Recursos humanos em saúde no Mercosul Organização Pan-Americana da Saúde SciELO Books / SciELO Livros / SciELO Libros Organização Pan-Americana da Saúde. Recursos Humanos em Saúde no Mercosul [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 1995. 147 p. ISBN 85-85676-19-1. Available from SciELO Books <http://books.scielo.org>. All the contents of this work, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution-Non Commercial-ShareAlike 3.0 Unported. Todo o conteúdo deste trabalho, exceto quando houver ressalva, é publicado sob a licença Creative Commons Atribuição Uso Não Comercial - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não adaptada. Todo el contenido de esta obra, excepto donde se indique lo contrario, está bajo licencia de la licencia Creative Commons Reconocimento-NoComercial-CompartirIgual 3.0 Unported. RECURSOS HUMANOS EM SAÚDE NO MERCOSUL FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ Presidente Carlos Médici Morel Vice-Presidente d e Ensino e Informação Paulo Marchiori Buss EDITORA FIOCRUZ Coordenador Paulo Marchiori Buss C o n s e l h o Editorial Carlos E. A. Coimbra Charles Hooman José Momen da Rocha Carvalheiro Luiz Fernando Paulo Paulo Sergio )r. Pessanha Ferreira Gadelha M. Buss Coes de Zigman Coordenador Francisco Paula Brener Executivo Edmilson M. Carneiro Organização Panamericana de Saúde Escritório Regional da OMS Programa Especial de Desenvolvimento de Recursos Humanos RECURSOS HUMANOS EM SAÚDE NO MERCOSUL ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DA SAÚDE ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE Copyright © 1995 T o d o s os direitos desta e d i ç ã o reservados à EDITORA FIOCRUZ I S B N : 85-85676-19-1 Revisão Técnica: Célia Regina Pierantoni Mário Roberto Paulo Marchiori Dal Poz Buss Capa: Ilustração: Jaguar D e s i g n : Carlos Prósperi P r o j e t o G r á f i c o : Heloisa Diniz E d i t o r a ç ã o E l e t r ô n i c a : Marilene R e v i s ã o : Marcionílio Cavalcanti Cardoso de Paiva C a t a l o g a ç ã o na F o n t e C e n t r o d e Informação Científica e Tecnológica B i b l i o t e c a L i n c o l n d e Freitas Filho O 68r Organização Pan-Americana da Saúde Recursos H u m a n o s e m Saúde no Mercosul/Organização Pan Americana da Saúde. Rio d e Janeiro: Fiocruz, 1995. 1 4 7 p. t a b . 1 . R e c u r s o s H u m a n o s e m S a ú d e - Brasil. 2. R e c u r s o s H u m a nos e m S a ú d e - Paraguai. 3. R e c u r s o s H u m a n o s e m S a ú d e - A r g e n t i n a . 4. R e c u r s o s H u m a n o s e m Saúde - Uruguai. I. T í t u l o . C D D - 2 0 . ed. -331.11913621 1995 EDITORA FIOCRUZ Rua Leopoldo Bulhões, 1480 - Manguinhos 2 1 0 4 1 - 2 1 0 - R i o d e J a n e i r o - RJ T e l . : 5 9 0 - 3 7 8 9 r. 2 0 0 9 Fax.: ( 0 2 1 ) 2 8 0 - 8 1 9 4 AUTORES • Alícia Arnau, Consultora Temporária da Organização Panamericana d e Saúde, Paraguai. • Mônica C. Abramzón, Professora da Universidade d e B u e n o s Aires, Argentina. • Pedro Brito, C o n s u l t o r d o P r o g r a m a E s p e c i a l d e D e s e n v o l v i m e n t o d e Recursos H u m a n o s da O P A S , Washington/USA. • Francisco Eduardo de Campos, Consultor d o Programa Especial d e Desenvolvimento d e Recursos H u m a n o s da O P A S , W a s h i n g t o n / U S A . • Mário Roberto Dal Poz, P r o f e s s o r d o Instituto d e M e d i c i n a S o c i a l d a U E R J , Brasil. • José Roberto Ferreira, C h e f e d o Programa Especial d e D e s e n v o l v i m e n t o d e Recursos H u m a n o s da O P A S , W a s h i n g t o n / U S A . • Célia Pierantoni, P e s q u i s a d o r a d o Instituto d e M e d i c i n a S o c i a l d a U E R J , Brasil. • Félix Rigoli, D i r e t o r d o C e n t r o A s s i s t e n c i a l d o S i n d i c a t o d o s M é d i c o s , Uruguai. • Rodolfo H. Rodríguez, C o o r d e n a d o r d o C e n t r o d e Estudos d e Recursos H u m a n o s para a S a ú d e d o C o n s e l h o d e M é d i c o s d e C ó r d o b a , Argentina. • Joaquin • Milagros • Tereza Serra, Sugo, Christina Uruguai. Uruguai. Varella, Enfermeira d o I N A M P S e Pesquisadora d o Instituto d e M e d i c i n a S o c i a l d a U E R J , Brasil. Sumário Mercosul: u m Processo d e Integração Rodolfo H. Rodriguez 9 O C a m p o dos Recursos H u m a n o s e m Saúde no Mercosul Francisco Campos, Pedro Brito e Félix Rigoli 31 Argentina: Situação dos Recursos H u m a n o s e m S a ú d e Mônica C. Abramzón 47 Estudo d e C o n d i ç õ e s d e F o r m a ç ã o e Exercício Profissional e m S a ú d e n o Brasil Mario Dal Poz e Tereza Christina Varella 75 Formação e M e r c a d o de Trabalho de Algumas Categorias Profissionais d e S a ú d e n o U r u g u a i Félix Rígoli, Milagros Sugo e Joaquin Serra, 107 Paraguai: Situação da F o r m a ç ã o e M e r c a d o d e Trabalho na Á r e a da S a ú d e Alícia Arnau e Célia Pierantoni Anexos 127 143 Tratado para a Constituição d e u m M e r c a d o C o m u m entre a Argentina, o Brasil, o P a r a g u a i e o U r u g u a i - T r a t a d o d e A s s u n ç ã o 143 Regulamento da Comissão Parlamentar Conjunta d o Mercosul 149 MERCOSUL: UM PROCESSO DE INTEGRAÇÃO Rodolfo H. Rodríguez ANTECEDENTES E m 1 9 8 6 , o s p r e s i d e n t e s d o Brasil e d a A r g e n t i n a d e r a m i n í c i o a um processo d e integração entre a m b o s os países, nos planos político, e c o n ô m i c o e s o c i a l . L o g o e m s e g u i d a , o U r u g u a i e , f i n a l m e n t e , o P a r a g u a i , solicitaram participação no m e n c i o n a d o processo. D e s d e e n t ã o foi p e r c o r r i d o u m l o n g o c a m i n h o , q u e s e m d ú v i d a já r e sultou e m b e n e f í c i o s c o n c r e t o s p a r a o s p a í s e s - m e m b r o s . O póteses p r i m e i r o e f e i t o d o p r o c e s s o d e i n t e g r a ç ã o foi a m o d i f i c a ç ã o d a s hide conflitos sub-regionais. A repercussão dessa m u d a n ç a f u n d a m e n - tal n a s políticas d e d e f e s a p e r m i t i u , p o r e x e m p l o , u m a a s s o c i a ç ã o e s t r a t é g i c a e n t r e a E M B R A E R ( f á b r i c a brasileira d e a v i õ e s ) e a f á b r i c a militar d e a v i õ e s d a Argentina. A nova concepção no tratamento dos problemas geopolíticos, por parte das e m p r e s a s hidroelétricas e m c o m u m , facilitou o a c e s s o a o c r é dito i n t e r n a c i o n a l p a r a o p r o s s e g u i m e n t o d o s p r o j e t o s d e Y a c i r e t á A p i p e e outras grandes obras. O p r o c e s s o d e i n t e g r a ç ã o e c o n ô m i c a n o c a m p o d a indústria a u m e n t o u s i g n i f i c a t i v a m e n t e o v o l u m e d o i n t e r c â m b i o c o m e r c i a l sub-regional e facilitou a implantação d e projetos c o m financiamento privado binacional para a p r o d u ç ã o d e bens comercializáveis c o m outros países. Paralelamente, a s o l u ç ã o d o impasse d e fronteiras entre A r g e n t i n a e C h i l e c o m r e l a ç ã o a o C a n a l d e B e a g l e e o a d v e n t o d a d e m o c r a c i a n e s t e últi¬ m o p a í s - e t a m b é m n o P a r a g u a i - v i a b i l i z a r a m o t r a t a m e n t o sub-regional d e diversos temas arquivados durante anos. D o s d i v e r s o s p r o t o c o l o s a s s i n a d o s e n t r e o Brasil e a A r g e n t i n a v i s a n d o facilitar o i n t e r c â m b i o d e b e n s e s e r v i ç o s , destaca-se o d e n . 1 4 . P o r suas o características, esse d o c u m e n t o p o d e ser c o n s i d e r a d o o precursor d o Tratado MERCOSUL. O TRATADO MERCOSUL E m 2 6 d e m a r ç o d e 1 9 9 1 , n a c i d a d e d e A s s u n ç ã o , capital d a R e p ú b l i c a d o Paraguai, o s Presidentes d o s quatro países d e r a m u m passo decisivo para a s s e g u r a r a c o n t i n u i d a d e d e s s e p r o c e s s o , c o m a assinatura d o T R A T A D O P A R A A CONSTITUIÇÃO DE U M MERCADO COMUM entre os quatro países, deixando a b e r t a a possibilidade (Art. 2 0 ) d a i n c o r p o r a ç ã o d e outros países q u e f a ç a m parte da A L A D I ! 1 . N a c o n v i c ç ã o d e q u e o p r o c e s s o i n i c i a d o terá u m a p r o f u n d a r e p e r c u s s ã o e m v á r i o s n í v e i s - n a s r e l a ç õ e s e n t r e o s signatários e e n t r e e s s e s e o u tros p a í s e s , n a s p o s i ç õ e s c o n j u n t a s a s e r e m d e s e n v o l v i d a s e m f o r o s i n t e r n a cionais, n o estabelecimento d o s modelos d e desenvolvimento e m cada naç ã o e na e l e v a ç ã o d o nível e da qualidade d e vida d o s p o v o s da região -, a O P A S , p o r iniciativa d e seu Diretor, decidiu participar a t i v a m e n t e d o p r o c e s s o d e integração, n o c a m p o d e sua c o m p e t ê n c i a t é c n i c a ! 2 . O p r e s e n t e d o c u m e n t o d e t r a b a l h o p r e t e n d e f a z e r u m a a n á l i s e d o tra- t a d o d e i n t e g r a ç ã o d o M E R C O S U L e d e seus efeitos diretos e indiretos sobre o s e t o r S a ú d e , tal c o m o a p o s s i b i l i d a d e d e a c e s s o d o s p a í s e s - m e m b r o s à c o o p e r a ç ã o técnica e d e intercâmbio entre eles. D e v i d o às características d a dinâmica d e integração e a o cronograma d e t e r m i n a d o pelos países, o presente d o c u m e n t o focaliza o c a m p o d o s R e cursos H u m a n o s para a S a ú d e , principalmente p o r q u e nessa área surgirão as p r i m e i r a s a ç õ e s e r e a ç õ e s setoriais e m r e l a ç ã o a o M E R C O S U L . ANÁLISE D O TRATADO Objetivos O principal objetivo é a constituição d e u m M E R C A D O C O M U M que de- verá estar e m p l e n o f u n c i o n a m e n t o e m 31 d e d e z e m b r o d e 1994. A d a t a e s c o l h i d a t e m i m p l i c a ç õ e s p o l í t i c a s e t é c n i c a s . A s políticas v i sam assegurar q u e a totalidade d o período d e constituição desse M e r c a d o C o m u m c o i n c i d a c o m o m a n d a t o d a s atuais a d m i n i s t r a ç õ e s , p r i n c i p a l m e n t e 1 A República da Bolívia solicitou sua adesão, e m virtude dessa cláusula. 2 G u e r r a d e M a c e d o , Carlyle: M e n s a g e m d o Diretor, OPAS, W a s h i n g t o n D C , 1992. n o s c a s o s d o Brasil e d a A r g e n t i n a ! Além d a p r o p a g a n d a p o l í t i c a , a e s c o l h a d e s s a d a t a p r e t e n d e a s s e g u r a r a u n i d a d e d e critérios, g a r a n t i n d o a s s i m o s u c e s s o d o T r a t a d o . D o p o n t o d e vista t é c n i c o , e l a c o i n c i d e c o m a l g u m a s d a tas já e s t a b e l e c i d a s n o q u a d r o d a A L A D I p a r a o d e c r é s c i m o d o s n í v e i s d e p r o t e ç ã o - tarifas e i m p o s t o s - s o b r e c e r t o s i n s u m o s e e m a l g u n s a c o r d o s f i r m a d o s n a r e u n i ã o d o GATT n o U r u g u a i . Implicações S ã o basicamente d e quatro tipos: a) L i v r e c i r c u l a ç ã o d e b e n s , serviços e insumos para a p r o d u ç ã o entre o s países, a t r a v é s d a e l i m i n a ç ã o d o s d i r e i t o s a d u a n e i r o s e d a s restrições tarifárias, b) não entre outros procedimentos. E s t a b e l e c i m e n t o d e u m a tarifa c o m u m n o i n t e r c â m b i o c o m países ou a g r u p a m e n t o d e países n ã o e n v o l v i d o s e a c o o r d e n a ç ã o d e p o s i ç õ e s e m foros econômico-comerciais regionais e internacionais. c) C o o r d e n a ç ã o d e políticas m a c r o e c o n ô m i c a s e setoriais n o s c a m p o s c o m é r c i o exterior, d a agricultura, d a indústria, ria, c a m b i a l e a l f a n d e g á r i a , d e t r a n s p o r t e s e c o m u n i c a ç õ e s e d e campos d) do d a p o l í t i c a fiscal, m o n e t á outros a serem decididos. C o o r d e n a ç ã o legislativa p a r a a h o m o g e n e i z a ç ã o d o D i r e i t o , v i s a n d o fortalecer o processo d e integração. E m b o r a o texto sofra f o r t e i n f l u ê n c i a d o s a s p e c t o s e c o n ô m i c o s d a i n t e - g r a ç ã o , e l e c o n t é m i n t e r e s s a n t e s itens d e c a r á t e r p o l í t i c o , tais c o m o a c o o r d e n a ç ã o d e p o s i ç õ e s d e países fora d o tratado e outros m e r c a d o s c o m u n i t á rios e a c o o r d e n a ç ã o d e políticas m a c r o e c o n ô m i c a s . Isso i m p l i c a n e c e s s a r i a m e n t e n o e s t a b e l e c i m e n t o d e n o v o s a c o r d o s d e natureza política, q u e certam e n t e b e n e f i c i a r ã o as p o p u l a ç õ e s d o s p a í s e s signatários d o T r a t a d o . D o p o n t o d e vista d o s e t o r s a ú d e , a partir d e u m a v i s ã o m o d e r n a e i n tegral d o m e s m o , a i n c l u s ã o d o c o n c e i t o serviços e n t r e o s p r o d u t o s d e inter- c â m b i o e a e l i m i n a ç ã o d a s r e s t r i ç õ e s tarifárias ( c o m a c o n s e q ü e n t e r e a v a l i a ç ã o d a s n ã o tarifárias) p r e s s u p õ e m a a b e r t u r a d e u m c a m p o d e a t i v i d a d e d e p r o p o r ç õ e s interessantes. O m e s m o o c o r r e n o q u e se refere à c o o r d e n a ç ã o d e políticas setoriais, por força d o c o n c e i t o abrangente da expressão "e outros c a m p o s a s e r e m decididos". 3 O Presidente da República Federativa d o Brasil, Itamar Franco, por exemplo, e m seu discurso ao Congresso N a c i o n a l , comprometeu-se c o m a continuidade dos trabalhos e, p o u c o s dias depois d e sua posse, c o m p a r e c e u à reunião d e rotina dos Presidentes d o Tratado M e r ¬ cosul. F i n a l m e n t e , n o c a m p o d o D i r e i t o , a r e v i s ã o legislativa e a c r i a ç ã o d e n o v o s foros d e c o o r d e n a ç ã o interparlamentar geram u m ambiente suma- m e n t e fértil p a r a a c o n t i n u i d a d e d o p r o j e t o D e m o c r a c i a e S a ú d e , q u e fora 4 iniciado e m 1990 pela O P A S e pela O E A (ver o Art. 24 d o Tratado.). Fundamentação O M e r c a d o C o m u m d o C o n e Sul t e m c o m o base a reciprocidade d e direitos e o b r i g a ç õ e s entre os países-membros. A s Etapas O T r a t a d o p r e v ê d u a s e t a p a s : a p r i m e i r a t r a n s c o r r e e n t r e a assinatura d o m e s m o e o dia 31 d e d e z e m b r o d e 1 9 9 4 , e a segunda c o m e ç a e m 1 o de janeiro de 1995. D u r a n t e a primeira etapa, d e n o m i n a d a "etapa d e transição", o a c o r d o p r e v ê a a d o ç ã o d e u m R e g i m e G e r a l d e O r i g e m q u e e s t a b e l e c e as b a s e s para o início das a ç õ e s , u m Sistema d e S o l u ç ã o d e Controvérsias e u m c o n j u n t o d e C l á u s u l a s d e S a l v a g u a r d a - e s t a s últimas p a r a d a r e s p a ç o a a l g u n s r e g i m e s a l f a n d e g á r i o s v i g e n t e s e p e r m i t i r o ingresso d o U r u g u a i e d o P a r a guai n o Tratado. A s e g u n d a e t a p a terá início n o p r i m e i r o dia d o a n o d e 1 9 9 5 e será c a r a c t e r i z a d a p e l a p l e n a v i g ê n c i a d o c o n c e i t o d e livre m e r c a d o e m sua a c e p ç ã o mais ampla (ver adiante). Esse c o n j u n t o d e n o r m a s t e m especial valor t é c n i c o por estabelecer o s p e r c e n t u a i s a n u a i s d o d e c r é s c i m o d e i m p o s t o s q u e será l e v a d o a c a b o p e l o s p a í s e s - m e m b r o s , definir c o m c l a r e z a o q u e é u m " p r o d u t o n a c i o n a l " , d e t e r m i n a r m a i o r p r a z o ( 3 1 d e d e z e m b r o d e 1 9 9 5 ) p a r a a i n t e g r a ç ã o definitiva d o U r u g u a i e d o P a r a g u a i , e s t a b e l e c e r as p o s i ç õ e s d o s registros d e produtos q u e terão sua p r o t e ç ã o preservada até d e t e r m i n a d o grau etc. O s Instrumentos O tratado estabelece: a) Um P r o g r a m a d e L i b e r a ç ã o C o m e r c i a l q u e c o n s i s t e n a r e d u ç ã o linear, a u t o m á t i c a e p r o g r e s s i v a d e t o d a s as r e s t r i ç õ e s tarifárias e n ã o tarifárias, v i s a n d o c h e g a r a o t é r m i n o d a p r i m e i r a e t a p a c o m tarifa z e r o p a r a a totalid a d e d o s b e n s , d o s serviços e dos produtos que forem comercializados entre os países-membros. 4 O projeto D e m o c r a c i a e S a ú d e consistiu na reunião d e parlamentares d e diferentes países para a discussão d e uma agenda c o m u m , d e temas vinculados à questão da saúde. N o â m bito d o M e r c o s u l , realizou-se e m Brasília (1991), sob os auspícios da OPAS, uma primeira reunião d e parlamentares argentinos e brasileiros visando a análise d e posições conjuntas a respeito d e patentes d e medicamentos. b) U m Programa C o n v e r g e n t e d e C o o r d e n a ç ã o d e Políticas M a c r o e c o n ô m i cas. c) U m a c o r d o d e tarifa e x t e r n a e m c o m u m . d) Um sistema de adoção de acordos multilaterais de caráter setorial . 5 A Administração O T r a t a d o institui d o i s g r a n d e s ó r g ã o s p a r a a a d m i n i s t r a ç ã o d o a c o r d o : a) o C O N S E L H O D O M E R C A D O C O M U M , a o qual c a b e a c o n d u ç ã o política e a t o m a d a d e d e c i s õ e s p a r a assegurar o c u m p r i m e n t o d o s o b j e t i v o s e p r a zos estabelecidos. É integrado pelos Ministros d a E c o n o m i a e das R e l a ç õ es Exteriores d o s p a í s e s - m e m b r o s , e reunir-se-á s e m p r e q u e n e c e s s á r i o . A l é m disso, h á u m a r e u n i ã o a n u a l c o m a p r e s e n ç a d o s S r s . P r e s i d e n t e s dos respectivos G o v e r n o s . b) o G R U P O M E R C A D O C O M U M , q u e é o Ó r g ã o Executivo e será coordenado p e l o s M i n i s t é r i o s d a s R e l a ç õ e s Exteriores. E l e e x e c u t a a s d e c i s õ e s t o m a das pelo Conselho, dispõe sobre as normas e medidas para assegurar o cumprimento d o programa d e liberação comercial, a c o o r d e n a ç ã o d e p o líticas m a c r o e c o n ô m i c a s e a n e g o c i a ç ã o d e acordos c o m países não- m e m b r o s . D e l e d e p e n d e r ã o os subgrupos d e trabalho criados p o r força d o A n e x o 5 d o tratado. Esse ó r g ã o é i n t e g r a d o p o r q u a t r o m e m b r o s titulares e q u a t r o s u p l e n t e s ( d e c a d a país), c o m r e p r e s e n t a ç ã o d e : M i n i s t é r i o d a s R e l a ç õ e s Exteriores, Ministério da E c o n o m i a - o u equivalente - e B a n c o Central. Conta, ainda, c o m u m a Secretaria Administrativa sediada na cidade d e M o n t e v i d é u , q u e está f u n c i o n a n d o d e s d e 1 9 9 2 . O A r t i g o 2 4 , p o r s u a v e z , a n u n c i a a i n t e n ç ã o d e c o n s t i t u i r u m a Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul, c o m o o b j e t i v o d e facilitar a i m p l e - mentação do mesmo. O Tratado é integrado p o r u m conjunto d e anexos, entre o s quais vale destacar o n o 5, q u e cria o s s u b g r u p o s d e t r a b a l h o d e n t r o d o â m b i t o d o G R U P O M E R C A D O C O M U M . S ã o 11 c o m i s s õ e s , q u e t e r ã o a s e u c a r g o a c o o r d e - n a ç ã o d a s políticas m a c r o e c o n ô m i c a s e setoriais. S ã o e l a s : 5 Este ponto adquire importância fundamental c o m o sustentação jurídica d o s a c o r d o s q u e se estabeleçam entre as instituições d o setor saúde. Subgrupo 1 Assuntos Comerciais Subgrupo 2 Assuntos Alfandegários Subgrupo 3 Normas Técnicas Subgrupo 4 P o l í t i c a Fiscal e M o n e t á r i a Subgrupo 5 Transporte Terrestre Subgrupo 6 Transporte Marítimo Subgrupo 7 P o l í t i c a Industrial e T e c n o l ó g i c a Subgrupo 8 Política Agrícola Subgrupo 9 Política Energética S u b g r u p o 10 C o o r d e n a ç ã o d e Políticas M a c r o e c o n ô m i c a s S u b g r u p o 11 R e l a ç õ e s Trabalhistas P e l a p r ó p r i a n a t u r e z a d o s a s s u n t o s , o s s u b g r u p o s 3, 5, 7 e 8 t ê m c o m p o n e n t e s específicos, q u e exigem a participação técnica d o setor saúde. N o â m b i t o d o S u b g r u p o 3 já f o r a m i n i c i a d a s as a t i v i d a d e s , c o m a da colaboração OPAS . 6 O S u b g r u p o 11 t e m p a r t i c u l a r i m p o r t â n c i a n o c a m p o d o s R e c u r s o s H u m a n o s . Entre outros temas, ele se o c u p a das relações coletivas e individuais d e t r a b a l h o , d a livre c i r c u l a ç ã o d e t r a b a l h a d o r e s , d a f o r m a ç ã o p r o f i s s i o n a l , d o r e c o n h e c i m e n t o d e h a b i l i t a ç ã o p r o f i s s i o n a l (títulos e d i p l o m a s ) e d e t u d o q u e for relativo à S e g u r i d a d e Social. EFEITOS DIRETOS E INDIRETOS SOBRE O SETOR S A Ú D E A n t e s d e e s t u d a r m o s os efeitos e c o n s e q ü ê n c i a s q u e o processo d e int e g r a ç ã o terá e m n í v e l s e t o r i a l , b e m c o m o as c o n t r i b u i ç õ e s q u e o p r ó p r i o s e tor p o d e dar a o processo d e integração, é necessário examinar a d i m e n s ã o q u e d a m o s n e s t e d o c u m e n t o a o c o n c e i t o "setor s a ú d e " e s u a r e l a ç ã o c o m o processo de desenvolvimento. E m s u a a c e p ç ã o estrita, c o s t u m a - s e identificar o setor s a ú d e c o m o c o n j u n t o d e recursos h u m a n o s , materiais e e c o n ô m i c o s q u e a o sociedade d e s t i n a p r i n c i p a l m e n t e à a t e n ç ã o d e suas d o e n ç a s e , e m m e n o r e s c a l a , à p r e v e n ç ã o d a s m e s m a s . S o b e s s e p o n t o d e vista, existe u m a c e r t a c o r r e s p o n d ê n c i a e n t r e o s e t o r e o s d e n o m i n a d o s " s e r v i ç o s d e s a ú d e " , seja q u a l for a natureza e a a ç ã o dos m e s m o s . M a i s ainda: e m muitos países, o setor s a ú d e ainda é identificado c o m o 6 C o m o a p o i o técnico e financeiro das representações da OPAS no Brasil e na Argentina, houv e uma intensa c o l a b o r a ç ã o na primeira etapa d e conciliação d e normas sanitárias entre os dois países. o sistema d e q u e o E s t a d o d i s p õ e p a r a a a t e n ç ã o a o s d o e n t e s . E m b o r a e s s a concepção esteja s e m o d i f i c a n d o rapidamente, ainda subsiste, particular- mente entre aqueles q u e têm c o m o função o planejamento e c o n ô m i c o d e s e n v o l v i m e n t o , u m a v i s ã o f u n d a m e n t a l m e n t e assistencialista do d o setor, c o m t e n d ê n c i a a tratá-lo d e f o r m a d e s a g r e g a d a e a i g n o r a r a n a t u r e z a c o m p l e x a e multifacetada d o c o n h e c i m e n t o e das c a p a c i d a d e s nele enraizadas. É n o s s a r e s p o n s a b i l i d a d e a d v e r t i r s o b r e as c o n s e q ü ê n c i a s d e s s a c o n c e i ¬ t u a ç ã o restrita, g e r a n d o n o s s a s p r ó p r i a s iniciativas e a s s u m i n d o a t i t u d e s ativ a s q u e m o s t r e m c o e s ã o setorial e c l a r e z a d e o b j e t i v o s . P a r a isso, será n e c e s s á r i o q u e as i n s t â n c i a s s u p e r i o r e s d a d i r e ç ã o s e t o rial, e m nível d o s p a í s e s , a s s u m a m c o m f i r m e z a s e u p a p e l e r e c l a m e m u m e s p a ç o d e m a i o r r e l e v â n c i a na d i s c u s s ã o e na t o m a d a d e d e c i s õ e s s o b r e a s p e c t o s a p a r e n t e m e n t e extra-setoriais, p o r é m i m p o r t a n t e s , p o i s a t i n g e m a sit u a ç ã o da s a ú d e . A C o n f e r ê n c i a Sanitária P a n a m e r i c a n a , e m sua r e u n i ã o d e s e t e m b r o d e 1 9 9 0 , a p r o v o u as n o v a s " O r i e n t a ç õ e s Estratégicas e P r i o r i d a d e s d e P r o g r a m a para a O P A S n o q u a d r i ê n i o 1991-94", d e n t r e as q u a i s destaca-se, c o m o e i x o c e n t r a l , a c o l o c a ç ã o d a Saúde no Processo de Desenvolvimento . 7 Ali se enfatiza a n e c e s s i d a d e d e r e d i m e n s i o n a r o p e n s a m e n t o e a a ç ã o n o c a m p o d a s a ú d e , t a n t o e m r a z ã o d a estreita i n t e r d e p e n d ê n c i a e n t r e s a ú d e e d e s e n v o l v i m e n t o h u m a n o , c o m o pela contribuição q u e o setor p o d e levar a o progresso social d o s p o v o s da região. O setor s a ú d e p o d e : a) C o n t r i b u i r na b u s c a d a p a z e na r e d u ç ã o d a v i o l ê n c i a . b) P r o m o v e r a integração e c o o p e r a ç ã o entre os países. c) Fomentar a participação da cidadania responsável no processo d e geraç ã o d e m e l h o r e s n í v e i s d e bem-estar s o c i a l . d) P r o p i c i a r m a i o r e s níveis d e i g u a l d a d e n a i n s t r u m e n t a l i z a ç ã o d a s e s t r a t é gias políticas e e c o n ô m i c a s p a r a o d e s e n v o l v i m e n t o , l u t a n d o p a r a q u e a m o d e r n i z a ç ã o d o E s t a d o i m p l i q u e na r e s p o n s a b i l i d a d e d e a s s e g u r a r à p o pulação a provisão de serviços d e saúde a d e q u a d o s , e compatibilizar os processos d e desenvolvimento c o m o necessário respeito a o m e i o a m biente. e) P r o m o v e r , na o p i n i ã o p ú b l i c a e e m t o d o o e s p e c t r o p o l í t i c o , u m a m b i e n te f a v o r á v e l a o p r o c e s s o d e t r a n s f o r m a ç ã o d o s i s t e m a d e s e r v i ç o s d e s a ú d e , tornando-os m a i s e f i c a z e s e e f i c i e n t e s e c o m m a i o r e s n í v e i s d e i g u a l dade. 7 O r g a n i z a ç ã o Panamericana d e S a ú d e : " O r i e n t a ç õ e s Estratégicas e Prioridades d e P r o g r a m a 1991/1994". OPAS, W a s h i n g t o n D C , 126 págs., 1 9 9 1 . f) P r o p i c i a r a r e o r g a n i z a ç ã o d o s e t o r p a r a adequá-lo às n o v a s m o d a l i d a d e s de desenvolvimento, g) A m p l i a r o e s p e c t r o d e r e l a c i o n a m e n t o s intra e extra-setoriais, s o m a n d o a v o n t a d e p o l í t i c a e o s r e c u r s o s d o s d i f e r e n t e s p r o t a g o n i s t a s p ú b l i c o s e priv a d o s , e m b u s c a d e m e l h o r e s níveis d e s a ú d e para a p o p u l a ç ã o . h) C o n t r i b u i r p a r a o f o r t a l e c i m e n t o d a d e m o c r a c i a , e s c l a r e c e n d o o s limites d o d i r e i t o d o c i d a d ã o e c o n t r i b u i n d o p a r a a satisfação d a s n e c e s s i d a d e sociais. Estes e o u t r o s c o n c e i t o s o f e r e c e m u m r e f e r e n c i a l i n d i s p e n s á v e l n a h o r a d e analisar o s e f e i t o s p o t e n c i a i s d o M E R C O S U L n a s r e l a ç õ e s e n t r e países n o âmbito d o setor saúde. I d e n t i f i c a m o s três n í v e i s d e i m p a c t o : a ) Nível Político O T r a t a d o M E R C O S U L g e r a u m c o n j u n t o d e c o m p r o m i s s o s e n t r e o s países s i g n a t á r i o s q u e d e v e ser a p r o v e i t a d o p a r a c o l o c a r e m v i g ê n c i a a iniciativ a s u b - r e g i o n a l , a t é a g o r a d e difícil v i a b i l i z a ç ã o . 8 E m b o r a o s p r i n c i p a i s e n v o l v i d o s p a r e ç a m ser o s M i n i s t é r i o s d a S a ú d e ( p a r t i c u l a r m e n t e e m s e u p a p e l r e g u l a d o r ) , abre-se u m e s p a ç o e x t r a o r d i n á r i o para a participação da Seguridade Social, das universidades, das sociedades p r o f i s s i o n a i s , d a s e m p r e s a s p ú b l i c a s e p r i v a d a s d o setor, d o s P a r l a m e n t o s , d a esfera judicial e das próprias agências d e c o o p e r a ç ã o internacionais que o p e r a m nos diferentes países. P e l o grau d e c o m p r o m i s s o político assumido p o r outras áreas (Ministérios d a E c o n o m i a e d a s R e l a ç õ e s Exteriores) n o t e r r e n o c o n c r e t o d a instrum e n t a l i z a ç ã o d a s a ç õ e s , abriu-se u m e s p a ç o d e t r a b a l h o n o interior d o s g o v e r n o s e m q u e a saúde p o d e - por necessidade técnica - ampliar seu c a m p o d e p a r t i c i p a ç ã o d e n t r o d o q u e d e f i n i m o s c o n c e i t u a l m e n t e c o m o "setor" e suas v i n c u l a ç õ e s c o m o processo d e d e s e n v o l v i m e n t o . M e s m o tratando-se d e u m a c o r d o e n t r e g o v e r n o s , d e n a t u r e z a e m i n e n t e m e n t e p ú b l i c a , e l e e x i g e a s o m a d a s v o n t a d e s n a c i o n a i s p ú b l i c a s e privad a s p a r a s e u f o r t a l e c i m e n t o e sua c o n t i n u i d a d e . A s s i m , abre-se t a m b é m a q u i u m e s p a ç o para o desenvolvimento d e O N G S d e natureza e c o m p o s i ç ã o variadas, o n d e o s interesses da s o c i e d a d e , a c i m a das circunstâncias d o m o m e n t o político, a c o m p a n h e m e fortaleçam o processo d e integração, não 8 A iniciativa C o n e Sul, promovida pela OPAS no quadro da estratégia d e c o o p e r a ç ã o entre países, é u m conjunto c o o r d e n a d o d e a ç õ e s e m saúde entre os países da sub-região (Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, c o m o acréscimo da Bolívia). A t é o presente foi organizada u m a agenda c o m u m e u m conjunto d e intervenções setoriais — imunizações, saúde nas fronteiras etc. O s Ministros da S a ú d e e os grupos técnicos dos países signatários reúnem-se regularmente para c o o r d e n a r suas políticas e programas d e saúde. apenas nos aspectos comerciais (de mercado), mas t a m b é m nos aspectos m a i s a m p l o s d a política s o c i a l . F i n a l m e n t e , e m b o r a o t r a t a d o e s t e j a restrito a o s p a í s e s s i g n a t á r i o s , v á rios d e s e u s e f e i t o s f a r ã o c o m q u e o C h i l e e a B o l í v i a m a n i f e s t e m i n t e r e s s e e m participar d e l e . Esse a s p e c t o d e v e ser l e v a d o e m c o n t a na á r e a d a S a ú d e , c o m o a p r o v e i t a m e n t o , inclusive, d e certas conjunturas q u e d e m o n s t r e m a n e c e s s i d a d e i m p e r i o s a d a c o o p e r a ç ã o e n t r e todos o s p a í s e s d a sub-região - c o m o , por exemplo, a eclosão d o cólera. b ) Nível Técnico N e s t e nível, o i m p a c t o nasce, e m grande parte, d o próprio tratado, n o q u e s e refere à c o n f i g u r a ç ã o e às r e s p o n s a b i l i d a d e s d o s s u b g r u p o s d o G R U P O M E R C A D O C O M U M . M a s será t a m b é m u m a c o n s e q ü ê n c i a d a v i s ã o p o l í t i c a q u e o "setor s a ú d e " a d o t a r e m a n t i v e r e m r e l a ç ã o a o f e n ô m e n o d a i n t e g r a ção. A l i á s , o s s u b g r u p o s q u e e n v o l v e m o s e t o r s a ú d e ( 3 , 5, 6, 7, 8, 9 e 11) e x i g e m u m a leitura t é c n i c a a d e q u a d a , n ã o a p e n a s p a r a e s t a r m o s p r e p a r a d o s para responder a exigências específicas, c o m o t a m b é m para identificarmos n o s s o e s p a ç o natural d e n t r o d e c a d a u m d e l e s , f a z e n d o v a l e r n o s s o p e s o s e torial . 9 c) Nível Econômico N a d i m e n s ã o setorial, cria-se u m a o p o r t u n i d a d e m a g n í f i c a p a r a d i m e n sionar, q u a n t i f i c a r e a v a l i a r q u a l i t a t i v a m e n t e a c o n t r i b u i ç ã o q u e o s e t o r s a ú d e p o d e oferecer a o processo d e integração e m termos estritamente e c o n ô micos. A l é m d o s f u n d a m e n t o s é t i c o s d o d i s c u r s o setorial ( e m f u n ç ã o d o v a l o r d o c a p i t a l h u m a n o ) , s e r á n e c e s s á r i o iniciar r a p i d a m e n t e u m a a v a l i a ç ã o m a i s ampla da possível contribuição da saúde n o processo d e d e s e n v o l v i m e n t o . P a r a isso, é i m p r e s c i n d í v e l identificar as a ç õ e s , o s a g e n t e s , o impacto d o setor n o m e r c a d o d e serviços, a c a p a c i d a d e d e expansão, a g e r a ç ã o d e e m p r e g o s e outros fatores q u e d i m e n s i o n e m quantitativa e qualitativamente a oferta d o setor. Por outro lado, os Ministérios da S a ú d e d e v e r ã o aproveitar a situação para f o r t a l e c e r as á r e a s d e p a r t i c i p a ç ã o d i r e t a ( o r g a n i z a ç ã o , n o r m a t i z a ç ã o e c o n t r o l e ) e gerar e s p a ç o s a p r o p r i a d o s p a r a a p a r t i c i p a ç ã o a m p l a d e g r u p o s d e t r a b a l h o multisetoriais q u e p o s s a m identificar e p r o p o r n o v o s c a m p o s d e ação dentro d o processo d e integração. 9 A reunião de Ministros da S a ú d e d o C o n e Sul, efetuada e m Brasília e m 1 9 9 1 , a p r o v o u um a c o r d o d e constituição d o Subgrupo S a ú d e dentro das estruturas d o G r u p o MERCOSUL. A t é o presente essa iniciativa não recebeu resposta por parte das autoridades nacionais. Isso v i r á f a v o r e c e r o p r o c e s s o d e f o r t a l e c i m e n t o d o s níveis c e n t r a i s d o s M i n i s t é r i o s d a S a ú d e e s e r á útil p a r a d a r n o v o f ô l e g o a o p r o c e s s o d e t r a n s f o r m a ç ã o d o sistema d e serviços d e saúde. A S e g u r i d a d e S o c i a l , d e sua p a r t e , d e v e r á p r o c u r a r m e c a n i s m o s sub-re¬ gionais d e extensão d e p r o t e ç ã o e m suas coberturas e estudar os aspectos d e p o l í t i c a e d i r e i t o trabalhista r e l a c i o n a d o s c o m a s a ú d e . 0 PAPEL D A O P A S O p a p e l d a O P A S n a esfera d e s s e p r o c e s s o p o d e r i a ser c o n c e b i d o em quatro grandes áreas, s e m prejuízo para a m a n u t e n ç ã o das atividades c o m u n s e p e r m a n e n t e s d e c o o p e r a ç ã o q u e são levadas a c a b o c o m os países. Essas q u a t r o á r e a s s ã o : 1 - Colaborar com do setor saúde gração os países signatários na identificação no aperfeiçoamento e particularmente das potencialidades da situação de saúde com as instituições do processo de todos os de inte- habitantes. P a r a isso, é n e c e s s á r i o : • Elaborar análises estratégicas e formular propostas d e trabalho c o m base e m d o c u m e n t o s t é c n i c o s a b r a n g e n d o as d i f e r e n t e s á r e a s d e i n t e r e s s e s e torial. • F o r t a l e c e r o p r o c e s s o d e c o o p e r a ç ã o t é c n i c a e n t r e o s países d a r e g i ã o e c o m p a í s e s fora d a r e g i ã o - p r i o r i z a n d o , n e s t e ú l t i m o c a s o , as r e l a ç õ e s c o m países da C o m u n i d a d e E c o n ô m i c a Européia: Portugal, Espanha, Franç a e Itália. • P r o m o v e r a c o n s t i t u i ç ã o d e f o r o s d e d i s c u s s ã o r e g i o n a l intersetorial, v i n c u l a n d o i n s t i t u i ç õ e s e t é c n i c o s o u e s p e c i a l i s t a s d e d i f e r e n t e s á r e a s d e ativ i d a d e , tanto p ú b l i c a s q u a n t o p r i v a d a s . • G e r a r u m a c o m u n i c a ç ã o técnica p e r m a n e n t e para a difusão d o c o n h e c i m e n t o l i g a d o a o p r o c e s s o d e i n t e g r a ç ã o na á r e a d a s a ú d e . • A p o i a r a criação e o fortalecimento d e O N G s q u e tenham c o m o objetivo o d e s e n v o l v i m e n t o e a c o n s o l i d a ç ã o d a iniciativa. 2 - Vincular as atividades de desenvolvimento da iniciativa em saúde e fortalecimento do do Cone Sul com o processo Mercosul. Isto i m p l i c a : • Identificar d e u m a n o v a a g e n d a d e a ç õ e s c o m u n s n o âmbito d e T C C 1 0 en- tre os governos signatários d o a c o r d o . • 10 U n i r os esforços d e financiamento d e atividades d e T C C e m projetos pre¬ D o inglês Technical Cooperation adotada pelas N a ç õ e s U n i d a s . among Countries ( C o o p e r a ç ã o Técnica entre Países), sigla v i a m e n t e priorizados pelos governos, c o m metas, atividades e objetivos claramente definidos. • Realizar reuniões d e trabalho entre as r e p r e s e n t a ç õ e s d a O P A S d e país p a r a c o m p a t i b i l i z a r e priorizar u m a a g e n d a d e c o o p e r a ç ã o cada técnica e m nível sub-regional. 3 - Fortalecimento institucional cipar ativamente dos organismos nos subgrupos de governo de trabalho do Grupo chamados a parti- MERCOSUL. Significa: • D a r a p o i o técnico, bibliográfico e financeiro aos grupos d e n o r m a t i z a ç ã o c o m o fator d e m o n s t r a t i v o d a c a p a c i d a d e d o s e t o r p a r a d a r r e s p o s t a s e f e tivas às n e c e s s i d a d e s d o p r o c e s s o d e i n t e g r a ç ã o . • N u m a segunda etapa, observar a necessidade d e apoiar outras instituições p ú b l i c a s o u p r i v a d a s p a r a f o r t a l e c e r a c a p a c i d a d e t é c n i c a d o s e t o r . 4 - Desenvolvimento cação de conhecimentos social, para que o setor próprios governos tenha e capacidades destaque por sua capacidade no campo ante a opinião de união e eficácia da comuni- pública e dos no processo de integração. V a l e dizer: • Iniciar u m p r o c e s s o d i f e r e n t e d e c o o p e r a ç ã o , q u e t e r á p o r o b j e t o a c o n s t r u ç ã o d e u m a i m a g e m setorial ligada a u m p r o c e s s o d i n â m i c o e d e a l t o valor político e e c o n ô m i c o , c o m o é o caso d o processo d e integração. S u a s f o r m a s e s e u s níveis d e d e s e n v o l v i m e n t o s e r ã o a n a l i s a d o s p o r e s - pecialistas na m a t é r i a , m a s d e s d e já é n e c e s s á r i o a s s e n t a r a s b a s e s p a r a f a v o recer esse n o v o processo. É claro q u e u m a transformação dessa natureza requer u m a revisão d o p r ó p r i o m e c a n i s m o d a c o o p e r a ç ã o t é c n i c a c o m o país r e c e p t o r e a o m e s m o t e m p o uma forma diferente d e relacionamento h o r i z o n t a l e n t r e as r e p r e - sentações da O P A S envolvidas. 5 - Criação • de uma ção, capacitação em Saúde. estratégia de cooperação e dinâmica da força específica de trabalho no campo nos Recursos de forma- Humanos Embora o c a m p o da s a ú d e n ã o constitua u m a atividade específica d e n t r o d a s á r e a s d e i n t e g r a ç ã o previstas n o d o c u m e n t o q u e e s t a m o s a n a l i s a n d o , e x p e r i ê n c i a s p r é v i a s d e i n t e g r a ç ã o d e m e r c a d o s , c o m o foi o c a s o d o M e r cado C o m u m Europeu, demonstram que, c o m o avanço dos processos d e integração e c o n ô m i c a , coloca-se o p r o b l e m a da c i r c u l a ç ã o da força d e trabalho c o m o componente dos processos de produção. N o caso de mão-de-obra q u a l i f i c a d a (profissionais, t é c n i c o s e t c ) , a m o b i l i d a d e f i c a in¬ d e p e n d e n t e dos meios e das formas d e produção, p o r é m s e m escapar a certos critérios gerais. J á existem a n t e c e d e n t e s concretos, c o m o o c o r r e u n o c a s o d e A r g e n t i n a e Brasil c o m a c o n t r a t a ç ã o t e m p o r á r i a d e mão-deo b r a brasileira p o r firmas d e c a p i t a l b i n a c i o n a l para d e s e n v o l v e r p r o j e t o s na A r g e n t i n a . 1 1 N e s s e p o n t o s u r g e m d e i m e d i a t o a l g u n s p r o b l e m a s a analisar, v i n c u l a dos diretamente à nossa área d e trabalho. O primeiro p r o b l e m a d e c o r r e da necessidade de internacionalizar o al- c a n c e d a a t u a l l e g i s l a ç ã o d e p r o t e ç ã o t r a b a l h i s t a . Isso inclui, n a t u r a l m e n t e , 12 as f o r ç a s d e p r o t e ç ã o d a s e g u r i d a d e s o c i a l m é d i c a e a n e c e s s i d a d e d e c o m patibilizar s e g u r o s e c o n v ê n i o s d e p r e s t a ç ã o d e s e r v i ç o s c o m suas c o n t r a p a r tes nacionais. E m o u t r o n í v e l , a c o n t r a t a ç ã o d e profissionais d e s a ú d e , p a r t i c u l a r m e n t e d e e n f e r m a g e m , i n t i m a m e n t e ligada às d i f e r e n ç a s d e " p r e ç o " d a mão-deo b r a e m r e l a ç ã o à v a l o r i z a ç ã o relativa d a s m o e d a s n a c i o n a i s , o r i e n t a r á o fluxo d e recursos h u m a n o s qualificados e m benefício d e algumas regiões e e m prejuízo d e outras, requerendo o estabelecimento de reciprocidade de reconhecimento curricular e particularmente d e m e c a n i s m o s d e habilitação e credenciamento. Compatibilizar normas d e prestação d e serviços, procedimentos técnic o s e , e m a l g u m a s s u p e r e s p e c i a l i d a d e s , r e o r g a n i z a r o " m e r c a d o d e prestaç ã o d e s e r v i ç o s " p a r a dar-lhe e f i c i ê n c i a e m t e r m o s d e c u s t o s , será u m a n e c e s s i d a d e c r e s c e n t e , p r i n c i p a l m e n t e nas á r e a s d e fronteira e nas n o v a s r e g i õ es internacionais d e desenvolvimento e c o n ô m i c o . A " c o m p r a d e c a p a c i d a d e " e a c o n s t i t u i ç ã o d e r e d e s bi o u m u l t i n a c i o nais d e s e r v i ç o s e s t a r ã o ligadas a o s c o m p o n e n t e s d e q u a l i d a d e e c u s t o d a a t e n ç ã o m é d i c a , p r i n c i p a l m e n t e e m a l g u m a s e s p e c i a l i z a ç õ e s (cirurgias de alta c o m p l e x i d a d e , plásticas r e s t a u r a d o r a s e t c ) . P o r outro lado, a necessidade d e f o r m a ç ã o d e recursos h u m a n o s assumirá u m a n o v a d i m e n s ã o , ora expressa e m termos d e m e r c a d o s nos quais alg u n s p a í s e s , p e l a q u a l i d a d e d a o f e r t a o u p e l o b a i x o c u s t o relativo, a s s u m i r ã o o papel d e formadores (Uruguai?) e outros, o de consumidores (Argentina, Brasil?). A s n o v a s áreas d e d e s e n v o l v i m e n t o q u e se mostrem mais dinâmicas, e m t e r m o s d e c r e s c i m e n t o e c o n ô m i c o , a t r a i r ã o m a i s r e c u r s o s assistenciais d o q u e as regiões mais afastadas d o processo. 11 R e c e n t e m e n t e , a UOCRA ( U n i ã o Operária da Construção da República Argentina) a contratação, fora dos limites da legislação trabalhista denunciou argentina, d e trabalhadores guaios e bolivianos por empresas nacionais e internacionais da área d e c o m u n i c a ç õ e s . paraGa- rin, Bs. As., janeiro d e 1993. 12 U m a proposta concreta nesse sentido é tomar c o m o referência os convênios básicos da OIT q u e , até o presente, não foram subscritos por todos os países integrantes d o Tratado. M a i s u m a v e z , isso a f e t a r á a d i s t r i b u i ç ã o d o s r e c u r s o s h u m a n o s e o b r i gará o s países a e l a b o r a r e m p r o j e t o s c o m u n s d e i n c e n t i v o s a o t r a b a l h o n a s á r e a s p r e j u d i c a d a s , q u e e m m u i t o s c a s o s c o i n c i d i r ã o c o m as c h a m a d a s fronteiras excluídas. Definitivamente, o c a m p o d o s recursos h u m a n o s constituirá u m terre- no d e grande mobilidade e impacto, sobre o qual d e v e m o s desenvolver u m a estratégia a d e q u a d a d e c o o p e r a ç ã o sub-regional. M E R C O S U L : UM M E R C A D O C O M U M D E T R A B A L H O D o p o n t o d e vista e t m o l ó g i c o , " m e r c a d o " c o n t i n u a s e n d o o lugar o u e s paço e m q u e vendedores (ou produtores) c o n v i d a m eventuais interessados ( c o n s u m i d o r e s ) a adquirir seus p r o d u t o s . 1 3 A t u a l m e n t e utiliza-se u m a a c e p ç ã o e x t e n s i v a d o c o n c e i t o , referindo-se a â m b i t o s físicos, j u r í d i c o s , n o r m a t i v o s o u i n f o r m á t i c o s o n d e é p o s s í v e l c o m e r c i a l i z a r d e s d e capitais e p r o d u t o s a t é m a r c a s e direitos d e u t i l i z a ç ã o . N e s t a a c e p ç ã o , u m m e r c a d o o b e d e c e a u m a série d e f a t o r e s c o n d i c i o nantes: os q u e se relacionam c o m a atividade d e produzir ( v o l u m e , tipo, qualidade, distribuição, p r e ç o , etc) e aqueles q u e caracterizam a d e m a n d a ( n e c e s s i d a d e , c a p a c i d a d e e c o n ô m i c a , leis, i n f o r m a ç ã o e t c ) . A atividade regulamentadora por parte dos governos e m relação aos diferentes m e r c a d o s t e m especial i m p a c t o n o c o m p o r t a m e n t o d o s agentes. D e s d e a sua c a p a c i d a d e d e i n t e r v e n ç ã o n o s c u s t o s d e p r o d u ç ã o (atrav é s d e i m p o s t o s o u subsídios) a t é o c o n t r o l e d a c i r c u l a ç ã o d e p r o d u t o s , e , m a i s d i r e t a m e n t e , a m o d i f i c a ç ã o d o s p r e ç o s relativos d o s m e s m o s ( i m p o s t o de c o n s u m o ) , o Estado exerce ( o u , pelo m e n o s , p o d e exercer) u m a influência d e c i s i v a s o b r e o c o m p o r t a m e n t o d o s m e r c a d o s . Essa a ç ã o d o E s t a d o materializa-se n o c o n t e x t o d e u m q u a d r o j u r í d i c o e normativo. Q u a n d o essa a t i v i d a d e é e x e r c i d a dentro dos territórios nacionais, os p r e c e i t o s b á s i c o s p a r a a c o n s t r u ç ã o d e u m m e r c a d o p o d e m ser r e s u m i d o s no q u e doutrinariamente é r e c o n h e c i d o c o m o o exercício das c i n c o liberdades • 1 4 : A livre c i r c u l a ç ã o d e m e r c a d o r i a s , c o m a a b o l i ç ã o d e b a r r e i r a s a l f a n d e g á rias d e n t r o d o s p a í s e s . • O livre e s t a b e l e c i m e n t o d a f o r ç a d e p r o d u ç ã o e m q u a l q u e r lugar d o território n a c i o n a l . 13 Direito Comunitário, Lisboa,, 2 . Edição. F u n d a ç ã o Calouste C u l b e k i a n , p. 439, 1988. 14 Batista, L. O . : Assuntos Comerciais e m D o c u m e n t o s d o Instituto d e Estudos A v a n ç a d o s da a Universidade de BRA/Fase I, 1992. São Paulo. ( M i m e o ) , 30 págs. Apresentado no Seminário Mercosul • A livre circulação da força de trabalho (os trabalhadores) dentro do espaço nacional. • A livre c i r c u l a ç ã o d e c a p i t a i s b a s e a d o s e m m o e d a s únicas d e circulação legal e r e c o n h e c i m e n t o nacional. • A livre c o m p e t i ç ã o , a t r a v é s d e regras igualitárias p a r a t o d o s o s p r o d u t o res, q u e a s s e g u r e m a p o s s i b i l i d a d e , n o m í n i m o , d e p r o d u ç ã o a custo igual. P e l o m e n o s d o p o n t o d e vista t e ó r i c o , e l a n ç a n d o m ã o d e u m a simplific a ç ã o a c e i t á v e l n e s t e t i p o d e t r a b a l h o , pode-se d i z e r q u e a i n t e g r a ç ã o de m e r c a d o s e n t r e p a í s e s d e v e basear-se n a e x t e n s ã o d a s c i n c o l i b e r d a d e s a o c o n j u n t o d a s p o p u l a ç õ e s c o n s i d e r a d a s d e n t r o d o território a ser i n t e g r a d o . Até a q u i , a n a l i s a m o s as d u a s fases v i g e n t e s d e n t r o d o p r o c e s s o construção do m e r c a d o c o m u m : a primeira, caracterizada pelos de acordos p r é v i o s q u e c u l m i n a r a m na A t a d e A s s u n ç ã o e a a t u a l , q u e p r e s s u p õ e a r e d u ç ã o p r o g r e s s i v a d e i m p o s t o s s o b r e p r o d u t o s , n u m c r o n o g r a m a fixado q u e d e s e m b o c a r á na e l i m i n a ç ã o d e barreiras tarifárias a partir d e 1 9 9 5 . A essa fase de livre comércio mum, d e v e r á s u c e d e r u m a fase de mercado co- n a q u a l será a c r e s c e n t a d a a livre c i r c u l a ç ã o d o s c h a m a d o s fatores d e p r o d u ç ã o , isto é, capital e trabalho. A s fases posteriores n u m p r o c e s s o d e integração (a união e c o n ô m i c a e a u n i ã o m o n e t á r i a ) n ã o e s t ã o , p o r e n q u a n t o , na mira d o s países e n v o l v i d o s . Isto q u e r d i z e r : t a n t o d o p o n t o d e vista d a i n c l u s ã o d o s s e r v i ç o s e n t r e as m e r c a d o r i a s d e livre c i r c u l a ç ã o , q u a n t o d o p o n t o d e vista d a n e c e s s i d a d e d e e x t e n s ã o d a l i b e r d a d e d e t r a b a l h o , a q u e s t ã o d o s r e c u r s o s h u m a n o s torna-se u m i m p o r t a n t e c a p í t u l o d o p r o c e s s o , m e r e c e n d o u m a a n á l i s e m a i s d e t a l h a d a p o r p a r t e d o s d i v e r s o s s e t o r e s q u e c o m p õ e m a n o v a s o c i e d a d e a ser integrada. O MERCOSUL E O S RECURSOS HUMANOS " A s t e n d ê n c i a s d e m o g r á f i c a s atuais, o p r o g r e s s o c i e n t í f i c o e t e c n o l ó g i c o , a c r e s c e n t e luta p o r e s p a ç o s d e c o m p e t i ç ã o n o c o m é r c i o i n t e r n a c i o n a l e a d i m i n u i ç ã o da importância estratégica da i m p o r t a ç ã o e exportação d e prod u t o s p r i m á r i o s - n a d a disso c o n s t i t u i g r a n d e a m e a ç a às b a s e s e c o n ô m i c a s d o s países d o futuro M E R C O S U L . P e l o m e n o s , não tanto quanto a deplorável s i t u a ç ã o d o m e r c a d o d e t r a b a l h o r e g i o n a l , o n d e falta mão-de-obra qualificada e sobram trabalhadores c o m pouca ou nenhuma h a b i l i t a ç ã o " . 