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AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS NO NÚCLEO
INDUSTRIAL DE RECICLAGEM DE RESÍDUOS SOLIDOS DO
INSTITUTO DOM FERNANDO – GOIÂNIA, GOIÁS
_____________________________________
Ana Lúcia Gomes Borges1
Elaine Lopes Noronha Farinelli2
Ilton Luis Guimarães de Siqueira3
Orientador: Antonio Pasqualetto 4
RESUMO
O Núcleo Industrial de Reciclagem (NIR) de resíduos sólidos do Instituto Dom
Fernando constitui-se em uma usina de reciclagem de lixo, unidade que surgiu na
perspectiva de atender às diversas demandas sócio-ambientais e como
alternativa para a geração de renda nas comunidades que integram a região leste
de Goiânia. O NIR estruturou suas unidades de produção a partir da implantação
da coleta e reciclagem do lixo: plástico, papel e rejeitos orgânicos.
No presente artigo trataremos da análise minuciosa e comprovada dos impactos
ambientais e sociais causados pelo Núcleo Industrial de Reciclagem, objetivando
assim a mitigação desses impactos e a otimização da produção de produtos
reciclados.
Palavra-chave: Usina de reciclagem, lixo, gestão ambiental, impactos
ABSTRACT
The Industrial Solids Recycling Nucleus (ISRN), of the Dom Fernando Institute,
comprises a garbage recycling plant. It aims to meet a variety of social and
environmental goals, and also to provide an alternative source of income for the
communities in the eastern section of Goiania. The ISRN hás implemented
programs for collection and recycling of solid waste, i.e., plastics, paper and
organic waste. In this article, we present detailed analyses of the social and
environmental impacts of the ISRN, with a view to impact mitigation and optimizing
production of recycled material products.
Key –word: Recyclyng plant, Garbage, Environmental Management, Impacts.
1
Bacharel em Direito, Especialista em Educação Ambiental e Pós Graduando em Gestão Ambiental
Administradora de Empresas, Especialista em Gestão de Responsabilidade Social e graduando em Gestão Ambiental
Engenheiro Agrícola, Especialista em segurança do trabalho e graduando em Gestão Ambiental
4
Engenheiro Agrônomo, Dr. Professor UCG/SENAI/CEFET-Goiás. [email protected]
2
3
2
1. INTRODUÇÃO
A palavra lixo sempre foi associada à sujeira, restos. Derivada do latim lix
(cinza), o lixo tecnicamente é conhecido como Resíduo Sólido Urbano (RSU). Se
até o começo da Revolução Industrial o lixo era composto basicamente de restos
e sobras de alimentos, a partir dessa era passou a ser identificado, também, por
todo e qualquer material descartado e rejeitado pela sociedade (Teixeira, 2004).
O desenvolvimento para o conforto e o bem-estar humanos produzido a partir
da Revolução Industrial levou à intensificação do material descartado,
ocasionando um aumento da quantidade de resíduos gerados e não utilizados
pelo Homem, muitos deles provocando a contaminação do meio ambiente e
riscos à saúde humana, basicamente nas áreas urbanas (Teixeira, 2004).
O crescimento das áreas urbanas não levou em consideração a necessidade
de adequação de locais específicos para depósito e tratamento dos resíduos
sólidos. No Brasil de hoje, por exemplo, estima-se que a produção anual de lixo
esteja em torno de 44 milhões de toneladas, sendo que a maior parte dos
resíduos recolhidos nos centros urbanos é simplesmente jogada sem qualquer
cuidado em depósitos existentes nas periferias das cidades. (Teixeira, 2004)
A miséria socioeconômica brasileira faz com que o lixo acabe se
transformando numa fonte de sustento para milhares de pessoas, adultos e
crianças, homens e mulheres. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a
Infância – UNICEF (2003), 45 mil crianças e adolescentes brasileiros vivem da
garimpagem do lixo. São filhos de famílias muito pobres que ajudam os pais a
catar embalagens plásticas, papéis, latinhas de alumínio, a separar vidros e
restos de comida. Essa triste constatação torna-se ainda pior pelo fato de que em
alguns lixões, mais de 30% das crianças em idade escolar nunca pisaram nas
salas de aula. (Teixeira, 2004)
Existem três opções tecnológicas básicas para a disposição adequada de
Resíduos:
aterros
sanitários,
reciclagem/compostagem
e
incineração,
destacamos a importância das unidades de reciclagem e compostagem. São
3
alternativas importantes todas as vezes que se verificarem a existência de
mercados para absorção de materiais recicláveis produzidos.
A falta de novas áreas para a implantação de aterros sanitários é um fator
que tem contribuído para a implementação de sistemas de reciclagem e
compostagem. Estudos apontam que as técnicas utilizadas pela compostagem
são capazes de reduzir à metade a massa de lixo processada e, num prazo de
60 a 90 dias, levar à obtenção de um composto orgânico para utilização na
agricultura sem causar danos ao meio ambiente.
Está claro que, lixo “não é lixo”, e que a reciclagem desses resíduos sólidos
podem gerar empregos e renda, além de proporcionar o reaproveitamento de
produtos para a fabricação de novos utensílios, o que representa diversos
benefícios ambientais.
