1 UNIJUI – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO RS DACEC – DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS, CONTÁBEIS, ECONÔMICAS E DA COMUNICAÇÃO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO COMPORTAMENTO FINANCEIRO PESSOAL: UM COMPARATIVO ENTRE JOVENS E ADULTOS DA CIDADE DE CRISSIUMAL/RS Documento Sistematizador do Trabalho de Conclusão de Curso VIVIANE APARECIDA CANEPPELE LÜCKE Orientadora: Ms: Roselaine Filipin Três Passos, Junho de 2014. 2 VIVIANE APARECIDA CANEPPELE LÜCKE COMPORTAMENTO FINANCEIRO PESSOAL: UM COMPARATIVO ENTRE JOVENS E ADULTOS DA CIDADE DE CRISSIUMAL/RS Trabalho de Conclusão de Curso em Administração da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí), como requisito à obtenção do Grau de Bacharelado Administração. Orientadora: Profª. Roselaine Filipin Três Passos/2014 em 3 “O planejamento de longo prazo não lida com decisões futuras, mas com o futuro das decisões presentes” (Peter Drucker) 4 AGRADECIMENTOS À Jesus Cristo por guiar meus passos e segurar minha mão em todos os momentos em que a fraqueza e o cansaço faziam desanimar. Também por tantos ensinamentos bonitos deixados a quem quer ser um grande administrador: liderança, humildade e amor pelo que se faz. Ao meu pai Airton e à minha mãe Inez, pelos valores ensinados, pelo alicerce, pelo amor e pela cumplicidade, também pela força muitas vezes transmitida em silêncio ou por pequenos gestos, amo vocês! Ao meu irmão Gionei, pelo tanto que representa na minha vida, e por me inspirar como pessoa e profissional. Tenho muito orgulho de ser sua irmã! Ao meu irmão Everton, pela sua generosidade e caráter admirável, mestre das planilhas eletrônicas e exemplo que sempre tenho comigo. Tenho muito orgulho de ser sua irmã! Ao meu namorado Fábio pelo companheirismo e pela segurança, pelo amor e pela paciência. Obrigada por simplesmente estar ao meu lado. À minha orientadora e agora amiga Professora Roselaine Filipin, por apostar no meu trabalho e se importar com cada idéia que surgisse, transformando um simples tema, em um trabalho de grande valia. Obrigada do fundo do coração! À minha sobrinha e afilhada Isabeli, por arrancar sorrisos inesperados, e muitas vezes transformar a tensão em momentos de total paz de espírito. A dinda te ama. À todas as pessoas que ajudaram a distribuir os questionários desta pesquisa, foram tantos envolvidos que fica complicado citar todos. Tenham a certeza de que foram muito importantes para mim, e é graças à esses pequenos detalhes que tenho este estudo em mãos. Serei eternamente grata. Às minhas amigas do coração, por agüentar as queixas e não desistirem de mim. Amigas verdadeiras se contam nos dedos, e eu tenho a graça de ter as melhores ao meu lado. A todos os envolvidos, o meu mais sincero obrigado. São todos muito especiais pra mim! 5 LISTA DE ILUSTRAÇÕES LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Distribuição da População de Crissiumal-RS .......................................................... 45 Figura 2 - Modelo de Controle Manual .................................................................................... 64 Figura 3 - Planilha Eletrônica de Finanças Pessoais ................................................................ 64 Figura 4 - Controle de Caixa em Software de Finanças Pessoais ............................................ 65 Figura 5 - Contas a Pagar e Receber em Software de Finanças Pessoais ................................. 66 Figura 6 - Relatórios de Controle em Software de Finanças Pessoais ..................................... 67 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1- Faixa Etária ............................................................................................................. 46 Gráfico 2 - Renda Pessoal ........................................................................................................ 47 Gráfico 3 - Nível de Escolaridade ............................................................................................ 48 Gráfico 4 - Prioridades na utilização do salário ....................................................................... 48 Gráfico 5 - Gastos na utilização do salário ............................................................................... 49 Gráfico 6 - Controle dos Gastos ............................................................................................... 50 Gráfico 7 - Método de Controle ............................................................................................... 50 Gráfico 8 - Periodicidade do Controle...................................................................................... 51 Gráfico 9 - Destinação das possíveis sobras ............................................................................. 52 Gráfico 10 - Possui Empréstimos ............................................................................................. 53 Gráfico 11- Comportamento Financeiro similar ao dos Pais ................................................... 54 Gráfico 12 - Guarda Recursos para os Filhos ........................................................................... 54 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Princípios da Educação Financeira ........................................................................ 34 6 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Estado Civil ............................................................................................................. 46 Tabela 2 - Área de Atuação Profissional .................................................................................. 47 Tabela 3 - Porcentagem de Sobra do Salário ............................................................................ 52 Tabela 4 - Porcentagem de Endividamento sobre Salário ........................................................ 53 Tabela 5 - Forma de Pagamento de Compras ........................................................................... 55 Tabela 6 - Correlação ............................................................................................................... 56 Tabela 7 - Comunalidades ........................................................................................................ 57 Tabela 8 - Teste de KMO e Bartlett ......................................................................................... 57 Tabela 9 - Percentual de Variância explicativa pelos fatores ................................................... 58 Tabela 10 - Faixa Etária X % Sobra Salário ............................................................................. 58 Tabela 11 - Faixa Etária X Destino das Sobras ........................................................................ 59 Tabela 12 - Faixa Etária X Controle de Gastos ........................................................................ 59 Tabela 13 - Faixa Etária X Empréstimo e Endividamento ....................................................... 60 Tabela 14 - Renda Pessoal X % de Sobra de Salário ............................................................... 61 Tabela 15 - Renda Pessoal X Destino das Sobras .................................................................... 62 Tabela 16 - Renda Pessoal X Controle de Gastos .................................................................... 62 Tabela 17 - Renda Pessoal X Empréstimos e % de Endividamento ........................................ 63 7 SUMÁRIO RESUMO EXPANDIDO ........................................................................................................... 9 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 13 1 2 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO ......................................................................... 15 1.1 Apresentação do tema ................................................................................................ 15 1.2 Problema ou Questão de Estudo ................................................................................ 17 1.3 Objetivos .................................................................................................................... 17 1.4 Justificativa ................................................................................................................ 18 REFERENCIAL TEÓRICO .............................................................................................. 21 2.1 Administração Financeira .......................................................................................... 21 2.1.1 Fontes de Financiamento ....................................................................................... 22 2.1.2 Fontes de Investimentos ........................................................................................ 24 2.2 Finanças Pessoais ....................................................................................................... 28 2.2.1 Planejamento Financeiro ........................................................................................ 29 2.2.2 Controles Financeiros ............................................................................................. 31 2.2.3 Educação Financeira .............................................................................................. 33 2.3 3 Consumo e Endividamento ........................................................................................ 35 METODOLOGIA .............................................................................................................. 39 3.1 Classificação da Pesquisa .......................................................................................... 39 3.2 Sujeitos da Pesquisa e Universo Amostral ................................................................ 40 3.3 Detalhamento da Coleta de Dados ............................................................................. 41 8 3.4 4 Análise e Interpretação dos Dados ............................................................................. 42 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ............................................................. 44 4.1 Caracterização do Município ..................................................................................... 44 4.2 Perfil dos Entrevistados ............................................................................................. 45 4.3 Comportamento Financeiro ....................................................................................... 48 4.4 Resultados da Análise Fatorial .................................................................................. 55 4.5 Análise Comparativa dos Resultados ........................................................................ 58 4.6 Proposição de modelos para controle financeiro ....................................................... 63 CONCLUSÃO .......................................................................................................................... 69 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 71 9 RESUMO EXPANDIDO Introdução O conceito de finanças é abrangente, envolve a forma de organização financeira, que por meio de planilhas, orçamentos, planejamento e controle auxiliam no processo de alcance dos objetivos almejados. A importância de organizar as finanças tanto em âmbitos empresariais como pessoais se dá na mesma freqüência que estabelecer parâmetros e formas de controles no planejamento financeiro. Sempre atrás de uma organização há um indivíduo, seja ele proprietário individual, sócio ou acionista, e é por meio de suas aspirações, de seus conhecimentos, que vai se criando a forma da organização. Conforme Ribeiro et al (2009), nos últimos anos, vem ocorrendo aumento de estudos sobre o comportamento dos indivíduos no que se refere às decisões financeiras, nesse sentido outras correntes científicas, vem estudando o comportamento dos consumidores frente às atitudes de comprar, vender, consumir, poupar e se endividar. Nesse contexto a pesquisa buscou analisar o comportamento financeiro de jovens e adultos da cidade de Crissiumal-RS. Para isso foi identificado o público alvo, aplicado o questionário na população objeto de estudo, descrito os resultados obtidos, analisado de forma comparativa as finanças pessoais a partir dos resultados obtidos e por fim foi proposto modelos que auxiliem o processo de planejamento financeiro pessoal. Metodologia Ao nível epistemológico, o presente estudo possui um cunho quantiqualitativo. O estudo classificado quanto à sua natureza é aplicado e quanto aos objetivos é descritivo. Quanto aos procedimentos técnicos (GIL, 2002) a investigação ocorreu de forma bibliográfica, documental, de campo e por levantamento de dados (Survey). A amostra do estudo é do tipo não-probabilística, selecionada por conveniência, formada por habitantes da cidade de Crissiumal pertencentes às faixas etárias de 20 a 24 anos e 45 a 54 anos. Para o cálculo da amostra foi considerado um universo finito de 2911 pessoas, resultando em uma amostra ideal de 352 indivíduos. Foram entregues 370 questionários, sendo que deste montante voltaram 301 questionários respondidos. A coleta de dados da pesquisa bibliográfica foi feita por meio de dados secundários. A pesquisa documental englobou as fontes estatísticas. Como instrumento de coleta de dados para a pesquisa de campo, optou-se pela utilização de questionário dividido em duas partes: a primeira busca identificar aspectos de perfil da população investigada (idade,estado civil, renda pessoal, área da profissão e grau de instrução), a segunda parte visa levantar aspectos que definem o comportamento financeiro dos entrevistados, considerando para isto dados sobre gastos, sobras e endividamento. O processamento e análise dos dados se deram através de dois meios: Planilha de dados Excel e pela análise estatística Fatorial, por auxílio do software Statistical for the Social Science Package (SPSS). Resultados Por meio da análise fatorial, grande parte das variáveis foi considerada explicativa, de acordo com os percentuais apresentados na comunalidade das questões. As variáveis que apresentaram alta explicação foram: faixa etária, renda pessoal, controles, periodicidade dos 10 controles e a prioridade dos gastos. A que pouca explicação apresentou foi a área de atuação profissional. Os resultados obtidos tiveram como ponto de partida a identificação de perfil da amostra selecionada. 50% dos indivíduos pertencem à faixa etária de 20 a 24 anos, 30% à faixa de 45 a 49 anos e os 20% restantes fazem parte do nível de idade de 50 a 54 anos. Considerando o estado civil dos entrevistados, 44,19% são solteiros e 43,52% casados. Os demais respondentes são 6,98% separados, 0,66% viúvos e 4,65% responderam união estável. Quanto ao quesito renda pessoal, há uma predominância de crissiumalenses recebendo salários entre R$ 500,00 à R$ 1.500,00, mais precisamente 55% dos entrevistados. Os demais possuem salários ou menores de R$ 500,00 ou superiores a R$ 1.500,00. O fator grau de instrução apresenta alta carga fatorial, dessa maneira é uma variável a ser considerada no estudo, além da relação idade e renda 70%. Questionados quanto as prioridades na utilização do salário, considerando uma escala de 1 à 8 conforme grau de importância, a alimentação ocupa o primeiro lugar com 20%, seguida da saúde com 17% e da educação com 15%. As prioridades médias são a habitação com 14%, lazer com 11% e transporte com 10%. Como prioridades mínimas, têm-se os investimentos com 9% e a opção outros com 4%. De acordo com a análise fatorial, o fator prioridades quanto a utilização do salário é a principal variável explicativa do estudo, apresentando 65,06% do comportamento dos indivíduos pesquisados. O controle financeiro é fundamental para que se tenha uma boa saúde financeira, diante disso 212 pessoas responderam que utilizam algum tipo de método de controle, as outras 89 informaram que não possuem forma alguma de controle. Não tendo um método de controle a probabilidade e o risco de tomar decisões incompatíveis com a realidade são maiores. Para Martins (2004) a incapacidade de ler e entender demonstrações financeiras são responsáveis por fracassos e por erros que podem ser fatais. De acordo com o fator de comunalidade apresentado pela analise fatorial, a variável que mais explica a pesquisa são os métodos de controle, que representam 88,6%, a periodicidade dos controles é explicadas por 85,6% e a relação dos empréstimos e seu percentual apresenta explicação em torno de 86%. Quanto à principal forma de pagamento utilizada pelos questionados, há uma predominância do pagamento em dinheiro na pequena cidade de Crissiumal, 75%. Esse resultado diverge muito de alguns dados nacionais. Trata-se do crescimento do uso do cartão de crédito. Segundo Luca (2014) o faturamento dos cartões de crédito e débito cresceu no país nada menos do que 210% em sete anos. No município de Crissiumal os maiores índices de sobra de salário pertencem aos jovens. 