INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE FUNORTE/SOEBRÁS INSTITUTO RIO-GRANDENSE DE ORTODONTIA- CANOAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ORTODONTIA BIOMECÂNICA DO APARELHO EXTRAORAL AMANDA FRIZZO VIECILLI Monografia apresentada ao programa de Especialização em Ortodontia da Faculdade do Norte de Minas Gerais/ SOEBRÁS – Núcleo Canoas/RS, requisitos especialista Canoas, 2013 para como obtenção do parte título dos de II INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE FUNORTE/SOEBRÁS INSTITUTO RIO-GRANDENSE DE ORTODONTIA- CANOAS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ORTODONTIA BIOMECÂNICA DO APARELHO EXTRAORAL AMANDA FRIZZO VIECILLI Monografia apresentada ao programa de Especialização em Ortodontia da Faculdade do Norte de Minas Gerais/ SOEBRÁS – Núcleo Canoas/RS, requisitos para como obtenção do parte título dos de especialista Orientador: Luiz Eduardo Schroeder de Lima Canoas, 2013 III UNIVERSIDADE UNIDAS DO NORTE DE MINAS Área de concentração: Ortodontia Natureza do trabalho: Revisão de Literatura Objetivo: Título de Especialista em Ortodontia Título: Biomecância do aparelho extraoral FOLHA DE APROVAÇÃO AMANDA FRIZZO VIECILLI Data da aprovação: _______________, _____ de __________ de __________ Banca Examinadora: Professor:_______________________________________________________ (Titulação e nome completo) Instituição que representa:__________________________________________ Assinatura:_______________________________________________________ Professor:_______________________________________________________ (Titulação e nome completo) Instituição que representa:__________________________________________ Assinatura:_______________________________________________________ Professor:_______________________________________________________ (Titulação e nome completo) Instituição que representa:__________________________________________ Assinatura:_______________________________________________________ IV DEDICATÓRIA Dedico este trabalho ao meu pai, Orlando Viecilli, por todo carinho demonstrado desde meus tempos de criança pela profissão da odontologia, motivo este que me levou a também amar esta profissão. Agradeço pelo estímulo, apoio pessoal e profissional durante esta minha caminhada até a especialização em ortodontia. Obrigada. V AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus por permitir a superação dos obstáculos colocados à frente de mim. Agradeço ao meu pai pela presença sempre forte e estimulante principalmente no que diz respeito à ortodontia. À minha mãe pela paciência e força. À Dani por me substituir nos momentos de ausência Ao Junior, que sempre esteve pronto para ajudar e apoiar neste período. Ao Professor Armando Hiraoka pelo aprendizado, que além de um mestre, é quase como um integrante da família. À equipe do IRGO por todos os anos de aprendizado e experiência. Ao Professor e Mestre Luiz Eduardo Lima, pela dedicação e auxílio durante o período da especialização. VI RESUMO O aparelho extraoral tem sido discutido incessantemente na literatura em relação aos seus usos e aplicações. A eficácia máxima deste aparelho está intimamente relacionada à idade recomendada de uso, tempo diário da aplicação do aparelho e, após o diagnóstico preciso, a determinação da relação da linha de ação da força e do centro de resistência do complexo dentomaxilar, originando, assim, o movimento desejado. Muitos autores preconizam o estudo dos efeitos biomecânicos das forças extraorais para que tenham tratamentos mais rápidos e mais previsíveis. O objetivo deste estudo foi relacionar a biomecânica do aparelho extraoral nos aspectos como centro de resistência, momento, magnitude e tempo de duração da força e linha de ação da força na aplicação deste dispositivo. Palavras-chave: biomecânica do aparelho extraoral, tratamento da classe II, centro de resistência maxila, centro de resistência dos molares superiores, aparelho extraoral. VII ABSTRACT The extraoral anchorage has been used constantly in the literature regarding their uses and applications. The maximum efficacy of this headgear is closely related to the recommended age of use, time of daily application of the device and, after accurate diagnosis, the determination of vector force and center of resistance of dentomaxilla complex relation, starting, thus, the expected movement. A lot of authors recommend the study on biomechanics effects of extraoral forces for having faster and more predictable treatments. The objective of this study was to relate the biomechanical of extraoral appliance on aspects such as center of resistance, moment, magnitude, duration and line of action of the force in the application of this device. Key-words: biomechanical of extraoral appliance, class II treatments, maxillary center of resistance, upper molars center of resistance, extraoral appliance. VIII SUMÁRIO INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 10 1 REVISÃO DA LITERATURA ........................................................................................... 12 1.1 ESTRUTURAS DO APARELHO EXTRAORAL ........................................................................ 13 1.2 IDADE RECOMENDADA PARA USO DO APARELHO EXTRAORAL ........................................... 14 1.3 MAGNITUDE DA FORÇA RECOMENDADA E TEMPO DE USO RECOMENDADO ......................... 15 1.4 CONCEITOS BIOMECÂNICOS GERAIS DO APARELHO EXTRAORAL ....................................... 19 1.5 COMPRIMENTO DO ARCO EXTERNO ................................................................................ 25 1.6 O APARELHO CERVICAL ................................................................................................. 27 1.7 O APARELHO OCCIPTAL ................................................................................................. 32 1.8 O APARELHO PARIETAL.................................................................................................. 33 1.9 AEB ASSIMÉTRICO ........................................................................................................ 36 1.10 AEB COM FORÇAS COMBINADAS E AEB DE INTERLANDI ................................................... 39 1.11 AEB EM J ..................................................................................................................... 40 2 DISCUSSÃO ................................................................................................................... 42 2.1 IDADE RECOMENDADA PARA TRATAMENTO: ..................................................................... 42 2.2 TEMPO DE USO RECOMENDADO ..................................................................................... 42 2.3 MAGNITUDE DE FORÇA RECOMENDADA .......................................................................... 43 2.4 CONCEITOS BIOMECÂNICOS GERAIS DO APARELHO EXTRAORAL ....................................... 44 2.5 LOCALIZAÇÃO DO CENTRO DE RESISTÊNCIA DA MAXILA, DENTES E COMPLEXO DENTÁRIO ... 44 2.6 DETERMINAÇÃO DO CENTRO DE ROTAÇÃO ...................................................................... 45 2.7 COMPRIMENTO DO ARCO EXTERNO ................................................................................ 46 2.8 O EXTRA-ORAL CERVICAL .............................................................................................. 46 IX 2.9 AEB OCCIPTAL ............................................................................................................. 48 2.10 AEB DE INTERLANDI E AEB COMBINADO ........................................................................ 50 2.11 AEB PARIETAL .............................................................................................................. 50 2.12 AEB ASSIMÉTRICO ........................................................................................................ 51 CONCLUSÃO........................................................................................................................... 52 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................... 54 X INTRODUÇÃO Desde meados do século XIX o aparelho extraoral tem sido utilizado e difundido. Durante o transcorrer da história, este dispositivo apresentou múltiplas indicações, embora Angle acreditasse que seu uso poderia ser substituído pelo uso dos elásticos. Através do tempo, ficou provada a eficácia do tratamento da classe II com o aparelho extraoral tanto ortodonticamente quanto ortopedicamente. A maloclusão de classe II é uma discrepância maxilomandibular dentária ou esquelética de bastante incidência na população. Proffit, Field Jr., (2002) afirma que a prevalência desta maloclusão varia de 35% a 42% dos pacientes tratados na clínica. Muitas pesquisas foram realizadas em relação a eficácia da terapia extraoral para o tratamento da classe II, principalmente na dentição mista precoce e tardia. Poulton (1967) afirma que o diagnóstico é fundamental e que durante a indicação do aparelho extraoral devemos considerar a maloclusão e o padrão de crescimento facial do paciente, individualizando cada tratamento. Teuscher (1986) determina que qualquer resultado obtido no tratamento ortodôntico sofre influência do crescimento e das forças aplicadas. O uso deste aparelho até os dias de hoje se deve principalmente à versatilidade desse dispositivo, permitindo diferentes linhas de ação da força. Para tanto, sua utilização correta depende dos conhecimentos básicos de biomecânica abrangendo os conceitos de centro de resistência do complexo dentomaxilar, centro de rotação, direção da força, magnitude de força e duração. Modificando tanto o comprimento XI quanto a angulação do arco externo, teremos mudanças nas consequências dentárias e esqueléticas. O objetivo principal desse trabalho é, através de uma revisão bibliográfica detalhada, compartilhar os achados de diversos autores definindo e entendendo a indicação de cada tipo de aparelho extraoral, conduzindo o tratamento de maneira que os efeitos colaterais sejam diminuídos e os benéficos maximizados. 