INSTITUTO CIENTÍFICO DE ENSINO SUPERIOR E PESQUISA CURSO DE PEDAGOGIA – ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL O ORIENTADOR EDUCACIONAL NO ATENDIMENTO A JOVENS E ADULTOS: UM ESTUDO DA EJA NO DISTRITO FEDERAL TARCIENE FARIAS RÉGIS DA SILVA BRASÍLIA – DF, NOVEMBRO DE 2003. INSTITUTO CIENTÍFICO DE ENSINO SUPERIOR E PESQUISA CURSO DE PEDAGOGIA – ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL 10 O ORIENTADOR EDUCACIONAL NO ATENDIMENTO A JOVENS E ADULTOS: UM ESTUDO DA EJA NO DISTRITO FEDERAL TARCIENE FARIAS RÉGIS DA SILVA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao ICESP, no Curso de Pedagogia – Orientação Educacional, como requisito para a obtenção do título de Pedagogo, sob orientação da professora Edlamar Maria de Fátima Clauss. BRASÍLIA – DF, NOVEMBRO DE 2003. 11 PEDAGOGIA – ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL COMISSÃO AVALIADORA EDLAMAR MARIA DE FÁTIMA CLAUSS PROFESSORA ORIENTADORA JOÃO MARCELO BARBOSA RIBEIRO DANTAS PROFESSOR AVALIADOR MARISA HOZANA PROFESSORA AVALIADORA RESULTADO Aprovado Reprovado DATA: ______________________ 12 Dedico a todos que contribuíram efetivamente para a conclusão deste trabalho. 13 Agradeço a Deus, que sem Ele nada poderia ter alcançado. Agradeço ao meu esposo, que mesmo em seu silêncio ajudou-me a crescer. Agradeço à minha filha, que apesar da pouca idade proporcionou-me novas e maravilhosas experiências. Agradeço aos meus pais, o ‘meu porto seguro’ nos momentos difíceis. E à minha irmã Ana pela constante ajuda. Agradeço à professora Edlamar, que esteve sempre disposta a ajudar-me. Enfim, agradeço a todos familiares, colegas, professores, que nas mais diversas situações auxiliaram-me na obtenção dessa conquista. A todos, os meus sinceros agradecimentos. 14 “Uma das condições fundamentais é tornar possível o que não parece possível. A gente tem que lutar para tornar possível o que ainda não é possível. Isto faz parte da tarefa histórica de redesenhar e reconstruir o mundo”. Paulo Freire RESUMO A pesquisa tem como objeto de estudo o desempenho do Orientador Educacional no atendimento a jovens e adultos; um estudo da EJA no Distrito Federal. Esta investigação pretende identificar as dificuldades que o orientador educacional enfrenta para o atendimento adequado da clientela da Educação de Jovens e Adultos. Tais dificuldades decorrem pela ausência do mapeamento das características psicossociais do jovem e adulto que se encontram nos bancos escolares. Portanto, a presente pesquisa tem como objetivo principal o de analisar o perfil psicossocial de jovens e adultos como pré-requisito no atendimento qualitativo do Orientador Educacional. Esta pesquisa caracteriza-se por ser um estudo exploratório com a utilização do método de abordagem hipotéticodedutivo, e dos métodos de procedimento: comparativo e o estatístico. A amostra é composta por 27 alunos das fases 1 e 2 da EJA de uma escola pública do Distrito Federal. Os resultados obtidos demonstram o perfil de uma clientela de características específicas com motivações e expectativas interligadas com a necessidade de melhorar as condições de vida. O estudo demonstra que se trata de um público, que na grande maioria é composto por jovens, mulheres também que desejam prosseguir os estudos. Portanto, o Orientador Educacional precisa levar em consideração a peculiaridade do público da EJA, para que possa trabalhar efetivamente como articulador no ambiente escolar. 15 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico - 1 Distribuição dos respondentes de acordo com o sexo.................................43 Gráfico 2 - Distribuição dos respondentes de acordo com a faixa etária.......................44 Gráfico 3 - Distribuição dos respondentes de acordo com o estado civil.......................45 Gráfico 4 - Distribuição dos respondentes de acordo com o estado de origem.............47 Gráfico 5 - Distribuição dos respondentes de acordo com o tempo de residência no DF...............................................................................................................................48 Gráfico 6 - Distribuição dos respondentes de acordo com a composição familiar........ 49 Gráfico 7 - Distribuição dos respondentes de acordo com o número de ocupações exercidas........................................................................................................................ .50 Gráfico 8 - Distribuição dos respondentes de acordo com os meios de capacitação profissional para o exercício da primeira ocupação........................................................51 Gráfico 9 - Distribuição dos respondentes de acordo com a faixa etária de ingresso no mercado de trabalho..................................................................................................53 Gráfico 10 - Distribuição dos respondentes de acordo com situação atual de emprego......................................................................................................................... .54 Gráfico 11 - Distribuição dos respondentes de acordo com o número de horas dedicadas às atividades profissionais.............................................................................55 Gráfico 12 - Distribuição dos respondentes de acordo com a profissão que gostaria 16 de exercer.......................................................................................................................57 Gráfico 13 - Distribuição dos respondentes de acordo com o tempo de permanência anterior na escola............................................................................................................58 Gráfico 14 - Distribuição dos respondentes de acordo com o nível de escolaridade que desejam alcançar.....................................................................................................60 Gráfico 15 - Distribuição dos respondentes de acordo com a aspiração de realizar algum curso profissionalizante........................................................................................61 Gráfico 16 - Distribuição dos respondentes de acordo com o curso profissionalizante aspirado.......................................................................................................................... .62 Gráfico 17 - Distribuição dos respondentes de acordo com as possíveis mudanças no desempenho profissional escrita......................63 por meio do domínio da leitura e da 17 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Distribuição dos respondentes de acordo com o sexo.................................42 Tabela 2 – Distribuição dos respondentes de acordo com a faixa etária.......................44 Tabela 3 – Distribuição dos respondentes de acordo com o estado civil......................45 Tabela 4 – Distribuição dos respondentes de acordo com o estado de origem............46 Tabela 5 – Distribuição dos respondentes de acordo com o tempo de residência no DF................................................................................................................................... .47 Tabela 6 – Distribuição dos respondentes de acordo com a composição familiar.........48 Tabela 7 – Distribuição dos respondentes de acordo com o número de ocupações exercidas.......................................................................................................50 Tabela 8 – Distribuição dos respondentes de acordo com os meios de capacitação profissional para o exercício da primeira ocupação........................................................51 Tabela 9 – Distribuição dos respondentes de acordo com a faixa etária de ingresso no mercado de trabalho...................................................................................................52 Tabela 10 – Distribuição dos respondentes de acordo com situação atual de emprego.....................................................................................................................53 Tabela 11 – Distribuição dos respondentes de acordo com o número de horas dedicadas às atividades profissionais.............................................................................54 Tabela 12 – Distribuição dos respondentes de acordo com a profissão que gostaria de exercer..........................................................................................................56 18 Tabela 13 – Distribuição dos respondentes de acordo com tempo de permanência na escola...................................................................................................58 Tabela 14 – Distribuição dos respondentes de acordo com o tempo de permanência na escola...................................................................................................58 Tabela 15 – Distribuição dos respondentes de acordo com a perspectiva de continuação dos estudos................................................................................................59 Tabela 16 – Distribuição dos respondentes de acordo com o nível de escolaridade que desejam alcançar.....................................................................................................59 Tabela 17 – Distribuição dos respondentes de acordo com a aspiração de realizar algum curso profissionalizante........................................................................................61 Tabela 18 – Distribuição dos respondentes de acordo com o curso profissionalizante aspirado .........................................................................................................................62 Tabela 19 – Distribuição dos respondentes de acordo com as possíveis mudanças no desempenho profissional por meio do domínio da leitura e da escrita......................63 19 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO .................................................................................................... 20 CAPÍTULO I.............................................................................................................. 21 OBJETO DE ESTUDO.......................................................................................... 21 CAPÍTULO II............................................................................................................. 23 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: RECORTES HISTÓRICOS IMPORTANTES .................................................................................................... 23 Estado, Educação e Movimentos Populares......................................................... 23 Década de 1990 – Governo Collor e Fernando Henrique Cardoso ...................... 26 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN nos dias atuais e no DF ......................................................................................................................... 28 As concepções sobre a alfabetização para jovens e adultos................................ 30 CAPÍTULO III............................................................................................................ 32 CONCEPÇÕES PSICOLÓGICAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS ... 32 As Aspirações ....................................................................................................... 32 As motivações....................................................................................................... 33 Motivação para a aprendizagem ........................................................................... 