UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS AMBIENTAIS E TECNOLÓGICAS
CURSO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
JOSÉ BARTOLOMEU RIBEIRO JÚNIOR
APLICAÇÃO DO MÉTODO DE RIPPL NO DIMENSIONAMENTO DE UM
RESERVATÓRIO PARA APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA EM UMA
RESIDÊNCIA UNIFAMILIAR NO NORDESTE BRASILEIRO.
MOSSORÓ-RN
2011
2
JOSÉ BARTOLOMEU RIBEIRO JÚNIOR
APLICAÇÃO DO MÉTODO DE RIPPL NO DIMENSIONAMENTO DE UM
RESERVATÓRIO PARA APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA EM UMA
RESIDÊNCIA UNIFAMILIAR NO NORDESTE BRASILEIRO.
Monografia apresentada à Universidade Federal
Rural do Semi-Árido – UFERSA, Departamento
de Ciências Ambientais e Tecnológicas para a
obtenção do título de Bacharel em Ciência e
Tecnologia.
Orientadora: Profa. Dra. Sc. Solange Aparecida Goularte Dombroski
MOSSORÓ – RN
2011
3
Ficha catalográfica preparada pelo setor de classificação e
catalogação da Biblioteca “Orlando Teixeira” da UFERSA
R484a Ribeiro Júnior, José Bartolomeu.
Aplicação do método de RIPPL no dimensionamento de
um reservatório para aproveitamento de água de chuva em
uma residência unifamiliar no nordeste brasileiro. / José
Bartolomeu Ribeiro Júnior. -- Mossoró, 2011.
62f. il.
Monografia (Graduação em Bacharelado em Ciência e
Tecnologia) – Universidade Federal Rural do Semi-Árido.
Orientador: Profª. Dra. Sc. Solange A. G. Dombroski.
1.Aproveitamento de água de chuva. 2. Reservatório.
3.Água – Uso não potável. I.Título.
CDD: 628.1
Bibliotecária: Marilene Santos de Araújo
CRB5 1013
4
JOSÉ BARTOLOMEU RIBEIRO JÚNIOR
APLICAÇÃO DO MÉTODO DE RIPPL NO DIMENSIONAMENTO DE UM
RESERVATÓRIO PARA APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA EM UMA
RESIDÊNCIA UNIFAMILIAR NO NORDESTE BRASILEIRO.
Monografia apresentada ao Departamento de
Ciências Ambientais e Tecnológicas para a
obtenção do título de Bacharel em Ciência e
Tecnologia.
DATA DA APROVAÇÃO: 01/07/2011.
BANCA EXAMINADORA
__________________________________________________
Profa. Dra. Sc. Solange Aparecida Goularte Dombroski – UFERSA
Presidente
__________________________________________________
Prof. Dr. Sc. Paulo César Moura da Silva – UFERSA
Primeiro Membro
__________________________________________________
Prof. Me. Blake Charles Diniz Marques – UFERSA
Segundo Membro
5
DEDICATÓRIA
A José Gomes Ribeiro (in memoriam),
que foi meu avô, amigo e exemplo de pessoa a ser seguida.
A Maria de Deus da Silva Fonseca (in memoriam),
minha tia querida, que muito amou e lutou pela
educação e futuro dos seus filhos.
A Deus, pelo seu amor e infinita misericórdia
6
AGRADECIMENTOS
A Jesus Cristo, meu salvador, por nunca ter desistido de mim e ter sempre me apoiado em
todos os momentos, na bonança ou escassez, nas alegrias ou nas dificuldades, me fortificando
e me orientando em todo o tempo no cumprimento de mais uma jornada.
Aos meus pais, José Bartolomeu Ribeiro e Vera Lúcia Nogueira de Paiva Ribeiro, os
melhores pais que uma pessoa poderia ter, pelo incentivo, orações, conselhos, carinho,
paciência, apoio e investimento junto aos meus sonhos e projetos.
Pela benção que é a minha irmã Ana Paula Paiva Ribeiro, por seu apoio, compreensão
cooperação, força e incentivo.
À minha querida orientadora, professora Dra. Sc. Solange Aparecida Goularte Dombroski,
pela orientação, coordenação, paciência, disponibilidade, dedicação, flexibilidade, uma pessoa
muito difícil de descrever diante das inúmeras qualidades que possui.
A todos os meus familiares por estarem sempre na torcida por minha vitória.
A todos os amigos que mesmo de longe torceram por mais uma etapa cumprida.
A meu amigo Patrick Yuri Leonez da Silva, em especial, pela sincera e fiel amizade de longos
anos.
Aos meus pais de consideração, Luis José da Silva e Iraci Leonez da Silva, pela consideração,
conselhos, palavras de incentivo e amizade.
Ao casal Raniere Valença e Paula Katherine Valença pela consideração, força e fiel amizade.
À Lorena Graciane Duarte Néris e família, pela sincera e fiel amizade que espero ter por
longos anos.
A Felipe Augusto Mendes de Souza, vulgo “Ridsu”, pela sincera amizade e parceria.
7
Aos meus companheiros José Lucas da Silva e Pablo Marciano da Silva Figueiredo pela
parceria e convívio durante esses anos.
À família Macêdo Oliveira pelo carinho, torcida e apoio durante toda essa jornada desde o
início.
8
“A fé não nega os fatos... ela vence os fatos”
Desconhecido.
9
RESUMO
O aproveitamento da água de chuva pode resultar em vários impactos positivos incluindo a
diminuição da utilização das fontes convencionais de suprimento (mananciais subterrâneos ou
superficiais); a minimização de danos causados por inundações, considerando o ciclo urbano
da água e, em escala residencial, a redução dos encargos devido à utilização da água e à
produção de esgoto sanitário. Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo, prédimensionar parte de um sistema predial de aproveitamento de água de chuva para uso não
potável em uma residência unifamiliar localizada no nordeste brasileiro. Para o
desenvolvimento do trabalho, determinou-se: a demanda de água para uso não potável, a
precipitação média de Natal, o volume aproveitável de água de chuva e o volume de
reservação de água de chuva pelo método de Rippl. Para a residência estudada, foi possível
verificar que a demanda de água para fim não potável resultou em um valor de,
aproximadamente, 11,1 m³/mês, correspondendo a 69% em relação ao consumo total de água
na residência; os volumes aproveitáveis de água de chuva variaram de 2,6 a 36,0 m³/mês; o
volume de reservação de água segundo o método de Rippl resultou em 29,6 m³; caso toda a
demanda para fim não potável da residência fosse suprida com água pluvial, haveria uma
economia de 69% na conta da água e ao respectivo volume gerado de esgoto.
Palavras-chave: Aproveitamento de água de chuva. Reservatório. Água – uso não potável.
10
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Apresentação quanto às formas, tempo médio, distribuição e valores dos recursos
hídricos encontrados na natureza. ............................................................................................. 22
Tabela 2 - Distribuição de água doce pelo planeta. .................................................................. 23
Tabela 3 – Exemplo de cálculo do volume mensal de água para uso interno não potável em
uma residência com 5 pessoas. ................................................................................................. 27
Tabela 4 - Exemplo de cálculo do volume mensal de água para uso externo não potável em
uma residência com 500m2 de área de jardim, dois automóveis e piscina de (5 x 8 x 1,6) m. . 28
Tabela 5 - Exemplo de cálculo do volume mensal de água total para fim não potável em uma
residência com 5 moradores, 500m2 de área de jardim, dois automóveis e piscina de (5 x 8 x
1,6) m. ....................................................................................................................................... 28
Tabela 6 - Parâmetros de qualidade de água de chuva para usos restritos não potáveis .......... 38
Tabela 7 – Técnicas de tratamento de água de chuva em função da localização no sistema de
aproveitamento ......................................................................................................................... 43
Tabela 8 – Valores de precipitações em Natal, RN, obtidos em um levantamento durante dez
anos. .......................................................................................................................................... 49
Tabela 9 – Planilha de cálculo do Método de Rippl. ................................................................ 52
Tabela 10 – Estimativa da demanda total de água para fins não potáveis na residência
estudada .................................................................................................................................... 53
Tabela 11 – Estimativa da demanda interna e externa de água, para fins potáveis e não
potáveis na residência em estudo.............................................................................................. 54
Tabela 12 - Precipitação média mensal e anual de Natal. Dados coletados por Mota (2004)
durante dez anos, a partir de junho de 1988. ............................................................................ 55
Tabela 13 - Planilha de dimensionamento do reservatório de água de chuva pelo Método de
Rippl ......................................................................................................................................... 57
Tabela 14 – Consumo de água mensal, em 2009 e 2010, na residência em estudo ................. 59
11
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Ciclo hidrológico ..................................................................................................... 20
Figura 2 - Esquema de utilização de água de chuva em uma residência. ................................. 33
Figura 3 - Filtração de material grosseiro para sistemas de aproveitamento de água de chuva
.................................................................................................................................................. 39
Figura 4 – Dispositivos para remoção de materiais grosseiros ................................................ 39
Figura 5: Dispositivo para descarte da primeira água de chuva ............................................... 40
Figura 6 – Descarte da primeira água de chuva utilizando um tonel ....................................... 41
Figura 7 – Esquema simplificado do filtro de material grosseiro e fino desenvolvido pelo IPT
.................................................................................................................................................. 42
Figura 8 – Vista frontal esquerda da residência estudada. ....................................................... 46
Figura 9 – Vista frontal direita da residência estudada. ........................................................... 47
Figura 10 - Vista 1 da calha e do cano condutor de água pluvial da residência estudada. ....... 47
Figura 11 - Vista 2 da calha e do cano condutor de água pluvial da residência estudada. ....... 48
12
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Distribuição dos recursos hídricos e da população, em percentual do total do
Brasil. ........................................................................................................................................ 24
Gráfico 2 - Usos de água para fins não potáveis referentes ao exemplo apresentado por Alt
(2009, p.24-25): uma residência com 5 moradores, 500m2 de área de jardim, dois automóveis
e piscina de (5 x 8 x 1,6) m. ..................................................................................................... 28
Gráfico 3 - Balanço hídrico do sistema, mostrando a demanda constante de água não potável e
a produção de chuva do sistema dimensionado ........................................................................ 58
13
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
a.C – Antes de Cristo.
ABCMAC – Associação Brasileira de Captação e Manejo de Água de Chuva.
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.
ANA – Agência Nacional das Águas.
AP1MC - Associação Programa Um Milhão de Cisternas.
ASA – Articulação no Semi-árido Brasileiro.
C - Coeficiente de escoamento superficial.
CAERN – Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte.
CO2 – Dióxido de Carbono.
CREA – Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia.
EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
FEBRABAN - Federação Brasileira de Bancos.
H2CO3 – Ácido Carbônico.
HAP - Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos.
IDEC – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor.
IPCC – “Intergovernmental Panel on Climate Change”.
IRPAA - Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada.
Km² - Quilômetro quadrado.
Km³ - Quilômetro cúbico
m² - Metro quadrado.
mg/L – Miligrama por litro.
mm – Milímetro.
NBR – Norma Brasileira.
14
ºC – Celsius
ONG´s – Organizações não-governamentais.
ONU – Organização das Nações Unidas.
pH – Potencial hidrogeniônico.
PR – Paraná.
PURAE - Programa de Conservação e Uso Racional da Água nas Edificações.
SP – São Paulo.
UFERSA – Universidade Federal Rural do Semi-Árido.
15
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 16
2 OBJETIVOS ................................................................................................................... 17
2.1 OBJETIVO GERAL ......................................................................................................... 17
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ........................................................................................... 17
3 REVISÃO DA LITERATURA ..................................................................................... 18
