PROJETO BRASIL DAS ÁGUAS
Sete Rios
Brasília – DF
2007
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PROJETO BRASIL DAS ÁGUAS
Sete Rios
Sumário
1. O PROJETO SETE RIOS
1.1. Apresentação.....................................................................................................
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1.2. Objetivos..........................................................................................................
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1.3. Área de Abrangência.................................................................................... 7
1.4. Metodologia................................................................................................ 8
1.5. Equipes........................................................................................................ 9
2. EXPEDIÇÃO AO RIO RIBEIRA
2.1. Apresentação da Expedição........................................................................ 11
2.2. Caracterização do Rio Ribeira.................................................................... 13
2.3. Estratégia..................................................................................................... 13
2.4. Locais Visitados.......................................................................................... 15
2.5. Diário de Campo.......................................................................................... 26
2.6. Questionários............................................................................................... 29
2.7. Análises das Amostras de Água................................................................... 30
2.8. Conclusões e Recomendações..................................................................... 36
2.9. Links Relacionados ao Tema Recursos Hídricos........................................ 45
2.10. Contatos........................................................................................................46
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1.1. Apresentação
Entre os anos de 2003 e 2005, o piloto Gérard Moss e a fotógrafa e escritora Margi
Moss executaram a primeira fase do Projeto Brasil das Águas percorrendo todo o
território brasileiro a bordo de um avião anfíbio, equipado com um moderno laboratório
para pesquisas de água.
Foram selecionados e pesquisados cerca de 350 rios brasileiros com 1.161 pontos de coleta
de água, que apresentaram um panorama da qualidade da água doce brasileira e com
resultados que dão suporte à elaboração de um programa de preservação e de
conscientização da situação dos principais rios brasileiros. Trata-se de um projeto de
importância estratégica para o conhecimento dos recursos hídricos no Brasil, e os dados
levantados são utilizados por pesquisadores e entidades como ANA, FEEMA, COPPE e os
Comitês de Bacia, entre outros.
O Projeto Brasil das Águas, em sua segunda fase denominada “Sete Rios”, pretende
aprofundar os trabalhos em sete rios especialmente escolhidos, e usufruindo do interesse
despertado durante a primeira fase, conscientizar as populações ribeirinhas sobre as
condições da água desses rios, mostrando os riscos e discutindo a melhor forma de
preservação desta riqueza para o bem de todos. Iniciada em março de 2006, esta etapa
tem a sua conclusão prevista para agosto de 2007, neste período realizando expedições
que percorrerão cada um dos rios selecionados.
Meandro do Baixo Ribeira.
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1.2. Objetivos
O projeto Sete Rios é orientado para envolver as comunidades locais na conservação
de seus rios, sugerindo algumas mudanças de hábito ou ações enérgicas que resultarão
na melhora da qualidade de vida e ajudarão na preservação dos ecossistemas que
fornecem a água. O objetivo é estimular a participação de todos – governos local,
estadual e federal, usuários e cidadãos brasileiros de um modo geral no gerenciamento
hídrico dos seus rios.
Alto Ribeira, próximo à cidade de Ribeira.
Através das apresentações abertas ao público nas cidades ribeirinhas, com a projeção
de imagens do rio em questão, o projeto abre o debate sobre uma variedade de
assuntos ligados ao rio: ações de desmatamento que afetam os mananciais e as matas
ciliares, instalação de aterros sanitários e estações de tratamento de esgoto, controle
das atividades de pesca, deslizamentos de encostas, assoreamentos, outorga para
irrigação e impactos do turismo, entre outros.
Promovendo um canal de comunicação
entre os participantes do projeto e os
usuários do rio nas cidades visitadas,
buscam-se a troca de experiências
através das discussões e a divulgação de
informações das iniciativas, dos
problemas e das soluções encontradas
para apoiar a elaboração de políticas de
meio ambiente nas diversas localidades
trabalhadas.
Moradora do quilombo Ivaporunduva.
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1.3. Área de Abrangência
No Projeto Brasil das Águas - Sete Rios, os rios foram selecionados em um workshop
realizado em Brasília com a participação das mais diversas autoridades, cientistas e
pesquisadores vinculados ao tema água. Os rios selecionados foram o Guaporé (MT e
RO), o rio Verde (MT), o rio Araguaia (GO, MT, TO e PA), o rio Grande (BA), o rio
Miranda (MS), o rio Ribeira (PR e SP) e o rio Ibicuí (RS), podendo ser identificados
na ilustração abaixo.
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1.4. Metodologia
Inicialmente realiza-se um sobrevôo em toda a extensão de cada rio para captar imagens
e constatar a condição da mata ciliar e os impactos sofridos na região. Também são
feitos contatos iniciais com as prefeituras das maiores cidades.
Em seguida, na época determinada ideal para cada rio, membros da equipe percorrem de
barco toda a extensão navegável, acompanhados por uma equipe de apoio a bordo de
um veículo Land Rover, que reboca o barco pertencente ao projeto. Os integrantes
observam e registram os impactos visíveis tanto na navegação, onde são feitas as coletas
de amostras de água para posterior análise em laboratório, quanto no percurso terrestre.
Nas palestras realizadas nas cidades ribeirinhas, sempre que possível em praça pública,
são projetadas num grande telão as imagens aéreas de toda a extensão do rio. A platéia
muitas vezes se emociona ao ver a nascente ou a foz do seu rio, lugares desconhecidos
por muitos. Logo, com o intuito de ressaltar a importância da participação da
comunidade na preservação de seu rio, também são projetadas imagens de outros rios,
como o Tietê, que tiveram algum dia suas águas limpas. Os debates que seguem à
projeção das imagens oferecem uma oportunidade às pessoas para exporem suas
preocupações e fazerem sugestões. As prefeituras locais, e especialmente as secretarias
do Meio Ambiente, se tornam parceiros na mobilização para esses eventos, muitas vezes
apoiados pela imprensa local.
A pedido dos professores de escola nas cidades ribeirinhas, as palestras estão
disponibilizadas em PowerPoint no site do projeto, para uso em sala de aula.
A equipe também aplica um questionário aos ribeirinhos, com o objetivo de entender
melhor sua relação para com o rio, e as necessidades sócio-ambientais de cada região.
Um relatório final com as informações coletadas sobre cada rio, contendo os resultados
dos questionários e das análises das amostras, é encaminhado às prefeituras visitadas e
órgãos e pessoas interessadas no intuito de compartilhar com as instituições a
necessidade de cuidar do rio e tomar as medidas necessárias para minimizar os danos
causados pela ação do homem em sua fonte de água.
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1.5. Equipes
Idealizador do Projeto Brasil das Águas, Gérard Moss é engenheiro mecânico,
empresário, piloto privado e Mestre Arrais. Líder das expedições, pilota o avião anfíbio
e conduz o barco*, também orientando as apresentações e debates. Como fotógrafa da
expedição, Margi Moss é a responsável pela atualização do website e do diário de bordo
além da coleta e processamento das amostras de água, participando junto a Gérard das
apresentações à população.
Rejane Pieratti, Tiago Iatesta e Natalie Hoare fizeram parte da equipe de expedicionistas
que acompanharam Gérard e Margi no rio Ribeira.
Na composição da equipe de pesquisadores, o Professor José Galizia Tundisi e o Doutor
Donato Seiji Abe, do Instituto Internacional de Ecologia (IIE) de São Carlos - SP, são os
responsáveis pela análise das concentrações de fósforo total, nitrogênio total, nitrogênio
amoniacal e íons na água, classificando as amostras em um Índice de Estado Trófico (IET).
Analisam a biodiversidade do fitoplâncton a Doutora Maria do Socorro Rodrigues, do
Departamento de Ecologia do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília, Iná de
Souza Nogueira, Doutora em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo e
Elizabeth Cristina Arantes de Oliveira, Mestre em Ecologia pela Universidade de Brasília.
A abundância celular do bacterioplâncton é analisada pelo Doutor Rodolfo Paranhos, do
Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
*
O barco de alumínio da expedição, o modelo Marfim de 5 metros da Levefort, foi adaptado para obter uma
autonomia de até 600 km em regime de navegação econômica. O projeto escolheu o motor de popa mais ecológico do
mundo, o Evinrude E-TECH, de 50 hp. Além de usar até 75% menos óleo que os motores 2 tempos, o E-TEC emite
um volume de monóxido de carbono de 30 a 50% menor que qualquer motor 4 tempos. O motor ganhou o Prêmio
Clean Air Excellence, promovido pela Agência Norte-Americana de Proteção Ambiental (EPA).
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RIO RIBEIRA DO IGUAPE (PR e SP)
Nos últimos quilômetros antes da foz, o Ribeira passa por uma
região bem preservada.
Expedição Exploratória
Novembro de 2006
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SUMÁRIO EXECUTIVO
Rio Ribeira de Iguape – Paraná e São Paulo
Nascente: Encontro dos rios Ribeirinha e Açungui, Cerro Azul (PR) e Rio Branco do
Sul (PR), (S24°54.2 / W049°28.2).
Foz: Oceano Atlântico, Barra do Ribeira (SP), (S24°38.5 / W047°23.5).
Extensão: Aproximadamente 470 km.
Região Hidrográfica: Atlântico Sudeste.
Bacia do Ribeira: 24.980 km² (DAEE – SP).
Biomas: Mata Atlântica e Restinga.
População Total da Bacia: 480 mil habitantes.
População dos municípios contíguos: Aproximadamente 183 mil habitantes (IBGE 2006).
Municípios contíguos ao rio (12):
PR (4) – Rio Branco do Sul, Cerro Azul, Doutor Ulysses, Adrianópolis.
SP (8) – Itapirapuã Paulista, Ribeira, Itaóca, Iporanga, Eldorado, Sete Barras, Registro,
Iguape.
Oportunidades: Desenvolvimento e turismo sustentáveis, ecoturismo (parques
nacionais e estaduais, Lagamar), praias e cidades históricas.
Ameaças: Possível construção de quatro hidrelétricas, desmatamento, assoreamento,
baixo nível da água, pesca diminuída.
Principais Preocupações da População: construção de hidrelétricas, sobrepesca,
desmatamento e assoreamento, contaminação por chumbo e agrotóxicos.
Resultados das análises das amostras: As amostras coletadas no rio Ribeira
revelam um quadro preocupante, indicando um grau de impacto antrópico, que varia
desde moderado no início a alto no final do rio. A única amostra com água
oligotrófica (sem impacto) foi coletada no rio Juquiá. As análises de fitoplâncton
indicaram a presença de cianofíceas, potencialmente tóxicas, desde o encontro do
Ribeira com o Juquiá e até a foz.
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2.1. Apresentação da Expedição ao Rio Ribeira
O rio Ribeira de Iguape foi o escolhido entre os rios localizados no sudeste do país
justamente por estar em situação preocupante, tanto pela qualidade de suas águas e o
desmatamento de suas margens como pelas condições de vida dos habitantes de seus
vales e a possibilidade de estar ali construídas quatro hidrelétricas.
A expedição pelo rio Ribeira foi realizada no início de novembro de 2006, começou
na formação do rio, encontro dos rios Ribeirinha e Açungui, e passou por várias
cidades dos Estados de São Paulo e Paraná.
Como o Alto Ribeira é muito encachoeirado, já se sabia da dificuldade de navegar em
boa parte do leito do rio. Porém, o nível da água na época da visitação ao Vale estava
excepcionalmente baixo, com o resultado que, para decepção da equipe, somente foi
possível navegar a partir de Registro até a foz. Esse fato, em si só, soa um alarme para
um rio que, um século atrás, era uma hidrovia natural pela qual escoava toda a
produção do vale.
Enquanto no Alto e Médio Ribeira, com seus parques naturais e cavernas, a natureza
oferece mil diversões, no Baixo Ribeira, cidades históricas e belas praias valorizam
mais ainda os atrativos de todo o Vale.
Com esta expedição e o presente relatório, o projeto busca manter vivo o debate entre os
atores que fazem parte da realidade do Ribeira de Iguape, mostrando os anseios dos
moradores. Na esperança de abrir portas para mudanças e ações, vindas tanto da parte das
autoridades municipais como das populações ribeirinhas, apresenta algumas sugestões que
podem reduzir os impactos negativos e promover uma utilização sustentável do rio,
beneficiando tanto o homem quanto a generosa natureza em seu entorno.
Neblina matinal no Ribeira, Registro (SP).
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2.2. Caracterização do Rio Ribeira de Iguape
O Ribeira de Iguape é um rio de contrastes, formado no Estado do Paraná pela
confluência dos rios paranaenses Ribeirinha e Açungui. Nasce a uma altitude de mais de
1.000 metros na Serra de Paranapiacaba, a menos de 100 km a noroeste da Região
Metropolitana de Curitiba.
É o principal rio da região, e possui uma extensão total de aproximadamente 470 km,
sendo cerca de 120 km em terras paranaenses. Cortando as serras acidentadas, até
próximo de Eldorado, o rio apresenta um desnível de mais de 900 metros em cerca de
290 km de extensão, e de 90 metros nos 90 km seguintes, restando na altura da cidade
de Registro ainda a 70 km da foz, apenas 25 metros acima do nível do mar. Durante o
seu curso superior, segue caudaloso entre montanhas em direção ao mar.
Uma vez vencida a Serra do Mar, o rio cruza lentamente a planície costeira,
desembocando no oceano Atlântico em Barra do Ribeira, próximo a Iguape (SP). Desde
a conclusão do Canal do Valo Grande em 1855, parte de suas águas não seguem
diretamente para o oceano, mas caem no Mar Pequeno ou de Iguape, compreendido
entre o continente e a Ilha Comprida.
O Ribeira de Iguape é o maior rio que passa por terras paulistas que ainda corre livre,
sem barragens. Em suas margens, não se encontram somente parques e estações
ecológicas, mas também vivem pequenos agricultores, quilombolas e comunidades
indígenas. A preservação ambiental é a vocação natural do Vale do Ribeira, e é a razão
pela qual tanto o governo quanto as organizações não-governamentais vêm apostando
em projetos de desenvolvimento sustentável na região.
A região abrange os maiores pedaços remanescentes da magnífica Mata Atlântica, que
no passado, se estendia sobre quase todo o litoral brasileiro e cobria 20% do território
nacional. Apesar de sua proximidade a duas das maiores capitais industrializadas do
país, Curitiba e São Paulo, o Vale do Ribeira foi esquecido no tempo. A densidade
populacional da região é baixa e a economia dos municípios é atrelada à agricultura
familiar.
A partir de 1960, a construção de estradas de asfalto facilitou a chegada à região,
contribuindo para o desenvolvimento local. A duplicação da BR-116, ainda inacabada,
pode ser considerada mais um passo para a integração do vale aos centros urbanos. Essa
rodovia corta o vale na altura de Registro, facilitando o acesso tanto ao Baixo Ribeira,
na planície costeira, como no Médio Ribeira, na região das cavernas.
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As áreas florestais da região vêm sendo desmatadas há décadas para a retirada de
madeira, produção de carvão vegetal, formação de pastos e plantio de seringueiras,
cacau e banana. A importância ecológica da bacia do rio Ribeira passou a ser
reconhecida a partir da década de 60, e foram criadas diversas áreas de reserva e
proteção ambiental, fundamentais na preservação da biodiversidade do local.
Recentemente, há uma crescente pressão sobre as matas remanescentes fora dos parques
para a plantação de pinus em grande escala.
Atualmente paira no ar do vale uma polêmica sobre a construção da usina hidrelétrica
de Tijuco Alto projetada no Alto Ribeira, e a possibilidade de instalar ainda mais três
represas no trecho entre Ribeira e Eldorado.
Há um excelente potencial turístico no Vale do Ribeira, com múltiplas atrações como
bóia-cross, as cavernas na região do PETAR próxima de Iporanga, trekking, as belezas
do Lagamar na costa, dentre outras. Procurado pelos adeptos dos esportes radicais, suas
águas são perfeitas para a prática de rafting.
Porém, o rio sofre degradação pelos impactos humanos e o desmatamento continua em
ritmo acelerado. Em contraposição aos ricos patrimônios ambientais e culturais, a região
possui os mais baixos indicadores sociais dos Estados de São Paulo e Paraná, incluindo
os mais altos índices de mortalidade infantil e analfabetismo. Com uma população de
aproximadamente 480 mil habitantes, o Vale do Ribeira necessita urgentemente de
melhoras sociais e educacionais que abram as portas para um desenvolvimento
sustentável, através da utilização racional de seu imenso potencial.
Caso contrário, devido à falta de oportunidades, os municípios do vale podem continuar
apresentando uma perda populacional crescente para outros centros urbanos, conforme
informações do IBGE e IPARDES.
Iporanga, SP.
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BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO RIBEIRA
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2.3. Estratégia
O trabalho de observação e coleta de amostras cobriu toda a extensão do rio Ribeira,
desde o seu início nos municípios de Cerro Azul (PR) e Rio Branco do Sul (PR), até a
desembocadura no oceano, situada no município de Iguape (SP).
