ARTIGO
TÉCNICO
Capacitação de Equipes de Operação, Lubrificação
e Almoxarifado em Motores Elétricos*
* Artigo apresentado no 23º Congresso Brasileiro de Manutenção, Santos 2008 – Abraman
Edson Ribeiro de Santana
Flaviano Santiago De Carvalho
RESUMO
As equipes de operação, lubrificação e almoxarifado são elos importantíssimos na cadeia de
confiabilidade dos equipamentos. Contudo, os treinamentos às mesmas não conseguem, de
uma forma geral, capacitá-los com uma visão crítica e efetiva quanto as reais necessidades da
manutenção. Se considerarmos motores elétricos, esta situação é ainda mais crítica, pois a
formação básica de um lubrificador, a formação em outra área do operador e a pouca formação
do profissional de almoxarifado lhes traduzem motores elétricos normalmente como simples
“caixas pretas”. Assim, suas rotinas de trabalho podem comprometer seriamente estes
equipamentos sem que os mesmos tenham noção do problema.
Com a experiência obtida nos trabalhos de campo observamos em muitos casos que um dos
focos principais de atuação para obtenção da confiabilidade em motores elétricos é justamente
a atuação sobre as equipes de operação, lubrificação e almoxarifado. Estas, em primeiro lugar
necessitam ter desmistificado o equipamento e a seguir conhecer as boas práticas para seu
trabalho.
Mostramos como procuramos atingir estes objetivos com o desenvolvimento de um treinamento
que apresenta de forma simples e direta o motor elétrico. Este treinamento consta de um
software 3D reproduzindo a tecnologia/ princípio de um motor elétrico e simula os vários
problemas que podem ser introduzidos nos motores elétricos devido aos desvios ocorridos nas
rotinas de operação, armazenamento e lubrificação. Também são apresentados exemplos
práticos/ cases observados no campo.
INTRODUÇÃO
As equipes de operação, lubrificação e almoxarifado, elos importantíssimos na cadeia de
confiabilidade dos equipamentos, em geral não possuem uma capacitação que lhes dê uma
visão crítica detalhada de sua operação e a interferência que alguns processos podem causar
para os equipamentos.
Assim, suas rotinas de trabalho podem comprometer seriamente os motores elétricos sem que
os mesmos tenham noção do problema.
Com este trabalho procuramos atingir todas as equipes de lubrificação, operação e
almoxarifado com um treinamento que apresenta o motor elétrico de forma simples e direta.
Este treinamento consta de um software 3D reproduzindo a tecnologia/princípio de um motor
elétrico e simula os vários problemas que podem ser introduzidos nos motores elétricos devido
aos desvios ocorridos nas rotinas de operação, armazenamento e lubrificação.
WMO012.00 - Fevereiro/2010
ARTIGO
TÉCNICO
OBJETIVO
Capacitar as Equipes de Operação, Lubrificação e Almoxarifado em Motores Elétricos,
utilizando recursos áudios-visuais em três dimensões.
APRENDIZADO
Cada pessoa cria em sua mente um conjunto de idéias que mobilizam o processo de
aprendizagem, e este processo pode ser de baixo ou alto grau de assimilação. Em outras
palavras, cada pessoa aprende a seu modo, estilo e ritmo. São quatro categorias que
representam os estilos de aprendizagem:




Visual: aprendizagem centrada na visualização;
Auditiva: centrada na audição;
Leitura/Escrita: aprendizagem através de textos;
Ativa: aprendizagem através do fazer.
Atualmente o método convencional de ensino não esta conseguindo dar um grau de
assimilação aos alunos, busca-se novos métodos de didática, pois sabe-se que depois de três
dias, a pessoa comum recorda muito pouco do que aprendeu.
Em uma pesquisa realizada pela Universidade do Texas apresenta o quanto uma pessoa
comum recorda após três dias:
- 10% daquilo que leram;
- 20% daquilo que ouviram;
- 30% daquilo que viram;
- 50% daquilo que ouviram e viram;
- 70% daquilo que disseram;
- 90% daquilo que disseram e fizeram.
