EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO
A cidade que mais cresce no estado comemora
suas conquistas e prepara-se para novos desafios
É BOM VOLTAR PARA CASA
E TER NOVIDADES PARA CONTAR.
Itajaí foi o porto de partida para o
desenvolvimento e conquista de grandes desafios
da ARXO. Aqui ela nasceu e ampliou seus
horizontes. Agora, consolidada, líder de seu setor
e com sede em Balneário Piçarras, a ARXO volta a
Itajaí, sua terra natal, com um grande e audacioso
desafio, implantar sua nova unidade industrial para
atender o mercado Offshore.
Afinal, nada melhor do que começar uma nova
fase estando entre bons e velhos amigos.
Arxo. Líder na fabricação
de tanques de combustíveis
na América Latina.
www.arxo.com
ANOS
1967 – fundação da Ind. e Reparos Soldas Pereira.
1975 – passa a atender o mercado petrolífero e portuário.
1987 – inicia a fabricação de tanques para
o mercado de combustíveis e postos.
1997 – consolida posição de melhor fornecedor
na região sul do Brasil.
2001 – passa a denominar-se Sideraço.
2003 – conquista a ISO 9001 - Certificação Internacional de Produto.
2005 – inaugura sua filial em Recife-PE.
2006 – inaugura a filial em Balneário Piçarras-SC.
2008 – transfere sua matriz para Balneário Piçarras-SC.
2009 – passa a denominar-se ARXO para ampliar seu mercado.
2012 – implanta, em Itajaí, uma unidade para atender o mercado Offshore.
4
Editorial
´e
ITAJAI´
Uma publicação do Grupo RIC
PRESIDENTE
Mário J. Gonzaga Petrelli
Grupo RIC/SC
Vice-presidente-Executivo
Marcello Corrêa Petrelli
Diretor Comercial
Reynaldo Ramos
Diretor Administrativo e Financeiro
Albertino Zamarco Jr.
Diretor Operacional
Paulo Hoeller
Diretor Regional Itajaí
Alexandre Rocha
Diretor de Redação Notícias do Dia
Luís Meneghim
Revista ITAJAÍ É
Coordenador-geral, edição de arte,
diagramação e foto de capa
Victor Emmanuel Carlson
Gerente Comercial
Robson Cordeiro
Editor-executivo
Diógenes Fischer
REPORTAGEM
Adão Pinheiro, Giselle Zambiazzi,
Luciana Zonta e Victor Emmanuel Carlson
Fotografia
Marcello Sokal e Victor Emmanuel Carlson
distribuição
Simone Cristina de Souza e Cláudia Catani
REVISÃO
Giovanni Secco
IMPRESSÃO
Gráfica Posigraf
www.ndonline.com.br/revistaItajaiE
Rua Antônio Menezes Vasconcelos
Drumond, 29 – Fazenda
CEP 88302-270 – Itajaí/SC
Fone (47) 3247-4700
Um exemplo
para Santa Catarina
Os catarinenses orgulham-se de Itajaí. Qualquer
visitante percebe, ao percorrer as ruas do Centro e da
renovada Beira-Rio, uma cidade florida, urbanizada,
organizada e limpa. Passeando pelos bairros, reconhecemos os efeitos de uma cidade que cresce com
o comércio pujante e com melhor qualidade de vida
da população. Na Praia Brava, visualizamos o início de
empreendimentos de alto padrão.
A revista Itajaí É conversou com moradores, empresários, funcionários públicos e demais trabalhadores, e percebeu uma singular autoestima, que contagia
qualquer visitante. É evidente a alegria da população,
a satisfação e o entusiasmo de seus líderes públicos e
comunitários, que trabalham unidos para melhorar
cada vez mais a cidade.
É com esse espírito que o Grupo RIC, por meio do
Jornal Notícias do Dia, presenteia seus moradores com
a revista Itajaí É, para comemorar os 152 anos de fundação do município. Nosso presente almeja registrar esse
momento ímpar por que passa Itajaí e também possibilitar ao leitor conhecer e entender melhor sua cidade.
Procuramos espelhar em Itajaí É todo esse sentimento de orgulho que emana de seus moradores. Por
isso, resgatamos aspectos históricos, analisamos a
conjuntura econômica e visualizamos o futuro da cidade, entre tantos outros assuntos que trazemos para
o leitor com esta publicação.
Nesta primeira edição de Itajaí É, mostramos um município que é exemplo para Santa Catarina. Que soube dar
a volta por cima depois de enfrentar uma grande enchente, em 2008. Que, em menos de dez anos, transformou
uma cidade portuária em um espelho para os catarinenses. Temos orgulho de participar desta comemoração.
Feliz Aniversário, Itajaí!
Marcello Corrêa Petrelli
Vice-Presidente-Executivo
Grupo RIC
“Quem visita Itajaí
e conversa com
seus moradores
percebe uma singular
autoestima, que
contagia os visitantes”
Programa de
sustentabilidade
Foram plantadas
500 árvores para a
produção desta revista
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Índice
Itajaí 152 anos
Horizontes
De freguesia a cidade.......................................................8
Muito além da regata....................34
Divulgação
Acervo Fundação Genésio Miranda Lins / Centro de Documentação e Memória Histórica
História: panorama da cidade em litogravura do Dr. Henry Lange, datada de1882
Impulso náutico.............................36
Investimento: projeto da nova marina na Beira-Rio
Panorâmica
Formação para todos.....................40
Desenvolvimento com diversidade................................12
Almanaque
Oportunidades à beira-mar............................................18
Victor Carlson
A avenida gourmet.........................44
Um bairro que fez história............48
A voz da cidade.............................50
Victor Carlson
Jornalismo: Graciliano é líder de audiência na RICTV
Memória dos gramados.................54
Economia: Praia Brava desponta na expansão imobiliária com novos conceitos
Arte e devoção...............................60
Avançando de vento em popa.......................................26
Arigatô, Itajaí!................................64
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Itajaí 152 anos
Acervo Museu Histórico de Itajaí/Centro de Documentação e Memória Histórica de Itajaí
Reprodução do quadro original de Hugo Calgan, que retratou Itajaí vista do povoado de Santo Amaro (atual Navegantes) em 1884
De freguesia a cidade
A REGIÃO ONDE HOJE FICA O MUNICÍPIO DE ITAJAÍ Já FOI OCUPADA POR UM
BANDEIRANTE, UM DIPLOMATA E UM CORONEL, ATÉ TORNAR-SE EMANCIPADA
Texto Giselle Zambiazzi
O
aniversário de Itajaí é comemorado no dia 15 de junho, data da
instalação oficial do município,
que ocorreu em 1860, mas sua
história começou muito antes.
O primeiro homem branco a pisar em território itajaiense foi o bandeirante paulista João
Dias D’Arzão, em 1658. Depois de passar por
São Francisco do Sul, ele chegou por aqui sem a
intenção de colonizar. Seu interesse resumia-se
à caça de índios e à extração de ouro. D’Arzão
instalou-se do outro lado do Rio Itajaí-Açu, onde
hoje é Navegantes, para explorar as redondezas,
mas a empreitada não se mostrou lucrativa e
logo ele abandonou as terras.
Passaram-se mais de 160 anos até que alguém voltasse a olhar para a região da foz do Rio
Itajaí-Açu. Os poucos moradores que restaram
dos tempos do bandeirante – não mais que 40
pessoas – viviam em um quase completo isolamento. Plantavam, pescavam e fiavam o próprio
algodão para sobreviver.
I T A J A Í
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De freguesia a cidadeItajaí 152 anos
O marco zero da
fundação de Itajaí, na
Praça Vidal Ramos
Antônio Meneses de Vasconcelos
Drumond recebeu do Rei de Portugal
Dom João VI duas sesmarias na região de Itaipava, às margens do ItajaíMirim, com a missão de colonizar o
local. No entanto, segundo o historiador Ivan Serpa, tudo não passava de
uma estratégia política. “Drumond
era amigo pessoal do rei, intelectual
e integrante da maçonaria, mas fazia
parte de um movimento no Rio de Janeiro pela independência do Brasil.
Seu envio para Itajaí era uma forma
de desarticular o grupo”, observa.
De qualquer forma, assim que
chegou aqui, Drumond tratou de arregaçar as mangas. Junto com os colonos que trouxe consigo, construiu
um engenho e um pequeno estaleiro, e deu início às plantações. É dessa época o primeiro barco a navegar
pela foz do Itajaí-Açu, a sumaca São
Domingos, que passou a carregar cereais e madeira até o Rio de Janeiro.
Cerca de um ano e meio depois, em
1821, Portugal passou por uma intensa crise política. A Revolução do Porto
obrigou que o rei voltasse imediatamente para a Europa, ou perderia o
trono. Diante disso, Drumond – assim
como todos os membros da Corte portuguesa no Brasil – foi forçado a sair
do país às pressas. Pouco se sabe sobre o que aconteceu com os moradores da colônia, mas há relatos de que
Drumond teria fugido sem ao menos
pagar os trabalhadores. Segundo Serpa, não há nenhum registro documental sobre o assunto. “O que se sabe foi
coletado por meio de uma pesquisa de
história oral, cujos fragmentos da memória local sugerem ser possível que
muitas das famílias do Bairro Itaipava
sejam descendentes dos colonos ainda daqueles anos”, afirma.
A única certeza de que se tem é que
as condições da colônia instalada por
Drumond eram precárias. “Ele não
I T A J A Í
É
Victor Carlson
Até que em 1820 o diplomata
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10
Itajaí 152 anos4De freguesia a cidade
Acervo Museu Histórico de Itajaí/Centro de Documentação e Memória Histórica de Itajaí
Da esquerda para a direita: o diplomata Antônio Meneses Drumond, o coronel Agostinho Ramos e o bandeirante João Dias D’Arzão
Com o crescimento urbano,
pessoas de regiões vizinhas que estavam descontentes com as vilas onde
moravam começaram a procurar as
margens do Rio Itajaí-Açu para recomeçar suas vidas. Poucas décadas depois,
entre 1850 e 1860, quando as colônias
de Blumenau e Brusque foram organizadas, a Freguesia de Itajaí passou a
Victor Carlson
era um colonizador. Era um diplomata. O núcleo de moradores não tinha
nenhum tipo de incentivo, nenhum
apoio, nenhuma infraestrutura. Não
havia estradas ou comunicação. Eles
não contaram que chegariam aqui e
teriam que enfrentar os índios, por
exemplo”, conta o historiador.
Porém, a experiência desastrosa
serviu como base para a criação de
outros modelos bem-sucedidos. Em
1823, finalmente a história de Itajaí
começava a caminhar para o progresso. Foi quando o coronel e comerciante português Agostinho Alves Ramos
chegou de Desterro (hoje Florianópolis) para organizar a colonização
da cidade. Foi ele quem coordenou
a construção da primeira capela, no
mesmo lugar onde está a igreja da
Praça Vidal Ramos, no Centro. A própria praça – hoje considerada o marco
zero da cidade – também foi obra do
coronel Ramos. Bem perto dali construiu sua casa e seu comércio, onde
negociava com os exploradores e com
os imigrantes, que começavam a chegar para povoar o Vale do Itajaí.
