UM ESTUDO SOBRE O USO DA DANÇA COMO LINGUAGEM CORPORAL EM AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA Renata Aparecida Miyabara Instituto de Engenharia Biomédica – Unicastelo / Doutorado em Engenharia Biomédica Núcleo do Parque Tecnológico de São José dos Campos Estrada Doutor Altino Bondesan, 500, Eugenio de Melo, São José dos Campos, SP [email protected] Resumo - O movimento e o pensamento humanos estão relacionados ao trabalho global do corpo, atuando como meio de relação/comunicação através da linguagem corporal que nos integra ao meio, sendo uma forma de comunicação não verbal, expressa por meio de gestos e movimentos, em sintonia com as ações corporais, em interação significativa e harmônica do ser humano. Faz-se necessário oferecer vivências práticas corporais, ressaltando aqui a Dança, que aumentem o repertório de movimento dos sujeitos que a pratiquem, ampliando o diálogo com o próprio corpo e com o mundo do qual ele faz parte. A Dança na Educação Física deve ser trabalhada a partir do histórico de movimento de cada aluno, pois cabe ao professor, mediar os diálogos e orientar as tarefas de movimento. Palavras chave: Dança, Linguagem, Movimento, Educação Física. Área de Conhecimento: Linguística, Letras e Artes. Introdução A dança aparece muitas vezes como atividade extracurricular nas escolas. Estudos realizados nos últimos anos nos revelam que as aulas de dança são parte de projetos pessoais, ou de professores que já têm uma vivência profissional na Dança. Mas para evitar riscos de projetos isolados, as escolas deveriam incluir a dança como conteúdo dos componentes curriculares Arte e Educação Física. (RANGEL, 2002) Rangel também faz referência à dança como conteúdo pouco utilizado em propostas escolares, podendo ser um reflexo da visão que os graduandos em Educação Física têm a respeito da dança e, consequentemente, do enfoque que a mesma tem recebido, além da falta da licenciatura em cursos superiores de dança. (MARQUES, 2007) Ou ainda, infelizmente, o que vemos nas escolas são coreografias montadas pelo próprio professor, sem uma contextualização da prática e que os alunos reproduzem para apresentações de festas juninas e de fim de ano. (BARRETO, 2004) No caderno de Educação Física do PCN, a dança está inserida dentro de um bloco de conteúdo chamado Atividades Rítmicas e Expressivas. O diferencial consiste no entendimento da dança como uma expressão da diversidade cultural de um país. Assim, é um conteúdo que pode variar de acordo com o local no qual a escola está inserida. Este bloco irá complementar as “manifestações da cultura corporal que tem como características comuns a intenção de expressão e comunicação mediante gestos e a presença de estímulos sonoros como referência para o movimento corporal”. (BRASIL, 1997) O professor de Educação Física por meio da dança pode estimular a formação de cidadãos mais críticos e conscientes, proporcionando uma prática reflexiva e transformadora, possibilitando não só àquele que dança, mas também àquele que assiste a apresentação, um melhor entendimento de nossa realidade. Esta pesquisa tem por Objetivo: apresentar a dança como linguagem corporal, que permite ao aluno comunicar-se com o mundo e consigo mesmo através dos movimentos de seu próprio corpo, em atividades propostas nas aulas de Educação Física. Metodologia A presente pesquisa consta de uma revisão bibliográfica com busca em artigos científicos e livros da área; trabalhos de qualidade comprovada, capazes de trazer à tona a possibilidade do uso do movimento como linguagem corporal, nas aulas de Educação Física, permitindo ao aluno expressar-se livremente e com criatividade, levando ao espectador a sensação de liberdade de movimento e expressividade inatos ao ser humano. Encontro de Pós-Graduação e Iniciação Científica – Universidade Camilo Castelo Branco 367 Resultados Por meio da revisão de conceituados autores e de acordo com análise dos mesmos, a dança como linguagem corporal traz a valorização da necessidade de comunicação, inata ao homem, como meio de relação/comunicação através da linguagem corporal (gestos, movimentos) que integra o indivíduo ao meio, incentivando movimentos refinados à movimentos grosseiros, com gestos exagerados e com gasto de energia além do necessário dos alunos; busca enfim, propor vivências práticas corporais que aumentem o repertório de movimento dos alunos, ampliando o diálogo com o próprio corpo e aprofundando o conhecimento do mundo do qual ele faz parte. Discussão Para Strazzacapa (2003), a Dança muitas vezes, é trabalhada na escola, apenas como atividade extracurricular ou em projetos isolados, estes projetos devem ocorrer, porém esta área deve ser melhor explorada nas aulas de Educação Física. Corroborando com a mesma ideia, Rangel (2002) também faz referência à dança como conteúdo pouco utilizado; ainda nos lembra da insegurança que muitos professores têm para ministrar tal conteúdo em suas aulas, devido a falta de preparo, preconceito entre outros. Ainda vemos, nas escolas, coreografias montadas pelo próprio professor, sem uma contextualização da prática e que os alunos reproduzem para apresentações de festas juninas, de fim de ano entre outras. (MARQUES, 2007) Já os PCNs dão a devida valorização à dança, inserindo-a no Bloco de Conteúdos: Atividades Rítmicas e Expressivas, o que poderia instrumentalizar o professor para a utilização desta ferramenta em suas aulas. (BRASIL, 1997) O professor de Educação Física, utilizando-se da dança como linguagem corporal, pode estimular a formação de cidadãos mais críticos e conscientes, proporcionando uma prática reflexiva e transformadora, possibilitando não só àquele que dança, mas também aquele que assiste a apresentação, um melhor entendimento de nossa realidade. Conclusão Com base na revisão de literatura, apontamos que a dança vem acompanhando o homem desde os primórdios, como forma de que o possibilita expressar-se, para ser compreendido e compreender o mundo; bem como busca resgatar a expressão de sentimentos e emoções que um indivíduo pode experimentar ou que deseja provocar em seu expectador; possibilitando ao aluno experimentar a dança expressar seus sentimentos, suas vontades, seus desejos. Analisando os autores com relação à dança no âmbito escolar, pode-se constatar que esta deve ser valorizada, vivenciada e transformada, pois se trata de um patrimônio cultural da humanidade que poderá contribuir para o desenvolvimento global dos alunos. Portanto, é indispensável a sua presença no contexto escolar. Além de ser uma pratica lúdica e divertida para quem pratica, poderá trazer mudanças de comportamento no âmbito social e afetivo. Pudemos concluir que a dança, como linguagem corporal e a Educação Física, possuem muitas inter-relações no que diz respeito à formação humana de pessoas mais criativas, sensíveis e capazes de explorar o desafio da convivência. Referências BRASILEIRO, L.T., O conteúdo “dança” em aulas de educação física: temos o que ensinar? Revista Pensar a Prática, Vol. 6, 2008 FARO, A J. Pequena História da Dança. Zahar, 7 ed. 2004 STRAZZACAPA. M. A educação e a fábrica de corpos: a dança na escola. Caderno Cedes: dança educação, São Paulo, 2003 RANGEL, N. B. C. Dança, educação, educação física. Propostas de ensino da dança e o universo da Educação Física. Jundiaí, S. P.: Fontoura, 1 ed. 2002. MARQUES, .l A. Dançando na escola, 4. ed. São Paulo,SP: Cortez, 2007. BARRETO, D; Dança... Ensino, sentidos e possibilidades. 1 ed. São Paulo: Autores Associados, 2004. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física, Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/ SEF, 1997b. Encontro de Pós-Graduação e Iniciação Científica – Universidade Camilo Castelo Branco 368