6,6% dos jovens poupadores conseguem reservar no mínimo 21% do seu salário, contra 5,6% dos adultos. Os adultos só levam vantagem em índices menores de reserva, como por exemplo, 5% a 10% de sobra, totalizando aproximadamente 20% dos respondentes nas faixas etárias de 45 a 54 anos. Analisando o destino destas sobras, a proporção dos que investem seus recursos na caderneta de poupança é relativamente igual entre jovens e adultos, 39,1% e 42,6% respectivamente. Os adultos possuem mais assiduidade no controle dos gastos que os jovens, onde 38,20% deles possuem controles contra 32,20% dos jovens. O método de controle que os adultos mais utilizam são os controles manuais, realizando o seu fluxo de caixa de forma manuscrita. Este é método mais utilizado também pelos jovens totalizando 24,9%. O método 11 de controle registrado por meio de uma planilha de dados eletrônicos é utilizado em sua maioria pelos jovens, totalizando 7% e adultos 2,3%. O software é o recurso mais completo, porém o menos utilizado. Apenas cinco pessoas da amostra total o utilizam, sendo destes, quatro adultos e apenas um jovem. Observa-se ainda que os adultos crissiumalenses são mais endividados que os jovens. Do total da amostra endividada, os adultos correspondem a um total de 20,90%, enquanto os jovens somam 15,6%. Em todos os níveis de endividamento os adultos possuem índices mais elevados. Este mesmo comportamento se confirma em um estudo realizado por Ribeiro et al (2009), onde os jovens acadêmicos do Curso de Administração, são pouco propensos ao endividamento e conseguem gastar menos do que ganham, economizando parte de sua renda mensal. O que se conclui no comparativo entre a renda pessoal com as sobras de salário é de que os que menos poupam são os que possuem salários variando de R$ 500,00 à R$ 1.500,00. Os que mais conseguem guardar recursos são os trabalhadores com ganhos mensais de R$ 1.600,00 à R$ 2.500,00, os mesmos conseguem guardar no mínimo 21% do seu salário. Os ganhos mensais são proporcionais a quantidade de sobra, ou seja, quem possui renda maior consegue poupar mais, e vice-versa. Estes resultados são confirmados onde os assalariados que ganham um salário máximo de R$ 500,00 não conseguem economizar mais do que 20% do seu salário. Na linha contrária estão os munícipes melhores remunerados com rendimentos mensais superiores à R$ 5.000,00. Figueiras (2013) em uma de suas reportagens na Revista Exame, afirmou que os brasileiros poupam pouco, e quando poupam aplicam mal seus recursos. Isso decorre de fatos relacionados à preguiça, pois se tem por costume aplicar as sobras no banco em que se recebe o salário. O perfil do investidor crissiumalense segue esse mesmo padrão, onde a destinação das sobras é em sua grande maioria levada às cadernetas de poupança, mais precisamente para 80% dos entrevistados. Para as 89 pessoas que responderam não utilizar métodos de controle para o acompanhamento das finanças pessoais foram propostos alguns modelos de controle de gastos. O método apresentado para os iniciantes foi o controle manual, para os mais instruídos foi proposto o lançamento das informações financeiras por meio de planilhas eletrônicas de dados e por fim, aos mais experientes foi lançada a idéia da utilização de um método mais completo que é o software de finanças pessoais. Conclusão Na busca da gestão financeira pessoal, a classe estudada demonstrou seguir estratégias aleatórias. Os adultos crissiumalenses controlam mais seus gastos do que os jovens, porém são estes mesmos que possuem um maior nível de endividamento. Esta não seria a seqüência ideal dos fatos, afinal quem controla as próprias finanças deveria ter um menor índice de obrigações financeiras. Isso pode estar acontecendo em decorrência de controles manuais mal executados. Os adultos possuem ainda sobras menores, este dado pode estar relacionado com o fato de que muitos pais trabalham para ajudar no crescimento de seus filhos. Com este cenário apresentado, muitas vezes dificulta a reserva de parte do salário para alguma linha de investimento. No caso dos jovens pouparem mais pode estar relacionado com o fato de que muitos deles ainda residem com seus pais e possuem poucos gastos fixos. 12 Desprendeu-se da referida pesquisa que as pessoas que possuem a menor e a maior faixa de renda pessoal não possuem considerável endividamento. Também que no município de Crissiumal existe uma menor aceitação das ferramentas de controle melhores elaboradas, como planilhas eletrônicas e softwares especializados em finanças pessoais. Como sugestão para estudos posteriores, fica a proposta de análise de outras faixas etárias, como por exemplo, jovens e idosos, bem como analisar o comportamento por gênero. Sugere-se ainda analisar o perfil do comportamento financeiro pessoal à nível de região. Conforme a obtenção dos resultados for acontecendo, recomenda-se a realização de seminários e grupos de estudo sobre a educação financeira, oferecendo de modo geral à população. Estes seminários poderão dar suporte principalmente à consumidores endividados e que já passaram por alguma crise financeira ao longo dos anos. Seria uma forma de auxílio para os indivíduos que possuem dificuldades em lidar com suas próprias finanças. Propondo assim novos métodos de controle, e após realizar a mensuração dos ganhos obtidos através da análise do comportamento financeiro pessoal. Palavras-chave: Finanças pessoais, comportamento financeiro, educação financeira, endividamento. Referências Bibliográficas FIGUEIRAS, Maria Luiza. O investidor brasileiro é preguiçoso e perde dinheiro com isso. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1048/noticias/a-industriada-preguica>. Acesso em 17 de Junho de 2014. GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 4ª edição. São Paulo: Atlas, 2002. LUCA, Léa de. Cartões crescem 210% em sete anos. Disponível em: <http://www.lifefp.com.br/blog/?p=26975>. Acesso em 27 de maio de 2014. MARTINS, José Pio. Educação Financeira ao Alcance de Todos. São Paulo: Fundamento, 2004. RIBEIRO, Caroline do Amaral, et al. Finanças Pessoais: Análise dos Gastos e da Propensão ao endividamento em estudantes de Administração. Anais da USP, 2009. 13 INTRODUÇÃO As rápidas e constantes mudanças decorrentes dos mercados e da economia de um mundo totalmente reformulado pela globalização, bem como os sistemas avançados de processamento e transferência dos dados, têm afetado sensivelmente o modo de vida das pessoas, seus sonhos e objetivos, obrigando-as a uma nova postura de gerenciamento financeiro em suas vidas. Mensagens de diversos tipos e apelos são direcionadas aos consumidores diariamente, as mesmas buscam incitar os cidadãos à altos níveis de consumo de novos produtos ou até mesmo levam os mesmos a optarem pela substituição de mercadorias que já possuem, sendo que a troca muita vezes não é considerada urgente. São publicações em outdoors, e-mails, telefones celulares, no rádio do carro ou do ônibus, na televisão, em casa ou no trabalho, no amigo ou colega de trabalho que está sentado ao lado, ou seja, em diversos locais estão expostos atrativos e promoções, motivando o aumento das compras, e por conseqüência o endividamento. Com isso, o consumo vem se tornando exagerado, podendo estar em primeiro plano na vida das pessoas. Para tanto se torna imprescindível o equilíbrio na hora de realizar determinados gastos, caso contrário, a tendência de passar por dificuldades financeiras pode tornar-se bastante elevada. Há um agravo ainda maior no momento em que o cidadão põe em risco o seu nome no mercado, sendo que em alguns casos pode até se considerar excluso do sistema de crédito. As conseqüências vão muito além do crédito propriamente dito, existem outros fatores que vão implicar no dia-a-dia do consumidor, um deles é a qualidade de vida. O que acontece quanto a isso, é um agravo na saúde psicológica dos indivíduos, podendo acontecer o desencadeamento de sintomas como depressão, doenças do coração, insônia e tantos outros problemas similares. Precisa-se, por isso, um esforço concentrado para o controle das finanças pessoais. O dinheiro deve ser encarado como um instrumento que proporcione felicidade e que seja suporte para a realização pessoal e não como causa de aflição, sofrimento, agonia e inquietude. Diante do exposto, este estudo buscou detectar os principais gargalos financeiros pessoais dos munícipes crissiumalenses, para posteriormente contribuir com a evolução do 14 pensamento financeiro. O presente estudo buscou oferecer condições para que os indivíduos possam organizar suas finanças e dessa maneira, manter garantias e reservas para eventuais imprevistos e que possam viver com mais conforto e bem-estar familiar. A estruturação deste estudo corresponde à quatro capítulos. No primeiro deles constam informações sobre a idéia inicial, o tema e a delimitação do problema. Em seguida o objetivo geral e os objetivos específicos. A justificativa finaliza este capítulo contemplando a importância desta pesquisa tanto para a acadêmica como para a instituição e o município objeto de estudo. O referencial teórico retratado no capítulo 2 está elaborado com o propósito de sustentar a presente pesquisa. Trazendo autores que pesquisam em torno de temas como administração financeira, finanças pessoais e consumo e endividamento, O capítulo seguinte elencado como metodologia, detalha os procedimentos de classificação da pesquisa quanto à natureza, quanto à abordagem, quanto aos objetivos e quanto aos procedimentos técnicos. Também aponta os sujeitos da pesquisa que foram selecionados após o cálculo da amostra, considerando para isto um universo finito. O detalhamento da coleta e a análise e interpretação dos dados são descritos na seqüência, abordando os métodos utilizados para o levantamento e diagnóstico das informações. Por fim, tem-se o capítulo 4 que viabiliza aquilo que foi abordado nos capítulos anteriores. Trata-se da análise e interpretação dos dados, que é apresentada em gráficos e também pelo diagnóstico escrito dos dados estatísticos. As análises elaboradas encerram-se com a conclusão contendo o parecer da pesquisadora e as considerações finais. 15 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO Contextualizar um estudo remete ao pesquisador apresentar o tema a ser desenvolvido para então problematizá-lo, mostrando de forma clara e compreensível a dúvida que se pretende resolver. Nesse contexto, o capítulo 1 contempla a apresentação do tema, objeto de estudo, a questão problema, os objetivos, geral e específicos, na seqüência a justificativa do estudo. 1.1 Apresentação do tema Dentre as possibilidades de produtos disponíveis no mercado, abre-se a lacuna para o consumo dos mais variados artigos, alguns de necessidades básicas, outros considerados supérfluos, dessa maneira grande parte da população acaba comprometendo boa parcela dos seus recursos e por vezes assumindo grandes dívidas. Conforme Federação do Comércio Varejista do RS (2013) o nível de endividamento das famílias no estado do RS foi de 69.2% em 2013, infere-se nesse sentido que um dos maiores desafios da atual sociedade encontra-se no controle de seus recursos. O conceito de finanças abrange outras áreas além da administração de contas, ele também pode ser considerado como uma forma de organização financeira, que através de planilhas, orçamentos, planejamento e acompanhamento podem demonstrar quais os passos a serem tomados para alcançar os objetivos almejados. Segundo Gitman (2002, p. 34) “as finanças podem ser definidas como a arte e a ciência de gerenciamento de fundos. Virtualmente, todos os indivíduos e organizações ganham ou captam e gastam ou investem dinheiro”. O controle das finanças, amplamente discutido na área das finanças quando aplicados em empresas, serve como ponto para as finanças pessoais, mas este é um dos temas que geralmente são deixados em segundo plano, ora pela falta de conhecimento, ora pela sua complexidade no controle. A importância de organizar as finanças em uma organização se dá na mesma freqüência que estabelecer parâmetros e formas de controles no planejamento financeiro pessoal. Sempre atrás de uma organização há um indivíduo, seja ele proprietário individual, sócio ou acionista, e é por meio de suas aspirações, de seus conhecimentos, que vai se criando a forma da organização. 16 Hartmann (2002 apud BITENCOURT, 2004) enfatiza que as aspirações do negócio surgem das aspirações das pessoas. Que a partir daí nasce o “Ser empresa”, ou seja, a organização, ambiente onde ocorre a materialização dos sonhos individuais para a realização coletiva. Para Bitencourt (2004, p.28) “dentro de uma visão estritamente financeira, o principal objetivo de uma empresa é a maximização da riqueza de seu acionista”. Nesse sentido para as pessoas a premissa também é valida, pois os indivíduos buscam a geração e riqueza adquiridas por meio de seus recursos obtidos pelo trabalho e pelas aplicações de seus recursos. No campo da administração financeira, alguns estudos relacionados ao comportamento financeiro pessoal dos indivíduos estão sendo elaborados e ao contrario do que muitas pessoas acreditam, o acesso ao planejamento financeiro implica em muitas mudanças na vida das pessoas PONCHIO (2006); MACEDO (2007); LUCCI (2007); RIBEIRO ET AL (2009); ALMEIDA, CORDEIRO E FIGUEIREDO (2013). Para Macedo (2007) o planejamento financeiro é o processo de gerenciar seu dinheiro com o objetivo de atingir a satisfação pessoal. Permite que você controle sua situação financeira para atender necessidades e alcançar objetivos no decorrer da vida. Inclui programação de orçamento, racionalização de gastos e otimização de investimentos, assim surge a necessidade por parte do individuo em diferenciar aquilo que é essencial e o que é considerado supérfluo, uma vez que são várias as tentações que induzem o consumismo crescente. O cenário financeiro mundial apresenta hoje, as mais variadas e numerosas opções de produtos e serviços com diversos atrativos, ou seja, a disponibilização do crédito fácil, limite de cheque especial, cartão de crédito e demais produtos similares estão cada vez mais acessíveis ao consumidor. Por outro lado, um pouco menos procurado, existem as linhas de investimento, poupança e aplicação, que garantem certa estabilidade financeira e melhor qualidade de vida em longo prazo. É neste contexto que surge a importância de um maior controle na área das finanças pessoais, segundo Lucci (2007) é através da educação financeira que o indivíduo poderá mudar suas preferências e monitorar seu comportamento a respeito do ato de consumir e assim gerar poupança, uma vez que poderá alterar os incentivos e modificar as regras que caracterizam essas ações. 17 Desta forma o tema deste estudo foi o diagnóstico e análise da educação financeira pessoal em relação aos costumes e comportamentos em diferentes níveis e faixas etárias no município de Crissiumal-RS. 1.2 Problema ou Questão de Estudo Conforme Ribeiro et al (2009), nos últimos anos, vem ocorrendo aumento de estudos sobre o comportamento dos indivíduos no que se refere às decisões financeiras, nesse sentido outras correntes científicas, vem estudando o comportamento dos consumidores frente às atitudes de comprar, vender, consumir, poupar e se endivida. Entre as áreas que tem estudado, destaca-se a Psicologia Econômica, o Marketing, as Finanças Comportamentais, a Teoria dos Jogos. O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro cresceu em maio de 2013 pelo quinto mês seguido e bateu novo recorde. O valor total das dívidas correspondia, naquele mês, a 44,52% da renda do trabalhador nos últimos 12 meses, segundo dados do Banco Central, em comparação a 44,20% em abril, recorde anterior (ESTADÃO, 2013). Estudos de Ribeiro et al (2009) evidenciaram os gastos e da propensão ao endividamento em estudantes de administração da universidade federal de Santa Maria/RS, identificando que os fatores comportamentais como materialismo, o gênero, renda, o trabalho e as práticas religiosas, interferem no nível de endividamento, mas a maioria está consciente quanto ao acompanhamento e controle dos gastos. Nesse contexto cabe a seguinte questão problema: Qual o comportamento financeiro de jovens e adultos da cidade de Crissiumal/RS? 1.3 Objetivos Diante da problematização apresentada define-se como objetivo geral analisar o comportamento financeiro de jovens e adultos da cidade de Crissiumal /RS Visando ao alcance do objetivo geral são definidos como objetivos específicos: a) Identificar o público alvo; b) Aplicar o questionário na população objeto de estudo; c) Descrever os resultados obtidos; 18 d) Analisar de forma comparativa as finanças pessoais entre jovens e adultos, a partir dos resultados obtidos; e) Propor modelos de controle que auxiliem o processo de planejamento financeiro pessoal a partir dos resultados obtidos. 1.4 Justificativa No cenário contemporâneo da economia globalizada, mais do que nunca, atentar-se para adquirir independência e controle financeiro, torna-se imprescindível na busca de um futuro promissor e melhoria na qualidade de vida. Alguns fatores como conhecer a fundo as próprias receitas, calcular as despesas mensais, atender ou não desejos imediatos de compras, entender as necessidades de consumo e planejar os gastos determinam o nível de consciência financeira do individuo. E isto estabelece um papel essencial na relação pessoal com o dinheiro. A partir disto consegue identificar que necessidades são as exigências mínimas para satisfazer condições materiais e morais de vida e que o supérfluo pode esperar o momento adequado e principalmente planejado para ser adquirido. Muitos indivíduos contraem dívidas e comprometem uma parcela significativa de suas rendas, acabam assim tornando-se inadimplentes por não cumprirem com seus compromissos financeiros. Nesta concepção, endividados trabalham para quitar suas dívidas por terem pouca ou nenhuma habilidade de lidar com o dinheiro, por não se preocuparem em fazer um planejamento financeiro ou por motivos implícitos em razões sociais ou psicológicas. Muitos desses indivíduos conseguem retomar o equilíbrio de suas vidas, outros necessitam de ajuda e muitos terão que carregar consigo o estigma de eternos endividados (FERREIRA, 2006). Perante o crescimento deste tipo de consumidor no mercado, o estudo dos fatores que influenciam o endividamento se mostra de grande valia, visto que a relação desejo, necessidade, consumo, endividamento, inadimplência se torna de interesse das empresas, pois afetam o ciclo operacional e financeiro e podem implicar, inclusive, desajustes na liquidez e aumento de risco (RIBEIRO et al, 2009). 