Ivan Serpa: condições precárias dificultaram
as primeiras tentativas de colonizar a região
I T A J A Í
É
ser o ponto de chegada dos imigrantes
europeus. Naquela época a atividade
portuária já era bastante intensa, e toda
mercadoria que entrava e saía do Vale
passava pelas casas comerciais e pelas
docas instaladas na cidade. Desde então, o intercâmbio comercial e cultural
trazido pelo porto tornou-se parte fundamental da formação da população
local, hoje composta de diversas etnias,
como a portuguesa, a açoriana, a alemã,
a italiana, a polonesa, a africana e até a
sírio-libanesa.
Em 1859, seis anos após a morte de
Agostinho Alves Ramos, a cidade obteve sua emancipação política, depois de
enfrentar uma forte oposição da Câmara
Municipal de Porto Belo, a quem a Freguesia de Itajaí estava subordinada. A
resolução foi assinada no dia 4 de abril
de 1859, mas o Município de Itajaí só foi
realmente instalado em 15 de junho de
1860, com a posse dos primeiros vereadores: Joaquim Pereira Liberato, José
Henrique Flores, Claudino José Francisco Pacheco, José da Silva Mafra, Francisco Antônio de Souza, Jacinto Zuzarte de
Freitas e Manoel José Pereira Máximo.l
12
Panorâmica
I T A J A Í
É
Victor Carlson
Desenvolvimento
com diversidade
Desenvolvimento com diversidadePanorâmica
13
COm excelentes resultados em diferentes segmentos econômicos, a itajaí
do século XXI apresenta um crescimento acima da média das cidades brasileiras
e consolida-se como um dos mais importantes polos regionais do estado
Texto Giselle Zambiazzi
I
pescado por ano. Mais recentemente, foi a
vez do porto, que se especializou na movimentação de cargas, tornando-se o maior
terminal de exportação de congelados e
frigorificados no Brasil.
DURANTE Todos esSes momentos
econômicos a renda da população local foi sendo reforçada, impulsionando o
comércio em diversos bairros, e não apenas no Centro. José Dada lembra ainda
de um fenômeno que ocorreu entre os
anos 1970 e 1980, quando o governo incentivou a construção de casas populares
no entorno da cidade. “O deslocamento da
população para as novas áreas foi mais um
motivo para desenvolver o comércio nos
bairros”, explica. Para o presidente da CDL,
Victor Carlson
tajaí possui uma economia variada,
que combina a tradicional atividade pesqueira com empresas de
vanguarda, e desponta hoje como
um dos municípios que mais crescem no país. De acordo com a Secretaria
Municipal de Desenvolvimento Econômico, só em 2011 foram abertas mais de
duas mil empresas na cidade, totalizando
mais de 15 mil em atividade no momento.
Mas essa expansão não se resumiu apenas
ao ano passado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
entre 2006 e 2008 o número de empresas
em Itajaí cresceu 15%, enquanto a média
nacional foi de 9%. Foi assim que a cidade
conseguiu ter a maior renda per capita de
Santa Catarina e o segundo PIB do Estado,
equivalente a 70% do PIB dos 12 municípios que compõem o Litoral Norte Catarinense.
Apesar de ter se tornado mais evidente nos últimos anos, o atual status de Itajaí
como polo regional foi construído ao longo de décadas. “Temos aqui uma dinâmica bastante própria, diferente do resto do
Estado”, afirma o presidente da Câmara de
Dirigentes Lojistas (CDL), José Dada. Ele
explica que a economia local já viveu diferentes fases. O primeiro ciclo importante
foi o da exploração da madeira, que durou
até os anos 1970 e concentrava-se no Bairro São João e no Centro.
Nos anos seguintes, a pesca se desenvolveu e a cidade tornou-se o maior polo
pesqueiro brasileiro. Possui, atualmente, a
maior frota industrial do país e as maiores
empresas nacionais do setor, responsáveis
por uma produção de 220 mil toneladas de
Dada: Diferente de outras cidades no estado, o
comércio em Itajaí é forte no Centro e nos bairros
I T A J A Í
É
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Panorâmica4Desenvolvimento com diversidade
Divulgação
A estrutura do Polo de Saúde deve atrair laboratórios e indústrias farmacêuticas para a cidade
esse quadro permitiu que os pequenos
empresários se fortalecessem.
Itajaí é hoje referência nacional
em infraestrutura para a instalação de
empresas, apostando em novas ideias
e indústrias de vanguarda. No último mês de maio, uma parceria entre
a prefeitura, o governo do Estado e a
Associação Comercial e Industrial
lançou oficialmente o Distrito de Inovação de Itajaí, o primeiro dos 12 que
serão instalados em Santa Catarina.
Os melhores parques tecnológicos do
mundo foram pesquisados para a concepção da área de 2,3 milhões de m2,
localizada na Rodovia Antônio Heil, a
8 km do Centro.
A META agora é desenvolver
esta nova vocação da cidade. “Em uma
década, a chamada Nova Itajaí será
maior do que o município que conheI T A J A Í
É
cemos hoje”, acredita Jair Bondicz, vicepresidente da Associação Comercial
e Industrial de Itajaí (ACII) e gerente
da BRF-Brasil Foods, quarta maior exportadora brasileira. “Realmente, será
o maior celeiro de aplicação comercial, industrial e residencial de todos
os tempos na região e vai atrair muitos
investimentos para a cidade”, concorda Onézio Gonçalves Filho, Secretário
Municipal de Desenvolvimento Econômico. As cinco grandes empresas que já
fecharam contrato de instalação deverão investir, cada uma, cerca de R$ 500
milhões e gerar um total de cinco mil
novos postos de trabalho.
O presidente da Associação Intersindical Patronal de Itajaí e vice-presidente regional da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Maurício
Cesar Pereira, ressalta que a cidade está
entre as 20 melhores do país tanto para
investir quanto para morar. Em 2010 a
Federação das Indústrias do Rio de Janeiro apontou Itajaí como o segundo
melhor município catarinense para se
viver. “Temos o melhor Índice de Desenvolvimento Humano do Estado e
continuaremos sendo destaque não só
aqui, mas em todo o país”, ressalta Pereira. Tanto que as principais decisões
regionais e até mesmo estaduais são
tomadas aqui. Itajaí é sede de uma das
Secretarias de Desenvolvimento Regional do Estado e também da Associação
dos Municípios da Foz do Rio Itajaí
(Amfri), que congrega dez cidades do
Litoral.
A cidade conta ainda com uma unidade da Petrobras, a UO-Sul, focada na
produção de gás e petróleo. A base deverá ser responsável por R$ 2 bilhões
em investimentos no Estado até 2015.
Exploradora dos campos de Bauna e Piracicaba, localizados a 210 km da costa
catarinense, no sul da Bacia de Santos,
a UO-Sul é capaz de produzir entre 70 e
80 mil barris por dia, o que vem atraindo
grandes empresas para a cidade. “Den-
Desenvolvimento com diversidadePanorâmica
15
Divulgação
Projeto do novo Mercado do Peixe, que terá 32 boxes para a venda de frutos do mar, 16 salas para outros comércios e praça de alimentação
tro do conceito de ‘bola da vez’ que vive
o Brasil hoje, Itajaí está em uma situação privilegiada”, analisa Jair Bondicz.
Seja pelo ar, por terra ou
pelo mar, em Itajaí todos os caminhos
levam ao desenvolvimento. Para fazer a
conexão entre esses diferentes modais,
a cidade conta desde 1996 com o maior
porto seco do país: a Multilog. Equipa-
I T A J A Í
É
multinacional Fitout Shopping e o Grupo Sibara, que atua em diversos segmentos, para construir em Itajaí um dos
maiores shoppings de Santa Catarina. O
local escolhido para a obra é o entroncamento entre a BR-101 e a Avenida
Contorno Sul. Com 150 mil m2 de área
construída, o empreendimento terá um
hipermercado, hotel com 198 apartamentos, 240 lojas, nove salas de cinema
Marcello Sokal
Marcello Sokal
Pereira: Itajaí está entre as 20 melhores
cidades do Brasil para investir e morar
dos com uma moderna tecnologia de
identificação de cargas, os armazéns da
empresa recebem cerca de 4 mil contêineres por mês, atendendo as importadoras com vários tipos de serviços,
como etiquetagem, selagem, descarga
dos contêineres e armazenamento especializado das mercadorias até o desembaraço aduaneiro.
Tal estrutura permitiu que a Multilog instalasse um setor exclusivo para
armazenar produtos farmacêuticos,
com câmaras frias e áreas especiais
para guardar equipamentos médicohospitalares. “A iniciativa visa atrair
cada vez mais laboratórios e indústrias farmacêuticas para Itajaí, a fim de
tornar a cidade um ponto estratégico
de distribuição de remédios e equipamentos”, diz Eclésio da Silva, diretor de
relações com o mercado da Multilog.
Ainda em processo de consolidação,
o Polo de Saúde já recebe e despacha
pelo menos R$ 2 bilhões por ano desse
tipo de mercadoria, atendendo a todo o
Sul e Sudeste.
O comércio é outro setor que atrai
investimentos. O mais recente deles é
uma parceria entre a administradora
Gonçalves: Distrito de Inovação vai trazer
novas empresas de tecnologia para a região
16
Panorâmica4Desenvolvimento com diversidade
Marcello Sokal
Com capacidade para transatlânticos de até 230 metros, o píer turístico é o único terminal no Brasil exclusivo para navios de passageiros
E se isso não bastasse, o turismo é
outro setor que movimenta a economia
itajaiense. A cidade conta com o único
terminal exclusivo para navios de pasDivulgação
e praça de alimentação. O valor a ser
investido na obra chega a R$ 325 milhões, e a previsão é a de que tudo fique
pronto até o segundo semestre de 2014.
O projeto, que ainda não começou a ser
construído, deverá gerar uma média de
quatro mil empregos na região.
Além do shopping, a cidade
deve ganhar em breve outro centro
comercial de grande importância para
a economia local: o novo Mercado do
Peixe. Com mais de 2,5 mil m2, a estrutura terá um design moderno, praça de
alimentação e 32 boxes para a venda
dos frutos do mar, além de 16 salas para
outros tipos de comércio. O mercado
será construído no terreno da antiga
empresa de pesca Sul Atlântico, na Beira-Rio, ao lado do Centreventos. A área
foi cedida pelo Porto de Itajaí, proprietário do terreno.
Silva: Porto seco da Multilog é o maior do país
e recebe cerca de 4 mil contêineres por mês
I T A J A Í
É
sageiros do Brasil. O Píer Turístico Guilherme Asseburg recebe transatlânticos
com até 230 metros e possui estrutura
alfandegária da Receita Federal e da
Polícia Federal. Na temporada de verão
2011-2012 a cidade recebeu 25 transatlânticos, com cerca de 40 mil visitantes. Outros atrativos turísticos são o
litoral, composto das praias do Atalaia,
do Jeremias, de Cabeçudas, Brava e dos
Amores, e o Parque da Atalaia, com 19
hectares de Mata Atlântica e um belverede com vista exuberante em 360º.
