1 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. I - INTRODUÇÃO 1.1. Atitude dos Governantes frente ao Resultado do Orçamento Corrente A administração pública brasileira tem vivido com grandes dificuldades nos últimos anos, tanto no âmbito da gestão financeira como em relação à representação contábil dos elementos patrimoniais e conseqüentemente de suas atividades. A legislação pátria, tanto em matéria orçamentária e financeira como contábil tem sido bastante permissiva com os administradores públicos que exercem a gestão financeira de modo voluntarista e sem qualquer racionalidade na utilização dos recursos escassos obtidos, seja por esforço arrecadatório próprio (Receitas Próprias), seja por esforço de outros entes da federação (Receitas Transferidas). Tratam, invariavelmente, a equação financeira pela fórmula da RECEITA = DESPESA como se a receita tivesse uma elasticidade sem limites, seja pelo inimaginável aumento da carga tributária, seja pela captação no mercado de recursos decorrentes de empréstimos oriundos da emissão de títulos públicos ou da assinatura de contratos. No curto prazo equacionam seus problemas de caixa mediante a emissão de “papagaios” junto ao sistema bancário. No passado as empresas privadas adotavam como equação básica dos resultados a fórmula PREÇO=CUSTO+LUCRO, mas em face do ambiente de competitividade mundial inverteram a equação para PREÇO-CUSTO=LUCRO , o que significa uma filosofia de guerra ao desperdício e melhoramento contínuo com a efetiva implantação do sistema de gerenciamento de custos e não só a compilação dos mesmos, permitindo com isto a medição do impacto econômico das atividades e em conseqüência desenvolver ferramentas de poderio estratégico para a tomada de decisão e a resolução de problemas. A administração pública resiste de modo enfático a essa mudança estratégica adotada pelas empresas e insiste que em caso de déficits ou seja, quando a Receita Própria + Transferências são inferiores às Despesas Correntes e de Capital os caminhos a seguir são: - lutar por uma reforma constitucional para obtenção de mais arrecadação; - aumentar as alíquotas dos tributos já existentes; - obtenção de empréstimos por emissão de títulos ou por assinatura de contratos. Quando o aperto financeiro decorre de insuficiências momentâneas de caixa, os gestores apelam para uma “Antecipação de Receita Orçamentária - ARO’s” comprometendo receitas futuras. 2 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 2 O noticiário tem revelado que a maioria dos Estados e Municípios se encontram numa situação financeira difícil, pois não estão conseguindo pagar os empréstimos tomados para acertar suas folhas de pagamento atrasadas e dívidas de curto prazo com os bancos (ARO’s). A experiência e o noticiário vêm revelando, nos últimos tempos, um descuido muito grande por parte dos governantes com os princípios básicos da gestão financeira do Tesouro, ensejando sistemáticos atrasos no pagamento a fornecedores e prestadores de serviços, para não falar dos salários do funcionalismo. Na verdade, os gestores descuidam-se da obtenção do equilíbrio no denominado Resultado do Orçamento Corrente, que pode apresentar as seguintes posições: Tabela 1 Comparação entre as Receitas e Despesas Resultado do orçamento corrente P RECEITA RECEITA RECEITA DESPESAS PRÓPRIA TRANSFERIDA TOTAL CORRENTES O S I Tributária Pessoal e Encargos Patrimonial O. Custeios Aplicações Juros Dívida Ç Industrial Transferências à Dívida Ativa Correntes O RESULTADO DO ORÇAMENTO CORRENTE Outras 1ª 100 80 180 100 80 2ª 100 80 180 180 00 3ª 100 80 180 200 (80) 3 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 3 Na primeira posição verifica-se um superávit do orçamento corrente da ordem de R$ 80 que poderá ser utilizado de diversas formas. A mais salutar será considerar que tal superávit é esporádico e fazer investimentos, como por exemplo: construção de uma escola, viaduto, etc. mas, o que se verifica usualmente é o uso de tal superávit para gerar aumento das despesas correntes (aumento de salários ou gastos de consumo). Na primeira hipótese (investimento), temos uma atitude prudente diante das incertezas sobre a continuidade do superávit apresentado, visto que a execução dos investimentos não trazem, após o seu término, qualquer pressão permanente de caixa, a não ser a manutenção do objeto construído. No segundo caso (aumento do custeio), é preciso ter muito cuidado pois, face ao regime de estabilidade de servidores, qualquer valor agregado no custeio passa a ter caráter permanente e sobre ele certamente incidirão todos os adicionais possíveis. Portanto, podemos afirmar que o superávit do orçamento corrente somente deverá atender à realização de projetos cuja característica é a temporariedade e a especificidade. É condenável, por outro lado, a utilização do superávit corrente na geração de despesas de custeio que, pela própria natureza, atendem a atividades e conseqüentemente são permanentes e imutáveis ao longo tempo. Se por outro lado, o resultado orçamentário corrente for igual a zero, significa que a entidade está em equilíbrio e, portanto, qualquer recurso referente a empréstimos somente poderá ser captado para aplicação em despesas de capital referentes à projetos de investimentos. Assim como nas empresas a fórmula passou a ser PREÇO - CUSTO = LUCRO, na administração pública a situação de equilíbrio ocorre quando o confronto entre Receitas e Despesas apresenta resultado nulo, embora mesmo nesta situação ainda possam existir despesas supérfluas e inúteis. Tanto na situação superavitária quanto na de equilíbrio, as despesas com investimentos devem ser distribuídas pelos diversos exercícios que serão beneficiados por tais aplicações, para que a população atual não sofra carga tributária excessiva. Para isso, os governantes recorrem ao crédito público como meio para distribuir, por vários períodos, o custo com a aquisição de bens de capital ou realização de investimentos. Na terceira situação temos a hipótese de déficit no orçamento corrente e que deve ser coberto mediante esforço da administração para aumentar a arrecadação, seja pelo simples aumento da carga tributária, quando possível, ou pela otimização e racionalização do sistema de fiscalização tributária mediante combate desde a simples falta de pagamento até ações mais rigorosas no caso de sonegação. Pode ainda ser estudada a redução das despesas e gastos com o fito de equilibrar as finanças da entidade. 4 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 4 A última questão (déficit do orçamento corrente) merece diversas reflexões por parte dos dirigentes, mas quase nunca há a preocupação com a redução ou racionalização das despesas, visto que só estão em foco constantemente assuntos referentes ao aumento das receitas e, diante da primeira dificuldade, buscam o caminho dos empréstimos e, conseqüentemente, do endividamento desenfreado como o que se vê atualmente. Raras são as vezes em que os responsáveis pelo ente público tratam da questão das despesas e quando o fazem vão logo alertando para o perigo das demissões em massa, começando por fatos simples como “caça aos marajás”, chegando ao que denominam privatização de estatais, mas cujo objetivo não passa, muitas vezes, de simples venda de seus ativos. Nunca tratam a questão das despesas pelo lado estratégico para instituir programa de redução de custos e desperdícios que, corretamente aplicado, pode trazer alterações substanciais na equação antes examinada, em face da redução dos déficits e a apresentação de superávits, pois cada custo ou desperdício evitado permitirá a geração de recursos adicionais a serem aplicados em outras áreas ou realocados, segundo prioridades estabelecidas. Assim, a implantação de uma Contabilidade de Custos nas entidades governamentais é de suma importância, visto que os entes públicos devem preocupar-se, especialmente, a partir de 1988 com as informações analíticas sobre custos, ingressos, margens e resultados que podem ser úteis para o processo de planificação e tomada de decisões, tanto no sentido político como no administrativo. A assertiva parece mais clara quando observamos o estado falimentar daqueles entes federados que praticaram uma gestão generosa com os agentes econômicos com quem transacionam, indo de aumentos a funcionários até preços excessivos praticados por fornecedores e empreiteiros. Isto fica mais evidenciado quando se verifica que após a edição do plano real as receitas próprias tiveram incremento na arrecadação, mas por outro lado grande parte dos administradores não deduziu de seus contratos com fornecedores e empreiteiros a inflação anterior embutida quando da apresentação das propostas. Tal fato foi agravado porque logo após a edição do plano real os Estados entraram em processo eleitoral, onde tradicionalmente o nível de demandas por obras e serviços aumenta. O aumento do nível de gastos assim considerado e com a inflação sob controle foi, ao que parece, o caminho certo para a situação falimentar atual, conforme atestam declarações das autoridades federais que têm atuado em socorro dos Tesouros locais. 5 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 5 Tomando por base tudo o que decorreu das observações até aqui efetuadas sobre o planejamento, orçamento e contabilidade gerencial é possível constatar que se as organizações governamentais tivessem um sistema de contabilidade de custos aliado a uma gestão com austeridade e rigor, a situação seria outra. 1.2. A Contabilidade Pública e suas limitações 1.2.1 - Apuração dos Resultados A edição da Lei 4320/64 pode ser considerada como um marco, pois melhorou consideravelmente os conceitos da gestão orçamentária e de caixa do Tesouro, introduzindo que o resultado do exercício será apurado segundo o denominado regime misto: de caixa, para as receitas (ingressos); e de competência, para as despesas (desembolsos). Tratase, como já vimos, de procedimento ultra conservador, quer porque deixa de fora da contabilidade e, portanto, dos resultados todas as receitas a receber que já sejam do conhecimento da instituição, tais como: os impostos lançados de ofício (Imposto Predial e Territorial Urbano, Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores etc.) e determina textualmente que somente pertencem ao exercício as despesas nele “legalmente” empenhadas, quando o tecnicamente correto seria a apropriação das despesas em função da ocorrência dos fatos econômicos. Considerar que uma despesa somente pertence ao exercício se o fato administrativo estiver de conformidade com a lei, é permitir que os demonstrativos da contabilidade omitam ao Poder Legislativo e a outros grupos de interesse a real composição do patrimônio público e, por via de conseqüência, inviabilizar o sistema contábil como um dos fatores para avaliação do desempenho dos administradores. O que se observa é que a contabilidade ao tratar da relevação e evidenciação dos componentes patrimoniais deveria proceder à integração total dos fluxos financeiros e econômicos e os administradores deveriam, neste aspecto, abandonar o conceito estrito da conformidade legal tão bem referenciado no magistério de MEIRELES1 quando ensina: “enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular significa “pode fazer assim”, para o administrador público significa “deve fazer assim” ”. Este é um conceito de grande utilidade no campo jurídico, mas imprestável no âmbito da contabilidade, especialmente a gerencial, cujo objetivo é evidenciar os movimentos financeiros e econômicos do patrimônio. Deixar de registrar algum fato administrativo só porque fere algum dispositivo legal é desvestir a contabilidade do seu arcabouço científico e submetê-la à boa vontade dos administradores públicos temporários que, embora eleitos pelo voto popular, não 6 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 6 tem, salvo honrosas exceções, compromisso com as funções permanentes do Estado, preocupando-se muito mais com as funções temporais que duram o tempo de um mandato. Sob o ponto de vista de apuração de custos e sua integração com a Contabilidade governamental este parece ser o principal obstáculo, visto o enfoque apenas financeiro voltado para a prestação de contas de ingressos e desembolsos decorrentes da execução do orçamento aprovado pelo Poder Legislativo. 1 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 2ª ed., Malheiros Editora Ltda. 1995, SP, p. 82. 7 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 7 Embora a lei sob análise estabeleça em seu art. 99 que “os serviços industriais, ainda que não organizados como empresa pública ou autárquica, manterão contabilidade especial para determinação dos custos, ingressos e resultados, sem prejuízo da escrituração patrimonial e financeira comum”, observamos que a contabilidade pública vem, desde a sua origem, dando ênfase aos aspectos orçamentários, financeiros e patrimoniais sem preocupar-se com a identificação de qualquer unidade de medida, como bem salienta NASCIMENTO2 ao citar o voto de Raimundo Menezes Vieira, Auditor do Tribunal de Contas do Distrito Federal: “ora, a expressão financeira de um produto é função de sua expressão física, isto é, só se pode saber quanto gastar se se puder estimar o valor de cada unidade física, em um dado período. De modo que uma fiscalização que se preze tem que contrastar os aspectos financeiros com os aspectos físicos.” 