A interação com o rio foi efetivada percorrendo primeiro por via aérea toda a sua
extensão no início de outubro de 2006, captando as imagens e observando as condições
ambientais das margens. Um mês mais tarde, a equipe voltou à região por via terrestre
com o barco, quando foi feito um contato direto com a população e foram coletadas as
amostras de água. Devido ao baixo nível da água, só foi possível navegar entre o
encontro do Ribeira com o Juquiá e a foz.
À noite, a equipe realizou as apresentações nas seguintes localidades: Ribeira (SP) com
a participação de moradores de Adrianópolis (PR), Iporanga (SP), Eldorado (SP),
Registro (SP) e Iguape (SP). Durante os debates, constatou-se que as principais
reclamações dos moradores do vale com respeito ao presente e ao futuro do rio eram
relativas ao desmatamento e assoreamento, à contaminação por chumbo e agrotóxicos,
à falta de saneamento, à extração de areia e especialmente à construção de hidrelétricas.
Ao acompanhar o curso do Ribeira, a equipe aplicou o questionário em 90
entrevistados.
Palestra em Ribeira (SP).
Conversa com Sr. Zé Rodrigues,
líder quilombola.
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Depoimentos de crianças de Itapirapuã Paulista.
Em maio de 2007, vários alunos da 7ª série A da Escola Estadual Profa. Maria
Albuquerque Dias Baptista, de Itapirapuã Paulista, mandaram depoimentos para o site
do Brasil das Águas. Demonstram a insatisfação com o tratamento dispensado pelos
adultos ao seu rio, o Criminosas, que é um afluente do Ribeira. Seus comentários
retratam a situação de boa parte do próprio Ribeira de Iguape e seus outros afluentes.
Oi, meu nome é Leonardo, tenho apenas 12 anos.Eu queria falar do meu rio, ele se localiza no vale do
ribeira, ele é afluente do Rio Ribeira, nós nos localizamos na divisa do estado de São Paulo com o
Paraná. Nosso rio se chama Criminosas, mas é muito poluido, pois a sabesp joga esgoto no rio. Meu
avô me contou que esse rio um dia já foi limpo e dava peixe de montão. Hoje as águas não chegam a
incobrir os pés, e tem a mata ciliar que nem proteje o rio. Antes de desaguar no Rio Ribeira o nosso rio
é ussado por várias pessoas da zona rural e comunidades ribeirinhas. O nosso rio recebeu esse nome
porque, quando havia fartura em uma das cachoeiras morreu três pessoa. A nascente do rio fica no
distrito Ribeirão da Várzea, e deságua no Bairro Beira da Ribeira, onde ele se encontra com o ribeira.
O nosso rio é de grande importância porque fica perto da Mata Atlântica.
Leonardo Almeida César e Silva
Sou felipe. o rio de nossa cidade esta aos trancos e barrancos cada vez mais seco. pense bem! aqui parece
que munca ouviro falar de mata ciliar, águas que antigamente davam metros e metros,hoje em dia tem
pedaços do rio que men emcobre a canela. se você parar para ver se tem peixe nesse rio só vé um tipo
"peixe toroço" é porque a lago de esgoto da sabespe não esta funciomando. por mais que você fale tem
pessoas que nadam nesse rio e estão se contaminando. nosso rio tem milhares de problemas que nos
tentamos corrigir mas precisamos de sua ajuda para salvar nosso rio. tchau pense bem nisso e nos ajude.
Felipe Almeida César Silva.
Vou contar um pouco do meu rio.Meu rio esta passando por uma dificuldade muita poluição, pinos
em volta do rio e esta secando. Muitas pessoas estão fazendo de tudo para conseguir limpa-lo,mas
tem outras que não estão nem ai para o rio. O nome do rio da minha cidade é RIO Criminozas.
Antigamente o rio era muito cheio e dava muito medo de passar pela ponte de tão cheio. O rio
antigamente dava até pra tomar banho, agora não da mais. Hoje em dia o rio já está poluído e muitas
pessoas estão ficando doentes por que continuão tomando banho.
Janice Maria Santos Oliveira
O rio de minha cidade é muito poluido,e a mata ciliar ja não existe,pois a lagoa de tratamento que
aqui existe,não esta em funcionamento.Então,todo o esgoto esta caindo dentro dele. Ao longo de seu
percurso,muiutas pessoas utilizam sua agua:para beber,cozinhar,lavar roupa,tomar banho e etc...e
por isso é que estou escrevendo para vocês,para que vocês me ajudem a "limpar o rio que corta a minha
cidade. O rio leva esse nome devido a um acidente que aconteceu a muito tempo atras(pelo seu imenso
volume de agua),depois desse acidente foi dado o nome de "Rio Criminosas". PS:espero que possam me
ajudar!! "Tenho muito orgulho de morar onde eu moro.Eu não me importo se aqui é um lugar pequeno
ou grande...Só sei que foi aqui que eu nasci e cresci"!
Juliana Carolina dos Santos Amaral
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2.4. Locais visitados
“NASCENTE”
Serra de Paranapiacaba
Municípios de Cerro Azul
e Rio Branco do Sul – PR
O curso do rio oficialmente reconhecido com o Ribeira de Iguape começa no encontro
de seus formadores, os rios Ribeirinha e Açungui, no Paraná. Por terra, o local da
formação do rio não é de fácil acesso, estando a 37 km de Cerro Azul por estrada de
terra não sinalizada.
Do ar, a região se assemelha a um pedaço de papel verde bem amassado. São centenas
de morros que se estendem em todos os horizontes. A vasta maioria deles, na altura da
formação do Ribeira, está seriamente desmatada. Portanto, mesmo nesse início do rio,
as águas já descem barrentas, carregadas de toneladas de terra levadas ao rio pelas
chuvas. A perda desse solo torna-se uma perda econômica.
O leito do rio, bem encaixado, é cheio de pedras, o que poderia significar águas mais
transparentes, não fosse o impacto ambiental do desmatamento nos morros íngremes.
Qualquer rio é formado pela contribuição de inúmeros córregos e afluentes. A
preservação do rio e a conservação da qualidade de suas águas dependem de todos
esses mananciais, portanto a recuperação do Ribeira de Iguape exigirá uma imensa
dedicação, envolvendo a educação ambiental de milhares de pequenos agricultores.
Para tal, seria necessário um esforço determinado da parte das autoridades
ambientais do Paraná.
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CERRO AZUL
População do Município:
16.559 habitantes (IBGE, 2006).
Localização
Cerro Azul é uma das microrregiões do Paraná pertencente à mesorregião metropolitana
de Curitiba. Localiza-se a 92 km da capital do Estado, contando atualmente com acesso
asfaltado pela Rodovia dos Minérios.
Economia local
A atividade econômica de Cerro Azul baseia-se na criação de gado e no cultivo da laranja
e da tangerina, além das lavouras de verduras, feijão e milho, formando assim
aglomerações rurais com grande potencial a se desenvolver.
O desempenho econômico está vinculado à proximidade das comunidades do Alto Vale
do Ribeira a Curitiba. A manutenção das estradas vicinais é crucial para facilitar o
escoamento da produção da região. A renda familiar ainda é baixa, o que resulta em
bolsões de pobreza, tanto na área rural quanto na urbana.
Saneamento e Lixo
O abastecimento de água potável é feito por meio de captação no rio Três Barras. É
tratada na estação local da Empresa de Saneamento do Paraná S.A. - SANEPAR, e
distribuída para a comunidade. Não existe rede de esgoto, e todas as residências
possuem fossas.
O lixo doméstico é coletado diariamente e levado a um lixão próximo à cidade.
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Cultura e Turismo
O turismo de aventura continua em expansão. Anteriormente, o acesso foi dificultado
pela falta de estrada asfaltada desde Curitiba. Agora, a proximidade à capital deve abrir
boas oportunidades, tanto para o turismo rural como no ramo de esportes radicais, onde
o potencial é enorme. Empresas como a Praia Secreta, de Curitiba, oferecem passeios de
caiaque, o rafting nas corredeiras, bóia-cross e outras modalidades. A construção da
UHE de Tijuco Alto acabará com as corredeiras.
Meio Ambiente
A Mata Atlântica da Serra de Paranapiacaba, inclusive até as nascentes dos formadores do
Ribeira, já foi bastante devastada. As faixas mínimas de mata ciliar também não foram
respeitas. A proximidade das lavouras ao rio pode provocar a contaminação das águas pelo
uso de agrotóxicos. Casas próximas ao rio tendem a despejar o esgoto diretamente nele.
O município de Cerro Azul é composto essencialmente por pequenas propriedades
rurais, que utilizam a terra para pastagem e plantação de cítricos. O rio é encaixado, sem
planície aluvial, e as águas turvas indicam que muito material detrítico está chegando ao
rio. No leito ativo, ocorrem muitas rochas, formando bonitos trechos de corredeiras.
Foi feito um abaixo-assinado para apoiar a construção da barragem de Tijuco Alto, e
aparentemente 80% dos moradores assinaram. Os que apóiam a construção afirmam que
a barragem gerará empregos, atrairá turistas para a pesca (provavelmente de espécies
introduzidas para esse fim, pois espécies de água corrida não se adaptam bem à água
parada) e trará progresso para a cidade. O município passará a ganhar royalties pelas
terras inundadas, outro motivo pelo qual os governos locais apóiam a construção. Vale
lembrar que a cidade de Cerro Azul estaria à montante do lago da represa, mas o trecho
do rio ao lado da cidade já terá águas altas e paradas.
Pesca
A atividade pesqueira é realizada somente pelos moradores, visando o consumo próprio.
Eventualmente vendem o excedente da pesca. A fiscalização é ineficiente, já que
aparentemente todos tomam ciência da visita dos fiscais com antecedência.
Ribeirinhos lavando roupa.
Crianças entre Cerro Azul e Ribeira.
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RIBEIRA – SP
População do Município:
3.087 habitantes (IBGE, 2006).
Localização
O município de Ribeira situa-se na região do Alto Vale, a 340 km da capital paulista e a
apenas 130 km de Curitiba. Cidade desenvolvida à margem esquerda do rio Ribeira,
está localizada em uma pequena área de relevo num trecho íngreme do vale, e é ligada
por uma ponte à cidade paranaense de Adrianópolis.
Economia local
A economia local baseia-se na agricultura familiar de feijão, milho, mandioca e cana de
açúcar, atividade pecuarista de gado de leite e de corte, pequenas minerações e
comércio varejista.
Saneamento e Lixo
O abastecimento de água da área urbana é realizado pela Companhia de Saneamento
Básico do Estado de São Paulo - SABESP através de captação no próprio rio Ribeira.
Na zona rural, o bairro Catas Altas e o bairro Saltinho são atendidos com água tratada, e
os demais bairros do município captam água diretamente de nascentes.
Cerca de 90% das residências são atendidas pela rede de esgoto, construída há 15 anos.
A prefeitura solicitou recentemente o licenciamento ambiental para a construção de uma
estação de tratamento de esgotos. Os recursos são oriundos da Caixa Econômica Federal
via SABESP. Enquanto a ETE não é construída, as casas que estão à margem despejam
o esgoto no rio.
O lixo é recolhido diariamente na cidade e uma vez por semana na zona rural. É levado
à um aterro licenciado e monitorado pela CETESB. O recurso para a construção do
aterro foi aplicado 50% pela CETESB e 50% pela prefeitura. Segundo o prefeito, a fase
mais difícil foi a do licenciamento para a instalação do mesmo.
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Cultura e Turismo
A cidade é charmosa, histórica, com pequenas casas coloridas e uma antiga igreja.
Recebe turistas principalmente na época do carnaval e festas religiosas (Festa de São João
em 24 de junho, de São Pedro em 29 de junho, do Bom Jesus na primeira semana de
agosto), no aniversário da cidade em 20 de outubro, na maratona e prova de mountain bike.
A prefeitura está realizando um inventário dos pontos turísticos, visando criar um projeto
para atrair mais visitantes. Já existem algumas atividades de turismo rural, turismo de
aventura e ecoturismo, como canoagem, visita a cachoeiras, ilhas, cavernas e grutas,
serras e propriedades rurais, que possuem engenhos artesanais de cana-de-açúcar
movidos à tração animal.
Meio Ambiente
Nesse trecho, o rio Ribeira apresenta águas bastante agitadas e corre sobre substrato rochoso
granítico, contendo muitos blocos que formam piscinas naturais e uma bonita paisagem.
As margens do rio encontram-se bastante desmatadas e ocupadas por pastagens que
avançam até o seu leito. Há áreas atingidas pelo assoreamento, devido à abertura de
estradas rurais mal planejadas ao longo do rio. Também ocorre o desmatamento, para a
criação de gado e lavouras, mesmo nas encostas mais íngremes. A prefeitura faz
trabalhos de educação ambiental nas escolas e na zona rural, com o intuito de reduzir o
desmatamento nas nascentes e córregos.
Desde 1988, a Companhia Brasileira de Alumínio - CBA vem comprando muitas terras ao
longo do rio, acima de Ribeira, onde pretende construir a barragem de Tijuco Alto. Enquanto
isso não acontece, a vegetação dos antigos pastos está em plena recuperação. Alguns
moradores disseram que cerca de 70% da comunidade é a favor da construção da barragem.
A fiscalização no município é realizada pela polícia ambiental, e o IBAMA fiscaliza os
licenciamentos ambientais para as atividades praticadas na região.
Pesca
A pesca é praticada somente pelos moradores ribeirinhos para consumo próprio.
Crianças na palestra em Ribeira.
Ribeira vista da margem oposta.
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ADRIANÓPOLIS - PR
População do Município:
5.582 habitantes (IBGE, 2006).
Localização
A cidade fica a 130 km ao norte de Curitiba, à margem direita do rio Ribeira. O
município faz divisa com o Estado de São Paulo.
Economia local
No passado, a economia municipal sustentava-se na exploração de recursos minerais,
com a operação da empresa Plumbum na extração do chumbo. Atualmente, a economia
da região baseia-se na atividade pecuarista, cultivo de pinus e agricultura familiar de
feijão, milho, arroz e cana de açúcar.
Entre os aposentados da cidade estão antigos lavradores, autônomos e funcionários
públicos. Os aposentados são a maioria dos moradores, pois grande parte dos jovens
deixa a cidade em busca de emprego.
Saneamento e Lixo
A água é captada de uma mina próxima à cidade e tratada em uma Estação de
Tratamento de Água da SANEPAR.
A cidade conta com uma rede de esgoto que atende 15% das residências, e as demais
despejam o esgoto no rio ou utilizam fossas. Segundo o prefeito, um projeto para a
implementação de fossas sépticas nas residências já foi apresentado à Fundação
Nacional de Saúde - FUNASA.
Na cidade, o lixo é recolhido diariamente e na zona rural a coleta acontece três vezes na
semana. Cerca de uma tonelada de lixo é levada diariamente ao lixão a 12 km da cidade.
Há um projeto para aterro sanitário, que será construído com recursos da prefeitura.
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Cultura e Turismo
A prefeitura está finalizando um projeto para resgate da cultura local, e assim estimular
a presença dos jovens, bem como a vinda de turistas. O turismo ainda não está
estruturado, mas já estão sendo preparados projetos de turismo rural e de aventura.
Meio Ambiente
A empresa francesa Plumbum, localizada a 13 km rio abaixo de Adrianópolis, foi fechada
em 1996 devido à falência, mas os resíduos ainda estão expostos na região. Cerca de 80%
da comunidade era a favor da presença da empresa, pela geração de empregos. Além
disso, ainda haviam os royalties recebidos, cerca de R$ 88 mil reais por mês.
Assim, a cidade foi um pólo de exploração mineral durante quase todo o século XX. Como
os métodos de extração não previam a preservação ecológica e a proteção da população
contra os resíduos minerais, hoje, mais de 10 anos após as minas terem sido fechadas, são
comuns na região os casos de intoxicação por chumbo, principalmente em crianças. Entre
1998 e 2002 foram detectados 212 casos de meninos e meninas com menos de 14 anos
intoxicados. Entre as conseqüências da exposição dos pequenos ao chumbo estão a
dificuldade de aprendizagem, debilidade orgânica, tonturas e vômitos freqüentes.
O desmatamento de matas nativas para o cultivo do pinus continua nos morros do Alto
Ribeira, contribuindo para o assoreamento o rio. A comunidade relata que o
desmatamento nas cabeceiras do rio para formação de pasto e a eliminação de mata
ciliar ao longo do rio pioram ainda mais o assoreamento.
O Instituto Ambiental do Paraná - IAP fiscaliza o desmatamento, mas não consegue
atender toda a área de sua responsabilidade. A Secretaria de Agricultura e Meio
Ambiente está denunciando desmatamentos e elaborando projetos de replantio.
Pesca
A pesca é praticada somente pelos moradores para consumo próprio, não havendo
atividade profissional. A fiscalização é feita pelo IAP e pela Polícia Florestal.
A reciclagem ajuda a limpar o rio.
O leito do rio cheio de pedras.
23
IPORANGA - SP
População do Município:
4.524 habitantes (IBGE, 2006).
