1 Testes de Qualificação de Alta Corrente de um Sistema de Detecção de Arco Voltaico Bob Hughes, Veselin Skendzic, Dhruba Das e Joshua Carver, Schweitzer Engineering Laboratories, Inc. Sumário—Os sistemas de detecção de arco voltaico (“arc-flash detection” – AFD) fornecem um meio para redução da energia do arco voltaico baseado no custo benefício ao possibilitar a abertura rápida após o início de um evento com arco voltaico. Para demonstrar que um sistema AFD vai operar corretamente sob condições reais de arco voltaico, é necessária uma metodologia de testes de qualificação. Os testes com sinais de nível baixo (bancada) propiciam um ponto de partida econômico e seguro para testar a operação correta de um sistema AFD. Contudo, os testes com sinais de nível baixo não comprovam se o sistema vai operar durante condições reais de faltas com arco voltaico. Os testes de qualificação completos exigem que condições reais de faltas com arco sejam criadas usando uma corrente de falta, tensões do sistema e espaçamentos entre condutores que sejam comparáveis ao ambiente de operação esperado de um sistema AFD. Testes de qualificação de um novo sistema AFD foram executados em um laboratório de testes de alta corrente. Este programa de testes demonstrou a confiabilidade e a velocidade de abertura do sistema AFD para várias combinações da corrente de falta, tensão do sistema, espaçamento entre condutores e localização dos sensores do AFD. Os resultados dos testes mostram o desempenho do sistema quando os sensores do AFD são totalmente envolvidos pela explosão do arco, bem como o desempenho do sistema quando uma autodiagnose é efetuada durante um evento com arco voltaico. Este artigo fornece os métodos de teste e os resultados dos testes de qualificação de alta corrente do sistema AFD, demonstrando assim que o sistema fornece AFD e abertura dentro das condições de operação especificadas. I. INTRODUÇÃO Este artigo demonstra a redução dos riscos do arco voltaico obtida pela utilização da função de detecção de arco voltaico (“arc-flash detection” – AFD) de um relé de proteção. O nível de risco de um arco voltaico é calculado usando um modelo matemático da IEEE 1584-2002 [1]. Conforme descrito por Mark Zeller e Gary Scheer em [2], a energia de alto risco produzida por um evento com arco voltaico é proporcional à tensão, corrente e duração do evento (V • I • t). Um relé de proteção pode afetar diretamente a duração do evento, resultando numa redução proporcional da energia do arco voltaico. A referência [2] mostra que esta redução na energia do arco voltaico é significativa. II. EFEITOS DOS TEMPOS DE OPERAÇÃO DO RELÉ DE PROTEÇÃO NA ENERGIA INCIDENTE Um sistema usado como exemplo ilustra o efeito dos tempos de operação do relé de proteção na energia incidente. Este sistema está mostrado na Fig. 1. O sistema de 60 Hz é solidamente aterrado e inclui um cubículo “metal-clad” trifásico especificado para 4.160 V (fase-fase) com espaçamento entre os condutores de 70 mm. A distância de trabalho típica é 910 mm. A corrente de falta sólida é fornecida como 36,000 A. Barra de 4.16 kV Ibf = 36 kA Cubículo Metal-Clad Carga Fig. 1. Sistema usado como exemplo. A. Determine as Correntes da Falta com Arco De acordo com [1], a impedância do arco reduz a corrente da falta com arco para um valor menor do que o da corrente da falta sólida. Para sistemas de média tensão, a corrente da falta com arco é calculada como uma função da corrente da falta sólida. log Ia = 0.00402 + 0.983 log Ibf log Ia = 0.00402 + 0.983 log(36) = 1.534 Ia = 10 1.534 (1) = 34.2 kA onde: Ibf é a corrente da falta sólida (kA). Ia é a corrente do arco (kA). B. Determine a Duração do Arco A duração do arco é determinada como o tempo necessário para detectar o arco e interromper a corrente do arco. Para disjuntores operados por relés de proteção, esta duração é a soma dos dois tempos de operação seguintes: • O tempo gasto para que o relé de proteção detecte a condição de arco voltaico e, em seguida, para operar o circuito de saída de trip. Para os propósitos deste artigo, o tempo de trip do relé de proteção é definido desde o início da corrente da falta com arco até o 2 instante que o circuito de saída de trip conduz corrente. • O instante em que o circuito de trip do disjuntor é energizado pelo relé até o instante em que o disjuntor interrompe a corrente da falta com arco. Para os disjuntores com tecnologias modernas, a corrente da falta com arco é normalmente interrompida no cruzamento pelo zero da forma de onda AC. Este tempo está tipicamente na faixa de 2 a 5 ciclos. Para um relé de proteção operando com base num elemento de sobrecorrente de tempo-inverso, o tempo de operação é determinado pela combinação da magnitude da corrente da falta com arco e da característica da curva de sobrecorrente de tempo-inverso. O tempo gasto pelo disjuntor para detectar o sinal de trip e interromper a corrente do arco é normalmente especificado pelo fabricante. É frequentemente fornecido em unidades de ciclos AC e precisa ser convertido para segundos para ser usado na equação da energia incidente. Conforme observado anteriormente, os disjuntores normalmente interrompem a corrente de falta em um cruzamento pelo zero. Isso tem uma importante ramificação na relação entre a detecção da falta com arco pelo relé de proteção e o tempo de interrupção da corrente do disjuntor. Se o tempo de operação do relé de proteção for reduzido incrementalmente, não há alteração na duração global da falta com arco até que o tempo de operação do relé de proteção seja reduzido o suficiente para permitir que o disjuntor interrompa a corrente