Hoje, observa-se em Itajaí uma
comunidade engajada no novo cenário da cidade, um forte sentimento de
autoestima e de orgulho por ela. São
empresários, homens públicos, líderes
comunitários que, unidos com a população em geral, ajudaram a transformar um polo de pesca em um centro
de vanguarda no cenário brasileiro.l
18
Panorâmica
Victor Carlson
Perto do Centro, mas afastada do movimento da cidade, a Praia Brava atrai novos empreendimentos residenciais e comerciais para Itajaí
Oportunidades
à beira-mar
A ALTA PROCURA POR IMÓVEIS NA PRAIA BRAVA, ALIADA ÀS
CONDIÇÕES FAVORÁVEIS DA ECONOMIA, ALAVANCOU A EXPANSÃO
DO MERCADO IMOBILIÁRIO EM TODA A CIDADE
Texto Luciana Zonta
I T A J A Í
É
Oportunidades à beira-marPanorâmica
Marcello Sokal
Hoje, o bairro cresce a olhos
vistos, impulsionado por condomínios de luxo edificados pelas principais construtoras da região. São
prédios residenciais e comerciais
de alto padrão, destinados a um público disposto a investir em um dos
endereços mais cobiçados de todo
o litoral catarinense. “O fato de ter
a natureza preservada, num local
privilegiado, e de estar inserida em
uma das regiões que mais crescem
em Santa Catarina, acaba contribuindo para a valorização dos imó-
Divulgação
A
Praia Brava não é
famosa apenas pela
boa formação de ondas para a prática
de surfe. Essa região
nobre, de frente para o mar, uma
das praias mais badaladas de Santa
Catarina, é hoje o “filé mignon” do
mercado imobiliário de Itajaí. Com
a garantia da exclusividade dos espaços, o local atrai aqueles que desejam morar perto do Centro, mas
longe da agitação que caracteriza
a cidade portuária. O resultado é
uma supervalorização dos imóveis,
que acabou replicando gradativamente para outros bairros nobres
de Itajaí e região.
Há pouco mais de uma década,
apenas nativos e surfistas frequentavam a praia. Mas com o passar
dos anos, os espaços cada vez mais
escassos de frente para o mar em
Balneário Camboriú fizeram muita
gente migrar para as praias agrestes
da região, como a Brava. Junto com
os moradores, os primeiros bares
instalaram-se, e não demorou para
surgirem algumas charmosas pousadas à espera de turistas nos fins
de semana. Recentemente, toda a
avenida beira-mar da Brava foi urbanizada e ganhou iluminação pública nova.
19
Evandro Dal Molin, do Grupo Riviera
Sérgio Branco, gestor de negócios da Procave
veis. As pessoas desejam estar aqui”,
explica Evandro Dal Molin, presidente do Grupo Riviera.
Na Praia Brava, a construtora
assina o projeto do Riviera Concept, complexo multiuso que reúne
edifícios residenciais, comerciais
e um hotel com bandeira Quality,
inédito no Estado. Com Valor Geral de Vendas (VGV) previsto de
R$ 180 milhões, o projeto será desenvolvido ao lado do sofisticado
condomínio horizontal Porto Riviera e o Riviera Business, lançado em 2010 e ainda em obras, mas
com quase 100% de suas unidades
comercializadas.
O Grupo Riviera também é um
dos investidores do Brava Beach
Internacional, condomínio de alto
padrão, que reúne 16 edifícios residenciais com hotelaria e open
shopping, de frente para o mar. O
projeto – assinado também pelas
construtoras FG, Ciaplan e JA Russi
– resultou em um segundo empreendimento, lançado pelo mesmo
pool de investidores: o Mirage Re-
sidence, com somente 70 unidades
residenciais e localizado próximo
ao Morro do Careca.
Outro empreendimento que
marca esta nova fase da Praia Brava é o Brava Home Resort, projeto
que leva a assinatura da Procave.
Da área física total de 75 mil m2 disponível para a construção de sete
torres duplas, apenas 12% serão
ocupados. Os 88% restantes serão
mantidos como área de preservação permanente. Para o gestor de
negócios da Procave em Itajaí e
Praia Brava, Sérgio Branco, trata-se
de uma nova filosofia de moradia.
“A ideia é despertar o prazer de estar em casa e ouvir pássaros, por
exemplo, sensações que remetem a
uma infância saudável e à qualidade de vida”, diz. A primeira fase do
empreendimento, com quatro torres, será concluída ainda em 2012.
A entrega total do condomínio está
prevista para 2015.
O Grupo Thá, com 116 anos
no mercado paranaense da construção civil, também enxergou
I T A J A Í
É
22
Panorâmica4Oportunidades à beira-mar
Mas nem só da Praia Brava
vive o mercado imobiliário de Itajaí. De acordo com o diretor-presidente da rede Max Imobiliária,
Alceu Rauber, uma das empresas
mais experientes em negociações
de imóveis na cidade, o crescimen-
Victor Carlson
o potencial da Praia Brava, onde
está construindo o Aloha Home
Resort, com área de 22.394,68 m 2
construídos e 160 apartamentos
em duas torres. Com uma área de
lazer com espaço fitness, brinquedoteca, piscinas cobertas e espaço
teen, o empreendimento traz como
diferencial o olhar voltado para a
sustentabilidade, com a captação
da água da chuva para a irrigação
de jardins e uso na limpeza geral.
A água captada vai até um reservatório, onde é pressurizada para torneiras externas, e uma trava especial nas torneiras impede que ela
seja consumida por crianças.
Rauber, da Max Imobiliária: crescimento
econômico da cidade impulsiona negócios
to da construção civil em todo o
Brasil e a oferta de crédito no mercado ajudou a expandir a procura
por imóveis em praticamente todos
os bairros, com destaque para o
Centro e a Fazenda. “Em Itajaí, ainda recebemos o impulso do crescimento econômico, motivado pela
atividade portuária, e o crescimento populacional acima da média do
Brasil”, acrescenta.
Rauber explica que todos os
imóveis da cidade tiveram algum
grau de valorização nos últimos
anos, com destaque para os terrenos nas regiões mais nobres, que
chegaram a ter seu valor multiplicado por dez. De uma forma geral,
segundo ele, o preço dos imóveis
subiu de 200% a 300% na última
década. “Mas, ao contrário dos
grandes centros do país, em Itajaí
os preços subiram de forma consistente, sem variações absurdas
ou fora da realidade. E se a cidade
continuar a crescer e não houver
escassez de crédito, os preços devem subir ainda mais”, observa.
Quem também percebeu o potencial de Itajaí foi a DMJ EmpreVictor Carlson
Um pool de quatro construtoras é responsável pelo Brava Beach Internacional, com 16 edifícios residenciais, hotelaria e open shopping
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Panorâmica4Oportunidades à beira-mar
Victor Carlson
Priorizando o contato com a natureza, a Procave lança o Brava Home Resort, com sete torres duplas e 88% de sua área total preservada
Com sede em Itajaí, a MENDES
Sibara é outra empresa que investe
em regiões nobres da cidade para
agregar valor aos seus produtos.
Victor Carlson
endimentos Imobiliários, criada
há 17 anos em Bombinhas. Em
2004, a empresa expandiu seus
negócios para Balneário Camboriú. Com o sugimento de novos
empreendimentos na Praia Brava, a DMJ investiu no Residencial
Porto Madeiro, com entrega prevista para julho de 2013. “A partir daí, observamos que o Centro
da cidade também tinha potencial para imóveis de alto padrão”,
afirma o diretor comercial Milton
Dias. “Compramos um terreno
em uma localização privilegiada,
em frente à futura marina. Antes, as pessoas com maior poder
aquisitivo costumavam comprar
seus imóveis apenas em Balneário Camboriú. Mas agora isso está
mudando”, avalia. Para Dias, a
instalação da marina e a presença
do Centreventos estão valorizando a região da Beira-Rio.
Dias, da DMJ: apostando no potencial do
Centro de Itajaí para imóveis de alto padrão
I T A J A Í
É
Nos últimos anos, a construtora entregou o Oceanic Park Residence, o
Chateau de Versailles Residence e o
Residencial Costa Esmeralda. Outros dois condomínios, Ópera Club
Residence e Jardim das Águas, estão
em construção. Ao todo, são onze
torres e 84 mil m2 de edificações.
Segundo o presidente da Mendes Sibara, Luís Mendes, o foco é a
classe média que busca qualidade
de vida, inovação e boa localização
dos imóveis. “Além disso, buscamos
agregar valor aos projetos com opções de áreas de lazer.” A empresa
tem hoje 185 mil m2 de área própria
e mais quatro terrenos permutados
com projetos em desenvolvimento, o que totaliza mais de 350 mil
m2 de construção. “Sempre acreditamos em Itajaí e nos sentimos fazendo parte da história recente do
desenvolvimento da cidade”, diz
Mendes.l
Porto, praias e belezas.
Maior que o orgulho de
estar em uma cidade com
tudo isso, só a alegria de
parabenizá-la.
É com grande prazer que
a Thá parabeniza Itajaí
por seus 152 anos.
É um privilégio estar
presente no dia a dia das
pessoas que fazem desta
cidade um lugar especial.
V I VA , É U M T H Á .
26
Panorâmica
Marcello Sokal
Avançando
de vento
em popa
I T A J A Í
É
Avançando de vento em popaPanorâmica
27
Marcello Sokal
Em 2011, os terminais de Itajaí e Navegantes foram responsáveis por 70,82% de toda a movimentação do comércio internacional no Estado
O complexo portuário de itajaí pREPARA-se PARA DOBRAR SUA
MOVIMENTAÇÃO DE CONTÊINERES e continuar crescendo
Texto Adão Pinheiro
N
a economia catarinense
quase todos os caminhos passam pelo Complexo Portuário de Itajaí,
a principal via de entra-
rias por via marítima, o complexo res-
da e saída para os produtos comerciali-
balança comercial catarinense em 2011,
zados no Estado. Considerando o fluxo
quase US$ 17 bilhões foram movimen-
do comércio internacional (importação
tados pelo complexo. Além do porto
e exportação) em 2011, os terminais si-
itajaiense, formado pelo porto público e
tuados às margens do Rio Itajaí-Açu, em
pela APM Terminals, o complexo conta
Itajaí e Navegantes, foram responsáveis
com a Portonave Terminais Portuários
por nada menos que 70,82% de toda a
de Navegantes, o Trocadeiro Terminal
movimentação de Santa Catarina. Se
Portuário, a Braskarne, a Poly Terminais
observado apenas o fluxo de mercado-
e o Terminal Portuário de Itajaí (Teporti).
pondeu pela movimentação de 83,57%
de toda a carga que passou pelos portos
catarinenses.
Dos US$ 23,8 bilhões registrados pela
I T A J A Í
É
28
Panorâmica4Avançando de vento em popa
Divulgação
Paulo Bornhausen (dir.): governo estuda medidas para melhorar a infraestrutura dos portos catarinenses e torná-los mais competitivos
para tornar os portos catarinenses
mais atrativos e melhorar suas infraestruturas, facilitando a importação
de matéria-prima para a indústria e
também a exportação. O governo está
otimista com a situação, pois todas as
principais empresas dos cinco portos
Divulgação
Esse conjunto de equipamentos logísticos transformou a região em um
centro concentrador e distribuidor
de cargas para todo o sul do país.
