino seja melhor onde são também melhores os alunos. O texto do presente ensaio identifica os casos discrepantes, tanto em uma direção quanto em outra. Foi também indagado – estatisticamente – acerca do impacto de um aluno sobre o outro, o chamado efeito dos pares. Sabe-se que os bons colegas puxam para cima os resultados de todos. A introdução desta variável, novamente, em grandes linhas, não altera as ordenações dos valores adicionados. Permanecem mais ou menos na mesma ordem em que estão os escores brutos do Provão. Há, entretanto, algumas variações bastante radicais, de escolas excelentes perdendo pontos e outras nem tão boas, ganhando. Mas há que ter cuidado na interpretação do efeito dos pares, pois é perfeitamente legítimo dizer que um dos méritos das escolas boas é justamente atrair bons alunos, isso é parte do “pacote” que oferecem. Por tais razões, consideramos prematuro dar muita ênfase às ocasionais flutuações observadas no valor adicionado, ao introduzir o efeito dos pares. À guisa de conclusão, o presente ensaio mostra dois resultados de enorme importância mas que ainda não sabemos se seriam válidos fora da área circunscrita de Minas Gerais: (i) (ii) A excelência do ensino oferecido em cada curso individualmente é importante, todavia, ainda mais decisivo é o esforço e talento de cada um. As escolas que obtêm os melhores resultados no Provão são também aquelas que oferecem o melhor ensino, isto é, o maior valor adicionados aos seus alunos. Portanto, merecem ser festejadas aquelas que obtêm notas boas, pois são as mesmas que oferecem o melhor ensino. Apêndice: Os Dados Utilizados. A Construção do Banco de Dados Para estudar o desempenho dos estudantes no ENC controlando-se por suas condições sócioeconômicas e desempenho prévios foi necessário exigiu a agregar os arquivos de dados fornecidos pelo INEP e pela UFMG . Isto porque os dados sobre o desempenho são fornecidos pelos vestibulares da UFMG enquanto os dados de desempenho final estão nos arquivos do INEP. Tanto o vestibular quanto o INEP forneceram informações que ajudaram a caracterizar a condição socioeconômica dos alunos. O quadro abaixo apresenta a distribuição dos estudantes das IES mineiras que realizaram o ENC em cada curso considerado e o total de estudantes que realizaram o ENC no período analisado. Tabela 1 – Distribuição dos Estudantes que realizaram o ENC nos anos de 1996 a 1999 Alunos que fizeram o ENC 1996 - 1999 Curso Direito Administração Engenharia Civil Total em cada ano Fonte: Dados Básicos: INEP 1996 1997 1998 1999 2585 1900 718 5203 3182 2547 969 6698 2720 1704 374 4798 3995 3073 1060 8128 Total em cada curso 12482 9224 3121 A distribuição dos estudantes que realizaram o vestibular da UFMG nesse período pode ser visualizada na tabela abaixo. Tabela 2 – Distribuição dos Estudantes que realizaram o Vestibular nos anos de 1992 a 1996 Ano Nº de Alunos que fizeram o Vestibular 1992 1993 1994 1995 1996 Fonte: Dados Básicos: UFMG 32948 34566 40000 41925 41884 Para agregar estes arquivos, a primeira tarefa consistiu na identificação nas bases de dados fornecidas pela UFMG e pelo INEP dos estudantes que realizaram o ENC e pelo menos um vestibular na UFMG no período considerado. Esse procedimento foi dificultado pela falta de padronização na forma do registro das variáveis comuns dos arquivos do ENC e dos vestibulares. Assim, foi necessário desenvolver um programa que, com base nos caracteres do nome do aluno e na sua da data de nascimento, identificasse com segurança os alunos que fizeram o ENC entre 1996 e 1999 e realizaram pelo menos um vestibular na UFMG nos anos de 1992 a 1996. Através desse procedimento criou-se uma identificação única para cada aluno que foi inserida em todos os arquivo dos vestibulares e do ENC. Isto permitiu a junção dos arquivos da forma exigida pelo objetivo deste trabalho. Foram identificados 7144 estudantes das IES mineiras que fizeram o ENC nos anos de 1996 a 1999 e realizaram pelo menos um vestibular na UFMG nos anos de 1992 a 1996. Esses dados são apresentados na tabela abaixo que mostra, também, a distribuição dos estudantes em cada curso considerado. Tabela 3- Distribuição dos Estudantes que Realizaram o ENC em MG entre 1996-1999 Estudantes que realizaram o ENC nos anos de 1996 a 1999 e pelo menos um vestibular da UFMG 1996 1997 1998 1999 Total em cada