19 Assim, ao traçar suas estratégias de concessão de crédito, as empresas devem estar atentas para o comportamento do consumidor nestas diferentes fases, suas possibilidades e limitações com enfoque nos clientes efetivos e potenciais. Segundo Metzner (2012) o controle dos gastos, o uso adequado do dinheiro não significa que a pessoa seja mesquinha ou avarenta. Ser comedido em seus gastos é uma qualidade que se chama frugalidade. Uma pessoa frugal não deixa de adquirir o que precisa ou o que é bom, mas tira o máximo proveito do que possui, e nisto se encontra também a capacidade de comprar bem, comprar certo, comprar o que será utilizado. Muitas pessoas compram porque está barato, e aí não usam, esquecem o item comprado para sempre, ou seja, jogam fora o seu dinheiro, e mesmo em bens de pouco valor, com o tempo, o dispêndio com esses itens é bem alto. Desta forma, a organização das finanças por meio de planilhas pode ser uma ferramenta no auxilio dos registros das receitas e despesas, proporcionando o planejamento de gastos e a aplicação dos recursos (METZNER, 2012). As primeiras atitudes a serem tomadas podem estar relacionadas ao controle dos pequenos gastos, e perceber o quanto os mesmos influenciam no orçamento total. Pequenos valores diários fazem grandes diferenças nas contas do final do mês ou do ano. Gastos como doces, salgados, refrigerantes, salão, cinema, loteria, revistas e outros tantos podem fazer grandes diferenças no orçamento total, pois no mês ou no ano, somadas, atingem quantias bem significativas. Melhor ainda se esses valores forem revertidos em alguma forma de aplicação. Poupar dinheiro é sempre interessante. É a melhor maneira de se preparar para enfrentar imprevistos, ou de adquirir bens sem o acréscimo de juro. Ainda mais que hoje em dia não é mais necessário guardar o dinheiro em baixo do colchão. O mercado oferece alguns tipos de investimentos com riscos e margens de lucros diferentes. Cabe ao individuo fazer uma análise dos seus gastos e perceber de que extremo poderá diminuir os desembolsos, revertendo os mesmos em futuras aplicações para garantir uma melhor qualidade de vida para sua família. Conforme Metzner (2012) o principal motivo pelo qual as pessoas não têm dinheiro para guardar é porque possuem dívidas. E estas aparecem por diversas razões, tais como compras compulsivas, falta de planejamento, utilização sem critérios do cheque especial, parcelamentos, operações de crédito para consumo/bens de consumo que não agregam renda. 20 Guardar dinheiro é hábito. E como hábito, precisa ser adquirido. Porém, para adquirir um hábito, é preciso motivação. Cada pessoa tem suas próprias motivações, seus sonhos de vida e de consumo. Seu próprio conceito de realização financeira. E esta realização financeira é que é a motivação para deixar de gastar com uma coisa para o uso do dinheiro em outra (METZNER, 2012). Conforme Trindade et al (2010, p.3): O endividamento pode ser conseqüência de diferentes fatores associados com o consumismo exagerado, políticas sociais de transferência de renda e políticas econômicas. Surge quando há disparidade entre entradas e saídas de recursos. Esse endividamento pessoal ou familiar atribui-se, em muito, ao pensamento de que se deve dar a si próprio e aos filhos um padrão de vida melhor daquele que tiveram. A facilidade de crédito se mostra, nos dias atuais, como um “vício social”, em que as pessoas incorporam o limite do cartão de crédito e do cheque especial ao seu orçamento. Ao considerar tais colocações, esta pesquisa buscou contribuir para um melhor orçamento familiar e auxiliar na análise sobre os problemas nos planejamentos financeiros pessoais e familiares, comparando as diferentes decisões entre jovens e adultos. Buscou ainda difundir o tema e contribuir no conhecimento da acadêmica para futuras pesquisas na área de finanças pessoais. Este estudo proporcionou à pesquisadora evidencias que levam os consumidores a optar por determinados comportamentos e o que isto influencia na qualidade de vida dos mesmos. Ao município uma base de dados sobre o comportamento financeiro dos seus munícipes. À universidade um novo estudo, podendo servir de base para novas pesquisas. 21 2 REFERENCIAL TEÓRICO Este capítulo tem como propósito a abordagem dos principais estudos elaborados em relação ao tema proposto nesta pesquisa. Esta análise visa sustentar teoricamente as idéias e sugestões propostas pela autora. 2.1 Administração Financeira Para Gitman (2001), finanças é o método e a forma de conhecimento do gerenciamento de fundos. As finanças lidam com o processo, as instituições, os mercados e os instrumentos envolvidos na transferência de dinheiro entre indivíduos, negócios e governo. A administração financeira para Zdanowicz (1998) tem como foco a captação, aplicação e distribuição eficiente dos recursos necessários para que a organização possa trabalhar conforme os objetivos e as metas propostas. Para que aconteça essa distribuição corretamente, a adoção de algum método de monitoramento torna-se fundamental. Finanças é a aplicação de uma série de princípios econômicos e financeiros para maximizar a riqueza dos acionistas utilizando algumas metodologias, entre elas o valor presente líquido (fluxo de caixa, descontado o valor presente menos os custos originais) para mensurar a rentabilidade (Groppelli e Nikbakht, 2010). Assim a definição de um administrador financeiro é imprescindível. À ele competirá algumas tarefas, que Silva (2008) considera como sendo as funções básicas de um administrador financeiro. São elas, análise, planejamento e controle financeiro; tomadas de decisões de investimentos;tomadas de decisões de financiamentos. Análise, planejamento e controle financeiro consistem em coordenar, monitorar e avaliar todas as atividades da empresa, por meio de dados financeiros, bem como determinar o volume de capital necessário. As decisões de investimentos dizem respeito à destinação dos recursos financeiros para aplicação em ativos correntes (circulantes) e não correntes (realizáveis a longo prazo e permanentes), considerando-se a relação adequada de risco e de retorno dos capitais investidos. As decisões de financiamentos são tomadas para captação de recursos financeiros para o financiamento dos ativos correntes e não correntes, considerando-se a combinação adequada dos financiamentos a curto e longo prazo e a estrutura de capital. 22 As finanças como área de conhecimento, podem ser subdivididas em três grandes segmentos: mercado financeiro, que estuda os comportamentos dos mercados, seus vários títulos e valores mobiliários negociados e as instituições financeiras que atuam neste segmento; as finanças corporativas, que estudam os processos e as tomadas de decisões nas organizações; e, recentemente o segmento das finanças pessoais, com os estudos dos investimentos e financiamentos das pessoas físicas, com alta relação com a área do mercado financeiro (ASSAF e LIMA, 2009). Este último segmento traz uma série de fatores decisivos para que seu bom desempenho aconteça. Considerando isto, torna-se fundamental o estudo dos dois eixos mais importantes que envolvem a tomada de decisão dos indivíduos em relação as finanças pessoais. Trata-se das fontes de financiamento e investimento. 2.1.1 Fontes de Financiamento O crédito massificado, concedido pelos bancos através das linhas de crédito direto ao consumidor (CDC) e de empréstimo pessoal, é um dos segmentos mais rentáveis do sistema financeiro, apesar de registrar os maiores índices de inadimplência (COSTA, 2002). Isso demonstra o quanto há procura deste setor por parte dos consumidores. As instituições financeiras são as principais fomentadoras dos empréstimos, são elas as responsáveis pela disponibilização dos mesmos. Geralmente elas são controladas pelo Banco Central do país, órgão que dita as principais regras sobre os empréstimos (HOJE, 2009). As taxas de juros dos empréstimos são definidas através da lei da oferta e da demanda, na maioria dos países. Algumas modalidades de empréstimos possuem regras determinadas pelos bancos centrais, que pode estipular uma taxa de juros padrão para alguns tipos de empréstimos que são oferecidos através de recursos de fundos, como por exemplo Poupança e FGTS (HOJE, 2009). Segundo Hoje (2009), nos últimos anos houve uma proliferação de Financeiras oferecendo empréstimos, em varias modalidades, sendo elas: - Empréstimo sem consulta – é o empréstimo onde qualquer pessoa tem um limite pré aprovado de crédito independente de sua renda e que atenda a alguns pré requisitos da financeira. 23 - Empréstimo Consignado: é o empréstimo onde os débitos das parcelas são realizados diretamente no salário do tomador do empréstimo. - Empréstimo online: É o empréstimo onde a financeira já oferece uma linha de credito ao possível tomador de empréstimo. Segundo dados do Banco Central do Brasil, a linha que mais endivida a população é o limite de cheque especial. Este é um produto que decorre de uma relação contratual em que é fornecida ao cliente uma linha de crédito para cobrir cheques que ultrapassem o valor existente na conta. O banco cobra juros por esse empréstimo. (O produto fica vinculado à conta corrente e os recursos são disponibilizados automaticamente, conforme a necessidade do cliente. Os bancos cobram juros e encargos cada vez que os recursos são utilizados. Na maior parte das instituições financeiras, esse valor é descontado uma vez por mês, em data de vencimento predeterminada. No entanto, alguns bancos já permitem o pagamento do cheque especial em parcelas, como acontece nos empréstimos comuns. Carreira (2013) aponta em sua reportagem no site do Estadão que os juros cobrados pelos bancos no cheque especial e no empréstimo pessoal subiram em setembro/2013 na comparação com agosto/2013. De acordo com pesquisa realizada pela Fundação Procon-SP no último dia 3, a taxa média mensal do cheque especial passou de 7,98% para 8,03%, enquanto a taxa média do empréstimo pessoal foi de 5,24% para 5,27%. O levantamento envolveu sete instituições financeiras: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Safra e Santander. Campos e Izaguirre (2014) assinalam que os juros médios cobrados pelo sistema financeiro nas suas operações de crédito subiram de 20,7% ao ano para 20,9% ao ano entre janeiro e fevereiro, maior patamar desde maio de 2012. A alta mensal acontece em linha com a continuidade do movimento de aumento da taxa básica de juro, que está em 10,75% ao ano. Os dados, divulgados pelo Banco Central (BC, 2013), mostram que o custo médio do dinheiro subiu 2,4 ponto percentual desde que o Copom começou a apertar as condições monetárias em abril do ano passado. Em fevereiro de 2012 a alta dos juros foi mais forte nas operações contratadas com pessoas físicas, cujas taxas médias subiram de 26,8% em janeiro para 27,2% em fevereiro, maior patamar desde maio de 2012. Para as pessoas jurídicas as taxas apontaram alta de 0,1 ponto, para 16%, vindo de 15,9% em janeiro de 2012. 24 A alta dos juros cobrados pelo sistema financeiro em fevereiro é explicada pelos spreads bancários, que avançaram em 0,4 ponto, para 12,2 ponto percentual em fevereiro. O spread é a diferença entre os custos de captação dos bancos e o percentual cobrado dos clientes nos empréstimos. O custo médio de captação dos bancos não contribuiu para a alta do juro, ao cair 0,2 ponto, de 8,9 ponto em janeiro para 8,7 ponto em fevereiro (Banco Central do Brasil, 2013).. Nas operações de crédito com pessoas físicas, o spread passou de 17,3 pontos percentuais para 18 pontos percentuais de janeiro para fevereiro. No crédito às empresas, foi verificada alta de 7,6 pontos para 7,7 pontos. O saldo dos empréstimos originados de recursos de livre aplicação pelo sistema financeiro subiu apenas 0,1% de janeiro para fevereiro, fechando o bimestre em R$ 1,492 trilhão. Olhando só para o crédito livre, os números do BC mostram expansão de 0,4% no saldo das operações com empresas e retração de 0,3% na parte da carteira relativa à clientela de pessoas físicas. Houve concessões de crédito livre novo para as famílias, mas elas foram 0,9% menores em fevereiro do que em janeiro. O fluxo de crédito novo com recursos livres para as empresas aumentou 4% nessa mesma comparação. 2.1.2 Fontes de Investimentos Os investimentos são aplicações de recursos em bens ou serviços que trazem alguma forma de retorno financeiro. Conforme Martins (2001, p. 25) “investimento é o gasto ativado em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuros períodos.” Algumas formas de aplicação possuem liquidez imediata e outras não, portanto a pessoa deve conciliar este fato as suas necessidades. Devem-se considerar também as questões tributárias envolvidas em cada aplicação e a credibilidade dos gestores destas aplicações, pois estes irão gerenciar o dinheiro aplicado. Geralmente os maiores retornos envolvem maiores riscos, então no momento da aplicação em algum tipo de investimento, a pessoa deve considerar o seu perfil de investidor e a finalidade a que se destina esta aplicação (PIRES 2005, p.63). Silva (2008) defende a idéia de que as opções existentes para qualquer tipo de investimento devem ser decompostas nos seus três fatores fundamentais: rentabilidade, liquidez e risco. Esse tripé sustenta os investimentos e devem ser sempre avaliados. Em condições normais, percebe-se que, quanto maior a rentabilidade, menor a liquidez; quanto maior a liquidez, maior o risco; quanto maior o risco, maior a rentabilidade e assim por diante. 25 A atuação do administrador financeiro é de tentar eliminar o grau da incerteza, ou seja, estimar a probabilidade de ocorrência do evento, saindo do conceito de incerteza e chegando ao conceito de risco. Como não há possibilidade de extinção do risco, cabe ao profissional de finanças administrá-lo. Em toda e qualquer atividade em que a empresa atue, existe um componente de risco, que será maior ou menor dependendo de duas variáveis: primeiro, o impacto quantitativo que pode causar sobre os resultados ou receitas da empresa, e, segundo, a probabilidade estatística de que esse fato ou impacto aconteça (PINHEIRO, 2007). O risco de mercado pode ser dividido em quatro grandes áreas: risco do mercado acionário, decorrente da possibilidade de perdas decorrentes de mudanças adversas nos preços de ações ou em seus derivativos; o risco do mercado de câmbio, proveniente da possibilidade de perdas devido a mudanças adversas na taxa de câmbio ou em seus derivativos; o risco do mercado de juros, proveniente da possibilidade de perdas, no valor de mercado de uma carteira, decorrentes de mudanças adversas nas taxas de juros ou seus derivativos; e o risco do mercado de commodities, referente à possibilidade de perdas decorrentes de mudanças adversas nos preços de commodities e/ou em seus derivativos (HOJI, 2007). Existem diversas modalidades de investimento, disponíveis no mercado financeiro, e estas variam conforme a necessidade de risco e retorno de cada poupador. As principais fontes de investimento são a caderneta de poupança, títulos públicos, certificado de depósito bancário, bolsa de valores e imóveis. A caderneta de poupança é uma modalidade de aplicação financeira cujos recursos são aplicados no Sistema Financeiro da Habitação e em crédito rural. Caracteriza-se pelo pagamento de uma taxa de juros fixa, atualmente de 6% a.a., acrescida da correção do saldo aplicado pela Taxa Referencial (TR) (Banco Central do Brasil, 2013). Para Carneiro (2013) devido a sua longevidade e tradição, a Poupança tornou-se o tipo de investimento mais conhecido pelos brasileiros, principalmente por aqueles que possuem menor poder aquisitivo e pouca informação sobre o funcionamento do mercado financeiro. De acordo com Cerbasi (2008) a poupança foi criada para levantar fundos para o financiamento imobiliário, ou seja, funciona como uma espécie de parceria entre os bancos e o Banco Central do Brasil, que determina que todas as instituições sigam exatamente todas as regras. A remuneração é feita a cada mês contemplado, desta forma, os recursos resgatados 26 antes da chamada data de aniversário perdem a remuneração do mês em curso e não há incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos, para Pessoa Física. Outra forma de investir é por meio dos títulos públicos. Estes títulos são emitidos pelos governos federal, estadual e municipal com o objetivo de captar recursos e financiar as diversas atividades do orçamento público. A grande vantagem do programa Tesouro Direto é permitir investimentos a partir de cerca de R$ 200, viabilizando a negociação dos títulos da dívida pública para pequenos investidores. Outra vantagem, que é o principal atrativo desta modalidade, está nos reduzidos custos em relação às taxas de administração de fundos (CERBASI, 2008). Enquanto fundos populares, para captação de pequenos valores, costumam praticar de 3 a 4% ao ano para administrar a compra e venda de títulos. No tesouro direto a cada compra, são cobrados 0,40% sobre o valor do investimento a título de taxa de custódia, ao ano. Mais a sobretaxa que os chamados agentes de custódia (bancos e corretoras) costumam cobrar, que raramente passam de 0,5%, mas também podem chegar a 2%. Para Cerbasi (2008) os principais títulos negociados são os títulos federais, que são:Letra do Tesouro Nacional (LTN): Título pré-fixado, com rentabilidade definida no momento da compra. Se o comprador sustentar o título até o vencimento, receberá exatamente o que investiu mais a ganho determinado pela taxa da época da compra. Letra Financeira do Tesouro (LFT): título cuja rentabilidade segue a taxa de juros básica da economia (taxa Selic), com a quitação do valor investido mais os rendimentos do final do prazo contratado ou na data de resgate antecipado. Nota do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B): Título cuja rentabilidade acompanha a variação do IPC-A, com a soma de juros previamente definidos no momento da aquisição. Sua principal característica é o pagamento semestral dos juros, ficando para a data de vencimento apenas a devolução do valor investido e os juros do ultimo semestre de investimento. Segundo Martins (2004) os títulos púbicos do governo brasileiro sempre foram íntegros e representam um investimento de baixíssimo risco. Em comparação com os países desenvolvidos, os títulos brasileiros sempre pagaram altas taxas de juros reais. Quando no mundo adiantado é difícil conseguir mais que 4% ao ano comprando títulos do governo, no Brasil tem sido normais taxas acima de 10% ao ano, já descontada a inflação. 