PORTUGUÊS - 2
TEXTO 1
É um mito a pretensa possibilidade de
comunicação igualitária em todos os níveis. Isso é uma
idealização. Todas as línguas apresentam variantes: o
inglês, o alemão, o francês, etc. Também as línguas
antigas tinham variações. O português e outras línguas
românicas provêm de uma variedade do latim, o chamado
latim vulgar, muito diferente do latim culto. Além disso, as
línguas mudam. O português moderno é muito distinto do
português clássico. Se fôssemos aceitar a idéia de
estaticidade das línguas, deveríamos dizer que o
português inteiro é um erro e, portanto, deveríamos voltar
a falar latim. Ademais, se o português provém do latim
vulgar, poder-se-ia afirmar que ele está todo errado.
A variação é inerente às línguas, porque as
sociedades são divididas em grupos: há os mais jovens e
os mais velhos, os que habitam numa região ou noutra, os
que têm esta ou aquela profissão, os que são de uma ou
outra classe social e assim por diante. O uso de
determinada variedade lingüística serve para marcar a
inclusão num desses grupos, dá uma identidade para
seus membros. Aprendemos a distinguir a variação.
Quando alguém começa a falar, sabemos se é do interior
de São Paulo, gaúcho, carioca ou português. Sabemos
que certas expressões pertencem à fala dos mais jovens,
que determinadas formas se usam em situação informal,
mas não em ocasiões formais. Saber uma língua é
conhecer variedades. Um bom falante é "poliglota" em
sua própria língua. Saber português não é aprender
regras que só existem numa língua artificial usada pela
escola.
As variantes não são feias ou bonitas, erradas ou
certas, deselegantes ou elegantes; são simplesmente
diferentes. Como as línguas são variáveis, elas mudam.
"Nosso homem simples do campo" tem dificuldade de
comunicar-se nos diferentes níveis do português não por
causa da variação e da mudança lingüística, mas porque
lhe foi barrado o acesso à escola ou porque, neste país,
se oferece um ensino de baixa qualidade às classes
trabalhadoras e porque não se lhes oferece a
oportunidade de participar da vida cultural das camadas
dominantes da população.
(FIORIN, José Luiz. In: Atas do I Congresso Nacional da
ABRALIN. Excertos.)
17. Pela compreensão global do texto 1, podemos
afirmar que o autor:
0-0) critica, no português moderno, o fato de ele terse modificado ao longo do tempo, distanciandose de sua forma clássica.
1-1) considera que o bom falante do português é
aquele que, tendo freqüentado a escola,
domina as regras da gramática normativa.
2-2) estabelece uma relação entre um fato
lingüístico - a existência de variantes
lingüísticas - e um fato social - a divisão das
sociedades em grupos.
3-3) considera a variação lingüística como um
fenômeno típico das línguas românicas, o que
as diferencia das outras línguas.
4-4) percebe o uso de determinada variante
lingüística como um dos meios através dos
quais o indivíduo se identifica como membro de
um grupo.
Resposta: FFVFV
Justificativa:
0-0) Falso. O autor afirma, com efeito, que o
português moderno é distinto do português
clássico, mas sua posição não é de crítica.
1-1) Falso. Segundo o texto, “um bom falante é
‘poliglota’ em sua própria língua” e “Saber
português não é aprender regras”.
2-2) Verdadeiro. É exatamente essa a relação
estabelecida pelo texto, segundo o qual “a
variação é inerente às línguas, porque as
sociedades são divididas em grupos”.
3-3) Falso. O texto considera que a variação é
“inerente às línguas”, e não um fenômeno típico
das línguas românicas.
4-4) Verdadeiro. O texto afirma que “o uso de
determinada variedade lingüística serve para
marcar a inclusão num desses grupos, dá uma
identidade para seus membros”.
18. Sobre a relação entre o conhecimento lingüístico e o
ensino escolar, a posição do texto 1 é a de que:
0-0) a escola é o lugar onde esse conhecimento é
sistematizado e apreendido em sua totalidade.
1-1) a escola possibilita ao aluno o conhecimento de
normas gramaticais, mas isso não significa
necessariamente o domínio de todos os usos
de uma língua.
