Por uma vida melhor — a união europeia investe nas pessoas através do Fundo Social europeu
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Por
Uma Vida
Melhor
Comissão Europeia
Nem a Comissão Europeia nem qualquer pessoa que actue em seu nome são responsáveis
pelo uso que possa ser feito com as informações contidas nesta publicação
© fotos: Comunidades Europeias
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Encontram-se disponíveis numerosas outras informações sobre a União Europeia
na rede Internet, via servidor Europa (http://europa.eu)
Uma ficha bibliográfica e um resumo figuram no final desta publicação
Luxemburgo: Serviço das Publicações da União Europeia, 2009
ISBN 978-92-79-12686-4
doi:10.2767/28439
© Comunidades Europeias, 2009
Reprodução autorizada mediante indicação da fonte
Printed in Germany
Impresso em papel branqueado sem cloro
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Por uma vida melhor
A União Europeia investe nas pessoas
através do Fundo Social Europeu
Comissão Europeia
Direcção-Geral do Emprego, dos Assuntos Sociais
e da Igualdade de Oportunidades
Unidade A1
Manuscrito terminado em Junho de 2009
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Índice
10
12
Jovens
Progredir no emprego adequado
10 Audrey Libres, 21 anos, regressou à escola em
Champagne, França, para se qualificar como
florista estagiária.
14
20
26
16 Bruno Teixeira, 29 anos, utilizou contactos
obtidos num estágio na Indonésia para criar
uma empresa de consultadoria no Porto,
Portugal.
Uma parceria saudável
Canalizar juventude e energia
30
24 Enquanto Koulla Aggelou, 38 anos, faz o seu
trabalho como empregada de limpeza em Augorou, Chipre, o programa de um centro de dia
familiar cuida da sua mãe idosa.
Criar uma empresa turística diferente
32
.
Recreio no escritório
26 Stephan Wittich, 39 anos, pode prosseguir o
seu trabalho de investigação enquanto a filha
está numa creche na Universidade de Viena,
Áustria.
Uma mulher a conduzir
28 Riikka-Leena Lappalainen, 50 anos, transformou o seu hotel de família na região de
Pohjois Savo, Finlândia, num negócio de sucesso, depois de integrar um projecto internacional para mulheres empresárias.
30 A jornalista Beata Szozda, 26 anos, lançou a
sua publicação sobre automobilismo em linha em Poznań, Polónia, depois de frequentar um curso sobre empresas.
Um melhor equilíbrio vida/trabalho
O futuro nas próprias mãos
34
32 Gerard Jansen, 53 anos, trabalha a partir
de casa para a sua entidade patronal, o departamento local da água em Drachten,
Países Baixos.
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20 Yann Lelièvre, 27 anos, obteve ajuda para
elaborar um plano empresarial antes de abrir
a sua loja de artigos para desporto, em Clermont-Ferrand, França
Igualdade entre homens e mulheres
As mulheres trabalham enquanto
a geração mais velha se diverte
28
Promessa a Oriente
14 Sheena Matthews, 27 anos, de Dublim, Irlanda, fez um curso de formação em desportos e
agora ajuda a formar novos instrutores.
18 Radmila Petroušková, 26 anos, abriu um
café especializado em alimentos saudáveis
em České Budějovice, na República Checa,
depois de integrar um projecto para jovens
empresários.
24
12 Bruno de Almeida Aveiro, 18 anos, beneficiou
de um projecto de educação e formação, com
a duração de três anos, para obter emprego
como jardineiro municipal no Luxemburgo.
16
Fitness para a vida
18
O desafio de garantir a subsistência
34 Katarína Vargová, 37 anos, recebeu formação
e aconselhamento que a ajudaram a regressar ao mercado de trabalho em Bratislava,
Eslováquia, após uma licença de maternidade
prolongada.
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3
Índice
Pessoas desfavorecidas
A deficiência não é
uma desvantagem para trabalhar
38 Andrzej Lubowiecki, 47 anos, frequentou um
curso destinado a ajudar pessoas com incapacidade parcial a candidatarem-se a empregos em Gdynia, Polónia, e arranjou emprego
como segurança no dia seguinte.
Ajudar os invisuais
A história de Georgia
54 Um programa que reuniu empregadores e
trabalhadores mais velhos em Viena, Áustria,
permitiu a Roswitha Kerbel, 55 anos, arranjar
emprego numa organização de angariação
de fundos.
Novas competências e sentido
de comunidade
Regressar ao trabalho
Preparar uma nova carreira
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48
52
54
56
58
60
62
O verdadeiro valor da experiência
Solidariedade social
dá nova esperança
60 Um curso de actualização de competências
permitiu a George Mifsud, 60 anos, recomeçar a vida como funcionário de manutenção
paisagística em Malta.
46
48 Um programa de reabilitação emCorfu, Grécia,
permitiu a Georgia Chrisikopoulou, 36 anos,
arranjar emprego como jardineira.
Trabalhadores mais velhos
56 Tsvetan Ivanov, 62 anos, tornou-se assistente
social em Vratsa, Bulgária, graças a um projecto de apoio a residentes idosos que são obrigados a permanecer em casa.
44
Apreciar a vida no campo
Aprender a viver com a dor
52 A aquisição de competências em informática
ajudou Milan Nedbal, 53 anos, de Prusinovice,
na República Checa, a arranjar um novo emprego na área de produção, após ser despedido do emprego anterior.
42
Uma receita para o sucesso
44 Andrej Lovrencec, 22 anos, fez formação «no
local de trabalho», o que lhe permitiu arranjar
emprego como trabalhador agrícola na região de Prekmurje, na Eslovénia.
Reconversão para o mercado
de trabalho actual
40
40 Éva Gyulai, 33 anos, trabalha no restaurante
de cariz familiar em Szekszárd, Hungria, depois de frequentar um curso de formação em
culinária durante um ano.
42 A estudante Sarmite Gromska, 21 anos, recebe materiais de estudo em Braille gratuitos na
Universidade da Letónia, em Riga.
46 A empregada de limpeza Otília Marques, 54
anos, aprendeu a vencer a incapacitante dor
reumática lombar num curso de formação
no Luxemburgo.
38
58 Um curso de tecnologias da informação
permitiu à empresária Aldona Mikalauskiene,
71 anos, modernizar a sua empresa de contabilidade em Vilnius, Lituânia.
62 Jane Grøne, 58 anos, obteve a qualificação
como motorista de autocarro em Aalborg, Dinamarca, graças a um curso de competências
profissionais.
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4
66
68
Empreendedorismo
Aconselhamento coloca serviço
de aerodeslizadores no rumo certo
70
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66 Um projecto de aconselhamento forneceu a
Peeter Tarmet, 32 anos, as ferramentas de que
necessitava para promover as suas viagens
em aerodeslizadores em Talin, na Estónia.
Negócios de abelhas
Segurança na quinta
Uma empresa de construção precisa
de fundações sólidas
Construir um futuro no campo
70 Normunds Zeps, 31 anos, frequentou um curso de formação sobre gestão de pequenas
empresas e, actualmente, cria abelhas para
produção de mel em Kalupe, na região rural
da Letónia.
74
76
74 José Salmerón Guindos, 47 anos, reestruturou
a sua empresa de construção em La Huertezuela, Espanha, graças a um programa para
pequenas e médias empresas
80
82
88
86
90
76 Florin Istrate, 39 anos, ajuda os agricultores
de Barbuletu, Roménia, a criarem meios de
subsistência sustentáveis para eles e para as
suas famílias.
Com uma pequena ajuda,
é fácil resolver problemas
80 Marie Therese Vella, 48 anos, recomeçou a sua
vida graças a um programa de formação para
pessoas com idade superior a 40 anos e trabalha agora a tempo inteiro numa fundação
para o desenvolvimento em Malta.
82 Uma formação sobre competências profissionais em Larnaca, Chipre, permitiu a Andreas
Apatzidis, 41 anos, conseguir o trabalho de
motorista de furgonetas adequado para ele.
Um bom trabalhador conquista
reconhecimento oficial
Investimento numa boa noite
de sono
84 Zsolt Korcz, 34 anos, frequentou um curso de
formação com a duração de um ano e obteve
a certificação de pedreiro qualificado após vários anos a trabalhar como servente de construção civil em Zalaegerszeg, Hungria.
Progressão na carreira
88 Sessões de formação intensiva ajudaram Biliana Filipova, 33 anos, de Dupnitsa, na Bulgária,
a lidar com as suas crescentes responsabilidades de gestão.
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72 Gaetane Anselme, 40 anos, recebeu aconselhamento para melhorar a segurança das
crianças que visitam a sua quinta educativa
na Valónia, Bélgica.
Novas competências
Uma segunda oportunidade,
uma nova carreira
84
Gerar energia verde
68 Sandra Barnes-Keywood, 37 anos, aprendeu
a tornar o seu hotel B&B perto de Chichester,
no sul de Inglaterra, mais ecológico.
86 Daniel Dellisse, 50 anos, frequentou um curso
de reconversão técnica através da sua empresa na Flandres, Bélgica, a fim de poder mudar
para turnos diários.
Reactivar os conhecimentos
90 Peter Meller, 48 anos, actualizou as suas competências em engenharia mecânica em Magdeburgo, Alemanha, e assegurou um emprego na indústria automóvel.
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5
Índice
Educação e formação
O valor da tradição
94 Uma bolsa de estudos europeia ofereceu à
antropóloga Monica Stroe, 24 anos, de Bucareste, na Roménia, a oportunidade de aprofundar o seu trabalho de investigação.
Forte aposta
Mostrar a outros o caminho
a seguir
108 Jana Urbanija, 26 anos, recuperou da toxicodependência e frequentou um programa de
formação informal que lhe permitiu frequentar a Universidade de Liubliana, na Eslovénia.
Das ruas para a passarela
112 Fiorella, 50 anos, viveu durante dois anos nas
ruas de Bolonha, Itália, antes de frequentar
um curso de formação profissional para pessoas sem abrigo que a qualificou para gerir
uma loja de moda.
Comunicação para pessoas
com deficiência auditiva
116 Mário Greško, 30 anos, venceu a sua surdez e
conseguiu o emprego que pretendia no sector
da produção de automóveis depois de adquirir
competências em informática em Bratislava, na
Eslováquia.
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100 Graças a um financiamento à investigação,
Simone Rossi, 30 anos, de Umbria, Itália, foi
pioneiro no desenvolvimento de um novo
sistema de energia solar e assegurou um emprego permanente.
104 O actor e músico Mogens Lausen, 44 anos,
aprendeu como criar uma empresa de preparação de carreiras pessoais em Århus,
na Dinamarca.
Inclusão social
Refazer a vida
98
96 Harri Haanpää, 33 anos, gostaria de transmitir
as competências mediáticas que o ajudaram
a criar a sua própria empresa de produção cinematográfica em Helsínquia, Finlândia.
Uma carreira em inovação
102 O professor universitário, Nedas Jurgaitis, 28
anos, de Siauliai, na Lituânia, recebeu aulas
especiais de alguns dos melhores académicos da Europa e adquiriu a confiança de que
necessitava para lançar a sua carreira.
96
Apoiar a criatividade
Por amor às florestas
98 A formação e gestão florestal ajuda Maria
Balbina Soares Melo Rocha, 59 anos, a gerir a
sua propriedade familiar perto do Porto, em
Portugal.
94
Novas competências
em tecnologias da informação
para um futuro melhor
110 Órfão ainda criança, Christos Giannakopoulos, 27 anos, tirou partido da formação em
informática e trabalha agora numa empresa
de venda a retalho em Chalkida, Grécia.
Uma mão amiga, uma oportunidade
de redenção
114 Um projecto de preparação para a vida ofereceu a Allan McGinlay, 47 anos, a oportunidade de esquecer o seu passado na prisão e
ocupar-se profissionalmente a ajudar outros
ex-reclusos em Wishaw, Escócia.
Sorria e prove os queijos!
118 Anne-Lie Thuvesson, 52 anos, obteve ajuda
para vencer uma depressão e abrir a sua própria charcutaria em Hässleholm, Suécia.
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124
128
Luta contra a discriminação
Projecto estónio de integração
abre perspectivas
Entrar no mercado de trabalho
Uma oportunidade de subir na vida
Adquirir autonomia
Conhecimento significa
autonomização
Força na diversidade
122 Messurme Pissareva, 37 anos, participou num
projecto para a integração de não nacionais
na sociedade estónia em Jõhvi e dirige agora
uma empresa imobiliária.
126 Amparo Navaja Maldonado, 30 anos, foi
promovida a uma função de supervisão
num grande hotel graças a um programa
destinado à comunidade cigana, em Sevilha,
Espanha.
130
132
130 Graças a um programa de formação para mulheres desempregadas, Khadija Majdoubi, 38
anos, realizou o sonho de abrir um salão de
beleza em Amesterdão, nos Países Baixos.
124 Um estágio em logística da cadeia de abastecimento permitiu a Serge Mbami, 38 anos,
de Limerick, Irlanda, arranjar um emprego
permanente.
128 m programa de desenvolvimento destinado
a jovens ajudou Abshir Abukar, 25 anos, a arranjar emprego e integrar-se na cultura que
adoptou em Malmö, Suécia.
132 Cornelia Schultheiss, 44 anos, obteve ajuda
para lançar uma empresa de consultadoria
e promoção da compreensão intercultural
entre profissionais de negócios em Berlim,
Alemanha.
Índice alfabético de tópicos
134
Lista de projectos que investem nas pessoas
142
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Por uma vida melhor
histórias pessoais
do Fundo Social europeu
O que pode a União Europeia (UE) realmente fazer pelas pessoas? O Fundo Social
Europeu (FSE) é uma resposta a esta questão. O FSE investe nas pessoas e abrange
anualmente cerca de 10 milhões de pessoas nos 27 Estados-Membros. O impacto
é normalmente sentido a nível pessoal e
as 54 histórias desta publicação mostram
como o FSE faz uma verdadeira diferença
na vida das pessoas.
O FSE foi criado em 1957 e representa actualmente cerca de 10% do orçamento da
UE. O fundo é aplicado em vários projectos
individuais em toda a UE, elaborados nacional e localmente de modo a responder
a necessidades específicas de pessoas em
diferentes situações.
Reflecte a visão dos fundadores da UE,
há mais de meio século, de que o reforço
da unidade entre as nações não depende
apenas de tratados e acordos comerciais.
O FSE constitui uma demonstração prática de solidariedade entre os Estados-Membros e as comunidades, permitindo
aos cidadãos europeus adaptarem-se aos
novos desafios que surgiram ao longo dos
anos. Implementa os valores partilhados
da sociedade europeia, baseados no tratamento justo e numa qualidade de vida
decente para todos. Na prática, significa
acesso ao emprego, cuidados de saúde,
habitação e educação, bem como cuidados e apoio para os membros mais vulneráveis da sociedade.
Se a principal prioridade do FSE é a inserção das pessoas no mercado de trabalho,
isso não significa que se trate apenas de
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regressar a qualquer trabalho anterior. Os
projectos que financia ajudam as pessoas
a encontrar o emprego mais adequado:
um emprego que possam manter e no
qual possam progredir. Os projectos existem para permitir a reconversão profissional das pessoas e apoiá-las no seu regresso
à vida activa, suavizando a pressão sobre
as famílias e as comunidades. O FSE é também o principal instrumento para ajudar
as pessoas a adaptarem-se à reestruturação e responde aos desafios que estas enfrentam quando beneficiam do seu direito
de mobilidade entre os Estados-Membros.
O crescimento económico da UE apenas
pode ser construído com os esforços e
energias combinados dos seus 500 milhões de habitantes.
O principal princípio subjacente ao FSE é
o de autonomização das pessoas: ajudar
as pessoas a ajudarem-se a si próprias, a
decidirem por si próprias e a realizarem as
suas ambições. Esta publicação conta as
histórias de 54 pessoas que aproveitaram
as oportunidades oferecidas pelas iniciativas financiadas pelo FSE.
O que todas elas têm em comum é o facto
de serem histórias de pessoas que resolveram melhorar a sua vida ou que recusaram
desistir perante obstáculos, retrocessos e,
algumas vezes, mesmo face às mais terríveis dificuldades. Todas reagiram para melhorarem a sua situação ou para voltarem a
avançar na direcção certa. Mas precisaram
de uma pequena ajuda; aquele pequeno
apoio adicional que os projectos do FSE
podem oferecer e que lhes incutiu confiança.
As entrevistas centram-se em homens e
mulheres de todas as faixas etárias, desde
adolescentes até reformados, em comunidades urbanas e rurais, em cada país da
União Europeia. Caracterizam empreendedores ambiciosos com uma ideia para
vender, pais que tentam conciliar vida profissional e obrigações educativas, pessoas
que lutam para superar deficiências físicas
ou mentais e outras que tentam integrar-se em sociedades com as quais não estão
familiarizadas.
As histórias mostram como a oportunidade de emprego, ainda que modesto, pode
literalmente ser uma tábua de salvação
para pessoas que, de outra forma, poderiam perder a oportunidade de uma vida
decente. Mostram como as pessoas podem
beneficiar da ajuda mútua: apoiarem e serem apoiadas. O apoio não é um processo
unidireccional mas sim um benefício mútuo. E demonstram que nunca é tarde na
vida para aprender e que pessoas de todas
as idades e capacidades podem adquirir
confiança com as novas competências que
a educação e a formação proporcionam.
Todos os casos são diferentes e cada vez
mais a assistência prestada através destes
projectos é adaptada às necessidades individuais específicas. Os resultados sugerem
que esta é a forma mais adequada e bem
sucedida para mudar a vida das pessoas.
Os entrevistados disponibilizaram-se a partilhar alguns dos detalhes mais íntimos das
suas vidas e, em muitos casos, tornaram
claro que o faziam porque acreditavam
que as suas histórias poderiam ajudar outras pessoas confrontadas com dificuldades idênticas. Um exemplo especialmente
comovente é o de Georgia Chrisikopoulou,
em Corfu, Grécia, que lutou contra várias
dificuldades no início de uma vida normal
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8
e no relacionamento com o filho de quem
se tinha afastado.
Os comentários que perpassam ao longo
das histórias demonstram que o FSE realmente faz a diferença. «O projecto ajudou-me tanto que gostaria que todas as pessoas
da Suécia soubessem mais sobre ele», afirma Anne-Lie Thuvesson, de Hässleholm.
«Ensinou-me que poderia fazer qualquer
coisa. Tudo o que quiser é possível se o tentar verdadeiramente», declara Messurme
Pissareva, da Estónia. Para Zsolt Korcz, da
Hungria, e Andreas Apatzidis, de Chipre, os
projectos fizeram «milagres». E muitas outras pessoas confirmam que não estariam
na posição actual sem o apoio do FSE.
Estas histórias constituem igualmente
testemunhos da energia e do empenha-
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mento dos líderes e dos organizadores
dos projectos, muitas vezes capazes de
identificar o potencial de outras pessoas
de uma forma que a sociedade em geral
não é capaz de fazer. São pessoas que recusam desistir daqueles que os rodeiam e
que possuem frequentemente uma visão
de uma sociedade mais inclusiva onde todos têm a oportunidade de realizar o seu
potencial. Os projectos e as pessoas que
estes apoiam representam passos pequenos mas concretos rumo a este objectivo. «Uma constante de toda a formação
é a mensagem de que as pessoas podem
ter êxito», explica Henrik Johannesson,
da Dinamarca.
E como observa Per Larsson, da Suécia:
«Mostra que as pessoas têm no seu interior
a força para vencer se tiverem a possibilidade de a desenvolver».
Os exemplos mostram que a UE ainda tem
alguma forma de conseguir a verdadeira coesão social. As condições em que as
pessoas vivem e os benefícios que podem
obter variam de região para região. Desde
1980, o FSE destinou fundos para as regiões menos favorecidas da Europa com o
objectivo de reduzir o fosso entre ricos e
pobres. O que é claro é que as aspirações
das pessoas em melhorar as suas vidas,
e sobretudo as vidas dos seus filhos,
são partilhadas através das fronteiras e
das culturas.
Escutar e transmitir estas histórias foi um
privilégio e uma inspiração para todas as
pessoas que participaram nesta publicação. Esperamos que considerem a sua leitura igualmente comovente e inspiradora
e que concluam que o FSE está realmente
«a fazer a diferença na vida das pessoas».
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Jovens
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10
Progredir no emprego adequado
Vasos de crisântemos brilhantes (carmesins, dourados, cor de ferrugem e cor de creme) revestem o passeio exterior de Le Jardinet,
um centro de jardinagem na periferia de Reims, no norte de
França. Audrey Libres recebe os clientes, aceita encomendas, faz
os ramos e trata das plantas das estufas na porta ao lado.
Esta jovem de 21 anos trabalha no Le Jardinet há três anos e está
satisfeita com o emprego. «Por vezes, o trabalho é duro e as horas podem ser longas, mas o ambiente entre os colegas é bom.
Gostaria de continuar aqui». Audrey refere que sempre quis ser
florista e, com algum apoio da formação co-financiada pela União
Europeia através do Fundo Social Europeu, está agora na direcção
certa. Mas não foi fácil.
Audrey nasceu em Sedan, nas Ardenas francesas, e o amor pela
natureza remonta à sua infância passada nessa bela, selvagem e
montanhosa região do nordeste do país: «Quando era pequena
ia muitas vezes para o campo com o meu pai. Costumávamos
apanhar cogumelos. O meu pai levava-me no carrinho de mão e
ficava sempre suja».
Carácter forte
Mas os pais separaram-se quando tinha nove anos e mudou-se para
Reims com a mãe, que voltou a casar. O avô era um forte factor de
coesão que ajudou a manter a família unida, Audrey e as duas irmãs.
Mas quando morreu, em 2001, a situação tornou-se mais difícil.
«Sofri muito na altura. O meu pai vinha buscar-me todos os segundos fins-de-semana de cada mês, mas o meu padrasto queria
agir como pai e eu não aceitava isso. Não me dava nada bem com
ele. Eu tinha um carácter forte e não ficava calada. Agora lamento. Com a idade, compreendi o que ele pretendia. Queria ajudarnos», recorda.
Ao mesmo tempo, a sua educação não corria da melhor maneira.
«Não gostava da escola», admite. «Gosto de me mexer e a ideia de
passar todo o dia sentada numa cadeira a escutar um professor
parecia-me uma perda de tempo. Queria começar a trabalhar, mas
a minha mãe queria que continuasse a estudar». Abandonou a escola aos 17 anos, depois de concluir três anos de ensino secundário e sem qualificações. «Não me arrependo», insiste.
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11
Jovens
«Todos os que me rodeavam me incentivaram a continuar
e a não desistir. Foi a Escola da Segunda Oportunidade que me deu
uma nova oportunidade e agradeço-lhes de todo o meu coração»
Um ano mais tarde, na sequência de mais um conflito, fez as malas
e saiu de casa. Foi viver com o namorado de longa data, Nicolas, e
a família deste e, por uns tempos, perdeu o contacto com os pais.
Uma segunda oportunidade
Audrey tentou várias opções de trabalho, por exemplo, numa loja
de vestuário. «Mas não gostei», explica. «Sempre quis ser florista».
Conseguiu finalmente um estágio de dois meses numa florista.
Mas, no fim desse período, disseram-lhe que não precisavam mais
dos seus serviços e ficou de novo desempregada. «É verdade que
naquela época andava bastante deprimida. Mas todos os que
me rodeavam me incentivaram a continuar e a não desistir. Foi a
Escola da Segunda Oportunidade que me deu uma nova oportunidade e agradeço-lhes de todo o meu coração».
Em Novembro de 20004, Audrey começou a aprendizagem na
escola, parte do Centro de Formação de Aprendizes (Centre de
Formation d’Apprentis, CFA) de Châlons, na região de Champagne.
Estudou na escola até Setembro de 2005, quando se inscreveu
para uma aprendizagem profissional no Le Jardinet. A Escola de
Segunda Oportunidade destina-se a ajudar jovens com idade inferior a 25 anos a entrar no mercado de trabalho. Estes jovens participam em programas de educação contínua com vista a melhorar as suas competências em francês, matemática e tecnologias
da informação e comunicação, bem como em seminários sobre
procura de emprego. Em simultâneo, têm uma experiência de trabalho que os ajuda a descobrir, ou a confirmar, as suas ambições
profissionais. A escola ajudou Audrey a encontrar uma empresa
que oferecia a aprendizagem que pretendia.
Durante dois anos, enquanto trabalhava no centro de jardinagem,
continuou a ter formação para obter o Certificado de Aptidão
Profissional (Certificat d’Aptitude Professionel — CAP) como florista. Obteve o certificado em Junho de 2007 e decidiu continuar a
estudar para um diploma em floricultura em viveiro (BEP). A escola continua a acompanhar o seu progresso.
Audrey passa uma semana por mês em Nancy, na região francesa
dos Vosges, a estudar para conseguir o diploma. Precisa de obter
aprovação nos exames para continuar no Le Jardinet e isto significa que tem que respeitar o compromisso assumido. Nancy fica de-
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masiado longe para fazer o trajecto diariamente, pelo que Audrey
tem que viajar durante o fim-de-semana e alojar-se num hotel.
Aprender no emprego
No viveiro, gosta da natureza sazonal do trabalho. O dia de Todos-os-Santos e o Natal são períodos especialmente atarefados, com
encomendas a chegar e arranjos para fazer, que podem significar
horas extras de trabalho para responder à procura. O centro de jardinagem, que oferece uma grande variedade de artigos, incluindo equipamento e acessórios para jardim e decorações com flores
artificiais, está aberto seis dias e meio por semana, incluindo as
manhãs de domingo. Os funcionários trabalham por turnos, tendo direito a um dia de folga durante a semana. Por vezes, Audrey
acompanha o seu empregador até perto da fronteira belga para
adquirir novas flores.
É necessário um talento especial para conseguir a combinação
mais adequada de flores e cores para um ramo perfeito? Audrey é
modesta. «É preciso aprender sobre as cores e a forma de as combinar. É uma questão de gosto: algumas são mais bonitas do que
outras. Quando comecei, os meus ramos não eram os mais perfeitos e agora posso ver a diferença», admite.
A sua vida pessoal também estabilizou. Ela e Nicolas partilham
actualmente um apartamento confortável, no rés-do-chão, com
dois gatinhos curiosos, Chicane e Castrol. Todavia, ainda é cedo
para pensar em casamento. São ambos jovens e Nicolas ainda tem
que encontrar um emprego. «Precisamos de ter mais segurança»,
afirma prudentemente Audrey. Reatou o contacto com a mãe e
com o pai, que vive a uma hora de Reims, de carro. «A minha situação é muito mais estável agora e tenho confiança no futuro.
Quero mesmo ter uma loja de flores minha. É o meu sonho».
Benoit Maujean, o proprietário de Le Jardinet, tem mantido
um olhar paternal no progresso de Audrey ao longo dos anos.
«Adquiriu muita experiência e agora é com ela», afirma. «Pode ir
longe se quiser. Chegou a hora de voar pelas suas próprias asas».
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12
O desafio de garantir a subsistência
«Tentei estudar, na escola, mas não consegui», declara Bruno de
Almeida Aveiro com seriedade. Actualmente com 18 anos, lembra-se de começar a ter dificuldades de aprendizagem nas aulas
quando tinha apenas sete ou oito anos. «Perdia a concentração
facilmente e o professor sugeriu que frequentasse uma escola
especial».
Bruno vive com a família na pacata vila de Bissen, no norte do
Luxemburgo. A mãe Benilde é empregada de limpeza, o pai Jorge
trabalha para uma empresa local especializada em materiais metálicos de construção. O irmão mais velho, Hugo, de 22 anos, é
engenheiro industrial numa conhecida empresa de pneus.
Apesar dos problemas com a aprendizagem, Bruno aprendeu um
conjunto impressionante de línguas enquanto crescia. Os pais
partiram de Portugal para o Luxemburgo pouco depois de ter
nascido e falam português em casa. Na escola primária, os dois irmãos aprenderam luxemburguês e, mais tarde, francês e alemão.
Actualmente, Hugo admite que, entre si, os dois irmãos comunicavam frequentemente numa língua quase privada, composta
por palavras de diferentes idiomas, quase incompreensível para
estranhos. Mas enquanto crianças, a questão da língua significava
que nenhum dos pais foi capaz de os ajudar quando tinham perguntas sobre as aulas.
Apoio adicional
Para o ajudar a ultrapassar os problemas, Bruno foi transferido
para o Centro de Integração Escolar (Centre d’Integration Scolaire)
onde, com turmas mais pequenas e professores especializados,
recebeu ajuda adicional. No início da adolescência, foi-lhe oferecida a possibilidade de frequentar um dia por semana o projecto Liewenshaff, em Merscheid, um programa co-financiado pela
União Europeia através do Fundo Social Europeu. Este projecto
ajuda jovens com problemas especiais ou sem qualificações formais a melhorar as suas competências sociais, académicas e profissionais e a integrarem-se plenamente na sociedade. Dois anos
mais tarde, em 2006, Bruno começou a frequentar o projecto a
tempo inteiro.
Bruno gostou da nova abordagem do projecto Liewenshaff, que
oferece cinco módulos de formação profissional: culinária, agri-
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Jovens
«Desde pequeno, nunca pensei em trabalhar.
A minha família sempre me ajudou e eu esperava
que tudo fosse fácil. Mas a vida não é assim»
cultura, horticultura, trabalhos em ferro e limpeza industrial. Ao
seleccionar limpeza, Bruno descobriu um verdadeiro interesse em
trabalhar com máquinas e em aprender a utilizar os produtos adequados. «Não tenho problemas em concentrar-me naquilo que
me interessa e até aprendo rapidamente», explica. «No entanto,
outras vezes, não consigo concentrar-me de maneira nenhuma.
Na verdade, quando se trata do seu passatempo favorito, os jogos
de vídeo, diz que não tem qualquer problema em concentrar-se
nas aventuras no ecrã.
O primeiro emprego
Em 2008, o projecto ajudou Bruno a adquirir experiência de trabalho com a autoridade local de Bissen. Integra a pequena equipa que trata dos parques e jardins municipais e está afectado ao
armazém localizado a apenas dois minutos de casa. O salário, financiado com fundos públicos, é de 80% do salário mínimo e o
contrato de três meses é renovável duas vezes. Bruno e os colegas
são responsáveis pela limpeza e tratamento dos jardins públicos
e espaços recreativos de Bissen. O trabalho depende das estações: recolher as folhas no Outono, ajudar a decorar o presépio
na principal igreja da cidade durante a época de Natal, preparar
os canteiros e plantar flores na Primavera. Aprendeu mais desde
que começou a trabalhar e gosta da variedade. «Prefiro trabalhar
a estudar», admite.
casa. «Ainda está uma confusão», admite Bruno. «Tem sido difícil e
ainda estamos a trabalhar nela». Também está a ter aulas para tirar
a carta de condução, que lhe trará mais possibilidades, permitindo-lhe conduzir camiões e escavadoras, veículos espalhadores e
veículos varredores de ruas, que se encontram alinhados na garagem municipal de Bissen.
Mas não pensa muito no futuro. «Nunca pensei muito no que
queria fazer na vida, mas em Liewenshaff comecei a pensar nessa
questão. Percebi que tinha que procurar um emprego, mas não
sabia qual. Desde pequeno, nunca pensei em trabalhar. A minha
família sempre me ajudou e eu esperava que tudo fosse fácil.
Mas a vida não é assim. Na escola não avançava e, se não fosse
Liewenshaff, não seria capaz de conseguir um emprego», salienta.
«Mostrou-me como a vida é e que é preciso trabalhar. Sou feliz
aqui. Tenho que ver como correm as coisas».
O seu assistente social em Liewenshaff continua a apoiá-lo e ele
regressa aí frequentemente para ajudar em eventos como concertos e actividades sociais. «Algumas vezes ajudo na cozinha,
outras na limpeza», explica. «Conheço as pessoas de lá». Depois
da sua experiência de trabalho de nove meses, pode regressar ao
centro se ainda necessitar de ajuda para encontrar um emprego
permanente. Gostaria de continuar no emprego que tem agora,
mas reconhece que pode ser difícil, pois o número de funcionários municipais é ditado pela dimensão da comunidade e ele terá
que esperar por uma vaga.
Preparação para a vida
As competências práticas de Bruno também foram úteis em casa.
Pai e filhos passaram 10 anos a renovar completamente a sua
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Fitness para a vida
É Setembro no sul de Dublim, Irlanda. Sheena Matthews chega
cedo ao centro de lazer onde trabalha.
É professora num curso, destinado a jovens, de formação de instrutores de ginástica e treinadores desportivos e de preparação
para outras carreiras baseadas em actividades. Primeiro dá uma
aula de anatomia, depois segue para uma aula de 40 minutos de
step aeróbico e, por fim, uma sessão igualmente exigente com
bicicletas de manutenção. É todo o programa de uma manhã de
trabalho para a jovem de 27 anos.
Parece cansativo, mas Sheena fala do seu emprego com muita energia e entusiasmo. «Gosto muito de ensinar. É óptimo
ver os alunos transformarem as suas vidas tornando-se
mais activos», afirma. O curso que ensina, Spoirt Teic, constitui uma iniciativa de formação local disponibilizada pela
Autoridade Irlandesa de Formação e Emprego (FÁS) e co-financiada pela União Europeia através do Fundo Social
Europeu.
«O curso proporciona aos estudantes os meios necessários
para obter um emprego num centro de lazer e uma qualificação internacional como treinador desportivo ou instrutor
de fitness», refere Sheena. O programa pode ser adaptado às
preferências dos estudantes. «Tentamos proporcionar-lhes
experiência nas áreas que lhes interessam, seja como treinadores desportivos, instrutores de ginástica ou professores de
dança. O meu objectivo é empregar as pessoas e ajudá-las a
obter o que pretendem na vida. No princípio, os novos estudantes mostram-se tímidos e, em seguida, observo a sua transformação. O curso reforça realmente a sua autoconfiança e
as competências de comunicação. A formação tem uma elevada taxa de sucesso. Cerca de 90 % dos participantes conseguem empregos em desportos, actividades de lazer ou outras»,
acrescenta.
Sheena é uma embaixadora entusiástica do curso, mas tem
uma boa razão: alguns anos atrás ela própria foi aluna. O curso de nove meses «modificou completamente a minha vida»,
declara. «Lembro-me da situação em que me encontrava antes. Abandonei a escola quando tinha 14 ou 15 anos. Não tinha
ideia do que queria fazer. Não tinha nenhum rumo ou objectivos», explica.
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Jovens
«O meu objectivo é empregar as pessoas e ajudá-las a obter
o que pretendem na vida. No princípio, os novos estudantes
mostram-se tímidos e, em seguida, observo a sua transformação»
Uma mãe solteira
Teve diferentes tipos de emprego, incluindo servir à mesa, fazer
limpezas e trabalhar num mercado. «Saltei de emprego para emprego», refere. «De mau emprego para mau emprego. E, no entanto, sempre fui uma boa trabalhadora. Quiseram promover-me,
mas eu sabia que não queria o emprego para sempre, por isso ia
sempre embora». Entretanto, ficou grávida aos 18 anos. «Fiquei
feliz na altura, mas agora acho que era demasiado nova. Ter um
bebé é uma grande responsabilidade naquela idade», sublinha.
Como mãe solteira, Sheena tornou-se dependente dos pagamentos da Segurança Social para a apoiar e à filha, Megan. Foi muito
difícil, pessoal e financeiramente; engordou e sofreu de depressão
pós-parto. «Cerca de um ano após o nascimento da Megan, decidi
fazer algo para alterar a minha situação. Não queria que a minha
filha me visse como uma inútil. Queria ser um exemplo», afirma.
para o futuro: «O meu próximo passo será entrar na Faculdade
de Medicina. Sei que sou capaz. Mesmo que leve muito tempo a
consegui-lo, manter-me-ei determinada», declara.
Exercício e orientação profissional provaram ser o factor decisivo de mudança. «Ingressei num ginásio e fiz um curso de desenvolvimento pessoal». Perdeu peso e tornou-se mais confiante.
«Dei-me conta de que podia aspirar a muito mais. Lembro-me de
estar numa aula de aeróbica e observar a professora. Não só estava espectacular como parecia realizada. Disse para mim mesma:
«Quero ter o emprego dela». Quando Sheena se aconselhou com
a professora, esta falou-lhe sobre o curso de Spoirt Teic.
Adquirir confiança
Sheena inscreveu-se nesse curso e começou logo a sentir benefícios.
«A primeira vez que falei numa aula estava nervosa e a tremer, mas
à medida que os meses passavam, tornei-me muito mais confiante.
Agora gosto mesmo de estar perante os alunos». Concluído o curso,
trabalhou em ginásios e como professora de dança antes de conseguir um emprego no centro de lazer South Tallaght, onde decorrem os cursos. Inicialmente, trabalhou como professora de ginástica
e dança, mas sabia que o que queria mesmo era ser professora de
um curso. Começou por substituir outros professores. «Costumava
trabalhar 11 dias seguidos. Ficava exausta, mas queria mesmo conseguir um emprego como professora. Não ia desistir», explicou.
A experiência de Sheena ensinou-lhe que pode mudar a sua vida.
«Aprendi a definir objectivos e a persegui-los». E tem mais planos
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Promessa a Oriente
A cidade do Porto, em Portugal, é um centro internacional de
comércio desde há séculos e Bruno Teixeira continua a tradição
da sua cidade natal. O jovem empresário criou uma empresa de
consultadoria designada Trading EuroPacific, no início de 2008,
para ajudar as empresas portuguesas e asiáticas a trabalharem
em conjunto.
Ajuda empresas a encontrar os distribuidores, os fornecedores e
os agentes que necessitam na Ásia para acederem a novos mercados e reduzirem os custos. «As diferenças culturais entre a União
Europeia e a Ásia dificultam às empresas o acesso aos respectivos
mercados», declara o empresário de 29 anos. Decidi criar uma empresa para fazer a ponte entre os dois continentes. A sua empresa,
Trading EuroPacific (consultadoria TEP), trabalha com empresas
portuguesas que pretendem vender os seus produtos nos mercados asiáticos e vice-versa, ou encontrar fabricantes e controlar
a qualidade de produção. Trabalha com uma rede em sete países
asiáticos: Indonésia, China,Vietname, Malásia,Tailândia, Singapura
e Filipinas: «Cobrimos 50% da população mundial».
Bruno teve a ideia para a sua empresa em 2006, quando fazia um
estágio na Embaixada portuguesa em Jacarta, na Indonésia, como
parte do programa de formação Network Contacto, co-financiado
pela União Europeia através do Fundo Social Europeu.
Experiência essencial
O programa, promovido pelo Instituto de Comércio Externo
Português (ICEP), consistia em três meses de formação inicial no
Ministério de Comércio em Portugal, seguido de seis meses na
Indonésia. Durante este período, Bruno preparou um relatório
sobre o mercado indonésio e ajudou empresas portuguesas a penetrar nesse mercado.
A experiência revelou-se essencial para Bruno no seu trabalho
actual. «O estágio foi muito proveitoso para contactos. Conheci
decisores e pessoas influentes. Descobri mais sobre a região e as
oportunidades do mercado indonésio para as empresas europeias», diz.
«Mesmo antes de viajar para a Indonésia já pensava em criar uma
empresa na Ásia», acrescenta Bruno. «Já em criança esta região
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«Existem muitas oportunidades na Ásia, mas é muito
difícil as empresas penetrarem nos mercados asiáticos.
Precisam de alguém que as possa apoiar e aconselhar»
me fascinava. Adorava ler sobre a cultura, a vida selvagem, tudo»,
explica. Aprendeu mais sobre o potencial de negócios da Ásia
quando estudou economia e «marketing» na universidade. «A
Ásia contém cerca de 50% da população mundial. É a fábrica do
mundo e fornece muita da matéria-prima», afirma.
Depois de regressar do estágio na Indonésia, trabalhou no departamento de «marketing» de uma empresa de telecomunicações. No entanto, sempre pretendeu dirigir a sua própria empresa
e, junto com um sócio que conheceu na Indonésia, começou a
planear a forma de utilizar os seus conhecimentos dos mercados
asiáticos e os contactos locais para formar uma empresa.
A Trading EuroPacific foi criada em Janeiro de 2008. «Começámos
a planear a empresa um ano antes da sua criação».