27 O Certificado de depósito bancário - CDB é outra opção aos poupadores. É um empréstimo conferido a uma instituição financeira por seus clientes. As taxas de juros dos CDBs podem ser pré ou pós-fixadas. O CDB pré fixado é adequado para quem se satisfaz com rendimentos determinados por uma taxa fixa. Os CDBs pós-fixados são adequados para quem teme o aumento da inflação e/ou dos juros da economia, costumam ter sua rentabilidade vinculada a dois tipos de indicadores: a taxa de mercado (CDI) ou a inflação (CERBASI, 2008). A taxa de juros oferecida pelos bancos depende diretamente do volume investido pelo cliente na instituição. Quanto maior o volume aplicado, ou seja, quanto mais dinheiro o cliente tiver para efetuar em uma única aplicação em CDB, melhor (mais rentável) para o cliente é a taxa oferecida. Outra opção pra quem deseja investir seus recursos é o mercado de ações. Esta linha de investimento geralmente é procurada por investidores mais corajosos, que ao mesmo tempo em que assumem riscos maiores, possuem a chance de obter retornos mais elevados. As ações são pequenas partes de uma empresa. Por isso quem detém ações em uma companhia é dono de uma parte dela, ou melhor, é um dos seus acionistas. Ações nominativas são cautelas ou certificados que apresentam o nome do acionista, cuja transferência é feita com a entrega da cautela e a averbação de termo, em livro próprio da sociedade emitente, identificando o novo acionista. As escriturais são as ações que não são representadas por cautelas ou certificados, funcionando como uma conte corrente, na qual os valores são lançados a débito ou a crédito dos acionistas, não havendo movimentação física dos documentos (SILVA 2004,p.83). Conforme sitio da BM&F Bovespa (2013), quando uma empresa vai bem, ela divide os lucros com quem tem suas ações. Isso são os dividendos. Ou seja, os dividendos correspondem à parcela de lucro distribuída aos acionistas, na proporção da quantidade de ações detida, apurado ao fim de cada exercício social. A companhia deve distribuir, no mínimo, 25% de seu lucro líquido ajustado. Segundo reportagem de Julia Wiltgen na revista Exame em maio de 2014, para 79% dos brasileiros, a educação dos filhos é o melhor investimento que se pode fazer. Os pais brasileiros estão entre os que mais se preocupam com a educação dos filhos em todo o mundo. Segundo a pesquisa global “O valor da educação”, do HSBC, 79% dos pais brasileiros consideram que o melhor investimento que podem fazer é pagar pela educação dos filhos. Trata-se do maior percentual dentre todos os 15 países pesquisados. 28 Em grande parte, isso decorre da visão que os brasileiros têm em relação à educação no país: 66% dos pais entrevistados acreditam que as escolas particulares são melhores que as públicas e 79% consideram que o ensino brasileiro não é tão bom quanto a melhor educação oferecida em outros países. Além disso, as expectativas dos pais brasileiros em relação aos filhos são altas: 97% deles desejam que os filhos cursem uma graduação na Universidade, e 84% querem que eles também façam pós-graduação. 2.2 Finanças Pessoais Conforme Silva (2004), finanças é um ramo da economia que trata do relacionamento com a obtenção e a gestão do dinheiro e os recursos ou o capital, por parte de uma pessoa ou empresa. Ainda pode, ser definida como a arte e a ciência de administrar os valores e os instrumentos envolvidos na transferência de dinheiro entre pessoas, negócios e governos. Na sociedade moderna, caracterizada pelo consumo, o dinheiro, muito além de significar riqueza e poder, é um item básico, independente da classe social (SILVA, 2004). Finanças pessoais é um tema atual no qual aborda o comportamento e conceitos financeiros das pessoas em lidar com dinheiro e como se planejar financeiramente como nos exemplos de financiamento, orçamento doméstico, cálculo de investimento, gerenciamento de conta corrente, plano de aposentadoria, acompanhamento de patrimônio e acompanhamento de gastos como tarefas relacionadas com finanças pessoais (LEAL; NASCIMENTO, 2008). Ter dinheiro significa sobreviver e ter mais dinheiro significa sobreviver com mais conforto. O dinheiro bem administrado traz satisfação, realiza desejos e transforma sonhos em realidade. É preciso entender o que ele representa e qual a sua utilidade e importância para assegurar a própria sobrevivência (VIANA FILHO, 2003). Considerando isso, entende-se que o equilíbrio financeiro pessoal não está em ter as contas em dia, sem dívidas atrasadas e sem investimentos. O equilíbrio desse tipo de situação é muito delicado e pode se desfazer diante de qualquer imprevisto (CERBASI, 2009). Para uma melhor segurança, sugere-se que a pessoa tenha o chamado Patrimônio Mínimo de Sobrevivência, que são os recursos necessários aos indivíduos para que simplesmente possam dar um rumo a sua vida em caso de desemprego, doenças ou planos frustrados em sua atividade de negócios. É com muita reserva que se manterá um padrão de consumo até que as coisas normalizem (CERBASI, 2009). 29 Com o Patrimônio Mínimo de Sobrevivência bem estabelecido, os indivíduos alcançarão uma boa saúde financeira, não necessitando adquirir valores em outras instituições. Todavia, a questão de obter recursos de terceiros é muito particular e pessoal, pois depende das necessidades e expectativas de cada pessoa. Em alguns casos, como na aquisição de um imobilizado (casa, veículos, eletrodomésticos, etc.) necessita-se da capital de terceiros, pois caso contrário ficaria difícil efetuar tais aquisições (PIRES, 2005). Evitar financiamentos, empréstimos, cheque especial e prestações é uma boa maneira de se obter estabilidade financeira nas finanças pessoais, reduzindo com isso o pagamento de juros a terceiros e educando a pessoa a efetuar seus pagamentos mediante as suas condições financeiras, de acordo com seus recebimentos. Apesar de parecer insignificante sendo dissolvido entre as prestações, este valor no montante geral, representa um percentual alto em relação ao recurso obtido, descapitalizando o patrimônio pessoal ao longo do tempo (PIRES 2005, p. 70). O mau gerenciamento das finanças pessoais gera reflexos diretos na economia. Uma das causas da extinção de muitas empresas em curto prazo se dá pela falta de educação financeira dos empresários, que não possuem conhecimentos relacionados a finanças, contabilidade, administração e economia. Poucos brasileiros têm o hábito de colocar no papel suas receitas e despesas. Em geral, as pessoas da classe média, quando solicitadas a dizerem para onde vai o salário, só conseguem lembrar de aproximadamente 80% daquilo que gastam, ou seja, não conseguem discriminar cerca de 20% de suas despesas. Quando as pessoas começam a anotar os gastos, já costumam reduzi-los em cerca de 12%. Isso acontece porque o ato de anotar faz você pensar duas vezes antes de gastar (MACEDO, 2007, p. 36). Conforme Frankenberg (1999), de forma geral, no Brasil existe pouca ou nenhuma educação financeira, muitos anos de inflação, desinformação e erros cometidos por sucessivos governos do passado resultaram em conceitos errôneos de planejamento financeiro. 2.2.1 Planejamento Financeiro Conforme Viana Filho (2003), para algumas pessoas, é natural findar o mês com sobras de pagamentos e falta de recebimentos. Elas desenvolvem em torno de si uma estrutura de custos elevada comparada a sua renda, seja por motivos objetivos, como aluguel, transporte, escola, ou por motivos subjetivos, aqueles relacionados a aspectos psicológicos sem um controle, de forma compulsiva. 30 Para Frankenberg (1999, p. 31) “planejamento financeiro pessoal significa estabelecer e seguir uma estratégia precisa, deliberada e dirigida para a acumulação de bens e valores que irão formar o patrimônio de uma pessoa e de sua família” Planejamento financeiro é o processo de gerenciar seu dinheiro com o objetivo de atingir a satisfação pessoal. Permite que você controle sua situação financeira para atender necessidades e alcançar objetivos no decorrer da vida. Inclui programação de orçamento, racionalização de gastos e otimização de investimentos (MACEDO, 2007, p. 26). Frankemberg (1999) afirma que é preciso haver uma conscientização por parte das pessoas para que as mesmas saibam o que é necessário para a vida, em comparação com os objetivos, e planos de curto, médio e longo prazo. Na maioria das vezes, aquele dinheiro gasto com coisas supérfluas poderia ser poupado para investir numa capacitação profissional, o que poderia significar uma melhoria na condição financeira, contribuindo para o bem-estar pessoal. A importância de se ter uma vida financeira controlada e planejada nem sempre é prioridade na vida das pessoas. Alguns consideram difícil organizar receitas e despesas, outros não sabem por onde começar ou não tem uma direção a seguir. Com uma vida financeira bem controlada, o dinheiro vai render mais, possibilitando a realização de planos e sonhos considerados inatingíveis, mesmo sem alteração alguma na renda (MELLO, 2010). Para atingir a independência financeira é preciso muita disciplina, organização e persistência em buscar os objetivos, e o planejamento financeiro torna-se imprescindível para melhor orientar as finanças pessoais. Vale destacar que a independência ou a tranqüilidade financeira não é possuir muito dinheiro, mas sim um capital que garanta o suprimento das necessidades de acordo com o estilo de vida desejado (PIAIA, 2008, p.69). Para Martins (2004, p. 97) “na elaboração de um planejamento financeiro, é preciso deixar espaços para modificações corretivas, que são necessárias em função da mudança dos fatos da vida. Um bom planejamento é aquele que define uma faixa larga”. Ou seja, considera que não existe uma linha única a ser seguida, às vezes o orçamento pode pender tanto para a direita quanto para a esquerda. O importante é que permaneça com poucas variações, desta forma os objetivos serão atingidos. Um planejamento que trace uma linha única, sem possibilidade de alterações para mais ou para menos, acaba virando uma camisa-de-força impossível de ser cumprida. A regra mais importante para ter uma boa saúde financeira é gastar menos do que se ganha. Apesar de ser uma regra básica e simples de ser seguida, ela não é observada pela 31 maioria das famílias brasileiras, como constatado através da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) 2008-2009, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na pesquisa realizada pelo IBGE (2008-2009), verificou-se que 17,9% das famílias brasileiras tem dificuldade para chegar ao fim do mês com o rendimento monetário familiar, segundo a situação do domicilio e as classes de rendimento total, bem como a variação patrimonial mensal familiar – Brasil Ainda tem-se idéia de que muito dinheiro soluciona os problemas financeiros. Isso não é considerado verdade e já foi provado por diversos veículos de comunicação, os quais evidenciaram pessoas que, por motivos variados, ficaram milionárias do dia para a noite e, com uma velocidade muito parecida, voltaram à situação anterior, ou ainda pior (MELLO 2010, p. 14) O Planejamento, associado à organização, pode ser considerado o primeiro degrau na consecução dos objetivos familiares. O processo de planejar requer um modelo de pensar que envolve interesses e indagações e esses envolvem questionamentos sobre o que será feito, como, para quem, quando, por que, por quem e onde será feito (HALFELD, 2008). Surge aí a necessidade da elaboração de um orçamento financeiro, que segundo Martins (2004, p. 65) pode ser considerado O ato de estimar a renda familiar, definir metas de resultado e fixas as despesas. Há vários modelos de orçamento familiar para o período de um mês, um trimestre ou um ano. A sugestão é que a família faça um orçamento do seu fluxo de caixa para o período de um ano inteiro. 2.2.2 Controles Financeiros Um instrumento facilitador ao controle das entradas e desembolsos de disponibilidades é o fluxo de caixa, que pode ser tanto utilizado na gestão financeira empresarial, quanto no controle das finanças pessoais, Zdanowicz (1998) conceitua fluxo de caixa como uma ferramenta que conduz o administrador financeiro ao planejamento, organização, coordenação, direção e controle dos recursos financeiros de uma empresa ou até mesmo de uma família em um determinado período. Elaborado em períodos, o fluxo de caixa deve compreender um resumo do cronograma das despesas e investimentos, das receitas previstas e épocas de realizações dos pagamentos parciais ou totais de obrigações, bem como de novas obrigações a contratar, possibilitando prever: as projeções das entradas e saídas de recursos, os períodos deficitários e superavitários da projeção e os resultados finais por períodos (KUSTER E NOGACZ, 2010, p.38). 32 Oliveira (2005, p. 56), considera o fluxo de caixa como “um instrumento de gestão financeira que projeta para períodos futuros todas as entradas e saídas de recursos financeiros da empresa, indicando como será o saldo de caixa para o período projetado”. O controle de caixa de acordo com Li (1977) tem a finalidade de manter registro de todos os recebimentos e pagamentos que ocorrem diariamente. O registro diário de caixa constitui-se numa seqüência de gastos e recebimentos efetuados durante um determinado período. Um investimento de capital é caracterizado por um determinado gasto inicial e um fluxo de recebimentos futuros. Dessa forma, pode-se dizer que, ao ser realizado um investimento, os gastos e recebimentos dele provenientes originam um fluxo de caixa. Administrar o caixa segundo Resnik (1990) significa controlar sua disponibilidade com base em uma compreensão e planejamento das necessidades financeiras. A responsabilidade pela administração de caixa começa com o cálculo de estimativas de entrada e desembolso de dinheiro. Tão importante quanto saber o quanto se ganha, é o quanto desses rendimentos estão comprometidos e o quanto ainda se pode gastar. É aí que vem a importância dos controles de contas a pagar e contas a receber. O controle de contas a pagar permite uma melhor visualização global dos compromissos assumidos, permitindo acompanhar de forma fácil os pagamentos a serem efetuados em determinado período. O controle das contas a pagar de acordo com o SEBRAE (2000) serve para avaliar as melhores oportunidades de assumir novos compromissos, de maneira a não centralizar muitos pagamentos em determinadas datas. O controle deve ser preenchido de acordo com o vencimento, sendo que o ideal é que a organização dos compromissos seja feita mês a mês, ou seja, compras com vencimento em janeiro devem ser registradas em um controle, compras feitas em fevereiro em outro, e assim respectivamente. Este controle possibilita que o empresário fique permanentemente informado sobre vencimento dos compromissos, como estabelecer prioridades de pagamento e montante dos valores a pagar (SEBRAE, 2000). 