2-2) há um conjunto de regras que apenas se
mantém na língua ensinada na escola. ‘Saber
português’ é algo que se esgota pelo
conhecimento dessas regras.
3-3) é do ensino escolar que restringe a gramática
da língua ao uso padrão que resulta o ‘indivíduo
poliglota em sua própria língua’.
4-4) é no ambiente escolar que as variantes são
evidenciadas e trabalhadas.
Resposta: FVFFF
Justificativa:
0-0) Falso. O texto se refere à escola como um lugar
em que se usa uma ‘língua artificial’. Assim, não
é na escola que o conhecimento lingüístico é
sistematizado e apreendido em sua totalidade.
1-1) Verdadeiro. De fato, o texto relaciona o ensino
escolar com a aprendizagem de regras, mas
afirma que saber português não é saber regras
apenas; é dominar as suas variedades.
2-2) Falso. A posição do texto é clara ao afirmar que
“Saber português não é aprender regras que só
existem numa língua artificial usada pela escola”.
3-3) Falso. Um ‘poliglota em sua própria língua’ é
aquele que tem domínio das variedades de sua
língua, e não alguém que domina a gramática
com que se trabalha na escola.
4-4) Falso. O texto se refere à escola como um lugar
em que se aprendem regras que não coincidem
com os contextos sociais de uso da língua. Daí a
artificialidade da língua ali trabalhada. Não se
pode afirmar, portanto, que é na escola que as
variantes lingüísticas são evidenciadas e
trabalhadas.
19. A análise feita no texto 1, sobre a variação
lingüística, permite ao leitor inferir que:
0-0) a existência da língua portuguesa é uma prova
da não-estaticidade das línguas, neste caso do
latim.
1-1) as línguas não somente variam com o passar
do tempo mas também com as diferenças de
grupos sociais.
2-2) algumas variantes, mais populares, são
amostras de como o português é falado fora de
um padrão que é correto, bonito e elegante.
3-3) a variação das línguas não é um fenômeno
exclusivamente lingüístico; é também um
fenômeno social.
4-4) o fato de um camponês apresentar dificuldade
de comunicar-se nos diferentes níveis do
português deve-se prioritariamente às variantes
lingüísticas.
Resposta: VVFVF
Justificativa:
0-0) Verdadeiro. O texto afirma explicitamente que “o
português e outras línguas românicas provêm de
uma variedade do latim, o chamado latim vulgar”,
o que comprova que as línguas não são estáticas
e imutáveis.
1-1) Verdadeiro. O primeiro parágrafo do texto aborda
a variação temporal por que passam as línguas.
Já no segundo parágrafo, o texto trata das
variações sociais.
2-2) Falso. Essa afirmação não está em consonância
com as idéias defendidas no texto, segundo o
qual “as variantes não são feias ou bonitas,
erradas ou certas, deselegantes ou elegantes”.
3-3) Verdadeiro. O texto trata exatamente disto: da
variação lingüística como um fenômeno social.
4-4)Falso. O texto defende que a dificuldade que tem o
camponês de comunicar-se nos diferentes níveis do
português deve-se ao fato de ele não ter tido acesso à
escola, ou à má qualidade do ensino público.
20. Sobre as relações semânticas estabelecidas entre
alguns segmentos do texto 1, analise as afirmações
a seguir.
0-0) Em "Se fôssemos aceitar a idéia de estaticidade
das línguas, deveríamos dizer que o português
inteiro é um erro", a parte destacada tem a
função de levantar uma hipótese.
1-1) Embora o conectivo ‘se’ funcione, na maioria
das vezes, para explicitar uma relação
condicional, em "Ademais, se o português
provém do latim vulgar, poder-se-ia afirmar que
ele está todo errado", esse conectivo pode ser
substituído por ‘uma vez que’.
2-2) O trecho "Quando alguém começa a falar,
sabemos se é do interior de São Paulo, gaúcho,
carioca ou português" é introduzido por uma
referência temporal.
3-3) No trecho "Como as línguas são variáveis, elas
mudam", apresenta-se a causa e a
conseqüência de um fenômeno.
4-4) No último parágrafo, o autor apresenta uma
seqüência de causas para o fato de o "nosso
homem simples do campo” ter dificuldade de
comunicar-se nos diferentes níveis do
português.