Planear o futuro
Para o futuro, pretende expandir as suas operações a outros países
europeus. «Gostava de abrir um escritório em Barcelona. Espanha
seria o primeiro passo». Também está a tentar entrar no mercado
indiano e já teve contactos de empresas brasileiras e mexicanas
que querem fazer negócios na Ásia. Todavia, quer consolidar a
empresa antes da expansão. «Queremos esperar até termos uma
posição forte em Portugal antes de avançarmos para outros países. É um processo faseado».
Outro dos seus desejos é o de ter um pouco mais de tempo livre.
«Estou a trabalhar mesmo muito neste momento. Os meus fins-de-semana tendem a desaparecer. Gostaria de ter mais tempo
para praticar desporto, estar com a minha namorada e passear na
natureza», acrescenta.
Oportunidades de acesso
Apesar de ainda estar no início da actividade, Bruno refere que a
recepção à empresa foi positiva e que os negócios correm bem. O
único problema que teve que enfrentar até agora foi a sua idade.
«Quando as pessoas pensam num consultor para grandes empresas não esperam encontrar uma pessoa tão nova», declara. «Leva
o seu tempo convencê-las. Depois de provar os meus conhecimentos e contactos, ficam impressionados, mas no início é difícil».
Actualmente, conta com várias grandes empresas como clientes
e uma rede de parceiros em países asiáticos. «Pretendemos desenvolver relações de longo prazo com empresas portuguesas e
supervisionar os respectivos mercados na Ásia».
Bruno dá o exemplo de um dos seus clientes, uma empresa têxtil
portuguesa. «A empresa não consegue produzir todos os acessórios de que necessita localmente. Estamos a contactar empresas
asiáticas com conhecimentos técnicos específicos e capacidade
de produção. Esta solução permitirá à empresa em questão diversificar a sua gama de produtos», refere. Outra empresa com quem
trabalha é uma empresa portuguesa de grande dimensão que
fabrica máquinas para trabalhar metais. Está a ajudá-la a encontrar empresas para vender os produtos. «Existem muitas oportunidades na Ásia, mas é muito difícil as empresas penetrarem nos
mercados asiáticos. Precisam de alguém que as possa apoiar e
aconselhar», diz.
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Uma parceria saudável
É hora de almoço e o café ZdraváJídelnaSpirála («Espiral Saudável»),
em České Budějovice, na República Checa, está cheio. A multidão
no pequeno café é diversa, desde trabalhadores e estudantes que
comem algo rapidamente até reformados e pais com crianças que
permanecem um pouco mais: partilham mesas, conversam e brincam. Chegam atraídos pelos pratos do dia especiais acabados de
preparar: vegetais com caril e arroz, taças de sopa espessa, falafels
e uma grande diversidade de bolos caseiros.
Radmila Petroušková, que abriu o café com um amigo no início de
2008, explica a sua filosofia. «A nossa especialidade são pratos saudáveis e vegetarianos», refere. «Tentamos utilizar o mais possível
alimentos biológicos e orgânicos e evitar conservantes, demasiado
sal ou especiarias. Temos também opções de alimentos sem glúten
e pratos para pessoas com alergias». Por vezes, o café vende peixe,
mas não carne. «E tentamos utilizar produtos oriundos de comércio
justo sempre que possível. Para nós, é importante sermos tão éticos quanto possível», acrescenta. A abordagem parece popular e já
mantêm uma clientela fixa. «A reacção tem sido boa até ao momento. O ambiente é mesmo amigável», continua a jovem de 26 anos.
Para Radmila, trabalhar na sua própria empresa e no sector da restauração é uma situação nova. Trabalhou como modelo desde os 16
anos, tendo viajado por todo o mundo para participar em desfiles de
moda e sessões de fotografia. «Foi uma grande experiência. Conheci
o mundo e fui paga para isso», diz. No entanto, com 23 anos, sentiu
que os seus dias de passarela tinham terminado e quis uma vida mais
estável. Arranjou um emprego como recepcionista de hotel na sua
cidade natal, mas depois de três anos nessa função sentiu-se insatisfeita: «Era a mesma rotina todos os dias. Queria um novo desafio».
Começou a pensar em abrir um café especializado em alimentos saudáveis, juntamente com um amigo com experiência de
cozinheiro-chefe. «Ambos gostamos de viver de forma saudável e
pensámos que a ideia tinha um grande potencial. Pensámos que
deveria existir procura para a nossa oferta nesta cidade. Não existe mais nada do género aqui», afirma.
Aconselhamento útil
Um programa de apoio a jovens empresários, co-financiado pela
União Europeia através do Fundo Social Europeu, ajudou-os a
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Jovens
«Estou muito contente por ter
tomado a decisão. Agora sou a minha
própria patroa e gosto muito»
concretizar o seu projecto. Peritos aconselharam-nos sobre a forma de estabelecer o café e desenvolver um plano de negócios
viável para apresentar ao banco. «Nenhum de nós tinha experiência para criar uma empresa. Por isso, os consultores ajudaram-nos imenso com as finanças e a administração. Indicaram-nos as
pessoas certas», refere.
Com um empréstimo bancário garantido e depois de um ano de
planeamento, o café abriu a actividade no início de 2008. «No
princípio, não sabia o trabalho que daria dirigir o negócio. Existe
uma grande diferença entre ser um empregado e um trabalhador
por conta própria». Enquanto Radmila organiza a administração
da empresa, a documentação e a contabilidade, o seu parceiro
ocupa-se da alimentação. «Embora esteja sempre a aprender mais
sobre culinária», refere.
Até ao momento, a parceria está a ser um êxito e os jovens empresários estão a gostar da experiência. E têm planos para aumentar
a empresa no futuro. «Queremos alargar as instalações de forma a
receber mais pessoas. Queremos contratar mais pessoas. Estamos
a tentar encontrar outro cozinheiro», continua. Têm igualmente
planos para expandir os outros serviços que oferecem, tais como
refeições para escolas primárias locais, e criar uma secção de «fast
food» saudável agregada ao café. «Em última análise, gostaríamos
de expandir o negócio para outras cidades. Mas, por enquanto,
é uma ideia distante. Temos que dar um passo de cada vez»,
afirma.
«Estou muito contente por ter tomado a decisão. Agora sou a minha própria patroa e gosto muito», conclui Radmila.
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Canalizar juventude e energia
Depois de alguns anos a trabalhar como representante comercial
e mais tarde como agente de publicidade, Yann Lelièvre tinha
uma noção bem clara do que queria fazer. «Via amigos e colegas
a singrar na vida, com base em boas ideias e muito trabalho duro,
e eu também queria fazer algo do género, ter iniciativa própria»,
refere.
Yann é um entusiasta de desportos ao ar livre que vai para o emprego de patins em linha e escala penhascos no fim-de-semana. A
sua energia parece inesgotável, «mas sem ter um sólido plano de
negócios, o meu sonho de abrir uma loja de artigos desportivos
para actividades ao ar livre esfumava-se», afirma.
O facto de ter então 27 anos não parecia incomodarYann, mas para
outros, como as entidades de financiamento local de Clermont-Ferrand, a sua juventude e inexperiência constituíam uma desvantagem. «Foi difícil encontrar um banco que me levasse a sério.
Já tinha efectuado o meu próprio estudo de mercado, mas não
sabia muito bem como apresentar as minhas ideias, como causar
boa impressão», explica.
O Espace Info Jeunes (Espaço Info Jovem) de Clermont-Ferrand,
parcialmente financiado pela União Europeia através do Fundo
Social Europeu, ajuda jovens a obter formação, emprego, habitação e actividades ou a iniciar um projecto. «Compreendo a necessidade de regras e regulamentos, mas os obstáculos que é necessário ultrapassar para iniciar um negócio podem ser impressionantes. O Espace Info Jeunes ajudou-me a compreender o sistema
e a criar um plano de negócios profissional. Foi uma verdadeira
ajuda, que me permitiu convencer os bancos e também angariar
importantes fornecedores. Sem esta ajuda, não estaria onde estou hoje», refere Yann,
Desportos ecológicos
A loja de Yann, Espace, vende uma variedade de vestuário, calçado e equipamento de elevada qualidade para escalada e montanhismo, patinagem com patins em linha e skate, bem como vários
outros artigos «ecológicos» para desportos ao ar livre (desportos
não motorizados). Está orgulhoso das credenciais ambientais da
sua empresa, uma questão que lhe é cara. «Não vendemos artigos
poluidores. Apenas vendemos os produtos mais resistentes, res-
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Jovens
«Esta experiência modificou-me. Tornou-me muito
mais confiante. Sei agora como as coisas funcionam
e sei que posso construir com êxito se me esforçar»
peitamos as regras mais rigorosas para a separação de resíduos
e a própria loja está equipada com um sistema de iluminação de
baixo consumo», insiste.
A loja tem continuado a expandir-se desde a sua criação em
2002. «Acabámos de nos mudar para instalações mais amplas.
Actualmente, emprego dois trabalhadores a tempo inteiro e um
a tempo parcial, o que me deixa especialmente feliz. Temos aqui
uma grande equipa. Estamos sempre a aprender sobre novos produtos e tecnologias e prestamos o melhor aconselhamento possível aos nossos clientes», entusiasma-se.
Construir com êxito
O dinamismo e a energia de Yann seriam difíceis de reprimir mesmo nos ambientes empresariais mais adversos. «Gosto de agitação, movimento, fazer mexer pessoas e situações. É excitante!».
Mas num momento de descontracção, depois de as portas da
loja encerrarem, tem tempo para reflectir. «No fundo, creio que
era uma pessoa com falta de autoconfiança. Esta experiência
modificou-me. Tornou-me muito mais confiante. Sei agora como
as coisas funcionam e sei que posso construir com êxito se me
esforçar», admite.
«Não sei o que estarei a fazer dentro de dois, três ou 10 anos, mas
sei uma coisa: não paro por aqui. Vou prosseguir o meu caminho,
à procura de oportunidades novas e melhores, e estarei rodeado
de novos colegas, parceiros e associados».
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Igualdade entre
homens e mulheres
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As mulheres trabalham enquanto
a geração mais velha se diverte
Na pequena aldeia cipriota de Augorou, próximo de Famagusta,
existe uma casa centenária bem conservada. Foi renovada recentemente, com alegres persianas azuis, chão em pedra e tecto tradicional revestido a madeira. Numa das paredes do átrio gracioso
e resplandecente, sobressai a mensagem rendilhada «Bem-vindo
ao Clube 2007». Em torno de uma mesa, um grupo de homens e
mulheres idosos, de rostos talhados por anos de trabalho sob o
sol do Mediterrâneo, sorriem e brincam entre si enquanto enfiam
grandes contas redondas em cordas.
Aqui reside a base do programa Never Home Alone de Augorou,
lançado em Janeiro de 2007 e co-financiado pela União Europeia
através do Fundo Social Europeu. O programa visa proporcionar
melhores condições de trabalho às mulheres da comunidade
local, através do apoio e ocupação dos tempos livres dos seus
pais idosos, libertando-as da obrigação de ficar em casa a cuidar
deles.
Stress e horários prolongados
Koulla Aggelou é uma das 15 mulheres que beneficiam directamente do programa. Tem dois filhos e trabalha todas as manhãs
dos dias úteis como empregada de limpeza na aldeia, enquanto
a sua mãe Fotini, de 71 anos, vai para o Clube. «Antes do início do
programa, a vida era muito difícil. Não tinha tempo para mim e,
por vezes, nem sequer para a minha família. Andava sempre tensa
e apressada», explica. Koulla trabalha na limpeza de apartamentos no complexo turístico vizinho de Avia Napa, chegando a sair
de casa de autocarro às 6 horas da manhã, para fazer turnos de
12 horas ou regressar a casa às 11 horas da noite. «Ás vezes, era
tão cansativo que cheguei a pensar despedir-me», admite. Mas
a família precisava do seu salário. O marido, Angellos, trabalhava
como carpinteiro antes de arranjar emprego num restaurante local. «Se eu não trabalhasse, a vida tinha-se complicado seriamente», diz Koulla.
O impacto do programa abrange naturalmente outros filhos e filhas das 15 famílias. Os pais (o mais velho tem 88 anos) vão para o
centro todas as manhãs dos dias úteis. «O principal objectivo do
programa não é tomar conta das pessoas idosas, mas permitir que
as mulheres trabalhem. Permite-lhes disporem do tempo necessário para cuidarem de si próprias e das suas famílias», confirma
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Igualdade entre homens e mulheres
«Antes de o programa começar,
a vida era muito difícil.
Andava sempre tensa e apressada»
Andri Christoforou, que dirige o clube. Podem, igualmente, obter
aconselhamento sobre oportunidades de emprego.
Mas mesmo que os pais não sejam o principal grupo-alvo, o prazer
de estarem no centro é bem visível. As manhãs são ocupadas com
actividades como, por exemplo, trabalhos em malha, pintura e joalharia. Por vezes, confeccionam o seu próprio café ou bolos, presunto e macarrão. «É como se estivessem em casa», explica Andri.
Três vezes por semana, especialistas (médicos e fisioterapeutas)
oferecem sessões de tratamento e são organizadas visitas a exposições e museus. Uma vez que Augorou é uma pequena aldeia,
a maioria das pessoas idosas, incluindo Fotini, podem ir sozinhas
até ao centro de acolhimento. Mas se a equipa do programa notar
a ausência de alguém, um dos membros telefona a inteirar-se do
seu estado e se precisa de transporte. Ao início da tarde, depois
de um almoço caseiro, o pequeno grupo de pensionistas efectua
o seu solene regresso a casa.
Boa companhia
Ter tempo
Koulla trabalha das 7h30 às 13h00, cinco dias por semana. Este
horário permite-lhe levar os seus gémeos de 11 anos, Simeos e
Fotini, à escola da aldeia, e ir buscá-los às 14h30. Muitas vezes,
param em casa dos pais dela a caminho de casa. Tem tempo para
preparar o almoço dos filhos, ajudá-los nos trabalhos de casa e
controlar as suas actividades extra-escolares: aulas de dança e de
inglês. «Antes de o programa começar, ia a casa da minha mãe
ajudá-la sempre que podia, mas era raro ter tempo. Por vezes,
ficava com ela de manhã e trabalhava à tarde, mas agora tenho
tempo para as crianças», explica.
Todas as semanas, Koulla faz a limpeza de cinco casas diferentes
em Augorou. Christina Kaoulla, com 80 anos, nove filhos e muitos
netos, é uma das vizinhas que tem ajudado nos últimos dois anos
e que adora as suas visitas. Para Koulla, o rendimento suplementar
é apenas um motivo para trabalhar. «Somos amigas e divertimo-nos», explica, enquanto arranja vasos de gerânios no terraço de
Christina. «Não é só pelo dinheiro».
«É um programa muito bom e as pessoas idosas divertem-se. É
a primeira vez que temos algo deste género na aldeia. A minha
mãe ficava preocupada porque sabia que eu andava tensa. Agora
diverte-se com as actividades e todos nos sentimos melhor», afirma Koulla.
«As pessoas são simpáticas e é uma forma agradável de passar o
tempo. As raparigas que trabalham no clube são muito simpáticas. Conheço pessoas da minha idade e contamos histórias dos
velhos tempos. Se não viesse para aqui tinha de ficar em casa. E
estou feliz porque a minha filha pode trabalhar mais facilmente»,
diz Fotini, que sobreviveu ao tratamento a um cancro da mama.
Este afecto entre Koulla e Fotini é tão íntimo que talvez seja surpreendente saber que a sua verdadeira relação é de madrasta e
enteada. A mãe biológica de Koulla faleceu quando ela tinha menos de um ano, deixando o pai, Costas, com oito filhos pequenos.
Tinha apenas quatro anos quando Fotini casou com o pai e assumiu a tarefa gigantesca de criar a família. «A minha madrasta
criou-me como se fosse a sua própria filha. Vejo-a todos os dias
e não passamos uma sem a outra», afirma reconhecidamente
Koulla.
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Recreio no escritório
Stephan Wittich trabalha na Universidade de Viena há 12 anos.
Como professor assistente de Direito Internacional, tem um horário muito preenchido, repartido entre as funções normais de
professor e projectos de investigação.
Quando Stephan e a sua esposa Isabel, também funcionária da
Universidade, tiveram a primeira filha, Marie, há quatro anos, a sua
vida ficou ainda mais ocupada. Isabel esteve com licença durante
um ano logo após o nascimento da filha e Stephan nos 12 meses
seguintes. «Deixei de ensinar. A prioridade era cuidar da Marie.
Mas não tinha muito tempo livre; ainda tinha muitas coisas para
fazer», refere Stephan.
Tendo começado a trabalhar na sua tese pós-doutoramento, o
que envolvia processos judiciais em tribunais internacionais, tinha de arranjar forma de conciliar longas horas de pesquisa com
as suas novas responsabilidades parentais. «Como académico, tinha a vantagem de ter um trabalho flexível. Mas, por outro lado,
é muito importante ter um sítio calmo para poder concentrar-me
sem distracções», prossegue.
Encontrar uma solução
Stephan tinha acesso a um infantário, dirigido pela universidade,
destinado aos alunos e funcionários. «Podia trabalhar normalmente por causa do infantário», afirma.
O projecto Children’s Office (Serviço para Crianças), iniciado em
2002 e co-financiado pela União Europeia através do Fundo
Social Europeu, visa proporcionar estruturas de acolhimento
de crianças acessíveis e flexíveis. «Um infantário normal não
era a melhor opção. Provavelmente, não teríamos possibilidades financeiras para o pagar», afirma Stephan. O programa
disponibiliza instalações e educadores de infância para crianças desde tenra idade até aos 12 anos, todos os dias úteis. Ao
mesmo tempo, coloca à disposição dos pais uma sossegada
sala de estudo, equipada com computadores e mesas de leitura, de forma a poderem trabalhar e estar disponíveis para os
seus filhos. Stephan afirma que as vantagens em relação a um
infantário normal incluem a possibilidade de marcação com
pouca antecedência e por períodos de apenas algumas horas
de cada vez.
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Igualdade entre homens e mulheres
«Se não fosse o infantário não poderia prosseguir
a minha investigação. Deste modo, conseguia
trabalhar na minha tese e tomar conta da minha filha»
Tendo em conta que a paternidade constitui, frequentemente,
um motivo para alterar, protelar ou abandonar os estudos ou uma
carreira académica, a universidade decidiu ajudar os seus funcionários e estudantes a conciliarem os estudos com a vida familiar
e tornar a universidade num local mais aprazível para as crianças.
Os coordenadores estimam que cerca de 11% dos estudantes
universitários de Viena, cerca de 11 500 pessoas, e até 50% dos
funcionários, têm obrigações parentais.
Para Stephan, as vantagens eram evidentes. «Foi muito útil. Se
não fosse o infantário, não poderia prosseguir a minha investigação. Deste modo, conseguia trabalhar na minha tese e tomar
conta da minha filha. Contribuiu igualmente para que a Marie
conhecesse outras crianças e adultos desde muito pequena. Não
teve qualquer problema de adaptação quando foi para o jardim-de-infância», acrescenta.
Serviço volante de amas
Daniela Finzi, a frequentar o terceiro ano de doutoramento em
Literatura e cultura alemã, é outra mãe que utiliza o infantário
para as suas gémeas de dois anos. «Utilizo o infantário desde que
as gémeas tinham quatro meses. É a solução ideal para mim e
prefiro trabalhar aqui porque consigo concentrar-me verdadeiramente. Em casa, existem sempre distracções», afirma.
O departamento oferece também outras facilidades, disponibilizando um serviço de «amas volante» durante eventos universitários, coordenando um grupo de baby-sitters e prestando aconselhamento e informações aos pais. Stephan está também envolvido na iniciativa «Universidade para crianças», onde o pessoal
docente apresenta os seus temas às crianças em cursos de verão
com a duração de duas semanas. «Para eles é divertido aprenderem coisas sobre a universidade e contactarem com as matérias
que gostariam de estudar mais tarde», explica.
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Criar uma empresa turística diferente
O dia de Riikka-Leena Lappalainen começa cedo, com um mergulho no lago junto da sua casa, mesmo em pleno mês de Dezembro,
quando a temperatura desce até aos -4°C e a camada de gelo atinge 10 cm de espessura. «Faço isto todos os dias. É óptimo para
acordar», afirma.
Vivendo no interior rural profundo, na região finlandesa de
Pohjois Savo, Riikka-Leena tem uma relação com a natureza
que não se limita ao ritual do banho diário. Dirige um pequeno
hotel e um negócio de turismo nas margens do lago com o seu
marido Reijo, que cresceu aqui na sua quinta de família. «O lago
é muito silencioso e calmo. Quando éramos mais novos, sonhávamos abrir um negócio de turismo aqui», diz.
Esse sonho tornou-se agora realidade, com as receitas de
hospedagem a ultrapassarem as do gado e as das colheitas como rendimento principal da família. Os turistas podem
desfrutar da beleza selvagem envolvente e praticar várias
actividades desportivas em contacto com a natureza, incluindo motas de neve, esqui, trenós com cães, caça, pesca, natação
e vela.
O casal começou por abrir algumas cabanas de férias nos princípios da década de 1990. Dada a escassa concorrência na vizinhança, a empresa tornou-se conhecida e cresceu com estabilidade. Em 2001, construíram uma sauna de fumo (um tipo
de sauna tradicional relativamente desconhecida) que permitiu captar ainda mais clientes. «Depois disso, tínhamos grupos
a chegar em autocarros. Foi aí que pensámos em expandir.
Tínhamos mais pedidos de reservas para as cabanas e para a
sauna do que podíamos aceitar». A equipa de construção e as
actividades associadas ao negócio tornaram-se uma parte importante da empresa.
Em 2004, Riikka-Leena decidiu deixar o emprego onde trabalhara 20 anos como contabilista na administração pública e
dedicar todas as suas energias ao negócio da família.
Começaram a trabalhar na construção do hotel principal, que
forma agora o núcleo da empresa, e a alugar outras cabanas.
Dispõem de sete quartos de hóspedes e de uma grande sala
para jantares e eventos, além de diversas cabanas. Têm capacidade de alojamento para 40 pessoas no Verão e cerca de
30 no Inverno.
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Igualdade entre homens e mulheres
«Estou muito feliz por der deixado o meu emprego
estável para me concentrar na minha própria
empresa. É óptimo ser patroa de mim própria»
O passo decisivo
Abandonar um emprego estável foi um passo importante e Riikka-Leena decidiu adquirir alguma formação para tornar a adaptação
mais fácil. Inscreveu-se num projecto internacional, co-financiado
pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, destinado
a mulheres empresárias de todos os sectores económicos.
Juntamente com participantes provenientes de França, Bélgica,
Dinamarca, Itália, Espanha e Finlândia, visitou pequenas empresas de turismo noutros países e adquiriu novas ideias para o negócio. «Aprendi muitas coisas. Uma das visitas a uma empresa rural
em Itália foi particularmente inspiradora. Pude observar a paixão
e o orgulho que tinham na sua empresa. É algo que normalmente
não existe na Finlândia», afirma.
A empresa conta já com os três filhos do casal: Sanna-Riikka, de 29
anos, Esa-Mikko, de 27 e Juho-Pekka, de 23. «É com muito orgulho
que os vejo integrados na empresa. Cresceu muito nos últimos
anos», reflecte Riikka-Leena. Ela espera que o envolvimento dos
filhos continue. «No futuro, pretendemos retirar-nos e deixar a geração mais nova implementar as suas próprias ideias. Os clientes
são cada vez mais jovens e precisamos de nos manter em sintonia
com eles».
«Aprendi o valor do cunho pessoal», acrescenta Riikka-Leena,
que considera que este é um factor decisivo para o sucesso do
negócio. As visitas a outros países deram-lhe ideias para a sua própria empresa e incentivou o casal a torná-la ainda mais pessoal.
Permitiram-lhe estabelecer novos contactos e mostraram novas
oportunidades para o negócio.
«Numa viagem que fizemos à Lapónia, serviram-nos uma refeição
nuns pratos extraordinariamente invulgares. Contactei o criador local desses pratos e consegui que criasse um conjunto especial de
faiança exclusivamente para nós». Um especialista local criou todos
os tecidos utilizados no hotel e nos uniformes dos funcionários, baseando-se em criações tradicionais finlandesas. Além disso, vendem
artesanato manual fabricado por artistas e artesãos locais, bem como
doces regionais. «Todos estes pormenores contribuem para a experiência única que pretendemos proporcionar aos nossos hóspedes».
Pensar o futuro
Embora nem tudo tenha sido um mar de rosas, Riikka-Leena sabe
que tomou a decisão correcta. «Claro que tivemos momentos difíceis; tivemos de contrair um empréstimo avultado. Isso fez-nos
pensar na responsabilidade e nas consequências de um insucesso. Mas estou muito feliz por ter deixado o meu emprego estável
para me concentrar na minha própria empresa. Sinto que isto é a
minha vida e é óptimo ser patroa de mim própria», afirma.
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Uma mulher a conduzir
Para a jornalista Beata Szozda, começar uma nova empresa em
Poznań, na Polónia, parecia ser uma tarefa árdua. Embora a família
e os amigos a incentivassem fortemente, os potenciais investidores não estavam interessados em financiar um serviço em linha
proposto por alguém sem experiência no ramo, especialmente
uma publicação em linha sobre carros destinada às mulheres.
«Sempre me interessei por automóveis. Desde a escola primária,
a maior parte dos meus amigos eram rapazes e estavam sempre
a falar sobre carros, por isso acabei por participar naturalmente.
Lembro-me de umas férias em que o meu pai começou a falar-me sobre os diferentes modelos de carros. Quando chegámos a
casa, consegui repetir todos os fabricantes e modelos de carros
aos meus amigos», recorda Beata.
Beata interessou-se por jornalismo depois de ter ficado em segundo lugar no concurso de beleza Miss Polónia 2003. Um jornalista
contactou-a cerca de um ano depois do concurso para saber se
tinha recebido o prémio e o apoio prometidos pelo organizador.
A resposta negativa de Beata despoletou toda uma série de histórias a nível nacional sobre problemas com o concurso. Pouco
tempo depois recebeu ofertas de emprego de diversos meios de
comunicação social.
Em 2007, Beata frequentava um curso de licenciatura em relações internacionais, em Poznań. Era também apresentadora de
um programa semanal de 15 minutos de análise de automóveis
para uma estação de televisão local e apresentava um programa
de compras para outra estação. Tinha começado a trabalhar em
televisão depois de trabalhar três anos na Gazeta Poznań, onde
era responsável pela produção da secção de automobilismo do
jornal e por uma coluna semanal de aconselhamento a mulheres
sobre carros.
Da paixão ao negócio
A ideia de criar a sua própria publicação sobre automobilismo
destinada especificamente às mulheres surgiu-lhe quando fazia
o programa de televisão sobre carros. Beata investigou se seria
possível transformar a ideia num negócio viável. Descobriu um inquérito efectuado por uma empresa de investigação que concluía
que cerca de metade dos carros vendidos na Polónia eram adqui-
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Igualdade entre homens e mulheres
«O meu trabalho é a minha
paixão. Não durmo muito porque
tenho sempre muito que fazer»
ridos por mulheres, pessoalmente ou influenciando a decisão dos
respectivos maridos.
«Já era jornalista de automobilismo há alguns anos e não conseguia encontrar informações sobre carros que fossem especificamente de encontro às necessidades das mulheres. Não queria
centrar-me apenas na indústria automóvel. A ideia era criar um
portal sobre mulheres e para mulheres. Queria criar uma publicação que desse conselhos práticos às mulheres sobre a utilização
diária de um carro», afirma.
Os familiares e os colegas de Beata na estação de televisão incentivaram-na a concretizar o seu sonho, mas deparou com um obstáculo frequente para os jovens empresários: encontrar investidores dispostos a arriscar o seu dinheiro numa parceria. Foi então
que um colega da estação de televisão a informou que o parque
de ciência e tecnologia de Poznań e a Fundação da Universidade
Adam Mickiewicz estavam a organizar um concurso destinado
aos jovens empresários com as melhores ideias para um novo negócio. O concurso terminava no dia seguinte.
Espaço para expansão
O portal é financiado através de publicidade. Além de análises de
carros e sugestões de condução, o Autopolki.pl oferece também
às suas leitoras a oportunidade de testarem carros através de um
acordo que Beata possui com empresas locais de venda de automóveis. Em seguida, as leitoras enviam as suas análises dos automóveis à Autopolki.pl. Beata efectua ela própria uma grande parte das análises e desloca-se frequentemente ao estrangeiro para
efectuar ensaios de viaturas e obter informações em exposições
de automóveis.
O portal foi também expandido para oferecer, ao longo do dia,
cursos de formação de condução para mulheres num aeródromo
desactivado nos arredores de Poznań. Os cursos estão a cargo de
uma empresa de formação de condutores, que oferece um desconto através da Autopolki.pl às participantes que pretendam
melhorar as suas competências. Cerca de 20 mulheres participaram numa sessão de formação recente, onde aprenderam a controlar os carros em estradas molhadas e com gelo.
«Entreguei a minha candidatura cinco minutos antes de o concurso
fechar», recorda Beata. «Foi no dia 16 de Março, a data do meu aniversário». Beata foi um dos candidatos seleccionados pela fundação
para integrar o programa de formação empresarial do concurso, o
qual era co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social
Europeu. Entre Março e Junho de 2007, Beata recebeu formação sobre como elaborar um plano empresarial, informações sobre contabilidade e sobre os requisitos legais e fiscais na Polónia, bem como
aconselhamento sobre a procura de financiamento.
A visão de Beata não fica por aqui. Para ela, o portal é uma rampa
de lançamento para um negócio de maiores dimensões que deverá gerar lucros suficientes para lhe permitir começar a contratar jornalistas e outros funcionários. Beata pretende elaborar um
mapa de oficinas de reparação polacas fiáveis a nível de trabalho
e de preços nas quais as mulheres possam confiar. Pretende também criar uma loja em linha para venda de acessórios de automóveis. Recebeu, também, ofertas de potenciais investidores para
expandir o sítio fora da Polónia.
No final do programa, Beata tinha concluído o seu plano empresarial, posteriormente avaliado por uma comissão de peritos que
decidiu que se tratava de um plano com viabilidade suficiente
para receber um financiamento inicial da UE. Beata utilizou o dinheiro para lançar o Autopolki.pl, o primeiro portal de informação
automobilística para mulheres na Polónia, em 2008. Actualmente,
dedica-se a tempo inteiro à gestão da empresa e à expansão do
portal. As horas são intermináveis, mas Beata vive o seu sonho.
«Enquanto trabalhei para terceiros não podia explorar o meu potencial como pretendia. Adoro esta independência como empresária. Valorizo esta liberdade de criar e gerir uma empresa», afirma.
A um visitante de partida, Beata deseja: «Szerokiej drogi!» A frase
pode ser traduzida como «Tenha uma estrada larga», uma forma
tradicional polaca de desejar a alguém uma viagem de regresso
segura.
«O meu trabalho é a minha paixão. Não durmo muito porque tenho sempre muito que fazer. Muitas vezes, só vou dormir às 3 horas da manhã, afirma.
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Um melhor equilíbrio vida/trabalho
A água constitui um grande problema na região da Frísia, nos
Países Baixos, onde grande parte das terras é conquistada ao mar
e se encontra abaixo do nível deste. Esta realidade implica que o
trabalho de Gerard Jansen, advogado do departamento regional
da água, seja intenso.
«Existem sempre conflitos de interesses. Os agricultores, por
exemplo, pretendem maiores níveis de água, mas o público em
geral não. É necessário encontrar o equilíbrio», afirma o advogado
de 53 anos.
«Por vezes, as empresas não querem gastar dinheiro [para cumprir as disposições legais] e os casos vão a tribunal», acrescenta.
Quando surgem conflitos deste tipo, Gerard é chamado a resolvê-los. Ele trabalha no departamento desde 1993 e exerce as funções
de consultor jurídico do departamento responsável pela aplicação da lei e pelo licenciamento.
O seu departamento desempenha várias funções: verificar se as
águas superficiais cumprem as normas legais, assegurar a manutenção das barreiras marítimas, verificar se os níveis das águas do
mar estão correctos, garantir o cumprimento da legislação pelas
empresas e pelos proprietários das terras e, por fim, actuar em
caso de incumprimento. Isto significa que Gerard lida com «todas
as fases do processo jurídico».
Embora Gerard goste do seu trabalho, começou a pretender uma
maior flexibilidade no seu horário há alguns anos. Com dois filhos
menores, Rik e Nico, e uma hora de viagem de carro diária entre a sua casa, em Drachten, e Leeuwarden, o rígido horário de
trabalho era desgastante. Começou também a ter dificuldade em
concentrar-se no escritório. «Há alguns anos mudámos para um
novo escritório em espaço aberto. É muito barulhento».
Trabalhar a partir de casa
Em 2006, Gerard começou a participar no projecto «e-papá», um
projecto co-financiado pela União Europeia através do Fundo
Social Europeu que visa ajudar funcionários masculinos a trabalhar a partir de casa. O programa permite um horário mais flexível
e reduz as viagens. Agora, Gerard trabalha em casa uma parte da
semana, o que lhe permite levar os filhos à escola, almoçar com
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Igualdade entre homens e mulheres
«O teletrabalho ajudou-me a encontrar
um melhor equilíbrio entre o trabalho
e a vida familiar. Antes, só via os miúdos à noite»
eles, ajudá-los nos trabalhos escolares e mesmo fazer algumas tarefas domésticas.
«O teletrabalho ajudou-me a encontrar um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar», afirma, acrescentando que alivia a
pressão sobre a mulher, que trabalha a tempo parcial como enfermeira de cuidados geriátricos num hospital vizinho. «Antes, só via
os miúdos à noite. Agora consigo fazer muitas coisas com eles».
A flexibilidade também melhorou o seu trabalho e produtividade.
«Se trabalhar em casa não preciso de parar e sair às cinco da tarde:
posso perfeitamente interromper o que estava a fazer e prosseguir mais tarde».
Funcionamento do programa
O programa facilita às empresas a implementação de disposições
flexíveis de trabalho. Chama a atenção dos empregadores para os
benefícios do teletrabalho e avalia regularmente o grau de adaptação dos funcionários ao teletrabalho, identificando antecipadamente potenciais problemas. Gerard participou no projecto durante dois anos, período em que respondeu a questionários sobre
a sua eficácia.
Ao longo do programa, o departamento da água apercebeu-se
dos benefícios do teletrabalho e, actualmente, promove-o entre
os seus funcionários. «Um empregador moderno deve possibilitar um trabalho mais flexível», explica Gjil de Jong, superior hierárquico de Gerard. Ela também aderiu ao teletrabalho e estima
que cerca de um quarto dos funcionários do seu departamento
possuem acordos idênticos. «O teletrabalho permite um melhor
equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar», afirma.
Gjil considera que é importante ter procedimentos claros e definir
claramente o que é esperado de cada uma das partes, quer em
termos de disponibilidade quer em termos de informação da evolução do trabalho. «Efectuamos uma reunião no dia seguinte ao
teletrabalho para fazermos o ponto da situação», acrescenta Gjil.
Gerard é um acérrimo defensor de disposições mais flexíveis. «É
uma grande ajuda. No próximo ano, vou trabalhar mais dias a partir de casa», afirma.
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O futuro nas próprias mãos
Katarína Vargová era uma empresária de sucesso com uma pequena empresa do sector têxtil em Bratislava, na Eslováquia, quando
interrompeu a carreira para criar o filho recém-nascido. Mas o que
começou por ser uma pequena pausa transformou-se numa longa paragem. Depois de três anos em casa, Katarína estava pronta
para regressar ao trabalho; no entanto, à semelhança de muitas
mulheres que deixaram de trabalhar para criar os filhos, descobriu
que isso era uma tarefa difícil.
«Basicamente, tinha perdido o contacto com o mundo exterior»,
afirma. «Precisava de entrar novamente no circuito. E precisava de
um novo desafio». A questão residia no que fazer. «Sabia que, independentemente do que fizesse agora, com uma criança para
cuidar, teria de equilibrar várias responsabilidades».
Readquirir o ritmo
Um curso especial de formação destinado a mulheres regressadas ao mercado de trabalho após uma licença de maternidade
prolongada, co-financiado pela União Europeia através do Fundo
Social Europeu, ajudou Katarína a reforçar as suas competências e
a encontrar novas formas de expressar o seu talento e ambição.
Um dos maiores obstáculos, após uma longa ausência do trabalho,
reside na recuperação da confiança, um desafio enfrentado por
muitas mulheres depois de uma licença de maternidade. Assim, o
curso de formação incluía módulos destinados especificamente a
criar autoconfiança e segurança.
O curso permitiu-lhe também contactar com pessoas da comunidade empresarial. «Sabia que queria fazer alguma coisa relacionada com as artes. O curso de formação ajudou-me a conhecer
pessoas com interesses idênticos», afirma.
Olhar o passado, enfrentar o futuro
Através do programa de formação, Katarína conheceu o proprietário do Ateliér Keramiky Rena, um pequeno ateliê que dava aulas
de cerâmica nos arredores de Bratislava. Katarína assumiu agora a
direcção do ateliê enquanto o proprietário se encontra no estrangeiro. Ela ensina aos formandos a arte de moldar o barro e cria as
suas próprias esculturas, que vende numa galeria local.
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Igualdade entre homens e mulheres
«Sabia que, independentemente do que
fizesse agora, com uma criança para cuidar,
teria de equilibrar várias responsabilidades»
As suas actividades actuais, afirma, permitem-lhe fazer o que sempre desejou mais. «Estudei numa escola de belas-artes e queria
muito voltar a fazer isso. Sabia que o meu trabalho futuro teria de
conter uma forte componente artística. É por isso que estou tão
feliz por ter descoberto o ateliê de cerâmica», revela Katarína.
«Aqui, no ateliê, damos às pessoas a possibilidade de se expressarem, de sujarem as mãos, de se desinibirem e sentirem livres.
Trabalhar com barro pode ser uma experiência muito profunda
e terapêutica para algumas pessoas e a verdade é que eu própria
recebo muita energia dos meus alunos», afirma.
Gratidão
Katarína afirma que encontrou o equilíbrio correcto na sua vida.
Levanta-se cedo, leva o filho ao jardim-de-infância e começa o dia
de trabalho no ateliê. «Nuns dias dou aulas, noutros só trabalho
nas minhas coisas. À tarde, regresso para ir buscar o meu filho».
O curso de formação, diz, deu-lhe a confiança de que precisava
para renovar a sua carreira e tomar um novo rumo, uma preciosa ajuda pela qual está extremamente grata. «O programa do FSE
ajudou-me a actualizar as minhas competências em matéria de
gestão e marketing e a evoluir como artista. Foi exactamente o
impulso de que precisava».
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Pessoas
desfavorecidas
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A deficiência não é uma desvantagem
para trabalhar
Andrzej Lubowiecki trabalhava nos estaleiros da cidade de
Gdynia, integrada na área urbana de Gdansk, na costa polaca do
mar Báltico. No seu apogeu, os históricos estaleiros davam trabalho a cerca de 20 000 pessoas. Actualmente, restam apenas cerca
de 3 000 trabalhadores.
Mesmo assim, durante 12 anos, Andrzej teve um emprego estável e bem remunerado, primeiro como carpinteiro e depois como
pintor. Até que, em 2001, devido a uma dor cada vez mais forte,
foi-lhe implantada uma prótese da anca num hospital local. No
entanto, a operação correu mal, cortaram um nervo por engano,
diz Andrzej, e em vez de ganhar mobilidade apenas podia andar
com a ajuda de muletas. Não podia voltar ao trabalho e, 180 dias
depois, o patrão despediu-o.
Contando apenas com a sua destreza manual e trabalhos de curta
duração, Andrzej resignou-se a viver com o subsídio de invalidez.
Não podia suportar os custos inerentes a um curso de reconversão profissional. «Nunca pensei que fosse conseguir trabalho
por causa da minha deficiência», explica. Esteve desempregado
durante cinco anos, até que um dia reparou num cartaz afixado
num autocarro que divulgava oportunidades de trabalho para
pessoas com «incapacidade parcial». «Dirigi-me de imediato ao
centro de emprego e inscrevi-me como desempregado. Dois dias
depois, falaram-me do programa de formação». Em Junho de
2006, inscreveu-se num curso de quatro dias co-financiado pela
União Europeia através do Fundo Social Europeu, destinado a fazer face às necessidades das pessoas com deficiência e a prestar
aconselhamento na procura de emprego, elaboração de um CV e
candidatura a um emprego. A autoridade local, na sua qualidade
de parceiro, disponibilizou um miniautocarro para o ir buscar a
casa todos os dias.
