«O Senhor não me abandona, nunca tive
medo»
Inma Cobos, uma vida de luta
contra as enfermidades… Mas
plena e feliz com Deus
Inmaculada Cobos viu chegar muitas doenças na sua vida, mas continua contagiando fé e alegria
Actualizado 20 de Novembro de 2013
Há alguns anos dois jovens artistas espanhóis fizeram famosa uma canção cujo
estribilho dizia:
“Às vezes na vida passa-se mal,
desejos e sentimentos sem controlar,
eu no teu lugar,
tentaria esquecê-lo,
o tempo acalmará a dor, essa dor...”
Inmaculada Cobos seguramente terá escutado este estribilho várias vezes na rádio, ou inclusive na televisão. Mas, ao contrário do que diz a letra, não lhe fez
falta esquecer a dor para ser feliz e falar de agradecimento. Como ela
mesma disse “o que lhe curou tudo foi Deus”.
Provas e enfermidades... Com fé
Inmaculada Cobos nasceu em Huelva há 40 anos. É a mais velha de 9 irmãos,
nascidos numa família cristã na qual os seus pais quiseram transmitir-lhes a fé
através do seu exemplo e ensiná-los a rezar, assim como inculcar-lhes a sua
pertença a Deus.
“Na nossa família não faltaram sofrimentos, enfermidades, precariedades…, mas
todos foram ofertas do nosso Pai, pelo que sempre vivi cada acontecimento na
confiança posta em que Deus cuida e provê”, relata Inmaculada.
A dor, desde a infância
Desde pequena a enfermidade chegou para ficar na vida desta feliz família e, sobretudo, de Inmaculada. “Foi a cruz que Deus pôs na minha vida para fazer uma
história preciosa de salvação, através do sofrimento, da dor”.
Tudo começou com menos de 2 anos de idade: “queixava-me de dor de
pernas, e sentava-me quando podia, porque me cansava de forma constante.
“Às vezes o meu avô levava-me a dar passeios e ao chegar sempre dizia há minha mãe que me doíam as pernas e que parava muito, assim levaram-me ao
médico”.
Seria então quando, depois de realizar-lhe várias provas, lhe diagnosticaram
reumatismo… Com somente 2 anos!
“Aí começaram as injecções de penicilina, Bencetacil e outros medicamentos.
“Como doíam!”, recorda. “Estive picando-me até aos 25 anos”.
Mas a coisa não ficou por aí porque “com 3 anos operaram-me às amígdalas e
vegetações”.
As dores eram fortes e impossibilitaram-na de fazer a vida normal de qualquer menina da sua idade: não pode fazer exercício físico ou participar com os
seus amigos em alguns jogos, não obstante “sempre fui uma menina muito
alegre”, aponta.
Primeira Comunhão e novas doenças
Um dos dias mais importantes para Inmaculada foi a sua Primeira Comunhão,
que recebeu aos sete anos, dois antes do que lhe teria correspondido, porque
como ela mesma conta a ReL, “a minha avó materna tinha falecido, e a minha
avó paterna estava enferma e dizia que ia morrer sem ver-me fazer a Comunhão” assim que “os meus pais falaram com o pároco e este acedeu porque pensava que estava preparada”.
Mas as coisas voltaram a torcer-se com a aparição de novos problemas de saúde.
Aos nove anos descobriram que tinha problemas nos rins, subidas e baixas
de tensão, febre, e muitas dores. “Os médicos e enfermeiras diziam que era
muito boa paciente porque apenas me queixava” e desde então não funcionam bem.
Tentações de desesperar
Inmaculada continuava imersa na sua vida cristã, assistindo aos sacramentos, ao
catecismo, rezando cada dia e sobretudo vivendo com alegria as suas enfermidades.
“Recebi a Confirmação também muito rápido, aos 11 anos e aos 13 fiz outras catequeses e entrei no Caminho Neocatecumenal”.
Mas, um ano mais tarde às dores que já tinha somaram-se algumas novas nas
mãos e nos pés, o que finalmente diagnosticaram como artrite reactiva que “me
provocou meses depois um ataque de reumatismo muito forte pelo que quase
não podia mover-me, com dores insuportáveis”, disse.
Foram momentos de angústia, de um sofrimento profundo porque “o demónio
nesse momento meteu-me na cabeça a pergunta de para quê viver se o
próprio médico dizia que tinha uma analítica de uma mulher de 80 anos, quando
realmente tinha 15. Que vida me esperava então? Ainda que tivesse momentos
de desespero, de angústia, graças à oração Deus foi-me resgatando desse
engano e voltei a ter a alegria de ser filha de Deus, de sentir-me amada na
cruz".
"Ele era o meu Todo e não necessitava
mais"
De novo, aos 17 anos chegaram mais problemas: diagnosticaram-lhe fibromialgia
e viu-se na necessidade de fazer exercício por indicação do doutor conseguindo
durante este tempo os títulos de Monitora e Técnico em Aeróbica e Fitness e inclusive o de Monitora de Bailes de Salão com o que começou a dar aulas “porque
assim podia ajudar a mais pessoas”, disse esta onubense.
