DN - Justiça acaba com 33 rendas mas só poupa 2 milhões Por Sónia Simões IMÓVEIS Reorganização. Paula Teixeira da Cruz está a passar a pente fino as contratações e arrendamentos feitos quando o PS estava no Governo A equipa que gere o património da Justiça prevê poupar em contratos de arrendamento cessados e a cessar ao longo deste e do próximo ano mais de 2 milhões de euros nesse mesmo período. O plano de poupança do Instituto de Gestão Financeira e Infra-Estruturas da Justiça (IGFIJ), que gasta anualmente 42,5 milhões de euros em rendas, encontra-se em estudo, numa altura em que a ministra da tutela, Paula Teixeira da Cruz, está de olho em todos os contratos celebrados antes da sua chegada ao Governo. São 33 as rendas que o IGFIJ está a cessar desde meados do ano, num processo que termina no próximo ano. Numa projecção de poupanças feitas até final de 2012 (ver tabela), e a que o DN teve acesso, aquela equipa prevê poupar cerca de 3,2 milhões de euros-quase tanto quanto o que paga todos os Rua Rodrigues Sampaio, n.º 96, R/C Esq. 1150-281 Lisboa Tel.: 21 355 39 40 / Fax: 21 355 39 49 [email protected] / www.apcolaco.com 1 meses pelas rendas dos espaços que albergam serviços da Justiça. Na lista de serviços a mudarem de local, ou mesmo a serem extintos por falta de necessidade, estão a Direcção-Geral da Política de Justiça, a ser transferida da Avenida Óscar Monteiro Torres, em Lisboa, para o Campus de Justiça do Parque das Nações já a partir de Janeiro. A cada mês, este serviço custava 30 121 euros só em renda. Na mesma altura o Tribunal de Pequena Instância Cível, instalado actualmente na Rua Artilharia 1 por 48 739 euros / mês, passará para o Palácio da Justiça, onde existe espaço livre desde a criação do Campus. Em Lisboa, prevê-se ainda poupar na Inspecção-Geral dos Serviços de Justiça, que passará para a Avenida Fontes Pereira de Mello, para um andar vazio no edifício onde já funcionam os dos Registos Centrais O total da poupança, ainda segundo documentos a que o DN teve acesso, não será tão elevado porque ao longo destes dois anos também foram e serão iniciados novos contratos. É o caso do Campus de Justiça de Valongo, inaugurado em Maio, e cuja renda mensal é de 48178 euros (ver tabela). Fora destas contas ficam as polémicas futuras instalações do Tribunal da Maia, cujo negócio está a ser reavaliado com vista à sua suspensão (ver texto secundário). Rua Rodrigues Sampaio, n.º 96, R/C Esq. 1150-281 Lisboa Tel.: 21 355 39 40 / Fax: 21 355 39 49 [email protected] / www.apcolaco.com 2 A propósito deste negócio, a ministra da Justiça anunciou em Julho que “todo o processo relativo ao contrato de arrendamento outorgado a 20 de Junho”, para a instalação do tribunal e outros serviços de Justiça da Maia, “está a ser reavaliado, com vista à sua suspensão”. E foi ainda mais longe: “Foi iniciado o processo tendente ao levantamento, avaliação e estudo de todos os contratos de adjudicação de obras, serviços, equipamentos e arrendamentos, relativos ao Ministério da Justiça”, referiu em comunicado. Ou seja, Paula Teixeira da Cruz quer saber como foram feitos os arrendamentos antes de chegar ao Governo. Em relação ao tribunal da Maia, a dúvida será relativa à a outorga do contrato feita pelo ministro das Finanças Teixeira dos Santos, quando já estava num Governo de gestão. Para isso, foi pedido um parecer à Procuradoria-Geral da República, cujo Conselho Consultivo já enviou para o Ministério as conclusões, que vão no sentido da anulação do negócio. De referir que a actual equipa do IGFIJ é a mesma em funções desde o Governo socialista. Todos os meses o IGFIJ gasta 3,54 milhões de euros em rendas, o que ao final do ano perfaz quase 42,5 milhões de euros por 352 edifícios. O último relatório da Direcção-Geral do Tesouro e Rua Rodrigues Sampaio, n.