1 REVISÃO DA LITERATURA Um dos precursores do uso do aparelho extraoral em ortodontia foram Kingsley (1866) e Farrar (1870). Norman Kingsley o denominava como “head cap” com a finalidade de retrair os dentes ântero-superiores e utilizando-no com ancoragem occiptal. Angle modificou-o, considerando-o, entretanto, um dispositivo sem muita importância, acreditando que poderia utilizar elásticos intermaxilares com a mesma finalidade. Case (1921), em menção feita por Baptista (1985), esboçou três empregos para aparelho extraoral: em situações tratadas com exodontia e que demonstravam sobremordida; em situações de mordida aberta fazendo uso do aparelho sobre os incisivos inferiores após a exodontia dos primeiros pré-molares inferiores; e com a finalidade de distalização dos molares. Oppenheim (1936), após ter observado que o tratamento da Classe II de Angle apresentava-se insatisfatório, dedicou-se ao estudo de aparelhos de ancoragem extraoral em ortodontia e retoma o uso destas forças. Conseguiu sucesso no tratamento corretivo com o aparelho, utilizando-o para ancoragem apenas à noite. Ricketts (1960) afirmou que o aparelho extraoral se enquadra melhor na categoria de aparelho ortopédico, já que as alterações do complexo nasomaxilar podem ser vistas nos três planos do espaço. Barton (1972) destacou que o uso das forças extraorais começou por volta de 1800, quando Celleir desenvolveu a tração cervical ou occiptal para prevenir a luxação mandibular. Langlade (1993) alegou que a tração extraoral deve acompanhar o tipo facial do paciente. Para o tipo mesofacial, usar a tração horizontal. Para o tipo braquifacial, usar tração baixa. Para o tipo dolicofacial será imperativo servir-se de trações oblíquas ou altas. Segundo Proffit, Field Jr., (2002), a maloclusão de classe II de Angle é caracterizada por uma discrepância maxilo-mandibular dentária e/ou esquelética no sentido ântero-posterior. A incidência dessa maloclusão varia de 35% a 42% dos casos tratados na clínica ortodôntica. 13 Baptista (2004) define o aparelho de ancoragem cervical como um aparelho capaz de produzir movimentos ortodônticos e ortopédicos e que se ancora nas estruturas anatômicas localizadas fora da cavidade bucal. 1.1 Estruturas do aparelho extraoral Oosthuizen et al. (1973) indicaram que os tipos de tração são: alta ou parietal, horizontal ou occiptal, baixa ou cervical. Baptista (1985) observou que as dobras em baioneta facilitam o uso do aparelho, pois servem de trava à mesial do tubo. O autor Reurink (1989) considerou válido o emprego de tubos verticais nos molares para o uso dos aparelhos extrabucais, justificando que a inserção do arco interno no tubo seria mais fácil nos casos onde os molares se encontravam girovertidos, e que o movimento de expansão, caso necessário, manteria a inclinação dos molares. Shimizu et al. (2004) afirmam que os componentes do extra-oral são: arco interno, arco externo e tira de tração. Marcotte (1993) afirma que determinamos o tipo de extraoral baseado na área onde o arco externo se encaixa. Cada conjunto de extra-oral consiste em tiras cervicais e um arco facial. As tiras de encaixe têm o nome de acordo com o local de encaixe: tira cervical, tira occiptal. Segundo o autor, podemos usar um arco tipo interno-externo, o interno normalmente disponível em 0.045 ou 0.051 polegadas. O arco externo é de geralmente 0.072 polegadas. O autor ainda recomenda que para maior conforto do paciente e efetividade do aparelho, é necessário que o arco externo não grude na bochecha do paciente, bem como que o arco interno entre passivamente nos tubos extra-orais. Interlandi (1993) explica que os aparelhos extrabucais são constituídos por um apoio na cabeça e uma estrutura intermediária composta por um arco interno e um arco externo, que se unem através de uma solda na linha mediana. A função desses arcos é a de transmitir aos dentes as forças oriundas do apoio. O autor ainda indica o uso do primeiro molar superior para receber o tubo de ajuste no arco interno, pois este possui um implante radicular maior. No entanto, 14 podem-se usar mesmo assim os segundos molares permanentes, bem como os segundos molares superiores decíduos. Baptista (2004) esclarece que os melhores dispositivos para gerar o sistema de forças são os elásticos, pois são facilmente controláveis quanto à intensidade. Proffit, Field Jr., Sarver, (2008) orienta que para a aplicação do aparelho extraoral as bandas e tubos devem estar acomodadas e cimentadas. O arco interno não deve contatar os dentes, afastando-se 3 à 4 mm destes, exceto nos tubos molares. O final do arco externo deve ser dentro do tubo e não há necessidade de que este se estenda mais do que 1mm além do final do tubo. Indica-se expandir o arco externo em 2mm simetricamente, pois a medida que o dente distaliza existe uma tendência de cruzar a mandíbula. O autor ainda enfatiza que o arco externo deve repousar passivamente nos lábios. Ele deve ser reduzido no comprimento adequado e ter um gancho contornado em seu final. Indica para a aplicação de forças molas ao invés de elásticos, visto que assim as forças são distribuídas mais constantemente. Pereira, Demito (2008) dividem o aparelho em arco facial composto, apoio extraoral e elástico ou mola. O arco facial composto consiste em um arco externo e em um arco interno, unidos entre si na região mediana anterior. O arco interno pode medir 0.045” ou 0.051”e o arco externo medindo 0.062”ou 0.072”. O apoio extraoral são tiras que podem ser de tecido, de couro ou de plástico e sua posição (na região parietal, occiptal ou cervical) definem o tipo de aparelho utilizado. O elástico ou mola é o que determina a linha de ação e a intensidade da força. Elas fazem a conexão do braço externo ao apoio extraoral. 1.2 Idade recomendada para uso do aparelho extraoral Klohen (1947) acreditava que o tratamento da classe II deveria se iniciar o mais cedo possível, logo após a erupção dos molares permanentes. O tempo médio de tratamento com o extraoral era de 14 meses. O autor acrescenta que quando os pacientes utilizavam o aparelho precocemente, menos tempo e maior facilidade para tratar a maloclusão era necessária. 15 King (1957), em citação feita por Kopecky, Fishman (1993), verificou alterações diretas na posição do ponto A e uma maior mudança do perfil quando o tratamento ocorreu precocemente após analisar cinqüenta pacientes que tiveram a ancoragem extraoral (tipo Kloehn) como tratamento. Kopecky, Fishman (1993) trataram 41 pacientes com idade entre 9 e 17 anos que apresentavam maloclusão de classe II, 1a divisão com ancoragem cervical tipo Klohen e verificaram que as mudanças esqueléticas e dentárias estavam relacionadas à períodos específicos de maturação óssea e que os efeitos ortopédicos máximos desejados eram obtidos no momento em que o tratamento ocorria entre os estágios 4 e 7 de maturação, período este de alta velocidade de crescimento. Para Baptista (2004), a melhor idade para o emprego de forças extrabucais ortopédicas é entre 8 e 10 anos para meninas e de 9 a 11 anos para meninos. Shimizu et al. (2004) declararam que a melhor época de tratamento é até 6 meses a um ano antes do surto puberal de crescimento. Outra opção é o tratamento concomitante com a ortodontia corretiva, entretanto a discrepância esquelética não pode ser muito severa. 1.3 Magnitude da força recomendada e tempo de uso recomendado Blueher (1959) salienta que o tratamento com o aparelho extraoral deve ser de mais horas ao dia em meninos do que em meninas. O autor explica que os meninos têm um maior componente de força anterior do que as meninas, por isso meninos devem usar mais tempo para alcançar o mesmo resultado. Ricketts (1960) afirma que movimentos de natureza ortodôntica devem ter magnitudes de 150 até 250 gramas em cada lado, podendo ser diminuídas. Para movimentos ortopédicos, 500 gramas de cada lado para a dentição mista e 750 durante o final da dentição mista e início da permanente. Baptista (1985) assegurou que, para modificações ortopédicas, o nível de força deve ser 500 gramas/força para cada lado, iniciando com uma força menor (400 gramas/força). Quando utilizar forças extrabucais combinadas, seria mais indicado 16 utilizar 900 gramas/força de cada lado para tração alta e 500 gramas/força para tração baixa. Firouz et. al (1992) investigaram os efeitos dentais e ortopédicos do aparelho extraoral com tração alta em doze pacientes adolescentes com maloclusão de classe II, 1a div. e que fizeram uso deste mecanismo por doze horas diárias durante seis meses e fizeram a comparação com um grupo de controle com características semelhantes e que não tiveram tratamento. Os autores verificaram que, se a força do aparelho fosse direcionada de maneira a passar pelo centro de resistência dos molares superiores, era possível distalizá-los 2,6 milímetros e intruí-los 0,54 milímetros em média. Uma força de 500 gramas era suficiente para o princípio das alterações ortopédicas que incluíam o controle do crescimento horizontal e vertical da maxila e o movimento distal da borda anterior da maxila. Langlade (1993) afirmou que a força do aparelho extraoral pode ser contínua ou intermitente. As forças leves variam de 180 a 350 gramas e permitem manter os molares durante o crescimento, e as forças pesadas partindo de 600 a 1500 gramas (ou mais) podem produzir modificações ortopédicas. O autor recomenda o uso dos aparelhos extra-orais de 12 a 14 horas diárias, no mínimo. Porém poderá ser aumentado de acordo com a gravidade do problema a ser tratado. O autor ainda reforça que muita força pode machucar o paciente. Interlandi (1993) recomenda 400 gramas, força suficiente para permitir que as bases ósseas implicadas se reorganizem em suas reações teciduais. Viecilli (2010) indica forças leves permitindo que o dente fique com sua irrigação preservada, evitando a hialinização do tecido ósseo, o que retarda a movimentação. Além disso, o dente se movimenta mais facilmente se estiver implantado em osso esponjoso, não cortical. Afirma que forças pesadas ou intermitentes com direção préestabelecida devem ser determinadas de acordo com o tipo esquelético e padrão muscular de cada paciente, variando de 500 à 1500 gramas. O autor indica diferentes durações de uso diários do aparelho extraoral de acordo com a maloclusão do paciente. Para pacientes em classe I que necessitem apenas ancoragem, recomenda força de 300 gramas de 12 à 14 horas diárias. Pacientes classe II com molares em