Esta técnica vem sendo realizada em Goiânia pelo Instituto Dom Fernando,
através da Cooperativa de reciclagem – COOPREC, que tem por missão
contribuir com a construção da cidadania e a luta pela justiça social, por meio de
ações
sócio-educativas-culturais
e
ambientais
qualificadas,
visando
o
atendimento das necessidades básicas humanas da população que vive na
região leste do município de Goiânia, em situação de exclusão social.
Apesar da contribuição da usina de reciclagem ao meio ambiente, não se
descarta a geração de impactos ambientais durante a sua operação, que devem
ser avaliados, identificados, analisados a fim de se estabelecer medidas
mitigadoras.
Este estudo tem o objetivo de avaliar, de acordo com a Norma ISO 14001, os
impactos ambientais no Núcleo Industrial de Reciclagem, contribuindo para a
otimização do sistema de reciclagem.
4
2. BASES TEÓRICAS
2.1.
CONCEITOS
Buscou-se o desenvolvimento uniforme das seguintes definições e conceitos
referenciais para o estudo: aspecto ambiental, impacto ambiental, e medidas
mitigadoras.
Aspecto Ambiental: Elementos das atividades, produtos e ou serviços de uma
organização que pode interagir com o meio ambiente (Associação Brasileira de
Normas Técnicas - ABTN, 1996).
Impacto Ambiental: Qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e
biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia
resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente afetam a saúde, a
segurança e o bem estar da população, atividades sociais e econômicas, a biota,
as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente, a qualidade dos recursos
ambientais (Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA, 1986). Pode ser
também qualquer alteração no sistema ambiental físico, químico, biológico,
cultural e sócio-econômico que possa ser atribuído a atividades humanas relativas
às alternativas em estudo para satisfazer as necessidades de um projeto Cabral,
(1998).
Outra
forma
de
defini-lo
é
apresentando
pela
ABTN
(1996),
caracterinzando-o como qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou
benéfica, que resulte, no todo ou em parte, das atividades, produtos ou serviços
de uma organização. Este último parece adequar-se melhor a realidade.
Medidas Mitigadoras: Segundo (Moreira, 2004) Medidas mitigadoras são
aquelas que visam à minimização dos impactos adversos, compreendendo:
natureza das medidas preventivas ou corretivas; fases do empreendimento em
que serão aplicadas; fator ambiental a que se destinam (físico, biológico ou
antrópico); prazo de permanência de sua aplicação; e responsabilidade por sua
implantação. Para (Dashefsky, 1997) medidas mitigadoras ou minimizadoras são
aquelas capazes de diminuir ou potencializar os impactos, ou mesmo a sua
gravidade, não compensando danos. Portanto, são medidas que objetivam
5
minimizar os impactos de forma preventiva prevista na fase de planejamento do
projeto, podendo ser implantadas nas diferentes fases do mesmo.
3. REQUISITOS LEGAIS
É recomendado que a cooperativa estabeleça e mantenha procedimentos
para identificar, acessar e compreender os requisitos legais para ela subscritos,
diretamente aplicáveis aos aspectos ambientais das suas atividades e serviços.
Por tais razões, os projetos e programas que envolvam o gerenciamento dos
resíduos devem estar adequados às normas e às leis.
3.1. DIREITO AMBIENTAL INTERNACIONAL
- Resoluções, Declarações, Decisões. Assembléia-Geral das Nações Unidas
(Resoluções nº 2.994/XXVII e 2.996/XXVII, de 15 de dezembro de 1972 aprova a Conferência sobre o Meio Ambiente Humano, Estocolmo, de 16 de
junho de 1972.
- Resolução nº 3.281 (XXIX) da ONU - "Carta dos Direitos e Deveres
Econômicos dos Estados"- art. 3º - reitera os princípios de informação e
consulta prévia adotados pela Resolução 3.129 (XXVIII), e de "não causar
danos aos legítimos interesses de outros Estados".
- Resolução 37/7 da Assembléia-Geral das Nações Unidas, de 28.10.1982 aprova a "Carta Mundial da Natureza" - dispões sobre as Diretrizes e
Princípios de Direito Ambiental.
3.1.2. LEIS FEDERAIS E NORMAS
- Lei nº 6803, de 2 de julho de 1980, dispõe sobre as diretrizes básicas para o
Zoneamento
Industrial,
prevê
que
os
Estados
estabeleçam
leis
de
zoneamento, nas áreas críticas de poluição, que compatibilize as atividades
industriais com a proteção ambiental.
6
- Lei nº 6938, de 31 de agosto de 1981 - Dispõe sobre a Política Nacional do
Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação, e dá outras
providências.
- Art. 2 - dispõe que a Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivos a
preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental.
- Art. 14 § 3º - Princípio de Poluidor Pagador ou da Responsabilidade - "sem
obstar a aplicação da penalidades previstas neste artigo, é o poluidor
obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar
os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua
atividade".
- Lei nº 7347, de 24 de julho de 1985 - Disciplina a ação civil pública de
responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a
bens e direitos de valor artístico, histórico. turístico e paisagís tico, e dá outras
providências.
- Lei nº 5.357, de 17 de novembro de 1967 - estabelece penalidades para
embarcações e terminais marítimos ou fluviais que lançam detritos ou óleo em
águas brasileiras.