Localização
Situa-se no coração da Mata Atlântica, junto às margens do rio Ribeira e na foz do
ribeirão Iporanga, ainda em região montanhosa. O município localiza-se a 331 km de
São Paulo e a 179 km de Curitiba, acessado por uma belíssima estrada descendo a serra
desde Apiaí, ou por rodovia asfaltada passando por Registro e Eldorado.
Economia local
Trata-se de uma cidade com traços históricos que, no passado, teve em atividades como
o garimpo de ouro a sua grande fonte de receita. Atualmente, a economia do município
se restringe ao turismo, devido à proximidade ao Parque Estadual e Turístico do Alto
Ribeira - PETAR, e às atividades correlatas, além das verbas transferidas pelos
Governos Federal e Estadual. Há também a agricultura familiar para a extração de
palmito, inclusive de plantio sustentável dentro da floresta.
O município integra a Região Administrativa de Sorocaba. Uma análise das condições
de vida de seus habitantes mostra que os responsáveis pelos domicílios auferiam, em
média, R$330 ao mês, sendo que 81,1% ganhavam no máximo três salários mínimos.
Saneamento e Lixo
O lixo é coletado diariamente e levado à um lixão localizado a 2 km da cidade.
A água é captada no rio Ribeirão e tratada em uma estação de tratamento de água da
SABESP.
Nos poucos bairros onde há rede de esgoto, os dejetos seguem para uma estação de
tratamento de esgotos. Nos demais bairros, o esgoto segue diretamente para o rio.
Poucas casas possuem fossas. No Bairro da Serra, a 18 km da cidade, existe um projeto
em andamento para que sejam construídas fossas sépticas.
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Cultura e Turismo
A cultura local é rica em dança, como a de São Gonçalo, fandangos e tamancos. Há
artesanato de cestaria, esteiras, trançado em taquara, taboa e cipó feito pelos moradores
das comunidades rurais. As comidas típicas são o biju, virado de feijão, mingau de alho
com ovo caipira e galinhada.
Há sete comunidades quilombolas próximas, que vivem em condições precárias pela
inexistência de saneamento, mas sobrevivem da caça, pesca e agricultura de subsistência.
Os quilombolas vão para a cidade e fazem escambo, ou seja, trocam o que produzem.
Iporanga é conhecida como a Capital das Grutas. Boa parte do fluxo de turismo no
município se deve à proximidade de mais de 250 cavernas calcárias, gerando importante
fonte de renda para a população local. Abrangidas pelo Parque Estadual e Turístico do
Alto Ribeira – PETAR, as cavernas mais importantes são a de Santana, com
infraestrutura turística, situada no Bairro da Serra, e a Casa de Pedra. No local, a
arqueologia é bastante significativa. Encontra-se a maior quantidade de sítios tombados
do Estado de São Paulo (158), que atraem turistas e pesquisadores.
O município está localizado numa Área de Preservação Ambiental com uma enorme
riqueza paisagista, biológica, geológica e história e, portanto, a vocação econômica
natural é o turismo. As demais atividades econômicas tenderão a ser, cada vez mais,
derivadas do desenvolvimento do turismo, inclusive a produção rural e industrial.
Entre os atrativos está a Festa de Nossa Senhora do Livramento, que acontece entre os dias
31 de dezembro e 02 de janeiro, no Porto Ribeira. Há também a Festa da Padroeira de
Santana, Festa do Divino Espírito Santo, Festa de São José, Festa de São Benedito, via
Sacra (Quaresma) e a dança de São Gonçalo, que é uma festa ocasional, originada na época
da escravatura, unindo a fé cristã e o misticismo africano com uma belíssima coreografia.
O evento esportivo que se destaca é o Campeonato Brasileiro de Acquaride, no domingo
de carnaval. O município tem procurado, também, desenvolver o artesanato, que é outra
atividade diretamente ligada ao turismo, com auto-potencial.
A cidade conta com a atuação de três ONGs: AMAIR – Associação dos Monitores
Ambientais; ASA – Associação Serrana e Ambientalista e a GAPMA - Grupo de Ação e
Preservação do Meio Ambiente. As ONGs implementarão a Agenda 21 local, junto à
Secretaria de Meio Ambiente e Prefeitura.
Meio Ambiente
A cidade está dentro do PETAR, instituído em 1958 e considerado o parque mais antigo
do Estado de São Paulo. Com uma área de 35.712 ha, protege um extraordinário
patrimônio espeleológico que, associado aos sítios naturais paleontológicos,
arqueológicos e históricos, compõe uma das mais ricas regiões ambientais e culturais
inseridas no bioma da Mata Atlântica.
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Os atrativos incluem o rio Betari, as cavernas e as grutas, os rios e cachoeiras com
piscinas naturais e locais para a prática de esportes aquáticos. Existem ainda eventos
programados, como exposições temáticas, mostras de vídeo, palestras, reforço de
sistema de informações e controle em dias de maior fluxo de visitantes.
O Parque Estadual de Jacupiranga é uma das maiores extensões de Mata Atlântica do
Estado de São Paulo, e também um dos maiores parques paulistas em extensão, com
uma área aproximada de 150 mil hectares que abrangem parte dos municípios de
Jacupiranga, Iporanga, Cajati, Eldorado Paulista, Barra do Turvo e Cananéia. Desta
área, 124 mil hectares acham-se inseridos na área do parque. Esta unidade abriga vários
conjuntos serranos como as serras do Guarau, Cadeado, Gigante, onde se localizam
muitas cavernas e rios encachoeirados. Possui dois núcleos de estrutura: Caverna do
Diabo e Cedro, apenas o primeiro aberto à visitação.
Já o Parque Estadual Intervales é uma das mais belas reservas de Mata Atlântica do
país, com 49 mil hectares, localizado a 270 km da São Paulo. Declarado como reserva
da Biosfera pela UNESCO, está situado em cinco municípios: Ribeirão Grande,
Guapiara, Iporanga, Eldorado Paulista e Sete Barras. Suas unidades vizinhas – PETAR,
Parque Estadual Carlos Botelho e Estação Ecológica Xitué – formam uma área
prioritária de Reserva de Mata Atlântica.
Alguns moradores ribeirinhos extraem areia do rio para a venda. Ao não obedecer a
legislação e normas afins, acabam por desbarrancar a margem do rio e contribuir
para o assoreamento.
Se algum dia for realizado o projeto antigo da Companhia Energética de São Paulo –
CESP de construir a Usina de Batatal, alagaria importantes áreas como o Centro
Histórico de Iporanga no processo de formação do lago.
Pesca
Os ribeirinhos pescam somente para o consumo próprio. Curimatã, aniam, bagre, traíra
branca, mandi, robalo e carpa vieram de tanques de criação, levados pelas águas das
enchentes. Hoje, criado um desequilíbrio entre as espécies nativas e as inseridas, o
curimatã é predador do robalo, da tainha e piaba, todas espécies ameaçadas.
A Igreja Matriz de Iporanga.
Natalie visitando uma caverna.
26
ELDORADO – SP
População do Município:
14.883 habitantes (IBGE, 2006).
Localização
Situada numa região mais plana do vale, ao sul do estado de São Paulo, a 242 km da capital
e a 50 km de Registro, a cidade é acessado pelas rodovias SP-165 e SP-193. Localiza-se a
232 km de Curitiba.
Economia local
A economia se fundamenta na agricultura, com o plantio de banana, palmito, pupunha e
maracujá. A região é grande produtora de banana, cultivada em quase todos os
municípios ao redor, por grandes e pequenos produtores. No entanto, aos pequenos
agricultores faltam opções que visem agregar valor ao produto bruto. O trabalho com os
subprodutos da banana, que representaria uma possibilidade de aumento de renda, ainda
é incipiente, pois o custo de produção é alto. O cultivo da pupunha e do maracujá são
projetos da prefeitura voltados para a agricultura familiar.
Nos distritos mais montanhosos, se torna difícil e onerosa a mecanização da agricultura,
fazendo com que a mão-de-obra seja humana nas pequenas e médias propriedades.
Saneamento e Lixo
A água é captada no rio Ribeira, a 2 km acima da cidade e é tratada pela SABESP. A água é
de boa qualidade e 100% da população urbana é atendida por essa rede.
Cerca de 90% das residências são atendidas pela rede de esgoto, que é tratado na estação de
tratamento da SABESP. O restante da população utiliza fossas. Algumas residências,
principalmente as que estão na zona rural, despejam o esgoto diretamente no rio.
O lixo é recolhido três vezes por semana e depositado em aterro controlado, porém sem
manta e lagoas de decantação. A prefeitura já tem a licença para construção de um aterro
sanitário, e busca recursos na Secretaria de Meio Ambiente do Estado.
27
Cultura e Turismo
A expressão cultural mais forte é a dos remanescentes de quilombos. Percebe-se a
cultura quilombola nos artesanatos de cipó e barro, nos bailes locais com apresentação
da dança fandango e nas festas religiosas.
O ecoturismo é a segunda atividade econômica do município, com passeios às cavernas
do PETAR, trilhas interpretativas nas matas e o turismo de aventura, como o rapel e o
boia-cross.
Meio Ambiente
O maior impacto ambiental é o assoreamento causado pela eliminação das matas
ciliares, devastadas para o plantio de banana e formação de pastos.
A região entre Eldorado, Sete Barras e Registro é de várzeas, onde são plantados bananais
até às margens do rio, inclusive com a utilização de agrotóxicos como o gramocil,
gramoxone e randape. Óleo mineral misturado com “tuti” para controlar a cicatoca, praga
que seca as folhas e diminui o tamanho das bananas, é pulverizado de avião nas plantações.
Existem no município associações de moradores, de monitores ambientais e ONGs
ambientalistas. O Grupo Pé no Mato desenvolve atividades de recuperação da mata
ciliar, palestras e atividades esportivas de cunho ambiental. Outras ONGs atuam na
região, com o é o caso do Instituto Socioambiental - ISA, que desenvolve atividades
junto aos quilombos, e o Instituto Vidágua, que auxilia nos projetos de recuperação da
mata ciliar. A Fundação SOS Mata Atlântica faz o monitoramento da qualidade da
água com o projeto “Observando o Ribeira”.
O Parque Estadual de Jacupiranga localiza-se a 40 km da cidade. À margem esquerda
do rio está a APA da Serra do Mar, com 400 mil hectares de área demarcada.
A CESP visava construir a Usina de Batatal a 30 km acima da cidade. Assim, não
haveria alagamento na zona urbana, mas seriam alagadas áreas onde vivem agricultores
e quilombolas, além de alguns sítios arqueológicos.
Pesca
Os moradores pescam para o consumo próprio e lazer. A atividade é fiscalizada pela
polícia ambiental, que possui um posto de atendimento na cidade. A piscosidade do rio
está diminuindo devido à introdução acidental de espécies exóticas há cerca de nove
anos. Naquela época, existia muita piscicultura nas lagoas marginais. Com as enchentes,
essas espécies de criadouro, predadores dos peixes nativos, chegaram ao rio. Não
existem predadores para os mesmos dentro do rio.
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REGISTRO – SP
População do Município:
57.299 habitantes (IBGE, 2006).
Localização
A cidade de Registro está localizada na Região do Litoral Sul do Estado de São Paulo, a 185
km da capital. O município faz limite com Iguape, Juquiá, Jacupiranga, Sete Barras, Eldorado
e Pariquera-Açu, e pode ser acessado facilmente pela BR 116 desde São Paulo e Curitiba.
Economia local
As bases da economia local são a agricultura, pecuária, a indústria de beneficiamento de
alimentos e comércio. Registro é responsável por mais de 50% da produção de banana
no Estado de São Paulo, sendo o Estado que mais produz o fruto. A cultura do chá-daíndia no Brasil concentra-se na região do Vale do Ribeira, principalmente nos
municípios de Registro e Pariquera-Açu.
Um levantamento da Coordenadoria de Assistência Técnica Integrada - CATI realizado
em 1998 mostrava que Registro era o município que mais produzia arroz no Vale do
Ribeira. Na pecuária, o novo destaque é para a bubalinocultura. A criação de búfalos
tem se mostrado um negócio de sucesso na cidade.
Saneamento e Lixo
De acordo com informações da Prefeitura, a cidade conta com praticamente todas as
instalações abastecidas por água tratada, sendo considerada de boa qualidade.
O município também busca recursos para aperfeiçoar o tratamento de esgotos a ser
realizado, na tentativa de atendimento ao máximo de localidades possíveis.
Recentemente foi inaugurada no bairro Arapongal uma nova estação de tratamento de
esgotos, aumentando a porcentagem de casas atendidas no município.
A prefeitura municipal possui negociações em andamento junto ao governo federal
visando liberar cerca de R$ 200 mil reais para que o município de Registro efetue a
aquisição de equipamentos e realize o tratamento de resíduos sólidos com a
recuperação, cobertura e aterramento do aterro sanitário.
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Cultura e Turismo
Registro surgiu como um pequeno povoado à margem do rio Ribeira no século XVI.
Durante muitos anos, serviu de posto para um agente da Coroa portuguesa, que ali
fiscalizava e cobrava o dízimo da produção de ouro de lavagem que descia o rio por
barco, rumo a Iguape. Ainda que possuindo a única Casa da Moeda existente no
Brasil na época, continuava sendo um povoado pertencente à Iguape. Quando o foco
de atenção dos garimpeiros mudou para Minas Gerais, o lugar prosperou com o
cultivo de arroz nas várzeas. A partir de 1913, com a chegada dos primeiros
colonizadores japoneses, que construíram imensos galpões para o processamento de
arroz, o local cresceu ainda mais. O município, que se emancipou em 1944, é
considerado um roteiro cultural da colônia japonesa.
No perímetro urbano, o turismo é feito em visitas à igreja, às praças, ao templo budista e
ao bosque municipal. Recentemente, o Casarão do Porto, antigo conjunto de armazéns
da empresa japonesa Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (conhecido como a KKKK) foi
transformado em centro cultural e abriga um museu sobre a história japonesa na cidade.
Também há investimentos no turismo rural, no qual os visitantes podem se hospedar em
fazendas e pousadas, além da Festa Agropecuária e Industrial, que ocorre todos os anos.
Meio Ambiente
Existem negociações em Brasília para a reativação do convênio para a finalização do
Parque Beira Rio, solicitando a liberação de R$ 1.7 milhão de reais. O Parque Ecológico
Municipal, que em breve poderá se tornar um ponto não só de lazer e atividades
culturais, mas também um ponto turístico, pretende servir para pesquisas e estudos na
área de botânica, zoologia e ecologia.
A cidade possui uma associação de barcos e dragas que retiram areia do rio, atividade
que pode contribuir para o processo de desbarrancamento e assoreamento, caso não
obedeça aos métodos descritos na legislação aplicada a essa atividade.
Pesca
O Baixo Ribeira é usado para a prática da
pesca esportiva e passeios de barcos.
Registro possui cerca de 100 pescadores,
porém estão lotados na colônia de Iguape.
Os mesmos podem pescar a quantidade
que desejarem, desde que respeitem o
tamanho mínimo permitido para o
pescado.
Os antigos armazéns da KKKK.
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IGUAPE – SP
População do Município:
28.782 habitantes (IBGE, 2006).
Localização
Iguape se encontra a 200 km ao sul de São Paulo, próximo da desembocadura do rio
Ribeira de Iguape, no distrito de Barra do Ribeira. O acesso é por estrada asfaltada
desde Registro, a 74 km. Localizada atrás da restinga da Ilha Comprida, o acesso ao
oceano é pelo Mar Pequeno.
Economia local
A base da economia é a agricultura, com o cultivo da banana, chuchu, maracujá e
plantas ornamentais, além da criação de búfalos e a pesca. O turismo também
complementa a geração de renda em Iguape, e cresce principalmente pela divulgação
das atrações da região.
Saneamento e Lixo
A água é coletada no rio Ribeira e tratada por uma estação de tratamento da SABESP.
Cerca de 80% das casas já são atendidas por uma rede de esgoto, que é tratado na ETE
da SABESP. O restante das casas possui fossa ou despeja o esgoto diretamente no rio.
O lixo é coletado diariamente e levado para um aterro controlado, a 20 km da cidade.
Na zona rural, não existe coleta e o lixo é queimado.
Cultura e Turismo
A cidade, fundada em 1538, jogou um papel importante na história do Brasil. Tem
traços históricos e culturais semelhantes aos da cidade de Parati, no Rio de Janeiro, um
bem-sucedido destino turístico. O centro é muito bem preservado, com suas casas
antigas, reformadas. A imponente Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape atrai todo
ano cerca de 10 mil romeiros para Festa de Bom Jesus de Iguape.
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Iguape é considerada a entrada principal ao Pólo Ecoturístico do Lagamar, projeto
desenvolvido pela Fundação SOS Mata Atlântica para desenvolver alternativas
econômicas sustentáveis para as populações dos municípios inseridos no Estuário
Lagunar Iguape-Paranaguá.
