EXPROPRIAÇAO DOS RECURSOS NATURAIS E EXCLUSAO SOCIAL NA AMAZONIA BRASILEIRA “NA “ ERA NEOLIBERAL”. Benjamin Alvino de Mesquita - Universidade Federal do Maranhão/PPGPP. [email protected] Resumo O artigo tem por objetivo analisar de forma pontual o ataque ordenado e continuo sobre os recursos naturais e as terras públicas perpetrado por grandes empresas privadas e estatais com apoio político e financeiro do Governo Brasileiro (BNDES) e do Banco Mundial junto a parcela importante da população rural da Amazônia Brasileira, particularmente, as comunidades e povos tradicionais e a produção familiar. Embora esse modelo de ocupação e de desenvolvimento econômico,baseado em enclaves tenha já demonstrado ser incompatível com um desenvolvimento socialmente justo,o governo insiste em adotá-lo. As atividades privilegiadas (pecuária, mineração e soja) são inconciliáveis com a distribuição da riqueza gerada, pois concentram a renda e terra nas mãos de poucas pessoas na Amazônia Legal. Alem disso esse privilegio a grande empresa, consubstanciadas em doação de fartos recursos públicos originou uma violenta expropriação dos meios de produção cuja conseqüência maior foi uma aguda lumpemrizaçao desta população da Amazônia. Na “era neoliberal” os frutos do “desenvolvimento econômico” assim se restringem a uma minoria articulada a globalização, a outra parte continua excluída.É o que apontam inúmeros estudos e os resultados parciais deste projeto de pesquisa por nós encabeçado. 1 Palavras-chave; Expropriação agrária; exclusão social; Modelo de ocupação, Política neoliberal; Amazônia. Abstract The article aims to analyze in order off the attack and continue on natural resources and public lands perpetrated by large private enterprises and state with political and financial support of the Brazilian government (BNDES) and the World Bank with a significant portion of the population rural of the Brazilian Amazon, particularly the communities and peoples and traditional household production. Although this type of occupation and economic development, based on enclaves has proved to be incompatible with a socially fair development, the government insists on adopting it. The activities inside (livestock, mining and soybean) are irreconcilable with the distribution of wealth generated since the income and land concentrated in the hands of few people in the Amazon. Also this privilege to large enterprise, supported by the donation of public funds led to a tired violent expropriation of the means of production whose result was a more acute lumpemrizaçao the population of the Amazon. In the "neoliberal era" the fruits of "economic development" so are restricted to a minority linked to globalization, the other party continues excluded the numerous studies that point and the partial results of this research project led by us. Keywords: land expropriation; social exclusion; model occupation; neoliberal policy; Amazon. 1 INTRODUÇÃO. Na Amazônia brasileira2 mais do que em qualquer outro local do país o acesso aos recursos naturais livres e públicos constituídos de áreas inundáveis, manguezais, várzeas, babaçuais castanhais, lagos, matas, dentre outros, distribuídos geograficamente em todos os ecossistemas da Amazônia e com dimensão que perfazem milhões de hectares sempre se constituíram a forma natural que a população nativa e tradicionais3 dispunha a produzir a sua subsistência, de forma autônoma e/ou subordinada a terceiros. No entanto, à medida que o interesse do capital se sobrepõe ao interesse coletivo, o secular direito de uma parcela significativa desta população, que interagem (sem degradar) com esses biomas essenciais, conserva e preserva a biodiversidade, passam a ser continuamente desrespeitados e ameaçados e expropriados pelo avanço de grandes empreendimentos articulados a globalização em andamento. A principio, no período colonial, durante o ciclo das drogas do sertão, o controle era frouxo e se restringia a área de produção especificas delimitado pela dispersão da força de trabalho e a dimensão do mercado atendido, Mas é no ultimo quartel do séc.XIX com o ciclo da borracha que se efetiva na Amazônia a mais importante alienação e apropriação de área publicas com aval do Estado, transformando a Amazônia durante 60 anos num dos principais núcleos de acumulação capitalista do país. Para a expansão da produção da borracha, o Governo Imperial e das Províncias, vão mobilizar uma numerosa e indispensável força de trabalho, em especial no Nordeste, centenas de milhares de trabalhadores migram para cá. ( FUR- TADO, 1987). A inserção destes trabalhadores via o endividamento contínuo (sistema de aviamento), a priori o exclui do acesso ao principal e vital meio de produção, a terra, e, portanto de qualquer melhoria de vida no futuro, ou seja, esse sistema que viabilizou e foi fundamental a acumulação nesta economia, também condenou essa população à exclusão social que ainda hoje padece (séc.xxi) (MESQUITA,2008) Na vigente da chamada política neoliberal (década de 90) esse quadro se agrava ainda mais por conta da expansão exponencial do agronegócio da soja, eucalipto, dendê e da pecuária sobre as áreas camponesas antes objeto de produção de alimento e do extrativismo. Este é o território par excellence do grande capital dominado por grandes predadores que atuam em escala mundial e, portanto apáticos a questões locais, internas e pequenas, do tipo desenvolvimento locais, ou mesmo aspectos de longo prazo