º 96, R/C Esq. 1150-281 Lisboa Tel.: 21 355 39 40 / Fax: 21 355 39 49 [email protected] / www.apcolaco.com 3 Finanças referia que o Ministério da Justiça tinha 1116 edifícios, mas só cerca de 800 se referem a património próprio e, destes, 300 são casas destinadas a habitação dos magistrados e dificilmente adaptáveis a qualquer outro tipo de serviço. Ao valor total gasto, somam-se 4 milhões de euros por ano só para rendas relativas a estabelecimentos prisionais. O DN tentou contactar o Ministério da Justiça para se pronunciar sobre o tema, mas até ao fecho da edição não obteve resposta. PIDDAC - Governo adia novas prisões. O Governo retirou do Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) as novas prisões de Castelo Branco, Lisboa e Pinheiro da Cruz impossibilitando as soluções encontradas para estas cadeias durante o Governo de Sócrates. Não havendo inscrição em PIDDAC, explicou uma fonte ao DN, não pode ser feito qualquer projecto, adquirido qualquer terreno ou feita qualquer obra Recorde-se que a nova prisão de Castelo Branco já estava adjudicada, o que pode implicar uma indemnização à empresa que ganhou o concurso, e que a prisão de Pinheiro de Cruz já estava em concurso. Polémica do novo tribunal da Maia está finalmente a chegar ao fim. Rua Rodrigues Sampaio, n.º 96, R/C Esq. 1150-281 Lisboa Tel.: 21 355 39 40 / Fax: 21 355 39 49 [email protected] / www.apcolaco.com 4 O novo espaço da Justiça deveria custar quase o dobro do que valem as rendas pagas actualmente. A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, acaba de receber o parecer em que a Procuradoria-Geral da República apresenta argumentos para a anulação do contrato de arrendamento do tribunal da Maia, mas o Instituto de Gestão Financeira e InfraEstruturas da Justiça já está em incumprimento para com a empresa Nova Casa – a proprietária daquelas que seriam as futuras instalações dos tribunais e conservatórias do registo predial da Maia. Esse incumprimento só não se verificará caso a ministra homologue o documento enviado pela PGR – o que é praticamente certo. O contrato de arrendamento em questão terá sido homologado em Junho deste ano, já o ministro das Finanças estava em gestão. Mas não é só essa aprovação que levanta dúvidas à actual titular da Justiça. Desde 2006, altura em que a empresa Nova Casa respondeu a um anúncio público com a oferta de um edifício na zona industrial da Maia, que a autarquia e alguns grupos locais têm contestado a mudança para aquele espaço. Em alternativa, a câmara propõe um terreno com um edifício já degradado (e que exige obras estruturais) para albergar os Rua Rodrigues Sampaio, n.º 96, R/C Esq. 1150-281 Lisboa Tel.: 21 355 39 40 / Fax: 21 355 39 49 [email protected] / www.apcolaco.com 5 serviços de justiça. Mas o IGFIJ preferiu a solução do arrendamento. De acordo com o plano poupança a que o DN teve acesso, o instituto gasta 471 mil euros por ano nos cinco edifícios onde actualmente funcionam os tribunais da Comarca e do Trabalho, o Ministério Público e as conservatórias do Registo Predial - o que significa 39.310 euros por mês. Com as instalações adjudicadas e cujo contrato de arrendamento está em risco – o instituto passaria a pagar 69 mil euros, primeiro, e meses depois 76.300 euros (por causa das obras de adaptação a fazer no edifício). Ministério paga renda para ocupar edifícios que eram seus. Edifícios vendidos para reduzir défice significam maior peso nas rendas a pagar ao final do mês São treze os edifícios da Justiça que o Ministério das Finanças decidiu vender à Estamo – a empresa pública destinada a comprar o património excedentário do Estado – e que, até final de 2012 significam nada mais, nada menos, do que uma fatia de nove milhões de euros no bolo total de rendas que o IGFIJ tem de pagar. Os cinco edifícios da Polícia Judiciária – em cinco Rua Rodrigues Sampaio, n.