1 5 U m a m a n e i r a original d e qualificar a crise d e n o s s o s p a í s e s n ã o s e limita à a n á l i s e d a s i t u a ç ã o d a s b a l a n ç a s c o m e r c i a i s n e m a o incrível v o l u m e d a d í v i d a e x t e r n a a c u m u l a d a , m a s a b r a n g e t a m b é m a extraordinária c o n c e n t r a - 15 Scuro N e t o , P. Instituto de Estudos A v a n ç a d o s B R A / F a s e I. O p u s cit., 19 págs., 1992. ( M i m e o ) da USP, e m Seminário sobre Mercosul ç ã o d e r e n d a e o n ú m e r o c a d a v e z m a i o r d e famílias q u e l u t a m p a r a e n c o n trar um lugar no mercado de trabalho - q u e , p o r s u a v e z , caracteriza-se p o r s e u s salários baixíssimos. U m m e c a n i s m o p a r a r e v e r t e r essa s i t u a ç ã o e x i g e a e l e v a ç ã o d o n í v e l d e vida d e grande parte da população, diminuindo, através d o a u m e n t o da produtividade, o valor dos bens e serviços q u e o trabalhador c o n s o m e . Isso só será possível vocando mudanças investindo-se profundas na qualificação na organização do da mão-de-obra e pro- trabalho. N o e n t a n t o , p a r a d o x a l m e n t e , o m e r c a d o n ã o foi o m a i o r c a u s a d o r d e s sas t r a n s f o r m a ç õ e s , c o m o d e m o n s t r a o fato d e q u e , t a n t o n o c a s o d o s p a í s e s d o sudeste asiático q u a n t o n o d o s q u e integram o M e r c a d o C o m u m Euro- peu, o Estado t e m sido o a g e n t e e - e m muitos casos - o instrumentalizador d a s t r a n s f o r m a ç õ e s na q u a l i f i c a ç ã o d o s r e c u r s o s h u m a n o s . A s experiências desenvolvidas na A l e m a n h a , na D i n a m a r c a e n o J a p ã o , o n d e as e m p r e s a s c o n t r i b u e m p a r a u m f u n d o d e e d u c a ç ã o administrado p e l o E s t a d o p a r a a q u a l i f i c a ç ã o d e mão-de-obra, o u a i n d a as d a S u é c i a , d a Irlanda e d e Cingapura, o n d e a contribuição toma a forma d e u m a percen- t a g e m ( 2 , 5 % ) sobre a folha d e p a g a m e n t o para esse m e s m o fim, d e m o n s t r a m a n e c e s s i d a d e d a i n t e r v e n ç ã o estatal n o p l a n e j a m e n t o e s t r a t é g i c o do desenvolvimento. S e isso a c o n t e c e n o p l a n o d a c a p a c i t a ç ã o t é c n i c a d e n í v e l pré-terciário, algo semelhante, e m b o r a c o m características próprias, a c o n t e c e n o m e r c a d o d e t r a b a l h o profissional d o s p a í s e s q u e i n t e g r a m o M E R C O S U L . O grupo d e especialistas c o n v o c a d o pelo P r o g r a m a R e g i o n a l d e De- senvolvimento dos Recursos H u m a n o s para a S a ú d e , da O P A S , e m A s s u n ç ã o , Paraguai, para a análise dessa problemática, identificou c i n c o áreas d e interesse p a r a a i n v e s t i g a ç ã o e o d e s e n v o l v i m e n t o d e n t r o d o p r o c e s s o d e i n t e gração regional. S ã o elas: • F o r m a ç ã o e c a p a c i t a ç ã o d e mão-de-obra. • O m e r c a d o d e trabalho. • A planificação dos recursos humanos. • A r e g u l a m e n t a ç ã o e a n o r m a t i z a ç ã o setoriais. • A s características d o s m o d e l o s d e prestação d e serviços e seu financiamento. E m c a d a u m a d e s s a s á r e a s , a t r a n s i ç ã o d e critérios o r d e n a d o r e s de m e r c a d o s n a c i o n a i s p a r a critérios d e m e r c a d o sub-regional significará p r o f u n d a s t r a n s f o r m a ç õ e s , q u e exigirão u m a n o v a c a p a c i d a d e d e r e s p o s t a , g e r a n d o , p o r sua v e z , g r a n d e s c o n f l i t o s d e interesses. S ã o esses interesses q u e e s t ã o r e g e n d o a d i n â m i c a d e t r a b a l h o d o c a m p o d e recursos h u m a n o s no processo d e integração. O s governos nacionais p a r e c e m , até o presente, motivados por esse assunto, q u e , por razões óbvias, constituiu o eixo d o interesse das a s s o c i a ç õ e s d e t r a b a l h a d o r e s e d e profissionais liberais. O s s i n d i c a t o s d e t r a b a l h a d o r e s e suas o r g a n i z a ç õ e s terciárias (as c o n f e derações) realizaram algumas reuniões c o m intercâmbio de informações, t e n t a n d o c o n c i l i a r as p o s i ç õ e s d i a n t e d o s d e s a f i o s c o l o c a d o s p e l a integração 1 6 . O s reitores d e universidades nacionais tiveram u m primeiro - e único - e n c o n t r o n o Brasil ( S ã o P a u l o , 1 9 9 2 ) , q u a n d o f i c o u e s t a b e l e c i d a u m a a g e n d a m í n i m a d e t r a b a l h o , q u e n e s t e m o m e n t o está s e n d o a n a l i s a d a p o r c a d a u m d e l e s p a r a sua e f e t i v a i n s t r u m e n t a l i z a ç ã o . A U n i v e r s i d a d e N a c i o n a l d e C ó r d o b a , p o r sua v e z , s e d i o u e m s e t e m b r o d e 1 9 9 2 u m e n c o n t r o e n t r e U n i v e r s i d a d e s d a A r g e n t i n a , d o U r u g u a i e d o S u l d o Brasil, intitulada " A P r o b l e mática da U n i v e r s i d a d e n o M E R C O S U L " . A s áreas d e trabalho nesse e n c o n t r o f o r a m a) 1 7 identificadas : A transferência tecnológica a o setor d e p r o d u ç ã o . b) A q u a l i d a d e n o sistema universitário. c) A n o r m a t i z a ç ã o d o currículo e a criação d e normas e m c o m u m para o exercício profissional. A l g u n s institutos d e p e s q u i s a d e n t r o d a s u n i v e r s i d a d e s a v a n ç a r a m a i n - da mais, realizando seminários c o m o o q u e citamos no presente d o c u m e n t o ( u s p / B r a s i l , Instituto d e E s t u d o s A v a n ç a d o s , UNc/Argentina, C e n t r o d e Estu- d i o s s o b r e D e r e c h o d e la S e g u r i d a d S o c i a l ) . E n t i d a d e s e m p r e s a r i a i s , p a r t i c u l a r m e n t e n a A r g e n t i n a e n o Brasil, c o n t a n d o c o m o a p o i o d o s M i n i s t é r i o s d a E c o n o m i a e d a s R e l a ç õ e s Exteriores, realizaram e n c o n t r o s e m q u e assuntos referentes à força d e trabalho foram mencionados paralelamente. O n d e , p o r é m , a m o b i l i z a ç ã o é s e m dúvida mais intensa é n o c a m p o d a s o r g a n i z a ç õ e s profissionais ( d e o n t o l ó g i c a s o u g r e m i a i s ) d o s países e n v o l vidos. E m alguns casos, c o m o o d o Sindicato dos M é d i c o s d o Uruguai e o C o n s e l h o F e d e r a l d e M e d i c i n a d o Brasil, f o r a m p r o m o v i d a s r e u n i õ e s internacionais ( e m M o n t e v i d é u , Uruguai; C ó r d o b a , Argentina; Foz d o Iguaçu, Brasil); e m o u t r o s c a s o s , f o r a m a s s i n a d o s c o n v ê n i o s d e c o o p e r a ç ã o bilateral para dar início a trabalhos sistemáticos visando a análise d e i n c u m b ê n c i a s , a f o r m a ç ã o e h a b i l i t a ç ã o d e profissionais ( C o n s e l h o d e M é d i c o s d a P r o v í n c i a d e C ó r d o b a , A r g e n t i n a , c o m o C o n s e l h o F e d e r a l d e M e d i c i n a d o Brasil). A julgar p e l o s d a d o s d i s p o n í v e i s , s ã o o s profissionais d a e n g e n h a r i a q u e s e en- 16 A reunião mais recente realizou-se e m B u e n o s Aires entre representações dos trabalhadores d o Brasil, d o Uruguai e da Argentina. A agenda incluiu a análise das políticas d e privatização d e empresas públicas e o regime trabalhista entre os três países. Cadernos da CUT. n . 8, o 1993. 17 Hoy la Universidad: A n o II n . 20. o Outubro-novembro N a c i o n a l d e C ó r d o b a , C ó r d o b a , República Argentina. d e 1992. Editora da Universidade c o n t r a m e m etapas mais a v a n ç a d a s d e o r g a n i z a ç ã o d e critérios para a força d e t r a b a l h o setorial. A reunião c o n v o c a d a pelo Programa Regional d e D e s e n v o l v i m e n t o dos Recursos H u m a n o s da O P A S (18 a 20 de n o v e m b r o d e 1992) e m Assunção, P a r a g u a i , à q u a l já n o s r e f e r i m o s , c o n t r i b u i u p a r a a i d e n t i f i c a ç ã o d e u m c o n junto d e áreas d e interesse específico para o d e s e n v o l v i m e n t o d o c o n h e c i m e n t o e o i n t e r c â m b i o d e e x p e r i ê n c i a s e n t r e instituições v i n c u l a d a s e s p e c i f i c a m e n t e a o setor saúde. C o m o resultado dessa reunião, a O P A S , através d e suas r e p r e s e n t a ç õ e s , r e a l i z o u u m a c o p i l a ç ã o d e i n f o r m a ç õ e s b á s i c a s q u e faz p a r t e d a presente publicação e q u e cumprirá a importante f u n ç ã o d e permitir a identificação d o s p r o b l e m a s c o n c r e t o s q u e surgirão a o l o n g o d o p r o c e s s o d e i n t e g r a ç ã o . O m e n c i o n a d o g r u p o d e t r a b a l h o foi u n â n i m e e m r e c o n h e c e r q u e " o c a m p o d o s r e c u r s o s h u m a n o s na s a ú d e sofrerá, n e s s e p r o c e s s o , o c o n j u n t o d a s t r a n s f o r m a ç õ e s surgidas n o d e s e n v o l v i m e n t o dos impacto processos produtivos, nos serviços d e s a ú d e , n o setor e d u c a t i v o e n o m o v i m e n t o da f o r ç a d e t r a b a l h o setorial". N o primeiro caso (desenvolvimento d e processos produtivos), o setor s a ú d e terá i m p o r t a n t e p a r t i c i p a ç ã o n a e l a b o r a ç ã o d e n o r m a s e p a d r õ e s d e q u a l i d a d e para o s p r o d u t o s q u e c i r c u l a r ã o l i v r e m e n t e e n t r e o s p a í s e s - m e m b r o s , assim c o m o p a r a a q u e l e s q u e r e s u l t e m d e p r o d u ç õ e s i n t e g r a d a s p a r a outros mercados. N e s s e n í v e l , a a l i m e n t a ç ã o , a q u í m i c a g e r a l , a q u í m i c a fina e o s i n s u m o s t e c n o l ó g i c o s para a s a ú d e c o n s t i t u i r ã o as á r e a s m a i s d e s t a c a d a s . N ã o p o d e m o s e s q u e c e r q u e , e l i m i n a d a s as r e s t r i ç õ e s d e n a t u r e z a e c o n ô m i c a , as d e n o m i n a d a s barreiras n ã o tarifárias a d q u i r e m g r a n d e i m p o r t â n c i a . E m relação a o segundo aspecto (serviços d e saúde), destacam-se as q u e s t õ e s i n e r e n t e s a o s p r o c e s s o s assistenciais, as c o b e r t u r a s d e a t e n d i m e n t o m é d i c o p o r s e g u r a d o r a s p r i v a d a s i n t e r n a c i o n a i s , as c o m p e t ê n c i a d e g r a d u a ç ã o e p ó s - g r a d u a ç ã o e o c o m p o r t a m e n t o d e u m m e r c a d o r e g i o n a l e m termos d e c a p t a ç ã o o u exclusão d e recursos h u m a n o s e seu impacto sobre os serviços públicos e particulares. C o m r e l a ç ã o a o t e r c e i r o c o m p o n e n t e ( o sub-setor E d u c a ç ã o ) , será n e c e s s á r i o analisar as q u e s t õ e s ligadas a o p r o c e s s o f o r m a t i v o e m s e u s d i f e r e n tes a s p e c t o s : a) Currículo. b) Q u a l i f i c a ç ã o d o c e n t e . c) G r a u d e abertura das universidades. d) Reconhecimento de diplomas. C o m o c o n s e q ü ê n c i a d o p r o c e s s o d e i n t e g r a ç ã o , t a m b é m s e r ã o afetad o s o s a s p e c t o s r e l a t i v o s à c a p a c i t a ç ã o d e p ó s - g r a d u a ç ã o , n o q u e s e refere a: a) Exigências d o serviço social obrigatório. b) H a b i l i t a ç ã o d e instituições e processos d e c a p a c i t a ç ã o . c) R e c o n h e c i m e n t o d e especializações - habilitação. d) Incumbências e e) Â m b i t o e p r o c e s s o s d e c o n t r o l e d o e x e r c í c i o profissional. F i n a l m e n t e , será n e c e s s á r i o analisar o i m p a c t o s o b r e o s r e c u r s o s h u m a - n o s p r o d u z i d o p e l a c r i a ç ã o d e u m mercado de trabalho regionalizado, tanto e m t e r m o s d e sua m o b i l i z a ç ã o q u a n t o n o s a s p e c t o s i n e r e n t e s à sua utilizaç ã o p o r parte d o s serviços públicos e privados dos diferentes países. INSTRUMENTOS DA INTEGRAÇÃO N O C A M P O D O S R E C U R S O S H U M A N O S EM S A Ú D E O T r a t a d o d e A s s u n ç ã o p r e v ê aspectos instrumentais q u e é c o n v e n i e n te analisarmos sob a ótica adotada n o presente d o c u m e n t o d e trabalho. C o n v é m recordar, d e início, q u e os protocolos d e integração n . 5 d o t r a t a d o ) a d q u i r e m categoria o de legislação comum (Anexo a o s e r e m ratifica- dos pelos respectivos parlamentos nacionais. Daí a importância dos acordos entre os governos. No entanto, no c a m p o profundas c o m dos recursos h u m a n o s existem divergências r e l a ç ã o à n a t u r e z a j u r í d i c a d a s instituições d o s u b s e t o r e c o m r e l a ç ã o a o â m b i t o político-jurisdicional o n d e s ã o e x e r c i d o s s e u s direitos e suas i n c u m b ê n c i a s . A s s i m , p o r e x e m p l o , as u n i v e r s i d a d e s a r g e n t i n a s g o z a m d e u m n í v e l d e autonomia e m s u a s d e c i s õ e s a c a d ê m i c a s q u e as t r a n s f o r m a m q u a s e num foro extraordinário. Será preciso, portanto, prever a necessidade d e acordos d e instrumentalização d e políticas q u e ajustem os aspectos operacionais (int e r i n s t i t u c i o n a i s ) a o s limites j u r í d i c o s c r i a d o s c o m o c o n s e q ü ê n c i a d o p r o c e s so d e integração. O m e s m o o c o r r e c o m o r e g i m e d e c o n t r o l e d o e x e r c í c i o profissional, q u e n a r e g i ã o estende-se d e s d e o c a s o d e u m l i m i t a d o e x e r c í c i o estatal d o c o n t r o l e ( P a r a g u a i ) a t é a d e s c e n t r a l i z a ç ã o p o r p r o v í n c i a s e m e n t i d a d e s autárq u i c a s a d m i n i s t r a d a s p e l o s p r ó p r i o s i n t e r e s s a d o s , c o m o é o c a s o d o Brasil e da Argentina. N e s s e ú l t i m o país, p o r sua v e z , o f a t o d e as p r o v í n c i a s - o u e s t a d o s não delegarem o p o d e r d e P o l í c i a Sanitária cria u m a s i t u a ç ã o particular, o n d e n ã o existe u m o r g a n i s m o n a c i o n a l c o m c a p a c i d a d e d e agir c o m o r e p resentante de cada província o u estado. Esses tipos d e p r o b l e m a s i n s t r u m e n t a i s g a n h a r ã o u m a v a s t a l e g i s l a ç ã o e n o r m a t i z a ç ã o , q u e se e x p r e s s a r ã o e m c o n v ê n i o s interinstitucionais d e a l c a n c e particular. N ã o seria d e e s t r a n h a r , p o r t a n t o , o s u r g i m e n t o d e m o v i m e n t o s e t e n d ê n c i a s n o interior d o s p a í s e s q u e - c o m o t e n t a t i v a d e p r o t e ç ã o c o r p o r a t i v a ou, a o contrário, por interesse e m aplicar a o subsetor a lógica d o m e r c a d o introduzam n o v o s e l e m e n t o s d e conflito q u e afetem o p r o c e s s o d e integraç ã o q u e se deseja levar a c a b o . N e s s e s e n t i d o , é i m p o r t a n t e o b s e r v a r as e x p e r i ê n c i a s e m c u r s o , t a n t o na C o m u n i d a d e E u r o p é i a c o m o n o N A F T A , e p r e v e r a s i n f l u ê n c i a s q u e e s s a s associações terão no processo M E R C O S U L 1 8 . O p r o c e s s o d e i n t e g r a ç ã o terá c o n s e q ü ê n c i a s t a m b é m n o s a s p e c t o s lig a d o s a o p l a n e j a m e n t o setorial. N ã o a p e n a s p o r q u e o s p l a n o s n a c i o n a i s d e d e s e n v o l v i m e n t o já e s t ã o p r e v e n d o as c o n s e q ü ê n c i a s m a c r o e c o n ô m i c a s d a criação de um mercado c o m u m 1 9 e m relação ao impacto sobre a mobilida- d e e o e m p r e g o d a p o p u l a ç ã o e c o n o m i c a m e n t e ativa, m a s p o r q u e c o m e ç a a desenvolver-se - e m b o r a incipiente - u m m e r c a d o s e c u n d á r i o d e ofertas educativas para a sub-região . 20 N e s s e sentido, é preciso levar e m conta q u e o A c o r d o d e Integração t r a d u z as t e n d ê n c i a s d o s g r a n d e s g r u p o s e c o n ô m i c o s p a r a a m p l i a r s e u s m e r c a d o s e atingir níveis d e p r o d u ç ã o c o m p e t i t i v o s e m e s c a l a s u p r a n a c i o n a l . O s fatores e c o n ô m i c o s , territoriais e d e c o n c e n t r a ç ã o d e c o n s u m i d o r e s , que sustentam o crescimento produtivo desses grupos, terão impactos diferentes s e g u n d o o s s e t o r e s sociais c o n s i d e r a d o s e as á r e a s q u e f i q u e m i n c l u í d a s o u e x c l u í d a s na n o v a d i n â m i c a d o m e r c a d o . A essa altura d o s a c o n t e c i m e n t o s , fica c l a r o q u e existe u m a t e n d ê n c i a a o i n c r e m e n t o d a a c u m u l a ç ã o d e r i q u e z a e m g r u p o s d e alta c a p a c i d a d e d e c o n s u m o , e, p o r sua v e z , à c o n c e n t r a ç ã o d o s m e s m o s e m á r e a s e s c o l h i d a s . O s eixos B u e n o s Aires-São P a u l o e M o n t e v i d é u - A s s u n ç ã o m a r c a r ã o o s limites reais d o m e r c a d o c o n s u m i d o r d e b e n s e s e r v i ç o s , a o p a s s o q u e a s á r e a s e x c l u í d a s tornar-se-ão o s n o v o s ( a n t i g o s ? ) p r o v e d o r e s d e matéria-prima e i n s u m o s , a c e n t u a n d o as d e s i g u a l d a d e s r e g i o n a i s já e x i s t e n t e s . N e s s e c o n t e x t o p o s s í v e l , a descentralização saúde do sistema de serviços de c o r r e o risco d e a p r o f u n d a r a m a r g i n a l i z a ç ã o d a s p e q u e n a s e m é d i a s l o c a l i d a d e s d a periferia d o s p a í s e s d o M E R C O S U L , privando-as d o s b e n e f í c i o s d o desenvolvimento incentivado pela dinâmica d o n o v o m e r c a d o regional. P a r a p r e v e n i r essas i n d e s e j a d a s c o n s e q ü ê n c i a s d o p r o c e s s o d e i n t e g r a - 18 Ver O r z a c k , L. The General 19 Paraguai: Secretaria d e Planejamento, Presidência da N a ç ã o , Plano N a c i o n a l d e D e s e n v o l v i mento 20 Systems Directive. Education and the Liberal Professions. 92-94. Projeto d e Mestrado na Escola Nacional de S a ú d e da FIOCRUZ, no Brasil, e M e s t r a d o e m A d ministração d e Serviços de S a ú d e da Universidade N a c i o n a l de C ó r d o b a , na Argentina. ção, é preciso d e s e n v o l v e r u m a n o v a c a p a c i d a d e estratégica d e planificação, q u e terá n e c e s s a r i a m e n t e u m a v i s ã o r e g i o n a l . R e t i r a r d o E s t a d o s u a f u n ç ã o r e g u l a m e n t a d o r a , p r o d u t o d a s políticas d e a j u s t e e m e x e c u ç ã o , p o d e significar, n o c a m p o d a s a ú d e , u m a m a n i f e s t a a c e n t u a ç ã o d a s d e s i g u a l d a d e s e injustiças existentes. T a m b é m nesse sentido é imperativa a produção d e novos c o n h e c i m e n tos, q u e a g o r a t e r ã o u m a d i m e n s ã o m a i s a m p l a d o q u e a d i m e n s ã o histórica. O a p o i o d o s organismos internacionais a o s projetos cooperativos d e p e s q u i s a q u e e n v o l v a m a s instituições setoriais d o s d i f e r e n t e s p a í s e s - m e m b r o s a p a r e c e n e s s e c o n t e x t o c o m o u m i n v e s t i m e n t o d e alto p o t e n c i a l d e rentabilidade. COMO CONCLUSÃO A o s d o i s a n o s d e s u a v i g ê n c i a , o p r o j e t o M E R C O S U L ingressou n u m a etapa d e múltiplas dificuldades e c r e s c e n t e ceticismo q u a n t o à realização d a s propostas contidas n o Tratado d e A s s u n ç ã o 2 1 . A p e s a r disso, o c r o n o g r a m a d e retirada d e i m p o s t o s v e m s e n d o c u m p r i d o - 6 8 % a t é a g o r a - e existe u m a c r e s c e n t e d i n â m i c a d e i n t e g r a ç ã o n o c a m p o d a s e m p r e s a s líderes e m d i f e r e n t e s c a m p o s d a p r o d u ç ã o . T u d o isso l e v a à c o n c l u s ã o d e q u e , a l é m d a v o c a ç ã o política r e p e t i d a m e n t e a l e g a d a p e l o s g o v e r n o s d o s países e n v o l v i d o s , o s a v a n ç o s e r e t r o c e s s o s q u e s u r g e m n a e t a p a p r e s e n t e r e p r e s e n t a m as i n f l u ê n c i a s e o s interesses dos grupos e c o n ô m i c o s comprometidos no processo. O s investimentos e m curso, as fusões empresariais, a criação d e u m i n cipiente m e r c a d o d e capitais e o s efeitos já a l c a n ç a d o s pelo processo d e d e s t a r i f a ç ã o e m t e r m o s d e i n t e r c â m b i o c o m e r c i a l - t u d o isso d i r e c i o n a o p r o c e s s o e o m a n t é m distante d a s dificuldades identificadas. A institucionalização d o processo, c o m a instalação d o G R U P O MERCO- S U L e m s u a S e c r e t a r i a E x e c u t i v a d e M o n t e v i d é u ( U r u g u a i ) , está p r o d u z i n d o , nos diferentes grupos d e trabalho, permanentes acordos (protocolos adicionais) q u e f o r t a l e c e m o p r o c e s s o e c r i a m , d e fato, u m n o v o c o r p o d e legislaç ã o s o b r e o q u a l s e a s s e n t a r á a estrutura j u r í d i c a d o M E R C O S U L A t é a g o r a , d i versas r e s o l u ç õ e s ( p r o t o c o l o s adicionais) foram a p r o v a d a s durante as deliberações d o G R U P O M E R C O S U L diretamente vinculadas a o c a m p o da s a ú d e 2 2 . D a d a a fase d e livre c o m é r c i o q u e a t r a v e s s a m o s , n e n h u m g o v e r n o o u g r u p o empresarial manifestou interesse pela aplicação ampla d a terceira c o n dição d e liberdade q u e caracteriza a construção d e u m m e r c a d o : a criação d e u m m e r c a d o d e trabalho. 21 Silvero Silvagni, R.: e m A B C , e d i ç ã o d e 28 d e fevereiro d e 1993, Assunção, Paraguai. 22 V e r as R e s o l u ç õ e s N o s . 5 5 , 56, 6 0 , 61 e 62 da VIII Reunião d e Trabalho d o G r u p o M e r c a d o C o m u m . M o n t e v i d é u , 1993. N o e n t a n t o , c o m o já d e s c r e v e m o s , já c o m e ç a m a surgir a t i v i d a d e s d e g r u p o s e instituições c o m interesse nessa p r o b l e m á t i c a ; l e n t a m e n t e - e à s v e z e s s e m u m a a g e n d a explícita - esses g r u p o s p r o c u r a m posicionar-se n a p r e v e n ç ã o d o s e f e i t o s setoriais d a política d e i n t e g r a ç ã o . É, p o r t a n t o , o m o m e n t o a d e q u a d o p a r a q u e o s o r g a n i s m o s i n t e r n a c i o nais e as instituições n a c i o n a i s d o setor c o m e c e m a d e s e n v o l v e r a t i v i d a d e s conjuntas visando compatibilizar interesses e d e s e n v o l v e r novos conheci- m e n t o s q u e garantam u m processo d e integração fluido e p r o v e i t o s o n o q u e diz r e s p e i t o à s a ú d e d e n o s s a p o p u l a ç ã o e às a ç õ e s q u e c o m p e t e m a o s e t o r . Já foram identificadas, particularmente n o c a m p o d o s recursos h u m a n o s p a r a a s a ú d e , d i v e r s a s á r e a s resultantes d o i n t e r e s s e d a s i n s t i t u i ç õ e s d o setor e m suas d i v e r s a s e x p r e s s õ e s p ú b l i c a s e p a r t i c u l a r e s . A c o p i l a ç ã o d e i n f o r m a ç õ e s iniciada p e l a s r e p r e s e n t a ç õ e s d a O P A S nos q u a t r o países constituirá, n e s s e s e n t i d o , u m a c o n t r i b u i ç ã o s u b s t a n c i a l a o p r o cesso d e discussão iniciado. N o futuro i m e d i a t o , n o v a s a t i v i d a d e s , q u e m e r e c e m ser a c o m p a n h a d a s p e l a O P A S , v i r ã o juntar-se às já r e a l i z a d a s e às q u e e s t ã o e m c u r s o . A temática resgatada e m termos d e áreas d e interesse na reunião de A s s u n ç ã o contribuirá, s e m dúvida, para a c o n s t r u ç ã o d e u m a A g e n d a S e t o rial R e g i o n a l , e permitirá q u e o s e s f o r ç o s d e p e s q u i s a e c o o p e r a ç ã o s e j a m d i recionados e m sentido positivo. O CAMPO DOS RECURSOS HUMANOS PARA A SAÚDE NO MERCOSUL Francisco Campos Pedro Brito Félix Rígoli O Programa Especial d e D e s e n v o l v i m e n t o d e Recursos H u m a n o s da O P S / O M S v e m p r o m o v e n d o h á d o i s a n o s u m a série d e e s t u d o s e g r u p o s d e trabalho, objetivando responder a u m c o n j u n t o d e questões derivadas do processo de integração d o M E R C O S U L . O s a v a n ç o s q u e t ê m se verificado neste processo, nos últimos a n o s , t ê m p r o d u z i d o i n q u i e t u d e s e p r e o c u p a ç õ e s e n t r e o s d i v e r s o s a t o r e s instituc i o n a i s e s o c i a i s d o setor s a ú d e e d o c a m p o d e r e c u r s o s h u m a n o s n o s q u a tro países signatários. Está p r e s e n t e , p a r a tais a t o r e s , a e x p e r i ê n c i a d a C o m u n i d a d e E c o n ô m i c a E u r o p é i a e as d i f i c u l d a d e s q u e t e v e d e e n f r e n t a r . U m p r i m e i r o sinal d e s t a s p r e o c u p a ç õ e s foi r e c e b i d o d o S i n d i c a t o de M é d i c o s d o U r u g u a i , p r e o c u p a d o c o m os possíveis desequilíbrios d e r i v a d o s da livre c i r c u l a ç ã o d e profissionais na sub-região. Logo receberam-se pedidos d e c o o p e r a ç ã o d e outras entidades gre¬ miais e d e s e c r e t a r i a s m u n i c i p a i s e e s t a d u a i s d a s z o n a s limítrofes, e m a l g u mas das quais n ã o previstas. já s e e s t a v a m v e r i f i c a n d o d e s l o c a m e n t o s e o u t r a s s i t u a ç õ e s Isto l e v o u o P r o g r a m a a definir u m p l a n o d e t r a b a l h o c e n t r a d o n a realiz a ç ã o d e e s t u d o s v i s a n d o p r e v e n i r e v e n t u a i s desajustes e s i t u a ç õ e s p r o b l e máticas. A O P S t e m p e r m a n e c i d o alerta, a c o m p a n h a d o o s a v a n ç o s d i p l o m á t i c o s e c o m e r c i a i s d o p r o c e s s o d e i n t e g r a ç ã o e p r o c u r a n d o articular estratégias e projetos da Iniciativa d o C o n e Sul - q u e r e ú n e p e r i o d i c a m e n t e os Ministros d e S a ú d e d a sub-região e C h i l e - c o m as p o s s i b i l i d a d e s d o M E R C O S U L . A Terceira R e u n i ã o d e Ministros d e S a ú d e d o C o n e Sul, realizada e m j u n h o d e 1 9 9 1 , e m Brasília, p e r m i t i u a o s p a í s e s d o M E R C O S U L firmar u m a c o r d o e m q u e p r o p õ e m ao G r u p o M e r c a d o C o m u m a criação de u m subgrupo " d e s t i n a d o a a t e n d e r às q u e s t õ e s d e r i v a d a s d o p r o c e s s o d e i n t e g r a ç ã o q u e t e n h a m relação c o m a saúde das pessoas e o m e i o ambiente e c o m os asp e c t o s s a n i t á r i o s d o fluxo d e b e n s e s e r v i ç o s " . N e s t a linha d e a ç ã o , o P r o g r a m a d e D e s e n v o l v i m e n t o d e R e c u r s o s H u m a n o s c o m e ç o u u m t r a b a l h o d e reflexão a r e s p e i t o d o i m p a c t o p r o s p e c t i v o d o a c o r d o sobre a d i n â m i c a d o m e r c a d o d e trabalho e m saúde na região, incluindo aspectos da preparação de pessoal. U m G r u p o de Trabalho reunido e m A s s u n ç ã o ( n o v e m b r o d e 1992), formado por representantes dos Ministérios d e S a ú d e e R e p r e s e n t a ç õ e s d a O P S n o s q u a t r o países e n a B o l í v i a , e x a m i n o u os possíveis d e s e n v o l v i m e n t o s n o c a m p o dos recursos h u m a n o s e, a o m e s m o t e m p o , c o n s t a t o u a insuficiência d e d a d o s para q u e se p u d e s s e m a p r o f u n d a r as c o n c l u s õ e s . F o i p r o p o s t a e n t ã o a r e a l i z a ç ã o d e q u a t r o e s t u d o s subsetoriais d e r e c u r s o s h u m a n o s n o s p a í s e s signatários, c o m o o b j e t i v o d e c o l h e r e v i d ê n c i a s empíricas para a análise proposta. U m a v e z realizados os estudos, promoveu-se u m a reunião d e trabalho e m M o n t e v i d é u , m a i s u m a v e z c o m r e p r e s e n t a ç õ e s d o s q u a t r o países, c o m o o b j e t i v o d e identificar u m a a g e n d a d e p r o b l e m a s e as principais á r e a s d e interesse q u e p u d e s s e m reorientar a c o o p e r a ç ã o técnica e m recursos human o s p a r a esta sub-região. O p r e s e n t e d o c u m e n t o r e ú n e e sintetiza as d i s c u s s õ e s d o G r u p o e as informações colhidas. O o b j e t i v o e x p l í c i t o é apresentá-lo à c o n s i d e r a ç ã o e a n á l i s e d a s d i r e ç õ e s d o s e t o r s a ú d e , t a n t o d o s g o v e r n o s d a sub-região c o m o d a s i n s t i t u i ç õ e s i n t e r e s s a d a s e d a p r ó p r i a O r g a n i z a ç ã o , a fim d e p r o m o v e r a tomada de consciência e o debate. O propósito último n ã o é outro s e n ã o contribuir para a p r e v e n ç ã o d e desequilíbrios e dificuldades e preservar o desenvolvimento dos serviços e r e c u r s o s h u m a n o s e m s a ú d e , n o m a r c o d e critérios d e e q ü i d a d e , q u a l i d a d e , eficácia e eficiência. O Programa Especial d e Desenvolvimento d e Recursos H u m a n o s da O P S / O M S p r o m o v e m , assim, estudos nacionais sobre a situação dos recursos h u m a n o s nos quatro países d o a c o r d o . O G r u p o d e Trabalho identificou, c o m base nos estudos e nas princi- pais p r e o c u p a ç õ e s e x p l i c i t a d a s p e l o s a t o r e s c o n s i d e r a d o s , u m c o n j u n t o de á r e a s d e i n t e r e s s e q u e s e r e s u m e m a seguir. S o b r e a base da informação colhida se apontará, e m seguida, u m c o n junto d e situações e tendências problemáticas que, na opinião d o G r u p o d e T r a b a l h o , c a r a c t e r i z a m a s i t u a ç ã o d o s r e c u r s o s h u m a n o s d e s a ú d e n a sub-região. F O R M A Ç Ã O DE PROFISSIONAIS DE S A Ú D E U m obstáculo previsível d o s processos d e integração são as inevitáveis e históricas d i f e r e n ç a s existentes e n t r e o s s i s t e m a s d e f o r m a ç ã o p r o f i s s i o n a l n o s países signatários. N o c a s o d o s m é d i c o s , contrapor-se-ão o s d i f e r e n t e s desenvolvimentos curriculares d e muitas d e z e n a s d e escolas c o m modelos formativos específicos para brindar u m produto a p a r e n t e m e n t e uniforme. P o r é m , apesar d a c o m p l e x i d a d e deste c a s o , será s e m d ú v i d a mais simples q u e a n o r m a t i z a ç ã o d o q u e s e h á d e e n t e n d e r n o M E R C O S U L p o r " e n f e r m e i r a " o u " t é c n i c o d e s e r v i ç o s auxiliares", p a r a o s q u a i s e x i s t e m i n c l u s i v e d i f e r e n ç a s d e d e f i n i ç ã o n o interior d e c a d a p a í s . M u i t a s das universidades públicas d o s países debatem-se entre o s p r o blemas orçamentários e a s u p e r p o p u l a ç ã o estudantil, d e i x a n d o p o u c o espaç o para o trabalho d e p r e p a r a ç ã o para os processos d e integração. A t é a g o ra, tais e s f o r ç o s têm-se r e s u m i d o a o s p r o c e d i m e n t o s gerais d e revalidação d e títulos e s t r a n g e i r o s , e m geral e m b a r a ç o s o s d e v i d o às d i f i c u l d a d e s intrínsec a s já m e n c i o n a d a s e p e l a inexistência d e u m m a r c o geral f a v o r e c e d o r , p e l o q u e o i n t e n t o d e r e v a l i d a ç ã o é visto c o m o u m a a m e a ç a à U n i v e r s i d a d e N a cional. Dever-se-á ter e m m e n t e a e x p e r i ê n c i a d o General Systems Directive ( C S D ) , d o c u m e n t o q u e r e g e o e x e r c í c i o profissional n a C o m u n i d a d e péia, q u e define normas muito liberais d e intercâmbio Euro- profissional. deve-se assinalar q u e a sua i m p l e m e n t a ç ã o foi p r a t i c a m e n t e f o r ç a d a Mas pelos a c o n t e c i m e n t o s políticos, u m a v e z q u e os a c o r d o s profissão por profissão resultaram a l t a m e n t e burocráticos e s e g u r a m e n t e n ã o se teriam ( v e r O r z a c k , L.: The General Systems Directive: Education completado and the liberal p r o ¬ fessions). T a l v e z a c i r c u n s t â n c i a d a i n t e g r a ç ã o r e a t i v e , s o b r e o u t r a s b a s e s , a s instâncias d e p l a n e j a m e n t o educacional, agora com um conteúdo regional, o n d e ele atue c o m o u m sistema d e m o n i t o r a m e n t o da p r o d u ç ã o e distribuiç ã o d e profissionais e se v i n c u l e a s i s t e m a s d e i n f o r m a ç ã o d e m e r c a d o de trabalho e m nível subregional. É n e s t e s e n t i d o q u e a d q u i r e m i m p o r t â n c i a as d i f e r e n t e s c o n d i ç õ e s d e a c e s s o às instituições d e f o r m a ç ã o s u p e r i o r v i g e n t e n o s p a í s e s e a t é e n t r e r e g i õ e s . A s r e s t r i ç õ e s já e m v i g ê n c i a a t r a v é s d e numerus clausus, vestibulares e c o b r a n ç a d e m a t r í c u l a s significativas, já e s t ã o p r o d u z i n d o m i g r a ç õ e s d e e s t u d a n t e s p a r a a q u e l e s c e n t r o s d e m e n o r e s barreiras, o q u e s e m d ú v i d a h á d e s e a c e n t u a r c r i t i c a m e n t e a partir d a p e r s p e c t i v a d e livre p r á t i c a profissional entre os países. A f i m d e s e a n t e c i p a r às r e a ç õ e s d e f e n s i v a s q u e i n e v i t a v e l m e n t e s e g e r a r ã o , as E s c o l a s a f e t a d a s p e l o s i n t e r c â m b i o s d e v e m definir a ç õ e s c o n j u n t a s , s e n d o imprescindível o relançamento d o antes m e n c i o n a d o planejamento e d u c a c i o n a l , agora e m caráter regional. Deterioração d a c a p a c i d a d e docente e perda d a liderança universitária A b a s e i n s t i t u c i o n a l universitária d e f o r m a ç ã o d e p e s s o a l na sub-região s e g u e s e n d o p r i n c i p a l m e n t e p ú b l i c a , a p e s a r d o significativo i n c r e m e n t o d o s e t o r p r i v a d o n o s ú l t i m o s a n o s ( v e r T a b e l a 1), e s p e c i a l m e n t e na A r g e n t i n a e Brasil e n o q u e s e r e f e r e à M e d i c i n a e E n f e r m a g e m . É n e c e s s á r i o a p o n t a r q u e as e s c o l a s p r i v a d a s s ã o m e n o r e s e c o m n ú m e r o p e q u e n o d e a l u n o s e m r e l a ç ã o às p ú b l i c a s e q u e s e l o c a l i z a m em á r e a s d e m a i o r d e s e n v o l v i m e n t o s o c i o e c o n ô m i c o , c o m o o s u d e s t e brasileiro e a área d e B u e n o s Aires, na Argentina. TABELA 1 I n s t i t u i ç õ e s d e F o r m a ç ã o d e Profissionais d e S a ú d e Medicina, Odontologia e Enfermagem, Países d o M e r c o s u l , 1993 Fonte: HRD, S i s t e m a d e I n f o r m a ç ã o e m R e c u r s o s H u m a n o s e m S a ú d e . A s e s c o l a s universitárias p ú b l i c a s d a sub-região d e b a t e m - s e c o m sérios p r o b l e m a s o r ç a m e n t á r i o s ( q u e n ã o só se referem à diminuição das evasões, s e n ã o à estrutura d a s d e s p e s a s q u e s e d e s t i n a m q u a s e q u e e x c l u s i v a m e n t e a o p a g a m e n t o d e salários) e institucionais, tais c o m o s u p e r p o p u l a ç ã o e s t u dantil e a u m e n t o da p r e c a r i e d a d e das relações d o pessoal d o c e n t e c o m a i n s t i t u i ç ã o , c o n s e q ü ê n c i a d o s b a i x o s salários e d a d e t e r i o r a ç ã o d a infra-estrutura e x i s t e n t e . A s universidades públicas t ê m sustentado u m m e r c a d o d e trabalho d o c e n t e q u e se e x p a n d i u d e f o r m a significativa n o s ú l t i m o s trinta a n o s n o s países d a sub-região, t a n t o n o Brasil, q u e e x p e r i m e n t o u u m c r e s c i m e n t o s u s t e n tado d e escolas, c o m o nos outros países, q u e n ã o sofreram esse f e n ô m e n o . P o r é m , nos últimos anos esse m e r c a d o t e n d e u à p r e c a r i e d a d e da inserção institucional. U m d a d o c o m u m a o s q u a t r o países é a d i m i n u i ç ã o d o s c a r g o s d o c e n t e s d e d e d i c a ç ã o exclusiva, o i n c r e m e n t o da carga horária e a m a r c a d a d i m i n u i ç ã o d o s salários d o c e n t e s . Essas t e n d ê n c i a s s ã o p r e o c u p a n t e s , já q u e a f e t a m as f u n ç õ e s b á s i c a s d a instituição, c o m o a d o c ê n c i a e a p e s q u i s a . É u m f a t o p a t e n t e n a sub-região q u e as f a c u l d a d e s e e s c o l a s t ê m p e r d i d o p r o t a g o n i s m o e l i d e r a n ç a n a d e f i n i ç ã o d o s critérios s o c i a i s d o m i n a n t e s d e q u a l i d a d e d a M e d i c i n a . A formação de médicos Em quase todos os países se o b s e r v o u u m i n c r e m e n t o c o n s t a n t e da m a t r í c u l a d e profissionais d e s a ú d e e, e m e s p e c i a l , d e m é d i c o s , a t é a p r i m e i ra m e t a d e d o s a n o s o i t e n t a . A partir d e s s a d a t a observa-se u m a p e r d a de q u a l i d a d e d a f o r m a ç ã o , e s p e c i a l m e n t e na A r g e n t i n a e n o U r u g u a i , q u e t ê m m a t r í c u l a livre. O e x a m e da disponibilidade d e instituições d e f o r m a ç ã o d e médicos na sub-região m o s t r a u m d e s e q u i l í b r i o o u p o l a r i d a d e e n t r e o Brasil ( 8 0 e s c o las o u f a c u l d a d e s ) , p o r u m l a d o , e o U r u g u a i ( 1 f a c u l d a d e ) e o P a r a g u a i ( 2 e s c o l a s ) . A l é m d a s s i m p l e s d i f e r e n ç a s q u a n t i t a t i v a s , q u e p o d e m ser d e c o r r e n tes d e u m p r o b l e m a d e d e m a n d a e m r e l a ç ã o às d i f e r e n t e s p o p u l a ç õ e s , c h a m a a a t e n ç ã o o g r a u d e d i s p e r s ã o e f r a g m e n t a ç ã o d a o f e r t a n o Brasil, e m r e lação à c o n c e n t r a ç ã o da m e s m a nos d e m a i s países. A A r g e n t i n a s e e n c o n t r a r i a n u m lugar i n t e r m e d i á r i o , c o m 13 f a c u l d a - des, c o m a peculiaridade da criação d e quatro escolas privadas durante o s ú l t i m o s d o i s a n o s . C h a m a a a t e n ç ã o q u e estes três ú l t i m o s p a í s e s n ã o t e n h a m i n c r e m e n t a d o o n ú m e r o d e escolas ( e m b o r a t e n h a m a u m e n t a d o suas matrículas) d u r a n t e o s a n o s d e e x p a n s ã o na r e g i ã o . E m geral, as f a c u l d a d e s o u e s c o l a s p r i v a d a s d e M e d i c i n a s ã o " p e q u e nas", c o m u m a m é d i a d e 5 0 a 6 0 a l u n o s p o r t u r m a , e n q u a n t o as p ú b l i c a s , a o contrário, t ê m u m n ú m e r o b e m mais e l e v a d o d e alunos. Entretanto, estas d i f e r e n ç a s d e " t a m a n h o institucional", d e u m m o d o g e r a l c o m a l g u m a s e x c e ç õ es, c o m p a r t i l h a m critérios similares d e o r i e n t a ç ã o e estrutura c u r r i c u l a r , d e terminadas pelo m o d e l o h e g e m ô n i c o da prática m é d i c a . A análise da i n f o r m a ç ã o disponível d o s egressos das faculdades, o n ú m e r o d e m é d i c o s e m a t i v i d a d e n o s p a í s e s e a taxa r e s u l t a n t e d e r e p o s i ç ã o ( q u e r dizer, a r e l a ç ã o e n t r e e g r e s s o s e m é d i c o s a t i v o s ) d e m o n s t r a q u e h a v e ria u m c r e s c i m e n t o d a p o p u l a ç ã o d e m é d i c o s n o U r u g u a i e n o P a r a g u a i ( p o r é m c o m m e n o r i n t e n s i d a d e ) , e n q u a n t o o Brasil e a A r g e n t i n a e s t a r i a m e s t á veis. Esta i n f o r m a ç ã o é a p r e s e n t a d a n a T a b e l a 2 . As opiniões dos setores dirigentes das escolas e faculdades universitárias ( e m especial d o setor público) a p o n t a m para a existência d e u m q u a d r o g e r a l d e d e t e r i o r a ç ã o n a " c o m p e t ê n c i a t e c n o l ó g i c a " e científica d a s m e s m a s . O s h o s p i t a i s universitários e m geral n ã o c o n s e g u e m m a n t e r a tecnologia atualizada, n e m o "prestígio" d e s e u s p r o f e s s o r e s , q u e progressiva e majoritariamente optam pela alternativa d e t e m p o parcial, por não t e r e m r e m u n e r a ç õ e s a d e q u a d a s , n e m f i n a n c i a m e n t o para suas p e s q u i s a s . A f o r m a ç ã o em O d o n t o l o g i a N a f o r m a ç ã o e m O d o n t o l o g i a o c o r r e m a l g u m a s c o i n c i d ê n c i a s c o m as d e m a i s c a r r e i r a s , c o m o p o r e x e m p l o o i n c r e m e n t o significativo d o número d e i n s t i t u i ç õ e s f o r m a d o r a s , q u e n o Brasil a t i n g e h o j e 8 1 E s c o l a s . Tal expansão d e v e u - s e b a s i c a m e n t e à iniciativa p r i v a d a , responsável pela abertura d e 33 n o v a s Escolas nos últimos 20 anos. A Argentina continua com as d e z i n s t i t u i ç õ e s q u e p o s s u í a , d a s q u a i s o i t o s ã o p ú b l i c a s e privadas. O Uruguai conta com uma Escola e o Paraguai com duas duas i n s t i t u i ç õ e s , c o m o f e n ô m e n o singular q u e foi a a b e r t u r a d e u m a n o v a E s c o l a pelo Círculo Paraguaio d e Dentistas (entidade corporativa). TABELA 2 Recursos H u m a n o s e m Saúde no Mercosul * Inclui O b s t e t r a s . F o n t e : HRD, S i s t e m a d e I n f o r m a ç ã o e m R e c u r s o s H u m a n o s e m S a ú d e . T a l e x p a n s ã o deveu-se b a s i c a m e n t e à iniciativa p r i v a d a , responsável pela abertura d e 33 n o v a s Escolas nos últimos 2 0 a n o s . A A r g e n t i n a c o n t i n u a c o m as d e z instituições q u e p o s s u í a , d a s q u a i s o i t o s ã o p ú b l i c a s e d u a s p r i v a das. O U r u g u a i c o n t a c o m u m a Escola e o Paraguai c o m duas instituições, c o m o f e n ô m e n o singular q u e foi a a b e r t u r a d e u m a n o v a E s c o l a p e l o C í r c u lo P a r a g u a i o d e D e n t i s t a s ( e n t i d a d e c o r p o r a t i v a ) . U m a característica c o m u m a o U r u g u a i e Paraguai é a forte e v a s ã o d e a l u n o s a n t e s d a g r a d u a ç ã o : n o p r i m e i r o , a p e r d a c h e g a a 2/3 d o s m a t r i c u l a dos nos quatro anos antes da graduação, e n q u a n t o o Paraguai p e r d e nada m e n o s q u e 4/5 d o s a l u n o s . O s altos c u s t o s d a f o r m a ç ã o ( s o b r e t u d o n o q u e se refere a materiais e e q u i p a m e n t o s ) , q u e são d e responsabilidade d o p r ó prio estudante, é u m a das e x p l i c a ç õ e s possíveis para a e v a s ã o . U m p r o b l e m a q u e d e v e r á ser o b j e t o d e c u i d a d o s o e s t u d o e q u e d e r i v a d o tipo d e prática o d o n t o l ó g i c a é a f o r m a ç ã o d o s n í v e i s auxiliares n a e s t r u t u ra o c u p a c i o n a l . H á c l a s s i f i c a ç õ e s d i v e r s a s d e t é c n i c o s e m h i g i e n e d e n t a l , h i gienistas d e n t a i s , assistentes d e n t a i s e t c , q u a s e t o d o s f o r m a d o s n o n í v e l s e c u n d á r i o , s e m u m a d i f e r e n ç a p r e c i s a e n t r e tais perfis, A formação em E n f e r m a g e m A E n f e r m a g e m é u m a c a t e g o r i a profissional crítica n o s q u a t r o p a í s e s d a sub-região. O c r í t i c o d e tal s i t u a ç ã o s e r e f e r e t a n t o a e l e m e n t o s q u a n t i t a t i v o s ( e m geral u m a s i t u a ç ã o deficitária o u c o m t e n d ê n c i a d e c r e s c e n t e n o q u e s e refere a disponibilidade d e pessoal), c o m o a e l e m e n t o s qualitativos referidos à n a t u r e z a s u b o r d i n a d a e d e s v a l o r i z a d a d e sua p r á t i c a , à p r o c u r a d e u m a r e definição d e seu objeto d e trabalho o u a deficientes c o n d i ç õ e s d e trabalho, entre outras características. Esta c a t e g o r i a profissional é u m a d a s m a i s c o m p l e x a s n a d e f i n i ç ã o d o s níveis q u e c o n f o r m a m a sua estrutura c o m o o c u p a ç ã o . S e u s componentes v a r i a m d e u m país p a r a o u t r o , assim c o m o o s c o n t e ú d o s d o s s e u s o b j e t o s d e t r a b a l h o , q u e v a r i a m i n c l u s i v e n o interior d e u m m e s m o país e e n t r e a s d i v e r sas m o d a l i d a d e s d e o r g a n i z a ç ã o d a a t e n ç ã o à s a ú d e . D a m e s m a m a n e i r a , o s p r o c e s s o s históricos d e p r o f i s s i o n a l i z a ç ã o s ã o d i f e r e n t e s e n t r e o s d i v e r s o s países, e m a l g u n s d o s q u a i s t e m a l c a n ç a d o u m significativo g r a u d e a u t o n o m i a e v a l o r i z a ç ã o s o c i a l , a o p a s s o q u e e m o u t r o s p e r s i s t e m e l e m e n t o s d e se¬ m i p r o f i s s i o n a l i s m o e e s c a s s o status t é c n i c o e r e c o n h e c i m e n t o e c o n ô m i c o e social. Este d e s e n v o l v i m e n t o d e s i g u a l s e reflete na f o r m a ç ã o d e enfermeiras n o s países d a sub-região. O q u a d r o s e g u i n t e d e m o n s t r a a d i v e r s i d a d e d e m o d a l i d a d e s e níveis d e f o r m a ç ã o existentes, r e l a c i o n a d o s c o m as f o r m a s d e práticas existentes. TABELA 3 A Profissão d e Enfermagem S e g u n d o Níveis d e F o r m a ç ã o Países d o M e r c o s u l , 1993 Fonte: HRD, Sistema de Informação e m Recursos H u m a n o s e m Saúde. Esta d i v e r s i d a d e d e n í v e i s , requisitos, c u r r í c u l o s e perfis o c u p a c i o n a i s , t e m u m a r e p r e s e n t a ç ã o n o g r a u d e d i s p e r s ã o d a s instituições f o r m a d o r a s , q u e nos quatro países se e n c o n t r a m e m universidades, Ministérios d e S a ú d e e d e E d u c a ç ã o e no setor privado, tanto d e saúde, c o m o d e e d u c a ç ã o . N a Argentina, país q u e t e m u m a das m e n o r e s p r o p o r ç õ e s d e e n f e r m e i ras p o r p o p u l a ç ã o e u m a estrutura d e p e s s o a l b a s i c a m e n t e desqualificada, existem 9 5 instituições formadoras d e pessoal d e e n f e r m a g e m , das quais 21 são d e nível universitário, 4 5 d e n í v e l terciário n ã o universitário ( d e p e n - d e n t e s d e e d u c a ç ã o e s a ú d e ) e 2 9 terciárias d e p e n d e n t e s d e e d u c a ç ã o . N o Brasil, e x i s t e m a t u a l m e n t e 1 0 2 p r o g r a m a s universitários d e E n f e r m a g e m , d o s q u a i s 4 4 % s ã o p r i v a d o s . N o U r u g u a i , existe u m a e s c o l a universitária q u e f o r m a e n f e r m e i r a s profissionais d e nível terciário e q u e o f e r e c e a o p ç ã o a d i c i o n a l d e u m a l i c e n c i a t u r a , u m c u r s o "profissionalizante" p a r a auxiliares d e p e n d e n t e d o M i n i s t é r i o d e S a ú d e P ú b l i c a e d i v e r s o s c u r s o s p a r a form a r auxiliares e m s e r v i ç o . N o P a r a g u a i existe u m a e s c o l a universitária. O u t r a s i t u a ç ã o crítica n o s p a í s e s é o b a i x o n ú m e r o d e ingressantes, a s s i m c o m o d e e g r e s s o s , o q u e estaria c o l o c a n d o e m e v i d ê n c i a n ã o s o m e n t e s é r i o s p r o b l e m a s n o s p r o c e s s o s e d u c a t i v o s n o interior d a s instituições ( s ã o c o n h e c i d a s as d i f i c u l d a d e s q u e a c o n t e c e m n o c u r r í c u l o , n a estrutura d o c e n t e e n a q u a l i d a d e d e e n s i n o ) , s e n ã o t a m b é m o b a i x o status s o c i a l e t é c n i c o d a p r o f i s s ã o n a sub-região. A s i t u a ç ã o d e e l e v a d a e v a s ã o estudantil ( q u e e m m é d i a é d e 6 0 % p a r a a A r g e n t i n a e o Brasil) obrigaria a p e n s a r e m p r o m o v e r p r o c e s s o s integrais d e t r a n s f o r m a ç ã o e d u c a c i o n a l na p e r s p e c t i v a d a integraç ã o e q u e a n t e v e j a m n o v o s perfis d e r i v a d o s d a t r a n s f o r m a ç ã o t e c n o l ó g i c a e d a s t e n d ê n c i a s d a assistência à s a ú d e . É sabido internacionalmente q u e o pessoal d e Enfermagem é u m dos q u e m a i s m i g r a m d e país e m país, o q u e n a s i t u a ç ã o g e n é r i c a d e relativa d e s q u a l i f i c a ç ã o d e m ã o d e o b r a e x i s t e n t e nesta c a t e g o r i a e a d i v e r s i d a d e n a for¬ m a ç ã o , p o d e r i a c o n f i g u r a r u m a difícil s i t u a ç ã o sub-regional e a g r a v a r déficits existentes. Isto d e v e ser c o n s i d e r a d o p e l a s l i d e r a n ç a s p o l í t i c a s e p r o f i s s i o nais, l e v a n d o o s p a í s e s a c o l a b o r a r e m n a b u s c a d e u m m e c a n i s m o d e m e l h o r a m e n t o d a f o r m a ç ã o p a r a a s o l u ç ã o d e p r o b l e m a s q u e d e d i v e r s a s formas são compartilhados. A pós-graduação médica A respeito dos estudos d e pós-graduação, a situação é mais c o m p l e x a do q u e nos estudos d e graduação, devido à heterogeneidade d o papel d o s Estados n a r e g u l a m e n t a ç ã o d e s t a s a t i v i d a d e s . O u t r a e x p l i c a ç ã o importante para tal c o m p l e x i d a d e é q u e o s e s t u d o s d e p ó s - g r a d u a ç ã o v i n c u l a m - s e d i r e t a e i n t i m a m e n t e à fronteira d o a v a n ç o d o c o n h e c i m e n t o e à i n c o r p o r a ç ã o t e c n o l ó g i c a a o s e t o r s a ú d e , d e u m l a d o ; e às e x i g ê n c i a s d a c o m p e t i t i v i d a d e d o s m e r c a d o s d e t r a b a l h o n a atual o r d e m e c o n ô m i c a d e o r g a n i z a ç ã o d a p r á t i c a médica, d o outro. A regulamentação dos processos d e p r e p a r a ç ã o d e especialistas, a o contrário daqueles d e graduação, tem q u e enfrentar u m a ampla g a m a de c e n á r i o s e instituições, d e s d e as f o r m a i s a t é as i n f o r m a i s , c o m m a i o r d i f i c u l d a d e e m países c o m o a Argentina, o n d e a U n i v e r s i d a d e n ã o t e m tido lide- r a n ç a nesta á r e a d e f o r m a ç ã o . N a sub-região, n