3.1 IMPORTÂNCIA DA CONSERVAÇÃO DA ÁGUA ..................................................... 18
3.1.1 Ciclo hidrológico ......................................................................................................... 20
3.1.2 Distribuição dos recursos hídricos ............................................................................ 22
3.2 USO DA ÁGUA EM RESIDÊNCIAS ............................................................................. 25
3.3 APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA ............................................................. 29
3.3.1 Histórico do uso da água de chuva ............................................................................ 29
3.3.2 Importância do aproveitamento da água de chuva ................................................. 31
3.3.3 Utilização da água de chuva para uso não potável .................................................. 32
3.3.3.1
Fatores que influenciam na qualidade da água de chuva ..................................................................... 33
3.3.3.2
Informações necessárias para concepção do sistema de aproveitamento da água de chuva ................ 35
3.3.3.3
Tratamento da água de chuva para uso não potável ............................................................................ 36
3.3.4 Legislação e normas relacionadas ao uso de água de chuva ................................... 43
4 MATERIAL E MÉTODOS ........................................................................................... 46
4.1 CARACTERIZAÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO ........................................................ 46
4.2 ETAPAS PARA PRÉ-DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA PREDIAL DE ÁGUA
DE CHUVA PARA USO NÃO POTÁVEL ............................................................................ 48
4.2.1 Estimativa da demanda de água para usos não potáveis ........................................ 48
4.2.2 Levantamento da pluviometria de Natal/RN ........................................................... 49
4.2.3 Dimensionamento do volume de reservação de água de chuva pelo método de
Rippl......................................................................................................................................... 50
4.2.4 Estimativa da economia financeira pela redução do uso de água potável da rede
pública ..................................................................................................................................... 52
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................... 53
5.1 RESULTADOS RELACIONADOS À ESTIMATIVA DA DEMANDA DE ÁGUA
PARA USOS NÃO POTÁVEIS NA RESIDÊNCIA ESTUDADA ........................................ 53
5.2 DADOS DE PRECIPITAÇÃO MÉDIA DE NATAL - RN ............................................ 55
5.3 RESULTADOS CORRESPONDENTES AO CÁLCULO DO VOLUME
APROVEITÁVEL DE ÁGUA DE CHUVA ........................................................................... 56
5.4 RESULTADOS SOBRE O DIMENSIONAMENTO DO VOLUME DE
RESERVAÇÃO DE ÁGUA DE CHUVA PELO MÉTODO DE RIPPL PARA A
RESIDÊNCIA ESTUDADA .................................................................................................... 56
5.5 RESULTADOS REFERENTES À ESTIMATIVA DA ECONOMIA FINANCEIRA
PELA REDUÇÃO DO USO DE ÁGUA POTÁVEL DA REDE PÚBLICA, PARA A
RESIDÊNCIA ESTUDADA. ................................................................................................... 58
5.6 SUGESTÃO DE POSSÍVEIS UNIDADES DE TRATAMENTO DE ÁGUA DE
CHUVA PARA USOS NÃO POTÁVEIS, COM BASE NA LITERATURA TÉCNICA E
NOS TIPOS DE USOS DA RESIDÊNCIA EM ESTUDO ..................................................... 59
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES .................................................................... 60
REFERÊNCIAS......................................................................................................................59
16
1
INTRODUÇÃO
A água figura entre os recursos naturais mais preciosos, sendo imprescindível à vida.
Devido à abundância de mananciais que abastecem nosso planeta, durante muito tempo
acreditou-se que a água era inesgotável e, assim, poderia ser explorada indiscriminadamente.
Mais recentemente, no entanto, tem-se cada vez mais testemunhado a escassez de diversos
desses mananciais, levando as sociedades a se mobilizarem a fim de encontrar alternativas
para sanar essa problemática.
Segundo Annecchini (2005), diante desses fatos, aumenta-se a necessidade de encontrar
meios e formas de preservar a água potável, passando necessariamente pela revisão do uso de
água pela população, mas também pela busca de novas tecnologias que visem à preservação
desse bem.
O aproveitamento da água pluvial, nesse contexto, apresenta-se como uma importante
alternativa. Viabiliza-se através de um sistema de contenção instalado nas residências que é
constituído por calhas, tubos, reservatórios e bomba. Quando ocorre a chuva, a água que cai
no telhado escorre para as calhas e, então, desce por tubos até o reservatório inferior. Depois,
através de uma bomba, a água é recalcada para um reservatório superior, possibilitando seu
uso para fins não potáveis, tais como rega de jardim, lavagem de roupa, descarga de vaso
sanitário, entre outros. O sistema pode incluir unidades de tratamento, dependendo do uso
pretendido.
Trata-se, portanto, de um método inteligente e viável: por requerer uma tecnologia
simples, apresenta um custo relativamente acessível e é de fácil implementação. Ao mesmo
tempo, aproveita uma fonte de água que geralmente é descartada, contribuindo, assim, para o
desenvolvimento sustentável.
Assim, a proposta do presente trabalho reflete uma preocupação que se insere no novo
paradigma de desenvolvimento urbano, qual seja, buscar crescimento, porém não mais a
qualquer custo, senão de maneira sustentável. Ao analisar a viabilidade de uma das
tecnologias pensadas atualmente visando à preservação da água, este estudo – o
aproveitamento de águas pluviais em uma residência situada no nordeste brasileiro – contribui
para o enriquecimento desse campo de pesquisa, confirmando e reforçando as contribuições já
apresentadas por projetos desenvolvidos em outras localidades do país, além de contribuir
para a divulgação dessa tecnologia.
17
2
OBJETIVOS
Os objetivos do presente trabalho são apresentados a seguir.
2.1
OBJETIVO GERAL
O estudo teve como objetivo geral aplicar o método de Rippl para pré-dimensionar
parte de um sistema predial de aproveitamento de água de chuva para uso não potável em uma
residência unifamiliar localizada no nordeste brasileiro.
2.2
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Considerando a residência, objeto de estudo do presente trabalho, os objetivos
específicos deste foram:
- Estimar a demanda de água para usos não potáveis;
- Calcular o volume médio aproveitável de água de chuva;
- Calcular o volume de reservação de água segundo o método de Rippl;
- Estimar a economia financeira em relação ao volume de água potável que deixaria de ser
utilizado da rede pública de água e ao respectivo volume gerado de esgoto.
18
3
REVISÃO DA LITERATURA
A seguir apresentam-se considerações a cerca da importância da conservação da água,
um breve histórico do uso da água de chuva, importância de seu aproveitamento, uso de água
em residências, utilização de água de chuva para fins não potáveis e alguns aspectos legais
relacionados ao uso de água de chuva.
3.1
IMPORTÂNCIA DA CONSERVAÇÃO DA ÁGUA
A água é um recurso natural imprescindível à vida, porém finito. Conservá-la é,
portanto, uma questão de sobrevivência. Mas apenas muito recentemente é que se começou a
considerar a necessidade de racionar seu uso. Isso porque, finalmente, o homem se deu conta
de que se, de um lado, o ciclo hidrológico promove a renovação da água tendendo a mantê-la
num nível sempre constante, por outro, o consumo desse precioso bem tem se tornado cada
vez maior (GIACCHINI; ANDRADE FILHO, 2005). Assim, observa-se, em primeiro lugar,
um grave desequilíbrio entre oferta e demanda de água.
A Agência Nacional de Águas (ANA) confirma tal informação ao revelar que a
disponibilidade per capita de água doce tem diminuído consideravelmente em virtude da
demanda excessivamente alta do recurso. Segundo a Agência, existem áreas em que, apesar
de os recursos hídricos serem abundantes, não são suficientes para atender às demandas de
uso excessivamente elevadas. A Bacia do Alto Tietê, por exemplo, que abriga uma população
superior a 15 milhões de habitantes e um vasto complexo industrial, não dispõe de vazões
suficientes para atender a demanda da Região Metropolitana de São Paulo e municípios
circunvizinhos (ANA, 2005).
O crescimento populacional associado ao desenvolvimento de grandes centros urbanos,
além de gerar um demanda maior de água, tem acarretado também importantes alterações no
próprio ciclo hidrológico. A multiplicação de construções, ruas pavimentadas, calçadas e
pátios tem se refletido numa impermeabilização cada vez maior do solo. Assim, grande parte
da água, antes reincorporada aos lençóis subterrâneos, é agora encaminhada aos condutos,
galerias e canais do sistema de esgotamento pluvial. Vale dizer, a interferência do homem
19
tem agravado ainda mais a disponibilização dos já escassos recursos hídricos (GIACCHINI,
2009(?)).
Em consequência, não tardam a aparecer os conflitos de uso e as restrições de consumo.
Assim, desde as atividades mais básicas, relacionadas às necessidades cotidianas de higiene e
alimentação, até as atividades industriais e agrícolas são atingidas, afetando direta e
indiretamente a qualidade de vida das pessoas, além de comprometerem o desenvolvimento
econômico e sustentável (ANA, 2005).
Não bastasse isso, convive-se ainda com a constante e crescente poluição dos recursos
hídricos. Dados da ONU – Organização das Nações Unidas – revelam que a água é o recurso
natural mais degradado pelo homem (GIACCHINI; ANDRADE FILHO, 2005).
(...) a descarga de fontes difusas e pontuais de nitrogênio e fósforo nos
rios, lagos e represas, a partir de esgotos não tratados e de usos de
fertilizantes produz o fenômeno de eutrofização cujos efeitos ecológicos,
na saúde humana e nos custos do tratamento de água são relevantes
especialmente em regiões de intensa urbanização como a Região
Metropolitana de São Paulo (Tundisi, 2003).
A qualidade dos recursos hídricos mundiais está cada vez mais ameaçada à medida
que aumentam as populações humanas e se expandem as atividades industriais e agrícolas, em
um cenário em que as mudanças climáticas poderão provocar grandes alterações no ciclo
hidrológico. Água de baixa qualidade põe em risco a saúde humana e dos ecossistemas, reduz
a disponibilidade de água potável e de recursos hídricos próprios para outras finalidades,
limita a produtividade econômica e diminui as oportunidades de desenvolvimento. É
necessário que a comunidade global – dos setores público e privado – se una e assuma o
desafio de proteger e aprimorar a qualidade da água de nossos rios, lagos, aquíferos e
torneiras (ANA, 2011, p.15).
A preciosidade da água e a sua importância para a perpetuação da vida na Terra são,
portanto, os fundamentos para a preservação dos recursos hídricos. Daí a necessidade não
apenas de conservar os mananciais ainda existentes, mantendo-os limpos, mas também de
desenvolver métodos e sistemas alternativos de obtenção de recursos hídricos a fim de
restabelecer o equilíbrio entre a oferta e a demanda de água.
20
3.1.1
Ciclo hidrológico
O ciclo hidrológico consiste no fenômeno através do qual a água, nos três estados em
que se apresenta na natureza, se renova perpetuamente. Os fatores que propiciam a
dinamicidade desse ciclo são “a energia térmica solar, a força dos ventos, que transportam
vapor d‟água para os continentes, a força da gravidade responsável pelos fenômenos da
precipitação, da infiltração e deslocamento das massas de água” (TUNDISI, 2003).
O ciclo hidrológico reúne fatores geográficos, climáticos e biológicos e ocorre, em
linhas gerais, da seguinte forma: ao evaporarem, as águas dos oceanos e mares, da superfície
dos continentes (rios e lagos) e da evapotranspiração das plantas aumentam o teor de umidade
na atmosfera. Em seguida, ocorre a precipitação, que pode ocorrer sob a forma de chuva, neve
ou granizo. Daí então essas águas, a depender da direção que as nuvens tomarem, poderão ser
reincorporadas aos oceanos e águas superficiais, escoar superficialmente pelos terrenos,
infiltrar-se no solo (recarregando as águas subterrâneas), ser absorvidas pelas plantas ou
mesmo voltar a evaporar-se (MARQUES; SOUSA, 2008, p. 4).
A Figura1 apresenta um esquema do ciclo hidrológico.
Figura 1 - Ciclo hidrológico
Fonte: Braga et al. (2002).
21
Os principais componentes do ciclo hidrológico são a evaporação, a precipitação, a
transpiração das plantas e a percolação, infiltração e a drenagem (TUNDISI, 2003), sendo os
mesmos mencionados a seguir:

Evaporação: É a passagem da fase líquida para a gasosa, que ocorre lentamente na
superfície dos líquidos; particularmente, denota o processo cíclico de ascensão das
massas d'água sob a forma de vapor.

Precipitação: Descreve qualquer tipo de fenômeno relacionado à queda de ÁGUA do
céu. Isso inclui NEVE, CHUVA e CHUVA DE GRANIZO. A precipitação é uma
parte importante do CICLO HIDROLÓGICO, sendo responsável por retornar a
maior parte da ÁGUA DOCE ao planeta.

Transpiração das plantas: água eliminada pelas folhas na forma de vapor.

Infiltração: É o nome dado ao processo pelo qual a água à superfície atravessa o solo.
 Escoamento superficial: Parcela da precipitação que flui por ação da gravidade de
modo não organizado, das zonas mais elevadas para as zonas mais baixas,
concentrando-se em pequenos riachos que se reúnem em ribeiros e mais tarde em rios.
Tundisi (2003) mencionou alguns impactos sofridos pelo ciclo hidrológico em
decorrência dos múltiplos usos que a sociedade faz da água:
Com o aumento e diversificação da atividade econômica, a dependência dos
recursos hídricos aumenta, especialmente em regiões com variabilidade anual
grande no ciclo e áridas. As pressões sobre os usos dos recursos hídricos provêm de
dois grandes problemas que são o crescimento das populações humanas e o grau de
urbanização e aumento das necessidades para irrigação, e produção de alimentos. A
redução no volume disponível e a apropriação dos recursos hídricos em escala maior
e mais rápida têm produzido grandes alterações nos ciclos hidrológicos regionais:
por exemplo, a construção de barragens aumenta a taxa de evaporação, a construção
de canais de água, produz desequilíbrios no balanço hídrico, a retirada de água em
excesso para irrigação, diminui o volume dos rios e lagos. Igualmente importante do
ponto de vista quantitativo é o grau de urbanização que interfere na drenagem e
aumenta o escoamento superficial, diminuindo a capacidade de reserva de água na
superfície e nos aquíferos. Os impactos qualitativos são inúmeros e variáveis e têm
consequências ecológicas, econômicas e sociais e na saúde humana (TUNDISI,
2003).
A literatura especializada, no entanto, ao descrever o ciclo hidrológico, geralmente faz
menção a um fenômeno paralelo a ele, denominado “ciclo urbano da água”. Isso porque o
ciclo hidrológico acima descrito é um fenômeno ideal de renovação da água no planeta.
Ocorre que, no meio urbano, em virtude da impermeabilização, a água encontra barreiras para
se infiltrar no solo, como as ruas, as calçadas e as diversas construções. Ela é, então, recolhida
pelo sistema de drenagem e encaminhada até os corpos d‟água receptores. Em consequência
22
disso, diminui-se o abastecimento dos aquíferos e aumenta-se o escoamento superficial
podendo provocar enchentes (Annecchini, 2005, p. 30).
Além disso, adverte Giacchini (2009?):
Dentre os principais impactos referentes ao ciclo urbano da água, destacamse a degradação da qualidade da água do manancial devido ao lançamento
de efluentes de esgoto sanitário e da água da drenagem pluvial e a captação
de água para abastecimento, entre outros.
Dessa forma, o ciclo urbano da água, uma espécie de subciclo do ciclo hidrológico,
envolve, segundo Marques e Sousa (2008, p.5), as seguintes etapas:
 Captação, tratamento, transporte, armazenamento e distribuição de água;
 Coleta, tratamento e deposição final no meio receptor.
3.1.2
Distribuição dos recursos hídricos
A Tabela 1 mostra as diversas formas em que os recursos hídricos se apresentam na
natureza, sua distribuição e seu tempo médio de residência, em todo o planeta.
Tabela 1 - Apresentação quanto às formas, tempo médio, distribuição e valores dos recursos
hídricos encontrados na natureza.
Localização
Oceanos
Atmosfera
Rios
Subterrânea, umidade
do solo
Lagos
Coberturas de neve,
geleiras e icebergs
Outros
Total
Área
(10³km²)
361.300,00
510.000,00
148.800,00
Volume
(10³km³)
1.338.000,00
12,90
2,12
% do
Total
96,538
0,00093
0,00015
134.800,00
23.400,00
1,688
2.058,70
176,40
0,0127
37.277,00
24.364,00
1,758
28,58
0,0022
1.385.984,00
100,00
1.194.235,70
Tempo de
Resistência Médio
Milhares de anos
9 dias
2 semanas
Centenas
a
milhares de anos
Dezenas de anos
Dezenas a milhares
de anos
Fonte: Adaptado de Tchobanoglous (1996) apud Alt (2009).
Da Tabela 1, constata-se como a distribuição dos recursos hídricos é desigual e, mais
do que isso, percebe-se como muito do acesso humano a algumas fontes é restrito.
23
Observe-se agora, mais especificamente, a distribuição de água doce pelo planeta.
Apesar de aparentemente abundante, percentualmente não o é, além de, em sua maior parte,
também ser de difícil acesso, como no caso das geleiras e das fontes subterrâneas profundas.
Tabela 2 - Distribuição de água doce pelo planeta.
Localização
Coberturas de neve permanente,
Geleiras
Água doce subterrânea
Solo congelado, camada de gelo
permanente
Lagos
Umidade do Solo
Vapor de água na atmosfera
Pântano, áreas úmidas
Rios
Incorporados na biota
Total
Volume
(10³
km³)
% do
Total
% do Total
de Água Doce
24.064
1,74
68,7
10.530
0,76
30,06
300
0,022
0,86
91
16,5
12,9
11,5
2,12
1,12
35.029
0,007
0,001
0,001
0,001
0,0002
0,0001
2,5323
0,26
0,05
0,04
0,03
0,006
0,003
100,00
Fonte: Adaptado de PNUMA (2004) apud Alt (2009).
Giacchini (2009?) informa que, bem distante da porcentagem de água salgada que
compõe o planeta (97,5%), a quantidade de água doce corresponde a apenas 2,5% e, destes,
apenas 0,3% encontram-se disponíveis como águas superficiais; o restante é de difícil acesso.
Nesse cenário, a situação do Brasil é considerada privilegiada, uma vez que detém
cerca de 13,7% de toda a água doce do planeta. Observa-se, no entanto, uma grande
disparidade entre a densidade das populações por região administrativa e a respectiva
disponibilidade de recursos hídricos. Enquanto a região norte detém 68,5% da água doce do
país e abriga apenas 7% da população deste, todas as demais regiões, que concentram a maior
parte da população brasileira, sobrevivem dos 31,5% restantes (MMA et al., 2005), conforme
apresentado no Gráfico 1.
24
Gráfico 1 – Distribuição dos recursos hídricos e da população, em percentual do total do
Brasil.
Fonte: MMA et al. (2005, p.29).
Essa disparidade acentuada entre algumas regiões do país reflete índices de
disponibilidade hídrica que, conforme salienta Annecchini (2005, p. 23), são preocupantes.
Segundo a autora, se nada for feito a bem de reverter a situação do nordeste e sudeste
brasileiros, em cerca de 90 anos a disponibilidade hídrica per capita nessas regiões atingiria
índices catastroficamente baixos. Acrescente-se a isso que estudos conduzidos pelo
“Intergovernamental Panel on Climate Change” (IPCC), demonstraram que, devido a
mudanças climáticas, nos próximos dez anos haveria uma diminuição significativa da
precipitação pluviométrica na América do Sul, com especial redução na região nordeste do
Brasil (IPCC, 2007 apud GONÇALVES et al., 2009, p. 23).
Ainda de acordo com o Manual de Educação do MINISTÉRIO DO MEIO
AMBIENTE (MMA), MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC) e INSTITUTO BRASILEIRO
DE DEFESA DO CONSUMIDOR (IDEC), em linhas gerais, a maior parte da água doce do
mundo (70%) é consumida na agricultura, seguido pelo consumo doméstico, que seria
responsável por 23% desse consumo. Já a indústria apresenta um índice de cerca de 7%
(MMA et al., 2005).
25
3.2
USO DA ÁGUA EM RESIDÊNCIAS
O uso da água em edificações residenciais constitui apenas um dos diversos fins a que a
água é destinada, dentre os quais figuram os usos, por exemplo, nas edificações industriais, no
meio rural e nas edificações voltadas ao comércio e serviços. Dado o objetivo específico do
presente trabalho, interessa especificar apenas o uso doméstico, o qual engloba as seguintes
atividades: ingestão, preparação de alimentos, banho e demais formas de higiene pessoal,
lavagem de roupas, limpeza em geral, descarga de bacias sanitárias e rega (CHEUNG et al.,
2009, p. 38).
Segundo Annecchini (2005, p. 22), a água usada em residências segue dois fins distintos
e, de acordo com estes, requer maior ou menor nível de pureza: de um lado, as atividades de
higienização pessoal e preparação de alimentos exigem que a água seja potável; por outro, as
atividades de lavagem de roupa, rega de jardim e descarga das bacias sanitárias, por exemplo,
podem ser realizadas com água não potável.
É ainda indispensável analisar, além do uso, a quantidade de água que está sendo
utilizada, ou seja, o consumo. Não se confundem, portanto, os termos “uso” e “consumo”.
Enquanto o primeiro diz respeito apenas ao emprego do recurso água para determinado evento
promovido pela ação humana, o segundo, nas palavras de Cheung et al. (2009, p. 40), “(...) é a
quantidade de água utilizada na consecução de determinado uso, frequentemente expressa
em termos de volume ou vazão (grifo nosso)”.
Seguem alguns exemplos de consumo relacionados ao uso da água em residências
(CHEUNG et al., 2009, p. 41):

6,8 L por descarga de uma bacia sanitária disponível no mercado
brasileiro, sob diversos modelos e marcas e que observe a norma brasileira
NBR 15.097/2004;

30 L/pessoa.dia para o banho em chuveiro elétrico com duração de
10 minutos à vazão de 0,05 L/s;

0,3 L/m2.dia para rega de plantas de um jardim. Trata-se da
quantidade necessária e aproveitada pelas plantas em condições específicas
de ocupação do solo pelos vegetais e em condições climáticas
determinadas. O consumo efetivo não considera a permeação pelo solo que
não é utilizada pelas raízes e a evaporação direta da superfície do solo;

