Pró-Reitoria de Graduação
Serviço Social
Trabalho de Conclusão de Curso
ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO PROGRAMA DE
PESQUISA, ASSISTÊNCIA E VIGILÂNCIA EM VIOLÊNCIA (PAV
VIOLETA) DA SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DO
DISTRITO FEDERAL- SES/DF
Autora: Gizelle Rocha dos Santos
Profª. Msc. Karina Figueiredo
GIZELLE ROCHA DOS SANTOS
Brasília – DF
2013
GIZELLE ROCHA DOS SANTOS
ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO PROGRAMA DE PESQUISA,
ASSISTÊNCIA E VIGILÂNCIA EM VIOLÊNCIA (PAV VIOLETA)DA SECRETARIA
DE ESTADO DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL- SES/DF
Artigo
apresentado
ao
curso
de
graduação em Serviço Social da
Universidade Católica de Brasília, como
requisito parcial para obtenção do título
de Bacharel em Serviço Social.
Orientadora: Prof.ª MsC. Karina
Figueiredo
Brasília
2013
Artigo de autoria de Gizelle Rocha dos Santos, intitulado ATUAÇÃO DO
ASSISTENTE SOCIAL NO PROGRAMA DE PESQUISA, ASSISTÊNCIA E
VIGILÂNCIA EM VIOLÊNCIA (PAV VIOLETA)DA SECRETARIA DE ESTADO DE
SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL- SES/DF apresentado como requisito parcial para
obtenção do grau de Bacharel em Serviço Social da Universidade Católica de
Brasília, em 14 de junho de 2013, defendido e aprovado pela banca examinadora
abaixo assinada:
Prof.ªMsc Karina Aparecida Figueiredo
Orientadora
Curso de Serviço Social – UCB
Prof.ªEsp. Cássia Aparecida Guimarés
Curso de Serviço Social - UCB
Assistente Social Elizabeth Maulaz Lacerda
Orientador Externo
Brasília
2013
AGRADECIMENTO
Primeiramente agradeço a Deus por sustentar e fortalecer a minha fé perante a
realização desse sonho e abençoar a minha caminhada acadêmica. Agradeço
também pela vida de todos ao meu redor que contribuíram para a minha formação.
O meu eterno agradecimento aos meus pais Sérgio Sousa dos Santos e Annete
Martins da Rocha, provedores da realização dessa formação, que sempre apoiaram
nas minhas escolhas e pelo incentivo durante toda a minha vida, criação e
educação. Sendo eles formuladores do meu caráter e determinação em chegar até
aqui. Agradecendo todo o suporte emocional e financeiro que proporcionaram
durante minha vida, e, sobretudo, na formação acadêmica.
Agradeço também aos meus avós, Divina Maria Martins da Rocha, Thomaz Edson
Francisco da Rocha, Célia Sousa dos Santos e Raimundo Cardoso dos Santos que
contribuíram de diversas maneiras e estiveram na torcida por essa realização.
A toda a minha família, ao meu irmão Nathan Rocha dos Santos, tios, tias, primos,
primas e a minha madrinha Norma Côrtes que torceram por mim e compartilham
dessa alegria na conclusão de mais essa etapa. Em destaque às minhas primas
Dayanne Martins e Lorrayne Rocha Jordão com quem compartilho essa mesma fase
de conclusão de mais essa etapa.
Agradeço em especial ao Flávio Braz de Queiroz que tanto me apoiou, foi paciente,
cuidadoso, compreensivo e companheiro durante essa jornada.
Agradeço aos meus amigos e amigas que durante esse tempo estiveram ao meu
lado e compreenderam as minhas ausências. Em especial à Lasmine de Assis,
Rocío Sepúlveda, Bárbara Leandro de Araújo, Thauanna Batista e Alana Farias.
Aos meus amigos Débora Araújo, Seiti Klefer, Rosângela Ribeiro, Layane Ruela,
Raquel Ruas, Nilda França, Laura Meireles, Vânia Carla e os outros companheiros
que fiz durante a vida acadêmica e que sou grata por todos os momentos que
compartilhamos juntos. Os momentos de aflição, de angústia e os momentos em
que fomos vitoriosos e merecedores dos resultados positivos alcançados.