35 As expectativas ..................................................................................................... 36 CAPÍTULO IV ........................................................................................................... 38 PERFIL SOCIOLÓGICO DO ALUNO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS .............................................................................................................................. 38 A EJA na América Latina e no Brasil .................................................................... 38 CAPÍTULO V ............................................................................................................ 47 O ORIENTADOR EDUCACIONAL NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS .. 47 ANÁLISE DE DADOS............................................................................................... 51 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................... 73 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 76 ANEXO – QUESTIONÁRIO...................................................................................... 78 20 APRESENTAÇÃO A presente pesquisa ao estudar algumas características do aluno da Educação de Jovens e Adultos (EJA), procurou em primeiro lugar fazer uma breve referência à história da EJA, bem como a história da alfabetização no país, para que assim, pudesse ser realizada uma contextualização do histórico da respectiva clientela, tanto no aspecto histórico como também em relação ao seu percurso até os dias atuais. É importante salientar que ao reconhecer a história da Educação de Jovens e Adultos, possivelmente poderão ser traçados os objetivos, que, conseqüentemente se delinearão em metas a serem trabalhas com a respectiva clientela. Após a contextualização histórica, foram levantadas algumas características psicológicas dos Jovens e Adultos, como as aspirações, as motivações e as expectativas. Sendo aspectos importantes na compreensão e entendimento de como é o plano emocional e afetivo do público da Educação de Jovens e Adultos. Outro fator importante é saber como e quem é o aluno da EJA e qual a sua posição na sociedade. Os aspectos sociológicos, ou seja, as características sociais são outros fatores importantes no conhecimento e reconhecimento do trabalhador que retorna aos estudos fora da idade regular. Apesar de ser difícil traçar um perfil de quem é o aluno da EJA, os tópicos abordados delineiam características gerais desse indivíduo, para que depois de feita a análise, possa vir o Orientador Educacional como agente de apoio, e trabalhando para formar um cidadão cônscio de seus direitos e deveres perante a sociedade. Permitindo que o aluno possa permanecer e dar continuidade aos estudos. Porém o referido trabalho só poderá ser eficiente se o Orientador Educacional estiver voltado ao conhecimento dessa clientela, resgatando aspectos relevantes que são apresentados pelos referidos alunos. Os resultados da pesquisa foram dispostos de forma a conhecer aspectos gerais do aluno da EJA. Como em relação ao gênero, a faixa etária, bem como outros aspectos relevantes para que o Orientador Educacional tenha conhecimento, para estar preparando atividades que condizem com a realidade vivida pelo aluno da Educação de Jovens e Adultos. 21 CAPÍTULO I OBJETO DE ESTUDO Na sociedade atual a escrita é um importante instrumento de sobrevivência, como também um dos meios para a obtenção da cidadania. Porém, em nosso país, existem milhões de pessoas que são privadas desse instrumento, como também da leitura e do cálculo (FERNANDES, 2002). Tais pessoas, mesmo após terem fracassado na escolarização infantil, retornam à escola na fase adulta, e muitas vezes, vivenciando novamente o fracasso escolar. Apesar das poucas pesquisas a respeito da evasão escolar de jovens e adultos¹, é preciso que o Orientador Educacional como um dos agentes de promoção da escola, articule e favoreça uma educação ao alunos com o objetivo de tornar o ambiente escolar num lugar de reflexão e elevação da auto-estima do educando. A presente pesquisa demonstra um estudo sobre o papel do Orientador Educacional no atendimento a jovens e adultos numa escola do Distrito Federal. Desta feita, o problema seria em quais dificuldades que o Orientador Educacional enfrentaria para o atendimento adequado da clientela da Educação de Jovens e Adultos. Cuja resposta estará no decorrer da pesquisa. Mesmo diante das dificuldades que possam surgir, a hipótese seria que o Orientador Educacional ao produzir atividades na EJA deveria anteriormente identificar as características psicossociais dos alunos, proporcionando um trabalho de qualidade e contextualizado de acordo com a realidade sócio-educacional dos respectivos alunos. _________________ 1 – Fonseca (1996 apud FERNANDES, 2002) esclarece que o estudo sobre a evasão escolar de jovens e adultos, ainda não mereceu uma reflexão mais sistematizada e aprofundada, e o tratamento da questão como objeto de estudo é praticamente ausente na literatura e nas pesquisas educacionais. 22 O estudo foi disposto na seguinte ordem: • Educação de Jovens e Adultos: recortes históricos importantes; • Concepções psicológicas na Educação de Jovens e Adultos; • Perfil sociológico do aluno da Educação de Jovens e Adultos; • O Orientador Educacional na Educação de Jovens e Adultos. A pesquisa é caracterizada por ser um estudo exploratório tendo como base fontes bibliográfica que evidenciam as características do alunado da EJA, resgatando aspectos históricos, legais e algumas concepções para a alfabetização para jovens e adultos. Proporcionando ao Orientador esboçar a melhor forma para atuar com alunos pertencentes à classe trabalhadora. O método de abordagem empregado foi o hipotético-dedutivo, com o objetivo de compreender características gerais da população, permitindo um melhor conhecimento para a ação do Orientador Educacional na escola. Os métodos de procedimentos adotados foram o Comparativo e o Estatístico, sendo utilizada como técnica, a aplicação de questionários aos 27 alunos das fases 1 e 2 da EJA/Noturno de uma escola pública no Distrito Federal. 23 CAPÍTULO II EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: RECORTES HISTÓRICOS IMPORTANTES Estado, Educação e Movimentos Populares Haddad (1994) aponta como marco histórico, a década de 40, sendo o período em que o Estado realizou ações concretas no sentido de possibilitar a escolarização dos excluídos da escola. E também foi nessa década que a Educação de Adultos começou a tomar corpo por meio de tais ações. A partir dos altos índices de analfabetismo, em 1945, houve a regulamentação de um Fundo Nacional do Ensino Primário, e que os recursos seriam destinados ao Ensino Supletivo de adolescentes e adultos. Posteriormente, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) preocupada com a situação dessa parte da população nos países que eram considerados atrasados, de certa forma forçou o Ministério da Educação e da Saúde a criar o Serviço de Educação de Adultos em 1947. Ainda em 1947, ocorreu a primeira iniciativa oficial em nível Federal, com a realização da 1ª Campanha Nacional de Alfabetização de Adultos. Logo após, em 1952, foi iniciada a Campanha de Educação Rural e, em 1958, a 2ª Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo. E no mesmo ano, foi realizado no Rio de Janeiro o II Congresso Nacional de Educação de Adultos, onde a preocupação dos educadores não se restringiu ao direito dos adultos à educação, mas enfatizaram a qualidade das práticas pedagógicas até então desenvolvidas na formação do cidadão. Paiva (apud SE/RS, 2000, p. 11) esclarece que: A indispensabilidade da consciência do processo de desenvolvimento por parte do povo e da emersão deste povo na vida 24 pública nacional com interferente em todo o trabalho de elaboração, participação e decisão responsáveis em todos os momentos da vida pública; sugeriam os pernambucanos a revisão dos transplantes que agiram sobre o nosso sistema educativo, a organização de cursos que correspondessem à realidade existencial dos alunos, o desenvolvimento de um trabalho educativo com o homem e não para o homem, a criação de grupos de estudo e de ação dentro do espírito de autogoverno, o desenvolvimento de um mentalidade nova no educador [...] renovação dos métodos e processo educativos, substituindo o discurso pela discussão e utilizando as modernas técnicas de educação de grupos com a ajuda de recursos áudio visuais. Contudo, Rodrigues (2000) afirma que o lugar da educação está no crescimento das organizações populares, pois, a população ao se ver excluída das possibilidades de participação nos processos de decisão e de definição das políticas do Estado brasileiro, tem aumentado cada vez mais a falta de esperança em relação ao seu destino, visando a melhoria das condições de vida. O autor ainda aponta que devido ao fato do Estado não investir efetivamente em alimentação, saúde e educação, a população tomou várias iniciativas capazes de estabelecer um nível de organização que representasse iniciativas para a solução dos seus problemas vitais. Foram crescendo, portanto, organizações provenientes, em especial, “dos setores marginalizados, das organizações das associações de bairros, das associações de favelados e das organizações dos funcionários da mais baixa categoria dos órgãos públicos e privados” (RODRIGUES, 2000, p. 31). Além de encontrarem outras instituições como a Igreja, os movimentos eclesiais de base e os próprios partidos políticos de oposição. Nesse contexto, Haddad (1997) diz que a ausência da atuação do Estado na oferta de Educação de Adultos produziu uma série de atividades produzidas por setores da sociedade civil para que pudesse ser suprida a necessidade. Os quais foram movimentos ligados aos setores assistenciais, à filantropia e aos movimentos sociais organizados, produzindo assim uma gama de experiências inovadoras. 25 Haddad (1994) afirma que, a maioria das ações educativas estimuladas no período anterior ao da repressão, durante os anos 70, vão sendo gradativamente retomadas, por meio dos movimentos sociais, e, junto à população, muitas práticas de organização, mobilização e conscientização vão renascendo. Até a década de 70, muitas iniciativas foram tomadas, destacando-se os programas do MEB – Movimento de Educação de Base, Movimento de Cultura Popular do Recife (1961); Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes; Campanha de Pé no Chão Também se Aprende a Ler – Secretaria de Educação de Natal; e por fim, o Ministério da Educação, em 1964, organizou o último dos programas: Programa Nacional de Alfabetização de Adultos, com inúmeras experiências de alfabetização e de educação de adultos, porém, com o tempo de atividade muito reduzido. A igreja, associações de moradores, organizações de base local e outros espaços comunitários assumem as práticas populares, influenciadas por concepções da Educação Popular e também, por forte intencionalidade política. E a partir de 1969, o Governo Federal organizou o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) e o ensino supletivo. O Mobral foi desenvolvido no território nacional com o objetivo de oferecer alfabetização aos adultos analfabetos, mediante controle federal, centralizado e servindo como meio legitimador da nova ordem política implantada no país (Haddad, 1994). Em 1971, o Ensino Supletivo uniu-se ao Mobral, e tinha como tarefa a escolarização próxima da concepção de Educação Básica. Tal organização foi definida primeiramente pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 5692/71) e continuou a vigorar em traços gerais, na atual LDB Nº 9394/96. Tinha como característica estrutura própria, onde são definidos os objetivos e estabelecidas as formas de atendimento, resguardando, além de tudo, a flexibilidade no currículo. 