Por uma vida melhor — a união europeia investe nas pessoas através do Fundo Social europeu KE-78-09-858-PT-C 17.12.2009 13:13:37 Uhr PT_Ums_13.10.indd 1 Por Uma Vida Melhor Comissão Europeia Nem a Comissão Europeia nem qualquer pessoa que actue em seu nome são responsáveis pelo uso que possa ser feito com as informações contidas nesta publicação © fotos: Comunidades Europeias Europe direct é um serviço que responde às suas perguntas sobre a União Europeia Linha telefónica gratuita (*): 00 800 6 7 8 9 10 11 (*) Alguns operadores de telefonia móvel não permitem o acesso a números iniciados por 00 800 ou cobram estas chamadas. Encontram-se disponíveis numerosas outras informações sobre a União Europeia na rede Internet, via servidor Europa (http://europa.eu) Uma ficha bibliográfica e um resumo figuram no final desta publicação Luxemburgo: Serviço das Publicações da União Europeia, 2009 ISBN 978-92-79-12686-4 doi:10.2767/28439 © Comunidades Europeias, 2009 Reprodução autorizada mediante indicação da fonte Printed in Germany Impresso em papel branqueado sem cloro PT_Ums_13.10.indd 3 17.12.2009 13:13:37 Uhr Por uma vida melhor A União Europeia investe nas pessoas através do Fundo Social Europeu Comissão Europeia Direcção-Geral do Emprego, dos Assuntos Sociais e da Igualdade de Oportunidades Unidade A1 Manuscrito terminado em Junho de 2009 PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 1 18.12.2009 10:49:47 Uhr 2 Índice 10 12 Jovens Progredir no emprego adequado 10 Audrey Libres, 21 anos, regressou à escola em Champagne, França, para se qualificar como florista estagiária. 14 20 26 16 Bruno Teixeira, 29 anos, utilizou contactos obtidos num estágio na Indonésia para criar uma empresa de consultadoria no Porto, Portugal. Uma parceria saudável Canalizar juventude e energia 30 24 Enquanto Koulla Aggelou, 38 anos, faz o seu trabalho como empregada de limpeza em Augorou, Chipre, o programa de um centro de dia familiar cuida da sua mãe idosa. Criar uma empresa turística diferente 32 . Recreio no escritório 26 Stephan Wittich, 39 anos, pode prosseguir o seu trabalho de investigação enquanto a filha está numa creche na Universidade de Viena, Áustria. Uma mulher a conduzir 28 Riikka-Leena Lappalainen, 50 anos, transformou o seu hotel de família na região de Pohjois Savo, Finlândia, num negócio de sucesso, depois de integrar um projecto internacional para mulheres empresárias. 30 A jornalista Beata Szozda, 26 anos, lançou a sua publicação sobre automobilismo em linha em Poznań, Polónia, depois de frequentar um curso sobre empresas. Um melhor equilíbrio vida/trabalho O futuro nas próprias mãos 34 32 Gerard Jansen, 53 anos, trabalha a partir de casa para a sua entidade patronal, o departamento local da água em Drachten, Países Baixos. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 2 20 Yann Lelièvre, 27 anos, obteve ajuda para elaborar um plano empresarial antes de abrir a sua loja de artigos para desporto, em Clermont-Ferrand, França Igualdade entre homens e mulheres As mulheres trabalham enquanto a geração mais velha se diverte 28 Promessa a Oriente 14 Sheena Matthews, 27 anos, de Dublim, Irlanda, fez um curso de formação em desportos e agora ajuda a formar novos instrutores. 18 Radmila Petroušková, 26 anos, abriu um café especializado em alimentos saudáveis em České Budějovice, na República Checa, depois de integrar um projecto para jovens empresários. 24 12 Bruno de Almeida Aveiro, 18 anos, beneficiou de um projecto de educação e formação, com a duração de três anos, para obter emprego como jardineiro municipal no Luxemburgo. 16 Fitness para a vida 18 O desafio de garantir a subsistência 34 Katarína Vargová, 37 anos, recebeu formação e aconselhamento que a ajudaram a regressar ao mercado de trabalho em Bratislava, Eslováquia, após uma licença de maternidade prolongada. 18.12.2009 10:51:36 Uhr 3 Índice Pessoas desfavorecidas A deficiência não é uma desvantagem para trabalhar 38 Andrzej Lubowiecki, 47 anos, frequentou um curso destinado a ajudar pessoas com incapacidade parcial a candidatarem-se a empregos em Gdynia, Polónia, e arranjou emprego como segurança no dia seguinte. Ajudar os invisuais A história de Georgia 54 Um programa que reuniu empregadores e trabalhadores mais velhos em Viena, Áustria, permitiu a Roswitha Kerbel, 55 anos, arranjar emprego numa organização de angariação de fundos. Novas competências e sentido de comunidade Regressar ao trabalho Preparar uma nova carreira PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 3 48 52 54 56 58 60 62 O verdadeiro valor da experiência Solidariedade social dá nova esperança 60 Um curso de actualização de competências permitiu a George Mifsud, 60 anos, recomeçar a vida como funcionário de manutenção paisagística em Malta. 46 48 Um programa de reabilitação emCorfu, Grécia, permitiu a Georgia Chrisikopoulou, 36 anos, arranjar emprego como jardineira. Trabalhadores mais velhos 56 Tsvetan Ivanov, 62 anos, tornou-se assistente social em Vratsa, Bulgária, graças a um projecto de apoio a residentes idosos que são obrigados a permanecer em casa. 44 Apreciar a vida no campo Aprender a viver com a dor 52 A aquisição de competências em informática ajudou Milan Nedbal, 53 anos, de Prusinovice, na República Checa, a arranjar um novo emprego na área de produção, após ser despedido do emprego anterior. 42 Uma receita para o sucesso 44 Andrej Lovrencec, 22 anos, fez formação «no local de trabalho», o que lhe permitiu arranjar emprego como trabalhador agrícola na região de Prekmurje, na Eslovénia. Reconversão para o mercado de trabalho actual 40 40 Éva Gyulai, 33 anos, trabalha no restaurante de cariz familiar em Szekszárd, Hungria, depois de frequentar um curso de formação em culinária durante um ano. 42 A estudante Sarmite Gromska, 21 anos, recebe materiais de estudo em Braille gratuitos na Universidade da Letónia, em Riga. 46 A empregada de limpeza Otília Marques, 54 anos, aprendeu a vencer a incapacitante dor reumática lombar num curso de formação no Luxemburgo. 38 58 Um curso de tecnologias da informação permitiu à empresária Aldona Mikalauskiene, 71 anos, modernizar a sua empresa de contabilidade em Vilnius, Lituânia. 62 Jane Grøne, 58 anos, obteve a qualificação como motorista de autocarro em Aalborg, Dinamarca, graças a um curso de competências profissionais. 18.12.2009 10:54:01 Uhr 4 66 68 Empreendedorismo Aconselhamento coloca serviço de aerodeslizadores no rumo certo 70 72 66 Um projecto de aconselhamento forneceu a Peeter Tarmet, 32 anos, as ferramentas de que necessitava para promover as suas viagens em aerodeslizadores em Talin, na Estónia. Negócios de abelhas Segurança na quinta Uma empresa de construção precisa de fundações sólidas Construir um futuro no campo 70 Normunds Zeps, 31 anos, frequentou um curso de formação sobre gestão de pequenas empresas e, actualmente, cria abelhas para produção de mel em Kalupe, na região rural da Letónia. 74 76 74 José Salmerón Guindos, 47 anos, reestruturou a sua empresa de construção em La Huertezuela, Espanha, graças a um programa para pequenas e médias empresas 80 82 88 86 90 76 Florin Istrate, 39 anos, ajuda os agricultores de Barbuletu, Roménia, a criarem meios de subsistência sustentáveis para eles e para as suas famílias. Com uma pequena ajuda, é fácil resolver problemas 80 Marie Therese Vella, 48 anos, recomeçou a sua vida graças a um programa de formação para pessoas com idade superior a 40 anos e trabalha agora a tempo inteiro numa fundação para o desenvolvimento em Malta. 82 Uma formação sobre competências profissionais em Larnaca, Chipre, permitiu a Andreas Apatzidis, 41 anos, conseguir o trabalho de motorista de furgonetas adequado para ele. Um bom trabalhador conquista reconhecimento oficial Investimento numa boa noite de sono 84 Zsolt Korcz, 34 anos, frequentou um curso de formação com a duração de um ano e obteve a certificação de pedreiro qualificado após vários anos a trabalhar como servente de construção civil em Zalaegerszeg, Hungria. Progressão na carreira 88 Sessões de formação intensiva ajudaram Biliana Filipova, 33 anos, de Dupnitsa, na Bulgária, a lidar com as suas crescentes responsabilidades de gestão. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 4 72 Gaetane Anselme, 40 anos, recebeu aconselhamento para melhorar a segurança das crianças que visitam a sua quinta educativa na Valónia, Bélgica. Novas competências Uma segunda oportunidade, uma nova carreira 84 Gerar energia verde 68 Sandra Barnes-Keywood, 37 anos, aprendeu a tornar o seu hotel B&B perto de Chichester, no sul de Inglaterra, mais ecológico. 86 Daniel Dellisse, 50 anos, frequentou um curso de reconversão técnica através da sua empresa na Flandres, Bélgica, a fim de poder mudar para turnos diários. Reactivar os conhecimentos 90 Peter Meller, 48 anos, actualizou as suas competências em engenharia mecânica em Magdeburgo, Alemanha, e assegurou um emprego na indústria automóvel. 18.12.2009 10:56:02 Uhr 5 Índice Educação e formação O valor da tradição 94 Uma bolsa de estudos europeia ofereceu à antropóloga Monica Stroe, 24 anos, de Bucareste, na Roménia, a oportunidade de aprofundar o seu trabalho de investigação. Forte aposta Mostrar a outros o caminho a seguir 108 Jana Urbanija, 26 anos, recuperou da toxicodependência e frequentou um programa de formação informal que lhe permitiu frequentar a Universidade de Liubliana, na Eslovénia. Das ruas para a passarela 112 Fiorella, 50 anos, viveu durante dois anos nas ruas de Bolonha, Itália, antes de frequentar um curso de formação profissional para pessoas sem abrigo que a qualificou para gerir uma loja de moda. Comunicação para pessoas com deficiência auditiva 116 Mário Greško, 30 anos, venceu a sua surdez e conseguiu o emprego que pretendia no sector da produção de automóveis depois de adquirir competências em informática em Bratislava, na Eslováquia. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 5 100 102 104 108 110 112 114 116 118 100 Graças a um financiamento à investigação, Simone Rossi, 30 anos, de Umbria, Itália, foi pioneiro no desenvolvimento de um novo sistema de energia solar e assegurou um emprego permanente. 104 O actor e músico Mogens Lausen, 44 anos, aprendeu como criar uma empresa de preparação de carreiras pessoais em Århus, na Dinamarca. Inclusão social Refazer a vida 98 96 Harri Haanpää, 33 anos, gostaria de transmitir as competências mediáticas que o ajudaram a criar a sua própria empresa de produção cinematográfica em Helsínquia, Finlândia. Uma carreira em inovação 102 O professor universitário, Nedas Jurgaitis, 28 anos, de Siauliai, na Lituânia, recebeu aulas especiais de alguns dos melhores académicos da Europa e adquiriu a confiança de que necessitava para lançar a sua carreira. 96 Apoiar a criatividade Por amor às florestas 98 A formação e gestão florestal ajuda Maria Balbina Soares Melo Rocha, 59 anos, a gerir a sua propriedade familiar perto do Porto, em Portugal. 94 Novas competências em tecnologias da informação para um futuro melhor 110 Órfão ainda criança, Christos Giannakopoulos, 27 anos, tirou partido da formação em informática e trabalha agora numa empresa de venda a retalho em Chalkida, Grécia. Uma mão amiga, uma oportunidade de redenção 114 Um projecto de preparação para a vida ofereceu a Allan McGinlay, 47 anos, a oportunidade de esquecer o seu passado na prisão e ocupar-se profissionalmente a ajudar outros ex-reclusos em Wishaw, Escócia. Sorria e prove os queijos! 118 Anne-Lie Thuvesson, 52 anos, obteve ajuda para vencer uma depressão e abrir a sua própria charcutaria em Hässleholm, Suécia. 18.12.2009 10:57:58 Uhr 6 122 126 124 128 Luta contra a discriminação Projecto estónio de integração abre perspectivas Entrar no mercado de trabalho Uma oportunidade de subir na vida Adquirir autonomia Conhecimento significa autonomização Força na diversidade 122 Messurme Pissareva, 37 anos, participou num projecto para a integração de não nacionais na sociedade estónia em Jõhvi e dirige agora uma empresa imobiliária. 126 Amparo Navaja Maldonado, 30 anos, foi promovida a uma função de supervisão num grande hotel graças a um programa destinado à comunidade cigana, em Sevilha, Espanha. 130 132 130 Graças a um programa de formação para mulheres desempregadas, Khadija Majdoubi, 38 anos, realizou o sonho de abrir um salão de beleza em Amesterdão, nos Países Baixos. 124 Um estágio em logística da cadeia de abastecimento permitiu a Serge Mbami, 38 anos, de Limerick, Irlanda, arranjar um emprego permanente. 128 m programa de desenvolvimento destinado a jovens ajudou Abshir Abukar, 25 anos, a arranjar emprego e integrar-se na cultura que adoptou em Malmö, Suécia. 132 Cornelia Schultheiss, 44 anos, obteve ajuda para lançar uma empresa de consultadoria e promoção da compreensão intercultural entre profissionais de negócios em Berlim, Alemanha. Índice alfabético de tópicos 134 Lista de projectos que investem nas pessoas 142 PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 6 18.12.2009 10:58:47 Uhr 7 Por uma vida melhor histórias pessoais do Fundo Social europeu O que pode a União Europeia (UE) realmente fazer pelas pessoas? O Fundo Social Europeu (FSE) é uma resposta a esta questão. O FSE investe nas pessoas e abrange anualmente cerca de 10 milhões de pessoas nos 27 Estados-Membros. O impacto é normalmente sentido a nível pessoal e as 54 histórias desta publicação mostram como o FSE faz uma verdadeira diferença na vida das pessoas. O FSE foi criado em 1957 e representa actualmente cerca de 10% do orçamento da UE. O fundo é aplicado em vários projectos individuais em toda a UE, elaborados nacional e localmente de modo a responder a necessidades específicas de pessoas em diferentes situações. Reflecte a visão dos fundadores da UE, há mais de meio século, de que o reforço da unidade entre as nações não depende apenas de tratados e acordos comerciais. O FSE constitui uma demonstração prática de solidariedade entre os Estados-Membros e as comunidades, permitindo aos cidadãos europeus adaptarem-se aos novos desafios que surgiram ao longo dos anos. Implementa os valores partilhados da sociedade europeia, baseados no tratamento justo e numa qualidade de vida decente para todos. Na prática, significa acesso ao emprego, cuidados de saúde, habitação e educação, bem como cuidados e apoio para os membros mais vulneráveis da sociedade. Se a principal prioridade do FSE é a inserção das pessoas no mercado de trabalho, isso não significa que se trate apenas de PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 7 regressar a qualquer trabalho anterior. Os projectos que financia ajudam as pessoas a encontrar o emprego mais adequado: um emprego que possam manter e no qual possam progredir. Os projectos existem para permitir a reconversão profissional das pessoas e apoiá-las no seu regresso à vida activa, suavizando a pressão sobre as famílias e as comunidades. O FSE é também o principal instrumento para ajudar as pessoas a adaptarem-se à reestruturação e responde aos desafios que estas enfrentam quando beneficiam do seu direito de mobilidade entre os Estados-Membros. O crescimento económico da UE apenas pode ser construído com os esforços e energias combinados dos seus 500 milhões de habitantes. O principal princípio subjacente ao FSE é o de autonomização das pessoas: ajudar as pessoas a ajudarem-se a si próprias, a decidirem por si próprias e a realizarem as suas ambições. Esta publicação conta as histórias de 54 pessoas que aproveitaram as oportunidades oferecidas pelas iniciativas financiadas pelo FSE. O que todas elas têm em comum é o facto de serem histórias de pessoas que resolveram melhorar a sua vida ou que recusaram desistir perante obstáculos, retrocessos e, algumas vezes, mesmo face às mais terríveis dificuldades. Todas reagiram para melhorarem a sua situação ou para voltarem a avançar na direcção certa. Mas precisaram de uma pequena ajuda; aquele pequeno apoio adicional que os projectos do FSE podem oferecer e que lhes incutiu confiança. As entrevistas centram-se em homens e mulheres de todas as faixas etárias, desde adolescentes até reformados, em comunidades urbanas e rurais, em cada país da União Europeia. Caracterizam empreendedores ambiciosos com uma ideia para vender, pais que tentam conciliar vida profissional e obrigações educativas, pessoas que lutam para superar deficiências físicas ou mentais e outras que tentam integrar-se em sociedades com as quais não estão familiarizadas. As histórias mostram como a oportunidade de emprego, ainda que modesto, pode literalmente ser uma tábua de salvação para pessoas que, de outra forma, poderiam perder a oportunidade de uma vida decente. Mostram como as pessoas podem beneficiar da ajuda mútua: apoiarem e serem apoiadas. O apoio não é um processo unidireccional mas sim um benefício mútuo. E demonstram que nunca é tarde na vida para aprender e que pessoas de todas as idades e capacidades podem adquirir confiança com as novas competências que a educação e a formação proporcionam. Todos os casos são diferentes e cada vez mais a assistência prestada através destes projectos é adaptada às necessidades individuais específicas. Os resultados sugerem que esta é a forma mais adequada e bem sucedida para mudar a vida das pessoas. Os entrevistados disponibilizaram-se a partilhar alguns dos detalhes mais íntimos das suas vidas e, em muitos casos, tornaram claro que o faziam porque acreditavam que as suas histórias poderiam ajudar outras pessoas confrontadas com dificuldades idênticas. Um exemplo especialmente comovente é o de Georgia Chrisikopoulou, em Corfu, Grécia, que lutou contra várias dificuldades no início de uma vida normal 18.12.2009 10:58:47 Uhr 8 e no relacionamento com o filho de quem se tinha afastado. Os comentários que perpassam ao longo das histórias demonstram que o FSE realmente faz a diferença. «O projecto ajudou-me tanto que gostaria que todas as pessoas da Suécia soubessem mais sobre ele», afirma Anne-Lie Thuvesson, de Hässleholm. «Ensinou-me que poderia fazer qualquer coisa. Tudo o que quiser é possível se o tentar verdadeiramente», declara Messurme Pissareva, da Estónia. Para Zsolt Korcz, da Hungria, e Andreas Apatzidis, de Chipre, os projectos fizeram «milagres». E muitas outras pessoas confirmam que não estariam na posição actual sem o apoio do FSE. Estas histórias constituem igualmente testemunhos da energia e do empenha- PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 8 mento dos líderes e dos organizadores dos projectos, muitas vezes capazes de identificar o potencial de outras pessoas de uma forma que a sociedade em geral não é capaz de fazer. São pessoas que recusam desistir daqueles que os rodeiam e que possuem frequentemente uma visão de uma sociedade mais inclusiva onde todos têm a oportunidade de realizar o seu potencial. Os projectos e as pessoas que estes apoiam representam passos pequenos mas concretos rumo a este objectivo. «Uma constante de toda a formação é a mensagem de que as pessoas podem ter êxito», explica Henrik Johannesson, da Dinamarca. E como observa Per Larsson, da Suécia: «Mostra que as pessoas têm no seu interior a força para vencer se tiverem a possibilidade de a desenvolver». Os exemplos mostram que a UE ainda tem alguma forma de conseguir a verdadeira coesão social. As condições em que as pessoas vivem e os benefícios que podem obter variam de região para região. Desde 1980, o FSE destinou fundos para as regiões menos favorecidas da Europa com o objectivo de reduzir o fosso entre ricos e pobres. O que é claro é que as aspirações das pessoas em melhorar as suas vidas, e sobretudo as vidas dos seus filhos, são partilhadas através das fronteiras e das culturas. Escutar e transmitir estas histórias foi um privilégio e uma inspiração para todas as pessoas que participaram nesta publicação. Esperamos que considerem a sua leitura igualmente comovente e inspiradora e que concluam que o FSE está realmente «a fazer a diferença na vida das pessoas». 18.12.2009 10:58:47 Uhr Jovens PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 9 18.12.2009 10:58:47 Uhr 10 Progredir no emprego adequado Vasos de crisântemos brilhantes (carmesins, dourados, cor de ferrugem e cor de creme) revestem o passeio exterior de Le Jardinet, um centro de jardinagem na periferia de Reims, no norte de França. Audrey Libres recebe os clientes, aceita encomendas, faz os ramos e trata das plantas das estufas na porta ao lado. Esta jovem de 21 anos trabalha no Le Jardinet há três anos e está satisfeita com o emprego. «Por vezes, o trabalho é duro e as horas podem ser longas, mas o ambiente entre os colegas é bom. Gostaria de continuar aqui». Audrey refere que sempre quis ser florista e, com algum apoio da formação co-financiada pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, está agora na direcção certa. Mas não foi fácil. Audrey nasceu em Sedan, nas Ardenas francesas, e o amor pela natureza remonta à sua infância passada nessa bela, selvagem e montanhosa região do nordeste do país: «Quando era pequena ia muitas vezes para o campo com o meu pai. Costumávamos apanhar cogumelos. O meu pai levava-me no carrinho de mão e ficava sempre suja». Carácter forte Mas os pais separaram-se quando tinha nove anos e mudou-se para Reims com a mãe, que voltou a casar. O avô era um forte factor de coesão que ajudou a manter a família unida, Audrey e as duas irmãs. Mas quando morreu, em 2001, a situação tornou-se mais difícil. «Sofri muito na altura. O meu pai vinha buscar-me todos os segundos fins-de-semana de cada mês, mas o meu padrasto queria agir como pai e eu não aceitava isso. Não me dava nada bem com ele. Eu tinha um carácter forte e não ficava calada. Agora lamento. Com a idade, compreendi o que ele pretendia. Queria ajudarnos», recorda. Ao mesmo tempo, a sua educação não corria da melhor maneira. «Não gostava da escola», admite. «Gosto de me mexer e a ideia de passar todo o dia sentada numa cadeira a escutar um professor parecia-me uma perda de tempo. Queria começar a trabalhar, mas a minha mãe queria que continuasse a estudar». Abandonou a escola aos 17 anos, depois de concluir três anos de ensino secundário e sem qualificações. «Não me arrependo», insiste. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 10 18.12.2009 10:59:12 Uhr 11 Jovens «Todos os que me rodeavam me incentivaram a continuar e a não desistir. Foi a Escola da Segunda Oportunidade que me deu uma nova oportunidade e agradeço-lhes de todo o meu coração» Um ano mais tarde, na sequência de mais um conflito, fez as malas e saiu de casa. Foi viver com o namorado de longa data, Nicolas, e a família deste e, por uns tempos, perdeu o contacto com os pais. Uma segunda oportunidade Audrey tentou várias opções de trabalho, por exemplo, numa loja de vestuário. «Mas não gostei», explica. «Sempre quis ser florista». Conseguiu finalmente um estágio de dois meses numa florista. Mas, no fim desse período, disseram-lhe que não precisavam mais dos seus serviços e ficou de novo desempregada. «É verdade que naquela época andava bastante deprimida. Mas todos os que me rodeavam me incentivaram a continuar e a não desistir. Foi a Escola da Segunda Oportunidade que me deu uma nova oportunidade e agradeço-lhes de todo o meu coração». Em Novembro de 20004, Audrey começou a aprendizagem na escola, parte do Centro de Formação de Aprendizes (Centre de Formation d’Apprentis, CFA) de Châlons, na região de Champagne. Estudou na escola até Setembro de 2005, quando se inscreveu para uma aprendizagem profissional no Le Jardinet. A Escola de Segunda Oportunidade destina-se a ajudar jovens com idade inferior a 25 anos a entrar no mercado de trabalho. Estes jovens participam em programas de educação contínua com vista a melhorar as suas competências em francês, matemática e tecnologias da informação e comunicação, bem como em seminários sobre procura de emprego. Em simultâneo, têm uma experiência de trabalho que os ajuda a descobrir, ou a confirmar, as suas ambições profissionais. A escola ajudou Audrey a encontrar uma empresa que oferecia a aprendizagem que pretendia. Durante dois anos, enquanto trabalhava no centro de jardinagem, continuou a ter formação para obter o Certificado de Aptidão Profissional (Certificat d’Aptitude Professionel — CAP) como florista. Obteve o certificado em Junho de 2007 e decidiu continuar a estudar para um diploma em floricultura em viveiro (BEP). A escola continua a acompanhar o seu progresso. Audrey passa uma semana por mês em Nancy, na região francesa dos Vosges, a estudar para conseguir o diploma. Precisa de obter aprovação nos exames para continuar no Le Jardinet e isto significa que tem que respeitar o compromisso assumido. Nancy fica de- PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 11 masiado longe para fazer o trajecto diariamente, pelo que Audrey tem que viajar durante o fim-de-semana e alojar-se num hotel. Aprender no emprego No viveiro, gosta da natureza sazonal do trabalho. O dia de Todos-os-Santos e o Natal são períodos especialmente atarefados, com encomendas a chegar e arranjos para fazer, que podem significar horas extras de trabalho para responder à procura. O centro de jardinagem, que oferece uma grande variedade de artigos, incluindo equipamento e acessórios para jardim e decorações com flores artificiais, está aberto seis dias e meio por semana, incluindo as manhãs de domingo. Os funcionários trabalham por turnos, tendo direito a um dia de folga durante a semana. Por vezes, Audrey acompanha o seu empregador até perto da fronteira belga para adquirir novas flores. É necessário um talento especial para conseguir a combinação mais adequada de flores e cores para um ramo perfeito? Audrey é modesta. «É preciso aprender sobre as cores e a forma de as combinar. É uma questão de gosto: algumas são mais bonitas do que outras. Quando comecei, os meus ramos não eram os mais perfeitos e agora posso ver a diferença», admite. A sua vida pessoal também estabilizou. Ela e Nicolas partilham actualmente um apartamento confortável, no rés-do-chão, com dois gatinhos curiosos, Chicane e Castrol. Todavia, ainda é cedo para pensar em casamento. São ambos jovens e Nicolas ainda tem que encontrar um emprego. «Precisamos de ter mais segurança», afirma prudentemente Audrey. Reatou o contacto com a mãe e com o pai, que vive a uma hora de Reims, de carro. «A minha situação é muito mais estável agora e tenho confiança no futuro. Quero mesmo ter uma loja de flores minha. É o meu sonho». Benoit Maujean, o proprietário de Le Jardinet, tem mantido um olhar paternal no progresso de Audrey ao longo dos anos. «Adquiriu muita experiência e agora é com ela», afirma. «Pode ir longe se quiser. Chegou a hora de voar pelas suas próprias asas». 18.12.2009 10:59:12 Uhr 12 O desafio de garantir a subsistência «Tentei estudar, na escola, mas não consegui», declara Bruno de Almeida Aveiro com seriedade. Actualmente com 18 anos, lembra-se de começar a ter dificuldades de aprendizagem nas aulas quando tinha apenas sete ou oito anos. «Perdia a concentração facilmente e o professor sugeriu que frequentasse uma escola especial». Bruno vive com a família na pacata vila de Bissen, no norte do Luxemburgo. A mãe Benilde é empregada de limpeza, o pai Jorge trabalha para uma empresa local especializada em materiais metálicos de construção. O irmão mais velho, Hugo, de 22 anos, é engenheiro industrial numa conhecida empresa de pneus. Apesar dos problemas com a aprendizagem, Bruno aprendeu um conjunto impressionante de línguas enquanto crescia. Os pais partiram de Portugal para o Luxemburgo pouco depois de ter nascido e falam português em casa. Na escola primária, os dois irmãos aprenderam luxemburguês e, mais tarde, francês e alemão. Actualmente, Hugo admite que, entre si, os dois irmãos comunicavam frequentemente numa língua quase privada, composta por palavras de diferentes idiomas, quase incompreensível para estranhos. Mas enquanto crianças, a questão da língua significava que nenhum dos pais foi capaz de os ajudar quando tinham perguntas sobre as aulas. Apoio adicional Para o ajudar a ultrapassar os problemas, Bruno foi transferido para o Centro de Integração Escolar (Centre d’Integration Scolaire) onde, com turmas mais pequenas e professores especializados, recebeu ajuda adicional. No início da adolescência, foi-lhe oferecida a possibilidade de frequentar um dia por semana o projecto Liewenshaff, em Merscheid, um programa co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. Este projecto ajuda jovens com problemas especiais ou sem qualificações formais a melhorar as suas competências sociais, académicas e profissionais e a integrarem-se plenamente na sociedade. Dois anos mais tarde, em 2006, Bruno começou a frequentar o projecto a tempo inteiro. Bruno gostou da nova abordagem do projecto Liewenshaff, que oferece cinco módulos de formação profissional: culinária, agri- PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 12 18.12.2009 10:59:19 Uhr 13 Jovens «Desde pequeno, nunca pensei em trabalhar. A minha família sempre me ajudou e eu esperava que tudo fosse fácil. Mas a vida não é assim» cultura, horticultura, trabalhos em ferro e limpeza industrial. Ao seleccionar limpeza, Bruno descobriu um verdadeiro interesse em trabalhar com máquinas e em aprender a utilizar os produtos adequados. «Não tenho problemas em concentrar-me naquilo que me interessa e até aprendo rapidamente», explica. «No entanto, outras vezes, não consigo concentrar-me de maneira nenhuma. Na verdade, quando se trata do seu passatempo favorito, os jogos de vídeo, diz que não tem qualquer problema em concentrar-se nas aventuras no ecrã. O primeiro emprego Em 2008, o projecto ajudou Bruno a adquirir experiência de trabalho com a autoridade local de Bissen. Integra a pequena equipa que trata dos parques e jardins municipais e está afectado ao armazém localizado a apenas dois minutos de casa. O salário, financiado com fundos públicos, é de 80% do salário mínimo e o contrato de três meses é renovável duas vezes. Bruno e os colegas são responsáveis pela limpeza e tratamento dos jardins públicos e espaços recreativos de Bissen. O trabalho depende das estações: recolher as folhas no Outono, ajudar a decorar o presépio na principal igreja da cidade durante a época de Natal, preparar os canteiros e plantar flores na Primavera. Aprendeu mais desde que começou a trabalhar e gosta da variedade. «Prefiro trabalhar a estudar», admite. casa. «Ainda está uma confusão», admite Bruno. «Tem sido difícil e ainda estamos a trabalhar nela». Também está a ter aulas para tirar a carta de condução, que lhe trará mais possibilidades, permitindo-lhe conduzir camiões e escavadoras, veículos espalhadores e veículos varredores de ruas, que se encontram alinhados na garagem municipal de Bissen. Mas não pensa muito no futuro. «Nunca pensei muito no que queria fazer na vida, mas em Liewenshaff comecei a pensar nessa questão. Percebi que tinha que procurar um emprego, mas não sabia qual. Desde pequeno, nunca pensei em trabalhar. A minha família sempre me ajudou e eu esperava que tudo fosse fácil. Mas a vida não é assim. Na escola não avançava e, se não fosse Liewenshaff, não seria capaz de conseguir um emprego», salienta. «Mostrou-me como a vida é e que é preciso trabalhar. Sou feliz aqui. Tenho que ver como correm as coisas». O seu assistente social em Liewenshaff continua a apoiá-lo e ele regressa aí frequentemente para ajudar em eventos como concertos e actividades sociais. «Algumas vezes ajudo na cozinha, outras na limpeza», explica. «Conheço as pessoas de lá». Depois da sua experiência de trabalho de nove meses, pode regressar ao centro se ainda necessitar de ajuda para encontrar um emprego permanente. Gostaria de continuar no emprego que tem agora, mas reconhece que pode ser difícil, pois o número de funcionários municipais é ditado pela dimensão da comunidade e ele terá que esperar por uma vaga. Preparação para a vida As competências práticas de Bruno também foram úteis em casa. Pai e filhos passaram 10 anos a renovar completamente a sua PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 13 18.12.2009 10:59:19 Uhr 14 Fitness para a vida É Setembro no sul de Dublim, Irlanda. Sheena Matthews chega cedo ao centro de lazer onde trabalha. É professora num curso, destinado a jovens, de formação de instrutores de ginástica e treinadores desportivos e de preparação para outras carreiras baseadas em actividades. Primeiro dá uma aula de anatomia, depois segue para uma aula de 40 minutos de step aeróbico e, por fim, uma sessão igualmente exigente com bicicletas de manutenção. É todo o programa de uma manhã de trabalho para a jovem de 27 anos. Parece cansativo, mas Sheena fala do seu emprego com muita energia e entusiasmo. «Gosto muito de ensinar. É óptimo ver os alunos transformarem as suas vidas tornando-se mais activos», afirma. O curso que ensina, Spoirt Teic, constitui uma iniciativa de formação local disponibilizada pela Autoridade Irlandesa de Formação e Emprego (FÁS) e co-financiada pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. «O curso proporciona aos estudantes os meios necessários para obter um emprego num centro de lazer e uma qualificação internacional como treinador desportivo ou instrutor de fitness», refere Sheena. O programa pode ser adaptado às preferências dos estudantes. «Tentamos proporcionar-lhes experiência nas áreas que lhes interessam, seja como treinadores desportivos, instrutores de ginástica ou professores de dança. O meu objectivo é empregar as pessoas e ajudá-las a obter o que pretendem na vida. No princípio, os novos estudantes mostram-se tímidos e, em seguida, observo a sua transformação. O curso reforça realmente a sua autoconfiança e as competências de comunicação. A formação tem uma elevada taxa de sucesso. Cerca de 90 % dos participantes conseguem empregos em desportos, actividades de lazer ou outras», acrescenta. Sheena é uma embaixadora entusiástica do curso, mas tem uma boa razão: alguns anos atrás ela própria foi aluna. O curso de nove meses «modificou completamente a minha vida», declara. «Lembro-me da situação em que me encontrava antes. Abandonei a escola quando tinha 14 ou 15 anos. Não tinha ideia do que queria fazer. Não tinha nenhum rumo ou objectivos», explica. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 14 18.12.2009 10:59:31 Uhr 15 Jovens «O meu objectivo é empregar as pessoas e ajudá-las a obter o que pretendem na vida. No princípio, os novos estudantes mostram-se tímidos e, em seguida, observo a sua transformação» Uma mãe solteira Teve diferentes tipos de emprego, incluindo servir à mesa, fazer limpezas e trabalhar num mercado. «Saltei de emprego para emprego», refere. «De mau emprego para mau emprego. E, no entanto, sempre fui uma boa trabalhadora. Quiseram promover-me, mas eu sabia que não queria o emprego para sempre, por isso ia sempre embora». Entretanto, ficou grávida aos 18 anos. «Fiquei feliz na altura, mas agora acho que era demasiado nova. Ter um bebé é uma grande responsabilidade naquela idade», sublinha. Como mãe solteira, Sheena tornou-se dependente dos pagamentos da Segurança Social para a apoiar e à filha, Megan. Foi muito difícil, pessoal e financeiramente; engordou e sofreu de depressão pós-parto. «Cerca de um ano após o nascimento da Megan, decidi fazer algo para alterar a minha situação. Não queria que a minha filha me visse como uma inútil. Queria ser um exemplo», afirma. para o futuro: «O meu próximo passo será entrar na Faculdade de Medicina. Sei que sou capaz. Mesmo que leve muito tempo a consegui-lo, manter-me-ei determinada», declara. Exercício e orientação profissional provaram ser o factor decisivo de mudança. «Ingressei num ginásio e fiz um curso de desenvolvimento pessoal». Perdeu peso e tornou-se mais confiante. «Dei-me conta de que podia aspirar a muito mais. Lembro-me de estar numa aula de aeróbica e observar a professora. Não só estava espectacular como parecia realizada. Disse para mim mesma: «Quero ter o emprego dela». Quando Sheena se aconselhou com a professora, esta falou-lhe sobre o curso de Spoirt Teic. Adquirir confiança Sheena inscreveu-se nesse curso e começou logo a sentir benefícios. «A primeira vez que falei numa aula estava nervosa e a tremer, mas à medida que os meses passavam, tornei-me muito mais confiante. Agora gosto mesmo de estar perante os alunos». Concluído o curso, trabalhou em ginásios e como professora de dança antes de conseguir um emprego no centro de lazer South Tallaght, onde decorrem os cursos. Inicialmente, trabalhou como professora de ginástica e dança, mas sabia que o que queria mesmo era ser professora de um curso. Começou por substituir outros professores. «Costumava trabalhar 11 dias seguidos. Ficava exausta, mas queria mesmo conseguir um emprego como professora. Não ia desistir», explicou. A experiência de Sheena ensinou-lhe que pode mudar a sua vida. «Aprendi a definir objectivos e a persegui-los». E tem mais planos PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 15 18.12.2009 10:59:32 Uhr 16 Promessa a Oriente A cidade do Porto, em Portugal, é um centro internacional de comércio desde há séculos e Bruno Teixeira continua a tradição da sua cidade natal. O jovem empresário criou uma empresa de consultadoria designada Trading EuroPacific, no início de 2008, para ajudar as empresas portuguesas e asiáticas a trabalharem em conjunto. Ajuda empresas a encontrar os distribuidores, os fornecedores e os agentes que necessitam na Ásia para acederem a novos mercados e reduzirem os custos. «As diferenças culturais entre a União Europeia e a Ásia dificultam às empresas o acesso aos respectivos mercados», declara o empresário de 29 anos. Decidi criar uma empresa para fazer a ponte entre os dois continentes. A sua empresa, Trading EuroPacific (consultadoria TEP), trabalha com empresas portuguesas que pretendem vender os seus produtos nos mercados asiáticos e vice-versa, ou encontrar fabricantes e controlar a qualidade de produção. Trabalha com uma rede em sete países asiáticos: Indonésia, China,Vietname, Malásia,Tailândia, Singapura e Filipinas: «Cobrimos 50% da população mundial». Bruno teve a ideia para a sua empresa em 2006, quando fazia um estágio na Embaixada portuguesa em Jacarta, na Indonésia, como parte do programa de formação Network Contacto, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. Experiência essencial O programa, promovido pelo Instituto de Comércio Externo Português (ICEP), consistia em três meses de formação inicial no Ministério de Comércio em Portugal, seguido de seis meses na Indonésia. Durante este período, Bruno preparou um relatório sobre o mercado indonésio e ajudou empresas portuguesas a penetrar nesse mercado. A experiência revelou-se essencial para Bruno no seu trabalho actual. «O estágio foi muito proveitoso para contactos. Conheci decisores e pessoas influentes. Descobri mais sobre a região e as oportunidades do mercado indonésio para as empresas europeias», diz. «Mesmo antes de viajar para a Indonésia já pensava em criar uma empresa na Ásia», acrescenta Bruno. «Já em criança esta região PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 16 18.12.2009 10:59:42 Uhr 17 Jovens «Existem muitas oportunidades na Ásia, mas é muito difícil as empresas penetrarem nos mercados asiáticos. Precisam de alguém que as possa apoiar e aconselhar» me fascinava. Adorava ler sobre a cultura, a vida selvagem, tudo», explica. Aprendeu mais sobre o potencial de negócios da Ásia quando estudou economia e «marketing» na universidade. «A Ásia contém cerca de 50% da população mundial. É a fábrica do mundo e fornece muita da matéria-prima», afirma. Depois de regressar do estágio na Indonésia, trabalhou no departamento de «marketing» de uma empresa de telecomunicações. No entanto, sempre pretendeu dirigir a sua própria empresa e, junto com um sócio que conheceu na Indonésia, começou a planear a forma de utilizar os seus conhecimentos dos mercados asiáticos e os contactos locais para formar uma empresa. A Trading EuroPacific foi criada em Janeiro de 2008. «Começámos a planear a empresa um ano antes da sua criação». Planear o futuro Para o futuro, pretende expandir as suas operações a outros países europeus. «Gostava de abrir um escritório em Barcelona. Espanha seria o primeiro passo». Também está a tentar entrar no mercado indiano e já teve contactos de empresas brasileiras e mexicanas que querem fazer negócios na Ásia. Todavia, quer consolidar a empresa antes da expansão. «Queremos esperar até termos uma posição forte em Portugal antes de avançarmos para outros países. É um processo faseado». Outro dos seus desejos é o de ter um pouco mais de tempo livre. «Estou a trabalhar mesmo muito neste momento. Os meus fins-de-semana tendem a desaparecer. Gostaria de ter mais tempo para praticar desporto, estar com a minha namorada e passear na natureza», acrescenta. Oportunidades de acesso Apesar de ainda estar no início da actividade, Bruno refere que a recepção à empresa foi positiva e que os negócios correm bem. O único problema que teve que enfrentar até agora foi a sua idade. «Quando as pessoas pensam num consultor para grandes empresas não esperam encontrar uma pessoa tão nova», declara. «Leva o seu tempo convencê-las. Depois de provar os meus conhecimentos e contactos, ficam impressionados, mas no início é difícil». Actualmente, conta com várias grandes empresas como clientes e uma rede de parceiros em países asiáticos. «Pretendemos desenvolver relações de longo prazo com empresas portuguesas e supervisionar os respectivos mercados na Ásia». Bruno dá o exemplo de um dos seus clientes, uma empresa têxtil portuguesa. «A empresa não consegue produzir todos os acessórios de que necessita localmente. Estamos a contactar empresas asiáticas com conhecimentos técnicos específicos e capacidade de produção. Esta solução permitirá à empresa em questão diversificar a sua gama de produtos», refere. Outra empresa com quem trabalha é uma empresa portuguesa de grande dimensão que fabrica máquinas para trabalhar metais. Está a ajudá-la a encontrar empresas para vender os produtos. «Existem muitas oportunidades na Ásia, mas é muito difícil as empresas penetrarem nos mercados asiáticos. Precisam de alguém que as possa apoiar e aconselhar», diz. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 17 18.12.2009 10:59:42 Uhr 18 Uma parceria saudável É hora de almoço e o café ZdraváJídelnaSpirála («Espiral Saudável»), em České Budějovice, na República Checa, está cheio. A multidão no pequeno café é diversa, desde trabalhadores e estudantes que comem algo rapidamente até reformados e pais com crianças que permanecem um pouco mais: partilham mesas, conversam e brincam. Chegam atraídos pelos pratos do dia especiais acabados de preparar: vegetais com caril e arroz, taças de sopa espessa, falafels e uma grande diversidade de bolos caseiros. Radmila Petroušková, que abriu o café com um amigo no início de 2008, explica a sua filosofia. «A nossa especialidade são pratos saudáveis e vegetarianos», refere. «Tentamos utilizar o mais possível alimentos biológicos e orgânicos e evitar conservantes, demasiado sal ou especiarias. Temos também opções de alimentos sem glúten e pratos para pessoas com alergias». Por vezes, o café vende peixe, mas não carne. «E tentamos utilizar produtos oriundos de comércio justo sempre que possível. Para nós, é importante sermos tão éticos quanto possível», acrescenta. A abordagem parece popular e já mantêm uma clientela fixa. «A reacção tem sido boa até ao momento. O ambiente é mesmo amigável», continua a jovem de 26 anos. Para Radmila, trabalhar na sua própria empresa e no sector da restauração é uma situação nova. Trabalhou como modelo desde os 16 anos, tendo viajado por todo o mundo para participar em desfiles de moda e sessões de fotografia. «Foi uma grande experiência. Conheci o mundo e fui paga para isso», diz. No entanto, com 23 anos, sentiu que os seus dias de passarela tinham terminado e quis uma vida mais estável. Arranjou um emprego como recepcionista de hotel na sua cidade natal, mas depois de três anos nessa função sentiu-se insatisfeita: «Era a mesma rotina todos os dias. Queria um novo desafio». Começou a pensar em abrir um café especializado em alimentos saudáveis, juntamente com um amigo com experiência de cozinheiro-chefe. «Ambos gostamos de viver de forma saudável e pensámos que a ideia tinha um grande potencial. Pensámos que deveria existir procura para a nossa oferta nesta cidade. Não existe mais nada do género aqui», afirma. Aconselhamento útil Um programa de apoio a jovens empresários, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, ajudou-os a PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 18 18.12.2009 11:00:11 Uhr 19 Jovens «Estou muito contente por ter tomado a decisão. Agora sou a minha própria patroa e gosto muito» concretizar o seu projecto. Peritos aconselharam-nos sobre a forma de estabelecer o café e desenvolver um plano de negócios viável para apresentar ao banco. «Nenhum de nós tinha experiência para criar uma empresa. Por isso, os consultores ajudaram-nos imenso com as finanças e a administração. Indicaram-nos as pessoas certas», refere. Com um empréstimo bancário garantido e depois de um ano de planeamento, o café abriu a actividade no início de 2008. «No princípio, não sabia o trabalho que daria dirigir o negócio. Existe uma grande diferença entre ser um empregado e um trabalhador por conta própria». Enquanto Radmila organiza a administração da empresa, a documentação e a contabilidade, o seu parceiro ocupa-se da alimentação. «Embora esteja sempre a aprender mais sobre culinária», refere. Até ao momento, a parceria está a ser um êxito e os jovens empresários estão a gostar da experiência. E têm planos para aumentar a empresa no futuro. «Queremos alargar as instalações de forma a receber mais pessoas. Queremos contratar mais pessoas. Estamos a tentar encontrar outro cozinheiro», continua. Têm igualmente planos para expandir os outros serviços que oferecem, tais como refeições para escolas primárias locais, e criar uma secção de «fast food» saudável agregada ao café. «Em última análise, gostaríamos de expandir o negócio para outras cidades. Mas, por enquanto, é uma ideia distante. Temos que dar um passo de cada vez», afirma. «Estou muito contente por ter tomado a decisão. Agora sou a minha própria patroa e gosto muito», conclui Radmila. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 19 18.12.2009 11:00:11 Uhr 20 Canalizar juventude e energia Depois de alguns anos a trabalhar como representante comercial e mais tarde como agente de publicidade, Yann Lelièvre tinha uma noção bem clara do que queria fazer. «Via amigos e colegas a singrar na vida, com base em boas ideias e muito trabalho duro, e eu também queria fazer algo do género, ter iniciativa própria», refere. Yann é um entusiasta de desportos ao ar livre que vai para o emprego de patins em linha e escala penhascos no fim-de-semana. A sua energia parece inesgotável, «mas sem ter um sólido plano de negócios, o meu sonho de abrir uma loja de artigos desportivos para actividades ao ar livre esfumava-se», afirma. O facto de ter então 27 anos não parecia incomodarYann, mas para outros, como as entidades de financiamento local de Clermont-Ferrand, a sua juventude e inexperiência constituíam uma desvantagem. «Foi difícil encontrar um banco que me levasse a sério. Já tinha efectuado o meu próprio estudo de mercado, mas não sabia muito bem como apresentar as minhas ideias, como causar boa impressão», explica. O Espace Info Jeunes (Espaço Info Jovem) de Clermont-Ferrand, parcialmente financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, ajuda jovens a obter formação, emprego, habitação e actividades ou a iniciar um projecto. «Compreendo a necessidade de regras e regulamentos, mas os obstáculos que é necessário ultrapassar para iniciar um negócio podem ser impressionantes. O Espace Info Jeunes ajudou-me a compreender o sistema e a criar um plano de negócios profissional. Foi uma verdadeira ajuda, que me permitiu convencer os bancos e também angariar importantes fornecedores. Sem esta ajuda, não estaria onde estou hoje», refere Yann, Desportos ecológicos A loja de Yann, Espace, vende uma variedade de vestuário, calçado e equipamento de elevada qualidade para escalada e montanhismo, patinagem com patins em linha e skate, bem como vários outros artigos «ecológicos» para desportos ao ar livre (desportos não motorizados). Está orgulhoso das credenciais ambientais da sua empresa, uma questão que lhe é cara. «Não vendemos artigos poluidores. Apenas vendemos os produtos mais resistentes, res- PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 20 18.12.2009 11:00:19 Uhr 21 Jovens «Esta experiência modificou-me. Tornou-me muito mais confiante. Sei agora como as coisas funcionam e sei que posso construir com êxito se me esforçar» peitamos as regras mais rigorosas para a separação de resíduos e a própria loja está equipada com um sistema de iluminação de baixo consumo», insiste. A loja tem continuado a expandir-se desde a sua criação em 2002. «Acabámos de nos mudar para instalações mais amplas. Actualmente, emprego dois trabalhadores a tempo inteiro e um a tempo parcial, o que me deixa especialmente feliz. Temos aqui uma grande equipa. Estamos sempre a aprender sobre novos produtos e tecnologias e prestamos o melhor aconselhamento possível aos nossos clientes», entusiasma-se. Construir com êxito O dinamismo e a energia de Yann seriam difíceis de reprimir mesmo nos ambientes empresariais mais adversos. «Gosto de agitação, movimento, fazer mexer pessoas e situações. É excitante!». Mas num momento de descontracção, depois de as portas da loja encerrarem, tem tempo para reflectir. «No fundo, creio que era uma pessoa com falta de autoconfiança. Esta experiência modificou-me. Tornou-me muito mais confiante. Sei agora como as coisas funcionam e sei que posso construir com êxito se me esforçar», admite. «Não sei o que estarei a fazer dentro de dois, três ou 10 anos, mas sei uma coisa: não paro por aqui. Vou prosseguir o meu caminho, à procura de oportunidades novas e melhores, e estarei rodeado de novos colegas, parceiros e associados». PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 21 18.12.2009 11:00:20 Uhr PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 22 18.12.2009 11:00:20 Uhr Igualdade entre homens e mulheres PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 23 18.12.2009 11:00:20 Uhr 24 As mulheres trabalham enquanto a geração mais velha se diverte Na pequena aldeia cipriota de Augorou, próximo de Famagusta, existe uma casa centenária bem conservada. Foi renovada recentemente, com alegres persianas azuis, chão em pedra e tecto tradicional revestido a madeira. Numa das paredes do átrio gracioso e resplandecente, sobressai a mensagem rendilhada «Bem-vindo ao Clube 2007». Em torno de uma mesa, um grupo de homens e mulheres idosos, de rostos talhados por anos de trabalho sob o sol do Mediterrâneo, sorriem e brincam entre si enquanto enfiam grandes contas redondas em cordas. Aqui reside a base do programa Never Home Alone de Augorou, lançado em Janeiro de 2007 e co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. O programa visa proporcionar melhores condições de trabalho às mulheres da comunidade local, através do apoio e ocupação dos tempos livres dos seus pais idosos, libertando-as da obrigação de ficar em casa a cuidar deles. Stress e horários prolongados Koulla Aggelou é uma das 15 mulheres que beneficiam directamente do programa. Tem dois filhos e trabalha todas as manhãs dos dias úteis como empregada de limpeza na aldeia, enquanto a sua mãe Fotini, de 71 anos, vai para o Clube. «Antes do início do programa, a vida era muito difícil. Não tinha tempo para mim e, por vezes, nem sequer para a minha família. Andava sempre tensa e apressada», explica. Koulla trabalha na limpeza de apartamentos no complexo turístico vizinho de Avia Napa, chegando a sair de casa de autocarro às 6 horas da manhã, para fazer turnos de 12 horas ou regressar a casa às 11 horas da noite. «Ás vezes, era tão cansativo que cheguei a pensar despedir-me», admite. Mas a família precisava do seu salário. O marido, Angellos, trabalhava como carpinteiro antes de arranjar emprego num restaurante local. «Se eu não trabalhasse, a vida tinha-se complicado seriamente», diz Koulla. O impacto do programa abrange naturalmente outros filhos e filhas das 15 famílias. Os pais (o mais velho tem 88 anos) vão para o centro todas as manhãs dos dias úteis. «O principal objectivo do programa não é tomar conta das pessoas idosas, mas permitir que as mulheres trabalhem. Permite-lhes disporem do tempo necessário para cuidarem de si próprias e das suas famílias», confirma PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 24 18.12.2009 11:00:45 Uhr 25 Igualdade entre homens e mulheres «Antes de o programa começar, a vida era muito difícil. Andava sempre tensa e apressada» Andri Christoforou, que dirige o clube. Podem, igualmente, obter aconselhamento sobre oportunidades de emprego. Mas mesmo que os pais não sejam o principal grupo-alvo, o prazer de estarem no centro é bem visível. As manhãs são ocupadas com actividades como, por exemplo, trabalhos em malha, pintura e joalharia. Por vezes, confeccionam o seu próprio café ou bolos, presunto e macarrão. «É como se estivessem em casa», explica Andri. Três vezes por semana, especialistas (médicos e fisioterapeutas) oferecem sessões de tratamento e são organizadas visitas a exposições e museus. Uma vez que Augorou é uma pequena aldeia, a maioria das pessoas idosas, incluindo Fotini, podem ir sozinhas até ao centro de acolhimento. Mas se a equipa do programa notar a ausência de alguém, um dos membros telefona a inteirar-se do seu estado e se precisa de transporte. Ao início da tarde, depois de um almoço caseiro, o pequeno grupo de pensionistas efectua o seu solene regresso a casa. Boa companhia Ter tempo Koulla trabalha das 7h30 às 13h00, cinco dias por semana. Este horário permite-lhe levar os seus gémeos de 11 anos, Simeos e Fotini, à escola da aldeia, e ir buscá-los às 14h30. Muitas vezes, param em casa dos pais dela a caminho de casa. Tem tempo para preparar o almoço dos filhos, ajudá-los nos trabalhos de casa e controlar as suas actividades extra-escolares: aulas de dança e de inglês. «Antes de o programa começar, ia a casa da minha mãe ajudá-la sempre que podia, mas era raro ter tempo. Por vezes, ficava com ela de manhã e trabalhava à tarde, mas agora tenho tempo para as crianças», explica. Todas as semanas, Koulla faz a limpeza de cinco casas diferentes em Augorou. Christina Kaoulla, com 80 anos, nove filhos e muitos netos, é uma das vizinhas que tem ajudado nos últimos dois anos e que adora as suas visitas. Para Koulla, o rendimento suplementar é apenas um motivo para trabalhar. «Somos amigas e divertimo-nos», explica, enquanto arranja vasos de gerânios no terraço de Christina. «Não é só pelo dinheiro». «É um programa muito bom e as pessoas idosas divertem-se. É a primeira vez que temos algo deste género na aldeia. A minha mãe ficava preocupada porque sabia que eu andava tensa. Agora diverte-se com as actividades e todos nos sentimos melhor», afirma Koulla. «As pessoas são simpáticas e é uma forma agradável de passar o tempo. As raparigas que trabalham no clube são muito simpáticas. Conheço pessoas da minha idade e contamos histórias dos velhos tempos. Se não viesse para aqui tinha de ficar em casa. E estou feliz porque a minha filha pode trabalhar mais facilmente», diz Fotini, que sobreviveu ao tratamento a um cancro da mama. Este afecto entre Koulla e Fotini é tão íntimo que talvez seja surpreendente saber que a sua verdadeira relação é de madrasta e enteada. A mãe biológica de Koulla faleceu quando ela tinha menos de um ano, deixando o pai, Costas, com oito filhos pequenos. Tinha apenas quatro anos quando Fotini casou com o pai e assumiu a tarefa gigantesca de criar a família. «A minha madrasta criou-me como se fosse a sua própria filha. Vejo-a todos os dias e não passamos uma sem a outra», afirma reconhecidamente Koulla. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 25 18.12.2009 11:00:45 Uhr 26 Recreio no escritório Stephan Wittich trabalha na Universidade de Viena há 12 anos. Como professor assistente de Direito Internacional, tem um horário muito preenchido, repartido entre as funções normais de professor e projectos de investigação. Quando Stephan e a sua esposa Isabel, também funcionária da Universidade, tiveram a primeira filha, Marie, há quatro anos, a sua vida ficou ainda mais ocupada. Isabel esteve com licença durante um ano logo após o nascimento da filha e Stephan nos 12 meses seguintes. «Deixei de ensinar. A prioridade era cuidar da Marie. Mas não tinha muito tempo livre; ainda tinha muitas coisas para fazer», refere Stephan. Tendo começado a trabalhar na sua tese pós-doutoramento, o que envolvia processos judiciais em tribunais internacionais, tinha de arranjar forma de conciliar longas horas de pesquisa com as suas novas responsabilidades parentais. «Como académico, tinha a vantagem de ter um trabalho flexível. Mas, por outro lado, é muito importante ter um sítio calmo para poder concentrar-me sem distracções», prossegue. Encontrar uma solução Stephan tinha acesso a um infantário, dirigido pela universidade, destinado aos alunos e funcionários. «Podia trabalhar normalmente por causa do infantário», afirma. O projecto Children’s Office (Serviço para Crianças), iniciado em 2002 e co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, visa proporcionar estruturas de acolhimento de crianças acessíveis e flexíveis. «Um infantário normal não era a melhor opção. Provavelmente, não teríamos possibilidades financeiras para o pagar», afirma Stephan. O programa disponibiliza instalações e educadores de infância para crianças desde tenra idade até aos 12 anos, todos os dias úteis. Ao mesmo tempo, coloca à disposição dos pais uma sossegada sala de estudo, equipada com computadores e mesas de leitura, de forma a poderem trabalhar e estar disponíveis para os seus filhos. Stephan afirma que as vantagens em relação a um infantário normal incluem a possibilidade de marcação com pouca antecedência e por períodos de apenas algumas horas de cada vez. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 26 18.12.2009 11:01:18 Uhr 27 Igualdade entre homens e mulheres «Se não fosse o infantário não poderia prosseguir a minha investigação. Deste modo, conseguia trabalhar na minha tese e tomar conta da minha filha» Tendo em conta que a paternidade constitui, frequentemente, um motivo para alterar, protelar ou abandonar os estudos ou uma carreira académica, a universidade decidiu ajudar os seus funcionários e estudantes a conciliarem os estudos com a vida familiar e tornar a universidade num local mais aprazível para as crianças. Os coordenadores estimam que cerca de 11% dos estudantes universitários de Viena, cerca de 11 500 pessoas, e até 50% dos funcionários, têm obrigações parentais. Para Stephan, as vantagens eram evidentes. «Foi muito útil. Se não fosse o infantário, não poderia prosseguir a minha investigação. Deste modo, conseguia trabalhar na minha tese e tomar conta da minha filha. Contribuiu igualmente para que a Marie conhecesse outras crianças e adultos desde muito pequena. Não teve qualquer problema de adaptação quando foi para o jardim-de-infância», acrescenta. Serviço volante de amas Daniela Finzi, a frequentar o terceiro ano de doutoramento em Literatura e cultura alemã, é outra mãe que utiliza o infantário para as suas gémeas de dois anos. «Utilizo o infantário desde que as gémeas tinham quatro meses. É a solução ideal para mim e prefiro trabalhar aqui porque consigo concentrar-me verdadeiramente. Em casa, existem sempre distracções», afirma. O departamento oferece também outras facilidades, disponibilizando um serviço de «amas volante» durante eventos universitários, coordenando um grupo de baby-sitters e prestando aconselhamento e informações aos pais. Stephan está também envolvido na iniciativa «Universidade para crianças», onde o pessoal docente apresenta os seus temas às crianças em cursos de verão com a duração de duas semanas. «Para eles é divertido aprenderem coisas sobre a universidade e contactarem com as matérias que gostariam de estudar mais tarde», explica. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 27 18.12.2009 11:01:18 Uhr 28 Criar uma empresa turística diferente O dia de Riikka-Leena Lappalainen começa cedo, com um mergulho no lago junto da sua casa, mesmo em pleno mês de Dezembro, quando a temperatura desce até aos -4°C e a camada de gelo atinge 10 cm de espessura. «Faço isto todos os dias. É óptimo para acordar», afirma. Vivendo no interior rural profundo, na região finlandesa de Pohjois Savo, Riikka-Leena tem uma relação com a natureza que não se limita ao ritual do banho diário. Dirige um pequeno hotel e um negócio de turismo nas margens do lago com o seu marido Reijo, que cresceu aqui na sua quinta de família. «O lago é muito silencioso e calmo. Quando éramos mais novos, sonhávamos abrir um negócio de turismo aqui», diz. Esse sonho tornou-se agora realidade, com as receitas de hospedagem a ultrapassarem as do gado e as das colheitas como rendimento principal da família. Os turistas podem desfrutar da beleza selvagem envolvente e praticar várias actividades desportivas em contacto com a natureza, incluindo motas de neve, esqui, trenós com cães, caça, pesca, natação e vela. O casal começou por abrir algumas cabanas de férias nos princípios da década de 1990. Dada a escassa concorrência na vizinhança, a empresa tornou-se conhecida e cresceu com estabilidade. Em 2001, construíram uma sauna de fumo (um tipo de sauna tradicional relativamente desconhecida) que permitiu captar ainda mais clientes. «Depois disso, tínhamos grupos a chegar em autocarros. Foi aí que pensámos em expandir. Tínhamos mais pedidos de reservas para as cabanas e para a sauna do que podíamos aceitar». A equipa de construção e as actividades associadas ao negócio tornaram-se uma parte importante da empresa. Em 2004, Riikka-Leena decidiu deixar o emprego onde trabalhara 20 anos como contabilista na administração pública e dedicar todas as suas energias ao negócio da família. Começaram a trabalhar na construção do hotel principal, que forma agora o núcleo da empresa, e a alugar outras cabanas. Dispõem de sete quartos de hóspedes e de uma grande sala para jantares e eventos, além de diversas cabanas. Têm capacidade de alojamento para 40 pessoas no Verão e cerca de 30 no Inverno. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 28 18.12.2009 11:01:35 Uhr 29 Igualdade entre homens e mulheres «Estou muito feliz por der deixado o meu emprego estável para me concentrar na minha própria empresa. É óptimo ser patroa de mim própria» O passo decisivo Abandonar um emprego estável foi um passo importante e Riikka-Leena decidiu adquirir alguma formação para tornar a adaptação mais fácil. Inscreveu-se num projecto internacional, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, destinado a mulheres empresárias de todos os sectores económicos. Juntamente com participantes provenientes de França, Bélgica, Dinamarca, Itália, Espanha e Finlândia, visitou pequenas empresas de turismo noutros países e adquiriu novas ideias para o negócio. «Aprendi muitas coisas. Uma das visitas a uma empresa rural em Itália foi particularmente inspiradora. Pude observar a paixão e o orgulho que tinham na sua empresa. É algo que normalmente não existe na Finlândia», afirma. A empresa conta já com os três filhos do casal: Sanna-Riikka, de 29 anos, Esa-Mikko, de 27 e Juho-Pekka, de 23. «É com muito orgulho que os vejo integrados na empresa. Cresceu muito nos últimos anos», reflecte Riikka-Leena. Ela espera que o envolvimento dos filhos continue. «No futuro, pretendemos retirar-nos e deixar a geração mais nova implementar as suas próprias ideias. Os clientes são cada vez mais jovens e precisamos de nos manter em sintonia com eles». «Aprendi o valor do cunho pessoal», acrescenta Riikka-Leena, que considera que este é um factor decisivo para o sucesso do negócio. As visitas a outros países deram-lhe ideias para a sua própria empresa e incentivou o casal a torná-la ainda mais pessoal. Permitiram-lhe estabelecer novos contactos e mostraram novas oportunidades para o negócio. «Numa viagem que fizemos à Lapónia, serviram-nos uma refeição nuns pratos extraordinariamente invulgares. Contactei o criador local desses pratos e consegui que criasse um conjunto especial de faiança exclusivamente para nós». Um especialista local criou todos os tecidos utilizados no hotel e nos uniformes dos funcionários, baseando-se em criações tradicionais finlandesas. Além disso, vendem artesanato manual fabricado por artistas e artesãos locais, bem como doces regionais. «Todos estes pormenores contribuem para a experiência única que pretendemos proporcionar aos nossos hóspedes». Pensar o futuro Embora nem tudo tenha sido um mar de rosas, Riikka-Leena sabe que tomou a decisão correcta. «Claro que tivemos momentos difíceis; tivemos de contrair um empréstimo avultado. Isso fez-nos pensar na responsabilidade e nas consequências de um insucesso. Mas estou muito feliz por ter deixado o meu emprego estável para me concentrar na minha própria empresa. Sinto que isto é a minha vida e é óptimo ser patroa de mim própria», afirma. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 29 18.12.2009 11:01:35 Uhr 30 Uma mulher a conduzir Para a jornalista Beata Szozda, começar uma nova empresa em Poznań, na Polónia, parecia ser uma tarefa árdua. Embora a família e os amigos a incentivassem fortemente, os potenciais investidores não estavam interessados em financiar um serviço em linha proposto por alguém sem experiência no ramo, especialmente uma publicação em linha sobre carros destinada às mulheres. «Sempre me interessei por automóveis. Desde a escola primária, a maior parte dos meus amigos eram rapazes e estavam sempre a falar sobre carros, por isso acabei por participar naturalmente. Lembro-me de umas férias em que o meu pai começou a falar-me sobre os diferentes modelos de carros. Quando chegámos a casa, consegui repetir todos os fabricantes e modelos de carros aos meus amigos», recorda Beata. Beata interessou-se por jornalismo depois de ter ficado em segundo lugar no concurso de beleza Miss Polónia 2003. Um jornalista contactou-a cerca de um ano depois do concurso para saber se tinha recebido o prémio e o apoio prometidos pelo organizador. A resposta negativa de Beata despoletou toda uma série de histórias a nível nacional sobre problemas com o concurso. Pouco tempo depois recebeu ofertas de emprego de diversos meios de comunicação social. Em 2007, Beata frequentava um curso de licenciatura em relações internacionais, em Poznań. Era também apresentadora de um programa semanal de 15 minutos de análise de automóveis para uma estação de televisão local e apresentava um programa de compras para outra estação. Tinha começado a trabalhar em televisão depois de trabalhar três anos na Gazeta Poznań, onde era responsável pela produção da secção de automobilismo do jornal e por uma coluna semanal de aconselhamento a mulheres sobre carros. Da paixão ao negócio A ideia de criar a sua própria publicação sobre automobilismo destinada especificamente às mulheres surgiu-lhe quando fazia o programa de televisão sobre carros. Beata investigou se seria possível transformar a ideia num negócio viável. Descobriu um inquérito efectuado por uma empresa de investigação que concluía que cerca de metade dos carros vendidos na Polónia eram adqui- PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 30 18.12.2009 11:01:45 Uhr 31 Igualdade entre homens e mulheres «O meu trabalho é a minha paixão. Não durmo muito porque tenho sempre muito que fazer» ridos por mulheres, pessoalmente ou influenciando a decisão dos respectivos maridos. «Já era jornalista de automobilismo há alguns anos e não conseguia encontrar informações sobre carros que fossem especificamente de encontro às necessidades das mulheres. Não queria centrar-me apenas na indústria automóvel. A ideia era criar um portal sobre mulheres e para mulheres. Queria criar uma publicação que desse conselhos práticos às mulheres sobre a utilização diária de um carro», afirma. Os familiares e os colegas de Beata na estação de televisão incentivaram-na a concretizar o seu sonho, mas deparou com um obstáculo frequente para os jovens empresários: encontrar investidores dispostos a arriscar o seu dinheiro numa parceria. Foi então que um colega da estação de televisão a informou que o parque de ciência e tecnologia de Poznań e a Fundação da Universidade Adam Mickiewicz estavam a organizar um concurso destinado aos jovens empresários com as melhores ideias para um novo negócio. O concurso terminava no dia seguinte. Espaço para expansão O portal é financiado através de publicidade. Além de análises de carros e sugestões de condução, o Autopolki.pl oferece também às suas leitoras a oportunidade de testarem carros através de um acordo que Beata possui com empresas locais de venda de automóveis. Em seguida, as leitoras enviam as suas análises dos automóveis à Autopolki.pl. Beata efectua ela própria uma grande parte das análises e desloca-se frequentemente ao estrangeiro para efectuar ensaios de viaturas e obter informações em exposições de automóveis. O portal foi também expandido para oferecer, ao longo do dia, cursos de formação de condução para mulheres num aeródromo desactivado nos arredores de Poznań. Os cursos estão a cargo de uma empresa de formação de condutores, que oferece um desconto através da Autopolki.pl às participantes que pretendam melhorar as suas competências. Cerca de 20 mulheres participaram numa sessão de formação recente, onde aprenderam a controlar os carros em estradas molhadas e com gelo. «Entreguei a minha candidatura cinco minutos antes de o concurso fechar», recorda Beata. «Foi no dia 16 de Março, a data do meu aniversário». Beata foi um dos candidatos seleccionados pela fundação para integrar o programa de formação empresarial do concurso, o qual era co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. Entre Março e Junho de 2007, Beata recebeu formação sobre como elaborar um plano empresarial, informações sobre contabilidade e sobre os requisitos legais e fiscais na Polónia, bem como aconselhamento sobre a procura de financiamento. A visão de Beata não fica por aqui. Para ela, o portal é uma rampa de lançamento para um negócio de maiores dimensões que deverá gerar lucros suficientes para lhe permitir começar a contratar jornalistas e outros funcionários. Beata pretende elaborar um mapa de oficinas de reparação polacas fiáveis a nível de trabalho e de preços nas quais as mulheres possam confiar. Pretende também criar uma loja em linha para venda de acessórios de automóveis. Recebeu, também, ofertas de potenciais investidores para expandir o sítio fora da Polónia. No final do programa, Beata tinha concluído o seu plano empresarial, posteriormente avaliado por uma comissão de peritos que decidiu que se tratava de um plano com viabilidade suficiente para receber um financiamento inicial da UE. Beata utilizou o dinheiro para lançar o Autopolki.pl, o primeiro portal de informação automobilística para mulheres na Polónia, em 2008. Actualmente, dedica-se a tempo inteiro à gestão da empresa e à expansão do portal. As horas são intermináveis, mas Beata vive o seu sonho. «Enquanto trabalhei para terceiros não podia explorar o meu potencial como pretendia. Adoro esta independência como empresária. Valorizo esta liberdade de criar e gerir uma empresa», afirma. A um visitante de partida, Beata deseja: «Szerokiej drogi!» A frase pode ser traduzida como «Tenha uma estrada larga», uma forma tradicional polaca de desejar a alguém uma viagem de regresso segura. «O meu trabalho é a minha paixão. Não durmo muito porque tenho sempre muito que fazer. Muitas vezes, só vou dormir às 3 horas da manhã, afirma. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 31 18.12.2009 11:01:45 Uhr 32 Um melhor equilíbrio vida/trabalho A água constitui um grande problema na região da Frísia, nos Países Baixos, onde grande parte das terras é conquistada ao mar e se encontra abaixo do nível deste. Esta realidade implica que o trabalho de Gerard Jansen, advogado do departamento regional da água, seja intenso. «Existem sempre conflitos de interesses. Os agricultores, por exemplo, pretendem maiores níveis de água, mas o público em geral não. É necessário encontrar o equilíbrio», afirma o advogado de 53 anos. «Por vezes, as empresas não querem gastar dinheiro [para cumprir as disposições legais] e os casos vão a tribunal», acrescenta. Quando surgem conflitos deste tipo, Gerard é chamado a resolvê-los. Ele trabalha no departamento desde 1993 e exerce as funções de consultor jurídico do departamento responsável pela aplicação da lei e pelo licenciamento. O seu departamento desempenha várias funções: verificar se as águas superficiais cumprem as normas legais, assegurar a manutenção das barreiras marítimas, verificar se os níveis das águas do mar estão correctos, garantir o cumprimento da legislação pelas empresas e pelos proprietários das terras e, por fim, actuar em caso de incumprimento. Isto significa que Gerard lida com «todas as fases do processo jurídico». Embora Gerard goste do seu trabalho, começou a pretender uma maior flexibilidade no seu horário há alguns anos. Com dois filhos menores, Rik e Nico, e uma hora de viagem de carro diária entre a sua casa, em Drachten, e Leeuwarden, o rígido horário de trabalho era desgastante. Começou também a ter dificuldade em concentrar-se no escritório. «Há alguns anos mudámos para um novo escritório em espaço aberto. É muito barulhento». Trabalhar a partir de casa Em 2006, Gerard começou a participar no projecto «e-papá», um projecto co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu que visa ajudar funcionários masculinos a trabalhar a partir de casa. O programa permite um horário mais flexível e reduz as viagens. Agora, Gerard trabalha em casa uma parte da semana, o que lhe permite levar os filhos à escola, almoçar com PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 32 18.12.2009 11:01:56 Uhr 33 Igualdade entre homens e mulheres «O teletrabalho ajudou-me a encontrar um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar. Antes, só via os miúdos à noite» eles, ajudá-los nos trabalhos escolares e mesmo fazer algumas tarefas domésticas. «O teletrabalho ajudou-me a encontrar um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar», afirma, acrescentando que alivia a pressão sobre a mulher, que trabalha a tempo parcial como enfermeira de cuidados geriátricos num hospital vizinho. «Antes, só via os miúdos à noite. Agora consigo fazer muitas coisas com eles». A flexibilidade também melhorou o seu trabalho e produtividade. «Se trabalhar em casa não preciso de parar e sair às cinco da tarde: posso perfeitamente interromper o que estava a fazer e prosseguir mais tarde». Funcionamento do programa O programa facilita às empresas a implementação de disposições flexíveis de trabalho. Chama a atenção dos empregadores para os benefícios do teletrabalho e avalia regularmente o grau de adaptação dos funcionários ao teletrabalho, identificando antecipadamente potenciais problemas. Gerard participou no projecto durante dois anos, período em que respondeu a questionários sobre a sua eficácia. Ao longo do programa, o departamento da água apercebeu-se dos benefícios do teletrabalho e, actualmente, promove-o entre os seus funcionários. «Um empregador moderno deve possibilitar um trabalho mais flexível», explica Gjil de Jong, superior hierárquico de Gerard. Ela também aderiu ao teletrabalho e estima que cerca de um quarto dos funcionários do seu departamento possuem acordos idênticos. «O teletrabalho permite um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar», afirma. Gjil considera que é importante ter procedimentos claros e definir claramente o que é esperado de cada uma das partes, quer em termos de disponibilidade quer em termos de informação da evolução do trabalho. «Efectuamos uma reunião no dia seguinte ao teletrabalho para fazermos o ponto da situação», acrescenta Gjil. Gerard é um acérrimo defensor de disposições mais flexíveis. «É uma grande ajuda. No próximo ano, vou trabalhar mais dias a partir de casa», afirma. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 33 18.12.2009 11:01:56 Uhr 34 O futuro nas próprias mãos Katarína Vargová era uma empresária de sucesso com uma pequena empresa do sector têxtil em Bratislava, na Eslováquia, quando interrompeu a carreira para criar o filho recém-nascido. Mas o que começou por ser uma pequena pausa transformou-se numa longa paragem. Depois de três anos em casa, Katarína estava pronta para regressar ao trabalho; no entanto, à semelhança de muitas mulheres que deixaram de trabalhar para criar os filhos, descobriu que isso era uma tarefa difícil. «Basicamente, tinha perdido o contacto com o mundo exterior», afirma. «Precisava de entrar novamente no circuito. E precisava de um novo desafio». A questão residia no que fazer. «Sabia que, independentemente do que fizesse agora, com uma criança para cuidar, teria de equilibrar várias responsabilidades». Readquirir o ritmo Um curso especial de formação destinado a mulheres regressadas ao mercado de trabalho após uma licença de maternidade prolongada, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, ajudou Katarína a reforçar as suas competências e a encontrar novas formas de expressar o seu talento e ambição. Um dos maiores obstáculos, após uma longa ausência do trabalho, reside na recuperação da confiança, um desafio enfrentado por muitas mulheres depois de uma licença de maternidade. Assim, o curso de formação incluía módulos destinados especificamente a criar autoconfiança e segurança. O curso permitiu-lhe também contactar com pessoas da comunidade empresarial. «Sabia que queria fazer alguma coisa relacionada com as artes. O curso de formação ajudou-me a conhecer pessoas com interesses idênticos», afirma. Olhar o passado, enfrentar o futuro Através do programa de formação, Katarína conheceu o proprietário do Ateliér Keramiky Rena, um pequeno ateliê que dava aulas de cerâmica nos arredores de Bratislava. Katarína assumiu agora a direcção do ateliê enquanto o proprietário se encontra no estrangeiro. Ela ensina aos formandos a arte de moldar o barro e cria as suas próprias esculturas, que vende numa galeria local. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 34 18.12.2009 11:02:10 Uhr 35 Igualdade entre homens e mulheres «Sabia que, independentemente do que fizesse agora, com uma criança para cuidar, teria de equilibrar várias responsabilidades» As suas actividades actuais, afirma, permitem-lhe fazer o que sempre desejou mais. «Estudei numa escola de belas-artes e queria muito voltar a fazer isso. Sabia que o meu trabalho futuro teria de conter uma forte componente artística. É por isso que estou tão feliz por ter descoberto o ateliê de cerâmica», revela Katarína. «Aqui, no ateliê, damos às pessoas a possibilidade de se expressarem, de sujarem as mãos, de se desinibirem e sentirem livres. Trabalhar com barro pode ser uma experiência muito profunda e terapêutica para algumas pessoas e a verdade é que eu própria recebo muita energia dos meus alunos», afirma. Gratidão Katarína afirma que encontrou o equilíbrio correcto na sua vida. Levanta-se cedo, leva o filho ao jardim-de-infância e começa o dia de trabalho no ateliê. «Nuns dias dou aulas, noutros só trabalho nas minhas coisas. À tarde, regresso para ir buscar o meu filho». O curso de formação, diz, deu-lhe a confiança de que precisava para renovar a sua carreira e tomar um novo rumo, uma preciosa ajuda pela qual está extremamente grata. «O programa do FSE ajudou-me a actualizar as minhas competências em matéria de gestão e marketing e a evoluir como artista. Foi exactamente o impulso de que precisava». PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 35 18.12.2009 11:02:10 Uhr PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 36 18.12.2009 11:02:10 Uhr Pessoas desfavorecidas PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 37 18.12.2009 11:02:10 Uhr 38 A deficiência não é uma desvantagem para trabalhar Andrzej Lubowiecki trabalhava nos estaleiros da cidade de Gdynia, integrada na área urbana de Gdansk, na costa polaca do mar Báltico. No seu apogeu, os históricos estaleiros davam trabalho a cerca de 20 000 pessoas. Actualmente, restam apenas cerca de 3 000 trabalhadores. Mesmo assim, durante 12 anos, Andrzej teve um emprego estável e bem remunerado, primeiro como carpinteiro e depois como pintor. Até que, em 2001, devido a uma dor cada vez mais forte, foi-lhe implantada uma prótese da anca num hospital local. No entanto, a operação correu mal, cortaram um nervo por engano, diz Andrzej, e em vez de ganhar mobilidade apenas podia andar com a ajuda de muletas. Não podia voltar ao trabalho e, 180 dias depois, o patrão despediu-o. Contando apenas com a sua destreza manual e trabalhos de curta duração, Andrzej resignou-se a viver com o subsídio de invalidez. Não podia suportar os custos inerentes a um curso de reconversão profissional. «Nunca pensei que fosse conseguir trabalho por causa da minha deficiência», explica. Esteve desempregado durante cinco anos, até que um dia reparou num cartaz afixado num autocarro que divulgava oportunidades de trabalho para pessoas com «incapacidade parcial». «Dirigi-me de imediato ao centro de emprego e inscrevi-me como desempregado. Dois dias depois, falaram-me do programa de formação». Em Junho de 2006, inscreveu-se num curso de quatro dias co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, destinado a fazer face às necessidades das pessoas com deficiência e a prestar aconselhamento na procura de emprego, elaboração de um CV e candidatura a um emprego. A autoridade local, na sua qualidade de parceiro, disponibilizou um miniautocarro para o ir buscar a casa todos os dias. A determinação compensa «Depois do curso, só demorei um dia a encontrar emprego», declara Andrzej, orgulhosamente. «Na entrevista, mostrei-lhes que estava empenhado em conseguir o emprego». Uma empresa de segurança local contratou-o e deu-lhe formação para utilizar um computador. Trabalha no escritório central, com mais seis pessoas, e é responsável pelo controlo das operações na área de Gdansk, pela recolha de dados e, se necessário, por alertar a polícia para PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 38 18.12.2009 11:02:35 Uhr 39 Pessoas desfavorecidas «O curso deu-me a confiança de, apesar da minha deficiência, saber o que tenho de fazer para arranjar um emprego» quebras de segurança. Está ao serviço 24 horas de cada vez, seguidas de 48 horas de descanso, incluindo fins-de-semana e feriados, com descanso em cada terceiro fim-de-semana. «No princípio, ficava muito sonolento a meio da noite, mas agora estou habituado», afirma, embora ainda tenha dificuldade em adormecer quando termina o turno. Uma vez que o salário é baixo, mantém o subsídio de invalidez. A esposa de Andrzej, Ania, é professora num jardim-de-infância e sai de casa às 6 horas da manhã. «No início, não trabalhar era óptimo», recorda Andrzej. «A Ania deixava-me uma lista de tarefas. Costumava ir às compras e depois sentava-me a beber uma cerveja». Mas, à medida que o tempo passava, começou a sentir a pressão, a nível financeiro e psicológico. Felizmente, pouco antes da operação tinham adquirido o apartamento em regime de habitação social, com um empréstimo do estaleiro. Até essa altura, a família vivia num quarto em casa dos pais de Ania. «Mas a pior parte de estar desempregado foi o facto de todos os amigos irem de férias no Verão e os miúdos terem de ficar em casa porque não tínhamos dinheiro», explica. Agora tem um rendimento regular e podem planear umas férias nas montanhas. O dia normal de Andrzej, quando não está a trabalhar, implica acordar os dois filhos, Karol, de 16 anos, e Przemek, de 14, preparar-lhes o pequeno-almoço e vê-los sair para a escola. Sempre gostou de cozinhar e costumava trocar receitas com as amigas de Ania. «A minha especialidade é sopa de cogumelos selvagens com massa», afirma Andrzej, que colhe os seus próprios cogumelos no campo e adora pescar. Também decorou a casa e construiu armários à medida. «Sempre fui versátil e posso fazer tudo em casa. O homem é um animal que aprende tudo». nervoso. Quando tinha de sair e conhecer pessoas não se sentia nada à vontade. Agora tudo voltou à normalidade e partilhamos as lidas domésticas». «Foi um projecto bem sucedido», confirma a coordenadora de curso Anna Dabrowska, do centro de formação Fundacja Gospodarcza. «Temos sempre em curso iniciativas idênticas, destinadas a pessoas com deficiência, que oferecem formação profissional ou aconselhamento na criação de empresa própria. São iniciativas muito populares, uma vez que podem receber um subsídio da UE». Andrzej também gostaria de criar a sua própria empresa de repintura de contentores marítimos. Está a tentar receber uma indemnização pela operação que o deixou com deficiência através dos tribunais e ainda sente amargura por isso. No entanto, em Julho de 2008, foi-lhe implantada com êxito uma prótese na outra anca e agora consegue andar só com uma bengala. Andrzej sabe que está melhor do que muitas outras pessoas. «Na Polónia, as pessoas com deficiência normalmente não conseguem emprego», afirma. «Têm dificuldade em mover-se e as empresas não querem empregá-las. Mas, aqui, as autoridades locais estão a tentar melhorar as acessibilidades». De volta à normalidade Andrzej afirma que se sente «100% melhor» com um emprego. «É óbvio que ninguém se sente bem sem trabalho», salienta. «Algumas pessoas bebem, mas eu não sou assim. O curso deu-me a confiança de, apesar da minha deficiência, saber o que tenho de fazer para arranjar um emprego». «No início, estava contente por ter um ‘marido doméstico’», acrescenta Ania. «Mas comecei a aperceber-me que o Andrzej andava PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 39 18.12.2009 11:02:35 Uhr 40 Uma receita para o sucesso É a hora de almoço de um dia semana e todas as mesas do restaurante Ízlelő («Acepipe»), na cidade húngara de Szekszárd, estão ocupadas. Ao longo de uma parede da sala alegre e iluminada, um escorrega em madeira e uma pilha de brinquedos comprovam a abordagem de «cariz familiar» do local. Mas, além de mães com crianças pequenas, a clientela inclui também casais, pessoas mais velhas e trabalhadores locais. No bulício da cozinha, Éva Gyulai, de 33 anos, ajuda a preparar os pratos. «Adoro trabalhar aqui todos os dias, há tantas coisas diferentes para fazer e sempre adorei cozinhar», exclama. «O relacionamento entre os empregados é óptimo. É um autêntico trabalho em equipa». Para Éva, isto significa compreender os colegas lendo-lhes nos lábios (ela é quase totalmente surda desde nascença, quando um erro clínico e uma sobredosagem de oxigénio lhe danificaram permanentemente a audição). Sete dos funcionários do restaurante são portadores de deficiência e vieram trabalhar para o Ízlelő graças a um projecto de formação local co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. A fundação Pássaro Azul, criada em 1997 com o objectivo de promover uma sociedade que ofereça oportunidades e escolhas a todas as pessoas, lançou o projecto Lehetőség-Integráció-Foglalkoztatás-Tanulás (Igualdade-Integração-Pleno emprego-Formação, LIFT) em Junho de 2006 e ajudou 36 jovens desempregados portadores de deficiência e com níveis de educação baixos a adquirir novas competências que lhes permitissem arranjar emprego. Trabalho mau, salário baixo Nascida em Szekszárd, Éva frequentou uma escola residencial especial destinada a pessoas surdas em Budapeste até aos 16 anos, onde aprendeu a ler nos lábios, antes de regressar à sua cidade natal para concluir o certificado escolar. Mas conseguir um bom emprego não era tarefa fácil. Começou por fazer trabalhos à peça não qualificados, a coser fraldas numa fábrica. «Pagavam-nos as peças acabadas e o valor era muito baixo. Por isso estava sempre a trabalhar e estava sempre com dores de cabeça e nas costas. Era mesmo aborrecido», recorda. Pouco tempo depois, Éva conheceu e casou com Zoltán, que trabalha numa empresa de artes gráficas local, e o jovem casal foi viver com os pais de Zoltán. Quando nasceram os seus dois filhos, PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 40 18.12.2009 11:02:43 Uhr 41 Pessoas desfavorecidas «Há pessoas com deficiência em toda a Hungria que gostariam de trabalhar num local como este. A ideia devia ser copiada» Àkos, agora com 10 anos, e Balázs, com sete, ela ficou feliz por poder utilizar a licença de maternidade para cuidar deles. Balázs tem asma e problemas de visão que já exigiram duas operações e o fizeram perder um ano de escolaridade. Mas quando os dois rapazes estavam prestes a frequentar a escola, Éva estava ansiosa por procurar um tipo de trabalho diferente. Um novo começo Através de outra mãe, Éva teve conhecimento do projecto LIFT e foi uma das 16 pessoas que se inscreveram no curso de restauração (outras 20 aprenderam técnicas de construção). A formação teve a duração de um ano e, durante esse período, Éva recebeu um salário pago pelo orçamento do projecto. Em Setembro de 2007, formou-se como cozinheira e arranjou emprego no restaurante de cariz familiar, também explorado pela Fundação, em conjunto com seis dos seus colegas que cozinham, lavam a loiça e servem à mesa. «Tive sorte. Adoro cozinhar», explica Éva, que aprendeu com a sogra, uma conceituada chefe de cozinha. «Os nossos filhos estão sempre com fome, por isso o meu passatempo é o meu trabalho». Os doces são a sua especialidade: gosta de fazer panquecas, folhados e queijadas. O sabor da liberdade Com um segundo rendimento estável, Éva e Zoltán puderam realizar o sonho de comprar casa própria. «O espaço não era suficiente na casa dos pais do Zoltán e queríamos mudar», explica Éva. «A casa não tinha jardim nem nenhum lugar para as crianças brincarem. Quando chegávamos a casa não havia nada para fazer a não ser sentarmo-nos e ver televisão». Mudaram-se para a sua nova casa fora de Szekszárd em Dezembro de 2008, apreciando o desafio de renovar a propriedade. O espaçoso jardim possui vinhas e árvores de fruto. Zoltán está a tentar aprender vinicultura, enquanto a prioridade de Éva é plantar flores e cultivar maçãs para fazer as suas próprias tartes. «Adoro jardinagem», diz ela. «Fora da cidade temos ar puro e uma sensação de liberdade». Éva está também a estudar para obter a carta de condução. Ela sente-se afortunada por ter encontrado o restaurante Ízlelő. «Há pessoas com deficiência em toda a Hungria que gostariam de trabalhar num local como este. A ideia devia ser copiada. Não nos importaríamos e ficaríamos muito felizes», observa. A cozinha do Ízlelő prepara diariamente até 140 refeições, das quais 40% para fora. O cozinheiro-chefe e o dietista, em conjunto, seleccionam menus saudáveis e apelativos para os jovens. O restaurante fornece também almoços para o centro de dia familiar da Fundação e pretende expandir-se para fornecer uma escola primária local. Àkos gosta de comer lá quando os pais o levam. «Está deliciosa», confirma com entusiasmo enquanto termina a segunda sopa. «É melhor do que a cantina da minha escola». Outros clientes são também da opinião que o restaurante oferece boa qualidade a preços razoáveis. «As pessoas que trabalham aqui têm sempre um sorriso e conhecem toda a gente pelo nome», observa Judit Botos, que costuma comer regularmente no Ízlelő. «Queremos ajudar famílias com crianças pequenas e pessoas com deficiência e o restaurante combina os dois objectivos», explica Andrea Mészáros, directora executiva da fundação Pássaro Azul. «Prevíamos que o restaurante fosse auto-suficiente ao fim de três anos, mas no final do primeiro ano já estamos a obter lucro». PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 41 18.12.2009 11:02:43 Uhr 42 Ajudar os invisuais «Não sei se gostaria de poder ver. Ser cega faz parte de quem eu sou.» Tendo ficado cega ainda bebé devido a um erro clínico trágico, Sarmite Gromska não tem memórias de visão. Actualmente, mal consegue imaginar a experiência. «Nasci prematura, com cerca de sete meses, e fui colocada numa incubadora. Isso provocou-me a cegueira. Foi um acidente, nada mais. As pessoas nem sempre me compreendem quando digo que não gostaria de ver. Se pudesse ver perderia uma parte da minha identidade. Ser cega define quem eu sou», acrescenta. Sarmite afirma que a sua cegueira também lhe proporciona uma visão mais «verdadeira» do mundo. «A aparência não é tudo. Acho que ‘vejo’ melhor do que os que vêem. A maior parte das pessoas presta atenção ao que vê com os olhos, mas eu vejo a essência das pessoas. Vejo os seus ‘gestos de voz’, as suas entoações e sinto a forma como me tocam», explica. A viver com os pais e dois irmãos em Riga, Sarmite é um exemplo inspirador do que é possível conseguir com determinação e apoio. Os anos da sua juventude foram passados num internato especial para invisuais, onde aprendeu a ler e escrever em Braille. Prosseguiu os estudos na universidade, onde se distinguiu como aluna e recebeu uma bolsa. Tem também talento musical e tocou saxofone numa banda juvenil. Embora ainda toque ocasionalmente, Sarmite afirma que vai deixar a música por agora para se concentrar na universidade. Materiais de estudo Sarmite necessita de equipamentos especializados para poder estudar e é extremamente eficaz a escrever com uma «lousa» ou com uma máquina de escrever Braille especial, bem como com computadores equipados com software de reconhecimento de voz. Para ter todos os materiais do curso universitário traduzidos para Braille, depende da biblioteca letã para invisuais. No entanto, como explica Gunta Bite, a responsável pelo departamento de Braille da biblioteca, «a transcrição para Braille tem um custo proibitivo. Apenas podemos fazer este trabalho internamente graças PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 42 18.12.2009 11:03:05 Uhr 43 Pessoas desfavorecidas «A biblioteca Braille alterou profundamente a minha vida e, estou certa, a vida de outras pessoas cegas» ao financiamento da União Europeia, que nos ajudou a criar o departamento de Braille». O objectivo do projecto consistia em proporcionar às pessoas invisuais ou com deficiências visuais uma variedade de serviços e materiais e, em última análise, ajudá-los a integrarem-se na sociedade e no mercado de trabalho e a terem vidas mais independentes. A UE, através do Fundo Social Europeu, possibilitou à biblioteca a aquisição de equipamento e formação para começar a imprimir livros e outros documentos para pessoas invisuais. Os leitores de Braille em toda a Letónia têm agora acesso a toda uma variedade de materiais de leitura gratuitos. E podem requisitar textos específicos quando precisarem. Actualmente, o departamento emprega também pessoas invisuais e com deficiências visuais para trabalharem na preparação dos textos. «Foi o trabalho que realizei na biblioteca num Verão que me convenceu que queria ser editora de Braille», explica Sarmite. Uma carreira que prossegue agora na universidade. Aprender a ser independente Ao longo de quase toda a sua vida, Sarmite tem sido totalmente dependente dos pais. Na verdade, a história da senhora Gromska, a mãe de Sarmite, é um caso exemplar de coragem, determinação e uma dedicação imensa à filha. Mas ela sabe que um dia ficará sozinha e terá de se tornar independente. «Sim, estava nervosa antes de ir para a universidade Era um passo muito importante, tanto a nível académico como a nível pessoal. Ainda sou muito dependente das outras pessoas e especialmente da minha família, mas tenho de aprender a ser forte e a sobreviver», afirma. «A biblioteca Braille alterou profundamente a minha vida e, estou certa, a vida de outras pessoas cegas. Beneficiei muito do projecto do FSE. Ser capaz de imprimir todos os materiais de que necessito para os estudos significa que posso prosseguir o meu processo de crescimento e tornar-me um membro produtivo da sociedade». PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 43 18.12.2009 11:03:05 Uhr 44 Apreciar a vida no campo Tendo crescido numa pequena quinta da região rural de Prekmurje, no nordeste da Eslovénia, Andrej Lovrencec está profundamente enraizado no mundo rural. «Adoro esta região, pertenço aqui. Não me imagino a viver numa cidade. Podia talvez mudar-me para as redondezas, mas acho que nunca iria para um lugar completamente diferente», diz Andrej, de 22 anos. Em casa, com a mãe e o pai, cultiva trigo, uvas, fruta, batatas e outros vegetais e cria cabras, vacas e touros. Ainda que em pequena escala, a quinta não só abastece a família e os animais como também produz algum excedente para venda. Andrej teve dificuldades de aprendizagem na escola e faltava frequentemente devido a problemas de saúde mental. Começou a ter períodos de fortes dores de cabeça, vómitos e deficiência visual ainda em criança e, a partir dos 12 anos, começou a sofrer de depressão. «A escola era difícil. Tive problemas de aprendizagem e também com os meus colegas. Eram questões insignificantes, mas aborreciam-me». Em 2002, quando Andrej estava no sétimo ano, ficou muito doente e faltou um ano à escola. Aos 15 anos de idade foi registado como portador de deficiência e, embora tenha terminado o ensino básico em 2004, depressa concluiu que as suas opções de emprego eram limitadas. Preso em casa o dia inteiro, sentia-se aborrecido e isolado. «Estava em casa, à espera que alguma coisa acontecesse. Não sabia o que fazer nem para onde ir e não tinha dinheiro». Em 2008, começou a dar um rumo à sua vida frequentando um curso de formação. O curso consistia num programa de tutoria com a duração de três meses orientado por uma organização local, a Mosaic, que emprega e apoia grupos socialmente vulneráveis, em especial pessoas com deficiências. O programa divide-se em quatro áreas de actividades: agricultura, produção de produtos biológicos, ecoturismo e recuperação de edifícios. Um emprego a tempo inteiro O programa de «formação no local de trabalho» é um esforço a nível nacional que teve início em 2004 e é co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. Destina-se a pessoas PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 44 18.12.2009 11:03:23 Uhr 45 Pessoas desfavorecidas «Conheci novas pessoas e aprendo alguma coisa nova todos os dias. E agora tenho independência financeira» que possam ter dificuldades em encontrar emprego, incluindo pessoas portadoras de deficiência, jovens com poucas qualificações e pessoas em situação de desemprego prolongado. tenho o que desejava. Não tenho grandes planos para o futuro. Mas se tudo se mantiver como está é óptimo. Temos um ditado que diz: devagar se vai ao longe». Quando concluiu o programa, foi oferecido a Andrej um emprego a tempo inteiro. Ele faz parte de uma pequena equipa que realiza diversas tarefas na agricultura ou na produção de alimentos. É o emprego ideal para Andrej, já que combina um ambiente amigável e favorável com uma área de trabalho que conhece e da qual é entusiasta. «Gosto de trabalhar aqui porque gosto de agricultura», afirma. «O trabalho é realmente interessante, seja lá fora no campo ou no interior». Sendo um negócio agrícola, os empregados trabalham sempre que é necessário, dependendo das estações e das colheitas. «Às vezes trabalhamos sete dias por semana», acrescenta. Andrej, com as suas raízes agrícolas, já está habituado a este tipo de regime. «Não me importo com o número de horas. E é óptimo porque os meus colegas de trabalho também são meus amigos». Competências pessoais É evidente que ele está realmente a gostar da vida profissional, a sua autoconfiança aumentou e tornou-se muito mais independente. «Conheci novas pessoas e aprendo alguma coisa nova todos os dias», afirma. «E agora tenho independência financeira». O rendimento regular permitiu-lhe comprar o seu próprio carro, o que o ajuda a movimentar-se e melhora a sua vida social. Os pais notaram uma grande diferença. «Está muito mais feliz e animado agora. Sai com os amigos; não o fazia tantas vezes até aqui», afirma a mãe. Mateja Kaljevič, consultora do serviço de emprego regional que ajuda a organizar os estágios, também notou uma mudança. «O Andrej está completamente diferente depois de frequentar o programa. No início, vinha com a mãe e ela falava por ele. Tinha medo de tudo e não tinha confiança. Agora é um dos participantes mais confiantes que tivemos». Avaliando a melhoria que a participação no estágio trouxe à sua vida, Andrej afirma: «Estou muito satisfeito. É a primeira vez que PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 45 18.12.2009 11:03:23 Uhr 46 Aprender a viver com a dor Otília Marques tinha apenas 22 anos de idade quando deixou a sua casa em Ansião, Portugal, para se juntar à irmã e à cunhada no Luxemburgo. À semelhança de muitos cidadãos europeus, mudou-se para um novo país na esperança de arranjar trabalho e começar uma vida nova. «No início, foi difícil», recorda. «Trabalhava numa fábrica, mas nunca aprendi francês. Tive de aprender enquanto trabalhava». Numa família de sete irmãos e irmãs, estava habituada a ter alguém por perto quando precisava de ajuda. Em 1975, casou com Manuel Augusto, em Portugal. No ano seguinte, recebeu a companhia do marido no Luxemburgo, que trabalha actualmente para um distribuidor de materiais de construção. Ao mesmo tempo, Otília arranjou um novo emprego como empregada de limpeza na P&T, uma empresa de correios e telecomunicações. Com o nascimento da primeira filha, Alexandra, três anos mais tarde, o futuro parecia risonho. Orgulho no seu trabalho Mal tinha acabado de fazer 30 anos quando Otília começou a sentir a dor reumática nas costas, que se agravou quando lhe apareceu uma hérnia discal. «Há mais de 20 anos que sofro com essa dor que mal me deixa trabalhar e a idade torna as coisas piores. Mas tento sempre fazer o meu melhor», afirma com modéstia. Como empregada de limpeza na zona de lavabos e vestiários da empresa, tem um orgulho óbvio nos espelhos brilhantes e nos azulejos imaculados.As suas tarefas incluem esfregar chuveiros, subir escadas de mão para limpar cacifos, transportar baldes cheios de água e esvaziar sacos de lixo… um trabalho físico árduo. «Às vezes faço um movimento errado e dói ainda mais», explica. «Mas não há mais ninguém para o fazer, por isso tenho de conseguir». E quando os técnicos regressam da instalação de cabos de telecomunicações em valas lamacentas, especialmente no Inverno, há muito que limpar. Assim, em Setembro de 2007, a empresa dispensou Otília durante dois dias por semana para frequentar um curso de cinco semanas, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, para a ajudar a gerir a dor. Por coincidência, a sua filha Alexandra estava, na altura, a trabalhar no ServicedeSantéauTravail PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 46 18.12.2009 11:03:50 Uhr 47 Pessoas desfavorecidas «Aprendi a controlar os meus movimentos para ter menos dores de costas no trabalho diariamente e até mesmo em casa» Multisectoriel (Serviços de Saúde no Trabalho Multissectorial, STM, o departamento governamental responsável pela saúde em diversos sectores laborais), a entidade que organizou o curso, e incentivou a mãe a aproveitar a oportunidade. de Portugal, o seu país natal. Agora, Otília sente-se suficientemente bem para gostar de passear Bell, o seu amigo Labrador de seis anos. Otília aprendeu como as costas funcionam, os riscos de lesões e o que fazer para as proteger. Os formadores mostraram exercícios para fortalecer os músculos das pernas, técnicas de relaxamento para evitar a tensão e mesmo a alimentação adequada para melhorar a sua força e saúde em geral. Ela aprendeu a levantar pesos correctamente e a mover-se com segurança para evitar a dor. «Graças ao curso, agora sei que devo ajoelhar-me (não posso inclinar-me, por exemplo) e tenho cuidado em não encher demasiado os sacos de lixo. Aprendi a controlar os meus movimentos para ter menos dores de costas no trabalho diariamente e até mesmo em casa. A formação ajudou-me porque me explicou o que poderia esperar». Tinham, inclusivamente, psicólogos disponíveis para falar sobre os problemas dos participantes. Não desistir Começar a trabalhar bem cedo Localizada na periferia da cidade do Luxemburgo, a sede da empresa onde Otília trabalha é um edifício angular, de tijolo vermelho, num local espaçoso rodeado por relvados e jardins. Isto significa que ela pode ir de carro para o emprego diariamente e estacionar nas instalações da empresa. «Embora não viva longe, regressar de carro é uma ajuda, até porque começo o dia muito cedo, às 6 horas da manhã». Ela espera poder continuar a trabalhar até atingir a idade da reforma. «Vamos ver quanto tempo mais aguento», afirma filosoficamente. «Vou precisar de coragem. Ainda sinto dores e, às vezes, fico um pouco deprimida. Depende do tempo; quando chove fico pior. Mas não posso desistir, tenho de continuar. Não posso estar sempre a queixar-me. Tenho de viver com isto». Nadine Sadler, do serviço de saúde e assuntos sociais da P&T, afirma que cerca de 20 membros do pessoal participam anualmente na formação sobre dores lombares. «É eficaz. Espero que ajude a Otília a prolongar a sua vida profissional», afirma. «Foi um curso muito útil», confirma Fátima Tomás, que dirige a equipa de 14 empregadas de limpeza do edifício. «Também o frequentei e aprendi muito». Num lugar de destaque da parede da sala de estar de Otília está um certificado emoldurado, que a felicita pelo seu desempenho no curso de formação e a encoraja a colocar em prática o que aprendeu no curso. Este facto diz muito sobre a importância que a experiência teve para ela. Para Otília, a vida diária é uma questão de controlar a dor e reduzi-la para um nível aceitável. Ela recusou ser operada quando soube que teria apenas 20% de probabilidades de êxito. Em vez disso, tem sessões de massagem regulares e, uma vez por ano, submete-se a uma terapia intensiva nas termas locais de Mondorf-les-Bains. Tenta evitar medicamentos para as dores. «Faço um tratamento para tentar impedir o agravamento da artrite porque, se isso acontecer, não há nada a fazer», explica. Otília vive com o marido numa bonita casa com paredes brancas, mobílias de madeira envernizada e chão em tijoleira. Gerânios vermelhos decoram os peitoris das janelas e, aqui e acolá, louças de barro decoradas ou outras lembranças evocam as cores PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 47 18.12.2009 11:03:50 Uhr 48 A história de Georgia «Penso que ao falar da minha vida ajudarei outras pessoas. Eu era uma pessoa muito negativa. Não queria aceitar que estava doente e não queria pedir ajuda. Ainda conheço pessoas que não levam os médicos a sério», afirma Georgia Chrisikopoulou sucintamente. Devido a uma doença mental, Georgia, de 36 anos, passou anos dentro e fora do hospital da sua cidade natal de Corfu, na Grécia. No entanto, desde 2006, um programa de reabilitação a longo prazo ajudou-a a mudar dos cuidados de saúde com alojamento para o seu próprio apartamento e começar a trabalhar. O programa é dirigido pela cooperativa Novos Horizontes, co-financiada pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, A cooperativa tem a sede no centro da cidade de Corfu, num edifício onde também explora um café com um terraço sombreado por laranjeiras. O café é frequentado por estudantes que lêem e tomam café nas mesas. Os clientes ocasionais podem não atentar no nome irónico do estabelecimento: Lunático. Podem também desconhecer que os elegantes edifícios que o rodeiam, com as suas portas de ferro abertas, formavam o antigo hospital psiquiátrico de Corfu, o mais antigo da Grécia, agora convertido em departamentos universitários. Início da doença Georgia faz parte da equipa de jardineiros que tratam dos relvados e canteiros de flores circundantes, todos vestidos de uniforme verde e boné. A sua história é uma história de sofrimento e de coragem. Georgia, a mais velha de quatro filhos, recorda o tratamento cruel dos pais. «Era muito nova para perceber se estava a portar-me mal», afirma. «Não tive qualquer demonstração de afecto durante muitos anos». Aos 12 anos começou a perder cabelo e foram-lhe diagnosticados problemas psiquiátricos. Aos 17 ficou grávida e tentou suicidar-se. Apesar da oposição dos pais, abandonou os estudos, casou e foi viver com os sogros. Mas não tinha um casamento feliz. O casal envolveu-se no álcool e nas drogas e o marido tornou-se violento. Aos 24 anos de idade, Georgia ficou gravemente doente. «Comecei a ouvir vozes e a pensar que estava amaldiçoada. Imaginava que a televisão falava comigo e que tinha capacidades telepáticas. Não PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 48 18.12.2009 11:04:24 Uhr 49 Pessoas desfavorecidas «Adoro tudo o que faço no trabalho. Mudou a minha vida por completo. Sempre gostei de jardinagem; gosto de estar em contacto com a natureza» conseguia tolerar o meu filho e culpava-o a ele e à minha família; estava contra toda a gente. Queria suicidar-me». Por fim, voltou para casa dos pais e, a partir dessa altura, as relações melhoraram. «No fim, foram os meus pais que me salvaram», reconhece. Começou a tomar medicamentos, a princípio contrariada, mas ainda continuava a ouvir a voz do marido na cabeça, a ameaçá-la. Saiu de Corfu e foi viajar, acabando por se deter em Estugarda, onde trabalhou em bares e clubes. «Era mais um pesadelo do que um trabalho nocturno», recorda amargamente. Sofria de distúrbios alimentares e entrou em «falência». Exausta, regressou a casa. Mas à medida que a sua situação piorava, continua a recusar-se a aceitar que estava doente. Aceitar ajuda Em 2002, foi admitida no hospital psiquiátrico, mas o marido foi buscá-la. «No início, ele era atencioso», recorda, «mas não demorou a voltar ao que era». Em 2005, Georgia compreendeu finalmente que não poderia melhorar sem ajuda. Dois acontecimentos foram fundamentais: o irmão mais novo, Prokopis, morreu num acidente e, na véspera de Natal, o pai morreu de ataque cardíaco. Georgia resolveu ter uma vida mais saudável. Regressou ao hospital e, um ano mais tarde, foi transferida para o programa de reabilitação. Durante seis meses, viveu numa pensão em Thinalion. Em Outubro de 2006, estava suficientemente boa para se mudar para um apartamento protegido com outra paciente, Corinna Mouzakiti. Começou também a trabalhar na equipa de ambiente e jardinagem da cooperativa. «Adoro tudo o que faço no trabalho, especialmente plantar. Mudou a minha vida por completo», diz. «Sempre gostei de jardinagem; gosto de estar em contacto com a natureza. À noite, quando estou a ver televisão, sinto a falta do trabalho. Preferia estar a trabalhar». Mas tem de ser cuidadosa. «O tempo quente causa-me perturbações na cabeça», admite. Tem de fazer uma pausa. Os responsáveis da equipa compreendem a situação e evitam atribuir-lhe as tarefas mais pesadas. «Georgia está muito orgulhosa e esforça-se imenso», afirma a sua assistente social, Helena Moschat. Uma equipa de profissionais controla a evolução de Georgia, que pode solicitar ajuda ao seu médico a qualquer hora do dia. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 49 Abordagem cooperativa A cooperativa Novos Horizontes possui 70 funcionários, incluindo 45 pacientes que trabalham juntamente com o restante pessoal. Além do café e da equipa ambiental, dirige um serviço de limpeza, um parque de estacionamento e um bar-restaurante denominado Dusk, na cidade de Corfu. Criada em 2005, a cooperativa teve um crescimento de 10 para 183 membros com direito a voto, dos quais 98 são doentes. O conselho de administração inclui, no mínimo, dois antigos internados. A equipa ambiental tem um contrato com as autoridades locais. Dmitris Vlachos, o responsável da equipa, tem orgulho no serviço profissional e competitivo que a equipa oferece. «Os nossos clientes estão muito satisfeitos com o trabalho», confirma. «Ensinamos os nossos funcionários a fazer um bom trabalho». Todos os funcionários recebem formação, para utilizar as ferramentas eléctricas, por exemplo, e utilizam vestuário de protecção integral. Georgia começa todos os dias às 8 horas da manhã, por vezes viajando em miniautocarros com os colegas para localizações mais distantes. Ganha 500 euros por mês por quatro ou cinco manhãs de trabalho semanais, acrescidos do apoio que recebe através dos serviços de saúde; o apartamento que partilha é gratuito. «Não dizemos aos nossos clientes que alguns dos nossos funcionários são pacientes», explica Thanasis Papavlasopoulos, um especialista em economia social que ajudou a criar a cooperativa. «Não queremos que sejam estigmatizados e não é fácil descobrir no meio da equipa quais as pessoas que têm problemas. Dez deles são já totalmente autónomos. As diferenças conseguidas pelo projecto do FSE em quatro anos estão à vista. Em 1997, existiam 350 pessoas internadas no hospital provenientes de toda a ilha. Agora, existem apenas 15 camas para emergências evidentes. É um progresso significativo. A reintegração é o aspecto mais importante e o nosso objectivo principal consiste em dar às pessoas uma oportunidade de trabalharem e poderem ser independentes», acrescenta. Uma luta contínua Georgia começou a praticar alguns dos seus antigos passatempos. Adora cozinhar e bordar e costumava pintar e escrever música. 18.12.2009 11:04:24 Uhr «Sempre adorei música. Noutros tempos, queria ser dançarina», recorda melancólica. Georgia visita regularmente a mãe, o irmão e a irmã e é muito amiga dos dois filhos da irmã. Ainda trava uma batalha diária para manter a sua vida no rumo certo: depende da medicação que tem de tomar três vezes por dia. Há alguns meses, a situação dela agravou-se repentinamente. «Sentia-me muito zangada. Estava sempre a gritar. Pedi ajuda ao médico e lutámos durante um mês para que eu não regredisse… é mesmo uma luta», explica. O que é que a motiva? «O meu carácter e o facto de ter um filho», responde. «E tenho uma boa família. Não queria magoá-los». O filho Antonis vive agora com o pai em Atenas. Falam duas vezes por semana ao telefone, mas Georgia diz que a sua relação seria melhor se ele não estivesse tão longe. Ela está determinada a ficar suficientemente boa para ter uma casa só dela, onde possa viver novamente com o filho. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 50 18.12.2009 11:04:24 Uhr Trabalhadores mais velhos PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 51 18.12.2009 11:04:24 Uhr 52 Reconversão para o mercado de trabalho actual Existem três princípios importantes para Milan Nedbal, da região de Kromeriz, na República Checa. «Família, saúde e trabalho», afirma Milan, de 53 anos. No entanto, quando a fábrica em que trabalhava cessou a actividade, em Outubro de 2006, perguntou-se se teria perdido um destes três pilares da sua vida para sempre. Milan trabalhou estavelmente toda a sua vida adulta. Depois de estudar maquinaria têxtil na universidade, em Liberec, trabalhou na indústria têxtil durante 27 anos, começando pelas oficinas até chegar a director-geral de uma empresa local. «Subi na minha carreira a pulso. Como director de fábrica, era responsável por todas as fases da produção. Organizava o material para produção, toda a preparação e a gestão dos funcionários», afirma. A indústria têxtil checa entrou em declínio na década de 1990. Quando a fábrica onde trabalhava faliu, as oportunidades oferecidas nesse sector eram escassas. «Ter sido despedido era uma sensação má. E agravava-se com a pressão de procurar um novo emprego», refere. Começou imediatamente a procurar emprego, mas de início não teve sorte. «Enviei o meu CV a cerca de 140 empresas», continua. «Mas obtinha sempre a mesma resposta: Agradecemos o seu interesse na nossa empresa, mas lamentamos informar de que não existem oportunidades adequadas ao seu perfil neste momento…». Não só era difícil encontrar emprego relacionado com a sua experiência, como também descobriu que o cargo de categoria superior que detinha anteriormente constituía um obstáculo. «Influenciava de forma negativa. Quando as empresas descobriam que tinha sido director de fábrica, não me consideravam para cargos inferiores», diz. «Tinham receio que pretendesse assumir todo o controlo». Todavia, continuou a enviar mais candidaturas a empregos. «Tinha que seguir em frente. Era muito importante. Sou uma pessoa optimista. Mas a confiança começava a ressentir-se. Perguntava-me se alguma vez voltaria a trabalhar», afirma. Actualizar-se com as novas tecnologias Milan compreendeu que tinha de actualizar as suas competências para encontrar um emprego no mercado de trabalho actual. Em 2007, começou a frequentar um curso de reconversão profissional PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 52 18.12.2009 11:04:55 Uhr 53 Trabalhadores mais velhos «A formação era essencialmente prática e as minhas competências em informática melhoraram muito… Estou agora muito mais confiante» oferecido pelos serviços de emprego locais. O projecto foi preparado e organizado pela biblioteca Knihovna Kromerizska, sem fins lucrativos e co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. Consistia principalmente de formação em informática e tecnologias da informação, aprendizagem sobre a forma de utilizar «hardware» e «software», pesquisa na Internet, criação e preparação de vários documentos informáticos, bem como competências de comunicação e educação ambiental. «Antes do curso, os meus conhecimentos informáticos eram limitados. Só comecei a utilizar computadores na parte final da minha carreira anterior. Mas a formação era essencialmente prática e as minhas competências em informática melhoraram muito», recorda. O curso ajudou imenso a aperfeiçoar outras competências essenciais para obter um emprego, tais como a elaboração de cartas de candidaturas e CV, o vestuário utilizado para as entrevistas e uma melhor comunicação com as pessoas. «Acima de tudo, ajudou-me a adquirir autoconfiança. Notei uma diferença nas minhas competências interpessoais», acrescenta Milan. preparação da logística para o fornecimento de vários componentes. Para executar estas tarefas, utiliza «software» de engenharia e de gestão de projectos. «A comunicação e a coordenação são feitas exclusivamente por meios informáticos. Teria sentido dificuldades sem competências em informática», refere. «É completamente diferente das minhas anteriores funções. Antes, trabalhei sempre internamente. Actualmente, necessito de comunicar externamente com outras empresas e organizar toda a cadeia de abastecimento», acrescenta. O regresso ao mercado de trabalho fez uma grande diferença na sua qualidade de vida. «Estou agora muito mais confiante. Não penso muito no futuro, sinto-me feliz com o que faço neste momento», afirma. Milan gosta de jardinagem e de estar com a família. «Todavia, não tenho muito tempo livre. Trabalho muito», admite. E para um homem que valoriza tanto o trabalho como Milan, isto é uma boa coisa. No Verão de 2007, os esforços compensaram e sua procura de emprego terminou quando conseguiu uma vaga num fabricante local. As suas competências recentemente melhoradas revelaram-se essenciais. «Um elevado conhecimento de informática era um pré-requisito para a função. E a empresa não receia contratar funcionários mais velhos». A empresa, Chropyňská Strojίrna, é especializada no fabrico de braços robóticos para soldagem no fabrico de veículos, bem como outros produtos como, por exemplo, moldes para máquinas de prensar plástico que fabricam artigos como os pára-choques de veículos. Competências de comunicação Milan trabalha no departamento de cooperação. «A minha função é assegurar a produção de diferentes componentes da cadeia de abastecimento junto de subcontratantes», esclarece. «Não temos capacidade para produzir tudo sozinhos». A par da sua vasta experiência em produção, as competências em informática são essenciais para a sua nova função. O seu trabalho implica a elaboração de estudos e selecção de fornecedores, a preparação de encomendas e de documentação com especificações técnicas e a PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 53 18.12.2009 11:04:55 Uhr 54 O verdadeiro valor da experiência «Existe a ideia de que quando uma pessoa envelhece, os empregadores já não precisam mais dela. Temos a capacidade, mas somos demasiado velhos e demasiado caros.» Se existe uma nota de amargura na voz de Roswitha Kerbel, de 55 anos, é fácil de compreender porquê. Para uma mulher com uma ampla diversidade de qualificações, que dedicou parte da sua vida a prosseguir uma carreira de alto nível na área editorial, ficar desempregada subitamente quando sabe que quer trabalhar é profundamente frustrante. Pouco depois dos 50 anos, passou quatro anos a procurar emprego em Viena, Áustria, sem encontrar uma oferta adequada. «Recebi muitas recusas. Fiquei muito desmotivada. Uma pessoa começa a sentir-se velha e inútil», recorda. Finalmente, o seu centro de emprego sugeriu que contactasse a Initiative 50, um programa co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu com o objectivo de pôr os trabalhadores mais velhos em contacto com empregadores que reconhecem o seu valor. Em Janeiro de 2008, pediram-lhe que enviasse o seu CV à Licht ins Dunkel (Luz na Escuridão), uma popular instituição de caridade sediada em Viena que trabalha com a televisão austríaca e celebridades para angariar donativos para famílias necessitadas. A organização chamou-a para uma entrevista e, numa hora, ofereceu-lhe um emprego. Dedicação aos livros Roswitha nasceu em Graz, na Áustria, mas aos seis anos foi viver para Estugarda, na Alemanha, onde cresceu e estudou. Obteve um diploma de bibliotecária antes de adquirir competências complementares em economia e tecnologias da informação e entrar na área editorial. «Sempre me concentrei na minha carreira. Adoro livros», explica, apontando para as filas de livros que cobrem as paredes da sua sala de estar desde o chão até ao tecto. «Exerci cargos de direcção na área de marketing em algumas grandes editoras. Trabalhava 60 a 70 horas semanais e viajava imenso, com a responsabilidade de organizar feiras de livros e lançamentos. Era um trabalho muito difícil», afirma. Quando o primeiro casamento terminou em divórcio, regressou à Áustria, em 1993, onde conheceu o seu segundo marido, Michael PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 54 18.12.2009 11:05:23 Uhr 55 Trabalhadores mais velhos «Gosto muito de trabalhar e fico feliz por ser capaz de ganhar o meu próprio salário, pois gosto de ser financeiramente independente» Estl. Roswitha sentiu que tinha chegado o momento de mudar a sua vida. «O meu primeiro casamento terminou porque estava demasiado ocupada com o meu