3.1.3. CONAMA - CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE
- Resolução Conama nº 1, de 23 de janeiro de 1986 - Define Impacto Ambiental,
Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental e demais
disposições gerais.
- Resolução Conama nº 1-A, de 23 de janeiro de 1986 - Estabelece normas ao
transporte de produtos perigosos que circulem próximos a áreas densamente
povoadas, de proteção de mananciais e do ambiente natural.
- Resolução Conama nº 6, de 15 de junho de 1988 - No processo de
Licenciamento ambiental de Atividades Industriais os resíduos gerados e/ou
existentes deverão ser objetos de controle específico.
- Resolução Conama nº5, de 5 de agosto de 1993 - Resíduos Sólidos - definição
de normas mínimas para tratamento de resíduos sólidos oriundos de serviços de
7
saúde portos e aeroportos bem como a necessidade de estender tais exigências
aos terminais ferroviários e rodoviários.
- Resolução Conama nº 6, de 31 de agosto de 1993 - Resíduos Sólidos: óleos
lubrificantes.
- Resolução Conama nº 9, de 31 de agosto de 1993 - Define os diversos óleos
lubrificantes, sua reciclagem, combustão e seu refino, prescreve diretrizes para
a sua produção e comercialização e proíbe o descarte de óleos usados onde
possam ser prejudiciais ao meio ambiente.
3.1.4. ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - GERAIS
NBR 10.004 - Resíduos Sólidos - Classificação
NBR 10.005 - Lixiviação de Resíduos Procedimento
NBR 10.006 - Solubilização de resíduos - Procedimentos
NBR 10.007 - Amostragem de resíduos - Procedimentos
Aterros Sanitários/Industriais
NBR 10157 - Aterros de Resíduos Perigosos - Critérios para Projeto,
Construção e Operação.
Esta norma fixa as condições mínimas exigíveis para projetos e operação de
aterros de resíduos perigosos, de forma a proteger adequadamente as
coleções hídricas superficiais e subterrâneas próximas, bem como os
operadores destas instalações e populações vizinhas.
NBR 8418 - Apresentação de projetos de aterros de resíduos industriais
perigosos.
NBR 8419 - Apresentação de Projetos de Aterros Sanitários de Resíduos
Urbanos.
Tratamentos de Resíduos
NB 1265/ NBR 11175 - Dezembro/89 Incineração de resíduos sólidos perigosos
- Padrões de desempenho. Esta norma fixa as condições exigíveis de
desempenho do equipamento para incineração de resíduos sólidos perigosos
8
exceto
aqueles
assim
classificados
apenas
por
patogeneidade
ou
inflamabilidade.
Armazenamento/Transporte
NB 1183 - Novembro/88 - Armazenamento de Resíduos Sólidos Perigosos.
NB 98 - Armazenamento e Manuseio de Líquidos inflamáveis e Combustíveis.
NBR 7505 - Armazenamento de Petróleo e seus Derivados Líquidos.
NB 1264 - Armazenamento de Resíduos Classe II - Não Inerte e III - Inertes
NBR 7500 - Transporte de Cargas Perigosas - Simbologia Diversas
NBR 9897 - Planejamento de Amostragem de Efluentes Líquidos e Corpos
Receptores
NBR 12807 - Resíduos de Serviços de Saúde - Terminologia
NBR 12809 - Manuseio de Resíduos de serviços de Saúde
NBR 12810 - Coleta de Resíduos de Serviços de Saúde
3.1.5. LEIS ESTADUAIS
Constituição do Estado de Goiás
Art. 127 do Capítulo V - trata da Proteção dos Recursos Naturais e da
Preservação do Meio Ambiente, podemos verificar que os dizeres são os
mesmos da Constituição da Republica Federativa do Brasil, com a diferença do
acréscimo de um item que por sinal é de muita importância. Segundo o art. 127
cabe ao Poder Público e à coletividade o dever de recuperação do meio
ambiente, além de defendê-lo e preservá-lo como é colocado no art. 225 da
Constituição Federal.
Decreto Nº 14.250 de junho/81 - Regulamenta dispositivos da Lei Nº 5.793 de
outubro/80, referentes à proteção e a melhoria da qualidade ambiental.
9
Capítulo II - Seção II - Da Proteção do Solo e do Controle dos Resíduos
Sólidos
- Art. 21 - O solo somente poderá ser utilizado para destino final de resíduos
de qualquer natureza, desde que sua disposição seja feita de forma adequada,
estabelecida em projetos específicos, ficando vedada a simples descarga ou
depósito, seja em propriedade pública ou particular.
- Art. 22 - Os resíduos de qualquer natureza, portadores de patogênicos ou
de alta toxidade, bem como inflamáveis, explosivos, radioativos e outros
prejudiciais, deverão sofrer, antes de sua disposição final no solo, tratamento
e/ou acondicionamento adequados fixados em projetos específicos, que atendam
os requisitos de proteção à saúde pública e ao meio ambiente.
- Art. 24 - o tratamento, quando for o caso, o transporte e a disposição de
resíduos de qualquer natureza de estabelecimentos industriais, comerciais e de
prestação de serviços quando não forem de responsabilidade de Município,
deverão ser feitos pela própria empresa e as suas custas.