26 O Mobral foi extinto nacionalmente e substituído pela Fundação Educar em 1985, e a partir de 1986, diversos grupos de Educação Popular puderam ampliar sua atuação em Alfabetização de Adultos, além de outros grupos terem iniciado a organização de projetos em Alfabetização de Adultos, por meio de convênios firmados junto à Fundação Educar, a qual repassava recursos financeiros para a ajuda de custo aos educadores e para a aquisição de material didático. O marco de transição da mudança de concepção de Educação de Adultos ocorre no ano de 1990, em Jomtien, a Conferência Mundial de Educação para Todos, sendo a partir de tal encontro que a EJA começou a ser questionada e assumir a forma dos dias atuais (SE/RS, 2000). Na verdade falar em EJA é falar de algo pouco conhecido (HADDAD, 1994), e até esse momento histórico o que se sabia era apenas o que se tinha feito de errado do que as virtudes dessa educação. E basicamente, a EJA constituiu-se em sua grande maioria como produto da miséria social e é conseqüência das más condições de vida de boa parcela da população que acabam por não aproveitar a escolaridade na época apropriada. A EJA consiste então, segundo Haddad (1994), numa educação para os pobres, ou seja, para os jovens e adultos das camadas populares que são os excluídos do desenvolvimento e do sistema educacional de ensino. Década de 1990 – Governo Collor e Fernando Henrique Cardoso Foi por meio de mudanças políticas ocorridas no Ministério da Educação no Governo do ex-presidente Collor que a EJA sofre mudanças e falta de recursos para manter os projetos. O Ministro da Educação, em 1987, na época Carlos Alberto Chiarelli cortou as verbas da Fundação Educar, levando-a a extinção. No lugar da Fundação Educar, o Governo Federal criou o Programa Nacional de Alfabetização e Cidadania – PNAC – o qual não foi implementado. Outro fator 27 desestimulante foi o desinteresse pela EJA declarado pelo 3º Ministro da Educação, Prof. José Goldemberg, O adulto analfabeto já encontrou seu lugar na sociedade. Pode não ser um bom lugar, mas é o seu lugar, alfabetizar o adulto não vai mudar muito sua posição dentro da sociedade e pode até perturbar. Vamos concentrar os nossos esforços em alfabetizar população jovem. Fazemos isso agora, em dez anos desaparece o analfabetismo (MEC/IBEAC, 1997, p.211). Em 1988 foi promulgada a Constituição Federal, a qual garantia importantes avanços no campo da EJA. Sendo no artigo 208 que a Educação é assegurada como direito de todos, independente da idade, e, também são definidos metas e recursos orçamentários para a erradicação do analfabetismo. A situação da EJA torna-se complexa ainda na primeira gestão do expresidente Fernando Henrique, pois, pode-se dizer que houve um retrocesso na Constituição Federal foram sofridos sérios prejuízos na legislação que prejudicaram os avanços construídos e legitimados na Constituição Federal. O primeiro foi uma Proposta de Emenda Constitucional nº 233 apresentada pelo Governo Federal e depois transformada em Projeto de Lei nº 92/96, alterando o artigo 208 da Constituição Federal e que segundo Haddad (1997) “o governo mantém a gratuidade da educação pública de jovens e adultos, mas suprime a obrigatoriedade do poder público em oferece-la, restringindo o direito público subjetivo de acesso ao ensino fundamental apenas à escola regular” (apud SE/RS, 2000, p. 17). Outro prejuízo que pode ser citado foi ter sido suprimido o Artigo 60 das Disposições Transitórias, que falava da erradicação do analfabetismo num prazo de dez anos e também da vinculação de 50% de desconto para este fim e para universalizar o Ensino Fundamental. Porém, segundo a SE/RS (2000) o que fez agravar ainda mais a situação da EJA, foi a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino 28 Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF) que consistiu no fim do compromisso da União com a EJA ao deixar de computar o número de alunos nas redes de Ensino Fundamental nos Estados e Municípios. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN nos dias atuais e no DF A primeira referência sobre a EJA na LDB 9394/96 está no Título III, artigos 4º e 5º. Ambos tratam a Educação de Jovens e Adultos no contexto do Ensino Fundamental, significando um ganho em relação à antiga LDB nº 5.692/71 (SE/DF, 1999). Entretanto, segundo a SE/RS (2000) o Projeto de Lei nº 92/96 desobriga o Estado de ofertar tal modalidade de ensino, eliminando-a do Ensino Fundamental, e, conseqüentemente, negando o direito público subjetivo de acesso aos jovens e adultos. Outro fator que é grave na LDB é de não dedicar qualquer artigo à questão do analfabetismo, e tudo ocorre devido ao fato que a Constituição é a lei maior e fornece base para que não seja falado no assunto. A Lei baixa os limites de idade para os Exames “aos que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no Ensino Fundamental e Médio na idade própria” (art. 37, da LDB nº 9.394/96), mudando o limite de 18 para 15 anos para os Exames Supletivos no nível de Ensino Fundamental e de 21 para 18 anos para o nível de Ensino Médio (SE/DF, 1999). Contudo, para Haddad (1998 apud SE/RS, 2000 p. 20), o artigo 37 “está relacionado ao conceito de uma educação de adultos voltada à reposição de escolaridade, marcado pelo Ensino Regular, seus conteúdos e seu modelo”. E que de certa forma reforça o conceito de Ensino Supletivo da LDB nº 5.692/71. 29 E também é nova a explicitação da possibilidade de certificação por instituições de ensino, mediante exames próprios, de habilidades e conhecimentos obtidos informalmente. É preciso que os sistemas de ensino correspondentes ofereçam as garantias indispensáveis à qualidade de formação a que jovens e adultos têm direito. Pode-se ressaltar que, “na Educação de Jovens e Adultos, o Poder Público, nos municípios e, supletivamente, pela ação do Estado e da União, deverá prover cursos presenciais ou à distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados” (SE/DF, 1999, p.23). O último artigo citado na LDB nº 9.394/96 caracteriza-se num incentivo à educação continuada e a distância, e que se são modalidades de atendimento cada vez mais comuns na educação de pessoas jovens e adultas. Segundo a SE/DF (1999), o Conselho de Educação do Distrito Federal (CE/DF) por meio de seu Parecer nº 144/97 e na Resolução nº02/98 procurou adaptar sua legislação às novas disposições legais, além de fornecer subsídios aos estabelecimentos de ensino sobre como proceder. Pode-se destacar que é segundo o Parecer nº 144/97, que surge no DF a nomenclatura EJA – Educação de Jovens e Adultos e ressalta a gratuidade dessa educação. No Distrito Federal, segundo o Conselho de Educação, o calendário escolar da EJA contará, no mínimo, duzentos dias de efetivo trabalho escolar, aliada à carga horária mínima de oitocentas horas por ano. Além dos cursos semestrais, que contarão cem dias letivos e carga horária mínima de quatrocentas horas. Na Resolução nº 02/98 determina que a circulação entre os níveis e modalidades, as organizações e sistemas de avaliação seria sempre permitida, desde que efetuadas, quando necessárias, as adaptações cabíveis. 30 As concepções sobre a alfabetização para jovens e adultos A alfabetização pode ser conceituada em três diferentes formas de acordo com a sua função dominante. A primeira é a alfabetização instrumental, se caracteriza como o ensino da leitura, da escrita, e cálculos básicos da matemática. Para Mizukami (1986) o indivíduo que está inserido num mundo letrado, a alfabetização instrumental torna-se prioridade como recurso, onde a ação educativa deve ser dinâmica e voltada para o educando, para que assim, possa ocorrer a participação e compreensão do indivíduo na aquisição do conhecimento. Sendo assim, a UNESCO (1973, apud MEC/IBEAC, 1997, p.17) caracteriza o objetivo da alfabetização funcional da seguinte forma: “O objetivo da alfabetização funcional permanece basicamente o mesmo; mobilizar, treinar e educar a mão-deobra ainda subutilizada para torna-la mais produtiva e útil a si mesma e à sociedade”. A segunda é a alfabetização funcional, que tem como característica num primeiro momento como um conjunto de requisitos para ‘ser funcional’, ou melhor, para poder desempenhar os papéis econômicos da sociedade capitalista. E pode ser considerada como um ‘meio’ de se preparar pessoas para a participação do próprio desenvolvimento (INFANTE, 1994). Porém, o perfil da alfabetização funcional vem se modificando, pois, encontram-se indivíduos com alguns anos de escolarização e que se encaixam em tal quadro de alfabetização, são, portanto, pessoas que não tiveram uma aprendizagem útil ou não tiveram uma estrutura escolar adequada às condições de vidas existentes. A alfabetização funcional abarca diversos fatores, produzindo assim, o analfabeto funcional, sendo este um indivíduo que domina de forma precária a leitura e escrita, não tirando proveito econômico ou social, são também aqueles que aprenderam os rudimentos da escrita no ambiente familiar, e mesmo tendo recebido 31 instrução formal da escola, regridem ao analfabetismo, justamente pela falta de aplicação do que foi aprendido. Fatores combinados como os educacionais, econômicos, sociais, políticos e culturais contribuem para a produção deste tipo de analfabeto (HADDAD e RIBEIRO, 1994). A terceira é a alfabetização libertadora (FIORI apud FREIRE, 2003), que surge como um processo de conscientização, para que se transforme a realidade, e liberte o indivíduo da opressão e o transforme em agente da própria vida. Pois, a prática da liberdade só encontrará adequada expressão numa pedagogia em que o oprimido tenha condições, ‘reflexivamente’, descobrir-se e conquistar-se como sujeito de sua própria destinação histórica. A alfabetização proporciona ao indivíduo aprender a ler a palavra escrita em que a cultura se diz e, dizendo-se criticamente, deixa de ser repetição, ou seja, é escrever e não conservar e repetir a palavra dita, mas dizê-la com a força reflexiva que a autonomia do indivíduo alfabetizado lhe dá, não se tratando, portanto, num jogo de palavras, mas na consciência reflexiva de uma cultura, reconstruindo ‘reflexivamente’ uma visão crítica do mundo. É a ‘educação como prática da liberdade’. A educação libertadora, segundo Werthein (1985), caracteriza-se numa perspectiva educativa que questiona as estruturas sociopolíticas e econômica, e promove o reconhecimento e a importância da cultura popular e a conscientização da realidade, para que assim, o indivíduo possa tomar u papel ativo no processo de transformação. Neste sentido, Lima (1991), afirma que tal educação tem o compromisso com as classes trabalhadoras e se expressa, de maneira clara, nas contribuições objetivas e consolidação das organizações populares. Conseqüentemente, o compromisso com a mudança dos indivíduos enquanto cidadãos, também sendo uma vivência espontânea, baseada numa relação de trocas, com objetivos definidos e embasada num conhecimento científico. 