topo, indica força de 400 à 450 gramas de 12 à 18 17 horas diárias. Para pacientes com classe II esqueletal, indicam forças acima de 700 gramas com uso de maneira intermitente por um período de no mínimo 18 horas. Segundo Proffit, Field Jr. (2002) uma força de 500 gramas provavelmente é o mínimo para impedir o deslocamento para a frente e para baixo do complexo nasomaxilar. Para interferir no crescimento vertical recomenda uso de 14 horas diárias de tração alta com força de 340 gramas de cada lado. Shimizu et al. (2004) asseguram que as forças pesadas produzem efeitos ortopédicos no complexo nasomaxilar, segundo as teorias clássicas. O que deve ser considerado altamente desfavorável é a utilização de força pesada continuamente, pois ocorreriam seguidas reabsorções minantes sem que houvesse tempo para a reorganização dos tecidos. Baptista (2004) recomenda força de, em média, 500g/f de cada lado. Após três semanas o autor indica avaliar o movimento do molar clinicamente, bem como a sua mobilidade dental. Braun (2004) afirma que a cooperação do paciente é obtida se recomendado o uso da ancoragem extrabucal (AEB)¹ enquanto dorme e em algumas horas antes de dormir. Como em um aparelho ortodôntico intraoral as forças são ao longo das 24 horas do dia, o autor sugere um cálculo para caso se queira contrabalançar essas forças no molar. Energia extraoral aplicada= energia intraoral aplicada Energia=impulso= (força ou momento) (tempo) [Força extraoral ou momento] (tempo)=[força intraoral ou momento] (tempo) O autor exemplifica em um caso clínico: Cantilevers de intrusão com 50 gramas de força de cada lado nos 4 dentes do segmento incisivo. Um arco occiptal é colocado, utilizado por 8 horas em 24 horas. Para estabelecer a magnitude de força de cada lado do aparelho occiptal: 1. Durante o desenvolvimento do trabalho os termos utilizados a AEB e aparelho extrabucal foi fiel à denominação original dos autores. 18 FIG. 1. Caso clínico exemplificando a aplicação de cantilever de intrusão e forças extraorais. (BRAUN, 2001). FY 8 horas= f sen 600(8 horas)=50(24) F=173 g Para estabelecer a linha de ação da força: [momento no arco facial](horas)=[momento intraoral](horas) 173(D)[8]=[50(30)] 24 D=26mm Então, um aparelho occiptal utilizado por 8 horas com uma força de 175 g de cada lado, com 600 de inclinação com o plano oclusal, terá uma linha de ação a 26mm perpendicular ao centro de resistência do segmento, estabilizando os dentes de reação. Proffit, Field Jr., Sarver (2008) indica o uso de 10 à 12 horas por dia. Além disso, o autor esclarece que a liberação do hormônio do crescimento ocorre no início da noite. Sugere que o aparelho seja colocado após o jantar e retirado apenas na manhã seguinte. Recomenda força de 350g à 450g por lado. Esclarece que forças acima de 1000g são traumáticas aos dentes e estruturas de suporte. 19 1.4 Conceitos biomecânicos gerais do aparelho extraoral Gould (1957) investigou os princípios biomecânicos que governam o tratamento da malocusão com o aparelho extraoral. O autor alegou que dentes, bandas, arco interno e arco externo constituem um corpo rígido desde que a força elástica esteja ativa. Em geral, um corpo rígido sob a ação de forças vai mostrar duas diferentes ações: uma translação e uma rotação, dependendo do ponto de aplicação da força e sua relação com o centro de resistência. Declarou que o movimento rotacional do dente é governado pela relação da linha de ação da força com o centro de resistência. Com direção de força para distal, se a linha de ação da força passar através do fulcro, não haverá giro. Se passar mais à apical, o movimento será direcionado para onde estará o centro de rotação, então tenderá a se movimentar no sentido anti-horário e a coroa do dente irá rotacionar para mesial. Se a perpendicular passar oclusalmente, o dente se inclina apenas para a distal. Isso será verdade mesmo que o arco interno e o externo estejam paralelos e se a puxada elástica também estiver paralela ao plano oclusal. FIG. 2. Relação da linha de ação da força com o centro de resistência. As setas retas indicam a direção do movimento de translação, as curvas indicam a inclinação dentária. (GOULD, 1957). Ricketts (1960) observou que o centro de resistência da maxila encontra-se na parte superior da fissura pterigomaxilar. Segundo Armstrong (1971), o movimento da maxila ou do primeiro molar depende da direção da linha de ação da força aplicada pelo extraoral e da sua relação com o centro de resistência do dente, da maxila e do complexo dentoalveolar maxilar. 20 Barton (1972) afirmou que não se deve apenas analisar o centro de resistência do dente molar, pois se este encontrar-se unido aos demais dentes por um arco, eles passam a responder como uma única estrutura. O centro de resistência do conjunto de dentes, onde todos os dentes se encontram unidos, exceto primeiros pré-molares e segundos molares, localiza-se no terço médio da raiz dos segundos pré-molares. Worms et al. (1973) declararam que os segundos molares, quando totalmente erupcionados, criam um contato na distal da coroa do molar que vai alterar o sistema de forças no primeiro molar. Quando a força é no centro de resistência em direção distal, se espera translação, mas o segundo molar cria uma resistência, agindo com um momento anti-horário no primeiro molar. O primeiro molar se inclina distalmente, ápice à frente da coroa. Os segundos molares não irrompidos não criam resistência freqüentemente, desde que não haja contato nos primeiros molares. Os segundos molares não irrompidos se movem distalmente em resposta ao movimento distal dos primeiros molares, que se movem como biomecanicamente deveriam. Oosthuizen et al. (1973) enfatizaram que o dente se inclinará de acordo com a direção da força e a localização do centro de rotação. Se o centro de rotação estiver localizado mais oclusalmente em um movimento para distal, a coroa do dente se inclinará para distal, enquanto que sua raiz se inclinará para mesial. Os autores sugerem uma equação para analisar a força de inclinação. M seria o momento produzido na inclinação, T seria a tensão na tira cervical e P seria a distância perpendicular ao centro de resistência à linha de ação da força. M=TxP Com um T constante, a força de inclinação aumenta, por conseqüência, quando a perpendicular aumenta. Em relação aos componentes extrusivo e intrusivo, deve-se analisar a direção da linha de ação da força. Para se obter translação, a linha de ação da força deve passar pelos centros de resistência do dente a ser movimentado ou da maxila. Eles afirmam que o centro de resistência do molar superior é localizado na trifurcação das raízes, e que se a linha de ação da força passar através do centro de resistência não ocorrerá nenhuma inclinação dentária. 21 Bratcher et. al. (1985) articularam um meio de medir a força direcionada distalmente aos molares através de uma ancoragem extraoral, em montagens distintas do aparelho. Empregaram o uso de dois transdutores com medidores de tensão protegidos através de revestimentos de mudanças súbitas de temperatura que poderiam modificar as propriedades elásticas e elétricas. Chegaram à conclusão de que as forças medidas diretamente nos molares foram iguais ou maiores do que as mensuradas nos extrabucais e que as forças mais altas sobre os molares seriam derivadas de braços de alavancas. Perceberam ainda que a eficácia na distribuição de uma carga desequilibrada melhorou quando um dos braços da alavanca foi curvado externamente e que este efeito unilateral diminuía ao aumentarem a força do extraoral. Baptista (1985) orientou que, se a linha de ação da força passar acima do centro de resistência da maxila, produzirá restrição ou retardo do crescimento da maxila para frente e para baixo. O autor ainda relata que para conseguir forças ortopédicas a linha de ação da força deve estar entre o centro de resistência do molar e da maxila. Orienta que dobre o arco externo para cima em 15 a 20 graus. Teuscher (1986) explicou que, quando um vetor de força atuar sobre duas unidades (exemplificando o centro de resistência da maxila e o centro de resistência do arco), devemos avaliar o efeito sobre cada unidade separadamente. Na figura 3A os dentes superiores e a maxila têm suas forças passando pelos seus respectivos centros de resistência, originando um movimento de translação puro com os centros de rotação no infinito. Na figura 3B, exemplifica um vetor de força passando entre os centros de resistência dos dentes e da maxila, gerando um momento contra-direcional. 22 FIG. 3A. Força passando através do centro de resistência da maxila. FIG. 3B. Força passando entre os centros de resistência dos dentes e maxila, gerando um momento contra-direcional. (TEUSCHER, 1986). Cureton (1992) disponibilizou um recurso para definir o sistema de força a ser empregado no uso do aparelho extraoral. Por meio da telerradiografia encontrava-se o centro de resistência do molar e da maxila, projetando sobre o slide da fotografia do perfil do paciente, e sobre este se desenhava o sistema de forças. McNamara Jr. (1994) sugeriu o uso do aparelho cervical, com inclinação de 15 a 20 graus do arco externo, resultando uma força atuando no centro de resistência do primeiro molar. Viecilli (2010) orienta que o centro de resistência da maxila está localizado próximo à fissura pterigomaxilar. Adverte que por mais sofisticado que seja o aparelho extraoral, é muito difícil evitar a inclinação do plano palatino para baixo. Além disso, esclarece que quando os dentes estiverem unidos a um arco, o centro de resistência do arco estará localizado entre os ápices dos pré-molares. O autor ainda acrescenta que para que haja força de translação o comprimento e a angulação do braço externo deve estar posicionado de modo que a linha de ação 23 da força passe pelo centro de resistência do molar, anulando o efeito de inclinação no sentido mésio-distal. Shimizu et al. (2004) assegurou que para o uso efetivo do aparelho extraoral é necessário analisar alguns fatores: os centros de resistência do molar, da dentição (ortodontia corretiva) e da maxila; a magnitude de força; a linha da ativação da força, os tipos de tração, o comprimento e a inclinação do arco externo do AEB; e a resistência à movimentação no estágio do crescimento. Orientou a inverter a posição do tubo molar, onde o arco do aparelho extraoral está inserido, de uma posição oclusal para uma posição mais cervical, diminuindo a tendência de inclinação do molar no movimento para a distal. Baptista (2004) define: 1. Ponto de aplicação da força: encontra-se na união do arco interno com os tubos molares. 