o q u e s e r e f e r e à M e d i c i n a , h á m e c a n i s m o s distintos d e p r e p a r a ç ã o d e especialistas: residências m é d i c a s , cursos d e especializaç ã o , rotação por serviços d e diversos graus d e formalidade, mestrados d o u t o r a d o s , c a d a u m a d e l a s p r o c u r a n d o critérios p a r a a s u a e regulamenta- ç ã o . H á , a i n d a , as h e t e r o g e n e i d a d e s e n t r e o s p a í s e s n a i n t e r p r e t a ç ã o d a s d i ferentes m o d a l i d a d e s d e estudos. N a A r g e n t i n a , as r e s i d ê n c i a s m é d i c a s s ã o o r g a n i z a d a s n ã o s o m e n t e p e las f a c u l d a d e s , m a s t a m b é m p e l o s s e r v i ç o s d e s a ú d e ( h o s p i t a i s ) q u e , a o m e s m o t e m p o , estão vinculados aos Ministérios o u Secretarias d e S a ú d e estad u a i s , às P r e f e i t u r a s , a o b r a s s o c i a i s e s p e c í f i c a s , assim c o m o a o s e t o r p r i v a d o . C a d a u m a d e s t a s instituições e s t a b e l e c e u m r e g u l a m e n t o p r ó p r i o p a r a suas r e s i d ê n c i a s ( e x c e t o e m a l g u n s E s t a d o s o n d e a h a b i l i t a ç ã o d e r e s i d ê n c i a s está c o n c e n t r a d a e m e n t i d a d e s d e o n t o l ó g i c a s c r i a d a s p o r lei). O s m e s t r a d o s e d o u t o r a d o s são muito p o u c o d e s e n v o l v i d o s na área profissional d a M e d i c i na. O s e s t á g i o s e as e s p e c i a l i z a ç õ e s e s t ã o a i n d a m e n o s r e g u l a m e n t a d o s q u e as m o d a l i d a d e s a n t e r i o r e s . D e m a n e i r a d i f e r e n t e , existe n o Brasil u m a rígida r e g u l a m e n t a ç ã o das residências m é d i c a s pela C o m i s s ã o N a c i o n a l d e Residência M é d i c a , d o M i nistério d a E d u c a ç ã o . H á r e g u l a m e n t o s a r e s p e i t o d a c o m p o s i ç ã o e e s t r u t u r a d e treinamento e m termos d e carga horária, exigências d e instalações, c o m o b i b l i o t e c a s e n e c r ó p s i a s s i s t e m á t i c a s nas i n s t i t u i ç õ e s . Estabelece-se a r e m u n e r a ç ã o d o s residentes e se r e c o n h e c e m 4 2 e s p e c i a l i d a d e s m é d i c a s . P o r é m , h á u m a f o r t e c o n c e n t r a ç ã o n a s r e s i d ê n c i a s nas áreas básicas da medicina e e m anestesiologia. O p r o c e s s o d a luta política q u e e m p r e e n d e r a m o s m é d i c o s r e s i d e n t e s p o r m e l h o r e s c o n d i ç õ e s d e a p r e n d i z a g e m e r e m u n e r a ç ã o d i m i n u í r a m drastic a m e n t e a oferta d e vagas, q u e hoje se c o n c e n t r a quase q u e exclusivamente n o s h o s p i t a i s p ú b l i c o s , e s p e c i a l m e n t e o s universitários, q u e a t e n d e m m e n o s d e 1/3 d o s e g r e s s o s d o s c u r s o s m é d i c o s . A s i n s t i t u i ç õ e s assistenciais p r i v a d a s o f e r e c e m m o d a l i d a d e s d e "treinam e n t o e m serviço" o u outras modalidades d e capacitação q u e e s c a p a m das n o r m a s e s t a b e l e c i d a s e , p o r t a n t o , n ã o t ê m o p o d e r d e titular o s e g r e s s o s . O s c u r s o s d e p ó s - g r a d u a ç ã o sensu strictu t ê m c o m o principal objetivo a prepara- ç ã o d e docentes e pesquisadores e não são muito freqüentes c o m o meca- n i s m o p r i m á r i o d e f o r m a ç ã o d e e s p e c i a l i s t a s p a r a a á r e a profissional d a M e dicina. N o P a r a g u a i há u m p r o j e t o d e r e g u l a m e n t a ç ã o d o e x e r c í c i o profission a l e s p e c i a l i z a d o , q u é s e e n c o n t r a a t u a l m e n t e t r a m i t a n d o n o p o d e r legislativ o . E n q u a n t o isso, o s e g r e s s o s d o s c u r s o s m é d i c o s s ã o p r e p a r a d o s a l g u m a s v e z e s n o s s e r v i ç o s d e s a ú d e existentes n o p a í s e , m a i s r a r a m e n t e , e m s e r v i ç o s d e r e f e r ê n c i a sub-regional, n o s p a í s e s v i z i n h o s o u n o s c e n t r o s m a i s d e senvolvidos do mundo. N o U r u g u a i , o M i n i s t é r i o d e S a ú d e o f e r e c e u m n ú m e r o fixo d e 1 0 0 v a gas d e residência, q u e são preenchidas p o r c o n c u r s o nacional. A universidad e t a m b é m p a r t i c i p a d o f i n a n c i a m e n t o d e s t a s v a g a s . Existem t a m b é m c u r s o s d e especialização, fornecidos pelas cátedras e departamentos da Faculdade d e M e d i c i n a , q u e c o n c e d e títulos d e e s p e c i a l i z a ç ã o e m d i f e r e n t e s á r e a s . T a m b é m n o U r u g u a i h á u m a significativa p r o c u r a p e l a c o n t i n u i d a d e d o s e s tudos nos centros tecnologicamente mais desenvolvidos. L I C E N C I A M E N T O E C O N T R O L E D O EXERCÍCIO P R O F I S S I O N A L A existência d e organismos d e controle deontológico e d e regulament a ç ã o a u t ô n o m a d a p r á t i c a é u m a d a s c a r a c t e r í s t i c a s d o p r o c e s s o d e "profissionalização" das ocupações. É habitual q u e completamente e se g e r e m estabelecidas existam naquelas nas o r g a n i z a ç õ e s profissões corporativas, c o m o u m a forma d e defesa contra o charlatanismo. É d e s n e c e s s á r i o m e n c i o n a r q u e esta d e f e s a t a m b é m inclui o s e s t r a n g e i ros, s o b r e o s q u a i s p e s a , p a r a e s s e s o r g a n i s m o s , u m " p e c a d o original", p a r a cuja r e d e n ç ã o d e v e r ã o demonstrar inocência depois d e u m período d e atuação condicional. O s estrangeiros q u e p r o c e d e m d e países o n d e existam c o n v ê n i o s oficiais s ã o a d m i t i d o s n o e x e r c í c i o profissional s e m m a i o r e s d i f i c u l d a d e s , s a l v o u m t r â m i t e f o r m a l . O s q u e r e a l i z a r a m e s t u d o s e m o u t r o s países d e v e m s u b ¬ m e t e r seus p l a n o s d e e s t u d o a c o n s i d e r a ç ã o d e u m a u n i v e r s i d a d e , o n d e s ã o comparados c o m os nacionais e revalidados, c o m exigências q u e p o d e m variar d e c a s o a c a s o . N a q u e l a s s i t u a ç õ e s e m q u e o o r g a n i s m o d e c o n t r o l e d e o n t o l ó g i c o está v i n c u l a d o a o E s t a d o , c o m o n o U r u g u a i , estes m e c a n i s m o s p o d e m ser m o d i f i c a d o s p o r a c o r d o s d i p l o m á t i c o s , m a s s e g u r a m e n t e existirão r e s i s t ê n c i a s à a c e i t a ç ã o d o profissional f o r â n e o e m c o n d i ç õ e s similares a o n a c i o n a l . N a A r g e n t i n a e n o Brasil e s t e s m e c a n i s m o s , d o t i p o c o r p o r a t i v o , p o r é m d e c a r á t e r legal, s ã o d e r e s p o n s a b i l i d a d e e s t a d u a l , p e l o q u e p o d e m s e incluir n a s á r e a s d e interesse d a s j u r i s d i ç õ e s d a s á r e a s d e fronteira n o p r o c e s s o d e i n t e g r a ç ã o . N o P a r a g u a i e n o U r u g u a i e x i s t e m p r o j e t o s e m n í v e l legislativo q u e tocam estes a s p e c t o s , q u e p o d e r i a m vir a integrar u m a a g e n d a d e d i s c u s s ã o que envolvesse parlamentares e organismos corporativos dos diferentes países. U m a c o n d i ç ã o c o m u m a t o d o s o s p a í s e s é q u e n ã o existe r e q u i s i t o a d i c i o n a l à a p r e s e n t a ç ã o d o d i p l o m a p a r a a h a b i l i t a ç ã o d o e x e r c í c i o profissional, tais c o m o e x a m e s d e c a p a c i d a d e feitos p e l o E s t a d o o u p e l a c o r p o r a ç ã o o u , m e s m o , a obrigatoriedade d o serviço social, c o m o o c o r r e na área andina (Bolívia e Peru). O l i c e n c i a m e n t o é definitivo, n ã o h a v e n d o exigências d e recertificação para a f o r m a ç ã o básica, existindo a t u a l m e n t e alguns projetos d e r e c e r t i f i c a ç ã o a p e n a s c o m r e l a ç ã o às e s p e c i a l i d a d e s . N a A r g e n t i n a , as E s c o l a s titulam e a q u e l e s e g r e s s a d o s n a C a p i t a l F e d e ral d e v e m registrar s e u s d i p l o m a s n a S e c r e t a r i a d e S a ú d e d a N a ç ã o , o q u e o s habilita p a r a o e x e r c í c i o profissional. N o s E s t a d o s , o registro a c o n t e c e nas S e c r e t a r i a s (Estaduais) d e S a ú d e o u n o s C o l é g i o s M é d i c o s p o r d e l e g a ç ã o d a s primeiras. E m r e l a ç ã o às e s p e c i a l i d a d e s m é d i c a s , há três i n s t â n c i a s q u e h a b i litam p a r a s e u e x e r c í c i o , q u e s ã o as u n i v e r s i d a d e s , as a s s o c i a ç õ e s e c o l é g i o s profissionais e d e t e r m i n a d o s s e r v i ç o s c r e d i t a d o s p a r a tal f i n a l i d a d e . Estão atualmente reconhecidas pela D i r e ç ã o N a c i o n a l d e R e g u l a ç ã o e C o n t r o l e d o E x e r c í c i o Profissional e d e E s p e c i a l i d a d e s M é d i c a s d a S e c r e t a r i a d e S a ú d e d a Argentina 63 especialidades m é d i c a s e 7 pediátricas, o q u e s o m a u m total d e 7 0 e s p e c i a l i d a d e s . Existe u m p r o j e t o d e r e c e r t i f i c a ç ã o d o e x e r c í c i o d e e s pecialidades a cada cinco anos, ainda n ã o regulamentado nacionalmente. E m C ó r d o b a , a r e c e r t i f i c a ç ã o d e e s p e c i a l i d a d e s existe há trinta a n o s , c o m e x a m e s r i g o r o s o s e b a n c a s p a g a s p e l a instituição d e o n t o l ó g i c a . O controle é t i c o d o e x e r c í c i o profissional está e m p r i n c í p i o a c a r g o d o s c o n s e l h o s p r o fissionais. N o Brasil, as E s c o l a s , s e j a m p ú b l i c a s o u p r i v a d a s , e m i t e m o s d i p l o m a s q u e d e v e m ser registrados n o s C o n s e l h o s R e g i o n a i s d a r e s p e c t i v a p r o f i s s ã o , a u t a r q u i a s p ú b l i c a s r e s p o n s á v e i s p e l o c o n t r o l e é t i c o d o e x e r c í c i o profissional. N ã o há n e c e s s i d a d e d e r e v a l i d a r o título d u r a n t e t o d a a v i d a p r o f i s s i o n a l . N o c a s o d a M e d i c i n a e d a O d o n t o l o g i a , as e s p e c i a l i d a d e s d e v e m ser i g u a l m e n t e registradas n o s C o n s e l h o s e s ã o o b t i d a s a t r a v é s d a r e a l i z a ç ã o d e resid ê n c i a s o u c u r s o s d e p ó s - g r a d u a ç ã o sensu strictu o u d e outras modalidades. Em Medicina se r e c o n h e c e agora u m l e q u e d e 54 especialidades e, em Odontologia, 14. P a u l a t i n a m e n t e , tende-se a exigir n o s c o n c u r s o s p ú b l i c o s o s registros d e especialistas pelos C o n s e l h o s , o q u e t e m levado à valorização dos m e c a n i s m o s f o r m a i s d e e s p e c i a l i z a ç ã o . O u t r a f o r m a d e o b t e n ç ã o d o registro d e e s p e c i a l i s t a é a c o m p r o v a ç ã o d o e x e r c í c i o profissional p o r u m t e m p o d e t e r m i n a d o , o q u e n ã o p a s s a d e u m m e c a n i s m o m a r g i n a l e m r e l a ç ã o às d e m a i s modalidades. N o U r u g u a i , o título o b t i d o n o país o u o título d o exterior r e v a l i d a d o d e v e ser r e g i s t r a d o e m d i v i s ã o d e c o o r d e n a ç ã o e c o n t r o l e d o M i n i s t é r i o d e S a ú d e , q u e habilita p a r a o e x e r c í c i o e m t o d o o país. A d i c i o n a l m e n t e , o s p r o fissionais q u e d e s e j e m realizar o e x e r c í c i o profissional d e v e m s e registrar n a C a i x a d e A p o s e n t a d o r i a s e P e n s õ e s d e profissionais universitários. Existe u m a lei d e e s p e c i a l i d a d e s m é d i c a s q u e regula s e u e x e r c í c i o , r e c o n h e c i d a pelas Escolas d e G r a d u a ç ã o , q u e estabelece c o m o obrigatório o registro c o m o e s p e c i a l i s t a p a r a o e x e r c í c i o legal d e f u n ç õ e s p ú b l i c a s o u privadas. Desta maneira, o exercício das especialidades é regulamentado e p o d e ser s a n c i o n a d o d a m e s m a f o r m a q u e o e x e r c í c i o d a M e d i c i n a . A f u n ç ã o d o controle ético é exercida pela C o m i s s ã o Honorária d e S a ú d e Pública, d o Ministério d e S a ú d e , q u e funciona desde 1934. N o P a r a g u a i existe o D e p a r t a m e n t o d e C o n t r o l e Profissional d o M i n i s t é r i o d a S a ú d e , q u e registra e habilita para o e x e r c í c i o profissional, d e s d e q u e c u m p r i d a s determinadas exigências formais, c o m o a apresentação d o dip l o m a e p a g a m e n t o d e taxas. Este D e p a r t a m e n t o c o n t r o l a t a m b é m o s a s p e c t o s é t i c o s d a p r á t i c a profissional p e l a a p l i c a ç ã o d o C ó d i g o S a n i t á r i o . P a r a o s p r o f i s s i o n a i s f o r m a d o s n o exterior s e e x i g e a r e v a l i d a ç ã o d e d i p l o m a pela Universidade d e Assunção. A s especialidades continuam aguardando a sanç ã o d e u m a lei p e l o C o n g r e s s o , a i n d a n ã o a p r o v a d a , q u e e s t a b e l e c e a a s s o c i a ç ã o c o m p u l s ó r i a d o s profissionais. M E R C A D O S DE TRABALHO E EMPREGO U m d o s impactos mais diretos d o M E R C O S U L nos recursos h u m a n o s há d e s e t r a d u z i r n a livre c i r c u l a ç ã o d e mão-de-obra e n t r e o s países signatários. T r a t a n d o - s e d e mão-de-obra c o m u m a q u a l i f i c a ç ã o m u i t o particular, sua circ u l a ç ã o p o d e produzir modificações e m diversos c a m p o s , desde m u d a n ç a s na e q u a ç ã o e c o n ô m i c a d o s serviços d e saúde, até a introdução d e novas p r á t i c a s assistenciais nas r e g i õ e s e m q u e n ã o existia u m desenvolvimento prévio. Esta c i r c u l a ç ã o d e v e r i a , d e a c o r d o c o m as leis d o m e r c a d o , c o n t r i b u i r p a r a a r e p a r a ç ã o d o s d e s e q u i l í b r i o s d e o f e r t a e d e m a n d a d e mão-de-obra, p e r m i t i n d o a s o l u ç ã o d e e x c e s s o s o u d e f e i t o s e r e g u l a n d o o c u s t o d o insu¬ m o h u m a n o na e q u a ç ã o da p r o d u ç ã o d e serviços. Entretanto, é c o n h e c i d a a i n s u f i c i ê n c i a d a s leis d e m e r c a d o p a r a e x p l i c a r as v a r i a ç õ e s d e oferta, de¬ m a n d a e p r e ç o d o p e s s o a l e m s a ú d e . A baixa e l a s t i c i d a d e d o s m e c a n i s m o s d e f o r m a ç ã o , o p a p e l s o c i a l d a s p r o f i s s õ e s d a s a ú d e , as v i n c u l a ç õ e s e n t r e a l g u m a s profissões e o s p a p é i s m a s c u l i n o e f e m i n i n o , o s m e c a n i s m o s c o r p o r a tivos, e n t r e o u t r o s f a t o r e s , e x p l i c a m a f o r m a ç ã o d e significativos d e s e q u i l í brios e n t r e a d i s p o n i b i l i d a d e e a u t i l i z a ç ã o d e p e s s o a l . Estes d e s e q u i l í b r i o s t ê m e m geral u m c a r á t e r sub-regional, c o e x i s t i n d o e m c a d a país z o n a s d e o f e r t a e x c e s s i v a c o m z o n a s d e déficit. Isto n ã o p e r m i te a n t e c i p a r q u e a livre c i r c u l a ç ã o d e p e s s o a l a t r a v é s d a s f r o n t e i r a s n a c i o n a i s v e n h a a contribuir d e forma substantiva para solucionar os desequilíbrios existentes, e n e m s e q u e r p o d e r i a s e afirmar q u e o s m e s m o s n ã o i r ã o s e a g r a var. P r o v a v e l m e n t e , o T r a t a d o d e A s s u n ç ã o p e r m i t i r á u m a m a i o r l i b e r d a d e d e e s c o l h a p a r a o s profissionais, q u e p o d e r ã o e l e g e r o â m b i t o d e a ç ã o , s e m passar p e l o s atuais f e n ô m e n o s d e exílio, a l é m d e o f e r e c e r n o v a s o p ç õ e s d e s o l u ç ã o a s i t u a ç õ e s transitórias d e e s c a s s e z . O s d i a g n ó s t i c o s d e e x c e s s o d e m é d i c o s nas á r e a s m e t r o p o l i t a n a s , d e falta d e e n f e r m a g e m profissional e m n í v e l d o país, d e d e s i g u a l d a d e s u r b a n o rural d e d i s t r i b u i ç ã o d e profissões s ã o c o m u n s a o s q u a t r o p a í s e s . S e r i a r e c o m e n d á v e l realizar u m e s t u d o c o m p a r a t i v o s o b r e o s m e r c a d o s d e t r a b a l h o d e m é d i c o s , d e e n f e r m a g e m e d e o d o n t ó l o g o s nas d i f e r e n t e s z o n a s q u e c o m p õ e m a á r e a a integrar, p r o c u r a n d o estruturar u m s i s t e m a d e m o n i t o r i z a ç ã o d e variáveis d e oferta, d e m a n d a e d e s e m p e n h o profissional. A s d i f e r e n t e s m o d a l i d a d e s d e e m p r e g o profissional t e m e s p e c i a l t r a n s cendência na c o n f i g u r a ç ã o d e s t e m e r c a d o a m p l i a d o d e t r a b a l h o . Existem i n ú m e r a s v a r i á v e i s , d e s d e a p r á t i c a profissional liberal a t é o a s s a l a r i a m e n t o , p a s s a n d o p o r s i s t e m a s mistos o u d e r e p a r t i ç ã o d e riscos, tais c o m o a c a p a c i tação o u a associação dos prestadores e m cooperativas. U m estudo detalhad o d a s d i f e r e n t e s o p ç õ e s d e e m p r e g o p o d e servir c o m o a p o i o p a r a o d e s e n volvimento d e n o v o s e s q u e m a s d e organização d o trabalho e c o m p a r a r as v a n t a g e n s d e c a d a u m . P o d e , a d e m a i s , flexibibilizar as r e l a ç õ e s e n t r e e m p r e g a d o r e s e e m p r e g a d o s a o i n t r o d u z i r n o menu d e n e g o c i a ç ã o f o r m a s bem-su¬ c e d i d a s e m o u t r a s r e a l i d a d e s , q u e p o s s a m ser a v a l i a d a s e a d a p t a d a s . O mercado d e t r a b a l h o médico C o m o p o d e ser visto n a T a b e l a 2, a d i s p o n i b i l i d a d e d e m é d i c o s o b s e r vada através da relação médicos/10.000 hab. é muito diferenciada entre o s países, o n d e o U r u g u a i ( 3 1 . 0 ) e a A r g e n t i n a ( 2 6 . 0 ) s e e n c o n t r a m e m v a n t a g e m a n t e o P a r a g u a i ( 7 . 7 ) , e n q u a n t o o Brasil s e l o c a l i z a e m p o s i ç ã o i n t e r m e diária ( 1 3 . 3 ) . Esta s i t u a ç ã o e x p r e s s a t a m b é m a g r a n d e d i f e r e n ç a e n t r e as f o r m a s d e organização d o s sistemas d e s a ú d e e a sua cobertura (extensão e e q ü i d a d e ) . É previsível q u e n o Paraguai subsistam ainda s e m c o b e r t u r a p a t o l o g i a s o u a t e n d i m e n t o s d e "alta c o m p l e x i d a d e " . determinadas O p r o c e s s o d e f e m i n i z a ç ã o é s e m e l h a n t e e m t o d o s os países, u m a m é - dia d e 3 0 % . N o U r u g u a i as m u l h e r e s r e p r e s e n t a m agora 4 0 , 2 % da força d e trabalho m é d i c o . Nos quatro países há uma concentração geográfica de profissionais m é d i c o s nas capitais o u e m áreas d e maior d e s e n v o l v i m e n t o s o c i o e c o n ô m i c o (regiões metropolitanas): a Capital Federal e a G r a n d e B u e n o s Aires c o n centram 5 4 % dos médicos argentinos; a o m e s m o tempo, M o n t e v i d é u e Ass u n ç ã o t ê m d e 8 0 a 8 2 % d a t o t a l i d a d e d o s m é d i c o s d e s e u s r e s p e c t i v o s países. A região S u d e s t e (estados d e S ã o Paulo, Rio d e Janeiro e M i n a s Gerais) s ã o r e s p o n s á v e i s p e l a l o c a l i z a ç ã o d e 6 1 % d o s m é d i c o s e , se a n e x a r m o s a r e gião Sul, a c o n c e n t r a ç ã o alcança 7 4 % . E m t o d o s os países o c o r r e u m a tendência a o assalariamento, o n d e se d e s t a c a m o Brasil ( c o m 6 1 % ) e o U r u g u a i ( c o m 7 4 % ) . A p r á t i c a p r i v a d a n ã o c h e g a a estar e m v i a s d e d e s a p a r e c i m e n t o , p o r é m p e r d e e s p a ç o n o m e r c a d o d e trabalho. E s t u d o s r e c e n t e s m o s t r a m u m a taxa d e d e s e m p r e g o d e 7 % no Uru- guai. N a Argentina é d e 9 , 1 % (para a região d e Rosário) n o primeiro a n o e 5 , 2 % no s e g u n d o a n o após a graduação. N o Uruguai, u m estudo recente sobre o subemprego d o s m é d i c o s m o s t r o u taxas d e 14 a 2 8 % n a s d i v e r s a s áreas d o país. O m u l t i e m p r e g o é u m a t e n d ê n c i a g e r a l , c o m m é d i a s d e 1,8 empregos p o r m é d i c o p a r a o Brasil e d e 2,6 p a r a o U r u g u a i . Isto reflete u m e s f o r ç o d e s u p e r a ç ã o d o s b a i x o s salários. N o B r a s i l , i n f o r m a ç õ e s r e c e n t e s m o s t r a m u m a g r a n d e v a r i a ç ã o d o s nív e i s salariais, q u e s ã o d e 6 0 a 2 0 0 U S D , a p r o x i m a d a m e n t e , n a s S e c r e t a r i a s d e S a ú d e e s t a d u a i s ( p o u c a s t ê m salários a c i m a d e 2 0 0 U S D ) , e n q u a n t o o s salários d o I N A M P S / M i n i s t é r i o d e S a ú d e situam-se e n t r e 5 0 0 a 7 5 0 U S D . H á u m a t e n d ê n c i a a p a r e n t e m e n t e irreversível para a e s p e c i a l i z a ç ã o : o Brasil t e m 5 7 % d e m é d i c o s e s p e c i a l i s t a s , a A r g e n t i n a 6 9 % e o U r u g u a i 9 0 % . N o P a r a g u a i a i n d a n ã o existe u m s i s t e m a d e registro d o s e s p e c i a l i s t a s . O e m p r e g o n o s e t o r p ú b l i c o é m a j o r i t á r i o n o Brasil ( 5 5 % ) e r e p r e s e n t a 1/3 d a s v a g a s d e t r a b a l h o n o U r u g u a i e n o P a r a g u a i . O mercado de trabalho dos odontólogos A disponibilidade da força d e trabalho odontológica é mais h o m o g ê n e a n o s q u a t r o p a í s e s d a sub-região, c o m o p o d e se o b s e r v a r na T a b e l a 2. E n t r e t a n t o , e x i s t e m d e n o m i n a d o r e s c o m u n s , tais c o m o : a t e n d ê n c i a p a r a a composição feminina da profissão, a c o n c e n t r a ç ã o nas capitais e grandes c e n t r o s u r b a n o s d o s p a í s e s ( s e n d o i n t e r e s s a n t e q u e n o c a s o p a r a g u a i o a dist r i b u i ç ã o d o s t é c n i c o s d e n t a i s s e l o c a l i z a na sua m a i o r i a n o interior d o país) e a m o d a l i d a d e d o m i n a n t e d e p r á t i c a p r i v a d a liberal. Esta m o d a l i d a d e d e p r á t i c a d o m i n a n t e é significativa n o s q u a t r o p a í s e s , c h e g a n d o a 5 4 % o t r a b a l h o e x c l u s i v o n o â m b i t o p r i v a d o liberal n a A r g e n t i n a e n o Brasil. Este é u m d a d o a c o n s i d e r a r e m u m a linha d e t r a b a l h o o r i e n t a d a pela e q ü i d a d e e a universalização da cobertura para a p o p u l a ç ã o , c o n s i d e rando a escassa ênfase atribuída à s a ú d e oral pelas políticas d e s a ú d e d o s d i versos governos. O mercado d e trabalho d o pessoal d e E n f e r m a g e m T e m sido a p o n t a d a a d i v e r s i d a d e e c o m p l e x i d a d e d a e s t r u t u r a d a f o r ç a d e t r a b a l h o d e E n f e r m a g e m n o s p a í s e s d a sub-região, o q u e s e c o m p l i c a p e l a existência ( o u n ã o ) d e profissionais d a á r e a d e o b s t e t r í c i a d i f e r e n c i a d o s d o s d e e n f e r m a g e m e m d e t e r m i n a d o s p e r í o d o s h i s t ó r i c o s . Esta d i v e r s i d a d e q u a l i tativa t e m o s e u c o r r e l a t o n a d i s p o n i b i l i d a d e d e s t e p e s s o a l , c o m o p o d e s e r a p r e c i a d o na T a b e l a 1 . E m geral, estes d a d o s e x p r e s s a m déficits p a r a o c o n j u n t o d o s p a í s e s , g r a v e n o q u e se r e f e r e a o p e s s o a l d e q u a l i f i c a ç ã o s u p e r i o r , o q u e c a r a c t e r i z a u m a estrutura b á s i c a d e s q u a l i f i c a d a . Esta estrutura reflete a e s c a s s a hierarq u i a t é c n i c a e a baixa v a l o r i z a ç ã o s o c i a l q u e r e c e b e a p r o f i s s ã o . O déficit q u a n t i t a t i v o é p a r t i c u l a r m e n t e p r e o c u p a n t e n o c a s o d a A r g e n tina: a i n f o r m a ç ã o c e n s i t á r i a d i s p o n í v e l r e v e l a a d i m i n u i ç ã o d e 4 0 % e p e s q u i sas m a i s dirigidas a p o n t a m u m a i m p o r t a n t e i m i g r a ç ã o p a r a o e x t e r i o r d o p e s soal m a i s q u a l i f i c a d o . N a sub-região, c o m o e m t o d a s p a r t e s , a e n f e r m a g e m é u m a p r o f i s s ã o f e m i n i n a na sua m a i o r i a ( e n t r e 8 3 % d e m u l h e r e s n a A r g e n t i n a e q u a s e 9 5 % n o Brasil) q u e , c o m o a m a i o r i a d a s c a t e g o r i a s profissionais, t e n d e a s e c o n centrar nas grandes cidades. É u m a p r á t i c a e x c l u s i v a m e n t e d e p e n d e n t e e assalariada, q u e a t u a l m e n te t e m níveis d e m u l t i e m p r e g o e s u b e m p r e g o v a r i á v e i s p o r é m significativos e c o m difíceis c o n d i ç õ e s d e t r a b a l h o n o s q u a t r o p a í s e s . S e m d ú v i d a , esta c a t e g o r i a profissional m e r e c e u m a a t e n ç ã o e s p e c i a l e políticas integrais d e d e s e n v o l v i m e n t o quantitativo e qualitativo urgentes, tanto nos processo d e f o r m a ç ã o c o m o nos serviços e c o n d i ç õ e s d a sua prática, s e m o q u e o p r o c e s s o d e i n t e g r a ç ã o p o d e r á a g r a v a r o s d e s e q u i l í b r i o s e d e f i c i ê n c i a s já existentes. O mercado de outras profissões N o s e s t u d o s r e a l i z a d o s n ã o foi p o s s í v e l verificar a s i t u a ç ã o d a s d e m a i s profissões d a s a ú d e . É c o n h e c i d o q u e a l g u m a s d e l a s t ê m i m p o r t â n c i a e s p e cial e m u m c o n t e x t o d e u m m e r c a d o c o m u m , c o m o é o c a s o d a m e d i c i n a v e t e r i n á r i a , a n u t r i ç ã o , a f a r m á c i a - b i o q u í m i c a e a e n g e n h a r i a sanitária. E m a l g u n s c a s o s , as p r e o c u p a ç õ e s atuais c o m o p r o b l e m a d e a l i m e n t o s e a e p i d e mia d o c ó l e r a p õ e m e m e s p e c i a l d e s t a q u e estas p r o f i s s õ e s . P o r isto, seria f o r ¬ t e m e n t e r e c o m e n d á v e l q u e essas e as d e m a i s profissões d e s a ú d e f o s s e m i g u a l m e n t e e s t u d a d a s p a r a futuras o c a s i õ e s . REPRESENTAÇÃO CORPORATIVA N ã o m e n o s transcendente q u e os temas revisados antes é a a ç ã o da r e p r e s e n t a ç ã o social d e c a d a profissão. D e l a deriva o p e s o específico que t e m n a s o c i e d a d e e , p o r t a n t o , n a s d e c i s õ e s d o g o v e r n o q u e as afeta, m a s t a m b é m influirá n a o r i e n t a ç ã o d e s e u s o r g a n i s m o s d e c l a s s e e , s u b s e q ü e n t e m e n t e , n o seu p o d e r d e pressão. Talvez, n u m a primeira etapa, os organismos d e representação sejam os principais interessados nos processos d e integração d e m e r c a d o s d e trabal h o e n o l i c e n c i a m e n t o e c o n t r o l e profissional. D e fato, a t é o m o m e n t o t a n t o o Círculo Paraguaio d e M é d i c o s , o Sindicato M é d i c o do Uruguai e Sindicat o s e A s s o c i a ç õ e s a r g e n t i n a s e brasileiras t ê m r e a l i z a d o c o n t a t o s c o m seus p a r e s a fim d e m e l h o r a r s u a v i s ã o d o p a n o r a m a f u t u r o . S e b e m q u e exista u m a t e n d ê n c i a d e f e n s i v a natural nessas o r g a n i z a ç õ e s , elas n ã o p o d e m e v i t a r q u e seus m e m b r o s se sintam incentivados pelas oportunidades q u e u m merc a d o d e t r a b a l h o a m p l i a d o o f e r e c e e , d e q u a l q u e r m a n e i r a , lutarão p a r a q u e as aberturas sejam recíprocas. U m a s p e c t o p a r t i c u l a r está c o n s t i t u í d o p e l o i m p a c t o q u e terá a integraç ã o n o s m e c a n i s m o s habituais d e conflito e n e g o c i a ç ã o . E m outras áreas e c o n ô m i c a s , a i n t e g r a ç ã o e m p r e s a r i a l i m p e l e a i n t e g r a ç ã o sindical, q u e p o d e ser facilitada p e l o s o r g a n i s m o s d e c o o r d e n a ç ã o n a c i o n a l d e t r a b a l h a d o r e s . N o c a s o d o s p a í s e s g r a n d e s t e r ã o t a m b é m t r a n s c e n d ê n c i a as a g r u p a ç õ e s r e g i o n a i s limítrofes. N o s c a s o s e m q u e existe u m s i s t e m a d e r e g u l a m e n t a ç ã o oficial d o m e r c a d o d e t r a b a l h o e m s a ú d e , c o m o n o U r u g u a i , o i m p a c t o d e n o v a s realidad e s d e v e r á ser c o n s i d e r a d o , l e v a n d o e m c o n t a t a m b é m q u e e x i s t e m esforç o s oficiais d e d e s r e g u l a m e n t a ç ã o d o m e r c a d o d e t r a b a l h o . ARGENTINA: SITUAÇÃO DOS RECURSOS HUMANOS EM SAÚDE Mónica C. Abramzón INTRODUÇÃO A Argentina - c o m o t o d o s o s países da A m é r i c a Latina - enfrenta, d e s d e o início da d é c a d a d e 9 0 , u m a persistente recessão e c o n ô m i c a q u e v e m d e t e r m i n a n d o m u d a n ç a s c a d a v e z m a i s p r o f u n d a s n a sua estrutura s o c i a l . 1 A tentativa d e s u p e r a r a c r i s e d a d é c a d a d e 8 0 foi b a s e a d a n a a p l i c a ç ã o d e s e v e r a s políticas d e ajuste q u e a f e t a r a m as c o n d i ç õ e s d e v i d a d e a m plos setores da p o p u l a ç ã o , a u m e n t a n d o ainda mais os níveis d e emprego p r e c á r i o e d e s e m p r e g o , p r o v o c a n d o u m a q u e d a geral n o nível d e r e n d a e , por conseqüência, o crescimento dos índices de p o b r e z a . 2 E m f u n ç ã o disso, é v á l i d o e s p e r a r , a m é d i o p r a z o , m o d i f i c a ç õ e s n a s c o n d i ç õ e s d e s a ú d e d a p o p u l a ç ã o , q u e p o d e m ser d i m e n s i o n a d a s a partir d a 1 A título de exemplo, m e n c i o n a m o s os seguintes dados, referentes à Argentina: o PIB por habitante caiu 2 3 , 5 % entre 1981 e 1989; o d e s e m p r e g o urbano aberto passou d e 2,6 a 6,5 d e taxa média anual entre 1980 e 1988 (CEPAL: Transformación Productiva con Equidade, Chile, 1990). 2 Segundo os dados da Encuesta Permanente de Hogares d o INDEC para 1988, a e v o l u ç ã o da pobreza na G r a n d e B u e n o s Aires registra um crescimento d e 7 3 % sobre 1980. t e n d ê n c i a , q u e já s e faz sentir, d o r e s s u r g i m e n t o d e perfis e c a u s a s d e m o r t a l i d a d e e m o r b i d a d e q u e h i s t o r i c a m e n t e supunha-se já t e r e m s i d o e l i m i n a d o s . U m a d a s r e p e r c u s s õ e s d a i m p l e m e n t a ç ã o d a s políticas d e ajuste q u e mais depressa a p a r e c e o c o r r e no m e r c a d o d e trabalho. Essas p o l í t i c a s a f e t a r a m t a m b é m o s e t o r s a ú d e , r e f o r ç a n d o a t r a d i c i o n a l falta d e c o o r d e n a ç ã o intra- e intersetorial, d e t e r i o r a n d o a i n d a m a i s o s serviç o s e a q u a l i d a d e d e s u a p r e s t a ç ã o , r e s u l t a n d o daí u m a g r a n d e i n e f i c i ê n c i a das ações. E m t e r m o s a d m i n i s t r a t i v o s , g r a n d e p a r t e d o s r e c u r s o s p ú b l i c o s existentes está s o b j u r i s d i ç ã o p r o v i n c i a l 3 e d e a l g u n s m u n i c í p i o s m a i o r e s . E m nível n a c i o n a l , s u a g e s t ã o está s o b a r e s p o n s a b i l i d a d e d o M i n i s t é r i o d a S a ú d e e A ç ã o Social, q u e , através da Secretaria d e S a ú d e , exerce certas funções d e r e g u l a ç ã o e c o o r d e n a ç ã o c o m as p r o v í n c i a s . O c e r n e d a s d e c i s õ e s r e f e r e n tes a o s i s t e m a d e s a ú d e p a s s a p e l o m a n e j o d o s r e c u r s o s f i n a n c e i r o s , o n d e se d e s t a c a o p a p e l d o Sistema Único de Seguridad Social (suss) c o m o ó r g ã o d e c o o r d e n a ç ã o e redistribuição da seguridade social . 4 A partir d a r e c e n t e d e s r e g u l a m e n t a ç ã o d a a f i l i a ç ã o às " o b r a s sociais" e d o s m e c a n i s m o s d e c o n t r a t a ç ã o , o m o d e l o a n t e r i o r d e três s u b s e t o r e s b e m d i f e r e n c i a d o s está m u d a n d o v e r t i g i n o s a m e n t e , verificando-se u m a p r o f u n d a r e f o r m u l a ç ã o na relação d o Estado c o m a s o c i e d a d e , d e v i d o a o crescente afastamento d o setor público da sustentação d o setor saúde. A s obras sociais v i s a m a e f i c i ê n c i a e a p r o d u t i v i d a d e , o s hospitais p ú b l i c o s d e s e n v o l v e m u m a "privatização periférica" e diversas modalidades d e s u b e m p r e g o alcanç a m legitimação. N e s s e c o n t e x t o , as p r á t i c a s e m s a ú d e q u e h i s t o r i c a m e n t e s e c a r a c t e r i z a r a m por u m importante excesso d e p r o c e d i m e n t o s cirúrgicos e laboratoriais, b e m c o m o t é c n i c a s c o m p l e x a s d e d i a g n ó s t i c o , i n c e n t i v a m a u t i l i z a ç ã o d e t e c n o l o g i a s s e m u m a a v a l i a ç ã o a d e q u a d a d e sua p e r t i n ê n c i a . E m estreita v i n c u l a ç ã o c o m a s m o d i f i c a ç õ e s o c o r r i d a s n o s s e r v i ç o s d e s a ú d e , registram-se m u d a n ç a s i m p o r t a n t e s n o m e r c a d o d e t r a b a l h o . E m term o s g e r a i s , o b s e r v a - s e e m t o d a s as c a t e g o r i a s u m a forte t e n d ê n c i a à e s p e c i a lização, coincidindo c o m a incorporação tecnológica. A o m e s m o t e m p o , a diminuição generalizada da remuneração determin a m e n o r q u a l i f i c a ç ã o e m e n o r d e d i c a ç ã o n o resto d a s c a t e g o r i a s o c u p a c i o nais, p o r q u a n t o o p r o f i s s i o n a l p r e c i s a p r o c u r a r o u t r a s alternativas p a r a a s s e gurar sua renda. 3 "provincial" = "estadual": uma Provincia na República Argentina equivale a um Estado no Brasil. ( N . da T.) 4 Esse sistema, atualmente dentro da órbita d o Ministério d o Trabalho, substitui, desde fins d e 1 9 9 1 , a ANSAL (Administración Nacional sua v e z substituiu o INOS (Instituto de Seguro Nacional Social de Obras de Salud) criada e m 1988, q u e por Sociales), existente desde 1969. A c o m b i n a ç ã o dessas situações gera ineficiência e baixa q u a l i d a d e na prestação dos serviços, sobretudo no subsetor público e n o subsetor das " o b r a s sociais", q u e a t e n d e m p r i n c i p a l m e n t e a o s g r u p o s d e m e n o r r e n d a . P o r o u t r o l a d o , c o m o o b s e r v a m N o g u e i r a e B r i t o , a partir d a d é c a d a d e 80 cresceu d e maneira m a r c a n t e a participação das mulheres n o setor. E m b o r a a p r o p o r ç ã o f e m i n i n a h á m u i t o seja i m p o r t a n t e n o s n í v e i s m e n o s h i e r a r q u i z a d o s ( e n f e r m a g e m , auxiliares), a t u a l m e n t e ela t e m a u m e n t a d o também nas categorias mais qualificadas . 5 D e m o d o g e r a l , observa-se o i n c r e m e n t o d o t r a b a l h o a s s a l a r i a d o e u m a e l e v a d a p r o p o r ç ã o d e e m p r e g o s múltiplos e s u b e m p r e g o s . E m síntese, pode-se afirmar q u e n ã o existe n o país u m a c o n t e x t u a l i z a ç ã o adequada da problemática no c a m p o dos recursos h u m a n o s q u e , levand o e m c o n t a a c o n f l i t i v i d a d e d o setor, possibilite u m a a ç ã o p l a n e j a d a a s e r v i ç o d a s n e c e s s i d a d e s s o c i a i s . C o m o c o n s e q ü ê n c i a , o m e r c a d o é a ú n i c a instância reguladora d o q u e o f e r e c e m determinados atores c o m interesses específicos no setor - interesses q u e o b v i a m e n t e n ã o c o i n c i d e m c o m os interesses d o s r e c u r s o s h u m a n o s e m s a ú d e , n e m c o m o s d a p o p u l a ç ã o p o r e l e s atendida. A FORÇA DE T R A B A L H O D O SETOR É p r e c i s o assinalar m a i s u m a v e z q u e n ã o é p o s s í v e l e s t a b e l e c e r com p r e c i s ã o a d i m e n s ã o real d a f o r ç a d e t r a b a l h o d o s e t o r , seja d e f o r m a g l o b a l , seja p a r a c a d a u m a d a s d i f e r e n t e s c a t e g o r i a s profissionais q u e a c o m p õ e m . C o m o já é s a b i d o , a última i n f o r m a ç ã o o b j e t i v a é d e 1 9 8 0 e c o r r e s p o n de ao Censo d e Pessoal e a o Cadastro Nacional de Recursos e Serviços para a S a ú d e ( C A N A R E S S A ) . A m b o s , p o r m o t i v o s distintos - o C e n s o , p o r q u e o m a p e a m e n t o incluiu a p e n a s pessoas q u e trabalhavam e m instituições d e serviç o s , e o C a d a s t r o , p o r q u e registrou p o s t o s d e t r a b a l h o , e n ã o p e s s o a s - n ã o c o n s t i t u e m u m a b a s e s e g u r a p a r a q u e a partir d e l e s seja c a l c u l a d a a a t u a l d i m e n s ã o d o setor. Por outro lado, n e m o C e n s o Nacional da P o p u l a ç ã o d e 1 9 9 1 , n e m a Encuesta Permanente cas y Censos de Estadísti- ( I N D E C ) realiza p o r a m o s t r a g e m n o s c o n g l o m e r a d o s de Hogares ( E P H ) q u e o Instituto Nacional urbanos mais importantes, c o m periodicidade bianual, p e r m i t e m obter d a d o s referentes a o n ú m e r o d e p e s s o a s p o r c a t e g o r i a t r a b a l h a n d o n o s e t o r . N a tabela da E P H c o r r e s p o n d e n t e a o m ê s d e o u t u b r o d e 1 9 9 1 , e a p e nas p a r a a G r a n d e B u e n o s A i r e s , foi i n t r o d u z i d a u m a n o v a c o d i f i c a ç ã o q u e permite saber o n ú m e r o d e assalariados e m e s t a b e l e c i m e n t o s d e s a ú d e segundo a hierarquia o c u p a c i o n a l e o t a m a n h o d o estabelecimento. 5 Nogueira, R. Passos e Brito, P. L: Recursos Médica Humanos y Salud, V o l . 20, n . 3, OPSOMS, 1986. o en Salud de las Américas. Educación M e s m o a s s i m , a p o s s i b i l i d a d e d e obter-se i n f o r m a ç ã o a partir d o C e n s o N a c i o n a l d e 1 9 9 1 fica p r e j u d i c a d a p o r q u e , p o r m o t i v o s o r ç a m e n t á r i o s , n ã o f o r a m feitas - e m b o r a t e c n i c a m e n t e f o s s e p o s s í v e l - as t a b u l a ç õ e s c o r r e s p o n d e n t e s aos dados básicos d e cada o c u p a ç ã o . Desse m o d o , e e m ocasião a i n d a n ã o p r e v i s t a , o C e n s o permitiria c o n h e c e r a p e n a s o n ú m e r o d e p e s s o a s q u e p r e s t a m s e r v i ç o s n o s e t o r p o r g r a n d e s g r u p o s (profissionais, t é c n i cos, agentes, administradores) s e m distinção d e categoria. P o r o u t r o l a d o , a i n f o r m a ç ã o p r o d u z i d a p o r d i v e r s a s instituições d o s e t o r s a ú d e e a s s o c i a ç õ e s s i n d i c a i s o u profissionais, e m b o r a seja e m g e r a l m a i s a t u a l i z a d a , t e m o i n c o n v e n i e n t e d e n e m s e m p r e utilizar c a t e g o r i a s c o m p a t í v e i s , a l é m d a p o s s i b i l i d a d e d e c o n t e r d u p l i c a ç õ e s o u d e ser i n c o m p l e t a . T r a ta-se, p o r é m , d a e s t i m a t i v a m a i s p r ó x i m a p o s s í v e l d a d i m e n s ã o d a f o r ç a d e trabalho n o setor. H o j e e m d i a é difícil c o n h e c e r c o m c e r t e z a a P o p u l a ç ã o Economica- m e n t e A t i v a ( P E A ) g l o b a l , já q u e o s d a d o s d o C e n s o N a c i o n a l d e P o p u l a ç ã o d e 1991 ainda n ã o f o r a m totalmente processados. S e g u n d o os d a d o s parciais d i s p o n í v e i s e as e s t i m a t i v a s d o p r ó p r i o I N D E C , a P E A a b r a n g e r i a 13 m i l h õ es d e p e s s o a s ; dessas, c e r c a d e 4 3 3 . 0 0 0 trabalhariam hoje e m dia n o setor s a ú d e , isto é , 3 , 3 % d a P E A g l o b a l ( T a b e l a 1). Esse d a d o i n d i c a r i a u m e s t a n c a m e n t o n a p a r t i c i p a ç ã o relativa d a P E A d e s a ú d e n a P E A g l o b a l e m n í v e i s histór i c o s e q u i v a l e n t e s a o s d e 1 9 8 0 ( 2 , 9 % ) . Esta p e r c e n t a g e m , p o r sua v e z , r e p r e s e n t a u m r e t r o c e s s o e m r e l a ç ã o às e s t i m a t i v a s r e a l i z a d a s e m 1 9 8 8 c o m b a s e nas tendências verificadas d e s d e 1984 n o setor serviços da e c o n o m i a argentina . 6 S e g u n d o o s d a d o s d i s p o n í v e i s n o m o m e n t o , e s o b r e u m a P E A total d e 1 0 m i l h õ e s d e p e s s o a s , foi c a l c u l a d o q u e o s e t o r s a ú d e o c u p a v a c e r c a d e 4 0 0 . 0 0 0 p e s s o a s , isto é , 4 % d o total. D e s s e m o d o , o n ú m e r o d e pessoas o c u p a d a s n o s e t o r teria e x p e r i m e n t a d o p e q u e n o c r e s c i m e n t o , a o p a s s o q u e o c o r r e s p o n d e n t e à P E A total teria c r e s c i d o e m 2 0 % . S e m d ú v i d a , deve-se b u s c a r a e x p l i c a ç ã o p a r a e s s a s i t u a ç ã o n a s m u d a n ç a s o c o r r i d a s n o setor s a ú d e , n o q u e diz respeito tanto à configuração d o sistema d e a t e n ç ã o q u a n t o às modalidades q u e os serviços a s s u m e m em cada u m dos subsetores. C o m o conseqüência, foram modificados - e m b o r a seja difícil f a z e r u m a a v a l i a ç ã o - o s p r o c e s s o s d e o r g a n i z a ç ã o e g e s t ã o d e trabalho, o tipo d e prestação mais freqüente, a ênfase e m determinadas prát i c a s e a s a ç õ e s dirigidas à f o r m a ç ã o , c a p t a ç ã o e u t i l i z a ç ã o d o s r e c u r s o s h u manos. T u d o isso n o c o n t e x t o d e u m significativo a c h a t a m e n t o d o s e t o r p ú b l i c o , d e u m a queda generalizada das remunerações e d e uma duradoura tend ê n c i a a dificuldades d e e m p r e g o , q u e d e t e r m i n a m q u e o setor n ã o a p e n a s d e i x e d e ser u m c a m p o d e t r a b a l h o a t r a e n t e , m a s t a m b é m p a s s e v i r t u a l m e n ¬ 6 Argentina: Condiciones de Salud 1985-1988. OPAS/OMS, n . 18, 1988, Argentina. o te a expulsar a força d e trabalho, e m particular nas categorias d e m e n o r nível h i e r á r q u i c o . S e g u n d o e s t i m a t i v a s r e c e n t e s d a á r e a d e E n f e r m a g e m d a Divi¬ sión de Recursos Humanos d a O P A S - A r g e n t i n a , n o s ú l t i m o s três a n o s c e r c a d e 2 . 0 0 0 e n f e r m e i r o s h a v i a m a b a n d o n a d o o país, a t r a í d o s p e l a o f e r t a d e m e l h o res salários e m o u t r o s p a í s e s - e n t r e e l e s . E s t a d o s U n i d o s , E s p a n h a , Itália e Austrália. TABELA 1 Estimativa da Força d e T r a b a l h o n o S e t o r S a ú d e por Categoria - Argentina, 1992 Fonte: Estimativas d o autor baseadas e m d a d o s fornecidos pelas instituições consignadas n o ANEXO IH. D e s s e m o d o , a estrutura o c u p a c i o n a l d o s e t o r c o n t i n u a apresentando o f o r m a t o d e u m a p i r â m i d e invertida, na q u a l a p a r t i c i p a ç ã o relativa d a s c a t e g o r i a s profissionais é m u i t o s u p e r i o r à d a s c a t e g o r i a s t é c n i c a s e a u x i l i a r e s . Finalmente, n ã o se d i s p õ e d e i n f o r m a ç ã o suficiente para realizar u m a caracterização c o m p l e t a d a distribuição d a força d e trabalho d o setor p o r sexo. Conta-se a p e n a s c o m d a d o s parciais, p r o v e n i e n t e s d e alguns e s t u d o s s o b r e g r u p o s profissionais e s p e c í f i c o s q u e , p o r s e u c a r á t e r , n ã o p e r m i t e m e x trair c o n c l u s õ e s v á l i d a s p a r a o c o n j u n t o . E m linhas gerais, pode-se d e s t a c a r u m a t e n d ê n c i a c r e s c e n t e à f e m i n i z a ¬ ç ã o d a s m a t r í c u l a s universitárias n a s c a r r e i r a s d a s a ú d e , p a r t i c u l a r m e n t e e m Medicina, Farmácia e Bioquímica, e Odontologia, mantendo-se - o u a c e n ¬ tuando-se - a t r a d i c i o n a l p r e d o m i n â n c i a d e m u l h e r e s e m o u t r a s , c o m o N u t r i ¬ ç ã o , Fonoaudiologia e E n f e r m a g e m . O s dados provenientes dos sucessivos C e n s o s d e A l u n o s realizados d e s d e 1964 pela Universidade d e B u e n o s Aires ilustram esta t e n d ê n c i a (Tabela 2). Médicos C o m o já foi a s s i n a l a d o , n ã o e x i s t e m n o país i n s t r u m e n t o s confiáveis q u e i n f o r m e m o n ú m e r o e x a t o d e profissionais m é d i c o s e m a t i v i d a d e . C o m o c o n s e q ü ê n c i a , a estimativa deve basear-se n u m conjunto d e fontes q u e , c o m b i n a d a s , d ã o consistência aos dados. D e a c o r d o c o m a revisão d e informação secundária, consulta efetuada a c o l e g i a d o s e a s s o c i a ç õ e s sindicais e a l g u m a s p r o j e ç õ e s oficiais e p a r t i c u l a res, p o d e - s e c a l c u l a r q u e , p a r a 1 9 9 2 , o n ú m e r o d e m é d i c o s e m a t i v i d a d e e s taria e n t r e 8 8 e 9 0 m i l . TABELA 2 E v o l u ç ã o da Participação Feminina nas Matrículas d e Faculdades da Universidade d e B u e n o s Aires ( e m Percentagem) Fonte: Elaboração d o autor, baseado e m dados dos Censos d e Alunos da Universidade de B u e n o s Aires. Faz-se n e c e s s á r i o e x p l i c a r c o m o s e c h e g o u a essa e s t i m a t i v a . S e g u n d o t a b e l a s i n é d i t a s , o C e n s o N a c i o n a l d e P o p u l a ç ã o d e 1 9 8 0 registrou 5 9 . 7 0 6 7 m é d i c o s ; 14.300 trabalhavam n o setor público e d e a ç ã o social, e 45.406 n o setor privado; destes últimos, 18.750 - 4 1 , 2 % - trabalhavam apenas por conta própria. A e s s e total d e m é d i c o s d e 1 9 8 0 f o r a m a c r e s c e n t a d o s o s d i p l o m a d o s a n u a l m e n t e p e l o s i s t e m a universitário ( T a b e l a 3 ) . P o r n ã o e s t a r e m d i s p o n í v e i s o s d a d o s d o s d i p l o m a d o s e n t r e 1 9 9 0 e 1 9 9 2 , estes f o r a m e s t i m a d o s e m 3 . 3 0 0 a n u a i s . A essa s o m a aplicou-se a taxa m é d i a d e m o r t a l i d a d e e s t i m a d a p a r a a faixa etária d a c a t e g o r i a , c a l c u l a d a p o r s e x o ( 1 4 / 1 0 . 0 0 0 ) . A o n ú m e r o r e s u l t a n t e d e s c o n t o u - s e u m a taxa d e a p o s e n t a d o r i a o u m i g r a ç ã o e q u i v a l e n t e 7 Tabelas inéditas d o C e n s o N a c i o n a l d e P o p u l a ç ã o d e 1980, processadas por c o n v ê n i o c o m o Projeto PNUD-OIT - Ministério de Trabajo, 1985. a 0 , 5 % d o s d i p l o m a d o s e m c a d a a n o . D e s s e m o d o foi e s t i m a d o o número d e m é d i c o s e m atividade n o país e m 1 9 9 2 . É conveniente expor pelo menos duas considerações que permitam avaliar essa e s t i m a t i v a : 1 . S e g u n d o K a t z , T a f a n i e M u ñ o z , a t é 1 9 8 7 podia-se c a l c u l a r u m a p r o 8 p o r ç ã o d e 4 2 5 habitantes por m é d i c o , e, sabendo-se q u e o n ú m e r o d e m é d i c o s c r e s c e u h i s t o r i c a m e n t e a u m a taxa a n u a l s u p e r i o r à d a p o p u l a ç ã o , p o d e se s u p o r q u e a t é 1 9 9 2 essa r a z ã o perfaria 3 7 0 h a b i t a n t e s p o r m é d i c o . J á q u e a p r o j e ç ã o d a p o p u l a ç ã o p a r a 1 9 9 2 a partir d o ú l t i m o c e n s o n a c i o n a l c h e g a ria a 3 3 . 1 3 0 . 0 0 0 h a b i t a n t e s , o n ú m e r o d e m é d i c o s a l c a n ç a r i a 8 9 . 5 4 2 . 2 . A Confederación sistema de cobertura Médica de saúde de la República para Argentina profissionais implementou um médicos denominada " R e d e A r g e n t i n a d e S a ú d e " , q u e g a r a n t e e m t o d o o país o a t e n d i m e n t o m é d i c o a o s a s s o c i a d o s , i n d e p e n d e n t e m e n t e d o lugar d e r e s i d ê n c i a . L a n ç a d o h á u m a n o , e s s e sistema d e i n s c r i ç ã o v o l u n t á r i a , a t r a v é s d a s a s s o c i a ç õ e s r e g i o nais, já c o n t a c o m 7 1 . 0 0 0 m é d i c o s a s s o c i a d o s . L e v a n d o - s e e m c o n t a q u e a q u a n t i d a d e d e alternativas e q u i v a l e n t e s d i s p o n í v e i s h o j e e m d i a n o m e r c a d o a u m e n t a e m f u n ç ã o d o grau d e d e s e n v o l v i m e n t o d e c a d a n ú c l e o p o p u l a c i o nal, é p r o v á v e l q u e o n ú m e r o d e a s s o c i a d o s a o s i s t e m a t e n h a s i d o menor n o s g r a n d e s c e n t r o s u r b a n o s . P o r isso, esta cifra é u m b o m i n d i c a d o r d o p i s o a partir d o q u a l s e p o d e e s t i m a r a q u a n t i d a d e d e m é d i c o s . Torna-se n e c e s s á r i o e x p o r , n e s t e m o m e n t o , a l g u m a s o b s e r v a ç õ e s a r e s peito d e estimativas anteriores. A m a i s d i f u n d i d a e n t r e e l a s foi a e s t i m a t i v a d o Instituto da em informações elaboradas por organismos oficiais para di Telia , 9 basea- 7985 . 1 0 E m a m b o s o s d o c u m e n t o s , estimou-se o n ú m e r o d e m é d i c o s a partir d e d a d o s d o C A N A R E S S A , q u e registram 6 9 . 