O potencial turístico da região é imenso, abrangendo uma rica variedade de interesses e
opções para os visitantes, desde história, cultura, populações tradicionais e indígenas,
meio ambiente bem preservado e belas praias até o turismo esportivo (montanhismo,
canoagem, mergulho, caminhadas e esportes radicais). Atrai os adeptos à pesca
esportiva durante a Festa do Robalo em novembro e a Festa da Tainha em julho.
Há apresentações do fandango, com grupos folclóricos, artesanato de palha de bananeira
e a venda das famosas panelas pretas (de barro).
Meio Ambiente
A localização privilegiada de Iguape, tão perto de várias áreas de proteção, amplia
seus atrativos turísticos. Uma parte da zona rural do município está na APA Cananéia,
Iguape e Peruíbe. Porém, não existe um plano de manejo da APA, e o conselho
formado por sociedade civil, entidades públicas e de pesquisa, não consegue atuar por
falta de diretrizes.
A Estação Ecológica Juréia-Itatins, ao norte, ocupa uma área de 79 mil alqueires e é
uma das 30 unidades de conservação que compõem as Reservas do Sudeste,
declaradas Patrimônio Mundial pela UNESCO, que fazem parte da Reserva da
Biosfera da Mata Atlântica.
O Complexo Estuarino Lagunar de Iguape, Cananéia e Paranaguá é um importante
ecossistema costeiro, reconhecido por cientistas como um dos mais produtivos do
planeta, apresentando uma considerável reserva de mangue pouco degradada. No final
de 1999, a região recebeu o título da UNESCO de Patrimônio Natural da Humanidade.
As florestas de encostas e as matas da planície litorânea abrigam inúmeras espécies de
animais, algumas ameaçadas de extinção, como o papagaio-da-cara-roxa. É neste
cenário que se encontra a Estação Ecológica dos Chauás (ainda não aberta à
visitação), antiga Reserva Estadual do 18º perímetro, localizada no município de
Iguape. Com área de 2.699 hectares, é uma importante área de pesquisa sobre a
caxeta, uma árvore de madeira leve utilizada na fabricação de lápis, que cresce nas
margens do rio Momuna.
As criações de búfalos na região podem se tornar um problema ambiental no que diz
respeito à qualidade da água do rio, se não for criado diretrizes específicas para o
manejo. Os animais, muitas vezes mantidos nas várzeas ou em campos às margens do
rio, podem causar o desbarrancamento das encostas ao descerem para mergulhar no
rio (hábito natural da espécie), além de poluir a água com seus dejetos.
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Pesca
Na região é permitido pescar qualquer quantidade, desde que se respeite os limites
de tamanho estabelecidos pela legislação. A Z-07 “Veiga Miranda”, colônia de
pescadores instalada na cidade, possui cerca de 3.000 associados, que pescam tanto
no rio quanto no mar.
Dos 4.800 pescadores do município, de acordo com o Núcleo de Pesquisa de
Cananéia, do Instituto de Pesca, aproximadamente 3.500 trabalham somente com a
safra da manjuba, de outubro a março. A grande quantidade da espécie nesta época
atrai até mesmo quem não sobrevive da pesca, mas busca na atividade aumentar a
renda familiar.
Com cinco anos de existência, a Cooperativa de Pescadores Artesanais do Bairro de
Prainha de Iguape encontra-se com muitas dificuldades. Com capacidade para
processar o produto de 30 pescadores, visando à fabricação de diversos produtos que
utilizem o peixe como matéria-prima, até agora a Cooperativa só conseguiu
comercializar o peixe "in natura".
A foz do rio em Barra do Ribeira.
Vista aérea do centro histórico
de Iguape.
A Basílica do Senhor Bom Jesus de
Iguape.
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2.5. Diário de Campo – Margi Moss
O Ribeiro de Iguape - um rio histórico que traça um caminho complicado entre a serra e o mar.
Após a longa viagem de Brasília a Curitiba, partimos cedo no domingo rumo a Cerro Azul pela recémasfaltada Rodovia dos Minérios, serpenteando por paisagens bucólicas – bolsões de mata e pequenos
campos de agricultura familiar. Paisagens como essas na Serra do Mar perto do Rio de Janeiro atraem
muitos visitantes da metrópole a cada fim de semana. Entre Curitiba e Cerro Azul, passamos apenas
uma placa indicando um hotel-fazenda. A nova estrada asfaltada seguramente ajudará a atrair
investimentos no turismo local.
Cerro Azul é o centro de uma região produtora de laranjas, mas não conseguimos achar um lugar que
vendia um suco! Apesar de estar a dois km das margens do Ribeira, os cidadãos não parecem ter uma
relação muito íntima com o rio – tanto que boa parte da população não aparenta se importar com a
possibilidade do rio caudaloso se transformar num lago parado.
Cruzamos a ponte e pegamos a estrada de terra esburacada, que sobe pela margem esquerda até a
chamada “nascente” do Ribeira, onde o rio é formado pelo encontro do Ribeirinha com o Açungui.
Incluindo um desvio onde nos perdemos, foram 80 km ida e volta de Cerro Azul e já eram 4h da tarde
quando retornamos à cidade. Tínhamos que estar em Ribeira (SP) às 20 h para a palestra na praça.
Tempo de sobra, pensávamos. Segundo um morador a quem pedimos orientações sobre a estrada para
Itapirapuã Paulista, seria fácil. "Porque subir a serra? Peguem logo a estrada que vai direto para
Adrianópolis, beirando o rio. É perto... sei lá, uns 30 km," ele informou.
Perfeito. Ingênuos, seguimos o Ribeira numa estrada de terra dentro do vale profundo. A cada lado,
subiam as encostas íngremes da Serra de Paranapiacaba. Olhávamos para as montanhas
intermináveis com suas mantas de florestas e pastos, cortadas por centenas de riachos de águas claras,
e pesava no coração a possibilidade de tudo isso ir para água abaixo.
Nas áreas mais planas, havia pequenas vilas e casas simples – a maioria de madeira – salpicadas
entre campos bem verdes. Encontraríamos cenas como essas ao longo do vale até Eldorado, já na
planície. Pode até ser que os moradores desses calmos vilarejos se encaixem no menor IDH da região –
realmente suas moradias não demonstravam qualquer sinal de luxo – mas estariam melhores vivendo
com um IDH mais alto na miséria e violência da periferia das grandes cidades?
A viagem, estimada em uma hora, foi uma aflição. A estrada se transformou numa trilha passando
dentro das plantações de pinus, escuras e sem vida. Estarmos perdidos numa paisagem sinistra dessas
é deprimente e, sem podermos achar a saída, virou um pesadelo. Nas raras vezes que cruzamos com
alguém e pedimos informações, a resposta sempre foi "Podem seguir, não tem erro..."
Erro tinha. O rio já estava longe. Subíamos e descíamos trilhas poeirentas agora entre morros carecas,
onde o pinus tinha sido cortado recentemente. No GPS, Adrianópolis estava sempre a 20 km,
independentemente do rumo que seguíamos à procura de uma "estrada nova" para Rocha.
Imaginávamos um caminho em boas condições. Era uma descida quase vertical que parecia ter sido
feita por um trator na véspera. No fundo do vale, enfim, chegamos a Rocha: um punhado de casas
paupérrimas, muitas delas abandonadas. Só a igreja ainda estava bem cuidada. Uma ponte, um
campo de futebol, um bar e muita floresta.
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Já estava escurecendo e ainda faltavam 30 km! Mais tarde, me arrependi de ter passado batido por
Rocha. Um lugar que pode sumir do mapa, junto com a floresta exuberante que ali veste o vale do
chão até o alto das montanhas. O campo de futebol, a igrejinha, as casas e as árvores ficarão 100
metros abaixo da água se a barragem de Tijuco Alto for construída.
Reencontramos o Ribeira num trecho do vale muito estreito. Que lugar espetacular! Se fosse a Costa
Rica, turistas do mundo inteiro viriam até aqui. Nossa escolha é alagar essa preciosidade como se não
tivesse valor, erguendo uma barragem de 142 metros de altura, equivalente a um arranha-céus de 47
andares? Resultado de decisões, com alto impacto local, tomadas em lugares distantes para beneficiar
consumidores distantes.
Enfim, chegamos a Ribeira às 20h em ponto. Na praça, a platéia nos esperava pacientemente. Às
pressas, montamos o datashow e começamos a projetar as imagens na parede da Igreja Matriz quando
começou a chover forte. Migramos todos para dentro da igreja, montamos o telão para terminar a
projeção e realizamos o debate.
Ribeira é uma cidade pequena, jeitosa, espremida numa estreita plataforma entre a serra íngreme e o
acentuado barranco do rio que, ainda nesse trecho, corre por um leito pedregoso, ideal para esportes
radicais. Para nosso barco, ainda não era apropriado.
Antes de seguir até Iporanga por terra, visitamos Adrianópolis na margem paranaense. Dali, uma
estrada de terra desce até Vila Mota, sede da falida mineradora Plumbum. Conversamos com alguns
senhores, aposentados da mineradora, que não pareciam preocupados a respeito da contaminação por
chumbo, ao contrário das populações que encontraríamos mais tarde, rio abaixo. Superficialmente, reina
a maior paz naquele pedaço do vale. Mas nas instalações enferrujadas e abandonadas, onde restos de
minério estão espalhados por todas as partes, na entrada da fábrica havia poças de água verde que, ao
julgar pelas pegadas de gado na areia em volta, serviam de bebedouro para esses animais.
Para chegar a Iporanga, tivemos que subir os 30 km de serra até Apiaí e de lá descer novamente outros
40 km por uma estrada que corta a Mata Atlântica do PETAR. A região é belíssima. Vez ou outra,
abria um visual de tirar o fôlego para as montanhas cobertas de mata em todos os horizontes. Árvores
centenárias, carregadas de bromélias e do canto de pássaros invisíveis, nos mostravam o caminho.
O Bairro da Serra, 18 km antes de Iporanga, é uma comunidade pacata, com muitas pousadas e casas de
família que hospedam turistas. Marcáramos encontro aqui com Natalie Hoare, jornalista da revista
britânica Geographical Magazine. Ela veio acompanhar parte da expedição e aprender sobre o turismo
sustentável na região. Ela visitara algumas cavernas do PETAR, um exemplo de como o turismo pode
trazer renda para as comunidades. A Mata Atlântica nessa região é uma pérola exótica que tende a ser
a cada vez mais procurada no futuro.
À noite, em Iporanga, falamos aos alunos da escola municipal. Aqui, uma das cidades que seria
parcialmente alagada se o projeto da CESP for em frente, a perspectiva da construção das barragens é
bem diferente que em Cerro Azul. "As represas vão secar nosso rio?" uma aluna quis saber. Pergunta
difícil de responder! Se algum dia forem feitas as quatro barragens, o Ribeira será transformado em
uma série de lagos. Só ao alcançar a planície, o rio voltaria a correr.
35
Habitada por povos indígenas há quatro mil anos, Iporanga se destaca na história brasileira desde
o primeiro século da chegada dos portugueses. Parece que o primeiro branco alcançou estas
paragens, em busca de ouro, menos de 60 anos após a chegada de Cabral nas praias da Bahia. Em
1576, já havia garimpeiros instalados na área. A Igreja Matriz, de 1821, é tombada pelo
Patrimônio Histórico Estadual e a cidade, cercada por montanhas, matas, cavernas e o belo rio,
tem uma situação privilegiada.
Apesar do Ribeira ser um rio de porte em Iporanga, segue sendo um caminho de pedras e tivemos que
continuar acompanhando-o pela estrada. Cruzamos o rio numa balsa e, após 15 km de estrada de
terra, chegamos ao quilombo Ivaporunduva. Um lugar simples e limpo, dominado pela igreja branca,
onde havia várias casas ainda de taipa. Na praça, uma escola cheia de crianças exaltadas deu um tom
de alegria. Conversamos com o líder comunitário, Zé Rodrigues, e outros moradores.
Natalie entrevistou a vovó Benedita, uma doçura sorridente que criou nove filhos em sua pequena
casa, hoje de alvenaria. Apesar da cidade estar numa ladeira bem acima do rio, já ocorreram enchentes
violentas que carregaram moradias da vila e que até destruíram a casa dela. Num momento tão
tranqüilo, parecia impossível a água subir tanto. Natalie perguntou o que na vida mais preocupava a
dona Benedita. “Aqui é o céu e a glória,” ela respondeu. “A única coisa que me chateia são as vacas do
meu vizinho. Elas comem meu milho. Já falei com ele muitas vezes, mas ele não dá jeito.”
Estranhei essa manifestação de contentamento diante da possibilidade de alagamento que paira sobre o
vale. Ao me despedir dela após meia-hora de conversa, toquei no assunto das barragens. Dona Benedita
gelou. Levou a mão até o coração e pensei que ela literalmente estava tendo um ataque. Respirou fundo
e, numa voz quase inaudível, disse, “Ai, moça, não posso nem ouvir falar disso, que eu passo mal. Essa é
a minha terra, onde nasci. Não posso sair daqui, nunca. Só saio daqui de caixão.”
Na balsa de volta, perguntamos a um agente de saúde o que achava das barragens. "Elas são boas
para algumas pessoas e ruins para outras. Não vão mudar a minha vida. Mas se são ruins para
alguns, tirando tudo o que eles têm, eu sou contra," respondeu, pragmático.
Chegamos às áreas mais planas onde aparecem as plantações de banana, principal produto agrícola da
região. Muitas das lavouras se estendem até a beira do rio, não deixando sequer um metro de mata
protetora e facilitando a livre passagem para os agrotóxicos entrarem na água.
Em Eldorado (outra cidade fundada como garimpo de ouro, como o nome sugere), também tivemos
que desistir da navegação. Simplesmente não havia água suficiente no rio! Procuramos vários lugares
para alcançar a água com o reboque. As rampas terminavam num barranco vertical de um metro.
Decepcionados, continuamos de carro, acompanhando o rio e passando por infinitos hectares de
bananeiras até chegar a Sete Barras (são sete barras de rio desde a foz até essa cidade). Ali de novo
não houve jeito de descer a rampa, que despencava um metro e meio até o rio. “Em toda minha vida,
nunca vi a água tão baixa!” declarou Sr. Zeca, morador da cidade há 40 anos.
Será que há algo errado no reino da Dinamarca? Alguns alegam falta de chuvas, outros culpam o
desmatamento. Outros ainda perguntam como será se as represas forem construídas e prenderem a água?
O que vai sobrar para descer o rio? Não temos resposta para essas pessoas aflitas, mas temos a nítida
impressão que está na hora de rever os cálculos que começaram a ser feitos 20 anos atrás, quando –
segundo os moradores – o rio vivia mais cheio. Lá fomos nós de carro de novo, rumo a Registro.
36
Registro surgiu como um pequeno povoado onde o ouro, que descia o rio de barco proveniente de
Eldorado, Sete Barras e Iporanga, foi registrado (daí o nome) pelo agente português, para cobrança
do dízimo, antes de seguir até o porto de Iguape. Acabado o ouro, a cidade tornou-se grande
exportadora de arroz cultivado nas várzeas do rio. Em 1913, recebeu os primeiros colonos japoneses,
que também passaram a cultivar o chá. Hoje, Registro vive da banana e é a cidade de mais fácil
acesso de todo o vale. Pela BR-116, é quase eqüidistante de Curitiba e de São Paulo.
Enfim, a lancha foi para a água! Uma densa neblina matinal escondia a outra margem do rio. Num
cenário que aptamente lembrava uma aquarela japonesa, uma garça branca que pescava num banco de
areia no meio do rio parecia um fantasma. De vez em quando, os raios do sol penetravam a neblina,
iluminando uma casa, uma árvore, um barco. Subimos até o encontro do rio Juquiá com o Ribeira,
levando junto o jovem pescador Alex como guia para evitar bater o barco nas pedras submersas. Alex
estava assustado com o baixo nível da água. Ele se queixou das toneladas de agrotóxicos jogadas nas
bananeiras que acabam contaminando as águas e repercutindo na pesca, e das dragas de areia que
mexem com o fundo do rio, aumentando a turbidez.
Na volta, deixamos Alex na marina de Registro e seguimos (Gérard, Natalie e eu) rumo à foz. O GPS
marcava uma distância de 38 km até Iguape em linha reta, mas sabíamos que pelo rio talvez fosse o
dobro. Na vasta planície, o rio forma dezenas de meandros fechados. A falta de mata ciliar era
gritante. O rio corta fazendas de gado, lavouras de banana e arrozais. Certa hora, encontramos com
uma manada de 200 búfalos tomando banho no rio. Era uma cena de safári africano, não fossem os
animais de origem asiática.
Conversamos com um grupo de pescadores de manjuba, uma espécie endêmica da região que sustenta
centenas de famílias. A pequena manjuba é pescada com redes de malha fina dentro do rio, onde vem
do oceano desovar. Um pescador espremeu um peixinho, mostrando os ovos alaranjados. Para subir o
rio, as manjubas dependem de uma boa vazão de água doce na foz. Consideremos a situação da foz do
Rio São Francisco. A força da água que sobra das múltiplas barragens é tão pífia que, em vez do rio
entrar no mar, é o mar que entra no rio. No Ribeira, se essa vazão enfraquecer, será diferente?