32 CAPÍTULO III CONCEPÇÕES PSICOLÓGICAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS De acordo com o perfil do jovem e do adulto da EJA, existem princípios os quais são de suma importância na concepção de tais pessoas. Algumas teorias da psicologia elucidam aspectos relevantes para a compreensão do fato de como um indivíduo enfrenta uma nova situação, que é a de sentar novamente em bancos escolares, sendo, porém, que alguns estão enfrentando tal situação pela primeira vez em suas vidas. Dentre tais conceitos ou teorias, temos as aspirações, as motivações e as expectativas que os jovens e adultos apresentam ao ingressar na EJA. As Aspirações As aspirações são normalmente definidas como [...] objetivos, projetos, suscetíveis de aprendizagem. A sociedade, a cultura, os grupos e a personalidade dos indivíduos são citados por vários autores como elementos que podem influenciar a fixação desses objetivos, e projetos que são internalizados no contexto social (FÁTIMA, 1997, p. 10). Segundo Weber (1976) as aspirações educacionais refletem uma estrutura social existente, além da hierarquia de valores e do prestígio de uma sociedade. Seus estudos mostram que a respeito das aspirações à educação e à profissão, a pessoas de menor poder aquisitivo tem um olhar sobre a educação como sendo um investimento para resolver os problemas ligados às condições de vida, sem, contudo deixar de falar das aspirações profissionais que são estabelecidas em função das reais possibilidades oferecidas pelo mercado de trabalho. Na medida em que o nível de aspiração é estabelecido pelo indivíduo, o seu empenho na atividade que deseja realizar são transferidos por meio da motivação 33 em direção aos instrumentos, para que desta forma possam atingi-los (FERRAND et all, 1987 apud FATIMA, 1997). As motivações Segundo Myers (1999) a motivação é uma necessidade ou desejo que energiza o comportamento e o oriente para um objetivo, ou seja, é a força por trás do anseio do indivíduo por comida, desejo de intimidade sexual e aspiração de realização pessoal. Também Houaiss (2001) afirma que motivação é um conjunto de processo que dão ao comportamento uma intensidade, uma direção determinada e uma forma de desenvolvimento próprias da atividade individual. Barros (1989) diz que a motivação deriva de motivo. Sendo que o motivo na linguagem comum tem o sentido de causa. Em estudos realizados pela psicologia, com a finalidade de determinar o porquê das ações, indicam que estas causas originam de dois tipos de forças: as fisiológicas e as sociais. As forças fisiológicas acionam o comportamento do homem, tais como: fome, doença, etc. Já as forças sociais levam, por exemplo, o indivíduo a agir com o desejo de agradar as pessoas com as quais convive. Para a autora (BARROS, 1989), portanto, a palavra motivo é usada apenas quando se refere ao comportamento humano, sendo proveniente tanto das forças sociais quanto das forças fisiológicas. Neste sentido, Braghirolli et all (2000) afirma que ‘motivação’ não é algo que possa ser diretamente observado, porém pode ser compreendida quando se observa o comportamento. E, comportamento motivado caracteriza-se pela energia gasta em direção a um objetivo. Segundo Sawrey e Telford (1976 apud BRAGHIROLLI, 2000, p. 90) definem motivo como “uma condição interna relativamente duradoura que leva o indivíduo ou que o predispõe a persistir num comportamento orientado para um objetivo, possibilitando a transformação ou a permanência da situação”. 34 Braghirolli (2000) diz que a identificação de um motivo auxilia na compreensão do comportamento humano porque pode explicar, simultaneamente, várias atividades. E que um mesmo comportamento pode ser resultado de vários motivos atuando ao mesmo tempo. Contudo, muitas vezes os motivos humanos são inconscientes, e o indivíduo não sabe qual o real motivo ou qual o objetivo a ser alcançado. Dentro da concepção de motivação, Maslow (1970 apud MYERS, 1999) defende que algumas das necessidades humanas têm prioridade sobre outras, sendo estas definidas como uma hierarquia de necessidades. Apesar de ser uma teoria arbitrária percebe-se que alguns geram outros, e, portanto, está se falando de motivação. A motivação relevante no estudo em questão é a chamada motivação de realização (MYERS, 1999), sendo caracterizada pelo fato dos motivos, ao que parece, não diminuir depois que são satisfeitos, e quanto mais se realiza mais se precisa realizar. Nesse contexto, Murray (1938 apud MYERS, 1999) define a motivação de realização como um desejo de um feito significativo, de dominar habilidades ou idéias, de controlar e atingir depressa um padrão elevado. Braghirolli (2000) afirma que o motivo de realização pode ser entendido como uma necessidade de agir conforme padrões de excelência, procurando fazer o melhor possível, com desejo de sucesso. E se constata que as diferenças no nível de ansiedade estão associadas à quantidade de motivação para a realização. A motivação de realização subdivide-se em dois tipos segundo Myers (1999): Motivação intrínseca ou interna – é o desejo de ser eficiente e de desempenhar um comportamento por si mesmo. As pessoas com motivação intrínseca encaram o trabalho ou a diversão em busca de prazer, interesse, expressão pessoal ou desafio. 35 Motivação extrínseca ou externa – é a procura de recompensas externas e também a fuga de punições. Nesse contexto, Carlos e Barreto (1994) afirmam que a maioria dos adultos que não são alfabetizados vê a escola como o lugar onde estes irão adquirir os conhecimentos necessários para obter trabalho, conseqüentemente uma vida melhor além de uma posição social mais valorizada. Motivação para a aprendizagem Segundo Barros (1989), a motivação para a aprendizagem consiste em causar ou produzir a aprendizagem, estimular o aluno, despertar interesse ou entusiasmo pela e para a aprendizagem. Para a autora os incentivos são fatores externos que têm o poder de despertar o motivo. Entende-se aqui, portanto, incentivos com o mesmo significado de motivação extrínseca. Têm-se exemplos de incentivos como: elogio, censura, punição e recompensa. O emprego de incentivos na escola serve para despertar o interesse, a atenção dos alunos, sendo necessário que o professor utilize-se de vários recursos para que assim possa gerar um motivo por parte dos alunos e o interesse em aprender. Rama (apud QUEIROZ, 1994) mostra que estudos realizados no Brasil mostram que as classes populares tendem a atribuir a educação um valor positivo, e a consideram como instrumento de ascensão social. E também, afirma que jovens e adultos não-alfabetizados buscam a alfabetização principalmente com o objetivo de mudar de emprego, ou seja, conquistar um bom emprego. Fátima (1997, p.11) afirma que “a motivação se encontra estreitamente vinculada ao pleno desenvolvimento de todas as capacidades funcionais inerentes 36 ao ser humano, que as procura desenvolver nas relações que estabelece com o grupo social”. De forma geral as oportunidades de trabalho destinadas aos indivíduos nãoalfabetizados são vistas como uma categoria de trabalhos pesados e de baixa remuneração, e ascender socialmente, pode ser considerado como fator de motivação para a alfabetização entre jovens e adultos pelo fato destes terem como referência indivíduos que na grande maioria possuem estudo o que garante emprego menos pesado e melhor remunerado. Num aspecto geral, as motivações para a alfabetização de adultos estão relacionadas à melhoria de condições do trabalho, tanto no meio urbano quanto no meio rural, pois, esses indivíduos acreditam que realmente irão ocorrer mudanças nas condições de vida e trabalho. Para os alfabetizandos, no entanto, a motivação que possuem para ingressarem num curso de alfabetização, em primeiro lugar, é a vontade de aprender a ler, escrever e realizar cálculos matemáticos, posteriormente segue a oportunidade de estudar, o desejo de conseguir um emprego melhor, etc (FÁTIMA, 1997). As expectativas É bem verdade que a expectativa de cada indivíduo seja diferente da realidade da sua posição social no grupo (ROSA, 1973). Sendo que as expectativas individuais decorrem da escala de valores culturais do grupo, onde se atribui a determinadas posições ou alguns papéis maior prestígio que outras posições e outros papéis. Tal afirmativa caracteriza-se pela pretensão natural do individuo de vir a ocupar cada vez maiores posições de prestígio, e que às vezes, cuja pretensão não é alcançada devido a realidade social ou outros fatores inerentes ao indivíduo. É bem verdade que os motivos que levam os jovens e os adultos à escola referem-se a sua expectativa de conseguir um emprego melhor. Porém suas motivações não se limitam a esse aspecto. Muitos se referem à vontade de entender 37 melhor as coisas, se expressar melhor, de ser gente, de não depender sempre dos outros, Em especial as mulheres, pois, desejam ajudar os filhos com os deveres escolares ou dar bom exemplo. Deve-se ter como ponto de partida o reconhecimento do valor de suas experiências de vida e visões de mundo que cada jovem e adulto pode se apropriar das aprendizagens escolares de modo crítico e original, sempre da perspectiva de ampliar sua compreensão, seus meios de ação e interação com o mundo. Percebe-se que as aspirações, motivações e expectativas dos jovens e adultos devem ser consideradas ao lidar com esse público específico, pois, o atendimento da EJA, em primeiro lugar visa proporcionar educação aos que não tiveram acesso à escolar na idade regular. É necessário que a EJA baseie o seu currículo na cultura para o trabalho voltada para o conhecimento e na compreensão dos processos de produção, numa visão que priorize a apropriação do saber, tanto quanto as práticas profissionais existentes (FÁTIMA, 1997). 38 CAPÍTULO IV PERFIL SOCIOLÓGICO DO ALUNO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS A EJA na América Latina e no Brasil Huidobro (1994) ao definir a clientela da EJA, no âmbito da América Latina, afirma que o conceito ‘adulto’ é muito genérico, não atingindo, portanto, todos os grupos alvos. A EJA além de ser destinada à complementação de estudos para jovens que evadiram a escola e que depois desejam continuar os estudos é também voltada para a educação dos indígenas e camponeses. Na América Latina, a prioridade da EJA, seria as mulheres indígenas, as de zonas rurais e as jovens de setores produtivos urbanos marginalizados que deixaram a escola para ingressar prematuramente no mercado de trabalho. Além do fato de que a educação da mulher pode ser considerada um benefício para a solução de muitos problemas ligados ao desenvolvimento infantil (HUIDOBRO, 1994). Haddad (1997, p. 86) caracteriza os alunos trabalhadores da EJA como: “pessoas pobres, jovens e adultos das camadas populares, a maioria dos indivíduos pertencentes ao Terceiro Mundo, os excluídos do desenvolvimento e dos sistemas educacionais de ensino”. O autor também constata que a EJA se constitui como uma oportunidade de melhoria das condições de vida e de superação da exclusão. Pois, para sobreviver numa sociedade onde o domínio do conhecimento ganha cada vez mais importância, os jovens ou adultos excluídos do sistema formal de ensino devido a diversos fatores como condições de vida precárias, o acesso a uma escola de má qualidade, ou o não acesso à escola, se deparam com a necessidade de realizar sua escolaridade nesta etapa de suas vidas. 