numa passagem pelo zero anterior àquela que teria ocorrido de outra forma. Para um sistema de 60 Hz, os cruzamentos pelo zero são separados em 1/120 s. Num sistema polifásico, cruzamentos pelo zero sucessivos das três fases vão ocorrer a cada 1/360 s ou 2.8 ms. Logo, uma melhoria de 1 ms no tempo de operação do relé de proteção não vai encurtar a duração da falta com arco a não ser que isto seja exatamente o necessário para permitir que o disjuntor interrompa a corrente um cruzamento pelo zero anterior. De forma contrária, para uma falta trifásica, uma melhoria de 2.8 ms garantirá virtualmente que a duração da falta com arco seja reduzida por um cruzamento pelo zero. Considerando a intensidade da energia liberada durante o evento de uma falta com arco voltaico, é fácil entender porque é desejável minimizar o tempo de detecção do relé de proteção. A redução do tempo de operação do disjuntor é muito mais difícil e pode ser bem cara, levando a soluções alternativas como os desviadores de arco (chaves curto-circuitadoras rápidas). 1) Exemplo Usando Proteção de Sobrecorrente Temporizada Usando as curvas de sobrecorrente temporizadas do relé, assumimos que o tempo de operação do relé é 41 ciclos. O tempo de operação do disjuntor é fornecido pelo fabricante como 5 ciclos. O tempo total para eliminar a falta com arco é: 41 cycles + 5 cycles = 46 cycles 46 cycles • 1s = 0.77 s 60 cycles (2) 2) Exemplo Usando AFD Neste exemplo, é assumido que o relé de proteção é capaz de distinguir uma falta com arco voltaico dentro do cubículo de uma falta externa fora do cubículo. No caso de uma falta com arco, o relé vai operar em 4 ms ou menos. O tempo total para eliminar a falta com arco é: 60 cycles (3) + 5 cycles = 5.24 cycles 1s Conforme declarado anteriormente, um disjuntor típico pode somente interromper a corrente no cruzamento pelo zero. Para determinar a duração exata da falta com arco voltaico, precisamos conhecer o “point-on-wave” inicial para o evento com arco voltaico. Para este exemplo, assumimos que a falta começa no cruzamento pelo zero. Arredondamos 5.24 ciclos até o próximo cruzamento pelo zero, que é 5.5 ciclos. Convertendo para segundos, temos 0.092 s. Este exemplo ilustra que pequenas variações no tempo de AFD não altera necessariamente a duração da falta com arco. 4 ms • C. Determine a Energia Incidente Usando o modelo da IEEE 1584-2002 para calcular os riscos de arco voltaico [1], a energia incidente é calculada em duas etapas. Primeiro, a energia incidente normalizada é calculada para um tempo de arco de 0.2 s e uma distância de 610 mm. Segundo, a energia incidente normalizada é convertida para a energia incidente real efetuando-se o ajuste para a tensão do sistema, tempo do arco e distância do ponto do arco até o indivíduo. Calcule a energia incidente normalizada: log E n = K1 + K 2 + 1.081 log Ia + 0.0011 G log E n = –0.555 – 0.113 + 1.081 log(34.2) + 0.0011• 70 = 1.067 (4) E n = 101.067 = 11.67(J/cm 2 ) onde: En é a energia incidente (J/cm2) normalizada. K1 é –0.555 para configurações em caixas. K2 é –0.113 para sistemas aterrados. G é o espaçamento entre os condutores (mm). Calcule a energia incidente real em cal/cm2 para a proteção de sobrecorrente temporizada: x t 610 E = Cf E n x 0.2 D 0.973 0.77 610 2 E = 1•11.67 0.973 = 30.44(cal/cm ) 0.2 910 onde: E á a energia incidente (cal/cm2). Cf é 1.0 para tensões acima de 1 kV. t é o tempo do arco (s). D é a distância do arco até o indivíduo (mm). x é o expoente da distância de [1]. (5) 3 Calcule a energia incidente real em cal/cm2 para a detecção de arco voltaico: 0.092 610 E = 1•11.67 0.973 0.2 910 2 (6) = 3.64(cal/cm ) A redução na energia incidente de 30.44 para 3.64 cal/cm2 é significativa. O nível 30.44 corresponde ao risco de arco voltaico Categoria 4 da norma NFPA 70E (NFPA – “National Fire Prevention Association”) [3]. A especificação mínima para equipamentos de proteção pessoal (“personal protective equipment” – PPE) para indivíduos trabalhando neste cubículo é de 40 cal/cm2. A classificação PPE Categoria 4 pode representar equipamentos muito volumosos, dificultando o trabalho. De forma contrária, 3.64 cal/cm2 corresponde ao risco de arco voltaico Categoria 1 da NFPA. A classificação PPE Categoria 1 é bem mais leve e muito mais fácil de ser usada no trabalho. 0.973 III. PRINCÍPIO DE OPERAÇÃO DO AFD A. Luz Produzida por um Arco Voltaico Um evento com arco voltaico produz um flash de luz muito brilhante que pode ser usada para distinguir um arco voltaico de uma falta externa. A medição da intensidade de luz típica efetuada em nosso programa de teste mostrou que a intensidade da luz do arco voltaico variava de 108,000 lux, medida a 3 metros de distância da fonte do arco voltaico, até mais de 249,900 lux. A leitura de fundo de escala de nosso medidor de luz ia apenas até 249,900 lux. Vários dos eventos com arco voltaico produziram medições da luz “fora-daescala”. Para efeito de comparação, a luz solar direta de um dia ensolarado é de aproximadamente 100,000 lux. A iluminação de um escritório claro produz somente 500 lux. Logo, a intensidade da luz do arco voltaico é algumas ordens de magnitude maior do que a luz ambiente disponível dentro do cubículo. O arco voltaico produz um sinal de luz de magnitude extremamente elevada que pode ser usado como parte da determinação de que está ocorrendo um evento com arco voltaico. O espectro de luz (cor) varia em função dos materiais envolvidos no arco mas não pode, em geral, ser diferenciado da luz solar direta. B. Sobrecorrente Produzida por um Arco Voltaico A luz proveniente de um arco voltaico é clara o suficiente para fornecer um