110 L/hab.dia de água potável em usos diversos. O número
corresponde à soma dos consumos efetivos desses usos, em termos médios,
por pessoa ao longo do tempo.
São todos exemplos de consumo efetivo, ou seja, considera-se neles apenas a
quantidade de água utilizada para determinado fim isoladamente: por dia e pessoa. Porém,
26
quando da contabilização do consumo total, há de se considerar que esses índices flutuam em
função de diversas variáveis, como, por exemplo: a quantidade de habitantes na residência e o
respectivo consumo unitário, o clima da região e até mesmo a presença de hidrômetros na
rede de distribuição de água. Segundo Marques e Sousa (2008, p. 20), está comprovado que as
medições através de hidrômetros previnem o desperdício, pois as pessoas privilegiam a
economia.
O conceito de consumo total engloba ainda duas outras variáveis: a perda e o
desperdício, o que é demonstrado por Cheung et al. (2009, p.46) através da seguinte equação:
Consumo total = Consumo Efetivo + Perda + Desperdício
A perda diz (CHEUNG et al., 2009, p. 42) respeito ao insumo de água que havia sido
previsto em determinado uso, mas que não foi utilizado devido a alguma deficiência técnica
intrínseca ao sistema ou mesmo impossibilidade financeira de arcar com os custos da
reformulação desse sistema. Estas seriam as perdas ditas inevitáveis. Exemplo típico são os
sistemas de aquecimento central de água, geralmente utilizado em edifícios residenciais.
Neles, o ajuste da temperatura nos pontos de uso (chuveiro, lavatórios etc.) é feito através da
manobra dos registros de água quente e fria até se chegar à vazão e temperatura desejadas.
Durante todo esse tempo de ajuste, a água está sendo perdida. Em que pesem as perdas
provocadas por um sistema como esse, de tecnologia inapropriada, em determinados casos, é
financeiramente inviável reformular o sistema, dadas as proporções do investimento. Trata-se,
portanto, de um tipo de perda inevitável ou intrínseca (CHEUNG et al., 2009, p. 42).
Já as perdas ditas evitáveis, ainda segundo Cheung (2009, p. 46) correspondem ao
conceito de desperdício. Dizem respeito às conhecidas negligências no uso diário da água
praticadas por usuários sem consciência ambiental (nem econômica, diga-se de passagem):
deixar a torneira aberta enquanto se escova os dentes ou se ensaboa a louça; utilizar água
demais na rega do jardim; lavar calçada para retirar simplesmente areia, em vez de apenas
varrer; abrir o chuveiro antes de se despir para o banho, entre outros.
Além da negligência comportamental, outros possíveis causadores de desperdício
também são deficiências técnicas ou características tecnológicas do sistema, mas que,
diferentemente das perdas inevitáveis, estes podem ser remediados (CHEUNG et al., 2009,
p.46).
O consumo total de uma residência é denominado perfil de consumo residencial, o
que é muito variável, como demonstrado acima, entre diferentes países e regiões, segundo
27
critérios culturais, climáticos, econômicos, etc. Os valores de referência sobre o consumo de
água para atender às necessidades básicas são também bastante variáveis na literatura
especializada: Gleik (1996) prevê um volume de 50 litros, ao passo que a ONU (2004),
recomenda 40 litros e Swartz; Offringa (2006), 25 litros (apud CHEUNG et al., 2009, p.71).
O consumo de água residencial inclui tanto o uso interno quanto o uso externo às
residências. As atividades de limpeza e higiene são as principais responsáveis pelo
uso interno, enquanto o externo deve-se à irrigação de jardins, lavagem de áreas
externas, lavagem de veículos e piscinas, entre outros. Estudos realizados no Brasil e
no exterior mostram que dentro de uma residência o maior consumo de água
concentra-se na descarga dos vasos sanitários, na lavagem de roupas e nos banhos.
Em média, 40% do total de água consumida em uma residência são destinados aos
usos não potáveis (GONÇALVES et al., 2009, p.26).
Annecchini (2005, p. 29) também mencionou que os usos não potáveis correspondem,
em média, a 40% de toda a água consumida. Isto reforça a viabilidade da implementação de
sistemas de abastecimento por águas pluviais. Representaria um grande avanço na busca pela
sustentabilidade hídrica, na medida em que pouparia a água potável estritamente para usos
que requeressem alto nível de pureza (como a preparação de alimentos), e transformando
esses 40% de consumo em 40% de economia.
1. Alt (2009, p.24) apresentou uma estimativa bastante interessante da
distribuição da água em uma residência, a fim de demonstrar o quanto se
poderia economizar substituindo o sistema convencional pelo sistema de
utilização da água de chuva, nos pontos de uso em que obviamente essa
substituição poderia ser feita. Ele se baseou numa residência com 450m2 de
área construída em um terreno de 1.200m2, onde moravam 5 pessoas. Os
cálculos desenvolvidos pelo referido autor são mostrados na Tabela 3, 4 e 5.
Tabela 3 – Exemplo de cálculo do volume mensal de água para uso interno não potável em
uma residência com 5 pessoas.
Uso interno
Critério adotado
Vazamento
Volume por uso
Consumo em
litros/mês
Bacia sanitária
5 descargas/
pessoa.dia
8%/descarga
9 L/descarga
7.290
0,2 carga/pessoa.dia
-
170 L/ciclo
5.100
-
-
-
12.390
Lavagem de
roupa
Soma total do
uso interno
Fonte Adaptado de Alt (2009, p.24).
28
Tabela 4 - Exemplo de cálculo do volume mensal de água para uso externo não potável em
uma residência com 500m2 de área de jardim, dois automóveis e piscina de (5 x 8 x 1,6) m.
Uso externo
Critério adotado
Volume por uso
Gramado ou jardim
Lavagem de carro
Manutenção da piscina
Mangueira de jardim
Soma total do uso
externo
12 regas/mês
4 lavagens/mês
8 manutenções/mês
20 usos/mês
2 L/m².dia
150 L/lavagem
3L/m².dia
50L/dia
Consumo mensal em
litros
12.000
1.200
960
1.000
-
-
15.160 L/mês
Fonte: Adaptado de Alt (2009, p.25)
Tabela 5 - Exemplo de cálculo do volume mensal de água total para fim não potável em uma
residência com 5 moradores, 500m2 de área de jardim, dois automóveis e piscina de (5 x 8 x
1,6) m.
Usos da água na residência
para fins não potáveis
Uso interno
Uso externo
Total
Volumes mensais
Percentuais
12.390 litros (ver Tabela 3)
15.160 litros (ver Tabela 4)
27.510 litros
45%
55%
100%
Fonte: Adaptado de Alt (2009, p.26).
No Gráfico 2 apresenta-se o percentual referente a cada uso de água para fim não
potável referente ao exemplo apresentado por Alt (2009, p.24-25): uma residência com 5
moradores, 500m2 de área de jardim, dois automóveis e piscina de (5 x 8 x 1,6) m.
Gráfico 2 - Usos de água para fins não potáveis referentes ao exemplo apresentado por Alt
(2009, p.24-25): uma residência com 5 moradores, 500m2 de área de jardim, dois automóveis
e piscina de (5 x 8 x 1,6) m.
Fonte: Desenvolvido com base nos dados apresentados por Alt (2009, p.24-25).
29
No exemplo apresentado, o volume total referente aos consumos internos e externos,
de 27.510 litros, poderia advir totalmente de águas pluviais, constituindo não apenas uma
economia significativa para os usuários como uma contribuição importante para o meio
ambiente.
3.3
APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA
A seguir são apresentados aspectos gerais sobre água de chuva, incluindo um breve
histórico do uso, importância do aproveitamento, utilização para fins não potáveis e
dispositivos legais.
3.3.1
Histórico do uso da água de chuva
O aproveitamento da água da chuva caracteriza-se por ser uma prática milenar. Thomaz
(2003) e Oliveira (2004) apud Alt (2009, p. 6) registraram a utilização desse tipo de fonte
hídrica por civilizações das mais remotas:
 Datam de 3000 a.C. reservatórios cavados em rochas na Ilha de Creta, com o fim de
captar a água da chuva para o consumo humano;
 Na Mesopotâmia, por volta de 275 a.C., também se utilizavam águas de chuva;
 Em Istambul na Turquia, durante o governo de César Justinian (a.C. 527-565), foi
construído um dos maiores reservatórios do mundo denominado de “Yerebatan
Saray”;
 A fortaleza de Massada tomada dos judeus por Herodes, 37 a.C, que construiu dois
palácios cuja autossuficiência de água foi possível pela construção de enormes
cisternas escavadas na pedra, com capacidade para mais de 40 milhões de litros.
No Brasil, em específico, métodos de captação de água de chuva foram encontrados nas
fortalezas construídas pelos portugueses na ilha de Santa Catarina. Dentre estas, a fortaleza
construída na ilha de Ratones (século XVIII), não possuindo água doce, era abastecida por
30
uma cisterna que armazenava a água das chuvas que escorria pelos telhados, tanto para
consumo das tropas como para outros usos (ALT, 2009, p.7).
Mais recentemente, observa-se a tendência a reinvestir nessa metodologia a bem de
aproveitar o insumo de água que advém das chuvas e, assim, descongestionar as demais
fontes.
Em âmbito nacional, destacam-se, nesse sentido, algumas edificações modernas: o
Aeroporto Santos Dumont e o Estádio João Havelange, respectivamente com uma área de
captação de 12.650m² e 12.500m², ambas no Rio de Janeiro; e o templo da Igreja Universal,
de São José do Rio Preto – SP, cuja área de captação de 2850m², localizada em toda a
extensão do telhado, é capaz de armazenar 150.000 litros (ALT, 2009, p.8).
O exemplo mais significativo, entretanto, é o Programa de Formação e Mobilização Social
para a Convivência com o Semiárido: Um Milhão de Cisternas Rurais ou AP1MC
(Associação Programa Um Milhão de Cisternas), cujo objetivo é
Contribuir, através de um processo educativo, para a transformação
social, visando a preservação, o acesso, o gerenciamento e a valorização
da água como um direito essencial da vida e da cidadania, ampliando a
compreensão e a prática da convivência sustentável e solidária com o
ecossistema do semi- árido (FEBRABAN; AP1MC, 2003).
Mais especificamente, o projeto tem por meta construir um milhão de cisternas (16 mil
litros) para armazenamento de água de chuva, beneficiando um milhão de famílias rurais do
semiárido brasileiro. O programa atinge cerca de 5 milhões de pessoas, distribuídas nos
estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, além
do norte de Minas Gerais e o Nordeste do Espírito Santo. Para a consecução desse objetivo, a
Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) é uma das parceiras da Articulação no SemiÁrido Brasileiro (ASA), que concebeu, gere executa o projeto.
A Associação Brasileira de Captação e Manejo de Água de Chuva (ABCMAC) revela
que iniciativas como essas são muito recentes aqui no Brasil. Tudo teria começado no final
dos anos 70, quando a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) começou a
fazer experiências com cisternas para água pluvial e barragens subterrâneas. Desde os anos
90, com o apoio do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), a
EMBRAPA tem promovido a realização de vários Simpósios Brasileiros de Captação de
Água de Chuva, o que tem dado grande impulso à divulgação dessa tecnologia (ABCMAC,
2011).
31
3.3.2
Importância do aproveitamento da água de chuva
Em vista dos sinais de esgotamento dos recursos hídricos e a fim de evitar o colapso
do abastecimento de água, medidas urgentes precisam ser adotadas, dentre as quais: reduzir o
consumo de água, preservar os seus mananciais e promover a recarga das águas subterrâneas.
Mas não são suficientes para reverter o quadro. É preciso fazer mais.
Procurar novas fontes de abastecimento é, portanto, da maior importância:
O gerenciamento do uso da água e a procura por novas alternativas de
abastecimento como o aproveitamento das águas pluviais, a dessalinização da
água do mar, a reposição das águas subterrâneas e o reuso da água estão
inseridos no contexto do desenvolvimento sustentável (AGENDA 21, 2001
apud Giacchini e Andrade Filho, 2005, p. 1).
O aproveitamento da água de chuva é uma alternativa de suprimento para o
abastecimento dos pontos de consumo de água não potável sendo, segundo Gonçalves e
Jordão (2006, p.15) uma importante prática na busca da sustentabilidade hídrica.
Do ponto de vista econômico, por se tratar de um sistema cuja tecnologia é
relativamente simples, sua implementação é pouco onerosa. Além do mais, ao longo do uso
do sistema, o usuário perceberia a redução das despesas com o consumo de água tratada,
sobretudo nas indústrias e grandes estabelecimentos em geral que consomem um volume mais
elevado (GIACCHINI; ANDRADE FILHO, 2005, p. 2).
O método inovador representa, ainda, uma importante ferramenta para garantir a
sustentabilidade urbana, uma vez que, reduzindo o escoamento superficial, minimiza as
chances de ocorrência de enchentes (Annecchini, 2005, p. 22). Os ganhos são muitos, mas o
mais significativo é, sem dúvida, a melhoria da qualidade de vida das comunidades, sobretudo
das mais carentes, que teriam sua saúde e bens menos afetados pelas mazelas trazidas pelas
enchentes.
E, o mais importante: o meio ambiente só se beneficiaria. Sendo as águas pluviais
utilizadas para fins não potáveis, a água potável deixaria de ser subutilizada e, dessa forma,
seria utilizada sob critérios mais estritos. Além do mais, acrescenta Giacchini (2009?, p. 25), a
aplicação da água da chuva para usos externos da edificação (irrigação, limpeza de pátios e
veículos) propiciaria “o retorno das águas pluviais para a bacia hidrográfica, via sistema de
drenagem urbana, reduzindo, assim, as interferências em tal bacia”.
A medida se reflete positivamente também em âmbito social. Uma vez em maior
quantidade, a água potável se tornaria mais acessível a toda a população, que também sentiria
32
no orçamento familiar a redução das despesas. Contribuiria, assim, para a inclusão social.
Sem falar nos benefícios para a saúde das pessoas, para a solução dos conflitos de uso, para o
fim do sofrimento com as enchentes, enfim, para o desenvolvimento sustentável deste planeta.
3.3.3
Utilização da água de chuva para uso não potável
A tecnologia de aproveitamento da água da chuva, segundo descreve Giacchini
(2009?), consiste nas seguintes etapas e técnicas:
 Captação da água que precipita no telhado;
 Filtragem: descarte inicial, unidades de sedimentação, tratamento e melhoria da
qualidade da água;
 Armazenagem em reservatórios;
 Abastecimento dos locais de uso;
 Drenagem do excesso de água, em caso de chuvas intensas;
 Complementação da falta de água em caso de estiagem prolongada.
A água de chuva é tipicamente indicada para consumo direto em usos não potáveis. A
indicação para os usos de água de chuva têm se limitado a água de serviço e descarga de
vasos sanitários. De forma menos frequente encontram-se indicações para uso na lavagem de
roupa.
Na Austrália, onde a utilização de água de chuva atinge percentuais expressivos da
população, inclusive como única fonte, um estudo epidemiológico comparou a incidência de
doenças diarreicas em crianças que recebiam apenas água de chuva com crianças que
recebiam apenas água do sistema público. Não se encontrou diferença entre eles, o que sugere
que o uso de água de chuva pode ser mais diversificado no ambiente doméstico.
Experiências em andamento no semiárido nordestino apontam também para a
viabilidade do uso seguro de água de chuva como única fonte. Entretanto, sua utilização
necessita de estudos acerca da viabilidade e eficiência no atendimento das demandas a que
será destinada, avaliação dos possíveis riscos sanitários, adequação das instalações hidráulicas
prediais, dimensionamento do sistema de captação, coleta e reservação observando as
características locais (COHIM et al., 2009, p.322).
33
A água da chuva é geralmente utilizada para fins não potáveis, visto estar geralmente
combinada com elementos que a tornam impura e de difícil tratamento para fins potáveis. Tais
elementos têm as mais diversas origens: partículas poluentes presentes na atmosfera,
microorganismos patológicos presentes nos solos e no ar, poluentes urbanos etc. No item
3.3.3.1, encontra-se uma análise mais detida desses entraves à pureza das águas pluviais que,
no entanto, não inviabilizam seu uso para determinados fins.
A Figura 2 apresenta um esquema de utilização de água de chuva em uma residência.
Figura 2 - Esquema de utilização de água de chuva em uma residência.
Fonte: 3P-Technik do Brasil apud Ecocasa (2011).
3.3.3.1 Fatores que influenciam na qualidade da água de chuva
Os fatores que influenciam na qualidade da água da chuva devem ser analisados em
alguns momentos do ciclo hidrológico, tanto quanto nas etapas de captação e aproveitamento
da água da chuva para posterior uso nas residências.
34
Inicialmente, na atmosfera, a água, em suspensão, combina-se com partículas sólidas.
Em função, portanto, do nível de poluição presente na atmosfera a água da chuva será mais ou
menos ácida. Livre de poluição, ela apresenta normalmente um pH em torno de 5,7
(levemente ácido), resultado da formação de ácido carbônico (H2CO3) a partir do dióxido da
carbono (CO2) naturalmente presente no ar. Já em centros urbanos e em pólos industriais, tal
índice pode chegar a valores inferiores a 5,0, caracterizando o fenômeno conhecido como
“chuva ácida” (Alt, 2009).
A acidificação da chuva está associada, principalmente, a presença de
NOx e SO2, oriundos de processos de combustão, que na atmosfera
oxidam-se a nitrato e sulfato. Além disso, a radiação solar e as reações
desses gases com a água da chuva formam o ácido nítrico e sulfúrico que
diminuem o pH da água da chuva de acordo com a poluição atmosférica
(SEINFELD; PANDIS, 1998 apud Annecchini, p. 47).
Quando escoa sobre a superfície de captação a água lava e carreia resíduos diversos,
compreendendo pós, fragmentos de vegetação, materiais que se soltam da cobertura e
diversos microrganismos provenientes de excretas eliminados por animais que ficam
acumulados na cobertura no intervalo entre duas chuvas. Materiais particulados de diversas
dimensões e microrganismos causam deterioração da qualidade das águas de chuva, com
desenvolvimento de odores e sabores desagradáveis, além de riscos à saúde, cujos níveis
ainda não são conhecidos (ALVES et al., 2009, p.250).
Ao atingir o solo, a água da chuva tem suas características físicas e químicas alteradas,
uma vez que as superfícies (telhados, calçadas, ruas etc), estão sempre expostas a
microrganismos patogênicos e poluentes urbanos. De acordo com o tipo de superfície que
atingem, as águas podem ser mais ou menos poluídas.
A composição da água da chuva pode variar segundo diversos fatores: localização
geográfica, regime dos ventos, proximidade da vegetação etc. Em locais próximos à costa, por
exemplo, a essa composição tende a apresentar elementos como o sódio, o potássio, o
magnésio, o cloro. Já, os grandes centros urbanos, que, geralmente, lançam na atmosfera,
poluentes como os óxidos de enxofre e nitrogênio, monóxido de carbono, hidrocarbonetos,
material particulados etc, a chuva tende a ser mais ácida (Annecchini, 2005, p. 45).
Alt (2009) mencionou que, em estudos feitos sobre diferentes superfícies de coleta,
as concentrações de poluentes sobre as ruas são, em média,
aproximadamente, 3,7 vezes as concentrações sobre as calçadas e 19,2
vezes as dos telhados. Sendo que as concentrações dos Hidrocarbonetos
Aromáticos Policíclicos (HAP) nas ruas chegam a ser 179,2 vezes maiores
35
do que as concentrações sobre os telhados e 19,8 vezes maiores que as
concentrações dos escoamentos sobre as calçadas (Gray et al. apud Alt,
2009).
Em pesquisa realizada na Universidade de São Paulo, foram constatadas as seguintes
características da água de chuva coletada e armazenada em reservatório (ANA, 2005, p.61):