como a questão ambiental e da biodiversidade.O crescimento do agronegócio ao escamotear constantemente a legislação ambiental, se apoiar no financiamento publico (BNDES e BB) e na demanda externa dos países emergentes (China) precarizou ainda mais as condições de vida desta população rural, pois, contribuiu para a queda da produção de alimentos, acentuou a privatizou dos recursos naturais, antes disponíveis a essa população. A conseqüência é o aumento da vulnerabilidade e o crescimento da exclusão social registrado na estatística governamentais, apesar das fabulosas taxas de crescimento no tal agronegócio4, neste referido período(1990/2005) acima de 10% ao ano. Os principais atores deste processo de apropriação ilegal, contínua e sistemática sobre os territórios de sobrevivência5, (antes) públicos e livre, são grandes empresas, estatais e privadas, nacionais e internacionais, alem de grileiros e aventureiros de toda espécie. Esses predadores têm se aproveitado da ausência da autoridade publica para se apropriar de forma ilegítima de dezenas de centenas de hectares em toda a Amazônia, desrespeitando descaradamente os direitos seculares desta população aí residente. Por outro lado, o Estado Brasileiro que deveria realizar as mediações necessárias, entre o grande capital e a comunidade local, coibindo abuso, direcionando ações no sentido de assegurarem direitos e garantir lhes cidadania, por sua vez assume (ver PAC) um papel semelhante ao capital, impõe arbitrariamente, obras gigantes de infra-estrutura, como ferrovias, oleoduto hidrovias, estradas e hidroelétricas e linhões de energia cujos impactos sociais e ambientais são potencializados nas populações circunvizinhas for- madas por quilombolas, indígenas, ribeirinhos, pescadores, extrativistas, e também, por pequenos agricultores familiares. A prioridade dada décadas seguidas aos grandes empreendimentos na Amazônia em detrimento da população local tem como produto a privatização dos recursos naturais, o monopólio crescente da terra, o comprometimento do meio ambiente e no plano socioeconômico, o aumento das desigualdades e da concentração da terra e renda. Em qualquer parte do país isso se mostra muito visível, mas, é na Amazônia, onde esse fenômeno derivado da questão agrária não resolvida é mais intenso e perturbador há décadas, tendo como vitima, sobretudo, mulheres, crianças, indígenas e pequenos produtores. 2 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E EXCLUSAO SOCIAL. Há uma significativa literatura mostrando que o País (e mesmo regiões mais atrasada ) na chamada “era neoliberal “ teve desempenho inferior às etapas anteriores como a década perdida e/ou a desenvolvimentista (1960/1980) 6. A economia regional (Norte) assume tendência semelhante, cresce, acima da media nacional, porem inferior ao que prevalecia em épocas anteriores (antes de 85) quando o investimento publico prevalecia e o planejamento econômico detinha ainda alguma função na implementação de uma política regional. Tal fato se explica no montante de investimento efetivado e na prioridade dada ao mesmo em termos regionais pelo mercado e o estado nestes últimos dez anos. O crescimento econômico se sustenta na expansão continua de novos investimentos. (KEYNES, 1988, KALECKI, 1976) seja publico e/ou privado tendo o mercado e o estado papeis de destaque na consecução deste objetivo. Para muitos uma ação governamental efetiva exerceria um papel impar neste processo (TAVARES, 1998; KEYNES, 1998; MESQUITA, 2008). Para outros ao contrario a presença do Estado inibiria a ação das forças produtivas presente na economia e seria fator de retardo ao crescimento econômico (SMITH, 1985; FMI, 2004). No Brasil o desenvolvimento econômico recente demonstra inequivocamente que o Estado teve e continua tendo uma relevância primordial na transformação radical por que passou a sociedade brasileira nas ultimas quatro décadas (MESQUITA, 2006; TAVARES, 1998; CANO; 1998) Portanto, o discurso neoliberal sobre as vantagens das forças de mercado frente à presença do Estado na economia, não se sustenta ,seja em nível de país e/ou regional. Ao contrario, o volume de investimento privado, com exceção de algumas áreas como a da telecomunicação, foi insuficiente para alavanca um crescimento sustentável nas áreas de menor dinamismo econômico, como o Norte e Nordeste, isso porque o grande capital tem demonstrado pouco interesse em investir nestes locais, a não ser em área especifica e especializada. Em diferentes locais da Amazônia, neste período de globalização, os enclaves tem mais bloqueado o desenvolvimento regional do que viabilizá-lo, a razão se encontra na forma em que se consubstanciaram suas inversões, historicamente direcionaram a mineração e ao agronegócio da soja e pecuária, alem do eucalipto e do dendê que têm a mesma lógica. Ou seja, os investimentos mais significativos estão em indústrias extrativas ,intensiva de capital e voltada ao mercado externo que pouco agrega a economia local.A resultante geral computado em termos de desenvolvimento tem sido desfavorável a população, mesmo a economia local crescendo acima da media nacional. Por outro lado, dado o caráter da integração vigente ser via commodities, os demais setores e atividades não inseridas no contexto do mercado externo foram penalizados e/ou excluídos é o caso da agricultura familiar e do extrativismo (MESQUITA, 2006), segurança alimentar (SILVA, 2009); comunidades e povos tradicionais (ALMEIDA, 2005); e