sinal confiável para um trip por arco voltaico. Infelizmente, o trip por arco voltaico baseado na luz não é seguro. Outras fontes de luz podem ser introduzidas no cubículo com claridade suficiente para imitar um evento com arco voltaico. Essas fontes incluem o flash de uma câmera, lanterna de LED (“light-emitting diode”), caneta a laser (“laser pointer”), e luz solar direta incidindo sobre um sensor. Alguns exemplos dos valores da intensidade de fontes de luz estão relacionados na Tabela I. Se projetadas diretamente sobre a face do sensor, cada uma dessas fontes fornece luz suficiente para ativar um sensor de luz do arco voltaico. TABELA I INTENSIDADE DAS FONTES DE LUZ Fonte Lux a 457 mm (18 in) Flash de câmeras 234,000 Luz solar direta (a qualquer distância) 100,000 Lanterna de LED AA de alta intensidade 28,000 Lanterna de LED AA comum 4,560 Embora essas fontes não estejam geralmente presentes no ambiente dos cubículos, não é razoável excluir todas as possíveis fontes de luz de alta intensidade ao longo da vida do cubículo. Para evitar que uma dessas fontes externas de luz cause uma operação incorreta, os sistemas de proteção contra arco voltaico baseados na luz são frequentemente supervisionados por um elemento de sobrecorrente instantâneo. Uma vez estabelecida, uma falta com arco fornece uma carga não linear de baixa impedância que vai absorver 60 a 100% da corrente de falta sólida disponível. Este sinal de corrente relativamente elevado pode ser usado para supervisionar com segurança o elemento baseado na luz do arco voltaico. No evento de uma condição de sobrecorrente sem o evento do flash de luz, o relé não vai executar um trip por arco voltaico. Ao invés disso, serão usados os elementos da proteção de sobrecorrente convencional (ex., sobrecorrente de tempo-inverso). Isso permite que o relé forneça ambas as proteções de sobrecorrente convencional baseada na coordenação de tempo e proteção rápida contra arco voltaico. C. Os Sensores São Ativados Antes de Serem Danificados Os sensores de luz do arco voltaico são expostos a condições ambientais agressivas e podem frequentemente estar localizados em áreas bem próximas da falta. Uma vez que o evento com arco voltaico pode ocorrer em qualquer ponto dentro do compartimento protegido, é quase garantido que o sensor de luz seja exposto ao plasma do arco, partículas ejetadas, alta temperatura, pressão, choque mecânico e radiação infravermelha intensa. Dependendo do nível de tensão e da distância do sensor até a falta, é até possível que o sensor seja totalmente envolvido pelo arco, ficando exposto aos campos magnéticos e elétricos de alta intensidade. Adicionalmente, as informações dos sensores de arco voltaico precisam ser transmitidas para um dispositivo de proteção remoto e, finalmente, para o disjuntor capaz de eliminar a falta. Considerando a natureza crítica da função do sensor de luz e a gravidade do ambiente de operação, é fácil perceber que os sistemas de comunicação metálicos (baseados em fios) e o uso de componentes eletrônicos ativos devem ser evitados em favor de uma tecnologia simples baseada em sensores passivos, tal como os sensores de luz baseados em fibra óptica. Os sensores usados nos testes foram construídos usando fibras ópticas padrão industrial. Eles foram disponibilizados em duas variantes: o loop de fibra óptica (fibra óptica 4 descoberta) e o sensor pontual de fibra óptica, que está mostrado na Fig. 2. Os sensores do loop de fibra óptica são otimizados para proteção de recursos de grande porte e distribuídos, tais como barramentos de baixa e média tensão, que podem envolver múltiplos compartimentos do cubículo. O comprimento do loop (tipicamente de 1 a 50 m) pode ser customizado para atender à aplicação. Os sensores pontuais são otimizados para proteção de compartimentos individuais, oferecendo localização precisa do evento de arco voltaico. Os sensores podem estar localizados remotamente (longe do relé), com o comprimento máximo da fibra atingindo 35 m. Fig. 2. Sensor pontual de fibra óptica usado no teste. A medição real da intensidade de luz é efetuada pelos fotossensores localizados dentro do invólucro do relé. Os materiais do sensor pontual, do loop e do cabo de fibra óptica são especificados para suportar a mesma temperatura ambiente de –40° a +85°C do relé de proteção. Contudo, durante um evento com arco voltaico, as temperaturas no plasma, ou perto do plasma, do arco voltaico são estimadas em aproximadamente 16,000°C, bem fora da faixa de operação normal. Baseando-se numa investigação inicial, era esperado que essas temperaturas extremas fossem danificar ou destruir os sensores ópticos. Entretanto, a simplicidade e a robustez do projeto dos sensores nos levaram a acreditar que eles conduziriam um sinal de luz para o relé (executando sua função) antes de serem danificados pelas temperaturas extremas. Isso se baseia no raciocínio de que a luz trafega mais rápido quando comparada ao tempo necessário para que altas temperaturas sejam atingidas. Esta abordagem é ajudada pela operação extremamente rápida do relé, com a decisão de trip do relé sendo tomada dentro de 2 ms a partir do evento do flash inicial. Uma vez que a decisão de trip tenha sido tomada, uma operação adicional dos sensores se torna irrelevante. Um dos objetivos dos testes foi validar essas suposições. D. Autodiagnose dos Sensores de Luz A integridade óptica e mecânica dos sensores de arco voltaico é automática e periodicamente testada através do teste de “loopback”. Um LED acopla a luz de teste em uma das duas fibras ópticas do sensor de arco voltaico. Para um sensor tipo loop, esta luz