A determinação compensa
«Depois do curso, só demorei um dia a encontrar emprego», declara Andrzej, orgulhosamente. «Na entrevista, mostrei-lhes que
estava empenhado em conseguir o emprego». Uma empresa de
segurança local contratou-o e deu-lhe formação para utilizar um
computador. Trabalha no escritório central, com mais seis pessoas,
e é responsável pelo controlo das operações na área de Gdansk,
pela recolha de dados e, se necessário, por alertar a polícia para
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Pessoas desfavorecidas
«O curso deu-me a confiança de, apesar
da minha deficiência, saber o que
tenho de fazer para arranjar um emprego»
quebras de segurança. Está ao serviço 24 horas de cada vez, seguidas de 48 horas de descanso, incluindo fins-de-semana e feriados,
com descanso em cada terceiro fim-de-semana. «No princípio,
ficava muito sonolento a meio da noite, mas agora estou habituado», afirma, embora ainda tenha dificuldade em adormecer
quando termina o turno. Uma vez que o salário é baixo, mantém
o subsídio de invalidez.
A esposa de Andrzej, Ania, é professora num jardim-de-infância
e sai de casa às 6 horas da manhã. «No início, não trabalhar era
óptimo», recorda Andrzej. «A Ania deixava-me uma lista de tarefas. Costumava ir às compras e depois sentava-me a beber uma
cerveja». Mas, à medida que o tempo passava, começou a sentir a
pressão, a nível financeiro e psicológico. Felizmente, pouco antes
da operação tinham adquirido o apartamento em regime de habitação social, com um empréstimo do estaleiro. Até essa altura,
a família vivia num quarto em casa dos pais de Ania. «Mas a pior
parte de estar desempregado foi o facto de todos os amigos irem
de férias no Verão e os miúdos terem de ficar em casa porque não
tínhamos dinheiro», explica. Agora tem um rendimento regular e
podem planear umas férias nas montanhas.
O dia normal de Andrzej, quando não está a trabalhar, implica
acordar os dois filhos, Karol, de 16 anos, e Przemek, de 14, preparar-lhes o pequeno-almoço e vê-los sair para a escola. Sempre
gostou de cozinhar e costumava trocar receitas com as amigas de
Ania. «A minha especialidade é sopa de cogumelos selvagens com
massa», afirma Andrzej, que colhe os seus próprios cogumelos no
campo e adora pescar. Também decorou a casa e construiu armários à medida. «Sempre fui versátil e posso fazer tudo em casa.
O homem é um animal que aprende tudo».
nervoso. Quando tinha de sair e conhecer pessoas não se sentia
nada à vontade. Agora tudo voltou à normalidade e partilhamos
as lidas domésticas».
«Foi um projecto bem sucedido», confirma a coordenadora
de curso Anna Dabrowska, do centro de formação Fundacja
Gospodarcza. «Temos sempre em curso iniciativas idênticas, destinadas a pessoas com deficiência, que oferecem formação profissional ou aconselhamento na criação de empresa própria. São
iniciativas muito populares, uma vez que podem receber um subsídio da UE».
Andrzej também gostaria de criar a sua própria empresa de repintura de contentores marítimos. Está a tentar receber uma indemnização pela operação que o deixou com deficiência através dos
tribunais e ainda sente amargura por isso. No entanto, em Julho
de 2008, foi-lhe implantada com êxito uma prótese na outra anca
e agora consegue andar só com uma bengala. Andrzej sabe que
está melhor do que muitas outras pessoas. «Na Polónia, as pessoas com deficiência normalmente não conseguem emprego»,
afirma. «Têm dificuldade em mover-se e as empresas não querem
empregá-las. Mas, aqui, as autoridades locais estão a tentar melhorar as acessibilidades».
De volta à normalidade
Andrzej afirma que se sente «100% melhor» com um emprego.
«É óbvio que ninguém se sente bem sem trabalho», salienta.
«Algumas pessoas bebem, mas eu não sou assim. O curso deu-me
a confiança de, apesar da minha deficiência, saber o que tenho de
fazer para arranjar um emprego».
«No início, estava contente por ter um ‘marido doméstico’», acrescenta Ania. «Mas comecei a aperceber-me que o Andrzej andava
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Uma receita para o sucesso
É a hora de almoço de um dia semana e todas as mesas do restaurante Ízlelő («Acepipe»), na cidade húngara de Szekszárd, estão
ocupadas. Ao longo de uma parede da sala alegre e iluminada,
um escorrega em madeira e uma pilha de brinquedos comprovam a abordagem de «cariz familiar» do local. Mas, além de mães
com crianças pequenas, a clientela inclui também casais, pessoas
mais velhas e trabalhadores locais.
No bulício da cozinha, Éva Gyulai, de 33 anos, ajuda a preparar os
pratos. «Adoro trabalhar aqui todos os dias, há tantas coisas diferentes para fazer e sempre adorei cozinhar», exclama. «O relacionamento entre os empregados é óptimo. É um autêntico trabalho
em equipa». Para Éva, isto significa compreender os colegas lendo-lhes nos lábios (ela é quase totalmente surda desde nascença, quando um erro clínico e uma sobredosagem de oxigénio lhe
danificaram permanentemente a audição). Sete dos funcionários
do restaurante são portadores de deficiência e vieram trabalhar
para o Ízlelő graças a um projecto de formação local co-financiado
pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. A fundação Pássaro Azul, criada em 1997 com o objectivo de promover
uma sociedade que ofereça oportunidades e escolhas a todas as
pessoas, lançou o projecto Lehetőség-Integráció-Foglalkoztatás-Tanulás (Igualdade-Integração-Pleno emprego-Formação, LIFT)
em Junho de 2006 e ajudou 36 jovens desempregados portadores de deficiência e com níveis de educação baixos a adquirir novas competências que lhes permitissem arranjar emprego.
Trabalho mau, salário baixo
Nascida em Szekszárd, Éva frequentou uma escola residencial especial destinada a pessoas surdas em Budapeste até aos 16 anos,
onde aprendeu a ler nos lábios, antes de regressar à sua cidade
natal para concluir o certificado escolar. Mas conseguir um bom
emprego não era tarefa fácil. Começou por fazer trabalhos à peça
não qualificados, a coser fraldas numa fábrica. «Pagavam-nos as
peças acabadas e o valor era muito baixo. Por isso estava sempre
a trabalhar e estava sempre com dores de cabeça e nas costas. Era
mesmo aborrecido», recorda.
Pouco tempo depois, Éva conheceu e casou com Zoltán, que trabalha numa empresa de artes gráficas local, e o jovem casal foi
viver com os pais de Zoltán. Quando nasceram os seus dois filhos,
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Pessoas desfavorecidas
«Há pessoas com deficiência em toda
a Hungria que gostariam de trabalhar
num local como este. A ideia devia ser copiada»
Àkos, agora com 10 anos, e Balázs, com sete, ela ficou feliz por
poder utilizar a licença de maternidade para cuidar deles. Balázs
tem asma e problemas de visão que já exigiram duas operações
e o fizeram perder um ano de escolaridade. Mas quando os dois
rapazes estavam prestes a frequentar a escola, Éva estava ansiosa
por procurar um tipo de trabalho diferente.
Um novo começo
Através de outra mãe, Éva teve conhecimento do projecto LIFT e
foi uma das 16 pessoas que se inscreveram no curso de restauração (outras 20 aprenderam técnicas de construção). A formação
teve a duração de um ano e, durante esse período, Éva recebeu
um salário pago pelo orçamento do projecto. Em Setembro de
2007, formou-se como cozinheira e arranjou emprego no restaurante de cariz familiar, também explorado pela Fundação, em
conjunto com seis dos seus colegas que cozinham, lavam a loiça
e servem à mesa. «Tive sorte. Adoro cozinhar», explica Éva, que
aprendeu com a sogra, uma conceituada chefe de cozinha. «Os
nossos filhos estão sempre com fome, por isso o meu passatempo
é o meu trabalho». Os doces são a sua especialidade: gosta de fazer panquecas, folhados e queijadas.
O sabor da liberdade
Com um segundo rendimento estável, Éva e Zoltán puderam realizar o sonho de comprar casa própria. «O espaço não era suficiente na casa dos pais do Zoltán e queríamos mudar», explica Éva. «A
casa não tinha jardim nem nenhum lugar para as crianças brincarem. Quando chegávamos a casa não havia nada para fazer a não
ser sentarmo-nos e ver televisão». Mudaram-se para a sua nova
casa fora de Szekszárd em Dezembro de 2008, apreciando o desafio de renovar a propriedade. O espaçoso jardim possui vinhas
e árvores de fruto. Zoltán está a tentar aprender vinicultura, enquanto a prioridade de Éva é plantar flores e cultivar maçãs para
fazer as suas próprias tartes. «Adoro jardinagem», diz ela. «Fora
da cidade temos ar puro e uma sensação de liberdade». Éva está
também a estudar para obter a carta de condução.
Ela sente-se afortunada por ter encontrado o restaurante Ízlelő.
«Há pessoas com deficiência em toda a Hungria que gostariam de
trabalhar num local como este. A ideia devia ser copiada. Não nos
importaríamos e ficaríamos muito felizes», observa.
A cozinha do Ízlelő prepara diariamente até 140 refeições, das
quais 40% para fora. O cozinheiro-chefe e o dietista, em conjunto,
seleccionam menus saudáveis e apelativos para os jovens. O restaurante fornece também almoços para o centro de dia familiar
da Fundação e pretende expandir-se para fornecer uma escola
primária local. Àkos gosta de comer lá quando os pais o levam.
«Está deliciosa», confirma com entusiasmo enquanto termina a
segunda sopa. «É melhor do que a cantina da minha escola».
Outros clientes são também da opinião que o restaurante oferece
boa qualidade a preços razoáveis. «As pessoas que trabalham aqui
têm sempre um sorriso e conhecem toda a gente pelo nome», observa Judit Botos, que costuma comer regularmente no Ízlelő.
«Queremos ajudar famílias com crianças pequenas e pessoas com
deficiência e o restaurante combina os dois objectivos», explica
Andrea Mészáros, directora executiva da fundação Pássaro Azul.
«Prevíamos que o restaurante fosse auto-suficiente ao fim de três
anos, mas no final do primeiro ano já estamos a obter lucro».
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Ajudar os invisuais
«Não sei se gostaria de poder ver. Ser cega faz parte de quem eu
sou.»
Tendo ficado cega ainda bebé devido a um erro clínico trágico,
Sarmite Gromska não tem memórias de visão. Actualmente, mal
consegue imaginar a experiência. «Nasci prematura, com cerca de
sete meses, e fui colocada numa incubadora. Isso provocou-me a
cegueira. Foi um acidente, nada mais. As pessoas nem sempre me
compreendem quando digo que não gostaria de ver. Se pudesse ver perderia uma parte da minha identidade. Ser cega define
quem eu sou», acrescenta.
Sarmite afirma que a sua cegueira também lhe proporciona uma
visão mais «verdadeira» do mundo. «A aparência não é tudo. Acho
que ‘vejo’ melhor do que os que vêem. A maior parte das pessoas
presta atenção ao que vê com os olhos, mas eu vejo a essência das
pessoas. Vejo os seus ‘gestos de voz’, as suas entoações e sinto a
forma como me tocam», explica.
A viver com os pais e dois irmãos em Riga, Sarmite é um exemplo inspirador do que é possível conseguir com determinação e
apoio. Os anos da sua juventude foram passados num internato
especial para invisuais, onde aprendeu a ler e escrever em Braille.
Prosseguiu os estudos na universidade, onde se distinguiu como
aluna e recebeu uma bolsa. Tem também talento musical e tocou
saxofone numa banda juvenil. Embora ainda toque ocasionalmente, Sarmite afirma que vai deixar a música por agora para se
concentrar na universidade.
Materiais de estudo
Sarmite necessita de equipamentos especializados para poder
estudar e é extremamente eficaz a escrever com uma «lousa» ou
com uma máquina de escrever Braille especial, bem como com
computadores equipados com software de reconhecimento de
voz.
Para ter todos os materiais do curso universitário traduzidos para
Braille, depende da biblioteca letã para invisuais. No entanto,
como explica Gunta Bite, a responsável pelo departamento de
Braille da biblioteca, «a transcrição para Braille tem um custo proibitivo. Apenas podemos fazer este trabalho internamente graças
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Pessoas desfavorecidas
«A biblioteca Braille alterou
profundamente a minha vida e, estou
certa, a vida de outras pessoas cegas»
ao financiamento da União Europeia, que nos ajudou a criar o
departamento de Braille». O objectivo do projecto consistia em
proporcionar às pessoas invisuais ou com deficiências visuais uma
variedade de serviços e materiais e, em última análise, ajudá-los a
integrarem-se na sociedade e no mercado de trabalho e a terem
vidas mais independentes.
A UE, através do Fundo Social Europeu, possibilitou à biblioteca a
aquisição de equipamento e formação para começar a imprimir
livros e outros documentos para pessoas invisuais. Os leitores de
Braille em toda a Letónia têm agora acesso a toda uma variedade
de materiais de leitura gratuitos. E podem requisitar textos específicos quando precisarem.
Actualmente, o departamento emprega também pessoas invisuais e com deficiências visuais para trabalharem na preparação dos
textos. «Foi o trabalho que realizei na biblioteca num Verão que
me convenceu que queria ser editora de Braille», explica Sarmite.
Uma carreira que prossegue agora na universidade.
Aprender a ser independente
Ao longo de quase toda a sua vida, Sarmite tem sido totalmente
dependente dos pais. Na verdade, a história da senhora Gromska,
a mãe de Sarmite, é um caso exemplar de coragem, determinação
e uma dedicação imensa à filha.
Mas ela sabe que um dia ficará sozinha e terá de se tornar independente. «Sim, estava nervosa antes de ir para a universidade
Era um passo muito importante, tanto a nível académico como
a nível pessoal. Ainda sou muito dependente das outras pessoas
e especialmente da minha família, mas tenho de aprender a ser
forte e a sobreviver», afirma.
«A biblioteca Braille alterou profundamente a minha vida e, estou
certa, a vida de outras pessoas cegas. Beneficiei muito do projecto
do FSE. Ser capaz de imprimir todos os materiais de que necessito
para os estudos significa que posso prosseguir o meu processo de
crescimento e tornar-me um membro produtivo da sociedade».
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Apreciar a vida no campo
Tendo crescido numa pequena quinta da região rural de Prekmurje,
no nordeste da Eslovénia, Andrej Lovrencec está profundamente
enraizado no mundo rural. «Adoro esta região, pertenço aqui. Não
me imagino a viver numa cidade. Podia talvez mudar-me para as
redondezas, mas acho que nunca iria para um lugar completamente diferente», diz Andrej, de 22 anos.
Em casa, com a mãe e o pai, cultiva trigo, uvas, fruta, batatas e outros vegetais e cria cabras, vacas e touros. Ainda que em pequena
escala, a quinta não só abastece a família e os animais como também produz algum excedente para venda.
Andrej teve dificuldades de aprendizagem na escola e faltava frequentemente devido a problemas de saúde mental. Começou a
ter períodos de fortes dores de cabeça, vómitos e deficiência visual ainda em criança e, a partir dos 12 anos, começou a sofrer de
depressão.
«A escola era difícil. Tive problemas de aprendizagem e também
com os meus colegas. Eram questões insignificantes, mas aborreciam-me». Em 2002, quando Andrej estava no sétimo ano, ficou
muito doente e faltou um ano à escola. Aos 15 anos de idade foi
registado como portador de deficiência e, embora tenha terminado o ensino básico em 2004, depressa concluiu que as suas
opções de emprego eram limitadas. Preso em casa o dia inteiro,
sentia-se aborrecido e isolado. «Estava em casa, à espera que alguma coisa acontecesse. Não sabia o que fazer nem para onde ir
e não tinha dinheiro».
Em 2008, começou a dar um rumo à sua vida frequentando um
curso de formação. O curso consistia num programa de tutoria
com a duração de três meses orientado por uma organização local, a Mosaic, que emprega e apoia grupos socialmente vulneráveis, em especial pessoas com deficiências. O programa divide-se
em quatro áreas de actividades: agricultura, produção de produtos biológicos, ecoturismo e recuperação de edifícios.
Um emprego a tempo inteiro
O programa de «formação no local de trabalho» é um esforço a nível nacional que teve início em 2004 e é co-financiado pela União
Europeia através do Fundo Social Europeu. Destina-se a pessoas
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Pessoas desfavorecidas
«Conheci novas pessoas e aprendo
alguma coisa nova todos os dias.
E agora tenho independência financeira»
que possam ter dificuldades em encontrar emprego, incluindo
pessoas portadoras de deficiência, jovens com poucas qualificações e pessoas em situação de desemprego prolongado.
tenho o que desejava. Não tenho grandes planos para o futuro.
Mas se tudo se mantiver como está é óptimo. Temos um ditado
que diz: devagar se vai ao longe».
Quando concluiu o programa, foi oferecido a Andrej um emprego
a tempo inteiro. Ele faz parte de uma pequena equipa que realiza
diversas tarefas na agricultura ou na produção de alimentos. É o
emprego ideal para Andrej, já que combina um ambiente amigável e favorável com uma área de trabalho que conhece e da qual é
entusiasta. «Gosto de trabalhar aqui porque gosto de agricultura»,
afirma.
«O trabalho é realmente interessante, seja lá fora no campo ou no
interior». Sendo um negócio agrícola, os empregados trabalham
sempre que é necessário, dependendo das estações e das colheitas. «Às vezes trabalhamos sete dias por semana», acrescenta.
Andrej, com as suas raízes agrícolas, já está habituado a este tipo
de regime. «Não me importo com o número de horas. E é óptimo
porque os meus colegas de trabalho também são meus amigos».
Competências pessoais
É evidente que ele está realmente a gostar da vida profissional,
a sua autoconfiança aumentou e tornou-se muito mais independente. «Conheci novas pessoas e aprendo alguma coisa nova todos os dias», afirma. «E agora tenho independência financeira». O
rendimento regular permitiu-lhe comprar o seu próprio carro, o
que o ajuda a movimentar-se e melhora a sua vida social.
Os pais notaram uma grande diferença. «Está muito mais feliz e
animado agora. Sai com os amigos; não o fazia tantas vezes até
aqui», afirma a mãe.
Mateja Kaljevič, consultora do serviço de emprego regional que
ajuda a organizar os estágios, também notou uma mudança. «O
Andrej está completamente diferente depois de frequentar o programa. No início, vinha com a mãe e ela falava por ele. Tinha medo
de tudo e não tinha confiança. Agora é um dos participantes mais
confiantes que tivemos».
Avaliando a melhoria que a participação no estágio trouxe à sua
vida, Andrej afirma: «Estou muito satisfeito. É a primeira vez que
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Aprender a viver com a dor
Otília Marques tinha apenas 22 anos de idade quando deixou a
sua casa em Ansião, Portugal, para se juntar à irmã e à cunhada
no Luxemburgo. À semelhança de muitos cidadãos europeus,
mudou-se para um novo país na esperança de arranjar trabalho e
começar uma vida nova.
«No início, foi difícil», recorda. «Trabalhava numa fábrica, mas nunca aprendi francês. Tive de aprender enquanto trabalhava». Numa
família de sete irmãos e irmãs, estava habituada a ter alguém por
perto quando precisava de ajuda.
Em 1975, casou com Manuel Augusto, em Portugal. No ano seguinte, recebeu a companhia do marido no Luxemburgo, que trabalha actualmente para um distribuidor de materiais de construção. Ao mesmo tempo, Otília arranjou um novo emprego como
empregada de limpeza na P&T, uma empresa de correios e telecomunicações. Com o nascimento da primeira filha, Alexandra, três
anos mais tarde, o futuro parecia risonho.
Orgulho no seu trabalho
Mal tinha acabado de fazer 30 anos quando Otília começou a sentir a dor reumática nas costas, que se agravou quando lhe apareceu uma hérnia discal. «Há mais de 20 anos que sofro com essa dor
que mal me deixa trabalhar e a idade torna as coisas piores. Mas
tento sempre fazer o meu melhor», afirma com modéstia. Como
empregada de limpeza na zona de lavabos e vestiários da empresa, tem um orgulho óbvio nos espelhos brilhantes e nos azulejos
imaculados.As suas tarefas incluem esfregar chuveiros, subir escadas de mão para limpar cacifos, transportar baldes cheios de
água e esvaziar sacos de lixo… um trabalho físico árduo. «Às vezes faço um movimento errado e dói ainda mais», explica. «Mas
não há mais ninguém para o fazer, por isso tenho de conseguir».
E quando os técnicos regressam da instalação de cabos de telecomunicações em valas lamacentas, especialmente no Inverno, há
muito que limpar.
Assim, em Setembro de 2007, a empresa dispensou Otília durante
dois dias por semana para frequentar um curso de cinco semanas, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social
Europeu, para a ajudar a gerir a dor. Por coincidência, a sua filha
Alexandra estava, na altura, a trabalhar no ServicedeSantéauTravail
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Pessoas desfavorecidas
«Aprendi a controlar os meus movimentos
para ter menos dores de costas
no trabalho diariamente e até mesmo em casa»
Multisectoriel (Serviços de Saúde no Trabalho Multissectorial, STM,
o departamento governamental responsável pela saúde em diversos sectores laborais), a entidade que organizou o curso, e incentivou a mãe a aproveitar a oportunidade.
de Portugal, o seu país natal. Agora, Otília sente-se suficientemente bem para gostar de passear Bell, o seu amigo Labrador de
seis anos.
Otília aprendeu como as costas funcionam, os riscos de lesões e
o que fazer para as proteger. Os formadores mostraram exercícios
para fortalecer os músculos das pernas, técnicas de relaxamento
para evitar a tensão e mesmo a alimentação adequada para melhorar a sua força e saúde em geral. Ela aprendeu a levantar pesos correctamente e a mover-se com segurança para evitar a dor.
«Graças ao curso, agora sei que devo ajoelhar-me (não posso inclinar-me, por exemplo) e tenho cuidado em não encher demasiado
os sacos de lixo. Aprendi a controlar os meus movimentos para ter
menos dores de costas no trabalho diariamente e até mesmo em
casa. A formação ajudou-me porque me explicou o que poderia
esperar». Tinham, inclusivamente, psicólogos disponíveis para falar sobre os problemas dos participantes.
Não desistir
Começar a trabalhar bem cedo
Localizada na periferia da cidade do Luxemburgo, a sede da empresa onde Otília trabalha é um edifício angular, de tijolo vermelho, num local espaçoso rodeado por relvados e jardins. Isto
significa que ela pode ir de carro para o emprego diariamente e
estacionar nas instalações da empresa. «Embora não viva longe,
regressar de carro é uma ajuda, até porque começo o dia muito
cedo, às 6 horas da manhã».
Ela espera poder continuar a trabalhar até atingir a idade da reforma. «Vamos ver quanto tempo mais aguento», afirma filosoficamente. «Vou precisar de coragem. Ainda sinto dores e, às vezes,
fico um pouco deprimida. Depende do tempo; quando chove fico
pior. Mas não posso desistir, tenho de continuar. Não posso estar
sempre a queixar-me. Tenho de viver com isto».
Nadine Sadler, do serviço de saúde e assuntos sociais da P&T, afirma que cerca de 20 membros do pessoal participam anualmente
na formação sobre dores lombares. «É eficaz. Espero que ajude a
Otília a prolongar a sua vida profissional», afirma.
«Foi um curso muito útil», confirma Fátima Tomás, que dirige a
equipa de 14 empregadas de limpeza do edifício. «Também o frequentei e aprendi muito».
Num lugar de destaque da parede da sala de estar de Otília está
um certificado emoldurado, que a felicita pelo seu desempenho
no curso de formação e a encoraja a colocar em prática o que
aprendeu no curso. Este facto diz muito sobre a importância que
a experiência teve para ela.
Para Otília, a vida diária é uma questão de controlar a dor e reduzi-la para um nível aceitável. Ela recusou ser operada quando soube
que teria apenas 20% de probabilidades de êxito. Em vez disso,
tem sessões de massagem regulares e, uma vez por ano, submete-se a uma terapia intensiva nas termas locais de Mondorf-les-Bains. Tenta evitar medicamentos para as dores. «Faço um tratamento para tentar impedir o agravamento da artrite porque, se
isso acontecer, não há nada a fazer», explica.
Otília vive com o marido numa bonita casa com paredes brancas,
mobílias de madeira envernizada e chão em tijoleira. Gerânios
vermelhos decoram os peitoris das janelas e, aqui e acolá, louças de barro decoradas ou outras lembranças evocam as cores
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A história de Georgia
«Penso que ao falar da minha vida ajudarei outras pessoas. Eu
era uma pessoa muito negativa. Não queria aceitar que estava
doente e não queria pedir ajuda. Ainda conheço pessoas que
não levam os médicos a sério», afirma Georgia Chrisikopoulou
sucintamente.
Devido a uma doença mental, Georgia, de 36 anos, passou anos
dentro e fora do hospital da sua cidade natal de Corfu, na Grécia.
No entanto, desde 2006, um programa de reabilitação a longo
prazo ajudou-a a mudar dos cuidados de saúde com alojamento
para o seu próprio apartamento e começar a trabalhar. O programa é dirigido pela cooperativa Novos Horizontes, co-financiada
pela União Europeia através do Fundo Social Europeu,
A cooperativa tem a sede no centro da cidade de Corfu, num edifício onde também explora um café com um terraço sombreado
por laranjeiras. O café é frequentado por estudantes que lêem e
tomam café nas mesas. Os clientes ocasionais podem não atentar
no nome irónico do estabelecimento: Lunático. Podem também
desconhecer que os elegantes edifícios que o rodeiam, com as
suas portas de ferro abertas, formavam o antigo hospital psiquiátrico de Corfu, o mais antigo da Grécia, agora convertido em departamentos universitários.
Início da doença
Georgia faz parte da equipa de jardineiros que tratam dos relvados e canteiros de flores circundantes, todos vestidos de uniforme verde e boné. A sua história é uma história de sofrimento
e de coragem. Georgia, a mais velha de quatro filhos, recorda o
tratamento cruel dos pais. «Era muito nova para perceber se estava a portar-me mal», afirma. «Não tive qualquer demonstração
de afecto durante muitos anos». Aos 12 anos começou a perder
cabelo e foram-lhe diagnosticados problemas psiquiátricos. Aos
17 ficou grávida e tentou suicidar-se. Apesar da oposição dos pais,
abandonou os estudos, casou e foi viver com os sogros. Mas não
tinha um casamento feliz. O casal envolveu-se no álcool e nas drogas e o marido tornou-se violento.
Aos 24 anos de idade, Georgia ficou gravemente doente. «Comecei
a ouvir vozes e a pensar que estava amaldiçoada. Imaginava que a
televisão falava comigo e que tinha capacidades telepáticas. Não
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Pessoas desfavorecidas
«Adoro tudo o que faço no trabalho. Mudou a minha
vida por completo. Sempre gostei de jardinagem; gosto
de estar em contacto com a natureza»
conseguia tolerar o meu filho e culpava-o a ele e à minha família;
estava contra toda a gente. Queria suicidar-me».
Por fim, voltou para casa dos pais e, a partir dessa altura, as relações melhoraram. «No fim, foram os meus pais que me salvaram»,
reconhece. Começou a tomar medicamentos, a princípio contrariada, mas ainda continuava a ouvir a voz do marido na cabeça,
a ameaçá-la. Saiu de Corfu e foi viajar, acabando por se deter em
Estugarda, onde trabalhou em bares e clubes. «Era mais um pesadelo do que um trabalho nocturno», recorda amargamente. Sofria
de distúrbios alimentares e entrou em «falência». Exausta, regressou a casa. Mas à medida que a sua situação piorava, continua a
recusar-se a aceitar que estava doente.
Aceitar ajuda
Em 2002, foi admitida no hospital psiquiátrico, mas o marido foi
buscá-la. «No início, ele era atencioso», recorda, «mas não demorou
a voltar ao que era». Em 2005, Georgia compreendeu finalmente
que não poderia melhorar sem ajuda. Dois acontecimentos foram
fundamentais: o irmão mais novo, Prokopis, morreu num acidente
e, na véspera de Natal, o pai morreu de ataque cardíaco. Georgia
resolveu ter uma vida mais saudável.
Regressou ao hospital e, um ano mais tarde, foi transferida para o
programa de reabilitação. Durante seis meses, viveu numa pensão em Thinalion. Em Outubro de 2006, estava suficientemente
boa para se mudar para um apartamento protegido com outra
paciente, Corinna Mouzakiti. Começou também a trabalhar na
equipa de ambiente e jardinagem da cooperativa.
«Adoro tudo o que faço no trabalho, especialmente plantar.
Mudou a minha vida por completo», diz. «Sempre gostei de jardinagem; gosto de estar em contacto com a natureza. À noite, quando estou a ver televisão, sinto a falta do trabalho. Preferia estar a
trabalhar». Mas tem de ser cuidadosa. «O tempo quente causa-me
perturbações na cabeça», admite. Tem de fazer uma pausa. Os responsáveis da equipa compreendem a situação e evitam atribuir-lhe as tarefas mais pesadas. «Georgia está muito orgulhosa e esforça-se imenso», afirma a sua assistente social, Helena Moschat.
Uma equipa de profissionais controla a evolução de Georgia, que
pode solicitar ajuda ao seu médico a qualquer hora do dia.
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Abordagem cooperativa
A cooperativa Novos Horizontes possui 70 funcionários, incluindo
45 pacientes que trabalham juntamente com o restante pessoal.
Além do café e da equipa ambiental, dirige um serviço de limpeza, um parque de estacionamento e um bar-restaurante denominado Dusk, na cidade de Corfu. Criada em 2005, a cooperativa
teve um crescimento de 10 para 183 membros com direito a voto,
dos quais 98 são doentes. O conselho de administração inclui, no
mínimo, dois antigos internados.
A equipa ambiental tem um contrato com as autoridades locais.
Dmitris Vlachos, o responsável da equipa, tem orgulho no serviço
profissional e competitivo que a equipa oferece. «Os nossos clientes estão muito satisfeitos com o trabalho», confirma. «Ensinamos
os nossos funcionários a fazer um bom trabalho». Todos os funcionários recebem formação, para utilizar as ferramentas eléctricas,
por exemplo, e utilizam vestuário de protecção integral. Georgia
começa todos os dias às 8 horas da manhã, por vezes viajando em
miniautocarros com os colegas para localizações mais distantes.
Ganha 500 euros por mês por quatro ou cinco manhãs de trabalho semanais, acrescidos do apoio que recebe através dos serviços de saúde; o apartamento que partilha é gratuito.
«Não dizemos aos nossos clientes que alguns dos nossos funcionários são pacientes», explica Thanasis Papavlasopoulos, um especialista em economia social que ajudou a criar a cooperativa.
«Não queremos que sejam estigmatizados e não é fácil descobrir
no meio da equipa quais as pessoas que têm problemas. Dez deles são já totalmente autónomos. As diferenças conseguidas pelo
projecto do FSE em quatro anos estão à vista. Em 1997, existiam
350 pessoas internadas no hospital provenientes de toda a ilha.
Agora, existem apenas 15 camas para emergências evidentes. É
um progresso significativo. A reintegração é o aspecto mais importante e o nosso objectivo principal consiste em dar às pessoas
uma oportunidade de trabalharem e poderem ser independentes», acrescenta.
Uma luta contínua
Georgia começou a praticar alguns dos seus antigos passatempos.
Adora cozinhar e bordar e costumava pintar e escrever música.
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«Sempre adorei música. Noutros tempos, queria ser dançarina»,
recorda melancólica. Georgia visita regularmente a mãe, o irmão
e a irmã e é muito amiga dos dois filhos da irmã.
Ainda trava uma batalha diária para manter a sua vida no rumo
certo: depende da medicação que tem de tomar três vezes por
dia. Há alguns meses, a situação dela agravou-se repentinamente.
«Sentia-me muito zangada. Estava sempre a gritar. Pedi ajuda ao
médico e lutámos durante um mês para que eu não regredisse…
é mesmo uma luta», explica.
O que é que a motiva? «O meu carácter e o facto de ter um filho»,
responde. «E tenho uma boa família. Não queria magoá-los». O
filho Antonis vive agora com o pai em Atenas. Falam duas vezes
por semana ao telefone, mas Georgia diz que a sua relação seria
melhor se ele não estivesse tão longe. Ela está determinada a ficar
suficientemente boa para ter uma casa só dela, onde possa viver
novamente com o filho.
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Trabalhadores
mais velhos
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Reconversão para o mercado
de trabalho actual
Existem três princípios importantes para Milan Nedbal, da região
de Kromeriz, na República Checa. «Família, saúde e trabalho», afirma Milan, de 53 anos. No entanto, quando a fábrica em que trabalhava cessou a actividade, em Outubro de 2006, perguntou-se se
teria perdido um destes três pilares da sua vida para sempre.
Milan trabalhou estavelmente toda a sua vida adulta. Depois de
estudar maquinaria têxtil na universidade, em Liberec, trabalhou
na indústria têxtil durante 27 anos, começando pelas oficinas até
chegar a director-geral de uma empresa local. «Subi na minha carreira a pulso. Como director de fábrica, era responsável por todas
as fases da produção. Organizava o material para produção, toda
a preparação e a gestão dos funcionários», afirma.
A indústria têxtil checa entrou em declínio na década de 1990.
Quando a fábrica onde trabalhava faliu, as oportunidades oferecidas nesse sector eram escassas. «Ter sido despedido era uma
sensação má. E agravava-se com a pressão de procurar um novo
emprego», refere.
Começou imediatamente a procurar emprego, mas de início não
teve sorte. «Enviei o meu CV a cerca de 140 empresas», continua.
«Mas obtinha sempre a mesma resposta: Agradecemos o seu interesse na nossa empresa, mas lamentamos informar de que não existem oportunidades adequadas ao seu perfil neste momento…».
Não só era difícil encontrar emprego relacionado com a sua experiência, como também descobriu que o cargo de categoria
superior que detinha anteriormente constituía um obstáculo.
«Influenciava de forma negativa. Quando as empresas descobriam
que tinha sido director de fábrica, não me consideravam para cargos inferiores», diz. «Tinham receio que pretendesse assumir todo
o controlo». Todavia, continuou a enviar mais candidaturas a empregos. «Tinha que seguir em frente. Era muito importante. Sou
uma pessoa optimista. Mas a confiança começava a ressentir-se.
Perguntava-me se alguma vez voltaria a trabalhar», afirma.
Actualizar-se com as novas tecnologias
Milan compreendeu que tinha de actualizar as suas competências
para encontrar um emprego no mercado de trabalho actual. Em
2007, começou a frequentar um curso de reconversão profissional
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Trabalhadores mais velhos
«A formação era essencialmente prática e as minhas
competências em informática melhoraram muito…
Estou agora muito mais confiante»
oferecido pelos serviços de emprego locais. O projecto foi preparado e organizado pela biblioteca Knihovna Kromerizska, sem fins
lucrativos e co-financiado pela União Europeia através do Fundo
Social Europeu. Consistia principalmente de formação em informática e tecnologias da informação, aprendizagem sobre a forma
de utilizar «hardware» e «software», pesquisa na Internet, criação
e preparação de vários documentos informáticos, bem como
competências de comunicação e educação ambiental.
«Antes do curso, os meus conhecimentos informáticos eram limitados. Só comecei a utilizar computadores na parte final da minha
carreira anterior. Mas a formação era essencialmente prática e as minhas competências em informática melhoraram muito», recorda.
O curso ajudou imenso a aperfeiçoar outras competências essenciais para obter um emprego, tais como a elaboração de cartas de
candidaturas e CV, o vestuário utilizado para as entrevistas e uma
melhor comunicação com as pessoas. «Acima de tudo, ajudou-me
a adquirir autoconfiança. Notei uma diferença nas minhas competências interpessoais», acrescenta Milan.
preparação da logística para o fornecimento de vários componentes. Para executar estas tarefas, utiliza «software» de engenharia
e de gestão de projectos. «A comunicação e a coordenação são
feitas exclusivamente por meios informáticos. Teria sentido dificuldades sem competências em informática», refere.
«É completamente diferente das minhas anteriores funções.
Antes, trabalhei sempre internamente. Actualmente, necessito de
comunicar externamente com outras empresas e organizar toda a
cadeia de abastecimento», acrescenta.
O regresso ao mercado de trabalho fez uma grande diferença na
sua qualidade de vida. «Estou agora muito mais confiante. Não
penso muito no futuro, sinto-me feliz com o que faço neste momento», afirma. Milan gosta de jardinagem e de estar com a família. «Todavia, não tenho muito tempo livre. Trabalho muito», admite. E para um homem que valoriza tanto o trabalho como Milan,
isto é uma boa coisa.
No Verão de 2007, os esforços compensaram e sua procura de
emprego terminou quando conseguiu uma vaga num fabricante local. As suas competências recentemente melhoradas revelaram-se essenciais. «Um elevado conhecimento de informática era
um pré-requisito para a função. E a empresa não receia contratar
funcionários mais velhos». A empresa, Chropyňská Strojίrna, é especializada no fabrico de braços robóticos para soldagem no fabrico de veículos, bem como outros produtos como, por exemplo,
moldes para máquinas de prensar plástico que fabricam artigos
como os pára-choques de veículos.
Competências de comunicação
Milan trabalha no departamento de cooperação. «A minha função é assegurar a produção de diferentes componentes da cadeia
de abastecimento junto de subcontratantes», esclarece. «Não temos capacidade para produzir tudo sozinhos». A par da sua vasta
experiência em produção, as competências em informática são
essenciais para a sua nova função. O seu trabalho implica a elaboração de estudos e selecção de fornecedores, a preparação de
encomendas e de documentação com especificações técnicas e a
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O verdadeiro valor da experiência
«Existe a ideia de que quando uma pessoa envelhece, os empregadores já não precisam mais dela. Temos a capacidade, mas somos demasiado velhos e demasiado caros.»
Se existe uma nota de amargura na voz de Roswitha Kerbel, de
55 anos, é fácil de compreender porquê. Para uma mulher com uma
ampla diversidade de qualificações, que dedicou parte da sua vida
a prosseguir uma carreira de alto nível na área editorial, ficar desempregada subitamente quando sabe que quer trabalhar é profundamente frustrante. Pouco depois dos 50 anos, passou quatro anos
a procurar emprego em Viena, Áustria, sem encontrar uma oferta
adequada. «Recebi muitas recusas. Fiquei muito desmotivada. Uma
pessoa começa a sentir-se velha e inútil», recorda.
Finalmente, o seu centro de emprego sugeriu que contactasse
a Initiative 50, um programa co-financiado pela União Europeia
através do Fundo Social Europeu com o objectivo de pôr os trabalhadores mais velhos em contacto com empregadores que
reconhecem o seu valor. Em Janeiro de 2008, pediram-lhe que
enviasse o seu CV à Licht ins Dunkel (Luz na Escuridão), uma popular instituição de caridade sediada em Viena que trabalha com
a televisão austríaca e celebridades para angariar donativos para
famílias necessitadas. A organização chamou-a para uma entrevista e, numa hora, ofereceu-lhe um emprego.
Dedicação aos livros
Roswitha nasceu em Graz, na Áustria, mas aos seis anos foi viver
para Estugarda, na Alemanha, onde cresceu e estudou. Obteve um
diploma de bibliotecária antes de adquirir competências complementares em economia e tecnologias da informação e entrar na
área editorial.
«Sempre me concentrei na minha carreira. Adoro livros», explica,
apontando para as filas de livros que cobrem as paredes da sua sala
de estar desde o chão até ao tecto. «Exerci cargos de direcção na área
de marketing em algumas grandes editoras. Trabalhava 60 a 70 horas
semanais e viajava imenso, com a responsabilidade de organizar feiras de livros e lançamentos. Era um trabalho muito difícil», afirma.