curso Direto 544 993 734 1671 3942 Administração 376 683 132 1083 2274 Engenharia Civil 117 296 43 472 928 Total em cada ano 1037 1972 909 3226 7144 Fonte: Dados Básicos: INEP Curso A análise da distribuição dos estudantes que realizaram o ENC em cada ano juntamente com a do número de estudantes que prestaram o vestibular em cada ano, apresentadas na tabela 4, indica que alguns alunos fizeram mais de um vestibular na UFMG entre 1992 e 1996, o que exigiu um procedimento para a seleção de apenas um caso a ser analisado. A seleção dos alunos incluídos na análise está detalhada na seção abaixo. Tabela 4- Distribuição dos estudantes que realizaram o Vestibular e o ENC desagregados em cada ano considerado Total de Estudantes que Realizou o Vestibular e o ENC em cada ano Ano em que Prestou o Vestibular Ano da realização do ENC 1992 1993 1994 1995 809 385 64 10 1996 1063 1084 531 61 1996 280 429 507 192 1998 545 949 1788 1539 1999 Total de Estudantes que 2697 2847 2890 1802 Prestaram o Vestibular em Cada Ano Fonte: Dados Básicos: INEP e UFMG 1996 5 8 17 396 426 Seleção dos Alunos Incluídos na Análise Para a seleção dos alunos incluídos na análise observou-se, em primeiro lugar, que alguns estudantes apresentaram uma nota média no ENC igual a zero. Esses casos foram interpretados como ação de protesto e, como estas notas não possuem nenhuma informação útil para medir o valor agregado da instituição, optou-se por retirar os alunos correspondentes da base de dados. Além disso, como indicado acima, vários prestaram mais de um vestibular na UFMG no período. Isto tornou necessário estabelecer critérios para a escolha da informação que seria usada para estes estudantes neste trabalho. Assim, foram estabelecidos os seguintes critérios de seleção: 1- Primeiramente escolheu-se o caso no qual o estudante realizou o vestibular no mesmo ano do seu ingresso no curso de graduação. A nota do vestibular obtida nesse caso corresponde ao desempenho do aluno no ano que contou para seu ingresso no curso superior, sendo portanto a situação mais adequada para a análise. 2- Em seguida escolheu-se o caso no qual o estudante realizou o vestibular na UFMG no final do ano em que entrou para o curso superior. 3- Posteriormente, foi selecionado o caso em que o vestibular realizado pelo estudante foi no ano anterior ao seu ingresso no curso de graduação. 4- Dos alunos restantes foram selecionados aqueles que realizaram o vestibular no final do ano posterior à sua entrada no 3º grau. 5- Por fim, foram selecionado aqueles que prestaram o vestibular dois anos antes da sua entrada no vestibular. A distribuição dos alunos segundo o procedimento descrito para escolha do ano do vestibular dos alunos repetidos na base de vestibular da UFMG a ser inserido na análise pode ser observada na tabela abaixo: Tabela -5 Freqüência do N.º de estudantes de acordo com a época em que prestou o vestibular Época em que Prestou o Vestibular N.º de estudantes (% do total) 5233 (85,2%) 167 (2,7%) 545 (8,9%) 46 (0,7%) 151 (2,5%) 6142 (100%) No mesmo ano do seu ingresso no 3º Grau No final do1º ano em que ingressou no 3º Grau No ano anterior ao ingresso no 3º Grau No final do 2º ano do ingresso no 3º Grau Dois anos antes do ingresso no 3º Grau Total Fonte: Dados Básico: INEP e UFMG Seleção das IES Incluídas na Análise Além da escolha dos estudantes indicada acima, foram selecionadas as IES que tinham na base final dos alunos pelo menos 15 estudantes. Isto visa garantir um número mínimo de estudantes em cada IES compatível com a complexidade dos modelos estatísticos a serem usados. A relação das IES selecionadas em cada curso e o número correspondente dos seus alunos inseridos na análise está exposta nas tabelas 6, 7 e 8: Tabela 6- Relação das IES do Curso de Direito Nome da IES Sigla Total de alunos incluídos Universidade Federal de Viçosa UFV 33 UFU UNIFENAS FDCL FDSL FADITO FDV UNIUBE FUMEC FDSM FADOM FADIVALE UNIPAC PUC UNIMONTES UNIVALE UFMG FDMC UI 61 49 77 453 41 41 71 174 23 156 80 56 590 98 34 582 711 218 Universidade Federal de Uberlândia Universidade de Alfenas Faculdade de Direito de Conselheiro Lafaiete Faculdade de Direito de Sete Lagoas Faculdade de Direito de Teófilo Otoni Faculdade de Direito de Varginha Universidade de Uberaba Faculdade de Ciências Humanas – FUMEC Faculdade de Direito do Sul de Minas Faculdade de