O QUE A GENTE NÃO VÊ
DO ESPETÁCULO QUE A GENTE VÊ
Caros leitores,
A segunda edição do jornal Vi Vendo presta uma homenagem aos espetáculos realizados pela
FAENOL numa parceria entre a Escola Ana do Nascimento Souza de Educação Especializada e Escola
de Artes e Ofícios Henos Gomes.
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Rafa G
Rodrigo de
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Castro
Fernan
do Fotó
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EDITORIAL
Este ano é um ano muito especial para nós que fazemos parte da família FAENOL.
Neste ano, completamos trinta anos de trabalhos prestados para Nova Lima e região. Com ações voltadas para a garantia dos direitos da pessoa com deficiência, princípio norteador e orientador de todos os
colaboradores. Acreditamos que a experiência colhida ao longo dos anos, onde aprendemos que a atenção
particularizada, a opinião de cada um considerada e associada a projetos consistentes, nos capacitou a oferecer um trabalho que tem se consolidado como uma referência estadual.
Um ano especial porque concluímos nossa sexta apresentação teatral. Desta vez com o espetáculo
“Sobre Viver”, momento onde todas as ações, todos os trabalhos desenvolvidos se vêm representados, seja
a fisioterapeuta que vê e faz ver que todo seu trabalho ampliou os movimentos daqueles que atendeu, da
mesma forma a fono, a terapeuta ocupacional e todos os especialistas que compõem a equipe.
É um ano especial porque ampliamos de forma definitiva e permanente a assistência. Este ano passamos
a trabalhar em três turnos diários de quatro horas cada um. Hoje as portas da FAENOL estão abertas de 7 às
19 horas, de segunda à sexta feira, durante todo o ano. Ou seja, em dezembro, janeiro e julho atenderemos
às demandas surgidas e daremos continuidade às ações desenvolvidas. Na prática ampliamos o número de
pessoas atendidas, oferecendo à toda população mais conforto e respostas às suas expectativas.
Mas este ano é também um ano especial e porque não dizer excepcional. A FAENOL acaba de se tornar
um “CER” - Centro Especializado em Reabilitação, agora reconhecida junto ao governo federal como uma
instituição capaz de prestar tal serviço, ampliando suas ações de forma definitiva. Nesta nova modalidade, a
comunidade contará com um serviço voltado à reabilitação física e intelectual, de forma integral. Implementado este recurso, a população será assistida de forma ampla em Nova Lima. O que proporcionará além
de maior agilidade e conforto, uma assistência de qualidade. O conjunto destas ações continuadas produz
efeitos que vão além do esperado, reflete na vida de todos e de cada um, em particular do cidadão que pode
contar com um serviço de excelência.
A FAENOL inova e coloca Nova Lima à frente de seu tempo!
A síntese destes 30 anos de projetos se vê no trabalho de toda a equipe que foi representada no espetáculo, confluência das ações desenvolvidas, aglutinadora de toda a energia dedicada.
Terminamos essa etapa com a certeza de que o esforço valeu a pena. Passado mais um ano, compartilhamos com todos nossa tradicional apresentação teatral. É curioso pensarmos que, concluída uma etapa, o
trabalho prossegue, o término de um ciclo é o prelúdio do futuro. A partir de então começamos a pensar
como será o próximo espetáculo. E ouso dizer: se neste ano completamos trinta anos, como serão os próximos
trinta? Passos firmes só pode dar quem sabe que o presente é o futuro passando. Ainda ontem planejávamos, construíamos, pensávamos a respeito do que seria a apresentação teatral. O espetáculo é o resultado do
trabalho coletivo, cuja filosofia incorpora o erro como parte do acerto, e desta forma ganha corpo, expressão.
É parte do esforço para acertar. E o que é o certo sem o contra ponto do errado? E essa margem entre o
certo e o errado, entre o dentro e o
fora, entre o normal e... nada mais é
do que parte das humanidades.