Parágrafo 1 - A execução, pelo município, dos serviços mencionados neste artigo,
não exime a responsabilidade da empresa, quanto a eventual transgressão de
dispositivos deste Regulamento.
Capitulo II – Seção III da Proteção Atmosférica
- Art. 25 - É proibida a queima ao ar livre de resíduos sólidos, líquidos ou de
qualquer outro material combustível, desde que cause degradação da qualidade
ambiental, na forma estabelecida no artigo 3.
- Art. 26 - É proibida a instalação e o funcionamento de incineradores domiciliares,
prediais e industriais, de qualquer tipo, exceto os incineradores hospitalares e
congêneres.
Capítulo II - Seção IV Do Controle de Sons e Ruídos
- Art. 35 - A emissão de ruídos e sons produzidos por veículos automotores e os
produzidos no interior dos ambientes de trabalho, obedecerão às normas
expedidas, respectivamente, pelo Conselho Nacional de trânsito - CONTRAM e
pelo Ministério do Trabalho.
10
4. HISTÓRICO
Em 1995, a Sociedade Goiana de Cultura – SGC, face civil da Arquidiocese
de Goiânia, criou o Instituto Dom Fernando – IDF, uma instituição sem fins
lucrativos, com a missão de contribuir com a construção da cidadania e com o
desenvolvimento sócio-ambiental dentro de uma perspectiva sustentável.
Um ano depois de seu surgimento, o IDF implantou o Projeto Meia Ponte nos
bairros Jd. Dom Fernando I e II, Jd. das Aroeiras I e II e Jd. Conquista.
Historicamente, o Projeto tem essa denominação por localizar-se na região
próxima ao Rio Meia Ponte, ou seja, na região leste do município de Goiânia.
Seu propósito é sempre lembrado através da metáfora que consiste na
construção da “Ponte da Cidadania”, onde através de uma ponte simbólica, de
um lado sendo construída pelo IDF e do outro pela comunidade, abriria
passagem para uma sociedade mais justa, mais solidária e mais democrática,
com a geração de trabalho e renda; recuperação do meio ambiente; educação e
saúde; resgate de culturas dos moradores; proteção à criança e ao adolescente e
contribuir para o acesso à justiça.
A partir disso, foram criados os Projetos:
•
Centro de Arte Educação e cultura Escola de Circo;
•
Centro de Educação Profissional Dom Fernando;
•
Horto de Plantas medicinais;
•
Núcleo de Educação Ambiental;
•
Núcleo Industrial de Reciclagem.
O Núcleo Industrial de Reciclagem (NIR) constitui-se, em uma Usina de
reciclagem de lixo, unidade que surgiu na perspectiva de atender às diversas
demandas sócio ambiental e como alternativa para a geração de trabalho e
renda, nas comunidades que integram a região leste de Goiânia. Buscando o
desenvolvimento
sócio-ambiental
sustentável
e
sensibilizando
para
a
conservação do meio ambiente, o NIR estruturou suas unidades de produção a
11
partir da implantação da coleta seletiva e reciclagem do lixo: papel, plástico e
matéria orgânica.
A materialização das ações do NIR e a operacionalização de seus
equipamentos são efetivadas por uma Cooperativa de trabalho, portanto uma
Cooperativa de Reciclagem de Lixo - COOPREC. Criada em 1998, com forma e
natureza jurídica própria, a COOPREC é constituída atualmente por 30 (trinta)
cooperados homens e mulheres, que nela tem uma alternativa de trabalho e
renda.
Através do NIR a COOPREC coleta e recicla resíduos sólidos para a
fabricação de telhas fibro asfálticas, grânulos e húmus, produtos que quando
reciclados, estão prontos para a comercialização. Esta iniciativa tornou-se
referência nacional, devido ao seu trabalho social e ambiental.
É sabido que desde a implantação do projeto, o índice de adesão da
população atingiu níveis altamente satisfatórios de eficiência na separação dos
resíduos, conforme, verifica-se nos bairros Jardim Dom Fernando II e Jardim
Conquista (fig.1). Porém quando se trata da verificação global, compreendendo
os cinco bairros5 os índices caem para menos de 5% de separação dos resíduos
sólidos coletados.
A COOPREC é gerida de acordo com os princípios do associativismo, ou
seja, adesão voluntária e livre, gestão democrática pelos membros, autonomia e
independência, formação, intercooperação, interesse pela comunidade, alem de
serem todos responsáveis pelas despesas com direito de participar do rateio das
sobras solidariamente.
Um dos requisitos para integrar a COOPREC é residir em um dos cinco
bairros atendidos pelo instituto Dom Fernando, quais sejam, Jd. D. Fernando I e
II, Jd. Aroeiras I e II e Jd. Conquista.
5
os bairros de atuação do IDF são: Jardim Dom Fernando I e II, Aroeiras I e II e Jardim Conquista.
12
Figura 1- Adesão a coleta Seletiva de resíduo sólidos na região leste de
Goiânia na área de atuação da COOPREC.
Sim(22%)
Não(78%)
NEA, Pesquisa de Campo, realizada em Dezembro de 2002
no bairro Jardim Conquista e Jardim .Dom Fernando I
5. PROCESSOS
5.1.