mais ainda para o meio ambiente - perda de biodiversidade e aumento de desmatamento (PAULA, 2008). Alem disso percebe-se também que a pequena e media indústria local e os setores , atividades a elas relacionadas, também foram desarticulados com essa política econômica implementada pós 90. Houve uma desindustrializaçao e/ou especialização e mudança de perfil de segmento importante do setor, constituídas de pequenas e medias empresas. A indústria oligopolizada de bens intermediários (mineral /agrícola) substitui as de bens de consumo não-duráveis. Isso significa dizer que essa maior integração da Amazônia em vez de trazer beneficio a maioria da população, e, portanto, a uma maior desenvolvimento social, ao contrario tem contribuído para aumentar as desigualdades sob todos os aspectos e contribuído para acelerar conflitos ambientais e sociais na medida em que atropelam os interesses da sociedade local sob o pretexto de trazer o progresso /desenvolvimento. O investimento privado pontual e seletivo, pouco contribuiu para alterar o perfil de pobreza e desigualdade, alem disso ao enfatizar segmento articulado a demanda externa, deixa a economia regional mais vulnerável e com um padrão de cres- cimento instável, pois seu desempenho depende fundamentalmente da dinâmica externa de poucos países e de produtos de indústria baseado em recursos naturais. (enclaves) Em outras palavras o esforço governamental de carrear décadas a fio uma montanha de recursos públicos para integrar Amazônia aos mercados nacionais e internacionais, desenvolve-la, proporcionar uma qualidade de vida melhor aos seus cidadãos, obteve para ser generoso um êxito parcial (no econômico). Mas para a questão social e ambiental foi catastrófica. A riqueza gerada (PIB) em quase meio século é modesta, não passa de 5% do PIB nacional7, apesar das taxas de crescimento regional ser superiores ao do Brasil e de outras regiões do país. Sob a égide neoliberal essa tendência permanece o PIB regional cresceu apenas 0,35% (saltou de 4,94% para 5,29). Em termos de renda per capita sua desempenho também não é das melhores (0,42% ), é um pouco acima da media brasileira, só superior a do Nordeste (MESQUITA, 2009). Nesta década atual o crescimento das commodities (grãos, carnes e minerais) foi significativo, no entanto, não foi suficiente para evitar o declínio do setor, e nem alterar, a importância relativa da indústria região.Entre 1985/2004, a agropecuária perdeu sete pontos percentuais, (17% /10%), o setor industrial permanece estacionário (31%), e o serviço (59%). Por seu lado, os parâmetros sociais e ambientais não são favoráveis à região. O IDH é de 0,733 e a incidência de pobreza na Amazônia é de 19% contra 12,9% do BR e 24 % do NE. A distribuição da terra é altamente concentrada (GINI 0,82) e a taxa de desmatamento ( ver figura abaixo) tem batido recordes sucessivos, com destaque para Mato Grosso Pará ,Rondônia e Maranhão. O que mais contribui para a exclusão social é a inacessibilidade aos recursos naturais/livre, cujo acesso é diretamente proporcional a presença no local de grandes projetos.Por exemplo, a VALE e Petrobras ao privatizar imensas áreas, avançar sobre locais antes livres,não só expropria esses produtores que estão em seu caminho como impede o acesso aos recursos naturais ,antes fonte de sobrevivências de uma parcela importante desta população rural atingida direta e indiretamente por tais projetos.A tradução deste fenômeno recorrente neste ultima década é o crescimento dos índices sociais e da transferência deste pobreza para as áreas urbanas próximas. Nota-se ao analisar os indicadores locais que a Amazônia padece de problemas semelhantes às de outras áreas retardatárias (Nordeste), ou seja, há profundas8 distorções, entre e intra-região em termos de distribuição de riqueza, emprego, IDH, dentre outros. Quer dizer, a estratégia empresarial e governamental em direção a Amazônia balizada na pecuária extensiva, agronegocio, na extração mineral obra governamentais, estruturalmente, pouco agregou a economia regional. (MESQUITA, 2008). A razão está na ênfase em indústrias extrativa e nas monoculturas que exclui dezenas de milhares pequenos produtores sem deixá-los uma alternativa de sobrevivência. A conseqüência dessas políticas excludentes é a persistência de alta taxa de pobreza e miséria; da desigualdade socioeconômica. A crise sócio-ambiental em andamento na Amazônia, e em outras áreas foi embalada por inúmeros fatores, mas, dois deles sobressaem, de um lado, a desregulamentação sem paralelo dos anos 90, e, de outro lado, pela ausência de políticas publicas compensatórias que corrijam o hiatos histórico advindas do passado. Percebe-se assim que a historia recente do desenvolvimento da região Amazônica é o espelho de um processo de intervenção onde o papel do Estado sobressai. O caminho trilhado nos últimos 50 anos pode ser “separado” em três ou mais etapas nas quais se nota uma maior ou menor interferência da atuação governamental no sentido de alterar o perfil anterior de desintegração ao circuito do grande capital. Se numa primeira fase(até 80) as significativas taxas de crescimentos revelam o potencial adormecido da mesma e favorece que mudanças estruturais importantes se estabeleça e se consolide na região, no período seguinte e no ultimo acende um sinal amarelo e vermelho que irá impedir a ultrapassagem de barreira lá posta. Esse movimento se articula a mudança de paradigma em termos de acumulação que se há muito se gesta no cenário internacional, onde o papel do Estado é questionado como fator indutor do crescimento econômico.Ora, com taxa de investimento (especialmente o publico ) declinante, em áreas essenciais e a questão regional escamoteada, o quadro atual de desenvolvimento do país (conseqüentemente do regional) não poderia ser diferente, em síntese, o crescente endividamento publico e o pagamento compulsório daí decorrentes impediu que o país avançasse no seu desenvolvimento e postergasse mais uma vez a inclusão de milhões de brasileira a cidadania. a que tem direito. 