33 2.2.3 Educação Financeira O governo como maneira de propiciar o crescimento econômico e financeiro procurou nos últimos anos ampliar a oferta de crédito para incentivar o consumo dos bens e serviços e, assim, aumentar a produção. Segundo informações da OCDE (2004), o consumo das famílias não consegue sozinho, estimular os investimentos, que geram empregos e elevação de renda. Para agravar esse quadro, a população despreparada para dimensionar o volume de comprometimento do seu orçamento, avança com ímpeto ao crédito fácil e, endividada, busca caminhos para restaurar o seu equilíbrio. O crescimento desorientado do crédito produz a inadimplência. A partir daí, os empréstimos são interrompidos a economia reduz a sua atividade. Como conseqüência dessas ações, surge um círculo vicioso de expansão e retração do crescimento. Observa-se ainda que o Brasil passa por mudanças em sua estrutura social nos últimos anos. É visível a ampliação do número de profissionais qualificados, aumento nos lucros das empresas de diferentes ramos, bem como o número de carros nas ruas. E qual a relação entre esses itens? O brasileiro, embora esteja ganhando mais, prolongue seu tempo de estudo e ascenda a um status desejado, ele não tem controlado suas dívidas (ALMEIDA, CORDEIRO E FIGUEIREDO, 2013). Reconhecendo a necessidade de se desenvolver a poupança previdenciária e melhorar o entendimento dos indivíduos sobre os produtos financeiros, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) criou o Financial Education Project para estudar a educação financeira e propor programas aos seus países-membros (OCDE, 2004). Pesquisas realizadas pela OCDE, nos seus não-membros, originaram recomendações e princípios enumerados no Quadro 1. Quadro 1 - Princípios da Educação Financeira 34 1. A Educação Financeira deve ser promovida de uma forma justa e sem vieses, ou seja, o desenvolvimento das competências financeiras dos indivíduos precisa ser embasado em informações e instruções apropriadas, livres de interesses particulares. 2. Os programas de Educação Financeira devem focar as prioridades de cada país, isto é, estar adequados à realidade nacional, podendo incluir, em seu conteúdo, aspectos básicos de um planejamento financeiro, como as decisões de poupança, de endividamento, de contratação de seguros, bem como conceitos elementares de matemática e de economia. Os indivíduos que estão para se aposentar devem estar cientes da necessidade de avaliar a situação de seus planos de pensão, necessitando agir apropriadamente para defender seus interesses. 3. O processo de Educação Financeira deve ser considerado pelos órgãos administrativos e legais de um país, como um instrumento para o crescimento e estabilidade econômica, sendo necessário que se busque complementar o papel que é exercido pela regulamentação do sistema financeiro e pelas leis de proteção ao consumidor. 4. O envolvimento das instituições financeiras no processo de Educação Financeira deve ser estimulado, de tal forma que a adotem como parte integrante de suas práticas de relacionamento com seus clientes, provendo informações financeiras que estimulem a compreensão de suas decisões, principalmente, nos compromissos de longo prazo e naqueles que comprometem expressivamente a renda atual e futura de seus consumidores. 5. A Educação Financeira deve ser um processo contínuo, acompanhando a evolução dos mercados, e a complexidade crescente das informações que os caracterizam. 6. Por meio da mídia, devem ser veiculadas campanhas nacionais que estimulem a compreensão dos indivíduos quanto à necessidade de buscarem o auto desenvolvimento financeiro, bem como o conhecimento dos riscos envolvidos nas suas decisões financeiras. Além disso, precisam ser criados sites específicos, oferecendo informações gratuitas e de utilidade pública. 7. A Educação Financeira deve começar na escola. É recomendável que as pessoas se insiram no processo, o quanto antes. 8. As instituições financeiras devem ser incentivadas a certificar que os clientes leiam e compreendam todas as informações disponibilizadas, em específico, quando for relacionado aos compromissos de longo prazo, ou aos serviços financeiros cujas conseqüências financeiras são de grande magnitude. 9. Os programas de Educação Financeira devem focar particularmente aspectos importantes do planejamento financeiro pessoal, como a poupança e aposentadoria, o endividamento, e a contratação de seguros. 10. Os programas devem ser orientados para a construção da competência financeira, devendo ser adequados a grupos específicos, e elaborados da forma mais personalizada possível. Fonte: OCDE (2004). 35 Conclui-se, então, que salários mais altos e a ampliação do sistema educacional não resolvem sozinhos os problemas de endividamento do brasileiro. É necessário implantar programas e ações de educação financeira nas escolas, nas empresas e, até mesmo, nos bancos, para que o consumidor esteja atento aos seus gastos, consiga planejar melhor suas compras e viva em condições econômicas equilibradas. Estudos anteriores mostram que a inserção de programas de educação financeira desperta no indivíduo a aptidão de poupar e organizar suas finanças (BRAUNSTEIN; WELCH, 2002; MANDELL, 2005). 2.3 Consumo e Endividamento O estímulo ao consumo é constante, e a tomada de decisão do consumidor é influenciada externamente e internamente. Segundo Silva (1995), tal influência se revela principalmente através de promoções de marketing que formam uma tentativa direta do vendedor de alcançar, informar ou persuadir os consumidores para a aquisição de bens e serviços. O marketing pode influenciar na compra desnecessária de artigos e serviços e provocar dificuldades financeiras. As influências internas, representadas pelo campo psicológico, afetam a tomada de decisão do consumidor, esse campo é constituído de: motivação, personalidade, percepção, aprendizagem e atitudes. Da mesma forma surge forte influência das entidades como bancos, cooperativas de crédito e demais financeiras. Estes, na ânsia de aumentarem seus lucros, expandiram a facilidade de acesso ao crédito para pessoas físicas e empresas. Segundo Rodrigues (2004), os bancos praticamente dobraram as opções de crédito para diferentes tomadores de empréstimo, estendendo as vantagens do crédito pessoal préaprovado a todos os seus clientes, alguns com mais regalias. Os bancos estão transformando pessoas portadoras de uma elevada renda mensal em clientes com privilégios, dessa forma aumentam a tentação ao endividamento. Isso eleva aos clientes as opções de endividamento, sendo que estes podem adquirir o seu crédito através do Internet Banking, terminais eletrônicos da instituição financeira ou até mesmo por telefone. Existe uma distância considerável entre a informação que o banco oferece obrigatória e espontaneamente aos consumidores e as que estes últimos necessitam, solicitam e efetivamente obtêm e usam, gerando grande carência de informação por parte dos clientes. Ademais o consumidor de serviços bancários, que muitas vezes não é preparado para assimilar as informações oferecidas, acaba por incorrer em despesas que ele ignora ou para as quais não estava atento, mas que comprometem 36 negativamente sua renda (RODRIGUES, 2004, p. 25). Katona (1975) em seu estudo declara que existem três razões que explicam por que uma pessoa pode gastar mais do que ganha: (i) baixa renda, de modo que nem sequer é coberto despesas essenciais, (ii) alta renda, combinada com um forte desejo de gastar, e (iii) uma falta de vontade para economizar (independentemente da renda). Seu estudo é relevante, pois discute a origem dos problemas de crédito não somente a partir de fatores econômicos e financeiros, mas também, por motivações psicológicas e comportamentais. As necessidades dos seres humanos são insaciáveis, uma vez que nem todas podem ser inteiramente satisfeitas. Adicionalmente, a plena satisfação do consumidor é cercada por seu limitado poder de compra. Na realidade, grande quantidade de pessoas deseja muitas coisas que não pode adquirir. Assim, os consumidores devem escolher entre bens que precisam ter e os que podem ficar fora de seu plano de consumo (CARVALHO, 2000, p. 28). Segundo Martins (2004, p.52), “a necessidade de ostentar e a vaidade excessiva são emoções que conduzem as pessoas a fazer gastos exagerados na hora errada, de maneira impensada e abusiva, transformando-a numa máquina de destruir dinheiro”. Esses fatores são determinantes para que aconteçam diversos problemas financeiros, sendo que isso ocorre tanto com pessoas de baixa renda e até mesmo com pessoas ricas, que acabam quebrando posteriormente. O que chama a atenção no estudo elaborado por Almeida, Cordeiro e Figueiredo (2013) é o fato de que, no mesmo período em que as taxas de analfabetismo tenham regredido, a renda familiar per capita tenha tomado o caminho oposto, aumentando seus percentuais. Como as pessoas não conseguem quitar suas dívidas se estão com melhores condições econômicas e mais indivíduos da família recebem educação? De acordo com Macedo Jr. (2007), a população brasileira enfrenta problemas para administrar suas dívidas e adquirir bens. Com melhores condições econômicas, as pessoas buscam consumir produtos e serviços que possam lhe proporcionar qualidade de vida. Dentre essa população, destacam-se as classes C e D, que ocupam uma posição de destaque na economia brasileira (DANTAS et al., 2011). Com o aumento do consumo outro fator que se torna presente na vida dos indivíduos são as obrigações financeiras. De acordo com Fiorentini (2004), muitos são os fatores que levam o consumidor ao endividamento, tais como dificuldade financeira pessoal, que impossibilita o cumprimento de suas obrigações, desemprego, falta de controle nos gastos, 37 compras para terceiros, atraso de salário, comprometimento da renda com despesas supérfluas, redução da renda, doenças, má fé. Tudo isso se torna ainda mais intenso em épocas de crise econômica do país. Conforme pesquisa elaborada com os servidos técnicos administrativos da Universidade Federal de Viçosa concluiu-se que: A renda e a escolaridade estão inversamente relacionadas ao endividamento, ou seja, quanto maior a renda, menor o endividamento e quanto maior o nível de escolaridade menor o nível de dívidas. A idade não teve correlação com o endividamento. A baixa intensidade de correlação das variáveis demográficas com o endividamento indica que pode haver inúmeras outras variáveis que influencia o nível de contração de dívidas, além das descritas acima (CLAUDINO et al, 2009, p. 13). O mau endividamento na maioria dos casos é decorrente da falta de planejamento financeiro. É por isso que muitos indivíduos, principalmente casais se apavoram em determinados momentos da vida. Cada vez mais, jovens se casam, assumem orçamentos maiores decorrentes da união a dois e passam a ver suas receitas comprometidas com as contas da casa. Como se não bastasse o aumento das despesas, pode ocorrer também à chegada de um filho, fase na qual o planejamento é imprescindível (CERBASI, 2009). O endividamento e a inadimplência devem ser evitados a todo custo, e o ideal é adiar decisões de compras que não sejam compatíveis com o orçamento. Uma vez endividado ou inadimplente, o primeiro passo é realmente assumir tal situação e tomar consciência de que serão necessários alguns esforços extras para liquidar as dívidas, para depois de vencido este desafio, passar a economizar e aplicar os recursos. Os esforço extras citados dizem respeito à alguns cortes no orçamento, como despesas supérfluas e gestos com lazer, até que a situação se normalize e seja possível reorganizar as contas (PIAIA, 2008, p.68). São considerados inadimplentes consumidores cujas contas estão atrasadas há mais de 90 dias. De acordo com estudo feito em parceria entre a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), dos consumidores inadimplentes no Brasil, 47% têm renda familiar entre R$ 906 e R$ 2.200 mensais e compõem a chamada classe C (EXAME, 2012). A pesquisa também mostra que 22% das pessoas consideradas inadimplentes têm empréstimos contratados no sistema bancário e 17% destes estão usando o “cheque especial” nos bancos. 38 Entre os anos de 2000 e 2008, a porcentagem de inadimplentes no cheque especial pulou de 3% para 10% do crédito disponibilizado. No cartão crédito, os números assustam: a porcentagem inadimplente pulou de 2,5% para quase 25% de todo crédito concedido. Tais dados sugerem a possibilidade de deterioração das finanças familiares brasileiras (FONSECA; MURAMATSU, 2008). Ainda segundo o que informa a reportagem no site VALOR (2014), pesquisa realizada pela Febraban - Federação Brasileira de Bancos - aponta que crescimento de 13,7% do crédito neste ano de 2014. Para 2015, as estimativas para o crédito total são de crescimento de 13%, sendo 11,5% com recursos livres e 16,5% com recursos obrigatórios. Considerando apenas as operações com recursos de livre aplicação pelos bancos, a inadimplência esperada neste ano é de 5%, abaixo dos 5,1% da pesquisa anterior, mas ainda um pouco acima dos 4,8% de 2013. No ano que vem, a expectativa é de que o nível de calotes volte a 4,8%. A pesquisa mostrou ainda que o crédito para as empresas deva crescer 11,1% em 2014 e 12,4% em 2015. Para as famílias, a expansão esperada é de 9,9% neste ano e 10,2% no próximo. "Em pessoa física, ainda espera-se recuperação em veículos, após estagnação em 2013, mas o desempenho seguirá mais forte no crédito pessoal (inclui consignado)", informou a entidade. 39 3 METODOLOGIA Nesta etapa apresenta-se a classificação da pesquisa, os sujeitos da pesquisa, o detalhamento da coleta dos dados e a análise e interpretação dos dados, possibilitando um maior entendimento do desenvolvimento deste estudo. 3.1 Classificação da Pesquisa Quanto à natureza, esta pesquisa é aplicada, pois gerou conhecimentos para a aplicação prática, solucionando problemas específicos da realidade. Envolve verdades e interesses locais. A fonte das questões de pesquisa é centrada em problemas e preocupações das pessoas e o propósito é oferecer soluções potenciais para os problemas humanos. (GIL, 1999). Quanto à abordagem da investigação, segundo Rasia, Teixeira e Zamberlan (2009), esta ocorreu de forma quantiqualitativa, pois a pesquisa quantitativa considera que tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir em números as opiniões e informações e assim classificá-las e analisá-las. A pesquisa qualitativa defende que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. (RASIA; TEIXEIRA; ZAMBERLAN, 2009), Quanto aos objetivos, a pesquisa foi classificada como descritiva, pois “os estudos descritivos possibilitam identificar as diferentes formas dos fenômenos, sua ordenação, classificação, explicação das relações de causa e efeito dos mesmos, o que leva à obtenção de uma melhor compreensão do comportamento de diversos fatores e elementos que influenciam determinado fenômeno” (OLIVEIRA, 1997, p. 116). Quanto aos procedimentos técnicos (GIL, 2002) a investigação ocorreu de forma bibliográfica, documental, de campo e por levantamento de dados (Survey). Bibliográfica, pois abrange todo o referencial teórico já tornado público em relação ao tema de estudo, como publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, material cartográfico, meios de comunicação orais (rádio e gravações em fita magnética) e audiovisuais (filmes e televisão) (LAKATOS; MARCONI, 2002). 40 “A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente” (GIL, 2002, p. 45) Documental porque de modo geral, “são documentos e/ou materiais que ainda não foram analisados, mas que, de acordo com a questão e objetivos da pesquisa, podem ter valor científico” (GIL, 2002 p. 118). Lakatos e Marconi (2003) asseguram ainda que a principal característica desta pesquisa, é que a fonte de dados está restrita a documentos escritos ou não, constituindo o que se determina fontes primárias. Pesquisa de campo, pois esta estratégia de pesquisa procurou muito mais o aprofundamento das questões propostas do que a distribuição das características da população, segundo determinadas variáveis (GIL, 2002). Para Lakatos e Marconi (2003) a pesquisa de campo é aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese, que se queira comprovar, ou ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles. Levantamento de dados, pois permite ao pesquisador realizar uma sondagem de opinião pública sobre um determinado tema de estudo. Assim, “as pesquisas deste tipo caracterizam-se pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer”. Procede-se, basicamente, à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas sobre o problema estudado. Em seguida, mediante análise quantitativa, obtêm-se as conclusões correspondentes aos dados coletados (Gil, 2002, p. 50). 3.2 Sujeitos da Pesquisa e Universo Amostral O universo amostral desta pesquisa se constituiu pelos munícipes crissiumalenses, mais precisamente homens e mulheres correspondentes as seguintes faixas etárias: jovens de 20 a 24 anos e adultos de 45 a 54 anos. Totalizando assim um universo amostral de 2911 indivíduos, conforme consta na pirâmide etária municipal (IBGE, 2013). Sendo este um universo finito, para o calculo da amostra foi considerada uma margem de erro de 5%. O nível de confiança utilizado foi de 95,5% - 2 e a porcentagem pelo qual o fenômeno se verifica (p. q; onde q= 100- p), a possibilidade e chance de resposta foi de 50% (50.50), uma vez que no âmbito das pesquisas de mercado é utilizada esta porcentagem. 41 Considerando estes elementos foi utilizada a fórmula abaixo, descrita por Luchesa e Chaves Neto (2011): n= ∂².p.q .N/e².(N-1)+ ∂².p.q. Onde: N= universo, n=amostra que será calculada, ∂=nível de confiança, e= erro amostral, p.q=porcentagem pelo qual o fenômeno ocorre. Resolvendo-a encontramos o seguinte resultado: n = (2)².50.50.2911 29.110.000 = (5)².(2911-1)+(2)².50.50 = 352 82.750 Chegando então à amostra ideal de 352 questionários. A classificação da amostragem é a não-Probabilística por conveniência, sendo que estas são amostragens em que há uma escolha deliberada dos elementos da amostra, depende dos critérios e julgamento do pesquisador. Segunda Malhotra (2011, p.36) “a amostra não probabilística por conveniência procura obter uma amostra de elementos convenientes. A seleção das unidades amostrais é deixada em grande parte a cargo do entrevistador. Não raramente os entrevistados são escolhidos, pois se encontram no lugar exato no momento certo.” Foram entregues 370 questionários no período de fevereiro a março de 2014, sendo 320 em vias impressas e os outros 50 por vias online, como redes sociais e emails. Deste montante voltaram 301 questionários respondidos, os quais foram tabulados e posteriormente analisados. 