3 8 8 c a r g o s m é d i c o s n o p a í s e m 1980. Levando-se e m conta q u e , s e g u n d o algumas análises b a s e a d a s e m d a dos d e r e c e n s e a m e n t o disponíveis, a relação média cargo/pessoa n o setor a l c a n ç a v a , nessa é p o c a , 1,69, conclui-se q u e o n ú m e r o d e m é d i c o s t o m a d o c o m o b a s e constituía u m a e s t i m a t i v a e x a g e r a d a . A c o m p a r a ç ã o p o r s u b s e t o r d o s d a d o s q u e f u n d a m e n t a r a m a m b a s as e s t i m a t i v a s permite-nos e s t a b e l e c e r q u e já nesta d a t a a taxa d e d u p l a o c u p a ç ã o n o setor p ú b l i c o a l c a n ç a v a 1,33, a o p a s s o q u e a taxa c o r r e s p o n d e n t e a o s e t o r p r i v a d o c h e g a v a a 2,37. Essa d i f e r e n ç a s e d e v e , p o r u m l a d o , à t r a d i c i o nal l i m i t a ç ã o e m t e r m o s d e j o r n a d a d e t r a b a l h o e s t a b e l e c i d a p a r a a a d m i n i s t r a ç ã o p ú b l i c a , e , p o r o u t r o , à m a i o r v a r i e d a d e d e a l t e r n a t i v a s o f e r e c i d a s pe¬ 8 Katz )., M u ñ o z A., Tafani R.: Organización de Servicios 9 de Salud: Reflexiones e Comportamiento sobre el Caso de los Mercados Dieguez H., Llach J . (Coord.) e Petrecolla A.: El G a s t o Público Social. V o l . IV: El G a s t o Públic o e m Salud. Instituto Torquato di Telia, B u e n o s Aires, 1990. 10 Prestadores Argentino. MSAS, OPAS/OMS, 1985. Argentina: Descripción de su Situación d e Salud. las d i v e r s a s f o r m a s d e t r a b a l h o a s s a l a r i a d o n o s e t o r p r i v a d o . D e v i d o às c a r a c terísticas d a s p e r g u n t a s d o s r e c e n s e a m e n t o s , na c a t e g o r i a " c o n t a p r ó p r i a " i n cluíram-se a q u e l e s profissionais q u e s ó t r a b a l h a v a m a s s i m , e q u e n ã o t i n h a m sido c o m p u t a d o s pelo C A N A R E S S A . TABELA 3 M é d i c o s D i p l o m a d o s p o r U n i v e r s i d a d e A r g e n t i n a , 1980-1989 Fonte: Universidades N a c i o n a l e s : Dirección d e Estatísticas, Ministerio d e Cultura y Educación d e la N a c i ó n ; Católica d e C ó r d o b a : Situación Actual d e 1 * Educación M é d i c a en la R e pública Argentina, OMS/OPAS. n o 24. 1989. * Estimativa. A l é m disso, a distribuição geográfica dos m é d i c o s t a m b é m é desigual, tanto regionalmente quanto, dentro d e cada região, entre áreas urbanas e rurais. E m b o r a n ã o s e p o s s a d e t e r m i n a r c o m p r e c i s ã o , p e l o s m o t i v o s já e x p o s t o s , o n ú m e r o d e m é d i c o s p o r p r o v í n c i a , é p o s s í v e l fazer u m a e s t i m a t i v a partindo dos dados correspondentes a 1980. Existem d o i s fatos q u e p e r m i t e m s u p o r q u e a d i s t r i b u i ç ã o d e p r o f i s s i o nais m é d i c o s p o r p r o v í n c i a n ã o s o f r e u v a r i a ç õ e s significativas. E m lugar, d e s d e 1 9 8 0 n ã o s e p r o d u z i r a m m u d a n ç a s na l o c a l i z a ç ã o primeiro geográfica d e n o v a s E s c o l a s d e M e d i c i n a ; e m s e g u n d o lugar, n e s s e p e r í o d o n ã o f o r a m i m p l e m e n t a d a s políticas o r i e n t a d a s p a r a e s t i m u l a r o u p r o m o v e r a r e a l o c a ç ã o d e profissionais. E m c o n s e q ü ê n c i a , se distribuirmos o número estimado d e médicos para 1 9 9 2 ( 8 8 . 8 0 0 ) c o m b a s e n a estrutura c o r r e s p o n d e n t e a 1 9 8 0 , e c a l c u l a r m o s daí sua r e l a ç ã o p a r a a p o p u l a ç ã o registrada p e l o C e n s o N a c i o n a l d e P o p u l a ç ã o d e 1 9 9 1 , c o n c l u i m o s q u e p a r a o total d o país o n ú m e r o d e h a b i tantes p o r m é d i c o a t i n g e 3 6 7 . N o s p o n t o s e x t r e m o s d a r e l a ç ã o e n c o n t r a m se a C a p i t a l F e d e r a l , c o m u m a r e l a ç ã o d e 1 1 3 h a b i t a n t e s p o r m é d i c o , e F o r m o s a , c o m 9 1 1 h a b i t a n t e s p o r profissional ( T a b e l a 4 ) . TABELA 4 Estimativa d a D i s t r i b u i ç ã o d e M é d i c o s p o r P r o v í n c i a A r g e n t i n a , 1 9 9 1 - 1 9 9 2 Em primeira instância, essa situação responde ao fato de que as Universidades e m q u e os m é d i c o s se f o r m a m estão localizadas nos grandes centros urbanos (Buenos Aires, Córdoba, Mendoza, Rosário, La Plata, T u c u m á n e C o m e n t e s ) q u e , p o r sua v e z , s ã o o s lugares q u e o f e r e c e m as m a i o r e s p o s s i b i l i d a d e s d e i n s e r ç ã o profissional, c o n c e n t r a n d o a m a i o r p a r t e d a r e n d a e d o d e s e n v o l v i m e n t o d o s s e r v i ç o s e m suas d i v e r s a s m o d a l i d a d e s e diferentes níveis d e c o m p l e x i d a d e . Essa c a r a c t e r í s t i c a facilita a i n c o r p o r a ç ã o a o m e r c a d o d e t r a b a l h o , n ã o a p e n a s c o m o a u t ô n o m o m a s t a m b é m - principalmente nos últimos anos através d e diversas formas d e trabalho assalariado. C a b e o b s e r v a r q u e , d e v i d o t a m b é m às p a r t i c u l a r i d a d e s d a estrutura d e s e r v i ç o s , a m a i o r p a r t e d a oferta d e r e s i d ê n c i a s m é d i c a s c o n c e n t r a - s e a g l o m e r a d o s u r b a n o s . Esta p r i m e i r a f o r m a d e i n s e r ç ã o , a o m e s m o nos tempo q u e garante u m a r e m u n e r a ç ã o mínima, constitui para o recém-formado u m m e i o acessível para completar a f o r m a ç ã o d e graduação, e m contato direto c o m os serviços - na maioria d o s casos, pela primeira v e z . É s u g e s t i v o q u e o s níveis d e d e s e m p r e g o e n t r e o s m é d i c o s estejam m u i t o a b a i x o d a q u e l e s d e o u t r a s c a t e g o r i a s profissionais, n ã o s o m e n t e setor saúde. registrou Um uma estudo grande da população capacidade do médica mercado da cidade de no Rosário para a incorporação dos m é d i c o s : d o g r u p o p e s q u i s a d o , a p e n a s 9 , 1 % n ã o tinha t r a b a l h o r e m u n e r a d o no primeiro ano de formado, reduzindo-se essa proporção a 5,2% no segundo ano. As situações de empregos mútiplos características d o s tipos d e o c u p a ç ã o e subocupação dos médicos. A também primeira são retrata a n e c e s s i d a d e q u e t ê m o s profissionais d e a u m e n t a r sua r e n d a c o m u m a série d e e m p r e g o s e m u m o u m a i s s u b s i s t e m a s q u e c o m p õ e m o setor, o u , a i n d a , combinando-os c o m alguma forma d e prática a u t ô n o m a . A condição de subocupação provoca dois tipos de situações: a p r i m e i r a , e n g l o b a o s profissionais q u e i n v e s t e m na o c u p a ç ã o m e n o s t e m p o d o q u e estariam dispostos ( s u b o c u p a ç ã o por t e m p o ) ; e a outra, d e d i m e n s ã o mais complexa, qualificação inclui do que aqueles aquelas que para desempenham as quais eles tarefas de foram menor capacitados ( s u b o c u p a ç ã o por qualificação). Em orientada amparada geral, observa-se desde na uma a formação crescente e forte tendência reforçada introdução pelas de à prática especializada, condições tecnologia e do de mercado, instrumental c o m p l e x o , e na c o n s e q ü e n t e reorganização dos serviços. Não existe informação completa a respeito do exercício das e s p e c i a l i d a d e s m é d i c a s , já q u e o s m e c a n i s m o s d e h a b i l i t a ç ã o s ã o v á r i o s e n ã o existe u m registro ú n i c o . Diversos autores Argentina 11 1 2 concordam q u e o grau d e especialização é bastante elevado, chegando a 50% ou 60% do Belmartino S., B l o c h C , Luppi I., Q u i n t e r o s Z. e Troncoso M . del C : Mercado Médicos de Reciente Graduación, OPAS, Argentina, n . 14, 1990. o total na de de Trabajo e m é d i c o s . Esta p r o p o r ç ã o certamente aumenta em relação direta c o m a n t i g u i d a d e n o e x e r c í c i o profissional, c h e g a n d o a incluir 8 0 % d o s a médicos c o m mais anos d e f o r m a d o . associações e sociedades d e especialistas é possível obter alguns d a d o s q u e , d e v i d o A partir de informações fornecidas pelas diversas às c a r a c t e r í s t i c a s d a s instituições q u e as f o r n e c e r a m , r e p r e s e n t a m q u a n t i t a t i v o s mínimos correspondentes para cada especialidade. E m alguns casos, p o d e m incluir o u t r o s profissionais n ã o m é d i c o s q u e t r a b a l h e m na e s p e c i a l i d a d e u m n ú m e r o q u e , p o r ser p e q u e n o , n ã o c h e g a a c o m p e n s a r o f a t o d e muitos dos especialistas em atividade não se filiaram às respectivas entidades (Tabela 5). C o m p a r a n d o a estimativa d o n ú m e r o d e m é d i c o s 88.800 - c o m o n ú m e r o d e especialistas e n c o n t r a d o pelo - que - mapeamento parcial d a s p r i n c i p a i s e s p e c i a l i d a d e s - 6 0 . 9 2 0 - pode-se c o n s t a t a r q u e em t o r n o d e 7 0 % d o s profissionais s ã o e s p e c i a l i s t a s . TABELA 5 Estimativa d o N ú m e r o d e Profissionais M é d i c o s p o r Especialidade, Argentina 1992 Fonte: Estimativa d o autor c o m base e m d a d o s fornecidos pelas instituições consignadas no A N E X O III. 12 Belmartino S., Bloch C. et al.: o p . cit.; Katz J . , M u ñ o z A. et al.: o p . cit.; B a n c o M u n d i a l : o p . cit. Enfermagem C o m base na estimativa realizada e m 1 9 8 9 c i d a s p e l a Federación Argentina de Enfermeras, 1 3 , e d e informações forne- pode-se e s t a b e l e c e r a s e g u i n - te distribuição: Verifica-se q u e o n ú m e r o total, e m b o r a t e n h a r e g i s t r a d o u m a u m e n t o de 5 % n o s ú l t i m o s três a n o s , n ã o a c o m p a n h a o c r e s c i m e n t o populacional no m e s m o período. A categoria c o r r e s p o n d e n t e a o pessoal c o m formação s u p e r i o r teria s o f r i d o u m a d i m i n u i ç ã o a b s o l u t a e m r a z ã o d a já c i t a d a e m i g r a ção. A s s i m , agrava-se a t r a d i c i o n a l e s c a s s e z d e p e s s o a l d e e n f e r m a g e m e a u m e n t a a relação m é d i c o / e n f e r m e i r o e m sentido contrário aos padrões universalmente aceitos. O cada médico, quando país c o n t a r i a c o m 0,20 e n f e r m e i r o s f o r m a d o s p a r a o recomendável é 3 enfermeiros por médico. Em 1 9 9 2 , a r e l a ç ã o d e e n f e r m e i r o s p o r 1 0 . 0 0 0 h a b i t a n t e s d i m i n u i p a r a 5,2. A p e q u e n a o f e r t a d e p e s s o a l d e e n f e r m a g e m foi c o n f i r m a d a p e l o s d a d o s d o C e n s o d e P o p u l a ç ã o d e 1 9 8 0 , q u e registrou 1 1 0 . 4 1 9 enfermeiros (dos quais 8 3 % e r a m mulheres), a o passo q u e hoje esse n ú m e r o n ã o c h e g a a 7 0 . 0 0 0 . Esta d i m i n u i ç ã o d e q u a s e 4 0 % afeta a p r e s t a ç ã o d o s s e r v i ç o s . D e v i d o à d i v i s ã o d o t r a b a l h o d e n t r o d a c a t e g o r i a , a m a i o r i a d a s tarefas d e e n f e r m a g e m r e c a i s o b r e o p e s s o a l auxiliar e e m p í r i c o ( " a t e n d e n t e s " ) . É e s t e p e s s o a l , s e m n e n h u m t i p o d e q u a l i f i c a ç ã o a d i c i o n a l para d e s e m p e n h o n o s e r v i ç o , q u e t e m a s e u c a r g o o a t e n d i m e n t o d i r e t o na m a i o r i a d a s instituições. U m estudo recente sobre e n f e r m a g e m 1 4 traz a l g u n s d a d o s r e v e l a d o r e s s o b r e a s d i f i c u l d a d e s d e s u a s c o n d i ç õ e s d e v i d a e d e t r a b a l h o . A l é m d o s asp e c t o s a s s i n a l a d o s ( p o u c o p e s s o a l , b a i x o s salários), as a u t o r a s v e r i f i c a r a m q u e as j o r n a d a s d e t r a b a l h o p r o l o n g a d a s , o s p l a n t õ e s n o t u r n o s e e m dias f e r i a d o s , u m a l e g i s l a ç ã o i n a d e q u a d a às atuais c a r a c t e r í s t i c a s d o t r a b a l h o j u n t a m e n t e c o m a tensão q u e implica o contato direto c o m a enfermidade e a morte, m a r c a m a vida d o pessoal d e enfermagem. 13 Pesquisas d e atualização realizadas pela área d e Enfermagem da Dirección cursos Humanos 14 Wainerman Nacional de Re- e OPAS, 1989. C. e Celdstein R., Condiciones gentina. Cuadernos del CENEP, de vida y de Trabajo n . 44, B u e n o s Aires. 1990. o de las Enfermeras en la Ar- M e n ç ã o e s p e c i a l d e v e ser feita à p r e d o m i n â n c i a d e m u l h e r e s traba- l h a n d o e m e n f e r m a g e m . E m b o r a seja u m a c a r a c t e r í s t i c a histórica, p a r e c e ter se a c e n t u a d o nos últimos a n o s , d e v i d o a o s baixos níveis d e remuneração q u e leva os h o m e n s c a d a v e z mais a buscar o p o r t u n i d a d e s d e trabalho m e lhor r e m u n e r a d a s . Odontologia S e g u n d o dados obtidos por levantamentos r e c e n t e s , e m 1991 traba1 5 lhavam n o setor c e r c a d e 31.000 pessoas, das quais e m t o r n o d e 23.000 ( 7 4 % ) na c a t e g o r i a profissional ( T a b e l a 6 ) . TABELA 6 Recursos H u m a n o s e m Odontologia Argentina, 1991 Fonte: Jaitt, Juan C , Prática O d o n t o l ó g i c a e m América Latina. Investigación d e Recursos Huma- nos, A c c i o n e s y Efectos d e la Atención O d o n t o l ó g i c a , OFEDO-UDUAL-OPAS/OMS, Argentina, 1991. Essa i n f o r m a ç ã o c o n f i r m a a p r e d o m i n a n c i a da prática privada como forma d e inserção o c u p a c i o n a l dos odontólogos, o q u e n ã o implica necessar i a m e n t e e m prática a u t ô n o m a , já q u e sua r e n d a p r o v é m d e d i v e r s a s f o n t e s : c o n v ê n i o s c o m empresas d e s a ú d e e sistemas d e pré-pagamento, particulares e t c . D e q u a l q u e r m a n e i r a , é significativo o n ú m e r o d e profissionais e m a t i v i d a d e s " e m p r e s a r i a i s " , q u e p r e s s u p õ e m a e x i s t ê n c i a d e s i s t e m a s d e pré-pagam e n t o d e cobertura da saúde oral, nos quais a grande maioria d o s o d o n t ó l o g o s trabalha na c o n d i ç ã o d e a s s a l a r i a d o - o q u e constitui u m a p r á t i c a t r a b a lhista n o v a na O d o n t o l o g i a . C e r c a d e 1.300 profissionais t r a b a l h a r i a m e x c l u s i v a m e n t e nesta última m o d a l i d a d e , e o s 1.000 r e s t a n t e s t r a b a l h a r i a m t a m b é m e m outros setores. M e r e c e t a m b é m m e n ç ã o o g r u p o c o r r e s p o n d e n t e a o s assistentes d e n tários, q u e a b r a n g e c e r c a d e 8 . 1 0 0 p e s s o a s . S u a d i s t r i b u i ç ã o p o r m o d a l i d a d e 15 Jaitt, Juan C , Práctica Acciones Odontológica y Efectos de la Atención en América Odontológica, Latina - Investigación de Recursos Humanos, OFEDOUDUAL-OPAS/OMS, Argentina, 1 9 9 1 . ilustra as c a r a c t e r í s t i c a s d i f e r e n c i a i s d a p r á t i c a o d o n t o l ó g i c a : n o s e t o r privad o , a r e l a ç ã o é d e 0 , 5 4 assistentes p a r a c a d a o d o n t ó l o g o , a o p a s s o q u e nas m o d a l i d a d e s e m q u e o s profissionais s ã o a s s a l a r i a d o s essa r e l a ç ã o n ã o passa d e 0,14. OUTRAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS Bioquímicos O d e s e n v o l v i m e n t o científico e tecnológico dos últimos 3 0 anos - so- b r e t u d o n o c a m p o d a e n z i m o l o g i a , d a i m u n o l o g i a , d a físico-química e d a biologia molecular - ampliou o horizonte do diagnóstico e determinou m a i o r i n c i d ê n c i a d o s critérios l a b o r a t o r i a i s n a f o r m u l a ç ã o d e d i a g n ó s t i c o s clínicos e a c o m p a n h a m e n t o terapêutico. P o r s u a v e z , o d e s e n v o l v i m e n t o d e n o v a s t e c n o l o g i a s p e r m i t i u a difus ã o industrial e c o m e r c i a l d e u m a g r a n d e v a r i e d a d e d e e q u i p a m e n t o s d i a g n ó s t i c o , q u e facilitaram o a c e s s o d a m a i o r i a d o s b i o q u í m i c o s a de uma g r a n d e q u a n t i d a d e d e t é c n i c a s a n t e s limitadas a p o u c o s . Esse p r o c e s s o s i g n i f i c o u u m a m u d a n ç a na p o s i ç ã o relativa d o s b i o q u í m i c o s n o â m b i t o d o p e s s o a l d e s a ú d e , a l t e r a n d o as c o n d i ç õ e s t r a d i c i o n a i s d e sua p r á t i c a p r o f i s s i o n a l . S e g u n d o e s t i m a t i v a s d a s a s s o c i a ç õ e s profissionais, c e r c a d e 7.500 b i o q u í m i c o s t r a b a l h a m n o p a í s ; p o r v o l t a d e 8 5 % d e l e s realizaria u m a prática c l í n i c a n o s d i f e r e n t e s s u b s e t o r e s , e o s r e s t a n t e s t e r i a m sua p r á t i c a o r i e n t a d a p a r a a indústria e a p e s q u i s a . N a C a p i t a l F e d e r a l - o n d e s e l o c a l i z a r i a m c e r c a d e 2.000 bioquímicos - a m o d a l i d a d e d e trabalho predominante é a relação de dependência nos 250 laboratórios particulares d e análises clínicas e n u m a v a r i e d a d e d e instituições d e serviço públicas e particulares. N o restante d o país, a prática a u t ô n o m a é a mais freqüente. A p e n a s n a C a p i t a l insinua-se u m a t e n d ê n c i a à e s p e c i a l i z a ç ã o , a c o m p a n h a n d o as c o n d i ç õ e s gerais d o m e r c a d o . Fisioterapeutas Trata-se d e u m c a m p o d e a t i v i d a d e profissional q u e s o f r e u significativa e x p a n s ã o nos últimos a n o s ; entre 1980 e 1989, o n ú m e r o d e fisioterapeutas e g r e s s o s d a s U n i v e r s i d a d e s c r e s c e u n u m a taxa s u p e r i o r a o d o c o n j u n t o d o s graduados. S e g u i n d o a t e n d ê n c i a p r e d o m i n a n t e n o sistema d e e d u c a ç ã o s u p e r i o r , a maioria d o s planos curriculares converteram-se e m licenciaturas d e c i n c o anos de duração. A m a i o r p a r t e d e s t e s profissionais t r a b a l h a na S e g u r i d a d e S o c i a l ; sua p a r t i c i p a ç ã o n o s e t o r p ú b l i c o é p e q u e n a , e m e n o r a i n d a n o setor p r i v a d o . A r e a b i l i t a ç ã o constitui a p r i n c i p a l o r i e n t a ç ã o d a p r á t i c a , e m g e r a l a t e n d e n d o a o g r u p o d a t e r c e i r a i d a d e . A s a t i v i d a d e s d e p r e v e n ç ã o , dirigidas a g r u p o s d e risco distintos, n ã o t ê m s i g n i f i c a d o . É na prática d a fisioterapia q u e s e verifica u m a d a s m a i o r e s p r o p o r ç õ e s d e mulheres trabalhando e m s a ú d e : c e r c a d e 8 0 % d o total. Psicólogos Esta c a t e g o r i a profissional c o m e ç o u a d e s e n v o l v e r - s e c o m o disciplina a u t ô n o m a n o final d a d é c a d a d e 5 0 , t e v e c r e s c i m e n t o a c e l e r a d o d u r a n t e a década de 60 e hoje abrange cerca d e 32.000 pessoas, segundo estimativas das e n t i d a d e s profissionais. S e u p r i n c i p a l c a m p o d e a t u a ç ã o é a p r á t i c a c l í n i c a a u t ô n o m a , e m b o r a n o s ú l t i m o s a n o s - e a partir d a r e g u l a m e n t a ç ã o d a lei d e s e u e x e r c í c i o - haja m a i o r p a r t i c i p a ç ã o d o s p s i c ó l o g o s e m i n s t i t u i ç õ e s a s sistenciais p ú b l i c a s e e m o b r a s f i l a n t r ó p i c a s . C o m o c o n s e q ü ê n c i a d e s s a prática p r e d o m i n a n t e , a m a i o r concentra- ç ã o d e profissionais s e verifica n o s g r a n d e s c e n t r o s u r b a n o s , o n d e é m a i o r a disponibilidade d e recursos para financiar os tratamentos particulares. A s s i m , c e r c a d e 7 5 % d o s profissionais c o n c e n t r a m - s e n a C a p i t a l F e d e r a l e n a s P r o víncias d e B u e n o s Aires, Santa F é e C ó r d o b a ; desses, 8 5 % estão e x e r c e n d o a profissão n o s d o i s c a m p o s m e n c i o n a d o s n o p a r á g r a f o a n t e r i o r . Assistentes Sociais O s assistentes sociais c o n s t i t u e m u m a d a s c a t e g o r i a s n ã o t r a d i c i o n a i s m a i s n u m e r o s a s : d o s q u a s e 1 1 . 0 0 0 profisisonais e m a t i v i d a d e , c e r c a d e 3 0 % teria i n s e r ç ã o o c u p a c i o n a l n o s e t o r s a ú d e , t r a b a l h a n d o e m hospitais p ú b l i c o s provinciais e municipais! 1 6 . Essa i n s e r ç ã o legitima-se n o p r ó p r i o p r o c e s s o d e f o r m a ç ã o , a partir d a r e c e n t e i n s t i t u c i o n a l i z a ç ã o d o s i s t e m a d e r e s i d ê n c i a s d e três a n o s p a r a o s a s sistentes s o c i a i s d e n t r o d o r e g i m e d a carreira hospitalar, c o m equiparação a o s d e m a i s profissionais d e s a ú d e . Engenheiros Sanitários O s e n g e n h e i r o s sanitários r e p r e s e n t a m u m a c a t e g o r i a profissional de crescente importância, c o m o produto d o reaparecimento d e problemas d e s a ú d e g e r a d o s p e l a d e t e r i o r a ç ã o d a s c o n d i ç õ e s a m b i e n t a i s e d a infra-estrutura b á s i c a . Estima-se q u e c e r c a d e 1.000 profissionais e s t e j a m a t u a n d o n o s e t o r , dos quais 4 0 0 estariam f o r m a l m e n t e c a p a c i t a d o s ( P ó s - G r a d u a ç ã o e m E n g e ¬ 16 Estimativa d o Centro de Estudios Alayón), B u e n o s Aires, 1992. y Investigación em Trabajo Social (Diretor: Norberto nharia Sanitária, da F a c u l d a d e d e Engenharia da U n i v e r s i d a d e d e B u e n o s A i res) e o r e s t a n t e c o m f o r m a ç ã o e m o u t r o s r a m o s d a E n g e n h a r i a , tais c o m o a Engenharia Hidráulica o u a Engenharia C i v i l . 1 7 A FORMAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS Como humanos comentado em saúde na na introdução, Argentina o sistema constitui uma formador de estrutura diversificada, recursos i n t e g r a d a p o r i n s t i t u i ç õ e s universitárias e d e s e r v i ç o s , p ú b l i c a s e p r i v a d a s , e ainda, c e n t r o s d e f o r m a ç ã o d e t é c n i c o s e m diferentes práticas da atividade a s s i s t e n c i a l ( T a b e l a 7). Essa iniciativas estrutura de a de cargo formação governos resulta da nacionais histórica e acumulação provinciais, de universidades p ú b l i c a s e p a r t i c u l a r e s , e m p r e s a s e instituições d e s e r v i ç o . S a l v o e m a l g u m a s carreiras, tal coordenação instância de e r e g u l a ç ã o q u e definisse a q u a l i d a d e e a q u a n t i d a d e estrutura não foi submetida a qualquer dos r e c u r s o s h u m a n o s q u e o país n e c e s s i t a r i a . Em conseqüência, nenhuma Escola ou Faculdade de Medicina foi c r i a d a na A r g e n t i n a e n t r e 1 9 5 9 e 1 9 9 1 , a o p a s s o q u e n o resto d a A m é r i c a Latina, para a t e n d e r o c r e s c i m e n t o da d e m a n d a d e e d u c a ç ã o superior, este n ú m e r o multiplicou-se n a s últimas três d é c a d a s . Entre 1991 e 1992, exatamente nos momentos e m que o ritmo e x p a n s ã o d o n ú m e r o d e matrículas nos cursos superiores apresenta de uma tendência à desaceleração, foram criadas e autorizadas a funcionar quatro e s c o l a s p a r t i c u l a r e s , d a s q u a i s a p e n a s d u a s já e n t r a r a m e m f u n c i o n a m e n t o e as demais com previsão de funcionamento em 1994. Três delas estão localizadas na Capital Federal e u m a na Província d e Entre Rios (Tabela 8). TABELA 7 Estabelecimentos d e Ensino Superior e m S a ú d e Argentina, 1992 Fonte: D i r e c c i ó n d e Asuntos Universitários. Ministerio d e Cultura y Educación. 17 Estimativa da Asociación Interamericana de Ingeniería Sanitaria (AIDIS). TABELA 8 Tipologia d e Faculdades d e M e d i c i n a por N ú m e r o s d e A l u n o s Argentina, 1992 Fonte: Elaboração d o autor c o m base e m d a d o s d o M i n . d e Cultura e E d u c a ç ã o da Argentina. N a Argentina, c o m algumas exceções, a maior parte da f o r m a ç ã o de o u t r a s c a t e g o r i a s profissionais - c o m o f i s i o t e r a p e u t a s , p a r t e i r a s , n u t r i c i o n i s tas, f o n o a u d i ó l o g o s - é r e a l i z a d a e m e s c o l a s s u b o r d i n a d a s à s F a c u l d a d e s d e Medicina. A f o r m a ç ã o d e o d o n t ó l o g o s e a d e farmacêuticos e b i o q u í m i c o s é realizada e m faculdades independentes. A f o r m a ç ã o d e pessoal d e e n f e r m a g e m é realizada e m nível universitário e n ã o u n i v e r s i t á r i o c o m u m a g r a n d e d i s p e r s ã o , t a n t o n o t i p o q u a n t o n o n ú m e r o d e instituições f o r m a d o r a s d e c a d a u m a das duas c a t e g o r i a s : profissionais e auxiliares. Q u a n t o às c o n d i ç õ e s para o ingresso nas carreiras d e s a ú d e , n ã o existe um número preestabelecido d e vagas, desde a recuperação democrática e m 1983. N o entanto, algumas Faculdades d e M e d i c i n a t ê m i m p o s t o severas rest r i ç õ e s a o i n g r e s s o d e e s t u d a n t e s , c o n f i g u r a n d o v e r d a d e i r o s "numerus sus. clau¬ T a l é o c a s o d e u n i v e r s i d a d e s c o m o a s d e M e n d o z a e La P l a t a , e é o q u e pretende fazer a F a c u l d a d e d e M e d i c i n a d e B u e n o s Aires, a t u a l m e n t e e m conflito c o m o c o l e g i a d o q u e dirige a U n i v e r s i d a d e . N a maioria d o s casos, o m e c a n i s m o para o ingresso é u m e x a m e elimin a t ó r i o o u u m c u r s o d e i n g r e s s o c o m e x a m e final. N a U n i v e r s i d a d e d e B u e nos Aires o sistema d e a c e s s o é atípico, p o r q u e d e s d e 1 9 8 5 o s a l u n o s , para ingressar e m q u a l q u e r f a c u l d a d e , d e v e m ser a p r o v a d o s n o Ciclo mum Básico Co- (CBC). Esse c i c l o c o n s t a d e seis m a t é r i a s , q u e v a r i a m d e a c o r d o c o m a f a c u l d a d e / c a r r e i r a e s c o l h i d a , c o m u m a d u r a ç ã o t e ó r i c a d e d o i s q u a d r i m e s t r e s letiv o s . A a p r o v a ç ã o d o C B C c o m p l e t o habilita o e s t u d a n t e a i n g r e s s a r a u t o m a t i c a m e n t e na c a r r e i r a e s c o l h i d a . E m m é d i a , i n g r e s s a m n a F a c u l d a d e d e M e d i ¬ cina, p o r a n o , 2 5 % d o s alunos q u e c o m e ç a r a m a cursar o C B C n o a n o anterior; o u t r a i m p o r t a n t e p e r c e n t a g e m s ó o faz a o final d e d o i s a n o s . E m g e r a l , n ã o e x i s t e m n o p a í s d i s p o s i ç õ e s q u e e s t a b e l e ç a m a l g u m tipo d e e x a m e e s p e c i a l p a r a obter-se o d i p l o m a , já q u e a a p r o v a ç ã o completa d a s m a t é r i a s q u e c o m p õ e m o c u r r í c u l o constitui requisito s u f i c i e n t e p a r a a o b t e n ç ã o d o título. D e a c o r d o c o m a n o r m a v i g e n t e , u m a v e z f o r m a d o s , o s profissionais p o d e m iniciar o e x e r c í c i o d a p r o f i s s ã o , s e m o u t r a condição a l é m d a i n s c r i ç ã o n o ó r g ã o r e g u l a m e n t a d o r oficial. Pode-se afirmar q u e , d e maneira geral, a f o r m a ç ã o d e recursos h u m a n o s e m s a ú d e e n c o n t r a - s e e m fase crítica. A m a i o r p a r t e d a s u n i v e r s i d a d e s e d o s c e n t r o s d e f o r m a ç ã o públicos, nos quais se f o r m a m cerca d e 9 5 % dos p r o f i s s i o n a i s d o s e t o r , e x p e r i m e n t a r a m u m s e v e r o c o r t e nas d o t a ç õ e s o r ç a m e n t á r i a s p r o v e n i e n t e s d o E s t a d o . Essa r e d u ç ã o cria sérias d i f i c u l d a d e s , p o i s a p o u c a d e d i c a ç ã o d o s professores, e m razão dos níveis d e c r e s c e n t e s d e rem u n e r a ç ã o , soma-se à e s c a s s e z d e r e c u r s o s p a r a sustentar o s gastos d e e q u i p a m e n t o , f u n c i o n a m e n t o e m a n u t e n ç ã o q u e o exercício da d o c ê n c i a exige. C a b e registrar q u e e m m a r ç o d e 1 9 9 2 o salário m é d i o d e u m p r o f e s s o r adjunto c o m d e d i c a ç ã o simples (categoria q u e abarca cerca d e 6 3 % dos professores) e 10 a n o s d e antiguidade, c h e g a v a a U S $ 1 2 0 mensais (Tabela 9). D e n t r o d e s s e q u a d r o s u r g e u m a série d e c o n f l i t o s , q u e i n c l u e m g r e v e de professores e suspensão ou diminuição de atividades fundamentais, c o m o o trabalho prático. A s universidades, o u alguns setores delas, s a e m e m b u s c a d e f o n t e s a l t e r n a t i v a s d e f i n a n c i a m e n t o - e n t r e elas, d i v e r s a s f o r m a s d e privatização d e áreas básicas o u clínicas. Essa e s t r a t é g i a , e n t r e t a n t o , f o r t a l e c e c o n f l i t o s , p o i s v a i c o n t r a a t r a d i c i o n a l a u t o n o m i a d a s u n i v e r s i d a d e s e as c o l o c a n u m a s i t u a ç ã o d e m a i o r d e p e n d ê n c i a e m r e l a ç ã o às c o n t i n g ê n c i a s d e u m m e r c a d o q u e c o t i d i a n a m e n t e r e d e f i n e a s c a r a c t e r í s t i c a s d a p r á t i c a profissional. N e s t e c o n t e x t o , p a r e c e n e c e s s á r i o instaurar u m d e b a t e , q u e a i n d a s e q u e r s e i n s i n u a , a r e s p e i t o d a n e c e s s i d a d e d e r e f o r m u l a r u m m o d e l o d e form a ç ã o q u e , p o r suas características, n ã o prepara o f o r m a d o para desenvolv e r u m a p r á t i c a o r i e n t a d a p a r a o a t e n d i m e n t o às n e c e s s i d a d e s d a m a i o r i a dos setores sociais. Ao c o n t r á r i o , o m o d e l o d e p r á t i c a q u e p a r e c e ter se c o n s o l i d a d o é a q u e l e q u e , s u p e r e s p e c i a l i z a d o n o r i t m o d a c o m p l e x i d a d e t e c n o l ó g i c a , realiz a i n t e r v e n ç õ e s d e c u r t o a l c a n c e , às q u a i s s ó t ê m direito o s g r u p o s s o c i a i s d e maiores recursos. TABELA 9 Docentes por Categoria e Horârio Universidade d e B u e n o s Aires, Faculdade d e M e d i c i n a (1) DE = Dedicação Exclusiva (2) DSE = Dedicação Semi-Exclusiva (3) D S = D e d i c a ç ã o Simples Fonte: Secretaria rección de Assuntos Académicos General de Presupuesto da UBA, c o m dados da Facultad ye Control Presupuestario de Medicina e da Di- da UBA. Essa estratégia, e n t r e t a n t o , f o r t a l e c e c o n f l i t o s , p o i s v a i c o n t r a a t r a d i c i o nal a u t o n o m i a d a s u n i v e r s i d a d e s e as c o l o c a n u m a s i t u a ç ã o d e m a i o r d e p e n d ê n c i a e m r e l a ç ã o às c o n t i n g ê n c i a s d e u m m e r c a d o q u e c o t i d i a n a m e n t e r e d e f i n e as c a r a c t e r í s t i c a s d a p r á t i c a profissional. N e s t e c o n t e x t o , p a r e c e n e c e s s á r i o instaurar u m d e b a t e , q u e a i n d a s e q u e r s e insinua, a r e s p e i t o d a n e c e s s i d a d e d e r e f o r m u l a r u m m o d e l o d e f o r m a ç ã o q u e , p o r suas c a r a c t e r í s t i c a s , n ã o p r e p a r a o f o r m a d o p a r a d e s e n v o l v e r u m a p r á t i c a o r i e n t a d a p a r a o a t e n d i m e n t o às n e c e s s i d a d e s d a maioria dos setores sociais. A o c o n t r á r i o , o m o d e l o d e p r á t i c a q u e p a r e c e ter s e c o n s o l i d a d o é aquele q u e , superespecializado n o ritmo da c o m p l e x i d a d e t e c n o l ó g i c a , realiza i n t e r v e n ç õ e s d e c u r t o a l c a n c e , às q u a i s s ó t ê m d i r e i t o o s g r u p o s s o c i a i s d e maiores recursos. Médicos A supressão d o s sistemas d e ingresso e vagas, vigentes durante os anos d e d i t a d u r a militar, p e r m i t i u e m 1 9 8 4 o i n g r e s s o d e 1 5 . 0 0 0 n o v o s a l u n o s nas F a c u l d a d e s d e M e d i c i n a d o s i s t e m a n a c i o n a l . A s s i m , o n ú m e r o total d e m a triculados elevou-se a 50.000 estudantes e m 1 9 8 5 . A partir d e 1 9 8 8 registra-se u m a t e n d ê n c i a à d i m i n u i ç ã o n o n ú m e r o d e matriculados. D e s s e m o d o , o n ú m e r o anual d e egressos d o sistema nacional, q u e n o i n í c i o d a d é c a d a r o n d a v a o s 5.000 ( c o m o c o n s e q ü ê n c i a d o ingresso m a c i ç o n o p e r í o d o 1 9 7 3 - 1 9 7 5 ) , reduziu-se a c e r c a d e 3.000 m é d i c o s ano na segunda m e t a d e d a d é c a d a d e 8 0 e, c o n f i r m a d a essa por tendência, ficaria e s t a b i l i z a d o e m c e r c a d e 3 . 3 0 0 n a d é c a d a d e 9 0 ( T a b e l a 3 ) . S i m u l t a n e a m e n t e - e e m particular n a U n i v e r s i d a d e d e B u e n o s A i r e s , q u e c o n c e n t r a m a i s d e 3 0 % d o s a l u n o s d e F a c u l d a d e s d e M e d i c i n a d o sistem a n a c i o n a l , verifica-se u m a d i m i n u i ç ã o d a p a r t i c i p a ç ã o relativa d o s e s t u d a n t e s d a c a r r e i r a m é d i c a n o total d e a l u n o s d a F a c u l d a d e , c o n s e q ü ê n c i a c r e s c i m e n t o d e o u t r a s c a r r e i r a s , e m e s p e c i a l Fisioterapia, F o n o a u d i o l o g i a do e Nutrição. H o j e s e d e f e n d e , na m a i o r i a d a s u n i v e r s i d a d e s , a n e c e s s i d a d e d e restringir o i n g r e s s o a o c u r s o universitário d e M e d i c i n a , a partir d o p r e s s u p o s t o d e q u e o n ú m e r o d e m é d i c o s n o país é e x c e s s i v o . N o e n t a n t o , n ã o é d e f e n dida a necessidade d e reformulação a c a d ê m i c a da perspectiva e m torno da q u a l o s c u r r í c u l o s s ã o e s t r u t u r a d o s , c o m a f i n a l i d a d e d e satisfazer as d e m a n d a s s o c i a i s . P e l o c o n t r á r i o : reforçam-se as o r i e n t a ç õ e s a-históricas, f r a g m e n t a d a s e p a l i a t i v a s , i g n o r a n d o o s m o d e l o s q u e p o s t u l a m u m a f o r m a ç ã o integral, i n t e r d i s c i p l i n a r , i n t e g r a d a c o m o s s e r v i ç o s e q u e , a partir d e u m a c o n t e x t u a l i z a ç ã o d o p r o c e s s o s a ú d e / d o e n ç a c o m o p r o b l e m a e n e c e s s i d a d e s o c i a l , fav o r e ç a o q u e s t i o n a m e n t o e as m u d a n ç a s n e c e s s á r i a s d a p r á t i c a e d o m o d e l o de atendimento. É n e c e s s á r i o c o n s i d e r a r , e m p r i m e i r a instância, q u e e s s e e x c e d e n t e surge da incapacidade de absorção do modelo de atendimento vigente, que, por suas características, exclui d o acesso aos serviços setores c a d a v e z mais amplos da população. A e x p e r i ê n c i a i n t e r n a c i o n a l ilustra q u e a d e c i s ã o q u a n t o a o n ú m e r o d e p r o f i s s i o n a i s m é d i c o s d e q u e o país n e c e s s i t a n ã o é , e m c a s o a l g u m , d e c o m p e t ê n c i a exclusiva das Escolas d e M e d i c i n a , geralmente orientadas pelos i n t e r e s s e s e s p e c í f i c o s d e g r u p o s c o r p o r a t i v o s . Essa d e c i s ã o d e v e resultar d e u m a a ç ã o c o o r d e n a d a e n t r e o s ó r g ã o s d o g o v e r n o e as instituições d e serviç o s e d e f o r m a ç ã o , u m a v e z d e v i d a m e n t e avaliado o conjunto das necessid a d e s sociais. N o s ú l t i m o s a n o s realizaram-se a l g u m a s t e n t a t i v a s d e d e s e n v o l v e r m o d e l o s d e f o r m a ç ã o nessa p e r s p e c t i v a ; e n t r e elas, m e r e c e d e s t a q u e o m o d e l o da Universidade d e B u e n o s Aires, q u e desde 1990 encontra dificuldades 18 p a r a colocá-lo e m p r á t i c a . Por outro lado, a tradição acadêmica, fragmentária, teórica e t e n d e n d o a u m a e s p e c i a l i z a ç ã o p r e c o c e n a f o r m a ç ã o d o s profissionais g r a d u a d o s n o c a m p o d a s c i ê n c i a s d a s a ú d e j á constitui u m f a t o h i s t ó r i c o . Por sua v e z , o d e s e n v o l v i m e n t o tecnológico e as c o n d i ç õ e s d o m e r c a d o p r e s s i o n a m , c o m f o r ç a c r e s c e n t e , a s t e n d ê n c i a s à e s p e c i a l i z a ç ã o e à su¬ b e s p e c i a l i z a ç ã o . N o A n e x o II está transcrita u m a l i s t a g e m p a r c i a l d a s e s p e c i a l i d a d e s m é d i c a s r e c o n h e c i d a s n o país. S e g u n d o a Dirección del Ejercicio Profesional y de las Especialidades Médicas, de Control a lista c o m p l e t a , a i n - d a n ã o c o p i l a d a , teria o d o b r o d o t a m a n h o . À s deficiências conjunturais observadas na f o r m a ç ã o d e g r a d u a ç ã o j u n tam-se a rigidez estrutural q u e c a r a c t e r i z a as instituições a c a d ê m i c a s , i m p e dindo-as d e i n c o r p o r a r , c o m a n e c e s s á r i a r a p i d e z , a s m u d a n ç a s t e c n o l ó g i c a s e o v o l u m e d e informações adicionais indispensáveis a o seu d e s e n v o l v i m e n to. E m c o n s e q ü ê n c i a , a f o r m a ç ã o d e p ó s - g r a d u a ç ã o torna-se u m a e t a p a i m p r e s c i n d í v e l para c o m p l e t a r a c a p a c i t a ç ã o profissional. Essa f o r m a ç ã o s e realiza f u n d a m e n t a l m e n t e n o s e t o r p ú b l i c o , a t r a v é s d e residências médicas e cursos d e especialização, b e m c o m o d o s colegiad o s e a s s o c i a ç õ e s profissionais, q u e o r i e n t a m sua o f e r t a s e g u n d o a s c o n d i ç õ e s d e prática v i g e n t e s n o m e r c a d o . D e a c o r d o c o m informações disponíveis da Universidade d e B u e n o s Aires, e n q u a n t o o n ú m e r o d e formados n o curso d e M e d i c i n a diminuiu d e 2.189 e m 1 9 8 0 p a r a 1.141 e m 1 9 8 9 , o n ú m e r o d e títulos o u t o r g a d o s a m é d i c o s e s p e c i a l i s t a s n o m e s m o p e r í o d o p a s s o u d e 3 4 1 p a r a 7 1 2 , o q u e significa que, enquanto o número d e médicos formados decresceu e m 4 8 % , o d e especialistas c r e s c e u 1 0 9 % . E n q u a n t o e m 1 9 8 0 o s títulos d e e s p e c i a l i z a ç ã o representavam 1 5 % d o s diplomas fornecidos pela Faculdade, e m 1 9 8 9 c o n s tituíam 6 2 % d e l e s . S e s o m a r m o s o s especialistas f o r m a d o s nas universidades a o s q u e o b t ê m sua e s p e c i a l i z a ç ã o a t r a v é s d e a l g u m d o s t a n t o s m e c a n i s m o s d i s p o n í v e i s n o m e r c a d o , p o d e m o s ter u m a idéia d a d i m e n s ã o d o p r o b l e m a d e habilitaç ã o e d e garantia d e q u a l i d a d e n o e x e r c í c i o profissional. Enfermagem A t u a l m e n t e , e a p e s a r d a e s c a s s e z d e p e s s o a l nessa c a t e g o r i a o u e m c o n s e q ü ê n c i a d e l a , a f o r m a ç ã o d e e n f e r m e i r o s s e d e s e n v o l v e e m 9 5 instituiç õ e s , d a s q u a i s 2 1 s ã o d e n í v e l universitário, 4 5 d e n í v e l s u p e r i o r n ã o u n i v e r sitário, s u b o r d i n a d a s a o M i n i s t é r i o d a E d u c a ç ã o e a o M i n i s t é r i o d a S a ú d e , e 18 U m a síntese das principais características dessa proposta foi publicada e m Educación ca y Salud, V o l . 26 (3), OPAS/OMS, 1992. Médi- 2 9 n a ó r b i t a d o M i n i s t é r i o d a E d u c a ç ã o a t r a v é s d o Servicio ñanza Privada Nacional de Ense- (SNEP). T a m b é m n o c a s o d a e n f e r m a g e m pode-se afirmar q u e a f o r m a ç ã o e m q u a l q u e r d a s i n s t â n c i a s realiza-se a partir d e c u r r í c u l o s d e s i n t e g r a d o s , q u e e n f o c a m os aspectos curativos da prática e os c o m p o n e n t e s biológicos d o p r o c e s s o s a ú d e / d o e n ç a , s e m c o n s i d e r a r o s c o n d i c i o n a n t e s s o c i a i s a partir d o s quais esses processos o c o r r e m . O c o n t i n g e n t e f o r m a d o e m p r o g r a m a s d e três a c i n c o a n o s i n c o r p o r a - s e a o m e r c a d o d e trabalho c o m u m a série d e limitações q u e , s o m a d a s à oferta p r a t i c a m e n t e inexistente d e o p ç õ e s d e f o r m a ç ã o d e especialização e m c a m p o s e s p e c í f i c o s e a o e s c a s s o r e c o n h e c i m e n t o s o c i a l d e s s e s profissionais, d e t e r m i n a m c o n d i ç õ e s d e v i d a e d e t r a b a l h o p o u c o e s t i m u l a n t e s . Essa s i t u a ç ã o , à q u a l v e m juntar-se o b a i x o n í v e l d e r e m u n e r a ç ã o , explic a a e s c a s s e z d e e n f e r m e i r o s n o país, t a n t o e m n í v e l d e auxiliares c o m o n o d e profissionais. É r e d u z i d o o n ú m e r o anual d e ingressos e d e g r a d u a d o s nas diversas Escolas, e e m geral é grande o índice d e e v a s ã o escolar; segundos d a d o s d e u m a p e s q u i s a , para algumas Escolas a evasão anual chegaria a 9 4 % , e a 1 9 m é d i a ficaria e m t o r n o d e 6 0 % . E s s e f a t o f a z c o m q u e n o total d o país o n ú m e r o d e f o r m a d o s p o r a n o seja r e d u z i d o . S e g u n d o a Federación Argentina de Enfermería, entre 1990 e 1992 formaram-se 8 0 0 enfermeiros, d o s quais 5 0 % na Capital Federal e na P r o v í n c i a d e B u e n o s A i r e s , e c e r c a d e 4 . 0 0 0 auxiliares e m t o d o o país. C a b e assinalar q u e s e g u n d o a lei q u e regula o e x e r c í c i o ( L e i 2 4 . 0 0 4 ) , p e r t e n c e à categoria "profissional" toda pessoa q u e , c o m nível secundário, c o m p l e t e u m a f o r m a ç ã o d e m a i s d e três a n o s d e n í v e l s u p e r i o r . N a c a t e g o r i a d e auxiliares incluem-se a q u e l e s q u e , t e n d o c o m p l e t a d o seus estudos primários, r e a l i z e m u m c u r s o d e n o v e m e s e s d e d u r a ç ã o e m e s t a b e l e c i m e n t o s r e c o n h e c i d o s oficialmente. Por último, a categoria d o s empíricos (atendentes) - a mais numerosa no país - compreende as pessoas que, inde- p e n d e n t e m e n t e d e sua qualificação formal, capacitaram-se através d a e x p e riência. F O R M A Ç Ã O EM S A Ú D E PÚBLICA P a r a c o m p l e t a r e s t e q u a d r o , é p r e c i s o u m a c o n s i d e r a ç ã o s o b r e a form a ç ã o e m s a ú d e p ú b l i c a , q u e e n f r e n t a h o j e e m dia, e m q u a s e t o d a a A m é r i c a L a t i n a , o g r a n d e d e s a f i o d e r e f o r m u l a r s e u s p r o g r a m a s p a r a d a r u m a resp o s t a e f i c i e n t e à s n e c e s s i d a d e s reais d a p o p u l a ç ã o , a n t e a v e l o c i d a d e e a p r o f u n d i d a d e d a s m u d a n ç a s q u e e s t ã o s o f r e n d o as s u a s c o n d i ç õ e s d e s a ú d e . 19 Pesquisa exploratória das Escolas d e Enfermaria. Dirección OPAS, Argentina, 1990. Nacional de Recursos Humanos - D e m o d o g e r a l , pode-se a f i r m a r q u e n a A r g e n t i n a m a n t ê m - s e , n e s t e c a m p o , as c a r a c t e r í s t i c a s p r e d o m i n a n t e s n o s a n o s 6 0 , n ã o h a v e n d o s u r g i d o nesses a n o s - salvo algumas tentativas ¡soladas, d e curto a l c a n c e e p e q u e n o i m p a c t o - m u d a n ç a s n a estrutura d a s i n s t i t u i ç õ e s f o r m a d o r a s , n e m e m s u a vinculação c o m os serviços d e saúde e c o m o m o d e l o d e atendimento; n ã o modificou-se a o r i e n t a ç ã o d o s c u r s o s q u e e l a s o f e r e c e m , n e m d a s p e s q u i s a s q u e realizam. N e s s e quadro, a f o r m a ç ã o e m S a ú d e Pública na Argentina caracterizas e p o r u m a g r a n d e d i s p e r s ã o d e instituições e d e p r o p o s t a s . U m e s t u d o r e c e n t e , r e a l i z a d o c o m o o b j e t i v o d e identificar as t e n d ê n c i a s gerais d a f o r m a ç ã o d e p ó s - g r a d u a ç ã o e m S a ú d e P ú b l i c a , registra q u e 2 0 e m 1 9 9 1 existiam n o país 5 1 instituições q u e o f e r e c i a m p r o g r a m a s d e pósg r a d u a ç ã o e m S a ú d e P ú b l i c a . E n t r e e l a s , verifica-se u m a i m p o r t a n t e p a r t i c i 2 1 p a ç ã o d e instituições n ã o - a c a d ê m i c a s , p o i s a p e n a s 3 1 % d o total s ã o a c a d ê m i c a s n a á r e a d a s a ú d e e as r e s t a n t e s c o r r e s p o n d e m a i n s t i t u i ç õ e s s i n d i c a i s , d e serviço, d e g o v e r n o s provinciais o u nacionais e a instituições a c a d ê m i c a s fora d o c a m p o d a s s a ú d e . N a é p o c a d a r e a l i z a ç ã o d a p e s q u i s a , as instituições o b s e r v a d a s o f e r e c i a m , e m c o n j u n t o , 76 p r o g r a m a s d e f o r m a ç ã o , d o s q u a i s a p e n a s 5 7 r e a l m e n t e se d e s e n v o l v i a m . S e g u n d o a r e g u l a m e n t a ç ã o v i g e n t e n a m a i o r p a r t e d a s instituições a c a d ê m i c a s , q u a s e m e t a d e c o r r e s p o n d e r i a a c u r s o s d e e s p e c i a l i z a ç ã o , isto é , c o m d u r a ç ã o e n t r e 4 0 0 e 6 0 0 h o r a s letivas. A s u p e r i o r i d a d e d a s instituições n ã o a c a d ê m i c a s destaca-se também e m r e l a ç ã o a o n ú m e r o d e a l u n o s . D o total d e a l u n o s e g r e s s o s d e s s e s p r o g r a m a s e m 1 9 9 0 , 7 2 % v i n h a m d e instituições n ã o a c a d ê m i c a s ; s e g u n d o o s d a d o s d i s p o n í v e i s , e m 1 9 9 1 essa p r o p o r ç ã o s e m a n t i n h a e s t á v e l , e a o m e s m o t e m p o verificava-se u m i n c r e m e n t o n o n ú m e r o d e m a t r í c u l a s e m i n s t i t u i ç õ e s acadêmicas não pertencentes à área das saúde e e m programas desenvolvid o s p o r instituições p r i v a d a s , e m c o n v ê n i o c o m ó r g ã o s oficiais. A p e q u e n a i m p o r t â n c i a d a d a à f o r m a ç ã o n e s s e c a m p o fica e v i d e n c i a d a p e l o p e q u e n o n ú m e r o d e b o l s a s d e e s t u d o , f a t o q u e , tratando-se d e g r a d u a d o s , constitui u m a l i m i t a ç ã o à sua p a r t i c i p a ç ã o . O o p o s t o o c o r r e n o s p r o g r a mas oferecidos por instituições públicas provinciais, muitos d o s quais possibilitam a c a p a c i t a ç ã o d o s a l u n o s e m s e r v i ç o , m a n t e n d o a r e m u n e r a ç ã o e s t a belecida. Q u a n t o a o q u a d r o d o c e n t e , observa-se q u e é p e q u e n a a p a r t i c i p a ç ã o d e p r o f e s s o r e s d a s c a t e g o r i a s s u p e r i o r e s : a p e n a s 2 0 % s ã o titulares e assisten- 20 Encuesta a Programas PA. Em: Reunión sobre e Instituciones Formación de Salud Pública de Posgrado (Diretor: Dr. H e n r i q u e Stein), OPAS/AES¬ em Salud Pública en la República Argentina. Publicação n . 3 3 , OPAS/OMS-AESPA, Argentina, 1992. o 21 O estudo não incluiu o m a p e a m e n t o d e instituições c o m programas d e d u r a ç ã o inferior a 400 horas letivas. t e s . P o r o u t r o l a d o , é m u i t o baixa a d e d i c a ç ã o d o c o r p o d o c e n t e : 7 0 % d o c o n j u n t o t e m d e d i c a ç ã o s i m p l e s ( e n t r e 12 e 2 0 h o r a s s e m a n a i s , d e p e n d e n d o d a i n s t i t u i ç ã o ) , e a p e n a s 5 % o f e r e c e d e d i c a ç ã o exclusiva. E m finais d e 1 9 9 3 registram-se d u a s p r o p o s t a s q u e t e n t a m d a r r e s p a l d o institucional a u m a c o n c e p ç ã o e a u m a prática d e S a ú d e Pública a d e q u a d a à c o m p l e x i d a d e d a s m u d a n ç a s e as n e c e s s i d a d e s d e s a ú d e d a p o p u l a ç ã o . A primeira é u m M e s t r a d o r e c e n t e m e n t e a p r o v a d o pela U n i v e r s i d a d e d e B u e n o s A i r e s , c u j a i m p l e m e n t a ç ã o será c o m p a r t i l h a d a p o r u m g r u p o significativo d e f a c u l d a d e s ; a s e g u n d a iniciativa, e m v i a s d e a p r o v a ç ã o , é u m M e s t r a d o a ser d e s e n v o l v i d o d e f o r m a c o n j u n t a p e l o M u n i c í p i o d e R o s á r i o , a U n i v e r s i d a d e N a c i o n a l d e Rosário e a Associação M é d i c a d e Rosário. REGULAMENTAÇÃO E HABILITAÇÃO O c o r p o n o r m a t i v o q u e regula o e x e r c í c i o d a a t i v i d a d e d o s profissio- nais d e s a ú d e estrutura-se b a s i c a m e n t e e m t o r n o d a Lei 1 7 . 1 3 2 / 6 7 e d o s d e c r e t o s q u e a r e g u l a m e n t a m . S e u A r t i g o 4 3 possibilita a i n c o r p o r a ç ã o d e ativid a d e s d e a p o i o . N e l a s enquadram-se o s p o d ó l o g o s , os técnicos e m histopa¬ tologia e os instrumentadores. Leis p o s t e r i o r e s r e g u l a m e n t a r a m o e x e r c í c i o profissional d e o u t r a s c a t e g o r i a s , c o m o as d o s p s i c ó l o g o s , p r o t é t i c o s d e n t a i s e e n f e r m e i r o s . R e c e n t e m e n t e importantes modificações foram introduzidas no Artigo 2 1 , q u e r e g u l a m e n t a as e s p e c i a l i d a d e s m é d i c a s , e n o A r t i g o 3 1 , q u e trata d o exercício das especialidades odontológicas. A a t i v i d a d e f a r m a c ê u t i c a , n o q u e d i z r e s p e i t o t a n t o à p r á t i c a profissional q u a n t o à l i c e n ç a d e f a r m á c i a s , é r e g u l a d a s p e l a Lei 1 7 . 