Agradeço a oportunidade pela experiência de estágio de 2 anos na Empresa
Dataprev, na qual estive lotada no setor SDFP. Agradecendo em especial a
assistente social Marta Regina dos Passos Lima por me orientar e supervisionar
minhas atividades e o quanto aprendi sobre a postura profissional. A Maria
Madalena Gob e Fernanda Albuquerque Ramos e Luiz Roberto Vieira e equipe
URDF pelo apoio, acolhimento e compreensão diante as demandas acadêmicas.
Aos amigos queridos que fiz nesse ambiente e que sempre torceram por mim
Larissa Batista Nunes e Klever Corrente, Claudionor Marques, Jamile Pereira,
Vanda Oliveira, Brunna Araruna e Antônia Borque.
Agradeço a assistente social Elizabeth Maulaz Lacerda pela vivência que me
proporcionou durante o ano de 2012 nas disciplinas de Estágio I e II e sempre foi
prestativa a me ensinar e passar seu rico conhecimento. A ela a minha gratidão e
admiração pela pessoa e pelo seu compromisso profissional.
Deixo aqui registrado o meu enorme agradecimento a Professora Karina Aparecida
Figueiredo, que foi minha orientadora nesse processo de formulação deste artigo e
de toda minha vida acadêmica. A quem sempre pude recorrer em todas as
situações. A quem tem o meu respeito e admiração pela profissional comprometida
que é, e pelo coração generoso que tem.
Agradeço a professora Cássia Aparecida Guimarães, por ter aceitado o convite em
participar como examinadora na apresentação deste artigo.
Agradeço a todo o corpo docente e administrativo do curso de Serviço Social da
Universidade Católica de Brasília, por terem contribuído para uma formação de
qualidade.
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ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO PROGRAMA DE PESQUISA,
ASSISTENCIA E VIGILANCIA EM VIOLÊNCIA (PAV VIOLETA) DA SECRETARIA
DE ESTADO DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL- SES/DF
GIZELLE ROCHA DOS SANTOS
Resumo: o presente trabalho visa apresentar a dinâmica de atuação do/a assistente social que está
inserido nos Programas de Pesquisa, Assistência e Vigilância em Violência (PAV Violeta) da
Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES/DF). Visa abordar os desafios do Serviço
Social inserido nessa temática de violência em um serviço de saúde do Sistema Único de Saúde
(SUS) e na colaboração da superação das situações de violência trazidas pelos usuários. Buscou-se
ainda, apresentar as particularidades da atuação do assistente social que tem como abordagem as
questões sociais que se explicitam no contexto social em que está inserida a pessoa que vivenciou
algum tipo de violência. Como também, discorrer a cerca do acolhimento e acompanhamento dessas
situações de violência e a forma de atuação do assistente social a partir das questões vivenciadas
pelos usuários e das demandas que chegam ao PAV Violeta. O artigo foi realizado por meio de
pesquisa bibliográfica e observação vivenciada durante o estagio supervisionado I e II. È possível
perceber o quanto se faz importante a atuação do assistente social dentro do Programas de Pesquisa
Assistência e Vigilância em Violência (PAV Violeta) da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito
Federal (SES/DF) sendo o Serviço Social uma profissão competente a identificar e trabalhar de forma
abrangente a superação das situações de violência.
Palavras chaves: Serviço Social. Violência. Saúde
INTRODUÇÃO
O presente artigo advém da experiência de ter realizado as disciplinas de
Estágio Supervisionado I e II durante ano de 2012, no Programas de Pesquisa
Assistência e Vigilância em Violência (PAV) Violeta que está inserido no Hospital
Materno Infantil de Brasília (HMIB) da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito
Federal (SES/DF).