3 O AVANÇO DAS COMMODITIES E O RECUO DA PRODUÇAO FAMILIAR. Ao lado dos enclaves extrativos das megas empresas de exportação (VALE, ALBRAS, MMX, ALCOA, ALUMAR, GUSERIAS) e das grandes obras de infra-estrutura (agora intensificada pelo PAC ), há também outras atividades e atores (CARGIL, MONSAN- TO, SLC, FRIBOI,) não menos impactantes que devem ser apontadas, como as monoculturas de soja, eucalipto e dendê e ainda a mais antiga de todas a pecuária que constituem no principal fator de expropriação e conflitos desta população. Todas essas atividades estão no centro do conflito reinante nas áreas impactadas por tais empreendimentos. Entre 1990/2005 em função da dinâmica externo que rege tais atividades houve um crescimento geométrico das áreas ocupadas por tais atividades na Amazônia, inclusive com redefinição de território para o agronegócio e uma desterritorizaçao de espaços comuns antes apropriados por pequenos produtores. A concentração e centralização de capitais antes sem expressão econômica passa a caracterizara o cenário de tais atividades, assim como a vulnerabilidade e instabilidade. Um confronto dos dados relativos à soja, pecuária e arroz permite-nos nestes 15 anos analisados (1990/05), observar as mudanças espaciais ocorridas nas diversas atividades, assim como assinalar os diferentes “territórios da produção “ isoladamente e/ou em conjunto ou ainda as interseções que ocorreram. Os gráficos e tabelas abaixo relacionados demonstram de forma inequívoca quais as atividades que dão a dinâmica no setor agropecuário e que espaços estão sendo ocupados. Foi visto anteriormente que a participação da agricultura no PIB decresceu consideravelmente. No entanto, os dois principais produtos do agronegócio ( soja e pecuária) em igual período cresceram substancialmente, respectivamente 10,5% e 7,2% ao ano, neste intervalo de tempo (1990/2005); tendência não acompanhada pelo o arroz ( nem mandioca) que fica na casa dos 2,2 % ao ano9. O gráfico acima nos permite acompanha por unidade federativa a tendência do principal produto alimentício neste cenário neoliberal Por outro lado a tabela abaixo mostra algumas mudanças em curso em tais atividades. Do lado da soja e da pecuária, as alterações são enormes, a 1ª cresceu 100% e a outra 81%. A década de 90 representa o marco de entrada da soja na Amazônia, com os estados de Rondônia, Tocantins e Maranhão. Na pecuária nota-se um intenso processo de pecuariazaçao da Amazônia Ocidental ( Rondônia e Acre). O arroz, na Amazônia, cresceu apenas 21% em 15 anos, no nível de estados, a produção se caracteriza por um comportamento oscilante, inclusive com queda importantes, que é o caso do principal produtor (Maranhão), mas, também há subida importante, no Pará, Amazonas e Mato Grosso. Nos anos recentes do séc.xxi (1º qüinqüênio- 2000/05), a soja (121%) e pecuária ( 57%) continuou a crescer mais do que o arroz 15%. Dois aspectos chamam atenção, de um lado, a entrada definitiva de Rondônia, Pará e Amazonas no ciclo da soja, e, de outro a continuidade do processo de pecuáriazaçao do Acre e Rondônia, iniciada em 90, lá, o rebanho cresceu 100% e 124% respectivamente. Enquanto há redução na área com arroz, no Amazonas em cerca de 30%, mas cresce em Roraima e no Amapá. Uma questão importante que também vale a pena destacar é o perfil de estabelecimento que estão por trás da produção destes produtos na Amazônia Tabela 1 - Variação do crescimento da produção de soja, arroz e pecuária na Amazônia Legal nos intervalos de 1990/00 e 2000/05. Estado Soja Arroz Pecuária 1990/00 2000/05 1990/00 2000/05 1990/00 2000/05 Rondônia 154 538 12 -1 229 100 Acre - - -14 -7 158 124 Amazonas - 113 563 -30 32 42 Roraima - - 139 50 - 5 Pará - 5.577 130 193 66 76 Amapá - - 140 172 19 17 Tocantins 120 513 -15 33 42 30 Maranhão 1073 108 -30 10 5 57 Mato Grosso 110 97 22 109 41 Amazônia Legal 101 121 21 15 81 57 Fonte: IBGE Na Amazônia a produção(t) de soja é conduzida, sobretudo por grandes estabelecimentos ( + de 5 mil /há), a media para Amazônia é de 28%, mas, há estados como o Mara- nhão e Rondônia, onde ela é bem superior, respectivamente 48% e 51%.Para a pecuária a tendência é parecida só que menos acentuada.Em termos de área o grau de concentração ainda é maior conforme revela a figura a baixo. Entretanto para produtos da agricultura familiar (mandioca e arroz), este perfil é bem diferente. Para a mandioca, por exemplo, 76% da produção provem de estabelecimentos com menos de 50 ha., mas no Amazonas e no Maranhão é superior a essa media respectivamente 85% e 89%.Um aspecto que chama atenção é que 10% da produção(mandioca) do Tocantins têm origem em estabelecimento com mais de 1000 ha.! Para o arroz o quadro da produção por estabelecimento é um pouco diferente da mandioca e da soja. Embora, prevaleça o pequeno estabelecimento na produção, na proporção de1/3, a presença de médios e grandes