5 6 5 e suas e m e n das. As atividades profissionais não mencionadas são regidas pela Lei 17.132/67. O s d i p l o m a s s ã o e x p e d i d o s p e l a s U n i v e r s i d a d e s , e o registro profission a l é o u t o r g a d o , n o â m b i t o d a C a p i t a l F e d e r a l , p e l a Dirección Nacional Control ( T a b e l a 10). del Ejercicio Profesional y de las Especialidades Médicas de E m a l g u m a s províncias existem colegiados q u e habilitam quase todos os profissionais. N o r e s t o d o p a í s , o s r e s p o n s á v e i s p e l o registro s ã o ó r g ã o s s u b o r d i n a d o s a o Ministério da S a ú d e da jurisdição. O s c o l e g i a d o s profissionais s ã o o s ó r g ã o s r e s p o n s á v e i s p e l a é t i c a e a d e o n t o l o g i a d o e x e r c í c i o profissional. H o j e e m d i a c o m e ç a a definir-se u m a p o l ê m i c a e m t o r n o d e q u a l o u q u a i s d e v e r i a m ser o s ó r g ã o s r e g u l a d o r e s d a h a b i l i t a ç ã o profissional, m a s a i n d a n ã o s e p o d e p r e c i s a r s e h a v e r á , a c u r t o p r a z o , m u d a n ç a s na l e g i s l a ç ã o . O s g r a d u a d o s e m c u r s o s universitários n o e s t r a n g e i r o d e v e m e f e t u a r a r e v a l i d a ç ã o d e seu diploma para p o d e r e m exercer a profissão; n o c a s o d e p r o f i s s i o n a i s p r o v e n i e n t e s d e p a í s e s c o m o s q u a i s existe c o n v ê n i o , trata-se d e u m m e c a n i s m o administrativo d e trâmite a u t o m á t i c o ; e m outros casos, a revalidação exige e x a m e s d e e q u i v a l ê n c i a o u d e c o m p l e m e n t a ç ã o . Esse asp e c t o terá g r a n d e i m p o r t a n c i a n o f u t u r o p r ó x i m o , n o c a m p o d a s p o l í t i c a s d e integração regional (MERCOSUL). N o q u e d i z r e s p e i t o a o e x e r c í c i o d a s e s p e c i a l i d a d e s , s ã o três a s p r i n c i pais i n s t a n c i a s d e h a b i l i t a ç ã o : 1) as u n i v e r s i d a d e s , a t r a v é s d e c u r s o s d e e s p e c i a l i z a ç ã o ; 2) o s c o l e g i a d o s m é d i c o s e as a s s o c i a ç õ e s p r o f i s s i o n a i s ; 3) o s s e r v i ç o s r e c o n h e c i d o s a partir d e u m p e r í o d o d e c i n c o a n o s de exercício e m determinada especialidade. C o m o c o n s e q ü ê n c i a dessa diversidade, os requisitos n ã o s ã o h o m o g ê neos. O custo d e muitos deles t a m b é m age c o m o m e c a n i s m o diferenciador, e m b o r a n e m s e m p r e se p o s s a a s s o c i a r o c u s t o à q u a l i d a d e . Q u a n t o aos m e c a n i s m o s d e revalidação d e certificados, só existem normas estabelecidas por alguns colegiados, c o m o o d e C ó r d o b a . N o d a C a p i t a l F e d e r a l , e a partir d e 1 f l . d e m a r ç o d e 1 9 9 3 , foi âmbito regulamentado u m regime d e revalidação d e certificados d e especialistas a c a d a c i n c o a n o s , sob a jurisdição da Secretaria d e S a ú d e subordinada a o Ministério da S a ú d e e A ç ã o S o c i a l . A r e v a l i d a ç ã o será realizada através d e u m a a v a l i a ç ã o d e a n t e c e d e n t e s e u m e x a m e e s p e c í f i c o . Esse m e c a n i s m o a i n d a n ã o f o i i m p l e m e n t a d o , e, p o r sua e n v e r g a d u r a , p a r a ser c o l o c a d o e m a n d a m e n t o r e q u e r a formalização d e convênios c o m os serviços. TABELA 10 R e g u l a m e n t a ç ã o G e r a l d o Exercício Profissional Fonte: Estimativa d o autor c o m base e m dados fornecidos pelo Ministério d e Cultura e Educaç ã o e Ministério de S a ú d e e A ç ã o Social da Argentina. A N E X O II RELAÇÃO DE ESPECIALIDADES MÉDICAS Alergia, A n a t o m i a Patológica, Anestesiologia, Angiologia, Bacteriologia, Cardiologia, Cirurgia Cardiovascular, Cirurgia d e C a b e ç a e P e s c o ç o , Cirurgia G e r a l , Cirurgia Plástica, Cirurgia Toráxica, Cirurgia V a s c u l a r e Periférica, Clínic a M é d i c a , D e r m a t o l o g i a , D e r m a t o s i f i l o g r a f i a , D i a g n ó s t i c o p o r I m a g e n s : (rad i o l o g i a , r a d i o d i a g n ó s t i c o , t o m o g r a f i a c o m p u t a d o r i z a d a , e c o g r a f i a , ultra-so¬ nografia). Endocrinologia, Endoscopia Digestiva, D o e n ç a s Infecciosas, Epidem i o l o g i a , F a r m a c o l o g i a , Fisiatria, G a s t r o e n t e r o l o g i a , G e n é t i c a , G e r i a t r i a , G i n e c o l o g i a , H e m o t e r a p i a , H e m a t o l o g i a , H i g i e n e Industrial, H i g i e n e e M e d i c i na Preventiva, Imunologia, Leprologia, Mastologia, M e d i c i n a Aeronáutica e Espacial, M e d i c i n a Esportiva, M e d i c i n a d o Trabalho, M e d i c i n a Legal, M e d i c i na N u c l e a r , M e d i c i n a Sanitária o u A d m i n i s t r a ç ã o Hospitalar, o u S a ú d e Pública, Nefrologia, Neurocirurgia, Neurologia, Nutrição, Oftalmologia, Obstetrícia, O n c o l o g i a , O r t o p e d i a e Traumatologia, Otorrinolaringologia, Pediatria, P n e u m o n o l o g i a , Protologia, Psicologia M é d i c a , Reumatologia, Terapia Radioativa (Cobaltoterapia, Radioterapia, Radiumoterapia e Isótopos radioativos c o m fins t e r a p ê u t i c o s ) . T e r a p i a I n t e n s i v a , Tisiologia, T i s i o p n e u m o n o l o g i a , To¬ coginecologia. Toxicologia, Urologia. R E L A Ç Ã O DE ESPECIALIDADES PEDIÁTRICAS C l í n i c a P e d i á t r i c a , C a r d i o l o g i a Infantil, C i r u r g i a Infantil, N e f r o l o g i a I n f a n til, N e u r o l o g i a Infantil, N e o n a t o l o g i a , Psiquiatria Infantil. F o n t e : Dirección Nacional des Médicas. de Control y Regulación Secretaría de Salud. Ministerio del Ejercicio Profesional de Salud y Acción y de las Social. Especialida- A N E X O III RELAÇÃO DE INSTITUIÇÕES E O R G A N I S M O S C O N S U L T A D O S Asociación Argentina d e Alergia e Inmunología Asociación Argentina d e Cirugía Asociación Argentina de Dermatología A s o c i a c i ó n Argentina d e Dietistas y Nutricionistas Dietistas Asociación Argentina de Neurocirugía Asociación Argentina d e Ortopedia e Traumatología Asociación Bioquímica Argentina Asociación Fonoaudiológica Argentina Asociación Interamericana d e Ingenieros Sanitarios A s o c i a c i ó n d e Psiquiatras A r g e n t i n o s C e n t r o d e Estudios e I n v e s t i g a c i ó n e n T r a b a j o S o c i a l Confederación Farmacéutica Argentina C o n f e d e r a c i ó n M é d i c a d e la R e p ú b l i c a A r g e n t i n a C o n f e d e r a c i ó n U n i f i c a d a d e B i o q u í m i c o s d e la R e p ú b l i c a A r g e n t i n a C o n f e d e r a c i ó n d e K i n e s i ó l o g o s y F i s i o t e r a p e u t a s d e la R e p . A r g e n t i n a D i r e c c i ó n N a c i o n a l d e Estadísticas d e S a l u d - S e c r e t a r í a d e S a l u d - Ministerio d e Salud y A c c i ó n Social D i r e c c i ó n N a c i o n a l d e C o n t r o l y R e g u l a c i ó n d e l E j e r c i c i o P r o f e s i o n a l y d e las Especialidades M é d i c a s - Secretaría d e Salud - Ministerio d e Salud y A c c i ó n Social E s c u e l a d e N u t r i c i ó n d e la U n i v e r s i d a d d e B u e n o s A i r e s Federación Argentina d e Asociaciones d e Anestesiología Federación Argentina de Cardiología Federación Argentina d e Enfermería F e d e r a c i ó n A r g e n t i n a d e G r a d u a d o s d e la R e p . A r g e n t i n a e n N u t r i c i ó n Federación Argentina d e Sociedades d e Endocrinología Federación Argentina de Sociedades de Ginecologia y Obstetricia Federación Argentina de Sociedades de Otorrinolaringología F e d e r a c i ó n A r g e n t i n a d e T r a b a j a d o r e s d e la S a n i d a d Federación d e Profesionales Municipales F e d e r a c i ó n d e P s i c ó l o g o s d e la R e p ú b l i c a A r g e n t i n a S o c i e d a d Argentina d e Alergia e Inmunopatología Sociedad Argentina de Cardiología S o c i e d a d A r g e n t i n a d e C i r u g í a Plástica Sociedad Argentina de Coloproctología Sociedad Argentina d e Dermatología Sociedad Argentina de Diabetes S o c i e d a d Argentina d e Ecografía e Ultrasonografía S o c i e d a d Argentina d e Endocrinología y Metabolismo Sociedad Argentina de Gasteroenterología S o c i e d a d Argentina de Nefrologia Sociedad Argentina de Neurología Sociedad Argentina d e Nutrición Sociedad Argentina de Oftalmología S o c i e d a d Argentina d e Otorrinolaringología S o c i e d a d Argentina d e Patología S o c i e d a d Argentina d e Pediatría S o c i e d a d Argentina d e Radiología Sociedad Argentina d e Urologia S o c i e d a d d e M e d i c i n a Veterinaria ESTUDO DE CONDIÇÕES DE FORMAÇÃO E EXERCÍCIO PROFISSIONAL EM SAÚDE NO BRASIL Mario Roberto Dal Poz Tereza Christina Varella C O N S I D E R A Ç Õ E S INICIAIS Este d o c u m e n t o , p r e p a r a d o c o m o s u b s í d i o à r e u n i ã o d e M o n t e v i d é u , Uruguai, é u m a a b o r d a g e m preliminar das c o n d i ç õ e s d e f o r m a ç ã o e exercíc i o profissional e m s a ú d e n o Brasil. A p r e o c u p a ç ã o m a i o r d o t e x t o , a o s o bressair d a d o s e séries, é a c a r a c t e r i z a ç ã o d o c o n j u n t o d a p r o b l e m á t i c a , d e m a n e i r a clara e sintética, p e r m i t i n d o sua c o m p r e e n s ã o e u t i l i z a ç ã o p o r d i ferentes interlocutores. A l g u m a s q u e s t õ e s , c o m o s e v e r á , s ã o c o m u n s às d i f e r e n t e s c a t e g o r i a s profissionais. D e n t r e essas q u e s t õ e s se e n c o n t r a m o s m e c a n i s m o s d e i n g r e s so nas instituições d e e n s i n o s u p e r i o r , q u e p e r m i t e m o a c e s s o a o s e s t u d a n tes q u e c o n c l u e m o 2 o g r a u . A s p r o v a s seletivas s ã o r e a l i z a d a s , a n u a l m e n t e , pela a s s o c i a ç ã o e n t r e as d i v e r s a s u n i v e r s i d a d e s o u f a c u l d a d e s i s o l a d a s , p ú b l i c a s o u p r i v a d a s . Essas p r o v a s s ã o e l a b o r a d a s c o m b a s e n o c o n t e ú d o d a s disciplinas e c o n h e c i m e n t o s e x i g i d o s n o 2 a grau. A m o d a l i d a d e d e p r o v a n ã o é, o b r i g a t o r i a m e n t e , a m e s m a , p o i s o s critérios p o d e m v a r i a r s e g u n d o o E s t a d o o u g r u p o d e instituições. O s e s t u d a n t e s e s t r a n g e i r o s p o d e m inserir-se e m c u r s o s o u programas d e s e n v o l v i d o s , n o país, a partir d o s m e c a n i s m o s d e c o r r e n t e s d o s acordos c u l t u r a i s e c i e n t í f i c o s , e m três m o d a l i d a d e s : 1. N o s cursos d e g r a d u a ç ã o , o ingresso i n d e p e n d e d e a p r o v a ç ã o n o p r o c e s so seletivo das instituições d e ensino. O s alunos são e n c a m i n h a d o s do país d e o r i g e m já c o m habilitação para o curso escolhido, p e l o c o n s u l a d o brasileiro, q u e s e responsabiliza p o r atestar a suficiência n o idioma n a c i o nal; 2. N o s p r o g r a m a s d e e s p e c i a l i z a ç ã o similares à R e s i d ê n c i a M é d i c a o p r o c e d i m e n t o é o m e s m o d a g r a d u a ç ã o , a p e n a s o p r o c e s s o s e l e t i v o é feito n a s próprias instituições d e ensino o u serviços c r e d e n c i a d o s , pela análise curricular d o s c a n d i d a t o s . O s i n t e r e s s a d o s d e v e m c o m p r o v a r c o n d i ç õ e s d e sustento p r ó p r i o n o p e r í o d o d o curso, pois n ã o existem bolsas para este tipo d e programa; 3. N a p ó s - g r a d u a ç ã o stricto s e n s u s ã o o f e r e c i d o s c u r s o s d e n í v e l d e M e s t r a d o e D o u t o r a d o , avaliados pela Cordenadoria d e A p e r f e i ç o a m e n t o Pessoal d e Nível Superior - CAPES de - c o m o nível "A" o u " B " e a s e l e ç ã o é realizada por via d o c u m e n t a l . N o q u e s e r e f e r e a i n d a à p ó s - g r a d u a ç ã o , foi i n c l u í d o n o final d o d o c u m e n t o u m a b r e v e análise d o s programas e cursos d e mestrado e d o u t o r a d o a g r u p a d o s s o b a d e n o m i n a ç ã o d e "profissões da saúde". A p e s a r d e a u t o r i z a d o p e l a n o v a C o n s t i t u i ç ã o , a t é h o j e n ã o foi r e g u l a m e n t a d o o " s e r v i ç o civil o b r i g a t ó r i o " . A s t e n t a t i v a s d e e n c a m i n h a m e n t o d e s ta q u e s t ã o n ã o s e c o n c r e t i z a r a m , e n c o n t r a n d o resistência n o m e i o e s t u d a n til. O a s s u n t o t e n d e a ficar e s q u e c i d o , n e s t e m o m e n t o , f a c e à i n e x i s t ê n c i a d e opinião consensual sobre o problema. A a n á l i s e d a o f e r t a d e e m p r e g o s p e l a s i n s t i t u i ç õ e s d e s a ú d e , a partir d e 1 9 8 7 , foi p r e j u d i c a d a , e m p a r t e , p e l a e x c l u s ã o d e d a d o s d e r e c u r s o s h u m a n o s n o " I n q u é r i t o s o b r e A s s i s t ê n c i a M é d i c o - S a n i t á r i a " , d e s e n v o l v i d o p e l o Instituto B r a s i l e i r o d e G e o g r a f i a e Estatística. M u i t o s d a d o s f o r a m o b t i d o s c o m o Sistema d e Informações d e Recursos H u m a n o s , da C o o r d e n a ç ã o Geral d e D e s e n v o l v i m e n t o d e Recursos H u m a n o s para o SUS, d o Ministério da S a ú d e e n o s C o n s e l h o s Profissionais. A l g u m a s t e n d ê n c i a s , n o e n t a n t o , p o d e m ser c l a r a m e n t e o b s e r v a d a s . A 1 p a r t i c i p a ç ã o f e m i n i n a na f o r ç a d e t r a b a l h o e m s a ú d e c o n t i n u a a u m e n t a n d o . N o p e r í o d o 7 0 / 8 0 , a p a r t i c i p a ç ã o f e m i n i n a c r e s c e u d e 4 0 p a r a 6 0 % d o total d a FTS. E s s e p r o c e s s o r e p e r c u t e f o r t e m e n t e n o n í v e l d e r e m u n e r a ç ã o dos profissionais, pois, historicamente, a m ã o d e o b r a feminina t e m sido m e n o s remunerada relativamente. 1 Girardi, S. N., A estrutura ocupacional da saúde no Brasil, M i n . Saúde, Brasília, 1990. ( M i ¬ meo). O a u m e n t o d o n ú m e r o d e horas trabalhadas, associado a o multiempre¬ g o , m e s m o n o s e t o r p ú b l i c o tornou-se c o m u m e n t r e o s profissionais d e s a ú d e , n u m a t e n t a t i v a d e c o m p e n s a r as p e r d a s salariais, e s t e n d e n d o - s e i n c l u s i v e a o pessoal d e e n f e r m a g e m , . O u t r o a s p e c t o a ressaltar é o c r e s c i m e n t o d a f o r m a a s s a l a r i a d a e a r e d u ç ã o d e e s p a ç o , n o m e r c a d o , p a r a o s profissionais n a c o n d i ç ã o d e a u t ô n o m o . N a d é c a d a d e 7 0 / 8 0 , o n ú m e r o d e profissionais a u t ô n o m o s p a s s a de 4 2 , 8 % p a r a 3 3 . 6 % d a FTS. E m r e l a ç ã o à o f e r t a d e e m p r e g o existe h o j e u m a t e n d ê n c i a a o f o r t a l e c i m e n t o d a esfera m u n i c i p a l . N o b o j o d a s t r a n s f o r m a ç õ e s q u e s e p r o c e s s a m c o m a implantação d o sus e a conseqüente descentralização dos serviços e ações d e saúde, h o u v e u m a m u d a n ç a no eixo d o o f e r e c i m e n t o d e vagas p ú blicas. Este p r o c e s s o d e v e r á ser c a d a v e z m a i s a c e n t u a d o e m f a c e d e a p o sentadoria e outras m o d a l i d a d e s d e afastamento definitivo d a q u e l e s q u e estão e m p r e g a d o s e m estabelecimentos federais e estaduais municipalizados. C a b e r á às m u n i c i p a l i d a d e s a a b s o r ç ã o d e s t e s p o s t o s d e t r a b a l h o . A s c o r r e n t e s m i g r a t ó r i a s internas s ã o c l a r a m e n t e o b s e r v a d a s , n a á r e a de saúde, no processo de busca de qualificação/especialização. Percebe-se u m fluxo c o n s t a n t e , d a s r e g i õ e s n o r t e e n o r d e s t e , p a r a a r e g i ã o s u d e s t e , d e candidatos e alunos para programas d e residência m é d i c a e m e s t r a d o / d o u torado. O u t r a t e n d ê n c i a q u e s e m a n t é m , d e s d e o s a n o s 70, é o c r e s c i m e n t o d e p a r t i c i p a ç ã o d o s profissionais d e nível m é d i o n o m e r c a d o d e t r a b a l h o . A relação empregatícia da maior parte das instituições públicas d e saúd e é d e n a t u r e z a e f e t i v a , c o m e s t a b i l i d a d e p a r a o f u n c i o n á r i o . A lei q u e e s t a b e l e c e u o r e g i m e j u r í d i c o ú n i c o p a r a o s s e r v i d o r e s p ú b l i c o s f e d e r a i s foi r e p r o d u z i d a n a m a i o r i a d o e s t a d o s e m u n i c í p i o s brasileiros. N o processo d e realização da 8 a Conferência Nacional de Saúde, e m 1 9 8 6 , constituiu-se u m c o l e g i a d o d e n o m i n a d o " P l e n á r i a N a c i o n a l d e S a ú d e " q u e t e m se mantido r a z o a v e l m e n t e organizado e reivindicante. S u a c o m p o sição, bastante ampla, incluiu a maioria d o s c o n s e l h o s federais e estaduais d a s p r o f i s s õ e s d e s a ú d e , as f e d e r a ç õ e s nacionais, sindicatos, associações profissionais d a s m a i s d i v e r s a s , b e m c o m o a s s o c i a ç õ e s d e m o r a d o r e s e o u tras, c o m o as d e p a c i e n t e s r e n a i s c r ô n i c o s . S u a a t u a ç ã o t e m s i d o m a i s i n t e n sa j u n t o a o C o n s e l h o N a c i o n a l d e S a ú d e e a o p r ó p r i o M i n i s t é r i o d a S a ú d e . MÉDICOS Formação Graduação A p ó s a criação e m 1808, da Escola de Cirurgia no Hospital Real na Bahia e a f u n d a ç ã o da Escola A n a t ô m i c a , Cirúrgica e M é d i c a d o Rio de J a n e i r o , o p r o c e s s o d e f o r m a ç ã o d e n o v a s e s c o l a s m é d i c a s n o Brasil pas2 sou a ocorrer e m ciclos, atendendo, e m cada período e conjuntura, aos variados interesses políticos, e c o n ô m i c o s o u técnico-científicos. Em dois períodos o surgimento de novas escolas médicas teve c a r a c t e r í s t i c a s q u a s e d e "surto": d e 1 9 5 0 a 1 9 6 4 ( 2 3 n o v a s e s c o l a s , o u seja, q u a s e d u a s e s c o l a s p o r a n o ) e d e 1 9 6 5 a 1 9 7 1 ( 3 7 e s c o l a s , o u seja, seis e s c o l a s n o v a s p o r a n o ) . N o s a n o s r e c e n t e s f o r a m p o u c a s as n o v a s e s c o l a s m é dicas criadas. TABELA 1 Distribuição dos Cursos de Medicina, Segundo o Período d e C r i a ç ã o , Brasil Fonte: MEC. TABELA 2 Distribuição d e Cursos d e M e d i c i n a S e g u n d o a D e p e n d ê n c i a da Instituição M a n t e n e d o r a , Brasil, 1 9 9 0 Fonte: SIRH/CGDRH-SUS/MS. A t u a l m e n t e 8 0 instituições d e ensino m é d i c o estão e m f u n c i o n a m e n t o , distribuídas e m p r a t i c a m e n t e t o d o s o s e s t a d o s b r a s i l e i r o s . E n q u a n t o o s c u r ¬ 3 2 M e n d e s , J . P. V., (1979), Expansão do ensino m é d i c o no Brasil e suas repercussões. In: Simpósio 3 sobre ensino médico. E d . A c a d e m i a Brasileira d e M e d i c i n a . Exceto nos estados d o A c r e , A m a p á , Rondônia, Roraima e Tocantins . sos d e instituições p ú b l i c a s f e d e r a i s t e m p r e s e n ç a e m t o d a s a s r e g i õ e s , a s instituições p r i v a d a s c o n c e n t r a m n o s e s t a d o s d a r e g i ã o s u d e s t e a m a i o r i a d e seus c u r s o s . A c u r v a d e c r e s c i m e n t o d o s d i p l o m a d o s e m M e d i c i n a m o s t r a u m a relativa e s t a b i l i d a d e e m t o r n o d e 7.000 e g r e s s o s / a n o , c o m ligeira r e d u ç ã o n o s anos mais recentes. GRÁFICO 1 D i p l o m a d o s e m M e d i c i n a , Brasil, 1 9 7 3 / 1 9 8 9 Fonte: SIRH/CGDRI I-SUS/MS. O financiamento das faculdades públicas é quase q u e exclusivo d e fontes g o v e r n a m e n t a i s . N o c a s o d e f a c u l d a d e s f e d e r a i s , o M i n i s t é r i o d a E d u c a ç ã o é responsável pelas atividades financeiras e a c a d ê m i c a s e a r e m u n e r a ç ã o d o staff, i g u a l m e n t e e m t o d o o território n a c i o n a l , c o m b a s e n u m a t a b e la e critérios d e título, t e m p o p a r c i a l o u integral e d e d i c a ç ã o e x c l u s i v a . N o caso d e faculdades estaduais, os recursos v ê m d o s tesouros estaduais. Q u a s e todos o s hospitais universitários p e r t e n c e n t e s a f a c u l d a d e s públicas o u privadas s ã o financiados pelo setor público, através principalmente do INAMPS/Ministério da Saúde. A s escolas médicas privadas r e c e b e m ajuda governamental através d o crédito educativo ( p a g a n d o ajuda a o s estudantes menos favorecidos) e a remuneração d e serviços prestados por seus hospitais e s c o l a . M u i t a s t a m b é m o b t ê m s u b s í d i o s p a r a s u a s i n s t a l a ç õ e s d e f u n d o s d e desenvolvimento social. A g ê n c i a s governamentais para o d e s e n v o l v i m e n to t e c n o l ó g i c o e c i e n t í f i c o t a m b é m c o n t r i b u e m a t r a v é s d e a j u d a à p e s q u i s a e d e programas d e treinamento d e pós-graduação d e recursos h u m a n o s (CA¬ P E S / C N P q ) . Esta c o n t r i b u i ç ã o , n o e n t a n t o , é a p l i c a d a s o m e n t e a p o u c a s e s c o las m é d i c a s q u e d e s e n v o l v e m p e s q u i s a . A t é o s a n o s 4 0 as e s c o l a s m é d i c a s brasileiras inspiravam-se n o m o d e l o e u r o p e u , e s p e c i a l m e n t e o f r a n c ê s , substituída, a partir d a 2 G u e r r a M u n d i a l , a p e l a m e d i c i n a a m e r i c a n a , q u e p a s s o u a e x e r c e r u m a g r a n d e influência. A e d u c a ç ã o m é d i c a n o Brasil a i n d a m a n t é m , n o e n t a n t o , u m v í n c u l o c o m a trad i ç ã o d a s e s c o l a s f r a n c e s a s , p o i s as e s c o l a s m é d i c a s , e m geral, n ã o i n c o r p o raram experimentos e pesquisa c o m o atividades fundamentais. A influência d a m e d i c i n a a m e r i c a n a foi s e n d o c o n s o l i d a d a p e l a c r i a ç ã o d a r e s i d ê n c i a m é d i c a , h o s p i t a i s u n i v e r s i t á r i o s e , p o s t e r i o r m e n t e , p e l a r e f o r m a universitária d e 1 9 6 8 , q u a n d o o m o d e l o a c a d ê m i c o i n s p i r a d o na R e f o r m a F l e x n e r foi definitiv a m e n t e i m p l a n t a d o , c o m a d i v i s ã o d o c u r s o e m c i c l o b á s i c o e profissional. O C o n s e l h o Federal d e E d u c a ç ã o , e m 1969, através d e u m a resolução, e s t a b e l e c e u o c u r r í c u l o m í n i m o p a r a o s c u r s o s m é d i c o s e sua d u r a ç ã o . Essa r e s o l u ç ã o e s t a b e l e c e o c o n t e ú d o d a s m a t é r i a s profissionais b á s i c a s a s e r e m o r g a n i z a d a s e m d i s c i p l i n a s e d i v i d i d a s n o c u r r í c u l o d e a c o r d o c o m c a d a instit u i ç ã o ( p ú b l i c a o u p r i v a d a ) . O c u r s o d e v e incluir a teoria b á s i c a e e x p e r i ê n c i a s p r á t i c a s r e l a c i o n a d a s c o m as disciplinas, e s p e r a n d o - s e q u e o s e s t u d a n t e s t r a b a l h e m e m c e n t r o s d e s a ú d e , a m b u l a t ó r i o s e hospitais-escola. O internato é o b r i g a t ó r i o , s o b s u p e r v i s ã o d e staff, p o r u m p e r í o d o m í n i m o d e d o i s s e mestres. O curso m é d i c o d e v e alcançar 4.500 horas e durar no m í n i m o cinc o e, no m á x i m o , n o v e anos. A p e s a r da flexibilidade, d a d a pela resolução, e m estabelecer diferentes programas, o currículo da maioria das escolas médicas estão organizadas d e m a n e i r a rígida e u n i f o r m e . A s características a seguir c o m p õ e m o típico currículo m é d i c o n o Brasil : 4 • • e s t r u t u r a c u r r i c u l a r inflexível c o m p o u c a s disciplinas o p c i o n a i s ; m e t o d o l o g i a d e ensino b a s e a d a na transmissão d o c o n h e c i m e n t o , o n d e é importante a memorização d a i n f o r m a ç ã o e a v a l i a ç ã o feita a t r a v é s de exames teóricos; • e n t r a d a tardia d e e s t u d a n t e s n o s s e r v i ç o s d e s a ú d e , c o m s e p a r a ç ã o clara entre os ciclos básico e clínico. O ciclo básico c o m duração de aproximad a m e n t e c i n c o semestres é essencialmente teórico e d a d o por professores q u e n ã o t r a b a l h a m n o r m a l m e n t e na c l í n i c a . O c i c l o profissional c o n siste d e disciplinas q u e correspondem às e s p e c i a l i d a d e s clínicas e c i - r ú r g i c a s e a s " c h a m a d a s " á r e a s b á s i c a s ( M e d i c i n a I n t e r n a , P e d i a t r i a , Cirurgia e G i n e c o - O b s t e t r í c i a ) . O i n t e r n a t o , p a r t e o b r i g a t ó r i a d o c i c l o profission a l , p o d e ser f e i t o e m r o d í z i o n a s q u a t r o á r e a s b á s i c a s c i t a d a s ; • prática intra-hospitalar, onde o ciclo clínico é predominantemente d e s e n v o l v i d o , c o n t r i b u i n d o assim para u m maior d i r e c i o n a m e n t o à m e d i cina individual e curativa, à especialização p r e c o c e d o estudante e favorec e n d o ainda os p r o c e d i m e n t o s diagnósticos e terapêuticos sofisticados; 4 Ribeiro, E. C . e Santini, L. A. M e d i c a l Education in Brazil, Rio d e Janeiro, 1992. ( M i m e o ) • fraca f o r m a ç ã o científica d o estudante, resultado da s e p a r a ç ã o e n t r e ensin o e pesquisa, b e m c o m o d a p o u c a ênfase n o uso d e instrumentos c o m o a epidemiologia; • ênfase no m o d e l o b i o m é d i c o , o n d e a d o e n ç a é reduzida a u m a expressão anatomopatológica, o c o r p o h u m a n o c o n c e b i d o c o m o u m a máquina c o m p o s t a d e órgãos e sistemas e o b j e t o d a i n t e r v e n ç ã o m é d i c a . O im- p a c t o d a t e c n o l o g i a na a t e n ç ã o m é d i c a e n f r a q u e c e u o p a p e l d a r e l a ç ã o médico-paciente e da ética na formação. Condições de Ingresso O acesso à escola superior, o u médica é o seja: e x a m e s de mesmo dos demais cursos d e seleção, públicos, para os estudantes nível que c o m p l e t a r a m o s e g u n d o g r a u . O s critérios p a r a a a d m i s s ã o s ã o d e f i n i d o s p o r c a d a instituição, h a v e n d o n o e n t a n t o u m a t e n d ê n c i a a a s s o c i a ç õ e s p a r a a realização dos exames, diante d o grande n ú m e r o d e candidatos. A relação c a n d i d a t o / v a g a t e m s e m a n t i d o b a s t a n t e alta n e s s e s ú l t i m o s a n o s . TABELA 3 Distribuição do N ú m e r o d e Vagas e Candidatos aos Exames d e S e l e ç ã o para os Cursos d e M e d i c i n a , 1986/1990 Ano Vagas Candidatos Relação candidato/vaga Fonte: SIRH/CCDRH-SUS/MS. O Ministério da E d u c a ç ã o é o órgão encarregado d e a c o m p a n h a r avaliar a q u a l i d a d e d a s i n s t i t u i ç õ e s d e e n s i n o e m saúde, através d e e suas estruturas c o m o a S e c r e t a r i a d e E n s i n o S u p e r i o r . E s s e c o n t r o l e , n o e n t a n t o , t e m sido, e m geral, a p e n a s n o r m a t i v o e cartorial. R e c e n t e m e n t e o C o n s e l h o Nacional de Saúde criou uma Comissão Interinstitucional Nacional de A v a l i a ç ã o d o E n s i n o M é d i c o ( C I N A E M ) . Essa c o m i s s ã o r e a l i z o u u m a p r i m e i r a a v a l i a ç ã o u t i l i z a n d o u m q u e s t i o n á r i o d e auto-resposta b a s e a d o e m da 5 OPAS. material 5 , 6 Picini, R. X. et al. A v a l i a ç ã o d o ensino m é d i c o no Brasil: relatório da 1 * fase. R. Brás. Educ. Méd., R.J., 16(1/3):37-52, jan/dez, 1992. 6 G o n ç a l v e s , E. L. Perfil da escola médica brasileira e m 1 9 9 1 . Rev. Paulo 47(4), 1992. Hosp. Ctin. Fac. Med. S. D i a n t e das pressões dos organismos representativos dos médicos e aind a d e a l g u m a s i n s t i t u i ç õ e s universitárias, a c r i a ç ã o d e n o v o s c u r s o s n a á r e a d e s a ú d e foi d i s c i p l i n a d a p e l o D e c r e t o 9 8 . 3 7 7 d e 0 8 / 1 1 / 8 9 , q u e a p a r d e e s tabelecer novos procedimentos, incorporou a participação d o Conselho Nacional d e S a ú d e a o lado d o Conselho Federal d e Educação. • Pós-Graduação A l é m d a p ó s - g r a d u a ç ã o stricto sensu, c o m o o m e s t r a d o e o d o u t o r a d o , a á r e a m é d i c a d e s e n v o l v e u f o r t e m e n t e o s c u r s o s d e e s p e c i a l i z a ç ã o e a resid ê n c i a m é d i c a (lato sensu). E s p e c i a l i d a d e s Médicas/Residência Médica Responsável pela formação da maior parte dos especialistas, R e s i d ê n c i a M é d i c a foi i n t r o d u z i d a n o Brasil e n t r e o s a n o s d e 1 9 4 5 e n a FM-USP e n o HSE/RJ. O f i c i a l i z a d a e m 5/9/77, destinada constitui-se a como médicos sob 1977 pelo Decreto "modalidade a forma de de ensino especialização, n caracterizada 7 instituições de saúde, universitárias ou não, sob a de pós-graduação treinamento e m serviço, e m regime de dedicação exclusiva , em 80.281, o de a 1947 por funcionando orientação de profissionais m é d i c o s d e e l e v a d a qualificação ética e profissional". Em decorrência dessa l e g i s l a ç ã o foi c r i a d a a Comissão Nacional de R e s i d ê n c i a M é d i c a q u e , a partir d a d e f i n i ç ã o a c i m a d e d i c o u - s e a e s t a b e l e c e r n o r m a s , requisitos e critérios m í n i m o s para o c r e d e n c i a m e n t o dos progra- m a s d e Clínica M é d i c a , Cirurgia G e r a l , M e d i c i n a Preventiva e Social, O b s t e trícia e G i n e c o l o g i a e P e d i a t r i a , c o n s i d e r a d a s á r e a s p r e f e r e n c i a i s e q u e a t é hoje orientam o desenvolvimento dos programas . 8 M o t i v o d e alguns m o v i m e n t o s e m e s m o greves, a filiação d o médicor e s i d e n t e a o sistema da p r e v i d ê n c i a social foi r e g u l a m e n t a d o e m 1987, asseg u r a d o a i n d a o s d i r e i t o s d e c o r r e n t e s d e a c i d e n t e s d o t r a b a l h o , licença-gesta¬ ç ã o e o u t r o s b e n e f í c i o s . E m 1 9 9 0 n o v a lei m o d i f i c a o v a l o r d a b o l s a p a r a o médico-residente para 7 5 % d o s v e n c i m e n t o s d o m é d i c o nível V , d o Ministério d a E d u c a ç ã o , a c r e s c i d o d e 1 0 0 % p o r r e g i m e e s p e c i a l d e treinamento, representando, atualmente, U S $ 300 mensais. C o m o o p r o c e s s o d e registro d o d i p l o m a é f e i t o c e n t r a l i z a d a m e n t e na C N R M , p e l o s p r o g r a m a s c r e d e n c i a d o s , pode-se o b s e r v a r a t e n d ê n c i a d e c r e s c i m e n t o n o n ú m e r o d e especialistas f o r m a d o s a n u a l m e n t e , c o m picos a c e n tuados e m 1985 e 1988. 7 M o d i f i c a d a por legislação posterior. 8 G u a l b e r t o , L D. Residência M é d i c a no Brasil. Bras. Med. 30 Sup.(1): 1 9 : 2 1 , jan-mar, 1993. GRÁFICO 2 M é d i c o s - R e s i d e n t e s R e g i s t r a d o s na C N R M , 1 9 8 1 / 1 9 9 2 Fonte: CNRM. O s programas q u e registraram mais especialistas, nesse p e r í o d o , f o r a m , respectivamente, Pediatria, Cirurgia G e r a l , Clinica M é d i c a , Gineco-Obstetrí- cia e Anestesiología. GRÁFICO 3 E v o l u ç ã o dos Médicos-Residentes Registrados na C N R M , por Especialidade, 1981/1992 Fonte: CNRM. No ano de 1992 foram oferecidas 4.889 vagas para ingresso nos p r o g r a m a s d e residência m é d i c a , nas 4 8 especialidades o f e r e c i d a s p o r t o d a s as i n s t i t u i ç õ e s a u t o r i z a d a s p e l a C N R M . Essas v a g a s s e c o n c e n t r a m n a r e g i ã o sudeste, destacando-se o Ministério da E d u c a ç ã o e a FUNDAP/SP instituições portanto com maior número de residentes e como como as maiores f i n a n c i a d o r e s . Estima-se q u e e x i s t a m 1 2 0 . 0 0 0 especialistas e m t o d o o país ( u m p o u c o m a i s d a m e t a d e d o s m é d i c o s registrados a t i v o s ) . 9 A s especialidades reconhecidas pelo C o n s e l h o Federal d e Medicina, a t r a v é s d a R e s o l u ç ã o 1.295 d e 9 . 6 . 1 9 8 9 , p a r a e f e i t o d e registro d e qualificaç ã o d e e s p e c i a l i s t a , s ã o as s e g u i n t e s : a d m i n i s t r a ç ã o hospitalar, alergia e i m u nologia, anestesiologia, angiologia, broncoesofagologia, cancerologia, cardiol o g i a , cirurgia d a c a b e ç a e p e s c o ç o , cirurgia c a r d i o v a s c u l a r , cirurgia d a m ã o , c i r u r g i a g e r a l , cirurgia p e d i á t r i c a , cirurgia plástica, cirurgia t o r á c i c a , cirurgia vascular, citopatologia, dermatologia, infectologia, eletroencefalografia, e n d o c r i n o l o g i a e m e t a b o l o g i a , fisiatria, foniatria, g a s t r o e n t e r o l o g i a , g e n é t i c a c l í n i c a , h a n s e n o l o g i a , h e m a t o l o g i a , h o m e o p a t i a , m e d i c i n a geral c o m u n i t á r i a , m e d i c i n a l e g a l , m e d i c i n a n u c l e a r , m e d i c i n a sanitária, m e d i c i n a d o t r a b a l h o , nefrologia, neurologia pediátrica, neurocirurgia, neurofisiologia clínica, n e u rologia, nutrologia, otorrinolaringologia, obstetrícia, patologia, oftalmologia, patologia ortopedia clínica, e traumatologia, pediatria, pneumologia, p r o c t o l o g i a , psiquiatria, r a d i o l o g i a , r a d i o t e r a p i a , r e u m a t o l o g i a , s e x o l o g i a , fisiologia e urologia. A l é m dessas, estão s e n d o desenvolvidos programas d e especialização e m informática médica e medicina d o adolescente. Exercício Profissional • Requisitos habilitantes/Controle deontológico A l e g i s l a ç ã o brasileira estipula q u e as e s c o l a s m é d i c a s , u m a v e z a u t o r i z a d a s a funcionar, estão qualificadas a fornecer o diploma (certificado) aos a l u n o s q u e c o m p l e t a r e m o c u r s o . P a r a e x e r c e r sua profissão, o recém-gra¬ d u a d o d e v e registrar s e u d i p l o m a n o C o n s e l h o R e g i o n a l d e M e d i c i n a . Esse registro s ó p o d e ser feito e m d o i s e s t a d o s s i m u l t a n e a m e n t e . Esses C o n s e l h o s , o r g a n i z a d o s e m c a d a e s t a d o e n a c i o n a l m e n t e , c o n s t i t u e m u m a autarquia, d o t a d o s , c a d a u m deles, d e personalidade jurídica d e direito p ú b l i c o n u m a autarquia, subordinada a o Ministério d o Trabalho ( C o n selho Federal d e M e d i c i n a ) , responsabilizando-se pelo controle dos aspectos éticos da profissão, e x a m i n a n d o e julgando os processos d e infração a o C ó d i g o d e Ética, p o d e n d o i n c l u s i v e cassar o registro profissional. A p ó s u m amplo processo de debates que culminou numa Conferência N a c i o n a l , o C F M , através da R e s o l u ç ã o 1246 d e 8/1/1988, a p r o v o u u m n o v o C ó d i g o d e Ética, s u b s t i t u i n d o as n o r m a s a n t e r i o r e s d e 1 9 6 5 e 1 9 8 4 . O piso salarial dos médicos no setor privado está fixado na Lei 3 9 9 9 / 6 1 , e m três saláríos-mínímos ( m e n o s d e U S $ 2 5 0 ) , p a r a u m a d u r a ç ã o n o r m a l d e t r a b a l h o d e 2 a 4 h o r a s diárias ( 2 4 h o r a s s e m a n a i s ) . A r e v o g a ç ã o d e s s a lei, s u p e r a d a p e l a n o v a c o n s t i t u i ç ã o e p e l a p r o i b i ç ã o d e v i n c u l a ç ã o d o 9 Machado, M. H. et al. Estudo exploratório ENSP/FiocRUZ/CGDRH-sus/MS, Rio d e Janeiro, 1993. sobre especialidades médicas no Brasil, piso salarial a o salário-mínimo, é m o t i v o d e m o v i m e n t o e m o b i l i z a ç ã o e n t i d a d e s m é d i c a s q u e e s t ã o a p o i a n d o o p r o j e t o d e lei n o das 1270/91 (chama- d a d e "lei d o m é d i c o " ) , e m t r a m i t a ç ã o n a C â m a r a d o s D e p u t a d o s e q u e fixa c o m o n o v o p i s o salarial u m v a l o r a p r o x i m a d o d e U S $ 1,000. C o m o e l e m e n t o d e c o m p a r a ç ã o c o m essa p r o p o s t a d e p i s o salarial, a F e d e r a ç ã o N a c i o n a l d o s M é d i c o s l e v a n t o u a l g u n s salários n o n í v e l inicial d e alguns órgãos d o setor público, m o s t r a n d o a e n o r m e e dramática d e f a s a g e m salarial e x i s t e n t e . TABELA 4 S a l á r i o Inicial d a C a r r e i r a d e M é d i c o e m A l g u n s Ó r g ã o s P ú b l i c o s , Brasil, 1993 Fonte: FENAM. A estrutura sindical d o s m é d i c o s é c o n s t i t u í d a p o r 4 5 e n t i d a d e s s i n d i cais, a g r u p a d a s n a F e d e r a ç ã o N a c i o n a l d o s M é d i c o s . Esses s i n d i c a t o s c o n tam c o m 69.000 associados, representando aproximadamente 3 0 % dos m é dicos e m atividade. D e n t r e esses sindicatos 20 r e p r e s e n t a m bases estaduais e 2 5 , bases municipais. • Registro de estrangeiros O s m é d i c o s e s t r a n g e i r o s q u e e s t e j a m n o país p a r a e s t u d o , s o b s u p e r v i s ã o e o r i e n t a ç ã o , n ã o e s t ã o o b r i g a d o s a o registro n o s C o n s e l h o s Regionais d e M e d i c i n a , n ã o estando assim, "autorizado o u habilitado a o exercício regular d a profissão", n o s t e r m o s d a R e s o l u ç ã o 8 0 6 d e 2 9 . 0 7 . 1 9 7 7 , d o C F M . I d ê n tico tratamento é d a d o para os m é d i c o s estrangeiros c o n v i d a d o s para atos m é d i c o s d e d e m o n s t r a ç ã o d i d á t i c a , p o r u n i v e r s i d a d e s , ó r g ã o s oficiais o u e n t i d a d e s científicas. N o c a s o d o m é d i c o e s t r a n g e i r o a s i l a d o p o l í t i c o o u territorial, admite-se, c o m b a s e na R e s o l u ç ã o 1.244 d e 8 . 8 . 1 9 7 7 , sua i n s c r i ç ã o n o s C o n s e l h o s R e g i o n a i s d e M e d i c i n a e o e x e r c í c i o regular d a p r o f i s s ã o , d e s d e q u e c o m p r o v a ¬ d a a c a p a c i d a d e profissional, p e l o s ó r g ã o s d e e n s i n o , e a c o n d i ç ã o d o asilo, p e l o Ministério d a Justiça. O s d i p l o m a s o u c e r t i f i c a d o s e x p e d i d o s p o r e s c o l a m é d i c a n o exterior necessitam ser revalidados por instituição de ensino credenciada pelo M i n i s t é r i o d a E d u c a ç ã o . Este p r o c e d i m e n t o s e a p l i c a a o s e s t r a n g e i r o s ou brasileiros, s e g u n d o R e s o l u ç ã o d o C o n s e l h o Federal d e E d u c a ç ã o . Oferta/Demanda O s m é d i c o s e m a t i v i d a d e , e m t o d o o Brasil, s o m a m 2 0 8 . 9 6 6 , c o m u m a participação feminina de apenas 2 9 % . O Sudeste tem mais da m e t a d e de t o d o s os m é d i c o s e m atividade ( 6 1 , 5 % ) , a o passo q u e a Região A m a z ô n i c a e t o d o o N o r t e d o p a í s é e x t r e m a m e n t e c a r e n t e d e profissionais. O N o r t e e o N o r d e s t e t ê m três v e z e s m e n o s m é d i c o s , p o r 1 0 . 0 0 0 h a b i t a n t e s , q u e o Sudeste. TABELA 5 M é d i c o s Cadastrados nos Conselhos Regionais de Medicina, e m Atividade, p o r R e g i ã o , Brasil, 1 9 9 3 Fonte: CFM. O c r e s c i m e n t o d o s e m p r e g o s d o s m é d i c o s , n o p e r í o d o 8 1 / 8 7 , foi d e 3 4 , 3 9 % e m t o d o o país. A m e n o r taxa, 7 , 4 5 % , foi registrada p e l a região Sudeste. U m a d a s t e n d ê n c i a s v e r i f i c a d a s n o p e r í o d o 8 1 / 8 7 foi o c r e s c i m e n t o d o e m p r e g o n o setor público. O n ú m e r o d e postos d e trabalho m é d i c o t e v e u m c r e s c i m e n t o d e 1 6 , 5 6 % . Essa p a r t i c i p a ç ã o d o s e t o r p ú b l i c o n o m e r c a d o d e trabalho ainda é na esfera federal, p o r e m c o m progressivo a u m e n t o relativo dos setores estaduais e municipais 10 Nogueira, R. estabelecimentos, Brasília, 1 9 9 1 . P. Emprego em . saúde 1981/1987. In: Boletim por Informativo natureza jurídico-administrativa dos RH-sus, 1 , ago, CGDRH/SUS, M i n . S a ú d e , TABELA 6 Total d e Postos d e Trabalho M é d i c o s , e m Estabelecimentos d e S a ú d e , S e g u n d o R e g i õ e s , Brasil, 1 9 8 1 / 1 9 8 7 F o n t e : AMS/IBGE. GRÁFICO 4 E v o l u ç ã o d o Total d e Postos d e T r a b a l h o para M é d i c o s , p o r R e g i õ e s , Brasil, 1981/1987 Fonte: AMS/IBGE. TABELA 7 Participação Percentual dos Empregos de M é d i c o no S e t o r P ú b l i c o , p o r R e g i õ e s , Brasil, 1 9 8 1 / 1 9 8 7 F o n t e : AMS/IBCE. GRÁFICO 5 P a r t i c i p a ç ã o P e r c e n t u a l d o s três N í v e i s d o S e t o r P ú b l i c o e m R e l a ç ã o a o T o tal d e E m p r e g o s d e M é d i c o , Brasil, 1 9 8 1 / 1 9 8 7 Fonte: AMS/IBCE P E S S O A L DE ENFERMAGEM Formação A s categorias d e E n f e r m a g e m são estruturadas verticalmente pelos e n fermeiros (formados e m cursos d e g r a d u a ç ã o d e nível superior), t é c n i c o s d e e n f e r m a g e m (formados e m cursos d e nível m é d i o d e 2 o enfermagem (formados e m cursos d e 1 o e 2 o g r a u ) , auxiliares d e grau) e parteiras, c o n f o r m e d e - f i n i ç ã o d a Lei 7.498 d e 2 6 . 0 6 . 8 6 e d o D e c r e t o 9 4 . 4 0 6 d e 0 8 . 0 6 . 8 7 , q u e " d i s p õ e sobre a regulamentação d o exercício da e n f e r m a g e m " . A força d e trabal h o e m e n f e r m a g e m está a i n d a c o n s t i t u í d a p e l o a t e n d e n t e , s e m p r e p a r o formal, submetido o u n ã o a programas d e treinamento, e n g l o b a n d o todas as d e m a i s c a t e g o r i a s d e p e s s o a l auxiliar n ã o r e g u l a m e n t a d a s p e l a l e g i s l a ç ã o . • Graduação A e n f e r m a g e m m o d e r n a n o Brasil t e v e s e u m o m e n t o inicial c o m a c r i a - ção, e m 1923, da Escola d e Enfermagem d o D e p a r t a m e n t o N a c i o n a l d e S a ú d e Pública (hoje Escola A n a Néri, da UFRJ), c o m recursos da F u n d a ç ã o R o c ¬ kefeller e e n f e r m e i r a s a m e r i c a n a s c o m o f u n d a d o r a s . 1 1 O n ú m e r o d e cursos d e enfermeiros, atualmente, é d e 102, e m t o d o o Brasil. A s e n t i d a d e s p r i v a d a s s ã o r e s p o n s á v e i s p o r 4 5 d e l e s , c u j a g r a n d e c o n c e n t r a ç ã o está n a R e g i ã o S u d e s t e . A distribuição geográfica dos cursos mostra u m a g r a n d e c o n c e n t r a ç ã o na r e g i ã o S u d e s t e . TABELA 8 Distribuição dos Cursos d e Enfermagem S e g u n d o a D e p e n d ê n c i a A d m i n i s t r a t i v a d a E n t i d a d e M a n t e n e d o r a , Brasil, 1 9 9 0 Fonte SIRH/CGDRH-SUS/MS. 11 Vieira, T. T.; S I L V A , A. L. C. Recursos H u m a n o s na área d e e n f e r m a g e m : a d e q u a ç ã o da form a ç ã o à utilização. Rio de Janeiro, 1 9 9 1 . ( M i m e o ) Condições de Ingresso O s m e c a n i s m o s d e i n g r e s s o s ã o o s m e s m o s p a r a t o d o s o s c u r s o s d e nív e l s u p e r i o r , o u seja, p r o v a s s e l e t i v a s p ú b l i c a s , p a r a as q u a i s c o n c o r r e m o s estudantes concluintes do 2 o grau. N o período 87/90 os cursos d e enfermeiro tiveram u m incremento no n ú m e r o de vagas, associado, no entanto, à pequena, mas constante, redução na relação entre os candidatos cuja 1 a o p ç ã o foi esta, e o n ú m e r o d e v a g a s ofertadas. TABELA 9 Distribuição do N ú m e r o de Candidatos e Vagas Oferecidas pelos C u r s o s d e E n f e r m a g e m , Brasil, 1 9 8 6 / 1 9 9 0 Fonte: SIRH/CCDRH-SUS/MS. Um d a d o bastante preocupante é o a u m e n t o d o número d e alunos afastados durante o curso, especialmente por a b a n d o n o . T A B E L A 10 Distribuição d o N ú m e r o de Alunos Afastados dos Cursos de Enfermagem S e g u n d o as R e g i õ e s , Brasil, 1 9 8 6 / 1 9 9 0 Fonte: SIRH/CGDRH-SUS/MS. O c o n t e ú d o m í n i m o dos cursos d e e n f e r m a g e m , b e m c o m o sua dura- ção, estão definidos pelo C o n s e l h o Federal d e E d u c a ç ã o através d o P a r e c e r 1 6 3 / 7 2 e R e s o l u ç ã o 0 4 / 7 2 . C o n s t i t u i n d o - s e d e três p a r t e s - pré-profissional, t r o n c o profissional e h a b i l i t a ç õ e s , o c u r s o d e e n f e r m a g e m d e v e ter c a r g a h o rária m í n i m a d e 2 . 5 0 0 a 3 . 0 0 0 h o r a s , i n t e g r a l i z a d o s n o p e r í o d o d e 4 a 6 a n o s letivos. A s habilitações possíveis, s e g u n d o o parecer, são a e n f e r m a g e m m é d i ¬ co-cirúrgica, a e n f e r m a g e m o b s t é t r i c a o u o b s t e t r í c i a e a e n f e r m a g e m d e s a ú d e pública, a l é m da licenciatura facultativa a p ó s o t é r m i n o d o t r o n c o profissional. A estrutura c u r r i c u l a r v i g e n t e acha-se s o b s e v e r a crítica d o s ó r g ã o s r e p r e s e n t a t i v o s d a e n f e r m a g e m q u e , a t r a v é s d a A s s o c i a ç ã o Brasileira d e E n f e r m a g e m , elaboraram nova proposta para o currículo m í n i m o 1 2 . A m e s m a i n f l u ê n c i a sofrida p e l a e s c o l a m é d i c a r e p e r c u t i u n a f o r m a ç ã o d o s e n f e r m e i r o s . A s s i m , a ê n f a s e na a t e n ç ã o individual-curativa e a p o u c a utilização da epidemiologia t e m sido a tônica d o s cursos. O u t r o p o n t o a relev a r é a m a s s i v a u t i l i z a ç ã o d e bibliografia d e o r i g e m a m e r i c a n a e a q u a s e a u sência d e material nacional. D a d o s d e 1983 r e v e l a m a existência d e 115 cursos d e T é c n i c o s d e E n f e r m a g e m e 1 4 5 d e Auxiliar d e E n f e r m a g e m . G r a n d e p a r t e d e s s e s c u r s o s e s t a v a m l o c a l i z a d o s na R e g i ã o S u d e s t e e e r a m d e n a t u r e z a p r i v a d a . • Pós-Graduação O n ú m e r o d e c u r s o s d e p ó s - g r a d u a ç ã o stricto sensu voltados especifi- c a m e n t e p a r a a á r e a d e e n f e r m a g e m , n o país, a i n d a é r e d u z i d o . A t é 1 9 8 9 a C A P E S tinha c r e d e n c i a d o 11 c u r s o s , s e n d o q u a t r o d e d o u t o r a d o . O u t r o s d e z cursos (cinco d e d o u t o r a d o ) estão e m avaliação, neste m o m e n t o . Exercício Profissional • Requisitos habilitantes/controle deontológico " A e n f e r m a g e m e s u a s a t i v i d a d e s auxiliares s o m e n t e p o d e m ser e x e r c i d a s p o r p e s s o a s l e g a l m e n t e h a b i l i t a d a s e inscritas n o C o n s e l h o R e g i o n a l d e E n f e r m a g e m c o m jurisdição na área o n d e o c o r r e o exercício." A t r a v é s desse artigo d a Lei 7.498/86 está fixada a o b r i g a ç ã o d e i n s c r i ç ã o n o C O R E N p a r a o exercício das atividades d e e n f e r m a g e m . O c ó d i g o d e d e o n t o l o g i a d a e n f e r m a g e m foi a p r o v a d o p e l a R e s o l u ç ã o 9 de 4.10.1975, pelo C o n s e l h o Federal d e Enfermagem. A o r g a n i z a ç ã o sindical d o s enfermeiros é r e c e n t e . O primeiro sindicato d e e n f e r m e i r o s , n o Brasil, foi f u n d a d o a p e n a s e m 1 9 7 6 , c u l m i n a n d o u m p r o ¬ 12 Associação Brasileira d e Enfermagem. Proposta d e n o v o currículo mínimo para o curso superior d e enfermagem, Brasília, 1 9 9 1 . ( M i m e o ) . c e s s o q u e t e v e n o a n o d e 1 9 6 1 u m a a s s o c i a ç ã o profissional d e e n f e r m a g e m . A F e d e r a ç ã o N a c i o n a l d o s E n f e r m e i r o s foi c r i a d a s o m e n t e e m 1 9 8 7 . D i f e r e n t e m e n t e d e o u t r a s c a t e g o r i a s profissionais, o s e n f e r m e i r o s n ã o t ê m u m a lei e s p e c í f i c a r e g u l a n d o o p i s o salarial. P r o j e t o s n e s s e s e n t i d o t ê m sido p r o p o s t o s na C â m a r a d e D e p u t a d o s s e m , n o entanto, a l c a n ç a r êxito. Oferta/Demanda A d i s t r i b u i ç ã o d o s profissionais d e e n f e r m a g e m n a s d i v e r s a s r e g i õ e s d o p a í s é b a s t a n t e irregular, c o m g r a n d e c o n c e n t r a ç ã o n o S u d e s t e , q u e a p r e s e n ta u m a r e l a ç ã o p o r 1 0 . 0 0 0 0 h a b i t a n t e s três v e z e s s u p e r i o r às R e g i õ e s N o r t e e Nordeste. T A B E L A 11 Distribuição d o s Profissionais d e E n f e r m a g e m Registrados nos C O R E N , p o r R e g i õ e s , Brasil, 1 9 9 2 F o n t e : COFEN. O s d a d o s d o COFEN n ã o c o n t e m p l a m u m a parte importante da força d e trabalho e m e n f e r m a g e m , q u e são os "atendentes" q u e c o m variadas d e n o m i n a ç õ e s c h e g a m a r e p r e s e n t a r 6 0 % d o p e s s o a l d e e n f e r m a g e m . N ã o registrados n o C o n s e l h o , o b r i g a d o s a se regularizar n o prazo d e d e z a n o s (Lei 7 . 