39 Em países como o Brasil, marcado por graves desigualdades sociais, pela situação de pobreza de uma grande parcela da população e por uma tradição política pouco democrática, baixos níveis de escolarização estão fortemente associados a outras formas de exclusão econômica e política (SEDF, 1999). Devido à situação econômica precária, muitas famílias enfrentam grandes dificuldades em manter as crianças na escola, e para complementar a renda familiar a maior parte dessas crianças começam a trabalhar mais cedo, deixando em segundo plano os estudos, os quais posteriormente tentarão resgatar na idade adulta. Haddad (1997) demonstra que a quantidade de analfabetos no Brasil vai além dos ditos ‘analfabetos absolutos’ – cerca de 20% da população brasileira em 1991 – pulando para quase o dobro dessa população, pois, ao se utilizar um conceito mais rigoroso, consiste em dizer que, são pessoas com algum nível de escolarização mas que não têm o domínio dos instrumentos que lhe permitam praticar a leitura e a escrita. Nesse contexto, Weber (1997) ao falar da situação do analfabetismo no Brasil ressalta a situação da região Nordeste, sendo esta detentora da metade dos analfabetos existentes no país, onde estão incluídos indivíduos com 15 anos de idade ou mais. Convém ainda falar que ¼ da população de 15 a 19 anos são analfabetos e pertencentes à região Nordeste. Indicadores estatísticos da situação da EJA não são fáceis de serem obtido, dado a complexidade do quadro em que se inserem e devido ao envolvimento de inúmeros atores sociais e instituições que se ocupam desta área. Além disso, disparidades regionais e intra-regionais, diferenças por faixas etárias ou entre zonas rurais e urbanas, sem contar as dificuldades conceituais e metodológicas, dificultam a captação e consolidação de dados referentes às ações realizadas pelas diferentes agências promotoras destas atividades. 40 Embora haja esta complexidade, o Censo Escolar e os diagnósticos do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa) e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) quanto à situação educacional de jovens e adultos, fornecem uma contagem que permite uma melhor visibilidade do assunto em questão. De acordo com as estatísticas do IBGE (apud SE/DF, 1999), com os dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD), em 1996, dentro de um universo de 105.852.108 pessoas com 15 anos de idade ou mais, o Brasil tinha mais de 15 milhões de pessoas analfabetas. Ou seja, 14,7% da população desta faixa etária, sendo 8.274.448 mulheres e 9.365.517 homens. Ainda de acordo com estes dados a distribuição por regiões era a seguinte: Região % Norte (Urbana) 11,4% Nordeste 28,7% Sudeste 8,7% Sul 8,9% Centro – Oeste 11,6% Fonte: IBGE, 1996. Segundo os mesmos dados, a percentagem de pessoas analfabetas cresce à medida do avanço da idade. Se de 15 a 19 anos a percentagem é de 6%, a de 50 anos ou mais é de 31,5%. Ao mesmo tempo, há indicadores de que as políticas focalizadas no atendimento à educação escolar obrigatória estão promovendo uma queda mais acelerada do analfabetismo nas faixas etárias mais jovens. Ao somar-se o número dos analfabetos ao dos jovens e adultos com menos de quatro anos de estudo, a cifra será muito maior. De acordo com o Ministério da Educação e Cultura (MEC/IBEAC,1997), os analfabetos funcionais são 34,1% da população brasileira com 20 anos ou mais, possuindo escolarização. até quatro anos de 41 A Constituição Federal de 1988 tem um capítulo dedicado à família, à criança, ao adolescente e ao idoso. Dele decorreu o Estatuto da Criança e do Adolescente, na Lei n.8.069/90. Inúmeras referências aos jovens e adultos também comparecem no capítulo da educação. A EJA contém em si tais processos e estas considerações preliminares são importantes para o conjunto das diretrizes. O art. 4º, VI da LDB impõe a oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; e no inciso VII, a oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola (SE/DF, 1999). As Disposições Transitórias da LDB incentivam os três entes federativos a assumirem suas responsabilidades de modo a proverem cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados, de acordo com o art. 87, II. E para tanto compete igualmente aos entes federativos o dever de recensear os jovens e adultos que não tiveram acesso ao ensino fundamental e deverão criar formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino, independentemente de escolarização anterior, segundo o art. 5º I e § 5º. Se certas regiões forem acometidas de tais dificuldades que impossibilitem o ensino presencial, se tais circunstâncias representarem uma situação emergencial, então o ensino a distância será utilizada como complementação da aprendizagem (SE/DF, 1999). O art. 32, § 4º e o art. 38 § 2º dizem que é preciso estimular a aferição e o reconhecimento dos conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais. Vale, pois, o que diz o Parecer CEB nº 04/98 quando lembra a sensibilização dos sistemas educacionais para reconhecer e acolher a riqueza da diversidade humana. Segundo este parecer, é preciso que em qualquer nível 42 formativo se dêem correlações entre os conteúdos das áreas de conhecimento e o universo de valores e modos de vida de seus alunos. As bases legais da LDB nos encaminham para uma diferenciação entre o caráter obrigatório do ensino fundamental e o caráter progressivamente obrigatório do ensino médio, à vista da necessidade de sua universalização. As múltiplas referências ao trabalho constantes na LDB têm um significado peculiar para quem já é trabalhador. É nesta perspectiva que a leitura de determinados artigos deve ser vista sob a especificidade desta modalidade de ensino. Como exemplo o parágrafo do art. 1º da LDB, § 2º, no qual a educação escolar deve ser vinculada ao mundo do trabalho e à prática social. Neste sentido, também o inciso II do art. 35 da mesma lei diz que o educando para continuar aprendendo deve ter uma preparação básica para o trabalho e a cidadania de modo que seja capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores (SE/DF, 1999). Ao tomar-se o parágrafo único do art. 39 demonstra que o aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como o trabalhador em geral, jovem ou adulto, contará com a possibilidade de acesso à educação profissional. O zelar pela aprendizagem como disposto no art. 13, III da LDB, ganha grande relevância. Desse modo, os projetos pedagógicos devem considerar a conveniência de haver na constituição dos grupos de alunos momentos de homogeneidade ou heterogeneidade para atender, com flexibilidade criativa, esta distinção. Não perceber o perfil distinto destes estudantes e tratar pedagogicamente os mesmos conteúdos como se tais alunos fossem crianças ou adolescentes seria contrariar mais do que um imperativo legal. Seria contrariar um imperativo ético. 43 De acordo com a SE/DF (1999), o número de alunos matriculados em cursos presenciais da EJA em salas de alfabetização era de 161.791; em ensino fundamental, 2.109.992; em ensino médio, 656.572 e em cursos profissionalizantes, 141.329. O número de estabelecimentos que oferecem a EJA, de acordo com os dados de 1999, no Brasil, é de 17.234. Deste total, os Estados oferecem a EJA em 6.973 estabelecimentos, os Municípios em 8.171, a União em 15 e a rede privada em 2.075 estabelecimentos. O número de matrículas vem crescendo no âmbito municipal. Se em 1997 eram de 683.078 matrículas, em 1999 eram de 821.321. Já para os mesmos anos, o número de matrículas nos entes federativos passou de 1.808.161 para 1.871.620. A maioria do público da EJA é de pessoas que já tiveram passagem anterior pela escola. Cuja quase totalidade dos alunos dos programas de alfabetização de adultos, são trabalhadores. Entretanto, convém ressaltar que o perfil sociocultural desse público é muito heterogêneo (SEDF, 1999). Nesse contexto surge a flexibilidade curricular, que deve significar um momento de aproveitamento das experiências diversas que estes alunos trazem consigo como, por exemplo, os modos pelos quais eles trabalham seus tempos e seu cotidiano. A flexibilidade poderá atender a esta tipificação do tempo mediante módulos, combinações entre ensino presencial e não–presencial e uma sintonia com temas da vida cotidiana dos alunos, a fim de que possam se tornar elementos geradores de um currículo pertinente. Surge também a necessidade da recontextualização que se impõe à transposição didática e metodológica das diretrizes curriculares nacionais do ensino fundamental e do médio para a EJA (SE/DF, 1999). Suas experiências de vida se qualificam como componentes significativos da organização dos projetos pedagógicos inclusive pelo reconhecimento da valorização da experiência extra – escolar (art. 3, X). Tal recontextualização ganha com a flexibilidade posta no art. 23 da LDB cujo teor destaca a forma diversa que poderá ter a organização escolar tendo como um critério a base na idade. 44 As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação de Jovens e Adultos se aplicam obrigatoriamente aos estabelecimentos que oferecem cursos e aos conteúdos dos exames supletivos das instituições credenciadas para tal (SE/DF, 1999). Diz o art. 38 da LDB que os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, os quais compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. Este artigo implica os sistemas públicos de ensino na manutenção de cursos de jovens e adultos e exames supletivos. Já se viu reiteradamente que prioritária é a oferta de cursos na faixa da escolaridade universal obrigatória, sem desconsiderá-la no turno da noite (SE/DF, 1999). Importante é também distinguir as duas faixas etárias consignadas nesta modalidade de educação. Apesar de partilharem uma situação comum desvantajosa, as expectativas e experiências de jovens e adultos freqüentemente não são coincidentes. A base nacional comum dos componentes curriculares deverá estar compreendida nos cursos da EJA. E o zelar pela aprendizagem dos alunos (art. 13, III) deverá ser de tal ordem que o estudante deve estar apto a prosseguir seus estudos em caráter regular (art. 38). Logo, a oferta desta modalidade de ensino está sujeita tanto à Res. CEB nº 02 de 7/4/1998 para ensino fundamental, quanto à Res. CEB nº 03 de 26/6/1998 para o ensino médio e, quando for o caso, a Res. CEB nº 04/99 para a educação profissional (SE/DF, 1999). Os pareceres da Câmara de Educação Básica sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental, do Ensino Médio e da Educação Profissional de nível técnico, assinalam e reafirmam a importância, o significado e a contemporaneidade da educação escolar, daí decorrendo a busca e as ações em vista da universalidade de acesso e de permanência. 45 A LDB 9.394/96 dedica, especificamente, apenas dois artigos à Educação de Jovens e Adultos, como pode ser verificado a seguir (SE/DF, 1999): Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada a aqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão aos jovens e aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames. § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola, mediante ações integradas e complementares entre si. Art.38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. Outro artigo da LDB 9394/96 que pode ser vinculado à Educação de Jovens e Adultos é o seguinte: Art.80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada. Ainda, na LDB, os conteúdos relativos ao ensino à distância, são extremamente importantes para a EJA, como opção aos cursos presenciais, conforme consta no artigo supracitado (SE/DF, 1999). O trabalho seja pela experiência, seja pela necessidade imediata de inserção profissional merece especial destaque. A busca da alfabetização ou da complementação de estudos participa de um projeto mais amplo de cidadania que propicie inserção profissional e busca da melhoria das condições de existência. Nota-se que a exclusão do conhecimento que se adquire na escola marca essas pessoas profundamente pela imagem que fazem de si e pelo estigma que a sociedade lhes impõe. É por isso que muitas delas, mesmo tendo outras responsabilidades no trabalho e em casa, decidem estudar (SE/DF, 1999). 