3.3 Detalhamento da Coleta de Dados A coleta dos dados seguiu alguns meios de obtenção da informação. Para a realização da pesquisa bibliográfica, a busca foi feita por meio de dados secundários. Segundo Lakatos e Marconi (2003) estes dados podem ser encontrados na imprensa escrita, (jornais e revistas), 42 meios audiovisuais (rádio, filmes e televisão), material cartográfico (mapas e afins) e por fim por meio de publicações, que são os livros, teses e monografias. A coleta dos dados da pesquisa documental englobou as fontes estatísticas. Para Gil (2002) as fontes de coleta da pesquisa documental são bastante diversificadas e dispersas. Desta forma, o presente estudo abordará apenas os documentos chamados de segunda mão, que de alguma forma já foram analisados, tais como: relatórios de pesquisa e tabelas estatísticas. Os resultados da pesquisa de campo e do levantamento de dados foram encontrados por meio de um questionário respondido pelos sujeitos da pesquisa. Segundo Lakatos e Marconi (2002) o questionário é um instrumento de coleta de dados constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do pesquisador. O mesmo foi distribuído por meio de vias impressas, bem como pela coleta de dados online, através de contatos por redes sociais e de questionários enviados por email. Este questionário caracteriza-se como fechado, pois possui perguntas onde o entrevistado faz escolhas, ou pondera, diante de alternativas apresentadas, características as quais a autora Vergara (2007) atribui a um questionário fechado. O modelo do questionário consta no Apêndice A e foi previamente elaborado pela acadêmica com perguntas estruturadas. Conforme Richardson (1989), as perguntas estruturadas (fechadas) possibilitam uma fácil codificação, reduzem o tempo de aplicação e facilitam o preenchimento do questionário. 3.4 Análise e Interpretação dos Dados Os dados foram tratados por meio de métodos estatísticos, pois envolveram a análise quantitativa e também pela Análise de Conteúdo, que abrange a análise qualitativa. Através dos dados coletados, foram descritas as informações obtidas, bem como a colocação da análise seguindo de alternativas, segundo Bardin (1995, p.42) Análise de conteúdo é o conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, através de procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam inferir conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens. 43 Na análise por métodos estatísticos é preciso relacionar os dados quantificáveis. Isso foi feito através da tabulação das informações coletadas, a fim de analisar dados financeiros e demográficos e também para o cálculo de médias e porcentagens O processamento e a análise dos dados quantitativos foram desenvolvidos através de dois métodos, pela planilha de dados Excel e pela Análise Fatorial Exploratória, com o auxílio do software Statistical for the Social Science Package (SPSS). A Análise Fatorial é uma das técnicas multivariadas mais conhecidas e tem sido muito utilizada em casos como: identificação do perfil dos consumidores ou os fatores que os levam a comprar; análise do posicionamento de produtos e serviços perante os concorrentes de mercado; elaboração de índices diferenciados de qualidade, entre outros. (MINGOTI, 2007). Conforme Corrar, Paulo e Dias Filho (2009, p.74) a análise fatorial é uma técnica estatística que busca, através da avaliação de um conjunto de variáveis, a identificação de dimensões de variabilidade comuns existentes em um conjunto de fenômenos. O intuito é desvendar estruturas existentes, mas que não observáveis diretamente. Cada uma dessas dimensões de variabilidade comum recebe o nome de fator. Resumidamente, a análise fatorial tem como um de seus principais objetivos tentar descrever um conjunto de variáveis originais através da criação de um número menor de dimensões ou fatores. Mais precisamente será utilizada a modalidade de análise fatorial chamada de exploratória, pois não exige o conhecimento prévio da relação de dependência entre as variáveis, ou seja, o pesquisador não tem certeza de que as variáveis possuem uma estrutura de relacionamento, nem se essa estrutura pode ser interpretada de forma coerente. (CORRAR; PAULO; DIAS FILHO, 2009). 44 4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Este capítulo apresenta a caracterização do município objeto de estudo e os resultados alcançados com a pesquisa lançada aos munícipes. 4.1 Caracterização do Município O Município de Crissiumal está localizado no extremo Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, na região do Alto Uruguai. Conforme os dados mais recentes fornecidos pelo IBGE (2013), o município possui uma área de 362,150 km² e uma população estimada de 14.360 habitantes, sendo que 56,5 % destes vivem na zona rural. O município conta com três agências bancárias e três unidades de cooperativas de crédito. Dados do IBGE (2012) informam que o município possui R$ 3.499.522,00 investidos no depósito à prazo e RS 32.538.856,00 aplicados na conta poupança. As operações de crédito totalizam um montante de R$ 77.154.532,00. Os depósitos à vista, ou seja, os recursos deixados em conta corrente somam R$ 5.947.720,00. A distância do município em relação à capital (Porto Alegre) é de 511 km e está delimitada pelos seguintes municípios: ao Norte pela república da Argentina e Tiradentes do Sul; ao Sul, Humaitá e Nova Candelária; a Leste, Três Passos e Humaitá; a Oeste, Horizontina e Dr. Maurício Cardoso. A força da economia do município tem origem na área de serviços/comércio, seguido pela agropecuária (PIB do serviço e comércio é de 49% e agropecuária 29%); 83,4% da população possui renda de até R$ 830,00 (oitocentos e trinta reais), superior ao estado, onde 53,8% da população recebe até R$ 830,00 (oitocentos e trinta reais) (Secretaria Municipal da Agricultura, 2013). Crissiumal é um nome que deriva de "criciúma" tipo de junco abundante no local. Povoado, principalmente por elementos de origem germânica, a agricultura, a suinocultura e outras atividades tomam tal impulso que já em 1954, desmembrando-se de Três Passos, Crissiumal se constitui em município. Economia baseada nas pequenas propriedades rurais, que geraram os projetos de Agroindústrias do Pacto Fonte Nova e do Via Lácteo. Crissiumal conta com o programa municipal de desenvolvimento agroindustrial - Pacto Fonte Nova que visa transformar as propriedades rurais em verdadeiros empreendimentos, evitando assim ao máximo o êxodo 45 rural e criando oportunidades no interior. Este programa que é reconhecido internacionalmente foi elogiado por diversas personalidades do Brasil e do mundo. Na atividade agropecuária se destaca a produção leiteira. Com uma produção diária de mais de 70.000 litros, Crissiumal já foi considerado maior produtor de leite do estado. O presente estudo foi feito considerando algumas faixas etárias específicas, conforme a figura 1. Homens e mulheres correspondentes a idade de 20 à 24 anos e de 45 à 54 anos. Figura 1 - Distribuição da População de Crissiumal-RS Fonte: IBGE, 2013 4.2 Perfil dos Entrevistados Para análise do perfil dos entrevistados, os mesmos foram interrogados quanto à faixa etária, estado civil, área de profissão, nível de escolaridade e rendimentos. O gráfico 1 apresenta a faixa etária da amostra, onde percebe-se que 50% dos indivíduos pertencem a faixa etária de 20 a 24 anos, 30% à faixa de 45 a 49 anos e os 20% restantes fazem parte do nível de idade de 50 a 54 anos. 46 Gráfico 1- Faixa Etária 90 30% 61 20% 150 50% 20 a 24 anos 45 a 49 anos 50 a 54 anos Fonte: Dados da Pesquisa Conforme dados apresentados na tabela 1, considerando o estado civil dos entrevistados, a maioria deles são solteiros ou casados, 44,19% e 43,52% respectivamente. Os demais respondentes são 6,98% separados, 0,66% viúvos e 4,65% responderam união estável. Tabela 1 - Estado Civil Estado Civil Quantidade % Solteiro 133 44,19% Casado 131 43,52% Separado 21 6,98% Viúvo 2 0,66% Outros: União Estável 14 4,65% Fonte: Dados da Pesquisa Quanto ao quesito renda pessoal, há uma predominância de crissiumalenses recebendo salários entre R$ 500,00 à R$ 1.500,00, mais precisamente 55% dos entrevistados, acima da média do estado que é de R$ 830,00. O percentual restante se divide em 25% com salários variando entre R$ 1.600,00 a R$ 2.500,00, 11% na faixa de R$ 2.600,00 à R$ 3.500,00, 4% com rendimentos entre R$ 3.600,00 à R$ 5.000,00, outros 4% com renda mensal máxima de R$ 500,00 e uma parcela mínima, correspondente à apenas 1%, que são os trabalhadores melhores remunerados, com salários que ultrapassam a margem dos R$ 5.000,00, conforme demonstra o gráfico 2. 47 Gráfico 2 - Renda Pessoal 74 25% 32 11% 167 55% 13 4% 3 12 1% 4% Até R$500,00 De R$500,00 a R$1.500,00 De R$1.600,00 a R$2.500,00 De R$2.600,00 a R$3.500,00 De R$3.600,00 a R$ 5.000,00 Acima de R$5.000,00 Fonte: Dados da Pesquisa A tabela 2 apresenta os diversos setores que empregam os entrevistados. Ao setor público cabe a maior parcela, 39,87%, seguida pelo comércio que corresponde à aproximadamente 25% e os serviços que totalizam 17,28%. Os profissionais liberais somam 5,65% dos respondentes, a indústria 5,32%, os agricultores 4,32% e os aposentados e pensionistas do INSS 2,99%. Tabela 2 - Área de Atuação Profissional Área da Profissão Quantidade % Indústria 16 5,32% Comércio 74 24,58% Atividade Rural 13 4,32% Setor Público 120 39,87% Benefício INSS 9 2,99% Serviços 52 17,28% Profissional Liberal 17 5,65% Fonte: Dados da Pesquisa Quanto ao nível de escolaridade, os índices mais evidenciados foram o de ensino médio completo, com 74 respondentes e ensino superior incompleto com 91 respondentes. No ensino superior, o total foi de 49 pessoas, 45 indivíduos formam o nível de pós graduação, 23 possuem ensino fundamental incompleto, 13 ensino médio incompleto, 3 com ensino fundamental completo e 3 que responderam ter como escolaridade ensino por meio de curso técnico. Os dados apresentados podem ser observados no gráfico 3. 48 Gráfico 3 - Nível de Escolaridade 91 74 49 23 13 3 Fund. Incomp. Fund. Completo 45 3 Médio Médio Incomp. Completo Superior Superior Pós Incomp. Completo Graduado Outro: Curso Técnico Fonte: Dados da Pesquisa 4.3 Comportamento Financeiro Conhecer a dinâmica do dinheiro e dos bens materiais é fundamental para conquistar, aumentar e manter a prosperidade financeira, pessoal e profissional. Nesse sentido é que a amostra selecionada foi indagada sobre determinados fatores e decisões financeiras que fazem parte do seu dia-a-dia. Os gráficos 4 e 5 apresentam resultados aparentemente similares, mas que geram informações com dados diferentes. O gráfico 4 apresenta o resultado do questionamento quanto às prioridades dos indivíduos na utilização do salário. Gráfico 4 - Prioridades na utilização do salário 17% 11% 15% 10% 14% 9% 4% 20% Alimentação Habitação Lazer Saúde Educação Transporte Investimentos Outros Fonte: Dados da Pesquisa 49 Conforme os dados obtidos na pesquisa, a prioridade dos moradores crissiumalenses numa escala de 1 à 8, conforme grau de importância é a alimentação com 20%, seguida da saúde com 17% e da educação com 15%. As prioridades médias são a habitação com 14%, lazer com 11% e transporte com 10%. Como prioridades mínimas, seguindo uma ordem de preferência, têm-se os investimentos com 9% e a opção outros com 4%. O gráfico 5 remete à informações pertinentes ao que a pessoa realmente gasta, considerando que nem tudo aquilo que é prioridade desprende valores do bolso. Ou seja, são dados sobre os gastos reais que a pessoa desembolsa no mês. Gráfico 5 - Gastos na utilização do salário 14% 14% 12% 12% 9% 5% 15% 19% Alimentação Habitação Lazer Saúde Educação Transporte Investimentos Outros Fonte: Dados da Pesquisa Semelhante às prioridades dos munícipes estudados, a alimentação é também o item principal no que se refere aos gastos, assim para 19% dos respondentes este é o fator de maior impacto no orçamento familiar mensal. Habitação é o segundo item mais assinalado, totalizando 15%. Considerando que atualmente as pessoas estão se importando mais com a qualidade de vida, o lazer aparece em terceiro lugar nas classificações com 12%. Seguido da saúde e da educação, ambas com 14%. O transporte aparece em sexto lugar com 12%. Por fim os investimentos em sétimo lugar com 9%, e a opção outro por último com 5% Após conhecer as prioridades e a ordem dos principais gastos do indivíduo da cidade de Crissiumal, a proposta foi analisar o comportamento financeiro dos mesmos. Para isso foram questionados quanto à existência ou não de um método de controle de suas finanças pessoais. Conforme dados apresentados no gráfico 6, 212 pessoas responderam 50 positivamente, que sim se utilizam de algum método de controle, as outras 89 informaram que não possuem forma alguma de controle. Gráfico 6 - Controle dos Gastos Fonte: Dados da Pesquisa A todo o momento o indivíduo tem que tomar decisões financeiras que podem impactar consideravelmente na sua vida pessoal. Não tendo um método de controle a probabilidade e o risco de tomar decisões incompatíveis com a realidade são maiores. Para Martins (2004) a incapacidade de ler e entender demonstrações financeiras são responsáveis por fracassos e por erros que podem ser fatais. Os métodos de controles utilizados pelos 212 indivíduos que responderam positivamente estão destacados no gráfico 7. Percebe-se que a maioria deles, mais precisamente 83%, opta pelo método mais simples e convencional, utilizando o controle manual (papel) como recurso. Enquanto, 13% controlam suas entradas e desembolsos por meio de planilhas eletrônicas. Em menor quantidade, 2%, utilizam um método mais avançado de controle, o software específico para acompanhamento das finanças pessoais. E os 2% restantes responderam que utilizam outro método de controle. Gráfico 7 - Método de Controle 176 83% 28 13% 3 2% Controle Manual (Papel) Fonte: Dados da Pesquisa Planilha Eletrônica 5 2% Software Outro 51 O controle pode ser feito em várias periodicidades, quanto mais curto o intervalo de tempo, mais satisfatórios poderão ser os resultados. O correto seria analisá-lo diariamente, pois permite repassar constantemente os valores a receber e a pagar, como também, os lançamentos das movimentações financeiras são feitos instantaneamente, tornando o índice de esquecimento praticamente nulo. Conforme apresenta o gráfico 8, esse perfil é o que obteve menos adeptos, apenas 17 pessoas realizam o seu controle dia-a-dia. Semanalmente, são 46 pessoas que registram seus controles de entradas e desembolsos. A grande maioria se utiliza do controle mensal, mais precisamente 148 pessoas. Isso tende a demonstrar que a maioria das pessoas controla as suas finanças somente no momento do recebimento do seu salário Gráfico 8 - Periodicidade do Controle 148 46 17 1 Diário Semanal Mensal Outro Fonte: Dados da Pesquisa A questão 11 do Apêndice A interrogou a amostra selecionada quanto à porcentagem dos rendimentos mensais consideradas sobras de recursos. Conforme a tabela 3, grande quantidade dos respondentes alega ter sobras nulas no mês, totalizando 23,59% dos respondentes. 35,55% conseguem fazer sobrar uma pequena parte dos seus rendimentos, cerca de 5% à 10%. Um pouco mais econômicos, cerca de 8% dos entrevistados guardam de 11 à 15% das suas entradas. Outros 10,30% guardam de 16 à 20%. Há quem vá mais além, estes podem ser considerados bom poupadores, são os 12,29% que resguardam 21% ou mais do seu salário. Cerca de 10% das pessoas questionadas afirmam não saber a porcentagem de sobra do seu salário, confirmando assim a falta de controle das suas finanças pessoais. 52 Tabela 3 - Porcentagem de Sobra do Salário % Sobra de Salário Quantidade % 0% 71 23,59% 5 a 10% 107 35,55% 11 a 15% 24 7,97% 16 a 20% 31 10,30% 21% ou mais 37 12,29% Não sei 31 10,30% Fonte: Dados da Pesquisa Os que responderam possuir sobras no mês foram questionados quanto à destinação das suas sobras, Conforme o gráfico 9, é possível verificar que a maioria, 82%, opta por um caminho de menor retorno, porém também de menor risco, que é a caderneta de poupança. Cerca de 5% dos respondentes aplicam seus excedentes no CDB, que é um fundo de investimento com maior rendimento que a caderneta de poupança e com risco de mesma intensidade. Um pouco mais ousados e em menor quantidade, 2% dos entrevistados destinam seus recursos em ações na bolsa de valores. Os 11% restantes encaminham suas sobras para outros meios não especificados. Gráfico 9 - Destinação das possíveis sobras 188 82% 25 11% Caderneta de Poupança Bolsa de Valores CDI/CDB 6 2% 11 5% Outro: Fonte: Dados da Pesquisa Paralela às questões sobre sobras e investimentos, a questão 13 traz outro extremo, o fator comprometimento com dívidas, assim 191 pessoas afirmam não possuir recursos emprestados de instituições financeiras. Os outros 110 indivíduos interrogados afirmam possuir recursos provenientes de bancos e afins. 53 Gráfico 10 - Possui Empréstimos Fonte: Dados da Pesquisa A tabela 4 evidencia os resultados quanto à porcentagem de endividamento sobre o salário. Sendo assim, 63% afirmam possuir endividamento zero. 14% comprometem em até 10% seu salário no pagamento de parcelas sobre capital emprestado. Cerca de 8% compromete 11% a 20% e outros 8,% compromissa de 21% a 30% em empréstimos e financiamentos. 