Resposta: VVVVV
Justificativa:
0-0) Verdadeiro. O segmento destacado representa
exatamente uma possível hipótese.
1-1) Verdadeiro. No trecho em questão, o conectivo
“se” pode ser substituído por “uma vez que”, sem
alteração do sentido pretendido pelo autor.
2-2) Verdadeiro. O fragmento “Quando alguém
começa a falar” representa uma circunstância
temporal.
3-3) Verdadeiro. Causa e conseqüência são
apresentadas no enunciado.
4-4) Verdadeiro. O autor apresenta exatamente uma
seqüência de causas, introduzidas pelo conectivo
“porque”.
21. Considerando o valor semântico de algumas
palavras do
seguintes.
texto
1,
analise
os
comentários
0-0) “É um mito essa pretensa possibilidade de
comunicação igualitária em todos os níveis.”
Isto é, essa ‘suposta’, ou essa ‘presumida
possibilidade de comunicação’.
1-1) “Se fôssemos aceitar a idéia da estaticidade
das línguas”; quer dizer: ‘Se fôssemos aceitar
que as línguas são inflexíveis, imutáveis’.
2-2) “A variação é inerente às línguas.” Isto é, ‘A
variação é inseparável, é constitutiva das
línguas.’
3-3) “um falante poliglota” é um falante que sabe se
expressar
bem,
conforme
as
normas
aprendidas na escola.
4-4) “participar da vida cultural das camadas
dominantes” restringe-se a ‘inserir-se nas
atividades intelectuais das classes que
administram o poder.’
Resposta: VVVFF
Justificativa:
0-0) Verdadeiro. O sentido de ‘pretensa’ corresponde
exatamente ao sentido de ‘suposta’ ou
‘presumida’.
1-1) Verdadeiro. Alguma entidade que tem a
propriedade da ‘estaticidade’ é, naturalmente,
‘inflexível’ ou ‘imutável’.
2-2) Verdadeiro. O que é ‘inerente’ a um ser dele faz
parte constitutivamente.
3-3) Falso. ‘Poliglota’ é aquele que fala várias línguas.
4-4) Falso. A vida cultural de uma comunidade
engloba mais elementos que, propriamente, suas
atividades intelectuais.
TEXTO 2
Sotaque arretado
A mídia descobriu, e não é de
hoje, o filão de novelas
ambientadas no Nordeste.
Mas as emissoras não
OXENTE,
MERMÃO!
conseguem acertar no sotaque nordestino. Veja o que a
população do Ceará acha do jeito de falar dos
personagens nordestinos de uma novela.
41%
46%
11%
23. Relacionando-se as informações dos textos 1 e 2,
2%
pouco parecido
não sabem/não responderam
podemos afirmar que:
muito parecido
totalmente diferente
Já a maneira como os nordestinos são retratados na
novela desperta reações mais moderadas. Veja como
eles se sentem.
22%
36%
19%
13%
divertem-se
não sabem/não responderam
identificam-se
“totalmente diferente”.
3-3) Verdadeiro. É o que revela o segundo gráfico, em
que 36% dos entrevistados revelaram se divertir
com os programas.
4-4) Verdadeiro. A figura e a expressão estão em
consonância com o título, no que diz respeito ao
nível de informalidade pretendido pelo texto.
5%
5%
orgulhosos
indiferentes
ridicularizados
(Veja, 27 de agosto de 1997. Adaptado).
22. Analisando os dados verbais e não-verbais do texto
2, podemos afirmar que:
0-0) ao referir-se a um "sotaque nordestino", o texto,
naturalmente, diferencia os falares próprios do
Nordeste dos falares das outras regiões.
1-1) ambos os gráficos revelam que há uma
pequena quantidade de entrevistados que não
se posicionaram em relação à pesquisa.
2-2) a maioria dos entrevistados não se reconhece
nos jeitos de falar dos personagens retratados
nas novelas televisivas.
3-3) a pesquisa revela que, apesar de a mídia não
conseguir reproduzir com fidelidade o sotaque
do Nordeste, a maioria dos espectadores se
diverte com programas cujos personagens são
nordestinos.