1.2.2 - Deficiência na avaliação dos elementos patrimoniais A atividade governamental está inserida no universo das entidades sem fins lucrativos e nesta condição deve adotar critérios contábeis próprios para divulgação de suas atividades bem como aplicar em toda a sua abrangência os princípios fundamentais de contabilidade, adequando-os as suas características próprias. A Lei 4320, de 17 de março de 1964, é o diploma básico aplicável à Contabilidade Governamental, cujos procedimentos tem por finalidade concretizar não só a organização dos serviços de contabilidade, mas também a gestão financeira e o controle da receita e despesa. Entretanto, está voltada fundamentalmente para os aspectos financeiros do orçamento, deixando de lado alguns eventos de natureza econômica. Com relação à aplicação dos princípios 3 entidades públicas em importante estudo REIS de Contabilidade às destaca que “entre os entraves com que se defronta a Contabilidade Governamental e que prejudicam a sua evolução destaca-se o excesso de formalismo na Administração a Pública, conseqüentemente, que impede atinge a muitas revelação vezes da informação verdadeira e, situação econômico-financeira da entidade governamental. É claro que isto tem 2 NASCIMENTO, José Olavo. O Orçamento Público - Aspectos Relevantes, Caxias do Sul, Prefeitura Municipal de Caxias do Sul, 1986. P. 156-35. 3 REIS, Heraldo Costa. Principios Fundamentais de Contabilidade. 1ª ed. RJ IBAM, 1995 - p. 8 8 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 8 um impacto negativo sobre as necessidades do seu usuário, principalmente o externo, neste caso, o contribuinte”. A Lei 4320/64, portanto, ao dispor sobre as regras orçamentárias e contábeis preocupou-se com o fluxo de caixa e o conteúdo das informações financeiras, sem levar em conta aspectos econômicos que possibilitariam melhor avaliação dos ativos, passivos e patrimônio líquido. A composição quantitativa do patrimônio público pode ser assim resumida: Quadro 1 Composição do Patrimônio Público ATIVO PASSIVO ATIVO FINANCEIRO PASSIVO FINANCEIRO Disponível Restos a Pagar Vinculado Depósitos Realizável Serviço da Dívida a Pagar Débitos de Tesouraria ATIVO PERMANENTE PASSIVO PERMANENTE Bens da Entidade Dívida Fundada Interna Valores Dívida Fundada Externa Créditos PATRIMÔNIO LÍQUIDO Fundo Social Resultado Acumulado A avaliação dos elementos patrimoniais do ativo financeiro realizável e do passivo financeiro e permanente deve observar as seguintes normas nos termos do art. 106 da Lei 4320/64: • os débitos e créditos, bem como os títulos de renda, pelo seu valor nominal, feita a conversão, quando em moeda estrangeira, à taxa de câmbio vigente na data do balanço; • os bens móveis e imóveis, pelo valor de aquisição ou pelo custo de produção ou de construção; • os bens de almoxarifado, pelo preço médio ponderado das compras; • os valores em espécie, assim como os débitos e créditos, quando em moeda estrangeira, deverão figurar ao lado das correspondentes importâncias em moeda nacional; 9 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 9 • as variações resultantes da conversão em espécie dos débitos, créditos e valores serão levados à conta patrimonial. Entretanto, o exame do quadro das contas e o próprio exame dos procedimentos adotados revelam que algumas informações deixam de ser incluídas, visto que a Contabilidade das instituições públicas de um modo geral apresenta as deficiências seguintes: Quadro 2 Deficiências mais encontradas nos elementos patrimoniais ELEMENTO PATRIMONIAL DEFICIÊNCIAS (NÃO INCLUSÃO DOS SEGUINTES DADOS) ATIVO • Avaliação dos investimentos relevantes em sociedades seguindo o método da equivalência patrimonial. • Incorporação do investimento acumulado em bens de uso comum do povo sejam eles naturais (rios, estradas, praças, etc.) ou artificiais (rodovias, pontes, túneis, viadutos, etc.). • Provisão para perdas de ativos como Dívida Ativa, Ações 10 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 10 e Títulos de Renda. • Depreciação, amortização e exaustão sobre os bens do ativo permanente ou valores levados para o Ativo e que devam ser distribuídos por mais de um exercício. • Atualização dos ativos não monetários • Dívidas referentes a precatórios incluídos no orçamento PASSIVO como compromissos do exercício seguinte. • Contas a Pagar referentes as despesas liquidadas a pagar de modo a implementar a competência mensal. • Provisão para pagamento de aposentadoria de funcionários estatutários. ATIVO E PASSIVO • Consolidação dos balanços e resultados das entidades da administração indireta. PATRIMÔNIO LÍQUIDO • Atualização do saldo patrimonial Sem o registro dos fatos acima ou de alguns deles verifica-se, desde logo, que a Contabilidade Governamental apresentará distorções quantitativas nas demonstrações contábeis das entidades governamentais, e como decorrência, deixará de obedecer a três requisitos fundamentais: - fidelidade à realidade operacional - obediência ao princípio de análise - estruturação em função da utilidade dos resultados A Contabilidade deve traduzir fielmente os fenômenos ocorridos no patrimônio público. Entretanto, a ausência de registro dos eventos supra referidos são omissões tecnicamente injustificadas, que permite concluir que o patrimônio pode não representar adequadamente a situação econômica e financeira da entidade. 1.2.3 - Deficiências na classificação das despesas 11 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 11 A implantação de qualquer sistema de custeamento está na razão direta das atividades desenvolvidas pela organização em estudo e depende, fundamentalmente, da identificação das necessidades e dos objetivos que se desejam alcançar. Assim, partindo da coleta dos dados internos ou externos, é possível desenvolver um sistema de acumulação dos custos de qualquer organização e, a partir daí, definir claramente os objetivos que se desejam alcançar. Para LEONE4 “a Contabilidade de Custos refere-se hoje às atividades de coleta e fornecimento de informações para as necessidades de tomada de decisão de todos os tipos, desde as relacionadas com operações repetitivas até as de natureza estratégica, não repetitivas, e, ainda, ajuda na formulação das principais políticas das organizações.” A análise da estrutura de controle das despesas no âmbito governamental revela uma orientação para o reconhecimento prioritário dos movimentos orçamentários e de tesouraria, ocorridas nas seguintes áreas: - Orçamento - Tesouraria - Crédito Público - Contabilidade O enfoque nestas áreas não tem qualquer preocupação para integração desses movimentos com a análise e apuração de custos dos produtos, serviços ou atividades desenvolvidas pelo governo e colocados à disposição da população. O Orçamento, Tesouraria, Crédito Público e a Contabilidade são componentes do sistema de administração financeira, conforme estudo apresentado em 1991, pela Agência para Desenvolvimento Internacional ( AID)5 que define a impossibilidade destes componentes serem considerados “...isoladamente; pois estão ligados entre si formando uma unidade conceitual indissolúvel em virtude do fim único que a todas engloba. A previsão que contempla o orçamento, quando este é executado, se traduz em receitas e gastos que registra e informa à contabilidade e afeta a tesouraria ou o crédito público, cujas incidências são novamente objeto de registro e documentação.” 4 LEONE, George S. Guerra. Custos, Planejamento, Implantação e Controle, RJ. Atlas: 1981, p. 512-18. 5 AID - Agência para Desenvolvimento Internacional. Sistema Integrado, Modelo de Adm. Financeira, Controle e Auditoria para América Latina - SIMAFAL, AID, Washington, 1991-p. 19. 12 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 12 A figura 1 representa a integração acima descrita: CONTABILIDADE GOVERNAMENTAL CRÉDITO PÚBLICO 2 ORÇAMENTO 1 3 TESOURO Figura 1- Integração entre os subsistemas de Orçamento, Crédito Público, Tesouro e Contabilidade. A figura mostra a colocação da contabilidade como parte integrante do sistema de administração financeira, embora a considere como elemento integrador que recebe o fluxo de dados dos outros sistemas, conforme intercessões (1-2-3) e produz informação classificada para múltiplos propósitos e usuários. Entretanto, embora a relação entre o subsistema de contabilidade e os demais subsistemas de orçamento, crédito público e tesouro estejam fundamentados nos princípios e normas da legislação, com a existência de um sistema informacional, verifica-se, na prática, uma enorme deficiência no que se refere à apuração e análise de custos. A contabilidade governamental contemporânea apresenta, no que se refere às despesas, esta deficiência, visto que não permite a identificação clara dos custos das atividades, pois seus registros mais analíticos dão ênfase à classificação legal, conforme quadro a seguir: Quadro 3 Classificação Legal das Despesas Públicas CLASSIFICAÇÃO LEGAL Institucional COMPREENDE Órgão 13 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 13 Unidade Orçamentária Funcional Programática Função Programa Sub programa Projeto/Atividade Econômica Categoria Grupo de Despesa Modalidade de Aplicação Elemento de Despesa Tal distribuição indica que a despesa pública obedece a duas classificações distintas representadas pela funcional programática e econômica, que se inter-relacionam quando da efetivação dos gastos, através da dotação orçamentária. A partir da Constituição de 88, verifica-se que a classificação funcional programática, onde são traçados os objetivos do governo, passou a ter uma natural ascendência sobre a classificação econômica. Tal ascendência diz respeito ao esclarecimento público dos gastos, e na fixação e melhor identificação dos objetivos a serem atingidos. Por outro lado, a classificação econômica é uma fonte permanente de informações para o planejamento, bastando observar que a identificação dos investimentos do setor público ou dos gastos com a aquisição de bens de consumo não é feita pela classificação programática, mas pela classificação econômica. A inclusão dos elementos de despesa, principalmente nas despesas correntes, é vista como a base para a implantação de um sistema de apuração de custos no setor público que possibilite a realização de previsões adequadas e, ainda, a avaliação dos resultados comparando os custos estimados, tanto sob o aspecto financeiro, como também, das metas físicas estabelecidas. Entretanto, no que diz respeito às despesas de capital, os elementos de despesa não estão necessariamente incorporados a esta categoria econômica, pois a administração pode decidir pela construção direta de uma obra, desenvolvimento de um software ou qualquer projeto que deva ser incorporado ao ativo e, no entanto, os gastos com pessoal, material de consumo ou serviços de terceiros, utilizados na formação desse ativo, continuarem como despesas correntes. Na atual classificação, segundo as categorias econômicas, as despesas correntes ou de capital e seus respectivos elementos não permitem a integração dos elementos de custeio para obtenções do valor a ser incorporado ao ativo. 14 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 14 Supondo que a entidade pública resolva realizar diretamente uma obra pública, isto é, utilizando seus próprios funcionários e adquirindo de terceiros os materiais e serviços necessários, teria, segundo a atual classificação orçamentária, que apropriar as despesas de duas formas: • Diretamente aos grupos e elementos de despesa correspondentes; • Mediante a inclusão no orçamento entre os investimentos do elemento: Regime de Execução Especial. Assim, no exemplo acima teríamos: 1. Apropriação direta nos elementos de despesa DESPESAS CORRENTES - Pessoal e Encargos Sociais Vencimentos e vantagens fixas ......................... xxx - Outras despesas correntes: Material de Consumo ........................ xxx Outros serviços de terceiros pessoa jurídica ................................... xxx ........ xxx Gasto Total ................................... xxx 2. Apropriação como Investimento em Regime de Execução Especial DESPESAS DE CAPITAL Investimentos Regime de Execução Especial • Vencimentos e vantagens fixas ..................... xxx • Material de Consumo ..................................... xxx • Outros serviços de terceiros pessoa jurídica .............................................. xxx Gasto Total ................................... xxx Na primeira hipótese, verifica-se a ausência da preocupação com o produto ou serviço que surgirá da congregação dos componentes do gasto. Tal procedimento dificulta a incorporação de tais valores ao ativo. No segundo caso, verifica-se a agregação dos elementos componentes numa conta específica denominada de “Investimentos ou Regime de Execução Especial”. O primeiro exemplo está enquadrado na regra do art. 5º da Lei 4.320/64, que estabelece: “Art. 5º - A Lei de orçamento não consignará dotações globais destinadas a atender indiferentemente a despesas de pessoal, material, serviços de terceiros, transferências ou quais outras, ressalvado o diposto no art. 20 e seu parágrafo único.” 