2. Ponto de união da força: representado pelo gancho do arco externo. 3. Ponto de origem da força: situa-se na região da tira cervical. 4. Linha de ação da força: linha entre o ponto de união e o ponto de origem da força, normalmente representados por tiras elásticas. 5. Resultante: força única que representa todo o sistema de forças 6. Intensidade ou magnitude da força: dependem dos objetivos que deseja atingir. 7. Centro de resistência do primeiro molar superior: Citando Wilson (1981) indica que é um ponto na trifurcação das raizes do primeiro molar. Se a força for aplicada diretamente no centro de resistência, teremos um movimento de corpo. 8. Centro de rotação do primeiro molar superior: Sua determinação depende da linha de ação da força. 9. Componente distal: quando a linha de ação da força é horizontal e passa pelo centro de resistência não temos componente intrusivo nem extrusivo, somente força distalizante pura. 10. Componente intrusivo: quando a linha de ação da força passa acima do centro de resistência do molar. 24 11. Componente extrusivo: quando a linha de ação da força é inclinada e passa abaixo do centro de resistência do molar. 12. Centro de resistência e rotação da maxila: sempre devemos levar em consideração quando desejamos movimentos ortopédicos. O autor explica que o efeito mais desejado é a redução do ponto A, quando aplicamos forças extrabucais ortopédicas, acompanhada de rotação maxilar no sentido horário. Sugere, então, que a linha de ação da força passe abaixo do centro de resistência da maxila. Braun (2004) indica o uso das telerradiografias de perfil para determinar o centro de resistência, localizando a medida Y/2 como na figura 4 e o localizando no paciente com um plug de amálgama ou equivalente. FIG. 4. Através de uma linha paralela ao plano oclusal na região infra orbitária. O centro de resistência está localizado na metade desta distância medida perpendicularmente a essas duas linhas, na região molar. (BRAUN, 2004). Proffit, Field Jr., Sarver, (2008) afirma que o centro de resistência da maxila está localizado, provavelmente, mais acima dos pré-molares superiores. Explica que se o arco interno estiver em posição, pode-se simular a aplicação da força colocando os dedos no arco externo em diferentes pontos e em ambos os lados. A força contra o 25 arco externo que levanta a junção entre o arco interno e externo irá mover as raízes para a distal, por exemplo. 1.5 Comprimento do arco externo Barton (1972) afirmou que a posição da ponta do arco externo determina a linha de ação da força. Se a linha de ação da força estiver à frente ou acima do centro de resistência, o plano oclusal se movimentará no sentido anti-horário. Isso indica o aparelho extraoral cervical em casos de mordida profunda e ângulo do plano mandibular baixo. Oosthuizen et al. (1973) apontaram que uma grande variedade de angulações e comprimentos do arco externo podem ser usados, sem alteração do componente de força extrusivo, somente se a força for mantida constante em magnitude e direção. FIG. 5. Variedade de angulações do braço externo e sua relação com o centro de resistência. (OOSTHUIZEN et al., 1973). Os autores fizeram uma avaliação do aparelho de tração cervical e afirmaram que aumentando o braço de um lado do arco externo, existe maior efeito distalizante. O comprimento de um arco externo curto, submetido à tração cervical, produzirá um movimento distal da coroa, além de um componente extrusivo. Com a tração parietal, acima do centro de resistência, terá um componente intrusivo importante, além de uma 26 distalização. Com uma tração occiptal, a força estaria próxima do plano oclusal, assim podendo extruir ou intruir os dentes. Contasti, Legan (1982) informaram que no arco extraoral de tração alta a posição do arco externo curto produz um momento anti-horário no molar. Se o arco for longo, produzirá momento horário. Chabre (1990) avaliou o controle vertical em tratamentos de classe II com a combinação de um extraoral occiptal e um ativador. Garantiu que o tratamento ativo teve a duração de 10 meses, com uso diário de 12 a 14 horas. O aparelho de tração occiptal foi usado com 700 a 800 gramas de força de cada lado. Se o arco externo for inclinado para baixo, a linha de ação da força passará atrás do centro de resistência alveolar e maxilar, reduzindo a altura facial posterior. Se a direção da força passar entre os dois centros de resistência, o plano palatino irá rotacionar no sentido horário (e o plano oclusal no sentido anti-horário), diminuindo a altura facial posterior: indicada para mordida moderada profunda, mesofaciais e leve dólicos. Se o arco for inclinado para cima (acima dos centros de resistência), os planos palatino e oclusal terão rotação anti-horária, indicando para pacientes com mordida profunda anterior e altura facial posterior diminuída. Langlade (1993) constatou que tração baixa produz extrusão e distalização, que diminui se encurtar o braço externo e incliná-lo para cima. Poderá produzir abertura de mordida, diminuição do crescimento da maxila, ancoragem molar e rotação negativa de mandíbula. Shimizu et al. (2004) afirmaram que o aparelho extraoral pode ser utilizado com o arco externo inclinado para baixo, para cima, ou paralelo ao plano oclusal e ainda, curto, médio e longo. 27 FIG. 6. Diferentes comprimentos e angulações possíveis no arco externo do aparelho extraoral. (SHIMIZU et al., 2004). 1.6 O aparelho cervical Klein (1957) analisou 24 pacientes com maloclusão de classe II, que tiveram a tração cervical (tipo Klohen) como tratamento. Ele constatou uma abertura no eixo “y” (SNGn) de 1º em média. O primeiro molar superior apresentou, em média, um movimento de inclinação distal de 1,2º, uma distalização de 1 milímetro e extrusão de 2 a 3 milímetros. Blueher (1959) afirmou que o extraoral cervical promove um aumento na altura facial ântero-inferior e do ângulo do plano mandibular em 50% dos casos tratados. Segundo Armstrong (1971), um AEB com tração cervical e braço externo longo e acima do centro de resistência produzirá extrusão e movimento distal do molar. Com a mesma tração e comprimento, o arco colocado ao mesmo nível do arco interno produzirá uma extrusão e inclinação distal do molar. Barton (1972) realizou um estudo comparativo de casos tratados com a puxada alta amarrada entre o canino e o incisivo lateral e tratados com o aparelho extraoral cervical com arco interno no primeiro molar superior. Percebeu que há uma maior extrusão dos molares superiores no o aparelho extraoral cervical do que com o aparelho extraoral com puxada alta ou com o aparelho occiptal. 28 Henriques et al. (1979) estudaram, em vinte pacientes com maloclusão de classe II, 1a div. e dentadura mista, as reações do aparelho extraoral de tração cervical sobre a maxila, mandíbula e dentes através de traçados cefalométricos obtidos no início e término do tratamento. Chegaram à conclusão de que o aparelho mostrou-se eficaz na correção da classe II, 1a div. realizando um movimento distal do primeiro molar superior, que a correção da relação molar fazia-se também graças ao crescimento mandibular e conseqüente movimento mesial dos primeiros molares inferiores. Comprovaram também que o ângulo SNA diminuía e o SNB aumentava ligeiramente propiciando uma melhoria do perfil facial, e que a altura facial inferior aumentava devido à extrusão dos molares superiores e inferiores bem como ao crescimento normal da face. Odom (1983) conduziu uma comparação entre as transformações ocorridas em uma amostra de pacientes com maloclusão de Classe II em dentição mista tratados com tração cervical e arco lingual inferior e em uma amostra de pacientes tratados apenas com a tração cervical e um grupo de controle. No primeiro grupo, o autor verificou uma significante inibição da mesialização e um acréscimo da extrusão dos molares superiores, bem como a hugbgj de efeito ortopédico maxilar no plano horizontal. Em casos onde os dentes anteriores estavam desunidos ao aparelho observou também um movimento de distalização. O tratamento coibiu o movimento anterior dos incisivos superiores e do ponto A. O arco lingual foi adequado na manutenção do espaço e ainda permitiu alterações no crescimento horizontal e vertical nas posições dos molares e incisivos. A mandíbula rotacionou para baixo e para trás e a altura da face aumentou. Aqueles tratamentos onde foi utilizada apenas a tração cervical observaram-se um menor efeito sobre a sobressaliência e o ângulo SNA. Teuscher (1986) relatou que a tração baixa tende a extruir os molares, rotacionar a mandíbula no sentido horário e aumentar o terço inferior da face. A Figura 7B ilustra o movimento com o arco cervical com os braços para cima, e os momentos da maxila e mandíbula apresentam movimentos contra-direcionais, gerando menor efeito posterior na dentição superior, menor controle vertical do molar, tendência de abertura de mordida. Inversamente, na figura 7A, consta a simulação do movimento com o arco extraoral cervical com os braços abaixo do plano oclusal. Maxila e 29 mandíbula têm momentos no mesmo sentido, abaixando os braços externos leva um efeito mais posterior da dentição posterior, maior controle do molar e um aumento na tendência de fechar a mordida. FIG. 7A. Simulação do movimento com o arco extraoral cervical com os braços abaixo do plano oclusal. (TEUSCHER, 1986). FIG. 7B. Movimento com o arco cervical com braços para cima gerando movimento contra direcionais. (TEUSCHER, 1986). Shimizu et al. (2004) recomendaram tração horizontal com o centro de resistência da dentição coincidindo com a linha de ação da força. Porém deve ser considerada a rotação horária que ocorrerá na maxila. A tração alta tende a intruir os dentes de suporte e como há dificuldade que a linha de ação da força coincida com o centro de resistência deve provocar alguma rotação. O’Reilly et