4-4) a figura no canto superior do texto, aliada à
expressão “oxente, mermão”, está em
convergência com o título escolhido, pois
ambos
remetem
para
contextos
de
informalidade.
Resposta: VVVVV
Justificativa:
0-0) Verdadeiro. O autor trata de um “sotaque
nordestino” como uma unidade, e, ao fazer isso,
diferencia o jeito de falar do Nordeste do das
outras regiões.
1-1) Verdadeiro. Ambos os gráficos mostram um
pequeno percentual de entrevistados que “não
sabem/não responderam”.
2-2) Verdadeiro. É o que revela o primeiro gráfico, no
qual a maioria dos entrevistados acha que o jeito
de falar dos programas é “pouco parecido” ou
0-0) o ‘sotaque arretado’ a que o texto 2 se refere
identifica uma das variantes do português
brasileiro.
1-1) os personagens da mídia não conseguem
acertar o sotaque nordestino. Conseguiriam
mais, se fossem exemplos típicos de ‘poliglotas
em sua própria língua’.
2-2) o sotaque típico do Nordeste é conseqüência
do ensino de baixa qualidade que se oferece,
no Brasil, às classes trabalhadoras.
3-3) o fato de 87% dos entrevistados considerarem
que a mídia fracassa ao tentar imitar o sotaque
nordestino é revelador de que essa variedade é
muito difícil.
4-4) o fato de haver um sotaque típico de uma
região do Brasil é indicativo de que, nessa
região, a língua permaneceu estática.
Resposta: VVFFF
Justificativa:
0-0) Verdadeiro. O “sotaque arretado” a que o texto 2
se refere diz respeito à variante nordestina.
1-1) Verdadeiro. A idéia de “poliglota em sua própria
língua” é esta: a de dominar um grande número
de variantes.
2-2) Falso. O sotaque típico do Nordeste nada tem a
ver com a qualidade do ensino no Brasil.
3-3) Falso. O fato de a mídia fracassar na tentativa de
imitar o sotaque nordestino não é indicativo do
grau de dificuldade dessa variante.
4-4) Falso. Nenhuma língua é estática, como sugere o
texto 1, e a existência de um determinado
sotaque nada tem a ver com estaticidade.
TEXTO 3
Memórias de um aprendiz de escritor
Escrevo há muito tempo. Costumo dizer que, se
ainda não aprendi – e acho mesmo que não aprendi, a
gente nunca pára de aprender -, não foi por falta de
prática. Porque comecei muito cedo. Na verdade, todas
as minhas recordações estão ligadas a isso, a ouvir e
contar histórias. Não só as histórias dos personagens que
me encantaram, o Saci-Pererê, o Negrinho do Pastoreio,
a Cuca, Hércules, Tarzan, os piratas. Mas também as
minhas próprias histórias, as histórias de meus
personagens, essas criaturas reais ou imaginárias, com
quem convivi desde a infância.
Na verdade, eu escrevi ali em cima. Verdade é
uma palavra muito relativa para um escritor de ficção. O
que é verdade, o que é imaginação? No colégio onde fiz o
segundo grau, havia um rapaz que tinha fama de
mentiroso. Fama, não; ele era mentiroso. Todo mundo
sabia que ele era mentiroso. Todo mundo, menos ele.
Certa vez, o rádio deu uma notícia alarmante: um
avião em dificuldades sobrevoava Porto Alegre. Podia cair
a qualquer momento. Fomos para o colégio, naquele dia,
preocupados; e conversávamos sobre o assunto, quando
apareceu ele, o Mentiroso. Pálido:
4-4) cujo funcionamento se restringe ao valor das
palavras, uma vez que a arte literária supõe o
concurso das unidades lingüísticas.
Resposta: VVVVF
Justificativa:
0-0) Verdadeiro. Para o autor do texto, o trabalho do
escritor requer, desde cedo, o contato com o
mundo fantasioso dos contos, das histórias de
ficção.
1-1) Verdadeiro. A verdade para o escritor de ficção é
muito relativa, pois ele a torna real no próprio
momento de criação de sua obra.
2-2) Verdadeiro. O ofício de escritor é referido no texto
como algo que nunca se aprende por inteiro.