Quando o primeiro casamento terminou em divórcio, regressou à
Áustria, em 1993, onde conheceu o seu segundo marido, Michael
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Trabalhadores mais velhos
«Gosto muito de trabalhar e fico feliz por ser
capaz de ganhar o meu próprio salário, pois
gosto de ser financeiramente independente»
Estl. Roswitha sentiu que tinha chegado o momento de mudar
a sua vida. «O meu primeiro casamento terminou porque estava
demasiado ocupada com o meu trabalho. Ficava longe de casa
demasiado tempo e era demasiado cansativo. Não queria que
acontecesse o mesmo outra vez», recorda.
Uma casa no campo
Roswitha e Michael casaram em 2000. Compraram uma casa na
aldeia de Königstetten, na orla dos belos bosques de Viena, nos
arredores da capital austríaca. Quando tomam o pequeno-almoço na varanda, o olhar perde-se para lá do jardim até às colinas
onduladas de brilhante colza amarela. Michael trabalha em casa
como programador informático, na companhia de dois enormes
cães, Benny e Teddy, e dois gatos, Mimi e Pepper.
Roswitha também necessitava de flexibilidade para cuidar dos
pais idosos (a cada duas ou três semanas viajava até Estugarda
onde os pais ainda viviam) e da sogra em Viena. Deixou o emprego na editora e começou a procurar um novo rumo para a sua carreira. O jardim parecia ser a resposta: «Sempre adorei jardinagem,
mas não conhecia nada sobre plantas», confessa. Frequentou um
curso de formação em jardinagem paisagística e obteve, em seguida, um emprego no parque natural dos Bosques de Viena. Era
responsável pelo planeamento de eventos e excursões para grupos de visitantes, bem como pela administração e contabilidade,
mas o emprego foi temporário. «Gostaria de ter conseguido um
emprego permanente, mas era demasiado velha», esclarece.
Fevereiro de 2008. O programa paga o salário dos participantes
nos primeiros três meses, oferecendo aos empregadores um incentivo adicional para contratar as pessoas. Admite que ser administrativa não é o seu «emprego de sonho» e que poderia ser mais
interessante. «Mas, na minha idade, já não quero ter toda aquela
responsabilidade», explica. «Quero levar a vida com mais calma. É
uma situação difícil e agradeço a oportunidade de ter de novo um
emprego. Não sou uma ‘dona-de casa’ típica. Gosto muito de trabalhar e de estar com os meus colegas. E fico feliz por ser capaz de
ganhar o meu próprio salário, pois gosto de ser financeiramente
independente», confessa.
«A Initiative 50 é um bom programa porque ajuda as pessoas mais
velhas a encontrar empregos adequados e isso não é fácil. Agora
tenho tempo para cuidar do meu jardim, do meu marido e dos
meus cães. Não quero a pressão que tinha antes. O projecto ajudou-me a conseguir esta vida», conclui.
«Initiative 50 is a very good scheme because it helps older people to
find suitable jobs, and that’s not easy. Now I have time for my garden,
my husband and my dogs. I don’t want the stress I had before. The
project has helped me to achieve that.»
Roswitha diz que começou a tomar consciência do problema da
discriminação em relação à idade há cerca de 10 anos. Pensa que a
questão tem a ver com os elevados custos em termos de segurança social que os empregadores pagam por funcionários mais velhos. «Existe muita pressão, devido ao facto de existirem poucos
empregos no mercado, pelo que as empresas oferecem trabalho
aos funcionários com menos custos», argumenta.
Independência financeira
Todavia, a Initiative 50 proporcionou a Roswitha um novo começo. Tem trabalhado a tempo inteiro para a Licht ins Dunkel desde
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Solidariedade social dá nova esperança
A filosofia de vida de Tsvetan Ivanov é muito clara: «Ajudar-mo-nos mutuamente torna-nos a todos mais fortes. Procurar ser o
primeiro não é uma política com a qual concorde», afirma.
Tsvetan trabalhou durante 25 anos numa fábrica de fertilizantes
químicos local, em Vratsa, no noroeste da Bulgária, onde supervisionava os procedimentos de segurança, antes de beneficiar de
uma reforma antecipada em 2000. Cedo decidiu que queria fazer
algo para ajudar as outras pessoas da sua comunidade. Vratsa é
uma cidade pitoresca, conhecida pelas suas espectaculares grutas
e escarpas para alpinismo. Mas muitas famílias jovens partem da
cidade para procurar emprego, por vezes deixando os pais idosos
ou familiares com deficiência relativamente isolados.
Em 2008, ouviu falar sobre o projecto Through Social Services, for
Decent Living, dirigido pela ONG local Most (Ponte) e co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. O projecto forma e contrata pessoas reformadas e desempregadas para
trabalharem como assistentes sociais, prestando apoio diário a 40
pessoas que vivem nas suas próprias casas mas não são autónomas e necessitam de cuidados prolongados.
Após um breve período de formação, que abrangeu primeiros
socorros, competências em aconselhamento e lidar com situações de emergência, foi oferecido a Tsvetan um contrato que o
tornava responsável por dois clientes: Nicola Kotsev, de 87 anos, e
Emil Ginev, um antigo arquitecto que sofreu a amputação de uma
perna na sequência de um acidente de viação. Tsvetan visita-os
diariamente, ajuda-os a manter as casas limpas e a fazer as compras. Pode ter que ajudar com as consultas médicas ou com tarefas administrativas rotineiras como, por exemplo, pagar facturas
de serviços. Ao almoço, recolhe as refeições de ambos na cantina
dos serviços sociais, que prepara 200 a 300 refeições diárias para
pessoas dependentes da segurança social. Algumas vezes, leva
Nicola a passear na cadeira de rodas, outras apenas fica sentado a
seu lado a fazer-lhe companhia.
Uma paixão pela aprendizagem
Tsvetan desenvolveu fortes laços afectivos com os seus dois protegidos. «Nicola é uma pessoa cheia de vida e muito alerta. Sente-se muito melhor quando falo com ele», refere Tsvetan. «Precisa de
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Trabalhadores mais velhos
«Através deste projecto, dou esperança
às pessoas. Posso ver que têm
vontade de viver e de não desistir»
tomar medicação depois de ter sofrido um enfarte. Mas tem todas
as suas faculdades e recusa-se a desistir. O aspecto mais interessante do emprego é o facto de obtermos uma visão psicológica
da forma como as pessoas lidam com as adversidades. O que me
agrada é o facto de estar a aprender e quanto mais aprendo mais
posso ajudar as pessoas. É preciso compreender o que sentem sobre muitas questões, como o envelhecimento e mesmo a morte».
Inicialmente, voluntariou-se para assistente social de um projecto
anterior financiado pelas Nações Unidas em toda a Bulgária e que
abrangia 210 pessoas na região de Vratsa.
Tsvetan foi sempre um pensador independente, com interesses
muito diversificados. Licenciado em química, quando terminou a
universidade passou 15 anos no sector da construção civil, ajudando a restaurar ícones e murais do famoso mosteiro Cherepish,
próximo de Vratsa. Ao mesmo tempo, estava «viciado» no Cubo
de Rubik (ainda guarda algumas das versões mais difíceis deste
puzzle). Quando descobriu a Internet, esta tornou-se também
uma paixão. «Tinha que me obrigar a sair», admite. Em 2007, publicou o seu primeiro livro, expondo a sua própria teoria filosófica
sobre A Tetralética da Natureza.
O livro reflecte o seu interesse em todos os aspectos do mundo
natural. Quando trabalha no computador, um ou dois dos seis gatos que salvou das ruas enroscam-se no regaço ou sobem para os
ombros. «Quando tratamos bem os animais, eles começam a confiar em nós, tal como as pessoas», explica. A janela da sua modesta
sala de estar, que também serve de quarto, está cheia de plantas.
A sua biblioteca pessoal enche o pequeno apartamento, com cerca de 6 000 volumes sobre os mais variados temas. «Li-os todos»,
declara Tsvetan orgulhosamente. Faz parte de uma sociedade de
filosofia local e publicou cerca de 150 artigos.
lefonar 24 horas por dia». Conta também com o contacto humano (ter alguém com quem conversar todos os dias) e estabeleceu
uma estreita relação com a assistente que lhe presta os cuidados,
Maryika Mitova.
A afeição é mútua. «Ela é como uma mãe para mim», confessa
Maryika, que também trabalha para o programa Decent Living. Os
assistentes sociais trabalham seis horas diárias e recebem um salário pago pelo orçamento do projecto. Mas, como pensionista,
Tsvetan não paga impostos e tem direito a cuidados de saúde gratuitos, o que, por sua vez, poupa dinheiro ao projecto. A função
dos 10 assistentes sociais consiste em apoiar os 10 prestadores de
cuidados empregados a tempo inteiro pela autoridade local.
O contrato é válido por um ano, a duração do programa. Tsvetan
espera que seja renovado, dizendo que seria um prazer continuar
a trabalhar no projecto. «Através deste projecto, dou esperança
às pessoas. Posso ver que têm vontade de viver e de não desistir.
O trabalho proporciona-me um rendimento suplementar, o que
me permite ter uma vida decente e, por sua vez, posso ajudar outros a viver decentemente. Desde que comecei a conversar com
Nicola, tornou-se mais esperançoso e tentou começar a caminhar
de novo. Ficou mais animado. Por isso, este trabalho tem sido útil
para mim e eu tenho sido útil para Nicola».
Afeição mútua
Velika Mamkova, de setenta e sete anos, é outra beneficiária da
iniciativa Decent Living. Está obrigada a ficar em casa, de muletas, na sequência de uma operação e de uma perna partida. Os
dois filhos têm a sua própria família e não vivem com ela; um foi
trabalhar para Itália. «Esta ajuda é muito importante. Há coisas
que não consigo fazer sozinha e não seria capaz de lidar com a
situação», diz. «Se surgir um problema, sei que posso sempre te-
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Novas competências e sentido
de comunidade
Nascida numa pequena aldeia próxima de Vilnius na década de
1930, Aldona Mikalauskiene testemunhou pessoalmente algumas das maiores convulsões europeias, desde as atrocidades da
Segunda Guerra Mundial e as dificuldades e conflitos sob o domínio soviético até à independência do seu pequeno país, a Lituânia.
Ao longo de todos estes acontecimentos, manteve um forte carácter e um sentido de dever perante os seus concidadãos.
«Hoje temos muitas novas liberdades. Liberdade para termos o nosso próprio negócio e nos aperfeiçoarmos, para criticar e falar livremente sobre o nosso governo, mas temos também a obrigação de
utilizar as nossas liberdades e os nossos talentos para nos ajudarmos
mutuamente. Somos um só povo, uma só sociedade», afirma.
Origens humildes…
Filha de agricultores do Ukmergė rural, Aldona frequentou a escola, casou e enviuvou e, em seguida, recomeçou os estudos,
distinguindo-se como aluna mais velha na universidade. Agora,
como contabilista qualificada, dirige a sua própria empresa de
contabilidade na capital lituana, formando e empregando jovens
e ajudando vários clientes a ultrapassar com êxito períodos financeiros difíceis. «Passei a maior parte da minha carreira a trabalhar
com futuros profissionais. Organizei estágios e formei numerosos
contabilistas bem sucedidos», acrescenta.
Os seus clientes são muitos e variados, desde restaurantes chineses e mecânicos de automóveis até organizações de mulheres e
crianças ou grandes empresas e fabricantes. «Adoro o meu trabalho e satisfaz-me especialmente ver o meu grupo ajudar outras
pessoas a terem êxito, sejam pequenas empresas, fornecedores
de serviços ou grandes empresas que produzem riqueza para a
nossa economia», afirma. «E por que deveria parar agora? Já ando
por aqui há algum tempo, mas sempre tive uma vida activa e penso que ainda posso contribuir com algo», argumenta.
Ainda em boa forma
«O trabalho de contabilista anda sempre à volta de números, o
que implica ter conhecimentos especializados e as ferramentas
adequadas», explica Aldona.
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Trabalhadores mais velhos
«O trabalho de contabilista anda sempre à volta
de números, o que implica ter conhecimentos
especializados e as ferramentas adequadas»
Um único programa de formação em tecnologias da informação
para pessoas mais velhas, organizado por um grupo de cidadãos
de terceira idade, LPS Bociai, e co-financiado pela União Europeia
através do Fundo Social Europeu, ajudou Aldona a dominar as
novas tecnologias da informação na sua empresa, a melhorar as
suas competências e a actualizar-se sobre os mais recentes equipamentos informáticos, programas e serviços de funcionamento
em rede.
«Passo uma boa parte do meu dia no exterior, de um lado para o
outro, em reuniões com clientes, a recolher e entregar documentos e apresentações e a vender os nossos serviços a potenciais
clientes», refere. Em seguida, regressa ao escritório, onde confere
e analisa os resultados e os números.
«Quando comecei, usávamos aquelas antigas máquinas de somar
com uma grande manivela que rodava para baixo e que tilintavam
como caixas registadoras. Pensávamos que eram muito práticas.
Como as coisas mudaram! Existem tantas ferramentas e tecnologias novas que podem ser extremamente úteis na contabilidade»,
afirma.
«Os cursos de informática permitiram-me desenvolver novas
competências e fazer o meu trabalho de forma mais eficiente. As
aulas foram uma verdadeira ajuda», conclui.
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Regressar ao trabalho
Nascido em 1949, George Mifsud passou por várias mudanças na
sua vida. Enquanto jovem a crescer em Malta, aprendeu soldagem, carpintaria e outras competências que lhe proporcionaram
um bom início de vida profissional. Mais tarde, aprendeu taxidermia, uma arte que praticou activamente durante 20 anos.
Caçador e músico desde sempre, os vários interesses de George
mantiveram-no em movimento, cruzando várias vezes o seu arquipélago natal. Nunca se afastou para muito longe, apenas visitou a Itália e a Suíça fora da sua pátria, Malta. «É um pequeno país
mas com imensas potencialidades. Nós, os malteses, não gostamos de viajar para longe. É um país cheio de história. Gostamos
de cuidar das nossas ilhas e de mantê-las bonitas», explica.
E é esta a missão de George na sua nova função como trabalhador
paisagístico. «Tive muitos empregos diferentes. Antes deste, dirigi
um snack-bar para turistas durante 11 anos. Depois, quando este
encerrou, sentia-me, não sei, ultrapassado. Precisava de encontrar
algo para fazer. Estava desempregado», continua.
Cursos de aperfeiçoamento
George viu uma reportagem na televisão sobre novos fundos da
União Europeia para desempregados, por isso fez alguns telefonemas e inscreveu-se no Training and Employment Exposure Scheme
(TEES). Co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social
Europeu, o TEES ajuda pessoas com idade superior a 40 anos a regressar ao mercado de trabalho.
«Fiz trabalhos de soldadura e de electricidade na minha juventude, tarefas que sempre me agradaram, mas a minha habilidade
estava bastante enferrujada. O projecto TEES proporcionou-me
alguns cursos de aperfeiçoamento gratuitos. Frequentei cursos de
pichelaria, carpintaria, soldagem e electricidade. Foi muito divertido e conheci muitas pessoas simpáticas. Fizemos uma formação
completa de seis meses», confessa.
Depois de aperfeiçoar as suas velhas competências, George foi
posto em contacto com um consórcio paisagístico que executa
trabalhos em Malta e tem agora novamente um emprego a tempo inteiro. Trabalha com uma equipa de homens que percorrem as
paisagens maltesas, fazendo trabalhos de manutenção e repara-
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Trabalhadores mais velhos
«Trabalho no exterior e tenho um grande
prazer naquilo que faço. Deslocamo-nos
de uma ponta à outra do país»
ção de infra-estruturas de transporte como, por exemplo, as faixas
separadoras centrais das autoestradas, instalação de iluminação
e sistemas de drenagem, mantendo, em geral, as infra-estruturas
em ordem.
«Trabalho no exterior e tenho um grande prazer naquilo que faço.
Deslocamo-nos de uma ponta à outra do país», orgulha-se, tendo
em conta que a superfície de todo o Estado-Membro da UE tem
uns modestos 316 km2 de superfície.
Ao serão, George toca guitarra numa banda local de «country
rock», outra paixão que persegue desde a juventude. Reconhecido
pelas pessoas na rua e nos salões de hotéis elegantes, George é
uma espécie de instituição local e, com uma pequena ajuda dos
seus amigos, mostrou como uma pessoa de terceira idade ainda
pode fazer a diferença.
«Este programa ofereceu-me a oportunidade de fazer algo novo.
Sinto-me como se estivesse a começar de novo: regressei ao
jogo», acrescenta.
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Preparar uma nova carreira
«Podia passar o resto da minha vida com os subsídios de desemprego e de pré-reforma, mas não queria isso», declara Jane Grøne,
com ar de desafio. «Estava determinada a conseguir um emprego
e fi-lo porque quis, não por imposição dos serviços de emprego. A
iniciativa foi minha. Mas a formação era essencial, dado que não
era possível ter este emprego sem ter obtido aprovação num teste e obtido a carta de motorista».
A conduzir o seu autocarro amarelo ou a conversar com as suas
colegas de trabalho na City Trafik, uma das duas principais empresas de autocarros de Aalborg, na costa ventosa de Jutland,
Dinamarca, Jane parece estar completamente à-vontade. No
entanto, no início de 2007, já nos seus cinquenta e cinco anos,
encontrava-se desempregada e não tinha qualificações formais que a ajudassem a conseguir um emprego. Quando reparou num anúncio para formação de motoristas de autocarros
num jornal local, ficou tentada a responder; gostava de conduzir e a função parecia interessante. Mas hesitou. Seria capaz
de conduzir um veículo de grandes dimensões? E seria capaz
de assumir a responsabilidade pela segurança dos seus passageiros? «No início, pensei que era difícil devido à minha idade»,
admite.
Uma semana mais tarde, Jane reparou no mesmo anúncio.
«Parecia o destino. Pensei para comigo: Se outras pessoas conseguem, porque não eu!? Posso tentar e ver como corre. Posso sempre desistir, se necessário», recorda.
Avançou com a ideia e, em Novembro de 2007, conseguiu uma vaga no programa Competências Profissionais,
dirigido pelo centro de formação profissional local AMU
(ArbejdsMarkedsUddannelser — TrabalhoMercadoEducação),
um projecto educacional co-financiado pela União Europeia
através do Fundo Social Europeu. O curso de motorista de autocarro inclui aulas teóricas e práticas, com diferentes módulos
que abrangem temas como saúde e segurança, primeiros socorros, contacto com dinheiro, ergonomia e assistência a passageiros com deficiência.
Jane está grata pela formação que recebeu. «Os professores tornaram as aulas divertidas e interessantes. Eram muito profissionais.
Mesmo quando os temas que tínhamos de estudar eram aborrecidos, pessoalmente nunca me senti aborrecida».
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Trabalhadores mais velhos
«Ficamos muito mais confiantes quando obtemos
o diploma e conseguimos um bom emprego
com bons colegas. Sentimo-nos melhor»
Promessa de emprego
Entretanto, começou a procurar emprego e a City Trafik ofereceu-lhe uma vaga com início em Fevereiro de 2008. Mas existia um
problema: embora a formação estivesse concluída na altura, sentia que não tinha experiência prática suficiente. «Estava nervosa,
porque a empresa tinha-me prometido um emprego e todos os
outros novos motoristas estavam preparados para começar».
Tinha medo de perder a oportunidade, mas a empresa manteve
a palavra. «Como dizemos na Dinamarca, talvez tenha sido pelos
meus olhos azuis». Jane ri maliciosamente. Teve aulas suplementares durante dois meses e em Abril estava preparada para iniciar
funções.
«Sinto-me realmente feliz por ter obtido a minha carta de motorista. Ficamos muito mais confiantes quando obtemos o diploma
e conseguimos um bom emprego com bons colegas. Sentimo-nos melhor», acrescenta.
«Participar numa formação é transmitir a mensagem de que as
pessoas podem ter êxito», confirma Henrik Johannesson, director da secção de transportes e logística do centro AMU. «Vemos
muitas pessoas com 50 anos, sobretudo porque perderam os seus
empregos e querem começar uma nova carreira».
Assumir a responsabilidade
Jane é oriunda de Hjørring, no norte da Dinamarca. Quando tinha
15 anos, mudou-se para Aalborg, onde os pais abriram um café.
Mas pouco depois a mãe morreu e, sendo a mais velha de seis
crianças, Jane cedo ficou ocupada a cuidar dos seus três irmãos e
duas irmãs e a ajudar o pai no negócio. Tinha pouco tempo para
estudar e obter aprovação nos exames, por isso abandonou a escola sem qualificações.
Casou aos 20 anos e teve três filhos. Jane e o marido dirigiam uma
pequena empresa de equipamento de escritório e ela desempenhava a função de recepcionista e secretária. Mas quando o marido morreu, em 1997, teve que vender a empresa e procurar emprego «Estava perto dos 50 anos e tinha que decidir o que queria
fazer. Procurei e voltei a procurar», recorda. Encontrou emprego
como prestadora de cuidados de saúde e concluiu um ano de for-
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mação profissional para obter as qualificações complementares
de que necessitava para promoção. Entretanto, sofreu um acidente de viação que a deixou com uma lesão na coluna e impossibilitada de levantar pesos ou fazer trabalho pesado, essencial para o
tipo de função que desempenhava. Jane esteve cerca de um ano
de baixa e, em seguida, com subsídio de desemprego, antes de
decidir que não era esta a forma de vida que queria.
Os seus filhos já são adultos e independentes. O filho mais velho
vive em Copenhaga, mas a filha e o filho mais novo vivem perto e
Jane gosta especialmente do tempo que passa a cuidar do neto
de dois anos, Mathias.
Trabalha 37 horas semanais, normalmente distribuídas por seis
dias, com turnos que começam tão cedo como as 4h da madrugada e terminam tão tarde como as 1h30 da madrugada. Todas
as manhãs, quando chega à empresa, é informada do itinerário
que irá percorrer nesse dia. Existem 170 motoristas a trabalhar na
empresa City Trafik, 22 dos quais mulheres.
Gestão de conflitos
Graças ao seu emprego, Jane conheça agora a cidade muito melhor. As ruas estreitas do centro antigo de Aalborg, com as suas
casas bem arranjadas e pintadas a cores pastel, não são o local
mais fácil para conduzir um veículo de grandes dimensões. Mas
Jane orgulha-se de conduzir ágil e cuidadosamente de modo a
que os passageiros usufruam de uma viagem segura e confortável. «Temos que parar nos semáforos, de qualquer modo. Porquê
andar depressa?, observa. Tem prazer no contacto social com os
passageiros habituais e estes, por sua vez, mostram o seu agrado:
«Oferecem-me prendas: chocolates e garrafas de vinho!…».
Por outro lado, a violência contra os trabalhadores dos transportes é uma constante fonte de preocupação, tendo sido detidas,
há cerca de um ano, duas pessoas acusadas de atacar com facas
motoristas de autocarros. A gestão de conflitos foi um dos temas
do curso e Jane afirma que o seu único problema até ao momento consistiu num grupo rebelde numa paragem de autocarro.
Lembrando-se do curso de formação, fechou rapidamente a porta
e arrancou. Actualmente, os autocarros estão dotados de alarmes
ligados à polícia local.
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«Estou muito contente com o meu trabalho», continua Jane.
«Estou feliz com os meus colegas e com o meu patrão. Somos todos bem tratados e ajudamo-nos mutuamente. Somos como uma
grande família, onde ninguém é posto de parte. Vou continuar
aqui até morrer!», brinca. Jane tem uma boa razão para esperar
uma carreira longa e satisfatória, pois, desde que os motoristas
renovem os seus certificados médicos todos os cinco anos, a idade de reforma é flexível. O motorista mais velho da City Trafik tem
72 anos.
«Gosto mesmo de vir trabalhar, mesmo que seja às 4h00 da manhã. Nunca fico triste por estar a trabalhar», conclui Jane.
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Empreendedorismo
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Aconselhamento coloca serviço
de aerodeslizadores no rumo certo
«Pensava que a criação de uma empresa de viagens de aerodeslizadores (hovercraft) era uma ideia tão boa que as pessoas viriam
a correr visitar-nos, mas não era verdade. Felizmente, o programa
de aconselhamento proporcionou-me o apoio de que necessitava: aprendi marketing e, sem isso, a empresa não existiria».
Peeter Tarmet vive em Saku, na luxuriante região perto de Talin,
a capital da Estónia, e dirige agora a única empresa de lazer e entretenimento com aerodeslizadores existente no país. Em 2007,
decidiu que já não queria passar a vida a fabricar móveis, como
fazia desde que deixou a universidade oito anos antes. «Queria
fazer algo de novo. Até aqui, trabalhei sempre sozinho, numa sala
poeirenta. Muitas vezes, não via a luz do dia e precisava de um
pouco de ar fresco. Trabalhando por conta própria, tenho a responsabilidade de tudo e, se ficar doente, deixa de haver negócio»,
explica.
Peeter teve a sua grande ideia enquanto via o canal Discovery na
televisão. «Estavam a mostrar pequenos aerodeslizadores que podem viajar por terra e na água. Pensei: «Não temos nada disto na
Estónia. Eu queria fazer algo de novo».
Foi um passo arrojado. Peeter e a esposa, Birgit, têm dois filhos:
Ken, de 12 anos, e Kendra, de 10. Com cada aerodeslizador a custar 16 000 euros, tiveram de contrair um empréstimo para fazer a
compra. «Até ali era só conversa, não estávamos a arriscar nada.
Mas a assinatura do empréstimo foi o ponto de viragem. Tivemos
de tomar uma decisão e não podíamos voltar atrás». Em parceria
com Kalmer Kallasmaa, Peeter investiu em três pequenas embarcações e, passados alguns meses, tinham lançado as suas viagens
para turistas e população local.
Perguntas e respostas
Mas não era apenas uma questão de planear viagens. «As pessoas
não nos conheciam», explica Peeter. «Com algo novo, demora o
seu tempo». Concluiu que não estava a ter os clientes que esperava. «Pensámos: onde é que estamos a errar? Por que é que não
está a dar resultado? Tínhamos muitas perguntas».
Para encontrar as respostas, Peeter inscreveu-se no Mentoring
Programme da Enterprise Estonia, co-financiado pela União
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Empreendedorismo
«Talvez tenha descoberto uma nova
pessoa em mim que gosta de falar. As minhas
apresentações são cada vez melhores»
Europeia através do Fundo Social Europeu. No início, queria adquirir mais conhecimentos sobre liderança, gestão financeira e
marketing. Mas uma reunião com potenciais mentores convenceu-o de que a chave residia no marketing. «Para que serve ser
melhor líder ou gerir bem as finanças se não se consegue vender
o produto?», pergunta.
confortáveis, certamente voltarão», explica Peeter. Eventualmente,
espera construir um local permanente com instalações para conferências e restauração e diversas actividades de lazer e entretenimento. «Sem o conhecimento especializado que adquiri através
do programa de aconselhamento, acho que não estaria onde estou hoje», conclui.
O seu mentor, Kadi Elmeste, é um especialista em marketing da
cidade de Pärnu e ensinou-o a criar apresentações e a seleccionar
as soluções adequadas para fins publicitários. «Todos oferecem
publicidade, mas não é barata e, se não der resultado, perde-se
dinheiro», refere. Pouco tempo depois, estabeleceu uma parceria
com a maior agência de viagens da Estónia, a Estravel.
«Para mim, esta formação foi óptima, uma vez que quando fazia
móveis não precisava de dominar técnicas de vendas ou de marketing. Tinha mais compradores do que precisava». Na verdade,
Peeter acha que descobriu a sua vocação: visitar e fazer apresentações a clientes, promovendo a sua nova empresa. «Já não trabalho sozinho», afirma com satisfação. «É algo novo para mim e adoro deste trabalho. Conheço pessoas e posso comunicar com elas.
Talvez tenha descoberto uma nova pessoa em mim que gosta de
falar. As minhas apresentações são cada vez melhores», confessa.
Planos de expansão
Os parceiros planeiam lançar um sítio web para atrair visitantes internacionais e prevêem oferecer os seus serviços em seis línguas:
estónio, inglês, francês, alemão, russo e finlandês. Actualmente,
cerca de 25% a 35% dos negócios são provenientes do estrangeiro.
«Temos grandes planos para o futuro», informa. O próximo passo
consiste num autocarro equipado especialmente com serviços de
sauna e de restauração. No local actual já existem instalações para
a prática de tiro ao arco e uma sala de conferências. Pretende-se
oferecer aos visitantes, no final do dia, um local quente onde possam relaxar, desfrutar de uma sauna, uma bebida ou uma refeição,
ou mesmo o transporte até casa.
«Queremos melhorar a qualidade dos nossos serviços e dar o máximo conforto possível aos nossos clientes porque, se estiverem
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Gerar energia verde
A pequena capela setecentista de Lagness, perto de Chichester,
na costa meridional de Inglaterra, fica sobranceira a colinas onduladas, vastas pastagens e horizontes distantes. Actualmente,
fornece quatro confortáveis quartos duplos com «suite». Sandra
Barnes-Keywood e o marido, Charles, restauraram afectuosamente as antigas ruínas como atracção principal do negócio de alojamento e pequeno-almoço que abriram há oito anos.
Mal sabiam na altura que um programa de formação co-financiado
pela União Europeia através do Fundo Social Europeu seria o primeiro passo para Sandra se tornar numa premiada pioneira em «turismo verde» e uma reconhecida «maker and shaker» («criadora e
dinamizadora») na promoção de práticas empresariais ecológicas.
Sandra nasceu na zona ocidental de Londres. Mas sempre adorou
a vida no campo e decidiu mudar para Chichester. Esta parte da região ocidental do Sussex é conhecida pela sua magnífica beleza natural. O ventoso estuário do rio junto ao vizinho porto de Pagham
(um paraíso para as aves selvagens) e as colinas de South Downs
são os destinos favoritos de caminhantes e amantes da natureza.
Com um diploma de nível universitário (Higher National Diploma,
HND) em gestão e restauração no sector da hotelaria, Sandra adquiriu um edifício público degradado e transformou-o num restaurante. No entanto, após o nascimento da filha Jasmine, há 16
anos, era difícil conciliar a gestão do restaurante com os cuidados maternais e acabaram por vender o restaurante. «Quando a
Jasmine tinha quase oito anos, decidi que iria voltar à actividade
hoteleira», recorda Sandra, e um negócio B&B (alojamento e pequeno-almoço) parecia uma solução flexível.
Uma história para contar
Como restauradora qualificada, estava céptica quanto à utilidade
de formação adicional. Nessa altura, um surto de febre aftosa que
afectou o gado no Reino Unido deixou muitas pequenas empresas
rurais em dificuldades. Com o apoio do FSE, o organismo Tourism
South East lançou o seu programa Rural Welcome (bem-vindo ao
campo) e Sandra inscreveu-se em 2004. «Fiquei deveras surpreendida. Percebi que nunca deixamos de aprender na vida», admite.
O curso mostrou-lhe que, embora o seu negócio já se regesse por
parâmetros ecológicos, não estava a passar a mensagem aos seus
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Empreendedorismo
«Aquela formação mudou a minha carreira.
Nunca olhei para trás. Agora tenho tudo o que preciso
para fazer o que quero e sinto-me confiante»
visitantes e que o facto de realçar os seus ideais ecológicos poderia constituir uma diferença significativa. «Tinha uma história para
contar, mas ninguém a ouvia», afirma.
O curso proporcionou a Sandra o impulso que precisava. Quando
Jasmine nasceu, tinha estado bastante doente, com hipertensão,
e foi submetida a uma cesariana sem anestesia. Em seguida, esteve três meses no hospital a recuperar de stresse pós-traumático
e aumentou de peso substancialmente. Assim, voltar a gerir um
negócio era um desafio. «Perdi a confiança na minha capacidade
em fazer algo mais além de ser mãe. Mas aquela formação mudou a minha carreira. Nunca olhei para trás. Agora tenho tudo o
que preciso para fazer o que quero e sinto-me confiante. Já não
me sinto aquela ‘dona-de-casa’ que desistiu de trabalhar. O curso
ajudou-me a dar um novo rumo à minha vida», explica.
«Estamos completamente envolvidos no ambiente», continua
Sandra. «Acreditamos que o turismo ecológico é uma filosofia,
não um produto». Sandra cultiva os seus próprios frutos, que coloca nos quartos dos hóspedes ou os utiliza para fazer compotas
para o pequeno-almoço. Compra produtos biológicos em lojas de
agricultores locais e fabrica os seus próprios materiais de limpeza
naturais. Incentiva os hóspedes a não desperdiçarem energia ou
água, reduzindo a lavagem de toalhas em 43%. As águas residuais são recicladas e utilizadas no jardim. Dispõe de painéis solares
para aquecer a água e «lâmpadas ecológicas» fazem convergir a
luz do dia para quartos de banho sem janelas.
Sandra tenta também «contribuir» para a comunidade local, prestando aconselhamento a jovens de 16 anos com resultados escolares
abaixo das expectativas e preparando estudantes universitários locais. O seu Sistema de Contribuição para Turismo Ecológico angariou
fundos para a construção de locais de estacionamento para bicicletas no porto de Pagham e para a reparação de esconderijos para observadores de aves. Actualmente, Charles conjuga o seu negócio de
serralharia, onde produz mobiliário e peças em ferro forjado, com a
actividade de auditoria ambiental, inspeccionando hotéis da região.
Testemunho independente
O trabalho de Sandra granjeou-lhe um amplo reconhecimento. A
Old Chapel Forge possui a classificação de ouro do Green Tourism
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Business Scheme (Regime de auxílios ao turismo ecológico), o
principal programa de certificação de turismo sustentável do
Reino Unido. «Esta distinção deu-me credibilidade, uma vez que
fui avaliada de forma independente. Tornei-me uma empresária
de sucesso no Reino Unido e ajudei outras empresas a obterem a
acreditação. No entanto, apercebi-me de que a oferta estava desactualizada e, por isso, elaborei o meu próprio programa de formação». Agora, através da sua Green Training Company (empresa
de formação ecológica) (http://www.thegreentrainingcompany.
co.uk/), presta apoio a departamentos regionais e organizações
turísticas em todo o Reino Unido. Entre outros prémios, Sandra e
Charles receberam o Green Apple Award (Prémio Maçã Verde) de
arquitectura em 2006, pela renovação ecológica da capela, o Arun
Business of the Year Award (prémio Arun para empresa do ano) em
2007 e o Sussex Sustainable Business Award (prémio Sussex para
empresa sustentável) em 2007 e 2008.
Sandra é agora uma fervorosa defensora da formação e já frequentou mais cursos. As redes são apenas uma das vantagens.
«No sector do alojamento e pequeno-almoço, podemos ficar isolados», observa. «Por isso é que é agradável andar pela região e
falar com as pessoas. Recolhemos sugestões de outros». No ano
passado, a Old Chapel Forge registou uma taxa de ocupação de
89%, comparada com a média de 54% da região.
«Tem sido um longo caminho. Quando comecei a fazer turismo
ecológico aqui, a maior parte das pessoas pensava que era algo
excêntrico. Tinham medo de ter apenas cereais para o pequeno-almoço ou algo parecido!», ri, acrescentando que pesquisas de
mercado mostram que, na verdade, os visitantes esperam elevados padrões de atendimento em alojamentos ecológicos.
Os hóspedes apreciam claramente a filosofia de Sandra. John e
Eunice Yates, de Gloucester, na região ocidental de Inglaterra, descobriram a Old Chapel Forge na Internet. «Pensámos: «isto somos
nós. Não precisamos de mais nada», refere Eunice.
«O projecto Rural Welcome teve um enorme êxito», confirma
Sue Gill, da Tourism South East. Os organizadores pretendiam captar 485 pequenas empresas e acabaram por atrair 622. Mais de
350 participantes inscreveram-se noutros cursos de formação.
«Era algo de que precisavam», conclui.
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Negócios de abelhas
Antes de participar num curso de formação para proprietários de
empresas em formação, Normunds Zeps era um mecânico desempregado interessado em abelhas e com um gosto por mel.
«As abelhas voam e recolhem néctar num raio de três quilómetros. Precisam de espaço suficiente, um ambiente limpo e cuidados», explica.
Normunds vive num pequeno apartamento em Kalupe, na região
rural da Letónia com a mulher e os dois filhos, mas a quinta está a
76 km de distância, num lugar designado Grugules. «A minha mãe
vive agora nessa zona. A minha família tinha lá algumas terras
quando as velhas quintas colectivas foram privatizadas», afirma.
Na sequência do colapso da União Soviética, entre 1990 e 1991,
a Letónia decidiu recuperar as pequenas quintas familiares. As
quintas colectivas detidas pelo Estado foram, primeiro, divididas
em parcelas e os cidadãos receberam créditos que podiam ser utilizados na aquisição de terras.
Normunds formou-se como mecânico de máquinas na escola agrícola de Viski. «Mas a vida aqui é uma luta diária e pode ser muito
difícil arranjar um emprego decente, mesmo com qualificações. Na
maior parte do tempo, ficava em casa a tomar conta dos miúdos
enquanto a minha mulher ia trabalhar. Mas também era apaixonado pela apicultura. Na verdade, era mais um passatempo, mas depois pensei que podia transformá-la num negócio», esclarece.
Mais do que um passatempo
Mostrando ter grande iniciativa, Normunds decidiu participar
num projecto co-financiado pela União Europeia através do
Fundo Social Europeu. «Queria mudar a minha situação. Sabia
que tinha de aprender mais sobre negócios. Este programa estava
a oferecer um curso de formação gratuito sobre como gerir uma
pequena empresa e decidi inscrever-me», confessa.
O FSE apoia famílias com filhos que pretendem iniciar uma empresa. Na província letã de Daugavpils, onde Normunds vive, uma
região ainda a lutar para se libertar de décadas de domínio soviético, foi lançado um projecto com vista ao desenvolvimento de
conhecimentos para empresas e empresários por conta própria
em início da actividade. Os tópicos do curso incluem o desenvolvimento e a implementação de um plano empresarial sólido.
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Empreendedorismo
«Hoje, a luta ainda persiste, a vida continua difícil,
mas estamos a ter francos progressos. No que me
diz respeito, tenho de continuar o meu caminho»
«Basicamente, consiste em tudo o que é preciso saber para iniciar
um negócio «e era totalmente gratuito, incluindo os materiais de
estudo. Depois de terminar o curso, registei-me como proprietário de uma pequena empresa e voltei ao activo», argumenta
Nordmunds.
«O meu dia começa por volta das 6 horas da manhã. Tomo uma
chávena de café e como qualquer coisa; depois, é uma hora de
carro até às minhas abelhas», acrescenta. Normunds desloca-se
por toda a região, atravessando algumas das mais belas paisagens
do sul da Letónia. «Esta zona é muito histórica. Há imensas lendas
para contar sobre esta terra», refere.
«Não restam dúvidas; só quando comecei a embrenhar-me nos
negócios é que percebi até que ponto o curso de formação me
foi útil. Francamente, a minha vida não ia a lado nenhum e esta
experiência ajudou-me a pensar em termos práticos. Hoje, a luta
ainda persiste, a vida continua difícil, mas estamos a ter francos
progressos. No que me diz respeito, tenho de continuar o meu caminho. A formação que recebi mudou a minha vida? Sim, mudou
tudo nas nossas vidas», conclui.
Normunds cuida de 28 «famílias» de abelhas, seguindo uma rotina que envolve cuidar de um vasto campo de trigo em torno
das colmeias. E explica: «Corto as ervas enquanto as abelhas estão
a dormir e, de um modo geral, cuido do campo. Venho aqui três
vezes por semana. Nos outros dois dias, fico em casa com os meus
filhos».
Uma colmeia de actividade
Além da produção de mel, a quinta dos Zeps é uma colmeia de
actividade de um só homem. Normunds começa cedo e fica até
tarde. Está a restaurar alguns edifícios históricos na propriedade e
a cortar madeira para um novo telhado de um celeiro em pedra.
Também cultiva vegetais para a família e os amigos em estufas
temporárias que ele próprio construiu. A mulher e os filhos aparecem para ajudar sempre que podem, mas a maior parte do tempo
trabalha sozinho.
«Aqui não usamos produtos químicos. As abelhas exploram várias
espécies de flores nesta região, movendo-se entre elas ao longo
do dia e das estações. Estamos a criar um produto muito natural e
saudável», vangloria-se.
Normunds considera-se agora um verdadeiro apicultor, com uma
produção anual de uma tonelada de mel de elevada qualidade, e está
a trabalhar afincadamente para expandir o negócio. «Ainda tenho
um longo caminho a percorrer para poder considerar-me um empresário de sucesso». «Prover às necessidades da minha família ainda é
uma luta, mas a UE deu-me um bom ponto de partida», admite.