al. (1993) realizaram a comparação dos efeitos de ancoragens extraorais oblíquas e cervicais em pacientes que foram constatados com tipo facial mordida aberta esqueletal e maloclusão de classe II,1a div. Verificaram um maior deslocamento da maxila no grupo tratado com o aparelho cervical, e extrusão dos molares de maneira diferente àqueles submetidos à tração oblíqua que permaneceram próximos à posição pré-tratamento. Neste grupo tratado com tração cervical, ocorreu 30 também um aumento acentuado na inclinação do palato e na altura palatina. Os autores demonstraram que para pacientes com mordida aberta esqueletal a tração cervical poderia colaborar para o aumento na altura facial anterior. Langlade (1993) sustentou que os principais efeitos do AEB cervical são: intrusão dos molares superiores, que aumenta com o encurtamento do arco externo e sua orientação para baixo; pouca distalização do molar; reorientação da direção do crescimento da maxila; rotação anti-horária da mandíbula; e aumento da ancoragem do molar superior. O autor ainda salientou que a tração horizontal promove distalização do molar, que aumenta se encurtar o braço externo, ocorrendo rotação se houver angulação do arco. A tração oblíqua não produz extrusão, e promove movimento distal do molar. Tenti (1993) assegurou que a tração cervical aplicada aos molares superiores provocava também uma extrusão e, conseqüentemente, uma rotação da mandíbula para trás, agindo positivamente sobre o crescimento póstero-anterior da maxila e negativamente sobre o crescimento vertical do processo alveolar. Marcotte (1993) afirmou que o extraoral cervical sempre extrui os dentes. Se a maxila for consolidada e agir como um bloco, o extraoral irá distalizar a maxila, extruí-la, gerar um momento positivo acentuando o plano de oclusão, um momento de primeira ordem (sentido horizontal) tendendo a rotacionar cada segmento mesial para fora e distal para dentro, e, devido às propriedades do elástico interno, uma força expansora no arco superior. Este tipo de AEB corrige a classe II por giro da mandíbula, acentuando o plano de oclusão e tornando o sorriso gengival. Para eliminar o momento positivo, o autor recomenda dobrar os arcos externos para cima. Os momentos então se cancelam, mas a força extrusiva será maior. Indicase em pacientes com boa rotação de crescimento anterior. Caso o arco externo do AEB cervical seja dobrado para baixo, um momento positivo é produzido na maxila com uma alta força extrusiva. O extraoral cervical com arco externo curto gera uma tendência maior de acentuar o plano oclusal quando as tiras estão encaixadas. Como a tração está à frente do centro de resistência, fazendo que o momento positivo seja maior. 31 Quando é desejado extrusão de dentes e aumento do plano oclusal, o autor indica o aparelho cervical com arco externo reto ou baixo. Quando é desejado extrusão de dentes e aplainamento do plano oclusal, o autor indica um aparelho cervical com arco externo muito alto. Viecilli (2010) indica o aparelho cervical para a correção da sobremordida, porém deve ser levado em consideração o padrão muscular do paciente. Proffit, Field Jr., (2002) comprovou que um extraoral cervical produz um movimento de distalização e extrusão. Shimizu et al. (2004) afirmaram que um aparelho extraoral cervical ativado para distalizar o molar também provocará além da distalização uma extrusão com inclinação, rotacionando a mandíbula no sentido horário, e que este efeito aumenta caso o arco externo esteja curto. Casaccia et al. (2010) analisam o método dos elementos finitos em modelos reproduzidos de uma maxila com dentes montados em má oclusão de classe II e um aparelho extraoral de tração cervical. O arco externo não se alterava em comprimento, mudava apenas angulação. Todas as variações apresentaram extrusão. Quando o arco externo estava abaixo do centro de resistência, teve como reação um movimento distal inicial com inclinação distal da coroa maior que a da raiz, produzindo um tip back no elemento envolvido. Já a força aplicada diretamente no centro de resistência do dente, o movimento distal foi de corpo, provocando um deslocamento distal da raiz até o terço médio. No modelo em que a resultante de forças passou acima do centro de resistência o deslocamento para distal foi maior na raiz, produzindo um tip foward. Baptista (2004) indica o aparelho extraoral para classe II, 1a divisão de origem dentária; classesII,1a div. de origem dentoalveolar; classes II, 1a divisão de natureza esquelética e no preparo da ancoragem. O autor ainda sugere angular os braços em 150 à 200 para que os braços externos passem na região do centro de resistência dos dentes molares. O autor ainda explica que quando se deseja movimentos ortopédicos, deve-se usar apenas o aparelho extraoral sem que os braquetes estejam montados e unidos por um fio. Se houver amarrilhos conjugados, impossibilita a ação da disjunção da sutura palatina. A rotação, a expansão e a distalização dos primeiros molares aumentam o comprimento da arcada e a expandem. 32 1.7 O aparelho occiptal Gould (1957) analisou o efeito da tração occiptal e confirmou que se a linha de ação da força passar acima do plano oclusal e acima do centro de resistência do primeiro molar superior, resultará em movimento distal e intrusivo além de uma inclinação mesial da coroa. Se a linha da ação da força com tração occiptal passar acima do plano oclusal e em cima do centro de resistência não haverá inclinação, porém terá um movimento distal e intrusivo. Se a linha de ação da força passar acima do plano oclusal e abaixo do centro de resistência, haverá movimento distal e intrusivo e inclinação distal da coroa. Se a linha de ação da força passar ao nível do plano oclusal e abaixo do centro de resistência, haverá um movimento distal, sem componente vertical de força e inclinação mesial da coroa. Quando a linha de ação da força passar abaixo do plano oclusal e do centro de resistência haverá um movimento distal e intrusivo e com inclinação distal da coroa. Poulton (1959), citado por Barton (1972), estudou o aparelho extraoral de tração occiptal e a linha de ação da força. O autor afirma que o centro de resistência geométrico da maxila está localizado entre as raízes dos pré-molares superiores. Se a abertura da mandíbula é desejada, a linha da ação da força deve atuar acima ou à frente do centro de resistência da maxila. Kuhn (1968) descreveu a tração occiptal que permite intruir e produzir torque lingual de raiz de incisivos superiores, resistindo mesmo durante o uso de elásticos de classe II. Já nos molares, o efeito é de intrusão leve e força distalizante. O autor esclarece que aparelho extraoral com tração cervical com o arco externo ao mesmo nível do interno produz um componente de força distal, extrusão e rotação horária da coroa do molar. Burke, Jacobson (1992) observaram alterações verticais em pacientes em crescimento com maloclusão de classe 1a div. e alto ângulo do plano mandibular (MPA) que foram tratados com forças extrabucais empregadas em diferentes ângulos com o plano oclusal. Uma amostra destes pacientes foi tratada com tração cervical e outra com tração occiptal. Os autores não verificaram diferenças significantes quando 33 compararam as mudanças ocorridas na altura facial e no ângulo do plano mandibular. Em referência às mudanças verticais, somente a altura do molar superior referente à linha Sela-Násio, plano palatal e o ângulo do plano oclusal foram significativamente diferentes quando compararam as duas trações: cervical e occiptal. De acordo com Barton (1972), o aparelho extraoral occiptal está indicado em casos de mordida aberta, onde a linha de ação da força passar abaixo do centro de resistência. Marcotte (1993) observou que o aparelho occiptal alto (figura 8) é o mais efetivo para mordidas profundas. Geralmente utilizando arcos externos curtos. FIG. 8. Aparelho Occiptal Alto. (MARCOTTE, 1993). Um aparelho extraoral occiptal com força posterior ao centro de resistência, por exemplo, com um braço longo, tem como efeito uma acentuação do plano oclusal, pela rotação da maxila e uma força intrusiva na maxila. É indicado em casos de mordida aberta, com incisivos que não aparecem em repouso ou função. Quando é desejado uma extrusão de dentes e um aplainamento do plano oclusal, o autor recomenda um aparelho occiptal com arco externo posterior ao centro de resistência. Já quando é desejado intrusão de dentes e aumento do plano oclusal, o autor indica o aparelho occiptal com arco externo anterior ao centro de resistência. 1.8 O aparelho parietal Gould (1957) analisou um arco facial de tração parietal com tração paralela ao plano oclusal. À medida que a linha da força elástica formar um ângulo para cima com o 34 arco externo haverá um componente de força para cima e o dente tenderá a intruir, enquanto que a puxada elástica que forma um ângulo baixo com o arco, tenderá a ter um componente de força extrusivo. Se a linha de ação da força for paralela ao arco externo, o efeito será de translação pura. Beek (1984) recomendou o uso de um aparelho extraoral com tração alta conectado a um ativador com uma força de 300 gramas por doze horas diárias. Assegurou que poderia ocorrer uma correção mensal de um milímetro da sobressaliência, mas afirmou que apenas uma parte da correção da distoclusão era de natureza ortopédica. Ainda acrescentou que o aparelho extraoral com tração alta junto ao ativador poderia agir intruindo e retraindo os dentes anteriores superiores, distalizando os molares superiores, retraindo a maxila, estimulando o crescimento da mandíbula, especialmente em pacientes com padrão de crescimento do tipo braquifacial, abrindo o eixo facial nestes pacientes, mantendo o eixo facial em pacientes dolicofaciais, impedindo a sobre erupção dos incisivos inferiores e o movimento para baixo do palato. O autor ainda verificou uma estabilidade da oclusão de classe I conquistada com o tratamento, uma significante diminuição da sobressaliência – média de 4,24 milímetros, um impedimento do desenvolvimento vertical da maxila e pequena intrusão dos dentes superiores, e uma diminuição da sobremordida por meio do nivelamento dos dentes inferiores. Não ocorreram indícios de que o crescimento