4 9 8 / 8 6 ) , r e p r e s e n t a m u m p r o b l e m a e u m d e s a f i o p a r a o s ó r g ã o s e instituições d e saúde e educação. O p e r í o d o 81/87 trouxe u m crescimento d e 8 0 % n o n ú m e r o d e postos d e t r a b a l h o d e e n f e r m e i r o s , e m t o d o o Brasil. A p e s a r d o n í v e l f e d e r a l ter a u m e n t a d o , é nos segmentos estadual e municipal q u e a ampliação dos postos d e trabalho n o setor p ú b l i c o o c o r r e c o m maior intensidade. A tendência, ass i m , é q u e essa a l t e r a ç ã o t e n h a s e a c e n t u a d o a p ó s o p e r í o d o 8 9 / 9 0 , a n t e o p r o c e s s o d e a m p l i a ç ã o das rendas municipais e a transferência d e encargos federais na s a ú d e para estados e municípios. GRÁFICO 6 E v o l u ç ã o d o s P o s t o s d e T r a b a l h o d e E n f e r m e i r o s , S e g u n d o as R e g i õ e s , Brasil, 1 9 8 1 / 1 9 8 7 Fonte: AMS/IBCE. GRÁFICO 7 Evolução dos Postos d e Trabalho para Enfermeiros nos Estabelecimentos d e S a ú d e d o S e t o r P ú b l i c o , P o r N í v e l , Brasil, 1 9 8 1 / 1 9 8 7 Fonte: AMS/IBCE. O p e s s o a l d e e n f e r m a g e m , n a s u a g r a n d e m a i o r i a , é e m p r e g a d o e assalariado, s e n d o o c o n t i n g e n t e d e a u t ô n o m o s insignificante. ODONTÓLOGOS Formação • Graduação C o n s i d e r a d o c o m o nível superior e m 1879, o primeiro curso d e O d o n - t o l o g i a foi e m e f e t i v a m e n t e r e c o n h e c i d o e m 1 8 8 4 , a n e x o à F a c u l d a d e de M e d i c i n a d o Rio d e Janeiro. O ritmo e o processo d e criação e instalação d e n o v o s c u r s o s d e O d o n t o l o g i a n ã o p a r e c e m ter s e a s s o c i a d o a n e n h u m fator d e m o g r á f i c o o u d e p o l í t i c a e d u c a c i o n a l , m a s a o s fatores d e n a t u r e z a d e política l o c a l , o u e c o n ô m i c a . T A B E L A 12 Distribuição dos Cursos d e Odontologia, S e g u n d o o P e r í o d o d e C r i a ç ã o , Brasil, 1 9 9 2 Fonte: MEC. O s 8 1 c u r s o s d e O d o n t o l o g i a e m f u n c i o n a m e n t o distribuem-se d e s i g u a l m e n t e n o país, c o m m a r c a d a c o n c e n t r a ç ã o n o s e s t a d o s d a r e g i ã o S u d e s t e , e s p e c i a l m e n t e p o r p a r t e d a s instituições p r i v a d a s . T A B E L A 13 Distribuição dos Cursos de Odontologia Segundo a Dependência Administrativa d a I n s t i t u i ç ã o M a n t e n e d o r a , Brasil, 1 9 9 0 Fonte: SIRH/CCDRH-SUS/MS. Considerando-se q u e , desde 1987, o n ú m e r o d e candidatos a o curso d e Odontologia t e m se mantido e m torno d e 100.000, a relação candidat o / v a g a m e l h o r o u u m p o u c o , p o i s as v a g a s a u m e n t a r a m 1 2 , 5 % n o p e r í o d o . T A B E L A 14 Distribuição d o N ú m e r o d e Candidatos e Vagas O f e r e c i d a s p e l o s C u r s o s d e O d o n t o l o g i a , Brasil, 1 9 8 6 / 1 9 9 0 Fonte: SIRH/CGDRH-SUS/MS. O currículo mínimo, segundo o Parecer 840/70 d o C o n s e l h o Federal d e E d u c a ç ã o , e s t a b e l e c e e m 3.600 h o r a s a c a r g a h o r á r i a m í n i m a , i n t e g r a l i z a ¬ d a s n o p e r í o d o d e 8 a 18 s e m e s t r e s letivos. A estrutura d o s c u r s o s é p r a t i c a m e n t e a m e s m a e m t o d a s as instituições, c o n s t a n d o d e d o i s c i c l o s : b á s i c o ( c a r g a horária m é d i a d e 1 2 0 0 h o r a s ) e profissional ( c a r g a h o r á r i a m é d i a d e 2.400 horas). O ciclo básico, e m geral, é c o m u m c o m outros cursos d a área d e ciências da saúde. U m e s t u d o 1 3 mostrou q u e mais d e 8 0 % d o ciclo pro- fissional é c o m p o s t o p e l a s "disciplinas r e l a c i o n a d a s às p a t o g e n i a s e s u a s e s pecificidades c o m o Dentística, Cirurgia, E n d o d o n t i a , D i a g n ó s t i c o O r a l , O r t o dontia, Radiologia e t c . " . • Pós-Craduação O Conselho Federal d e Odontologia, através da Resolução 181 de 0 6 . 0 6 . 1 9 9 2 , d i s c i p l i n o u a e s p e c i a l i z a ç ã o e m O d o n t o l o g i a , a d o t a n d o as d e c i sões da I Assembléia Nacional d e Especialidades O d o n t o l ó g i c a s , realizada e m abril d e 1 9 9 2 . O s requisitos p a r a o registro e i n s c r i ç ã o , c o m o e s p e c i a l i s t a , d o c i r u r ¬ gião-dentista s ã o , a s s i m , o s s e g u i n t e s : - título d e livre d o c e n t e , d o u t o r a d o o u m e s t r a d o , na á r e a d a e s p e c i a l i d a d e ; 13 M e l o , M . L. T. O s cursos d e O d o n t o l o g i a e a realidade nacional brasileira: contribuição para u m estudo. Tese d e mestrado, UFF, Niterói, 1 9 8 1 . - certificado d e curso d e especialização e m O d o n t o l o g i a ministrados por i n s t i t u i ç õ e s d e e n s i n o , e s c o l a d e s a ú d e p ú b l i c a o u militar o u e n t i d a d e d e c l a s s e , r e s p e i t a d a s a s n o r m a s d o CFE e d o p r ó p r i o C F O . A s e s p e c i a l i d a d e s a d m i t i d a s , e m n ú m e r o d e 1 4 , s ã o as s e g u i n t e s : cirur- gia e t r a u m a t o l o g i a buco-maxilo-faciais; d e n t í s t i c a r e s t a u r a d o r a ; e n d o d o n t i a ; odontologia legal; odontologia e m saúde coletiva; odontopediatria; o r t o d o n tia; p a t o l o g i a b u c a l ; p e r i o d o n t i a ; p r ó t e s e buco-maxilo-facial; p r ó t e s e d e n t á r i a ; radiologia; implantologia; estomatologia. A t é 1989 a CAPES tinha c r e d e n c i a d o 52 cursos d e mestrado e doutorad o . A t u a l m e n t e , outros 33 cursos estão sob avaliação. A imensa maioria dos cursos se localizam no Estado de S ã o Paulo. Exercício Profissional • Requisitos habilitantes/Controle deontológico A s a t i v i d a d e s profissionais d o cirurgião-dentista s ã o r e g u l a d a s p e l a s Leis 4 . 3 2 4 / 6 4 e 5 . 0 8 1 / 6 6 , b e m c o m o p e l o D e c r e t o 6 8 . 7 0 4 / 7 1 . C o m b a s e nessa legislação, o C o n s e l h o Federal d e O d o n t o l o g i a e s t a b e l e c e as n o r m a s para o exercício para o profissional exercício pelos legal cirurgiões-dentistas, das categorias incluindo-se profissionais de os nível requisitos médio re- lacionadas: t é c n i c o s e m prótese dentária, técnicos e m higiene dental e aten¬ dentes d e consultório dentário. P a r a o e x e r c í c i o legal d a s a t i v i d a d e s o s cirurgiões-dentistas e s t ã o o b r i gados à inscrição nos Conselhos Regionais d e Odontologia. O exercício das atividades d e t é c n i c o e m prótese dentária exige o di- p l o m a o u certificado d e curso d e prótese dentária, e m nível d e 2 o grau, c o n - f e r i d o p o r e s t a b e l e c i m e n t o oficial o u r e c o n h e c i d o . N o c a s o d e d i p l o m a s o u certificados e x p e d i d o s por instituições estrangeiras, é necessário a revalidaç ã o e o registro n o M i n i s t é r i o d a E d u c a ç ã o . O t é c n i c o e m higiene dental e o a t e n d e n t e d e consultório dentário são habilitações profissionais d e 1 o e 2 o graus, regulamentadas pelos P a r e c e r e s 540/72 e 460/75 d o C o n s e l h o Federal de E d u c a ç ã o , q u e t a m b é m estão suj e i t a s a o registro n o s C o n s e l h o s R e g i o n a i s d e O d o n t o l o g i a . O c ó d i g o d e é t i c a e as n o r m a s relativas a o s p r o c e s s o s é t i c o o d o n t o l ó - gicos foram r e c e n t e m e n t e renovadas, e m decorrência da I Conferência N a c i o n a l d e Ética O d o n t o l ó g i c a , a t r a v é s d a s R e s o l u ç õ e s 1 7 9 d e 1 9 . 1 2 . 1 9 9 1 e 183 d e 0 1 . 1 0 . 1 9 9 2 , n o contexto d e u m debate bastante a m p l o sobre a questão d a ética nas profissões da saúde. • Registro d e estrangeiros O s cirurgiões-dentistas e s t r a n g e i r o s p o r t a d o r e s d e "visto t e m p o r á r i o " o u " r e g i s t r o p r o v i s ó r i o " p o d e r ã o , d u r a n t e s u a e s t a d i a n o Brasil, trabalhar inscrição profissional provisória. com N o c a s o d o s e s t r a n g e i r o s d i p l o m a d o s n o Brasil, n o r e g i m e d e c o n v e nio-cultural, as n o r m a s s ã o m a i s restritivas ( R e s o l u ç ã o 13 d e 9 . 1 2 . 1 9 6 7 ) . Oferta/Demanda N a última d é c a d a , o c r e s c i m e n t o d e i n s c r i ç õ e s d e cirurgiões-dentistas nos C o n s e l h o s Regionais d e O d o n t o l o g i a a u m e n t o u 5 1 % e m t o d o o país. A Região N o r d e s t e teve, relativamente, o m e n o r incremento ( 4 4 % ) e, a o lado d a R e g i ã o N o r t e t e m q u a t r o a c i n c o v e z e s m e n o s profissionais q u e o S u l e o Sudeste. T A B E L A 15 D i s t r i b u i ç ã o d o s Cirurgiões-dentistas Inscritos n o s C o n s e l h o s R e g i o n a i s d e O d o n t o l o g i a , p o r R e g i õ e s , Brasil, 1 9 8 1 / 1 9 9 2 Fonte: CFO. N o período 81/87 os postos d e trabalho para odontólogos tiveram u m a u m e n t o d e 4 8 % . A R e g i ã o N o r t e , c o m 1 2 7 % , foi a q u e m a i s c r e s c e u , a p e sar d e p e r m a n e c e r c o m u m b a i x í s s i m o n ú m e r o d e cirurgiões-dentistas. N o setor público, apesar d o s estados t e r e m a s s u m i d o a liderança quantidade d e postos d e trabalho para odontólogos, c h a m a a a t e n ç ã o na o crescimento d o s e g m e n t o municipal. N o s últimos anos, c o m a progressiva r e d u ç ã o d o n í v e l f e d e r a l ( n ã o - c o n t r a t a ç ã o a s s o c i a d o às s a í d a s p o r a p o s e n t a d o r i a , p r i n c i p a l m e n t e ) e a política d e " m u n i c i p a l i z a ç ã o " , d e v e ter a c e l e r a d o mais ainda a oferta d e e m p r e g o s pelos municípios. GRÁFICO 8 E v o l u ç ã o d o s P o s t o s d e T r a b a l h o p a r a O d o n t ó l o g o s , p o r R e g i ã o , Brasil, 1981/1987 Fonte: AMS/IBCE. Entre os o d o n t ó l o g o s é expressivo o contingente d e a u t ô n o m o s , h a v e n d o u m d e c r é s c i m o p o u c o significativo a o l o n g o d a d é c a d a d e 7 0 , d e 6 9 . 6 % para 5 4 . 5 % . GRÁFICO 9 E v o l u ç ã o dos Postos d e Trabalho para O d o n t ó l o g o s nos Estabelecimentos d e S a ú d e d o S e t o r P ú b l i c o , p o r N í v e l , Brasil, 1 9 8 1 / 1 9 8 7 8.000 T Fonte: AMS/IBCE. O s profissionais d e n í v e l m é d i o registrados n o s C o n s e l h o s R e g i o n a i s d e O d o n t o l o g i a a l c a n ç a m apenas 1 2 % da força d e trabalho e m e x p r e s s a n d o g r a n d e debilidade nessa c o m p o s i ç ã o . Odontologia, T A B E L A 16 Distribuição das H a b i l i t a ç õ e s Profissionais e m O d o n t o l o g i a Inscritos n o s CRO, p o r R e g i õ e s , Brasil, 1 9 9 2 Fonte: CFO. OUTRAS PROFISSÕES N e s t e item foram consideradas e incluídas diversas profissões, c a d a v e z mais presentes na c o m p o s i ç ã o da força d e trabalho d o s serviços d e s a ú d e . Agrupá-las n e s t e e s t u d o s e e x p l i c a , e m p a r t e , p e l a p r ó p r i a i n s u f i c i ê n c i a de d a d o s p a r a u m a a n á l i s e m a i s a p r o f u n d a d a . A l é m d i s s o , e m s e u c o n j u n t o , significam parcela ainda p e q u e n a se c o m p a r a d a s c o m os m é d i c o s e pessoal d e enfermagem. M u i t a s d e s s a s p r o f i s s õ e s f o r a m c r i a d a s o u se e s t a b e l e c e r a m c o m o p r o fissões d e s a ú d e há p o u c a s d é c a d a s . U m a e x c e ç ã o é o c u r s o d e f a r m á c i a , criado c o m o anexo ao de medicina e m 1832. A medicina veterinária v e m ampliando seu e s p a ç o t é c n i c o e político nos serviços públicos d e saúde, tanto no controle das mesmo zoonoses c o m o na v i g i l â n c i a sanitária d e a l i m e n t o s (VISA). C o m a m u n i c i p a l i z a ç ã o d e s sas a ç õ e s , t ê m s i d o a m p l i a d o s o s p o s t o s d e t r a b a l h o p a r a m é d i c o s v e t e r i n á rios n a s S e c r e t a r i a s M u n i c i p a i s d e S a ú d e . D a s p r o f i s s õ e s m a i s r e c e n t e s , a p s i c o l o g i a v e m se d e s t a c a n d o p e l o r á p i d o c r e s c i m e n t o d o n ú m e r o d e profisionais inscritos n o s C o n s e l h o s , t o t a l i z a n d o 79.524 inscrições até 1 9 9 2 . A Região Sudeste c o n c e n t r a a imensa m a i o ria d e s s e s profissionais ( 7 4 , 8 8 % ) , n u m a r e l a ç ã o d e 9 / 1 0 . 0 0 0 h a b i t a n t e s . T A B E L A 17 D i s t r i b u i ç ã o d e Profissionais d e S a ú d e Inscritos n o s C o n s e l h o s Profissionais, p o r R e g i õ e s , Brasil, 1 9 9 2 . Fonte: C F ' s (* = sem informação / # = parcial). T A B E L A 18 D i s t r i b u i ç ã o d e P r o f i s s i o n a i s d e S a ú d e Inscritos n o s C o n s e l h o s Profissionais, p o r R e g i õ e s , p o r 1 0 . 0 0 0 H a b i t a n t e s , Brasil, 1 9 9 2 Fonte: C F ' s (* = sem informação). A r e d e p a r t i c u l a r d e e n s i n o mostra-se c o m g r a n d e p r e d o m í n i o n a o f e r t a d e c u r s o s p a r a a f o r m a ç ã o d e p s i c ó l o g o s , f o n o a u d i ó l o g o s , assistentes s o c i a i s e fisioterapeutas. O s cursos d e f o r m a ç ã o d e m é d i c o s veterinários t e m u m a s i t u a ç ã o o p o s t a , c o m 7 1 , 4 % e m instituições p ú b l i c a s d e e n s i n o . D a m e s m a f o r m a q u e a d i s t r i b u i ç ã o d o s profissionais, a o f e r t a d e c u r s o s t a m b é m está c o n c e n t r a d a n a R e g i ã o S u d e s t e . T A B E L A 19 Distribuição dos Cursos d e Várias Profissões d e S a ú d e , S e g u n d o a Entidade M a n t e n e d o r a , p o r R e g i ã o , Brasil, 1 9 9 2 PÓS-GRADUAÇÃO D e n t r o d e u m sistema universitário m a r c a d o p o r g r a v e s d e f i c i ê n c i a s , a p ó s - g r a d u a ç ã o n o Brasil t e m s i d o c o n s i d e r a d a c o m o u m s e t o r b e m - s u c e d i do 1 4 , " e m b o r a c o n s t i t u a u m s e t o r restrito e esteja m u i t o d e s i g u a l m e n t e distri- b u í d a e n t r e as instituições d e e n s i n o superior". O s d a d o s disponíveis estão agregados sob a área "profissões da s a ú d e " q u e c o m p r e e n d e : e d u c a ç ã o física, e n f e r m a g e m , f a r m á c i a , fonoaudiologia, m e d i c i n a ( a d m i n i s t r a ç ã o d a s a ú d e , alergia e i m u n o l o g i a , a n e s t e s i o l o g i a , an¬ giologia, c a r d i o l o g i a , cirurgia m é d i c a , c l i n i c a g e r a l , d e r m a t o l o g i a , d o e n ç a s i n f e c c i o s a s e parasitárias, e n d o c r i n o l o g i a , g a s t r o e n t e r o l o g i a , g i n e c o l o g i a e o b s tetrícia, h e m a t o l o g i a , m e d i c i n a p r e v e n t i v a e s o c i a l , n e f r o l o g i a , neurologia, nutrologia, oftalmologia ortopedia e traumatologia, otorrinolaringologia, patologia, p e d i a t r i a , p n e u m o l o g i a , psiquiatria, r a d i o l o g i a , r e u m a t o l o g i a , u r o l o gia), n u t r i ç ã o e o d o n t o l o g i a . E m s e u c o n j u n t o , o s d a d o s e séries i n d i c a m u m a t e n d ê n c i a a o c r e s c i m e n t o . A c o n c e n t r a ç ã o d o s c u r s o s na á r e a p ú b l i c a faz u m c o n t r a p o n t o c o m a graduação, q u e tem no setor privado parcela importante d e seus cursos. A Região Sudeste, mais até q u e a graduação o u a residência médica, c o n c e n tra a i m e n s a m a i o r i a d o s c u r s o s , t a n t o d e m e s t r a d o c o m o d o u t o r a d o . O nú- m e r o d e bolsas c o n c e d i d a s a l c a n ç a a p r o x i m a d a m e n t e a m e t a d e d o s a l u n o s novos. 14 Durhan, E. R.; Gusso, D. A . A pós-graduação lia, 1 9 9 1 . no Brasil: problemas e deficiências, CAPES, Brasí- A Coordenação de Aperfeiçoamento d e Pessoal d e Nível Superior - CAPES - é O ó r g ã o responsável pela c o o r d e n a ç ã o e o p e r a ç ã o d o sistema d e a v a l i a ç ã o e d e subsidiar o C o n s e l h o Federal d e E d u c a ç ã o n o p r o c e s s o de c r e d e n c i a m e n t o d o s p r o g r a m a s . O s s i s t e m a s d e bolsas d e e s t u d o d e pós-grad u a ç ã o são compartidos entre e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e T e c n o l ó g i c o - C N P q . N o â m b i t o federal, a Financiadora d e Estud o s e P e s q u i s a s - FINEP, s e a s s o c i a a o C N P q e à C A P E S n o f i n a n c i a m e n t o d e linhas d e pesquisas e programas d e pós-graduação. N o âmbito estadual func i o n a m a l g u m a s a g e n c i a s d e f o m e n t o à pesquisa, destacando-se as agências d o s Estados d e S ã o Paulo, Rio G r a n d e d o Sul e Minas Gerais. T A B E L A 20 D i s t r i b u i ç ã o d o s C u r s o s e d o s A l u n o s Inscritos n o s C u r s o de Pós-graduação, nas P r o f i s s õ e s d a S a ú d e , Brasil, 1 9 8 9 F o n t e : CAPES. GRAFICO 10 Distribuição Percentual dos Alunos Matriculados nos Cursos d e Pós-graduação das Profissões d e S a ú d e , S e g u n d o a D e p e n d ê n c i a A d m i n i s t r a t i v a , Brasil, 1 9 8 9 F o n t e : CAPES. T A B E L A 21 D i s t r i b u i ç ã o P e r c e n t u a l d o s A l u n o s V i n c u l a d o s a o s P r o g r a m a s d e Pós-grad u a ç ã o das Profissões d a S a ú d e , por R e g i ã o e Nível d o C u r s o , Brasil, 1989 G R Á F I C O 11 Distribuição dos A l u n o s d e M e s t r a d o nos Cursos das Profissões da S a ú d e , 1986/1990 Fonte: CAPLS. GRÁFICO 12 Distribuição dos Alunos d e D o u t o r a d o nos Cursos das Profissões da S a ú d e , Brasil, 1 9 8 6 / 1 9 9 0 L E G I S L A Ç Ã O S O B R E R E G U L A M E N T A Ç Ã O D O EXERCÍCIO PROFISSIONAL E CRIAÇÃO D O S CONSELHOS D A S PROFISSÕES DA SAÚDE Documento Data Decreto 20.862 28/12/1931 Ementa Regula o exercício da odontologia pelos dentistas práticos. Decreto 20.931 11/01/1932 R e g u l a e fiscaliza o e x e r c í c i o d a m e d i c i n a , da odontologia, profissões de da veterinária farmacêutico, e das parteira e e n f e r m e i r a n o Brasil. Decreto 21.073 22/02/1932 Regula o exercício da odontologia. Decreto-Lei 3.171 02/04/1941 Cria o Serviço de Fiscalização da Medicina e Farmácia. D e c r e t o - L e i 7.718 09/07/1945 Dispõe sobre a formação do cirurgião- dentista e regulamenta a profissão. Decreto-Lei 7.955 13/09/1945 Cria os Conselhos Federal e Regional de Medicina. Decreto-Lei 8.778 22/01/1946 Regula os e x a m e s d e habilitação para auxiliares d e Lei 7 7 5 06/08/1949 os enfermagem. Dispõe sobre o ensino da enfermagem no País. Lei 1.314 15/01/1951 Regula o exercício dos cirurgiões- dentistas. Lei 2.604 16/09/1955 Regula o exercício da enfermagem. Lei 3.268 30/09/1957 D i s p õ e sobre os Conselhos d e Medicina. Decreto 44.045 19/07/1958 Aprova o Federal e regulamento dos do Conselhos Conselho Regionais de Medicina. Lei 3.820 11/11/1960 Lei 3.640 10/10/1959 R e g u l a m e n t a a profissão d e farmacêutico. Revigora que o Decreto-Lei dispõe enfermagem sobre e lhe 8.778 o altera de 1946 exercício da o do alcance artigo 1 " . Decreto 50.387 28/03/1961 Regula o exercício da e n f e r m a g e m e suas f u n ç õ e s auxiliares. Lei 3.999 15/12/1961 Altera o salário-mínimo cirurgiões dentistas. dos médicos e Documento Data Lei 4 . 1 1 9 27/08/1962 Ementa Dispõe sobre os cursos d e f o r m a ç ã o psicologia e regulamenta a em profissão de Cria os Conselhos Federal e Regionais de psicólogo. Lei 4 . 3 2 4 14/04/1964 Odontologia. Lei 5.081 24/08/1966 Regula o exercício da odontologia. Decreto-Lei 150 09/02/1967 Dispensa de Fiscalização os registro da diplomas no Medicina expedidos Serv. Nac. e Farmácia da por escolas de ou faculdades d e medicina e farmácia. Lei 5.517 23/10/1968 Dispõe sobre o exercício médico veterinário Federal e e profissional cria Regionais os do Conselhos de Medicina Veterinária. Decreto 64.704 17/06/1969 Aprova o médico veterinário regulamento e da profissão de Conselhos de profissional do dos M e d i c i n a Veterinária. Decreto-Lei 9 3 8 13/10/1969 Regulamenta o exercício fisioterapeuta e terapeuta o c u p a c i o n a l . Decreto-Lei 67.057 14/08/1970 Dispõe sobre a vinculação Federal de Odontologia do Conselho e Conselhos Regionais de Odontologia. Decreto 67.284 28/09/1970 Aprova o regulamento da Comissão de que criou os Cria os C o n s e l h o s Federal e Regionais de Enquadramento Sindical. Decreto 68.704 03/06/1971 Regulamenta a Lei 4.324 Conselhos de Odontologia. Lei 5.766 20/12/1971 Psicologia. Lei 5.905 02/07/1973 Cria os Conselhos Federal e Regional de Enfermagem. Lei 6.316 17/12/1975 Cria os C o n s e l h o s Federal e Regionais de Fisioterapia e Terapia O c u p a c i o n a l . Lei 6.583 20/10/1978 Cria os C o n s e l h o s Federal e Regionais Nutricionista e regulamenta de seu funcionamento. Decreto 79.137 18/01/1977 Inclui os conselhos na classificação de órgãos d e deliberação coletiva. Decreto 79.822 27/06/1977 Regulamenta que criou a os Lei 5.766 Conselhos Regionais d e Psicologia. de 20/12/71 Federal e Lei 6.684 08/09/1979 Regulamenta a profissão de biólogo e b i o m é d i c o e cria os C o n s e l h o s Federal e Regionais d e Biologia e Biomedicina. Lei 6.965 09/12/1981 Lei 6.839 30/10/1980 Lei 6.994 26/05/1982 Regulamenta o exercício profissional de fonoaudiólogo. D i s p õ e s o b r e o registro d e e m p r e s a s . Dispõe sobre a vinculação dos Conselhos ao Ministério d o Trabalho. Decreto 87.497 19/08/1982 R e g u l a m e n t a normas para contratação d e estudantes de estabelecimentos de ensino superior e d e 2 " grau regular e supletivo, na c o n d i ç ã o d e estagiários. Lei 7.017 30/08/1982 Dispõe sobre o desmembramento dos Conselhos Federal e Regionais d e Biologia e Biomedicina. Decreto 88.147 08/03/1983 Regulamenta a Lei 6.994 de 1982 dispõe sobre a vinculação dos que Conselhos ao Ministério da Trabalho. Lei 7.498 25/06/1986 Dispõe sobre a regulamentação do exercício da e n f e r m a g e m . Decreto 98.377 08/11/1989 Dispõe sobre a criação de novos cursos d e ensino superior na área d e saúde. Lei 8.138 28/12/1990 Dispõe sobre as atividades do médico residente e assegura o valor d a bolsa de estudo. Lei 8.234 17/09/1991 Regulamenta o exercício professional de o exercício profisssional do nutricionista. Lei 8.662 07/06/1993 Regulamenta assistente social. FORMAÇÃO E MERCADO DE TRABALHO DE ALGUMAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NO URUGUAI Félix Rígoli Milagros Sugo Joaquin Serra INTRODUÇÃO E m b o r a h e t e r o g ê n e a s e d i s p e r s a s , as i n f o r m a ç õ e s a q u e s e t e m a c e s s o n o U r u g u a i sobre a disponibilidade, a distribuição e o a p r o v e i t a m e n t o d e rec u r s o s h u m a n o s p a r a a s a ú d e r e f l e t e m a e v o l u ç ã o histórica d o m o d e l o de atenção predominante n u m quadro demográfico, e c o n ô m i c o e político c o m algumas características próprias e outras c o m u n s a o s países latino-americanos. R e s u m i d a m e n t e , pode-se d i z e r q u e o p a í s a d o t o u u m m o d e l o c o m forte i n f l u ê n c i a d a m e d i c a l i z a ç ã o e d a s u p e r e s p e c i a l i z a ç ã o p a r a u m a popula- ç ã o escassa, e n v e l h e c i d a e c o m m a r c a n t e t e n d ê n c i a a o e m p o b r e c i m e n t o . A s políticas d e r e c u r s o s h u m a n o s , n o q u e s e r e f e r e m a o t i p o , à q u a l i d a d e e à necessidade d e pessoal, n e m sempre são conjuntas e c o m b i n a d a s e n tre o s o r g a n i s m o s d i r e t o r e s , e m p r e g a d o r e s e f o r m a d o r e s , e a l g u m a s v e z e s e n c o n t r a r a m resistências p o r p a r t e d a p o p u l a ç ã o . U m e x e m p l o d i s s o foi a p r e s s ã o e x e r c i d a p a r a a n u l a r as m e d i d a s d e l i m i t a ç ã o d e v a g a s n a u n i v e r s i d a ¬ d e e o c o n s e q ü e n t e a u m e n t o d o n ú m e r o d e matriculados, apesar d o ampio r e c o n h e c i m e n t o d e q u e o m e r c a d o d e trabalho era c a d a v e z mais reduzido. Essa mão-de-obra e m c r e s c i m e n t o inclui u m n ú m e r o m u i t o e l e v a d o d e profissionais específicos d e s a ú d e , q u e c o n s t i t u e m u m s e g m e n t o importante d o m e r c a d o d e trabalho. Existe u m a ú n i c a U n i v e r s i d a d e p ú b l i c a n o U r u g u a i , q u e d a t a d e m e a d o s d o século X I X e q u e c o n t a c o m Faculdades e Escolas. A universidade p a r t i c u l a r foi c r i a d a h á p o u c o t e m p o e t e m e s c a s s a v i n c u l a ç ã o c o m o c a m p o da saúde. S e g u n d o d a d o s e x t r a í d o s d a Dirección General de Estadísticas y Censo ( D G E C ) , a v e l o c i d a d e d o c r e s c i m e n t o d a s m a t r í c u l a s universitárias é m u i t o s u perior a o c r e s c i m e n t o d a p o p u l a ç ã o d o país: para o p e r í o d o 1976-1984, por e x e m p l o , c o m u m c r e s c i m e n t o z e r o d a p o p u l a ç ã o , duplicou-se o n ú m e r o d e matrículas universitárias. Esse forte c r e s c i m e n t o mostra características diferentes nas F a c u l d a d e s e n a s E s c o l a s u n i v e r s i t á r i a s : as p r i m e i r a s m o s t r a r a m p e q u e n o a u m e n t o número de matriculados, ao passo que n a s últimas o aumento foi no bem m a i o r . M u i t o s f a t o r e s p o d e m ter i n f l u e n c i a d o e s s e f e n ô m e n o - tais c o m o , entre outros, a proliferação d e cursos curtos n u m m e r c a d o d e trabalho reduz i d o , o s e x a m e s vestibulares nas F a c u l d a d e s o u a limitação d e vagas nos anos d e 1982 e 1983. A e v o l u ç ã o histórica m o s t r a q u e a o r i g e m d a m a i o r p a r t e d o s a l u n o s é u r b a n a , o q u e r e f l e t e a d i n â m i c a m i g r a t ó r i a d a p o p u l a ç ã o d o país. A maioria dos f o r m a d o s p e r t e n c e a o sexo feminino, especialmente n o setor s a ú d e , fato r e l a c i o n a d o à u r b a n i z a ç ã o , às m u d a n ç a s das atribuições sociais d o h o m e m e d a mulher e à d e t e r i o r a ç ã o e c o n ô m i c a , q u e obriga a m u lher a preparar-se p a r a a t i v i d a d e s profissionais n ã o - d o m é s t i c a s ( T a b e l a 1). TABELA 1 N ú m e r o d e Egressos da U n i v e r s i d a d e U r u g u a i , 1 9 8 9 Fonte: Dirección Ceneral de Planeamiento Universitario, 1990. Mercado de T r a b a l h o p a r a Profissionais de S a ú d e O f e n ô m e n o m u n d i a l d e c r e s c i m e n t o d a mão-de-obra e m p r e g a d a no setor t e r c i á r i o e , d e n t r o d e s t e , m a j o r i t a r i a m e n t e , n o s e t o r s a ú d e , verifica-se t a m b é m n o U r u g u a i . E m b o r a o a c e s s o às i n f o r m a ç õ e s utilizadas p e l a D C E C seja restrito, é p o s s í v e l c a l c u l a r a e v o l u ç ã o d o s e t o r a t r a v é s d a s t a b e l a s d o s C e n s o s E c o n ô m i c o s N a c i o n a i s d e 1978 e 1988, apresentadas na T a b e l a 2. Tabela 2 N ú m e r o d e Profissionais e m S e r v i ç o s d e A t e n ç ã o M é d i c a * Uruguai, 1978 e 1988 Fonte: DCEC. Censos Económicos Nacionales * C ó d i g o 9 3 3 1 , classificação CILU, D C E C 1978-1988. S e g u n d o estes d a d o s , a força d e trabalho e m p r e g a d a e m instituições m é d i c a s (pois assim estão definidas pelo C e n s o ) alcançaria atualmente 7% d a P E A , a o p a s s o q u e h á u m a d é c a d a esta p e r c e n t a g e m e r a d e 4 , 3 % , t e n d o sofrido u m a c r é s c i m o d e 6 2 % . D e n t r o d a mão-de-obra e m p r e g a d a n o s s e r v i ç o s d e a t e n ç ã o médica d i s t i n g u i m o s , a l é m d o s profissionais e s p e c í f i c o s d a s a ú d e , u m g r u p o d e p r o fissionais n ã o e s p e c í f i c o s d o s e t o r - o c u p a d o s c o m a d m i n i s t r a ç ã o , s e r v i ç o s g e r a i s e t c . O a l t o g r a u d e e s p e c i a l i z a ç ã o d o s profissionais d o p r i m e i r o g r u p o dificulta s u a r e l o c a ç ã o p a r a o u t r o s r a m o s d a a t i v i d a d e e c o n ô m i c a e m c a s o d e r e t r a ç ã o d a o f e r t a d e t r a b a l h o n o s e u setor. Dentro d e s s a s c a t e g o r i a s e s p e c í f i c a s , a profissão m é d i c a motivou o m a i o r n ú m e r o d e e s t u d o s e r e v i s õ e s , o q u e possibilita, n o p r e s e n t e t r a b a l h o , u m d e s e n v o l v i m e n t o m a i s d e t a l h a d o d a s i n f o r m a ç õ e s a ela r e f e r e n t e s . MÉDICOS Graduação A f o r m a ç ã o b á s i c a d e m é d i c o s é feita na F a c u l d a d e d e M e d i c i n a c r i a d a e m 1 8 7 5 , q u e o u t o r g a o título d e " D o u t o r e m M e d i c i n a " . U m a v e z f i n a l i z a d o o n í v e l s e c u n d á r i o d a e d u c a ç ã o , o ingresso d o a l u n o na F a c u l d a d e é feito p o r m e i o d e i n s c r i ç ã o a n u a l ; n ã o s e c o b r a m a t r í c u l a e a t u a l m e n t e i n e x i s t e m e x a m e s d e a d m i s s ã o o u limite d e v a g a s . N ã o o b s t a n t e , o b s e r v a - s e u m d e c l í n i o natural n o n ú m e r o d e m a t r í c u l a s , e m contraste c o m o a u m e n t o g l o b a l d o n ú m e r o d e e s t u d a n t e s universitários n o país. A d u r a ç ã o da graduação é d e oito anos. Para a o b t e n ç ã o da habilitação exige-se, d e s d e 1 9 9 1 , u m a n o d e i n t e r n a t o , d o s q u a i s u m d o s trimestres é r e a l i z a d o n o interior d o p a í s . O s p r o g r a m a s c u r r i c u l a r e s n ã o s ã o e s t á t i c o s , e a t u a l m e n t e tenta-se r e verter a t e n d ê n c i a biologicista e hierarquizar a relação médico-paciente, c o m a i n s e r ç ã o d o e s t u d a n t e na c o m u n i d a d e , d e s e n v o l v e n d o - s e , a o l o n g o d a c a r reira, o s a s p e c t o s p s i c o s s o c i a i s e m q u e tal r e l a ç ã o i m p l i c a . V á r i a s i n s t i t u i ç õ e s p a r t i c i p a m da f o r m a ç ã o p r á t i c a d o s m é d i c o s : a uni- v e r s i d a d e , o Ministério da S a ú d e Pública e, e m alguns casos, o M u n i c í p i o d e M o n t e v i d é u . A F a c u l d a d e d e M e d i c i n a é responsável pela c o n c e p ç ã o , elabor a ç ã o e a v a l i a ç ã o d o s c u r s o s , a o p a s s o q u e as d e m a i s instituições a s s e g u r a m u m local para prática e c o l a b o r a m c o m o ensino f a v o r e c e n d o a f o r m a ç ã o d e recursos humanos. Põs-Graduação A E s c o l a d e P ó s - G r a d u a ç ã o c r i a d a e m 1 9 5 3 é a r e s p o n s á v e l p e l o s curs o s d e e s p e c i a l i z a ç ã o m é d i c a a t r a v é s d a s C á t e d r a s e D e p a r t a m e n t o s d a Fac u l d a d e d e M e d i c i n a , o u t o r g a n d o o título d e "Especialista". E m 1 9 8 3 , as e s p e c i a l i d a d e s e r a m 4 4 ; a t u a l m e n t e e x i s t e m v á r i a s o u t r a s e m trâmite d e r e c o n h e c i m e n t o formal. A distribuição d o s m é d i c o s e m ativid a d e por especialidade para os anos d e 1974 e 1992 é apresentada na Tab e l a 3. TABELA 3 Distribuição d e M é d i c o s Ativos por Especialidade Uruguai, 1974 e 1992 Fonte: SMU Padron Médico Nacional. 1974-1992. * Inclusive M e d i c i n a G e r a l . C o m o demonstra a Tabela, algumas especialidades - c o m o Medicina Intensiva, N e f r o l o g i a , M e d i c i n a I n t e r n a e G e r i a t r i a - i n c r e m e n t a r a m r a d i c a l m e n t e seu n ú m e r o d e m é d i c o s e m atividade e m n ú m e r o s absolutos e freq ü ê n c i a s r e l a t i v a s ; p o r o u t r o l a d o , as e s p e c i a l i d a d e s b á s i c a s - cirurgia, p e d i a tria e g i n e c o l o g i a - d i m i n u í r a m s e u c r e s c i m e n t o , t a m b é m n a s p e r c e n t a g e n s . A l g u m a s d a s c a u s a s d e s s e f e n ô m e n o p o d e m ser o e n v e l h e c i m e n t o d a p o p u l a ç ã o n a c i o n a l , o d e s e n v o l v i m e n t o e a i n t r o d u ç ã o d e n o v a s t e c n o l o g i a s , a saturação d o m e r c a d o d e trabalho e m algumas especialidades e a criação, e m 1979, d e u m sistema d e f i n a n c i a m e n t o especial (Lei 14.897) para a presta¬ ç ã o d e serviços no âmbito da medicina altamente especializada, favorecend o o d e s e n v o l v i m e n t o d e p r á t i c a s m é d i c a s d e alta t e c n o l o g i a . O s c u r s o s d e p ó s - g r a d u a ç ã o t ê m d u r a ç ã o n ã o m e n o r q u e três a n o s . P o d e - s e o b t e r o título d e e s p e c i a l i s t a a t r a v é s d e d u a s v i a s : 1) C u r s o s e R e s i d ê n c i a s O a c e s s o a o s c u r s o s s e realiza m e d i a n t e livre i n s c r i ç ã o a n u a l o u b i a - n u a l , d e p e n d e n d o d a e s p e c i a l i d a d e . A f r e q ü ê n c i a às a u l a s t e ó r i c a s e p r á t i c a s é diária, e m g e r a l c o m a o b r i g a t o r i e d a d e d e 12 o u 2 4 h o r a s s e m a n a i s . Exist e m t a m b é m r e g i m e s e s p e c i a i s d e f r e q ü ê n c i a p a r a m é d i c o s d o interior d o país. A C o m i s s ã o N a c i o n a l d e Residências M é d i c a s , criada p o r Lei N a c i o n a l em 1 9 8 3 , é e n c a r r e g a d a d e administrar o P r o g r a m a d e Residências. C a d a a n o , m e d i a n t e c o n c u r s o , ingressam c e m n o v o s residentes e d e z C h e f e s d e R e s i d ê n c i a . E m a l g u m a s e s p e c i a l i d a d e s , c o m o , p o r e x e m p l o , a cirurgia g e r a l , o ingresso é limitado exclusivamente à residência correspondente. 2) Notória Competência ou Atuação Documentada A o b t e n ç ã o d o título d e e s p e c i a l i s t a p e l a v i a d e n o t ó r i a competência o u a t u a ç ã o d o c u m e n t a d a exige a apresentação d e d o c u m e n t a ç ã o q u e c o m p r o v e e s s e f a t o e o p a r e c e r d e c o m i s s õ e s d e assessoria p e r t e n c e n t e s à E s c o la d e P ó s - G r a d u a ç ã o . Participação d e Estrangeiros na F o r m a ç ã o U m a s p e c t o d e particular importância n o q u a d r o d e u m processo de i n t e g r a ç ã o é c o n s t i t u í d o p e l a p a r t i c i p a ç ã o d e e s t u d a n t e s e s t r a n g e i r o s n a grad u a ç ã o e na pós-graduação. O s p e d i d o s d e r e v a l i d a ç ã o d e c u r s o s d e g r a d u a ç ã o e d o título d e m é d i c o s ã o c a n a l i z a d a s p e l a F a c u l d a d e d e M e d i c i n a . O m a i o r n ú m e r o d e solicitaç õ e s p r o v é m d e u r u g u a i o s q u e r e a l i z a r a m s e u s e s t u d o s n o exterior. A u n i v e r s i d a d e t e m c o n v ê n i o s c o m d e z países latino-americanos e u m país e u r o p e u ; entre o s primeiros, encontram-se todos os países integrantes d o M E R C O S U L N ã o são realizadas revalidações c o m terceiros países. P o r d e c i s ã o d o Consejo Director Central, a Comissión de Revalidación d a F a c u l d a d e d e M e d i c i n a e s t á h a b i l i t a d a a c o n s i d e r a r a s s o l i c i t a ç õ e s d e países c o m o s quais n ã o existem c o n v ê n i o s firmados, m a s q u e p o s s u a m universidades consideradas aptas para a a d e q u a d a f o r m a ç ã o d e recursos humanos. C o m r e l a ç ã o a o s títulos d e e s p e c i a l i s t a s , a s r e v a l i d a ç õ e s s ã o c o m p e t ê n c i a d a E s c o l a d e P ó s - G r a d u a ç ã o . P a r a c a d a p e d i d o forma-se u m a b a n c a q u e julga e analisa e s p e c i a l m e n t e o c o n t e ú d o e o tipo das matérias cursadas, exigindo, e m alguns casos, monografia e exame. O n ú m e r o d e p e d i d o s d e r e v a l i d a ç ã o d e títulos o s c i l a e n t r e d e z e v i n t e anuais. Q u a n t o a o s d e s t i n o s e p r o c e d ê n c i a s , m a n t ê m - s e as m e s m a s c a r a c t e r í s ticas d e s c r i t a s p a r a o s g r a d u a d o s , c o m a ressalva d e q u e o d e s t i n o p r e f e r i d o p e l o s m é d i c o s u r u g u a i o s inclui e s p e c i a l m e n t e o s p a í s e s e u r o p e u s . A Escola d e Pós-Graduação, c o m quase quarenta a n o s d e existência, r e c e b e anualmente entre cinqüenta e c e m estudantes estrangeiros. E m 1 9 9 0 f i c o u d e c i d i d a a c o b r a n ç a d e u m a taxa a n u a l d e U S $ 2 . 0 0 0 p o r e s t u d a n t e , q u e s ó c o m e ç o u a ser e f e t u a d a a partir d o p r e s e n t e a n o . A origem dos médicos q u e buscam estudos d e especialização no U r u guai é f u n d a m e n t a l m e n t e a A m é r i c a d o Sul (Brasil, C o l ô m b i a e Argentina) e a Europa (Espanha). A s especialidades preferidas incluem pediatria, g i n e c o l o gia, psiquiatria, n e u r o l o g i a e o f t a l m o l o g i a . D e m o g r a f i a Médica a) N ú m e r o e Distribuição Geográfica D e s d e fins d o s é c u l o p a s s a d o o U r u g u a i c o n t a c o m u m a alta o f e r t a d e m é d i c o s , e m c o m p a r a ç ã o c o m o resto d a A m é r i c a Latina. E m 1 8 8 9 e x i s t i a m 7 m é d i c o s p a r a 1 0 . 0 0 0 h a b i t a n t e s ; v i n t e a n o s d e p o i s , e m 1 9 0 8 , a taxa e l e v a ra-se p a r a 8 m é d i c o s p a r a 1 0 . 0 0 0 h a b i t a n t e s ( R i a l , 1 9 8 3 ; R i g o l i , 1 9 9 1 ) . A e v o l u ç ã o d o s ú l t i m o s a n o s p o d e ser o b s e r v a d a n a T a b e l a 4 . TABELA 4 N ú m e r o d e M é d i c o s por 10.000 Habitantes U r u g u a i , 1962-1992 U m a u m e n t o m u i t o significativo n o n ú m e r o d e e g r e s s o s d a Faculdade d e M e d i c i n a a partir d a d é c a d a d e 7 0 , a d i m i n u i ç ã o d a i m i g r a ç ã o m é d i c a e a e s t a b i l i d a d e n u m é r i c a d a p o p u l a ç ã o d o país f i z e r a m c o m q u e e m 3 0 a n o s triplicasse o n ú m e r o d e m é d i c o s p a r a 1 0 . 0 0 0 h a b i t a n t e s . Diferentes estimativas técnicas da d o t a ç ã o ideal d e recursos médicos n e c e s s á r i o s p a r a assistir e f i c a z m e n t e u m a p o p u l a ç ã o v a r i a m e n t r e 8 e 13 m é d i c o s p a r a c a d a 1 0 . 0 0 0 h a b i t a n t e s ( S c h o n f e l d , O P A S , 1 9 7 3 ) . Existe n o U r u guai, por conseguinte, u m a i m p o r t a n t e s u p e r o f e r t a d e m é d i c o s . Esse fato terá diversas manifestações n o m e r c a d o d e trabalho e repercutirá d e forma importante no Sistema Nacional d e Saúde. A a n á l i s e d a d i s p o n i b i l i d a d e d e m é d i c o s p o r r e g i ã o m o s t r a u m a nítida d i f e r e n ç a d a situação e m M o n t e v i d é u e n o resto d o país (Tabela 4 ) : A d i f e r e n ç a r e f l e t e a d i s t r i b u i ç ã o d e s i g u a l d e m é d i c o s n o território n a cional. E m M o n t e v i d é u , o n d e se localizam 4 5 % da população, residem 8 0 % d o s m é d i c o s , a o passo q u e n o resto d o país, o n d e h a b i t a m 5 5 % d o s u r u guaios, localizam-se a p e n a s 2 0 % d o s m é d i c o s . N o e n t a n t o , u m a política d e r e l o c a ç ã o d o s m é d i c o s n ã o p a r e c e ser u m a s o l u ç ã o eficaz para o problema d e superoferta d e m é d i c o s , pois, c o m o se o b s e r v a na T a b e l a 4, t a m b é m n o interior d o país existe u m a a d e q u a d a oferta d e profissionais. b) Características Demográficas dos M é d i c o s N o s ú l t i m o s 3 0 a n o s , a p o p u l a ç ã o m é d i c a registrou u m a i m p o r t a n t e fe¬ minização - e m 1962, apenas 1 4 % dos médicos eram mulheres ( S M U , 1973), a o passo q u e e m 1 9 9 2 as m u l h e r e s já c o n s t i t u e m 4 1 % . A atual c o m p o s i ç ã o p o r s e x o d a s matrículas universitárias permite p r e v e r q u e essa feminização da profissão será a c e n t u a d a nos a n o s vindouros. C o m o resultado d o sistema d e p a p é i s familiares e d o s valores culturais imperantes, a mulher t e m participação secundária no m e r c a d o d e trabalho, r e d u z i n d o s u a s taxas d e a t i v i d a d e e e m p r e g o . D e s s a f o r m a , a f e m i n i z a ç ã o d a oferta d e trabalho m é d i c o contrabalança o efeito da entrada m a c i ç a d e profissionais j o v e n s n o m e r c a d o d e t r a b a l h o . A e x p a n s ã o d o n ú m e r o d e matrículas na Faculdade d e M e d i c i n a , com o c o n s e q ü e n t e a u m e n t o d o n ú m e r o d e f o r m a d o s , m o d i f i c o u a estrutura etária d o c o r p o m é d i c o , a u m e n t a n d o a i n c i d ê n c i a d o s e s t r a t o s m a i s j o v e n s . A s d i f i c u l d a d e s d e e m p r e g o s ã o m a i s c r í t i c a s n a faixa etária e n t r e 2 5 e 3 9 a n o s . P o r c o n s e g u i n t e , é n e s s a faixa q u e e x i s t e u m m a i o r e s t í m u l o à s u p e ¬ respecialização e à introdução d e novas tecnologias. G r a u d e Especialização d o s Médicos O grau d e especialização dos m é d i c o s uruguaios cresceu notavelmen- te n o s últimos a n o s . Esse p r o c e s s o explica-se, e m parte, pelas mudanças científico-tecnológicas; a l é m disso, a s u p e r e s p e c i a l i z a ç ã o t e m sido u m a das estratégias d e s e n v o l v i d a s pelos m é d i c o s para melhorar suas possibilidades d e e m p r e g o e i n g r e s s o n u m m e r c a d o s a t u r a d o . Essa t e n d ê n c i a acelerou-se nos últimos anos, produzindo u m crescimento da "segunda especialização". Em 1985, 6 7 % dos médicos possuíam uma especialização, e deles, 1 2 % possuíam mais q u e duas especializações, a o passo q u e e m 1990 são 9 0 % os q u e possuem u m a e c h e g a m a 4 2 % os q u e p o s s u e m mais d e duas. (SMUFEMl, 1985; S M U , 1990). Mercado de Trabalho S e g u n d o d a d o s d o Padrón Médico Nacional, no mês d e junho de 1992 e x i s t i a m n o U r u g u a i 9 . 7 8 9 m é d i c o s a t i v o s , 5 6 8 i n a t i v o s e 1.173 n o e x t e r i o r . S e g u n d o as pesquisas realizadas e m 1980 e 1985, pelo m e n o s 30% dos médicos eram subocupados o u desocupados. E m 1 9 9 0 , a Encuesta Médica Nacional c a l c u l a a taxa d e o c i o s i d a d e em 7 % , e e m 3 3 % a p e r c e n t a g e m d e m é d i c o s q u e r e c e b e m , p o r sua atividade p r o f i s s i o n a l , m e n o s q u e d o i s Salários-Bases M é d i c o s . U m S a l á r i o - B a s e M é d i c o equivale a cerca de U S $ 200. Essa p r o b l e m á t i c a a f e t a p r i n c i p a l m e n t e o m é d i c o j o v e m e significa q u e , e m t e r m o s absolutos, a t u a l m e n t e mais d e 3.000 profissionais t ê m dificuldade de emprego. M o d a l i d a d e s d e Vinculação Jurídica d o s Médicos à s Instituições C o m o se v e r á a d i a n t e , a n o r m a d e v i n c u l a ç ã o trabalhista m é d i c a no U r u g u a i é d e m u l t i e m p r e g o . P o r t a n t o , as c o n s i d e r a ç õ e s seguintes referem-se a postos d e trabalho. E m geral, c a d a m é d i c o t e m vários d o s tipos d e vinculaç ã o jurídica aqui descritos. N o setor público, os m é d i c o s são funcionários assalariados, r e c e b e n d o u m salário fixo m e n s a l q u e v a r i a s e g u n d o o n í v e l h i e r á r q u i c o d o p r o f i s s i o n a l . À s instituições d e pré-pagamento ( n o U r u g u a i , c h a m a d a s de Asistencia Médica Colectiva, Instituciones IAMC), O médico é vinculado por meio de d o i s m e c a n i s m o s j u r í d i c o s d i s t i n t o s : o c o n t r a t o salarial o u o c o n t r a t o d e p r e s tação d e serviços. N o primeiro c a s o , existe u m a situação d e d e p e n d ê n c i a do médico à i n s t i t u i ç ã o , e a e l e s e a p l i c a a l e g i s l a ç ã o trabalhista e o s a c o r d o s salariais. E n tre seus direitos, c a b e destacar: licenças, gratificação natalina, férias p a g a s , indenização por demissão, aposentadoria e o direito a salários-mínimos e c o n d i ç õ e s d e t r a b a l h o fixadas p e l o s a c o r d o s salariais. O s e g u n d o g r u p o é integrado p e l o s profissionais q u e a t u a m n a r e f e r ê n c i a p o r alta e s p e c i a l i z a ç ã o , m a n t e n d o , p o r isso, a p e n a s v í n c u l o s aleatórios o u e f ê m e r o s c o m a s IAMCS. E l e s a t e n d e m p a c i e n t e s r e f e r i d o s d e v i d o a g r a u s d e c o m p l e x i d a d e n ã o c o b e r t o s pela instituição. S e u s h o n o r á r i o s s ã o fixados pelas s o c i e d a d e s q u e os a g r u p a m ; n ã o lhes é aplicada a legislação trabalhista, t a m p o u c o o s c o n v ê n i o s salariais. A fixação d a s tarifas é r e a l i z a d a a t r a v é s d e critérios d i f e r e n t e s e e m o c a s i õ e s distintas d o s a c o r d o s salariais. O s diversos sistemas d e r e m u n e r a ç ã o d o trabalho m é d i c o p o d e m ser resumidos da seguinte forma: 1) P a g a m e n t o d e u m a tarifa p o r p a r t e d a s I A M C . Essa é a f o r m a c o m o as IAMC freqüentemente remuneram os médicos muito especializados o u d e referência. 2) P a g a m e n t o d e u m salário v a r i á v e l p o r c a d a a t o m é d i c o r e a l i z a d o ; a r e m u n e r a ç ã o final d e p e n d e r á d o n ú m e r o d e a t o s e f e t u a d o s . 3) P a g a m e n t o d e u m salário m i s t o , u m a p a r t e fixa e u m a p a r t e v a r i á v e l . C e r tas f u n ç õ e s s ã o p a g a s p o r h o r a e o u t r a s p o r a t o m é d i c o . Essa é a f o r m a e s t a b e l e c i d a p e l o s a c o r d o s salariais e é a m a i s f r e q ü e n t e n a s IAMCS. A s atividades d e consultório, plantões, atendimento d e urgência e t c , são pagas p o r hora, e as atividades esporádicas - c o m o , por e x e m p l o , i n t e r v e n ç õ e s c i r ú r g i c a s , visitas a d o m i c í l i o e t c . - s ã o r e m u n e r a d a s p o r s e r v i ç o p r e s t a d o . 4) P a g a m e n t o d e u m salário fixo s e g u n d o o n ú m e r o m e n s a l d e h o r a s c o n tratadas. Esse sistema foi introduzido nos últimos a n o s nas IAMCS maior porte. S u a aplicação a c o m p a n h a a criação d e hierarquia por especialidade o u serviço. O de médica custo/hora d e p e n d e r á d o grau e da es- p e c i a l i d a d e d o m é d i c o , e d o t i p o d e t r a b a l h o p o r e l e r e a l i z a d o . Esse é t a m b é m o sistema d e p a g a m e n t o d o setor público. 5) Pagamento direto d e u m honorário por parte d o paciente a o médico, m o d a l i d a d e q u e s e m a n t é m e x c l u s i v a m e n t e n o e x e r c í c i o liberal d a profiss ã o e n ó s s e g u r o s p a r c i a i s d e s t i n a d o s a s e t o r e s d e alto p o d e r a q u i s i t i v o . Calcula-se q u e m e n o s d e 9 % d a p o p u l a ç ã o goza d e assistência privada. Essa b a i x a i n c i d ê n c i a d a a t i v i d a d e liberal na p r e s t a ç ã o d e a s s i s t ê n c i a reflete-se n o n ú m e r o d e m é d i c o s q u e r e c e b e m h o n o r á r i o s : na Encuesta ca Nacional d e 1990, apenas 1 7 % dos entrevistados declarou Médi- recebê-los e m alguma oportunidade. N ú m e r o d e C a r g o s Médicos ( T a b e l a 5 ) E m o u t u b r o d e 1991 existiam 12.396 c a r g o s nas IAMC, s e n d o 9.798 e m M o n t e v i d é u e 2 . 5 9 8 n o interior. O s h o s p i t a i s e o s s e g u r o s p a r c i a i s p o s s u e m mais 7 2 3 cargos, totalizando 13.119 cargos n o setor privado. E m s e t e m b r o d e 1 9 9 0 existiam 2.648 cargos n o Ministério da Saúde P ú b l i c a ; n o r e s t o d o s e t o r p ú b l i c o - S a ú d e militar, S a ú d e p o l i c i a l , a d m i n i s t r a ç ã o c e n t r a l , p r e f e i t u r a s e t c . - calcula-se m a i s 4 . 0 0 0 c a r g o s . Levando-se e m c o n t a q u e 8 5 % dos m é d i c o s ativos o c u p a m algum carg o e q u e a m é d i a d e cargos a c u m u l a d o s por c a d a m é d i c o assalariado oscila e n t r e 2,5 e 2,7, e x i s t i r i a m , n o t o t a l , d e 2 0 . 7 0 0 a 2 2 . 4 0 0 c a r g o s . A diferença e n t r e o s c a r g o s c a l c u l a d o s e o s c o n h e c i d o s - e n t r e 1.000 e 2 . 