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Segurança na quinta
«A quinta é um local maravilhoso para as crianças. Temos máquinas e animais, mas estes também representam perigos potenciais». Quem o diz é Gaetane Anselme, que explora uma pequena
quinta com a família no lugar de Nevraumont, na Bélgica rural.
Em 1986, Gaetane casou e foi viver para a quinta do marido, onde
aprendeu rapidamente os truques do negócio. Trabalhando em
conjunto, os Anselme produzem leite fresco e ovos e criam porcos. Organizam igualmente visitas educativas para crianças, oferecendo-lhes a oportunidade de conhecerem a vida no campo e
envolverem-se no tratamento dos animais.
«Temos muitos animais. Temos todos os tipos de aves: galinhas,
patos e gansos, e também temos vacas, porcos… Os miúdos adoram e aprendem muito. Mostramos às crianças como funciona
uma quinta. Também os ensinamos a montar a cavalo e aprendem um pouco da história da região, sobre as práticas agrícolas e
a herança rural. É uma experiência envolvente que, pensamos, os
aproxima das suas raízes», afirma Gaetane.
Os Anselme recebem crianças de todas as idades na sua «quinta educativa». «Vêm da região local e de cidades distantes como
Bruxelas e Antuérpia, bem como de outros países. Trabalhamos
com crianças das escolas e outros grupos, pessoas isoladas, crianças com deficiências e mesmo futuros professores do ensino primário», acrescenta Gaetane.
Os animais são imprevisíveis
A prioridade, obviamente, é assegurar a segurança de todos, diz
Gaetane, mas ao trabalhar dia após dia no mesmo ambiente perde-se facilmente a noção de riscos potenciais. «Os nossos hóspedes podem ficar aqui apenas um ou vários dias. Temos vários alojamentos para eles. Até famílias podem ficar connosco. Há muito
em que pensar quando temos nas nossas instalações pessoas que
poderão não estar familiarizadas com o ambiente de uma quinta.
Temos muitas ferramentas e maquinaria e os animais, embora domesticados, podem ser imprevisíveis», esclarece.
Gaetane queria ter a certeza de que estava a fazer tudo o que era
possível para garantir a segurança das crianças que ficavam na
quinta. «Estamos todos muito habituados à quinta. Tenho a cer-
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Empreendedorismo
«Hoje, acredito sinceramente que estamos
todos mais seguros: eu, a minha família
e as crianças e outros visitantes que ficam connosco»
teza de que há muitos pormenores em que não pensava ou não
reparava: perigos potenciais», confessa. Assim, em Julho de 2007,
decidiu pedir ajuda. O programa Preventagri, co-financiado pela
União Europeia através do Fundo Social Europeu, enviou uma
equipa de inspectores, sem qualquer custo, para observar a quinta e sugerir as melhores formas de evitar acidentes.
Identificar riscos
Através do programa Preventagri, o Fundo Social Europeu presta
aconselhamento e formação com vista a minimizar os riscos de
saúde e segurança relacionados com o trabalho. A pedido, uma
equipa de inspectores examina as instalações das quintas, a fim
de identificar problemas de segurança e chamar a atenção para
potenciais riscos. Podem informar os agricultores sobre as medidas que necessitam de adoptar para evitar acidentes. O projecto
promove igualmente cursos de formação e conferências em matéria de segurança.
«A equipa de inspecção ficou aqui um dia inteiro. Examinaram literalmente tudo, pormenores que não me tinham ocorrido, por
exemplo, onde são armazenadas as ferramentas, utensílios agrícolas, baldes e mesmo brinquedos, ou escolher os animais adequados para as demonstrações», explica.
Gaetane diz ainda que uma das actividades favoritas das crianças
é aprender a ordenhar uma vaca. «As nossas vacas conhecem-nos
bem e estão calmas e à vontade quando estamos por perto, mas
algumas podem ficar nervosas com a presença de estranhos e, em
especial, de crianças pequenas. Os inspectores chamaram a atenção para este tipo de pormenores», refere.
«Posso dizer que esta iniciativa nos ajudou a proporcionar o
melhor serviço e a experiência mais segura aos nossos jovens
hóspedes. Sim, achei-a muito útil. Graças ao programa, a forma
como encaramos o ambiente da quinta mudou e, hoje, acredito
sinceramente que estamos todos mais seguros: eu, a minha família e as crianças e outros visitantes que ficam connosco», colclui
Gaetane.
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Uma empresa de construção precisa
de fundações sólidas
«Trabalhei muito para criar a minha própria empresa a partir do
nada. No entanto, quando perdi quase tudo, percebi que precisava de fazer alterações profundas», afirma José Salmerón Guindos.
Com 47 anos de idade, dirige uma média empresa em rápido
crescimento, o Grupo Salmerón, especializada em metalurgia e
produtos e serviços para a construção. Enquanto come o pequeno-almoço junto à piscina na sua villa no campo, José transmite a
imagem do empresário de sucesso.
No entanto, o seu caminho para o sucesso nem sempre foi fácil.
Cresceu na bela e extravagante região próxima de Sierra Nevada.
Filho de pequenos agricultores, teve uma infância difícil. «Quando
era criança, tudo o que tínhamos no prato em casa vinha da terra
ou dos animais que tínhamos. «Só tivemos electricidade quando
eu já tinha 15 anos», confessa.
Embora os seus pais quisessem que ele seguisse as suas pisadas,
José tinha outras ideias. «Percebi que os meus pais não evoluíram. Queria experimentar uma forma diferente de viver e ganhar
dinheiro». Abandonou a escola aos 14 anos sem quaisquer qualificações formais. No entanto, sendo trabalhador e facilmente
adaptável, deitou a mão a muitos tipos de trabalho: na terra, no
exército, com animais e na construção. Acabou por descobrir que
tinha aptidão para trabalhar com metais e aprendeu a soldar.
Em 1983, com dinheiro emprestado por amigos e parentes, lançou a sua própria fábrica, fazendo carretas e acessórios para a
construção. As primeiras instalações tinham apenas 20 m2 e, juntamente com a esposa, Concepción, tratava de todos os aspectos
da empresa. No entanto, nos primeiros anos o progresso foi fortuito. «Fazíamos as coisas um pouco ao acaso. Para falar verdade,
nem sequer tínhamos a noção do que era uma empresa», recorda
José. «Era tudo uma questão de sorte». A empresa ocupava totalmente as suas vidas, uma vez que assumiam o controlo de todas
as operações. «Pensava que podia fazer tudo sozinho», admite.
Ponto de viragem
Até que a crise chegou. Perderam o seu maior cliente e a empresa
estava à beira da falência. Depois de ter investido tanto de si próprio na empresa, José caiu numa depressão profunda. «Durante
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Empreendedorismo
«Aprendi que a parte mais importante
de uma empresa são as pessoas.
Tenho muito orgulho na equipa que criámos»
cerca de um ano e meio a actividade na empresa era praticamente nula», observa.
outras empresas possam aprender com as minhas experiências e
aplicar os meus métodos».
Consultou um psicólogo e as coisas começaram a melhorar, a nível
pessoal e profissional. O terapeuta sugeriu que, com formação na
área empresarial, José poderia mudar a forma como geria a empresa e aliviar a pressão Assim, tirou um curso para empresários
ministrado pela Escola Empresarial EOI e co-financiado pela União
Europeia através do Fundo Social Europeu. O curso presta aos empresários aconselhamento e formação sobre como melhorarem
as suas empresas e expandirem os seus mercados, introduzindo
práticas inovadoras e uma melhor interligação.
Depois das suas experiências positivas, José é quase evangélico
no que respeita à formação, que se tornou fundamental para a
empresa. Outra das prioridades consiste no apoio à comunidade
e à região onde viveu toda a sua vida: «Preferimos contratar pessoas da região. Se tiverem formação básica podem aprender mais
no trabalho e envolverem-se na empresa».
Era um aluno entusiasta. «O meu curso inicial deveria ter 500 horas. Acho que devo ter feito cerca de 1 000. Depois das aulas, andava sempre atrás dos professores pelos corredores a fazer-lhes
perguntas», diz sorrindo.
«Aprendi que a parte mais importante de uma empresa são as
pessoas. Tenho muito orgulho na equipa que criámos. Juntos, estamos preparados para o futuro… venha o que vier. Tenho aquilo
com que nem sequer sonhava. Não sonhava porque não sabia
que existia», conclui.
A formação mudou a sua concepção da empresa. «Aprendi que
não basta ser bom numa função para gerir uma empresa. Pode-se
ser o melhor trabalhador, mas isso não significa que seja o melhor
gestor. Para gerir uma empresa é necessário ter formação», afirma.
José aplicou na empresa o que aprendeu no curso e transformou
o seu modo de funcionamento, introduzindo especialistas e novos processos. «Pude pôr em prática o que aprendia e os resultados foram imediatos», admitiu.
Transformação
A empresa está agora diversificada e em rápido crescimento. Nos
últimos sete a oito anos, o pessoal duplicou para mais de 70 funcionários a tempo inteiro. Desde 2005, o grupo conta com quatro
divisões: fabrico de carretas e pequenos artigos metálicos decorativos, gestão imobiliária e de propriedades, projectos de engenharia de grandes dimensões, tais como estruturas para centros
comerciais ou fábricas, e distribuição de peças de alumínio, tais
como portas para garagens, estruturas ou corrimãos.
As receitas anuais da empresa rondam agora os 10 milhões de euros e está previsto duplicar a fábrica nos próximos três anos. No
entanto, José insiste que o dinheiro não é a principal motivação:
«O meu principal objectivo é fazer as coisas bem e espero que
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Construir um futuro no campo
A fruticultura tem sido, durante várias gerações, o sustentáculo
das regiões rurais do distrito de Dâmbovița, no leste da Roménia.
As características geográficas da região (o solo, o clima e a precipitação) são ideais para este tipo de actividade agrícola. No entanto,
as condições económicas não são tão favoráveis.
Muitos jovens da região estão a abandonar a vida no campo e a
deslocar-se para as cidades e vilas. Mas Florin Istrate está a contrariar esta tendência. Tem orgulho na região onde viveu toda a sua
vida e está a trabalhar arduamente para melhorar a situação para
si e para outras pessoas.
Filho de pequenos fruticultores, aprendeu a trabalhar a terra desde tenra idade. «A fruticultura tem sido a actividade mais importante nesta região desde há várias gerações. Era natural que eu
continuasse esta actividade», explica Florin, de 39 anos de idade.
«Esta é uma das poucas regiões onde a fruticultura ainda está a
desenvolver-se. Estamos a introduzir novas técnicas e quero fazer
parte deste desenvolvimento», continuou.
Quando tomou conta da quinta da família, comprou mais terras
e plantou mais pomares, sobretudo macieiras e algumas pereiras.
«Actualmente, produzimos cerca de 70 toneladas de maçã por
ano», refere, acrescentando que pretende crescer mais no futuro.
Mas a actividade agrícola não é suficiente para garantir o sustento
para si, a mulher e o filho de 10 anos. Utilizou os seus conhecimentos e experiência no sector para se tornar um perito de seguros agrícolas. «Quando os corretores de seguros vendem apólices
aos agricultores, verifico se está tudo correcto. É necessário ter
conhecimentos especializados de agricultura e contactos locais»,
argumenta.
Ter a iniciativa
Florin tem também um cargo importante nos sindicatos de agricultores a nível regional e nacional e é vice-presidente da Agrostar,
a federação de comércio agrícola da Roménia. Está envolvido em
diversas actividades que visam desenvolver as regiões e ajudar os
pequenos agricultores a criar meios de subsistência viáveis para si
próprios. «Quero convencer as pessoas a ficar. Ensino-as a desenvolverem os seus negócios», informa.
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Empreendedorismo
«Esta é uma das poucas regiões onde a fruticultura
ainda está a desenvolver-se. Estamos a introduzir
novas técnicas e quero fazer parte deste desenvolvimento»
«Estou a trabalhar no sentido de reunir os agricultores que vendem o mesmo produto para trabalharem em cooperativas. Neste
momento, a nossa produção é elevada, mas não temos condições
adequadas para armazenar e embalar a fruta. Quero melhorar
este aspecto», acrescentou.
pessoas possível e de desenvolver a região e as suas infra-estruturas», conclui.
Nos últimos anos, Florin tem visitado outras regiões da Europa.
«Estamos envolvidos num projecto com parceiros da Galiza, na
Espanha. Observámos a forma como gerem os seus negócios e estamos a organizar acções de formação para divulgar estes conhecimentos», explicou. Os tópicos visados são o armazenamento, a
embalagem e a negociação com supermercados. «Verifiquei que
as nossas condições naturais são porventura melhores do que em
Espanha, mas não podemos utilizá-las. Temos problemas com as
nossas infra-estruturas, por exemplo, a rede viária», esclareceu.
Formação
No início de 2009, tornou-se o coordenador regional de um projecto que visa um maior desenvolvimento desta região rural. A iniciativa, co-financiada pela União Europeia através do Fundo Social
Europeu, presta formação e informação à comunidade. Pretende
ajudar as pessoas a aumentar os seus rendimentos da agricultura
e a diversificar para outros sectores.
«O projecto ajuda os agricultores a aumentarem a produção, até
então apenas para consumo próprio, com vista à venda dos produtos e a criarem empresas», diz Florin. Cerca de 750 agricultores
de quatro regiões da Roménia participarão em diversos cursos
durante um período de três anos. Os módulos centram-se em cinco tópicos:
•
•
•
•
•
desenvolvimento de empresas artesanais;
transporte e distribuição de produtos agrícolas;
hotéis e desenvolvimento de empresas de turismo rural;
desenvolvimento de empresas de caça e pesca;
desenvolvimento de serviços destinados
ao bem-estar social.
Florin tem grandes expectativas de que o trabalho árduo será recompensado. «Espero que, dentro de cinco anos, a situação aqui
seja totalmente diferente. Tenho a missão de ajudar o máximo de
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Novas competências
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Uma segunda oportunidade,
uma nova carreira
Marie Therese Vella passou a maior parte da sua vida adulta a educar os dois filhos em Iklin, uma aldeia relativamente moderna no
centro de Malta. Quando cresceram e foram para a escola, ficou
com mais tempo livre para as suas paixões de longa data, pintura
e fotografia, mas também queria ser produtiva e ganhar algum
dinheiro. Depois de anos em casa, não tinha a certeza por onde
começar.
«Quando era mais jovem, trabalhei como assistente no escritório de
um notário, mas tive de parar dado que a prioridade, nessa altura,
era a minha família. Criar os filhos é uma experiência importante e
maravilhosa. Tenho dois filhos excelentes. A minha filha terminará
o ensino superior brevemente e o meu filho já está a estudar no
Instituto de Arte e Design em Mosta. Tem sido uma grande alegria
ser mãe, mas à medida que os filhos foram crescendo e se tornaram
mais independentes, comecei a sentir que faltava qualquer coisa na
minha vida. Queria sair e voltar a trabalhar», explicou.
Voltar ao activo
O Training and Employment Exposure Scheme (TEES), co-financiado
pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, oferece aos
desempregados de todo o país com idade superior a 40 anos um
programa de formação de três fases, que inclui trabalho sobre
competências essenciais, aptidão e teste, competências para a
vida, sessões de formação específica intensiva e imersão profissional com vista a ajudá-los a regressar ao mercado de trabalho.
«Ouvi falar do TEES na televisão, penso. Fizeram uma grande campanha na altura, na rádio e em painéis publicitários, por toda a
ilha», diz Marie Therese.
Os cursos do programa TEES incluíam sessões destinadas a proporcionar aos participantes novas perspectivas das suas motivações e necessidades pessoais, os motivos que os levavam a querer
trabalhar e o que pretendiam fazer. «A reintegração foi um conceito importante para nós durante a formação. Tínhamos aulas
de informática e aprendíamos competências de gestão e outras
matérias relacionadas, mas era o trabalho com os psicólogos que
nos punha realmente a pensar. Percebi que queria fazer parte do
mundo outra vez, trabalhar com pessoas e ajudar pessoas», afirma Marie Therese.
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Novas competências
«Percebi que queria fazer parte
do mundo outra vez, trabalhar
com pessoas e ajudar pessoas»
Partilhar o fardo
O TEES ajudou Marie Therese a encontrar um empregador. «Depois
de dois meses a frequentar o curso, comecei a trabalhar com a
Fundação Temi Zammit. Pagavam-me metade do salário, sendo
a outra metade paga pelo programa de formação. Seis meses depois, a FTZ contratou-me a tempo inteiro», acrescentou.
Três anos mais tarde, Marie Therese continua a trabalhar na FTZ,
agora como directora executiva, tendo a seu cargo o planeamento e a implementação de projectos internacionais destinados a
ajudar as pessoas e a promover o desenvolvimento regional. Um
dos seus projectos recentes envolveu o recrutamento de jovens
de Malta e da UE para um «Parlamento Europeu Jovem», realizado
em Veneza.
«Adoro o meu trabalho. E penso que também existem vantagens
específicas para as empresas e organizações que querem contratar pessoas mais velhas: ‘acima dos 40’ como eu. Temos experiência e capacidade crítica, e estamos cheios de energia», confessou.
Ajustamentos e recompensas
Marie Therese ainda se ocupa da família, mas as suas novas responsabilidades como mãe trabalhadora implicaram algumas concessões por parte dos filhos. «Tenho menos tempo para os meus
filhos agora, mas eles estão crescidos e não necessitam tanto de
mim como quando eram mais pequenos. E sabem que também
estou a trabalhar para eles», referiu.
«Conheço muitas pessoas no meu trabalho. Trabalho com parceiros internacionais, trato de diferentes projectos todas as semanas
e tenho até a oportunidade de viajar. Nunca pensei estar a fazer
este tipo de trabalho e não o teria conseguido sem o programa de
formação TEES e o Fundo Social Europeu», concluiu.
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Com uma pequena ajuda, é fácil
resolver problemas
«Este é o emprego ideal para mim, pois gosto de trabalhar sozinho. Sei o que tenho de fazer e ninguém me dá ordens. Tento
sempre fazer o melhor que posso e acredito que conquistei o respeito dos meus colegas.»
Andreas Apatzidis transborda de entusiasmo e energia nervosa.
A descansar ao sol de Chipre, fala sobre as suas obrigações como
motorista de entregas da Zorbas, uma empresa de panificação e
comércio a retalho de géneros alimentícios. «Quando as pessoas
me pedem para ajudar ou para fazer trabalho extra, faço-o sempre. Também tenho uma boa relação com os meus superiores.
Algumas vezes, estou por minha conta o dia inteiro, mas faço o
meu trabalho e depois vou para casa e é assim que gosto de fazer.
Não conseguia estar fechado no mesmo sítio todo o dia, dia após
dia», confessou.
Andreas percorreu um longo caminho. Mudou-se para Larnaca,
em Chipre, em 1995, vindo da sua Salonica natal, na Grécia. Aí, tinha estudado contabilidade antes de prestar três anos de serviço
militar. Quando saiu do exército, descobriu que era difícil arranjar
um emprego adequado, mesmo com o seu diploma. Quando leu
num jornal que Chipre estava a recrutar voluntários para as suas
próprias forças armadas, assinou um contrato de cinco anos.
Em Chipre, Andreas conheceu a mulher, Helen, com quem casou
em 1999. Helen já tinha duas filhas, Maria e Georgina, e o casal depressa teve mais dois filhos, Giannis, com 9 anos, e Andrea, com 4.
Quando o seu contrato militar terminou, arranjou emprego numa
empresa do sector da energia. Mas sendo o único sustento de
uma família de seis pessoas, quando se viu subitamente desempregado, a vida tornou-se bem difícil.
Responsabilidades familiares
Andreas perdeu a autoconfiança. «Sentia-me muito mal. Nem
sequer queria ir a entrevistas. Mas, depois, tive conhecimento de
um programa para pessoas com problemas, apoiado pela União
Europeia. Dirigi-me aos serviços sociais e disse-lhes que precisava de ajuda. Tinha que sustentar a minha família», admitiu.
Em Julho de 2006, Andreas começou a frequentar o programa
Vocational Training and Promotion of Public Assistance Recipients to
Employment, co-financiado pela União Europeia através do Fundo
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Novas competências
«Graças ao programa, tornei-me muito mais calmo. Já
não sentia que todas as pessoas estavam contra mim
ou que falavam de mim nas minhas costas. Senti-me socialmente aceite»
Social Europeu «Foi a melhor coisa que me aconteceu. A minha
vida mudou por completo», referiu.
O programa incluía um curso de formação dividido em duas partes: duas semanas a adquirir competências profissionais e de resolução de problemas, seguidas de duas semanas de tecnologias da
informação em Nicósia. «O curso consistia em conhecermo-nos
melhor e gerir diferentes situações no local de trabalho. Nessa
altura, toda a família estava tensa e nervosa. Mas graças ao programa, tornei-me muito mais calmo. Aprendi a lidar melhor com
as situações; já não estava zangado. Já não sentia que todas as
pessoas estavam contra mim ou que falavam de mim nas minhas
costas. Senti-me socialmente aceite», acrescentou.
Foi como se tivesse regressado à escola e ainda tem os livros que
estudou. No fim do curso, o programa assegurou-lhe o rendimento enquanto os assistentes sociais o ajudaram a candidatar-se a
vagas. O primeiro emprego proposto era numa linha de produção
de uma fábrica e Andreas sabia que não era adequado para si.
«Quando disse aos assistentes sociais que não gostava do emprego proposto, eles não me disseram que era obrigado a aceitá-lo»,
observou grato. Finalmente, em Maio de 2007, começou a trabalhar na Zorbas e nunca se arrependeu. Gosta da independência
que o emprego oferece e da confiança que os patrões depositam
em si.
Durante o primeiro ano, continuou a receber apoio financeiro e
moral. Durante seis meses, as pessoas do programa, bem como os
funcionários do departamento de pessoal da empresa, visitavam-no regularmente para verificar como se estava a sair e perceber
se tinha problemas. Tanto ele como os seus empregadores preenchiam questionários sobre o seu progresso.
lojas para recolher os carrinhos vazios e regressa uma vez mais à
base. O tráfego de Nicósia faz com que raramente regresse até ao
meio-dia, o termo do seu dia de trabalho oficial, mas não se importa. Algumas vezes, fica a trabalhar até mais tarde se for necessário e diz que o pagamento de horas extraordinárias é útil para
a família. Pode também optar por trabalhar num domingo e tirar
uma folga durante a semana, o que lhe permite evitar o intenso
tráfego diário. O seu emprego leva-o a toda a parte e Andreas gosta de conversar com os funcionários das lojas.
Os patrões de Andreas apreciam o seu trabalho e o programa que
o enviou. «É um programa muito bom, dado que existe uma contribuição do governo. Os patrões precisam de um incentivo para
ajudar as pessoas», refere Zacharias Joannou, director dos recursos humanos da Zorbas.
Em casa, no sobrelotado primeiro andar da família, Andreas abraça
a mulher e os filhos. Assegura-se de que Giannis (que está ansioso
por se esgueirar para jogar futebol com os amigos) terminou os
trabalhos de casa. «Era muito difícil quando Andreas estava desempregado. O curso ajudou-o a conhecer-se melhor e ele mudou. Já não se sente mal consigo próprio. A raiva faz parte da vida,
mas ele não sabia como lidar com ela», confessou Helen.
«Sabemos que não estamos sozinhos», acrescenta. «Existe alguém
para ajudar, mesmo que surja um problema familiar; alguém com
quem falar. Agora, estamos mesmo bem. O programa foi um milagre», conclui.
De um lado para outro
Actualmente, Andreas conhece bem o trabalho. Acorda todos os
dias à 4 da manhã para conduzir os 10 minutos de trajecto até às
instalações da empresa. Aí, a primeira tarefa é carregar os carrinhos preparados com os alimentos na sua carrinha e distribuí-los
nas lojas entre Larnaca e Nicósia. Regressa à fábrica pelas 8h00
para desinfectar o veículo e carregá-lo de novo com mais refeições, para uma segunda ronda de entregas. Percorre as mesmas
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Um bom trabalhador conquista
reconhecimento oficial
Zsolt Korcz adora trabalhar. «Sou viciado em trabalho», admite.
Seja a decorar o seu apartamento com cores garridas, a cuidar
dos filhos jovens ou a fazer as tarefas domésticas, necessita de estar activo. Desde que deixou a escola, aos 14 anos, Zsolt sempre
trabalhou muito. Vem de uma grande família de Zalaegerszeg,
Hungria (tem 11 irmãos) e os pais precisavam do salário que ele e
três irmãos podiam ganhar. «O meu pai não conseguia ganhar o
suficiente», explica.
Zsolt começou como aprendiz de carpinteiro e teve empregos
ocasionais na avicultura e na indústria leiteira. Depois do serviço
militar, em 1994, mudou-se para o sector da construção, trabalhando como assentador de tijolos e pintor. «Tive tantos empregos. Fazia o que havia disponível», observa.
Em 2003, ele e a companheira, Aniko, foram viver juntos e no ano
seguinte nasceu o primeiro filho, David. Foi nessa altura que começou a preocupar-se com o seu rendimento. «Não tinha qualificações, por isso, embora fizesse muitos trabalhos de alvenaria,
não era pago pelo que valia e não tinha segurança», refere. Como
trabalhador não qualificado, recebia apenas metade do salário de
um trabalhador qualificado.
Regresso à escola
Zsolt já se deslocava com frequência ao centro de emprego local para procurar novos contratos de trabalho. Foi aí
que teve conhecimento da Fundação Primeira Escola de
Produção e Aprendizagem Húngara-Dinamarquesa, criada
em Zalaegerszeg 15 anos antes. Inicialmente, descartou a
ideia de prosseguir os estudos, com receio de ter esquecido
como aprender, mas Aniko persuadiu-o a aceitar o desafio. Em
Junho de 2006, começou um curso de um ano, a tempo inteiro,
destinado a ajudar jovens desempregados e pessoas socialmente desfavorecidas a obterem qualificação profissional e a
adquirirem competências sociais e educacionais. Trinta e seis
participantes receberam formação em alvenaria, culinária ou
serralharia, através de um projecto co-financiado pela União
Europeia através do Fundo Social Europeu. Objectivos específicos para mulheres e pessoas de etnia cigana asseguraram 30 %
de estudantes com raízes ciganas. Trinta e cinco dos inscritos
concluíram o curso e 31 deles encontraram um emprego.
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Novas competências
«Agora, posso provar que sou um pedreiro qualificado
e tenho muito trabalho. Tenho orgulho no meu
trabalho e o certificado faz uma grande diferença»
Para sua surpresa, Zsolt descobriu que gostou de cada momento
do curso. «Adorei, nunca faltei um dia e o meu trabalho era muito
bom. Muitas vezes, era melhor e mais rápido do que os meus colegas porque tinha experiência. Adquirir competências sociais foi
também muito útil. Os professores prestavam-me atenção pessoalmente e, se tinha perguntas, eles respondiam. Nunca diziam não»,
confessou. Foi aprovado com distinção nos cinco testes finais, que
abrangiam temas como saúde e segurança ou aptidão técnica.
O modelo dinamarquês
A escola pioneira foi criada em 1993 com o apoio do Ministério
da Educação dinamarquês. «Não tínhamos financiamento público, mas contávamos com parceiros locais e o apoio europeu», observa o director do projecto Máté Molnár. Ao longo dos anos, a
fundação ajudou cerca de 1 500 jovens a obter qualificações em
sectores com procura. «Existem cada vez mais jovens sem uma
educação adequada e nós ajudamo-los a adquirir as competências de que necessitam na sociedade em geral».
Durante o curso, Zsolt foi contratado pela escola e recebia o salário mínimo. «Terá sido impossível de outra forma», admite.
«Inicialmente, pensei que tinha que trabalhar mais para pagar o
curso, mas nunca o poderia ter pago só com o meu próprio dinheiro». Os participantes ajudaram a reconstruir e a renovar os
edifícios à volta da antiga escola primária, que abriga a fundação,
para funcionarem como novas salas de aulas.
do casal: Adam, com um ano de idade. «Nem sempre é fácil encontrar creches, pois não existem vagas suficientes», explica Aniko,
que vem de uma família de músicos de etnia cigana e tem familiares a tocar numa orquestra cigana. Mas como trabalhador qualificado, Zsolt e a sua família beneficiaram do direito de mudar para
um apartamento social maior quando Adam nasceu. Conseguiu
um adiantamento sobre o seu salário para obter o apartamento.
Diz que está mesmo feliz. «As coisas correram muito bem. O que
eu precisava era da qualificação, caso contrário não podia provar
que conseguia fazer o trabalho. Agora, posso provar que sou um
pedreiro qualificado e tenho muito trabalho. Tenho orgulho no
meu trabalho — adoro-o — e o certificado faz uma grande diferença. Nunca me aborreço porque estamos sempre a deslocarmo-nos a diferentes locais e a fazer diferentes trabalhos. Sempre trabalhei, nunca fiquei em casa. Adoro a minha profissão e sempre
desejei obter a qualificação, arranjar melhores empregos e ter um
salário mais elevado. Quero ser capaz de cuidar da minha família.
Ela é a minha prioridade», acrescentou.
«Estamos muito contentes por Zsolt ter conseguido esta oportunidade», confirma Aniko. «Receber a carta da fundação foi uma
espécie de milagre e isso mostra que os milagres podem acontecer».
Trabalho sazonal
«Zsolt é um pedreiro fantástico», afirma Máté. «O seu desempenho é de muita qualidade. O problema do sector de construção
consiste no facto de o trabalho ser interrompido no Inverno e os
empregadores gostarem de despedir pessoal. Ele é uma vítima
desta abordagem e gostaríamos de acabar com ela. É um verdadeiro problema para as famílias sem recursos financeiros». A escola presta aconselhamento na procura de emprego e na obtenção
de benefícios para as famílias dos estudantes.
A companheira de Zsolt ainda está de licença de maternidade do
seu emprego de restauração e limpeza, a cuidar do segundo filho
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Investimento numa boa noite de sono
«Sou curioso por natureza. Gosto de trabalhar. Agora, estou a
aprender algo de novo todos os dias: a aprender a resolver problemas. É muito gratificante», afirma Daniel Dellisse com um sorriso.
«Tenho tido muita sorte, mas é preciso querer trabalhar».
Desde 1987, Daniel trabalha numa empresa sedeada em Roeselare,
no norte da Bélgica, que fabrica e exporta produtos em PVC para
a indústria de construção. A produção é contínua, 24 horas por
dia, e Daniel trabalha há 21 anos nos turnos nocturnos, primeiro
como embalador e depois como técnico no processo de extrusão:
a moldagem de plásticos para caixilhos de janelas e portas. Mas,
há cerca de dois anos, os anos de trabalho nocturno começaram
a cobrar a factura e Daniel começou a ter dificuldades cada vez
maiores em adormecer.
Um programa de reconversão profissional co-financiado pela
União Europeia através do Fundo Social Europeu ajudou a repor a
paz na família Dellisse.
«Foi um problema grave para mim; o meu médico disse-me que o
melhor seria começar a trabalhar durante o dia», recorda Daniel.
«Deu-me comprimidos para dormir, mas não queria começar a tomar medicamentos». Daniel não foi a única vítima, pois a perturbação afectou igualmente a sua vida familiar. Aos sábados tinha
de recuperar o sono perdido na sexta-feira à noite, por isso não
podia desfrutar do fim-de-semana com a mulher, Dina, ou entregar-se à paixão do casal por passeios e caminhadas.
Oferta limitada de emprego
Daniel trabalhou arduamente toda a sua vida. O pai morreu quando tinha nove anos de idade, deixando a mãe com quatro rapazes
para criar. Abandonou a escola aos 14 anos para aprender a arte
de carpinteiro. «Tínhamos de pôr comida na mesa», explica com
resignação. Passou por diversos empregos, incluindo a linha de
produção de um grande fabricante de automóveis que, admite,
não gostou nada. Depois de casar, em 1979, a empresa de construção onde trabalhava faliu e Daniel viu-se na situação de desempregado.
«Era muito difícil arranjar trabalho», recorda. Por isso, quando surgiu a vaga no turno da noite na Deceuninck, aceitou-a com prazer.
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Novas competências
«Gosto de trabalhar. Agora, estou a aprender
algo de novo todos os dias: a aprender
a resolver problemas. É muito gratificante»
«Foi a única oferta interessante e podia começar de imediato… e
o dinheiro era mais que bem-vindo». Por essa altura, o casal teve
uma menina, Sara, pelo que, com Dina a trabalhar à tarde e Daniel
a dormir de manhã, conseguiram conciliar os seus horários para
tomar conta da filha.
Mas Daniel sentiu a diferença com o avançar da idade. Seguindo o
conselho do médico, abordou os patrões no sentido de mudar de
turno. Mas, para isso, tinha de demonstrar que estava apto para
uma nova tarefa que exigia formação recente, uma vez que as oportunidades noutras áreas da empresa eram limitadas. «Passaram-se
anos desde que utilizei as máquinas e agora é tudo automático.
A empresa disse-lhe que tinha um lugar para si, mas que teria
primeiro que actualizar as suas competências. A Deceuninck inscreveu-o no programa de reconversão profissional Aprendizagem
Excelente, ministrado pelo serviço de emprego flamengo Vlaamse
Dienst voor Arbeidsbemiddeling en Beroepsopleiding (VDAB). «Foi
um desafio, mas também um prazer para mim redescobrir as máquinas», confessa Daniel.
O curso permitiu-lhe obter um lugar no centro de formação e investigação da empresa a testar estruturas em PVC, ensinar contratantes independentes a moldar e ajustar portas e janelas e a
investigar novas técnicas e materiais. «Estão sempre a surgir inovações. A empresa tem de inovar para poder expandir-se e isso
sempre me interessou. Gosto do meu trabalho e procurei sempre
melhorar as minhas competências. Não é agradável ir trabalhar
sem vontade», observa. Integrado na equipa de engenheiros, secretários e operadores, ajudou a partilhar os seus conhecimentos
com visitantes de outras sucursais europeias.
Daniel trabalha regularmente 40 horas por semana, terminando
mais cedo à sexta-feira. «Estou mais tempo com a minha mulher e
os meus fins-de-semana são livres. Gosto mais de viver assim». Ele
e Dina inscreveram-se num clube de caminhadas e, aos sábados e
domingos, percorrem normalmente 20 a 30 km por dia, seguindo
rotas na Flandres e nos Países Baixos. Seis meses depois de começar a trabalhar de dia, os dois tinham percorrido 900 km e agora,
o seu objectivo consiste em fazer uma caminhada ininterrupta de
100 km. Daniel actualizou as suas antigas competências em carpintaria para renovar os quartos da casa. E como se tudo isso já
não bastasse para o manter ocupado, Daniel é também um ávido criador de tentilhões e ensina cuidadosamente as suas aves
canoras a repetir melodias simples, participando em concursos
onde as aves vencedoras podem reproduzir cerca de 800 músicas
numa hora.
Além disso, embora tenha direito a um dia suplementar de folga
todos os meses, Daniel afirma que raramente o aproveita. «Tenho
bons colegas e a semana passa tão depressa que não penso em
folgas».
Desfrutar a vida
Daniel começou o seu novo regime de trabalho diário em Janeiro
de 2008. «Demorei cinco meses a começar a dormir bem». «No
início, acordava passadas três ou quatro horas. A minha mulher
dizia-me para ficar na cama, mas eu não conseguia. Levantava-me e ia ver televisão, mas depois à tarde estava mesmo cansado»,
recorda. Mas em Junho já conseguia dormir seis horas seguidas à
noite. «Mudou completamente a minha vida. No fim de contas, a
noite foi feita para dormir», argumenta.
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Progressão na carreira
«Gosto do meu trabalho. Estou constantemente a viajar e cada dia
é diferente», afirma Biliana Filipova, de Dupnitsa, na Bulgária.
Como directora regional de uma grande cadeia de estações de
serviço, Biliana, de 33 anos de idade, passa grande parte do seu
tempo na estrada, a viajar entre 19 estações de serviço. Ela é responsável globalmente pela actividade diária das estações e as suas
tarefas vão desde a gestão do pessoal ao controlo da manutenção
do equipamento e da reposição de existências, ao tratamento de
questões jurídicas e à resposta a situações de emergência como,
por exemplo, inundações.
Foi promovida ao cargo actual em Março de 2008, tendo desempenhado anteriormente as funções de gerência numa estação. «A
responsabilidade é muito maior. Mas eu sabia o que o cargo implicava, porque anteriormente substituí algumas vezes o director
regional», refere.
Biliana destaca as qualidades necessárias para o seu cargo: «Sou
capaz de manter-me calma e reagir rapidamente; isso é importante. E frequentemente tenho de lidar com várias situações ao
mesmo tempo. Tenho de estabelecer prioridades e ser bem organizada. É um cargo de responsabilidade. Tenho de tomar decisões
sozinha. Os custos podem ser elevados. Existem também aspectos
essenciais em matéria de segurança. Por exemplo, no que respeita
aos camiões-cisterna, é muito importante seguir os procedimentos correctos. Existem muitos perigos potenciais», acrescenta.
Mudança de rumo
Biliana estudou originalmente engenharia industrial, especializando-se na área das tecnologias para produção de vestuário. Depois de concluir a licenciatura de cinco anos, teve a filha,
Joanna. «Depois disso, não trabalhei durante três anos, mas comecei a ficar farta de passar o tempo todo em casa. Sou uma pessoa dinâmica que gosta de estar ocupada. Fico impaciente com
facilidade», admitiu.
Biliana começou a trabalhar no sector têxtil, numa função relacionada com os seus estudos. «Trabalhei como técnica em fábricas».
Mas, depois de um ano e meio a trabalhar em duas empresas diferentes, percebeu que queria fazer algo diferente, «Às vezes preci-
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Novas competências
«A formação ajudou-me imenso no emprego
e na minha vida em geral.
Estou satisfeita com o que consegui na empresa»
samos de mudar completamente para encontrarmos a satisfação.
Precisava de um novo desafio para ganhar energia», confessou.
Soube que havia oportunidades de emprego na Petrol, uma antiga rede estatal e ainda hoje uma das maiores cadeias de estações
de serviços da Bulgária. Entrevistaram-na para um lugar de gestão, mas optou por um trabalho como caixa. «Não queria ir logo
para um cargo de gestão. Queria começar por baixo, uma vez que
não sabia nada sobre este ramo», referiu.
A mudança compensou. Começou a trabalhar na empresa em
2002, candidatou-se ela própria ao emprego e rapidamente começou a subir de posto. «Começar como caixa ajudou-me imenso. Agora conheço a função por dentro. Sei onde os gestores podem falhar».
construiu a sua casa de raiz no terreno ao lado da casa dos sogros
e ainda há muito trabalho a fazer. «Construímos o segundo piso,
mas ainda temos muito trabalho pela frente até podermos ocupá-lo», reconhece, acrescentando que, há alguns anos, os três viviam
apenas num quarto enquanto decorriam os trabalhos.
O resto do tempo passa-o a cuidar de Joana, agora com 10 anos,
e a observar a restante família. «Tenho duas irmãs mais novas e
um cunhado. Vivemos todos perto uns dos outros e somos muito chegados. As famílias reúnem-se todas com os nossos pais aos
fins-de-semana. As minhas prioridades são a minha família e o
meu emprego. Trabalho muito para garantir a nossa segurança»,
conclui.
Formação numa nova função
Biliana participou em diversas sessões de formação intensiva co-financiadas pela União Europeia através do Fundo Social Europeu.
Os cursos envolviam a criação de equipas, desempenho de funções, debates e exercícios de resolução de problemas. Ajudaram-na a desenvolver as competências de que necessitava na sua
nova função: no diálogo com as pessoas, na tomada de decisões,
na definição de prioridades e na forma de lidar com situações
complicadas.
«A formação ajudou-me imenso no emprego e na minha vida em
geral. Fez-me pensar verdadeiramente na forma como encontramos soluções para um determinado problema. Estou satisfeita
com o que consegui na empresa. Construí a minha carreira. Muitas
pessoas reconhecem o meu trabalho e estou grata por isso»,
observa.
Quanto ao futuro, Biliana afirma: «Não sei exactamente o que quero, mas sei que quero continuar a melhorar e a aperfeiçoar-me.
Primeiro tenho que provar a mim própria que sou capaz de exercer este cargo».