Estávamos chegando ao fim do rio. Para trás, a Serra do Mar surgia, encrespada, azul-escura, com sua
mata intacta. Quem vê a mansa amplitude do rio nas suas últimas curvas não pensa no esforço que a
água faz para chegar até ali, vinda dos pequenos córregos nas montanhas distantes.
Para coletar uma mostra, entramos no Canal do Valo Grande, construído em 1855 por motivos
econômicos para encurtar o caminho entre Registro e o porto marítimo de Iguape. Essa interferência
antrópica na dinâmica do rio foi um tiro no próprio pé do escoamento da produção da região, sendo
responsável pela eventual decadência econômica. O rio engrossou o canal, causou inúmeros danos
ambientais, inclusive enchentes, e levou sedimentos e água doce ao Mar Pequeno, assoreando o porto
marítimo e acabando com a pesca de camarão, por exemplo. Iguape, que no século XIX tinha
importância igual ao Rio de Janeiro, entrou em declínio.
Voltando ao leito principal do rio, seguimos até o balneário de Barra do Ribeira e, um pouco além, até
a barra onde as ondas do mar batiam com força nas águas doces do rio. Dos sete rios foco do projeto,
o Ribeira é o único que desemboca no mar.
37
Tiago estava esperando com o carro, perto da balsa da Barra do Ribeira. Enfim, chegamos a Iguape –
linda, limpa e bem cuidada. A praça florida, a basílica com suas duas torres, as casas coloridas e as
ruas por onde ecoam os passos da história. Fundada em 1538, Iguape passou por altos e baixos. Foi
pólo de exportação de ouro e, mais tarde, de arroz, além de um importante estaleiro que fornecia
embarcações para outros centros importantes como Rio de Janeiro e Salvador. Hoje tem uma vocação
promissora no turismo, com muitos prédios históricos, inclusive o que foi a primeira casa de fundição
de ouro no Brasil .
Talvez nenhuma outra região do Brasil possua uma riqueza tão abrangente e diversa de história,
cultura e meio-ambiente como o Pólo Ecoturístico do Lagamar. Na extremidade sul do Mar Pequeno,
formado pela Ilha Comprida, há outra cidade parecida, igualmente charmosa – Cananéia, portão de
entrada para a Ilha do Cardoso. Protegida por vários parques, vive de seu enorme potencial turístico
que combina as belezas naturais e a história.
O Vale do Ribeira, que corta montanhas e planícies e passa por comunidades históricas, é belo, único
e especial. Em vez do carimbo fatal “propício ao alagamento”, poderia ser transformado num “vale do
Loire” brasileiro.
Dona Benedita, Ivaporunduva.
Begônias silvestres.
Bromélias na Mata Atlântica.
38
2.6. Questionários
Como estratégia de pesquisa, complementando as conversas e as observações in loco, a
equipe do projeto valeu-se de um questionário para colher e registrar os anseios,
experiências e lições dos ribeirinhos e moradores, bem como aferir o nível de
consciência ambiental, seus hábitos e atitudes com relação ao uso e a preservação da
água, além dos impactos causados no rio pela atividade humana. Na pesquisa durante a
expedição ao rio Ribeira, foram realizadas 90 entrevistas ao total.
Nota-se que apesar de um número relativamente pequeno de pessoas saberem onde começa
o rio (29,2%) a grande maioria sabe onde ele acaba (77,1%).
sabe de campanhas pela preservação do
meio ambiente
não conhece algum órgão responsável
pela preservação da água
afirma que a água já foi mais limpa
31.3%
82.3%
89.6%
acredita que a água do rio está suja
65.6%
87.5%
afirma que a pesca tem diminuído
consideravelmente
não tem conhecimento de pesca
predatória
usa o rio para o lazer
62.5%
48.7%
99.0%
0%
50%
se preocupa com o meio ambiente
100%
A questão da construção de usinas
hidrelétricas parece ser ainda
bastante polêmica, já que as
opiniões
encontram-se
muito
divididas. De acordo com as
entrevistas realizadas, 43,8% são
favoráveis enquanto 52,1% são
contrários.
Origem da poluição do rio Ribeira, de
acordo com a opinião dos ribeirinhos.
22%
esgoto
agrotóxicos
52%
26%
39
desmatamento
2.7. Análises das Amostras de Água
Composição Química da Água
Dentro da pesquisa de composição química da água, são analisadas as concentrações de
fósforo total, nitrogênio total, nitrogênio amoniacal e íons presentes nas amostras,
incluindo o nitrato e o nitrito. A partir da concentração de fósforo total, as amostras são
classificadas como oligotrófica, mesotrófica, eutrófica ou hipereutrófica.
Águas oligotróficas e mesotróficas ainda podem ser consideradas naturais, com teores
baixos ou moderados de impacto, em níveis aceitáveis na maioria dos casos. Águas
eutróficas indicam corpos de água com alta produtividade em relação às condições
naturais, em geral afetados por atividades antrópicas, em que ocorrem alterações
indesejáveis na qualidade. Águas hipereutróficas foram afetadas significativamente
pelas elevadas concentrações de matéria orgânica e nutrientes, comprometendo seu uso
e podendo resultar na mortandade dos animais aquáticos.
O nitrogênio é um dos elementos mais importantes no metabolismo de ecossistemas
aquáticos, pela sua participação na formação de proteínas. Dentre as diferentes formas
presentes nos ambientes aquáticos, o nitrato e o nitrogênio amoniacal assumem grande
importância. As principais fontes de nitrato no sistema aquático são os esgotos e a
agricultura. O nitrogênio amoniacal entra no sistema aquático principalmente por meio
de despejos de esgotos domésticos. Concentrações de nitrogênio amoniacal superiores a
250 mg/L são tóxicas para peixes e invertebrados em águas com pH superior a 9.
Fitoplâncton
A comunidade de algas é também conhecida como fitoplâncton. Esses organismos são
microscópicos e possuem capacidade fotossintética, encontrando-se na base da cadeia
alimentar dos ecossistemas aquáticos. Além disso, acredita-se que o fitoplâncton é
responsável pela produção de 98% do oxigênio da atmosfera terrestre.
O fitoplâncton também pode ser responsável por alguns problemas ecológicos quando se
desenvolve demasiadamente: numa situação de excesso de nutrientes e de temperatura
favorável, podem multiplicar-se rapidamente formando o que se costuma chamar
"florescimento" ou bloom (palavra inglesa que é mais usada). Nesta situação, a água fica
esverdeada, mas rapidamente, de um a dois dias, dependendo da temperatura, se torna
acastanhada, quando o plâncton esgota os nutrientes e começa a morrer. A decomposição
mais ou menos rápida dos organismos mortos pode levar ao esgotamento do oxigênio na
água e, como conseqüência, à morte em massa de peixes e outros organismos.
Esta situação pode ser natural, mas pode também ser devido à poluição causada pela
descarga em excesso de nutrientes. Neste caso, diz-se que aquela massa de água se
encontra eutrofizada. Em água doce, quando esta situação se torna crônica, a água pode
ficar coberta por algas azuis que flutuam na sub-superfície da coluna d'água.
40
Bacterioplâncton
As bactérias são formas muito antigas de vida, e têm um papel importante para o
equilíbrio do planeta, em especial nos ciclos de carbono, nitrogênio e enxofre. Uma gota
de água pode conter mais que um milhão de células de bactérias ou “bacterioplâncton”,
que são as bactérias que vivem flutuando na água. Ajudam na transformação e
decomposição da matéria orgânica, pois são a base da cadeia alimentar para organismos
maiores. Esta pesquisa visa determinar a quantidade de células do bacterioplâncton em
amostras de 2 mL, e examinar sua correlação com o estado trófico da água.
Resultados de fósforo total, nitrogênio total, nitrogênio amoniacal e íons na água.
– Dr. Donato Seiji Abe, Instituto Internacional de Ecologia, São Carlos, SP.
O rio Ribeira de Iguape apresentou concentrações de fósforo total que variaram entre
26,6 a 239,0 µg-P L-1 desde a sua nascente até a foz. De uma forma geral, os valores
observados entre a nascente e o ponto RIB-16, localizado a poucos quilômetros à
jusante da cidade de Registro, estiveram na faixa de classificação mesotrófica (Figura
1), ou seja, o rio apresentou pouca variação de fósforo total ao longo do seu percurso e
com características de um corpo de água com moderado grau de impacto antrópico.
Uma exceção foi verificada no ponto RIB-07, localizado na cidade de Iporanga, cujo
valor observado foi de 54,8 µg-P L-1, que corresponde ao estado eutrófico. Apesar de o
município de Iporanga atender 89 % da coleta de esgotos domésticos, há, segundo a
CETESB, uma carga poluidora remanescente de 31 kg de DBO por dia, cujo corpo
receptor é o próprio Ribeira de Iguape (CETESB, 2005). Portanto, o valor elevado de
fósforo total observado naquele ponto pode estar relacionado ao aporte remanescente de
esgotos domésticos da área urbana. Nesse mesmo ponto foi observada a mais alta
concentração de nitrogênio amoniacal e de nitrogênio total dentre as amostras
analisadas (Figuras 2 e 3), o que confirma o aporte de esgotos domésticos.
A partir do ponto RIB-17 (criação de búfalos), observou-se um aumento muito
significativo de fósforo total, passando para o estado hipereutrófico (221,09 µg-P L-1).
O mesmo estado trófico foi observado no ponto RIB-18, localizado no Valo Grande em
Iguape (239,00 µg-P L-1), sendo que no ponto RIB-19, localizado na foz do rio, houve
uma diminuição na concentração de fósforo total para 69,6 µg-P L-1, que corresponde ao
estado eutrófico. Os valores muito elevados de fósforo total observados nesses pontos
podem estar relacionados à criação de búfalos existente no entorno do ponto RIB-17,
fato este observado durante a coleta. Tal atividade está possivelmente contribuindo para
a eutrofização do rio, tanto em função dos dejetos produzidos pelos animais como pela
ação do pisoteio nas margens, que promove o revolvimento dos sedimentos ricos em
fósforo para a coluna de água. No ponto RIB-19, por outro lado, além da carga de
fósforo proveniente do ponto RIB-17, localizado mais a montante, há o aporte de
esgotos domésticos do município de Iguape, que possui uma carga poluidora
remanescente de 596 kg de DBO por dia no rio Ribeira de Iguape (CETESB, 2005).
41
Já no ponto RIB-19, localizado na foz, a diminuição da concentração de fósforo total
está relacionado à mistura das águas do rio com a água costeira. A diminuição da
concentração do ponto RIB-18 para a foz foi também verificada com relação ao nitrato
(Figura 2) e ao nitrogênio total (Figura 3), o que caracteriza uma diluição desses
compostos, visto que as águas marinhas, em geral, são caracterizadas por apresentar
baixas concentrações de nutrientes nitrogenados. A mistura da água do rio com as águas
costeiras pôde, também, ser confirmada pelos valores consideravelmente elevados de
cloreto, brometo e sulfato observados nesse ponto (Figura 4). Tais íons estão sempre
presentes em elevadas concentrações em águas marinhas. Portanto, os elevados valores
de íons no ponto RIB-19 caracterizam uma água salobra, muito distinta daquelas
observadas nos demais pontos do rio à montante.
Rio Ribeira de Iguape
Índice de Estado Trófico
250
IET(P)
200
P TOTAL
Limite oligotrófico-mesotrófico
Limite mesotrófico-eutrófico
Limite eutrófico-hipereutrófico
150
100
RIB-19
RIB-18
RIB-17
RIB-16
RIB-15
RIB-14
RIB-12
Pontos
RIB-11
RIB-10
RIB-09
RIB-08
RIB-07
RIB-06
RIB-05
RIB-04
RIB-03
RIB-02
0
RIB-01
50
Figura 1 - Concentração de fósforo total nas amostras de água coletadas ao longo
do rio Ribeira de Iguape em novembro de 2006.
Rio Ribeira de Iguape
Nitrato, Nitrito e N Amoniacal
Nitrato e N amoniac.(µg-n/L)
400
350
300
250
N amoniacal
Nitrato
Nitrito
200
150
100
RIB-19
RIB-18
RIB-17
RIB-16
RIB-15
RIB-14
RIB-12
RIB-11
Pontos
RIB-10
RIB-09
RIB-08
RIB-07
RIB-06
RIB-05
RIB-04
RIB-03
RIB-02
0
RIB-01
50
Figura 2 – Valores de nitrogênio amoniacal, nitrato e nitrito observados nas
amostras coletadas ao longo do rio Ribeira de Iguape em novembro de 2006.
42
Rio Ribeira de Iguape
Nitrogênio Total
600
500
400
300
200
RIB-19
RIB-18
RIB-17
RIB-16
RIB-15
RIB-14
RIB-12
RIB-11
Pontos
RIB-10
RIB-09
RIB-08
RIB-07
RIB-06
RIB-05
RIB-04
RIB-03
0
RIB-02
100
RIB-01
Nitrato e N amoniac.(µg-n/L)
700
Figura 3 – Valores de nitrogênio total observados nas amostras coletadas ao longo
do rio Ribeira de Iguape em novembro de 2006.
Rio Ribeira de Iguape
Cloreto, Brometo e Sulfato (escala logarítmica)
10000
Cloreto (mg/L)
1000
Brometo (µg/L)
Sulfato (mg-S/L)
100
10
RIB-19
RIB-18
RIB-17
RIB-16
RIB-15
RIB-14
RIB-12
RIB-11
RIB-10
RIB-09
RIB-08
RIB-07
RIB-06
RIB-05
RIB-04
RIB-03
RIB-02
0
RIB-01
1
Pontos
Figura 4 – Concentrações de cloreto (em escala logarítmica) observadas nas
amostras de água coletadas ao longo do rio Ribeira de Iguape em novembro de
2006.
Referências Bibliográficas
CETESB (2005). Relatório de Qualidade das Águas Interiores no Estado de São Paulo
2004. CETESB, São Paulo. http://www.cetesb.gov.br (acessado em 21/03/2005).
43
Resultados das pesquisas de Fitoplâncton
– Dra. Maria do Socorro Rodrigues, Universidade de Brasília, Dra. Iná de Souza
Nogueira e Elizabeth Cristina Arantes de Oliveira.
As algas foram coletadas na superfície da água, fixadas com solução de lugol e
analisadas ao microscópio óptico para identificação até nível de espécie, quando
possível, com auxílio de literatura especializada. A determinação da densidade dos
organismos fitoplanctônicos foi feita mediante o uso de microscópio invertido. As
amostras foram coletadas em 19 pontos ao longo do Rio Ribeira do Iguape.
Foram inventariadas 71 espécies de algas distribuídas em cinco classes: Chlorophyceae
(algas verdes), Zygnemaphyceae, Bacillariophyceae (diatomáceas), Cyanophyceae
(algas azuis) e Crysophyceae (algas douradas) (Tabela 2, anexo).
Houve predomínio das algas da classe Bacillariophyceae, com 50,7% de densidade
relativa seguidas das Chlorophyceae (28,16%)(Figura 3). As classes Zygnemaphyceae e
Crysophyceae foram menos representativas tanto em densidade quanto em riqueza
(Figuras 1 e 2).
As cianofíceas ocorreram mais nas regiões de curso médio e baixo, com marcada
presença no ponto RIB 13 (Rio Juquiá - montante confluência Ribeira), considerado
oligotrófico.
Em média, o intervalo da densidade dos organismos fitoplanctônicos no Rio Ribeira
esteve entre 100.000 e 600.00 indivíduos/ml. Isso se deve às características tróficas do
Ribeira, classificado como mesotrófico, em função das atividades desenvolvidas na
bacia hidrográfica, no caso, a expansão industrial, que pode estar contribuindo para
alteração da comunidade fitoplanctônica.
Com exceção dos pontos 17 (próximo à criação de búfalos) e 18 (Canal do Valo
Grande), considerados como hipereutróficos, a densidade de algas não apresentou uma
oscilação significativa entre os pontos analisados. De 19 pontos, dez apresentaram
densidade acima de 300.000 indivíduos/ml.
44
Densidade (Ind/mL)
Rio Ribeira
700000
600000
500000
400000
300000
200000
100000
0
1
2
3
4
5
6
7
Chlorophyceae
Cyanophyceae
8
9
10 11
12
13 14
19
15 16 17 18
Bacillariophyceae Zygnemaphyceae
Crysophyceae
Figura 1. Densidade total (número de indivíduos/mL) de algas encontradas nas
estações de coleta do Rio Ribeira, no mês de novembro de 2006.
Riqueza (n de espécies)
Rio Ribeira
20
15
10
5
0
1 2 3 4 5 6
16
7 8 9 10 11 12 13 14 15
17 18 19
Chlorophyceae
Bacillariophyceae Zygnemaphyceae
Cyanophyceae
Crysophyceae
Figura 2. Riqueza (número de táxons) observada nas estações de coleta do Rio
Ribeira, no mês de novembro de 2006.