7 0 0 - fica dist r i b u í d a p o r c l í n i c a s d e d i a g n ó s t i c o e t r a t a m e n t o ( c e n t r o s d e diálise, t o m o grafia, a n á l i s e s c l í n i c a s e t c . ) e e m p r e s a s q u e n ã o f a z e m p r o p r i a m e n t e d o setor (clínicas d e e m a g r e c i m e n t o , peritos m é d i c o s e t c ) . parte TABELA 5 Evolução do N ú m e r o de Cargos e de M é d i c o s Ativos U r u g u a i , 1966-1991 Fonte; Yanicelli 1972, M e e r h o f f 1988, SMU-Serra 1992. * Em 1966 foram c o m p u t a d o s apenas os cargos d e M o n t e v i d é u . O crescimento d o n ú m e r o d e m é d i c o s ativos esteve associado a u m a e x p a n s ã o similar n o n ú m e r o d e c a r g o s , e m b o r a e s s e s ú l t i m o s t e n h a m au- m e n t a d o e m r i t m o l e v e m e n t e m a i s l e n t o . Esse c o m p o r t a m e n t o d a d e m a n d a i n s t i t u c i o n a l d e t r a b a l h o m é d i c o i m p e d i u q u e s e r e g i s t r a s s e m altas taxas d e d e s e m p r e g o entre os m é d i c o s . C o m o os recursos disponíveis para a r e m u n e r a ç ã o d o t r a b a l h o m é d i c o n ã o c r e s c e r a m na m e s m a p r o p o r ç ã o , o aumento d o n ú m e r o d e c a r g o s n a s I A M C S foi f i n a n c i a d o c o m u m a d r á s t i c a r e d u ç ã o d o salário real. O Salário-Base M é d i c o v i g e n t e n o m ê s d e m a r ç o d e 1 9 6 5 , a t u a l i zado pelo índice d e Preços a o Consumidor e transformado e m dólares em s e t e m b r o d e 1 9 9 2 , totaliza U S $ 1.137; se c o m p a r a r m o s c o m s e u v a l o r a t u a l d e U S $ 2 0 6 , t e m o s u m a i d é i a d a m a g n i t u d e d a p e r d a sofrida p e l o salário real. N ú m e r o d e C a r g o s por Médico O sistema d e trabalho organizado e m torno d e cargos c o m baixa carga h o r á r i a s e m a n a l e a d e t e r i o r a ç ã o d o salário r e a l e x p l i c a m a a t u a l s i t u a ç ã o d e multiempregos. N o s últimos anos, a m é d i a d e cargos por m é d i c o t e m se m a n t i d o estável. Em 1 9 8 0 e r a m 2,7 ( M e e r h o f f , 1988), c o m a m e s m a média e m 1985 (SMU-FEMI, 1 9 8 5 ) ; e m 1 9 9 0 a m é d i a e r a d e 2,5 ( S M U , 1 9 9 0 ) . Essas m é d i a s n ã o r e f l e t e m f i e l m e n t e a r e a l i d a d e , q u e registra u m a alta c o n c e n t r a ç ã o d e t r a b a lho. Detalhando os dados, observamos que, e m 1980, 5 9 % dos médicos o c u p a v a m 3 2 % dos cargos. E m 1990, 1 9 % dos m é d i c o s c o n c e n t r a v a m 36% dos cargos, a o passo q u e 5 3 % dos m é d i c o s o c u p a v a m 3 3 % dos cargos. E m sua p e s q u i s a , M e e r h o f f e s t u d o u a a s s o c i a ç ã o e n t r e o n ú m e r o de cargos, a r e m u n e r a ç ã o , o sexo, a idade e a especialização d o s profissionais e concluiu q u e os médicos q u e mais cargos c o n c e n t r a m são os h o m e n s entre 4 0 e 5 0 a n o s e c o m especialização cirúrgica; o b v i a m e n t e , t a m b é m c o n c e n tram a maior parte da r e m u n e r a ç ã o (Meerhoff, 1988). R e m u n e r a ç ã o por Médico C o m o conseqüência do multiemprego, a remuneração média do médic o n ã o t e m o r i g e m d i r e t a n o salário d e c a d a c a r g o . A s i n f o r m a ç õ e s d i s p o n í v e i s e n c o n t r a m - s e n a T a b e l a 6. TABELA 6 D i s t r i b u i ç ã o P e r c e n t u a l d o s M é d i c o s S e g u n d o G r u p o s Salariais Uruguai, 1980 e 1990 Fonte: Meerhoff, 1988 e SMU, 1990. N o M i n i s t é r i o d a S a ú d e P ú b l i c a d o U r u g u a i ( M S P ) existe u m a h i e r a r q u i a d e c a r g o s d e n o v e g r a u s . O s três graus i n f e r i o r e s c o r r e s p o n d e m a o s c a r g o s o p e r a c i o n a i s , o s três i n t e r m e d i á r i o s a c h e f i a s d e s e r v i ç o e o s três s u p e r i o r e s à d i r e ç ã o d e hospitais o u unidades. E m t o d o s os casos cumpre-se u m horário d e 2 4 h o r a s s e m a n a i s . O s v a l o r e s m é d i o s d a s r e m u n e r a ç õ e s e s t ã o na T a b e l a 7. TABELA 7 V a l o r M é d i o d o s Salários S e g u n d o os Cargos Ministério da S a ú d e Pública do Uruguai, 1991 * e m U S $ de junho de 1 9 9 1 . N o Ministério da S a ú d e Pública uruguaio, 9 7 % dos cargos são o p e r a c i o n a i s , o q u e significa q u e a q u a s e t o t a l i d a d e d o s m é d i c o s d a q u e l e ó r g ã o g a n h a m , e m média, U S $ 169 mensais. E m outubro d e 1 9 9 1 , o conjunto d o setor privado destinou c e r c a de U S $ 6,6 m i l h õ e s p a r a r e m u n e r a r o t r a b a l h o m é d i c o . A m é d i a p o r c a r g o foi de U S $ 505. D e n t r o d o setor p r i v a d o , o m a i o r e m p r e g a d o r f o r a m as l A M C s , q u e d e s t i n a r a m U S $ 6,4 m i l h õ e s p a r a o salário m é d i c o n o m e s m o m ê s , o q u e significa uma remuneração média por cargo d e U S $ 515 (SMU-Serra 1992). A remuneração médica apresenta grandes variações, segundo a localização do profissional e a s u a e s p e c i a l i d a d e , c o n f o r m e s e v e r i f i c a n a T a b e l a 8. TABELA 8 R e m u n e r a ç ã o M é d i a por Cargo Nas IAMCS por Especialidade Uruguai, 1991 E m U S $ d e 10/91 Fonte: SMU-Serra 1992. E m t o d o o país, o p a g a m e n t o p o r salário fixo r e p r e s e n t a 5 0 % d o t o t a l das r e m u n e r a ç õ e s , o p a g a m e n t o por serviço prestado representa 1 7 % , as c o m p e n s a ç õ e s perfazem 1 5 % e outras modalidades, 1 7 % . N e s t a análise ficam e v i d e n t e s algumas t e n d ê n c i a s c o m u n s a o u t r o s países, q u e p o d e m ser r e s u m i d a s e m : • A u m e n t o g e o m é t r i c o d a taxa d e m é d i c o s p a r a c a d a 1 0 . 0 0 0 h a b i t a n t e s . • C o n c e n t r a ç ã o d o s recursos m é d i c o s na capital. • Feminização da p o p u l a ç ã o médica. • A u m e n t o da especialização e da multiespecialização. Concomitantemente, e em parte c o m o conseqüência desses proces- sos, p r o d u z i r a m - s e m u d a n ç a s n a s p r á t i c a s d e t r a b a l h o d o s m é d i c o s , a s a b e r : • A d e t e r i o r a ç ã o d a s c o n d i ç õ e s d e e m p r e g o d o m é d i c o : d i m i n u i ç ã o d o salário r e a l , a u m e n t o d a s taxas d e d e s e m p r e g o e s u b e m p r e g o . • A consolidação d o multiemprego c o m o forma d e aumentar a renda e o grau d e a u t o n o m i a profissional. • A altíssima c a p a c i d a d e q u e o s m é d i c o s t i v e r a m d e e x p a n d i r a d e m a n d a c o n j u n t a m e n t e c o m a oferta evitou q u e o d e s e m p r e g o e a r e d u ç ã o da r e n d a per capita chegasse aos extremos q u e a manifesta superoferta p o - deria provocar. • A a d o ç ã o d e estratégias individuais d e diversificação d e postos d e trabalho c o m base na a c u m u l a ç ã o d e cargos, e a posse d e várias especialidades simultaneamente, para melhorar a renda. N u m m e r c a d o livre, o p r e ç o d e u m b e m o u s e r v i ç o s u r g e d a i n t e r a ç ã o da d e m a n d a por parte d o s c o n s u m i d o r e s c o m a oferta por parte d o setor p r o d u t i v o . O s p r e ç o s se f o r m a m n o m e r c a d o q u a n d o a d e m a n d a e a oferta se e n c o n t r a m . O m e r c a d o a g e c o m o u m m e c a n i s m o distribuidor e f i x a d o r d e recursos, estimulando o u deprimindo a produção. O m e r c a d o d e traba- l h o d o p e s s o a l d a s a ú d e n ã o é r e g i d o p o r essas leis. E n t r e suas p r i n c i p a i s c a racterísticas, algumas se d e s t a c a m , a saber: • N o m e r c a d o m é d i c o , a d e m a n d a é regida apenas parcialmente pela v o n t a d e d o c o n s u m i d o r ( o p a c i e n t e o u a instituição d e assistência m é d i c a ) ; os próprios produtores (os médicos), graças a o seu c o n h e c i m e n t o especializado, d e t e r m i n a m , e m grande parte, o tipo e a medida d o serviço a ser p r e s t a d o . U m i n d i c a d o r d e s s a c a p a c i d a d e q u e a o f e r t a p o s s u i d e i n d u zir a d e m a n d a é , c o m o já v i m o s , o g r a n d e i n c r e m e n t o n o n ú m e r o d e c a r gos disponíveis c o m b a s e na pluriespecialização e na diferenciação de serviços. • É m a r c a n t e o p a p e l s o c i a l d o s profissionais d e s a ú d e , r e v e s t i d o d e u m significado cultural q u e torna certas profissões desejáveis e alvo d o apoio p ú b l i c o i n d e p e n d e n t e m e n t e d e sua real d e m a n d a . • A a ç ã o c o r p o r a t i v i s t a d a s d i v e r s a s c a t e g o r i a s situa o salário n u m nível s u p e r i o r a o d e u m salário e s t r i t a m e n t e d e t e r m i n a d o p e l a s leis d o m e r c a d o . ODONTÓLOGOS Formação A F a c u l d a d e d e O d o n t o l o g i a é a r e s p o n s á v e l p e l a f o r m a ç ã o d e profiss i o n a i s e o u t o r g a o título d e " D o u t o r e m O d o n t o l o g i a " . O curso universitário t e m d u r a ç ã o curricular d e c i n c o anos. O s progra- m a s atuais priorizam aspectos vinculados à odontologia social nos cursos regulares. E m 1 9 9 1 , o n ú m e r o d e matriculados c h e g o u a 3.204. O n ú m e r o d e dip l o m a d o s mantém-se praticamente estável nos últimos a n o s ( c e r c a d e 130), c o m franco predomínio feminino. Aspectos Demográficos e d e M e r c a d o d e T r a b a l h o Em 1 9 8 5 , o país c o n t a v a c o m 2.723 o d o n t ó l o g o s - u m profissional p a r a c a d a 1.977 h a b i t a n t e s . A d i s t r i b u i ç ã o g e o g r á f i c a d e o d o n t ó l o g o s é d e 1 p a r a c a d a 6 7 3 h a b i t a n t e s e m M o n t e v i d é u e u m p a r a c a d a 2.91 7 n o i n t e r i o r d o país ( T a b e l a 9 ) . TABELA 9 Distribuição Geográfica d e O d o n t ó l o g o s Uruguai, 1985 Fonte: Ca/a de Profesionales Universitarios. Informes n o r m a t i v o s d e m e t a s d e pessoal d e s a ú d e para as A m é r i c a s propõem, como taxa d e s e j á v e l para o d o n t ó l o g o s , três p r o f i s s i o n a i s para c a d a d e z mil h a b i t a n t e s ( O P A S , 1 9 7 3 ) . C o m p a r a n d o e s t a taxa c o m a s e x i s t e n tes, observa-se u m a s u p e r o f e r t a d e profissionais e m M o n t e v i d é u e u m a situaç ã o m a i s e q u i l i b r a d a n o interior. N ã o existem informações consolidadas sobre o m e r c a d o d e e m p r e g o s e m O d o n t o l o g i a , p o i s as a t i v i d a d e s o d o n t o l ó g i c a s e s t ã o e x c l u í d a s , e m g e r a l , d a s p r e s t a ç õ e s d e s e r v i ç o d o M i n i s t é r i o d a S a ú d e P ú b l i c a e d o s s e g u r o s prép a g o s ( s a l v o as a ç õ e s p r e v e n t i v a s e a s d e e m e r g ê n c i a ) . Isso faz c o m que exista a i n d a u m a m p l o d e s e n v o l v i m e n t o d a p r á t i c a a u t ô n o m a e , p o r o u t r o l a d o , u m a baixa c o b e r t u r a d a p o p u l a ç ã o , a p e s a r d o s e s t u d o s e p i d e m i o l ó g i c o s q u e m o s t r a m a alta p r e v a l ê n c i a d e p a t o l o g i a s o r a i s . ENFERMAGEM Formação A s Escolas Universitárias ( q u e se diferenciam das F a c u l d a d e s p o r s e r e m f o r m a d o r a s d e t é c n i c o s d o n í v e l m é d i o ) ligadas a o s e t o r s a ú d e s ã o s e t e : E s cola d e Tecnologia M é d i c a , Escola d e E n f e r m a g e m , Escola d e N u t r i ç ã o e D i e t é t i c a , E s c o l a d e P a r t e i r a s , E s c o l a d e A u x i l i a r e s d e O d o n t o l o g i a , Instituto d e Psicologia e S e r v i ç o Social. A s quatro primeiras p e r t e n c e m a o d o m í n i o da F a c u l d a d e d e M e d i c i n a ; a q u i n t a , à F a c u l d a d e d e O d o n t o l o g i a ; as d u a s ú l t i m a s , à R e i t o r i a d a U n i v e r s i d a d e . O s d i p l o m a d o s n a s E s c o l a s U n i v e r s i t á r i a s r e c e b e m o título d e p r o f i s sional d e n í v e l i n t e r m e d i á r i o , e a n t i g a m e n t e e r a m d e n o m i n a d o s , e m alguns c a s o s , auxiliares o u c o l a b o r a d o r e s . A c a r g a c u r r i c u l a r d e s s e s c u r s o s o s c i l a e n tre 2 e 5 a n o s . S e g u n d o d a d o s d a División miento Universitario Estadística da Dirección General de Planea- p a r a 1 9 8 9 , o total d e d i p l o m a d o s n a s E s c o l a s U n i v e r s i t á - rias l i g a d a s à s a ú d e c h e g o u a 2 2 % d o total d e d i p l o m a d o s d e nivel s u p e r i o r d e e d u c a ç ã o e m t o d o o país. E m n ú m e r o s absolutos, 721 f o r m a d o s d e u m total d e 3.203. T A B E L A 10 D i p l o m a d o s e m Escolas Universitárias Uruguai, 1989 a) Escuela Universitária d e Enfermagem F o r m o u E n f e r m e i r a s U n i v e r s i t á r i a s a t é 1 9 7 4 , a n o e m q u e foi d e t e r m i n a - d a a s u a f u s ã o f u n c i o n a l c o m a Escuela Dr. Carlos Ne/y, d e p e n d e n t e d o M i - nistério d a S a ú d e P ú b l i c a , t e n d o r e t o r n a d o à e s f e r a universitária e m 1 9 8 5 . O U r u g u a i , c o m o a maioria d o s países latino-americanos, possui p e q u e n o n ú m e r o d e e n f e r m e i r o s profissionais, p r o b l e m a a g r a v a d o p a r t i c u l a r m e n t e pela m i g r a ç ã o para países c o m maior d e s e n v o l v i m e n t o econômico-social. A extensão curricular da Licenciatura e m Enfermagem é d e c i n c o anos, n ã o existindo subespecializações. Calcula-se e m 1.700 o n ú m e r o d e e n f e r m e i r a s universitárias g r a d u a d a s ( u m a p a r a c a d a 1.700 h a b i t a n t e s ) , d a s q u a i s s o m e n t e 8 % e s t ã o r a d i c a d a s n o interior d o p a í s . b) Escuela d e Sanidad C r i a d a por Lei O r g â n i c a d o Ministério da S a ú d e Pública e m 1934, é a ú n i c a i n s t i t u i ç ã o d o c e n t e d o M S P q u e f o r m a p e s s o a l d e nível i n t e r m e d i á r i o ( n ã o u n i v e r s i t á r i o ) . O s c u r s o s t ê m lugar e m M o n t e v i d é u e n o interior do país. A f o r m a ç ã o m a i s i m p o r t a n t e c o r r e s p o n d e às auxiliares d e e n f e r m a g e m , c o m c a r g a c u r r i c u l a r d e 16 m e s e s . A l é m disso, a E s c o l a f o r m a 12 d i f e r e n t e s t i p o s d e auxiliares d e s a ú d e . D u r a n t e o ú l t i m o a n o , essa instituição c o m e ç o u a d e s e n v o l v e r u m a L i cenciatura e m Enfermagem, c o m duração d e quatro anos e u m semestre. exigindo nível secundário d e e d u c a ç ã o e a f o r m a ç ã o prévia d e Auxiliar d e E n f e r m a g e m c o m d e z a n o s d e experiência prática. D e m o g r a f í a e M e r c a d o d e T r a b a l h o ( T a b e l a 11) Informes normativos d e metas para pessoal d e saúde na área das A m é ricas e s t a b e l e c e m , c o m o taxa d e s e j á v e l p a r a E n f e r m e i r a s P r o f i s s i o n a i s , 4,5 para c a d a 10.000 habitantes (OPAS, 1973). C o m p a r a n d o essa taxa c o m existentes, v e m o s q u e a oferta global d e enfermeiras é a d e q u a d a , as embora exista u m a p é s s i m a d i s t r i b u i ç ã o e n t r e M o n t e v i d é u e o i n t e r i o r d o p a í s . T A B E L A 11 Distribuição Geográfica d e Pessoal d e Enfermagem Uruguai Fonte: Ca/'a de Profesionales Universitarios. * Taxa por 10.000 habitantes. N ã o existem d a d o s confiáveis sobre o n ú m e r o e a distribuição d e auxiliares d e e n f e r m a g e m , e m b o r a o s c á l c u l o s d a D i v i s ã o d e P l a n i f i c a ç ã o d o M i nistério d a S a ú d e P ú b l i c a c o l o q u e m e s s e n ú m e r o e m t o r n o d e 1 5 . 0 0 0 , isto é, c e r c a d e 10 auxiliares p a r a c a d a e n f e r m e i r a p r o f i s s i o n a l e 5 0 p a r a cada 10.000 habitantes. O p e s s o a l d e E n f e r m a g e m P r o f i s s i o n a l t e m alta d e m a n d a n o mercado d e trabalho, e m b o r a e m geral n ã o consiga a c o m p a n h a r essa d e m a n d a níveis salariais a d e q u a d o s , d e v i d o à estrutura d e r e p r e s e n t a ç ã o com corporativa d a p r o f i s s ã o , v i n c u l a d a a o r e s t o d e profissionais n ã o - m é d i c o s a t r a v é s d a Federación Uruguaya de Salud (FUS). A F U S a g r u p a c e r c a d e 1 8 . 0 0 0 profissionais e f u n c i o n a d e s d e 1 9 6 7 . O r ganiza-se p o r e m p r e s a : s e u s s i n d i c a t o s d e b a s e a b r a n g e m o s funcionários d a s d i v e r s a s p r o f i s s õ e s e m c a d a i n s t i t u i ç ã o . Essa h e t e r o g e n e i d a d e s e r e f l e t e nas dificuldades d e unificação das r e i v i n d i c a ç õ e s d e setores diferentes - p o r e x e m p l o , a s r e i v i n d i c a ç õ e s d a s e n f e r m e i r a s profissionais c o m a s d e A u x i l i a res d e S e r v i ç o , as p r i m e i r a s d e alta d e m a n d a e baixa o f e r t a , e a s s e g u n d a s , e m c o n d i ç õ e s i n v e r s a s . Essa s i t u a ç ã o c o n t r i b u i p a r a a d e p r e c i a ç ã o d a m ã o de-obra d a E n f e r m a g e m e m g e r a l , e e m p a r t i c u l a r d e s e u s e t o r p r o f i s s i o n a l . Q U A D R O L E G A L E É T I C O D O EXERCÍCIO DE P R O F I S S Õ E S DE S A Ú D E N O URUGUAI N o U r u g u a i , p a r a q u e o profissional d e s a ú d e p o s s a e x e r c e r sua profiss ã o é n e c e s s á r i o , e m p r i m e i r a i n s t â n c i a , o b t e r u m título a c a d ê m i c o n o país o u revalidado no m e s m o . U m a v e z o b t i d o , o d i p l o m a d e v e ser registrado n o M i n i s t é r i o d a S a ú d e Pública através d e seu Departamento de C o o r d e n a ç ã o e Controle, ficando o p r o f i s s i o n a l h a b i l i t a d o a o e x e r c í c i o d a profissão e m t o d o o território uru- g u a i o . A l é m d i s s o , o M i n i s t é r i o o u t o r g a u m a carteira d e h a b i l i t a ç ã o profissional. D e c l a r a n d o - s e o u n ã o o e x e r c í c i o p r i v a d o d a profissão, o profissional d e v e t a m b é m r e a l i z a r o registro c o r r e s p o n d e n t e na Caja de Jubilaciones Pro- fesionales. A Lei O r g â n i c a d e 1934, q u e criou o Ministério da S a ú d e , previa u m a e s t r u t u r a d e n o m i n a d a Comisión Honoraria de Salud Pública, formada, segun- d o r e z a a lei, "por p e s s o a s r e s p e i t á v e i s , e n c a r r e g a d a s d a s u p e r v i s ã o d a s p r o fissões d e S a ú d e " , isto é, d o c o n t r o l e d o s a s p e c t o s é t i c o s - n a r e a l i d a d e , u m t r i b u n a l d e é t i c a e m s a ú d e o r g a n i z a d o p e l o p r ó p r i o E s t a d o . Essa estrutura v i gora até hoje. N o início d e 1 9 9 2 , o Ministério da S a ú d e Pública c o l o c o u e m estudos u m projeto d e D e c r e t o d o P o d e r Executivo v e r s a n d o sobre regras d e c o n d u ta m é d i c a e d i r e i t o s d o s p a c i e n t e s , p r o j e t o d u r a m e n t e q u e s t i o n a d o p e l a s ass o c i a ç õ e s d e classe da área médica. N o entanto, a criação desse colegiado e a aplicação de um Código de É t i c a q u e a t u e c o m o r e g u l a d o r e c o n t r o l a d o r d a a t i v i d a d e profissional c o n s t i t u e m , p a r a o s m é d i c o s e o u t r o s profissionais d a s a ú d e , u m a antiga a s p i r a ç ã o q u e a t é h o j e , p o r m o t i v o s d i v e r s o s , n ã o c h e g o u a concretizar-se. O Sindicato M é d i c o d o U r u g u a i teve participação decisiva na r e d a ç ã o d e u m a n t e p r o j e t o q u e e m 1 9 8 8 foi a p r e s e n t a d o p a r a e s t u d o s à C o m i s s ã o c o r r e s p o n d e n t e n o P a r l a m e n t o u r u g u a i o e q u e sugeria a i n s t a u r a ç ã o d o C o l e g i a d o d e M é d i c o s c o m o " p e s s o a j u r í d i c a p ú b l i c a , n ã o estatal, e n c a r r e g a d a d e a s s e g u r a r a i n d e p e n d ê n c i a profissional d o s m é d i c o s e o c o n t r o l e d e sua a t i v i d a d e m o r a l " . Esse ó r g ã o ditaria n o r m a s d e c o m p o r t a m e n t o profissional e seria o r e s p o n s á v e l p e l a r e s o l u ç ã o d e p r o b l e m a s d e é t i c a e d e d e o n t o l o g i a . N ã o e x i s t e m i n s t â n c i a s o u p r o j e t o s d e estruturas d e regulamentação é t i c a o u d e o n t o l ó g i c a d a s c a t e g o r i a s r e s t a n t e s , a l é m d a q u e p o s s a ser realiz a d a p o r suas a s s o c i a ç õ e s d e classe. BIBLIOGRAFIA Caja d e Jubilaciones d e Profesionales Universitarios del U r u g u a y . Boletines Informativos. D i r e c c i ó n G e n e r a l d e Estadísticas y C e n s o s : // Censo Económico Nacional. Económico Nacional. Tabulaciones no publicadas. Uruguay, 1979. D i r e c c i ó n G e n e r a l d e Estadísticas y C e n s o s : /// Censo F a s e I. U r u g u a y , 1 9 8 8 . M e e r h o f f , R.: El mercado de trabajo médico en el Uruguay. Oficina d e Pla- n e a m i e n t o y P r e s u p u e s t o , P r e s i d e n c i a d e la R e p ú b l i c a , M o n t e v i d e o , m a r z o d e 1 9 8 8 . 1 9 1 p. M e e r h o f f , R.: I n v e s t i g a c i ó n e n p e r s o n a l d e s a l u d . E g r e s a d o s d e la F a c u l t a d d e M e d i c i n a d e la U n i v e r s i d a d d e la R e p ú b l i c a , U r u g u a y . Ed. vol. 21 n OPS/OMS: Recomendaciones y metas del Plan A m é r i c a s 1 9 7 1 - 1 9 8 0 . Reseñas Rial, J . : Salud Med. Salud, 3,1987. o Pública comienzos y clases Ed. Med. subalternas Decenal de Salud, v o l . 7, n o en Montevideo Salud para las 3 - 4, 1 9 7 3 . a fines del siglo XIX y del XX. C I E S U , D T / 4 3 / 8 3 . U r u g u a y , 1 9 8 3 . R í g o l i , F.: Recursos Humanos en el Sector Salud del Uruguay. P r o y e c t o SISA¬ LUD-CERES, C e n t r o I n t e r n a c i o n a l d e I n v e s t i g a c i o n e s p a r a el D e s a r r o l l o , M i meo, Montevideo, 1991. S c h o n f e l d H . 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Y a n i c e l l i , E.: Información en el Uruguay. básica sobre estructura sanitaria y seguros de salud Sindicato M é d i c o del Uruguay. M a r z o d e 1974. ( M i m e o ) . PARAGUAI: SITUAÇÃO DA FORMAÇÃO E MERCADO DE TRABALHO NA ÁREA DA SAÚDE Alicia Arnau Célia Regina Pierantoni INTRODUÇÃO O Paraguai, c o m o t o d o s o s países da A m é r i c a Latina, enfrenta u m a cri- se d e transição d o seu m o d e l o d e saúde. É u m país e m i n e n t e m e n t e j o v e m , o n d e quase 5 0 % da p o p u l a ç ã o t e m m e n o s d e 15 anos, c o m altos índices d e n a t a l i d a d e e f e r t i l i d a d e , e l e v a d a s taxas d e m o r t a l i d a d e infantil, c o m u m a i m p o r t a n t e p o p u l a ç ã o rural ( 5 4 % d a p o p u l a ç ã o total) e c o m s i g n i f i c a t i v a p r o porção v i v e n d o e m c o m u n i d a d e s espalhadas e c o m dificuldades d e c o m u n i cação. O M i n i s t é r i o d e S a ú d e P ú b l i c a e Bem-Estar S o c i a l ( M S P B S ) e n u n c i a , e m seu discurso, a prioridade nas a ç õ e s d e p r o m o ç ã o e p r e v e n ç ã o e m s a ú d e ; n o entanto, a maior parte d e seus recursos financeiros e h u m a n o s são alocad o s n a p r e s t a ç ã o d e s e r v i ç o s assistenciais. P a r a isto, c o n t a c o m u n i d a d e s a s sistenciais d e d i f e r e n t e s n í v e i s d e c o m p l e x i d a d e e m t o d o o t e r r i t ó r i o n a c i o nal. H á d o i s a n o s , a p r o x i m a d a m e n t e , está e m d e b a t e o t e m a d a d e s c e n t r a l i z a ç ã o , p r o v o c a n d o s i t u a ç õ e s d e r e a c o m o d a ç ã o o r g â n i c a e f u n c i o n a l n o s níveis central e regional. O s serviços d e s a ú d e encontram-se e m p r o c e s s o d e reorganização, c o m o d e s e n v o l v i m e n t o d e iniciativas q u e v i s a m a n o r m a t i z a ¬ ç ã o d a assistência, e s t a b e l e c e n d o os tipos e a natureza d o s serviços, b e m c o m o a d e f i n i ç ã o d e perfis o c u p a c i o n a i s . N e s t e p e r í o d o d e transição democrática é notória a intencionalidade p o l í t i c a d e f o r t a l e c e r a a s s i s t ê n c i a a t r a v é s d a R e d e N a c i o n a l d e S a ú d e , en¬ frentando-se, n o entanto, c o m limitações importantes, tanto para a a l o c a ç ã o d e r e c u r s o s , c o m o n a c a p a c i d a d e t é c n i c a , q u e permitiria a implementação desta v o n t a d e d e m u d a n ç a . Envolvido num contexto de descentralização sobredimencionado buroc r a t i c a m e n t e , c o m limitações financeiras e técnicas, o sistema d e s a ú d e a p r e senta dois níveis estratégicos d e gestão: u m nível central, c o m limitações t é c nicas para realizar o p r o c e s s o d e reforma estrutural; e u m nível regional, c o m p o s t o d e q u i n z e r e g i õ e s sanitárias, q u e r e a l i z a m a p r e s t a ç ã o d e s e r v i ç o s através d e hospitais d e terceiro, quarto e quinto nível, junto c o m os centros e postos d e saúde. N o s p r o g r a m a s e s u b p r o g r a m a s é nítida a a t r i b u i ç ã o d a f u n ç ã o d e c o n d u ç ã o a m é d i c o s e d a s f u n ç õ e s o p e r a t i v a s a o u t r o s profissionais, c o m o a e n f e r m e i r a . A o m é d i c o atribui-se, a l é m d o s e u p a p e l c l á s s i c o d e d i a g n ó s t i c o e terapêutica, t a m b é m o g e r e n c i a m e n t o das instituições; à licenciada e m e n f e r m a g e m , a s t a r e f a s d e c o n d u ç ã o , c a p a c i t a ç ã o d e auxiliares e d e s u p e r v i s ã o r e g i o n a l ; e a o p e s s o a l auxiliar, g r u p o d e b a i x o n í v e l e d u c a t i v o e d e estrato s o c i a l p o b r e , o s s e r v i ç o s d e auxiliar d e e n f e r m a g e m e a t i v i d a d e s gerais ( l i m peza e t c ) . E m b o r a t e n h a m sido i m p l e m e n t a d o s cursos d e S a ú d e Pública e A d m i nistração d e Serviços, há carência d e pessoal capacitado para a função de condução. O M S P B S c o n s i d e r a a c a p a c i t a ç ã o c o m o u m a estratégia b á s i c a p a r a a m u d a n ç a n o m o d e l o a s s i s t e n c i a l . C o m a c o o p e r a ç ã o d a O P S / O M S , foi analisad o o m o d e l o d e c a p a c i t a ç ã o utilizado, t e n d o ficado d e m o n s t r a d o q u e este se realizava d e f o r m a episódica, c o m base nas necessidades d o nível central. O e s t u d o p e r m i t i u , a i n d a , q u e a c a p a c i t a ç ã o seja r e o r i e n t a d a s e g u n d o os princípios d a e d u c a ç ã o p e r m a n e n t e , c u j o d e s e n v o l v i m e n t o na rede d e serviços é até agora incipiente. O M i n i s t é r i o i n c o r p o r a t e c n o l o g i a d e a c o r d o c o m o s níveis d e c o m p l e - xidade, da básica a a v a n ç a d a , s e m a v a l i a ç ã o prévia, o q u e c o n d u z a u m a inc o r p o r a ç ã o a c r í t i c a , i n c o m p l e t a e c o m déficits n a s u a m a n u t e n ç ã o t é c n i c a . Na Previdência S o c i a l ( P S ) , o b s e r v a - s e u m a estrutura o r g a n i z a c i o n a l e f u n c i o n a l c a r a c t e r i z a d a p e l o s níveis c e n t r a l e r e g i o n a l , a m b o s d e s e n v o l v e n d o u m trabalho c o o p e r a t i v o entre as u n i d a d e s d e s a ú d e , i n d e p e n d e n t e d o seu grau d e c o m p l e x i d a d e . E m b o r a a PS t e n h a s e m a n t i d o h i s t o r i c a m e n t e i s o l a d a , n o p e r í o d o d e m o c r á t i c o a t u a l verificam-se assinaturas e d e s e n v o l v i m e n t o de acordos de c o o p e r a ç ã o c o m outras instituições prestadoras d e serviços e formadoras d e recursos h u m a n o s e m saúde. Para o d e s e n v o l v i m e n t o e a p l i c a ç ã o progressiva d a política d e s e n h a d a pelo Conselho Nacional de S a ú d e , estabeleceram-se estratégias d e ação, c o m diferentes c o m p o n e n t e s programáticos. Isto inclui linha d e c o o p e r a ç ã o i n t e r i n s t i t u c i o n a l n o c a m p o d a a s s i s t ê n cia médica, capacitação d e pessoal e d e s e n v o l v i m e n t o d e projetos d e pesquisa. O objetivo deste empreendimento é obter maior eqüidade entre os diferentes prestadores - logrando, assim, u m a c o b e r t u r a assistencial mais efic i e n t e -, fortalecer o s serviços d e assistência m é d i c a e m e l h o r a r a p r o d u ç ã o médico-cirúrgico e laboratorial. O Hospital das Forças A r m a d a s estabelece c o o p e r a ç ã o c o m outras unid a d e s q u e t a m b é m p e r t e n c e m à S a ú d e M i l i t a r , b e m c o m o c o m o u t r a s instit u i ç õ e s assistenciais e d e f o r m a ç ã o . A divisão d e trabalho apresenta dois níveis d e s e g m e n t a ç ã o : d e um l a d o , o d e t e r m i n a d o p e l a h i e r a r q u i a militar e , p o r o u t r o , a h e g e m o n i a n o s e tor d e c o n d u ç ã o d a g e s t ã o m é d i c a . P o s s u i s i s t e m a d e c a p a c i t a ç ã o perma- n e n t e e m s e r v i ç o p a r a o g r u p o d e assistência, e n q u a n t o o g r u p o d e g e s t ã o capacita-se f o r a d o h o s p i t a l . T a n t o o g r u p o d e g e s t ã o , q u a n t o o d e assistência, t e m a preocupação c o m a organização d e u m n o v o hospital, t e n d o e m conta q u e o s o r ç a m e n tos n ã o t ê m incluído f i n a n c i a m e n t o para recursos h u m a n o s e t e c n o l o g i a . No Hospital Policial o c o r r e , da m e s m a forma, a dupla segmentação q u e r e f e r i m o s p a r a o H o s p i t a l d a s FFAA: p e l a h i e r a r q u i a p o l i c i a l e p e l a h e g e m o n i a m é d i c a . D e v e - s e assinalar, c o n t u d o , q u e a s o r g a n i z a ç õ e s assistencial e administrativa são incipientes, e m b o r a se estejam c r i a n d o n o v a s unidades d e prestação d e serviços. O Hospital das Clínicas, por sua v e z , iniciou r e c e n t e m e n t e a centraliza- ç ã o da administração dos recursos financeiros oriundos d o p a g a m e n t o s por serviços prestados. A s diferentes cátedras apresentam, historicamente, a c a racterística d e " f e u d o s " , c o m s e u s p r ó p r i o s s i s t e m a s a s s i s t e n c i a l , f i n a n c e i r o , a d m i n i s t r a t i v o e d o c e n t e . Está e m c u r s o u m d i á l o g o p a r a a m u d a n ç a entre o s d i v e r s o s s e t o r e s , a p e s a r d a resistência a p r e s e n t a d a p r i n c i p a l m e n t e pelos professores mais antigos. A Cruz Vermelha Paraguaia criou o primeiro M a n u a l d e N o r m a s e Proc e d i m e n t o s d a instituição, q u e inclui tanto o pessoal d e assistência quanto d e administração e d e serviços. N a s instituições privadas o m o d e l o organizacional é diversificado e expressa a f o r m a específica q u e a d q u i r e , e m c a d a u m a , o r e l a c i o n a m e n t o e n tre o s u s u á r i o s e o s p r o f i s s i o n a i s . Assim, n o setor p r i v a d o d e pré-pagamento, a escolha d o s profissionais p e l o s u s u á r i o s fica restrita à q u e l e s q u e f i g u r a m n a r e l a ç ã o d a e m p r e s a , s e g u n d o o tipo e a natureza d o s serviços (especialidades) q u e p r e s t a m . N a medicina privada, a c o o p e r a ç ã o entre os m é d i c o s o c o r r e d e diferentes formas. U m e x e m p l o é o d o profissional d e m a i o r prestígio, q u e esta¬ b e l e c e , informalmente, u m sistema d e c o m p l e m e n t a r i e d a d e c o m outros especialistas na prestação d e serviços, pois é a c o m p a n h a d o d e u m a e q u i p e d e t r a b a l h o c o n s t i t u í d a d e a j u d a n t e s , anestesistas, p e d i a t r a s e t c . E m b o r a e s t a s e m p r e s a s n ã o t e n h a m s e e n v o l v i d o n a c a p a c i t a ç ã o profissional, a t u a l m e n t e estão se e s t a b e l e c e n d o , na área privada, residências e m s u b e s p e c i a l i d a d e s ( c a s o s d o s s a n a t ó r i o s Bautista e M i g n o n e ) . MERCADO DE TRABALHO O n ú m e r o d e profissionais q u e c a d a instituição e m p r e g a t e m r e l a ç ã o d i r e t a c o m a c o b e r t u r a q u e o f e r e c e . A s s i m , o m a i o r e m p r e g a d o r d e profiss i o n a i s d e s a ú d e é o M i n i s t é r i o d e S a ú d e P ú b l i c a e Bem-Estar S o c i a l , q u e a t e n d e c e r c a d e 6 5 % da p o p u l a ç ã o . E m seguida, e m o r d e m decrescente, e n c o n t r a m - s e a P r e v i d ê n c i a S o c i a l , q u e s e e n c a r r e g a d o s a s s a l a r i a d o s d o país, c o m u m a c o b e r t u r a d e 1 6 % d o t o t a l ; a P r e v i d ê n c i a Militar, q u e assiste a o s m i l i t a r e s e s u a s famílias e a t u a n a s e m e r g ê n c i a s n a c i o n a i s , o f e r e c e n d o uma cobertura d e 1 0 % ; o Hospital d e Clínicas, entidade d o c e n t e d e graduação e pós-graduação da Universidade Nacional d e Assunção, q u e atende a 2 % da p o p u l a ç ã o , e outras instituições m e n o r e s e as e m p r e s a s particulares d e a t e n ç ã o q u e s e e n c a r r e g a m d e 7 % d a c o b e r t u r a total. N ú m e r o de Cargos Oferecidos pelo M i n i s t é r i o d e S a ú d e Pública e Bem-Estar Social F o n t e : OPAS. N ú m e r o de Cargos Oferecidos pelo Instituto d e Previdência Social Fonte: OPAS. N ú m e r o d e Cargos Oferecidos por O u t r a s Instituições Paraguaias Fonte: OPAS. Estas instituições a p r e s e n t a m v á r i a s c a r a c t e r í s t i c a s e m comum, bem c o m o particularidades e m r e l a ç ã o a o sistema d e admissão, c o n t r a t a ç ã o e rem u n e r a ç ã o dos funcionários. O s critérios utilizados p a r a fixar o m o n t a n t e salarial n o s e t o r p ú b l i c o e na P r e v i d ê n c i a Social estão f o r t e m e n t e c o n d i c i o n a d o s por critérios estabelecidos pelo Ministério da Fazenda, c o m u m teto orçamentário para c a d a categoria. Esta s i t u a ç ã o d e n o t a a falta d e n o r m a s d e c l a s s i f i c a ç ã o d e c a r g o s q u e l e v e m e m c o n t a as f u n ç õ e s , a t i v i d a d e s e r e s p o n s a b i l i d a d e s d o s t r a b a l h a d o ¬ r e s e m s a ú d e . A isso soma-se a falta d e u m a r e l a ç ã o h i e r á r q u i c a q u e d e f i n a c l a r a m e n t e as regras d o j o g o entre e m p r e g a d o r e e m p r e g a d o . O salário a b r a n g e diferentes v í n c u l o s empregatícios, c o m a m e s m a m o - d a l i d a d e e m p r e g a d a tanto para o pessoal p e r m a n e n t e q u a n t o para o interino contratado. A f o r m a d e r e m u n e r a ç ã o a t r a v é s d o p a g a m e n t o p o r t e m p o o u salário é a ú n i c a utilizada pelas p r e v i d ê n c i a s públicas (Ministério da S a ú d e , Hospital d e C l í n i c a s , FFAA, IPS e t c ) . A s o u t r a s m o d a l i d a d e s d e p r e v i d ê n c i a p r i v a d a e s e g u r o s d e s a ú d e a d o t a m u m a f o r m a d e c o n t r a t a ç ã o mista: a l é m d o t e m p o , paga-se t a m b é m p o r p r o d u t i v i d a d e . Existem, e m a l g u m a s instituições, certas formas d e incentivo - C a t e g o rias m o n e t á r i o o u n ã o - a l g u m a s d a s q u a i s s ã o m e n c i o n a d a s a seguir. N a P r e v i d ê n c i a S o c i a l , n o i n í c i o d e c a d a a n o e s c o l a r , é feita a e n t r e g a d o 14 o salário a o s funcionários, c o m o incentivo e a p o i o à e s c o l a r i z a ç ã o d o s filhos. T a m b é m é u s u a l , n a s i n s t i t u i ç õ e s d o setor, o f o r n e c i m e n t o d e a u t o m ó veis e combustível aos funcionários dos escalões superiores. No Hospital N a c i o n a l (Ministério da S a ú d e ) , u m hospital d e grande c o m p l e x i d a d e situado a 36 K m da capital, além d o fornecimento d e veículos e c o m b u s t í v e l a o p e s s o a l d o s e s c a l õ e s s u p e r i o r e s , abona-se m e i a p a s s a g e m d o transporte d e todos os funcionários. A t é o início d o a n o d e 1 9 9 4 , o p e s s o a l d a s F o r ç a s A r m a d a s , assim c o m o o d a P o l í c i a , r e c e b i a u m c o m p l e m e n t o salarial c o r r e s p o n d e n t e a u m a r e f e i ç ã o p a r a o f u n c i o n á r i o e s u a família; e s s e c o m p l e m e n t o v a r i a v a s e g u n d o o n ú m e r o d e integrantes d e c a d a núcleo. Atualmente, esse tipo d e incentivo foi s u b s t i t u í d o p o r u m a r e m u n e r a ç ã o m o n e t á r i a extra-salarial, q u e v a r i a s e g u n d o a família d e c a d a f u n c i o n á r i o . O u t r a s instituições, c o m o o Hospital d e Clínicas e a C r u z V e r m e l h a P a raguaia, n ã o o f e r e c e m qualquer tipo d e estímulo. N o entanto, parece-nos i m portante destacar q u e n e n h u m funcionário da C r u z V e r m e l h a Paraguaia rec e b e u m salário m e n o r d o q u e o m í n i m o e s t a b e l e c i d o pelo g o v e r n o paraguaio. N a s instituições particulares d e pré-pagamento existem sistemas d e inc e n t i v o s m o n e t á r i o s , c o m o p a g a m e n t o d e p r ê m i o s a d e t e r m i n a d o s profiss i o n a i s p o r b o a a t u a ç ã o , n o final d e c a d a a n o ; e s s e s e o u t r o s m é t o d o s d e a p o i o a o f u n c i o n á r i o n ã o s ã o p a d r o n i z a d o s , e f a z e m p a r t e d e a c o r d o s informais entre empregadores e empregados. É importante observar q u e o C e n s o N a c i o n a l d e 1993 permitiu determ i n a r o s d a d o s r e l a t i v o s a o n ú m e r o d e profissionais d a s c a t e g o r i a s a q u i f o c a lizadas a t u a n d o e m A s s u n ç ã o , a saber: Fonte: OPAS. SISTEMA FORMADOR E S U A S INSTITUIÇÕES Medicina N o Paraguai, a f o r m a ç ã o d e m é d i c o s está a c a r g o d e d u a s e s c o l a s d e Medicina: Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nacional d e Ass u n ç ã o e F a c u l d a d e d e M e d i c i n a d e Villarrica d a U n i v e r s i d a d e C a t ó l i c a N o s sa S e n h o r a d e A s s u n ç ã o . N o período compreendido nuição entre 1980 e 1 9 9 2 , observa-se u m a importante d o n ú m e r o d e matriculados dimi- n o primeiro a n o (taxa de c r e s c i m e n t o d e 0 , 0 7 9 e m u m p e r í o d o d e 13 a n o s ) . C o n s e q ü e n t e m e n t e , o n ú m e r o d e m a t r í c u l a s totais d i m i n u i u ( c o m u m a t e n d ê n c i a e s t á v e l e l e v e mente decrescente). Em 1980 egressaram 110 h o m e n s ( 6 2 % ) e 65 mulheres ( 3 8 % ) , e em 1 9 9 1 titularam-se 6 7 h o m e n s ( 5 8 % ) e 4 9 m u l h e r e s ( 4 2 % ) , o u seja, u m l e v e a u m e n t o n a p r o p o r ç ã o d e m u l h e r e s ( 4 % ) e m 12 a n o s . Faculdade de Ciências Médicas (UNA) A FCM/UNA, centenária casa d e estudos, iniciou suas atividades n o a n o d e 1 8 8 9 e, d e s d e e n t ã o , t e m f o r m a d o n u m e r o s a s t u r m a s d e m é d i c o s . O cação ingresso d e alunos à F M C / U N A é feito l o g o a p ó s a c o n c l u s ã o d a e d u secundária, mediante a apresentação dos documentos requeridos para a inscrição a o e x a m e d e ingresso p r e p a r a d o pela u n i d a d e d o c e n t e . O s e x a m e s d e admissão, e t u d o o q u e diz respeito a eles, estão a c a r g o d o C o mitê d e Admissão da Faculdade. O e x a m e d e admissão é obrigatório e t e m vagas limitadas, estabeleci- das pelo C o n s e l h o Universitário Superior; consiste e m perguntas sobre Ma¬ t e m á t i c a , Física, Q u í m i c a e B i o l o g i a , s e n d o utilizada a m e t o d o l o g i a d a múltipla e s c o l h a . A s p r o v a s s ã o c o r r i g i d a s p e l o C o n s e l h o d e A d m i s s ã o , q u e e n v i a a o C o n s e l h o Diretor da F a c u l d a d e os resultados e os currículos escolares. O C o n s e l h o D i r e t o r e l a b o r a o r e l a t ó r i o final e o r e m e t e a o C o n s e l h o U n i v e r s i tário Superior, para h o m o l o g a ç ã o . O c u r s o t e m d u r a ç ã o d e seis a n o s , f i n d o s o s q u a i s a F M C o u t o r g a u m certificado d e conclusão. O aluno apresenta esse Certificado d e Estudos à R e i t o r i a d a U N A , p a r a q u e esta p o s s a e x p e d i r o D i p l o m a d e E s t u d o s q u e o habilita c o m o M é d i c o - C i r u r g i ã o . O C o n s e l h o Diretor da FMC, através d e Resolução d e 1989, estabele- c e u a o b r i g a t o r i e d a d e d e u m p e r í o d o r o t a t i v o c o m o m é d i c o - i n t e r n o ; na p r á t i c a , p o r é m , isso n ã o é c u m p r i d o , t e n d o s e t r a n s f o r m a d o n u m a o p ç ã o p e s soal e d e pós-graduação, c o n d i ç ã o indispensável s o m e n t e para os q u e d e s e j a m realizar u m a carreira d o c e n t e . A s r a z õ e s q u e l e v a r a m a isso s ã o n u m e r o s a s , e e n t r e e l a s e s t ã o as e n o r m e s dificuldades orçamentárias da Faculdade, q u e não tem c o n d i ç õ e s para p a g a r salários a t o d o s o s a l u n o s d u r a n t e s e u p e r í o d o d e i n t e r n a t o . D e v e m o s t a m b é m ter e m c o n t a a p r e s s ã o d a s a s s o c i a ç õ e s estudantis d o s a l u n o s , q u e d e s e j a m ingressar n o m e r c a d o d e t r a b a l h o i m e d i a t a m e n t e o u iniciar a f o r m a ç ã o nas residências médicas. Os programas d e estudos v ê m sofrendo leves variações; há alguns anos, f o r a m incluídas matérias sobre saúde pública e h o u v e u m a certa intenç ã o d e a c e s s o a u m discurso d e caráter mais social, q u e n ã o teve continuidade. A f o r m a ç ã o s e g u e u m m o d e l o b i o l ó g i c o , e m b o r a insista-se n a q u a l i d a d e da relação médico-paciente; no entanto, o número elevado de doentes e a e s c a s s e z d e r e c u r s o s d i s p o n í v e i s t o r n a m m u i t o difícil o a c e s s o d o s e s t u d a n tes a a ç õ e s c o m u n i t á r i a s o u à a n á l i s e d o s c o m p o n e n t e s e m o c i o n a i s e sócioa m b i e n t a i s d a assistência. N a graduação, a Faculdade de Ciências M é d i c a s é encarregada da conc e p ç ã o , e l a b o r a ç ã o e avaliação d o s cursos. O e s p a ç o d e prática e aprendiz a d o d o s a l u n o s limita-se às a u l a s e a o H o s p i t a l d e C l í n i c a s , q u e é o ó r g ã o assistencial da F a c u l d a d e . Faculdade de Medicina de Villarrica (CICA) A F a c u l d a d e d e M e d i c i n a d e Villarrica ( U C A ) encontra-se a 2 0 0 k m d a C a p i t a l . F o i c r i a d a n a á r e a rural d o p a í s p a r a o f e r e c e r a o s j o v e n s d o interior c o n d i ç õ e s d e seguirem a carreira m é d i c a , c o m ênfase na M e d i c i n a Rural. Foi r e c o n h e c i d a p e l o P o d e r Executivo e m 1989, t e n d o seus currículos h o m o l o gados c o m os da Faculdade d e Ciências M é d i c a s da U N A , s e m no entanto p e r d e r a i d e n t i d a d e d e u m p r o g r a m a p r ó p r i o d a U n i v e r s i d a d e C a t ó l i c a . Essa h o m o l o g a ç ã o permitiu a rotação dos alunos nos programas d o Hospital d e Clínicas da F C M . D O c o r p o d o c e n t e , 8 0 % v ê m d a F C M / U N A e 2 0 % são profissionais l o c a i s . O c u r r í c u l o d a F a c u l d a d e d e M e d i c i n a d e Villarrica p r e v ê seis a n o s d e e s t u d o s , c o m a s p r á t i c a s assistenciais s e n d o r e a l i z a d a s n o H o s p i t a l Espírito S a n t o , ó r g ã o assistencial d a U n i v e r s i d a d e C a t ó l i c a . F i n a l i z a d a a p r o g r a m a ç ã o estabelecida, a Reitoria da U C A e x p e d e o D i p l o m a d e M é d i c o Cirurgião. Pós-Graduaçâo S e g u n d o o s e s t a t u t o s d a F C M , o i n t e r n a t o r o t a t i v o c o r r e s p o n d e a grad u a ç ã o , e m b o r a , na p r á t i c a , t e n h a s e t r a n s f o r m a d o e m p ó s - g r a d u a ç ã o com as características o p c i o n a i s . O s estudantes q u e d e s e j a m c o n t i n u a r u m a resid ê n c i a dentro da F C M OU continuar a carreira d o c e n t e universitária n o â m b i to da m e s m a f a c u l d a d e são o s q u e c u m p r e m o internato rotativo. A s instituições públicas e privadas e da S e g u r i d a d e S o c i a l realizam u m trabalho d e c a p a c i t a ç ã o , o f e r e c e n d o residências m é d i c a s nas diferentes esp e c i a l i z a ç õ e s ; p o r isso, d i a n t e d a falta d e c o o r d e n a ç ã o das atividades, o Conselho Nacional d e S a ú d e encarregou seu C o m i t ê d e Recursos H u m a n o s , presidido pelo D e c a n o da Faculdade d e Ciências M é d i c a s , da análise e regul a m e n t a ç ã o d o setor. D u r a n t e dois a n o s as instituições f o r m a d o r a s e prestad o r a s d e s e r v i ç o s reuniram-se, r e s u l t a n d o daí u m P r o g r a m a N a c i o n a l d e R e s i d ê n c i a s M é d i c a s , c o m u m a n t e p r o j e t o d e lei q u e a g u a r d a e n v i o a o Parla- mento Nacional. A pós-graduação, e m nível n a c i o n a l , ficou reduzida às residências m é d i c a s e à b u s c a d e s e r v i ç o s e s p e c i a l i z a d o s , p o i s i n e x i s t e m e s c o l a s d e pós-grad u a ç ã o e escolas d e graduação q u e emitam certificados d e especialização. Odontologia A F a c u l d a d e d e O d o n t o l o g i a d a U N A foi c r i a d a e m 1 9 3 8 . A s c o n d i ç õ e s d e admissão e o r e g u l a m e n t o interno da f a c u l d a d e são similares a o descrito n o texto relativo à F a c u l a d a d e d e Ciências M é d i c a s . O c u r s o t e m a d u r a ç ã o d e c i n c o a n o s , a o t é r m i n o d o s q u a i s emite-se u m C e r t i f i c a d o d e E s t u d o s q u e p e r m i t e a o a l u n o iniciar o s t r â m i t e s j u n t o à R e i t o r i a d a U N A , q u e o habilita a o e x e r c í c i o p r o f i s s i o n a l m e d i a n t e o D i p l o m a de Doutor e m Odontologia. A F a c u l d a d e f o r m a profissionais n ã o - e s p e c i a l i z a d o s , c o m c o n d i ç õ e s d e d e s e m p e n h a r a d e q u a d a m e n t e a p r á t i c a c o t i d i a n a . Trata-se d e u m a f a c u l d a d e e m i n e n t e m e n t e manual - o trabalho é aprendido através da prática c o n t í n u a e supervisionada. É importante destacar q u e o n ú m e r o c a d a v e z maior de pacientes, assim c o m o o instrumental escasso e ultrapassado, c r i a m a realid a d e q u e enfrentam tanto os estudantes q u a n t o os profissionais d o c e n t e s ; a p e s a r disso, o s profissionais d i p l o m a d o s c o n t a m c o m b o a i n s e r ç ã o n o m e r c a d o d e trabalho nacional. H á u m d e b a t e corrente sobre a inclusão d e mais u m a n o n o currículo, p o r h a v e r e x c e s s o d e h o r a s d e t r a b a l h o e m a l g u n s a n o s . Essa i n c l u s ã o p o s s i bilitaria a e x i s t ê n c i a d e u m i n t e r n a t o r o t a t i v o , c o m p a s s a g e m p e l o interior d o país. A Faculdade d e O d o n t o l o g i a da U N A era a única formadora d e o d o n t ó l o g o s a t é o a n o d e 1 9 9 2 , q u a n d o foi c r i a d a u m a f a c u l d a d e particular, n o â m b i t o d o C í r c u l o P a r a g u a i o d e O d o n t ó l o g o s (gremial-científico). E m referência a o n ú m e r o d e matrículas n o primeiro a n o , observa-se u m a t e n d ê n c i a e s t á v e l e l e v e m e n t e c r e s c e n t e d e s d e 1 9 8 3 . A taxa d e c r e s c i m e n t o e n t r e 1 9 8 0 e 1 9 9 2 foi d e 6 % . A taxa d e c r e s c i m e n t o d e f o r m a d o s é d e 0 , 0 2 6 . E s t u d o r e a l i z a d o r e c e n t e m e n t e m o s t r a q u e o s m a t r i c u l a d o s n o prim e i r o a n o p r o v ê m d a c l a s s e m é d i a , s ã o c o m e r c i a n t e s e t c , e m geral d e á r e a s u r b a n o - m e t r o p o l i t a n a s . A f e m i n i z a ç ã o é o u t r o t r a ç o d o m i n a n t e n e s t a profissão. Pós-Graduação A f o r m a ç ã o d e p ó s - g r a d u a ç ã o e m O d o n t o l o g i a é r e a l i z a d a a partir d e prática, e m cursos particulares d e atualização o u cursos d e especialização n o exterior. F a r m á c i a e Bioquímica A F a c u l d a d e d e B i o q u í m i c a d a U N A foi f u n d a d a e m 1 9 4 9 . A s c o n d i ç õ e s d e a d m i s s ã o e o r e g u l a m e n t o i n t e r n o d a F a c u l d a d e s ã o similares a o s d e s c r i tos n o texto c o r r e s p o n d e n t e à F C M . O c u r s o t e m a d u r a ç ã o d e seis a n o s , a o t é r m i n o d o s q u a i s emite-se u m C e r t i f i c a d o d e E s t u d o s q u e p e r m i t e a o a l u n o iniciar o s t r â m i t e s j u n t o à R e i t o ria d a U N A , q u e o habilita a o e x e r c í c i o profissional m e d i a n t e o D i p l o m a d e D o u t o r e m B i o q u í m i c a . Essa F a c u l d a d e f o r m a profissionais p r á t i c o s , c o m b o a i n s e r ç ã o n o m e r c a d o profissional. A s F a c u l d a d e s d e Q u í m i c a e F a r m á c i a d a U C A e n c o n t r a m - s e n o interior d o país - u m a e m Villarrica, a 2 0 0 k m d a Capital, e a outra, na C i u d a d del E s t e , a 3 2 8 k m d a C a p i t a l . E m a m b a s , o c u r s o t e m a d u r a ç ã o total d e c i n c o anos, findos os quais a U C A e x p e d e o D i p l o m a d e Q u í m i c o Farmacêutico. Pôs-Graduação A f o r m a ç ã o d e p ó s - g r a d u a ç ã o e m B i o q u í m i c a s e realiza a partir d a p r á tica, e m cursos particulares d e atualização o u cursos d e e s p e c i a l i z a ç ã o exterior. no Licenciatura em E n f e r m a g e m Escola Andres Barbero A E s c o l a foi c r i a d a e m 1 9 3 9 p e l o M i n i s t é r i o d e S a ú d e P ú b l i c a e B e m - E s ¬ tar S o c i a l s o b o n o m e d e E s c o l a d e V i s i t a d o r e s d e H i g i e n e . N o a n o d e 1 9 4 1 , r e c e b e u o n o m e d e Escola Polivalente d e Visitadores d e H i g i e n e , f o r m a n d o e n f e r m e i r o s h o s p i t a l a r e s , o b s t e t r a s rurais e n u t r i c i o n i s t a s . E m 1 9 5 2 e s t a b e l e ceu-se a L i c e n c i a t u r a e m E n f e r m a g e m , O b s t e t r í c i a e S e r v i ç o S o c i a l , e em 1 9 6 4 a E s c o l a foi i n c o r p o r a d a à U n i v e r s i d a d e N a c i o n a l d e A s s u n ç ã o . E n t r e 1984 e 1 9 9 1 , a E n f e r m a g e m desvinculou-se da Obstetrícia, c o m a c o n s e q ü e n t e diversificação d o s currículos; atualmente ela é s u b o r d i n a d a à Faculdade de Ciências Médicas da UNA. O p r o c e d i m e n t o d e a d m i s s ã o é similar a o d e o u t r a s i n s t i t u i ç õ e s d a U n i versidade N a c i o n a l d e Assunção. O s cursos d e Enfermagem e Obstetrícia t ê m d u r a ç ã o d e c i n c o anos. A análise d e seu processo histórico permite-nos observar que o número de diplomados e m Enfermagem decresce entre 1980 e 1 9 8 5 , e m parte por causa d a divisão das carreiras, m a s s o b r e t u d o porque a Obstetrícia goza d e melhor inserção n o m e r c a