mandibular fosse acelerado e nem de um aumento significante no ângulo do plano mandibular. Uma rotação extremamente suave no sentido horário do plano palatal foi também observada. Teuscher (1986) sustentou que a tração alta minimiza as rotações posteriores. O autor analisou a linha de ação da força. Quando esta se localizava mais para anterior, notou-se rotação anterior da dentição, sem nenhum controle vertical dos molares e acentuado controle dos incisivos e sem quase nenhum efeito distal nos dentes superiores. Quando a localização da linha de ação da força era mais posterior, verificou-se rotação posterior, acentuado controle vertical na região dos molares e pouco na região de incisivos e consideráveis efeitos distais nos dentes superiores. Na figura 9A, o vetor de força da tração alta passa através da sutura pterigopalatina. A posição do centro de rotação do plano oclusal indica rotação 35 acentuada do plano oclusal. Isso impõe momentos posteriores de rotação da maxila e dentição. A figura 9B indica a linha de ação da força passando entre os centros de resistência da maxila da dentição superior. Ambas as unidades estão sujeitas a momentos contra-direcionais. O centro de rotação do plano oclusal está acima, à frente do rosto, e longe. Isto indica pouca ou nenhuma rotação do plano oclusal. Na figura 5C, a linha de força passa através do centro de resistência da maxila e desloca seu centro de rotação para o infinito. O centro de rotação está acima, indicando uma rotação anterior do plano oclusal e controle horizontal pobre, quase sem nenhum efeito distalizante. FIG. 9A. Vetor de força passa através da sutura pterigopalatina. (TEUSCHER, 1986). FIG. 9B. Vetor de força passando entre os centros de resistência da maxila e mandíbula. (TEUSCHER, 1986). FIG. 9C. Linha de força passa através do centro de resistência da maxila e desloca seu centro de rotação para o infinito. (TEUSCHER, 1986). 36 Langlade (1993) assegurou que a distalização do molar no aparelho extraoral com tração parietal é quase nula. Viecilli (2010) afirma que para obter uma correção da mordida aberta utiliza-se a tração mais alta possível, pois esta provocará uma intrusão dos molares, além de uma extrusão dos dentes anteriores. No momento em que esta força acima do centro de rotação da maxila for ativada, a mesma provocará uma rotação do plano palatino e oclusal do sentido horário, e na mandíbula no sentido anti-horário, fechando a mordida. Segundo Proffit, Field Jr., (2002), diferentes tipos de tração produzirão diferentes forças. Um extraoral de tração alta produz distalização dos dentes e um movimento para cima dos dentes e da maxila. 1.9 AEB assimétrico Andreasen, Johnson (1967) confirmaram que é possível corrigir uma classe II assimétrica aplicando forças diferentes em cada lado. No lado em que se necessita maior distalização, 400 gramas e no que necessita menor distalização, 200 gramas. Oosthuizen et al. (1973) demonstraram matematicamente que a expansão de um lado do arco sem que o comprimento do arco externo seja aumentado não é eficiente para produzir maior força distalizante. Hershey et al. (1981) conduziram um estudo para avaliar e comparar a efetividade dos desenhos de arco facial que entregam forças unilaterais para os terminais do arco interno. Um sistema transdutor de calibre de tensão foi utilizado na análise laboratorial de distribuição de forças nos terminais do arco interno. As forças de tração nesse estudo tiveram a magnitude de 250 gramas entregues para cada ponta do arco externo. O arco facial com braço de força e o arco externo com união móvel foram efetivos entregando uma força significativa distal unilateral. O arco externo bilateralmente simétrico, o arco unilateral soldado com offset e o arco facial com mola não apresentaram resultados favoráveis. Os autores afirmam que dando forças de tração iguais, se nenhuma assimetria nas pontas do arco externo em relação ao plano midsagital (eixo y) estiver presente, não haverá força distalizante unilateral nos terminais do arco interno. 37 Na figura abaixo, que ilustra um arco facial com braço de força, o arco externo está orientado para que o eixo “X” passe através de um ponto no final do arco interno e perpendicular ao plano midsagital. As forças de tração Fl e FR, que são iguais em magnitude, são direcionadas posteriormente e medialmente pela ponta do arco externo e convergem para formar uma tangente com a curvatura do pescoço. Em todos os verdadeiros arco faciais unilaterais, uma extensão dessas forças de tração permite interceptar em um ponto à direita o plano midsagital. FIG. 10. Arco facial com braço de força. (HERSHEY et al., 1981) Na construção deste arco externo, o braço longo deve ser colocado no lado que necessita maior força distal e deve terminar posteriormente próximo do primeiro molar. Ele deve se estender lateralmente até que se afaste em 2 polegadas da bochecha do paciente quando em seu estado ativado. O arco curto deve terminar próximo ao canino e deve se estender lateralmente o suficiente para permitir que seu elástico toque gentilmente a bochecha. 38 FIG. 11. Arco facial com união móvel. (HERSHEY et al., 1981) Tantos nos arcos faciais com braço de força quanto naqueles que possuem união móvel foi possível produzir forças unilaterais, pois estes agem com a mesma configuração geométrica de ativação. A figura 10 ilustra um arco externo com braço de força. Na figura 11, podemos analisar um arco facial com união móvel. A união móvel permite que os terminais do arco externo movam-se livremente para uma configuração lateral até uma posição onde fique assimétrico em relação ao plano midsagital. Nesta instância, o estado pré-ativado do aparelho (linhas sólidas da figura) tem o final do arco externo simétrico no eixo Y. Quando ativado, a ponta do lado da união móvel gira para a vestibular e a ponta do lado oposto gira lingualmente. Quando o equilíbrio é alcançado (linha pontilhada da figura), as pontas do arco externo tornam-se assimétricas em relação ao eixo Y, agindo da mesma maneira que o arco facial com braço de força convencional, e o dispositivo giratório não serve mais para o uso. 39 Conseqüentemente, os clínicos podem ter o mesmo resultado fabricando o arco facial com braço de força do que comprando o arco facial com união móvel. Todo o arco facial que é efetivo na entrega de forças distais unilaterais também entregará uma rede lateral de força aos terminais do arco externo. A magnitude dessa rede lateral de força aumenta proporcionalmente quando a força distalizante aumenta. Os efeitos dessas forças laterais podem ser clinicamente manipulados com a constrição ou expansão do arco interno. Moura (1991) salientou que para que ocorram forças assimétricas um braço externo do aparelho extraoral deve estar mais longo que o outro. Langlade (1993) recomendou aumentar o comprimento do arco externo no lado em que se deseja maior distalização, porém o momento nesse lado também será maior. Segundo Marcotte (1993), o arco assimétrico só é possível quando há comprimentos diferentes no lado esquerdo e direito do arco externo. Entretanto, esta conduta pode gerar efeitos colaterais indesejados, como uma vestibularização dentária no lado com braço mais longo e lingualização no lado com o braço mais curto. Shimizu et al. (2004) afirmaram que é preciso uma força assimétrica quando há uma subdivisão ou posição assimétrica ântero-posterior dos molares. 1.10 AEB com forças combinadas e AEB de interlandi Lineares et al. (1982) realizaram um experimento onde puderam comparar a repercussão do uso do aparelho extraoral em vinte pacientes com maloclusão de classe II administrados com a tração cervical (tipo Klohen) em relação aos efeitos derivados do tratamento com a tração intermediária de Interlandi (Interlandi Head Gear - IHG) em outros vinte pacientes. Os autores verificaram uma redução maior do ângulo SNA nos pacientes tratados com o IHG. Baptista (1985) indicou, para distalizar o molar superior, o casquete de Interlandi ou o combinado de Ricketts. Langlade (1993) declarou que, com forças combinadas, é possível gerar translação sem momento desde que o componente de força vertical seja maior que o horizontal. 40 Marcotte (1993) explicou que este tipo de aparelho extraoral permite que a força seja dirigida ao centro de resistência. Quando é desejada uma intrusão de dentes e aplainamento do plano oclusal, recomenda-se o aparelho do tipo combinado com arco externo acima do centro de resistência. Quando é desejado mais distalização e aplainamento do plano oclusal recomenda-se o aparelho combinado com arco externo abaixo do centro de resistência. Quando se deseja boa força distal e aumento do plano oclusal, é indicado o aparelho combinado com arco externo passando através do centro de resistência. Se o requerido é uma boa força distal e sem mudanças no plano oclusal, recomenda-se aparelho combinado com arco externo passando através do centro de resistência. Interlandi (1993) afirma que o AEB de Interlandi consiste em três tiras de apoio, nas áreas cervical, occiptal e parietal que se juntam à frente da orelha, na parte de cima e de baixo de uma lamina em forma de C, cheia de ranhuras na parte interna. O IHG deve receber os arcos no mesmo plano, o que deve mudar é a direção do elástico. 1.11 AEB em J Interlandi (1986) destacou que o arco fácil, se conectado a região anterior, terá de apresentar os lados esquerdo e direito separados (arco em “J”) e estes adaptados em ganchos coincidentes com os desvios laterais do arco superior, intervindo desta maneira com eficácia na abertura da mordida anterior. De acordo com Marcotte (1993), o aparelho cervical com ganchos em jota possui ganchos que são posicionados à mesial dos caninos em ambos os lados. O arco externo consiste em um braço esquerdo e direito com um orifício no final. Indicado para casos de classe II com mordida profunda. Ele aplica uma força direcionada para a distal na maxila, extruindo os dentes superiores e girando a mandíbula aberta. O arco tipo gancho J consiste em um fio 0,72 polegadas que se encaixa em um pequeno stop soldado no arco, geralmente entre incisivo lateral e canino. 