REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS AA ANO LXVI - Nº 1 - 7(5d$-FEIRA, 2 DE $*2672 DE 2011 - BRASÍLIA-DF MESA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS (Biênio 2011/2012) PRESIDENTE MARCO MAIA – PT-RS 1ª VICE-PRESIDENTE ROSE DE FREITAS – PMDB-ES 2º VICE-PRESIDENTE EDUARDO DA FONTE – PP-PE 1º SECRETÁRIO EDUARDO GOMES – PSDB-TO 2º SECRETÁRIO JORGE TADEU MUDALEN – DEM-SP 3º SECRETÁRIO INOCÊNCIO OLIVEIRA – PR-PE 4º SECRETÁRIO JÚLIO DELGADO – PSB-MG 1º SUPLENTE GERALDO RESENDE – PMDB-MS 2º SUPLENTE MANATO – PDT-ES 3º SUPLENTE CARLOS EDUARDO CADOCA – PSC-PE 4º SUPLENTE SÉRGIO MORAES – PTB-RS CÂMARA DOS DEPUTADOS SUMÁRIO SEÇÃO I 1 – ATA DA 212ª SESSÃO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, SOLENE, MATUTINA, DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA, DA 54ª LEGISLATURA, EM 22 DE AGOSTO DE 2011 Ata sucinta 2 – ATA DA 213ª SESSÃO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, ORDINÁRIA, DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA, DA 54ª LEGISLATURA, EM 22 DE AGOSTO DE 2011 Inexistência de quorum regimental para abertura da sessão I – Abertura da sessão II – Leitura e assinatura da ata da sessão anterior III – Leitura do expediente OFÍCIOS Nº 435/11 – Do Senhor Luiz Moreira Gomes Júnior, Conselheiro Nacional do Ministério Público, que encaminha cópia do Pedido de Providências enviado ao Corregedor Nacional do CNMP............ Nº 424/11 – CN – Do Senhor Senador José Sarney, Presidente da Mesa do Congresso Nacional, que encaminha exemplar do relatório de Gestão do Fundo Constitucional do Centro-Oeste – FCO/ exercício 2010......................................................... Nº 120/11 – Do Senhor Deputado Paulo Teixeira, Líder do PT, que indica o Deputado Ângelo Agnolin para integrar a Comissão Especial que trata do PL Nº 7495/06................................................... Nº 347/11 – Do Senhor Deputado Lincoln Portela, Líder do Bloco PR/PTdoB/PRTB/PRP/PHS/ PTC/PSL, que indica o Deputado Jaime Martins para integrar a Comissão Especial destinada a proferir parecer ao PL n 1.749/11....................................... Nº 304/11 – Do Senhor Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, Líder do Democratas, que indica o Deputado Eduardo Sciarra para integrar a Comissão de Viação e Transportes........................ Nº 313/11 – Do Senhor Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, Líder do Democratas, que indica o Deputado Hugo Napoleão para integrar a Comissão de Defesa do Consumidor..................... Nº 314/11 – Do Senhor Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, Líder do Democratas, que indica o Deputado Onyx Lorenzoni para integrar a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania................... 43678 Nº 320/11 – Do Senhor Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, Líder do Democratas, que indica o Deputado Walter Ihoshi para integrar a Comissão de Defesa do Consumidor.......................... Nº 321/11 – Do Senhor Deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, Líder do Democratas, que indica o Deputado Ronaldo Caiado para integrar a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural........................................ Nº 240/11 – Do Senhor Deputado João Paulo Cunha, Presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, que comunica a apreciação do PL n 5.743-A/09................................................. Nº 241/11 – Do Senhor Deputado João Paulo Cunha, Presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, que comunica a apreciação do PL n 2.935-A/08................................................. Nº 100/11 – Do Senhor Deputado Silvio Costa, Presidente da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, que comunica a aprovação do PL n 6.610/09.................................................... 43688 43689 43690 43690 43690 PROJETO DE LEI 43679 43683 43684 43685 43686 43687 Nº 2.069/2011 – do Senado Federal – Altera o art. 6º da Lei nº 10.820, de 17 de dezembro de 2003, para estender aos titulares do Benefício de Prestação Continuada a prerrogativa de contratar empréstimo consignado em folha de pagamento... 43690 PROJETOS DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 356/2011 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – Aprova o ato que outorga permissão à Rádio Raio de Sol FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Canápolis, Estado da Bahia............................................ Nº 357/2011 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – Aprova o ato que outorga permissão à Sociedade Vale de Comunicações Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Piçarras, Estado de Santa Catarina.. Nº 358/2011 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – Aprova o ato que outorga permissão à Rádio Cidade FM de Palhoça Ltda. para explorar serviço de radiodifusão 43691 43692 43674 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sonora em frequência modulada, no Município de Joinville (Pirabeiraba), Estado de Santa Catarina.. Nº 359/2011 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – Aprova o ato que outorga permissão à Rádio e TV Maíra Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Campo Novo de Rondônia, Estado de Rondônia............... Nº 360/2011 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – Aprova o ato que outorga permissão à Fundação Onésimo Nogueira para executar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, com fins exclusivamente educativos, no Município de Corrente, Estado do Piauí........................................................................ Nº 361/2011 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – Aprova o ato que outorga concessão à SM – Comunicações Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média no Município de Baixo Guandu, Estado do Espírito Santo........................................ Nº 362/2011 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – Aprova o ato que outorga permissão ao Sistema de Comunicação e Publicidade Buriti Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Buritirama, Estado da Bahia.............. Nº 363/2011 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – Aprova o ato que outorga permissão à Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Alto Rio Doce, Estado de Minas Gerais.. Nº 364/2011 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – Aprova o ato que outorga permissão ao Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Jordânia, Estado de Minas Gerais.... Nº 365/2011 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – Aprova o ato que outorga permissão à Safira Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Araucária, Estado do Paraná............................................. Nº 366/2011 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – Aprova o ato que outorga permissão à Rede Vividense de Comunicações Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Coronel Vivida, Estado do Paraná..... Nº 367/2011 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – Aprova o ato que outorga permissão à Dorner & Grigoletto Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Nortelândia, Estado de Mato Grosso.............................. Agosto de 2011 REQUERIMENTO 43693 43695 43696 43697 43699 43700 43701 43703 43704 43705 Nº 2.902/2011 – da Comissão Especial destinada a proferir parecer ao Projeto de Lei nº 8035, de 2010, do Poder Executivo, que “aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 e dá outras providências” – Solicita prorrogação do prazo da Comissão proferir parecer ao PL 8.035/10............................................................. IV – Pequeno Expediente MAURO BENEVIDES (PMDB, CE) – Apelo à Presidenta Dilma Rousseff de regulamentação da Emenda Constitucional nº 29, de 2000, sobre a destinação de recursos para a saúde pública........ MARCON (PT, RS) – Realização pelo movimento Via Campesina do Acampamento Nacional pela Reforma Agrária, em Brasília, Distrito Federal. Pauta de reivindicações dos trabalhadores rurais. Apelo ao Governo Federal de renegociação de dívidas dos pequenos agricultores brasileiros........... JOÃO ANANIAS (Bloco/PCdoB, CE) – Apelo aos membros da Comissão de Finanças e Tributação de celeridade no exame do Projeto de Lei nº 6.613, de 2009, sobre a criação do Plano de Carreira dos Servidores do Poder Judiciário da União................ GIOVANNI QUEIROZ (PDT, PA – Como Líder) – Defesa de criação do Estado do Carajás..... GONZAGA PATRIOTA (Bloco/PSB, PE) – Elevação, pelo Governo Federal, do nível de investimentos no País....................................................... ONOFRE SANTO AGOSTINI (DEM, SC) – Implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos no País. Apresentação do Projeto de Lei nº 1.908, de 2011, acerca de tratamento diferenciado, em relação à incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, a estabelecimentos industriais ou equiparados a industriais, de cujas operações resultem produtos reciclados contendo resíduos sólidos. Importância da proposição para a preservação do meio ambiente. Sucesso do modelo de tratamento de esgoto implantado do Município de Palma Sola, Estado de Santa Catarina.................. JOÃO ANANIAS (Bloco/PCdoB, CE – Pela ordem) – Crise reinante no âmbito da Faculdade de Medicina Estácio de Juazeiro do Norte, no Estado do Ceará................................................................. ÁTILA LINS (PMDB, AM) – Outorga, pela Câmara Municipal de Manaus, da Medalha de Ouro Zany dos Reis à Primeira-Dama do Estado do Amazonas, Nejmi Aziz. Realização do 1º Festival Folclórico de Manaquiri e da 21ª Festa do Sol, no Município de Lábrea, no Amazonas........................................ MAURO BENEVIDES (PMDB, CE – Pela ordem) – Transcurso do 127º aniversário de emancipação político-administrativa do Município de Lavras da Mangabeira, Estado do Ceará........................... 43707 43707 43707 43708 43709 43710 43710 43712 43716 43716 Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS JOSÉ ROCHA (Bloco/PR, BA) – Falecimento da jovem Karen Montenegro de Oliveira, do Município de Caetité, Estado da Bahia.......................... GONZAGA PATRIOTA (Bloco/PSB, PE – Pela ordem) – Convite à Ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para participação em reunião com Coordenadores de bancadas da Região Nordeste destinada ao debate do contingenciamento de recursos de emendas orçamentárias, na Câmara dos Deputados.............................................................. PRESIDENTE (José Rocha) – Leitura de Atos da Presidência sobre o indeferimento liminar das Emendas de nºs 64, 65, 66, 69, 70, 76 e 77, apresentadas à Medida Provisória nº 535, de 2011, e das Emendas de nºs 5, 6, 9, 11, 12, oferecidas à Medida Provisória nº 538, de 2011, em face de conteúdo alheio às matérias, tudo em conformidade com a decisão da Presidência sobre a Questão de Ordem nº 478, de 2009.......................................... OSMAR TERRA (PMDB, RS) – Propósito da Corrente Afirmação Democrática do PMDB de obstrução das votações na Casa até a inclusão na pauta da proposta de regulamentação da Emenda Constitucional nº 29, de 2000, sobre a destinação de recursos para a saúde pública. Improcedência de matéria jornalística a respeito da realização pelo PMDB de manifestação contra o Líder do partido, Deputado Henrique Eduardo Alves........................ ROMÁRIO (Bloco/PSB, RJ – Como Líder) – Necessidade de investigação de denúncias de irregularidades em desapropriações de áreas para a realização de obras da Copa do Mundo de Futebol 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. .................. PAES LANDIM (Bloco/PTB, PI) – Acerto da inclusão do médico cardiologista Roberto Kalil Filho no quadro de docentes da Universidade de São Paulo – USP............................................................ IZALCI (Bloco/PR, DF) – Participação do orador em audiência pública destinada ao debate sobre a construção de aterro sanitário, na cidade-satélite de Samambaia, Distrito Federal. Irregularidades no lançamento do edital do Programa Bolsa Universitária......................................................................... PADRE TON (PT, RO) – Reunião de Parlamentares com membros do Ministério Público Federal destinada ao debate da situação da Reserva Indígena Roosevelt, terras do povo Cinta-Larga, localizada entre os Estados de Rondônia e Mato Grosso. Participação do orador na Festa da Semente Crioula, realizada no Município de Ouro Preto, Estado de Rondônia. Relato da visita do Parlamentar ao Município rondoniense de Vilhena. ................... JOSÉ ROCHA (Bloco/PR, BA – Pela ordem) – Transcurso dos aniversários de emancipação político-administrativa dos Municípios de Riacho de Santana, Cocos e Barra do Mendes, Estado da Bahia. Comemoração do aniversário natalício do orador no Município de Coribe............................... 43717 43717 43718 43718 43719 43720 43720 43720 43721 Terça-feira 23 43675 LUIS CARLOS HEINZE (PP, RS) – Anúncio da posse do Deputado Mendes Ribeiro Filho no cargo de Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Encaminhamento de indicação ao Ministério dos Transportes para realização de audiência pública destinada ao debate da reativação de ferrovias no Brasil....................................................................... DÉCIO LIMA (PT, SC) – Desenvolvimento socioeconômico do País. Importância do lançamento pelo Governo Dilma Rousseff do Programa Minha Casa, Minha Vida; do Plano Brasil Sem Miséria; do Plano Brasil Maior, destinado ao fortalecimento da indústria nacional, e do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – PRONATEC. Acerto da concessão pelo Governo Federal de bolsas de estudo a estudantes brasileiros no exterior. Elevação das faixas de enquadramento no Super-SIMPLES e no Programa Microempreendedor Individual – MEI. Imediata aprovação pela Casa de alterações do texto do Projeto de Lei Complementar nº 123, de 2004...................................................... V – Grande Expediente MAURO BENEVIDES (PMDB, CE – Pela ordem) – Apresentação de parecer à proposta de reforma política pelo Relator da respectiva Comissão Especial, Deputado Henrique Fontana............ WELLINGTON FAGUNDES (Bloco/PR, MT) – Excelência do projeto de construção do Estádio Arena Pantanal, em Cuiabá, Estado de Mato Grosso, com vistas à realização da Copa do Mundo de 2014. Ações desenvolvidas pelo orador em prol do setor turístico. Conveniência de adoção de plano estratégico de investimentos na região fronteiriça de Mato Grosso com a Bolívia e o Paraguai. Efeitos da regularização de veículos em situação irregular pelo Governo boliviaNº Necessidade de alocação, pelo Governo Federal, de recursos para as obras de travessia urbana na Capital Cuiabá................... Aparteantes: JOSÉ ROCHA (Bloco/PR, BA), MAURO BENEVIDES (PMDB, CE)........................ FRANCISCO PRACIANO (PT, AM) – Atuação do orador na presidência da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção. Caráter sistêmico da corrupção no Brasil. Apoio à utilização de algemas pela Polícia Federal em suas operações de prisão. Trabalho sob o título Corrupção: Custos Econômicos e Propostas de Combate, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP. Luta do orador contra a corrupção no Estado do Amazonas. Correlação entre a impunidade e a influência política do Poder Executivo sobre os órgãos de fiscalização. Sugestão à Presidenta Dilma Rousseff para criação do PAC da Moralidade, destinado à estruturação dos Ministérios Públicos, dos Tribunais de Contas e da Controladoria-Geral da União. Necessidade de aperfeiçoamento da legislação de combate à corrupção........................... 43721 43722 43724 43724 43726 43732 43676 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Aparteantes: MAURO BENEVIDES (PMDB, CE), ASSIS CARVALHO (PT, PI)............................ ASSIS CARVALHO (PT, PI – Pela ordem) – Aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, da admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição nº 396, de 2009, acerca da prestação de serviço social remunerado em municipalidades interioranas por profissionais recém-formados. Conveniência de aprovação da matéria pela Casa................................................................ LUIZ ALBERTO (PT, BA) – Associação do orador ao discurso proferido pelo Deputado Assis Carvalho no tocante à área de saúde. Falecimento de trabalhadores da indústria petrolífera em decorrência de acidente aéreo, no Estado do Rio de Janeiro. Realização pela Comissão de Minas e Energia de audiência pública, com a participação do Presidente da PETROBRAS, José Sérgio Gabrielli, para a apresentação do Plano de Negócios 2011-2015 da empresa. Defesa de distribuição de royalties de petróleo da camada pré-sal entre os Estados e Municípios brasileiros. Acerto da decisão do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva de retomada da indústria naval brasileira. Expansão da indústria brasileira de refino de petróleo, em especial da refinaria de Mataripe, no Estado da Bahia. Importância da criação do Fundo Social para aplicação de recursos da indústria petrolífera. Lançamento da 3ª fase do Plano de Expansão da Rede Federal de Educação Superior, Profissional e Tecnológica. Criação de novas universidades federais no Estado da Bahia. Ampliação de campi avançados da Universidade Federal da Bahia e da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Importância do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – IFET. Lançamento, pelo INCRA, do edital de contratação de técnicos com vistas à aceleração de processo de delimitação de terras das comunidades quilombolas. Construção de habitações para comunidades de pescadores e marisqueiras, por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida. Filiação da Prefeita Domingas da Paixão, do Município de Governador Mangabeira, ao Partido dos Trabalhadores. Concessão do título de Cidade Cultural ao Município do Maragogipe. Regozijo com a reassunção do mandato pelo Prefeito Municipal Silvio Ataliba.. Aparteantes: MAURO BENEVIDES (PMDB, CE), ASSIS CARVALHO (PT, PI)............................ REGUFFE (PDT, DF – Pela ordem) – Solidariedade aos músicos impedidos do exercício da profissão, em face do posicionamento contrário à filiação à Ordem dos Músicos do Brasil – OMB............................................................. DARCÍSIO PERONDI (PMDB, RS – Como Líder) – Apoio do PMDB à votação pela Casa do projeto de lei sobre a criação do Programa Nacional 43732 43732 Agosto de 2011 de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – PRONATEC. Realização, pela Comissão de Seguridade Social e Família, de debate acerca da Emenda Constitucional nº 29, de 2000, sobre os recursos mínimos para o financiamento dos serviços públicos de saúde. Participação do Ministro da Saúde no Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos. Fortalecimento do Sistema Único de Saúde – SUS.......................................................... Proposições Apresentadas: 43741 REQUERIMENTOS DE INFORMAÇÃO 43737 43737 43741 Nº 1.018/2011 – do Sr. Izalci – Solicita informações ao Ministro da Cultura sobre convênio realizado com a Pasta............................................... Nº 1.019/2011 – do Sr. Izalci – Solicita informações à Presidente da República sobre convênio realizado com a Pasta............................................ Nº 1.020/2011 – do Sr. Izalci – Solicita informações ao Ministro do Desenvolvimento Agrário sobre convênio realizado com a Pasta................... Nº 1.021/2011 – do Sr. Izalci – Solicita informações à Presidente da República sobre convênio realizado com a Pasta............................................ Nº 1.022/2011 – do Sr. Izalci – Solicita informações ao Ministro do Esporte sobre convênio realizado com a Pasta............................................ Nº 1.023/2011 – do Sr. Izalci – Solicita informações ao Ministro da Justiça sobre convênio realizado com a Pasta............................................... Nº 1.024/2011 – do Sr. Izalci – Solicita informações ao Ministro da Justiça sobre convênio realizado com a Pasta............................................... Nº 1.025/2011 – do Sr. Izalci – Solicita informações ao Ministro da Saúde sobre convênio realizado com a Pasta................................................. Nº 1.026/2011 – do Sr. Izalci – Solicita informações ao Ministro do Esporte sobre convênio realizado com a Pasta............................................ Nº 1.027/2011 – do Sr. Izalci – Solicita informações ao Ministro do Esporte sobre convênio realizado com a Pasta............................................ Nº 1.028/2011 – do Sr. Izalci – Solicita informações ao Ministro do Desenvolvimento Social e Combate a Fome sobre convênio realizado com a Pasta....................................................................... Nº 1.029/2011 – do Sr. Izalci – Solicita informações ao Ministro do Desenvolvimento Social e Combate a Fome sobre convênio realizado com a Pasta....................................................................... Nº 1.030/2011 – do Sr. Izalci – Solicita informações ao Ministro do Planejamento e Gestão sobre convênio realizado com a Pasta................... Nº 1.031/2011 – do Sr. Izalci – Solicita informações ao Ministro do Desenvolvimento Agrário sobre convênio realizado com a Pasta................... 43743 43743 43744 43744 43744 43745 43745 43745 43746 43746 43746 43747 43747 43747 Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 1.032/2011 – do Sr. Izalci – Solicita informações ao Ministro da Saúde sobre convênio realizado com a Pasta................................................. VI – Comunicações Parlamentares IZALCI (Bloco/PR, DF e como Líder) – Reativação do Programa Bolsa Universitária pelo Governo do Distrito Federal. Realização pela Casa de sessão solene ao ensejo do transcurso do 80º aniversário natalício do Sr. Ozires Silva, fundador e ex-Presidente da Empresa Brasileira de Aeronáutica – EMBRAER. Defesa da destinação de royalties oriundos da exploração de petróleo na camada pré-sal para os setores de educação, ciência e tecnologia. Apelo ao Ministério da Justiça de resposta a requerimento de informações a respeito de investigações sobre irregularidades em convênios do Programa Segundo Tempo, no Distrito Federal. Apresentação ao Ministério do Esporte de requerimento para fornecimento ao orador de cópias de processos de convênios do Programa Segundo Tempo. Solicitação aos Senadores de resgate do texto original do projeto de lei apresentado pelo orador proibitivo da contratação, pelo poder público, de empresas vinculadas a Parlamentares e parentes até o terceiro grau. Papel da escola e da família no combate à corrupção. Protesto contra o apoiamento do Governo do Distrito Federal à instalação de usina de lixo na cidade-satélite de Samambaia. ................................................... VII – Encerramento 3 – DESPACHOS DO PRESIDENTE – OFÍCIOS: 4.739/2011 e 4.955/2011-STF, 420/2011-CN, 152/2011 – CME, 33/2011– do Sr. Deputado Aureo...................................................... – QUESTÃO DE ORDEM : Nº 97/11. – PROPOSIÇÕES: PEC 35/2011, PEC 67/2011, PLP 79/2011, PLP 82/2011, PL 123/2011, PL 767/2011, PL 1513/2011, PL 1664/2011, PL 1722/2011, PL 1955/2011, PL 1963/2011, PL 1968/2011, PL 1974/2011, PL 1980/2011, PL 1982/2011, PL 1984/2011, PL 1985/2011, PL 1986/2011, PL 1989/2011, PL 1991/2011, PL 1992/2011, PL 1993/2011, PL 1996/2011, PL 1998/2011, PL 2003/2011, PL 2005/2011, PL 2007/2011, PL 2008/2011, PL 2009/2011, PL 2012/2011, REQ 1770/2011, REQ 2464/2011, REQ 2590/2011, REQ 2644/2011, REQ 2661/2011, REQ 2662/2011, REQ 2726/2011, REQ 2727/2011, REQ 2749/2011, REQ 2762/2011, REQ 2763/2011, REQ 2765/2011, REQ 2773/2011, REQ 2780/2011, REQ 2797/2011, REQ 2800/2011, REQ 2803/2011, REQ 2829/2011, REQ 2839/2011, REQ 2840/2011, REQ 2902/2011............................................................... 4 – PARECERES – Projetos de Lei Nº 2935-B/2008, 5743B/2009, 6610-A/2009.............................................. Terça-feira 23 43677 COMISSÕES 43748 5 – ATAS Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, *9ª Reunião (Audiência Pública com a participação da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional), em 17-5-11 e 26ª Reunião (Ordinária), em 10-8-11............................................... 43799 Comissão de Direitos Humanos e Minorias, *29ª Reunião (Audiência Pública), em 23-9-09, 30ª Reunião (Extraordinária), em 23-9-09, *39ª Reunião (Extraordinária de Audiência Pública), em 18-11-09, *Seminário, em 23-11-09 e *Recepção da Delegação Parlamentar Britânica, em 3-2-10.............................................................. 43833 Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, 28ª Reunião (Audiência Pública), em 5-7-11, 29ª Reunião (Ordinária), em 6-7-11, 30ª Reunião (Audiência Pública), em 14-7-11, 31ª Reunião (Ordinária), em 10-8-11, 32ª Reunião (Audiência Pública), em 16-8-11 e Termo de Reunião, em 17-8-11............................................................. 43834 *Atas com notas taquigráficas...................... 43834 SEÇÃO II 43748 43786 43787 43793 6 – ATOS DO PRESIDENTE Dispensar: Eduardo Antonio Mello Freitas, Makslane Araujo Rodrigues.................................... 43839 Designar: Eduardo Antonio Mello Freitas, Wander Mendonça de Oliveira............................... 43839 Designar (substitutos): Camilo Carlos de Souza Barbosa, Carlos Antonio Sousa Barbosa, Carolina Van Der Linden de Souza, Cibele de Fátima Morais Rocha, Diná Marta Ferreira da Silva, Eduardo Antonio Mello Freitas, Igor Takaki Paiva, Jorge Luiz Dolbeth Costa, Jorge Paulo de França Junior, Jorge Paulo de França Junior, Judite Martins, Karem Rodrigues de Paula, Katiúcia Araujo Gumieiro, Kelly Miriam Pena, Leticia Sayuri Ono, Lianna Cosme da Cunha, Makslane Araujo Rodrigues, Makslane Araujo Rodrigues, Marcia Mikiko Murakami Jubé, Patricia Cristina Moura Pessoa Baena, Rômulo de Sousa Mesquita, Sandra Gaviano, Siloé Braz Teixeira, Silvio Avelino da Silva, Tatiara Paranhos Guimarães, Tereza Cristina Pereira Lima, Wander Mendonça de Oliveira............................... 43840 7 – MESA 8 – LÍDERES E VICE-LÍDERES 9 – DEPUTADOS EM EXERCÍCIO 10 – COMISSÕES 43678 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Agosto de 2011 SEÇÃO I Ata da 212ª Sessão, Solene, Matutina, em 22 de agosto de 2011 Presidência dos Srs.: Mauro Benevides, Ricardo Berzoini, § 2º do artigo 18 do Regimento Interno. Ata da 212ª Sessão da Câmara dos Deputados, Solene, Matutina, da 1ª Sessão Legislativa Ordinária, da 54ª Legislatura, em 22 de agosto de 2011. Às 10h31, o Sr. Mauro Benevides, nos termos do § 2º do artigo 18 do Regimento Interno, no exercício da Presidência, declarou aberta a sessão e deu por dispensada a leitura da ata da sessão anterior. O Sr. Presidente informou que a sessão destinou-se aos 80 anos de Ozires Silva, fundador e ex-Presidente da EMBRAER; saudou convidados presentes; prestou as devidas homenagens e convidou, para comporem a Mesa, os Srs. Walter Carrara Loureiro, Comandante do 7º Distrito Naval; Marco Antônio de Farias, General de Divisão; Tenente-Brigadeiro do Ar Juniti Saito, Comandante da Aeronáutica; Ozires Silva, fundador e ex‑Presidente da EMBRAER; e Norman Arruda Filho, Presidente do Instituto Superior de Administração e Economia – ISAE/FGV. Após a audição do Hino Nacional, executado pela banda de música da Aeronáutica, o Sr. Presidente leu o discurso do Presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, e concedeu a palavra ao Sr. Ricardo Berzoini, autor da proposição. Nos termos do § 2º do artigo 18 do Regimento Interno, assumiu a Presidência o Sr. Ricardo Berzoini e concedeu a palavra aos Srs. Mauro Benevides, pelo PMDB; Izalci, pelo PR; e Paes Landim, pelo PTB. Falaram ainda os Srs. Ozires Silva, fundador e ex-Presidente da EMBRAER; e Norman Arruda Filho, Presidente do ISAE/FGV. Após a apresentação da banda de música da Aeronáutica, o Sr. Presidente reiterou as homenagens prestadas, agradeceu a presença de todos e, às 11h46, encerrou a sessão. José Rocha, Presidente; Gonzaga Patriota Secretário As notas taquigráficas desta sessão solene poderão ser solicitadas ao Departamento de Taquigrafia, Revisão e Redação – DETAQ. Ata da 213ª Sessão, em 22 de agosto de 2011 Presidência dos Srs.: José Rocha, Gonzaga Patriota, Padre Ton, Izalci, Assis Carvalho, § 2º do artigo 18 do Regimento Interno O SR. PRESIDENTE (José Rocha) – Não havendo quorum regimental para abertura da sessão, nos termos do § 3° do art. 79 do Regimento Interno, aguardaremos até meia hora para que ele se complete. I – ABERTURA DA SESSÃO (Às 14 horas e 14 minutos) O SR. PRESIDENTE (José Rocha) – Declaro aberta a sessão. Sob a proteção de Deus e em nome do povo brasileiro iniciamos os nossos trabalhos. O Sr. Secretário, Deputado Gonzaga Patriota, procederá à leitura da ata da sessão anterior. II – LEITURA DA ATA O SR. GONZAGA PATRIOTA, servindo como 2° Secretário, procede à leitura da ata da sessão antecedente, a qual é, sem observações, aprovada. O SR. PRESIDENTE (José Rocha) – Passa-se à leitura do expediente. O SR. GONZAGA PATRIOTA, servindo como 1º Secretário, procede à leitura do seguinte III – EXPEDIENTE Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 23 43679 43680 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Agosto de 2011 Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 23 43681 43682 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Agosto de 2011 Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 23 43683 43684 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Agosto de 2011 Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 23 43685 43686 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Agosto de 2011 Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 23 43687 43688 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Agosto de 2011 Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 23 43689 43690 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA OF. nº 240 – PP/2011 – CCJC Brasília, em 16 de agosto de 2011. A Sua Excelência o Senhor Deputado Marco Maia Presidente da Câmara dos Deputados Assunto: encaminhamento de proposição Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência, em cumprimento ao Art. 58 do Regimento Interno, a apreciação por este Órgão Técnico, nesta data, do Projeto de Lei nº 5.743-A/2009. Solicito a Vossa Excelência autorizar a publicação do referido projeto e parecer a ele oferecido. Atenciosamente, Deputado João Paulo Cunha, Presidente. Publique-se. Em 22-8-11. – Marco Maia, Presidente. COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA OF. nº 241 – PP/2011 – CCJC Brasília, em 16 de agosto de 2011. A Sua Excelência o Senhor Deputado Marco Maia Presidente da Câmara dos Deputados Assunto: encaminhamento de proposição Senhor Presidente, Comunico a Vossa Excelência, em cumprimento ao Art. 58 do Regimento Interno, a apreciação por este Órgão Técnico, nesta data, do Projeto de Lei nº 2.935-A/2008. Solicito a Vossa Excelência autorizar a publicação do referido projeto e parecer a ele oferecido. Atenciosamente, Deputado João Paulo Cunha, Presidente. Publique-se. Em 22-8-11. – Marco Maia, Presidente. COMISSÃO DE TRABALHO, DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO Of. P-100/11-CTASP Brasília, 3 de agosto de 2011 A Sua Excelência o Senhor Deputado Marco Maia Presidente da Câmara dos Deputados Assunto: Apreciação conclusiva de projeto de lei Agosto de 2011 Senhor Presidente, Em cumprimento ao disposto no art. 58 do Regimento Interno, comunico a V. Exª que a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, em reunião ordinária realizada hoje, aprovou o Projeto de Lei nº 6.610/09 – do Senado Federal – (PLS 620/07) – que “dispõe sobre o exercício da profissão de Técnico em Prótese Dentária, determina outras providências e revoga a Lei nº 6.710, de 5 de novembro de 1979”. Atenciosamente, Deputado Silvio Costa, Presidente. Publique-se. Em 22-8-11. – Marco Maia, Presidente. PROJETO DE LEI Nº 2.069, DE 2011 (Do Senado Federal) PLS Nº 27/06 OFÍCIO Nº 1.491/11 (SF) Altera o art. 6º da Lei nº 10.820, de 17 de dezembro de 2003, para estender aos titulares do Benefício de Prestação Continuada a prerrogativa de contratar empréstimo consignado em folha de pagamento. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º O art. 6º da Lei nº 10.820, de 17 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 6º Os titulares de benefícios de aposentadoria e pensão do Regime Geral de Previdência Social e os titulares de Benefício de Prestação Continuada poderão autorizar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a proceder aos descontos referidos no art. 1º desta Lei, bem como autorizar, de forma irrevogável e irretratável, que a instituição financeira na qual recebam seus benefícios retenha, para fins de amortização, valores referentes ao pagamento mensal de empréstimos, financiamentos e operações de arrendamento mercantil por ela concedidos, quando previstos em contrato, nas condições estabelecidas em regulamento, observadas as normas editadas pelo INSS. ........................................................ ....... § 7º O prazo máximo de vigência do contrato de empréstimo em consignação de que trata o caput, no caso do devedor titular de Benefício de Prestação Continuada, coincidirá com a data de revisão do benefício.” (NR) Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 19 de agosto de 2011. – Senador José Sarney, Presidente do Senado Federal. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 356, DE 2011 (Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) TVR Nº 1.645/2009 MSC Nº 729/2009 Aprova o ato que outorga permissão à Rádio Raio de Sol FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Canápolis, Estado da Bahia. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 525, de 13 de setembro de 2006, que outorga permissão à Rádio Raio de Sol FM Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Canápolis, Estado da Bahia. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 22 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. TVR Nº 1.645, DE 2009 (MENSAGEM Nº 729, DE 2009) Submete à apreciação do Congresso Nacional o ato constante da Portaria nº 525, de 13 de setembro de 2006, que outorga permissão à Rádio Raio de Sol FM Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Canápolis, Estado da Bahia. COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA I – Relatório De conformidade com o art. 49, inciso XII, combinado com o § 1º do art. 223, da Constituição Federal, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República submete à consideração do Congresso Nacional, acompanhado da Exposição de Motivos do Senhor Ministro de Estado das Comunicações, o ato que outorga permissão à Rádio Raio de Sol FM Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Atendendo ao disposto no § 3º do art. 223 da Constituição, a matéria foi enviada ao Poder Legislativo para a devida apreciação, uma vez que o ato somente produzirá efeitos após a deliberação do Congresso Nacional. Terça-feira 23 43691 Cumpre-nos, portanto, opinar sobre os aspectos técnicos e formais da matéria submetida ao exame desta Comissão, nos termos do inciso III, alínea “h”, do art. 32 do Regimento Interno. II – Voto do Relator A outorga do Poder Público para a execução de serviço de radiodifusão é regulada pela Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, pelo Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967, e pelo Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963, com as modificações do Decreto nº 2.108, de 24 de dezembro de 1996. O Poder Executivo informa que a documentação apresentada pela Rádio Raio de Sol FM Ltda. atendeu aos requisitos da legislação específica e obteve a maior pontuação do valor ponderado, nos termos estabelecidos pelo Edital, tornando-se a vencedora da concorrência para exploração do serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Não obstante, não foi anexada ao processo a documentação prevista no item “f”, inciso I, art. 2º do Ato Normativo nº 1, de 2007, desta Comissão no que se refere ao extrato de tramitação do processo no Ministério das Comunicações e na Presidência da República. Em atendimento ao disposto no item 5 da Recomendação nº 1, de 2007, desta Comissão, informamos que o processo teve início no Ministério das Comunicações em 13 de março de 2001, com a publicação do Edital de Concorrência. Informamos ainda que o processo foi remetido pelo Ministério à Presidência da República em 22 de setembro de 2006, que, por sua vez, o encaminhou ao Congresso Nacional em 04 de setembro de 2009. A análise deste processo pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática deve basear-se no Ato Normativo nº 01, de 2007, e na Recomendação nº 01, de 2007, deste colegiado. Verificada a documentação, constatamos que foram atendidos todos os critérios exigidos por estes diplomas regulamentares, motivo pelo qual somos pela homologação do ato do Poder Executivo, na forma do Projeto de Decreto Legislativo que ora apresentamos. Sala da Comissão, 22 de agosto de 2011. – Deputado Dr. Adilson Soares, Relator. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº , DE 2011 Aprova o ato que outorga permissão à Rádio Raio de Sol FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Canápolis, Estado da Bahia. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 525, de 13 de setembro de 2006, que outorga permis- 43692 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS são à Rádio Raio de Sol FM Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Canápolis, Estado da Bahia. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 6 de abril de 2011. – Deputado Dr. Adilson Soares, Relator. III – Parecer da Comissão A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em reunião ordinária realizada hoje, aprovou unanimemente o parecer favorável do Relator, Deputado Dr. Adilson Soares, à TVR nº 1.645/2009, nos termos do Projeto de Decreto Legislativo que apresenta. Estiveram presentes os Senhores Deputados: Bruno Araújo – Presidente, Antonio Imbassahy, Silas Câmara e Ruy Carneiro – Vice-Presidentes, Antônia Lúcia, Ariosto Holanda, Arolde de Oliveira, Aureo, Carlinhos Almeida, Dr. Adilson Soares, Emiliano José, Francisco Floriano, Gilmar Machado, Hermes Parcianello, Hugo Motta, José Rocha, Júlio Campos, Lindomar Garçon, Luciana Santos, Luiza Erundina, Manoel Salviano, Marcelo Aguiar, Márcio Marinho, Marcos Montes, Missionário José Olimpio, Newton Lima, Pastor Eurico, Paulo Foletto, Paulo Wagner, Ratinho Junior, Ribamar Alves, Rogério Peninha Mendonça, Salvador Zimbaldi, Sandes Júnior, Sandro Alex, Sibá Machado, Gorete Pereira e Renzo Braz. Sala da Comissão, 4 de maio de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 357, DE 2011 (Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) TVR Nº 2.576/2010 MSC Nº 363/2010 Aprova o ato que outorga permissão à Sociedade Vale de Comunicações Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Piçarras, Estado de Santa Catarina. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 1017, de 16 de dezembro de 2009, que outorga permissão à Sociedade Vale de Comunicações Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Piçarras, Estado de Santa Catarina. Agosto de 2011 Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 22 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. TVR Nº 2.576, DE 2010 (Mensagem Nº 363, de 2010) Submete à apreciação do Congresso Nacional o ato constante da Portaria nº 1017, de 16 de dezembro de 2009, que outorga permissão à Sociedade Vale de Comunicações Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Piçarras, Estado de Santa Catarina. COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA I – Relatório De conformidade com o art. 49, inciso XII, combinado com o § 1º do art. 223, da Constituição Federal, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República submete à consideração do Congresso Nacional, acompanhado da Exposição de Motivos do Senhor Ministro de Estado das Comunicações, o ato que outorga permissão à Sociedade Vale de Comunicações Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Atendendo ao disposto no § 3º do art. 223 da Constituição, a matéria foi enviada ao Poder Legislativo para a devida apreciação, uma vez que o ato somente produzirá efeitos após a deliberação do Congresso Nacional. Cumpre-nos, portanto, opinar sobre os aspectos técnicos e formais da matéria submetida ao exame desta Comissão, nos termos do inciso III, alínea “h”, do art. 32 do Regimento Interno. II – Voto do Relator A outorga do Poder Público para a execução de serviço de radiodifusão é regulada pela Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, pelo Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967, e pelo Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963, com as modificações do Decreto nº 2.108, de 24 de dezembro de 1996. O Poder Executivo informa que a documentação apresentada pela Sociedade Vale de Comunicações Ltda. atendeu aos requisitos da legislação específica e obteve a maior pontuação do valor ponderado, nos termos estabelecidos pelo Edital, tornando-se a vencedora da Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS concorrência para exploração do serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Não obstante, não foi anexada ao processo a documentação prevista no item “f”, inciso I, art. 2º do Ato Normativo nº 1, de 2007, desta Comissão no que se refere ao extrato de tramitação do processo no Ministério das Comunicações e na Presidência da República. Em atendimento ao disposto no item 5 da Recomendação nº 1, de 2007, desta Comissão, informamos que o processo teve início no Ministério das Comunicações em 15 de novembro de 2001, com a publicação do Edital de Concorrência. Informamos ainda que o processo foi remetido pelo Ministério à Presidência da República em 5 de fevereiro de 2010, que, por sua vez, o encaminhou ao Congresso Nacional em 29 de junho de 2010. A análise deste processo pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática deve basear-se no Ato Normativo nº 01, de 2007, e na Recomendação nº 01, de 2007, deste colegiado. Verificada a documentação, constatamos que foram atendidos todos os critérios exigidos por estes diplomas regulamentares, motivo pelo qual somos pela homologação do ato do Poder Executivo, na forma do Projeto de Decreto Legislativo que ora apresentamos. Sala da Comissão, 24 de março de 2011. – Deputado Hugo Motta, Relator. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº , DE 2011 Aprova o ato que outorga permissão à Sociedade Vale de Comunicações Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Piçarras, Estado de Santa Catarina. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 1017, de 16 de dezembro de 2009, que outorga permissão à Sociedade Vale de Comunicações Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Piçarras, Estado de Santa Catarina. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 24 de março de 2011. – Deputado Hugo Motta, Relator. III – Parecer da Comissão A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em reunião ordinária realizada hoje, aprovou unanimemente o parecer favorável do Relator, Deputado Hugo Motta, à TVR nº 2.576/2010, nos ter- Terça-feira 23 43693 mos do Projeto de Decreto Legislativo que apresenta. Estiveram presentes os Senhores Deputados: Bruno Araújo – Presidente, Antonio Imbassahy, Silas Câmara e Ruy Carneiro – Vice-Presidentes, Ariosto Holanda, Arolde de Oliveira, Aureo, Carlinhos Almeida, Dr. Adilson Soares, Emiliano José, Francisco Floriano, Gilmar Machado, Hermes Parcianello, Hugo Motta, José Rocha, Júlio Campos, Lindomar Garçon, Luciana Santos, Luiza Erundina, Marcelo Aguiar, Márcio Marinho, Marcos Montes, Miro Teixeira, Newton Lima, Pastor Eurico, Paulo Foletto, Paulo Wagner, Ratinho Junior, Ribamar Alves, Rogério Peninha Mendonça, Salvador Zimbaldi, Sandes Júnior, Sandro Alex, Sibá Machado, Eduardo Azeredo, Jhonatan de Jesus, Manoel Junior e Waldir Maranhão. Sala da Comissão, 22 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 358, DE 2011 (Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) TVR Nº 2.581/2010 MSC Nº 363/2010 Aprova o ato que outorga permissão à Rádio Cidade FM de Palhoça Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Joinville (Pirabeiraba), Estado de Santa Catarina. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 37, de 5 de fevereiro de 2010, que outorga permissão à Rádio Cidade FM de Palhoça Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Joinville (Pirabeiraba), Estado de Santa Catarina. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 22 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. TVR Nº 2.581, DE 2010 (Mensagem Nº 363, de 2010) Submete à apreciação do Congresso Nacional o ato constante da Portaria nº 37, de 5 de fevereiro de 2010, que outorga permissão à Rádio Cidade FM de Palhoça Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no 43694 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Município de Joinville (Pirabeiraba), Estado de Santa Catarina. COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA I – Relatório De conformidade com o art. 49, inciso XII, combinado com o § 1º do art. 223, da Constituição Federal, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República submete à consideração do Congresso Nacional, acompanhado da Exposição de Motivos do Senhor Ministro de Estado das Comunicações, o ato que outorga permissão à Rádio Cidade FM de Palhoça Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Atendendo ao disposto no § 3º do art. 223 da Constituição, a matéria foi enviada ao Poder Legislativo para a devida apreciação, uma vez que o ato somente produzirá efeitos após a deliberação do Congresso Nacional. Cumpre-nos, portanto, opinar sobre os aspectos técnicos e formais da matéria submetida ao exame desta Comissão, nos termos do inciso III, alínea “h”, do art. 32 do Regimento Interno. II – Voto do Relator A outorga do Poder Público para a execução de serviço de radiodifusão é regulada pela Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, pelo Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967, e pelo Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963, com as modificações do Decreto nº 2.108, de 24 de dezembro de 1996. O Poder Executivo informa que a documentação apresentada pela Rádio Cidade FM de Palhoça Ltda. atendeu aos requisitos da legislação específica e obteve a maior pontuação do valor ponderado, nos termos estabelecidos pelo Edital, tornando-se a vencedora da concorrência para exploração do serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Não obstante, não foi anexada ao processo a documentação prevista no item “f”, inciso I, art. 2º do Ato Normativo nº 1, de 2007, desta Comissão no que se refere ao extrato de tramitação do processo no Ministério das Comunicações e na Presidência da República. Em atendimento ao disposto no item 5 da Recomendação nº 1, de 2007, desta Comissão, informamos que o processo teve início no Ministério das Comunicações em 15 de novembro de 2001, com a publicação do Edital de Concorrência. Informamos ainda que o processo foi remetido pelo Ministério à Presidência da República em Agosto de 2011 12 de fevereiro de 2010, que, por sua vez, o encaminhou ao Congresso Nacional em 29 de junho de 2010. A análise deste processo pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática deve basear-se no Ato Normativo nº 01, de 2007, e na Recomendação nº 01, de 2007, deste colegiado. Verificada a documentação, constatamos que foram atendidos todos os critérios exigidos por estes diplomas regulamentares, motivo pelo qual somos pela homologação do ato do Poder Executivo, na forma do Projeto de Decreto Legislativo que ora apresentamos. Sala da Comissão, 31 de março de 2011. – Deputado Marllos Sampaio, Relator. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº , DE 2011 Aprova o ato que outorga permissão à Rádio Cidade FM de Palhoça Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Joinville (Pirabeiraba), Estado de Santa Catarina. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 37, de 5 de fevereiro de 2010, que outorga permissão à Rádio Cidade FM de Palhoça Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Joinville (Pirabeiraba), Estado de Santa Catarina. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 31 de março de 2011. – Deputado Marllos Sampaio, Relator. III – Parecer da Comissão A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em reunião ordinária realizada hoje, aprovou unanimemente o parecer favorável do Relator, Deputado Marllos Sampaio, à TVR nº 2.581/2010, nos termos do Projeto de Decreto Legislativo que apresenta. Estiveram presentes os Senhores Deputados: Bruno Araújo – Presidente, Antonio Imbassahy, Silas Câmara e Ruy Carneiro – Vice-Presidentes, Ariosto Holanda, Arolde de Oliveira, Aureo, Carlinhos Almeida, Dr. Adilson Soares, Emiliano José, Francisco Floriano, Gilmar Machado, Hermes Parcianello, Hugo Motta, José Rocha, Júlio Campos, Lindomar Garçon, Luciana Santos, Luiza Erundina, Marcelo Aguiar, Márcio Marinho, Marcos Montes, Miro Teixeira, Newton Lima, Pastor Eurico, Paulo Foletto, Paulo Wagner, Ratinho Junior, Ribamar Alves, Rogério Peninha Mendonça, Salvador Zimbaldi, Sandes Júnior, Sandro Alex, Sibá Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Machado, Eduardo Azeredo, Jhonatan de Jesus, Manoel Junior e Waldir Maranhão. Sala da Comissão, 17 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 359, DE 2011 (Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) TVR Nº 2.587/2010 MSC nº 363/2010 Aprova o ato que outorga permissão à Rádio e TV Maíra Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Campo Novo de Rondônia, Estado de Rondônia. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 43, de 5 de fevereiro de 2010, que outorga permissão à Rádio e TV Maíra Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Campo Novo de Rondônia, Estado de Rondônia. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 22 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. TVR Nº 2.587, DE 2010 (Mensagem Nº 363, de 2010) Submete à apreciação do Congresso Nacional o ato constante da Portaria nº 43, de 5 de fevereiro de 2010, que outorga permissão à Rádio e TV Maíra Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Campo Novo de Rondônia, Estado de Rondônia. COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA I – Relatório De conformidade com o art. 49, inciso XII, combinado com o § 1º do art. 223, da Constituição Federal, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República submete à consideração do Congresso Nacional, acompanhado da Exposição de Motivos do Senhor Ministro de Estado das Comunicações, o ato que outorga permissão à Rádio e TV Maíra Ltda. para explorar, pelo Terça-feira 23 43695 prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Atendendo ao disposto no § 3º do art. 223 da Constituição, a matéria foi enviada ao Poder Legislativo para a devida apreciação, uma vez que o ato somente produzirá efeitos após a deliberação do Congresso Nacional. Cumpre-nos, portanto, opinar sobre os aspectos técnicos e formais da matéria submetida ao exame desta Comissão, nos termos do inciso III, alínea “h”, do art. 32 do Regimento Interno. II – Voto do Relator A outorga do Poder Público para a execução de serviço de radiodifusão é regulada pela Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, pelo Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967, e pelo Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963, com as modificações do Decreto nº 2.108, de 24 de dezembro de 1996. O Poder Executivo informa que a documentação apresentada pela Rádio e TV Maíra Ltda. atendeu aos requisitos da legislação específica e obteve a maior pontuação do valor ponderado, nos termos estabelecidos pelo Edital, tornando-se a vencedora da concorrência para exploração do serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Não obstante, não foi anexada ao processo a documentação prevista no item “f”, inciso I, art. 2º do Ato Normativo nº 1, de 2007, desta Comissão no que se refere ao extrato de tramitação do processo no Ministério das Comunicações e na Presidência da República. Em atendimento ao disposto no item 5 da Recomendação nº 1, de 2007, desta Comissão, informamos que o processo teve início no Ministério das Comunicações em maio de 2000, com a publicação do Edital de Concorrência. Informamos ainda que o processo foi remetido pelo Ministério à Presidência da República em 12 de fevereiro de 2010, que, por sua vez, o encaminhou ao Congresso Nacional em 29 de junho de 2010. A análise deste processo pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática deve basear-se no Ato Normativo nº 01, de 2007, e na Recomendação nº 01, de 2007, deste colegiado. Verificada a documentação, constatamos que foram atendidos todos os critérios exigidos por estes diplomas regulamentares, motivo pelo qual somos pela homologação do ato do Poder Executivo, na forma do Projeto de Decreto Legislativo que ora apresentamos. Sala da Comissão, 22 de março de 2011. – Deputado Rogério Peninha Mendonça, Relator. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº , DE 2011 Aprova o ato que outorga permissão à Rádio e TV Maíra Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência 43696 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS modulada, no Município de Campo Novo de Rondônia, Estado de Rondônia. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 43, de 5 de fevereiro de 2010, que outorga permissão à Rádio e TV Maíra Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Campo Novo de Rondônia, Estado de Rondônia. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 22 de março de 2011. – Deputado Rogério Peninha Mendonça, Relator. III – Parecer da Comissão A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em reunião ordinária realizada hoje, aprovou unanimemente o parecer favorável do Relator, Deputado Rogério Peninha Mendonça, à TVR nº 2.587/2010, nos termos do Projeto de Decreto Legislativo que apresenta. Estiveram presentes os Senhores Deputados: Bruno Araújo – Presidente, Antonio Imbassahy, Silas Câmara e Ruy Carneiro – Vice-Presidentes, Ariosto Holanda, Arolde de Oliveira, Aureo, Carlinhos Almeida, Dr. Adilson Soares, Emiliano José, Francisco Floriano, Gilmar Machado, Hermes Parcianello, Hugo Motta, José Rocha, Júlio Campos, Lindomar Garçon, Luciana Santos, Luiza Erundina, Marcelo Aguiar, Márcio Marinho, Marcos Montes, Miro Teixeira, Newton Lima, Pastor Eurico, Paulo Foletto, Paulo Wagner, Ratinho Junior, Ribamar Alves, Rogério Peninha Mendonça, Salvador Zimbaldi, Sandes Júnior, Sandro Alex, Sibá Machado, Eduardo Azeredo, Jhonatan de Jesus, Manoel Junior e Waldir Maranhão. Sala da Comissão, 17 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 360, DE 2011 (Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) TVR Nº 2.603/2011 MSC Nº 722/2010 Aprova o ato que outorga permissão à Fundação Onésimo Nogueira para executar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, com fins exclusivamente educativos, no Município de Corrente, Estado do Piauí. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 441, de 17 de julho de 2008 , que outorga permissão Agosto de 2011 à Fundação Onésimo Nogueira para executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, com fins exclusivamente educativos, no Município de Corrente, Estado do Piauí. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 22 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. TVR Nº 2.603, DE 2011 (Mensagem Nº 722, de 2010) Submete à apreciação do Congresso Nacional o ato constante da Portaria nº 441, de 17 de julho de 2008 , que outorga permissão à Fundação Onésimo Nogueira para executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, com fins exclusivamente educativos, no Município de Corrente, Estado do Piauí. COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA I – Relatório De conformidade com o art. 49, inciso XII, combinado com o § 1º do art. 223, da Constituição Federal, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República submete à consideração do Congresso Nacional, acompanhado da Exposição de Motivos do Senhor Ministro de Estado das Comunicações, o ato que outorga permissão à Fundação Onésimo Nogueira para executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, com fins exclusivamente educativos. Atendendo ao disposto no § 3º do art. 223 da Constituição, a matéria foi enviada ao Poder Legislativo para a devida apreciação, uma vez que o ato somente produzirá efeitos após a deliberação do Congresso Nacional. Cumpre-nos, portanto, opinar sobre os aspectos técnicos e formais da matéria submetida ao exame desta Comissão, nos termos do inciso III, alínea “h”, do art. 32 do Regimento Interno. II – Voto do Relator A outorga do Poder Público para a execução de serviço de radiodifusão sonora com fins educativos é regulada pela Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, pelo Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967, e pelo Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963, com a redação do Decreto nº 2.108, de 24 de dezembro de Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 1996. De acordo com esses instrumentos jurídicos, a outorga de permissão para execução de serviço de radiodifusão com fins exclusivamente educativos independe de edital. O Poder Executivo informa que a documentação apresentada pela Fundação Onésimo Nogueira atendeu aos requisitos da legislação específica. Em razão de ainda não terem sido estabelecidos entendimentos entre o Poder Executivo e esta Comissão com o objetivo de definir os critérios que atestem a vinculação entre a entidade proponente à outorga e instituição de ensino, não foi anexado ao processo em exame o documento de que trata o item “c” , inciso III, art. 2º do Ato Normativo nº 1, de 2007. A análise deste processo pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática deve basear-se no Ato Normativo nº 01, de 2007, e na Recomendação nº 01, de 2007, deste colegiado. Verificada a documentação, constatamos que foram atendidos todos os critérios exigidos por estes diplomas regulamentares, motivo pelo qual somos pela homologação do ato do Poder Executivo, na forma do Projeto de Decreto Legislativo que ora apresentamos. Sala da Comissão, 25 de março de 2011. – Deputado Hugo Motta, Relator. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº , DE 2011 Aprova o ato que outorga permissão à Fundação Onésimo Nogueira para executar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, com fins exclusivamente educativos, no Município de Corrente, Estado do Piauí. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 441, de 17 de julho de 2008 , que outorga permissão à Fundação Onésimo Nogueira para executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, com fins exclusivamente educativos, no Município de Corrente, Estado do Piauí. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 25 de março de 2011. – Deputado Hugo Motta, Relator. III – Parecer da Comissão A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em reunião ordinária realizada hoje, aprovou unanimemente o parecer favorável do Relator, Deputado Hugo Motta, à TVR nº 2.603/2011, nos termos do Projeto de Decreto Legislativo que apresenta. Estiveram presentes os Senhores Deputados: Terça-feira 23 43697 Bruno Araújo – Presidente, Antonio Imbassahy, Silas Câmara e Ruy Carneiro – Vice-Presidentes, Ariosto Holanda, Arolde de Oliveira, Aureo, Carlinhos Almeida, Dr. Adilson Soares, Emiliano José, Francisco Floriano, Gilmar Machado, Hermes Parcianello, Hugo Motta, José Rocha, Júlio Campos, Lindomar Garçon, Luciana Santos, Luiza Erundina, Marcelo Aguiar, Márcio Marinho, Marcos Montes, Miro Teixeira, Newton Lima, Pastor Eurico, Paulo Foletto, Paulo Wagner, Ratinho Junior, Ribamar Alves, Rogério Peninha Mendonça, Salvador Zimbaldi, Sandes Júnior, Sandro Alex, Sibá Machado, Eduardo Azeredo, Jhonatan de Jesus, Manoel Junior e Waldir Maranhão. Sala da Comissão, 17 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 361, DE 2011 (Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) TVR Nº 2.615/2011 MSC Nº 735/2010 Aprova o ato que outorga concessão à SM – Comunicações Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média no Município de Baixo Guandu, Estado do Espírito Santo. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante do Decreto de 2 de agosto de 2010, que outorga concessão à SM – Comunicações Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em onda média no Município de Baixo Guandu, Estado do Espírito Santo. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 22 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. TVR Nº 2.615, DE 2011 (Mensagem Nº 735, de 2010) Submete à apreciação do Congresso Nacional o ato constante do Decreto de 2 de agosto de 2010, que outorga concessão à SM – Comunicações Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em onda média no Município de Baixo Guandu, Estado do Espírito Santo. 43698 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA I – Relatório De conformidade com o art. 49, inciso XII, combinado com o § 1º do art. 223, da Constituição Federal, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República submete à consideração do Congresso Nacional, acompanhado da Exposição de Motivos do Senhor Ministro de Estado das Comunicações, o ato que outorga concessão à SM – Comunicações Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em onda média. Atendendo ao disposto no § 3º do art. 223 da Constituição, a matéria foi enviada ao Poder Legislativo para a devida apreciação, uma vez que o ato somente produzirá efeitos após a deliberação do Congresso Nacional. Cumpre-nos, portanto, opinar sobre os aspectos técnicos e formais da matéria submetida ao exame desta Comissão, nos termos do inciso III, alínea “h”, do art. 32 do Regimento Interno. II – Voto do Relator A outorga do Poder Público para a execução de serviço de radiodifusão é regulada pela Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, pelo Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967, e pelo Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963, com as modificações do Decreto nº 2.108, de 24 de dezembro de 1996. O Poder Executivo informa que a documentação apresentada pela SM – Comunicações Ltda. atendeu aos requisitos da legislação específica e obteve a maior pontuação do valor ponderado, nos termos estabelecidos pelo Edital, tornando-se a vencedora da concorrência para exploração do serviço de radiodifusão sonora em onda média. Não obstante, não foi anexada ao processo a documentação prevista no item “f”, inciso I, art. 2º do Ato Normativo nº 1, de 2007, desta Comissão no que se refere ao extrato de tramitação do processo no Ministério das Comunicações e na Presidência da República. Em atendimento ao disposto no item 5 da Recomendação nº 1, de 2007, desta Comissão, informamos que o processo teve início no Ministério das Comunicações em 22 de fevereiro de 2000, com a publicação do Edital de Concorrência. Informamos ainda que o processo foi remetido pelo Ministério à Presidência da República em 20 de maio de 2010, que, por sua vez, o encaminhou ao Congresso Nacional em 28 de dezembro de 2010. A análise deste processo pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática deve basear-se no Ato Normativo nº 01, de 2007, e na Recomendação nº 01, de 2007, deste colegiado. Verificada Agosto de 2011 a documentação, constatamos que foram atendidos todos os critérios exigidos por estes diplomas regulamentares, motivo pelo qual somos pela homologação do ato do Poder Executivo, na forma do Projeto de Decreto Legislativo que ora apresentamos. Sala da Comissão, 31 de março de 2011. – Deputado Beto Mansur, Relator. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº , DE 2011 Aprova o ato que outorga concessão à SM – Comunicações Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média no Município de Baixo Guandu, Estado do Espírito Santo. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante do Decreto de 2 de agosto de 2010, que outorga concessão à SM – Comunicações Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em onda média no Município de Baixo Guandu, Estado do Espírito Santo. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 31 de março de 2011. – Deputado Beto Mansur, Relator. III – Parecer da Comissão A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em reunião ordinária realizada hoje, aprovou unanimemente o parecer favorável do Relator, Deputado Beto Mansur, à TVR nº 2.615/2011, nos termos do Projeto de Decreto Legislativo que apresenta. Estiveram presentes os Senhores Deputados: Bruno Araújo – Presidente, Antonio Imbassahy, Silas Câmara e Ruy Carneiro – Vice-Presidentes, Ariosto Holanda, Arolde de Oliveira, Aureo, Carlinhos Almeida, Dr. Adilson Soares, Emiliano José, Francisco Floriano, Gilmar Machado, Hermes Parcianello, Hugo Motta, José Rocha, Júlio Campos, Lindomar Garçon, Luciana Santos, Luiza Erundina, Marcelo Aguiar, Márcio Marinho, Marcos Montes, Miro Teixeira, Newton Lima, Pastor Eurico, Paulo Foletto, Paulo Wagner, Ratinho Junior, Ribamar Alves, Rogério Peninha Mendonça, Salvador Zimbaldi, Sandes Júnior, Sandro Alex, Sibá Machado, Eduardo Azeredo, Jhonatan de Jesus, Manoel Junior e Waldir Maranhão. Sala da Comissão, 17 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 362, DE 2011 (Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) TVR Nº 2.718/2011 MSC Nº 737/2010 Aprova o ato que outorga permissão ao Sistema de Comunicação e Publicidade Buriti Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Buritirama, Estado da Bahia. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 437, de 13 de maio de 2010, que outorga permissão ao Sistema de Comunicação e Publicidade Buriti Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Buritirama, Estado da Bahia. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 22 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. TVR Nº 2.718, DE 2011 (Mensagem Nº 737, de 2010) Submete à apreciação do Congresso Nacional o ato constante da Portaria nº 437, de 13 de maio de 2010, que outorga permissão ao Sistema de Comunicação e Publicidade Buriti Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Buritirama, Estado da Bahia. COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA I – Relatório De conformidade com o art. 49, inciso XII, combinado com o § 1º do art. 223, da Constituição Federal, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República submete à consideração do Congresso Nacional, acompanhado da Exposição de Motivos do Senhor Ministro de Estado das Comunicações, o ato que outorga permissão ao Sistema de Comunicação e Publicidade Buriti Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Atendendo ao disposto no § 3º do art. 223 da Constituição, a matéria foi enviada ao Poder Legislativo Terça-feira 23 43699 para a devida apreciação, uma vez que o ato somente produzirá efeitos após a deliberação do Congresso Nacional. Cumpre-nos, portanto, opinar sobre os aspectos técnicos e formais da matéria submetida ao exame desta Comissão, nos termos do inciso III, alínea “h”, do art. 32 do Regimento Interno. II – Voto do Relator A outorga do Poder Público para a execução de serviço de radiodifusão é regulada pela Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, pelo Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967, e pelo Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963, com as modificações do Decreto nº 2.108, de 24 de dezembro de 1996. O Poder Executivo informa que a documentação apresentada pelo Sistema de Comunicação e Publicidade Buriti Ltda. atendeu aos requisitos da legislação específica e obteve a maior pontuação do valor ponderado, nos termos estabelecidos pelo Edital, tornando-se a vencedora da concorrência para exploração do serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Não obstante, não foi anexada ao processo a documentação prevista no item “f”, inciso I, art. 2º do Ato Normativo nº 1, de 2007, desta Comissão no que se refere ao extrato de tramitação do processo no Ministério das Comunicações e na Presidência da República. Em atendimento ao disposto no item 5 da Recomendação nº 1, de 2007, desta Comissão, informamos que o processo teve início no Ministério das Comunicações em 28 de agosto de 2009, com a publicação do Edital de Concorrência. Informamos ainda que o processo foi remetido pelo Ministério à Presidência da República em 20 de maio de 2010, que, por sua vez, o encaminhou ao Congresso Nacional em 28 de dezembro de 2010. A análise deste processo pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática deve basear-se no Ato Normativo nº 01, de 2007, e na Recomendação nº 01, de 2007, deste colegiado. Verificada a documentação, constatamos que foram atendidos todos os critérios exigidos por estes diplomas regulamentares, motivo pelo qual somos pela homologação do ato do Poder Executivo, na forma do Projeto de Decreto Legislativo que ora apresentamos. Sala da Comissão, 5 de maio de 2011. – Deputado Newton Lima, Relator. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº , DE 2011 Aprova o ato que outorga permissão ao Sistema de Comunicação e Publicidade Buriti Ltda. para explorar serviço de radiodi- 43700 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS fusão sonora em frequência modulada, no Município de Buritirama, Estado da Bahia. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 437, de 13 de maio de 2010, que outorga permissão ao Sistema de Comunicação e Publicidade Buriti Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Buritirama, Estado da Bahia. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 5 de maio de 2011. – Deputado Newton Lima, Relator. III – Parecer da Comissão A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em reunião ordinária realizada hoje, aprovou unanimemente o parecer favorável do Relator, Deputado Newton Lima, à TVR nº 2.718/2011, nos termos do Projeto de Decreto Legislativo que apresenta. Estiveram presentes os Senhores Deputados: Bruno Araújo – Presidente, Antonio Imbassahy, Silas Câmara e Ruy Carneiro – Vice-Presidentes, Ariosto Holanda, Arolde de Oliveira, Aureo, Carlinhos Almeida, Dr. Adilson Soares, Emiliano José, Francisco Floriano, Gilmar Machado, Hermes Parcianello, Hugo Motta, José Rocha, Júlio Campos, Lindomar Garçon, Luciana Santos, Luiza Erundina, Marcelo Aguiar, Márcio Marinho, Marcos Montes, Miro Teixeira, Newton Lima, Pastor Eurico, Paulo Foletto, Paulo Wagner, Ratinho Junior, Ribamar Alves, Rogério Peninha Mendonça, Salvador Zimbaldi, Sandes Júnior, Sandro Alex, Sibá Machado, Eduardo Azeredo, Jhonatan de Jesus, Manoel Junior e Waldir Maranhão. Sala da Comissão, 17 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 363, DE 2011 (Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) TVR Nº 2.729/2011 MSC Nº 738/2010 Aprova o ato que outorga permissão à Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Alto Rio Doce, Estado de Minas Gerais. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 583, de 24 de junho de 2010, que outorga permissão Agosto de 2011 à Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Alto Rio Doce, Estado de Minas Gerais. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 17 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. TVR Nº 2.729, DE 2011 (Mensagem Nº 738, de 2010) Submete à apreciação do Congresso Nacional o ato constante da Portaria nº 583, de 24 de junho de 2010, que outorga permissão ao Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Alto Rio Doce, Estado de Minas Gerais. COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA I – Relatório De conformidade com o art. 49, inciso XII, combinado com o § 1º do art. 223, da Constituição Federal, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República submete à consideração do Congresso Nacional, acompanhado da Exposição de Motivos do Senhor Ministro de Estado das Comunicações, o ato que outorga permissão ao Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Atendendo ao disposto no § 3º do art. 223 da Constituição, a matéria foi enviada ao Poder Legislativo para a devida apreciação, uma vez que o ato somente produzirá efeitos após a deliberação do Congresso Nacional. Cumpre-nos, portanto, opinar sobre os aspectos técnicos e formais da matéria submetida ao exame desta Comissão, nos termos do inciso III, alínea “h”, do art. 32 do Regimento Interno. II – Voto do Relator A outorga do Poder Público para a execução de serviço de radiodifusão é regulada pela Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, pelo Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967, e pelo Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963, com as modificações do Decreto nº 2.108, de 24 de dezembro de 1996. O Poder Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Executivo informa que a documentação apresentada pela Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. atendeu aos requisitos da legislação específica e obteve a maior pontuação do valor ponderado, nos termos estabelecidos pelo Edital, tornando-se a vencedora da concorrência para exploração do serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Não obstante, não foi anexada ao processo a documentação prevista no item “f”, inciso I, art. 2º do Ato Normativo nº 1, de 2007, desta Comissão no que se refere ao extrato de tramitação do processo no Ministério das Comunicações e na Presidência da República. Em atendimento ao disposto no item 5 da Recomendação nº 1, de 2007, desta Comissão, informamos que o processo teve início no Ministério das Comunicações em 2 de maio de 2000, com a publicação do Edital de Concorrência. Informamos ainda que o processo foi remetido pelo Ministério à Presidência da República em 30 de junho de 2010, que, por sua vez, o encaminhou ao Congresso Nacional em 28 de dezembro de 2010. A análise deste processo pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática deve basear-se no Ato Normativo nº 01, de 2007, e na Recomendação nº 01, de 2007, deste colegiado. Verificada a documentação, constatamos que foram atendidos todos os critérios exigidos por estes diplomas regulamentares, motivo pelo qual somos pela homologação do ato do Poder Executivo, na forma do Projeto de Decreto Legislativo que ora apresentamos. Sala da Comissão, 5 de julho de 2011. – Deputado Francisco Floriano, Relator. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº , DE 2011 Aprova o ato que outorga permissão à Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Alto Rio Doce, Estado de Minas Gerais. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 583, de 24 de junho de 2010, que outorga permissão à Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Alto Rio Doce, Estado de Minas Gerais. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 5 de julho de 2011. – Deputado Francisco Floriano, Relator. Terça-feira 23 43701 III – Parecer da Comissão A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em reunião ordinária realizada hoje, aprovou unanimemente o parecer favorável do Relator, Deputado Francisco Floriano, à TVR nº 2.729/2011, nos termos do Projeto de Decreto Legislativo que apresenta. Estiveram presentes os Senhores Deputados: Bruno Araújo – Presidente, Antonio Imbassahy, Silas Câmara e Ruy Carneiro – Vice-Presidentes, Ariosto Holanda, Arolde de Oliveira, Aureo, Carlinhos Almeida, Dr. Adilson Soares, Emiliano José, Francisco Floriano, Gilmar Machado, Hermes Parcianello, Hugo Motta, José Rocha, Júlio Campos, Lindomar Garçon, Luciana Santos, Luiza Erundina, Marcelo Aguiar, Márcio Marinho, Marcos Montes, Miro Teixeira, Newton Lima, Pastor Eurico, Paulo Foletto, Paulo Wagner, Ratinho Junior, Ribamar Alves, Rogério Peninha Mendonça, Salvador Zimbaldi, Sandes Júnior, Sandro Alex, Sibá Machado, Eduardo Azeredo, Jhonatan de Jesus, Manoel Junior e Waldir Maranhão. Sala da Comissão, 17 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 364, DE 2011 (Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) TVR Nº 2.741/2011 MSC Nº 739/2010 Aprova o ato que outorga permissão ao Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Jordânia, Estado de Minas Gerais. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 1025, de 23 de dezembro de 2008, que outorga permissão ao Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Jordânia, Estado de Minas Gerais. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 17 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. TVR Nº 2741, DE 2011 (Mensagem Nº 739, de 2010) Submete à apreciação do Congresso Nacional o ato constante da Portaria nº 1025, de 23 de dezembro de 2008, que ou- 43702 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS torga permissão ao Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Jordânia, Estado de Minas Gerais. COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA I – Relatório De conformidade com o art. 49, inciso XII, combinado com o § 1º do art. 223, da Constituição Federal, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República submete à consideração do Congresso Nacional, acompanhado da Exposição de Motivos do Senhor Ministro de Estado das Comunicações, o ato que outorga permissão ao Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Atendendo ao disposto no § 3º do art. 223 da Constituição, a matéria foi enviada ao Poder Legislativo para a devida apreciação, uma vez que o ato somente produzirá efeitos após a deliberação do Congresso Nacional. Cumpre-nos, portanto, opinar sobre os aspectos técnicos e formais da matéria submetida ao exame desta Comissão, nos termos do inciso III, alínea “h”, do art. 32 do Regimento Interno. II – Voto da Relatora A outorga do Poder Público para a execução de serviço de radiodifusão é regulada pela Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, pelo Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967, e pelo Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963, com as modificações do Decreto nº 2.108, de 24 de dezembro de 1996. O Poder Executivo informa que a documentação apresentada pelo Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. atendeu aos requisitos da legislação específica e obteve a maior pontuação do valor ponderado, nos termos estabelecidos pelo Edital, tornando-se a vencedora da concorrência para exploração do serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Não obstante, não foi anexada ao processo a documentação prevista no item “f”, inciso I, art. 2º do Ato Normativo nº 1, de 2007, desta Comissão no que se refere ao extrato de tramitação do processo no Ministério das Comunicações e na Presidência da República. Em atendimento ao disposto no item 5 da Recomendação nº 1, de 2007, desta Comissão, informamos que o processo teve início no Ministério das Agosto de 2011 Comunicações em 2 de maio de 2000, com a publicação do Edital de Concorrência. Informamos ainda que o processo foi remetido pelo Ministério à Presidência da República em 11 de maio de 2010, que, por sua vez, o encaminhou ao Congresso Nacional em 28 de dezembro de 2010. A análise deste processo pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática deve basear-se no Ato Normativo nº 01, de 2007, e na Recomendação nº 01, de 2007, deste colegiado. Verificada a documentação, constatamos que foram atendidos todos os critérios exigidos por estes diplomas regulamentares, motivo pelo qual somos pela homologação do ato do Poder Executivo, na forma do Projeto de Decreto Legislativo que ora apresentamos. Sala da Comissão, 10 de maio de 2011. – Deputada Luiza Erundina, Relatora. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº , DE 2011 Aprova o ato que outorga permissão ao Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Jordânia, Estado de Minas Gerais. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 1025, de 23 de dezembro de 2008, que outorga permissão ao Sistema Itaunense de Radiodifusão Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Jordânia, Estado de Minas Gerais. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, de de 2011. –Deputada Luiza Erundina, Relatora. III – Parecer da Comissão A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em reunião ordinária realizada hoje, aprovou unanimemente o parecer favorável da Relatora, Deputada Luiza Erundina, à TVR nº 2.741/2011, nos termos do Projeto de Decreto Legislativo que apresenta. Estiveram presentes os Senhores Deputados: Bruno Araújo – Presidente, Antonio Imbassahy, Silas Câmara e Ruy Carneiro – Vice-Presidentes, Ariosto Holanda, Arolde de Oliveira, Aureo, Carlinhos Almeida, Dr. Adilson Soares, Emiliano José, Francisco Floriano, Gilmar Machado, Hermes Parcianello, Hugo Motta, José Rocha, Júlio Campos, Lindomar Garçon, Luciana Santos, Luiza Erundina, Marcelo Aguiar, Márcio Marinho, Marcos Montes, Miro Teixeira, Newton Lima, Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Pastor Eurico, Paulo Foletto, Paulo Wagner, Ratinho Junior, Ribamar Alves, Rogério Peninha Mendonça, Salvador Zimbaldi, Sandes Júnior, Sandro Alex, Sibá Machado, Eduardo Azeredo, Jhonatan de Jesus, Manoel Junior e Waldir Maranhão. Sala da Comissão, 17 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 365, DE 2011 (Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) TVR Nº 2756/2011 MSC Nº 739/2010 Aprova o ato que outorga permissão à Safira Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Araucária, Estado do Paraná. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 212, de 24 de março de 2010, que outorga permissão à Safira Radiodifusão Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Araucária, Estado do Paraná. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 17 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. TVR Nº 2.756, DE 2011 (Mensagem nº 739, de 2010) Submete à apreciação do Congresso Nacional o ato constante da Portaria nº 212, de 24 de março de 2010, que outorga permissão à Safira Rdaiodifusão Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Araucária, Estado do Paraná. COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA I – Relatório De conformidade com o art. 49, inciso XII, combinado com o § 1º do art. 223, da Constituição Federal, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República submete à consideração do Congresso Nacional, acompanhado da Exposição de Motivos do Senhor Ministro de Estado das Comunicações, o ato que outorga per- Terça-feira 23 43703 missão à Safira Rdaiodifusão Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Atendendo ao disposto no § 3º do art. 223 da Constituição, a matéria foi enviada ao Poder Legislativo para a devida apreciação, uma vez que o ato somente produzirá efeitos após a deliberação do Congresso Nacional. Cumpre-nos, portanto, opinar sobre os aspectos técnicos e formais da matéria submetida ao exame desta Comissão, nos termos do inciso III, alínea “h”, do art. 32 do Regimento Interno. II – Voto do Relator A outorga do Poder Público para a execução de serviço de radiodifusão é regulada pela Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, pelo Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967, e pelo Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963, com as modificações do Decreto nº 2.108, de 24 de dezembro de 1996. O Poder Executivo informa que a documentação apresentada pela Safira Rdaiodifusão Ltda. atendeu aos requisitos da legislação específica e obteve a maior pontuação do valor ponderado, nos termos estabelecidos pelo Edital, tornando-se a vencedora da concorrência para exploração do serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Não obstante, não foi anexada ao processo a documentação prevista no item “f”, inciso I, art. 2º do Ato Normativo nº 1, de 2007, desta Comissão no que se refere ao extrato de tramitação do processo no Ministério das Comunicações e na Presidência da República. Em atendimento ao disposto no item 5 da Recomendação nº 1, de 2007, desta Comissão, informamos que o processo teve início no Ministério das Comunicações em 22 de fevereiro de 2000, com a publicação do Edital de Concorrência. Informamos ainda que o processo foi remetido pelo Ministério à Presidência da República em 29 de março de 2010, que, por sua vez, o encaminhou ao Congresso Nacional em 28 de dezembro de 2010. A análise deste processo pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática deve basear-se no Ato Normativo nº 01, de 2007, e na Recomendação nº 01, de 2007, deste colegiado. Verificada a documentação, constatamos que foram atendidos todos os critérios exigidos por estes diplomas regulamentares, motivo pelo qual somos pela homologação do ato do Poder Executivo, na forma do Projeto de Decreto Legislativo que ora apresentamos. Sala da Comissão, 2 de junho de 2011. – Deputado Márcio Marinho, Relator. 43704 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº , DE 2011 Aprova o ato que outorga permissão à Safira Rdaiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Araucária, Estado do Paraná. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 212, de 24 de março de 2010, que outorga permissão à Safira Rdaiodifusão Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Araucária, Estado do Paraná. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 2 de junho de 2011. – Deputado Márcio Marinho, Relator. III – Parecer da Comissão A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em reunião ordinária realizada hoje, aprovou unanimemente o parecer favorável do Relator, Deputado Márcio Marinho, à TVR nº 2.756/2011, nos termos do Projeto de Decreto Legislativo que apresenta. Estiveram presentes os Senhores Deputados: Bruno Araújo – Presidente, Antonio Imbassahy, Silas Câmara e Ruy Carneiro – Vice-Presidentes, Ariosto Holanda, Arolde de Oliveira, Aureo, Carlinhos Almeida, Dr. Adilson Soares, Emiliano José, Francisco Floriano, Gilmar Machado, Hermes Parcianello, Hugo Motta, José Rocha, Júlio Campos, Lindomar Garçon, Luciana Santos, Luiza Erundina, Marcelo Aguiar, Márcio Marinho, Marcos Montes, Miro Teixeira, Newton Lima, Pastor Eurico, Paulo Foletto, Paulo Wagner, Ratinho Junior, Ribamar Alves, Rogério Peninha Mendonça, Salvador Zimbaldi, Sandes Júnior, Sandro Alex, Sibá Machado, Eduardo Azeredo, Jhonatan de Jesus, Manoel Junior e Waldir Maranhão. Sala da Comissão, 17 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 366, DE 2011 (Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) TVR Nº 2774/2011 MSC Nº 739/2010 Aprova o ato que outorga permissão à Rede Vividense de Comunicações Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Coronel Vivida, Estado do Paraná. Agosto de 2011 O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 405, de 4 de maio de 2010, que outorga permissão à Rede Vividense de Comunicações Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Coronel Vivida, Estado do Paraná. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 17 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. TVR Nº 2774, DE 2011 (Mensagem nº 739, de 2010) Submete à apreciação do Congresso Nacional o ato constante da Portaria nº 405, de 4 de maio de 2010, que outorga permissão à Rede Vividense de Comunicações Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Coronel Vivida, Estado do Paraná. COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA I – Relatório De conformidade com o art. 49, inciso XII, combinado com o § 1º do art. 223, da Constituição Federal, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República submete à consideração do Congresso Nacional, acompanhado da Exposição de Motivos do Senhor Ministro de Estado das Comunicações, o ato que outorga permissão à Rede Vividense de Comunicações Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Atendendo ao disposto no § 3º do art. 223 da Constituição, a matéria foi enviada ao Poder Legislativo para a devida apreciação, uma vez que o ato somente produzirá efeitos após a deliberação do Congresso Nacional. Cumpre-nos, portanto, opinar sobre os aspectos técnicos e formais da matéria submetida ao exame desta Comissão, nos termos do inciso III, alínea “h”, do art. 32 do Regimento Interno. II – Voto do Relator A outorga do Poder Público para a execução de serviço de radiodifusão é regulada pela Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, pelo Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967, e pelo Decreto nº 52.795, de Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 31 de outubro de 1963, com as modificações do Decreto nº 2.108, de 24 de dezembro de 1996. O Poder Executivo informa que a documentação apresentada pela Rede Vividense de Comunicações Ltda. atendeu aos requisitos da legislação específica e obteve a maior pontuação do valor ponderado, nos termos estabelecidos pelo Edital, tornando-se a vencedora da concorrência para exploração do serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Não obstante, não foi anexada ao processo a documentação prevista no item “f”, inciso I, art. 2º do Ato Normativo nº 1, de 2007, desta Comissão no que se refere ao extrato de tramitação do processo no Ministério das Comunicações e na Presidência da República. Em atendimento ao disposto no item 5 da Recomendação nº 1, de 2007, desta Comissão, informamos que o processo teve início no Ministério das Comunicações em 15 de novembro de 2001, com a publicação do Edital de Concorrência. Informamos ainda que o processo foi remetido pelo Ministério à Presidência da República em 12 de maio de 2010, que, por sua vez, o encaminhou ao Congresso Nacional em 28 de dezembro de 2010. A análise deste processo pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática deve basear-se no Ato Normativo nº 01, de 2007, e na Recomendação nº 01, de 2007, deste colegiado. Verificada a documentação, constatamos que foram atendidos todos os critérios exigidos por estes diplomas regulamentares, motivo pelo qual somos pela homologação do ato do Poder Executivo, na forma do Projeto de Decreto Legislativo que ora apresentamos. Sala da Comissão, de de 2011. – Deputado Marcos Montes, Relator. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº , DE 2011 Aprova o ato que outorga permissão à Rede Vividense de Comunicações Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Coronel Vivida, Estado do Paraná. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 405, de 4 de maio de 2010, que outorga permissão à Rede Vividense de Comunicações Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Coronel Vivida, Estado do Paraná. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, de de 2011. – Deputado Marcos Montes, Relator. Terça-feira 23 43705 III – Parecer da Comissão A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em reunião ordinária realizada hoje, aprovou unanimemente o parecer favorável do Relator, Deputado Marcos Montes, à TVR nº 2.774/2011, nos termos do Projeto de Decreto Legislativo que apresenta. Estiveram presentes os Senhores Deputados: Bruno Araújo – Presidente, Antonio Imbassahy, Silas Câmara e Ruy Carneiro – Vice-Presidentes, Ariosto Holanda, Arolde de Oliveira, Aureo, Carlinhos Almeida, Dr. Adilson Soares, Emiliano José, Francisco Floriano, Gilmar Machado, Hermes Parcianello, Hugo Motta, José Rocha, Júlio Campos, Lindomar Garçon, Luciana Santos, Luiza Erundina, Marcelo Aguiar, Márcio Marinho, Marcos Montes, Miro Teixeira, Newton Lima, Pastor Eurico, Paulo Foletto, Paulo Wagner, Ratinho Junior, Ribamar Alves, Rogério Peninha Mendonça, Salvador Zimbaldi, Sandes Júnior, Sandro Alex, Sibá Machado, Eduardo Azeredo, Jhonatan de Jesus, Manoel Junior e Waldir Maranhão. Sala da Comissão, 17 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 367, DE 2011 (Da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) TVR Nº 2566/2010 MSC Nº 363/2010 Aprova o ato que outorga permissão à Dorner & Grigoletto Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Nortelândia, Estado de Mato Grosso. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 928, de 18 de novembro de 2009, que outorga permissão à Dorner & Grigoletto Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Nortelândia, Estado de Mato Grosso. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 17 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. TVR Nº 2.566, DE 2010 (Mensagem nº 363, de 2010) Submete à apreciação do Congresso Nacional o ato constante da Portaria nº 928, de 18 de novembro de 2009, que outorga permissão à Dorner & Grigoletto Ltda. para 43706 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Nortelândia, Estado de Mato Grosso. COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA I – Relatório De conformidade com o art. 49, inciso XII, combinado com o § 1º do art. 223, da Constituição Federal, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República submete à consideração do Congresso Nacional, acompanhado da Exposição de Motivos do Senhor Ministro de Estado das Comunicações, o ato que outorga permissão à Dorner & Grigoletto Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Atendendo ao disposto no § 3º do art. 223 da Constituição, a matéria foi enviada ao Poder Legislativo para a devida apreciação, uma vez que o ato somente produzirá efeitos após a deliberação do Congresso Nacional. Cumpre-nos, portanto, opinar sobre os aspectos técnicos e formais da matéria submetida ao exame desta Comissão, nos termos do inciso III, alínea “h”, do art. 32 do Regimento Interno. II – Voto do Relator A outorga do Poder Público para a execução de serviço de radiodifusão é regulada pela Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, pelo Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967, e pelo Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963, com as modificações do Decreto nº 2.108, de 24 de dezembro de 1996. O Poder Executivo informa que a documentação apresentada pela Dorner & Grigoletto Ltda. atendeu aos requisitos da legislação específica e obteve a maior pontuação do valor ponderado, nos termos estabelecidos pelo Edital, tornando-se a vencedora da concorrência para exploração do serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada. Não obstante, não foi anexada ao processo a documentação prevista no item “f”, inciso I, art. 2º do Ato Normativo nº 1, de 2007, desta Comissão no que se refere ao extrato de tramitação do processo no Ministério das Comunicações e na Presidência da República. Em atendimento ao disposto no item 5 da Recomendação nº 1, de 2007, desta Comissão, informamos que o processo teve início no Ministério das Comunicações em 15 de novembro de 2001, com a publicação do Edital de Concorrência. Informamos ainda que o processo foi remetido pelo Ministério à Presidência da República em 24 de novembro de 2009, que, por sua vez, o encaminhou ao Congresso Nacional em 29 de junho de 2010. Agosto de 2011 A análise deste processo pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática deve basear-se no Ato Normativo nº 01, de 2007, e na Recomendação nº 01, de 2007, deste colegiado. Verificada a documentação, constatamos que foram atendidos todos os critérios exigidos por estes diplomas regulamentares, motivo pelo qual somos pela homologação do ato do Poder Executivo, na forma do Projeto de Decreto Legislativo que ora apresentamos. Sala da Comissão, 29 de março de 2011. – Deputado Aureo, Relator. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº , DE 2011 Aprova o ato que outorga permissão à Dorner & Grigoletto Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Nortelândia, Estado de Mato Grosso. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º É aprovado o ato constante da Portaria nº 928, de 18 de novembro de 2009, que outorga permissão à Dorner & Grigoletto Ltda. para explorar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Nortelândia, Estado de Mato Grosso. Art. 2º Este decreto legislativo entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 29 de março de 2011. – Deputado Aureo, Relator. III – Parecer da Comissão A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em reunião ordinária realizada hoje, aprovou unanimemente o parecer favorável do Relator, Deputado Aureo, à TVR nº 2.566/2010, nos termos do Projeto de Decreto Legislativo que apresenta. Estiveram presentes os Senhores Deputados: Bruno Araújo – Presidente, Antonio Imbassahy, Silas Câmara e Ruy Carneiro – Vice-Presidentes, Ariosto Holanda, Arolde de Oliveira, Aureo, Carlinhos Almeida, Dr. Adilson Soares, Emiliano José, Francisco Floriano, Gilmar Machado, Hermes Parcianello, Hugo Motta, José Rocha, Júlio Campos, Lindomar Garçon, Luciana Santos, Luiza Erundina, Marcelo Aguiar, Márcio Marinho, Marcos Montes, Miro Teixeira, Newton Lima, Pastor Eurico, Paulo Foletto, Paulo Wagner, Ratinho Junior, Ribamar Alves, Rogério Peninha Mendonça, Salvador Zimbaldi, Sandes Júnior, Sandro Alex, Sibá Machado, Eduardo Azeredo, Jhonatan de Jesus, Manoel Junior e Waldir Maranhão. Sala da Comissão, 17 de agosto de 2011. – Deputado Bruno Araújo, Presidente. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS REQUERIMENTO Nº 2902, DE 2011 (Da Comissão Especial Destinada a Proferir Parecer ao Projeto de Lei nº 8.035, de 2010, do Poder Executivo, que “Aprova o Plano Nacional de Educação Para o Decênio 2011-2010 e dá outras Providências”) Solicita prorrogação do prazo da Comissão proferir parecer ao PL 8.035, de 2010 Requeiro a Vossa Excelência, nos termos regimentais, a prorrogação do prazo, por cinco sessões, desta Comissão Especial proferir parecer ao PL 8.035, de 2010, do Poder Executivo, que “aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 20112020 e dá outras providências” Sala das Comissões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Gastão Vieira, Presidente. O SR. PRESIDENTE (José Rocha) – Finda a leitura do expediente, passa-se ao IV – PEQUENO EXPEDIENTE Concedo a palavra ao Sr. Deputado Mauro Benevides, ex-Senador e ex‑Governador, que muito honra o Ceará nesta Casa. O SR. MAURO BENEVIDES (PMDB-CE. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, senhores telespectadores que assistem aos nossos trabalhos pela TV Câmara, à proporção que nos aproximamos do final do exercício, mais se intensificam os apelos em favor da aprovação da Emenda nº 29, de 2000, por meio da qual se ampliarão os recursos para a saúde, com destinação para Municípios cujos orçamentos não comportam o peso financeiro de tal dispêndio, considerado fundamental para atender às demandas do setor por parte, sobretudo, das médias e pequenas comunas, que despendem percentuais elevados, com vistas a respaldar gastos que transcendem 20% da respectiva receita anual. O Programa Saúde da Família, disseminado por todas as nossas quase 5.600 urbes, vem cumprindo o seu papel, reclamando aportes ponderáveis, que comprometem outros investimentos em educação e infraestrutura, reclamados pelo desenvolvimento de cada segmento populacional. Na ultima sexta-feira, em visita aos Municípios de Redenção e Barreira, situados a cerca de 70 quilômetros da Capital, ouvi de seus Prefeitos, Cimar Torres e Antonio Peixoto, apelos para que se envidassem esforços, com o objetivo de sensibilizar o Poder Executivo a concordar com o propósito inabalável do Legislativo para dar curso à tramitação da matéria, Terça-feira 23 43707 sem delongas que possam transpor os limites da atual sessão legislativa. O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que vem empreendendo gestão profícua, vê-se na contingência de aguardar a decisão da área econômica, confiada aos Ministro Guido Mantega e Miriam Belchior, os quais vivenciam o impacto da crise financeira mundial, ainda atravessando período crítico, desde quando os Estados Unidos mergulharam em fase de extremas dificuldades, a ponto de ampliar o teto de sua dívida em mais de 2 trilhões de dólares. Embora o quadro internacional reclame controle de despesas, não se pode deixar de considerar a transcendência de uma área nevrálgica, que não suporta enquadramento em decisões restritivas que não propiciem o devido amparo aos compromissos obrigatórios como algo fundamental para a coletividade. Daí o apelo que, mais uma vez, deliberei transmitir à própria Presidente Dilma Rousseff, na expectativa de que a titular do Planalto sinalize a sua indispensável anuência para atender a uma realidade premente, que não admite mais retardamentos em sua aplicabilidade. Muito obrigado, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados. O SR. MARCON (PT-RS. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, solicito a V.Exa. aceite como lido meu discurso em que me refiro ao acampamento da Via Campesina montado hoje em Brasília. O acampamento tem em torno de 3 mil pessoas vindas de todo o País, que vão permanecer em Brasília nos próximos dias para acompanhar as negociações em torno do endividamento em que se encontram os nossos agricultores da economia familiar em todo o Brasil. Na audiência que haverá com o Governo Federal, esperamos que o Governo trate com carinho a situação do endividamento agrícola dos nossos agricultores. As dívidas estão acumuladas por causa das intempéries que tivemos em nível nacional, com secas e enxurradas, preços baixos dos nossos produtos e preços altos dos equipamentos, máquinas e insumos. Entendemos que o Governo tem de fazer o acerto das contas para que os nossos agricultores tenham condições de permanecer na terra. É grande a expectativa de que haja essa compreensão. O acampamento vem pressionar o Governo Federal diante da questão do endividamento. Sr. Presidente, solicito que este pronunciamento seja divulgado pelos meios de comunicação da Casa e no programa A Voz do Brasil, porque se trata de um assunto que interessa a todos os brasileiros e a todas as brasileiras. 43708 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados e demais servidores desta Casa, Brasília recebe 4 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais de 23 Estados e do Distrito Federal dos movimentos da Via Campesina em um grande acampamento por reforma agrária, a partir desta segunda-feira, dia 22 de agosto, nos arredores do Ginásio Nilson Nelson. A mobilização integra a Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária, que acontece em todo o Brasil a partir do dia 22 de agosto. Além do acampamento, atos políticos e culturais devem acontecer em Brasília e nos Estados onde os movimentos da Via Campesina estão organizados. Três temas centrais, todos relacionados com a implementação da reforma agrária, serão discutidos com as mobilizações: o primeiro é o assentamento das mais de 60 mil famílias acampadas, algumas há mais de 5 anos, através da desapropriação dos grandes latifúndios improdutivos, muitos em mãos do capital estrangeiro. A jornada também exige que o orçamento destinado à obtenção de terras seja recomposto. Os R$530 milhões destinados para o INCRA promover a desapropriação de terras já foram totalmente executados. Para 2012, o cenário é de redução: estão previstos apenas R$465 milhões, um corte de R$65 milhões, segundo dados do INCRA. A renegociação das dívidas dos pequenos agricultores também é pauta de reivindicação. Em todo o Brasil, o valor em dívidas vencidas e a vencer do PRONAF, PROGER e Crédito Fundiário chegam a R$30 bilhões, de acordo com o Ministério da Fazenda. A situação é preocupante, pois a agricultura familiar é responsável pelo abastecimento interno de alimentos – responde por 70% do alimento da mesa do brasileiro. O valor comprova que os programas de crédito para a agricultura familiar são insuficientes para atender a realidade da agricultura camponesa, familiar, sobretudo os assentados da reforma agrária. Refletem os preços baixos pagos aos pequenos produtores e a falta de políticas públicas de comercialização. Acreditamos que a reforma agrária seja um dos principais meios de desenvolver nosso País, distribuindo renda e riqueza, pois democratiza a terra, gera empregos diretos, moradia e produção de alimentos, superando a miséria no interior do País e o inchaço dos grandes centros urbanos. O SR. JOÃO ANANIAS (Bloco/PCdoB-CE. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, solicito a V.Exa. aceite como lido pronunciamento que repercute a justa reivindicação feita pelos servidores da Justiça Federal. Na semana passada, recebi representação do Sindicato dos Trabalhadores da Justiça Federal no Agosto de 2011 meu Estado, o Ceará, em nome de tantos outros, que vieram em busca de apoio para uma reivindicação justíssima sobre o plano de cargos, carreiras e salários. Acho que se trata de uma luta de todos os servidores. É direito de todos ter o plano de cargos, carreiras e salários, uma garantia de que a defasagem do salário, comumente corroído ao longo dos tempos, deixe de acontecer. Portanto, acho extremamente justa essa reivindicação. Tramita na Casa o Projeto de Lei nº 6.613, de 2009, que se encontra na Comissão de Finanças e Tributação desta Casa, e pedimos aos membros da Comissão que agilizem a tramitação deste projeto para que chegue ao plenário. Portanto, era isso o que tinha a dizer, Sr. Presidente. Peço, ao finalizar, que o meu discurso seja divulgado pela mídia desta Casa. Muito obrigado. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, recebi semana passada um grupo de servidores da Justiça Federal no Ceará, associados ao SINTRAJUFE/ CE (Sindicato dos Trabalhadores da Justiça Federal no Ceará), que vieram em busca de apoio para uma justa reivindicação da categoria, o plano de cargos e salários dos servidores do Poder Judiciário Federal. Está tramitando o Projeto de Lei nº 6.613, de 2009, na Comissão de Finanças e Tributação desta Casa, e esta é a razão da minha fala hoje. Venho pedir mais agilidade no trâmite do referido Projeto de Lei, para que possamos fazer justiça com essa categoria que tantos e tão bons serviços tem prestado à sociedade. Nada mais legitimo do que a luta dos servidores públicos pelos seus planos de cargos e salários, como única maneira de evitar as defasagens salariais que acabam corroendo em pouco tempo o poder aquisitivo desses trabalhadores. Apresentei requerimento nesse sentido esta semana e apelo a todos os Deputados Federais para que também o façam. Nossa expectativa é que a Subcomissão Especial criada na Comissão de Finanças e Tributação para analisar esta questão possa, em um breve espaço de tempo, posicionar-se favoravelmente em prol da causa dessa categoria dos servidores da Justiça Federal. Era só, Sr. Presidente. Finalizo solicitando que meu pronunciamento seja divulgado pelos órgãos de comunicação da Câmara Federal. O SR. PRESIDENTE (José Rocha) – Com a palavra o ilustre Deputado Giovanni Queiroz, do Pará, grande defensor da criação do Estado do Carajás nesta Casa, para uma Comunicação de Liderança, pelo PDT. S.Exa. dispõe de 3 minutos. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. GIOVANNI QUEIROZ (PDT-PA. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho aqui exatamente para falar um pouquinho sobre a criação do Estado do Carajás. A data está marcada, Sr. Presidente: no dia 11 de dezembro, o povo das regiões sul e sudeste do Pará e o povo do Tapajós deverão comparecer às urnas para dizer se querem ou não se desmembrar da parte maior, que é o Estado do Pará. É a população diretamente interessada, como prevê a Constituição. A interpretação, às vezes, é um pouco dúbia. Nós Parlamentares votamos o decreto legislativo, que diz em termos absolutos: “Art. 1° O Tribunal Regional Eleitoral do Pará, de acordo com instruções do Tribunal Superior Eleitoral, realizará no prazo de 6 (seis) meses, a contar da data da publicação deste Decreto Legislativo, conforme previsto no § 3º do art. 18 da Constituição Federal, plebiscito sobre a criação do Estado do Carajás (...).” É isso o que diz o decreto, ou seja, de acordo com o § 3º do art. 18 da Constituição. O que diz o § 3º do art. 18? “Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. .............................................................. § 3º” – é a este que nos referimos quando votamos o decreto – “Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar‑se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.” Muito bem, Sr. Presidente: ouvida a população diretamente interessada. Para o Constituinte de 1988, com muita vontade de ver isso bem colocado na Constituição, não basta dizer população interessada, tem que ser diretamente interessada. Tem que ser ouvida a população da área que vai ser desmembrada, se ela quer ou não se desmembrar do todo, do Estado-mãe. Também assim foi a interpretação do Supremo Tribunal Federal, Sr. Presidente, quando decidiu sobre uma ADIN em 1992, logo depois de promulgada a Constituição – porque também era assim no § 4º do art. 18. Ao falar de Municípios, dizia “ouvidas as populações diretamente interessadas”. Portanto uma ADIN da época questionava se não seria a população de todo o Município. E o Supremo Tribunal Federal, em duas ADINs, decidiu claramente, dizendo assim: “Dire- Terça-feira 23 43709 tamente interessada no objeto da consulta popular é apenas a população da área desmembranda”. Isso é a ementa, o resumo da decisão do Supremo Tribunal Federal, Sr. Presidente, com relação ao § 4º do art. 18. Logicamente, reportando-se também ao § 3º, que diz “população diretamente interessada”, não seria outra a interpretação. Essa foi a ADIN nº 478. O STF, já em outra ADIN, de nº 733, diz assim: “(...) diretamente interessada no objeto da consulta popular é apenas a população da área desmembrada, única, portanto, a participar dela. Composta a área do município projetado de diversos distritos, (...)”. Muito bem, Sr. Presidente, há uma ADIN no Supremo questionando a Lei nº 9.709, que, no seu art. 7º, dizia que, no caso de se criarem Estados, terá que ser ouvida a população do Estado – é a Lei 9.709, art. 7º. Ora, a lei complementar é infraconstitucional; a lei maior é a Constituição. E a Constituição é clara sobre ouvir a população diretamente interessada. E se o Congresso Nacional assim determinou, ele o fez porque compete apenas ao Congresso Nacional, é competência exclusiva do Congresso Nacional. Só para completar, Sr. Presidente, leio: “Art. 49. É da Competência exclusiva do Congresso Nacional: ............................................................. XV – autorizar referendo e convocar plebiscito;” Se nós determinamos pelo ato da nossa competência – que é o decreto legislativo – que, de acordo com o § 3º, seja ouvida a população, nós nos reportamos à população diretamente interessada. É isso que será julgado na quarta‑feira. Está na pauta do Supremo Tribunal Federal essa decisão extremamente importante. Ainda é interessante dizer que a população do Pará também será ouvida. A população do Pará também será ouvida. Será ouvida quando? Será ouvida quando a Assembleia Legislativa for consultada, de acordo também com a Constituição. Portanto, Sr. Presidente, estou feliz em ver que nós vamos criar o Estado do Carajás, mais uma unidade federada, e o Estado do Tapajós também, nesse mesmo processo, para construirmos um Brasil cada vez melhor e mais forte. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (José Rocha) – Ilustre Líder Giovanni Queiroz, parabenizo V.Exa. por essa luta, que certamente será vitoriosa, da criação do Estado do Carajás, que será o mais novo Estado do País e haverá de ter toda a pujança e todos os merecimentos que o povo exige. A população brasileira haverá de estar do seu lado. O SR. PRESIDENTE (José Rocha) – Com a palavra o ilustre Deputado Gonzaga Patriota, do PSB de Pernambuco, coordenador da bancada do Nordeste nesta Casa. 43710 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. GONZAGA PATRIOTA (Bloco/PSB-PE. Sem revisão do orador.) – Também sou cidadão lá de Santa Maria da Vitória, terra de V.Exa., lá no futuro Estado do Rio São Francisco. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nós vemos a crise, nós vemos alguns problemas de faxina, mas ficamos felizes quando vemos o Governo programando investimentos de vinte e poucos por cento do PIB até 2014. Ontem eu estava assistindo, no Roda Viva, ao Governador de Pernambuco mostrar o quanto o Nordeste tem-se desenvolvido, bem como o Estado de Pernambuco. É o pessimismo do administrador, é o programa, é o planejamento estratégico de um governo. Trouxe aqui um pronunciamento que não poderei ler e peço a V.Exa. que o encaminhe. Estou dizendo exatamente que o Brasil está no rumo certo, porque há a esperança dos seus governantes. Parabéns à Presidente Dilma. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR: Governo quer elevar investimentos a 22,4% do PIB. O Governo brasileiro estabeleceu como meta elevar os investimentos para o equivalente a 22,4% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2014. No ano passado, os investimentos corresponderam a 18,4%. Ao mesmo tempo, o governo que ampliar a participação do País no comércio internacional de 1,36%, em 2010, para 1,60%, em 2014. As metas estão incluídas na política industrial, tecnológica e de comércio exterior, batizada de Brasil Maior, anunciada na semana passada. O Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, explicou na ocasião que as chamadas “macrometas” da política industrial só seriam divulgadas após a aprovação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), formado por 13 Ministros, o Presidente do BNDES e 14 representantes do setor produtivo e dos trabalhadores, que fará o acompanhamento das medidas. O CNDI ainda não se reuniu. No entanto, as metas foram publicadas na cartilha do Brasil Maior, divulgada no site oficial da política industrial. Ao todo, são 10 macrometas. Apesar de as medidas ligadas ao setor de telecomunicações não terem sido anunciadas junto com a política industrial, um dos objetivos é ampliar o número de domicílios urbanos com acesso à banda larga (meta PNBL) de 13,8 milhões de domicílios, em 2010, para 40 milhões de domicílios em 2014. Outra meta, Sr. Presidente, prevê a redução do consumo de energia por unidade do PIB industrial (consumo de energia em Tonelada Equivalente de Petróleo – TEP). O plano prevê ainda a elevação dos gastos em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) de 0,59% do PIB, em 2010, para 0,90% do PIB, em 2014. Também deve aumentar a qualificação de recursos humanos, pas- Agosto de 2011 sando de 53,7% para 65% até 2014 o porcentual dos trabalhadores da indústria com pelo menos nível médio. Outra meta é a ampliação do valor agregado nacional (medido pelo Valor da Transformação Industrial – VTI e pelo Valor Bruto da Produção – VBP) de 44,3%, em 2009, para 45,3%, em 2014. O Governo ainda quer passar de 30,1% para 31,5%, no mesmo período, o porcentual da indústria intensiva em conhecimento. Para as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), o Governo estabeleceu como meta ampliar em 50% o número de empresas inovadoras, passando de 37,1 mil, em 2008, para 58 mil, em 2014. O plano ainda quer elevar a participação nacional nos mercados de tecnologias, bens e serviços para energias de 64%, em 2009, para 66%, em 2014. O SR. ONOFRE SANTO AGOSTINI (DEM-SC. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, povo brasileiro, o modelo econômico predominante no mundo moderno, calcado na produção maciça de bens e no incentivo ao consumo, possui méritos indiscutíveis: sem ele, como tem demonstrado a experiência histórica, a busca pelo desenvolvimento, pela geração e distribuição da riqueza, pela melhoria das condições de vida, da saúde e da educação faz-se muito mais incerta e complexa. Mas os benefícios por ele oferecidos não vêm isentos de custos, alguns dos quais bastante elevados, como é o caso de sua ação nociva sobre o meio ambiente. O sistema de produção industrial do século XIX baseia-se na exploração pura e simples dos recursos naturais, desperdiçados como se inesgotáveis fossem, ao lado de uma total despreocupação com a disposição dos resíduos. Só muito aos poucos a humanidade foi descobrindo, e pelos caminhos mais difíceis, que esse descuido poderia ter consequências nefastas. Mesmo assim, quando a humanidade há muito caminha nessa trilha, ainda absorvemos, com certo vagar e a contragosto, essa crença em que a “preservação de recursos” e a “proteção ambiental” representam condições para a nossa própria sobrevivência, a sobrevivência da espécie. Em tal panorama, destacam-se naturalmente os aspectos do tratamento, recuperação e disposição de resíduos que antes se abandonavam em lixões e aterros. Uma pesquisa na legislação dos países mais adiantados revela essa preocupação. Por diversas que se apresentem as soluções, comungam todas do mesmo objetivo de reduzir e minimizar o impacto ambiental dos subprodutos de nosso cotidiano sobre os solos, as águas, os ares e, especialmente, sobre as pessoas. O Brasil associou-se recentemente a um grupo, ao adotar, em 2010, a sua Política Nacional de Resíduos Sólidos, na Lei nº 12.305. Enumeram-se ali os princípios, objetivos e diretrizes mais modernos para dirigir e orientar as atividades de gerenciamento dos rejeitos, Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS fixando-se atribuições e responsabilidades tanto para a iniciativa privada quanto para os poderes públicos. Pois bem, demos entrada no Projeto de Lei nº 1.908/11, que “estabelece tratamento diferenciado, em relação à incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, a estabelecimentos industriais, ou estabelecimentos equiparados a industriais, de cujas operações resultem produtos reciclados que contenham resíduos sólidos”. A proposta assenta-se sobre duas linhas de sustentação paralelas, que procuram somar os seus esforços. Em um primeiro plano, alinhando-se com o marco legal já em vigor, propõe-se tratamento fiscal diferenciado para a indústria da reciclagem. Recentemente, quando aqui esteve o Ministro Mantega, nós apresentamos a S.Exa. o projeto que dá incentivo ao empresário que usa como matéria-prima produtos reciclados: lata de lixo, lata de bebida, papel, plástico, vidro e assim por diante. Além dos benefícios ambientais esperados, a aprovação do projeto deve contribuir também para a geração de empregos, impulsionando todo o ramo de atividade econômica, que ainda está bastante no início no Brasil, mas que em outros países tem demonstrado grande dinamismo. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, reputamos este projeto de suma importância por dois motivos: primeiro, estamos incentivando o empresário a produzir, a gerar emprego e também outros produtos, isentando-o do IPI. Mas, por outro lado, estamos incentivando a preservação ambiental e retirando da natureza aqueles objetos que ali são jogados e que levam centenas ou milhares de anos para se decompor. Esse é um projeto que refutamos de muita importância para a preservação ambiental. Sras. e Srs. Deputados, na semana que passou, eu tive o privilégio de ter uma audiência com S.Exa a Presidente da República. Aqui está a fotografia. Levamos a S.Exa. um DVD que tenta dar destino correto ao dejeto humano, que, infelizmente, é jogado na natureza. V.Exa., que é médico sanitarista, sabe o que eu estou dizendo. Entope a fossa, o caminhão retira o que tem lá dentro e joga fora – ou joga no rio ou no mar. O projeto apresentado à Presidente da República é um modelo realizado no Estado de Santa Catarina, num Município chamado Palma Sola, porque os técnicos que inventaram a máquina são de lá. O Município é pequeno, deve ter cerca de 15 mil habitantes, e o Prefeito incentivou o projeto. Como funciona essa máquina, ilustre Deputado? Quando entope a fossa, a Prefeitura vai até o local, retira tudo e leva para esse equipamento. O que é líquido volta como água pura para a natureza, o que é sólido volta como adubo. É um sucesso! Isto sim é preservar o meio ambiente. A máquina custou 200 mil reais e, como eu disse, está no Município de Palma Sola, mas queremos Terça-feira 23 43711 aplicá-la em todo o Brasil. Por isso estive com a Presidente da República, levei o DVD que mostra como funciona a máquina. S.Exa. ficou encantada e assumiu o compromisso de assistir ao vídeo e reunir seus técnicos para efetivamente verificar a possibilidade de aplicar esse modelo em todo o Brasil. Vejam V.Exas., Srs. Deputados, que demos entrada no PL 1.908, que estimula o empresário e o industrial a usarem material reciclado, tendo como incentivo a isenção de IPI. Essa é, sem dúvida alguma, uma forma de preservar o meio ambiente, de incentivar aqueles empresários que querem o bem da natureza. É efetivamente sair da filosofia e da doutrina e ir para a prática. Realmente é um projeto de suma importância, e não vai beneficiar só o meu Estado, Santa Catarina, mas todo o Brasil, dando incentivo ao empresário que usar material reciclado para continuar a produzir, a gerar emprego, absorvendo mão de obra e principalmente preservando a natureza. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o modelo econômico predominante no mundo moderno, calcado na produção maciça de bens e no incentivo ao consumo, possui méritos indiscutíveis: sem ele, como tem demonstrado a experiência histórica, a busca pelo desenvolvimento, pela geração e distribuição da riqueza, pela melhoria das condições de vida, da saúde e da educação faz-se muito mais incerta e complexa. Mas os benefícios por ele oferecidos não vêm isentos de custos, alguns dos quais bastante elevados, como é o caso de sua ação nociva sobre o meio ambiente. O sistema de produção industrial do século XIX baseava-se na exploração pura e simples dos recursos naturais, desperdiçados como se inesgotáveis fossem, ao lado de uma total despreocupação com a disposição dos resíduos. Só muito aos poucos a humanidade foi descobrindo, e pelos caminhos mais difíceis, como esse descuido poderia ter consequências nefastas. Mesmo hoje, quando a humanidade há muito caminha nessa trilha, ainda absorvemos com certo vagar e a contragosto essa crença em que a “preservação de recursos” e a “proteção ambiental” representam condições para a nossa própria sobrevivência, como espécie. Em tal panorama, destacam-se naturalmente os aspectos do tratamento, recuperação e disposição de resíduos que antes se abandonavam displicentemente em lixões e aterros. Uma pesquisa na legislação dos países mais adiantados revela essa preocupação: por diversas que se apresentem as soluções, comungam todas do mesmo objetivo de reduzir e minimizar o impacto ambiental dos subprodutos de nosso cotidiano sobre os solos, as águas, os ares e, especialmente, sobre as pessoas. 43712 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O Brasil associou-se recentemente a esse grupo, ao adotar, em 2010, a sua Política Nacional de Resíduos Sólidos, na Lei nº 12.305. Enumeram-se ali os princípios, objetivos e diretrizes mais modernos, para dirigir e orientar as atividades de gerenciamento de rejeitos, fixando-se atribuições e responsabilidades tanto para a iniciativa privada quanto para os poderes públicos. A adoção de instrumentos econômicos de estímulo, como, por exemplo, os princípios do “poluidor-pagador” e do “protetor-recebedor”, da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, do conteúdo econômico do resíduo sólido reutilizável, da “ecoeficiência” e do desenvolvimento sustentável constitui avanço significativo nessa mudança de mentalidade, sintonizando nossa Política Nacional com as técnicas mais modernas hoje conhecidas. Outro aspecto ali também abrigado diz com os incentivos à indústria da reciclagem e ao emprego de padrões sustentáveis de produção e consumo, que se desdobraram, logo a seguir, na desoneração promovida na legislação do IPI, pela Lei nº 12.375/10, com a concessão de crédito presumido na aquisição de resíduos sólidos diretamente de cooperativas de catadores. O acerto e a pertinência dessas políticas não se põem em dúvida, Sr. Presidente, e elas devem merecer todo o apoio deste Parlamento. Mas é preciso reconhecer também que ainda nos encontramos algo distantes do que deveria ser o nosso objetivo final. Nesse sentido, propusemos recentemente a esta Casa o Projeto de Lei nº 1.908/11, que “estabelece tratamento diferenciado, em relação à incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, a estabelecimentos industriais, ou estabelecimentos equiparados a industriais, de cujas operações resultem produtos reciclados que contenham resíduos sólidos”. A proposta se assenta sobre duas linhas de sustentação paralelas, que procuram somar os seus esforços. Em um primeiro plano, alinhando-se com o marco legal já em vigor, propõe-se tratamento fiscal diferenciado para a indústria recicladora. Ao lado dessa medida, por entender que o conceito de essencialidade, que a Constituição relaciona ao IPI, estende-se também à proteção do meio ambiente, faculta-se ao Executivo desonerar integralmente os produtos reciclados, quando tal se mostrar conveniente para os objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Além dos benefícios ambientais esperados, a aprovação do projeto deve contribuir também para a geração de empregos, impulsionando todo um ramo de atividade econômica ainda bastante incipiente no Brasil, mas que em outros países tem demonstrado grande dinamismo. Sr. Presidente, Srs. Deputados, a introdução de novos processos representa sempre um desafio para as indústrias. E o cumprimento das metas da Política Nacio- Agosto de 2011 nal de Resíduos Sólidos sem dúvida resultará, ao menos nos estágios iniciais, em algum aumento de custos. Em mercados altamente competitivos, como se sabe, qualquer perturbação no equilíbrio de custos e receitas pode redundar em danos graves para a saúde econômica das empresas. Natural assim que, na ausência de estímulos, elas vacilem antes de abraçar integralmente a causa. Com esse projeto, Srs. Deputados, acreditamos oferecer uma compensação à indústria capaz de reduzir ou mesmo eliminar os impactos negativos eventualmente resultantes da adoção de processos ambientalmente mais adequados, afastando assim os entraves que porventura ainda se oponham à difusão mais ampla dessas políticas em nosso País. A sua aprovação certamente alinhará o Brasil com as tendências mais modernas da proteção ambiental, um grande passo para conquistar a confiança de consumidores mais sofisticados e exigentes, em nível internacional, assentando em bases cada vez mais sólidas e estáveis os alicerces de nosso desenvolvimento. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (José Rocha) – Com a palavra o ilustre Deputado João Ananias. O SR. JOÃO ANANIAS (Bloco/PCdoB-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Deputado José Rocha, Sras. e Srs. Deputados, eu gostaria de colocar uma questão, Deputado Osmar Terra, que tem tudo a ver com o ensino médico, especificamente com o ensino médico privado. Em Juazeiro do Norte há uma faculdade de Medicina particular, ligada ao grupo Estácio de Sá, portanto, um grupo forte, poderoso. E eu recebi um manifesto dos estudantes de Medicina daquela faculdade denunciando a gravidade da crise no ensino naquela instituição. Eu fico profundamente preocupado quando vejo crise no ensino, principalmente no ensino dos profissionais de saúde, em particular dos médicos, porque todos eles vão para o mercado de trabalho nos atender. É preciso ter um controle do ensino médico, um ensino de excelência, para que tenhamos profissionais capazes – nem digo voltado para o Sistema Único de Saúde –, mesmo os que estão na iniciativa privada, de atender bem à população. A Faculdade de Medicina de Juazeiro, a FMJ como é conhecida, tem uma crise crônica. Eu fui Secretário de Saúde e acompanho essa crise. Buscamos fazer convênio com sete hospitais públicos do Estado, como fizeram as outras faculdades particulares, os cursos de Medicina da Faculdade Christus e da UNIFOR, mas a de Juazeiro negou-se a fazer. E aí o Hospital Santo Inácio, de Juazeiro, serve como campo de estágio e de internato, mas vive momentos da crise do subfinanciamento, como vivem muitos hospitais do SUS. No último dia 8, os estudantes fizeram uma assembleia geral e tiveram um movimento que batizaram de EstácioNada – estacionada –, nos dias 16, 17 e 18, Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS com paralisações, debates, para tentar sensibilizar a gestão da Faculdade de Medicina de Juazeiro (FMJ) a melhorar as condições de ensino. Isso eu atesto daqui, porque eu sei da crise, sei das dificuldades e sei da sua negação para melhorar. Temos dois grandes hospitais terciários em Barbalha, a 15 quilômetros de distância da faculdade, e que se propuseram a ser campo de estágio. São os hospitais filantrópicos Santo Antônio e São Vicente, ligados ao SUS. Mas a faculdade também não quis, comprometendo, de forma grave, o ensino médico daquela universidade. Acompanho a faculdade há muito tempo e sei que ela viveu momentos muito melhores. Agora temos essa crise, depois de 10 anos de funcionamento, por restrições. As mensalidades não se reduziram, mas os gastos sim. Aumentaram as turmas, que eram de 50 para 100 estudantes, mas não garantiram a ampliação dos laboratórios. A estrutura da faculdade não melhorou em nada, pelo contrário. Por isso, de forma justa e legítima, os estudantes daquela faculdade apresentaram seus argumentos nesse manifesto. Sr. Presidente, encaminhei ofício ao Sr. Ministro da Educação, Fernando Haddad, e ao departamento que cuida dessa questão para denunciar o fato, assim como ao Ministério Público do Estado do Ceará, para que apure essa questão, sob pena de comprometer de vez o ensino médico de lá. É por isso que questionamos a ampliação, a expansão e a abertura de muitas faculdades privadas. Na realidade, o senso, a razão maior dessas faculdades é muito clara: lucro, e não podemos derivar para isso. É permitido o curso particular, pois é concessão do Ministério da Educação. Mas é permitido. Não estou aqui a radicalizar contra isso, estou a reclamar que se não pode reservar-se apenas ao lucro, sem levar em consideração a qualidade e a melhoria do ensino. Portanto, essa é a minha preocupação, também já externada pelo Deputado José Arnon, coordenador da bancada do Ceará. Nós vamos em frente, vamos cobrar do Ministério Público e do Ministério da Educação as medidas cabíveis em relação a essa questão. Muito obrigado. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR: Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, trago a esta casa uma questão que me foi encaminhada pelos estudantes da Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte no Ceará, a FMJ, do grupo Estácio, do Rio de Janeiro. Há vários anos acumulam-se muitos problemas naquela instituição de ensino. Houve, dia 8 de agosto, assembleia geral extraordinária, quando os estudantes elaboraram um manifesto que denuncia graves fatos que comprometem o ensino médico. Terça-feira 23 43713 Depois de 10 anos de funcionamento, aquilo que no início orgulhava os estudantes – instalações, laboratórios e o quadro docente – agora é motivo de revolta por conta dos minguados investimentos ao longo desses anos. Aumentaram o numero de estudantes por turma de 50 para 100, sem que houvesse ampliação da estrutura nos laboratórios, nem nos hospitais que servem para estágios e aulas praticas. Esses hospitais estão em precárias condições, como afirmam os signatários do manifesto que anexo ao meu pronunciamento. Houve oportunidade de firmar convénio com a SESA (Secretaria de Estado da Saúde), para que os estudantes que desejassem fizessem o internato, nos 2 últimos anos do curso de Medicina, nos sete hospitais da rede do Estado, localizados em Fortaleza, como fizeram as duas outras faculdades de Medicina, a Christus e a UNIFOR, também privadas como a FMJ. À época eu era Secretario de Saúde do Estado e pessoalmente insisti para que o convênio fosse feito, pois já acompanhava a crise que se instalava naquela entidade de ensino. As propostas apresentadas são: 1 – estabelecimento de convênio com uma instituição de saúde que realmente seja um hospital-escola e tenha infraestrutura para um ensino de qualidade; 2 – construção de uma clínica-escola com os ambulatórios das especialidades (como já foi prometido pela direção da Estácio/FMJ anteriormente em reunião); 3 – fornecimento de estruturas adequadas à turma de 100 alunos, tanto no que diz respeito às salas de aula quanto aos laboratórios; 4 – contratação de novos professores e oferecimento de um plano de incentivo mais coerente, justo e digno dos nossos mestres. Defendo critérios rigorosos quando se trata de ensino médico, pela natureza especifica e delicada da formação, que tem a ver com o exercício profissional que lida com vidas humanas. É inadmissível qualquer negligência. Mediante tudo isso citado e detalhado no manifesto dos estudantes, que estiveram inclusive em estado de protesto, EstácioNada, nos dias 16, 17 e 18 de agosto de 2011, envolvendo todos os acadêmicos daquela faculdade, inclusive com paralisação das aulas nesses 3 dias, declaro minha irrestrita solidariedade a esse movimento e já encaminhei ao Ministério da Educação denuncia nesse sentido, pedindo apuração e medidas cabíveis diante dessa situação. Também encaminho denúncia de igual teor ao Ministério Público do meu Estado, do qual espero determinação de apuração mediata. Era só isso, Sr. Presidente. Peço que meu pronunciamento passe a constar nos anais desta Casa. MANIFESTO A QUE SE REFERE O ORADOR: 43714 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Agosto de 2011 Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 23 43715 43716 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (José Rocha) – Com a palavra o ilustre Deputado Átila Lins, do PMDB do Amazonas. O SR. ÁTILA LINS (PMDB-AM. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna relatar a viagem que fiz ao meu Estado do Amazonas no último final de semana. Inicialmente, participei de sessão solene na Câmara Municipal de Manaus. Na oportunidade, aquela Casa do povo da Capital amazonense prestou singela e justa homenagem à Primeira-Dama do Estado, D. Nejmi Aziz, pelos relevantes serviços prestados à área social de Manaus e do Amazonas. D. Nejmi Aziz tem sido uma dedicada colaboradora do Governo Omar Aziz. Portanto, não poderia ser diferente: a Vereadora Glória Carrate apresentou proposta de concessão da Medalha de Ouro Zany dos Reis, a principal e maior outorga da Câmara Municipal de Manaus, à D. Nejmi Aziz, e a proposição foi aprovada. Estive presente à Câmara Municipal de Manaus representando a Câmara dos Deputados por designação do Presidente Marco Maia, levando, dessa forma, a presença desta Casa a essa homenagem justa, como disse, a uma pessoa que tem se dedicado muito à área social, beneficiando os necessitados, os excluídos, aqueles que efetivamente precisam do auxílio do poder público. A Primeira-Dama, entusiasmada com essa nova tarefa, de fato, tem ajudado muito o Governo de seu marido, o Governador Omar Aziz. Depois disso, Sr. Presidente, fui ao interior do Estado. Visitei o Município de Manaquiri, onde, ao lado do Prefeito Jair Souto, do Vice-Prefeito Nei Reis, de Vereadores e do Deputado Estadual Belarmino Lins, participei do 1º Festival Folclórico de Manaquiri, um festival diferente, porque acolhe todas as danças das escolas da sede e da zona rural do Município. Foi muito interessante assistir à apresentação das escolas da zona rural, com suas danças, e das escolas da sede. Foi uma movimentação muito importante para a cultura do Município. No domingo, ontem, prestigiei a 21ª Festa do Sol no Município de Lábrea, uma festa muito tradicional, tanto que já está em sua 21ª edição. No final, houve a apresentação do cantor Paulo Ricardo e sua banda. Na praia de Lábrea, estavam presentes mais de 15 mil pessoas, vindas de todos os recantos da região do Purus – Canutama, Pauini, Humaitá, Tapauá e Porto Velho, Capital do Estado de Rondônia. Enfim, pessoas de todos os cantos daquela região foram a Lábrea prestigiar o festival. A Festa do Sol, como disse, é tradicional. E todos os presentes foram muito bem recebidos pelo Prefeito Gean Barros, pelo Vice-Prefeito Nelson Amud, pelo Agosto de 2011 Presidente da Câmara de Vereadores, Evaldo Gomes, e pelos Vereadores. Enfim, lá estivemos juntos prestigiando o evento, que é também um símbolo daquela cidade do Rio Purus. Portanto, Sr. Presidente, quero aqui parabenizar o Prefeito Gean Barros e toda a sua equipe pela organização da tradicional Festa do Sol e dizer que, com certeza, esse é um dos maiores eventos de praia do interior amazonense e assim será de forma perene. E, claro, vamos continuar colaborando com o Governo do Estado, para que os assuntos que o povo de Lábrea espera ver equacionados sejam urgentemente viabilizados, como a retomada das obras de pavimentação das ruas, um compromisso do Governador Omar Aziz, para alegria do povo labrense. Era o que tinha a dizer. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (José Rocha) – Com a palavra o ilustre Deputado Mauro Benevides, do PMDB do Ceará, pela segunda oportunidade nesta tarde. O SR. MAURO BENEVIDES (PMDB-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nesta semana, o Município de Lavras da Mangabeira estará comemorando 127 anos de emancipação política, em meio a programação festiva, organizada pela Prefeitura, em cuja frente se acha a Prefeita Edenilda Lopes de Oliveira, que ali empreende gestão fecunda, assinalada por expressivas realizações. Tendo sido ali apoiado expressivamente em todas as campanhas majoritárias para o Senado Federal, também agora, no retorno a esta Casa, fui honrado com apreciável número de sufrágios, o que ainda mais me vincula àquela tradicional comuna, situada na região sul de nossa unidade federada. Ainda ao tempo da primeira campanha para a Câmara Alta do País, na legenda do combativo MDB, fui, ali, recolhido por todos os segmentos da comunidade, inclusive o próprio Vigário local, o sempre lembrado Padre Alzir Sampaio, de saudosa memória. Ressalte-se que um dos dois filhos ilustres do Município é o Senador Eunício Oliveira, Presidente da Comissão de Justiça do Senado Federal; o outro é o Deputado Estadual Daniel Oliveira. Ontem à noite, atendendo a convite do líder Carlos de Olavo, prometi visitar aquela urbe nas próximas horas, para reiterar a minha admiração a uma comunidade que há sabido contribuir, expressivamente, para o desenvolvimento socioeconômico do Ceará, do Nordeste e do País. Homenageio, pois, Sr. Presidente, Srs. Deputados, a cidade de Lavras da Mangabeira, de marcante tradição histórica no interior de nosso Estado. Muito obrigado, Sr. Presidente. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (José Rocha) – Passo a Presidência ao ilustre Deputado Gonzaga Patriota. O Sr. José Rocha, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Gonzaga Patriota, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Gonzaga Patriota) – Já que V.Exa. me passou a Presidência, ofereço a tribuna a Santa Maria da Vitória, à Bahia, ao Deputado José Rocha. S.Exa. dispõe de até 5 minutos. O SR. JOSÉ ROCHA (Bloco/PR-BA. Sem revisão do orador.) – Obrigado, ilustre Presidente Gonzaga Patriota. O que me traz à tribuna na tarde de hoje, ilustre Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é o registro, com pesar, do falecimento de Karen Montenegro de Oliveira no último dia 20, sábado, em Caetité, na região sudoeste da Bahia. Essa perda causou grande pesar entre os familiares e moradores da cidade, já que a jovem nos deixou com apenas 21 anos de idade. Com necessidades especiais de saúde, Karen lutou pela vida com todas as forças, até o último instante. Lutou, tendo ao seu lado familiares e amigos inseparáveis, pessoas que levarão para sempre, em seus corações, o mais profundo amor e carinho pela inesquecível Karen Montenegro de Oliveira. Manifesto o mais profundo pesar por tamanha perda. Quero dirigir uma palavra de conforto e fé especialmente aos pais, Álvaro Montenegro Cerqueira de Oliveira, mais conhecido como Nem, Vereador da cidade de Caetité, e Márcia Montenegro de Oliveira, que a todo instante estiveram ao lado da sua querida filha, prestando-lhe toda a assistência afetiva, de família, e também o irmão, Décio Montenegro, estudante de Medicina, e Thiago. Que Deus os conforte e dê forças para superar essa perda irreparável. Karen era uma jovem iluminada que foi merecedora de toda atenção, carinho e amor de seus pais, familiares e amigos. Que Deus a tenha e ofereça conforto a todos os que sofrem neste momento. Muito obrigado, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados. Durante o discurso do Sr. José Rocha, o Sr. Gonzaga Patriota, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Padre Ton, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Padre Ton) – Passo a palavra ao nobre Deputado Gonzaga Patriota, por 5 minutos. O SR. GONZAGA PATRIOTA (Bloco/PSB-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Terça-feira 23 43717 Sras. e Srs. Deputados, Deputado Mauro Benevides, como Deputados, aqui criamos uma expectativa muito grande nos Municípios e Estados que representamos, Deputado Padre Ton, principalmente nos últimos anos, quando o Congresso Nacional abriu uma pequena brecha no Orçamento da União para que os Deputados pudessem apresentar emendas, principalmente na área de investimentos. Imaginem, senhoras e senhores, o quanto o Brasil já se desenvolveu com essas chamadas emendas parlamentares! Deputado José Rocha, inclusive como Coordenador da bancada do Nordeste, nós nos reunimos com os Coordenadores estaduais para tratar desse assunto. O Norte do País – e aqui está o Deputado Átila Lins, Coordenador da bancada do Norte – e o Nordeste são as duas Regiões mais pobres do Brasil. Na hora em que colocamos 500 mil reais para construir calçamentos lá na cidade de Sertânia, vamos lá e mostramos: “Estão aqui no Diário Oficial 500 mil reais para calçamento na cidade de Sertânia”. Cria-se uma expectativa. Nós estamos em agosto, e nenhum centavo das emendas de 2010 para 2011 foi empenhado até agora. Eu achei uma graça. Recebi da Liderança do meu partido um convite para que eu priorizasse, das minhas emendas, 2 milhões de reais. Eu tenho 12,5 milhões! Eu não vou mandar 2 milhões de reais, não, porque eu fui a Petrolina, a Salgueiro, a Sertânia, a Afogados da Ingazeira e disse que havia 500 mil reais ou 1 milhão de reais para cada Município. Eu acabei de solicitar à Ministra Ideli Salvatti uma audiência, a fim de convidá-la pessoalmente para, no dia 14 de setembro, estar aqui na Câmara, em audiência pública, numa grande reunião, Deputado José Rocha, muito respeitosa, com café da manhã, onde estarão os nove Coordenadores dos Estados do Nordeste conosco também e, se possível, os 154 Deputados e Deputadas. E não é possível que ela chegue aqui e diga: “Não, vamos deixar em 15%”. Que conversa é essa? Por que não tiram do dinheiro da União? Se é infraestrutura, a União tem muito dinheiro na rubrica de infraestrutura. Aliás, estou há quase 20 anos na Comissão de Orçamento, entendo muito bem a Comissão. Não venham querer botar na minha cabeça que tem de se contingenciar ou se cortar emendas de Parlamentares. De jeito nenhum! Cortem do dinheirinho de vocês, do nosso dinheirinho não. Estou esperando a confirmação do gabinete da Ministra Ideli Salvatti. Quero levar respeitosamente um convite para que ela venha aqui no dia 14, para discutirmos com a bancada. Já nos reunimos com os Coordenadores estaduais e vamos nos reunir com a 43718 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS bancada, os 154 Deputados e Deputadas. Se é para cortar, vamos cortar também na Comissão e aqui, mas não podemos... Pensam que é fácil? Num país de 200 milhões de pessoas, vêm para cá 500 pessoas! Isso é 0,0004% da população! Eu ouço sempre dizer que Deputado ganha muito, Deputado não sei o quê, Deputado isso... Candidate-se e venha para cá ganhar muito! O Deputado Átila Lins está ali agora. Vamos querer, quem sabe, Átila, fazer essa reunião conjunta do Norte e do Nordeste com a Ministra Ideli Salvatti, para tratarmos do problema das emendas dos Deputados. Enquanto eu for Coordenador da bancada do Nordeste, não deixo nenhum Deputado da bancada sofrer por pressão ou por afago de quem quer que seja. Quando assumi a Coordenação da bancada do Nordeste, deixei de ser um Deputado da Base do Governo para ser líder da bancada do Nordeste. Aí não, lá temos gente do PSOL, do PPS, do PMDB, do DEM, e eu tenho que tratar todos iguais, Benevides. Nessa reunião, temos de saber: vamos ter o dinheiro das emendas dos Deputados ou não? Mas não venham com esse negócio de 2 milhões para quem tem 12,5 milhões, que não aceitamos. Obrigado. (Palmas.) O Sr. Padre Ton, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. José Rocha, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (José Rocha) – Antes de dar prosseguimento à sessão, esta Mesa dá conhecimento ao Plenário do seguinte: Com fundamento no art. 4º, § 4º, da Resolução nº 1/2002-CN, combinado com o art. 125 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, indefiro liminarmente as Emendas nºs 64, 65, 66, 69, 70, 76 e 77, apresentadas à Medida Provisória nº 535/2011, por versarem sobre matéria estranha, tudo em conformidade com a decisão desta Presidência proferida à Questão de Ordem nº 478/2009. Publique-se, Oficie-se. Marco Maia, Presidente. Com fundamento no art. 4º, § 4º, da Resolução nº 1/2002-CN, combinado com o art. 125 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, indefiro liminarmente as emendas nºs 5, 6, 9, 11 e 12, apresentadas à Medida Provisória nº 538/2011, por versarem sobre matéria estranha, tudo em conformidade com a decisão desta Presidência proferida à Questão de Ordem nº 478/2009. Agosto de 2011 Publique-se, Oficie-se. Marco Maia, Presidente. O SR. PRESIDENTE (José Rocha) – Dando continuidade ao Pequeno Expediente, concedo a palavra ao ilustre Deputado Osmar Terra, do PMDB do Rio Grande do Sul. O SR. OSMAR TERRA (PMDB-RS. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em virtude do noticiário do final de semana, quero aqui fazer uma manifestação a respeito do Partido do Movimento Democrático Brasileiro. Sendo membro do PMDB, Deputado pela quarta vez pelo meu partido, gostaria de esclarecer alguns fatos noticiados para que não fiquem dúvidas. Quando instituímos, logo no início desta Legislatura, uma corrente no partido chamada Afirmação Democrática, havia nove Deputados, hoje há perto de 20. É uma corrente que visa resgatar questões programáticas do PMDB, trabalhar questões programáticas, não ficar em disputas de cargos, que até são legitimas, mas não são nosso objetivo, trazer uma pauta para a discussão das grandes questões nacionais, levantando com isso toda história do PMDB de lutas, de redemocratização, de avanços, de Constituinte cidadã, enfim, retomar um rumo que nos preocupava muito e que estava confuso em relação às notícias de uma disputa, o PMDB só aparecia como partido quando disputava diretoria financeira de alguma estatal. Nós não estamos nessas disputas, não temos pleitos nessa área. Queremos discutir, sim, as questões programáticas que dizem respeito ao Brasil. Essa corrente tem trabalhado, tem apoiado. Tivemos papel importante no Código Florestal. O nosso partido se posicionou. Nós colaboramos e avançamos em várias questões de interesse público. Porém, na última semana tivemos uma reunião com outro grupo de 36 Deputados – os Deputados de primeiro mandato do PMDB – que estavam insatisfeitos em relação a algumas questões e tinham uma pauta, uma proposta a fazer. Nós também tínhamos. Nossa proposta é que a Emenda 29, de 2000, seja votada de qualquer maneira. Se não for votada, propomos que, a partir do dia 24 de agosto, desta quarta-feira, o partido entre em obstrução. É uma discussão que estamos travando dentro do partido. Não há mais como explicar, já estamos há 11 anos para votar essa matéria, e não conseguimos aprová-la. É uma vergonha para o Parlamento brasileiro que uma questão tão importante e tão necessária para nossa população não seja votada. Outras questões em termos de ocupação de espaço na Casa são internas, vamos trabalhar e discutir no partido para que elas avancem. Porém, a matéria Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS que tem saído na imprensa é que foi uma rebelião, uma manifestação contra o Líder Henrique Eduardo Alves. Eu quero dizer que não. Nós respeitamos o Líder, todas as manifestações foram de apreço a S.Exa., embora, especificamente, uma ou outra questão tenha sido levantada. É impossível liderar uma bancada no processo em que o PMDB está, numa posição muito acessória, muito secundária no Governo, embora tenha o Vice-Presidente da República, mas hoje o PT é um partido hegemônico, controla 80% dos cargos, os seus Ministérios aumentam os recursos enquanto os dos aliados diminuem. Nessa circunstância é muito difícil o Líder se posicionar, conseguir os resultados que muitos Deputados esperam. Queremos dizer que estamos solidários ao Líder, não estamos fazendo nenhum movimento para tirar S.Exa., queremos que ele seja o Presidente desta Casa, que seja fortalecido e se posicione vigorosamente nas questões de interesse a favor do Governo e às vezes contra o Governo, como foi no Código Florestal, que é de interesse dos produtores e do País. Então, eu quero fazer esta manifestação em nome dos companheiros da Corrente Afirmação Democrática, no sentido de que não há um movimento contrário à Liderança do Líder Henrique Eduardo Alves, pelo contrário, achamos que S.Exa. tem de ser fortalecido, mas há, sim, manifestações de insatisfação em relação a questões específicas, a questões políticas, como é a Emenda nº 29, que tem de avançar, que tem de ser discutida e concretizada, pelo bem do povo brasileiro. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (José Rocha) – Concedo a palavra, pela Liderança do Bloco PSB/PTB/PCdoB, ao ilustre Deputado Romário, campeão mundial de futebol e ilustre representante do Estado do Rio de Janeiro. O SR. ROMÁRIO (Bloco/PSB-RJ. Como Líder. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, agradeço a V.Exa. as palavras e desejo boa tarde a todos. Sr. Presidente, nobres colegas, quem me conhece, quem acompanha minha atuação como Parlamentar, sabe que eu, como milhões de brasileiros, estou na torcida para que o País realize da melhor maneira possível a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. É por isso, inclusive, que tenho demonstrado preocupação e cobrado publicamente explicações das autoridades para os atrasos nos preparativos para esses eventos. Por outro lado, assim como vários colegas da Comissão de Turismo e Desporto, tenho procurado chamar a atenção para a necessidade de que esse processo seja conduzido com absoluta transparência, com espírito cívico, e também para que não deixemos em momento algum de ter em mente o legado desses Terça-feira 23 43719 eventos esportivos, isto é, o que vai ficar para a nossa população depois que o espetáculo for embora. Por isso, Sr. Presidente, é que venho acompanhando, com apreensão, as notícias sobre o modo como têm sido realizadas, em alguns casos, as desapropriações para a realização das obras. Há denúncias e queixas sobre falta de transparência, falta de diálogo e de negociação com as comunidades afetadas, em diversas capitais. Há denúncias também de truculência por parte dos agentes públicos. Isso é inadmissível! Penso que esta Casa precisa apurar essas informações, debater esse tema. Não podemos nos omitir. Diante deste quadro, nosso País foi objeto de um estudo das Nações Unidas, e a relatora especial daquela Organização chegou a sugerir que as desapropriações sejam interrompidas até que as autoridades garantam a devida transparência dessas negociações e ações de despejo. Um dos problemas apontados refere-se ao baixo valor das indenizações. Ora, nós sabemos que o mercado imobiliário está aquecido em todo o Brasil, em especial nas áreas que sediarão essas competições. Assim, o pagamento de indenizações insuficientes pode resultar em pessoas desabrigadas ou na formação de novas favelas. Com certeza, não é esse o legado que queremos. Não queremos que esses eventos signifiquem precarização das condições de vida da nossa população, mas sim o contrário. Também não podemos admitir, sob qualquer pretexto, que nossos cidadãos sejam surpreendidos por retroescavadeiras que aparecem de repente para desalojá-los, destruir suas casas, como acontece na Palestina ocupada. E, como frisou a Sra. Raquel Rolnik, Relatora da Organização das Nações Unidas, “Remoções têm que ser chave a chave”. Ou seja, morador só sai quando receber a chave da casa nova. É assim que tem que ser. Tenho confiança em que a Presidente Dilma deseja que os prazos dos preparativos para a Copa e as Olimpíadas sejam cumpridos, mas não permitirá que isso seja feito atropelando a lei e os direitos das pessoas, comprometendo o futuro das nossas cidades. Espero que ela cuide desse tema com muito carinho. É hora, Sr. Presidente, nobres colegas, de mostrarmos ao mundo que o Brasil realiza eventos extraordinários, sem faltar ao respeito com a sua população. Era o que tinha a dizer. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (José Rocha) – Concedo a palavra ao Deputado Paes Landim, ilustre representante nesta Casa do Estado do Piauí, decano Deputado Federal. 43720 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PAES LANDIM (Bloco/PTB-PI.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ocupo o Pequeno Expediente para destacar a aprovação, com louvor, do grande cardiologista brasileiro, o maior cardiologista do País, Dr. Roberto Kalil Filho, como professor titular da Universidade de São Paulo. Dr. Roberto Kalil Filho nasceu em 1959 e, ainda jovem, já se destacava vocacionado para a Medicina, paixão de toda a sua vida. Diplomado em Medicina em 1985, em 1991 já cursava o Research Fellow in Medicine, na grande Johns Hopkins University, em Washington. Doutor pela Universidade de São Paulo; Livre‑Docência pela Universidade de São Paulo; Fellow do American College of Cardiology. Além de ocupar outras várias funções e cargos, é um líder por excelência da cardiologia no Brasil. Vocação de líder, estudioso, inteligentíssimo, é a alma do Hospital Sírio Libanês e, com certeza, com a função de Professor Titular, aprovado por mérito, pela Universidade de São Paulo, há cerca de 2 semanas, ele será em breve, se Deus quiser, o grande cérebro do INCOR, mercê da inteligência, da sua cultura e da sua dedicação à Medicina. Kalil pensa em Medicina 24 horas por dia. Ele não tem hora nem lazer, apesar de ser um homem jovem e já famoso, realizado profissional e materialmente. Mas é tal a sua paixão pela Medicina, que ele dedica a seus pacientes, aos enfermos que o procuram no Hospital Sírio-Libanês e no seu consultório a mesma atenção, paixão e entusiasmo que o jovem que estivesse iniciando a sua profissão de médico. É realmente, Sr. Presidente, uma sorte para o Brasil ter um homem dessa natureza, que desde jovem mostrou sua vocação para a cardiologia. É um estudioso, um cientista que conhece a teoria e sabe a prática. Ele reúne todas as qualidades necessárias para o cardiologista, que precisa ter uma visão da Medicina geral. Portanto, para o Brasil, é uma honra ter um médico como Roberto Kalil Filho, e é com muita alegria que foi confirmada a sua capacidade de grande professor e cardiologista ao ser aprovado, com louvor, pela Universidade de São Paulo, como Professor Titular. Muito obrigado. O SR. IZALCI (Bloco/PR-DF. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, faço uso desta tribuna para fazer três comentários. No final de semana, eu estive em Samambaia, numa audiência pública, para participar de uma reunião dos moradores daquela nova região administrativa. Na ocasião, pude perceber o problema da demagogia, a que sempre tenho me referido aqui em outras oportunidades. Agosto de 2011 Os senhores sabem que mentira tem perna curta, já dizia o ditado. E nós vemos muitos Parlamentares sendo eleitos com demagogia, mas, na prática, não confirmam aquilo que fizeram durante os seus mandatos. Por acaso, estavam lá presentes os dois administradores de Samambaia, o atual e o anterior. A audiência, Deputado Mauro Benevides, era para tratar da construção do aterro sanitário, que é uma importantíssima obra para Samambaia e para todo o Distrito Federal. Mas, há algum tempo, um ano e meio atrás, foi feita uma audiência pública na mesma cidade para tratar desse assunto, e os atuais governantes, inclusive o “Primeiro-Ministro”, Secretário de Governo, esteve na cidade e mobilizou toda ela contra a construção do aterro. Ontem eu pude perceber como é difícil para as pessoas que na Oposição dizem uma coisa e, quando chegam à Situação, dizem outra. Hoje são favoráveis. Então, nada melhor do que o tempo para confirmarmos essas mentiras que são ditas sempre. E sabemos que não dá certo mentir, ninguém consegue enganar a todos durante muito tempo. Outro comentário diz respeito ao Programa Bolsa Universitária. Fiquei feliz quando alunos me procuraram para dizer: “Deputado, o Governo resolveu lançar o edital da Bolsa Universitária” – que para mim havia terminado. Depois fiquei decepcionado quando vi no Diário Oficial que o prazo havia se iniciado dia 12 e encerrado dia 18. Ora, a Lei da Bolsa Universitária é muito clara. Consta na Lei que o edital tem que ser lançado 30 dias antes, com publicação inclusive de 15 em 15 dias. Além da Lei Complementar nº 770, do Bolsa Universitária, existe a Lei nº 8.666, que também exige 30 dias para o lançamento de qualquer edital. Para concluir, Sr. Presidente, lembro que essa observação não foi feita. O mais grave ainda é que no edital constavam apenas cinco faculdades. Ora, em processo público não pode haver indicação do Secretário ou do Presidente da Fundação, deve ser um edital público que convoque todas as faculdades que queiram participar do projeto, e não indique simplesmente uma, duas ou três. Deixo, portanto, meu alerta ao Governo com relação a isso. Fiquei feliz de recuperarem um projeto que criticaram muito e que agora eu vejo que chegaram à conclusão de que ele é fundamental, mas, lamentavelmente, quando lançaram o edital, não leram a lei, e a lei está coberta de vícios e irregularidades. Depois do Grande Expediente, volto então a entrar nos detalhes do assunto Programa Bolsa Universitária. Era isso o que tinha a dizer, Sr. Presidente. O SR. PADRE TON (PT-RO. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, quero, neste Pequeno Expedien- Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS te, destacar três importantes acontecimentos do final de semana no meu Estado. Na sexta-feira, nós, Deputados Federais e Senadores dos Estados de Rondônia e Mato Grosso, fomos convocados a participar de reunião com o Ministério Público Federal para discutir os problemas da área indígena Cinta Larga, situada entre Rondônia e Mato Grosso. Lembro que na área indígena Cinta Larga aconteceu aquele cruel massacre, quando foram assassinados mais de 29 garimpeiros. Lá temos a maior jazida de diamante do mundo. Fomos convocados pelo Ministério Público Federal, repito, para nos colocarmos a par da grave situação da ausência do Estado, da falta de estrada, de saúde e de apoio da própria FUNAI. Na sexta-feira à noite, na cidade de Ouro Preto, participei de grande festa tradicional da agricultura familiar organizada pela Via Campesina, a chamada Festa da Semente Crioula, que também é uma feira. Também tivemos várias discussões políticas com a presença deste Parlamentar, de João Pedro Stédile e de representantes do Governo do Estado, como o Secretário de Agricultura e o Chefe da Casa Civil. No sábado, tive a alegria de visitar o Município de Vilhena, onde participei pela manhã de uma reunião com acampados no Cinturão Verde que até hoje esperam pela decisão da Justiça. São pessoas que ali vivem há mais de 10 anos em uma terra disputada por um fazendeiro. Na tarde do sábado, assessorei um encontro para mais de 200 jovens da Pastoral da Juventude da Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora de Vilhena e tive oportunidade de falar para aquela massa de jovens sobre as políticas públicas do Governo Federal para a juventude. Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente. Durante o discurso do Sr. Padre Ton, o Sr. José Rocha, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Izalci, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Izalci) – Com a palavra o Deputado José Rocha, do PR da Bahia. O SR. JOSÉ ROCHA (Bloco/PR-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, eu quero fazer o registro de uma viagem que fiz ao meu Estado para participar de eventos importantes. Refiro-me ao aniversário de emancipação política de alguns Municípios do sudoeste da Bahia. Estive em Riacho de Santana, Município centenário do nosso Estado, acompanhado do ex-Prefeito, Dr. Gondim, e de sua esposa, Joana, do Deputado Estadual Reinaldo Braga, dos Vereadores Nelson Gondim e José Abel, entre várias outras lideranças políticas Terça-feira 23 43721 daquele Município, que festejava seu aniversário de emancipação política com uma festa muito concorrida pelas pessoas que prestigiam todo ano esse evento importante. Visitei o Município de Cocos, que também comemorava sua emancipação política, acompanhado de diversos Vereadores, lideranças políticas e amigos. Quero também homenagear o Município de Barra do Mendes, que festejou seu aniversário de emancipação política, sob a administração do Prefeito Néo, com muito zelo, muita competência – sobretudo porque é querido pelo povo de sua terra –, aprovada por todos. Neste final de semana, estive no meu Município de Coribe, onde fui recebido por diversos amigos para festejar o meu aniversário com minha família, minha querida mãe, minha irmã, meus sobrinhos e sobrinhas e amigos importantes da minha cidade. Cumprimento todos na pessoa do ex-Prefeito Derval Barbosa de Arruda, sua esposa Rita Vilma e a nossa querida amiga Sandra, que preparou uma recepção que muito me honrou e comoveu pelo sentimento de amizade e fraternidade que une todos nós na minha querida cidade de Coribe. Enfim, passei este final de semana com todos os meus amigos e familiares, minha esposa, meus filhos. Foram momentos importantes da minha vida que pude passar ao lado dos familiares, dos amigos. Quero deixar este registro, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, e agradecer a todos que, na oportunidade, me homenagearam. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Izalci) – Concedo a palavra ao Deputado Luis Carlos Heinze. O SR. LUIS CARLOS HEINZE (PP-RS. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, colegas Parlamentares, nos últimos dias da semana passada, houve a troca do Ministro da Agricultura. Assume amanhã o Ministério da Agricultura o gaúcho Mendes Ribeiro Filho, meu conterrâneo. Sabemos todos do bom trabalho que fez o Ministro Wagner Rossi, mas temos a certeza de que, apesar de não ser do ramo, o novo Ministro deve trazer muitas alegrias aos agropecuaristas e ao agronegócio brasileiro. Mendes Ribeiro Filho é um político talentoso, esteve por muitos anos nesta Casa, foi Líder do Governo Fernando Henrique e Líder do Governo da Presidenta Dilma Rousseff. Já foi Secretário de Estado, Deputado Estadual e Presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. São vários os seus predicados. Por isso, a certeza de que vai fazer muito pela agricultura de todo o Brasil. Tenho grande confiança em que o companheiro Deputado Mendes Ribeiro fará muito à frente do Minis- 43722 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS tério da Agricultura, apesar de serem enormes os desafios que devem ser resolvidos, entre eles os problemas do agronegócio. Portanto, antecipadamente, parabenizo o companheiro Deputado Mendes Ribeiro Filho. Feito o registro, passo a outro assunto, Sr. Presidente. Sras. e Srs. Deputados, estou apresentando requerimento à Comissão de Agricultura – a Senadora Ana Amélia Lemos está fazendo o mesmo no Senado Federal, e o Deputado Eduardo Sciarra também, na Comissão de Transportes – para que possamos discutir a questão das concessões com o Ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, com a ANTT, com a América Latina Logística – ALL, com outras concessionárias e com o próprio DNIT. Pasmem, senhoras e senhores que estão nos assistindo pela TV Câmara: nós temos hoje em torno de 15 mil quilômetros de ferrovias desativados no Brasil. As concessionárias estão usando em torno de 10 mil quilômetros. Precisamos discutir esse assunto, saber se as concessionárias vão assumir essas ferrovias, para transportar, por esse modal, as riquezas do nosso País. Eu sei que são importantes outras ferrovias, como a Norte-Sul e tantas outras. Agora, nós temos já estabelecidos, há muitos anos, em torno de 15 mil quilômetros de ferrovias que não podem ser abandonados desse jeito – estão hoje desativados. Vemos isso entre São Borja e Santiago, no Rio Grande do Sul. Aliás, no meu Estado, há ferrovias paradas em Santo Ângelo, Guarani das Missões, Cerro Largo, São Luiz Gonzaga, Rolador, Bossoroca, Santiago, Parada. Nós temos hoje o trecho de Santa Rosa, na região noroeste gaúcha, em direção a Giruá, a Santo Ângelo e dali indo a Ijuí. Então, são vários trechos. Só no Estado do Rio Grande do Sul, há 1.025 quilômetros de ferrovias desativados. Os Procuradores Federais estão fazendo uma ação e uma pressão contra essa situação, a exemplo do Procurador Osmar Veronese, de Santo Ângelo, e do Dr. Harold Hoppe, de Santa Maria. Também a Procuradora de Uruguaiana está fazendo as mesmas ações, além de tantos outros Procuradores. Então, vamos nos juntar nessa questão, para que possamos botar esses 15 mil quilômetros de ferrovias, que hoje estão paradas em todo o Brasil, em funcionamento. Vamos discutir o assunto com os Procuradores. Vamos discutir com o DNIT, com a ANTT, com o Ministério dos Transportes e com as próprias concessionárias, porque temos de encontrar uma fórmula para que possamos usar essas ferrovias. Não pode o Brasil se dar ao luxo de deixar 15 mil quilômetros de ferrovias totalmente parados. Agosto de 2011 Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Izalci) – Agradeço ao Deputado Wellington Fagundes pela paciência. Vamos ainda ouvir, para uma breve comunicação, o Deputado Décio Lima, do PT de Santa Catarina. O SR. DÉCIO LIMA (PT-SC. Sem revisão do orador.) – Obrigado, Sr. Presidente. Quero agradecer ao orador inscrito no Grande Expediente, que nos dá deferência neste momento. Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, no primeiro semestre deste ano, o Brasil quebrou recordes no setor da construção civil. O segmento teve a segunda maior taxa de crescimento de postos de trabalho (7,33%), segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. O número de financiamentos de imóveis atingiu a marca de 236 mil unidades. Estes dados foram apresentados recentemente pela Presidenta Dilma Rousseff. Segundo ela, esses números dialogam com o Programa Minha Casa, Minha Vida. O setor de construção civil brasileiro é ousado e capaz de cumprir os objetivos estabelecidos pelo programa habitacional. Disse S.Exa. a Presidenta: “Esse Programa, além de ser de inclusão habitacional, de criação de mercado de trabalho e de fortalecimento da família, é também um programa que fortaleceu o empreendedorismo e criou oportunidades para muitos empresários”. Destaco que é preciso oportunizar o acesso à moradia à nova classe média brasileira. De 2003 a este ano, 39,5 milhões de brasileiros ascenderam à classe C. O nosso Governo ainda tem o compromisso de retirar 16 milhões de pessoas da pobreza extrema por meio do Plano Brasil sem Miséria. Destaco ainda, Sr. Presidente, a proteção à indústria brasileira, com o Plano Brasil Maior. Nesse aspecto, a nossa indústria têxtil, instalada em Blumenau e no Vale do Itajaí, tem muito a comemorar com a redução de impostos sobre a folha de pagamento. De acordo com a Presidenta Dilma, outras políticas vão ao encontro do processo de desenvolvimento do País, como o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, o PRONATEC. Por meio dele, será possível fornecer capacitação profissional para os trabalhadores e cursos de qualificação para reincidentes do seguro-desemprego. Outra medida fundamental é a oferta de bolsas de estudo no exterior, que tem por objetivo enviar, até 2014, 100 mil alunos brasileiros de graduação, doutorado e pós-doutorado para estudar em universidades estrangeiras de qualidade. O Governo Federal oferecerá 75 mil bolsas. A intenção é que as outras 25 mil sejam ofertadas por meio de parceria com o setor privado. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Para fechar esse ciclo de boas notícias, que tem por objetivo proteger a indústria nacional e continuar gerando emprego e renda para a população brasileira neste momento de profunda crise mundial, quero enfatizar o acordo fechado entre a Frente Parlamentar Mista das Micro e Pequenas Empresas e o Governo Federal, que resultará em uma desoneração de até 6 bilhões de reais aos micro e pequenos empreendedores brasileiros, entre tributos federais, estaduais e municipais. Com o acordo, as três tabelas de enquadramento do Super-SIMPLES foram corrigidas em 50%, e as alíquotas reduzidas. Atualmente, a menor faixa de faturamento anual é de 120 mil reais. Com a correção, o limiar passa a 180 mil reais. Em uma posição intermediária, a empresa que possui faturamento de 1 milhão e 200 mil reais passará, com o reajuste, para 1 milhão e 800 mil reais. O limite máximo para pequenas empresas subirá dos atuais 2 milhões e 400 mil reais para até 3 milhões e 600 mil reais por aNº Com essas ações, o empreendedor poderá faturar mais, pagando menos! Outra mudança diz respeito ao MEI – Microempreendedor Individual. Para se enquadrar nessa modalidade, que contempla uma série de incentivos fiscais, atualmente o faturamento anual não pode ultrapassar a marca de R$36 mil. Com o acordo, o teto passará a ser R$60 mil anuais. Para que as novas diretrizes do SIMPLES entrem em vigor, nós, aqui na Câmara e no Senado, precisamos aprovar com urgência as alterações propostas no Projeto de Lei Complementar nº 123, de 2004. Por essa razão, conclamo os meus pares para se somarem à empreitada desses inúmeros programas que têm feito com que o Brasil cresça e inclua milhões de brasileiros e de brasileiras. Portanto, Sr. Presidente, agradecendo a V.Exa. o deferimento do espaço, bem como ao nobre orador que utilizará o Grande Expediente, faço esses registros nesta segunda-feira, que eu gostaria que V.Exa. acolhesse para os Anais desta Casa e a divulgação nos meios de comunicação. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Izalci) – Acatado o pedido de V.Exa. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no primeiro semestre deste ano, o Brasil quebrou recordes no setor da construção civil: o segmento teve a segunda maior taxa de crescimento de postos de trabalho (7,33%), segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). E o número de financiamentos de imóveis atingiu a marca de 236 mil unidades. Estes da- Terça-feira 23 43723 dos foram apresentados recentemente pela Presidenta Dilma Rousseff. Segundo a Presidenta, esses números dialogam com o Programa Minha Casa, Minha Vida. O setor de construção civil brasileiro é ousado e capaz de cumprir os objetivos estabelecidos pelo programa habitacional. Disse a Presidenta: “Esse Programa, além de ser de inclusão habitacional, de criação de mercado de trabalho e de fortalecimento da família, é também um programa que fortaleceu o empreendedorismo e criou oportunidades para muitos empresários”. Destaco que é preciso oportunizar acesso à moradia à nova classe média brasileira. De 2003 a maio deste ano, 39,5 milhões de brasileiros ascenderam à classe C, assunto esse que já abordei nesta tribuna. E o nosso governo ainda tem o compromisso de retirar 16 milhões de pessoas da pobreza extrema, por meio do Plano Brasil sem Miséria. Destaco ainda a proteção à indústria brasileira, com o Plano Brasil Maior. E, neste aspecto, a nossa indústria têxtil, instalada em Blumenau e no Vale do Itajaí, tem muito a comemorar com a redução de impostos sobre a folha de pagamento. De acordo com Presidenta Dilma Rousseff, outras políticas vão ao encontro do processo de desenvolvimento do País, como o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC). Por meio dele, será possível fornecer capacitação profissional para os trabalhadores e cursos de qualificação para reincidentes do seguro-desemprego. Outra medida fundamental é a oferta de bolsas de estudo no exterior, que tem por objetivo enviar, até 2014, 100 mil alunos brasileiros de graduação, doutorado e pós-doutorado para estudar em universidades estrangeiras de qualidade. O Governo Federal oferecerá 75 mil bolsas. A intenção é que as outras 25 mil sejam ofertadas por meio de parceria com o setor privado. E, para fechar este ciclo de boas notícias, que tem por objetivo proteger a indústria nacional e continuar gerando emprego e renda para a população brasileira, neste momento de profunda crise mundial, quero enfatizar o acordo fechado entre a Frente Parlamentar Mista das Micro e Pequenas Empresas e o Governo Federal, que resultará em uma desoneração de até R$6 bilhões aos micro e pequenos empreendedores brasileiros, entre tributos federais, estaduais e municipais. Com o acordo, as três tabelas de enquadramento no Super-SIMPLES foram corrigidas em 50%, e as alíquotas reduzidas. Atualmente, a menor faixa de faturamento anual é de R$120 mil e, com a correção, o limiar passa a R$180 mil. Em uma posição intermediária, a empresa que possui faturamento de R$1,2 milhão passará, com o reajuste, para R$1,8 milhão. 43724 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O limite máximo para pequenas empresas subirá dos atuais R$2,4 milhões para até R$3,6 milhões por aNº Com essas ações, o empreendedor poderá faturar mais, pagando menos! Outra mudança diz respeito ao Programa Microempreendedor Individual (MEI). Para se enquadrar nessa modalidade, que contempla uma série de incentivos fiscais, atualmente o faturamento anual não pode ultrapassar a marca de R$36 mil. Com o acordo, o teto passará a ser R$60 mil anuais. Para que as novas diretrizes do SIMPLES entrem em vigor, nós aqui na Câmara e no Senado precisamos aprovar as alterações propostas no Projeto de Lei Complementar nº 123, de 2004. Por esta razão, conclamo aos meus pares para que estejam atentos e unidos nesta questão, porque estaremos beneficiando milhares de micro e pequenos empresários brasileiros, que muito têm contribuído para o crescimento da Nação. Todos sabemos o quanto estas empresas geram de empregos e renda, movimentando sobremaneira a economia brasileira. Era o que tinha a dizer. O SR. PRESIDENTE (Izalci) – Passa-se ao V – GRANDE EXPEDIENTE O SR. PRESIDENTE (Izalci) – Concedo a palavra, pela ordem, ao Sr. Deputado Mauro Benevides. O SR. MAURO BENEVIDES (PMDB-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, com a anuência da Mesa e do nobre Deputado que vai agora ocupar a tribuna, eu pediria a V.Exa. que acolhesse como lido pronunciamento em que me reporto ao parecer do Deputado Henrique Fontana à proposta de reforma política, até como forma de advertir os nobres colegas Parlamentares quanto à necessidade de nos debruçarmos mais acuradamente sobre uma proposição dessa relevância, a reforma política. Então, peço a V.Exa. que, neste Grande Expediente, acolha esse discurso, obviamente agradecendo ao nobre orador, cujo discurso vamos aguardar com ansiedade a partir deste momento, a concordância. Muito obrigado, Sr. Presidente, muito obrigado, nobre orador. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na última terça-feira, durante reunião da Comissão de Reforma Política, o Relator Henrique Fontana apresentou o seu aguardado parecer sobre a proposta de alterações do sistema eleitoral, apontando inovações que passariam a vigorar na respectiva legislação, após alguns meses Agosto de 2011 de expectativa, sob as vistas atentas da opinião pública do País. O Presidente Almeida Lima permitiu que se iniciasse o debate, com interpelações ao autor do mencionado parecer, recaindo o maior número de inquirições sobre a lista preordenada, então sugerida dentro de critérios diversificados, admitindo-se dois votos: um dentro da norma vigente e outro sob a sugestão da aludida lista. Seriam, assim, dois sufrágios para o voto proporcional, o que encontrou, no primeiro momento, óbvia reação, apesar de alguns colegas identificarem o critério como capaz de conciliar as opiniões divergentes até agora. No que concerne ao financiamento público, poderá haver a contribuição de pessoas físicas e jurídicas, embora os quantitativos sejam incorporados às dotações do Fundo Partidário e redistribuídos às facções, não aos candidatos. Outras sinalizações reformistas constam do trabalho do Deputado Henrique Fontana, inclusive a questão das coligações partidárias, restritivas ao voto majoritário, o que, certamente, não será acolhido pelas legendas de menor porte. Acredita-se, assim, que, no inicio de setembro, a Comissão voltará a discutir a polêmica temática, o que significa dizer que, no pleito de 2012, permanecerão intocadas as diretrizes atualmente prevalecentes, em razão do princípio da anualidade, estabelecido pelo art. 16 da Carta Magna em vigor. Aliás, na minha ultima estada no Ceará, foram constantes os questionamentos sobre a matéria, especialmente por parte da mídia local e daqueles que pretendem disputar Prefeituras e vagas nas Câmaras de Vereadores. De qualquer forma, o Poder que integramos não pode protelar indefinidamente uma deliberação que é vital para os destinos democráticos do País. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Izalci) – Concedo a palavra ao Deputado Wellington Fagundes, do PR de Mato Grosso. S.Exa. dispõe de até 25 minutos para o seu pronunciamento. O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco/PR-MT. Sem revisão do orador.) – Deputado Mauro Benevides, como sou Deputado ainda iniciante, apesar de ter seis mandatos, falar depois de V.Exa., que tem o dobro de mandatos legislativos, é um prazer muito grande. Sr. Presidente, nobre companheiro de partido, Sras. e Srs. Deputados, utilizo hoje esta tribuna para falar de assuntos de interesse tanto do Brasil quanto de Mato Grosso, Estado que tenho o orgulho de representar nesta Casa pelo sexto mandato consecutivo. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quero começar falando sobre assunto que está em voga, pautando os noticiários, no centro das discussões do Governo e da população: a Copa do Mundo de 2014. Cuiabá, uma das cidades-sede do Mundial, vai realizar o desejo de todos os mato-grossenses de mostrar ao mundo as riquezas naturais, históricas e culturais do Estado – e Mato Grosso tem uma característica diferenciada: temos lá três ecossistemas, o Pantanal, a Floresta Amazônica e o Cerrado, hoje responsável por transformar o Estado num dos maiores produtores de commodities deste País. Mas, para isso, é preciso investimento, trabalho, empenho e muito planejamento, dever de casa que está sendo muito bem cumprido. Um exemplo disso é o sucesso na execução de projetos que levam em consideração critérios de sustentabilidade ambiental e responsabilidade social, como as obras para a construção da Arena Pantanal, futuro palco dos jogos da Copa. Tudo isso tem sido feito por meio do trabalho e da liderança do Governador Silval Barbosa, bem como dos companheiros dirigentes da Agência de Execução dos Projetos da Copa Pantanal – AGECOPA. Refiro-me ao Presidente Eder Moraes, auxiliado pelo antigo e experiente político do nosso Estado, que já foi Deputado Estadual algumas vezes, Prefeito da nossa Capital e Deputado Federal mais votado de Mato Grosso, o companheiro Deputado Roberto França, bem como ao ex-Deputado Carlos Brito, um dos mais atuantes na Assembleia Legislativa; ao técnico extremamente competente Jeferson Castro; ao Yuri Bastos, e ao meu amigo e companheiro Agripino Bonilha, que representa a Prefeitura da Capital e foi um dos responsáveis, juntamente com o ex-Governador e hoje Senador Blairo Maggi, por termos a cidade de Cuiabá como cidade-sede da Copa do Mundo. O projeto leva em conta reaproveitamento da água da chuva, melhor aproveitamento da luz solar e reutilização do material de demolição do antigo estádio. Além disso, estabelece captação e tratamento de esgoto, coleta seletiva, limpeza dos veículos que trabalham no canteiro, eliminação da poeira e redução da poluição sonora. E a preocupação com a sustentabilidade não para por aí: a madeira utilizada na obra tem origem controlada e certificada. O conceito também envolve pisos e coberturas, tintas a serem utilizadas, placas de concreto e elevadores. Nessa linha, o conceito da sustentabilidade também prepondera. O projeto recebeu a medalha de ouro na categoria Empreendimentos Públicos, do The Americas Property Awards 2010, da Bloomberg Television, e do Google. Hoje, está entre os quatro estádios brasileiros Terça-feira 23 43725 que requereram a certificação LEED, selo que designa as construções sustentáveis, de acordo com os critérios de racionalização de recursos de energia e água. O paisagismo da Arena será realizado com espécies nativas do Cerrado e da Floresta Amazônica presentes na vegetação da região de Cuiabá, o que elimina a necessidade de irrigação artificial, pois essas plantas estão adaptadas às condições climáticas locais, que incluem 6 meses de chuva e 6 meses de seca. O projeto é considerado um dos melhores pela FIFA. Simples e funcional, foi idealizado dentro de um conceito de sustentabilidade e estará integrado ao entorno, incentivando o desenvolvimento de toda a região. A arquitetura vai permitir ainda maior ventilação do ambiente, o que é aconselhável para uma cidade onde as temperaturas chegam aos 40 graus, às vezes por 3 ou 4 meses. Além do conforto, a ventilação vai gerar economia de 20% nos gastos com energia elétrica. A arquibancada terá capacidade para 42 mil pessoas e parte dela poderá ser desmontada, abrindo espaço para um centro de convenções e garantindo a aplicação do conceito de múltiplo uso. No entorno, haverá restaurantes, pista de caminhada, pista de skate, bosque, estacionamento, lojas e quadras poliesportivas, que poderão ser utilizadas pela população após a Copa do Mundo. Em outra ação, o Governo do Estado, em conjunto com o Instituto Ação Verde, está comprando créditos de carbono em comunidades que vivem ao longo dos Rios Cuiabá, São Lourenço e Paraguai, importantes formadores do Pantanal mato-grossense. Por isso, nós a estamos chamando também de Projeto Copa Verde. As comunidades escolhidas estarão encarregadas de plantar 1 milhão e 400 mil mudas de árvores nativas. Cada membro dessas comunidades receberá 1 real por mês por árvore plantada. Pelo menos 3 mil famílias ribeirinhas terão ainda a oportunidade de se adequar às leis de proteção do meio ambiente, recuperando as matas ciliares, preservando as margens dos rios e desenvolvendo a consciência ambiental. O crédito de carbono gerado pelas novas árvores será vendido pelos moradores e comprado pela AGECOPA, para a compensação do gás carbônico emitido nas obras da Arena, que deverá chegar a 711 mil toneladas. Nos próximos 3 anos, serão destinados 3,5 milhões para esses projetos. Dessa forma, Mato Grosso estará sediando não apenas a Copa do Mundo de 2014, mas também a Copa Verde e a consciência ambiental. No que diz respeito à responsabilidade social, as obras deixarão também um legado. Reeducandos estão trabalhando na construção da Arena, graças a 43726 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS um termo de cooperação técnica firmado com o Conselho Nacional de Justiça. Pois não, Sr. Deputado. O Sr. José Rocha – Ilustre Deputado Wellington Fagundes, colega do Partido da República e que aqui representa com brilhantismo e competência o Estado do Mato Grosso, quero parabenizar V.Exa. não só pelo pronunciamento, mas, sobretudo, pelo trabalho que desenvolve nesta Casa, sempre defendendo os interesses maiores do seu Estado, que vai receber jogos da Copa de 2014 e que tem uma pujança muito grande e uma economia crescente. O Estado de Mato Grosso foi privilegiado com beleza natural e tem tido administradores que realmente o têm transformado, a exemplo do ex‑Governador Blairo Maggi e do atual Governador, Silval Barbosa. V.Exa. realmente tem sido aqui um defensor intransigente do desenvolvimento do seu Estado. E quero parabenizar Mato Grosso e sua Capital, Cuiabá, por receberem os jogos da Copa de 2014. Com certeza, a cidade vai se transformar ainda mais, ficar mais bonita e bem preparada para receber todos aqueles que vão não só assistir aos jogos, mas também desfrutar da beleza natural cuiabana e de todo o Estado. Aproveito ainda, meu caro Deputado Wellington Fagundes, para registrar que Salvador também terá o máximo prazer de ser uma das sedes da Copa de 2014 e está se preparando para receber os visitantes. Tanto o Governo do Estado quanto a Prefeitura da Capital estão empenhados em dotar a cidade de infraestrutura, não só no que se refere a mobilidade urbana, como também no setor aeroportuário, para dar segurança e deixar a cidade mais bonita para receber os visitantes que chegarão para os jogos da Copa. Com a beleza natural das praias de todo o seu litoral e de Salvador, a Capital, que fica na península, a Bahia vai oferecer o melhor àqueles que lá forem assistir aos jogos da Copa. Portanto, eu acho que foram muito bem escolhidas as Capitais, tanto Cuiabá quanto Salvador. E vamos fazer esse intercâmbio. Os visitantes terão oportunidade de conhecer uma cidade litorânea bonita, como Salvador, e uma cidade do Pantanal, bonita como Cuiabá, e desfrutar dessas belezas, tanto do litoral, quanto do Centro-Oeste do nosso País. Parabéns pelo seu pronunciamento e pelo seu trabalho nesta Casa, sempre defendendo os interesses maiores do seu Estado. O SR. WELLINGTON FAGUNDES – Agradeço muito a V.Exa. o aparte, Deputado José Rocha, meu companheiro de partido. Na condição de filho de pai e mãe baianos, tenho ainda mais satisfação em poder conviver com V.Exa. nesta Casa. Também quero registrar que tive oportunidade de estar, há poucos dias, em Salvador, no casamento Agosto de 2011 do companheiro João Bacelar. Lá, pude debater com alguns Parlamentares a questão da mobilidade urbana, que se discute muito hoje naquela cidade. É a mesma situação de Cuiabá: se vamos implantar o VLT ou o BRT. Para Mato Grosso, já está praticamente definido. O VLT é um sistema mais moderno e que exige muito menos desapropriação. Nesse sentido, o Governador Silval Barbosa tem discutido com a área técnica do GoverNº Estive, semana passada, com o Ministro do Esporte, Orlando Silva, e também com a Ministra-Chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para mostrar que Mato Grosso não vai receber esse dinheiro de graça. Aliás, nós vamos tomar o investimento por meio de financiamento do BNDES. Entendemos que aos Estados cabe a decisão sobre o que é melhor para cada cidade. E, nesse aspecto, esperamos a compreensão da Presidente Dilma para que isso seja resolvido logo. Não podemos perder tempo, a Copa do Mundo tem dia marcado, tem prazo definido. Então, temos de concluir as obras. Não podemos passar o vexame de hesitar ou dar à sociedade a impressão de que estamos delongando em assunto tão importante como esse. O Sr. José Rocha – Ilustre Deputado, permita-me. Quero também parabenizar o Governador do meu Estado, Jaques Wagner, por ter tomado a decisão de construir o trecho do metrô entre o aeroporto e o centro da cidade, porque essa é uma das obras importantes para a Copa de 2014. Houve uma discussão muito grande sobre se deveria ser BRT ou metrô. O Governador tomou a decisão em favor do metrô, e acho que S.Exa. conta com o apoio de todos nesse sentido, porque teremos aí uma obra definitiva para o futuro de todos aqueles que necessitam desse transporte em Salvador. Muito obrigado. O SR. WELLINGTON FAGUNDES – Com certeza. Inclusive, parece-me que o metrô exige muito menos desapropriação e é, sem dúvida nenhuma, um meio extremamente eficaz. O Sr. Mauro Benevides – Permite-me V.Exa., nobre Deputado? O SR. WELLINGTON FAGUNDES – Deputado Mauro Benevides, é um prazer receber o aparte de V.Exa. O Sr. Mauro Benevides – Deputado Wellington Fagundes, a exemplo do Deputado José Rocha, desejo me regozijar com V.Exa. pelas providências adotadas no seu Estado, com vistas a prepará-lo, sobretudo a Capital, Cuiabá, para este grande acontecimento, que será a Copa de 2014. V.Exa. cita medidas concretas já postas em prática e outras que já apontam para um vislumbre de concretização plena, e eu me permitiria também dizer que, no meu Estado e, sobretudo, na Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS minha Capital, há idêntico esforço voltado para esse grande acontecimento, para o qual convergem as atenções de todo o mundo. E tanto o Governador Cid Gomes como a Prefeita Luizianne Lins, de Fortaleza, estão trabalhando, nas suas áreas específicas, para que tenhamos uma Capital preparada efetivamente para esse grande momento, que vai atrair desportistas do mundo inteiro. A exemplo de Cuiabá, em Fortaleza, eles terão aquela acolhida e aquela tranquilidade para vivenciar esse grande acontecimento da vida desportiva mundial. Portanto, quero oferecer o meu testemunho em relação ao meu Estado e, ao mesmo tempo, cumprimentar V.Exa. pelas providências que, no seu Estado e na sua Capital, estão sendo postas em prática para esse magno acontecimento, para o qual, naturalmente, convergem as atenções do mundo inteiro. Cumprimento V.Exa., nobre Deputado. O SR. WELLINGTON FAGUNDES – E eu tenho certeza, Deputado Mauro Benevides, de que a Copa de 2014 será a melhor Copa do Mundo, porque o Brasil tem todas as características para tanto: diversidade cultural e regiões lindas que podem ser oferecidas para que o turista não só participe da Copa do Mundo, mas ande por todo o Brasil e conheça também uma Capital como Fortaleza, como Natal, como Salvador, enfim, o Nordeste como um todo. No interior de Mato Grosso, temos o Pantanal, com todo o seu potencial, para que o turista possa ver. Além disso, há o turismo de negócios, sendo o meu um dos Estados que têm maior produtividade no mundo. Com a tecnologia empregada hoje no Mato Grosso, Presidente Izalci, na plantação de soja e de algodão – somos o maior produtor de todas essas commodities –, com certeza, Mato Grosso tem muito a oferecer, assim como Brasília, a Capital da República. E é nesse sentido que falo aqui hoje. Mas, Sras. e Srs. Deputados, com o termo de cooperação técnica firmado com o Conselho Nacional de Justiça, nós estamos permitindo que jovens ganhem oportunidade de aprender uma profissão, de se qualificar para o mercado de trabalho e de reduzir a pena a ser cumprida. Outra parte da mão de obra empregada na Arena é formada por trabalhadores libertados da condição de escravos, que ganham carteira assinada, moradia e três refeições diárias, enquanto durar a obra. E todos passam por cursos de treinamento e de qualificação. Aliás, todos os trabalhadores envolvidos na obra, além de ganharem oportunidade de emprego e renda, têm a chance de melhorar de vida. Sr. Presidente, o que durante o dia é um canteiro de obras à noite se transforma em escola para treinamento e qualificação desses trabalhadores. Centenas Terça-feira 23 43727 desses trabalhadores voltaram a frequentar um banco de escola graças ao programa de formação técnica desenvolvido em parceria com o SENAI e ao programa de educação básica realizado em parceria com o SESI. Muitos desses homens e mulheres chegaram à obra analfabetos e sairão de lá com novas oportunidades de vida. Esses cursos garantem e melhoram a inserção social dessas pessoas por meio de remuneração digna e respeito aos direitos trabalhistas. Tudo isso é fruto da determinação do Governador Silval Barbosa, da Diretoria da AGECOPA e do consórcio de empreiteiras responsável pela obra. Dessa forma, a Copa do Pantanal está contribuindo para melhorar a vida das pessoas, oferecendo o que há de mais importante, que é a educação. Quero aqui dar meus parabéns a todos os envolvidos no projeto e dizer que tenho feito a minha parte. Na condição de Parlamentar, aloquei recursos junto ao Ministério do Turismo para obras importantes, como a duplicação da rodovia que liga Cuiabá à Chapada dos Guimarães, cujo parque tem um potencial muito grande. Também conseguimos, no passado, construir lá uma outra obra extremamente importante: a Usina de Couto Magalhães, um lago de aproximadamente 40 mil hectares, que hoje serve igualmente como um grande ponto de turismo, além de promover a irrigação e permitir o controle de enchentes do Rio Cuiabá. Com essa obra, tivemos resolvidas de uma vez por todas as enchentes de Cuiabá. Há ainda a estrada que tenho designado de a Estrada da Vida. E conseguimos outros recursos perante o Ministério do Turismo para uma nova via que liga Cuiabá a Rondonópolis, passando pelo Pantanal. Hoje, a estrada de Rondonópolis a Cuiabá é uma bifurcação, a sobreposição de três BRs: a BR-364, a BR-163 e a BR-070, com um trânsito de carretas, bitrens e treminhões infernal, o que a torna palco de muitos acidentes. A propósito, hoje mesmo estive com o Ministro dos Transportes, juntamente com o Governador Silval Barbosa, tratando da duplicação desse trecho. Essa obra já começou, vindo de Posto Gil a Rosário Oeste, mas é preciso acelerar as licitações, para que tenhamos essa obra concluída até a Copa de 2014. Mas a nossa preocupação não é só com a Copa; é também com o desenvolvimento que Mato Grosso tem experimentado nos últimos 10 anos, chegando a ser de 10% acima da média brasileira. E o Estado sempre responde com uma produção muito grande, além da produtividade de que aqui já falei. Por isso, a cada real investido em Mato Grosso, o Estado responde rapidamente, multiplicando por dez. Então, quero pedir à 43728 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Presidenta Dilma e a todos os Ministros atenção para os Estados de produção. Fala-se muito no trem-bala Rio de Janeiro-São Paulo. Não somos contra o trem-bala Rio-São Paulo, mas, se estamos falando em crise, temos de começar a priorizar a aplicação dos recursos, e priorizar aplicação de recursos é construir estradas e investir em infraestrutura nas regiões de produção. Além disso, estamos trabalhando nessa obra, como eu disse aqui, nessa nova via verde, que vai de Cuiabá a Rondonópolis e passa por Santo Antônio, Barão de Melgaço, na comunidade Porto de Fora, indo até Mimoso, onde nasceu o Marechal Rondon, que é referência mundial. Poucos mato-grossenses conhecem Mimoso, porque ali não existe ainda infraestrutura. E tenho certeza de que, com essa obra, vamos dar oportunidade não só ao mato-grossense de conhecer a verdadeira história do Estado, mas também a turistas estrangeiros que tenham interesse em ver o local onde nasceu Marechal Rondon. Também fizemos uma emenda para o Ministério do Turismo, a maior emenda do Brasil, de 45 milhões reais, mas, infelizmente, temos hoje uma perspectiva muito pequena de ver a liberação desses recursos. Por isso, nessa priorização, entendemos que a Presidente tem de saber escolher onde aplicar os recursos a bem do Brasil. Além disso, estamos trabalhando com o Secretário de Logística de Transporte, o companheiro de partido Francisco Vuolo, que tem sido um Secretário muito atuante. Nós temos lá um aeroporto que duplicou o seu movimento, mas que ainda carece muito de infraestrutura. Nesse sentido, estivemos com o Presidente da INFRAERO na semana passada, juntamente com o Governador Silval Barbosa, e já definimos um plano de investimento. Agora, no mês de setembro, ficará pronto o projeto de expansão do aeroporto e um convênio que será feito com o Governo do Estado da ordem de 84 milhões de reais, para avançarmos nas obras e também lançarmos o projeto de uma nova pista e de um novo terminal, um terminal de cargas, podendo transformar o Aeroporto de Várzea Grande no segundo maior aeroporto do Brasil. São 750 hectares dentro do coração da cidade de Várzea Grande. Nós estamos trabalhando para transformar esse no aeroporto base do MERCOSUL, uma vez que Cuiabá, a nossa Capital, é o centro geodésico da América do Sul e também do Brasil. Estamos praticamente de costas para os países do MERCOSUL. Agora que já criamos o Parlamento do MERCOSUL, temos de avançar na integração. Sem dúvida nenhuma, pela extrema importância desse aeroporto, temos de transformá-lo num aeroporto indústria, porque dali Agosto de 2011 teremos condições de exportar a nossa produção, agregando valores. Além disso, estamos trabalhando para transformar o Aeroporto de Rondonópolis em um aeroporto alternativo para a Copa do Mundo, visto que Rondonópolis está na rota entre Cuiabá, Campo Grande e Goiânia. Então, tem todas as condições de ser transformado em aeroporto alternativo. Queremos também construir um centro de treinamento em Rondonópolis. É importante dizer para a população que não será a FIFA que vai definir onde as seleções ficarão; as cidades é que vão se oferecer para sediá-las, e as seleções mundiais vão escolher onde ficarão. Portanto, Rondonópolis, Primavera do Leste e Barra do Garças, que têm um grande potencial turístico, com águas termais, encontro de águas e serras, podem se transformar e ter capacidade de receber uma seleção, porque, inclusive, há aeroporto pronto para isso. No caso de Primavera, com recursos também alocados do Ministério do Turismo, construiu-se um aeroporto extremamente importante para o desenvolvimento da cidade. Há 3 anos, estamos trabalhando com o PRODETUR e, agora, com a Secretária Teté Bezerra, já tivemos sinalização do BNDES de que serão mais 320 milhões para investir na infraestrutura do turismo de Mato Grosso, principalmente nos Centros de Convenções de Rondonópolis, de Barra do Garças e de Várzea Grande e na conclusão dos Centros de Convenções de Jaciara e Sinop. Enfim, outros Municípios também receberão esses investimentos. Sr. Presidente, o Mundial tem sido assunto de destaque nas reuniões entre os Governos Federal e Estadual, mas é preciso lembrar que Mato Grosso tem muitas outras necessidades. Hoje, a economia de Mato Grosso é responsável por grande parte do superávit da balança comercial brasileira. E o Mundial vai impulsionar a economia do Estado, sendo o turismo uma das áreas que mais se beneficiarão com a Copa. A ampliação do turismo, principalmente a do ecoturismo, constitui um segmento importante na geração de emprego e na adoção de novas formas sustentáveis de exploração dos recursos naturais e belezas cênicas do Estado. A Copa do Mundo de 2014, sem sombra de dúvida, vai favorecer ainda mais esse setor. A realização de uma das etapas do Mundial em Cuiabá vai representar mais investimentos da iniciativa privada, mas é preciso que o Governo atue com força em Mato Grosso – e não apenas nas questões referentes à Copa, mas no Estado como um todo. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Mato Groso está entre os Estados que mais produzem e exportam soja no mundo, mas, devido às más condições das estradas e à falta de uma logística de transporte eficiente, ainda há muito desperdício e atraso no escoamento da produção. E cabe ao poder público viabilizar a infraestrutura necessária para nos tornamos ainda mais competitivos. Para tanto, é preciso investir na ampliação da rede ferroviária e na construção de uma saída para os produtos de Mato Grosso em direção ao Pacifico, cruzando o território da Bolívia até os portos do sul do Peru e norte do Chile – uma economia de 2 mil quilômetros em direção dos mercados asiáticos. Um Estado extenso como Mato Grosso tem muitas necessidades. Reconheço que o Governo Federal tem atuado na região com o intuito de melhor a realidade da população, mas muito ainda precisa ser feito. Determinados segmentos precisam de atenção especifica, como o dos produtores rurais. A classe tem uma dívida de quase 8 bilhões de reais, sendo 1,2 bilhão resultado da aquisição de implementos agrícolas. O agravamento dos débitos dos produtores rurais em Mato Grosso é resultado da crise no setor agrícola em 2004, quando o preço das commodities despencou. Mesmo sete anos depois os reflexos ainda são sentidos. Na tentativa de encontrar uma alternativa para controlar a situação, a Subcomissão de Endividamento Agrícola da Câmara já se reuniu com a bancada de Mato Grosso para debater a questão. É preciso que o Governo Federal crie medidas para sanar o problema. Os produtores não querem o perdão da dívida, mas, sim, a possibilidade de quitá-las, o que será possível com a criação de linhas de créditos a juros mais baixos e acessíveis. O Governador Silval Barbosa já se reuniu com a Ministra-Chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para tratar do assunto. Como disse, um Estado de grande extensão territorial e rápido crescimento, como Mato Grosso, exige muita atenção. Realmente, não é fácil atender a todas as necessidades. Por isso a articulação entre Governo do Estado e Governo Federal é tão importante. E é nosso papel, Parlamentares que somos, intermediar, discutir e exigir do Governo atenção para com os Estados. Exemplo do exercício desse papel é a pressão que o Congresso Nacional vem fazendo para o Governo ressarcir as perdas acumuladas pelos Estados produtores de commodities geradas pela Lei Kandir, que desonera os produtos primários que serão exportados. De setembro de 1996 a junho de 2011, o montante acumulado de perdas dos Estados foi calculado em 276 bilhões de reais, e o ressarcimento pela União foi de apenas 76 bilhões de reais, ou 27% do total das perdas. Terça-feira 23 43729 Este ano, a previsão de ressarcimento ao Estado de Mato Grosso é de apenas 17% do total de perdas, e, até o presente momento, a União ainda não disponibilizou o recurso referente ao Auxílio Financeiro de Fomento à Exportação, calculado em aproximadamente 288 milhões de reais. Para 2012, os 3,9 bilhões de reais que haviam sido previstos na Lei de Diretrizes Orçamentárias da União, para compensar parte das perdas geradas pela Lei Kandir, foram excluídos da previsão orçamentária pela Presidenta Dilma Rousseff, em ato realizado na última segunda-feira e que prejudica ainda mais as finanças já abaladas dos Estados e Municípios brasileiros – os Municípios têm participação de 25% do montante desses recursos. Em reuniões realizadas pelos Governadores das Regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, a reivindicação tem sido a de criar um fundo compensatório para evitar que as perdas se perpetuem. Essa reivindicação deve fazer parte da reforma tributária em discussão nesta Casa. Mas eles querem a adoção de outra medida mais urgente: o ressarcimento de, no mínimo, 50% das perdas sofridas nos últimos anos com a desoneração do ICMS da exportação de produtos primários e semielaborados e de créditos da aquisição de bens de capital. No caso específico de Mato Grosso, quero aqui lembrar que o Estado exporta hoje cerca de 70% de tudo o que produz e, portanto, as perdas com a Lei Kandir tendem a crescer ainda mais, uma vez que vivemos um ciclo de desenvolvimento econômico que se traduz nos recordes de produção no campo. As mudanças na Lei Kandir para tributar matéria-prima geralmente são refutadas sob o argumento de que a eventual tributação das commodities, ainda que por meio de alíquotas reduzidas, afetaria o preço e acarretaria perda de competitividade internacional. Instituída em 1996 pelo Governo Federal, a Lei Kandir isentou do ICMS os produtos e serviços brasileiros destinados à exportação para o exterior, com a finalidade de aumentar as exportações e obter superávit na balança comercial, o que aceleraria o crescimento econômico do País. Os objetivos macroeconômicos da medida foram plenamente alcançados, haja vista o fato de o País ter saído de uma situação de sucessivos déficits anuais na balança comercial para expressivos superávits, especialmente nos últimos cinco anos. Contudo, a medida provocou significativas perdas na arrecadação do ICMS para os Estados, principalmente para aqueles com vocação exportadora de commodities, como Mato Grosso. Mato Grosso deve sofrer ainda com outros desfalques orçamentários. O Estado vive o risco de perder 43730 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS recursos na ordem de 2,5 bilhões de reais que seriam aplicados em obras estruturantes. O corte de recursos foi definido em julho pelo Ministério dos Transportes para ajustes ao Orçamento Geral da União. Com isso, alguns projetos de extrema importância para o desenvolvimento da região estão ameaçados. Entre esses projetos, cito a BR-158, importante via de escoamento da produção agrícola da região do Araguaia. O projeto previa investimentos de 722 milhões. Com os cortes, a previsão é a de que esse valor caia para 572 milhões. Com isso, o projeto terá que ser adequado, inclusive no que diz respeito ao contorno da reserva indígena Maraiwatsede, e o dinheiro disponível terá de ser suficiente para pavimentar os 280 quilômetros entre Ribeirão Cascalheira e a divisa com o Pará. Outro exemplo é a BR-163, com as travessias urbanas de Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop. Sempre tenho dito que as travessias urbanas das rodovias federais são pontos críticos, onde há grande números de acidentes. Pois bem. As obras estão em fase de conclusão, porém necessitam de adequação dos projetos executivos, sem o que não haverá possibilidade de conclusão. Na mesma rodovia, o trecho entre o Posto Gil e Sinop previa recursos de 1 bilhão de reais. Cortaram 480 milhões. Com isso, fica comprometida a construção de pista dupla, e só poderão ser feitos alguns melhoramentos, como o alargamento dos acostamentos e a construção de terceiras faixas. Também o projeto de duplicação da BR entre Rondonópolis, Cuiabá e Posto Gil sofreu corte: os recursos eram de 1,8 bilhão de reais. Hoje, contamos com 1,450 bilhão. Quanto à BR-242, entroncamento com a BR-163, de 882 milhões restaram 751 milhões. Hoje, quatro lotes estão em andamento, mas seis outros tiveram o licenciamento ambiental cancelado pelo IBAMA, o que deve provocar um grande atraso nessa obra. Para o Contorno Norte de Cuiabá, inicialmente, o projeto previa a construção de pista simples. Conseguimos aprovar a construção de pista dupla, mas o corte que reduziu o total de recursos de 353 milhões para 150 milhões, nos obrigará a construir apenas a pista simples. O Contorno Sul de Cuiabá, por sua vez, foi retirado do PAC. A rodovia, que é conhecida como Rodovia dos Imigrantes, recebe um fluxo muito grande de veículos de carga que saem do norte do Estado em direção ao sul. Eu, inclusive, apresentei projeto nesta Casa para a federalização dessa rodovia. E o mais grave: as obras da travessia urbana de Cuiabá não têm recursos definidos no DNIT! Elas são fundamentais para a realização da Copa do Mundo Agosto de 2011 de 2014 na Capital de Mato Grosso e incluem a construção de pontes e viadutos, além da duplicação de avenidas e construção de elevatórias para desobstrução do trânsito, hoje um dos maiores problemas de Cuiabá. Sem essas obras, a realização da Copa do Mundo está ameaçada. Colegas Deputados, gostaria ainda de aproveitar a oportunidade para tratar de um outro assunto que diz respeito à situação política do País e ao meu partido, o PR, do qual sou Presidente do Diretório Estadual. Durante todos estes anos de Governo PT, estivemos no bloco de apoio ao Governo, mas, por conta dos últimos acontecimentos, o Diretório Nacional do Partido da República tomou a decisão de declarar independência da base de sustentação do Governo da Presidenta Dilma Rousseff. Isso porque entendemos – a maioria dos Parlamentares eleitos pelo PR – que a coligação feita nos Estados com o PT e com o PMDB não contempla os republicanos a contento. E ficou evidente a diferença de postura adotada pelo Palácio do Planalto diante de denúncias veiculadas na imprensa sobre suposta ocorrência de irregularidades no Ministério dos Transportes e o mesmo tipo de denúncia em relação a outras pastas. A atitude precipitada adotada pelo Planalto acabou por prejudicar tanto o PR quanto o Estado de Mato Grosso, que perdeu cargos importantes dentro de autarquias responsáveis pelo desenvolvimento rodoviário e ferroviário da região. No entanto, é preciso reconhecer que o Ministério dos Transportes, responsável pelo sétimo maior orçamento do Executivo, está nas mãos de um homem honesto e que conhece o funcionamento da pasta. O Ministro Paulo Sérgio Passos sabe os desafios que vai encontrar e já se mostrou disposto a corrigir possíveis irregularidades, fazer os ajustes necessários, aprimorar os processos licitatórios e nomear profissionais qualificados tecnicamente e de conduta séria. Em meio às denúncias de pagamento de propinas e corrupção, o Ministro disse que uma comissão de sindicância, em parceria com a Controladoria-Geral da União, já começa a investigar as irregularidades. Passos assume a pasta em um momento de muito desgaste político, mas é possível enxergar que mudanças começam a acontecer. Na semana passada, o Ministro prestou esclarecimentos em Comissões da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, deixando claro que nada tem a ver com as denúncias de irregularidades em contratos de aditivos, ponto que a imprensa faz questão de explorar como sendo algo irregular. Passos explicou que os aditivos estão previstos na Lei de Licitações, que não há irregularidades. Mesmo assim, afirmou que uma das metas é aperfeiçoar a Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS elaboração de projetos na fase de execução, para que a liberação de aditivos seja a menor possível. Conheço o trabalho de Paulo Passos, funcionário de carreira do Ministério dos Transportes, tive oportunidade de discutir com ele a liberação de investimentos para Mato Grosso, quando, em 2010, substituiu Alfredo Nascimento, que havia se licenciado para disputar cadeira no Senado. É um homem de respaldo, experiente e que toma a frente de um dos Ministérios mais importantes do País. Gostaria de falar também sobre o decreto presidencial de Evo Morales que permitirá que os veículos contrabandeados para a Bolívia sejam legalizados perante as autoridades de trânsito daquele país. Esse assunto, que é de interesse nacional, já foi tema de discurso feito pelo Deputado Estadual Emanuel Pinheiro na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. E chamo a atenção para o assunto porque esse decreto poderá colocar Mato Grosso refém do crime organizado. Com mais de 700 quilômetros de fronteira seca com a Bolívia, nenhuma das 27 Unidades da Federação será tão prejudicada por esse decreto quanto o meu Estado. É preciso que o Governo brasileiro dialogue com o Governo boliviano em busca de uma alternativa para esse ato normativo que, além de polêmico, pode trazer inúmeros problemas para o nosso País. Fazemos fronteira também com o Paraguai, ao todo, temos 720 quilômetros de divisa seca. E todos sabem que enfrentamos um problema muito sério: o narcotráfico. Nesse sentido, o Governo tem de pensar numa estratégia de investimento em segurança na região fronteiriça, onde, infelizmente, ocorrem problemas sérios. Esta semana mesmo, tive acesso a um levantamento do Deputado Emanuel Pinheiro, grande líder na Assembleia Legislativa do Estado, no qual está demonstrada a sua preocupação. O Deputado chegou inclusive a pedir o fechamento do Consulado boliviano em Cuiabá, porque o Governo boliviano resolveu, há poucos dias, editar lei que permite a regularização, naquele país, de carros roubados. Mato Grosso é um dos Estados que mais sofrem com essa situação, pois é a porta de entrada do narcotráfico, que usa como moeda de troca veículos roubados em Mato Grosso, São Paulo e outros Estados. A proposta do Deputado Emanuel Pinheiro surgiu justamente por não se ver sequer uma atitude da parte do Governo boliviano no sentido de coibir essa prática. Nós, não só os mato-grossenses, mas todos os brasileiros, temos respeitado e apoiado bastante a comunidade boliviana, até por meio de recursos destinados pelo Governo Federal às suas empresas e da ajuda no controle da febre aftosa. Então, esperamos Terça-feira 23 43731 que o Governo brasileiro, por intermédio do Ministério das Relações Exteriores, possa negociar, porque isso é um absurdo. Não podemos continuar nessa situação. Concluo, Sr. Presidente, dizendo que estive hoje com o Ministro dos Transportes Paulo Sérgio Passos, juntamente com o Governador Silval Barbosa, ocasião em que discutimos a questão da mobilidade urbana. Isso porque passam pelo centro de Cuiabá a BR-070, a BR-364 e a BR-163, e já há um trânsito caótico na cidade. A Presidente Dilma, quando em campanha, esteve lá – antes também, ainda quando Ministra – e prometeu recursos para as obras de travessia urbana. O Ministro Paulo Sérgio está sensível ao problema e, tenho certeza, vai articular com o Ministério do Planejamento para que seja feito um convênio com o Governo do Estado, da ordem de aproximadamente 300 milhões, para a desobstrução das passagens urbanas, além do anel viário, através do Contorno Norte e também do Contorno Sul. Como disse, Sr. Presidente – e V.Exa. também é do PR –, há poucos dias, o nosso partido tomou uma posição de independência, com a qual, quero externar aqui publicamente, não concordo. Seguirei o que o partido decidir, mas independência não existe. Na política, ou se é a favor ou se é contra; ou se é Governo ou se é Oposição. Espero que as Lideranças do partido – inclusive amanhã à noite teremos uma reunião – encontrem o caminho para uma boa convivência com o Governo da Presidente Dilma. Afinal de contas, ajudamos S.Exa. a ganhar as eleições e temos a responsabilidade de ajudar a administrar o País. Nós queremos o desenvolvimento do País. Queremos que a Presidente Dilma faça um bom Governo, queremos ajudá-la. Se tivemos problemas, vamos corrigi-los, vamos continuar investigando, mas temos a obrigação de continuar ajudando o Governo a corrigir o rumos e a administrar bem. E isso se faz com críticas e sugerindo formas de melhorar. O SR. PRESIDENTE (Izalci) – Conclua, Deputado... O SR. WELLINGTON FAGUNDES – Vou concluir, Sr. Presidente. Tenho certeza de que V.Exa. também tem o mesmo pensamento, pois o nosso partido cresceu muito. Aliás, foi o partido que mais cresceu nas últimas eleições, e foi muito importante a nossa presença no Ministério dos Transportes. Ajudamos muito o País, mudando a questão da infraestrutura. Nos 8 anos de mandato do Presidente Lula, tivemos 3 Ministros do PR, todos eles cumpriram o seu papel. Naquela época, só havia a famosa operação tapa‑buracos; hoje, não; estamos trabalhando, res- 43732 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS taurando e construindo estradas. Então, é o momento de fazermos uma reflexão e apoiarmos o Governo da Presidente Dilma. E o Presidente Lula, que foi tão importante também, tem sido um negociador e tem tido habilidade para entender o papel do PR na governabilidade. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Izalci) – Quero parabenizá-lo pelo pronunciamento, Deputado Wellington Fagundes, como também testemunhar aqui o empenho de V.Exa. em defesa do Estado de Mato Grosso e do País. O SR. PRESIDENTE (Izalci) – O próximo orador inscrito no Grande Expediente é o Deputado Francisco Praciano, do PT do Amazonas. Tem V.Exa. a palavra. O SR. FRANCISCO PRACIANO (PT-AM. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, cidadãos brasileiros, vou novamente me apresentar como Deputado de segundo mandato. Desde o primeiro mandato participo da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, e agora eu a dirijo, coordeno, presido. Portanto, com bastante frequência tenho usado os microfones e a tribuna desta Casa para tratar de um assunto que incomoda não só a mim, mas a esta Casa e, principalmente, o brasileiro: a corrupção. A corrupção, se a analisarmos sob o ponto de vista geográfico, companheiro Assis, não respeita nenhum Estado, acontece no Amapá, como a que ocorreu agora com a Operação Voucher, da Polícia Federal; atinge o Sul, no Estado do Paraná; no Centro-Oeste, em Brasília, centro do País; no Leste; no Oeste; no Norte, no Acre; e no Nordeste, na Paraíba e no Ceará, que é o meu Estado. Portanto, ela é universal, em âmbitos nacional e internacional. Além disso ela é sistêmica, organizada. A Operação Gautama mostrou que a corrupção não é pontual, mas uma rede que, às vezes, se transforma em uma quadrilha. Então, ela tem o aspecto sistêmico da corrupção. Também ela mata e, assim, compromete o futuro deste País. Os últimos relatórios da CGU têm demonstrado, companheiro e conterrâneo Mauro Benevides, queda da amostragem que é feita. Dos 60 Municípios sorteados, por mês, para compor a amostra, quase 90% deles demonstram desvios de dinheiro público ou irregularidades no uso do dinheiro público. As principais irregularidades aparecem nos recursos da saúde e nos recursos da educação, comprometendo o futuro nas áreas da saúde e da educação. Eu digo, às vezes, que a corrupção é tão cruel que tira – com dizemos lá no Ceará – bombom da boca de criança. E não são poucos os demonstrativos. Prefei- Agosto de 2011 tos, políticos, Deputados, servidores, agentes públicos desviam dinheiro da merenda escolar, tiram bombom da boca de criança. O site da Polícia Federal – quem quiser pesquisá-lo que o faça – diz que de 2003 para cá a Polícia Federal já realizou 1.400 operações, a maioria das quais diz respeito a desvios de recursos públicos. Essas operações têm chegado às manchetes de jornais, têm ido para os sites, para a Internet, têm colocado os políticos, os agentes e as autoridades em fotografias enormes nas primeiras páginas algemados. Mesmo assim, a corrupção não se debela, não recua: acaba um escândalo, começa outro logo em seguida, apesar das algemas. Com relação às algemas, eu tenho uma posição: a algema é uma prática universal. É a defesa do preso, é defesa do agente da Polícia Federal. Aliás, dizem que, tecnicamente, as algemas deveriam ser utilizadas atrás, mas a Polícia Federal algema o prisioneiro na frente para não incomodá-lo tanto. Eu acho que não é a algema que deveria ser proibida; proibido é roubar, e o roubo é grande. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP publicou um trabalho intitulado Corrupção: Custos Econômicos e Propostas de Combate. Esse trabalho foi baseado no indicador que a Organização das Nações Unidas também utiliza, chamado percepção da corrupção. A FIESP contratou uma consultoria para realizar esse trabalho, e nele está descrito que o Brasil, entre 180 países, está numa posição sofrível: 75º lugar, em termos de corrupção, uma posição sofrível no ranking da corrupção. Segundo o estudo, o custo da corrupção tem variado de 41 a 70 bilhões de reais por ano, dinheiro suficiente para resolver uma série de problemas que este País ainda apresenta em seus indicadores sociais. O Sr. Mauro Benevides – V.Exa. me permite um aparte, Deputado Praciano? O SR. FRANCISCO PRACIANO – Com a palavra meu conterrâneo Mauro Benevides. O Sr. Mauro Benevides – Quero cumprimentar V.Exa. no momento em que ocupa a tribuna da Casa para se reportar ao quadro de corrupção sistêmica que neste ou naquele lugar do País se instala e que tem de contar com a reação de quem está comprometido em orientar a vida pública brasileira com base em parâmetros que resguardem, sobretudo, os recursos da União, dos Estados e dos Municípios. Pelo que pressinto, V.Exa. inicia uma cruzada de pregação direcionada a conscientizar todas as lideranças do País a um posicionamento corajoso e decidido, a fim de que tenhamos condições de nos contrapor ao quadro que se instalou, lamentavelmente, em determinados se- Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS tores da vida pública brasileira. Portanto, V.Exa., que pertence à maior bancada, sem dúvida, contará com o apoio desta Casa, ao ter a sensibilidade de trazer este tema a debate, como forma de estimular todas as outras bancadas que tomam assento nesta Casa a se posicionarem da forma como V.Exa. preconiza em seu pronunciamento na tarde de hoje. Meus cumprimentos pela iniciativa que agora põe em prática na tribuna da Câmara dos Deputados. O SR. FRANCISCO PRACIANO – Deputado Mauro Benevides, eu sou Deputado Federal pelo Amazonas, Estado que amo, adoro. Mas também sou cearense e amo o meu Estado. Como Deputado Federal, amo este País. A luta que travamos contra a corrupção é exatamente por amarmos o povo brasileiro e por amarmos este País. V.Exa. não imagina a satisfação de ter um conterrâneo, um patrimônio desta Casa, um homem de bela história e belo currículo como V.Exa. Muito obrigado por qualificar a nossa tribuna e o nosso discurso. Continuando, a FIESP, além do custo – um custo médio de 40, 70, 55 bilhões de reais por ano –, também demonstra o efeito da corrupção no crescimento e na economia do País. Companheiro Assis, os investidores reduzem a sua atratividade quando vêm para o Brasil, por alguns motivos – o principal motivo é a corrupção –, além de outros que temos. Mas a corrupção é entendida como uma taxa a mais que dificulta o projeto, torna caro o projeto, torna caro o produto, reduz a competitividade, reduzindo, por consequência, a atratividade de capitais e de investimentos no Brasil. Essa é a avaliação que o trabalho da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP estima e avalia. Portanto, é o empresariado também preocupado com os efeitos negativos nas suas atividades e com os efeitos negativos na economia deste País. Este é o nosso tema hoje, desta tribuna. Gostaria também de falar – é quase um desabafo – sobre a corrupção no meu Estado. Com a palavra o companheiro Assis, grande piauiense. O Sr. Assis Carvalho – Meu querido Deputado Praciano, em primeiro lugar, é um orgulho conviver com V.Exa. Conheço a sua luta neste Parlamento para que tenhamos ferramentas para enfrentar esse câncer tão cruel que empobrece a nossa Nação. Eu faço este aparte porque sou testemunha da luta que travei no meu Estado quando eu dirigia o Departamento de Trânsito. Na minha gestão, foram demitidos 15 funcionários, e num só dia foram presas 33 pessoas envolvidas em corrupção. Com isso, sofri ameaças de morte. Essas pessoas têm uma organização muito grande: têm influência na imprensa, em sites e tribu- Terça-feira 23 43733 nais, o que representa um preço muito alto. Quando enfrentamos uma luta como esta que enfrentamos no dia a dia, precisamos estar preparados para pagar um grande preço. Dou esse testemunho porque convivo com os Prefeitos do meu Estado. Vi situações – tive de denunciá-las quando fui Deputado Estadual na minha terra – que envolviam membros do Tribunal de Contas do Estado. Havia funcionário laranja dono de empresa para alugar veículos em Prefeituras, praticamente sendo coagidos, que têm filho que é Deputado. Ele coloca na sua gaveta um processo e põe a mão em cima e diz: “Sr. Prefeito, se não tiver uns votinhos para o meu filho, eu trato de forma diferente esse seu processo”. É isso que estamos vivendo, nobre Deputado. Por essa razão, temos de estar unidos para fazer esse enfrentamento, porque a doença da corrupção no nosso País está também no meio político, sim. Está no meio político, é verdade. Lamento porque, muitas vezes, dizem que só é corrupto o político. Mas há corruptos no Judiciário, no Ministério Público, nos Tribunais de Contas, na rede privada, nos sites que coagem, muitas vezes, os setores públicos a participarem do sistema de corrupção. É preciso que estejamos unidos. Quero dar o meu testemunho da sua luta, incorporar-me à sua caminhada e dizer que temos de fazer um esforço muito grande para, senão eliminar, pelo menos, reduzir a corrupção neste País. Do contrário, não conseguiremos avançar nem melhorar a qualidade de vida das pessoas. Parabéns, Deputado, pela sua luta! Tenho muito orgulho de conviver com V.Exa. na sua caminhada. O SR. FRANCISCO PRACIANO – Muito obrigado pela colaboração, Deputado Assis, nosso companheiro do PT. Sr. Presidente, quero referir-me rapidamente ao meu Estado. Companheiro Presidente, companheiros cidadãos brasileiros que nos ouvem, espero que isso não aconteça no seu Estado, mas sei que acontece. Exerci quatro mandatos como Vereador na cidade de Manaus. O primeiro deles durou 2 anos, e dediquei-me quase exclusivamente à questão da corrupção. Chegamos a retirar, expulsar e cassar o Presidente da Câmara Municipal de Manaus, por meio de uma ação que promovi na cidade. No segundo mandato, dediquei-me não apenas a garantir os direitos dos estudantes, a brigar junto com os estudantes pelos seus direitos e pela melhoria da educação no Estado, mas também a lutar contra a corrupção. No terceiro e quarto mandatos, dediquei-me aos estudantes, aos serviços públicos, principalmente água, transporte coletivo, educação, mas também insisti no combate à corrupção. Portanto, sempre coloquei na minha pauta a luta contra a corrupção. O resultado foram Comissões Parlamentares de Inquérito que consegui 43734 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS instalar, dezenas de representações no Ministério Público, outras dezenas de ações na Justiça, tentando combater e inibir a corrupção no meu Estado. Companheiro Assis, companheiros brasileiros, neste momento, presidindo a Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, em uma história de luta pelo meu Estado, pois há 20 anos o combate à corrupção está na minha pauta, não tenho um exemplo de sucesso a citar na luta contra a corrupção. O motivo principal é que a estrutura do Estado – o Executivo, o Legislativo, o Ministério Público, a Justiça, as Casas Legislativas – não colabora nessa luta. Nos Tribunais de Contas do nosso Estado, como em qualquer Estado brasileiro, as indicações dos Conselheiros de Contas são feitas pelo próprio Executivo, eliminando quase totalmente a função fiscalizadora dos Tribunais de Contas dos Estados. Além disso, eles estão desestruturados. Se pensarmos hoje no Ministério Público, nele também há um chefe indicado basicamente pelo Executivo. Quando se trata de Assembleia, por exemplo, o Executivo a domina. No meu Estado, dos 24 Deputados, 21 estão anexados ao próprio GoverNº O Governo consegue colocar quase todos os Conselheiros de Contas. No nosso Estado, o Presidente é amigo, é ex-advogado do ex-Governador, presidia um partido aliançado com o Governador e indicado pelo Governador. Quando é que vai fiscalizá-lo? Assim também acontece com o ouvidor e o corregedor. É o sistema se fiscalizando, é o fiscalizado indicando seu próprio fiscal, eliminando, portanto, a função fiscalizadora dos Tribunais de Contas do Estado. Aliás, dos 189 Conselheiros de Contas do Brasil – são 7 em cada Estado –, só 14 desenvolviam atividades correlatas à auditoria e à contabilidade, por exemplo. Os demais são ex-Vereadores, ex-Secretários, ex-políticos, ex-Senadores. Portanto, hoje nós não temos um quadro técnico comprometido com a sociedade nos Tribunais de Contas dos Estados, mas muito mais comprometidos com o próprio Governo, o próprio Executivo, o próprio fiscalizado. O Ministério Público também tem uma influência muito grande do Governador, quando o chefe do Ministério Público é uma indicação do próprio Executivo – e o Executivo é o fiscalizado. Nas Câmaras e nas Assembleias, como no Brasil todo, a maioria absoluta é do Executivo. Isso também reduz bastante a força de fiscalização das Casas do povo – estou falando de Câmaras, de Assembleias e até desta Casa –, uma vez que a base de apoio dos Governos quase sempre elimina a função fiscalizadora das Casas legislativas. Agosto de 2011 No meu Estado, eu diria que sobra o bispo, que, quando se trata de corrupção, só precisa buscar o bispo. O nosso Arcebispo de Manaus, Dom Luiz, meu amigo, disse que não o procurássemos porque não faz parte de sua função o combate à corrupção, embora seja uma grande cidadão que exerce ativamente sua cidadania no Amazonas. Portanto, é cruel, é geral a questão da corrupção no Brasil. O que nós propomos? Todos nós sabemos – todo Deputado sabe, todo Governador conhece, a nossa Presidente Dilma sabe, os Ministros dos Tribunais Superiores, todo juiz, todo Vereador e a sociedade sabem – qual é o problema hoje da corrupção. E um dos principais problemas da corrução que todo mundo aponta é a impunidade. É a impunidade que alimenta e realimenta a corrupção. Portanto, para combater essa impunidade, a nossa proposta... Eu tenho aqui uma pequena história feita pela minha assessoria do que foi e do que é o PAC. Recentemente a nossa Ministra Miriam Belchior disse que 74% das obras do PAC serão realizadas até 2014. Hoje, 10% das obras estão com problemas, mas os outros 90% estão no ritmo adequado. Nós criamos – o Lula em 2007, juntamente com a companheira Dilma, gerenciado pela companheira Dilma – um Programa de Aceleração do Crescimento envolvendo 500 bilhões de reais. Em março de 2010, esse PAC foi redesenhado e ampliado de 500 bilhões de reais para 900 bilhões de reais. O que é o PAC? Um conjunto de ações do Governo, de investimentos do Governo para melhorar estradas, para criar portos, aeroportos, hidrovias. Há PAC para todos os gostos. O segundo PAC foi dividido em PAC Cidade Melhor, para melhorar as nossas cidades em relação, por exemplo, a saneamento; PAC Comunidade Cidadã, para aumentar a presença do Estado nas comunidades; PAC Água e Luz para Todos; PAC Habitação, o Minha Casa, Minha Vida; PAC Transportes; PAC Energia. Há PAC para todos os gostos. Foi uma grande iniciativa do Governo para reduzir o Custo Brasil e melhorar a vida das nossas cidades, das nossas comunidades, do povo brasileiro. Uma grande iniciativa. Nós estamos propondo que também façamos um PAC – a companheira Dilma, Presidente da República, do nosso partido; o povo brasileiro; o empresariado; membros desta Casa. Senadores já estão tomando iniciativa desse tipo, pedindo a todos desta Casa, do Senado, do empresariado e da sociedade apoio à companheira Dilma Rousseff nessa luta contra a corrupção, nisso que a imprensa está chamando de faxina, nome que também não me agrada. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Hoje há todo um ambiente propício para que a nossa Presidente coloque na sua pauta essa luta contra a corrupção. Não pode ser uma luta concreta, do fato real – isso deve ser deixado para a Justiça, para o Ministério Público, para esta Casa, porque a Presidente precisa manter a governabilidade, precisa dirigir este País. Mas a Presidente pode tomar a iniciativa de criar um PAC da moralidade, um PAC do combate à corrupção. Companheiros e companheiras, é triste. Que PAC é esse? Eu dividiria em duas partes, sendo que uma delas seria o PAC da estrutura, feito com dinheiro da União mesmo. Fazer um pacto com Governadores, com empresários, com sindicalistas, com notáveis juristas deste País, com a Câmara, com o Senado. Reunir esse grupo e criar um pacto para algo chamado de PAC da moralidade, para estruturar os Ministérios Públicos, que não têm estrutura. Os nossos Ministérios Públicos são especialistas em Direito, mas não têm um consultor em engenharia, em economia, em contabilidade. Quando se entra com uma representação mais técnica, como eu fiz várias vezes no Ministério, apresentando problemas de planilha de custos de transporte em Manaus, passam-se meses e meses. Eu não tenho orçamento para contratar um auditor, um contador ou um economista, e o próprio promotor, que é um especialista em Direito, não conhece tarifa, não conhece custos. Portanto, passam-se meses e meses, essa representação vai para a gaveta e demora. Há outros dois, três aumentos de tarifa, mas a primeira representação não tem terminalidade. A mesma coisa acontece com os nossos juízes: os juizados estão desestruturados; não têm consultoria; e perdem tempo ao administrar o seu próprio gabinete, o seu próprio cartório. Precisamos de um PAC que estruture o Ministério Público, estruture a Justiça brasileira, estruture a Controladoria-Geral da União. Fiz uma visita, com os companheiros da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, ao Ministro Jorge Hage. Fomos informados de que, para fiscalizar o Orçamento da União, que é mais de 2 trilhões de reais, a Controladoria-Geral da União tem como custeio 62 milhões de reais. Ou seja, ele tem menos do que o orçamento da Câmara Municipal de Manaus para fazer 60, 70, 100 auditorias por mês. Então, esse PAC tem que estruturar a Controladoria-Geral da União, o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público, a Justiça, principalmente aquelas entidades que tratam de fiscalização, que tratam de corrupção, que combatem a corrupção. É urgente, é barato. Essa corrupção nos dá anualmente 70 bilhões de reais de prejuízo, que são tirados da sociedade brasileira. Terça-feira 23 43735 Portanto, é barato o custo/benefício de um PAC, gastando dinheiro para estruturar a Justiça, para que haja julgamento, para que haja sentença, para que haja jurisdição, para que se exerça o Direito, sentencie, prenda e faça devolver o dinheiro público. Esse custo/ benefício é barato. O momento é este. O povo brasileiro quer, está gostando das posições da Dilma com relação aos escândalos que vemos nos Ministérios. Mas, muito mais do que isso, estamos pedindo, numa ação de estruturação, que a companheira Dilma trate, faça e consiga formar um pacto no PAC de moralidade e de ética neste País. É o que nós estamos esperamos. Cabe a esta Casa a segunda parte desse PAC: melhorar a legislação, aperfeiçoar a legislação no sentido de aumentar a celeridade, de aumentar a pena e de fazer com que os corruptos sejam presos e devolvidos. Esta é uma espécie de “Operação Mãos Limpas” na democracia, de forma sóbria, de forma equilibrada. Mas, precisamos de recursos e de vontade. A companheira Dilma está com a faca na mão, está com tudo na mão, com o apoio popular, o apoio de muitos companheiros desta Casa. O Senado já está tomando iniciativa; o Fernando Henrique Cardoso, de forma bonita, inteligente, pediu ao PSDB, inclusive, que esquecesse essa história de Comissão Parlamentar de Inquérito. Vamos trocar essa CPI por uma ação estruturante para debelar a questão da corrupção. Parece que todos nós temos um certo medo de combater a corrupção ou já estamos cansados. Nós sabemos onde está o problema, principalmente na Justiça. O Conselho Nacional de Justiça visitou o nosso Estado e sabem qual foi a conclusão? Ele disse que o Estado do Amazonas tem um probleminha. Qual é o probleminha? A Justiça não julga, então, na medida em que não julga, a impunidade se alimenta e alimenta a corrupção. Portanto, esta é a proposta que fazemos: um PAC da moralidade. Vamos gastar dinheiro, vamos permitir que a CGU tenha mais pessoal, que o concurso que foi adiado seja feito o mais rapidamente possível. Vamos permitir que a Polícia Federal, que faz um belíssimo trabalho, tenha a melhor estrutura possível para acelerar as suas operações. Acho que, dessa forma, poderemos combater, poderemos enfrentar a questão da corrupção, que é dura, é cruel, é sistêmica, é voraz. Eu acho que não podemos tratar corrupção e corrupto com chazinho de camomila. Tem que haver uma ação concreta e firme. E peço à Presidência da República que faça esse pacto com o Poder Legislativo, com o Poder Judiciário, com a sociedade e com os consultores e notáveis desta Casa, para criar condição 43736 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS de acabarmos com a impunidade, dando velocidade ao Ministério Público, dando velocidade à Justiça. Queremos que este País seja rico, mas ele não será rico se não tiver instituições fortes e se não acabarmos com aquilo que prejudica a credibilidade e a moral da República brasileira. O combate à corrupção passa por investimentos. Sejamos objetivos: a nossa proposta é um PAC da moralidade e da ética neste País. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Izalci) – Deputado Francisco Praciano, parabenizo V.Exa. pois este é um tema que deveremos priorizar nesta Casa. Parabéns a V.Exa. pelo trabalho de coordenação da Frente Parlamentar. Eu, inclusive, sou autor de uma lei que proíbe a contratação de empresas cujos donos ou associados sejam Parlamentares ou servidores. Precisamos também trabalhar a questão do corruptor e, evidentemente, trabalhar muito na educação, no jeitinho brasileiro. Eu acabei de receber um e-mail com mais de 30 observações sobre o que acontece rotineiramente, como, por exemplo, estacionar em vaga proibida; pegar recibo de médico para declaração de Imposto de Renda; o pai pedir para o filho dizer que não está em casa quando recebe um telefonema: “Não, diga que eu não estou em casa”. São essas pequenas coisas que acabam comprometendo e trazendo a corrupção e essa imoralidade. Parabéns a V.Exa. Vamos juntos. Tenho certeza de que esta Casa deverá priorizar este assunto, porque é muito importante para todos nós. O SR. PRESIDENTE (Izalci) – Antes de passar a palavra para o próximo inscrito, o Deputado Luiz Alberto, do PT da Bahia, concedo a palavra, para uma breve comunicação, ao Deputado Assis Carvalho, do PT do Piauí. O SR. ASSIS CARVALHO (PT-PI. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente Izalci, é com muita satisfação que registro, neste momento, a alegria que tivemos na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania desta Casa, ao ver o desarquivamento e a aprovação da admissibilidade da PEC 396, do nosso grande companheiro e amigo Luiz Alberto, do PT da Bahia, que aqui também está presente. Esta PEC, de que tivemos a felicidade de ser Relator, institui o serviço social de cidadania, que é uma prestação remunerada de serviços nos Municípios do interior por profissionais recém-formados, e dá um passo para resolver a carência de profissionais nas pequenas cidades. Confio na sensibilidade desta Casa para a aprovação da PEC. Estamos juntos com o Deputado Luiz Alberto, trabalhando o projeto de regulamentação. Nos- Agosto de 2011 sa ideia é que a escolha profissional seja feita mediante processo seletivo e que naturalmente essas pessoas possam ir para o interior, sendo remuneradas. Que lá elas possam inclusive, em concursos públicos ou em algumas provas de títulos, com alguma graduação ou pós-graduação, ser beneficiadas. Mas, querido Izalci, a razão principal dessa nossa luta é que fui Secretário de Saúde do meu Estado e senti a dificuldade que se tem de levar alguns profissionais para as pequenas cidades do nosso Nordeste, principalmente. Muitas vezes, uma mãe de família, grávida, do interior do Estado, meu querido Mauro Benevides, de Morro Cabeça no Tempo ou de Avelino Lopes, no Piauí, é obrigada a viajar em cima de uma caminhonete F-1000, D-20, ou de outro carro, e andar 300, 400 quilômetros, tendo o filho dentro do veículo. Se a sociedade paga, então a nossa luta é para ter profissionais em escolas públicas, meu querido Luiz Alberto, porque esta sociedade tem direito a ter esses profissionais a serviço da sua vida, a serviço da sua saúde. Nós destacamos aqui a questão específica da saúde porque é uma situação muito forte. Mas, também, em outras áreas nós percebemos a deficiência de profissionais. Portanto, meu querido Luiz Alberto, nós estamos unidos nesse projeto. Agradeço aqui a oportunidade de poder estar ombreado com V.Exa. Vamos dialogar, já amanhã, com o nosso Presidente desta Casa para que possa ser, portanto, instalada esta nossa Comissão Especial. Vamos correr o Estado, vamos correr o Nordeste, vamos correr o País para, se Deus quiser, ter esta PEC assinada. Esta PEC vai oferecer condições ao povo brasileiro, principalmente aos mais humildes, aos que moram em lugares mais distantes, e uma qualidade de vida assistida sobretudo por profissionais. As escolas públicas são financiadas, sobretudo, pelos contribuintes, pelo povo brasileiro. Por isso têm direito, sobretudo, à dignidade, à saúde e à produção. Podem ter direito ao trabalho de um engenheiro agrônomo, de um advogado, de um profissional, qualquer que seja, se assim os governantes perceberem as suas necessidades. Esta é a razão da nossa fala nesta tarde. Posso dizer que estou muito orgulhoso em poder estar na condição de Relator do projeto deste grande Deputado, o nosso querido Luiz Alberto. Nós desarquivamos, portanto, o projeto e esperamos contar com os nossos pares, contar com os Deputados desta Casa, para que, num futuro não tão distante, possamos ter este projeto aprovado. Muito obrigado, Sr. Presidente. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, temos a satisfação de anunciar que a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) desta Casa aprovou a admissibilidade da PEC 396, que trata do serviço social de cidadania, apresentada em 2009 pelo Deputado e nosso companheiro de bancada Luiz Alberto (PT-BA) e desarquivada este ano a nosso pedido. Fomos o Relator da referida Proposta de Emenda à Constituição, que institui a prestação remunerada de serviços especializados nos Municípios do interior por profissionais recém-formados. Este é um importante passo para resolver um dos grandes problemas que aflige o interior do Brasil hoje: a carência de serviços profissionais de nível superior nos pequenos Municípios. Como Secretário de Estado da Saúde do Piauí, vivemos, por exemplo, as dificuldades de encontrar médicos para trabalhar nos hospitais e postos. Os prefeitos se queixam disso cotidianamente, e o Programa Saúde da Família se ressente deste obstáculo também. A dificuldade de fixar médicos no interior se repete com diversas outras categorias, como advogados, fisioterapeutas, educadores físicos, engenheiros e tantas outras. A maioria dos jovens que deixam as cidades no interior para estudar nos maiores centros não costuma retornar depois da formatura. Prefere se estabelecer nos grandes centros, onde possa exercer sua profissão com mais estrutura e oportunidade de projeção na carreira. O resultado disso é que os pequenos Municípios ficam cada vez mais desassistidos. Mesmo que os prefeitos e governos invistam e tentem contratar, há poucos profissionais dispostos a morar nas cidades pequenas. Por isso, chegamos a esta Casa com a incumbência autoimposta de encontrar uma saída legislativa para esta questão. E verificamos que outros Parlamentares haviam apresentado projetos neste sentido, mas não tiveram êxito porque esbarraram na inexistência de previsão constitucional. Para sair deste impasse, o companheiro Luiz Alberto, em boa hora, protocolou essa PEC, que estava arquivada quando chegamos a este Parlamento. A Proposta acrescenta o art. 210-A à Constituição Federal, instituindo a prestação de serviço social remunerado por profissionais que acabaram de se formar, objetivando amenizar a carência de profissionais de nível superior no interior dos vários Estados brasileiros. Confiantes na sensibilidade desta Casa, que, esperamos, aprovará tão relevante Proposta, estamos Terça-feira 23 43737 trabalhando junto com o Deputado Luiz Alberto, evidentemente, no projeto para regulamentar todo o processo. Nossa ideia é que profissionais recém-formados possam iniciar sua carreira em Municípios onde seja difícil o acesso a serviços especializados. A escolha deverá acontecer por testes de conhecimentos. E os selecionados devem se comprometer a trabalhar em locais definidos pelo poder público. Além de ser remunerada, a experiência profissional poderá ser usada nas provas de títulos de concursos públicos, por exemplo. Mas esta, Sr. Presidente, não é nossa palavra final. Pretendemos discutir estas ideias com a sociedade, estudantes e profissionais, Ministério Público do Trabalho, prefeitos, governadores, enfim, todos que tenham interesse neste tema, e acolher as sugestões que vierem aprimorar o projeto. No final, o que esperamos é colaborar para suprir as lacunas de saúde na Atenção Básica, os pleitos de justiça e cidadania, e direcionar o interesse de recém‑formados para as demandas dos brasileiros que vivem no interior sem que estes precisem recorrer às grandes cidades, congestionando os serviços e sendo atendidos de forma precária. Pretendemos, por fim, contribuir para aproximar cada vez mais a formação acadêmica das necessidades da população. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Izalci) – Dando continuidade ao Grande Expediente, concedo a palavra ao Deputado Luiz Alberto, do PT da Bahia. O SR. LUIZ ALBERTO (PT-BA. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero agradecer ao Deputado Assis Carvalho, do Piauí, a referência a esta importante iniciativa que estamos empenhados em aprovar. Tenho certeza absoluta de que a sociedade brasileira, especialmente os mais pobres que moram no interior do País, estará atenta a essa proposta, a fim de que possamos efetivá-la, aprová-la e concretizá-la, de forma a possibilitar à nossa população o acesso às políticas públicas, principalmente as da área da saúde. Sr. Presidente Izalci, quero lamentar o triste acidente aéreo ocorrido no Rio de Janeiro com trabalhadores da indústria de petróleo. Em viagem para o local de trabalho, faleceram quatro pessoas que estavam naquele helicóptero, dois tripulantes e dois trabalhadores de uma empresa prestadora de serviços à PETROBRAS. Quero ainda, Sr. Presidente, falar sobre a última audiência pública realizada na Comissão de Minas e Energia. Tive a iniciativa, aprovada pelos companheiros da Comissão, de convidar o Presidente da PETROBRAS, o companheiro José Sérgio Gabrielli, para apresentar o plano de negócios da PETROBRAS, de 43738 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 2011 a 2015, que terá como massa de investimento cerca de 225 bilhões de dólares. Segundo o próprio José Gabrielli, esse é o maior investimento do mundo na área de petróleo no momento. O Sr. Mauro Benevides – V.Exa. me permita, Deputado Luiz Alberto? Antes de V.Exa. entrar na parte mais substancial do discurso, quero solidarizar-me com V.Exa. por aquele desastre de helicóptero que alcançou quatro servidores da PETROBRAS, ou pessoas contratadas pela PETROBRAS, que perderam a vida naquele trabalho ingente. E, com dificuldade, os corpos foram resgatados, graças ao empenho da própria direção da PETROBRAS, que quis, dessa forma, render homenagem àqueles que se dedicaram a uma tarefa extremamente delicada, chegando ao fundo do mar. Portanto, registro a nossa solidariedade àqueles que, no cumprimento do dever, deixaram a nossa convivência e demandaram a eternidade. É a solidariedade que presto àquelas quatro pessoas que faleceram no desastre do helicóptero contratado pela PETROBRAS. O SR. LUIZ ALBERTO – Obrigado, Deputado Mauro Benevides. Continuando, Sr. Presidente, cerca de 57% do volume de recursos do plano de investimentos anunciado pelo Presidente da PETROBRAS serão aplicados na exploração e na produção de petróleo. Os outros 31%, as duas maiores fatias desse investimento, ficarão a cargo da área de abastecimento, que cuida das refinarias, da distribuição de derivados do petróleo em nosso País. Ali foram divulgadas informações muito importantes. E esse volume de recursos está vinculado à grande descoberta de petróleo, a camada de pré‑sal, que tanto debate suscitou nesta Casa. Na ocasião, o Presidente Lula enviou quatro projetos de lei a esta Casa: um mudava o regime de concessão para o de partilha, criava uma empresa para gerir os negócios do pré-sal, criava também um fundo social para receber os recursos derivados da venda, da comercialização desse grande volume de petróleo e a chamada cessão onerosa para capitalizar a PETROBRAS, a fim de dispor de recursos para investir nesse grande empreendimento. Esses projetos de leis transformaram-se em lei que já estão em vigor em nosso País. Então, hoje o petróleo do pré-sal não mais está sendo concedido à iniciativa privada, como ocorria no Governo passado. Agora o regime é de partilha. Quero fazer um apelo, Sr. Presidente. Na ocasião em que o Presidente Lula enviou o projeto de lei do regime de partilha, não houve consenso em relação aos royalties. Houve um grande debate nesta Casa e aprovou-se, eu diria, de forma açodada, embora com boas intenções, proposta defendida pelo Deputado Alceu Moreira e apresentada por dois Deputado, um Agosto de 2011 deles do Grande do Sul, de quem não me lembro o nome agora, que sugeria que os recursos dos royalties de toda a produção de petróleo fossem distribuídos para todo o País. Eu também defendo este princípio. No entanto, há uma realidade concreta. Nós precisamos trabalhar a ideia de repartir os royalties de toda a produção da área do pré-sal. Defendo , inclusive, da área já concedida, que, na ocasião, ainda sob a lei de regime de concessão, a PETROBRAS e o País ainda não tinham informações do potencial do pré-sal. Então, concedeu-se no regime de concessão, foi leiloado no regime de concessão. Eu defendo então que mesmo o pré-sal concedido seja também incluído no debate dos royalties a serem distribuídos a todo o País. Tenho certeza absoluta, Sr. Presidente, de que o pré-sal é uma nova fronteira de desenvolvimento do Brasil. Com a política implementada pelo Governo, cerca de 65% dos empreendimentos na área de exploração e produção de petróleo têm que ter o conteúdo nacional. Cerca de 65% são exigidos nos editais para conteúdo nacional. Isso vai fortalecer a indústria nacional, incentivar a pesquisa, mobilizar a universidade. As empresas privadas também têm de investir na área de pesquisa, na geração de emprego e renda. A decisão do Presidente Lula, na ocasião, de passarmos a construir os equipamentos, principalmente as plataformas de petróleo, tanto de perfuração quanto de produção, em nosso País foi extremamente acertada. Hoje a indústria naval está sendo diversificada em todo o País, não está concentrada apenas no eixo Rio-São Paulo. Agora está indo para as Regiões Norte e Nordeste do Brasil. Há também a desconcentração da indústria de refiNº Vamos construir – as obras já foram iniciadas – refinaria no Maranhão, em Pernambuco, no Rio de Janeiro, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o COMPERJ. Destaco a ampliação da refinaria de Mataripe, na Bahia. Esse conjunto de ações, tenho absoluta certeza disto, vem no sentido de garantir o desenvolvimento do Brasil. Com essa nova fronteira da indústria de petróleo em nosso País, num patamar, eu diria, menos otimista, seremos talvez o quarto maior produtor de petróleo do mundo. Sr. Presidente, é uma decisão importante, acho que até histórica. Nossa preocupação, na hora do debate, era de que todos nós pudéssemos proteger o Brasil da chamada doença holandesa, de acordo com a qual a indústria do petróleo poderia desindustrializar o Brasil. Tomaram-se medidas. Criaram o Fundo Social, que determinou em quais políticas públicas seriam aplicados esses recursos, Deputado Assis Carvalho. Por exemplo, em ciência e tecnologia – de Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS modo diversificado não só para a indústria de petróleo, mas em todas as áreas –, na área ambiental, na saúde, em políticas públicas diversas, na agricultura, na educação pública. O Fundo Social terá de aplicar recursos na educação pública e, portanto, incentivar a qualidade da nossa educação. Tudo isso combinado com as políticas que a Presidenta Dilma está anunciando a cada dia, como o Brasil Maior, para fortalecer e proteger a indústria nacional, mas as empresas têm também de investir em pesquisa, inovação, ciência e tecnologia. Temos também o anúncio da Presidenta de criar mais universidades públicas federais e Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia – IFETs pelo País afora. A Bahia agora recebeu, Deputado Assis, duas novas universidades federais importantes, uma no sul e outra no oeste do Estado. Existia um vazio no que se refere ao acesso a universidades públicas de qualidade em nosso Estado. Aliás, a Bahia era campeã em falta de vagas. Havia um déficit vergonhoso de vagas por habitante. Passamos 60 anos com uma única universidade federal. Nós agora quebramos esse jejum. A Presidenta Dilma criou essas duas universidades e ampliou os campi das existentes, tanto o da Universidade Federal da Bahia quanto o da Universidade Federal do Recôncavo. Tudo isso vai contribuir com essa fronteira importante da indústria do petróleo, que é a camada do pré-sal. O Sr. Assis Carvalho – V.Exa. me permite um aparte? O SR. LUIZ ALBERTO – Pois não, Deputado Assis. O Sr. Assis Carvalho – Nobre Deputado, alegra-me muito poder ouvir V.Exa. discursar sobre esse tema, porque ele tem ganhado espaço nas duas Casas, tanto aqui como no Senado, nos últimos anos. Foi trabalhado aquele grande projeto, o Projeto Ibsen Pinheiro. Depois, houve emenda do Deputado Pedro Simon. Agora, a Frente Parlamentar na luta pela justa distribuição do pré-sal está sendo presidida por um outro gaúcho, o Deputado Alceu Moreira. Estou até vendo que tem uma concentração muito forte do Rio Grande do Sul. Então, nós do Norte e do Nordeste temos de nos incorporar a essa luta. E tem naturalmente uma proposta mediadora do Senador Wellington Dias, que procura uma saída no sentido de evitar a derrubada do veto. Caso isso não venha a acontecer, eu imagino, meu querido nobre Deputado, que nós não teríamos alternativa que não seja exatamente derrubar o veto, porque, meu caro Luiz Alberto, nós precisamos que essa riqueza seja distribuída a todos os brasileiros. Hoje foram licitados 28% desses valores. Estão previstos mais ou menos 100 bilhões de reais, e apenas 28% já foram licitados. Terça-feira 23 43739 Imagine só: 100 bilhões de reais, e o povo brasileiro não poder, de certa forma, compartilhar desse bilhete premiado, dessa grande riqueza, principalmente nas regiões menos desenvolvidas. Eu me incorporo à fala de V.Exa. porque eu acho que temos de estar focado em algumas áreas específicas, como a tecnologia e na educação, que é a nossa grande necessidade. Venho discutindo na Frente presidida pelo querido Perondi, grande gaúcho que está aqui conosco, que também tem de haver recurso para a saúde. Agora, qualquer que seja a situação, tem de haver distribuição para o País inteiro. Esses recursos não poderão ficar centralizados, meu querido Luiz Alberto, em apenas um ou dois Estados, porque não há que se dizer que há Estado produtor de um produto, de um prêmio como esse, que é do Brasil inteiro, a 300 quilômetros da costa. Obviamente não se pode dizer que isso pertencerá somente a um Estado, e não há sustentação na Constituição para isso. Então, é preciso que estejamos unidos, meu caro Deputado. E o nosso apelo é nosso sentido de que a proposta do Senador Wellington Dias seja acolhida pelo nosso Executivo. Caso não seja, não tenho dúvida: sou da base do Governo, sou do Partido dos Trabalhadores, tenho um carinho especial pelo querido Lula, mas não poderei votar contra o meu Nordeste, não votarei contra o meu Piauí. Se não houver uma proposta conciliadora, votarei pela derrubada do veto, a favor do povo brasileiro. Quero, portanto, somar-me a essa sua luta, porque eu conheço o seu esforço para que tenhamos essa riqueza distribuída pelo Brasil inteiro. Parabéns, Deputado, por fazer um debate tão oportuno como esse que V.Exa. faz neste momento. O SR. LUIZ ALBERTO – Obrigado, Deputado Assis. Eu concordo com V.Exa. Acredito que nós tenhamos condições objetivas de chegar a um acordo em relação aos royalties, até porque, Deputado Assis, se nós não chegarmos a um acordo, isso vai prejudicar inclusive o processo de início da produção em larga escala do pré-sal, porque como ele vai produzir se não houver uma legislação que estabeleça pelo menos qual é o percentual dos royalties que as empresas irão pagar para a União, para os Estados e para os Municípios? Eu acredito que nós chegaremos a um acordo. A proposta do Senador Wellington Dias é importante para o debate. Eu defendi, em uma audiência pública na Comissão de Minas e Energia, que se incorporem a esse debate os 28% do pré-sal concedidos, porque nós estamos discutindo pré-sal. Acho, inclusive, que os conceitos têm dificultado o nosso debate e o nosso acordo. Quando se fala em Estado produtor, no caso do pré-sal, esse conceito não se aplica. Ele está a 300 quilômetros da costa, em mar territorial que pertence 43740 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS à União, e não ao Estado do Rio, ao Estado de São Paulo ou ao Espírito Santo, a nenhum Estado. Portanto, é lógico, é legítimo que esse debate se dê nesse sentido de que a riqueza produzida ali... Tanto é assim que o regime de partilha que foi aprovado encerra esse conceito: pertence à União. Então, os royalties também devem ter esse caminho. Teremos de chegar a um acordo urgentemente, senão esse plano de negócios que a PETROBRAS anunciou aqui, em grande parte, também vai depender da decisão do Congresso Nacional em apoiar, em chegar a um acordo em relação aos royalties que serão distribuídos para o nosso País. Eu só quero chamar a atenção, Srs. Deputados, Sr. Presidente Izalci, para o fato de que o Brasil, hoje, detém, na camada de pós-sal, uma reserva provada de petróleo de 14 bilhões de barris. Com a descoberta do pré-sal, os técnicos anunciam que ela poderá ir de 90 bilhões a 300 bilhões de barris, isso depois de delimitar todas as reservas e, talvez, as novas descobertas em outras fronteiras. Espero que a Bahia, que também tem um mar territorial semelhante ao do Rio de Janeiro, possa contribuir para este País com a camada de pré-sal. O Brasil, em uma projeção bem modesta, segundo o Presidente da PETROBRAS, poderá ser o quarto maior produtor de petróleo do mundo, indo talvez além disso. Mas nós precisamos acelerar isso. Os investimentos estão aí. Segundo ele, não faltam recursos, não falta tecnologia. Há um gargalo – e eu citei aqui as decisões importantes da Presidenta Dilma Rousseff –, que é mão de obra qualificada. Todos os Estados do Nordeste, além do Sul e do Sudeste, vão esbarrar nesse gargalo. Portanto, é fundamental acelerar a construção dos IFETs, que vão preparar tecnólogos, técnicos em diversas áreas da indústria de petróleo e outras, porque a cadeia produtiva mobiliza vários setores, não só aqueles diretamente envolvidos na exploração, na produção e no refino de petróleo; é uma cadeia imensa. Portanto, é importante acelerar isso. As universidades federais e as universidades estaduais também devem estar mobilizadas para fazer parte desse esforço nacional, para que o Brasil possa utilizar essa grande riqueza para se desenvolver, para incluir milhões de pessoas que vivem na miséria. Por fim, Sr. Presidente, quero também registrar, com muita alegria, algo que não tem a ver necessariamente com o meu discurso central: o anúncio, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, de um edital para contratar mão de obra, empresas e ONGs para acelerar o processo de delimitação das terras das comunidades quilombolas neste País, o que Agosto de 2011 era uma dificuldade imensa, porque o INCRA não tinha técnicos suficientes para isso. A Presidenta Dilma liberou esse processo, e agora eu tenho certeza absoluta de que irá acelerar a delimitação desses territórios das comunidades quilombolas. E outro assunto que também me alegrou muito, Sr. Presidente, é que o Programa Minha Casa, Minha Vida irá construir cerca de 60 mil habitações para as comunidades tradicionais do nosso País: comunidades de pescadores artesanais e de marisqueiras, o que existe muito no Nordeste. Por fim, quero dizer que participei de dois atos importantes neste final de semana no meu Estado: um deles foi a filiação ao Partido dos Trabalhadores, no domingo, de uma mulher por quem o Presidente Lula tem uma admiração impressionante. O Presidente dizia que ela não era do PT, mas a sua história, a sua vida, as suas características, era como se ela não tivesse sido do PT antes, mas já defendia a história do Partido dos Trabalhadores: a Prefeita Domingas da Paixão, lá do Município de Governador Mangabeira. Registro ainda que o meu Município fica no Recôncavo da Bahia, ali em torno da Bahia de Todos os Santos. Trata-se de um Município pequeno, mas que recebeu agora o título de Cidade Cultural. É uma cidade que fica num corredor cultural que ajudou muito, contribuiu muito com a luta pela libertação do Brasil, que é ali em Santo Amaro da Purificação, Cachoeira, São Félix e Maragogipe. Esse Município vivia sempre nas páginas policiais porque os seus gestores eram considerados uma espécie de quadrilha que se utilizava o recurso público para se beneficiar. E assim a cidade vivia à míngua, com a população empobrecida de forma absurda e vergonhosa. Em 2004, na disputa eleitoral, nós ganhamos a eleição com o Prefeito Sílvio Ataliba. E agora aquele Município nunca viu tanto investimento como está sendo feito neste momento, nunca viu. Os órgãos de pesquisa do Governo do Estado, inclusive, preveem: o Município, que hoje tem 47 mil habitantes, daqui a 5 anos poderá chegar a 90 mil, pelo volume de investimentos que está sendo feito. Recentemente, o Governo da Bahia assinou convênio com a Universidade Federal da Bahia, com a PETROBRAS e com a Universidade Católica do Rio de Janeiro, para fazer o planejamento estratégico daquele Município, a fim de que não vire uma grande favela. Sr. Presidente, a Oposição, tanto no interior da Bahia quanto em âmbito nacional, perdeu o rumo, não tem projeto. Deputado Assis, ela quer ganhar o poder no tapetão. Utilizou-se de argumento absolutamente falso e utilizou-se inclusive do Ministério Público. O Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Prefeito assinou um Termo de Ajuste de Conduta com o Ministério Público do Trabalho. A promotora local induziu o Judiciário local a afastar o Prefeito por não ter cumprido o Termo de Ajuste de Conduta – TAC. Felizmente, o Tribunal de Justiça da Bahia, numa atitude de reconhecimento do erro cometido pelo Judiciário local, reconduziu o Prefeito Silvio Ataliba à Prefeitura de Maragogipe. A Oposição não esperava por isso. O Prefeito foi esperado com festa pela população daquele Município, em que pese todo o aparato da mídia local e do Estado, inclusive, para tentar classificar o afastamento do Prefeito Silvio Ataliba como resultado de ato de corrupção. Isso não foi comprovado no Judiciário. A promotora induziu o Judiciário local a afastar o Prefeito por 90 dias. Houve, portanto, decisão que recolocou no devido lugar o Prefeito, eleito pela vontade popular. Nós fizemos uma grande festa. Ele voltou ao seu lugar. Hoje a população está satisfeita. Aliás, Deputado Assis, o Prefeito voltou no momento mais significativo, até porque a Oposição tentou manipular. Neste mês de agosto será realizada uma tradicional festa naquele Município, com grande mobilização popular. Ontem, aquele Município de 47 mil habitantes recebeu a visita de 100 mil pessoas para participar desse evento. E, naquele momento, a Oposição, achando que esses fatos fossem desgastar a imagem do Prefeito, manipulou para que ele fosse afastado do cargo exatamente no momento mais importante do ponto de vista da tradição cultural da administração municipal. E foi na véspera desse evento que o Judiciário determinou o retorno do Prefeito Silvio Ataliba, que foi calorosamente festejado pela população. Sr. Presidente, quero aqui deixar registrados esses fatos, a fim de que, no caso do pré-sal, que o Brasil tome consciência da importância de se cruzar a fronteira de país muito desenvolvido, com crescimento econômico e justiça social. No caso das comunidades quilombolas, o INCRA contratará agora empresas, o que é uma boa notícia, porque ali também havia um gargalo que não se conseguia resolver. Na verdade, quando a Fundação Palmares reconhecia a comunidade, começava o conflito, e o INCRA ficava amarrado, sem ter condições objetivas de ter quadros técnicos para viabilizar a delimitação e a titulação dessas terras. Por último, registro notícia também importante sobre as habitações que serão construídas pelo Programa Minha Casa, Minha Vida para as comunidades tradicionais do nosso País. Muito obrigado, Sr. Presidente. Terça-feira 23 43741 O SR. PRESIDENTE (Izalci) – Parabenizo V.Exa., Deputado Luiz Alberto, pelo pronunciamento sobre temas relevantes que devemos discutir nesta Casa com relação à educação, à ciência e tecnologia e ao pré-sal, um tema que ainda vamos debater bastante. O SR. PRESIDENTE (Izalci) – Encerrando o Grande Expediente, antes de chamar o Líder para falar pela Liderança do PMDB, concedo a palavra ao Deputado Reguffe, do Distrito Federal. O SR. REGUFFE (PDT-DF. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, quero apenas prestar solidariedade a um grupo de músicos que estão sendo impedidos de exercer as suas profissões por não concordarem com a filiação à Ordem dos Músicos do Brasil – OMB. Eu sou contra o fato de que alguém, para exercer a música, algo tão importante, que diverte e ajuda a socializar as pessoas, tenha que se filiar a uma entidade. Ninguém pode ser obrigado a se filiar a uma entidade se nela não acredita. Sou favorável à livre escolha, e considero isso algo muito grave. Quero prestar minha solidariedade ao Engels Espíritos e a outros músicos que criaram o Movimento pela Valorização do Músico, que estão sendo vítimas de extorsão. Quem gostar da entidade, quem nela acreditar, que se filie, mas quem não quiser se filiar pode ter também o direito de exercer sua atividade. Eles estão sendo verdadeiramente extorquidos, tendo que pagar uma anuidade de 150 reais e mais 285 reais para tirarem a carteira se quiserem exercer a sua profissão, que é a música, que tão bem fazem. Deixo, portanto, registrada a minha solidariedade a esse grupo de músicos que se levantaram contra isso. O SR. PRESIDENTE (Izalci) – Concedo a palavra ao nobre Deputado Darcísio Perondi, para uma Comunicação de Liderança, pelo PMDB, por 9 minutos. O SR. DARCÍSIO PERONDI (PMDB-RS. Como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é com alegria que venho a este microfone em nome da Liderança do PMDB. Quero primeiro dizer que a bancada federal do PMDB votará o PRONATEC. Quero cumprimentar a Presidenta Dilma, que mandou para esta Casa, em urgência constitucional, projeto de tamanha envergadura, montado de forma simples, mas muito robusto, com um sistema de bolsa de estudos para os alunos e também para os professores. Um dos gargalos da educação brasileira reside no ensino médio. Primeiro, temos a educação fundamental. Nós temos praticamente todas as nossas crianças no ensino fundamental – a universalização do ensino fundamental –, e, apesar de muitas desistirem, foi um projeto audacioso do Governo Fernando Henrique Car- 43742 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS doso, que o Presidente Lula fortemente incentivou. E ficou esse gargalo, que é o ensino médio. Nós temos mais da metade dos jovens de 15 a 25 anos fora do ensino médio. Muitos entram, mas a maioria desiste. Isso ocorre no Brasil. Lá no Sul do País, no meu Estado, o Rio Grande do Sul, isso acontece, mas é quase nada. Na média brasileira os jovens estão fora do ensino médio, e acabam também o ensino médio sem uma profissão. O PRONATEC é um programa agressivo, forte, e já tem dois Relatores: o Deputado Alex Canziani, do Paraná, e, nas Comissões de Educação e de Trabalho, o Deputado Sandro Alex, do PMDB. Então, o PMDB vai apoiar o programa. Até discuto com o movimento da saúde, com os Deputados que lutam pela saúde, que nós devemos acelerar, apoiar, não obstruir a pauta antes da Emenda 29, em face do PRONATEC, que é fundamental. O Deputado do PMDB Gastão Vieira tem que passar a sua experiência na educação. Outros Deputados e o nosso Relator estão melhorando o projeto. É preciso treinar mais professores. Um dos gargalos são os professores no ensino técnico. Então, é um grande projeto. Parabéns, Presidenta Dilma! A bancada do PMDB votará 100% no PRONATEC. De outro lado, o meu discurso tem sido incisivo no sentido de que são necessários mais recursos para o sistema de saúde. Na quarta-feira, dia 24, todos os Deputados que lutam pela saúde estão convidados a comparecer na Comissão de Seguridade Social, onde ocorrerá mobilização nacional de mais de 100 entidades, direta e indiretamente envolvidas com a saúde. A Comissão de Seguridade não analisará nenhum projeto, a não ser o projeto da Emenda 29, após essa grande mobilização, Deputado Assis, grande Secretário do Piauí, do PT, que está conosco. Será uma grande discussão. O Deputado Saraiva Felipe, o nosso Presidente da Comissão de Seguridade, também do PMDB, está convidando dezenas de estudiosos na área da saúde. Será um grande encontro, haverá uma grande mobilização. Começará às 10 horas, sem hora para terminar, para mostrar que é preciso mais recursos – é óbvio, com eficiência. Na quarta-feira passada foi realizado o Congresso Nacional dos Hospitais Religiosos, Filantrópicos e Santas Casas do Brasil, por sinal, o melhor de todos, com quase mil participantes. E preciso registrar a participação do Ministério da Saúde, primeiro, do Ministro Padilha, na terça-feira à noite, quando da abertura do Congresso, que lá ficou com mais de 1.200 participantes inscritos, teve paciência, ouviu, palestrou e trouxe não apenas boas novidades. Na quarta e na quinta-feira, a área técnica do Ministério, Dr. Helvécio, Dra. Agosto de 2011 Cleuza, Dra. Alzira, Dr. Edson, trabalhou com os administradores, com os Presidentes dos Hospitais de Caridade e com os provedores. Com essa atitude, o Ministério mostrou que acredita no voluntariado na área da saúde, que acredita nas Santas Casas como um todo. Parabéns ao Ministro Padilha, parabéns a toda a equipe, que continua trabalhando! E mais, o Ministro fez confirmação de fé que acredita na filantropia. Assinou portaria que regulamenta a Lei da Filantropia na área de educação, da saúde e da assistência social. No caso da portaria da área da saúde, para as Santas Casas terem isenção de tributos ao certificado de filantropia, precisariam no mínimo atender a 60% de SUS na área da internação. Nós trabalhamos, o Ministério foi inteligente, o Ministro foi firme, e foi incluída agora a área ambulatorial, com o máximo de 10%. E não ficou só na internação, mas também no ambulatório. Foram incluídas outras medidas que um hospital de caridade, um hospital filantrópico – hoje são mais de 2.100 no País –, pode ajudar na área da prevenção e do ensino relacionado à saúde. E mais, o Ministro fez um gesto: destinou, ainda no primeiro semestre, 100 milhões de reais para aumentar o incentivo aos hospitais que assinaram a contratualização, o que começou com uma ideia do Ministro Humberto Costa, passou pelo Agenor, pelo Ministro Saraiva e pelo Temporão. Centenas e centenas de hospitais contratualizaram com o Ministério da Saúde. É preciso rever o contrato, sim. Eles contratualizaram com incentivo, e o Ministro deu mais 100 milhões, que vão aumentar em 50%. Um hospital que tem um incentivo de 50 mil por mês terá em torno de 70 ou 75 mil. Isso é altamente positivo. E para o ano que vem colocou mais 200 milhões de reais. O Ministro não pôde aumentar tabela – há dificuldade de orçamento. Por isso, nós lutamos, mas nessa área os Deputados do setor encaminharam à Confederação das Santas Casas, e ele analisou com cuidado e atenção, ouviu e atendeu. Em menos de 6 meses, ele atendeu, dando esse incentivo. Ele falou também dos grandes programas do Ministério da Saúde no Governo Dilma: a Rede de Urgência e Emergência, que é um grande programa de atendimento ao usuário do SUS. Ele falou do reforço ao Programa de Oncologia e da Rede Cegonha, de atendimento materno-infantil. Falou também da oportunidade de o Ministério abrir esses programas para os hospitais. O setor precisa de reajuste. Eu disse isto na quinta-feira: de cada 100 reais, o Ministério paga 60 de custeio. Não há empresa que resista. Por isso as Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Santas Casas, apesar de serem as maiores parceiras do SUS, fecham. Há quem defenda 100% o SUS, mas isso quebra o SUS, as Santas Casas fecham, aí o caos se instala. Aí, sim, Deputado Assis, vem o apocalipse no SUS, o que eu não defendo. Eu acho que o SUS não está no caos. Ele precisa melhorar, precisa de mais recursos e precisa de mais gestão também, mas 100% do SUS não dá! Aí as Santas Casas fecham mesmo! Nesses quatro grandes programas há oportunidades para os hospitais filantrópicos, hospitais de porte médio e grande. Então, o que nós recomendamos? Que os hospitais mergulhem nesses programas e aumentem suas parcerias com o SUS, com o Ministério da Saúde. Assim, poderão aumentar um pouco mais as suas receitas para enfrentar os seus prejuízos. É importante registrar que o Ministério da Saúde foi extraordinário no Congresso das Santas Casas. Então, muito obrigado, Sr. Ministro. A sua presença foi muito importante. Muito obrigado, Sr. Ministro e toda sua equipe. Os participantes do Congresso saíram de lá animados e viram que V.Exa. reconhece a importância imprescindível, indispensável, do Governo brasileiro em relação ao voluntariado na área da saúde. Um abraço. O SR. PRESIDENTE (Assis Carvalho) – Nobre Deputado Perondi, parabéns, mais uma vez, pela sua luta pelo fortalecimento do SUS e da saúde. Durante o discurso do Sr. Darcísio Perondi, o Sr. Izalci, § 2° do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Assis Carvalho, § 2° do art. 18 do Regimento Interno. O SR. PRESIDENTE (Assis Carvalho) – Apresentação de proposições. PROPOSIÇÕES APRESENTADAS REQUERIMENTO DE INFORMAÇÃO Nº 1018, DE 2011 (Do Sr. Izalci) Solicita informações ao Ministro da Cultura sobre convênio realizado com a Pasta. Senhor Presidente, Com fundamento no art. 50, § 2º, da Carta da República e do art. 226, II cumulado com o art. 115 e 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, venho requerer a Vossa Excelência, ouvida a Mesa, que sejam solicitadas informações ao Ministro da Cultura, sobre a situação do convênio abaixo especificado, respondendo os questionamentos abaixo e remetendo a esta Casa, juntamente com os seguintes documentos: Terça-feira 23 43743 – Cópia do Convênio; – Nome, CPF e endereço do executor do Convênio; – Cópia da prestação de contas, informando se houve o cumprimento das ações propostas no Convênio, quantificando, inclusive, os beneficiários se for o caso. Órgão Superior: Ministério da Cultura Concedente: Secretaria de Fomento e Incentivo a Cultura – FNC Convenente: Associação Cultural São Saruê Nº original: 00466/2010 Nº do convênio: 748378 Valor do convênio: R$ 120.000,00 Reiterando os votos de apreço e consideração, aguardo o deferimento do presente requerimento de informação. Sala das Sessões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Izalci. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES Nº 1019, DE 2011 (Do Sr. Izalci) Solicita informações à Presidente da República sobre convênio realizado com a Pasta. Senhor Presidente, Com fundamento no art. 50, § 2º, da Carta da República e do art. 226, II cumulado com o art. 115 e 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, venho requerer a Vossa Excelência, ouvida a Mesa, que sejam solicitadas informações à Presidente da República sobre a situação do convênio abaixo especificado, respondendo os questionamentos abaixo e remetendo a esta Casa, juntamente com os seguintes documentos: – Cópia do Convênio; – Nome, CPF e endereço do executor do Convênio; – Cópia da prestação de contas, informando se houve o cumprimento das ações propostas no Convênio, quantificando, inclusive, os beneficiários se for o caso. Órgão Superior: Presidência da República Concedente: Secretaria de Direitos Humanos/PR Convenente: Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do DF Nº original: 158/2005 Nº do convênio: 297545 Valor do convênio: 2.855.510,91 43744 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Reiterando os votos de apreço e consideração, aguardo o deferimento do presente requerimento de informação. Sala das Sessões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Izalci. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES Nº 1020, DE 2011 (Do Sr. Izalci) Solicita informações ao Ministro do Desenvolvimento Agrário sobre convênio realizado com a Pasta. Senhor Presidente, Com fundamento no art. 50, § 2º, da Carta da República e do art. 226, II cumulado com o art. 115 e 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, venho requerer a Vossa Excelência, ouvida a Mesa, que sejam solicitadas informações ao Ministro do Desenvolvimento Agrário, sobre a situação do convênio abaixo especificado, respondendo os questionamentos abaixo e remetendo a esta Casa, juntamente com os seguintes documentos: – Cópia do Convênio; – Nome, CPF e endereço do executor do Convênio; – Cópia da prestação de contas, informando se houve o cumprimento das ações propostas no Convênio, quantificando, inclusive, os beneficiários se for o caso. Órgão Superior: Ministério do Desenvolvimento Agrário Concedente: Ministério do Desenvolvimento Agrário – CEF Convenente: Governo do Distrito Federal Nº original: CR.NR.0166465-11 Nº do convênio: 515690 Valor do convênio: 4.000.000,00 Reiterando os votos de apreço e consideração, aguardo o deferimento do presente requerimento de informação. Sala das Sessões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Izalci. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES Nº 1021, DE 2011 (Do Sr. Izalci) Solicita informações à Presidente da República sobre convênio realizado com a Pasta. Senhor Presidente, Com fundamento no art. 50, § 2º, da Carta da República e do art. 226, II cumulado com o art. 115 e Agosto de 2011 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, venho requerer a Vossa Excelência, ouvida a Mesa, que sejam solicitadas informações à Presidente da República sobre a situação do convênio abaixo especificado, respondendo os questionamentos abaixo e remetendo a esta Casa, juntamente com os seguintes documentos: – Cópia do Convênio; – Nome, CPF e endereço do executor do Convênio; – Cópia da prestação de contas, informando se houve o cumprimento das ações propostas no Convênio, quantificando, inclusive, os beneficiários se for o caso. Órgão Superior: Presidência da República Concedente: Secretaria de Direitos Humanos/PR Convenente: Centro Popular de Formação da Juventude Nº original: 20001657200700225 Nº do convênio: 599682 Valor do convênio: 827.761,13 Reiterando os votos de apreço e consideração, aguardo o deferimento do presente requerimento de informação. Sala das Sessões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Izalci. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES Nº 1022, DE 2011 (Do Sr. Izalci) Solicita informações ao Ministro do Esporte sobre convênio realizado com a Pasta. Senhor Presidente, Com fundamento no art. 50, § 2º, da Carta da República e do art. 226, II cumulado com o art. 115 e 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, venho requerer a Vossa Excelência, ouvida a Mesa, que sejam solicitadas informações ao Ministro do Esporte sobre a situação do convênio abaixo especificado, respondendo os questionamentos abaixo e remetendo a esta Casa, juntamente com os seguintes documentos: – Cópia do Convênio; – Nome, CPF e endereço do executor do Convênio; – Cópia da prestação de contas, informando se houve o cumprimento das ações propostas no Convênio, quantificando, inclusive, os beneficiários se for o caso. Órgão Superior: Ministério do Esporte Concedente: Subsecretaria de Planejamento Orçam. e Administração Convenente: Instituto Pró-Ação Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº original: 18000257200800115 Nº do convênio: 633960 Valor do convênio: 6.553.500,00 Reiterando os votos de apreço e consideração, aguardo o deferimento do presente requerimento de informação. Sala das Sessões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Izalci. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES Nº 1023, DE 2011 (Do Sr. Izalci) Solicita informações ao Ministro da Justiça sobre convênio realizado com a Pasta. Senhor Presidente, Com fundamento no art. 50, § 2º, da Carta da República e do art. 226, II cumulado com o art. 115 e 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, venho requerer a Vossa Excelência, ouvida a Mesa, que sejam solicitadas informações ao Ministro da Justiça sobre a situação do convênio abaixo especificado, respondendo os questionamentos abaixo e remetendo a esta Casa, juntamente com os seguintes documentos: – Cópia do Convênio; – Nome, CPF e endereço do executor do Convênio; – Cópia da prestação de contas, informando se houve o cumprimento das ações propostas no Convênio, quantificando, inclusive, os beneficiários se for o caso. Órgão Superior: Ministério da Justiça Concedente: Coordenação Geral de Logística – CGL Convenente: Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do DF Nº original: 20000557200800025 Nº do convênio: 627034 Valor do convênio: 559.366,85 Reiterando os votos de apreço e consideração, aguardo o deferimento do presente requerimento de informação. Sala das Sessões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Izalci. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES Nº 1024, DE 2011 (Do Sr. Izalci) Solicita informações ao Ministro da Justiça sobre convênio realizado com a Pasta. Terça-feira 23 43745 Senhor Presidente, Com fundamento no art. 50, § 2º, da Carta da República e do art. 226, II cumulado com o art. 115 e 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, venho requerer a Vossa Excelência, ouvida a Mesa, que sejam solicitadas informações ao Ministro da Justiça sobre a situação do convênio abaixo especificado, respondendo os questionamentos abaixo e remetendo a esta Casa, juntamente com os seguintes documentos: – Cópia do Convênio; – Nome, CPF e endereço do executor do Convênio; – Cópia da prestação de contas, informando se houve o cumprimento das ações propostas no Convênio, quantificando, inclusive, os beneficiários se for o caso. Órgão Superior: Ministério da Justiça Concedente: Coordenação Geral de Logística – CGL Convenente: SABER – Soluções Eficazes e Criativas em Políticas Públicas Nº original: 20033059200900001 Nº do convênio: 643751 Valor do convênio: 1.399.098,28 Reiterando os votos de apreço e consideração, aguardo o deferimento do presente requerimento de informação. Sala das Sessões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Izalci. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES Nº 1025, DE 2011 (Do Sr. Izalci) Solicita informações ao Ministro da Saúde sobre convênio realizado com a Pasta. Senhor Presidente, Com fundamento no art. 50, § 2º, da Carta da República e do art. 226, II cumulado com o art. 115 e 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, venho requerer a Vossa Excelência, ouvida a Mesa, que sejam solicitadas informações ao Ministro da Saúde sobre a situação do convênio abaixo especificado, respondendo os questionamentos abaixo e remetendo a esta Casa, juntamente com os seguintes documentos: – Cópia do Convênio; – Nome, CPF e endereço do executor do Convênio; – Cópia da prestação de contas, informando se houve o cumprimento das ações propostas no Convênio, quantificando, inclusive, os beneficiários se for o caso. Órgão Superior: Ministro da Saúde 43746 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Concedente: CEF – Programas do Ministério da Saúde Convenente: Secretaria de Saúde do DF Nº original: Nº do convênio: 642860 Valor do convênio: 1.500.000,00 Reiterando os votos de apreço e consideração, aguardo o deferimento do presente requerimento de informação. Sala das Sessões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Izalci. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES Nº 1026 , DE 2011 (Do Sr. Izalci) Solicita informações ao Ministro do Esporte sobre convênio realizado com a Pasta. Senhor Presidente, Com fundamento no art. 50, § 2º, da Carta da República e do art. 226, II cumulado com o art. 115 e 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, venho requerer a Vossa Excelência, ouvida a Mesa, que sejam solicitadas informações ao Ministro do Esporte sobre a situação do convênio abaixo especificado, respondendo os questionamentos abaixo e remetendo a esta Casa, juntamente com os seguintes documentos: – Cópia do Convênio; – Nome, CPF e endereço do executor do Convênio; – Cópia da prestação de contas, informando se houve o cumprimento das ações propostas no Convênio, quantificando, inclusive, os beneficiários se for o caso. Órgão Superior: Ministério do Esporte Concedente: Subsecretaria de Planejamento Orçam. e Administração Convenente: CIEC – Centro de Integração Esporte e Cultura Nº original: 51059/2009 Nº do convênio: 714043 Valor do convênio: 11.100,00 Reiterando os votos de apreço e consideração, aguardo o deferimento do presente requerimento de informação. Sala das Sessões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Izalci. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES Nº 1027, DE 2011 (Do Sr. Izalci) Solicita informações ao Ministro do Esporte sobre convênio realizado com a Pasta. Agosto de 2011 Senhor Presidente, Com fundamento no art. 50, § 2º, da Carta da República e do art. 226, II cumulado com o art. 115 e 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, venho requerer a Vossa Excelência, ouvida a Mesa, que sejam solicitadas informações ao Ministro do Esporte sobre a situação do convênio abaixo especificado, respondendo os questionamentos abaixo e remetendo a esta Casa, juntamente com os seguintes documentos: – Cópia do Convênio; – Nome, CPF e endereço do executor do Convênio; – Cópia da prestação de contas, informando se houve o cumprimento das ações propostas no Convênio, quantificando, inclusive, os beneficiários se for o caso. Órgão Superior: Ministério do Esporte Concedente: Subsecretaria de Planejamento Orçam. e Administração Convenente: Instituto Comunidade Participativa ICP Nº original: 49518/2009 Nº do convênio: 714012 Valor do convênio: 485.710,00 Reiterando os votos de apreço e consideração, aguardo o deferimento do presente requerimento de informação. Sala das Sessões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Izalci. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES Nº 1028, DE 2011 (Do Sr. Izalci) Solicita informações ao Ministro do Desenvolvimento Social e Combate a Fome sobre convênio realizado com a Pasta. Senhor Presidente, Com fundamento no art. 50, § 2º, da Carta da República e do art. 226, II cumulado com o art. 115 e 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, venho requerer a Vossa Excelência, ouvida a Mesa, que sejam solicitadas informações ao Ministro do Desenvolvimento Social e Combate a Fome sobre a situação do convênio abaixo especificado, respondendo os questionamentos abaixo e remetendo a esta Casa, juntamente com os seguintes documentos: – Cópia do Convênio; – Nome, CPF e endereço do executor do Convênio; – Cópia da prestação de contas, informando se houve o cumprimento das ações Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS propostas no Convênio, quantificando, inclusive, os beneficiários se for o caso. Órgão Superior: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome Concedente: Projeto de Operacionalização dos Programas SESAN Convenente: GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL Nº original: 49742/2009 Nº do convênio: 705746 Valor do convênio: 1.400.000,00 Reiterando os votos de apreço e consideração, aguardo o deferimento do presente requerimento de informação. Sala das Sessões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Izalci. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES Nº 1029 , DE 2011 (Do Sr. Izalci) Solicita informações ao Ministro do Desenvolvimento Social e Combate a Fome sobre convênio realizado com a Pasta. Senhor Presidente, Com fundamento no art. 50, § 2º, da Carta da República e do art. 226, II cumulado com o art. 115 e 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, venho requerer a Vossa Excelência, ouvida a Mesa, que sejam solicitadas informações ao Ministro do Desenvolvimento Social e Combate a Fome sobre a situação do convênio abaixo especificado, respondendo os questionamentos abaixo e remetendo a esta Casa, juntamente com os seguintes documentos: – Cópia do Convênio; – Nome, CPF e endereço do executor do Convênio; – Cópia da prestação de contas, informando se houve o cumprimento das ações propostas no Convênio, quantificando, inclusive, os beneficiários se for o caso. Órgão Superior: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome Concedente: Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional Convenente: GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL Nº original: 00018/2009 Nº do convênio: 704972 Valor do convênio: 99.950,82 Reiterando os votos de apreço e consideração, aguardo o deferimento do presente requerimento de informação. Terça-feira 23 43747 Sala das Sessões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Izalci. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES Nº 1030 , DE 2011 (Do Sr. Izalci) Solicita informações ao Ministro do Planejamento e Gestão sobre convênio realizado com a Pasta. Senhor Presidente, Com fundamento no art. 50, § 2º, da Carta da República e do art. 226, II cumulado com o art. 115 e 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, venho requerer a Vossa Excelência, ouvida a Mesa, que sejam solicitadas informações ao Ministro do Planejamento e Gestão sobre a situação do convênio abaixo especificado, respondendo os questionamentos abaixo e remetendo a esta Casa, juntamente com os seguintes documentos: – Cópia do Convênio; – Nome, CPF e endereço do executor do Convênio; – Cópia da prestação de contas, informando se houve o cumprimento das ações propostas no Convênio, quantificando, inclusive, os beneficiários, se for o caso. Órgão Superior: Ministério do Planejamento e Gestão Concedente: Caixa Econômica Federal/PNAGE Convenente: Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão Nº original: CR.NR.03PNAGE-07 Nº do convênio: 650663 Valor do convênio: 2.825.276,99 Reiterando os votos de apreço e consideração, aguardo o deferimento do presente requerimento de informação. Sala das Sessões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Izalci. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES Nº 1031, DE 2011 (Do Sr. Izalci) Solicita informações ao Ministro do Desenvolvimento Agrário sobre convênio realizado com a Pasta. Senhor Presidente, Com fundamento no art. 50, § 2º, da Carta da República e do art. 226, II cumulado com o art. 115 e 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, venho requerer a Vossa Excelência, ouvida a Mesa, que sejam solicitadas informações ao Ministro do De- 43748 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS senvolvimento Agrário, sobre a situação do convênio abaixo especificado, respondendo os questionamentos abaixo e remetendo a esta Casa, juntamente com os seguintes documentos: – Cópia do Convênio; – Nome, CPF e endereço do executor do Convênio; – Cópia da prestação de contas, informando se houve o cumprimento das ações propostas no Convênio, quantificando, inclusive, os beneficiários se for o caso. Órgão Superior: Ministério do Desenvolvimento Agrário Concedente: Ministério do Desenvolvimento Agrário – CEF Convenente: Governo do Distrito Federal Nº original: CR.NR.0279130-56 Nº do convênio: 644363 Valor do convênio: 287.000,00 Reiterando os votos de apreço e consideração, aguardo o deferimento do presente requerimento de informação. Sala das Sessões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Izalci. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES Nº 1.032, DE 2011 (Do Sr. Izalci) Solicita informações ao Ministro da Saúde sobre convênio realizado com a Pasta. Senhor Presidente, Com fundamento no art. 50, § 2º, da Carta da República e do art. 226, II cumulado com o art. 115 e 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, venho requerer a Vossa Excelência, ouvida a Mesa, que sejam solicitadas informações ao Ministro da Saúde sobre a situação do convênio abaixo especificado, respondendo os questionamentos abaixo e remetendo a esta Casa, juntamente com os seguintes documentos: – Cópia do Convênio; – Nome, CPF e endereço do executor do Convênio; – Cópia da prestação de contas, informando se houve o cumprimento das ações propostas no Convênio, quantificando, inclusive, os beneficiários se for o caso. Órgão Superior: Ministro da Saúde Concedente: Diretoria Executiva do Fundo Nacional de Saúde Convenente: Secretaria de Saúde do DF Nº original: Nº do convênio: 644064 Valor do convênio: 100.000,00 Agosto de 2011 Reiterando os votos de apreço e consideração, aguardo o deferimento do presente requerimento de informação. Sala das Sessões, 22 de agosto de 2011. – Deputado Izalci. O SR. PRESIDENTE (Assis Carvalho) – Vai-se passar ao horário de VI – COMUNICAÇÕES PARLAMENTARES Tem a palavra o Sr. Deputado Izalci, que falará pelo Bloco Parlamentar PR/PTdoB/PRTB/PRP/PHS/ PTC/PSL. E S.Exa. dispõe de 6 minutos para uma Comunicação de Liderança. O SR. IZALCI (Bloco/PR-DF e como Líder. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, venho aqui reforçar a minha fala anterior com relação ao Programa Bolsa Universitária, que lançamos em 2008 e que permite que o aluno que não tem condição de pagar uma universidade receba a bolsa integral e, em contrapartida, dedique 4 horas de seu tempo no auxílio à educação integral, no reforço escolar, nas atividades esportivas e culturais, principalmente com relação ao reforço, que vai evidentemente reduzir a evasão e a repetência. Esse Programa foi muito criticado agora no início deste Governo e estava, realmente, em fase de extinção. Para minha alegria, como eu disse aqui, no final da semana, na sexta-feira, recebi em meu gabinete alguns alunos reivindicando que entrassem no Programa. Para minha surpresa, quando verifiquei, vi que o Programa foi lançado no Diário Oficial do dia 12, com encerramento no dia 18, com apenas 6 dias para as inscrições. Infelizmente, quem lançou o edital não teve o cuidado de ler a lei aprovada pela Câmara dos Deputados, que trata do assunto, e também a Lei nº 8.666, que diz que todo edital tem que ter no mínimo 30 dias de antecedência. Não se pode lançar um edital com uma semana. Então, a ideia do retorno das atividades do Programa Bolsa Universitária é meritório, importantíssimo – e lutei muito por isso –, mas não se pode fazer um edital em apenas uma semana. O mais grave ainda é que muitas outras faculdades – em Brasília, há mais de 30, 40 faculdades – não tiveram oportunidade de se candidatar para também oferecer vagas. Foram colocadas apenas cinco faculdades. Então, não foi também obedecida a legislação no sentido de convidar ou dar oportunidade para que todas pudessem entrar no programa, nesse edital lançado na semana passada. Fico feliz de saber que o Governo está revendo a sua posição com relação a alguns programas. Disse aqui que seriam programas de Estado, e não de Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS goverNº O Bolsa Universitária tem que ser um projeto exemplo para todo o País, copiado por todo o País, porque, se queremos implantar educação integral, tem que haver um programa como esse para viabilizar a implantação da educação integral. Então, fico feliz de o Governo estar reconhecendo a importância do Programa, mas gostaria de pedir que os executores lessem pelo menos a lei que trata do assunto, para evitar que editais como esses sejam publicados com erro, não obedecendo à lei. Quero dizer também, Sr. Presidente, que hoje de manhã estive aqui na sessão solene em homenagem aos 80 anos do nosso ex-Presidente fundador da EMBRAER, o nosso Ozires Silva, que é um exemplo para este País. Há pouco, aqui no Grande Expediente, ouvimos o Deputado Alberto falando dos investimentos na educação, ciência e tecnologia. Se queremos realmente um país desenvolvido, nós precisamos investir em educação. Vamos fazer de tudo. A partir de amanhã, nós vamos falar aqui todos os dias sobre a questão das metas do Plano Nacional de Educação para viabilizar, no mínimo, os 10% do PIB. Foi falado aqui sobre os royalties do pré-sal. Nós temos que rever tudo isso. Nós não podemos investir esses recursos a não ser em educação, ciência e tecnologia. Não podemos colocar isso como custeio, mas como investimento. O nosso querido Ozires Silva é um exemplo para este País e foi um dos fundadores da EMBRAER. Eu tive o privilégio de, há uma semana, visitar o CTA, o ITA, referência de curso universitário neste País. Infelizmente, as nossas universidades não estão mais entre as duzentas melhores do mundo. A cada ano, vêm perdendo qualidade e competitividade. Isso é falta de investimento em pesquisa, em inovação. As universidades precisam realmente expender mais recursos na área da pesquisa. O ITA é um bom exemplo. Quem dera se tivéssemos um ITA em cada Estado brasileiro. Nós teríamos um país diferente, um país moderno, com exportação de conhecimento e não apenas de matéria-prima. Gostaria de pedir, Sr. Presidente, que fosse somado o meu tempo de Comunicações Parlamentares, porque eu também estou inscrito, para que eu possa concluir a minha fala. Quero então homenagear os 80 anos do nosso Ozires Silva. O SR. PRESIDENTE (Assis Carvalho) – V.Exa. tem mais 10 minutos, nobre Deputado, para falar nas Comunicações Parlamentares. O SR. IZALCI – Muito obrigado, Sr. Presidente. Faço aqui um apelo à Mesa Diretora – já o fiz algu- Terça-feira 23 43749 mas vezes –, mas o reitero pelo motivo de urgência e relevância do assunto. Eu fiz alguns requerimentos – e está previsto na Constituição e no Regimento Interno – ao Ministério do Esporte, ao Ministério da Justiça. Recebi resposta de alguns deles, respostas sem muito conteúdo, evasivas, sem informação correta, respostas que dizem que o processo está em andamento, mas que não pode ser encaminhada a documentação para não atrapalhar as investigações. Acredito que as pessoas não leram a Constituição, que coloca como obrigação das autoridades encaminhar informações para esta Casa, mesmo que o assunto seja sigiloso. No caso de assunto sigiloso, o Presidente desta Casa chama o Parlamentar para a leitura desse material. Então, acho que o Ministério da Justiça precisa rever a sua resposta e encaminhá-la imediatamente, porque já faz mais de 30 dias que fiz o segundo encaminhamento, para que tenhamos de fato resposta àquilo que foi perguntado. Digo isso, Sr. Presidente, com muita propriedade, porque o Ministério do Esporte agora, depois de 60 dias, respondeu a algumas coisas. Do que respondeu, apenas uma resposta foi sobre alguns convênios, conforme solicitei, com relação ao Programa Segundo Tempo. Mais de 20 não tiveram suas contas aprovadas. Então, quanto àqueles que mencionei aqui, recebi parcialmente a informação de que não teriam sido aprovadas suas contas financeiras. É mais um motivo. Estou solicitando agora cópia do processo de todos os convênios que foram identificados e cujas contas foram reprovadas, para que eu possa verificar o que aconteceu nesse período, principalmente nos últimos anos, com relação ainda ao episódio do Programa Segundo Tempo, quando era presidido o Ministério do Esporte pelo nosso Governador, motivo do nosso requerimento. Sr. Presidente, só para concluir, quero abordar um assunto que foi colocado aqui com muita propriedade hoje pelo Líder do PT do Amazonas. O Deputado Francisco Praciano falou muito bem aqui sobre a corrupção. Esse é um assunto que merece realmente prioridade. Apresentei um projeto nesta Casa, porque não consegui aprová-lo na Câmara Legislativa quando fui Deputado Distrital, que proíbe a contratação de empresas cujos donos, cujos sócios sejam Parlamentares, secretários, autoridades do primeiro escalão, inclusive os seus parentes até terceiro grau. Esse projeto tramitou nesta Casa, mas infelizmente, na Comissão do mérito, foi tirada a questão de não poder contratar, ficando apenas convênio, o que realmente diminui muito o poder do projeto, que foi agora encaminhado ao Senado. 43750 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Estou pedindo a alguns Senadores que o apoiem e façam retornar o termo de contratação, para que, aprovada essa lei no Congresso, proibamos definitivamente que políticos e autoridades utilizem seus cargos para conseguir contratos no Governo Federal, no Governo Estadual e nos Municípios, onde existem muitas irregularidades. Sr. Presidente, eu recebi um e-mail hoje em que se trata com muita propriedade do que foi dito da corrupção. Nós precisamos investir não só atacando, como está sendo feito, e muito bem feito, pela nossa Presidente, mas também revendo essas questões em todo o País, porque não se aguenta mais tanto desvio de recursos, como foi dito aqui, da merenda escolar, da saúde. Esse e-mail combina com o que foi dito. Nós temos que trabalhar na educação, na formação, na família, na escola. Diz o e-mail, Sr. Presidente, reclamando dos políticos: “A maioria reclama de que, se o brasileiro é assim, coloca o nome em trabalho que não faz? É comum nas faculdades hoje grupos de dez, cinco pessoas em que uma ou duas fazem o trabalho, mas todos colocam o nome para receber a nota” – é verdade – “colocam o nome de colega que faltou na lista de presença” – o colega falta, mas sempre tem um amigo que lhe dá a presença. “Pagam a alguém para que façam seus trabalhos;” – está cheio de faixas sobre trabalho de monografia na cidade, em todas as cidades; as pessoas pagam para que outras façam o trabalho de monografia – “saqueiam cargas de veículos acidentados nas estradas; estacionam nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas; subornam ou tentam subornar quando pegos cometendo alguma infração;” – principalmente em blitz nas estradas – “trocam votos por qualquer coisa;” – isso é muito comum em todo o País, e em Brasília não é diferente; às vezes pelo voto se pede um saco de cimento, um milheiro de tijolos, até uma dentadura; hoje não aceitam mais dentadura, querem implante – “falam ao celular enquanto dirigem;” – quantas pessoas fazem isso! – “usam o telefone da empresa onde trabalham para ligar a um colega, para usar o crédito da empresa; trafegam pela direita dos acostamentos em congestionamentos; param em filas duplas, triplas, em frente às escolas; violam a lei do silêncio; dirigem após consumir bebida alcoólica; furam fila nos bancos; espalham churrasqueiras e mesas nas calçadas; pegam atestado médico sem que estejam doentes só para faltar ao trabalho; fazem gato de luz, telefone, água, TV a cabo; registram imóveis em cartório com valor abaixo do valor real de compra, muitas vezes irrisório;” – compram o imóvel por 1 milhão de reais e registram por 100 mil reais – “compram recibo Agosto de 2011 para abater em declaração de Imposto de Renda e pagar menos imposto; chegam a mudar a cor da pele para entrar no sistema de cotas nas universidades; quando viajam a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 reais, pedem nota fiscal de 20, 30 reais; comercializam objetos doados em campanhas de coleta de donativos para ajudar vítimas de catástrofes, como aconteceu agora no Rio de Janeiro; estacionam em vaga exclusiva para deficiente; adulteram velocímetro de carro;” – muita gente diminui a quilometragem para vender mais caro o veículo – “compram produto pirata;” – está na rua todo mundo vendendo e todo mundo comprando – “substituem o catalisador do carro por um que tenha só a casca; diminuem a idade do filho para que este passe debaixo da roleta; emplacam o carro fora do domicílio para não pagar o IPVA...” São várias as infrações. Eu precisaria de um Grande Expediente para falar sobre isso. Mas é real. Muitas vezes, o pai de família diz ao filho que mentir é pecado, é errado, e de repente toca o telefone e manda dizer que não está. Esses pequenos atos é que nos fazem acostumar com o “jeitinho brasileiro”. Já tivemos aqui a Lei de Gérson, a lei de levar vantagem em tudo. De fato, podemos diminuir muito a corrupção, podemos fazer um trabalho aqui no Congresso, aprovar algumas leis, mas o principal combate à corrupção é na escola e na família. Esta é a grande bandeira que precisamos despertar nas famílias: a formação dos nossos jovens, para que não vejam a corrupção como um ato comum, normal, a fim de que possamos realmente mudar este País. Não se admite desvio de recursos da saúde, da educação, da merenda escolar. Hoje, como foi dito aqui, 60% das prestações de contas das Prefeituras são reprovadas, exatamente por causa de desvio de recursos, de má utilização de recursos. Acho que essa frente parlamentar precisa atuar imediatamente por essa causa muito justa. Sr. Presidente, para finalizar, quero reforçar que precisamos acabar com a demagogia. Isso é muito comum. É importante observarmos não apenas o primeiro ano de mandato, o segundo ano de mandato. Precisamos verificar toda a vida profissional das pessoas. Às vezes é Situação, às vezes é Oposição, mas a pessoa tem que manter a posição, independente disso. Hoje é muito comum a pessoa na Oposição dizer uma coisa e no Governo dizer outra coisa. Foi o que aconteceu nesse final de semana em Samambaia. Dois anos atrás fizemos audiência pública. O que mais existia era oposição, mobilizaram toda a sociedade contra a instalação da Usina de Samambaia. Nesse final de Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS semana, o Governo, que 1 ano atrás trabalhou contra, era favorável à instalação. Chega de demagogia! Chega de corrupção no País! Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Assis Carvalho) – Nobre Deputado Izalci, parabéns pela intervenção, pela boa fala. Eu gostaria de me somar ao seu projeto sobre contratação: que não fosse extensiva apenas a Parlamentares e Governadores, mas também a Desembargadores e agentes de Tribunais de Contas, porque hoje tantos infelizmente usam o poder para eleger filho, para chantagear prefeito. Acho que está na hora também de tomar uma decisão sobre setores que muitas vezes cometem loucuras e atos de corrupção. VII – ENCERRAMENTO O SR. PRESIDENTE (Assis Carvalho) – Nada mais havendo a tratar, vou encerrar os trabalhos, lembrando que amanhã, terça-feira, dia 23 de agosto, às 10 horas, haverá sessão solene em homenagem aos 30 anos da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora – CONCLAT. O SR. PRESIDENTE (Assis Carvalho) – Encerro a sessão, designando para amanhã, terça-feira, dia 23 de agosto, às 14 horas, a seguinte ORDEM DO DIA MATÉRIA SOBRE A MESA I. Requerimento nº 2.714, de 2011, do Sr. Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), que solicita a convocação do Ministro de Estado Chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Sr. Jorge Hage Sobrinho, para discorrer sobre os trabalhos de fiscalização em curso na CGU, referentes às inúmeras denúncias de ilicitudes e irregularidades verificadas em diversos órgãos da administração federal direta e indireta. URGÊNCIA (Art. 62, § 6º da Constituição Federal) Votação 1 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 532-C, DE 2011 (Do Poder Executivo) Continuação da votação, em turno único, da Medida Provisória nº 532-C, de 2011, que acresce e dá nova redação a dispositivos das Leis nºs 9.478, de 6 de agosto de 1997, e 9.847, de 26 de outubro de 1999, que dispõem sobre a política e a fiscalização das atividades relativas ao abastecimen- Terça-feira 23 43751 to nacional de combustíveis; altera o § 1º do art. 9º da Lei nº 8.723, de 28 de outubro de 1993, que dispõe sobre a redução de emissão de poluentes por veículos automotores; dá nova redação aos arts. 1º, 2º e 3º do Decreto-Lei nº 509, de 20 de março de 1969, que dispõe sobre a transformação do Departamento dos Correios e Telégrafos em empresa pública; altera a Lei nº 10.683, de 28 de maio de 2003, que dispõe sobre a Organização da Presidência da República e dos Ministérios, e dá outras providências; tendo parecer reformulado do Relator da Comissão Mista, proferido em Plenário e entregue à Mesa, pelo atendimento dos pressupostos constitucionais de relevância e urgência; pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa; pela adequação financeira e orçamentária da Medida Provisória e das emendas apresentadas; e, no mérito, pela aprovação desta Medida Provisória, da Emenda n.º 51 e parcial das de nºs 1, 2, 4, 5, 11, 12, 18, 19, 39, 42, 44 e 50, na forma do Projeto de Lei de Conversão apresentado, com alterações, e pela rejeição das Emendas de n.ºs 3, 6 a 10, 13, 14, 16, 17, 20 a 37, 40, 41, 43, 46, 47 e 52 a 57 (Relator: Dep. Arnaldo Jardim). As Emendas de nºs 15, 38, 45 e 48 foram indeferidas liminarmente por versarem sobre matéria estranha, nos termos do art. 4º, § 4º, da Resolução nº 1/2002-CN, c.c. art. 125 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (Questão de Ordem nº 478/2009). COMISSÃO MISTA: 12/05/2011 PRAZO NA CÂMARA: 26/05/2011 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 13/06/2011(46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 08/09/2011 RETIFICAÇÃO PUBLICADA NO D.O.U. DE 04/05/2011 Discussão 2 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 533, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 533, de 2011, que autoriza a União a transferir recursos financeiros aos Municípios e ao Distrito Federal, com a finalidade de prestar apoio financeiro à manutenção de novos estabelecimentos 43752 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS públicos de educação infantil, e dá outras providências. Pendente de parecer da Comissão Mista. COMISSÃO MISTA: 24/05/2011 PRAZO NA CÂMARA: 07/06/2011 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 25/06/2011 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 20/09/2011 3 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 534, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 534, de 2011, que altera o art. 28 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, para incluir no Programa de Inclusão Digital Tablet PC produzido no País conforme processo produtivo básico estabelecido pelo Poder Executivo. Pendente de parecer da Comissão Mista. As Emendas de nºs 19, 22, 26 a 32, 34 a 44, 46 a 53, 56 a 63 e 66 a 68, foram indeferidas liminarmente por versarem sobre matéria estranha, nos termos do art. 4º, § 4º, da Resolução nº 1/2002-CN, c.c. art. 125 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (Questão de Ordem nº 478/2009). COMISSÃO MISTA: 05/06/2011 PRAZO NA CÂMARA: 19/06/2011 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 07/07/2011 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 02/10/2011 4 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 535, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 535, de 2011, que institui o Programa de Apoio à Conservação Ambiental e o Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais; altera a Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004, e dá outras providências. Pendente de parecer da Comissão Mista. As Emendas de nºs 64, 65, 66, 69, 70, 76 e 77 foram indeferidas liminarmente por versarem sobre matéria estranha, nos termos do art. 4º, § 4º, da Resolução nº 1/2002CN, c.c. art. 125 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (Questão de Ordem nº 478/2009). COMISSÃO MISTA: 16/06/2011 PRAZO NA CÂMARA: 30/06/2011 Agosto de 2011 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 18/07/2011 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 13/10/2011 5 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 536, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 536, de 2011, que dá nova redação ao art. 4º da Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981, que dispõe sobre as atividades do médico-residente. Pendente de parecer da Comissão Mista. As Emendas de nºs 11 e 12 foram indeferidas liminarmente por versarem sobre matéria estranha, nos termos do art. 4º, § 4º, da Resolução nº 1/2002-CN, c.c. art. 125 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (Questão de Ordem nº 478/2009). As Emendas de nºs 3 e 5 foram retiradas pela autora. COMISSÃO MISTA: 07/07/2011 PRAZO NA CÂMARA: 03/08/2011 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 21/08/2011 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 03/11/2011 6 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 537, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 537, de 2011, que abre crédito extraordinário, em favor dos Ministérios da Defesa e da Integração Nacional, no valor global de R$ 500.000.000,00, para os fins que especifica. Pendente de parecer da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização. COMISSÃO MISTA: 07/07/2011 PRAZO NA CÂMARA: 03/08/2011 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 21/08/2011 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 03/11/2011 URGÊNCIA (Artigo 64, § 2º, da Constituição Federal c/c art. 204, I, do Regimento Interno) Discussão 7 PROJETO DE LEI Nº 1.209-B, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, do Projeto de Lei nº 1.209-B, de 2011, que ins- Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS titui o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – PRONATEC; altera as Leis nº 7998, de 11 de janeiro de 1990, que regula o Programa do Seguro-Desemprego, o Abono Salarial e institui o Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT; 8.212, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio; e 10.260, de 12 de julho de 2001, que dispõe sobre o Fundo de Financiamento ao estudante do Ensino Superior; e dá outras providências; tendo parecer da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, pela aprovação deste, do nº 1.343/11, apensado, das Emendas de Plenário nºs 6 a 9, 11, 12 e 14, com substitutivo, e pela rejeição do de nº 1.288/11, apensado, e das Emendas de Plenário nºs 1 a 5, 10, 13, e 15 a 18 (Relator: Alex Canziani). Pendente de pareceres das Comissões: de Educação e Cultura; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Tendo apensado (2) os PL nºs 1.288/11 e 1.343/11. Passa a Sobrestar a Pauta Em: 14/06/2011 (46º DIA) URGÊNCIA (Art. 62, da Constituição Federal) Discussão 8 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 538, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 538, de 2011, que autoriza a prorrogação de contratos por tempo determinado firmados com fundamento na alínea “g” do inciso VI do art. 2º da Lei nº 8.745, de 9 de dezembro de 1993, e dá outras providências. Pendente de parecer da Comissão Mista. As Emendas de nºs 5, 6, 9, 11 e 12 foram indeferidas liminarmente por versarem sobre matéria estranha, nos termos do art. 4º, § 4º, da Resolução nº 1/2002-CN, c.c. art. 125 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (Questão de Ordem nº 478/2009). A Emenda de nº 10 foi retirada pelo autor. COMISSÃO MISTA: 14/07/2011 PRAZO NA CÂMARA: 10/08/2011 Terça-feira 23 43753 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 28/08/2011 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 10/11/2011 9 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 539, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 539, de 2011, que autoriza o Conselho Monetário Nacional, para fins da política monetária e cambial, a estabelecer condições específicas para negociação de contratos de derivativos, altera o art. 3º do Decreto-Lei nº 1.783, de 18 de abril de 1980, e os arts. 1º e 2º da Lei nº 8.894, de 21 de junho de 1994, e dá outras providências. Pendente de parecer da Comissão Mista. COMISSÃO MISTA: 14/08/2011 PRAZO NA CÂMARA: 28/08/2011 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 15/09/2011 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 28/11/2011 10 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 540, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 540, de 2011, que institui o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras – REINTEGRA; dispõe sobre a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI à indústria automotiva; altera a incidência das contribuições previdenciárias devidas pelas empresas que menciona, e dá outras providências. Pendente de parecer da Comissão Mista. COMISSÃO MISTA: 16/08/2011 PRAZO NA CÂMARA: 30/08/2011 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 17/09/2011 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 30/11/2011 RETIFICAÇÃO PUBLICADA NO D.O.U. DE 05/08/2011 11 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 541, DE 2011 (Do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 541, de 2011, que dispõe sobre o Fundo de Financiamento à Exportação, altera as Leis nºs 12.096, de 24 de novembro de 2009, 11.529, de 22 de outubro de 2007, 43754 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 10.683, de 28 de maio de 2003, 5.966, de 11 de dezembro de 1973, e 9.933, de 20 de dezembro de 1999, e dá outras providências. Pendente de parecer da Comissão Mista. COMISSÃO MISTA: 16/08/2011 PRAZO NA CÂMARA: 30/08/2011 PASSA A SOBRESTAR A PAUTA EM: 17/09/2011 (46º DIA) PERDA DE EFICÁCIA: 30/11/2011 AVISOS EMENDAS 1. PROJETOS COM URGÊNCIA – ART. 64, § 1º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Prazo para apresentação de emendas: 5 Sessões (Ato da Mesa nº 177, de 1989). PROJETO DE LEI Nº 865/2011 (Poder Executivo) – Altera a Lei nº 10.683, de 28 de maio de 2003, que dispõe sobre a organização da Presidência da República e dos Ministérios, cria a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, cria cargo de Ministro de Estado e cargos em comissão, e dá outras providências. SOBRESTA A PAUTA EM: 27/09/2011 (46º dia) DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 2. PROJETO DE RESOLUÇÃO QUE ALTERA O RICD Prazo para apresentação de emendas: 5 Sessões (Art. 216, § 1º, do RICD). Nº 74/11 (Ronaldo Fonseca) – Acrescenta parágrafo ao art. 137 do Regimento Interno para determinar que, estando em funcionamento comissão especial destinada ao estudo de determinado tema, serão a ela encaminhadas cópias de todos os projetos existentes na Casa sobre o mesmo assunto. DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 II – RECURSOS 1. CONTRA APRECIAÇÃO CONCLUSIVA DE COMISSÃO – ART. 24, II, DO RICD INTERPOSIÇÃO DE RECURSO: art. 58, § 3º, c/c o art. 132, § 2º (PARECERES FAVORÁVEIS), ou com o art. 133 (PARECERES CONTRÁRIOS), todos do RICD. Prazo para apresentação de recurso: 5 sessões (art. 58, § 1° do RICD). 1.1 COM PARECERES FAVORÁVEIS PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 284/2003 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que au- Agosto de 2011 toriza a Associação Comunitária de Comunicação de Portel a executar, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária na cidade de Portel, Estado do Pará. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 1.589/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Rádio Difusora de Catanduva Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em freqüência modulada, no Município de Novo Horizonte, Estado de São Paulo. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 1.878/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária e Cultural de Maracajaú a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Maxaranguape, Estado do Rio Grande do Norte. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 1.903/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Cultural e Educadora de Olímpia a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Olímpia, Estado de São Paulo. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 2.275/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Comunicação e Cultura da Comunidade de Muriú a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Ceará-Mirim, Estado do Rio Grande do Norte. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 2.377/2009 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Cultural Maisa – ACCM a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Mossoró, Estado do Rio Grande do Norte. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 2.470/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Rádio Editora Magia Ltda. para ex- Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS plorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Garibaldi, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 2.622/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Charrua Ltda., para explorar serviço de radiodifusão sonora em ondas médias, no Município de Uruguaiana, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 2.633/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Estrela FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Estrela, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 2.648/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Líder FM a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Vargem Grande, Estado do Maranhão. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 2.663/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Fundação João Paulo II para explorar serviço de radiodifusão sonora em ondas tropicais, no Município de Cachoeira Paulista, Estado de São Paulo. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 2.695/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Rainha FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Bento Gonçalves, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 2.735/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Rádio Cidade FM de Palhoça Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Palhoça, Estado de Santa Catarina. Terça-feira 23 43755 DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 2.761/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Alice Martins Pinheiro a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Parnamirim, Estado do Rio Grande do Norte. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 2.803/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Rádio Comunitária de Itapiranga a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Itapiranga, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 2.807/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Sócio-Cultural Santa Terezinha a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Sucupira do Norte, Estado do Maranhão. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 2.821/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação de Radiodifusão Comunitária Imigrantes a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Criciúma, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 2.875/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Sociedade Rádio Hulha Negra de Criciúma Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Criciúma, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 2.877/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Sociedade Rádio Montanhesa Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em ondas médias, no Município de Viçosa, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 43756 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nº 2.889/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Araucária Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Lages, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 2.891/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Iguatemi Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Mogi das Cruzes, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 2.892/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Esmeralda Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Vacaria, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 2.941/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Cultural de Música e Cinema a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de São José dos Campos, Estado de São Paulo. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 2.958/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Divinal FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Lagoa da Prata, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 2.962/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada a Empreendimentos Radiofônicos Sulminas Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Itajubá, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 2.973/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Mega Empresa de Agosto de 2011 Comunicações Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 2.980/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Rádio Timbó Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Rio dos Cedros, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 2.981/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Ponto Norte Rádio FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Alpestre, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 3.002/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Mar Azul a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Balneário Arroio do Silva, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 3.004/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Unidos Venceremos a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Augusto de Lima, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 3.011/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Radiodifusão do Bairro Pedreira do Instituto a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Itabira, Estado de Minas Gerais DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 3.017/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Sociedade Rádio São José Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sono- Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ra em frequência modulada, no Município de Erechim, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 3.024/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Dias & Novato Comunicações Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Mato Verde, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 3.046/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Cruzeiro Limitada para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Cruzeiro, Estado de São Paulo. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 3.049/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Sistema Norte de Rádio Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Serra, Estado do Espírito Santo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 3.051/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Independente de Barretos Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Barretos, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 3.061/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Nova Dracena Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Dracena, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 3.083/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Marano Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Garanhuns, Estado de Pernambuco. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Terça-feira 23 43757 Nº 3.099/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rede Valeparaibana de Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Taubaté, Estado de São Paulo. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 3.108/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Rádio Cidade FM de Palhoça Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Nova Veneza, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 3.110/2010 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga permissão à Sociedade Rádio Vanguarda Limitada para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Paranaíta, Estado de Mato Grosso. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 21/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio A Voz do Vale Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Fartura, Estado de São Paulo. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 68/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Alto Ituêto (ACAI) de Radiodifusão a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Santa Rita do Ituêto, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 71/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rede Serrana de Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Taió, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 80/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza 43758 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS a Associação Comunitária Para o Desenvolvimento de Várzea da Palma a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Várzea da Palma, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 85/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Rádio União Comunitária a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Criciúma, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 93/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Norte Sul Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 100/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Fundação Casper Líbero para explorar serviço de radiodifusão sonora em ondas curtas, no Município de São Paulo, no Estado de São Paulo. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 102/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Fundação Nossa Senhora Aparecida para explorar serviço de radiodifusão sonora em ondas curtas, no Município de Aparecida, Estado de São Paulo. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Agosto de 2011 em onda média, no Município de Recife, Estado de Pernambuco. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 163/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária de Comunicação Pesquisa e Cultura Mipibuense a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de São José de Mipibu, Estado do Rio Grande do Norte. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 182/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Rádio FM Gameleiras a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Monte das Gameleiras, no Estado do Rio Grande do Norte. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 187/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Cultural Rafardense a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Rafard, Estado de São Paulo. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 188/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação Comunitária Cidade Viva a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Parazinho, Estado do Rio Grande do Norte. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 103/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à TV Aratu S/A para explorar serviço de radiodifusão de sons e imagens, no Município de Salvador, Estado da Bahia. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 189/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que autoriza a Associação de Radiodifusão Goianinha FM a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Goianinha, Estado do Rio Grande do Norte. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 105/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Clube de Pernambuco S.A. para explorar serviço de radiodifusão sonora Nº 197/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Itapema FM de Florianópolis Ltda. para explorar serviço de radiodifu- Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS são sonora em frequência modulada, no Município de Florianópolis, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 213/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Atlântida FM de Santa Cruz Ltda., para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Santa Cruz do Sul, Estado do Rio Grande do Sul. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 240/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que outorga concessão à Fundação Paulo Jackson para executar serviço de radiodifusão de sons e imagens, com fins exclusivamente educativos, no Município de Salvador, Estado da Bahia. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 244/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Progresso de Juazeiro S.A. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Juazeiro do Norte, Estado do Ceará. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-8-2011 Nº 272/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Sistema de Comunicação Ouro Verde Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Manhumirim, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 281/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Colinhalfin Empresa de Radiodifusão Ltda., originariamente outorgada à Rádio Cólon Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Joinville, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 284/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Lidersom FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Orlândia, Estado de São Paulo. Terça-feira 23 43759 DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 288/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Montes Claros Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Montes Claros, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 292/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Iguatemi Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Santo Antonio de Posse, Estado de São Paulo. DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-2011 Nº 299/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio União de João Pinheiro Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de João Pinheiro, Estado de Minas Gerais. DECURSO: 1a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29/8/2011 Nº 306/2011 (Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) – Aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Barriga Verde Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Florianópolis, Estado de Santa Catarina. DECURSO: 1a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29/8/2011 PROJETO DE LEI Nº 2.994/1997 (Jair Bolsonaro) – Proíbe, pelo prazo de cinco anos, a exportação de madeira não beneficiada oriunda de floresta nativa. DECURSO: 4a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24/8/2011 Nº 1.664/1999 (Enio Bacci) – Proíbe a pesca com rede em todo o território nacional, durante o período de três anos, para pescadores amadores e dá outras providências. DECURSO: 4a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24/8/2011 Nº 4.812/2001 (Senado Federal – Emilia Fernandes) – Acrescenta dispositivos à Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 43760 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS DECURSO: 4a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24/8/2011 Nº 5.578/2001 (Osmar Serraglio) – Altera a Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, para dispor sobre a Carteira Nacional de Habilitação das pessoas portadoras de Diabetes Mellitus. DECURSO: 1a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29/8/2011 Nº 7.191/2002 (Senado Federal – Romero Juca) – Altera a Lei nº 5.917, de 10 de setembro de 1973, que aprova o Plano Nacional de Viação, de modo a incluir, na Relação Descritiva das Rodovias do Sistema Rodoviário Federal, a rodovia que especifica, sob a designação de BR-438. DECURSO: 1a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29/8/2011 Nº 374/2003 (Lincoln Portela) – Assegura aos idosos o direito de dispor, prioritariamente, de assentos em estações e terminais de transporte de passageiros. DECURSO: 1a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29/8/2011 Nº 1.339/2003 (Fábio Souto) – Altera a Lei nº 9.433, de 8 de Janeiro de 1997, prevendo aplicação de recursos na recuperação das áreas de preservação permanente que especifica. DECURSO: 4a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24/8/2011 Nº 3.223/2004 (Lincoln Portela) – Dispões sobre formação de navegação amadora e da outras providências. DECURSO: 1a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29/8/2011 Nº 5.194/2005 (Ronaldo Caiado) – Determina que frigoríficos com registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF) informem, diariamente, ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento os preços, quantidades e outras características dos bovinos adquiridos para abate. ÚLTIMA SESSÃO: 23/8/2011 Nº 6.960/2006 (Salatiel Carvalho) – Dispõe sobre a regulamentação das profissões de cabeleireiro, manicuro e pedicuro e profissionais de beleza em geral. Apensados: PL 1221/2007 (Inocêncio Oliveira) PL 1868/2007 (Edmilson Valentim) PL 2436/2007 (Ana Arraes) PL 466/2007 (Domingos Dutra) PL 7393/2006 (Socorro Gomes) PL 7470/2006 (Eduardo Valverde) DECURSO: 1a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29/8/2011 Nº 44/2007 (Lincoln Portela) – Altera o art. 3º da Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004, que cria o Programa Agosto de 2011 Bolsa Família, para dispor sobre a condicionalidade de serviço voluntário. DECURSO: 4a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24/8/2011 Nº 1.050/2007 (Otavio Leite) – Dispõe sobre a utilização das áreas públicas de unidades de conservação ambiental integrantes do S.N.U.C. (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), de unidades militares e prédios públicos em geral, particularmente os destinados às unidades educacionais, por grupos oficiais de Escoteiros e Bandeirantes, e dá outras providências. ÚLTIMA SESSÃO: 23/8/2011 Nº 4.574/2009 (Poder Executivo) – Dá nova redação ao art. 2º da Lei nº 4.319, de 16 de março de 1964, que cria o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana – CDDPH. DECURSO: 4a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24/8/2011 Nº 5.759/2009 (Gorete Pereira) – Denomina Açude Deputado Francisco Diógenes Nogueira, o Açude Figueiredo, localizado no município de Alto Santo, no Ceará. DECURSO: 4a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24/8/2011 1.2 COM PARECERES CONTRÁRIOS PROJETO DE LEI Nº 207/2011 (Sandes Júnior) – Cria o Cadastro Nacional de Veículos Roubados. DECURSO: 4a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24/8/2011 1.3 PROPOSIÇÕES COM TRAMITAÇÃO CONJUNTA QUE RECEBERAM PARECERES FAVORÁVEIS A UMAS E/OU CONTRÁRIOS A OUTRAS, NÃO DIVERGENTES; E/OU PELA INCONSTITUCIONALIDADE; E/OU INJURIDICIDADE PROJETO DE LEI PL N. 4.354/98 – Altera o art. 105 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código Nacional de Trânsito. COM PARECER FAVORÁVEL: PL 4.354/98, principal. COM PARECER CONTRÁRIO: PLs 4.441/98 e 4.556/98, apensados. DECURSO: 1a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29/8/2011 PL Nº 3.279/00 – Acrescenta § 2º ao art. 80 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro. COM PARECER FAVORÁVEL: PL 3.279/00, principal, (E seu apensado: 3.485/00). Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS COM PARECER PELA INCONSTITUCIONALIDADE: PL 3.485/00, apensado. DECURSO: 1a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29/8/2011 Nº 547/2003 (Reginaldo Lopes) – Dispõe sobre a obrigatoriedade das empresas de beneficiamento e comércio de laticínios informar ao produtor de leite o valor pago pelo produto até o dia cinco de cada mês e a proibição de diferenciação de preços entre produtores e a proibição da prática de cotas de excedente, chamado de produção excedente, entre os períodos das águas. COM PARECER FAVORÁVEL: PL 547/2003, principal. COM PARECER CONTRÁRIO: 1.051/2003, apensado. DECURSO: 4a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24/8/2011 Nº 2.940/2004 (Cabo Júlio) – Altera o art. 244 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, Código de Trânsito Brasileiro. COM PARECER CONTRÁRIO E PELA INJURIDICIDADE: PL 2.940/04, principal. COM PARECER FAVORÁVEL: PL 7.149/06, apensado. DECURSO: 1a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29/8/2011 2. CONTRA PARECER TERMINATIVO DE COMISSÃO – ART. 54 DO RICD C/C ART. 132, § 2º DO RICD (MATÉRIAS SUJEITAS A DELIBERAÇÃO DO PLENÁRIO EM APRECIAÇÃO PRELIMINAR, NOS TERMOS DO ART.144 DO RICD) INTERPOSIÇÃO DE RECURSO – Art. 58, § 3º, c/c o art. 132, §2º, do RICD. Prazo para apresentação de recurso: 5 sessões (art. 58, § 1° do RICD). 2.1 PELA INADEQUAÇÃO FINANCEIRA E/OU ORÇAMENTÁRIA PROJETO DE LEI Nº 2.539/2007 (Sandra Rosado) – Cria o Fundo Nacional para o Fortalecimento da Defesa Agropecuária (FNFDA) e dá outras providências DECURSO: 2a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 26/8/2011 Nº 4.401/2008 (Senado Federal – Marcelo Crivella) – Autoriza o Poder Executivo a ofertar, no âmbito da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), curso de nível médio para a formação de técnicos em Estatística. DECURSO: 2a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 26/8/2011 Nº 5.282/2009 (Daniel Almeida) – Concede isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente sobre bicicletas, suas partes e peças, e reduz a zero Terça-feira 23 43761 as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidentes sobre a importação e a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, desses bens. Apensados: PL 5870/2009 (Washington Luiz) PL 6669/2009 (Marinha Raupp) DECURSO: 3a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25/8/2011 Nº 6.583/2009 (Senado Federal – Flávio Arns) – Autoriza o Poder Executivo a criar campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (Instituto Federal) do Paraná no Município de Nova Laranjeiras, no Estado do Paraná. DECURSO: 2a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 26/8/2011 2.2 PELA INCONSTITUCIONALIDADE E/OU INJURIDICIDADE OU INADMISSIBILIDADE PROJETO DE LEI Nº 4.940/2001 (Senado Federal – ROMERO JUCA) – Autoriza a criação de Distrito Agropecuário no Município de São Luiz do Anauá, no Estado de Roraima, e dá outras providências. DECURSO: 4a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24/8/2011 Nº 5.071/2001 (Senado Federal – ROMERO JUCA) – Autoriza a criação de Distrito Agropecuário no Município de Cantá, no Estado de Roraima, e dá outras providências. DECURSO: 4a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24/8/2011 Nº 7.192/2002 (Senado Federal – ROMERO JUCA) – Altera a Lei nº 5.917, de 10 de setembro de 1973, que aprova o Plano Nacional de Viação, de modo a incluir, na Relação Descritiva das Rodovias do Sistema Rodoviário Federal, a rodovia que especifica, sob a designação de BR-439. DECURSO: 1a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29/8/2011 Nº 5.351/2005 (Senado Federal – Antônio Carlos Valadares) – Altera a Lei nº 10.292, de 27 de setembro de 2001, que denomina Rodovia Governador Mário Covas a BR-101, para atribuir novas denominações a trechos da rodovia situados no Estado de Sergipe. DECURSO: 1a. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29/8/2011 Nº 7.374/2006 (Senado Federal – Aelton Freitas) – Dispõe sobre o processo de fabricação da cal, com o objetivo de eliminar os riscos de geração de compostos poluentes. DECURSO: 1a. SESSÃO 43762 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Agosto de 2011 ÚLTIMA SESSÃO: 29/8/2011 4. DEVOLVIDO(S) AO(S) AUTOR(ES) INTERPOSIÇÃO DE RECURSO – RCP: art. 35, §§ 1º e 2º, do RICD. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO – DEMAIS PROPOSIÇÕES: art. 137, § 1º, do RICD. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE RECURSO: 5 sessões. os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias, adotada em 18 de dezembro de 1990, em Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. DECURSO: 1º. SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 3/9/2011 PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Dia 23, 3ª-feira Nº 325/2011 (João Campos) – Susta os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal proferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4277 e Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132 e 178, que reconhece a entidade familiar da união entre pessoas do mesmo sexo. ÚLTIMA SESSÃO: 23/8/2011 PROJETO DE LEI Nº 1.625/2011 (Mendes Ribeiro Filho) – Institui a campanha nacional de esclarecimento e prevenção do câncer de intestino e de exames preventivos através do SUS (Sistema Único de Saúde) ÚLTIMA SESSÃO: 23/8/2011 Nº 1.796/2011 (Roberto de Lucena) – Institui o Dia Nacional de Combate à Intolerância. ÚLTIMA SESSÃO: 23/8/2011 ORADORES SORTEADOS PARA O GRANDE EXPEDIENTE DO MÊS DE AGOSTO DE 2011 15:00 HENRIQUE FONTANA (PT – RS) 15:25 JOÃO PAULO CUNHA (PT – SP) Dia 24, 4ª-feira 15:00 MARA GABRILLI (PSDB – SP) 15:25 RONALDO ZULKE (PT – RS) Dia 25, 5ª-feira 15:00 SIMÃO SESSIM (PP – RJ) 15:25 ELIANE ROLIM (PT – RJ) Dia 26, 6ª-feira 10:00 PENNA (PV – SP) 10:25 FLAVIANO MELO (PMDB – AC) 10:50 JONAS DONIZETTE (PSB – SP) 11:15 MÁRCIO REINALDO MOREIRA (PP – MG) 11:40 VALADARES FILHO (PSB – SE) Dia 29, 2ª-feira Nº 1.820/2011 (Andreia Zito) – Altera a Lei nº 8.878, de 11 de maio de 1994, para acrescentar o art. 4º-A, dispondo sobre a reintegração de anistiados no Regime Jurídico Único de que trata a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e dá outras providências. ÚLTIMA SESSÃO: 23/8/2011 15:00 VICENTE ARRUDA (PR – CE) 15:25 POLICARPO (PT – DF) 15:50 NELSON PADOVANI (PSC – PR) 16:15 WLADIMIR COSTA (PMDB – PA) 16:40 EMILIANO JOSÉ (PT – BA) Nº 1.826/2011 (João Ananias) – Institui o Dia Nacional da Planta Medicinal, a ser comemorado no dia 21 de maio de cada ano. ÚLTIMA SESSÃO: 23/8/2011 15:00 HENRIQUE AFONSO (PV – AC) 15:25 JOSUÉ BENGTSON (PTB – PA) III – DIVERSOS 2. PRAZO PARA REQUERIMENTO DE RITO ESPECIAL PARA TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS HUMANOS – ART. 5º, § 3º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. (REQUERIMENTO, SUBSCRITO POR UM TERÇO DOS MEMBROS DA CASA, EM CONFORMIDADE COM A QUESTÃO DE ORDEM N. 230/2007 – 10 sessões) MENSAGEM Nº 696/2010 (do Poder Executivo) – Submete à consideração do Congresso Nacional texto da Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de Todos Dia 30, 3ª-feira Dia 31, 4ª-feira 15:00 ROSE DE FREITAS (PMDB – ES) 15:25 PAULO FOLETTO (PSB – ES) ORDEM DO DIA DAS COMISSÕES I – COMISSÕES PERMANENTES COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL REUNIÃO ORDINÁRIA AUDIÊNCIA PÚBLICA LOCAL: Anexo II, Plenário 06 HORÁRIO: 15h Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS A – Audiência Pública: Tema: “Discutir as denúncias publicadas na revista VEJA, de 1º/6/11, sobre o reflexo da demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol nas populações indígenas e nos desapropriados da região, os estudos e os efeitos das demarcações de reservas indígenas no Brasil”. Convidados: General MAYNARD MARQUES DE SANTA ROSA; (confirmado) Deputado ALDO SCHENEIDER – Presidente da Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa de Santa Catarina;(confirmado) Profa. LYLIA DA SILVA GUEDES GALETTI – Coordenadora-Geral de Promoção ao Etnodesenvolvimento, da Diretoria de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da FUNAI, e representante do Ministério da Justiça;(confirmada) ELOI FERREIRA DE ARAÚJO – Presidente da Fundação Cultural Palmares; Prefeito IVANOR BOING – Município de Vitor Meireles – SC;(confirmado) PAULO JOSÉ BRANDO SANTILLI – Professor da Universidade Estadual Paulista – UNESP; MANOEL BENTO FLORES – Presidente da ALIDECIR – Aliança de Integração e Desenvolvimento dos Povos Indígenas de Roraima; SÍLVIO DA SILVA – Presidente da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Norte de Roraima – SODIUR; GENOR LUIZ FACCIO – Presidente da Associação dos Arrozeiros do Estado de Roraima; FAUSTINO CARDOSO – Presidente do Sindicato da Agricultura Familiar de Vitor Meireles/SC;(confirmado) REGINA APARECIDA DA SILVA – Produtora Rural e representante da Associação dos Desintruzados;(confirmada) PAULO PEIXE – Médico Veterinário;(confirmado) JOSÉ RAIMUNDO SCHVARTZ DE QUADROS – Agricultor; WILSON ALVEZ BEZERRA – Agricultor; JOÃO FREIRE DOS SANTOS – Agricultor; DEISE MARIA – Agricultora; SEVERINA PEREIRA DOS SANTOS – Agricultora; JOÃO MAFRA – Agricultor do município de Vitor Meireles/SC;(confirmado) MARCOS APURINà – Coordenador do COIAB/Manaus-AM; ROMANCIL GENTIL CRETà (Kaingang) – Coordenador do ARPINSUL – Curitiba-PR; TIMOTEO VERA (Guarani) – Coordenador do ARPIN SUDESTE – São Paulo -SP; ANASTÁCIO PERALTA (Guarani Kaiowá) – Coordenador do ATY GUASU – Dourados – MS; Terça-feira 23 43763 MANOEL UILTON DOS SANTOS (Uilton Tuxá) – Coordenador do APOINME – Recife – PE; RAMÃO VIEIRA DE SOUZA – Coordenador do ARPIPAN – Campo Grande – MS; Ministro AFONSO BANDEIRA FLORENCE – do Desenvolvimento Agrário;(não virá) e Desembargador Federal JIRAIR ARAM MEGUERIAN – Tribunal Regional Federal. (não virá) Autor do Requerimento nº 60/2011: Deputado JOSUÉ BENGTSON – PTB/PA AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-08-11 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 1.836/11 – do Sr. Valdir Colatto – que “regulamenta o art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que reconhece aos remanescentes das comunidades de quilombos a propriedade definitiva das terras que estejam ocupando”. RELATOR: Deputado JOSUÉ BENGTSON. PROJETO DE LEI Nº 1.847/11 – do Sr. Jairo Ataíde – que “dispõe sobre a classificação dos medicamentos antimicrobianos, segundo a sua importância para a saúde humana e para a saúde animal, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado JOSUÉ BENGTSON. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-08-11 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 827/11 – do Sr. Ricardo Izar – que “estabelece medidas de defesa sanitária aplicáveis a animais, vegetais ou fungos, objeto de atividade agropecuária ou aquícola, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado DOMINGOS SÁVIO. COMISSÃO DA AMAZÔNIA, INTEGRAÇÃO NACIONAL E DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-08-11 43764 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Agosto de 2011 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 5.534/09 – do Sr. José Mentor – que “veda a transmissão de lutas marciais pelas emissoras de televisão na forma que especifica e dá outras providências”. RELATOR: Deputado BRUNO ARAÚJO. PROJETO DE LEI Nº 758/11 – do Sr. Padre Ton – que “altera a Lei nº 8.210, de 19 de julho de 1991, que trata da Área de Livre Comércio de Guajará-Mirim, no Estado de Rondônia, para incluir as matérias primas de origem animal e os bens finais de informática entre as mercadorias beneficiadas pelo regime especial e institui benefícios fiscais relativos às contribuições para o Pis/ Pasep, Cofins, Imposto de Importação (II) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IP)”. RELATOR: Deputado MIRIQUINHO BATISTA. COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA REUNIÃO ORDINÁRIA AUDIÊNCIA PÚBLICA LOCAL: Plenário 13, Anexo II da Câmara dos Deputados HORÁRIO: 14h30 A – Audiência Pública: Tema: “A radiodifusão digital” (Requerimento nº 73, de 2011, do Deputado Sandro Alex). Convidado: PAULO BERNARDO SILVA Ministro de Estado das Comunicações AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-08-11 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 960/03 – do Sr. Rogério Teófilo – que “revoga o parágrafo único do art. 13 do Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967”. (Apensado: PL 991/2003) RELATOR: Deputado GILMAR MACHADO. DECURSO: 5ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 23-08-11 COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA REUNIÃO ORDINÁRIA LOCAL: Anexo II, Plenário 01 HORÁRIO: 14h30min A – Requerimentos: REQUERIMENTO Nº 19/11 Do Sr. Eduardo Cunha – (PL 1672/2011) – que “requer a realização de Audiência Pública para discussão do Projeto de Lei 1.672, de 2011, de minha autoria, que institui o “Dia do Orgulho Heterossexual””. REQUERIMENTO Nº 21/11 Do Sr. Brizola Neto – que “requer solicitação de audiência pública para discussão da Comissão da Memória e da Verdade”. REQUERIMENTO Nº 22/11 Do Sr. Francisco Escórcio – que “requeiro nos termos regimentais à realização de Audiência Pública com autoridades que nomeio, para debater a ocorrência da anulação de união estável no Estado de Goiás”. REQUERIMENTO Nº 23/11 Do Sr. Vicente Candido – que “requer a realização de Audiência Pública com o Senhor Ministro Gilmar Mendes”. REQUERIMENTO Nº 26/11 Do Sr. Delegado Protógenes – (PEC 327/2009) – que “requer a realização de Audiência Pública da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania para debater a PEC 327/2009 que Modifica o inciso IX e acrescenta os incisos X a XIII ao art. 114, e revoga parcialmente o inciso VI do art. 109 da Constituição da República, conferindo a competência penal à Justiça do Trabalho”. REQUERIMENTO Nº 29/11 Do Subcomissão Especial de Crimes e Penas – que “requer autorização para a realização de Seminário no Estado do Rio de Janeiro com o tema: “Crimes e Penas no Direito B – Proposições Sujeitas à Apreciação do Plenário: URGÊNCIA ART. 64 DA CF PROJETO DE LEI Nº 1.209/11 – do Poder Executivo – (AV 173/2011) – que “institui o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – PRONATEC; altera as Leis nº 7.998, de 11 de janeiro de 1990, que regula o Programa do Seguro-Desemprego, o Abono Salarial e institui o Fundo de Amparo ao Trabalhador Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS – FAT; nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio; e nº 10.260, de 12 de julho de 2001. que dispõe sobre o Fundo de Financiamento ao estudante do Ensino Superior; e dá outras providências”. (Apensados: PL 1288/2011 e PL 1343/2011) RELATOR: Deputado JORGINHO MELLO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa deste, das Emendas de Plenário nºs 1/2011 a 18/2011, do PL 1288/2011 e do PL 1343/2011, apensados. URGENTE PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.547/10 – da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional – (MSC 901/2009) – que “aprova o texto do Convênio Constitutivo do Fundo Multilateral de Investimentos II (FUMIN II), assinado na cidade de Okinawa, no Japão, em 9 de abril de 2005”. RELATOR: Deputado RICARDO BERZOINI. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 60/11 – da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional – (MSC 673/2010) – que “aprova o texto do Tratado de Extradição entre a República Federativa do Brasil e o Governo do Estado de Israel, celebrado em Brasília, em 11 de novembro de 2009”. RELATOR: Deputado LOURIVAL MENDES. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade, técnica legislativa e, no mérito, pela aprovação. PRIORIDADE PROJETO DE LEI Nº 251/03 – do Senado Federal – Geraldo Melo – que “disciplina o fornecimento de energia elétrica à agricultura irrigada, às glebas que façam parte de programas de reforma agrária ou que tenham área total de até 10 (dez) hectares, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado ARNALDO FARIA DE SÁ. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa deste, com subsitutivo, e das Emendas 1 a 4 da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, com subemenda à de nº 4. Vista ao Deputado Luiz Couto, em 03/08/2011. DISPOSIÇÕES ESPECIAIS PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 327/09 – do Sr. Valtenir Pereira – que “modifica o inciso IX e acrescenta os incisos X a XIII ao art. 114, e revoga parcialmente o inciso VI do art. 109 da Constituição da Terça-feira 23 43765 República, para conferir a competência penal à Justiça do Trabalho, especialmente em relação aos crimes contra a organização do Trabalho, os decorrentes das relações de trabalho, sindicais ou do exercício do direito de greve, a redução do trabalhador à condição análoga à de escravo, aos crimes praticados contra a administração da Justiça do Trabalho e a outros delitos que envolvam o trabalho humano”. RELATOR: Deputado DELEGADO PROTÓGENES. PARECER: pela admissibilidade. PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 490/10 – do Sr. Efraim Filho – que “dá nova redação ao inciso VIII do art. 37 da Constituição Federal”. RELATOR: Deputado FELIPE MAIA. PARECER: pela admissibilidade. Vista ao Deputado Luiz Couto, em 16/08/2011. PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 6/11 – do Sr. Vieira da Cunha – que “acrescenta inciso VIII ao art. 208 da Constituição Federal para garantir oferta de educação integral a estudantes de famílias de baixa renda”. RELATOR: Deputado BRIZOLA NETO. PARECER: pela admissibilidade. TRAMITAÇÃO ORDINÁRIA PROJETO DE LEI Nº 26/99 – do Sr. Paulo Rocha – que “torna obrigatório o curso de direção defensiva, de primeiros socorros e de relações humanas aos condutores de transporte rodoviário de cargas e passageiros, e dá outras providências”. (Apensados: PL 133/1999, PL 148/1999, PL 149/1999, PL 1042/1999 e PL 3794/2000) RELATOR: Deputado HUGO LEAL. PARECER: pela constitucionalidade e injuridicidade deste, do PL 133/1999, do PL 148/1999 e do PL 3794/2000, apensados; e pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa do PL 149/1999 e do PL 1042/1999, apensados, com emendas. Vista ao Deputado Pedro Uczai, em 10/08/2011. SUBSTITUTIVO DO SENADO AO PROJETO DE LEI Nº 2.646/00 – que “acrescenta § 6º ao art. 282 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro, para dispor sobre a interposição de recursos por iniciativa dos infratores que especifica”. RELATOR: Deputado HUGO LEAL. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa do Substitutivo do Senado. Vista ao Deputado Luiz Couto, em 10/08/2011. PROJETO DE LEI Nº 2.974/08 – do Sr. Lira Maia – que “altera a Lei nº 7.565, de 19 de dezembro de 1986, que 43766 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS “Dispõe sobre o Código Brasileiro de Aeronáutica”, para tratar da franquia de bagagem”. RELATOR: Deputado PAES LANDIM. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa deste, nos termos do Substitutivo da Comissão de Viação e Transportes. Vista ao Deputado João Paulo Lima, em 10/08/2011. C – Proposições Sujeitas à Apreciação Conclusiva pelas Comissões: PRAZO CONSTITUCIONAL PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.040/05 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 725/2005) – que “aprova o ato que outorga concessão à Fundação José Possidônio Peixoto para executar serviço de radiodifusão de sons e imagens, com fins exclusivamente educativos, na cidade de Sobral, Estado do Ceará”. RELATOR: Deputado JOSÉ MENTOR. PARECER: pela inconstitucionalidade e injuridicidade. Vista ao Deputado Eduardo Cunha, em 07/07/2011. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 1.596/09 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 1134/2008) – que “aprova o ato que autoriza a Associação Meirelense de Cultura e Radiodifusão Comunitária a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Vitor Meireles, Estado de Santa Catarina”. RELATOR: Deputado JORGINHO MELLO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.009/09 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 1569/2009) – que “aprova o ato que autoriza a Associação de Radiodifusão Comunitária Voz Livre a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de São Ludgero, Estado de Santa Catarina”. RELATOR: Deputado JORGINHO MELLO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.306/09 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 1305/2009) – que “aprova o ato que autoriza a Associação Cultural Comunitária de Radiodifusão de Dona Emma a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Dona Emma, Estado de Santa Catarina”. RELATOR: Deputado JORGINHO MELLO. Agosto de 2011 PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.320/09 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 1695/2009) – que “aprova o ato que outorga permissão à SBC – Radiodifusão Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Cachoeira do Arari, Estado do Pará”. RELATOR: Deputado EVANDRO MILHOMEN. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.682/10 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 2190/2010) – que “aprova o ato que outorga permissão à Rádio Timbó Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Rodeio, Estado de Santa Catarina”. RELATOR: Deputado JORGINHO MELLO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.799/10 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 2290/2010) – que “aprova o ato que autoriza a Associação Rádio Comunitária de São Martinho a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de São Martinho, Estado de Santa Catarina”. RELATOR: Deputado JORGINHO MELLO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.822/10 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 2233/2010) – que “aprova o ato que renova a concessão outorgada à Rádio Educadora de Taió Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Taió, Estado de Santa Catarina”. RELATOR: Deputado JORGINHO MELLO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.876/10 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 2188/2010) – que “aprova o ato que outorga permissão à Rádio Portal do Sul FM Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Ronda Alta, Estado do Rio Grande do Sul”. RELATOR: Deputado VIEIRA DA CUNHA. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.923/10 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 2345/2010) – que “aprova o ato que renova a permissão outorgada à Rádio Valparaíso Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em onda média, no Município de Valparaíso, Estado de São Paulo”. RELATOR: Deputado ANTONIO BULHÕES. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.939/10 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 2435/2010) – que “aprova o ato que autoriza a Associação de Difusão Comunitária Benevides FM a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Benevides, Estado do Pará”. RELATOR: Deputado NELSON PELLEGRINO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.982/10 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 2557/2010) – que “aprova o ato que outorga permissão à Rádio e Televisão Belo Monte Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Altamira, Estado do Pará”. RELATOR: Deputado OSMAR SERRAGLIO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.983/10 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 2558/2010) – que “aprova o ato que outorga permissão à Terra FM Ltda. – ME para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Tailândia , Estado do Pará”. RELATOR: Deputado PASTOR MARCO FELICIANO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.984/10 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 2559/2010) – que “aprova o ato que outorga permissão à Terra FM Ltda. – ME para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Xinguara, Estado do Pará”. RELATOR: Deputado PASTOR MARCO FELICIANO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. Terça-feira 23 43767 PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 3.075/10 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 2465/2010) – que “aprova o ato que autoriza a Associação de Radiodifusão Comunitária Educativa de Balneário Gaivota a executar, pelo prazo de dez anos, sem direito de exclusividade, serviço de radiodifusão comunitária no Município de Balneário Gaivota, Estado de Santa Catarina”. RELATOR: Deputado JORGINHO MELLO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 37/11 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 2562/2010) – que “aprova o ato que outorga permissão à Rádio e Televisão Belo Monte Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Vigia, Estado do Pará”. RELATOR: Deputado OSMAR SERRAGLIO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 86/11 – da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – (TVR 2488/2010) – que “aprova o ato que renova a permissão outorgada ao Sistema de Comunicações Professor Walter Alencar Ltda. para explorar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada, no Município de Teresina, Estado do Piauí”. RELATOR: Deputado PAES LANDIM. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PRIORIDADE PROJETO DE LEI Nº 7.050/02 – do Senado Federal – EDISON LOBÃO – que “altera a Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro, para definir como infração o transporte de bebidas alcoólicas na condição que especifica”. RELATOR: Deputado HUGO LEAL. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa, com emenda. Vista conjunta aos Deputados Fabio Trad, Marçal Filho e Ronaldo Fonseca, em 10/08/2011. PROJETO DE LEI Nº 6.025/05 – do Senado Federal – César Borges – (PLS 37/2004) – que “altera o art. 666 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, para dispor acerca da penhora sobre máquinas, instrumentos e implementos agrícolas”. (Apensado: PL 4386/2004) RELATOR: Deputado MAURO BENEVIDES. 43768 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade, técnica legislativa e, no mérito, pela aprovação deste, com substitutivo; e pela rejeição do PL 4386/2004, apensado. PROJETO DE LEI Nº 1.647/07 – do Senado Federal – Delcídio Amaral – (PLS 180/2003) – que “altera a Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, modificada pela Medida Provisória nº 2.183-56, de 24 de agosto de 2001, que dispõe sobre a regulamentação dos dispositivos constitucionais relativos à reforma agrária, previstos no Capítulo III, Título VII, da Constituição Federal”. RELATOR: Deputado LUIZ COUTO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade, técnica legislativa e, no mérito, pela aprovação deste e pela rejeição da Emenda da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e da Emenda apresentada nesta Comissão. PROJETO DE LEI Nº 5.162/09 – do Senado Federal – Ideli Salvatti – (PLS 277/2008) – que “institui o Dia Nacional da Aquicultura”. RELATOR: Deputado LUIZ COUTO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE LEI Nº 6.198/09 – do Senado Federal – Kátia Abreu – (PLS 10/2009) – que “denomina Ferrovia Dorival Roriz Guedes Coelho o trecho da Ferrovia Norte-Sul situado no Estado do Tocantins”. RELATOR: Deputado EFRAIM FILHO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE LEI Nº 6.377/09 – do Senado Federal– Cristovam Buarque – (PLS 171/2008) – que “institui o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas”. RELATOR: Deputado FÁBIO RAMALHO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. TRAMITAÇÃO ORDINÁRIA SUBSTITUTIVO DO SENADO AO PROJETO DE LEI Nº 3.628/97 – que “altera a alínea “j” do inciso III do art. 302 da Lei nº 7.565, de 19 de dezembro de 1986, que dispõe sobre o Código Brasileiro de Aeronáutica”. RELATOR: Deputado DÉCIO LIMA. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa do Substitutivo do Senado. Vista conjunta aos Deputados Esperidião Amin, João Paulo Lima e Luiz Couto, em 16/08/2011. PROJETO DE LEI Nº 4.143/98 – do Sr. Hermes Parcianello – que “dispõe sobre legislação de trânsito, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado HUGO LEAL. Agosto de 2011 PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa deste, com emendas, e do Substitutivo da Comissão de Viação e Transportes, com subemendas. Vista ao Deputado Luiz Couto, em 10/08/2011. PROJETO DE LEI Nº 704/99 – do Sr. Enio Bacci – que “permite acesso à Carteira Nacional de Habilitação, categoria “C”, a motoristas que não tenham cometido infração gravíssima ou reincidido em infração grave”. RELATOR: Deputado HUGO LEAL. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa, com substitutivo. Vista conjunta aos Deputados Edson Silva e Luiz Couto, em 10/08/2011. PROJETO DE LEI Nº 3.487/00 – do Sr. Lincoln Portela – que “dispõe sobre medidas que amenizem o desconforto da espera, no atendimento ao público, nos estabelecimentos que especifica”. (Apensados: PL 2846/2003 (Apensado: PL 3772/2004), PL 3755/2004 e PL 3483/2004) RELATOR: Deputado JOÃO MAGALHÃES. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa deste, do Substitutivo da Comissão de Defesa do Consumidor, do Substitutivo da Comissão de Finanças e Tributação, do PL 2846/2003, do PL 3483/2004, do PL 3755/2004 e do PL 3772/2004, apensados, com emendas; e pela inconstitucionalidade da Emenda 1 da Comissão de Finanças e Tributação. PROJETO DE LEI Nº 4.546/01 – do Sr. Gonzaga Patriota – que “altera o art. 279 do Código de Trânsito Brasileiro, habilitando o agente da autoridade de trânsito a proceder a retirada do disco ou unidade de registro dos veículos equipados com registrador instantâneo de velocidade e tempo”. RELATOR: Deputado JAIME MARTINS. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. Vista ao Deputado Hugo Leal, em 10/08/2011. PROJETO DE LEI Nº 6.145/02 – do Sr. Simão Sessim – que “altera a redação do art. 1º da Lei nº 5.970, de 11 de dezembro de 1973 – objetivo de ajustar à nova legislação de trânsito do País”. RELATOR: Deputado HUGO LEAL. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa deste e das Emendas apresentadas nesta Comissão, nos termos do Substitutivo da Comissão de Viação e Transportes, com subemenda substitutiva. Vista conjunta aos Deputados Luiz Couto e Sandra Rosado, em 10/08/2011. PROJETO DE LEI Nº 740/03 – do Sr. Dr. Rosinha – que “altera a Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989, que dis- Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS põe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado VILSON COVATTI. PARECER: pela inconstitucionalidade e injuridicidade. Vista conjunta aos Deputados Brizola Neto, Luiz Couto, Pedro Uczai, Sarney Filho e Vieira da Cunha, em 03/08/2011. PROJETO DE LEI Nº 6.330/05 – do Sr. Sandes Júnior – que “altera a Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, para dispor sobre o arquivamento de auto de infração”. (Apensado: PL 7159/2006) RELATOR: Deputado HUGO LEAL. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa deste e do PL 7159/2006, apensado. Vista conjunta aos Deputados Luiz Couto e Pedro Uczai, em 10/08/2011. PROJETO DE LEI Nº 824/07 – do Sr. Sebastião Bala Rocha – que “autoriza a criação de Distritos Agropecuários nos Municípios de Porto Grande e Amapá, do Estado do Amapá, e dá outras providências” RELATOR: Deputado GONZAGA PATRIOTA. PARECER: pela inconstitucionalidade deste e das Emendas da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional. Terça-feira 23 43769 educativas nas capas e contracapas dos cadernos escolares adquiridos pela rede pública em todo o País, proibindo a veiculação de mensagens promocionais de realizações governamentais”. RELATOR: Deputado JOÃO MAGALHÃES. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa deste, nos termos do Substitutivo da Comissão de Educação e Cultura. Vista conjunta aos Deputados Efraim Filho, Luiz Couto, Pastor Marco Feliciano, Pedro Uczai e Vicente Arruda, em 01/06/2011. O Deputado Pedro Uczai apresentou voto em separado em 08/06/2011. Durante verificação de votação, a reunião foi encerrada por falta de “quorum”, em 16/08/2011. PROJETO DE LEI Nº 3.740/08 – do Sr. Jefferson Campos – que “acrescenta dispositivo à Lei nº 9.503, de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro”. RELATOR: Deputado PASTOR MARCO FELICIANO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. PROJETO DE LEI Nº 4.651/09 – do Sr. Gilmar Machado – que “altera o art. 26 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional”. RELATOR: Deputado JILMAR TATTO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa, com emenda. PROJETO DE LEI Nº 1.771/07 – do Sr. Beto Faro – que “dá nova redação ao §1º, do art. 4º, da Medida Provisória nº 2.183-56, de 24 de agosto de 2001, que “acresce e altera dispositivos do Decreto-Lei nº 3.365, de 21 de junho de 1941, das Leis nºs 4.504, de 30 de novembro de 1964, 8.177, de 1º de março de 1991, e 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e dá outras providências””. RELATOR: Deputado CARLOS BEZERRA. PARECER: pela inconstitucionalidade, injuridicidade, má técnica legislativa e, no mérito pela rejeição. Vista conjunta aos Deputados Félix Mendonça Júnior e João Paulo Lima, em 03/08/2011. O Deputado João Paulo Lima apresentou voto em separado em 16/08/2011. PROJETO DE LEI Nº 4.925/09 – da Sra. Jô Moraes – que “dispõe sobre o Cadastro Nacional de Invalidez Permanente e de Óbitos no Trânsito e dá outras providências”. RELATOR: Deputado GONZAGA PATRIOTA. PARECER: pela inconstitucionalidade. Vista conjunta aos Deputados Cesar Colnago, Edson Silva, Hugo Leal e Luiz Couto, em 10/08/2011. PROJETO DE LEI Nº 3.079/08 – do Sr. Chico Lopes – que “estabelece obrigatoriedade de divulgação de normas de segurança no transporte terrestre e aquaviário de passageiros”. RELATOR: Deputado JUTAHY JUNIOR. PARECER: pela inconstitucionalidade deste e do Substitutivo da Comissão de Viação e Transportes. PROJETO DE LEI Nº 5.624/09 – do Sr. Antonio Bulhões – que “acrescenta § 6º ao art. 43 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, “que dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências””. RELATOR: Deputado MAURÍCIO QUINTELLA LESSA. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade, técnica legislativa, com emenda, e, no mérito, pela aprovação. PROJETO DE LEI Nº 3.546/08 – do Sr. Eduardo Cunha – que “torna obrigatório a veiculação de mensagens PROJETO DE LEI Nº 6.409/09 – do Sr. Dr. Paulo César – que “altera o Anexo da Lei nº 5.917, de 10 de PROJETO DE LEI Nº 5.464/09 – da Sra. Gorete Pereira – que “institui o Dia Nacional do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional”. RELATOR: Deputado DR. GRILO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. 43770 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS setembro de 1973, que dispõe sobre o Plano Nacional de Viação, para alterar diretriz da BR-492, no Estado do Rio de Janeiro”. RELATOR: Deputado ANTHONY GAROTINHO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa deste, das Emendas apresentadas na Comissão de Viação e Transportes e do Substitutivo da mesma Comissão. PROJETO DE LEI Nº 6.549/09 – do Sr. Neilton Mulim – que “acrescenta dispositivo à Lei nº 8.069,de 13 de julho de 1990, para dispor sobre a unificação da data de realização da eleição de Conselheiro Tutelar e dá outras providências”. RELATORA: Deputada SANDRA ROSADO. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa, com emenda. PROJETO DE LEI Nº 799/11 – do Sr. Paulo Abi-Ackel – que “acrescenta à Lei nº 5.478 de 25 de Julho de 1968, que regulamenta a ação de alimentos, o art. 24-A para dispor sobre a inclusão, em Serviços de Proteção ao Crédito, daquele que deixar, sem justo motivo, de pagar a pensão alimentícia judicialmente fixada”. (Apensado: PL 906/2011) RELATOR: Deputado ANTONIO BULHÕES. PARECER: pela constitucionalidade, juridicidade, técnica legislativa e, no mérito, pela aprovação deste e do PL 906/2011, apensado, com substitutivo. AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-08-11 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) A – Da Análise da Constitucionalidade, Juridicidade e Mérito: PROJETO DE LEI Nº 1.867/07 – do Sr. Giovanni Queiroz – que “altera o § 4º, do art. 176 da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973”. RELATOR: Deputado FÉLIX MENDONÇA JÚNIOR. Agosto de 2011 RELATOR: Deputado GABRIEL GUIMARÃES. B – Da Análise da Constitucionalidade e Juridicidade (art. 54, I): PROJETO DE LEI Nº 1.263/03 – do Sr. Leonardo Monteiro – que “acrescenta alínea ao § 3º do art. 18 da Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991, alterado pela Lei nº 9.874, de 23 de novembro de 1999”. RELATOR: Deputado JUTAHY JUNIOR. PROJETO DE LEI Nº 2.742/03 – do Sr. Luis Carlos Heinze – que “prorroga o prazo para que sejam ratificadas as concessões e alienações de terras feitas pelos Estados em faixa de fronteira, e dá outras providências” (Apensado: PL 3105/2004) RELATOR: Deputado FABIO TRAD. PROJETO DE LEI Nº 6.338/05 – do Sr. Sandes Júnior – que “dispõe sobre o peso da mochila e similares a ser transportado pelo estudante”. RELATOR: Deputado MAURÍCIO QUINTELLA LESSA. PROJETO DE LEI Nº 1.033/07 – do Sr. Eduardo da Fonte – que “assegura a ampla defesa e o contraditório, em processo administrativo, ao consumidor de serviços de energia elétrica”. RELATOR: Deputado SANDES JÚNIOR. PROJETO DE LEI Nº 3.797/08 – do Sr. Valdir Colatto – que “altera a Lei Geral de Telecomunicações, para estabelecer a possibilidade de utilização das redes de telefonia móvel para localização de pessoas desaparecidas”. RELATOR: Deputado VIEIRA DA CUNHA. PROJETO DE LEI Nº 6.579/09 – do Senado Federal – Marcelo Crivella – (PLS 402/2005) – que “determina que seja mantida nos aeroportos homenagem permanente a Alberto Santos Dumont”. (Apensado: PL 5437/2009) RELATOR: Deputado PASTOR MARCO FELICIANO. PROJETO DE LEI Nº 7.491/10 – do Sr. Sandro Mabel – que “inclui na Lei nº 5.917, de 10 de setembro de 1973, que aprova o Plano Nacional de Viação, o trecho rodoviário que especifica”. RELATOR: Deputado ARNALDO FARIA DE SÁ. PROJETO DE LEI Nº 83/11 – do Sr. Bernardo Santana de Vasconcellos – que “dispõe sobre o penhor rural de madeira, produtos madeireiros e demais produtos da floresta plantada”. RELATOR: Deputado MAURÍCIO QUINTELLA LESSA. PROJETO DE LEI Nº 7.513/10 – do Poder Executivo – (AV 369/2010) – que “autoriza a Fundação Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD a alienar, por meio de doação, imóvel à Fundação Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS”. RELATOR: Deputado FABIO TRAD. PROJETO DE LEI Nº 1.755/11 – do Sr. Ronaldo Benedet – que “inclui dispositivos na Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994; altera dispositivo da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985; altera dispositivo da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; e dá outras providências”. PROJETO DE LEI Nº 78/11 – do Sr. Duarte Nogueira – que “acrescenta dispositivo ao art. 87 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro, para dispor sobre semáforos”. RELATOR: Deputado JAIME MARTINS. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº 522/11 – da Sra. Ana Arraes – que “inscreve o nome de Bárbara Pereira de Alencar no “Livro dos Heróis da Pátria””. RELATORA: Deputada SANDRA ROSADO. PROJETO DE LEI Nº 785/11 – do Sr. Onofre Santo Agostini – que “dispõe sobre a obrigatoriedade de existência de Pontos de Apoio nas rodovias e dá outras providências”. (Apensado: PL 910/2011) RELATOR: Deputado GEAN LOUREIRO. Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO A – Da Análise da Constitucionalidade, Juridicidade e Mérito: PROJETO DE LEI Nº 506/07 – do Sr. Sérgio Barradas Carneiro – que “altera e revoga dispositivos do Código Civil, relativos à filiação”. RELATOR: Deputado VIEIRA DA CUNHA. DECURSO: 5ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 23-08-11 Terça-feira 23 43771 Convidados: STENIO GRANGEIRO LOUREIRO -Analista de Finanças e Controle da Controladoria Geral da União; (Confirmado) BENJAMIN ZYMLER – Ministro do Tribunal de Contas da União RODRIGO TERRA – Promotor do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro. CARLOS ALBERTO CACAU DE BRITO – Coordenador do PROCON/RJ JOSÉ HILÁRIO PORTES– Superintendente de Operação e Manutenção de Rede da LIGHT. (Confirmado) NELSON JOSÉ BÜBNER MOREIRA – Diretor-Geral da ANEEL BRUNO ARMBRUST – Presidente da CEG Rio – Gás Natural Fenosa. (Confirmado) AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-08-11 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) Substitutivo (Art. 119, II e §1º) A – Da Análise da Constitucionalidade, Juridicidade e Mérito: AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 407/99 – do Sr. Costa Ferreira – que “dá nova redação ao art. 7º e ao art. 12 da Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994, ampliando a competência dos oficiais de registro civil das pessoas naturais e de interdições e tutelas”. (Apensados: PL 471/1999, PL 1750/1999, PL 3350/2000 (Apensados: PL 1257/2003, PL 1578/2003, PL 2902/2008, PL 4803/2009 (Apensado: PL 6258/2009) e PL 1499/2011) e PL 7704/2006) RELATOR: Deputado VICENTE ARRUDA. PROJETO DE LEI Nº 506/07 – do Sr. Sérgio Barradas Carneiro – que “altera e revoga dispositivos do Código Civil, relativos à filiação”. RELATOR: Deputado VIEIRA DA CUNHA. COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR REUNIÃO ORDINÁRIA AUDIÊNCIA PÚBLICA LOCAL: Anexo II, Plenário 04 HORÁRIO: 14h30min A – Audiência Pública: Obter esclarecimentos acerca da explosão de bueiros, na cidade do Rio de Janeiro. Requerimento nº 58/2011, do Sr. Deputado Áureo PROJETO DE LEI Nº 234/11 – do Sr. Sandes Júnior – que “inclui os parágrafos primeiro e segundo ao art. 781 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil, de modo estabelecer normas sobre indenização para os contratos de seguro de veículos automotores”. RELATOR: Deputado RICARDO IZAR. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-08-11 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 5.563/09 – do Sr. Carlos Bezerra – que “dispõe sobre a obrigatoriedade de prova de regularidade fiscal às empresas que pretenderem incluir o nome de consumidor inadimplente em bancos de dados de proteção ao crédito ou entidades afins”. RELATOR: Deputado DIMAS RAMALHO. PROJETO DE LEI Nº 64/11 – do Sr. Otavio Leite – que “disciplina o procedimento que deverá ser executado pelo fabricante do veículo que necessite proceder a chamada para consertos e/ou troca de peça (recall), estabelece exigência para vistoria anual e transferência de propriedade de veículo automotor e dá outras providências”. RELATOR: Deputado RICARDO IZAR. 43772 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Agosto de 2011 PROJETO DE LEI Nº 198/11 – do Sr. Sandes Júnior – que “dispõe sobre as sacolas oferecidas gratuitamente pelo fornecedor ao consumidor final para embalagem ou reembalagem de produtos e dá outras providências”. RELATOR: Deputado ANTÔNIO ROBERTO. aos consumidores de veículos automotores novos, nos termos que especifica”. RELATOR: Deputado JOÃO MAIA. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-08-11 PROJETO DE LEI Nº 417/11 – do Sr. Eli Correa Filho – que “altera a Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, a fim de incluir o Artigo 44-A”. RELATOR: Deputado CÉSAR HALUM. Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 1.623/11 – do Sr. Miriquinho Batista – que “dispõe sobre a obrigatoriedade de divulgação do prazo de validade dos produtos ou serviços colocados em promoção”. RELATOR: Deputado FRANCISCO ARAÚJO. PROJETO DE LEI Nº 1.677/11 – do Sr. Inocêncio Oliveira – que “modifica o § 1º, do art. 16, da Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998, que “dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde””. RELATOR: Deputado GEAN LOUREIRO. PROJETO DE LEI Nº 1.767/11 – do Sr. Eli Correa Filho – que “dispõe sobre a pesagem de produto pré-medido”. RELATORA: Deputada NILDA GONDIM. PROJETO DE LEI Nº 1.807/11 – do Sr. Francisco Araújo – que “acrescenta parágrafo ao art. 51 da Lei n.º 8.078, de 11 de setembro de 1990, para permitir ao julgador declarar, de ofício, a nulidade das cláusulas abusivas”. RELATOR: Deputado ROBERTO SANTIAGO. COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 26-08-11 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 3.401/08 – do Sr. Bruno Araújo – que “disciplina o procedimento de declaração judicial de desconsideração da personalidade jurídica e dá outras providências”. (Apensado: PL 4298/2008) RELATOR: Deputado VALDIVINO DE OLIVEIRA. PROJETO DE LEI Nº 754/11 – do Sr. Hugo Leal – que “altera a Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, de forma a obrigar as montadoras e importadoras de veículos automotores a fornecerem garantia adicional PROJETO DE LEI Nº 1.119/11 – do Sr. Lira Maia – que “cria Área de Livre Comércio no Município de Marabá, no Estado do Pará, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado FRANCISCO PRACIANO. PROJETO DE LEI Nº 1.678/11 – do Sr. Inocêncio Oliveira – que “modifica o Art. 79 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971”. RELATOR: Deputado ÂNGELO AGNOLIN. PROJETO DE LEI Nº 1.686/11 – do Sr. Antônio Roberto – que “altera os arts. 72 e 227 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), para disciplinar a jornada de trabalho dos digitadores e dos operadores de telemarketing”. RELATOR: Deputado CARLOS ROBERTO. PROJETO DE LEI Nº 1.778/11 – do Sr. Guilherme Campos – que “dispõe sobre a suspensão e cassação da eficácia da inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas do Ministério da Fazenda – CNPJ/ MF de estabelecimentos que distribuam, adquiram, comercializem, transportem ou estoquem produtos que tenham sido objeto de contrafação, crimes contra a marca, sonegação de tributos ou furto ou roubo”. RELATOR: Deputado ROMERO RODRIGUES. PROJETO DE LEI Nº 1.788/11 – do Sr. Mendonça Filho – que “dispõe sobre a restrição de financiamento de operações de concentração econômica pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal”. RELATOR: Deputado JOÃO MAIA. COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-08-11 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº 803/11 – do Sr. Nelson Pellegrino e outros – que “dispõe sobre modificação de registro civil de afrodescendente”. RELATOR: Deputado MÁRCIO MARINHO. COMISSÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA REUNIÃO ORDINÁRIA AUDIÊNCIA PÚBLICA LOCAL: Anexo II, Plenário 10 HORÁRIO: 14h TEMA: Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE (Requerimentos nº 45/11, da Deputada Fátima Bezerra, e nº 47/11, da Deputada Professora Dorinha Seabra Rezende) Convidados: VALDIR AGAPITO TEIXEIRA Secretário Federal de Controle Interno (CGU) JOSÉ CARLOS WANDERLEY DIAS FREITAS Presidente Fundo Nacional de Desenvolvimento em Educação (FNDE/MEC) MARIA NILENE BADECA DA COSTA Presidenta do Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) HELENO ARAÚJO FILHO Secretário de Assuntos Institucionais (CNTE) CLEUZA RODRIGUES REPULHO Presidenta da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME) PAULO ROBERTO ZIULKOSKI Presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) YANN EVANOVICK Presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) Terça-feira 23 43773 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 93/11 – do Sr. Bernardo Santana de Vasconcellos – que “denomina “Rodovia Benedito de Paula Nascimento” o trecho da rodovia BR-146, entre as cidades de Araxá e Patos de Minas, no Estado de Minas Gerais”. COMISSÃO DE FINANÇAS E TRIBUTAÇÃO AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-08-11 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) A – Da Análise da Adequação Financeira e Orçamentária e do Mérito: PROJETO DE LEI Nº 1.741/07 – do Sr. Chico Alencar – que “dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas pessoas jurídicas reguladas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, relativamente a operações realizadas por pessoas politicamente expostas”. RELATOR: Deputado CLÁUDIO PUTY. PROJETO DE LEI Nº 6.474/09 – do Sr. Jaime Martins – que “institui o Programa Bicicleta Brasil, para incentivar o uso da bicicleta visando a melhoria das condições de mobilidade urbana”. RELATOR: Deputado JOSE STÉDILE. PROJETO DE LEI Nº 7.980/10 – do Poder Executivo – (AV 827/2010) – que “dispõe sobre o Programa de Financiamento da Ampliação e Modernização da Frota Pesqueira Nacional – Profrota Pesqueira e dá outras providências”. RELATOR: Deputado CLÁUDIO PUTY. AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 516/11 – do Sr. Leonardo Quintão – que “altera a Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, para incluir os bens destinados ao serviço de transporte ferroviário de passageiros no Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária – REPORTO”. RELATOR: Deputado FERNANDO COELHO FILHO. PROJETO DE LEI Nº 550/11 – do Sr. Weliton Prado – que “obriga os estabelecimentos de ensino a disponibilizarem assentos proporcionalmente adequados às pessoas obesas”. RELATOR: Deputado RENAN FILHO. DECURSO: 5ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 23-08-11 PROJETO DE LEI Nº 962/11 – do Sr. Pauderney Avelino – que “altera o caput do art. 1º da Medida Provisória nº 2.199-14, de 24 de agosto de 2001, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, para prorrogar, até 31 de dezembro de 2038, o prazo do incentivo de redução do imposto de renda de pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado em setores DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-08-11 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) 43774 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS econômicos prioritários para o desenvolvimento nas áreas de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE e da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia – SUDAM, e dá outras providências” RELATOR: Deputado CLÁUDIO PUTY. PROJETO DE LEI Nº 1.726/11 – do Sr. Rodrigo de Castro – que “concede benefícios fiscais do Imposto sobre a Renda, do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados a empresas industriais em municípios com até quinze mil habitantes”. RELATORA: Deputada SOLANGE ALMEIDA. B – Da Análise da Adequação Financeira e Orçamentária (art. 54): PROJETO DE LEI Nº 2.830/03 – do Sr. Hamilton Casara – que “dispõe sobre a obrigatoriedade da existência prévia de levantamento geológico para a definição de áreas que tratam o inciso III do § 1º do art. 91, inciso III do § 1º do art. 225 e o art. 231, da Constituição Federal, e dá outras providências”. (Apensado: PL 3519/2004) RELATOR: Deputado ANDRE VARGAS. PROJETO DE LEI Nº 7.785/10 – do MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO – que “institui a Gratificação de Controle Interno – GCI e a Gratificação de Atividade de Orçamento – GAO no âmbito do Ministério Público da União e do Conselho Nacional do Ministério Público”. RELATOR: Deputado JÚLIO CESAR. PROJETO DE LEI Nº 41/11 – do Sr. Weliton Prado – que “modifica a Lei nº 6.088, de 16 de julho de 1974, que “dispõe sobre a criação da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco – Codevasf – e dá outras providências””. (Apensado: PL 1479/2011) RELATOR: Deputado RUI COSTA. Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO A – Da Análise da Adequação Financeira e Orçamentária e do Mérito: PROJETO DE LEI Nº 305/07 – do Sr. Armando Monteiro – que “altera a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 e a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que dispõe sobre a apuração do imposto de renda pelo lucro presumido”. (Apensados: PL 1848/2007, PL 1917/2007, PL 6082/2009, PL 7629/2010 e PL 7717/2010) RELATOR: Deputado JÚLIO CESAR. Agosto de 2011 COMISSÃO DE FISCALIZAÇÃO FINANCEIRA E CONTROLE REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA AUDIÊNCIA PÚBLICA LOCAL: Anexo II, Plenário 14 HORÁRIO: 14h30min A – Audiência Pública: Reunião Extraordinária de Audiência Pública para discutir e esclarecer a situação da destinação de veículos e mercadorias apreendidas pela Receita Federal em Foz do Iguaçu, no Estado do Paraná. Requerimento nº 102/11, de autoria do Deputado Edio Lopes, aprovado em 06 de julho de 2011. Convidados: Sr. Orlando Moreira da Silva, Diretor do Denatran (confirmado); Representantes da Receita Federal do Brasil: Sr. Marcelo de Melo Souza, Subsecretário de Gestão Corporativa (confirmado); Sr. Luiz Bernardi, Superintendente Regional da 9ª Região Fiscal, (confirmado) Rafael Rodrigues Dolzan, Delegado da Receita Federal do Brasil em Foz do Iguaçu. (confirmado) COMISSÃO DE LEGISLAÇÃO PARTICIPATIVA SEMINÁRIO LOCAL: Anexo II, Plenário 03 HORÁRIO: 14h30min A – Seminário: Tema: 1º SEMINÁRIO DOS SERVIDORES DO JUDICIÁRIO NOS ESTADOS. ORIGEM: Sugestão nº 15/11 – de autoria da Federação Nacional dos Servidores do Judiciário nos Estados – FENAJUD RELATORIA: Deputada Marina Santanna. EXPOSITORES CONVIDADOS: Representante da Câmara dos Deputados; Ministro CÉSAR PELUSO ou representante – Supremo Tribunal Federal; Deputada ALICE PORTUGAL – Autora da PEC 190/07; Deputada LUIZA ERUNDINA; Deputado MANOEL JÚNIOR – Relator da PEC 190/07; e Presidente MARIA JOSÉ S. SILVA – Federação Nacional dos servidores do Judiciário nos Estados (FENAJUD). Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS COMISSÃO DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-08-11 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 2.441/07 – do Sr. Celso Maldaner – que “altera a Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006, que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica e dá outras providências”. (Apensados: PL 2751/2008 e PL 2995/2008) RELATOR: Deputado IRAJÁ ABREU. DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-08-11 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 516/07 – do Sr. Henrique Fontana – que “dispõe sobre a obrigatoriedade de as empresas concessionárias de serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens (emissoras de rádio e televisão) veicularem campanha institucional de educação e preservação ambiental”. (Apensado: PL 4048/2008) RELATOR: Deputado LEONARDO MONTEIRO. COMISSÃO DE MINAS E ENERGIA AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-08-11 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 1.842/11 – do Sr. Felipe Bornier – que “dispõe sobre a revogação da Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, que instituiu a CIDE Combustíveis e também de diversos dispositivos legais que tratam da tributação dos combustíveis pela contribuições sociais para o Pis/Pasep e Cofins”. RELATOR: Deputado LUIZ ARGÔLO. Terça-feira 23 43775 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 866/11 – do Sr. Onofre Santo Agostini – que “dispõe sobre a construção e reforma de postos revendedores de combustíveis, estabelece a obrigatoriedade na execução de medidas preventivas de proteção ao meio ambiente e de segurança contra explosões e incêndios, e da outras providências”. RELATOR: Deputado EDINHO BEZ. DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 26-08-11 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 3.986/08 – do Senado Federal – Renato Casagrande – (PLS 204/2008) – que “altera dispositivos da Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, e da Lei nº 10.848, de 15 de março de 2004, para promover a geração e o consumo de energia de fontes renováveis”. RELATOR: Deputado LUIZ FERNANDO MACHADO. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-08-11 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 1.801/11 – do Sr. Ronaldo Caiado – que “altera a Lei nº 10.308, de 20 de novembro de 2001, estabelecendo que a construção de depósito intermediário ou final de rejeitos radioativos deverá ser aprovada, previamente, por meio de plebiscito”. RELATOR: Deputado ONOFRE SANTO AGOSTINI. DECURSO: 5ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 23-08-11 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 7.525/10 – da Sra. Elcione Barbalho – que “dispõe sobre a constituição de reserva para fazer frente a eventuais danos ambientais e sócio-econômico causados por vazamento de petróleo ou de gás natural decorrente de acidente ou falha de operação em equipamentos para exploração e produção de hidrocarbonetos”. RELATOR: Deputado ADRIAN. 43776 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS COMISSÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO REUNIÃO ORDINÁRIA AUDIÊNCIA PÚBLICA LOCAL: Anexo II, Plenário 16 HORÁRIO: 14h Tema: Debater a decisão do governo boliviano de legalizar todos os veículos importados que circulam sem documentos naquele país. Convidados: SÉRGIO ANTÔNIO REZE, Presidente da Fenabrave; RAPHAEL PERISSÊ RODRIGUES BARBOSA, Procurador da República; Um representante do Departamento de Polícia Federal; e NEIVAL RODRIGUES FREITAS, Diretor da FENSEG – Federação Nacional de Seguros Gerais. Requerimentos nºs 74/11 e 81/11. Autores: Deputados Delegado Protógenes (PCdoB/ SP), Perpétua Almeida (PCdoB/AC) e Romero Rodrigues (PSDB/PB) AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-08-11 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 709/11 – do Sr. Weliton Prado – que “institui o certificado Parceiros da Ressocialização às pessoas jurídicas que contratarem egressos e sentenciados acautelados do sistema prisional e dá outras providências”. RELATORA: Deputada BENEDITA DA SILVA. PROJETO DE LEI Nº 710/11 – do Sr. Weliton Prado – que “dispõe sobre a obrigatoriedade da afixação de cartazes em boates e casas noturnas alertando sobre os riscos do uso das drogas”. RELATOR: Deputado WILLIAM DIB. PROJETO DE LEI Nº 1.685/11 – do Sr. Eros Biondini – que “autoriza transferência, a título de contribuição de capital, mediante celebração de convênios entre a União e as Associações de Proteção e Assistência aos Condenados – APACs, em atenção ao disposto no §6º do art. 12 da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964”. RELATOR: Deputado JAIR BOLSONARO. Agosto de 2011 PROJETO DE LEI Nº 1.693/11 – da Sra. Iracema Portella – que “dispõe sobre o Sistema Nacional de Informações sobre Drogas – SINAID”. RELATOR: Deputado ENIO BACCI. PROJETO DE LEI Nº 1.754/11 – do Sr. Ronaldo Benedet – que “altera, inclui e revoga dispositivos na Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994; revoga dispositivo da Lei nº 9.527, de 10 de dezembro de 1997; e dá outras providências”. RELATOR: Deputado NELSON PELLEGRINO. PROJETO DE LEI Nº 1.800/11 – do Sr. João Campos – que “acrescenta o inciso X ao art. 6º, do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 – Código de Processo Penal, tornando obrigatória a recognição visuográfica do local do crime”. RELATOR: Deputado DELEGADO PROTÓGENES. PROJETO DE LEI Nº 1.819/11 – do Sr. Pauderney Avelino – que “estabelece condições para cumprimento de pena privativa de liberdade em hospitais-presídios”. RELATOR: Deputado WILLIAM DIB. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-08-11 Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 701/11 – do Sr. Valadares Filho – que “altera a Lei nº 10.201, de 14 de fevereiro de 2001, que institui o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), e dá outras providências, para dispor sobre a participação de representantes da sociedade nos conselhos de segurança pública”. RELATOR: Deputado JOSÉ AUGUSTO MAIA. COMISSÃO DE SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA REUNIÃO SUBCOMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A TRATAR DO FINANCIAMENTO, REESTRUTURAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE. LOCAL: Fiocruz de Brasilia HORÁRIO: 14h A – Mesa Redonda: TEMA “Modelo de gestão do Sistema Único de Saúde e proposta para o financiamento do setor Saúde”. CONVIDADOS: Representantes da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO); Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 23 43777 REUNIÃO ORDINÁRIA Coordenadora da Convivência Comunitária e Familiar da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República MARIÂNGELA DE MEDEIROS BARBOSA Presidente do Departamento Científico da Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria RAQUEL BARROS Diretora Presidente da Associação de Formação e Reeducação Lua Nova ANA SUDÁRIO LEMOS SERRA Assessora Técnica da Coordenação da Saúde do Adolescente do Ministério da Saúde AUDIÊNCIA PÚBLICA AVISOS SUBCOMISSÃO ESPECIAL SOBRE O USO DE AGROTÓXICOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS À SAÚDE. LOCAL: Anexo II, Plenário 09 HORÁRIO: 14h PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) – Dra. Lígia Bahia e – Dr. Luiz Eugênio Portela. Representantes da Comissão de Orçamento e Financiamento do Conselho Nacional de Saúde (COFIN-CNS); – Dr. Fernando Luiz Eliotério, – Dr. Ronald Ferreira dos Santos, – Dr. Pedro Tourinho de Siqueira, – Dr. Silvio Roberto Leal da Silva, – Dr. Eli Iola Gurgel de Andrade e – Dr. Alcides Ribeiro dos Santos. A – Audiência Pública: Reunião de Audiência Pública para discutir sobre o Uso dos Agrotóxicos e suas Consequências à Saúde com enfoque nas pesquisas científicas. Convidados: Sr. WANDERLEY PIGNATI Professor Adjunto III do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Mato Grosso/UFMT Sra. RAQUEL RIGOTTO Professora Associada da Universidade Federal do Ceará/UFC Sr. MARCELO FIRPO DE SOUZA PORTO Pesquisador Titular do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana – Escola Nacional de Saúde Pública – Fundação Oswaldo Cruz Sr. TARCÍSIO MÁRCIO MAGALHÃES PINTO Professor Associado de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais/UFMG REUNIÃO ORDINÁRIA AUDIÊNCIA PÚBLICA LOCAL: Anexo II, Plenário 07 HORÁRIO: 14h30min A – Audiência Pública: REUNIÃO DE AUDIÊNCIA PÚBLICA (Requerimento nº 27/11 da Deputada Teresa Surita) Tema: “Discutir o tema da Gravidez na Adolescência”. Convidados: ALICE BITTENCOURT DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 29-8-11 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 4.129/08 – da Sra. Elcione Barbalho – que “altera a Lei nº 10.779, de 25 de novembro de 2003, para equiparar os catadores de siris e guaiamuns aos pescadores profissionais, com o objetivo de estender-lhes o benefício do seguro-desemprego nos períodos de defeso”. PROJETO DE LEI Nº 6.745/10 – do Senado Federal – Osmar Dias – (PLS 344/2006) – que “altera o § 4º do art. 5º da Lei nº 6.360, de 23 de setembro de 1976, para revogar a proibição de serem atribuídos nomes ou designações de fantasia aos medicamentos com uma única substância ativa e aos imunoterápicos”. RELATOR: Deputado CHICO D’ANGELO. PROJETO DE LEI Nº 6.766/10 – do Senado Federal – Romero Jucá – (PLS 330/2009) – que “dispõe sobre a doação de bens apreendidos pelos órgãos públicos federais aos Conselhos Tutelares e Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente”. RELATORA: Deputada TERESA SURITA. PROJETO DE LEI Nº 7.426/10 – do Sr. Homero Pereira – que “dispõe sobre a obrigatoriedade de informação nos dispositivos sonoros portáteis dos limites nocivos à audição e dá outras providências”. RELATOR: Deputado TONINHO PINHEIRO. PROJETO DE LEI Nº 75/11 – do Sr. Luiz Pitiman – que “dispõe sobre o atendimento em creches domiciliares das ciranças de 0 a 3 anos em consonância com o que dispõe a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988; o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 43778 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Agosto de 2011 nº 8.069, de 1990) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, (Lei nº 9.394 de 1996)”. RELATOR: Deputado OSMAR TERRA. der o direito ao benefício de prestação continuada ao estrangeiro domiciliado no Brasil”. RELATOR: Deputado ANTONIO BRITO. PROJETO DE LEI Nº 225/11 – do Sr. Sandes Júnior – que “cria a notificação compulsória dos casos de violência doméstica por toda a rede de serviços de saúde e secretarias de segurança pública existentes no território nacional”. RELATORA: Deputada ELCIONE BARBALHO. PROJETO DE LEI Nº 1.445/11 – do Sr. Rogério Carvalho – que “altera a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso) e a Lei nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994, que “dispõe sobre a política nacional do idoso, cria o Conselho Nacional do Idoso e dá outras providências”, para acrescentar novas diretrizes à política nacional do idoso e garantias de prioridades aos idosos”. RELATOR: Deputado JOSÉ LINHARES. PROJETO DE LEI Nº 538/11 – do Sr. João Dado – que “altera o art. 21 da Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973, que dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, para incluir o transporte desses produtos como atividade sujeita a licenciamento dos órgãos sanitários”. RELATOR: Deputado ALEXANDRE ROSO. PROJETO DE LEI Nº 1.467/11 – do Sr. Jonas Donizette – que “dispõe sobre cessação ou interrupção da fabricação de medicamentos de uso contínuo ou continuado e dá outras providências”. RELATOR: Deputado DR. PAULO CÉSAR. PROJETO DE LEI Nº 595/11 – do Sr. Dr. Aluizio – que “acrescenta o art. 6-A à Lei nº 5.991 de 17 de dezembro de 1973, para dispor sobre o recolhimento e o descarte consciente de medicamentos”. RELATOR: Deputado GERALDO RESENDE. PROJETO DE LEI Nº 1.475/11 – da Sra. Lauriete – que “institui o termo de esclarecimento prévio para procedimentos que imponham risco cirúrgico ou anestésico ao usuário”. RELATOR: Deputado MANDETTA. PROJETO DE LEI Nº 628/11 – da Sra. Nilda Gondim – que “altera a redação de dispositivos da Lei nº 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica e dá outras providências”. RELATORA: Deputada SUELI VIDIGAL. PROJETO DE LEI Nº 1.480/11 – do Sr. Felipe Bornier – que “proíbe a cobrança de taxas para que um acompanhante assista ao parto em maternidades privadas” RELATOR: Deputado ALEXANDRE ROSO. PROJETO DE LEI Nº 1.297/11 – do Sr. Giovani Cherini – que “dispõe sobre o exercício da profissão de Terapeuta Holístico e da outras providências”. RELATOR: Deputado AMAURI TEIXEIRA. PROJETO DE LEI Nº 1.336/11 – do Senado Federal – Tasso Jereissati – (PLS 310/2006) – que “altera os arts. 62, 66 e 67 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, o art. 1º da Lei nº 91, de 28 de agosto de 1935 e o art. 29 da Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, para dispor sobre a finalidade das fundações, o prazo para manifestação do Ministério Público sobre suas alterações estatutárias, a remuneração dos seus dirigentes, e dá outras providências”. (Apensado: PL 1624/2011) RELATORA: Deputada CIDA BORGHETTI. PROJETO DE LEI Nº 1.505/11 – do Sr. Dr. Aluizio – que “altera alíquotas do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos pelas concessionárias de rodovias e empresas de transporte rodoviário de passageiros e de cargas”. RELATORA: Deputada ROSINHA DA ADEFAL. PROJETO DE LEI Nº 1.527/11 – do Sr. Tiririca – que “altera o art. 23 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, que dispõe sobre a organização da assistência social, e dá outras providências, para prever a criação de programas de amparo às pessoas e famílias que exercem atividades circenses e de diversões itinerantes”. RELATOR: Deputado ANTONIO BULHÕES. PROJETO DE LEI Nº 1.432/11 – do Sr. Jorge Tadeu Mudalen – que “dispõe sobre a adoção tardia”. RELATORA: Deputada TERESA SURITA. PROJETO DE LEI Nº 1.553/11 – do Sr. Darcísio Perondi – que “acrescenta o inciso X ao art. 1º, altera a alinea b, do inciso II, do art. 3º, o inciso III, do art. 4º, o inciso III, do art. 9º, a alínea b, do §3º, do art. 18, o art. 25 e a alínea b, do seu §3º, todos da Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991”. RELATOR: Deputado GERALDO RESENDE. PROJETO DE LEI Nº 1.438/11 – do Sr. Carlinhos Almeida – que “altera a redação do art. 20 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, com o objetivo de esten- PROJETO DE LEI Nº 1.569/11 – do Sr. Hugo Motta – que “dispõe sobre a obrigatoriedade de os computadores comercializados no Brasil com benefícios fiscais Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS do Programa de Inclusão Digital do Governo Federal disporem de sistemas que permitam seu uso por portadores de deficiência visual”. PROJETO DE LEI Nº 1.605/11 – do Sr. Marçal Filho – que “altera a Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973, que dispõe sobre o Controle Sanitário do Comércio de Drogas, Medicamentos, Insumos Farmacêuticos e Correlatos, e dá outras Providências”. RELATOR: Deputado GERALDO RESENDE. PROJETO DE LEI Nº 1.606/11 – do Sr. Marçal Filho – que “dispõe sobre a dispensação de medicamentos para doenças raras e graves, que não constam em listas de medicamentos excepcionais padronizadas pelo Sistema Único de Saúde – SUS”. (Apensado: PL 1656/2011) RELATOR: Deputado DARCÍSIO PERONDI. PROJETO DE LEI Nº 1.608/11 – da Sra. Sandra Rosado – que “acrescenta dispositivos aos arts. 1.726 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – que “institui o Código Civil”, e nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que “dispõe sobre os registros públicos, e dá outras providências”, a fim de facilitar a conversão da união estável em casamento”. RELATOR: Deputado JOÃO CAMPOS. PROJETO DE LEI Nº 1.616/11 – da Sra. Sueli Vidigal – que “dispõe sobre a obrigatoriedade de manutenção de um profissional da área de enfermagem, enfermeiro ou técnico de enfermagem, nas unidades da rede pública de creches e escolas de educação infantil, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado GERALDO RESENDE. PROJETO DE LEI Nº 1.618/11 – do Sr. Roberto Britto – que “dispõe sobre a criação de código de acesso telefônico para informações e orientação sobre métodos contraceptivos e aborto”. RELATORA: Deputada NILDA GONDIM. PROJETO DE LEI Nº 1.622/11 – do Sr. Miriquinho Batista – que “institui a Residência em Enfermagem e dá outras providências”. RELATORA: Deputada BENEDITA DA SILVA. PROJETO DE LEI Nº 1.637/11 – do Senado Federal – Gilberto Goellner – (PLS 34/2010) – que “acrescenta art. 51-A à Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, para dispor sobre o cômputo especial do tempo de contribuição dos garimpeiros empregados e contribuintes individuais para fins de aposentadoria por idade”. RELATORA: Deputada ELCIONE BARBALHO. PROJETO DE LEI Nº 1.671/11 – do Senado Federal – Paulo Paim – (PLS 466/2003) – que “altera o inciso I do art. 74 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, que “dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Terça-feira 23 43779 Social e dá outras providências”, para estabelecer que a pensão por morte será devida a contar da data do óbito quando requerida no prazo máximo de 90 (noventa) dias, contado da data do falecimento do segurado”. (Apensado: PL 2982/2008 (Apensado: PL 5824/2009)) RELATORA: Deputada BENEDITA DA SILVA. PROJETO DE LEI Nº 1.714/11 – do Sr. Ratinho Junior – que “torna obrigatória a adoção de medidas de segurança e medicina do trabalho nas atividades laborais desenvolvidas por músicos vinculados a qualquer regime de trabalho e dá outras providências”. RELATOR: Deputado EROS BIONDINI. PROJETO DE LEI Nº 1.735/11 – da Sra. Sandra Rosado – que “altera a redação dos arts. 134 e 260 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, e o art. 6º da Lei nº 8.242, de 12 de outubro de 1991, para determinar a alocação de recursos nos orçamentos da União, dos Estados e dos Municípios para o financiamento e a manutenção dos Conselhos Tutelares”. (Apensado: PL 1993/2011) RELATOR: Deputado JOÃO ANANIAS. PROJETO DE LEI Nº 1.738/11 – do Sr. Geraldo Resende – que “dispõe sobre a Política Nacional de Vacinação contra a Leishmaniose animal”. RELATOR: Deputado MANDETTA. PROJETO DE LEI Nº 1.752/11 – da Sra. Andreia Zito – que “altera a Lei nº 11.664, de 29 de abril de 2008, para acrescentar o artigo 2º-A, dispondo sobre prazos máximos para a realização do exame mamográfico e encaminhamento aos serviços especializados”. RELATORA: Deputada FLÁVIA MORAIS. PROJETO DE LEI Nº 1.645/11 – do Sr. Romero Rodrigues – que “acrescenta parágrafos ao art. 6º da Lei nº 10.820, de 17 de dezembro de 2003, para exigir autorização de familiar nas operações de crédito consignado com idosos titulares de benefícios de aposentadoria e pensão do Regime Geral de Previdência Social”. RELATOR: Deputado LAEL VARELLA. Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 3.568/08 – do Sr. Eduardo Cunha – que “assegura o livre acesso do portador de deficiência visual a locais públicos e privados de quaisquer natureza, bem como em qualquer meio de transporte, acompanhado de seu cão guia”. RELATOR: Deputado DR. PAULO CÉSAR. DECURSO: 3ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 25-08-11 43780 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO Agosto de 2011 tuição Federal, e dá outras providências”. (Apensado: PL 294/2011) RELATORA: Deputada LUCI CHOINACKI. Substitutivo (Art. 119, II e §1º) PROJETO DE LEI Nº 6.687/09 – do Senado Federal – Patrícia Saboya – (PLS 227/2008) – que “altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, para tornar obrigatórias, na assistência à saúde da criança e do adolescente, as intervenções necessárias à promoção, proteção e recuperação do processo normal de crescimento e desenvolvimento”. RELATORA: Deputada TERESA SURITA. AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 166/11 – do Sr. Weliton Prado – que “dispõe sobre a criação de Casas Apoio destinadas ao atendimento de adolescentes grávidas”. (Apensado: PL 1911/2011) RELATORA: Deputada TERESA SURITA. DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-08-11 PROJETO DE LEI Nº 659/11 – da Sra. Nilda Gondim – que “acrescenta dispositivo ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – Lei nº 8.069, de 1990, para estabelecer prioridade em processo de adoção nos casos que especifica” RELATORA: Deputada FLÁVIA MORAIS. Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO PROJETO DE LEI Nº 7.500/10 – do Sr. Jorge Tadeu Mudalen – que “dá nova redação ao inciso II do art. 5º da Lei nº 6.316, de 17 de dezembro de 1975, e acrescenta parágrafo único ao art. 4º da Lei nº 9.696, de 1º de setembro de 1998, para dar competência aos Conselhos Federais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional e ao de Educação Física para criar normas de referências relativas à proporcionalidade entre alunos e profissionais nos estabelecimentos que demandam as atividades por esses fiscalizadas”. RELATORA: Deputada JÔ MORAES. DECURSO: 5ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 23-08-11 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 1.131/11 – da Sra. Eliane Rolim – que “dispõe sobre a concessão do direito a uma folga anual para a realização de exames de controle do câncer de mama e do colo de útero”. RELATORA: Deputada ERIKA KOKAY. PROJETO DE LEI Nº 1.638/11 – do Senado Federal – Gleisi Hoffman – (PLS 81/2011) – que “altera a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, para dispor sobre o período de carência para a concessão do benefício da aposentadoria por idade para as donas de casa de baixa renda previsto no § 13 do art. 201 da Consti- PROJETO DE LEI Nº 372/11 – da Sra. Manuela D’ávila – que “altera a Lei nº 10.048, de 8 de novembro de 2000, para estender às pessoas portadoras de doenças graves a prioridade de atendimento”. RELATOR: Deputado JOÃO ANANIAS. COMISSÃO DE TRABALHO, DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 4ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 24-08-11 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 1.872/07 – do Sr. Edinho Bez – que “acrescenta dispositivo à Lei nº 6.530, de 12 de maio de 1978, a fim de dispor sobre o corretor de imóveis associado”. RELATOR: Deputado LAERCIO OLIVEIRA. PROJETO DE LEI Nº 2.941/08 – do Senado Federal – Patrícia Saboya Gomes – que “dispõe sobre a difusão por órgãos públicos dos direitos fundamentais e dos direitos humanos, especialmente os que tratam de mulheres, crianças e adolescentes”. RELATORA: Deputada FLÁVIA MORAIS. PROJETO DE LEI Nº 5.326/09 – do Sr. Geraldo Resende – que “dispõe sobre a obrigatoriedade de divulgação de editais de concursos públicos impressos no Sistema Braille”. RELATOR: Deputado FILIPE PEREIRA. PROJETO DE LEI Nº 318/11 – do Sr. Bernardo Santana de Vasconcellos – que “regulamenta o exercício da atividade das Cooperativas de Profissionais da Saúde que menciona e dá outras providências”. RELATORA: Deputada FÁTIMA PELAES. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº 1.498/11 – da Sra. Gorete Pereira – que “acrescenta artigo à Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, a fim de excluir a responsabilidade pessoal dos diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores das entidades beneficentes de assistência social quanto a débitos trabalhistas e previdenciários”. RELATORA: Deputada SANDRA ROSADO. PROJETO DE LEI Nº 1.598/11 – do Sr. Eros Biondini – que “acrescenta o art. 10-A à Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, para dispor sobre convênios com entidades e organizações de assistência social e saúde”. RELATOR: Deputado AUGUSTO COUTINHO. PROJETO DE LEI Nº 1.667/11 – do Sr. Domingos Neto – que “determina percentual mínimo de 10% para contratação de jovens de 16 a 24 anos por pessoa jurídica à qual sejam concedidos benefícios fiscais relativos à realização da Copa das Confederações FIFA 2013, da Copa do Mundo FIFA 2014 e dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016”. RELATOR: Deputado EUDES XAVIER. PROJETO DE LEI Nº 1.676/11 – do Sr. Alberto Mourão – que “altera a Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, que institui normas gerais para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências”. RELATOR: Deputado DARCÍSIO PERONDI. PROJETO DE LEI Nº 1.701/11 – do Sr. Manato – que “institui o Programa Federal de Recompensa e Combate à Corrupção por meio do qual o informante que contribui para a elucidação de crime contra a Administração e Patrimônio públicos, bem como para a recuperação de valores e bens públicos desviados, recebe recompensa pecuniária, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado POLICARPO. PROJETO DE LEI Nº 1.720/11 – do Sr. Dr. Grilo – que “altera o art. 12 da Lei nº 605, de 5 de janeiro 1949, que “dispõe sobre o repouso semanal remunerado e o pagamento de salário nos dias feriados civis e religiosos”, para permitir que a multa aplicável por infração aos dispositivos dessa lei sejam revertidos em favor do empregado lesado”. RELATOR: Deputado LEONARDO QUINTÃO. PROJETO DE LEI Nº 1.748/11 – do Senado Federal – Valdir Raupp – (PLS 275/2011) – que “altera a Lei nº 7.064, de 6 de dezembro de 1982, para dispor sobre os trabalhadores contratados ou transferidos por seus empregadores para prestar serviços no exterior”. (Apensado: PL 3360/2008 (Apensado: PL 4609/2009)) RELATOR: Deputado JOÃO CAMPOS. PROJETO DE LEI Nº 1.804/11 – TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO – que “dispõe sobre a criação de funções comissionadas no Quadro de Pessoal da Terça-feira 23 43781 Secretaria do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região e dá outras providências”. RELATOR: Deputado JOVAIR ARANTES. PROJETO DE LEI Nº 1.805/11 – TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO – que “dispõe sobre a criação de cargos de provimento efetivo no Quadro de Pessoal da Secretaria do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região e dá outras providências”. RELATOR: Deputado EROS BIONDINI. PROJETO DE LEI Nº 1.827/11 – TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO – que “dispõe sobre a criação de cargos de provimento efetivo no Quadro de Pessoal da Secretaria do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região”. RELATORA: Deputada SANDRA ROSADO. PROJETO DE LEI Nº 1.829/11 – TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO – que “dispõe sobre a criação de cargos de provimento efetivo no Quadro de Pessoal da Secretaria do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região”. RELATOR: Deputado AUGUSTO COUTINHO. PROJETO DE LEI Nº 1.868/11 – TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO – que “dispõe sobre a extinção e transformação dos cargos de Auxiliar Judiciário em cargos de Técnico Judiciário e de Analista Judiciário nos Quadros de Pessoal da Secretaria dos Tribunais Regionais do Trabalho e dá outras providências”. RELATOR: Deputado ROBERTO SANTIAGO. PROJETO DE LEI Nº 1.869/11 – TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO – que “dispõe sobre a criação de cargos de provimento efetivo no Quadro de Pessoal da Secretaria do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região”. RELATOR: Deputado MAURO NAZIF. PROJETO DE LEI Nº 1.870/11 – TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO – que “dispõe sobre a criação de cargos de provimento efetivo e de cargos em comissão no Quadro de Pessoal da Secretaria do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região”. RELATOR: Deputado RONALDO NOGUEIRA. PROJETO DE LEI Nº 1.875/11 – TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO – que “dispõe sobre a criação de cargos de provimento efetivo no Quadro de Pessoal da Secretaria do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região”. RELATORA: Deputada SANDRA ROSADO. Substitutivo (Art. 119, II e §1º) AS PROPOSIÇÕES ABAIXO SOMENTE RECEBERÃO EMENDAS APRESENTADAS POR MEMBROS DESTA COMISSÃO 43782 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Agosto de 2011 PROJETO DE LEI Nº 6.940/10 – do Sr. Antonio Carlos Mendes Thame – que “altera a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, para permitir o pagamento de verbas rescisórias por meio de cheque administrativo”. RELATOR: Deputado AUGUSTO COUTINHO. PROJETO DE LEI Nº 1.815/11 – do Sr. Rubens Bueno – que “denomina o trecho da Rodovia BR-158 entre os municípios de Campo Mourão e Roncador, no Estado do Paraná, de “ESTRADA PREFEITO HORÁCIO AMARAL””. RELATOR: Deputado ZECA DIRCEU. PROJETO DE LEI Nº 7.679/10 – do Sr. Arnaldo Faria de Sá – que “dispõe sobre a imposição de multa às partes que interpuserem recursos meramente protelatórios na Justiça do Trabalho”. RELATOR: Deputado AUGUSTO COUTINHO. PROJETO DE LEI Nº 1.824/11 – do Poder Executivo – que “dispõe sobre a extinção do Fundo Nacional de Infraestrutura de Transportes – FNIT”. RELATOR: Deputado DEVANIR RIBEIRO. COMISSÃO DE VIAÇÃO E TRANSPORTES AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (5 SESSÕES) DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 26-08-11 Projetos de Lei (Art. 119, I e §1º) PROJETO DE LEI Nº 1.753/11 – do Sr. Ronaldo Benedet – que “dá denominação a viaduto que especifica”. RELATOR: Deputado EDINHO ARAÚJO. PROJETO DE LEI Nº 1.769/11 – do Sr. Diego Andrade – que “denomina “Rodovia Presidente Itamar Franco” a Rodovia BR 267, no Estado de Minas Gerais”. RELATOR: Deputado LEONARDO QUINTÃO. PROJETO DE LEI Nº 1.774/11 – do Sr. Onofre Santo Agostini – que “proíbe a cobrança de pedágio em rodovias que estejam com as obras inacabadas”. RELATOR: Deputado ZÉ SILVA. PROJETO DE LEI Nº 1.787/11 – do Sr. Antonio Bulhões – que “acrescenta parágrafo ao art. 115 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro, para dispor sobre a identificação dos caminhões-baú”. RELATOR: Deputado NEWTON CARDOSO. PROJETO DE LEI Nº 1.799/11 – do Sr. Efraim Filho – que “dá o nome de “VIADUTO GENERAL LYRA TAVARES” ao atual viaduto do Km 86,2 na BR 101 NE”. RELATOR: Deputado JOSÉ CHAVES. PROJETO DE LEI Nº 1.803/11 – do Sr. Giroto – que “altera a Lei nº 8.399, de 7 de janeiro de 1992 que especifica a destinação dos recursos originados por adicional tarifário criado pela Lei nº 7.920, de 12 de dezembro de 1989, que “cria o Adicional de Tarifa Aeroportuária e dá outras providências””. RELATOR: Deputado JOSE STÉDILE. PROJETO DE LEI Nº 1.849/11 – do Sr. Wellington Fagundes – que “inclui no Anexo da Lei nº 5.917, de 10 de setembro de 1973, que dispõe sobre o Plano Nacional de Viação, o trecho rodoviário que especifica”. RELATOR: Deputado VANDER LOUBET. II – COMISSÕES TEMPORÁRIAS COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A ACOMPANHAR A APLICAÇÃO DAS SEGUINTES LEIS DE ANISTIA: LEI Nº 8878/1994, QUE “DISPÕE SOBRE A CONCESSÃO DE ANISTIA”; LEI Nº 10.790/2003, QUE “CONCEDE ANISTIA A DIRIGENTES OU REPRESENTANTES SINDICAIS E TRABALHADORES PUNIDOS POR PARTICIPAÇÃO EM MOVIMENTO REIVINDICATÓRIO”; LEI Nº 11.282/2006, QUE “ANISTIA OS TRABALHADORES DA EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS-ECT PUNIDOS EM RAZÃO DA PARTICIPAÇÃO EM MOVIMENTO GREVISTA”; E LEI Nº 10.559/2002, QUE “REGULAMENTA O ARTIGO 8º DO ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS” REUNIÃO ORDINÁRIA LOCAL: Anexo II, Plenário 11 HORÁRIO: 14h30 A – Reunião de Instalação e Eleição: Instalação da Comissão e Eleição do Presidente e Vice-Presidentes. COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER À PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 443-A, DE 2009, DO SR. BONIFÁCIO DE ANDRADA, ESTABELECENDO QUE “O SUBSÍDIO DO GRAU OU NÍVEL MÁXIMO DAS CARREIRAS DA ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO, DAS PROCURADORIAS DOS ESTADOS E DO DISTRITO FEDERAL CORRESPONDERÁ A NOVENTA INTEIROS E VINTE E CINCO CENTÉSIMOS POR CENTO DO SUBSÍDIO Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 23 43783 MENSAL, FIXADO PARA OS MINISTROS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, E OS SUBSÍDIOS DOS DEMAIS INTEGRANTES DAS RESPECTIVAS CATEGORIAS DA ESTRUTURA DA ADVOCACIA PÚBLICA SERÃO FIXADOS EM LEI E ESCALONADOS, NÃO PODENDO A DIFERENÇA ENTRE UM E OUTRO SER SUPERIOR A DEZ POR CENTRO OU INFERIOR A CINCO POR CENTO, NEM EXCEDER A NOVENTA INTEIROS E VINTE E CINCO CENTÉSIMOS POR CENTO DO SUBSÍDIO MENSAL FIXADO PARA OS MINISTROS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, OBEDECIDO, EM QUALQUER CASO, O DISPOSTO NOS ARTIGOS 37, XI, E 39, § 4º” A – Reunião de Instalação: Instalação da Comissão e Eleição do Presidente e dos Vice-Presidentes. AVISOS REUNIÃO ORDINÁRIA PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (10 SESSÕES) DECURSO: 2ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 02-09-11 Proposta de Emenda à Constituição (Art. 202, §3º) PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 443/09 – do Sr. Bonifácio de Andrada – que “o subsídio do grau ou nível máximo das carreiras da Advocacia-Geral da União, das Procuradorias dos Estados e do Distrito Federal corresponderá a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal, e os subsídios dos demais integrantes das respectivas categorias da estrutura da advocacia pública serão fixados em lei e escalonados, não podendo a diferença entre um e outro ser superior a dez por centro ou inferior a cinco por cento, nem exceder a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal, obedecido, em qualquer caso, o disposto nos artigos 37, XI, e 39, § 4º”. (Apensado: PEC 465/2010) RELATOR: Deputado MAURO BENEVIDES. COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER AO PROJETO DE LEI Nº 1.749, DE 2011, DO PODER EXECUTIVO, QUE “AUTORIZA O PODER EXECUTIVO A CRIAR A EMPRESA PÚBLICA DENOMINADA EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES S.A. – EBSERH E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS” REUNIÃO ORDINÁRIA LOCAL: Anexo II, Plenário 08 HORÁRIO: 16h COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER AO PROJETO DE LEI Nº 7495, DE 2006, DO SENADO FEDERAL, QUE “REGULAMENTA OS §§ 4º E 5º DO ART. 198 DA CONSTITUIÇÃO, DISPÕE SOBRE O APROVEITAMENTO DE PESSOAL AMPARADO PELO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 2º DA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 51, DE 14 DE FEVEREIRO DE 2006, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS” (CRIA 5.365 EMPREGOS PÚBLICOS DE AGENTE DE COMBATE ÀS ENDEMIAS, NO ÂMBITO DO QUADRO SUPLEMENTAR DE COMBATE ÀS ENDEMIAS DA FUNASA) LOCAL: Anexo II, Plenário 15 HORÁRIO: 14h A – Deliberação de Requerimentos: REQUERIMENTO Nº 19/11 Do Sr. Domingos Dutra – que “requer a aprovação deste, extra pauta, a realização de seminário, em São Luiz do Maranhão, para tratar do piso salarial e diretrizes do plano de carreira dos agentes comunitário de saúde e combate a endemias”. COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER AO PROJETO DE LEI Nº 8046, DE 2010, DO SENADO FEDERAL, QUE TRATA DO “CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL” (REVOGA A LEI Nº 5.869, DE 1973) AVISOS PROPOSIÇÕES EM FASE DE RECEBIMENTO DE EMENDAS (20 SESSÕES) DECURSO: 1ª SESSÃO ÚLTIMA SESSÃO: 20-09-11 Projetos de Lei (Art. 205, §4º) PROJETO DE LEI Nº 8.046/10 – do Senado Federal – José Sarney – (PLS 166/2010) - “Código de Processo Civil”. COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROMOVER ESTUDOS E PROPOSIÇÕES DE POLÍTICAS PÚBLICAS E DE PROJETOS DE LEI DESTINADOS A COMBATER E PREVENIR OS EFEITOS DO CRACK E DE OUTRAS DROGAS ILÍCITAS. REUNIÃO ORDINÁRIA LOCAL: Anexo II, Plenário 05 HORÁRIO: 14h30 A – Audiência Pública: Convidados: 43784 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS LUIZ FLÁVIO SAPORI, Professor do Curso de Ciências Sociais da PUC/Minas Gerais; MARCUS VINÍCIUS PAIVA, Psicólogo da Clínica Mansão Vida. B – Deliberação de Requerimentos: REQUERIMENTO Nº 69/11 Do Sr. Givaldo Carimbão – que “solicita realização de Audiência Pública para ouvir os Presidentes das Frentes Parlamentares de Combate ao crack e outras drogas ilícitas das Assembleias Legislativas e das Câmaras de Vereadores das capitais”. III – COMISSÕES MISTAS COMISSÃO MISTA DE PLANOS, ORÇAMENTOS PÚBLICOS E FISCALIZAÇÃO REUNIÃO ORDINÁRIA Local: Plenário 02, Anexo II Horário: 14h30 PAUTA A – Relatórios PROJETO DE LEI Nº 07/2011-CN, que “abre ao Orçamento Fiscal da União, em favor dos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e do Turismo, crédito suplementar no valor global de R$ 19.285.346,00 (dezenove milhões, duzentos e oitenta e cinco mil, trezentos e quarenta e seis reais), para reforço de dotações constantes da Lei Orçamentária vigente”. RELATOR: Deputado GONZAGA PATRIOTA. Foram apresentadas 42 emendas. VOTO: favorável, nos termos do Projeto, com indicação pela inadmissibilidade das emendas de nºs 2, 17 a 26, 32 a 36 e 38 e pela rejeição das demais. PROJETO DE LEI Nº 15/2011-CN, que “abre ao Orçamento Fiscal da União, em favor dos Ministérios da Justiça e da Defesa, crédito especial no valor global de R$ 16.500.000,00 (dezesseis milhões e quinhentos mil reais), para os fins que especifica, e dá outras providências”. RELATOR: Senador SÉRGIO PETECÃO. Foram apresentadas 5 emendas. VOTO: favorável, nos termos do Projeto, com indicação pela inadmissibilidade das 5 emendas apresentadas. PROJETO DE LEI Nº 04/2011-CN, que “abre aos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União, em favor dos Ministérios do Meio Ambiente, da Integração Nacional e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, crédito especial no valor global de R$ 205.600.000,00 (duzentos e cinco milhões e seiscen- Agosto de 2011 tos mil reais), para os fins que especifica, e dá outras providências.” RELATOR: Deputado GIROTO. Foram apresentadas 145 emendas. VOTO: favorável, nos termos do Projeto, com indicação pela INADMISSIBILIDADE das emendas nºs 27, 28, 29, 32, 35, 36, 38, 39 e 40 e pela REJEIÇÃO das demais. PROJETO DE LEI Nº 13/2011-CN, que “abre ao Orçamento da Seguridade Social da União, em favor do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, crédito suplementar no valor de R$ 44.891.709,00 (quarenta e quatro milhões, oitocentos e noventa e um mil, setecentos e nove reais), para reforço de dotações constantes da Lei Orçamentária vigente”. RELATOR: Deputado CARLOS BRANDÃO. Foram apresentadas 18 emendas. VOTO: favorável, nos termos do Projeto. PROJETO DE LEI Nº 16/2011-CN, que “altera a Lei nº 11.653, de 7 de abril de 2008, e a Lei nº 12.309, de 9 de agosto de 2010”. RELATOR: Deputado MÁRCIO REINALDO MOREIRA. Foi apresentada 1 emenda. VOTO: favorável, nos termos do Substitutivo apresentado e pela REJEIÇÃO da emenda. PROJETO DE LEI Nº 12/2011-CN, que “abre ao Orçamento Fiscal da União, em favor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, crédito suplementar no valor de R$ 2.334.427,00 (dois milhões, trezentos e trinta e quatro mil, quatrocentos e vinte e sete reais), para reforço de dotações constantes da Lei Orçamentária vigente”. RELATOR: Deputado MARÇAL FILHO. Foram apresentadas 23 emendas. VOTO: favorável, nos termos do projeto, com indicação pela INADMISSIBILIDADE da emenda nº 06 e pela REJEIÇÃO das demais. MENSAGEM Nº 14/2011-CN, que “encaminha ao Congresso Nacional, nos termos do § 5º do art. 70 da Lei nº 12.309, de 9 de agosto de 2010, o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias de 2011”. RELATOR: Senador DELCÍDIO DO AMARAL. VOTO: Pelo arquivamento da matéria. MENSAGEM Nº 20/2011-CN, que “encaminha nos termos do § 4º do art. 70 da Lei nº 12.309, de 9 de agosto de 2010, o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, referente ao primeiro bimestre de 2011”. Mensagem nº 35/2011-CN, que “encaminha nos termos do § 4º do art. 70 da Lei nº 12.309, de 9 de agosto de Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 2010, o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, referente ao segundo bimestre de 2011”. RELATOR: Senador DELCÍDIO DO AMARAL. VOTO: Pelo arquivamento da matéria. PROJETO DE LEI Nº 14/2011-CN, que “Abre ao Orçamento de Investimento para 2011 crédito suplementar no valor total de R$ 445.643.156,00 (quatrocentos e quarenta e cinco milhões, seiscentos e quarenta e três mil e cento e cinquenta e seis reais), em favor de empresas estatais, e reduz o Orçamento de Investimento de empresas estatais no valor global de R$ 179.719.447,00 (cento e setenta e nove milhões, setecentos e dezenove mil e quatrocentos e quarenta e sete reais), para os fins que especifica”. RELATOR: Senador ACIR GURGACZ. Não foram apresentadas emendas. VOTO: favorável, nos termos do projeto. PROJETO DE LEI Nº 17/2011-CN, que “abre ao Orçamento Fiscal da União, em favor dos Ministérios da Justiça e da Defesa, crédito suplementar no valor global de R$ 150.673.479,00 (cento e cinquenta milhões, seiscentos e setenta e três mil, quatrocentos e setenta e nove reais), para reforço de dotações constantes da Lei Orçamentária vigente”. RELATOR: Deputado GONZAGA PATRIOTA. Foram apresentadas 9 emendas. VOTO: favorável, nos termos do Projeto, com indicação pela inadmissibilidade da emenda nº 4 e rejeição das demais. MENSAGEM Nº 107/2006-CN que “encaminha ao Congresso Nacional, nos termos do artigo 9º da Lei nº 10.933, de 11 de agosto de 2004, o relatório de avaliação do Plano Plurianual – (PPA) para 2004-2007”, (Ano base 2005); Mensagem nº 122/2007-CN que “encaminha ao Congresso Nacional o relatório de avaliação do Plano Plurianual para o período 2004-2007”, (Ano-base-2006); Mensagem nº 112/2008-CN que “encaminha ao Congresso Nacional, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.933, de 11 de agosto de 2004, o relatório de avaliação do Plano Plurianual 2004/2007”, (Ano base 2007). RELATOR: Deputado MARÇAL FILHO. VOTO: no sentido de que a Comissão tome conhecimento das matérias e demais documentos, bem como das apreciações e recomendações quanto aos “Relatórios de Avaliação do Plano Plurianual”, relativo aos exercícios de 2005, 2006 e 2007 e ao período 2004 – 2007 e determine o seu arquivamento. Terça-feira 23 43785 MENSAGEM Nº 67/2011-CN que “encaminha, nos termos do § 4º do art. 70 da Lei nº 12.309, de 09 de agosto de 2010, o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas referente ao terceiro bimestre de 2011”. RELATOR: Senador DELCÍDIO DO AMARAL. VOTO: Pelo arquivamento da matéria. B – Requerimentos REQUERIMENTO Nº 16/2011-CMO, do Sr. Efraim Filho, que “requer a constituição de Grupo de Trabalho para promover o aprimoramento ao ciclo das operações de repasse da Caixa Econômica Federal, visando a eficácia e a efetividade da execução do objeto contratual pelo mandatário, assim como a celeridade na liberação financeira dos contratados”. REQUERIMENTO Nº 17/2011-CMO, dos Srs. Danilo Forte, Benjamin Maranhão e Wellington Roberto, que “requer a constituição de Grupo de Trabalho para, em caráter preventivo, acompanhar e fiscalizar o planejamento, a execução e o cumprimento dos compromissos financeiros assumidos pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal com vistas à execução do ‘Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional’”. REQUERIMENTO Nº 22/2011-CMO, dos Srs. Gilmar Machado e Márcio Reinaldo Moreira, que “requer a realização de Audiência Pública da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização, CMO, com o Senhor Nelson Henrique Barbosa Filho, Secretário Executivo do Ministério da Fazenda, para prestar esclarecimento acerca dos royalties do Pr IV – COORDENAÇÃO DE COMISSÕES PERMANENTES ENCAMINHAMENTO DE MATÉRIA ÀS COMISSÕES EM 22/08/2011: Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania: RECURSO Nº 71/2011 (Encerra-se a sessão às 17 horas e 33 minutos) DESPACHOS DO PRESIDENTE OFÍCIOS 43786 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Agosto de 2011 Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PROPOSIÇÕES PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 35, DE 2011 (Do Sr. Onofre Santo Agostini) Altera o art. 7º, inciso XXXIII, da Constituição Federal para permitir que o adolescente possa ser empregado a partir dos quatorze anos (Deferido o req. N. 2.749/2011, Conforme o despacho do seguinte teor: “defiro o requerimento n. 2.749/2011. Apense-se a proposta de emenda à constituição n. 35/2011, À proposta de emenda à constituição n. 18/2011, Nos termos do art. 142, Caput e parágrafo único, C.C. O art. 143, Inciso II, alínea b, ambos do ricd. Publique-se. Oficie-se.”) PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 67, DE 2011 (Do Sr. Emiliano José) Dá nova redação ao inciso VI do art. 206 da Constituição Federal (Apense-se à(ao) PEC-267/2004. Proposição sujeita à apreciação do plenário regime de tramitação: especial) PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº 79, DE 2011 (Do Sr. Carlaile Pedrosa) Dispõe sobre o parcelamento de débitos tributários das microempresas e das empresas de pequeno porte Terça-feira 23 43787 (Apense-se à(ao) PLP-25/2007. Proposição sujeita à apreciação do plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº 82, DE 2011 (Do Sr. Rogério Peninha Mendonça) Altera a Lei Complementar nº 63, de 11 de janeiro de 1990, que “dispõe sobre critérios e prazos de crédito das parcelas do produto da arrecadação de impostos de competência dos Estados e de transferências por estes recebidos, pertencentes aos Municípios, e dá outras providências”. (Às comissões de finanças e tributação (mérito e art. 54, RICD) e constituição e justiça e de cidadania (mérito e art. 54, RICD) proposição sujeita à apreciação do plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 123, DE 2011 (Do Sr. Jonas Donizette) Dispõe sobre a pactuação de indexador de reajustamento em contrato de locação residencial e dá outras providências ([Atualização do despacho do projeto de lei n. 123/2011: CCJC (mérito e art. 54, RICD).]) PROJETO DE LEI Nº 767, DE 2011 (Do Sr. Lincoln Portela) Obriga a inscrição de mensagem nos rótulos dos alimentos ofertados ao consumidor alertando sobre a existência de ingredientes suínos 43788 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ([Atualização do despacho do pl n. 767/2011: CAPADR, CDC e CCJC (art. 54 RICD].) PROJETO DE LEI Nº 1.513, DE 2011 (Do Sr. Paulo Teixeira) Dispõe sobre a política de contratação e licenciamento de obras intelectuais subvencionadas pelos entes do Poder Público e pelos entes de Direito Privado sob controle acionário de entes da administração pública. (Às comissões de educação e cultura e constituição e justiça e de cidadania (mérito e art. 54, RICD) proposição sujeita à apreciação do plenário regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 1.664, DE 2011 (Do Sr. Edivaldo Holanda Junior) Altera a Lei nº 9.294 de 15 de julho de 1996 que “Dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígeros, bebidas alcoólicas, medicamentos, terapias e defensivos agrícolas, nos termos do § 4° do art. 220 da Constituição Federal”, alterando o conceito e limitando à propaganda e o merchandising editorial de bebidas alcoólicas (Apense-se à(ao) PL-330/2003. Proposição sujeita à apreciação do plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 1.722, DE 2011 (Do Sr. João Ananias) Altera a Lei nº 9.294, de 15 de julho de 1996, para proibir a propaganda de bebidas alcoólicas em eventos financiados com recursos públicos ou beneficiados com qualquer forma de renúncia fiscal por parte do Estado (Apense-se à(ao) PL-4846/1994. Proposição sujeita à apreciação do plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 1.955, DE 2011 (Do Sr. Alfredo Kaefer) Altera dispositivo da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, que “dispõe sobre a cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública, e dá outras providências” (Apense-se à(ao) PL-407/2011. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas Agosto de 2011 comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 1.963, DE 2011 (Do Sr. Jorge Corte Real) Determina que o concluinte de curso de graduação em instituição pública de educação superior preste serviço social remunerado em localidade ou comunidade carente de profissionais em sua respectiva área de formação e dá outras providências (Apense-se à(ao) PL-3265/2008. Proposição sujeita à apreciação do plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 1.968, DE 2011 (Do Sr. Domingos Sávio) Altera a redação do art. 139-A da Lei nº 12.009, de 29 de julho de 2009, acrescentando novo parágrafo (Às comissões de viação e transportes e constituição e justiça e de cidadania (art. 54 RICD) – art. 24, Ii proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 1.974, DE 2011 (Do Sr. Lucio Vieira Lima) Altera o inciso I, do art. 3º, da Lei nº 10.823, de 19 de dezembro de 2003 (Às comissões de agricultura, pecuária, abastecimento e desenvolvimento rural; finanças e tributação (mérito e art. 54, RICD) e constituição e justiça e de cidadania (art. 54 RICD) – art. 24, Ii proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 1.980, DE 2011 (Do Sr. Ratinho Junior) Torna obrigatória a instalação de guarda-volumes nas agências bancárias e estabelecimentos similares, na forma que especifica (Às comissões de finanças e tributação (mérito e art. 54, RICD) e constituição e justiça e de cidadania (art. 54 RICD) – art. 24, II proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terça-feira 23 43789 PROJETO DE LEI Nº 1.982, DE 2011 (Do Sr. Junji Abe) PROJETO DE LEI Nº 1.989, DE 2011 (Do Sr. Ivan Valente) Acrescenta o art. 266-A ao Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal (Apense-se à(ao) PL-1743/2011. Proposição sujeita à apreciação do plenário regime de tramitação: ordinária) Dá nova redação ao caput do Art. 522 e ao seu § 1º, da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e dá outras providências (Apense-se à(ao) PL-5401/2009. Proposição sujeita à apreciação do plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 1.984, DE 2011 (Do Sr. Jefferson Campos) Dispõe sobre a fixação de placas nos postos revendedores de combustíveis em todo território nacional (Às comissões de defesa do consumidor; desenvolvimento econômico, indústria e comércio e constituição e justiça e de cidadania (art. 54 RICD) proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 1.985, DE 2011 (Do Sr. Lázaro Botelho) Acrescenta inciso ao art. 252, da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro, para incluir infração pelo transporte indevido de bebidas alcoólicas (Às comissões de viação e transportes e constituição e justiça e de cidadania (art. 54 RICD) – art. 24, II proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 1.986, DE 2011 (Da Sra. Sandra Rosado) Altera a Lei nº 9.294, de 15 de julho de 1996, que dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígeros, bebidas alcoólicas, medicamentos, terapias e defensivos agrícolas, nos termos do § 4º do art. 220 da Constituição Federal, para instituir a obrigatoriedade de veiculação de mensagens educativas alusivas aos malefícios do consumo abusivo de álcool (Apense-se à(ao) PL-5561/2001. Proposição sujeita à apreciação do plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 1.991, DE 2011 (Do Sr. Ricardo Izar) Dispõe sobre as proibições de nomeação em cargos de direção, assessoria e em funções de confiança em todo o quadro dos Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, assim como nas Autarquias e Estatais. (Apense-se à(ao) PL-7705/2010. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 1.992, DE 2011 (Da Sra. Bruna Furlan) Dispõe sobre a obrigação de os cinemas realizarem a higienização dos óculos especiais utilizados para visualização de filmes em três dimensões (Às comissões de desenvolvimento econômico, indústria e comércio; seguridade social e família e constituição e justiça e de cidadania (art. 54 RICD) – art. 24, II proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 1.993, DE 2011 (Do Sr. Lindomar Garçon) Dispõe sobre o repasse de recursos públicos para o funcionamento dos Conselhos Tutelares Municipais (Apense-se à(ao) PL-1735/2011. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 1.996, DE 2011 (Do Sr. Mauro Nazif) Altera a Lei n.º 4.119, de 27 de agosto de 1962, para dispor sobre a jornada de trabalho dos psicólogos 43790 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS (Às comissões de seguridade social e família; trabalho, de administração e serviço público e constituição e justiça e de cidadania (art. 54 RICD) – art. 24, II proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 1.998, DE 2011 (Do Sr. Mauro Nazif) Estabelece a obrigatoriedade da instalação de creches e pré-escolas na proximidade de unidades de saúde (Às comissões de educação e cultura; finanças e tributação (art. 54 RICD) e constituição e justiça e de cidadania (art. 54 RICD) proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 2.003, DE 2011 (Do Sr. Carlos Eduardo Cadoca) Acrescenta artigo à Lei nº 1.060, de 5 de fevereiro de 1950, que estabelece normas para a concessão de assistência judiciária aos necessitados, determinando que o direito à gratuidade de justiça não preclui e pode ser pleiteado a qualquer tempo (Apense-se à(ao) PL-1737/2011. Proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 2.005, DE 2011 (Do Sr. Wellington Fagundes) Destina parcela dos recursos da COFINS para tratamento e recuperação de usuários de drogas por meio do Fundo Nacional Antidrogas e do Sistema Único de Saúde (Às comissões de segurança pública e combate ao crime organizado; seguridade social e família; finanças e tributação (mérito e art. 54, RICD) e constituição e justiça e de cidadania (art. 54 RICD) – art. 24, II proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 2.007, DE 2011 (Do Sr. Washington Reis) Acrescenta o art. 25-A à Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, dispondo sobre a reparação de danos causados por Agosto de 2011 concessionárias de serviços públicos nas situações que menciona. (Apense-se à(ao) PL-1397/2003. Proposição sujeita à apreciação do plenário regime de tramitação: prioridade) PROJETO DE LEI Nº 2.008, DE 2011 (Do Sr. Gabriel Guimarães) Denomina “Anel Rodoviário Helena Greco” o anel rodoviário de Belo Horizonte, trecho Entr. MG-437/MGT-262 – Entr. BR040/135/262/381 – Entr. BR-040/BR-356 – na BR-262/381/040, no Município de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais. (Às comissões de viação e transportes; educação e cultura e constituição e justiça e de cidadania (art. 54 RICD) – art. 24, II proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 2.009, DE 2011 (Do Sr. Francisco Escórcio) Restabelece a cobrança do Adicional de Indenização do Trabalhador Portuário Avulso – AITP e o suprimento do Fundo de Indenização do Trabalhador Portuário Avulso – FITP, aos quais se referem os arts. 61 a 67, da Lei nº 8.630, de 25 de fevereiro de 1993, que “dispõe sobre o regime jurídico da exploração dos portos organizados e das instalações portuárias e dá outras providências”. (Às comissões de trabalho, de administração e serviço público; finanças e tributação (mérito e art. 54, RICD) e constituição e justiça e de cidadania (art. 54 RICD) proposição sujeita à apreciação conclusiva pelas comissões – art. 24 II regime de tramitação: ordinária) PROJETO DE LEI Nº 2.012, DE 2011 (Do Senado Federal) PLS Nº 369/2009 Concede ao empregado responsável por pessoa com deficiência ou acometida por doença que exija tratamento especial a possibilidade de se ausentar do serviço, sem prejuízo do salário, para os fins que especifica, e dá outras providências (Às comissões de seguridade social e família; desenvolvimento econômico, indústria e comércio; trabalho, de administração e serviço público e constituição e justiça e de cidada- Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS nia (art. 54 RICD). Apensem-se a este o PL1038/2003 e seus apensados. Por oportuno, esclareço que em razão de o pl 1038/03 já ter sido apreciado pela CSSF, CDEIC, CTASP e pela CCJC, todo o bloco restará pronto para a pauta do plenário. Proposição sujeita à apreciação do plenário regime de tramitação: ordinária) REQUERIMENTO Nº 1.770, DE 2011 (Do Sr. Ronaldo Nogueira) Requerimento de Urgência para o PL 2277/1999 – Consolidação da Legislação Eleitoral e demais Leis alteradoras e correlatas (Devolva-se ao primeiro subscritor nos termos do art. 137, § 1º, c, do regimento interno da câmara dos deputados – RICD. Os projetos de lei de consolidação tramitam sob o regime especial instituído nos art. 212 e 213, com o qual não se compatibiliza a urgência prevista no art. 155, Todos do RICD. A própria natureza da consolidação de leis desaconselha sua realização de modo acelerado. Publique-se. Oficie-se.) Terça-feira 23 43791 REQUERIMENTO Nº 2.590, DE 2011 (Do Sr. Laercio Oliveira) Solicita apensação do PL 1686/2011 ao PL 6979/2010 (Indefiro, nos termos do parágrafo único do art. 142 do RICD, o pedido de apensação contido no requerimento n. 2590/2011, Tendo em vista que o pl n. 6979/2010, Que tramita sob regime de deliberação conclusiva no âmbito das comissões, já recebeu parecer de mérito da comissão de desenvolvimento econômico, indústria e comércio. Publique-se. Oficie-se.) REQUERIMENTO Nº 2.644, DE 2011 (Da Sra. Sandra Rosado) Requer a tramitação conjunta do Projeto de Lei n.º 457/2011 e do Projeto de Lei n.º 1790/2011 (Indefiro o requerimento n. 2644/2011, Tendo em vista que o PL n. 1790/2011, Desde seu despacho inicial, tramita em conjunto com o pl 457/2011 nos termos do art. 139, Inciso I, RICD.) REQUERIMENTO Nº 2.464, DE 2011 (Do Sr. Paulo Teixeira) REQUERIMENTO Nº 2.661, DE 2011 (Do Sr. Renan Filho) Solicita que seja revisto o despacho inicial da mesa ao PL 1310 de 2011 (Defiro o pedido contido no requerimento n. 2.464/2011. Desapensem-se o projeto de lei n. 4.946/2001 E seu apenso, o pl n. 1.310/2011, Bem como o projeto de lei n. 2.750/2003 E seus apensos, do projeto de lei n. 1.616/1999. Apensem-se o projeto de lei n. 2.750/2003 E seus apensos ao projeto de lei n. 4.946/2001, Tudo nos termos do art. 142, C.C. O art. 143, Inciso ii, alínea “b”, do regimento interno da câmara dos deputados. Em consequência, distribuam-se o projeto de lei n. 4.946/2001 E seus apensos às comissões de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, de minas e energia, de desenvolvimento urbano, de finanças e tributação (art. 54, RICD) e de constituição e justiça e de cidadania (art. 54, Ricd), e altere-se seu regime de tramitação para ordinário. Publique-se. Oficie-se. [Atualização do despacho do pl 4.946/2001: CMADS, CME, CDU, CFT (art. 54, RICD) e ccjc (art. 54, RICD). Regime de tramitação: ordinário].) Solicitar registro nos Anais desta Casa o nosso Voto de Louvor pelo grande sucesso do 5º Jogos Mundiais Militares, evento esportivo ocorrido no Rio de Janeiro entre os dias 16 e 24 de Julho deste ano (Publique-se. Oficie-se. Arquive-se.) REQUERIMENTO Nº 2.662, DE 2011 (Do Sr. Amauri Teixeira) Requer moção de pesar pelo passamento da Dra. Eliana Cardoso, falecida no último dia 06 de agosto de 2011 (Publique-se. Oficie-se. Arquive-se.) REQUERIMENTO Nº 2.726, DE 2011 (Do Sr. Newton Lima) Votos de congratulações à rádio INTERSOM FM pelos 25 anos do jornalismo da rádio (JORNAL DA INTERSOM e INTERSOM DEBATES (Publique-se. Oficie-se. Arquive-se.) 43792 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Agosto de 2011 REQUERIMENTO Nº 2.727, DE 2011 (Do Sr. Newton Lima) REQUERIMENTO Nº 2.765, DE 2011 (Do Sr. Genecias Noronha) Votos de congratulações ao Arcebispo Metropolitano de Brasília, Dom Sérgio da Rocha por sua posse na Arquidiocese de Brasília, dia 06 de agosto de 2011 na Catedral Metropolitana de Brasília (Publique-se. Oficie-se. Arquive-se.) Requer voto de congratulação em comemoração aos 75 anos de fundação do Jornal O Estado do Ceará (Publique-se. Oficie-se. Arquive-se.) REQUERIMENTO Nº 2.749, DE 2011 (Da Sra. Sandra Rosado) Requer a apensação da Proposta de Emenda à Constituição nº 35, de 2011 (Defiro o Requerimento n. 2.749/2011. Apense-se a proposta de emenda à constituição n. 35/2011, À proposta de emenda à constituição n. 18/2011, Nos termos do art. 142, Caput e parágrafo único, C.C. O art. 143, Inciso II, alínea b, ambos do RICD. Publique-se. Oficie-se.) REQUERIMENTO Nº 2.762, DE 2011 (Do Sr. Ricardo Izar) Solicita a redistribuição do PL nº 123/2011 (Defiro, nos termos do art. 141 do RICD, o requerimento n. 2762/2011 e, por conseguinte, revejo o despacho inicial para determinar a exclusão da comissão de defesa do consumidor. Publique-se. Oficie-se.[Atualização do despacho do projeto de Lei n. 123/2011: CCJC (mérito e art. 54, RICD).]) REQUERIMENTO Nº 2.763, DE 2011 (Do Sr. Eduardo Sciarra) Requer a revisão de despacho do Projeto de Lei 767/2011 para inclusão da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural para análise do mérito (Defiro, nos termos do art. 141 do RICD, o pedido contido no requerimento n. 2.763/2011, E revejo o despacho inicial aposto ao projeto de lei n. 767/2011 Para incluir a comissão de agricultura, pecuária, abastecimento e desenvolvimento rural, a qual deverá manifestar-se antes da comissão de defesa do consumidor. Publique-se. Oficie-se. [Atualização do despacho do pl n. 767/2011: CAPADR, CDC e CCJC (art. 54 RICD].) REQUERIMENTO Nº 2.773, DE 2011 (Do Sr. Leandro Vilela) Requer voto de pesar pelo falecimento do Senhor Eurípedes Franco de Moraes. (Publique-se. Oficie-se. Arquive-se.) REQUERIMENTO Nº 2.780, DE 2011 (Do Sr. Renato Molling) Requer a alteração do despacho relativo ao Projeto de Decreto Legislativo nº 3034, de 2010, para distribuí-lo também à Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, para análise de mérito (Indefiro o pedido de revisão do despacho inicial, contido no Requerimento nº 2780/2011, Nos termos do art. 141 do RICD, tendo em vista a distribuição haver sido feita nos termos regimentais. Publique-se. Oficie-se.) REQUERIMENTO Nº 2.797, DE 2011 (Do Sr. Valdir Colatto) Requer, nos termos do artigo 140, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, que a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, seja incluída na tramitação do PL 767/2011. (Prejudicado o Requerimento n. 2.797/2011 Em face do deferimento do Requerimento n. 2.763/2011, de mesma finalidade. Publique-se. Oficie-se.) REQUERIMENTO Nº 2.800, DE 2011 (Da Sra. Nilda Gondim) Requer a retirada do Projeto de Lei nº 831, de 2011, que “Dispõe sobre o exercício da Profissão de Agente de Turismo.” (Defiro, nos termos do art. 104, Caput, c.C o art. 114, VII, do RICD, o pedido de retirada do pl n. 831/2011. Publique-se.) REQUERIMENTO Nº 2.803, DE 2011 (Do Sr. Hugo Leal) Requer voto de pesar pelo falecimento do jornalista Rogério Marinho (Publique-se. Oficie-se. Arquive-se.) Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS REQUERIMENTO Nº 2.829, DE 2011 (Da Sra. Rosinha da Adefal) Moção de Votos de Parabens pelo 30º aniversario da Adefal (Publique-se. Oficie-se. Arquive-se.) REQUERIMENTO Nº 2.839, DE 2011 (Do Sr. Genecias Noronha) Requer voto de congratulação em comemoração aos 78 anos de Fundação da OAB Seção do Ceará, e do Dia do Advogado (Publique-se. Oficie-se. Arquive-se.) REQUERIMENTO Nº 2.840, DE 2011 (Do Sr. Gilmar Machado) Solicito a retirada da proposição de minha autoria o PL nº 4.120/2008 que “Determinam que as bombas que contenham álcool sejam denominadas de Bio-etanol e as de gasolina, que contenham mistura de 25% de Bio-etanol, de Bio-gasolina -G25E-Brasil” (Defiro a retirada do projeto de lei n. 4120/2008, Nos termos do art. 104, C/c o art. 114, VII, do RICD. Publique-se.) REQUERIMENTONº 2902, DE 2011 (Da Comissão Especial do PL nº 8.035, de 2010) Solicita prorrogação do prazo da Comissão proferir parecer ao PL 8.035, de 2010 (Defiro. “Ad referendum” do plenário. Publique-se.) PARECERES PROJETO DE LEI N.º 2.935-B, DE 2008 (Da Sra. Alice Portugal) Dispõe sobre a destinação dos bens de valor artístico, histórico e/ou cultural apreendidos, abandonados ou disponíveis, administrados por órgãos e entidades da administração pública federal e da justiça federal; tendo pareceres: da Comissão de Educação e Cultura, pela aprovação, com Substitutivo (relator: DEP. PEDRO WILSON) e da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa deste, com substitutivo, e do Substitutivo da Comissão de Educação e Cultura, com subemenda substitutiva (relator: DEP. MARÇAL FILHO). Terça-feira 23 43793 Despacho: Às Comissões de: Educação e Cultura e Constituição e Justiça e de Cidadania (Art. 54 RICD) Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação Conclusiva pelas Comissões – Art. 24 II Publicação do Parecer da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania I – Relatório Cuida-se no presente Projeto da destinação aos museus federais dos bens de valor artístico, histórico ou cultural que estejam sob guarda ou administração de órgãos e entidades da administração federal e da justiça federal. A título exemplificativo, o Projeto cita os bens que seriam destinados aos museus: bens apreendidos em decorrência das atividades de controle aduaneiro ou de fiscalização dos tributos; bens sujeitos à aplicação de pena de perdimento; bens recebidos em pagamento de dívidas e bens abandonados. Os bens elencados devem ter destinação na modalidade de incorporação às Unidades Museológicas do Ministério da Cultura. O parágrafo único do art. 2º define incorporação “como a transferência dos bens, destinados pela autoridade competente, para a administração da entidade ou órgão beneficiário, os quais passarão a constituir bem patrimonial da entidade ou órgão.” O art. 3º do Projeto dispõe que “cabe aos órgãos e entidades da administração pública federal e da justiça federal notificar o Ministério da Cultura, por intermédio do órgão responsável pelos museus, sobre a disponibilidade dos bens em referência a cada novo ingresso.” Segundo o art. 4º da proposição, “O Ministério da Cultura, após ser cientificado, manifestar-se-á quanto ao interesse na incorporação dos bens e procederá a retirada da mercadoria incorporada, no prazo de trinta dias”. O art. 5º do Projeto, por sua vez, dispõe: “É nula a disposição dos bens de valor artístico, histórico e ou cultural, apreendidos, abandonados ou disponíveis, administrados por órgãos e entidades da administração pública federal e da justiça federal, realizada sem a observância. Segundo a proponente do Projeto, o propósito deste é “criar um mecanismo legal que contribua decisivamente para a preservação do patrimônio histórico e artístico do nosso país”. A Comissão de Educação e Cultura aprovou a matéria, na forma de Substitutivo, elaborado pelo relator, o Deputado Pedro Wilson. Esse Substitutivo traz inovações: a possibilidade de guarda ou administração de bens de valor artístico, histórico ou cultural, que pas- 43794 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sem a integrar o patrimônio da União, por museus estaduais ou municipais, ou mesmo por museus privados. É o relatório. II – Voto do Relator Cabe a esta Comissão examinar as proposições quanto à constitucionalidade, à juridicidade e à técnica legislativa, consoante a alínea a do inciso IV do art. 32 do Regimento Interno desta Casa. Consoante o art. 24, IX, da Constituição da República compete à União legislar sobre cultura. Está assente na doutrina que tanto o valor artístico quanto o histórico integram o conceito de cultura. Esta relatoria não vê óbice à iniciativa parlamentar no caso. A matéria é, portanto, constitucional, salvo o art. 4º que assinala prazo para o Ministério da Cultura proceder à integração do bem ao seu patrimônio. No que concerne à juridicidade, o Projeto exibe alguns problemas que devem ser corrigidos por Substitutivo. Entre o art. 1º e o art. 2º, parágrafo único, há injuridicidade flagrante: o Projeto prevê a passagem ao patrimônio das unidades museológicas do Ministério da Cultura de bens apreendidos sob guarda ou administração de órgãos da administração pública federal e da justiça federal. Ora, o fato de estar sob guarda ou administração de órgão federal não significa que um determinado bem pertence à administração federal. E, não pertencendo, não haveria transferi-lo para o patrimônio de museus apenas por um artifício legal. Demais, havendo um corpo de conceitos já estabelecidos sobre a transferência de bens nos parece contraproducente a introdução do instituto da “destinação na modalidade incorporação”. Há problema, portanto, na técnica legislativa, ao se recorrer de forma desnecessária a um novo conceito para cobrir relação jurídica já convenientemente descrita por conceitos existentes, como transferência de propriedade. O Substitutivo da Comissão de Educação e Cultura repete de certa forma, os mesmos vícios do Projeto. Repete até a expressão “destinação na modalidade incorporação”. Ante o exposto, voto pela constitucionalidade, juridicidade e boa técnica legislativa do Projeto de Lei nº 2.935, de 2008, na forma do Substitutivo desta Relatoria; voto também pela constitucionalidade, juridicidade e boa técnica legislativa do Substitutivo apresentado na Comissão de Educação e Cultura, na forma de Substitutivo anexo. Sala da Comissão, 4 de agosto de 2010. – Deputado Marçal Filho, Relator. Agosto de 2011 SUBSTITUTIVO AO PROJETO DE LEI No 2.935, DE 2008 Dispõe sobre a destinação dos bens de valor cultural, artístico ou histórico aos museus, nas hipóteses que descreve. Art. 1º Consideram-se disponíveis para serem destinados ao patrimônio dos museus federais os bens de valor cultural, artístico ou histórico que passem a fazer parte do patrimônio da União nas seguintes hipóteses: I – apreensão em controle aduaneiro ou fiscal, seguida de pena de perdimento, após o respectivo processo administrativo ou judicial; II – cessão em pagamento de dívida; III – abandono. Art. 2º Os bens disponíveis, quando destinados às Unidades Museológicas da União, integrar-se-ão ao patrimônio de tais entidades. Art. 3º Cabe aos órgãos e entidades da administração federal e da justiça federal notificar o órgão ou entidade da União responsável pelos museus sobre a disponibilidade dos bens referidos a cada novo ingresso. Art. 4º O órgão ou entidade notificada manifestar-se-á sobre o interesse na destinação dos bens para aos museus. Art. 5º É nula a destinação aos museus dos bens de valor cultural, artístico ou histórico, adquiridos na forma das hipóteses descritas no art. 1º, sem a observância do disposto nesta Lei. Art. 6º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 4 de agosto de 2010. – Deputado Marçal Filho, Relator. SUBSTITUTIVO AO SUBSTITUTIVO DA COMISSÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA AO PROJETO DE LEI Nº 2.935, DE 2008 Dispõe sobre a destinação dos bens de valor cultural, artístico ou histórico aos museus, nas hipóteses que descreve. Art. 1º Consideram-se disponíveis para serem destinados ao patrimônio dos museus federais os bens de valor cultural, artístico ou histórico que fazem parte do patrimônio da União nas seguintes hipóteses: I – apreensão em controle aduaneiro ou fiscal, seguida de pena de perdimento, após o respectivo processo administrativo ou judicial; II – cessão em pagamento de dívida; III – abandono. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Art. 2º Entende-se por bem de valor cultural os definidos no art. 215 e no art. 216 da Constituição da República. Art. 3º Os bens disponíveis, quando destinados a Unidade Museológica da União, integrar-se-ão ao seu patrimônio. Parágrafo único. Não se aplica o disposto neste artigo aos bens de valor cultural que façam parte do acervo de instituições de caráter cultural sob a administração ou guarda de órgãos ou entidades da administração publica federal até a data da publicação desta Lei. Art. 4º Cabe aos órgãos e entidades da administração federal e da justiça federal notificar o órgão da União responsável pela gestão dos museus sobre a disponibilidade dos bens referidos a cada novo ingresso. Art. 5º O Ministério da Cultura, por meio do órgão ou entidade responsável, após ser notificado, manifestar-se-á quanto ao interesse na destinação dos bens e cuidará da transferência do bem à entidade que esse for destinado. § 1º O Conselho Consultivo de Patrimônio Museológico do Instituto Brasileiro de Museus será ouvido previamente sobre a conveniência de se destinar o bem aos museus. § 2º Em se tratando de bens tombados em nível federal, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional deverá se pronunciar quanto à destinação dos bens aos museus. Art. 7º A União, objetivando a adequada preservação e difusão dos bens referidos nesta Lei, poderá permitir a guarda e administração por museus pertencentes à esfera federal, estadual e municipal. § 1º Será dada preferência de destinação às instituições museológicas federais. § 2º A União poderá permitir que a guarda e a administração seja transferida para museus privados, desde que sem fins lucrativos e integrantes do Sistema Brasileiro de Museus. Art. 8º É nula a destinação aos museus dos bens de valor cultural, artístico ou histórico, adquiridos na forma das hipóteses descritas no art. 1º, sem a observância do disposto nesta Lei. Art. 9º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 4 de agosto de 2010. – Deputado Marçal Filho, Relator. III – Parecer da Comissão A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, em reunião ordinária realizada hoje, opinou pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa, com substitutivo, do Projeto de Lei nº 2.935-A/2008, e Terça-feira 23 43795 do Substitutivo da Comissão de Educação e Cultura, com subemenda substitutiva, nos termos do Parecer do Relator, Deputado Marçal Filho. Estiveram presentes os Senhores Deputados: João Paulo Cunha – Presidente, Arthur Oliveira Maia – Vice-Presidente, Alessandro Molon, Almeida Lima, Anthony Garotinho, Antonio Bulhões, Arnaldo Faria de Sá, Bonifácio de Andrada, Danilo Forte, Dimas Fabiano, Dr. Grilo, Edson Silva, Eduardo Cunha, Efraim Filho, Esperidião Amin, Fabio Trad, Felipe Maia, Félix Mendonça Júnior, Jilmar Tatto, João Campos, João Paulo Lima, Jorginho Mello, Jutahy Junior, Luiz Carlos, Luiz Couto, Marçal Filho, Marcos Medrado, Maurício Quintella Lessa, Mauro Benevides, Mendes Ribeiro Filho, Mendonça Filho, Mendonça Prado, Nelson Pellegrino, Odair Cunha, Onyx Lorenzoni, Osmar Serraglio, Paes Landim, Pastor Marco Feliciano , Ricardo Berzoini, Roberto Freire, Roberto Teixeira, Ronaldo Fonseca, Rubens Otoni, Sandra Rosado, Valtenir Pereira, Vieira da Cunha, Vilson Covatti, Wilson Filho, Assis Carvalho, Chico Lopes, Gabriel Chalita, José Carlos Araújo, Márcio Reinaldo Moreira, Marina Santanna, Ricardo Tripoli e Sandro Alex. Sala da Comissão, 16 de agosto de 2011. – Deputado João Paulo Cunha, Presidente. SUBSTITUTIVO ADOTADO PELA CCJC AO PROJETO DE LEI No 2.935-A, DE 2008 Dispõe sobre a destinação dos bens de valor cultural, artístico ou histórico aos museus, nas hipóteses que descreve. Art. 1º Consideram-se disponíveis para serem destinados ao patrimônio dos museus federais os bens de valor cultural, artístico ou histórico que passem a fazer parte do patrimônio da União nas seguintes hipóteses: I – apreensão em controle aduaneiro ou fiscal, seguida de pena de perdimento, após o respectivo processo administrativo ou judicial; II – cessão em pagamento de dívida; III – abandono. Art. 2º Os bens disponíveis, quando destinados às Unidades Museológicas da União, integrar-se-ão ao patrimônio de tais entidades. Art. 3º Cabe aos órgãos e entidades da administração federal e da justiça federal notificar o órgão ou entidade da União responsável pelos museus sobre a disponibilidade dos bens referidos a cada novo ingresso. Art. 4º O órgão ou entidade notificada manifestar-se-á sobre o interesse na destinação dos bens para aos museus. Art. 5º É nula a destinação aos museus dos bens de valor cultural, artístico ou histórico, adquiridos na 43796 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS forma das hipóteses descritas no art. 1º, sem a observância do disposto nesta Lei. Art. 6º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 16 de agosto de 2011. – Deputado João Paulo Cunha, Presidente. SUBEMENDA SUBSTITUTIVA ADOTADA PELA CCJC AO SUBSTITUTIVO DA CEC AO PROJETO DE LEI Nº 2.935-A, DE 2008 Dispõe sobre a destinação dos bens de valor cultural, artístico ou histórico aos museus, nas hipóteses que descreve. Art. 1º Consideram-se disponíveis para serem destinados ao patrimônio dos museus federais os bens de valor cultural, artístico ou histórico que fazem parte do patrimônio da União nas seguintes hipóteses: I – apreensão em controle aduaneiro ou fiscal, seguida de pena de perdimento, após o respectivo processo administrativo ou judicial; II – cessão em pagamento de dívida; III – abandono. Art. 2º Entende-se por bem de valor cultural os definidos no art. 215 e no art. 216 da Constituição da República. Art. 3º Os bens disponíveis, quando destinados a Unidade Museológica da União, integrar-se-ão ao seu patrimônio. Parágrafo único. Não se aplica o disposto neste artigo aos bens de valor cultural que façam parte do acervo de instituições de caráter cultural sob a administração ou guarda de órgãos ou entidades da administração publica federal até a data da publicação desta Lei. Art. 4º Cabe aos órgãos e entidades da administração federal e da justiça federal notificar o órgão da União responsável pela gestão dos museus sobre a disponibilidade dos bens referidos a cada novo ingresso. Art. 5º O Ministério da Cultura, por meio do órgão ou entidade responsável, após ser notificado, manifestar-se-á quanto ao interesse na destinação dos bens e cuidará da transferência do bem à entidade que esse for destinado. § 1º O Conselho Consultivo de Patrimônio Museológico do Instituto Brasileiro de Museus será ouvido previamente sobre a conveniência de se destinar o bem aos museus. § 2º Em se tratando de bens tombados em nível federal, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional deverá se pronunciar quanto à destinação dos bens aos museus. Agosto de 2011 Art. 7º A União, objetivando a adequada preservação e difusão dos bens referidos nesta Lei, poderá permitir a guarda e administração por museus pertencentes à esfera federal, estadual e municipal. § 1º Será dada preferência de destinação às instituições museológicas federais. § 2º A União poderá permitir que a guarda e a administração seja transferida para museus privados, desde que sem fins lucrativos e integrantes do Sistema Brasileiro de Museus. Art. 8º É nula a destinação aos museus dos bens de valor cultural, artístico ou histórico, adquiridos na forma das hipóteses descritas no art. 1º, sem a observância do disposto nesta Lei. Art. 9º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Sala da Comissão, 16 de agosto de 2011. – Deputado João Paulo Cunha, Presidente. PROJETO DE LEI N.º 5.743-B, DE 2009 (Do Senado Federal) PLS Nº 491/2008 OFÍCIO Nº 1579/2009 Institui o “Dia Nacional do Distribuidor de Insumo Agrícola e Veterinário”; tendo pareceres: da Comissão de Educação e Cultura, pela aprovação (relator: DEP. JOÃO MATOS); e da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa (relator: DEP. VALTENIR PEREIRA). Despacho: Às Comissões de: Educação e Cultura e Constituição e Justiça e de Cidadania (Art. 54 RICD) Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação Conclusiva pelas Comissões – Art. 24 II Publicação do Parecer da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania I – Relatório O Projeto de Lei em referência, de iniciativa do Senado Federal, propõe a instituição de um “Dia Nacional do Distribuidor de Insumo Agrícola e Veterinário”, a ser celebrado, anualmente, em 18 de outubro. Na justificação exposta pelo autor, o Senador Gilberto Goellner, quando da apresentação do Projeto em análise ao Senado Federal, argumentou-se que o setor de distribuição de insumos agrícolas e veterinários vem se tornando, a cada dia, mais representativo na economia do País, envolvendo a comercialização de uma série de produtos agrícolas, a prestação de assistência técnica e extensão rural e a disseminação Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS das melhores práticas agrícolas aos milhões de produtores rurais brasileiros, o que movimenta cerca de treze bilhões de reais por ano. Justifica, ainda, que o setor congrega vinte e quatro mil distribuidores, sendo dezoito mil de produtos veterinários e seis mil de produtos agrícolas, organizados na Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários – ANDAV, fundada em 18 de outubro de 1990. A atuação da entidade, que não tem fins lucrativos, tem sido de suma importância no apoio a esses profissionais, notadamente no que tange ao cumprimento de suas responsabilidades legais com a disseminação das melhores práticas agrícolas e veterinárias entre agricultores e pecuaristas. Da justificação colhe-se, ainda, que a instituição do dia nacional proposto é uma reivindicação feita pela Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários – ANDAV, a fim de valorizar e homenagear, nesse segmento comercial e técnico, todas as pessoas e empresas que se dedicam à importante tarefa de produzir alimentos neste país. O projeto foi distribuído, para exame de mérito, à Comissão de Educação e Cultura, que se manifestou favoravelmente à sua aprovação. É o relatório. II – Voto do Relator A esta Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania compete pronunciar-se exclusivamente quanto aos aspectos de constitucionalidade, juridicidade, técnica legislativa e redação da proposição sob exame, nos termos regimentais. O Projeto de Lei em foco atende, em linhas gerais, aos requisitos constitucionais formais relativos à competência legislativa da União e às atribuições do Congresso Nacional, encontrando abrigo nos artigos 24, IX e 48, caput, ambos da Constituição Federal. Não havendo reserva de iniciativa sobre o tema, revela-se legítima sua apresentação por parte de parlamentar. Quanto ao conteúdo, não observamos nenhuma incompatibilidade entre o disposto no projeto e os princípios e regras que emanam do texto constitucional vigente. No tocante aos aspectos de juridicidade e técnica legislativa, também não há qualquer óbice, uma vez que o Projeto atende a todas as exigências técnico-formais da Lei Complementar nº 95, de 1998, sendo a única lei constitucionalmente autorizada a traçar requisitos para a elaboração de outras leis e atos normativos, conforme previsto no artigo 59 da Carta da República. Terça-feira 23 43797 Por todo o exposto, concluímos o voto no sentido da constitucionalidade, juridicidade, boa técnica legislativa e redação do Projeto de Lei nº 5.743, de 2009. Sala da Comissão, 30 de junho de 2011. – Deputado Valtenir Pereira, Relator. III – Parecer da Comissão A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, em reunião ordinária realizada hoje, opinou pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa do Projeto de Lei nº 5.743-A/2009, nos termos do Parecer do Relator, Deputado Valtenir Pereira. Estiveram presentes os Senhores Deputados: João Paulo Cunha – Presidente, Arthur Oliveira Maia – Vice-Presidente, Alessandro Molon, Almeida Lima, Anthony Garotinho, Antonio Bulhões, Arnaldo Faria de Sá, Bonifácio de Andrada, Danilo Forte, Dimas Fabiano, Dr. Grilo, Edson Silva, Eduardo Cunha, Efraim Filho, Esperidião Amin, Fabio Trad, Felipe Maia, Félix Mendonça Júnior, Jilmar Tatto, João Campos, João Paulo Lima, Jorginho Mello, Jutahy Junior, Luiz Carlos, Luiz Couto, Marçal Filho, Marcos Medrado, Maurício Quintella Lessa, Mauro Benevides, Mendes Ribeiro Filho, Mendonça Filho, Mendonça Prado, Nelson Pellegrino, Odair Cunha, Onyx Lorenzoni, Osmar Serraglio, Paes Landim, Pastor Marco Feliciano , Ricardo Berzoini, Roberto Freire, Roberto Teixeira, Ronaldo Fonseca, Rubens Otoni, Sandra Rosado, Valtenir Pereira, Vieira da Cunha, Vilson Covatti, Wilson Filho, Assis Carvalho, Chico Lopes, Gabriel Chalita, José Carlos Araújo, Márcio Reinaldo Moreira, Marina Santanna, Ricardo Tripoli e Sandro Alex. Sala da Comissão, 16 de agosto de 2011. – Deputado João Paulo Cunha, Presidente. PROJETO DE LEI Nº 6.610-A, DE 2009 (Do Senado Federal) PLS Nº 620/2007 OFÍCIO Nº3023/2009-SF Dispõe sobre o exercício da profissão de Técnico em Prótese Dentária, determina outras providências e revoga a Lei nº 6.710, de 5 de novembro de 1979; tendo parecer da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, pela aprovação, com emenda (relator: DEP. WALNEY ROCHA). Despacho: Às Comissões de: Trabalho, de Administração e Serviço Público; Seguridade Social e Família; Finanças e Tributação (Mérito e Art. 54, RICD) e Constituição e Justiça e de Cidadania (Art. 54 RICD). Apreciação: Proposição Sujeita à Apreciação Conclusiva pelas Comissões – Art. 24 II 43798 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Publicação do Parecer da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público I – Relatório O Projeto de Lei em epígrafe pretende atualizar as disposições regulamentares sobre o exercício da atividade profissional de Técnico em Prótese Dentária, hoje vigente nos termos da Lei n.º 6.710, de 5 de novembro de 1979. Nesse sentido, são propostas as seguintes inovações: a autorização para o exercício da atividade para o técnico que tenha formação equivalente no estrangeiro ou que tenha exercício amparado por convênios internacionais de intercâmbio (inciso II do Art. 4º); a enumeração das competências (Art. 6º); a vedação de realizar, em ambulatório ou clínica, qualquer procedimento na cavidade bucal de paciente (inciso III do Art. 7º) e a supressão da atual exigência de “prova de quitação do imposto sindical” (que consta do Art. 3º da citada lei vigente). Aprovado no Senado Federal, o texto chega a esta Casa com o fim de cumprir a função revisora estabelecida no Art. 65 da Constituição Federal. Nesta Comissão, já na legislatura passada o prazo regimental restou vencido sem a apresentação de Emendas, conforme certificado no termo de 26 de março de 2010. Nessa sessão legislativa, foi determinada a abertura do prazo para a apresentação de Emendas, com base no art. 119, caput, I, c/c o art. 166, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, porém novamente decorreu in albis o período de cinco sessões, conforme termo de 27.04.2011, firmado pelo Secretário desta Comissão. A proposição está sujeita à apreciação conclusiva das Comissões, com regime de tramitação de prioridade. É o relatório. II – Voto do Relator A proposta teve sua discussão iniciada na legislatura passada, com a apresentação do Parecer do então Relator, o Ilustre Colega de Partido Jovair Arantes, atualmente Suplente desta Comissão e Titular da Comissão Especial de Reforma Política. Em homenagem, portanto, ao relator que nos antecedeu e em respeito ao segmento profissional interessado e à economia do processo legislativo, pedimos licença para repetir o parecer já apresentado, nos seguintes termos: “Trata-se de atividade ligada à área de saúde que requer, portanto, fiscalização para o seu exercício Agosto de 2011 profissional, justificando a intervenção estatal para a regulamentação da matéria. Nesse sentido, é importante notar que o texto tenha preservado o entendimento de que essa atividade não pode prescindir do acompanhamento do cirurgião dentista: os serviços prestados ao paciente são indiretos, pois o técnico elabora a parte mecânica de trabalhos odontológicos solicitados por cirurgião dentista, responsáveis por orientá-los, conforme estabelece o Art. 3º. Daí porque é igualmente relevante: a) a regra que mantém a competência dos Conselhos Regionais de Odontologia para a fiscalização profissional dessa atividade e b) o estabelecimento da cláusula que proíbe esses profissionais técnicos de “realizar, em ambiente ambulatorial ou clínico, qualquer procedimento na cavidade bucal do paciente”. Por outro lado, em boa hora a medida abre a salutar possibilidade do exercício profissional também para os técnicos amparados por convênios internacionais de intercâmbio ou para aqueles com formação no exterior, após a revalidação e o registro do diploma ou do certificado nos órgãos competentes: primeiro, porque não há razão plausível para se impor limites geográficos à formação educacional e à ampliação do conhecimento experimentado com o intercâmbio profissional e sociocultural; segundo, porque é indiscutível a necessidade de aumentar o nível de empregabilidade ou de inserção no mercado de trabalho desse segmento de mão de obra. Afinal, estima-se que a ausência de dentes seja um dos mais graves problemas da saúde bucal no Brasil, o que aponta para um público de milhões de pessoas a necessitar de prótese dentária no país.” Com esses mesmos fundamentos, manifestamo-nos de forma favorável ao Projeto. Contudo, acatando as justas reivindicações da categoria profissional interessada, apresentamos a Emenda anexa, a fim de incluir no texto projetado o direito à representatividade dos Técnicos em Prótese Dentária nos órgãos incumbidos de fiscalizar a profissão – os Conselhos Regionais de Odontologia. Somos, pois, pela aprovação do Projeto de Lei nº 6.610, de 2009, com a Emenda oferecida anexa. Sala da Comissão, 15 de junho de 2011. – Deputado Walney Rocha, Relator. EMENDA Acrescente-se ao art. 9o do projeto o seguinte parágrafo único: “Art. 9º.................................................. Parágrafo único. Pelo menos um terço das diretorias dos Conselhos Regionais de Odontologia será composto por Técnicos em Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Prótese Dentária, eleitos pela própria categoria em escrutínio secreto.” Sala da Comissão, 15 de junho de 2011. – Deputado Walney Rocha. III – Parecer da Comissão A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, em reunião ordinária realizada hoje, aprovou unanimemente o Projeto de Lei nº 6.610/09, com emenda, nos termos do parecer do relator, Deputado Walney Rocha. Estiveram presentes os Senhores Deputados: Silvio Costa – Presidente, Eros Biondini, Sabino Castelo Branco e Augusto Coutinho – Vice-Presidentes, Andreia Zito, Assis Melo, Daniel Almeida, Erivelton Santana, Eudes Xavier, Flávia Morais, Gorete Pereira, Laercio Oliveira, Luciano Castro, Mauro Nazif, Policarpo, Ronaldo Nogueira, Sandro Mabel, Vicentinho, Walney Rocha, André Figueiredo, Edinho Bez, Leonardo Quintão, Manuela D’ávila e Sebastião Bala Rocha. Sala da Comissão, 3 de agosto de 2011. – Deputado Silvio Costa, Presidente. COMISSÕES ATAS COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL 54ª Legislatura – 1ª Sessão Legislativa Ordinária ATA DA NONA REUNIÃO ORDINÁRIA (AUDIÊNCIA PÚBLICA) COM A PARTICIPAÇÃO DA COMISSÃO DA AMAZÔNIA, INTEGRAÇÃO NACIONAL E DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL, REALIZADA EM 17 de maio de 2011. Às quatorze horas e trinta e cinco minutos do dia dezessete de maio de dois mil e onze, reuniram-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural – CAPADR com a participação da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional – CAINDR, no Anexo II, Plenário 6 da Câmara dos Deputados, com a presença dos Senhores Deputados Celso Maldaner – Segundo Vice-Presidente da CAPADR; Alceu Moreira, Domingos Sávio, Hélio Santos, Homero Pereira, Josias Gomes, Marcon, Moacir Micheletto, Nelson Padovani, Paulo Cesar Quartiero, Reinhold Stephanes, Vitor Penido e Zonta – Titulares da CAPADR; Afonso Hamm, Alberto Filho, Celia Rocha, Edinho Araújo, Jairo Ataíde, Luiz Carlos Setim, Neri Geller, Onyx Lorenzoni, Oziel Oliveira, Roberto Dorner, Valdir Colatto e Valmir Assunção – Suplentes da CAPADR; e os Deputados Gladson Terça-feira 23 43799 Cameli – Presidente da CAINDR; Neri Geller – Titular da CAINDR; Luciano Moreira e Professora Marcivânia – suplentes da CAINDR. Compareceram também os Deputados Eduardo Sciarra, Junji Abe e Ságuas Moraes, como não-membros das duas Comissões. Deixaram de comparecer os Deputados Abelardo Lupion, Arthur Lira, Assis do Couto, Beto Faro, Bohn Gass, Carlos Magno, Davi Alves Silva Júnior, Dilceu Sperafico, Edson Pimenta, Heleno Silva, Jesus Rodrigues, José Nunes, Josué Bengtson, Júlio Cesar, Leandro Vilela, Lira Maia, Luis Carlos Heinze, Luiz Nishimori, Moreira Mendes, Nilton Capixaba, Paulo Piau, Pedro Chaves, Reinaldo Azambuja, Ronaldo Caiado, Vander Loubet e Zé Silva da CAPADR. Justificou a ausência o Deputado Vander Loubet da CAPADR. Assumindo a Presidência, o Deputado Celso Maldaner declarou abertos os trabalhos, cumprimentou a todos e esclareceu que a reunião se destinava a debater sobre “Os problemas dos assentamentos rurais no Brasil. Problemas da Gleba Nhandú, localizada no município de Novo Mundo/MT. Regularização fundiária nos municípios de Tapurah; Itanhangá; e Comodoro; na região do Pontal do Marape; e no distrito de Groslândia do município de Lucas do Rio Verde; do Estado de Mato Grosso”. Prosseguindo, o Presidente esclareceu as regras para os trabalhos, informou que a lista de inscrições para os debates estava à disposição dos Senhores Deputados e convidou para comporem a mesa os Senhores: José Esteves de Lacerda Filho – Secretário da Casa Civil do Governo do Estado de Mato Grosso; Celso Lisboa de Lacerda – Presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA; Shirley Anny Abreu do Nascimento – Secretária Extraordinária de Regularização Fundiária na Amazônia Legal do MDA, em Exercício; José Hélio Ribeiro – Prefeito do município de Novo Mundo – Mato Grosso (MT); Vanderley Proenço Ribeiro – Prefeito do município de Itanhangá/ MT; Silvino Dal Bo – Representante dos Produtores Rurais do município de Novo Mundo/MT; Léo Bilibio – Presidente da Associação dos Moradores do Pontal do Marape/MT; Samuel dos Santos – Representante dos Assentados do município de Novo Mundo/MT; e Willian César Sampaio – Superintendente do INCRA em MT. Na sequência, o Presidente, precisando ausentar-se, passou a condução dos trabalhos ao Deputado Homero Pereira que cedeu a palavra, pela ordem, ao Deputado Valdir Colatto. Prosseguindo, o Presidente passou a palavra aos senhores Celso Lisboa de Lacerda e José Esteves de Lacerda Filho; ao Deputado Neri Geller, autor do Requerimento nº 12/2011 – CAINDR; à senhora Shirley Anny Abreu do Nascimento e aos senhores José Hélio Ribeiro, Vanderley Proenço Ribeiro e Léo Bilibio; ao Deputado Roberto Dorner; e aos senhores 43800 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Samuel dos Santos e Silvino Dal Bo. Na sequência, o Presidente, Deputado Homero Pereira, obedecendo à lista de inscrições para os debates, cedeu a palavra ao Deputado Saguas Moraes e, precisando ausentar-se, passou a presidência dos trabalhos ao Deputado Neri Geller que, em seguida, franqueou a palavra ao último expositor Willian César Sampaio. Logo após, o Presidente passou a palavra ao Autor do Requerimento nº 035/2011 – CAPADR, Deputado Homero Pereira; aos Deputados Paulo Cesar Quartiero, Valmir Assunção e Marcon; ao Senhor Ezequiel Fonseca Deputado Estadual pelo Estado de Mato Grosso e, para respostas e considerações finais, aos senhores José Esteves de Lacerda Filho, Shirley Anny Abreu do Nascimento e Celso Lisboa de Lacerda. Em seguida, o Presidente franqueou a palavra aos Deputados Reinhold Stephanes e Valdir Colatto; e ao Senhor Celso Lisboa de Lacerda. Nada mais havendo a tratar, o Presidente, Deputado Neri Geller, agradeceu a presença de todos e encerrou os trabalhos às dezoito horas, antes, porém, convidou os membros da CAPADR a participarem de Reunião Ordinária (Deliberativa), quarta-feira, dia dezoito, às dez horas, no plenário seis do anexo dois da Câmara dos Deputados. O inteiro teor foi gravado, passando as notas taquigráficas a integrar o acervo documental desta reunião. E para constar, eu, Moizes Lobo da Cunha, lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Celso Maldaner, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados. O SR. PRESIDENTE (Deputado Celso Maldaner) – Senhoras e senhores, boa tarde. Declaro aberta a presente reunião de audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, com a participação da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, convocada para debater os problemas dos assentamentos rurais no Brasil; os problemas da Gleba Nhandú, localizada no município de Novo Mundo, Mato Grosso; a regularização fundiária nos Municípios de Tapurah, Itanhangá e Comodoro, na região do Pontal do Marape, e no distrito de Groslândia, do Município de Lucas do Rio Verde – todos no Estado de Mato Grosso. Esta audiência pública foi proposta pelo Deputado Homero Pereira, do PR de Mato Grosso, na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, e pelo Deputado Neri Geller, do PP de Mato Grosso, na Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional. Foram convidados para participar desta audiência como expositores José Esteves de Lacerda Filho, Secretário Chefe da Casa Civil do Estado de Mato Agosto de 2011 Grosso; Celso Lisboa de Lacerda, Presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA; Shirley Anny Abreu do Nascimento, Secretária Extraordinária de Regularização Fundiária na Amazônia Legal do MDA, em exercício; José Hélio Ribeiro, Prefeito do Município de Novo Mundo, Mato Grosso; Vanderley Proenço Ribeiro, Prefeito do Município de Itanhangá, Mato Grosso; Willian César Sampaio, Superintendente do INCRA em Mato Grosso; Silvino Dal Bo, representante dos Produtores Rurais do Município de Novo Mundo, Mato Grosso; Léo Bilibio, Presidente da Associação dos Moradores do Pontal do Marape, Mato Grosso; Samuel dos Santos, representante dos Assentados do Município de Novo Mundo, Mato Grosso. Convido a tomar assento à mesa os Srs. José Esteves de Lacerda Filho, Celso Lisboa de Lacerda, Shirley Anny Abreu do Nascimento, José Hélio Ribeiro e Vanderley Proenço Ribeiro. Convido ainda os Srs. Léo Bilibio, Silvino Dal Bo, Willian César Sampaio e Samuel dos Santos para tomarem assento na primeira fila de cadeiras. Informo que os expositores terão prazo de 10 minutos, prorrogáveis a juízo da Comissão, não podendo ser aparteados. Os Parlamentares inscritos para interpelar os expositores poderão fazê-lo estritamente sobre o assunto da exposição pelo prazo de 3 minutos, tendo o interpelado igual tempo para responder, facultadas a réplica e a tréplica pelo mesmo prazo, vedado ao orador interpelar qualquer dos presentes. Indago aos Deputados Deputado Homero Pereira e Neri Geller, autores do requerimento, se gostariam de fazer alguma observação antes de darmos início às exposições. O SR. DEPUTADO HOMERO PEREIRA – Sr. Presidente, nós vamos nos pronunciar depois dos palestrantes. Apenas gostaríamos que fosse atendida a inversão solicitada pelo Presidente do INCRA, para que ele use da palavra primeiro, porque tem um compromisso na Casa Civil. Ele pretende retornar após o compromisso. Se assim procedermos, contaremos com sua participação tanto na abertura quanto no encerramento desta audiência pública. O SR. PRESIDENTE (Deputado Celso Maldaner) – Obrigado, Deputado. Então, eu passo a palavra ao Sr. Celso Lisboa de Lacerda, Presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, pelo prazo de 20 minutos. Antes, porém, passo a presidência dos trabalhos ao Deputado Homero Pereira. O SR. CELSO LISBOA DE LACERDA – Boa tarde a todos. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quero agradecer o convite e a oportunidade de debater os assuntos inerentes à reforma agrária no Brasil. Somos um país continental com imensos problemas ainda por serem resolvidos, problemas que, temos consciência, o INCRA sozinho conseguirá resolver. Nesse sentido, se não tivermos um pouco de pragmatismo, se não nos juntarmos todos, Legislativo, Executivo e também Judiciário, para o bem de toda a sociedade brasileira, principalmente dos produtores rurais, não conseguiremos avanços. Quero também pedir desculpas a todos. Eu havia programado estar aqui durante toda a tarde de hoje, mas às 13h o Ministro Pallocci telefonou, convocando uma reunião para as 14h. Como para mim esta audiência é muito importante, pedi a ele que a reunião fosse mais tarde. Infelizmente, a única brecha em sua agenda era às 15h. Então, eu vou me retirar, porque não tenho como não atender a uma convocação do Ministro da Casa Civil, mas voltarei em seguida. Eu assumi o INCRA há apenas pouco mais de 1 mês, mas não sou desconhecedor dos problemas agrários do País, nem do INCRA, porque já estou no órgão desde o início do Governo do Presidente Lula. Fui Superintendente do INCRA no Estado do Paraná por 5 anos, fui Diretor do INCRA aqui em Brasília e agora, por opção da Presidenta Dilma, assumi a Presidência do INCRA. Acredito que a Presidenta, quando me escolheu para Presidente, sinalizou que quer uma gestão bastante técnica, porque eu não tenho nenhum perfil político – nunca fui candidato e sempre procurei desempenhar um trabalho bastante técnico no sentido de avançar nos propósitos. O principal da pauta acredito serem todos os problemas com os quais deparamos no Estado do Mato Grosso, e não apenas aqueles relacionados às glebas como projeto de assentamento – e projeto de assentamento sem infraestrutura e sem previsão de dar aos produtores condições e liberdade de tomarem financiamento. Estamos plenamente conscientes dos transtornos que isso significa para os produtores e temos uma proposta de encaminhamento. Creio que já presenciaram a fala da Presidenta Dilma sobre a questão agrária. A Presidenta quer emancipar os assentamentos passíveis de serem emancipados. Então, não se trata de minha vontade, mas de uma determinação da Presidenta da República – que vamos cumprir. Relativamente ao Mato Grosso, já tivemos nesse mês e meio em que estou presidindo o INCRA duas agendas com Parlamentares do Estado, uma delas na semana passada com o Governador Silval. S.Exa., juntamente com alguns Parlamentares – entre eles o Terça-feira 23 43801 Deputado Neri Geller, aqui presente —, nos trouxe a demanda de sermos muito objetivos e pragmáticos. Nós nos comprometemos com a pauta, mas o trabalho é bastante grande, há lá várias peculiaridades que nós temos que tratar. Combinamos que, assim que concluirmos a transição política por que passa o INCRA... Hoje o INCRA tem Presidente, que sou eu, mas ainda não tem diretores e superintendentes confirmados – e esse é o assunto da pauta que vamos daqui a pouco tratar com o Ministro Palocci. Pois bem, combinamos que, assim que tivermos superintendente confirmado em Mato Grosso, vamos fazer uma agenda com o Governador e sua equipe para traçarmos um plano de trabalho, porque a Superintendência em Mato Grosso já está fazendo um diagnóstico de toda a região em que se encontram as glebas e os Municípios aqui citados – estão aqui presentes Prefeitos desses Municípios. Vamos nos sentar com o Governador porque, sem a parceria do Governo do Estado, podemos até fazer, mas vamos levar muito mais tempo. Obviamente, buscamos uma parceria com o Governo do Mato Grosso para agilizar os trabalhos. Encerro este primeiro momento dizendo que estamos, sim, cientes da grandeza do problema. Internamente, no Executivo Federal, temos de fazer um trabalho conjunto do INCRA com o Programa Terra Legal – aqui está a Shirley, que o representa —, e acredito que, em pareceria com o Governo do Estado, poderemos avançar e resolver definitivamente a vida de todo mundo daquela região, tanto dos produtores quanto dos Municípios, que devem sofrer com problemas decorrentes da falta de infraestrutura nessas áreas. Acredito que há solução para isso, sobretudo após a reunião em Mato Grosso. Se for preciso alterar normativas do INCRA para facilitar o trabalho, vamos fazê-lo. Obviamente esse trabalho será pautado sobre a legislação vigente, mas é possível fazê-lo de forma a resolver o problema. Concluo aqui minha apresentação. Ao retornar, poderei aprofundar a discussão. Vou me retirar, mas deixo em meu lugar o Diretor de Reordenamento Agrário, Richard Martins Torsiano, para responder pelo INCRA. Obrigado. O SR. DEPUTADO LUIS CARLOS HEINZE – Sr. Presidente, pela ordem. Aproveito a presença do Presidente Celso de Lacerda para lhe desejar sucesso, que presidir o INCRA é uma missão bastante forte. Lembro que questão da regularização fundiária também engloba Santa Catarina. Fui Superintendente do INCRA em 1985 e fiz assentamentos em Santa Catarina. Até hoje aqueles produtores não foram titula- 43802 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS dos. Portanto, trata-se de uma questão que realmente temos de reforçar. Esta Casa pede por isso. Como é difícil nos encontrarmos nesta Casa em função das tantas atividades, quero deixar uma pergunta, que naturalmente o Presidente do INCRA pode responder quando retornar. Quantas regularizações fundiárias, titulações e emancipações de assentamentos já foram feitas e quantas ainda faltam fazer? Há algum cadastro das pessoas sem terra? Estamos tentando buscar uma solução para isso, porque há aquela história de que não há verba, de que não se podem fazer assentamentos, e culpa-se o Congresso Nacional. É preciso existir um planejamento. O INCRA tem de se capaz de dizer que há um cadastro de 10 mil, 20 mil, 40 mil sem-terra e que é preciso tanto de dinheiro para assentá-los. É como a EMBRAPA faz: traz aqui a previsão, nós aprovamos o orçamento, e a EMBRAPA executa o seu trabalho. O que não pode acontecer é ficar nessa história de que não há verba. Portanto, deixo estas perguntas: Quantos assentamentos há para titular? Quanta terra do INCRA já foi desapropriada ou está em andamento de ser? Quantos sem-terra há e de quanta terra precisamos para resolver a questão da reforma agrária, assentando as demandas existentes? Aproveitei a presença do Presidente para apresentar essas questões, esperando que depois voltemos ao assunto. CELSO LISBOA DE LACERDA – Deputado, temos hoje no Brasil um pouco mais do que 8.100 assentamentos, com 924 mil famílias assentadas, muitas já em fase de emancipação. Agora, precisamos tomar o cuidado de deixar essas famílias com liberdade no momento em que estiverem numa situação de autossustentabilidade. Depois podemos discutir melhor o assunto, mas o que o senhor disse é de fundamental importância para nós: nós precisamos de um plano de trabalho e vamos elaborá-lo. Nos próximos dois meses, deverá estar pronto um plano detalhado, o que nós pretendemos fazer, onde tem demanda, e de que forma nós propomos o desenvolvimento dos assentamentos, incluindo-os num desenvolvimento regional. Esse plano virá e será público, inclusive. O SR. PRESIDENTE (Deputado Homero Pereira) – O.k., Sr. Presidente. Convido o Dr. Richard para assumir aqui. Antes, quero aqui registrar que esta é uma audiência conjunta da Comissão da Agricultura e da Comissão da Amazônia. Encontra-se presente o Presidente da Comissão da Amazônia, Deputado Gladson Cameli, do Acre. Agosto de 2011 Se o Presidente quiser se pronunciar como Presidente da Comissão, poderá fazê-lo. Passaremos inicialmente a palavra aos Srs. expositores e em seguida a todos os Srs. Parlamentares. Com a palavra o Presidente da Comissão da Amazônia. O SR. DEPUTADO GLADSON CAMELI – Obrigado, Deputado. Queria fazer um pequeno relato e, ao mesmo tempo, passar a presidência ao Deputado Neri Geller, para que ele aqui represente a Comissão da Amazônia. Deputado Neri, quero dizer a todos que nós vamos montar uma comissão na Comissão da Amazônia para acompanhar de perto, ir ao Mato Grosso, ouvir as pessoas, juntamente com vários Parlamentares e com a Comissão da Agricultura, e abraçar esta causa juntos. Queria fazer esse relato e passar os trabalhos para V.Exa., que, com toda a certeza, terá habilidade para conduzir e representar muito bem a Comissão da Amazônia neste plenário. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Homero Pereira) – Obrigado, Presidente. Vamos de imediato ouvir os depoimentos das pessoas que estão inscritas. Passo a palavra ao Sr. José Lacerda, Secretário-Chefe da Casa Civil do Estado de Mato Grosso, pelo prazo de 10 minutos. O SR. JOSÉ LACERDA – Deputado Homero Pereira, Deputado Roberto Dorner, Deputado Neri Geller, Deputado Ságuas Moraes, Deputado Ezequiel, Dr. Celso Lacerda, Presidente do INCRA, Prefeito Léo, Prefeito José Hélio, Vanderlei Proença, Deputado Gladson Cameli, Presidente da Comissão da Amazônia, senhores e senhoras. Deputado Homero, transmito, em nome do Governador do Estado, Silval Barbosa, um abraço a todos os participantes deste trabalho. Quero aqui pegar uma ótica um pouco voltada a dois problemas: um é a faixa de fronteira que atinge 11 Estados brasileiros e o outro é o Decreto nº 1.164, de 1971, que atinge a Amazônia Legal, na margem de 100 quilômetros das rodovias federais. Existe uma grande divergência na questão da competência. São dois pontos que têm causado grandes prejuízos. Vou começar pela faixa de fronteira. O art. 1º, da Lei nº 601, de 1850, já fez a previsão da faixa de 66 quilômetros das fronteiras do Brasil com os países vizinhos. A primeira lei que veio regulamentar foi a Lei nº 2.597, de 13 de setembro de 1955. O § 2º do art. 10º dessa lei ratifica todos os títulos emitidos pelos Estados da Federação são 11 Estados brasileiros. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Ocorre que a faixa de 66 quilômetros deveria ter sido respeitada no período de 1891 até 16 de julho de 1934. A de 100 quilômetros, no período de 16 de junho de 1934 até 12 de novembro de 1937. E a faixa de 150 quilômetros a partir de abril de 1971. Depois veio a Constituição de 1988. Diz o art. 51, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias que todos os títulos emitidos pelos Estados, no período de 31 de dezembro de 1962 até 31 de dezembro de 1987, seriam revistos pelo Congresso Nacional por um período de três anos. Isto não ocorreu. Ocorre que, com esta situação, em todos os títulos emitidos pelos Estados estão sendo hoje ajuizadas ações anulatórias pela União Federal, através da autarquia INCRA, e isso está atingindo 11 Estados da Federação, em toda a faixa de fronteira de 150 quilômetros, criando uma insegurança jurídica. Eu vou colocar: só no Mato Grosso, são mais de 3.800 propriedades que estão hoje com essa pendência jurídica, que na realidade é um conflito de competência entre a União e os Estados da Federação – são 11 Estados. Já existe em Mato Grosso mais de 50 ações ajuizadas. Está aqui o William, Superintendente do INCRA, que tem conhecimento disso. Isso tem dificultado bastante, inclusive as desapropriações, porque ajuiza-se a ação de desapropriação e, posteriormente, entra-se com ação anulatória dos títulos emitidos pelo Estado. Ocorre que, se a venda for a non domino pelos Estados, se o Estado vendeu o que não era dono, ele vai ter que responder pela venda que fez, porque recebeu quando vendeu lá, em 1950 até 1962. E todas essas vendas foram feitas pelo Estado. Então, acho que esta é uma questão de natureza gravíssima em relação... Inclusive tratamento não isonômico entre os Estados da Federação e que eu acredito que o Congresso Nacional, a Câmara dos Deputados, a Comissão da Amazônia têm possibilidade de resolver essa questão, que politicamente vai depender de uma lei para dar solução a esse fato. O segundo ponto, Deputado Homero e Srs. Deputados, é a questão do Decreto nº 1.164, de 1971, que trata da faixa dos 100 quilômetros das rodovias federais. Este decreto foi revogado pelo Decreto nº 2.375, de 1987. Só que, quando da revogação desse decreto, se manteve a redação, dizendo que todas as áreas que tiveram início da arrecadação deveriam ser arrecadadas e ultimada essa arrecadação pela União Federal, através da autarquia INCRA. Este Decreto nº 1.164/71 retirou dos Estados amazônicos 62 milhões de hectares, que foram transferidos para a União Federal. Terça-feira 23 43803 No meu entendimento, desde a primeira Constituição do Brasil, a de 1891, o seu art. 64 é extremamente claro quando diz: “Pertence aos Estados as minas e terras devolutas situadas nos seus respectivos territórios, cabendo à União somente a porção do território que for indispensável para a defesa das fronteiras, fortificações, construções militares e estradas de ferro federais”. Significa que a faixa de fronteira, quando da sua definição, no art. 64 da Constituição de 1891, definiu apenas como questão estratégica de segurança nacional e não como um ato de transferência do patrimônio público do Estado para a União Federal. De todas as Constituições, de 1934, 1937, 1946, 1967 e a Emenda Constitucional nº 01/69 – foi sob a égide da Emenda Constitucional nº 01 que saiu o Decreto nº 1.164/71 —, nenhuma delas retirou o patrimônio do Estado que foi transferido, por meio do Decreto nº 1.164/71, como projeto de desenvolvimento naquela época. Então, Deputado Homero, nós temos em Mato Grosso 537 assentamentos rurais, sendo 402 do INCRA, 119 do Governo de Mato Grosso e 16 dos Municípios. Isso envolve uma população de aproximadamente 84 mil famílias. Temos projetos de assentamento criados há mais de 20 anos, e grande parte deles até hoje não recebeu a certificação de conclusão. Isso tem o título de domínio daqueles ocupantes. Desses assentamentos – temos 142.500 pequenas propriedades de pequenos produtores em Mato Grosso —, uma grande fatia, um percentual representativo está na faixa da pobreza. Isso significa que o modelo implantado tem necessidade de revisão no que diz respeito à assistência técnica, liberação de recursos no momento exato, no período do plantio, emancipação desses projetos, etc. A falta de emancipação tem trazido grandes prejuízos ao pequeno produtor. Na pequena propriedade rural e nos assentamentos não existem um processo mais organizado nas áreas da produção, da orientação tecnológica e da comercialização. Enfim, enfrenta um problema muito sério quem trabalha hoje em agricultura familiar. É representativo o fato de mais de 50% das pessoas assentadas estarem na faixa da pobreza. Então, esse é um problema sério para o Estado – provavelmente não deve ocorrer só em Mato Grosso, certamente está acontecendo em outros Estados brasileiros. Devido ao conflito de competência em Mato Grosso gerado pelo Decreto nº 1.164, de 1971, temos aqui muitos representantes dos produtores do Estado, que estão de posse da terra há 20, 30, 40 anos e que agora estão sendo despejados pela União Federal. Existem PAs que foram concebidos. Acredito que 43804 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS temos que definir a política de regularização fundiária e a política de assentamento rural. Deputado Homero Pereira, encerro aqui esta minha primeira colocação. Quis chamar mais a atenção para o conflito de competência. O INCRA, que tem um ótimo corpo técnico no Estado, tem feito um trabalho muito bom em Mato Grosso, embora dependa agora de mais dinheiro. O Estado de Mato Grosso, através do INTERMAT e do INCRA, tem buscado maior proximidade, mas há normativas que o INCRA precisa cumprir. Ressalte-se que não foram os servidores do INCRA que fizeram essa regulamentação, mas eles precisam cumpri-la, e isso tem criado, para o Estado, para o INCRA e para o INTERMAT, alguns constrangimentos e algumas dificuldades para a consolidação dos projetos de assentamento e do projeto de regularização fundiária. Obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Homero Pereira) – Agradecemos ao Sr. José Lacerda, Secretário-Chefe da Casa Civil do Estado de Mato Grosso, a exposição, bem como por ter cumprido o tempo de 10 minutos. Convido a fazer parte da Mesa, ao lado do Superintende do INCRA, o Dr. José Raimundo Sepêda da Silva, Superintendente Nacional de Regularização Fundiária da Amazônia Legal. Certamente, como se trata de regularização fundiária, V.Sa. será chamado ao debate. Por isso é importante V.Sa. sentar na primeira fila. Antes de passar a palavra à Dra. Shirley, Secretária Extraordinária de Regularização Fundiária da Amazônia Legal, do MDA, passo a palavra ao Presidente em exercício da Comissão da Amazônia Legal, Deputado Neri Geller, para dar melhor contexto ao tema. O SR. DEPUTADO NERI GELLER – Sr. Presidente, colegas Parlamentares, Srs. expositores – entre os quais o Presidente do INCRA, Sr. Celso Lisboa de Lacerda, que teve de se ausentar, e que nesse primeiro momento está sendo representado pelo Superintendente do INCRA do Estado de Mato Grosso, Dr. William —, minhas saudações. Cumprimento também o Deputado Paulo César Quartiero, que é da nossa Comissão da Amazônia. Sr. Presidente, quero agradecer a V.Exa. a parceria. V.Exa. foi autor do requerimento, e eu me incorporei depois como coautor aqui na Comissão de Agricultura, para que fizéssemos essa discussão em conjunto, tendo em vista o sério problema que o Estado de Mato Grosso e a Amazônia Legal atravessam em função da questão ambiental e principalmente da regularização fundiária. No Estado de Mato Grosso, exatamente o que o ex-Deputado José Lacerda e hoje Secretário-Chefe Agosto de 2011 da Casa Civil comentou há pouco, temos mais de 500 assentamentos e isso portanto atinge 90 mil famílias, muitas das quais estão assentadas há mais de 20 anos e não têm sequer um documento para fazer um custeio, para fazer um investimento, e, assim, poder sustentar sua família e fazer a produção acontecer. E nós definitivamente não podemos aceitar isso. Eu vim para o Congresso Nacional e, no começo da Legislatura, me envolvi muito fortemente, porque o meu Município de Lucas do Rio Verde é um assentamento de reforma agrária. E nós conseguimos, com a graça de Deus e as lideranças, emancipar aquele município em 1988. Aquele município, hoje, Dra. Shirley, é exemplo em termos de desenvolvimento não só para o Mato Grosso, mas para o País, porque nós conseguimos a emancipação. E em 96 dos nossos Municípios vizinhos – como está aqui o Prefeito de Itanhangá —, sequer o perímetro urbano está regularizado. Aquelas pessoas estão lá sem o mínimo de dignidade de vida, porque infelizmente, nós, Congresso Nacional e INCRA, não damos as condições necessárias para essas pessoas poderem trabalhar, produzir e ajudar o País. O que essas pessoas querem? Elas querem condições de trabalhar – somente isso! No Município de Itanhangá, há 2 anos, estava presente o Superintendente do INCRA quando fizemos uma audiência pública, com a participação de mais de 3 mil pessoas. As pessoas choram. O pai de família não está na sua terra, porque ele não pode, ele precisa sair para trabalhar. Daí o INCRA faz a vistoria e penaliza essas pessoas, como se elas tivessem vendido ou coisa assim. Precisamos criar condições. Conversei bastante com o Presidente do INCRA, Celso, e percebo nele realmente a vontade de acontecer. Estivemos, Dr. José Lacerda, com o Ministro de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco, colocando o problema, e estive na semana passada com o Governador, com o Ministro das Relações Institucionais, Luís Sérgio, colocando esse problema. Nós queremos encaminhar uma solução e precisamos definitivamente fazer a nossa parte. Se o INCRA não tem estrutura, que se faça o que está fazendo, chama o Estado para parceria, viabiliza esses assentamentos. É isso que nós queremos. Eu percebo que as coisas estão começando a andar, porque o Governo Federal está começando a se sensibilizar, a Casa Civil está começando a ser sensível. Porque esse não é um problema do INCRA, é um problema de Governo. Precisamos dar as condições necessárias para que essas pessoas possam produzir e sustentar suas famílias de forma inteligente. Não podemos ficar olhando as questões menores, Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS precisamos olhar as questões macro para que esses Municípios possam se desenvolver. Vou dar apenas um exemplo. Esse assentamento do Pontal do Marape foi instituído em 2005, com 346 famílias, mas 48 famílias ainda estão sem residência, estão morando embaixo de barraco de lona. Está aí o Léo Bilibio, Presidente da Associação dos Moradores do Pontal do Marape. São essas questões que nós não podemos aceitar. Talvez não seja só a casa que eles querem, eles querem também o documento, aí eles vão produzir, não vão dar despesa para o Governo Federal, vão sustentar as famílias, vão gerar emprego e renda, porque toda aquela região tem potencial produtivo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Homero Pereira) – Obrigado, Deputado. De imediato, passamos a palavra à Dra. Shirley Anny Abreu do Nascimento, Secretária Extraodinária de Regularização Fundiária na Amazônia Legal, do MDA, pelo prazo de 10 minutos. A SRA. SHIRLEY ANNY ABREU DO NASCIMENTO – Boa tarde, Sras. e Srs. Deputados, senhoras e senhores presentes. A questão da regularização fundiária, na verdade, é uma angústia para nós, porque há um desejo de todos nós, amazônidas, de que ela seja feita. E quem mora lá há 30, 40 anos, já esperou tanto tempo, é normal essa angústia. Então, eu queria dizer para vocês que sempre temos colocado que “Olha, mas está muito lenta, a regularização fundiária não está chegando”. Essa sensação talvez de lentidão é exatamente isto: essa angústia que sentimos de que chegue logo mesmo, porque há muitos anos estamos esperando. Eu posso colocar para vocês que o Programa Terra Legal está fazendo 2 anos. O primeiro ano, em julho de 2009, foi o ano de instalação do programa, de montar as equipes nos Estados. Em seguida, nós começamos a fazer uma série de estudos, porque fazer regularização na Amazônia é muito diferente de fazer regularização nas experiências que tínhamos no Nordeste ou no Sudeste do País. Então, fizemos, na época, três reuniões com empresas do setor de regularização, do setor de georreferenciamentos: uma reunião em Brasília, uma no Pará e uma reunião em São Paulo, onde se concentrava a maior parte das empresas de georreferenciamento, inclusive incentivando-as para que elas se reunissem e viessem conosco enfrentar esse grande desafio. No início nós fizemos três lançamentos de pregão pequenos, que eram muito de experiência para ver como as empresas iriam reagir, como iria se dar em campo o trabalho. Muitas empresas desistiram, não entendiam muito a nossa lógica, chuvas, dificuldades, rios. Em seguida, fizemos, ainda em junho de Terça-feira 23 43805 2010, um grande pregão, que cobre hoje em torno de 60% da Amazônia, que é o Pregão D. Nesse pregão hoje nós temos cerca de 200 equipes trabalhando na Amazônia. Os trabalhos iniciados, lançados em junho, recorreram, e nós conseguimos colocar as equipes em campo em agosto. Para vocês terem ideia da grandiosidade do trabalho, de como esse trabalho cresceu, em setembro de 2010, foram entregues para 145 posses georreferenciadas. Hoje, nós temos no nosso sistema de georreferenciamento mais de 10 mil posses e mais de 3 mil posses estão entrando. Ou seja, temos quase 14 mil posses hoje, já na Amazônia Legal, georreferenciadas, aptas à regularização. Eu queria pedir permissão a vocês, porque há duas semanas eu vim à Comissão da Amazônia e apresentei o Programa Terra Legal num foco da Amazônia inteira. Como o requerimento é sobre o Mato Grosso, eu queria especificar e fazer uma apresentação mais limitada dessa vez ao Mato Grosso, que é uma situação bem especial. Eu gostaria de ter a permissão de vocês. Então, o início do trabalho do Terra Legal no Mato Grosso foi fazer o georreferenciamento de duas glebas: a Maicá e a Jarinã, porque era um desejo do Governo do Estado, do movimento social, dos Deputados, que nós fizéssemos a transferência dessas duas áreas para o Mato Grosso. Então, nós fizemos a licitação, georreferenciamos essas duas glebas, que são duas glebas grandes, e doamos, no ano passado, para o Estado de Mato Grosso. Na área urbana, estão aí Jarinã, uma área de 378 mil hectares, que está dentro do Município de Peixoto de Azevedo – essa é a Jarinã – e a Maicá, que está com o Sinop, uma área de 1 milhão e 200 hectares. (Intervenção fora do microfone. Inaudível.) A SRA. SHIRLEY ANNY ABREU DO NASCIMENTO – É Sinop que está aqui, para mim, Sinop e Maicá. Maicá é Sinop, não é no Município de Marcelândia? Títulos urbanos no Mato Grosso. Foram emitidos 11 títulos urbanos em quatro Municípios: Bom Jesus do Araguaia, Peixoto de Azevedo, Rondolândia e Cotriguaçu. Eu acho importante porque o Deputado Neri citou, como exemplo, a questão do Município de Itanhangá. No Município de Itanhangá não existem terras públicas federais. Todas as terras públicas de lá são estaduais, portanto, não há nenhum trabalho do Terra Legal no Município de Itanhangá, porque não há expectativa, porque não há gleba federal nessa área. Foram feitos na área rural 1.647 cadastros em 30 Municípios, equivalendo a uma área de 439 mil hectares. 