d o d e trabalho, assim c o m o d e m a i o r a u t o n o m i a p r o f i s s i o n a l . D e 1 9 8 6 a 1 9 9 2 , e s s a t e n d ê n c i a mostra-se e s t á v e l , e m b o r a e r r á t i c a . Licenciatura em Enfermagem e Obstetrícia A Universidade Católica N o s s a S e n h o r a da A s s u n ç ã o possui unidades f o r m a d o r a s e m A s s u n ç ã o , E n c a r n a ç ã o e Villarrica. O i n g r e s s o a essas u n i d a d e s é feito a partir d o s i s t e m a estabelecido p e l a U C A . O s a l u n o s , e m s u a m a i o r i a , s ã o j o v e n s d o interior. O c u r s o t e m d u r a ç ã o d e c i n c o a n o s , a o c a b o d o s q u a i s o a l u n o r e c e b e o título d e g r a d u a d o e m Enfermagem e Obstetrícia. Pós-Graduação A Universidade Católica possui a Escola d e Pós-Graduação e m Enfer- m a g e m . A capacitação e m serviços é o m e c a n i s m o habitual d e formação, salvo nos casos d e alunos q u e b u s c a r a m especializações formais n o estrangeiro. Pessoal Auxiliar A f o r m a ç ã o d e auxiliares c o m p e t e a o M i n i s t é r i o d e S a ú d e P ú b l i c a e B e m Estar S o c i a l , a t r a v é s d o C e n t r o d e F o r m a ç ã o d e A u x i l i a r e s d e E n f e r m a g e m e d e Auxiliares e m Obstetrícia Rural. S o m a m - s e a esta f o r m a ç ã o instituições d e serviços, c o m o o Hospital d e C l í n i c a s e a s S e c ç õ e s C o l o r a d a s ( p o l í t i c a s ) . Estas últimas e s t ã o s e n d o r e g u l a m e n t a d a s p e l o M i n i s t é r i o d a S a ú d e , exigindo-se o c u m p r i m e n t o d e requisitos b á s i c o s p a r a a f o r m a ç ã o . A t e n d ê n c i a d o s auxiliares d e e n f e r m a g e m f o r m a dos é levemente decrescente desde 1980. Planejamento Educacional O planejamento educacional v e m ocorrendo historicamente de forma s e p a r a d a e n t r e as instituições f o r m a d o r a s e utilizadoras, e m especial o MSPBS. N a g e s t ã o a t u a l , a s a u t o r i d a d e s universitárias e d o M i n i s t é r i o c h e g a r a m a u m a c o r d o d e trabalhar c o n j u n t a m e n t e na área d e recursos h u m a n o s e m saúde. C o m o resultado deste acordo, desenvolveram-se programas e a ç õ e s d e c a p a c i t a ç ã o e m n í v e l d e p ó s - g r a d u a ç ã o ( s a ú d e p ú b l i c a , materno-infantil etc). N a graduação, apesar d o entendimento c o m u m da necessidade de m e lhorar o p r o c e s s o d e articulação, n ã o foram obtidos a v a n ç o s importantes, exc e t o n o c a s o d o projeto d a XIII R e g i ã o Sanitária, f i n a n c i a d o pelo Fundação Kellogg. A c o o p e r a ç ã o técnica da O P S contribuiu para q u e algumas Escolas (Enf e r m a g e m , Auxiliares e O d o n t o l o g i a ) d e s e n v o l v a m m u d a n ç a s curriculares. A F a c u l d a d e d e C i ê n c i a s M é d i c a s n ã o m o d i f i c o u s u a estrutura c u r r i c u l a r ; ela s e d e b a t e c o m p r o b l e m a s financeiros e d e o r g a n i z a ç ã o interna da d o c ê n c i a e da prestação d e serviços. Regulamentações A r e d e u n i v e r s i t á r i a é a q u e p e r m i t e , e m n í v e l n a c i o n a l , a o u t o r g a d e tít u l o s p r o f i s s i o n a i s . A m b a s as u n i v e r s i d a d e s ( N a c i o n a l e C a t ó l i c a ) possuem estatutos e r e g u l a m e n t o s para sua o r g a n i z a ç ã o e f u n c i o n a m e n t o . Existe u m a t e n d ê n c i a à a b e r t u r a d e n o v a s e s c o l a s d e f o r m a ç ã o e m s a ú d e . H á d e z a n o s foi c r i a d a n o interior d o país, v i s a n d o a d e s c e n t r a l i z a ç ã o , a F a c u l d a d e d e C i ê n c i a s M é d i c a s d e Villarrica, d a U n i v e r s i d a d e C a t ó l i c a . M a i s r e c e n t e m e n t e , f o r a m criadas u m a F a c u l d a d e d e O d o n t o l o g i a e, para outras p r o f i s s õ e s , c o m o E n f e r m a g e m , a b r e m - s e i n s t i t u i ç õ e s d e f o r m a ç ã o t é c n i c a terciária. O pessoal t é c n i c o é f o r m a d o b a s i c a m e n t e p e l o MSPBS. N ã o existem, n a c i o n a l m e n t e , n e m e s p a ç o s n e m m e c a n i s m o s d e avaliaç ã o integral o u c o n t r o l e social d a e d u c a ç ã o e m s a ú d e . Serviço S o c i a l A F C M e s t a b e l e c e u u m internato rotatório obrigatório nas quatro e s p e c i a l i d a d e s b á s i c a s e m s e r v i ç o s d a á r e a m e t r o p o l i t a n a , c o m u m e s t á g i o rural. H o u v e , e m anos recentes, uma mobilização d e estudantes contra a obrigato¬ riedade d o serviço social, invocando-se questões d e r e m u n e r a ç ã o , c o n d i ç õ - es programáticas e d e supervisão etc. A licenciatura e m Enfermagem estabelece u m serviço social melhor aceito por prestadores e estudantes. DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA O C e n s o Nacional d e 1985 mostra a grande c o n c e n t r a ç ã o dos Recur- sos H u m a n o s e m s a ú d e n a c a p i t a l e g r a n d e s c i d a d e s . N o c a s o d o s m é d i c o s , quase 8 0 % d e s e n v o l v e m sua prática na área metropolitano d e A s s u n ç ã o . A R e g i ã o O r i e n t a l ( C i u d a d del Este, E n c a r n a c i ó n e M é d i o O r i e n t a l ) é p o l o d e a t r a ç ã o n o interior. A R e g i ã o O c i d e n t a l , c o m baixa d e n s i d a d e p o p u l a c i o n a l , déficit d e e s t r a d a s , a r i d e z e t e m p e r a t u r a s e l e v a d a s , beneficia-se a p e n a s de s e r v i ç o s militares d e assistência. E m O d o n t o l o g i a , a c o n c e n t r a ç ã o é s e m e l h a n t e para os dentistas ( 8 0 % estão na área metropolitana), e n q u a n t o 6 2 % dos t é c n i c o s encontram-se n o interior. O pessoal d e e n f e r m a g e m d e nível superior t e m 8 1 % c o n c e n t r a d o na á r e a d a c a p i t a l , q u e a c o l h e t a m b é m 4 5 , 5 % d o p e s s o a l auxiliar. A enferma- g e m o b s t é t r i c a ( n í v e i s t é c n i c o e auxiliar) t e m a p e n a s 2 9 % d o p e s s o a l n a c a pital, p o i s o m e r c a d o d e m e l h o r i n s e r ç ã o encontra-se n o interior. Q u a n t o a o pessoal t é c n i c o , 5 2 , 8 % encontra-se na capital, o m e s m o o c o r r e n d o c o m p e s soal d e farmácia. N ã o e x i s t e m e s t u d o s s o b r e m i g r a ç ã o i n t e r n a d e profissionais, e m b o r a s e p o s s a inferir q u e A s s u n ç ã o é p ó l o d e a t r a ç ã o d e m o g r á f i c a p o d e r o s o , t a n to para a f o r m a ç ã o e a c a p a c i t a ç ã o , q u a n t o para o exercício profissional. C O N T R O L E D O EXERCÍCIO P R O F I S S I O N A L E D A S ESPECIALIDADES O controle das profissões o u o c u p a ç õ e s e m nível nacional, e m especial a r e g u l a ç ã o d o e x e r c í c i o p r o f i s s i o n a l , i n c l u s i v e d o s n í v e i s t é c n i c o e auxiliar, está e n u n c i a d o n o C ó d i g o S a n i t á r i o . O controle d o exercício d a prática m é d i c a está a c a r g o d o Ministério d a S a ú d e , através d o D e p a r t a m e n t o d e C o n t r o l e Profissional q u e e s t a b e l e c e o s requisitos b á s i c o s p a r a a h a b i l i t a ç ã o p a r a o e x e r c í c i o p r o f i s s i o n a l d e m é d i c o s t é c n i c o s e auxiliares. O D e p a r t a m e n t o c o n t a c o m u m a o r g a n i z a ç ã o mí- nima, c o m u m chefe q u e é a d v o g a d o e u m a c o m p o s i ç ã o n ã o situada na estrutura d e g e s t ã o d e r e c u r s o s h u m a n o s , o q u e limita s u a a ç ã o . O s p r o c e d i m e n t o s para a habilitação são simples. Para m é d i c o s nacionais, c o n s i s t e a p e n a s n a a p r e s e n t a ç ã o d o título original e f o t o c ó p i a , d o c u m e n t o d e i d e n t i d a d e e p a g a m e n t o d e taxa d e c e r c a d e U S $ 2 2 , 0 0 . N o c a s o d e f o r m a d o s n o exterior, i n t e r v é m n a h a b i l i t a ç ã o a R e i t o r i a d a Universidade N a c i o n a l d e A s s u n ç ã o , q u e r e v a l i d a o título ( c u s t o d e US$ 5 5 0 , 0 0 ) , e m t r â m i t e q u e d u r a e n t r e 3 m e s e s e 1 a n o e q u e e x i g e , a l é m disso, d o c u m e n t a ç ã o d e imigração e visto d e residência d e 1 a n o , í n d i c e analítico d e m a t é r i a s , c e r t i f i c a d o d e é t i c a d o p a í s d e o r i g e m e a taxa d e U S $ 2 2 , 0 0 d o Ministério da Saúde. E m a m b o s os casos, a d u r a ç ã o da habilitação é d e c i n c o anos, c o m ren o v a ç ã o e x i g i d a a o final d e s t e p e r í o d o . O s m é d i c o s estrangeiros habilitados p r o v ê m principalmente da Argentin a , Brasil, P e r u , B o l í v i a , C h i l e e U r u g u a i . A l g u n s profissionais n a c i o n a i s realiz a m sua f o r m a ç ã o d e pós-graduação e m países latino-americanos. Estados U n i d o s o u e m países e u r o p e u s , c o m o Espanha, França, Bélgica e A l e m a n h a . N o c a s o d e m é d i c o s o r i u n d o s d e países asiáticos (China, C o r é i a etc.), exige-se i n f o r m a ç õ e s c u r r i c u l a r e s m i n u d e n t e s , f i c a n d o a r e v a l i d a ç ã o p o r c o n ta d a U n i v e r s i d a d e N a c i o n a l . P a r a profissionais d e B i o q u í m i c a , P s i c o l o g i a e O d o n t o l o g i a exige-se o m e s m o p r o c e d i m e n t o . C o m r e s p e i t o a t é c n i c o s e auxiliares, r e c o n h e c e - s e u m a a m p l a e v a r i a da g a m a d e o c u p a ç õ e s e m saúde, c o m o técnicos e m Radiologia, O d o n t o l o gia, L a b o r a t ó r i o , E n f e r m a g e m , O b s t e t r í c i a , H e m o t e r a p i a , A n e s t e s i a , Fisiatría, M a s s a g e m , Ó t i c a , P o d o l o g i a e t c . N e s t e s c a s o s a v a l i d a ç ã o d o título é feita p e l o Ministério das R e l a ç õ e s Exteriores e n ã o p e l o Ministério d a S a ú d e . M a i s r e c e n t e m e n t e , o D e p a r t a m e n t o d e C o n t r o l e Profissional v e m intervindo na r e g u l a m e n t a ç ã o d e o c u p a ç õ e s , t e n d o regulado o exercício d o s ó t i c o s . É i m p o r t a n t e n o t a r q u e existe, n o país, u m a m p l o m e r c a d o d e ó t i c a s e m crescimento, pelo q u e conjuntamente a Associação d e Óticas d o Paraguai e o Ministério d a S a ú d e regulamentaram o exercício desta o c u p a ç ã o . C o m r e s p e i t o à r e g u l a ç ã o e c o n t r o l e d a s e s p e c i a l i d a d e s m é d i c a s , está e m t r a m i t a ç ã o n o P o d e r Legislativo - a g u a r d a n d o s a n ç ã o d a C â m a r a dos D e p u t a d o s - a Lei da C o l e g i a ç ã o M é d i c a , q u e regulará a especialização m é d i c a . A c a u s a d a d e m o r a é o a r t i g o q u e trata d a o b r i g a t o r i e d a d e d a c o l e g i a tura. O C o n s e l h o N a c i o n a l d e S a ú d e e, d e n t r o deste, o C o m i t ê N a c i o n a l d e R e c u r s o s H u m a n o s , c o n v o c o u o Sindicato M é d i c o , S o c i e d a d e s Científicas, F a c u l d a d e d e M e d i c i n a e a C o o r d e n a ç ã o d o Ministério da S a ú d e para delimitar e regulamentar a especialização m é d i c a , e m especial o processo de f o r m a ç ã o e a acreditação d e especialidades básicas. É provável q u e a médio e longo prazo, c o m a aprovação da nova Const i t u i ç ã o , as leis d o C ó d i g o S a n i t á r i o e d a C o l e g i a ç ã o s e j a m m o d i f i c a d a s , b u s c a n d o coerência c o m a Carta M a g n a nacional. É i n c i p i e n t e , m a s p r o g r e s s i v o , q u e as a s s o c i a ç õ e s científicas e sindicais i n t e r v e n h a m n a q u e s t ã o d o s e s p e c i a l i s t a s , o q u e facilitará o r e c o n h e c i m e n t o e n t r e s e u s p a r e s , b e m c o m o a e l a b o r a ç ã o d e p a u t a p a r a tal. E S Q U E M A S E DISPOSITIVOS INFORMAIS DE N E G O C I A Ç Ã O DE CONFLITOS A s a s s o c i a ç õ e s d e o r g a n i z a ç ã o d e interesses e m nível das profissões e/ou o c u p a ç õ e s e m saúde t ê m estado fortemente c o n d i c i o n a d o s pelos m o m e n t o s históricos vividos p e l o país. Os 35 a n o s d o regime patrimonialista não permitiram a associação e / o u s i n d i c a l i z a ç ã o livre d o s f u n c i o n á r i o s n a c i o n a i s d o s e t o r s a ú d e , m a s s i m a tutela p e l o E s t a d o . A p e s a r disso e d a e x i s t ê n c i a d a lei d o f u n c i o n á r i o p ú b l i c o , o s profissionais s e o r g a n i z a r a m e m n í v e l d a s i n s t i t u i ç õ e s p r o v e d o r a s d e serviços. E m alguns casos, f o r a m f o c o s d e resistência a o r e g i m e d o G e n e r a l Stroessner, n o q u e c a b e m e n c i o n a r , particularmente, o Hospital d e Clínicas (Universidade) e outros. O s m e c a n i s m o s associativos lideraram a mobilizaç ã o e m resistência a o r e g i m e . D e p o i s d o G o l p e d e E s t a d o d e três d e f e v e r e i r o d e 1 9 8 9 e d a s e l e i ç õ e s , o país e n c a m i n h a - s e p a r a u m g o v e r n o d e t r a n s i ç ã o , c o m l i b e r d a d e s d e e x p r e s s ã o e a s s o c i a ç ã o , e m b o r a t e n h a s i d o lenta a retirada d o s o b s t á c u l o s jurídicos à associação. Observa-se, neste período, a tendência ao estabelecimento d e associaç õ e s g r e m i a i s ( e m hospitais p ú b l i c o s ) , p o r p r o f i s s õ e s ( m é d i c o s , e n f e r m e i r o s , bioquímicos e t c ) , t e n d o sido constituída a F e d e r a ç ã o d e Profissionais de Saúde. A n o v a C o n s t i t u i ç ã o explicita, n o artigo 9 6 , o d i r e i t o à o r g a n i z a ç ã o e m s i n d i c a t o s , s e m a u t o r i z a ç ã o p r é v i a . A s a ç õ e s políticas n e s t e p e r í o d o f o r a m o r i e n t a d a s p a r a o b t e r r e i n v i d i c a ç õ e s setoriais (salariais, d e c o n d i ç õ e s d e trab a l h o , p l a n o d e c a r g o s etc.) Anexos Tratado p a r a a Constituição d e um M e r c a d o C o m u m entre a Argentina, o Brasil, o P a r a g u a i e o U r u g u a i A R e p ú b l i c a A r g e n t i n a , a R e p ú b l i c a F e d e r a t i v a d o Brasil, a R e p ú b l i c a d o P a r a g u a i e a R e p ú b l i c a O r i e n t a l d o U r u g u a i , d o r a v a n t e d e n o m i n a d o s "Estados Partes"; C o n s i d e r a n d o q u e a a m p l i a ç ã o d a s atuais d i m e n s õ e s d e s e u s m e r c a d o s nacionais, através d a integração, constitui c o n d i ç ã o f u n d a m e n t a l para a c e l e rar s e u s p r o c e s s o s d e d e s e n v o l v i m e n t o e c o n ô m i c o c o m j u s t i ç a s o c i a l ; E n t e n d e n d o q u e e s s e o b j e t i v o d e v e ser a l c a n ç a d o m e d i a n t e o a p r o v e i t a m e n t o mais eficaz d o s recursos disponíveis, a p r e s e r v a ç ã o d o m e i o a m b i e n t e , o m e l h o r a m e n t o d a s i n t e r c o n e x õ e s físicas, a c o o r d e n a ç ã o d e políticas m a c r o e c o n ô m i c a s da c o m p l e m e n t a ç ã o dos diferentes setores da e c o n o mia, c o m base nos princípios d e gradualidade, flexibilidade e equilíbrio; T e n d o e m conta a evolução dos acontecimentos internacionais, e m especial a consolidação d e grandes espaços e c o n ô m i c o s , e a importância de lograr u m a a d e q u a d a i n s e r ç ã o i n t e r n a c i o n a l p a r a s e u s p a í s e s ; Expressando q u e este processo d e integração constitui u m a resposta a d e q u a d a a tais a c o n t e c i m e n t o s ; C o n s c i e n t e s d e q u e o p r e s e n t e T r a t a d o d e v e ser c o n s i d e r a d o c o m o u m n o v o a v a n ç o n o esforço tendente a o d e s e n v o l v i m e n t o progressivo d a integ r a ç ã o d a A m é r i c a Latina, c o n f o r m e o o b j e t i v o d o T r a t a d o d e d e 1980; Montevidéu C o n v e n c i d o s d a n e c e s s i d a d e d e p r o m o v e r o d e s e n v o l v i m e n t o científic o e t e c n o l ó g i c o d o s E s t a d o s P a r t e s e d e m o d e r n i z a r suas e c o n o m i a s para a m p l i a r a oferta e a q u a l i d a d e d o s b e n s d e serviços disponíveis, a fim d e m e lhorar as c o n d i ç õ e s d e vida d e seus habitantes; R e a f i r m a n d o sua v o n t a d e política d e deixar estabelecidas as bases para u m a u n i ã o c a d a v e z m a i s estreita e n t r e s e u s p o v o s , c o m a f i n a l i d a d e d e a l cançar os objetivos supramencionados; Acordam: Capítulo I Propósito, Princípios e Instrumentos Artigo I o - O s E s t a d o s P a r t e s d e c i d e m constituir u m M e r c a d o C o m u m , q u e d e v e r á estar e s t a b e l e c i d o a 31 d e d e z e m b r o d e 1994, e q u e se d e n o m i n a r á " M e r c a d o C o m u m d o Sul" (MERCOSUL). Este M e r c a d o C o m u m implica: A livre c i r c u l a ç ã o d e b e n s , s e r v i ç o s e f a t o r e s p r o d u t i v o s e n t r e o s p a í s e s , através, e n t r e outros, da e l i m i n a ç ã o d o s direitos alfandegários e restrições não-tarifárias à c i r c u l a ç ã o d e m e r c a d o d e q u a l q u e r o u t r a m e d i d a d e e f e i t o equivalente; O e s t a b e l e c i m e n t o d e u m a tarifa e x t e r n a c o m u m e a a d o ç ã o d e política c o m e r c i a l c o m u m e m relação a terceiros Estados o u uma agrupamentos d e Estados e a c o o r d e n a ç ã o d e posições e m foros econômico-comerciais regionais e internacionais; A c o o r d e n a ç ã o d e p o l í t i c a s m a c r o e c o n ô m i c a s e setoriais e n t r e o s Estad o s P a r t e s - d e c o m é r c i o exterior, a g r í c o l a , industrial, fiscal, m o n e t á r i a , c a m bial e d e capitais, d e serviços, alfandegária, d e transportes e c o m u n i c a ç õ e s e outras q u e se a c o r d e m - , a fim d e assegurar c o n d i ç õ e s a d e q u a d a s d e c o n corrência entre os Estados Partes; e O c o m p r o m i s s o d o s Estados Partes d e h a r m o n i z a r suas legislações, nas á r e a s p e r t i n e n t e s , p a r a lograr o f o r t a l e c i m e n t o d o p r o c e s s o d e i n t e g r a ç ã o . Artigo 2 o - O M e r c a d o C o m u m e s t a r á f u n d a d o na r e c i p r o c i d a d e d e direitos e o b r i g a ç õ e s entre os Estados Partes. Artigo 3 o - D u r a n t e o p e r í o d o d e t r a n s i ç ã o , q u e se e s t e n d e r á d e s d e a e n t r a - d a e m v i g o r d o p r e s e n t e T r a t a d o a t é 3 1 d e d e z e m b r o d e 1 9 9 4 , e a fim d e facilitar a c o n s t i t u i ç ã o d o M e r c a d o C o m u m , o s E s t a d o s P a r t e s a d o t a m u m R e g i m e G e r a l d e O r i g e m , u m Sistema d e S o l u ç ã o d e Controvérsias e Cláusulas d e S a l v a g u a r d a , q u e c o n s t a m c o m o A n e x o s II, III e I V a o p r e s e n t e T r a t a d o . Artigo 4 o - N a s relações c o m terceiros países, os Estados Partes assegurarão c o n d i ç õ e s e q u i t a t i v a s d e c o m é r c i o . P a r a tal f i m , a p l i c a r ã o suas legislações n a c i o n a i s , p a r a inibir i m p o r t a ç õ e s c u j o s p r e ç o s e s t e j a m i n f l u e n c i a d o s s u b s í d i o s , dumping por o u q u a l q u e r o u t r a p r á t i c a d e s l e a l . P a r a l e l a m e n t e , o s Esta- d o s P a r t e s c o o r d e n a r ã o suas r e s p e c t i v a s p o l í t i c a s n a c i o n a i s c o m o o b j e t i v o d e elaborar normas c o m u n s sobre concorrência comercial. Artigo 5 o - D u r a n t e o p e r í o d o d e transição, os principais instrumentos para a constituição do M e r c a d o C o m u m são: a) u m P r o g r a m a d e L i b e r a ç ã o C o m e r c i a l , q u e consistirá e m r e d u ç õ e s tarifárias p r o g r e s s i v a s , l i n e a r e s e a u t o m á t i c a s , a c o m p a n h a d a s d a e l i m i n a ç ã o d e r e s t r i ç õ e s não-tarifárias o u m e d i d a s d e e f e i t o e q u i v a l e n t e , a s s i m c o m o d e outras restrições a o c o m é r c i o entre os Estados Partes, para c h e g a r a 31 d e d e z e m b r o d e 1 9 9 4 c o m tarifa z e r o , s e m b a r r e i r a s não-tarifárias s o b r e a t o t a l i d a d e d o u n i v e r s o tarifário ( A n e x o I ) ; b ) a c o o r d e n a ç ã o d e políticas m a c r o e c o n ô m i c a s , q u e s e realizará g r a d u a l m e n t e e d e f o r m a c o n v e r g e n t e c o m o s p r o g r a m a s d e d e s g r a v a ç ã o tarifária e e l i m i n a ç ã o d e r e s t r i ç õ e s não-tarifárias, i n d i c a d o s n a letra a n t e r i o r ; c) u m a tarifa e x t e r n a c o m u m , q u e i n c e n t i v e a c o m p e t i t i v i d a d e e x t e r n a d o s Estados Partes; e d ) a a d o ç ã o d e a c o r d o s setoriais, c o m o fim d e o t i m i z a r a u t i l i z a ç ã o e m o b i lidade dos fatores d e p r o d u ç ã o e alcançar escalas operativas eficientes. Artigo 6 o - O s Estados Partes r e c o n h e c e m diferenças pontuais d e ritmo para a República d o Paraguai e para a República Oriental d o U r u g u a i , q u e c o n s t a m n o P r o g r a m a d e L i b e r a ç ã o C o m e r c i a l ( A n e x o I). Artigo 7 o - E m matéria de impostos, taxas e o u t r o s g r a v a m e s internos, os p r o d u t o s originários d o território d e u m E s t a d o P a r t e g o z a r ã o , n o s o u t r o s E s tados Partes, d o m e s m o tratamento q u e se aplique a o p r o d u t o n a c i o n a l . Artigo 8 o - O Estados Partes se c o m p r o m e t e m a preservar o s c o m p r o m i s s o s assumidos até a data d e celebração d o presente Tratado, inclusive os A c o r dos firmados no âmbito da Associação Latino-Americana d e Integração, e a c o o r d e n a r suas posições nas n e g o c i a ç õ e s comerciais externas q u e e m p r e e n d a m durante o período d e transição. Para tanto: a) e v i t a r ã o afetar o s i n t e r e s s e s d o s E s t a d o s P a r t e s n a s n e g o c i a ç õ e s comer- ciais q u e r e a l i z e m e n t r e si a t é 3 1 d e d e z e m b r o d e 1 9 9 4 ; b) e v i t a r ã o afetar o s i n t e r e s s e s d o s d e m a i s E s t a d o s P a r t e s o u o s o b j e t i v o s d o M e r c a d o C o m u m nos A c o r d o s q u e celebrarem c o m outros países m e m bros da A s s o c i a ç ã o Latino-Americana d e Integração durante o d e transição; período c) r e a l i z a r ã o c o n s u l t a s e n t r e si s e m p r e q u e n e g o c i e m e s q u e m a s a m p l o s d e d e s g r a v a ç ã o tarifária, t e n d e n t e s à f o r m a ç ã o d e z o n a s d e livre c o m é r c i o c o m o s d e m a i s países m e m b r o s d a A s s o c i a ç ã o Latino-Americana d e Integração; e d) e s t e n d e r ã o a u t o m a t i c a m e n t e aos demais Estados Partes qualquer vantag e m , f a v o r , f r a n q u i a , i m u n i d a d e o u privilégio q u e c o n c e d a m a u m p r o d u to originário d e o u destinado a terceiros países não-membros d a Associaç ã o Latino-Americana d e Integração. C a p í t u l o II Estrutura O r g â n i c a Artigo 9 - A administração e e x e c u ç ã o d o presente Tratado e dos A c o r d o s o e s p e c í f i c o s e d e c i s õ e s q u e s e a d o t e m n o q u a d r o j u r í d i c o q u e o m e s m o estab e l e c e durante o p e r í o d o d e transição estarão a cargo dos seguintes órgãos: a) Conselho do Mercado C o m u m ; e b) Grupo do Mercado C o m u m . Artigo 10 o - O C o n s e l h o é o ó r g ã o s u p e r i o r d o M e r c a d o C o m u m , corres- pondendo-lhe a c o n d u ç ã o política d o m e s m o e a t o m a d a d e d e c i s õ e s para assegurar o c u m p r i m e n t o dos objetivos e prazos estabelecidos para a constituição definitiva d o M e r c a d o C o m u m . A r t i g o 11 o - O C o n s e l h o estará integrado pelos Ministros d e Relações Exte- riores e o s M i n i s t r o s d e E c o n o m i a d o s E s t a d o s P a r t e s . Reunir-se-á q u a n t a s v e z e s e s t i m e o p o r t u n o , e , p e l o m e n o s u m a v e z a o a n o , o fará c o m a p a r t i c i p a ç ã o d o s P r e s i d e n t e s d o s E s t a d o s P a r t e s . A r t i g o 12 o - A Presidência d o C o n s e l h o se exercerá por rotação dos Estados P a r t e s e e m o r d e m a l f a b é t i c a , p o r p e r í o d o d e seis m e s e s . A s reuniões d o C o n s e l h o serão coordenadas pelos Ministérios d e Relaç õ e s E x t e r i o r e s e p o d e r ã o ser c o n v i d a d o s a d e l a s participar o u t r o s ministros o u a u t o r i d a d e s d e n í v e l ministerial. Artigo 13 o - O G r u p o M e r c a d o C o m u m é o órgão executivo do Mercado C o m u m e s e r á c o o r d e n a d o p e l o s M i n i s t é r i o s d a s R e l a ç õ e s Exteriores. O G r u p o M e r c a d o C o m u m t e r á f a c u l d a d e d e iniciativa. S u a s f u n ç õ e s s e r ã o as s e g u i n t e s : velar pelo c u m p r i m e n t o d o Tratado; - t o m a r as p r o v i d ê n c i a s n e c e s s á r i a s a o c u m p r i m e n t o d a s d e c i s õ e s a d o t a das pelo C o n s e l h o ; - propor medidas concretas tendentes à aplicação d o Programa d e Liberaç ã o C o m e r c i a l , à c o o r d e n a ç ã o d e política m a c r o e c o n ô m i c a e à n e g o c i a ç ã o d e A c o r d o s frente a terceiros; e - fixar p r o g r a m a s d e t r a b a l h o q u e a s s e g u r e m a v a n ç o s p a r a o e s t a b e l e c i mento do Mercado C o m u m . O G r u p o M e r c a d o C o m u m p o d e r á constituir o s S u b g r u p o s d e T r a b a - lho q u e f o r e m necessários para o c u m p r i m e n t o d e seus objetivos. C o n t a r á inicialmente c o m os Subgrupos m e n c i o n a d o s no A n e x o V. O G r u p o M e r c a d o C o m u m estabelecerá seu regime interno no prazo d e s e s s e n t a ( 6 0 ) dias d e sua i n s t a l a ç ã o . Artigo 14 o -O G r u p o M e r c a d o C o m u m estará i n t e g r a d o p o r q u a t r o mem- b r o s titulares e q u a t r o m e m b r o s a l t e r n o s p o r p a í s , q u e r e p r e s e n t e m o s s e guintes órgãos públicos: - Ministério das R e l a ç õ e s Exteriores; M i n i s t é r i o d a E c o n o m i a o u s e u s e q u i v a l e n t e s ( á r e a s d e indústria, c o m é r c i o exterior e / o u c o o r d e n a ç ã o e c o n ô m i c a ) ; e - B a n c o Central. A o elaborar e propor medidas concretas n o desenvolvimento d e seus trabalhos, até 31 d e d e z e m b r o d e 1994, o G r u p o M e r c a d o C o m u m poderá c o n v o c a r , q u a n d o julgar c o n v e n i e n t e , r e p r e s e n t a n t e s d e o u t r o s ó r g ã o s d a Administração Pública e d o setor privado. A r t i g o 15 o - O G r u p o M e r c a d o C o m u m contará c o m u m a Secretaria A d m i - nistrativa c u j a s p r i n c i p a i s f u n ç õ e s c o n s i s t i r ã o n a g u a r d a d e d o c u m e n t o s e c o m u n i c a ç õ e s d e atividade d o m e s m o . Terá sua s e d e na c i d a d e d e M o n t e v i déu. Artigo 16 o - D u r a n t e o p e r í o d o d e t r a n s i ç ã o , as d e c i s õ e s d o C o n s e l h o do M e r c a d o C o m u m e do G r u p o M e r c a d o C o m u m serão tomadas por consenso e c o m a presença d e todos os Estados Partes. A r t i g o 17 o - O s i d i o m a s oficiais d o M e r c a d o C o m u m s e r ã o o p o r t u g u ê s e o e s p a n h o l e a v e r s ã o oficial d o s d o c u m e n t o s d e t r a b a l h o s e r á a d o i d i o m a d o país s e d e d e c a d a r e u n i ã o . Artigo 18 o - Antes do estabelecimento do M e r c a d o C o m u m , a 31 d e de- z e m b r o d e 1994, os Estados Partes c o n v o c a r ã o u m a reunião extraordinária c o m o o b j e t i v o d e d e t e r m i n a r a estrutura i n s t i t u c i o n a l d e f i n i t i v a d o s ó r g ã o s d e a d m i n i s t r a ç ã o d o M e r c a d o C o m u m , a s s i m c o m o as a t r i b u i ç õ e s e s p e c í f i c a s d e c a d a u m deles e seu sistema d e t o m a d a d e d e c i s õ e s . Capítulo III Vigência Artigo 19 o -O p r e s e n t e T r a t a d o terá d u r a ç ã o i n d e f i n i d a e e n t r a r á e m v i g o r trinta ( 3 0 ) d i a s a p ó s a d a t a d o d e p ó s i t o d o t e r c e i r o i n s t r u m e n t o d e ratificaç ã o . O s instrumentos d e ratificação serão depositados ante o G o v e r n o s dos demais Estados Partes. O G o v e r n o d a R e p ú b l i c a d o P a r a g u a i notificará a o G o v e r n o d e cada u m dos demais Estados Partes a data d e entrada e m vigor d o presente Tratado. Capítulo IV Adesão Artigo 20 o -O presente T r a t a d o estará aberto à a d e s ã o , m e d i a n t e n e g o c i a - ç ã o , d o s d e m a i s países m e m b r o s da A s s o c i a ç ã o Latino-Americana d e Integ r a ç ã o , c u j a s s o l i c i t a ç õ e s p o d e r ã o ser e x a m i n a d a s p e l o s E s t a d o s P a r t e s d e pois d e c i n c o (5) anos d e vigência deste Tratado. N ã o o b s t a n t e , p o d e r ã o ser c o n s i d e r a d a s a n t e s d o r e f e r i d o p r a z o a s solic i t a ç õ e s apresentadas por países m e m b r o s da A s s o c i a ç ã o Latino-Americana d e I n t e g r a ç ã o q u e n ã o f a ç a m p a r t e d e e s q u e m a s d e i n t e g r a ç ã o sub-regional o u d e u m a a s s o c i a ç ã o extra-regional. A a p r o v a ç ã o d a s s o l i c i t a ç õ e s s e r á o b j e t o d e d e c i s ã o u n â n i m e d o s Estados Partes. Capítulo V Denúncia Artigo 21 o -O E s t a d o P a r t e q u e d e s e j a r desvincular-se d o p r e s e n t e T r a t a d o d e v e r á c o m u n i c a r essa i n t e n ç ã o a o s d e m a i s Estados Partes d e maneira exp r e s s a e f o r m a l , e f e t u a n d o n o p r a z o d e s e s s e n t a ( 6 0 ) dias a e n t r e g a d o d o c u m e n t o d e d e n ú n c i a a o Ministério das R e l a ç õ e s Exteriores da R e p ú b l i c a d o P a r a g u a i , q u e o distribuirá a o s d e m a i s E s t a d o s P a r t e s . A r t i g o 22 o - Formalizada a denúncia, cessarão para o Estado denunciante os d i r e i t o s e o b r i g a ç õ e s q u e c o r r e s p o n d a m à sua c o n d i ç ã o d e E s t a d o P a r t e , mantendo-se os referentes a o programa d e liberação d o presente Tratado e outros aspectos q u e os Estados Partes, juntos c o m o Estado denunciante, a c o r d e m n o p r a z o d e sessenta (60) dias a p ó s a f o r m a l i z a ç ã o d a d e n ú n c i a . Esses d i r e i t o s e o b r i g a ç õ e s d o E s t a d o d e n u n c i a n t e c o n t i n u a r ã o e m v i g o r p o r u m p e r í o d o d e d o i s ( 2 ) a n o s a partir d a d a t a d a m e n c i o n a d a f o r m a l i z a ç ã o . Capítulo VI Disposições Gerais A r t i g o 23 o Artigo 24 o - O presente Tratado se c h a m a r á "Tratado d e Assunção". - C o m o o b j e t i v o d e facilitar a i m p l e m e n t a ç ã o d o M e r c a d o Co- m u m , estabelecer-se - á C o m i s s ã o P a r l a m e n t a r C o n j u n t a d o M E R C O S U L . O S P o d e r e s Executivos d o s Estados Partes m a n t e r ã o seus respectivos Poderes Legislativos i n f o r m a d o s s o b r e a e v o l u ç ã o d o M e r c a d o C o m u m , o b j e t o do presente Tratado. F e i t o n a c i d a d e d e A s s u n ç ã o , a o s 2 6 dias d o m ê s d e m a r ç o d e mil n o v e c e n t o s e n o v e n t a e u m , e m u m original, nos idiomas português e espan h o l , s e n d o a m b o s o s textos i g u a l m e n t e a u t ê n t i c o s . O G o v e r n o d a R e p ú b l i c a d o Paraguai será o depositário d o presente Tratado e enviará c ó p i a d e v i d a m e n t e autenticada d o m e s m o aos G o v e r n o s dos demais Estados Partes signatários e a d e r e n t e s . Pelo G o v e r n o da República Argentina Carlos Saul Menem G u i d o D i Telia Pelo G o v e r n o da República Federativa do Brasil Fernando Collor Francisco Rezek Pelo G o v e r n o da República do Paraguai Andres Rodrigues Alexis Frutos V a e s k e n Pelo Governo da República Oriental do Uruguai Luis Alberto Lacalle Herrera H e c t o r G r o s Espiell Regulamento d a C o m i s s ã o Parlamentar Conjunta d o MERCOSUL E m M o n t e v i d é u , capital da R e p ú b l i c a O r i e n t a l d o U r u g u a i , n o dia 6 d e d e z e m b r o d e 1 9 9 1 , na Sala das S e s s õ e s d a A s s e m b l é i a G e r a l , as d e l e g a ç õ e s d e p a r l a m e n t a r e s da R e p ú b l i c a Argentina, d a R e p ú b l i c a Federativa d o Brasil, da República d o Paraguai e da República Oriental d o Uruguai, integrantes dos Estados Partes signatários d o Tratado d e A s s u n ç ã o , d e c l a r a m f o r m a l m e n te a p r o v a d o o R e g u l a m e n t o d a C o m i s s ã o Parlamentar C o n j u n t a d o M E R C O SUL e p r o c l a m a m a sua v o n t a d e i n e q u í v o c a d e dar a o p r o c e s s o d e integração, iniciado por seus respectivos países, o apoio que surge da repre- sentação e m a n a d a da soberania popular. O s representantes dos P a r l a m e n t o s d o s Estados signatários d o T r a t a d o d e A s s u n ç ã o q u e cria o M e r c a d o C o m u m d o Sul, c o m o propósito d e : - e s t a b e l e c e r a u n i ã o c a d a v e z m a i s estreita e n t r e o s p o v o s d o sul d a A m é r i c a , a partir d a n o s s a r e g i ã o ; - garantir m e d i a n t e u m a a ç ã o c o m u m o progresso e c o n ô m i c o e social, elim i n a n d o as barreiras q u e d i v i d e m nossos países e nossos p o v o s ; - f a v o r e c e r as c o n d i ç õ e s d e v i d a e e m p r e g o , c r i a n d o c o n d i ç õ e s para um d e s e n v o l v i m e n t o auto-sustentável q u e preserve nosso e n t o r n o e q u e se construa e m harmonia c o m a natureza; - salvaguardar a p a z , a liberdade, a d e m o c r a c i a e a vigência d o s direitos humanos; - f o r t a l e c e r o e s p a ç o p a r l a m e n t a r n o p r o c e s s o d e i n t e g r a ç ã o , c o m vistas à futura instalação d o P a r l a m e n t o d o M E R C O S U L ; e - a p o i a r a a d e s ã o d o s d e m a i s países latino-americanos a o p r o c e s s o d e integ r a ç ã o e suas instituições. R e s o l v e m aprovar o seguinte Regulamento. Artigo 1 o - Fica estabelecida a C o m i s s ã o Parlamentar Conjunta d o S U L , c o n f o r m e d e t e r m i n a o A r t i g o 24 o MERCO- d o Tratado d e Assunção, assinado e m 26 d e m a r ç o d e 1 9 9 1 , entre os G o v e r n o s da República Argentina, República F e d e r a t i v a d o Brasil, R e p ú b l i c a d o Paraguai e R e p ú b l i c a O r i e n t a l d o U r u g u a i , q u e se regerá por este Regulamento. D o s M e m b r o s e sua C o m p o s i ç ã o Artigo 2 o - A C o m i s s ã o s e r á i n t e g r a d a p o r a t é s e s s e n t a e q u a t r o ( 6 4 ) parla- m e n t a r e s d e a m b a s as C â m a r a s ; até dezesseis (16) d e c a d a Estado Parte, e igual n ú m e r o d e suplentes, q u e serão d e s i g n a d o s pelos respectivos Parla- m e n t o s nacionais, d e a c o r d o c o m seus p r o c e d i m e n t o s internos. A d u r a ç ã o d o m a n d a t o d e s e u s i n t e g r a n t e s s e r á d e t e r m i n a d a p e l o s resp e c t i v o s P a r l a m e n t o s , d e s d e q u e e s t e n ã o seja inferior a d o i s a n o s , c o m o i n tuito d e f a v o r e c e r a necessária c o n t i n u i d a d e . A C o m i s s ã o só p o d e r á ser integrada p o r parlamentares n o exercício d o seu mandato. Funções e Atribuições Artigo 3 o - A C o m i s s ã o terá caráter consultivo, deliberativo e d e f o r m u l a ç ã o d e propostas. Suas atribuições serão: a) a c o m p a n h a r a m a r c h a d o processo d e integração regional expresso na f o r m a ç ã o d o M e r c a d o C o m u m d o Sul - M E R C O S U L - e informar os c o n gressos nacionais a esse respeito; b) d e s e n v o l v e r as a ç õ e s n e c e s s á r i a s p a r a facilitar a f u t u r a i n s t a l a ç ã o d o P a r lamento d o MERCOSUL; c) solicitar a o s ó r g ã o s i n s t i t u c i o n a i s d o M E R C O S U L , i n f o r m a ç õ e s a r e s p e i t o d a e v o l u ç ã o d o processo d e integração, especialmente no q u e se refere aos p l a n o s e p r o g r a m a s d e o r d e m política, e c o n ô m i c a , s o c i a l e c u l t u r a l ; d) constituir S u b c o m i s s õ e s para a análise d o s temas relacionados c o m o atual p r o c e s s o d e i n t e g r a ç ã o ; e) emitir r e c o m e n d a ç õ e s s o b r e a c o n d u ç ã o d o p r o c e s s o d e i n t e g r a ç ã o e d a f o r m a ç ã o d o M e r c a d o C o m u m , as q u a i s p o d e r ã o ser e n c a m i n h a d a s aos ó r g ã o s institucionais d o M E R C O S U L ; f) realizar o s e s t u d o s n e c e s s á r i o s à h a r m o n i z a ç ã o d a s l e g i s l a ç õ e s d o s Estad o s Partes, p r o p o r n o r m a s d e direito c o m u n i t á r i o referentes a o processo d e i n t e g r a ç ã o e l e v a r as c o n c l u s õ e s a o s P a r l a m e n t o s n a c i o n a i s ; g) estabelecer relações c o m entidades privadas nacionais e locais, c o m entid a d e s e o r g a n i s m o s i n t e r n a c i o n a i s e solicitar i n f o r m a ç ã o e o a s s e s s o r a ¬ m e n t o q u e julgue necessário sobre assuntos d o seu interesse; h) e s t a b e l e c e r r e l a ç õ e s d e c o o p e r a ç ã o c o m o s P a r l a m e n t o s d e t e r c e i r o s países e c o m o u t r a s e n t i d a d e s c o n s t i t u í d a s n o â m b i t o d o s d e m a i s e s q u e m a s d e integração regional; i) subscrever a c o r d o s s o b r e c o o p e r a ç ã o e assistência t é c n i c a c o m organismos públicos e privados, d e caráter nacional, regional, supranacional e internacional; j) aprovar o o r ç a m e n t o da C o m i s s ã o e gestionar ante os Estados Partes o seu f u n c i o n a m e n t o ; e k) s e m p r e j u í z o d o s itens a n t e r i o r e s , a C o m i s s ã o p o d e r á e s t a b e l e c e r o u t r a s atribuições dentro d o m a r c o d o Trabalho d e Assunção. Das Subcomissões Artigo 4 o - Criam-se a s s e g u i n t e s S u b c o m i s s õ e s : 1. d e Assuntos Comerciais; 2. d e A s s u n t o s A d u a n e i r o s e N o r m a s T é c n i c a s ; 3. d e P o l í t i c a s Fiscais e M o n e t á r i a s ; 4. d e T r a n s p o r t e ; 5. d e P o l í t i c a Industrial e T e c n o l ó g i c a ; 6. d e P o l í t i c a A g r í c o l a ; 7. d e P o l í t i c a E n e r g é t i c a ; 8. d e C o o r d e n a ç ã o d e P o l í t i c a s M a c r o e c o n ô m i c a s ; 9. d e P o l í t i c a s T r a b a l h i s t a s ; 10. d o M e i o A m b i e n t e ; 1 1 . d e R e l a ç õ e s Institucionais e Direito d a I n t e g r a ç ã o ; e 12. d e Assuntos Culturais. O u t r a s S u b c o m i s s õ e s p o d e r ã o ser c r i a d a s , a s s i m c o m o s u p r i m i d a s a l g u m a s existentes. A M e s a D i r e t o r a fixará as c o m p e t ê n c i a s d a s S u b c o m i s s õ e s , m e d i a n t e propostas das mesmas. A s S u b c o m i s s õ e s se reunirão s e m p r e q u e necessário para a preparação d o s trabalhos. A participação dos parlamentares d e c a d a Estado Parte nas S u b c o m i s s õ e s terá o m e s m o c a r á t e r oficial q u e a d e s e m p e n h a d a n a C o m i s são Parlamentar. Artigo 5 - C a d a S u b c o m i s s ã o será i n t e g r a d a p o r d o i s ( 2 ) p a r l a m e n t a r e s d e o c a d a E s t a d o P a r t e e s e u s s u p l e n t e s . A s S u b c o m i s s õ e s e l e g e r ã o suas p r ó p r i a s a u t o r i d a d e s , s e g u i n d o o s critérios e s t a b e l e c i d o s n o A r t i g o 1 6 . o Das Reuniões Artigo 6 o - A s r e u n i õ e s d a C o m i s s ã o s e r ã o r e a l i z a d a s , e m c a d a u m d o s Esta- d o s Partes, d e forma sucessiva e alternada. A o Estado Parte o n d e se realize c a d a sessão o u reunião c o r r e s p o n d e r á a Presidência. Artigo 7 o a) - A C o m i s s ã o se reunirá: ordinariamente, pelo m e n o s d u a s v e z e s a o a n o , em data a ser d e t e r m i n a - da; e b) extraordinariamente, m e d i a n t e c o n v o c a ç ã o especial assinada pelos quatro ( 4 ) P r e s i d e n t e s . A s c o n v o c a ç õ e s i n d i c a r ã o dia, m ê s , h o r a e l o c a l p a r a a r e a l i z a ç ã o d a s r e u n i õ e s , a s s i m c o m o a p a u t a a ser d i s c u t i d a , d e v e n d o a c i t a ç ã o ser n o m i n a l , e n v i a d a c o m a n t e c e d ê n c i a m í n i m a d e trinta ( 3 0 ) dias, m e d i a n t e c o r r e s p o n d ê n c i a c o m registro p o s t a l , o u o u t r o m e i o s e g u r o . E m c a s o d e f o r ç a m a i o r , se u m a r e u n i ã o p r o g r a m a d a n ã o p u d e r ser r e a lizada n o país previsto, a M e s a Diretora da C o m i s s ã o estabelecerá a s e d e alternativa. Artigo 8 o - T e r ã o v a l i d a d e as s e s s õ e s d a C o m i s s ã o c o m a p r e s e n ç a d a s d e l e - g a ç õ e s parlamentares d e todos os Estados Partes. C o n v o c a d a u m a sessão, se u m d o s Estados Partes n ã o puder c o m p a r e c e r p o r r a z õ e s d e f o r ç a m a i o r , o s r e s t a n t e s p o d e r ã o reunir-se, d e s d e que p a r a d e l i b e r a r e d e c i d i r seja o b e d e c i d o o d i s p o s t o n o A r t i g o 1 3 . o Artigo 9 o - A s sessões da C o m i s s ã o serão públicas, e x c e t o q u a n d o expressa- m e n t e s e d e c i d a p e l a sua r e a l i z a ç ã o e m f o r m a r e s e r v a d a . A r t i g o 10 o - A s s e s s õ e s s e r ã o a b e r t a s p e l o P r e s i d e n t e d a C o m i s s ã o e o Se¬ c r e t á r i o - G e r a l o u q u e m o substitua, c o n f o r m e e s t e r e g u l a m e n t o . A r t i g o 11 o - A s sessões da C o m i s s ã o serão iniciadas, salvo d e c i s ã o e m c o n - trário, c o m a leitura e d i s c u s s ã o d a ata d a r e u n i ã o a n t e r i o r q u e , u m a vez a p r o v a d a , será a s s i n a d a p e l o P r e s i d e n t e e p e l o S e c r e t á r i o - G e r a l . A r t i g o 12 o - N a s atas d a s s e s s õ e s d e v e m c o n s t a r as r e c o m e n d a ç õ e s a p r o v a - das pela C o m i s s ã o . A r t i g o 13 o - As decisões da Comissão serão tomadas por c o n s e n s o das dele- g a ç õ e s d e todos os Estados Partes, expressas pelo v o t o da maioria d e seus integrantes acreditados pelos respectivos P a r l a m e n t o s . A r t i g o 14 o - O s t e m a s s u b m e t i d o s à c o n s i d e r a ç ã o d a C o m i s s ã o s e r ã o distri- buídos s i m u l t a n e a m e n t e a quatro relatores, u m por c a d a Estado Parte, o s q u a i s o s e s t u d a r ã o a fim d e e m i t i r o p i n i ã o a r e s p e i t o . O s r e l a t o r e s d i s p o r ã o d e u m p r a z o c o m u m d e trinta ( 3 0 ) dias p a r a e m i t i r s e u s r e l a t ó r i o s p o r e s c r i to, q u e s e r ã o distribuídos às d e m a i s d e l e g a ç õ e s d a C o m i s s ã o p e l o menos q u i n z e ( 1 5 ) dias a n t e s d a d a t a d e r e a l i z a ç ã o d a s e s s ã o . A r t i g o 15 o - S o b r e a matéria apreciada, a C o m i s s ã o p o d e r á emitir r e c o m e n - d a ç õ e s , c u j a f o r m a final s e r á o b j e t o d e d e l i b e r a ç ã o d e s e u s m e m b r o s . D a Mesa Diretora A r t i g o 16 o - A M e s a D i r e t o r a será c o m p o s t a d e q u a t r o ( 4 ) P r e s i d e n t e s , p e r - t e n c e n t e s u m a c a d a E s t a d o P a r t e , q u e s e a l t e r n a r ã o a c a d a seis ( 6 ) m e s e s , assim c o m o d e u m (1) S e c r e t á r i o - G e r a l e três ( 3 ) S e c r e t á r i o s a l t e r n o s , t a m b é m pertencentes u m a c a d a Estado Parte q u e se alternarão d a m e s m a form a . A M e s a D i r e t o r a será eleita e m s e s s ã o o r d i n á r i a p a r a m a n d a t o d e d o i s (2) a n o s . A o P r e s i d e n t e e a c a d a u m d o s três ( 3 ) P r e s i d e n t e s a l t e r n o s c o r r e s p o n d e u m (1) V i c e - P r e s i d e n t e , q u e p e r t e n c e r á a o m e s m o E s t a d o P a r t e . O Presidente e o Secretário-Geral d e v e m pertencer a o m e s m o Parla- mento nacional. A P r e s i d ê n c i a d a C o m i s s ã o p o d e r á instituir u m G r u p o d e A p o i o T é c n i co, c o m o órgão consultivo especial. A s a u t o r i d a d e s s e r ã o eleitas p e l o s r e s p e c t i v o s P a r l a m e n t o s . A r t i g o 17 o - N o c a s o d e v a c â n c i a definitiva e m q u a l q u e r d a s listas d o s c a r - gos da M e s a Diretora, a o c u p a ç ã o destes se efetuará por e l e i ç ã o na sessão seguinte àquela e m q u e se d e u vaga, salvo se faltarem m e n o s d e sessenta ( 6 0 ) dias p a r a o t é r m i n o d o s r e s p e c t i v o s m a n d a t o s . A r t i g o 18 o - E m c a s o d e v a c â n c i a definitiva d e u m m e m b r o d a C o m i s s ã o , o g r u p o n a c i o n a l t o m a r á as d e v i d a s p r o v i d ê n c i a s p a r a a s u a s u b s t i t u i ç ã o p o r o u t r o p a r l a m e n t a r , o q u a l c u m p r i r á o m a n d a t o p e l o p e r í o d o q u e restar. A r t i g o 19 o - A o Presidente da Comissão c o m p e t e : a) dirigir e o r d e n a r o s t r a b a l h o s d a C o m i s s ã o ; b) representar a Comissão; c) dar c o n h e c i m e n t o à C o m i s s ã o d e toda a matéria recebida; d) designar relatores m e d i a n t e proposta das d e l e g a ç õ e s parlamentares, para as m a t é r i a s a s e r e m d i s c u t i d a s ; e) instituir g r u p o s d e e s t u d o p a r a o e x a m e d e t e m a s a p o n t a d o s p e l a C o m i s são; f) r e s o l v e r as q u e s t õ e s d e o r d e m ; g) c o n v o c a r as r e u n i õ e s d a M e s a D i r e t o r a e d a C o m i s s ã o e presidi-las; h) assinar a s a t a s , r e c o m e n d a ç õ e s e d e m a i s d o c u m e n t o s d a C o m i s s ã o ; i) g e s t i o n a r d o a ç õ e s , c o n t r a t o s d e assistência t é c n i c a e o u t r o s sistemas d e c o o p e r a ç ã o , gratuitamente, ante organismos públicos o u privados, nacionais e internacionais; e j) praticar t o d o s os atos necessários a o b o m d e s e m p e n h o das atividades da Comissão. A r t i g o 20 o - N o s c a s o s d e a u s ê n c i a o u i m p e d i m e n t o , o P r e s i d e n t e será s u b s - tituído p e l o respectivo Vice-Presidente. A r t i g o 21 o a) - A o Secretário-Geral da Comissão c o m p e t e : assistir a P r e s i d ê n c i a n a c o n d u ç ã o d o s t r a b a l h o s d a C o m i s s ã o ; b ) a t u a r c o m o s e c r e t á r i o n a s r e u n i õ e s d a C o m i s s ã o e e l a b o r a r as r e s p e c t i vas atas; c) p r e p a r a r a r e d a ç ã o final d a s r e c o m e n d a ç õ e s d a C o m i s s ã o e sua tramitação; d) custodiar e arquivar a d o c u m e n t a ç ã o da Comissão; e e) c o o r d e n a r o f u n c i o n a m e n t o d o s g r u p o s d e e s t u d o instituídos. A r t i g o 22 o - O s S e c r e t á r i o s - A d j u n t o s assistirão o S e c r e t á r i o - G e r a l o u A l t e r n o s q u a n d o estes o solicitarem e o s substituírem, assim c o m o , nos casos d e a u sência, i m p e d i m e n t o o u vacância. A C o m i s s ã o p o d e r á criar u m a S e c r e t a r i a P e r m a n e n t e . Artigo 2 3 - A M e s a Diretora terá p o d e r executivo para instrumentar o estu- f l d o das políticas deliberadas pela C o m i s s ã o . Terá ainda, a seu c a r g o , o relac i o n a m e n t o direto c o m o s ó r g ã o s institucionais d o M E R C O S U L e transmitirá a o plenário da Comissão toda informação q u e receba destes. Das Disposições Gerais Artigo 2 4 c Artigo 2 5 f i - S ã o i d i o m a s oficiais d a C o m i s s ã o o e s p a n h o l e o p o r t u g u ê s . - Este r e g u l a m e n t o e n t r a r á e m v i g o r a partir d a d a t a d e s u a a p r o - v a ç ã o , ad referendum da ratificação dos Parlamentos dos Estados Partes c u - jas n o r m a s constitucionais assim o exijam. Anexo V Subgrupos de Trabalho do G r u p o M e r c a d o Comum O G r u p o M e r c a d o C o m u m , p a r a fins d e c o o r d e n a ç ã o d a s p o l í t i c a s m a c r o e c o n ô m i c a s e setoriais, c o n s t i t u i r á , n o p r a z o d e trinta ( 3 0 ) d i a s a p ó s s u a instalação, os seguintes S u b g r u p o s d e Trabalho: Subgrupo 1: Assuntos Comerciais Subgrupo 2: Assuntos Aduaneiros Subgrupo 3: Normas Técnicas Subgrupo 4: P o l í t i c a s Fiscal e M o n e t á r i a R e l a c i o n a d a s c o m o C o m é r c i o Subgrupo 5: Transporte Terrestre Subgrupo 6: Transporte Marítimo Subgrupo 7: P o l í t i c a Industrial e T e c n o l ó g i c a Subgrupo 8: Política Agrícola Subgrupo 9: Política Energética Subgrupo 10: C o o r d e n a ç ã o d e Políticas M a c r o e c o n ô m i c a s Nota: - Resolução MERCOSUL/CMC/RES. balho n o - n o 1 1 / 1 9 9 1(1), c r i o u o S u b g r u p o d e T r a - 11 - A s s u n t o s T r a b a l h i s t a s . Resolução MERCOSUL/CMC/RES. grupo de Trabalho n o de Social. n o 11/199 2, m o d i f i c o u o n o m e d o S u b - 11 p a r a R e l a ç õ e s T r a b a l h i s t a s , E m p r e g o e S e g u r i d a -