Com a montagem dos 10 módulos de animação em 3D das falhas do motor elétricos
pretendemos que todos os alunos que passem pelos nossos treinamentos tenham um grau de
assimilação muito mais elevado, e a fixação dos treinamentos fiquem por muito tempo em suas
mentes, por utilizar recursos visuais em 3 dimensões junto com o áudio.
DESENVOLVIMENTO
Atualmente todos os treinamentos realizados dependem muito de materiais didáticos para
melhor entendimento dos alunos. Com os módulos montados para visualização dos defeitos
em 3D juntamente com recurso auditivo, houve uma grande facilitação para os instrutores e
muito mais para os alunos entenderem como é o funcionamento do motor elétrico e também
como ocorrem as falhas. Os módulos montados também mostram com detalhes como as
equipes de operação, lubrificação e almoxarifado podem interferir no desempenho do motor
reduzindo drasticamente a vida útil e provocando falhas prematuras.
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TÉCNICO
Foram montados 10 (dez) módulos com animações [1]:
1.
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10.
Motor elétrico;
Confiabilidade do estoque;
Mau armazenamento;
Falta de fase;
Sobrecarga;
Partidas sucessivas;
Falta de ventilação;
Entrada de água no motor;
Falta de lubrificação;
Excesso de lubrificação.
MOTOR ELÉTRICO
O motor elétrico tornou-se um dos mais notórios inventos do homem ao longo do seu
desenvolvimento tecnológico. Máquina de construção simples, custo reduzido, versátil e não
poluente. Conhecer os princípios de funcionamento, construção e seleção dos motores
elétricos, torna-se essencial para que este continue a desempenhar um papel relevante nos
dias atuais.
As equipes de compras e manutenção devem estar atentas na compra destes equipamentos
porque no mercado atual existem inúmeros fabricantes e muitos não se atentam a solução
adequada para a aplicação.
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CONFIABILIDADE DE ESTOQUE
Para um perfeito armazenamento do motor, é necessário que sejam realizadas a limpeza e o
giro do eixo e ter fácil acesso à caixa de ligação. Um distanciamento mínimo entre os motores
permite a realização dessas tarefas, além de evitar o contato entre os equipamentos.
Ambientes úmidos podem causar corrosão interna, danificar os rolamentos e prejudicar o
isolamento do bobinado.
Os rolamentos, em especial os de rolos e contato angular, podem ser danificados durante a
movimentação dos motores. Para evitar esse problema, o eixo deve ser travado axialmente,
utilizando o dispositivo adequado.
As boas práticas de armazenamento garantem que os motores estejam aptos a atender
imediatamente às necessidades da planta.
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MAU ARMAZENAMENTO
O contato entre os motores pode danificar seu eixo, tampa defletora, ventilador e pintura,
facilitando a ação da corrosão.
Superfícies usinadas sem proteção são danificadas pela ação da umidade contida no ar.
O travamento do eixo pode ocorrer por descuidos com a conservação dos rolamentos.
A entrada de contaminantes sólidos ou líquidos no interior do motor pode danificá-lo, causando
arraste do rotor com o estator, deterioração do isolamento, corrosão e até mesmo a queima
imediata do bobinado quando o motor for ligado.
Estocar o motor armazenado em sua embalagem e com o eixo travado dificulta sua
identificação e impossibilita práticas simples de conservação, como limpeza, aplicação de
protetivo contra corrosão e giro preventivo do eixo.
A resistência de aquecimento nunca deve permanecer desenergizada quando o motor estiver
fora de operação ou no estoque, do contrário, a água proveniente da umidade do ar pode
comprometer o isolamento do motor.
Armazenar motores em pallets ou prateleiras danificadas é perigoso e pode colocar em risco a
vida das pessoas que passam por aquela área. Além da preocupação com a segurança, a
queda de um motor pode danificá-lo de maneira que seu destino seja somente a sucata.
Os leiautes deverão sempre ser avaliados em busca de melhorias de manuseio.
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FALTA DE FASE
Durante uma falta de fase há um aumento de corrente acima do valor nominal nos grupos de
bobinas que ainda estão energizados. Isto sobreaquece estas bobinas causando a queima
parcial do bobinado do motor.