15 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 15 O teor do art. 5º acima constitui uma regra geral, enquanto as normas do parágrafo único do art.20 representam uma exceção a essa regra geral. Veja-se a redação do Parágrafo Único do art.20: Art. 20..... Parágrafo Único - Os programas especiais de trabalho que, por sua natureza, não possam cumprir-se subordinadamente às normas gerais da execução da despesa poderão ser custeados por dotações globais, classificadas entre as Despesas de Capital.” MACHADO e REIS6 ao referir-se ao assunto chama atenção que “...a própria lei, entretanto, abriu uma exceção para os casos especiais e para atendê-los criou a conta 4.1.3.0 - Investimentos em regime de execução especial.” Ao tratar os Investimento em Regime de Execução Especial como procedimento extraordinário, a legislação indica claramente que o foco primeiro deve ser a classificação econômica. Sobre o assunto é ainda MACHADO e REIS7 que esclarecem: “...a execução em causa só se justifica como metodologia especial de trabalho, a que o plano de aplicação, aprovado pela Portaria SOF nº 34, de 7 de dezembro de 1978, veio dar consistência, permitindo análise em nível de objeto de gastos.” Assim, a classificação da despesa por categorias econômicas e elementos constitui-se de um complicador quando o administrador desejar obter amplas informações de custo, pois os Investimentos em Regime de Execução Especial constituem procedimentos adotados na fase da elaboração do orçamento, face à própria redação, tanto do art. 5º (“A Lei de Orçamento compreenderá ...), como do art. 20 (“Os investimentos serão discriminados na Lei de Orçamento segundo ...), e principalmente no inciso IV do art. 22 ao determinar que a proposta orçamentária deverá compor-se de: “IV- Especificação dos programas especiais de trabalho, custeados por dotações globais, em termos de 6 7 MACHADO, J.Teixeira JR. & REIS, Heraldo Costa, op. Citada, p. 378-19 Idem, idem p. 59-60 16 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 16 metas visadas, decompostas em estimativa do custo das obras a realizar e dos serviços a prestar, acompanhadas de justificação econômica, financeira, social e administrativa.” A prática tem revelado não haver garantia de que pelo simples fato de estabelecer, no momento da elaboração do orçamento, programas especiais de trabalho, a administração consiga, durante o exercício, coletar as informações analíticas de seus elementos componentes, de modo a identificar a formação do custo global da conta Investimentos em Regime de Programação Especial. Verifica-se pois, que os Investimentos em Regime de Execução Especial constituem uma permissão, na Lei orçamentária, para que certos gastos mesmo sendo classificados como despesas correntes possam ser previstos globalmente como investimentos nas despesas de capital. Entretanto, quando da execução das despesas correspondentes é apenas elaborado um plano de aplicação, voltado muito mais para justificar a liberação dos recursos financeiros do que como instrumento de controle dos custos e reconhecimento do ativo gerado. A conclusão em qualquer análise efetuada é que a Lei 4.320/64, trata a despesa pela ótica apenas financeira, não dando qualquer flexibilidade à classificação econômica. Por outro lado, estabelece rigidez na conceituação do que seja material de consumo e material permanente, fazendo a distinção apenas em função do tempo de vida útil, conforme se verifica no § 2º do art. 15 a seguir: “Art. 15... § 2º - Para efeito de classificação da despesa, considera-se material permanente o de duração superior a dois anos.” MACHADO e REIS8 ao tratar do assunto esclarece: “À falta de um critério uniforme, sempre houve muita divergência para classificar o material permanente, distinguindo-o do material de consumo, a Lei 4.320 fixou um critério, com base na duração do material”. Neste aspecto, a legislação orçamentária deixou de lado a questão do valor que nos dias atuais é de suma importância quando a Constituição trata da economicidade, podendo, por isso, serem incorporadas ao ativo materiais permanentes, com tempo de vida útil superior a dois anos, mas cujo custo é inferior ao gasto realizado para mantê-lo sob controle, contrariando a regra da economicidade. A classificação binária da despesa em Correntes e Capital constitui uma camisa de força, visto que nestas duas estão incluídas as transferências que na realidade somente tem significado quando se transformam efetivamente em despesas de custeio ou de capital nas entidades que as receberam. 17 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 17 Por outro lado, ainda temos transferências que se transformam em transferências, ou seja, a entidade recebe e passa adiante e, portanto, não são nem despesas correntes nem de capital, visto que apenas tem passagem transitória pela organização. 8 MACHADO, J. Teixiera JR. & REIS, Heraldo Costa, op. Citada - p. 52 18 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 18 Tais deficiências levam muitas vezes a uma análise distorcida dos gastos do governo, partindo do princípio que o mesmo gastou, muito ou pouco, em despesas de custeio, quando nesse critério está embutido uma grande parcela de gastos operacionais correspondentes a serviços que o governo presta à sociedade, através da previdência, da educação, saúde e das obras públicas. II - CONTABILIDADE GERENCIAL COMO FONTE DE INFORMAÇÕES 2.1 - Generalidades Os estudos referentes à Contabilidade Gerencial ou administrativa revelam que esta constitui uma ferramenta importante com o objetivo de prover a administração com informações que não podem estar inseridas na Contabilidade Geral por divergirem dela quanto à classificação, ao critério de acumulação e avaliação e, principalmente, como fonte geradora de informações que auxiliem o processo decisório. Segundo HORNGREN9 “as idéias básicas da Contabilidade Administrativa foram desenvolvidas em organizações industriais. Entretanto, elas evoluíram, podendo hoje ser aplicadas a todo tipo de organização, inclusive as que se dedicam à prestação de serviços.” ANTHONY e HEKIMIAN10 ao apresentar os conceitos básicos de Contabilidade Administrativa ensinam: “A Contabilidade administrativa está intimamente ligada ao processo conhecido como controle administrativo, ou função de controle da administração, que consiste em assegurar que os recursos sejam obtidos e usados efetiva e eficientemente na consecução dos objetivos da organização.” REIS11, citando Anthony esclarece: “o objetivo que rege a contabilidade financeira é fornecer informações a terceiros a fim de apresentar o desempenho da administração...” e no mesmo trabalho indica que a Contabilidade Gerencial “tem sua preocupação com as partes da organização, não necessitando a sua informação observar os princípios contábeis geralmente aceitos. É uma contabilidade mais administrativa, mais para uso interno. Esclareça-se que a Contabilidade Gerencial se apóia em uma boa contabilidade de Custos.” 9 HORNGREN, Charles T. Introdução à Contabilidade Gerencial, 5ª ed. RJ, PrenticeHall, 1985, p. 508-8 10 ANTHONY, R. & HEKIMIAN, J. Controle de Custos de Operações, SP, Ed. Brasiliense, 1974, p. 178-11. 11 REIS, Heraldo Costa. Áreas e Centros de responsabilidade no controle interno das entidades governamentais, RJ, RAM 25, ano XXXIX, IBAM, out/dez/1992, p. 35-24. 19 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 19 Por outro lado a apuração e controle de custos é um dos instrumentos de que se vale a Contabilidade Gerencial e sua aplicação nas atividades do Estado não difere, em princípio, da área empresarial, pois enquanto nesta busca-se identificar o custo de um produto ou serviço, naquela objetiva-se também o conhecimento dos custos de cada uma das atividades ou departamentos que prestam serviços à população e estabelecer a comparabilidade de tais custos com alguma unidade de medida preestabelecida. No âmbito das entidades governamentais os dirigentes devem concentrar esforços para investigar os parâmetros que possibilitem conhecer, entre outros, os seguintes custos: Quadro 4 Exemplos de áreas e unidades de custo ÁREAS EDUCAÇÃO UNIDADE DE CUSTO CUSTO POR CRIANÇA HOMENS-HORA P/ ALUNO SAÚDE CUSTO P/ PACIENTE INTERNADO CUSTO P/ TONELADA DE LIXO OBRAS E CONSERVAÇÃO CUSTO P/ TONELADA DE ASFALTO CUSTO P/ KM ASFALTADO 20 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 20 SEGURANÇA CUSTO P/ INTERNO EM PRESÍDIO CUSTO P/ HH DE POLICIAMENTO O que se espera no presente trabalho é contribuir para o estabelecimento de mecanismos voltados para a implantação de indicadores de desempenho para uma área escolhida. 21 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 21 2.2 - Diferenças entre a Contabilidade Gerencial e a Contabilidade Geral ou Financeira. Ao desenvolver qualquer estudo sobre Contabilidade Governamental voltado para aspectos gerenciais e de custeamento devemos estudar as normas pelo aspecto formal, orgânico e material. No aspecto formal precisamos saber quais são as regras ou princípios de contabilidade aplicáveis. No aspecto orgânico, busca-se identificar quais são os organismos responsáveis pela expedição de tais princípios e quais os órgãos ou agentes que devem cumpri-los e, finalmente, o aspecto material onde a preocupação é concentrada no conhecimento das operações submetidas a tais princípios. Qualquer análise dos procedimentos adotados desde o processo de planejamento e orçamento até o registro da evidenciação das despesas, através da Contabilidade Orçamentária, indicará uma desconexão entre os aspectos orçamentários, meramente contábeis-legais, e o sistema de planejamento que originariamente é estruturado mediante a indicação das metas físicas a alcançar, mas cujos parâmetros se perdem durante a execução orçamentária. Isto impossibilita a avaliação do desempenho entre o que foi planejado e o efetivamente realizado. Mesmo assim, a Contabilidade tem evoluído ao longo da história sempre com o objetivo de estudar o patrimônio e suas mutações básicas, e tem sido estruturada em diversas especializações, segundo as atividades desenvolvidas pelas entidades que podem ser de produção (fins lucrativos) ou de distribuição ( sem fins lucrativos). A Contabilidade Gerencial nasceu da necessidade de prover a administração de informações que não podem, em princípio, ser extraídas da Contabilidade Geral cuja preocupação básica é com a movimentação global do patrimônio da entidade. A necessidade da Contabilidade Gerencial decorreu da exigência dos administradores para implantação de uma estrutura de informações e controles que procedesse ao detalhamento dos processos internos de atuação, conjugando através de relatórios e demonstrações dados financeiros com dados físicos, de modo a proporcionar informações relevantes e oportunas em apoio às decisões. A implantação de uma Contabilidade Gerencial resulta de demandas que a Contabilidade Geral ou Financeira não pode satisfazer. Não obstante, a vinculação entre a Contabilidade Gerencial e a Contabilidade Geral são estreitas, visto que utilizam os mesmos dados, mas a Contabilidade Gerencial capta, processa, analisa, apresenta e interpreta os dados em face das necessidades da administração para condução da entidade e abstrai completamente os aspectos da formalidade legal. 22 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 22 A Contabilidade gerencial não está submetida à normas e princípios rígidos que caracterizam a Contabilidade financeira, que por tratar das relações externas sujeita-se às convenções e princípios de contabilidade. Por outro lado, a Contabilidade Gerencial não se limita à informações históricas pois trabalha com as técnicas de planejamento, programação e orçamentação, além da avaliação de projetos e estudos voltados para o exame das relações custo-benefício. Os esforços no setor público para introduzir os conceitos de economia, eficiência e eficácia constituem um desafio para a Contabilidade que deve evoluir para adequar-se às novas necessidades de informação. A Contabilidade, nas suas origens, tratou e deu ênfase inicialmente aos aspectos puramente financeiros da movimentação patrimonial, ou seja da movimentação e das relações com o mundo exterior a que a maioria dos autores denomina de Contabilidade Financeira ou Pagatória. MARTINS12 ao tratar do assunto esclarece: “Até a Revolução Industrial (Século XVIII), quase só existia a Contabilidade Financeira (ou Geral), que, desenvolvida na era mercantilista, estava bem estruturada para servir as empresas comerciais” A partir da Revolução Industrial, e mais precisamente no após guerra (1945), verificou-se que a contabilidade financeira não era capaz de responder a questões vitais relativas ao acompanhamento dos problemas de produção e apuração de custos dos bens e serviços, para dar sentido e finalidade, especialmente, a apuração de resultados, ao controle das operações e, sob o aspecto gerencial, facilitar o processo decisório. Para resolver tal necessidade surgiu a Contabilidade de Custos, cuja evolução técnica permitiu a sua aplicação cada vez maior a diferentes atividades econômicas e segundo MARTINS13, “acabou por passar nestas últimas décadas, de mera auxiliar na avaliação de estoques e lucros globais para importante arma de controle e decisões gerenciais.” A Contabilidade gerencial deve ser independente da Contabilidade Financeira, sendo relevante trazer à colação algumas das principais diferenças. Na Contabilidade Financeira a classificação e acumulação das despesas é, usualmente, feita por NATUREZA: Mão de Obra, Matéria Prima e Gastos Indiretos; ao passo que na Contabilidade Gerencial estas mesmas 12 13 MARTINS, Elizeu. Contabilidade de Custos, SP, Atlas, 1979. P. 364-19. MARTINS, Elizeu, op. Citada, p. 364-23. 