Um dos grandes desafios do setor
portuário em Itajaí é encontrar alternativas com a unificação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias
(ICMS), a chamada Resolução 13 do
Senado. A aprovação da resolução
teve forte resistência de senadores de
Santa Catarina, Espírito Santo e Goiás, que pediam um período de transição antes da adoção do novo modelo,
que entra em vigor a partir de janeiro
de 2013 e prevê uma alíquota unificada de 4% para importação, em substituição às taxas atuais de 12% e 7%.
Hoje, o montante arrecadado por
Itajaí, somente em importações, chega
a R$ 2 milhões ao mês, entre serviços
de transporte, de logística, aduaneiros
e portuários – dinheiro que o Estado
não gostaria de perder. Trata-se de um
desafio para os gestores públicos. De
acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico e Sustentável de
Santa Catarina, Paulo Bornhausen,
o governo está estudando medidas
Ayres: Porto de Itajaí deve movimentar mais
de 1 milhão de contêineres até o fim de 2012
I T A J A Í
É
catarinenses manifestaram interesse
em continuar suas atividades.
Uma alternativa para combater os
efeitos da Resolução vem dos municípios de Itajaí e Navegantes, que, juntamente com Imbituba, Itapoá e São
Francisco do Sul, comprometeram-se
em reduzir de 3% para 2% o índice da
cobrança do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) – de
competência municipal – sobre itens
importados, para manter a competitividade de seus portos. As ações conjuntas dos municípios e do Estado na
redução de impostos e no ajuste dos
gastos, e das empresas, ao flexibilizar
as tarifas, vão permitir o crescimento
do complexo portuário catarinense.
PARA o superintendente do
complexo portuário, Antônio Ayres
dos Santos Júnior, os novos desafios do Porto de Itajaí em 2012 estão
atrelados ao atendimento a navios
que ingressam no mercado da navegação e à demanda gerada pela exploração de petróleo e gás na camada
pré-sal. O bom desempenho atual do
Porto, conforme Ayres, é resultado
32
Panorâmica4Avançando de vento em popa
Victor Carlson
A agilidade dos terminais que compõem o Complexo Portuário do Itajaí garante a segunda maior movimentação de contêineres do Brasil
empreendimento consolidado que
contribui para o fortalecimento do
complexo portuário. Com a troca
de ideias, de experiências e atuação conjunta com o Porto de Itajaí,
tivemos a oportunidade de antecipar problemas e visualizar soluções”,
Divulgação
das políticas de captação de cargas
e fidelização dos clientes adotadas
pelo porto público e por outros terminais que compõem o complexo.
“Com uma infraestrutura completamente renovada, a previsão é dobrar
a capacidade da movimentação de
contêineres em curto prazo”, afirma
o superintendente.
A expectativa é fechar o ano com
uma movimentação superior a um
milhão de contêineres. A referência é o crescimento de 8% apontado pela movimentação no primeiro quadrimestre. “Esperamos que
o efeito da Resolução 13 não abata
nossa projeção e que haja no segundo semestre uma reação do comércio internacional como experimentamos todos os anos”, acrescenta
Antônio Ayres.
EM NAVEGANTES, Na margem
oposta, a Portonave alcançou um
faturamento de R$ 370,5 milhões
em 2011, 47% superior ao ano anterior. “Os números demonstram um
Castilho: troca de experiências e atuação
conjunta para fortalecer o setor portuário
I T A J A Í
É
destaca o diretor superintendente da
empresa Osmari de Castilho Ribas.
Segundo o executivo, o setor portuário segue forte, mas precisa manter
atenção redobrada e gerar suporte
para garantir um ambiente eficiente.
“É decisivo ter qualidade e produtividade. Estamos diante de uma grande
oportunidade e continuaremos a ser
desafiados”, observa Castilho.
O Complexo Portuário do Itajaí
é o mais importante de Santa Catarina em valor movimentado, além
de ser o segundo em movimentação
de contêineres do Brasil. De acordo
com o presidente da Federação das
Indústrias de Santa Catarina (Fiesc),
Glauco José Côrte, os investimentos
dos setores público e privado têm
modernizado os terminais locais,
que estão entre os mais ágeis do
país. “Para ganhar mais competitividade, contudo, o complexo depende
de melhorias nos eixos rodoviários
do Estado e nos acessos que levam
as cargas até os terminais”, enfatiza
o dirigente.l
34
Horizontes
Muito além da regata
A ESTRUTURA MONTADA PARA RECEBER A VOLVO OCEAN RACE FORTALECEU A
VOCAÇÃO DA CIDADE COMO SEDE DE EVENTOS CULTURAIS E EMPRESARIAIS
A
Texto Luciana Zonta
maior e mais difícil regata de volta ao
mundo deixou um legado de ouro para
Itajaí. Nos 18 dias em que sediou o Stopover latino-americano da Volvo Ocean Race, em abril deste ano, a cidade
virou vitrine internacional de eventos e ganhou uma
credibilidade neste setor digna dos países de primeiro
mundo. A estrutura criada para receber os barcos da
Volvo veio para reforçar a vocação histórica de organizar eventos importantes como a Equipaindústria, a
Marejada, o Festival de Música e a Festa do Colono.
O Centreventos Itajaí é o principal responsável por
esse legado. Situada no final da Avenida Ministro Victor Konder (a Beira-Rio), a estrutura de 18 mil m2 fica
no Centro, bem próximo dos principais bares e restaurantes da cidade. No início do ano, ganhou um anexo
externo, pavimentado e bem estruturado, construído
especialmente para receber a programação da Volvo
Ocean Race. O espaço serve agora de área de apoio a
eventos, e pode ter seu tamanho ampliado com estruturas móveis, por exemplo.
Até o final do ano, o Centreventos está com uma
programação intensa, incluindo a tradicional Marejada, em outubro. Feiras setoriais, como a Expo Fitness
Sports, que será realizada pela primeira vez em julho,
a Equipaindústria, promovida sempre em agosto, e
a Sul Trade Summit, em setembro, costumam trazer
públicos de diversas partes do Brasil e movimentam a
economia local com a demanda por infraestrutura de
apoio, como rede hoteleira e comércio.
Somente por causa da Itajaí Volvo Ocean Race, passaram pelos portões do Centreventos 285 mil pessoas.
Ronaldo Silva Jr/Divulgação
Com o anexo externo construído para receber a Vila da Regata, o Centreventos Itajaí ganhou uma área ainda maior para feiras e eventos
I T A J A Í
É
Muito além da regataHorizontes
35
Jonnes David/Prefeitura Municipal de Itajaí
A cultura dos imigrantes portugueses é celebrada na Marejada, enquanto o Festival de Música reúne talentos em seus shows e oficinas
No local, o público ainda pôde visitar a
Náutica Show, evento promovido pela
Federação dos Convention Bureaus de
Santa Catarina, que virou hall de entrada da Vila da Regata. A feira náutica,
por sua vez, passa a caminhar com as
próprias pernas. Segundo a gerente comercial da Pathros Promoção de Negócios, Liria Santos, em junho de 2013 o
centro de eventos abrigará a Itajaí Náutica Show como parte da programação
de aniversário da cidade.
Divulgação
A estrutura do Centreventos
Itajaí teve como origem o antigo Parque
da Marejada, construído na década de
1980 para abrigar a maior festa portuguesa do Estado. Hoje, o lugar é uma
referência em eventos de negócios. A
Equipaindústria, por exemplo, atrai
um público de cerca de 6 mil pessoas
ligadas à produção de petróleo e gás. O
evento, que acontece de 7 a 10 de agosto, propõe a aproximação de empresas
compradoras com fornecedoras na
área petroquímica e com indústrias de
diversas outras áreas.
Já a Expo Fitness & Sports, de 5 a 7
de julho, irá atrair o público consumidor de um dos segmentos que mais
crescem na economia catarinense. O
Estado é hoje o segundo maior mer-
cado de academias no país, com 1.788
registradas. A organização do evento
espera receber mais de 8 mil pessoas
de todo o Brasil.
Fora do Centreventos, a cidade
ainda abriga a Festa do Colono, de 25
a 29 de julho, e o Festival de Música,
considerado o melhor do Brasil. A Festa do Colono é realizada, desde 1996,
no Parque Municipal do Agricultor
Gilmar Graf. A programação da festa
inclui eventos menores, como o encontro da Família Agricultora e o concorrido Concurso de Pratos Típicos.
Sucesso de público, o Carnaval de Itajaí é
transmitido pela RICTV para todo o Estado
I T A J A Í
É
Há 15 anos, os organizadores também
investem na contratação de shows nacionais, com nomes consagrados da
música sertaneja.
Outra grande atração de Itajaí é o
Carnaval, que este ano levou mais de
20 mil pessoas para acompanhar o desfile das cinco escolas de samba locais.
Com isso, a cidade garantiu a posição
de quinto polo carnavalesco do Estado
e o principal da região da Foz do Rio
Itajaí. O sucesso do evento também foi
resultado da transmissão ao vivo do
desfile para todo o Estado, com público
estimado em 500 mil espectadores. A
transmissão é uma parceria entre a Liga
das Escolas de Samba e o Grupo RICTV Record, com o apoio da Prefeitura
de Itajaí, que teve o objetivo principal
de fomentar o turismo e movimentar a
economia da região. A parceria foi inclusive citada no samba-enredo da festa: “Quero ver você sambar, / delirando
de paixão. / No carnaval da emoção /
Itajaí te espera / venha conhecer / No
embalo da RICTV”.
O Carnaval de Itajaí conta também
com um projeto que cria oficinas de
músicas nas escolas, mediante convênios com a Liga das Escolas de Samba,
onde crianças carentes podem aprender a cultura e a arte carnavalesca.l
36
Horizontes
Divulgação
A Focker 280 GT, da Fibrafort, é uma das lanchas fabricadas em Itajaí que estão conquistando mares, lagos e represas de todo o país
Impulso náutico
GRAÇAS A SUA INFRAESTRUTURA PORTUÁRIA E À QUALIDADE DA MÃO DE OBRA
LOCAL, ITAJAÍ ABRe NOVOS HORIZONTES PARA A INDÚSTRIA NAVAL
Texto Adão Pinheiro
O
desenvolvimento de um polo
de construção de embarcações
fez com que Itajaí despontasse no mapa da indústria naval
brasileira. A atual mudança
de foco no mercado nacional, antes concentrado no Rio de Janeiro, é impulsionada por
uma mão de obra qualificada, pela tradição
na construção de barcos e pela infraestrutura
portuária. Situada na margem direita da foz do
Rio Itajaí-Açu, a cidade foi escolhida para abrigar o principal cluster naval do Estado, com
a implantação de estaleiros como o italiano
Azimut-Benetti e o braço brasileiro do grupo
chileno Detroit. Iates de luxo, rebocadores e
navios de grande porte estão sendo construídos onde antes predominava a fabricação de
barcos voltados à pesca.
O polo naval é hoje um dos motores do complexo industrial itajaiense, que aponta para o
surgimento de novos setores na matriz econômica do Estado. Além de fábricas tradicionais de barcos de recreio, como a Fibrafort e a
Azimut-Benetti, a indústria pesada avança com
rapidez. O complexo naval localizado em Itajaí
e região concentra mais de 20 estaleiros, entre
I T A J A Í
É
Impulso náuticoHorizontes
Divulgação
grandes e pequenos. A indústria naval,
a pesca e a exploração de petróleo deram um excepcional impulso ao município, que hoje ocupa o segundo lugar
no Estado em arrecadação tributária.