45
Rio Ribeira
1.40%
7.04%
28.16%
7.04%
50.70%
Chlorophyceae
Bacillariophyceae
Cyanophyceae
Crysophyceae
Zygnemaphyceae
Figura 3. Densidade relativa das classes fitoplanctônicas observadas no Rio
Ribeira, no mês de novembro de 2006.
Os índices de diversidade (Tabela 1) calculados a partir da densidade numérica das
algas foram predominantemente altos com variação entre 1,98 bits. Ind-1 (estação 14) e
2,77 bits.Ind-1 (estação 18). A eqüitabilidade variou de 0,87 a 0,97. A eqüitabilidade
mais baixa foi encontrada não ponto RIB 07, classificado como eutrófico.
H'
J'
H'
J'
RI 01
2,62
0,95
RI 11
2,70
0,95
RI 02
2,46
0,96
RI 12
2,49
0,92
RI 03
2,37
0,93
RI 04 RI 05
2,29 2,39
0,89 0,96
RI 13 RI 14
2,55 1,98
0,90 0,90
RI 15
2,15
0,93
RI 06 RI 07 RI 08 RI 09 RI 10
2,52 2,36 2,33 2,44 2,53
0,93 0,82 0,97 0,95 0,89
RI 16
2,42
0,87
RI 17
2,61
0,90
RI 18
2,77
0,92
RI19
2,25
0,91
Tabela 1. Índice de diversidade de Shannon (H’) e equitabilidade (J’), da
comunidade fitoplanctônica em amostras de água de diferentes pontos do Rio
Ribeira do Iguape (novembro/2006).
No Rio Ribeira do Iguape, as cianofíceas ocorreram apenas nos trechos médio e baixo
(entre RIB 13 e RIB 19, o encontro com o rio Juquiá e a foz, no total de oito pontos
entre os 19 analisados nesse rio.
Especial atenção deve ser dada para ocorrência dessa classe uma vez que essas algas são
potenciais produtoras de toxinas. Os gestores públicos e a população devem fazer
esforços para manter a integridade das águas dos rios, já que não foi observada a
presença das cianobactérias nas regiões de nascente e partes do curso médio.
Esta análise, no entanto, não leva em conta o aspecto sazonal, o que não descarta a
presença ou ausência dessas algas em outras épocas do ano em diferentes trechos.
46
Resultados das pesquisas de Bacterioplâncton
– Dr. Rodolfo Paranhos, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Nesta campanha os resultados já nos indicaram ambientes mais comprometidos que os
observados ao longo do Rio Ribeira do Iguape. Nas 18 amostras de água coletadas
pelo curso do rio em novembro de 2006, as bactérias variaram entre 533.000 e
1.414.000 de células por mililitro. As quantidades de bactérias observadas foram
semelhantes às verificadas no Rio Grande, e como os valores não são elevados (pouco
maiores que um milhão por mililitro) poderiam indicar águas menos poluídas. Porém
os outros dados de qualidade de água indicam boa parte das amostras como
eutrofizadas, e nesta campanha os números de bactérias não tiveram boa correlação
com os resultados químicos. Mas nas amostras com os maiores valores de bactérias
observamos uma maior proporção de células grandes e ativas, que pode indicar que
existem nutrientes em abundância, e em geral está de acordo com a classificação de
índice de estado trófico. Razões como o regime dos rios, sazonalidade, fatores
climáticos locais podem explicar os valores aparentemente reduzidos. Mas cabe
ressaltar que os resultados ora apresentados são ainda preliminares, e as análises nas
amostras estarão sendo completadas nos próximos meses.
Amostra
#1
#2
#3
#4
#5
#6
#7
#8
#9
# 10
# 11
# 12
# 13
# 14
# 15
# 16
# 17
# 18
# 19
Local
Ponte próxima ao local da confluência dos formadores
Próximo à ponte de Cerro Azul
Na cidade de Ribeira
Vila Mota
Ribeira (Bairro Maritacas, montante da cidade)
Montante Iporanga
Iporanga
Local da balsa para Maria Rosa
Batatal
Eldorado
Votupoca, entre Eldorado/Sete Barras
Sete Barras
Rio Juquiá (montante confluência Ribeira)
Montante confluência Juquiá
Registro
Banco de areia, curva do rio
Trecho amplo com floresta
Canal do Valo Grande
Foz, após Barra do Ribeira
Resultados das análises de Bacterioplâncton.
47
Bactérias
1410000
688000
1080000
863000
916000
859000
725000
862000
573000
746000
798000
1240000
898000
687000
534000
717000
645000
738000
596000
2.8. Conclusões e Recomendações
A situação do rio Ribeira de Iguape não é motivo de festa. Apesar de sua localização
privilegiada, cercada por áreas protegidas, é um rio que está sofrendo. O quadro clínico
indicado pelos resultados das análises de água é preocupante. Pelo contrário, pede
reflexão e ação imediatas.
Os problemas são vários e variados. Além da possibilidade da perda de integridade do
rio como um corpo, os impactos contínuos às matas ciliares e ao leito do rio, bem como
às suas águas através de esgotos domésticos e contaminação por agrotóxicos,
necessitam de uma atuação por parte das autoridades, no sentido de amenizar as
repercussões. Torna-se necessário o início de um processo de recuperação das áreas
impactadas, a tempo de que se possa interromper a degradação.
São necessárias ações articuladas e planejadas, envolvendo representantes da
sociedade civil e autoridades. A participação dos governos estaduais é imprescindível
para legislar e fiscalizar comportamentos ao longo do rio. Em cada um dos Estados,
fica clara a necessidade também da participação de voluntários locais e da
mobilização das comunidades.
Os governos municipais e as populações ribeirinhas – os principais usuários – têm o
papel mais importante. São eles os principais beneficiários e são deles, portanto, que
devem partir os principais esforços visando uma mudança de comportamento quando
necessário. De alguma maneira, é necessário gerar entusiasmo entre os moradores, para
que vejam que ações de preservação trazem claros benefícios, e que não sejam
encaradas apenas como sacrifícios inúteis.
Devido à proximidade das cidades ribeirinhas do Vale, torna-se prática a formação de
consórcios para apresentar projetos compartilhados, como a instalação de aterros
sanitários, por exemplo, ou investimentos na divulgação turística da região, para
benefício mútuo.
A seguir, encontram-se detalhados os principais problemas verificados e algumas
recomendações ou soluções possíveis que, em alguns casos, foram concebidas pela
equipe do projeto, ou apontadas pelas próprias comunidades ao longo do rio Ribeira.
48
•
Quanto ao Lixo e ao Saneamento
As necessidades do Vale do Ribeira
também são representadas nas questões
referentes
ao
saneamento
básico,
principalmente no meio rural. Quanto ao
tratamento de água, os domicílios com
ligação de água de abastecimento público
são atendidos com critérios de qualidade
estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Sobre o destino dos esgotos, grande parte das moradias o lança em fossas, muito
provavelmente de forma rudimentar. A precariedade das fossas utilizadas em algumas
cidades reflete-se na poluição dos rios e lençol freático pela infiltração do material. É
comum o esgoto ser jogado diretamente ao rio. Em Iguape, a cidade mais avançada
nesse quesito, 80% das casas estão ligadas à rede de esgoto, que segue a uma estação de
tratamento. Em Ribeira, a rede de esgoto alcança 90% das residências, mas é
direcionada ao rio.
A maioria dos municípios conta com coleta regular de lixo nos perímetros urbanos e
periódica na zona rural (semanal ou a cada duas semanas). Apenas uma das cidades
ribeirinhas visitadas, Ribeira, possui aterro sanitário, e as demais depositam seu lixo em
lixões a céu aberto. O vento espalha papéis e sacos plásticos na vegetação ao redor dos
lixões, que exalam um mau cheiro indicativo da falta de sanidade. Sem uma manta
protetora por baixo, o chorume escorre, infiltrando a terra e atingindo o lençol freático
ou algum curso d’água nas proximidades.
Felizmente, vários municípios estão buscando recursos para a construção de aterros
sanitários e estações de tratamento de esgotos.
Recomendações
Ao percorrer o Vale do Ribeira, a equipe encontrou, em várias ocasiões, indivíduos que
se empenham a coletar lixo para reciclagem, seja na beira do rio, da estrada ou indo até
as casas dos agricultores para receber o material. A reciclagem tem beneficiado muitas
famílias, trazendo uma fonte de renda e, ao recuperar resíduos sólidos que de outra
forma permaneceriam durante décadas largados ao relento, proporcionam um meio
ambiente mais limpo e saudável.
É necessário sempre inovar. Em Mato Grosso, "Vale Luz" é uma excelente iniciativa
que troca latas de alumínio e garrafas PET por bônus descontados na fatura de energia
elétrica. Em São Paulo, a CEMPRE é uma parceria entre grandes empresas
comprometidas com a reciclagem (www.cempre.org.br).
49
Conforme podemos averiguar através das análises das amostras coletadas, a qualidade
da água do Ribeira está bastante impactada pelo homem. O esgoto jogado sem
tratamento no rio por uma cidade complica a vida das outras rio abaixo, encarecendo o
tratamento para tornar aquela água propícia para distribuição, sem falar do risco
sanitário para os que moram na beira do rio fora do âmbito urbano.
Existem recursos disponíveis nas esferas municipais, estaduais e federais. Depende da
determinação de cada prefeitura em buscar a orientação e os meios para realizar as
melhorias necessárias, urgentes em todo o país, e que não devem vincular-se a
interesses políticos ou momentâneos.
1 – Aterro Sanitário / Reciclagem de Lixo
Para viabilizar novos empreendimentos, ou mesmo recuperar os atuais, os municípios
enfrentam dificuldades de ordem técnica, operacional e financeira. A formalização de
um convênio poderá ser solicitada pelos municípios relacionados no Anexo I do
seguinte decreto estadual:
Decreto Nº 44.760, de 13 de março de 2000, que se refere a municípios paulistas
integrantes do Vale do Ribeira.
A solicitação de formalização deve ser dirigida ao Secretário de Estado do Meio
Ambiente, e deve estar devidamente fundamentada, explicitando a necessidade do
empreendimento e de recursos estaduais para sua implantação.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e a CETESB estabeleceram um Plano de
Ação, no qual, considerando o porte dos municípios contemplados, a Implantação de
Aterro Sanitário em Valas, recomendado para cidades de pequeno porte e sem
condições financeiras para adotarem um tipo de solução mais sofisticado de disposição
de seus resíduos sólidos, foi definida como a solução técnica mais adequada. Diferente
de um simples lixão, trata-se de um buraco onde se deposita o lixo, que é coberto
manualmente, com a ajuda de apenas um trator.
A implantação desses aterros está a cargo da Coordenadoria de Planejamento Ambiental
Estratégico e Educação Ambiental - CPLEA, conforme a Resolução SMA nº 24, de 23
de maio de 2003, e suas atribuições são acompanhar, fiscalizar, controlar e avaliar o
desempenho do Projeto.
Secretaria de Estado de Meio Ambiente
Tel: (11) 3133-3000 FAX: (11) 3133-3402 - www.ambiente.sp.gov.br
Atendimento a Emergências Químicas: (11) 3133-4000
Disque Meio Ambiente: 0800 011 3560
50
Também para a construção de aterro sanitário, coleta e reciclagem de lixo para
municípios que tenham de 30 a 250 mil habitantes, a prefeitura deve apresentar um
projeto, conforme edital publicado no Diário Oficial e disponível apenas no site do
Ministério do Meio Ambiente. As informações de como conseguir recursos são
facilmente localizadas no link Fundo Nacional de Meio Ambiente - FNMA.
Acesso: o acesso ao edital é feito através do Diário Oficial ou ainda no site do MMA.
Todos os projetos são por demanda induzida. As informações não são de fácil acesso
por prefeituras que não possuem computador conectado à internet.
Repasse: o FNMA só consegue repassar o recurso para prefeituras que estão em
situação regular junto ao Governo Federal.
Continuidade: é recomendável que pelo menos parte dos profissionais que executarão
o projeto sejam funcionários públicos do quadro permanente da prefeitura. Não podem
ser pessoas que tenham cargos de confiança, comissões ou gratificações porque uma das
exigências do projeto é a continuidade do mesmo. Caso contrário, a prefeitura terá que
devolver o dinheiro investido com correção e juros.
FNMA - Fundo Nacional de Meio Ambiente
Tel: (61) 4009-9090 - www.mma.gov.br
2 – Água e Esgoto
Segundo a respectiva área de projetos, se a SABESP tem a concessão de água e esgoto
no município paulista, basta a prefeitura enviar um ofício com a solicitação. Inclusive, a
Caixa Econômica Federal está financiando o projeto para a implementação de água e
esgoto nos municípios de Itaóca, Ribeira e Barra do Chapéu.
SABESP - Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo
Unidade de Negócios do Vale do Ribeira
Tel: (13) 3821-3025 – www.sabesp.com.br
No lado paranaense, os municípios devem buscar a orientação junto a SANEPAR,
enviando solicitação para a realização de investimentos em projetos de água e esgoto.
SANEPAR – Companhia de Saneamento do Paraná
Tel: (41) 3330-3023 - www.sanepar.pr.gov.br
Para a construção de estação de tratamento de esgotos e estação de tratamento de água
para cidades que tenham menos de 30 mil habitantes, acessando o site da Fundação
Nacional de Saúde e clicando no link saneamento, é possível encontrar as informações
necessárias. Existem arquivos para download, dentre eles o Projeto de Saneamento
Ambiental em Regiões Metropolitanas, que é fruto da parceria entre o Ministério das
Cidades e o Ministério da Saúde.
FUNASA - Fundação Nacional de Saúde
Tel: (61) 3314-6362 - www.funasa.gov.br
Ministério das Cidades
Tel: (61) 2108-1000 - www.cidades.gov.br
51
•
Quanto à poluição das águas pelos resíduos da mineração
No Vale do Ribeira, a contaminação por
chumbo ocorre desde o início do século XX,
mais notadamente entre 1920 e 1996, sem
que o Estado tivesse tomado providências
significativas para coibi-la. Os restos das
minerações, que, além do chumbo, contêm
metais pesados e outros elementos tóxicos,
foram abandonados às margens do rio,
expondo pessoas e animais à contaminação.
Adrianópolis hospedou a Plumbum Mineradora por meio século, com pouco ou
nenhum controle sobre a contaminação de seus moradores e do meio ambiente por
chumbo. Embora as atividades de mineração e metalurgia tenham cessado em 1996, a
população do Alto Ribeira ainda convivem com várias fontes de contaminação
ambiental, em especial de chumbo, tipicamente originadas da atividade de extração,
beneficiamento e refino.
Apenas na década de 1990, a empresa construiu uma bacia de rejeitos a céu aberto, às
margens do rio. Os resíduos dos últimos anos de funcionamento ficaram acumulados,
formando montanhas onde as crianças brincavam. Em 2005, foram iniciadas as obras
para a construção de um aterro para a retirada desses resíduos pela CBA, dona da área.
A equipe do projeto assustou-se com a facilidade com que pessoas podem entrar nas
instalações abandonadas, e também com a presença de animais que bebem água
empoçada na entrada da fábrica.
Um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas revelou que mesmo
após o fim da mineração, os níveis de chumbo permanecem muito altos. No solo ao
redor da usina, que operou no beneficiamento e refino do minério produzido nas jazidas
da região, foram encontradas altas concentrações. Uma pesquisa realizada com
amostras de sangue de 295 crianças de 7 a 14 anos, que moram em localidades como
Adrianópolis e Iporanga, constatou índices de chumbo acima do aceitável. Em Porto
Novo, 4% das crianças apresentaram níveis acima do aceitável; em Iporanga, 10% das
crianças e em Adrianópolis (PR), 12%. Já em Vila Mota, local da fábrica desativada, o
índice sobe para 60%, algumas apresentando níveis muito altos.
É importante observar que o chumbo possui uma residência média no sangue bastante
curta, de poucas semanas, e que a sua presença em concentrações elevadas revela
exposição recente, ou seja, as comunidades continuam convivendo com a contaminação,
mesmo transcorrido tanto tempo desde o fechamento da indústria. Em Eldorado, adultos
reclamavam do alto índice de casos de câncer na população, culpando a presença de
chumbo nas águas há décadas.
52
Recomendações
Os moradores do Vale convivem com os passivos ambientais da mineração e
encontram-se expostos a substâncias extremamente prejudiciais à saúde. É necessário
assistência por parte das autoridades de saúde locais e estaduais, bem como pelos órgãos
ambientais de São Paulo e Paraná. É moralmente inaceitável que essas populações,
muitas delas sem ter se beneficiado da indústria, sejam abandonadas à sua própria sorte.
É de grande importância a realização de estudos a respeito da contaminação
especificamente da população adulta da região, que está exposta ao risco há muito
mais tempo e habitava a área na época em que as mineradoras estavam em operação.
Também é relevante levar esclarecimentos contínuos à população, através de debates
ou pelos agentes de saúde, para que possam se prevenir ou procurar atenção médica ao
perceber sintomas de contaminação.
O fato de animais, como o gado, beberem água empoçada nas instalações da fábrica
indica certa negligência, talvez por falta de informações por parte da população da
própria Vila Mota perante o perigo dos resíduos de chumbo e outros metais pesados. É
necessário maior rigor quanto ao isolamento da área.