7% obtiveram em algum momento dinheiro emprestado de alguma instituição, somando 31% ou mais do seu salário mensal. Tabela 4 - Porcentagem de Endividamento sobre Salário % de Endividamento Quantidade % 0% 191 63% Até 10% 41 14% 11% a 20% 25 8% 21% à 30% 23 8% 31% ou mais 21 7% Fonte: Dados da Pesquisa Conforme a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de Janeiro de 2014 realizada pela CNC – Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, os dados sobre o endividamento do consumidor brasileiro traçam uma linha contrária ao comportamento do munícipe crissiumalense. O percentual de famílias com dívidas aumentou em janeiro de 2014 ante ao mês anterior. Na comparação com o mesmo período de 2013, também houve alta em relação a dezembro e ligeira queda em relação ao mesmo período de 2013. O percentual de famílias que relataram ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro 54 alcançou 63,4% em janeiro de 2014, aumentando em relação aos 62,2% observados em dezembro de 2013, como também em relação aos 60,2% de janeiro de 2013. Quando questionados quanto à similaridade do comportamento financeiro ao de seus pais, os resultados não foram irregulares. Como demonstra o gráfico 11, um total de 179 pessoas afirma que sim, possui comportamento semelhante ao de seus genitores. Os outros 122 respondentes construíram seus métodos de controle financeiro por outras maneiras. Gráfico 11- Comportamento Financeiro similar ao dos Pais Fonte: Dados da Pesquisa Com a finalidade de analisar o comportamento preventivo dos entrevistados que possuem filhos, os mesmos foram questionados se guardam ou não recursos para os seus herdeiros. O gráfico 12 demonstra que 51% dos entrevistados não possuem filhos. Dos que possuem, a maioria destina parte de seus recursos para uma reserva, cerca de 31%. Os outros 18% tem filhos, porém não costumam reservar valores. Gráfico 12 - Guarda Recursos para os Filhos 152 51% 55 18% 94 31% Tem filho e guarda Tem filho e não guarda Não Tenho Filhos Fonte: Dados da Pesquisa Em um último momento os munícipes crissiumalenses foram indagados quanto às principais formas de pagamento das suas compras. Os resultados estão apresentados na tabela 55 5, onde o modo mais utilizado é o tradicional pagamento por dinheiro, totalizando quase 75% das respostas da questão 17 do Apêndice A. A segunda forma mais utilizada é o cartão de crédito com 12,96% seguida do cartão de débito com 6,98%. O método menos utilizado é o crédito lojista com 5,65%. Tabela 5 - Forma de Pagamento de Compras Forma de Pagamento de Compras Quantidade % Dinheiro 224 74,42% Crédito Lojista 17 5,65% Cartão de Crédito 39 12,96% Cartão de Débito 21 6,98% Fonte: Dados da Pesquisa Percebe-se com isso, a predominância do pagamento em dinheiro na pequena cidade de Crissiumal, o que diverge de alguns dados nacionais, pois no Brasil existe crescimento do uso do cartão de crédito. Segundo Luca (2014) o faturamento dos cartões de crédito e débito cresceu no país nada menos do que 210% em sete anos. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, o volume passou de R$ 265,9 bilhões para R$ 826,9 bilhões, entre 2007 e 2013. No crédito o faturamento foi de R$ 534 bilhões e no débito R$ 293 bilhões, o que significa crescimento, respectivamente, de 14,7% e 23,4% em relação ao ano anterior. 4.4 Resultados da Análise Fatorial A análise fatorial segundo Favero et al (2009, p. 236) “é uma técnica que busca identificar um numero relativamente pequeno de fatores comuns que podem ser utilizados para representar relações entre um grande número de variáveis inter relacionadas.” A técnica buscou no estudo verificar quantos fatores há no modelo e o que eles representam, embora nomeá-los não seja uma tarefa objetiva. Conforme Favero et al (2009) a análise fatorial é baseada nas correlações entre as variáveis, de modo que os valores devem se apresentar significativos, ou seja, maior igual a 0.30 para justificar a utilização da técnica. Os dados da pesquisa quanto às suas correlações estão evidenciados na tabela 6. 56 Tabela 6 - Correlação Correlação Faixa Etária Est. Civil Renda Instrução Prioridades Gastos Controle Periodicid. % Endivid. Rec. Filhos Faixa Etária 1,000 ,350 ,443 Estado Civil ,350 1,000 Renda Inst. Priorid. Gastos 1,000 ,503 ,503 1,000 Controle Period 1,000 -,783 -,783 1,000 % Endiv ,443 1,000 ,367 ,367 1,000 Rec. Filho -,720 -,430 -,447 -,786 -,720 -,430 -,447 1,000 Fonte: Statistical for the Social Science Package (SPSS) Tomando como referência a carga fatorial mínima de 0,30 para interpretação de cada fator, as seguintes questões pareceram mais adequadas. A questão idade está diretamente relacionada com estado civil e renda pessoal, sendo que apresentou carga fatorial superior a 0,30. A renda pessoal correlacionada com o grau de instrução com carga de 0,367. As prioridades na utilização de seus salários estão relacionadas com os gastos reais na utilização do salário com carga de 0,50. A utilização de algum método de controle e a periodicidade desse controle com carga de 0,783. Quem guarda recursos financeiros para os filhos tem correlação com idade, estado civil e renda pessoal. As outras questões apresentaram correlações abaixo de 0,30, mas em função da comunalidade apresentada ser significativa elas não foram retiradas da pesquisa. A proporção da variância que é explicada pelo fator comum é denominada de comunalidade (FAVERO ET AL, 2009). Para obter o resultado da comunalidade no processo da analise fatorial, foi considerada a matriz de correlações das variáveis representada neste estudo na tabela 6. As comunalidade elencadas na tabela 7 trazem as extrações dos valores por variáveis. De acordo com os dados apresentados, a variável que mais explica a pesquisa, são os métodos de controle, que representam 88,6%, a periodicidade dos controles explicada por 85,6%, e a relação dos empréstimos e seu percentual que apresenta explicação em torno de 86%. O item que pior é explicado pelos fatores é a área profissional apresentando 38,9%. Na seqüência todos os itens com percentuais iguais ou maiores a 50% são considerados explicados pelos fatores. 57 Tabela 7 - Comunalidades Comunalidades Inicial Faixa Etária 1,000 Estado Civil 1,000 Renda Pessoal 1,000 Área da Profissão 1,000 Grau de Instrução 1,000 Prioridades do Salário 1,000 Principais Gastos 1,000 Métodos de Controle 1,000 Tipo de Método de Controle 1,000 Periodicidade dos Controles 1,000 Percentual de Sobras do Salário 1,000 Tipo de Investimentos 1,000 Empréstimos 1,000 Percentual de Empréstimos 1,000 Comportamento Similar aos pais 1,000 Guarda Recursos para os filhos 1,000 Fonte: Statistical for the Social Science Package (SPSS) Extração 0,706 0,483 0,698 0,389 0,456 0,695 0,638 0,886 0,464 0,856 0,574 0,414 0,869 0,865 0,675 0,741 Cabe salientar a questão idade objetivo da pesquisa é fator explicativo na pesquisa, pois representa 70,6%, assim como a renda pessoal próximo a 70%. Foi realizado o teste de esfericidade de Bartlett para avaliar a hipótese de que a matriz das correlações pode ser a matriz de identidade com determinante igual a 1 (FAVERO ET AL, 2009). A estatística KMO – Kaiser Meyer Olkin avaliou a adequação da amostra quanto ao grau de correlação parcial das variáveis, que deve ser pequeno, ou seja, quanto mais próximo a 1 mais adequada a utilização da técnica. (FAVERO ET AL, 2009). Tabela 8 - Teste de KMO e Bartlett Teste de KMO e Bartlett Medida Kaiser-Meyer-Olkin de adequação de amostragem. Aprox. Qui-quadrado Teste de esfericidade de Bartlett DF Sig. Fonte: Statistical for the Social Science Package (SPSS) 0,567 1178,036 120 0,000 Para verificar a adequação de efetuar uma analise fatorial e confirmar a comunalidade apresentada na tabela 7 e o conjunto de itens desta medida, foi plenamente corroborado: KMO = 0,56 e Teste de Esfericidade de Bartlett, = 1178,036, p < 0,001, ou seja, os fatores explicam 56% da pesquisa. Outro teste da análise fatorial é a matriz anti imagem que contem os valores negativos das correlações parciais, e é uma forma de obter indícios acerca da necessidade de eliminação de determinada variável do modelo, quanto maior o valor melhor (FAVERO ET AL, 2009). 58 O percentual de variância explicada pelos fatores foi elencado na tabela 9, onde 65,06% do comportamento da população é explicado pelas suas prioridades na utilização do salário, pois o fator com maior percentual de variância explicativa é o grau de instrução com 56,94%. Ou seja, são os fatores maiores que 50%. Tabela 9 - Percentual de Variância explicativa pelos fatores Somas de extração de carregamentos ao quadrado Componente % de % % de % Total Total variância cumulativa variância cumulativa 1 2,687 16,795 16,795 2,687 16,795 16,795 2 2,050 12,814 29,609 2,050 12,814 29,609 3 1,930 12,063 41,673 1,930 12,063 41,673 4 1,514 9,465 51,138 1,514 9,465 51,138 5 1,174 7,340 58,478 1,174 7,340 58,478 6 1,054 6,589 65,067 1,054 6,589 65,067 Somas rotativas de carregamentos ao quadrado % de % Total variância cumulativa 2,438 15,237 15,237 1,877 11,734 26,971 1,849 11,556 38,527 1,646 10,287 48,814 1,301 8,128 56,942 1,300 8,125 65,067 Valores próprios iniciais Fonte: Statistical for the Social Science Package (SPSS) Conforme Favero et al (2009) a análise fatorial exploratória é uma técnica que não cabe a generalização de seus resultados, mas os fatores proporcionam serem utilizados com imputs em muitas outras técnicas, assim com o propósito de atingir o objetivo proposto em consonância com os dados apresentados na análise fatorial foi realizado tratamento dos dados por meio de excell o cruzamento das variáveis consideradas relevantes . 4.5 Análise Comparativa dos Resultados O que se percebe na tabela 10 é de que os maiores índices de sobra de salário pertencem aos jovens, 6,6% dos jovens poupadores conseguem reservar no mínimo 21% do seu salário, contra 5,6% dos adultos. Os adultos só levam vantagem em índices menores de reserva, como por exemplo, 5% à 10% de sobra, totalizando aproximadamente 20% dos respondentes nas faixas etárias de 45 à 54 anos. Tabela 10 - Faixa Etária X % Sobra Salário Faixa Etária X % Sobra 20 a 24 anos 45 a 54 anos 20 a 24 anos 45 à 54 anos 0% 34 37 11,3% 12,3% 5 a 10% 47 60 15,6% 19,9% 11 a 15% 13 11 4,3% 3,7% 16 a 20% 17 14 5,6% 4,7% 21% ou mais 20 17 6,6% 5,6% 19 12 6,3% 4,0% Não sei Fonte: Dados da Pesquisa 59 Consegue-se desprender da tabela que nos percentuais de sobra entre 11% ou mais, os jovens levam vantagem. Considera-se ainda que este comportamento dos jovens é similar ao comportamento financeiro de seus pais, pois conforme aponta o gráfico 11, aproximadamente 60% dos entrevistados afirmaram que seguem a conduta financeira de seus pais. A proporção dos que investem seus recursos na caderneta de poupança é relativamente igual entre jovens e adultos, 39,1% e 42,6% respectivamente. Quanto ao investimento em uma modalidade de maior risco e por conseqüência maior retorno que é a Bolsa de Valores, os jovens levam uma boa vantagem como se pode ver na tabela 11, onde 5 deles afirmam investir suas sobras em ações, já dos adultos respondentes, apenas 1 informou destinar seus recursos para esta finalidade. Tabela 11 - Faixa Etária X Destino das Sobras Faixa Etária X Destino Sobras 20 a 24 anos 45 a 54 anos 20 a 24 anos 45 a 54 anos Caderneta de Poupança 90 98 39,1% 42,6% Bolsa de Valores 5 1 2,2% 0,4% CDI/CDB 6 5 2,6% 2,2% 15 10 6,5% 4,3% Outro: Fonte: Dados da Pesquisa O CDI/CDB é uma modalidade de destinação das sobras que não variou consideravelmente na relação com a faixa etária. Os jovens aplicadores correspondem à uma parcela de 2,6%, os adultos totalizam 2,2%. Os demais respondentes afirmam designar suas sobras à outros meios que consideram mais lucrativos, ou até mais seguros. A relação entre faixa etária e controle dos gastos diagnosticou que os adultos possuem mais assiduidade no controle dos gastos que os jovens, onde 38,20% deles possuem controles contra 32,20% dos jovens. O método de controle que os adultos mais utilizam são os controles manuais, realizando o seu fluxo de caixa de forma manuscrita. Este é método mais utilizado também pelos jovens totalizando 24,9% conforme apontam os dados da tabela 12. Tabela 12 - Faixa Etária X Controle de Gastos Faixa Etária X Controle 20 a 24 anos 45 a 54 anos 20 a 24 anos 45 a 54 anos Não 53 36 17,6% 12,0% Sim 97 115 32,2% 38,2% Controle Manual (Papel) 75 101 24,9% 33,6% Planilha Eletrônica 21 7 7,0% 2,3% Software 1 4 0,3% 1,3% 0 3 0,0% 1,0% Outro Fonte: Dados da Pesquisa 60 O método de controle registrado por meio de uma planilha de dados eletrônicos é utilizado em sua maioria pelos jovens, totalizando 7%. Dos adultos que controlam suas finanças, 2,3% afirmam controlar suas entradas, desembolsos e provisões por este método. O software é o recurso mais completo, porém o menos utilizado. Apenas 5 pessoas da amostra total o utilizam, sendo destes, 4 adultos e apenas 1 jovem. 3 adultos informam que se utilizam de outro método não especificado. Tabela 13 - Faixa Etária X Empréstimo e Endividamento Faixa Etária X Empréstimos e Endividamento Não 20 a 24 anos 45 a 54 anos 20 a 24 anos 45 a 54 anos 103 88 34,2% 29,2% Sim 47 63 15,6% 20,9% Até 10% 16 25 5,3% 8,3% 11% a 20% 12 13 4,0% 4,3% 21% à 30% 6 17 2,0% 5,6% 13 8 4,3% 2,7% 31% ou mais Fonte: Dados da Pesquisa A tabela 13 demonstra a relação de faixa etária com a incidência de empréstimo e endividamento. Observa-se que os adultos crissiumalenses são mais endividados que os jovens. Do total da amostra endividada, os adultos correspondem à um total de 20,90%, enquanto os jovens somam 15,6%. Em todos os níveis de endividamento os adultos possuem índices mais elevados. Somente no nível de 31% ou mais de dívidas em relação ao salário é que os jovens superam os percentuais, onde 4,3% corresponde à faixa etária de 20 à 24 anos e 2,7% à faixa etária de 45 à 54 anos. Este mesmo comportamento se confirma em um estudo realizado por Ribeiro et al (2009), onde os jovens acadêmicos do Curso de Administração, são pouco propensos ao endividamento e conseguem gastar menos do que ganham, economizando parte de sua renda mensal. Enquanto que o estudo de Ponchio (2006) apontou que pessoas mais velhas apresentam menor probabilidade de assumir dívidas e quanto menor o grau de instrução do indivíduo, maior é sua tendência de assumir carnês. Além da realização de comparativos por níveis de idade, considerou-se necessário estabelecer parâmetros entre os rendimentos pessoais com outras variáveis apresentadas nas tabelas a seguir. O que se conclui no comparativo entre a renda pessoal com as sobras de salário é de que os que menos poupam são os que possuem salários variando de R$ 500,00 à R$ 1.500,00. 61 Os que mais conseguem guardar recursos, conforme aponta a tabela 14 são os trabalhadores com ganhos mensais de R$ 1.600,00 à R$ 2.500,00, os mesmos conseguem guardar no mínimo 21% do seu salário. Tabela 14 - Renda Pessoal X % de Sobra de Salário Renda Pessoal X % Sobra Salário 0% Até R$500 1,7% R$500 a R$1.500 11,3% R$1.600 a R$2.500 7,0% R$2.600 a R$3.500 3,0% R$3.600 a R$ 5.000 0,7% Acima de R$5.000 0,0% 5 a 10% 1,3% 19,9% 7,6% 5,0% 1,7% 0,0% 11 a 15% 0,0% 6,3% 1,3% 0,3% 0,0% 0,0% 16 a 20% 0,3% 5,6% 2,0% 1,7% 0,7% 0,0% 21% ou mais 0,0% 4,0% 5,6% 0,7% 1,3% 0,7% 0,7% 8,3% 1,0% 0,0% 0,0% 0,3% Não sei Fonte: Dados da Pesquisa Conclui-se ainda que os ganhos mensais são proporcionais a quantidade de sobra, ou seja, quem possui renda maior consegue poupar mais, e vice-versa. Estes resultados são confirmados onde os assalariados que ganham um salário máximo de R$ 500,00 não conseguem economizar mais do que 20% do seu salário. Na linha contrária estão os munícipes melhores remunerados com rendimentos mensais superiores à R$ 5.000,00. Este fato pode estar relacionado também com os gastos e prioridades elencados por grande parte dos questionados nos gráficos 4 e 5. Sendo que os itens mais evidenciados são as variáveis de necessidade básica como alimentação, habitação, saúde e educação. Isto reforça a idéia de que quem recebe um salário baixo acaba gastando praticamente a sua totalidade em itens de sobrevivência, não havendo a possibilidade de recursos excedentes para aplicação. Figueiras (2013) em uma de suas reportagens na Revista Exame descreve que os brasileiros poupam pouco, e quando poupam aplicam mal seus recursos. Isso decorre de fatos relacionados à preguiça, pois se tem por costume aplicar as sobras no banco em que se recebe o salário. Sendo que este muitas vezes é o caminho que menos traz lucratividade, pois pode ter taxas atreladas, os retornos são parcos e ainda pode haver centenas de alternativas disponíveis. O perfil do investidor crissiumalense segue esse mesmo padrão. A tabela 15 apresenta dados sobre a destinação das sobras, e o que se percebe é que mais de 80% dos entrevistados aplicam seus recursos na caderneta de poupança, que é a opção menos rentável entre as variáveis apresentadas. E conclui-se ainda que as decisões sobre os fundos de investimento não possuem relação com a faixa etária. Diferente do esperado as pessoas com ganhos maiores também aplicam seus recursos na caderneta de poupança. 