O mercado brasileiro é cada vez
mais importante para o grupo Azimut-Benetti, que em 2010 investiu em
uma unidade de produção em Itajaí.
Paolo Vitelli, presidente do grupo,
diz-se orgulhoso de ter iniciado uma
operação tão importante em uma cidade que, graças à vocação náutica e à
qualidade da mão de obra local, mostrou-se como a mais adequada para
o desenvolvimento do projeto. Tanto
que, em pouco tempo, o mercado nacional passou a ser a principal fonte
de faturamento da marca.
A Azimut do Brasil produz hoje
dois modelos de embarcações: Azimut 43 e Azimut 60. A estimativa é que,
em médio prazo, possa trabalhar com
modelos de até 100 pés, para atender às exigências de um mercado em
37
de treinamento de mão de obra, tanto
de fora do Brasil quanto local. “Além
disso, o polo náutico favorecerá o desenvolvimento de competências nas
áreas de assistência técnica, logística e
vendas”, complementa.
A boa fase da indústria naval
Vitelli: vocação náutica da cidade atraiu o
interesse do grupo italiano Azimut-Benetti
contínuo crescimento, não apenas em
termos de volume de barcos mas também de dimensões. Segundo Vitelli,
a presença do grupo italiano poderá
atrair outros importantes investimentos da Europa e facilitará o processo
e a consolidação da posição econômica de Itajaí também chamaram a
atenção dos investidores da P2 Brasil
Estaleiro S.A. A empresa anunciou
a instalação de uma unidade fabril
em Itajaí para fornecer embarcações
off-shore de médio porte para a exploração de petróleo e gás, com investimentos estimados em R$ 220 milhões. Com a expectativa de aumento
de demanda por embarcações com
essas especificações, a companhia
tem como meta construir navios de
alta tecnologia embarcada. O estaleiro será erguido em uma área de 31
hectares no bairro da Murta, em Itajaí.
“Foram mais de seis meses de negoDivulgação
Atualmente, a Azimut do Brasil produz barcos de 43 e 60 pés na fábrica de Itajaí, mas quer ampliar a oferta para modelos de até 100 pés
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É
38
Horizontes4Impulso náutico
Divulgação
O projeto da nova marina, lançado há um ano, deve receber R$ 50 milhões em investimentos e ter o maior número de vagas no Brasil
mais de 28 pés, em 2008, a Fibrafort
registra um crescimento médio de
20% ao ano. Atualmente, das duas linhas de produção de sua fábrica, localizada em um espaço de 6,7 mil m2
em Itajaí, saem modelos de lanchas
de 16 a 31 pés, que demandam um
Divulgação
ciações. Lutamos para atrair o estaleiro que vai representar mais trabalho
e renda para Itajaí”, afirma o prefeito
Jandir Bellini.
Com a tradição de duas décadas
no mercado náutico, a Fibrafort é um
dos maiores exemplos de sucesso entre as empresas locais. O negócio que
começou com uma pequena empresa
de acessórios à base de fibra náutica
hoje se transformou no maior estaleiro de lanchas da América do Sul em
unidades produzidas. São mais de
10 mil lanchas da marca navegando
atualmente nas águas do Brasil e do
mundo. “Além de atender à demanda
marítima, vendemos também para
pessoas que navegam em lagos de hidrelétricas e represas, principalmente
em Chapecó, Itá e Rio dos Cedros”,
acrescenta o presidente da empresa,
Márcio Ferreira.
Do primeiro barco com motor
de popa, produzido em 1993, até a
entrada no segmento de lanchas com
Ferreira: nascida em Itajaí, a Fibrafort cresce
20% ao ano e já vendeu mais de 10 mil lanchas
I T A J A Í
É
trabalho cuidadoso de 295 colaboradores. No cenário internacional, a
Fibrafort está presente em 32 países e
exporta 25% de sua produção mensal
de até 100 lanchas para países como
Holanda, Rússia e Alemanha.
Para completar a infraestrutura
náutica da cidade, o Porto de Itajaí lançou há um ano o projeto de
construção de uma marina. Apontada como a maior marina de vagas
molhadas do Sul do Brasil, ela será
construída pela iniciativa privada,
com investimentos na ordem de
R$ 50 milhões, mas o projeto ainda
não tem data prevista de conclusão.
As instalações da marina ficarão no
Saco da Fazenda, ao lado da Marejada, e incluirão restaurantes, lojas e
outras atrações turísticas. A novidade
é comemorada pelos empresários do
setor. “Se o Brasil tivesse mais marinas, o setor náutico de turismo seria
mais desenvolvido e traria mais riqueza e preservação ambiental”, defende o presidente da Fibrafort. l
40
Horizontes
Divulgação
Fundada em 1989, a Univali oferece hoje 67 cursos e é considerada pelo Guia do Estudante a oitava melhor universidade privada do país
Formação para todos
Com uma universidade reconhecida nacionalmente e novas opções para A
formação profissional, ITAJAÍ torna-se um centro de excelência em ensino
Texto Giselle Zambiazzi
E
m Itajaí só não estuda quem
não quer. Tanto na formação
técnica e de qualificação profissional quanto na graduação
e na pós, a cidade hoje atrai
jovens de todo o país com uma ampla
oferta de instituições públicas e privadas,
reconhecidas nacionalmente pela qualidade de seu ensino. Seja qual for a área do
conhecimento, aqui existe um curso capaz
de atender com excelência às expectativas
da sociedade e do mercado de trabalho.
A mais tradicional e conhecida dessas
instituições de ensino é a Universidade do
Vale do Itajaí (Univali). Fundada em março de 1989, ela é resultado de um trabalho
que teve início décadas antes, em 1964,
quando a Sociedade Itajaiense de Ensino
Superior lançou as faculdades de Ciências
Jurídicas e Sociais e de Filosofia, Ciências
e Letras. Desde então, a Univali tem sido
uma das responsáveis por tornar Itajaí
uma referência em todo o Estado quando
o assunto é ensino superior. Prova disso é
I T A J A Í
É
42
Horizontes4Formação para todos
Mantendo a tradição de
vanguarda, Itajaí também é sede de
um dos campi do Instituto Federal
de Santa Catarina (IFSC), que atua
Carpes: Prestes a ganhar uma nova sede, o
IFSC destaca-se pela diversidade dos cursos
Contábeis, Publicidade e Propaganda, e Design Gráfico. Há planos de
expansão para 2012, tanto no espaço
físico quanto na abertura de novos
cursos. “Queremos dar mais oportunidades para que as pessoas possam
ter uma formação e trabalhar como
autônomas”, destaca Marília Soares,
diretora geral do IFES.l
Divulgação
a 69ª posição entre as 357 universidades brasileiras analisadas no ranking
ibero-americano de publicações científicas da Scimago Institutions (SIR
2011).
No Guia do Estudante da Editora
Abril, uma das publicações brasileiras mais respeitadas no setor, a universidade está em oitavo lugar numa
lista que seleciona as melhores universidades privadas do país e é considerada a melhor de Santa Catarina.
Dos 67 cursos que a Univali oferece, o
guia avaliou 37. Destes, 35 estão entre
os mais bem colocados, sendo o de
Comércio Exterior apontado como
o melhor do Brasil. “Ao viabilizar o
acesso de jovens e adultos a uma
educação de qualidade, a Univali forma profissionais com visão empreendedora e habilidades para trabalhar
elementos da criatividade compatíveis com a construção do conhecimento e o compromisso social”, diz a
vice-reitora, Amandia Borba.
Divulgação
Victor Carlson
Marília: Com mil alunos em seis cursos de
graduação, o IFES planeja crescer em 2012
na cidade desde 2006. Uma estrutura
ampla e moderna está sendo construída para abrigar definitivamente a
instituição, que hoje oferece diversos
cursos técnicos e de qualificação em
áreas como pesca, hidráulica, desenho mecânico, eletroeletrônica, entre
outros – todos gratuitos. “Além disso,
estamos implantando o Laboratório
de Monitoramento de Algas Nocivas
e Ficotoxinas, que será referência
nacional na área”, destaca Widomar
Pereira Carpes Júnior, diretor geral da
instituição em Itajaí.
Outra instituição que vem destacando-se no ensino em Itajaí é o
Instituto Fayal de Ensino Superior
(IFES). Mantido pela Campanha Nacional de Escolas da Comunidade
(Cenec), o IFES iniciou suas atividades há 12 anos dentro do Colégio
Cenecista Pedro Antônio Fayal. Hoje
instalado em uma sede própria, com
mais de 5 mil m2 de área construída,
conta com mil alunos em seis cursos
de graduação: Administração Geral,
Administração – Logística e Comércio Exterior, Pedagogia, Ciências
Amandia, da Univali: Fomentando a visão empreendedora e a criatividade dos estudantes
I T A J A Í
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44
Almanaque
A grande concentração de restaurantes, cantinas, pubs e bistrôs atrai centenas de pessoas para a Beira-Rio durante toda a semana
A avenida gourmet
CONHECIDA COMO A VIA GASTRONÔMICA DE ITAJAÍ, A BEIRA-RIO OFERECE UM
CARDÁPIO DE BONS RESTAURANTES COM ESTILOS – E TEMPEROS – VARIADOS
Texto Luciana Zonta Fotos Victor Carlson
A
casquinha de siri quentinha vem
perfumando o restaurante no caminho entre a cozinha e a mesa do
cliente. No mesmo prato, lulas, camarões, filé de congro grelhado e pirão garantem a miscelânea mais popular do Bokerão du Pera, tradicional casa de frutos do mar e um
dos restaurantes mais antigos da Avenida Ministro
Victor Konder, a popular Beira-Rio, que há duas décadas ostenta o título de via gastronômica de Itajaí.
No começo, o peixe dominava absoluto. A forte
ligação da cidade com a pesca e a facilidade de obter
o produto fresquinho junto aos barcos que atracam
diariamente no porto pesqueiro contribuíram para
a abertura de dezenas de restaurantes especializados em Itajaí. Mas há pelo menos 15 anos, cantinas
italianas, pizzarias, casas de comida japonesa, pubs
e elegantes bistrôs vêm dando uma cara internacional a esse trecho de quase dois quilômetros e meio
que margeia a foz do Rio Itajaí-Açu.
I T A J A Í
É
A avenida gourmetAlmanaque
45
Com alguma sorte, é possível
acompanhar o movimento dos navios
de contêineres a caminho do porto
como bônus extra do almoço ou da
janta. Quando Manoel Afonso Morgado, o Pera, decidiu abrir o próprio negócio na Beira-Rio, há quase 20 anos,
sobravam áreas livres para a escolha
do melhor ponto. A pequena construção que deu origem ao Bokerão foi
edificada sobre um terreno da família,
para, anos mais tarde, ser ampliada
e alcançar o tamanho de toda a área.
Hoje, o amplo restaurante de dois andares serve desde um simples filé de
peixe na brasa a ostras e lagostas que
garantem uma clientela fiel de diversas partes do Brasil.