Um estudo sobre a contaminação humana e ambiental por chumbo em Adrianópolis foi
realizado pela CPRM - Serviço Geológico do Brasil, e maiores informações sobre o
estudo poderão ser obtidas através do link:
http://www.cprm.gov.br/publique/media/Painel10.pdf
As poças onde o gado bebe água.
A Plumbum vista do ar.
53
•
Quanto ao Desmatamento
e ao Assoreamento
O processo de desmatamento sem
planejamento resulta num conjunto de
problemas ambientais, como a extinção de
várias espécies da fauna e flora, mudanças
climáticas locais, erosão dos solos e o
assoreamento dos cursos d´água.
A mata ciliar do Ribeira não escapou da destruição. Cidades e principalmente sistemas
agricultáveis crescem em torno do rio. Neste panorama, enquadram-se várias
propriedades no Baixo Ribeira situadas à margem do rio, onde a vegetação nativa foi
retirada há muito tempo, por exemplo, cedendo espaço ao cultivo intensivo de banana.
Na região dos formadores do Ribeira, o terreno montanhoso, outrora coberto de Mata
Atlântica, hoje exibe encostas carecas, usados como pasto e que, devido à declividade
do solo desprotegido, contribuem para o assoreamento do rio.
Pinus
As espécies do gênero pinus vêm sendo plantadas no Brasil há mais de um século,
introduzida no passado para fins ornamentais. A partir de 1950, começou o cultivo em
escala comercial, fornecendo a matéria-prima para as indústrias de madeira serrada e
laminada, chapas, resina, celulose e papel. O manejo dessa monocultura vem
possibilitando o abastecimento de madeira que, anteriormente, era suprido com a
exploração do pinheiro brasileiro ou até das matas nativas.
Trazido para nosso clima quente, o pinus se adaptou. Com mais sol, ele apressa a
fotossíntese e cresce muito rápido. As empresas começaram a formar verdadeiros
latifúndios com essas monoculturas, e os problemas começaram a se multiplicar. Onde
cresce o pinus, nada mais cresce. Em seu habitat natural, no clima frio, há bactérias que fazem
as folhas apodrecerem e virarem matéria orgânica. Devido a uma resina do pinus, as bactérias
de nosso clima não trabalham no apodrecimento das folhas, que acabam formando um tapete
sobre o solo, não deixando outras plantas nascerem.
Em diversos lugares do Brasil, pequenos agricultores abandonaram o campo ao serem
cercados e isolados por monoculturas de eucaliptos e pinus. Os olhos d’água, nascentes e
poços secam, pois cada árvore retira cerca de 800 litros/mês de água do solo e torna-se
prejudicial quando não manejada corretamente. Onde o chamado “deserto verde” avança, a
biodiversidade é destruída e os solos deterioram, levando anos para se recuperar.
Devido à demanda nacional e internacional para madeira e celulose, vastas áreas de pinus são
plantadas todos os anos. Na região montanhosa do Alto Ribeira, as plantações são feitas em
morros íngremes. Após o corte, o solo fica totalmente desprotegido durante algum tempo e,
nesse período, as chuvas o carregam morro abaixo, assoreando os rios.
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Recomendações
Em princípio, o cultivo de pinus estabeleceu-se como “aliado” dos ecossistemas
florestais nativos, suprindo uma demanda cada vez maior. Porém, na prática, a Mata
Atlântica virgem continua sendo derrubada para ceder lugar ao pinus (fato observado
pela equipe do projeto), quando essa espécie poderia ser plantada em terras degradadas,
abundantes na região. Urge a fiscalização rigorosa das áreas de risco, e uma
determinação que regulamente a derrubada da mata virgem. É fácil perceber quando
novas áreas de floresta estão preparadas para ceder lugar ao pinus.
Deve-se regulamentar o espaçamento para o plantio, aumentando as distâncias que
separam cada unidade plantada, permitindo a entrada da luz ao solo e o crescimento de
plantas rasteiras que servem para fixar nitrogênio no solo. Ao cortar os pinus, o solo já
terá a proteção dessas plantas. Também é necessário preocupar-se em monitorar o
plantio, bem como preservar as áreas íngremes onde não há algum tipo de proteção
natural. Caso haja plantação nesse tipo de terreno, resultará em erosão e perda de solo.
O pinus lança milhões de sementes que, sem predador natural no Brasil, chegam a ter
uma taxa de 90% de germinação. Facilmente transportadas pelo vento, as sementes
podem nascer a quilômetros de distância da árvore-mãe, contaminando matas nativas e
capazes, eventualmente, de extingui-las. Eis a importância de não permitir plantações de
pinus perto de reservas e áreas de proteção.
Informações sobre o cultivo adequado do pinus podem ser obtidas junto à EMBRAPA.
http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Pinus/CultivodoPinus/index.htm
Informações básicas sobre as monoculturas de árvores e as indústrias de papel em:
http://www.sof.org.br/marcha/paginas/publicacoes/cartilhaeucalipto.pdf
A restauração das matas ciliares ao longo do Vale do Ribeira é de grande importância para a
proteção dos recursos hídricos, e tem a vantagem de ajudar na conservação do bioma e da
biodiversidade. Campanhas educativas nas escolas ajudarão a longo prazo, mas para dar
início às ações imediatas, algum órgão poderá ser designado para ajudar os ribeirinhos,
demarcando os limites da faixa obrigatória de mata ciliar. Se não houver verbas para mudas,
a floresta pode se regenerar sozinha, que é a opção mais barata para recuperar uma mata
ciliar. Ao plantar mudas, devem ser escolhidas espécies adaptadas ao local.
LARGURA MÍNIMA DA FAIXA DE MATA CILIAR
Nascentes
Rios com menos de 10 m de largura
Rios com 10 a 50 m de largura
Rios com 50 a 200 m de largura
Rios com 200 a 600 m de largura
Rios com largura superior a 600 m
Represas e hidrelétricas
55
Raio de 50 m
30 m em cada margem
50 m em cada margem
100 m em cada margem
200 m em cada margem
500 m em cada margem
100 m ao redor do espelho d’água
•
Quanto à criação de búfalos
De origem asiática, mas há muitos anos
criado na Ilha do Marajó, no Pará, o búfalo
começou a ter destaque nos pastos e
várzeas alagadas do Vale do Ribeira,
atingindo nos anos 90 seu potencial de
produção de leite e carne.
Em 1989, através da divisão regional do IZ - Instituto de Zootecnia no município de
Registro, a Secretaria da Agricultura criou o Programa de Desenvolvimento da
Bubalinocultura no Vale do Ribeira. Direcionado a proprietários de pequenas e médias
áreas, o projeto cede 11 búfalos (dez fêmeas e um macho) a cada membro. No período
de sete anos, o instituto recebe de volta 14 animais, repassados para outros criadores, e
os proprietários gozam da produção e reprodução dos animais durante esse tempo. O
objetivo do projeto é ajudar os produtores menores, com áreas de 100 hectares, em
média, a iniciar a criação de búfalos, aumentando sua renda e fixando-os no campo.
Uma preocupação do projeto ao avistar uma grande manada dentro do rio, durante a
navegação, é justamente sobre o impacto desses animais na qualidade da água. Vale
ressaltar que a análise de uma amostra coletada no local indicou água hipereutrófica, ou
seja, altamente impactada. As espécies de búfalo criadas no Brasil são chamadas de
water buffalo em inglês, devido ao seu hábito de passar horas submersas na água.
Aumentar cada vez mais a criação às margens do rio resultará em um impacto maior às
águas, com possíveis seqüelas até na reprodução da manjuba.
Recomendações
Muitos dos candidatos ao Programa de Desenvolvimento da Bubalinocultura no Vale do
Ribeira acabam não sendo atendidos, pois suas propriedades carecem de estrutura para
receber os animais. A maioria ou não possui pasto suficiente ou não atende às
exigências de qualidade de currais.
É freqüente encontrar propriedades com um número de animais maior do que sua
capacidade suporte. A quantidade de animais por hectare varia conforme a localização
da fazenda, fertilidade do solo, manejo da propriedade, etc. Se deve seguir a orientação
de que cada animal necessita em média de um hectare de pasto, e o produtor tem que prever
o rápido crescimento do rebanho. É indispensável haver um estudo e diretrizes
ambientais para a criação desses rebanhos no Vale, visando à garantia da qualidade da
água. Levando em conta a característica aquática do búfalo, o criador poderá formar nos
campos poças para mergulho dos animais e instalar cercas evitando o acesso
diretamente ao rio. Maiores informações quanto à criação de búfalos serão obtidas com
o Instituto de Zootecnia de Registro - Tel. (013) 3975-9068, ou com a Associação
Brasileira dos Criadores de Búfalos - Tel. (011) 3263-4455 – www.bufalo.com.br
56
•
Quanto às bananeiras
A bananicultura continua sendo o carro
chefe da agricultura do Vale do Ribeira.
Atualmente, a atividade ocupa mais de 41
mil hectares, é cultivada em 15 municípios
do Vale e emprega cerca de 3.800
produtores. A produção média anual é de 25
toneladas de fruta por hectare, sendo 70% do
tipo nanica e 30% do tipo prata.
Emprega aproximadamente 65 mil pessoas, direta e indiretamente, e além da própria
agricultura, envolve o comércio de defensivos e pelo menos 15 agronegócios que têm a
banana como ingrediente principal.
O cultivo enfrenta uma série de intempéries, como novas pragas, dificuldade na
comercialização, poucos recursos para aplicar novas técnicas e a falta de
conscientização e preservação do meio ambiente. Outra grande dificuldade enfrentada é
a impossibilidade de assumir compromissos internacionais pela incerteza de garantir a
entrega. Além das enchentes, que já destruíram bananais inteiros por inúmeras vezes, na
época do inverno a friagem traz consigo o chilling da banana, que é uma perturbação
fisiológica dos frutos que acontece em temperaturas abaixo de 12ºC.
Recomendação
Recomenda-se a estruturação de cooperativas ou associações de produtores para
fortalecer seu poder de barganha na comercialização dos produtos, e auxiliá-los quanto
às estratégias de armazenagem, transporte, exportação, marketing, etc. Também é de
grande importância investir na aplicação de técnicas modernas de produção, e na
utilização apenas de defensivos aprovados por lei e recomendados pelos países
compradores de banana, visando à minimização dos impactos ambientais (de acordo
com os pescadores, os agrotóxicos estão dizimando os estoques pesqueiros).
Um fator que pode ter contribuído para o prejuízo provocado por enchentes é
precisamente a eliminação da mata ciliar. A conservação de uma faixa dessa mata é lei,
determinada pela largura do rio. A restauração da mata ciliar é urgente ao longo do rio.
Além de proteger contra a força das águas na cheia, ajuda a filtrar os agrotóxicos e cria
um refúgio para a fauna nativa.
O método para recuperar a mata ciliar consiste na retirada parcial de bananeiras, abrindo
clareiras para plantar mudas de espécies pioneiras (exigentes em sol, são chamadas de
espécies primárias), e na utilização de parcelas do bananal para mudas de espécies
secundárias na sombra, para replantio. Espera-se que, após cinco anos, a regeneração
tenha adquirido um aspecto denso, com características de uma floresta. No decorrer do
tempo, essas parcelas funcionariam como ilhas de diversidade, dando oportunidade para
a recuperação da mata ciliar como um todo.
57
•
Quanto ao Turismo
O turismo no Vale do Ribeira está em
desenvolvimento e possui um grande
potencial para a exploração das modalidades
ecológico e rural. Algumas atividades como
turismo de aventura, canoagem, visitas a
cachoeiras, cavernas, grutas, serras e
propriedades rurais que possuem engenhos
de cana-de-açúcar, são bastante procuradas
na região, inclusive por turistas estrangeiros.
O Vale do Ribeira é conhecido como um dos locais preferidos para aqueles que querem
contato com a natureza. A região abriga algumas das mais importantes reservas
ecológicas do país. No litoral, encontramos um preservado conjunto arquitetônico e
manifestações culturais de longa tradição.
A região possui características culturais representadas pela diversidade histórica e
cultural de comunidades oriundas da cultura cabocla, caiçara ou quilombola. A cidade
de Iguape, por exemplo, preserva sua arquitetura de época, e boa parte da cultura
original dos índios da região ainda se mantém nos hábitos dos caiçaras, nas suas lendas,
na linguagem, no artesanato. O local também oferece diversos pontos de interesse
turístico: o Museu de Arte Sacra, o Museu Histórico e Arqueológico, a Trilha do Morro
do Espia, trilhas, cachoeiras e praias.
O Pólo Ecoturístico de Lagamar, que compreende os municípios de Iguape, Ilha Comprida,
Pariquera-Açu, Cananéia e Guaraqueçaba, é uma iniciativa que visa gerar renda para as
comunidades locais. Com uma extensão de mais de 200 quilômetros, é considerado um
santuário ambiental, devido à facilidade de procriação de diversas espécies. Trata-se de
lagunas à beira-mar com vegetação de restinga e Mata Atlântica. A fauna e a flora são ricas
e os mangues são um dos maiores viveiros de peixes do mundo.
É importante citar a diversidade de áreas de preservação demarcadas ao longo do
Ribeira e região, que formam um grande trunfo para atrair turistas nacionais e
internacionais. São elas: Parque Estadual Intervales; Parque Estadual Carlos Botelho;
Estação Ecológica de Juréia-Itatins; Parque Estadual do Alto Ribeira – PETAR; APA
Cananéia-Iguape-Peruíbe; Reserva Natural Salto Morato; Parque Nacional do
Superagüi; APA Guaraqueçaba; Parque Estadual da Ilha do Cardoso; Parque Estadual
Pariquera-Abaixo; Estação Ecológica de Chauás; Área de Proteção Ambiental da Ilha
Comprida; e o Complexo Estuarino Lagunar de Iguape, Cananéia e Paranaguá.
Para saber mais sobre a Mata Atlântica, vale consultar os sites da SOS Mata Atlântica
(www.sosmataatlantica.org.br) e da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica
(www.rbma.org.br).
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A Agenda de Ecoturismo do Vale do Ribeira, importante iniciativa e estratégia de
desenvolvimento sustentável regional, é uma forma de articulação visando o estudo,
planejamento e fomento do Ecoturismo na região. Fazem parte dela secretarias do
Governo Estadual e suas áreas técnicas, o CODIVAR, que é o consórcio que representa
todos os municípios do Vale, e diversos segmentos da comunidade. Tendo como
objetivo as ações concretas para o desenvolvimento sustentável da região, inserindo as
comunidades locais no processo de implantação do ecoturismo e geração de renda para
as mesmas, a agenda baseia-se nas seguintes linhas de ação: informação e divulgação,
planejamento, capacitação, fomento e incentivo. Maiores informações em:
www.cepam.sp.gov.br/ecoturismo/index3.htm
Alguns exemplos de atividades que podem ser praticadas são: espeleoturismo (visitas a
cavernas e grutas); caminhadas; trekking; ciclismo; pesca; escaladas; vôos livres;
cannoing; rafting. A Praia Secreta Expedições é uma empresa especializada em
atividades de turismo de aventura no rio Ribeira. Mais detalhes podem ser obtidos no
site www.praiasecreta.com.br.
Recomendações
Ajudado pelo clima, pela rica hidrografia e pelas áreas preservadas, o desenvolvimento
do turismo na região é uma alternativa para seu crescimento sustentável, capaz de gerar
renda para as populações e tornar-se um mecanismo de proteção e gestão dos seus
recursos naturais.
É necessário que tanto as pessoas que se interessem em explorar o turismo como fonte
de renda, quanto as pessoas que o praticam, busquem informações de como trabalhar de
uma maneira sustentável, em sintonia com a preservação do meio ambiente da região.
Em diversas partes do Brasil, municípios estão se unindo para a criação de consórcios
para investir especialmente no turismo, visto que o turista vai naturalmente visitar mais
do que uma única cidade da região. Como as belezas naturais estão distribuídas por
vários municípios do vale, o ideal seria que os mesmos trabalhassem juntos para
atraírem mais visitantes ao local.
A Associação Brasileira das Empresas do Turismo de Aventura – ABETA auxilia e
promove o profissionalismo e as melhores práticas de segurança e qualidade,
contribuindo para o desenvolvimento sustentável do Turismo de Aventura no Brasil, em
parceria estreita com os diferentes atores da sociedade. Maiores informações no site
www.abeta.com.br
É interessante sempre promover a ética e prática do Mínimo Impacto, pelo qual o turista
minimiza os rastros de sua visita na paisagem. No site www.pegaleve.org.br, são
encontradas informações importantes para a prática do turismo sem deixar vestígios ou
conseqüências ao meio ambiente.