COLETA
O processo inicia-se com a coleta do
lixo
é
feita
pela
cooperativa
de
reciclagem no período da manhã, já
previamente
separado
pela
comunidade.
5.2. RECEPÇÃO E PESAGEM
Os caminhões são pesados cheios e vazios ao
entrar e sair da usina. Após a pesagem o
material é lançado na rampa receptora.
13
5.3. UNIDADE DE TRIAGEM E SEPARAÇÃO
O
lixo
é
coletado
da
moega
levado
manualmente para a mesa separadora onde é
feita a separação dos materiais (plástico,
papel, metais e
outros). Após a
separação
o
papel
é
direcionado para a unidade de processamento.
O plástico tipo polietileno de baixa densidade é
direcionado para a unidade de processamento de plástico, os demais tipos de
plástico e metais são vendidos para outros recicladores.
5.4.PROCESSAMENTO DE PLÁSTICO
O plástico a ser utilizado para a reciclagem é armazenado em um container, e
retirado de acordo com a necessidade de produção,
na próxima etapa é colocado no triturador que
automaticamente transfere o material para um
tanque onde é lavado e triturado. Logo após é
soprado para a retirada do excesso de umidade. Em
seguida o material é colocado manualmente na
aglutinadora, onde é aquecido e transformado em
pequenos pedaços, denominado de aglutinado, que
é transferido para a extrusora. O atrito dos
fragmentos
contra
a
parede
do
equipamento rotativo provoca elevação da
temperatura, levando à formação de uma
massa plástica. A extrusora funde e torna a
massa plástica homogênea. Na saída da
extrusora, encontra-se o cabeçote, do qual sai um espaguete continuo, que é
resfriado com água. Em seguida, o espaguete é picotado em um granulador e
14
transformado
em
pellet
aglutinador
também é utilizado para incorporação de
aditivos – como cargas, pigmentos onde
é fundido e originado os filetes com
extensão de aproximadamente 3 metros,
passando por um canalete onde sofre
choque térmico, para resfriamento e
enrijecimento. Finalizando o processo os filetes são picotados resultando nos
grânulos.
5.5.
PROCESSAMENTO DO PAPEL
O processo tem inicio com a retirada
de
grampos
metálicos
e
fitas
adesivas, logo após é colocado no
moinho onde é triturado e mergulhado
em água e transformado em uma
massa de papel, de onde é transferido
para um tanque de deposito que
mantém a massa em agitação para
que
essa
massa
se
mantenha
homogênea, em seguida é transferida e distribuída em uma esteira rolante de
onde são formadas e cortadas as mantas (papel moído e prensado). As
mantas são transferidas manualmente
para o pátio a céu aberto, onde são
colocadas nos estrados (moldes) para
ondulação
e
aproximadamente
secagem,
três
dias.
por
Após
a
secagem as telhas são refiladas (as
bordas são aparadas) e bandadas com
betume para impermeabilização.
5.6.
UNIDADE DE PRODUÇÃO DO HÚMUS
O material orgânico na usina de reciclagem é disposto no primeiro canteiro,
onde permanece por sessenta dias, neste período é revolvido e molhado
15
diariamente. As variações de temperatura variam de 65º a 35ºC. Em seguida o
material é removido para outro canteiro quando então são colocadas as
minhocas, as quais irão processar o material orgânico e transforma-lo em
composto orgânico. Numa fase seguinte as minhocas são retiradas e o
material segue para o terceiro canteiro, para o processo de secagem. Depois
de seco, será peneirado para que sejam retirados os rejeitos. Por fim o húmus
é ensacado e destinado à venda
16
Recepção
Triagem e Separação
MATERIAL
PLÁSTICO
Armazenado
Papel
Retirada de
grampos e fitas
Material rejeitado
Vendido a
outros
recicladores
Enviado ao
aterro
sanitário
Triturado
Lavado
Soprado para
secagem
Aquecido e
aglutinado
Aquecido e
Fundido
Resfriado e
enrijecido
Picotado e
transformado
em grânulos
Triturado e
mergulhado em
água
Tanque de
Agitação
Esteira rolante
Corte
Manta
Forma e
secagem
Bordas
aparadas
Impermeabilização
Figura 2 – Fluxograma do processo de papel, plástico e material
rejeitado no NIR – Núcleo Industrial de Reciclagem
17
6. METODOLOGIA
O trabalho foi desenvolvido utilizando pesquisas em diversas fontes, sempre
com a preocupação central de se fazer análise qualitativa, de acordo com
Roesch (1999, p.33) que cita que a pesquisa qualitativa parte da perspectiva de
que o mundo e a realidade não são objetivos exteriores ao homem, mas
socialmente construídos e recebem um significado a partir do homem.
Foram realizadas entrevistas com técnicos e cooperados que trabalham no
local, para fornecimento de informações de todas as rotinas desenvolvidas nos
processos de produção.
Realizou-se um levantamento qualitativo dos aspectos e impactos ambientais
do Núcleo de industrialização de Reciclagem através de observações e
reconhecimento durante visita técnica.