Em casa, a sua vida é igualmente ocupada. A renovação da casa,
em conjunto com o marido, é um projecto contínuo e a longo
prazo. «Começámos as renovações há cinco anos», diz. O casal
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Reactivar os conhecimentos
Peter Meller e a sua mulher Olga estão a instalar-se na sua nova
casa, em Magdeburgo, Saxónia, no leste da Alemanha, onde Peter
começou recentemente a trabalhar como programador de software para uma pequena empresa de engenharia.
Embora originalmente tenha estudado e trabalhado como engenheiro mecânico na Roménia, onde cresceu, não trabalhava no
sector há 15 anos quando, em 2008, começou a fazer um estágio
na empresa onde trabalha agora a tempo inteiro.
A sua família (os pais, o irmão, a irmã e a sua primeira mulher e o
filho) tinha voltado às origens, na Alemanha, em 1990. «Mudámo-nos por razões de ordem financeira. Era muito difícil viver na
Roménia nessa altura. Quisemos voltar mais cedo, mas foi impossível». A situação mudou com o colapso do regime comunista.
«Na altura, toda a nossa família e amigos saíram», afirma Peter, de
48 anos de idade.
Vítima do declínio
Chegado a Bergisch Gladbach, perto de Colónia, na Alemanha,
com a idade de 29 anos, começou por trabalhar numa pequena
empresa como engenheiro mecânico. No entanto, o sector de engenharia na Alemanha entrou em declínio por volta dessa altura
e, em 1993, estava desempregado.
Com poucas possibilidades de arranjar outro emprego como engenheiro, decidiu que um programa de reconversão profissional
poderia ajudá-lo a melhorar as suas perspectivas de emprego.
Tirou um curso de informática. «Antes, lidava muito pouco com
computadores», diz Peter.
Depois disso, começou a desenvolver formação baseada em computador, trabalhando como independente. «Era completamente
diferente do meu trabalho anterior. Trabalhei para uma pequena
empresa que desenvolvia cursos para grandes empresas destinados à formação dos seus funcionários na utilização de software
comum», confessa.
Trabalhou desta forma durante alguns anos e acabou por
criar uma empresa na mesma área com mais quatro parceiros.
No entanto, pouco tempo depois as encomendas acabaram
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Novas competências
«Antes, tinha muitos conhecimentos
e competências mas não sabia transmiti-los às pessoas.
É justo dizer que o curso mudou a minha vida»
e teve de voltar a trabalhar numa base contratual. Continuou
a trabalhar desta forma entre 2001 e 2007, mas a insatisfação
com a natureza irregular do trabalho aumentava cada vez mais.
«Trabalhava num projecto durante três meses e depois não tinha nada durante meses. Não via futuro naquilo», reconhece
Peter.
Por essa altura, o ramo da engenharia voltou a prosperar na
Alemanha e Peter pensou que poderiam existir oportunidades
para voltar a exercer a sua antiga profissão. No entanto, quando se
candidatou a empregos de engenheiro mecânico, descobriu que
a sua falta de experiência recente era um problema.
Reforçar os conhecimentos
Um programa de formação, co-financiado pela União Europeia
através do Fundo Social Europeu, ajudou-o a actualizar e reforçar os seus conhecimentos e competências em engenharia.
O seu curso foi um dos 18 cursos AQUA (Akademikerinnen und
Akademiker Qualifizieren sich für den Arbeitsmarkt) organizados
a nível nacional, cada um dos quais visando um sector profissional específico. Em parceria com universidades, os cursos oferecem a pessoas que já possuem qualificações a possibilidade de
reforçar os seus conhecimentos e melhorar as suas perspectivas
de emprego.
Uma tarefa complexa
Peter utilizou as suas competências recém melhoradas quando fez
um estágio de três meses na empresa onde trabalha actualmente.
A empresa é especializada em processos de controlo de qualidade para o sector da construção automóvel. «Compreendi que o
que tinha aprendido foi essencial. Pediram-me desde logo que
desenvolvesse programas complexos. Atribuíram-me uma tarefa
não urgente que pensavam que seria incapaz de fazer. Quando
viram que era capaz ficaram impressionados», vangloria-se.
No final da sua tarefa, em Outubro de 2008, ofereceram-lhe um
emprego permanente. Actualmente, trabalha como programador de «software» para máquinas de engenharia, uma função que
combina as suas competências informáticas e de engenharia.
«Antes, tinha muitos conhecimentos e competências, mas não sabia transmiti-los às pessoas», confessa Peter. «É justo dizer que o
curso mudou a minha vida. Agora, sinto-me muito mais seguro e
confiante no futuro», conclui.
O curso de Peter condensava um programa de 10 semestres em
engenharia mecânica num período de 10 meses. «É espantoso
como estava tão esquecido, mas também fiquei aliviado quando
constatei que colegas que se tinham licenciado mais recentemente também se esqueceram», observa. Também aprendeu mais
sobre desenvolvimentos recentes, especialmente a utilização de
computadores em engenharia, matéria que apenas tinha abordado quanto tirou o curso de engenharia.
Além da formação académica, o curso abrangia competências
práticas para arranjar emprego, tais como apresentação pessoal, comunicação e linguagem corporal, candidatura a um
emprego e preparação para entrevistas. Peter notou uma grande melhoria nas suas competências pessoais: «Podia ir a uma
entrevista e responder a perguntas. Agora tenho muito mais
autoconfiança».
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Educação
e formação
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O valor da tradição
A cidade de Sibiu, naTransilvânia, é uma cidade histórica. As vagas de
romanos, turcos, hunos e saxões que varreram a região ao longo dos
séculos deixaram uma herança que atrai investigadores culturais
dos quatro cantos do mundo. Uma das pessoas com um interesse
profissional na região é a antropologista Monica Stroe, de 24 anos.
«Dedico-me ao estudo da herança saxónica no sul da Transilvânia.
Comecei o doutoramento há seis meses», afirma.
O seu trabalho centra-se na forma como as indústrias cultural e
turística são influenciadas pela diversidade e riqueza da história
e das tradições da região. «Escolhi as regiões saxónicas por motivos pessoais. Nasci e cresci numa cidade fundada por saxões onde
ainda existem muitos traços medievais. Mas sempre considerei
que Sibiu conservou melhor a sua herança», confessa.
O centro da cidade medieval, meticulosamente restaurado, é um
dos tesouros tradicionais de Sibiu. A cidade foi Capital Europeia
da Cultura em 2007 e é palco de muitos eventos reconhecidos
internacionalmente. Para Monica, esta era uma altura ideal para
desenvolver um estudo de caso: «Estava interessada em ver como
Sibiu desenvolveu a sua ‘marca’ e a forma como afectou as regiões
adjacentes».
A sua investigação cobre uma vasta área na região do sul da
Transilvânia. «Estou muito interessada nas regiões rurais, na forma
como se promovem como destinos culturais», refere, prosseguindo: «Outro aspecto importante é o facto de existir aqui um paradoxo étnico. O presidente da Câmara é alemão, mas apenas cerca
de 1,6% da população é de origem alemã; é um fenómeno que
acontece em toda a região».
Hora de investigação académica
Os estudos de Monica para o doutoramento seguem-se ao mestrado em estudos do nacionalismo e relações éticas na Universidade
Central Europeia, em Budapeste. Depois do mestrado, ela sabia
que queria continuar a estudar temas relacionados. E confessa: «O
meu mestrado incidiu sobre a dinâmica dos grupos étnicos, identidades regionais e conflitos. Tornou-me mais consciente das diferenças entre os grupos étnicos. Estou interessada em saber como
são construídas as identidades».
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Educação e formação
«A bolsa foi muito importante para mim. Deu-me
a possibilidade de continuar onde queria. Não teria
conseguido iniciar um doutoramento sem essa ajuda»
No entanto, quando regressou a Bucareste, onde tinha estudado
inicialmente, as oportunidades de investigação académica eram
escassas e mal remuneradas. Monica considerou a possibilidade
de mudar de rumo: «Estava a pensar trabalhar na área de pesquisa
de mercados. Teria sido um compromisso, mas continuar a estudar parecia financeiramente inviável».
A ajuda chegou através de uma bolsa de estudos, co-financiada
pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. «A bolsa foi
muito importante para mim. Deu-me a possibilidade de continuar
onde queria. Não teria conseguido iniciar um doutoramento sem
essa ajuda», admitiu.
Monica recebe uma remuneração mensal para cobrir as despesas
de subsistência durante os três anos de estudo. Permite-lhe, também, permanecer durante oito meses em universidades estrangeiras em toda a União Europeia e aceder a bibliotecas e materiais
essenciais para o seu trabalho. «Esta mobilidade é essencial para
a minha investigação. Dá-me a oportunidade de viajar. Posso aceder a arquivos importantes e obter uma perspectiva mais abrangente», reconhece.
Como parte do programa, Monica escreve artigos para publicações académicas e trabalha com professores: «Dá-me uma boa
experiência e o apoio de que necessito para me concentrar numa
pesquisa de campo a longo prazo». Pensando no futuro, conclui:
«Espero que o doutoramento me abra portas. Pretendo melhorar
as minhas competências em matéria de investigação e consolidar
os aspectos teóricos. Penso que o melhor seria trabalhar em desenvolvimento comunitário. Mas ainda é cedo, estou concentrada
na minha investigação».
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Apoiar a criatividade
«Sempre me interessei por actividades criativas», afirma Harri
Haanpää, de Helsínquia, Finlândia. Apaixonado por desenho e
fotografia, cedo decidiu que queria trabalhar nas indústrias criativas. «Quando era criança, queria ser ilustrador. Comecei a desenhar banda desenhada mas depois interessei-me por outros tipos
de desenho», continua.
«Aos nove anos, decidi que queria ganhar a vida como ilustrador
comercial”, acrescenta.
Harri desejava frequentar um curso sobre ilustração comercial ministrado por um colégio local. No entanto, quando estava a terminar os estudos escolares, o curso terminou. «Depois disso, mudei
ligeiramente de rumo», refere. Entrou na escola naval com a idade
de 15 anos e, depois, trabalhou como cozinheiro-chefe em navios
comerciais.
Três anos depois, decidiu que a vida no mar não era para si e que
preferia voltar a fazer algo criativo. Em 1995, frequentou um curso
sobre cinema no colégio de Voionmaa: «Fiquei fascinado por fotografia. Fotografava tudo o que se mexia».
Experiência prática
Mais tarde, regressou à região de Helsínquia e começou a trabalhar para um canal de música finlandês. «Comecei a trabalhar sem
parar. Fazia tudo: iluminação, filmagem, controlos», prossegue.
Trabalhava também em vídeos musicais e começou a realizar:
«Gostava muito porque queria sempre aprender mais».
Esta experiência possibilitou a Harri um cargo no Hollywood
Express de Los Angeles, um programa de televisão sobre música,
filmes, cultura popular e celebridades; esteve um ano e meio nos
Estados Unidos antes de regressar à Europa. Obteve um mestrado
europeu em administração de empresas de multimédia e audiovisual (European Masters in Multimédia and Audiovisual Business Administration, EMMABA), que o levou a estudar em Atenas, na Grécia, e
posteriormente na Lapónia, de novo na Finlândia: «Esse programa
ensinou-me a produzir e conheci muitas pessoas de toda a Europa».
Em 2000, depois de concluir o curso, criou a sua própria empresa
de produção, a DreamMill. «Ter a minha própria empresa foi sem-
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Educação e formação
«Compreendi que os nossos conhecimentos nunca são
suficientes. Este sector está em rápida e constante mudança
e preciso de poder competir com novos licenciados»
pre o meu objectivo. Era apenas uma questão de tempo», admite.
Dirige, produz e filma programas de televisão, vídeos musicais,
filmes comerciais e aplicações de televisão móvel.
Para Harri, as vantagens de gerir a sua própria empresa são evidentes: «Adoro criar. Se trabalharmos para terceiros, é frequente
ficarmos com as mãos atadas. Ter a minha própria empresa significa que tenho mais liberdade para fazer o que quero. Sempre
quis fazer trabalho de qualidade. Gosto de ver televisão de boa
qualidade. É bom ser pago, mas não é o aspecto principal».
Desenvolvimento contínuo
Harri é um fervoroso defensor da educação e da formação:
«Compreendi que os nossos conhecimentos nunca são suficientes. Este sector está em rápida e constante mudança e preciso de
poder competir com novos licenciados. A experiência não conta
muito nesta indústria.
Entre 2005 e 2006, frequentou um curso de formação prática
para empresários de meios de comunicação. O curso MEDA, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu,
ajudou-o a desenvolver as suas competências e a expandir a empresa. «Queria uma perspectiva mais teórica. O curso incidia sobre
a gestão de uma empresa e como produzir», explica. Durante a
formação fez novos contactos, abrindo excelentes oportunidades para a empresa. «Tirei muito proveito do curso. Aprendi a não
«reinventar a roda» e a concentrar-me em manter as coisas simples», observa.
Para Harri, o curso teve uma importância directa: «Foi óptimo porque pude aplicar imediatamente o que estava a aprender e pensar como podia ajudar a minha empresa». Agora, está ansioso por
continuar a aprender e o próximo passo consiste num mestrado.
«No futuro, quero ser professor e divulgar os meus conhecimentos», acrescenta.
No entanto, o seu objectivo global continua claro: «A minha motivação é simples: produzir sempre um trabalho cada vez melhor».
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Por amor às florestas
É Setembro no campo, perto de Boelhe, uma pequena aldeia a
40 km do Porto, no norte de Portugal. O sol brilha enquanto Maria
Balbina percorre linhas de árvores jovens cuidadosamente ordenadas, verificando a condição dos troncos aqui, aparando um
ramo ou dois acolá.
Maria cuida das suas florestas quando não está no emprego a
tempo inteiro como chefe de administração de um grupo de 18
escolas da região. «Sempre fui muito activa. Quando era criança,
envolvia-me em actividades de música, teatro, dança, religiosas e
desporto», recorda.
Actualmente, esta mulher de 59 anos tem um horário de actividades muito preenchido fora do emprego: envolvimento na política
local, aconselhamento infantil, presidência da agência de desenvolvimento local, presidência da direcção do sindicato regional
da administração pública, participação na associação local de
proprietários de florestas; para além de ser esposa e mãe de dois
filhos adultos.
Mas as florestas e o trabalho da terra continuam a ser uma actividade valiosa. Os pais tinham uma quinta e tratavam de florestas,
uma tradição que tem orgulho em continuar. Apontando para o
bosque luxuriante que a rodeia, afirma: «Os meus pais sempre
me ensinaram a apreciar e a respeitar a natureza. Cresci neste
ambiente, por isso identifico-me totalmente com os campos».
Terminado o ensino secundário, estudou engenharia química na
Universidade do Porto. No entanto, regressou antes de terminar o
curso. «Não era o que eu queria fazer. Sentia saudades disto, por
isso voltei», confessa.
Terra herdada
Em 1973, Maria arranjou emprego como secretária administrativa numa escola da região e começou a trabalhar a tempo inteiro:
«Gostava de trabalhar com jovens, mas não me via como professora. A outra vantagem era o facto de estar perto da minha aldeia,
dos meus pais e dos meus amigos».
Contudo, quando herdou os terrenos dos pais, em 1984 (cerca de
18 hectares de terrenos de cultivo e a mesma quantidade de floresta), teve dificuldades em conciliar a gestão dos terrenos com
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Educação e formação
«As florestas são um projecto a muito longo
prazo. É muito importante manter a tradição.
Espero transmitir esse interesse aos meus filhos»
as suas restantes actividades. As terras permaneceram intocadas
durante nove anos. «Estavam em modo de ‘espera’, pois não sabia como gerir aquilo. Não tinha tempo para lhes dedicar e não
conseguia encontrar quem o fizesse. Não sabia como lidar com a
situação. A vegetação crescia espontaneamente», reconhece.
Contudo, estava determinada a não deixar os terrenos abandonados: «Tinha vergonha do estado em que se encontravam. Queria
fazer algo, por isso comecei a procurar aconselhamento junto de
outros proprietários florestais». Em 1993, os proprietários florestais da região criaram formalmente uma associação, com Maria
como um dos membros fundadores. «Tínhamos muito a ganhar
ao formar uma associação. E descobrimos que a União Europeia
disponibilizava fundos para o desenvolvimento e gestão das florestas», acrescenta.
Unir os proprietários
A associação ajuda os proprietários a avaliar a qualidade e o valor
das madeiras, a preparar candidaturas a financiamento e a implementar projectos conjuntos e presta formação em matéria de gestão florestal. Ajuda igualmente a consolidar os terrenos dos seus
associados em parcelas maiores, uma vez que detêm frequentemente várias áreas pequenas. «Estabelecemos permutas de terrenos entre membros, de forma a que possam gerir as suas terras
agrupadas. As grandes parcelas de terreno são mais lucrativas,
fáceis de gerir e de proteger contra incêndios», explica.
Entre 1996 e 2008, Maria frequentou vários cursos de formação
co-financiados pela UE, sobre tópicos que iam desde como podar
e plantar árvores à prevenção e controlo de fogos florestais e à comercialização de produtos florestais. Os cursos proporcionaram-lhe os conhecimentos de que necessitava para assumir o controlo
das suas terras e geri-las de forma correcta. Através do trabalho
conjunto, os membros da associação tiveram acesso a financiamento comunitário para iniciar projectos na região.
Maria replantou as suas terras com variedades de árvores lucrativas e arrancou as plantas mortas. «As florestas são um projecto a
muito longo prazo. É muito importante manter a tradição. Tinha
uma forte ligação às terras dos meus pais e espero transmitir esse
interesse aos meus filhos», conclui.
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Uma carreira em inovação
Tanto quanto consegue recordar-se, os objectos mecânicos sempre fascinaram Simone Rossi. «Em criança sempre me interessei
por carros, aviões e coisas técnicas», afirma Simone, de 30 anos,
residente em Montecastello di Vibio, uma vila medieval erigida
sobre uma colina da região italiana de Umbria.
«Queria saber mais sobre a maneira como as máquinas funcionam», continua. Depois de terminar o ensino secundário, Simone
optou por estudar engenharia mecânica na vizinha Universidade
de Perugia e o seu interesse cresceu ainda mais. «Não me limitei
a estudar para passar nos exames. Queria mesmo saber pormenorizadamente como as coisas funcionavam. Comecei a perceber
como a matemática, a física e a química eram a base de tudo e
queria aprender mais sobre essas matérias», acrescenta.
Quando se formou, em 2005, sabia que queria seguir uma carreira
numa área relacionada. No entanto, teve dificuldade em arranjar
um emprego adequado. Esteve desempregado durante algum
tempo; depois, trabalhou numa companhia de seguros e desempenhou cargos administrativos em empresas. «Sabia que não
queria aqueles empregos a longo prazo, mas é difícil encontrar
empregos na área da engenharia, especialmente nesta região. Os
engenheiros são procurados, mas não para exercer engenharia»,
esclarece.
Um incentivo para os empregadores
A ajuda chegou através de um programa de financiamento à investigação co-financiado pela região local e pelo Fundo Social da
União Europeia. O programa concede subvenções a investigadores desempregados para trabalharem em projectos em empresas
ou em centros de investigação, adquirirem experiência e melhorarem as suas perspectivas de emprego. As empresas e outras organizações envolvidas beneficiam de uma investigação que não poderiam justificar do ponto de vista comercial e são incentivadas a
contratar os investigadores no final do período de financiamento.
Para Simone, o programa foi decisivo para conseguir um emprego permanente, uma vez que lhe permitiu efectuar um estágio
de 18 meses na empresa onde trabalha agora a tempo inteiro, a
Angelantoni (http://www.angelantoni.it/), fabricante do sector de
tecnologia e inovação, com sede na região.
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Educação e formação
«O programa foi muito importante para mim porque me ajudou
a continuar a fazer investigação, patentear o produto, experimentar
a vida profissional e aumentar as minhas possibilidades de emprego»
«O programa foi muito importante para mim porque me ajudou a
continuar a fazer investigação, patentear o produto, experimentar
a vida profissional e aumentar as minhas possibilidades de emprego», refere, continuando: «Descobri o programa acidentalmente.
Vi um anúncio a pedir investigadores e inicialmente pensei que
não era para mim. Pensava que as subvenções se destinavam a
pessoas que já trabalhavam em universidades ou centros de investigação. Mas como não tinha nada a perder, candidatei-me».
Simone avisa que o projecto ainda «está no início» e que poderão
ser necessários vários anos para que o produto final chegue ao
mercado. E conclui: «No entanto, quero realmente acompanhá-lo
até ao fim. É óptimo estar na primeira linha de um projecto desta
natureza».
Energia solar
Simone foi seleccionado entre muitos candidatos e recebeu uma
subvenção que lhe abriu a porta para o estágio de investigação
na empresa, relacionado com o valor potencial de um novo tipo
de sistema «fotovoltaico concentrado» em pequena escala para
utilizar a energia solar na produção de energia.
«Quando iniciei a investigação não sabia muito sobre sistemas fotovoltaicos, mas é uma área muito interessante, especialmente nesta
altura, com o interesse crescente nas energias renováveis», admite.
O desenvolvimento de sistemas fotovoltaicos teve início na década de 1980, nos Estados Unidos. «Mas aqui, em Itália, ninguém
sabia muito sobre esses sistemas. Estávamos a começar praticamente do zero», recorda Simone. Num trabalho conjunto com outros institutos de investigação e universidades de Itália, Simone
desenvolveu com êxito uma aplicação de baixo custo e maior
eficiência em comparação com os processos solares fotovoltaicos
tradicionais.
O sistema concentra a energia solar utilizando uma lente e, depois,
separa os raios em gamas de frequências diferentes. «A principal
vantagem reside no facto de ter uma temperatura muito menor
do que outras soluções idênticas. As células não sobreaquecem,
o que torna o sistema muito mais eficiente», explica. A empresa
patenteou a invenção e, no Outono de 2008, ofereceu a Simone
um emprego permanente para prosseguir o seu trabalho.
«No início, encarava isto como um jogo. Estava a descobrir e a investigar uma nova área», reconhece. E acrescenta: «Mas quando
a aplicação foi patenteada, a minha descoberta impressionou.
Fiquei muito orgulhoso».
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Forte aposta
A cidade provincial de Siauliai, no norte da Lituânia, está muito
afastada do centro da Europa, até mesmo da própria capital do
país, Vilnius, mas Nedas Jurgaitis, um professor de línguas da escola local, pretende aproximá-la do resto do mundo.
«Estão a acontecer mudanças muito positivas na nossa região.
Estamos muito afastados dos principais centros, mas temos um
sistema escolar excelente, uma óptima escola e um grupo de estudantes muito bom. O futuro parece brilhante», afirma.
O verdadeiro amor de Nedas é a linguística comparada. Depois de
tirar um mestrado sobre o tema, começou a ensinar no Colégio
de Siauliai mas, com pouca experiência a nível de investigação, as
possibilidades de deixar uma marca no mundo académico pareciam remotas.
A situação mudou quando frequentou um conjunto de cursos
de formação, seminários e workshops de carácter especial, co-financiados pela União Europeia através do Fundo Social Europeu.
O projecto MOKOM (desenvolver competências em matéria de
investigação científica) visava a formação, a melhoria de qualificações e a requalificação de cientistas e outros investigadores
com vista a satisfazer as necessidades actuais do mercado. Nedas
teve conhecimento do programa através de um dos administradores do colégio e ele e outros professores foram incentivados
a participar.
Tirar partido das forças da Europa
Durante o projecto MOKOM, que decorreu entre Setembro de
2005 e Fevereiro de 2008, Nedas e os seus colegas conheceram
alguns dos mais qualificados e reconhecidos investigadores, cientistas e professores universitários da Europa.
Os tópicos do curso incluíam «novas ferramentas de tecnologias da
informação para a investigação», «formação de equipas» e «comunicação de resultados de investigação». A vertente prática incluía o
desenvolvimento de novas metodologias de investigação e a preparação de apresentações científicas de elevada qualidade.
Nedas afirma que adquiriu informações importantes sobre o seu
trabalho e a área da linguística comparativa. A experiência pro-
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Educação e formação
«Este programa teve um impacto positivo na forma
como ensino e, ainda mais importante,
na forma como penso a educação e a investigação»
porcionou-lhe uma agradável sensação de confiança e motivação:
«Ganhei uma experiência valiosa ao participar neste programa.
Teve um impacto positivo na forma como ensino e, ainda mais
importante, na forma como penso a educação e a investigação».
Com uma nova autoconfiança, Nedas afirma que está melhor preparado do que nunca para competir no mundo académico aos
mais altos níveis.
Uma nova confiança
Com apenas 28 anos, Nedas exerce já o cargo de director do departamento de Relações Internacionais do Colégio de Siauliai.
Agora decidiu avançar e está a pensar tirar um doutoramento,
esperando tornar-se professor catedrático. E, com uma menina
recém-nascida para cuidar, Needs e a mulher esperam mesmo
boas novidades.
«Não diria que antes não tinha confiança nenhuma», acrescenta.
«Estava seguro quanto a mim e ao meu futuro, até certo ponto,
mas não tinha os conhecimentos e a experiência necessários
para dar o passo seguinte, para tornar aquele futuro uma realidade. Faltava qualquer coisa. Agora, consigo ver o futuro e isso
inclui novas portas a abrirem-se para mim e para a minha família»,
reconhece.
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Mostrar a outros o caminho a seguir
Mogens Lausen tem uma personalidade expansiva e cativante, mas
nem sempre foi assim. Actualmente músico e actor de talento, teve
de ultrapassar a timidez inicial na escola e na sua vida pessoal.
«Cresci numa pequena vila no norte da Jutlândia. Era um miúdo
sossegado e tinha dificuldade em expressar-me, mas sempre adorei música», explica.
Inicialmente, Mogens pretendia estudar música na Universidade
de Århus, mas os departamentos de música estavam a ser reduzidos em todo o país nessa altura. «Ser músico profissional exigiria
sempre um grande esforço. O teatro colocava outros desafios e
pensei que poderia ser adequado para mim; optei por me inscrever em arte dramática», esclarece. A decisão era realmente arrojada para alguém com timidez crónica. De qualquer das formas, a
cidade de Århus iria ter um papel decisivo no seu futuro.
«É um centro cultural emocionante e cheio de movimento», afirma Mogens. Århus é a segunda maior cidade e o principal porto
da Dinamarca e foi alvo de um conjunto de grandes projectos públicos de renovação nos últimos anos, transformando o seu antigo centro degradado numa montra para a cultura e o comércio
locais. Com mais de 300 000 habitantes, Århus reclama o título
não oficial de «capital da Jutlândia».
Aproveitar a experiência valiosa
«Fui actor profissional aqui na cidade quando terminei a faculdade» «e cheguei mesmo a dirigir. O meu trabalho ensinou-me muito sobre autoconfiança, mas a vida no teatro não é fácil e eu e a
minha mulher atravessámos alguns períodos difíceis», informa.
Mogens compreendeu que o caminho a seguir era criar a sua própria empresa. Via-se com imenso potencial para ajudar as pessoas
a ganharem confiança e aperfeiçoarem as suas formas de estar na
vida. Tinha desenvolvido as suas próprias técnicas de formação
durante os anos em que fez teatro, utilizando os seus conhecimentos de actor e executante para desafiar outros actores, encontrar
motivação e enfrentar problemas pessoais difíceis. Compreendeu
que essas mesmas técnicas podiam ser utilizadas para ajudar as
pessoas em geral, mas ainda precisava de ajuda para transformar
essas ideias numa carreira viável.
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Educação e formação
«A experiência ajudou-me a ter uma noção
clara do caminho que quero seguir e de como
o vou seguir. É isso que ensino às pessoas»
«Tinha ideias claras sobre o rumo que queria seguir, mas estava a tentar iniciar uma empresa sem ter qualquer experiência.
Entretanto, a minha mulher estava a tentar obter apoios para o
grupo de teatro que dirigia, o que significava que a nossa situação financeira não era muito estável. Sabia que precisava efectivamente de ajuda para iniciar a empresa e que tinha de agir rapidamente», acrescenta Mogens.
Mais do que regras e regulamentos
Essa ajuda chegou na forma de um curso especial de formação
para novos empresários, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. O curso ajudou Mogens a criar a
sua empresa. «Recebi informações extremamente valiosas sobre
como começar. Há imensas regras administrativas a seguir e dificuldades a contornar», refere.
toridades governamentais ou outros organismos». «Todos eles»,
afirma, «representam pessoas com diferentes personalidades e
características, que precisam de se expressar e compreender e interagir com outras pessoas».
«Sabermos quem somos e conhecermos as nossas próprias motivações pode influenciar o nosso desempenho», admite Mogens.
«Aprendi isso durante o curso do FSE. A experiência ajudou-me
a ter uma noção clara do caminho que quero seguir e de como
o vou seguir. É isso que ensino às pessoas; já ajudei centenas de
pessoas a darem um rumo às suas vidas e carreiras. Isso é o que eu
chamo êxito», conclui.
O curso de formação, organizado pelo Centro de Empreendedorismo da Universidade de Århus, incluía aconselhamento específico sobre a abordagem de regras e regulamentos comerciais
e exigia aos participantes uma análise das suas competências,
motivações e expectativas pessoais. «Estar familiarizado com as
‘regras do jogo’ foi uma verdadeira ajuda. Não podia ter iniciado a
minha empresa sem esses conhecimentos, mas também aprendi
algo sobre as minhas forças e fraquezas individuais, a minha personalidade e o meu potencial como empresário independente»,
reconhece Mogens.
Rumo ao sucesso
Actualmente, Mogens dirige a sua própria empresa em Århus. A
Re-Act! disponibiliza formação e consultadoria a pessoas que pretendem lançar as suas carreiras, desenvolver competências, solucionar problemas de negócios e derrotar demónios pessoais.
Mogens desloca-se a empresas e organizações no centro e nos
arredores da cidade, mas também realiza sessões de formação no
seu escritório. E diz: «Tenho clientes de todas as formas e tamanhos. Podem ser pessoas isoladas que pretendem lançar as suas
carreiras, empresas que planeiam uma reestruturação estratégica
ou organizações envolvidas em negociações complexas com au-
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Inclusão social
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Refazer a vida
Uma aluna da Universidade de Liubliana, Jana Urbanija, está entusiasmada quanto ao futuro. A jovem de 26 anos está a estudar geotecnologias e pretende seguir uma carreira na indústria mineira.
«Quero ser engenheira. Quero um emprego onde possa trabalhar
em grandes projectos em diferentes países do mundo», afirma.
No entanto, o caminho que seguiu nem sempre foi fácil e há alguns anos atrás o seu futuro não parecia tão brilhante. A sua adolescência, passada na região do lago Bled, foi turbulenta. «Na minha adolescência, tive muitos problemas. O meu pai bebia muito
e os meus pais divorciaram-se. Fugi de casa pela primeira vez com
seis anos e fiquei com uma depressão a partir dos 12», recorda.
Jana adorava praticar desporto, mas foi forçada a desistir de muitas actividades devido a problemas nos joelhos, o que aumentou
ainda mais a sua sensação de alienação: «Não me enquadrava e
a minha vida era horrível». A sua busca para encontrar um lugar
onde se sentisse bem levou-a a experimentar drogas: «Começou
como algo social, em festas e clubes, mas depois agravou-se».
Passou a tomar ecstasy todos os dias e a habituação cedo a levou
a drogas mais fortes. «Estava a tomar cinco comprimidos por dia.
Depois comecei a usar heroína para acalmar», reconhece.
Começou a roubar para sustentar o vício que crescia rapidamente
e o seu comportamento afastou-a dos amigos. «Estávamos numa
onda diferente. Nada me interessava. Na escola tornei-me solitária
e comecei a procurar amigos drogados. No fim, já passava mais
tempo em bares do que na escola», admite. Previsivelmente, reprovou no último ano do liceu e desistiu. E confessa: «Cada vez
tinha mais problemas com a polícia».
Mudar de rumo
Um programa de educação informal co-financiado pela União
Europeia através do Fundo Social Europeu ajudou-a a começar
a mudar a sua vida. O programa PLYA (Project Learning for Young
Adults — Projecto de Aprendizagem para Jovens Adultos) visa
ajudar jovens que não concluíram o ensino regular a entrarem
no mercado de trabalho. Funciona através de projectos de artes e
artesanato, aprendizagem prática, competências para a vida, desenvolvimento pessoal e aconselhamento.
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Inclusão social
«No curso trataram-me como uma pessoa.
Havia um bom ambiente. Todos se ajudavam uns aos outros,
não havia competição e podíamos ser nós próprios»
O projecto ajudou Jana a dar um novo rumo à sua vida: «Era o
que eu precisava. Comecei a perceber que podia viver de maneira diferente». Jana notou imediatamente uma diferença positiva
em relação às suas experiências educativas anteriores. «Na escola, somos tratados como um número. Mas no curso trataram-me
como uma pessoa. Todas as pessoas tinham o mesmo objectivo,
todos tinham sido afastados do sistema. Por isso, havia um bom
ambiente. Todos se ajudavam uns aos outros, não havia competição e podíamos ser nós próprios», observa.
Jana frequentou o curso durante um ano. No entanto, ainda tomava drogas, embora nesta altura começasse a perceber que queria
parar. «Estava a enlouquecer. Estava com medo de acabar num
hospital psiquiátrico ou morrer», reconhece.
todas as pessoas que me ajudaram. Recebi muito e quero retribuir».
Jana trabalha em turnos nocturnos num centro para jovens com
problemas alcoólicos e de droga, utilizando a sua experiência para
ajudar outros jovens a atravessar os tempos difíceis. Vigia os adolescentes que ficam no centro e aconselha-os sempre que pode.
«Gostava de criar uma comunidade como aquela onde estive,
para ajudar pessoas com depressão. Mas esse é um objectivo a
longo prazo. Neste momento estou a gostar do que faço e a preparar o futuro», conclui.
Decidiu ir para uma comunidade mais fechada para deixar a droga e refazer a sua vida. «Foi muito difícil», afirma. A comunidade,
dirigida por uma organização católica com sede em Itália, era rigorosa: sem televisão, contacto mínimo com o mundo exterior,
pouco conforto material e um programa de trabalho físico intenso. «Era pior que o exército», admite Jana.
«Mas ainda mais difícil do que o trabalho físico», afirma Jana, «foram as mudanças pessoais. Tens de aceitar a situação em que estás e trabalhares para melhorar. Atribuem-te responsabilidades e
és tratada como uma pessoa. Começas a ver os teus defeitos». E
explica: «Era um inferno, mas agora tenho boas recordações porque a comunidade é pura. São honestos e fazem-se boas amizades. Houve momentos maravilhosos porque a vida lá é pura».
Passados quase três anos, Jana sentiu-se pronta para enfrentar o
mundo novamente. Regressou a casa em 2004. «Os meus antigos
amigos aceitaram-me e isso foi uma grande ajuda. Voltei a estudar outra vez imediatamente. O pior (para um viciado em droga)
é sentir-se sozinho e abandonado», argumenta. Voltou a fazer os
exames escolares e frequentou mais um curso para ter entrada no
curso universitário que agora frequenta.
Retribuir
Jana tem uma atitude filosófica quanto ao passado e compreende
que teve muita sorte: «Estou grata por toda a ajuda que tive e a
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Novas competências em tecnologias
da informação para um futuro melhor
«À semelhança de muita gente, utilizo computadores a nível profissional e para entretenimento. Saber tirar o maior partido destas
tecnologias significa uma vida melhor e um futuro mais risonho».
Esta é a opinião de Christos Giannakopoulos, um jovem com excelentes perspectivas, em parte graças ao Fundo Social Europeu.
Christos perdeu os pais ainda criança e foi levado, com o irmão
mais velho, de Atenas para um pequeno orfanato nas imediações
de Chalkida. A instituição, onde ainda vive, foi construída sobre
as fundações de um antigo claustro. Erigida num litoral rochoso,
uma pequena igreja encontra-se rodeada por um amontoado de
pequenos edifícios, incluindo salas de aula e um recreio, um edifício de maiores dimensões onde se encontram os dormitórios,
uma grande cozinha e quartos comuns para cerca de dez órfãos.
Superar as adversidades
«O cenário era pitoresco», diz Christos, observando o azul tranquilo do golfo de Evia, «mas crescer sem mãe e pai continuava a
ser duro». Mesmo assim, os dois rapazes conseguiram encontrar
o seu caminho. Quando chegou a altura, Christos abandonou a
instituição para ir prestar o serviço militar.
A Grécia possui um serviço militar obrigatório, ao abrigo do qual
todos os homens com idade superior a 18 anos prestam serviço
durante 12 meses. Durante o período em que permaneceu no exército, o comandante de Christos sugeriu-lhe que se inscrevesse num
curso de formação em tecnologias da informação gratuito. Christos
aproveitou a oportunidade. O curso, destinado a um grupo mais
abrangente, incluindo pessoas com deficiência e membros das forças armadas, era financiado pela União Europeia através do FSE.
O objectivo do programa de formação consistia em ensinar competências básicas de tecnologias de informação, melhorar a «literacia digital» dos alunos e reforçar o seu potencial para o mercado
de trabalho.
O projecto era dirigido pela Autoridade de Execução das Acções
do FSE do Secretariado Geral para a Gestão dos Fundos Europeus,
Ministério do Emprego e da Protecção Social da Grécia, no âmbito do programa operacional Sociedade da Informação 2000-2006,
Ministério da Economia e Finanças.
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Inclusão social
«As tecnologias da informação fornecem actualmente ferramentas
importantes em todos os sectores e a participação no curso de formação
foi, sem qualquer dúvida, uma experiência muito útil para mim»
A Unidade de Organização e Gestão (MOU) é uma instituição
sem fins lucrativos do sector público que apoia as autoridades
públicas na gestão efectiva dos programas financiados pela
União Europeia. A MOU depende directamente do Ministério da
Economia e Finanças da Grécia.
Christos afirma que as aulas de tecnologias de informação o ajudaram a melhorar as suas modestas competências em informática, permitindo-lhe compreender melhor os princípios básicos
das aplicações de processamento de texto e de folha de cálculo e
como utilizar a Internet.
«Venho de um país antigo onde temos orgulho na nossa história»,
acrescenta. «Mas não temos de viver no passado, também podemos olhar para o futuro. As tecnologias da informação fornecem
actualmente ferramentas importantes em todos os sectores e a
participação no curso de formação foi, sem qualquer dúvida, uma
experiência muito útil para mim», conclui.
Utilização prática
Christos trabalha diariamente com um computador, em casa e
no trabalho. «Há tantos sítios para aceder na Internet… Utilizo-o
para comunicar com os meus amigos e obter informações sobre
todos os tipos de assuntos. E posso obter informações sobre novos produtos e serviços, mas também utilizo um computador no
trabalho», refere.
Christos trabalha a tempo inteiro numa loja de artigos para guarnição de interiores. Passa uma parte do seu tempo a ajudar os
clientes no piso de exposição, mas também controla encomendas
e actualiza as bases de dados das existências e do inventário no
computador do escritório e faz entregas quando lhe apetece apanhar um pouco de ar fresco.
«Frequentar um curso de informática gratuito fez uma grande diferença na minha vida. Não estaria onde estou hoje sem o curso»,
reconhece. Christos refere que outros colegas do curso também
tiveram êxito graças às competências que adquiriram.
Olhar para o futuro
Christos encara o seu emprego actual como um «trampolim» importante, onde aprendeu imenso sobre gestão e como gerir uma
empresa de sucesso. Espera um dia criar a sua própria empresa, talvez em sociedade com o irmão. «Gostamos de estar juntos e discutir
ideias. Estamos a pensar abrir um café ou bar com Internet. Vamos
fazê-lo brevemente, quando chegar a altura certa», afirma.
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Das ruas para a passarela
«Adoro Bolonha, mas tem sido a minha ruína. E, no entanto, há
uma espécie de solidariedade nas ruas que não se encontra em
mais sítio algum», afirma Fiorella, observando a mundialmente
conhecida Praça Maior da cidade italiana.
