Competência não é tudo Wastony Bittencourt* A grande questão em um mundo altamente competitivo é saber se competência é tudo. Não deixa de ser parte de um todo. Mas nem sempre é tudo. Para Roberto Shinyashiki a competência não é um presente divino, mas sim uma conquista diária, que tem solidez quando realizada sobre pilares resistentes. Analisando o trabalho, isto mesmo, o trabalho de alguns profissionais de diferentes segmentos se vão ter plenamente certeza de que competência individual não é suficiente. Shinyashiki afirma ainda que tudo o que uma pessoa faz bem é resultado do desenvolvimento de sua competência. Se você quiser ser um bom pai, vai ter de expandir sua competência. Se quiser ser um empresário, também. Quando a pessoa pensa que a habilidade vem pronta, a frustração vai estar por perto. A competência, por sua vez, é associada a três habilidades: estudo, treino e continuidade. O estudo é fundamental para que você não gaste tempo inventando a roda ou repetindo os erros dos outros. Para os futebolistas que acompanham o campeonato brasileiro não é surpresa ver o Atlético Mineiro entre os primeiros colocados. O “segredo” está no trabalho de um ex-jogador de futebol, mais conhecido como Cuca. Sim, ele é o técnico desse time que tem surpreendido na competição. Fora a competência do treinador o clube conseguiu reunir jogadores que consolidaram um time muito bom e ainda tem as excelentes condições de treino com pagamento em dia. Os resultados estão aí no campeonato brasileiro. Em recente entrevista, Fernando Alonso, piloto de Fórmula 1, menciona que apesar de ser uma pessoa extremamente dedicada ao que faz, sucesso não teria se não possuísse um bom motor e uma boa equipe, condições essenciais para conseguir tão bons resultados no campeonato de 2012. A chamada “Pedagogia por competências” foco do livro “As Matilhas de Hobbes – o modelo da Pedagogia por Competência– conceito, que segundo o Professor Peri Mesquida, doutor em Educação pela Universidade de Genebra, tem a ver com a formação do professor voltada exclusivamente ao mercado de trabalho. “Os cursos de Pedagogia, geralmente, estão preocupados em formar profissionais competitivos, antes de formar solidários, colaborativos, cooperadores”, ressalta Mesquida. O título do livro faz uma alusão à expressão ”o homem é o lobo do homem” do filósofo inglês Thomas Hobbes que fazia uma descrição da luta política e econômica travada pela burguesia. “Na medida em que a pedagogia por competências quer formar os indivíduos para a competição, para a luta de uns contra os outros pela “propriedade do emprego” ou do poder político o que vemos são verdadeiras matilhas em conflito”. A obra “Matilhas em Conflito”, escrita também pela Professora Maria do Socorro dos Santos, faz uma análise crítica deste modelo presente não só na Pedagogia, mas em todos os processos articulados à lógica do mercado. Segundo o prof. Mesquida, o conceito não se restringe à formação de professores, mas está presente em todos os setores fazendo de nós competidores cujas ações seguem a lógica do mercado capitalista. A obra é destinada a todos envolvidos com a formação educacional e visa desmascarar o discurso e a prática de uma formação pela e apenas para a competência. Ela é considerada uma das melhores atrizes do Brasil. Detentora de inúmeros prêmios nacionais e internacionais, Fernanda Montenegro, ainda não se considera tão boa atriz assim. Ela acredita que tem muito a desenvolver em seu trabalho e para isso conta com toda uma equipe para desenvolver todo o seu potencial. Além de possuírem domínio sobre o que fazem, estes profissionais ao longo de suas carreiras demonstraram e têm demonstrado persistência em perseguir seus objetivos. Dias e noites, horas e mais horas de concentração, muito aprendizado e principalmente humildade enaltecem o perfil desses empreendedores de sucesso. E, neste caso, são empreendedores porque buscaram incessantemente alcançar suas metas. A síntese, portanto, é de que para todos esses profissionais, competência é apenas um dos itens para se chegar ao sucesso. Para ter sucesso é necessária toda uma estrutura e infra-estrutura para se alcançar os melhores resultados. O sucesso chega para aqueles que trabalham arduamente, para aqueles que estão dispostos a doar seu tempo para a chamada causa maior: o enaltecimento de seu próprio eu. No serviço público não é diferente. Se levarmos em consideração o trabalho de um auditor fiscal de tributos municipais, veremos que existe um trabalho administrativo antes e depois da fiscalização e certamente sem esse trabalho o muito feito pelo profissional acaba tornado-se pouco diante da magnitude do serviço envolvido em todas as etapas administrativas, inclusive a do servidor citado.Ser servidor público envolve toda uma coletividade disposta a dar o melhor para que o atendimento da população seja sempre feito com presteza e dedicação. (*) Wastony Bittencourt é Auditor Fiscal de Tributos do Município de Manaus e Coordenador Municipal da Educação Fiscal.