3-3) Verdadeiro. A criação da narrativa de ficção, de
fato, dispensa a fidelidade aos dados da
experiência real. O ‘real’ é a criação de cada um.
4-4) Falso. O “contar histórias” não é um trabalho que
se ‘restrinja’ ao valor das palavras. Conta com
elas, é verdade; mas, depende também de outros
fatores.
25. Na construção de seu texto, Moacyr Scliar optou
- Vocês nem podem imaginar!
pelas estratégias de:
Uma pausa dramática, e logo em seguida:
0-0) recorrer a uma linguagem formal e a uma
seleção de palavras eruditas, a fim de
emprestar maior credibilidade a seu relato.
1-1) inserir em seu relato autobiográfico uma
narrativa que, aparentemente, quebra a
unidade do texto e parece fugir a seus
propósitos.
2-2) juntar, à sua perspectiva pessoal de narração,
considerações de ordem geral acerca do ponto
em discussão.
3-3) centrar-se em fatos, embora esses fatos
careçam de objetividade e apenas envolvam
personagens fictícios.
4-4) usar o recurso da narrativa, como suporte e
tática textual, para alicerçar uma perspectiva
teórica acerca do ofício do escritor.
Resposta: FVVFV
- Sabem esse avião que estava em perigo? Caiu
perto da minha casa. Escapamos por pouco. Gente, que
coisa horrível!
E começou a descrever o avião incendiando, o
piloto gritando por socorro... Uma cena impressionante. Aí
veio um colega correndo, com a notícia: o avião acabara
de aterrizar, são e salvo. Todo mundo começou a rir.
Todo mundo, menos o Mentiroso:
- Não pode ser! – repetia, incrédulo, irritado. – Eu
vi o avião cair! Agora, quando lembro este fato, concluo
que não estava mentindo. Ele vira, realmente, o avião
cair. Com os olhos da imaginação, decerto; mas para ele
o avião tinha caído, e tinha incendiado, e tudo o mais. E
ele acreditava no que dizia, porque era um ficcionista.
Tudo que precisava, naquele momento, era um lápis e um
papel. Se tivesse escrito o que dizia, seria um escritor;
como não escrevera, tratava-se de um mentiroso. Uma
questão de nomes, de palavras.
(Moacyr Scliar. Memórias de um aprendiz de escritor. São Paulo:
Ed. Nacional, 1984, p. 9-11. Fragmento adaptado.)
24. Segundo o autor do texto 3, o trabalho do escritor,
sobretudo daquele que se dedica a “contar histórias”,
é um trabalho:
0-0) que supõe a convivência, de certa forma
prematura, com criaturas que povoam o mundo
real ou o mundo da fantasia.
1-1) cujos parâmetros de definição da verdade são
relativizados pela própria natureza do ofício de
criar um universo de ficção.
2-2) que presume uma aprendizagem contínua, pelo
que o escritor não se sente inteiramente apto
para o exercício da criação literária.
3-3) que dispensa a fidelidade aos fatos da
experiência empírica; basta que se projete um
mundo e que se creia na força da expressão.
Justificativa:
0-0) Falso. A linguagem usada pelo autor não
apresenta marcas de ‘formalidade’ nem se serve
de palavras eruditas.
1-1) Verdadeiro. Só aparentemente a narrativa
inserida no texto quebra a sua unidade. Pelo
contrário, ela é inserida exatamente para apoiar o
que vai ser dito a seguir.
2-2) Verdadeiro. O autor soma a seu relato
considerações de ordem teórica, quando passa a
definir as propriedades do trabalho de “contar
histórias”.
3-3) Falso. O autor usa a estratégia de apoiar-se em
fatos, mas nem todos carecem de objetividade e
envolvem apenas personagens fictícios.
4-4) Verdadeiro. De fato, a narrativa com que o autor
inicia seu texto é uma estratégia para ancorar
suas posteriores considerações acerca do ofício
do escritor de ficção.
26. A inserção da figura do “mentiroso” no relato de
Moacyr tem como finalidade:
0-0) ressaltar o aspecto antiético da falsidade ou da
mentira na condução das relações sociais.
1-1) mostrar que é verdadeiro o aforismo popular
quando diz que “A mentira tem pernas curtas”.