É, ser humano é ser diferente,
é suportar a diferença. O que nos
iguala não é o espelho refletindo a
nossa própria imagem. Ser humano
é ser Antônio, José, Felipe, Maria,
Rosa, ser sujeito de sua ação, de sua
própria existência.
Evandro Mello
Diretor Clínico da FAENOL
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á seis anos, a equipe da FAENOL apresenta, no teatro municipal de Nova Lima, peças emocionantes: “Amizade é Ouro”, “Caixas de Mim”, “Quando a Lua Nasce”, “Peixes na Terra”, “Prá Lá
de Picasseira” e em 2013, “Sobre Viver”. Nesse período, acompanhamos no palco o crescimento
de nossos atores, as criações musicais, os cenários e figurinos únicos. O que não acompanhamos foi o
trabalho silencioso que acontece ao longo do ano e permeia essas construções.
Queremos mostrar um pouco desse trabalho transdisciplinar, não apenas o que acontece nos bastidores
da peça, mas o trabalho dos profissionais e educandos da FAENOL, Escola Ana do Nascimento Souza,
Escola de Artes e Ofícios Henos Gomes.
A transdisciplinariedade acontece a todo momento. No espetáculo desse ano, veremos um personagem
que é chamado de “Poeta”. Ele nasceu a partir do projeto feito no Letramento da professora Lina, homenageando o Centenário de Vinícius de Moraes, que aconteceu no dia 19 de outubro deste ano. O Projeto
“Aprendendendo Poesia com Vinícius de Moraes”, teve o objetivo de permitir aos alunos o acesso ao universo literário mobilizado pela poesia desse grande artista. Sua obra inspirou o aluno Felippe Augusto
Campos a criar o personagem do “Poeta” durante o trabalho junto com as Histórias em Movimento.
Podemos também, encontrar no projeto “As Histórias de Todos Nós”, desenvolvido pela professora
Mônica Jacinto, outro exemplo dessa transdisciplinariedade. Ela escutou e escreveu as histórias de vida de
seus alunos permitindo que eles assumissem ainda mais suas raízes. A metáfora “Sobre Viver” fala de quem
somos nós, da importância de resgatar nossa história e identidade como algo capaz de transformar nossa
realidade.
Queremos também dizer do trabalho dos alunos que não sobem no palco, mas participam intensamente do espetáculo através da construção dos objetos cênicos. Os profissionais aproveitam a motivação
deles para promover habilidades motoras, artísticas, afetivas e sociais.
São muitos os trabalhos que a gente não vê.
As profissionais dos serviços gerais cuidam da preparação de nossos alimentos, da limpeza do ambiente e dos figurinos, além de muitas vezes, darem o bom exemplo para nossos alunos;
As trupes “Alegria em Movimento” e “Olha Nós Na Fita” realizaram em 2013, cerca de trinta apresentações para mais de quatro mil pessoas. Essas apresentações contribuíram para o desenvolvimento das
habilidades cênicas de nossos atores;
O grupo “Os Mala” apresentou seus ritmos para diversos públicos;
Os artistas plásticos orientaram a construção do cenário e figurinos;
Os motoristas asseguraram nosso direito de ir e vir com cordialidade e compromisso;
A clínica ampliou nossas vivências propiciando estrutura e meios para que os seus atendidos superassem seus limites;
As professoras promoveram a aprendizagem com uma presença firme e constante;
A Oficina das Mães costurou e customizou nosso figurino;
Os porteiros souberam nos receber com amizade;
A equipe da manutenção criou a estrutura de nosso cenário.
Tudo isso e muito mais a gente não vê. Também não vemos o empenho, o carinho, o esforço de superação dos profissionais que se envolvem e se dedicam na tarefa de promover o crescimento de nossos
alunos.
Que as imagens a seguir contem um pouco dessa história.
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S o n h a n d o
“Começamos a apresentar na escola e depois,
a afinar, animar e apresentar para fora. Isso foi
uma conquista muito marcante na minha vida.