23 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 23 informações são relatadas segundo o DESTINO: nas empresas são distribuídas em Produção, Finanças, Vendas e, no caso de atividades governamentais, pelas áreas de governo: Saúde, Educação, Administração, etc. A Contabilidade Financeira dá uma visão global e sintética das contas, enquanto a Contabilidade gerencial dá uma visão pormenorizada de cada uma das atividades, daí a qualificação de analítica. Os objetivos da Contabilidade financeira são essencialmente monetários, enquanto que os objetivos da Contabilidade gerencial são essencialmente econômicos e também financeiros. A Contabilidade financeira é uma ferramenta de gestão ao nível da direção geral, enquanto a contabilidade gerencial é ferramenta ao nível de todos os componentes da organização. A Contabilidade financeira constitui uma excelente e importante fonte de informações objetivas para os interessados de fora da empresa. A Contabilidade financeira tende, principalmente, analisar os fluxos existentes entre a empresa e o mundo exterior. A Contabilidade gerencial examina, na sua lente microscópica, a repartição dos fluxos de entradas na empresa, sobre a origem dos fluxos de caixa e sobre os movimentos internos da empresa. No plano da informação, a Contabilidade financeira e a gerencial utilizam os mesmos elementos de base, mas a Contabilidade gerencial utiliza um conjunto de informações específicas, tais como: de pedidos, de empenho, plano geral do governo seus programas e projetos, a fim de conhecer e quantificar os fluxos e os movimentos internos. A seguir apresenta-se um resumo das diferenças: Quadro 5 Aspectos das diferenças entre a Contabilidade Financeira e a Contabilidade Gerencial CONTABILIDADE FINANCEIRA (GERAL) 1. Classificação por Natureza 2. Fluxos externos 3. Visão global e sintética 4. Utilização interna pela direção geral CONTABILIDADE ASPECTOS ⇐ ⇐ ⇐ ⇐ GERENCIAL Quanto à classificação ⇒ Campo de observação ⇒ 1. Classificação por destino das despesas Processo de evidenciação Como ferramenta de gestão ⇒ ⇒ 2. Fluxos internos 3. Visão pormenorizada e analítica 4. Utilização por todos os componentes da organização 24 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 24 2.3 - Controle Financeiro e Orçamentário Na realidade, os sistemas de contabilidade pública fazem o registro de todas as operações sob o aspecto financeiro e seus reflexos patrimoniais, com a preocupação de examinar a legalidade dos atos praticados pelos administradores, como por exemplo: despesas realizadas sem crédito, despesas realizadas ou pagas sem empenho, excessos de arrecadação não confirmados, etc. Eles não têm como escopo o exame e avaliação da composição dos custos ou o detalhamento de seus elementos componentes, e nem a preocupação de ser uma ferramenta que o administrador possa utilizar no processo de avaliação de desempenho. Se a contabilidade das instituições públicas tivesse este alvo, certamente, as demonstrações contábeis dessas instituições permitiriam a melhoria das análises da economicidade e observação inteligente das relações custobenefício dos gastos públicos. Para REIS14 “a preocupação com os aspectos financeiros ou de caixa resulta de uma visão estreita ou restrita dessa concepção contábil, que se pode denominar de visão macroadministrativa, quando os problemas são de maior vulto e que provocam desequilíbrios financeiros, tais como desperdícios de recursos, sonegações tributárias, investimentos mal feitos, ociosidade dos ativos, enfim o descontrole generalizado que impera em, praticamente, todas as esferas governamentais. Os jornais estão aí noticiando diariamente os acontecimentos que envolvem as esferas governamentais. Alie-se, também, a isto tudo, a visão formalística da Contabilidade, que se sobrepõe ao aspecto econômico do fato administrativo, objeto dos registros contábeis.” É bem verdade que os governos sempre têm uma louvável preocupação voltada para a necessidade de identificar as demandas básicas futuras e avaliar os aspectos quantitativos e qualitativos, em números físicos e financeiros. Esse esforço foi iniciado com o Plano Nacional de Desenvolvimento e culminou com a exigência Constitucional de 1988 da apresentação no primeiro ano de cada mandato do Executivo do Plano Plurianual, à qual já nos referimos. Em que pese o grande esforço realizado até agora, a exigência legal e constitucional não produziu contudo resultados dignos de apreço: faltam-lhe os elos da associação a outras áreas de atividades paralelas ou afins. Os administradores públicos, no campo do orçamento público, em face da ausência de uma efetiva contabilidade de custos, sempre conviveram com o misticismo de uma "ditadura financeira e orçamentária”, na qual os programas ficam limitados aos recursos orçamentários a ponto de muitos ainda permanecerem na velha cultura de que " não gastam dinheiro" mas sim orçamento. 14 REIS, Heraldo Costa. Em busca da Transparência na Contabilidade Governamental, Rio de Janeiro. IBAM, RAM, vol. 39 n. 202, jan/mar 1991, p. 16-8. 25 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 25 2.4 - Planejamento e Execução Física Com a inexistência de lei complementar reguladora dos instrumentos de planejamento, o processo decisório fica sujeito à definições inseridas na Lei do Plano Plurianual, na Lei de Diretrizes Orçamentárias ou do Orçamento Anual. Sem lei complementar que disponha sobre o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a elaboração e a organização do plano plurianual, da lei de diretrizes e da lei orçamentária anual, é crítica a integração entre o planejamento advindo das propostas orçamentárias e a efetiva execução. Atualmente, em matéria de planejamento e orçamento, por força do princípio constitucional da recepção, segundo TEMER15, continuam em vigor a Lei 4.320/64 e o Decreto-lei 200/67, naquilo que não contrariem a Constituição. 15 TEMER, Michel. Elementos de Direito Constitucional, 12. Ed. SP. Malheiros Editores p. 38. 26 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 26 A partir dos dispositivos da Lei 4.320/64, foi instituída a classificação funcional programática instrumento fundamental para programação da despesa, cuja finalidade foi criar uma linguagem comum para integrar o orçamento e o planejamento conforme se evidencia a seguir: SISTEMA DE PLANEJAMENTO ÓRGÃO CENTRAL DE PLANEJAMENTO Estabelece as ÓRGÃOS SETORIAIS DE PLANEJAMENTO Consolidação diretrizes Geral 1 UNIDADES ADMINISTRATIVAS UNIDADES ORÇAMENTÁRIAS Consolida Elaboram Consolidam Estabelecem os gastos e os diretrizes ao propostas das propostas propostas das objetivos físicos a atingir nível setorial UO’s parciais Traduz as 7 2 6 UA’s 3 4 5 Figura 2 - Fluxo do processo de planejamento orçamentário SISTEMA DE ORÇAMENTO PLANEJAMENTO-ORÇAMENTÁRIO PROGRAMAÇÃO FINANCEIRA UNIDADE DE DESPESA UNIDADE DE DESPESA UNIDADE ORÇAMENTÁRIA ÓRGÃO OU MINISTÉRIO ÓRGÃO CENTRAL DE ORÇAMENTO PROGRAMA DE COTAS ORÇAMENTÁRIAS CRONOGRAMA DE DESEMBOLSO LIBERAÇÃO DOS RECURSOS FINANCEIROS REGISTRO CONTABILIZAÇÃO CONTROLE Figura 3 - Fluxo da execução orçamentária e financeira Da análise dos dispositivos da Lei 4.320/64 e do Decreto-lei 200/67 deduz-se uma concepção de planejamento abrangente, uma lógica instrumental e uma racionalidade formal, sempre amparadas por uma organização administrativa baseada na estrutura matricial e sistêmica, tendo como princípios fundamentais: o planejamento, a coordenação, a descentralização, a delegação de competência e o controle. 27 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 27 O encaminhamento e tramitação das propostas orçamentárias pode seguir o fluxo descendente ou ascendente conforme se demonstra na figura: PROCESSO DESCENDENTE ESTRUTURA DE PLANEJAMENTO E ORÇAMENTAÇÃO ÓRGÃO OBJETIVOS SETORIAIS (FUNCIONAIS) SETORIAL UNIDADE PROCESSO ASCENDENTE ÓRGÃO SETORIAL UNIDADE PROGRAMAS ORÇAMENTÁRIA ORÇAMENTÁRIA SUB PROGRAMAS UNIDADE ATIVIDADES PROJETOS ADMINISTRATIVA UNIDADES ADMINISTRATIVA Figura 4 - Fluxo do processo de elaboração das propostas orçamentárias Conforme se observa acima, o processo para elaboração do orçamento pode ser classificado em descendente e ascendente. No processo descendente os objetivos são estabelecidos em função das necessidades setoriais. Aos níveis mais baixos da hierarquia cabe elaborar os planos de trabalho de acordo com os objetivos fixados de modo a adequá-los aos recursos disponíveis. No processo ascendente os objetivos são estabelecidos pelos órgãos inferiores da hierarquia e são aprovados pela direção. Neste processo, cada unidade operacional é compelida a pensar nos objetivos, relacionando seu próprio planejamento com o orçamento e avaliando, no seu âmbito, as necessidades em relação aos meios disponíveis. 28 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 28 Qualquer que seja o processo utilizado, as propostas orçamentárias elaboradas a partir do orçamentoprograma contém os seguintes dados, como exemplifica o modelo a seguir extraído da proposta orçamentária para o exercício de 1996 da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura do Município do Rio de Janeiro: 29 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 29 Tabela 2 Proposta orçamentária da Secretaria Municipal de Saúde - 1996 PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO ATIVIDADE Proposta Orçamentária para 1996 Atividade por U.O. ÓRGÃO: Código Secretaria Municipal de Saúde 18 ÓRGÃO: Código Fundo Municipal de Saúde 03 TÍTULO DA ATIVIDADE: Código Operacionalização da Rede de Serviços de Saúde na A.P. 21 4549 DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: Atender aos usuários do sistema de saúde do Município, tanto da rede básica quanto da Rede Hospitalar, através da oferta de serviços preventivos e curativos na área de planejamento. OBJETIVO: Melhoria na qualidade e quantidade das ações oferecidas aos usuários pelo Sistema Público Municipal de Saúde. AÇÕES DESENVOLVIDAS: - Específicas ou gerais correlatas com a produção de serviços e seus indispensáveis acompanhamentos e avaliação quanto à eficácia, eficiência e efetividade dos mesmos, bem como estabelecer estratégias que garantam a continuidade. - Expandir sempre que possível suas ações, de sorte a contemplar as áreas mais carentes, aumentando a cobertura proporcionada pelas Unidades Assistenciais de sua área de planejamento. COMPARATIVOS FÍSICOS BENS E/OU SERVIÇOS • Consultas médicas • Vacinas • Cirurgias REALIZADO 1994 497.520 1996 PROVÁVEL 1995 543.005 1ª ALTERNATIVA 522.396 547.272 208.582 259.380 219.011 229.440 4.745 4.200 4.982 5.220 2ª ALTERNATIVA Uma vez encerrado o exercício de 1995 é possível, obter junto aos órgãos, a comparação entre as quantidades físicas previstas e realizadas, conforme a seguir: Tabela 3 30 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 30 Secretaria Municipal de Saúde Comparação entre as quantidades previstas e reais Secretaria Municipal de Saúde Exercício - 1995 Fundo Municipal de Saúde Operacionalização de Rede de Serviços de Saúde na AP-2.1 QUANTIDADES FÍSICAS PRODUÇÃO DE BENS E/OU SERVIÇOS PREVISTO % VARIAÇÃO REAL Consultas Médicas 543.005 540.541 (-) 2.464 - 0,01 Vacinas 259.380 430.310 + 170.930 + 65,9 4.200 6.415 + + 52,7 Cirurgias 2.215 Por outro lado, as demonstrações orçamentárias constantes do balanço encerrado em 31 de dezembro de 1995, indicam a seguinte posição financeira para a atividade acima: Tabela 4 Secretaria Municipal de Saúde Execução Orçamentária - Exercício de 1995 CÓDIGO DESCRIÇÃO 18 Secretaria Municipal de Saúde 18.03 Fundo Municipal de Saúde 18.03.13 Saúde e Saneamento 18.03.13.75 Saúde 18.03.13.75.428 Assistência Médica e Sanitária 18.03.13.75.428.4549 Operacionalização da Rede de Serviços DOTAÇÃO FINAL (A) DESPESA REALIZADA (B) % A/B ÓRGÃO U.O. Função Programa Subprograma Atividade de Saúde na AP.-2.1 18.03.13.75.428.4549 - 3120 3132 Material de Consumo Serviços de Terceiros e Encargos Total Elementos 13.217 5.691 - 56,9 8.924 7.786 - 16,1 22.141 13.477 - 39,2 Este é o máximo de detalhamento que pode ser obtido na execução orçamentária, ficando impossível estabelecer qualquer correlação com os dados físicos obtidos junto à respectiva Secretaria, não só porque tais dados não passam pelo crivo dos órgãos de auditoria e controle, como também em função das deficiências na classificação das despesas. 31 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 31 Basta examinar que a atividade indicada refere-se à “Operacionalização da Rede de Serviços de Saúde na A.P. 2.1” e contempla apenas despesas referentes à aquisição de material de consumo (3.1.2.0) e serviços de terceiros e encargos (3.1.3.2). Não inclui, portanto, os custos referentes à folha de pagamento, seja de médicos e enfermeiros, com interferência direta na operação do setor, seja de pessoal de apoio logístico, além de não incluir o rateio dos salários dos dirigentes que exercem ação de supervisão da atividade de saúde como um todo. Os dados assim apresentados na execução orçamentária e financeira dificultam qualquer análise do desempenho que se pretenda fazer, mormente em função do seguinte: • ausência de padrões de desempenho; • falta de correlação entre as metas estabelecidas na proposta orçamentária e a execução financeira; • ausência de preocupação com os custos reais (diretos e indiretos) ocorridos em cada área de responsabilidade, como pessoal indireto, depreciação de máquinas e equipamentos e outros. Neste caso, os dados físicos não podem ser comparados com os valores financeiros respectivos, já que a contabilidade governamental procede aos registros financeiros pelo valor global da unidade orçamentária. Conforme se verificou até agora a legislação prevê o planejamento integrado e sistêmico da administração pública, mas esta implementação não teve os desdobramentos necessários para a integração com o sistema de orçamento e nem com o sistema contábil, que na legislação atual responde pela prestação de contas do governo. É claro que muitos administradores, titulares de unidades orçamentárias, denominados de ordenadores de despesa procuram utilizar os recursos disponíveis através de melhores critérios, elegendo internamente os limites que a repartição deve respeitar. Não há todavia qualquer inter-relação sistêmica entre o aspecto financeiro e os objetivos programáticos do governo. A construção de um hospital, por exemplo, pode ser cuidadosamente planejada, desde as obras de engenharia, as instalações e equipamentos do conjunto hospitalar, o mobiliário e até as necessidades de pessoal e outros custeios. Tudo minuciosamente calculado, a fim de que a unidade hospitalar entre em funcionamento no prazo marcado. Para isso, recursos financeiros são alocados e os gastos são realizados segundo o cronograma estabelecido. Durante a execução é efetuado o acompanhamento financeiro e contábil, mas tal acompanhamento é completamente desconectado do acompanhamento físico das realizações com vistas a, no final do exercício, comparar a meta física prevista com a meta física executada. Esta comparação, se realizada, possibilitaria conhecer as variações qualitativas e quantitativas, e ainda se os recursos foram aplicados com economia, eficiência e eficácia. 