A Cantina Frassini, outro
clássico da Beira-Rio, é referência em
massas caseiras e molhos especiais.
Chegou a funcionar alguns anos na
Avenida Sete de Setembro, anexa à
sorveteria La Basque, motivo pelo
qual muitos clientes da época ainda
a chamam por este nome. Os pratos
mais pedidos da casa são as lasanhas
e os espaguetes, com destaque para o
molho especial à carbonara e para o
espaguete à moda da Nádia – receita
que foi criada pela dona da cantina e
que leva tomate seco, tomate fresco,
azeitona, azeite de oliva e rúcula.
As massas caseiras da família
Frassini fizeram tanto sucesso que os
proprietários decidiram abrir um espaço ao lado da cantina para vender
o produto congelado e semipronto
para viagem. Hoje, as massas para levar são responsáveis por boa parte do
faturamento do negócio e quase tão
procuradas quanto o próprio restaurante. A aposta na culinária italiana
desdobrou-se, ainda, em um terceiro
investimento na Beira-Rio. Inaugurada há oito anos, ao lado da cantina, a
Galeteria Família Frassini é uma charmosa casa de galetos que serve em
Delícias do mar no Bokerão du Pera: filé de congro com lula, camarão e casquinha de siri
Clima familiar e ambientação tipicamente italiana na Galeteria Família Frassini
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46
Almanaque4A avenida gourmet
sistema de bufê e a la carte, localizada
em um ponto mais do que estratégico:
em frente ao Centreventos Itajaí.
Se o momento pede um happy hour
com amigos, é possível escolher entre
pubs e bistrôs com cardápios diferenciados de petiscos e bebidas, aliados a uma
programação de bandas com música ao
vivo. Um dos mais conhecidos é o Forno
D’ Lenha Pizza Deck, negócio iniciado
há vários anos pela família do empresário Daniel Bihr. O lugar oferece de pizzas a comidinhas de boteco, cortes de
carnes e culinária japonesa. Uma banda
local garante a trilha sonora no deck do
restaurante. Um dos destaques da casa
são os drinques especiais, como o Noite
Blue, bebida à base de vodca que leva
menta, coco e abacaxi; e o italiano Negroni Sbagliato, com laranja, Prosecco e
Campari vermelho.
De olho no público estrangeiro
que chegou com a Stopover Volvo Ocean Race, Daniel Bihr abriu o Maps durante a realização do evento em Itajaí,
em abril deste ano. Localizado ao lado
do Pizza Deck e de frente para o ItajaíAçu, o Maps faz uma espécie de tour
pela gastronomia do mundo e traz especialidades como o tradicional acarajé
baiano, tentáculos de polvo português e
a apimentada comida tailandesa.
Próximo dali, o Greenwich Pub
aposta na ambientação tipicamente inglesa, com decoração rústica e detalhes
que remetem a ícones britânicos, como
a cristaleira em formato de um telefone
público vermelho. Nas paredes, quadros
e adereços trazidos do Reino Unido. A
programação musical prioriza bandas
de rock clássico e alternativo em diferentes dias da semana. O cardápio serve
desde petiscos e hambúrgueres a pratos
mais elaborados, seguindo sempre a tradicional gastronomia inglesa.l
Happy hour no Forno D’ Lenha Pizza Deck,
tentáculos de polvo português no Maps
e o estilo britânico do Greenwich Pub
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Almanaque
Acervo Fundação Genésio Miranda Lins / Centro de Documentação e Memória Histórica
O Hotel Cabeçudas, um dos mais modernos do Sul do Brasil, era o principal ponto de encontro de políticos, empresários e banqueiros
Um bairro que
fez história
CONHEÇA A TRAJETÓRIA Do BALNEÁRIO DE CABEÇUDAS, QUE REUNIA AS FAMÍLIAS
MAIS IMPORTANTES DA POLÍTICA CATARINENSE EM MEADOS DO SÉCULO PASSADO
Texto Giselle Zambiazzi
D
ia desses Maria Helena Zwoelfer assistia na TV a um mestre de cerimônias
que ensinava como pôr uma mesa e
como servir com elegância. A cena a
fez voltar pelo menos uns 50 anos no
tempo. “Fui criada assim. Nunca precisei aprender estes modos”, lembra. Na infância e adolescência, Maria
Helena – hoje com 71 anos – esteve no epicentro da
época mais gloriosa do bairro de Cabeçudas.
Ela é filha do imigrante austríaco José Zwoelfer, o
mais ilustre anfitrião que Itajaí já teve. Formado em
hotelaria na Inglaterra, ele chegou ao Brasil na década
de 1930 e percebeu que Cabeçudas despontava como
o recanto ideal para os homens mais ricos de Santa
Catarina. A praia só precisava de um lugar à altura para
recebê-los. Ao comprar uma casa de repouso onde
hoje fica o Restaurante Brasileirinho, Zwoelfer resolveu
a questão, transformando o imóvel no memorável
Hotel Cabeçudas. Os quartos ganharam água corrente
aquecida, a adega subterrânea era nos moldes
europeus, e a câmara frigorífica fabricava gelo, coisa
que só existia em Blumenau naquela época.
Os jantares no hotel eram hollywoodianos, com
mesas meticulosamente preparadas para receber polí-
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Acervo Cabeçudas Iate Clube
Acervo Fundação Genésio Miranda Lins / CDMH
Um bairro que fez históriaAlmanaque
À esquerda, a casa de João Bauer com familiares, em 1920. À direita, a cerimônia de inauguração do Cabeçudas Iate Clube, em 1958
o Banco Inco. A sede do primeiro banco
privado de Santa Catarina foi instalada
em Itajaí e atendia os principais nomes
do Estado. Mais um motivo para todos
se encontrarem em Cabeçudas.
A geração seguinte manteve
o glamour que envolvia a praia, mas as
férias de verão começavam a dar cada
vez mais lugar às reuniões de negócios.
Em 1958 foi fundado o Cabeçudas Iate
Clube, com festas que repercutiam nas
colunas sociais de todo o Estado. Eram
os melhores Carnaval e Réveillon de
Santa Catarina. Nessa época Evandro
Marcello Sokal
ticos, empresários e famílias influentes.
Nesses encontros, enquanto as senhoras
continuavam os assuntos iniciados no
banho de sol matinal, seus maridos, pais
e irmãos fechavam negócios, discutiam
política, economia e, entre um brinde e
outro regado à champanha francesa, decidiam o futuro de Santa Catarina. “Caviar, bebidas importadas, lagosta, frutos
do mar frescos, sopa de tartaruga. Quem
vinha ao hotel sabia que ia encontrar
tudo isso”, conta Maria Helena.
“Era coisa que nem na capital existia”,
completa a historiadora Maria Luiza Renaux. Nascida em Brusque, ela pertence
a uma das mais tradicionais famílias de
Santa Catarina, cujo patriarca fundou a
primeira indústria de fiação e de tecidos
do Estado. Os Renaux eram amigos de
João Bauer, um rico comerciante também de Brusque e o primeiro a construir
uma casa de veraneio na praia. Os frequentadores do Hotel Cabeçudas passaram, então, a construir suas próprias
casas. Muitas estão lá até hoje.
Na década de 1930, o itajaiense Victor
Konder – que já se destacava na política,
tendo chegado a ser ministro – foi o responsável pelo embelezamento da orla.
Os sombreiros que até hoje enfeitam
o calçadão foram plantados a mando
dele. Nessa mesma época, Otto Renaux
e Irineu Bornhausen fundaram o Banco
Indústria e Comércio de Santa Catarina,
Maria Helena, herdeira de Zwoelfer, sente
saudades dos “anos dourados” no balneário
I T A J A Í
É
Lins, um dos maiores juristas do Brasil, casado com a itajaiense Maria Luiza
Konder, vinha do Rio de Janeiro dirigindo sua Kombi com toda a família. “Vivíamos um outro mundo. As pessoas
tinham dinheiro, mas as coisas eram
mais simples”, lembra a historiadora.
“Éramos todos amigos, era tudo mais
seguro. Caminhávamos depois do jantar e as senhoras jogavam cartas à tarde”, conta.
A partir da década de 1970, os políticos mudaram para Florianópolis, e o
perfil de Cabeçudas foi mudando. Mas
o charme do bairro permanece até hoje,
com a implantação de novos empreendimentos imobiliários e o surgimento de
novos pontos de encontro, sempre com
muito estilo. Um deles é o restaurante
Chez Raymond, que fica em uma linda
casa com jardim e varanda envidraçada,
onde moram os proprietários Raimundo e Vera Platz. O cardápio inclui carnes
e massas, mas a especialidade são os
frutos do mar – tudo com o toque sofisticado da alta gastronomia.
O bairro também tem um espaço
para a espiritualidade, com o Carmelo
Santa Teresa. Uma casa que abriga 17
“Irmãs Carmelitas Descalças”, que, enclausuradas, vivem em recolhimento e
dedicadas à oração. São lugares como
esses que não deixam o bairro de Cabeçudas perder seus encantos.l
50
Almanaque
As críticas e os
comentários feitos por
Graciliano durante o
noticiário mobilizam a
opinião pública itajaiense
Almanaque
A voz da cidade
COM SEU ESTILO IRREVERENTE E DIRETO, O APRESENTADOR GRACILIANO
RODRIGUES É UMA REFERÊNCIA HÁ 15 ANOS NO RÁDIO E NA TELEVISÃO de Itajaí
Texto Adão Pinheiro Fotos Victor Carlson
E
ntre uma reportagem e outra, as mãos de Graciliano
Rodrigues não param. No ar,
ele gesticula o tempo inteiro
e anda de um lado para outro no estúdio, sempre procurando o melhor ângulo da imagem. De repente, uma
reportagem muda a fisionomia tranquila
e, com o dedo indicador direito em riste,
o apresentador aponta para a câmera e
solta um comentário contundente, que,
muitas vezes, inclui duras críticas ao
sistema administrativo, independentemente se da esfera estadual, federal ou
municipal.
Cada recado soa como um verdadeiro
puxão de orelha coletivo. Políticos e autoridades públicas ficam alerta. Mas não
pense que o apresentador tem inimigos.
O alvo são aqueles que dão as costas para
os problemas da sociedade. Ele também
elogia e fica emocionado, mas não gosta
de dar notícias sobre assassinatos ou crimes bárbaros. Em mais de duas décadas
de carreira, ele diz que a notícia que não
gostaria de ter dado foi a da enchente de
novembro de 2008, que deixou cerca de
90% de Itajaí embaixo d’água. Na época,
a equipe RICTV Record ficou 72 horas no
ar, ininterruptamente.
Nascido José Graciliano Rodrigues, ficou popularmente conhecido como Graciliano Rodrigues. Hoje o Jornal do MeioDia, programa jornalístico que apresenta
há 15 anos na RICTV Record Itajaí, de segunda a sábado, é líder de audiência, com
46% de Share (Ibope/nov 2011). Além da
TV, Graciliano é presença marcante também no rádio, no comando do programa
Só Notícias, da Rádio Clube Bandeirantes.