trafega através do cabo de fibra óptica de volta para o sensor óptico do relé. Para um sensor pontual, a luz trafega através do cabo de fibra óptica para a cúpula translúcida do sensor pontual. A luz é espalhada pelas propriedades ópticas da cúpula. Uma porção da luz espalhada é acoplada ao cabo de fibra óptica adjacente e retorna para o sensor óptico do relé. Para qualquer tipo de sensor, a luz detectada durante a autodiagnose é comparada com valores limites superior e inferior, verificando assim a integridade dos componentes eletrônicos dos sensores de luz e medindo a atenuação do caminho da fibra óptica. Um resultado da autodiagnose que esteja fora dos limites do teste resulta em um alarme de alerta, indicando que o sensor pode estar com defeito, desconectado ou danificado. A função da autodiagnose é extremamente importante, considerando a natureza crítica da função da proteção contra arco voltaico. Ela habilita a instalação fácil e amigável, garantindo, ao mesmo tempo, que todos os componentes do sistema estejam intactos e prontos para funcionar a qualquer momento. Cortes, dobras e raspaduras na fibra óptica são facilmente detectados e reportados para o operador. O sistema também inclui uma função de medição da intensidade da luz ambiente, a qual é usada para ajudar a definir o limite de intensidade da luz, e uma função de oscilografia da luz, usada para ajudar na análise de qualquer evento de trip. Na operação diária, é bem possível que um evento com arco voltaico possa ocorrer durante uma autodiagnose periódica do sensor de arco voltaico. Esta possibilidade requer que um dispositivo de proteção seja capaz de distinguir entre a luz produzida por um arco voltaico e a luz produzida pela autodiagnose. Um dos objetivos dos testes foi provar que a autodiagnose não vai interferir no AFD. IV. MÉTODO DE TESTE Para os equipamentos do sistema elétrico de potência, é normal haver testes de desempenho baseados em normas industriais para uma operação correta do dispositivo. Por exemplo, os medidores de eletricidade de alta precisão são testados de acordo com as normas ANSI C12.20 e IEC 6205322. Os relés de proteção são testados de acordo com as séries de normas IEEE C37.90 e IEC 60255. Infelizmente, não há atualmente normas industriais para testes do desempenho de um relé AFD. Como resultado, tivemos que desenvolver nosso próprio método de teste. A. Testes de Bancada e Limitações Os testes iniciais foram executados na bancada de engenharia usando sinais luminosos de nível baixo. Desenvolvemos uma fonte de luz de nível baixo para testar a capacidade de detecção de luz do relé. Além disso, projetamos um dispositivo para calibração da intensidade da luz, com capacidade de medir padrões de sensibilidade tridimensional. Um dispositivo “testador de arco voltaico” especializado (“arc-flash tester” – AFT) foi desenvolvido para fornecer um flash de luz LED branca de alta intensidade, o qual pode ser coordenado no tempo com um evento de sobrecorrente, conforme mostrado na Fig. 3. O AFT é usado em combinação com uma fonte de corrente externa para fornecer simultaneamente um flash de luz e sobrecorrente para o relé de proteção. 5 determinar a sensibilidade à localização do sensor no ambiente real de um cubículo. Fonte de Corrente Corrente para o Relé Relé de Proteção Testador de Arco Voltaico 2) Questões Relativas aos Ambientes Agressivos Conforme descrito anteriormente, um sensor de arco voltaico tem que ter capacidade para operar na presença de um plasma extremamente quente gerado pelo arco voltaico. Além disso, um arco voltaico produz uma onda de choque, depósitos de vapores metálicos e fumaça. Um dos objetivos dos testes foi determinar se o sensor de luz de fibra óptica funcionaria corretamente neste ambiente, assim como verificar se o sensor sofreu algum dano significativo após a luz do arco voltaico ter sido detectada pelo relé. V. DESENVOLVIMENTO DO MÉTODO DE TESTE LED de Alta Potência Fig. 3. Sensor de Luz O AFT fornece corrente e luz sincronizadas. Os testes de bancada usando o AFT forneceram um método prático, seguro e econômico para testar as funções do AFD durante o desenvolvimento do produto. Contudo, o AFT não pode simular totalmente o evento real com arco voltaico. Por exemplo, o LED branco foi acionado por uma fonte de corrente DC regulada. De forma contrária, a luz do arco voltaico é gerada pela corrente AC da falta com arco. As formas de onda da intensidade da luz para estas duas fontes são bastante diferentes (em várias ordens de magnitude). Além disso, o desenvolvimento do AFT exigiu que fizéssemos algumas suposições sobre a cronometragem dos tempos (relativos à forma de onda da corrente) e a intensidade da luz do arco voltaico. Essas suposições precisaram ser verificadas em um ambiente real de arco voltaico. B. Necessidades para os Testes de Alta Corrente Além das questões referentes à cronometragem dos tempos e fonte de luz descritas acima, existem diversas outras características de um ambiente de operação do arco voltaico que requerem testar o relé na presença de um evento real com arco voltaico. 