32 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 32 III - NOVA FUNÇÃO DA CONTABILIDADE GOVERNAMENTAL 3.1 - Aspectos Relevantes A contabilidade geral, aplicável na administração privada, trata do registro dos fluxos com outros agentes econômicos, valorizados em unidades monetárias. Tais fluxos são bilaterais e apresentam um duplo aspecto: • aspecto físico (fluxo real) - no caso da entrega feita pela empresa a um cliente ou da recepção, por parte da empresa, de bens ou serviços provenientes de um fornecedor; • aspecto monetário (fluxo financeiro) - corresponde ao contra-fluxo, ou seja, o pagamento ao fornecedor ou cliente e constitui a contrapartida do fluxo real. Assim, a Contabilidade Geral está voltada para o exterior e registra os fluxos reais e monetários, tendo o cuidado de proceder ao registro das operações segundo as origens (crédito) e aplicações (débito) do fluxo correspondente. Entretanto, além dos fluxos externos, a contabilidade deve observar também de que modo a entidade transforma ou modifica os recursos que adquiriu ou que assegurou estarem à sua disposição no exterior, junto a seus fornecedores e cujo objetivo final é criar bens e serviços colocados à disposição dos clientes ou contribuintes. Aí surge a Contabilidade Administrativa ou Gerencial, precisamente voltada para os processos internos e cuja tarefa principal é a descrição em termos monetários das etapas dos diferentes processos, através dos quais os recursos obtidos foram redistribuídos sob a forma de bens e serviços. É inquestionável a grande utilidade da contabilidade gerencial na administração pública, pois graças a ela é possível passar do plano global da entidade para planos específicos dos produtos, das funções, dos centros de responsabilidade das operações, e deste modo atender, não só às necessidades dos administradores, como também, responder à sociedade sobre os caminhos percorridos pelos recursos que colocam à disposição do Tesouro, com vistas ao atendimento das necessidades coletivas. A Contabilidade orçamentária, como ela é apresentada na atualidade, informa apenas a demonstração da Execução Orçamentária, segundo a classificação da despesa por Órgãos e Unidades Orçamentárias bem como a distribuição funcional programática e, ainda, por natureza de despesas. Porém, tal classificação registra apenas o fluxo financeiro que se reflete ao final do exercício nas Variações Patrimoniais. Entretanto, ao conhecer este resultado global, o administrador fica sem resposta com as seguintes indagações: 33 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 33 • Quais são os produtos ou serviços que contribuem para melhorar o resultado e quais os que, ao contrário, trazem afetação negativa? • Quais são os produtos ou serviços que apresentam desempenho satisfatório perante a opinião pública? • Quais os órgãos do governo que prestam serviços (atividades meio) para outras unidades (atividades fins) e de que modo seus gastos são apropriados às atividades fins? • Quais os centros de responsabilidade que funcionam eficazmente? Quais são aqueles cujo funcionamento é deficiente? Tais indagações levam-nos a verificar que cada vez mais a administração pública precisa responder a estas e muitas outras questões, evidenciando a necessidade vital da implantação de uma contabilidade gerencial para que os administradores possam conhecer e avaliar a gestão por intermédio de medidas efetivas de desempenho. 3.2 - Mutações Patrimoniais das Despesas A leitura tanto da Constituição Federal como da Lei Complementar 4320/64 mostra a necessidade de ampliar o escopo da Contabilidade Governamental para incluir no seu campo de estudos a Contabilidade Gerencial, permitindo a identificação clara e precisa do cumprimento das metas estabelecidas para cada unidade ou centro de responsabilidade. A ênfase tem sido, ao longo dos anos, para o controle financeiro do orçamento, tratado como o fluxo de caixa do governo e seus conseqüentes reflexos no patrimônio, decorrentes das variações que podem ser de duas naturezas: • as que afetam somente o patrimônio financeiro; e • as que afetam tanto o patrimônio financeiro como o permanente. No primeiro caso, temos uma redução do patrimônio líquido total, e no segundo, o patrimônio líquido permanece inalterado. O quadro a seguir exemplifica os efeitos do fluxo de caixa das despesas sobre os patrimônios financeiro, permanente e total: Quadro 6 Reflexos das despesas no patrimônio financeiro e no patrimônio permanente DESPESAS SEGUNDO EFEITO PATRIMÔNIO FINANCEIRO TIPOS DE DESPESAS PATRIMÔNIO PATRIMÔNIO PERMANENTE TOTAL 34 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 34 EFEITO PATRIMONIAL • • Redução Efetivas Redução Mutações Patrimoniais Despesas Correntes; Não afetam Redução Despesas de Capital; Aumentam Sem alteração • Obras e Instalações • Imóveis • Const. Aumento Capital de • Móveis e • Pessoal e Encargos • Material de Consumo • Serviços de Terceiros empresas Equipamentos • • Amortização da Divida Ações de sociedades Diminuem • Dívida Fundada Tal processo de evidenciação das variações patrimoniais apresenta corretamente os fluxos financeiros e econômicos, mas não permite a mensuração física das atividades e, por conseqüência, do seu desempenho em cada área de responsabilidade. Portanto, além do controle tradicional dos estágios da fixação, empenho, liquidação e pagamento das despesas é imprescindível que os administradores públicos tenham consciência dos custos dos serviços prestados à população, pois cada vez mais esta será uma exigência do cidadão: seja diretamente, seja através dos seus representantes no Poder Legislativo. Não basta mais saber, por exemplo, o percentual gasto em saúde, saneamento básico ou educação, visto que cada vez mais o agente público ou político é responsabilizado pelos custos incorridos. A Contabilidade Governamental precisa incorporar uma visão moderna de gestão pública que, não abandonando a gestão financeira tradicional, seja submetida a novas funções que ampliem o seu campo de atuação. Este novo campo de atuação permitirá o pronto diagnóstico e avaliação das informações disponíveis, que podem ser usadas na avaliação de resultados e estabelecimento de prioridades, assim como no melhor gerenciamento econômico dos recursos e compromissos. 35 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 35 Tal mudança da Contabilidade Governamental permitirá a médio e longo prazo a melhoria da performance dos governos em vários sentidos, especialmente no que se refere à melhoria das prestações de serviços à comunidade. A melhoria das informações no setor governamental passa, necessariamente, pela integração plena da execução orçamentária e financeira de caixa e, paralelamente, com a implantação de sistema gerencial de custos que possibilitem: a apuração do resultado financeiro e econômico (déficit/superávit); o controle analítico das operações e o auxílio no processo decisório. É fora de dúvida que as informações atuais geradas pela Contabilidade Governamental não são satisfatórias mormente quando não há integração entre as funções de planejamento, orçamento e contabilidade, além da completa ausência do acompanhamento permanente dos aspectos físicos da execução orçamentária. 3.3 - A Contabilidade Governamental como Sistema de Informações. Neste item objetiva-se, justamente, estudar o atual estágio do sistema de informações gerenciais da administração governamental, mais precisamente no que se refere à Contabilidade Gerencial, fazendo a sua correlação com os aspectos básicos da execução orçamentária e seus reflexos no sistema patrimonial e de resultados. A necessidade do estudo resulta do fato de que as informações sobre gastos ou despesas auxiliam os usuários na avaliação dos trabalhos executados pelos responsáveis políticos e/ou administrativos. É natural que os serviços públicos cresçam na medida que aumenta a população ou melhore o padrão de vida dos cidadãos. Estas exigências tem sido associadas com o aumento das despesas governamentais e o conseqüente déficit orçamentário em muitos países. Por outro lado sempre existe um desejo de reduzir os déficits aumentando as receitas e fazendo cada vez mais exigências junto aos contribuintes. Conseqüentemente, os governantes são pressionados, não somente para administrarem convenientemente os recursos arrecadados, mas também por mostrar sua eficiência como gerentes. Ao realizar isto os governantes precisam de informações completas sobre despesas, gastos e custos para terem condições de avaliar se as receitas arrecadadas podem sustentar os programas bem como qual a flexibilidade para implementar novos projetos, atendendo às carências da população. Para isto é necessário que tenham informações sobre o custo dos programas para tomar decisões racionais sobre a viabilidade e razoabilidade de programas e atividades específicos mediante avaliação do resultado (performance). 36 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 36 A gestão pública utiliza-se de diversos instrumentos para a consecução dos objetivos colimados pela administração, seja na Constituição ou nas Leis Complementares, entre os quais a atividade financeira que consiste na obtenção, criação, gestão e dispêndio dos recursos indispensáveis ao atendimento das funções públicas. Essa atividade financeira pode ser representada da seguinte forma: CRÉDITO ORÇAMENTO PÚBLICO ATIVIDADE FINANCEIRA DESPESA RECEITA PÚBLICA PÚBLICA Figura 5 - Elementos integradores da atividade financeira A atividade financeira constitui-se, pois, no elo vital da captação e distribuição dos recursos disponíveis, voltando-se apenas para os valores monetários e da qual o instrumento síntese é o Orçamento de Caixa. A agilidade do setor público, indiscutivelmente, será maior na medida em que os elementos da atividade financeira forem otimizadas por uma gestão profissional e sob rígido controle, vez que se operar de forma espontânea, corre o risco de ocorrer um crescimento incontrolável dos dispêndios financeiros. Por isso assistimos a uma revisão no tamanho do setor público para retirar-lhe os excessos, diante das exigências modernas daquilo que tem sido denominado de Estado Mínimo. 3.4 - A Contabilidade como instrumento de planejamento e controle 37 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 37 A Contabilidade governamental, como qualquer outra, deve ser usada como elemento obrigatório para as informações externas e instrumento de planejamento e controle para os administradores públicos. Assim, a Contabilidade, cujos métodos tem evoluído no tempo e acompanhado o progresso da tecnologia, tem as características para ser o ponto de partida básico para a implantação de um sistema de informações da administração pública. Ela não tem, portanto, apenas um sentido técnico e legal. Embora sua perfeita utilização ainda seja bastante precária no Brasil, ela é um sistema de controle e de auxílio para a administração. Este aspecto é da mais alta importância para quem pretende levar o ente público a destino preciso e seguro. Esse tratamento da Contabilidade permite um efetivo controle sobre os fatos financeiros do governo, através da análise de dados precisos e atuais por ela fornecidos, permitindo conclusões confiáveis que orientarão decisões administrativas acertadas. Muitos autores afirmam que a contabilidade é a linguagem dos negócios, pois, assim como a linguagem é um meio de expressar e comunicar idéias em geral, a contabilidade é um meio de expressar planos administrativos e um instrumento para relatar os resultados da administração. Entretanto, a mera existência de um sistema contábil e de um plano de contas bem estruturado não é garantia de controles eficientes se o “sistema” resume o ocorrido muitas semanas e até meses antes. A contabilidade não dá, então, oportunamente, à administração, elementos que permitam a ação rápida e eficaz, porque a movimentação analítica das contas não se apresenta de modo a permitir a imediata correção dos erros e distorções acaso ocorridas e muito menos permite o conhecimento e acompanhamento dos custos dos bens e serviços oferecidos à população. São muitas as definições de sistemas de informações contábeis, mas a que melhor se adapta aos propósitos da administração pública deve conter os atributos seguintes: • medir o impacto das decisões antes e depois de as mesmas serem tomadas (controle prévio e subseqüente); • medir o ambiente no momento próprio da ocorrência dos fatos (controle concomitante); • relacionar o tempo padrão para desenvolvimento das tarefas com o tempo real para identificar os gargalos nos estágios da receita(previsão, lançamento, arrecadação e recolhimento) e da despesa (fixação, empenho, liquidação e pagamento). Destes atributos, surgem as seguintes etapas de controle: ORÇAMENTO •Unidade Orçamentária •Unidade de Despesa CONTABILIDADE GOVERNAMENTAL GERAL CUSTOS BALANÇOS E RESULTADOS AUDITORIA INTERNA 38 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 38 Controle Prévio Controle Concomitante Controle Subseqüente Figura 6 - Fluxo do controle interno no setor público A Contabilidade Governamental é essencialmente um processo contínuo de tomar decisões, e estas tornam-se complexas na medida em que os órgãos setoriais de contabilidade e controle necessitam obter as informações com velocidade para os diferentes níveis da administração. Portanto, um bom sistema de informações contábeis deve reunir as seguintes características fundamentais: • enfocar a produção de informações para os distintos níveis executivos em todas as áreas do governo; • funcionar como uma unidade independente do órgão onde estiver integrado; • ser um sistema adaptado às necessidades gerenciais da organização. IV - CARACTERÍSTICAS DA CONTABILIDADE DE CUSTOS NAS ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS. 4.1. Principais Aspectos A Contabilidade de Custo para as entidades públicas deve ter algumas características que a distinguem das entidades privadas, entre as quais destacam-se: • os entes públicos são dedicados, basicamente, à prestação de serviços ao final dos quais não se obtém uma quantidade diretamente relacionada com o custo, já que são financiadas em grande parte por recursos arrecadados 39 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 39 coativamente dos contribuintes, que os entregam sem qualquer expectativa de receber uma contrapartida individual ou direta em produtos ou serviços; • o caráter habitualmente imaterial dos serviços prestados (outputs) apresentam consideráveis dificuldades para sua avaliação. Face à dificuldade de avaliar monetariamente os efeitos sociais dos programas, cabe perguntar sobre a utilidade e importância de seguir um sistema de contabilidade de custos. Entretanto, a prática tem demonstrado que os entes públicos que adotaram, ainda que de modo assistemático os conceitos de custos, têm obtido maiores êxitos na gestão administrativa e financeira dos recursos da comunidade que estão sob sua tutela, como por exemplo no Município do Rio de Janeiro que submeteu sua gestão e seus resultados a uma auditoria externa e a uma agência classificadora de “rating” e, como decorrência, lançou bônus no exterior, no montante de US$ 125 milhões. A utilização dos conceitos de custo nas entidades governamentais é importante para conhecer a formação dos custos das atividades, programas e projetos com a conseqüente contribuição para o conhecimento dos efeitos econômicos, financeiros e políticos sobre o cidadão e ainda servir de instrumento de gestão facilitando o planejamento estratégico, a tomada de decisões e o controle. É conveniente proceder à classificação de custos em relação ao volume de atividades, com o objetivo de poder analisar melhor qual a origem dos desvios produzidos ao final de cada período de apuração. Ademais os desvios entre as quantidades inicialmente orçamentadas e as reais podem ter origem em múltiplos fatores, nem sempre relativos aos problemas gerenciais, como por exemplo: • fatores políticos - alocação dos recursos segundo as prioridades; • fatores econômicos e demográficos - índices de desemprego e o aumento da população constituem fatores que ampliam a demanda de recursos públicos; • fontes de recursos - limitações constitucionais ao poder de tributar que dificultam o aumento da base tributária. Tendo em conta o volume de atividade é possível comparar os custos reais com os previstos em qualquer nível de volume e não só no nível prognosticado no documento orçamentário inicial. Por outro lado, as tendências devem ser tomadas com cautela na hora de informar sobre a gestão. É fundamental desenhar um sistema coerente de Contabilidade Governamental que leve em consideração as características internas e externas da entidade pública, de tal forma que facilite a alocação de recursos nas distintas atividades e a apropriação dos custos. 