46 Pois, para terem o acesso a muitos benefícios da sociedade moderna, é preciso ter domínio dos instrumentos da cultura letrada, como por exemplo: para se locomover nas grandes cidades ou de uma localidade para outra, para tirar os documentos, além de outros inúmeros procedimentos burocráticos. Outro fator relevante, é que no convívio familiar, surgem cada vez mais exigências educacionais. Tanto para educar crianças expostas aos meios de comunicação, num mundo com tão rápidas transformações. Como também, para se planejar a família, é preciso ter acesso à informação, assumindo diversas posturas que a educação pode efetivamente contribuir (SE/DF, 1999). Enfim, é importante perceber que, para promover a educação de jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de cumpri-la na infância é garantir melhores condições educativas para as demais gerações. E, para melhorar o nível educacional exige-se esforços em todos os níveis. 47 CAPÍTULO V O ORIENTADOR EDUCACIONAL NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS O orientador educacional é parte integrante do ambiente escolar, sendo este um centro de socialização e desenvolvimento das capacidades dos alunos e transmissor do conhecimento acumulado da cultura vigente e que possui uma estrutura própria. A escola, por sua vez, representa o espaço onde os processos e as teorias pedagógicas vão se desenvolvendo, pois chega a se confundir com Educação, sendo que, várias vezes elas se apresentam com a mesma análise que é a escola como local onde formalmente se realiza a educação (GRINSPUN, 2002). Nesse contexto, a escola é uma realidade histórico-sociocultural onde se encontram diversas culturas, além de visões diferentes de mundo. Possui também, um estatuto rígido de normas e padrões, ficando difícil de propor mudanças e transformações. Pois, é preciso conhecer o tipo de sociedade que existe no Brasil para que assim, se possa conhecer a realidade educacional do país. Na escola é refletida a questão social, tanto no aspecto da compreensão da sociedade como no compromisso que a escola possui com a sociedade no que tange a formação da cidadania, englobando os aspectos da razão e do conhecimento e também os aspectos da sensibilidade e dos valores. Tudo isso deve ser trabalhado no interior da escola, criando meios para a vivência da interação grupal. Grinspun (2002) afirma que a orientação Educacional se apresenta como uma das promotoras da escola, levando a perceber que educar é um ato político. Buscando trazer elementos da realidade do aluno que favoreça sua compreensão de seu meio, de suas expectativas e de seus interesses. 48 De acordo com a autora a Orientação Educacional têm sua atuação na relação com os alunos onde os: valores, a formação da cidadania, a questão da liberdade, a produção do conhecimento, etc... fazem parte de uma reflexão global. A orientação tem, nas reflexões desses aspectos, a principal base da fundamentação de suas atividades, sendo que as tendências da educação propiciarão o desenvolvimento das atividades para a obtenção dos objetivos pretendidos. Um dos principais objetivos do orientador educacional frente a EJA é de se envolver com a comunidade, resgatando sua realidade socioeconômica-cultural como meio de contribuir para a adequação curricular, tendo em vista a transformação da escola e da sociedade. A organização da escola deve contemplar, por meio de seu próprio espaço físico, os interesses e necessidades da comunidade, fazendo que ela seja participante do projeto político-pedagógico que deseja desenvolver. Além de trabalhar com um planejamento participativo, sempre voltado par uma concepção crítica. Dentro de uma perspectiva crítica, a Orientação Educacional tem a ação voltada para o trabalho como eixo condutor de suas atividades. Educação e trabalho representam instrumentos dentro do processo educativo e alfabetizar e ser alfabetizado constitui também formas de trabalho (GRINSPUN, 2002). Percebe-se, portanto, que o valor da escola para os jovens e os adultos transcende em muito a mera aquisição de conhecimentos ou as conquistas intelectuais. Porquanto, na EJA, a alfabetização é a porta de entrada para a sociedade letrada em que vivemos. Pois, para a o analfabetismo tem impedido as pessoas, em especial os trabalhadores, de lutarem por seus direitos e de exercerem a cidadania (SERS/1993). O fato do aluno da EJA estar de fora da sociedade conduz o pensamento de fracasso, sendo necessário ser trabalhada pelo Orientador Educacional a questão 49 da auto-estima para que assim, o individuo possa permanecer na escola e passar a acreditar em seu potencial. Nessa perspectiva, Branden (1997) diz que a auto-estima é uma necessidade humana contribuindo essencialmente no processo da vida e indispensável para que ocorra um desenvolvimento normal e saudável. E havendo a ausência da autoestima, a resistência às adversidades da vida diminui. No entanto, em relação a auto-estima positiva ocorre o contrário, ou seja, esta é de certa maneira o sistema imunológico da consciência, fornecendo resistência, força e capacidade de regeneração. Partindo, portanto, de tal conceito é correto dizer que segundo Grinspun (2002), a orientação Educacional deve enfatizar a formação da consciência crítica dos alunos, incorporar as experiências de vida e de trabalho nas discussões dos problemas culturais e sociais. E resgatar importância do trabalho e da formação de cidadãos. Pois, ao Orientador Educacional cabe trabalhar com a “subjetividade, com a cultura, com a ética, com a formação das identidades, com o imaginário, com as representações sociais. Campo amplo e extenso formado por redes de conhecimento, teias de sentimentos e valores” (GRINSPUN, 2002, p. 170). Ao se tratar de tais questões, em especial no que se refere à EJA, é notado que está surgindo uma nova sociedade que parece cada vez mais evidente e que acarretará problemas cada vez mais fortes ligados ao emprego e ao desemprego. Quem não estiver permanentemente atento às mudanças, e não estiver evoluindo profissionalmente, tenderá a ser excluído do mercado de trabalho. E é nesse aspecto, que a escola tem de repensar sua missão. Está certo de que à escola cabe contribuir para que o cidadão garanta sua sobrevivência de forma digna, mas, hoje, mais do que preparar para garantir um emprego, a escola tem a missão de preparar o cidadão para garantir a empregabilidade, isto é, ajudá-lo a 50 adquirir competência, a desenvolver capacidades para se adaptar continuamente às mudanças no porvir. Grinspun (2002) ainda afirma que o Orientador Educacional deve colaborar contribuindo para a discussão e investigação dos conceitos de educação, trabalho qualificação profissional, preparação para o trabalho, orientação profissional, etc. Deve também tratar a questão do trabalho na concepção dos direitos e deveres dos trabalhadores, bem como as lutas de classe voltadas para uma dimensão social. Além de procurar analisar as novas concepções de trabalho na sociedade atual, discutindo como é que se pode manter ou conseguir um trabalho num mundo cada vez mais exigente e competitivo. Pois, cabe à Orientação educacional contribuir: [...] para a formação de trabalhadores não no sentido de sua concepção tradicional, pautada nas aptidões inatas do indivíduo, mas possibilitando aos alunos/trabalhadores/cidadãos o acesso aos conhecimentos, a apropriação de instrumentos de ciência e de princípios teóricos e metodológicos construídos socialmente pelos homens, por meio de seu trabalho, como direitos de todos (GRINSPUN, 2002, p. 125). Sendo, portanto, a partir de toda a discussão, reflexão, critica e recriação das condições de trabalho que se poderá criar mecanismos para serem utilizados na busca de uma sociedade que dê melhores condições de vida para a classe trabalhadora, gerando assim, por meio de suas ações, a possibilidade de se viver numa sociedade mais justa e humana. 51 ANÁLISE DE DADOS A análise de dados a seguir foi realizada a partir da aplicação de um questionário composto por 19 questões (sendo 12 questões fechadas e 7 questões abertas), numa escola pública no turno noturno direcionada aos 27 alunos da Fase 1 da EJA, perfazendo a amostra. Cabe ressaltar que a referida amostra representa o universo da escola selecionada. Os dados serão analisados com os indicadores apresentados no questionário que possam referendar os dados apresentados a seguir. Sexo A maioria (78%) dos respondentes é do sexo feminino e a minoria do sexo masculino (22%) (Ver tabela e gráfico 1). Isto vem confirmar as pesquisas realizadas até agora, pois indicam que as mulheres devido ao fato de ingressarem no mercado de trabalho precocemente, são forçadas a deixarem os estudos de lado. Porém devido à necessidade de ocupar melhores espaços no mercado de trabalho e o desafio de acompanhar os filhos nos estudos, isto faz com que as levem a retornar os estudos. Tabela 1 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O SEXO Sexo Nº absoluto % Masculino 6 22 Feminino 21 78 TOTAL 27 Fonte: Pesquisa de Campo 100 52 Gráfico 1 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O SEXO 22% Masculino Feminino 78% Faixa Etária e Estado Civil Os respondentes da faixa compreendida entre 26 a 29 anos são a maioria (30%), logo em seguida apresentam-se alunos com 22 a 25 anos (22%), depois os que estão entre 19 a 21 anos (11%) e de 15 a 18 anos (4%). Percebe-se que são os jovens que formam a grande maioria da EJA (67%) e do lado oposto estão os que têm mais de 42 anos (19%) seguido dos que estão entre 30 a 33 anos, 34 a 37 anos e 38 a 41anos com (7%), (4%) e (4%) respectivamente. Reafirmando o que vem sendo indicado pelas pesquisas onde se afirma que estes se vêem na necessidade de retornar aos estudos devido às exigências de uma sociedade altamente competitiva (Ver gráfico e tabela 2). E ainda, de acordo com a coleta de dados (Ver gráfico e Tabela 3) é verificado também, que a maior parcela dos respondentes (51,9%) são solteiros. 