Filho de agricultores do município de
Antônio Carlos, na Grande Florianópolis,
sonhava ser cantor, artista, narrador de
futebol ou repórter, qualquer atividade
que o levasse para a comunicação. Não
queria para ele a vida sofrida dos pais. O
sonho de pequeno ganhava força em frente a um rádio de pilha. Um sonho que, na
época, parecia muito distante e difícil de
alcançar. Nesse mesmo tempo, narrava
jogos de futebol dos times do interior de
Antônio Carlos em um rádio improvisado,
a pedido dos amigos. O rádio nada mais
era que uma combinação de alto-falante,
microfone e bateria, pendurada em poste
ou árvore, para ter mais alcance. Mal sabia
ele que nascia ali a carreira que mudaria
toda a sua vida.
Hoje, com 22 anos de profissão, Graciliano considera que as lições que aprendeu no campo moldaram o caráter do radialista e apresentador de TV. “A roça me
ensinou a batalhar em busca de dias melhores”, pontua. Com a morte da mãe, Graciliano resolveu romper as últimas amarras que ainda o prendiam ao meio rural e
embarcou para São Paulo, “com a cara e a
coragem”, como gosta de lembrar. Na capi-
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52
Almanaque4A voz da cidade
Sempre circulando pelo estúdio, Graciliano criou um estilo próprio no comando do Jornal do Meio-Dia na RIC TV Record Itajaí
tal paulista, conseguiu um emprego
na área de Recursos Humanos, que
conciliava com o estudo à noite. “Não
desperdicei um momento sequer do
meu tempo”, conta. “Fui ‘rato’ de rádios como Nacional – hoje Globo São
Paulo –, Tupi e TV Tupi, além de teatros, cinema e tudo o que pudesse me
aproximar da área”, acrescenta.
Paralelamente ao trabalho
e aos estudos, o futuro apresentador
participava de seminários e congressos relacionados à comunicação, bem como cursos de oratória e
discursos. Fez grandes amizades no
meio artístico que o levaram a ingressar no Instituto de Dramaturgia
Dulcina de Moraes – hoje Faculdade de Artes Dulcina de Moraes –, em
Brasília, onde também residiu. Na
época, foi convidado para apresentar
quadros de esquetes de teatro na TV
Nacional. “Me deram o osso que eu
tanto queria, o qual não largaria jamais.” Foi o pontapé inicial para que
Graciliano começasse a trabalhar
definitivamente com comunicação,
sonho que acalentava desde menino
e que nunca havia abandonado. Ao
retornar a São Paulo, em 1983, concluiu a faculdade de Direito, casou e
resolveu voltar a Santa Catarina para
criar os dois filhos.
Com seu jeito irreverente, o comunicador acabou tornando-se referência para quem precisa de ajuda.
Em Itajaí, não é raro ouvir alguém
dizer que vai telefonar para o Graciliano sempre que vê seus direitos
sonegados. “Em cada comentário
que faço, falo o que gostaria de ouI T A J A Í
É
vir”, destaca ele, acrescentando que o
estilo – que muitas vezes beira o polêmico – foi desenvolvido ao longo
da carreira, misturando também um
pouco do que aprendeu nas duas faculdades que cursou.
Apesar da desenvoltura diante
das câmeras, Graciliano garante que
é introspectivo. “Às vezes não vou
aos lugares porque não sei como
chegar nas pessoas”, admite. Essa introspecção obrigou-o a fazer exercícios de voz e interpretação, que também contribuíram para que criasse
o estilo que acabou tornando-se sua
marca registrada e garantiu sua popularidade entre milhares de telespectadores e ouvintes de rádio em
Itajaí e região. Faz questão de ressaltar como fundamentais para sua
vida Deus, família e trabalho.l
54
Almanaque
Acervo Fundação Genésio Miranda Lins/Centro de Documentação e Memória Histórica
Com a Igreja Matriz ao fundo, o Marcílio Dias enfrenta o Club Atlético Paranaense no Campo do Almirante Barroso, em novembro de 1958
Memória dos gramados
SEDE DO TIME MAIS ANTIGO EM ATIVIDADE NO FUTEBOL CATARINENSE,
ITAJAÍ JÁ FOI PALCO DE RIVALIDADES HISTÓRICAS E DE EQUIPES LENDÁRIAS
Texto Adão Pinheiro
O
gol de cabeça marcado pelo ex-ponta-de-lança Paulo
Afonso Fabeni pelo Marcílio
Dias abriu o caminho para
a vitória do rubro-anil por 2
a 1 sobre o Almirante Barroso no dia 14 de
novembro de 1970, amistoso que pôs fim ao
clássico mais tradicional e de maior rivalidade entre os dois clubes profissionais de
Itajaí. O Almirante Barroso chegou a sair na
frente com Quarentinha, ex-Botafogo (RJ)
e ex-seleção brasileira, mas não conseguiu
segurar o resultado. O gol da vitória do Marcílio Dias foi marcado por Armando Gonçalves, já nos acréscimos da etapa final. Em
1972, o alviverde da Rua Silva, como carinhosamente era chamado o Almirante Barroso, desativou o futebol profissional.
A data do primeiro confronto entre as
duas equipes não tem registros oficiais.
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Acervo Clube Náutico Marcílio Dias
Acervo Clube Náutico Almirante Barroso
Memória dos gramadosAlmanaque
Tudo começou com o remo: à esquerda, guarnição de honra do Almirante Barroso, em 1920. À direita, atletas do Marcílio Dias, em 1921
Acervo Fundação Genésio Miranda Lins/CDMH
Tudo indica que a rivalidade histórica
teve início em outubro de 1950, durante um campeonato relâmpago entre as equipes de Brusque (Paysandu
e Carlos Renaux), e de Itajaí (Marcílio
Dias, Almirante Barroso e o Estiva),
disputado em Blumenau. Um ano depois do último confronto entre os dois
times, o Marcílio também fechou o
departamento de futebol, só voltando
aos gramados em 1974.
Quando o rubro-anil VOLTOU
O Lauro Müller por volta de 1929, dois anos antes de conquistar o campeonato catarinense
Acervo Fundação Genésio Miranda Lins/CDMH
aos gramados, o Alimarante Barroso
já estava fora do circuito profissional.
Quarenta anos depois, os veteranos
dos dois times voltaram a se encontrar no jogo que marcou a abertura
da programação do aniversário de
150 anos de emancipação política de
Itajaí, em 2010. A partida encerrou
em cinco a três para o Marcílio Dias.
A rivalidade clássica entre os times
chegou ao auge nos primeiros anos
da década de 60. O Almirante Barroso vinha de um título do campeonato
municipal em 1959 e o Marcílio Dias
acabava de montar o time que chegaria ao título estadual em 1963, além do
tetracampeonato municipal entre 1960
e 1963. Paulo Fabeni, que chegou a jo-
Jogadores do Marcílio Dias se preparam para embarcar rumo à Criciúma, na década de 1960
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Almanaque4Memória dos gramados
Acervo Clube Náutico Marcílio Dias
Equipe do Marcílio Dias em 1929, dez anos após a fundação daquele que é hoje o time mais antigo de Santa Catarina ainda em atividade
Marcílio contra Metropol: o maior clássico catarinense dos anos 1960
Acervo Clube Náutico Almirante Barroso
A história do futebol profissional em
Itajaí começou a ser escrita em 1911 com a fundação
do Itajahiense, mas pode-se dizer que ganhou mais
força em 17 de março de 1919, com a fundação do
Clube Náutico Marcílio Dias, uma homenagem ao
marinheiro gaúcho morto durante a Guerra do Paraguai. Dois meses depois, surgia o Clube Náutico
Almirante Barroso, fruto de uma dissidência entre
marcilistas por conta da escolha da madrinha de
uma de suas ioles (embarcações estreitas, compridas e leves, movidas a remo). Inicialmente, ambos se
dedicaram somente ao remo para então desenvolver
outras modalidades esportivas até chegar no futebol.
O Marcílio Dias é hoje a equipe de futebol mais
antiga em atuação em Santa Catarina. Mas a cidade já teve outros clubes. Em 1926, foi criado o Lauro Müller. Em 1936, surgia o CIP Football Club, que
só disputou um campeonato e ganhou. Na ponta do
lápis, a cidade tem três títulos estaduais: Lauro Mül-
Acervo Clube Náutico Marcílio Dias
gar nas duas equipes, conta que a rivalidade entre Marcílio Dias e Almirante Barroso era algo comparado ao
de clubes como Flamengo e Fluminense. Documentos
encontrados no arquivo do Almirante Barroso apontam, por exemplo, que barrositas e marcilistas se enxergavam como inimigos nas rodas sociais da cidade.
Uma espécie de guerra fria do futebol local.
Ficha de atleta de Adão Goulart, comentarista do Jornal Meio-Dia da RICTV
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Acervo Clube Náutico Almirante Barroso
Acervo Clube Náutico Marcílio Dias
Memória dos gramadosAlmanaque
Durante toda a década de 1960, o Marcílio Dias (esq.) e o Almirante Barroso (dir.) mantiveram uma rivalidade que se tornou histórica
negro da Rua Blumenau encerrou as
atividades no futebol, deixando saudades na torcida.
O comentarista do Jornal do
Meio-Dia da RICTV Record, Adão
Goulart, guarda ótimas lembranças do clássico entre Marcílio Dias
e Almirante Barroso. “Na semana
de clássico os jogadores que eram
amigos nem se falavam. A disputa
Victor Carlson
ler (1931), CIP (1938) e Marcílio Dias
(1963). O título do Marcílio, contudo,
só foi homologado 20 anos depois.
É que o campeonato de 1962 tinha
se estendido até meados de 1963. E
como não havia mais datas para outro campeonato inteiro naquele ano,
a federação resolveu organizar o Torneio Luiza Melo. Como vencedor do
torneio, o Marcílio Dias foi declarado
campeão estadual, tendo o Almirante
Barroso como vice.
A decisão do primeiro título estadual da cidade, conquistado pelo
Lauro Müller Futebol Clube, também
não se deu com a bola rolando. O
time sagrou-se campeão depois que
o Clube Atlético Catarinense, de Florianópolis, que não apareceu para a
final do estadual de 1931.
O único título conquistado dentro
de campo foi o do Cia Itajahyese de
Phósforos – o CIP Football Club – em
1938. A partida contra o São Francisco do Sul foi a primeira final do
campeonato estadual sem a presença de um time de Florianópolis. Entre os craques que vestiram a camisa
do CIP está Teixeirinha, que atuou
no clube no começo de sua carreira, apontado até hoje como um dos
maiores atletas do estado. Seis anos
depois da grande conquista, o rubro-
Lunardelli: oportunidade de disputar a série
D do Brasileirão não pode ser desperdiçada
I T A J A Í
É
contagiava a cidade e as famílias. Foi
um dos grandes clássicos de Santa
Catarina, com uma rivalidade muito
forte. O Marcílio costumava ser mais
competitivo nos campeonatos, mas
na hora do clássico o jogo sempre era
parelho”, lembra. Adão foi jogador do
Almirante Barroso em meados da década de 1960, quando atuou na equipe que tinha Hélio Ramos, Mima,
Deba e Godoberto, entre outros craques. Também foi treinador do Marcílio Dias em duas oportunidades,
em 1982 e 1996. Adão lembra que o
time decidiu vários campeonatos na
década de 1960, mas perdia todos
para o Metropol. “Era o adversário
mais difícil, e eles tinham maior capacidade de investimento, o que fez
a diferença”, analisa.