Utilizou-se o método de “GUT” que multiplica os valores de Gravidade x
Urgência x Tendência para priorizar os impactos ambientais e auxiliar nas ações
mitigadoras., onde:
TENDENCIA
(PROBABILIDADE)
GxUxT
Representam riscos de altos
custos para a correção do
impacto ambiental e imagem
extremamente
danificada
organização
Representa alta probabilidade
de ocorrência do impacto
ambienta!. É esperado que
ocorra ao menos um vez
durante a vida útil das
instalações.
27
2
Os prejuízos são muito
graves,
implicando
em
problemas para as políticas
da
organização
e
o
atendimento dos objetivos e
metas.
Representam
riscos
de
moderados
custos
para
correção do impacto ambiental
e imagem muito danificada da
organização
Representa
moderada
probabilidade de ocorrência do
impacto ambienta!. É provável
que ocorra ao menos uma vez
durante a vida útil das
instalações .
8
1
Os prejuízos são graves,
porém não impedem o
atendimento dos objetivos e
metas da organização e não
representam
o
descumprimento das suas
políticas.
Representa
riscos
de
pequenos
custos
para
correção
do
impacto
ambiental e pequeno dano na
imagem da organização.
Representa
pequena
ou
remota
probabilidade
de
ocorrência
do
impacto
ambienta!. É improvável que
ocorra ao menos uma vez
durante a vida útil das
instalações.
1
NOTA
GRAVIDADE (SEVERIDADE)
3
OS prejuízos ou dificuldades
são extremamente graves,
comprometendo a integridade
física, saúde e a própria vida
das pessoas, bem como a
capacidade operacional da
organização.
URGENCIA (RISCOS)
Santos, 2002
- Gravidade diz respeito à severidade do impacto ambiental ou gravidade
intrínseca,
18
- Urgência refere-se aos riscos quanto aos custos para correção do impacto
ambiental, bem como ao efeito gerado na imagem da organização e
- Tendência diz respeito à probabilidade de ocorrência do impacto ambiental
durante a vida útil das instalações da organização
Elaborarou-se a matriz de interação de atividades, aspectos, fatores
ambientais do NIR, identificando os impactos positivos e negativos.
Em um trabalho acadêmico a materialização de tais observações somadas a
uma criteriosa atividade de pesquisa bibliográfica, das resoluções do CONAMA,
da Norma ISO 14001, documentações do IDF, visitas e entrevistas, está
fundamentada na convicção de que a produção do cientista social não pode se
prender apenas a interpretação de séries numéricas e históricas, mesmo que
elaboradas
com
impecável
rigor
metodológico,
mas
principalmente
na
diversidade de interpretações das vivências experimentadas pelas pessoas que,
ao longo do tempo, vão se transformando em atores de uma história de sucessos
e de fracassos.
19
7. RESULTADO E DISCUSSÃO
Das observações identificaram-se as principais atividades e processos e seus
respectivos aspectos e impactos ambientais, conforme Tabela 1:
Tabela 01 – Atividades, aspectos e impactos ambientais da Usina de Reciclagem
Dom Fernando, Goiânia, Goiás.
Processo
Coleta
Recepção
Triagem
Atividade
Coleta de Lixo nas
residências e captação de
material em outros
estabelecimentos
Descarregamento do
Caminhão
Separação
Lavagem do plástico
Aspectos Ambientais
Acidente
Exalação de Odores
Impacto Ambiental
Lesão do cooperado
Desconforto olfativo para o cooperado
Ruído do caminhão
Perda auditiva pelo Cooperado
Resíduo liquido
Trituração
Poluição Visual
Exalação de Odores
Desconforto para o cooperado
Ruído do caminhão
Perda auditiva pelo cooperado
Acidente
Lesão do cooperado
Exalação de odores
Desconforto para o cooperado
Resíduos
Contaminação do cooperado
Alto consumo de água e
energia
Redução do nível de água no
reservatório da cidade
Aumento da geração de energia
Aumento de efluente na lagoa de
tratamento
Ruído
Perda de Calor
Centrifugação
Processamento
de Papel
Contaminação do Solo
Amontoado de Lixo
Geração de efluentes
Processamento
de Plástico
Contaminação do Cooperado
Perda auditiva
Desconforto ao cooperado
Aumento do consumo de energia
Ruído
Perda auditiva
Armazenamento
Arranjo Físico
Poluição Visual
Agitação
Geração de efluentes
Aumento de efluente na lagoa de
tratamento
Substancia Química
Contaminação do Ar;
Danos a saúde do Cooperado.
Uso de produtos químicos
Gases e vapores
Exalação de Odores
Desconforto para o Cooperado
Resíduo liquido
Contaminação do solo
Tratamento
Criação de minhoca
Geração do Húmus
Tratamento
Lona Furada
Contaminação do solo e água
Recepção do material
Compostagem
Tratamento de
Efluentes
Pode-se observar que nas etapas do processo de coleta, recepção e triagem
o cooperado, pertencente ao meio antrópico, é o mais afetado dos integrantes do
20
meio ambiente, principalmente nos aspectos de acidentes, ruído e exalação de
odores.