º 96, R/C Esq. 1150-281 Lisboa Tel.: 21 355 39 40 / Fax: 21 355 39 49 [email protected] / www.apcolaco.com 6 locais diferentes de Lisboa são exemplo disso. Apesar de o contrato de arrendamento com a Estamo ainda não ter sido assinado, prevê-se pagar 121 215 euros por mês pelos prédios. O mais caro é o da Rua Alexandre Herculano (com uma renda de 32 498 euros). Da lista de treze edifícios que vão custar em dois anos 8,99 milhões de euros, ainda só foi assinado, em Fevereiro último, contrato de arrendamento com o Tribunal Central Administrativo Norte, na Rua Santo Ildefonso, no Porto. Todos os outros aguardam assinatura. A venda de património à Estamo, empresa do grupo Parpública do sector imobiliário, extraordinárias que permite beneficiam ao o Estado défice obter público. receitas “É um mecanismo autorizado pela Eurostat.” Mas se, por um lado, é possível reduzir o défice com os ganhos desta empresa pública, por outro ficam os institutos públicos obrigados a pagamentos adicionais e consequentes aumentos de receita própria. “Um peso de nove milhões de euros a mais é muito”, revelou fonte judicial ao DN. Ainda assim há benefícios pelo facto de o senhorio ser o Estado. É que, muitas vezes, as rendas são proteladas no tempo e pagas a más horas. Só no ano passado a empresa pública Estamo comprou 393 terrenos e edifícios públicos mais de metade dos imóveis Rua Rodrigues Sampaio, n.º 96, R/C Esq. 1150-281 Lisboa Tel.: 21 355 39 40 / Fax: 21 355 39 49 [email protected] / www.apcolaco.com 7 vendidos pelo Estado –, o que significou um ganho de 290 milhões de euros e uma redução no défice orçamental de 0,2 pontos percentuais do produto interno bruto (PIB), refere um relatório do Ministério das Finanças. Nesse ano, o Estado vendeu 466 imóveis, arrecadando cerca de 355 milhões de euros. Mais 18,5% do que no ano anterior. Bancos, imobiliárias, privados e CTT entre os senhorios O Ministério da Justiça ocupa 352 edifícios arrendados e que se destinam a tribunais e a diversos serviços, mas só 3,9% deles pertence ao Estado, ou melhor à empresa da Parpúbjica, Estamo. Ainda há casos em que os proprietários são empresas públicas, autarquias, imobiliárias, construtoras, privados e, até, bancos. Proprietário de 800 edifícios, 300 dos quais referentes a casas destinadas aos magistrados, o Ministério viu-se obrigado a arrendar espaços para fazer funcionar os seus organismos. Mas de quem são estes espaços? Quem são os senhorios? Da lista de proprietários dos 352 espaços arrendados pela tutela, a que o DN teve acesso, encontramos de tudo. E apenas 3,9% dos imóveis são efectivamente da Estamo. Rua Rodrigues Sampaio, n.º 96, R/C Esq. 1150-281 Lisboa Tel.: 21 355 39 40 / Fax: 21 355 39 49 [email protected] / www.apcolaco.com 8 Depois existem privados, bancos, imobiliárias, autarquias e empresas municipais e até os CTT a arrendarem os mais variados espaços pelo País – com rendas que podem variar entre os 20 e os quase 60 mil euros para edifícios das mais diversas áreas, e valores por metro quadrado. Numa análise mais pormenorizada percebe-se que há bancos como o BPN a receberem todos os meses 35.563 euros pelo edifícios onde funcionam as Varas Mistas de Guimarães. Ainda no capítulo dos “bancos senhorios”, também surge o BPI a receber uns bem mais modestos 183 euros mensais pelo ex cartório notarial de Arruda dos Vinhos. A Fidelidade, do grupo Caixa, também é senhoria da Justiça desde o início de 2007, a cobrar uma renda de 38 047 euros pelas instalações do tribunal da Relação de Évora. A Hacop Imobiliária, por exemplo, é senhoria em Chaves, ou seja, dona do edifício onde funcionam actualmente os registos civis e predial. Há de tudo. Diário de Notícias, 2011.09.19 Rua Rodrigues Sampaio, n.º 96, R/C Esq. 1150-281 Lisboa Tel.: 21 355 39 40 / Fax: 21 355 39 49 [email protected] / www.apcolaco.com 9