Propriedades de água mole;

pH entre 5,8 e 7,6;

DBO5,20: menor que 10 mg/L;

Presença de coliformes fecais em mais de 98% das amostras realizadas;

Presença de bactérias: (i) clostrídio sulfito redutor (91% das amostras) que pode causar
intoxicação alimentar, entre outras doenças; (ii) enterococos (98% das amostras) que
podem causar diarreia aguda e (iii) pseudomonas (em 17% das amostras) que podem
ocasionar infecções urinárias.
3.3.3.2 Informações necessárias para concepção do sistema de aproveitamento da água de
chuva
A utilização de águas pluviais, como fonte alternativa ao abastecimento de água
requer, tanto a gestão da qualidade quanto da quantidade.
Para realizar o aproveitamento da água da chuva em uma edificação é preciso ter
conhecimento sobre estes fatores interferentes no sistema. Assim, quanto maior a
área de captação, mais chuva poderá ser coletada. O índice pluviométrico da região
mostra a distribuição das chuvas ao longo do ano, e quanto mais regulares, mais
confiável será o sistema. Em última analise, o volume do reservatório de
armazenamento define a eficiência do sistema: quanto maior o reservatório mais
chuva poderá ser armazenada, o que reflete sobre o custo do sistema (PHILIPPI et
al., 2006, p.112).
Para dimensionamento de um sistema de aproveitamento de água pluvial devem ser
considerados (ANA, 2005, p.62):

Área disponível para coleta;

Vazão de água calculada pela fórmula racional, considerando o índice pluviométrico
médio da região;

Estimativa de demanda para o uso previsto e
36

Dimensionamento da reserva de água, considerando os períodos admissíveis de seca.
3.3.3.3 Tratamento da água de chuva para uso não potável
Para resguardar a qualidade da água captada, interessa manter as superfícies de coleta
sempre limpas, ou minimamente limpas, já que a manutenção perfeita seria impraticável dada
a presença de animais e de poluentes atmosféricos trazidos pelos ventos. Alguns artifícios
podem, no entanto, ser utilizados a fim de minimizar essas influências: a utilização de
superfícies sem reentrâncias e bem inclinadas, por exemplo, dificultam, respectivamente, o
acúmulo de dejetos e a permanência de animais.
No caso específico de captação em coberturas, os melhores telhados quanto
à facilidade de limpeza e ao aspecto bacteriológico são pela ordem:
metálico, fibrocimento, plásticos, telhas cerâmicas (Terry, 2001 apud Alt,
2009).
„O método mais viável de limpeza é, todavia, o que ficou conhecido na literatura
especializada como “first flush” ou “primeiro fluxo”, isto é, a utilização de parte da própria
chuva para “lavar” a superfície coletora, cuidando para que essa porção seja descartada. Nesse
período inicial de escoamento, a concentração de poluentes é bem mais elevada que nos
momentos seguintes em que a água será realmente captada a fim de ser aproveitada
(Annecchini, 2005, p. 40).
O dimensionamento do primeiro fluxo, segundo Alt (2009), depende dos poluentes e
do período seco antecedente.
Alguns dispositivos foram projetados especificamente para a eficaz eliminação dessas
primeiras águas. Quando da discussão sobre do tratamento da água da chuva para fins não
potáveis, eles serão descritos em maiores detalhes.
O armazenamento da água da chuva em reservatório também constitui etapa
importante no controle de qualidade do processo de aproveitamento dessa água. Por isso, as
seguintes medidas devem ser adotadas (Annecchini, 2005, p. 44 e 45):
 Fechar hermeticamente a tampa de inspeção e instalar grade na saída do extravasor
(ladrão), a fim de evitar a entrada de pequenos animais, assim como evitar a
proliferação do Aedes Aegypti, uma vez que a água permanecerá parada;
37
 Evitar a entrada de luz solar, impedindo a proliferação de algas, além de outros
organismos que comprometam a saúde dos usuários do sistema;
 Providenciar para que o fundo do reservatório tenha um pequeno declive a fim de
permitir o escoamento total;
 Realizar, ao menos uma vez ao ano, uma limpeza geral do reservatório, eliminando os
dejetos que se sedimentaram ao longo do tempo.
Giacchini (2009?) acrescenta a estes a necessidade de construir sistemas
independentes para água de chuva e água potável a fim de evitar o risco de contaminação.
Há de se considerar, por fim, o ponto de uso, ou seja, o dispositivo final através do
qual a água será diretamente utilizada pelo usuário. Mesmo que o destino dessas águas seja
geralmente a bacia sanitária ou as mangueiras de jardins, as seguintes exigências são,
geralmente, importantes de serem obedecidas (Alt, 2009):

O odor e a cor não podem ser desagradáveis;

O pH deve variar entre 5,8 e 8,6;

O cloro residual deve ser ≤ 0,5mg/L;

Os coliformes totais devem ser ≤ 1000/100mL;

Sólidos em suspensão (SS) ≤ 30mg/L.
De acordo com a NBR 15527:2007 (ABNT, 2007, p.7), os padrões de qualidade
devem ser definidos pelo projetista de acordo com a utilização prevista. Os padrões de
qualidade da água para usos mais restritivos são aqueles mostrados.
38
Tabela 6 - Parâmetros de qualidade de água de chuva para usos restritos não potáveis
Parâmetro
Coliformes totais
Coliformes termotolerantes
Cloro residual livre a
Análise
Semestral
Semestral
Mensal
Turbidez
Mensal
Cor aparente (caso não seja utilizado nenhum
Mensal
corante, ou antes, da utilização)
Valor
Ausência em 100 mL
Ausência em 100 mL
0,5 a 3,0 mg/L
< 2,0 uT b, para usos menos
restritivos < 5,0 uT
< 15 uH c
pH de 6,0 a 8,0 no caso de
tubulação de aço carbono ou
galvanizado
NOTA 1 Podem ser usados outros processos de desinfecção além do cloro, como a aplicação
de raio ultravioleta e aplicação de ozônio.
a
No caso de serem utilizados compostos de cloro para desinfecção.
b
uT é a unidade de turbidez.
c
uH é a unidade de Hazen.
Deve prever ajuste do pH para proteção das
Mensal
redes de distribuição, caso necessário
Fonte: ABNT (2007, p.7).
Segundo Alves et al. (2008, p.101), o tratamento de águas pluviais escoadas de
telhados é composto por: filtração de materiais grosseiros; descarte das águas de escoamento
inicial; filtração de materiais particulados finos; desinfecção.
Remoção de materiais grosseiros:
De acordo com Philippi et al. (2006, p.98), em qualquer sistema adotado para a coleta
da água da chuva, deve-se evitar a entrada de folhas, gravetos ou outros materiais grosseiros
no reservatório de armazenamento final, uma vez que estes poderão se decompor
prejudicando a qualidade da água armazenada. A instalação de filtros, telas ou pode promover
a remoção deste tipo de material, conforme pode ser visualizado nas Figuras 3 e 4.
39
Figura 3 - Filtração de material grosseiro para sistemas de aproveitamento de água de chuva
Fonte: Ecocasa (2011)
Figura 4 – Dispositivos para remoção de materiais grosseiros
Fonte: Adaptado de Texas Guide to Rainwater Harvesting (1997) apud Philippi et al. (2006, p.99).
40
Descarte da primeira água:
Inúmeros estudos na literatura técnica têm evidenciado que a primeira chuva ou chuva
inicial é mais poluída, por lavar a atmosfera e a superfície de captação, quer sejam telhados ou
superfícies do solo (PHILIPPI et al., 2006, p.98).
Os dispositivos mostrados nas Figuras 5 e 6 tem como princípio o “first flush”, acima
descrito, ou seja, ambos visam a eliminar os primeiros milímetros de água que atingem a
superfície do reservatório. Tratam-se de “mini-reservatórios” que, acoplados ao grande
reservatório, armazenam as primeiras chuvas, mais contaminadas pelas impurezas,
impedindo, que elas contaminem as águas seguintes, menos poluídas.
O reservatório de eliminação de primeira chuva deve ter capacidade para armazenar de
0,8 a 1,5 L/m² de área de captação, o que também pode ser expresso como 0,8 a 1,5 mm de
chuva por m² de área de captação (Dacach, 1981 apud Annecchini, 2005, p. 40).
A NBR 15527:2007 (ABNT, 2007, p.2) considera que o dispositivo de descarte de
água, quando utilizado, deve ser dimensionado pelo projetista e, na falta de dados, recomenda
o descarte de 2 mm de precipitação inicial.
Figura 5: Dispositivo para descarte da primeira água de chuva
Fonte: Ranatunga (1999) apud Annecchini (2005, p. 41).
41
Figura 6 – Descarte da primeira água de chuva utilizando um tonel
Fonte: Dacach (1990).
Filtração de materiais particulados finos:
De acordo com Alves et al. (2008, p.102), a filtração de materiais particulados finos em
grande parte dos filtros disponíveis no mercado opera com a água sob pressão. Entretanto, o
Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) desenvolveu um filtro de fabricação
simples e que não requer pressurização da água para filtração, conforme mostra a Figura 7. O
filtro foi construído de forma a incorporar a filtração do material grosseiro na parte superior e
de material particulado fino na parte inferior utilizando areia média lavada como meio
filtrante, com 10 cm de espessura e taxa de aplicação de 336m³/m²/dia.
Desinfecção:
Para desinfecção, a critério do projetista, pode-se utilizar derivado de cloro, raios
ultravioleta, ozônio e outros. Em aplicações onde é necessário um residual desinfetante, deve
ser usado derivado clorado (ABNT, 2007, p.4)
42
Figura 7 – Esquema simplificado do filtro de material grosseiro e fino desenvolvido pelo IPT
Fonte: Alves et al. (2008, p.102).
Outras considerações sobre o tratamento de água de chuva:
Os estudos desenvolvidos no Edital 4 do Programa de Pesquisas em Saneamento Básico
(PROSAB) indicaram alguns pontos fundamentais, entre os quais citam-se (JORDÃO, 2006,
p.325):