estabelecimentos é relevante. Os grandes chegam a responder por 19% da oferta. As unidades federativas podem ser agrupadas em três blocos.De um lado, o Maranhão e o Amazonas com um alto percentual de pequenos estabelecimentos ,respectivamente 72%e 62%;No outro extremo, Mato Grosso e Roraima,onde predomina o mega produtor de arroz (com +de 5 mil /há), eles aqui respondem por 30% da produção , e na faixa intermediaria os demais estados.No que se refere a área colhida a figura abaixo mostra a importante que ainda tem os estabelecimentos inferiores a 50 hectares. Em termo espacial, nota-se que cada atividade, se articula a um determinado território e apresenta um grau de concentração que varia ao longo do período. No inicio de 90, a soja se restringia praticamente ao Mato Grosso, com inserção esporádica de outros estados da região. Posteriormente, este quadro, se altera consideravelmente, apesar do Mato Grosso ainda continuar como centro hegemônico da produção. Em 1990, cerca de 97% da soja estava no Mato Grosso, em 2005, diminui um pouco,outros estados ganham relevância Rondônia,Tocantins Para e Maranhão. Como se sabe a expansão da pecuária na Amazônia tem sido continua deste os anos 70, mas agora ela ganha uma nova dimensão, inclusive em áreas onde não tinha importância ,e, cresce sem ajuda dos incentivos fiscais, comum em épocas passadas. Em 1990, três estados Mato Grosso, Pará e Tocantins detinham mais de 2/3 do rebanho regional, na década atual (2005) o grau de concentração continua alto (78% do rebanho), mas a novidade é a presença de Rondônia como grande produtor regional o 3º maior rebanho, atrás apenas do Mato Grosso e do Pará! Quanto o papel do principal produto da AF, o arroz, percebe-se que sua produção tem sido caracterizada por altos e baixos, principalmente no Maranhão o maior produtor dos nos 90. A instabilidade está ligada à abertura comercial que permitiu a entrada do arroz asiático e do MERCOSUL, a falta de incentivos governamentais (preço interno remunerador), e o acesso ao credito ,principalmente daquele segmento da AF ( nãoproprietários e pequenos proprietários) que continua,nesta região,tendo importância na sua oferta.Alem desses fatores, a soja, pecuária e eucalipto têm empurrado esses pequenos produtores para áreas mais distantes contribuindo assim para a queda na produção.Até os anos 90 ,o Maranhão sozinho detinha 46% da área, junto com Mato Groso e Tocantins 81%. Agora ,em 2005 é o Mato Grosso é o responsável, responde por 42% da área colhida, junto com o Maranhão e o Pará chegam a 82%. O esses aspectos relatados referentes às atividades ,a nível mais macro (estado) ,e reproduz em termos de meso, microrregiões e municípios. Cinco Microrregiões controlam 86% da oferta deste produto e onze município de um total superior a uma centena chega a concentrar 72% da produção total (soja) . O Nível de concentração de rebanho não chega a ser assim tão concentrado, mesmo assim três meso e seis Microrregiões respondem pela 1/3 do rebanho regional. Em termos municipais, menos de 20 municípios detém quase 1/3 do rebanho! Ou seja, há também concentração, mas ela é bem diferente daquele observado na soja .(MESQUITA ,2008) Os dados da tabela, grosso modo, mostram que a soja predomina em Meso e microrregiões diferentes daquela da pecuária. Mas o caráter concentrador fica explicito em ambas as atividades, pois, se concentra em pouquíssimos territórios frente ao universo de área disponibilizada. Que outras transformações podem ainda ser visualizadas, em termos espaciais e grau de concentração, ou seja, qual à direção tomada pelas diversas atividades neste cenário neoliberal e que grau de concentração ocorreu neste intervalo de tempo.? Para a soja, pouco mudou o Mato Grosso continua o mais representativo, assim como a maioria das Micros e municípios anteriores, embora, se incorpore outros Estados, como Tocantins e Maranhão que ganham expressão no volume produzido e, já aparecem com destaque com microrregiões e municípios Quanto a pecuária continua hegemônica, nas antigas áreas, porém menos concentrada do que antes, outros estados ganham destaque, Rondônia é o exemplo, assim como, meso e microrregiões. É, no cenário municipal, no entanto,que as transformações são mais visíveis, espacialmente falando,núcleos “tradicionais” da pecuária cedem lugar a neófitos.Espacialmente, percebe-se que a dinâmica da atividade agrícola no seu sentido mais amplo, se localiza em poucas microrregiões da Amazônia!, È neste território, imenso, mas também restrito e muito concentrado em atividades especificas, que hoje se encontra o principal e mais importante frente de expansão e concentração da produção, em particular, aquelas mais lucrativas soja, eucalipto e pecuária, alem do carvão vegetal. Tabela 2 - Distribuição espacial para a Amazônia dos alimentos básicos (arroz, mandioca e feijão), do agronegócio (Soja, Pecuária) e do extrativismo (Babaçu) em termos de meso, microrregiões e municípios em 2005. AMAZÔNIA LEGAL Mesorregião Microrregião Município PRODUTOS Alimentos 2005 Básicos ¹ 1. Arroz Norte Mato Grossense - Sinop-MT/ Pindaré- Paranatinga-MT/ Santarém-PA/ MT/ Sudeste Paraense-PA/ MA/Santarém-PA/ Rio Lagoa da Confusão-TO/ Santa Oeste Leste Maranhense-MA/ Formoso-TO/ Colora- Luzia-MA/Cabixi-RO. Rodoniense-RO/ do do Oeste - RO/ Ocidental do Tocantins-TO Nordeste de RoraimaRR/ Rio Branco-AC. 2. Mandioca Nordeste Norte Paraense-PA/ Tomé-Açu- Acará - PA/ Tefé-AM/ Alto A- Maranhense-MA/ PA/Pindaré- legre do Pindaré-MA/ Porto Ve- Centro Amazonense-AM MA/MadeiraAM/Norte MT/ Araguaia- do Sul - AC. Porto RO/Rio lho-RO/ Confresa-MT/ Cruzeiro Velho- Branco-AC/ Araguaia-TO/ Maca- pá-AP 3. Feijão Leste Rodoniense-RO/ Cacoal-RO/Bragatina- Alta Floresta D'Oeste - Nordeste Paraense- PA/Parecis- RO/Monte PA/Norte Mato-grossense- MT/PindaréMT/Leste Alegre-PA/Campos de Júlio-MT/Lagoa da Confu- Maranhense- MA/Alvorada D'Oeste são-TO/Barra do Corda-MA/ MA/Ocidental do Tocan- - RO/Cruzeiro do Sul - Lábrea-AM/Sena Madurera-AC. tins-TO/Vale AC/Sul AM/Sul do Acre- AC/Rio Formoso- Amazonense- TO/Purus-AM. do Amapá- AP/Norte de Roraima-RR Agro-negócio 1. Soja Norte Mato-grossense- Alto MT/Sul Teles Pires- Sorriso Maranhense- MT/Gerais de Balsas- MA/Campos MA/Oriental do Tocantins- MA/JalapãoTO/Leste MT/BalsasLindoso- TO/Vilhena-RO. Rodoniense- TO/Santarém-PA/Boa Ro/Baixo Amazonas-PA 2, Pecuária ¹ - Vista-RR. Sudeste Paraense-PA/Norte São Félix do Xingu- São Félix do Xingu-PA/CáceresMato-grossense-MT/Leste PA/Jí-ParanáRodoniense-Ro/Ocidental RO/Norte do MT/Porto Velho-RO/Rio Bran- Araguaia- co-AC/Açailândia- Tocantins-TO/Oeste MT/Araguaína- Maranhense-MA. MA/Araguaçu-TO. TO/ImperatrizMA/Rio Branco-AC. Extrativismo ² 1. Babaçu Centro Maranhense-MA- Médio Mearim- Pedreira/Tocantinópolis- MA/Ocidental do Tocan- MA/Bico do Papagaio- TO/Atalaia do Norte-AM/São tins-TO/Sudeste Paraense- TO/Marabá-PA/Alto Domingos do Araguaia-PA. PA/Sudoeste Amazonense- Solimões-AM. AM. ¹ Fonte: IBGE - Pesquisa pecuária municipal-efetivo dos rebanhos por tipos de rebanho. ² Fonte: IBGE - Produção de extração vegetal e da silvicultura - quantidade produzida na extração vegetal por tipo de produto extrativo. 4 FATORES DE BLOQUEIO E DESENVOVIMENTO SOCIAL Inúmeros variáveis de ordem econômica, social e política poderiam ser arrolados como responsáveis pela apropriação dos recursos naturais, exclusão social e por esse perfil vulnerável ,característica basilar de uma parcela considerável da população da Amazônia brasileira, seja qual for, rural ou urbana. Mas,considerando apenas alguns aspectos da questão agrária pelo menos três fatores de pronto poder-se-ia arrolar como de bloqueio a ascensão social, o acesso a terra, a tecnologia e o financiamento publico. Quando se analise os indicadores da Amazônia, constata-se que ação governamental contribuiu muito pouco para alterar esse perfil. Ao contrario, a opção de desenvolvimento assentado deliberadamente no grande capital, e, em enclaves, excluiu parte importante desta sociedade. Como a questão da terra, da produção e difusão de pesquisa e financiamento publico estão emperrados a gerações, a resultante desta intervenção não poderia ser diferente. Ora,sem a resolução deste tripé é impossível avançar na melhoria do padrão de vida destes “cidadãos”. Na Amazônia um número significativo de pessoas que ainda dependem da agricultura, quase três milhões10,distribuídos em 882 mil estabelecimentos, e, em 131 milhões de hectares. de um lado uma minoria numericamente representativa (minifúndios) e do outro,os latifúndios pouco numeroso mais importante pela área apropriada.Em três décadas (1970/2006), os estabelecimentos cresceram apenas (0,6 % a a.), contra 2,6 % ao ano da área.O índice de Gini que mede a concentração da terra continua alto ( 0,85).Apesar de uma admirável incorporação de área,80 milhões de hectares,quem se apropria da mesma são os estabelecimentos acima de 1000 ha, eles cresceram 9% ao ano,enquanto os pequenos (-50 há) estão diminuindo em numero (-2,5%) e estabilizado em área.(IBGE,2008) Por outro lado,em termos de uso da terra cerca de 47 % da área (ou 61 milhões) voltam-se a pecuária, enquanto para a lavoura não ultrapassa a 14% . A produção de alimentos cresceu pouco (em media 2%) e no quesito produtividade ainda menos. A razão se encontra no acesso a tecnologia que esse produtores familiar não tem. Reconhecida- mente a Embrapa fez um trabalho extraordinário para a lavoura industrial e de exportação, mas para os alimentos ainda tem longo período a percorrer. De acordo com José Graziano da Silva, estas transformações tecnológicas podem ser vistas nas seguintes linhas: nas inovações mecânicas, que afetam de modo particular a intensidade e o ritmo da jornada de trabalho; inovações físico-químicas, que modificam as condições naturais do solo, elevando a produtividade do trabalho aplicado a esse meio de produção básico; e, por fim, inovações biológicas, que afetam principalmente a velocidade de rotação do capital adiantado no processo produtivo, através da redução do período de trabalho e da potencializarão das inovações mecânicas e físico-químicas (SILVA, 1981). No quadro dessas inovações apontadas ocorreu uma divisão do trabalho, entre o Estado e a grande empresa agroindustrial. Coube ao Estado, por meio da EMBRAPA, concentrar esforços nas inovações biológicas. Por outro lado, no campo das inovações mecânicas e físico-químicas as pesquisas ficaram a cargo da grande empresa, seja de capital estatal, multinacional o privado nacional. Apesar disto o que se constar junto aos pequenos produtores da Amazônia e parte do Nordeste é que a tecnologia dominante neste segmento não se diferencia daquela do período colonial. Os instrumentos tecnológicos mais utilizados é o machado, enxada e palito de fósforo que responde pelo adubo (cinzas). (IMESC,2008) O financiamento publico ou privado, credito formal ou informal exerce um papel dos mais importantes, porque, cria