43806 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS No primeiro momento para o georreferenciamento, nós encontramos uma dificuldade no Mato Grosso, o que explica o fato de não termos iniciado, assim como fizemos nos outros Estados da Amazônia, o trabalho de georreferenciamento logo em Mato Grosso. Qual foi o nosso problema? Não tínhamos um conhecimento aprofundado do acervo fundiário do Mato Grosso. Foi necessário ter-se muito cuidado, porque são muitos títulos no Estado de Mato Grosso. Então nós fizemos um trabalho, inclusive com convênio com o SIPAM, de levantamento do acervo fundiário do Mato Grosso. A outra questão é que as glebas nossas, federais, dentro do Estado de Mato Grosso são muito pequenas e muito pulverizadas, diferente das de outros Estados, por exemplo, do Amazonas ou do Pará, em que há glebas muito grandes, bem juntas mesmo, bem consolidadas. No Mato Grosso são glebas pequenas. Sobrou no Mato Grosso glebas bem pequenas e muito pulverizadas no Município. Por quê? Porque se optou, no momento da construção do Estado, da colonização do Estado, pela reforma agrária, pela criação de assentamentos. Então, nós temos muitos assentamentos no Estado de Mato Grosso. E o remanescente de áreas das sobras da criação desses assentamentos são áreas muito pequenas e pulverizadas. Na área rural, até esse momento conseguimos emitir 60 títulos em três Municípios. Até sexta-feira ou, no máximo – o nosso Superintendente Nacional pode falar um pouco mais – até segunda-feira que vem, estaremos lançando o nosso novo registro de preço para georreferenciamento, com um foco muito forte para o Mato Grosso. Por quê? Porque agora nós nos sentimos bastante seguros, após esse levantamento fundiário que fizemos com a ajuda do INCRA e do Governo do Estado, porque temos também um convênio com o Governo do Estado que foi feito... (Intervenção fora do microfone. Inaudível.) A SRA. SHIRLEY ANNY ABREU DO NASCIMENTO – Não, não é o convênio grande. Foi feito um convênio grande, de 17 milhões, para a regularização fundiária em terras estaduais, em Mato Grosso. Então o Governo do Estado já tem, junto conosco, com o Terra Legal... Porque o Terra Legal é isto, ele tem dois focos: um, a regularização rural e urbana em glebas federais, e um forte apoio aos Estados. Para vocês terem ideia, nós temos hoje 70 milhões na Amazônia Legal em convênio com os Estados. Até o final deste ano, na verdade, até final de julho, nós vamos chegar a 110 milhões de convênios com os Estados. Então, foi feito um convênio também com o Mato Grosso para digitalizar todo o acervo fundiário do Instituto de Terras de Mato Grosso. Então hoje nós nos Agosto de 2011 sentimos muito seguros com esse levantamento, com esse trabalho que foi feito com o Governo do Estado, com esse trabalho que nós fizemos junto com o SIPAM. Hoje o Terra Legal se sente muito seguro para fazer os registros de preços no qual está entrando o Estado de Mato Grosso. Aqui é o Pregão E, no Estado de Mato Grosso. Vão ser contratados 6 milhões de hectares para beneficiar cerca de 9 mil ocupações. E os cadastros têm uma novidade nesse momento, porque é assim: para o nosso cadastro até esse momento, quem foi que fez cadastro? Os Estados, os sindicatos, as Prefeituras, a Superintendência Nacional e as Superintendências do INCRA. Nesse novo momento, nós estamos entrando também com um cadastro, através das empresas de georreferenciamento. Por quê? Porque verificamos que, quando as empresas de geo chegavam a campo, o seu João tinha feito cadastro, ele era georreferenciado, mas a dona Maria, do lado, não havia feito o cadastro, e a equipe de georreferenciamento simplesmente pulava a dona Maria. Isso estava criando um problema sério no campo, ficando buracos mesmo de posses. Então, a gente resolveu, nesse novo registro de preços, que as empresas também contribuirão conosco. Além do que os Estados estão fazendo, do que o INCRA está fazendo, do que as Prefeituras e o sindicato estão fazendo, vão contribuir conosco no cadastramento. Acabei de dizer que temos um convênio com o INTERMAT na área fundiária rural, para fazer 2.250 ocupações em Colniza e no Município de Aripuanã. Esse convênio está rodando com muito sucesso, com os problemas normais que os Estados encontram, com as dificuldades normais, mas a gente está tendo um bom convênio com o Estado, inclusive rodando um convênio muito bem com o Estado do Mato Grosso. Para ajudar a gente, o Secretário disse aqui que muitos títulos foram dados em anos anteriores, fruto das leis, tanto dos 100 quilômetros das rodovias quanto da questão da fronteira. Então, essa é uma dificuldade muito grande que a gente tem encontrado em campo. O Terra Legal tem se pautado por uma questão: nós não podemos ser mais um produto para o caos fundiário na Amazônia Legal. Portanto, a gente tem tido muito cuidado no nosso trabalho. Por isso que a gente georreferenciou. O primeiro ano, além de ser um momento de estruturação nossa, foi um ano em que a gente georreferenciou as nossas glebas, porque muitas das nossas glebas que estamos trabalhando hoje não estavam georreferenciadas. Essa é uma preocupação que estamos tendo. Por isso estamos fazendo um convênio com o Conselho Nacional de Justiça para modernizar os cartórios e Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS informatizá-los. Isso, primeiro, para a gente não correr o risco de ser mais um produto para causar fraudes e insegurança nos títulos que serão emitidos pelo Terra Legal. E junto com o Conselho Nacional de Justiça, inclusive, nós estamos fazendo um trabalho, com essa modernização dos cartórios, que é averiguar a veracidade dos títulos que há nesses cartórios. É um trabalho que está sendo feito com o Conselho Nacional de Justiça e com a Biblioteca Nacional, porque são documentos muito antigos. Então, nós vamos trabalhar com toda essa documentação, até para evitar que se dê título em área já titulada. O que está acontecendo também? Foi dado muito título pelo INCRA anos atrás. Muita gente não foi ao cartório para registrar esses títulos e, muitas vezes, a gente chega à gleba e a gente pensa assim: não, aqui vamos ter pouco cadastro porque a área já está praticamente toda titulada. E muita gente que já tem título vem para se cadastrar no Terra Legal, muito possivelmente porque aquela área já foi vendida para outras pessoas, já é o quarto ou o quinto dono, foi parcelada ou não se levou esse título a cartório. Então, como a gente está encontrando em áreas que já foram massivamente tituladas pelo INCRA muito cadastro para o Terra Legal, a gente está tendo muito cuidado. E esse trabalho com o Conselho Nacional de Justiça vem para nos possibilitar ter mais segurança ainda, exatamente, como eu falei para vocês, para a gente não ser mais um produto do caos fundiário. Nós temos alguns desafios com o Terra legal. Alguns eu apresentei para vocês. Um deles é a gente tentar não ser mais um andar de títulos na Amazônia Legal. Para o cadastro a gente abriu parceria com o Estado. O Estado faz cadastro, as Prefeituras fazem cadastros, os sindicatos podem fazer cadastro. Eles têm parceria conosco para fazer cadastro. No georreferenciamento, inclusive o nosso cadastro ele é todo já informatizado. Eu faço o cadastro, a prefeitura faz o cadastro e sai lá, imediata e nacionalmente, na nossa página: cadastro feito pela Prefeitura tal, seu fulano de tal, cadastrado em área de 40 ou 50 hectares, que fica no Município tal, na fronteira tal. Os 88 mil cadastrados do Programa Terra Legal já estão nessa base, e qualquer um pode fazer consulta. Na informatização do georreferenciamento, também avançamos muito. Antes, era feito o georreferenciamento e mandado para a nossa equipe um CD com as poligonais que foram tiradas no georreferenciamento. Agora, a empresa faz o georreferenciamento, entra em um programa e imediatamente o desenho, a fotografia da área em que foi feito o georreferenciamento vai para o Estado e imediatamente para Brasília. Estamos avançando de tal maneira que, agora, o Terça-feira 23 43807 memorial descritivo já sai. Sai o desenho da área e o memorial descritivo da área. Qual é o terceiro momento em que já estamos com a nossa equipe de informática trabalhando? Quando entrar essa parcela georreferenciada, entrar o CPF da dona Maria ou do Sr. João, todas as consultas que somos obrigados a fazer elas já são feitas. Imediatamente sai o nada consta e passamos para a titulação. Por quê? Porque aquele que não saiu o nada consta, que tiver algum problema, esse nos vamos nos debruçar para resolver o problema dele. Quem não tiver nenhum problema imediatamente vai para a titulação. Eu vou parar por aqui. Teriam outras coisas a serem mostradas, mas fica para o debate. Muito obrigada. O SR. PRESIDENTE (Deputado Homero Pereira) – Agradeço. Há muitos Deputados que estão angustiados para usar da palavra, mas queremos seguir o roteiro e esgotar os oradores. Só então abriremos para os Parlamentares. Efetivamente, este não é um assunto só do Mato Grosso. Como prevíamos, é um assunto que interfere em todo o País. Para representar todos os Prefeitos – temos dois Prefeitos na Mesa —, passo a palavra ao Prefeito de Novo Mundo, José Hélio Ribeiro, pelo prazo de dez minutos. O SR. JOSÉ HÉLIO RIBEIRO – Boa tarde, Deputado Homero. Obrigado pelo convite. Obrigado, Deputado Neri Geller. Cumprimento todos os Deputados, Deputado Ságuas, Deputado Dorner, o Sr. José Lacerda, enfim, toda a Mesa que se faz presente aqui. Obrigado pessoal que veio de Novo Mundo, que representa os agricultores, os assentados. Neste momento, quero agradecer ao Presidente, o Celso, as palavras. Acho que o INCRA até hoje foi muito lento. Acredito que agora, daqui para a frente, com a Dilma, juntamente com o Presidente aí, isso tem de andar porque são angústias nossas, da população. Há pessoas do Brasil inteiro que têm problemas nesse sentido. Agora, o que acontecia alguns anos atrás? Ninguém resolvia as coisas? É uma situação complicada. Têm pessoas, há 20 anos, em cima de uma área, nunca foi resolvido. Isso acarreta compromisso para os Municípios. No Município de Novo Mundo, na Gleba Nhandú, causou vários problemas que até saíram em televisão com umas histórias desagradáveis, isso mancha a imagem nossa, do Município, do Estado, do Brasil. De quem é a culpa? É minha? É nossa? Acho que é dos poderes públicos, que têm autonomia para resolver essa situação. Então, coloquem o sitiante lá, assentem ele, desapropriem a propriedade do fa- 43808 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS zendeiro, não deem o documento. Eles ficam lá sem condições de sobreviver. Com isso, o Município tem o compromisso de dar transporte escolar, saúde, assistência social, o que dificulta muito. Resolvendo a situação da regularização fundiária, em todos os sentidos, do pequeno e do grande produtor, eu acredito que todos nós ficaremos satisfeitos com Toda a situação. Eu quero agradecer e passar a palavra. Vamos esperar que os Governantes também analisem bem a situação do Código Ambiental. Há alguns anos o Governo incentivava as pessoas a desmatarem 50%. Hoje, essas pessoas que desmataram são consideradas criminosas, invasores, bandidos pelas ONGs, que batem doído nessa situação. Acho que tem que ser vista toda essa situação. As pessoas que estão há tantos anos lá, em cima da sua propriedade, enfrentaram picadas, carregando mochila nas costas – somos conhecedores dessa situação —, hoje são consideradas bandidos, invasores. Acho que não é por esse lado. Precisamos resolver a situação dos proprietários, mas precisamos resolver também a situação dos assentados. Têm vários acampamentos em todo o Brasil, o que é lastimável. Temos tanta terra que poderia ser resolvida a situação desses acampamentos e dos proprietários. Todos os proprietários sempre estiveram de acordo em negociar. Vamos ver, porque eu acho que eles têm o direito. A pessoa viver 20 anos em cima de uma propriedade e não ter direito... Acho que tem que ser mais humano. Muito obrigado pela oportunidade. O SR. PRESIDENTE (Deputado Homero Pereira) – Obrigado, Prefeito, pela compreensão, usou metade do seu tempo. Passo a palavra ao Prefeito Vanderley Proenço Ribeiro, do Município de Itanhangá. O SR. VANDERLEY PROENÇO RIBEIRO – Boa tarde, Homero, nosso Deputado Federal do Mato Grosso; cumprimento o Neri, o Dorner, o Ságuas, o nosso amigo Ezequiel, cumprimento, em nome da Mesa, o Chefe da Casa Civil, o Dr. Lacerda. Primeiro quero parabenizar o Deputado Homero, juntamente com a bancada, nosso Deputado Federal do Estado Mato Grosso, pela iniciativa de fazer essa audiência pública em Brasília. Eu sou Prefeito do Município de Itanhangá, Município esse que surgiu de uma assentamento em que foram assentadas 1.149 famílias, em uma área de 1.115 hectares. Cada parceleiro recebeu 100 hectares. É um assentamento considerado um dos maiores da América Latina. Hoje estamos discutindo a regularização fundiária. Tivemos uma audiência pública, como lembrou Agosto de 2011 muito bem Deputado Neri Geller. Ontem, foram mais de 15 autoridades em nosso Município para discutir a regularização fundiária em uma audiência pública. O William César Sampaio esteve presente. Falo aqui, Deputado Homero, nós, Prefeitos, principalmente desses Municípios pequenos, da dificuldade que temos para a regularização fundiária. Infelizmente, várias e várias vezes procuramos o INCRA, juntamente com os Deputados, sem retorno. É difícil para nós Prefeitos de Municípios pequenos. Claro que é um Município novo. Podemos parabenizar o INCRA, pois de um assentamento surgiu hoje um Município que está contemplado com uma rodovia federal, a BR-242, que passa por dentro do nosso Município, e a MT-38, que também passa no Município, ficou no entroncamento. É um Município muito bem localizado na região do Vale do Arinos. A dificuldade que temos hoje é que somente 469 parceleiros foram titulados. Faltam 680 pessoas a serem tituladas, há mais de 14 anos, Geller, que falou muito bem, há muitas pessoas que já se foram, algumas famílias ainda estão lá, pensando em pegar seu título, com dificuldade, com seus filhos no interior, muitos não têm nem habitação ainda, não saiu a segunda remessa da habitação, há pessoas que foram embora, abandonaram, outros entraram. E ficamos tristes, Geller, quando a Polícia Federal vai ao nosso Município, como você sabe, o IBAMA, que está hoje no nosso Município, sem saber quem multar. Não sabe se multa o INCRA, se multa o parceleiro. Nós temos parceleiro hoje no mato, que nem cachorro não pega, porque o IBAMA está há mais de 15 dias lá. São multas de 800, 1 milhão, 1 milhão e meio de reais, e não se faz nada. Onde está a regularização ambiental? Nosso Município está embargado ambientalmente. Essas pessoas, Homero, não sabem o que fazer. É triste dizer isso: Município em que a arrecadação não chega a 600 mil reais, com uma demanda de transporte escolar de mais de 2 mil quilômetros/dia. E os parceleiros estão hoje sem saber o que fazer. Começamos o georreferenciamento. Admiro aquele nosso povo, que está bancando o seu georreferenciamento, mais de 1.400 reais por parcela. Já fizemos o perímetro interno. Na próxima semana, vamos protocolá-lo no INCRA. Infelizmente, sem a ajuda de ninguém, Homero. O Governo do Estado prometeu uma emenda de 460 mil, que até hoje não saiu, e já foi assinada. O convênio não saiu. Então, é triste para nós, Prefeitos, ver esse povo sofrendo na nossa região. Precisamos, Homero, urgentemente dessa regularização fundiária porque, senão, o povo vai embora. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E, aí, vai entrar o grande fazendeiro, e a população, pequena principalmente, vai embora. Hoje, Geller, carregamos pela primeira vez para Tangará da Serra uma carga de maracujá. Nosso Município produz 3 toneladas/dia dessa fruta. E os parceleiros fazendo tudo, no peito e na raça. Fizemos mais de 50 hectares. Começamos há poucos dias um projeto e já pedi socorro ao Governador Sinval para nos dar a mão. Mas temos de matar o sonho daquelas pessoas lá abandonadas. É claro que há horas boas e difíceis, mas precisamos tomar providências, senão não tem graça ser Prefeito dessa pequena cidade, Geller, não tem graça. Somos companheiros. Estamos aqui para discutir, mas acho que está na hora de o INCRA, o Governo do Estado e o Governo Federal tomarem providências para tirarmos essas pessoas do sofrimento. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Homero Pereira) – Obrigado, Prefeito Vanderley. Vamos passar a palavra agora ao Presidente da Associação dos Moradores do Pontal do Marape, Leo Bilibio. O SR. LEO BILIBIO – Boa tarde a todos. Eu moro no Assentamento Pontal do Marape e quero agradecer a oportunidade de trazer a vocês um pouco dos nossos problemas para serem discutidos neste plenário, problemas esses enfrentados no dia a dia do nosso assentamento. Esse projeto iniciou-se, Neri, em 1998, com um total de 358 famílias, reconhecido pelo INCRA em 2001. O assentamento já está com 12, 13 anos e ainda temos 41 famílias vivendo embaixo de lonas, muitas delas em condições muito desumanas, em completo abandono, pois o INCRA fez a última vistoria no nosso assentamento em dezembro de 2005. Por isso pedimos socorro ao Deputado Neri, que imediatamente vestiu a camisa do nosso assentamento e foi lá verificar os fatos. Então, uma vez que o INCRA nos abandonou há tanto tempo, não tem condições, o Dr. William está ai, ele não pode fazer nada com o bolso dele, se ele não recebe condições, ele não pode fazer as coisas por nós, sempre nos atendeu bem, mas sentimos que ele não tem condições de fazer mais do que está fazendo. Então, por que não titular nossa família, não titular nossas terras, porque, aí, com certeza absoluta, vamos dar um jeito de procurar recursos nos bancos para dar melhor qualidade de vida para nossas famílias, para nossos filhos, quem sabe um estudo para frente para não ficar na situação que temos hoje. Um problema muito grave que temos também no assentamento são as nossas escrituras, temos 27 matrículas, todas elas hipotecadas no banco, ainda no nome do antigo dono, de 13 anos atrás. Hipotecou Terça-feira 23 43809 essas terras para pedir financiamento e até hoje não foi resolvido. Meu muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Homero Pereira) – Muito obrigado Leo. Sou vou pedir permissão para usar o resto do tempo do Leo, antes de passar para o Samuel, para conceder a palavra ao Deputado Roberto Dorner, que tem ir a uma audiência. O SR. DEPUTADO ROBERTO DORNER – Boa tarde a todos, quero agradecer ao nosso amigo, chefe da Casa Civil do Mato Grosso, Sr. José Lacerda, quero dar parabéns a V.Exa. Deputado autor do requerimento, ao Sr. Neri Geller, e quero dizer que, quando se fala em assentamento, nós, do Mato Grosso, ficamos com vergonha. Com vergonha por quê? Eu moro há 31 anos na cidade de Sinop e ouço falar que o INCRA vai trazer os documentos do assentamento no ano que vem: “no ano que vem, todo o mundo vai estar documentado”. Faz 31 anos! Eu estive, numa ocasião, no Município Itanhangá aonde chegou um superintendente do INCRA e disse: “Agora, vai vir o documento”. E eu falei: “É mentira. Não vem documento nenhum; vem conversa só”. E foi o que aconteceu, Prefeito, naquela época: só conversa fiada. Aí se fala em trabalho escravo no Mato Grosso com os grandes fazendeiros e médios fazendeiros. Trabalho escravo é isso aqui: pessoas vivendo debaixo de lona anos e anos. Isso, sim, é o trabalho escravo! Quero dizer a todos... E quero dar os parabéns também para a Dilma pelo feito de ter assinado convênio com o Governo do Estado: a gleba Maicá vai ser regularizada agora pelo Estado do Mato Grosso, Sr. Lacerda. E o senhor é uma das pessoas que fazem parte desse projeto, desse trabalho. Agora é hora de nós começarmos a pedir a nossa Presidente que nos ajude a trazer parte... Se não trouxer os 500 assentamentos de uma vez só, que vá fazendo por parte, trazendo para o Estado a responsabilidade para que se deem os títulos a esses cidadãos que tanto contribuem para a nossa Nação. O Brasil tem de ter orgulho de essas pessoas estarem no campo, reclamando por uma regularização fundiária, reclamando por um Código Florestal, que é tirado constantemente de pauta – e eu não sei por quê. Nós temos compromisso com o Mato Grosso e com o Brasil de ter esse código aprovado, e não sei por que está sendo empurrado de uma semana para a outra, de uma semana para a outra. Tem nos levado na conversa até agora! Portanto, eu quero dizer a todos que estou junto com o nosso povo de Mato Grosso, estou junto com os nossos Parlamentares, dando parabéns às pessoas 43810 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS que fizeram esse requerimento. Não só Mato Grosso, o Brasil precisa disso, precisa de documento para que nossas famílias possam entrar num banco e fazer um financiamento para dar condições de vida para suas famílias. Muitos deles já morreram, mas ficaram seus filhos, netos e pessoas viúvas esperando esse título, que até agora não chegou. Era isso o que eu tinha que falar. Ficam aqui essas fotos como testemunhas de que o trabalho escravo está, sim, sendo feito até pelo INCRA também, porque não resolve o problema, sempre fica dizendo “ano que vem, no ano que vem, vai estar aí”, e já estou há 30 anos no Mato Grosso e nada aconteceu. É isso o que eu tinha que falar. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Homero Pereira) – Obrigado, Deputado Roberto Dorner. Antes de passar a palavra ao Deputado Ságuas, passo-a para o Sr. Samuel dos Santos, representante dos assentados do Município de Novo Mundo, Mato Grosso. O SR. SAMUEL DOS SANTOS – Em primeiro lugar, boa tarde a todos. Obrigado pelo convite que recebi para estar aqui. Eu sou do Município de Novo Mundo e estou representando todos os assentamentos de Mato Grosso. Estamos com um problema no assentamento do Município de Novo Mundo. Uns assentamentos receberam as casinhas e o fomento. É a única coisa que nós recebemos do INCRA lá dentro. Nós pedimos aos Srs. Deputados que, uma hora, façam uma visita ao local para ver que nós estamos há 6 anos morando nessas áreas e a única coisa que nós recebemos foi isso. Estamos sem escola lá dentro também. Os filhos da gente só fizeram até o primeiro ano. Agora, estão sem escola lá dentro. Quero dizer aos Srs. Deputados que nós temos casas abandonadas lá dentro desses assentamentos, casas que foram construídas, mas não estão morando dentro delas. Estão criando bichos, cupins, são moradia de morcego. Pessoas que receberam casas e não deveriam ter recebido. Tem pai de família debaixo de lona até hoje que não recebeu, e outras pessoas que não mereciam ter recebido essas casas receberam. Represento aqui o assentamento o assentamento Araúna I, Araúna II, Pacuri, Zé Furnato e Axaila, todos do Município de Novo Mundo, em Mato Grosso, e todos estão com esse problema: muita gente vendeu terra lá dentro, porque não recebeu até hoje o benefício do INCRA, o recurso. Até hoje não saiu nada. Srs. Deputados, se chegou a sair algum recurso para o Município, até hoje às mãos do pequeno produtor não chegou nada; não recebemos nada. Estão lá pessoas debaixo de lona. Agosto de 2011 Procuramos o INCRA de Guarantã do Norte e somos mal recebidos quando vamos dizer a respeito do nosso recurso. Nós estamos lá dentro desses assentamentos do Município de Novo Mundo, numa média de 800 famílias, dentre todos os assentamentos – Araúna I, Araúna II, Pacuri, Zé Furnato, média de 800 famílias nesse local. Uns assentamentos, como o Aliança e Pacuri, receberam as casinhas pela metade. Os outros assentamentos vizinhos, que até hoje estão debaixo de lona, não saiu nada. As crianças também não estão estudando, porque não tem aula lá dentro. Estamos aqui na espera; queremos uma solução dos Srs. Deputados para saber como fazer para sobreviver em cima de um lote desse! Por que muitos deles venderam? Venderam por não terem como sobreviver lá. Algumas terras não produzem. O INCRA chegou a nos falar que aquelas pessoas que moram em cima daquelas terras não são obrigadas a sobreviver no sítio; podem deixar o lugar e ir morar na cidade. A gente agradece muito às fazendas vizinhas, porque estamos lá ainda e dependemos delas, porque elas empreitam uma cerca, dão uma diária para a gente trabalhar lá dentro. É o único serviço que a gente acha lá. Senão, a gente já tinha abandonado ou chegado a esse ponto que os outros chegaram por falta de condições, não é? O nosso assentamento tem 6 anos. Tem assentamento lá com 5 anos, tem assentamento no Mato Grosso que está com 10 ou 12 anos, do mesmo jeito, sem receber nenhum recurso. As estradas... Não temos estrada lá dentro. Quando chega esta época agora, temos estradas, mas, quando chega a chuvarada, criança sai às 6 horas para ir para a escola e quebra o ônibus na estrada. Se não são os fazendeiros para levar aquelas crianças que estavam na estrada passando fome, debaixo de chuva, de casa em casa... A gente fica preocupado com as crianças da gente. Ali tem vários problemas! Está difícil para a gente sobreviver. A gente pede para os Srs. Deputados nos fazerem uma visita para dar uma olhada nas condições dos assentamentos não só do Município de Novo Mundo, mas de todos de Mato Grosso assentados pelo INCRA. Uma parte dos assentamentos foi feita pelo INCRA, outra parte, pelos sindicatos. Nós estamos com outros problemas. Até os marcos do nosso sítio, das nossas propriedades... Se nós quiséssemos ter esses marcos, teríamos que pagar ou bater marco de cimento nas costas dentro do mato, para enfiar esses marcos, para saber onde é a nossa divisão. Tínhamos que trabalhar para não fazer serviço perdido um em cima do lote do outro. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Outra coisa: a medição. Se quiséssemos ter a medição, tínhamos que pagar também, porque o INCRA chegou a nos dizer que não tinha condições de pagar um assessor para fazer uma medição. Várias vezes, pedimos para o INCRA do Guarantã do Norte fazer uma vistoria para nós lá dentro, mas disse que não poderia porque não tinha petróleo para abastecer a condução para chegar até o local e fazer a vistoria de que a gente estava precisando. E quando chegou a fazer essa vistoria, muita gente teve que fazer uma “vaquinha” para dar o petróleo para ele chegar até o local. São 65 ou 70 quilômetros do Guarantã até esse assentamento P Aliança. Os outros são ainda mais distantes. Estamos com famílias e crianças lá dentro abandonadas, sem recurso nenhum – mas nenhum mesmo! A única coisa que recebemos até hoje foram essas casinhas e esse fomento. Recebi uma vistoria do INCRA quando saiu esse fomento e outra vez quando saíram essas casinhas – e saem essas casinhas sempre pela metade. Estão lá sem reforma, sem nada, feitas pela metade. Não recebemos mais nada do INCRA, para terminar o nosso sacrifício lá dentro. Vários deles estão morando debaixo de lona, várias crianças estão sem estudo. Há umas crianças aqui que vão dar o seu depoimento também sobre as escolas. E estamos nessas condições, desse jeito. Muitos sítios foram vendidos. Por quê? Aquela pessoa que vendeu àquela pessoa que comprou está morando em cima, e aquelas pessoas que estão desde o começo e que não venderam estão com a corda no pescoço. Por quê? Como eu acabei de dizer: serviço nas fazendas vizinhas. Se não fossem essas fazendas vizinhas, nós também teríamos abandonado, porque que não temos recursos para sobreviver em cima. Não temos PRONAF; não recebemos nada até hoje. E falo aqui para os Srs. Deputados em nome de todos os assentamentos do Mato Grosso, em nome dos assentamentos do Município de Novo Mundo. São seis ou sete assentamentos que estão com esse problema no Município de Novo Mundo. Não só no Município de Novo Mundo, mas no Mato Grosso. Estamos com esse problema, muito grande, muito sério. A gente está aqui hoje; queremos, pelo menos, levar para aquele povo uma solução, para que eles fiquem mais faceiros, mais alegres, com alguma esperança. Eles estão ali esperando. A gente já esteve no Município de Cuiabá procurando esse tipo de solução. E de lá saímos sem nenhuma, para dizer assim, esperança; não recebemos nada. Para dizer a verdade, fomos até um pouco mal recebidos ali dentro. Então, eu agradeço aos Srs. Deputados. Muito obrigado por isso, e nós esperamos por vocês. Terça-feira 23 43811 O SR. PRESIDENTE (Deputado Homero Pereira) – Muito obrigado, Samuel. Para fechar esse ciclo da participação dos diretamente envolvidos, para depois nós passarmos... Certamente, o Willian Sampaio, Superintendente do INCRA no Mato Grosso, também vai ser chamado ao debate, assim como todos os Parlamentares. Então, vamos passar a palavra a outro representante dos produtores rurais de Novo Mundo, o produtor Silvino Dal Bo. O SR SILVINO DAL BO – Meu amigo Homero, Presidente, Shirley, José Ribeiro, representante do INCRA, José Lacerda, Vanderley, todos aqui presentes, eu gostaria de dizer que é uma satisfação participar de todas as batalhas e lutas pelo desenvolvimento deste País, porque nós acreditamos no Brasil, porque nós somos brasileiros. Sabemos que as minhas vindas a Brasília, nas marchas de luta, trouxeram resultados. Eu tenho um orgulho muito grande de ser brasileiro, de ser nacionalista. Mas passo por um momento muito triste. Nós, filhos de pequenos produtores, filhos de pequenos espaços, agrônomos sem emprego, técnicos agrícolas sem emprego, preparados por este País, conseguimos ir para o desafio da grande preparação de Getúlio Vargas, que foram as colonizações, que deram resultado. Vamos olhar para Foz do Iguaçu, Cascavel, oeste do Paraná, vamos olhar para Sinop, vamos olhar para Alta Floresta, onde a iniciativa, o braço do povo e a união dos que ali moravam, que ajudaram, que chamaram os brasileiros para que fossem lá conquistar, transformaram o Brasil num grande produtor. Nós não somos capazes de fabricar produto eletroeletrônico, não somos capazes de produzir carros, não somos capazes de fornecer nenhuma outra produção, a não ser as matérias-primas, para as quais nós fomos preparados nos últimos tempos. E a única coisa que sobra para o brasileiro, que resta para o brasileiro, é ele transformar as cidades através do campo, através da produção rural. Eu sou filho de pequeno produtor. Oitenta por cento do agronegócio brasileiro, oitenta por cento da produção nacional é fruto de filhos de pequenos produtores, de homens que aceitaram o desafio de ir para o Cerrado, que ninguém queria, de ir para a Amazônia pegar malária, o que ninguém queria. Nós somos fruto do trabalho, somos fruto dos que acreditam neste solo, somos fruto dos que acreditam neste País. Se fizermos por ele, seremos reconhecidos. Fico triste quando eu vejo nos debates dividirem pequenos, médios e grandes produtores. Nunca faremos uma política agrícola neste País. Nunca, nunca reconheceremos que o nosso produtor, se ele é grande, o pequeno tem que estar junto com ele para aprender 43812 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS a ser grande também, porque o Brasil é grande, e a força de trabalho é muito grande. Eu venho aqui, meus senhores, porque há mais de 30 anos sou pioneiro. Eu, Homero, e muitos produtores viemos a Brasília porque fomos acolhidos pelos mato-grossenses. E o Cerrado nem japonês queria. Nem eles queriam! Ninguém queria bioma nenhum. E nós viemos para Brasília, acampamos no Palácio do Planalto, botamos o caminhão em cima da plataforma na época dos militares. Nós fomos presos aqui. Mas fomos soltos porque a nossa luta era para produzir, a nossa luta era para desenvolver, a nossa luta não era para brigar, e, sim, com as forças do trabalho em que a gente acreditava e com os companheiros do Mato Grosso, que era o pior Estado do Brasil... É um Estado que geograficamente é perto do nada, porque fica no centro. E hoje é um grande produtor, porque fomos acolhidos por brasileiros mato-grossenses, porque somos filhos de colonos catarinenses, gaúchos, mineiros e de diversos Estados. O grande produtor hoje era pequeno ontem. E eu quero que o pequeno de hoje seja grande amanhã! Por isso estou aqui para denunciar os absurdos. Esse pessoal sem oportunidade é colocado no campo para brigar, para brigar com companheiros. Como o pequeno vai ser grande, se ele não for amigo do pequeno? Quando o Brasil vai ser Brasil agrícola sem uma política agrícola? Só há um jeito de evitar a política agrícola: é separar pequeno, médio e grande. Meus senhores, Novo Mundo é o último Município do Estado. Lá as fraudes e as barbaridades aconteceram. Bravos brasileiros subiram para lá, transformaram aquele Município. Meus amigos, com a luta do trabalho, transformaram o Município, enfrentaram a malária, seguraram irmãos brasileiros. Na história do Mato Grosso está o surto da malária. Entre os companheiros que desistiram de lá, que não conseguiram resistir, infelizmente, muitos sucumbiram. Muitos foram embora. E os que resistiram a tudo isso hoje são bandidos. São bandidos os que resistiram! Vou-lhes dizer o que se passa em Novo Mundo. Novo Mundo é uma cidade hoje com uma população de 6.725 habitantes. Tem 3 mil lotes – 3 mil lotes! – e 40 propriedades, desses caras que resistiram, que são médios e grandes proprietários, que ajudam a segurar o irmão lá, o companheiro brasileirinho que está lá, do lado. Agora, digam-me uma coisa: 6.725, e a AGU pede as 40 fazendas para fazer reforma agrária! Aí eu fui olhar. Vão fazer um levantamento: assentados, 6 mil; população, 6.725; 3 mil lotes. Se nós dividirmos, são quase dois lotes para cada um. É o único Município brasileiro que tem essa referência. Agosto de 2011 E os assentados? Segundo eu escutei atentamente do Samuel, o dinheiro não chega lá na ponta. Tenho aqui um dado: já foram destinados mais de 36 milhões para o PRONAF, para promover o desenvolvimento de Novo Mundo. Até agora esses 36 milhões nunca responderam... Pelo menos falam que até agora não chegou nada, e o menino Samuel diz que não chegou o tal do PRONAF lá no assentamento deles. Cadê esse dinheiro? O que foi feito com ele? O que foi feito pelo produtor rural? Aí escuto que não chegou até ele, aí escuto que há assentamento de três andares. Quem está denunciando os três andares não sou eu, não. Existe assentamento de um andar, dois andares, três andares. Isso quem declara é o Ministério Público. Outra, pasmem, senhores: existe produtor morando na Inglaterra, assentado que mora na Inglaterra! Isso é matéria do Fantástico. O cara mora na Inglaterra! Estão aí os dois vídeos. Eu gostaria de pedir a permissão da Mesa para exibi-los, para esclarecer aos Deputados o que está se passando. Eu quero dizer para os Deputados que a minha origem é João Goulart. Minha mãe era prima-irmã de João Goulart. Eu sou nacionalista, eu sou da produção e do Brasil, pelos brasileiros. E a única saída é esta. A única saída, meus Deputados... Eu sei que os senhores lutam pelo orçamento nesta Comissão de Agricultura, lutam por uma agricultura forte no Brasil. O que os senhores teriam que olhar era um modelo e o que está acontecendo em Novo Mundo, que eu acho que é um espelho para o Brasil. Os senhores sabem como se legaliza o negócio? Houve tanta desistência. A desistência funciona assim: eu quero vender o meu lote, e o Fulano lá quer comprar. Eu só preciso de um cidadão do INCRA para fazer o jogo. Aí eu desisto. Daí me dão um novo lote, e o cara do INCRA passa a outro “ciprado”, que foi o comprador. Eu tenho documento para provar isso. Por isso estou falando aqui e pedindo aos senhores para olhar. Então, legaliza-se o banditismo. O que nós temos em Novo Mundo é banditismo. E o pior: um confronto contra 40 produtores. Só resta a força de resistência. Eu fui chamado de covarde. Não sou covarde. Briguei aqui, briguei para produzir, briguei em Brasília, vencemos em Rondonópolis. Éramos muitos agricultores. Nós éramos 1.200, em Mato Grosso, para produzir – 1.200! Só não somos duas mãos. Os planos econômicos, a luta do dia a dia no campo e a agricultura quebraram muitos companheiros. Mas nós estamos firmes, vencendo e lutando. Eu quero dizer aos senhores que fui chamado de covarde, de tudo que foi possível, porque eu acredito na Justiça brasileira. Minha propriedade em Novo Mundo foi invadida a comando e mando do INCRA. Minha propriedade, Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS com cinco manejos florestais, com uma serraria e uma indústria em cima. Porque manejo florestal não era digno, foi invadida uma propriedade a 50 quilômetros da cidade. Quando eu pedi e fui fazer isso, era fora. Eu quero contar isso aos senhores por quê? Querem formar fazendas através dessa patifaria, que eu gostaria que o vídeo denunciasse. E vemos lá lotes desocupados na beira da cidade – são fazendas sobre as quais ninguém falou aqui. São novos produtores rurais decididos a tomar lotes de pequenos produtores, legalizando, escriturando de 100 em 100 hectares, transformando-os em grandes propriedades. E os legítimos homens que lutaram, sem recursos públicos, esses sucumbiram. Gostaria de pedir a vocês, pelo amor de Deus, para olhar esse povo. E olhem essa matéria. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Homero Pereira) – Obrigado, Silvino. Quer falar antes ou assistimos primeiro ao vídeo, Willian? (Pausa.) O vídeo está pronto? (Pausa.) Não está? Então, enquanto vocês preparam, vamos ouvir o Deputado Ságuas Moraes. O Deputado havia pedido a palavra, Willian, mas depois nós vamos abrir o debate, e você participará também. Obrigado. O SR. DEPUTADO SÁGUAS MORAES – Sr. Deputado Homero Pereira, que preside esta reunião, autor do requerimento juntamente com o Deputado Neri Geller, demais colegas Deputados, Deputado Estadual Ezequiel – fomos Prefeitos juntos; quando Secretário, ele era da Secretaria de Estado de Educação; agora, Deputado Estadual; quero saudar também o José Lacerda, que é o nosso Secretário-Chefe da Casa Civil; Vanderley, que é Prefeito de Itanhangá; Richard, Diretor do INCRA; Shirley, representando o MDA; Prefeito José Hélio, de Novo Mundo; Léo; enfim, quero saudar a cada um dos senhores. Quero dizer o seguinte: em Mato Grosso, nós temos 537 assentamentos. Desses, 402 são do INCRA; 119, do Estado de Mato Grosso; e 17 são realizados pelos Municípios, perfazendo um total de assentados de 84 mil famílias. Nós temos 272 projetos de assentamento com mais de 10 anos de criação. Quando o William assumiu o INCRA, eu lhe falei da minha preocupação sobre a regularização fundiária desses assentamentos, até porque, como foi dito aqui, e há também um relatório, nós temos mais de 272 assentamentos com mais de 10 anos. Já teriam direito de regularização. Sabemos que, dentro do programa do INCRA, está determinado que, para o assentamento ser emancipado, ele tem de ser autossustentável, tem de ter Terça-feira 23 43813 autonomia. Mas observamos que, nas condições da reforma agrária feita no País, em função da burocracia excessiva, da obrigação de seguir todos os trâmites e pela falta de recursos necessários para atender a todas as demandas, nós sabemos das dificuldades existentes para garantir a todos os assentamentos a autonomia e a sustentabilidade necessárias para poderem se emancipar. Eu entendo que, na condição de Deputados Federais, na condição de Parlamentares do Congresso Nacional como um todo, nós temos de discutir com o Governo, que é do meu partido, o Partido dos Trabalhadores, e com o INCRA, para podermos encontrar uma solução rápida para a regularização fundiária. Senão, nós vamos só aumentando os nossos problemas. De vez em quando nós recebemos notificações do Ministério Público para retomada de lotes. De vez em quando nós recebemos do INCRA, através de decreto presidencial, instruções para a retomada de lotes. Quando se faz a retomada de um ou dois lotes em algum assentamento, é um desespero, é um pânico geral. Então eu acho que nós temos que encontrar uma solução. Eu vou citar um exemplo. Eu conheço a realidade de Novo Mundo, de Peixoto e de todo o Estado, porque já fui Deputado Estadual duas vezes, Prefeito duas vezes, e sempre acompanhei muito de perto a questão da reforma agrária. Itanhangá, por exemplo, é uma cidade que nasceu de um assentamento de reforma agrária. Até para regularizar o perímetro urbano é uma dificuldade. Com Fresa é a mesma coisa. Nós temos vários Municípios com esse problema. Há um assentamento em Brasnorte, chamado Gleba Tibagi, que já completou 26 anos. Ele existe desde que Dante de Oliveira era Ministro da Reforma Agrária. Naquela época havia muita malária, e, na época da chuva, não havia acesso por estrada nem para entrar nem para sair da terra. Hoje, Deputado Neri, não há mais nenhum dos originais naquele assentamento. Porém, nesses 26 anos de assentamento da Gleba Tibagi, existem pessoas que estão lá há 20 anos, que são terceiros dentro dos lotes. Do total de quase 1.200 lotes, pelo menos 800 estão dentro de um único lote, são clientes da reforma agrária e estão “ciprados” pelo INCRA. E nós temos lá mais um restante de área, na qual caberia mais uns 400 clientes da reforma agrária, mas está ocupada por pessoas que são proprietárias de 10 lotes naquele lugar. Nós temos de solucionar esse problema. Para regularizar essa área, já fizemos um levantamento. Serão gastos 1 milhão de reais para fazer o georreferenciamento e o PDA ao mesmo tempo. A mesma empresa que fizer o georreferenciamento pode 43814 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS fazer o PDA e, desse modo, já garantir a titularidade de quem está “ciprado” há mais de 10 anos, para começar todo um processo de regularização. Dentro da Gleba Tibagi já existe estrada. O Programa Luz para Todos está chegando lá agora, e todas as áreas irregulares já tem esse Programa. A maioria já tem escolas, já tem a presença da Prefeitura, ou seja, já está constituído tudo que as pessoas precisam. Como disse o Samuel, é pelo menos o título. Se não se conseguiu acesso pelos recursos do PRONAF, pelo menos se tem acesso às linhas de crédito normais dos bancos. Nós tivemos a oportunidade, semana passada, de falar com o Celso, juntamente com o Governador Silval Barbosa, o Deputado Neri estava junto e o Deputado Wellington Fagundes também, e o Estado quer ser parceiro na regularização fundiária. Nós sabemos que, para o INCRA realizar essas ações de regularização, de georreferenciamento, é uma burocracia muito maior que para o Governo do Estado. Então o Governador está com disposição de ajudar, não só para gerenciar esse processo, mas para entrar com a contrapartida para que possamos realizar a regularização fundiária, e não só na Gleba Tibagi, mas em todos os assentamentos, em todos os 272 assentamentos, que têm mais de 10 anos e que têm necessidade de algum tipo de regularização. Nós sabemos que não é um trabalho para 1 ano, não é um trabalho só para 2 anos, mas em algum momento nós temos que começar, para não se passarem mais 30 anos e esses lotes ficarem sem regularização. Aí acontece o que o Silvino contou: as pessoas vão desistindo, um compra um lote e, já que não tem regularização, não tem acompanhamento do INCRA, aí compra outro lote. Vão virando grandes propriedades em áreas que já foram decretadas e que já foram outrora programas de assentamento da reforma agrária. Então eu acho que devemos dar uma atenção especial a essa questão. Existe a parceria do Governo do Estado, a vontade dos assentados e, para se passar a régua, Richard, eu acho que é possível até que os assentados abram mão de algumas possibilidades de crédito, talvez não do fomento da habitação, mas de alguns outros créditos, para que eles possam começar a ter essa autonomia e começar a ter vida própria. Se nós formos aguardar a questão da autonomia através da sustentabilidade, nós não vamos garantir a regularização nunca nesses assentamentos. Então eu, como Deputado da Base do Governo, do Partido dos Trabalhadores, que conheço com profundidade a realidade desses assentamentos do Mato Grosso, e conheço muitos deles, acho que nós temos Agosto de 2011 que passar a régua, com critérios também, não é passar a régua de qualquer modo. Eu sempre cobrava muito o Willian disso. O Willian tem uma proposta de emancipação dos assentamentos antigos, através de uma ação de titulação, definitiva e rápida, passiva e completa. Esse é o título que ele deu para isso aqui. É uma proposta que ele provavelmente vai apresentar para a nova Presidência do INCRA e que depende também, Deputado Homero, de uma regularização aqui através de medida provisória ou de um projeto de lei – talvez seja mais rápido por medida provisória —, para que efetivamente possamos trabalhar e garantir a efetivação da regularização desses assentamentos. Então, quero parabenizar o Deputado Homero, parabenizar o Deputado Neri, por ter convocado esta reunião. V.Exas. são das Comissões que convocariam esta audiência, porque aqui, para quem não sabe, a audiência pode ser convocada só pelas Comissões afins. Ainda bem que Mato Grosso está bem representado, e nós somos parceiros para que possamos levar adiante essa questão e que possamos definitivamente garantir segurança para os assentados. Por fim, espero que conste nesses critérios de emancipação de assentamento, de uma forma mais rápida, um critério rigoroso de cadastro, para que efetivamente não possamos ter um mesmo cliente da reforma agrária pegando lotes em outros momentos em mais de uma localidade. Então era isso o que eu tinha a dizer. Estamos à disposição, com o nosso mandato, para que possamos trabalhar essa questão da regularização fundiária de uma forma mais acelerada, ou pelo menos iniciarmos o processo. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Neri Geller) – Obrigado, Deputado Ságuas. Eu passo a palavra ao Superintendente do INCRA, Dr. Willian. O SR. WILLIAN CÉSAR SAMPAIO – Boa tarde, Deputado Neri Geller, que preside a reunião, Deputado Homero, Deputado Ságuas. Quero cumprimentar todo o pessoal de Mato Grosso que veio para esta audiência, o Prefeito Vanderley, o Léo, o Prefeito José Hélio, de Novo Mundo, enfim, quero dizer que para mim, que sou filho de Mato Grosso, mato-grossense de nascimento, é uma satisfação muito grande participar, aqui no Congresso Nacional, desta audiência conjunta da Comissão de Agricultura e Pecuária e da Comissão da Amazônia para tratar de um assunto tão importante para o Estado do Mato Grosso, que é a regularização fundiária. Nós temos oportunidade de nos manifestar, de colocar o nosso pensamento. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Quero dizer que, nesses 2 anos em que estou como Superintendente do INCRA, tive uma visão muito mais aprofundada dessa problemática dos assentamentos antigos. E falo muito mais como cidadão mato-grossense, cidadão brasileiro, pois tenho a preocupação com o que chamo de uma política de ação para completar o ciclo da reforma agrária lá no Mato Grosso. O INCRA trabalhou muito já no Mato Grosso nesses 31 anos. O primeiro assentamento criado no Mato Grosso foi em 1979, há 31 anos, e o INCRA cria uma média de 13 assentamentos todos os anos, chegando a esse número que o Deputado Ságuas citou. O IBGE contou a população rural de Mato Grosso, 549 mil habitantes. Se colocarmos uma média de três moradores por lote da reforma agrária, vamos ter aproximadamente 300 mil pessoas morando em assentamento. Isso aí, Deputados, dá mais da metade da população rural de Mato Grosso. Então, nós temos hoje, vivendo em área reformada, alguma coisa em torno de 54% da população de Mato Grosso, o que é muita coisa. Mato Grosso não tem uma tradição de pequenas propriedades, Mato Grosso não é um Estado que tem agricultor familiar, como em outras regiões. Lá quase tudo o que é pequeno produtor está dentro de assentamento. O número que está fora de assentamento é muito pequeno. Então o INCRA é muito importante para o Mato Grosso, e o Mato Grosso é muito importante para o INCRA. Por isso eu tenho uma satisfação tão grande de poder me pronunciar aqui. O INCRA é importante para o Mato Grosso por causa da questão dos assentamentos, mas também por causa do agronegócio, da produção. Hoje, mais da metade da produção de grãos do Brasil é feita em Mato Grosso, e tudo isso de alguma forma passa pelo INCRA também, porque é lá que os agricultores vão buscar o seu CCIR, vão buscar a certificação do seu georreferenciamento. E também eu acho que Mato Grosso é importante para o INCRA porque é uma das Superintendências maiores, é um dos Estados que mais têm assentamentos. Eu quero chamar atenção para uma coisa que ninguém falou aqui. Nós temos essa questão da idade dos assentamentos. Nós temos 3 assentamentos que têm mais de 30 anos; temos 6 assentamentos que estão na faixa de 25 a 29 anos; temos 36 assentamentos que estão na faixa de 20 a 24 anos; 69 assentamentos na faixa de 15 a 19 anos; 158 assentamentos na faixa de 10 a 14 anos; isso tudo contando a data de criação do assentamento. No Mato Grosso, o instrumento da desapropriação foi muito usado para amortecer conflito social. Então, é muito comum, nesses assentamentos, que eles tenham Terça-feira 23 43815 10 ou 20 anos de criação e mais 20 anos de pessoas que já moravam no lote como posseiros. Depois veio o INCRA, fez a desapropriação, começou a contar como assentamento, mas muitas vezes a família ou algum parente já estava ali naquela área há muitos anos. Isso, na região do Araguaia, é muito comum. Quase todos os assentamentos lá foram criados em áreas que já estavam ocupadas. Por isso mesmo a conclusão dessa obra da reforma agrária, a conclusão com a titulação definitiva torna-se de importância fundamental. Assim, como disse o Presidente Celso Lacerda, na sua fala, essa é uma ação que depende de apoio, depende de ajuda. Nós estamos conversando isso com o Governo do Estado, do ponto de vista executivo, para fazer esse trabalho. Não é um trabalho simples de fazer. Nós temos aproximadamente 5 milhões de hectares de assentamentos federais. Isso dá mais ou menos 50 quilômetros quadrados. É como se estivéssemos lá dentro do nosso interior de Mato Grosso o Estado de Sergipe mais o Estado de Alagoas, somados, sendo os dois Estados só assentamentos. O tamanho das áreas de assentamento que temos lá é do tamanho da Costa Rica. Não estou falando isso do ponto de vista de ser suficiente ou não para atender à demanda rural. Estou falando que é muito trabalho, muita área reformada para uma equipe de 200 servidores. Precisamos juntar forças com o Governo do Estado. Acho que existe hoje uma possibilidade de fazer isso, mas não leva a uma titulação definitiva. Vou dar um exemplo: o último assentamento que nós titulamos, no final do ano passado, foi o assentamento Paloma, entre os Municípios Brasnorte e Juína, com mais ou menos 100 lotes. Fizemos o trabalho dentro do marco legal vigente e só foi possível titular metade. A outra metade não estava em condições de ser titulada, mesmo já existindo, em alguns casos, morador no lote há algum tempo. A conclusão desse trabalho de uma forma completa no assentamento vai depender de alguma mudança legal. O assentamento hoje não pode ser regularizado pelo critério da ocupação, como é o caso do Programa Terra Legal, da regularização fundiária, em que o critério para ocupação, de 2004 para trás, dá ao ocupante o direito à regularização. No caso do assentamento, não é exatamente assim que prevê a legislação. Eu queria só reforçar a importância desse diálogo iniciado. Acho que a reforma agrária em Mato Grosso vai ganhar muito se esse trabalho for feito; o desenvolvimento rural de Mato Grosso vai ganhar muito, vai trazer segurança jurídica, as pessoas vão ter o seu documento. A própria ação do INCRA libera energia para se concentrar nos assentamentos novos que todo 43816 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS ano o INCRA continua criando, necessitando de mais condições para se dedicar a isso. Eu o agradeço por essa oportunidade. O SR. PRESIDENTE (Deputado Neri Geller) – Obrigado, Dr. Willian. Eu gostaria de registrar a presença do Deputado Ezequiel, um dos grandes responsáveis por esta audiência pública. Ele, através da Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso, tem se empenhado muito nessa questão. Com a permissão do Plenário, passaremos o vídeo, rapidamente. (Exibição de vídeo.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Neri Geller) – Passo a palavra ao Deputado Homero Pereira. O SR. DEPUTADO HOMERO PEREIRA – Sr. Presidente, Deputado Neri Geller; Srs. Deputados; pessoas que participaram, que deram aqui seus depoimentos; dirigentes do INCRA e do Ministério do Desenvolvimento Agrário, acho que as imagens falam por si só, e a angústia do próprio Superintendente do INCRA no Mato Grosso, aqui demonstrado pelas palavras do Superintendente Willian, mostra que nós precisamos de uma ação conjunta. Não dá para deixar só o INCRA fazer as coisas, que acabam não acontecendo, ou o MDA, ou o Governo do Estado, e assim por diante. Eu tenho uma proposta concreta – que eu acho que é a do Dr. Richard Martins, representante do Presidente do INCRA, Dr. Celso, e do MDA –: que a gente emancipasse os assentamentos mais antigos para poder tirar a pressão sobre o INCRA, que não tem estrutura física. Está aí o depoimento deste funcionário, dizendo que só há três funcionários e que demoraria para ver só os assentamentos daquela região dois anos. Ele está dizendo que está com 200 funcionários para atender a todo o Estado de Mato Grosso, cuja área de assentados é maior do que o país da Costa Rica. Como 200 pessoas vão conseguir dar assistência a isso? Estamos trazendo o exemplo do Mato Grosso, mas no dia em que aprovamos o requerimento todos os Estados se manifestaram. Isso é recorrente em todo o País, onde há assentamento. Precisamos urgentemente aproveitar a nova inserção do Dr. Celso, que acaba de assumir a Presidência do INCRA, para que possamos avançar e emancipar esses assentamentos com mais de 10 anos e nos concentrar nos assentamentos novos. E essas pessoas vão ter acesso ao PRONAF, vão ter seu documento, vão poder ir ao Banco do Brasil captar o crédito e, enfim, terão cidadania, porque, da forma como está, há uma eterna reclamação entre os assentados e entre o INCRA e não há avanços. Agosto de 2011 Sr. Presidente, acho que esse é um fruto desta nossa audiência. É um dos encaminhamentos – um deles, porque, certamente, outras pessoas vão poder se pronunciar. Aproveito a presença do Presidente do INCRA, Dr. Celso, que acaba de retornar. Falávamos exatamente sobre a angústia que todos aqui manifestaram quanto à falta de estrutura do INCRA para dar suporte a esse volume de assentamentos, para que possamos, nessa ação conjunta, fazer a emancipação dos assentamentos mais antigos e nos concentrar nos assentamentos mais novos, inclusive na nova demanda. Certamente há nova demanda, há acampados que ainda precisam receber seus lotes e assim por diante. Mas como poderemos atender a demanda de acampados novos se nós não estamos resolvendo a situação dos assentados antigos? O primeiro encaminhamento que esta audiência poderia fazer é exatamente propor ao INCRA, juntamente com parcerias, com o Governo do Estado e as Prefeituras, promover a emancipação desses assentamentos mais antigos, acima de 10 anos, para que eles possam buscar seus destinos. Acho que, se nós fizermos isso, esta audiência já terá cumprido um papel importante. E fica aqui, Presidente, a parceria desta Casa, para que possamos apoiar o INCRA nas políticas públicas, nas novas estratégias que a sua Presidência está propondo agora, certamente, com os novos Superintendentes que serão nomeados e os novos Diretores, para que possamos tirar esse tema. Em um País como o nosso, com a quantidade de terra que tem, sempre dizemos que terra não é o problema para a reforma agrária, o problema é a operacionalização. Temos demanda social e temos um ativo patrimonial para poder atender a essas pessoas, mas atender principalmente aqueles que têm vocação, e não aqueles que não têm vocação. Já está escrita a forma de se promover os assentamentos. No campo não está a solução para o problema do desemprego na cidade. Muita gente pensa que, se há desemprego na cidade, deve-se ir para o campo, para um assentamento, porque lá vão ter lote, cesta básica e todo o apoio governamental. Não é assim. Lá no campo há espaço para quem tem vocação, para, através de seu labor, tirar o sustento para si e para sua família. Para isso há espaço, mas não para as pessoas que não têm vocação para o campo. Não adianta fabricarmos agricultores. Esses terão que ser requalificados. Teremos que requalificar a mão de obra para que eles possam ter acesso e ser produtores. Agradeço a oportunidade. Foram muito importantes esses depoimentos que nós ouvimos aqui, de quem Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS está assentado, como é o caso do Samuel e como é o caso do Léo. Ouvimos a indignação de produtores que, mesmo tendo sua propriedade vizinha aos assentamentos, dão todo o apoio aos assentamentos, mas vêem sua propriedade sendo causa de ampliação de reforma agrária. E vimos a angústia dos órgãos públicos, que querem fazem mas não têm estrutura para atender a essa demanda. Então, temos que tirar essa pressão e, gradativamente, emancipar os assentamentos. Era isso, Sr. Presidente. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Neri Geller) – Obrigado, Homero. Passo a palavra ao Deputado Paulo Cesar Quartiero. O SR. DEPUTADO PAULO CESAR QUARTIERO – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, eu ouvi a fala do nosso representante do INCRA em Novo Mundo, e ele disse que as pessoas precisariam ir lá para ver o que está acontecendo. Podemos dizer que não, que não é necessário, porque o que está acontecendo no seu lugar é o que está acontecendo em toda periferia agrícola deste País. Em toda fronteira agrícola isso está acontecendo, não é só lá. Sábado eu estive em Roraima. Fui convidado para uma reunião em um assentamento no Jacamim, a 50 quilômetros de Boa Vista, capital do Estado. Havia chovido. Era o começo de inverno em Roraima, era começo das chuvas, e a estrada estava horrível. Tive que largar o carro e andar 1 quilômetro a pé para chegar. Lá chegando, vimos pessoas em extrema dificuldade, pessoas que se queixavam da ausência de estradas para levar uma coisa, uma assistência técnica para ensinar como eles poderiam produzir melhor e viabilizar sua produção e que reivindicavam pelo menos um acesso de estrada. Enfim, eram pessoas desassistidas. Lá eles bem relataram, e também observamos que o mato entrava dentro das casas e que havia malária. Uma criança estava com malária; um pai de família, numa rede, também estava malária, esperava a água descer para poder ser levado para o hospital de Boa Vista. E eles receberam a visita do IBAMA, de helicóptero, com a Polícia Federal, para multá-los porque eles derrubaram meia dúzia para plantar uns pés de abacaxi, uns pés de mandioca, uma agricultura de subsistência extremamente pobre. Então, o que acontece lá não está acontecendo somente lá, está acontecendo em toda parte. Eu não sei o que está acontecendo conosco, com o Brasil. Não sei o que está havendo. Sempre fomos um País que procurou desenvolver nossas fronteiras, levar o progresso, fixar as pessoas, dar a oportunidade de elas, com empreendedorismo, progredirem. E Terça-feira 23 43817 agora só adotamos uma política de cerceamento, de inibição da capacidade humana de progredir. Vemos o contraponto: de um lado, o Governo, que não oferece nada para beneficiar o cidadão. Nada, mas nada mesmo. E como é exigente na questão ambiental, na questão da cobrança de impostos. Se deixar de pagar, você vai para tudo quanto é órgão e já está com o seu crédito cortado. Você cai nessa questão do ambientalismo. E, naquela oportunidade em que estavam reunidas todas aquelas pessoas, quase todas analfabetas, elas me disseram: “Não, tem, lá em Brasília, Deputado. Qual é a notícia? Tem um tal de Código que está sendo votado e que vai nos ajudar.” Lá naquele interior, não sei como eles descobriram, se foi por rádio, alguma coisa. E eu venho aqui e vejo esse emaranhado de leis e de normas que estão querendo fazer com esse Código, esse emaranhado de leis fundiárias. O agricultor brasileiro não cabe dentro desse emaranhado, desse cipoal de normas legais. Talvez lá, com acesso ao Ministro, um produtor do Paraná que vá ao shopping todo dia, percorrendo o asfalto, consiga enquadrar-se, mas o pessoal dessa nossa região, que representa a maior área do Brasil, não tem a mínima condição, porque não há Internet, não há estrada, não há luz elétrica, não há nada. Como ele vai se enquadrar naquele livro, naquele calhamaço? Impossível. As leis têm que se adaptar à sociedade, e não a sociedade se adaptar às leis. Sinceramente, é aquilo que o Deputado Homero, que já saiu, falou: nós temos que nos unir para resolver isso. É lógico que, isoladamente, ninguém vai reverter essa situação, mas, para isso, temos que nos despir da nossa prepotência. Prepotência. Prepotência de achar que aqui em Brasília nós vamos fazer lei para resolver problemas de todo o Brasil. Temos que ter humildade. Achar que uma pessoa que veste um colete é fiscal não sei do quê, e sair multando, armado, intimidando, insultando as pessoas, onde vamos chegar com isso? Acho que nós temos que rever urgentemente a nossa própria atuação. Eu sou considerado latifundiário, sou considerado um grande produtor. Tudo bem, estão me perseguindo porque não estou no portfolio oficial, mas, em compensação, o pequeno produtor está bem. Fico satisfeito porque pelo menos tem alguém bem na situação. Mas se a gente vai ver não tem ninguém bem. Ao contrário, eles usam o pequeno e o grande para nos dividir, impedir que nós tenhamos uma reação a essa situação. E nós ficamos aqui como se fosse um setor isolado. Peço desculpas ao Reinhold Stephanes, nosso brilhante Deputado. Quanto a essa questão do Código, eu não sei o que nós queremos fabricar neste País. Será que nós vamos fabricar um robô que só serve 43818 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS para cumprir lei para o nosso proprietário rural, lá no meio do mato? Não sei. Eu acho que o que o Homero falou é a solução. Nós temos de nos reunir todos, o INCRA e todos esses órgãos, enfim. Evidentemente, há órgãos só servem para atrapalhar, como a FUNAI e o IBAMA. Esses são complicados. E nós temos exemplos aí, falam tanto em titulação de terra... Em Roraima, as pessoas foram despejadas de suas terras tendo títulos do INCRA com o nada-consta da FUNAI. Elas foram postas para a rua. Lá agora, em São Félix do Xingu, um assentamento está sendo desalojado por causa das terras indígenas. Então eu acho que nós temos primeiramente de nos conscientizar da nossa pequenez diante do problema e ter humildade e nos unir. Vamos pelo menos ouvir o nosso povo e apoiá-lo. Se a gente não puder resolver, vamos dar um conforto espiritual, até moral para esse povo que está lá naquela fronteira tão abandonada, mantendo o Brasil nessas áreas. Temos que dizer a eles que nós vamos fazer o possível para ajudá-los, e não ficar fabricando lei aqui para intimidar, para perseguir, para multar, para aprisionar, para tratá-los como criminosos. Vamos ter essa consideração cristã com o nosso povo. Porque o nosso povo está sendo massacrado. E nós estamos aí querendo bancar os bonitinhos para o mundo, querendo fazer sei lá o quê ou deixando uns fazer o que nós não fizemos. Acho que temos de mudar a atitude, urgentemente. E eu acho que passa por isso: humildade e reconhecer que nós temos um problema pela frente, que só com trabalho, com união, ouvindo todo o mundo, respeitando todo o mundo, nós vamos chegar a um denominador mais favorável. Se não chegarmos ao paraíso, pelo menos sairemos do inferno. O SR. PRESIDENTE (Deputado Neri Geller) – Obrigado, Deputado. Passo a palavra ao Deputado Valmir Assunção. O SR. DEPUTADO VALMIR ASSUNÇÃO – Sr. Presidente, quero primeiro saudar os dois autores do requerimento, tanto o da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional como o da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; e saudar o Presidente do INCRA, Celso Lacerda, aqui presente. Quero iniciar dizendo que sou do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, sou assentado de um projeto de reforma agrária há mais de 20 anos. Hoje é uma felicidade estar aqui, como Deputado Federal, para defender e representar também essa luta. Parabenizo inicialmente o INCRA. Durante todo o período de sua existência, sempre foi um órgão criticado pelos sem-terra, criticado pelos fazendeiros, criticado por muitos órgãos do Governo, criticado pela imprensa, Agosto de 2011 mas, mesmo assim, esse órgão é o responsável por fazer com que centenas, milhares de famílias possam hoje ter direito à terra para produzir e alimentar-se. Talvez não esteja de acordo com a nossa vontade e com que as pessoas esperam, mas está de acordo com sua força e suas condições. Então é preciso registrar isso. Outro aspecto: muitas vezes as pessoas debatem que o central, nesse aspecto, é a emancipação dos assentados, que deve haver a titulação. Eu acho que há uma questão anterior a essa. De todos os problemas que nós vemos nos assentamentos – eu sou daqueles que acham que a imagem não diz por si só. Eu acho que não, porque não é a realidade de todos os assentamentos do País, não é a realidade da maioria, isso é preciso dizer, mas é algo que nós temos de enfrentar, que nós temos de debater —, eu acho que o central é a terra. O grande problema que nós vimos, quando assisti àquele filme do Jornal Nacional, da Rede Globo, daquela pessoa arrecadando dinheiro para aquela outra pessoa se tornar um acampado e, depois, se tornar um assentado, é a questão da terra. Qual é o grande problema? É que o INCRA para desapropriar uma fazenda leva 3 anos – para desapropriar uma fazenda. No Brasil, há diversas fazendas improdutivas. E aí, mesmo no caso dessas fazendas improdutivas, em nome do direito à propriedade, não se pode agilizar o processo desapropriatório. Como demora muito para se desapropriar um fazenda, as pessoas ficam acampadas e aí dá margem para todo esse tipo de problema que se viu em relação a acampamento. O que nós temos de pactuar? Nós temos de criar aqui, na Comissão de Agricultura, aqui no Parlamento, um sentimento para preservar aqueles que produzem. Agora, aqueles que têm suas terras improdutivas têm de cumprir o art. 184 da Constituição Federal. Todas as terras improdutivas devem ser destinadas para a reforma agrária. E o Governo Federal não pode ficar sozinho com a responsabilidade da reforma agrária. A responsabilidade também tem que ser dos Governos Estadual e Municipal. Qual é o problema? O INCRA é responsável por fazer o assentamento, mas é também é responsável pela infraestrutura, é responsável pelas estradas, é responsável pela saúde, é responsável pela água. Só não é agora responsável pela energia, porque foi criado o Programa Luz para Todos, mas no passado era também responsável por essa questão. Ou seja, quando se trata de reforma agrária, a responsabilidade não pode ser apenas do INCRA, também deve ser dos Municípios. Se nós não tivermos essa compreensão no Estado brasileiro, lógico que nós não vamos resolver esses problemas. E é preciso nós enfrentarmos isso. Encerrando, quero dizer que fico feliz por estar participando desta audiência, ao mesmo tempo com- Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS preendendo todos aqueles que acham que têm problemas nos dos assentamentos. E, de fato, muitos têm problemas. Agora é preciso nós termos a compreensão maior desse processo. A reforma agrária é uma luta de movimentos sociais que estão excluídos, mas que precisam ser incluídos no processo produtivo. E há aqueles que às vezes dizem – eu respeito, mas eu não posso concordar – que para ir para dentro de um assentamento tem que ter vocação. Eu não sei se os donos de bancos neste País têm vocação para ter terra, mas têm; eu não sei se os donos de fábricas neste País têm vocação para ter terra, mas têm. Então, a questão não é de vocação. A questão não é essa. A questão é outro aspecto fundamental, e que todos nós aqui compreendemos: em alguns setores da sociedade a vocação é a ganância pelo lucro. E uma sociedade onde cada vez mais o lucro é o central, o individualismo é o central, lógico que são excluídos aqueles que não tiveram tantas oportunidades na vida. E quem não tiveram muitas oportunidades significam nesta sociedade os quilombola, os indígenas, os sem-terra. E nós, no Parlamento, temos de somar esforços para criarmos oportunidades para essas pessoas irem reparando essas situações. Lógico que eu não concordo com alguém vender um lote de terra. Eu não concordo, e nós temos que enfrentar isso. Lógico que eu não concordo com alguém pedir dinheiro para uma família poder ficar num acampamento. Lógico que eu não concordo com isso! E nós temos de enfrentar. Mas essa não é a regra. A regra é que nós precisamos democratizar o acesso à terra, seguindo o art. 184 da Constituição Federal, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Neri Geller) – Passo a palavra ao Deputado Marcon. O SR. DEPUTADO MARCON – Queremos saudar os Presidentes dos trabalhos, tanto o da Comissão de Agricultura como o da Comissão da Amazônia; saudar também o nosso Presidente do INCRA, o companheiro Celso; saudar os dois companheiros, representantes dos assentamentos, o Samuel e o meu conterrâneo Léo Bilibio, que esteve domingo em sua cidade de origem, Nonoai. Eu morei em Ronda Alta, onde houve a romaria, no domingo. Mais de 20 mil pessoas estavam lá na tua cidade, onde tu nasceste, no Rio Grande do Sul. Sei muito bem das histórias de muitas pessoas, como o Léo, que saiu do Rio Grande do Sul iludido pelas políticas do Governo, à época, que foram lá se aventurar. Muitos se deram bem, alguns não se deram. A Encruzilhada Natalino é uma história dessa natureza. Lucas do Rio Verde é de gaúchos que saíram na época da Encruzilhada Natalino, onde o Curió oferecia Terça-feira 23 43819 leite e mel. Era isso que ele prometia para os cidadãos gaúchos. E deu no que deu. Nosso conterrâneo Pivetta, que foi Deputado lá no Mato Grosso, que morou na minha cidade de Rondinha, Ronda Alta, trocou lote por transporte de seres humanos de volta para o Rio Grande do Sul. Foram jogados lá os gaúchos. E quem teve dinheiro, fez dinheiro no Mato Grosso. Hoje, nós vimos a situação de vários gaúchos que foram para lá e de vários assentamentos. Acho que, em primeiro lugar, o INCRA tem que ser um órgão forte e preparado para enfrentar essa questão. Falo isso porque conheço o INCRA. Faz 17 anos que sou assentado. Hoje de manhã saí do Município de Nova Santa Rita, onde sou assentado, e peguei o ônibus em Porto Alegre para estar aqui neste momento. Então, eu sou assentado. Conheço a realidade e as dificuldades. O sem-terra é um povo que não tem mais esperança, vê um sinal verde no fim do túnel e se atira numa lona preta, para ir em busca do seu direito. Vejo que tem que ter parcerias com os Governos dos Estados. Os Governos têm de ser parceiros. Quero aqui falar dos Prefeitos, não dos dois que estão aqui, que eu não conheço. Então, não quero falar dos Prefeitos que estão aqui. Mas lá no Rio Grande do Sul têm muitas Prefeituras que funcionam porque usam dinheiro do INCRA. Eles o desviam e o que menos fazem é estrada, distribuição de água, e de recursos para os assentamentos. Porque muitos Prefeitos são contra os assentamentos. Então, vejo que é uma situação polêmica. Conheço muito bem essa situação. Não podemos tratar os diferentes iguais, não podemos achar que um sem-terra é igual a um fazendeiro, a um proprietário rural. Não dá para tratar um sem-terra e achar que ele deve receber a mesma política dos grandes. Nós temos que tratar os pequenos de forma diferente dos grandes. Achar que a maioria dos grandes vai salvar os pequenos, não é isso o que a história mostrou para o Brasil e que nós vimos ultimamente. O que nós precisamos é de recursos. Outra: achar que titular os assentamentos, Samuel, vai resolver o problema, vai resolver para vocês quando virem que não sobra ninguém nos assentamentos. Nós precisamos de infraestrutura. Nós precisamos de assistência técnica, nós precisamos de escola, nós precisamos de ter produção nos assentamentos. E para isso, é preciso ter investimento. Sr. Presidente, o que encaminho aqui... Aliás, antes o Código Florestal... Eu sou defensor da proposta que o Governo mandou para esta Câmara. Defendo os 4 módulos, o conceito de agricultura familiar, que que- 43820 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS rem terminar, para emparelhar todo mundo. Eu defendo isso. O decreto do Governo, se não conseguirem votar até o dia 11, vai ser prolongado. Mas nós não podemos resolver o problema do Brasil de uma hora para outra. O que vejo aqui, Sr. Presidente, é que temos dificuldades financeiras. O companheiro já relatou que o Governo do Mato Grosso está tentando fazer um convênio com o INCRA. Beleza. Temos que ver as parcerias com os Municípios. Temos que ver quanto é o recurso para fazer uma casa. Porque existe diferença entre uma casa do meio rural e uma casa da região metropolitana. Existe diferença. Mas temos que fiscalizar o recurso. Não sou daqueles que pensa que se o recurso é público tem que botar fora pela janela. Mas nós temos que botar recurso no INCRA, nosso Presidente, companheiro Celso. Acho que o encaminhamento que eu podia fazer aqui... A bancada do Mato Grosso, tem de fazer uma emenda de bancada para botar recurso no INCRA, para que seja investido nos assentamentos. Quantas emendas da bancada do Mato Grosso existem para os assentamentos do Mato Grosso? Somos favoráveis até que momento? Até quando não dói no nosso bolso? Até que não seja no meu, tudo bem. Quando bate no meu, saio correndo. Por que a bancada gaúcha... Aliás, a bancada gaúcha e o Adão Preto sempre botavam emendas nesse sentido. Por que a bancada do Mato Grosso não bota uma emenda para ajudar a resolver a infraestrutura dos assentamentos? Qual é o problema? A outra coisa que vejo, é que existem terras públicas e terras de grileiros. O INCRA também tem de botar a mão nessa questão das terras públicas. Muito obrigado, Sr. Presidente. Sou solidário ao meu companheiro Léo, meu conterrâneo gaúcho, que está lá desbravando as terras do Mato Grosso. Contem conosco. Sou parceiro no que precisarem. Eu sei que a vida não é moleza. São heróis todos aqueles que peleiam para permanecer na terra. Conheço muito bem essa realidade. O SR. PRESIDENTE (Deputado Neri Geller) – Obrigado, Deputado Marcon. Gostaria de acrescentar, até porque fui inquirido, que este é o meu primeiro ano de mandato. Mas, no passado, toda a bancada do Mato Grosso contribuiu para isso. Nós estamos discutindo justamente para se fazer um encaminhamento e para que seja feita a regularização de assentamentos onde existem pessoas há mais de 10, 12 anos. E o INCRA precisa flexibilizar, para fazer a documentação. O SR. DEPUTADO MARCON – A documentação não resolve o problema. Não vai resolver o problema de falta de assistência técnica e de infraestrutura. Pelo contrário, tira-se o INCRA e o Governo Federal lava as Agosto de 2011 mãos. Nós precisamos botar infraestrutura. Depois de titulado, não é mais atividade do INCRA. O SR. PRESIDENTE (Deputado Neri Geller) – Com a permissão do Plenário, passo a palavra ao Deputado Estadual Ezequiel. O SR. EZEQUIEL – Obrigado, Presidente, Deputado Federal Neri Geller. Quero cumprimentar também o Deputado Homero Pereira, meu querido Deputado Ságuas Moraes, nosso Chefe da Casa Civil do Estado do Mato Grosso, José de Lacerda, o Sr. Presidente do INCRA, Celso Lacerda, com quem tivemos outras oportunidades de discutir os problemas de Mato Grosso, nossos Prefeitos de Mato Grosso, dos Municípios de Novo Mundo e de Itanhangá, como também os assentados, o Léo Bio, o nosso companheiro Samuel, e a todos os matogrossenses que vieram em nossa caravana. Quero dizer aqui que nós, que estamos na Assembleia Legislativa, que andamos e conhecemos a realidade de Mato Grosso, ouvindo a fala dos que nos antecederam, certamente, já fomos contemplados com o que foi falado aqui. Mas é preciso lembrar do favelamento dos assentamentos, Sr. Presidente, Celso Lacerda. Isso não pode continuar. É desumano o que estamos assistindo em Mato Grosso. Certamente, a extensão rural, o acesso ao crédito, como disse também aqui o Deputado do Rio Grande do Sul, são necessários. Mas a emancipação dos assentamentos, a condição de trabalho de cada pequeno agricultor que lá está, Samuel... Em Mato Grosso existem 537 assentamentos. Esse número é muito grande. Se deixarem os assentamentos, daqui a cinco anos, Presidente Celso, vai acontecer o que aconteceu naquele assentamento que o senhor mostrou: o descaso. O INCRA deu dinheiro para se fazer as casas, para se colocar água, mas, de repente, ele se tornou uma fazenda. Então, nós estamos andando para trás. Nós não conseguimos mais suportar, em Mato Grosso, que é um Estado rural, que 82% da população more na cidade. Isso não é possível. Ouvi o Deputado Quartiero fazendo as suas colocações. Eu concordo plenamente com o que S.Exa. falou. Nós temos aqui o Deputado Reinhold Stephanes, que foi Ministro da Agricultura, que certamente pode contribuir muito com isso. E nós não podemos ficar aqui parados vendo tudo o que está acontecendo. Vim aqui hoje, a convite do Deputado Neri Geller, porque lá em Mato Grosso, lá na Assembleia Legislativa do nosso Estado, também existe esse clamor. O Presidente do INCRA Celso Lacerda já nos recebeu pela terceira vez. Aliás, o anterior também. O Wilian não está mais aqui, mas não é apenas a troca dele ou dos chefes do INCRA dos Estados que irá resolver o problema. Precisamos exatamente dos recursos. O Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Governo do Mato Grosso oferece uma parceria para ajudar na estadualização dos assentamentos, de forma que possamos agilizar isso. Não dá mais para ficar, cada vez que se troca o Governo, com nova esperança. O nosso assentado precisa ter segurança. Não dá mais para aguentar o que está acontecendo em Mato Grosso e em todo o Estado mato-grossense. Por isso, eu venho aqui, me colocar também à disposição, assim como colocou o Governo de Mato Grosso, aqui representado pelo Sr. José Lacerda, representante da Casa Civil, no sentido de fazermos essa parceria, de ajudarmos os nossos assentados. Existem assentamentos que não têm estrada, existem assentamentos que não têm casa, existem assentamentos que não têm energia, quase todos não têm saúde. Eu trouxe, inclusive, um projeto do Município de Araputanga, que foi dada entrada em 2007, em 2008, em 2009, mas até hoje não saiu um cruzeiro sequer para arrumar a estrada. Sr. Presidente, por essa solicitação de audiência pública, eu quero parabenizar o Deputado Neri Geller, o Deputado Homero Pereira e os demais Deputados que dela participaram, porque a situação é grave. Eu espero que nós possamos sair daqui pelo menos com a esperança de levar ao povo mato-grossense a possibilidade de começarmos a emancipar aqueles que puderem ser emancipados. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Neri Geller) – Obrigado, Deputado Ezequiel. Gostaria de agradecer a presença do nosso Professor João Valente, Presidente da FAPEMAT. Para encaminhamento, passo a palavra ao Chefe da Casa Civil do Estado do Mato Grosso, representando o Governador Sival, José Lacerda. O SR. JOSÉ LACERDA – Primeiro, eu quero agradecer à Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural por esta oportunidade dada ao Estado de Mato Grosso e ao Governador Sival Barbosa, representado por mim. Quero ainda fazer uma solicitação ao Dr. Celso Lacerda em relação às ações que estão sendo ajuizadas através da autarquia INCRA e da União Federal, ações essas reivindicatórias e anulatórias de títulos emitidos pelo Estado. Nós temos dois problemas graves em Mato Grosso, Presidente. Um deles é a faixa de fronteira, que atinge 11 Estados brasileiros. A tese é a venda a non dominus. Ocorre que há tratamento desigual, porque se a venda é a non dominus, independe de ela ser um hectare ou mil hectares. Uma parte está sendo ratificada pelo INCRA, mas a outra não é passível de ratificação. O tratamento é desigual. Terça-feira 23 43821 Então, que essas ações anulatórias fossem suspensas. Porque são mais de 3.800 proprietários rurais de Mato Grosso que vão sofrer essa consequência. E existem mais de 60 ações anulatórias ajuizadas, ações que pegam todos os Estados da Amazônia Legal, ou seja, 11 Estados brasileiros. Este é um ponto. Existe um acordo feito com o Desembargador Gercino, em 2005, de que dentro da área, do perímetro do Decreto nº 1.164, de 1971, que também atinge a Amazônia Legal e não atinge o resto do País – é outro tratamento desigual a Mato Grosso e aos Estados amazônicos –, que, na faixa de 100 quilômetros às margens das rodovias, são 200 quilômetros de largura. Que fossem suspensas essas ações reivindicatórias contra as famílias de possuidores, que estão lá há 20, 30, 40 anos, com mais de 50% das suas áreas formadas há anos. Quer dizer, que fossem suspensas essas ações. Existe um acordo, que eu passo às mãos de V.Exa. para que seja analisado, para se evitar problemas e conflitos regionais. Isso acaba criando uma animosidade regional. Quero fazer também uma sugestão. Acho que o modelo de desapropriação hoje está superado. Grande parte das terras do País estão à venda. O problema não é falta de terra para fazer assentamento. Que se estudasse uma metodologia nova de se promover a licitação de compra. E quem quiser vender, vai levar por um preço estabelecido. Acaba essa briga da avaliação, essa ações que estão demorando 10, 12, 15, 16 anos... Às vezes, entra-se numa imissão de posse, o cidadão transfere a propriedade e não recebe o valor da terra nua, porque vira uma disputa judicial longa, que cria uma insegurança jurídica no campo. Temos que verificar também essa questão de devolver aos Municípios o fruto da arrecadação do ITR, porque é no Município que o Prefeito sofre as consequências. Toda a demanda está em cima dos Municípios, porque é lá que vive o cidadão, é lá que ele tem os problemas. E o Município tem a obrigação de atender à área de saúde e de educação. É claro que isso é competência também da União e dos Estados. Que aprofundássemos mais a parceria entre Estado, União e Município. Essa parceria é uma necessidade. Sem ela nós não vamos conseguir resolver o problema da reforma agrária, do pequeno produtor. Nós temos 142.500 pequenas propriedades em Mato Grosso. Dessas propriedades, pelo menos 52% das que são ocupadas por pequenos produtores – tanto da propriedade mais tradicional como da proveniente dos assentamentos, seja do crédito fundiário, do INCRA ou do INTERMAT –, estão na linha da pobreza. 43822 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Isso significa que existe aí algum erro, alguma divergência, algum problema. Então, eu acho que há necessidade de os Poderes, em todas as escalas, Município, Estado e União, fazerem uma revisão para ver se é possível resolver esses problemas domésticos. Até porque o assentamento é uma necessidade, e tem um custo baixo na geração de empregos para o País, bem mais barato do que outras formas de geração de emprego. Eu acredito que o Governo Federal tem essa responsabilidade com a reforma agrária e deve investir um valor maior, para resolver esses problemas. Eu ouvi atentamente o Deputado Dr. Paulo César, quando colocou a questão do tratamento da Amazônia e do Rio Grande do Sul. São situações distintas, diferentes; culturas diferentes; métodos de desenvolvimento diferentes; infraestruturas diferenciadas; dificuldades de transporte diferentes. Só para se ter uma ideia, Dr. Celso Lacerda, de Cuiabá a Porto Alegre do Norte são 1.200 quilômetros. O custo-cidadão é diferente. Nós temos uma população pequena, um Estado grande, uma produção grande, mas somos exportadores de capital, porque vendemos os produtos ainda brutos e os compramos industrializados. Então, há que se ter um tratamento diferente para os Estados amazônicos. Os Estados amazônicos precisam ter um tratamento diferenciado. Mas não na forma como se encontra hoje. Hoje nós estamos penalizados. Eu vou dar um exemplo de Mato Grosso, especificamente: nós estamos penalizados com a faixa de fronteira; com o Decreto nº 1.164; com a lei nova do georreferenciamento, extremamente importante, mas que criou também um problema. Qual problema? Os títulos emitidos pelo INCRA anteriormente à Lei nº 10.267 não podem ser registrados. Isso vale tanto para os títulos emitidos pelo Estado como para os emitidos pela União, porque tem que se fazer o georreferenciamento da área inteira. Só que aquele assentado, aquele pequeno produtor, que recebeu um título da regularização fundiária ou do assentamento, não tem mais competência para fazer medição da área inteira do INCRA ou do Estado. Então, precisaríamos mexer na lei federal para ver como resolver esse problema. Porque são títulos emitidos antes da existência da lei. E ela não pode retroagir para prejudicar o produtor. E isso está acontecendo em todos os Estados, especialmente na Amazônia Legal. Então, eu quero, como encaminhamento, Deputado Neri, passar essas posições. Desculpem-me por me ter alongado, mas é um momento tão importante este em que a Comissão da Câmara dos Deputados nos concede esta oportunidade. Às vezes, quem está aqui, em Brasília, como os Deputados Federais de todos os Agosto de 2011 Estados da Federação, não sabe o sofrimento de quem vive no interior do Brasil, como nós, nos Estados mais periféricos dos País, que têm uma economia menor, uma renda menor. O nosso sofrimento é bem maior. Então, eu quero, Deputado Neri, agradecer esta oportunidade, parabenizar todos os Deputados por nos terem concedido esta oportunidade e este apoio e colocar o Estado de Mato Grosso, através do nosso Departamento de Terra, à disposição, para aprofundar essa parceria. Gostaria de receber uma visita do Presidente do INCRA em Mato Grosso para uma reunião de trabalho com o Governador, na qual sejam levantados todos os problemas e identificados os trabalhos, Deputado Reinhold, porque isso é muito importante para o nosso Estado. E gostaríamos de contar, como estamos contando, com o apoio da Câmara dos Deputados e também do Senado da República. Lá no nosso Mato Grosso colocamo-nos à disposição e pedimos a Deus que ilumine cada um dos senhores e das senhoras que participam deste ato público de relevante importância para o País. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Neri Geller) – Obrigado, Secretário Lacerda. V.Exa. não se alongou; V.Exa. contribuiu. Queremos passar a palavra, para encaminhamento, para a Shirley. A SRA. SHIRLEY ANNY ABREU DO NASCIMENTO – Primeiro, eu queria assumir um compromisso com os senhores. Nós temos georreferenciamento, no próximo registro, para 6 milhões de hectares, o que vai beneficiar na área urbana 9 mil ocupações. Na área urbana, nós avançamos muito: nós temos cerca de 400 áreas urbanas a serem doadas. Até este momento, nós já doamos 56; até junho vamos chegar a 70 e até o final do ano vamos ultrapassar as 200 áreas urbanas doadas aos Municípios. No Estado do Mato Grosso, como há muita área urbana dentro de assentamento, eu assumo o compromisso de fazer um estudo com o nosso Superintendente Nacional para abrirmos uma licitação para as áreas urbanas que estão fora do nosso registro do pregão E. Então, este é um compromisso que a gente assume, eu e o Superintendente Nacional: fazer um estudo para trabalhar isso. A outra questão é que eu quero registrar o apoio que o Terra Legal tem tido da Superintendência do INCRA do Mato Grosso e a parceria importantíssima – até porque a gente não separa o Terra Legal do INCRA – que temos com o INCRA nacional. Inclusive nos Estados a gente tem feito perímetros de assentamen- Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS tos, tem feito vários trabalhos, tem feito levantamento ocupacional junto com o INCRA, inclusive levantamento ocupacional dentro de assentamento. A gente fez isso em Machadinho e está fazendo em Apuí. Eu quero, inclusive, por conta da fala do nosso Presidente e do compromisso que a Presidenta Dilma tem, de trabalhar essa questão dos assentamentos antigos, dar o exemplo de Apuí, um assentamento no sul do Amazonas, minha terra. No final dos anos 70, foram trazidos do Paraná e do Rio Grande do Sul cerca de 3 mil famílias para uma região de florestas, indo pela BR-163, vindo pelo Pará. Esse assentamento, portanto, tem 30 anos. Fizemos um levantamento ocupacional dentro do assentamento de Apuí e podemos dizer que é uma vitória para a reforma agrária, porque as pessoas dentro desse assentamento têm uma situação financeira muito boa. Elas progrediram. Dentro desse assentamento, nosso levantamento ocupacional diz o seguinte – e isso é uma vitória para a reforma agrária: 98% do assentamento é de propriedades de até quatro módulos fiscais. A grande maioria, na verdade, não passa de 2,5 módulos fiscais. No caso de Apuí, esse módulo é de 250 hectares. Talvez 2% seja o que a gente acabou de ver no vídeo: um cidadão comprou 50 lotes lá dentro, ou seja, um cidadão tem mais de 20 mil hectares dentro de um assentamento. Como a gente viu também, lá em Mato Grosso, um cidadão que tem 14 mil hectares dentro de um assentamento. Ora, nosso trabalho é, sim, separar o joio do trigo. Então, nós estamos fazendo isso. O INCRA está fazendo isso em parceria. Nós temos que separar aquele que chegou lá de boa-fé, para trabalhar e quer produzir, daquele que foi para o assentamento, entrou na área do assentamento, e está, sim, acumulando área para a especulação. Esse não é agricultor, não é agricultor familiar, que é o público principal do INCRA. Essa é a primeira fala. A segunda: eu acho que o melhor trabalho que a gente pode fazer, Presidente Celso, é exatamente a parceria do Governo do Estado, do Governo Federal, dos Municípios, da Câmara dos Deputados. É o que a gente tem feito no Terra Legal. Foi por isso que eu disse no início que só de convênios feitos com o Terra Legal nos Estados a gente tem cerca de 70 milhões. E vamos chegar, antes do final do ano, a 110 milhões. Por quê? Porque enquanto o Governo Federal tem hoje 55 a 58 milhões de hectares para fazer destinação, os Estados têm muito mais. Só o meu Estado, por exemplo, o Amazonas, tem mais de 45 milhões de hectares. Juntando todos os Estados da Amazônia Legal, são mais de 100 milhões de hectares para fazer a destinação. E os Estados não têm condições de fazer a regularização fundiária, se não for com a parceria e com Terça-feira 23 43823 a experiência do Governo Federal, através do INCRA. Tanto que, hoje, os convênios que nós estamos fazendo em áreas de glebas federais que foram doadas ao Governo do Estado – a exemplo do Mato Grosso, onde temos parceria inclusive nessas glebas que lhe foram doadas por convênio; a exemplo de Roraima, onde enquanto não fomos lá e fizemos um convênio com o Estado, não conseguimos sair do outro lado com as glebas que havíamos doado para o Estado... Então, passar para os Estados um problema que hoje é do Governo Federal, que hoje é do INCRA, não resolve. Nós só vamos resolver se juntarmos as três forças: Municípios, Governo do Estado e Governo Federal. É só dessa maneira. Passar o problema para outro ente não vai resolver. Essa é a experiência que nós temos nessa questão fundiária. Então, quero reiterar mais uma vez que nós não somos só parceiros; somos irmãos; estamos ligados ao INCRA. E quanto à questão da regularização fundiária e do levantamento ocupacional, nós temos hoje licitação feita para praticamente 98% da Amazônia, não é, Raimundo Sepêda, nosso Superintendente? Com o último pregão, praticamente 98% das glebas federais na Amazônia já estão em licitação para fazer georreferenciamento. Portanto, o INCRA está apto a fazer georreferenciamento onde for necessário. Nós somos parceiros e estamos aí para contribuir com os senhores. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Neri Geller) – Obrigado, Dra. Shirley. Eu gostaria só de registrar a presença do Gerson, filho do primeiro Prefeito de Lucas do Rio Verde e do ex-Presidente da Câmara daquele Município, Chico Martinello. Passamos a palavra ao Presidente do INCRA. O SR. CELSO LISBOA DE LACERDA – Primeiro, obrigado, Deputado. Eu quero, de antemão, agradecer à Câmara o convite, aos Deputados que fizeram o requerimento, porque a discussão feita aqui hoje – da qual, infelizmente acompanhei só uma parte, mas deduzo o resto da discussão, até porque já assisti ao vídeo que passou aqui – demonstra exatamente a situação de dificuldade da questão agrária no Brasil, e que isso, obviamente, não é um problema, uma culpa do INCRA. A questão agrária, fundiária, no País é uma situação delicada, que vem se avolumando, de séculos de decisões. Dou como exemplo a legislação de ratificação de título em faixas de fronteira, que veio para corrigir um problema de titulações ilegais que aconteceram na faixa de fronteira – e nós precisamos avançar nisso, para podemos proporcionar segurança —, e que veio de sucessivas faixas de fronteira: começou 43824 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS com 66 quilômetros e terminou agora, na última Constituição, nos 150 quilômetros. Então, é uma questão histórica e crônica. Mas eu, até pessoalmente, muito sinceramente, quero dizer a vocês que estou no INCRA há mais de 8 anos e aceitei ser Presidente do INCRA não pela envergadura do status do cargo, muito menos pelo salário e muito menos por trabalhar com mais de 4 bilhões de reais; é porque eu acredito, efetivamente, na política. De um ponto de vista muito pragmático e até com um tom sonhador, a gente acredita que é uma política extraordinária, que dá um reflexo muito grande com o pouco que se faz. Quer dizer, cada assinatura de um superintendente para liberar um crédito de habitação significa muito na vida de uma família inteira. Além disso, reforma agrária não é para deixar ninguém rico. O público com quem nós trabalhamos é um público de miseráveis. É um público que está na pobreza extrema. A gente só consegue atender famílias de acampados. Quer dizer, quem dera a gente conseguisse efetivamente chegar naqueles sem-terra que não se submetem ao acampamento, que têm uma qualidade de vida um pouco melhor! Mas, infelizmente, pelas condições que se tem, desde condições orçamentárias até legislação que torna o processo moroso, a gente não consegue dar conta de responder à demanda. Quero deixar claro que essa situação se deve a séculos de exclusão dessa população pobre. Quer dizer, foi um êxodo rural que aconteceu não por vontade própria, mas por exclusão de um desenvolvimento econômico. E isso se deu porque os pequenos não se viabilizavam economicamente, e não se viabilizam até hoje. Então eu, muito claramente, até como engenheiro agrônomo com 25 anos de carreira – já trabalhei por 10 anos num complexo de cooperativas da Batavo, no Paraná, e conheço muito bem da produção agropecuária... Quer dizer, a gente não pode fazer reforma agrária distribuindo um lotezinho e achar que o cara vai plantar soja e vai se viabilizar. Ele não vai! Não vai!. Então, ou se tem, efetivamente, políticas consistentes para viabilizar esse pequeno, ou a gente estará levando inviabilidade econômica que faz com que o agricultor, o cidadão, cometa o mesmo erro que o levou, às vezes, a ser um sem-terra. E quem é o nosso sem-terra? Ou é o filho de um pequeno agricultor, ou é um arrendatário, um meeiro, ou já foi um produtor que faliu porque era pequeno e queria continuar produzindo commodities, e ele não tem escala para poder se viabilizar. Então, nós temos a grande preocupação de discutir desenvolvimento regional. E temos exemplos extraordinários. Temos exemplos no Rio Grande do Sul, Agosto de 2011 em Santa Catarina, no Paraná, em São Paulo, no Mato Grosso, que dão resultado! Inclusive daqui a uns 2 meses nós vamos divulgar uma pesquisa que conduzimos no INCRA, no ano passado. Uma pesquisa que foi metodologicamente coordenada por uma universidade federal, feita em quase dois mil assentamentos dos oito mil, cento e poucos que nós temos. E eu já posso adiantar a vocês algumas coisas interessantes. Por exemplo: na pesquisa de opinião, em que o assentado respondeu ao pesquisador se a vida dele melhorou ou não depois que ele virou assentado, quase 90% disseram que melhorou. Mas é lógico que um pouco mais de 10% disseram que ficou igual ou piorou. E vou além: das 924 mil famílias que temos hoje assentadas há 147 mil na pobreza extrema. Poderia ser um número alarmante, preocupante, mas não é. É um número animador porque esses 147 mil estão nos novos assentamentos, o que significa que, quando a política do INCRA chega, por mais tardiamente que chegue, ela tira esse cidadão da pobreza extrema. Então, eu, pessoalmente, não tenho dúvidas de que é uma política extraordinária. O que eu vejo de problema nessa política? É o grau de ideologização que existe na discussão da reforma agrária no Brasil, que se reflete nesta Casa. Quer dizer, as falas aqui demonstram isso. Até me desculpem um pouco a franqueza, mas é isso o que nós avaliamos. Quer dizer, quem dera... Reforma agrária não é uma política como educação, saúde, infraestrutura, que ela tem que ser permanente: reforma agrária tem que ter começo, meio e fim. No Brasil, não sabemos quando é que vai ser o fim. Mas ela tem que ter um fim, porque se conseguíssemos fazê-la massivamente, de uma só vez, já a teríamos terminado faz tempo; não precisaria haver essa briga eterna, com conflito agrário, gerando mortes, gerando insegurança para o produtor, gerando desespero maior ainda para um coitado, pequeno, que está num acampamento. Mas isso são nuanças desse processo. Um dia, poderemos discutir o que fazer, todos, para haver massividade nesse processo e ele ganhar velocidade. Mas, para sermos pragmáticos, a gente tem plena consciência dos problemas a enfrentar no INCRA. Não dá para o INCRA ter hoje, com a estrutura que tem, 924 mil famílias sob sua tutela. É um público muito grande, num País continental. Então, nós temos, sim, que trabalhar com a emancipação dos assentamentos. Essa decisão não é minha; é um decisão do Ministro Afonso e da Presidenta Dilma. Nós vamos fazer isso. E, obviamente, são os assentamentos mais antigos; são assentamentos desconfigurados, que, inclusive, nunca tiveram a configuração de assentamento, como eu vejo Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS que são os casos desses que estão sendo pautados aqui. Esses assentamentos, pela informação que a gente tem, nunca tiveram a feição de um assentamento. Então, não podem continuar como assentamento! Nós vamos criar mecanismos para resolver esse problema. E lógico que é em conjunto; não dá para o INCRA assumir isso sozinho, porque ele não consegue. Nós temos que fazer isso com o Terra Legal, com o Governo do Estado, no mínimo e, talvez, envolvendo outros parceiros. Então, não cobrem de mim uma solução unilateral; nós vamos construi-la em conjunto. O primeiro encaminhamento já foi dado, e o Deputado Neri o presenciou: vamos, sim, fazer uma agenda com o Governador. Na hora em que a situação política do INCRA estiver definida, nós vamos lá, fazer uma reunião de trabalho, e, olhando a legislação, discutir o que podemos melhorar no INCRA, no nosso normativo; fazer um bom diagnóstico e desencadear um trabalho para resolver o problema dessa região do Mato Grosso, sem nenhuma dúvida. Mas temos outros problemas, desafios que, acredito, são maiores. Primeiro: a gente desenvolver de fato esses acampamentos levando em conta modelos de desenvolvimento já existentes em algumas regiões. Nós temos a região de produção de arroz, no Rio Grande do Sul, cujos assentamentos são um sucesso! Temos também a região noroeste do Estado de Santa Catarina, um sucesso absoluto. Temos a região central do Paraná, noroeste do Paraná, outros exemplos. Não há ninguém rico lá, nenhum assentado rico, mas, nos assentamentos, quem tem menos tem uma moto! E muitos têm carro, casa boa, eletrodomésticos; os filhos vão à escola. Esse é o resultado ideal da reforma agrária, e vamos persegui-lo, sem nenhuma dúvida. Nós precisamos resolver a questão das certificações. E já temos propostas e encaminhamento; discutimos, esses dias, numa audiência no Senado, proposta para resolvermos o problema das certificações que estão acumuladas no INCRA. A gente sabe que tem atrapalhado os produtores, mas a médio prazo, vamos resolver isso. Já buscamos parceria com o Exército, para resolvermos o passivo que há, e estamos trabalhando para informatizar o processo – já temos um programa que está em teste. Vou encerrar. Não posso me alongar muito, mas gosto muito dessa discussão. A gente pode detalhar, e ela é acalorada. Mas nós temos um compromisso com o Brasil, com o produtor rural, seja ele pequeno, seja médio, seja grande. Nós queremos que o País produza com respeita ao meio ambiente, mas que também produza alimento saudável. Esse é o compromisso Terça-feira 23 43825 do INCRA. Eu acredito que há terra para todo mundo. Para todo agricultor tem terra. O País está crescendo. O número de acampamentos no Brasil vem caindo drasticamente. Nós temos uma perspectiva futura de reduzir quase a zero os conflitos no campo com ações globais de desenvolvimento do País, desenvolvimento econômico, geração de emprego e, obviamente, desenvolvimento da agricultura, enquadrando os pequenos agricultores num modelo de viabilidade com políticas de proteção. O ex-Ministro Reinhold sabe muito bem o que significa para a agricultura um seguro agrícola e um programa de aquisição de alimentos. Por isso eu digo que não era apenas um problema do INCRA, mas um problema do INCRA, da CONAB, do Ministério de Desenvolvimento Social. É um problema do conjunto. Concordo quando se diz que a gente tem que distribuir essas ações com os Governos estaduais e municipais. Se deixarmos um pouco de lado a extrema ideologia e partirmos mais para o pragmatismo, conseguiremos avançar muito no sentido de promover o progresso de regiões como Mato Grosso, Estado que terá prioridade neste Governo para resolvermos esses problemas. Nós estamos plenamente à disposição. As questões colocadas pelo Secretário da Casa Civil, eu não as conheço a fundo, mas já anotei aqui e vou tratar disso. Longe de querer causar turbulência, queremos levar paz. Obviamente eu não conheço o mérito dessas questões. Precisamos olhar o que está levando a isso e olhar também para a legislação, porque temos leis que precisam ser cumpridas. Mas olharemos com carinho. Vou conversar com Dr. Gercino, o Ouvidor Agrário, do MDA, para tentarmos resolver essas questões. No mais, estamos ainda num momento inicial infelizmente. Já estamos em maio, mas o INCRA ainda está no seu momento inicial. Em pouco tempo, sem dúvida alguma, ganharemos velocidade nas nossas ações. E em parceria, o INCRA – óbvio que junto ao MDA, com as estruturas do MDA, uma determinação do Ministro Afonso – com outros órgãos do Executivo, governos estaduais e, em muitos casos, governos municipais vamos avançar muito no sentido de resolver problemas dos assentamentos, da regularização fundiária do País, reduzindo conflitos e dando segurança jurídica. Eu agradeço ao Deputado Neri, que está na coordenação, e agradeço a todos os Deputados. O INCRA está sempre aberto. Quando concluirmos nossos planos, vamos disponibilizá-los para vocês. 43826 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nós estamos concluindo a pesquisa que citei ainda há pouco e, talvez dentro de algumas semanas, um mês ou um pouco mais, nós daremos publicidade a ela. De fato, teremos um diagnóstico importante nessa pesquisa, para inclusive direcionar nossas ações. E nós já a estamos usando para direcionar nossas ações. Está muito claro: o desenvolvimento dos assentamentos no País reflete um pouco o desenvolvimento regional. Os nosso assentamentos mais pobres estão no Nordeste, justamente no semiárido nordestino. Obviamente, o INCRA será usado para alavancar o desenvolvimento nessa região, como já aconteceu em outras regiões. Portanto reitero meu agradecimento e coloco o INCRA sempre à disposição dos senhores para voltarmos a esta Casa para qualquer tipo de discussão. Obrigado, Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Neri Geller) – Passo a palavra ao ex-Ministro, Deputado Federal Reinhold Stephanes. O SR. DEPUTADO REINHOLD STEPHANES – Caro Presidente, eu não ia usar a palavra até por um pouco de descrença nesse tipo de reunião, embora todos a tenham elogiado. A primeira vez que fui Relator de um projeto de avaliação de reforma agrária foi há 30 anos, e nós discutimos, em outra dimensão, mais ou menos a mesma coisa. Eu sei que de lá para cá muita coisa aconteceu. Evidentemente os problemas aumentaram, e até existe uma certa razão para isso. Mas eu fui citado várias vezes. O próprio Geller me fez sinal: “Fale alguma coisa”. Eu diria até que o que me influenciou a falar foram as palavras do Presidente do INCRA. Quero abrir um parêntese para dizer que gostei muito das colocações do Celso Lisboa. Apesar de que, em termos de teoria gerencial, eu sempre digo que nós temos que tentar ver se conseguimos tornar nossas palavras efetivas, tornar os nossos conceitos efetivos, porque há uma diferença entre o que eu desejo fazer, eu internalizar isso dentro da minha organização, e isso efetivamente acontecer. Então, se o Presidente do INCRA consegue acreditar no que falou e consegue transformar suas palavras em ações e fazer com que sua organização caminhe na direção proposta, eu até tenho que cumprimentá-lo. E espero fazê-lo daqui 3 ou 4 anos. Mas ele me motivou a falar um pouco. Eu gostaria também de dizer, Sr. Presidente do INCRA – e provavelmente você ainda nem tinha nascido, e isso não é nenhum demérito, ao contrário, é um mérito ser jovem ainda —, que um dia, quando fui chamado, me disseram: “Nós temos duas organizações, o INDA e o IBRA”, e por um decreto o Presidente me nomeou para que eu fizesse a fusão dos dois órgãos e criasse o INCRA. Agosto de 2011 Eu tenho uma forma muito simples de ver as coisas, e é provável que se tenha ali o mais curto decreto-lei da história do Brasil. Se o senhor vir o ato que criou o INCRA, encontrará ali dois artigos. Dois. Porque eu costumo ver as coisas com uma certa simplicidade. Então, o que o Governo me pediu? Que eu fundisse o INDA e o IBRA e criasse um novo órgão de reforma e colonização agrária. Depois eu fiz o decreto, redigi o decreto inteiro e passei 3 anos para implantar o INCRA, exercendo, simultaneamente, um cargo no Ministério da Agricultura. Estou dizendo isso, porque eu conheço sua história na origem e costumo ver as coisas com certa simplicidade. E o que efetivamente vejo é que complicam as coisas. Por exemplo, não consigo entender que seja preciso rever os atos que regularizaram as terras de faixas de fronteira do Estado do Paraná. Eu não vejo por quê. Por que complicaram isso? É tão simples. Essas terras foram vendidas há mais de cem anos, há uma sucessão, as pessoas estão lá trabalhando, não há nenhuma discussão em relação a isso, não há absolutamente nada. Há mais de trinta anos foi criado o INCRA. Eu era Secretário da Agricultura. Convidaram-me para ser Secretário da Agricultura, e eu, mesmo sem querer, assumi o cargo. Eu consegui a delegação. Fizemos. Hoje, eu não entendo como... Hoje conversei com o Superintendente do INCRA por telefone sobre um outro assunto por coincidência, e ele me disse que vão fazer a regularização das faixas de fronteira. Eu não entendi. Juro que não entendi. Eu acho, Presidente do INCRA... Vi que suas palavras foram muitas ponderadas, muito tranquilo. Mas muita coisa tem que ser refeita, muitos atos têm que ser revogados, têm que ser alterados. Nós temos que tornar as coisas um pouco mais simples. Nós complicamos muito. Então a primeira coisa é essa. Efetivamente não tenho dúvida quanto ao que estou falando neste momento. É uma grande responsabilidade. Não adianta dizer que os atos se tornaram muito complexos, como alguém disse aqui. O interessante é que as pessoas não dimensionam e não leem. Por exemplo, eu ouvi alguns colegas falarem várias vezes sobre o código ambiental. Mas pouca gente sabe que hoje nós temos 16 mil atos tratando desse assunto. Isso é uma loucura absoluta. Quem criou esses atos? Não fomos nós Deputados. Não fomos. Quer dizer, tem uma máquina que cria atos. Essa mesma máquina tem que desfazer os atos. E essa máquina chama-se Poder Executivo. Chama-se Poder Executivo Federal. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Eu fui Secretário de Fazenda de Município, fui Secretário de Fazenda de Estado e fui Ministro, na área federal – ou seja, conheço as três esferas – e posso dizer, com toda a tranquilidade: o grande problema neste País chama-se União, não se chama Estado e não se chama Município. É dali que surgem os atos e dali também terá que surgir a simplificação dos atos. Não somos nós... Eu não tenho a menor capacidade hoje de propor a simplificação de um ato, não tenho inteligência técnica e nem equipe técnica para isso. Agora, o INCRA, se eventualmente não a tiver – deveria ter –, tem que contratá-la. E tem que fazê-lo no sentido de simplificar e até de ver o que ele pode passar para o Estado fazer – vamos confiar mais nos Estados —, ou, até o que o Município pode eventualmente fazer. Eu diria, quando se fala que precisamos integrar União, Estados e Municípios, que essa é uma frase maravilhosa. Só que nunca acontece, porque há órgãos que detêm efetivamente o poder e as decisões. Esses órgãos é que têm que tomar as iniciativas e ver a racionalidade desses atos, no sentido de saberem o que devem delegar, como devem delegar, e assim por diante. Eu sei que hoje a questão é grande demais. São 9 mil assentados, mais ou menos? (Não identificado) – São 8.100 assentamentos. O SR. DEPUTADO REINHOLD STEPHANES – Perdão. São 8.100 assentamentos e quase 1 milhão de assentados. Eu sei que, efetivamente, isso é grande demais! É claro que, no meio desse caminho, cometeram-se ene erros. E não adianta comentar agora os erros cometidos. Os erros foram reconhecidos pelo próprio Presidente do INCRA. Eu, de qualquer forma, tenho que ser muito prático hoje em como sair disso. Eu ainda enxergo uma discussão ideológica muito pesada em cima disso. Ouvi aqui alguns pronunciamentos. O próprio Presidente do INCRA falou nisso. Essa questão é pragmática. Para mim não tem a ver em nada com ideologia e discussão, assim como acho absolutamente desnecessária a discussão da diferença entre o pequeno proprietário e o pequeno proprietário de economia familiar. Eu costumo dizer que, embora não pareça, nasci na enxada, literalmente na enxada. Nas nossas terras, porque nós éramos filhos de colonos – era assim que se chamava –, aos 8, 9 anos estávamos na enxada. Então, eu sei, porque todos os meus antepassados foram de lá. E, apesar de todas as funções e os cargos que ocupei na área agrícola, não consigo diferenciar a pequena propriedade do Paraná do que se chama de propriedade de economia familiar. Desculpem, mas Terça-feira 23 43827 não consigo – talvez seja uma incompetência minha. Mas nós ainda discutimos essas questões. Eu acho que existe a pequena propriedade e existe aquilo que o Presidente do INCRA falou: existe o pequeno, o médio e o grande produtor, e todos são importantes. Só que, é claro, temos que proteger quem mais precisa, temos que dar condições a quem mais precisa. Isto é evidente. Eu apenas gostaria de deixar esta mensagem: primeiro, nós temos que simplificar algumas coisas, e a iniciativa tem que ser do INCRA ou do Ministério – a Sra. Shirley aqui representa essa necessidade de simplificação. Segundo, as grandes iniciativas têm que ser federais, porque é o federal que concentra efetivamente os poderes. Ele é que tem que delegar os poderes e criar a forma de harmonizar isso ao longo do sistema. E isso, eu diria, tem sido extremamente difícil. Para concluir, gostaria de dizer o seguinte: eu, em 30 anos, voltei duas vezes à minha ex-casa, o INCRA. Até fui eu que aluguei o prédio e instalei o INCRA lá. Voltei só duas vezes lá, para pedir exatamente a mesma coisa: água para um assentamento. Nas duas vezes, o Presidente do INCRA me atendeu com a maior das gentilezas. E foi com diferença de 2 anos! Eu sempre espero um tempo, para dar tempo. Hoje, já estou querendo pedir a terceira audiência, para o mesmo assunto. Embora sempre me seja prometido: “Mas é evidente! É lógico! Vamos fazer!”, mas não acontece absolutamente nada. (Palmas.) Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Neri Geller) – Obrigado, Ministro. Passo a palavra ao Deputado Valdir Colatto. O SR. DEPUTADO VALDIR COLATTO – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Celso Lisboa de Lacerda, Presidente do INCRA, senhores palestrantes: Primeiro, desculpem-me, porque não pude acompanhar esse processo. Nós estamos frente a uma grande luta pelo Código Florestal. Não é coisa pequena e nos toma um tempo danado. Estamos com a pauta parada para ver se achamos uma saída para um grande desafio desta Casa, que é resolver, por lei – estava falando ao Ministro Stephanes —, e não por instrução normativa, por decreto, por portarias ou outras coisas tantas que se praticam no País, que têm mais força do que uma lei do Congresso Nacional, e, talvez, mais força do que a Constituição brasileira. Então, acho que invertemos as ordens aí. Eu queria fazer um pedido também, na linha do Ministro Stephanes: que o Presidente, cada vez que estiver para sair algum ato do INCRA, pesasse o efeito dominó. Isso acontece num Brasil continental, de 850 milhões de hectares, com diferenças imensas! 43828 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Nós temos que ter mais cuidado com os atos que saem de Brasília. O pessoal briga conosco, aqui na Casa, porque é demorada a legislação, a votação de um projeto. É uma discussão interna. O pessoal lá de fora talvez não entenda esse processo. Nós estamos há 3 anos discutindo o código ambiental, que agora virou Código Florestal – só floresta – e não conseguimos chegar a um ponto, embora, todo esse tempo, como disse o Ministro Stephanes, 16 mil atos tenham sido emitidos para tratar da questão ambiental. Dezesseis mil atos! A cada dia tem uns quantos mais. Aumenta a toda hora! Nós precisamos resolver essa questão ambiental. É claro que temos que fazer isso. E vamos chegar a um ponto. Eu acho que o Governo tem que ter cuidado nisso e resolver. Sr. Presidente do INCRA, a outra questão que nós temos que enfrentar nesta Casa é a questão fundiária. Nós temos que resolver essa questão fundiária, o direito de propriedade, a segurança jurídica. Mas como vamos resolver isso? Ou acaso o mundo não passou por isso? Nós estamos em um país jovem, temos que passar por isso. Nós temos que resolver essa questão, para que o proprietário de um pedaço de terra saiba que ele é dono, ou, quando não é o dono, quem é o dono. Criaram aí um tal de direito difuso. Ninguém mais sabe quem é ou não é o dono da casa. É função social da terra, é questão ambiental, é não sei o quê e ninguém mais sabe se é ou não dono da propriedade. Então, no próximo desafio, Presidente, com certeza, o INCRA tem papel fundamental. Eu posso falar do INCRA porque fui Superintendente do INCRA em Santa Catarina. Fiz muitos assentamentos em cima dessa questão. Nós temos os mesmos problemas. Vinte e cinco anos atrás, fui superintendente do INCRA e não vi mudar nada. Agora nesta semana (sábado) estive no assentamento Santa Rosa, em Abelardo Lúcio, uma cidade de Santa Catarina. Fui eu que fiz o assentamento, na época do Sarney. O pessoal estava acampado numa ponte. Queriam derrubar a ponte. Nós assentamos o pessoal, que estava embaixo de um pinhal imenso. Eu cheguei lá e disse: “O que vocês estão fazendo aqui?”. “Ah, nós vamos criar pássaros, bichos e plantar árvores nativas”. Disse: “Não vai ter mais nada daqui a pouco.”. “Não, vamos preservar os pinheiros.” Não tem mais um pinheiro nem para comer um pinhão. Agora o INCRA está sendo processado, da minha época! O pessoal está me cobrando inclusive a madeira que foi embora. Sabe que deve haver vários processos em cima disso. Estão cobrando a madeira do INCRA, porque a terra foi desapropriada, mas não foi paga a Agosto de 2011 madeira. E a gente falava: “Vai dar problema!”. Está lá hoje um negócio imenso: 250 milhões para indenizar aquelas áreas. Então, nós temos que resolver isso, com certeza, Presidente – eu não acompanhei o seu depoimento, mas eu queria colocar pontualmente essa questão. Nós temos que resolver a questão fundiária, com certeza. Não há outra saída. E queria pedir, pelo amor de Deus, que o senhor resolvesse, buscasse uma saída para a regularização fundiária das fronteiras. Eu moro em Santa Catarina, perto da fronteira com a Argentina. Nós temos lá 150 quilômetros de fronteira. O pessoal está sem escritura. Na minha época, nós regularizamos essas áreas. O INCRA disse que o Estado não tinha competência para dar o título. Ele regularizou, retitulou pelo INCRA e deu TDA. Muita gente ficou rica com isso! Ele retitulou para o mesmo dono. Aqueles que ficaram para trás até hoje estão lá brigando para terem reconhecida sua terra, porque eles plantam lá há 100, 200 anos. Então, nós temos que resolver isso. Não é possível que o Brasil continue... Eu não vejo qualquer problema se alguém criou isso porque tinha de ter segurança. Segurança é o brasileiro estar plantando, produzindo na fronteira. Não é pôr polícia, ou o Exército para segurar isso. Não. O brasileiro tem de estar lá. Acho um ponto importante que temos de trabalhar. Gostaria que o senhor trabalhasse também nessa questão da alternativa dos assentamentos. Vou dar um exemplo, que o senhor conhece: em Santa Catarina há hoje cerca de 5.500 assentados pelo crédito fundiário. Há mais assentados pelo crédito fundiário do que pela reforma agrária. Na história de Santa Catarina há em torno de 5.500 assentados pelo crédito fundiário e em torno de 5 mil pela reforma agrária. Só que aqueles que foram assentados pelo crédito fundiário, para fazer isso recebem o valor de 40 mil reais. São filhos de agricultores que querem ficar lá. Pela informação que tenho, não sei os custos ainda, um assentado custa 150 mil reais. Então, há outras maneiras de trabalhar a questão do assentamento das pessoas. É claro que nós sofremos isso em Santa Catarina. Quando se observa que um assentamento está ali... O INCRA ajuda, sim, a fazer estrada, ajuda a fazer casa, ajuda na energia, ajuda na água, ajuda a fazer escola. E aquele outro agricultor que está do lado, que é um agricultor tradicional, não tem nada e diz: “Mas e eu aqui, que sempre estive na tradição lá, o que eu faço desse processo?” Então, criou-se até um conflito de vizinhos. Nesse final de semana, eu estive lá com os agricultores tradicionais, os não assentados e os assentados. Quem veio me procurar? Os assentados. Fizeram Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS um grupo, reuniram-se comigo e me disseram: “Deputado, por favor, vá no INCRA e peça para o pessoal regularizar, titular as nossas terras, porque nós não queremos mais ficar dependendo do INCRA, disso, daquilo. Nós queremos tocar nossa vida e nós estamos aqui assentados.” Agora, há uma coisa que nós temos de resolver, Presidente: reconhecer aqueles que estão trabalhando, produzindo. Porque não estão lá nem 10% daqueles que eu assentei em 1985. Mudou de dono, mudaram os posseiro, ou assentados. Nós temos de reconhecer esse pessoal que foi lá para trabalhar, para produzir, que estão produzindo. O senhor falou sobre a questão da ideologia, da ideologização. Eu acho que sim. Por favor, Presidente, quando colocarem um superintendente, que se coloque por mérito, por questão de qualificação técnica e não porque um dia ele foi membro do MST. Caso contrário, não vamos conseguir avançar em nada, porque a ideologia é uma coisa burra e é preconceituosa. “Olha, se você pensa como eu, você está comigo; se não, você é meu inimigo”. Ora, Não avança anda, não se consegue negociar nada. Então, esse é um ponto importante que temos de resolver, porque as pessoas dizem: “Eu que mando, eu é que faço, eu penso assim”. Os tais antropólogos vão lá, fazem aqueles relatórios malucos, que não têm nada a ver com a realidade, e acabam prevalecendo aquelas decisões do INCRA, do Ministro etc. Eu conheço um pouco da sua história e acredito que o senhor vai trabalhar tecnicamente. Eu acho que é isso que temos de fazer: buscar soluções. Nessa listagem, não estou indicando ninguém. Até poderia, na qualidade de político, indicar alguém lá em Santa Catarina. Mas eu sei que em Santa Catarina – outros Estados também – precisam mudar o superintendente, porque realmente não está dando certo. O senhor conhece a história muito mais do que eu. Então é preciso haver uma mudança no INCRA de Santa Catarina. Realmente, a condução não está sendo correta. Não precisam falar comigo. Falem com os funcionários do INCRA para saber como está a condução de Santa Catarina. Não é só de Mato Grosso, aqui, onde o Neri está fazendo esta audiência pública. Tem de dar uma olhada nisso, porque não adianta o senhor dar uma ordem e o cara dizer: “Não, mas eu não vou obedecer, porque eu não penso assim. Eu vou fazer de acordo com o meu jeito”. Eu acho que esse é um dos grandes problemas que estamos enfrentando. Eu fico intrigado com os números do INCRA. O Brasil tem em torno de 5,5 milhões de famílias. Tudo o que nós plantamos, só agricultura, chega a 60 milhões Terça-feira 23 43829 de hectares. Há também a pecuária. Eu vi uma estatística do INCRA – não sei se mudou ou não, depois eu até gostaria de ter esses números – segundo a qual nós temos 80 milhões de hectares de terras desapropriadas com novecentas e poucas mil famílias. Então, há alguma coisa errada aí, porque a média das áreas no Brasil – nós temos estatísticas – é de 68 hectares. Se você pegar 80 milhões de hectares por 1 milhão de hectares vai ver que são 80 hectares por família na média. E a média do Brasil é de 68 hectares. Há alguma errada. Por isso que eu digo que o problema não é terra. O problema, na verdade, é administrar quem quer terra para trabalhar. Nós temos de buscar exatamente aquele cadastro da reforma agrária para os sem-terra. Eu quero saber. Só para dar um exemplo: quando eu estive no INCRA, falava-se que havia 40 mil sem-terra em Santa Catarina. Eu baixei lá um ato – também gostei de baixar um ato quando era do Executivo – pedindo ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais para, em 90 dias, fazer o cadastro dos sem-terra por Município. E disse que onde não houvesse demanda, eu consideraria que naquele Município não havia sem-terra. Sr. Presidente, sabe quantos trabalhadores se cadastraram como sem-terra no Sindicato dos Trabalhadores Rurais? Seis mil, dos 40 mil que diziam não ter. Estavam bem loucos, procurando terra e não tinha, daí apareceram 6 mil. Eu acho importante, inclusive, usar esse cadastro, porque isso, para algumas pessoas, virou uma indústria. Eu entro num assentamento, vou para outro, vou para outro, vou para outro. Acho que esse cadastro seria bom para o Brasil, porque é dinheiro público que estamos aplicando nessa área. Vou parar por aqui. Obrigado pela oportunidade, Sr. Presidente. O SR. CELSO LISBOA DE LACERDA – Só um esclarecimento bem rapidamente, Deputado, para ficar claro, porque já esgotou o tempo. Os números hoje são esses: 85,5 milhões de hectares incorporados no Programa de Reforma Agrária. Mas o grande diferencial é que quase a metade dessa área está na Amazônia. São áreas de florestas, são assentamentos diferenciados, do ponto de vista ambiental. E compostos com as comunidades tradicionais da Amazônia, são projetos extrativistas. Um projeto de assentamento não é só aquele convencional em se parcela a terra, dá um lotezinho e a pessoa planta e colhe. Uma grande parte hoje está na Amazônia com comunidades tradicionais. São aquelas comunidades que trabalham só com o extrativismo de manejo de madeira, produção de castanha, 43830 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS produção de óleos, produção de açaí. É um número bastante significativo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Neri Geller) – Para encerrar, nós gostaríamos de agradecer a todos os expositores, e dizer ao Presidente do INCRA que nós estamos bastante confiáveis. Eu disse a um meio de comunicação, no início da legislatura, que não íamos deixar Mato Grosso; que nós iríamos acompanhar de perto essa questão da regularização fundiária. Podem ter certeza, Prefeitos de Itanhangá, de Novo Mundo, presentes aqui, que tanto eu quanto o Deputado Estadual Ezequiel, o Deputado Valdir Colatto e outros Deputados desta Comissão vamos monitorar pari passu, porque esse é um tema de uma importância extraordinária. Vou encerrar esta reunião, antes, porém, convoco os Srs. Deputados para uma reunião deliberativa amanhã, às 10 horas, neste plenário 6. Está encerrada a presente reunião. COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL 54ª Legislatura – 1ª Sessão Legislativa Ordinária ATA DA VIGÉSIMA SEXTA REUNIÃO ORDINÁRIA (DELIBERATIVA) REALIZADA EM 10 DE AGOSTO DE 2011. Às dez horas e vinte e oito minutos do dia dez de agosto de dois mil e onze, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, no Plenário nº 6 do Anexo II da Câmara dos Deputados, sob a Presidência do Deputado Lira Maia, Presidente, para a realização de reunião ordinária destinada à discussão e votação das matérias constantes da Pauta nº 15/11. O Livro de Presença registrou o comparecimento dos Deputados: – Titulares: Lira Maia – Presidente; Celso Maldaner e José Nunes – Vice-Presidentes; Abelardo Lupion, Alceu Moreira, Arthur Lira, Assis do Couto, Beto Faro, Bohn Gass, Davi Alves Silva Júnior, Dilceu Sperafico, Domingos Sávio, Edson Pimenta, Francisco Araújo, Heleno Silva, Hélio Santos, Homero Pereira, Jairo Ataíde, Jesus Rodrigues, João Pizzolatti, Josias Gomes, Josué Bengtson, Leandro Vilela, Luis Carlos Heinze, Luiz Nishimori, Marcon, Moacir Micheletto, Moreira Mendes, Nelson Padovani, Paulo Cesar Quartiero, Paulo Piau, Pedro Chaves, Reinaldo Azambuja, Reinhold Stephanes, Ronaldo Caiado, Vander Loubet, Vitor Penido e Zé Silva; Suplentes: Aelton Freitas, Alfredo Kaefer, Antônia Lúcia, Antônio Andrade, Celia Rocha, Diego Andrade, Duarte Nogueira, Edinho Araújo, Geraldo Simões, Heuler Cruvinel, João Ananias, Lelo Coimbra, Agosto de 2011 Lúcio Vieira Lima, Luiz Carlos Setim, Marcos Montes, Nelson Marquezelli, Neri Geller, Onofre Santo Agostini, Oziel Oliveira, Padre Ton, Raimundo Gomes de Matos, Roberto Dorner, Valdir Colatto, Valmir Assunção, Waldenor Pereira e Wandenkolk Gonçalves. Deixaram de comparecer os Deputados Carlos Magno e Nilton Capixaba. ABERTURA: Havendo número regimental, o Presidente em exercício declarou abertos os trabalhos e determinou a leitura da Ata da Vigésima Quarta Reunião Ordinária (Deliberativa), que foi dispensada a requerimento aprovado do Deputado Homero Pereira. Submetida à discussão e votação, a Ata foi aprovada unanimemente. EXPEDIENTE: Em seguida, o Presidente cientificou ao Plenário que, em dois de agosto do corrente, distribuiu as Propostas de Fiscalização e Controle nº 27/2000 e 15/2007 ao Deputado Onofre Santo Agostini; e, dia quatro de agosto do corrente, distribuiu a Proposta de Fiscalização e Controle nº 104/2009 e os Projetos de Lei nº 5/2011 e 3.723/2008 aos Deputados Jairo Ataíde, Paulo Piau e Domingos Sávio, respectivamente. ORDEM DO DIA: Iniciada a Ordem do Dia, o Presidente anunciou os itens constantes da pauta. A – REQUERIMENTO: 1) REQUERIMENTO Nº 88/11 – do Sr. Ronaldo Caiado – que “solicita a realização de audiência pública na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, a fim de serem discutidas as denúncias veiculadas na imprensa referentes à venda ilegal de terras destinadas à reforma agrária, sendo convocado o Excelentíssimo Ministro de Estado do Desenvolvimento Agrário, Sr. Afonso Bandeira Florence, e convidado o Sr. Celso Lisboa de Lacerda, Presidente do Instituto Nacional de Reforma Agrária (INCRA)”. O autor defendeu o requerimento e, atendendo solicitação do deputado do Partido dos Trabalhadores, sugeriu as seguintes alterações: a) alterar o termo “convocado” para “convidado”; e b) realizar a reunião em conjunto com a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle/CFFC. Discutiram a matéria os Deputados Valdir Colatto, que sugeriu registrar no texto do ofício ao Ministro do Desenvolvimento Agrário os temas “Emancipação dos Assentamentos; Titulação dos agricultores; e Cadastro dos sem terra”; Beto Faro; Bohn Gass; e Luiz Carlos Setim. Submetido à votação, o requerimento foi aprovado com as alterações solicitadas pelo autor. Em seguida, o Deputado Bohn Gass solicitou o uso da palavra e convidou os membros deste Colegiado a participarem do Seminário sobre a Juventude Rural, que se realizará dia trinta e um de agosto do corrente, no Plenário Freitas Nobre, quando serão debatidas as Políticas Públicas para a juventude rural. Dando continuidade, o Presidente anunciou o próximo item da pauta: 2) REQUERIMENTO Nº 90/11 Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS – do Sr. Luis Carlos Heinze – que “requer seja realizado encontro conjunto das comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, durante o 22º Congresso Brasileiro de Avicultura”. O autor defendeu o requerimento. Submetido à discussão e votação, o requerimento foi aprovado unanimemente; 3) REQUERIMENTO Nº 91/11 – do Sr. Onyx Lorenzoni – que “solicita realização de Audiência Pública para discutir os testes sorológicos de Controle de Qualidade da Vacina Anti-Aftosa realizado pelo Ministério da Agricultura no Estado do Rio Grande do Sul”. O Deputado Abelardo Lupion subscreveu o requerimento e o defendeu. Submetido à discussão e votação, o requerimento foi aprovado unanimemente; 4) REQUERIMENTO Nº 92/11 – do Sr. Luis Carlos Heinze – que “requer que a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aprecie a proposta de trabalho da subcomissão especial para tratar das assimetrias do Mercosul em relação aos produtores brasileiros e aos do bloco econômico”. O autor defendeu o requerimento. Submetido à discussão e votação, o requerimento foi aprovado unanimemente; 5) REQUERIMENTO Nº 93/11 – do Sr. Onyx Lorenzoni e Ronaldo Caiado – que “solicita realização de oitiva do Sr. Oscar Jucá Neto, ex-diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), para os fins que especifica”. O Deputado Ronaldo Caiado defendeu o requerimento. Discutiram a matéria o Deputado Abelardo Lupion e os Deputados Onofre Santo Agostinho, que subscreveu o requerimento e o defendeu; Celso Maldaner; Antônio Andrade, que sugeriu convidar o Presidente recém empossado da Conab e propor ações dentro daquela Entidade que melhor atendam aos interesses do povo brasileiro; Josias Gomes, que reiterou o convite ao atual Presidente da Conab; Valmir Assunção; Moacir Micheletto, que reiterou convidar a nova direção daquela Instituição; Reinaldo Azambuja; e Vítor Penido. Consultado sobre a proposta de alteração do convidado o autor não acatou. Continuando a fase de discussão da matéria, o Presidente concedeu a palavra aos Deputados Paulo Piau; e Valdir Colatto, que sugeriu convidar o atual Presidente da Conab a participar da audiência. Consultado sobre a nova proposta, os autores acataram a sugestão do Deputado Valdir Colatto. Dando continuidade, o Presidente concedeu a palavra aos demais inscritos, deputados: Nelson Marquezelli, que reiterou a sugestão do Deputado Moacir Micheletto; Assis do Couto; Homero Pereira; Josias Gomes; Moreira Mendes, que apoiou a proposta do Deputado Valdir Colatto; Antônio Andrade; e Heuler Cruvinel. Logo após, o Presidente informou ao Plenário o recebimento do 6) REQUERI- Terça-feira 23 43831 MENTO Nº 95/11, do Deputado Valmir Assunção – que “solicitação de votação nominal do requerimento nº 93/2011”. Encaminhou o requerimento o Deputado Antônio Andrade. Submetido à votação, o requerimento foi aprovado unanimemente. Prosseguindo, o Presidente submeteu à votação do Requerimento nº 93/11. Encaminharam a votação os Deputados Ronaldo Caiado, Beto Faro, Reinaldo Azambuja e Celso Maldaner. O Presidente convidou o Deputado Abelardo Lupion para proceder a chamada nominal. Feita a chamada nominal votaram contrariamente ao requerimento os Deputados Assis do Couto, Beto Faro, Jesus Rodrigues, Josias Gomes, Marcon, Alceu Moreira, Celso Maldaner, Leandro Vilela, Moacir Micheletto, Paulo Piau, Homero Pereira, Zé Silva, Josué Bengtson, Francisco Araújo, Padre Ton, Valmir Assunção, Antônio Andrade, Lúcio Vieira Lima e Nelson Marquezelli. Votaram favoravelmente ao requerimento os Deputados Hélio Santos, Luiz Nishimori, Reinaldo Azambuja, Vitor Penido, Luis Carlos Heinze, Lira Maia, Ronaldo Caiado, Paulo Cesar Quartiero, Moreira Mendes, Abelardo Lupion, Alfredo Kaefer, Onofre Santo Agostini e Marcos Montes. Ao final, o Presidente proclamou o resultado: O Requerimento 93/11 foi rejeitado por dezenove votos contrário e treze votos favoráveis. Dando continuidade, o Presidente anunciou os próximos itens da pauta: 7) REQUERIMENTO Nº 94/11 – dos Srs. Paulo Piau e Zé Silva – que “requer, nos termos regimentais, que seja realizada audiência pública com a finalidade de discutir a Integração da Pesquisa e Extensão Rural”. Os autores defenderam o requerimento. Submetido à discussão e votação, o requerimento foi aprovado unanimemente; B – Proposições Sujeitas à Apreciação do Plenário: – PRIORIDADE: 8) PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 2.590/10 – da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – (MSC 921/2008) – que “autoriza a União a ceder ao Estado de Rondônia, a título gratuito, o uso de imóvel de sua propriedade para a implantação do Parque Estadual de Corumbiara”. RELATOR: Deputado MOREIRA MENDES. PARECER: pela aprovação. O relator leu o parecer. Submetido à discussão e votação, o parecer do relator foi aprovado unanimemente. Dando continuidade, o Presidente concedeu a palavra ao Deputado Ronaldo Caiado que informou aos membros, com pesar, o falecimento do Senhor Fernando Luis Quagliato, ocorrido ontem, terça-feira. Sua Excelência teceu elogios ao produtor Quagliato, falou que o agricultor é um exemplo de homem simples e dedicado do setor rural e que o segmento lamenta sua perda. Ratificaram as palavras do Deputado Ronaldo Caiado os Deputados Lira Maia e Nelson Marquezelli. Logo após, o Presidente submeteu ao Plenário, devido ao adiantado da 43832 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS hora, a sugestão de aprovar somente os Projetos de Lei nºs 7.326/10 e 7.980/10, o que foi de imediato acolhido pelos membros, e informou que o Projeto de Lei nº 7.063/10 foi retirado de pauta a pedido do Relator. Prosseguindo, o Presidente anunciou os próximos itens da pauta: – TRAMITAÇÃO ORDINÁRIA: 9) PROJETO DE LEI Nº 6.480/09 – do Sr. Moreira Mendes – que “altera a Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, visando coibir a invasão de imóveis rurais e a disponibilização do cadastro da Reforma Agrária na Rede Mundial de Computadores – Internet, altera o Decreto Lei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940, Código Penal, para equiparar ao crime de falsificação de documento público, a falsificação do cadastro de áreas desapropriadas e de beneficiários da reforma agrária, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado ARTHUR LIRA. PARECER: pela aprovação. Vista conjunta aos Deputados Marcon e Valdir Colatto, em 06/07/2011. Os Deputados Marcon e Valdir Colatto apresentaram votos em separado. Conforme acordo entre os membros, a matéria não foi deliberada; C – Proposições Sujeitas à Apreciação Conclusiva pelas Comissões: – PRIORIDADE: 10) PROJETO DE LEI Nº 6.468/05 – do Senado Federal – César Borges – (PLS 517/2003) – que “dispõe sobre repactuação e alongamento de dívidas oriundas de operações de crédito rural, e dá outras providências”. (Apensados: PL 3290/2004, PL 956/2007 e PL 7715/2010). RELATOR: Deputado LIRA MAIA. PARECER: pela aprovação deste, do PL 3290/2004, do PL 956/2007, e do PL 7715/2010, apensados, com substitutivo. Vista ao Deputado Marcon, em 06/07/2011. Conforme acordo entre os membros, a matéria não foi deliberada; 11) PROJETO DE LEI Nº 5.459/09 – do Senado Federal – Raimundo Colombo – (PLS 482/2007) – que “altera a Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, que dispõe sobre a regulamentação dos dispositivos constitucionais relativos à reforma agrária, previstos no Capítulo III do Título VII da Constituição Federal”. RELATOR: Deputado LIRA MAIA. PARECER: pela aprovação, com substitutivo. O Deputado Assis do Couto apresentou voto em separado em 15/12/2010. Conforme acordo entre os membros, a matéria não foi deliberada. Dando continuidade, o Presidente, relator do próximo item da pauta, passou a condução dos trabalhos ao Deputado Beto Faro. Este por sua vez anunciou o próximo item da pauta: 12) PROJETO DE LEI Nº 7.326/10 – do Poder Executivo – que “dispõe sobre a criação do Programa de Produção Sustentável da Palma de Óleo no Brasil, estabelece diretrizes para o zoneamento agroecológico para a cultura de palma de óleo, e dá outras providências”. RELATOR: Deputado LIRA MAIA. PARECER: pela aprovação do Projeto de Lei nº 7.326/2010 Agosto de 2011 e da Emenda 1/2011 da CAPADR com subemenda, e duas emendas deste relator. Vista ao Deputado Jesus Rodrigues, em 04/05/2011. O Deputado Jesus Rodrigues apresentou voto em separado em 11/05/2011. O relator leu o parecer. Submetido à discussão e votação, o parecer do relator foi aprovado unanimemente. Em seguida, o Deputado Lira Maia reassumiu a condução dos trabalhos e anunciou o próximo item: 13) PROJETO DE LEI Nº 7.980/10 – do Poder Executivo – (AV 827/2010) – que “dispõe sobre o Programa de Financiamento da Ampliação e Modernização da Frota Pesqueira Nacional – Profrota Pesqueira e dá outras providências”. RELATOR: Deputado BETO FARO. PARECER: Parecer com Complementação de Voto, Dep. Beto Faro (PT-PA), pela aprovação, com substitutivo e subemenda. O relator leu o parecer. Submetido à discussão e votação, o parecer do relator foi aprovado unanimemente. Logo após, o Presidente anunciou o recebimento de requerimento EXTRAPAUTA, antes, porém, consultou o Plenário, obtendo sua aquiescência, se a apreciação poderia ser feita pelo processo simbólico: B – Matéria Sobre a Mesa: 14) REQUERIMENTO Nº 96/11 – do Sr. Francisco Araújo e outros – que “solicita inclusão na pauta, para votação imediata, do requerimento de informações a ser enviado ao Instituto de Terras e Colonizações de Roraima”. O autor encaminhou o requerimento. Submetido à votação, o requerimento foi aprovado unanimemente; 15) REQUERIMENTO Nº 97/11 – do Sr. Francisco Araújo – que “solicita informações ao Excelentíssimo Senhor Presidente do Instituto de Terras e Colonizações de Roraima (Iteraima) Márcio Junqueira, sobre os Títulos e regularização das Terras Emitidos pelo ITERAIMA desde a Transferência das Terras repassadas pela União ao Estado”. O autor defendeu o requerimento. Submetido à discussão e votação, o requerimento foi aprovado unanimemente. Finalizando, o Presidente submeteu ao Plenário, tendo sido acatado de imediato, a sugestão de incluir na próxima pauta de reunião ordinária apenas os projetos. As demais matérias constantes desta pauta deixaram de ser apreciadas em cumprimento ao acordo realizado nesta reunião. Nada mais havendo a tratar, o Presidente, Deputado Lira Maia, agradeceu a presença dos membros e encerrou a reunião às doze horas e quarenta e nove minutos, antes, porém, convidou os membros a participarem do Reunião Ordinária (Audiência Pública), dia dezesseis de agosto do corrente, às quinze horas, no Plenário 6 do Anexo II desta Casa. E para constar, eu, Moizes Lobo da Cunha, Secretário, lavrei a presente ATA, que, depois de lida e aprovada, será assinada pelo Presidente e encaminhada à publicação no Diário da Câmara dos Deputados. Deputado Lira Maia Presidente. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS 53ª Legislatura – 3ª Sessão Legislativa Ordinária ATA DA 29ª REUNIÃO ORDINÁRIA, AUDIÊNCIA PÚBLICA Realizada em 23 de setembro de 2009 Às quatorze horas e vinte e cinco minutos do dia vinte e três de setembro de dois mil e nove, reuniu-se a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, no Anexo II, Plenário 09 da Câmara dos Deputados, com a presença dos Senhores Deputados Luiz Couto – Presidente; Pedro Wilson e Geraldo Thadeu – Vice-Presidentes; Chico Alencar, Domingos Dutra, Janete Rocha Pietá, Pompeo de Mattos e Veloso – Titulares; Antonio Bulhões, Dr. Rosinha, Eduardo Barbosa, Luiz Alberto, Paulo Rubem Santiago e Uldurico Pinto – Suplentes. Compareceu também o Deputado Professor Victorio Galli, como não-membro. Deixaram de comparecer os Deputados Cleber Verde, Edmar Moreira, Lucenira Pimentel, Miguel Martini, Pastor Pedro Ribeiro e Suely. ABERTURA: O Senhor Presidente, Deputado Luiz Couto, declarou abertos os trabalhos e comunicou ao Plenário que a reunião fora convocada nos termos de requerimento de sua autoria e do Deputado Pedro Wilson. ORDEM DO DIA: Reunião de Audiência Pública. TEMAS: A) Lançamento do Informe Desafios dos Direitos Humanos no Brasil e a experiência das Relatorias Nacionais em DhESCA – 2007-2009. EXPOSITORES: Darci Frigo – Coordenador-Executivo da Plataforma DhESCA Brasil; Lúcia Maria Morais – Relatora de Direito Humano à Moradia Adequada da Plataforma DhESCA Brasil no mandato 2007-2009; Fernando Aith – Relator de Direito Humano à Saúde da Plataforma DhESCA Brasil no mandato 2007-2009; Marijane Lisboa – Relatora de Direito Humano ao Meio Ambiente da Plataforma DhESCA Brasil no mandato 2007-2009. A Presidência concedeu a palavra aos relatores os quais apresentaram suas experiências e agradecimentos. Logo após, o Coordenador-Executivo da Plataforma DhESCA Brasil, senhor Darci Frigo, expressou sua satisfação e seus agradecimentos pelo trabalho realizado e, em seguida, entregou a publicação do relatório, que é uma síntese de todas as atividades realizadas, bem como o certificado de cumprimento do mandato 2007-2009. B) Posse dos novos relatores e relatoras que assumem o mandato 2009 a 2011. A Presidência convidou, para comporem a Mesa, a senhora Marijane Lisboa e o senhor José Guilherme Zagallo que em conjunto dividirão as responsabilidades pela relatoria nacional para o direito humano ao meio ambiente; a senhora Maria José de Oliveira, relatora do direito humano à saúde: direitos sexuais e Terça-feira 23 43833 reprodutivos; e o senhor Sérgio Sauer, novo relator para o direito humano à terra, território e alimentação, momento em que concedeu a palavra ao senhor Darci Frigo para apresentação e posse dos novos relatores. Logo após, o Deputado Luiz Couto convidou a Dra. Gilda Carvalho, Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão para tomar assento a Mesa e saudar os novos relatores. A seguir, concedeu a palavra aos relatores empossados os quais apresentaram suas considerações e preocupações relacionadas aos temas de direitos humanos. Nada mais havendo a tratar, a presente reunião foi encerrada às quinze horas e vinte e oito minutos. O inteiro teor foi gravado, passando o arquivo de áudio a integrar o acervo documental desta reunião para degravação mediante solicitação escrita. E, para constar, eu, Márcio Marques de Araújo, lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Luiz Couto, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Declaro abertos os trabalhos desta reunião, que tem como finalidade promover o lançamento do Informe Desafios dos Direitos Humanos no Brasil e a Experiência das Relatorias Nacionais em DHESCA (2007‑2009) e dar posse aos novos Relatores e Relatoras que atuarão no período entre 2009 e 2011. Esta audiência pública terá duração prevista de 1 hora. Em seguida, Sras. e Srs. Deputados, realizaremos reunião ordinária, cuja pauta se encontra nas pastas de V.Exas. Comunico que a realização da audiência pública atende a requerimento de minha autoria e do Deputado Pedro Wilson, 1º Vice-Presidente desta Comissão. A Comissão de Direitos Humanos e Minorias tem acompanhado, desde o início, a evolução das Relatorias Nacionais no Brasil. Inspiradas na experiência dos Relatores Especiais da ONU, elas se constituem numa iniciativa criativa e inovadora da sociedade civil. Através delas se monitoram, analisam e difundem informações sobre a situação dos direitos humanos, econômicos, sociais, culturais e ambientais no Brasil. Podemos afirmar que esta Comissão teve relevante papel no que se refere às condições que levaram à criação dessas relatorias em nosso País, ainda nos anos 2000 e 2001. Publicou um livro que viria a ser um ensaio do relatório a respeito dos direitos humanos, econômicos, sociais, culturais e ambientais. Naquela época foi lançado o embrião do que viria a ser a Plataforma DHESCA Brasil, como é conhecida hoje. Já havia atuação, quanto a essas temáticas, de vários técnicos qualificados e a participação da militância social reconhecida nas respectivas áreas. 43834 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS A Plataforma DHESCA Brasil coordena esse projeto das Relatorias Nacionais desde 2002. Ao longo desses 7 anos foram realizadas missões em mais de 20 Estados brasileiros, com visitas em cerca de 100 municípios. A Plataforma acumulou conhecimentos e hoje disponibiliza profundo conhecimento da realidade brasileira e de propostas de avanço nessas áreas fundamentais dos direitos humanos. Quero destacar também a importância que as Relatorias Nacionais tiveram no que diz respeito à tarefa de mostrar à sociedade brasileira que direitos humanos não são só os direitos políticos, os direitos à vida e à segurança. Devem também ser valorizados e respeitados os direitos humanos econômicos, sociais, culturais e ambientais. O Informe Desafios dos Direitos Humanos no Brasil e a Experiência das Relatorias Nacionais em DHESCA, que será lançado em instantes, sintetiza as realizações de cada Relatoria em relação ao direito com o qual trabalha. Nesta audiência pública, como disse, será dada posse aos 5 novos Relatores, escolhidos por meio de criterioso processo seletivo, do qual participou um representante desta Comissão. Passamos, então, a compor a Mesa. Convido o Sr. Darci Frigo, Coordenador‑Executivo da Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais – Plataforma DHESCA Brasil; a Sra. Lúcia Maria Moraes, Relatora Nacional do Direito Humano à Moradia Adequada da Plataforma DHESCA Brasil no mandato 2007/2009; o Sr. Fernando Aith, Relator Nacional do Direito Humano à Saúde da Plataforma DHESCA Brasil no mandato 2007/2009; e a Sra. Marijane Lisboa, Relatora Nacional do Direito Humano ao Meio Ambiente da Plataforma DHESCA Brasil no mandato 2007/2009. Antes de dar início às exposições, esclareço que o tempo concedido a cada convidado será de até 5 minutos. Esclareço, ainda, que esta reunião está sendo gravada, para posterior transcrição. Por isso, solicito que falem ao microfone. Concedo a palavra ao primeiro expositor, Sr. Darci Frigo, Coordenador‑Executivo da Plataforma DHESCA Brasil. V.Sa. dispõe de até 5 minutos. O SR. DARCI FRIGO – Agradeço ao Deputado Luiz Couto a importante parceria da Plataforma DHESCA Brasil com a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal. Essa parceria tem possibilitado este e outros momentos, como, no primeiro semestre, o lançamento de relatórios ligados ao direito humano à moradia, com um amplo debate e que, naquela ocasião, deu Agosto de 2011 oportunidade a uma série de encaminhamentos fundamentais para enfrentar as relações de direitos humanos aqui relatadas. Realizamos hoje esta sessão especial de encerramento do terceiro mandato dos Relatores Nacionais de Direitos Humanos no Brasil e iniciamos, nesta solenidade, o quarto mandato. Primeiramente, registro os nossos agradecimentos àqueles que prestaram esse relevante serviço à causa dos direitos humanos, à causa da justiça e da democracia em nosso País. Esse nosso projeto está abrigado, como disse o Deputado Luiz Couto, na Plataforma DHESCA Brasil, que é uma rede de mais de 30 organizações de direitos humanos que se preocupa especialmente com os direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais, direitos das maiorias que cotidianamente são violados e excluídos. A Plataforma é uma rede que também se preocupa em construir iniciativas inovadoras. Essa iniciativa das relatorias nacionais é fundamental. Foi criada pela sociedade civil em um momento importante, exatamente para estabelecermos instrumentos de monitoramento dos direitos humanos no País. As relatorias criadas em 2002 são parte desse amplo processo de monitoramento dos direitos humanos no País e servem também de parâmetro para a sociedade civil cobrar do Estado a efetivação dos direitos humanos. É uma iniciativa de monitoramento autônoma, uma iniciativa da sociedade civil, e como tal ela quer permanecer. Ela vem sendo articulada pela própria sociedade civil. A parceria que desenvolvemos com a Comissão de Direitos Humanos, com as organizações que integram o Conselho de Seleção, agora transformado em Conselho de Seleção e Acompanhamento das Relatorias, que são vários órgãos do sistema da ONU, organizações de direitos humanos do Estado brasileiro que também fazem parte desse processo nos dão o suporte, o guarda-chuva para que a atuação das relatorias tenham importante respaldo. Ao realizar esta audiência, a Comissão de Direitos Humanos permite que esse processo se torne público. E esse caráter público das relatorias é um momento fundamental que queremos reforçar cada vez mais. Gostaríamos de agradecer à Comissão esta oportunidade e de dizer que vamos continuar, com os novos relatores, construindo a possibilidade de efetivação dos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais no País. Eram essas as minhas palavras iniciais, Sr. Presidente. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Vamos agora entregar a publicação. Peço que tragam cópias para serem entregues aos relatores. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Obrigado, Sr. Darci Frigo. Passamos agora ao lançamento do informe Desafios dos Direitos Humanos no Brasil e a Experiência das Relatorias Nacionais em DHESCA. Com a palavra a Sra. Lúcia Maria Moraes, Relatora do Direito Humano à Moradia Adequada da Plataforma DHESCA Brasil no mandato 2007/2009. A SRA. LÚCIA MARIA MORAES – Boa tarde a todos. Sou Lúcia Moraes e estou finalizando o meu mandato de Relatora Nacional do Direito Humano à Moradia, onde estive por 4 anos. Foram 2 mandatos consecutivos nessa função. Foi um trabalho, para mim, muito gratificante no sentido de poder contribuir com comunidades cujo direito humano à moradia é violado. É claro que atendemos a uma minoria dessa população. É bastante grave o problema habitacional no Brasil. Reconhecemos todo o esforço do Governo brasileiro no enfrentamento dessa questão mas, infelizmente, ainda estamos longe de resolvê-la. Agradeço à Coordenação da Plataforma DHESCA, em nome do Darci Frigo e da Maria Helena, que muito contribuíram conosco nesse trabalho; à Pontifícia Universidade Católica de Goiás o apoio institucional que me concedeu ao liberar-me para essas atividades; aos meus assessores, Patrícia Cardoso, no primeiro mandato, e Marcelo Vivas, no segundo; e aos movimentos de moradia – Movimento Nacional de Luta pela Moradia, União Nacional de Moradia Popular e CONAM —, que sempre estiveram nessa luta e apoiaram a relatoria em todo o mandato. O Fórum Nacional de Reforma Urbana também sempre foi nosso parceiro na realização das missões. Levamos esse conjunto de trabalho para realmente discutir e denunciar a violação do direito humano à moradia. Sempre digo que acredito muito no apoio político das relatorias e da Plataforma DHESCA para conter a violação dos direitos humanos. Agradeço, em especial, à Comissão de Direitos Humanos, especialmente ao meu mestre, o Deputado Federal Pedro Wilson Guimarães. S.Exa. foi meu professor e também está nesta luta pelos direitos humanos. Sempre estivemos juntos. Estou completando 30 anos de contribuição, de trabalho voluntário em prol do direito humano à moradia. O início foi justamente em uma grande ocupação na cidade de Goiânia, a ocupação Nova Esperança, que se saiu vitoriosa. Desde o momento em que entrei Terça-feira 23 43835 na ocupação até hoje estou nessa luta, e creio que vou continuar fazendo esse trabalho pelo direito à moradia. Só tenho a agradecer a todos a oportunidade de realizar esse trabalho junto à Plataforma DHESCA e à comunidade como um todo. Tivemos oportunidade de realizar missões em várias cidades brasileiras, cujos relatórios foram entregues aqui, em audiência, no mês de maio. A síntese do relatório está no Informe 2007/2009, e no site da Plataforma estão todos os relatórios, na íntegra. Encontra-se aqui presente o Castilho, de São Luís, no Maranhão, que é testemunha da importância das relatorias. A missão realizada lá foi a primeira do mandato de 2004. A Vale do Rio Doce estava prestes a implantar mais um polo siderúrgico na ilha, que resultaria na remoção de 14 mil famílias. Graças ao trabalho da missão – uma missão conjunta de moradia, meio ambiente, terra e alimentação – a siderúrgica não foi implantada. Temos essa vitória para relatar, assim como outras em várias cidades. Vê-se aí realmente a importância das relatorias. A moradia é um direito nato de todo ser humano. Entretanto, o que vemos é a violação desse direito para milhões de brasileiros. Agradeço a todos e coloco-me à disposição para discutir a questão da moradia junto à Plataforma, aos outros relatores e, em especial, junto à comunidade. Obrigada. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Obrigado, Sra. Lúcia Maria Moraes. Passo a palavra ao Sr. Fernando Aith, Relator de Direito Humano à Saúde da Plataforma DHESCA Brasil no mandato 2007/2009. O SR. FERNANDO AITH – Boa tarde a todos. Gostaria de dizer, brevemente, que a experiência de defender direitos humanos no Brasil ainda não é uma tarefa fácil. A Plataforma representa um esforço importantíssimo nesse sentido, mas ainda possui algumas fragilidades, que espero sejam resolvidas no decorrer da sua existência e que ela consiga de fato defender os direitos humanos sociais, econômicos e culturais no País. Com relação ao direito à saúde, tema que relatei nos 2 últimos anos, quero dar 2 enfoques importantes, pois, embora isso tenha sido relatado e tenham sido encaminhadas várias recomendações às autoridades competentes, os problemas persistem. O primeiro está relacionado à saúde indígena. Grande parte desse mandato procurei dedicar aos grupos mais vulneráveis da nossa sociedade, que de fato não têm voz junto às autoridades públicas nem à mídia, enfim, não têm uma voz social e que poderiam ter na Plataforma uma alavancagem de seus interesses. 43836 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS A saúde indígena continua sendo um problema muito sério no Brasil, não só porque institucionalmente a atuação da FUNASA com vistas a solucioná-lo não vem surtindo efeito. Em algumas aldeias, a taxa de mortalidade infantil está próxima de 100 óbitos por 1.000 nascidos vivos, índice que supera o de alguns Estados que estão em guerra. E a morte ocorre pelas doenças mais básicas. A desidratação e a disenteria são as principais causas de mortes de crianças nessas aldeias indígenas. Existe uma aldeia no Alto do Javari que também vem sendo praticamente dizimada por problemas de saúde bastante básicos, só que o Estado brasileiro não consegue dar o apoio necessário a essas comunidades. Além disso, outro grupo muito à margem da assistência à saúde no Brasil é a camada mais pobre da população, que depende única e exclusivamente do Sistema Único de Saúde, sistema esse que vem sofrendo em sua organização um processo de terceirização bastante intenso. Ao mesmo tempo em que vemos os Estados Unidos fazendo uma discussão para a universalização do seu sistema de saúde, assistimos no Brasil a uma modelagem que tende a terceirizar para a iniciativa privada os serviços que atualmente são públicos, como, por exemplo, o modelo que o Governo do Estado de São Paulo está resolvendo implementar para a gestão dos seus hospitais ou, no Governo Federal, o modelo das fundações estatais. Então, seja de um lado, seja de outro, é patente que no Brasil a saúde ainda não é um direito universal. É patente que no Brasil muitas pessoas ainda morrem sem acesso a condições de saúde básica, sejam condições ligadas a saneamento, sejam ligadas a tratamento médico. Desejo ao próximo relator muito sucesso e espero que, com esse trabalho, consigamos avançar um pouco mais na garantia desse direito fundamental para a vida de cada um de nós. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Passo a palavra à Sra. Marijane Lisboa, Relatora do Direito Humano ao Meio Ambiente da Plataforma DHESCA Brasil no mandato 2007/2009. A SRA. MARIJANE LISBOA – Exmo. Sr. Deputado Luiz Couto, Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, demais Deputados e autoridades presentes – estou vendo ali o Dr. Fernando Matos, Coordenador do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos —, representantes da sociedade civil, colegas dessa tarefa tão difícil, estou terminando um mandato e vou assumir, junto com um colega, o segundo mandato da Relatoria de Direitos Humanos Ambientais. Agosto de 2011 Essa é uma tarefa muito difícil, Sr. Presidente e demais presentes, porque grande parte da população brasileira, inclusive as autoridades, ignora que existam direitos ambientais e concebe direitos ainda de uma maneira bastante antiga – direitos políticos, direitos civis –, e esse novo direito não é reconhecido. A segunda dificuldade ao trabalhar esse tema se relaciona ao fato de que, para proteger e para exercer os direitos ambientais, é preciso que os direitos políticos e civis estejam assegurados. E isso também não está assegurado em nosso País e em muitas partes do mundo. Na minha experiência de 2 anos, fiz 2 missões, uma missão ao Rio Madeira para discutir a questão do projeto da hidrelétrica, as hidrelétricas do Madeira; e também no Paraná, em Cascavel, tanto para acompanhar o caso da Fazenda da Syngenta, onde houve um choque em que morreram 2 pessoas, quanto para apurar a questão da contaminação com soja e milho transgênicos de agricultores que não queriam plantar esses produtos porque eram agricultores orgânicos ou pequenos agricultores convencionais. E mais tarde fiz também uma missão de seguimento a São Luís, porque já há algum tempo tinha havido uma outra missão lá que tinha conseguido do Governo o compromisso de criar uma força-tarefa para lidar com a questão do avanço da soja, do eucalipto e da cana-de-açúcar na região, o que estava significando uma grande destruição da biodiversidade local e uma perda de terras por parte dos pequenos agricultores. Tive mais uma missão de seguimento. Foi em Pernambuco, onde havia um choque entre uma usina de açúcar e marisqueiros que vivem na região e que eram sistematicamente expulsos e ameaçados. Em todas essas 4 missões que realizei, pude constatar que o grande problema para a defesa dos direitos ambientais é a falta de garantias dos direitos políticos desses grupos, que são grupos política e economicamente fragilizados. Particularmente no caso de Pernambuco foi chocante. Dois colegas meus, relatores anteriores, estão sendo processados pela empresa denunciada pelos movimentos e pelos pequenos marisqueiros e que esses relatores foram apurar. Temos uma situação de criminalização de 2 relatores da nossa Plataforma. No caso de Cascavel, tínhamos lá milícias armadas, que exerciam ativamente sua função ilegal, ameaçando pequenos agricultores. Acho que esse foi um dos bons resultados da relatoria, nas medida em que fizemos aqui essa denúncia há um ano. A Polícia Federal terminou o inquérito, que estava bastante atrasado, e constatou que realmente uma boa parte das milícias não tinha condições de estar operando Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS legalmente. Eram empresas de segurança, que, na verdade, atuavam como milícias. Não vou falar na segunda parte, vou deixar para o meu colega, que vai dividir o mandato comigo. Na nossa experiência no Brasil, particularmente em um período de grandes obras, como as hidrelétricas do Madeira e agora do Xingu, o enorme avanço da soja e da cana-de-açúcar etc., nós temos, antes de tudo, de assegurar os direitos políticos dos grupos sociais mais desfavorecidos, o direito de se expressarem para defender os seus interesses; do contrário, não há efetiva defesa e proteção dos direitos ambientais. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Muito obrigado, Marijane Lisboa, que vai continuar como relatora. Concedemos a palavra ao Sr. Darci Frigo, que vai agradecer aos relatores que hoje concluem seus mandatos e entregar o certificado a que eles têm direito. O SR. DARCI FRIGO – Esse é um trabalho feito em mutirão. Temos de agradecer a todas as redes, a todas as organizações, sejam da Plataforma ou muito além dela; às pessoas engajadas na defesa dos direitos humanos, aos grupos locais; a todos aqueles que, de alguma forma, se somaram a essa grande tarefa de fazer com que o projeto de monitoramento de direitos humanos, que são as relatorias, pudesse, de fato, articular uma série de situações e colocar o assunto no campo público e nas ações de incidência para as autoridades. Isso foi feito através do trabalho voluntário dos relatores e relatoras. É um trabalho voluntário que também merece neste momento o nosso especial agradecimento. Agradeço às pessoas que, mesmo tendo as suas ocupações e atribuições cotidianas para ganhar o pão de cada dia, ainda dispensam uma parte do seu tempo precioso para a causa dos direitos humanos. Não há palavras para dizer o nosso “muito obrigado”. Muito obrigado, Sra. Marijane; muito obrigado, Lúcia Moraes; muito obrigado, Fernando. Também queria dizer “muito obrigado” para as companheiras e o companheiro que não estão aqui hoje mas que também foram relatores. Seria também um prazer contar com eles hoje aqui. Refiro-me ao Clóvis Zimmermman, Relator do Direito Humano à Terra, ao Território e à Alimentação; à Denise Carreira, Relatora do Direito Humano à Educação nas Prisões, aqui representada por sua assessora, Suelaine Carneiro. A Denise tem um motivo especial para não estar presente. Ela foi chamada para receber um bebê em um processo de adoção e está cuidando do assunto. E Cândida Costa, Relatora Nacional do Direito Humano ao Trabalho. Terça-feira 23 43837 Solicito aos presentes que se sentem parte desse processo e que querem partilhar conosco desta alegria que aplaudam os relatores e relatoras em agradecimento ao seu trabalho. (Palmas.) Aproveito para entregar o certificado e, ao mesmo tempo, apresentar aos senhores o relatório, que é o resultado do trabalho das relatorias. Cada mandato, no final, faz um processo de síntese de avaliação, de escolha de grandes questões, que devem ser problematizadas e apresentadas para o público. Então, aqui está uma síntese das principais missões e das questões levantadas pelos relatores que vão, neste momento, ser apresentadas para a sociedade, para que todos possam tomar conhecimento. Vou entregar o certificado para cada um dos relatores, junto com esse relatório, que é fruto desse trabalho, como eu disse agora há pouco, voluntário e dedicado de relatores e relatoras. Muito obrigado, mais uma vez. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Registro a presença da Dra. Gilda Carvalho, Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão. Após a entrega dos certificados, vamos passar à posse dos novos Relatores de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais para o mandato de 2009/2011. Desfazemos esta Mesa. O Sr. Darci Frigo e a Dra. Marijane vão continuar, porque um vai coordenar e outro vai continuar como Relator. Convidamos os novos relatores a tomarem posse e a falarem da missão de que estão imbuídos. A Srs. Marijane Lisboa vai permanecer à Mesa, pois foi reconduzida para o mandato 2009/2011. Convido o Sr. José Guilherme Zagallo, que, junto com Marijane Lisboa, dividirá as responsabilidades pela Relatoria Nacional do Direito Humano ao Meio Ambiente. (Palmas.) Convido também a Sra. Maria José de Oliveira, a Masé, que tomará posse como Relatora do Direito Humano à Saúde Sexual e Reprodutiva. (Palmas.) Convido o companheiro Sérgio Sauer, novo Relator do Direito Humano à Terra, ao Território e à Alimentação. (Palmas.) Passo a palavra ao Darci Frigo, que dará posse aos Relatores. O SR. DARCI FRIGO – É um momento de satisfação e alegria empossar essas novas relatoras e relatores. Mais 2 relatores – um relator e uma relatora – deveriam estar aqui hoje, mas, por motivo de força maior, não estão. Também tomam posse hoje Orlando dos Santos Junior, indicado pelo Fórum da Reforma Urbana. Ele é doutor em Planejamento Urbano e Regional; profes- 43838 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro; integrante do grupo de pesquisadores do Projeto Observatório das Metrópoles; também foi diretor da FASE. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Peço licença para convidar a Dra. Gilda Carvalho, Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão, a tomar assento à Mesa. (Palmas.) O SR. DARCI FRIGO – O Dr. Orlando dos Santos Júnior também toma posse. Hoje ele está representado, em função da sua ausência, pelo Cristiano Muller, que aqui se encontra no plenário. A Denise Carreira foi reeleita Relatora Nacional do Direito Humano à Educação. Foi indicada pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação. É jornalista e educadora; coordena o Programa de Pesquisa e Monitoramento de Políticas Educacionais da Ação Educativa e é mestre na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Estão aqui conosco Marijane Lisboa e Guilherme Zagallo, indicados pela Rede Brasileira de Justiça Ambiental para a Relatoria Nacional do Direito Humano ao Meio Ambiente. Houve uma inovação. As redes indicaram a Marijane, que aceitou o convite para continuar mais um período na relatoria, tendo a companhia do advogado José Guilherme Zagallo para tocar essa importante missão do Direito Humano ao Meio Ambiente. Essa é uma escolha inédita. O mandato vai ser compartilhado. A Marijane Lisboa já foi relatora no período anterior e desenvolveu as missões que já relatou aqui. É doutora em Ciências Sociais. Marijane também é professora da PUC de São Paulo; integrou a equipe da então Ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, em 2003 e 2004; foi Diretora-Executiva do Greenpeace em 2001 e 2002. O Sr. José Guilherme Zagallo é advogado e coordenador do Movimento Reage São Luís e da Campanha Justiça nos Trilhos. Ele integra o Conselho do Observatório Social de São Luís e também é membro da Comissão Nacional de Acesso à Justiça do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Para a Relatoria Nacional do Direito Humano à Saúde Sexual e Reprodutiva foi indicada a Sra. Maria José de Oliveira. Ela foi indicada pela Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Reprodutivos. É médica pediatra e especialista em saúde da mulher; foi coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde em 2003 e 2007 e coordenadora da Comissão de Saúde Sexual e Reprodutiva do MERCOSUL; possui vasta produção científica no tema, principalmente quanto aos marcos legais dos direitos sexuais e reprodutivos. Agosto de 2011 Para a Relatoria do Direito Humano à Terra, ao Território e à Alimentação, nós temos o Sérgio Sauer, indicado pelas redes do Fórum da Reforma Agrária e pela Terra de Direitos. É doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Brasília; professor na UnB, com experiência na área de sociologia, filosofia e ciências políticas, com ênfase na sociologia rural e políticas governamentais; já foi coordenador da Comissão Pastoral da Terra, assessor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG, tendo trabalhado também no Grupo de Trabalho Amazônico – GTA. Como Relator, ele pretende – depois ele vai falar – acompanhar temas importantes na área de terra, território e alimentação. Esses são os relatores. Eu gostaria que os senhores os saudassem com uma salva de palmas de boas-vindas. (Palmas.) Neste momento, com a tomada de posse, eles vão assinar o Termo de Posse, um termo de compromisso em que eles se comprometem a levar adiante aquelas causas que estavam no edital para o qual eles se candidataram e, depois, foram selecionados e escolhidos. Passo o Termo de Posse para a Marijane assinar. (Pausa.) Sérgio Sauer. (Pausa.) Também vamos pedir a assinatura do Orlando e da Denise quando comparecerem à próxima atividade. A Suelaine está representando a Denise, e nós a agradecemos mais uma vez. Em nome da Plataforma, queremos desejar um excelente mandato para os novos relatores e relatoras. Esperamos que eles possam ser esse elo entre as diversas redes, organizações, movimentos, grupos locais. E que os direitos humanos no Brasil, com a atuação dessas relatorias, possam de fato ser efetivados. Parabéns a todos esses relatores. Agora eles estão com o mandato na mão. Sintam-se empossados. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Obrigado. Agora nós abrimos a palavra para os relatores que tomaram posse e também para a Dra. Gilda Carvalho. Ainda temos uma sessão ordinária para votar matérias. Passamos a palavra à Dra. Gilda Carvalho, por até 2 minutos. A SRA. GILDA CARVALHO – Cumprimento o Sr. Presidente desta reunião, Deputado Luiz Couto, o Sr. Coordenador da Plataforma, Darci Frigo, as senhoras e senhores relatores que acabaram de tomar posse nesta importante função de monitorar os direitos humanos, os direitos do cidadão por este País afora. Cumprimento também os Srs. Deputados aqui presen- Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS tes, principalmente o Vice‑Presidente da Comissão, Deputado Pedro Wilson. Também cumprimento todos os representantes dos órgãos governamentais e de outras entidades. Para mim é uma grande honra estar nesta Mesa, Presidente. A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão – PFDC faz parte, como faz a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, da Comissão que vota a eleição dos relatores. Consideramos que é um trabalho de relevantíssima importância para este País essa função dos relatores. É um trabalho muito sério. Todos nós depositamos credibilidade nas pessoas que foram escolhidas. São todas pessoas com graduações específicas, especialistas dos mais renomados e que, no voluntariado – eu gostaria de ressaltar isso —, se dedicam a essas causas tão importantes para quem trabalha e milita na questão dos direitos humanos e direitos dos cidadãos. Dessa forma, Relatores dos Direitos Humanos à Alimentação e à Terra Rural, à Educação, à Moradia, à Terra, ao Meio Ambiente e à Saúde aceitem os parabéns e os votos de um profícuo trabalho. Contem desde já com o apoio, a colaboração e a estreita cooperação técnica da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Eu passo a palavra à nossa nova Relatora, Maria José de Oliveira, a Masé. A SRA. MARIA JOSÉ DE OLIVEIRA – Boa tarde, Sr. Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara; boa tarde a todas as pessoas presentes a esta Mesa, a meus colegas de relatoria, à equipe da Plataforma e à Sra. Procuradora. Como já foi dito aqui, fui indicada pela Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Sexuais Reprodutivos, que é uma articulação de mulheres em todo o Estado brasileiro que luta pelos direitos humanos das mulheres na área da saúde e dos direitos sexuais e reprodutivos. Eu gostaria de salientar – vou ser bastante breve – que o Governo brasileiro é signatário de vários tratados internacionais e de várias conferências que garantem os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres como direitos integrais e como direitos humanos. E existem também leis nacionais, federais, que garantem esses direitos. Mas, infelizmente, segundo a Organização Mundial de Saúde, o grande diferencial entre homens e mulheres neste País se dá na área da saúde reprodutiva. São as mulheres que morrem de parto, de aborto inseguro, de uso de métodos contraceptivos inade- Terça-feira 23 43839 quados, bem como em razão da violência que contra elas é praticada. Então, essa plataforma vem coincidir exatamente com a luta das mulheres em prol garantia de seus direitos humanos. Existe violação dos direitos humanos das mulheres no Brasil e em outros países onde tais direitos ainda não são garantidos. Apesar de o Governo Federal ter celebrado um pacto nacional pela redução da mortalidade materna e ter assinado as metas do milênio, ao que parece, pelo menos até o momento, essas metas não serão alcançadas até 2015, pelo menos no que diz respeito às mortes maternas. E a morte materna, por qualquer causa, é uma grave violação dos direitos humanos das mulheres, porque as vítimas são mulheres em idade reprodutiva, de 10 a 49 anos, e por causas completamente evitáveis. Então, a Relatoria da Saúde dos Direitos Sexuais e Reprodutivos terá como objetivo estudar, denunciar e propor soluções para os casos de morte materna decorrentes de abortos inseguros e, na saúde sexual e reprodutiva, as mulheres privadas de liberdade. Essas mulheres têm seus direitos humanos, entre eles o seu direito à saúde, violados quotidianamente. Será esse, portanto, o nosso objetivo. Não é uma questão simples, como já dito pelos Relatores anteriores e atuais, pelo Presidente da Comissão e pelo representante da DHESCA. Temos ainda uma situação de graves violações dos direitos humanos das mulheres no Brasil. Nós, as mulheres do movimento, as mulheres que lutam – e há várias companheiras de luta aqui presentes –, acreditamos que a Plataforma DHESCA certamente contribuirá para a visibilidade e para a redução da violação dos direitos humanos das mulheres. Muito obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Obrigado. Registro a presença do Sr. Carlos Eduardo, da Divisão dos Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores; da Sra. Valéria, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos; do Sr. Cristiano Muller, que representa o Relator do Direito à Cidade; da Senadora Serys Slhessarenko e dos Deputados Pedro Wilson, Dr. Rosinha, Chico Alencar e Veloso. Passo agora a palavra ao Relator José Guilherme Zagallo, que, junto com a Sra. Marijane Lisboa, dividirá a responsabilidade pela Relatoria Nacional para o Direito Humano ao Meio Ambiente. O SR. JOSÉ GUILHERME ZAGALLO – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sras. e Srs. Relatores, senhoras e senhores. 43840 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS É um prazer estar aqui por indicação da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, assumindo esse mandato. É uma importante missão. Pessoalmente, tenho uma dívida de gratidão com a Plataforma DHESCA, pois minha comunidade foi beneficiária de uma missão realizada por ela em 2005, em São Luís, onde se pretendia implantar um polo industrial com 70% da capacidade atual de produção de aço no Brasil, a 6 quilômetros do centro histórico de São Luís, em condições completamente adversas. Essa missão teve o importante papel de denunciar a impossibilidade física de tal projeto. Uma dessas indústrias agora está se instalando no Estado do Rio de Janeiro, e as denúncias dão conta de graves violações a direitos humanos, vinculação com milícias e morte de trabalhadores – e isso antes mesmo de a indústria entrar em operação —, o que comprova que as previsões feitas em 2005 pela Plataforma acabaram acontecendo e desaguando em outra comunidade. Como dizia – e o faço também em nome da minha cidade e dos movimentos sociais do meu Estado –, é uma honra estar aqui. Nem bem assumimos, e a Relatoria já esteve em Altamira, acompanhando as audiências públicas de Belo Monte, onde estão acontecendo violações aos direitos humanos. Foi divulgada a realização da maior audiência pública da história do IBAMA, com a presença de 5 mil pessoas, mas não foi divulgado que muitas comunidades ribeirinhas que serão afetadas pelo empreendimento hidrelétrico do Belo Monte não foram consultadas; que as comunidades indígenas não foram consultadas. E o Brasil – aproveito para corroborar a denúncia, Sr. Deputado – é signatário da Convenção nº 169 da OIT, que obriga consulta prévia às comunidades indígenas. Após a Emenda nº 45, os tratados internacionais da área de direitos humanos entram no plano normativo brasileiro com força de emenda à Constituição. Mas não aconteceu a consulta. Pelo contrário, o que houve foi que as lideranças indígenas presentes se retiraram do espaço. Havia cerca de 10 etnias presentes, e não houve nenhum tipo de tradução dos trabalhos apresentados às diversas comunidades indígenas e também não foi produzido nenhum documento. Ou seja, nosso irmãos indígenas estão sendo completamente alijados no processo de discussão de Belo Monte. Já se cogita a realização compulsória de um leilão de energia, em dezembro. O Ministro do Meio Ambiente fala em concessão da licença ainda no mês de novembro. Trata-se do maior EIA/RIMA já apresentado na história do IBAMA. Não combinam com a Constituição e com o nosso sistema normativo licenças ambientais concedidas com essa pressa, com esse açodamento. Agosto de 2011 Há graves problemas. E, em muitos meses do ano, o aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte não passará de 75 megawatts – não será de 11 mil megawatts, como diz a programa governamental. Então, a Plataforma já está acompanhando esse empreendimento, e gostaríamos que a Comissão de Direitos Humanos e Minorias estivesse atenta, sobretudo à questão da consulta às populações indígenas. O Ministério Público Federal e Estadual já impugnou o processo e requisitou a realização de mais audiências públicas nas comunidades. Em Belém, o espaço programado foi substituído por um espaço muito menor, e parte significativa da população não pôde acompanhar a audiência pública, especialmente as comunidades ribeirinhas que serão afetadas pelo empreendimento. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Passo a palavra à Sra. Marijane Lisboa. A SRA. MARIJANE LISBOA – Sr. Presidente, agradeço, mas, como já tive a oportunidade de me dirigir ao público, quando do encerramento das antigas Relatorias, e sabendo que há falta de tempo, peço licença para não fazer um novo discurso. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Concedo a palavra ao companheiro Sérgio Sauer, novo Relator para o Direito Humano à Terra, ao Território e à Alimentação. O SR. SÉRGIO SAUER – Deputado Luiz Couto e demais Parlamentares, muito obrigado pela oportunidade. Mais uma vez, esta Comissão abre espaço para que a sociedade civil expresse suas demandas e denuncie casos de violação de direitos. Por isso, recebam não só em nome desta Relatoria, mas também da Plataforma e das entidades presentes, nossos profundos agradecimentos. Sabemos do compromisso histórico dos Deputados Chico Alencar, Pedro Wilson e Veloso, bem como da Senadora Serys em favor dos direitos humanos – e somos profundamente gratos a S.Exas. e a todos os amigos, entidades e redes que aqui estão e que apoiaram não só minha candidatura, mas também a dos demais. Na verdade, esse apoio nos enche de confiança de um lado, mas, de outro, de grande responsabilidade, porque sabemos que só conseguiremos cumprir a missão se esse apoio se der na continuidade. Agradeço também ao Deputado Dr. Rosinha, aqui presente, o apoio. Espero cumprir esse mandato com a responsabilidade que se faz necessária e contando com o apoio de todos os senhores. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Terra, território e alimentação implicam uma imensidão de direitos e, portanto, também de violações. Então, não vou me estender, mas apenas aproveitar a oportunidade para falar de 2 pontos em debate neste momento na Casa. O primeiro deles é a PEC que inclui a alimentação entre os direitos constitucionais. Sei do compromisso dos Deputados que aqui estão, mas quero pedir a V.Exas. que despendam um esforço extra para convencer os seus colegas de que é fundamental a aprovação dessa PEC, a fim de termos garantido um direito fundamental de qualquer ser – não só de qualquer ser humano, mas de qualquer ser –, o direito de se alimentar. Então, que esta Casa, com o esforço de V.Exas., consiga aprovar talvez ainda hoje essa PEC, incluindo a alimentação entre os direitos fundamentais. O segundo ponto – e este é um pouco mais complicado, até porque não diz respeito apenas a esta Casa – é relativo à proposta de realização de uma nova CPMI sobre os movimentos sociais, não só o MST e os movimentos da Via, mas a todos os movimentos que lutam pelo direito à terra, ao trabalho e ao território neste País. Está posto. E é sabido por todos nós que as intenções por trás dessa proposta têm muito pouco a ver com a fiscalização de recursos públicos e muito mais a ver com o objetivo de criminalizar os movimentos que lutam por tais direitos. (Palmas.) Sabemos que é uma batalha difícil, mas é fundamental, se for possível, impedir mais essa CPMI. Quando assessor no Senado Federal, participei ativamente do processo da CPMI da Terra. Alguns Parlamentares não tinham nenhum interesse em investigar a malversação de recursos, simplesmente queriam barrar direitos e criminalizar lideranças para impedir a continuidade da luta por direitos. Isso se repete na CPI da ONGs que está acontecendo no Senado e, agora, quer se estender para a CPMI dos movimentos sociais. V.Exas. conhecem a Casa muito melhor do que eu e sabem dos caminhos difíceis que têm de ser percorridos para que essa CPMI não se instale, mas eu pediria um esforço – e estamos coletando assinaturas – para que, pelo menos, o requerimento seja ampliado com a inclusão de algumas entidades patronais que, na minha opinião, violam direitos e também utilizam recursos públicos. Acho importante o compromisso com o uso correto dos recursos públicos. Mas a questão não é essa. Estamos falando de criminalização dos movimentos por setores que também se utilizam de recursos públicos, inclusive nos processos de violação. Ao fazer esse apelo, estabeleço meu compromisso de, na condição de Relator, acompanhar, denunciar e apoiar os movimentos quilombolas e indígenas, os Terça-feira 23 43841 movimentos agrários e as entidades que lutam pelo direito à alimentação, como parte do compromisso desta Relatoria, de todos nós e da Plataforma. Obrigado a todos pelo apoio. Espero ter um mandato de sucesso. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Obrigado, Sr. Sérgio. A PEC do direito à alimentação foi aprovada ontem na Comissão Especial. Agora, quanto à sua tramitação no Senado, isso depende das Lideranças. São elas que estabelecem a pauta. Vamos ver com a Liderança do Governo a possibilidade de incluí-la com urgência na Ordem do Dia daquela Casa. Passo a palavra ao Sr. Darci Frigo, Coordenador da Plataforma DHESCA. O SR. DARCI FRIGO – Sr. Presidente, queremos apenas acrescentar que é um compromisso também da Plataforma. Conversamos hoje sobe o tema. Estamos com um seminário sobre planejamento em curso e vamos permanecer até amanhã exatamente para construir os planos de trabalho nas Relatorias. Um dos nossos compromissos é o de fazer gestões no sentido da aprovação da proposta também do Conselho Nacional de Direitos Humanos. Quero inclusive deixar uma solicitação à Casa, em nome da Plataforma e de todas as Relatorias, no sentido de que esse projeto possa ser aprovado o mais rápido possível. Poderia haver depois, no Conselho, câmaras de direitos econômicos, sociais e culturais e também a ideia de mecanismos de monitoramento, como as Relatorias. Por isso, no início, disse que vamos continuar com a tarefa de monitorar, de forma autônoma, os direitos humanos no País. Mas é fundamental que essa iniciativa também seja aprovada no Congresso Nacional, para que haja um conselho nacional de direitos humanos, que, inclusive, poderá monitorar a implementação do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos. De igual modo, será fundamental que, oportunamente, possamos ter uma audiência com esta Comissão, os Relatores e o Presidente da Câmara dos Deputados, para solicitar que esse projeto seja encaminhado para a devida aprovação pelo Plenário. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Obrigado, Sr. Darci. Registro a presença do Deputado Geraldo Thadeu. Peço desculpas aos Srs. Parlamentares e demais presentes, mas temos de realizar agora uma reunião ordinária para apreciar uma série de requerimentos e moções, e, às 16h, se houver Ordem do Dia no plenário, teremos de paralisar tudo. 43842 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. DEPUTADO PEDRO WILSON – Sr. Presidente, registro a presença de grupo de índios membros da Comissão Nacional de Política Indigenista, que aqui está representando todos os povos indígenas. São eles: Napielanja, de Roraima; Capitão Potiguara, da Paraíba, e Valéria, do Amapá. Na luta para aprovar o Estatuto dos Povos Indígenas, estão percorrendo a Casa para saber que Deputados participarão da votação desse Estatuto, que há tanto tempo está aqui (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Na reunião ordinária que V.Exa. vai presidir em seguida, esse assunto poderá ser apresentado, inclusive com a indicação da forma como esta Comissão poderá ajudar para que o Estatuto seja aprovado, e também quanto à constituição da Comissão. Estamos vendo aqui, Sauer, que vários Parlamentares da base ruralista querem tornar sem efeito os decretos do Presidente da República relativos a terras quilombolas e indígenas. Querem até sustar a portaria em que foi designada a comissão que vai analisar a questão do ponto de vista antropológico. E estão querendo fazer isso aqui também. Então, há uma luta toda para que possamos aprovar este Estatuto. Inclusive, há uma PEC no sentido de que qualquer demarcação de terra tenha de passar, primeiro, pelo Congresso Nacional. Dessa forma, vamos concluir a reunião, agradecendo a todos, sobretudo os Relatores que concluíram seu mandato, a presença. O SR. CRISTIANO MULLER – Sr. Presidente, um minuto. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Depois, V.Sa... O SR. CRISTIANO MULLER – Na verdade, represento o Relator de Direito à Cidade, Orlando Júnior, e peço apenas um minuto. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Não posso conceder a palavra a V.Sa. neste instante, porque, do contrário, atrapalharia a Ordem do Dia. O SR. CRISTIANO MULLER – Só um minuto, Sr. Presidente. Vim de Porto Alegre a Brasília apenas para fazer esta fala. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Ocorre que somente os Relatores podem falar. O SR. CRISTIANO MULLER – Mas, na condição de substituto, V.Exa. não poderia me dar somente um minuto? O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Tem a palavra V.Sa. por 1 minuto. O SR. CRISTIANO MULLER – Muito obrigado, Sr. Presidente. Agosto de 2011 Na verdade, para mim é uma honra e um prazer participar conjuntamente da Relatoria Nacional do Direito à Cidade. Sou do Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos, mas vou atuar como assessor dessa Relatoria, que tem voz nesta atividade. As cidades neste País estão doentes, passando por graves problemas, como déficit habitacional, concentração de terra, falta de infraestrutura, falta de saneamento básico e ambiental, problemas de conflitos fundiários. As cidades estão paradas, com problemas de mobilidade urbana. Não bastasse isso, as cidades também enfrentam enormes pressões decorrentes de megaprojetos. Está aí a Copa Mundial de 2014, que pode acarretar deslocamentos forçados de inúmeras comunidades. A cidade de São Paulo já está dando o exemplo de despejos administrativos contra comunidades e vilas inteiras. Então, é um prazer participar deste momento da Plataforma, denunciando essas questões. E é com essa vontade de participar que me proponho a trabalhar. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Muito obrigado, Sr. Cristiano. Mais uma vez, agradeço a todos a presença. Está encerrada esta audiência pública. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Havendo número regimental, declaro abertos os trabalhos. Leitura da ata da reunião anterior, realizada... O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Por ser desnecessária, uma vez que a ata está em nossas mãos, peço a dispensa de sua leitura, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Por solicitação do Deputado Chico Alencar, fica dispensada a leitura da ata. Antes da Ordem do Dia, passo a palavra, para um comunicado importante, ao ilustre Deputado Chico Alencar, que liderou um grupo de Parlamentares em uma manifestação na Embaixada de Honduras. Com a palavra o Deputado Chico Alencar. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Obrigado, Sr. Presidente, mas, primeiro, é preciso dizer que o direito humano de fazermos uma sessão ordinária da Comissão de Direitos Humanos tem de ser respeitado também. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Saúdo os membros Relatores da Plataforma DHESCA e peço silêncio para que ouçamos o importante comunicado do Deputado Chico Alencar. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Obrigado a todos. Quem tiver paciência, que ouça, porque talvez seja de interesse geral. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Sr. Presidente, agradeço a V.Exa. a possibilidade da preliminar. Na verdade, tenho um comunicado e uma solicitação a fazer a esta Comissão. O comunicado é o de que estivemos, com o Presidente Luiz Couto à frente, na Embaixada de Honduras, onde entregamos um documento, que esta Comissão já tem, assinado por Parlamentares do PT, PCdoB, PSB, PDT e PSOL, repudiando as agressões contra o Brasil, consubstanciadas no corte de luz, água e telefone do prédio da nossa Embaixada, em Tegucigalpa, e na manutenção – até este momento – de um cerco militar a essa Embaixada, pelo fato de a nossa Diplomacia, corretamente, como dissemos na nota, estar abrigando o Sr. Manuel Zelaya, Presidente constitucionalmente eleito daquele país. O Embaixador de Honduras não estava lá, mas, segundo a funcionária que nos recebeu, em tratamento de saúde em Tegucigalpa e impossibilitado de retornar às suas funções no Brasil, porque os aeroportos do país estão fechados. De qualquer forma, foi importante a manifestação e o protesto. E a solicitação, Sr. Presidente, é para que esta Comissão aprove moção de repúdio contra o Governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, que ontem fez reiteradas declarações – não foi apenas uma –, desrespeitando, inclusive, a própria função pública eletiva que exerce, caracterizando sua visão homofóbica e preconceituosa e também irresponsável apologia ao crime de estupro ao se referir a uma autoridade, no caso, o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Quem faz afirmações desse nível revela não ter estatura moral e intelectual para governar o generoso e operoso povo do Mato Grosso do Sul. Portanto, passo às mãos de V.Exa. essa sugestão para elaboração de uma moção, com encaminhamento a quem de direito, inclusive, ao próprio Ministro Carlos Minc, para mostrar que esta Comissão de Direitos Humanos não aceita esse tipo de declaração, que não é superada com o arrependimento posterior. O arrependimento, o pedido de desculpas, do ponto de vista dos direitos humanos, da cultura e do peso que a palavra de um Governador de Estado tem, não é eficaz. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Acolho o pedido de V.Exa. e passo a palavra ao ilustre Deputado Luiz Couto O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Sr. Presidente, há uma moção desta Comissão de Direitos Humanos de repúdio às ofensivas declarações do Governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, em relação ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. As ofensas desferidas pelo Governador evidenciam profundo desprezo aos direitos humanos, ainda Terça-feira 23 43843 que proferidas em tom de brincadeira, como justificou o Governador posteriormente em nota oficial. O Governador também manifestou preconceito contra homossexuais e postura extremamente agressiva em face da defesa do meio ambiente feita pelo Ministro Carlos Minc. Portanto, esta Comissão manifesta sua veemente condenação às expressões de preconceito e de apologia ao crime, de violência e de desapreço ao meio ambiente. Este o teor da moção que apresentamos para que seja votada. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Tem a palavra o Deputado Dr. Rosinha. O SR. DEPUTADO DR. ROSINHA – Sr. Presidente, a minha manifestação é no mesmo sentido das palavras do Deputado Luiz Couto. Qualquer cidadão que tenha lido as declarações do Governador André Puccinelli deve ter ficado assustado. É um absurdo esse tipo de declaração que faz nítida apologia ao crime – disse o Governador que, se encontrasse o Ministro Minc em Mato Grosso do Sul, o estupraria em praça pública. Esse linguajar demonstra também total insensibilidade em relação às vítimas de estupro, que são muitas no nosso País, e faz apologia ao estupro. Portanto, na minha concepção, o Governador cometeu um crime, não foi meramente uma brincadeira, como alegou depois. E mesmo que fosse uma brincadeira, ela teria embutido, pelo menos, preconceito, além do pensamento de quem a fez. Seria importante que o Governador procurasse um psicólogo para tratar de sua falta de equilíbrio e grande caráter homofóbico – e o digo porque S.Exa. usou uma expressão pejorativa ao se referir ao Ministro, dando a entender que o Ministro é homossexual. Foi essa a compreensão que restou da fala do Governador. Esta Comissão tem de se manifestar com veemência contra essa atitude, como o está fazendo, e com rapidez, para cobrar do Governador Puccinelli um mea‑culpa, porque dizer que foi uma brincadeira é não assumir o que disse. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Havendo manifestação favorável de todos, acolho o requerimento apresentado de forma extraordinária. Submeto o requerimento à aprovação dos Deputados, para que a Comissão se manifeste sobre as duas moções: a primeira com relação à declaração do Governador do Mato Grosso do Sul; a segunda sobre o técnico do Goiás Esporte Clube. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Sr. Presidente, destacando que as declarações de um técnico de futebol, embora de clube muito exitoso – inclusive é 43844 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS o time pelo qual V.Exa. torce – alcança uma dimensão muito menor do que as idiotices criminosas proferidas por uma autoridade pública que exerce função eletiva. E até o tom do técnico, embora preconceituoso, homofóbico, como é predominante no ambiente do futebol, foi mais ameno. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Consulto os colegas Deputados sobre se podemos fazer as duas moções, tendo em vista a gravidade do fato. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Claro, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Faremos, então, as duas moções e as remeteremos aos responsáveis, levando em consideração a diferença de alcance e tudo mais. V.Exas. concordam? O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Concordo, Sr. Presidente. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Sr. Presidente, não sei se é praxe, mas, no caso, como há uma vítima da apologia do crime e do preconceito do Governador do Mato Grosso do Sul, poderíamos mandar também uma cópia dessa moção para o Ministro Carlos Minc, num tom de desagravo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Está bem. Aceitas as recomendações. Aqueles que forem favoráveis à aprovação das moções permaneçam como se encontram. (Pausa.) Aprovadas. A Comissão encaminhará a quem de direito as duas moções O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR – Sr. Presidente, peço a V.Exa. que também mande a moção ao técnico do Goiás também aos jogadores do Flamengo, que são mais abertos, mais liberais, mais elevados e se sentiram agredidos por essa manifestação preconceituosa. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Permitam-me, Deputados Chico Alencar e Luiz Couto, parabenizar a Comissão que oficializa à Embaixada de Honduras manifestação de repúdio do Brasil ao golpe militar naquele país. Protestamos também diante do cerco e da interferência no território brasileiro, que é o território da Embaixada brasileira em Honduras. Estão incluídos no manifesto o nome deste e dos Deputados Chico Alencar, Luiz Couto, Veloso, Janete Rocha Pietá e Dr. Rosinha. Há mais algum nome de Deputado que podemos incluir? A SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Tem V.Exa. a palavra. A SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ – Sr. Presidente, apoio todas as moções, inclusive já Agosto de 2011 assinei na Comissão de Relações Exteriores moção de apoio ao Ministro Minc. Mas desejo registrar que hoje, ao meio-dia, houve uma manifestação promovida pelas religiões de matriz africana. Infelizmente, em Goiás e, especificamente aqui, no Distrito Federal, tem havido violência em relação aos terreiros da Mãe Baiana e da Mãe Vera. Na Praça dos Orixás, todos as imagens foram quebradas. Mães baianas e mães-de-santo lavaram hoje a entrada do Congresso Nacional. Diante disso e das várias agressões que têm ocorrido nesta cidade, solicito seja também encaminhada às entidades atingidas moção de solidariedade, tendo em vista o grande preconceito e a intolerância religiosa existentes no Distrito Federal e em todo o Brasil. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Manifesto nossa solidariedade às entidades religiosas e acolho a solicitação de V.Exa. relativa à moção que deverá ser encaminhada às religiões de matriz africana que estiveram hoje pela manhã neste Congresso Nacional, em defesa não só da tolerância, mas também do respeito da sociedade. Muitas vezes, a tolerância pode ser vista de forma disfarçada, mas devemos respeitar as manifestações religiosas de matrizes africanas que ainda hoje são reprimidas, por serem consideradas fora dos padrões das igrejas cristãs. O pedido de V.Exa. veio em boa hora. Por isso vamos encaminhá-lo à comunidade, aos manifestantes e às entidades. Ordem do Dia. Requerimento nº 97, de 2009, de autoria dos Deputados Chico Alencar e Ivan Valente. A SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ – Sr. Presidente, peço para subscrever o requerimento. Inclusive, estou acompanhando a questão em São Paulo. E estive presente na manifestação que houve... O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – V.Exa. subscreve? A SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ – Subscrevo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Requerimento nº 97, de 2009, de autoria dos Deputados Chico Alencar, Ivan Valente e Janete Rocha Pietá, que “requer, nos termos regimentais, a realização, pela Comissão de Direitos Humanos e Minoria, de audiência pública com finalidade de discutir as graves denúncias de prática de racismo, violência e agressão contra o Sr. Januário Alves de Santana, ocorrida nas dependências do hipermercado Carrefour, no Estado de São Paulo”. Com a palavra a Deputada Janete Rocha Pietá. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS A SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ – Sr. Presidente, em primeiro lugar, o que ocorreu foi algo absurdo. O Sr. Januário, trabalhador da Universidade de São Paulo – USP, que estava com sua família no hipermercado Carrefour, foi agredido simplesmente porque os seguranças acharam que o Ford Ecosport não era dele e que ele estava em atitude suspeita de tentativa de roubo do carro. Será que pela cor de sua pele, o Januário não teria condições de ter um carro daqueles? É um absurdo uma atitude dessas. Acompanhei o caso na minha cidade e por isso subscrevi o requerimento. E, mais: estive numa manifestação de repúdio a esse fato organizada pelo movimento negro da região oeste de São Paulo – Osasco situa-se próximo à região oeste de São Paulo. O Carrefour pediu desculpas pelo ocorrido, porém foi uma desculpa meio constrangida, e, diante dessa manifestação, aceitou inclusive que representantes do movimento negro participassem das discussões, uma vez que a empresa alega que não é preconceituosa e, repetindo o discurso, que tem funcionários negros etc. Nesse caso, porém, constatou-se grande violência, não só porque foi chamada a Polícia Militar, mas porque o Januário foi agredido. Há 15 dias, quando lá estive, ele estava em casa, muito deprimido com a violência que sofreu. Portanto, considero de suma importância a realização dessa audiência pública, e que possamos também trazer os informes dos procedimentos. Aliás, mandei uma carta à sede do Carrefour, em São Paulo. De qualquer maneira, endosso o requerimento, acho de suma importância que uma audiência a respeito seja realizada nesta Comissão de Direitos Humanos, que defende que todos somos iguais perante a lei e que não pode mais ocorrer qualquer tipo de discriminação no País. Racismo é crime. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Em discussão. (Pausa.) Não havendo mais quem queira se manifestar, em votação. Aqueles que forem favoráveis permaneçam como se encontram. (Pausa.) Aprovado. Requerimento nº 98, do Sr. Deputado Domingos Dutra e subscrito pelo Deputado Luiz Couto, que “requer realização de audiência pública para debater os efeitos sociais da instalação do Centro de Lançamento de Alcântara, no Estado do Maranhão.” Em discussão. (Pausa.) Não havendo quem queira se manifestar, em votação. Terça-feira 23 43845 Aqueles que forem favoráveis permaneçam como se encontram. (Pausa.) Aprovado. Requerimento nº 99, do Sr. Deputado Luiz Couto, Deputada Iriny Lopes e outros que “requer, nos termos regimentais, a realização pela Comissão de Direitos Humanos e Minoria da I Conferência Livre de Comunicação da Câmara dos Deputados, como etapa preparatória da I Conferência Nacional de Comunicação – CONFECON, a ocorrer em Brasília, nos dias 1, 2 e 3 de dezembro deste ano.” Em discussão. O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Sr. Presidente, solicitamos à Comissão de Direitos Humanos a reunião da I Conferência Livre de Comunicação da Câmara dos Deputados por sabermos que há grande resistência dos empresários da comunicações. Certamente, essa conferência será o momento de debatermos todos os temas, independente dos temas que não querem colocar em discussão. Eles querem aprovar alguns temas conflitantes, mas deixando de fora alguns aspectos tratados no passado. Querem apenas pensar no futuro. Esquecem eles que durante muito tempo vivemos um processo de dominação por parte de algumas famílias, e nós queremos a democratização dos meios de comunicação. A proposta da data da conferência é 22 de outubro. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Em discussão. (Pausa.) Não havendo quem queira se manifestar, em votação. Aqueles que forem favoráveis permaneçam como se encontram. (Pausa.) Aprovado. Requerimento nº 101, do Sr. Deputado Luiz Couto, que requer a realização de audiência pública para debater com o Procurador-Geral de Justiça da Paraíba e outras autoridades públicas ocorrências de graves violações de direitos humanos no Estado típicas de crime organizado, como execuções sumárias, desaparecimentos forçados e pistolagem, entre outras. Em discussão o Requerimento nº 101. O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Estive nesta segunda-feira com o Procurador. Ele é um homem que se coloca na perspectiva do respeito aos direitos humanos. Quando o novo Procurador Oswaldo Trigueiro assumiu o cargo, quis encaminhar um relatório ao STJ sobre a federalização do crime que resultou na morte de Manoel Mattos e também dos crimes de extermínio ocorridos na divisa, mas a procuradora que ocupava o cargo anteriormente já havia encaminhado relatório 43846 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS desfavorável à federalização dos crimes de extermínio naquela região. Para os senhores verem a importância da federalização, informo que ontem pela manhã 2 pessoas foram executadas, outra foi baleada e se encontra hospitalizada. Isso mostra que não é verdade o que foi dito pela procuradora-chefe: que a questão estava resolvida, que havia estabelecido convênio com o Ministério Público de Pernambuco e com a Polícia Federal da Paraíba e que tudo estava em ordem. Portanto, é importante a realização dessa audiência pública. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Em discussão. (Pausa.) Não havendo quem queira se manifestar, em votação. Aqueles que forem favoráveis permaneçam como se encontram. (Pausa.) Aprovado. Requerimento nº 100, de 2009, deste Deputado. Solicito à Deputada Janete Rocha Pietá que assuma a Presidência para que eu possa discutir o requerimento de minha autoria. A SRA. PRESIDENTA (Deputada Janete Rocha Pietá) – Requerimento nº 100, de 2009, do Sr. Deputado Pedro Wilson, que requer o deslocamento de representantes da Comissão de Direitos Humanos e Minorias a Belém do Pará, em outubro próximo, para participar da Conferência Internacional de Direitos Humanos, promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil, e manter audiências com autoridades públicas daquele Estado para tratar de casos objetos de acompanhamento deste colegiado. Em discussão. O SR. DEPUTADO PEDRO WILSON – Sra. Presidenta, fomos convidados para participar dessa conferência internacional. Também temos acompanhado alguns casos. Inclusive, o Deputado Luiz Couto esteve lá recentemente. Há o caso do julgamento do assassinato da missionária Dorothy Stang; há o caso recorrente de Eldorado dos Carajás, desde 1986, 1987, e não foi concluído o julgamento; há o caso de um funcionário desta Casa, Amarildo, que faleceu num estranho desastre no Estado do Pará – estava de licença, mas realizava investigações sobre pedofilia, tráfico de crianças e adolescentes; há o caso denunciado pela Igreja, de abuso sexual contra crianças e adolescentes; e há o caso de um prisioneiro que se encontra lá há 9 meses, sem julgamento. A Comissão está acompanhando esses casos. Como estarei em Belém, aproveitarei para ver o seguimento dessas ações que visam acabar com a impunidade. Agosto de 2011 A SRA. PRESIDENTA (Deputada Janete Rocha Pietá) – Continua em discussão. (Pausa.) Não havendo mais quem queira se manifestar, em votação. Aqueles que forem favoráveis ao requerimento permaneçam como se encontram. (Pausa.) Aprovado por unanimidade. O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Sra. Presidenta, o Deputado Domingos Dutra e eu, representando esta Comissão, juntamente com o Deputado Pompeu de Mattos, estivemos no Rio Grande do Sul. Fizemos o relatório das nossas diligências. É importante que ele seja lido, porque tem algumas recomendações que devem ser aprovadas por esta Comissão. Solicito que, depois de aprovados os requerimentos, façamos a leitura do relatório, embora cada membro da Comissão já tenha recebido uma cópia dele. É importante que esta Comissão o aprove e o encaminhe às autoridades. O primeiro caso é muito emblemático: a morte do ex-Presidente João Goulart. Segundo o Sr. Mário, o ex-Presidente foi vítima de envenenamento. Ele fornece elementos importantes. Precisamos retomar a questão. Estivemos com ele. Todo o depoimento dele está gravado e filmado. Depois nós o apresentaremos aqui. São importantes as declarações do Sr. Mário Neira Barreiro, ex-agente do serviço secreto do Uruguai, que está preso em regime aberto no presídio de Pio Buck. Chamamos a atenção, primeiro, para o fato de que tivemos autorização do Sr. Álvaro Cardoso Lazarino, que providenciou um lugar fechado. O diálogo foi gravado em vídeo. Além da presença dos Srs. Deputados acima elencados, também compareceram o Deputado Estadual Dionilso Marcon; uma equipe da Comissão de Direitos Humanos de Porto Alegre; o conselheiro e advogado Jair Kirschke; o Sr. Christopher Goulart, neto do ex-Presidente João Goulart. Durante 3 horas de conversa gravada em áudio e vídeo, que será transcrita, o interno Mário Neira Barreiro contou em detalhes sua participação como agente do serviço secreto do Uruguai, no qual garantiu ter trabalhado durante 17 anos. De 1967 a 1969, durante quase 3 anos, contou ele ter sido escalado para a Operação Escorpião, que tinha como objetivo monitorar os brasileiros que viviam no Uruguai, exilados pela ditadura militar. Incluíam-se aí brasileiros comuns e famosos, como Brizola e o ex-Presidente João Goulart. De acordo com Barreiro, a Operação Escorpião era realizada em conjunto com os Governos do Uruguai e do Brasil – chamo a atenção para o fato. E a monitoração dos rebeldes exilados era feita por agentes Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS uruguaios, a pedido do Governo brasileiro, que tinha na Presidência da República o General Ernesto Geisel. Barreiro garante que coube a ele fazer a vigilância de João Goulart, seguindo seus passos, colocando escutas em sua residência e sítio e também nos telefones que pertenciam ao ex-Presidente e que eram utilizados por ele e sua família. Ele disse que todas as repartições da casa tinham escuta. No banheiro ou em qualquer lugar, as conversas eram monitoradas. Sabiam de todas as informações. Até no quarto de dormir do casal havia escuta. Para dar veracidade à sua fala, Barreiro deu aos Deputados detalhes de algumas conversas na casa, como na ocasião em que a esposa de João Goulart, Maria Tereza, ligou para um local para penhorar jóias, visto que o ex-Presidente estava fora e se esqueceu de deixar recursos para pagamento de despesas familiares. Outros detalhes de outras conversas particulares da família foram narrados pelo ex-agente uruguaio e vão aparecer no vídeo que deveremos trazer. Contou Barreiro que tudo que acontecia e era falado na casa, e também as saídas de João Goulart, era anotado e repassado para os chefes da Operação Escorpião. Disse ele que, em 1969, João Goulart estava articulando sua volta ao Brasil para enfrentar os militares, o que não agradou o Governo brasileiro. Este teria decidido, então, eliminar João Goulart. Em determinada data, que ele não precisou, seu superior pediu a ele que fosse buscar o ex-delegado do DOPS, Sérgio Paranhos Fleury, que estava chegando ao Uruguai. Barreiros disse que tinha uma forte amizade com Fleury, que foi levado a uma base militar do Uruguai para se encontrar com o coronel chefe da Operação Escorpião para uma reunião, da qual ele, Barreiro, a pedido de Fleury, também participou. Informado dos detalhes do Plano R, Plano Retorno, de João Goulart, pelo Coronel Fleury, teria ordenado que João Goulart fosse impedido de seguir com seu plano e que fosse eliminado. Disse que a ordem havia sido dada a ele pelo General Ernesto Geisel. Alguns dias depois, disse Barreiro, João Goulart estava morto. O motivo da morte, como já disseram alguns órgãos de imprensa, teria sido envenenamento. Um médico especialista em química e venenos – aprendeu a profissão com o próprio pai – ficou encarregado de fazer uma mistura venenosa em forma de comprimido, que seria colocada em frascos de remédios que João Goulart tomava todas as noites. Segundo ele, João Goulart deixava esses frascos em qualquer lugar. Esquecia-os em todo lugar. O que foi feito? Agentes conseguiram entrar na casa do ex-Presidente – segundo ele, a vigilância ali Terça-feira 23 43847 era muito fraca – e colocaram comprimidos envenenados nos recipientes de remédios. E foi levado a óbito o ex-Presidente João Goulart, ao tomá-los alguns dias depois de colocados nos frascos. Provas do que contou. Barreiro se dispôs a entregar todas as anotações – mais de 300 páginas, segundo ele —, que guarda, com nomes, cargos, datas, detalhes importantes e informações adicionais sobre o assunto, para que se possa fazer uma investigação detalhada e minuciosa. Em troca, pede a garantia de conseguir cidadania e documentos brasileiros para que possa fixar-se aqui, ao lado da esposa e do filho brasileiros. Eles atualmente moram no Uruguai. Em 2012 terminará a pena dele e terá de ser deportado. Pelo fato de ter casado, antes mesmo de ser preso, com uma brasileira e de ter um filho, está... As organizações de direitos humanos de Porto Alegre ficaram de identificar essa situação e encontrar uma saída para o problema. Por ser estrangeiro e ter cometido crime em solo brasileiro – um assalto a banco, o que ele diz que não fez –, em Porto Alegre, Barreiro tem de ser extraditado tão logo sua pena termine, o que não deseja. Por isso, oferece em troca de sua permanência no Brasil fornecer as informações completas e os dados que tem. Ao final do encontro, o neto do ex-Presidente João Goulart, Christopher Goulart, mostrou-se disposto a pedir ao Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul a exumação do corpo do avô, na tentativa de que exames detectem se há vestígio de veneno. Barreiro diz que o veneno tinha duração no organismo humano de apenas 48 horas. Afirmou que o traslado do corpo de João Goulart ao Brasil demorou a ser feito, para que essas 48 horas se passassem e o veneno se dissipasse no corpo, caso alguém no Brasil decidisse fazer a autópsia. Mas em solo brasileiro não houve autópsia do corpo. O caixão chegou lacrado e assim ficou durante o velório por impedimento das forças de segurança. Sobre a conversa com Barreiro, é necessário aprofundar as investigações para que se esclareçam as circunstâncias da morte do ex-Presidente João Goulart, já que ficaram muitas dúvidas sobre o caso. Entendem que Barreiro fala com firmeza a com ricos detalhes, dando nomes de pessoas envolvidas. Muitas delas já estão mortas. Outras ainda estão vivas. Inclusive, ele citou o nome de algumas pessoas que seriam dedos-duros, ou seja, estariam infiltradas em organizações de esquerda e serviriam às organizações do serviço secreto do Uruguai e do Brasil. Essas pessoas que ainda estão vivas podem contribuir para o esclarecimento da verdade histórica. 43848 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS A fim de aprofundar as investigações, tornam-se necessárias viagens ao Uruguai, Argentina e Chile para exames dos documentos da época da ditadura – em especial ao Uruguai, em busca de informações da Operação Escorpião. O escorpião é um animal peçonhento que, ao picar, mata a vítima por envenenamento. Estive recentemente na Costa Rica e tive oportunidade de conversar com 2 Deputadas do Uruguai, que disseram ter mais informações. Vamos entrar em contato com elas. Propostas para a continuidade das investigações. Diante da imperiosa necessidade de esclarecimento sobre as circunstâncias da morte do ex-Presidente da República, são necessárias as seguintes providências: 1 – Marcar audiência com o Presidente da Câmara Federal, Deputado Michel Temer, a fim de obter condições materiais e humanas para a continuidade das investigações pela Comissão de Direitos Humanos. Sr. Presidente, nós, Parlamentares, não podemos levar sequer um secretário para fazer um relatório – não é concedida a passagem –, para que tenhamos todas as condições. O Deputado Domingos Dutra precisou contratar uma empresa que trabalhou durante a CPI do Sistema Carcerário para gravar e filmar a fala do Sr. Barreiro. É necessário que a Mesa Diretora dê essas condições. 2 – Marcar audiência com o Ministro da Justiça e o Itamaraty, visando debater a conveniência, a oportunidade e o interesse de compartilhar ações, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre a morte do ex-Presidente João Goulart, especialmente o acesso aos arquivos do serviço de informações do Uruguai, Paraguai, Chile e Argentina. 3 – Realizar pesquisas sobre os arquivos do extinto Serviço Nacional de Informações – SNI e do Departamento de Ordem Política e Social – DOPS. 4 – Consultar especialistas em Medicina Legal se ainda é possível constatar tecnicamente a existência de veneno nos restos mortais do ex-Presidente. O neto aceita inclusive pedir a exumação para verificar essa situação. 5 – Levantar nomes de parentes, colegas de trabalho e amigos das principais personalidades públicas envolvidas no suposto assassinato. 6 – Retornar a Porto Alegre para novos contatos com o preso Mário Neira Barreiro. Agosto de 2011 Essa é a síntese do que fizemos nessa diligência. O segundo compromisso, Sr. Presidente, foi visitar o Presídio Central de Porto Alegre. Após ter contato com Mário Neira Barreiro, a Comissão dirigiu-se ao Presídio Central de Porto Alegre. Foi recebida pelo diretor do presídio, o Tenente-Coronel Jainer Pereira Alves, da Brigada Militar, responsável pela administração e segurança. Em diligências à unidade, os Deputados puderam comprovar que, em relação ao que foi visto na diligência de 2008, o presídio apresentou algumas melhoras, como a desativação da ala superior, chamada de “a masmorra do século XXI”, que está sendo reformada, e também a modernização da cozinha do presídio, cujos utensílios domésticos antigos foram trocados por novos. Também foram comprados novos equipamentos na área da saúde, como uma moderna máquina para exames mais rápidos de detecção de tuberculose, doença que atinge 5% dos detentos. A AIDS, segundo o diretor, está presente em 10% da população carcerária de lá. Quanto à parte física do presídio, permanecem os problemas de goteiras, infiltrações e gambiarras, de fios por toda parte. Mas a limpeza é bem maior, e as paredes foram recentemente pintadas – pelo menos a do corredor que dá acesso às celas. Também houve melhoras no sistema de segurança, já que foi instalada máquina de raios X para impedir a entrada de armas e celulares. Em relação aos celulares, disse o Tenente-Coronel Jainer que o número de aparelhos que entram no presídio diminuiu bastante, embora tudo se faça para tentar adentrá-los, como jogá-los pelo muro ou enviá-los em partes, por meio de pombos-correio. Informou ainda que cada preso custa mensalmente 750 reais. Quanto à superlotação da cadeia, nada mudou. Há 4.730 presos – 2 mil deles provisórios – para 2.069 vagas. Não há trabalho para os presos, e apenas 160 deles estudam. A inexistência de trabalho e qualificação revela a falência da política de ressocialização, causa principal da reincidência. O Relator, Deputado Domingos Dutra, sugere que a Comissão de Direitos Humanos fiscalize a concretização das recomendações da CPI do Sistema Carcerário. Oitiva da Sra. Ivone da Cruz. Ainda em Porto Alegre, o Relator, Deputado Domingos Dutra, localizou e ouviu a Sra. Ivone da Cruz, vítima da violência atribuída a policiais. Acompanhada de 2 filhos e de seu advogado, Dr. Volnei Oliveira, a Sra. Ivone da Cruz informou o seguinte: A – Que trabalhava como doméstica da Sra. Ocacilda, conhecida pelo apelido de Vó Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Chininha, avó da Sra. Rejane Bergonsi, esposa do Delegado Luiz Fernando Corrêa. B – Que no dia 20 de março de 2001 ocorreu um assalto na casa em que trabalhava, promovido por 2 assaltantes, os quais renderam as 2 em um dos cômodos da casa. C – Que 2 dias depois do assalto a informante foi levada por 2 homens em um carro para um prédio que a mesma identificou como sendo da Polícia Civil. D – Que naquele prédio a mesma permaneceu de 12h às 18h em uma sala, sendo submetida a sessões de tortura, principalmente na cabeça. E – Que a mesma usava remédio controlado, em face de problemas mentais, ficando sem a medicação durante o período em que esteve sob tortura. F – Que, em face das torturas e da falta de medicação, veio a perder a visão, ficando incapacitada para o exercício de sua profissão. Inquérito. O Relator tentou obter da Sra. Ivone da Cruz informações que levassem à identificação de seus agressores e às responsabilidades ativas ou passivas do Delegado Luiz Fernando Corrêa, à época, Delegado da Polícia Federal em Porto Alegre. A – Apesar do esforço do Relator, não se obteve o êxito desejado, uma vez que a Sra. Ivone não soube informar se os ladrões assaltaram outros apartamentos no mesmo prédio, naquela noite, ou se foram presos. B – Como era recém-chegada em Porto Alegre, a Sra. Ivone da Cruz não conseguiu identificar o local onde foi torturada. C – Como perdeu a visão, tornou-se impossível identificar os agressores. D – Os vizinhos que presenciaram sua condução pelos supostos policiais negam-se a testemunhar. E – O filho que presenciou o fato foi recentemente assassinado em condições estranhas. A situação da Sra. Ivone da Cruz é lamentável, em consequência das torturas sofridas. No entanto, diante desse fato, inexistem indícios na direção do envolvimento do Delegado Luís Fernando Corrêa nas lamentáveis ocorrências que vitimaram a Sra. Ivone da Cruz, sendo correta a decisão desta Comissão, que rejeitou o requerimento de convocação da autoridade policial. Esse é o relatório que o Deputado Domingos Dutra elaborou. Pedimos a sua aprovação e o seu encaminhamento às autoridades do Ministério da Justiça, Terça-feira 23 43849 ao próprio Sr. Luís Fernando e também ao Presidente da Casa, uma vez que há solicitação ao Ministério da Justiça, enfim a todas as autoridades que estejam, de certo modo, envolvidas na elucidação desses fatos narrados pela nossa diligência no Rio Grande do Sul. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Agradeço ao ilustre Deputado Luiz Couto. Tornamos oficial esse relatório pela Comissão, agradecendo a V.Exas., Deputados Domingos Dutra e Pompeo de Mattos. Gostaria de designar V.Exa., os Deputados Domingos Dutra e Pompeo de Mattos para, junto com a Presidência e a Secretaria, tomarem as providências, fazerem os encaminhamentos do relatório às autoridades constituídas indicadas, vendo a possibilidade de ações desta Comissão no Chile, na Argentina e no Uruguai. Essa discussão já foi feita em vários lugares da Câmara dos Deputados e do Brasil. É importante desvelar um pouco a chamada Operação Condor, que foi o “guarda-chuva” de toda essa situação. Então, fica designada a Comissão, que vai encaminhar o relatório a quem de direito. O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Solicito o encaminhamento, uma vez que o relatório é público, aos órgãos de comunicação da Casa: TV Câmara, Rádio Câmara, Agência Câmara, Jornal da Câmara... O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Acatamos a sugestão de V.Exa.. Convoco os Srs. Deputados para audiência pública amanhã, dia 24 de setembro, às 9h30min, no Plenário 11, com a finalidade de discutir o tema Prescrição e responsabilização de crime de tortura praticado durante o regime militar, com a presença dos seguintes expositores: Dr. Antônio Modesto da Silveira, ex-Deputado Federal, encaminhador da Lei de Anistia; Dr. Fábio Konder Comparato, representante do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB; e Dr. Paulo Abrão, Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Todas as presenças estão confirmadas. Nada mais havendo a tratar, declaro encerrada a presente reunião. Convoco‑os para a reunião que será realizada amanhã, às 9h30min. COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS 53ª Legislatura – 3ª Sessão Legislativa Ordinária ATA DA 30ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA, REALIZADA EM 23 DE SETEMBRO DE 2009. Às quatorze horas e trinta e um minutos do dia vinte e três de setembro de dois mil e nove, reuniu-se a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, no Anexo II, 43850 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Plenário 09 da Câmara dos Deputados, com a presença dos Senhores Deputados Luiz Couto – Presidente; Pedro Wilson e Geraldo Thadeu – Vice-Presidentes; Chico Alencar, Domingos Dutra, Janete Rocha Pietá, Pompeo de Mattos e Veloso – Titulares; Antonio Bulhões, Dr. Rosinha, Eduardo Barbosa, Luiz Alberto, Paulo Rubem Santiago e Uldurico Pinto – Suplentes. Compareceu também o Deputado Professor Victorio Galli, como não-membro. Deixaram de comparecer os Deputados Cleber Verde, Edmar Moreira, Lucenira Pimentel, Miguel Martini, Pastor Pedro Ribeiro e Suely. ABERTURA: Havendo número regimental, o senhor 1º Vice-Presidente, Deputado Pedro Wilson, declarou abertos os trabalhos e colocou à apreciação as Atas das reuniões realizadas nos dias 09 e 16 de setembro de 2009. Em votação, as Atas foram aprovadas. INFORMES DOS DEPUTADOS: O Deputado Chico Alencar comunicou que participou, juntamente com o Deputado Luiz Couto e outros parlamentares, do manifesto realizado em frente da Embaixada de Honduras, onde entregaram um manifesto de repúdio às ações do governo golpista comandado por Roberto Micheletti contra a representação brasileira no país. A seguir, solicitou que a Comissão de Direitos Humanos e Minorias aprovasse uma moção de repúdio às declarações ofensivas do Governador do Estado do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, contra o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. O Deputado Luiz Couto fez a leitura da moção formulada pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias contra as declarações do Governador do Estado do Mato Grosso do Sul. O Deputado Dr. Rosinha também repudiou àquelas declarações. Em votação, a moção foi aprovada por unanimidade dos presentes. Logo após , o Deputado Pedro Wilson submeteu a votação moção de repúdio às declarações homofóbicas do técnico de futebol do Goiás Esporte Clube, Hélio dos Anjos. Em votação, a moção foi aprovada por unanimidade dos presentes. ORDEM DO DIA: A – Requerimentos: 1 – REQUERIMENTO Nº 97/09 – dos Srs. Chico Alencar, Ivan Valente e Janete Rocha Pietá - que “requerem, nos termos regimentais, a realização, pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, de audiência pública com a finalidade de discutir as graves denúncias de prática de racismo, violência e agressão contra o Sr. Januário Alves de Santana, ocorridas nas dependências do Hipermercado Carrefour, no município de Osasco/SP”. Em discussão, a Deputada Janete Rocha Pietá fez uso da palavra. Em votação, o requerimento foi aprovado por unanimidade dos presentes. 2 – REQUERIMENTO Nº 98/09 – do Sr. Domingos Dutra e Luiz Couto - que “requerem a realização de audiência pública para debater os efeitos sociais da instalação do Centro de lançamento de Alcântara no Estado do Maranhão”. Em discussão, ninguém fez uso da palavra. Em votação, o requerimento foi aprovado Agosto de 2011 por unanimidade dos presentes. 3 – REQUERIMENTO Nº 99/09 – do Sr. Luiz Couto e outros – que “requerem, nos termos regimentais, a realização, pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, da I Conferência Livre de Comunicação da Câmara dos Deputados, como etapa preparatória da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), a ocorrer em Brasília(DF), de 1º a 3 de dezembro do corrente ano”. Em discussão, o Deputado Luiz Couto fez uso da palavra. Em votação, o requerimento foi aprovado por unanimidade dos presentes. 4 – REQUERIMENTO Nº 100/09 – do Sr. Pedro Wilson – que “requer o deslocamento de representantes da Comissão de Direitos Humanos e Minorias a Belém do Pará, em outubro próximo, para participar da Conferência Internacional de Direitos Humanos, promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil, e manter audiências com autoridades públicas daquele Estado para tratar de casos objeto de acompanhamento deste colegiado”. Em discussão, o Deputado Pedro Wilson fez uso da palavra. Em votação, o requerimento foi aprovado por unanimidade dos presentes. 5 – REQUERIMENTO Nº 101/09 – do Sr. Luiz Couto – que “requer a realização de audiência pública para debater, com o procurador-geral de Justiça da Paraíba e outras autoridades públicas, ocorrências de graves violações de direitos humanos no Estado típicas de crime organizado, como execuções sumárias, desaparecimentos forçados e pistolagem, entre outras”. Em discussão, o Deputado Luiz Couto fez uso da palavra. Em votação, o requerimento foi aprovado por unanimidade dos presentes. A seguir, o Deputado Luiz Couto apresentou o relatório das diligências realizadas no estado do Rio Grande do Sul, elaborado pelo Deputado Domingos Dutra, que tratou do caso da morte do ex-presidente João Goulart, inspecionou as condições do Presídio Central de Porto Alegre e realizou oitiva com a Sra. Ivone da Cruz. As recomendações sugeridas pelo relatório foram acatadas pela Comissão e serão encaminhadas às autoridades constituídas e indicadas. Nada mais havendo a tratar, a presente reunião foi encerrada às dezesseis horas e dezenove minutos. E, para constar, eu, Márcio Marques de Araújo, lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Luiz Couto, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados. COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS 53ª Legislatura – 3ª Sessão Legislativa Ordinária ATA DA 39ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA, AUDIÊNCIA PÚBLICA, REALIZADA EM 18 DE NOVEMBRO DE 2009. Às quatorze horas e cinquenta e cinco minutos do dia dezoito de novembro de dois mil e nove, reuniu-se Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, no Anexo II, Plenário 09 da Câmara dos Deputados, com a presença dos Senhores Deputados Luiz Couto – Presidente; Pedro Wilson e Cleber Verde – Vice-Presidentes; Chico Alencar, Janete Rocha Pietá, Lucenira Pimentel, Pompeo de Mattos, Suely e Veloso – Titulares; Antonio Bulhões, Eduardo Barbosa, Iriny Lopes, Janete Capiberibe, Luiz Alberto, Paes de Lira, Paulo Henrique Lustosa e Paulo Rubem Santiago – Suplentes. Compareceu também o Deputado Marcelo Serafim, como não-membro. Deixaram de comparecer os Deputados Domingos Dutra, Edmar Moreira, Geraldo Thadeu, Miguel Martini e Pastor Pedro Ribeiro. ABERTURA: O Deputado Pedro Wilson declarou abertos os trabalhos. ORDEM DO DIA: Reunião de Audiência Pública. TEMA: Debater o sistema de cotas para Afrodescentes nas universidades públicas. EXPOSITORES: Sra. Jacira da Silva – Coordenadora Nacional do Movimento Negro Unificado – MNU; Sra. Déborah Santos – Coordenadora do Centro de Convivência Negra da Universidade de Brasília; Sr. Mário Theodoro – Diretor da Diretoria de Estudos, Cooperação Técnica e Políticas Internacionais do IPEA; Sr. Nelson Inocêncio – Conselheiro do Conselho de Defesa dos Direitos dos Negros da Secretaria de Justiça dos Direitos Humanos e Cidadania do DF. Dando início à audiência pública, a Presidência concedeu a palavra aos convidados para apresentação de suas considerações acerca do tema. Tendo em vista o início da Ordem do Dia do Plenário da Casa, o Presidente encerrou a presente reunião, após as exposições, às dezesseis horas e quinze minutos. O inteiro teor foi gravado, passando o arquivo de áudio a integrar o acervo documental desta reunião para degravação mediante solicitação escrita. E, para constar, eu, Márcio Marques de Araújo, lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Luiz Couto, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Declaro abertos os trabalhos da presente reunião de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos, com a finalidade de debater as propostas de implantação do sistema de cotas raciais para afrodescendentes nas universidades públicas brasileiras, uma realização em parceria com a Ouvidoria Parlamentar da Câmara dos Deputados. A iniciativa em epígrafe foi motivada pelo pedido formal do Conselho de Defesa dos Direitos dos Negros e da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal, por meio da Ouvidoria Parlamentar, e ainda pela clara percepção de que a temática Sistema de Cotas é um assunto que se tem debatido exaustivamente, para que a sociedade tenha Terça-feira 23 43851 consciência plena da dívida que a Nação tem com os negros brasileiros, em decorrência de sua condição de escravos e, posteriormente, de libertos sem separação. Reconhecer o direito dos negros brasileiros ao uso do sistema de cotas tornou-se imperativo e imprescindível para a superação das profundas desigualdades sociais e raciais. Nesse contexto, entendemos ser da maior importância a realização deste debate. A realização deste evento atende a requerimento de iniciativa do Deputado Luiz Couto, Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Antes de dar início ao evento, gostaria de comunicar aos Srs. Deputados que esta Comissão designa os Deputados Luiz Alberto e Janete Rocha Pietá para constituírem delegação especial que representará a Comissão por ocasião das comemorações do Dia de Zumbi dos Palmares, a realizar-se na cidade de Salvador, na Bahia. O Cerimonial será devidamente comunicado da realização do ato, de iniciativa do Governo Estadual e da Presidência, para que nossos 2 representantes participem desse importante dia em homenagem a Zumbi dos Palmares e a todo a luta quilombola. O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO – Sr. Presidente, nesse dia, o Presidente da República vai assinar 29 decretos de titulação de terras de quilombolas, contemplando também os calungas, de Goiás, e quilombolas do Engenho do Bonfim, na Paraíba. Finalmente vamos ter mais terras de quilombolas tituladas. Definitivamente, é importante a presença desses 2 companheiros como representantes desta Comissão. O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – A informação trazida pelo nosso querido Deputado Luiz Couto é muito importante. De fato, o Presidente da República vai assinar o reconhecimento de diversos territórios quilombolas. Todos sabem que há na Casa um movimento de, por meio de decretos legislativos, desmarcar territórios quilombolas e indígenas. Precisamos estar atentos a isso. Não basta ganhar na primeira vez, precisamos ganhar na segunda e assim por diante. Fizemos nossa a luta dos calungas, em Goiás, a maior comunidade quilombola do Brasil. E o Presidente da República vai assinar o decreto de demarcação de suas terras. Suas terras eram isoladas, mas, com a construção de estradas, foram valorizadas, sobrevindo a grilagem, que permanece até hoje, sem falar nas PCHs que serão construídas nos rios próximos às terras de Cavalcante, Monte Alegre, Teresina de Goiás e Campos Belos. A demarcação também envolve negociação com as comunidades quilombolas da região de Calunga, 43852 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS a nordeste de Goiânia, à qual há diversas atividades inerentes. Dando, então, início à audiência pública, passo à composição da Mesa convidando os seguintes expositores: Sra. Jacira da Silva, Coordenadora Estadual do Movimento Negro Unificado – MNU (palmas); Sra. Deborah Santos, Coordenadora do Centro de Convivência Negra da Universidade de Brasília (palmas); Sr. Mário Lisboa Theodoro, Diretor da Diretoria de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais do IPEA (palmas); Sr. Humberto Adami, Ouvidor da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (palmas); Sr. Nelson Inocêncio Olokofá, Conselheiro do Conselho de Defesa dos Direitos do Negro da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal (palmas); e Prof. José Jorge Carvalho, antropólogo da Universidade de Brasília e Presidente do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia e Inclusão Social na Educação Superior. (Palmas.) Esclareço que o tempo concedido a cada um dos expositores será de 10 minutos, ou pouco mais, de forma que nos sobre tempo para os debates. Após as exposições, será concedida a palavra aos Deputados presentes, respeitada a ordem de inscrição. Cada inscrito terá 3 minutos. Esclareço ainda que esta reunião está sendo gravada para posterior transcrição e, por isso, solicito que falem ao microfone. Por fim, esta audiência está sendo transmitida on-line pela Internet. Em meu nome e no do Deputado Luiz Couto e de todos os demais Deputados presentes, saúdo o dia 20 de novembro, Dia de Zumbi dos Palmares, pela importância dessa data na luta pela igualdade racial. Por muito tempo trabalhamos com o dia 13 de maio, que continua a ser uma referência, mas a união da Consciência Negra com as universidades, os partidos políticos e todos os movimentos sociais ligados à luta dos afrodescendentes culminou com a escolha de Zumbi dos Palmares, aclamado herói nacional por este Congresso, que também o homenageou dando seu nome ao espaço cultural da Câmara, por iniciativa do ilustre Deputado, hoje Senador, Paulo Paim. Lembro, então, que sexta-feira todo o Brasil comemorará o dia 20 de novembro. Certamente será comemorado em Brasília, na Paraíba, na Bahia e em Goiás, sobretudo na região dos calungas e da Mesquita dos Crioulos. Ressalto a importância da ocasião para a Secretaria da Igualdade Racial, bem como para as equivalentes Secretarias estaduais, para os conselhos, institutos e ONGs que lutam pelo resgate da cultura e do território da população afrodescendente. Agosto de 2011 Esta Comissão acredita que o debate sobre as cotas representa um debate constante sobre a dívida social do Brasil com essa população. É um prazer imenso presidir esta audiência. Quando se estabeleceram as cotas, seja por questão social, seja por questão racial, todos acharam que os alunos e as alunas teriam rendimento abaixo do esperado, mas todas as pesquisas têm demonstrado que estão na média ou acima da média, o que demonstra que muitos brasileiros, tendo oportunidade de estarem na universidade, tenham condições plenas para tal. Infelizmente, depois de mais de 1 século da Lei Áurea, eles continuam excluídos, marginalizados. Por isso, passo a palavra, com muita honra, à Jacira da Silva, Coordenadora Estadual do Movimento Negro Unificado. Pedimos a todas que registrem o nome da entidade para que fique gravado e para dar conhecimento aos que estão nos acompanhando pela Internet. A SRA. JACIRA DA SILVA – Boa tarde a todos. Sou Coordenadora Estadual do Movimento Negro Unificado, entidade que, há 30 anos, defende e combate o racismo nas suas “enes” formas. A nossa participação hoje nesta audiência pública significa o compromisso do Movimento Negro Unificado na defesa ao acesso do negro e da negra a todas as instâncias da educação e do ensino brasileiro, por entender que a nós, negros e negras, descendentes africanos, historicamente foi colocado que tínhamos um lugar que não passava, no máximo, do ensino fundamental, porque nossa realidade é em função dessa exclusão histórica. Estava colocado, principalmente para a sociedade brasileira, que ao negro e à negra bastava, quando chegasse, o ensino fundamental. Esse sistema de cotas raciais está sendo implementado há 5 anos no Brasil por iniciativa das universidades, porque não temos lei que garanta a participação do negro no curso superior. Esse sistema de cotas veio provocar o debate na sociedade brasileira, porque há uma naturalização, uma banalização de ações e de políticas e, muitas vezes, omissões de políticas públicas para essa parcela significativa da população brasileira, que hoje, estatisticamente, comprova o que dizíamos há alguns anos, representa a maioria da população brasileira. A adoção de cotas raciais é uma proposta que não foi digerida pela sociedade brasileira, tanto é que se coloca, todo o tempo, que é melhor, não sabemos para quem, que seja cota social. Sabemos que esse projeto do sistema de cotas é uma medida paliativa, que tem período para começar e terminar. E nós, negros e negras, descendentes de africanos, que construímos este País, onde muitos Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS morreram e deixaram o sangue, não precisamos passar por esse processo de mostrar nossa capacidade como mulheres e homens negros para essa sociedade brasileira, que sempre nos viu e nos tratou como seres humanos de segunda categoria. Este momento histórico brasileiro está aqui para dar um basta, para dizer que somos seres humanos pensantes, temos endereço, cor e sexo. Essa prática colocada ideologicamente neste País, que usou o homem e a mulher negra, arrancados do Continente africano, como mercadorias está prestes a acabar. E no século XXI, com o avanço da sociedade brasileira, o processo democrático, a sociedade democrática só será garantida se acontecer de fato a democracia racial. Se não tivermos políticas públicas, se não soubermos na sociedade fazer com que essa máscara caia, essa hipocrisia venha à tona, não veremos o homem e a mulher negra como indivíduo completo, capaz. Temos um processo de articulação na Universidade de Brasília, em função da liminar do DEM, que para nós significa demo, que vem de forma autoritária, com praticas reacionárias de que ele comunga, orquestrar essas ações que vêm desde o Estatuto da Igualdade Racial, que culmina com as cotas raciais e devem ter outras ações. Nós, negros e negras, não somos instrumento de barganha para ninguém. Queremos nossa dignidade, integridade, como descendentes africanos e mesmo africanos. Por isso, o Movimento Negro Unificado aceitou esse convite para participar desta audiência pública. Temos inclusive nesta semana várias atividades alusivas ao 20 novembro. O 20 de novembro é uma conquista, sim, porque celebra o movimento negro, o movimento social, juntamente com outros setores e atores da sociedade civil. Se o 20 de novembro não for diferente do 13 de maio, ele não precisa continuar a existir, porque com o 13 de maio, sabemos e somos testemunhas, negros e negras tiveram, participaram e criaram o processo de sua independência, dizendo “não” a esse processo desigual. E o 20 de novembro, que marca o assassinato de Zumbi dos Palmares, traz para a sociedade brasileira esse nosso compromisso de dar continuidade a esse projeto político que muitos já iniciaram antes de nós, antes da Frente Negra Brasileira, antes do Teatro Experimental do Negro. Quando foi assinado aquele único ato da Proclamação da República, não foram assinados juntamente com a carteira de trabalho o acesso à educação, à moradia. Como ficaram aqueles negros e negras? E muitas daquelas práticas estão sendo perpetuadas até hoje, dentro das casas, desses grandes feudos, nessa relação de empregadas domésticas. Mudou só Terça-feira 23 43853 a roupagem, porque a prática discriminatória se mantém viva até hoje. Mas isso não nos desanima; só faz com que acreditemos, de fato, na luta pela igualdade racial, sem ser demagógica, sem se vender, para ter propostas que se tornem realidade e que não sejam motivo para serem usadas como barganha. Movimento Negro Unificado, do Distrito Federal e do Brasil, é o que nós somos em vários Estados. Assumimos tanto o compromisso com esse sistema de cotas, que somos os proponentes da Amigos da Corte. Estamos há meses tentando construir essa peça jurídica para dizer ao Brasil e ao mundo em que lugar estamos. Se o Brasil, a sociedade brasileira, não quer nos enxergar dessa forma, terá que nos enxergar de outra forma! Se for para discutirmos e debatermos no plano das ideias, estamos aqui à disposição. Mas violência e racismo às avessas não vamos fazer – e estão torcendo que o façamos. Não vamos permitir mais que jovens negros e negras sejam assassinados diariamente só porque não têm perspectiva de vida; e não há um projeto político nessa sociedade que os contemple. Senhores e senhoras, Parlamentares, principalmente, os senhores e S.Exas. são os porta-vozes da nossa sociedade. Nós estamos à disposição para o processo de sensibilização. Agora, não contem conosco para o que não seja relativo ao processo de construção da democracia racial. Essa nossa peça jurídica, que tentaremos entregar no dia 20 de novembro, em nome do proponente, Movimento Negro Unificado, está balizada em quê? Primeiro, no papel da Universidade que adotou essa cota, que foi a Universidade de Brasília, a primeira a adotar o sistema de cotas. Sabemos que as universidades possuem autonomia, e a parabenizamos por essa iniciativa. Agora, nesse processo que está na iminência de ser interrompido, não estamos percebendo, por parte da Reitoria, da Administração da Universidade de Brasília – UnB, com a qual já conversamos, esse mesmo feedback. É preciso ouvir e dar espaço a quem está lá. Quem está, neste momento, usando o sistema de cotas? São alunos e alunas negras. Eles têm que ter direito à voz e a se colocarem diante dessa política pública, que aí está. Com essa preocupação e necessidade, estamos elaborando um jornal com o apoio dos setores da sociedade civil para dar voz a quem não está tendo. Com relação à mídia brasileira, que escolhi para exercer a minha profissão de jornalista, sabemos do seu papel 43854 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS nesse processo: é integralmente desigual, pois dá voz somente a quem defenda a mesma linha editorial. Mas há meios de comunicação que estão fazendo um serviço à sociedade, porque o debate é o que garante essa democracia. Os meios de comunicação, para cumprir seu papel, sua função social, deveriam dar voz e espaço a todas as vozes, e isso não está ocorrendo. Então, esse grupo elaborou esse jornal para trabalharmos com as pessoas formadoras de opinião. Vocês sabem que, quando da solicitação de pareceres jurídicos para dar substância, vamos dizer, dessa peça Amigos da Corte, muitos se negaram a conceder esse parecer jurídico. Muitos que têm a prerrogativa de serem ouvidos se negaram a fazer isso. A solidariedade, a aliança e a defesa desses direitos é a sociedade brasileira como um todo que deve fazer, nessa luta; mas, na hora de assinar, na hora de se expor, na hora de se colocar publicamente, aparecem uns poucos, porque a maioria quer manter essa prática histórica no nosso País. Então, para terminar, gostaria de frisar também que esse sistema de cotas e qualquer outro de ações afirmativas são direitos, não são privilégios. E que privilégios são esses? São direitos humanos. Direito de quem construiu esse País e ainda constrói, direito de quem está na sociedade brasileira há 500 anos, sendo tratado como invisível no processo de construção deste País, no espaço de poder e no espaço das decisões. Finalmente, o sistema de cotas raciais é muito pouco, é nada perante esse direito que nós temos. O que nós queremos, Srs. Parlamentares, Sras. Parlamentares, sociedade brasileira como um todo, é indenização por quantos morreram e quantos morrem nesta sociedade brasileira para fazer com que permaneça esse sistema capitalista, esse sistema desigual. Uma reparação, como diz o Presidente Lula; uma dívida histórica, como disse Fernando Henrique Cardoso. Mas precisamos traduzir isso em ações de fato. Nós, Movimento Negro Unificado e outras entidades negras, vamos construir um projeto para a sociedade brasileira com o olhar da organização do povo negro e das populações negras brasileiras, porque nós temos condições de contribuir para este País, da forma que nós sempre contribuímos. Exigimos direitos iguais e oportunidades iguais. Não somos iguais, porque cada um de nós é um indivíduo único. O que nós exigimos é igualdade de oportunidades e igualdade de direitos. Isso deve se traduzir no acesso à educação, no acesso à saúde, no acesso à moradia, no acesso ao lazer e ao entretenimento. Há de se sair daquele lugar de folclorização, de se apropriar dos valores étnico‑raciais para satisfazer a Agosto de 2011 poucos. E a grande maioria da população negra está alijada dessas conquistas. Como existe uma política nacional da população negra, semana passada fizemos uma comemoração em Brasília no dia 27 de outubro, que é o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, dia em que tivemos a informação de que o Governo do Distrito Federal, como todos os governos estaduais, deve implementar essa política de saúde para a população negra. E lembro que essa política já estava em pleno desenvolvimento no Governo do Distrito Federal, sem a participação da sociedade civil. É com essas práticas que convivemos há anos. Dizem que não temos projetos, mas temos projetos. Essa gestão, que não é do nosso Governo nem a ideal, mas a que é possível, como diz a nossa Conferência Nacional de Comunicação – do que discordamos, não é, Márcio? –, é que avançou em políticas públicas. Agora, quando acabar o Governo, quais são as garantias para a continuidade dessas políticas? Nós devemos defender – e a sociedade civil tem de ir às ruas para exigir isto – que essas ações se tornem políticas públicas permanentes, para não se depender de quem esteja no Governo no momento, se do partido X ou do partido Y. Lutamos, sim, pelo reconhecimento, pela valorização da nossa participação enquanto mulheres e homens negros neste País. Axé! Obrigada. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTA (Deputada Janete Capiberibe) – Muito obrigada, Sra. Jacira da Silva, Coordenadora Nacional do Movimento Negro Unificado. Antes de conceder a palavra à segunda convidada, registro a presença de Júlio Romário, Presidente do Conselho de Defesa dos Direitos do Negro do DF; do Instituto Nzinga Mbande, a Coordenadora, Maria das Graças, e Margarete Rose; Manoel Crispim, Diretor da Secretaria de Raça, Gênero e Etnia, do SINDSPREV-RJ. Não sei se está presente um importante parceiro na realização desta audiência pública, o Deputado Mário Heringer, da Ouvidoria da Câmara. Concedo a palavra à convidada Deborah Santos, Coordenadora do Centro de Convivência Negra, da Universidade de Brasília. A SRA. DEBORAH SANTOS – Bom tarde! Cumprimento a Sra. Presidenta, Deputada Janete Capiberibe, o Deputado Luiz Couto, os demais Deputados e componentes da Mesa. Fiquei muito feliz com o convite, principalmente por poder colaborar com subsídios para a aprovação da lei do sistema de cotas no ensino superior para a população negra e, na verdade, apresentar um pouco Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sobre o que é a experiência da UnB nessa área, que não é única, porque temos como realidade ações afirmativas em 95 universidades brasileiras, sendo que mais da metade utiliza o sistema de cotas ou reserva de vagas. Então, nós da UNB já trabalhamos com isso. Independentemente da lei, entre nós o uso das cotas já está acontecendo e dando os primeiros resultados. Para iniciar, quero dizer que o sistema de cotas para o ensino superior é apenas uma das modalidades de ações afirmativas no Brasil. E ações afirmativas são medidas especiais e temporárias, tomadas pelo Estado e/ou pela iniciativa privada, espontânea ou compulsoriamente, com objetivo de eliminar desigualdades historicamente acumuladas, garantir a igualdade de oportunidade de tratamento, bem como compensar perdas provocadas pela discriminação e marginalização, por motivos raciais, étnicos, religiosos, de gênero e outros. Essa é a definição feita por um Grupo de Trabalho Interministerial da População Negra, que apresentou isso em 1996 como política pública para o Estado brasileiro. A adoção de ações afirmativas não se deu apenas por pressão nacional do movimento social negro, mas também por pressão internacional. Exige-se o cumprimento dos acordos e tratados sobre o tema, como a convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial, ratificada pelo Brasil em 1968, e a Declaração e o Plano de Ação da III Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Social, Xenofobia e Intolerância Correlata, de 2001. Então, a adoção de ações afirmativas, da qual o sistema de as cotas é uma modalidade, resulta de pressão não apenas nacional, mas também internacional, juntamente com os tratados internacionais, visto que o Estado brasileiro tem de responder por que há discriminação racial com relação a uma parte da sua população – e aí a população negra. Outra questão importante diz respeito à constitucionalidade dessa política. A própria Constituição Federal já traz, no título Dos Princípios Fundamentais, no art. 3º, inciso IV, que constitui um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Portanto, já está justificada na Constituição a existência das ações afirmativas. E essa política não fere o art. 5º, que estabelece que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Há declarações, principalmente de 2 Ministros do STF, Marco Aurélio de Farias Mello e Joaquim Barbosa, no sentido de que não basta não discriminar; é preciso promover as mesmas oportunidades para todos na população. Terça-feira 23 43855 Por que cotas ou reservas de vagas, e não bônus, pontuação que algumas universidades têm utilizado? Primeiro, porque é a forma mais rápida e eficaz num curto espaço de tempo para superar as desigualdades étnico-raciais. Por exemplo, na UnB, em 5 anos, saltou de 2% para 11% a representação de estudantes negro. E essa política respeita o mérito a partir do momento em que isso é feito através de um vestibular. Em algumas pesquisas sobre o bônus, aquele em que cada aluno que faz o vestibular recebe uma pontuação por ser negro, vir de escola pública ou alguma coisa assim – uma equação complicada, a partir do momento em que se tenha, dependendo da demanda do curso que se tenha ou da procura do curso, o tanto que se tem que fazer de pontuação para que em cada curso a população negra entre –, pelo menos nos exemplos que temos nesses 3 últimos anos em que isso tem sido acompanhado, verificou-se que a entrada de estudantes negros nas universidades que o adotam tem sido irrisória; mesmo jogando a questão dos 5 anos, esse percentual jamais chegaria, em 5 anos, aos 11% de negros que temos na Universidade de Brasília. As cotas raciais existem porque existe racismo na sociedade brasileira, manifestado através do preconceito e da discriminação. A prática social, o convívio com as pessoas, acaba por inculcar valores, normas, ideologias e tipos de saber, o que, ao final, redundará em tipos de sujeitos sociais que ocuparão diferentes posições sociais. É um pouco isso. Se o racismo recai em cima de pessoas, há a determinação de saber quais os locais em que a população negra está. E as cotas estão servindo para superar isso. Estamos trabalhando com a educação. E uma das questões mais expressivas é o que significa ser uma pessoa negra ou branca nas relações sociais que se estabelecem no cotidiano de sua existência. A discussão é sobre o que é “branquitude” e negritude. A questão da “branquitude’ faz com que, dentro da escola, se faça com que as crianças... Começamos pelas crianças, mas chegamos até o ensino superior. O que quero dizer é que há uma forma tal de ver o mundo, há uma forma de categorização e há um lugar onde esses brancos estão. Se não são discriminados em nenhum momento, passam a vida obtendo todas as benesses possíveis, e estão sempre considerando o outro menor que eles, isso, inculcados por livros, pela televisão, pelas próprias relações com os professores na escola. Tudo isso faz com que os brancos se considerem o tempo todo donos desse espaço. E a criança negra fica fora desse espaço o tempo todo: esse espaço não é dela. Ou seja, esse tempo todo, ela é diferente, ela é ruim, e a criança branca não tem de estar nesse lugar. Então, 43856 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS isso é que faz com que a gente tenha diferenciação dentro da escola, uma diferença comportamental e até de rendimento escolar. Então, há ganho social na implantação das cotas no ensino superior. E podemos discutir e defender a questão das cotas no ensino superior, o que não quer dizer que não se está discutindo a questão da melhoria do ensino público. Essas coisas não estão dissociadas. Acontece que, neste momento, estamos discutindo o que representam as cotas. Na verdade, a grande discussão sobre as cotas para o ensino superior é para saber qual a contribuição que a universidade e a escola podem prestar para a construção de uma sociedade com cidadãos menos racistas. Assim, temos ganhos. Apesar do ambiente de diversidade étnico-racial do Brasil, dentro da escola é muito normal entrarem só professores brancos; e os próprios estudantes brancos acham normal uma sala com 30, 40, 50 estudantes brancos. Mas, quando saímos à rua, no dia a dia, não é essa a sociedade brasileira que vemos, eis que há entre nós mais de 50% de negros. Então, um ambiente de diversidade já dentro da escola já faz uma diferença, já antecipa o que vai ser produzido dentro da universidade. Vejam: esses estudantes de agora vão passar a ser profissionais negros. Essa é uma mudança. E vão virar professores de universidade. Aí, a própria criança negra ou o próprio ensino vão ganhar com isso. Já estou trabalhando com essa prática. Assim, teremos outras formas de repensar a realidade. Haverá diminuição de evasão e, consequentemente, dos gastos públicos. A evasão hoje, nas universidades públicas, está entre 40% e 50%. É um índice muito alto. E isso porque os negros não estão nas universidades. Ao acompanhar as estatísticas que têm sido publicadas, verificamos como é diferenciado o número entre brancos e negros. Mas vemos que a evasão é muito menor entre os que têm entrado pelo sistema de cotas; ou seja, muito menor com relação aos estudantes brancos. Aquele lugar é deles; se saírem, daqui a pouco voltam. Enquanto os outros que batalharam e que estão lá, esses vão defender seu espaço e vão trabalhar. Por exemplo, se há um médico que entrou pelo sistema de cotas, vindo de uma localidade onde nenhum outro médico branco quer trabalhar porque não tem recurso para isso... Aquele vai para lá porque esse futuro médico negro não tem esse grau de apoio que um estudante branco tem. Por exemplo, este que se forma em Medicina, ele tem o pai que já foi médico, o tio que já foi médico, tem um grau de envolvimento social que o fará dispensar até o concurso público etc. Então, ele terá seu consultório montado e ali ficará. Em compensação, há esse outro estudante, que defendo, Agosto de 2011 que vai realmente prestar um concurso público e irá trabalhar em qualquer lugar onde não haja médicos. Teremos um aumento da demanda pelo vestibular. Hoje, há inúmeras universidades públicas que perceberam estar perdendo estudantes. Por mais que haja concorrência, há várias pessoas que terminam o ensino médio e não prestam vestibular com receio de não passarem, achando que a escola não é dela, não é seu espaço, não é onde ela deva estar. Teremos a introdução de um “educar para a diversidade”, em que são necessários alguns princípios pedagógicos, que prima pela harmonização dos diferentes, a conciliação dos contrários, o convívio afetuoso entre diferentes, presentes no cenário educacional; a implantação de uma cultura estruturante das relações sociais, norteadoras de políticas educacionais. Vamos recuperar uma lógica histórica, política e cultural de inserção de temas como inclusão, diversidade, igualdade, que estão imbricados com o trabalho e educação, o que daí redunda em justiça social. Teremos uma revisão curricular, com temáticas da diversidade. E, ao mesmo tempo, essa revisão curricular deixa de ser a questão eurocêntrica, como a única possível, de criação de saberes. Vamos ter uma gestão democrática, com a elaboração de projetos pedagógicos, pelos quais essa divisão e essa diversidade passam a aparecer, além da reeducação dos profissionais de educação para a valorização da diversidade humana. Essas questões todas que venho considerando referem-se aos casos da UnB que provocaram a minha fala e vêm de uma decisão do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, dentro de sua autonomia universitária. Pensou-se se a universidade pública está cumprindo o seu papel social, ao contribuir para a exclusão sistemática da população negra e indígena, principalmente no que se refere ao acesso às carreiras de mais alto poder, influência social e retorno financeiro. Nesses 5 anos do processo, que começou no segundo semestre de 2004, na universidade houve o ingresso de 3.700 estudantes negros, pretos e pardos de ascendência africana. No fim do primeiro semestre de 2009, 179 estarão formados. Ao término deste ano, serão mais ou menos 300 estudantes formados. Na verdade, esse é um qualitativo de produção acadêmica, em relação ao qual temos acompanhamento e monitoramento de políticas educacionais. Com a entrada desses estudantes na universidade, passou a haver uma discussão sobre a política educacional, a qualidade do ensino, o acompanhamento e o monitoramento de todos os estudantes, não só daqueles que entraram pelo sistema de cotas. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Relações raciais e culturas negras são temas que o ensino, a pesquisa e a extensão ampliaram. Houve, para a comunidade universitária e entorno, a implantação de um programa de combate ao racismo e à xenofobia. Houve propostas inovadoras de assistência estudantil. A própria questão de tutoria dentro das universidades passou a ser entendida de forma diferenciada e para atendimento a todos os estudantes. Nacionalmente, houve unificação dos docentes, discentes, pesquisadores. Como não existe a lei, cada universidade acabou estabelecendo sua forma. Há uma discussão nacional a respeito da unificação das pesquisas sobre isso. Houve a introdução agora na avaliação do perfil dos estudantes da UnB e de outras universidades também. Cada universidade tem estabelecido o seu padrão. A Universidade de Brasília está em pleno processo de avaliação do perfil de todos os seus estudantes, para que, a partir daí, façamos uma avaliação sobre isso. Meu tempo acabou. Muito obrigada. Estou aberta a outras questões. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Agradeço à Sra. Deborah Santos, Coordenadora do Centro de Convivência Negra da Universidade de Brasília. Peço desculpas no que diz respeito à questão do tempo, mas queremos ouvir todos, e a Ordem do Dia no plenário já foi estabelecida. Depois poderemos ter outra rodada. A Comissão recebeu algumas sugestões, em face da visita do Presidente do Irã ao Brasil na próxima semana. Há um pedido para que a Comissão de Direitos Humanos faça um requerimento ao Ministério das Relações Exteriores referente à pauta de direitos humanos da agenda presidencial. A Comissão de Direitos Humanos, então, deve apresentar um requerimento ao Ministério das Relações Exteriores, em que indaga sobre o posicionamento brasileiro no tocante a violações dos direitos humanos na República Islâmica do Irã. A Comissão de Direitos Humanos e Minorias também pede que seja agilizado o agendamento da audiência pública a ser realizada conjuntamente com a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, conforme o Requerimento nº 328, apresentado pelo Deputado Dr. Rosinha e aprovado em 7 de outubro de 2009. A audiência visa debater a perseguição a integrante da Comunidade Bahá’í no Irã. A Comissão solicita ao Ministro Celso Amorim que considere essa sugestão, assinada pela Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais; a Associação Brasileira de Imprensa; a Central Única dos Trabalhadores; o Centro Feminista Terça-feira 23 43857 de Estudos e Assessoria; a Confederação Israelita do Brasil; a Ordem dos Advogados do Brasil e a União Nacional dos Estudantes. Quero convidar todos para uma reunião, amanhã, às 10h, em plenário do Senado, de mobilização para que o Senado aprove o Estatuto da Igualdade Racial e dê condições para que o Presidente o coloque em votação ainda no Dia Nacional da Consciência Negra, de Zumbi dos Palmares. Registro a presença da Profa. Neide Rafael, Coordenadora da Regional de Ensino do Guará, da Secretaria de Educação do Distrito Federal, e Conselheira do Conselho do Negro do Distrito Federal, integrante do Grupo Sire Odara, e a Sra. Tatiana Nascimento, do Fórum de Mulheres Negras do Distrito Federal. Peço desculpas a todos no que se refere ao tempo – a questão é o início da Ordem do Dia no plenário da Casa. É de nosso interesse que todos possam falar nesta audiência. Certamente provocaremos depois o debate. Com a palavra, por 10 minutos, o Sr. Mário Theodoro, Diretor de Estudos, Cooperação Técnica e Políticas Internacionais do IPEA. O SR. MÁRIO THEODORO – Agradeço à Câmara dos Deputados o convite e sobretudo a oportunidade de debater um tema que ganhou importância principalmente nos últimos meses, a partir também da iniciativa do partido Democratas de entrar no Supremo com uma ação de inconstitucionalidade em relação à possibilidade de políticas ou de programas de cotas. Vou tentar ser o mais objetivo possível nesta audiência. Tentarei responder a seguinte questão: por que sou a favor das cotas? Respondo levando em conta 6 argumentos. O primeiro deles: o cerne da naturalização da desigualdade brasileira – isso já foi dito aqui pelos colegas que me antecederam – é a questão racial. No Brasil, nós nos acostumamos com a desigualdade, com a pobreza e com a miséria, até porque, na maioria das vezes, as pessoas vistas como pobres não são iguais a nós. Em geral, os pobres são negros; em geral, a população descendente dos escravos naturalmente foi pobre, e a tendência da sociedade é ver e naturalizar a desigualdade e a pobreza considerando a cor das pessoas. Sob esse ponto de vista, existe uma espécie de desigualdade intrínseca ou natural, que, destilada, podemos ver que tem um componente chamado racismo e discriminação, que está na origem disso tudo. Isso tem que mudar. O segundo motivo é que a própria reprodução da desigualdade se dá não só por causa da naturalização da desigualdade, mas porque esta sociedade desenvolveu mecanismos que fazem com que essa 43858 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS desigualdade se reproduza. Esses mecanismos tendem a fechar as portas para as pessoas negras. São os mecanismos que fazem com que os melhores lugares sociais, em sua grande maioria, sejam ocupados por pessoas brancas. Refiro-me a escola, mercado de trabalho. Enfim, são portas que se abrem para um grupo e se fecham para outro e fazem com que se repita, de forma secular e perene, a ascensão de determinado grupo em relação a outro na sociedade brasileira. Não é à toa que vemos, nas nossas novelas, um País muito diferente daquele das ruas. Nas novelas, nas propagandas, nos shopping centers, o País ideal é branco, quase sueco. Então, temos um País a 2 velocidades. Um País abre portas para um grupo e não as abre para outro; o outro País abre algumas e não outras portas para o outro. Nas novelas, em geral – hoje em dia, há uma onda democrática, precisamos até conversar sobre isso –, o negro serve cafezinho, é o empregado, é a empregada. E isso tem sido repetido muitas vezes. Acho que esse é um mecanismo institucional que, tanto na escola quanto no mercado de trabalho ou na vida social, tem que ser desmobilizado. Depois vou explicar, mas acho que a cota consegue fazer isso. Terceiro argumento: as cotas raciais são talvez o único instrumento atualmente em vigência que quebre esse círculo vicioso que faz com que negros nunca cheguem às universidades. E quero chamar a atenção para isto: as cotas raciais, nesse caso, vêm fazer um papel que a política universal deveria fazer, e não faz, que é justamente dar oportunidade para todos, da mesma forma, no mesmo sentido. Já que isso não acontece, as cotas são uma espécie de fast track ou uma espécie de empurrão para que um grupo consiga o que historicamente lhe é negado. Quarto argumento: as cotas não são instrumentos de combate à pobreza, mas, sim, de abertura de portas para o negro. Eu queria frisar isto: a cota não é para pobre. Pobre no Brasil não chega ao segundo grau. O pobre no Brasil para de estudar no meio do primeiro grau, isso quando chega aí. O pobre no Brasil está no emprego informal, está vendendo balas, está engraxando sapatos. Ele não tem o segundo grau completo. Então, existe certa confusão que faz com que pensem: “Ah, é uma política que favorece os negros de classe média”. Mas é isso mesmo. É uma política que favorece aqueles que conseguiram chegar até o segundo grau, mas que têm dificuldade de ascender mais. As cotas têm a função, na verdade, de abrir um teto, para que uma elite negra possa se moldar como uma elite intelectual. As cotas – falei isso uma vez e sofri uma série de críticas, mas reafirmo – são para Agosto de 2011 colorir uma elite que é pálida hoje em dia. A nossa elite é pálida em relação ao resto do País. As cotas vêm corrigir isso, vêm possibilitar que haja médicos, engenheiros, enfermeiros, profissionais liberais negros, como existem médicos e engenheiros brancos. As cotas são para isso. As cotas não são política social no sentido clássico da palavra, aquela que vai acabar com a desigualdade social. A cota vem como único instrumento para acabar com um fenômeno no Brasil que nunca sofreu contraposição: o fenômeno do racismo e da discriminação, que fecha portas. O quinto argumento: as cotas não são feitas para quem sai da universidade; as cotas são feitas para quem entra na universidade. Só sai da universidade quem cumprir todos os requisitos que as universidades têm e estabelecem para todos. As cotas vão fazer com que as pessoas possam entrar. Só sai de lá quem é profissional. Então o argumento meritocrático não serve, porque mesmo quem entra tem de ter uma nota mínima. Sem essa nota mínima não há cota. Então, vamos formar profissionais negros tão bons quanto os profissionais brancos, porque vai ser a mesma escola, com as mesmas notas. Eles vão continuar e vão colorir, vamos dizer assim, essa classe média. Em sexto lugar, tenho a dizer que as cotas, de maneira geral, como ação afirmativa, já são muito utilizadas pela nossa elite. A nossa elite utiliza as cotas. A maior parte dos nossos PhDs – ou “PhDeuses” – que foram se formar nas universidades americanas entrou por cotas lá, porque a universidade americana tinha cotas para estudantes de países do terceiro mundo. Se fossem concorrer com os americanos… Nem a língua falávamos igual. Então, muitos dos nossos grandes PhDs de hoje entraram lá valendo‑se das cotas. Nem por isso se falou em meritocracia, nesse tipo de coisa. Por tudo isso sou a favor das cotas. Agora, eu queria falar um pouco sobre de que cotas eu sou a favor. Eu sou a favor das cotas raciais. Eu não sou a favor das cotas sociais, porque a cota social é aquela em relação à qual se fala o seguinte: “Ah, ele vem da escola pública, coitadinho”. Não. A escola pública tem de ser tão boa quanto a escola privada. Esse é o pressuposto republicano. Criar vaga para a escola pública porque ela não é tão boa quanto a escola privada significa que estamos com a cidadania a 2 velocidades: uma cidadania plena, para quem tem dinheiro, e uma cidadania a meia boca, para quem vem da escola pública. A escola pública tem de ser boa. Nós sabemos disso porque somos de uma geração em que a escola pública ainda era uma escola boa. Se ela era boa, ela pode voltar a ser. É uma questão de vontade política. Existem outras cotas. A Lei do Boi era uma lei de cotas. Há cotas para deficientes no mercado de traba- Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS lho. Há uma série de cotas. Mas para essa virulência que nós vimos com relação às cotas para negros nas universidades eu só vejo uma explicação. O Estado brasileiro, tradicionalmente, é um péssimo provedor de serviços. A saúde pública é vista como um serviço de má qualidade, a educação de primeiro e segundo graus é vista como de má qualidade, assim como a segurança. Enfim, o Estado é visto como um provedor ruim de serviços. Mas há um serviço que o Estado faz que é muito bom ou que a sociedade considera muito bom, que é o oferecido pela universidade pública. Esse serviço é o filé do Estado. E esse filé as elites brancas – e aí usamos aquele termo do Governador de São Paulo – não querem dividir. E vão ter de dividir, porque somos todos brasileiros, do mesmo País. Este País tem de ter uma elite um pouco menos pálida do que o resto do Brasil. É uma questão de equidade, é uma questão de igualdade, é uma questão de republicanismo. Florestan Fernandes dizia que o racismo é ruim para os 2 lados. O racismo limita a pessoa que sofre o racismo, mas limita também a pessoa que exerce o racismo, porque essas pessoas são incapazes de ver alteridade na outra pessoa, são incapazes de vê-la como igual. Então, como disse a colega, o menino que é criado achando que ele é melhor que o outro não vai conseguir, depois, responder a uma sociedade democrática. Ele não consegue participar de uma sociedade republicana, porque ele se acha melhor que o outro. Isso tem de acabar. A nossa sociedade não pode mais ter isso. Por todos esses motivos, eu sou a favor da cota racial. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Pedro Wilson) – Obrigado, Sr. Mário Theodoro, Diretor de Estudos, Cooperação Técnica e Políticas Internacionais do IPEA. Muito obrigado pela presença. Passo a palavra ao convidado Nelson Inocêncio, Conselheiro do Conselho de Defesa dos Direitos do Negro da Secretaria de Justiça, por 10 minutos. O SR. NELSON INOCÊNCIO – Boa tarde a todas e a todos. Eu quero dizer que atendo a este chamado, a esta convocação do Conselho do Negro do Distrito Federal. Quero dizer também que sou professor da Universidade de Brasília e que acompanhei, desde o final da década de 90, os processos que culminaram com a aprovação, pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão – CEPE, da política de cotas na Universidade de Brasília. Como já foi dito, foi a primeira universidade federal a adotar o sistema. Isso foi significativo, como uma forma de estímulo para que as demais IFES, as Terça-feira 23 43859 Instituições Federais de Ensino Superior, pudessem também assumir responsabilidades em relação ao tema. Mas aqui eu quero, obviamente, falar das motivações, do que me leva, na condição de conselheiro, de membro do Conselho de Defesa dos Direitos do Negro, a fazer a defesa das políticas de inclusão racial. Primeiro, digo que existem algumas questões que parecem infindáveis. Mas acho que precisamos investir cada vez mais na pesquisa sobre o tema, porque a pesquisa tem colocado por terra uma série de equívocos acerca do assunto. No afã de tentar emitir opiniões, muitos esquecem ou ignoram que, além do que acham, existe pesquisa, existe processo de reflexão, existem dados, existem registros. Parece que isso é subestimado quando se fala desse tema. Parece que se discute racismo no Brasil como se discute futebol. O nível de diletantismo é assustador, é aterrador. Mas, enfim, estamos tentando fazer com que, de alguma forma, haja um nível de seriedade maior para que esse tema seja compreendido. Menciono, por exemplo, essa ideia do suposto caráter inédito das cotas. Eu digo “suposto” porque não há nada de ineditismo nisso. O Sr. Mário Theodoro já citou aqui, e eu gostaria de lembrar que já existem, há algum tempo, percentuais relativos à representação feminina nos partidos políticos. Isso não é novo. Não há nada de inédito nisso, até pelas razões óbvias. Mais da metade da população do nosso País é feminina; no entanto, a representação é baixa, é baixíssima. Então, se a sociedade não avança, de algum modo há que se definir critérios e estipular leis que funcionem para o processo de democratização. Não há nada de inédito nessa política adotada para a população negra. Diz-se que as cotas poderiam promover acirramento das tensões entre negros e brancos. Não, as cotas não acirram a tensão entre negros e brancos. As cotas têm um papel didático, o de explicitar as tensões entre negros e brancos. Não se acirra o que já é por demais acirrado. O que as cotas fazem é explicitar as contradições que já estão aí. Que bom que seja assim! Acho que isso é fundamental. Também se diz com muita frequência que melhor seriam cotas sociais e não raciais. Acho muito estranho esse termo, sabem por quê? Por que racismo é um fenômeno social; homofobia é um fenômeno social; misoginia é um fenômeno social. Então, não sei como o racismo deixa de ser social, se é um problema que afeta a vida de milhões de pessoas, homens e mulheres no Brasil. Não entendo como o racismo não é uma questão social. Acho que seria melhor se disséssemos cotas baseadas na classe ou cotas baseadas na raça. Na verdade, quando se diz que é social, está-se falando 43860 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS de classe, e classe não é categoria absoluta. Ou pelo menos já deixou de ser há quase 50 anos. Essa é uma discussão pertinente. “Não temos como definir quem é negro e quem não é negro no Brasil.” Essa discussão é enfadonha e cansativa. Porque, se as pessoas estudassem um pouquinho o discurso produzido pelo menos pelas entidades negras mais significativas, entenderiam que o movimento negro nunca se apoiou em qualquer referencial genético para estabelecer sua discussão. O movimento negro não precisa disso. O movimento nunca se apoiou, não se apoia e provavelmente não se apoiará, pelo bom senso, em critérios genéticos. Lembro a vasta pesquisa que foi feita sobre componentes genéticos de pessoas que eram vistas como negras, mas que tinham mais componentes europeus do que negros. Gosto de citar o que disse o Seu Jorge a respeito do assunto: “Bom, o importante é saber se, ao passar pela porta eletrônica do banco, ela será travada ou não”. Nesse caso, quero saber se apresento a minha carteira, mostrando que sou quase europeu. Isso é uma bobagem. É uma falácia, uma gota de sangue. Sinto muito, esse é um outro rumo, o da marcha a ré da história. Estamos discutindo raça na contemporaneidade. Raça na contemporaneidade tem a ver com uma construção política. Categoria racial hoje é uma categoria política e ideológica. É assim que podemos e devemos entender. Sob essa perspectiva, sob esse ponto de vista, existem negros. É óbvio que existem negros no Brasil, e como existem. Obviamente, também existem brancos. “As cotas raciais não chegam a afetar a infraestrutura.” Concordo e reitero as palavras do Prof. Mário Theodoro. Não estamos aqui para fazer revolução. Cota não vai fazer revolução social no Brasil. A intenção não é essa. Como foi dito, a elite pode ser branca, e pode ser negra também. Qual é o problema de haver elite negra neste País? Eu falei outro dia para um aluno nosso da universidade que mora em uma das regiões administrativas mais distantes daqui que ele era elite, e ele disse: “Eu não sou elite”. “Você é.” “Não sou.” Eu falei: “Você quer saber por que é elite? Vai lá na cidade onde você mora e pergunte aos seus colegas quantos estudam na Universidade de Brasília. Depois da enquete, você me dá o retorno”. É óbvio que, para quem nunca teve, é importante, é fundamental isso. Dou aula no curso de Artes, que é considerado um curso de baixo prestígio – os senhores sabem que, na universidade, existem os cursos de alto, médio e baixo prestígio. Já fui orientador de alunos que faziam monografias no estágio de conclusão do curso e percebi a emoção dessas pessoas por serem os primei- Agosto de 2011 ros de suas famílias a concluírem a graduação, e em Artes, um curso cuja procura é baixa, tanto no sistema universal quanto no sistema de cotas. “Nós vamos fazer a revolução com as cotas.” A ideia não é essa, mas prestem atenção aos dados que foram passados pela Profa. Deborah em relação aos percentuais da UnB. Se isso não tem significância, teremos de repensar muita coisa. Outro argumento falacioso: as cotas colocam em dúvida a capacidade dos indivíduos. Cota não é para avaliar a capacidade. Cota é para garantir oportunidade, está certo? A sociedade brasileira nunca foi muito hábil em descobrir talentos fora da elite. Todos sabemos disso. Então, nós precisamos garantir as oportunidades para que os excluídos possam mostrar os seus potenciais. É o que raramente acontece no Brasil. Cota não alude à capacidade. Cota alude à oportunidade. São coisas absolutamente diferentes. Ninguém está questionando o QI dos negros. Quem faz isso são aqueles pesquisadores reacionários que acham que podem estabelecer, como Murray, a curva do sino, o que consiste em se dizer que os brancos são os mais inteligentes. É óbvio, ele está fazendo a defesa do seu grupo. Portanto, dizer que esse trabalho não tem teor ideológico é mera balela. Argumenta-se ainda que as cotas imitam o modelo estadunidense. Sabiam que os primeiros países onde as cotas lograram êxito foram países asiáticos, como Índia, Malásia? Então, a falta de reflexão e de conteúdo é assustadora. Muitas vezes as pessoas falam porque acham que devem falar, aleatoriamente, mas não pensam no que estão falando. As políticas de inclusão não começam nos Estados Unidos. Nesse país, em determinado momento, a partir do afrontamento às leis segregacionistas, há várias ações e movimentos em defesa dos direitos civis que resultam nas políticas. Mas isso é um processo. Eu acho que são questões que precisam ser afrontadas, porque elas ressurgem e se reciclam o tempo inteiro e estar aqui e ali ouvindo essas coisas é desgastante, pois o debate não avança, torna‑se medíocre – na verdade, nem chega a ser um debate. Chamo a atenção para esses aspectos porque essas questões estão dentro da universidade, dentro do campus. Certamente não são pesquisadores que estão levantando essas questões, são exatamente aquelas pessoas que não pesquisam o tema. Como docente, acredito que a pesquisa é fundamental, apesar de não ser o único caminho. Eu queria lembrar ainda que, com o advento das políticas de ações afirmativas, temos um novo vocabulário. É preciso entender que novo vocabulário é esse. Por exemplo, as políticas de implementação de cotas no Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Brasil passam sobretudo pelo princípio não da igualdade, no primeiro momento, mas da equidade, que é um conceito jurídico. Não sou da área, mas considero esse conceito interessante. O que é equidade? Imaginem 2 pessoas caminhando para cá, vindo para cá, mas de lugares muito distantes. Ao chegarem aqui, estarão sedentas provavelmente. Então é preciso oferecer uma quantidade diferenciada de água, porque o percurso foi diferenciado. A equidade parte do pressuposto de que, primeiro, é preciso estabelecer uma condição de equidade; a partir de então é que se fala em igualdade. Não se pode falar de igualdade agora. Falar de igualdade agora é manter os brancos onde estão e os negros onde estão. É a mesma coisa. Os negros crescerão um pouco, os brancos crescerão mais. É importante entender o princípio da igualdade. Logo, a equidade exige que estabeleçamos políticas diferenciadas. As pessoas que foram tratadas desigualmente precisam de políticas diferenciadas, exatamente porque foram tratadas historicamente de modo desigual. Eu gostaria de lembrar que todas essas questões têm pertinência. Falar das cotas é falar de tudo isso, é falar de discriminação positiva. Para entender isso é preciso compreender o sentido, a noção que está sendo construída a partir do conceito de ações afirmativas. Enfim, o assunto é muito complexo e não podemos nos dar ao luxo de abordá-lo de maneira diletante, de maneira amadora. Por essas razões, sou favorável às políticas de inclusão da população negra, às políticas de cotas. Obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Veloso) – Senhoras e senhores, acho que sou o único Parlamentar presente. Todos os Deputados estão sendo chamados para votar no plenário da Casa. Eu gostaria de ficar aqui discutindo por muito mais tempo, pois é um tema que realmente merece mais atenção, mas não é possível. Agradeço a participação à Sra. Deborah Santos, ao Sr. Mário Theodoro, ao Sr. Nelson Inocêncio e à Sra. Jacira da Silva. Agradeço a todos a presença. Os Deputados estão sendo chamados para votar. Por isso tenho que encerrar esta reunião. Parece‑me que a senhora ainda tem alguma informação a dar. Tem a palavra então, por 2 minutos, para fazer as suas considerações finais. A SRA. JACIRA DA SILVA – Quero agradecer a oportunidade, pois de fato esses espaços são muito importantes. Quero também lembrar que está em construção a Conferência Nacional de Comunicação. E o que isso tem a ver com o tema que estamos tratando? A comunicação contribui para a invisibilidade da popu- Terça-feira 23 43861 lação negra e dos seus avanços, como mencionei na minha exposição. Então, convido todos a participarem da Conferência Distrital de Comunicação. Sexta-feira, dia 20, é Dia Nacional da Consciência Negra. E no sábado e domingo realizaremos a Conferência Distrital de Comunicação, na Escola de Aperfeiçoamento Profissional da Educação – EAPE. Faço também um outro convite. Está havendo agora uma outra atividade sobre a violência contra as mulheres. Então, que possamos ir lá, correndo, contribuir. Obrigada, Comissão de Direitos Humanos e Minorias, que é também uma parceira na nossa Conferência de Comunicação e em outros temas que têm possibilitado o debate sobre os direitos humanos. Obrigada e axé! (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Veloso) – Para não ser injusto, concedo a palavra, para suas conclusões, para a Sra. Deborah. A SRA. DEBORAH SANTOS – Agradeço o convite. Na verdade, acho que é sempre bom fazermos uma explanação. Espero que nossos ouvintes pelo menos passem a entender melhor o que é o sistema de cotas. Acho que esta Mesa foi bem elucidativa. Também queremos nos colocar à disposição dos outros Deputados que estiverem aqui nas próximas audiências, para que possam dirimir as dúvidas que têm sobre o sistema e para que a votação desse projeto ande o mais rápido possível. Obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Veloso) – Tem a palavra o Sr. Nelson Inocêncio. O SR. NELSON INOCÊNCIO – Gostaria apenas de agradecer mais uma vez a oportunidade e dizer que a nossa luta no sentido do reconhecimento e valorização da população negra vai continuar, porque ainda temos muito a discutir. Um dos aspectos importantes desse processo é a construção do 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, como feriado nacional. Essa é uma luta da qual não vamos abrir mão, pois achamos que há pertinência nessa busca, nesse processo. Já falei tanto sobre pesquisa, mas quero pedir também que procurem acessar a página da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, www.abpn.org.br, para que tenham acesso a muitos trabalhos que estão sendo desenvolvidos a respeito do tema. Agradeço a todos a atenção e a paciência. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Veloso) – Tem a palavra o Sr. Mário Theodoro, para suas conclusões finais. 43862 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. MÁRIO THEODORO – Minha palavra final é, primeiro, de agradecimento pela oportunidade e de muito otimismo com relação ao processo que se impõe no Brasil hoje em dia quando discutimos a questão racial. Algum tempo atrás, isso era impensável. A ideia de democracia racial estava enraizada na academia, nas discussões políticas. Então, vejo esta iniciativa da Câmara como algo muito positivo, que demonstra um processo de discussão e debate, bem como de reconhecimento de que existe um problema, e o primeiro passo para solucionar um problema é o reconhecimento dele. Portanto, acho que estamos no caminho certo. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Veloso) – Eu acho que, desde a abolição da escravatura, em 13 de maio de 1888, queiram ou não, ainda existe racismo no Brasil. O pior de tudo é que as pessoas, as vítimas, não têm coragem de denunciar. Temos visto isso no próprio futebol, quando alguém chama o outro de “macaco”, de “negro”. E vejam que o esporte é lazer, é cultura, mas se os senhores analisarem os 22 jogadores em campo, verão que poucos são negros. Então, acho que essa luta tem que continuar. E vamos à luta! Saibam que nós, da Comissão de Direitos Humanos, daremos todo o apoio aos senhores. Muito obrigado. (Palmas.) Está encerrada a reunião. COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS SEMINÁRIO O SR. COORDENADOR (Paulo Otaran) – Bom dia a todos. Senhoras e senhores, damos início à abertura oficial do 3º Seminário Latino‑Americano de Anistia e Direitos Humanos – Manoel da Conceição, evento promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, em parceria com diversas entidades da sociedade civil e órgãos públicos. Este evento tem transmissão ao vivo pela TV Câmara e pelo sistema WebCâmara. Neste seminário, prestamos homenagem ao líder camponês Manoel da Conceição e a outros líderes de diferentes segmentos da sociedade que lutaram pelos direitos humanos no Brasil. Neste ano, dentre os temas abordados, estão a anistia política e trabalhista, a criminalização dos movimentos sociais e as implicações que a descoberta do pré‑sal poderá gerar para as políticas de promoção e proteção dos direitos humanos no Brasil. Neste momento, temos a honra de convidar para compor a Mesa o Exmo. Sr. Presidente da Comissão Agosto de 2011 de Direitos Humanos e Minorias, Deputado Luiz Couto (palmas); o Prêmio Nobel Alternativo da Paz de 2002 e advogado no Paraguai, Sr. Martín Almada (palmas); a coordenadora-geral substituta do Arquivo Nacional no Distrito Federal, Sra. Vivien Ishaq (palmas). Tão logo chegue a este ambiente, será conduzido à Mesa o Magnífico Vice‑Reitor da Universidade Federal de Goiás, Dr. Benedito Ferreira Marques, que está a caminho. Composta a Mesa, tenho a honra de passar a palavra ao Sr. Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Deputado Luiz Couto, que coordenará os trabalhos neste seminário. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Bom dia para todos e para todas. Declaro abertos os trabalhos deste III Seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos, uma realização não apenas da Comissão de Direitos Humanos mas de várias entidades que trabalham em favor da anistia, pelos direitos humanos, em favor do Projeto Memórias Reveladas, do direito à memória e à verdade. Nós queremos dar as boas-vindas a todos os presentes, e que nós possamos, como dizia ao companheiro Modesto, neste seminário, avançar muito mais na luta pela anistia, na luta para que os arquivos da repressão sejam abertos, para que sejam levados ao conhecimento da sociedade, para que os torturadores possam ser punidos. Para que possamos ter a reconciliação da Nação brasileira com o passado, com o que aconteceu na nossa história, nós queremos a verdade, porque a verdade pode até fazer alguém sofrer, mas a verdade nos liberta. Nesse sentido, damos as boas‑vindas a todos os presentes, e que possamos aproveitar bem este seminário; que as conclusões tiradas daqui possam trazer-nos um avanço significativo na luta pela anistia. Para uma saudação aos presentes (depois ela vai participar da Mesa, mas agora é o momento de saudar) eu concedo a palavra à Sra. Vivien Ishaq, coordenadora-geral substituta do Arquivo Nacional no Distrito Federal – COREG/DF. (Palmas.) A SRA. VIVIEN ISHAQ – Em primeiro lugar, gostaria de saudar todos os presentes, senhoras e senhores, na pessoa do Deputado Luiz Couto. Tenho a honra de representar aqui o Diretor-Geral do Arquivo Nacional, que está em viagem ao exterior; por isso, estou aqui falando em seu nome. Estou só aguardando o rapaz que vai... Sim? O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Não. Agora, Vivien Ishaq, é só uma saudação. Depois ouviremos a Mesa. A SRA. VIVIEN ISHAQ – Uma saudação? Ah! Está bom. (Risos.) Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Agora faremos uma saudação geral aqui, e depois ouviremos a Mesa para os nossos trabalhos. Certo? Eu registro a presença também da Sra. Alexandrina Cristensen, vice‑presidente da Associação Brasileira de Anistiados Políticos, de líderes sindicais e das associações de anistiados políticos e agricultores do Araguaia, e também cumprimento os demais presentes. Para uma saudação inicial – depois ele vai participar da primeira Mesa –, concedo a palavra ao Sr. Martín Almada, advogado paraguaio e Prêmio Nobel Alternativo de 2002. O SR. MARTÍN ALMADA LAUREADO (Exposição em espanhol. Tradução simultânea.) – Estou muito agradecido de estar nesta mesma sala onde estive no ano passado, onde pude, no ano passado, ouvir mensagens muito bonitas, quando nos disseram: “queremos a abertura total do arquivo da repressão; a anistia não será completa sem punição dos torturadores”. Agrada-me isso, porque acredito que a palavra é a arma da revolução. Minha intervenção hoje vai ser em homenagem a nossos companheiros de utopia. Em especial, renderei homenagens ao Capitão José Wilson da Silva, ao Capitão João Guimarães, a D. José Alípio Ribeiro e a Paulo Roberto Manes. A esses próceres eu rendo minha homenagem. Minha palestra vai ser em torno da repressão, da Operação Condor, sobretudo para reclamar justiça, porque a impunidade gera mais corrupção e mais repressão. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Para que possamos aproveitar bem a primeira Mesa de trabalhos, em que trataremos do tema Arquivos Nacionais, nós encerramos esta Mesa de abertura. Passamos agora à primeira Mesa, em que, como eu disse, trataremos do tema Arquivos Nacionais. Para compor esta Mesa já estão presentes a Sra. Vivien Ishaq, coordenadora substituta do Arquivo Nacional, e o Sr. Martín Almada, advogado paraguaio e Prêmio Nobel Alternativo de 2002. Ainda não chegou o Prof. Benedito Ferreira Marques, Vice-Reitor da Universidade Federal de Goiás, que falará do Projeto Memórias Reveladas. No momento em que ele chegar nós vamos dar-lhe a palavra. Concedo a palavra à Sra. Vivien Ishaq, coordenadora substituta do COREG/DF. A SRA. VIVIEN ISHAQ – Bem, agora é para valer; então, gostaria de apresentar aos senhores e às senhoras o estado atual do desenvolvimento dos trabalhos do Arquivo Nacional, em conjunto com a Casa Civil da Presidência da República, no que se refere à Terça-feira 23 43863 localização, ao recolhimento e à disseminação das informações dos órgãos de repressão do Governo militar. Eu gostaria de lhes apresentar um powerpoint, para os senhores irem acompanhando o desenvolvimento do nosso trabalho. (Segue-se exibição de imagens.) Bem, aqui estou apresentando aos senhores, talvez pela primeira vez, o centro de referência das lutas políticas no Brasil do período de 1964 a 1985, chamado Memórias Reveladas. Esse projeto, esse centro de referência é coordenado pelo Arquivo Nacional e institui uma rede de parceria com os arquivos estaduais, municipais e outros centros de documentação de todo o País e no exterior. Essa é a sede do Arquivo Nacional no Rio de Janeiro. Esse centro de referência, depois de muitas elaborações e discussões, foi criado em 13 de maio de 2009 pela Ministra de Estado Chefe da Casa Civil, em cerimônia no Palácio do Itamaraty, com a presença do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, onde então foi apresentado o projeto do Centro Memórias Reveladas. A definição desse centro de referência: é o resultado visível do esforço de conjugação das diversas ações do Governo voltadas ao fortalecimento de uma política pública de valorização do patrimônio histórico documental para consolidação da cidadania e da democracia do País – porque nós sabemos que hoje o acesso a informação é uma questão de direito de cidadania, é uma questão de direito humano, é uma questão de direito à verdade, à memória e à justiça. O papel do Arquivo Nacional nesse sistema: ele é o órgão do Sistema Nacional de Arquivos e gestor desse centro, catalisando as várias iniciativas de tratamento arquivista, de organização, de disseminação, de difusão dessas informações para um público amplo, porque todas essas informações vão estar contidas na rede mundial de computadores. Como é feita essa integração, como é que essa rede foi pensada? Essa integração é realizada por intermédio do Portal Memórias Reveladas, que está na Internet, onde fontes primárias e secundárias são gerenciadas e colocadas à disposição do público em um banco de dados; é um banco de dados comum, alimentado por todos os parceiros, que tem, é claro, em vista fazer a disseminação dessa informação, realizar estudos e pesquisas, fazendo o fomento do conhecimento sobre a História do Brasil também. Os objetivos desse centro: promover o reencontro do País com sua história recente, estimulando o debate político e a conscientização democrática; estimular pesquisas sobre o período de interesse, na perspectiva da história, da ciência política, do direito, da antropologia, da sociologia; permitir o acesso às 43864 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS fontes de informação e de conhecimento por meio de uma rede virtual de ampla abrangência, como direito fundamental de cidadania; estabelecer o Memórias Reveladas como projeto piloto da Rede Nacional de Cooperação e Informações Arquivísticas; e valorizar a memória nacional, por meio da divulgação de projetos, exposições, multimídia, concurso monográfico e outros produtos que venham a disseminar a informação sobre o período. Os recursos, no momento, são recursos próprios, orçamentários e financeiros, dos parceiros do Projeto Memórias Reveladas e do próprio Arquivo Nacional. Foram captados recursos também por intermédio da Lei Rouanet, na modalidade mecenato, por meio da ACAN, que é a Associação Cultural do Arquivo Nacional, em ações em nove Estados, recursos esses que foram utilizados para aquisição de equipamentos, material de consumo e contratação de serviços. Então, a PETROBRAS apoiou os arquivos estaduais do Espírito Santo, do Paraná e de São Paulo; o Banco do Brasil os de Minas Gerais, Alagoas, Ceará, Sergipe e Rio Grande do Norte; a ELETROBRAS o Arquivo Público do Rio de Janeiro; a Caixa Econômica o Arquivo Público do Maranhão e o de São Paulo; e o BNDES, por fim, os de Pernambuco, Rio Grande do Sul e Goiás. Então, esses recursos estão sendo alocados nessas instituições para a contratação de serviços e de equipamentos; os serviços referem-se a pessoas que vão organizar e tratar essa documentação seguindo a orientação técnica do Arquivo Nacional, e os equipamentos são scanners, computadores, enfim, todos os recursos de informática e de mídia para que essa documentação, depois de organizada, possa ser acessada por todos os cidadãos. Um outro desafio, entre os muitos desafios que temos nesse campo, entre a questão de localização, abertura dos acervos e disseminação dessas informações, foi o edital de chamamento público de acervos, que foi feito a partir da criação do centro. Aqui, a questão é sensibilizar portadores de acervos, portadores privados de acervos, porque, no nosso caso, nós da área federal já temos a previsão legal de que todo o acervo dos órgãos de repressão já extintos, não mais vigentes, vai para o Arquivo Nacional depois de identificado e localizado. Aqui temos um outro braço do mesmo trabalho de localização e identificação de acervos, que é a mobilização da sociedade, a sensibilização de pessoas que ainda detêm acervos, até mesmo públicos, porque muitas pessoas têm acervos públicos em seu poder e fazem doação. Foi o caso, por exemplo, de uma jornalista que nos entregou mil páginas de documentação sobre a Guerrilha do Araguaia, documentação essa Agosto de 2011 produzida pelo Exército. Então, com esse chamamento, que vai vigorar por mais um ano, tentamos buscar novos acervos em mãos privadas sobre o assunto para compor o Centro Memórias Reveladas. E também, na mesma ocasião da criação do Centro Memórias Reveladas, em 13 de maio, o Presidente apresentou projeto de lei que será examinado no Congresso Nacional, que está em tramitação no Congresso para ser analisado, melhorado, incrementado, o Projeto de Lei nº 5.228, de 2009, que tenta organizar e legislar sobre a questão do acesso à informação, diminuindo o prazo de sigilo, definindo as autoridades que possam classificar essa documentação e sobretudo trabalhando para a transparência do Estado brasileiro, para que a informação que não seja sigilosa, que não seja de caráter pessoal, esteja disponível a todos os cidadãos interessados. Então, os acervos de interesse do Memórias Reveladas são arquivos acumulados pelo Poder Público e por entidades privadas, podendo a documentação ser desde publicações, vídeos, documentos mesmo, produção científica literária – tudo que envolve o período é objeto do Centro Memórias Reveladas. Na concepção do centro, os parceiros do Memórias Reveladas vão preservar a custódia dos documentos atualmente sob sua guarda. Cada instituição indica um supervisor e uma equipe, que fica em interlocução com o Memórias Reveladas, fazendo todo esse trabalho de organização e disseminação da informação. A integração entre as instituições e entidades parceiras por intermédio da Rede Nacional de Cooperação e Informações Arquivísticas e a alimentação descentralizada de um mesmo banco de dados são os conceitos-chave do centro, que já conta hoje com 40 parceiros, instituições brasileiras e estrangeiras. Aqui damos só uma visão dos parceiros que já têm um protocolo com o Arquivo Nacional assinado e os pontos no País. Nós sabemos que a malha de arquivos no País é imensa. Temos arquivos estaduais e municipais. Muitas universidades também detêm documentação pública. Há centros de documentação com documentação privada e pública sobre o período. E a melhor maneira de se conseguir uma comunicação de todas as informações é a partir dessa rede, em que os parceiros vão trabalhar em conjunto com o Memórias Reveladas, alimentando, preservando e tendo o controle de sua própria documentação. Esses primeiros slides e a minha primeira fala foram para mostrar a face externa do Arquivo Nacional, com todos os outros parceiros e as outras instituições arquivísticas do País. E internamente, qual é o trabalho que vem sendo feito pelo Arquivo Nacional, como detentor dos arquivos governamentais, sobre o período? Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Em 2005, como os senhores e as senhoras sabem, foi feito o decreto determinando o recolhimento do acervo do SNI, do Conselho de Segurança Nacional e da Comissão Geral de Investigações. Então, de lá para cá, de 2005 até hoje, foram recolhidos 39 acervos. Nós temos os Atos Institucionais, parte da Polícia Federal, cartas-denúncias endereçadas ao Ministro da Justiça à época; recolhemos recentemente o acervo da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República sobre a Comissão Geral de Inquérito Policial Militar, que funcionava junto à Presidência da República durante os Governos militares, e a Coordenação de Pesquisa do Arquivo Nacional, aqui em Brasília, realizou um importante trabalho, o de localizar todos os braços do SNI na Administração Pública Federal. Os senhores devem saber que as divisões de segurança em informações e as assessorias de segurança em informações povoaram a Administração Pública. Foram esses organismos, dentro da Administração Pública, nas empresas públicas e nas autarquias, que controlaram a atividade de todos os funcionários e as atividades‑fim de cada órgão. Nós fizemos uma pesquisa no acervo do SNI, sob nossa guarda, e identificamos, com comprovação documental, 249 estruturas de divisão de segurança e informações e assessorias de segurança e informações. De posse dessas informações, todos esses documentos foram encaminhados aos Ministros das respectivas pastas para que eles, de posse dessa comprovação e dessa documentação, orientassem em seus Ministérios a localização e a entrega desses acervos ao Arquivo Nacional. Então, esses são os resultados destes dois anos de identificação em vários Ministérios. Nós conseguimos localizar, para que fosse recolhido, um importante acervo, bem grande; é um dos maiores acervos que nós temos, o da Divisão de Segurança e Informações do Ministério das Relações Exteriores. E no meio dessa documentação nós encontramos um fundo completo, um outro acervo, muito importante também, que fazia todo o monitoramento dos exilados e brasileiros no exterior, que é o Centro de Informações do Exterior no Ministério das Relações Exteriores, em que os diplomatas brasileiros sediados nas embaixadas faziam o trabalho que era necessário para o SNI. Então, toda essa documentação já está recolhida ao Arquivo Nacional, como comprovação de todo o monitoramento, o controle sobre a população brasileira que se opunha ao regime. Todos os núcleos do SNI nos Ministérios da Saúde, da Fazenda, da Agricultura, todos os núcleos do SNI em todas estas empresas: na SUDEPE, no BN- Terça-feira 23 43865 DES, na TELEBRÁS, na FUNAI, nas universidades, na UnB, em Furnas, na Fiocruz, na Energética do Piauí, na ELETROBRÁS, todos eles foram localizados a partir do nosso trabalho de identificação, e nós podemos comprovar que eles existiram. E todos esses acervos já estão no Arquivo Nacional; 90% deles já estão disponíveis para atendimento, tanto para as certidões probatórias da Comissão de Anistia como para a certidão declaratória de qualquer pessoa física. Temos ainda aqui a Divisão de Censura de Diversões Públicas, a Companhia Docas, o Conselho Nacional de Energia Nuclear, a Rede Ferroviária, a Comissão Especial de Investigação do Banco do Brasil, uma parte do DASP e da Medicina da Universidade Federal de São Paulo. Bom, o que podemos dizer hoje? Já demos uns dois passos, talvez, num universo que cada vez se mostra maior. A teia de órgãos secretos de informação e de repressão, principalmente de coleta de informações, que eram subordinados ao SNI, era muito grande. Nós conseguimos identificar 250, mas não conseguimos identificar, localizar e recolher ao Arquivo Nacional cerca de 10%. E alguns desses acervos são conjuntos pequenos de documentação. Quer dizer, fica um grande desafio para o Governo, para o Arquivo Nacional e sobretudo para a sociedade: que novos acervos sejam identificados e recolhidos, sem contar os três grandes acervos dos serviços secretos das Forças Armadas, que ainda não foram identificados e recolhidos ao Arquivo Nacional. Num balanço, foram recolhidos aqui a Brasília 39 acervos. Nós já atingimos 16 milhões de páginas de textos de documentos abrangendo o período militar, acervos governamentais produzidos pelos órgãos de repressão do regime militar. Nós temos também um papel muito importante, que é o de atender ao público, seja em uma questão mais temática, fornecendo informações via rede virtual ou via Memórias, seja no Arquivo Nacional, aqui em Brasília, onde fazemos um atendimento de comprovação de direitos, porque toda essa documentação que foi gerada para negar direitos hoje é uma documentação que, para nós, atesta e resguarda direitos que foram perdidos. Então, essa é uma maneira de resgatar esses direitos. Essa mesma documentação que negou os direitos, essa mesma documentação agora serve a direitos, com a comprovação de perdas, de danos, de vítimas, de mortes, de assassinatos. Então, nós atendemos a mais de 7.300 pessoas de janeiro de 2006 até agora em outubro, fornecemos 148 mil cópias de documentos originais às pessoas, e nós temos esse perfil de atendimento: jornalistas, um número pequeno; pessoas jurídicas; pesquisado- 43866 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS res acadêmicos, também uma parte pequena; mas o grosso do nosso atendimento são as próprias pessoas, em 40%, 41% dos casos na Comissão de Anistia – porque as nossas certidões são comprovatórias e atestam a perseguição política, sofrida –, e pessoas físicas, 53%, que na verdade se somam aos 90% de todas as pessoas vítimas do regime que buscam o Arquivo Nacional para atestar direitos e para a comprovação de perseguição política ocorrida durante a ditadura militar brasileira. Nós também temos o importante trabalho de fornecer ao Ministério Público e à Justiça documentos sobre vários temas. Estamos atendendo vários procuradores, além da sentença da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária, da Juíza Solange, sobre a Guerrilha do Araguaia. Então, nós fizemos um trabalho de atendimento a essa sentença, no qual nós conseguimos definir, dentro da base de dados do SNI, todos os dossiês que eram citados, os 24 mortos e desaparecidos, os autores da sentença. Estendeu-se a pesquisa para mais 31 mortos e desaparecidos, e nós chegamos ao fornecimento de 695 dossiês do SNI, que são bastante documentados e geram 21.319 páginas de documentos. Então, o que nós temos recolhido hoje no Arquivo Nacional foi mapeado, foi levantado, foi copiado e entregue à Justiça, além do que todos os familiares já têm de posse os documentos do seu próprio familiar, os documentos a ele referentes. A minha intenção hoje, neste evento, era apresentar aos senhores e às senhoras o estado atual, realmente, dos trabalhos desenvolvidos, as questões que ficam, e sobretudo um ponto muito importante para nós: há ainda muito trabalho a fazer, muito a avançar. Muitas discussões e trabalho mesmo têm de ser feitos para que realmente se chegue ao ponto – como se clama e como todos os senhores precisam, querem, e a sociedade toda também quer – em que os acervos sejam localizados e abertos à sociedade brasileira, porque além do direito à memória, à verdade, também há a questão do direito à justiça, e a construção da História brasileira passa por esses três pilares. Muito obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Registro a presença da Deputada Janete Capiberibe, do PSB do Amapá, que também é integrante da nossa Comissão; e também o Deputado Domingos Dutra, do PT do Maranhão, está representado aqui por sua assessoria. Apresento também o nosso Governador do Maranhão, que foi cassado, Deputado Jackson Lago, e do seu irmão, também nosso companheiro aqui (palmas). Sejam bem-vindos a este nosso seminário. Agosto de 2011 Não sei se o Sr. Benedito Ferreira Marques já chegou. Não? Então, vamos passar a palavra ao Sr. Martín Almada, advogado paraguaio e Prêmio Nobel Alternativo da Paz de 2002. (Palmas.) O SR. MARTÍN ALMADA LAUREADO (Exposição em espanhol. Tradução simultânea.) – Enquanto as Forças Armadas da América Latina não reconhecerem publicamente os seus erros, não se fecharão nossas feridas. Repito: enquanto as Forças Armadas da América Latina não pedirem perdão, não reconhecerem publicamente os seus erros, não se fecharão nossas feridas. (Palmas.) Reclamamos justiça. Tanto a tortura como o genocídio são o fracasso da condição humana, são o fracasso da inteligência e do amor. A tortura é um atentado contra a própria vida. Ela tem o poder não somente de atormentar as pessoas para conseguir informações, não! Serve também para destruir a pessoa. No Paraguai, em Assunção, eu fui torturado durante 30 dias. Em novembro de 1974 fui torturado pelos agregados militares da Argentina, do Brasil, da Bolívia, do Chile, do Uruguai, e por militares paraguaios. Tratava-se de uma Operação chamada Condor. Em novembro de 1994. Aprende-se a torturar. Meus torturadores, a maioria dos meus torturadores fizeram cursos especializados na Zona do Canal do Panamá. E no Brasil havia um centro de tortura, um centro secreto, em Manaus, e os paraguaios e os chilenos vinham para cá para aprender a nos torturar lá no Paraguai. A tortura é o ingresso no inferno, e ninguém, ninguém regressa íntegro do inferno. (Palmas.) A tortura gera uma cadeia de vítimas que se estende às famílias, à comunidade. A tortura afeta toda a sociedade. A ação de torturar é uma grave violação do direito à vida e à segurança, e produz um conjunto de violações aos direitos sociais e econômicos. A impunidade gera mais corrupção e mais repressão. Nossa luta tem de ser contra a impunidade exatamente porque a impunidade gera mais corrupção e mais repressão. E na América Latina há ainda milhões de famílias destruídas que ainda não podem elaborar suas dores. As causas que se abriram em tribunais estrangeiros contra os militares do Cone Sul mostram a falta de coragem. Nós chilenos, argentinos e brasileiros tivemos que recorrer a juízes estrangeiros, a juízes espanhóis, porque aqui na América Latina não havia juízes que tivessem coragem de processar esses criminosos. Aos nossos juízes, faltou-lhes coragem! Não tiveram coragem! Neste tempo em que vivemos, é pouco frequente a notícia de que a justiça existe realmente. Então, eu deixo aqui uma mensagem: os petroleiros desde 1964 Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS estão reclamando justiça, e os juízes não os escutam, não decidem em favor dos petroleiros, que estão aqui presentes. O que está acontecendo com a nossa Justiça? Em nosso tempo é pouco frequente a notícia de que existe justiça. A impunidade é o reflexo da ausência de uma autêntica democracia. Aqui a democracia existe somente de faixada, é uma democracia de baixa intensidade. Esta é a democracia da América: a democracia de baixa intensidade. Temos de identificar os responsáveis, temos de encontrar os restos dos presos desaparecidos e fazer a reparação econômica, social, política e jurídica das vítimas e de seus familiares. Também se impõe essa necessidade em relação aos milhões de casos de presos políticos, exilados, torturados e despedidos do seu trabalho. Resulta-nos, no Paraguai, difícil de entender que os repressores do passado hoje usem de privilégios, e que a grande maioria de nós que lutamos pela liberdade continuemos sendo discriminados e excluídos da vida social e política. Nós que lutamos por esta liberdade continuamos sendo discriminados! A Lei de Autoanistia que se impuseram os comandantes militares na década de 80 continua em vigor. Hoje o aparelho de Justiça nos países do Cone Sul permite à Corte Suprema deixar em liberdade os torturadores, os cúmplices, os encobridores. E eu pergunto: que tipo de sociedade é esta nossa, esta em que estamos vivendo hoje, em que se tira a vida de um cidadão e não há um político, não há um juiz que diga: vamos procurar os nossos presos desaparecidos? Ninguém! Os responsáveis têm nome e sobrenome, mas não respondem pelos seus crimes. Quero lembrar aqui uma mensagem muito bonita, muito forte, de um promotor público alemão que resistiu ao nazismo. Em 1961, disse Fritz Bauer: “Todo aquele que comete um crime de lesa-humanidade não pode amparar-se debaixo do slogan: “Eu só cumpri as ordens dos meus superiores”. Disse o promotor alemão: “Há de ter a nobreza de vir à justiça descobrir todos os crimes oficiais que se ordenaram, de sentir espanto diante da barbárie, para que a própria dor desemboque na fúria que lhe outorgue a força liberadora e a coragem de deixar desnudos os culpados. Temos de dar nome e sobrenome aos criminosos, deixar que encarem o seu crime, porque esse é o único modo de honrar as vítimas e salvá-las do esquecimento”. Esse é um convite para que mantenhamos viva a memória, porque a memória é um espaço de luta política. Por isso queremos a abertura total dos arquivos, queremos liberdade, queremos justiça. Isto é a memória: a memória é um espaço de luta política. Terça-feira 23 43867 Muitos dos civis e dos militares apropriaram-se do patrimônio de suas vítimas. E até hoje os militares do Paraguai estão preocupados com suas responsabilidades, em vez de contribuírem para o reencontro desta sociedade latino-americana. A mim me detiveram, torturam-me, mandaram-me embora do país durante 15 anos, e confiscaram todos os meus bens. Quem ficou com meus bens? Juízes, fiscais, militares e policiais. Isso que aconteceu comigo aconteceu a muitos dos senhores e na América Latina. Por isso reclamamos justiça. A justiça na América Latina pede a gritos uma revisão total, para coibir a corrupção generalizada na qual ela está imersa, nas mãos de políticos inescrupulosos, fiscais e juízes imorais, juízes e fiscais com medo e corruptos, advogados corruptos que não se importam com a justiça. É evidente que alguns juízes são simplesmente apêndices dos poderes políticos. Qual é a obrigação de um juiz? É escutar aquele sistema econômico-político exclusivamente, perseguir sua missão de brindá-lo com o devido amparo! Os juízes na América Latina convertem‑se em verdugos dos mesmos a quem devem resguardar e proteger. Nossos juízes são nossos verdugos! Por isso não há justiça na América Latina. Não é o passado o que nos divide, a nós paraguaios, argentinos e brasileiros. Não é o passado! O que nos divide é a falta de justiça. Temos sede de justiça. Lamentavelmente, muitos funcionários públicos do Estado repressor de ontem passam hoje a ser, sem problemas, funcionários da democracia. Há muitos funcionários que foram repressores ontem. Para esse efeito, os poderes supostamente democráticos surgidos depois da Operação Condor – como os Congressos – e os poderes policiais continuam ocultando todo o passado, como se nada tivesse acontecido. Quem são os cúmplices dos nossos repressores? Os Congressos, os juízes e os Poderes Executivos. Destacamos que a repressão selvagem foi utilizada por alguns grupos econômicos e financeiros pela força armada para neutralizar qualquer tipo de oposição popular ao programa neoliberal de ajuste, ao programa neoliberal selvagem e criminoso. A América Latina está à margem da lei. A Justiça no Cone Sul funciona muito lentamente. Por isso Pinochet, Videla, Massera, Figueiredo, Stroessner e seus sócios militares na região cometeram seus crimes de lesa‑humanidade na década de 70. No Brasil, chamou-nos a atenção o fato de que um funcionário da própria ONU, em 14 de novembro de 2009, tenha questionado a impunidade que o Estado brasileiro concedeu aos atores de violação dos direitos humanos durante a ditadura militar. A investigação 43868 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS e a punição dos delitos durante a ditadura de 1964 a 1985 é um tema muito sensível, mas não há maneira de tratá-lo evitando-se reabrir o passado, disse esse alto funcionário da Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos. O enviado da ONU sustentou que o Brasil é o único país latino‑americano que não revisou os crimes do regime militar. Os países do Cone Sul têm um denominador comum: nós temos, no Brasil, na Argentina, no Uruguai e no Paraguai, Constituições progressistas e defensoras dos direitos humanos; porém, na prática não há correspondência entre as declarações e as ações consumadas. Nossa Constituição é muito declarativa, não defende os direitos humanos. Há uma crise aguda que atravessa o Cone Sul, a América Latina, em particular o Paraguai, onde há uma forte campanha de desprestígio, com o fim de desestabilizar o Presidente Lugo, simplesmente porque ele declarou que a justiça participativa tem que ser política ao Estado, porque a injustiça já gerou muita pobreza, e neste momento há uma grande conspiração contra o Presidente Lugo. Isso que ocorreu em Honduras os Estados Unidos querem repetir no Paraguai. Vivemos debaixo de governos constitucionais; repito: na América Latina, vivemos debaixo de governos constitucionais, mas não vivemos numa democracia. Isto não é uma democracia! Obama recebeu o Prêmio Nobel da Paz, e as bases estabelecidas para a entrega de tão importante prêmio são claras: dizem que se outorgará o Prêmio Nobel somente à pessoa que tenha trabalhado mais ou melhor em favor da fraternidade entre as nações, com a abolição ou a redução do armamentismo existente e a promoção do processo de paz. Esse é o regulamento para o Prêmio Nobel. Ora, o golpe militar contra o governo constitucional de Zelaya foi provocado pelo governo norte-americano no período já de Obama, que a partir de então se declara desestabilizador tardio da América Latina. Nesse sentido, na América Latina rendemos homenagens ao Governo brasileiro, ao povo brasileiro, pela solidariedade do Brasil com Honduras. Um aplauso para vocês! (Palmas.) Existem mais de 100 bases militares norte‑americanas no mundo; agora Obama quer instalar sete novas bases na Colômbia, para aguçar o conflito na região, a fim de instalar a guerra, e não a paz. E agrava-se a situação ao se premiá‑lo com o Nobel, porque se legitima a presença ameaçadora no Atlântico da Quarta Frota. Da Quarta Frota! Dessas sete bases militares na Colômbia, três são para controlar e monitorar o Brasil, três; e a Quarta Frota, convenhamos, para desafiar o Governo e o povo brasileiro, a Quarta Frota está posicionada sobre o pré‑sal. Fiquem de olho: a Quarta Agosto de 2011 Frota é para controlar o pré-sal! E isso nós não vamos permitir na América Latina! (Palmas.) O condor continua voando. A partir do ano de 1984, vem funcionando a “Escola de Assassinos” no Fort Benning, no Estado da Georgia, Estados Unidos, uma réplica da Escola das Américas. Até esta data graduaram-se mais de 64 mil soldados latino-americanos. Esses egressos da escola são os que articulam, organizam e realizam golpes de estado na América Latina. No caso de Honduras, foi um egresso da Escola das Américas que deu o golpe contra Zelaya. Estes são os países que continuam enviando militares, policiais e civis à “Escola de Assassinos”: Colômbia, Chile, Peru, Nicarágua, República Dominicana, Equador, Panamá, Honduras, El Salvador, Guatemala, Costa Rica, Paraguai, México, Jamaica, Belize, Brasil, Canadá, Barbados e Granada. Por que continuamos enviando nossos soldados à “Escola de Assassinos” se estamos numa democracia? Agora o mais grave é o caso do Chile. O Chile não somente envia seus militares, ele envia até os estudantes da Academia Militar. É tão fanático o país Chile – “socialista”, entre aspas – que manda soldados, policiais militares e estudantes da academia também. É uma vergonha o caso do Chile. Quem envia soldados, tropas para a escola de assassinos? Argentina, Venezuela, Bolívia e Uruguai. Não se justifica por enviar nossas forças para uma escola de assassinos. Nós pedimos ao Presidente Obama, quando assumiu, que fechasse essas escolas de assassinos porque estão sendo sustentadas com os impostos do povo norte-americano. E essas escolas de assassinos até se convertem em uma escola das Américas para os direitos humanos, para a defesa da nossa ecologia, para a educação popular, continuando o método de Paulo Freire. O silêncio foi a resposta do Presidente Obama, que diz ser Prêmio Nobel da Paz, mas que para nós é o Prêmio Nobel da guerra. (Palmas.) Sou advogado, e o que mais me dói é a injustiça. Por isso eu insisto em que, entre os males da democracia, a implementação da injustiça é o pior inimigo dos direitos humanos. Durante a ditadura, nós nos queixávamos de que no Paraguai não se sabia ler ou escrever, que lá era proibido pensar. Agora, na democracia, no Paraguai, também não lemos, não escrevemos nem pensamos; estamos piores em democracia. Existe uma sociedade velha que não quer morrer e uma sociedade nova que não pode nascer. O grande desafio é a custódia permanente desses tempos, o varrimento de golpe de Estado no Paraguai. Existe uma grande crise profunda. Os parteiros dessa nova sociedade já não serão os políticos, os Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS militares oportunistas, mas os atores sociais democráticos. E Fernando Lugo, nosso Presidente, na cabeça disso, lidera a corrente da Teoria da Libertação. Por isso é urgente alentar os pobres a constituir suas próprias organizações, porque possam assim tomar consciência de seus direitos coletivos. Nesse sentido, cabe também como modelo a Jesus Cristo, o Cristo deliberador, o Cristo herege contra a doutrina, contra a lei, contra o dogma no seu tempo, o Cristo revolucionário, assim como Ernesto Che Guevara. Enquanto as Forças Armadas não reconheçam seus erros, seus equívocos, não se fecharão nossas feridas. Descobrimos que a Operação Condor foi um pacto criminal e que a polícia Interpol fez um trabalho sujo. Depois de 80 anos de silêncio, acreditamos que agora seja hora de estabelecer todos os fatos da família latino‑americana. Esses militares da América Latina, em vez de defender seus territórios tal como nos manda a Constituição nacional, arremeteram contra o seu próprio povo. A gloriosa Força Armada do Paraguai se converteu em um baixo governo de Stroessner, em um governo militar, em um bando armado, em uma legião de assassinos impunes. Não há castigo para eles. Esse bando de assassinos generais, coronéis e capitães deixaram a morte se impor sem terra e sem repouso, e em um país que se declara católico. Novembro de 2009 – são 61 anos da Declaração dos Direitos Humanos, e não há nada para celebrar. Faz já 61 anos que continuamos com a hipócrita celebração. É hipócrita essa celebração porque esse documento é somente uma declaração; não tem força legal. Hoje, nós, na América Latina, em particular no Congresso Nacional, devemos falar mais de urgentes necessidades humanas, não de direitos humanos, mas de urgentes necessidades humanas. Deveria ser convertido em lei o asseguramento à alimentação, à saúde, à educação, à habitação, ao salário justo, ao abrigo, à proteção contra a tortura, à organização, à participação. O Paraguai está em perigo. Toda a região corre perigo. O Congresso paraguaio se converteu num centro de manobras contra o Presidente Lugo. Pode-se sentir, todos os dias, a resistência da oligarquia à vacina. Sente-se isso nos meios de comunicação do Paraguai. Devemos também abordar neste seminário a necessidade que propõe Marcelo Fabián Monges, um escritor argentino. Temos nós mesmos que resolver neste Congresso que os golpes de Estado sejam penalizados como crime contra a humanidade. Portanto, Terça-feira 23 43869 proponho que os golpes de Estado na América Latina sejam declarados crimes contra a humanidade. Qual é o papel das Forças Armadas? O verdadeiro inimigo do nosso povo é a injusta distribuição da riqueza, que gera pobreza, que gera miséria. E a nossa Força Armada é preparada unicamente para defender o seu povo, defender seus direitos humanos, seus territórios, seus recursos naturais e as autoridades surgidas de forma democrática. Existe a necessidade do controle civil sobre as Forças Armadas. Esse é o nosso direito no Brasil e na América Latina: o controle civil sobre as Forças Armadas, para se superar as práticas originais impostas pela doutrina da segurança nacional, da tortura e do genocídio. Coloca-se a necessidade de um estrito controle civil da sociedade, partindo-se da base de que a soberania vem do povo, habita no povo. O Poder Executivo da América Latina deve submeter à consideração da sociedade civil e à consideração da Organização dos Direitos Humanos nome e sobrenome dos militares e policiais que vão ascender. E todos aqueles policiais militares que têm as mãos manchadas com sangue do povo devem ser expulsos das fileiras das Forças Armadas. Ouvi com atenção a exposição da senhora sobre os arquivos, sobre os museus no Brasil. Estou impressionado, de forma grata, com a maneira como estão fazendo esse trabalho. Parabéns pelo seu trabalho! Nós temos encontrado no Paraguai vários arquivos. Recentemente, revolvemos uma tonelada de documentos no sótão do Ministério da Defesa. Uma tonelada de documentos da Operação Condor. Por exemplo, eu trouxe aqui uma folha para mostrar a vocês. Diz: “12 de novembro de 1981”. Que governo existia no Brasil? Democrático, na verdade, ou não? Em 1981. O que diz o relatório secreto paraguaio Stroessner? Bom, tem segredos ultrassecretos, atividades subversivas, comandos de segunda divisão. Em 31 de outubro de 1981 foram apreendidos em Porto Meira – vocês conhecem Porto Meira? –, Brasil, por funcionários da fronteira e da Polícia Federal, vários livros e folhetos escritos por paraguaios opositores ao governo de Stroessner. Os livros e folhetos foram sequestrados. Pode ter sido paraguaio o cidadão que queria introduzir livros no Paraguai e no Brasil. O que fizeram as autoridades brasileiras? Vejam o livro Paraguai, Educação e Dependência de Martin Almada. A Polícia Federal brasileira sequestrou esse livro. Isso foi no ano de 1981. O General Figueiredo, pelos artigos secretos, foi várias vezes dar palestras contra a insurgência no Paraguai, quando era diretor do SNI ou alguma coisa nesse sentido. Várias vezes foi lá formar militares paraguaios. 43870 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O que existia no sótão do Ministério da Defesa? Estavam ali os documentos secretos, anos 1960/70, em que o império de Washington ordena, nos diz que as Forças Armadas do Paraguai têm de criar serviços de inteligência; que o Primeiro Corpo do Exército, o Segundo Corpo do Exército, todos os Corpos do Exército teriam de ter serviço de inteligência para controlar o nosso povo. Encontramos todas as implicações de Washington com a repressão no Paraguai e na América Latina. Em 6 de março de 2008 foi o Presidente da Alemanha ao Paraguai. E ali, como parte do protocolo, visitou o Museu das Memórias do Paraguai. Sou um dos diretores desse museu. Nos perguntou o Presidente alemão: “Do que vocês precisam?” Nós lhe dissemos: “Precisamos de um museólogo e que a Alemanha abra os seus arquivos de relações exteriores e forças armadas.” O Presidente alemão enviou um museólogo imediatamente. Agora temos uma carta do Governo alemão que nos diz que o arquivo está à disposição da América Latina. Nos diz uma parte da carta que ali existe um material sobre repressão política no Paraguai e em outras ditaduras sul-americanas. Somente no primeiro ano da Operação Condor (1976), há três tomos com fatos individuais sobre refugiados chilenos. Então, a Alemanha abre os seus arquivos. Por isso, Sra. Representante do Arquivo no Brasil, coloco essa Carta à disposição do Brasil para que nós possamos recuperar os arquivos da Alemanha, França, Espanha e mostrar que todas as ordens vinham de Washington e que a reparação econômica deve vir também de Washington. (Palmas.) Estamos juntando toda a documentação para ir à Corte Internacional de Haia para requerer dos Estados Unidos uma indenização. Temos de ser indenizados pelos golpistas norte-americanos! Finalmente, termino com isso, convocamos a todos os militares da América Latina que conheçam delitos de violação dos direitos humanos. Não falamos, mas convocamos a todos os militares que façam isto pela saúde da nossa incipiente democracia na região, por motivo da celebração do Bicentenário da Independência Nacional. Então, que os militares façam isto, que peçam desculpas, que peçam perdão. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Muito obrigado, Martin Amada, pela sua contribuição. Nós, brasileiros, precisamos, além de revelar os arquivos da repressão, fazer a Comissão da Verdade, como outros países fizeram. Infelizmente, no nosso Agosto de 2011 País ainda não se conseguiu instalar essa comissão, mas lutamos para que isso ocorra. Pois não, Martin. O SR. MARTIN ALMADA LAUREADO (Exposição em espanhol. Tradução simultânea.) – Esqueci de falar, sem querer, pela emoção natural, duas coisas que gostaria de dizer. A Escola das Américas na Zona do Canal e aquele Forte foram os que organizaram o Golpe Militar contra o Presidente Chávez, na Venezuela. Segundo: digo à senhora representante do Arquivo do Brasil que o Paraguai coloca à disposição do Brasil todos os seus arquivos sobre a Operação Condor. Colocamos à disposição do Brasil todos os nossos arquivos. E gostaria de pedir ao Brasil justiça. Peço justiça! O Presidente Lula sempre fala da integração regional, e não pode haver integração regional quando o Brasil se apoderou da nossa memória. Aqui no Rio de Janeiro estão os arquivos da Guerra de 1870. Nós entregamos os nossos arquivos, e agora peço ao Brasil que entregue os nossos arquivos de 1870. É injusta a posição brasileira de esperar 50 anos mais. Não se podem consultar esses arquivos do Paraguai. Por que isso? Eles perguntam por quê? (Palmas.) A Inglaterra ordenou ao Império do Brasil, naquela época, não ao povo brasileiro, que destruísse aquela experiência paraguaia, a mais revolucionária, um socialismo de Estado em 1870. Naquela época, no Brasil existiam 90% de analfabetos, a Argentina tinha 80%, enquanto o Paraguai tinha 10% de analfabetismo somente. (Palmas.) Então, peço neste congresso que seja feita uma resolução, neste Seminário Latino-Americano, para que o Brasil devolva ao Paraguai os seus arquivos. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Quando anunciei a presença do ex-governador do Maranhão, cometi um erro. Acho que porque o irmão é Wagner e o outro é Jackson. Mas o outro que anunciei, o Jaques Wagner, é um lutador pela democracia, e também militou contra a ditadura militar. Quero registrar que o nosso Governador foi injustamente cassado. Consideramos que o povo do Maranhão o elegeu de forma soberana, e teve retirado o seu Governador do Palácio por um grupo que se acha dono do Maranhão. Mas a democracia será vitoriosa! Quero registrar a presença do companheiro Jackson Lago, histórico militante da luta pela democracia no Maranhão e no Brasil. (Palmas.) Quero também registrar a presença do nosso companheiro, ex-Deputado Federal e irmão de Jackson Lago, Wagner Lago, e a presença do Deputado Chico Lopes. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Convido o Relator desta Mesa, o Sr. Aleinaldo Batista, para que faça uso da palavra. (Pausa.) Ele não se encontra presente. Dando continuidade ao nosso seminário, faremos agora uma homenagem às personalidades que atuaram contra o regime de exceção e pelo retorno à democracia, contra o regime de ditadura que tivemos em nosso País. Para entregar a placa ao nosso grande lutador, representando todos os camponeses que sofreram repressão e tortura, que foram assassinados, que lutaram contra a ditadura, em favor da liberdade e da democracia, e que lutam hoje em favor do direito à verdade, à memória e à justiça, convido o ex-governador Jackson Lago, que vai entregar a placa comemorativa ao nosso grande lutador, Manoel da Conceição. (Palmas.) Tanto a pessoa que entrega como o homenageado podem usar da palavra para agradecimento ou para realçar algo acerca do homenageado. (Palmas.) Pode ler a mensagem, Jackson, para que todo mundo tome conhecimento. O SR. JACKSON LAGO – “Aqueles que lutam toda a vida; esses são imprescindíveis.” Brecht. Manoel da Conceição, o 3º Seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos Manoel da Conceição, promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, da Câmara dos Deputados, e por anistiados e ex-perseguidos políticos do Brasil lhe confere o título de “imprescindível” por sua luta a favor dos direitos humanos. Brasília, 25 de novembro de 2009 (Palmas.) Eu gostaria de dizer que para mim é muito gratificante e honroso entregar esta placa ao Manoel da Conceição, cuja vida acompanho desde a segunda metade da década de 1960. Temos estado muito próximos. Para mim é profundamente honroso entregar esta placa ao Manoel da Conceição. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Quer falar, Manoel? O SR. MANOEL DA CONCEIÇÃO – Primeiramente, em nome desta Comissão de Direitos Humanos, do Grupo Tortura Nunca Mais e de todos os companheiros que, ao longo da história, estão nessa luta contra as ditaduras não só no Brasil, mas também na América Latina, dessas pessoas que lutaram, que deram a vida – alguns ainda estão vivos por aí, talvez muito machucados –, eu gostaria de agradecer de coração e alma a todos os que estão neste plenário e nesta Mesa, participando deste evento. Quero dizer a vocês que não sei se tenho o merecimento de ser homenageado nesta Casa por causa dessa luta da qual participei. Nós somos centenas, nós Terça-feira 23 43871 somos milhares de pessoas. Muitos até já morreram, alguns porque os mataram, enquanto outros desapareceram. Não posso testemunhar que os mataram; só sei que desapareceram. Mas eles estão aí. Para mim, estão vivos ainda, em algum lugar, mesmo que seja em um lugar aonde não se possa ir. Mas eles sabem de tudo o que eu falei sobre o que aconteceu com o Manoel da Conceição nos porões da ditadura, por onde passei. Mas eu gostaria que todos estivessem vivos, porque eu tenho certeza de que alguns deles também passaram por lá, para testemunharem o que nós passamos, não eu apenas, mas centenas de outros companheiros e companheiras. Eu ainda hoje choro. Lamento que tantos companheiros e companheiras, que eu tanto amava, pelo trabalho que fazíamos durante todo esse período, tenham de repente desaparecido, simplesmente. E os que os levaram nunca disseram onde eles estão – se jazem no mar, ou se na floresta, debaixo do chão. (Palmas.) Nunca eles tiveram a coragem de dizer onde os botaram. Eu gostaria que um dia essas injustiças fossem julgadas, não para se fazer o que eles fizeram, mas para se fazer justiça em relação a todos nós. Quero parar por aqui e pedir desculpas porque estou me alongando bastante. Eu agradeço de coração e alma, e digo aos companheiros que vou continuar nessa batalha. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Agradeço ao Manoel da Conceição. Inclusive, este Seminário recebe o seu nome. Convido agora o Deputado Chico Lopes a fazer a entrega da Comenda ao Sr. Modesto da Silveira, que representa neste momento todos os advogados que lutaram contra a ditadura, pela liberdade e pela democracia. (Palmas.) O Deputado Chico Lopes e também o nosso ex-Deputado e advogado Modesto da Silveira poderão usar a palavra, se quiserem. O SR. DEPUTADO CHICO LOPES – Vou ler a Comenda: “Há aqueles que lutam toda a vida, e esses são imprescindíveis – Brecht. MODESTO DA SILVEIRA, o III Seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos Manoel da Conceição, promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, e anistiados e ex-perseguidos políticos do Brasil conferem-lhe o Título de Imprescindível, por sua luta em favor dos direitos humanos. 43872 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Brasília, 23 de novembro de 2009. (Palmas.) Bom dia a todas as mulheres presentes. Bom dia a todos os homens. Quero falar da alegria da Comissão de Direitos Humanos, que está promovendo este seminário, e dizer algumas palavras. Essa luta pela anistia parece-me que vai ter que continuar com muito mais força. Quero fazer uma solicitação ao Padre Couto, ao mesmo tempo em que lhe faço uma homenagem, no sentido de que forme uma comissão para pedir uma audiência ao Ministério da Justiça ou ao Ministério da Defesa, para se resolver, de uma vez por todas, quem é que manda: o Ministério da Justiça ou o Ministério da Defesa? (Muito bem!) Em um governo popular como o do Lula – o Brasil melhorou muito depois dele, ninguém pode negar – não podemos ficar ainda sob o tacão de algum oficial que acha que o regime militar ainda não passou. Não podemos aceitar isso de maneira nenhuma! (Palmas.) E não podemos aceitar a imposição de uma justiça de maioria conservadora, que acha que deve decidir quem é terrorista e quem não é. Por isso nós já passamos, num passado bem recente, quando nosso retrato era apresentado como de terrorista – e o terrorismo que nós fazíamos era contra o regime militar, contra a imposição norte-americana a este País. Nunca fomos terroristas; sempre fomos lutadores pelas causas populares e pela democracia. (Palmas.) Se hoje nós temos um operário no poder, isso foi fruto do esforço de todos os brasileiros que fizeram com que chegássemos a este ponto. Portanto, quero a minha amizade particular, mas quero pedir ao Deputado e Padre Luiz Couto, Presidente desta Comissão, que não dobra caminho nem tem medo de cara feia, que peça uma audiência para dizer que nós somos contra isso. Mas tem que dizer mesmo, porque, se não disser, nem sei para onde eu vou. Eu quero estar presente, porque já estive no tribunal, já fiz o possível. No Ceará, a Deputada Maria Luiza, também lutadora, sabe do nosso compromisso. Sem estrelismo, sem querer aparecer, se faço isto é porque é minha obrigação. Quero homenagear os guerrilheiros, as pessoas que, no Araguaia, junto com o meu partido, fizeram uma luta; não só do meu partido, mas de diversos. Portanto, Deputado Luiz Couto, o Modesto, o Padre Barroso, a Wanda Sidou e tantos advogados representam... Não tínhamos dinheiro, mas eles estavam lá para defender os nossos direitos. (Palmas.) E mais: precisamos continuar a nossa luta pelo pré-sal, para unificar o povo brasileiro e desenvolver o País, e não ficar nessa lenga-lenga sobre quem Agosto de 2011 pode mais e quem pode menos. Nós temos obrigação de participar disso porque nós continuamos amando este País, respeitando e brigando pela democracia e por uma sociedade mais justa, para aqueles que não acreditam, com bem-estar social, que não é esta em que nós estamos vivendo. Obrigado. Até logo. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Muito obrigado, Deputado. Nós já pedimos essa audiência ao Presidente Lula. Inclusive, a audiência foi encaminhada. O Senador Nery pediu àquelas pessoas que também estiveram presentes à Papuda e ao Conselho Nacional de Justiça, e nós mandamos um documento solicitando essa audiência. Com a palavra o Modesto. O SR. MODESTO DA SILVEIRA – Todos nós já sabemos que todos os dias são históricos no Brasil e no mundo. Para nós, este dia é dos mais históricos, e não só, no meu caso, pela honra de estar aqui como convidado, sendo homenageado em nome de tantos brilhantes advogados que sofreram por e com vocês todos e milhares de outras pessoas, como no de Manoel da Conceição, que é um ícone de sofrimento, ao lado de tantos outros, no de Raimundo, jornalista, todos sabem do seu sofrimento. Enfim, Honestino Guimarães e Carlos Marighella. Este mês completam-se 40 anos desde que Marighella foi assassinado, um homem que foi, dentre tantas coisas, Deputado Constituinte de 1946. Quando morto – assassinado, segundo os dados oficiais, pelo famigerado assassino Fleury –, eu disse aqui, enquanto Deputado, que outro corréu confesso foi o famoso Harry Shibata, que, parece, não só chibateava, mas assassinava na mesa em que ele recebia para fazer autópsias. Digo isso porque ele confessou. Há documentos da época à vontade. Ele disse: “Dei extrema-unção ao Marighella”. Todos sabem que “extrema-unção” – entre aspas – significa que o cidadão está em risco de vida, mas que ainda está vivo. Ele, médico legista, recebeu na sua mesa de autópsia Marighella ainda vivo. Em vez de dele cuidar, como médico que era, o que ele fez? Deu-lhe a “extrema-unção”, talvez uma futucação, como dizem os médicos legistas; aliás, os médicos, em geral, que forem cirurgiões. Eu afirmei aqui, enquanto Deputado, que Shibata matou o Marighella. É coassassino, junto com o Fleury. E disse: Shibata, seguramente, também matou o Marighella, dando-lhe a “extrema-unção”, ao invés de lhe dar assistência médica, que era o seu dever precípuo como médico. Estou dizendo essas coisas apenas por dever de breve lembrança. Quando vi a cara do Marighella, de quem me lembrei... Quando solicitado para conversar Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sobre essa problemática na época, eu dizia a seu filho que o Marighella era tão cauteloso e tinha tais prioridades que, quando acabava de jantar, pegava o miolo de pão e limpava o prato, de maneira que a dona da casa não teria nenhum trabalho em lavá-lo, porque ficava limpinho! Era um hábito do Marighella. É claro que isso é apenas uma das cachoeiras de histórias que correm pela minha cabeça abaixo. Se eu pudesse contá-las, não faria um livro de história, mas uma enciclopédia do terror que ocorreu neste País durante os 21 anos de terror de Estado. Não é terrorismo; é terror de Estado Enquanto nós éramos simples ousados em defendê-los, Sobral Pinto, nosso decano, Heleno Fragoso, Evaristo de Morais, Vivaldo Vasconcelos, Jorge Tavares, Augusto Sussekind, esses nossos companheiros tentavam salvar vidas, minimizar as torturas. (Palmas.) E por essa ousadia todos nós também fomos sequestrados e sofremos formas de tortura, que poderiam também entrar na enciclopédia do terror brasileiro de 1964 a 1985, como descrito muito bem aqui pelo amigo Martin Almada, em todo aquele dominó de quedas sucessivas pela América Latina, comandada pelo mesmo generalíssimo império do Norte. Cachoeiras de histórias eu poderia contar, a partir desses advogados e de tantos outros –– do Manoel, que era lá do Maranhão, ou dos clientes da Ronilda, dos clientes do Eloá Guazelli, em Porto Alegre, ou do Paulo Cavalcanti, de Recife, e tantos outros; e de toda a parte do Brasil, onde todos passavam pela mesma democracia do terror. Todo dia é histórico e hoje são muitas histórias, inclusive algumas nos envolvendo. Aliás, algumas estão acontecendo. Por exemplo, dizia o Chico, dizia a Maria Luiza: o Cesare Battisti algum político vai entregar? É possível que alguém ouse, é possível que um líder operário, Presidente da República, ouse entregá-lo a um outro assassino, que tenta reviver o fascismo italiano? É possível isso, entregar um assassino para mais um assassino que cometeu e continuará cometendo crimes pela Itália afora, tentando reviver o fascismo mussoliniano? (Muito bem!) Eu nem sei que história contar. Posso contar histórias trágicas, cômicas. Aliás, cômicas raras. Quase toda a comicidade está inserida na tragicomédia do período. Não vou contar, porque vocês foram testemunhas, vítimas de todo esse processo, tanto quanto eu, e tanto quanto as centenas que não conseguiram sobreviver. Em debate com um Almirante, nos 30 anos da Lei da Anistia, na Rádio Band, ele dizia: “Faixa livre”. Havia um general debatendo comigo e que disse qua- Terça-feira 23 43873 se o que o outro dizia, porque eles falam em carimbo de mentiras. Eles diziam: “As vítimas não foram 300”. E eu dizia a ele: “O senhor tem razão, não foram 300, não foram 3 mil nem 30 mil; nem sequer foram 300 mil vítimas no Brasil, de forma direta ou indireta. Se quiser, podemos fazer uma aritmética simples aqui e agora”. Ele não quis, eles não quiseram. E, de fato, só neste plenário vejo aqui algumas dezenas de ex-clientes meus e dezenas de outros advogados que tiveram, como eu, centenas de clientes. Só aqui, seguramente, eu tenho mais de 300 vítimas. Para encerrar esta conversa, levante a mão quem foi vítima, direta ou indireta, para ver se talvez aqui tenhamos 300. (Pausa.) Só aqui o general teria uma resposta, como nós temos agora. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Obrigado, Dr. Modesto da Silveira, que representa todos os advogados e advogadas que também sofreram as consequências da ditadura militar. Convido agora o jornalista Jarbas Marques, para que possa fazer a entrega ao também jornalista Raimundo Pereira, que representa neste momento todos os jornalistas que não se submeteram às pressões, que denunciaram os desmandos da ditadura militar e que continuam hoje lutando pela liberdade, pelo direito à memória, pela verdade e justiça. (Palmas.) O SR. JARBAS MARQUES – Vou ler a Comenda: “Aqueles que lutam toda a vida, esses são imprescindíveis – Brecht. RAIMUNDO RIBEIRO, o III Seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos, Manoel da Conceição, promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, da Câmara dos Deputados, e anistiados e ex-perseguidos políticos do Brasil conferem-lhe o Título de Imprescindível, por sua luta em favor dos direitos humanos. Brasília, 23 de novembro de 2009.” (Palmas.) A organização do 3º Seminário Latino-Americano me deu a honra, como jornalista, de passar este Título ao grande jornalista da resistência, o Raimundo. Nós estávamos presos, e passávamos entre nós documentos clandestinos na cadeia. Eu fui um artesão, porque botei no calcanhar de muitas mães de presos políticos documentos que chegaram a ele. E ele, como editor do movimento em outros jornais, por exemplo, publicou o ofício do Figueiredo ao Contreiras, dizendo que iria aplicar o Código 12, no Juscelino, que foi o assassinato do Juscelino Kubits- 43874 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS chek de Oliveira. E, pelas minhas pesquisas, a mesma equipe que matou o Juscelino matou também o Presidente João Goulart. O que acontece? Esse mesmo que desempatou a favor do fascismo, está sentado há 9 meses em cima do processo que a D. Maria Teresa, o João Vicente e a Denise iniciaram. Eles entraram com um processo para responsabilizar o Governo dos Estados Unidos pelo Golpe de Estado de 1964. (Palmas.) Esses sabujos que usam o poder com toda a falsidade aparente, e a sua corrupção moral inerente, para a história terão um contestador, que é o editor dos jornais da resistência. Nós estávamos na cadeia, e ele correndo o risco de ir para a cadeia conosco! (Palmas.) O SR. RAIMUNDO PEREIRA – Agradeço enormemente por esta honra de representar os jornalistas que lutaram pela democratização no País, numa cerimônia tão comovente como esta, que não é só de nós, brasileiros, mas é também dos companheiros da América Latina. Eu me considero, com orgulho, representante da imprensa popular, que, muitas vezes, aqui no Brasil, é chamada de alternativa. Houve dezenas de publicações, e elas continuam na luta viva. Mas eu precisava destacar essa imprensa que viveu na legalidade precária da ditadura. Além dela, há outra imprensa. Pois quero destacar aqui dois aspectos dessa outra imprensa que a ditadura reprimiu, violentou. Existia a imprensa do empresariado progressista, hoje absolutamente raro no País. Queria homenagear Fernando Gasparian (palmas), que morreu no começo do ano passado. Fundador do Opinião, ele foi, se não me engano, um dos raros, senão o único, empresários cassados como lideranças sindicais. (Palmas.) Ele mobilizou os seus amigos no Brasil e no exterior, exilados, e fez o Opinião, um grande jornal, do qual fui editor. No final, nos desentendemos. Recentemente, fez 30 anos O Movimento, jornal que fundamos depois do Opinião, e nós o homenageamos como um dos combatentes da imprensa de defesa dos interesses democráticos e nacionais. Então, queria deixar registrada aqui uma homenagem ao Gasparian. Também, com profundo agradecimento, porque foram companheiros no período em que trabalhei nesse tipo de imprensa, de resistência legal, dentro dos limites da legalidade existente... Muitos companheiros estavam na imprensa clandestina. Foram cassados e mortos. Desde 1964, o trabalho de repressão à imprensa não foi de cortes de palavras ou de textos, mas de perseguição e de morte de companheiros que em gráficas clandestinas lutaram e deram exemplo. Aqui, sem destacar qualquer um deles, quero dizer que fo- Agosto de 2011 ram dezenas, centenas de companheiros da imprensa clandestina que lutaram e deram exemplo. (Palmas.) Então, eu recebo este prêmio em nome deles também. (Palmas.) Como está evidente, sou dos velhinhos. Já cheguei aos 70. Mas tenho ainda alguma disposição. Não costumo fazer planos, mas estou fazendo um, meio extravagante, de 10 anos para a frente. Acho que podíamos considerar que a luta continua. É preciso haver no Brasil uma imprensa popular de alcance amplo. A despeito das vitórias parciais que tivemos, não conseguimos uma coisa desse tipo. Algo que seja melhor do que foi o Última Hora, que seja de uma união das forças populares, que querem para este País um futuro melhor. A despeito de tudo que conquistamos, das melhorias, estamos vendo, como disse o Modesto, nos grandes tribunais do País, pessoas proferindo sentenças que podemos, do ponto de vista formal, respeitar, mas, do ponto de vista das nossas convicções, não respeitamos. Querer entregar o Battisti ao Berlusconi é um absurdo sem fundamento. (Palmas.) É preciso haver então uma imprensa que esclareça essas questões, e ela só pode surgir da unidade das forças populares, pela construção de um Brasil novo. Muita gente compara o nosso Presidente, uma pessoa extremamente sagaz, esperta, com Presidentes anteriores, ora com Juscelino, ora com Vargas. Precisamos de um Governo que seja melhor que o de Vargas, que morreu defendendo as causas nacionais. Especialmente em momentos como este, quando companheiros estão aqui para discutir a situação do petróleo. E é preciso estar atento às questões colocadas. O nosso Presidente foi recebido em Nova Iorque e em Londres pelos representantes das grandes petroleiras – algumas se apresentaram até como nacionais, como a do Eike Batista. Parece que, em Nova Iorque, a Shell pagou 200 mil dólares pelo jantar, e o Eike Batista, mais 200 mil dólares. Em Londres, o homem da British Petroleum disse que, quando pensa nos investimentos dele no Brasil – e está achando que vai duplicar esses investimentos, pelas oportunidades criadas – dorme tranquilo. Se ele dorme tranquilo, nós não devemos ficar tranquilos (palmas), porque a tradição das petroleiras é... Elas estão lutando quase sem reserva de petróleo. Tinham quase tudo 40 anos atrás e agora só têm 7% das reservas. Estão vendo a possibilidade de terem reservas e tentam fazer este Congresso votar a toque de caixa, sem propósito, uma mudança nas leis que garanta novos leilões e que áreas passem também para as petroleiras que estão sem petróleo. É por isso que precisamos de uma imprensa popular. Os que escrevem, os que a distribuem, pen- Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sando no povo que precisa lê-la. É este, para mim, o significado maior desta homenagem. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Muito obrigado, Raimundo Pereira. O SR. JARBAS MARQUES – Quero, em 2 minutos, resgatar uma homenagem. Todos nós que fomos torturados e os companheiros mortos... Hoje, mudou-se de tática. Se formos somar todos os líderes camponeses, veremos que já morreram mais de mil a bala. É uma estratégia nova de eliminar lideranças populares. Saí 2 anos antes da cadeira – tirei 10 anos de cadeia – e participei da organização das homenagens ao Manoel da Conceição. Mas quero prestar homenagem a três figuras que me tornaram militante social (foi no Estado de Goiás que foi fundada a primeira organização nacional dos trabalhadores, a UTAB, que depois gerou a CONTAG): Geraldo Tibúrcio, Sebastião Bailão e José Porfírio, de quem tive a honra de fazer a segurança pessoal, o primeiro camponês da história deste País a se eleger Deputado Estadual em Goiás. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Obrigado, Jarbas Marques. A pessoa que iria receber a homenagem em nome do companheiro Honestino Guimarães não pôde estar presente. Nós faremos chegar aos familiares. Convido para receber a comenda o filho de Carlos Marighella, Carlos Marighella Filho. (Palmas.) Convido a Deputada Janete Capiberibe para fazer a entrega. A SRA. DEPUTADA JANETE CAPIBERIBE – “A Carlos Marighella, in memoriam. Àqueles que tombaram pelo retorno do Brasil à democracia toda a gratidão dos brasileiros que continuaram sua luta pelo respeito aos direitos humanos. Terceiro Seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos Manoel Conceição. Brasília, 23 de novembro de 2009” (É entregue a comenda. Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Com a palavra a Deputada Janete Capiberibe. Em seguida, em nome da família do homenageado, Carlos Marighella Filho também terá a palavra. A SRA. DEPUTADA JANETE CAPIBERIBE – Sr. Presidente da Comissão de Direitos Humanos, Deputado Padre Luiz Couto; Sr. Martin Almada – bem-vindo a este Seminário realizado em nosso País; Sra. Vivien Ishaq – é muito importante o seu trabalho, vou recorrer à senhora para obter as informações que a ditadura militar tem a meu respeito, da minha militância e da Terça-feira 23 43875 militância do meu esposo, João Alberto Capiberibe, é uma emoção muito grande estar aqui identificada, totalmente identificada com rostos que eu desconheço, mas que conheço e reconheço que somos iguais. Somos iguais nas lutas e nos ideais. Quero, Sr. Presidente, ser porta-voz de Maria Luiza Fontenele e de Rosa Fonseca, que participam do 3º Seminário Latino‑Americano de Direitos Humanos, no sentido de que hoje, após as homenagens, possamos organizar uma comissão representativa do seminário – uma questão é o grupo parlamentar, outra é o seminário, que trata dos direitos humanos – para ir à sede do Governo brasileiro no CCBB, no Banco do Brasil, para solicitar ao Presidente Lula um gesto humanitário, que falta para a liberdade já de Cesare Battisti. (Palmas.) Cesare Battisti está em greve de fome desde 13 de novembro, após a audiência em que foi configurada a decisão do STF de extraditá-lo. Parece‑me que estão colocados 12 dias para a decisão do Presidente Lula. Ele enviou uma carta aberta ao Presidente Lula e ao povo brasileiro colocando sua vida em nossas mãos. A referida proposta foi aprovada no Grupo Temático V, Tortura e Genocídio, e na plenária realizada ontem, 22/11, no auditório. Quer dizer, já há o encaminhamento, falta uma decisão final que pode ser tomada nesta manhã. Sr. Presidente Luiz Couto, Carlos Marighella, estamos aprendendo a celebrar nossas datas significativas, as verdadeiras datas da história do povo brasileiro. Não sofremos mais pela obrigatoriedade do esquecimento determinado pelo calendário oficial ou pelo patrulhamento ou pela repressão, seja ela qual for. Ainda precisamos, no entanto, enfrentar o debate ideológico que insistentemente tenta fazê-las menos significativas ou menos importantes para a história do Brasil. Para dizer de outro modo, estamos rescrevendo a verdadeira história do Brasil. A história de quem resistiu contra a ditadura, que usurpou nossa democracia, nossos direitos e 20 anos de vida da maioria da sociedade brasileira, ainda que uma parte dela não se tenha dado conta. Estamos rescrevendo a história da resistência contra um sistema elitista, oligárquico, injusto, imoral e desumano, que tentou sufocar nossa liberdade e nossos ideais, que continua arrancando da maioria do povo brasileiro a possibilidade iminente de uma sociedade com equidade de direitos e deveres, justiça social, respeito às diferenças e democracia. Fizemos e fazemos parte dessa história com nossa coragem, nosso ideal e nosso desapego; com nosso sacrifício, nossa vida e a da nossa família; com nossa ideologia e nossa militância. Muitos fizeram história aqui no Brasil, outros fomos obrigados a buscar 43876 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS refúgio de país em país, enquanto, sucessivamente, as ditaduras militares orquestradas e subservientes aos Estados Unidos se abatiam sobre povos que lutavam para ser livres e soberanos. Enquanto nós tínhamos de ser clandestinos em nosso próprio País. Pessoalmente, com meu companheiro Capi, temos mais de 40 anos de militância política, e assumimos, com orgulho, que foram inspirados em pessoas de grande dignidade, absolutamente coerentes na sua ação política. Espelhamo-nos no sindicalista Chaguinha, inspiramo-nos no revolucionário Carlos Marighella. (Palmas.) E com ele assumimos as consequências. Naquela época, éramos jovens idealistas. Eu tinha 16 anos. Mas tinha a plena consciência de que um senhor, como víamos Marighella, com seus 50 anos, sabia exatamente o que estava fazendo. E sabia exatamente quais seriam as consequências reais de cada um dos seus atos. Por isso, esgotou todas as vias institucionais. E no regime de exceção, em que não havia regras, não havia direitos, não havia democracia, propôs meios alternativos com motivos inquestionavelmente mais nobres do que os que sustentavam a ditadura militar. Nós o entendemos, admiramos, respeitamos, e construímos junto com ele uma luta de resistência à ditadura e de busca pela democracia e pela justiça social, que se estendia para todo o País. Por isso, deixamos de lado o movimento estudantil nos engajando na ALN. Passamos a seguir seus passos, desafiando o poder constituído, a apatia e o medo da sociedade, que deixava se perderem seus direitos e sua vida. Houve acertos e erros, sabemos. Houve incompreensão, preconceito, omissão, sentimos na nossa pele, mas não nos arrependemos do nosso compromisso, do nosso ideal, da nossa utopia, que continuamos a construir diariamente, pelos lentos e demorados meios institucionais, que ainda não permitiram sequer que se consolidasse uma democracia de fato. Mas que hoje reconhecemos como a única via possível. Nossas transições entre regimes são negociações que permitem a perpetuação das elites, dos ranços das benesses e das desigualdades, que tentamos vencer diariamente. Essa, talvez, seja a cotidiana inspiração em Carlos Marighella, que cativava com seu exemplo, sua coerência, seu bom humor, seu idealismo, seu compromisso, sua dedicação, sua incansável e inabalável vontade de justiça, de democracia e de respeito ao ser humano. A coragem em Marighella era um atributo visceral, como demonstrou diante de seus verdugos no Estado Novo, quando, barbaramente torturado, derrotou os homens de Vargas e de Filinto Müller. Em maio de 1964, dentro de um cinema, reagiu. Foi baleado e preso por agentes Agosto de 2011 da ditadura no Rio de Janeiro. Prometeu a si próprio que nunca mais seria preso. Foi morto numa emboscada na Alameda Casa Branca, em São Paulo, tramada pelo facínora Sérgio Paranhos Fleury. (Palmas.) O reconhecimento da responsabilidade do Estado brasileiro por sua morte resgata sua imagem para a história. É bom lembrar que esse reconhecimento se deu em função da luta de anos de sua família, de Carlos Marighella, seu filho, de sua companheira de vida e de luta, Clara Charf. Acredito que você, Carlos Augusto Marighella, conheceu isso do seu pai com muita intensidade. E soube aprender com o seu exemplo. Hoje, fazemos esta homenagem a seu pai, a você e a todos os que lutaram contra a ditadura militar. E não tenho dúvida de que você sabe dividir com todos aqueles que continuam firmes nos seus ideais, firmes na sua luta, como você e sua família compartilharam seu pai com todo o povo brasileiro. Vamos continuar instigados no objetivo da democracia, da justiça social e do socialismo com o mesmo vigor e a mesma força que tivemos na juventude, acrescidos da experiência, da serenidade e da impetuosidade com que Carlos Marighella nos conquistou, nos motivou e nos levou para dentro da guerrilha. Termino minhas palavras recitando um belo poema de Carlos Marighella, composição de 1964/1965, Rondó da Liberdade: “É preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer. Há os que tem vocação para escravo mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão. Não ficar de joelhos, já não é racional renunciar a ser livre. Mesmo os escravos por vocação devem ser obrigados a ser livres, quando as algemas forem quebradas. É preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer. O homem deve ser livre... O amor não se detém ante nenhum obstáculo, e pode mesmo existir até quando não se é livre. E no entanto ele é em si mesmo a expressão mais elevada do que houver de mais livre em todas as gamas do humano sentimento. É preciso não ter medo, é preciso ter coragem de dizer.” Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Viva Carlos Marighella. Carlos Marighella vive aqui entre nós. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) ‑ Com a palavra Carlos Marighella Filho, que agradecerá a homenagem feita ao combativo Carlos Marighella. O SR. CARLOS MARIGHELLA FILHO ‑ Sr. Presidente, Deputado Luiz Couto; Dr. Almada; Dra. Vivien; meus prezados companheiros e companheiras, é sempre muito emocionante participar de solenidades como esta, e elas cada vez mais se multiplicam. Já este ano, meu pai recebeu da Câmara de São Paulo um título de cidadão paulistano, que, por todo o seu simbolismo e pela importância daquela instituição, que representa o povo, a municipalidade de São Paulo, é extremamente significativo. E a esse evento se somam outros acontecidos e que acontecerão. Já houve um ato semelhante na Câmara de Fortaleza, do qual participei recentemente. Vamos ter agora, no dia 26, uma exposição com documentos pessoais, material que a família recolheu e que pode efetivamente, digamos assim, dar ao público, sobretudo aos jovens brasileiros, que não tiveram a possibilidade de conhecer meu pai, um pouco do perfil pessoal humano que a turma da velha guarda registra como uma das suas características mais importantes, ou seja, a humanidade que transparece no sorriso, na atenção, na cordialidade, no humor, que eram características dele, um revolucionário sempre terno, como, pregava Che Guevara, deveriam ser os revolucionários. E vamos ter finalmente no dia 10 de dezembro, data em que meu pai teve os seus restos mortais trasladados de São Paulo para Salvador, um ato no cemitério, ao pé de lápide concebida por Niemeyer, com uma frase belíssima e inspiradora. Na lápide de meu pai está escrito: “Não tive tempo de ter medo”. Essa mesma exposição, que corre o País, vai ficar em exibição num dos principais pontos da cultura da Bahia, o Teatro Castro Alves, em Salvador. Tudo isso demonstra que, cada vez mais, todo o manto de maldição e silêncio que os inimigos do povo, da poesia, da democracia, da liberdade tentaram impingir a Marighella, para que não tivéssemos a possibilidade de conhecer a grandeza desse homem, tudo isso está ruindo, está caindo por terra, porque cada vez mais o País busca em homens como Marighella inspiração para prosseguir nos seus novos e ambiciosos objetivos, porque uma sociedade se move pelos valores que vai construindo a cada momento. E Marighella é a bandeira da justiça social, é a bandeira da liberdade, é a bandeira da soberania deste País e é a coragem de lutar. Existiria coisa mais importante para a nossa juventude e para a nossa sociedade do que ser inspirada Terça-feira 23 43877 por esse desejo, por essa vontade de lutar e construir seu próprio destino e o seu futuro? É uma bela bandeira, é muita inspiração, e Marighella serve para isso, e é esse reconhecimento que estamos vendo no País e presenciando exatamente agora. No meu caso particular, como filho e convidado para participar desses eventos, acho importante dar um depoimento que transmita como minha emoção é multiplicada por mil. Lamento que meus filhos não possam estar aqui para ouvir de todos vocês essas palavras de reconhecimento, palavras de carinho, que efetivamente nos enchem de orgulho. É pena que Clara não tenha podido vir aqui, ela que é lutadora incansável. Já tendo ultrapassado os 80 anos, ainda se emociona e luta muito, como muitos lutam, para que esse reconhecimento se opere. Meus companheiros, estou muito contente e orgulhoso. Há 40 anos, ao saber da morte de meu pai, a família toda procurou as autoridades militares da Bahia. Exigimos que fosse concedido à família o direito de sepultar meu pai. Era um direito que entendíamos importante e queríamos exercer. Mas Marighella, mesmo morto, ainda intimidava essa camarilha. (Palmas.) Eles invejavam esse tempo todo a amizade e o reconhecimento que o povo brasileiro tinha a homens como Marighella. E não queriam permitir que esse sentimento se manifestasse no sepultamento. Meu pai foi sepultado como indigente em São Paulo. Como havíamos demonstrado a vontade de sepultá-lo, eles nos ameaçaram. Disseram que Marighella havia participado, com um grupo de seguranças, do assassinato de uma policial, naquele episódio se noticiou que uma policial havia morrido, e que também nesse entrevero havia sido ferido um policial muito querido do DOPS, segundo eles, e que haveria retaliação e eles não poderiam garantir a nossa segurança se insistíssemos em ir a São Paulo para o sepultamento. Nós fomos, com muito receio, mas fomos. Isso apenas fez apressar o sepultamento na calada da noite. Mas ficou a difamação, ficou a infâmia, ficou a notícia amplamente difundida nos jornais de que meu pai teria participado do assassinato de uma pessoa. Isso era a culminância de toda uma campanha difamatória que acompanhou meu pai desde o momento em que ele decidiu ficar no Brasil, lutar contra a ditadura e organizar o povo nessa direção, porque, como vocês sabem, meu pai decidiu em 1964 que deveria ficar no Brasil, deveria organizar a população e resistir contra um golpe que, ele sabia, não era uma quartelada, mas um golpe de inspiração fascista que queria se impor pela força, sem se deter diante de nada, nem do direito à vida de cada brasileiro. 43878 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E foi isso exatamente que determinou a decisão de assassinar meu pai. Eles não queriam que, na prisão, um homem como Marighella pudesse inspirar a resistência ao golpe militar, como aconteceu, por exemplo, com Mandela, que, preso, reuniu toda a sociedade africana contra o apartheid. Pois bem, meus amigos, eu estive em São Paulo e vi difundida nos jornais essa infamante acusação contra o meu pai. Durante todos esses anos e com a ajuda de muitos, se não de todos vocês, lutamos para que a dignidade de um lutador fosse restabelecida. E é com muito orgulho que vejo aqui e em outros eventos a negação cabal da acusação. Estamos reunidos hoje para homenagear um brasileiro valoroso, um brasileiro – e ele escreveu isto em muitos de seus artigos e declarações – que queria apenas ser um entre milhares que lutavam pela liberdade e contra a ditadura. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Obrigado, Carlos Marighella Filho. Santo Dias da Silva Filho atrasou, por conta do voo. A homenagem a Santo Dias da Silva, representando os sindicalistas e movimentos sociais, será prestada à tarde. Registro a presença de 42 camponeses do Araguaia. (Palmas.) Peço que fiquem de pé para receberem a nossa homenagem. (Palmas.) Agradecemos ao movimento da anistia e a todas as entidades que contribuíram para que eles se fizessem presentes neste 3º Seminário Latino‑Americano de Anistia e Direitos Humanos. Um abraço, sejam bem-vindos ao nosso seminário. (Palmas.) Concedo a palavra ao Relator desta Mesa, Sr. Aleinaldo Batista. (Palmas.) Informo que, depois da fala do Aleinaldo e do Portugal, vamos nos libertar da fome, faremos uma pausa para o café. Não fiquem desesperados, porque daqui a pouco será servido um lanche. O SR. ALEINALDO BATISTA – Senhoras e senhores participantes do 3º Seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos, bom dia. O tema de que vou tratar diz respeito ao Arquivo Nacional. Pela minha experiência na procura de informações no Arquivo Nacional e nas reuniões que tivemos, o que tenho a dizer é que o Arquivo Nacional tem feito um trabalho muito bom, com muita eficiência, e tem atendido cada um de nós no momento em que lá chegamos e procuramos informações. Gostaria de parabenizar todos os trabalhadores do Arquivo Nacional pelo bom trabalho. Agosto de 2011 Não posso dizer a mesma coisa em relação às empresas estatais, que estão dificultando o trabalho do Arquivo Nacional, não estão mandando os seus arquivos, para que o Arquivo Nacional possa ser mais completo. E aos Estados brasileiros que ainda não abriram os seus arquivos. Em especial, eu chamo a atenção, o Estado da Bahia, cujo Governador hoje é do PT. A pergunta é: por que não abre esses arquivos? Em especial, eu chamaria a atenção para o Estado da Bahia, cujo Governador hoje é do PT. A pergunta que se faz é a seguinte: por que esses arquivos não são abertos? Estou encaminhando a este seminário pedido de abertura de todos os arquivos e que seja enviada ao Arquivo Nacional toda a documentação para que ele possa fazer melhor o seu trabalho. E para que o Arquivo Nacional complete a sua obra, estamos aqui apresentando o relatório... O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Vamos ouvir o nosso companheiro Aleinaldo. O barulho está grande e nós pedimos silêncio para que o companheiro seja ouvido. É importante sabermos ouvir. Tem V.Sa. a palavra, para continuar sua exposição O Sr. ALEINALDO BATISTA – Encaminhamos o nosso relatório. Creio que todos queremos que o Arquivo Nacional seja completo; queremos que nossa história seja contada no mais longínquo lugar do Brasil. Toda a história das pessoas que foram perseguidas, mortas e torturadas neste País pela ditadura tem de vir à tona. Nós, brasileiros, temos esse direito. Nesse sentido, estamos encaminhando relatório com o seguinte tema: “Arquivo da história viva”. A ideia é coletar o depoimento de pessoas que vivenciaram e testemunharam os fatos na época. Eu passo à leitura, que é curta. Serei breve. A finalidade deste relatório é apresentar resumidamente alguns depoimentos de testemunhas que vivenciaram de alguma forma as lutas do povo do Araguaia. Apresentamos alguns relatos resumidos que foram coletados neste seminário. Primeiro, o do Sr. Juraci Bezerra Costa, que à época contava com 6 anos e foi utilizado pelo Exército brasileiro como isca para capturar um guerrilheiro com o nome de Osvaldão. Essa criança ficou durante 30 dias na mata e presa num quartel por 6 meses. O segundo depoimento é de Pedro Manoel Nascimento, que tem 70 anos atualmente. Ele foi preso na base de Marabá por 45 dias, em 1972. Qual o motivo? A ditadura entendia que ele tinha envolvimento com a Guerrilha do Araguaia, por isso o prendeu etc. O próximo depoimento é de Basílio Constâncio Silva, de 82 anos. Ele foi obrigado pela Polícia Militar a participar de uma patrulha que tinha a finalidade de capturar e matar guerrilheiros. Essa ação culminou Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS com a tentativa de assassinato do atual Deputado José Genoíno e teve como consequência a captura e a prisão do mesmo. O penúltimo depoimento é de Maria Helena Feitosa, de 50 anos. Ela era esposa do guerrilheiro Josias Gonçalves, filho de José Gonçalves de Sousa, que era camponês, foi preso e torturado barbaramente pelo Exército brasileiro, tendo chegado a óbito totalmente inválido. A testemunha cuidou dos ferimentos desse cidadão, que não era um guerrilheiro, até sua morte. O último depoimento é de Lauro Rodrigues dos Santos, de 52 anos. Ele foi mutilado. Perdeu o antebraço esquerdo após a explosão de uma granada de propriedade do Exército brasileiro, que foi deixada na vizinhança de onde o depoente morava, e que ainda teve com consequência a morte de Sabino Alves Silva, também camponês. Estamos aqui trazendo esses relatos que parecem não ter muita importância, mas queremos que tudo isso seja registrado na História do Brasil. Eu creio que cada brasileiro que participou desse evento tem alguma coisa a contar e nós precisamos que essas pessoas se manifestem. Tendo em vista a dificuldade de coleta de centenas de depoimentos, através deste 3º Seminário, e pedimos o apoio dos senhores, encaminhamos o pedido para que o Arquivo Nacional conclua os demais depoimentos, a fim de que eles façam parte dos anais dos arquivos brasileiros sobre a história do Araguaia. Acho que é o mínimo que podemos fazer. Também defendemos a prorrogação do mandato da CIANIST, porque entendemos que só com a Comissão funcionando é possível que a Lei de Anistia seja respeitada. Obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Obrigado, Aleinaldo. Além dos depoimentos, na proposição consta a solicitação para que o Arquivo Nacional possa ouvir os que não foram ouvidos ainda – então, gravando na TV Câmara já – e a segunda é solicitar ao Presidente da Casa a prorrogação da duração da Comissão de Anistia. Alguém é contrário a essas duas proposições? Então, se forem favoráveis a elas, por favor, uma salva de palmas. (Palmas.) A Deputada Janete Capiberibe, na sua fala, a partir do movimento que luta pela libertação e pela não extradição do Cesare Battisti, fez uma solicitação para que aqui fosse criada uma comissão para ir ao Palácio solicitar do Presidente que possa decidir pela não extradição do Cesare Battisti para que ele saia da cadeia e pare com a greve de fome. Nós o queremos vivo aqui no Brasil. Terça-feira 23 43879 Então, se as pessoas que estão aqui são favoráveis a essa proposição – depois a Maria Luísa e a Rosa, com o pessoal, farão a sua composição –, também, por meio de palmas, que aprovem essa comissão. (Palmas.) Muito obrigado. Agora vamos ouvir o Sr. Augusto Portugal, que vai fazer a leitura do manifesto do Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos. O SR. AUGUSTO PORTUGAL – Bom dia, companheiros e companheiras. Estou aqui representando o Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo, e também a Associação dos Metalúrgicos Anistiados do ABC, associações irmãs que lutam, como vocês podem ver nas nossas faixas, pelo integral cumprimento do temário que estamos debatendo aqui. O Deputado Luiz Couto simboliza a nossa luta ainda atual, pois é um companheiro que, à frente da Mesa e Presidente da nossa Comissão, representa alguém que luta pelos direitos humanos e é perseguido por causa dessa luta. Então, peço uma salva de palmas ao companheiro pelo valor que tem tido em toda a sua trajetória política e ainda neste momento, simbolizando a nossa luta. (Palmas.) Vou ler a mensagem do nosso Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos, dizendo: Companheiras e companheiros! É com orgulho e preocupação que o Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de SP participa deste 3º Seminário Latino Americano de Anistia e Direitos Humanos. Orgulho porque nós, aqui presentes, representamos muitas histórias de luta de quem não se dobrou à violência e às perseguições que o regime de 64 implantou contra o povo brasileiro, reprimindo durante 21 anos nossas lutas pela liberdade e pelos direitos humanos. Nós resistimos à Ditadura de 64. Nós resistimos à violência, à tortura e aos assassinatos. Nós resistimos à repressão e à perseguição política. Nós resistimos à censura e ao AI-5. E nós lutamos pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, que mesmo não conquistada na sua totalidade, impôs ao regime uma realidade que transformou-se na Lei 6683/79. E este momento glorioso que foi a luta pela Anistia, deu início ao fim do regime que tanto mal fez ao nosso país e ao nosso povo. Temos orgulho porque este 3º Seminário homenageia alguns de nossos símbolos como Manoel da Conceição, combatente revolucionário e liderança do movimento camponês e dos trabalhadores rurais. E também homenageia o revolucionário e deputado federal constituinte de 1946, Carlos Marighella e o líder operário metalúrgico de São Paulo, Santo Dias da 43880 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Silva, ambos assassinados pela ditadura, mortos em combate lutando pelos direitos do povo. Em seus nomes, queremos lembrar e homenagear alguns daqueles que o nosso Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos homenageou em 2009: Olavo Hansen, Luiz Hirata, Devanir José de Carvalho e Eduardo Leite, o Bacuri. E saudar a memória de Manoel Fiel Filho, Vladimir Herzog, David Capistrano e Luiz Maranhão. De Mario Alves, Joaquim Câmara Ferreira, Carlos Lamarca e Zequinha Barreto. De Helenira Rezende, Virgilio Gomes da Silva; Pedro Pomar e Ângelo Arroio. De Ana Rosa Kucinski Silva, Padre Henrique, Isis Dias de Oliveira. E Paulo Wright e João Batista Drummond. E tantas outras pessoas que doaram suas vidas à causa da liberdade e dos direitos dos trabalhadores e do povo. Mas apesar de nosso orgulho, temos motivos para preocupação. Ainda que nossa luta pela Verdade, Justiça e Reparação tenha mais visibilidade e acolhida hoje do que há alguns anos, graves ameaças pairam sobre estas bandeiras. É certo que o Brasil mudou muito desde 1979, ano da promulgação da Lei 6683. Mas de certa forma permanece o mesmo, com muita violência e perseguição policial contra a população pobre, negra e jovem e contra aqueles que vivem nos bairros pobres das periferias brasileiras. E a impunidade daqueles que torturaram e perseguiram durante a ditadura, alimenta a violência nos dias atuais nas prisões e delegacias brasileiras, como vimos recentemente em Santa Catarina e em tantos outros lugares. Mas também são perseguidos os movimentos que lutam por direitos e dignidade para o nosso povo. São muitos os exemplos de assassinatos, prisão e torturas aos que lutam, no campo e nas cidades, por melhores condições de vida. A criminalização dos movimentos sociais é um fato e repete, nos dias de hoje, a mesma prática de repressão e perseguição que existiram durante a ditadura de 64. Por isso tudo, estamos preocupados. Defendemos, na verdade, uma comissão de justiça e não uma comissão que passa ao largo da identificação e responsabilização dos torturadores. É por tudo isto que se temos orgulho de ter lutado, temos preocupação de que nossa luta não seja traída. Muitos sofreram, muitos morreram. E muitos foram perseguidos, banidos e exilados, para que o Brasil viva hoje numa democracia que precisa, ainda, de muita luta para atender aos direitos de quem é marginalizado e perseguido. Saudamos a realização deste 3º Seminário Latino Americano de Anistia e Direitos Humanos e reafirmamos que “A Luta Continua”. Queremos destacar que, como disse um escritor francês, esquecer, é tam- Agosto de 2011 bém perdoar o que não seria perdoado, se a justiça e a liberdade prevalecessem. Esquecer o sofrimento passado é perdoar as forças que o causaram – sem derrotar essas forças. Pela Comissão da Verdade e Justiça! Pela abertura dos arquivos secretos da ditadura militar! Que o Supremo Tribunal Federal não anistie os torturadores, sequestradores e assassinos, pela aceitação de descumprimento da ADPF 153, que mantém a condenação do torturador Ustra! Que a Lei 10.559/02 seja integralmente cumprida! Queremos, então, saudar a todos os companheiros em nome da nossa Associação dos Metalúrgicos Anistiados do ABC, associação irmã do Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo. Reafirmo que daqui para frente, por todo o tempo que restarem as nossas forças que a luta continua, companheiros. Obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Obrigado, Augusto Portugal, pelo manifesto do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo. Agora faremos um intervalo de 10 minutos para o cafezinho. Depois daremos início à outra mesa. (Pausa.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Convido companheiros e companheiras para que possam adentrar o nosso plenário para iniciarmos a próxima mesa que tratará do tema “Criminalização dos Movimentos Sociais” e a luta pelo combate a essa criminalização sobre a temática “Descriminalização dos Movimentos Sociais”. Convido para tomar assento à Mesa os expositores Dr. Modesto da Silveira, representante do SINDPETRO/RJ; Sra. Marina dos Santos, representante do MST; representando o Presidente da OAB Federal, Cezar Britto, a Dra. Herilda Balduíno; o Presidente da OAB do Rio de Janeiro, Sr. Wadih Damous; e a Consulesa Shirley Orozco, do Consulado Geral da Bolívia no Rio de Janeiro. A Dra. Herilda Balduíno está presente? (Pausa.) Vamos conceder a palavra ao nosso primeiro expositor, o Dr. Modesto da Silveira, representante do SINDIPETRO, Rio de Janeiro. O SR. MODESTO DA SILVEIRA – O tema é “Descriminalização dos Movimentos Sociais”. Pois bem, todos nós sabemos, até eu sei, que todas as ditaduras perseguem os movimentos sociais. Essa é uma experiência que todos temos da ditadura brasileira e das outras ditaduras latino-americanas. Supostamente, as democracias, ao contrário, estimulam a organização social e a deixa livre, como, aliás, figura em todas as constituições livres e democráticas.. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Aos companheiros que têm interesse nesse assunto, na última vez em que falei aqui, dizia que esta Mesa não fala para peixes; esta Mesa fala para companheiros democráticos, que querem saber como enfrentar a luta pela democracia ainda não concluída. (Palmas.) Já que esta Mesa não vai falar para peixes e sim para companheiros, eu volto a dizer que as ditaduras perseguem, impedem, punem os movimentos sociais. As democracias, ao contrário, procuram estimular esses movimentos com liberdade. No entanto, hoje estamos constatando que os resíduos, isto é, aqueles que conseguiram penetrar no processo democratizante, continuam tentando perseguir e até inviabilizar os movimentos sociais. Hoje, infelizmente, apesar de toda a luta pelos direitos humanos, a luta pelos direitos sociais continua esbarrando naqueles saudosistas que conseguiram implantar-se dentro de um processo democratizador. Por isso, nós temos hoje ainda, infelizmente, inúmeros exemplos de como os movimentos sociais continuam sendo dificultados, impedidos e até perseguidos, de todas as formas. E observem, regionalmente, a tendência ditatorial de alguns Governos, de alguns setores de Governos estaduais, municipais e também federais, que dificultam ou inviabilizam a ação livre desses movimentos., Vou dar apenas alguns exemplos. Eu sou do Rio de Janeiro, mas não sei só do Rio. No Rio de Janeiro, sabemos que algumas entidades, como, por exemplo, a Associação dos Engenheiros da PETROBRAS, AEPET, sofreram inúmeras pressões no passado e algum resíduo dessas pressões continua, no sentido ameaçador. Vamos a outro exemplo pior. No SINDIPETRO e nas organizações de petroleiros em geral são muitos os exemplos de perseguição, sugestões de pressão, sugestões até de chantagem e atos concretos de perseguição criminosa. Temos enfrentado inúmeras. E são perseguições que nos convencem de que são de brasileiros a serviço de estrangeiros. O tempo é curto e eu prometi encurtá-lo mais ainda para ajudar no bom andamento do seminário, mas vou dar um exemplo. Vejam bem, como dizia o Martin Almada, a 4ª Frota passeou sobre o nosso pré-sal ao mesmo tempo em que interesses estrangeiros vinham pressionar para conquistar os leilões do petróleo brasileiro – ao mesmo tempo em que isso ocorria! A interpretação é fácil: claro, a 4ª Frota recuperada veio passear ao longo das nossas águas territoriais, dando o recado: “Entreguem às nossas multinacionais nos leilões, ou então entregarão por aqui, pelos nossos canhões.” Recado evidente. O que aconteceu? Vamos agora à análise da pressão local. Enquanto os petroleiros se manifestavam Terça-feira 23 43881 livremente, como lhes garante a Constituição, mostrando que o petróleo é nosso, tem que ser nosso, e não estrangeiro, houve ações policiais e houve tolerância ou estímulos de Governos estaduais no sentido de reprimir. E que forma de pressão e repressão? Uma forma mais violenta, ao ponto de quebrar o braço de um dos maiores dirigentes dos petroleiros do Rio de Janeiro, o Manoel Cancela. Não só lhe quebraram o braço, mas aquele que quebrou orgulha-se ainda de estar dizendo; “Por enquanto quebrei o braço, que é a sua asa; amanhã posso quebrar o seu corpo”, vale dizer, é uma ameaça de morte. Pois bem, e se ele se orgulha disso... Capitão Moreira. O Capitão Moreira foi boa comparação, porque o Capitão Guimarães era aquele que quebrava o corpo e a alma das pessoas na condição de torturador do DOI-CODI. O Capitão Moreira, provavelmente, como paralelo ao Capitão Guimarães, ameaça a fazer o mesmo com a liderança dos petroleiros. E a responsabilidade é de quem, se foi no Rio de Janeiro? É direito de qualquer sindicalista, de qualquer sindicato não pedir para fazer qualquer manifestação, apenas informar às autoridades policiais ou governamentais locais e até pedir que eles dêem proteção a qualquer manifestação pública que seja legal, como garante à Constituição. Não tem de pedir; basta informar e pedir proteção, e mais: informar a eles que, se alguma provocação houver, a responsabilidade da providência será, ou a culpa será, da própria polícia dos Governos Estaduais. Há indícios de cooperação também de polícias federais de determinados lugares. Aí já passa a ser a responsabilidade pública do Governo Federal. Mas o que tem ocorrido com os petroleiros do Rio de Janeiro e de outros lugares? O que tem ocorrido com os sem-terra do MST, sobretudo no Rio Grande do Sul? É preciso ver Governo que tenha polícia do Estado, assim como de outros Estados também. O movimento dos sem-teto igualmente tem sofrido essas pressões em várias partes, não só do Rio, mas em outros Estados. Pois bem, assim estão os movimentos sociais. Se queremos alguma coisa parecida com democracia, democracia verdadeira, democracia em que “demos” signifique povo e “cracia” o governo desse povo; se é verdade o que diz a Constituição, que todo poder emana desse povo, ele tem o direito e até o dever de defender o seu poder popular, democraticamente. Essas são notícias que chegam de toda a parte do Brasil, de tal maneira que penso que pelo menos, ainda que um pouco desfigurada a figura que fiz num dos discursos no Congresso Nacional, quando olhei para o Plenário e disse: “Este Plenário, eleito pelo povo, não representa o povo brasileiro, porque o povo bra- 43882 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS sileiro é composto de 51% a 52% de mulheres. Onde estão as mulheres? Está aqui apenas 1% dos 51% que elas representam na população. O povo brasileiro é majoritariamente pobre. Não vejo pobre aqui. O único pobre que eu conheço neste Plenário é um ex-pobre, que sou eu, ex-pobre que agora é classe média, porque recebe muito bem como Deputado Federal. O povo brasileiro é policrômico, como este plenário. Ele é negro, é amarelo, é branco, é mestiço. Aqui eu só vejo brancos, com rara exceção do único negro típico, e que, infelizmente, vota contra o interesse negro. O povo brasileiro é pobre. E quem eu vejo neste plenário, senão banqueiros, industriais, latifundiários, grandes comerciantes ou seus representantes alacaiados.” Enquanto o Plenário for como aquele, e em grande parte isso é ainda verdadeiro hoje, não teremos um processo democrático. É preciso examinar as bases desse processo democrático eleitoral para corrigi-lo até que esse Plenário se torne realmente um Plenário do povo brasileiro, em que haja gente com cara de Maracanã, com cara de Mineirão, Mineirinho, com cara de gente brasileira, que aqui não tem. Era assim, e não é tão diferente ainda hoje. Por isso é que os movimentos sociais, os movimentos do povo do Maracanã, o movimento que tem essa cara de povo aqui, continuarão perseguidos enquanto não encontrarmos um processo democrático real, autêntico, verdadeiro, como estão encontrando alguns países vizinhos nossos, inclusive a Bolívia, da minha querida Shirley, aqui a minha direita, e de outros companheiros que vieram e que virão passar por esta Mesa. Eu lhes agradeço muito. Muito obrigado pela tolerância. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Muito obrigado, Dr. Modesto da Silveira. Concedo a palavra a nossa expositora Sra. Marina dos Santos, representante do MST. (Palmas.) A SRA. MARINA DOS SANTOS – Bom dia, Sr. Presidente Deputado Luiz Couto; companheiros da Mesa, todas as participantes e todos os participantes deste 3º seminário internacional. Desde já, agradeço o convite em nome de todo o conjunto do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Achamos importantíssimo neste momento que nós estamos vivendo da sociedade brasileira, e também do conjunto da América Latina, termos a realização de seminário dessa dimensão, com essa qualidade, com esse nível de participação, de representação dos povos da cidade e do campo do Brasil e também de outros países do nosso continente. Desde já o nosso agradecimento pelo convite e pela possibilidade de participação, troca e experiência vivida aqui com vocês. Agosto de 2011 Queremos agradecer por todas as homenagens que foram feitas hoje aqui e dizer que nos sentimos, como camponeses, representados e homenageados também pela belíssima homenagem ao grande companheiro Manoel da Conceição, que tem seu legado para toda a nossa militância como exemplo de vida, de militante, de luta contra o latifúndio e pela realização da reforma agrária neste País. Gostaria de iniciar ressaltar que, do nosso ponto de vista, nesse momento que nós estamos vivendo no Brasil e especialmente na América Latina, há uma articulação de um pequeno setor da América Latina, porém muito forte. Eles são poucos, mas eles têm dinheiro, dominam o capital e estão se articulando com os vários setores mais reacionários que existem em todas as sociedades do nosso continente, seja através da parte reacionária dos Executivos, seja dos Legislativos, seja do Poder Judiciário, seja de toda a grande mídia, dos grandes meios de comunicação. Esse setor, mesmo que pequeno, mas forte, conservador, reacionário, está no processo dessa articulação para fazer a ideologização de todos os processos de luta dos movimentos sociais, dos lutadores e das lutadoras em todo o nosso continente, em todos os países da América Latina. Nós vemos que, independente da onda de vitórias eleitorais das forças de esquerda que houve no nosso continente, e alguns muito progressistas como Bolívia, Venezuela, El Salvador, Nicarágua, Paraguai e também com os governos do campo popular como Brasil, a própria Argentina, Uruguai, enfim... Essas eleições na América Latina fizeram com que houvesse um avanço considerável das conquistas de direitos das populações. Agora, esse grupo pequeno, mas reacionário e conservador, que não gosta, ao contrário, tem medo de pobre, pensa que não pode haver pobre, muito menos se mobilizando e fazendo gestões em torno de conquistas de seus direitos, ele vai fazer tudo para impedir esses avanços e também para voltar aos seus cargos, com o grande objetivo de criminalizar, incriminar e desmoralizar a pobreza, os lutadores e os movimentos sociais. Quando falamos desses elementos, ressaltamos que são tanto do campo quanto das cidades. Essas forças estão agindo no sentindo de incriminar, criminalizar e desmoralizar os movimentos sociais do campo e da cidade em todos os países já citados que tiveram avanços em nosso continente. Vemos o golpe de Honduras, abordado aqui pela manhã, de 28 de junho e não resolvido até agora, como uma parte da estratégia desse setor mais conservador, que logicamente está ligado à escola das Américas, ligado ao comando maior da grande potência dominadora da América do Norte. Vemos esse golpe contra Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Zelaya como um recado aos outros países para agir no sentido de impedir que haja de fato esses avanços do ponto de vista social e político-eleitoral. No campo brasileiro, falando mais especificamente da nossa área do campo, o que percebemos é que há claramente um avanço desenfreado do capital com as empresas transnacionais, com os bancos, com o capital financeiro por meio do modelo do agronegócio, que é articulado em conjunto com o latifúndio mais atrasado e improdutivo para disputa pelo controle dos bens naturais, seja da terra, seja da água, das sementes, da energia, da biodiversidade. O grande objetivo deles com isso é avançar na produção dos monocultivos, especialmente cana‑de-açúcar, pínus, eucalipto e soja para exportação. No modelo com esse objetivo de produção, de fato, não há lugar para quilombolas, nem para indígenas, nem para agricultura familiar. Então, quando há um processo de mobilização, de organização desses setores, há logicamente um processo de incriminar, criminalizar e desmoralizar o conjunto de organizações que estão lutando por seus direitos. Com isso, o que temos visto é que há aumento da concentração da terra no País, com a atuação do agronegócio e, logicamente, do “latifúndio improdutivo mais atrasado”, entre aspas. Os senhores devem ter acompanhado, recentemente, os dados do Censo agropecuário que revelam que no Brasil 1% de proprietários detém 46% das terras agricultáveis. Nós somos o segundo país no mundo que mais concentra terra. Perdemos apenas para o Paraguai, sendo que naquele país um grande contingente de detentores da terra é formado de brasileiros. Se pegarmos o exemplo de quem domina terra no Paraguai e compararmos com o Estado do Maranhão, veremos que o Brasil leva a taça de país mais concentrador de terra do mundo. Por outro lado, também nos revelou o Censo, existem 4,5 milhões de famílias sem terra, fruto do êxodo rural, das políticas, enfim, da falta de implementação de políticas públicas para a pequena agricultura e o campo brasileiro. Para nós, é clara a necessidade de um projeto de reforma agrária amplo, massivo, democrático, que garanta a distribuição da terra improdutiva, de modo a cumprir-se, inclusive, a própria Constituição Federal, que determina que a terra tem função social e aquela que não a cumpre deve ser destinada à reforma agrária. A função social, segundo a Constituição, está baseada em três fatores: produtividade, respeito ambiental e legislação trabalhista. Nunca tivemos neste País uma fazenda, uma área, uma terra em que, detectado trabalho escravo, por exemplo, fosse destinada para a reforma agrária. Terça-feira 23 43883 Isso está na Constituição Federal, mas não se cumpre. O que se cumpre é o poder de criminalizar os movimentos sociais que lutam pela terra e para que se cumpra e se garanta, conforme a Constituição Federal estabelece, a realização da reforma agrária neste País. Quando falamos em processo de distribuição de terra, de a reforma agrária ser ampla, massiva, democrática, ela deve cumprir os objetivos da distribuição da terra, dos meios de produção, da riqueza no meio rural e também da produção de alimentos fartos, baratos, de qualidade, para que cheguem à mesa de todos os trabalhadores brasileiros sem o uso de químicos e agrotóxicos, como fazem o grande latifúndio e o agronegócio neste País. Os senhores devem ter acompanhado também os dados que a ANVISA, ligada ao Ministério da Saúde, tem nos revelado nos últimos dias. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxico do mundo. Esse agrotóxico é usado na produção dos alimentos que vão para a nossa mesa, o nosso prato, que vão parar no estômago e vão trazer sérias consequências para a saúde da população brasileira. Aliás, é o que mais tem acontecido. Também foi detectado pela ANVISA aumento no número e em mortes causadas por câncer na população brasileira. Isso é fruto dos produtos alimentícios produzidos com agrotóxicos. Para nós, a reforma agrária tem que cumprir também o objetivo de produção de alimentos com qualidade, com fartura, a custo baixo, para atender às necessidades de toda a população, seja do campo, seja da cidade. Uma reforma agrária que recupere e preserve o meio ambiente, porque o latifúndio deste País destruiu e continua destruindo o nosso meio ambiente nas várias regiões. Uma reforma agrária que cumpra o objetivo da geração de empregos no meio rural. O Censo ainda nos revelou que 80% do emprego no campo hoje está na agricultura familiar, ou seja, nas pequenas e médias propriedades. Não está nas grandes propriedades, como ditam os setores do agronegócio. Diz ainda que 75% dos alimentos saudáveis que vão para a mesa da população brasileira são produzidos pela pequena agricultura. Nós acreditamos que é importante esse processo do conjunto de lutas dos movimentos sociais para que se cumpra, de fato, a Constituição Federal e se garanta a realização da reforma agrária no País, com esses objetivos. Fruto dessas contradições, o que percebemos é que há esse processo de criminalização dos movimentos sociais no Brasil. Agora, nós podemos citar como exemplo a CPMI da Reforma Agrária, que estão chamando de CPI do MST. Nós não temos nenhum problema com investigações. Aliás, essa será a terceira 43884 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS CPI da qual o MST vai fazer parte, em 7 anos. O que nos preocupa de fato são os objetivos que estão por trás dessa CPI. Para nós fica claro que o primeiro objetivo dessa CPI é impedir a atualização dos índices de produtividade. Os movimentos do campo, todas as entidades, todos os movimentos que fazem parte do Fórum Nacional pela Reforma Agrária não conseguem entender por que o latifúndio, por que o agronegócio, por que a bancada ruralista deste Parlamento não aceita e tem medo de que o Executivo cumpra uma lei, pois é seu dever atualizar os índices de produtividade, que, aliás, estão defasados há mais de 30 anos. Não entendemos qual é o medo que eles têm. O segundo objetivo desta CPI é fazer palco para a direita, para esse setor mais reacionário, para os Parlamentares reacionários e conservadores fazerem palco para as eleições do ano que vem e fazerem disputa eleitoral. Acreditamos que isso também está como pano de fundo dessa CPI. O terceiro objetivo é, de fato, criminalizar e desmoralizar os lutadores da reforma agrária, as lutadoras e os movimentos sociais do campo. Nós estamos entendendo que esse processo da criminalização, hoje, o qual o companheiro que me antecedeu ressaltou, não se dá somente com a prisão, com a tortura ou com a morte dos trabalhadores. Eles estão evoluindo nas táticas de criminar, incriminar e desmoralizar os movimentos sociais e os lutadores dos movimentos sociais. A comissão de inquérito, a utilização dos grandes meios de comunicação e tantos outros meios têm sido uma forma de desmoralizar os movimentos sociais. Quero só dar um exemplo: nos últimos 20 anos, neste País, foram assassinados mais de 1.600 trabalhadores e lideranças do campo. Poucos foram a julgamento e responsabilizados por esses crimes, muito menos ainda foram condenados e responsabilizados e muito menos ainda estão pagando, estão nas prisões. Muito, muito pouco! Dos 1.600 trabalhadores assassinados, nem cinco responsáveis estão na prisão. O grande exemplo que podemos dar é o massacre do Eldorado dos Carajás, em 1996, no Pará. Até hoje não houve julgamento definitivo, nem responsabilidades pelos assassinatos. Há duas semanas, os senhores devem ter acompanhado, no Estado do Pará, dois militantes dirigentes do MST receberam decreto de prisão. Os nossos advogados verificaram em que se baseava o pedido de prisão. Os senhores devem ter ouvido falar na Maria Raimunda e no Charles Trocate. Eles receberam decreto de prisão porque são coordenadores do MST. Quero trazer isso como exemplo, porque faz uma pon- Agosto de 2011 te muito importante com todo esse debate que está acontecendo aqui. Não se pode ser militante, nem dirigente, nem coordenador de um movimento social hoje? Por ocupar essa função ele tem de ser preso? Que regime – como dizia o companheiro Martin Almada, do Paraguai, pela manhã –, que democracia de fachada é esta que nós estamos vivendo neste País e no nosso continente latino‑americano? (Muito bem. Palmas.) Como disse inicialmente, não estamos preocupados com mais uma comissão de inquérito, com mais uma investigação, mas gostaríamos muito – acho importante que todos os presentes possam de alguma forma se manifestar sobre essa questão – que essa CPI não fosse apenas do MST, porque já passamos por outras duas, recentemente. Aliás, uma está em aberto ainda, não terminou, e até agora não se conseguiu comprovar nada, porque as teses da bancada ruralista, dos representantes do latifúndio improdutivo, escravagista do País e do agronegócio são as mais reacionárias, são de dar medo em qualquer pessoa. O que gostaríamos é que essa CPI pudesse ser, de fato, do campo. Uma CPI do campo que traga a reforma agrária para o debate, para o centro da discussão, a fim de que o Estado brasileiro investigue também os crimes que o latifúndio cometeu, historicamente, neste País. Nós queremos que a CPI vá ao campo investigar o assassinato das mais de 1.600 lideranças do meio rural. Nós queremos que a CPI vá investigar o desmatamento no meio rural. Também queremos que quebrem os sigilos fiscal e bancário do MST. Não há problema. Mas que quebrem também o do Sistema S. Nós queremos saber onde e como estão sendo aplicados os recursos do SENAR, do SESCOOP, e assim por diante. (Palmas.) Nós queremos saber também as questões do trabalho escravo deste País. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, no Brasil existem mais de 25 mil trabalhadores em regime análogo ao de trabalho escravo. Vinte e cinco mil para um contingente como o Brasil, de quase 200 milhões de habitantes, parece que não é muito. Mas se houvesse um trabalhador em situação de escravidão neste País já seria uma vergonha! Não podemos admitir que em um país como o Brasil nós tenhamos quase 30 mil trabalhadores em regime de escravidão! Por que essa CPI não vai investigar esse tipo de coisa também? Companheiros e companheiras, nós acreditamos que este é um momento muito importante. Alguém disse hoje pela manhã que todos os dias da história são muito importantes. Neste momento, também todos os Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS dias da nossa história, da história do Brasil, está sendo muito importante. Portanto, cremos que, neste momento, são muito importantes a articulação e unidade entre os trabalhadores, entre os movimentos sociais, entre os lutadores e as lutadoras do campo e da cidade. Nós somos muitos, mas não podemos permanecer cada um fazendo o que achar certo e não termos, num determinado momento, um sentido de ação conjunta e unitária entre os trabalhadores e os movimentos sociais. Também achamos importantes esses debates e um espaço como este. Devemos repeti-los nos Estados, nas escolas, nas universidades, nas associações de trabalhadores do campo, da cidade, nas comunidades urbanas, enfim, devemos estar, de fato, onde está o povo organizado e fazermos este debate em conjunto. Finalmente, queremos dizer que acreditamos. Não vai ser por conta de mais uma CPI ou uma ou duas prisões de militantes nossos – podemos dizer que são prisões políticas, porque são coordenadores do movimento social – ou um e outro grande noticiário de impressionista da população brasileira, ao dizer que o MST é um movimento terrorista, que vamos deixar de organizar os trabalhadores rurais sem terra, que vamos deixar de lutar contra o latifúndio improdutivo deste País. Vamos, sim, lutar para a realização da reforma agrária. Nós acreditamos que a luta, que a organização dos trabalhadores e a mobilização social são a única forma de avançarmos nas conquistas e garantir justiça social, soberania popular e dignidade para toda a população brasileira. Muito obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Obrigado companheira Marina. Passo a palavra à Sra. Shirley Orozco, Cônsul Geral da Bolívia no Rio de Janeiro. A SRA. SHIRLEY OROZCO RAMIREZ – Muito obrigada à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados e ao Deputado Luiz Couto pelo convite e aos demais pela presença. Hoje, eu vou falar um pouco da experiência da Bolívia na luta dos movimentos sociais em democratizar tanto a sociedade como o Estado, assim como a ampliação dos direitos. (Segue-se exibição de imagens.) Acho importante contextualizar um pouco e dar certas informações, a fim de que possam entender como foi a luta dos povos indígenas em meu país. Bolívia tem uma superfície de 1.098.531 quilômetros quadrados, uma população estimada, no ano de 2006, em 9.627.266 habitantes, uma população ur- Terça-feira 23 43885 bana majoritária. A maior população está concentrada na área urbana, com 64,23%, com densidade de 8,7 habitantes por quilômetro quadrado. A divisão política e administrativa se divide em nove departamentos, que no Brasil se chama de Estados. Bolívia está dividida geograficamente em duas regiões. Em âmbito internacional se conhece mais meu país pela serra, pelo Altiplano, mas mais da metade do território são terras baixas, que chamamos de chiquitania, amazônia, chaco e parte do chaco americano. São dois terços do território que têm alturas menores. A Bolívia está constituída com 36 povos e nações. Alguns grupos étnicos se autoidentificam só como povos e outros só como nações. Destes, os quechuas, acho que já ouviram falar deles, são 95,5% da população, os aymaras são 40%. Há outros grupos minoritários como os chiquitanos, guarayos, yurucares, etc. O meu país tem uma diversidade cultural muito forte. A maior população indígena fica na parte da serra do país, na parte do altiplano. Segundo dados do censo, 66,2% da população se autoidentifica como indígena, tem uma identidade indígena. Na Bolívia, em meados da década de 80, aplicou-se o modelo neoliberal e se viveu uma forte característica de esvaziamento social e perda de direitos conquistados em décadas passadas pelo movimento trabalhador e mineiro. Foi uma época muito terrível e complicada para as lutas sociais e para os setores de esquerda do país. Sem dúvida, no final da década de 90, começa a ter uma emergência social do movimento indígena e popular. O povo começa a organizar-se e a lutar, mas com muitas características. Há organizações sindicais, há organizações camponesas, comunidades indígenas com suas próprias formas de organização, com suas próprias autoridades, suas próprias formas deliberativas, assembleias, juntas, suas próprias autoridades. Essa é uma característica muito interessante da realidade boliviana. Houve um ciclo de mobilizações de 2000 a 2005. Acho que vocês escutaram muito das guerras pelos recursos naturais. Foram muitos levantamentos. Por exemplo, em 2003, houve a Guerra do Gás, quando morreu mais gente que na ditadura mais longa que teve meu país, que foi o Governo de Hugo Banzer Suárez de 1971 a 1978. Em 2003, o governo exerceu uma violência muito forte contra a população e morreram 800 pessoas na Guerra do Gás, em uma época democrática. Que ideias, que crenças mobilizaram o povo boliviano? Uma crítica muito forte à condição neoliberal. Começamos a nos mobilizar contra a privatização de empresas públicas, a questionar uma conformação 43886 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS histórica muito antiga, que foi a condição colonial do Estado, ou seja, um Estado que excluiu a maioria da população boliviana, que a marginalizou, e também um desejo muito forte de recuperar nossos recursos naturais. Os recursos naturais têm que ser do povo, tem que ser utilizados em benefício da maioria da população. Temos que nos beneficiar todos desses recursos naturais e não só alguns setores sociais, como acontecia no país. (Palmas.) Outra característica dos movimentos sociais da Bolívia é que eles não lutam apenas por melhorias salariais, não lutam apenas por temas setoriais como, por exemplo, só reforma agrária ou só o aumento do salário mínimo. Eles lutam por temas da agenda nacional que atingem a maioria da população, e isso foi muito importante na hora de aglutinar os diferentes movimentos sociais. O interessante foi que todas a organizações sociais se respeitaram e, ao mesmo tempo, tinham uma bandeira única de defesa nacional. Historicamente, são muito conhecidos os métodos de luta que utilizaram os movimentos sociais da região – as insurgências, a luta armada –, mas o interessante desses novos processos na América do Sul é que eles têm outras formas de transformação social. Na Bolívia, essas duas formas foram paralelamente acompanhadas de maneira gradual, ambas por meio de protestos, de mobilizações e participação na arena eleitoral como estratégia de poder. Por meios democráticos, pacíficos, pelo voto universal, os povos tentaram mudar a realidade participando das eleições. Eles tinham um lema, que era “votemos em nós mesmos”. Antes o povo votava em outros setoriais minoritários, era a tradição do país, mas depois de 2002 começaram a votar em seus próprios líderes, o que culminou na eleição de Evo Morales à Presidência. Eu quis que vocês vissem através de imagens o que aconteceu. Estas são as primeiras lutas do movimento indígena. (Segue-se exibição de imagens.) Aqui as organizações. Estas são as passeatas que as organizações realizam. Cortar as estradas foi uma estratégia de luta utilizada. Estas fotos foram antes da queda de Gonzalo Sanchez de Lozada na Guerra do Gás. Estas também foram da conjuntura da Guerra do Gás. Esta é a violência exercida nesses tempos pelo poder estatal contra a luta do povo. Isso é o que se conhece como octubre negro, outubro preto, que é a Guerra do Gás. Agosto de 2011 Esta é a participação eleitoral, que ocorreu gradualmente, através de mobilização, de se apresentar em eleições. Aí está o símbolo do movimento indígena popular na Bolívia, que é a Wipala: uma bandeira de luta, um símbolo do movimento indígena. Como meio de transformação, também se pensou que isso tinha de ser não só legitimado, mas legalizado no país. Assim, houve o processo da assembleia constituinte na Bolívia, e o resultado disso foi a nova constituição, com a qual os bolivianos contam desde ano passado. Todas essas ideias de transformação foram traduzidas e trabalhadas pelas organizações sociais e agora se encontram nessa nova constituição política do Estado. Agora vou entrar no tema que nos interessa: o que defendemos como direitos humanos nessa época. Por exemplo, direitos fundamentais, civis, foram resultado de lutas da Revolução Francesa e de diferentes povos a nível mundial. Entretanto, há novas lutas em termos de direitos humanos. Por exemplo, um tema muito importante é que os movimentos sociais agora não só defendem essas demandas setoriais de que falávamos, mas defendem a humanidade, defendem inclusive a mãe terra. Foi assim que, ante uma conjuntura de crises – alimentar, energética, aquecimento global, de decadência do planeta, praticamente – se estão incorporando novos critérios. No caso, na Bolívia, muito interessante é o que estão fazendo as organizações sociais. Por exemplo, nessa conjuntura desfavorável de crises que estamos vivendo, como as crises alimentar e energética, os movimentos sociais fizeram com que na Bolívia se garantisse como um direito fundamental que toda pessoa tem direito a água e alimentação (palmas); que o Estado tem a obrigação de garantir a segurança alimentar através de uma alimentação sadia, adequada e suficiente para toda a população. Isso está constitucionalizado e garante que não só em tempos de crises as pessoas que não têm recursos possam ter acesso a esses recursos naturais. Outro tema que está constitucionalizado é o direito ao acesso universal à água e a uma rede de esgoto. É fundamental que as pessoas tenham a garantia desse acesso. Também muito importante é o tema dos direitos políticos, de que nosso companheiro falava. A nova constituição boliviana foi redigida pensando numa presidenta mulher e numa vice-presidenta mulher. Todo o texto está redigido em ambos os gêneros, e se reconhece uma participação política igualitária de mulheres e homens na constituição. (Palmas.) Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Finalmente, um tema também muito importante: a constituição reconhece não só a democracia representativa, através do voto universal, mas também a democracia participativa, através de consultas populares e de referendos revogatórios. O povo não só tem o direito de eleger seu representante, mas também de decidir sobre o seu mandato, inclusive revogando-o. Se um governante não está correspondendo à linha política a que se comprometeu, o povo pode se organizar e pedir, através de consulta, a mudança da autoridade. (Palmas.) Finalmente, em tempos muito complicados no âmbito internacional, a Bolívia se define como um Estado pacifista que proíbe a instalação de bases militares em seu território, tema também constitucionalizado. (Palmas.) Eu vou deixar isto aqui. Agradeço a atenção de todos. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Muito obrigado, Sra. Shirley Orozco. Passo agora a palavra ao Sr. Carlão, Relator desta Mesa. Carlão está presente? (Pausa.) Não está. Teremos agora um intervalo para almoço. A SRA. FABÍOLA – Participei, com o Carlão e o Fenelon, da discussão sobre a criminalização. Já que eles não estão presentes, gostaria de pelo menos três minutos para fazer considerações a respeito do que nós debatemos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – A coordenação tem um Relator para fazer a síntese. A SRA. FABÍOLA – Fiz parte do grupo. PARTICIPANTE – Mas foi escolhido um Relator. O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Quando aqui estiver presente o Sr. Carlão, nós lhe daremos um tempo para não prejudicá-lo, uma vez que foi indicado Relator. Ainda antes do intervalo, a próxima Mesa debaterá o tema “O Pré-sal e os Direitos Humanos”, sob a coordenação da Deputada Janete Capiberibe. (Palmas.) Esperamos que as pessoas estejam presentes no momento, senão vamos atrasar cada vez mais. Está desfeita a presente Mesa, para que seja composta a próxima. (Palmas.) Passo a palavra à Deputada Janete Capiberibe. A SRA. PRESIDENTA (Deputada Janete Capiberibe) – Concedo a palavra à Sra. Fabíola, do SINDIPETRO, para ler o relatório, pelo tempo de 5 minutos. A SRA. FABÍOLA – Agradeço a oportunidade. Como disse, fiz parte desse grupo, junto com o Carlão e o Fenelon, e gostaria de ler para vocês o que conseguimos redigir sobre a criminalização dos movimentos sociais e da pobreza. Terça-feira 23 43887 Há necessidade de um amplo debate em toda a sociedade e nos meios políticos, acadêmicos, de representação de classe, jurídicos sobre a questão da criminalização dos movimentos sociais e da pobreza. Apesar da democracia hoje existente, são perseguidos os movimentos que lutam por direitos e dignidade para o nosso povo. São muitos os exemplos de assassinatos, prisões e torturas dos que lutam, no campo e nas cidades, por melhores condições de vida. A criminalização dos movimentos sociais é um fato e repete, nos dias de hoje, a mesma prática da repressão e perseguição que existiram durante a ditadura de 64 (Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo). A nova “posição” – entre aspas – de setores que desejam manter inalterado o status quo das oligarquias, com o fim dos regimes autoritários e o início da democracia, tem sido a criminalização dos movimentos sociais e da pobreza. A criminalização tem por objetivo paralisar os movimentos sociais, destruir sua organização e impedir que a luta social tenha uma dimensão política. É necessário lembrar que a criminalização vem a partir, muitas vezes, de uma visão legalista, sem tomar em conta se a lei é justa ou não. Por exemplo, no tempo da escravidão, quem lutava contra e desrespeitava as leis da época podia ser considerado criminoso. Hoje em dia, os movimentos sociais, como os movimentos por terra, moradia e outros, veem-se amarrados por leis que já deveriam ser revistas e, em alguns casos, mais bem interpretadas. A crise de identidade e de iniciativa que paralisa os movimentos sociais em grande parte é resultado da política que criminaliza as justas lutas da população, somada à política de desinformação e manipulação efetuada pela ditadura da mídia. Não é à toa que nós agora estamos em plena conferência nacional pela democratização da mídia. Essa foi uma grande vitória dos movimentos sociais pela democratização da mídia. Estamos nesse processo porque, sem democratizar a mídia, o povo vai continuar enganado e manipulado. A ditadura da mídia é um forte instrumento a favor da manutenção da criminalização dos movimentos sociais. Por meio dessa ditadura midiática o povo é manipulado, enganado e fica a favor daqueles que nos oprimem. Existem propostas, tais como: levantar a questão da sociedade sobre essa criminalização; promover amplos debates para conceituar o problema; identificar as práticas de criminalização; registrar os movimentos e pessoas que são vítimas dessa prática; e registar os 43888 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS fatos concretos ocorridos num só banco de dados, para termos a real dimensão do problema. Precisamos também fazer um levantamento das leis que estão sendo utilizadas até hoje para criminalizar os movimentos; avaliar se essas leis estão sendo interpretadas corretamente ou se são injustas em sua essência, como era a lei da escravidão; e articular com os movimentos sociais ampla realização de denúncia e apuração dos fatos. É isso aí, pessoal. Obrigada. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTA (Deputada Janete Capiberibe) – Obrigada, Sra. Fabíola. Dando continuidade ao nosso seminário, teremos agora a terceira Mesa: O Pré-Sal e os Direitos Humanos. Convido para compor a Mesa o Sr. Francisco Soriano, do SINDIPETRO-RJ; o Sr. Fernando Siqueira, da AEPET-RJ; a Sra. Dulce Maria Barra Fuentes, Ministra‑Conselheira da Embaixada Venezuelana, representante da PDVSA. Convido também o cineasta Peter Cordenonsi para a apresentação do documentário O Petróleo é nosso. (Pausa.) Convido o Sr. Francisco Soriano, do SINDIPETRO-RJ, para comentar o documentário O Petróleo é Nosso. O SR. FRANCISCO SORIANO – Saúdo a Deputada Janete Capiberibe, em nome de quem cumprimento todos os demais componentes da Mesa e sobretudo os companheiros presentes. O Peter já chegou. Ele mesmo falará sem mais delongas. O SR. PETER CORDENONSI – Boa tarde. Estou muito honrado de poder passar este filme aqui. Veremos uma versão curta, de 15 minutos – o filme é quase um longa‑metragem –, que discute o pré-sal. Temos tanta dificuldade de saber o que é essa riqueza porque, infelizmente, a nossa imprensa mostra apenas o lado neoliberal. Este filme tenta trazer outras opiniões e, sobretudo, uma visão geral, para que nós venhamos a defender o que é nosso. Várias riquezas nossas já se foram. As coisas vão passando, e o Brasil vai sendo dividido. Este filme traz opiniões fantásticas de pessoas maravilhosas, entre elas uma senhora genial, Maria Augusta Tibiriçá, de 92 anos, que desde o movimento O Petróleo é Nosso, na década de 50, até hoje ainda luta para que o Brasil tenha a responsabilidade de ser dono de seus passos. Espero que vocês gostem. Depois do debate do pré-sal, durante o almoço, o filme será exibido na sua íntegra. Muito obrigado, Sr. Presidente. (Palmas.) (Exibição de vídeo.) A SRA. PRESIDENTA (Deputada Janete Capiberibe) – Concedo a palavra, imediatamente, ao Sr. Agosto de 2011 Francisco Soriano, do SINDIPETRO do Rio de Janeiro. (Palmas.) O SR. FRANCISCO SORIANO – Obrigado, Deputada. A minha oração não poderia começar sem antes, com a permissão da Presidente da Mesa, fazer homenagem a um companheiro meu da ALN. Vocês viram no filme a presença de todas as correntes que formam a opinião pública brasileira –– militares, civis, bispos, MST, petroleiros, professores, atores. Tudo isso foi muito importante. E ali estão todas as correntes políticas também. Há representantes de todas as centrais e também de partidos nacionalistas. O companheiro a quem homenageio é o Paulo César Botelho Massa. Trago isso para fazermos uma grande reflexão e para trazermos ao nosso coração de cristão um sentimento também de irmandade. Esse companheiro, o Paulo César Botelho Massa, era filho de um general do Exército, que tinha outros quatro irmãos generais. O pai dele havia sido, inclusive, lacerdista e fora Secretário de Segurança do Carlos Lacerda. Quando houve o golpe, começou a haver também dissensões naqueles que sentiram que aquela Marcha da Família com Deus pela Liberdade, era, na verdade, a marcha da família do adeus à liberdade. E um dos que vieram para a luta de peito aberto foi Paulo César, que era meu colega de faculdade e, também por meu intermédio, ingressou na Ação Libertadora Nacional, do nosso Carlos Marighella. Pois bem, esse companheiro foi sequestrado e morto. Hoje é desaparecido político. Devido à patente, o pai conseguiu que se explicasse o que houve com Paulo César. A primeira explicação foi de que ele estaria vivo, em Cuba. Mentira do General Figueiredo. Depois ele disse: “O General Cristóvão já está velhinho. A gente não vai passar a ele uma informação que pode levar mais ainda ao desespero”. Constatada a mentira, os outros irmãos militares conseguiram que se dissesse o que realmente acontecera com Paulo César. Esse depoimento está em nosso livro, Deputada. E eles mostraram finalmente a Laís Sanches, esposa do General Cristóvão Massa, o Paulo César sendo preso junto com Ísis e depois sendo levado. A informação dura é que Paulo César havia sido, num interrogatório depois, levado ao suplício, assassinado. Esquartejaram o seu corpo. Ele foi morto tendo pedaços do seu corpo arrancados com alicate. E o corpo foi lançado em alto‑mar. Isso é só para termos ideia do que houve no seio dos originários formadores do golpe e as contradições que logo despertaram. Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Esses generais chegaram à conclusão de que estavam criando realmente um monstro: os aparelhos de repressão que não reconheciam, como a GESTAPO, as chamadas patentes. No seio, das Forças Armadas, como o Modesto sempre diz, havia pessoas decentes, dignas, só que os torturadores eram mais ousados. No final, a máscara caiu totalmente, fruto da ação dos movimentos sociais, dos irmãos que aqui estão, que deram a vida em sacrifício, e derrubamos a ditadura. É com esse ânimo, em tributo a Paulo César, ex-funcionário do Banco do Brasil, que entro no nosso tema, o pré-sal. Marque o tempo para mim, professora. Quando faltarem 3 minutos, avise-me. Quero saudar mais uma vez os presentes e também a nossa querida Dulce Maria Fuentes e dizer a ela que o meu nacionalismo é internacionalista. As contradições que o Brasil vive são as mesmas contradições dos povos oprimidos. Como podemos imaginar a Venezuela, que chegou a ser o segundo país exportador de petróleo, endividada, ela que abasteceu o mundo com energia? O nosso inimigo é comum. Quem são os inimigos do povo brasileiro? Quem quer tomar o nosso pré-sal? É preciso que se diga que são três, sobretudo: os Estados Unidos da América, que temem a nossa concorrência e não têm petróleo; as nações desenvolvidas, que precisam ter acesso a essa riqueza, porque a sua matriz energética tem como principal elemento o petróleo; e as multinacionais, as Sete Irmãs, que continuam com outros nomes, travestidas com outras siglas. Então, é preciso identificar bem os inimigos. Outros companheiros falaram aqui da IV Frota. Pois eu quero anunciar aos companheiros que existe a V Frota, como existiu também a Quinta Coluna. São pessoas que estão muitas vezes travestidas e usam um discurso de que estão nos defendendo. Conseguem até usar um pouco da nossa terminologia para depois nos levar para a entrega do petróleo por meio de outros mecanismos legais, já que eles não podem manter mais a legislação de FHC. Temos hoje em discussão três projetos, mas eles querem dizer que só há dois: ou ficamos com o projeto do FHC, ou aceitamos os quatro projetos do companheiro Lula. Tudo o que pudesse ser colocado de diferente do que o Lula fez já seria avanço. Nossa honestidade pessoal impõe que eu diga que foi importante o Lula ter apresentado os quatro projetos, sim. Mas isso não nos deve enganar, porque também Getúlio Vargas, quando mandou a mensagem do petróleo, não era a Lei nº 2.004. Ela foi fruto da pressão do povo na rua. Essa senhora conta como foi a conquista do monopólio estatal do petróleo. (Palmas.) Terça-feira 23 43889 Companheiros, sobre o histórico da nossa luta, quero dizer que, em novembro de 2007, 200 militantes companheiros, representando dezenas de organizações sociais e populares, realizaram um ato público na ABI, promovido pelo SINDIPETRO e pela AEPET, que também patrocinou esse filme do pré-sal, que necessitou de 1 ano de estudos, entrevistas e lapidação, para protestar contra o nono leilão, que havia sido anunciado. Esse ato na ABI resultou num documento que fizemos ao Presidente Lula, que foi sensível à opinião pública – mais uma vez, temos de ter a honestidade de reconhecer isso – e retirou do leilão 41 blocos da camada pré‑sal possuidores de petróleo em grande quantidade e de melhor qualidade. Tenho de denunciar que Lula foi enganado. É preciso que os amigos dele desdigam isso. Precisamos de CPI para apurar os leilões, como precisamos para a UDR, e não para os companheiros do MST. Foram “esquecidos” – entre aspas – 11 blocos da camada pré-sal. Por isso o ex-diretor denunciou que foram leiloados, sim, apesar da proibição do companheiro Lula, outros 11 blocos – podem anotar que ficam no Arco de Cabo Frio, na franja do pré-sal, e fazem parte da área estratégica, assim definida no projeto do Governo. Esses blocos foram arrematados e comprados pelo cidadão Eike Batista. Essa denúncia do companheiro Ildo Sauer está em Caros Amigos e na Carta Capital, entre outras publicações. Na hora que a Câmara dos Deputados quiser, ele vem aqui e presta um depoimento. Três meses depois dessa retirada, em 15 de março de 2008, com a presença de 60 entidades nacionais, criamos um fórum nacional que unificou a luta. Ele se reúne principalmente em São Paulo, na cidade de Guararema. Houve ainda a retirada de uma série de itens, um deles a reestatização da PETROBRAS, nos moldes que vigoravam na época da Lei 2.004. Também pregamos a retomada das áreas entregues. Não há outro termo, companheiros. As “leiloatas” eram uma mistura de leilão com negociata. Um dos itens era o fim da criminalização dos movimentos sociais. Vocês não imaginam quantos inquéritos o SINDIPETRO responde por essa luta, na Polícia Federal e na Polícia Civil no Rio de Janeiro. E outras entidades centrais também estão respondendo a inquéritos. Isso até nos faz lembrar do Kafka e seu fantástico livro O Processo. Agora vou falar em ações, companheiros. Em meio à reflexão sobre este tema, surgiu o desejo e a consumação desse filme, que foi lançado como o maior espetáculo já levado a efeito no Cine Odeon, na Cinelândia, no Rio de Janeiro. 43890 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Abro um parêntese para registrar o que é a aspiração popular. Na Cinelândia, na Praça Floriano Peixoto, um grupo glorioso, não identificado, construiu uma placa com a mesma forma, com o nome Carlos Marighella – claro que foi retirada depois. Vejam o que é a ira sagrada de um povo e a sua memória gloriosa. Na Cinelândia, na Praça Floriano Peixoto, no cinema Odeon, cabiam 594 pessoas, mas colocamos 800 pessoas, e outras 800 não puderam assistir ao filme. O povo quer o monopólio estatal do petróleo; o povo quer o projeto social que apresentamos com o aval de 22 assinaturas. A mídia diz que não existe um projeto alternativo que realmente responda a todos esses itens que estão no filme. No Senado Federal, que dizemos ser mais conservador, obtivemos o apoio de 10 Senadores, dentre eles Cristovam Buarque, Paulo Paim, Marcelo Crivella. Este tema tem surpresas as mais inesperadas. Neste mesmo dia em que lançamos o livro, lançamos uma cartilha, com tiragem de 200 mil unidades. Para quem quiser formar comitês, forneceremos essa cartilha, que ensina como formar comitês. Louvamos aqui o projeto do Governo, mas é acanhado e fala em quatro temas: capitalização da PETROBRAS, por meio da cessão... Ora, a PETROBRAS descobriu quase 340 bilhões de barris de petróleo, e o Governo vai dar a ela 5 bilhões de barris. É preciso que se tenha noção de dimensão, para não sermos enganados. O projeto do Fundo Social do Governo é um avanço? É. Mas ele não diz que o dinheiro do pré-sal é para resolver problemas como os da Previdência, moradia, reforma agrária, que são chagas sociais existentes em nosso País. Leremos a seguir o relatório do Grupo Pré-sal, Direitos Humanos e Anistia, que considera que os recursos do pré-sal são para resolver problemas seculares no Brasil, como o débito social que temos com os negros, com os índios e com as camadas sempre desfavorecidas e alijadas socialmente. Depois o relator do nosso grupo também fará um apelo às Sras. e Srs. Deputados, para que isso vire uma emenda a ser apresentada tanto ao projeto do Governo quanto ao nosso, do Deputado Fernando Marroni, para que essa destinação do Fundo Social seja para bancar demissões ilegais e outras coisas que já estão devidamente colocadas no nosso relatório. Finalmente, mesmo que o meu tempo sobre, com a máxima tranquilidade e prazer, gostaria de dizer aos irmãos aqui presentes que venceremos, porque à semelhança de uma companheira como a Marisa, a quem homenageio aqui, mentora e principal articuladora desse congresso... Como dizia Ernesto Che Ge- Agosto de 2011 vara, na sua candura, na sua ternura: “Um militante vale por 200 mercenários”. É por isso que venceremos, companheiros. Muito obrigado. (Palmas.) A SRA. PRESIDENTA (Deputada Janete Capiberibe) – Concedo a palavra ao Sr. Fernando Siqueira, da AEPET-RJ. (Palmas.) O SR. FERNANDO SIQUEIRA – Muito boa tarde a todos e a todas. Ilustríssima representante da Venezuela; cara Deputada Janete Capiberibe, grande brasileira que sofreu junto com o seu marido uma cassação que foi uma das maiores injustiças que já houve neste País – esperamos vê-los, V.Exa. e seu marido, no Congresso Nacional novamente (palmas) –; companheiro Soriano; companheiro Adelino Ribeiro Chaves, também anistiado e Presidente da Federação Nacional das Associações de Aposentados, Pensionistas e Anistiados do Sistema Petrobras e Petros – FENASPE, que representa mais de 60 mil trabalhadores aposentados, é uma alegria muito grande falar sobre este assunto com vocês, heróis nacionais de resistência, de luta, de coragem, símbolos do brasileiro, representados pela figura da Maria Augusta Tibiriçá, o ídolo da nossa campanha pelo petróleo. (Palmas.) (Segue-se exibição de imagens.) O petróleo não é fácil de ser substituído. Ele é matéria-prima para mais de 3 mil produtos ou 80% do que usamos no nosso dia a dia – computadores, remédios, fertilizantes vêm do petróleo. Para substituí-lo, o Brasil tem a melhor condição entre todos os países: a biomassa. O perigo é que um de seus componentes, a água doce, está na Amazônia, por isso ela é tão cobiçada, juntamente com aos seus minerais estratégicos e a sua biodiversidade. A partir dos anos 90, o consumo de petróleo começou a superar o descobrimento. Hoje, para cada barril descoberto, quatro são consumidos. Como foi mostrado pelo geólogo João Vitor, há 200 milhões de anos, o globo terrestre era uma massa compacta de continentes que se chamava Pangeia, que significa todas as terras. Depois, esses continentes foram se separando e, na divisa entre a América do Sul e a África, como era a parte mais baixa, foram se formando grandes lagos com depósitos de material orgânico da melhor qualidade para a formação de petróleo. Ao longo dessa fronteira, esse material foi se acumulando. É o que chamamos de pré-sal. Os continentes começaram a se abrir. Primeiro, separou-se a parte norte, chamada Laurásia. Depois, a sul, Gondwana, onde estavam juntas América do Sul e África. E, como dizem os geólogos, a abertura se deu de sul para norte. Aqueles grandes lagos que tinham Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS material orgânico acumulado nessa fronteira foram para o fundo dessa fenda. E, como o mar penetrou nessa fenda e ficou confinado, não havendo movimento de correntes e ondas, a água do mar se concentrou, e a camada de sal concentrada se depositou em cima daquele material orgânico que estava inicialmente nos grandes lagos. É por isso que se chama pré-sal. Depois, o sal se depositou em cima e então formou-se o pós-sal, com os sedimentos que vieram depois. Aqui fizemos uma composição de figuras para mostrar a diferença entre o reservatório convencional e o pré-sal. Aqui está a camada de sal de 2 quilômetros, em cima daquele material orgânico depositado na forma de areia, pedras, bichos, folhas etc. Aqui também há esse material orgânico. Isso forma a chamada rocha geradora de petróleo. Durante milhões de anos, esse material é cozido a uma temperatura de 80 graus, vai se fermentando e, quando forma o petróleo, a pressão aumenta de 5 mil a 10 mil libras, a rocha geradora se rompe, e o petróleo migra, tendendo a ir para superfície e se biodegradar. Ele chega a percorrer, pelos veios do terreno, até 140 quilômetros. Mas se aparecer uma rocha esponjosa que capture uma parte desse petróleo, forma-se uma reservatório convencional. A primeira desvantagem é que 90% do petróleo passa por fora dela. Ficam apenas de 5% a 10% retidos. No caso do pré-sal, o mecanismo é o mesmo: material orgânico trazido pelos rios, fermentado, etc. Só que quando o petróleo amadureceu, houve um rompimento menor da rocha. E mesmo que a rocha geradora tenha-se rompido, o petróleo não migrou para superfície, porque a camada de sal o segurou. Ela selou e reteve esse petróleo. A diferença fundamental é que 90% do petróleo da rocha geradora se perde, e, no caso do pré-sal, 100% do petróleo gerado está lá. Por isso que, durante 30 anos, os geólogos da PETROBRAS pesquisaram essa alternativa, mas o sal atrapalhava o levantamento sísmico. Quando a tecnologia permitiu, eles perfuraram com precisão e acharam toda a confirmação daquela teoria que tinham. Aqui está o núcleo central do pré-sal. O poço descobridor está no Bloco de Tupi. Depois, a PETROBRAS furou mais 12 poços em blocos diferentes e achou petróleo no total de 13 poços. Quando falaram com o Presidente Lula sobre a magnitude dessa descoberta, S.Exa., corretamente, retirou esses blocos, em laranja, que estavam incluídos no leilão. Como o Soriano mencionou, infelizmente, 11 blocos da franja do pré-sal, no Arco de Cabo Frio, não foram retirados, e o Eike Batista, que se suspeita seja testa de ferro do Grupo Morgan Stanley, comprou esses blocos. Levou o pessoal da PETROBRAS e achou petróleo nessa franja do pré-sal. Terça-feira 23 43891 Mas o Presidente retirou isso daqui e abriu um grupo de trabalho interministerial para reestudar a lei. Por que reestudar da Lei? Conforme o Prof. Pinguelli Rosa disse no filme, a Lei nº 9.478, em vigor, foi feita no auge do neoliberalismo pelo Governo Fernando Henrique, e o argumento era de que era preciso trazer capital de risco para correr grande risco, com perspectiva de baixo retorno. E o pré-sal é exatamente o contrário disso. Os senhores veem que se furaram 13 poços e se achou petróleo nos 13. Então, não há risco! É um bilhete premiado que seria entregue no nono leilão. (Palmas.) O Presidente Lula agiu corretamente. Essa riqueza pertence à Nação, conforme reza a Constituição! E a Lei nº 9.478 é uma lei entreguista, indevida e tem que ser mudada. Essa é a perspectiva, hoje, dessa província que vai de Santa Catarina até o Espírito Santo, que os gaúchos chamam de picanha azul e os baianos, de baleia azul. O fato é que aqui está o núcleo central do pré-sal. E há possibilidade de ele chegar até Alagoas. Aí é possível que haja de 40 bilhões a 340 bilhões de barris. Mas há geólogos – inclusive o Diretor Guilherme Estrella, da PETROBRAS, disse isso no mês passado – que falam em 100 bilhões de barris. Vamos raciocinar com 100 bilhões de barris, para podermos nos situar melhor. Aqui está um detalhamento do Bloco de Tupi. Esse poço é o descobridor. Entrou em produção em 1º de maio e está produzindo 15 mil barris por dia. Portanto, um retorno alto. O segundo poço foi testado agora e tem perspectiva de produzir 50 mil barris por dia. Retorno absolutamente fora daquilo que a lei atual previu, muito acima do esperado. Aí está o Campo de Tupi, que vai produzir para o Mexilhão e, depois, o óleo vai para as refinarias. Essa imagem mostra o número de equipamentos só de 2009 a 2013. É um número fantástico. Em resumo, o pré-sal, no seu auge, deverá abrir 250 mil empregos diretos e 500 mil em fornecedores de equipamentos e serviços, que são os empregos indiretos. Eis o primeiro problema de pré-sal. As grandes reservas de petróleo estão no Oriente Médio: Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuaite, Emirados Árabes Unidos. E o Brasil, que tinha 14 bilhões de barris, de repente, descobre uma reserva de 100 bilhões de barris, que ainda é um número conservador, e passa para junto do Iraque, tendo, praticamente, a terceira ou quarta reserva mundial. É um Iraque na América Latina. E os Estados Unidos, que têm 30 bilhões de barris apenas e consomem 10 bilhões por ano, 8 bilhões internamente e 2 bilhões nas suas bases militares e corporações pelo 43892 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS mundo, quando souberam do pré-sal, imediatamente reativaram a IV Frota. A IV Frota seria para “proteger” – entre aspas – o Atlântico Sul. Quem está no Atlântico Sul? Brasil e Argentina. A Argentina já desnacionalizou o petróleo. Então, a IV Frota se destina a “proteger” – entre aspas – o pré-sal. Na melhor das hipóteses, seria para fazer uma enorme pressão psicológica para o Brasil não mudar a legislação feita no Governo Fernando Henrique. E a segunda fonte de pressão são as antigas Sete Irmãs, hoje chamadas Big Oil, que já tiveram 90% das reservas mundiais sob controle e hoje têm 3%. E nessa condição estão fadadas a desaparecer, como disse o Financial Times, em abril do ano passado. Qual a primeira coisa que elas fizeram para não morrer? Começaram a se fundir. A Chevron se fundiu com a Texaco, junto com a Gulf Oil; a British Petroleum se fundiu com a Amoco e com a Atlantic Richfield Company, dos Estados Unidos; a Exxon se fundiu com a Mobil, e formaram a maior empresa do mundo hoje; a Total Petrochemicals e a FINAELF, da Bélgica, se fundiram; a Repsol comprou a YPF Argentina e se fundiu com a ENI, da Itália. Então, para não morrerem, estão se fundindo. E aí elas estão no Instituto Brasileiro do Petróleo, fazendo um lobby fantástico aqui no Congresso Nacional. Só no Senado, neste ano, fizeram cinco audiências públicas, cada uma com cinco Mesas, cada Mesa com dois lobistas do tipo daquele de camisa preta que aparece no filme, o Adriano Pires, contratado da Shell, pelo Instituto Liberal, para fazer o lobby pela quebra do monopólio. Eles estão aí cada um falando em duas Mesas. São 25 Mesas, então são 50 palestras de 30 minutos. Nós pedimos o direito de contraponto. Sabem quanto nos deram? Cinco minutos numa Mesa. Então, fica difícil. Por outro lado, nós temos hoje 78% das reservas nas mãos dessas estatais. E, somando todas as estatais, chega-se a 90% da propriedade do petróleo com empresas estatais. Isso ocorre porque os países se deram conta de que o petróleo é um bem absolutamente estratégico. Nós tivemos dois choques do petróleo, que passaram, e estamos caminhando para um terceiro, que é um choque, infelizmente, irreversível, porque é um choque de demanda. Pusemos aqui os 3 países principais: Estados Unidos, China – que é a segunda consumidora mundial, mas que, com empresas pouco eficientes, tende a consumir mais do que os outros – e Índia. O preocupante é que, como aponta esse gráfico, as grandes descobertas já aconteceram até o ano de 2000. O pré-sal estaria nessa daqui. Representa 9% das reservas mundiais. Então, não faz muita diferença. Agosto de 2011 E aí nós chegamos no ponto crucial da questão do petróleo. Todas as produções mundiais estão passando pelo pico: Estados Unidos, na década de 70; Oriente Médio, 2000. Ou seja, somando as produções de todos os países, nós estamos, hoje, com 82 milhões de barris por dia sendo produzidos e 82 milhões sendo consumidos. E haverá uma queda forte, acentuada, da oferta. Prevê-se que no ano de 2030, passaremos de 82 milhões de barris por dia para 30 milhões de barris por dia, enquanto a demanda chegará a 120 milhões de barris. Então, nós vamos ter uma defasagem de 90 milhões de barris por dia, significando que vai haver aumento de guerra por petróleo, e o preço vai subir de forma irreversível. Por isso, os Estados Unidos, a Europa e a Ásia, principalmente, os países desenvolvidos, estão numa insegurança energética brutal, e o pré-sal seria uma solução momentânea para eles. Tivemos a mudança da legislação, como eu já disse, com uma lei absolutamente entreguista do Governo Fernando Henrique. Na Constituinte de 19871988, a AEPET fez uma campanha, liderada por Barbosa Lima Sobrinho, e conseguiu trazer o conteúdo da Lei 2.004 para o âmbito da Constituição e colocar uma salvaguarda para que o Brasil não desse petróleo como garantia de dívida, como fez o México, que, em 5 anos, de 1998 a 2003, passou de 50 bilhões barris para 12 bilhões de barris apenas em reservas. Foi exatamente aí que o Fernando Henrique atirou. Retirou essa salvaguarda e colocou, em troca, um parágrafo que diz que a União poderá contratar essas atividades do monopólio com empresas estatais ou privadas. E aí colocou David Zylbersztajn na ANP. A primeira coisa que ele fez foi fazer leilões com áreas 220 vezes maiores do que as áreas licitadas no Golfo do México, tal a sede entreguista do genro do Fernando Henrique. Ao mexer na Constituição, era preciso regulamentá-la. Tentamos que fosse por lei complementar, mas acabou sendo por lei ordinária. E é ordinária em todos os sentidos, porque ela tem artigos que conflitam entre si e com a Constituição. Por exemplo, o art. 3º diz que pertencem à União os depósitos de petróleo, ou seja, as jazidas existentes no território nacional. O art. 21 diz que todos os direitos de exploração e produção pertencem à União. Então, as jazidas pertencem à União, o produto da lavra pertence à União. Aí, vem o artigo, produto do lobby internacional, das sete irmãs dos Estados Unidos, que diz que o petróleo é de quem o produz. Isso não é aceitável, porque a propriedade é poder. Cada vez mais que o petróleo está em escassez, em defasagem em termos de oferta e consumo, mais Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS poder se tem de barganha com a exportação para os demais países. Então, o Brasil jamais pode abrir mão desse direito. O povo brasileiro tem que ter os benefícios dessa riqueza que Deus nos deu. Outro absurdo dessa legislação é que o Decreto nº 2.705, que regulamenta essa lei ordinária, fez com que a participação brasileira fosse de zero a 40%, com 5% de royalties em águas profundas e, no máximo, 45%. Essa é a percentagem com que, hoje, a União fica. Sabem qual é a média mundial dos países exportadores? Eles participam com 84%; os países da OPEP, da Organização dos Países Exportadores, Arábia Saudita, Irã e Iraque, 90%, e Venezuela, também. Então, nós estamos hoje recebendo, no máximo, a metade do que os países maiores exportadores recebem. Isso pode ficar? Não pode, nem a questão da propriedade nem esse absurdo aqui podem permanecer. Um exemplo de soberania: o Congresso americano vetou a venda da UNOCAL, empresa da Califórnia, para a China. Então, os Estados Unidos têm a consciência da importância estratégica do petróleo. Os lobistas, dentre eles aquele de camisa preta, Adriano Pires, dizem uma série de falácias nessas palestras que eles fazem. Ainda bem que eles são repetitivos. Primeiro, dizem que a PETROBRAS não tem recursos para o pré-sal; que precisa de 600 bilhões de dólares. Eu pergunto: de onde saíram esses 600 bilhões de dólares? Saiu da cabeça do UBS, que é um banco do Grupo Rockefeller/Rothschild. Tanto isso é verdade que o Goldman Sachs fez um relatório em que situa a PETROBRAS e a Vale do Rio Doce entre as 10 empresas mais viáveis do planeta, e ainda diz o seguinte: a PETROBRAS tem a seu favor o pré-sal e será a mais bem posicionada entre as petroleiras. Então, meus amigos, ela é a mais bem posicionada; é a que tem chance de receber mais recursos do sistema financeiro internacional, porque quem tem petróleo tem lucro, crédito farto e barato. O Sérgio Gabrielli disse, nessa semana, que foi pegar 4 bilhões no mercado internacional e ofereceram 12 bilhões. Queriam que ele trouxesse 12 bilhões. “Mas eu preciso só de quatro”, disse ele. “Não, mas leva 12, porque você tem garantia demais”, disseram. Outra falácia importante é que, se houver leilão, vem tecnologia de outras direções, com novas tecnologias. Tremenda falácia. Quanto aos três gargalos da produção em águas profundas, a perfuração, a completação dos poços e a linha de fluxo flexível, a PETROBRAS foi a primeira demandar perfuração nesse nível de profundidade. Desenvolveu junto com as perfuradoras essa tecnologia. Terça-feira 23 43893 Mas ela não faz perfuração, ela contrata, assim como fazem as outras petroleiras não fazem perfuração. Esse sistema foi praticamente projetado no Centro de Pesquisas da PETROBRAS, mas isso foi repassado para empresas internacionais que fabricam isso e vendem para todas. Vendem para Shell, para a Esso e PEBROBRAS. A PETROBRAS é a que mais conhece esse sistema, mais sabe utilizar, mas compra dos mesmos fabricantes. Da mesma forma, a linha flexível, que tem um isolamento especial, porque dá 4 graus de temperatura, tem uma armação especial, um sistema de flutuação etc., tudo isso desenvolvido com a PETROBRAS, mas também vendido para todas elas. Então, não há novidade tecnológica alguma. Portanto, não há sentido leilão para trazer empresa estrangeira. Nós estaremos contratando intermediários e tecnologia. Em termos de intermediários e tecnologia, a PETROBRAS é o melhor de todos. Outra falácia é dizer que a lei atual ajudou a PETROBRAS. Vamos restabelecer a verdade. Durante 25 anos, a PETROBRAS foi obrigada a comprar petróleo por 25 dólares o barril e revender no Brasil por 14. Perdia 11 dólares por barril. Vocês se lembram que havia uma conta petróleo onde seria depositada essa diferença no futuro? Só que isso nunca ocorreu. Houve um “beiço” contábil e a PETROBRAS não recebeu isso do governo. Em 1999, Fernando Henrique Cardoso queria desnacionalizar a empresa e, então, acabou com essa absurda obrigação de ter prejuízo para torná-la lucrativa e vendê-la. Inclusive todos se lembram que houve a mudança do nome de PETROBRAS para PETROBRAX, para facilitar a pronúncia de seus adquirentes. Isso fez com que a PETROBRAS deixasse de perder 11 dólares por barril importado e ganhasse uma grana alta com barril produzido, porque produzia por 3 dólares o barril e vendia por 25. Então, a Lei nº 9.478 não teve nada a ver com o sucesso da PETROBRAS. Da mesma forma que Haroldo Lima, que de nacionalista virou lobista, o setor petróleo, que participava com 3% do PIB, agora participa com 12%. É espantoso um engenheiro falar isso, porque o petróleo era 15 dólares o barril e passou para 70. Então, não foi a lei coisa nenhuma, mas o preço que subiu e a produção da PETROBRAS que aumentou, dando essa alavancagem ao preço do petróleo. Tendo em vista que a lei era inadequada, o Governo apresentou 4 projetos com 3 pontos altamente positivos: primeiro, retoma a propriedade do petróleo e o contrato de partilha, em lugar da concessão, retoma o controle do petróleo para o povo brasileiro, que pode tirar inúmeras vantagens disso; segundo, coloca a 43894 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PETROBRAS como operadora de todos os campos e, portanto, vai investir em mão de obra nacional, comprar equipamentos no Brasil e desenvolver tecnologias no País tem também o fundo social além de capitalização da PETROBRAS. Agora, tem uma desvantagem grande nesse projeto: o Governo não teve cacife político para mudar isso. E eu vou conclamar a vocês, que são heróis nacionais, para nos ajudar a pressionar o Governo a mudar, acabando com os leilões. Como eu mostrei, não há nenhuma vantagem para o Brasil fazer leilão (palmas), e esses leilões só acabam se nós pressionarmos o Governo. Vamos fazer como diz a menina da Bolívia: vamos votar para nós nas próximas eleições, fazer uma revolução pelo voto e tirar esses políticos corruptos do Congresso Nacional. (Palmas.) Ontem um estudante disse assim: “Tio, se ficar a PETROBRAS com o Governo, e a corrupção?” Eu respondi: “Meu filho, nós não podemos transigir com a corrupção! Não podemos aceitar que temos que dar um jeitinho para conviver com a corrupção. Não! Temos que banir os corruptos deste País!” Vamos começar a eleger pessoas como o casal Capiberibe, que é nacionalista e sério. (Palmas.) Vamos eleger um Sérgio Miranda, que foi expulso do PCdoB porque votou pelo estatuto do partido contra a reforma da Previdência. (Palmas.) Vamos eleger pessoas sérias e íntegras. Vamos principalmente escolher a dedo os Senadores, ponto fundamental nessa reforma que vem para o Senado. Vamos eleger aqueles que têm um passado nacionalista, de integridade, de defesa da soberania nacional. Não vamos deixar de votar nos Senadores não. Votamos, no voto majoritário, para Presidente e Governador, e esquecemos da importância que têm a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. É importantíssimo que essas pessoas sejam defensoras da soberania nacional e não dos direitos de seus grupos ou pessoais. Então, vamos começar a revolução pelo voto, vamos pressionar o Congresso Nacional, porque ainda há tempo de pressionarmos contra os leilões. Estou fazendo esta campanha na Câmara dos Deputados e estou aqui para conversar com os Senadores. Os leilões não têm nenhuma vantagem para o País. É preciso que essa riqueza que Deus nos deu seja distribuída a todos os brasileiros, porque é uma riqueza do país todo; ela não é do Rio, de São Paulo e do Espírito Santo, mas de todos os brasileiros. E é preciso que essa riqueza seja utilizada para banir a pobreza, porque é uma vergonha o país mais potencialmente viável do mundo ter de conviver com 50 milhões de miseráveis. Agosto de 2011 Eu quero terminar dizendo que, na década de 50, quando o petróleo era apenas um sonho – e muitos dos senhores devem se lembrar disso –, tivemos o maior movimento da história do nosso País, inclusive com a liderança da Maria Augusta. O petróleo era um sonho. Hoje ele é uma realidade que superou todas as nossas expectativas. Então, nós temos a motivação, o direito e sobretudo o dever de defender essa riqueza que nos pertence. Muito obrigado. (Palmas.) (Manifestação das galerias.) (O petróleo é nosso! O petróleo é nosso!) A SRA. PRESIDENTA (Deputada Janete Capiberibe) – Muito obrigada ao Sr. Fernando Siqueira pela exposição cristalina e pelos alertas que faz nesta Casa para nós, que representamos o povo brasileiro. Concedo a palavra à Sra. Dulce Maria Parra Fuentes, Ministra Conselheira da Embaixada da Venezuela, representando o PDVSA. A SRA. DULCE MARIA PARRA FUENTES (Exposição em espanhol. Tradução simultânea.) – Agradeço à Presidente da Mesa e aos meus colegas brasileiros por essas magníficas exposições. Eu gostaria de falar da nossa indústria petroleira, da responsabilidade social que corresponde à empresa com o fim de fortalecer o processo revolucionário venezuelano do Presidente Hugo Chávez e de todo o povo da Venezuela. (Segue-se exibição de imagens.) Minha exposição será sobre a situação da indústria venezuelana em âmbito nacional e internacional. Posteriormente, falarei aos senhores como essa indústria fortaleceu os planos e as ambições do Estado venezuelano com a finalidade de incluir a grande parte da população que tem estado excluída dos planos sociais, da saúde, da educação, da alimentação, da identidade nacional e da moradia. Graças à participação do petróleo da Venezuela, fortalecendo missões sociais, tem-se conseguido a inclusão de parte da população venezuelana que permanecia à margem de tudo aquilo que era o lucro petroleiro, do bem-estar comum e do bem-estar nacional. Bom, como vemos, a Venezuela está situada na América do Sul, onde tem uma posição bastante privilegiada, porque está na entrada do Continente. Temos 27 milhões de habitantes e um território de 916.445 quilômetros quadrados. É formada por 23 Estados, um Distrito Federal e 72 ilhas ao redor da fronteira norte, da fronteira marítima. As características da Venezuela são várias: é um país andino, é um país amazônico, é um país caribenho, como vemos aqui, e, também, por sua vez, atlântico. Isso nos dá formulações de política interior Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS diferente. A formulação de política interior andina é uma formulação de política amazônica, uma formulação de política exterior caribenha e atlântica. Bom, esse é um dos elementos. Sempre se fala que a Venezuela produz muitas Misses Universo, mas também produz muita gente maravilhosa e temos uma grande vulnerabilidade. Como estava comentando, parte da população venezuelana se encontrou numa margem – nesses últimos 50 anos de democracia que havia antes – representativa, hoje em dia, é participativa. Essa população se prestava à imagem de todos os recursos do Estado, tanto a nível educativo, como a nível hospitalar: trabalho, moradia, alimentação. Hoje em dia, estamos tratando de mudar essa situação, através do processo revolucionário do Presidente Hugo Chávez. É isso que aconteceu. Bom, eu vou mais ou menos comentar a vocês o que aconteceu à indústria petroleira venezuelana. O Presidente Hugo Chávez, depois de haver encontrado com muita oposição – porque a oligarquia venezuelana, a oligarquia petroleira estava acostumada à sua indústria petroleira, que era uma questão de um Estado, outro Estado: sai um Estado, entra outro Estado –, começou a fazer mudanças, ao nível da lei de hidrocarbonetos, ao nível da lei de pescas, ao nível da lei de terras. Isso bateu muito contra o grupo dominante. No ano de 2002, houve a tentativa de golpe de Estado, que, graças às Forças Armadas, ao Governo e ao povo, pôde resgatar mais uma vez o poder. Depois, posteriormente, em 2003, houve uma greve petroleira de quatro meses, onde a situação venezuelana se viu... Bom, vocês podem imaginar se isso houvesse acontecido em outro país, quantos presos haveria, mas lá o Estado o que fez foi tirá-los dos seus postos de trabalho, buscou ajuda, tanto internacional como técnica de outros países para tratarem de ocupar esses países ao nível da indústria petroleira. E mais: buscou novos funcionários para tratar de preencher esses desafios que a antiga oligarquia petroleira abandonou, deixou na sua hora para haver como estava o nosso país: vindo abaixo. Mas o Estado não veio abaixo, não caiu. As pessoas tiveram consciência, paciência, esperou um pouco. Os países viram que não poderíamos vender a eles petróleo. Então, eles esperaram. Então, houve uma crise de verdade de petróleo de quase quatro meses na Venezuela. O que acontece? A partir de 2003, quando o Estado venezuelano, através da sua indústria petroleira, mexe em todos os quadros, então pensa em todas as pessoas que estão sofrendo. Eram milhões de pessoas que não têm acesso a nenhum dos serviços públicos de educação, saúde etc. Então, você cria uma nova PDVSA, que vai ter uma responsabilidade social muito grande para com Terça-feira 23 43895 os preços do petróleo, contribuir com o orçamento para fortalecer todas essas missões. Essas missões são, ao longo de 20 missões, educativas, de saúde, de caráter alimentar; de caráter energético, de alfabetização, que já as vemos mais aqui à medida que vou avançando. Quanto à indústria petroleira, nós temos uma colocação mundial muito importante. Somos o quarto país em negócio petroleiro mundial. De reservas registradas, a Venezuela é o terceiro país do mundo em reservas de petróleo cru e está em processo de certificação. Como empresa nacional, a Petróleos de Venezuela está em posição exclusiva para desenvolver tais reservas com participação de 60% e, por parte de uma empresa estrangeira, pode ser de 40% em qualquer associação de negócio. Aqui podemos ver que somos mais que tudo produtores de cru, com receitas comprovadas de 162 milhões de barris por, segundo previsões, 142 anos de produção de petróleo. Das reservas venezuelanas, estas estão em processo de quantificação e certificação, o que nos converteria na maior reserva petroleira do mundo. Aqui estão nossos planos e metas para os próximos 5 anos na exploração de gás no refino nacional e internacional. Isto é o que a Venezuela pretende investir nos próximos 5 anos: mais ou menos 25 milhões de dólares anuais nesse processo. A Venezuela seria 74% da PDVSA e 26% de terceiros, parceiros, como dissemos. Esta seria a que aspiramos chegar de produção para o ano 2013: 4 milhões 936 mil barris diários em refino, exportação e produção de gás natural. Esses são nossos planos em curto prazo. Aqui vemos nossa capacidade de refino, que não é somente na Venezuela, como vocês podem ver. Temos refinarias tanto nos Estados Unidos, com 100% de participação venezuelana da PDVSA em Savannah, em Corpus Christi, em Lake Charles. Aqui, por exemplo, temos 50% e vemos quantos barris diários se podem refinar nessa parte dos Estados Unidos. Na Europa, estamos também na Inglaterra, na Suécia; na Alemanha temos uma refinaria e vemos que são 50%-50%: 2 refinarias na Suécia, 2 refinarias no Reino Unido e 4 refinarias na Alemanha. Estes são os nossos planos com cooperação na América Latina. No Brasil, com a refinaria Abreu de Lima, Pernambuco, onde esperamos possam ser refinados 230 mil barris diários. Isso seria, com a vontade de Deus, a partir do ano de 2013. No Equador, temos um acordo comercial de refino; também na Nicarágua, em Cuba, a Refinaria Cienfuegos, na Dominica, e temos previsão de acordos com China, Vietnã e Síria com o objetivo de diversificar nosso mercado de forma a que 43896 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS não sejamos dependentes dos produtos dos Estados Unidos e diversificar nossa economia e nossos produtos em relação ao mercado internacional. Competindo com as maiores companhias petroleiras, como a Chevron, a PETROBRAS, a Pemex, a Shell, a Total, a ExxonMobil, a PDVSA, como se pode ver, encontra-se tanto em reservas em uma posição bastante privilegiada igualmente na produção de gás e petróleo. Aqui, como vocês podem notar, também na capacidade de refino igualmente nas reservas comprovadas. Isso fortalece a nossa empresa, fazendo um resumo dela, é uma das quatro maiores companhias estatais do mundo de petróleo e gás maiores integrada verticalmente. Diz-se verticalmente porque lida com exploração, produção, comercialização, transporte, exportação e venda do petróleo. Logo, temos as reservas provadas para 142 anos. Isso é de alta importância estratégica para a economia venezuelana, porque dependemos totalmente dos recursos que dela se obtêm. Já vimos que está integrada verticalmente com o refino, o mercado, o transporte e filiais. É o quarto exportador para os Estados Unidos com valor competitivo de produto. Temos tratado de diversificar geograficamente para evitar riscos de negócios, em mercados como a América Latina, Europa e Ásia, para neutralizar um pouco a nossa dependência dos Estados Unidos. Logo, temos que 83% da produção se exporta com 96% dos recursos denominados em moeda forte, que são o dólar, o euro e o yen. Temos um perfil financeiro forte, com baixas dívidas e alta capacidade de geração de fluxo de caixa. Esses são os pontos fortes da indústria petroleira venezuelana. Podemos ver como, nesses 5 anos do golpe petroleiro – foi bom que em 4 meses houve uma greve petroleira –, o Estado venezuelano, conforme comentei, o Governo do Presidente Chávez, decidiu tomar toda a indústria, remover todos os quadros e postos de trabalho que se mantinham contrários a todo processo revolucionário. Temos aqui a greve petroleira. Vejam como baixaram os níveis da qualidade de vida, porque a população não tinha acesso a gás nem à comida. Com a greve petroleira, eles não tinham o que comer, pois somos quase que importadores de comida e igualmente de serviços. Vocês podem ver nessa faixa como estava baixo o coeficiente de desenvolvimento humano. Então, a partir de 2003, à frente com a Missão Robinson, que visa a alfabetização; a Missão Ribas, que visa o término dos estudos primários e secundários; a Missão Sucre, Agosto de 2011 que visa os estudos universitários, a Missão Mercal e a Missão Saúde; o Índice de Desenvolvimento Humano passa de 77 a 84, o máximo já medido. O IDH é aquele índice que mede as desigualdades socioeconômicas em uma população. E as tabelas usadas para medir são a esperança de vida, a saúde, a educação e a renda. Na Venezuela, o Índice de Desenvolvimento Humano esteve mais influenciado pela educação porque, graças a esse processo revolucionário e às Missões Ribas, Sucre e Robinson, entraram na educação pessoas que estavam na escuridão total. Quase 2 milhões de pessoas pobres, carentes, aprenderam a ler e a escrever, começaram o primário, o secundário, a universidade. Então, o que aconteceu foi que a pobreza foi descendo, tanto a pobreza geral como a pobreza extrema, ambas baixaram, e, graças à qualidade dessas pessoas, isso tem sido superado porque tem havido maior educação, acesso à saúde e à alimentação. Ao ter acesso à alimentação, a mentalidade e o coeficiente intelectual das pessoas entram em um sistema de progresso, elas vão-se ajudando, o Estado vai fornecendo bolsas às pessoas que não podem pagar ou não têm acesso ao mínimo que se pode pedir por uma matrícula. Então, a educação é gratuita. Igualmente, nos refeitórios escolares, 3 milhões de crianças são beneficiadas, e isso melhora o rendimento do cidadão venezuelano. Temos, então, na educação, a matrícula universitária em setembro de 2009, que é quando começa o período de estudos. Estavam inscritos até então 2 milhões e 625 alunos. Então, de acordo com a UNESCO, a Venezuela é o segundo país da América Latina com matrícula em educação superior mais alta, com 83%, precedendo Cuba, que ocupa o primeiro lugar. Depois vêm a República Dominicana e a Grécia. Isso se fez graças ao fato de o Governo ter instalado 2 mil centros de informática em todo o país e ter criado 515 aldeias universitárias. Assim, 108 mil e 700 alunos foram inscritos em 2009. Segundo o Instituto de Estatística da UNESCO, a Finlândia tem 92%, a Grécia tem 90% e a Venezuela tem 83%. Aqui podemos ver a diferença entre 1991 e 2000: 81 de cada mil habitantes cursavam universidade, representando um aumento de 189,28%, graças às Missões Ribas, da escola secundária; Robinson, da alfabetização, que começa tanto com adultos como com crianças; depois a Missão Robinson II, da escola primária, e a Missão Sucre, que é a universitária. Podemos ver aqui que a renda na Venezuela tem melhorado, está mais ou menos em 350 dólares. As pessoas saíram do emprego informal para entrarem no formal; a taxa de mortalidade infantil é baixa, e aspiramos a que, em 2015, possamos cobrir a Meta do Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Milênio, mas ela tem se mantido baixa desde o ano de 2007. Em matéria de saúde e segurança, temos a Missão Barrio Adentro. Vimos aquela imagem das favelas nos montes, onde hoje em dia há módulos de atenção médica graças a um acordo também firmado com Cuba, onde há médicos cubanos que estão sendo pouco a pouco substituídos por médicos venezuelanos. Em Cuba também há muitos estudantes venezuelanos. Assim como do Brasil, muitos vão se formar na Universidade de Medicina de Havana. Estamos desenvolvendo também uma universidade latino-americana de Medicina para que venham todos para cá e possamos cumprir a meta de termos um continente forte, que possa competir com a União Europeia, com a Ásia, com os grandes blocos e com os Estados Unidos. Graças a essa Missão Barrio Adentro, estamos mais ou menos cobrindo essas metas. Em matéria de infraestrutura, nossa indústria petroleira também tem investido nas centrais hidrelétricas, na ponte sobre o Orinoco. Graças à Odebrecht e à Venezuela que puderam fazer a segunda ponte sobre o rio Orinoco. A nossa indústria tem apostado em poderio militar, no metrô de Caracas, no cardiológico infantil, em estradas, em ferrovias, em estádios de beisebol, no estádio olímpico, no nosso satélite Simón Bolívar, no metrô de Valência, no metrô para subir a Merida, onde está o pico mais alto, no centro oftalmológico gratuito, no aeroporto internacional e no viaduto Simon Bolívar. Nessas circunstâncias, em 1917 foi quando se encontraram os primeiros poços petroleiros, e, a partir de 1975, a empresa foi nacionalizada. Mas, como vocês podem ver, essa riqueza nunca foi compartilhada. Realmente foi uma riqueza que chegou a uma pequena elite e, graças ao processo revolucionário e àquela greve terrível petroleira, nasceu uma empresa que se encarregou de dar impulso à Venezuela – e esperamos que continuemos assim. É bom acreditar nas pessoas, no povo, que não se aproveitou. Não é porque eu tenho um copo de água que não vou estudar. Não, ele sabe que tem de se preparar porque há um desafio pela frente. Mesmo que o Estado dê tudo a ele, ele se prepara, se esforça, porque sabe que isso se estende à suas gerações e à Venezuela. Desculpem-me por ter falado muito rápido. Qualquer coisa, na Embaixada estamos às ordens para dar um CD como este e material sobre o meu país. Agradeço muito a todos vocês e aos organizadores por terem me escutado hoje nesta tarde. Terça-feira 23 43897 A SRA. PRESIDENTA (Deputada Janete Capiberibe) – Muito obrigada, Sra. Dulce María Parra Fuentes, Conselheira da Embaixada da Venezuela. Convido o Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Deputado Luiz Couto, para a sequência dos trabalhos. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Se não determinarmos o tempo, vamos ficar a semana toda aqui. No máximo quinze minutos por exposição. Que as pessoas se atenham aos quinze minutos para que possamos dar vazão à nossa atuação hoje e amanhã. Agora vamos para a quarta mesa, que tratará do tema Comissão, Memória e Verdade. Convido para compor a mesa os expositores Paulo Abrão Pires Júnior, Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça; Sr. Marlon Weichert, Procurador Regional da República de São Paulo; e a Sra. Beatriz Stella de Azevedo Affonso, representante do Centro pela Justiça e o Direito Internacional. Concedo a palavra ao nosso expositor, Paulo Abrão Pires Júnior, Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. O SR. PAULO ABRÃO PIRES JÚNIOR – Muito boa tarde a todos. Meus cumprimentos, minha saudação a cada um e a cada uma que aqui está. Muito prazer em rever muitos dos que aqui estão. Eu quero também agradecer muitíssimo a organização do evento, que conta com o apoio da Comissão de Anistia para realização deste 3.º Seminário, que congraça e mobiliza politicamente os anistiandos e anistiados brasileiros. Em primeiro lugar, é preciso que, independentemente das pessoas que estejam à frente de instituição, organismos, associações, órgãos de governo ou da sociedade civil, em determinados momentos, os espaços possam ser mantidos. Este é um espaço conquistado por vocês, junto ao Congresso e à Câmara, com apoio de Parlamentares que nunca deixaram de apoiar essa causa. Portanto, não se pode perdê-lo em nenhuma hipótese. Os meus cumprimentos pela organização, pela continuidade e pela persistência que o movimento dos anistiandos e dos anistiados demonstra nos diferentes aspectos que envolvem o tema da anistia no Brasil hoje. Muitos dos que aqui estão já são interlocutores de diálogos que realizamos há muito tempo. Nós temos muitos assuntos que envolvem a figura do Presidente da Comissão de Anistia certamente, que envolve desde as anistias até cenários globais do próximo período. Neste momento, nós vamos nos furtar de realizar um debate em relação a isso, porque a nossa mesa tem um tema bem claro que nós temos de saber respeitar, um tema relevantíssimo que pela primeira vez chega a 43898 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS este Congresso, a este seminário: a ideia da instituição de uma comissão da verdade. Cumprimento cada um dos expositores da mesa. Eu estou fazendo uma exposição mais rápida, porque tenho um compromisso marcado, e nós estamos atrasados na programação em uma hora e meia. O tema “Comissão da Verdade” sinaliza para nós um passo novo, um passo de futuro para muitas das questões que vêm se desenrolando ao longo do tempo. Trata-se, efetivamente, da constituição de uma proposta que, caso seja demandada por parte da sociedade civil de forma intensa, organizada e forte, ou seja, de modo incisivo, será um novo patamar em relação à história da anistia no Brasil. Outros países constituíram comissões da verdade. Neste momento, não vou entrar em muitos detalhes sobre as denominações que essa comissão poderá assumir e o que outros países fizeram. Vamos ter de criar para nós, se isso se tornar realidade e se essa for a demanda dos movimentos, uma comissão da verdade intimamente relacionada à nossa realidade, à realidade brasileira, com os limites e com toda uma história já colocada e de algum modo até truncada sobre o processo de anistia no Brasil. Se hoje o processo de reparação já é relativamente complexo, se hoje a abertura dos arquivos da ditadura também se constitui em algo mal resolvido, se hoje a localização dos corpos dos mortos e desaparecidos também é uma tarefa não cumprida na sua inteireza – aliás, cumprida ainda em pequeníssima parcela – e se hoje ainda temos dificuldade com a ruptura de uma série de legados de autoritarismo, fruto de uma concepção de sociedade autoritária advinda desse regime militar, quão mais será dificultoso e desafiador a criação de uma Comissão da Verdade no Brasil. Ou seja, acabamos por criar uma pauta que não pode apontar para um estado de expectativas frustradas. Todos nós que aqui estamos, independentemente de eventuais divergências que surgiram ao longo do tempo, somos realmente pessoas intimamente comprometidas com a causa da anistia. Por isso, uma Comissão da Verdade tem de constituir algo que agregue valor a esse processo de construção da luta pela anistia no Brasil. E essa comissão só agregará valor se for constituída sob determinados patamares e condições que lhe deem concretamente – e aqui vou enumerar algumas questões –, em primeiro lugar, um mandato com poderes suficientes para ir atrás, para procurar toda e qualquer fonte de busca da verdade, seja pessoal, seja documental, sejam fontes testemunhais, sigilosas ou não. Todas as questões têm de ser abertas à discussão. Agosto de 2011 Temos de discutir, num cenário relativo à composição de uma Comissão da Verdade, quem seriam seus membros, em que medida a participação da sociedade civil estaria ou estará contemplada em sua composição e, evidentemente, como elemento central da discussão, qual a sua competência e qual o seu objetivo final, além de sua temporalidade, ou seja, por quanto tempo ela funcionará. Temos de discutir ainda quais são os resultados que se pretende com essa comissão – e vou me focar nessa questão agora, porque sei que os demais palestrantes desta Mesa, até por suas experiências, têm muito mais a contribuir para este debate – e que interlocuções uma eventual Comissão da Verdade a ser criada no Brasil terá com as comissões de reparação já existentes, com os demais organismos da estrutura judicial brasileiro, com o Ministério Público e também com o Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos. Esses são pontos cruciais para um eventual sucesso na instalação de uma Comissão da Verdade no Brasil. Quero agora registrar alguns apontamentos como forma de contribuir para o debate. Em primeiro lugar, não podemos, e não seria prudente de nossa parte, depositar numa Comissão da Verdade toda a responsabilidade pelo processo de busca da verdade. Primeiro, porque esse processo da busca da verdade está em implantação no Brasil. Quando a Comissão de Anistia, por exemplo, aprecia um requerimento cuja finalidade é reparação, a instrução desse requerimento, os depoimentos colhidos, as declarações juntadas, as instruções documentais realizadas, o registro dos testemunhos orais na sessão de julgamento, tudo isso constitui o material de construção de uma verdade não desvelada até então. Quando a Comissão de Mortos e Desaparecidos aprecia requerimentos de reparação dos familiares de mortos e desaparecidos, em cada uma dessas tarefas, em cada um desses gestos de reconhecimento, está expresso um elemento de busca da verdade, para que o Estado possa ou não, ao final, reconhecer sua responsabilidade nas mortes. Cada uma das corajosas ações que o Ministério Público Federal tem interposto junto ao sistema judicial brasileiro, concomitantemente, constitui uma busca por justiça, uma busca por verdade. Cada vez que se organiza um seminário como esse, a partir de iniciativas não oficiais, ou seja, não necessariamente estatais, de busca da verdade, iniciativas de organização e mobilização da sociedade civil, quando se fazem determinados testemunhos, também estamos construindo a busca da verdade. Quando se projeta a construção do Memorial da Anistia, quando se idealiza o Projeto Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS Memórias Reveladas, quando se realizam sessões, como foram as sessões temáticas da Comissão de Anistia, em que foram ouvidas cada uma das classes operárias e trabalhadoras, no relato de suas greves, no relato da opressão que sofreram, tudo é filmado e constituirá o acervo do Memorial da Anistia. Nessas ações estamos trabalhando pela busca da verdade. Então, do que se trata neste momento? Trata-se de se criar uma instituição com determinada especialidade: a Comissão da Verdade. E, ao que tudo indica, pelo menos aprovada no Plano Nacional de Direitos Humanos, por resultado da realização da Conferência Nacional de Direitos Humanos. Então, o indicativo é de assinatura e de publicização na sociedade brasileira do Plano Nacional de Direitos Humanos, em dezembro. E lá estará indicada a criação de uma Comissão da Verdade no Brasil. É o primeiro passo. Porque uma coisa é a ratificação governamental, estatal, do Presidente e de todos os Ministérios, do Plano Nacional de Direitos Humanos. Quando isso acontecer, estará previsto, entre tantas ações para o próximo período no Brasil em respeito aos diretos humanos, a instituição da Comissão da Verdade. Isso é certo. Se será a Comissão da Verdade e da Justiça ou Comissão da Verdade e Reconciliação é incerto. Mas que lá estará escrito “criação de uma Comissão da Verdade”, estará. E esse ato não significará, em nenhuma hipótese, a instituição de uma Comissão da Verdade. O plano nacional é um documento planificador, é um documento de proposições, de metas, que dependerão de ações governamentais para serem implementadas. Aí é que entra a necessidade do envolvimento do movimento dos anistiandos e anistiados. É evidente que, a priori, não temos de ser contrários ou criar qualquer objeção para a criação de uma Comissão da Verdade, mas, se for para criar uma Comissão da Verdade que não tenha amplos poderes; que não tenha inter‑relação com as comissões de reparação existentes; que não tenha íntima relação com o trabalho efetuado pelo Ministério Público Federal e que não tenha o propósito de buscar elementos para comprovação das perseguições e dos danos que as vítimas do regime sofreram, será uma comissão que realmente não servirá para absolutamente nada. E, nesses termos, é melhor que nem se crie. Então, meus amigos, um elemento que me parece muito relevante para a discussão relativa à criação de uma Comissão da Verdade no Brasil seria o de que essa comissão não tomasse para si as premissas de minha fala. Em primeiro lugar, que realmente seja uma comissão com poderes explícitos de procurar, em quaisquer locais, informações; que seja uma comissão com Terça-feira 23 43899 condição de convocar agentes militares para prestarem depoimentos; uma comissão cuja composição contemple, nas diversas esferas, todas as instituições, desde o Ministério Público Federal até as outras comissões de verdade, como representação da sociedade civil e dos familiares, que têm trabalhado na elucidação da verdade no Brasil. Partindo-se dessas premissas, de uma concepção de comissão nesses termos, hoje, particularmente, a única coisa que me preocupa é que essa comissão não seja instituída num cenário – como já fiz referência anteriormente – de salvação e que tome para si a tarefa de iniciar do zero essas atividades. Lá em São Paulo – e já discutimos isso com alguns que aqui estão, a exemplo do Dr. Marlon, que participou desse debate –, fiz referência a pelo menos dois dispositivos legais aprovados por este Congresso Nacional e já existente: um, na Lei nº 10.559, que cria a Comissão de Anistia, e, outro, na Lei nº 9.140, que cria a Comissão Especial de Direitos Humanos, que já dão poderes a essas comissões para a busca por verdade. Talvez esses dispositivos não tenham sido totalmente utilizados na sua potencialidade, em termos de plenitude de utilização, mas já estão postos. Uma Comissão da Verdade que ignore os dispositivos legais já existentes e traga para si, como tarefa inicial, um marco zero da busca da verdade no Brasil, a meu juízo, seria um engodo, porque não partiria de um acúmulo já existente. Cá entre nós, todos aqui já estamos, ao longo da vida, com muitas lutas em relação a essa matéria. Então, não se trata de iniciar do zero essa luta, neste momento. Essa é uma questão que me parece crucial. A segunda questão – e vou encerrar por aqui – é a relativa à criação de um ambiente político propício para o funcionamento de uma Comissão da Verdade. Partindo de um cenário ideal, podemos ter uma comissão com poderes, com representação, que receba todo o acúmulo de informações já existente das comissões de reparação, das ações do Ministério Público, das ações da sociedade civil organizada. De que adiantaria uma Comissão da Verdade convocar agentes estatais diretamente responsáveis por uma série de violações que ocorreram, e eles não estarem dispostos a falar? Mesmo estando prevista uma cláusula de obrigatoriedade de, se convocados, comparecerem, eles podem se utilizar de instrumentos constitucionais, como o direito ao silêncio, e não falarem absolutamente nada. Então, é necessário também criar um ambiente favorável ao funcionamento da comissão. E é possível, sim, construir esse ambiente favorável a partir de mobilizações, de ações estatais e de ações governamentais. 43900 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS A ideia que quero deixar aqui assentada é a de que talvez tivéssemos de começar a pensar em ações estratégicas e táticas para inserir esse debate público naquela que é a melhor das oportunidades para o aprofundamento de um debate político no Brasil: as eleições presidenciais do ano que vem. (Palmas.) Então, se soubermos, de algum modo, envidar movimentos que incluam no debate das eleições presidenciais, o ano que vem, a temática dos direitos humanos, da busca da verdade e da anistia, automaticamente – porque reverbera no debate público entre os candidatos e a sociedade, os militantes –, independentemente da vontade ou não dos meios de comunicação de realizarem esse debate, o debate existirá. E ele alcançará milhões de ouvidos que hoje, em razão de nossas limitações, organizando uma série de seminários, mobilizações, etc., tal qual os movimentos responsáveis de anistiandos e anistiados têm realizado, não alcançamos, pelas limitações que estão postas para todos nós. São os recados que queria inicialmente deixar. Teria outra intervenção para fazer, mas vou pedir perdão por não poder fazê-la, porque terei de sair em breve, mas pretendo voltar amanhã, quando haverá um painel específico sobre a Lei nº 10.559 e poderemos discutir as questões a ela pertinentes num diálogo frutífero e saudável. Muito obrigado a todos. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Passo a palavra ao Procurador Regional da República de São Paulo, Dr. Marlon Alberto Weichert. O SR. MARLON ALBERTO WEICHERT – Boa tarde, Sr. Presidente, estimado Deputado Luiz Couto; Sras. e Srs. Deputados, mais uma vez, agradeço a V.Exas. o convite para participar do Seminário Latino-Americano sobre Anistia e Direitos Humanos. Fui convidado para falar sobre a proposta ou ideia de criação de uma Comissão da Verdade ou Comissão da Verdade e Memória. Na esteira do que disse o Sr. Paulo Abraão, ressalto que temos um momento ímpar de contextualização dessa proposta decorrente da aprovação, na Conferência Nacional de Direitos Humanos, no ano passado – da qual várias das senhoras e dos senhores tomaram parte –, de um eixo ou de uma proposta de criação de uma Comissão da Verdade e Memória. É hora, parece-me, de compreendermos o que significa ter uma Comissão da Verdade; é hora de estudarmos um pouquinho as experiências internacionais anteriores, sem que isso signifique que devemos copiá-las, mas, sim, aprender com o que já foi feito antes; é hora de nos apoderarmos desse conteúdo do que Agosto de 2011 significa ter uma Comissão da Verdade e Memória, para que, inclusive possamos exercer criticamente o nosso direito democrático de participar desse processo. Começo dizendo da importância da promoção da verdade. Promover a verdade é importante, primeiro, em razão das vítimas. As vítimas da repressão, da ditadura, têm o direito inalienável de saber o que, como, por que e por quem aconteceu. É uma tradição do Direito brasileiro – e, acredito, uma tradição extremamente negativa – imaginar que a vítima de uma violação a direitos humanos ou de um crime não tem direito à promoção da verdade, seja judicial, seja por qual outro meio for, no entendimento de que isso é um interesse estritamente do Estado, de que a ação penal quem promove é o Estado por meio do Ministério Público. De acordo com esse pensamento, a vítima teve o ônus apenas de suportar o dano, a lesão, e agora não tem mais de se meter nisso, que é um problema do Estado. Esse discurso exclui aquele que é o primeiro e maior interessado na apuração da verdade. Quem sofreu tem o direito inalienável de saber por que, como, quais as motivações, quais as circunstâncias e quais foram os seus algozes. Então, promover verdade é, primeiro, promover um direito das vítimas; segundo, promover o interesse de toda a sociedade, de toda a coletividade. É interesse meu, que não fui vítima de nenhuma violação a direitos humanos, seja em qualquer época ou seja durante a ditadura, saber o que aconteceu. O que nossas lideranças, nossas instituições estavam fazendo ou fizeram na história do País? Isso é uma precondição para que possamos exercer a cidadania. Sem conhecer a nossa história, sem saber o que se passou durante 21 anos da vida no Brasil, nós que não fomos vítimas, as novas gerações e as gerações que vierem não teremos condições de exercer de forma plena o direito democrático, o direito à participação, o direito à cidadania. Então, em segundo lugar, além dos direitos das vítimas, conhecer a verdade é um direito da sociedade; e, por fim, é também um direito das instituições. Diria, Sr. Presidente, que há aqui um interesse institucional. É de interesse da Câmara dos Deputados saber qual foi o seu papel durante a ditadura militar; é de interesse do Ministério Público Federal saber que papel desempenhou durante a ditadura militar, e assim vai. Todas as instituições, empresas públicas e instituições da sociedade civil, todos os organismos que funcionam no País, têm o direito de saber o que aconteceu, como aconteceu e por que aconteceu. A primeira providência nesta nossa conversa, que é uma conversa política e jurídica, é não deixar que haja um reducionismo no sentido de que saber a verdade é um interesse de meia dúzia, um interesse Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS apenas daqueles que foram vitimados. Saber a verdade é um interesse de toda a sociedade brasileira e de todas as instituições. Por outro lado, precisamos perceber que não se trata de eventual concessão, pelo Estado ou pelo Governo, de realização de uma Comissão da Verdade. Ao contrário, existe um dever, uma obrigação do Estado brasileiro de promover e revelar a verdade. É uma obrigação que decorre, antes de tudo, do princípio republicano. Segundo nossa Constituição, somos uma República Federativa, um Estado Democrático de direito. Ora, isso significa que o Estado é de todos, é do povo brasileiro. Cada um de nós exerce uma parcela do poder estatal. E eu só posso exercer esse poder, de acordo com o princípio republicano, se tiver acesso à informação, à história. A Constituição prevê ainda um direito específico à verdade, de acesso às informações sobre a vida do Estado; a Constituição brasileira prevê o direito à transparência. O Estado brasileiro precisa ser transparente. A propósito, está em trâmite na Câmara dos Deputados projeto de lei que regulamenta o direito de acesso à informação pública. Temos a Comissão da Verdade como uma expressão do próprio direito de cidadania. E, mais: conforme a minha a Dra. Beatriz de Azevedo vai demonstrar adiante, existe uma obrigação internacional de o Estado brasileiro promover a verdade, uma responsabilidade em razão da qual ele poderá vir a ser chamado a responder perante organismos internacionais, tais como a ONU, a OEA e a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Então, primeiro, a verdade é interesse de todos e, segundo, não é uma concessão, é um direito das vítimas e da sociedade civil a criação de uma Comissão da Verdade. Então, já fixamos duas questões importantes. Vamos tratar agora de uma terceira questão. Como podemos promover a verdade? A instituição de uma Comissão da Verdade é o único caminho? Não. A verdade, aqui com uma certa redundância proposital, é que temos caminhos paralelos. O primeiro caminho, o caminho tradicional, é o do sistema de Justiça. Por meio das ações judiciais, dos processos penais e dos processos civis, promovemos a chamada verdade judicial. Mas precisamos compreender que o espaço de promoção da verdade dentro do ambiente judicial segue muitas regras formais. O processo tem uma série de normas processuais que, de certo modo, limitam a apuração integral de um fato. Diria que o processo judicial vai fundo na produção de uma prova, mas não vai de forma muito ampla, porque, primeiro, precisa definir que provas vai aceitar, que provas são lícitas e legítimas, o que muitas vezes exclui a compreensão Terça-feira 23 43901 de um processo dentro de um contexto histórico ou de um contexto mais amplo. Existe um segundo instrumento importantíssimo que o Brasil tem utilizado no que diz respeito à promoção da verdade: as Comissões Parlamentares de Inquérito. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito extremamente relevante, embora no âmbito federativo bem menor, foi a Comissão Parlamentar de Inquérito do Município de São Paulo sobre a abertura da vala de Perus, em 1990, um belo exemplo de funcionamento de CPI que produziu muitos elementos que permitem a apuração da verdade. Temos também algumas comissões ou organizações estatais que produzem material relacionado à verdade – e o Dr. Paulo Abrão já mencionou isso –, como a Comissão de Anistia, a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos da Lei nº 9.140, que produziram um acervo interessante, mas sempre voltado para determinada finalidade específica: promover reparação, indenização patrimonial. A própria sociedade produz suas pequenas comissões de verdade. Não podemos esquecer a iniciativa de famílias que publicaram dossiês sobre mortos e desaparecidos políticos, não podemos esquecer da iniciativa da Arquidiocese de São Paulo que promoveu o Projeto Brasil Nunca Mais, talvez o primeiro relatório consistente e isento sobre a ocorrência de graves violações a direitos humanos durante a ditadura brasileira. Mas, por fim, temos este instrumento fruto de experiências internacionais: as chamadas comissões da verdade, que têm a característica muito interessante de serem compartilhadas entre o Estado e a sociedade civil. É como se o Estado delegasse ou transferisse à sociedade civil parcela da sua autoridade, do seu poder, para que a sociedade civil produza a verdade, porque é uma verdade que tem de ser produzida contra o próprio Estado. Portanto, se ficar na mão apenas do Estado a produção dessa verdade, pode haver alguns conflitos de interesse, pode haver alguns problemas de independência, de imparcialidade. A Comissão da Verdade é algo muito interessante, porque é instituída pelo Estado, mas para ser gerida pela sociedade civil. Trata-se de uma espécie de fusão de esforços e de competências, algo muito peculiar. E precisamos tomar muito mais cuidado para que isso não se transforme apenas num rótulo bonito ou em algo que não tem consistência. Então, com o que devemos tomar cuidado na hora de discutir com o Governo a realização de uma Comissão da Verdade sobre a ditadura militar brasileira? Primeiro, precisamos garantir a legitimidade dessa comissão. Ela precisa ter poderes. E, em relação a esses poderes, seria ideal que fosse uma comissão 43902 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS instituída por meio de uma lei que regulamente os seus detalhes e seus poderes. Mas sabemos que o processo legislativo não é propriamente célere e está sujeito a outras vicissitudes. Assim, precisamos perguntar se é indispensável a existência de uma lei. No caso brasileiro, a nossa avaliação é a de que, embora fosse ideal, não é indispensável. Eventualmente, um decreto do Presidente da República poderia formatar uma Comissão da Verdade, aproveitando o que já existe em diversos outros diplomas normativos, talvez até reunindo algumas instituições estatais que já têm suas respectivas competências e atribuições, entre as quais, a de produzir provas, requisitar informações, realizar buscas, diligências e coisas semelhantes. Mas uma Comissão da Verdade só será legítima, como já apontava o Dr. Paulo Abrão, se houver mobilização social. É preciso que a sociedade queira essa Comissão da Verdade para promover a apuração do que aconteceu. E ela também precisa ser representativa – e, quando falo em representativa, não estou querendo dizer que a Comissão da Verdade tem de ser composta por um mosaico das instituições que representam as vítimas. Ela precisa ser representativa da sociedade brasileira e não de uma parcela da sociedade brasileira que sofreu as consequências da ditadura. Isso é um aspecto que às vezes impacta um pouco negativamente a nossa fala, mas precisamos ter a sensibilidade e a segurança de perceber que um trabalho dessa envergadura precisa ter todas as garantias de isenção e de imparcialidade. Imagino que a Dra. Beatriz depois vai complementar esse aspecto. Ressalto que uma Comissão da Verdade não pode ser imposta unilateralmente pelo Governo ou na forma que o Governo quer, porque, se é para ser um pacto entre Estado e sociedade, entre Governo e sociedade, ela precisa ser negociada. Ela precisa ser construída de modo democrático e que possa ter futuro. É importante destacar que a composição dessa comissão não pode ser feita por ato unilateral do Presidente da República ou de um Ministro, seja ele qual for e por mais legítimo que seja. (Palmas.) A composição dessa comissão tem de seguir o primeiro passo do pleno exercício democrático. As melhores experiências aqui – e vale a pena nos inspirarmos em outros países – são as comissões constituídas por pessoas da sociedade civil que se candidatam a participar, apresentando memoriais e currículos. E um comitê faz a seleção dos que vão atuar na apuração da verdade. A propósito, defendo a existência de um comitê em que talvez seja importante a presença do Governo e das vítimas para fazer a seleção desses comissionados. Agosto de 2011 É importante não confundir a composição da comissão com vítimas ou com o Governo ou com perpetradores de violações. Essa combinação que sempre se pensou como importante nas outras comissões, como a Comissão da Anistia e a Comissão Especial para Desaparecidos Políticos, não necessariamente deve ser reproduzida quando se trata de uma Comissão da Verdade, do contrário, corremos o risco de ter uma Comissão da Verdade de mentira, uma Comissão da Verdade pirotécnica, uma Comissão da Verdade de fachada. Uma Comissão da Verdade não pode ser um factoide, não pode ser apenas uma folha de papel para prestar contas a quem que seja. (Palmas.) Uma Comissão da Verdade precisa ser de verdade, precisa ser uma comissão da sociedade civil. Expostas essas questões relacionadas à legitimidade, quero falar um pouco da competência. Precisamos decidir que delitos serão investigados pela Comissão. Serão apenas delitos praticados pelos perpetradores? Será que não é o momento de enfrentar esse argumento de que houve violência de ambas as partes? De que houve terrorismo? É uma decisão que tem de ser tomada também pela sociedade. Que períodos de tempo vamos investigar? Será que uma Comissão como essa não deveria também investigar a destruição dos arquivos? Aliás, a meu ver, a Comissão da Verdade no Brasil ganha muito mais importância, porque se diz que não há arquivos. Então, vamos precisar, por meio de trabalho de pesquisa e de testemunhos, reconstituir os arquivos que foram ilegalmente destruídos e apurar inclusive a responsabilidade daqueles que destruíram esses arquivos. Então, outra decisão importante – e vejam os senhores por que não pode ela ser tomada em gabinete fechado – é sabermos até onde irá essa comissão. Ou seja, será uma comissão com competência para investigar apenas crimes cometidos no Brasil, ou investigará todo e qualquer crime de violação a direitos humanos praticados por nossos agentes também no exterior? E aqui estamos falando diretamente da participação brasileira na Operação Condor. Vamos deixar de investigar esses acontecimentos? Por outro lado, uma comissão como essa precisa de garantias, subjetivas e objetivas – e, quando falo em garantias subjetivas, reporto-me à proteção dos comissionados. Eles precisam de um regime de imunidade e proteção pessoal, se necessário for. Por outro lado ainda, uma comissão precisa ter autonomia financeira e administrativa. Ela não pode, a cada diligência a ser realizada, ficar esperando durante semanas, de pires na mão, na antessala do ordenador de despesas. Portanto, uma comissão precisa ter, de Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS antemão, dotação orçamentária, autonomia para ordenar despesas e apoio técnico, ou autonomia para constituir uma equipe significativa de apoio técnico para realizar, seu trabalho. A comissão, igualmente, necessita da garantia da transparência, ou seja, de que pelo menos os meios de comunicação do Estado, televisões e rádios públicas, transmitirão e acompanharão os seus trabalhos, para que toda a sociedade brasileira possa tomar conhecimento e dela participar. Precisa a comissão tomar muito cuidado para não “revitimizar”, ou seja, não fazer com que as vítimas sejam novamente expostas e sujeitas às críticas que comumente lhes são feitas. É tão delicado o assunto a ser tratado por essa comissão, que um dos seus maiores problemas é o risco de fazer a vítima assumir novamente tal condição. Para concluir, até porque o tempo já se esgota – e eu teria alguns outros assuntos para comentar –, levanto algumas outras questões. Além dessas premissas que me parecem fundamentais, devemos tomar muito cuidado para que uma proposta de criação de Comissão da Verdade não seja elaborada a portas fechadas. Ela precisa ser construída a portas abertas, não só com a participação das senhoras e senhores que são vítimas, mas da sociedade civil, aí incluídos todos os movimentos da sociedade civil e o movimento nacional de direitos humanos. Outro aspecto: a Comissão da Verdade não substitui a promoção da justiça. Ela trabalha com a dimensão da verdade histórica, mas não substitui a Justiça. O Estado brasileiro não pode dizer que vai promover a Comissão da Verdade em troca de manter a impunidade. Essa proposta não podemos aceitar em hipótese alguma. Só devemos aceitar a criação de uma Comissão da Verdade, a meu ver, se houver garantias de que ela terá condições de exercer seu mandato com independência. Não podemos correr o risco de queimar o cartucho ou aceitar, por outro lado, que a Comissão da Verdade será, finalmente, a reconciliação nacional. Reconciliação não é algo que se faz por decreto. Reconciliação é algo que se constrói quando as condições estão presentes. O Estado brasileiro até hoje não cumpriu com seus deveres de promover justiça, verdade, memória e a reforma de seus aparatos de segurança, que continuam agindo como faziam há 40 anos. Enquanto não for consolidado esse “caldo”, não podemos cobrar uma reconciliação da sociedade com seu Estado e jamais podemos exigir que as vítimas deem seu perdão. Essa é uma decisão individual de cada uma. Terça-feira 23 43903 Perdão não se dá por decreto. (Palmas.) Não se trata de um culto ecumênico onde um sacerdote pode dizer que todos estão perdoados em nome daqueles que militam a sua fé. Isso, não! Aqui estamos no campo de uma relação intersubjetiva. Ou seja, precisamos saber que tem medo de uma Comissão da Verdade que reúna essas garantias e condições e possa contribuir para reconstituir essa fase da história brasileira. A propósito, ocorre-me neste momento frase de Platão, segundo a qual podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro, a real tragédia da vida, porém, é quando os homens têm medo da luz. Portanto, a Comissão da Verdade pode ser a nossa oportunidade de saber para não repetir, saber para refletir, saber para não perpetrar, saber para mudar, saber para consolidar a democracia brasileira. Obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Luiz Couto) – Obrigado, Dr. Marlon, Procurador da República em São Paulo, pela clareza e consistência de sua intervenção. Dando continuidade aos trabalhos, concedo a palavra à Dra. Beatriz Stella de Azevedo Affonso, representante do Centro pela Justiça e Direito Internacional – CEJIL A SRA. BEATRIZ STELLA DE AZEVEDO AFFONSO – Boa tarde a todos. Cumprimento os companheiros da Mesa em nome do Deputado Luiz Couto e agradeço mais uma vez aos organizadores a oportunidade de estar neste Seminário, que está de parabéns pela continuidade e pela qualidade com que se mantém. Tive oportunidade de participar deste evento também no ano passado e, portanto, não poderia deixar de aceitar tão importante convite. O CEGIL, para quem não conhece, é uma organização não governamental que atua no Sistema Interamericano. Encaminhamos denúncias de graves violações de direitos humanos que aconteceram nos vários países do continente. Para isso, temos quatro escritórios, sendo que o escritório situado no Brasil trabalha apenas com ocorrências em nosso País. Encaminhamos ao Sistema Interamericano os casos em que não existe uma resposta interna, ou seja, quando a Justiça local não consegue resolver uma situação que represente grave violação de direitos humanos, o que identificamos conforme a Convenção Americana de Direitos Humanos. Nesse sentido, o CEGIL atua no Brasil em vários casos. Para que os senhores conheçam um pouco o nosso trabalho, ressalto que fomos nós que levamos para o Sistema Interamericano o caso da Maria da Penha, que, ao final, ajudou o grupo de organizações 43904 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS feministas do Brasil a fortalecer a então proposta da hoje tão conhecida Lei Maria da Penha. Há casos não tão exitosos, especialmente aqueles que envolvem a ação direta de agentes públicos, como o do Carandiru. Existe um relatório final da Comissão Interamericana, mas não conseguimos fazer que o Estado brasileiro cumprisse as determinações. Também é assim no caso de Eldorado de Carajás e em casos relacionados a instituições de detenção de jovens e adolescentes, entre outros. Talvez a ação mais importante no que diz respeito à História seja o encaminhamento para a Comissão Interamericana, pelo CEGIL, junto com o Grupo Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro, e com a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos, de São Paulo, do caso da Guerrilha do Araguaia. Esse caso tramitou naquela Comissão ao longo de 12 anos. Em relação a outros casos referentes a ditadura denunciados àquela Comissão, consideramos que o relativo à Guerrilha do Araguaia foi o que mais demorou em termos de processamento e trâmite, apesar de todo o esforço da instituição e dos peticionários e da pressão dos familiares das vítimas. E isso não ocorreu por acaso. Atribuímos a vários fatores essa demora. O que aconteceu? O Estado brasileiro – e, aí, me refiro aos vários Governos desde a volta à democracia, mas o caso foi peticionado em 1996, no Governo Fernando Henrique Cardoso —, por intermédio do Ministério das Relações Exteriores, que é quem, junto com a Secretaria Especial de Direitos Humanos, responde no Sistema Interamericano sobre aos casos de violação no Brasil, conseguiu fazer com que a Comissão Interamericano entendesse que o Brasil era diferente, que o Brasil tinha feito a sua lição de casa e que existia no País uma situação de conformidade, de aceitação e de reconciliação entre as vítimas, a sociedade, os perpetradores e as mais recentes autoridades públicas responsáveis por instituições que, como disse o Dr. Marlon, infelizmente continuam cometendo as mesmas violências e violações dos direitos humanos herdadas do período da ditadura. Esse caso demorou muito tempo na Comissão e, em março deste ano, ele foi enviado à Corte. No ano passado, quando estive aqui, eu tive a oportunidade de esclarecer detalhadamente a todos como foi o trâmite desse processo e porque o caso possivelmente chegaria à Corte. O seminário foi em novembro do ano passado, o Estado Brasileiro já havia recebido um relatório de fundo da Comissão Interamericana, ele tinha de cumprir várias recomendações que, grosso modo, têm três eixos: o direito à verdade, o direito à justiça e o direito à reparação integral. Infelizmente o Estado Brasilei- Agosto de 2011 ro não cumpriu esses requisitos a contento. No que diz respeito à justiça e à verdade especialmente, não existe para o Sistema Interamericano... Na nossa visão, na nossa experiência em relação aos outros países em que também litigamos casos das ditaduras e dos conflitos armados, o que se realizou em relação à verdade é questionável. Eu gostaria muito que o Dr. Paulo me ouvisse. Temos um diálogo interessante, ele conhece a postura do CEJIL. Não há dúvida de que, dado tudo que se recolheu pela Comissão da Anistia e pela Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, isso é verdade e existe muita informação importante. No entanto, nos dois âmbitos, essa verdade teve de ser construída, recompilada pelas próprias vítimas ou pelos seus familiares. Então, hoje ainda temos uma verdade, acesso a uma documentação em que o tratamento utilizado pelas autoridades daquela época, daquele momento, era absolutamente discriminatório, preconceituoso, com termos que, para o Sistema Internacional, não são razoáveis, como, por exemplo, terroristas, subversivos. Ou seja, temos uma verdade parcial, uma verdade que ainda é colocada por meio de uma linguagem do passado. (Palmas.) Por que uma Comissão da Verdade é tão importante? A expectativa de uma Comissão da Verdade no Brasil é a de que, por fim, depois de tantos anos, a verdade seja apresentada à sociedade como um todo – a atual e a futura –, a verdade do que realmente aconteceu, por que motivos as pessoas fizeram resistência, o que, de fato, estava em jogo e quem, de fato, eram os perpetradores, quem eram os terroristas. No nosso entendimento, terroristas eram os agentes do Estado, que cometeram terrorismo contra a sociedade civil. (Palmas.) Eu queria esclarecer aos senhores que o nosso trabalho não está diretamente relacionado às Comissões de Verdade e Justiça. Eu sei que o Dr. Javier Ciurlizza, do Centro de Justiça Transicional, infelizmente não pôde comparecer, apesar de ter sido convidado pela organização, mas aconselho a todos que têm interesse em conhecer um pouco sobre as Comissões de Verdade do mundo, todas que já existiram, que acessem o site desta instituição, que posso compartilhar com os senhores. Ele trabalha com esse tema e faz uma análise muito mais aprofundada da situação. Sabendo que o Sr. Javier não compareceria, tentei trazer para os senhores algumas informações muito simples, que não vão poder ser aprofundadas como eu gostaria, pois demandaria muito tempo. Então, seria só a título de exemplo. Quero dizer aos senhores que as Comissões de Verdade e Justiça no Continente Americano – eu nem vou ampliar o olhar para os outros continentes – não Agosto de 2011 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS é uma novidade para os nossos vizinhos, muito pelo contrário. Quero também ressaltar para os senhores que a maior parte das Comissões de Verdade feitas no nosso continente aconteceram logo depois da volta à democracia. Sem dúvida alguma, isso faz uma enorme diferença. Por exemplo, no que diz respeito aos documentos, de forma comparativa e analógica, muitas dessas sociedades não... (falha na gravação) o nosso governo teve para queimar os arquivos. Isso aconteceu logo em seguida. Muitas Comissões contaram com documentação do Estado e muitas não contaram. Eu não tenho certeza, mas imagino que o Prof. Martín já tenha esclarecido a todos os senhores, mas vou ser repetitiva pois considero importante a informação que vou dar. O Paraguai recentemente abriu todos os arquivos da ditadura. Hoje, no Continente Americano, especialmente na América do Sul, o Brasil está num patamar extremamente atrasado no que diz respeito à verdade e à justiça. Muito bem, eu vou fazer isso um pouquinho rápido porque não quero ser cansativa e quero que sobre um pouquinho do tempo da minha apresentação para passar, ao final, um vídeo de sete minutos, um vídeo bem pontual que é a filmagem da sentença dada a um torturador importante, no momento em que foi proferida, em um julgamento na Argentina em 2006. Eu quis compartilhar isso com os senhores porque eu acho que é uma mensagem de esperança de que um dia nós no Brasil possamos também passar por essa circunstância. Existem muitas outras Comissões de Verdade, e eu só quis trazer alguns itens. Quero chamar a atenção para itens básicos. Qualquer Comissão da Verdade precisa refletir antes que aconteça algo pior. Hoje, temos inúmeros exemplos, neste e em outros continentes, para não precisar dar as mesmas cabeçadas. Temos muita experiência, com relação aos países vizinhos, não para que façamos as mesma Comissões, mas para que não precisemos incorrer em alguns erros que já aconteceram e que, na prática, dificultaram um pouco a atuação da Comissão. A Argentina criou, no Governo do Presidente Raul Alfonsin, uma Comissão Nacional sobre desaparecimento de pessoas em dezembro de 1983, logo após o fim da ditadura no País. O seu objetivo principal era investigar as violações aos direitos humanos perpetradas pelo Estado durante o período de exceção – de 1976 a 1983. O trabalho da Comissão resultou no relatório Nunca más e outras leis de ressarcimento. Segundo as informações da Comissão, 8.960 pessoas foram desaparecidas no país, e foram identificados 1.315 perpetradores. Mais tarde, a própria sociedade civil da Argentina declarou que esse número Terça-feira 23 43905 possivelmente era muito maior, quem sabe o dobro, especialmente no que diz respeito aos desaparecimentos forçados. No entanto, naquele momento, foi a informação que se conseguiu. Esse passo na Argentina foi muito importante. Outras iniciativas aconteceram depois, essa foi a primeira. Essa Comissão foi um bom princípio para ajudar os processos que tinham algumas provas a serem apresentadas à Justiça. Aproveito, antes de me reportar ao Chile, para contar aos senhores que a Argentina, diferente dos outros países da América do Sul, não precisou de uma sentença na Corte Interamericana para fazer o processamento criminal dos perpetradores de graves violações dos direitos humanos promovidas na ditadura. A Argentina usou a sentença de um caso que o CEJIL litigou no Peru para que sua Corte Suprema pudesse acabar com a Lei de Anistia e começar o julgamento interno, ou seja, ela não precisou receber uma sentença, pois tinha casos do Estado argentino no Sistema Interamericano, mas ela fez sua lição de casa, entre os países em que nós atuamos, mais eficiente até o momento. Muito bem, no caso do Chile, houve a Comissão Nacional de Verdade e Reconciliação, que foi criada com o primeiro Presidente após a ditadura de Pinochet, iniciou seus trabalhos em 1990, com o objetivo de contribuir para o esclarecimento e a verdade sobre as graves violações dos direitos humanos cometidos durante o regime ditatorial chileno, de 1973 a 1990. O trabalho da Comissão resultou no relatório que reconheceu 3.400 vítimas de desaparecimentos e assassinatos. Em 1992, foi criada por lei a Corporação Nacional de Reparação e Reconciliação, para executar as recomendações da Comissão da Verdade e Reconciliação. Eu chamo a atenção dos senhores para o caso do Chile, sempre fazendo aqui um contraponto. No final eu vou falar um pouquinho do que esperamos para o Brasil. É muito importante sempre, numa Comissão, pensarmos como as suas recomendações vão ser executadas, como vão ser implementadas. Então, é importante fazer esse exercício desde o começo da criação da Comissão. Muito bem. Outro exemplo que eu trouxe para é o caso de El Salvador, que teve La Comisión de la Verdad, que foi criada por meio do Acordo do México em abril de 1991, entre o Governo de El Salvador e a Frente Farabundo Martí para la Libertação Nacional, com o patrocínio da ONU. No caso de El Salvador, era um conflito armado, então, a intervenção da ONU foi importante para as negociações. Os objetivos eram referentes à superação da impunidade e esclarecimento da verdade, com investigação de graves violações de 43906 Terça-feira 23 DIÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS direitos humanos ocorridas entre 1980 e 1991. Quando ela concluiu o seu trabalho, publicou relatório que se chamou De la Locura a la Esperanza, com o reconhecimento das execuções sumárias, de desaparecimentos forçados cometidos pelas Forças Armadas e esquadrões da morte. Suas recomendações incluíam reparações, mudanças legislativas, depurações no Exército e erradicação dos esquadrões da morte. Na verdade, estou apresentando, de forma cronológica, conforme as Comissões foram acontecendo. A Comissão para o Esclarecimento Histórico foi criada em julho de 1994 pelo Acordo de Oslo. O conflito na Guatemala também era considerado um conflito armado e também houve a intervenção do patrocínio das negociações de mediação da ONU. A composição da Comissão era bastante grande em relação à maioria das comissões: 250 profissionais. Os seus objetivos englobavam investigar as violações de direitos humanos perpetradas pelo Estado e a guerrilha após 34 anos de conflito armado, de 1962 a 1994, mas sem individualizar seus responsáveis. No entanto, mesmo sem individualizar os responsáveis, as informações recolhidas por essa Comissão permitiram fortalecer provas para ações judiciais que vieram a seguir. Em fevereiro de 1999, foi publicado o relatório Memória do Silêncio, livro sobre a experiência do trabalho da Comissão. Suas conclusões incluíam violação de direitos humanos contra indivíduos e povos indígenas, desaparecimentos forçados e assassinatos de aproximadamente 200 mil pessoas. Suas recomendações reforçaram a necessidade de mudanças legislativas e institucionais, depuração militar, investigação judicial e reparações. Prometo que vou apresentar só mais duas, vou ser mais breve. Eu só queria trazer um pouco dessa informação, porque sabemos que, enfim, que as coisas estão se consolidando. A ideia é que todos possam ter o máximo de informação para ter sua opinião pessoal a respeito do que o Governo vai apresentar como Comissão da Verdade no Brasil. No Panamá, a Comisión de la Verdad foi criada em janeiro de 2001 por um decreto do Poder Executivo e ainda se encontra em atuação. Sua composição incluía representantes da Igreja Católica e outros da sociedade civil. Os representantes da Igreja Católica assumiram a Presidência da Comissão. Os objetivos são esclarecer as violações de direitos humanos cometidas durante o regime militar de 1968 a 1989. O trabalho ainda está em andamento, e o principal foco, no caso do Panamá, onde a incidência dos desaparecimentos forçados também é bastante alta se comparada à incidência de tortura de sobreviventes, que foram torturados e presos... Agosto de 2011 Por fim, vou terminar com a Comissão do Peru. É uma comissão importante, considerada pelos estudiosos de comissões do continente americano uma das mais modernas. Ajudou bastante também a sua implementação depois da Comissão do Paraguai, especialmente pelas experiências, como eu apresentei no começo, daquilo que não estava funcionando bem. A Comissão da Verdade do Peru passou por várias modificações, desde a sua metodologia até toda a sua ordem jurídica de funcionamento, metodologia e estatuto. Então, a Comissão da Verdade e Reconciliação foi criada em 2001 por decreto do Presidente Paniagua, que era do governo de transição e depois do Governo Fujimori. Seus trabalhos ajudaram a esclarecer as violações de direitos humanos cometidas pelo Estado por grupos terroristas entre maio de 1980 e novembro de 2000. Vários desses casos denunciados à Comissão do Peru foram enviados ao Sistema Interamericano porque não estavam tendo o andamento devido na Justiça interna do Estado peruano. Todos os dados propiciados na Comissão do Peru foram muito importantes para que a Comissão Interamericana e a Corte Interamericana pudessem ter subsídios que são considerados imparciais. Esse é um aspecto muito importante, para o qual chamamos atenção, como disse o Dr. Marlon. A imparcialidade da Comissão da Verdade garante que resultados de ações criminais possam não gerar dúvidas no futuro. Nesse caso do Peru, devido a sua atuação, a idoneidade que se atribuiu a ela foi tão importante, que dois casos sentenciados na Corte Interamericana de Direitos Humanos subsidiaram o processo e a condenação do Presidente Fujimori este ano. Acho que todos acompanhamos o caso pelos jornais. Na Comissão da Verdade, todas as informações subsidiaram os casos que foram para o Sistema Interamericano e dele tiveram a condenação do Estado peruano. Hoje, o ex-Presidente Fujimori cumpre sentença criminal, o que é bastante alentador, devido a nossa realidade continental. (Palmas.) Estou acabando, prometo. Vou ser bem pontual. Eu tinha trazido dados, m