SOBRECARGA
O motor em sua condição nominal apresenta corrente elétrica, rotação e temperatura interna
conforme projeto. No entanto, quando da aplicação de esforços na ponta de eixo acima do
especificado, sua corrente de trabalho aumenta, a rotação diminui e a temperatura de trabalho
aumenta além dos valores nominais. Isto acarreta sobreaquecimento do bobinado e
conseqüente queima total do motor.
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PARTIDAS SUCESSIVAS
Os motores Standard são projetados para atender ao regime contínuo de operação. Caso
sejam submetidos a várias partidas sucessivas, ocasionará uma elevação de temperatura nas
bobinas do motor além da sua classe térmica. A conseqüência deste evento é a degradação
acelerada da isolação, consequentemente, levará a queima do motor.
FALTA DE VENTILAÇÃO
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TÉCNICO
Atualmente os motores são bem mais otimizados e compactos, efeito de inovações
tecnológicas e evolução dos materiais utilizados no desenvolvimento dos projetos utilizados na
sua fabricação.
A otimização da troca de calor dos motores com o meio ambiente foi um dos fatores que mais
contribuiu para a evolução dos motores, devido ao reprojeto de ventiladores, defletoras de ar e
aletas das carcaças.
Na ocorrência da obstrução ou sujeiras sobre a carcaça e defletora de ar, a troca térmica será
prejudicada, ocasionando uma elevação da temperatura do motor, e conseqüentemente,
levará a queima parcial ou total do bobinado.
ENTRADA DE ÁGUA NO MOTOR
Os motores com grau de proteção IP55 são dotados de vedações que os protegem contra a
penetração de poeiras e jatos d’água. Portanto, se as vedações estiverem em perfeito estado
de conservação, a água da chuva não deve penetrar no motor.
Nesta animação estão destacados os principais pontos por onde a água pode entrar como,
vedações da caixa de ligação, entre eixo e tampas e entre tampas e carcaça.
A graxa dos mancais, em contato com a água, perde suas características lubrificantes,
causando a falha prematura dos rolamentos e conseqüente parada da máquina.
Os prejuízos que a parada de algumas máquinas trazem ao processo são evidentes e as
conseqüências podem ser catastróficas ao ambiente.
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TÉCNICO
FALTA DE LUBRIFICAÇÃO
Para os motores com rolamentos que necessitam relubrificação, deve-se proceder conforme
orientação dos fabricantes, quanto ao intervalo de lubrificação, quantidade e tipo de graxa a
ser utilizada.
Com o passar do tempo, devido ao envelhecimento natural, a graxa perde suas propriedades
de lubrificação.
Por este motivo, a reposição do lubrificante deve ser feita respeitando-se o período e a
quantidade indicada pelo fabricante do motor.
Quando os mancais trabalham sem lubrificação adequada há maior atrito devido ao contato
direto entre as peças; e conseqüentemente maior geração de ruído e calor.
Sob essas condições, a quebra dos rolamentos é certa, e não levará muito tempo para
acontecer.
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TÉCNICO
EXCESSO DE LUBRIFICAÇÃO
Para os motores com rolamentos que necessitam relubrificação, deve-se proceder conforme
orientação dos fabricantes, quanto ao intervalo de lubrificação, quantidade e tipo de graxa a
ser utilizada.
A aplicação em excesso de graxa nos rolamentos, ocorre quando não existem planos
preventivos bem definidos, com rotinas claras de lubrificação que determinam quais os
equipamentos devem ser lubrificados e principalmente a periodicidade e a quantidade de
graxa a ser aplicada.
A graxa em excesso, quando em contato com as bobinas do motor, pode facilitar a baixa
isolação das bobinas, podendo levar a queima do motor.
Além disso, a graxa em excesso provoca o aquecimento dos rolamentos, pois aumenta o atrito
entre os corpos e dificulta a troca de calor, levando às falhas prematuras dos rolamentos.
BIBLIOGRAFIA
[1] WEG Equipamentos Elétricos S/A, Manual do Motor Elétrico;
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