41 FIG. 12. AEB tipo gancho J. (MARCOTTE, 1993). McNamara Jr (1994) sugeriu, em casos onde e desejado restringir o movimento da maxila para frente e para baixo, a utilização do arco em “J”. Indicado, também, para intrusão e retrusão de incisivos quando utilizado com puxada alta e reta. 2 DISCUSSÃO 2.1 Idade recomendada para tratamento: Estudos indicam que, para se ter sucesso na correção da classe II com o aparelho extraoral, o tratamento deve ser precoce. Kloen (1947) sugeriu que o tratamento seja iniciado logo após a erupção total dos dentes primeiros molares permanentes superiores. Já McNamara Jr (1994) garantiu que o tratamento pode iniciar nas fases de dentição mista ou permanente. A maioria dos autores aprova a teoria de que se deve analisar os estágios de desenvolvimento epifisários, que variam de 1 a 8 e são determinados normalmente por radiografias de mão e punho. Kopecky, Fishman (1993) buscaram efeitos máximos de correção ortopédica, declarando que o período de maior velocidade de crescimento e maior efetividade do aparelho na parte esquelética foi entre os estágios 4 e 7 de maturação óssea. Shimizu et al. (2004) orientam que em casos de discrepâncias esqueléticas menores, pode-se realizar o tratamento junto com a ortodontia corretiva, mas que a melhor época de tratamento ainda é de seis meses a una ano antes do surto puberal de crescimento. Declara-se, segundo McNamara Jr (1981), que a retrusão mandibular é um fator presente nos casos em classe II, I e é de fundamental importância um diagnóstico correto de tratamento. 2.2 Tempo de uso recomendado Embora Blueher (1959) tenha indicado o uso do aparelho extraoral em mais horas por dia em meninos do que meninas, pois os meninos tem maior componente anterior de força, Firouz et al. (1992) conseguiram sucesso em seu tratamento comparando um grupo controle e um grupo com aparelho de tração alta com uso de 12 horas diárias. Langlade (1993), entretanto, sugeriu que se deve aumentar o tempo à medida que a gravidade do problema aumenta, mas que o mínimo deve ser entre 12 e 14 horas, de preferência incluindo o turno da noite, onde se tem mais colaboração do 43 paciente. Proffit, Field Jr., (2002) acrescenta que o uso noturno é recomendado porque a liberação do hormônio do crescimento ocorre no início da noite. Segundo McNamara (1995), o efeito ortopédico do tratamento poderia aumentar se o extraoral apropriado fosse utilizado por um período integral. Proffit, Field Jr., (2002) recomendou o uso de 12 horas do aparelho por dia. Shimizu et al. (2004) desaconselha o uso de forças muito pesadas continuamente, pois não há tempo para a reorganização dos tecidos. Viecilli (2010) indica diferentes magnitudes de força e tempo de uso do aparelho de acordo com o caso a ser tratado. 2.3 Magnitude de força recomendada Langlade (1993) observou que há uma grande discrepância em relação à intensidade da força a ser utilizada. Existe um consenso de que forças pesadas promovem mais efeito ortopédico e que forças leves promovem alterações ortodônticas. Para movimentos ortodônticos, Ricketts (1960) indicou que as forças devem variar entre 150 a 250 gramas de cada lado, podendo ser diminuídas. Langlade (1993) recomendou o uso de forças leves de 180 a 350 gramas de cada lado para movimentos dentários. Marcotte (1993) indicou que os valores de força usam limites de 200 gramas de cada lado para a dentição mista e até aproximadamente 500 gramas para a dentição permanente. Baptista (1985) aconselhou, para movimentações ortopédicas, 500 gramas/força para cada lado, porém começando com 400 gramas/força. Chabre (1990) utilizou de 700 a 800 gramas diárias em seus tratamentos. Firouz et al. (1992) obteve resultados satisfatórios com 500 gramas de força em cada lado. Por outro lado, Langlade (1993) orienta que as forças direcionadas para maxila devem variar de 600 a 1500 gramas. Baptista (1985) observou que existe alteração nas forças medidas diretamente nos molares às mensuradas nos extrabucais, e que as forças mais altas sobre os molares seriam derivadas de forças de alavanca. 44 Viecilli (2010) e Proffit, Field Jr., Sarver, (2008) esclarecem que forças muito pesadas são traumáticas aos dentes e estruturas de suporte, promovendo a hialinização do tecido ósseo, o que retarda a movimentação. 2.4 Conceitos biomecânicos gerais do aparelho extraoral Cureton (1992) e Braun (2004) utilizavam teleradiogragias de perfil para determinar os centros de resistência da maxila e dos molares, desenhando o sistema de forças. Gould (1957) retifica que dentes, bandas, arco interno e externo constituem um corpo rígido desde que a força elástica esteja ativa. Armstrong (1971) mencionou que o movimento depende da linha de ação da força, da sua relação com o centro de resistência dos dentes, da maxila, e do complexo dentoalveolar maxilar. Shimuzu et al. (2004) acrescentaram que, além dos fatores mencionados acima, é preciso observar também a magnitude da força, o tipo de tração, o comprimento e inclinação do braço externo do AEB e a resistência à movimentação no estágio de crescimento. Viecilli (2010) determina que a linha de ação da força deve passar pelo centro de resistência do molar, anulando o efeito de inclinação no sentido mésio-distal e movimento de translação. 2.5 Localização do centro de resistência da maxila, dentes e complexo dentário Ricketts (1960), Viecilli (2010) indicaram que o centro de resistência da maxila se encontra na fissura pterigomaxilar. Já Poulton (1959), em citação feita por Barton (1972), destacou que o centro geométrico da maxila está localizado entre as raízes dos pré-molares superiores. Barton (1972) afirma que o centro de resistência de um conjunto de dentes normalmente se localiza próximo as raizes dos pré molares. Ossthuizen et al. (1973) mencionaram que o centro de resistência do molar superior está localizado na trifurcação das raízes. Worms et al. (1973) afirmou que os segundos molares não totalmente erupcionados criam um contato na distal do primeiro molar. Quando a força é no centro de resistência em direção distal, se espera 45 translação, mas o segundo molar cria uma resistência, agindo com um momento antihorário no primeiro molar, criando resistência ao movimento caso estes estejam com algum ponto de contato nos primeiros molares. Barton(1972) indica que se os dentes estão unidos a um arco, eles respondem como uma única estrutura. Teuscher(1986) e Shimizu (2004) explicam que devemos avaliar cada unidade separadamente, já que o centro de resistência da maxila e molares ou conjuntos de dentes erão respostas diferentes quando aplicadas uma força. Baptista (1985) e McNamara Jr (1994) sugeriram a inclinação do arco cervical de 15 a 20 graus, para que seus braços passem pelo centro de resistência do primeiro molar. 2.6 Determinação do centro de rotação Gould (1957) enfatizou que, com o objetivo de determinarmos o centro de rotação do dente, devemos analisar a relação da linha da ação da força e direção da força com o centro de resistência. Se a linha de ação da força com direção distal passar mais à apical, por exemplo, acima do fulcro, o dente se movimentará para mesial e sua raiz para distal, gerando um movimento anti-horário. Burstone (2003) atestou que a posição do centro de rotação do dente depende do sistema de forças aplicado. A proporção entre o momento e a força vai determinar o tipo de movimento dentário produzido. Oosthuizen et al. (1973) analisaram a inclinação do dente e afirmaram que esta depende da direção da força e do centro de rotação. Se o centro de rotação, por exemplo, estiver localizado mais oclusalmente em um movimento distal, o dente se inclinará para distal, enquanto que sua raiz para a mesial. Os autores ainda afirmam que, quando a perpendicular ao centro de resistência e à linha de ação da força aumenta, a força de inclinação dentária aumenta. 46 2.7 Comprimento do arco externo Barton (1972) declarou que o que determina a linha de ação da força é a posição do arco externo. Oosthuizen et al. (1973) afirma que pode-se alteram angulação e comprimento do arco externo, sem alteração do componente extrusivo, se a força for mantida constante em magnitude e direção. Segundo o autor, o comprimento do arco será curto quando o braço externo terminar antes do tubo molar e longo, se estiver posteriormente ao tubo molar. Shimizu et al. (2004) afirmam que o aparelho extraoral pode ser usado com o arco externo inclinado para baixo, para cima, paralelo ao plano oclusal e ainda curto, médio e longo. 2.8 O extra-oral cervical 2.8.1. O extraoral cervical paralelo ao plano oclusal Klein (1957) constatou em seu estudo a efetividade do aparelho extraoral cervical e, em média, houve uma abertura no eixo Y de crescimento de 1 grau, uma distalização de 1 milímetro, e extrusão de 2 a 3 milímetros do molar superior. Blueher (1959) também encontrou um aumento na altura facial ântero-inferior. Henriques et al. (1979) comprovaram a eficácia do aparelho extraoral cervical e que a correção da relação molar fazia-se também graças ao crescimento mandibular, movimento distal do primeiro molar superior e conseqüente movimento mesial dos primeiros molares inferiores. Marcotte (1993) ponderou que o extraoral cervical sempre extrui dentes. Com a maxila agindo como um bloco, o extra-oral irá distalizar a maxila, extruí-la, gerar um momento positivo acentuando o plano de oclusão, um momento de primeira ordem (sentido horizontal) tendendo a rotacionar cada segmento mesial para fora e distal para dentro, e, devido às propriedades do elástico interno, uma força expansora no arco superior. Esse AEB corrige a classe II por giro da mandíbula, acentuando o plano de oclusão e tornando o sorriso gengival. Quando se deseja extrusão de dentes e aumento do plano oclusal, o autor indica o aparelho cervical com arco externo reto ou baixo. 47 Langlade (1993), Casaccia (2010) sustentaram que o AEB cervical sempre extrui os molares superiores. Proffit, Field Jr., (2002) acrescentou que, além de extrusão, tem-se um movimento de distalização. Shimizu et al. (2004) recomendaram a tração horizontal com o centro de resistência da dentição coincidindo com a linha de ação da força. Porém, determinam que deva ser considerada a rotação horária que ocorrerá na maxila. 