2-2) enfatizar a natureza da autêntica ficção literária,
que se constitui como idealização do real.
3-3) chamar a atenção para o risco do ridículo que o
mentiroso, freqüentemente, pode correr.
4-4) ilustrar a força da subjetividade, que é capaz de
dar existência a fatos apenas presumidos ou
figurados.
Resposta: FFVFV
Justificativa:
0-0) Falso. Uma leitura cuidadosa do texto evidencia
exatamente que a figura do ‘mentiroso’ é inserida
como ‘gancho’ para se passar depois à
caracterização do trabalho do ficcionista.
1-1) Falso. Embora, no texto, o mentiroso logo tenha
sido flagrado, a inserção de sua figura não
pretendeu mostrar a verdade deste consenso
popular.
2-2) Verdadeiro. De fato, o ‘mentiroso’ entra no texto
para mostrar a natureza da autêntica ficção
literária.
3-3) Falso. Enfatizar o ridículo em que caiu o
mentiroso ‘apanhado’ não poderia constituir,
neste caso, uma pretensão do autor do texto.
4-4) Verdadeiro. A história contada pelo ‘mentiroso’
poderia ilustrar, exatamente, a força da
subjetividade na criação literária.
27. Analisando certas passagens do texto 3, podemos
admitir que:
0-0) Em “Costumo dizer que, se não aprendi – e
acho mesmo que não aprendi, a gente nunca
pára de aprender”-, o autor faz um comentário
acerca de sua própria fala.
1-1) Em “O que é verdade, o que é imaginação?”, o
autor interroga, simplesmente, como estratégia
didática de motivar o leitor para o que vai ser
dito adiante.
2-2) Em “Certa vez, o rádio deu uma notícia
alarmante: um avião...”, a expressão sublinhada
é uma indicação de que se vai dar início a um
segmento descritivo.
3-3) Em “-Sabem esse avião que estava em perigo?
Caiu perto da minha casa. Escapamos por
pouco. Gente, que coisa horrível!”, o trecho
sublinhado expressa uma opinião de um dos
narradores.
4-4) Em “Se tivesse escrito o que dizia, seria um
escritor; como não escrevera, tratava-se de um
mentiroso. Uma questão de nomes, de
palavras.”, o fragmento em destaque resume,
muito concisamente, a questão em análise.
Resposta: VVFVV
Justificativa:
0-0) Verdadeiro. No trecho transcrito, de fato, o autor
interrompe o que está dizendo para fazer um
comentário acerca de sua própria fala.
1-1) Verdadeiro. As perguntas feitas nesse trecho não
têm, de fato, a intenção de expressar uma
dúvida, por exemplo. São, simplesmente,
perguntas retóricas que motivam o leitor para as
afirmações seguintes.
2-2) Falso.
O
segmento
em
destaque
é
caracteristicamente usado para dar início a um
segmento narrativo.
3-3) Verdadeiro. De fato, no trecho sublinhado, o
narrador expressa uma opinião pessoal acerca
do fato que acaba de relatar.
4-4) Verdadeiro. O fragmento sublinhado funciona
como uma espécie de fechamento, de remate
bem conciso do texto.
28. Para regular a flexão dos verbos, a norma padrão
estabelece certos paradigmas que devem ser
mantidos nos usos formais da língua. Com base
nesse princípio, analise a adequação das formas
verbais usadas abaixo aos referidos paradigmas.
0-0) O mentiroso interviu na conversa para noticiar
que o avião tinha caído. Os olhos da
imaginação também têem poder de visibilidade.
1-1) O escritor que impuser sua própria visão da
realidade não convém à estética da arte
literária. A imaginação é que provê tudo!
2-2) Os colegas se manteram crédulos diante dos
fatos imaginados e narrados. Eles crêm na
força da expressão.
3-3) Para a criação literária, quem propor a
supremacia do real sobre o imaginado está
equivocado. Convêm que todos não se
esqueçam disso!
4-4) Não esperem que creamos apenas na
realidade. Passeiamos pela ficção e esperamos
que o sonho se adeque às nossas pretensões.
Resposta: FVFFF
Justificativa:
0-0) Falso. As formas verbais esperadas seriam
‘interveio’ e ‘têm’.