Tem como objetivo discorrer sobre a atuação do assistente social que atua no
PAV Violeta, junto às vítimas de violênciae seus desafios cotidianos no exercício
profissional, sendo a violência uma temática permeada por um complexo contexto
no seu enfrentamento.
Abordar os desafios da atuação do assistente social para enfrentamento às
demandas recebidas nos Programas de Pesquisa, Assistência e Vigilância em
Violência, estruturação da rede de saúde e demais políticas sociais para o
enfrentamento das situações de violência trazidas pelos usuários.
Identificar as dificuldades enfrentadas pelo assistente social perante a
demanda de violência recebida nos PAV e apresentar as ações exercidas pelo
Assistente Social no PAV.
O artigo traz como hipótese os desafios da atuação do assistente social para
enfrentamento às demandas recebidas noS Programas de Pesquisa, Assistência
e Vigilância em Violência (PAV Violeta) da Secretaria de Estado de Saúde do
Distrito Federal (SES/DF)., estruturação da rede de saúde e demais políticas
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sociais para o enfrentamento das situações de violência trazidas pelos usuários
do PAV Violeta.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), como também o Ministério da
Saúde – MS (Brasil, 2008), definem violência como:
uso intencional de força física ou do poder, real ou em ameaça contra si
próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que
resulte ou tenha possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico,
deficiência de desenvolvimento ou privação.
As ações institucionalmente organizadas de enfrentamento da violência no DF
iniciaram-se em 1997, com a implantação do Programa de Proteção à Criança
Vítima de Maus-Tratos no Hospital Regional da Asa Sul (HRAS). Estas ações,
inicialmente, eram centralizadas somente neste serviço com o propósito de
normatização e análise das ações propostas e capacitação de profissionais de
diversas categorias, envolvidos no atendimento (VILELA, 2005).
A violência tem caráter mundial, não se caracterizando por idade,
independente de gênero, raça, religião, opção sexual ou posição social. Mas podese perceber que a violência atinge com maior proporção um público da classe
menos favorecidas, por estarem expostas á uma realidade de maior vulnerabilidade
de suas condições de vida. Percebe-se também que as vítimas que já sofreram
algum tipo de violência são crianças, adolescentes, mulheres, pessoas idosas,
homossexuais, pessoas com deficiência e transtorno mental, por serem
caracterizadas pelos agressores como pessoas com certas fragilidades físicas e/ou
emocionais.
A violência se denomina como uma conotação negativa, associada como um
ato de reprovação. Para ser caracterizado como ato violento é necessário identificar
as seguintes características: “causar dano, usar a força (física ou psíquica), ser
intencional ou ir contra a livre e espontânea vontade de quem é objeto de dano”.
(Manual para atendimento às vítimas de violência na rede de saúde pública do DF,
2009, p. 07).
O presente artigo foi realizado por meio de pesquisa qualitativa, exploratória,
que contou com a coleta de dados em bibliografia, documentos e com a observação
participante, tendo em vista a vivência da autora durante o estágio supervisionado
no ano de 2012.
O artigo está organizado em 4 tópicos que abordam o contexto da Saúde
como Direito, a atuação do assistente social na saúde e a atuação profissional
dentro dos PAV’s da SES/DF. Abordando a realidade do espaço de atuação do
Serviço Social frente às demandas dos tipos de violência e suas maneiras de
atendimento frente as questões delicadas que apresentam os usuários do serviço de
saúde vítima de algum tipo de violência.
METODOLOGIA
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Optou-se por um estudo de caráter qualitativo exploratório, realizado por meio
de pesquisa bibliográfica documental e observação trazida pela percepção dentro do
campo de estágio e nos estudos feitos durante a formação acadêmica.
De acordo com Richardson (2010), a investigação qualitativa tem como objeto
situações complexas ou extremamente particulares. Apresentando a complexidade
dedeterminado problema, analisando a interação de certas variáveis,
compreendendo eclassificando os diversos processos dinâmicos vivenciados por
grupos sociais, possibilitando o entendimento das particularidades do
comportamento dos indivíduos.