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Iniciativa do Instituto de Hospitalidade, em parceria com o Conselho Brasileiro de
Turismo Sustentável - CBTS, o Programa de Certificação em Turismo Sustentável –
PCTS visa apoiar os empreendedores do turismo a responder aos novos desafios do
setor de turismo, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do país. Maiores
detalhes no site: www.pcts.org.br
O Programa de Financiamento ao Turismo Sustentável tem com objetivo incentivar
todos os bens e serviços necessários à implantação, ampliação e modernização de
empreendimentos turísticos. As atividades financiadas são o Ecoturismo (Turismo
Especializado) e Turismo Convencional, compreendendo eventos, aventura, pesca
amadora e outros de caráter esportivo, profissional, bem estar, estudo, místico, cultural,
rural, pesquisa e outros. Informações: http://www.basa.com.br/prodetur.htm
O turismo gera empregos em múltiplas áreas, desde o comércio dentro das cidades e a
produção e venda de artesanato, até a formação de profissionais para trabalhar nos
hotéis e pousadas, nos restaurantes, e como guias turísticos, barqueiros, etc. Se
desenvolvido de forma sustentável, protegendo precisamente os atrativos que trazem os
visitantes, a atividade aumentará a qualidade de vida dos moradores de toda a região.
Barcos em Cananéia.
O Pólo Ecoturístico do Lagamar.
Casas coloridas em Iguape.
60
•
Quanto à Pesca
Há muito tempo, o principal foco da pesca
de subsistência do rio Ribeira de Iguape é a
manjuba (anchoviella lepidentostole), um
peixe de mar de apenas 15 centímetros,
endêmico na região. Ocorre em quantidade
comercial apenas em Iguape, mas foi
encontrado ocasionalmente em um lugar na
Bahia e em outro no Rio Grande do Sul.
A manjuba procura a água doce para procriar, subindo o rio Ribeira em grandes
cardumes. Portanto, é a vazão do rio que condiciona a sua subida para desovar.
Qualquer represamento do fluxo do rio que possa diminuir a vazão tão crítica ao seu
ciclo produtivo, especialmente se for comprovada uma tendência decrescente do nível
da água do rio, causará um verdadeiro desastre ecológico e um grande problema
sócio-econômico na região.
A construção de um canal artificial, o Valo Grande, terminada em 1855, teve como
objetivo encurtar o caminho ligando o rio Ribeira ao porto marítimo de Iguape, no
Mar Pequeno. As águas do rio, encontrando um caminho mais curto, aumentaram a
largura do canal ao longo do tempo, provocando assoreamento no delicado
ecossistema do Complexo Estuarino Lagunar, bem como trazendo grande quantidade
de água doce para dentro de um ambiente marinho, com graves repercussões na
produção de espécies como camarões. Além disso, no decorrer dos anos, provocou
enchentes e desmoronamentos, como a ocorrida no início de 2007, que acarretou na
destruição de algumas casas.
É interessante notar que o motivo da construção do Valo Grande, que era facilitar o
transporte de carga vindo do Vale do Ribeira até o Porto Grande, acabou por prejudicar
justamente o comércio que tanto queria ajudar. O porto encheu de sedimentos,
impedindo o acesso dos navios marítimos. Tendo totalmente transformado o curso
natural do rio, sobram até hoje os problemas sociais e ambientais.
Aproximadamente 80% dos pescadores da região de Iguape trabalham para indústrias
de pescado e utilizam material terceirizado, como o barco, motor e redes. Tanto
esforço pesqueiro está ameaçando a manjuba de sobrepesca. A produção vem
diminuindo cada safra. Outro fator que contribuiu para a sobrepesca foi o emprego da
arte de pesca denominada corrico (uma rede é amarrada entre uma bóia e a canoa do
pescador, que vem descendo o rio captando os peixes). Ao contrário da manjubeira,
que precisa ser manejada por quatro pescadores, o corrico pode ser utilizado
individualmente, mesmo por pessoas com pouca habilidade. Isso aumenta mais ainda
a pressão sobre os estoques de manjuba.
61
O Valo Grande, a Barra do Ribeira e a Barra do Icapara, por onde a manjuba entra no
rio Ribeira, são áreas proibidas de pesca. Porém, não existe fiscalização, e a pesca
prossegue até no período do defeso.
Recomendações
A primeira ação necessária é um estudo sério dos hábitos da manjuba, medindo os
estoques da espécie e sua capacidade de procriação, levando em conta mudanças
ambientais, para assim determinar os níveis de uma pesca sustentável. Só depois disso,
seria possível estabelecer limites de pesca, tanto em termos da quantidade como na
época mais apropriada, para proteger a espécie e permitir sua pesca por muitos anos.
Sugere-se que a realização do manejo adaptativo da manjuba. Isso significa adotar
práticas de conservação que considerem a relação entre o estoque de manjuba e as
variáveis ambientais que incidem sobre ele. O mais importante é que esse manejo
considere que o máximo que se pode capturar de manjuba sob condições ambientais
favoráveis não pode ser mantido sob condições desfavoráveis. No caso da manjuba, o que
se entende por condição favorável é a alta pluviosidade, que aumenta a vazão do rio.
A aplicação do defeso, com rígida fiscalização, é uma alternativa capaz de reverter o
quadro de exploração excessiva. Porém, levando em conta que a manjuba, quando
pescada, está justamente subindo o rio para desovar, as cotas estabelecidas têm de ser
muito bem estudadas, com a participação da Colônia dos Pescadores de Iguape.
Também é preciso fazer um trabalho paralelo sobre a comercialização. A maior parte da
produção de manjuba ainda é vendida "in natura", mas agregando valor ao produto, a
atividade torna-se mais eficiente e ecologicamente correta. Na maioria das vezes, para
obter maior lucro, o pescador aumenta a produção e, dessa forma, aumenta o esforço da
pesca sobre a manjuba. Agregando valor, a princípio é possível pescar menos manjuba,
valorizando-a no mercado.
O canal do Valo Grande, Iguape.
Retirando manjuba da manjubeira.
62
•
Quanto à construção de hidrelétricas
Paira sobre o Vale do Ribeira a questão das
barragens de usinas hidrelétricas. O Ribeira
de Iguape é o único rio de porte que percorre
terras paulistas ainda livre de represas. Além
da UHE de Tijuco Alto, proposta da
Companhia Brasileira de Alumínio – CBA
entre as cidades de Ribeira (SP) e Cerro
Azul (PR), havia, nos anos 70, também uma
proposta da CESP para outras três barragens
– Funil, Itaóca e Batatal.
Ao procurar mais informações sobre as pretensões da ANEEL, não encontramos
qualquer referência ou informação concreta sobre as três barragens da CESP. Apenas
consta, com todos os estudos devidamente levados a cabo, a proposta da UHE de
Tijuco Alto. Pretende ser uma usina particular, da CBA, visando o fornecimento de
128 MW de energia para seu complexo metalúrgico em Alumínio (SP). Formaria um
lago com 71 km de extensão e cobriria uma área de 51,8 km², represado por uma
barragem de 142 metros de altura.
A instalação de uma UHE sempre traz conturbações, forçando pessoas a abandonarem
terras que suas famílias habitam há décadas, ou mesmo há séculos. São obras que visam
suprir demandas energéticas da sociedade, mas tanto aqui como no mundo todo, não
deixam de ter pesados impactos sociais e ambientais. Os empregos gerados inicialmente
são muitos, especialmente para mão de obra bruta e barata, mas as vagas vão
esvaecendo com a usina terminada.
A luta de alguns ribeirinhos contra a construção da usina de Tijuco Alto leva em
consideração o fato que, em geral, o represamento de rios causa a acidificação da água,
principalmente nas camadas mais profundas do reservatório, devido à decomposição da
matéria orgânica existente na área de inundação. Isso levaria as partículas inativas de
chumbo, existentes nos sedimentos no rio oriundos da atividade mineradora no Vale no
passado, a se tornarem ativas devido à reação com a água acidificada. Também, o
alagamento da região poderia causar a suspensão do chumbo depositado no leito do rio,
e o arraste dos rejeitos que estão às margens para o leito, podendo elevar
substancialmente o grau de contaminação na região.
Recomendações
Nos Estados Unidos, ao reconhecer os impactos sociais, ambientais e econômicos de se
construir grandes barragens, iniciou-se um processo de avaliação de como as barragens
poderão ser evitadas, desativadas e até removidas.
63
Uma maneira de evitar a construção de novas centrais hidrelétricas é melhorar a
eficiência do sistema atual. Mais de 15% da energia gerada no Brasil está perdida antes
de chegar ao consumidor. Existe uma grande oportunidade de modernizar o sistema
para maximizar o aproveitamento de energia em usinas já existentes. Outros programas
prioritários devem enfatizar uso de turbinas mais eficientes e modernização de
equipamento em usinas com mais de 20 anos de operação.
Ao se planejar a construção de uma usina hidrelétrica, se deve considerar as opções
de menor impacto ambiental e social, como áreas já devastadas pelo homem, ou
mesmo rios já impactados por outras usinas, para evitar a destruição de novos rios e
matas íntegras.
O reuso da água na indústria possui grande valor econômico e ambiental. Já a
adoção de medidas para reduzir o consumo de energia também pode resultar em
corte de gastos na cadeia produtiva, atenuando a demanda e a conseqüente
construção de novas fontes geradoras.
O Vale do Ribeira, extremamente fértil, dotado de uma riqueza excepcional em termos
históricos e ambientais, incluindo várias áreas merecedoras de destaque como
Patrimônios da Humanidade, sem falar de sua fragilidade, é precisamente um caso que
pede ser isento desse tipo de obra.
Vale do Ribeira, entre Cerro Azul e Ribeira.
64
2.9. Links relacionados ao tema Recursos Hídricos
•
Comitê da Bacia Hidrográfica do Ribeira de Iguape e Litoral Sul
Envolve 23 municípios, sendo eles: Apiaí, Barra do Chapéu, Barra do Turvo, Cananéia,
Cajati, Eldorado, Iguape, Ilha Comprida, Iporanga, Itaoca, Itapirapuã Paulista, Itariri,
Jacupiranga, Juquiá, Juquitiba, Miracatu, Pariquera-Açu, Pedro de Toledo, Registro,
Ribeira, São Lourenço, Sete Barras, Tapiraí.
Tel: (13)3821-3244 Fax: (13)3821-4730
E-mail: [email protected]
Programa de Gestão de Recursos Hídricos, coordenado pela Agência
•
Nacional de Águas, é um programa do Governo Federal que integra projetos e
atividades objetivando a recuperação e preservação da qualidade e quantidade dos
recursos hídricos das bacias hidrográficas.
Agência Nacional de Águas – ANA
TEL: (61) 2109-5400 - www.ana.gov.br
•
DRS - Desenvolvimento Regional Sustentável, lançado pelo Banco do Brasil
em 2003, busca incentivar a inclusão social, por meio da geração de trabalho e renda,
democratizar o acesso ao crédito, impulsionar o associativismo e o cooperativismo,
contribuir para a melhora dos indicadores de qualidade de vida e solidificar os negócios
com micro e pequenos empreendedores rurais e urbanos, formais ou informais.
Banco do Brasil
Informações disponíveis no site: www.bb.com.br/appbb/portal/bb/drs/index.jsp
65
2. 8. Contatos
Relaciona-se a seguir as pessoas chave que direta ou indiretamente tiveram
envolvimento com o projeto Brasil das Águas “Sete Rios”, na expedição ao rio Ribeira.
Região
Cerro Azul - PR
Nome
Contato
Prefeitura Municipal
Tel: (41) 3662-1222 / Fax: (41) 3662-1222
Jonas Dias Batista
Prefeito
Tel: (15) 3555-1149 / Fax: (41) 3555-1132
[email protected]
Jair Leite
Secretário Municipal de Meio Ambiente
Tel: (15) 9774-4419
Osmar Maia
Prefeito
Tel: 41-36781282 / Fax: 41-36781319
Elísio Avelar
Sec. de Agricultura e Meio Ambiente
Tel: (41) 3678-1220
[email protected]
Ariovaldo da Silva Pereira
Prefeito
Tel: (015) 3556-1163 / (15) 9742-6218
[email protected]
Shimi
Chefe de Gabinete
Tel: (15) 9742-6214
Evaniel Ciro dos Santos
Secretário Municipal de Meio Ambiente
Tel: (15) 9742-6225
Eloi Fouquet
Prefeito
Tel: (13) 3871-6100 / (13) 3871-1500
[email protected]
Rodrigo Aguiar
Diretor de Meio Ambiente
Tel: (13) 3871-1208
[email protected]
Clóvis Vieira Mendes
Prefeito
Tel: (13) 3828-1000
Regina Celli Chagas Tosta
Chefe de Gabinete
[email protected]
Cassiane
Secretária de Cultura
Tel: (13) 3822-4492 / (13) 9158-5075
[email protected]
Ariovaldo Trigo Teixeira
Prefeito
Tel: (13) 3841-1626
[email protected]
Hércules Negrão
Diretor de Administração
Tel: (13) 8114-9335
[email protected]
José Augusto Régio Costa – Diretor de
Divisão de Agricultura e Pesca
Tel: (13) 3841-1809 / (13) 3841-3248
E-mail: [email protected]
Ribeira – SP
Adrianópolis - PR
Iporanga - SP
Eldorado - SP
Registro - SP
Iguape - SP
Agradecimentos
Além de agradecer a colaboração de todos os citados acima, o projeto gostaria de
mencionar especialmente o apoio de Ariane Janer do Institude da Hospitalidade, Malu
Ribeira da Rede das Águas, Daniel Spinelli da Praia Secreta, Bira da Pousada Tatu
e Natalie Hoare. Todas as fotos foram tiradas pela equipe do projeto.
66
Anexo 1. Tabela master com os dados obtidos das amostras coletadas.
67
Anexo 2. Estudo das séries históricas da vazão do rio Ribeira
Código
81107000
81135000
81200000
81350000
Nome da estação fluviométrica
FOZ DO SÃO SEBASTIÃO
CERRO AZUL
CAPELA DE RIBEIRA
IPORANGA
Área de drenagem (km2)
3198
4570
7252
12450
Fonte: Agência Nacional de Águas
Dados referentes ao período de 01/01/1978 a 01/12/2005.
Estação 1 – Foz do São Sebastião
Vazões
1300,0
81107000
1250,0
1200,0
1150,0
1100,0
1050,0
1000,0
950,0
900,0
850,0
Vazão (m3/s)
800,0
750,0
700,0
650,0
600,0
550,0
500,0
450,0
400,0
350,0
300,0
250,0
200,0
150,0
100,0
50,0
78 79 79 80 80 81 81 82 82 83 83 84 84 85 85 86 86 87 87 88 88 89 89 90 90 91 91 92 92 93 93 94 94 95 95 96 96 97 97 98 98 99 99 00 00 01 01 02 02 03 03 04 04
Estação 2 – Cerro Azul
Vazão (m3/s)
Vazões
1850,0
1800,0
1750,0
1700,0
1650,0
1600,0
1550,0
1500,0
1450,0
1400,0
1350,0
1300,0
1250,0
1200,0
1150,0
1100,0
1050,0
1000,0
950,0
900,0
850,0
800,0
750,0
700,0
650,0
600,0
550,0
500,0
450,0
400,0
350,0
300,0
250,0
200,0
150,0
100,0
50,0
81135000
78 79 79 80 80 81 81 82 82 83 83 84 84 85 85 86 86 87 87 88 88 89 89 90 90 91 91 92 92 93 93 94 94 95 95 96 96 97 97 98 98 99 99 00 00 01 01 02 02 03 03 04 04
68
Estação 3 – Capela de Ribeira
Vazões
3100,0
3000,0
81200000
2900,0
2800,0
2700,0
2600,0
2500,0
2400,0
2300,0
2200,0
2100,0
2000,0
1900,0
Vazão (m3/s)
1800,0
1700,0
1600,0
1500,0
1400,0
1300,0
1200,0
1100,0
1000,0
900,0
800,0
700,0
600,0
500,0
400,0
300,0
200,0
100,0
78 79 79 80 80 81 81 82 82 83 83 84 84 85 85 86 86 87 87 88 88 89 89 90 90 91 91 92 92 93 93 94 94 95 95 96 96 97 97 98 98 99 99 00 00 01 01 02 02 03 03 04 04
Estação 4 – Iporanga
Vazões
3100,0
3000,0
81350000
2900,0
2800,0
2700,0
2600,0
2500,0
2400,0
2300,0
2200,0
2100,0
2000,0
Vazão (m3/s)
1900,0
1800,0
1700,0
1600,0
1500,0
1400,0
1300,0
1200,0
1100,0
1000,0
900,0
800,0
700,0
600,0
500,0
400,0
300,0
200,0
100,0
41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96
Obs. Essas estações de medição da ANA estão localizadas no Alto Ribeira. No
momento, não há estatísticas consistidas sobre a vazão do Baixo Ribeira.
69
PATROCÍNIO MASTER
PARCEIROS
APÓIO TÉCNICO E INSTITUCIONAL
PROJETO BRASIL DAS ÁGUAS – SETE RIOS
Rua Marechal Cantuária, 149, 501 Rio de Janeiro – RJ CEP 22291-060 Tel: (21) 2530-2644
www.brasildasaguas.com.br
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Relatório final do sobre o Rio Ribeira