40 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 40 Portanto, é preciso uma grande concentração de esforços no sentido de reformular as demonstrações da execução orçamentária para incluir, juntamente com os valores monetários, os parâmetros físicos previstos, comparandoos com os alcançados, conforme a seguir: Tabela 5 Comparação entre custos propostos, estimados e reais PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA ORÇAMENTO APROVADO ORÇAMENTO EXECUTADO = CUSTOS PROPOSTOS = = CUSTOS ESTIMADOS = = CUSTOS REAIS = Metas físicas: Metas físicas: Metas físicas: Consultas Médicas 2.750 ConsultasMédicas 2.750 ConsultasMédicas 2.000 Valores Monetários Em R$ Valores Monetários Em R$ Valores Monetários Em R$ Pessoal-Encargos 40.000 Pessoal-Encargos 40.000 Pessoal-Encargos 40.000 Outros Custeios 15.000 Outros Custeios 15.000 OutrosCusteios 10.909 Soma 55.000 Soma 55.000 Soma 50.909 Custo Unitário = R$ 20 Custo Unitário = R$ 20 Custo Unitário = R$ 25,4545 O quadro da execução orçamentária nos moldes acima permite uma série de considerações sobre os valores financeiros e os custos a eles relativos, podendo, inclusive, permitir uma análise detalhada das variações ocorridas, levando em conta que os custos com pessoal e encargos são fixos, isto é, dentro de determinada faixa de atendimento permanecem com o mesmo valor, e que os custos incluídos em outros custeios são variáveis e sofrem influência do volume da atividade desenvolvida. Assim, no presente caso, poderíamos realizar as seguintes análises: 41 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 41 I - CUSTO DE UMA CONSULTA MÉDICA 1.Custo unitário fixo 40.000 2.750 = R$ 14,5454 2. Custo unitário variável 15.000 2.750 = R$ 5,4545 3. Custo Unitário Total 55.000 2.750 = R$ 20,00 II - ANÁLISE DAS VARIAÇÕES 1. Variação Total Custo Real R$ 50.909 Custo Estimado R$ (55.000) Variação Total R$ 4.091 2. Causa das Variações Nº de Consultas Custo Unitário Total Estimativa 2.750 x 5,4545 = 15.000 Real 2.000 x 5,4545 = (10.909) 750 x 5,4545 = 4.091 Variação A análise consiste em saber quais os fatores que foram responsáveis pela variação total de R$ 4.091, que neste caso decorre da diminuição das atividades (consultas) que tinham uma previsão de 2.750, mas só atingiram 2.000, vale dizer que para um custo estimado inicial de R$ 55.000, o valor correspondente ao volume das atividades atingidas foi de 2.000 consultas com o valor de R$ 50.909. É com tais estudos que poderemos identificar a verdadeira ação dos administradores públicos e iniciar uma efetiva redução dos custos, eliminando desperdícios e rompendo com a lógica perversa de que a equação financeira do Tesouro só pode ser movimentada pelo aumento da base tributária ou pela obtenção de empréstimos. Os novos tempos de moeda estável revelam que a utilização das técnicas de custeamento permitirá que os administradores passem a enfocar a redução de custos como uma alternativa viável para o equilíbrio das contas públicas. 42 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 42 Entretanto, apesar das inúmeras vantagens com a implantação de um sistema de custeamento com indicadores de gestão é preciso estudar com urgência as vinculações Constitucionais para determinadas áreas, como educação (25% das receitas tributárias) e pessoal (60% das receitas correntes), pois, atualmente, face à inexistência de parâmetros de avaliação, é possível que os entes públicos estejam gastando cada vez mais recursos e diminuindo a cada ano as metas físicas atingidas. Que importa gastar, por exemplo, 500 milhões em Educação, atender ao percentual exigido pela Constituição, se o número de estudantes diminui a cada ano e, mesmo os que saem da escola não sabem ler corretamente, ou de que vale aumentar as despesas com saúde se o número de pacientes atendidos diminui a cada exercício, ou ainda, no caso em que ocorre o aumento da mortalidade. Esta é uma situação que somente poderá ser solucionada a partir da obrigatoriedade ou da conscientização dos administradores para inclusão de parâmetros físicos como preconizado neste trabalho. Analisando alguns dados de balanços de Estados e Municípios é fácil constatar a ausência de interrelacionamento entre as administrações. A administração que sai muitas vezes, ainda que involuntariamente, promove concessões que geram despesas fixas e permanentes, comprometendo os recursos do Tesouro por longos períodos de tempo. Os novos administradores ao tomarem posse não podem ou não têm coragem de descontinuar o fluxo das despesas “herdadas” da administração anterior. No regime inflacionário tal política foi até agora tolerada, visto que nos períodos subseqüentes adotavase a prática de estancar pagamentos a fornecedores ou aumentos de salários, mas, atualmente, com a moeda estabilizada a margem para ajustamentos em períodos seguintes é mínima e, por isso, introduz campo fértil para a insolvência a curto e médio prazo. Um sistema de custos poderá alterar de vez este fluxo, diminuindo o nível de endividamento e fazendo ressurgir uma administração pública mais profissional e menos dependente financeiramente de outras esferas governamentais ou do sistema bancário. A preocupação com os custos e desperdícios devem levar os administradores a observar microscopicamente o campo das despesas sem descuidar do aperfeiçoamento da máquina fiscalizadora que, em muitos casos, tem se revelado de alta ineficiência, visto que na ação fiscal junto às empresas limitam o trabalho ao exame da contabilidade como ela lhes é apresentada e não pelas evidências da riqueza econômica, tanto da empresa como dos seus sócios e acionistas. 43 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 43 É preciso que os agentes responsáveis pela entidade pública imprimam, na sua ação, táticas para o combate implacável da sonegação tributária e, principalmente, dos custos inúteis e dos desperdícios. Parece inevitável que as dificuldades financeiras dos entes públicos exigem nova postura e nova abordagem nas técnicas de gestão dentro de uma perspectiva de eficiência integradora e de eqüidade entre os diversos períodos de governo. Para isto é essencial identificar as atividades que geram valor agregado e em conseqüência devem ser mantidas e, por outro lado, quais as que podem ser eliminadas e ainda monitorar de modo sistemático a origem dos desvios entre o previsto e o realizado, levando em conta que nem sempre tais desvios podem ser imputados à gestão de apenas um período. 44 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 44 4.2 - Verificação dos custos para controle na Contabilidade Governamental Por tudo o que foi dito, pode-se concluir que na contabilidade por áreas de responsabilidade o ponto mais importante é a atribuição dos custos a um determinado agente público denominado “ordenador de despesas”, que responde não só pelos valores financeiros, como também, pelas metas físicas pré-estabelecidas. A Contabilidade governamental na forma como ela existe hoje trata, apenas, dos custos globais pelo enfoque financeiro sem atribuir-lhe qualquer padrão de unidade física que permita uma efetiva avaliação da gestão. Entretanto, se observarmos os dados constantes das propostas orçamentárias vamos verificar, certamente, que na grande maioria dos projetos e atividades esta base física foi informada quando da sua apresentação, mas tais dados servem apenas para justificar os tetos financeiros incluídos no orçamento, e não são utilizados pela contabilidade como instrumento de medição entre o planejado e o executado. A figura 7 mostra como a contabilidade governamental releva atualmente as despesas e custos, e como eles são incorporados aos resultados. 45 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 45 SISTEMA ORÇAMENTÁRIO UNIDADE ORÇAMENTÁRIA CRÉDITOS DISPONÍVEIS DESPESA EMPENHADA DESPESA LIQUIDADA DESPESA PAGA SISTEMA FINANCEIRO RESULTADO VARIAÇÕES FUNÇÕES DESPESAS CORRENTES DESPESAS DE CAPITAL PASSIVAS VARIÁÇÕES ATIVAS • DESPESAS DE CUSTEIO ---------------------------- PATRIMÔNIO ATIVO FINANCEIRO PASSIVO PERMANENTE (-)Dívida • DESPESAS DE TRANSFERÊNCIAS •Investimentos -------------------------•Inversões Financeiras -------------------------•Transferências de Capital PASSIVO FINANCEIRO MUTAÇÕES PATRIMONIAIS •AQUISIÇÃO DE BENS -------------------------•RESGATE DE EMPRÉSTIMOS ATIVO PERMANENTE (-)Bens PATRIMÔNIO LIQUIDO RESULTADO RESULTADO Figura 7 - Demonstrativo do fluxo contábil atual e afetação aos resultados Com a contabilidade estruturada por áreas de responsabilidade os custos são verificados em função do controle dos mesmos e, como decorrência, são agrupados em primeiro lugar por áreas de responsabilidade com o objetivo, principalmente, de fazer o acompanhamento físico financeiro, conforme a seguir se evidencia: 46 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 46 SISTEMA ORÇAMENTÁRIO UNIDADE ORÇAMENTÁRIA CRÉDITOS DISPONÍVEIS DESPESA EMPENHADA CENTROS DE RESPONSABILIDADE SISTEMA FINANCEIRO UNIDADE DE DESPESA FUNÇÕES CENTRO DE GASTOS Unidades Físicas Unidades Monetárias DESPESA LIQUIDADA DESPESAS CORRENTES DESPESAS DE CAPITAL DESPESA PAGA PATRIMÔNIO RESULTADO VARIAÇÕES PASSIVAS VARIAÇÕES ATIVAS ATIVO FINANCEIRO •Despesas de Custeio -------------------------•Despesas de Transferências PASSIVO FINANCEIRO PASSIVO PERMANENTE (-)Dívida _________________ MUTAÇÕES PATRIMONIAIS •Investimento -------------------------•Inversões Financeiras -------------------------•Transferências de Capital •Aquisição de Bens -----------------------•Resgate de Empréstimos ATIVO PERMANENTE (+)Bens PATRIMÔNIO LIQUIDO RESULTADO Integração RESULTADO Figura 8 - Demonstrativo de fluxo contábil proposto e afetação aos resultados 4.3 - Custos e controle orçamentário Durante os capítulos anteriores foram estudados os procedimentos utilizados pelos órgãos governamentais para estruturação do orçamento a partir da fixação das despesas orçamentárias e durante a vigência deste importante instrumento de planejamento procederem à contabilização e registro das atividades orçamentárias e quando do encerramento do ano financeiro fazerem a análise e comparação entre os montantes financeiros previstos e realizados. As autoridades governamentais estão sempre às voltas com os aspectos financeiros e, de um modo geral, somente se preocupam com ele. Quando tratam dos déficits ou superávits trabalham o assunto apenas pelo aspecto monetário, sem ao menos se importarem com os parâmetros físicos que serviram de base para a elaboração da proposta enviada ao Poder Legislativo para aprovação. Entretanto, quando olhamos o orçamento verificamos nele uma série de autorizações e alocações de recursos para serem gastos em vários serviços anteriormente criados e em novos projetos propostos. A área de controle orçamentário trabalha diariamente com todos os demais componentes da organização pública para relatar à autoridade que os valores monetários previstos não foram excedidos ou que determinadas vinculações, como Educação, estão sendo atendidas na forma da lei. 47 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 47 Esta prestação de contas permanente é fundamental para todos os tipos de entidade pública, visto que o orçamento no que se refere às despesas é representado por um teto monetário autorizado e que somente pode ser ultrapassado nas condições determinadas pela própria lei, seja do orçamento ou outra qualquer. De qualquer modo, tal relato assim efetuado constitui apenas um relato da movimentação global e financeira ocorrida, não permitindo a alocação das responsabilidades pela eficiência e eficácia. Se um determinado orçamento inclui por exemplo: reparos e manutenção de edifícios no total de 2.100 unidades monetárias e se o montante despendido foi de 1.900 unidades monetárias, podemos dizer que dentro do aspecto do controle global o responsável atingiu o objetivo desejado, qual seja não ultrapassar o orçamento aprovado e realizar aquilo a que se propôs. Mas se somente 1/3 do trabalho desejado foi realizado e o administrador que deveria gastar 700 gastou efetivamente 1.900, isto indica falta de eficiência na realização dos gastos. Observado globalmente teríamos: Tabela 