Para Minayo (2008), a pesquisa qualitativa aprofunda no significado que não
é perceptível por estatísticas.
Segundo Minayo (2006), as pesquisas qualitativas ocupam um lugar auxiliar e
exploratório, sendo caracterizadas como “subjetivas e impressionistas”. A
abordagem qualitativa se aprofunda no mundo dos significados. O universo da
produção humana que pode ser resumido no mundo das relações, das
representações e da intencionalidade e é objeto da pesquisa qualitativa dificilmente
pode ser traduzido em números e indicadores quantitativos.
Utilizou-se também o método exploratório que Segundo Gil (2008) é a
utilização de materiais e documentos já existentes como fonte de pesquisa. Gil ainda
define que a pesquisa exploratória “é realizado especialmente quando o tema
escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas
e operacionalizáveis” (Gil 2008, p.27)
A pesquisa exploratória pode ser entendida como:
o ato de indagar e de buscar informações sobre determinado assunto,
através de um levantamento realizado em base de dados nacionais e
estrangeiros, com o objetivo de detectar o que existe de consenso ou de
polêmico no estado da arte da literatura”. (BASTOS; DESLANDES, 2005, p.
390 apud Biblioteca Central da Universidade de Brasília,
A pesquisa bibliográfica segundo Gil (2002, p.44) pode ser desenvolvida a
partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos
científicos de literatura especificamente de teóricos que abordam sobre do assunto
em questão.
A pesquisa documental foi realizada por meio do relatório do Estagio
Supervisionado I e II, documentos oficiais, como leis, portarias e políticas de
atendimentos às vítimas de violência, cartilhas que visão orientar os profissionais
quanto aos atendimentos e procedimentos adotados aos usuários que vivenciaram
algum tipo de violência.
Este artigo desenvolveu-se também por meio da observação participante,
durante a realização das disciplinas de Estágio I e II no ano letivo de 2012 dentro do
PAV Violeta. A referida técnica tem como definição a abordagem qualitativa em que
o pesquisador se insere dentro do campo de pesquisa, podendo se tornar parte dele,
interagindo por longos períodos com os sujeitos, compartilhando o seu cotidiano e
percebendo o significado de estar inserido na vivência do outro.
Este convívio permite ao pesquisador a oportunidade em unir o objeto ao seu
contexto, contrapondo-se ao princípio de isolamento no qual se formou. Segundo
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Morin (1997), o conhecimento é pertinente quando se é capaz de dar significado ao
contexto global.
Morin (1997) traz dois pontos positivos:
 O primeiro ponto é a possibilidade de obter a informação no momento em
que ocorre o fato na presença do observador. Além disso, é o meio mais
direto de se estudar uma ampla variedades de fenômenos, e a grande
maioria dos aspectos do comportamento humano só podem ser estudados
satisfatoriamente mediante a observação.
 O segundo ponto é o método de coleta de dados é o que exige menos dos
sujeitos objeto de estudo. A observação também comprova ou não os
relatos dos sujeitos, porque nem sempre o que eles falam é o que
demonstram em seus comportamentos.
1 A SAÚDE COMO DIREITO
Tendo como base na 8° Conferência Nacional de Saúde, em 1986 com a
apresentação das reivindicações para tornar o acesso à saúde como um direito de
todo cidadão e dever do Estado, pensando e estruturando o setor da saúde de
maneira ampliada, já que nessa época o saber era concentrado nas ciências
biológicas e na forma da proliferação de como as doenças eram transmitidas.
Conseguiu-se nessa Conferencia estabelece marcos políticos e conceituais para o
processo de transformação do setor saúde no Brasil.
Adiante, com a promulgação da lei na Constituição de 1988 que foram
definidas as ações competentes ao SUS. Tendo a participação do Movimento
Sanitário para elaboração do marco legal que regulamentou o Sistema Único de
Saúde: a Lei n° 8.080/90, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção
e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços de saúde; e
a Lei 8.142/90, que aponta para a participação da comunidade na gestão do SUS e
sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da
saúde.