1) Intensidade da Luz e Instalação dos Sensores A intensidade real da luz de um arco voltaico é descrita na literatura em termos gerais. Essas informações não são suficientemente específicas para determinar os requisitos para a instalação dos sensores de arco voltaico como uma função da magnitude da corrente do arco, espaçamento entre condutores e tensão do sistema. Um dos objetivos dos testes de alta corrente foi determinar os requisitos para a instalação dos sensores ópticos, incluindo a distância a partir do arco voltaico e as limitações do comprimento do cabo de fibra óptica. Para o sensor tipo loop, precisamos adicionalmente determinar o comprimento mínimo da fibra óptica descoberta exposta ao arco voltaico. Em um cubículo real, existem obstruções na linha de visão entre as localizações possíveis dos sensores e as localizações das fontes de arco voltaico. Um dos objetivos dos testes foi A. “Arcos em uma Caixa” Nossa configuração básica para os testes for criada adaptando-se a seção “Programa de Testes de Laboratório” da norma IEEE 1584-2002 à nossa aplicação particular. Tipicamente, os sistemas AFD são usados dentro dos cubículos “metal-clad” e “metal-enclosed”. Consequentemente, usamos o procedimento “arcos em uma caixa com eletrodos paralelos” da IEEE 1584-2002 Test Setup C em uma caixa de testes metálica de cinco lados, 762 mm x 762 mm x 1,143 mm (30 in x 30 in x 45 in), conforme mostrado na Fig.4. Proveniente da Fonte de Alta Corrente Sensor de Fibra Óptica Descoberta Isolador Fibra Óptica Revestida Sensor Pontual Fio Fusível Eletrodos de Cobre Fibra Óptica Revestida Caixa de Teste Metálica 762 mm x 762 mm x 1,143 mm (30" x 30" x 45") Para o Relé Para o Relé Fig. 4. Caixa de teste de arco voltaico. A caixa de testes é equipada com até três eletrodos de cobre de 6.35 mm (0.75 in) que entram na caixa pelo painel superior de 762 mm x 762 mm (30 in x 30 in). O espaçamento 6 e o número de eletrodos podem ser ajustados para atender às diversas configurações de baixa e média tensão. B. Cenários dos Testes O laboratório de testes de alta corrente forneceu vários níveis de tensões e correntes de falta com arco para simular os cenários de teste, conforme resumido na Tabela II. TABELA II SUMÁRIO DOS CENÁRIOS DE TESTE * * Classe de Tensão 600 V 2,400 V 15 kV Configuração Trifásica Fase-fase Fase-fase Espaçamento (mm/in) 25.4/1 70/2.75 203/8 Tensão inicial 600 2,400 3,000 Corrente de falta (kA) 2, 5, 15, 22 1, 4, 17, 35 0.8, 1.4, 5 Todos os testes foram executados a 60 Hz. Devido às limitações da estação de testes, as faltas trifásicas foram efetuadas apenas no nível de baixa tensão. Para os testes de média tensão, somente foram efetuados testes fase-fase. Isso é razoável, uma vez que as faltas com arco têm probabilidade de iniciar como uma falta fase-fase ou fase-terra e, em seguida, evoluir para uma falta trifásica. Nos testes de um sistema AFD, estamos mais interessados em determinar a rapidez com que a falta com arco fase-fase inicial pode ser detectada. C. Tensão da Falta com Arco Outra limitação da estação de testes consiste na capacidade de fornecer 15 kV para correntes de faltas elevadas. Isto não teve impacto em nosso teste porque em uma falta com arco real, uma vez que o arco tenha iniciado, a tensão nos eletrodos é apenas uma fração da tensão de circuito aberto. Como exemplo, para um espaçamento entre condutores de 152 mm (6 in), a tensão de arco é uma forma de onda não senoidal com uma magnitude de apenas 250 V rms, conforme mostrado na Fig. 5 (registrada durante um dos testes). Fig. 5. Corrente e tensão da falta com arco. A Fig. 5 demonstra a característica de carga não linear de uma falta com arco. Uma vez estabelecido, o arco vai conduzir tanta corrente de falta quanto estiver disponível na pequena tensão de arco. A tensão aplicada inicialmente tem muito pouca relação com a energia incidente e tensão da falta com arco resultante. Isso pode ser visto matematicamente nas fórmulas (4) e (5) da energia incidente da norma IEEE 1584- 2002. A tensão não tem efeito na En. Para E, a tensão apenas afeta o fator de cálculo Cf. Como resultado, nossos testes da classe de tensão 15 kV foram executados com um espaçamento dos eletrodos de 203 mm (8 in), correspondendo ao espaçamento grande encontrado no cubículo de 15 kV. A tensão inicial aplicada foi somente 3,000 V porque o laboratório de alta corrente não pôde fornecer correntes de faltas elevadas para 15 kV. D. Relés Sob Teste Três relés de proteção de alimentadores foram usados como os equipamentos a serem testados. Os relés foram colocados junto à caixa de teste, protegendo-os da explosão direta do arco voltaico. Cada relé foi equipado com quatro sensores de arco voltaico. Isso forneceu 12 resultados do desempenho dos sensores para cada teste de arco voltaico. O tipo de sensor, pontual ou loop, e os comprimentos dos cabos de fibra óptica foram variados para os testes. E. Instalação dos Sensores Ópticos Os sensores pontuais e de fibra óptica descoberta foram instalados dentro da caixa de teste. Esses sensores estavam a 0.5 m de distância dos eletrodos. Precisamos também testar o desempenho dos sensores em diferentes distâncias dos eletrodos, especificamente para 1, 2 e 3 m. Essas distâncias exigiram a utilização de stands de teste externos para instalar os sensores pontuais e os sensores de fibra óptica descoberta. F. Instrumentação do Laboratório Três transformadores de corrente (TCs) de 2000:5 foram instalados na barra de alimentação e conectados em série com os três relés. TCs separados foram conectados ao registrador de formas de onda do laboratório (“laboratory waveform recorder” – LWR). Esses TCs mediram a corrente da falta com arco de cada eletrodo. O contato de saída de trip do relé de alta velocidade de cada relé foi fornecido com uma tensão de 48 Vdc (“wetting voltage”) e conectado a uma entrada do LWR. O LWR registrou as correntes de falta e todas as saídas de trip dos três relés. Isso permitiu ao LWR determinar com precisão o tempo de operação do arco voltaico de cada relé, conforme medido desde a aplicação da corrente de falta até a condução de corrente pelo contato de saída de trip do relé. O laboratório