Foi mestra de baile até aos 25 anos e ao mesmo tempo estudava inglês.
“Tinha um namorado, projectos de
formar uma família e vivia de forma activa a minha fé na paróquia,
com a catequese de crianças e
com o coro, onde comecei a cantar
com 10 anos — e onde ainda continuo
—, até que me tiveram que internar
no hospital”. (Junto a estas linhas,
Inma com a sua mãe e suas irmãs)
Planos humanos em
perigo
“Internaram-me com uma tetraparesia (problemas de mobilidade nas quatro
extremidades) pelo que os planos de ter a minha própria casa terminavam
e os planos de casamento esfumavam-se, sem dúvida, em todo o momento
sentia-me tão amada por Cristo….É algo inexplicável… Mas sentia-me uma com
Ele, na Cruz, tinha o meu coração em paz, não me entristecia tudo o que estava
passando, tinha Jesus Cristo comigo, Ele era o meu Todo e não necessitava
mais”, relata esta mulher corajosa.
“Passei um mês no hospital, enquanto o meu avô, a que tanto queria e com ele
que me unia uma relação especial, — porque eu o tinha cuidado sempre —, internaram-no também noutro hospital. Os médicos disseram que lhe restavam
dias e a mim deixaram-me ir vê-lo. Morreu em nossa casa poucos dias depois”,
recorda Inmaculada com tristeza.
Desde desse ano Inmaculada sofre uma polineuropatia, ou o que é o mesmo,
uma diminuição na capacidade para mover-se ou sentir devido a um dano neurológico.
Esta enfermidade foi-se complicando com asma, crises de broncospasmos e má
circulação sanguínea entre outras coisas, ainda que ninguém lhe fizesse pressagiar que a carreira de obstáculos continuaria todavia por um longo tempo.
O retorno do namorado viciado
Dez anos depois, o que fora seu namorado com 16 anos e cuja relação tiveram
que deixar porque ele levava uma vida desordenada, pediu-lhe ajuda para
sair da droga e do alcoolismo.
“Eu acedi — relata Inmaculada — porque Deus me perdoava a mim, sendo eu
uma pecadora; Deus perdoava-me, amava-me, assim que, quem era eu para
julgá-lo e negar-lhe um pouco de ajuda?”.
Foram ao Projecto Homem e durante o tratamento “surgiu de novo o amor”, destaca. “No final curou-se, entrou na Igreja e em 2001 casamo-nos”.
Cinco filhos apesar da enfermidade
Inmaculada e o seu esposo tiveram cinco filhos dos quais diz que são “cinco
dons de Deus” e dois anjos “que perdi na quarta e sexta gravidez”.
Todos foram difíceis, também os partos, mas assegura que “nunca teve medo
porque tinha a certeza de que Deus não me abandonava; é meu Pai e cuidou sempre de mim, e se tinha que levar-me, seria da forma e no momento que
Ele tinha preparado para mim. Sem dúvida, de todos saí bem, e o último — que
era de risco muito elevado — foi o melhor de todos. Encomendava-me sempre
à Virgem, ela é Mãe, minha Mãe que cuidava e sustinha nesses momentos”.
“Temos 5 milagres, e o seguir abertos à vida vem da confiança em que Deus sabe melhor que nós o que necessitamos, Ele faz tudo bem”.
“Sou absolutamente feliz”
Inmaculada quere destacar algo mais. E é que além de todas estas dificuldades
“Deus me deu outra cruz nos corpos dos meus filhos, a possibilidade de fazer-me
cada dia com Cristo na cruz através das enfermidades dos meus filhos, mas todos continuaram em frente e são felizes”.
Depois de tudo isto a sua enfermidade foi piorando. “Estava tão esgotada então”,
recorda.
“Internaram-me dois meses depois do quarto filho, não tinha forças para manterme sentada sequer, mas como sempre, tinha a certeza posta pelo Espírito Santo
no meu coração de que tudo era por amor de Deus até mim; era o resgate que
Deus fazia á minha vida, um resgate chamado dor pelo qual a paz e a alegria
continuavam na minha vida, recebia a Cristo na eucaristia cada dia, saúde da alma”.
A mais doenças, mais oração
Há poucos dias Inmaculada voltou ao médico e diagnosticaram-lhe artrose nodular degenerativa nas mãos e artrose nos joelhos e nos pés, além de osteoporose. “Deus
continua dando-me possibilidades de oferecer todos os
sofrimentos; com Cristo posso dizer que sou feliz na cruz.
A força e a alegria que tenho recebo-as d’Ele, na oração
constante, em passar de joelhos todos os dias um pedaço
rezando perante o crucifixo, sentindo-me amada por Ele.
Vou à eucaristia diária sempre que posso, sedenta
sempre do Amor de Cristo. Desta forma posso viver para Ele, dando-me na minha família, na minha comunidade, na minha paróquia e a quem seja. Pode-se ser feliz, viver cheia de
alegria no meio dos sofrimentos com Jesus Cristo”, sublinha cheia de entusiasmo.
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Inma Cobos, uma vida de luta contra as enfermidades… Mas plena