Na coleta, que é realizada em caminhões basculantes, durante 4 horas
diárias em média, um cooperado fica na caçamba e dois outros arremessam os
resíduos que se encontram dentro de sacos plásticos nas calçadas, podendo
ocorrer acidentes, como cortes devido a cacos de vidros ou laminas metálicas, no
momento da coleta e do arremesso , contaminações biológicas devido a resíduos
orgânicos que possam estar presentes nos materiais recicláveis ou ainda devido
à queda durante o percurso tanto do cooperado que fica na caçamba quanto dos
que ficam no solo. Os sacos que contém os resíduos não são vedados
hermeticamente podendo exalar odores durante a coleta, causando desconforto.
Devido a proximidade dos cooperados com o caminhão o ruído gerado deste
pode provocar perda auditiva.
Na recepção não acontece o contato dos cooperados com os resíduos, pois o
descarregamento é realizado pelo tombamento da caçamba do caminhão, porém
podem ocorrer perda auditiva nos cooperados devido ao ruído do caminhão,
desconforto devido à exalação de odores pelos motivos acima comentados e
poluição visual.
Na triagem o trabalho é realizado manualmente envolvendo um numero maior
de cooperados. Devido ao contato podem ocorrer acidentes devido a cortes e
contaminação biológica pelos mesmos fatores da coleta, além da exalação de
odores.
No processamento do plástico o impacto maior no cooperado é a perda
auditiva nas etapas de trituração e centrifugação, além da geração de calor na
etapa de centrifugação que causa desconforto térmico e a poluição visual em
função do armazenamento inadequado.
No processamento de papel a etapa de impermeabilização pode gerar
contaminação nos cooperados devido ao contato ou através de gases e vapores
uma vez que são utilizadas substâncias voláteis.
21
O processo de compostagem gera o desconforto em função dos odores
exalados.
Outro integrante do meio ambiente afetado é o meio físico, ou seja, a água o
ar e o solo.
A etapa de lavagem do plástico gera impactos na água devido ao consumo e
geração de efluentes, assim como no processamento do papel, na etapa de
agitação, que utiliza água para a formação de massa, sendo o excesso escoado
como efluente. No tratamento de efluentes pode ocorrer vazamento contaminado
a água.
O ar é afetado principalmente no processamento de papel, pela emissão de
gases e vapores no tratamento químico com o uso de betume durante a
impermeabilização
Nas etapas de coleta e compostagem a presença de resíduos líquidos
juntamente com o material reciclável pode provocar a contaminação do solo, o
que também pode ser gerado pelo tratamento de efluentes caso haja vazamento.
A geração de húmus durante a etapa de tratamento da compostagem gera
um impacto no solo positivo em função da produção de adubo orgânico que será
utilizado em substituição aos adubos químicos que geram impactos negativos.
Na tabela 2 encontram-se os resultados da prioridade dos impactos,
auxiliando na tomada de decisão para solucionar os problemas.
22
Tabela 02 – Matriz de interação de atividades, aspectos e impactos ambientais na usina de reciclagem de lixo – Instituto Dom
Fernando.
Alto consumo de água
e energia
Amontoado de Lixo
Uso do
solo
Uso da
Água
Interferências
Melhoria
de
qualidade
de Vida
Saúde
Interferências
População
Doença
Habitat e
Comunidad
es
Acidente no
trabalho
Solo
Interferências
Meio Antrópico
Contaminação
Nível de
Particulados
Contaminação
Ar
Nível de
Ruído
Água
Contaminação
Aspectos / Atividade
Meio
Biótico
Meio Físico
Melhoria de
Indicadores
Fatores Ambientais
-
-
Arranjo Físico
Calor
+
+
Coleta de lixo
Criação de minhoca
Emissão de gases e
vapores Químicos
Exalação de Odores
Geração de efluentes
-
Lona Furada
Resíduo liquido
+
-
-
-
+
Limpeza do setor
Lixiviação do resíduo
+
-
Ruído
Característica de Valor
Positivo
Negativo
+
-
+
-
-
-
-
-
-
23
Tabela 03 – Priorização dos Impactos Ambientais na Usina de Reciclagem do Instituto Dom Fernando, Goiânia, Goiás.
Gravidade
(Severidade)
Urgência
(Riscos)
Tendência
(Probabilidade)
Nota
Prioridade
Acidente
3
2
1
6
5
Contaminação do Solo
2
2
1
4
6
Desconforto olfativo para o Cooperado
1
1
2
2
8
Desconforto para o cooperado
2
2
3
12
3
Perda auditiva pelo cooperado
3
1
1
3
7
Poluição Visual
1
3
3
9
4
Lesão no cooperado
3
1
1
3
7
Desconforto olfativo para o cooperado
2
3
3
18
2
Aumento da geração de energia
Redução do nível de água no reservatório da
cidade
Desconforto térmico para o cooperado
3
3
3
27
1
3
3
3
27
1
3
3
3
27
1
Perda auditiva
3
3
3
27
1
Poluição Visual
1
1
3
3
7
Contaminação do Ar.