demanda para os segmentos envolvidos, e, é também um elemento estruturador da oferta (capacidade produtiva). Ele não é importante, apenas para a produção capitalista ,ele também é essencial ao produtor familiar,pois ele assume funções fundamentais no dia a dia deste produtor.A importância cresce na medida em que se modernizam as relações de produção em seu entorno. Em tese o financiamento poderia se constitui no principal fator indutor de mudança, via incorporação de tecnologia na atividade, e, portanto de ganhos de produtividade necessário ao processo de acumulação (mas, na Amazônia não foi). A questão é que sem terra ou com pouca terra, sem acesso a tecnologia e assistência técnica, essa população tem (teve) imensa dificuldade em acessar o financiamento publico seja qual for à finalidade. Apesar desta indiscutível relevância, historicamente o financiamento atingiu um numero insignificante de pequenos produtores. Isto acontece pela precarização do acesso a terra, mas também, pela escassez e pelo caráter perverso de sua distribuição 11 . E, por que o crédito rural é (ou foi) escasso e excludente? A razão é simples, agricultura familiar demorou entrar na agenda política, só aparece nos anos 90, com o FNE e o Pronaf12 ,antes, só sobrava migalhas (AF), alem disso as agencias bancarias se responsabiliza em criar mecanismos outros de exclusão. Ora, neste cenário de dificuldade, escassez e de exclusão ao credito formal (estatal), a saída dos pequenos é acessar o credito informal, fácil e caro, mas disponível. Pesquisas recentes mostram que essa opção (informal) é muito importante e usada com mais freqüência do que se imagina. Essa pratica se estende as diferentes necessidades, custeio, oportunidade de investimento, ou, uma precisão urgente: seca, enchente ou doença na família (IAI, 2001; PORRO, 2004; MESQUITA, 2006; IMPERATRIZ, 2004). Em resumo, mesmo com todo o subsídio, aparato fiscal e “facilidades”, o financiamento estatal não conseguiu expandir o credito e nem democratizar seu acesso, para romper o atraso tecnológico,nem os grilhões do acesso a terra e nem afastar a influencia do credito informal que é muito caro, mas, no entanto, de fácil acesso e disponível. 5 INVISIBILIDADE E ESTRATÉGIAS DOS EXCLUÍDOS. A mídia só dar destaque ao desmatamento, as outras questões, grilagem, invasões, apropriação indébita de terras publicas, pistolagem passam despercebidas. Os conflitos sociais, econômicos e ambientais, aqui, têm a dimensão da Amazônia. Milhões vivem e sobrevivem num estado continuo de incerteza, vulnerabilidade e de pobreza, porque o Estado a muito delegou sua função constitucional a terceiros. È o salve-se quem puder. Grandes empresas como a VALE, ALCOA, MMX, ALUMAR, MONSANTO, BUNGE, SLC, Petrobras, alem de outras menos conhecidas estão no centro dos principais escândalos e de denuncias contra o meio ambiente e de desrespeito à população circunscritas as suas áreas de intervenções divulgadas pela mídia ONGs como a Amazônia, ISA, CPT, órgãos e instituições como INCRA, IBAMA e Ministério Publico colecionam listas significativas de ato ilícitos praticados por tais empresas por onde passam. Segundos tais entidades esses grandes empreendimento na Amazônia usam diferentes expedientes,inclusive ilegais, como comprar áreas de Assentamento de reforma agrária, terras indígenas retirar madeira ilegalmente,poluir o meio ambiente,traficar influencia política, todos com o intuito de impor seus interesse econômicos frente as demais ,seja eles qual for. Tudo isso com apoio político governamental e financeiro de recursos públicos da sociedade brasileira. As multas eventualmente cobradas não tem inibido o avanço destes magas projetos contra pequenos produtores desprotegidos. (AMIGOS DA TERRA,2008) Mas, estudos recentes (PNCSA)13 revelam que as comunidades locais, mesmo sob pressão contínua não estão passivas, ao contrario, estão se movimentando e se articulando, e, através de suas representações montam estratégia de resistência contra a violência que acompanha sua desterritorizaçao. Apesar da pouca ou nenhuma visibilidade , esses atores sociais têm resistido. Nesta rede há um numero incontável de organização que agem silenciosamente, alguns já muito conhecidos, os seringueiros (AC), as quebradeiras de coco babaçu (MA), os atingidos por Barragem e Base Espacial (PA e MA), os povos indígenas na Amazônia, dentre outros. Em todos, a resistência,o embate e o confronto é a norma de enfrentamento ao modelo excludente e perversos que privatiza os recursos públicos e mas socializa a exclusão, dos quatros estados que apresentam mais de 60% das residências de insegurança alimentar,três estão na Amazônia (SILVA,2009). Embora o processo de expropriação fundiária efetivada contra pequenos produtores da Amazônia não seja fato recente, sem duvida, no pós 90 com a hegemonia das forças de mercado ela se aprofunda e generaliza não deixando de fora nem os grupos mais tradicionais, como os ribeirinhos, indígenas, e extrativistas, implicando num continuo processo de territorialização e desterritorialização na Amazônia. Esses processos atingem em grande parte às distintas identidades coletivas objetivadas em movimentos sociais que emergiram na Amazônia nas duas últimas décadas, e geram situações de conflitos considerados relevantes por agentes sociais que se autodenominam quilombolas, quebradeiras de coco, ribeirinhos, pescadores artesanais, piaçabeiros, artesãos, seringueiros, castanheiros que estão em