trabalho. Ficava longe de casa demasiado tempo e era demasiado cansativo. Não queria que acontecesse o mesmo outra vez», recorda. Uma casa no campo Roswitha e Michael casaram em 2000. Compraram uma casa na aldeia de Königstetten, na orla dos belos bosques de Viena, nos arredores da capital austríaca. Quando tomam o pequeno-almoço na varanda, o olhar perde-se para lá do jardim até às colinas onduladas de brilhante colza amarela. Michael trabalha em casa como programador informático, na companhia de dois enormes cães, Benny e Teddy, e dois gatos, Mimi e Pepper. Roswitha também necessitava de flexibilidade para cuidar dos pais idosos (a cada duas ou três semanas viajava até Estugarda onde os pais ainda viviam) e da sogra em Viena. Deixou o emprego na editora e começou a procurar um novo rumo para a sua carreira. O jardim parecia ser a resposta: «Sempre adorei jardinagem, mas não conhecia nada sobre plantas», confessa. Frequentou um curso de formação em jardinagem paisagística e obteve, em seguida, um emprego no parque natural dos Bosques de Viena. Era responsável pelo planeamento de eventos e excursões para grupos de visitantes, bem como pela administração e contabilidade, mas o emprego foi temporário. «Gostaria de ter conseguido um emprego permanente, mas era demasiado velha», esclarece. Fevereiro de 2008. O programa paga o salário dos participantes nos primeiros três meses, oferecendo aos empregadores um incentivo adicional para contratar as pessoas. Admite que ser administrativa não é o seu «emprego de sonho» e que poderia ser mais interessante. «Mas, na minha idade, já não quero ter toda aquela responsabilidade», explica. «Quero levar a vida com mais calma. É uma situação difícil e agradeço a oportunidade de ter de novo um emprego. Não sou uma ‘dona-de casa’ típica. Gosto muito de trabalhar e de estar com os meus colegas. E fico feliz por ser capaz de ganhar o meu próprio salário, pois gosto de ser financeiramente independente», confessa. «A Initiative 50 é um bom programa porque ajuda as pessoas mais velhas a encontrar empregos adequados e isso não é fácil. Agora tenho tempo para cuidar do meu jardim, do meu marido e dos meus cães. Não quero a pressão que tinha antes. O projecto ajudou-me a conseguir esta vida», conclui. «Initiative 50 is a very good scheme because it helps older people to find suitable jobs, and that’s not easy. Now I have time for my garden, my husband and my dogs. I don’t want the stress I had before. The project has helped me to achieve that.» Roswitha diz que começou a tomar consciência do problema da discriminação em relação à idade há cerca de 10 anos. Pensa que a questão tem a ver com os elevados custos em termos de segurança social que os empregadores pagam por funcionários mais velhos. «Existe muita pressão, devido ao facto de existirem poucos empregos no mercado, pelo que as empresas oferecem trabalho aos funcionários com menos custos», argumenta. Independência financeira Todavia, a Initiative 50 proporcionou a Roswitha um novo começo. Tem trabalhado a tempo inteiro para a Licht ins Dunkel desde PT_Inhalt.indd 55 29.12.2009 8:26:11 Uhr 56 Solidariedade social dá nova esperança A filosofia de vida de Tsvetan Ivanov é muito clara: «Ajudar-mo-nos mutuamente torna-nos a todos mais fortes. Procurar ser o primeiro não é uma política com a qual concorde», afirma. Tsvetan trabalhou durante 25 anos numa fábrica de fertilizantes químicos local, em Vratsa, no noroeste da Bulgária, onde supervisionava os procedimentos de segurança, antes de beneficiar de uma reforma antecipada em 2000. Cedo decidiu que queria fazer algo para ajudar as outras pessoas da sua comunidade. Vratsa é uma cidade pitoresca, conhecida pelas suas espectaculares grutas e escarpas para alpinismo. Mas muitas famílias jovens partem da cidade para procurar emprego, por vezes deixando os pais idosos ou familiares com deficiência relativamente isolados. Em 2008, ouviu falar sobre o projecto Through Social Services, for Decent Living, dirigido pela ONG local Most (Ponte) e co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. O projecto forma e contrata pessoas reformadas e desempregadas para trabalharem como assistentes sociais, prestando apoio diário a 40 pessoas que vivem nas suas próprias casas mas não são autónomas e necessitam de cuidados prolongados. Após um breve período de formação, que abrangeu primeiros socorros, competências em aconselhamento e lidar com situações de emergência, foi oferecido a Tsvetan um contrato que o tornava responsável por dois clientes: Nicola Kotsev, de 87 anos, e Emil Ginev, um antigo arquitecto que sofreu a amputação de uma perna na sequência de um acidente de viação. Tsvetan visita-os diariamente, ajuda-os a manter as casas limpas e a fazer as compras. Pode ter que ajudar com as consultas médicas ou com tarefas administrativas rotineiras como, por exemplo, pagar facturas de serviços. Ao almoço, recolhe as refeições de ambos na cantina dos serviços sociais, que prepara 200 a 300 refeições diárias para pessoas dependentes da segurança social. Algumas vezes, leva Nicola a passear na cadeira de rodas, outras apenas fica sentado a seu lado a fazer-lhe companhia. Uma paixão pela aprendizagem Tsvetan desenvolveu fortes laços afectivos com os seus dois protegidos. «Nicola é uma pessoa cheia de vida e muito alerta. Sente-se muito melhor quando falo com ele», refere Tsvetan. «Precisa de PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 56 18.12.2009 11:05:41 Uhr 57 Trabalhadores mais velhos «Através deste projecto, dou esperança às pessoas. Posso ver que têm vontade de viver e de não desistir» tomar medicação depois de ter sofrido um enfarte. Mas tem todas as suas faculdades e recusa-se a desistir. O aspecto mais interessante do emprego é o facto de obtermos uma visão psicológica da forma como as pessoas lidam com as adversidades. O que me agrada é o facto de estar a aprender e quanto mais aprendo mais posso ajudar as pessoas. É preciso compreender o que sentem sobre muitas questões, como o envelhecimento e mesmo a morte». Inicialmente, voluntariou-se para assistente social de um projecto anterior financiado pelas Nações Unidas em toda a Bulgária e que abrangia 210 pessoas na região de Vratsa. Tsvetan foi sempre um pensador independente, com interesses muito diversificados. Licenciado em química, quando terminou a universidade passou 15 anos no sector da construção civil, ajudando a restaurar ícones e murais do famoso mosteiro Cherepish, próximo de Vratsa. Ao mesmo tempo, estava «viciado» no Cubo de Rubik (ainda guarda algumas das versões mais difíceis deste puzzle). Quando descobriu a Internet, esta tornou-se também uma paixão. «Tinha que me obrigar a sair», admite. Em 2007, publicou o seu primeiro livro, expondo a sua própria teoria filosófica sobre A Tetralética da Natureza. O livro reflecte o seu interesse em todos os aspectos do mundo natural. Quando trabalha no computador, um ou dois dos seis gatos que salvou das ruas enroscam-se no regaço ou sobem para os ombros. «Quando tratamos bem os animais, eles começam a confiar em nós, tal como as pessoas», explica. A janela da sua modesta sala de estar, que também serve de quarto, está cheia de plantas. A sua biblioteca pessoal enche o pequeno apartamento, com cerca de 6 000 volumes sobre os mais variados temas. «Li-os todos», declara Tsvetan orgulhosamente. Faz parte de uma sociedade de filosofia local e publicou cerca de 150 artigos. lefonar 24 horas por dia». Conta também com o contacto humano (ter alguém com quem conversar todos os dias) e estabeleceu uma estreita relação com a assistente que lhe presta os cuidados, Maryika Mitova. A afeição é mútua. «Ela é como uma mãe para mim», confessa Maryika, que também trabalha para o programa Decent Living. Os assistentes sociais trabalham seis horas diárias e recebem um salário pago pelo orçamento do projecto. Mas, como pensionista, Tsvetan não paga impostos e tem direito a cuidados de saúde gratuitos, o que, por sua vez, poupa dinheiro ao projecto. A função dos 10 assistentes sociais consiste em apoiar os 10 prestadores de cuidados empregados a tempo inteiro pela autoridade local. O contrato é válido por um ano, a duração do programa. Tsvetan espera que seja renovado, dizendo que seria um prazer continuar a trabalhar no projecto. «Através deste projecto, dou esperança às pessoas. Posso ver que têm vontade de viver e de não desistir. O trabalho proporciona-me um rendimento suplementar, o que me permite ter uma vida decente e, por sua vez, posso ajudar outros a viver decentemente. Desde que comecei a conversar com Nicola, tornou-se mais esperançoso e tentou começar a caminhar de novo. Ficou mais animado. Por isso, este trabalho tem sido útil para mim e eu tenho sido útil para Nicola». Afeição mútua Velika Mamkova, de setenta e sete anos, é outra beneficiária da iniciativa Decent Living. Está obrigada a ficar em casa, de muletas, na sequência de uma operação e de uma perna partida. Os dois filhos têm a sua própria família e não vivem com ela; um foi trabalhar para Itália. «Esta ajuda é muito importante. Há coisas que não consigo fazer sozinha e não seria capaz de lidar com a situação», diz. «Se surgir um problema, sei que posso sempre te- PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 57 18.12.2009 11:05:41 Uhr 58 Novas competências e sentido de comunidade Nascida numa pequena aldeia próxima de Vilnius na década de 1930, Aldona Mikalauskiene testemunhou pessoalmente algumas das maiores convulsões europeias, desde as atrocidades da Segunda Guerra Mundial e as dificuldades e conflitos sob o domínio soviético até à independência do seu pequeno país, a Lituânia. Ao longo de todos estes acontecimentos, manteve um forte carácter e um sentido de dever perante os seus concidadãos. «Hoje temos muitas novas liberdades. Liberdade para termos o nosso próprio negócio e nos aperfeiçoarmos, para criticar e falar livremente sobre o nosso governo, mas temos também a obrigação de utilizar as nossas liberdades e os nossos talentos para nos ajudarmos mutuamente. Somos um só povo, uma só sociedade», afirma. Origens humildes… Filha de agricultores do Ukmergė rural, Aldona frequentou a escola, casou e enviuvou e, em seguida, recomeçou os estudos, distinguindo-se como aluna mais velha na universidade. Agora, como contabilista qualificada, dirige a sua própria empresa de contabilidade na capital lituana, formando e empregando jovens e ajudando vários clientes a ultrapassar com êxito períodos financeiros difíceis. «Passei a maior parte da minha carreira a trabalhar com futuros profissionais. Organizei estágios e formei numerosos contabilistas bem sucedidos», acrescenta. Os seus clientes são muitos e variados, desde restaurantes chineses e mecânicos de automóveis até organizações de mulheres e crianças ou grandes empresas e fabricantes. «Adoro o meu trabalho e satisfaz-me especialmente ver o meu grupo ajudar outras pessoas a terem êxito, sejam pequenas empresas, fornecedores de serviços ou grandes empresas que produzem riqueza para a nossa economia», afirma. «E por que deveria parar agora? Já ando por aqui há algum tempo, mas sempre tive uma vida activa e penso que ainda posso contribuir com algo», argumenta. Ainda em boa forma «O trabalho de contabilista anda sempre à volta de números, o que implica ter conhecimentos especializados e as ferramentas adequadas», explica Aldona. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 58 18.12.2009 11:06:06 Uhr 59 Trabalhadores mais velhos «O trabalho de contabilista anda sempre à volta de números, o que implica ter conhecimentos especializados e as ferramentas adequadas» Um único programa de formação em tecnologias da informação para pessoas mais velhas, organizado por um grupo de cidadãos de terceira idade, LPS Bociai, e co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, ajudou Aldona a dominar as novas tecnologias da informação na sua empresa, a melhorar as suas competências e a actualizar-se sobre os mais recentes equipamentos informáticos, programas e serviços de funcionamento em rede. «Passo uma boa parte do meu dia no exterior, de um lado para o outro, em reuniões com clientes, a recolher e entregar documentos e apresentações e a vender os nossos serviços a potenciais clientes», refere. Em seguida, regressa ao escritório, onde confere e analisa os resultados e os números. «Quando comecei, usávamos aquelas antigas máquinas de somar com uma grande manivela que rodava para baixo e que tilintavam como caixas registadoras. Pensávamos que eram muito práticas. Como as coisas mudaram! Existem tantas ferramentas e tecnologias novas que podem ser extremamente úteis na contabilidade», afirma. «Os cursos de informática permitiram-me desenvolver novas competências e fazer o meu trabalho de forma mais eficiente. As aulas foram uma verdadeira ajuda», conclui. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 59 18.12.2009 11:06:06 Uhr 60 Regressar ao trabalho Nascido em 1949, George Mifsud passou por várias mudanças na sua vida. Enquanto jovem a crescer em Malta, aprendeu soldagem, carpintaria e outras competências que lhe proporcionaram um bom início de vida profissional. Mais tarde, aprendeu taxidermia, uma arte que praticou activamente durante 20 anos. Caçador e músico desde sempre, os vários interesses de George mantiveram-no em movimento, cruzando várias vezes o seu arquipélago natal. Nunca se afastou para muito longe, apenas visitou a Itália e a Suíça fora da sua pátria, Malta. «É um pequeno país mas com imensas potencialidades. Nós, os malteses, não gostamos de viajar para longe. É um país cheio de história. Gostamos de cuidar das nossas ilhas e de mantê-las bonitas», explica. E é esta a missão de George na sua nova função como trabalhador paisagístico. «Tive muitos empregos diferentes. Antes deste, dirigi um snack-bar para turistas durante 11 anos. Depois, quando este encerrou, sentia-me, não sei, ultrapassado. Precisava de encontrar algo para fazer. Estava desempregado», continua. Cursos de aperfeiçoamento George viu uma reportagem na televisão sobre novos fundos da União Europeia para desempregados, por isso fez alguns telefonemas e inscreveu-se no Training and Employment Exposure Scheme (TEES). Co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, o TEES ajuda pessoas com idade superior a 40 anos a regressar ao mercado de trabalho. «Fiz trabalhos de soldadura e de electricidade na minha juventude, tarefas que sempre me agradaram, mas a minha habilidade estava bastante enferrujada. O projecto TEES proporcionou-me alguns cursos de aperfeiçoamento gratuitos. Frequentei cursos de pichelaria, carpintaria, soldagem e electricidade. Foi muito divertido e conheci muitas pessoas simpáticas. Fizemos uma formação completa de seis meses», confessa. Depois de aperfeiçoar as suas velhas competências, George foi posto em contacto com um consórcio paisagístico que executa trabalhos em Malta e tem agora novamente um emprego a tempo inteiro. Trabalha com uma equipa de homens que percorrem as paisagens maltesas, fazendo trabalhos de manutenção e repara- PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 60 18.12.2009 11:06:30 Uhr 61 Trabalhadores mais velhos «Trabalho no exterior e tenho um grande prazer naquilo que faço. Deslocamo-nos de uma ponta à outra do país» ção de infra-estruturas de transporte como, por exemplo, as faixas separadoras centrais das autoestradas, instalação de iluminação e sistemas de drenagem, mantendo, em geral, as infra-estruturas em ordem. «Trabalho no exterior e tenho um grande prazer naquilo que faço. Deslocamo-nos de uma ponta à outra do país», orgulha-se, tendo em conta que a superfície de todo o Estado-Membro da UE tem uns modestos 316 km2 de superfície. Ao serão, George toca guitarra numa banda local de «country rock», outra paixão que persegue desde a juventude. Reconhecido pelas pessoas na rua e nos salões de hotéis elegantes, George é uma espécie de instituição local e, com uma pequena ajuda dos seus amigos, mostrou como uma pessoa de terceira idade ainda pode fazer a diferença. «Este programa ofereceu-me a oportunidade de fazer algo novo. Sinto-me como se estivesse a começar de novo: regressei ao jogo», acrescenta. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 61 18.12.2009 11:06:30 Uhr 62 Preparar uma nova carreira «Podia passar o resto da minha vida com os subsídios de desemprego e de pré-reforma, mas não queria isso», declara Jane Grøne, com ar de desafio. «Estava determinada a conseguir um emprego e fi-lo porque quis, não por imposição dos serviços de emprego. A iniciativa foi minha. Mas a formação era essencial, dado que não era possível ter este emprego sem ter obtido aprovação num teste e obtido a carta de motorista». A conduzir o seu autocarro amarelo ou a conversar com as suas colegas de trabalho na City Trafik, uma das duas principais empresas de autocarros de Aalborg, na costa ventosa de Jutland, Dinamarca, Jane parece estar completamente à-vontade. No entanto, no início de 2007, já nos seus cinquenta e cinco anos, encontrava-se desempregada e não tinha qualificações formais que a ajudassem a conseguir um emprego. Quando reparou num anúncio para formação de motoristas de autocarros num jornal local, ficou tentada a responder; gostava de conduzir e a função parecia interessante. Mas hesitou. Seria capaz de conduzir um veículo de grandes dimensões? E seria capaz de assumir a responsabilidade pela segurança dos seus passageiros? «No início, pensei que era difícil devido à minha idade», admite. Uma semana mais tarde, Jane reparou no mesmo anúncio. «Parecia o destino. Pensei para comigo: Se outras pessoas conseguem, porque não eu!? Posso tentar e ver como corre. Posso sempre desistir, se necessário», recorda. Avançou com a ideia e, em Novembro de 2007, conseguiu uma vaga no programa Competências Profissionais, dirigido pelo centro de formação profissional local AMU (ArbejdsMarkedsUddannelser — TrabalhoMercadoEducação), um projecto educacional co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. O curso de motorista de autocarro inclui aulas teóricas e práticas, com diferentes módulos que abrangem temas como saúde e segurança, primeiros socorros, contacto com dinheiro, ergonomia e assistência a passageiros com deficiência. Jane está grata pela formação que recebeu. «Os professores tornaram as aulas divertidas e interessantes. Eram muito profissionais. Mesmo quando os temas que tínhamos de estudar eram aborrecidos, pessoalmente nunca me senti aborrecida». PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 62 18.12.2009 11:06:45 Uhr 63 Trabalhadores mais velhos «Ficamos muito mais confiantes quando obtemos o diploma e conseguimos um bom emprego com bons colegas. Sentimo-nos melhor» Promessa de emprego Entretanto, começou a procurar emprego e a City Trafik ofereceu-lhe uma vaga com início em Fevereiro de 2008. Mas existia um problema: embora a formação estivesse concluída na altura, sentia que não tinha experiência prática suficiente. «Estava nervosa, porque a empresa tinha-me prometido um emprego e todos os outros novos motoristas estavam preparados para começar». Tinha medo de perder a oportunidade, mas a empresa manteve a palavra. «Como dizemos na Dinamarca, talvez tenha sido pelos meus olhos azuis». Jane ri maliciosamente. Teve aulas suplementares durante dois meses e em Abril estava preparada para iniciar funções. «Sinto-me realmente feliz por ter obtido a minha carta de motorista. Ficamos muito mais confiantes quando obtemos o diploma e conseguimos um bom emprego com bons colegas. Sentimo-nos melhor», acrescenta. «Participar numa formação é transmitir a mensagem de que as pessoas podem ter êxito», confirma Henrik Johannesson, director da secção de transportes e logística do centro AMU. «Vemos muitas pessoas com 50 anos, sobretudo porque perderam os seus empregos e querem começar uma nova carreira». Assumir a responsabilidade Jane é oriunda de Hjørring, no norte da Dinamarca. Quando tinha 15 anos, mudou-se para Aalborg, onde os pais abriram um café. Mas pouco depois a mãe morreu e, sendo a mais velha de seis crianças, Jane cedo ficou ocupada a cuidar dos seus três irmãos e duas irmãs e a ajudar o pai no negócio. Tinha pouco tempo para estudar e obter aprovação nos exames, por isso abandonou a escola sem qualificações. Casou aos 20 anos e teve três filhos. Jane e o marido dirigiam uma pequena empresa de equipamento de escritório e ela desempenhava a função de recepcionista e secretária. Mas quando o marido morreu, em 1997, teve que vender a empresa e procurar emprego «Estava perto dos 50 anos e tinha que decidir o que queria fazer. Procurei e voltei a procurar», recorda. Encontrou emprego como prestadora de cuidados de saúde e concluiu um ano de for- PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 63 mação profissional para obter as qualificações complementares de que necessitava para promoção. Entretanto, sofreu um acidente de viação que a deixou com uma lesão na coluna e impossibilitada de levantar pesos ou fazer trabalho pesado, essencial para o tipo de função que desempenhava. Jane esteve cerca de um ano de baixa e, em seguida, com subsídio de desemprego, antes de decidir que não era esta a forma de vida que queria. Os seus filhos já são adultos e independentes. O filho mais velho vive em Copenhaga, mas a filha e o filho mais novo vivem perto e Jane gosta especialmente do tempo que passa a cuidar do neto de dois anos, Mathias. Trabalha 37 horas semanais, normalmente distribuídas por seis dias, com turnos que começam tão cedo como as 4h da madrugada e terminam tão tarde como as 1h30 da madrugada. Todas as manhãs, quando chega à empresa, é informada do itinerário que irá percorrer nesse dia. Existem 170 motoristas a trabalhar na empresa City Trafik, 22 dos quais mulheres. Gestão de conflitos Graças ao seu emprego, Jane conheça agora a cidade muito melhor. As ruas estreitas do centro antigo de Aalborg, com as suas casas bem arranjadas e pintadas a cores pastel, não são o local mais fácil para conduzir um veículo de grandes dimensões. Mas Jane orgulha-se de conduzir ágil e cuidadosamente de modo a que os passageiros usufruam de uma viagem segura e confortável. «Temos que parar nos semáforos, de qualquer modo. Porquê andar depressa?, observa. Tem prazer no contacto social com os passageiros habituais e estes, por sua vez, mostram o seu agrado: «Oferecem-me prendas: chocolates e garrafas de vinho!…». Por outro lado, a violência contra os trabalhadores dos transportes é uma constante fonte de preocupação, tendo sido detidas, há cerca de um ano, duas pessoas acusadas de atacar com facas motoristas de autocarros. A gestão de conflitos foi um dos temas do curso e Jane afirma que o seu único problema até ao momento consistiu num grupo rebelde numa paragem de autocarro. Lembrando-se do curso de formação, fechou rapidamente a porta e arrancou. Actualmente, os autocarros estão dotados de alarmes ligados à polícia local. 18.12.2009 11:06:45 Uhr «Estou muito contente com o meu trabalho», continua Jane. «Estou feliz com os meus colegas e com o meu patrão. Somos todos bem tratados e ajudamo-nos mutuamente. Somos como uma grande família, onde ninguém é posto de parte. Vou continuar aqui até morrer!», brinca. Jane tem uma boa razão para esperar uma carreira longa e satisfatória, pois, desde que os motoristas renovem os seus certificados médicos todos os cinco anos, a idade de reforma é flexível. O motorista mais velho da City Trafik tem 72 anos. «Gosto mesmo de vir trabalhar, mesmo que seja às 4h00 da manhã. Nunca fico triste por estar a trabalhar», conclui Jane. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 64 18.12.2009 11:06:45 Uhr Empreendedorismo PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 65 18.12.2009 11:06:45 Uhr 66 Aconselhamento coloca serviço de aerodeslizadores no rumo certo «Pensava que a criação de uma empresa de viagens de aerodeslizadores (hovercraft) era uma ideia tão boa que as pessoas viriam a correr visitar-nos, mas não era verdade. Felizmente, o programa de aconselhamento proporcionou-me o apoio de que necessitava: aprendi marketing e, sem isso, a empresa não existiria». Peeter Tarmet vive em Saku, na luxuriante região perto de Talin, a capital da Estónia, e dirige agora a única empresa de lazer e entretenimento com aerodeslizadores existente no país. Em 2007, decidiu que já não queria passar a vida a fabricar móveis, como fazia desde que deixou a universidade oito anos antes. «Queria fazer algo de novo. Até aqui, trabalhei sempre sozinho, numa sala poeirenta. Muitas vezes, não via a luz do dia e precisava de um pouco de ar fresco. Trabalhando por conta própria, tenho a responsabilidade de tudo e, se ficar doente, deixa de haver negócio», explica. Peeter teve a sua grande ideia enquanto via o canal Discovery na televisão. «Estavam a mostrar pequenos aerodeslizadores que podem viajar por terra e na água. Pensei: «Não temos nada disto na Estónia. Eu queria fazer algo de novo». Foi um passo arrojado. Peeter e a esposa, Birgit, têm dois filhos: Ken, de 12 anos, e Kendra, de 10. Com cada aerodeslizador a custar 16 000 euros, tiveram de contrair um empréstimo para fazer a compra. «Até ali era só conversa, não estávamos a arriscar nada. Mas a assinatura do empréstimo foi o ponto de viragem. Tivemos de tomar uma decisão e não podíamos voltar atrás». Em parceria com Kalmer Kallasmaa, Peeter investiu em três pequenas embarcações e, passados alguns meses, tinham lançado as suas viagens para turistas e população local. Perguntas e respostas Mas não era apenas uma questão de planear viagens. «As pessoas não nos conheciam», explica Peeter. «Com algo novo, demora o seu tempo». Concluiu que não estava a ter os clientes que esperava. «Pensámos: onde é que estamos a errar? Por que é que não está a dar resultado? Tínhamos muitas perguntas». Para encontrar as respostas, Peeter inscreveu-se no Mentoring Programme da Enterprise Estonia, co-financiado pela União PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 66 18.12.2009 11:07:10 Uhr 67 Empreendedorismo «Talvez tenha descoberto uma nova pessoa em mim que gosta de falar. As minhas apresentações são cada vez melhores» Europeia através do Fundo Social Europeu. No início, queria adquirir mais conhecimentos sobre liderança, gestão financeira e marketing. Mas uma reunião com potenciais mentores convenceu-o de que a chave residia no marketing. «Para que serve ser melhor líder ou gerir bem as finanças se não se consegue vender o produto?», pergunta. confortáveis, certamente voltarão», explica Peeter. Eventualmente, espera construir um local permanente com instalações para conferências e restauração e diversas actividades de lazer e entretenimento. «Sem o conhecimento especializado que adquiri através do programa de aconselhamento, acho que não estaria onde estou hoje», conclui. O seu mentor, Kadi Elmeste, é um especialista em marketing da cidade de Pärnu e ensinou-o a criar apresentações e a seleccionar as soluções adequadas para fins publicitários. «Todos oferecem publicidade, mas não é barata e, se não der resultado, perde-se dinheiro», refere. Pouco tempo depois, estabeleceu uma parceria com a maior agência de viagens da Estónia, a Estravel. «Para mim, esta formação foi óptima, uma vez que quando fazia móveis não precisava de dominar técnicas de vendas ou de marketing. Tinha mais compradores do que precisava». Na verdade, Peeter acha que descobriu a sua vocação: visitar e fazer apresentações a clientes, promovendo a sua nova empresa. «Já não trabalho sozinho», afirma com satisfação. «É algo novo para mim e adoro deste trabalho. Conheço pessoas e posso comunicar com elas. Talvez tenha descoberto uma nova pessoa em mim que gosta de falar. As minhas apresentações são cada vez melhores», confessa. Planos de expansão Os parceiros planeiam lançar um sítio web para atrair visitantes internacionais e prevêem oferecer os seus serviços em seis línguas: estónio, inglês, francês, alemão, russo e finlandês. Actualmente, cerca de 25% a 35% dos negócios são provenientes do estrangeiro. «Temos grandes planos para o futuro», informa. O próximo passo consiste num autocarro equipado especialmente com serviços de sauna e de restauração. No local actual já existem instalações para a prática de tiro ao arco e uma sala de conferências. Pretende-se oferecer aos visitantes, no final do dia, um local quente onde possam relaxar, desfrutar de uma sauna, uma bebida ou uma refeição, ou mesmo o transporte até casa. «Queremos melhorar a qualidade dos nossos serviços e dar o máximo conforto possível aos nossos clientes porque, se estiverem PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 67 18.12.2009 11:07:10 Uhr 68 Gerar energia verde A pequena capela setecentista de Lagness, perto de Chichester, na costa meridional de Inglaterra, fica sobranceira a colinas onduladas, vastas pastagens e horizontes distantes. Actualmente, fornece quatro confortáveis quartos duplos com «suite». Sandra Barnes-Keywood e o marido, Charles, restauraram afectuosamente as antigas ruínas como atracção principal do negócio de alojamento e pequeno-almoço que abriram há oito anos. Mal sabiam na altura que um programa de formação co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu seria o primeiro passo para Sandra se tornar numa premiada pioneira em «turismo verde» e uma reconhecida «maker and shaker» («criadora e dinamizadora») na promoção de práticas empresariais ecológicas. Sandra nasceu na zona ocidental de Londres. Mas sempre adorou a vida no campo e decidiu mudar para Chichester. Esta parte da região ocidental do Sussex é conhecida pela sua magnífica beleza natural. O ventoso estuário do rio junto ao vizinho porto de Pagham (um paraíso para as aves selvagens) e as colinas de South Downs são os destinos favoritos de caminhantes e amantes da natureza. Com um diploma de nível universitário (Higher National Diploma, HND) em gestão e restauração no sector da hotelaria, Sandra adquiriu um edifício público degradado e transformou-o num restaurante. No entanto, após o nascimento da filha Jasmine, há 16 anos, era difícil conciliar a gestão do restaurante com os cuidados maternais e acabaram por vender o restaurante. «Quando a Jasmine tinha quase oito anos, decidi que iria voltar à actividade hoteleira», recorda Sandra, e um negócio B&B (alojamento e pequeno-almoço) parecia uma solução flexível. Uma história para contar Como restauradora qualificada, estava céptica quanto à utilidade de formação adicional. Nessa altura, um surto de febre aftosa que afectou o gado no Reino Unido deixou muitas pequenas empresas rurais em dificuldades. Com o apoio do FSE, o organismo Tourism South East lançou o seu programa Rural Welcome (bem-vindo ao campo) e Sandra inscreveu-se em 2004. «Fiquei deveras surpreendida. Percebi que nunca deixamos de aprender na vida», admite. O curso mostrou-lhe que, embora o seu negócio já se regesse por parâmetros ecológicos, não estava a passar a mensagem aos seus PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 68 18.12.2009 11:07:15 Uhr 69 Empreendedorismo «Aquela formação mudou a minha carreira. Nunca olhei para trás. Agora tenho tudo o que preciso para fazer o que quero e sinto-me confiante» visitantes e que o facto de realçar os seus ideais ecológicos poderia constituir uma diferença significativa. «Tinha uma história para contar, mas ninguém a ouvia», afirma. O curso proporcionou a Sandra o impulso que precisava. Quando Jasmine nasceu, tinha estado bastante doente, com hipertensão, e foi submetida a uma cesariana sem anestesia. Em seguida, esteve três meses no hospital a recuperar de stresse pós-traumático e aumentou de peso substancialmente. Assim, voltar a gerir um negócio era um desafio. «Perdi a confiança na minha capacidade em fazer algo mais além de ser mãe. Mas aquela formação mudou a minha carreira. Nunca olhei para trás. Agora tenho tudo o que preciso para fazer o que quero e sinto-me confiante. Já não me sinto aquela ‘dona-de-casa’ que desistiu de trabalhar. O curso ajudou-me a dar um novo rumo à minha vida», explica. «Estamos completamente envolvidos no ambiente», continua Sandra. «Acreditamos que o turismo ecológico é uma filosofia, não um produto». Sandra cultiva os seus próprios frutos, que coloca nos quartos dos hóspedes ou os utiliza para fazer compotas para o pequeno-almoço. Compra produtos biológicos em lojas de agricultores locais e fabrica os seus próprios materiais de limpeza naturais. Incentiva os hóspedes a não desperdiçarem energia ou água, reduzindo a lavagem de toalhas em 43%. As águas residuais são recicladas e utilizadas no jardim. Dispõe de painéis solares para aquecer a água e «lâmpadas ecológicas» fazem convergir a luz do dia para quartos de banho sem janelas. Sandra tenta também «contribuir» para a comunidade local, prestando aconselhamento a jovens de 16 anos com resultados escolares abaixo das expectativas e preparando estudantes universitários locais. O seu Sistema de Contribuição para Turismo Ecológico angariou fundos para a construção de locais de estacionamento para bicicletas no porto de Pagham e para a reparação de esconderijos para observadores de aves. Actualmente, Charles conjuga o seu negócio de serralharia, onde produz mobiliário e peças em ferro forjado, com a actividade de auditoria ambiental, inspeccionando hotéis da região. Testemunho independente O trabalho de Sandra granjeou-lhe um amplo reconhecimento. A Old Chapel Forge possui a classificação de ouro do Green Tourism PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 69 Business Scheme (Regime de auxílios ao turismo ecológico), o principal programa de certificação de turismo sustentável do Reino Unido. «Esta distinção deu-me credibilidade, uma vez que fui avaliada de forma independente. Tornei-me uma empresária de sucesso no Reino Unido e ajudei outras empresas a obterem a acreditação. No entanto, apercebi-me de que a oferta estava desactualizada e, por isso, elaborei o meu próprio programa de formação». Agora, através da sua Green Training Company (empresa de formação ecológica) (http://www.thegreentrainingcompany. co.uk/), presta apoio a departamentos regionais e organizações turísticas em todo o Reino Unido. Entre outros prémios, Sandra e Charles receberam o Green Apple Award (Prémio Maçã Verde) de arquitectura em 2006, pela renovação ecológica da capela, o Arun Business of the Year Award (prémio Arun para empresa do ano) em 2007 e o Sussex Sustainable Business Award (prémio Sussex para empresa sustentável) em 2007 e 2008. Sandra é agora uma fervorosa defensora da formação e já frequentou mais cursos. As redes são apenas uma das vantagens. «No sector do alojamento e pequeno-almoço, podemos ficar isolados», observa. «Por isso é que é agradável andar pela região e falar com as pessoas. Recolhemos sugestões de outros». No ano passado, a Old Chapel Forge registou uma taxa de ocupação de 89%, comparada com a média de 54% da região. «Tem sido um longo caminho. Quando comecei a fazer turismo ecológico aqui, a maior parte das pessoas pensava que era algo excêntrico. Tinham medo de ter apenas cereais para o pequeno-almoço ou algo parecido!», ri, acrescentando que pesquisas de mercado mostram que, na verdade, os visitantes esperam elevados padrões de atendimento em alojamentos ecológicos. Os hóspedes apreciam claramente a filosofia de Sandra. John e Eunice Yates, de Gloucester, na região ocidental de Inglaterra, descobriram a Old Chapel Forge na Internet. «Pensámos: «isto somos nós. Não precisamos de mais nada», refere Eunice. «O projecto Rural Welcome teve um enorme êxito», confirma Sue Gill, da Tourism South East. Os organizadores pretendiam captar 485 pequenas empresas e acabaram por atrair 622. Mais de 350 participantes inscreveram-se noutros cursos de formação. «Era algo de que precisavam», conclui. 18.12.2009 11:07:15 Uhr 70 Negócios de abelhas Antes de participar num curso de formação para proprietários de empresas em formação, Normunds Zeps era um mecânico desempregado interessado em abelhas e com um gosto por mel. «As abelhas voam e recolhem néctar num raio de três quilómetros. Precisam de espaço suficiente, um ambiente limpo e cuidados», explica. Normunds vive num pequeno apartamento em Kalupe, na região rural da Letónia com a mulher e os dois filhos, mas a quinta está a 76 km de distância, num lugar designado Grugules. «A minha mãe vive agora nessa zona. A minha família tinha lá algumas terras quando as velhas quintas colectivas foram privatizadas», afirma. Na sequência do colapso da União Soviética, entre 1990 e 1991, a Letónia decidiu recuperar as pequenas quintas familiares. As quintas colectivas detidas pelo Estado foram, primeiro, divididas em parcelas e os cidadãos receberam créditos que podiam ser utilizados na aquisição de terras. Normunds formou-se como mecânico de máquinas na escola agrícola de Viski. «Mas a vida aqui é uma luta diária e pode ser muito difícil arranjar um emprego decente, mesmo com qualificações. Na maior parte do tempo, ficava em casa a tomar conta dos miúdos enquanto a minha mulher ia trabalhar. Mas também era apaixonado pela apicultura. Na verdade, era mais um passatempo, mas depois pensei que podia transformá-la num negócio», esclarece. Mais do que um passatempo Mostrando ter grande iniciativa, Normunds decidiu participar num projecto co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. «Queria mudar a minha situação. Sabia que tinha de aprender mais sobre negócios. Este programa estava a oferecer um curso de formação gratuito sobre como gerir uma pequena empresa e decidi inscrever-me», confessa. O FSE apoia famílias com filhos que pretendem iniciar uma empresa. Na província letã de Daugavpils, onde Normunds vive, uma região ainda a lutar para se libertar de décadas de domínio soviético, foi lançado um projecto com vista ao desenvolvimento de conhecimentos para empresas e empresários por conta própria em início da actividade. Os tópicos do curso incluem o desenvolvimento e a implementação de um plano empresarial sólido. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 70 18.12.2009 11:07:19 Uhr 71 Empreendedorismo «Hoje, a luta ainda persiste, a vida continua difícil, mas estamos a ter francos progressos. No que me diz respeito, tenho de continuar o meu caminho» «Basicamente, consiste em tudo o que é preciso saber para iniciar um negócio «e era totalmente gratuito, incluindo os materiais de estudo. Depois de terminar o curso, registei-me como proprietário de uma pequena empresa e voltei ao activo», argumenta Nordmunds. «O meu dia começa por volta das 6 horas da manhã. Tomo uma chávena de café e como qualquer coisa; depois, é uma hora de carro até às minhas abelhas», acrescenta. Normunds desloca-se por toda a região, atravessando algumas das mais belas paisagens do sul da Letónia. «Esta zona é muito histórica. Há imensas lendas para contar sobre esta terra», refere. «Não restam dúvidas; só quando comecei a embrenhar-me nos negócios é que percebi até que ponto o curso de formação me foi útil. Francamente, a minha vida não ia a lado nenhum e esta experiência ajudou-me a pensar em termos práticos. Hoje, a luta ainda persiste, a vida continua difícil, mas estamos a ter francos progressos. No que me diz respeito, tenho de continuar o meu caminho. A formação que recebi mudou a minha vida? Sim, mudou tudo nas nossas vidas», conclui. Normunds cuida de 28 «famílias» de abelhas, seguindo uma rotina que envolve cuidar de um vasto campo de trigo em torno das colmeias. E explica: «Corto as ervas enquanto as abelhas estão a dormir e, de um modo geral, cuido do campo. Venho aqui três vezes por semana. Nos outros dois dias, fico em casa com os meus filhos». Uma colmeia de actividade Além da produção de mel, a quinta dos Zeps é uma colmeia de actividade de um só homem. Normunds começa cedo e fica até tarde. Está a restaurar alguns edifícios históricos na propriedade e a cortar madeira para um novo telhado de um celeiro em pedra. Também cultiva vegetais para a família e os amigos em estufas temporárias que ele próprio construiu. A mulher e os filhos aparecem para ajudar sempre que podem, mas a maior parte do tempo trabalha sozinho. «Aqui não usamos produtos químicos. As abelhas exploram várias espécies de flores nesta região, movendo-se entre elas ao longo do dia e das estações. Estamos a criar um produto muito natural e saudável», vangloria-se. Normunds considera-se agora um verdadeiro apicultor, com uma produção anual de uma tonelada de mel de elevada qualidade, e está a trabalhar afincadamente para expandir o negócio. «Ainda tenho um longo caminho a percorrer para poder considerar-me um empresário de sucesso». «Prover às necessidades da minha família ainda é uma luta, mas a UE deu-me um bom ponto de partida», admite. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 71 18.12.2009 11:07:19 Uhr 72 Segurança na quinta «A quinta é um local maravilhoso para as crianças. Temos máquinas e animais, mas estes também representam perigos potenciais». Quem o diz é Gaetane Anselme, que explora uma pequena quinta com a família no lugar de Nevraumont, na Bélgica rural. Em 1986, Gaetane casou e foi viver para a quinta do marido, onde aprendeu rapidamente os truques do negócio. Trabalhando em conjunto, os Anselme produzem leite fresco e ovos e criam porcos. Organizam igualmente visitas educativas para crianças, oferecendo-lhes a oportunidade de conhecerem a vida no campo e envolverem-se no tratamento dos animais. «Temos muitos animais. Temos todos os tipos de aves: galinhas, patos e gansos, e também temos vacas, porcos… Os miúdos adoram e aprendem muito. Mostramos às crianças como funciona uma quinta. Também os ensinamos a montar a cavalo e aprendem um pouco da história da região, sobre as práticas agrícolas e a herança rural. É uma experiência envolvente que, pensamos, os aproxima das suas raízes», afirma Gaetane. Os Anselme recebem crianças de todas as idades na sua «quinta educativa». «Vêm da região local e de cidades distantes como Bruxelas e Antuérpia, bem como de outros países. Trabalhamos com crianças das escolas e outros grupos, pessoas isoladas, crianças com deficiências e mesmo futuros professores do ensino primário», acrescenta Gaetane. Os animais são imprevisíveis A prioridade, obviamente, é assegurar a segurança de todos, diz Gaetane, mas ao trabalhar dia após dia no mesmo ambiente perde-se facilmente a noção de riscos potenciais. «Os nossos hóspedes podem ficar aqui apenas um ou vários dias. Temos vários alojamentos para eles. Até famílias podem ficar connosco. Há muito em que pensar quando temos nas nossas instalações pessoas que poderão não estar familiarizadas com o ambiente de uma quinta. Temos muitas ferramentas e maquinaria e os animais, embora domesticados, podem ser imprevisíveis», esclarece. Gaetane queria ter a certeza de que estava a fazer tudo o que era possível para garantir a segurança das crianças que ficavam na quinta. «Estamos todos muito habituados à quinta. Tenho a cer- PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 72 18.12.2009 11:07:28 Uhr 73 Empreendedorismo «Hoje, acredito sinceramente que estamos todos mais seguros: eu, a minha família e as crianças e outros visitantes que ficam connosco» teza de que há muitos pormenores em que não pensava ou não reparava: perigos potenciais», confessa. Assim, em Julho de 2007, decidiu pedir ajuda. O programa Preventagri, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, enviou uma equipa de inspectores, sem qualquer custo, para observar a quinta e sugerir as melhores formas de evitar acidentes. Identificar riscos Através do programa Preventagri, o Fundo Social Europeu presta aconselhamento e formação com vista a minimizar os riscos de saúde e segurança relacionados com o trabalho. A pedido, uma equipa de inspectores examina as instalações das quintas, a fim de identificar problemas de segurança e chamar a atenção para potenciais riscos. Podem informar os agricultores sobre as medidas que necessitam de adoptar para evitar acidentes. O projecto promove igualmente cursos de formação e conferências em matéria de segurança. «A equipa de inspecção ficou aqui um dia inteiro. Examinaram literalmente tudo, pormenores que não me tinham ocorrido, por exemplo, onde são armazenadas as ferramentas, utensílios agrícolas, baldes e mesmo brinquedos, ou escolher os animais adequados para as demonstrações», explica. Gaetane diz ainda que uma das actividades favoritas das crianças é aprender a ordenhar uma vaca. «As nossas vacas conhecem-nos bem e estão calmas e à vontade quando estamos por perto, mas algumas podem ficar nervosas com a presença de estranhos e, em especial, de crianças pequenas. Os inspectores chamaram a atenção para este tipo de pormenores», refere. «Posso dizer que esta iniciativa nos ajudou a proporcionar o melhor serviço e a experiência mais segura aos nossos jovens hóspedes. Sim, achei-a muito útil. Graças ao programa, a forma como encaramos o ambiente da quinta mudou e, hoje, acredito sinceramente que estamos todos mais seguros: eu, a minha família e as crianças e outros visitantes que ficam connosco», colclui Gaetane. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 73 18.12.2009 11:07:28 Uhr 74 Uma empresa de construção precisa de fundações sólidas «Trabalhei muito para criar a minha própria empresa a partir do nada. No entanto, quando perdi quase tudo, percebi que precisava de fazer alterações profundas», afirma José Salmerón Guindos. Com 47 anos de idade, dirige uma média empresa em rápido crescimento, o Grupo Salmerón, especializada em metalurgia e produtos e serviços para a construção. Enquanto come o pequeno-almoço junto à piscina na sua villa no campo, José transmite a imagem do empresário de sucesso. No entanto, o seu caminho para o sucesso nem sempre foi fácil. Cresceu na bela e extravagante região próxima de Sierra Nevada. Filho de pequenos agricultores, teve uma infância difícil. «Quando era criança, tudo o que tínhamos no prato em casa vinha da terra ou dos animais que tínhamos. «Só tivemos electricidade quando eu já tinha 15 anos», confessa. Embora os seus pais quisessem que ele seguisse as suas pisadas, José tinha outras ideias. «Percebi que os meus pais não evoluíram. Queria experimentar uma forma diferente de viver e ganhar dinheiro». Abandonou a escola aos 14 anos sem quaisquer qualificações formais. No entanto, sendo trabalhador e facilmente adaptável, deitou a mão a muitos tipos de trabalho: na terra, no exército, com animais e na construção. Acabou por descobrir que tinha aptidão para trabalhar com metais e aprendeu a soldar. Em 1983, com dinheiro emprestado por amigos e parentes, lançou a sua própria fábrica, fazendo carretas e acessórios para a construção. As primeiras instalações tinham apenas 20 m2 e, juntamente com a esposa, Concepción, tratava de todos os aspectos da empresa. No entanto, nos primeiros anos o progresso foi fortuito. «Fazíamos as coisas um pouco ao acaso. Para falar verdade, nem sequer tínhamos a noção do que era uma empresa», recorda José. «Era tudo uma questão de sorte». A empresa ocupava totalmente as suas vidas, uma vez que assumiam o controlo de todas as operações. «Pensava que podia fazer tudo sozinho», admite. Ponto de viragem Até que a crise chegou. Perderam o seu maior cliente e a empresa estava à beira da falência. Depois de ter investido tanto de si próprio na empresa, José caiu numa depressão profunda. «Durante PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 74 18.12.2009 11:07:32 Uhr 75 Empreendedorismo «Aprendi que a parte mais importante de uma empresa são as pessoas. Tenho muito orgulho na equipa que criámos» cerca de um ano e meio a actividade na empresa era praticamente nula», observa. outras empresas possam aprender com as minhas experiências e aplicar os meus métodos». Consultou um psicólogo e as coisas começaram a melhorar, a nível pessoal e profissional. O terapeuta sugeriu que, com formação na área empresarial, José poderia mudar a forma como geria a empresa e aliviar a pressão Assim, tirou um curso para empresários ministrado pela Escola Empresarial EOI e co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. O curso presta aos empresários aconselhamento e formação sobre como melhorarem as suas empresas e expandirem os seus mercados, introduzindo práticas inovadoras e uma melhor interligação. Depois das suas experiências positivas, José é quase evangélico no que respeita à formação, que se tornou fundamental para a empresa. Outra das prioridades consiste no apoio à comunidade e à região onde viveu toda a sua vida: «Preferimos contratar pessoas da região. Se tiverem formação básica podem aprender mais no trabalho e envolverem-se na empresa». Era um aluno entusiasta. «O meu curso inicial deveria ter 500 horas. Acho que devo ter feito cerca de 1 000. Depois das aulas, andava sempre atrás dos professores pelos corredores a fazer-lhes perguntas», diz sorrindo. «Aprendi que a parte mais importante de uma empresa são as pessoas. Tenho muito orgulho na equipa que criámos. Juntos, estamos preparados para o futuro… venha o que vier. Tenho aquilo com que nem sequer sonhava. Não sonhava porque não sabia que existia», conclui. A formação mudou a sua concepção da empresa. «Aprendi que não basta ser bom numa função para gerir uma empresa. Pode-se ser o melhor trabalhador, mas isso não significa que seja o melhor gestor. Para gerir uma empresa é necessário ter formação», afirma. José aplicou na empresa o que aprendeu no curso e transformou o seu modo de funcionamento, introduzindo especialistas e novos processos. «Pude pôr em prática o que aprendia e os resultados foram imediatos», admitiu. Transformação A empresa está agora diversificada e em rápido crescimento. Nos últimos sete a oito anos, o pessoal duplicou para mais de 70 funcionários a tempo inteiro. Desde 2005, o grupo conta com quatro divisões: fabrico de carretas e pequenos artigos metálicos decorativos, gestão imobiliária e de propriedades, projectos de engenharia de grandes dimensões, tais como estruturas para centros comerciais ou fábricas, e distribuição de peças de alumínio, tais como portas para garagens, estruturas ou corrimãos. As receitas anuais da empresa rondam agora os 10 milhões de euros e está previsto duplicar a fábrica nos próximos três anos. No entanto, José insiste que o dinheiro não é a principal motivação: «O meu principal objectivo é fazer as coisas bem e espero que PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 75 18.12.2009 11:07:32 Uhr 76 Construir um futuro no campo A fruticultura tem sido, durante várias gerações, o sustentáculo das regiões rurais do distrito de Dâmbovița, no leste da Roménia. As características geográficas da região (o solo, o clima e a precipitação) são ideais para este tipo de actividade agrícola. No entanto, as condições económicas não são tão favoráveis. Muitos jovens da região estão a abandonar a vida no campo e a deslocar-se para as cidades e vilas. Mas Florin Istrate está a contrariar esta tendência. Tem orgulho na região onde viveu toda a sua vida e está a trabalhar arduamente para melhorar a situação para si e para outras pessoas. Filho de pequenos fruticultores, aprendeu a trabalhar a terra desde tenra idade. «A fruticultura tem sido a actividade mais importante nesta região desde há várias gerações. Era natural que eu continuasse esta actividade», explica Florin, de 39 anos de idade. «Esta é uma das poucas regiões onde a fruticultura ainda está a desenvolver-se. Estamos a introduzir novas técnicas e quero fazer parte deste desenvolvimento», continuou. Quando tomou conta da quinta da família, comprou mais terras e plantou mais pomares, sobretudo macieiras e algumas pereiras. «Actualmente, produzimos cerca de 70 toneladas de maçã por ano», refere, acrescentando que pretende crescer mais no futuro. Mas a actividade agrícola não é suficiente para garantir o sustento para si, a mulher e o filho de 10 anos. Utilizou os seus conhecimentos e experiência no sector para se tornar um perito de seguros agrícolas. «Quando os corretores de seguros vendem apólices aos agricultores, verifico se está tudo correcto. É necessário ter conhecimentos especializados de agricultura e contactos locais», argumenta. Ter a iniciativa Florin tem também um cargo importante nos sindicatos de agricultores a nível regional e nacional e é vice-presidente da Agrostar, a federação de comércio agrícola da Roménia. Está envolvido em diversas actividades que visam desenvolver as regiões e ajudar os pequenos agricultores a criar meios de subsistência viáveis para si próprios. «Quero convencer as pessoas a ficar. Ensino-as a desenvolverem os seus negócios», informa. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 76 18.12.2009 11:08:08 Uhr 77 Empreendedorismo «Esta é uma das poucas regiões onde a fruticultura ainda está a desenvolver-se. Estamos a introduzir novas técnicas e quero fazer parte deste desenvolvimento» «Estou a trabalhar no sentido de reunir os agricultores que vendem o mesmo produto para trabalharem em cooperativas. Neste momento, a nossa produção é elevada, mas não temos condições adequadas para armazenar e embalar a fruta. Quero melhorar este aspecto», acrescentou. pessoas possível e de desenvolver a região e as suas infra-estruturas», conclui. Nos últimos anos, Florin tem visitado outras regiões da Europa. «Estamos envolvidos num projecto com parceiros da Galiza, na Espanha. Observámos a forma como gerem os seus negócios e estamos a organizar acções de formação para divulgar estes conhecimentos», explicou. Os tópicos visados são o armazenamento, a embalagem e a negociação com supermercados. «Verifiquei que as nossas condições naturais são porventura melhores do que em Espanha, mas não podemos utilizá-las. Temos problemas com as nossas infra-estruturas, por exemplo, a rede viária», esclareceu. Formação No início de 2009, tornou-se o coordenador regional de um projecto que visa um maior desenvolvimento desta região rural. A iniciativa, co-financiada pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, presta formação e informação à comunidade. Pretende ajudar as pessoas a aumentar os seus rendimentos da agricultura e a diversificar para outros sectores. «O projecto ajuda os agricultores a aumentarem a produção, até então apenas para consumo próprio, com vista à venda dos produtos e a criarem empresas», diz Florin. Cerca de 750 agricultores de quatro regiões da Roménia participarão em diversos cursos durante um período de três anos. Os módulos centram-se em cinco tópicos: • • • • • desenvolvimento de empresas artesanais; transporte e distribuição de produtos agrícolas; hotéis e desenvolvimento de empresas de turismo rural; desenvolvimento de empresas de caça e pesca; desenvolvimento de serviços destinados ao bem-estar social. Florin tem grandes expectativas de que o trabalho árduo será recompensado. «Espero que, dentro de cinco anos, a situação aqui seja totalmente diferente. Tenho a missão de ajudar o máximo de PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 77 18.12.2009 11:08:08 Uhr PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 78 18.12.2009 11:08:08 Uhr Novas competências PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 79 18.12.2009 11:08:08 Uhr 80 Uma segunda oportunidade, uma nova carreira Marie Therese Vella passou a maior parte da sua vida adulta a educar os dois filhos em Iklin, uma aldeia relativamente moderna no centro de Malta. Quando cresceram e foram para a escola, ficou com mais tempo livre para as suas paixões de longa data, pintura e fotografia, mas também queria ser produtiva e ganhar algum dinheiro. Depois de anos em casa, não tinha a certeza por onde começar. «Quando era mais jovem, trabalhei como assistente no escritório de um notário, mas tive de parar dado que a prioridade, nessa altura, era a minha família. Criar os filhos é uma experiência importante e maravilhosa. Tenho dois filhos excelentes. A minha filha terminará o ensino superior brevemente e o meu filho já está a estudar no Instituto de Arte e Design em Mosta. Tem sido uma grande alegria ser mãe, mas à medida que os filhos foram crescendo e se tornaram mais independentes, comecei a sentir que faltava qualquer coisa na minha vida. Queria sair e voltar a trabalhar», explicou. Voltar ao activo O Training and Employment Exposure Scheme (TEES), co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, oferece aos desempregados de todo o país com idade superior a 40 anos um programa de formação de três fases, que inclui trabalho sobre competências essenciais, aptidão e teste, competências para a vida, sessões de formação específica intensiva e imersão profissional com vista a ajudá-los a regressar ao mercado de trabalho. «Ouvi falar do TEES na televisão, penso. Fizeram uma grande campanha na altura, na rádio e em painéis publicitários, por toda a ilha», diz Marie Therese. Os cursos do programa TEES incluíam sessões destinadas a proporcionar aos participantes novas perspectivas das suas motivações e necessidades pessoais, os motivos que os levavam a querer trabalhar e o que pretendiam fazer. «A reintegração foi um conceito importante para nós durante a formação. Tínhamos aulas de informática e aprendíamos competências de gestão e outras matérias relacionadas, mas era o trabalho com os psicólogos que nos punha realmente a pensar. Percebi que queria fazer parte do mundo outra vez, trabalhar com pessoas e ajudar pessoas», afirma Marie Therese. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 80 18.12.2009 11:08:31 Uhr 81 Novas competências «Percebi que queria fazer parte do mundo outra vez, trabalhar com pessoas e ajudar pessoas» Partilhar o fardo O TEES ajudou Marie Therese a encontrar um empregador. «Depois de dois meses a frequentar o curso, comecei a trabalhar com a Fundação Temi Zammit. Pagavam-me metade do salário, sendo a outra metade paga pelo programa de formação. Seis meses depois, a FTZ contratou-me a tempo inteiro», acrescentou. Três anos mais tarde, Marie Therese continua a trabalhar na FTZ, agora como directora executiva, tendo a seu cargo o planeamento e a implementação de projectos internacionais destinados a ajudar as pessoas e a promover o desenvolvimento regional. Um dos seus projectos recentes envolveu o recrutamento de jovens de Malta e da UE para um «Parlamento Europeu Jovem», realizado em Veneza. «Adoro o meu trabalho. E penso que também existem vantagens específicas para as empresas e organizações que querem contratar pessoas mais velhas: ‘acima dos 40’ como eu. Temos experiência e capacidade crítica, e estamos cheios de energia», confessou. Ajustamentos e recompensas Marie Therese ainda se ocupa da família, mas as suas novas responsabilidades como mãe trabalhadora implicaram algumas concessões por parte dos filhos. «Tenho menos tempo para os meus filhos agora, mas eles estão crescidos e não necessitam tanto de mim como quando eram mais pequenos. E sabem que também estou a trabalhar para eles», referiu. «Conheço muitas pessoas no meu trabalho. Trabalho com parceiros internacionais, trato de diferentes projectos todas as semanas e tenho até a oportunidade de viajar. Nunca pensei estar a fazer este tipo de trabalho e não o teria conseguido sem o programa de formação TEES e o Fundo Social Europeu», concluiu. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 81 18.12.2009 11:08:32 Uhr 82 Com uma pequena ajuda, é fácil resolver problemas «Este é o emprego ideal para mim, pois gosto de trabalhar sozinho. Sei o que tenho de fazer e ninguém me dá ordens. Tento sempre fazer o melhor que posso e acredito que conquistei o respeito dos meus colegas.» Andreas Apatzidis transborda de entusiasmo e energia nervosa. A descansar ao sol de Chipre, fala sobre as suas obrigações como motorista de entregas da Zorbas, uma empresa de panificação e comércio a retalho de géneros alimentícios. «Quando as pessoas me pedem para ajudar ou para fazer trabalho extra, faço-o sempre. Também tenho uma boa relação com os meus superiores. Algumas vezes, estou por minha conta o dia inteiro, mas faço o meu trabalho e depois vou para casa e é assim que gosto de fazer. Não conseguia estar fechado no mesmo sítio todo o dia, dia após dia», confessou. Andreas percorreu um longo caminho. Mudou-se para Larnaca, em Chipre, em 1995, vindo da sua Salonica natal, na Grécia. Aí, tinha estudado contabilidade antes de prestar três anos de serviço militar. Quando saiu do exército, descobriu que era difícil arranjar um emprego adequado, mesmo com o seu diploma. Quando leu num jornal que Chipre estava a recrutar voluntários para as suas próprias forças armadas, assinou um contrato de cinco anos. Em Chipre, Andreas conheceu a mulher, Helen, com quem casou em 1999. Helen já tinha duas filhas, Maria e Georgina, e o casal depressa teve mais dois filhos, Giannis, com 9 anos, e Andrea, com 4. Quando o seu contrato militar terminou, arranjou emprego numa empresa do sector da energia. Mas sendo o único sustento de uma família de seis pessoas, quando se viu subitamente desempregado, a vida tornou-se bem difícil. Responsabilidades familiares Andreas perdeu a autoconfiança. «Sentia-me muito mal. Nem sequer queria ir a entrevistas. Mas, depois, tive conhecimento de um programa para pessoas com problemas, apoiado pela União Europeia. Dirigi-me aos serviços sociais e disse-lhes que precisava de ajuda. Tinha que sustentar a minha família», admitiu. Em Julho de 2006, Andreas começou a frequentar o programa Vocational Training and Promotion of Public Assistance Recipients to Employment, co-financiado pela União Europeia através do Fundo PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 82 18.12.2009 11:08:44 Uhr 83 Novas competências «Graças ao programa, tornei-me muito mais calmo. Já não sentia que todas as pessoas estavam contra mim ou que falavam de mim nas minhas costas. Senti-me socialmente aceite» Social Europeu «Foi a melhor coisa que me aconteceu. A minha vida mudou por completo», referiu. O programa incluía um curso de formação dividido em duas partes: duas semanas a adquirir competências profissionais e de resolução de problemas, seguidas de duas semanas de tecnologias da informação em Nicósia. «O curso consistia em conhecermo-nos melhor e gerir diferentes situações no local de trabalho. Nessa altura, toda a família estava tensa e nervosa. Mas graças ao programa, tornei-me muito mais calmo. Aprendi a lidar melhor com as situações; já não estava zangado. Já não sentia que todas as pessoas estavam contra mim ou que falavam de mim nas minhas costas. Senti-me socialmente aceite», acrescentou. Foi como se tivesse regressado à escola e ainda tem os livros que estudou. No fim do curso, o programa assegurou-lhe o rendimento enquanto os assistentes sociais o ajudaram a candidatar-se a vagas. O primeiro emprego proposto era numa linha de produção de uma fábrica e Andreas sabia que não era adequado para si. «Quando disse aos assistentes sociais que não gostava do emprego proposto, eles não me disseram que era obrigado a aceitá-lo», observou grato. Finalmente, em Maio de 2007, começou a trabalhar na Zorbas e nunca se arrependeu. Gosta da independência que o emprego oferece e da confiança que os patrões depositam em si. Durante o primeiro ano, continuou a receber apoio financeiro e moral. Durante seis meses, as pessoas do programa, bem como os funcionários do departamento de pessoal da empresa, visitavam-no regularmente para verificar como se estava a sair e perceber se tinha problemas. Tanto ele como os seus empregadores preenchiam questionários sobre o seu progresso. lojas para recolher os carrinhos vazios e regressa uma vez mais à base. O tráfego de Nicósia faz com que raramente regresse até ao meio-dia, o termo do seu dia de trabalho oficial, mas não se importa. Algumas vezes, fica a trabalhar até mais tarde se for necessário e diz que o pagamento de horas extraordinárias é útil para a família. Pode também optar por trabalhar num domingo e tirar uma folga durante a semana, o que lhe permite evitar o intenso tráfego diário. O seu emprego leva-o a toda a parte e Andreas gosta de conversar com os funcionários das lojas. Os patrões de Andreas apreciam o seu trabalho e o programa que o enviou. «É um programa muito bom, dado que existe uma contribuição do governo. Os patrões precisam de um incentivo para ajudar as pessoas», refere Zacharias Joannou, director dos recursos humanos da Zorbas. Em casa, no sobrelotado primeiro andar da família, Andreas abraça a mulher e os filhos. Assegura-se de que Giannis (que está ansioso por se esgueirar para jogar futebol com os amigos) terminou os trabalhos de casa. «Era muito difícil quando Andreas estava desempregado. O curso ajudou-o a conhecer-se melhor e ele mudou. Já não se sente mal consigo próprio. A raiva faz parte da vida, mas ele não sabia como lidar com ela», confessou Helen. «Sabemos que não estamos sozinhos», acrescenta. «Existe alguém para ajudar, mesmo que surja um problema familiar; alguém com quem falar. Agora, estamos mesmo bem. O programa foi um milagre», conclui. De um lado para outro Actualmente, Andreas conhece bem o trabalho. Acorda todos os dias à 4 da manhã para conduzir os 10 minutos de trajecto até às instalações da empresa. Aí, a primeira tarefa é carregar os carrinhos preparados com os alimentos na sua carrinha e distribuí-los nas lojas entre Larnaca e Nicósia. Regressa à fábrica pelas 8h00 para desinfectar o veículo e carregá-lo de novo com mais refeições, para uma segunda ronda de entregas. Percorre as mesmas PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 83 18.12.2009 11:08:44 Uhr 84 Um bom trabalhador conquista reconhecimento oficial Zsolt Korcz adora trabalhar. «Sou viciado em trabalho», admite. Seja a decorar o seu apartamento com cores garridas, a cuidar dos filhos jovens ou a fazer as tarefas domésticas, necessita de estar activo. Desde que deixou a escola, aos 14 anos, Zsolt sempre trabalhou muito. Vem de uma grande família de Zalaegerszeg, Hungria (tem 11 irmãos) e os pais precisavam do salário que ele e três irmãos podiam ganhar. «O meu pai não conseguia ganhar o suficiente», explica. Zsolt começou como aprendiz de carpinteiro e teve empregos ocasionais na avicultura e na indústria leiteira. Depois do serviço militar, em 1994, mudou-se para o sector da construção, trabalhando como assentador de tijolos e pintor. «Tive tantos empregos. Fazia o que havia disponível», observa. Em 2003, ele e a companheira, Aniko, foram viver juntos e no ano seguinte nasceu o primeiro filho, David. Foi nessa altura que começou a preocupar-se com o seu rendimento. «Não tinha qualificações, por isso, embora fizesse muitos trabalhos de alvenaria, não era pago pelo que valia e não tinha segurança», refere. Como trabalhador não qualificado, recebia apenas metade do salário de um trabalhador qualificado. Regresso à escola Zsolt já se deslocava com frequência ao centro de emprego local para procurar novos contratos de trabalho. Foi aí que teve conhecimento da Fundação Primeira Escola de Produção e Aprendizagem Húngara-Dinamarquesa, criada em Zalaegerszeg 15 anos antes. Inicialmente, descartou a ideia de prosseguir os estudos, com receio de ter esquecido como aprender, mas Aniko persuadiu-o a aceitar o desafio. Em Junho de 2006, começou um curso de um ano, a tempo inteiro, destinado a ajudar jovens desempregados e pessoas socialmente desfavorecidas a obterem qualificação profissional e a adquirirem competências sociais e educacionais. Trinta e seis participantes receberam formação em alvenaria, culinária ou serralharia, através de um projecto co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. Objectivos específicos para mulheres e pessoas de etnia cigana asseguraram 30 % de estudantes com raízes ciganas. Trinta e cinco dos inscritos concluíram o curso e 31 deles encontraram um emprego. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 84 18.12.2009 11:09:11 Uhr 85 Novas competências «Agora, posso provar que sou um pedreiro qualificado e tenho muito trabalho. Tenho orgulho no meu trabalho e o certificado faz uma grande diferença» Para sua surpresa, Zsolt descobriu que gostou de cada momento do curso. «Adorei, nunca faltei um dia e o meu trabalho era muito bom. Muitas vezes, era melhor e mais rápido do que os meus colegas porque tinha experiência. Adquirir competências sociais foi também muito útil. Os professores prestavam-me atenção pessoalmente e, se tinha perguntas, eles respondiam. Nunca diziam não», confessou. Foi aprovado com distinção nos cinco testes finais, que abrangiam temas como saúde e segurança ou aptidão técnica. O modelo dinamarquês A escola pioneira foi criada em 1993 com o apoio do Ministério da Educação dinamarquês. «Não tínhamos financiamento público, mas contávamos com parceiros locais e o apoio europeu», observa o director do projecto Máté Molnár. Ao longo dos anos, a fundação ajudou cerca de 1 500 jovens a obter qualificações em sectores com procura. «Existem cada vez mais jovens sem uma educação adequada e nós ajudamo-los a adquirir as competências de que necessitam na sociedade em geral». Durante o curso, Zsolt foi contratado pela escola e recebia o salário mínimo. «Terá sido impossível de outra forma», admite. «Inicialmente, pensei que tinha que trabalhar mais para pagar o curso, mas nunca o poderia ter pago só com o meu próprio dinheiro». Os participantes ajudaram a reconstruir e a renovar os edifícios à volta da antiga escola primária, que abriga a fundação, para funcionarem como novas salas de aulas. do casal: Adam, com um ano de idade. «Nem sempre é fácil encontrar creches, pois não existem vagas suficientes», explica Aniko, que vem de uma família de músicos de etnia cigana e tem familiares a tocar numa orquestra cigana. Mas como trabalhador qualificado, Zsolt e a sua família beneficiaram do direito de mudar para um apartamento social maior quando Adam nasceu. Conseguiu um adiantamento sobre o seu salário para obter o apartamento. Diz que está mesmo feliz. «As coisas correram muito bem. O que eu precisava era da qualificação, caso contrário não podia provar que conseguia fazer o trabalho. Agora, posso provar que sou um pedreiro qualificado e tenho muito trabalho. Tenho orgulho no meu trabalho — adoro-o — e o certificado faz uma grande diferença. Nunca me aborreço porque estamos sempre a deslocarmo-nos a diferentes locais e a fazer diferentes trabalhos. Sempre trabalhei, nunca fiquei em casa. Adoro a minha profissão e sempre desejei obter a qualificação, arranjar melhores empregos e ter um salário mais elevado. Quero ser capaz de cuidar da minha família. Ela é a minha prioridade», acrescentou. «Estamos muito contentes por Zsolt ter conseguido esta oportunidade», confirma Aniko. «Receber a carta da fundação foi uma espécie de milagre e isso mostra que os milagres podem acontecer». Trabalho sazonal «Zsolt é um pedreiro fantástico», afirma Máté. «O seu desempenho é de muita qualidade. O problema do sector de construção consiste no facto de o trabalho ser interrompido no Inverno e os empregadores gostarem de despedir pessoal. Ele é uma vítima desta abordagem e gostaríamos de acabar com ela. É um verdadeiro problema para as famílias sem recursos financeiros». A escola presta aconselhamento na procura de emprego e na obtenção de benefícios para as famílias dos estudantes. A companheira de Zsolt ainda está de licença de maternidade do seu emprego de restauração e limpeza, a cuidar do segundo filho PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 85 18.12.2009 11:09:12 Uhr 86 Investimento numa boa noite de sono «Sou curioso por natureza. Gosto de trabalhar. Agora, estou a aprender algo de novo todos os dias: a aprender a resolver problemas. É muito gratificante», afirma Daniel Dellisse com um sorriso. «Tenho tido muita sorte, mas é preciso querer trabalhar». Desde 1987, Daniel trabalha numa empresa sedeada em Roeselare, no norte da Bélgica, que fabrica e exporta produtos em PVC para a indústria de construção. A produção é contínua, 24 horas por dia, e Daniel trabalha há 21 anos nos turnos nocturnos, primeiro como embalador e depois como técnico no processo de extrusão: a moldagem de plásticos para caixilhos de janelas e portas. Mas, há cerca de dois anos, os anos de trabalho nocturno começaram a cobrar a factura e Daniel começou a ter dificuldades cada vez maiores em adormecer. Um programa de reconversão profissional co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu ajudou a repor a paz na família Dellisse. «Foi um problema grave para mim; o meu médico disse-me que o melhor seria começar a trabalhar durante o dia», recorda Daniel. «Deu-me comprimidos para dormir, mas não queria começar a tomar medicamentos». Daniel não foi a única vítima, pois a perturbação afectou igualmente a sua vida familiar. Aos sábados tinha de recuperar o sono perdido na sexta-feira à noite, por isso não podia desfrutar do fim-de-semana com a mulher, Dina, ou entregar-se à paixão do casal por passeios e caminhadas. Oferta limitada de emprego Daniel trabalhou arduamente toda a sua vida. O pai morreu quando tinha nove anos de idade, deixando a mãe com quatro rapazes para criar. Abandonou a escola aos 14 anos para aprender a arte de carpinteiro. «Tínhamos de pôr comida na mesa», explica com resignação. Passou por diversos empregos, incluindo a linha de produção de um grande fabricante de automóveis que, admite, não gostou nada. Depois de casar, em 1979, a empresa de construção onde trabalhava faliu e Daniel viu-se na situação de desempregado. «Era muito difícil arranjar trabalho», recorda. Por isso, quando surgiu a vaga no turno da noite na Deceuninck, aceitou-a com prazer. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 86 18.12.2009 11:09:26 Uhr 87 Novas competências «Gosto de trabalhar. Agora, estou a aprender algo de novo todos os dias: a aprender a resolver problemas. É muito gratificante» «Foi a única oferta interessante e podia começar de imediato… e o dinheiro era mais que bem-vindo». Por essa altura, o casal teve uma menina, Sara, pelo que, com Dina a trabalhar à tarde e Daniel a dormir de manhã, conseguiram conciliar os seus horários para tomar conta da filha. Mas Daniel sentiu a diferença com o avançar da idade. Seguindo o conselho do médico, abordou os patrões no sentido de mudar de turno. Mas, para isso, tinha de demonstrar que estava apto para uma nova tarefa que exigia formação recente, uma vez que as oportunidades noutras áreas da empresa eram limitadas. «Passaram-se anos desde que utilizei as máquinas e agora é tudo automático. A empresa disse-lhe que tinha um lugar para si, mas que teria primeiro que actualizar as suas competências. A Deceuninck inscreveu-o no programa de reconversão profissional Aprendizagem Excelente, ministrado pelo serviço de emprego flamengo Vlaamse Dienst voor Arbeidsbemiddeling en Beroepsopleiding (VDAB). «Foi um desafio, mas também um prazer para mim redescobrir as máquinas», confessa Daniel. O curso permitiu-lhe obter um lugar no centro de formação e investigação da empresa a testar estruturas em PVC, ensinar contratantes independentes a moldar e ajustar portas e janelas e a investigar novas técnicas e materiais. «Estão sempre a surgir inovações. A empresa tem de inovar para poder expandir-se e isso sempre me interessou. Gosto do meu trabalho e procurei sempre melhorar as minhas competências. Não é agradável ir trabalhar sem vontade», observa. Integrado na equipa de engenheiros, secretários e operadores, ajudou a partilhar os seus conhecimentos com visitantes de outras sucursais europeias. Daniel trabalha regularmente 40 horas por semana, terminando mais cedo à sexta-feira. «Estou mais tempo com a minha mulher e os meus fins-de-semana são livres. Gosto mais de viver assim». Ele e Dina inscreveram-se num clube de caminhadas e, aos sábados e domingos, percorrem normalmente 20 a 30 km por dia, seguindo rotas na Flandres e nos Países Baixos. Seis meses depois de começar a trabalhar de dia, os dois tinham percorrido 900 km e agora, o seu objectivo consiste em fazer uma caminhada ininterrupta de 100 km. Daniel actualizou as suas antigas competências em carpintaria para renovar os quartos da casa. E como se tudo isso já não bastasse para o manter ocupado, Daniel é também um ávido criador de tentilhões e ensina cuidadosamente as suas aves canoras a repetir melodias simples, participando em concursos onde as aves vencedoras podem reproduzir cerca de 800 músicas numa hora. Além disso, embora tenha direito a um dia suplementar de folga todos os meses, Daniel afirma que raramente o aproveita. «Tenho bons colegas e a semana passa tão depressa que não penso em folgas». Desfrutar a vida Daniel começou o seu novo regime de trabalho diário em Janeiro de 2008. «Demorei cinco meses a começar a dormir bem». «No início, acordava passadas três ou quatro horas. A minha mulher dizia-me para ficar na cama, mas eu não conseguia. Levantava-me e ia ver televisão, mas depois à tarde estava mesmo cansado», recorda. Mas em Junho já conseguia dormir seis horas seguidas à noite. «Mudou completamente a minha vida. No fim de contas, a noite foi feita para dormir», argumenta. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 87 18.12.2009 11:09:26 Uhr 88 Progressão na carreira «Gosto do meu trabalho. Estou constantemente a viajar e cada dia é diferente», afirma Biliana Filipova, de Dupnitsa, na Bulgária. Como directora regional de uma grande cadeia de estações de serviço, Biliana, de 33 anos de idade, passa grande parte do seu tempo na estrada, a viajar entre 19 estações de serviço. Ela é responsável globalmente pela actividade diária das estações e as suas tarefas vão desde a gestão do pessoal ao controlo da manutenção do equipamento e da reposição de existências, ao tratamento de questões jurídicas e à resposta a situações de emergência como, por exemplo, inundações. Foi promovida ao cargo actual em Março de 2008, tendo desempenhado anteriormente as funções de gerência numa estação. «A responsabilidade é muito maior. Mas eu sabia o que o cargo implicava, porque anteriormente substituí algumas vezes o director regional», refere. Biliana destaca as qualidades necessárias para o seu cargo: «Sou capaz de manter-me calma e reagir rapidamente; isso é importante. E frequentemente tenho de lidar com várias situações ao mesmo tempo. Tenho de estabelecer prioridades e ser bem organizada. É um cargo de responsabilidade. Tenho de tomar decisões sozinha. Os custos podem ser elevados. Existem também aspectos essenciais em matéria de segurança. Por exemplo, no que respeita aos camiões-cisterna, é muito importante seguir os procedimentos correctos. Existem muitos perigos potenciais», acrescenta. Mudança de rumo Biliana estudou originalmente engenharia industrial, especializando-se na área das tecnologias para produção de vestuário. Depois de concluir a licenciatura de cinco anos, teve a filha, Joanna. «Depois disso, não trabalhei durante três anos, mas comecei a ficar farta de passar o tempo todo em casa. Sou uma pessoa dinâmica que gosta de estar ocupada. Fico impaciente com facilidade», admitiu. Biliana começou a trabalhar no sector têxtil, numa função relacionada com os seus estudos. «Trabalhei como técnica em fábricas». Mas, depois de um ano e meio a trabalhar em duas empresas diferentes, percebeu que queria fazer algo diferente, «Às vezes preci- PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 88 18.12.2009 11:10:19 Uhr 89 Novas competências «A formação ajudou-me imenso no emprego e na minha vida em geral. Estou satisfeita com o que consegui na empresa» samos de mudar completamente para encontrarmos a satisfação. Precisava de um novo desafio para ganhar energia», confessou. Soube que havia oportunidades de emprego na Petrol, uma antiga rede estatal e ainda hoje uma das maiores cadeias de estações de serviços da Bulgária. Entrevistaram-na para um lugar de gestão, mas optou por um trabalho como caixa. «Não queria ir logo para um cargo de gestão. Queria começar por baixo, uma vez que não sabia nada sobre este ramo», referiu. A mudança compensou. Começou a trabalhar na empresa em 2002, candidatou-se ela própria ao emprego e rapidamente começou a subir de posto. «Começar como caixa ajudou-me imenso. Agora conheço a função por dentro. Sei onde os gestores podem falhar». construiu a sua casa de raiz no terreno ao lado da casa dos sogros e ainda há muito trabalho a fazer. «Construímos o segundo piso, mas ainda temos muito trabalho pela frente até podermos ocupá-lo», reconhece, acrescentando que, há alguns anos, os três viviam apenas num quarto enquanto decorriam os trabalhos. O resto do tempo passa-o a cuidar de Joana, agora com 10 anos, e a observar a restante família. «Tenho duas irmãs mais novas e um cunhado. Vivemos todos perto uns dos outros e somos muito chegados. As famílias reúnem-se todas com os nossos pais aos fins-de-semana. As minhas prioridades são a minha família e o meu emprego. Trabalho muito para garantir a nossa segurança», conclui. Formação numa nova função Biliana participou em diversas sessões de formação intensiva co-financiadas pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. Os cursos envolviam a criação de equipas, desempenho de funções, debates e exercícios de resolução de problemas. Ajudaram-na a desenvolver as competências de que necessitava na sua nova função: no diálogo com as pessoas, na tomada de decisões, na definição de prioridades e na forma de lidar com situações complicadas. «A formação ajudou-me imenso no emprego e na minha vida em geral. Fez-me pensar verdadeiramente na forma como encontramos soluções para um determinado problema. Estou satisfeita com o que consegui na empresa. Construí a minha carreira. Muitas pessoas reconhecem o meu trabalho e estou grata por isso», observa. Quanto ao futuro, Biliana afirma: «Não sei exactamente o que quero, mas sei que quero continuar a melhorar e a aperfeiçoar-me. Primeiro tenho que provar a mim própria que sou capaz de exercer este cargo». Em casa, a sua vida é igualmente ocupada. A renovação da casa, em conjunto com o marido, é um projecto contínuo e a longo prazo. «Começámos as renovações há cinco anos», diz. O casal PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 89 18.12.2009 11:10:19 Uhr 90 Reactivar os conhecimentos Peter Meller e a sua mulher Olga estão a instalar-se na sua nova casa, em Magdeburgo, Saxónia, no leste da Alemanha, onde Peter começou recentemente a trabalhar como programador de software para uma pequena empresa de engenharia. Embora originalmente tenha estudado e trabalhado como engenheiro mecânico na Roménia, onde cresceu, não trabalhava no sector há 15 anos quando, em 2008, começou a fazer um estágio na empresa onde trabalha agora a tempo inteiro. A sua família (os pais, o irmão, a irmã e a sua primeira mulher e o filho) tinha voltado às origens, na Alemanha, em 1990. «Mudámo-nos por razões de ordem financeira. Era muito difícil viver na Roménia nessa altura. Quisemos voltar mais cedo, mas foi impossível». A situação mudou com o colapso do regime comunista. «Na altura, toda a nossa família e amigos saíram», afirma Peter, de 48 anos de idade. Vítima do declínio Chegado a Bergisch Gladbach, perto de Colónia, na Alemanha, com a idade de 29 anos, começou por trabalhar numa pequena empresa como engenheiro mecânico. No entanto, o sector de engenharia na Alemanha entrou em declínio por volta dessa altura e, em 1993, estava desempregado. Com poucas possibilidades de arranjar outro emprego como engenheiro, decidiu que um programa de reconversão profissional poderia ajudá-lo a melhorar as suas perspectivas de emprego. Tirou um curso de informática. «Antes, lidava muito pouco com computadores», diz Peter. Depois disso, começou a desenvolver formação baseada em computador, trabalhando como independente. «Era completamente diferente do meu trabalho anterior. Trabalhei para uma pequena empresa que desenvolvia cursos para grandes empresas destinados à formação dos seus funcionários na utilização de software comum», confessa. Trabalhou desta forma durante alguns anos e acabou por criar uma empresa na mesma área com mais quatro parceiros. No entanto, pouco tempo depois as encomendas acabaram PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 90 18.12.2009 11:10:52 Uhr 91 Novas competências «Antes, tinha muitos conhecimentos e competências mas não sabia transmiti-los às pessoas. É justo dizer que o curso mudou a minha vida» e teve de voltar a trabalhar numa base contratual. Continuou a trabalhar desta forma entre 2001 e 2007, mas a insatisfação com a natureza irregular do trabalho aumentava cada vez mais. «Trabalhava num projecto durante três meses e depois não tinha nada durante meses. Não via futuro naquilo», reconhece Peter. Por essa altura, o ramo da engenharia voltou a prosperar na Alemanha e Peter pensou que poderiam existir oportunidades para voltar a exercer a sua antiga profissão. No entanto, quando se candidatou a empregos de engenheiro mecânico, descobriu que a sua falta de experiência recente era um problema. Reforçar os conhecimentos Um programa de formação, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, ajudou-o a actualizar e reforçar os seus conhecimentos e competências em engenharia. O seu curso foi um dos 18 cursos AQUA (Akademikerinnen und Akademiker Qualifizieren sich für den Arbeitsmarkt) organizados a nível nacional, cada um dos quais visando um sector profissional específico. Em parceria com universidades, os cursos oferecem a pessoas que já possuem qualificações a possibilidade de reforçar os seus conhecimentos e melhorar as suas perspectivas de emprego. Uma tarefa complexa Peter utilizou as suas competências recém melhoradas quando fez um estágio de três meses na empresa onde trabalha actualmente. A empresa é especializada em processos de controlo de qualidade para o sector da construção automóvel. «Compreendi que o que tinha aprendido foi essencial. Pediram-me desde logo que desenvolvesse programas complexos. Atribuíram-me uma tarefa não urgente que pensavam que seria incapaz de fazer. Quando viram que era capaz ficaram impressionados», vangloria-se. No final da sua tarefa, em Outubro de 2008, ofereceram-lhe um emprego permanente. Actualmente, trabalha como programador de «software» para máquinas de engenharia, uma função que combina as suas competências informáticas e de engenharia. «Antes, tinha muitos conhecimentos e competências, mas não sabia transmiti-los às pessoas», confessa Peter. «É justo dizer que o curso mudou a minha vida. Agora, sinto-me muito mais seguro e confiante no futuro», conclui. O curso de Peter condensava um programa de 10 semestres em engenharia mecânica num período de 10 meses. «É espantoso como estava tão esquecido, mas também fiquei aliviado quando constatei que colegas que se tinham licenciado mais recentemente também se esqueceram», observa. Também aprendeu mais sobre desenvolvimentos recentes, especialmente a utilização de computadores em engenharia, matéria que apenas tinha abordado quanto tirou o curso de engenharia. Além da formação académica, o curso abrangia competências práticas para arranjar emprego, tais como apresentação pessoal, comunicação e linguagem corporal, candidatura a um emprego e preparação para entrevistas. Peter notou uma grande melhoria nas suas competências pessoais: «Podia ir a uma entrevista e responder a perguntas. Agora tenho muito mais autoconfiança». PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 91 18.12.2009 11:10:52 Uhr PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 92 18.12.2009 11:10:52 Uhr Educação e formação PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 93 18.12.2009 11:10:52 Uhr 94 O valor da tradição A cidade de Sibiu, naTransilvânia, é uma cidade histórica. As vagas de romanos, turcos, hunos e saxões que varreram a região ao longo dos séculos deixaram uma herança que atrai investigadores culturais dos quatro cantos do mundo. Uma das pessoas com um interesse profissional na região é a antropologista Monica Stroe, de 24 anos. «Dedico-me ao estudo da herança saxónica no sul da Transilvânia. Comecei o doutoramento há seis meses», afirma. O seu trabalho centra-se na forma como as indústrias cultural e turística são influenciadas pela diversidade e riqueza da história e das tradições da região. «Escolhi as regiões saxónicas por motivos pessoais. Nasci e cresci numa cidade fundada por saxões onde ainda existem muitos traços medievais. Mas sempre considerei que Sibiu conservou melhor a sua herança», confessa. O centro da cidade medieval, meticulosamente restaurado, é um dos tesouros tradicionais de Sibiu. A cidade foi Capital Europeia da Cultura em 2007 e é palco de muitos eventos reconhecidos internacionalmente. Para Monica, esta era uma altura ideal para desenvolver um estudo de caso: «Estava interessada em ver como Sibiu desenvolveu a sua ‘marca’ e a forma como afectou as regiões adjacentes». A sua investigação cobre uma vasta área na região do sul da Transilvânia. «Estou muito interessada nas regiões rurais, na forma como se promovem como destinos culturais», refere, prosseguindo: «Outro aspecto importante é o facto de existir aqui um paradoxo étnico. O presidente da Câmara é alemão, mas apenas cerca de 1,6% da população é de origem alemã; é um fenómeno que acontece em toda a região». Hora de investigação académica Os estudos de Monica para o doutoramento seguem-se ao mestrado em estudos do nacionalismo e relações éticas na Universidade Central Europeia, em Budapeste. Depois do mestrado, ela sabia que queria continuar a estudar temas relacionados. E confessa: «O meu mestrado incidiu sobre a dinâmica dos grupos étnicos, identidades regionais e conflitos. Tornou-me mais consciente das diferenças entre os grupos étnicos. Estou interessada em saber como são construídas as identidades». PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 94 18.12.2009 11:11:29 Uhr 95 Educação e formação «A bolsa foi muito importante para mim. Deu-me a possibilidade de continuar onde queria. Não teria conseguido iniciar um doutoramento sem essa ajuda» No entanto, quando regressou a Bucareste, onde tinha estudado inicialmente, as oportunidades de investigação académica eram escassas e mal remuneradas. Monica considerou a possibilidade de mudar de rumo: «Estava a pensar trabalhar na área de pesquisa de mercados. Teria sido um compromisso, mas continuar a estudar parecia financeiramente inviável». A ajuda chegou através de uma bolsa de estudos, co-financiada pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. «A bolsa foi muito importante para mim. Deu-me a possibilidade de continuar onde queria. Não teria conseguido iniciar um doutoramento sem essa ajuda», admitiu. Monica recebe uma remuneração mensal para cobrir as despesas de subsistência durante os três anos de estudo. Permite-lhe, também, permanecer durante oito meses em universidades estrangeiras em toda a União Europeia e aceder a bibliotecas e materiais essenciais para o seu trabalho. «Esta mobilidade é essencial para a minha investigação. Dá-me a oportunidade de viajar. Posso aceder a arquivos importantes e obter uma perspectiva mais abrangente», reconhece. Como parte do programa, Monica escreve artigos para publicações académicas e trabalha com professores: «Dá-me uma boa experiência e o apoio de que necessito para me concentrar numa pesquisa de campo a longo prazo». Pensando no futuro, conclui: «Espero que o doutoramento me abra portas. Pretendo melhorar as minhas competências em matéria de investigação e consolidar os aspectos teóricos. Penso que o melhor seria trabalhar em desenvolvimento comunitário. Mas ainda é cedo, estou concentrada na minha investigação». PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 95 18.12.2009 11:11:29 Uhr 96 Apoiar a criatividade «Sempre me interessei por actividades criativas», afirma Harri Haanpää, de Helsínquia, Finlândia. Apaixonado por desenho e fotografia, cedo decidiu que queria trabalhar nas indústrias criativas. «Quando era criança, queria ser ilustrador. Comecei a desenhar banda desenhada mas depois interessei-me por outros tipos de desenho», continua. «Aos nove anos, decidi que queria ganhar a vida como ilustrador comercial”, acrescenta. Harri desejava frequentar um curso sobre ilustração comercial ministrado por um colégio local. No entanto, quando estava a terminar os estudos escolares, o curso terminou. «Depois disso, mudei ligeiramente de rumo», refere. Entrou na escola naval com a idade de 15 anos e, depois, trabalhou como cozinheiro-chefe em navios comerciais. Três anos depois, decidiu que a vida no mar não era para si e que preferia voltar a fazer algo criativo. Em 1995, frequentou um curso sobre cinema no colégio de Voionmaa: «Fiquei fascinado por fotografia. Fotografava tudo o que se mexia». Experiência prática Mais tarde, regressou à região de Helsínquia e começou a trabalhar para um canal de música finlandês. «Comecei a trabalhar sem parar. Fazia tudo: iluminação, filmagem, controlos», prossegue. Trabalhava também em vídeos musicais e começou a realizar: «Gostava muito porque queria sempre aprender mais». Esta experiência possibilitou a Harri um cargo no Hollywood Express de Los Angeles, um programa de televisão sobre música, filmes, cultura popular e celebridades; esteve um ano e meio nos Estados Unidos antes de regressar à Europa. Obteve um mestrado europeu em administração de empresas de multimédia e audiovisual (European Masters in Multimédia and Audiovisual Business Administration, EMMABA), que o levou a estudar em Atenas, na Grécia, e posteriormente na Lapónia, de novo na Finlândia: «Esse programa ensinou-me a produzir e conheci muitas pessoas de toda a Europa». Em 2000, depois de concluir o curso, criou a sua própria empresa de produção, a DreamMill. «Ter a minha própria empresa foi sem- PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 96 18.12.2009 11:12:04 Uhr 97 Educação e formação «Compreendi que os nossos conhecimentos nunca são suficientes. Este sector está em rápida e constante mudança e preciso de poder competir com novos licenciados» pre o meu objectivo. Era apenas uma questão de tempo», admite. Dirige, produz e filma programas de televisão, vídeos musicais, filmes comerciais e aplicações de televisão móvel. Para Harri, as vantagens de gerir a sua própria empresa são evidentes: «Adoro criar. Se trabalharmos para terceiros, é frequente ficarmos com as mãos atadas. Ter a minha própria empresa significa que tenho mais liberdade para fazer o que quero. Sempre quis fazer trabalho de qualidade. Gosto de ver televisão de boa qualidade. É bom ser pago, mas não é o aspecto principal». Desenvolvimento contínuo Harri é um fervoroso defensor da educação e da formação: «Compreendi que os nossos conhecimentos nunca são suficientes. Este sector está em rápida e constante mudança e preciso de poder competir com novos licenciados. A experiência não conta muito nesta indústria. Entre 2005 e 2006, frequentou um curso de formação prática para empresários de meios de comunicação. O curso MEDA, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, ajudou-o a desenvolver as suas competências e a expandir a empresa. «Queria uma perspectiva mais teórica. O curso incidia sobre a gestão de uma empresa e como produzir», explica. Durante a formação fez novos contactos, abrindo excelentes oportunidades para a empresa. «Tirei muito proveito do curso. Aprendi a não «reinventar a roda» e a concentrar-me em manter as coisas simples», observa. Para Harri, o curso teve uma importância directa: «Foi óptimo porque pude aplicar imediatamente o que estava a aprender e pensar como podia ajudar a minha empresa». Agora, está ansioso por continuar a aprender e o próximo passo consiste num mestrado. «No futuro, quero ser professor e divulgar os meus conhecimentos», acrescenta. No entanto, o seu objectivo global continua claro: «A minha motivação é simples: produzir sempre um trabalho cada vez melhor». PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 97 18.12.2009 11:12:04 Uhr 98 Por amor às florestas É Setembro no campo, perto de Boelhe, uma pequena aldeia a 40 km do Porto, no norte de Portugal. O sol brilha enquanto Maria Balbina percorre linhas de árvores jovens cuidadosamente ordenadas, verificando a condição dos troncos aqui, aparando um ramo ou dois acolá. Maria cuida das suas florestas quando não está no emprego a tempo inteiro como chefe de administração de um grupo de 18 escolas da região. «Sempre fui muito activa. Quando era criança, envolvia-me em actividades de música, teatro, dança, religiosas e desporto», recorda. Actualmente, esta mulher de 59 anos tem um horário de actividades muito preenchido fora do emprego: envolvimento na política local, aconselhamento infantil, presidência da agência de desenvolvimento local, presidência da direcção do sindicato regional da administração pública, participação na associação local de proprietários de florestas; para além de ser esposa e mãe de dois filhos adultos. Mas as florestas e o trabalho da terra continuam a ser uma actividade valiosa. Os pais tinham uma quinta e tratavam de florestas, uma tradição que tem orgulho em continuar. Apontando para o bosque luxuriante que a rodeia, afirma: «Os meus pais sempre me ensinaram a apreciar e a respeitar a natureza. Cresci neste ambiente, por isso identifico-me totalmente com os campos». Terminado o ensino secundário, estudou engenharia química na Universidade do Porto. No entanto, regressou antes de terminar o curso. «Não era o que eu queria fazer. Sentia saudades disto, por isso voltei», confessa. Terra herdada Em 1973, Maria arranjou emprego como secretária administrativa numa escola da região e começou a trabalhar a tempo inteiro: «Gostava de trabalhar com jovens, mas não me via como professora. A outra vantagem era o facto de estar perto da minha aldeia, dos meus pais e dos meus amigos». Contudo, quando herdou os terrenos dos pais, em 1984 (cerca de 18 hectares de terrenos de cultivo e a mesma quantidade de floresta), teve dificuldades em conciliar a gestão dos terrenos com PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 98 18.12.2009 11:12:16 Uhr 99 Educação e formação «As florestas são um projecto a muito longo prazo. É muito importante manter a tradição. Espero transmitir esse interesse aos meus filhos» as suas restantes actividades. As terras permaneceram intocadas durante nove anos. «Estavam em modo de ‘espera’, pois não sabia como gerir aquilo. Não tinha tempo para lhes dedicar e não conseguia encontrar quem o fizesse. Não sabia como lidar com a situação. A vegetação crescia espontaneamente», reconhece. Contudo, estava determinada a não deixar os terrenos abandonados: «Tinha vergonha do estado em que se encontravam. Queria fazer algo, por isso comecei a procurar aconselhamento junto de outros proprietários florestais». Em 1993, os proprietários florestais da região criaram formalmente uma associação, com Maria como um dos membros fundadores. «Tínhamos muito a ganhar ao formar uma associação. E descobrimos que a União Europeia disponibilizava fundos para o desenvolvimento e gestão das florestas», acrescenta. Unir os proprietários A associação ajuda os proprietários a avaliar a qualidade e o valor das madeiras, a preparar candidaturas a financiamento e a implementar projectos conjuntos e presta formação em matéria de gestão florestal. Ajuda igualmente a consolidar os terrenos dos seus associados em parcelas maiores, uma vez que detêm frequentemente várias áreas pequenas. «Estabelecemos permutas de terrenos entre membros, de forma a que possam gerir as suas terras agrupadas. As grandes parcelas de terreno são mais lucrativas, fáceis de gerir e de proteger contra incêndios», explica. Entre 1996 e 2008, Maria frequentou vários cursos de formação co-financiados pela UE, sobre tópicos que iam desde como podar e plantar árvores à prevenção e controlo de fogos florestais e à comercialização de produtos florestais. Os cursos proporcionaram-lhe os conhecimentos de que necessitava para assumir o controlo das suas terras e geri-las de forma correcta. Através do trabalho conjunto, os membros da associação tiveram acesso a financiamento comunitário para iniciar projectos na região. Maria replantou as suas terras com variedades de árvores lucrativas e arrancou as plantas mortas. «As florestas são um projecto a muito longo prazo. É muito importante manter a tradição. Tinha uma forte ligação às terras dos meus pais e espero transmitir esse interesse aos meus filhos», conclui. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 99 18.12.2009 11:12:16 Uhr 100 Uma carreira em inovação Tanto quanto consegue recordar-se, os objectos mecânicos sempre fascinaram Simone Rossi. «Em criança sempre me interessei por carros, aviões e coisas técnicas», afirma Simone, de 30 anos, residente em Montecastello di Vibio, uma vila medieval erigida sobre uma colina da região italiana de Umbria. «Queria saber mais sobre a maneira como as máquinas funcionam», continua. Depois de terminar o ensino secundário, Simone optou por estudar engenharia mecânica na vizinha Universidade de Perugia e o seu interesse cresceu ainda mais. «Não me limitei a estudar para passar nos exames. Queria mesmo saber pormenorizadamente como as coisas funcionavam. Comecei a perceber como a matemática, a física e a química eram a base de tudo e queria aprender mais sobre essas matérias», acrescenta. Quando se formou, em 2005, sabia que queria seguir uma carreira numa área relacionada. No entanto, teve dificuldade em arranjar um emprego adequado. Esteve desempregado durante algum tempo; depois, trabalhou numa companhia de seguros e desempenhou cargos administrativos em empresas. «Sabia que não queria aqueles empregos a longo prazo, mas é difícil encontrar empregos na área da engenharia, especialmente nesta região. Os engenheiros são procurados, mas não para exercer engenharia», esclarece. Um incentivo para os empregadores A ajuda chegou através de um programa de financiamento à investigação co-financiado pela região local e pelo Fundo Social da União Europeia. O programa concede subvenções a investigadores desempregados para trabalharem em projectos em empresas ou em centros de investigação, adquirirem experiência e melhorarem as suas perspectivas de emprego. As empresas e outras organizações envolvidas beneficiam de uma investigação que não poderiam justificar do ponto de vista comercial e são incentivadas a contratar os investigadores no final do período de financiamento. Para Simone, o programa foi decisivo para conseguir um emprego permanente, uma vez que lhe permitiu efectuar um estágio de 18 meses na empresa onde trabalha agora a tempo inteiro, a Angelantoni (http://www.angelantoni.it/), fabricante do sector de tecnologia e inovação, com sede na região. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 100 18.12.2009 11:13:00 Uhr 101 Educação e formação «O programa foi muito importante para mim porque me ajudou a continuar a fazer investigação, patentear o produto, experimentar a vida profissional e aumentar as minhas possibilidades de emprego» «O programa foi muito importante para mim porque me ajudou a continuar a fazer investigação, patentear o produto, experimentar a vida profissional e aumentar as minhas possibilidades de emprego», refere, continuando: «Descobri o programa acidentalmente. Vi um anúncio a pedir investigadores e inicialmente pensei que não era para mim. Pensava que as subvenções se destinavam a pessoas que já trabalhavam em universidades ou centros de investigação. Mas como não tinha nada a perder, candidatei-me». Simone avisa que o projecto ainda «está no início» e que poderão ser necessários vários anos para que o produto final chegue ao mercado. E conclui: «No entanto, quero realmente acompanhá-lo até ao fim. É óptimo estar na primeira linha de um projecto desta natureza». Energia solar Simone foi seleccionado entre muitos candidatos e recebeu uma subvenção que lhe abriu a porta para o estágio de investigação na empresa, relacionado com o valor potencial de um novo tipo de sistema «fotovoltaico concentrado» em pequena escala para utilizar a energia solar na produção de energia. «Quando iniciei a investigação não sabia muito sobre sistemas fotovoltaicos, mas é uma área muito interessante, especialmente nesta altura, com o interesse crescente nas energias renováveis», admite. O desenvolvimento de sistemas fotovoltaicos teve início na década de 1980, nos Estados Unidos. «Mas aqui, em Itália, ninguém sabia muito sobre esses sistemas. Estávamos a começar praticamente do zero», recorda Simone. Num trabalho conjunto com outros institutos de investigação e universidades de Itália, Simone desenvolveu com êxito uma aplicação de baixo custo e maior eficiência em comparação com os processos solares fotovoltaicos tradicionais. O sistema concentra a energia solar utilizando uma lente e, depois, separa os raios em gamas de frequências diferentes. «A principal vantagem reside no facto de ter uma temperatura muito menor do que outras soluções idênticas. As células não sobreaquecem, o que torna o sistema muito mais eficiente», explica. A empresa patenteou a invenção e, no Outono de 2008, ofereceu a Simone um emprego permanente para prosseguir o seu trabalho. «No início, encarava isto como um jogo. Estava a descobrir e a investigar uma nova área», reconhece. E acrescenta: «Mas quando a aplicação foi patenteada, a minha descoberta impressionou. Fiquei muito orgulhoso». PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 101 18.12.2009 11:13:00 Uhr 102 Forte aposta A cidade provincial de Siauliai, no norte da Lituânia, está muito afastada do centro da Europa, até mesmo da própria capital do país, Vilnius, mas Nedas Jurgaitis, um professor de línguas da escola local, pretende aproximá-la do resto do mundo. «Estão a acontecer mudanças muito positivas na nossa região. Estamos muito afastados dos principais centros, mas temos um sistema escolar excelente, uma óptima escola e um grupo de estudantes muito bom. O futuro parece brilhante», afirma. O verdadeiro amor de Nedas é a linguística comparada. Depois de tirar um mestrado sobre o tema, começou a ensinar no Colégio de Siauliai mas, com pouca experiência a nível de investigação, as possibilidades de deixar uma marca no mundo académico pareciam remotas. A situação mudou quando frequentou um conjunto de cursos de formação, seminários e workshops de carácter especial, co-financiados pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. O projecto MOKOM (desenvolver competências em matéria de investigação científica) visava a formação, a melhoria de qualificações e a requalificação de cientistas e outros investigadores com vista a satisfazer as necessidades actuais do mercado. Nedas teve conhecimento do programa através de um dos administradores do colégio e ele e outros professores foram incentivados a participar. Tirar partido das forças da Europa Durante o projecto MOKOM, que decorreu entre Setembro de 2005 e Fevereiro de 2008, Nedas e os seus colegas conheceram alguns dos mais qualificados e reconhecidos investigadores, cientistas e professores universitários da Europa. Os tópicos do curso incluíam «novas ferramentas de tecnologias da informação para a investigação», «formação de equipas» e «comunicação de resultados de investigação». A vertente prática incluía o desenvolvimento de novas metodologias de investigação e a preparação de apresentações científicas de elevada qualidade. Nedas afirma que adquiriu informações importantes sobre o seu trabalho e a área da linguística comparativa. A experiência pro- PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 102 18.12.2009 11:13:25 Uhr 103 Educação e formação «Este programa teve um impacto positivo na forma como ensino e, ainda mais importante, na forma como penso a educação e a investigação» porcionou-lhe uma agradável sensação de confiança e motivação: «Ganhei uma experiência valiosa ao participar neste programa. Teve um impacto positivo na forma como ensino e, ainda mais importante, na forma como penso a educação e a investigação». Com uma nova autoconfiança, Nedas afirma que está melhor preparado do que nunca para competir no mundo académico aos mais altos níveis. Uma nova confiança Com apenas 28 anos, Nedas exerce já o cargo de director do departamento de Relações Internacionais do Colégio de Siauliai. Agora decidiu avançar e está a pensar tirar um doutoramento, esperando tornar-se professor catedrático. E, com uma menina recém-nascida para cuidar, Needs e a mulher esperam mesmo boas novidades. «Não diria que antes não tinha confiança nenhuma», acrescenta. «Estava seguro quanto a mim e ao meu futuro, até certo ponto, mas não tinha os conhecimentos e a experiência necessários para dar o passo seguinte, para tornar aquele futuro uma realidade. Faltava qualquer coisa. Agora, consigo ver o futuro e isso inclui novas portas a abrirem-se para mim e para a minha família», reconhece. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 103 18.12.2009 11:13:25 Uhr 104 Mostrar a outros o caminho a seguir Mogens Lausen tem uma personalidade expansiva e cativante, mas nem sempre foi assim. Actualmente músico e actor de talento, teve de ultrapassar a timidez inicial na escola e na sua vida pessoal. «Cresci numa pequena vila no norte da Jutlândia. Era um miúdo sossegado e tinha dificuldade em expressar-me, mas sempre adorei música», explica. Inicialmente, Mogens pretendia estudar música na Universidade de Århus, mas os departamentos de música estavam a ser reduzidos em todo o país nessa altura. «Ser músico profissional exigiria sempre um grande esforço. O teatro colocava outros desafios e pensei que poderia ser adequado para mim; optei por me inscrever em arte dramática», esclarece. A decisão era realmente arrojada para alguém com timidez crónica. De qualquer das formas, a cidade de Århus iria ter um papel decisivo no seu futuro. «É um centro cultural emocionante e cheio de movimento», afirma Mogens. Århus é a segunda maior cidade e o principal porto da Dinamarca e foi alvo de um conjunto de grandes projectos públicos de renovação nos últimos anos, transformando o seu antigo centro degradado numa montra para a cultura e o comércio locais. Com mais de 300 000 habitantes, Århus reclama o título não oficial de «capital da Jutlândia». Aproveitar a experiência valiosa «Fui actor profissional aqui na cidade quando terminei a faculdade» «e cheguei mesmo a dirigir. O meu trabalho ensinou-me muito sobre autoconfiança, mas a vida no teatro não é fácil e eu e a minha mulher atravessámos alguns períodos difíceis», informa. Mogens compreendeu que o caminho a seguir era criar a sua própria empresa. Via-se com imenso potencial para ajudar as pessoas a ganharem confiança e aperfeiçoarem as suas formas de estar na vida. Tinha desenvolvido as suas próprias técnicas de formação durante os anos em que fez teatro, utilizando os seus conhecimentos de actor e executante para desafiar outros actores, encontrar motivação e enfrentar problemas pessoais difíceis. Compreendeu que essas mesmas técnicas podiam ser utilizadas para ajudar as pessoas em geral, mas ainda precisava de ajuda para transformar essas ideias numa carreira viável. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 104 18.12.2009 11:13:51 Uhr 105 Educação e formação «A experiência ajudou-me a ter uma noção clara do caminho que quero seguir e de como o vou seguir. É isso que ensino às pessoas» «Tinha ideias claras sobre o rumo que queria seguir, mas estava a tentar iniciar uma empresa sem ter qualquer experiência. Entretanto, a minha mulher estava a tentar obter apoios para o grupo de teatro que dirigia, o que significava que a nossa situação financeira não era muito estável. Sabia que precisava efectivamente de ajuda para iniciar a empresa e que tinha de agir rapidamente», acrescenta Mogens. Mais do que regras e regulamentos Essa ajuda chegou na forma de um curso especial de formação para novos empresários, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. O curso ajudou Mogens a criar a sua empresa. «Recebi informações extremamente valiosas sobre como começar. Há imensas regras administrativas a seguir e dificuldades a contornar», refere. toridades governamentais ou outros organismos». «Todos eles», afirma, «representam pessoas com diferentes personalidades e características, que precisam de se expressar e compreender e interagir com outras pessoas». «Sabermos quem somos e conhecermos as nossas próprias motivações pode influenciar o nosso desempenho», admite Mogens. «Aprendi isso durante o curso do FSE. A experiência ajudou-me a ter uma noção clara do caminho que quero seguir e de como o vou seguir. É isso que ensino às pessoas; já ajudei centenas de pessoas a darem um rumo às suas vidas e carreiras. Isso é o que eu chamo êxito», conclui. O curso de formação, organizado pelo Centro de Empreendedorismo da Universidade de Århus, incluía aconselhamento específico sobre a abordagem de regras e regulamentos comerciais e exigia aos participantes uma análise das suas competências, motivações e expectativas pessoais. «Estar familiarizado com as ‘regras do jogo’ foi uma verdadeira ajuda. Não podia ter iniciado a minha empresa sem esses conhecimentos, mas também aprendi algo sobre as minhas forças e fraquezas individuais, a minha personalidade e o meu potencial como empresário independente», reconhece Mogens. Rumo ao sucesso Actualmente, Mogens dirige a sua própria empresa em Århus. A Re-Act! disponibiliza formação e consultadoria a pessoas que pretendem lançar as suas carreiras, desenvolver competências, solucionar problemas de negócios e derrotar demónios pessoais. Mogens desloca-se a empresas e organizações no centro e nos arredores da cidade, mas também realiza sessões de formação no seu escritório. E diz: «Tenho clientes de todas as formas e tamanhos. Podem ser pessoas isoladas que pretendem lançar as suas carreiras, empresas que planeiam uma reestruturação estratégica ou organizações envolvidas em negociações complexas com au- PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 105 18.12.2009 11:13:51 Uhr PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 106 18.12.2009 11:13:52 Uhr Inclusão social PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 107 18.12.2009 11:13:52 Uhr 108 Refazer a vida Uma aluna da Universidade de Liubliana, Jana Urbanija, está entusiasmada quanto ao futuro. A jovem de 26 anos está a estudar geotecnologias e pretende seguir uma carreira na indústria mineira. «Quero ser engenheira. Quero um emprego onde possa trabalhar em grandes projectos em diferentes países do mundo», afirma. No entanto, o caminho que seguiu nem sempre foi fácil e há alguns anos atrás o seu futuro não parecia tão brilhante. A sua adolescência, passada na região do lago Bled, foi turbulenta. «Na minha adolescência, tive muitos problemas. O meu pai bebia muito e os meus pais divorciaram-se. Fugi de casa pela primeira vez com seis anos e fiquei com uma depressão a partir dos 12», recorda. Jana adorava praticar desporto, mas foi forçada a desistir de muitas actividades devido a problemas nos joelhos, o que aumentou ainda mais a sua sensação de alienação: «Não me enquadrava e a minha vida era horrível». A sua busca para encontrar um lugar onde se sentisse bem levou-a a experimentar drogas: «Começou como algo social, em festas e clubes, mas depois agravou-se». Passou a tomar ecstasy todos os dias e a habituação cedo a levou a drogas mais fortes. «Estava a tomar cinco comprimidos por dia. Depois comecei a usar heroína para acalmar», reconhece. Começou a roubar para sustentar o vício que crescia rapidamente e o seu comportamento afastou-a dos amigos. «Estávamos numa onda diferente. Nada me interessava. Na escola tornei-me solitária e comecei a procurar amigos drogados. No fim, já passava mais tempo em bares do que na escola», admite. Previsivelmente, reprovou no último ano do liceu e desistiu. E confessa: «Cada vez tinha mais problemas com a polícia». Mudar de rumo Um programa de educação informal co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu ajudou-a a começar a mudar a sua vida. O programa PLYA (Project Learning for Young Adults — Projecto de Aprendizagem para Jovens Adultos) visa ajudar jovens que não concluíram o ensino regular a entrarem no mercado de trabalho. Funciona através de projectos de artes e artesanato, aprendizagem prática, competências para a vida, desenvolvimento pessoal e aconselhamento. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 108 18.12.2009 11:14:06 Uhr 109 Inclusão social «No curso trataram-me como uma pessoa. Havia um bom ambiente. Todos se ajudavam uns aos outros, não havia competição e podíamos ser nós próprios» O projecto ajudou Jana a dar um novo rumo à sua vida: «Era o que eu precisava. Comecei a perceber que podia viver de maneira diferente». Jana notou imediatamente uma diferença positiva em relação às suas experiências educativas anteriores. «Na escola, somos tratados como um número. Mas no curso trataram-me como uma pessoa. Todas as pessoas tinham o mesmo objectivo, todos tinham sido afastados do sistema. Por isso, havia um bom ambiente. Todos se ajudavam uns aos outros, não havia competição e podíamos ser nós próprios», observa. Jana frequentou o curso durante um ano. No entanto, ainda tomava drogas, embora nesta altura começasse a perceber que queria parar. «Estava a enlouquecer. Estava com medo de acabar num hospital psiquiátrico ou morrer», reconhece. todas as pessoas que me ajudaram. Recebi muito e quero retribuir». Jana trabalha em turnos nocturnos num centro para jovens com problemas alcoólicos e de droga, utilizando a sua experiência para ajudar outros jovens a atravessar os tempos difíceis. Vigia os adolescentes que ficam no centro e aconselha-os sempre que pode. «Gostava de criar uma comunidade como aquela onde estive, para ajudar pessoas com depressão. Mas esse é um objectivo a longo prazo. Neste momento estou a gostar do que faço e a preparar o futuro», conclui. Decidiu ir para uma comunidade mais fechada para deixar a droga e refazer a sua vida. «Foi muito difícil», afirma. A comunidade, dirigida por uma organização católica com sede em Itália, era rigorosa: sem televisão, contacto mínimo com o mundo exterior, pouco conforto material e um programa de trabalho físico intenso. «Era pior que o exército», admite Jana. «Mas ainda mais difícil do que o trabalho físico», afirma Jana, «foram as mudanças pessoais. Tens de aceitar a situação em que estás e trabalhares para melhorar. Atribuem-te responsabilidades e és tratada como uma pessoa. Começas a ver os teus defeitos». E explica: «Era um inferno, mas agora tenho boas recordações porque a comunidade é pura. São honestos e fazem-se boas amizades. Houve momentos maravilhosos porque a vida lá é pura». Passados quase três anos, Jana sentiu-se pronta para enfrentar o mundo novamente. Regressou a casa em 2004. «Os meus antigos amigos aceitaram-me e isso foi uma grande ajuda. Voltei a estudar outra vez imediatamente. O pior (para um viciado em droga) é sentir-se sozinho e abandonado», argumenta. Voltou a fazer os exames escolares e frequentou mais um curso para ter entrada no curso universitário que agora frequenta. Retribuir Jana tem uma atitude filosófica quanto ao passado e compreende que teve muita sorte: «Estou grata por toda a ajuda que tive e a PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 109 18.12.2009 11:14:07 Uhr 110 Novas competências em tecnologias da informação para um futuro melhor «À semelhança de muita gente, utilizo computadores a nível profissional e para entretenimento. Saber tirar o maior partido destas tecnologias significa uma vida melhor e um futuro mais risonho». Esta é a opinião de Christos Giannakopoulos, um jovem com excelentes perspectivas, em parte graças ao Fundo Social Europeu. Christos perdeu os pais ainda criança e foi levado, com o irmão mais velho, de Atenas para um pequeno orfanato nas imediações de Chalkida. A instituição, onde ainda vive, foi construída sobre as fundações de um antigo claustro. Erigida num litoral rochoso, uma pequena igreja encontra-se rodeada por um amontoado de pequenos edifícios, incluindo salas de aula e um recreio, um edifício de maiores dimensões onde se encontram os dormitórios, uma grande cozinha e quartos comuns para cerca de dez órfãos. Superar as adversidades «O cenário era pitoresco», diz Christos, observando o azul tranquilo do golfo de Evia, «mas crescer sem mãe e pai continuava a ser duro». Mesmo assim, os dois rapazes conseguiram encontrar o seu caminho. Quando chegou a altura, Christos abandonou a instituição para ir prestar o serviço militar. A Grécia possui um serviço militar obrigatório, ao abrigo do qual todos os homens com idade superior a 18 anos prestam serviço durante 12 meses. Durante o período em que permaneceu no exército, o comandante de Christos sugeriu-lhe que se inscrevesse num curso de formação em tecnologias da informação gratuito. Christos aproveitou a oportunidade. O curso, destinado a um grupo mais abrangente, incluindo pessoas com deficiência e membros das forças armadas, era financiado pela União Europeia através do FSE. O objectivo do programa de formação consistia em ensinar competências básicas de tecnologias de informação, melhorar a «literacia digital» dos alunos e reforçar o seu potencial para o mercado de trabalho. O projecto era dirigido pela Autoridade de Execução das Acções do FSE do Secretariado Geral para a Gestão dos Fundos Europeus, Ministério do Emprego e da Protecção Social da Grécia, no âmbito do programa operacional Sociedade da Informação 2000-2006, Ministério da Economia e Finanças. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 110 18.12.2009 11:14:33 Uhr 111 Inclusão social «As tecnologias da informação fornecem actualmente ferramentas importantes em todos os sectores e a participação no curso de formação foi, sem qualquer dúvida, uma experiência muito útil para mim» A Unidade de Organização e Gestão (MOU) é uma instituição sem fins lucrativos do sector público que apoia as autoridades públicas na gestão efectiva dos programas financiados pela União Europeia. A MOU depende directamente do Ministério da Economia e Finanças da Grécia. Christos afirma que as aulas de tecnologias de informação o ajudaram a melhorar as suas modestas competências em informática, permitindo-lhe compreender melhor os princípios básicos das aplicações de processamento de texto e de folha de cálculo e como utilizar a Internet. «Venho de um país antigo onde temos orgulho na nossa história», acrescenta. «Mas não temos de viver no passado, também podemos olhar para o futuro. As tecnologias da informação fornecem actualmente ferramentas importantes em todos os sectores e a participação no curso de formação foi, sem qualquer dúvida, uma experiência muito útil para mim», conclui. Utilização prática Christos trabalha diariamente com um computador, em casa e no trabalho. «Há tantos sítios para aceder na Internet… Utilizo-o para comunicar com os meus amigos e obter informações sobre todos os tipos de assuntos. E posso obter informações sobre novos produtos e serviços, mas também utilizo um computador no trabalho», refere. Christos trabalha a tempo inteiro numa loja de artigos para guarnição de interiores. Passa uma parte do seu tempo a ajudar os clientes no piso de exposição, mas também controla encomendas e actualiza as bases de dados das existências e do inventário no computador do escritório e faz entregas quando lhe apetece apanhar um pouco de ar fresco. «Frequentar um curso de informática gratuito fez uma grande diferença na minha vida. Não estaria onde estou hoje sem o curso», reconhece. Christos refere que outros colegas do curso também tiveram êxito graças às competências que adquiriram. Olhar para o futuro Christos encara o seu emprego actual como um «trampolim» importante, onde aprendeu imenso sobre gestão e como gerir uma empresa de sucesso. Espera um dia criar a sua própria empresa, talvez em sociedade com o irmão. «Gostamos de estar juntos e discutir ideias. Estamos a pensar abrir um café ou bar com Internet. Vamos fazê-lo brevemente, quando chegar a altura certa», afirma. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 111 18.12.2009 11:14:33 Uhr 112 Das ruas para a passarela «Adoro Bolonha, mas tem sido a minha ruína. E, no entanto, há uma espécie de solidariedade nas ruas que não se encontra em mais sítio algum», afirma Fiorella, observando a mundialmente conhecida Praça Maior da cidade italiana. Desde que fugiu de casa, ainda adolescente, Fiorella tem tido uma existência dura e fértil em acontecimentos. Passou vários anos na prisão, a que se seguiu um longo período de depressão. Durante dois anos viveu na rua, dormindo em parques e salas de espera de estações. Actualmente, com 50 anos, a sua vida assentou finalmente. Partilha o seu próprio apartamento com o seu pachorrento cão da alsácia arraçado, Alba, e tem uma relação estável. A nível profissional, gere uma loja de roupas antigas elegantemente decorada (Il Vestito) no centro da cidade, onde locais e turistas deambulam através das famosas arcadas de Bolonha. A loja pertence à Piazza Grande, uma organização local criada em 1993 para apoiar pessoas sem abrigo. Com o apoio da União Europeia, através do Fundo Social Europeu, a Piazza Grande organizou a formação em costura que permitiu a Fiorella arranjar emprego e recuperar a sua auto-estima. «A Piazza Grande aceitou-me, deu-me espaço e tempo para recuperar e eu aproveitei todas as oportunidades que me deram. Tive imensos problemas, mas sempre mantive a minha dignidade e os meus valores. Acima de tudo, sou uma trabalhadora», esclarece. Fuga para a liberdade Fiorella nasceu numa família abastada, mas rejeitou as suas origens desde jovem: «A minha mãe teve um tumor depois de eu nascer. Morreu quando eu tinha 13 anos. Foi uma fase difícil. Podia ter vivido numa gaiola dourada, mas sempre tive um desejo de liberdade. Queria viver a minha própria vida. Os meus pais eram magníficos e queriam estragar-me com mimos. Mas nessa altura não estava muito interessada». «É importante respeitar a família. Cometeram erros comigo, mas fizeram-no porque tinham problemas. E eram demasiado ricos», explica. Fiorella fugiu de casa para casar aos 16 anos. «O meu pai proibiu o casamento, por isso fomos a Roma para obter autorização do PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 112 18.12.2009 11:14:59 Uhr 113 Inclusão social «A Piazza Grande aceitou-me, deu-me espaço e tempo para recuperar e eu aproveitei todas as oportunidades que me deram» próprio Papa», recorda. Mas o casal separou-se ao fim de um ano. Demorou pouco tempo a apaixonar-se novamente, desta vez por um índio americano. Mas, uma semana depois de Fiorella saber que estava grávida, ele morreu num acidente de aviação. Tinha 18 anos quando deu à luz o filho Michele, a quem foi diagnosticada uma cardiopatia congénita e faleceu no hospital passados apenas seis meses. «Depois da morte do meu filho, a situação piorou», admite Fiorella. Nos anos seguintes viajou por vários países (Austrália, Brasil, Tailândia) sobrevivendo sempre nas margens do crime. Quando por fim foi apanhada, foi punida com uma pena de prisão prolongada. Quando foi libertada, reencontrou-se com o pai e começou a trabalhar no restaurante dele como cozinheira. Até que, uma manhã, em 1992, quando Fiorella levou o café da manhã ao pai, encontrou-o morto. Tinha sofrido um enfarte agudo. A tragédia mergulhou-a numa depressão profunda. Embora ainda tivesse ido trabalhar, no início, «não vivia a realidade», afirma. Cortou os laços com os restantes membros da família e recorreu à droga. «Heroína, cocaína, metadona… experimentei de tudo», confessa. Quando ficou com dívidas, começou a roubar para comer e sustentar o seu vício, até que acabou por viver nas ruas. Ajuda onde é necessária O primeiro contacto de Fiorella com a Piazza Grande deu-se em 2002. Criada inicialmente com o objectivo de publicar um jornal com vista à angariação de fundos para pessoas sem-abrigo, a organização conta agora com assistentes sociais e «advogados de rua» (avvocati di strada) que andam pela cidade a prestar ajuda prática (comida, roupas e cobertores) e aconselhamento. Emprega também cerca de 20 pessoas na cooperativa (Fare Mondi) de limpeza e decoração, na loja de bicicletas e no armazém de roupa que possui, as quais recolhem donativos e os distribuem por pessoas necessitadas. A organização dirige um grupo de teatro e começou a organizar actividades de formação, oferecendo mais oportunidades de emprego às pessoas mais pobres e mais excluídas de Bolonha, na sua maioria imigrantes e pessoas de etnia cigana. «O objectivo é que todos façam o melhor que podem», afirmam os organizadores. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 113 «Os empregados da Piazza Grande encontraram-me no parque», recorda Fiorella. «Não sou verdadeiramente uma pessoa das ruas e tinha decidido abandonar a droga. Fiz isso sozinha, sem qualquer ajuda. Aprendi a lutar por mim quando estava na barriga da minha mãe e tenho um carácter forte; na prisão chamavam-me ‘gelo e fogo’ devido aos meus olhos pálidos. Já passei por muitas situações, por isso ataco-me a mim própria antes de ser atacada. Sou insensível, mas também sou apaixonada». O valor essencial do trabalho A Piazza Grande ofereceu-lhe a esperança de que necessitava. Depois de vários meses no hospital com graves problemas no fígado e nos rins que poderiam ter sido fatais, estava finalmente pronta para arranjar o seu próprio alojamento. «Embora ainda tivesse problemas, a Piazza Grande começou a dar-me trabalho», prossegue Fiorella. Em 2004, frequentou o curso básico de costura: «Quando era pequena, as minhas amas eram costureiras. Costumava observá-las. Foi algo que sempre quis fazer». Uma segunda acção de formação, em 2006, ensinou-a a identificar peças de vestuário antigas e a transformá-las em roupa de moda. Por fim, em Novembro de 2007, a Il Vestito abriu as portas. Fiorella e a sua assistente, Micaela Ugolini, são responsáveis pela gestão financeira do negócio, seleccionando artigos para venda entre as roupas doadas, e pela administração da loja, com a ajuda de uma pequena equipa de costureiras formadas que efectuam as alterações às peças de vestuário. «Estou contente com o que faço agora, embora pudesse comprometer-me um pouco mais. A Piazza Grande investiu em mim e só posso estar-lhes grata», reflecte Fiorella. Há algum tempo atrás, reencontrou-se com os irmãos e irmãs, sobrinhos e sobrinhas, após um longo período de isolamento. Nas ruas, viveu com um grupo de pessoas sem abrigo que partilhavam o respeito mútuo e a regra não escrita de que cada um não se metia na vida dos outros. «Mas nunca voltaria atrás, decididamente, não!», declara. E conclui «Tinha de me libertar do meu instinto de auto-destruição, não das pessoas que conhecia. É importante mantermo-nos positivos. Desse modo, também podemos tentar ajudar os outros e eu tento e dou a mão a outras pessoas, à minha maneira». 18.12.2009 11:14:59 Uhr 114 Uma mão amiga, uma oportunidade de redenção Allan McGinlay não é má pessoa, mas passou por tempos difíceis durante a adolescência nas ruas problemáticas de Glasgow. Frequentava círculos pouco recomendáveis e aos 18 anos já tinha cometido alguns erros e sido apanhado em actividades duvidosas. A bebida acabou por fazer parte da sua vida, levando-o a provocar problemas em bares locais e envolver-se em rixas nas ruas. O tempo passou e deu consigo embrenhado num ciclo vertiginoso de desemprego, uso de drogas e, por fim, a prisão. Saiu da prisão, passaram-se mais alguns anos e um casamento feliz proporcionou uma pausa, dando a Allan uma sensação de estrutura e relacionamento, mas a sorte adversa ainda não tinha terminado. A frustração surgiu quando perdeu outro emprego. A espiral descendente parecia inquebrável. Perdeu a esperança e entrou em depressão. Hoje afirma que «às vezes as pessoas precisam de uma segunda oportunidade na vida e eu tive sorte em consegui-la». Sensatez através da experiência O projecto Life Coaching (preparação para a vida), co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, deu a Allan uma segunda oportunidade. O projecto visa introduzir antigos presos numa actividade remunerada. Os estagiários, que são também ex-reclusos, foram ensinados a prestar aconselhamento a outros ex-reclusos que regressam à região de Glasgow depois de passarem algum tempo na prisão. O projecto ajudou Allan a enfrentar os seus próprios demónios e a dar um novo rumo à sua vida. Depois de terminar a formação, foi contratado pelo Wise Group e trabalha actualmente a tempo inteiro no escritório do grupo em Wishaw, na Escócia, a ajudar outros ex-reclusos. Actualmente, Allan regressou à prisão, mas apenas para ajudar pessoas como ele que bateram no fundo e fizeram más opções. Ele encontra-se com reclusos prestes a ser libertados e ajuda-os a regressarem à vida no exterior, encontrarem trabalho e alojamento, conhecerem outros serviços e manterem-se no rumo certo. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 114 18.12.2009 11:15:25 Uhr 115 Inclusão social «Às vezes as pessoas precisam de uma segunda oportunidade na vida e eu tive sorte em consegui-la» O modelo de apoio por pares, que utiliza ex-reclusos para apoiar outros ex-reclusos, é visto como uma forma eficaz de criar confiança, reforçando a saúde mental e emocional dos utilizadores do serviço e reduzindo a auto-punição e a reincidência delinquente. Satisfação no emprego «Entram-nos pelas portas dentro alguns casos particularmente difíceis», explica Allan. «Vemos jovens viciados em droga, em situação precária, de desespero, mesmo suicida. São situações trágicas, podem ser pungentes, mas proporcionam-nos uma enorme sensação de realização e de satisfação quando conseguimos recuperar um desses jovens, ajudando-os a encontrarem trabalho e um lugar para viver». A satisfação e a autoconfiança são as chaves do novo sucesso de Allan. Afirma que o projecto Life Coaching fez toda a diferença do mundo para si e para a sua família e que pode, hoje, dizer honestamente que é um homem feliz. «Se o programa não tivesse surgido, a minha vida teria ficado completamente fora de controlo. Permitiu-me tornar-me no homem que já devia ser há muito tempo», admite. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 115 18.12.2009 11:15:25 Uhr 116 Comunicação para pessoas com deficiência auditiva Nascido surdo-mudo, Mário Greško era apenas uma criança de tenra idade quando a mãe o deixou num orfanato na região rural da Eslováquia. Foi apenas aos seis anos, quando foi transferido para uma escola para crianças surdas, que pôde começar o seu longo caminho para a liberdade e a realização pessoal. «Digo às pessoas que nasci duas vezes», afirma. E explica: «A segunda vez foi quando tinha seis anos. Antes disso, não tinha pensamentos claros. As minhas memórias desses tempos são praticamente inexistentes, apenas vagas impressões. Sei que brinquei com outras crianças. Podia ver os movimentos das suas bocas e sabia que isso tinha um significado, mas estava confuso e não compreendia o que estava a acontecer. Não me ficou quase nada desses tempos». Ultrapassar um início difícil Ser transferido para uma escola especial permitiu a Mário aprender e começar a formar ideias claras e específicas. «Aprendi a linguagem gestual, e as minhas memórias começam nessa altura», refere. Mário aprendeu também a ler nos lábios, a ler e escrever: «Compreendi quem era e o que era, como sou diferente e que podia esperar algo melhor». Na altura adequada, foi para Bratislava, onde começou a trabalhar como aprendiz de alfaiate. «Uma parte do currículo na escola para surdos consistia em aprender uma profissão», explica Mário. «Aprendi a fazer roupas, por isso era lógico que tentasse o sector da confecção de vestuário. Foi um começo, mas não era o que pretendia fazer para o resto da minha vida. O meu sonho era trabalhar na indústria automóvel. É simples, adoro carros». Nova esperança Através de um amigo, Mário soube da existência de um programa de formação especial em tecnologias da informação destinado a pessoas surdas co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. O curso, realizado no âmbito do programa EQUAL, incluía formação sobre as novas ferramentas de «software» e serviços em linha para surdos. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 116 18.12.2009 11:15:33 Uhr 117 Inclusão social «Saber utilizar um computador e a Internet abriu-me todos os tipos de portas» «Os surdos-mudos enfrentam problemas específicos relacionados com a linguagem», afirma Milan Ručkay, coordenador do projecto EQUAL. «Não se trata apenas de uma questão de tradução. A linguagem escrita é completamente diferente, em termos conceituais, quando comparada com a linguagem gestual. Ler e escrever são actos simbólicos: as letras numa palavra correspondem a sons, as palavras correspondem a objectos, acções e conceitos. Vemos letras e palavras e ouvimo-las nas nossas mentes. Mas um surdo-mudo não ouve palavras». Ručkay afirma que a linguagem gestual é mais como descrever algo fisicamente com as mãos: «É uma linguagem própria, com uma sintaxe e uma gramática específicas». 30 anos, um bom emprego e um salário competitivo, está a construir uma vida e um futuro melhores para si. Mário afirma que gostava de mudar para um apartamento melhor e está a tentar encontrar uma companheira para casar. «Apenas devem candidatar-se mulheres elegíveis!», adverte. «A minha situação mudou completamente. Aprender a trabalhar com um computador foi óptimo. Estou muito feliz por ter tido essa oportunidade», admite. Durante o curso de formação, Mário aprendeu sobre os serviços em linha que estão disponíveis para ajudar pessoas com deficiência auditiva, por exemplo, para compreender melhor a informação escrita. Mário acabou por decidir-se a comprar um computador portátil. «Foi a melhor coisa que já fiz. Saber utilizar um computador e a Internet abriu-me todos os tipos de portas», reconhece. A vida a uma velocidade superior Com novas competências e uma nova sensação de confiança, Mário começou a candidatar-se a empregos através da Internet e conseguiu um. Actualmente, trabalha na empresa Brose como operador da linha de montagem de automóveis. A Brose é, desde há muito, um fabricante de componentes para a indústria automóvel. A sua unidade de Bratislava fabrica portas de automóveis para uma unidade da Volkswagen que dista apenas alguns quilómetros. Mário não é o único surdo-mudo que trabalha na linha de montagem da Brose, como explica Ediltrúda Makarová, gestor dos Recursos Humanos: «Seguimos uma política aberta no que respeita a pessoas com deficiência. Temos pessoas surdas e pessoas com audição fluentes em linguagem gestual que podem ajudar a traduzir quando é necessário. A realidade é que Mário é um comunicador excelente, com ou sem palavras. Conseguimos entender-nos uns aos outros. É um trabalhador excelente e extremamente motivado, igual a qualquer outro no terreno». Objectivamente, pode afirmar-se que o sucesso de Mário representa uma probabilidade incrível, mas ele não olha para trás. Com PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 117 18.12.2009 11:15:34 Uhr 118 Sorria e prove os queijos! Os passageiros que descem na estação ferroviária da cidade de Hässleholm, no sul da Suécia, passam por uma airosa mercearia com um convidativo sortido de queijos exposto na janela: AnneLie’s Ost & Delikatess, anuncia um alegre cartaz. No interior da loja, Anne-Lie Thuvesson exibe um largo sorriso enquanto saúda os clientes e serve uma selecção dos seus queijos especializados, chás finos e cafés, azeites importados, biscoitos e chocolates seleccionados. É fácil constatar que a loja é o orgulho e a alegria de Anne-Lie. «Fui eu que a projectei, com a ajuda da minha irmã e de amigos», declara. O soalho preto e branco axadrezado, as prateleiras de madeira envernizada, as filas de latas coloridas, testemunham uma visão perfeccionista para o detalhe estético. De uma forma prática, a loja está situada ao lado do apartamento que Anne-Lie partilha com as duas filhas, Hanna, de 17 anos, e Amanda, de 16, e um gato cinzento chamado Fritz. «Foi sorte ter encontrado esta loja, como se me estivesse destinada! É o meu sonho. Estou muito feliz com a minha vida, agora», afirma. Actualmente com 52 anos, divorciada, abriu a sua loja em Julho de 2008. Foi um passo arrojado, depois de cinco anos sem trabalhar por motivo de doença, devido a esgotamento e depressão. Anne-Lie afirma que isto só foi possível graças a um projecto de saúde e reabilitação destinado a mulheres desempregadas que trabalharam anteriormente em serviços de prestação de cuidados, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. Três décadas de serviço Anne-Lie abandonou a escola aos 16 anos e passou quase 30 anos como prestadora de cuidados psiquiátricos. Tratou pacientes esquizofrénicos e alcoólicos em recuperação antes de aceitar um lugar no novo departamento hospitalar de Hässleholm para pacientes com demência. Casou em 1991 e, nos anos seguintes, nasceram Hanna e Amanda. Mas o casamento não correu como esperava. Anne-Lie refere que o marido era instável e agressivo. Mudou para outro emprego na cidade vizinha de Bjärnum e, depois de um divórcio doloroso e difícil, em 1994, dedicou os oito anos seguintes ao trabalho e às filhas. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 118 18.12.2009 11:16:06 Uhr 119 Inclusão social «Agora sinto-me muito feliz. Gostava que todos tivessem tido as mesmas oportunidades que eu tive» Em 2002, cedeu ao stress. O trabalho por turnos e os conflitos com o director contribuíram para a pressão. «Era demais», explica Anne-Lie. Começou a ter períodos de perturbação, crises de choro e tornou-se agressiva e gritava com as filhas. Esteve um mês sem trabalhar, mas duas semanas depois de regressar ao trabalho voltou a ficar com baixa. «Fiquei dois dias na cama sem fazer nada. Os médicos suecos chamam a isto depressão, mas para mim era difícil aceitar esse diagnóstico; trabalhava em cuidados psiquiátricos há quase 30 anos. Não tinha apoio nenhum no trabalho, mas não foi só isso. Era um período de crise na minha vida. Estava muito doente. Não conseguia ler o jornal, por exemplo, e tinha de me controlar quando estava a lavar a louça. Chorava muito e sentia-me muito revoltada. No primeiro ano que estive com baixa não fiz nada: mandava as meninas para a escola e depois dormia», recordou. Felizmente, Anne-Lie recebeu um grande apoio da família. Tinha consultas quinzenais com um psiquiatra e tomava antidepressivos. «Não queria tomar medicamentos, mas o médico explicou-me que o meu cérebro não estava a produzir uma substância química de que necessitava. Ainda tomo pequenas doses; abrir a loja foi desgastante», admite. devia excluir homens, embora a maior parte das pessoas dessas profissões sejam mulheres». Entre 2005 e 2007, o projecto prestou ajuda a 200 pessoas com as mais variadas situações a nível físico e psicológico. «O nosso objectivo inicial e ambicioso consistia em conseguir que 70% voltassem a trabalhar ou a estudar», refere Per Larsson. «A percentagem final foi 69%: foi fantástico. Mesmo que só uma pessoa tivesse sido bem sucedida já teria valido a pena! Este programa prova que as pessoas têm força interior desde que tenham a possibilidade de a desenvolver». Desde então, Per lançou um novo projecto de reabilitação. Uma das participantes, Berith Eriksson, trabalha agora na loja de Anne-Lie. Ela trabalhou durante 23 anos na área de cuidados de saúde antes de iniciar o programa de reconversão profissional. «É uma loja muito bonita», observa Berith. «Temos sido boas amigas, por isso espero ficar». «É, realmente, uma história engraçada. Anne-Lie esforçou-se e criou um negócio e, agora, está a ajudar outras pessoas na mesma situação», acrescenta Per. O tempo cura Uma oferta que não podia recusar Foi então que, três anos depois, recebeu uma carta a oferecer-lhe um lugar no programa Sustainable Health (saúde sustentável). «Não tinha vontade nenhuma», reconhece Anne-Lie, mas senti que não podia deixar de ir, por isso aceitei». O programa destinava-se especificamente a antigos prestadores de cuidados do sexo feminino em situação de baixa prolongada, a fim de lhes proporcionar competências específicas e os conhecimentos de que necessitavam para encontrarem uma nova profissão no mercado de trabalho. Sete comunidades locais participaram na selecção de candidatos entre os seus antigos prestadores de cuidados sociais e de saúde. «Não tínhamos um plano predeterminado», afirma o coordenador Per Larsson. «Trabalhávamos com cada pessoa isoladamente para descobrir o que pretendiam fazer realmente. Estou convencido de que foi por isso que resultou tão bem. À medida que avançávamos, constatámos que era um programa tão bom que não PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 119 Anne-Lie está grata por ter tido tempo para recompor a sua vida. «Nem todos compreendem», explica. «Há uma tendência para apressar as pessoas. Mas graças ao apoio da União Europeia, os gestores do projecto puderam dispor de tempo. É por isso que estou aqui hoje e sinto-me bem». A sua imensa fé religiosa também a ajudou nos dias mais difíceis. Costumava tocar guitarra na catequese aos domingos. «Dizia a Deus: entrego-me nas Vossas mãos. E correu tudo bem», confessa. Começando com passos muito pequenos, uma coisa de cada vez, elaborou o plano de negócio. «Mesmo antes de ficar doente já pensava em queijos», sorri Anne-Lie. «É uma ideia muito antiga». Com o apoio de uma organização que ajuda pequenos empresários e lhe financiou metade do capital de que necessitava, conseguiu assegurar um empréstimo adicional junto do seu banco. Durante mais de um ano trabalhou noutra loja de queijos, na cidade de Kristianstas, onde aprendeu com o proprietário, Tom Persson. Ele ajudou-a a estabelecer uma rede de fornecedores e a fazer contactos. 18.12.2009 11:16:06 Uhr A loja já está a dar lucro. «Na semana anterior ao Natal havia cinco pessoas a trabalhar aqui», afirma Anne-Lie com orgulho. Os passageiros dos comboios param para comprar um pedaço de queijo para a viagem ou para levarem para casa. «Tenho novos clientes todos os dias. Esta é a única loja do género na cidade e é preciso percorrer uma grande distância para encontrar produtos idênticos. Queria criar um lugar agradável onde os clientes se sentissem bem-vindos e foi isso que aconteceu», acrescentou. «Agora sinto-me muito feliz e adoro ser patroa de mim própria. Tenho muitos amigos que estiveram na mesma situação. Gostava que todos tivessem tido as mesmas oportunidades que eu tive. O projecto ajudou-me tanto que gostava que todas as pessoas na Suécia soubessem da sua existência», conclui Anne-Lie. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 120 18.12.2009 11:16:06 Uhr Luta contra a discriminação PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 121 18.12.2009 11:16:06 Uhr 122 Projecto estónio de integração abre perspectivas «O programa de formação obrigou as pessoas a pensarem por si próprias, em vez de procurarem a ajuda de outras pessoas», afirma Messurme Pissareva. «O programa não nos disse o que fazer, mas obrigou-nos a pensar no rumo que queríamos dar à nossa vida. Não foi difícil para mim aprender, pois eu queria saber tudo. Agora, quero aprender mais». Pequena e delicada, elegantemente vestida num conjunto de calças e casaco feito à medida, Messurme é directora-geral da empresa imobiliária Ida-Virumaa Kinnisvara, em Jõhvi, norte da Estónia. Mas antes de participar, em 2004, num programa de formação para a integração da população não estónia, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, a sua vida era bem diferente. Estava desempregada, isolada e frustrada. Messurme cresceu no Daguestão, na União Soviética, numa aldeia de montanha próxima do mar Cáspio, onde a sua família tinha uma propriedade vinícola. Falava o dialecto local lesgin, que possui um alfabeto cirílico e incorpora elementos das línguas russa e turca. Mudou-se para a Estónia há 20 anos. O irmão mais velho chegou ao país como soldado do exército soviético, quando os estados bálticos ainda faziam parte da ex-URSS. Depois do serviço militar, decidiu ficar e estabelecer-se na região, permitindo que Messurme, então com 17 anos, se juntasse a si e frequentasse a escola em Jõhvi. «O meu irmão disse-me que era um tipo de civilização diferente», relembra. «Inicialmente, tencionava regressar ao Daguestão depois de terminar os estudos, mas depois conheci o meu marido». Em vez de regressar, conseguiu um emprego numa empresa química local em Jõhvi, localidade onde o marido, engenheiro, trabalha actualmente para um fabricante de máquinas. Inscreveu-se num curso nocturno de mecânica e construção, em Talin, decidida a fazer uma escolha não habitual para uma jovem naquela época. Mas o emprego era duro, caracterizado por longos e fatigantes turnos e, quando nasceram o segundo e o terceiro filhos, tirou uma licença de maternidade e ficou em casa a cuidar deles. Depois de seis anos em casa a cuidar da família, começou a sentir-se cada vez mais excluída e subqualificada. E confessa: «A situação financeira era difícil porque dependíamos de um único salário, PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 122 18.12.2009 11:16:33 Uhr 123 Luta contra a discriminação «Psicologicamente, o projecto ensinou-me que poderia fazer qualquer coisa. Independentemente do que decidir fazer, sei que sou capaz se me esforçar por isso» mas eu não sabia o que fazer para regressar ao mercado de trabalho depois de ter estado tanto tempo sem trabalhar». Problema linguístico Além da falta de confiança, o seu principal problema era linguístico. Messurme estudou a língua russa. Cerca de um quarto da população estónia é de origem russa e Jõhvi, que fica perto da fronteira, tem muitos falantes de russo. Na escola, no Daguestão, obteve boas notas na língua, mas uma vez no meio de falantes nativos, percebeu que não era fluente em russo e que não falava o estónio. «Se não falarmos a língua local, é muito mais difícil comunicar; quanto mais línguas uma pessoa conhecer, mais perspectivas terá», admite. O serviço de emprego local orientou-a para um projecto co-financiado pelo FSE, dirigido pelo Centro de Formação Ontika. O projecto ofereceu-lhe não só a possibilidade de aprender a língua como também de conhecer a história e a cultura estónias e adquirir competências sociais como a redacção de um CV, candidaturas a empregos e técnicas de entrevistas. Através de debates, apresentações de vídeo e excursões, com especialistas que iam desde advogados a psicólogos, Messurme recuperou gradualmente a sua auto-estima. Cerca de três meses depois, conseguiu um emprego numa livraria, onde viria a ser promovida a gerente. «O meu objectivo era adquirir as competências necessárias para progredir», refere, por isso inscreveu-se em mais cursos para actualizar os seus conhecimentos e foi trabalhar no sector imobiliário. Assim que o seu estónio for perfeito, tenciona candidatar-se a estudos de Direito na universidade de Tarfu ou de Talin. «Sinto que preciso de aprender mais», declara entusiasticamente. Jõhvi é muito diferente do Daguestão. Embora Messurme sinta a falta do bom vinho das vinhas do pai, confessa que aprendeu a gostar de café na Estónia. Agora, a sua rotina diária começa com uma chávena de café apreciada tranquilamente na sua cozinha, depois de os três rapazes, Vladimir de 15 anos, Jeugeni, de 8, e Renat, de 7, terem saído para a escola. O dia de trabalho tem início às 10h00, no escritório próximo de casa. Como directora da empresa, tem a seu cargo a parte administrativa, que trata no computador, os contactos com os clientes e as visitas destes às mora- PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 123 dias e apartamentos que fazem parte da sua carteira de imóveis. As suas responsabilidades não se limitam à venda de imóveis. Em Kivioli, situada a 30 quilómetros de Jõhvi, por exemplo, a sua agência trabalha com uma empresa de construção na conversão de um tradicional edifício de habitação em pedra em 44 apartamentos e ainda quartos para pessoas que venham trabalhar na próspera empresa têxtil de Kivioli. Sem receio do futuro Messurme receava nunca mais encontrar emprego depois de ter deixado de trabalhar. Mas o projecto acabou com as suas preocupações. Ensinou-a a seguir em frente sem recear o futuro. Quando chegou a Jõhvi apenas conhecia o irmão, mas agora tem um vasto círculo de amigos. Adquiriu autoconfiança, o trunfo mais importante. «Psicologicamente, o projecto ensinou-me que poderia fazer qualquer coisa, que sou uma lutadora. Independentemente do que decidir fazer, sei que sou capaz se me esforçar por isso. Precisava de um empurrão para sair da situação em que me encontrava e o projecto ensinou-me que ‘nada é impossível!’ Sabia que conseguiria um emprego depois do programa de formação, uma vez que este nos incutiu um sentimento positivo», observou. «Se pretendermos concretizar um objectivo, devemos trabalhar arduamente», confirma Eha Korkus, coordenadora do projecto. «Messurme é um dos melhores exemplos. Era um grupo maravilhoso. Foi-nos dito que seria um bom resultado se 30% das pessoas conseguissem emprego, mas no final do programa 60% dos participantes estavam integrados. Os resultados superaram as expectativas e isso deixou-nos muito satisfeitos. Neste momento, estamos a trabalhar noutro projecto, uma vez que as ofertas de trabalho existem». Eha acredita igualmente que os professores aprenderam tanto quanto os alunos. «Nem todos os estónios gostam de russos», explica para concluir: «Tivemos que mudar a nossa mentalidade, mas nem todos o conseguem». 18.12.2009 11:16:33 Uhr 124 Entrar no mercado de trabalho Oriundo dos Camarões, Serge Mbami viajou para a Irlanda em 2001. «No meu país, a vida é dura e é difícil ter uma vida decente», afirma. «Procurava melhores oportunidades de vida». Mas, no início, descobriu que não conseguia encontrar emprego. «Foi difícil encontrar um emprego», diz Serge, de 38 anos de idade. «Foi frustrante. Fazia trabalho voluntário a ensinar crianças, mas não era pago». Para se sustentar a si e ao jovem filho, Ryan, dependia do apoio governamental. «Queria mais». E acrescenta: «Decidi que precisava de alguma formação para melhorar as minhas possibilidades». Em 2003, começou a estudar para obter um diploma em logística e gestão da cadeia de abastecimento no Institute of Purchasing and Materials Management (Instituto Irlandês de Aquisição e Gestão de Materiais) «Tinha alguma experiência anterior nesta área e sabia que era o tipo de trabalho adequado para mim. Sou um trabalhador polivalente por natureza, falo línguas e lido bem com a pressão», informa. O curso de três anos abrangia logística, armazenamento, contratos e gestão da cadeia de abastecimento. Todavia, descobriu que ainda era difícil encontrar emprego depois de concluir os estudos: «Mesmo com o diploma não conseguia encontrar emprego, uma vez que não tinha experiência de trabalho relevante. Na Irlanda, a experiência conta muito». Estágio Teve então conhecimento dos estágios de aprendizagem organizados pela FÁS (autoridade nacional de formação e emprego da Irlanda) centrados na gestão da logística da cadeia de abastecimento. «Era exactamente o que procurava», afirma Serge. O curso, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, consiste em 22 semanas de aulas seguidas de estágios em empresas. Serge adquiriu uma qualificação profissional reconhecida, o certificado avançado (Advanced Certificate) de nível 6 em logística da cadeia de abastecimento atribuído pelo Conselho de Certificação da Educação e Formação Contínuas (Further Education and Training Awards Council, FETAC) e, mais importante, fez um estágio de PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 124 18.12.2009 11:16:48 Uhr 125 Luta contra a discriminação «Posso enviar dinheiro para casa e isso é uma grande ajuda para eles. Sinto-me mais seguro e posso descontrair sem me preocupar com o futuro» 16 semanas na empresa SerCom Solutions, uma empresa subsidiária da DCC em Limerick, especializada em contratos integrados a nível mundial, logística, armazenamento e distribuição de produtos de electrónica, telecomunicações e bens duradouros. A empresa actua como um parceiro global na gestão de compras e da cadeia de abastecimento para muitas das empresas líderes em tecnologia e telecomunicações a nível mundial, bem como distribuidores e retalhistas. Depois de concluir a formação, foi-lhe oferecido um emprego permanente na empresa. «Iniciei alguns projectos no meu estágio, implementando um novo contrato com uma empresa norte-americana que queria deslocar-se para a Irlanda e Europa. A empresa ofereceu-me um lugar para continuar o trabalho», acrescenta. O seu trabalho envolve actualmente todos os aspectos de logística desde o licenciamento à expedição, produção, armazenamento e entrega final. E explica: «Estou a adquirir experiência a nível mundial. Contacto com clientes de todos os países da Europa, do Médio Oriente e de África. Gosto mesmo de trabalhar nesta empresa. É uma óptima sensação fazer parte de uma equipa». Serge diz que conseguir um emprego estável fez uma enorme diferença e melhorou significativamente a sua qualidade de vida. A segurança acrescida significa que não tem que se preocupar com o sustento do filho e pode ajudar a sua família nos Camarões: «Posso enviar dinheiro para casa e isso é uma grande ajuda para eles. Sinto-me mais seguro e posso descontrair sem me preocupar com o futuro». «Agora, gosto da vida na Irlanda. É um país muito acolhedor. Os irlandeses são bons anfitriões. Não é possível sentarmo-nos junto de um irlandês e ficarmos calados. Embora seja um país muito chuvoso», salienta sorrindo. Nos seus tempos livres, gosta de se manter saudável, indo ao ginásio e correndo. «Adoro ver futebol», diz, «sou um grande adepto do Arsenal». Todavia, Serge diz que não se contenta com os louros conseguidos e que continuará a aprofundar os seus conhecimentos sobre negócios. «Quero alcançar sempre mais. Quero que o meu filho tenha orgulho em mim», conclui. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 125 18.12.2009 11:16:48 Uhr 126 Uma oportunidade de subir na vida «Adoro o meu emprego porque que me dá estabilidade e a possibilidade de aprender coisas novas», diz Amparo Navajo Maldonado, de Sevilha, Espanha. Conversando na entrada do hotel de luxo onde trabalha, a jovem de 30 anos parece positiva e satisfeita. No entanto, não há muito tempo estava numa situação diferente. Tendo deixado a escola no final da escolaridade obrigatória com poucas qualificações, o único emprego que conseguiu encontrar foi um trabalho irregular, a limpar escritórios. «A minha vida estava num beco sem saída», afirma. «Não tinha um emprego estável; apenas trabalhos de limpeza temporários. Conseguia um contrato de dois meses aqui ou alguns dias de trabalho ali, mas tinha longos períodos em que estava desempregada». Amparo cresceu numa grande família de etnia cigana. Os pais ganhavam a vida a vender fruta de feira em feira, uma vida que via ser difícil e incerta. Quando ela e o marido, Juan Manuel Gallego, tiveram o primeiro filho, Marco, há cinco anos, começou a perceber que queria mais segurança para a sua família. «Queria fazer algo de diferente e mudar a minha situação. Queria uma carreira e ser capaz de sustentar os meus filhos», explica. Sem rendimento fixo, a jovem família vivia em casa dos pais dela juntamente com os seus quatro irmãos, em condições difíceis. «Era duro. Vivia com os meus pais, com um bebé e o meu marido Não havia privacidade e a nossa relação ressentia-se da pressão», constata. Apoio personalizado A ajuda chegou quando teve conhecimento do curso de formação da Acceder através de um centro de emprego local. O curso, cofinanciado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, tem por objectivo combater a discriminação contra as comunidades ciganas e ajudar as pessoas a adquirir a formação e a educação de que necessitam para obter emprego permanente. Funciona desde 2000 e, nos primeiros seis anos, ajudou mais de 30 000 pessoas a obter contratos de trabalho em todo o território espanhol. O curso permite que as pessoas adquiram as competências e a experiência de que necessitam para aceder às oportunidades de PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 126 18.12.2009 11:16:53 Uhr 127 Luta contra a discriminação «A minha vida mudou drasticamente, uma vez que agora estou na folha de pagamentos. Pude contrair um empréstimo» emprego, através de programas de formação flexíveis. Os cursos combinam teoria e prática e são adaptados às necessidades das pessoas. Amparo teve formação como empregada de quarto e adquiriu experiência de trabalho num hotel de Sevilha. «O curso deu-me uma qualificação adicional para ajudar a encontrar emprego», afirma. Mas o mais importante para ela foi a formação ter aumentado a sua auto-estima e confiança: «Apercebi-me de que tinha mais opções. Abriu-me muitas portas». Trabalho de supervisão Pouco tempo depois de terminar o curso, em 2004, obteve um emprego como empregada de quarto de hotel com um contrato sem termo. Quatro anos mais tarde, mudou para um dos maiores hotéis da cidade com um contrato sem termo e foi promovida a supervisora. Actualmente, é responsável por uma pequena equipa de empregadas de quarto, distribuindo escalas de serviço e assegurando elevados padrões de qualidade. Amparo refere que os colegas são o que mais aprecia no seu trabalho: «É óptimo fazer parte de uma equipa profissional». A nível pessoal, a estabilidade do seu emprego no hotel permitiu que o jovem casal adquirisse a sua própria habitação. Com o nascimento do novo membro da família, o bebé Adrian, no início de 2008, a melhoria nas suas vidas veio mesmo a tempo. «A minha vida mudou drasticamente, uma vez que agora estou na folha de pagamentos. Pude contrair um empréstimo», diz Amparo, que conclui: «Temos agora a nossa casa e o nosso carro e sinto-me financeiramente segura». PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 127 18.12.2009 11:16:53 Uhr 128 Adquirir autonomia Quando Abshir Abukar começou a trabalhar num dos maiores centros de jardinagem da Suécia, não sabia muito sobre plantas ou utensílios de jardinagem e até era alérgico ao pólen. Mas aprendeu rapidamente e agora desempenha diversas funções que envolvem a gestão de stocks, a assistência aos clientes e o trabalho em equipa. De facto, o centro de jardinagem mostrou ser um óptimo emprego para o jovem de 25 anos. Abshir tinha 17 anos de idade quando a família viajou para Malmö, na Suécia, desde a Etiópia, em 2002. Sendo uma pessoa sociável e alegre, queria envolver-se plenamente na vida do país recém-adoptado. Todavia, a integração não foi fácil, no início. «Foi um verdadeiro choque cultural. Era tudo diferente do que tinha imaginado e sentia-me um estranho. Muitas coisas eram confusas», admite. Frequentou inicialmente uma escola de línguas para aprender sueco e o pai, um professor que tinha viajado para a Suécia cinco anos antes da restante família, queria que continuasse os estudos. «Mas eu não queria. Tinha que começar o sistema de ensino desde o início», diz Abshir. «Este confronto provocou tensão entre nós». O choque de culturas entre as rígidas origens muçulmanas da família e a sociedade mais liberal da qual Abshir tentava fazer parte agravou esta tensão. Abshir queria ser independente e autónomo. «Mas não sabia como conseguir um emprego ou algo no género», admite. Arranjou alguns trabalhos de limpeza ocasionais e prestou assistência a crianças com deficiência. «Trabalhei desta forma durante dois anos e meio, a tempo parcial, mas não ganhava o suficiente», recorda. Não tendo qualquer trabalho estável, não tinha meios para sair de casa e arranjar um espaço próprio: «Os meus pais ainda me sustentavam». E com 10 irmãos e irmãs mais novos, viviam sobrelotados. «Também tinha uma namorada nessa altura e queria mais espaço», refere. A dada altura, chegou mesmo a utilizar a despensa da loja da mãe para dormir. Aprendizagem de competências valiosas Um programa para jovens, New City (Nova Cidade), ajudou-o a mudar de vida. Dirigido por uma organização comunitária local, PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 128 18.12.2009 11:17:12 Uhr 129 Luta contra a discriminação «Foi um verdadeiro choque cultural. Era tudo diferente do que tinha imaginado e sentia-me um estranho. Muitas coisas eram confusas» Drömmarnas Hus, e co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, o programa oferece aconselhamento, formação e actividades de autodesenvolvimento para pessoas que não se encontrem totalmente integradas na sociedade. Através do programa, Abshir adquiriu formação para o trabalho e competências para a vida e aprendeu a apresentar-se. Conseguiu igualmente um estágio no centro de jardinagem, que resultou na oferta de um emprego permanente. «Gosto muito do meu trabalho. Gosto especialmente de ajudar os clientes e trabalhar em equipa», confessa. O seu próprio espaço Conseguiu arranjar o seu próprio apartamento e aprendeu a ser mais independente. «A situação agora é muito diferente devido ao curso. Tenho o meu próprio espaço. Também obtive a carta de condução e tenho o meu carro», informa. Fora do trabalho, tem uma vida social activa. Desportos e dança são as suas paixões; joga futebol regularmente e dança salsa três vezes por semana. Actualmente, Abshir está satisfeito com a sua vida: «E as minhas relações com os meus pais melhoraram muito. Até o meu pai está feliz». A segurança que adquiriu com o emprego permanente permite a Abshir fazer planos para o futuro. Ele e a namorada, Shanka, tencionam casar no próximo ano. «E quero ter a minha família. Uma família numerosa», anuncia. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 129 18.12.2009 11:17:12 Uhr 130 Conhecimento significa autonomização Enquanto jovem, Khadija Majdoubi tinha um único sonho: ter o seu próprio salão de cabeleireiro. Conseguiu concretizar o seu objectivo durante algum tempo no seu país natal, Marrocos, mas quando se mudou para os Países Baixos, a tragédia abateu-se sobre ela e a sua vida ficou completamente transtornada. O marido morreu quando estava grávida de gémeos. O choque foi enorme e os bebés nasceram prematuramente. Passou os anos seguintes a ser mãe a tempo inteiro e a cuidar dos filhos de amigos. Com uma família para cuidar e ainda a adaptar-se à vida num novo país, Khadija dependia do auxílio estatal. Tendo apenas conhecimentos básicos da língua neerlandesa, tinha muita dificuldade em encontrar até um emprego simples, quanto mais iniciar um novo negócio. O caminho para a recuperação «Não é fácil criar os filhos sozinha», afirma Khadija. «Os dias pareciam sempre totalmente ocupados, não tinha tempo para mais nada. Para começar, arranjar um emprego era um grande problema». Nos serviços sociais locais, Khadija teve conhecimento de um curso de formação gratuito para mulheres desempregadas, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. «O curso ajudou-me a concretizar o meu sonho, começando por melhorar as minhas competências linguísticas», explica. «Isso foi muito importante e ajudou-me a sentir-me melhor comigo própria». O VONK é um centro de educação e trabalho para mulheres que vivem em Zeeburg, no distrito de Amesterdão. O programa ajuda mulheres independentemente do seu nível de educação, experiência ou origem. O centro disponibiliza informações e recomendações e ajuda as mulheres a obterem emprego, formação e benefícios sociais. Mais geralmente, fornece apoio para integração e bem-estar. O VONK coopera igualmente com outras agências locais e nacionais, com organizações de mulheres e instituições de assistência social. Sentir-se bem consigo própria Um dos maiores obstáculos que as mulheres enfrentam depois de longos períodos de desemprego é a falta de confiança. O curso PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 130 18.12.2009 11:17:25 Uhr 131 Luta contra a discriminação «Já tinha sido cabeleireira, quando vivia em Marrocos. Mas nunca pensei que seria capaz de fazer isso aqui, abrir o meu próprio salão» de formação inclui, assim, sessões especificamente destinadas a reforçar a auto-estima e a segurança. «Aprendi a comunicar melhor e compreendi melhor o que é preciso para abrir um negócio. A primeira coisa que fiz foi encontrar emprego. Tinha-me tornado dependente de outras pessoas. Precisava de recuperar a minha autonomia», reconhece Khadija. Os funcionários do VONK acompanharam Khadija na sua procura de emprego e, com o apoio e incentivo de amigos e familiares, encontrou finalmente um emprego num cabeleireiro local. «As pessoas que me entrevistaram estavam relutantes, de início», explica. «Não sou daqui e o meu aspecto físico é diferente, além de não conseguir expressar-me da forma como desejaria. As pessoas do VONK ajudaram-me a dar o primeiro passo». «Nunca pensei que seria capaz de fazer isto» Uma vez a trabalhar de novo, Khadija conseguiu fazer algumas poupanças. Finalmente, conseguiu poupar o suficiente para realizar o seu sonho de criança. Em Abril de 2009, abriu o seu próprio salão de cabeleireiro, não muito longe da sua casa, em Amesterdão. «Já tinha sido cabeleireira, quando vivia em Marrocos. É o que gosto de fazer e acho que sou uma boa profissional. Mas nunca pensei que seria capaz de fazer isso aqui, abrir o meu próprio salão», acrescenta. Khadija diz que o curso de formação e a assistência personalizada do centro VONK a ajudaram a encontrar-se a si própria e isso mudou a sua vida e a dos filhos para melhor. «Estou muito feliz por ter feito o curso», afirma. E conclui: «É a razão porque estou aqui hoje». PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 131 18.12.2009 11:17:25 Uhr 132 Força na diversidade Nascida em Esslingen, próximo de Estugarda, Cornelia Schultheiss estudou linguística e foi trabalhar para um dos principais fabricantes de automóveis do mundo, em Berlim. Inicialmente contratada como tradutora, Cornelia distinguiu-se ao propor e desenvolver o seu próprio serviço especializado na empresa, proporcionando uma formação «intercultural» única para ajudar os funcionários oriundos de diversas regiões do mundo a trabalhar em conjunto. «A Europa é o ponto de encontro de muitas pessoas e culturas», afirma. «É uma fonte de oportunidades, mas também um desafio». Trabalhando numa grande e variada empresa, Cornelia percebeu que trabalhar em equipa implicava algo mais do que apenas cumprir ordens. «As pessoas de diferentes países e culturas têm hábitos e expectativas diferentes e nem sempre se compreendem mutuamente, mesmo quando falam a mesma língua», acrescenta. Infelizmente, a empresa onde trabalhava sofreu drásticas alterações e, em 2007, uma reestruturação forçou-a a escolher entre manter o seu emprego ou continuar a viver na sua cidade favorita. Cornélia escolheu Berlim, onde vivia com o seu companheiro há 15 anos. «Foi uma decisão difícil. Deixar o meu emprego significava começar uma nova carreira, encontrar algo para fazer», reconhece. Decidiu tentar o seu próprio negócio como formadora intercultural, mas embora reconhecesse que existia um mercado para as suas competências especializadas, não sabia a forma de o explorar, não tendo qualquer experiência na criação de uma empresa. Aconselhamento específico O projecto Human Venture II, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, proporcionou-lhe conhecimentos importantes sobre o que é necessário para criar uma empresa, bem como aconselhamento específico sobre as regras e os regulamentos comerciais. O programa, que decorreu entre Agosto de 2006 e Setembro de 2008, visava melhorar as competências dos participantes com vista à criação das suas próprias empresas e incluía grupos de debates, seminários e sessões de formação. As actividades abrangiam vários tópicos relacionados com a formação de uma empresa, que PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 132 18.12.2009 11:17:57 Uhr 133 Luta contra a discriminação «Os meus seminários interculturais e sessões de formação centram-se na criação de um ambiente de trabalho confiante e bem sucedido, onde as diferenças de tradições, estilos de comunicação e outros aspectos são colmatadas» ajudaram Cornelia a preparar o seu próprio lançamento. «Obtive uma grande quantidade de informações sobre tópicos que não conhecia muito bem. Estas informações permitiram-me evitar uma série de possíveis ‘armadilhas’. Mas também gostei simplesmente da experiência e da oportunidade de criar uma rede de contactos com os outros participantes», explica. Actualmente, Cornelia dirige uma bem sucedida empresa de consultadoria, que oferece formação altamente especializada a pessoas de diferentes origens étnicas e culturais, ajuda-as a agruparem-se, a partilharem experiências e a compreenderem-se mutuamente. «As perdas devidas aos ‘conflitos interculturais’ são minimizadas. «As equipas unem-se e são capazes de trabalhar de forma mais eficiente», argumenta. Os clientes de Cornelia incluem pessoas e grupos que trabalham ou vivem em ambientes internacionais, pessoas de países como a Índia, a Rússia ou o Japão, a Alemanha e muitos outros locais. «Os meus seminários interculturais e sessões de formação e preparação centram-se na criação de um ambiente de trabalho confiante e bem sucedido, onde as diferenças de tradições, estilos de comunicação e outros aspectos são colmatadas e podem ser desenvolvidas sinergias», esclarece. Em alguns dias, Cornelia trabalha no seu escritório, mesmo ao lado do seu apartamento situado na zona histórica de Berlim Ocidental. Noutros dias, leva os seus serviços aos clientes, em Berlim, na Alemanha, na Europa e em todo o mundo. «Nunca poderia ter construído tudo isto sem a ajuda que recebi. A formação que recebi através do Fundo Social Europeu mostroume como preparar e trabalhar de forma independente e aprendi muito sobre mim neste processo. Foi uma óptima experiência», reconhece. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 133 18.12.2009 11:17:57 Uhr 134 Índice alfabético de tópicos A Aalborg (Dinamarca) Århus (Dinamarca) Acidentes e doenças Aconselhamento Aconselhamento/ preparação para a vida Actividade agrícola Actividades de cariz familiar Aerodeslizador («hovercraft») África Agricultura Alcoolismo Aldeias Alemanha Ambiente Amesterdão (Países Baixos) Angariação de fundos (caridade) Animais de companhia Antropologia Apicultura Aprendizagem ao longo da vida Arquitectura Artes e artesanato Ásia Assentador de tijolos Assistentes sociais Áustria Autoconfiança Auto-emprego/consultadoria Automóveis/carros/ veículos/fabrico de veículos Autoridades locais Avós B Bélgica Benefícios sociais PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 134 42-43 104-105 38-39, 40-41, 42-43, 44-45, 46-47, 48-49, 56-57, 68-69, 112-113, 118-119 44-45, 66-67, 68-69, 118-119 56-57, 80-81, 82-83, 104-105, 114-115, 118-119, 122-123, 130-131, 132-133 44-45, 70-71, 72-73,76-77, 84-85, 98-99 24-25, 26-27, 32-33, 40-41, 68-69, 72-73 66-67 128-129, 130-131 44-45, 70-71, 72-73, 76-77, 98-99 48-49, 108-109, 114-115, 118-119 12-13, 54-55, 72-73, 98-99 90-91, 132-133 20-21, 28-29, 54-55, 56-57, 60-61, 68-69, 70-71, 72-73, 98-99 130-131 54-55 10-11, 46-47, 54-55, 56-57, 86-87, 112-113, 118-119, 94-95 70-71 10-11, 52-53, 54-55, 68-69, 84-85, 98-99, 102-103 68-69 10-11, 28-29, 34-35, 56-57, 80-81, 94-95, 96-97 16-17 84-85 48-49, 56-57, 82-83, 112-113, 128-129 26-27, 54-55 34-35, 42-43, 44-45, 52-53, 68-69, 82-83, 90-91, 102-103, 104-105, 114-115, 116-117, 122-123, 126-127, 130-131 16-17, 90-91, 96-97, 132-133 30-31, 52-53, 86-87, 90-91, 100-101, 116-117, 132-133 12-13, 118-119 24-25, 40-41, 42-43, 126-127 72-73, 86-87 14-15, 38-39, 42-43, 56-57, 84-85, 124-125, 130-131 18.12.2009 11:17:57 Uhr 135 Índice alfabético de tópicos Berlim (Alemanha) Bibliotecas e livrarias Bolonha (Itália) Braille Bratislava (Eslováquia) Bucareste (Roménia) Bulgária C Cabeleireiro Candidaturas a emprego/CV Caridade/angariação de fundos Carpintaria Carros/automóveis/veículos/ fabrico de veículos Cegueira Centro de dia Chichester (Inglaterra) Chipre Cidades Ciência Clermont-Ferrand (França) Competências informáticas Comunicação e meios de comunicação Comunidades rurais Condução Consultadoria/auto-emprego Contabilidade Cooperativas Corfu (Grécia) Correios e telecomunicações Criação de animais Crianças Criminalidade Cuidados a domicílio (pessoas idosas) PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 135 132-133 42-43, 52-53, 54-55, 94-95, 122-123 112-113 42-43 34-35, 116-117 94-95 56-57, 88-89 130-131 38-39, 52-53, 54-55, 90-91, 122-123, 130-131 54-55 60-61, 66-67, 86-87, 84-85 30-31, 52-53, 86-87, 90-91, 100-101, 116-117, 132-133 42-43 24-25, 26-27, 56-57 68-69 24-25, 82-83 10-11, 14-15, 16-17, 20-21, 26-27, 30-31, 34-35, 38-39, 42-43, 46-47, 54-55, 58-59, 62-63, 66-67, 82-83, 104-105, 112-113, 114-115, 116-117, 126-127, 130-131, 132-133 102-103 20-21 30-31, 32-33, 38-39, 42-43, 52-53, 54-55, 56-57, 58-59, 80-81, 90-91, 102-103, 110-111, 116-117 30-31, 52-53, 54-55, 60-61, 66-67, 96-97, 102-103 24-25, 28-29, 44-45, 76-77, 68-69, 70-71, 72-73, 74-75, 94-95, 98-99 12-13, 30-31, 40-41, 44-45, 42-43, 82-83, 128-129 16-17, 90-91, 96-97, 132-133 58-59, 82-83, 88-89 48-49, 76-77, 112-113 48-49 46-47, 124-125 44-45, 70-71, 72-73 14-15, 24-25, 26-27, 32-33, 34-35, 38-39, 40-41, 42-43, 48-49, 66-67, 68-69, 70-71, 72-73, 80-81, 82-83, 84-85, 86-87, 88-89, 98-99, 118-119, 122-123, 124-125, 126-127, 130-131 108-109, 112-113, 114-115 56-57 18.12.2009 11:17:57 Uhr 136 Cuidados com crianças (acolhimento de crianças, obrigações paternais, amas volantes, cuidados maternais) Cuidados de saúde CV/candidaturas a emprego D Deficiência Depressão Desemprego Despedimento Desporto Dificuldades de aprendizagem Dinamarca Discriminação Distribuição de combustíveis Distúrbios alimentares Dívidas, falência Dores de costas Drogas Dublim (Irlanda) E Edição Edifícios e construção Educação Educação contínua/ escola/colégio Electricidade Empresa ecológica/turismo Empresários/empreendedores/ PME Energia solar Engenharia Ensino Equilíbrio vida/trabalho Escócia Escola Escola (especial) PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 136 26-27, 32-33, 86-87, 84-85 24-25, 42-43, 46-47, 56-57, 118-119 38-39, 52-53, 54-55, 90-91, 122-123, 130-131 38-39, 40-41, 42-43, 46-47, 56-57, 116-117 14-15, 44-45, 46-47, 56-57, 74-75, 108-109, 112-113, 114-115, 118-119 38-39, 40-41, 42-43, 44-45, 54-55, 60-61, 70-71, 82-83, 86-87, 90-91, 114-115, 118-119, 122-123, 126-127, 130-131 52-53, 90-91, 132-133 14-15, 20-21, 66-67 12-13, 44-45 42-43, 104-105 54-55, 122-123, 126-127, 130-131 88-89 48-49 48-49, 112-113 42-43, 46-47 48-49, 108-109, 112-113, 114-115 14-15 54-55, 56-57, 94-95 60-61, 68-69, 74-75, 86-87, 84-85, 122-123 12-13, 26-27, 44-45, 54-55, 72-73, 94-95, 100-101, 102-103, 104-105, 108-109, 122-123, 128-129 10-11, 70-71, 84-85, 96-97, 102-103, 108-109, 124-125 60-61 20-21, 68-69 16-17, 18-19, 20-21, 28-29, 30-31, 34-35, 58-59, 66-67, 68-69, 70-71, 72-73, 74-75, 76-77, 96-97, 104-105, 118-119, 130-131, 132-133 100-101 74-75, 88-89, 90-91, 100-101, 108-109, 122-123 14-15, 26-27, 34-35, 72-73, 102-103, 104-105, 124-125, 128-129 26-27, 32-33, 34-35, 54-55, 86-87 114-115 10-11, 12-13, 40-41, 44-45, 72-73, 98-99, 108-109, 128-129 12-13, 40-41, 42-43, 116-117 18.12.2009 11:17:57 Uhr 137 Índice alfabético de tópicos Eslováquia Eslovénia Espanha Estados Unidos Estágio Estaleiros Estónia Etnia cigana F Fabrico de veículos/carros/ automóveis/veículos Fabrico/produção Fé religiosa Filmes Finanças e administração Finlândia Fitness e bem-estar Flandres (Bélgica) Floresta Florista Formação França Fruticultura G Gdansk/Gdynia (Polónia) Gestão Gestão da água Gestão da raiva Gravidez na adolescência Grécia H Hässleholm (Suécia) Helsínquia (Finlândia) Hotéis/B&B Hungria PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 137 34-35, 116-117 44-45, 108-109 74-75, 126-127 96-97 12-13, 80-81, 90-91, 100-101, 124-125, 128-129 38-39 66-67, 122-123 84-85, 126-127 30-31, 52-53, 86-87, 90-91, 100-101, 116-117, 132-133 16-17, 40-41, 52-53, 74-75, 86-87, 88-89, 90-91, 100-101, 116-117 118-119, 128-129 96-97 18-19, 20-21, 30-31, 54-55, 58-59, 66-67, 98-99, 104-105, 110-111, 112-113, 118-119, 122-123, 124-125 28-29, 96-97 14-15, 18-19, 20-21, 28-29, 46-47, 86-87, 118-119 86-87 98-99 10-11 10-11, 14-15, 16-17, 34-35, 38-39, 40-41, 42-43, 44-45, 46-47, 48-49, 52-53, 54-55, 60-61, 68-69, 70-71, 74-75, 76-77, 80-81, 82-83, 84-85, 86-87, 88-89, 90-91, 96-97, 104-105, 110-111, 112-113, 114-115, 116-117, 122-123, 124-125, 126-127, 128-129, 132-133 10-11, 20-21 76-77 38-39 52-53, 54-55, 66-67, 74-75, 80-81, 88-89, 122-123 32-33 82-83 14-15, 48-49, 112-113 48-49, 110-111 118-119 96-97 28-29, 68-69, 126-127 40-41, 84-85 18.12.2009 11:17:57 Uhr 138 I Igualdade de género Imobiliário Importação e exportação Inclusão social/integração Indústria da segurança Indústria mineira Inovação Insónia Intercâmbio internacional Investigação e desenvolvimento Investimento e impostos Irlanda Itália J Jardinagem Jogos de vídeo Jornalismo Jovens L Larnaca (Chipre) Letónia Licença de maternidade Limerick (Irlanda) Limpeza Línguas Lituânia Liubliana (Eslovénia) Logística Luxemburgo M Magdeburgo (Alemanha) Malmö (Suécia) Malta PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 138 24-25, 26-27, 28-29, 30-31, 32-33, 34-35, 130-131 74-75, 122-123 16-17, 124-125 40-41, 42-43, 48-49, 56-57, 80-81, 84-85, 108-109, 110-111, 112-113, 114-115, 116-117, 118-119, 122-123, 124-125, 126-127, 128-129, 130-131 38-39 108-109 28-29, 30-31, 58-59, 66-67, 68-69, 74-75, 76-77, 100-101 86-87 16-17, 76-77, 80-81, 86-87, 94-95, 124-125, 132-133 26-27, 86-87, 94-95, 100-101, 102-103 30-31, 66-67, 118-119 14-15, 124-125 100-101, 112-113 10-11, 12-13, 40-41, 48-49, 54-55, 128-129 12-13 30-31 10-11, 12-13, 14-15, 16-17, 18-19, 20-21, 30-31, 42-43, 44-45, 94-95, 108-109, 128-129 82-83 42-43, 70-71 34-35 124-125 12-13, 24-25, 46-47, 126-127, 128-129 12-13, 40-41, 46-47, 66-67, 102-103, 116-117, 122-123, 128-129, 130-131, 132-133 58-59, 102-103 108-109 52-53, 76-77, 124-125 12-13, 46-47 90-91 128-129 60-61, 80-81 18.12.2009 11:17:57 Uhr 139 Índice alfabético de tópicos Manutenção paisagística Marketing Migração Minorias étnicas Moda e confecção de vestuário Multiculturalismo Música N Nascimento Negócio de família Novas competências P Pais solteiros Países Baixos Pessoas idosas Pichelaria Plano empresarial/ plano de negócios PME/empresários/ empreendedores Pobreza Política local Polónia Porto (Portugal) Portugal Poznań (Polónia) Prémios Preparação para a vida/ aconselhamento Prisão Produção/fabrico Produtos biológicos/ comércio justo Publicidade e promoção PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 139 60-61 16-17, 20-21, 54-55, 66-67, 68-69, 98-99 12-13, 46-47, 90-91, 122-123, 124-125, 128-129, 130-131 12-13, 46-47, 94-95, 84-85, 122-123, 124-125, 126-127, 128-129, 130-131 18-19, 116-117, 112-113 12-13, 122-123, 132-133 42-43, 48-49, 60-61, 84-85, 96-97, 104-105, 118-119 130-131 28-29, 42-43, 68-69, 72-73, 74-75,76-77, 98-99 10-11, 12-13, 14-15, 20-21, 40-41, 46-47, 52-53, 54-55, 58-59, 60-61, 80-81, 82-83, 86-87, 88-89, 90-91, 98-99, 110-111, 112-113, 116-117, 122-123, 124-125, 126-127, 128-129, 130-131, 132-133 14-15, 118-119, 130-131 32-33, 130-131 24-25, 54-55, 56-57 60-61 18-19, 20-21, 30-31, 70-71, 118-119 16-17, 18-19, 20-21, 28-29, 30-31, 34-35, 58-59, 66-67, 68-69, 70-71, 72-73, 74-75, 76-77, 96-97, 104-105, 118-119, 130-131, 132-133 14-15, 38-39, 48-49, 82-83, 84-85, 112-113, 126-127 98-99 30-31, 38-39 16-17 16-17, 98-99 30-31 68-69 56-57, 80-81, 82-83, 104-105, 114-115, 118-119, 122-123, 130-131, 132-133 112-113, 114-115 16-17, 40-41, 52-53, 74-75, 86-87, 88-89, 90-91, 100-101, 116-117 18-19, 68-69, 70-71 30-31, 66-67, 68-69, 80-81 18.12.2009 11:17:58 Uhr 140 Q Químicos Quinta educativa R Reabilitação Redes/interligação Reforma Reims (França) Reino Unido Representação República Checa Restauração Riga (Letónia) Roménia Rupturas familiares/perda S Salários Saúde e segurança Saúde mental Seguros Sem-abrigo Serviço militar Serviços em linha Sevilha (Espanha) Soldagem e trabalho de metais Stress/esgotamento Subvenções Suécia Surdez Szekszárd (Hungria) PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 140 56-57, 70-71, 98-99, 122-123 72-73 48-49, 108-109, 112-113, 118-119 68-69, 74-75, 132-133 42-43, 46-47, 56-57 10-11 68-69, 114-115 104-105 18-19, 52-53 18-19, 28-29, 40-41, 68-69, 82-83, 84-85 42-43 76-77, 94-95 10-11, 24-25, 42-43, 48-49, 54-55, 86-87, 108-109, 110-111, 112-113, 116-117, 118-119, 130-131 12-13, 38-39, 48-49, 56-57, 80-81, 84-85 42-43, 46-47, 48-49, 56-57, 72-73, 84-85 44-45, 48-49, 118-119 76-77 112-113 82-83, 84-85, 110-111, 122-123 30-31, 116-117 126-127 52-53, 60-61, 74-75 24-25, 38-39, 82-83, 118-119 94-95, 100-101 118-119, 128-129 40-41, 116-117 40-41 18.12.2009 11:17:58 Uhr 141 Índice alfabético de tópicos T Talin (Estónia) Teatro Tecnologia Teletrabalho Têxteis Trabalhadores mais velhos Trabalho de escritório Trabalho flexível Trabalho por turnos Transporte Tratamento médico Turismo e lazer U Umbria (Itália) União Soviética Universidade V Valónia (Bélgica) Veículos/carros/automóveis/ fabrico de veículos Vendas a retalho Viagem Viena Vilnius (Lituânia) Violência doméstica Violência no local de trabalho Vratsa (Bulgária) Z Zalaegerszeg (Hungria) PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 141 66-67 104-105 76-77, 88-89, 100-101, 110-111, 124-125 32-33 16-17, 34-35, 52-53, 88-89 42-43, 46-47, 52-53, 54-55, 56-57, 58-59, 60-61, 80-81, 98-99 32-33, 54-55, 58-59 24-25, 26-27, 32-33, 68-69, 70-71, 82-83 42-43, 82-83, 86-87 30-31, 42-43, 88-89 40-41, 46-47, 48-49, 86-87, 112-113, 118-119 14-15, 20-21, 28-29, 30-31, 66-67, 68-69, 72-73, 76-77, 94-95 54-55, 80-81, 94-95, 96-97, 112-113, 132-133 100-101 122-123 16-17, 26-27, 42-43, 52-53, 54-55, 56-57, 58-59, 66-67, 88-89, 90-91, 94-95, 98-99, 100-101, 102103, 104-105, 108-109 72-73 30-31, 52-53, 86-87, 90-91, 100-101, 116-117, 132-133 10-11 20-21, 82-83, 88-89, 110-111, 112-113, 118-119, 128-129 54-55, 80-81, 94-95, 96-97, 112-113, 132-133 26-27, 54-55 58-59 48-49, 118-119 42-43 56-57 84-85 18.12.2009 11:17:58 Uhr 142 Lista de projectos que investem nas pessoas Jovens França (Audrey Libres) Título: Ecole de la deuxième chance Período: 2002-2009 Orçamento: 1 027 208 € Participantes: 650-700 anuais Luxemburgo (Bruno de Almeida Aveiro) Título: Projecto Liewenshaff (Päerd’s Atelier asbl) Período: curso de três anos Orçamento: 256 578,57 € Participantes: 40 Sítio web: http://www.liewenshaff.lu/ Irlanda (Sheena Matthews) Título: Spoirt Teic Local Training Initiative course (curso Iniciativa Local de Formação Spoirt Teic) Período: 2000-2008 Orçamento: 2,6 milhões € Participantes: 232 Sítio web: http://sports.southdublin.ie/ index.php?option=com_content&task= view&id=54&Itemid=114 Portugal (Bruno Teixeira) Título: Inov Contacto Período: o programa, anteriormente designado Contacto@Icep, existe desde 1997. A partir de 2005 passou a designar-se InovContacto. Orçamento: a média é de 25 000 € – Estágios (tudo incluído, bem como os custos estruturais e operacionais) Participantes: cada edição tem um número diferente de participantes, sendo a média de cerca de 145 estágios/ano Sítio web: http://live.networkcontacto. com/pt/paginas/default.aspx PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 142 República Checa (Radmila Petroušková) Título: Centro de Apoio a Empresários em Início de Actividade Período: Novembro de 2006-Agosto de 2008 Orçamento: 5 104 670,00 CZK Participantes: 165 Sítio web: www.cepac.cz França (Yann Lelièvre) Título: Escape from home — Espace Info Jeunes (Sair de casa — Espaço Info Jovens) Período: 2002 Orçamento: 60 000 € (orçamento anual) Sítio web: www.espaceinfojeunes.net Igualdade entre homens e mulheres Chipre (Koulla Aggelou) Título: Never Home Alone (no âmbito do programa do projecto «Expansão e melhoria dos serviços de cuidados para crianças, idosos, pessoas com deficiência e outros dependentes», Medida 1.4.1 do documento único de programação, objectivo n.° 3 «Recursos Humanos» do período de programação dos fundos estruturais de 2004-2006, que teve início em 2005) Período: Janeiro de 2007-Novembro de 2008 Orçamento: 76 896 € em 2007, 70 500 € em 2008 (Janeiro a Novembro) Participantes: 15 Sítio web: http://www.mlsi.gov.cy/mlsi/ sws/sws.nsf/dmlunion_en/dmlunion_ en?OpenDocument Áustria (Stephan Wittich) Título: Serviço para crianças das Universidades de Viena Período: Dezembro de 2002-Dezembro de 2005 Orçamento: contribuição UE: 142 065 €; Orçamento total: 308 838,76 € Participantes: 634 Sítio web: http://kinder.univie.ac.at/ Finlândia (Riikka-Leena Lappalainen) Título: Reaktioketju — Pohjois-Savon naisyrittäjät kehittymisen voimavarana (Reacção em cadeia — Mulheres empresárias do Savo do Norte como recurso de desenvolvimento) Período: Novembro de 2004-Fevereiro de 2008 Orçamento total: 1 489 200 € Participantes: 456 Polónia (Beata Szozda) Título: Uma ideia para criar uma nova empresa 2 — Promoção do empreendedorismo académico em Wielkopolska Período: Março de 2007-Junho de 2007 Países Baixos (Gerard Jansen) Título: Projecto E-papa Período: Abril de 2006-Setembro de 2007 Orçamento: 127 206 € Participantes: 66 Sítio web: http://www.ewerkforum.nl/ 18.12.2009 11:17:58 Uhr 143 Lista de projectos que investem nas pessoas Eslováquia (Katarína Vargová) Título: Objectivo SPD 3 — Centro de informação e apoio ao emprego Período: Setembro de 2007-Dezembro de 2008 Orçamento: 161 352 € Participantes: número de participantes nas actividades: 203 Número de participantes que concluíram os cursos e as formações: 178 Sítio web: www.zzvp.sk Pessoas desfavorecidas Grécia (Georgia Chrisikopoukou) Título: Novos horizontes (programa Psychargos: projecto que abrange todo o território grego co-financiado pelo FSE (período 2001-2010) Período: 2007-2009 Orçamento: 350 000 € Participantes: 50 Sítio web: www.ygeia-pronoia.gr Polónia (Andrzej Lubowiecki) Título: Trabalhadores com deficiência no mercado de trabalho aberto (Fundacja Gospodarcza) Período: Outubro de 2005-Dezembro de 2006 Orçamento: 103 323 PLN (23 552 €) Participantes: 30 Sítio web: www.Fundacjagospodarcza.pl Hungria (Éva Gyulai) Título: LIFT Likeliness, Integration, Full Employment, Training (Fundação Pássaro Azul ) Período: Junho de 2006-Fevereiro de 2008 Orçamento: 446 000 € Participantes: 36 jovens com deficiência Sítio web: http://www.kek-madar.hu http://www.izleloetterem.hu PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 143 Letónia (Sarmite Gromska) Título: «A oferta de diversidade dos serviços da biblioteca em Braille como pré-condição para a integração de pessoas invisuais ou com deficiências invisuais na sociedade e na concorrência do mercado de trabalho». Período: Julho de 2005-Setembro de 2005 Orçamento: 16 222 LVL Participantes: os utilizadores da biblioteca (pessoas invisuais): 155 Trabalhadores do departamento de Braille da biblioteca: 5 Os alunos da escola para invisuais: 15 Sítio web: http://www.neredzigobiblioteka. lv/eng/about.php Eslovénia (Andrej Lovrencec) Título: Formação no local de trabalho Período: 2007-2008 (em funcionamento desde 2004) Orçamento: Financiamento FSE: 2 877 275,20 € — Financiamento total: 3 836 367,01 € Participantes: 2007: 694; 2008: 2 226 Sítio web: http://www.mddsz.gov.si/; http://www.euskladi.si/ Luxemburgo (Otília Marques) Título: Action de reinsertion des lombalgiques et action de prevention par une formation adequate (acção de reinserção das pessoas que sofrem de lombalgia e acção de prevenção através de uma formação adequada — Fase final) Período: Janeiro de 2007-Dezembro de 2007 Orçamento: 431 899 € Participantes: 425 Sítio web: http://www.stm.lu/home.html Trabalhadores mais velhos Dinamarca (Jane Grøne) Título: Projecto de competências profissionais Período: Agosto de 2007-Abril de 2008 Orçamento: 5 641 000 € Participantes: 116 (51 mulheres, 65 homens) — Em Julho de 2008, 54 dos participantes tinham conseguido encontrar emprego Sítio web: http://www.amunordjylland. dk/front.do República Checa (Milan Nedbal) Título: Centro de aprendizagem ao longo da vida Período: Setembro de 2005-Agosto de 2007 Orçamento: 75 475 € Participantes: no início, 625 participantes (623 participantes concluíram os cursos, mas 2 encontraram trabalho durante os cursos) Sítio web: www.knihkm.cz Áustria (Roswitha Kerbel) Título: Initiative 50 — Beschäftigungsinitiative für ältere Arbeitnehmer (Iniciativa de emprego para trabalhadores mais velhos) Período: Dezembro de 2002-Dezembro de 2005 Orçamento: 6 000 000 € Participantes: são abrangidas 1 200 pessoas, 650 com salário subsidiado Sítio web: www.initiative50.or.at 18.12.2009 11:17:58 Uhr 144 Bulgária (Tsvetan Ivanov) Título: Através dos serviços sociais, para uma vida decente Período: Agosto de 2008-Julho de 2009 Orçamento: 92 522 BGN (47 300 €) Participantes: 20 trabalhadores, 40 beneficiários Lituânia (Aldona Mikalauskiene) Título: Formação em literacia informática para membros do LPS «Bociai» Período: Junho de 2006-Julho de 2008 Orçamento: 2 396 157 € Participantes: 1 720 Malta (George Mifsud) Título: Projecto de formação e imersão profissional Período: 2004-2006 (um ano: seis meses de formação e seis meses de imersão profissional) Orçamento: 3 642 543 € Participantes: 460 Sítio web: http://www.etc.gov.mt/ Empreendedorismo Estónia (Peeter Tarmet) Título: Programa de aconselhamento Período: Dezembro de 2007-Novembro de 2008 Orçamento: 2008: 1 125 000 EEK Participantes: 2008: 40 mentores e 53 participantes Sítio web: www.eas.ee – www.holjukid.ee PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 144 Reino Unido (Sandra Barnes-Keywood) Título: Rural Welcome Período: Fevereiro de 2004-Abril de 2008 Orçamento: 334 000 GBP Participantes: 786 pessoas de 622 empresas Sítio web: www.tourismtrainingsoutheast.com Letónia (Normunds Zeps) Título: Apoio a famílias com crianças com vista à criação de uma empresa ou auto-emprego no distrito de Daugavpils Período: Setembro de 2006-Outubro de 2007 Orçamento: 22 317,53 LVL Participantes: 30 Sítio web: www.daugavpils.partneribas.lv Bélgica (Gaetane Anselme) Título: Formação Preventagri Período: 2003-2008 Orçamento: 2007: 187 597 € Participantes: cerca de 70 Sítio web: www.preventagri.be Espanha (José Salmerón Guindos) Título: CRECE — Programa de criação e consolidação de empresas Período: 2000-2006 Orçamento: 65 milhões de € Participantes: 18 300 Sítio web: http://www.eoi.es/nw/publica/ crece.asp Roménia (Florin Istrate) Título: Dinamizare Rurală prin angajarE Sustenibilă (DR-ES) (desenvolvimento rural através de emprego sustentável) Período: Novembro de 2008-Outubro de 2011 (36 meses) Orçamento: 16 408 535,00 RON Participantes: 750 pessoas (350 homens/400 mulheres) Sítio web: http://dr-es.eu Novas competências Malta (Marie Therese Vella) Título: Projecto de formação e imersão profissional Período: 2004-2006 (um ano: seis meses de formação e seis meses de imersão profissional) Orçamento: 3 642 543 € Participantes: 460 Sítio web: http://www.etc.gov.mt/ Chipre (Andreas Apatzidis) Título: Formação profissional e promoção de emprego junto de beneficiários de assistência social Período: 2005-2008, Período de programação dos fundos estruturais, 2004-2006 Orçamento: 900 000 € Participantes: beneficiários de assistência pública, empregadores do sector privado Sítio web: http://www.mlsi.gov.cy/mlsi/ sws/sws13.nsf/dmltheproject_en/dmltheproject_en?OpenDocument 18.12.2009 11:17:58 Uhr 145 Lista de projectos que investem nas pessoas Hungria (Zsolt Korcz) Título: Uma saída para a situação de pessoas desfavorecidas (Fundação Primeira Escola de Produção e Aprendizagem Húngara-Dinamarquesa) Período: Junho de 2006-Junho de 2007 Orçamento: 106 milhões de HUF (373 000 €) Participantes: 36 Bélgica (Daniel Dellisse) Título: Aprendizagem excelente Período: 2008-2009 Orçamento: 1 000 000 € Participantes: 700 Sítio web: www.deceuninck.com Bulgária (Biliana Filipova) Título: Formação de empregados — Investimento no desenvolvimento da empresa Período: 2008-2009 (13 meses) Orçamento: 232 223 BGN (118 734 €) Participantes: 254 Sítio web: http://www.petrol.bg/news. php?id=241 http://www.az.government.bg/internal. asp?CatID=28&WA=Efunds/OPHRD/ AP2101/Menu_AP2101.htm Alemanha (Peter Meller) Título: AQUA (Akademikerinnen und Akademiker Qualifizieren sich für den Arbeitsmarkt) Período: 2006-2010 Orçamento: 13 000 000 € Participantes: 715 Sítio web: www.obs-ev.de/AQUA PT_Inhalt.indd 145 Educação e formação Roménia (Monica Stroe) Título: Bolsas de doutoramento em matéria de investigação: competitividade, qualidade e cooperação no Espaço Europeu do Ensino Superior (subvenções do FSE atribuídas à Escola Nacional de Estudos Políticos e Administrativos de Bucareste (SNSPA) Período: Outubro de 2008-Setembro de 2011 Orçamento: 4 215 105 RON Participantes: 40 estudantes de doutoramento Finlândia (Harri Haanpää) Título: Projecto MEDA (empreendedorismo no sector da comunicação social) Período: Maio de 2005-Dezembro de 2007 Orçamento: 597 470 € Participantes: 64 Portugal (Maria Balbina Soares Melo Rocha) Título: Plano de Formação da Forestis — Plano de Formação para a Gestão Sustentada Período: Maio de 2004-Dezembro de 2007 Orçamento: 737 175,35 € Participantes: 865 Sítio web: http://www.forestis.pt/default.aspx Itália (Simone Rossi) Título: Bando Assegni di Ricerca finalizzato al miglioramento delle risorse umane nel settore della ricerca e dello sviluppo tecnologico POR Umbria Ob.3 2000-2006 Período: o programa geral teve início em Fevereiro de 2007 e terminou em Outubro de 2008 (o projecto tinha sido programado anteriormente — ano de 2006 — e foi pago com os fundos do FSE para o período de 2000 a 2006) Orçamento: 1 825 503,99 € Participantes: 214 Sítio web: www.ilpontesuldistretto.it Lituânia (Nedas Jurgaitis) Título: MOKOM Período: Março de 2005-Fevereiro de 2008 Orçamento: 1 506 411 LTL Participantes: 610 Dinamarca (Mogens Lausen) Título: Curso de empreendedorismo Período: Primavera de 2004 Orçamento: 50 000 DKK Participantes: 28 Sítio web: www.cfe.au.dk Inclusão social Eslovénia (Jana Urbanija) Título: PLYA — Projecto de aprendizagem para jovens adultos Período: 2004-2006 Orçamento: orçamento total: €270 000; co-financiado pelo FSE: €195 000 Participantes: 400 Sítio web: http://www.euskladi.si; http://www.mss.gov.si/ 29.12.2009 8:27:29 Uhr 146 Grécia (Christos Giannakopoulos) Título: Formação em competências básicas de TIC (ciclo I) Período: Junho de 2003-Dezembro de 2003 Orçamento: financiamento total: 18 152 216,32 €/contribuição do FSE: 13 614 162,20 € Participantes: 20 000 (18 000 pessoas pertencentes a grupos socialmente vulneráveis — 2000 soldados) Sítio web: www.esfhellas.gr; www.eye-ekt.gr Itália (Fiorella) Título: Servizi Itineranti Inserimento Donna (SIID I/II) Período: Abril de 2005-Setembro de 2006/ /Outubro de 2006-Dezembro de 2007 Orçamento: 239 500 €/236 000 € Participantes: 283/±500 Sítio web: http://www.siid2.it/ Reino Unido (Allan McGinlay) Título: Life Coaching Project Período: Janeiro de 2006-Março de 2007 Orçamento: custos totais do projecto 413 140 GBP, das quais 178 499 GBP foram recebidos do Fundo Social Europeu Participantes: 44 participantes no total, 25 dos quais recebiam apoio do Fundo Social Europeu Sítio web: http://www.thewisegroup. co.uk/content/default.asp Eslováquia (Mário Greško) Título: EQUAL — Centro de reabilitação social e serviços de informação para pessoas com deficiências auditivas Período: Março de 2005-Julho de 2008 Orçamento: 199 163,52 € Participantes: Número de participantes: (plano/realidade) Número de pessoas que participaram em actividades: 30/71 Nú- PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 146 mero de funcionários de serviços públicos e de outros serviços de emprego formados: 15/26 Número de pessoas envolvidas nos projectos na área de formação em grupo para pessoas com deficiência: 80/97 Sítio web: www.sppn.sk Suécia (Anne-Lie Thuvesson) Título: Saúde sustentável Período: Março de 2005-Junho de 2007 Orçamento: 18 851 000 SEK (€1 709 991) Participantes: 200 Sítio web: http://www.anneliesost.com/3.html Luta contra a discriminação Estónia (Messurme Pissareva) Título: A integração de população não estónia no mercado de trabalho Período: Setembro de 2004-Dezembro de 2005 Orçamento: 3 360 089 EEK (2 517 146 ESF) Participantes: 242 não nacionais, com idades entre os 16 e os 63 anos Sítio web: www.sm.ee/esf2004 Irlanda (Serge Mbami) Título: Estágio como administrador da logística da cadeia de abastecimento Período: 2007 Orçamento: o orçamento para o curso foi de 29 025 €, tendo os subsídios pagos aos estagiários totalizado 116 242 € Participantes: 16 participantes, dos quais 14 conseguiram um emprego relacionado com o tema no final do curso Sítio web: www.fas.ie Espanha (Amparo Navaja Maldonado) Título: Acceder: combater a discriminação contra as comunidades ciganas Período: 2000-2007 (primeira fase) e 2008-2013 (segunda fase) Orçamento: 2000-2006: 57 milhões €/2008-2013: 41 milhões € Participantes: 40 743 (até 2007) Sítio web: http://www.gitanos.org/acceder Suécia (Abshir Mohamed Abukar) Título: UP New City Período: 2005-2007 (recomeçou de novo em 2008-2010 e tem actualmente a designação de New City) Orçamento: 2,5 milhões € Participantes: cerca de 2 000 Sítio web: www.drommarnashus.se/newcity Países Baixos (Khadija Majdoubi) Título: VONK Período: Novembro de 2005-Dezembro de 2007 Orçamento: 382 438 € Participantes: cerca de 1000 mulheres Sítio web: http://www.vonkzeeburg.nl/ Alemanha (Cornelia Schultheiss) Título: Human Venture II (projecto concebido e executado pela agência para a promoção do empreendedorismo (gründungsservice) na Universidade Técnica de Berlim (TU Berlin). Período: 2006-2008 Orçamento: 611 000 € Participantes: 313 Sítio web: www.gruendung.tu-berlin.de 18.12.2009 11:17:58 Uhr Comissão Europeia POR UMA VIDA MELHOR — A União Europeia investe nas pessoas através do Fundo Social Europeu Luxemburgo: Serviço das Publicações da União Europeia 2009 — 146 p. — 24 x 24 cm ISBN 978-92-79-12686-4 doi:10.2767/28439 O que faz mesmo a União Europeia pelos cidadãos? O Fundo Social Europeu é uma resposta a esta questão dado que investe anualmente em cerca de 10 milhões de pessoas nos 27 Estados-Membros. Esta publicação conta as histórias de 54 pessoas (duas por cada Estado-Membro) que aproveitaram as oportunidades oferecidas pelas iniciativas financiadas pelo Fundo. As entrevistas centram-se em homens e mulheres de todas as faixas etárias, desde adolescentes até reformados, em comunidades urbanas e rurais, em cada país da União. Uma versão impressa desta publicação está disponível em todas as línguas oficiais da União Europeia. PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 147 18.12.2009 11:17:58 Uhr Como obter publicações da União Europeia Publicações pagas • • • através da EU Bookshop (http://bookshop.europa.eu); numa livraria indicando o título, o editor e/ou o número ISBN; contactando directamente um dos nossos agentes de vendas. Poderá obter os respectivos contactos consultando o sítio http://bookshop.europa.eu, ou enviando um fax para +352 2929-42758. Publicações gratuitas: • • através da EU Bookshop (http://bookshop.europa.eu); nas representações ou delegações da Comissão Europeia. Poderá obter os respectivos contactos consultando o sítio http://ec.europa.eu, ou enviando um fax para +352 2929-42758. Interessam-lhe as publicações da Direcção-Geral do Emprego, dos Assuntos Sociais e da Igualdade de Oportunidades? Pode descarregá-las ou assiná-las gratuitamente em linha no endereço http://ec.europa.eu/social/publications Pode subscrever gratuitamente o boletim informativo electrónico da Europa Social da Comissão Europeia no endereço http://ec.europa.eu/social/e-newsletter Poderá encontrar mais informações sobre o Fundo Social Europeu em http://ec.europa.eu/esf PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 148 18.12.2009 11:17:58 Uhr Nem a Comissão Europeia nem qualquer pessoa que actue em seu nome são responsáveis pelo uso que possa ser feito com as informações contidas nesta publicação © fotos: Comunidades Europeias Europe direct é um serviço que responde às suas perguntas sobre a União Europeia Linha telefónica gratuita (*): 00 800 6 7 8 9 10 11 (*) Alguns operadores de telefonia móvel não permitem o acesso a números iniciados por 00 800 ou cobram estas chamadas. Encontram-se disponíveis numerosas outras informações sobre a União Europeia na rede Internet, via servidor Europa (http://europa.eu) Uma ficha bibliográfica e um resumo figuram no final desta publicação Luxemburgo: Serviço das Publicações da União Europeia, 2009 ISBN 978-92-79-12686-4 doi:10.2767/28439 © Comunidades Europeias, 2009 Reprodução autorizada mediante indicação da fonte Printed in Germany Impresso em papel branqueado sem cloro PT_Ums_13.10.indd 3 17.12.2009 13:13:37 Uhr Por uma vida melhor — a união europeia investe nas pessoas através do Fundo Social europeu KE-78-09-858-PT-C 17.12.2009 13:13:37 Uhr PT_Ums_13.10.indd 1 Por Uma Vida Melhor Comissão Europeia