6 Comparação global entre a previsão e realização Em unidades monetárias PREVISTA REALIZADA VARIAÇÃO 2.100 1.900 200 Aparentemente o administrador teria atendido ao princípio de que o teto orçamentário não foi ultrapassado e ainda teria gasto valor menor do que lhe foi autorizado gerando, portanto, economia de recursos, mas a verdade como se demonstra a seguir é bem diferente, vejamos: Tabela 7 Comparativo das Metas Previstas e Realizadas com as respectivas variações Em unidades monetárias META PREVISTO META REALIZADO VARIAÇÃO TIPO DE VARIAÇÃO 100 2.100 1/3 1.900 (200) TOTAL 100 2.100 1/3 (700) (1.400) VOLUME DE % ATIVIDADE 100 -0- 1.200 1.200 ORÇAMENTO 48 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 48 Se um homem de negócios é menos eficiente do que seus concorrentes ele pode sair da direção da empresa, ser demitido ou perder definitivamente o negócio. Se seus custos de produção ou administração são baixos ele pode vender seus produtos por preços também baixos. Por isso qualquer organização comercial ou industrial guarda o detalhamento dos custos e despesas sob intensa vigilância, mediante a implantação de um sistema de custeamento mesmo que de forma rudimentar. Mas as autoridades públicas de um modo geral não tem essa preocupação, pois a atividade governamental é diferente em dois aspectos fundamentais: - é uma atividade que normalmente tem o monopólio dos serviços que presta (saúde, educação, transportes, justiça, meio ambiente, fiscalização e controle); - normalmente tem poder para aumentar os recursos, seja pela via tributária, seja pela via de empréstimos ou simples emissão de moeda. Deste modo o incentivo da eficiência através da competição e geração de lucros não existe no âmbito governamental e a isto podemos chamar de fato infeliz, visto que tal ineficiência pode se converter e usualmente se converte em grandes custos, aumento de impostos e piores serviços prestados à população. Exatamente por isso é mais importante para as entidades públicas estabelecer padrões de eficiência e verificar ao longo do tempo se estes padrões são mantidos por intermédio de uma vigilância constante sobre o detalhamento dos custos e despesas e sua apropriação aos serviços. O orçamento pode ser definido como a interpretação financeira do plano de governo e cumpre o objetivo de tornar realidade as políticas do governante. O orçamento tem sido entendido, muitas vezes, como um plano para gastar o dinheiro que é arrecadado, sem preocupação com a economia, eficiência e eficácia do gasto como determina a Constituição. Por outro lado, o controle orçamentário tem como objetivo básico servir de ferramenta segundo a qual os dirigentes obtém relatos precisos sobre a adesão dos funcionários às políticas traçadas, pois a contínua comparação dos resultados atuais com os resultados estimados, asseguram conhecer se a apropriação dos recursos está sendo feita segundo o cronograma estabelecido e, mais que isso, fornecer a base para futuras revisões. Para isso um bom sistema de controle orçamentário voltado para a análise e controle de custos, deveria atender aos seguintes requisitos: 49 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 49 CONTEÚDO PREMISSAS 1. Referir-se a todas as PRODUTO Macro funções •Secretarias e órgãos atividades do governo • Manual de procedimentos 2. Formalização • Rotinas • Princípios Valores Custos Monetários 3. Expresso em termos quantitativos HH Quantidades ORÇAMENTO Nº de atendimentos Físicas 4. Convergência para o Plano Plurianual orçamento anual Lei de Diretrizes Orçamentos Setoriais 5. Coordenação das diversas funções 6. Definição da responsabilidade 7. Definir padrões elavados de atendimento Funcional Programática A B Metas (gols) C ANUAL 50 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 50 Figura 9 - Fluxo do processo orçamentário e suas premissas Neste trabalho pretende-se, conforme objetivo delineado, apresentar contribuição útil para os administradores que desejam melhorar sua capacidade de análise, em face do distanciamento entre a prática adotada e a teoria de orçamento e controle, pois, como se viu, as decisões atuais sobre gastos e prioridades estão voltadas para a distribuição rígida dos recursos por grupos de despesa (Pessoal, Encargos Sociais, Outros custeios, etc.). Por isso, a atividade dos administradores públicos está limitida aos aspectos da legalidade das despesas decorrentes da lei orçamentária e de uma estrutura de despesas rígidas, cujos objetivos são apenas de natureza financeira, de caixa. Não há preocupação com a segregação dos gastos para identificar os que representam consumos imediatos, separando-os daqueles que contribuem para a formação de ativos que participam de diversos ciclos administrativos. A classificação das despesas, como ela está hoje estruturada, não tem comprometimento com as metas físicas atingidas após determinados períodos, não observando uma seqüência metodológica que parta dos objetivos, programas e subprogramas, identificando os projetos e atividades, o que dificulta sobremodo a instalação de qualquer sistema de custeamento. 4.4 - Articulação do orçamento com a contabilidade A articulação entre orçamento e contabilidade somente será possível, na medida em que a contabilidade governamental mantenha coerência entre a nomenclatura contábil (Ativo, Passivo, Receita e Despesa) e a estrutura do orçamento (Receitas, Despesas e Crédito Público), de tal modo que possibilite a comparabilidade dos registros contábeis com a movimentação orçamentária. A integração dos procedimentos contábeis com a execução orçamentária deve levar em conta a aplicação do princípio de competência para as despesas e da realização para as receitas. Não bastando, portanto, a classificação 51 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 51 apenas pelo aspecto financeiro, mas, principalmente, pela finalidade das despesas, visto que alguns projetos e atividades acumulam parcelas de gastos que não deveriam, no momento da sua ocorrência orçamentária e financeira integrar o resultado do exercício por se referirem a vários períodos, processos ou atividades e, portanto, seu custo deveria ser distribuído por mais de um período. LEONE16 entende por gasto “o compromisso financeiro assumido por uma empresa na aquisiçào de bens ou serviços, o que sempre resultará em uma variação patrimonial seja apenas qualitativa no início e certamente quantitativa em seguida, podendo o gasto ser definido como gasto de investimento, quando o bem ou serviço forem consumidos no momento mesmo da produção ou do serviço que a empresa realizar”. A contabilidade governamental, entretanto, só reconhece os gastos pelo aspecto financeiro considerando que os mesmos diminuem as disponibilidades ou aumentam o passivo. O aspecto econômico é enfocado pela rígida classificação em despesas correntes e de capital que pouco contribuem para a melhoria do sistema de informações gerenciais e de custos, conforme já tratamos neste trabalho. 16 LEONE, George S. Guerra. Op. Citada, p. 512-49. 52 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 52 Observada sob este enfoque, verifica-se que a contribuição da classificação atual é fraca, quando os administradores queiram utilizá-la como ferramenta de controle da gestão ou para atribuição das responsabilidades dos ordenadores. Não fornece os elementos necessários para identificar os gastos de consumo imediato e aqueles que devem constituir elementos do ativo e nem apreciar a pertinência de uma despesa, deixando sempre a idéia de que uma execução de 100% das despesas fixadas constitui atuação elogiável. 4.5 - Necessidades do administrador público Se é verdade que o administrador público tem como papel principal a transformação de uma situação encontrada, é preciso que os contadores, atuando em conjunto com outros profissionais, definam parâmetros para estabelecer o elo entre a situação atual e a situação desejada, implementando uma lógica de ação, segundo critérios prédefinidos voltados para a medição do desempenho a médio e longo prazo. Assim, a implantação de um sistema de custos na administração pública depende fundamentalmente da definição de parâmetros físicos e dos objetivos desejados, vez que a estrutura da classificação orçamentária precisa estar voltada para um objetivo concreto a ser alcançado, seja ele uma atividade desenvolvida em um centro de custos operacional, seja a acumulaçào de custos de um projeto específico, que tanto poderá ser levado para o ativo permanente como ser entregue para uso da população, como é o caso dos bens de uso comum. O sistema aqui preconizado deve ser desenvolvido separadamente do sistema de contabilidade governamental, muito embora esses sistemas troquem informações entre si, mas por ter objetivos gerenciais com vistas à tomada de decisões, é preferivel que a acumulaçào e análise dos dados de custos seja desenvolvida fora do sistema contábil geral. Face à todas as situações apresentadas e pelas características do setor público, acredita-se que os órgãos devem adotar na acumulação o custo total, pleno ou por absorção que preconiza a determinação dos custos diretos das atividades e projetos por meio da acumulaçào dos gastos com Pessoal, Encargos, Materiais e Serviços e a adição de determinada taxa que representa a distribuição das despesas indiretas ou gerais. A figura 10 esclarece o assunto: MATERIAIS DIRETOS CENTROS DE CUSTOS DESPESAS INDIRETAS CUSTOS PESSOAL E ENCARGOS DIRETOS SERVIÇOS DIRETOS 53 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 53 (+) RATEIO % CUSTOS INDIRETOS (OVERHEAD) (=) CUSTO TOTAL DO PROJETO/ATIVIDADE Figura 10 - Diagrama de rateio das despesas indiretas Determinadas as necessidades, é preciso estabelecer a modelagem dos relatórios por áreas de responsabilidade, de tal modo que os administradores possam obter dados e informações que possibilitem avaliar se a organização esta seguindo o caminho planejado. Tais relatórios devem indicar claramente: - o responsável pela sua emissão; - o conteúdo e periodicidade; - o destinatário. Com tais relatórios toda a organização fica informada sobre os custos ocorridos e a mensuração física baseada nos padrões estabelecidos que é fator preponderante para avaliação da eficiência e eficácia do responsável. A figura a seguir mostra o fluxo vertical e horizontal dos relatórios: ORGANIZAÇÃO PODER EXECUTIVO RELATÓRIOS _____ _____ _____ 54 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 54 Secretaria Secretaria Secretaria A B C _____ _____ _____ _____ _____ _____ Figura 11 - Fluxo da organização e dos relatórios de responsabilidade Os relatórios de um modo geral são compatíveis com o Plano de Contas que representa uma relação completa das contas necessárias e suficientes ao controle dos elementos que integram o patrimônio e deve conter a seguinte estrutura: - Elenco das contas - Função das contas - Funcionamento das contas O elenco constitui a relação das contas componentes do plano e que devem acumular os movimentos das operações realizadas pela instituição. A função das contas indica tudo o que a conta registra, ou seja, para que ela serve e qual o papel que desempenha na escrituração da entidade. O funcionamento das contas indica as hipóteses em que a conta é debitada ou creditada. O plano de contas é dividido em duas partes: uma fixa e ou outra variável. A parte fixa inclui as denominadas contas integrais representativas de valores monetários estocados ao longo dos exercícios. A parte variável do plano de contas é representada pelas contas diferenciais ou de resultado, que a cada exercício são encerradas em decorrência da apuração do resultado e cujo valor é incorporado ao Patrimônio Líquido, seja por aumento (superávit), seja por diminuição (déficit). A implantação de relatórios de custos está necessariamente apoiada na parte variável do plano de contas e deve permitir aos administradores a identificação em cada centro de custos, tanto das responsabilidades financeiras, como das responsabilidades físicas em função de parâmetros estabelecidos. Para implantação do sistema de custos é fundamental a interligação entre os diversos sistemas de apoio administrativo, financeiro e contábil, conforme a seguir se demonstra: 55 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 55 56 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 56 SISTEMA DE PLANEJAMENTO SISTEMA SISTEMA ORÇAMENTÁRIO PATRIMÔNIO SISTEMA DE CUSTOS SISTEMA SISTEMA FINANCEIRO RECURSOS HUMANOS SISTEMA DE CONTABILIDADE Figura 12 - Inter-relações sistêmicas da contabilidade de custos Na administração pública, conforme já observamos, existe grande dificuldade para implantar qualquer sistema de acumulação de custos, razão pela qual em função do atual estágio da contabilidade governamental e do orçamento é recomendável, num primeiro passo, o custeamento baseado em atividades, onde sejam identificados, inicialmente, os custos das atividades desenvolvidas que, posteriormente, podem ser alocados aos produtos, serviços e projetos. A seguir indica-se o fluxo do custeamento proposto, sem abandonar a classificação legal das despesas atualmente vigente: 57 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 57 SISTEMA SISTEMA ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA E INSTITUCIONAL FINANCEIRA POR NATUREZA: Pessoal e Encargos Material de Consumo Serviços de Terceiros Obras e Instalações Equipamento e Material Permanente (por órgão) CLASSIFICAÇÃO LEGAL DAS DESPESAS (ATUAL) FUNCIONAL PROGRAMÁTICA Função Programa Subprograma Projetos/ Atividade RECLASSIFICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CUSTOS POR ATIVIDADES CUSTOS DIRETOS CUSTOS INDIRETOS • Materiais • Pessoal • Serviços • Outros Não identificados com as atividades Mapas de Rateio pelas Atividades CUSTOS TOTAIS ACUMULADOS POR ATIVIDADES COMPARAÇÃO Mensuração Física Avaliação dos Resultados Metas previstas x Metas realizadas CUSTOS INVESTIMENTOS OPERACIONAIS RESULTADO: Variações Passivas Bens de uso comum Bens do Patrimônio Administrativo Balanço Patrimonial Figura 13- Fluxo do sistema de custeamento proposto Ativo