processo de auto-afirmação. Por outro lado, estes processos de territorialização e desterritorialização vêem justamente evidenciar os avanços e retrocessos em matéria de preservação do meio ambiente. As práticas dos povos e comunidades tradicionais encontram-se completamente referidas aos diversos tipos de usos dos recursos naturais nos locais onde vivem. Este tipo de prática tradicionalmente desenvolvida faz parte da reprodução física e natural dos diferentes povos e comunidades. Existe uma relação dialética entre os seus modos de vida e o seu meio, no qual, práticas como: caça e pesca de subsistência, extrativismo, medicina natural, utilização de fontes de água naturais para consumo, transporte e lazer, e outras, tanto precisam da natureza preservada, do direito ao seu uso e acesso, quanto contribuem para a sua conservação. Existe, pois, uma interdependência, uma preservação conjunta entre povos e/ou comunidades tradicionais e o os recursos florestais e hídricos. Os processos de desterritorialização, por um lado, levam à destruição de áreas antes preservadas tradicionalmente por esses povos e/ou comunidades, enquanto que, por outro lado, a tempo que alegam buscar a preservação da natureza por meio da expulsão dos agentes responsáveis por essa mesma preservação14. 6 CONCLUSÃO. Sem duvida, a Amazônia de hoje é diferente daquela do passado, pelo menos na aparência, as forças produtivas avançam inexoravelmente em todos os sentidos concentrando e centralizando a produção, beneficiando uma minoria integrada a essa dinâmica globalizante e desqualificando em todos os sentidos a outra parte. A resultante é uma Amazônia mais desigual, mais pobre e vulnerável, onde o processo de exclusão social avança velozmente apesar dos embates e confrontos que emerge diuturnamente contra esse estado de coisa. Embora esse modelo de ocupação e de integração assentado na grande empresa reconhecidamente seja um fracasso, pois conduz a esse quadro nefasto e explica esse perfil socioeconômico e ambiental vigente, o Estado Brasileiro continua insistindo na mesma tecla, se no passado a ênfase governamental voltava-se ao seringalista e o capital mercantil, hoje é a vez das mineradoras e do agronegócio ligados ao capital financeiro que devasta geometricamente, exclui,desconhecem e desestabilizam povos e comunidades tradicionais secularmente estabelecidos nestes territórios. O preço deste desconhecimento, desvalorização e desrespeito a diversidade socioambiental e cultural desta população nativa, que é quem efetivamente conhece a Amazônia tem sido muito alto. Não só para essa pessoa que lutam bravamente contra sua invisibilidade e vulnerabilidade social e econômica, mas também para a dita sociedade globalizada em função das conseqüências ambientais daí decorrentes. Sem a sua participação efetiva deste segmento social não há saída e este quadro de pobreza, desigualdade social e conflitos sociais, econômicos e ambientais se aprofundará com impactos imprevisíveis a todos, e não mais restrito a essa população secularmente expropriada que ainda resiste e sobrevive a esse rolo compressor produto deste modelo equivocado de desenvolvimento. Diante desta nova configuração que o território assume na Amazônia, uma pergunta que se poderia fazer é o que teria levado a essa re-configuração da produção capitalista num espaço de tempo tão curto nesta área do país (Amazônia). Porque foi assim tão intenso? Inúmeros fatores podem ser arrolados para explicar essa transferência de função de áreas “tradicionais”(Sul/Sudeste) para a Amazônia. Dentre eles podemos citar o crescimento da economia mundial, a ação do Estado via a política econômica favorável à expansão e a comercialização externa (Lei Kandir). Internamente, o aumento dos custos de produção no Sul e Sudeste; as facilidades de acesso a terra e de burlar a legislação; o aumento da renda per-capita e o controle da inflação, foram fatores não desprezíveis de aquecimento a essa expansão espetacular da produção interna e de exportação crescente. Assim as taxas de crescimento superior a 10% que se observa nas economias emergentes deram apenas o empurrão que faltava na consolidação de tais atividades nesta região do país. Mas, há também, fatores que antecede a esse ciclo made in china que impulsionam essa corrida a terra destinada ou não ao agronegócio. A principal e fundamental causa está no acesso fácil, e ainda barato e sem fiscalização a terra ( de ninguém), que predomina a século nesta região brasileira. Tal fato deixa a vontade os espertalhões de toda espécie a agir livre e impunemente. Os órgãos nacionais ( Ministério do Desenvolvimento Agrário; Assuntos Estratégicos, Ministério da Integração, Defesa, dentre outros) tem pouco controle do que ocorre na Amazônia. O INCRA, por exemplo, em levantamento recente diz desconhecer o uso dado a milhões de hectares na Amazônia (14% do seu território), cerca de 710 mil/k² (duas vezes o tamanho da Alemanha), e, quem se apropria da mesma, se posseiros ou grileiros. Mas sabe que as mesmas estão articuladas as áreas de expansão do agronegócio e da mineração (Cuiabá/Santarém), Transamazônica e Leste do Pará, aliás, a maior parte deste território de ninguém se encontra neste estado, 288 mil/km², ou seja, quase 3 milhões de hectares! (SILVA, 2009). REFERENCIAS BIBIOGRAFICAS ALMEIDA, Wagner, MARTINS,C ; SHIRAISHE NETO,J. Guerra Ecológica nos babaçuais,São Luis, lithoghaf, 2005. 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