A água da chuva é de muito boa qualidade, mas se torna contaminada após passagem
pela superfície de captação;

A água, antes com pH tipicamente ácido, da ordem de 5,6, se torna alcalina após a
passagem por um filtro de areia, usual para melhoria da qualidade;

A melhoria de qualidade, para atender padrões superiores, é facilmente obtida através
de uma filtração em leito grosseiro de areia;

A acumulação em reservatório tende a fazer crescer a DBO, sendo imprescindível que
o reservatório não receba luz solar, e seja fechado, a fim de minimizar a geração de
algas;

A maneira mais simples de se praticar a desinfecção é através da cloração, que, a nível
domiciliar pode ser realizada facilmente através de pastilhões de cloro.
O guia de aproveitamento de água de chuva do Texas, EUA, propõe medidas de
proteção para o uso da água da chuva antes de seu consumo (Tabela 7), sendo que uma
43
filtração e alguma forma de desinfecção é o mínimo necessário quando esta água for utilizada
para consumo humano (beber, escovar os dentes, cozinhar) (TEXAS GUIDE TO
RAINWATER HAVERSTING, 1997 apud PHILIPPI et al., 2006, p.102).
Tabela 7 – Técnicas de tratamento de água de chuva em função da localização no sistema de
aproveitamento.
Técnicas de tratamento
Método
local
Resultado
Telas e grades
Calhas e tubo de queda
Previne entrada de folhas e
galhos no sistema
Sedimentação
No reservatório
Sedimenta matéria particulada
Filtração
Na linha de água
Após bombeamento
Filtra sedimentos
Carvão ativado
Na torneira
Remove cloro
Osmose reversa
Na torneira
Remove contaminantes
Camadas mistas
Tanque separado
Captura material particulado
Filtro lento
Tanque separado
Captura material particulado
Desinfecção
Fervura/destilação
Antes do uso
Elimina microorganismos
Tratamento químico
(cloro ou iodo)
No reservatório ou no
bombeamento (líquido,
tablete/pastilha ou
granulado)
Elimina microorganismos
Radiação ultravioleta
Sistemas de luz ultravioleta
devem estar localizados
após passagem por filtro
Elimina microorganismos
Antes da torneira
Ozonização
Elimina microorganismos
Fonte: Texas Guide to Rainwater Harvesting (1997) apud Philippi et al. (2006, p.103).
3.3.4
Legislação e normas relacionadas ao uso de água de chuva
Até agora, foi visto que o problema da escassez de água está associado ao uso
indiscriminado desse bem e à poluição dos mananciais, o que é potencializado pelo
crescimento populacional e pela impermeabilização dos solos. Esquece-se, todavia, de apontar
a responsabilidade do Estado em tudo isso. Trata-se de um problema em escala mundial e,
44
sendo assim, requer medidas de ordem pública, que estimulem o uso sustentável da água para
a população como um todo; não basta que apenas uma parcela desta se conscientize.
Como se havia de esperar, dado o descaso com que muitos encaram o problema da
escassez de água nos nossos dias, na maioria dos estados brasileiros ainda não existem
normas técnicas que regulamentem o aproveitamento da água da chuva, seja pra fins potáveis
ou não potáveis Annecchini (2005, p. 57). Com exceção do estado de São Paulo, apenas
municípios instituíram legislações com o objetivo de controlar enchentes, conservar a água e
fazer o uso racional da mesma.
O Código Sanitário do Estado de São Paulo, Decreto 12.342 de 27/09/78, determina, em
seu artigo 12, que sistemas de água não potável não devem ser misturados ou ter interligação
ao sistema público de água potável. E, no artigo 19, prevê que não se podem introduzir águas
pluviais na rede de esgoto.
Art. 12 – Não será permitida:
(...)
III – a interlocução de tubulações ligadas diretamente a sistemas públicos com
tubulações que tenham água proveniente de outras fontes de abastecimento.
Art. 19 – É expressamente proibida a introdução direta ou indireta de águas
pluviais ou resultantes de drenagem nos ramais prediais de esgotos.
Já a lei Nº. 13.276 de 04/01/02 torna obrigatória na Capital Paulista a execução de
reservatório para as águas coletadas por coberturas e pavimentos nos lotes, edificados ou não,
que tenham área impermeabilizada superior a 500m². A lei estabelece que a água captada
deverá preferencialmente ser infiltrada no solo, podendo ser direcionada à rede de drenagem
após uma hora do término da chuva ou ainda ser utilizada para fins não potáveis. Na Cidade
de São Paulo, bem como em outras cidades do estado, tal determinação tem como principal
objetivo minimizar o risco de enchentes.
O mesmo foi previsto para a cidade do Rio de Janeiro através do Decreto Municipal
Nº 23.940/04, mas com algumas ressalvas quanto à utilização da água da chuva, apontando
medidas a serem tomadas quando da sua utilização para fins não potáveis:
a) proceder à identificação do sistema com sinalização de alerta, para
evitar o consumo indevido; b) garantir padrões de qualidade da água
apropriados ao tipo de utilização previsto, definindo os dispositivos,
processos e tratamentos necessários para a manutenção da sua qualidade;
c) impedir a contaminação do sistema predial de água potável proveniente
da rede pública, sendo proibida qualquer comunicação entre este sistema
e o sistema predial destinado à água não potável (Annecchini, 2005, p.
57).
45
Já no Município de Curitiba, a lei Nº. 10.785 de 18/09/03 criou o Programa de
Conservação e Uso Racional da Água nas Edificações – PURAE, que tem como objetivo
instituir medidas visando induzir à conservação e uso racional e a utilização de fontes
alternativas para captação de água nas novas edificações, bem como a conscientização dos
usuários sobre a importância da conservação da água. A lei municipal tratou da implantação
de sistemas de captação da água de chuva em novas edificações sem o que seria negado o
alvará de construção (Giacchini, 2009?, p. 23).
Art. 7º. A água das chuvas será captada na cobertura das edificações e
encaminhada a uma cisterna ou tanque, para ser utilizada em atividades que não
requeiram o uso de água tratada, proveniente da Rede Pública de Abastecimento,
tais como: a) rega de jardins e hortas, b) lavagem de roupa; c) lavagem de
veículos; d) lavagem de vidros, calçadas e pisos.
Art. 10. O não cumprimento das disposições da presente lei implica na negativa
de concessão do alvará de construção, para as novas edificações.
Em termos de normatização, a Norma Brasileira – NBR, 15.527 – Água da Chuva –
Aproveitamento de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis (publicada em
24.10.2007 pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT) prescreve as diretrizes
de projeto e dimensionamento dos sistemas de água de chuva. Já o projeto do sistema de
coleta da água de chuva deve atender as normas técnicas, ABNT – NBR 5.626 e NBR 10.844,
além de dispor sobre “o alcance do projeto, a população a ser atendida, a determinação da
demanda, bem como os estudos das séries históricas e sintéticas das precipitações da região”
(ABNT, 2007).
46
4
4.1
MATERIAL E MÉTODOS
CARACTERIZAÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO
Trata-se de uma residência localizada na Rua Abraham Tahim, 1969, Capim Macio,
zona sul, na circunscrição imobiliária da 3ª Zona da cidade do Natal. A área total do terreno
corresponde a 300,00 m², dos quais, aproximadamente, 45,64 m² de área de jardim e 164,40
m² de área construída (incluindo os 172,125 m² de telhado, do tipo cerâmico). A residência é
composta por doze ambientes: terraço, sala de estar, sala de jantar, sala de vídeo, cozinha,
despensa, três quartos e três banheiros.
As Figuras 8 a 11 apresentam fotografias de algumas vistas da residência estudada.
Figura 8 – Vista frontal esquerda da residência estudada.
Fonte: Autoria própria (2011).
47
Figura 9 – Vista frontal direita da residência estudada.
Fonte: Autoria própria (2011).
Figura 10 - Vista 1 da calha e do cano condutor de água pluvial da residência estudada.
Fonte: Autoria própria (2011)
48
Figura 11 - Vista 2 da calha e do cano condutor de água pluvial da residência estudada.
Fonte: Autoria própria (2011)
Natal, a cidade em que se localiza a residência estudada, apresenta características
climáticas bem específicas, típicas do clima tropical úmido, com temperatura média em torno
de 26ºC, devido a sua proximidade com a linha do equador. Dada sua situação geográfica
(5º45´55´´Sul/35º12´05´´Oeste), possui elevados níveis de radiação solar durante todo o ano.
Ao longo de dez anos de observação de superfície, Motta (2004, p.1 e 114) colheu dados que
lhe permitiram concluir que o índice pluviométrico anual da cidade varia entre 800 e 1600
mm, com maior concentração de chuvas nos meses de abril e julho.
4.2
ETAPAS PARA PRÉ-DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA PREDIAL DE ÁGUA
DE CHUVA PARA USO NÃO POTÁVEL
4.2.1
Estimativa da demanda de água para usos não potáveis
Na residência estudada, os usos da água para fins não potáveis incluíram os seguintes
pontos de consumo: vaso sanitário, máquina de lavar roupa, tanque, torneira de jardim para
irrigação de jardim e lavagem de pisos e calçadas.
Para a estimativa da demanda de água para fins não potáveis foram analisados: (i) o
consumo médio de água mensal na residência nos últimos dois anos, utilizando-se dados da
49
conta de água da Companhia de Água e Esgoto do Rio Grande do Norte (CAERN) e (ii) o
percentual e respectivo volume destinado para fins não potáveis, considerando os pontos de
consumo da residência e as informações disponíveis na literatura técnica.
4.2.2
Levantamento da pluviometria de Natal/RN
Motta (2004), após dez anos de observações de superfícies, feitas hora-a-hora, nas
vinte e quatro horas do dia, pôde construir uma tabela detalhada (Tabela 8) contendo valores
pluviométricos distribuídos em turnos, meses, número de dias (por turno e no mês)
registrando ainda a ocorrência de menor e maior índices.
A partir da Tabela 8 (série histórica de 10 anos), foi calculado o índice pluviométrico
médio anual e construído um gráfico com a precipitação média mensal de Natal.
Tabela 8 – Valores de precipitações em Natal, RN, obtidos em um levantamento durante dez
anos.
Mês
Jan
Fev
Mar
Turnos
de cada
dia
00 – 06
06 – 12
12 – 18
18 – 00
00 – 06
06 – 12
12 – 18
18 – 00
00 – 06
06 – 12
12 – 18
18 – 00
Precipitações (mm)
Soma por
turno
28,8
25,0
8,7
3,4
23,7
25,0
17,5
7,4
64,2
49,9
27,1
47,3
Média
mensal
65,9
73,6
188,5
Número de dias
com ocorrência de
precipitação
Por
turno
6,2
6,8
2,8
2,6
5,4
6,8
2,8
2,2
10,4
10,4
4,2
6,8
Faixa de
precipitação (mm)
em um período de
dez anos
Média
mensal
Maior
Menor
4,6
51,9
0,1
4,3
58,5
0,1
7,9
132,8
0,1
Cont.
50
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
00 – 06
06 – 12
12 – 18
18 – 00
00 – 06
06 – 12
12 – 18
18 – 00
00 – 06
06 – 12
12 – 18
18 – 00
00 – 06
06 – 12
12 – 18
18 – 00
00 – 06
06 – 12
12 – 18
18 – 00
00 – 06
06 – 12
12 – 18
18 – 00
00 – 06
06 – 12
12 – 18
18 – 00
00 – 06
06 – 12
12 – 18
18 – 00
00 – 06
06 – 12
12 – 18
18 – 00
76,9
35,7
29,8
15,2
49,5
50,4
27,4
34,9
106,4
81,9
38,8
51,5
63,6
78,9
38,6
35,6
27,8
24,7
8,5
14,0
19,8
24,6
7,6
9,1
6,4
8,3
5,2
2,7
10,7
7,2
0,8
3,3
11,8
17,5
11,9
9,1
157,6
162,2
278,6
216,7
75,0
61,1
22,6
22,0
50,3
8,4
8,8
5,0
5,0
9,0
8,2
4,6
7,4
16,2
12,0
9,4
9,4
11,8
13,4
9,2
9,8
9,0
9,0
4,4
4,4
8,2
6,4
2,4
4,2
5,0
5,2
1,8
2,2
3,8
3,4
1,2
1,8
5,0
5.6
1,2
2,8
6,8
60,3
0,1
7,3
64,1
0,1
11,7
87,1
0,1
11,0
60,1
0,1
6,7
88,5
0,1
5,3
56,5
0,1
3,5
19,1
0,1
2,5
13,5
0,1
3,6
43,1
0,1
Fonte: Adaptado de Mota (2004, p.107).
4.2.3
Dimensionamento do volume de reservação de água de chuva pelo método de
Rippl
O dimensionamento do volume de reservação foi calculado pelo método de Rippl,
apresentado na NBR 15527/2007 (ABNT, 2007, p. 6), conforme apresenta a equação 2.
51
V   D (t)
(eq.2)
Somente para valores S(t)  0
S(t) = D(t) – Q(t)
Sendo:
Q(t) = C x precipitação da chuva (t) x área de captação
Sendo que:
D
Onde:
S(t) é o volume de água no reservatório no tempo t;
(t)
  Q (t)
Q(t) é o volume de chuva aproveitável no tempo t;
D(t) é a demanda ou consumo no tempo t;
V é o volume do reservatório;
C é o coeficiente de escoamento superficial (0,75).
Para realizar o dimensionamento de reservatório de água de chuva pelo método de
Rippl, utilizou-se a planilha mostrada na Tabela 9, a qual foi desenvolvida por Annecchini
(2005, p. 80). Os dados de entrada e de saída dessa planilha são detalhados a seguir:
Coluna 1 – Período de tempo em meses.
Coluna 2 – Chuva média mensal (mm).
Coluna 3 – Volume correspondente à demanda mensal constante de água de chuva (m³).
Coluna 4 – Área de captação de chuva do sistema (m²).
Coluna 5 – Volume aproveitável mensal de chuva (m³), correspondente ao volume mensal de
chuva coletado pelo sistema. Este valor é obtido pela multiplicação da coluna 2 com a coluna
4 e com o coeficiente de escoamento superficial. O resultado da multiplicação é dividido por
1.000 para obter-se o valor de produção de chuva em metros cúbicos.
Coluna 6 – Diferença entre os valores de demanda e volume aproveitável de chuva, obtido
pela subtração da coluna 3 pela coluna 5. Os resultados negativos desta subtração indicam que
há excesso de chuva, e os resultados positivos indicam que há falta de chuva, ou seja, o
volume demandado é superior ao volume de chuva produzido.
Coluna 7 – Somatório dos valores positivos da coluna 6. Nesta coluna, não são computados os
valores negativos da coluna 6, pois estes indicam que há sobra de água de chuva.
52
O volume do reservatório é obtido na linha 14, que corresponde ao valor máximo
encontrado na coluna 7.
Tabela 9 – Planilha de cálculo do Método de Rippl.
Coluna 1
Coluna 2
Coluna 3
Meses
Chuva média
mensal (mm)
Demanda
constante
mensal (m³)
Coluna 4
Coluna 5
Volume
Área de
aproveitável
captação (m²) mensal de
chuva (m³)
Coluna 6
Demanda Volume
aproveitável
(m³)
Coluna 7
Soma dos
valores
positivos da
coluna 6
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Volume do reservatório de armazenamento (m³)
Fonte: Adaptado de Annecchini (2005, p.80).
4.2.4
Estimativa da economia financeira pela redução do uso de água potável da
rede pública
Para estimativa da economia financeira referente à diminuição do consumo de água
potável fornecida pela CAERN, na residência em estudo, foram considerados: (i) demanda de
água para usos não potáveis; (ii) custo da tarifa de água cobrada pela CAERN e (iii) taxa de
esgoto em função do consumo de água.
53
5
RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1
RESULTADOS RELACIONADOS À ESTIMATIVA DA DEMANDA DE ÁGUA
PARA USOS NÃO POTÁVEIS NA RESIDÊNCIA ESTUDADA
A Tabela 10 apresenta os cálculos estimativos da demanda total de água para fins não
potáveis na residência estudada
Tabela 10 – Estimativa da demanda total de água para fins não potáveis na residência
estudada
Número de usuários (habitantes)
Demanda interna
Vaso sanitário
Máquina de lavar
roupa
Unidade
Faixa
Volume de descarga
L/descarga
6 a 151
Frequencia de uso
Descarga/hab/dia
Consumo
L/dia
3 a 61
-
Volume por ciclo
Frequancia de uso
Consumo
Demanda externa
Área
Gramado ou
jardim
Área
impermeável
Lavagem de carro
4
Volume por área
L/ciclo
Ciclo/dia
L/dia
Faixa
m2
2
Frequencia de rega
Consumo
Área
m
2
2
Frequencia de lavagem
Consumo
Número de carros
Volume por lavagem
L/dia/m
Lavagem/mês
L/dia
Unidade
L/lavagem/carro
Frequencia de lavagem
Lavagem/mês
Consumo
L/dia
1
-
Unidade
L/dia/m
Rega/mês
L/dia
Volume por área
100 a 200
Consumo
Unitário (valor Total (valor
adotado)
calculado)
9
-
21
4
-
-
144
150
1
-
150
Consumo
Unitário (valor Total (valor
adotado)
calculado)
45,6
2
-
8 a 12
-
9
-
27,4
-
1
3
46,8
-
2
3
-
2
8
1
100
37,4
-
3
-
-
10
8
-
80 a 1501
1 a 41
-
369
DEMANDA TOTAL PARA FINS NÃO
(L/dia)
11
POTÁVEIS
(m³/mês)
Fonte: Dados da pesquisa (2011); 1Tomaz (2000) apud Annecchini (2005, p.51); 2Annecchini (2005, p.77).
54
A demanda de água para fim não potável foi avaliada tanto para o suprimento da
necessidade interna, quanto da externa. No uso interno da residência em estudo, verificou-se
um valor de 294 L/dia referente a soma da demanda de água para lavagem de roupas e para o
vaso sanitário. Quanto ao uso externo, obteve-se um valor de 74,8 L/dia, pela somatória do
uso de água no gramado ou jardim, área impermeável e lavagem de carro. A avaliação
resultou a um valor total de aproximadamente 369 L/dia de consumo de água não potável.
Observa-se na Tabela 11 que a demanda estimada de água para fim não potável foi
cerca de 69% em relação ao consumo total na residência em estudo. Este valor foi superior ao
verificado em estudos provenientes da Austrália. Estes denotaram que os sistemas de
aproveitamento da água de chuva proporcionam uma economia no consumo de água nas
residências de 45% e até 60% na agricultura (HEYWORTH et al., 1998 apud PHILIPPI et
al., 2006, p.80).
Tabela 11 – Estimativa da demanda interna e externa de água, para fins potáveis e não
potáveis na residência em estudada.
Usos da água
Uso interno
Fim potável
Uso externo
Fim não
Uso interno
potável
Uso externo
Fim potável e não potável
Uso interno
Geral
Uso externo
Total geral
L/dia
164,5
0,0
294,0
74,8
533,3
458,5
74,8
533,3
%
31
0
55
14
100
86
14
100
Fonte: Dados da pesquisa (2011).
Vale ressaltar que a conservação de água compreende o uso racional da água, que
pressupõe o uso eficiente e o uso de fontes alternativas de água. A utilização de fontes
alternativas de água é, portanto, uma importante medida de racionalização, por evitar a
utilização das fontes convencionais de suprimento (mananciais subterrâneos ou superficiais)
(GONÇALVES; JORDÃO, 2006, p.17).
Com relação à conservação da água na escala residencial, esta, segundo Gonçalves e
Jordão (2006, p.7) pode representar economia sensível de recursos financeiros, pela redução
55
dos encargos devido à utilização da água e à produção de esgoto sanitário, sem que haja
degradação da qualidade de vida.
5.2
DADOS DE PRECIPITAÇÃO MÉDIA DE NATAL - RN
A Tabela 12 apresenta valores médios mensais da precipitação em Natal de dados
históricos pesquisados/colhidos em dez anos a partir do ano de 1988, que foram utilizados
para o cálculo do dimensionamento do reservatório. Para esse período, a precipitação média
anual resultou em 1374,1 mm. A menor precipitação média mensal (22,0 mm) foi observada
em novembro e a maior (278,6 mm), em junho.
Tabela 12 - Precipitação média mensal e anual de Natal. Dados coletados por Mota (2004)
durante dez anos, a partir de junho de 1988.
Mês
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Total anual
Precipitação média mensal
de um período de dez anos
(mm)
65,9
73,6
188,5
157,6
162,2
278,6
216,7
75,0
61,1
22,6
22,0
50,3
1374,1
Fonte: Adaptado de Mota (2004, p.107).
56
5.3
RESULTADOS CORRESPONDENTES
APROVEITÁVEL DE ÁGUA DE CHUVA
AO
CÁLCULO
DO
VOLUME
Os valores dos volumes aproveitáveis de água de chuva foram calculados, utilizandose a equação 1, para cada mês e são apresentados na Coluna 5 da Tabela 13. Para tanto, foram
utilizados os dados apresentados na Tabela 12. A área de contribuição da residência em
estudo resultou em 172,125 m². Como já mencionado, o valor adotado para o coeficiente de
escoamento superficial, C, foi 0,75.
Como pode ser observado na Tabela 12, os volumes aproveitáveis de água de chuva
variaram de 2,6 a 36,0 m³/mês, resultando em um total anual de 177,4 m³.
5.4
RESULTADOS SOBRE O DIMENSIONAMENTO DO VOLUME DE
RESERVAÇÃO DE ÁGUA DE CHUVA PELO MÉTODO DE RIPPL PARA A
RESIDÊNCIA ESTUDADA
A Tabela 13 apresenta a planilha de dimensionamento de reservatório de água de
chuva pelo método de Rippl para a residência estudada, cujo volume resultou em 29,6 m³.
A utilização do Método de Rippl indicou que para suprir uma demanda mensal de
água para fim não potável de 11,1 m³, seria necessário um reservatório de, aproximadamente,
30 m³.
Annecchini (2005, p.111) dimensionou um reservatório para armazenamento de água
de chuva por diferentes métodos e, para o caso específico, comentou que o Método de Rippl
resultou em volumes muito grandes para garantir maior confiabilidade ao sistema.
57
Tabela 13 - Planilha de dimensionamento do reservatório de água de chuva pelo Método de
Rippl
Coluna 1
Coluna 2
Coluna 3
Coluna 4
Coluna 5
Volume
Demanda
Chuva média
Área de
aproveitável
Meses
constante
mensal (mm)
captação (m²) mensal de
mensal (m³)
chuva (m³)
Janeiro
65,9
11,1
172,1
8,5
Fevereiro
73,6
11,1
172,1
9,5
Março
188,5
11,1
172,1
24,3
Abril
157,6
11,1
172,1
20,3
Maio
162,2
11,1
172,1
20,9
Junho
278,6
11,1
172,1
36,0
Julho
216,7
11,1
172,1
28,0
Agosto
75,0
11,1
172,1
9,7
Setembro
61,1
11,1
172,1
7,9
Outubro
22,6
11,1
172,1
2,9
Novembro
22,0
11,1
172,1
2,8
Dezembro
50,3
11,1
172,1
6,5
Volume do reservatório de armazenamento (m³)
Coluna 6
Demanda Volume
aproveitável
(m³)
2,6
1,6
-13,3
-9,3
-9,9
-24,9
-16,9
1,4
3,2
8,1
8,2
4,6
Coluna 7
Soma dos
valores
positivos da
coluna 6
29,62
Fonte: Dados da pesquisa (2011).
No Gráfico 3, apresenta-se um balanço entre a demanda constante de água para fim
não potável e a produção de chuva do sistema dimensionado pelo método de Rippl. Nesse
Gráfico ficam claros os períodos em que a demanda é suprida na sua totalidade pela água da
chuva (fevereiro a agosto) e os períodos em que a demanda é superior ao volume captável.
58
Gráfico 3 - Balanço hídrico do sistema, mostrando a demanda constante de água não potável e
a produção de chuva do sistema dimensionado
40
Volume (m³)
35
30
25
20
15
10
5
0
0
2
4
6
8
10
12
14
Meses
Demanda constante mensal (m³)
Volume aproveitável mensal de chuva (m³)
Fonte: Dados da pesquisa (2011).
5.5
RESULTADOS REFERENTES À ESTIMATIVA DA ECONOMIA FINANCEIRA
PELA REDUÇÃO DO USO DE ÁGUA POTÁVEL DA REDE PÚBLICA, PARA A
RESIDÊNCIA ESTUDADA.
O consumo médio de água na casa em estudo, verificado em 2009 e 2010, foi de 16
m³/mês, conforme mostra a Tabela 14. Esse valor (16 m³/economia.mês) foi superior ao
verificado em 2003 pelo Programa de Modernização do Setor de Saneamento (PMSS) de 12,5
e 14,1 m³/economia.mês, respectivamente, para a região nordeste e para o Brasil (PMSS, 2003
apud GONÇALVES; JORDÃO, 2006, p.12). Contudo, o valor verificado de consumo de água
de 16 m³/mês, na residência em estudo com quatro pessoas, foi próximo ao valor mencionado
pela SABESP (2006) apud Gonçalves e Jordão (2006, p.15) para uma família com 4 pessoas,
com mudança de hábitos de desperdício nas atividades diárias, que, segundo o referido autor,
pode vir a consumir no máximo 15m³/mês.
59
Tabela 14 – Consumo de água mensal, em 2009 e 2010, na residência em estudo
3
Mês
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Média
Média de dois anos
Mensal (m /mês)
2009
2010
16
26
14
18
15
21
9
14
10
12
11
14
10
11
11
21
20
22
16
17
21
19
19
17
14
18
16
Diário (L/dia)
2009
533
467
500
300
333
367
333
367
667
533
700
633
478
2010
867
600
700
467
400
467
367
700
733
567
633
567
589
533
Fonte: Dados da pesquisa (2011).
No presente estudo, caso toda a demanda para fim não potável da residência fosse
suprida com água pluvial, haveria uma economia de 69% (Tabela 11) na conta da água, o que
contribuiria para a diminuição do uso do sistema público de abastecimento de água do
município.
5.6
SUGESTÃO DE POSSÍVEIS UNIDADES DE TRATAMENTO DE ÁGUA DE
CHUVA PARA USOS NÃO POTÁVEIS, COM BASE NA LITERATURA TÉCNICA
E NOS TIPOS DE USOS DA RESIDÊNCIA EM ESTUDO
Considerando o levantamento bibliográfico realizado, sugere-se que o possível sistema
de aproveitamento da água de chuva na residência estudada inclua os seguintes dispositivos
e/ou unidades para garantia de qualidade adequada para fins não potáveis:

Dispositivo para remoção de material grosseiro;

Um reservatório para descarte da primeira água de chuva (descarte de 1,5 mm);

Filtro de areia;

Desinfecção com o uso de pastilhas de cloro no reservatório de acumulação.
60
6
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
O desenvolvimento deste trabalho permitiu as seguintes conclusões relacionadas a
residência estudada:
- A demanda de água para fim não potável resultou em um valor de, aproximadamente, 11,1
m³/mês (132,8m³/ano), correspondendo a 69% em relação ao consumo total de água na
residência;
- Os volumes aproveitáveis de água de chuva variaram de 2,6 a 36,0 m³/mês, resultando em
um total anual de 177,4 m³;
- O volume de reservação de água segundo o método de Rippl resultou em 29,6 m³,
indicando que para suprir uma demanda mensal de água para fim não potável de 11,1 m³,
seria necessário um reservatório de, aproximadamente, 30 m³;
- Caso toda a demanda para fim não potável da residência fosse suprida com água pluvial,
haveria uma economia de 69% na conta da água e ao respectivo volume gerado de esgoto,
já que a tarifa cobrada de esgoto reflete um percentual do consumo de água.
Considerando o volume, relativamente, grande do reservatório para armazenamento da
água de chuva, calculado pelo método de Rippl, recomenda-se o dimensionamento por outros
métodos mencionados na NBR 15527/2007.
A partir do pré-dimensionamento apresentado neste trabalho, recomenda-se a
avaliação do custo de implantação do sistema de aproveitamento de água de chuva para a
residência estudada.
61
REFERÊNCIAS
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS (ANA). Conservação e reuso de água em
edificações. São Paulo: Prol Editora Gráfica, 2005.
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS (ANA). Cuidando das águas: soluções para melhorar
a qualidade dos recursos hídricos. Brasília: ANA, 2011. Disponível em:
<http://www.pnuma.org.br/admin/publicacoes/texto/Cuidando_das_aguas_final_baixa.pdf>.
Acesso em: 20 jun. 2011.
ALT, Robinson. Aproveitamento de água de chuva para áreas urbanas e fins não
potáveis. 2009.
ALVES, Wolney Castilho et al. Tecnologias de conservação em sistemas prediais. In:
GONÇALVES, Ricardo Franci (Coordenador). Conservação de água e energia em sistemas
prediais e públicos de abastecimento de água. Rio de Janeiro: ABES, 2009. p.219-294.
ALVES, Wolney Satilho et al. Sistema de aproveitamento de águas pluviais para usos não
potáveis. Téchne, São Paulo, ano 16, n. 133, p.99-104, 2008.
ANNECCHINI, Karla Ponzo Vacaari. Aproveitamento da água da chuva para fins não
potáveis na cidade de Vitória (ES). Dissertação (mestrado). Universidade Federal do
Espírito
Santo,
Centro
Tecnológico,
2005.
Disponível
em:
<http://www.ct.ufes.br/ppgea/files/VERS%C3%83O%20final%20%20Karla%20Ponzo.PRN_.pdf>. Acesso em: 20 maio 2011.
ASSOCAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15527: água de chuva –
aproveitamento de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis – requisitos. Rio de
Janeiro, 2007.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CAPTAÇÃO E MANEJO DE ÁGUA DE CHUVA
(ABCMAC).
Histórico.
Disponível
em:
<http://www.abcmac.org.br/index.php?modulo=historico>. Acesso em: 20 maio 2011.
BRAGA, B. et al. Introdução à engenharia ambiental. São Paulo: Prentice Hall, 2002.
BRITO, Luiza Teixeira de Lima; SOUZA SILVA, Aderaldo de; PORTO, Everaldo Rocha.
Disponibilidade de água e a gestão dos recursos hídricos. In: BRITO, Luiza Teixeira de Lima
et al., Potencialidades da água de chuva no semi-árido brasileiro. Petrolina: Embrapa
Semi-Árido, 2007. Cap.1.
CHEUNG, Peter B. et al. Consumo de água. In: GONÇALVES, Ricardo Franci
(Coordenador). Conservação de água e energia em sistemas prediais e públicos de
abastecimento de água. Rio de Janeiro: ABES, 2009. p.36-98.
COHIM, Eduardo et al. Perspectivas futuras: água, energia e nutrientes. In: GONÇALVES,
Ricardo Franci (Coordenador). Conservação de água e energia em sistemas prediais e
públicos de abastecimento de água. Rio de Janeiro: ABES, 2009. p.295-350.
62
CURITIBA. Lei Nº10.785, de 18 de setembro de 2003: Cria o Programa de Conservação e
Uso Racional da Água nas Edificações. Curitiba, 18 set. 2003.
ECOCASA TECNOLOGIAS AMBIENTAIS. Aproveitamento de água de chuva.
Disponível em: <http://www.ecocasa.com.br/produtos.asp?it=1212>. Acesso em: 15 jun
2011.
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BANCOS (FEBRABAN). Anexo II do Acordo de
cooperação técnica e financeira celebrado entre FEBRABAN e AP1MC em 31/05/2003.
Disponível em: <http://www.febraban.org.br/arquivo/servicos/respsocial/acordo.pdf>.
Acesso em: 02 jun 2011.
GIACCHINI, M. e ANDRADE FILHO, A.G.. Aproveitamento da água de chuva nas
edificações. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E
AMBIENTAL, 23, 2005, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: ABES, 2005.
GIACCHINI, M. Uso e reúso da água. Série de Cadernos Técnicos. CREA PR, 2009?.
GONÇALVES, Ricardo Franci; JORDÃO, Eduardo Pacheco. Introdução. In: GONÇALVES,
Ricardo Franci (Coordenador). Uso racional da água em edificações. Rio de Janeiro: ABES,
2006. Cap.1. p.1-28.
GONÇALVES, Ricardo Franci; JORDÃO, Eduardo Pacheco; JANUZZI, Gilberto.
Introdução. In: GONÇALVES, Ricardo Franci (Coordenador). Conservação de água e
energia em sistemas prediais e públicos de abastecimento de água. Rio de Janeiro: ABES,
2009. p.21-35.
JORDÃO, Eduardo Pacheco. Análise crítica. In: GONÇALVES, Ricardo Franci
(Coordenador). Uso racional da água em edificações. Rio de Janeiro: ABES, 2006. Cap.7.
p.323-332.
MARINOSKI, Ana Kelly. Aproveitamento de água pluvial para fins não potáveis em
instituição de ensino: estudo de caso em Florianópolis – SC. Trabalho de conclusão de
curso (graduação). Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Tecnológico, 2007.
Disponível
em:
<http://www.labeee.ufsc.br/sites/default/files/publicacoes/tccs/TCC_Ana_Kelly_Marinoski.p
df>. Acesso em: 12 maio 2011.
MARQUES, J. A. A. S.; SOUSA, J. J. O. Hidráulica Urbana. Sistemas de abastecimento de
água e de drenagem de águas residuais. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra,
2008.
Disponível
em:
<http://books.google.com.br/books?id=26TL3FUhLcC&pg=PP1&dq=MARQUES,+e+SOUZA.+Hidr%C3%A1ulica+Urbana.+Sistema+de
+abastecimento+de+%C3%A1gua&hl=pt-BR&ei=ADgGTrqjBrS10AG1eTxCg&sa=X&oi=book_result&ct=bookthumbnail&resnum=1&ved=0CCwQ6wEwAA#v=onepage&q&f=false>. Acesso em: 10
maio 2011.
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA); MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC);
INSTITUTO BRASILEIRO DE DEFESA DO CONSUMIDOR (IDEC). Consumo
sustentável: manual de educação. Brasília: MMA/MEC/IDEC, 2005.
MOTTA, Adauto.Gouveia. O clima de Natal. São José dos Campos: INPE, 2004.
63
PHILIPPI, Luís Sérgio et al. Aproveitamento da água da chuva. In: GONÇALVES, Ricardo
Franci. Uso racional da água em edificações. Rio de Janeiro: ABES, 2006. Cap. 3. p.73-152.
TUNDISI, José Galizia. Ciclo hidrológico e gerenciamento integrado. Revista Ciência e
Cultura, v. 55, n. 4, São Paulo Out/Dez 2003. SBPC, Gestão das águas, artigos. Disponível
em:
<http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S000967252003000400018>. Acesso em: 02 jun. 2011.
Download

universidade federal rural do semi-árido departamento de ciências