62 Tabela 15 - Renda Pessoal X Destino das Sobras Renda Pessoal X Destino/Sobras Até R$500 R$500 a R$1.500 R$1.600 à R$2.500 R$2.600 à R$3.500 R$3.600 à R$5.000 Acima de R$5.000 Poupança 2,6% 47,4% 19,6% 7,0% 3,9% 1,3% Bolsa de Valores 0,0% 2,6% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% CDI/CDB 0,0% 0,9% 2,6% 1,3% 0,0% 0,0% 0,4% Outro: Fonte: Dados da Pesquisa 7,0% 0,9% 1,7% 0,9% 0,0% Os únicos que afirmam investir recursos em fundos mais rentáveis e também de maior risco como a bolsa de valores são os assalariados médios, com entradas de R$ 500,00 a R$ 1.500,00 mensais. O fundo de aplicação CDI/CDB é uma opção utilizada por trabalhadores entre as faixas salariais de R$ 500,00 à R$ 3.500,00. Considerando-se a relação entre a renda pessoal com o controle das finanças afirma-se que a existência de controle de gastos é maior do que a não existência deles em quase todas as faixas de renda. A única exceção é dos munícipes com menor remuneração – Até R$ 500,00 -, onde a incidência dos que não controlam as finanças supera a dos controladores. Mesmo sendo o método de controle mais simplificado, o controle manual é a ferramenta que mais possui adeptos no município de Crissiumal, independentemente da sua renda pessoal. Tabela 16 - Renda Pessoal X Controle de Gastos Renda Pessoal X Controle de gastos Não Até R$500 2,3% R$500 a R$1.500 16,6% R$1.600 a R$2.500 7,3% R$2.600 a R$3.500 2,0% R$3.600 a R$ 5.000 1,3% Acima de R$5.000 0,0% Sim 1,7% 38,9% 17,3% 8,6% 3,0% 1,0% Controle Manual 1,3% 34,2% 12,0% 7,6% 2,3% 1,0% Planilha Eletrônica 0,3% 4,7% 3,3% 0,3% 0,7% 0,0% Software 0,0% 0,0% 1,0% 0,7% 0,0% 0,0% Outro Fonte: Dados da Pesquisa 0,0% 0,0% 1,0% 0,0% 0,0% 0,0% Um dado que se confirmou nesta pesquisa é de que os indivíduos melhores remunerados não se utilizam de ferramentas de controles mais completas, como planilhas eletrônicas e softwares. Esse fato pode estar relacionado ao que Gonçalves (2013) considera como sendo um processo de adequação, pois as ferramentas elaboradas como softwares e planilhas podem dificultar o processo inicial (farão do controle financeiro algo mais complexo do que a 63 realidade), desmotivando o indivíduo a cultivar esse hábito tão importante para alcançar sua plena saúde financeira. Para Gonçalves (2013) a sugestão é que o sujeito somente deverá considerar sistemas mais completos depois que já tiver adquirido o hábito de gerenciar e observar a própria situação financeira. O que se pode afirmar na relação de renda pessoal com as obrigações financeiras e respectivo endividamento é de que as pessoas que possuem a menor e a maior faixa de renda pessoal não possuem considerável endividamento. Os níveis mais elevados de endividamento pertencem aos assalariados que recebem entre R$ 500,00 à R$ 1.500,00, totalizando 16,9% da amostra. Estes dados podem ser visualizados na tabela 17. Tabela 17 - Renda Pessoal X Empréstimos e % de Endividamento Renda Pessoal X Possui empréstimos Não Até R$500 3,3% R$500 a R$1.500 38,5% R$1.600 a R$2.500 13,3% R$2.600 a R$3.500 4,7% R$3.600 a R$ 5.000 2,7% Acima de R$5.000 1,0% Sim 0,7% 16,9% 11,3% 6,0% 1,7% 0,0% Até 10% 0,0% 6,0% 3,3% 3,0% 1,3% 0,0% 11% a 20% 0,0% 4,0% 3,3% 1,0% 0,0% 0,0% 21% à 30% 0,3% 3,3% 2,3% 1,3% 0,3% 0,0% 31% ou mais 0,3% 3,7% 2,3% 0,7% 0,0% 0,0% Fonte: Dados da Pesquisa 4.6 Proposição de modelos para controle financeiro Conforme a tabulação dos dados, 89 pessoas responderam que não se utilizam de métodos de controle. Desta forma como sugestão inicial para este tipo de comportamento financeiro é proposto na figura 2, um modelo, onde constam os campos de lançamento como data, descrição, entrada ou saída de valor e o saldo. O controle manual por mais simples que seja permite ao indivíduo ver seus gastos no papel, analisar se foram realmente necessários, e caso contrário procurar eliminá-los. Permite ainda saber o valor do saldo e o quanto ainda se pode gastar. É recomendável que seja feito também um controle das provisões de pagamento ao longo dos meses seguintes. Este recurso tem como finalidade a conferência da situação, se a obrigação foi liquidada ou não, controlando para que as contas sejam sempre pagas em dia, a fim de não gerar possíveis encargos financeiros. Os que controlam suas finanças por meios manuais, terão domínio para avançar seus controles com a ajuda de planilhas eletrônicas. Podem utilizar o Excel, através da elaboração 64 de um arquivo personalizado, ou ainda fazer o download de modelos pré estabelecidos na internet. Figura 2 - Modelo de Controle Manual Fonte: Autora (2014). A vantagem dos sistemas eletrônicos de dados é de que os mesmos comportam o armazenamento dos registros e ainda permitem a realização de comparativos dos meses anteriores com o atual. Figura 3 - Planilha Eletrônica de Finanças Pessoais Fonte: Bovespa (2014) 65 As planilhas eletrônicas são a maneira mais prática que as pessoas que desejam utilizar um método mais avançado de controle possuem ao seu alcance. A maior parte dessas pessoas possui computadores, que por sua vez já possuem esta ferramenta agregada ao sistema. O bom êxito deste método depende muito da determinação de cada individuo, o mesmo deve comprometer-se em lançar as despesas e receitas a cada vez que as mesmas forem efetivadas. A figura 3 é a representação de um modelo pronto de controle eletrônico elaborado pela Bovespa e sugerido aos internautas pela revista Exame. O mesmo apresenta algumas variáveis de receitas, possíveis investimentos, despesas e os meses de referência. Calcula automaticamente o somatório dos gastos e rendimentos agilizando o tempo daqueles que a utilizam. Mais completo e sofisticado que o método acima mencionado, o software de finanças pessoais traz inúmeras vantagens. Começando pelo lançamento das movimentações financeiras, onde a usuário repassa informações como data da operação, valor, descrição da movimentação e categoria. Figura 4 - Controle de Caixa em Software de Finanças Pessoais Fonte: Orçamento Pessoal (2013). 66 Conforme a figura 4, as categorias são criadas conforme a necessidade do usuário, como por exemplo, alimentação, despesas com carro, plano de saúde e outros que a pessoa julgar necessário. Nesse caso foi utilizado como modelo o software “Orçamento Pessoal 2013” considerado de fácil aplicabilidade e entendimento. O mesmo pode ser encontrado na internet em páginas de download. Conforme dados apontados na pesquisa, apenas 2% de toda a amostra selecionada respondeu que se utiliza de um software para seu controle pessoal. Outra vantagem no uso de um software é o controle de contas a pagar e receber como mostra a figura 5, o mesmo traz os vencimentos diários e o respectivo saldo. Para que seja altamente eficaz, o usuário deverá acessá-lo todos os dias e acompanhar se há existência ou não de dívidas a serem quitadas. Esse acompanhamento irá facilitar a vida daqueles que eventualmente pagam adicionais financeiros como juros e multas por fatos como esquecimento ou prestações feitas sem planejamento. Figura 5 - Contas a Pagar e Receber em Software de Finanças Pessoais Fonte: Elaborado pela Autora 67 Os controles são talvez o maior diferencial que este sistema oferece. Através de relatórios a pessoa poderá controlar, por exemplo, as contas pagas por categoria. Assim, conseguirá analisar em detalhes quais os principais gastos e onde se alocam. Se forem as despesas variáveis que estão muito elevadas, deverão elas ser diminuídas ou até eliminadas. O consumidor terá que ter se conscientizar se quiser conservar um bom andamento financeiro pessoal. A figura 6 retrata um comportamento de consumidor baseado especialmente em gastos variáveis, sendo que estes podem ser manipulados conforme a realidade financeira do indivíduo. A mesma figura reporta aos demais relatórios disponíveis no software Orçamento Pessoal 2013. Figura 6 - Relatórios de Controle em Software de Finanças Pessoais Fonte: Orçamento Pessoal (2013). Seguindo alguns dos modelos de controle citados anteriormente, o risco de entrar no grupo dos endividados é menor, entretanto a hipótese de se tornar um investidor torna-se mais evidente. Controladas as finanças, os índices de sobra de salário aumentam. Nesse sentido um cálculo muito simples é elaborado. Se um investidor guardar R$ 100,00 por mês por um período de cinco anos e aplicálos em uma modalidade de CDB com juro aproximado de 0,70% a.m. obterá ao final do tempo um montante de R$ 7.476.78. Em um pequeno espaço de tempo e com uma pequena parcela de recursos retidos o investidor irá aumentar em 50% seu capital inicial. Estendendo esta mesma simulação para um período de 10 anos o investidor obterá no final um saldo de R$ 18.839.51. 68 Aplicar recursos é também uma boa proposta aos pais que desejam garantir um bom futuro para os filhos. Dados da pesquisa informam que 63% dos respondentes que possuem filhos, já adotam o hábito de poupar. 37% afirmam não aplicar recursos para os filhos. Considerando isto, outra simulação é elaborada. Aplicando um valor mínimo de R$ 50,00 mensais, com taxa de juro de 0,70% a.m., pelo período de 18 anos – tempo para o filho atingir a maioridade – acumulará ao final R$ 25.261,06. Estas propostas provam que com um pequeno esforço mensal e com a diminuição de gastos supérfluos é possível ter uma vida financeira saudável. É necessário aplicar os valores mensais e “esquecer” que eles existem, ou seja, utilizá-los somente em casos de emergência ou de investimentos. Seguindo comportamentos similares a este, a probabilidade de entrar na lista dos endividados é mínima. Segundo Educar Finanças (2012) tem-se quatro passos para um bom planejamento financeiro pessoal, que conforme dados obtidos no estudo, podem auxiliar no processo de educação financeira: 1º - Reunir a família para analisar a situação financeira e fixar metas. É importante que a família estabeleça um plano de metas, dizendo em que precisa investir seu dinheiro, a curto, médio e longo prazo. 2º - Anotar as despesas e separar o dinheiro. Definidas as metas, o próximo passo é anotar durante um mês, diariamente, tudo o que se gastou. É bom reservar 5 minutos do dia para fazer isto. É um ritual que pode ajudar a apontar os excessos e as mudanças que podem ser feitas. 3º - Elaborar o orçamento doméstico. Conhecidas as despesas mensais, o próximo passo é elaborar um orçamento mensal, podendo assim, chegar a alguns resultados que poderão ser analisados para futuras providências. 4º - Comparar as receitas e despesas reais com o orçamento realizado, para verificar três situações: ganhos superiores aos gastos; ganhos iguais aos gastos (equilíbrio) e ganhos inferiores aos gastos. 69 CONCLUSÃO Na busca da gestão financeira pessoal, a classe estudada demonstrou seguir estratégias aleatórias, sem um aprofundamento de conhecimento ou de utilização de orientador capacitado (personal finance) para gerir e orientar a acumulação de bens e valores que irão formar o patrimônio individual que é o objetivo primário do planejamento financeiro. As questões abordadas na pesquisa para aplicação do questionário são fatores relevantes e tem relação entre si, conforme evidenciado na análise fatorial, visto que as questões, de renda mensal, faixa etária, prioridades com os gastos e controles afetam diretamente os resultados financeiros dos indivíduos. A partir disso, desprende-se do texto que os adultos crissiumalenses controlam mais seus gastos do que os jovens, porém são estes mesmos que possuem um maior nível de endividamento. Esta não seria a seqüência ideal dos fatos, afinal quem controla as próprias finanças deveria ter um menor índice de obrigações financeiras. Este fato isolado pode estar acontecendo em decorrência de controles manuais mal executados. Os adultos possuem ainda sobras menores, este dado pode estar relacionado com o fato de que muitos pais trabalham para ajudar no crescimento de seus filhos. Com este cenário apresentado, muitas vezes dificulta a reserva de parte do salário para alguma linha de investimento. No caso dos jovens pouparem mais pode estar relacionado com o fato de que muitos deles ainda residem com seus pais e possuem poucos gastos fixos. Destaca-se da pesquisa que os ganhos mensais são proporcionais a quantidade de sobras, ou seja, quem possui renda maior consegue poupar mais, e vice-versa. Quanto ao endividamento 65% dos respondentes afirmam estar isentos de obrigações em instituições financeiras. Os 35% restantes possuem determinado grau de endividamento. Diante deste cenário pode-se alegar que as pessoas que possuem a menor e a maior faixa de renda pessoal não possuem considerável endividamento. Concluiu-se também que 30% da amostra selecionada não é adepta à utilização de métodos de controle. Os 70% que são simpatizantes às ferramentas de controle utilizam em sua maioria o controle manual. Diante disso percebe-se que existe uma menor aceitação das ferramentas melhores elaboradas, como planilhas eletrônicas e softwares especializados em finanças pessoais. 70 Os munícipes estudados utilizam como forma de pagamento em sua grande maioria o dinheiro. Esse é um dado que traça uma linha inversa quanto ao comportamento do consumidor à nível de Brasil. Esse dado pode ter sido encontrado pelo fato de Crissiumal-RS ser uma cidade de menor população, bem como pelo fato de o próprio comércio local não incentivar o uso do “dinheiro de plástico”. Sendo que esta é uma forma muito mais segura, e que garante o recebimento do valor da compra no momento da confirmação do pagamento. Para finalizar este estudo, foi levado em conta que muitos dos respondentes ainda não se utilizam de ferramentas que auxiliem no controle financeiro pessoal. Considerando os indivíduos deste cenário, foi elaborada uma seqüência de modelos de controle financeiros, desde métodos mais simplificados como o controle manual, como também planilhas eletrônicas e softwares de finanças pessoais. Reforça-se que os resultados desta pesquisa envolvem parte da população de Crissiumal, não podendo generalizar a pesquisa para outras faixas etárias. Como sugestão para estudos posteriores, fica a proposta de análise de outras faixas etárias, como por exemplo, jovens e idosos. Sugere-se ainda analisar o perfil do comportamento financeiro pessoal a nível de região. Conforme a obtenção dos resultados for acontecendo, recomenda-se a realização de seminários e grupos de estudo sobre a educação financeira, oferecendo de modo geral à população. Estes seminários poderão dar suporte principalmente à consumidores endividados e que já passaram por alguma crise financeira ao longo dos anos. Seria uma forma de auxílio para os indivíduos que possuem dificuldades em lidar com suas próprias finanças. Propondo assim novos métodos de controle, e após realizar a mensuração dos ganhos obtidos através da análise do comportamento financeiro pessoal. 71 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, Liliane Matias; CORDEIRO, Rafaela Almeida; FIGUEIREDO, Julio Cesar Bastos. Classe Média Brasileira: Mais Dinheiro e Menos Dívidas, Sonho ou Realidade. IV Encontro de Administração Política. Vitória da Conquista – BA, 2013. ASSAF NETO, Alexandre; LIMA, Fabiano G. Curso de Administração Financeira. 1ª ed. São Paulo: Atlas, 2009. BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Per sona, 1979. BCB. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/pre/bc_atende/port/servicos6.asp#4>. Acesso em 05 de outubro de 2013. BITENCOURT, Cleusa M G. Finanças pessoais versus Finanças Empresariais. Porto, Alegre, 2004. 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( ) 45 a 49 anos ( ) 50 a 54 anos ( ) Casado ( ) Separado ( ) Viúvo ( ) Outros______________ Renda Pessoal ( ) Até R$500 ( ) De R$500 a R$1.500 ( ) De R$1.600 a R$2.500 ( ) De R$2.600 a R$3.500 ( ) De R$3.600 a R$ 5.000 ( ) Acima de R$5.000 4. Área da Profissão ( ) Indústria ( ) Comércio ( ) Atividade Rural Serviços ( ) Profissional Liberal 5. ( ) Setor Público ( ) Benefício INSS ( ) Grau de instrução: ( ) Ensino Fundamental incompleto ( ) Ensino Fundamental completo ( ) Ensino médio incompleto ( ) Ensino Médio Completo ( ) Ensino superior incompleto Completo ( ) Pós Graduado ( ) Outro _________________ ( ) Ensino Superior 78 6 Quais suas PRIORIDADES na utilização do salário (Elencar de 1 a 8 conforme o grau de prioridade 1- principal, 2- secundário, 3 ...) ( ) Alimentação ( ) Habitação ( ) Lazer ( ) Saúde ( ) Educação ( ) Transporte ( ) Investimentos ( ) Outros 7 Quais seus principais GASTOS na utilização do salário (Elencar de 1 a 8 conforme o grau de importância: 1- principal, 2-secundário, 3 ...) ( ) Alimentação ( ) Habitação ( ) Lazer ( ) Saúde ( ) Educação ( ) Transporte ( ) Investimentos ( ) Outros 8 Se utiliza de algum método de controle de orçamento? ( ) Sim 9 ( ) Não Se a resposta da questão 8 for afirmativa, qual o método utilizado para este controle? ( ) Controle Manual (Papel) ( ) Planilha Eletrônica 10 ( ) 0% 12 ( ) Semanal ( ) Sim 14 ( ) 0% mais ( ) Mensal ( ) Outro: ________________ Qual a porcentagem da sobra do seu salário no final do mês? ( )5 a 10% ( )11 a 15% ( )16 a 20% ( ) 21% ou mais ( ) Não sei Esta sobra é destinada à qual tipo de investimento ( ) Caderneta de Poupança 13 Outro: _________ Com qual periodicidade este controle é feito? ( ) Diário 11 ( ) Software ( )Bolsa de Valores ( ) CDI/CDB Outro: __________ Possui recursos emprestados provenientes de alguma Instituição Financeira? ( ) Não Se sim, qual a porcentagem de endividamento sobre os seus ganhos mensais? ( ) Até 10% ( )11% a 20% ( ) 21% à 30% ( ) 31% ou 79 15 Você segue comportamentos financeiros similares aos de seus pais? ( ) Sim 16 ( ) Não Tem filho(s)? Guarda recursos financeiros pensando no futuro dele(s)? ( ) Sim tenho filho(s) e guardo recursos ( ) Sim tenho filho(s), porém não guardo recursos ( ) Não Tenho Filhos 17 Você costuma pagar suas compras com: ( ) Dinheiro ( ) Crédito Lojista ( ) Cartão de Crédito ( ) Cartão de Débito