Hoje o Marcílio Dias está disputando a série D do Campeonato
Brasileiro, depois de herdar a vaga
do Brusque. A oportunidade não
foi desperdiçada. “O objetivo agora é crescer devagar e solidamente,
numa nova visão. Não vamos criar
falsas expectativas, mas as mudanças que fizemos no Departamento de
Futebol vão permitir o Marcílio Dias
apresentar um belo papel no campeonato”, defende o presidente Abelardo Lunardelli.l
60
Almanaque
Arte e
devoção
Arte e devoçãoAlmanaque
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No teto, a pintura de Aldo Locatelli. Nas paredes, o colorido dos vitrais. No púlpito, Moisés esculpido em madeira desce o Monte Sinai
ícone de itajaí, a Igreja Matriz do Santísssimo Sacramento REVELA OS ENCANTOS
DE SUA ARQUITETURA E A BELEZA DAS OBRAS de arte que adornam seu interior
Texto Luciana Zonta Fotos Victor Carlson
O
s detalhes dos vitrais e das obras de arte
desenhadas no teto imprimem um ar sofisticado ao edifício de perspectiva gótica
e arcos romanos. Em 2012, a Igreja Matriz
do Santíssimo Sacramento completa 57
anos de história como ícone católico de Itajaí e um dos
pontos turísticos mais fotografados por quem visita a cidade pela primeira vez. Seu interior reúne obras de artistas plásticos consagrados como os italianos Emilio Sessa
e Aldo Locatelli, e contribui para manter a fama de uma
das igrejas mais bonitas de Santa Catarina.
Os 700 mil tijolos artisticamente organizados em uma
área de 30 metros de largura por 60 metros de comprimento formam o corpo do templo. Situada no terreno
que abrigava o antigo Cemitério Municipal, desativado
pouco antes do início de sua construção, a igreja abriga
alguns tesouros particulares. Em seu exterior, estrelas e
capitéis folheados a ouro na Itália servem de base para
anjos com tochas acesas, enquanto sinos alemães fundidos em aço preenchem o campanário. Cinquenta e cinco vitrais formam três séries de janelas temáticas: os seis
mistérios centrais da fé cristã, os sete sacramentos e as
oito bem-aventuranças.
Sobre a entrada principal, a Rosácea, um enorme vitral em forma de hóstia, facilita a entrada de luz natural
para o interior da igreja. No teto de estuque, Aldo Locatelli representou Nossa Senhora da Imaculada Conceição
e, sobre os dois altares, as figuras dos Corações de Jesus
e de Maria. Emilio Sessa reproduziu, ao redor da obra de
Locatelli, os símbolos dos 49 títulos atribuídos à Virgem
Maria na Ladainha de Nossa Senhora e suas inscrições
latinas. Sobre o púlpito, a obra em madeira do artista
alemão Ervin Teichmann representa Moisés descendo o
Monte Sinai, com as Tábuas da Lei.
Inaugurada oficialmente em 1955, a Igreja Matriz do
Santíssimo Sacramento levou nada menos que 40 anos
para ficar pronta, se levado em conta o tempo entre a
idealização do projeto e a conclusão das obras. Em 1998,
foi tombada pelo Departamento de Patrimônio Público
do município. Três anos mais tarde, virou também patrimônio estadual, consagrando-a como o prédio histórico
mais famoso da cidade. l
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Almanaque
Casas da fé
Itajaí conta com outros templos religiosos de destaque. No centro histórico da
cidade, a Igreja da Imaculada Conceição é
considerada o monumento mais antigo da
história itajaiense. Datada de 1834, substituiu
a primeira capela de pau a pique erguida em
1823 e conserva interessantes exemplares
de arte sacra. Na Praia de Cabeçudas está a
Capela Santa Terezinha, fundada em 1920 e
tombada como patrimônio histórico.
A Igreja Evangélica Luterana, presente
há 142 anos em Itajaí, reúne uma comunidade de cerca de 500 famílias em seu templo no Centro, inaugurado em 1894.
Na Rua Heitor Liberato, bairro São João,
fica a sede regional da Igreja Universal do
Reino de Deus, que tem outros três templos
na cidade.
Completando 81 anos de presença em
Itajaí, a Assembleia de Deus tem seu principal templo localizado no Centro. l
Capela Santa Terezinha
Rua Samuel Heusi Júnior, SN – Cabeçudas
(47) 3239-6000 (Paróquia Nossa Senhora de
Lourdes, Fazenda)
[email protected]
Igreja Nossa Senhora
da Conceição
Praça Vidal Ramos, SN – Centro
(47) 3348-5431 (Paróquia da Igreja Matriz)
[email protected]
Igreja de Confissão
Luterana de Itajaí
Rua Dr. José Bonifácio Malburg, 425 – Centro
(47) 3348-3839
[email protected]
I T A J A Í
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Igreja Universal do
Reino de Deus
Rua Heitor Liberato, 1800 – São João
(47) 3349-0367
[email protected]
Igreja Evangélica
Assembleia de Deus
Rua Andrade, 123 – Centro
(47) 3348-1409
[email protected]
64
Almanaque
Kendiro e sua esposa Nobo “Carmen” Cekinuchi conheceram-se no Brasil e moram, desde 1972, na comunidade rural do Rio Novo
Arigatô, Itajaí!
FUGINDO DA TRAGÉDIA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL, IMIGRANTES JAPONESES
ENCONTRARAM EM RIO NOVO O LUGAR IDEAL PARA RECOMEÇAR SUAS VIDAS
Texto Giselle Zambiazzi Fotos Marcello Sokal
É
como se durante o trajeto entre a
horta atrás de casa e o portão, ele
viesse preparando internamente as explicações. Mesmo assim,
Takachi Takahachi não altera a
velocidade de seus passos nem por um minuto. Com a típica calma oriental, dá uma pausa
nos afazeres, responde ao bom-dia e vai logo
se justificando: “Não falo português”. Mas ele
fala sim. É a timidez e o sotaque carregado
que o fazem pensar que não é capaz de estabelecer comunicação com algum estranho.
Talvez por isso que a pequena comunidade
japonesa instalada no Bairro Rio Novo, na BR101, passe a impressão de ser fechada. É só
uma questão de tato. Conquistada a confiança, descobre-se, então, um outro mundo, de
cultura diversa e histórias bem interessantes.
Muitas delas remontam ao período pósSegunda Guerra Mundial. Nas décadas que se
I T A J A Í
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CO M O
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T I P O
R E I K I ?
Quando tentarem vender um sistema de envidraçamento tipo Reiki, desconfie. Só a Reiki tem o
legítimo sistema de envidraçamento que possibilita a abertura total de sacadas, janelas, varandas,
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Almanaque4Arigatô, Itajaí!
seguiram ao conflito, especialmente
depois da bomba atômica, o Japão era
um país destruído, sem comida, trabalho e condições de saúde. Todas essas
lembranças ainda estão bem vivas na
memória dos moradores da comunidade do Rio Novo, afinal este foi o motivo que os trouxe a Itajaí em 1972.
Takahachi, agora com 75 anos,
conta que nunca esqueceu dos dias
de fome por que passou em sua terra
natal, a cidade de Okaido, no norte do
Japão. Quando souberam da possibilidade de vir ao Brasil, não tiveram
dúvidas. “Viemos todos. Meu pai, minha mãe e sete filhos. Eu estava com
24 anos”, lembra. “Era um navio com
mais de mil pessoas. Deixamos para
trás um país destruído.” Na primeira
cidade brasileira em que se instalaram
– Pelotas, no Rio Grande do Sul – apareceu também a primeira dificuldade:
a língua. Nenhum dos imigrantes sabia falar uma única palavra em português. “Nossa preocupação era comprar mantimentos. Levávamos um
pequeno dicionário e apontávamos o
que queríamos”, conta Takahachi.
Sabendo da habilidade dos japoneses com a terra, onze anos depois
a prefeitura de Itajaí entrou em contato com o consulado japonês a fim
de criar um núcleo de produtores de
hortaliças na cidade. A ideia deu certo. Embora não seja muito numerosa, a comunidade do Rio Novo conta
com a assistência técnica da Epagri
de Itajaí e produz até hoje. São quatro
famílias que fornecem verduras e legumes para feiras e mercados de todo
o Litoral Norte diariamente, o ano
inteiro. Alface, brócolis, salsinha, cebolinha e couve são alguns dos itens
que saem de suas hortas.
A adaptação a Itajaí foi
tranquila. Tanto que Takahachi hoje
se considera brasileiro. “Eu tive que
me naturalizar para comprar as ter-
Fugindo de um país destruído, a família Cekinuchi encontrou um novo lar no Brasil
ras”, explica. “Já estou bem acostumado aqui. Não sinto falta do Japão.”
Um Japão que nem existe mais. Há 15
anos, ele voltou para sua ilha de origem. Não reconheceu o lugar. “A única coisa que ainda existia eram os rios
e as montanhas. O resto estava tudo
diferente. É outro país. Não é nem parecido com o que deixei”, comenta.
Esse sentimento é compartilhado
por sua vizinha, Nobo Cekinuchi, de
71 anos. No Brasil ela adotou outro
nome: Carmen. Foi batizada na Igreja
Católica e tudo. Mas não se esquece
das origens. “Sou metade budista e
metade católica”, afirma. Algumas
práticas da religião oriental ainda
são seguidas pela comunidade. Seus
membros chegam a reunir-se vez ou
outra para alimentar seus costumes,
mas como preferem resguardar esses
momentos não entram em detalhes.
Carmen veio ao Brasil para se casar. Sua chegada ao país foi por Pindamonhangaba, São Paulo. Ela é do
tempo em que no Japão atuavam os
chamados casamenteiros. “Toda família tinha um tio, um primo, alguém
que indicava com quem os jovens deveriam se casar”, conta. A pessoa que
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o casamenteiro indicasse era aprovada pela família, e o casamento era
logo arranjado, sem importar se os
noivos se conheciam ou não. Assim
como Takahachi, ela lembra com certa dor da situação em que se encontrava antes de atravessar o mundo.
“Não tínhamos roupa nem comida.
Não podíamos trabalhar porque tínhamos que nos esconder dos americanos. Não conseguíamos plantar.”
Quando chegou a notícia de que
existia um jovem de 20 anos, trabalhador, que recebia salário e gozava
de boa saúde, foi uma imensa alegria
para ela e toda a sua família. “Sabíamos que só era escolhido para vir
para o Brasil o japonês que tivesse
boa saúde, fosse educado e tivesse
vontade de trabalhar”, ressalta. Antes
de embarcar, Carmen fez algumas
aulas para aprender português e um
pouco da cultura do novo país. Também aprendeu a costurar. E está com
Kendiro Cekinuchi até hoje. “Japonês
não mente. Por isso, o casamento
dura. Eu não tenho corrente, não tenho brincos, não tenho dinheiro, mas
eu sou feliz e agradeço todos os dias
por tê-lo encontrado”, diz.l
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A cidAde que mAis cresce no estAdo comemorA suAs conquistAs e