53 Tabela 2 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM A FAIXA ETÁRIA Faixa Etária Nº Absoluto % 15-18 anos 1 4,0 19-21 anos 3 11,0 22-25 anos 6 22,0 26-29 anos 8 30,0 30-33 anos 2 7,0 34-37 anos 1 4,0 38-41 anos 1 4,0 Mais de 42 anos 5 19,0 TOTAL 27 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo Gráfico 2 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM A FAIXA ETÁRIA 30% 22% 30% 11% 20% 4% 10% 0% 19% 7% 4% 4% 15-18 19-21 22-25 26-29 30-33 34-37 38-41 mais de 42 54 Tabela 3 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O ESTADO CIVIL Estado Civil Nº Absoluto % Solteiro 14 51,9 Casado 6 22,2 Separado 4 14,8 Outro 3 11,1 TOTAL 27 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo Gráfico 3 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O ESTADO CIVIL 11,1% 14,8% 22,2% 51,9% 0,0% 20,0% 40,0% 60,0% Outro Separado Casado Solteiro 55 Origem Geográfica É notado que diante dos dados apresentados a maior parte dos respondentes são dos estados da região Nordeste sendo a maior parcela do estado da Paraíba (25,9%), acompanhada do estados Maranhão (14,8%), Bahia (14,8%), Piauí (7,4%), Ceará (7,4). Restando somente dois estados da região Sudeste (Minas Gerais e Rio de Janeiro) e apenas um da região Centro – Oeste (Goiás) com, respectivamente 11,1%, 7,4% e 11,1% (Ver gráfico e tabela 4). Tais dados corroboram com pesquisas que informam que a região Nordeste é a detentora da maior parcela de analfabetos no país. Tabela 4 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O ESTADO DE ORIGEM Estado Nº absoluto % BA 4 14,8 CE 2 7,4 GO 3 11,1 MA 4 14,8 MG 3 11,1 PB 7 25,9 PI 2 7,4 RJ 2 7,4 TOTAL 27 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo 56 Gráfico 4 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O ESTADO DE ORIGEM 25,9% 30,0% 25,0% 14,8% 20,0% 15,0% 10,0% 5,0% 0,0% 7,4% BA CE 11,1% GO 14,8% MA 11,1% MG 7,4% 7,4% PI RJ PB Tempo de residência no DF Os respondentes são em sua maioria (56%) pessoas que residem a mais de 6 anos no Distrito Federal, sendo que, uma menor quantidade (26%) reside no DF a apenas 3 a 5 anos e somente 11% reside menos de 1 ano e 7% de 1 a 2 anos. Tabela 5 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O TEMPO DE RESIDÊNCIA NO DF Tempo de Nº absoluto % Menos de 1 ano 3 11,0 De 1 a 2 anos 2 7,0 De 3 a 5 anos 7 26,0 Mais de 6 anos 15 56,0 TOTAL 27 100,0 residência Fonte: Pesquisa de Campo 57 Gráfico 5 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O TEMPO DE RESIDÊNCIA NO DF 11% 7% 56% Menos de 1 ano de 1 a 2 anos de 3 a 5 anos mais de 6 anos 26% Composição Familiar É percebido que a maioria (33,3%) dos respondentes mora com outros parentes e ainda nesse contexto 29,6% moram com outras pessoas, e apenas 18,5% mora com o cônjuge e os que moram sozinho totalizam 18,5 % dos respondentes, restando apenas 3,7% dos que moram numa familiar nuclear composta por pais e filhos (Ver gráfico e tabela 6). Tabela 6 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM A COMPOSIÇÃO FAMILIAR Mora com Nº absoluto % Sozinho 4 14,8 Os pais 1 3,7 Esposo (a) 5 18,5 Outros parentes 9 33,3 Outras pessoas 8 29,6 TOTAL 27 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo 58 Gráfico 6 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM A COMPOSIÇÃO FAMILIAR 33,3% 35,0% 29,6% 30,0% 25,0% 20,0% 14,8% 18,5% Seus pais Esposo (a) 15,0% 10,0% 5,0% Sozinho Outros parentes 3,7% Outras pessoas 0,0% Instabilidade Profissional Na sociedade atual, a exigência de qualificações para o trabalhador prejudica os que não tem escolaridade, provocando assim a falta de condições para estabilizar-se numa ocupação ou até mesmo conseguir o primeiro emprego (FÁTIMA, 1997). E observa-se que os dados coletados comprovam tal afirmativa, pois, quase a metade (44,4%) dos respondentes já ocupou quatro ou mais postos de trabalho, 22,2% passaram por uma ocupação, 18,5% não tiveram sequer ocupação e os que tiveram duas ou três ocupações estão ambas na faixa de 7,4% (Ver gráfico e tabela 7). 59 Tabela 7 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O NÚMERO DE OCUPAÇÕES EXERCIDAS Número de Nº absoluto % Nenhum 5 18,5 Um 6 22,2 Dois 2 7,4 Três 2 7,4 Quatro ou mais 12 44,4 TOTAL 27 100,0 empregos Fonte: Pesquisa de Campo Gráfico 7 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O NÚMERO DE OCUPAÇÕES EXERCIDAS 44,4% 50,0% 40,0% 30,0% 20,0% 10,0% 0,0% Nenhum 18,5% Um 22,2% Dois 7,4% 7,4% Três Quatro ou mais 60 Primeira Ocupação De acordo com 59,3% dos respondentes o seu primeiro trabalho foi aprendido por conta própria. Ainda 18,5% disseram que outras pessoas ensinaram a sua primeira profissão, em seguida apresenta-se a figura do pai (14,8%) como o instrutor da primeira ocupação e a mãe iniciou ao mundo do trabalho 7,4% dos respondentes. A escola e os parentes não auxiliaram a esse respeito (Ver gráfico e tabela 8). Tabela 8 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM OS MEIOS DE CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL PARA O EXERCÍCIO DA PRIMEIRA OCUPAÇÃO Capacitação da Nº absoluto % Escola Ø 0,0 Mãe 2 7,4 Pai 4 14,8 Parentes Ø 0,0 Sozinho 16 59,3 Outro 5 18,5 TOTAL 27 100,0 primeira ocupação Fonte: Pesquisa de Campo Gráfico 8 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM OS MEIOS DE CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL PARA O EXERCÍCIO DA PRIMEIRA OCUPAÇÃO 59,3 60,0 50,0 40,0 7,4 0,0 18,5 14,8 30,0 20,0 0,0 10,0 0,0 Escola Mãe Pai Parentes Sozinho Outro 61 Ingresso no Mercado de Trabalho Segundo Fátima (1997) o que promove o aumento do índice de analfabetismo e a diminuição da escolaridade é o acesso precoce no mercado de trabalho associado à situação precária de emprego. Os dados coletados apontam que 33,3%, dos respondentes ingressaram no mercado de trabalho entre 10 a 13 anos e 25,9% entre 14 a 17 anos além dos 7,4% entre 6 a 9 anos que iniciaram suas atividades laborais. Tais dados mostram que ao invés de estarem ocupando os bancos escolares, esses alunos já estavam precocemente ocupando postos de trabalho. Dentre os respondentes a faixa que representa entre 18 a 21 anos (14,8%), demonstra que os que iniciaram ‘na’ e ‘acima’ da idade estabelecida por lei é pouco mais que 1/3 se comparado aos anteriores (66,6%), os respondentes compreendidos entre 22 a 25 anos e mais de 30 anos são 7,4% dos alunos, respectivamente. O que não responderam representam também 7,4% e os inseridos na faixa de 26 a 29 anos não tiveram parcela respondente (Ver gráfico e tabela 9). Tabela 9 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM A FAIXA ETÁRIA DE INGRESSO NO MERCADO DE TRABALHO Faixa etária Nº absoluto % De 6 a 9 anos 2 7,4 De 10 a 13 anos 9 33,3 De 14 a 17 anos 7 25,9 De 18 a 21 anos 4 14,8 De 22 a 25 anos 2 7,4 De 26 a 29 anos Ø 0,0 Mais de 30 anos 1 3,7 Não respondeu 2 7,4 TOTAL 27 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo 62 Gráfico 9 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM A FAIXA ETÁRIA DE INGRESSO NO MERCADO DE TRABALHO 0 3,7 7,4 7,4 14,8 25,9 33,3 7,4 0,0 10,0 20,0 6 - 9 anos 14 - 17 anos 22 - 25 anos mais de 30 anos 30,0 40,0 10 -13 anos 18 - 21 anos 26 - 29 anos Não respondeu Situação atual de emprego Como demonstra o gráfico e a tabela 10, a maioria dos alunos (74,1 %) está trabalhando, enquanto 7,4% estão desempregados e procurando emprego, outros 7,4% dos respondentes estão desempregados e não procurando emprego, somente 3,7% nunca trabalhou, 3,7% é aposentado e 3,7% não quis responder a questão. Tabela 10 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM SITUAÇÃO ATUAL DE EMPREGO Situação atual Nº absoluto % Está trabalhando 20 74,1 Desempregado e procurando emprego 2 7,4 Desempregado e não procurando emprego 2 7,4 Nunca trabalhou 1 3,7 Aposentado 1 3,7 Não respondeu 1 3,7 TOTAL 27 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo 63 Gráfico 10 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM SITUAÇÃO ATUAL DE EMPREGO 100,0 74,1 50,0 7,4 7,4 3,7 3,7 3,7 0,0 Está trabalhando Desempregado e procurando emprego Desempregado e não procurando emprego Nunca trabalhou Aposentado Não respondeu Tempo de dedicação ao trabalho Percebe-se que por meio da coleta de dados (Ver gráfico e tabela 11) que os alunos tem uma carga pesada de horas trabalhadas, pois, 48,2% trabalha mais de 40 horas, logo vem 22,2% que trabalha entre 31 a 40 horas, enquanto 11,1% trabalha de 21 a 30 horas e 18,5% não trabalha e nenhum dos respondentes trabalha 20 horas. Tabela 11 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O NÚMERO DE HORAS DEDICADAS ÀS ATIVIDADES PROFISSIONAIS Horas trabalhadas Nº absoluto % Não trabalho 5 18,5 20 horas Ø 0,0 21 a 30 horas 3 11,1 31 a 40 horas 6 22,2 Mais de 40 horas 13 48,2 TOTAL 27 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo 64 Gráfico 11 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O NÚMERO DE HORAS DEDICADAS ÀS ATIVIDADES PROFISSIONAIS 48,1 50,0 40,0 30,0 22,2 18,5 20,0 10,0 11,1 0,0 Não trabalho 20 horas de 21 a 30 horas de 31 a 40 horas mais de 40 horas 0,0 Aspirações A tabela e o gráfico 12 apontam a profissão que os alunos gostariam exercer. Sendo que 14,8% trabalhariam na área de enfermagem, 11,1 % gostariam de ser artista. E a demais respostas, todas respectivamente com 3,7% cada foram as seguintes: advogado, arquiteto, assistência social, bancário, cabeleireira, economista e jogador. 65 Tabela 12 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM A PROFISSÃO QUE GOSTARIA DE EXERCER ASPIRAÇÃO Nº ABSOLUTO % Advogado 1 3,7 Arquiteto 1 3,7 Artista 3 11,1 Assistência Social 1 3,7 Bancário 1 3,7 Cabeleireira 1 3,7 Economista 1 3,7 Enfermagem 4 14,8 Jogador 1 3,7 Médico 3 11,1 Não sabe/Não respondeu 5 18,5 Professor 3 11,1 Veterinário 2 7,4 TOTAL 27 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo 66 Gráfico 12 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM A PROFISSÃO QUE GOSTARIA DE EXERCER 18,5 20 14,8 15 11,1 11,1 7,4 10 5 11,1 3,7 3,7 3,7 3,7 3,7 3,7 3,7 0 Advogado Assistência Social Economista Médico Veterinário Arquiteto Bancário Enfermagem Não sabe Artista Cabeleireira Jogador Professor Tempo de permanência na escola Os dados coletados (Ver gráfico 13 e tabelas 13 e 14) confirmam as pesquisas realizadas na área, que a maior parte dos jovens e adultos já tem experiência escolar anterior. E em relação ao tempo de permanência na escola apresenta-se da seguinte forma: 63% dos respondentes já estiveram na escola por mais de 3 anos e 22,2% estiveram menos de 1 ano. De 1 a 2 anos foram 11,1% dos respondentes e apenas 3,7% nunca esteve na escola anteriormente. Segundo Infante (apud FÁTIMA, 1997), percebe-se que devido ao fracasso nos primeiros anos de escolaridade, o jovem e o adulto, chegam a retornar ao quaseanalfabetismo, pois, as sucessivas reprovações são um dos fatores que contribui para a evasão escolar, aumentando, portanto, o índice de analfabetismo no país. 67 Tabela 13 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM TEMPO DE PERMANÊNCIA NA ESCOLA Já esteve na escola Nº ABSOLUTO % Sim 26 96,0 Não 1 4,0 TOTAL 27 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo Tabela 14 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O TEMPO DE PERMANÊNCIA NA ESCOLA Tempo de permanência Nº ABSOLUTO % Nunca 1 3,7 Menos de 1 ano 6 22,2 De 1 a 2 anos 3 11,1 Mais de 3 anos 17 63,0 TOTAL 27 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo Gráfico 13 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O TEMPO DE PERMANÊNCIA ANTERIOR NA ESCOLA 63,0 Mais de 3 anos 11,1 de 1 a 2 anos 22,2 Menos de 1 ano 3,7 0,0 Nunca 20,0 40,0 60,0 80,0 68 Valorização da escolaridade Conforme a coleta de dados (Ver gráfico 14 e tabelas 15 e 16), todos os respondentes afirmaram que tem a perspectiva de prosseguir os estudos após a conclusão da etapa de alfabetização. Dentre estes, 48,1% desejam atingir o Ensino Superior, enquanto 40,7% o Ensino Médio, e 7,4% o Ensino Fundamental. Confirma pesquisas que apontam que os alunos alfabetizandos vêem a escola como o lugar onde poderão adquirir conhecimentos para conseguir trabalhar, além de uma vida melhor e posição social valorizada. Tabela 15 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM A PERSPECTIVA DE CONTINUAÇÃO DOS ESTUDOS Deseja continuar os Nº Absoluto % Sim 27 100,0 Não Ø 0,0 TOTAL 27 100,0 estudos Fonte: Pesquisa de Campo Tabela 16 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O NÍVEL DE ESCOLARIDADE QUE DESEJAM ALCANÇAR Nível de escolaridade Nº absoluto % Ensino Fundamental 2 7,4 Ensino Médio 11 40,7 Ensino Superior 13 48,1 Outro Ø 0,0 Não respondeu 1 3,7 TOTAL 27 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo 69 Gráfico 14 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O NÍVEL DE ESCOLARIDADE QUE DESEJAM ALCANÇAR 48,1 50 Ensino Fundamental Ensino Médio 40,7 40 Ensino Superior 30 20 10 Outro Não respondeu 7,4 0,0 3,7 0 Qualificação Profissional Percebe-se que a resposta afirmativa na coleta de dados para a realização de algum curso profissionalizante representa 81,5% dos respondentes, e apenas 14,8% dos alunos não deseja realizar curso posteriormente e ainda, 3,7% não respondeu (Ver gráfico 15 e tabela 17). Pois, em relação a este item a realização de um curso profissionalizante contribui para a superação e obtenção de melhor nível de escolaridade. Apesar da afirmativa de desejar realizar um curso profissionalizante, 37% dos respondentes não respondeu qual o curso aspirado. Porém, dentre os cursos que foram informados, 25,9% escolheram a profissão na área de informática, sendo que cabeleireira e mecânica, tiveram respectivamente, 7,4% das respostas, e as demais profissões (Ver gráfico 16 e tabela 18), cada qual representa 3,7% dos alunos. 