de teste estava também equipado com uma câmera de alta velocidade capaz de registrar 2,000 quadros por segundo (“frames-per-second” – fps). Esta câmera incluía canais para aquisição de dados de entrada analógicos instantâneos que registram o valor analógico de cada quadro do vídeo. Essas entradas analógicas foram usadas para registrar a corrente de falta e um dos contatos de saída de trip do relé mostrados na parte superior da Fig. 6. A câmara de vídeo de alta velocidade forneceu um método independente para registrar a luz do arco voltaico, permitindo a comparação com a corrente de falta e desempenho da saída de trip do relé. 7 VI. RESULTADOS DOS TESTES A. Resultados do Primeiro Teste O primeiro teste de alta corrente executado foi um teste trifásico, 600 V, com uma corrente de falta de 2,000 A. 1) Dados do LWR A forma de onda da corrente de falta e da saída de trip do Relé 1 estão mostradas na Fig. 8. O tempo de trip desde o início da corrente para o Relé 1 foi 3.1 ms. Para os Relés 2 e 3, os tempos foram de 3.7 e 3.6 ms, respectivamente. A operação dos contatos de saída do relé está mostrada por um traço azul na parte inferior da figura. Corrente de Falta Primária IA IB IC Fig. 6. Quadro do vídeo de alta velocidade mostrando o lado da nuvem de plasma no instante do trip por arco voltaico, 3.4 ms a partir do início da corrente de falta. G. Início da Falta com Arco Antes de cada teste, uma extensão de cabo 28 AWG (American Wire Gauge) foi conectada ao redor dos eletrodos para iniciar a falta com arco assim que a barra fosse energizada. Isso está mostrado na Fig. 7. 25 30 35 40 45 50 3.1 ms Saída de Trip do Relé 1 Fig. 8. A captura do LWR do primeiro teste mostra um tempo de trip igual a 3.1 ms. Fig. 7. Fio fusível 28 AWG nos eletrodos. A duração real de cada teste de arco voltaico foi controlada através do painel de controle do operador do laboratório e disjuntores a vácuo associados. Para a maioria dos testes, a duração do arco voltaico foi limitada a 3 ciclos AC, simulando o tempo de eliminação da falta de um disjuntor de 3 ciclos. A duração do arco voltaico foi mantida curta para limitar os danos cumulativos para a caixa de testes e eletrodos. A saída de trip dos relés sob teste ocorreu sempre no primeiro 0.25 ciclo da falta com arco. Logo, não havia nenhum requisito do teste para permitir que a falta continuasse por mais tempo. 2) Resultados da Câmera de Alta Velocidade A análise quadro-a-quadro dos dados da câmera de alta velocidade mostra que a luz visível do arco voltaico está atrasada no tempo em relação à aplicação da corrente por uma média de 1.5 ms (três quadros a 2,000 fps). Isso foi determinado efetuando-se uma análise passo a passo dos quadros do vídeo até encontrar o primeiro quadro mostrando a luz do arco voltaico. O defasamento entre a aplicação da corrente e o surgimento da luz é esperado porque a criação da nuvem de plasma requer uma quantidade finita de tempo. Este defasamento coloca um limite físico sobre o tempo que leva para um AFD óptico dar trip. Simplificando, o relé não pode detectar um evento com arco voltaico até que inicie o flash da luz. A Tabela III mostra o tempo de trip desde a aplicação da corrente, conforme medida pelo LWR, e a partir do aparecimento da luz. O tempo de trip desde o primeiro flash de luz foi calculado subtraindo 1.5 ms do início dos resultados das correntes. 8 TABELA III SUMÁRIO DOS TEMPOS DE TRIP DO PRIMEIRO TESTE ilustrado no relatório de captura da forma de onda do relé mostrado na Fig. 10. Relé A Partir da Aplicação da Corrente A Partir do Surgimento da Luz 1 3.1 1.6 2 3.7 2.2 3 3.6 2.1 B. Testes Subsequentes Um total de 20 testes baseados no procedimento “arcos em uma caixa” foi executado. Esses testes abrangeram todos os cenários de teste da Tabela II. Para os 20 testes, o tempo médio de trip (conforme medido desde a aplicação da corrente de falta até a condução de corrente pelo contato de saída de trip do relé) foi de 3.7 ms. O tempo médio de trip desde o início da luz visível é estimado em 2.2 ms. Isso é calculado subtraindo o atraso de 1.5 ms entre a aplicação da corrente de falta e o início da luz visível do valor medido de 3.7 ms. C. Durabilidade dos Sensores Esperávamos que os sensores ópticos fossem danificados por um evento com arco voltaico. A expectativa para o uso do sistema é que os sensores de arco voltaico precisem ser substituídos após serem expostos a um evento com arco voltaico. O calor, a fumaça e os depósitos de vapores metálicos podem causar danos permanentes aos sensores, afetando ou impedindo que esses sensores detectem um evento subsequente com arco voltaico. Os testes mostraram que os sensores realmente são muito mais resistentes a danos causados por um arco voltaico do que era previsto. Como parte dos testes de 17 kA e 35 kA, 2,400 V, instalamos um sensor pontual e um sensor do loop de fibra óptica descoberta bem no meio dos eletrodos, conforme mostrado na Fig. 9. Loop e Pontual Tempo de Trip (ms) Fig. 10. Os sensores de arco voltaico reportam o evento completo. A inspeção subsequente do sensor pontual indicou danos à superfície externa do material do sensor. Isso pode ser observado através do escurecimento do material branco do sensor mostrado na fotografia da Fig. 9. Um resultado inesperado foi que este sensor continuou a operar dentro das especificações. Reutilizamos o sensor no próximo teste, colocando-a a 1 m de distância do arco. O sensor danificado ainda forneceu um sinal de fundo de escala para o relé. Embora interessante sob o ponto de vista da engenharia, esta reutilização nunca deve ser tentada na vida real. Todos os sensores envolvidos