2.8.2. AEB cervical com braços inclinados para cima Teuscher (1986) afirmou que, com os braços para cima o arco cervical, a maxila e a mandíbula apresentam momentos contra-direcionais, gerando menor efeito posterior na dentição superior, menor controle vertical do molar, e tendência de abertura de mandíbula. Marcotte (1993) compartilhou deste mesmo pensamento, indicando que dobrando os arcos do AEB cervical para cima, elimina-se o momento positivo. Os momentos então se cancelam, mas a força extrusiva será maior. Indica-se em pacientes com boa rotação de crescimento anterior. Quando se deseja extrusão de dentes e aplainamento do plano oclusal, o autor indica um aparelho cervical com arco externo muito alto. Baptista (1985) e McNamara Jr (1994) sugeriram a inclinação do arco cervical de 15 a 20 graus, para que seus braços passem pelo centro de resistência do primeiro molar. 2.8.3. AEB cervical com os braços inclinados para baixo Teuscher (1986) relatou que, quando o braço externo está abaixo do plano oclusal, maxila e mandíbula têm momentos no mesmo sentido, levando a um efeito mais posterior da dentição superior, maior controle do molar e um aumento na tendência de fechar a mordida. Marcotte (1993), Langlade (1993) indicam que caso o arco externo do AEB cervical seja dobrado para baixo, um momento positivo é produzido na maxila com uma alta força extrusiva. 48 2.8.4. AEB cervical com braço curto Langlade (1993) declarou que a extrusão dos molares superiores aumenta com o encurtamento do arco externo e sua orientação para cima. Marcotte (1993) explicou que o aparelho extraoral cervical, com arco externo curto, gera uma tendência maior de acentuar o plano oclusal quando as tiras estão encaixadas. Como a tração está à frente do centro de resistência, fazendo que o momento positivo seja maior. 2.8.5. AEB cervical com braço longo De acordo com Armstrong (1971), um AEB com tração cervical e braço externo longo acima do centro de resistência produzirá extrusão e movimento distal do molar. Já um AEB com a mesma tração e comprimento e o arco colocado ao mesmo nível do arco interno produzirá uma extrusão e uma inclinação distal do molar. 2.8.6. AEB cervical com ganchos em “J” McNamara Jr (1994) aconselhou este mecanismo para casos onde se deseja restringir o movimento da maxila para frente e para baixo. Indica-se também para a intrusão e retrusão de incisivos quando utilizado com puxada alta e reta. Marcotte (1993) O aparelho cervical com ganchos em “J” aplica uma força direcionada para a distal na maxila, extruindo os dentes superiores e girando a mandíbula aberta. 2.9 AEB occiptal 2.9.1. AEB occiptal paralelo ao plano oclusal Gould (1957) constatou que, se a linha de ação da força passar ao nível do plano oclusal e abaixo do centro de resistência, haverá um movimento distal, sem 49 componente vertical de força e inclinação mesial da coroa. Kuhn (1968) alegou que a tração occiptal intrui e produz torque lingual de raiz de incisivos superiores. 2.9.2. AEB occiptal com braços inclinados para cima Gould (1957) destacou que, se a linha de ação da força passar acima do plano oclusal e acima do centro de resistência do primeiro molar superior, este terá um movimento distal e intrusivo, além de uma inclinação mesial da coroa. Se a linha de ação da força passar acima do plano oclusal e em cima do centro de resistência, não haverá inclinação, porém haverá um movimento distal e intrusivo. Chabre (1990) assegurou que, caso a direção da força passar entre os dois centros de resistência, o plano palatino irá rotacionar no sentido horário, diminuindo a altura facial posterior. 2.9.3. AEB occiptal com braços inclinados para baixo Gould (1957) afirmou que, quando a linha de ação da força passar abaixo do plano oclusal e do centro de resistência, ocorrerá um movimento distal e intrusivo com inclinação distal da coroa. Além disso, Chabre (1990) salientou que se o arco externo passar atrás do centro de resistência maxilar e alveolar, reduzindo a altura facial posterior. 2.9.4. AEB occiptal com braços curtos Marcotte (1993) indica este tipo de AEB para quando é desejada uma intrusão de dentes e aumento da inclinação do plano oclusal, já que o arco externo estará anterior ao centro de resistência. 2.9.5. AEB occiptal com braços longos Marcotte (1993) declarou que um extraoral occiptal com força posterior ao centro de resistência, por exemplo, com um braço longo, tem como efeito uma 50 acentuação do plano oclusal, pela rotação da maxila e uma força intrusiva na maxila. É indicado em casos de mordida aberta, com incisivos que não aparecem em repouso ou função. Quando se deseja uma extrusão de dentes e um aplainamento do plano oclusal, o autor recomenda um aparelho occiptal com arco externo posterior ao centro de resistência. 2.10 AEB de Interlandi e AEB combinado Lineares et al. (1982) constataram que houve maior redução do ângulo SNA em pacientes tratados com o IHG. Marcotte (1993) afirma que estes aparelhos extrabucais permitem uma força diretamente através do centro de resistência. Langlade (1993) considerou que forças combinadas podem gerar translação sem momento desde que o componente de força vertical seja maior que o horizontal Proffit, Field Jr., (2002) alegou que um extraoral combinado com forças iguais produz distalização e movimento leve para cima de dentes e maxila. 2.11 AEB parietal 2.11.1 AEB parietal com braço externo paralelo ao plano oclusal Langlade (1993) apontou que a distalização no aparelho parietal é quase nula, já Proffit, Field Jr., (2002) afirmou que um extraoral de tração alta produzirá distalização e um movimento para cima dos dentes e da maxila. 2.11.2 AEB parietal com braços inclinados para cima do plano oclusal Teuscher (1986) comprovou que, se a linha da ação da força passar entre os centros de rotação da maxila e da dentição, haverá momentos contra-direcionais, e o plano oclusal não irá rotacionar. Se a linha de ação da força passar através do centro de rotação da maxila, o plano oclusal irá rotacionar, e quase nenhum efeito distalizante 51 2.11.3 AEB parietal com braços curtos Teuscher(1986) verificou que, quando a linha da ação da força estava mais localizada para anterior, há rotação anterior da dentição, sem nenhum controle vertical dos molares, acentuado controle nos incisivos, sem quase nenhum efeito distalizante. 2.11.4 AEB parietal com braços longos Teuscher(1986) observou que, quando a linha de ação da força era mais posterior, ocorre uma rotação posterior, acentuado controle vertical na região dos molares, pouco na região de incisivos, além de consideráveis efeitos distalizantes. 2.12 AEB assimétrico Shimizu et al. (2004) salientam que é necessário uma força assimétrica quando há uma subdivisão ou posição assimétrica ântero-posterior dos molares. Andreasen e Johnson (1967), Oosthuizen et al. (1973), Hershey et al. (1981), Moura (1991), Langlade (1993), Marcotte (1993) afirmaram que, para ocorrer forças assimétricas, deve-se aumentar o comprimento do braço externo, deixando um lado do arco maior do que o outro. Hershey et al. (2004) confirmaram que todo o arco facial que é efetivo na entrega de forças distais unilaterais também entregará forças laterais nos terminais do arco externo. Marcotte (1993) explica que essas forças laterais agirão com uma vestibularização dentária no lado com braço mais longo e lingualização no lado com o braço mais curto. Hershey et al. (2004) ainda asseguram a efetividade do aparelho extraoral com união móvel é efetivo em entregar forças assimétricas já que na sua ativação ele apresenta a mesma geometria que o arco externo com o braço mais comprido de um lado que de outro. 52 CONCLUSÃO Através desta detalhada revisão da literatura foi possível concluir que o tratamento da classe II dentária (tanto bilateral quanto unilateral) e esquelética é eficiente com a utilização do aparelho extraoral. Ficou definido que o tratamento tem sua maior eficácia nos períodos que antecedem o surto de crescimento, sendo necessárias radiografias de mão e punho para determinar os estágios de maturação óssea que o paciente se encontra. Além disso, sugere-se que o uso deste aparelho seja de 12 à 14 horas diárias, é sugerido que que o uso antes de dormir e durante o sono apresenta maior eficácia no que diz respeito à cooperação do paciente. Em relação à magnitude de forças, os autores consentem que forças pesadas promovem movimentos ortopédicos e forças leves, ortodônticos, embora que forças leves e pesadas apresentem conceitos diferentes para cada autor. Em média as forças leves variam de 150 à 500 gramas e as forças pesadas de 500 à 1500 gramas. Salientam que forças muito pesadas podem prejudicar a respostas dos tecidos, não dando o devido tempo para que estes se reorganizem e, assim, prejudicar o movimento. Para que o movimento seja feito de maneira previsível, ficou clara com este trabalho a importância da determinação do centro de resistência do paciente previamente ao desenho do aparelho extraoral. Em relação ao centro de resistência dentário, os autores definem que este se localiza na trifurcação das raízes do molar. Já no centro de resistência do bloco dentário, alguns os citam como centro de resistência da maxila, localizando-o normalmente entre as raízes dos pré-molares superiores. O 53 ideal é somar as superfícies radiculares dos dentes unidos ao arco para determiná-lo. Em relação ao centro de resistência da maxila, os autores determinam que este se localiza na região da fissura pterigomaxilar. De acordo com o diagnóstico individual é possível determinar o uso de braços externos curtos, longos, acima, abaixo, à frente e atrás do centro de resistência, tanto do dentes, da maxila e deste complexo. Faz-se necessário estudar o sistema de forças antes da confecção deste dispositivo, para determinar qual tipo de puxada do extraoral, seja ela cervical, occiptal ou parietal deverá ser utilizada. 54 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDREASEN, G.; JOHNSON, P. Experimental Findings on Tooth Movements Under Two Conditions of Applied Force. The Angle Orthodontist. Appleton, v. 37, n. 01, p. 912, Jan., 1967. ARMSTRONG, M. M. Controlling the Magnitude, Direction and Duration of Extraoral Force. AJO. St. Louis, v. 59, n. 03, p. 217-243, Mar., 1971. BAPTISTA, J. M. 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