Permanente Depreciação Amortização Exaustão 58 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 58 Com os dados relativos às despesas redistribuídas, segundo a sua destinação final sem se preocupar com a classificação orçamentária-legal, é possível colher informações relevantes que permitam comparabilidade entre o planejado e o efetivamente executado. Neste aspecto, o estabelecimento de metas e sua conjugação com indicadores gerenciais de desempenho, conforme exemplo, é vital para a implantação de qualquer sistema de custeamento. Por outro lado, o acompanhamento intertemporal dos recursos financeiros despendidos nas atividades desenvolvidas e a aplicação simultânea de indicadores gerenciais para mensuração da eficiência e eficácia da gestão, permitirá a médio prazo uma melhor apreciação do cidadão sobre a administração. Assim, o conhecimento das metas a serem cumpridas e o estabelecimento dos indicadores gerenciais de desempenho permitem melhor análise, facilitando o controle gerencial e a atribuição de responsabilidades, conforme fluxo a seguir: PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA Custos ESTUDOS PARA NOVA PROPOSTA Metas PODER LEGISLATIVO CUSTOS PREVISTOS METAS PREVISTAS JULGAMENTO DAS CONTAS 59 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 59 PROGRAMAÇÃO FINANCEIRA EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO CUSTOS REAIS AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO NA METAS ATINGIDAS CUSTOS Causa das variações monetárias METAS Causa das variações físicas CONTROLE GERENCIAL CUSTOS PREVISTOS x CUSTOS REAIS METAS PREVISTAS x METAS ATINGIDAS Figura 14 - Fluxo de integração entre o processo de planejamento, orçamentação e execução Em resumo, poder-se-ia estabelecer que a implantação de uma contabilidade de custos no setor governamental envolve duas fases, conforme quadro 7: Quadro 7 Fases para implantação do sistema de custeamento FASE IMPLANTAÇÃO ATIVIDADE 1. Criação de grupos específicos de custos; 2. Elaboração de Plano de Contas baseado no organograma definindo os centros de responsabilidade e centros de custos; 3. Estabelecimento de procedimentos de apropriação das despesas independentemente da classificação legal; 4. Estabelecimento de procedimentos de mensuração e rateio dos gastos indiretos das atividades; 5. Estabelecer modelos de relatórios de despesas. 1. DESENVOLVIMENTO Descentralização das atividades; 2. Medição dos custos através da contabilização e registro dos dados diários 60 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 60 de cada atividade. A identificação das atividades decorre do detalhamento dos processos, como exemplo temos que nas áreas de Saúde e Limpeza Urbana a distribuição poderia ser assim: Quadro 8 Identificação de atividades específicas para Saúde e Limpeza Urbana PROCEDIMENTOS SAÚDE - Consulta com exame - Atendimento de emergência - Pré Natal, etc. PROCEDIMENTOS LIMPEZA URBANA - Coleta de lixo domiciliar - Varredura - Lixo hospitalar - Linha na praia - Capina/Corte de grama - Favelas - Escolar etc. O presente estudo, conforme já afirmado, é uma contribuição que pretende ser o ponto de partida para a implantação de um sistema de custeamento no setor público, possibilitando a avaliação permanente da execução física e financeira dos programas, projetos e atividades, pois uma das obrigações dos agentes públicos é prestar contas também das realizações físicas para cada uma das atividades, pois, só assim, é possível construir um modelo que permita fazer comparações com um nível padrão de atendimento, permitindo que a população avalie se o governo está atuando de modo eficaz, e mais do que isto se está sendo eficiente. A atualidade tem revelado que o cidadão não está preocupado com a formalidade jurídica, a soma exata das faturas ou a classificação correta das despesas, segundo a Lei Orçamentária. O que ele espera é uma correta evidenciação dos fatos econômicos e financeiros, de modo que seja possível avaliar a execução dos projetos e atividades e o grau de cumprimento das metas estabelecidas, pois só assim estará controlando o desempenho da administração. 61 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 61 Somente com uma contabilidade de custos, utilizada como ferramenta de auxilio à gerência, é possível informar ao cidadão sobre a satisfação detalhada das suas necessidades, visto que a informação sobre o montante gasto em Educação, Saúde, Transportes ou Saneamento não tem para ele qualquer utilidade prática, por não permitir o esclarecimento sobre o aspecto qualitativo das ações governamentais que devem estar sempre orientadas para o processo de erradicação dos problemas. 62 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 62 BIBLIOGRAFIA 1) AID - Agência para o Desenvolvimento Internacional. Sistema Integrado, Modelo de Administração Financeira, Controle e Auditoria - SIMAFAL, AID, Washington, 1991; 2) ANTHONY, R & HEKIMIAN, J. - Controle de Custos de Operações, Tradução de Cândido Bueno de Azevedo, São Paulo, Editora Brasiliense, 1974. 3) ASSMANN, Milton Beno et alü - Análise Crítica do Orçamento Plurianual de investimentos, Bahia, SENOP, III Seminário Nacional sobre Orçamento Público, realizado de 10 a 15 de outubro de 1976. 4) AZEVEDO, Luiz Carlos dos Santos & MENDONÇA, Jorge Augusto Gazeta - Intercâmbio com o governo de Maryland, Rio de Janeiro, Cadernos da Controladoria nº 4, Ano II, mar/96. 5) BIOLCHINI, Alberto - Codificação da Contabilidade Pública Brasileira, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1930, vol. I. 6) CAMPANHOLE, ADRIANO & HILTON. Todas as Constituições do Brasil, 3ª ed., São Paulo, Atlas, 1978. 7) CAMPOS, Ana Maria - Accontability: Quando poderemos Traduzi-la para o Português? 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Paulo: Atlas, 2ª ed., 1987. 14) IOB, Temática Contábil e Balanços - Modernização da Contabilidade Governamental e os princípios fundamentais de Contabilidade, Rio de Janeiro: Boletim n° 13, 1994. 63 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 63 15) LEONE, George S. Guerra - Custos, Planejamento, Inplantação e Controle, Rio de Janeiro, Atlas, 1981. 16) LI, David H. -Contabilidade Gerencial; tradução de Danilo A. Nogueira. S. Paulo: Atlas, 1977. 17) MACHADO, J. Teixeira Jr. & REIS, Heraldo Costa - A. Lei 4320 Comentada, 26ª ed., Rio de Janeiro, IBAM, 1995. 18) MARTINS, Elizeu - Contabilidade de Custos, S.P. Atlas, 1979. 19) MEIRELLES, Hely Lopes - Direito Administrativo Brasileiro, 2ª ed., Malheiros Editora. Ltda, 1995, São Paulo. 20) NASCIMENTO, José Olavo - O Orçamento Público - Aspectos Relevantes, Caxias do Sul, Prefeitura Municipal de Caxias do Sul, 1986. 21) PYHRR, Peter A. - Orçamento Base-Zero - Um instrumento prático para avaliação das despesas. Tradução de José Ricardo Brandão Azevedo, Rio de Janeiro, Interciência, São Paulo, Ed. da Universidade de São Paulo, 1981. 22) REIS, Heraldo Costa - Áreas e centros de responsabilidades no controle interno das entidades governamentais, Rio de Janeiro, Revista de Administração Municipal, nº 25, ano XXXIX, IBAM, out/dez/1992. 23) __________________ - Em busca da Transparência na Contabilidade Governamental, Rio de Janeiro, IBAM, Rev. de Administração Municipal, v. 39, nº 202, jan/mar/1991. 24) __________________ - Princípios Fundamentais de Contabilidade (Resolução nº 750/93 do CFC) e a Lei 4320/64, 1ª edição, Rio de Janeiro, IBAM, 1995. 25) SILVA, José Afonso - Orçamento - Programa no Brasil, São Paulo, Ed. 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Brasileira de Contabilidade, nº 91, jan/fev, 1995 64 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 64 65 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 65 LISTA DE FIGURAS Figura 1 Integração entre os subsistemas de orçamento, crédito público, tesouro e contabilidade...............................................14 Figura 2 Fluxo do processo de planejamento orçamentário ...............................30 Figura 3 Fluxo da execução orçamentária e financeira ......................................30 Figura 4 Fluxo do processo de elaboração das propostas orçamentárias ............31 Figura 5 Elementos integrados da atividade financeira ................................... .. 41 Figura 6 Fluxo do controle interno no setor público .......................................... 43 Figura 7 Demonstrativo do fluxo contábil atual e afetação aos resultados ..... ....52 Figura 8 Demonstrativo do fluxo contábil proposto e afetação aos resultados ............................................................................................ 53 Figura 9 Fluxo do processo orçamentário e suas premissas ................................. 57 Figura 10 Diagrama de rateio das despesas indiretas .............................................. 61 Figura 11 Fluxo da organização e dos relatórios de responsabilidade ..................... 62 Figura 12 Inter-relações sistêmicas da Contabilidade de Custos .............................. 63 Figura 13 Fluxo do sistema de custeamento proposto ............................................. 65 Figura 14 Fluxo de integração entre o processo de planejamento, orçamentação e execução ....................................................................... 67 66 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 66 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Composição do patrimônio público ................................................ .... 9 Quadro 2 - Deficiências mais encontradas nos elementos patrimoniais ...................11 Quadro 3 - Classificação legal das despesas públicas ..............................................15 Quadro 4 - Exemplos de áreas e unidades de custo .................................................23 Quadro 5 - Aspectos das diferenças entre Contabilidade Financeira e a Contabilidade Gerencial .....................................................................27 Quadro 6 - Reflexos das despesas no patrimônio financeiro e no patrimônio permanente .................................................................. 39 Quadro 7 - Fases para implantação do Sistema de Custeamento ..........................68 Quadro 8 - Identificação de atividades específicas para Saúde e Limpeza Urbana ..................................................................... 68 67 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 67 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Comparação entre Receitas e Despesas Resultado do Orçamento corrente ...................................................................... ...3 Tabela 2 - Proposta orçamentária da Secretaria Municipal de Saúde - 1996 ..............................................................................33 Tabela 3 - Secretaria Municipal de Saúde/Comparação entre as quantidades previstas e reais ............................................................34 Tabela 4 - Secretaria Municipal de Saúde/Execução Orçamentária Exercício de 1995 ............................................................................34 Tabela 5 - Comparação entre custos propostos, estimados e reais ......................47 Tabela 6 - Comparação global entre previsão e realização ..................................54 Tabela 7 - Comparação detalhada entre as metas previstas e realizadas ...............55 INDICE I - INTRODUÇÃO 1.1 - Atitude dos Governantes frente ao Orçamento Corrente 1.2 - A Contabilidade Pública e suas limitações 1.2.1 - Apuração do Resultado do Exercicio......................................................7 68 DE SISTEMA DE CUSTOS NA ADMINISTRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO PARA IMPLANTAÇÃO PÚBLICA. 68 1.2.2 - Deficiência na avaliação dos elementos patrimoniais.............................................................................................. 9 1.2.3 - Deficiências na classificação das despesas............................................13 II - A CONTABILIDADE GERENCIAL COMO FONTE DE INFORMAÇÕES 2.1 - Generalidades..........................................................................................22 2.2 - Diferença entre a Contabilidade Gerencial e a Contabilidade Geral ou Financeira.............................................................25 2.3 - Controle Financeiro e orçamentário ........................................................28 2.4 - Planejamento e Execução Física .............................................................30 III - NOVA FUNÇÃO DA CONTABILIDADE GOVERNAMENTAL 3.1 - Aspectos Rele3vantes .............................................................................37 3.2 - Mutações Patrimoniais da Despesa .........................................................39 3.3 - A Contabilidade Governamental como Sistema de Informações .............................................................................................41 3.4 - A Contabilidade como instrumento de planejamento e Controle ....................................................................................................43 IV - CARACTERÍSTICAS DA CONTABILIDADE DE CUSTOS NAS ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS 4.1 - Principais aspectos .................................................................................46 4.2 - Verificação de custos para controle na contabilidade governamental ..........................................................................................52 4.3 - Custos e Controle Orçamentário .............................................................54 4.4 - Articulação do orçamento com a Contabilidade ......................................59 4.5 - Necessidades do administrador público ..................................................60 BIBLIOGRAFIA ............................................................................................71 LISTA DE FIGURAS ....................................................................................74 LISTA DE QUADROS ................................ .................................................75 LISTA DE TABELAS ...................................................................................76