em um evento com arco voltaico devem ser substituídos, independentemente da aparente falta de danos. A inspeção subsequente do sensor tipo loop mostrou que ele foi completamente derretido. Isto era esperado. A análise do vídeo de alta velocidade mostrou que a fibra óptica derreteu em aproximadamente 1.5 ciclo AC no evento. Isso equivale a 1.25 ciclo após o relé ter executado o trip por arco voltaico. Esses testes demonstram que os sensores fornecem um sinal luminoso para o relé antes de serem danificados pelo evento com arco voltaico, mesmo se estiverem instalados diretamente no caminho do arco. VII. INSTALAÇÃO DOS SENSORES Fig. 9. Sensor pontual e sensor tipo loop entre os eletrodos, antes (à esquerda) e após (à direita) um teste de arco voltaico. Logo após a corrente de falta ter sido aplicada, estes dois sensores forneceram um sinal luminoso de fundo de escala, permitindo ao relé efetuar um trip por arco voltaico. Isso está Os sensores tipo pontual e tipo loop que foram instalados dentro da caixa de teste a 0.5 m de distância dos eletrodos forneceram, de forma consistente, um sinal luminoso de nível 100% para o relé. Isso indica que a luz recebida por estes sensores é tão clara que o circuito fotodetector entra numa condição saturada. Este é um resultado desejável para o AFD. Os sensores tipo pontual e tipo loop também foram instalados a distâncias de 1, 2 e 3 m dos eletrodos. Esses testes mostraram o resultado esperado: os sensores instalados mais perto do arco voltaico detectaram mais luz. O comprimento dos cabos de fibra óptica variou durante o teste desde um mínimo de 10 m até um máximo de 30 m. Estes testes mostraram o resultado esperado: os cabos de fibra 9 óptica atenuaram a luz proporcionalmente ao seu comprimento. Para os sensores tipo loop, o comprimento da fibra óptica descoberta exposta foi ajustado de 0.25 m até 2 m. Este ajuste foi feito para determinar o efeito do comprimento da fibra óptica exposta sobre a quantidade do sinal de luz recebido. Estes testes mostraram o resultado esperado: o sinal luminoso recebido por um sensor tipo loop é proporcional ao comprimento da fibra óptica descoberta exposta ao arco voltaico. Baseando-se em uma análise abrangente desses dados, foram feitas as seguintes recomendações para a instalação. Os sensores pontuais devem ser instalados dentro de uma distância de 2 m da fonte de luz do arco voltaico previsto, com o comprimento máximo do cabo de fibra óptica de 35 m. Os sensores tipo loop devem ser instalados dentro de uma distância de 2 m da fonte de luz do arco voltaico previsto, com um mínimo de 0.5 m de fibra óptica descoberta exposta, permitindo um comprimento máximo do loop de 70 m, incluindo as seções de fibra óptica descoberta e revestida. VIII. TESTES DO CUBÍCULO Nos testes baseados no procedimento "arcos em uma caixa", não existem obstruções entre o arco voltaico e os sensores. Uma linha clara de visão está sempre presente. De forma contrária, o cubículo contém vários componentes, tais como placas separadoras para isolação, as quais podem bloquear a linha de visão direta entre o local do arco inicial e os sensores. Um teste do cubículo foi realizado para determinar o desempenho dos sensores em seu ambiente operacional esperado. O cubículo usado no ensaio foi um disjuntor da Westinghouse Modelo 150-DHP-750C, especificado para 15 kV com corrente contínua de 1,200 A. Um total de 12 sensores foi fixado em vários locais dentro da célula do disjuntor. Cinco dos sensores foram instalados na parede traseira da célula do disjuntor. Outros quatro sensores foram colocados nas paredes laterais. A linha de visão destes sensores foi bloqueada pelas paredes laterais isoladas do carrinho do disjuntor. Os três sensores restantes foram instalados no teto da célula do disjuntor. A linha de visão de três desses sensores foi bloqueada pelos extintores de arco (“arc chutes”). Na preparação dos testes, foram instalados fios fusíveis ao redor dos isoladores de porcelana separadores internos ao disjuntor. O carrinho do disjuntor foi então instalado (inserido no rack) na célula do disjuntor desenergizada. Com as equipes de teste isoladas em uma sala de controle remota, a célula do disjuntor foi energizada com uma tensão de circuito aberto de 8 kV (fase-terra), resultando em uma falta com arco. Um total de três testes foi realizado com correntes de falta com arco de 1,260, 10,390 e 10,350 A. Para os três testes, o tempo médio de trip (conforme medido desde a aplicação da corrente de falta até a condução de corrente pelo contato de saída de trip do relé) foi de 3.9 ms. O tempo médio de trip desde o início da luz visível é estimado em 2.4 ms. Os resultados dos testes mostram que os sensores instalados na parede traseira da célula do disjuntor fornecem os maiores níveis de sinal. Para cada um dos três ensaios, todos os cinco sensores fixados na parede traseira forneceram sinais com uma magnitude suficiente para iniciar um trip por arco voltaico. Este resultado é o esperado. A parte traseira do carrinho do disjuntor é o local onde a falta com arco foi iniciada. Os sensores instalados na parede traseira tinham as menores obstruções da linha de visão. De forma contrária, os sensores instalados nas paredes laterais e no teto forneceram os menores níveis de sinal em pelo menos um dos três testes. Em alguns exemplos, os níveis de sinal desses sensores foram insuficientes para iniciar um trip por arco voltaico. Os testes do cubículo demonstram que os sensores de arco voltaico operam de forma confiável no ambiente operacional previsto. IX. AUTODIAGNOSES DOS SENSORES Durante um dos testes de arco voltaico, um