1-1) Verdadeiro. ‘impuser’, ‘convém’ e ‘provê’
correspondem, neste contexto, ao paradigma da
norma padrão.
2-2) Falso. Nenhuma das duas formas verbais
corresponde às normas da língua padrão.
3-3) Falso. Neste caso, de acordo com a norma
padrão, seriam as formas ‘propuser’ e ‘convém’.
4-4) Falso. As formas adequadas a este contexto
seriam ‘creiamos’ e ‘passeamos’. Além disso, o
verbo ‘adequar-se’ é defectivo.
29. Em relação à concordância verbal, conforme as
regras da norma padrão, analise as observações que
são feitas a seguir.
0-0) Em “Escrevo há muito tempo”, o autor também
poderia ter dito: “Escrevo fazem muitos anos”.
1-1) Em “Todo mundo sabia que ele era mentiroso.”,
o autor também poderia ter dito: “A maioria das
pessoas sabia que ele era mentiroso”, ou,
ainda, “A maioria das pessoas sabiam...”.
2-2) Em “Vocês nem podem imaginar!”, o autor
também poderia ter dito: “Nenhum de vocês
podem imaginar.”
3-3) Em “No colégio (...) havia um rapaz que tinha
fama de mentiroso”, o verbo ‘haver’ ficaria no
plural, caso se tratasse de mais de ‘um rapaz’.
4-4) Em “Aí veio um colega correndo”, como o
sujeito aparece depois do verbo, não há
obrigatoriedade de concordância. Logo, poderia
ser: ‘Aí veio de longe alguns professores’, por
exemplo.
Resposta: FVFFF
Justificativa:
0-0) Falso. O verbo fazer, no sentido de tempo
decorrido, é impessoal.
1-1) Verdadeiro. O verbo que tem como sujeito uma
expressão coletiva singular, seguida de um
complemento no plural, pode ficar no singular
(concordando com a expressão coletiva) ou no
plural (concordando com o complemento).
2-2) Falso. O indefinido ‘nenhum’, seguido de
complemento no plural, pede, sempre, o verbo no
singular.
3-3) Falso. O verbo ‘haver’, no sentido de ‘existir’ é
impessoal.
4-4) Falso. O fato de o sujeito vir depois do verbo não
neutraliza a regra da concordância.
30. Sobre as características morfológicas de algumas
palavras utilizadas no texto 3, analise as afirmações
abaixo.
0-0) O sufixo presente em ‘escritor’ equivale
semanticamente ao sufixo presente em
‘ficcionista’.
1-1) Na expressão ‘o rádio’, a escolha do artigo
masculino é aleatória, pois essa expressão tem
o mesmo valor semântico de ‘a rádio’.
2-2) Ao grafar ‘Mentiroso’ com inicial maiúscula, o
autor muda a função dessa palavra no texto,
que passa a nomear um personagem.
3-3) A palavra ‘aterrizar’ é formada pelo acréscimo
de prefixos e sufixos ao substantivo ‘terra’, e
tem, como variante, a forma ‘aterrissar’.
4-4) O prefixo presente em ‘incrédulo’ está presente
também em ‘irritado’; em ambos os casos, tem
valor de negação.
Resposta: VFVVF
Justificativa:
0-0) Verdadeiro. São sufixos equivalentes, do ponto
de vista semântico.
1-1) Falso. “O rádio” (equipamento) não tem o mesmo
valor semântico de “a rádio” (estação).
2-2) Verdadeiro. A palavra, ao ser grafada com inicial
maiúscula,
ganha
as
características
do
substantivo próprio.
3-3) Verdadeiro. A palavra é formada pelo acréscimo
de prefixos e sufixos, e a forma “aterrissar” é
igualmente correta.
4-4) Falso. O prefixo com valor de negação “in” está
presente na palavra “incrédulo”, mas não na
palavra “irritado”.
TEXTO 4
A pátria.
Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! Não verás país nenhum como este!
Olha que céu! Que mar! Que rios! Que floresta!
A natureza, aqui, perpetuamente em festa.
É um seio de mãe a transbordar carinhos,
Vê que vida há no chão! Vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Ziraldo
(Olavo Bilac.)