70 Tabela 17 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM A ASPIRAÇÃO DE REALIZAR ALGUM CURSO PROFISSIONALIZANTE Aspiração para realizar Nº absoluto % Sim 22 81,5 Não 4 14,8 Não respondeu 1 3,7 TOTAL 27 100,0 curso profissionalizante Fonte: Pesquisa de Campo Gráfico 15 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM A ASPIRAÇÃO DE REALIZAR ALGUM CURSO PROFISSIONALIZANTE 14,8% 3,7% Sim Nâo Não respondeu 81,5% 71 Tabela 18 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O CURSO PROFISSIONALIZANTE ASPIRADO Curso Profissionalizante Nº absoluto % Auxiliar de enfermagem 1 3,7 Cabeleireira 2 7,4 Cozinheira profissional 1 3,7 Economia 1 3,7 Estética 1 3,7 Informática 7 25,9 Mecânica 2 7,4 Medicina 1 3,7 Não respondeu 10 37,0 Pedagogia 1 3,7 TOTAL 27 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo Gráfico 16 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM O CURSO PROFISSIONALIZANTE ASPIRADO 25,9 40,0 20,0 37,0 3,7 7,4 3,7 3,7 3,7 7,4 3,7 0,0 Auxiliar de enfermagem Cozinheira profissional Estética Mecânica Não respondeu Cabeleireira Economia Informática Medicina Pedagogia 3,7 72 Desempenho Profissional Nota-se que diante dos dados apresentados 37% dos respondentes afirma que terão melhor qualificação após o domínio da leitura e da escrita, enquanto 29,6% aumentarão o conhecimento, outros 29,6% dos alunos não sabe/não respondeu e 3,7% afirmou que eleva a auto-estima o saber ler e escrever (Ver gráfico 17 e tabela 19). Tabela 19 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM AS POSSÍVEIS MUDANÇAS NO DESEMPENHO PROFISSIONAL POR MEIO DO DOMÍNIO DA LEITURA E DA ESCRITA Possíveis mudanças Nº absoluto % Aumento do conhecimento 8 29,6 Melhor qualificação 10 37,0 Melhora a auto-estima 1 3,7 Não sabe/Não respondeu 8 29,6 TOTAL 27 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo Gráfico 17 DISTRIBUIÇÃO DOS RESPONDENTES DE ACORDO COM AS POSSÍVEIS MUDANÇAS NO DESEMPENHO PROFISSIONAL POR MEIO DO DOMÍNIO DA LEITURA E DA ESCRITA 37,0 40,0 29,6 29,6 30,0 20,0 10,0 0,0 3,7 Aumento do conhecimento Melhor qualificação Melhora a autoestima Não sabe/Não respondeu 73 CONSIDERAÇÕES FINAIS A Educação de Jovens e Adultos é um tema vasto e requer muitos estudos nas diferentes elementos que a compõe. Percebes-se que o Jovem e o Adulto trabalhador possuem características próprias, as quais são extremamente importantes para um estudo que promova a atuação qualitativa do Orientador Educacional frente ao referido público. A história da EJA resume-se em linhas gerais, às políticas malsucedidas dos governos até o presente momento. Embora, sempre haver paralelamente movimentos populares, ora vinculados à Igreja, em prol da conscientização e efetivação da cidadania entre as camadas populares. Promovendo assim, uma educação contextualizada com a realidade vivida pelos alfabetizandos, que em sua grande maioria era composta por trabalhadores e donas-de-casa. O desafio da pesquisa consistiu em responder quais as dificuldades que o Orientador enfrenta para o atendimento adequado da clientela da Educação de Jovens e Adultos. E é percebido que são os mais diversos, pois o perfil do público estudado caracteriza-se por uma população predominantemente feminina e jovem, compreendida por pessoas abaixo dos 30 anos de idade. Outro fator relevante é que são pessoas de origem nordestina, que condiz com o que as pesquisas apontam, sendo preciso, portanto, uma adaptação curricular à cultura dessa população, promovendo a interação com a realidade por eles, outrora vivida. Pois, são pessoas que mudaram de região a mais de seis anos, e, não possuem uma referência em relação à sua origem. Nesse contexto, são indivíduos que vivem juntamente com outras pessoas não sendo necessariamente o ambiente de uma família nuclear. Nota-se também, que devido às exigências da sociedade atual, e à falta de escolaridade são pessoas que não conseguem se estabelecerem num posto 74 trabalho. Sequer foram instruídas para as ocupações, cujas profissões foram desempenhadas por conta própria. É valido ressaltar que a escola não exerceu o papel de profissionalização dos indivíduos, visto que, eles já tiveram passagens anteriores e com mais de três anos de permanência pela escola. Convém mencionar que o público da Educação de Jovens e Adultos ingressa no mercado de trabalho muito cedo, por volta dos 10 anos de idade. Pois, trata-se da situação de uma classe trabalhadora precoce, que contraria o direito à educação e à permanência na escola garantido por lei. As condições atuais dos alunos na EJA em relação ao exercício de uma atividade remunerada, estes estão exercendo alguma atividade, porém em situações precárias, pois, as horas trabalhadas chegam a exceder às 40 horas semanais. No que diz respeito em relação à aspiração de profissão dos alunos são enumeradas as mais diversas profissões como médico, advogado, professor, entre outras. Percebe-se que a escolaridade é valorizada, pois proporciona uma melhor qualificação ou o aumento do conhecimento. Embora alguns alunos apontem o desejo em alcançar o nível superior, não deixam de demonstrar a expectativa em realizar algum curso profissionalizante, o que confirma a necessidade em se estabelecer e melhorar as condições atuais de trabalho. Diante do exposto, é de suma importância que o Orientador Educacional ao elaborar atividades a serem trabalhadas com o público da EJA, identifique os anseios e o contexto do presente público. É importante salientar que o Orientador Educacional esteja atento e disposto, pois, com o seu papel de articulador entre os diferentes segmentos presentes no contexto intra e extra escolar possa trazer para dentro da escola a realidade existente do lado de fora, ou seja, na sociedade. Respeitando a forma de aprender de cada um, porque se caracterizam pessoas autodidatas, e que já possuem um método para aprender, sendo necessário apenas uma adaptação aos conteúdos a serem ministrados. 75 Cabe ao Orientador Educacional conduzir, com base em estudos referentes aos alunos da Educação de Jovens e Adultos a sensibilização do pessoal pertencente ao contexto escolar, inclusive o aluno, por meio de projetos interdisciplinares, atividades pedagógicas, dinâmicas, palestras, etc. Promovendo a real função em se formar trabalhadores e cidadãos. Porém, para que ocorra a realização de um trabalho dessa amplitude é preciso que haja cursos específicos, nos quais seja pesquisada de forma ampla, toda a composição do perfil do alunado da EJA. Contudo deve-se apresentar a constituição de uma grade curricular adequada na Educação de Jovens e Adultos que proporcione a atuação mais efetiva e qualitativa do Orientador Educacional, profissional de extrema importância no auxílio e manutenção do verdadeiro papel da escola: o de formar e preparar as pessoas para o exercício pleno da cidadania. 76 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARROS, Célia S. Guimarães. Pontos de psicologia escolar. São Paulo: Ática, 1989. BRAGHIROLLI, Elaine Maria (et al.). Psicologia Geral. 18 ed. Porto Alegre: Vozes, 2000. BRANDEN, Nathaniel. O poder da auto-estima. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997. CARLOS, J. e BARRETO, V. Um Sonho que não serve ao sonhador. Revista Alfabetização e Cidadania, São Paulo: RAAB, n° 1, out/1994. FÁTIMA, Edlamar M. de. Expectativas sócio-educacionais de um grupo de alfabetizandos jovens e adultos no Distrito Federal. Dissertação de Mestrado. Brasília: UCB, 1997. FERNANDES, Dorgival Gonçalves. 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Campinas: Papirus, 1985. 78 ANEXO – QUESTIONÁRIO 79 INSTITUTO CIENTÍFICO DE ENSINO SUPERIOR E PESQUISA CURSO DE PEDAGOGIA QUESTIONÁRIO Finalidade Caro aluno, Este questionário é um instrumento onde buscarei levantar alguns dados sobre o aluno dessa Instituição de Ensino, para tal conto com sua colaboração e presteza. Desde já agradeço pela atenção. 1. Sexo Feminino Masculino 2. Idade _______ anos. 3. Estado Civil Solteiro (a) Casado (a) Separado (a) ou desquitado (a) ou divorciado (a) Outra opção. Qual ? _______________________________________________________ 4. Você é natural de qual Estado? _______________________________________________ 5. Há quanto tempo vive no Distrito Federal? Menos de 1 ano De 1 a 2 anos De 3 a 5 anos Mais de 6 anos 6. Você mora com: Sozinho (a) Seus pais Esposo (a) Outros parentes Outras pessoas 80 7. Até hoje, quantos empregos você teve? Nenhum Um Dois Três Quatro ou mais 8. Como você aprendeu o seu primeiro trabalho? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 9. Que idade você tinha quando começou o seu primeiro trabalho? __________ anos. 10. Qual a situação de trabalho atual? Estou trabalhando Estou desempregado, procurando emprego Estou desempregado, mas não estou procurando emprego Nunca trabalhei Aposentado 11. Quantas horas por semana você trabalha? Não trabalho Até 20 horas por semana De 21 a 30 horas por semana De 31 a 40 horas por semana Mais de 40 horas por semana 12. O que você gostaria de ser (ou ter sido profissionalmente)? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 13. Você esteve em alguma escola antes? Sim Não.Porquê?______________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 14.Por quanto tempo você ficou na escola? 81 Nunca esteve na escola Menos de 1 ano De 1 ano até 2 anos Mais de 3 anos 15. Você quer continuar os estudos? Sim Não 16. Se a resposta for sim: Que nível você espera alcançar? Terminar o Ensino Fundamental (antigo 1º grau) Terminar o Ensino Médio (antigo 2º grau) Ensino Superior (faculdade) Outro. Qual? _____________________________________________________________ 17. Você pretende fazer algum curso profissionalizante após o término do curso de alfabetização? Sim. Qual? _______________________________________________________________ Não 18. Você acredita que, seu desempenho profissional pode mudar após o curso de alfabetização? Sim Não 18.1. Por quê? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ OBRIGADA!