dos relés estava efetuando um teste de loopback do sensor simultaneamente ao teste de arco voltaico. A captura da forma de onda do relé da Fig. 11 mostra a autodiagnose do sensor como pulsos periódicos de luz no sensor determinado. O relé detectou o arco voltaico neste sensor em particular sem qualquer interferência ou degradação no desempenho. Este teste demonstra que o relé é capaz de distinguir entre a luz de um teste de loopback e aquela de um arco voltaico. LSENS4(%) 100 90 80 70 60 50 40 Teste de Loopback 30 20 10 0 0.0 2.5 5.0 7.5 Ciclos Cycles 10.0 12.5 15.0 Fig. 11. A autodiagnose do sensor de arco voltaico não interfere no AFD. X. CONCLUSÃO O relé AFD fornece uma redução significativa da energia incidente. No sistema usado como exemplo, os níveis da energia incidente do arco voltaico são reduzidos em 88%, passando de 30.44 cal/cm2 usando a proteção de sobrecorrente de tempo-inverso para 3.64 cal/cm2 usando AFD. Esta redução da Categoria 4 da NFPA 70E para a Categoria 1 representa uma melhoria significativa na segurança. Uma redução adicional da energia incidente é possível combinando o relé AFD com o desviadores de arco (chaves curto-circuitadoras rápidas). Esta aplicação aproveita totalmente a vantagem da rapidez do tempo de operação do relé (tipicamente 3.6 ms). 10 A luz produzida por um arco voltaico fornece um sinal de magnitude extremamente elevada que é usado pelo relé de proteção para detectar um evento com arco voltaico. No entanto, algumas outras fontes de luz brilhante, tais como o flash de uma câmera, podem imitar um evento com arco voltaico. Um elemento de sobrecorrente instantâneo de alta velocidade é usado para supervisionar o elemento de luz. Isso fornece alta segurança para evitar operações incorretas. Os sensores de luz e os elementos de sobrecorrente foram demonstrados para trabalhar em conjunto em condições reais de arco voltaico para fornecer um tempo médio de trip de 3.6 ms desde a aplicação da corrente e 2.2 ms desde o aparecimento do arco voltaico. Os sensores operam de forma confiável em condições reais de arco voltaico, mesmo quando totalmente envolvidos pela nuvem de plasma do arco voltaico. O teste de loopback dos sensores de arco voltaico aumenta a confiabilidade do sistema através da realização de um teste de integridade do sensor sem qualquer intervenção das equipes de trabalho. A autodiagnose do sensor não interfere na capacidade de detecção de um evento com arco voltaico simultaneamente à autodiagnose. A utilidade dos relatórios de evento foi demonstrada em regime de teste. Estes relatórios de evento registram os níveis dos sinais medidos pelos sensores ópticos, as entradas de corrente e a operação de trip do relé por arco voltaico. Este recurso será utilizado pelos técnicos de relés para documentar os eventos de trip por arco voltaico. System Relaying Committee (PSRC) e é presidente do PSRC Relay Communications Subcommittee (H). Dhruba Das tem um B.S. e um M.S. da IT Banaras Hindu University, Índia. Ele obteve um M.S. em engenharia da computação e elétrica da University of Wisconsin, Madison. Dhruba tem mais de 30 anos de experiência combinada em indústrias de relés de proteção e cubículos, a maioria dos quais foi gasta no projeto e desenvolvimento de relés de proteção. Ele é coautor de diversos artigos técnicos relacionados e detém uma patente. Dhruba ingressou na Schweitzer Engineering Laboratories, Inc. em 1999 e atualmente é um engenheiro sênior de desenvolvimento de firmware para pesquisas e desenvolvimento. Joshua Carver recebeu seu B.S. em engenharia elétrica da Washington State University. Ele ingressou na Schweitzer Engineering Laboratories, Inc. em 1998 e é atualmente um engenheiro de hardware para pesquisa e desenvolvimento. XI. RECONHECIMENTO Os autores reconhecem e agradecem as contribuições de Claude Maurice no laboratório High Current Lab at Kinectrics Inc., destacando sua experiência com arco voltaico e ajuda na condução segura dos testes de laboratório de alta potência. XII. REFERÊNCIAS [1] [2] [3] IEEE Standard 1584-2002, IEEE Guide for Performing Arc-Flash Hazard Calculations. M. Zeller and G. Scheer, “Add Trip Security to Arc-Flash Detection for Safety and Reliability,” proceedings of the 35th Annual Western Protective Relay Conference, Spokane, WA, October 2008. NFPA 70E®-2009: Standard for Electrical Safety in the Workplace®, 2009 Edition. XIII. BIOGRAFIAS Bob Hughes recebeu seu B.S. em engenharia elétrica da Montana State University em 1985. Ele é engenheiro sênior de marketing no departamento de sistemas de proteção da Schweitzer Engineering Laboratories, Inc. Bob tem mais de 20 anos de experiência em automação de sistemas elétricos de potência, incluindo SCADA/EMS, automação da distribuição, controles de usinas de energia, e leitura automática de medidores. Ele é um engenheiro profissional registrado e membro do IEEE. Veselin Skendzic é um engenheiro chefe de pesquisas na Schweitzer Engineering Laboratories, Inc. Recebeu seu B.S. em engenharia elétrica da FESB, University of Split, Croácia; seu M.Sc. da ETF, Zagreb, Croácia; e seu Ph.D. da Texas A&M University, College Station, Texas. Veselin tem mais de 25 anos de experiência em projetos de circuitos eletrônicos, foi conferencista na FESB, e trabalhou por mais de 20 anos em problemas relacionados à proteção de sistemas de potência. Ele é membro sênior do IEEE, escreveu diversos artigos técnicos, e contribui ativamente para o desenvolvimento de normas da IEEE/IEC. Veselin é membro do IEEE PES e do IEEE Power © 2010 por Schweitzer Engineering Laboratories, Inc. Todos os direitos resevados. 20100204 • TP6421-01