Desde que fugiu de casa, ainda adolescente, Fiorella tem tido uma
existência dura e fértil em acontecimentos. Passou vários anos na
prisão, a que se seguiu um longo período de depressão. Durante
dois anos viveu na rua, dormindo em parques e salas de espera
de estações. Actualmente, com 50 anos, a sua vida assentou finalmente. Partilha o seu próprio apartamento com o seu pachorrento cão da alsácia arraçado, Alba, e tem uma relação estável. A nível
profissional, gere uma loja de roupas antigas elegantemente decorada (Il Vestito) no centro da cidade, onde locais e turistas deambulam através das famosas arcadas de Bolonha. A loja pertence à
Piazza Grande, uma organização local criada em 1993 para apoiar
pessoas sem abrigo. Com o apoio da União Europeia, através do
Fundo Social Europeu, a Piazza Grande organizou a formação em
costura que permitiu a Fiorella arranjar emprego e recuperar a sua
auto-estima.
«A Piazza Grande aceitou-me, deu-me espaço e tempo para recuperar e eu aproveitei todas as oportunidades que me deram. Tive
imensos problemas, mas sempre mantive a minha dignidade e os
meus valores. Acima de tudo, sou uma trabalhadora», esclarece.
Fuga para a liberdade
Fiorella nasceu numa família abastada, mas rejeitou as suas origens desde jovem: «A minha mãe teve um tumor depois de eu
nascer. Morreu quando eu tinha 13 anos. Foi uma fase difícil. Podia
ter vivido numa gaiola dourada, mas sempre tive um desejo de
liberdade. Queria viver a minha própria vida. Os meus pais eram
magníficos e queriam estragar-me com mimos. Mas nessa altura
não estava muito interessada».
«É importante respeitar a família. Cometeram erros comigo, mas
fizeram-no porque tinham problemas. E eram demasiado ricos»,
explica.
Fiorella fugiu de casa para casar aos 16 anos. «O meu pai proibiu
o casamento, por isso fomos a Roma para obter autorização do
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Inclusão social
«A Piazza Grande aceitou-me, deu-me espaço
e tempo para recuperar e eu aproveitei
todas as oportunidades que me deram»
próprio Papa», recorda. Mas o casal separou-se ao fim de um ano.
Demorou pouco tempo a apaixonar-se novamente, desta vez por
um índio americano. Mas, uma semana depois de Fiorella saber
que estava grávida, ele morreu num acidente de aviação. Tinha
18 anos quando deu à luz o filho Michele, a quem foi diagnosticada uma cardiopatia congénita e faleceu no hospital passados
apenas seis meses.
«Depois da morte do meu filho, a situação piorou», admite Fiorella.
Nos anos seguintes viajou por vários países (Austrália, Brasil,
Tailândia) sobrevivendo sempre nas margens do crime. Quando
por fim foi apanhada, foi punida com uma pena de prisão prolongada.
Quando foi libertada, reencontrou-se com o pai e começou a
trabalhar no restaurante dele como cozinheira. Até que, uma
manhã, em 1992, quando Fiorella levou o café da manhã ao pai,
encontrou-o morto. Tinha sofrido um enfarte agudo. A tragédia
mergulhou-a numa depressão profunda. Embora ainda tivesse
ido trabalhar, no início, «não vivia a realidade», afirma. Cortou os
laços com os restantes membros da família e recorreu à droga.
«Heroína, cocaína, metadona… experimentei de tudo», confessa.
Quando ficou com dívidas, começou a roubar para comer e sustentar o seu vício, até que acabou por viver nas ruas.
Ajuda onde é necessária
O primeiro contacto de Fiorella com a Piazza Grande deu-se em
2002. Criada inicialmente com o objectivo de publicar um jornal
com vista à angariação de fundos para pessoas sem-abrigo, a organização conta agora com assistentes sociais e «advogados de rua»
(avvocati di strada) que andam pela cidade a prestar ajuda prática
(comida, roupas e cobertores) e aconselhamento. Emprega também cerca de 20 pessoas na cooperativa (Fare Mondi) de limpeza e decoração, na loja de bicicletas e no armazém de roupa que
possui, as quais recolhem donativos e os distribuem por pessoas
necessitadas. A organização dirige um grupo de teatro e começou
a organizar actividades de formação, oferecendo mais oportunidades de emprego às pessoas mais pobres e mais excluídas de
Bolonha, na sua maioria imigrantes e pessoas de etnia cigana. «O
objectivo é que todos façam o melhor que podem», afirmam os
organizadores.
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«Os empregados da Piazza Grande encontraram-me no parque»,
recorda Fiorella. «Não sou verdadeiramente uma pessoa das ruas
e tinha decidido abandonar a droga. Fiz isso sozinha, sem qualquer ajuda. Aprendi a lutar por mim quando estava na barriga da
minha mãe e tenho um carácter forte; na prisão chamavam-me
‘gelo e fogo’ devido aos meus olhos pálidos. Já passei por muitas
situações, por isso ataco-me a mim própria antes de ser atacada.
Sou insensível, mas também sou apaixonada».
O valor essencial do trabalho
A Piazza Grande ofereceu-lhe a esperança de que necessitava.
Depois de vários meses no hospital com graves problemas no
fígado e nos rins que poderiam ter sido fatais, estava finalmente pronta para arranjar o seu próprio alojamento. «Embora ainda
tivesse problemas, a Piazza Grande começou a dar-me trabalho»,
prossegue Fiorella. Em 2004, frequentou o curso básico de costura: «Quando era pequena, as minhas amas eram costureiras.
Costumava observá-las. Foi algo que sempre quis fazer». Uma segunda acção de formação, em 2006, ensinou-a a identificar peças
de vestuário antigas e a transformá-las em roupa de moda. Por
fim, em Novembro de 2007, a Il Vestito abriu as portas. Fiorella e
a sua assistente, Micaela Ugolini, são responsáveis pela gestão financeira do negócio, seleccionando artigos para venda entre as
roupas doadas, e pela administração da loja, com a ajuda de uma
pequena equipa de costureiras formadas que efectuam as alterações às peças de vestuário.
«Estou contente com o que faço agora, embora pudesse comprometer-me um pouco mais. A Piazza Grande investiu em mim e só
posso estar-lhes grata», reflecte Fiorella. Há algum tempo atrás,
reencontrou-se com os irmãos e irmãs, sobrinhos e sobrinhas,
após um longo período de isolamento.
Nas ruas, viveu com um grupo de pessoas sem abrigo que partilhavam o respeito mútuo e a regra não escrita de que cada um
não se metia na vida dos outros. «Mas nunca voltaria atrás, decididamente, não!», declara. E conclui «Tinha de me libertar do
meu instinto de auto-destruição, não das pessoas que conhecia.
É importante mantermo-nos positivos. Desse modo, também podemos tentar ajudar os outros e eu tento e dou a mão a outras
pessoas, à minha maneira».
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Uma mão amiga, uma oportunidade
de redenção
Allan McGinlay não é má pessoa, mas passou por tempos
difíceis durante a adolescência nas ruas problemáticas de
Glasgow. Frequentava círculos pouco recomendáveis e aos
18 anos já tinha cometido alguns erros e sido apanhado em
actividades duvidosas. A bebida acabou por fazer parte da sua
vida, levando-o a provocar problemas em bares locais e envolver-se em rixas nas ruas. O tempo passou e deu consigo embrenhado num ciclo vertiginoso de desemprego, uso de drogas e,
por fim, a prisão.
Saiu da prisão, passaram-se mais alguns anos e um casamento
feliz proporcionou uma pausa, dando a Allan uma sensação de
estrutura e relacionamento, mas a sorte adversa ainda não tinha
terminado. A frustração surgiu quando perdeu outro emprego. A
espiral descendente parecia inquebrável. Perdeu a esperança e
entrou em depressão.
Hoje afirma que «às vezes as pessoas precisam de uma segunda
oportunidade na vida e eu tive sorte em consegui-la».
Sensatez através da experiência
O projecto Life Coaching (preparação para a vida), co-financiado
pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, deu a Allan
uma segunda oportunidade. O projecto visa introduzir antigos
presos numa actividade remunerada. Os estagiários, que são também ex-reclusos, foram ensinados a prestar aconselhamento a
outros ex-reclusos que regressam à região de Glasgow depois de
passarem algum tempo na prisão.
O projecto ajudou Allan a enfrentar os seus próprios demónios e a
dar um novo rumo à sua vida. Depois de terminar a formação, foi
contratado pelo Wise Group e trabalha actualmente a tempo inteiro
no escritório do grupo em Wishaw, na Escócia, a ajudar outros ex-reclusos.
Actualmente, Allan regressou à prisão, mas apenas para ajudar
pessoas como ele que bateram no fundo e fizeram más opções.
Ele encontra-se com reclusos prestes a ser libertados e ajuda-os
a regressarem à vida no exterior, encontrarem trabalho e alojamento, conhecerem outros serviços e manterem-se no rumo
certo.
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Inclusão social
«Às vezes as pessoas precisam
de uma segunda oportunidade na vida
e eu tive sorte em consegui-la»
O modelo de apoio por pares, que utiliza ex-reclusos para apoiar
outros ex-reclusos, é visto como uma forma eficaz de criar confiança, reforçando a saúde mental e emocional dos utilizadores do
serviço e reduzindo a auto-punição e a reincidência delinquente.
Satisfação no emprego
«Entram-nos pelas portas dentro alguns casos particularmente
difíceis», explica Allan. «Vemos jovens viciados em droga, em situação precária, de desespero, mesmo suicida. São situações trágicas, podem ser pungentes, mas proporcionam-nos uma enorme
sensação de realização e de satisfação quando conseguimos recuperar um desses jovens, ajudando-os a encontrarem trabalho e
um lugar para viver».
A satisfação e a autoconfiança são as chaves do novo sucesso de
Allan. Afirma que o projecto Life Coaching fez toda a diferença do
mundo para si e para a sua família e que pode, hoje, dizer honestamente que é um homem feliz. «Se o programa não tivesse surgido, a minha vida teria ficado completamente fora de controlo.
Permitiu-me tornar-me no homem que já devia ser há muito tempo», admite.
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Comunicação para pessoas
com deficiência auditiva
Nascido surdo-mudo, Mário Greško era apenas uma criança de
tenra idade quando a mãe o deixou num orfanato na região rural da Eslováquia. Foi apenas aos seis anos, quando foi transferido
para uma escola para crianças surdas, que pôde começar o seu
longo caminho para a liberdade e a realização pessoal.
«Digo às pessoas que nasci duas vezes», afirma. E explica: «A segunda vez foi quando tinha seis anos. Antes disso, não tinha pensamentos claros. As minhas memórias desses tempos são praticamente inexistentes, apenas vagas impressões. Sei que brinquei
com outras crianças. Podia ver os movimentos das suas bocas e
sabia que isso tinha um significado, mas estava confuso e não
compreendia o que estava a acontecer. Não me ficou quase nada
desses tempos».
Ultrapassar um início difícil
Ser transferido para uma escola especial permitiu a Mário aprender e começar a formar ideias claras e específicas. «Aprendi a linguagem gestual, e as minhas memórias começam nessa altura»,
refere. Mário aprendeu também a ler nos lábios, a ler e escrever:
«Compreendi quem era e o que era, como sou diferente e que podia esperar algo melhor».
Na altura adequada, foi para Bratislava, onde começou a trabalhar como aprendiz de alfaiate. «Uma parte do currículo na
escola para surdos consistia em aprender uma profissão», explica Mário. «Aprendi a fazer roupas, por isso era lógico que tentasse o sector da confecção de vestuário. Foi um começo, mas
não era o que pretendia fazer para o resto da minha vida. O meu
sonho era trabalhar na indústria automóvel. É simples, adoro
carros».
Nova esperança
Através de um amigo, Mário soube da existência de um programa
de formação especial em tecnologias da informação destinado
a pessoas surdas co-financiado pela União Europeia através do
Fundo Social Europeu. O curso, realizado no âmbito do programa
EQUAL, incluía formação sobre as novas ferramentas de «software» e serviços em linha para surdos.
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Inclusão social
«Saber utilizar um computador
e a Internet abriu-me
todos os tipos de portas»
«Os surdos-mudos enfrentam problemas específicos relacionados
com a linguagem», afirma Milan Ručkay, coordenador do projecto EQUAL. «Não se trata apenas de uma questão de tradução. A
linguagem escrita é completamente diferente, em termos conceituais, quando comparada com a linguagem gestual. Ler e escrever
são actos simbólicos: as letras numa palavra correspondem a sons,
as palavras correspondem a objectos, acções e conceitos. Vemos
letras e palavras e ouvimo-las nas nossas mentes. Mas um surdo-mudo não ouve palavras». Ručkay afirma que a linguagem gestual
é mais como descrever algo fisicamente com as mãos: «É uma linguagem própria, com uma sintaxe e uma gramática específicas».
30 anos, um bom emprego e um salário competitivo, está a construir uma vida e um futuro melhores para si. Mário afirma que
gostava de mudar para um apartamento melhor e está a tentar
encontrar uma companheira para casar. «Apenas devem candidatar-se mulheres elegíveis!», adverte.
«A minha situação mudou completamente. Aprender a trabalhar
com um computador foi óptimo. Estou muito feliz por ter tido
essa oportunidade», admite.
Durante o curso de formação, Mário aprendeu sobre os serviços
em linha que estão disponíveis para ajudar pessoas com deficiência auditiva, por exemplo, para compreender melhor a informação
escrita. Mário acabou por decidir-se a comprar um computador
portátil. «Foi a melhor coisa que já fiz. Saber utilizar um computador e a Internet abriu-me todos os tipos de portas», reconhece.
A vida a uma velocidade superior
Com novas competências e uma nova sensação de confiança,
Mário começou a candidatar-se a empregos através da Internet
e conseguiu um. Actualmente, trabalha na empresa Brose como
operador da linha de montagem de automóveis. A Brose é, desde
há muito, um fabricante de componentes para a indústria automóvel. A sua unidade de Bratislava fabrica portas de automóveis
para uma unidade da Volkswagen que dista apenas alguns quilómetros.
Mário não é o único surdo-mudo que trabalha na linha de montagem da Brose, como explica Ediltrúda Makarová, gestor dos
Recursos Humanos: «Seguimos uma política aberta no que respeita a pessoas com deficiência. Temos pessoas surdas e pessoas
com audição fluentes em linguagem gestual que podem ajudar a
traduzir quando é necessário. A realidade é que Mário é um comunicador excelente, com ou sem palavras. Conseguimos entender-nos uns aos outros. É um trabalhador excelente e extremamente
motivado, igual a qualquer outro no terreno».
Objectivamente, pode afirmar-se que o sucesso de Mário representa uma probabilidade incrível, mas ele não olha para trás. Com
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Sorria e prove os queijos!
Os passageiros que descem na estação ferroviária da cidade de
Hässleholm, no sul da Suécia, passam por uma airosa mercearia
com um convidativo sortido de queijos exposto na janela: AnneLie’s Ost & Delikatess, anuncia um alegre cartaz. No interior da loja,
Anne-Lie Thuvesson exibe um largo sorriso enquanto saúda os
clientes e serve uma selecção dos seus queijos especializados,
chás finos e cafés, azeites importados, biscoitos e chocolates seleccionados.
É fácil constatar que a loja é o orgulho e a alegria de Anne-Lie.
«Fui eu que a projectei, com a ajuda da minha irmã e de amigos»,
declara. O soalho preto e branco axadrezado, as prateleiras de madeira envernizada, as filas de latas coloridas, testemunham uma
visão perfeccionista para o detalhe estético.
De uma forma prática, a loja está situada ao lado do apartamento
que Anne-Lie partilha com as duas filhas, Hanna, de 17 anos, e
Amanda, de 16, e um gato cinzento chamado Fritz. «Foi sorte ter
encontrado esta loja, como se me estivesse destinada! É o meu
sonho. Estou muito feliz com a minha vida, agora», afirma.
Actualmente com 52 anos, divorciada, abriu a sua loja em Julho
de 2008. Foi um passo arrojado, depois de cinco anos sem trabalhar por motivo de doença, devido a esgotamento e depressão.
Anne-Lie afirma que isto só foi possível graças a um projecto de
saúde e reabilitação destinado a mulheres desempregadas que
trabalharam anteriormente em serviços de prestação de cuidados, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social
Europeu.
Três décadas de serviço
Anne-Lie abandonou a escola aos 16 anos e passou quase 30 anos
como prestadora de cuidados psiquiátricos. Tratou pacientes
esquizofrénicos e alcoólicos em recuperação antes de aceitar
um lugar no novo departamento hospitalar de Hässleholm para
pacientes com demência. Casou em 1991 e, nos anos seguintes,
nasceram Hanna e Amanda. Mas o casamento não correu como
esperava. Anne-Lie refere que o marido era instável e agressivo.
Mudou para outro emprego na cidade vizinha de Bjärnum e, depois de um divórcio doloroso e difícil, em 1994, dedicou os oito
anos seguintes ao trabalho e às filhas.
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Inclusão social
«Agora sinto-me muito feliz.
Gostava que todos tivessem tido
as mesmas oportunidades que eu tive»
Em 2002, cedeu ao stress. O trabalho por turnos e os conflitos
com o director contribuíram para a pressão. «Era demais», explica
Anne-Lie. Começou a ter períodos de perturbação, crises de choro
e tornou-se agressiva e gritava com as filhas. Esteve um mês sem
trabalhar, mas duas semanas depois de regressar ao trabalho voltou a ficar com baixa. «Fiquei dois dias na cama sem fazer nada.
Os médicos suecos chamam a isto depressão, mas para mim era
difícil aceitar esse diagnóstico; trabalhava em cuidados psiquiátricos há quase 30 anos. Não tinha apoio nenhum no trabalho,
mas não foi só isso. Era um período de crise na minha vida. Estava
muito doente. Não conseguia ler o jornal, por exemplo, e tinha
de me controlar quando estava a lavar a louça. Chorava muito e
sentia-me muito revoltada. No primeiro ano que estive com baixa
não fiz nada: mandava as meninas para a escola e depois dormia»,
recordou.
Felizmente, Anne-Lie recebeu um grande apoio da família. Tinha
consultas quinzenais com um psiquiatra e tomava antidepressivos. «Não queria tomar medicamentos, mas o médico explicou-me que o meu cérebro não estava a produzir uma substância química de que necessitava. Ainda tomo pequenas doses; abrir a loja
foi desgastante», admite.
devia excluir homens, embora a maior parte das pessoas dessas
profissões sejam mulheres». Entre 2005 e 2007, o projecto prestou
ajuda a 200 pessoas com as mais variadas situações a nível físico
e psicológico. «O nosso objectivo inicial e ambicioso consistia em
conseguir que 70% voltassem a trabalhar ou a estudar», refere Per
Larsson. «A percentagem final foi 69%: foi fantástico. Mesmo que
só uma pessoa tivesse sido bem sucedida já teria valido a pena!
Este programa prova que as pessoas têm força interior desde que
tenham a possibilidade de a desenvolver».
Desde então, Per lançou um novo projecto de reabilitação. Uma
das participantes, Berith Eriksson, trabalha agora na loja de Anne-Lie. Ela trabalhou durante 23 anos na área de cuidados de saúde
antes de iniciar o programa de reconversão profissional. «É uma
loja muito bonita», observa Berith. «Temos sido boas amigas, por
isso espero ficar».
«É, realmente, uma história engraçada. Anne-Lie esforçou-se e
criou um negócio e, agora, está a ajudar outras pessoas na mesma
situação», acrescenta Per.
O tempo cura
Uma oferta que não podia recusar
Foi então que, três anos depois, recebeu uma carta a oferecer-lhe
um lugar no programa Sustainable Health (saúde sustentável).
«Não tinha vontade nenhuma», reconhece Anne-Lie, mas senti
que não podia deixar de ir, por isso aceitei». O programa destinava-se especificamente a antigos prestadores de cuidados do sexo
feminino em situação de baixa prolongada, a fim de lhes proporcionar competências específicas e os conhecimentos de que necessitavam para encontrarem uma nova profissão no mercado de
trabalho. Sete comunidades locais participaram na selecção de
candidatos entre os seus antigos prestadores de cuidados sociais
e de saúde.
«Não tínhamos um plano predeterminado», afirma o coordenador Per Larsson. «Trabalhávamos com cada pessoa isoladamente
para descobrir o que pretendiam fazer realmente. Estou convencido de que foi por isso que resultou tão bem. À medida que avançávamos, constatámos que era um programa tão bom que não
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Anne-Lie está grata por ter tido tempo para recompor a sua vida.
«Nem todos compreendem», explica. «Há uma tendência para
apressar as pessoas. Mas graças ao apoio da União Europeia, os
gestores do projecto puderam dispor de tempo. É por isso que
estou aqui hoje e sinto-me bem». A sua imensa fé religiosa também a ajudou nos dias mais difíceis. Costumava tocar guitarra na
catequese aos domingos. «Dizia a Deus: entrego-me nas Vossas
mãos. E correu tudo bem», confessa.
Começando com passos muito pequenos, uma coisa de cada vez,
elaborou o plano de negócio. «Mesmo antes de ficar doente já
pensava em queijos», sorri Anne-Lie. «É uma ideia muito antiga».
Com o apoio de uma organização que ajuda pequenos empresários e lhe financiou metade do capital de que necessitava, conseguiu assegurar um empréstimo adicional junto do seu banco.
Durante mais de um ano trabalhou noutra loja de queijos, na
cidade de Kristianstas, onde aprendeu com o proprietário, Tom
Persson. Ele ajudou-a a estabelecer uma rede de fornecedores e
a fazer contactos.
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A loja já está a dar lucro. «Na semana anterior ao Natal havia cinco
pessoas a trabalhar aqui», afirma Anne-Lie com orgulho. Os passageiros dos comboios param para comprar um pedaço de queijo
para a viagem ou para levarem para casa. «Tenho novos clientes
todos os dias. Esta é a única loja do género na cidade e é preciso
percorrer uma grande distância para encontrar produtos idênticos. Queria criar um lugar agradável onde os clientes se sentissem
bem-vindos e foi isso que aconteceu», acrescentou.
«Agora sinto-me muito feliz e adoro ser patroa de mim própria.
Tenho muitos amigos que estiveram na mesma situação. Gostava
que todos tivessem tido as mesmas oportunidades que eu tive. O
projecto ajudou-me tanto que gostava que todas as pessoas na
Suécia soubessem da sua existência», conclui Anne-Lie.
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Luta contra
a discriminação
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Projecto estónio de integração
abre perspectivas
«O programa de formação obrigou as pessoas a pensarem por si
próprias, em vez de procurarem a ajuda de outras pessoas», afirma Messurme Pissareva. «O programa não nos disse o que fazer,
mas obrigou-nos a pensar no rumo que queríamos dar à nossa
vida. Não foi difícil para mim aprender, pois eu queria saber tudo.
Agora, quero aprender mais».
Pequena e delicada, elegantemente vestida num conjunto de
calças e casaco feito à medida, Messurme é directora-geral da
empresa imobiliária Ida-Virumaa Kinnisvara, em Jõhvi, norte da
Estónia. Mas antes de participar, em 2004, num programa de formação para a integração da população não estónia, co-financiado
pela União Europeia através do Fundo Social Europeu, a sua vida
era bem diferente. Estava desempregada, isolada e frustrada.
Messurme cresceu no Daguestão, na União Soviética, numa aldeia
de montanha próxima do mar Cáspio, onde a sua família tinha
uma propriedade vinícola. Falava o dialecto local lesgin, que possui um alfabeto cirílico e incorpora elementos das línguas russa e
turca.
Mudou-se para a Estónia há 20 anos. O irmão mais velho chegou ao país como soldado do exército soviético, quando os estados bálticos ainda faziam parte da ex-URSS. Depois do serviço
militar, decidiu ficar e estabelecer-se na região, permitindo que
Messurme, então com 17 anos, se juntasse a si e frequentasse a
escola em Jõhvi. «O meu irmão disse-me que era um tipo de civilização diferente», relembra. «Inicialmente, tencionava regressar ao
Daguestão depois de terminar os estudos, mas depois conheci o
meu marido».
Em vez de regressar, conseguiu um emprego numa empresa química local em Jõhvi, localidade onde o marido, engenheiro, trabalha actualmente para um fabricante de máquinas. Inscreveu-se
num curso nocturno de mecânica e construção, em Talin, decidida
a fazer uma escolha não habitual para uma jovem naquela época.
Mas o emprego era duro, caracterizado por longos e fatigantes
turnos e, quando nasceram o segundo e o terceiro filhos, tirou
uma licença de maternidade e ficou em casa a cuidar deles.
Depois de seis anos em casa a cuidar da família, começou a sentir-se cada vez mais excluída e subqualificada. E confessa: «A situação
financeira era difícil porque dependíamos de um único salário,
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Luta contra a discriminação
«Psicologicamente, o projecto ensinou-me que poderia
fazer qualquer coisa. Independentemente do que
decidir fazer, sei que sou capaz se me esforçar por isso»
mas eu não sabia o que fazer para regressar ao mercado de trabalho depois de ter estado tanto tempo sem trabalhar».
Problema linguístico
Além da falta de confiança, o seu principal problema era linguístico. Messurme estudou a língua russa. Cerca de um quarto da
população estónia é de origem russa e Jõhvi, que fica perto da
fronteira, tem muitos falantes de russo. Na escola, no Daguestão,
obteve boas notas na língua, mas uma vez no meio de falantes
nativos, percebeu que não era fluente em russo e que não falava o
estónio. «Se não falarmos a língua local, é muito mais difícil comunicar; quanto mais línguas uma pessoa conhecer, mais perspectivas terá», admite.
O serviço de emprego local orientou-a para um projecto co-financiado pelo FSE, dirigido pelo Centro de Formação Ontika. O projecto
ofereceu-lhe não só a possibilidade de aprender a língua como também de conhecer a história e a cultura estónias e adquirir competências sociais como a redacção de um CV, candidaturas a empregos e
técnicas de entrevistas. Através de debates, apresentações de vídeo
e excursões, com especialistas que iam desde advogados a psicólogos, Messurme recuperou gradualmente a sua auto-estima.
Cerca de três meses depois, conseguiu um emprego numa livraria, onde viria a ser promovida a gerente. «O meu objectivo era
adquirir as competências necessárias para progredir», refere, por
isso inscreveu-se em mais cursos para actualizar os seus conhecimentos e foi trabalhar no sector imobiliário. Assim que o seu estónio for perfeito, tenciona candidatar-se a estudos de Direito na
universidade de Tarfu ou de Talin. «Sinto que preciso de aprender
mais», declara entusiasticamente.
Jõhvi é muito diferente do Daguestão. Embora Messurme sinta a
falta do bom vinho das vinhas do pai, confessa que aprendeu a
gostar de café na Estónia. Agora, a sua rotina diária começa com
uma chávena de café apreciada tranquilamente na sua cozinha,
depois de os três rapazes, Vladimir de 15 anos, Jeugeni, de 8, e
Renat, de 7, terem saído para a escola. O dia de trabalho tem início
às 10h00, no escritório próximo de casa. Como directora da empresa, tem a seu cargo a parte administrativa, que trata no computador, os contactos com os clientes e as visitas destes às mora-
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dias e apartamentos que fazem parte da sua carteira de imóveis.
As suas responsabilidades não se limitam à venda de imóveis.
Em Kivioli, situada a 30 quilómetros de Jõhvi, por exemplo, a sua
agência trabalha com uma empresa de construção na conversão
de um tradicional edifício de habitação em pedra em 44 apartamentos e ainda quartos para pessoas que venham trabalhar na
próspera empresa têxtil de Kivioli.
Sem receio do futuro
Messurme receava nunca mais encontrar emprego depois de ter
deixado de trabalhar. Mas o projecto acabou com as suas preocupações. Ensinou-a a seguir em frente sem recear o futuro. Quando
chegou a Jõhvi apenas conhecia o irmão, mas agora tem um vasto
círculo de amigos.
Adquiriu autoconfiança, o trunfo mais importante. «Psicologicamente, o projecto ensinou-me que poderia fazer qualquer
coisa, que sou uma lutadora. Independentemente do que decidir
fazer, sei que sou capaz se me esforçar por isso. Precisava de um
empurrão para sair da situação em que me encontrava e o projecto ensinou-me que ‘nada é impossível!’ Sabia que conseguiria um
emprego depois do programa de formação, uma vez que este nos
incutiu um sentimento positivo», observou.
«Se pretendermos concretizar um objectivo, devemos trabalhar
arduamente», confirma Eha Korkus, coordenadora do projecto.
«Messurme é um dos melhores exemplos. Era um grupo maravilhoso. Foi-nos dito que seria um bom resultado se 30% das pessoas conseguissem emprego, mas no final do programa 60% dos
participantes estavam integrados. Os resultados superaram as
expectativas e isso deixou-nos muito satisfeitos. Neste momento,
estamos a trabalhar noutro projecto, uma vez que as ofertas de
trabalho existem».
Eha acredita igualmente que os professores aprenderam tanto
quanto os alunos. «Nem todos os estónios gostam de russos»,
explica para concluir: «Tivemos que mudar a nossa mentalidade,
mas nem todos o conseguem».
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Entrar no mercado de trabalho
Oriundo dos Camarões, Serge Mbami viajou para a Irlanda em
2001. «No meu país, a vida é dura e é difícil ter uma vida decente»,
afirma. «Procurava melhores oportunidades de vida».
Mas, no início, descobriu que não conseguia encontrar emprego.
«Foi difícil encontrar um emprego», diz Serge, de 38 anos de idade. «Foi frustrante. Fazia trabalho voluntário a ensinar crianças,
mas não era pago». Para se sustentar a si e ao jovem filho, Ryan,
dependia do apoio governamental. «Queria mais». E acrescenta:
«Decidi que precisava de alguma formação para melhorar as minhas possibilidades».
Em 2003, começou a estudar para obter um diploma em logística e gestão da cadeia de abastecimento no Institute of Purchasing
and Materials Management (Instituto Irlandês de Aquisição e
Gestão de Materiais) «Tinha alguma experiência anterior nesta
área e sabia que era o tipo de trabalho adequado para mim. Sou
um trabalhador polivalente por natureza, falo línguas e lido bem
com a pressão», informa.
O curso de três anos abrangia logística, armazenamento, contratos e gestão da cadeia de abastecimento. Todavia, descobriu que
ainda era difícil encontrar emprego depois de concluir os estudos:
«Mesmo com o diploma não conseguia encontrar emprego, uma
vez que não tinha experiência de trabalho relevante. Na Irlanda, a
experiência conta muito».
Estágio
Teve então conhecimento dos estágios de aprendizagem organizados pela FÁS (autoridade nacional de formação e emprego
da Irlanda) centrados na gestão da logística da cadeia de abastecimento. «Era exactamente o que procurava», afirma Serge. O
curso, co-financiado pela União Europeia através do Fundo Social
Europeu, consiste em 22 semanas de aulas seguidas de estágios
em empresas.
Serge adquiriu uma qualificação profissional reconhecida, o certificado avançado (Advanced Certificate) de nível 6 em logística da
cadeia de abastecimento atribuído pelo Conselho de Certificação
da Educação e Formação Contínuas (Further Education and Training
Awards Council, FETAC) e, mais importante, fez um estágio de
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Luta contra a discriminação
«Posso enviar dinheiro para casa e isso é uma grande
ajuda para eles. Sinto-me mais seguro
e posso descontrair sem me preocupar com o futuro»
16 semanas na empresa SerCom Solutions, uma empresa subsidiária da DCC em Limerick, especializada em contratos integrados a nível mundial, logística, armazenamento e distribuição de
produtos de electrónica, telecomunicações e bens duradouros. A
empresa actua como um parceiro global na gestão de compras e
da cadeia de abastecimento para muitas das empresas líderes em
tecnologia e telecomunicações a nível mundial, bem como distribuidores e retalhistas.
Depois de concluir a formação, foi-lhe oferecido um emprego permanente na empresa. «Iniciei alguns projectos no meu estágio,
implementando um novo contrato com uma empresa norte-americana que queria deslocar-se para a Irlanda e Europa. A empresa
ofereceu-me um lugar para continuar o trabalho», acrescenta.
O seu trabalho envolve actualmente todos os aspectos de logística desde o licenciamento à expedição, produção, armazenamento e entrega final. E explica: «Estou a adquirir experiência a nível
mundial. Contacto com clientes de todos os países da Europa, do
Médio Oriente e de África. Gosto mesmo de trabalhar nesta empresa. É uma óptima sensação fazer parte de uma equipa».
Serge diz que conseguir um emprego estável fez uma enorme diferença e melhorou significativamente a sua qualidade de vida.
A segurança acrescida significa que não tem que se preocupar
com o sustento do filho e pode ajudar a sua família nos Camarões:
«Posso enviar dinheiro para casa e isso é uma grande ajuda para
eles. Sinto-me mais seguro e posso descontrair sem me preocupar
com o futuro».
«Agora, gosto da vida na Irlanda. É um país muito acolhedor. Os
irlandeses são bons anfitriões. Não é possível sentarmo-nos junto de um irlandês e ficarmos calados. Embora seja um país muito
chuvoso», salienta sorrindo.
Nos seus tempos livres, gosta de se manter saudável, indo ao ginásio e correndo. «Adoro ver futebol», diz, «sou um grande adepto
do Arsenal». Todavia, Serge diz que não se contenta com os louros
conseguidos e que continuará a aprofundar os seus conhecimentos sobre negócios. «Quero alcançar sempre mais. Quero que o
meu filho tenha orgulho em mim», conclui.
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Uma oportunidade de subir na vida
«Adoro o meu emprego porque que me dá estabilidade e a
possibilidade de aprender coisas novas», diz Amparo Navajo
Maldonado, de Sevilha, Espanha.
Conversando na entrada do hotel de luxo onde trabalha, a jovem
de 30 anos parece positiva e satisfeita. No entanto, não há muito
tempo estava numa situação diferente. Tendo deixado a escola
no final da escolaridade obrigatória com poucas qualificações, o
único emprego que conseguiu encontrar foi um trabalho irregular, a limpar escritórios. «A minha vida estava num beco sem saída», afirma. «Não tinha um emprego estável; apenas trabalhos de
limpeza temporários. Conseguia um contrato de dois meses aqui
ou alguns dias de trabalho ali, mas tinha longos períodos em que
estava desempregada».
Amparo cresceu numa grande família de etnia cigana. Os pais ganhavam a vida a vender fruta de feira em feira, uma vida que via
ser difícil e incerta. Quando ela e o marido, Juan Manuel Gallego,
tiveram o primeiro filho, Marco, há cinco anos, começou a perceber que queria mais segurança para a sua família. «Queria fazer
algo de diferente e mudar a minha situação. Queria uma carreira
e ser capaz de sustentar os meus filhos», explica.
Sem rendimento fixo, a jovem família vivia em casa dos pais dela
juntamente com os seus quatro irmãos, em condições difíceis.
«Era duro. Vivia com os meus pais, com um bebé e o meu marido
Não havia privacidade e a nossa relação ressentia-se da pressão»,
constata.
Apoio personalizado
A ajuda chegou quando teve conhecimento do curso de formação
da Acceder através de um centro de emprego local. O curso, cofinanciado pela União Europeia através do Fundo Social Europeu,
tem por objectivo combater a discriminação contra as comunidades ciganas e ajudar as pessoas a adquirir a formação e a educação
de que necessitam para obter emprego permanente. Funciona desde 2000 e, nos primeiros seis anos, ajudou mais de 30 000 pessoas a
obter contratos de trabalho em todo o território espanhol.
O curso permite que as pessoas adquiram as competências e a
experiência de que necessitam para aceder às oportunidades de
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Luta contra a discriminação
«A minha vida mudou drasticamente,
uma vez que agora estou na folha de
pagamentos. Pude contrair um empréstimo»
emprego, através de programas de formação flexíveis. Os cursos
combinam teoria e prática e são adaptados às necessidades das
pessoas. Amparo teve formação como empregada de quarto e
adquiriu experiência de trabalho num hotel de Sevilha. «O curso
deu-me uma qualificação adicional para ajudar a encontrar emprego», afirma.
Mas o mais importante para ela foi a formação ter aumentado a
sua auto-estima e confiança: «Apercebi-me de que tinha mais opções. Abriu-me muitas portas».
Trabalho de supervisão
Pouco tempo depois de terminar o curso, em 2004, obteve um
emprego como empregada de quarto de hotel com um contrato
sem termo. Quatro anos mais tarde, mudou para um dos maiores hotéis da cidade com um contrato sem termo e foi promovida
a supervisora.
Actualmente, é responsável por uma pequena equipa de empregadas de quarto, distribuindo escalas de serviço e assegurando
elevados padrões de qualidade. Amparo refere que os colegas são
o que mais aprecia no seu trabalho: «É óptimo fazer parte de uma
equipa profissional».
A nível pessoal, a estabilidade do seu emprego no hotel permitiu que o jovem casal adquirisse a sua própria habitação. Com o
nascimento do novo membro da família, o bebé Adrian, no início
de 2008, a melhoria nas suas vidas veio mesmo a tempo. «A minha vida mudou drasticamente, uma vez que agora estou na folha de pagamentos. Pude contrair um empréstimo», diz Amparo,
que conclui: «Temos agora a nossa casa e o nosso carro e sinto-me
financeiramente segura».
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Adquirir autonomia
Quando Abshir Abukar começou a trabalhar num dos maiores
centros de jardinagem da Suécia, não sabia muito sobre plantas ou utensílios de jardinagem e até era alérgico ao pólen. Mas
aprendeu rapidamente e agora desempenha diversas funções
que envolvem a gestão de stocks, a assistência aos clientes e o
trabalho em equipa. De facto, o centro de jardinagem mostrou ser
um óptimo emprego para o jovem de 25 anos.
Abshir tinha 17 anos de idade quando a família viajou para Malmö,
na Suécia, desde a Etiópia, em 2002. Sendo uma pessoa sociável e
alegre, queria envolver-se plenamente na vida do país recém-adoptado. Todavia, a integração não foi fácil, no início. «Foi um verdadeiro choque cultural. Era tudo diferente do que tinha imaginado e
sentia-me um estranho. Muitas coisas eram confusas», admite.
Frequentou inicialmente uma escola de línguas para aprender
sueco e o pai, um professor que tinha viajado para a Suécia cinco
anos antes da restante família, queria que continuasse os estudos. «Mas eu não queria. Tinha que começar o sistema de ensino
desde o início», diz Abshir. «Este confronto provocou tensão entre
nós». O choque de culturas entre as rígidas origens muçulmanas
da família e a sociedade mais liberal da qual Abshir tentava fazer
parte agravou esta tensão.
Abshir queria ser independente e autónomo. «Mas não sabia como conseguir um emprego ou algo no género», admite.
Arranjou alguns trabalhos de limpeza ocasionais e prestou assistência a crianças com deficiência. «Trabalhei desta forma durante
dois anos e meio, a tempo parcial, mas não ganhava o suficiente»,
recorda.
Não tendo qualquer trabalho estável, não tinha meios para sair
de casa e arranjar um espaço próprio: «Os meus pais ainda me
sustentavam». E com 10 irmãos e irmãs mais novos, viviam sobrelotados. «Também tinha uma namorada nessa altura e queria mais
espaço», refere. A dada altura, chegou mesmo a utilizar a despensa da loja da mãe para dormir.
Aprendizagem de competências valiosas
Um programa para jovens, New City (Nova Cidade), ajudou-o a
mudar de vida. Dirigido por uma organização comunitária local,
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Luta contra a discriminação
«Foi um verdadeiro choque cultural. Era tudo
diferente do que tinha imaginado e sentia-me
um estranho. Muitas coisas eram confusas»
Drömmarnas Hus, e co-financiado pela União Europeia através do
Fundo Social Europeu, o programa oferece aconselhamento, formação e actividades de autodesenvolvimento para pessoas que
não se encontrem totalmente integradas na sociedade.
Através do programa, Abshir adquiriu formação para o trabalho e
competências para a vida e aprendeu a apresentar-se. Conseguiu
igualmente um estágio no centro de jardinagem, que resultou na
oferta de um emprego permanente. «Gosto muito do meu trabalho. Gosto especialmente de ajudar os clientes e trabalhar em
equipa», confessa.
O seu próprio espaço
Conseguiu arranjar o seu próprio apartamento e aprendeu a ser
mais independente. «A situação agora é muito diferente devido
ao curso. Tenho o meu próprio espaço. Também obtive a carta de
condução e tenho o meu carro», informa. Fora do trabalho, tem
uma vida social activa. Desportos e dança são as suas paixões;
joga futebol regularmente e dança salsa três vezes por semana.