3
3
3
27
1
Danos a saúde do Cooperado
3
3
3
27
1
Contaminação do solo
3
3
3
27
1
Desconforto para o Cooperado
1
2
1
2
8
3
2
3
12
3
Processo
Coleta
Recepção
Triagem
Processamento de
Plástico
Processamento Papel
Compostagem
Impacto Ambiental
Geração do Húmus
Tratamento de Efluentes
Contaminação do solo e água
24
A tabela 3 mostra a priorização dos impactos ambientais segundo o método
GUT, mostrando que o processamento de plástico e de papel e a compostagem
são os processos que requerem ações mitigadoras prioritárias para minimização
dos impactos da usina de reciclagem , seguido da triagem, tratamento de
efluentes , recepção e coleta
Sugere-se no processamento de plástico a verificação do sistema elétrico
para avaliar possível redimensionamento dos motores e fiação reduzindo o gasto
de energia, a implantação de sistema de reciclagem de água, isolamento térmico
das paredes externas da centrifuga reduzindo o desconforto térmico e a
avaliação quantitativa de ruídos para adequação do protetor auricular adequado
e uso continuo deste além da organização do material
a ser reciclado
minimizando a poluição visual.
No processamento de papel instalações de filtros na chaminé no tanque de
betume e o uso de mascara, luvas ou creme de proteção de pele pelos
cooperados.
Na compostagem a canalização do chorume para o tratamento de efluentes e
o uso de mascaras adequadas pelos cooperados seriam ações mitigadoras
sugeridas.
Na triagem o uso de mascaras adequadas e a redução no tempo de processo
minimizaria o desconforto olfativo. A lesão dos cooperados pode ser evitada com
o uso de luvas de material resistente a cortes.
Na recepção o uso de mascara e protetor auditivo, ou seja, EPI Equipamento de Proteção Individual - adequado, organização do material e a
redução do tempo de permanência do material no local reduziriam os impactos.
No tratamento de efluentes a monitorização da integridade da lona.
Na coleta o uso de mascaras e luvas adequadas bem como o treinamento e
conscientização dos cooperados minimizariam a possibilidade de acidentes.
25
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O lixo doméstico tem sua coleta extremamente onerosa, alem de exigências
e multas dos órgãos destinados à preservação do meio ambiente, resistência dos
municípios vizinhos às grandes cidades em ceder terrenos para novos aterros
sanitários, procura de restos de comida entre os detritos por pessoas carentes,
proliferação de ratos, insetos, enfim uma série de problemas que precisam
urgentemente ser resolvido, assim a usina de reciclagem tem grande importância
na redução de aspectos e impactos ambientais no município, porém tem
repercussões locais que envolvem o solo, água, ar e o homem.
Dentre estes impactos ambientais podemos citar como negativos o
desconforto olfativo e térmico, perda auditiva, poluição visual, lesões e acidentes
no cooperado, contaminação biológica do solo e da água, contaminação química
do ar, aumento da geração de energia e redução do nível de água. Como
impacto positivo podem ser citadas a geração de húmus e a redução do resíduo
no meio ambiente .
As ações mitigadoras dos impactos negativos da usina de reciclagem são
exeqüíveis não necessitando de investimentos vultuosos exigindo na maior parte
apenas o estabelecimento de procedimentos, capacitação dos cooperados e o
monitoramento
Para maior otimização da produção de telhas sugere-se que seja instalada
uma estufa para a secagem das telhas durante o período das chuvas, uma vez
que este processo é interrompido em períodos chuvosos.
É conveniente observarmos que antes mesmo da produção do lixo muito
podemos fazer para evitar ou minimizar suas conseqüências negativas.
Eliminando o desperdício e buscando consumir somente o que for necessário
podemos gerar um impacto positivo bastante significativo.
26
8. REFERÊNCIAS
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Ambiental: especificações e diretrizes para o uso. Série ISO 14.000. Rio de
Janeiro, 1996.
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da Agenda 21. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
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em: http://www.faep.com.br/legislacao/RESOLUÇÃO/CONAMA. Acesso 02 de
junho de 2004.
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DEMING, W. E. Qualidade, a revolução da administração. São Paulo: Saraiva,
1990
FACHIN, O Fundamentos de Metodologia. São Paulo, Editora Atlas, 1993, 153p
FRANCO, A. Porque Precisamos de Desenvolvimento Local Integrado e
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indicadores sobre crianças e adolescentes – http://www.unicef.org.brazil – acesso
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MOREIRA, S.M. Passivo Ambiental o Conceito em Debate. Revista Banas
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maio/2004.
27
Núcleo de Educação Ambiental – NEA, Pesquisa de Campo, realizada em
dezembro 2002, no bairro Jardim Conquista e Jardim Dom Fernando
PLANETA ORGÂNICO – Disp.<http:// www. Planetaorganico .com.br desenvs
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ROESCH, S. M. A. Projetos de Estágio e de Pesquisa em Administração: guias
para estágios, trabalhos de conclusão, dissertações e estudo de casos. 2.ed. São
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TEIXEIRA, A.C. : Lixo ou rejeitos reaproveitáveis? Revista Eco 21, ano XIV, ed.
87 – fevereiro 2004
VAZ, A. P. R, PEREIRA, A. R, LEAL. C. P. DUCATI, M.L. Projeto de Implantação
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Domésticos, ETE Lajes – Aparecida de Goiânia, Goiânia. SENAI/UCG, 2003.
(Especialização em Gestão Ambiental – Processos Gerenciais).
Download

AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS NO NÚCLEO