Direito do Oeste de Minas Faculdade de Direito do Vale do Rio Doce Universidade Presidente Antônio Carlos Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Universidade Estadual de Montes Claros Universidade Vale do Rio Doce Universidade Federal de Minas Gerais Faculdade de Direito Milton Campos Universidade de Itaúna Tabela 7- Relação das IES do Curso de Engenharia Nome da IES Sigla Universidade Federal de Ouro Preto UFOP Nº de Estudantes inseridos na análise 36 Universidade Federal de Viçosa UFV 15 FUMEC PUC-MG EEK UNIVALE UFMG 145 78 114 21 284 Faculdade de Engenharia e Arquitetura – FUMEC Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Escola de Engenharia Kennedy Universidade Vale do Rio Doce Universidade Federal de Minas Gerais Tabela 8- Relação das IES Curso de Administração Nome da IES Sigla Nº de Estudantes Incluídos Universidade Federal de Viçosa UFV 47 FCGJM FUNREI FUMEC IH PUC UNICENTRO UNA FAC UNIMONTES FUSO FACCI UFMG UFL FAGV FCHPL ICMG EGMG 29 50 278 54 364 371 313 34 22 16 16 166 18 26 20 29 52 Faculdade de Ciências Gerenciais de João Monlevade Fundação de Ensino Superior de São João Del Rei Fac. de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis Faculdades Metodistas do Instituto Izabela Hendrix Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Centro Universitário Newton Paiva Faculdade de Ciências Gerenciais UNA Faculdade de Administração Champagnat Universidade Estadual de Montes Claros Faculdades Unificadas da Serra dos Órgãos Faculdade de Ciências Administrativas e Contábeis de Itabira Universidade Federal de Minas Gerais Universidade Federal de Lavas Faculdade de Administração de Governador Valadares Faculdade de Ciências Humanas de Pedro Leopoldo Instituto Católico de Minas Gerais Escola de Governo de Minas Gerais O banco de dados resultante ao final de todos estes processo de seleção contém 6.142 casos. A distribuição dos estudantes revela que o ano de 1999 concentra um maior número de casos enquanto 1998, que foi o ano em que uma liminar da Justiça suspendeu o Exame em Belo Horizonte, houve um menor contingente de estudantes. Já a configuração dos estudantes de acordo com o curso de graduação mostra que o número de alunos do curso de Direito prevaleceu sobre o número de alunos dos demais cursos. Os dados referentes ao número de alunos que realizaram o ENC segundo o ano e o curso concluído pode ser observado na tabela 9. Tabela 9- Total de estudantes segundo o curso de graduação e o ano do ENC Curso de Graduação Ano em que Realizou o ENC Direito Administração Engenharia Civil Total em cada ano 1996 1997 1998 1999 Total por Curso 468 893 665 1520 3546 312 560 90 943 1905 85 188 22 396 691 1641 777 2859 6142 865 Fonte: Dados Básicos: INEP e UFMG Representatividade dos Estudantes Inseridos na Análise Antes de proceder ao cálculo do valor agregado comparamos o desempenho dos estudantes de cada IES incluídos na análise com aqueles da mesma Instituição que fizeram o ENC no período mas não foram incluídos. Naturalmente, a razão da exclusão destes estudantes é simplesmente o fato de não terem feito os vestibulares da UFMG entre 1992 e 1996. O objetivo desta etapa é verificar se o desempenho dos dois grupos de estudantes é similar e assim dar uma evidência de que os estudantes inseridos na análise podem ser considerados representativos dos alunos das suas IES. Os gráficos 1 a 44 do ANEXO 2 mostram uma grande semelhança entre os alunos incluídos e os alunos excluídos da analise quanto ao seu desempenho no ENC. Em todos os cursos das IES consideradas, os valores medianos assim como a variação em torno deles do desempenho dos seus estudantes incluídos são semelhantes aos valores e variações do desempenho dos seus alunos excluídos, mostrando que a representatividade dos alunos incluídos na análise não pode ser rejeitada. Referências Bibliográficas BRYK, A. S. and RAUDENBUSH, S. W. 1992: Hierarchical Linear Models. Newbury Park: Sage. CLARK, R. M. 1983: Family Life and Scool Achievemen – Why poor blach children succeed or fail Capítulos 1, 2, 5, 8, e 9. Chicago: The University of Chicago Press. GOLDSTEIN, H. and SPIEGELHALTER, D. J. 1996: League Tables and Their Limitations: Statistical Issues in Comparissons of Institutional Performace. J. R. Statistic. Soc. A, 159, Part 3, 385-443. 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