Actualmente, Abshir está satisfeito com a sua vida: «E as minhas
relações com os meus pais melhoraram muito. Até o meu pai
está feliz». A segurança que adquiriu com o emprego permanente permite a Abshir fazer planos para o futuro. Ele e a namorada,
Shanka, tencionam casar no próximo ano. «E quero ter a minha
família. Uma família numerosa», anuncia.
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Conhecimento significa autonomização
Enquanto jovem, Khadija Majdoubi tinha um único sonho: ter o
seu próprio salão de cabeleireiro. Conseguiu concretizar o seu
objectivo durante algum tempo no seu país natal, Marrocos, mas
quando se mudou para os Países Baixos, a tragédia abateu-se sobre ela e a sua vida ficou completamente transtornada. O marido
morreu quando estava grávida de gémeos. O choque foi enorme
e os bebés nasceram prematuramente. Passou os anos seguintes
a ser mãe a tempo inteiro e a cuidar dos filhos de amigos.
Com uma família para cuidar e ainda a adaptar-se à vida num
novo país, Khadija dependia do auxílio estatal. Tendo apenas conhecimentos básicos da língua neerlandesa, tinha muita dificuldade em encontrar até um emprego simples, quanto mais iniciar
um novo negócio.
O caminho para a recuperação
«Não é fácil criar os filhos sozinha», afirma Khadija. «Os dias pareciam
sempre totalmente ocupados, não tinha tempo para mais nada. Para
começar, arranjar um emprego era um grande problema».
Nos serviços sociais locais, Khadija teve conhecimento de um curso
de formação gratuito para mulheres desempregadas, co-financiado
pela União Europeia através do Fundo Social Europeu. «O curso ajudou-me a concretizar o meu sonho, começando por melhorar as minhas competências linguísticas», explica. «Isso foi muito importante
e ajudou-me a sentir-me melhor comigo própria».
O VONK é um centro de educação e trabalho para mulheres que vivem em Zeeburg, no distrito de Amesterdão. O programa ajuda mulheres independentemente do seu nível de educação, experiência
ou origem. O centro disponibiliza informações e recomendações e
ajuda as mulheres a obterem emprego, formação e benefícios sociais. Mais geralmente, fornece apoio para integração e bem-estar. O
VONK coopera igualmente com outras agências locais e nacionais,
com organizações de mulheres e instituições de assistência social.
Sentir-se bem consigo própria
Um dos maiores obstáculos que as mulheres enfrentam depois
de longos períodos de desemprego é a falta de confiança. O curso
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Luta contra a discriminação
«Já tinha sido cabeleireira, quando vivia
em Marrocos. Mas nunca pensei que seria capaz
de fazer isso aqui, abrir o meu próprio salão»
de formação inclui, assim, sessões especificamente destinadas a
reforçar a auto-estima e a segurança.
«Aprendi a comunicar melhor e compreendi melhor o que é preciso para abrir um negócio. A primeira coisa que fiz foi encontrar emprego. Tinha-me tornado dependente de outras pessoas.
Precisava de recuperar a minha autonomia», reconhece Khadija.
Os funcionários do VONK acompanharam Khadija na sua procura
de emprego e, com o apoio e incentivo de amigos e familiares,
encontrou finalmente um emprego num cabeleireiro local. «As
pessoas que me entrevistaram estavam relutantes, de início», explica. «Não sou daqui e o meu aspecto físico é diferente, além de
não conseguir expressar-me da forma como desejaria. As pessoas
do VONK ajudaram-me a dar o primeiro passo».
«Nunca pensei que seria capaz de fazer isto»
Uma vez a trabalhar de novo, Khadija conseguiu fazer algumas
poupanças. Finalmente, conseguiu poupar o suficiente para realizar o seu sonho de criança. Em Abril de 2009, abriu o seu próprio
salão de cabeleireiro, não muito longe da sua casa, em Amesterdão.
«Já tinha sido cabeleireira, quando vivia em Marrocos. É o que
gosto de fazer e acho que sou uma boa profissional. Mas nunca
pensei que seria capaz de fazer isso aqui, abrir o meu próprio
salão», acrescenta.
Khadija diz que o curso de formação e a assistência personalizada
do centro VONK a ajudaram a encontrar-se a si própria e isso
mudou a sua vida e a dos filhos para melhor. «Estou muito feliz
por ter feito o curso», afirma. E conclui: «É a razão porque estou
aqui hoje».
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Força na diversidade
Nascida em Esslingen, próximo de Estugarda, Cornelia Schultheiss
estudou linguística e foi trabalhar para um dos principais fabricantes de automóveis do mundo, em Berlim. Inicialmente contratada
como tradutora, Cornelia distinguiu-se ao propor e desenvolver
o seu próprio serviço especializado na empresa, proporcionando
uma formação «intercultural» única para ajudar os funcionários
oriundos de diversas regiões do mundo a trabalhar em conjunto.
«A Europa é o ponto de encontro de muitas pessoas e culturas»,
afirma. «É uma fonte de oportunidades, mas também um desafio».
Trabalhando numa grande e variada empresa, Cornelia percebeu
que trabalhar em equipa implicava algo mais do que apenas cumprir ordens. «As pessoas de diferentes países e culturas têm hábitos e expectativas diferentes e nem sempre se compreendem mutuamente, mesmo quando falam a mesma língua», acrescenta.
Infelizmente, a empresa onde trabalhava sofreu drásticas alterações e, em 2007, uma reestruturação forçou-a a escolher entre
manter o seu emprego ou continuar a viver na sua cidade favorita. Cornélia escolheu Berlim, onde vivia com o seu companheiro
há 15 anos.
«Foi uma decisão difícil. Deixar o meu emprego significava começar uma nova carreira, encontrar algo para fazer», reconhece.
Decidiu tentar o seu próprio negócio como formadora intercultural, mas embora reconhecesse que existia um mercado para as
suas competências especializadas, não sabia a forma de o explorar, não tendo qualquer experiência na criação de uma empresa.
Aconselhamento específico
O projecto Human Venture II, co-financiado pela União Europeia
através do Fundo Social Europeu, proporcionou-lhe conhecimentos importantes sobre o que é necessário para criar uma empresa,
bem como aconselhamento específico sobre as regras e os regulamentos comerciais.
O programa, que decorreu entre Agosto de 2006 e Setembro de
2008, visava melhorar as competências dos participantes com vista à criação das suas próprias empresas e incluía grupos de debates, seminários e sessões de formação. As actividades abrangiam
vários tópicos relacionados com a formação de uma empresa, que
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Luta contra a discriminação
«Os meus seminários interculturais e sessões de formação centram-se na criação
de um ambiente de trabalho confiante e bem sucedido, onde as diferenças
de tradições, estilos de comunicação e outros aspectos são colmatadas»
ajudaram Cornelia a preparar o seu próprio lançamento. «Obtive
uma grande quantidade de informações sobre tópicos que não
conhecia muito bem. Estas informações permitiram-me evitar
uma série de possíveis ‘armadilhas’. Mas também gostei simplesmente da experiência e da oportunidade de criar uma rede de
contactos com os outros participantes», explica.
Actualmente, Cornelia dirige uma bem sucedida empresa de
consultadoria, que oferece formação altamente especializada
a pessoas de diferentes origens étnicas e culturais, ajuda-as a
agruparem-se, a partilharem experiências e a compreenderem-se
mutuamente. «As perdas devidas aos ‘conflitos interculturais’ são
minimizadas. «As equipas unem-se e são capazes de trabalhar de
forma mais eficiente», argumenta.
Os clientes de Cornelia incluem pessoas e grupos que trabalham
ou vivem em ambientes internacionais, pessoas de países como a
Índia, a Rússia ou o Japão, a Alemanha e muitos outros locais.
«Os meus seminários interculturais e sessões de formação e preparação centram-se na criação de um ambiente de trabalho confiante e bem sucedido, onde as diferenças de tradições, estilos de
comunicação e outros aspectos são colmatadas e podem ser desenvolvidas sinergias», esclarece. Em alguns dias, Cornelia trabalha no seu escritório, mesmo ao lado do seu apartamento situado
na zona histórica de Berlim Ocidental. Noutros dias, leva os seus
serviços aos clientes, em Berlim, na Alemanha, na Europa e em
todo o mundo.
«Nunca poderia ter construído tudo isto sem a ajuda que recebi.
A formação que recebi através do Fundo Social Europeu mostroume como preparar e trabalhar de forma independente e aprendi
muito sobre mim neste processo. Foi uma óptima experiência»,
reconhece.
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Índice alfabético de tópicos
A
Aalborg (Dinamarca)
Århus (Dinamarca)
Acidentes e doenças
Aconselhamento
Aconselhamento/
preparação para a vida
Actividade agrícola
Actividades de cariz familiar
Aerodeslizador («hovercraft»)
África
Agricultura
Alcoolismo
Aldeias
Alemanha
Ambiente
Amesterdão (Países Baixos)
Angariação de fundos (caridade)
Animais de companhia
Antropologia
Apicultura
Aprendizagem ao longo da vida
Arquitectura
Artes e artesanato
Ásia
Assentador de tijolos
Assistentes sociais
Áustria
Autoconfiança
Auto-emprego/consultadoria
Automóveis/carros/
veículos/fabrico de veículos
Autoridades locais
Avós
B
Bélgica
Benefícios sociais
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42-43
104-105
38-39, 40-41, 42-43, 44-45, 46-47, 48-49, 56-57, 68-69, 112-113, 118-119
44-45, 66-67, 68-69, 118-119
56-57, 80-81, 82-83, 104-105, 114-115, 118-119, 122-123, 130-131, 132-133
44-45, 70-71, 72-73,76-77, 84-85, 98-99
24-25, 26-27, 32-33, 40-41, 68-69, 72-73
66-67
128-129, 130-131
44-45, 70-71, 72-73, 76-77, 98-99
48-49, 108-109, 114-115, 118-119
12-13, 54-55, 72-73, 98-99
90-91, 132-133
20-21, 28-29, 54-55, 56-57, 60-61, 68-69, 70-71, 72-73, 98-99
130-131
54-55
10-11, 46-47, 54-55, 56-57, 86-87, 112-113, 118-119,
94-95
70-71
10-11, 52-53, 54-55, 68-69, 84-85, 98-99, 102-103
68-69
10-11, 28-29, 34-35, 56-57, 80-81, 94-95, 96-97
16-17
84-85
48-49, 56-57, 82-83, 112-113, 128-129
26-27, 54-55
34-35, 42-43, 44-45, 52-53, 68-69, 82-83, 90-91, 102-103,
104-105, 114-115, 116-117, 122-123, 126-127, 130-131
16-17, 90-91, 96-97, 132-133
30-31, 52-53, 86-87, 90-91, 100-101, 116-117, 132-133
12-13, 118-119
24-25, 40-41, 42-43, 126-127
72-73, 86-87
14-15, 38-39, 42-43, 56-57, 84-85, 124-125, 130-131
18.12.2009 11:17:57 Uhr
135
Índice alfabético de tópicos
Berlim (Alemanha)
Bibliotecas e livrarias
Bolonha (Itália)
Braille
Bratislava (Eslováquia)
Bucareste (Roménia)
Bulgária
C
Cabeleireiro
Candidaturas a emprego/CV
Caridade/angariação de fundos
Carpintaria
Carros/automóveis/veículos/
fabrico de veículos
Cegueira
Centro de dia
Chichester (Inglaterra)
Chipre
Cidades
Ciência
Clermont-Ferrand (França)
Competências informáticas
Comunicação e meios
de comunicação
Comunidades rurais
Condução
Consultadoria/auto-emprego
Contabilidade
Cooperativas
Corfu (Grécia)
Correios e telecomunicações
Criação de animais
Crianças
Criminalidade
Cuidados a domicílio
(pessoas idosas)
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132-133
42-43, 52-53, 54-55, 94-95, 122-123
112-113
42-43
34-35, 116-117
94-95
56-57, 88-89
130-131
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54-55
60-61, 66-67, 86-87, 84-85
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42-43
24-25, 26-27, 56-57
68-69
24-25, 82-83
10-11, 14-15, 16-17, 20-21, 26-27, 30-31, 34-35, 38-39, 42-43, 46-47, 54-55, 58-59,
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102-103
20-21
30-31, 32-33, 38-39, 42-43, 52-53, 54-55, 56-57, 58-59, 80-81, 90-91, 102-103, 110-111, 116-117
30-31, 52-53, 54-55, 60-61, 66-67, 96-97, 102-103
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48-49
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108-109, 112-113, 114-115
56-57
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136
Cuidados com crianças
(acolhimento de crianças,
obrigações paternais, amas
volantes, cuidados maternais)
Cuidados de saúde
CV/candidaturas a emprego
D
Deficiência
Depressão
Desemprego
Despedimento
Desporto
Dificuldades de aprendizagem
Dinamarca
Discriminação
Distribuição de combustíveis
Distúrbios alimentares
Dívidas, falência
Dores de costas
Drogas
Dublim (Irlanda)
E
Edição
Edifícios e construção
Educação
Educação contínua/
escola/colégio
Electricidade
Empresa ecológica/turismo
Empresários/empreendedores/
PME
Energia solar
Engenharia
Ensino
Equilíbrio vida/trabalho
Escócia
Escola
Escola (especial)
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26-27, 32-33, 86-87, 84-85
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48-49
48-49, 112-113
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14-15
54-55, 56-57, 94-95
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60-61
20-21, 68-69
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100-101
74-75, 88-89, 90-91, 100-101, 108-109, 122-123
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26-27, 32-33, 34-35, 54-55, 86-87
114-115
10-11, 12-13, 40-41, 44-45, 72-73, 98-99, 108-109, 128-129
12-13, 40-41, 42-43, 116-117
18.12.2009 11:17:57 Uhr
137
Índice alfabético de tópicos
Eslováquia
Eslovénia
Espanha
Estados Unidos
Estágio
Estaleiros
Estónia
Etnia cigana
F
Fabrico de veículos/carros/
automóveis/veículos
Fabrico/produção
Fé religiosa
Filmes
Finanças e administração
Finlândia
Fitness e bem-estar
Flandres (Bélgica)
Floresta
Florista
Formação
França
Fruticultura
G
Gdansk/Gdynia (Polónia)
Gestão
Gestão da água
Gestão da raiva
Gravidez na adolescência
Grécia
H
Hässleholm (Suécia)
Helsínquia (Finlândia)
Hotéis/B&B
Hungria
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34-35, 116-117
44-45, 108-109
74-75, 126-127
96-97
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96-97
18-19, 20-21, 30-31, 54-55, 58-59, 66-67, 98-99, 104-105,
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10-11
10-11, 14-15, 16-17, 34-35, 38-39, 40-41, 42-43, 44-45, 46-47, 48-49, 52-53, 54-55,
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96-97
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40-41, 84-85
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138
I
Igualdade de género
Imobiliário
Importação e exportação
Inclusão social/integração
Indústria da segurança
Indústria mineira
Inovação
Insónia
Intercâmbio internacional
Investigação e desenvolvimento
Investimento e impostos
Irlanda
Itália
J
Jardinagem
Jogos de vídeo
Jornalismo
Jovens
L
Larnaca (Chipre)
Letónia
Licença de maternidade
Limerick (Irlanda)
Limpeza
Línguas
Lituânia
Liubliana (Eslovénia)
Logística
Luxemburgo
M
Magdeburgo (Alemanha)
Malmö (Suécia)
Malta
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24-25, 26-27, 28-29, 30-31, 32-33, 34-35, 130-131
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108-109
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42-43, 70-71
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124-125
12-13, 24-25, 46-47, 126-127, 128-129
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12-13, 46-47
90-91
128-129
60-61, 80-81
18.12.2009 11:17:57 Uhr
139
Índice alfabético de tópicos
Manutenção paisagística
Marketing
Migração
Minorias étnicas
Moda e confecção de vestuário
Multiculturalismo
Música
N
Nascimento
Negócio de família
Novas competências
P
Pais solteiros
Países Baixos
Pessoas idosas
Pichelaria
Plano empresarial/
plano de negócios
PME/empresários/
empreendedores
Pobreza
Política local
Polónia
Porto (Portugal)
Portugal
Poznań (Polónia)
Prémios
Preparação para a vida/
aconselhamento
Prisão
Produção/fabrico
Produtos biológicos/
comércio justo
Publicidade e promoção
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60-61
16-17, 20-21, 54-55, 66-67, 68-69, 98-99
12-13, 46-47, 90-91, 122-123, 124-125, 128-129, 130-131
12-13, 46-47, 94-95, 84-85, 122-123, 124-125, 126-127, 128-129, 130-131
18-19, 116-117, 112-113
12-13, 122-123, 132-133
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130-131
28-29, 42-43, 68-69, 72-73, 74-75,76-77, 98-99
10-11, 12-13, 14-15, 20-21, 40-41, 46-47, 52-53, 54-55, 58-59, 60-61, 80-81, 82-83, 86-87, 88-89,
90-91, 98-99, 110-111, 112-113, 116-117, 122-123, 124-125, 126-127, 128-129, 130-131, 132-133
14-15, 118-119, 130-131
32-33, 130-131
24-25, 54-55, 56-57
60-61
18-19, 20-21, 30-31, 70-71, 118-119
16-17, 18-19, 20-21, 28-29, 30-31, 34-35, 58-59, 66-67, 68-69, 70-71, 72-73, 74-75, 76-77, 96-97,
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14-15, 38-39, 48-49, 82-83, 84-85, 112-113, 126-127
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16-17, 98-99
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112-113, 114-115
16-17, 40-41, 52-53, 74-75, 86-87, 88-89, 90-91, 100-101, 116-117
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30-31, 66-67, 68-69, 80-81
18.12.2009 11:17:58 Uhr
140
Q
Químicos
Quinta educativa
R
Reabilitação
Redes/interligação
Reforma
Reims (França)
Reino Unido
Representação
República Checa
Restauração
Riga (Letónia)
Roménia
Rupturas familiares/perda
S
Salários
Saúde e segurança
Saúde mental
Seguros
Sem-abrigo
Serviço militar
Serviços em linha
Sevilha (Espanha)
Soldagem e trabalho de metais
Stress/esgotamento
Subvenções
Suécia
Surdez
Szekszárd (Hungria)
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56-57, 70-71, 98-99, 122-123
72-73
48-49, 108-109, 112-113, 118-119
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12-13, 38-39, 48-49, 56-57, 80-81, 84-85
42-43, 46-47, 48-49, 56-57, 72-73, 84-85
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76-77
112-113
82-83, 84-85, 110-111, 122-123
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126-127
52-53, 60-61, 74-75
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118-119, 128-129
40-41, 116-117
40-41
18.12.2009 11:17:58 Uhr
141
Índice alfabético de tópicos
T
Talin (Estónia)
Teatro
Tecnologia
Teletrabalho
Têxteis
Trabalhadores mais velhos
Trabalho de escritório
Trabalho flexível
Trabalho por turnos
Transporte
Tratamento médico
Turismo e lazer
U
Umbria (Itália)
União Soviética
Universidade
V
Valónia (Bélgica)
Veículos/carros/automóveis/
fabrico de veículos
Vendas a retalho
Viagem
Viena
Vilnius (Lituânia)
Violência doméstica
Violência no local de trabalho
Vratsa (Bulgária)
Z
Zalaegerszeg (Hungria)
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66-67
104-105
76-77, 88-89, 100-101, 110-111, 124-125
32-33
16-17, 34-35, 52-53, 88-89
42-43, 46-47, 52-53, 54-55, 56-57, 58-59, 60-61, 80-81, 98-99
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42-43, 82-83, 86-87
30-31, 42-43, 88-89
40-41, 46-47, 48-49, 86-87, 112-113, 118-119
14-15, 20-21, 28-29, 30-31, 66-67, 68-69, 72-73, 76-77, 94-95
54-55, 80-81, 94-95, 96-97, 112-113, 132-133
100-101
122-123
16-17, 26-27, 42-43, 52-53, 54-55, 56-57, 58-59, 66-67, 88-89, 90-91, 94-95, 98-99, 100-101, 102103, 104-105, 108-109
72-73
30-31, 52-53, 86-87, 90-91, 100-101, 116-117, 132-133
10-11 20-21, 82-83, 88-89, 110-111, 112-113, 118-119, 128-129
54-55, 80-81, 94-95, 96-97, 112-113, 132-133
26-27, 54-55
58-59
48-49, 118-119
42-43
56-57
84-85
18.12.2009 11:17:58 Uhr
142
Lista de projectos que investem
nas pessoas
Jovens
França (Audrey Libres)
Título: Ecole de la deuxième chance
Período: 2002-2009
Orçamento: 1 027 208 €
Participantes: 650-700 anuais
Luxemburgo (Bruno de Almeida Aveiro)
Título: Projecto Liewenshaff
(Päerd’s Atelier asbl)
Período: curso de três anos
Orçamento: 256 578,57 €
Participantes: 40
Sítio web: http://www.liewenshaff.lu/
Irlanda (Sheena Matthews)
Título: Spoirt Teic Local Training
Initiative course (curso Iniciativa
Local de Formação Spoirt Teic)
Período: 2000-2008
Orçamento: 2,6 milhões €
Participantes: 232
Sítio web: http://sports.southdublin.ie/
index.php?option=com_content&task=
view&id=54&Itemid=114
Portugal (Bruno Teixeira)
Título: Inov Contacto
Período: o programa, anteriormente
designado Contacto@Icep, existe
desde 1997. A partir de 2005 passou
a designar-se InovContacto.
Orçamento: a média é de 25 000 € –
Estágios (tudo incluído, bem como
os custos estruturais e operacionais)
Participantes: cada edição tem um
número diferente de participantes, sendo
a média de cerca de 145 estágios/ano
Sítio web: http://live.networkcontacto.
com/pt/paginas/default.aspx
PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 142
República Checa (Radmila Petroušková)
Título: Centro de Apoio a Empresários
em Início de Actividade
Período: Novembro de 2006-Agosto de 2008
Orçamento: 5 104 670,00 CZK
Participantes: 165
Sítio web: www.cepac.cz
França (Yann Lelièvre)
Título: Escape from home —
Espace Info Jeunes (Sair de casa —
Espaço Info Jovens)
Período: 2002
Orçamento: 60 000 € (orçamento anual)
Sítio web: www.espaceinfojeunes.net
Igualdade entre homens
e mulheres
Chipre (Koulla Aggelou)
Título: Never Home Alone (no âmbito
do programa do projecto «Expansão e
melhoria dos serviços de cuidados para
crianças, idosos, pessoas com deficiência
e outros dependentes», Medida 1.4.1
do documento único de programação,
objectivo n.° 3 «Recursos Humanos» do
período de programação dos fundos
estruturais de 2004-2006, que teve início
em 2005)
Período: Janeiro de 2007-Novembro de 2008
Orçamento: 76 896 € em 2007, 70 500 €
em 2008 (Janeiro a Novembro)
Participantes: 15
Sítio web: http://www.mlsi.gov.cy/mlsi/
sws/sws.nsf/dmlunion_en/dmlunion_
en?OpenDocument
Áustria (Stephan Wittich)
Título: Serviço para crianças das Universidades de Viena
Período: Dezembro de 2002-Dezembro de 2005
Orçamento: contribuição UE: 142 065 €;
Orçamento total: 308 838,76 €
Participantes: 634
Sítio web: http://kinder.univie.ac.at/
Finlândia (Riikka-Leena Lappalainen)
Título: Reaktioketju — Pohjois-Savon
naisyrittäjät kehittymisen voimavarana
(Reacção em cadeia — Mulheres empresárias do Savo do Norte como recurso
de desenvolvimento)
Período: Novembro de 2004-Fevereiro de 2008
Orçamento total: 1 489 200 €
Participantes: 456
Polónia (Beata Szozda)
Título: Uma ideia para criar uma nova
empresa 2 — Promoção do empreendedorismo académico em Wielkopolska
Período: Março de 2007-Junho de 2007
Países Baixos (Gerard Jansen)
Título: Projecto E-papa
Período: Abril de 2006-Setembro de 2007
Orçamento: 127 206 €
Participantes: 66
Sítio web: http://www.ewerkforum.nl/
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143
Lista de projectos que investem nas pessoas
Eslováquia (Katarína Vargová)
Título: Objectivo SPD 3 — Centro de
informação e apoio ao emprego
Período: Setembro de 2007-Dezembro de 2008
Orçamento: 161 352 €
Participantes: número de participantes
nas actividades: 203
Número de participantes que
concluíram os cursos e as formações: 178
Sítio web: www.zzvp.sk
Pessoas desfavorecidas
Grécia (Georgia Chrisikopoukou)
Título: Novos horizontes (programa
Psychargos: projecto que abrange todo
o território grego co-financiado pelo
FSE (período 2001-2010)
Período: 2007-2009
Orçamento: 350 000 €
Participantes: 50
Sítio web: www.ygeia-pronoia.gr
Polónia (Andrzej Lubowiecki)
Título: Trabalhadores com deficiência
no mercado de trabalho aberto
(Fundacja Gospodarcza)
Período: Outubro de 2005-Dezembro de 2006
Orçamento: 103 323 PLN (23 552 €)
Participantes: 30
Sítio web: www.Fundacjagospodarcza.pl
Hungria (Éva Gyulai)
Título: LIFT Likeliness, Integration, Full
Employment, Training (Fundação Pássaro
Azul )
Período: Junho de 2006-Fevereiro de 2008
Orçamento: 446 000 €
Participantes: 36 jovens com deficiência
Sítio web: http://www.kek-madar.hu
http://www.izleloetterem.hu
PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 143
Letónia (Sarmite Gromska)
Título: «A oferta de diversidade dos
serviços da biblioteca em Braille como
pré-condição para a integração de
pessoas invisuais ou com deficiências
invisuais na sociedade e na concorrência
do mercado de trabalho».
Período: Julho de 2005-Setembro de 2005
Orçamento: 16 222 LVL
Participantes: os utilizadores da biblioteca (pessoas invisuais): 155 Trabalhadores
do departamento de Braille da biblioteca: 5
Os alunos da escola para invisuais: 15
Sítio web: http://www.neredzigobiblioteka.
lv/eng/about.php
Eslovénia (Andrej Lovrencec)
Título: Formação no local de trabalho
Período: 2007-2008 (em funcionamento
desde 2004)
Orçamento: Financiamento FSE: 2 877
275,20 € — Financiamento total:
3 836 367,01 €
Participantes: 2007: 694; 2008: 2 226
Sítio web: http://www.mddsz.gov.si/;
http://www.euskladi.si/
Luxemburgo (Otília Marques)
Título: Action de reinsertion des
lombalgiques et action de prevention
par une formation adequate (acção de
reinserção das pessoas que sofrem de
lombalgia e acção de prevenção através
de uma formação adequada — Fase
final)
Período: Janeiro de 2007-Dezembro de 2007
Orçamento: 431 899 €
Participantes: 425
Sítio web: http://www.stm.lu/home.html
Trabalhadores mais velhos
Dinamarca (Jane Grøne)
Título: Projecto de competências
profissionais
Período: Agosto de 2007-Abril de 2008
Orçamento: 5 641 000 €
Participantes: 116 (51 mulheres, 65
homens) — Em Julho de 2008, 54 dos
participantes tinham conseguido
encontrar emprego
Sítio web: http://www.amunordjylland.
dk/front.do
República Checa (Milan Nedbal)
Título: Centro de aprendizagem
ao longo da vida
Período: Setembro de 2005-Agosto de 2007
Orçamento: 75 475 €
Participantes: no início, 625 participantes
(623 participantes concluíram os cursos,
mas 2 encontraram trabalho durante os
cursos)
Sítio web: www.knihkm.cz
Áustria (Roswitha Kerbel)
Título: Initiative 50 — Beschäftigungsinitiative für ältere Arbeitnehmer (Iniciativa
de emprego para trabalhadores mais
velhos)
Período: Dezembro de 2002-Dezembro de 2005
Orçamento: 6 000 000 €
Participantes: são abrangidas
1 200 pessoas, 650 com salário subsidiado
Sítio web: www.initiative50.or.at
18.12.2009 11:17:58 Uhr
144
Bulgária (Tsvetan Ivanov)
Título: Através dos serviços sociais,
para uma vida decente
Período: Agosto de 2008-Julho de 2009
Orçamento: 92 522 BGN (47 300 €)
Participantes: 20 trabalhadores,
40 beneficiários
Lituânia (Aldona Mikalauskiene)
Título: Formação em literacia informática
para membros do LPS «Bociai»
Período: Junho de 2006-Julho de 2008
Orçamento: 2 396 157 €
Participantes: 1 720
Malta (George Mifsud)
Título: Projecto de formação e imersão
profissional
Período: 2004-2006 (um ano: seis meses
de formação e seis meses de imersão
profissional)
Orçamento: 3 642 543 €
Participantes: 460
Sítio web: http://www.etc.gov.mt/
Empreendedorismo
Estónia (Peeter Tarmet)
Título: Programa de aconselhamento
Período: Dezembro de 2007-Novembro de 2008
Orçamento: 2008: 1 125 000 EEK
Participantes: 2008: 40 mentores e 53
participantes
Sítio web: www.eas.ee – www.holjukid.ee
PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 144
Reino Unido (Sandra Barnes-Keywood)
Título: Rural Welcome
Período: Fevereiro de 2004-Abril de 2008
Orçamento: 334 000 GBP
Participantes: 786 pessoas de
622 empresas
Sítio web: www.tourismtrainingsoutheast.com
Letónia (Normunds Zeps)
Título: Apoio a famílias com crianças
com vista à criação de uma empresa ou
auto-emprego no distrito de Daugavpils
Período: Setembro de 2006-Outubro de 2007
Orçamento: 22 317,53 LVL
Participantes: 30
Sítio web: www.daugavpils.partneribas.lv
Bélgica (Gaetane Anselme)
Título: Formação Preventagri
Período: 2003-2008
Orçamento: 2007: 187 597 €
Participantes: cerca de 70
Sítio web: www.preventagri.be
Espanha (José Salmerón Guindos)
Título: CRECE — Programa de criação
e consolidação de empresas
Período: 2000-2006
Orçamento: 65 milhões de €
Participantes: 18 300
Sítio web: http://www.eoi.es/nw/publica/
crece.asp
Roménia (Florin Istrate)
Título: Dinamizare Rurală prin angajarE
Sustenibilă (DR-ES) (desenvolvimento
rural através de emprego sustentável)
Período: Novembro de 2008-Outubro de 2011 (36 meses)
Orçamento: 16 408 535,00 RON
Participantes: 750 pessoas (350 homens/400 mulheres)
Sítio web: http://dr-es.eu
Novas competências
Malta (Marie Therese Vella)
Título: Projecto de formação e imersão
profissional
Período: 2004-2006 (um ano: seis
meses de formação e seis meses de
imersão profissional)
Orçamento: 3 642 543 €
Participantes: 460
Sítio web: http://www.etc.gov.mt/
Chipre (Andreas Apatzidis)
Título: Formação profissional e
promoção de emprego junto de
beneficiários de assistência social
Período: 2005-2008, Período de programação dos fundos estruturais, 2004-2006
Orçamento: 900 000 €
Participantes: beneficiários de assistência
pública, empregadores do sector privado
Sítio web: http://www.mlsi.gov.cy/mlsi/
sws/sws13.nsf/dmltheproject_en/dmltheproject_en?OpenDocument
18.12.2009 11:17:58 Uhr
145
Lista de projectos que investem nas pessoas
Hungria (Zsolt Korcz)
Título: Uma saída para a situação de pessoas desfavorecidas (Fundação Primeira
Escola de Produção e Aprendizagem
Húngara-Dinamarquesa)
Período: Junho de 2006-Junho de 2007
Orçamento: 106 milhões de HUF (373 000 €)
Participantes: 36
Bélgica (Daniel Dellisse)
Título: Aprendizagem excelente
Período: 2008-2009
Orçamento: 1 000 000 €
Participantes: 700
Sítio web: www.deceuninck.com
Bulgária (Biliana Filipova)
Título: Formação de empregados —
Investimento no desenvolvimento
da empresa
Período: 2008-2009 (13 meses)
Orçamento: 232 223 BGN (118 734 €)
Participantes: 254
Sítio web: http://www.petrol.bg/news.
php?id=241
http://www.az.government.bg/internal.
asp?CatID=28&WA=Efunds/OPHRD/
AP2101/Menu_AP2101.htm
Alemanha (Peter Meller)
Título: AQUA (Akademikerinnen und
Akademiker Qualifizieren sich für den
Arbeitsmarkt)
Período: 2006-2010
Orçamento: 13 000 000 €
Participantes: 715
Sítio web: www.obs-ev.de/AQUA
PT_Inhalt.indd 145
Educação e formação
Roménia (Monica Stroe)
Título: Bolsas de doutoramento em
matéria de investigação: competitividade, qualidade e cooperação no Espaço
Europeu do Ensino Superior (subvenções
do FSE atribuídas à Escola Nacional de
Estudos Políticos e Administrativos de
Bucareste (SNSPA)
Período: Outubro de 2008-Setembro de 2011
Orçamento: 4 215 105 RON
Participantes: 40 estudantes de
doutoramento
Finlândia (Harri Haanpää)
Título: Projecto MEDA (empreendedorismo no sector da comunicação social)
Período: Maio de 2005-Dezembro de 2007
Orçamento: 597 470 €
Participantes: 64
Portugal (Maria Balbina Soares
Melo Rocha)
Título: Plano de Formação da Forestis —
Plano de Formação para a Gestão
Sustentada
Período: Maio de 2004-Dezembro de 2007
Orçamento: 737 175,35 €
Participantes: 865
Sítio web:
http://www.forestis.pt/default.aspx
Itália (Simone Rossi)
Título: Bando Assegni di Ricerca finalizzato al miglioramento delle risorse umane
nel settore della ricerca e dello sviluppo
tecnologico POR Umbria Ob.3 2000-2006
Período: o programa geral teve início em
Fevereiro de 2007 e terminou em Outubro
de 2008 (o projecto tinha sido programado anteriormente — ano de 2006 —
e foi pago com os fundos do FSE para
o período de 2000 a 2006)
Orçamento: 1 825 503,99 €
Participantes: 214
Sítio web: www.ilpontesuldistretto.it
Lituânia (Nedas Jurgaitis)
Título: MOKOM
Período: Março de 2005-Fevereiro de 2008
Orçamento: 1 506 411 LTL
Participantes: 610
Dinamarca (Mogens Lausen)
Título: Curso de empreendedorismo
Período: Primavera de 2004
Orçamento: 50 000 DKK
Participantes: 28
Sítio web: www.cfe.au.dk
Inclusão social
Eslovénia (Jana Urbanija)
Título: PLYA — Projecto de
aprendizagem para jovens adultos
Período: 2004-2006
Orçamento: orçamento total: €270 000;
co-financiado pelo FSE: €195 000
Participantes: 400
Sítio web: http://www.euskladi.si;
http://www.mss.gov.si/
29.12.2009 8:27:29 Uhr
146
Grécia (Christos Giannakopoulos)
Título: Formação em competências
básicas de TIC (ciclo I)
Período: Junho de 2003-Dezembro de 2003
Orçamento: financiamento total:
18 152 216,32 €/contribuição do FSE:
13 614 162,20 €
Participantes: 20 000 (18 000 pessoas
pertencentes a grupos socialmente
vulneráveis — 2000 soldados)
Sítio web: www.esfhellas.gr;
www.eye-ekt.gr
Itália (Fiorella)
Título: Servizi Itineranti Inserimento
Donna (SIID I/II)
Período: Abril de 2005-Setembro de 2006/
/Outubro de 2006-Dezembro de 2007
Orçamento: 239 500 €/236 000 €
Participantes: 283/±500
Sítio web: http://www.siid2.it/
Reino Unido (Allan McGinlay)
Título: Life Coaching Project
Período: Janeiro de 2006-Março de 2007
Orçamento: custos totais do projecto
413 140 GBP, das quais 178 499 GBP foram
recebidos do Fundo Social Europeu
Participantes: 44 participantes no total,
25 dos quais recebiam apoio do Fundo
Social Europeu
Sítio web: http://www.thewisegroup.
co.uk/content/default.asp
Eslováquia (Mário Greško)
Título: EQUAL — Centro de reabilitação
social e serviços de informação para
pessoas com deficiências auditivas
Período: Março de 2005-Julho de 2008
Orçamento: 199 163,52 €
Participantes: Número de participantes:
(plano/realidade) Número de pessoas que
participaram em actividades: 30/71 Nú-
PT_Inhalt_131009_Uncoated.indd 146
mero de funcionários de serviços públicos
e de outros serviços de emprego formados: 15/26 Número de pessoas envolvidas nos projectos na área de formação
em grupo para pessoas com deficiência:
80/97
Sítio web: www.sppn.sk
Suécia (Anne-Lie Thuvesson)
Título: Saúde sustentável
Período: Março de 2005-Junho de 2007
Orçamento: 18 851 000 SEK (€1 709 991)
Participantes: 200
Sítio web:
http://www.anneliesost.com/3.html
Luta contra a discriminação
Estónia (Messurme Pissareva)
Título: A integração de população não
estónia no mercado de trabalho
Período: Setembro de 2004-Dezembro de 2005
Orçamento: 3 360 089 EEK (2 517 146 ESF)
Participantes: 242 não nacionais,
com idades entre os 16 e os 63 anos
Sítio web: www.sm.ee/esf2004
Irlanda (Serge Mbami)
Título: Estágio como administrador da
logística da cadeia de abastecimento
Período: 2007
Orçamento: o orçamento para o curso foi
de 29 025 €, tendo os subsídios pagos aos
estagiários totalizado 116 242 €
Participantes: 16 participantes, dos quais
14 conseguiram um emprego relacionado
com o tema no final do curso
Sítio web: www.fas.ie
Espanha (Amparo Navaja Maldonado)
Título: Acceder: combater a discriminação contra as comunidades ciganas
Período: 2000-2007 (primeira fase) e
2008-2013 (segunda fase)
Orçamento: 2000-2006: 57 milhões
€/2008-2013: 41 milhões €
Participantes: 40 743 (até 2007)
Sítio web: http://www.gitanos.org/acceder
Suécia (Abshir Mohamed Abukar)
Título: UP New City
Período: 2005-2007 (recomeçou de
novo em 2008-2010 e tem actualmente
a designação de New City)
Orçamento: 2,5 milhões €
Participantes: cerca de 2 000
Sítio web:
www.drommarnashus.se/newcity
Países Baixos (Khadija Majdoubi)
Título: VONK
Período: Novembro de 2005-Dezembro de 2007
Orçamento: 382 438 €
Participantes: cerca de 1000 mulheres
Sítio web: http://www.vonkzeeburg.nl/
Alemanha (Cornelia Schultheiss)
Título: Human Venture II (projecto
concebido e executado pela agência
para a promoção do empreendedorismo
(gründungsservice) na Universidade
Técnica de Berlim (TU Berlin).
Período: 2006-2008
Orçamento: 611 000 €
Participantes: 313
Sítio web: www.gruendung.tu-berlin.de
18.12.2009 11:17:58 Uhr
Comissão Europeia
POR UMA VIDA MELHOR — A União Europeia investe nas pessoas através do Fundo Social Europeu
Luxemburgo: Serviço das Publicações da União Europeia
2009 — 146 p. — 24 x 24 cm
ISBN 978-92-79-12686-4
doi:10.2767/28439
O que faz mesmo a União Europeia pelos cidadãos? O Fundo Social Europeu é uma
resposta a esta questão dado que investe anualmente em cerca de 10 milhões de pessoas
nos 27 Estados-Membros. Esta publicação conta as histórias de 54 pessoas (duas por
cada Estado-Membro) que aproveitaram as oportunidades oferecidas pelas iniciativas
financiadas pelo Fundo. As entrevistas centram-se em homens e mulheres de todas as
faixas etárias, desde adolescentes até reformados, em comunidades urbanas e rurais, em
cada país da União.
Uma versão impressa desta publicação está disponível em todas as línguas oficiais da
União Europeia.
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ou cobram estas chamadas.
Encontram-se disponíveis numerosas outras informações sobre a União Europeia
na rede Internet, via servidor Europa (http://europa.eu)
Uma ficha bibliográfica e um resumo figuram no final desta publicação
Luxemburgo: Serviço das Publicações da União Europeia, 2009
ISBN 978-92-79-12686-4
doi:10.2767/28439
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Por uma vida melhor — a união europeia investe nas pessoas através do Fundo Social europeu
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Melhor
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