“OLHA QUE CÉU...
QUE
MAR...
EU VOU DECLAMAR PARA VOCÊS
UM POEMA DO FAMOSO
POETA DINOLAVO
BILACOSAURO!
QUE RIOS E QUE
O QUE ATRAPALHA ESSE
POEMA...
31. Confrontando a temática e os gêneros dos dois
textos, podemos admitir que:
0-0) a tira de Ziraldo constitui uma apropriação do
poema de Bilac, o que deixa os dois textos
numa condição de inter-relação explícita.
1-1) na tira, se encena uma recitação do poema e se
procura manter seu caráter ufanista em relação
aos atributos da terra “cantada”.
2-2) o texto do poema é mantido na íntegra no texto
da tira, cujo tom humorístico resulta, sobretudo,
das imagens que expõe.
3-3) na tira, o encanto das referências poéticas e
simbólicas é neutralizado pelo grotesco e
prosaico da própria realidade.
4-4) os dois textos são exemplares do tipo narrativo,
embora o primeiro se revista de um caráter
poético e de uma função estética.
Resposta: VVFVF
Justificativa:
“AMA, COM FÉ E
ORGULHO A TERRA
EM QUE
NASCESTE...
“A NATUREZA AQUI PREHISTORICAMENTE
EM FESTA...
FLORESTAS!”
“VÊ QUE VIDA HÁ NO CÉU...
VÊ QUE VIDA HÁ NOS
NINHOS... QUE SE
BALANÇAM NO AR
ENTRE RAMOS
INQUIETOS”...
TEXTO 5
...DINOSAURINHO,
NÃO VERÁS
NENHUM PANTANO
COMO ESTE!”
...”É COMO UM PESÃO DE MÃE A
TRANSBORDAR
CARINHO”...
... É ESSA MULTIDÃO DE INSETOS! ...
0-0) Verdadeiro. A tira de Ziraldo é uma apropriação
quase literal do poema de Bilac. De fato, os dois
textos guardam uma relação explícita de
intertextualidade.
1-1) Verdadeiro. Uma mostra da intertextualidade,
neste caso, está também na recitação do poema
e na manutenção de seu caráter ufanista.
2-2) Falso. O texto de Ziraldo não mantém, na íntegra,
o texto de Bilac nem seu tom humorístico
depende simplesmente das imagens que mostra.
3-3) Verdadeiro. O trivial e grotesco da grande nuvem
de insetos, de fato, neutraliza o encanto da
realidade poeticamente cantada.
4-4) Falso. Os dois textos não são narrativos.
32. Analisando o primeiro texto (o poema) de um ponto
de
vista
mais
reconhecemos que:
especificamente
lingüístico,
0-0) a reincidência de sinais de exclamação aponta
para a intenção do poeta de exaltar os pontos
positivos do objeto tematizado.
1-1) a repetição do ‘que’, no terceiro verso da
primeira estrofe, embora tenha uma função
enfática, atenua o caráter poético do texto.
2-2) o uso do verbo ‘haver’ em “Vê que vida há no
chão! Vê que vida há nos ninhos!” caracteriza,
atualmente, um nível mais formal de linguagem.
3-3) no segundo verso da primeira estrofe, o
conectivo ‘como’ tem o mesmo sentido que em:
‘Como o país é lindo, vivemos perpetuamente
em festa’.
4-4) no segundo verso da segunda estrofe, os dois
termos que expressam localização estabelecem
também uma oposição espacial.
Resposta: VFVFV
Justificativa:
0-0) Verdadeiro. Os pontos de exclamação têm, de
fato, a função de marcar o caráter de exaltação
que o poema assume.
1-1) Falso. A repetição do ‘que’ tem uma função
enfática mas não atenua o caráter poético do
texto.
2-2) Verdadeiro. As formas do verbo ‘haver’, em lugar
das do verbo ‘ter’, caracterizam, presentemente,
um nível mais formal de linguagem.
3-3) Falso. O ‘como’, no poema, tem um sentido
comparativo;
na
alternativa,
expressa
causalidade.
4-4) Verdadeiro. Os dois termos em questão são
‘chão’ e ‘ninho’. De fato, preenchem uma função
de localizadores espaciais em oposição.
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