Fui me soltando mais, perdendo a vergonha que
antes era bem maior. A peça que mais gostei de
fazer foi aquela em que venci a morte.”
Antonio Silva
“Quando eu entrei para a trupe, eu conquistei
o que tinha de conquistar: meu objetivo. Cresci
no grupo e junto com a minha família. No inicio,
minha família não deixava não. Mas fui crescendo e conquistando meu espaço. A cena do
beijo em Caixas de Mim foi perfeita.”
Vanessa do Rosário
“Porque a gente pode demonstrar para o povo
o jeito que o mundo é. Não é do jeito que eles
pensam que é. Eles acham que cada um de nós
tem um problema. Eles acham que a gente não
dá conta de demonstrar. Mas não é isso que
a gente vê. Apesar das dificuldades, cada um
mostra suas capacidades.”
Fillipe Campos
Acabo de presenciar um espetáculo que me
encheu de orgulho, enquanto expectadora cidadã
aqui em Nova Lima. A FAENOL, sob a direção e o
acompanhamento de exemplar equipe de pedagogos, psicólogos e profissionais afins, produziu,
com o talento e a performance de seus jovens
estudantes, a montagem de uma peça teatral
digna de qualquer palco, de qualquer teatro, de
qualquer cidade do mundo, onde se queira trazer
a todos a chamada arte inclusiva, o que é hoje
tendência global.
Quero expressar a todos - mestres, estudantes
e toda a comunidade que apoia tão importante
instituição - os meus mais respeitosos cumprimentos, em meu nome, no nome da minha família
e das centenas de pessoas que também se emocionaram ao saírem do Teatro Municipal desta
cidade. Bravo! Bravíssimo!
Que essa energia agite com determinação
todas as mentes e corações que têm consciência
da importância da moderna educação inclusiva.
Parabéns a todos!
(Carta de uma espectadora)
Tem porta que importa
Beth, Adriano, Janaina, Josiele, Pablo, Ana Carolina, Gleison, Edmar, Marco Aurélio, Egnaldo, Geovani.
Organizado em forma de poema por Gustavo Gaivota
Porta às vezes agarra e custa a abrir.
Bem depois, quando você já está desanimado, ai é que ela
abre.
Tem porta de madeira, de vidro.
Porta forte, porta que abre fácil.
Tem porta que tranca por dentro
e se a gente fica de fora, tem de arrombar.
Tem porta de chave pequena, outras de chave grande.
Tem porta muito antiga que a chave nem entra mais.
Tem porta que vive aberta porque não tem fechadura nem
trinco.
Tem porta de cofre que só abre com um segredo e serve
para guardar outros segredos.
Tem porta que dá para a rua,
porta de frente para a cozinha, para a sala.
Tem porta que abre a geladeira e ai dá pra comer pão com
presunto e mussarela.
Tem porta de armário, de carro.
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Porta automática que fecha sozinha.
Porta branca, amarela, preta, verde, azul, cinza, alaranjado,
marrom.
Porta de posto de saúde, porta de escola.
Tem porta tão grande que se chama portão.
Algumas vezes precisamos trancar a porta,
Senão ladrão pode entrar.
Algumas vezes queremos abrir a porta
e por isso precisamos da chave certa.
Não tem errada:
A chave que abre a porta é a mesma que a fechou.
E de todas as portas, a que mais importa,
é a porta que abre o coração do ser humano.
E X P E D I E N T E
Direção Histórias em Movimento Gustavo Gaivota Pedagogas Cintia
Nicholls, Márcia Serapia Psicóloga Fabíola Figueiredo Trupe Alegria em
Movimento Filipe, Marcelo, Rodrigo, Adriano, Walace, Elida, Vanessa,
Glicério, Guilherme, Paulo, Fabiano, Antônio, Eli, João Batista, Cintia,
Ana Carolina, Egnaldo, Geraldo, Janaina, Ana Maria, Lucas, Ellen,
Emanuel, Glaison, Adriano, Sheila, Jaqueline, Bete, Hernany, Mauro.
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