Diante de todas essas mobilizações, a saúde foi implementada como um
direito de todos e dever do Estado, respaldada por políticas sociais econômicas
visando à redução de risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e
igualitário às ações de serviços. No entanto, o SUS, pressupõe doutrinas e
princípios: universalização, saúde como direito de todos, atendimento e equidade no
acesso com extensão de cobertura de ações e serviços; a equidade: direito ao
atendimento adequado às necessidades de cada indivíduo e coletividade; a
Integralidade: considerar a pessoa como um todo, ações de saúde atendendo suas
necessidades; a hierarquização: conjunto articulado e contínuo das ações e serviços
preventivos e curativos individuais e coletivos; a participação popular:
democratização dos processos decisórios consolidado na participação dos usuários
dos serviços de saúde nos chamados Conselhos Municipais; a descentralização:
política administrativa consolidada com a municipalização das ações de saúde,
tornando o município gestor administrativo e financeiro do SUS.
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De acordo com Portal da Saúde do Ministério da Saúde, o SUS é um dos
maiores sistemas públicos de saúde do mundo. O SUS abrange desde o simples
atendimento ambulatorial até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral,
universal e gratuito para toda a população do país. Antes da criação do SUS, a
saúde não era considerada um direito social. O SUS foi criado para oferecer
atendimento igualitário, cuidar e promover a saúde de toda população. É a maior
política de inclusão social do planeta e a maior política de redistribuição de renda do
Brasil.
Constitui Pacto Federativo, onde são ajustadas as instâncias formais com a
participação das três esferas de governo, existindo uma prática já difundida de
participação popular/controle social, sendo modelo para outras políticas sociais.
Atualmente, segundo o Ministério da Saúde, o SUS tem 6,1 mil hospitais
credenciados, 45 mil unidades de atenção primária e 30,3 mil Equipes de Saúde da
Família (ESF). O sistema realiza 2,8 bilhões de procedimentos ambulatoriais anuais,
19 mil transplantes, 236 mil cirurgias cardíacas, 9,7 milhões de procedimentos de
quimioterapia e radioterapia e 11 milhões de internações.
Entre as ações mais reconhecidas do SUS estão a criação do Serviço de
Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), Políticas Nacionais de Atenção Integral à
Saúde da Mulher, de Humanização do SUS e de Saúde do Trabalhador, além de
programas de vacinação em massa de crianças e idosos em todo o país e da
realização de transplantes pela rede pública.
O Movimento Sanitarista teve como defesa o saneamento, sobre a questão
da saúde, assim como questão da educação, considerando essa ação comofatores
e elementos cruciais para a construção da nacionalidade. Enfatizando a
precarização das condições dos atendimentos em de saúde das populações rurais,
sendo o principal obstáculo a que o país se civilizasse e se tornasse efetivamente
uma nação.
2 ATUAÇÃO DO/A ASSISTENTE SOCIAL NA SAÚDE
O Serviço Social sendo apresentado historicamente na sociedade como
profissão de prestação de serviços destinados aos excluídos, baseado no âmbito de
domínio da prevenção e da educação no exercício da formulação estratégicas no
enfrentamento de possibilidades para a intervenção profissional. Assim, é importante
enfatizar as grandes alterações nos processos de produção e reprodução da
questão da vida social, e as relações entre os sujeitos, nos motivando a reflexão
sobre a dinâmica dasdemandas decorrente ao movimento do mundo cotidiano.
Ocorreu no ano de 1960 um processo de ruptura de um Serviço Social
arcaico com práticas tradicionais vinculado a interesses de uma classe dominante,
que agora busca discutir a relação entre a profissão e a sociedade capitalista. Em
que o Serviço Social se mobilizou e se vinculou a um projeto societário cujo
cumprimosso é com as classes subalternas (Netto, 2006).
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Assim o Serviço Social na atuação pautada pela perspectiva marxista
procura agir e modificar com planos de ações a realidade de uma sociedade de
âmbito capitalista:
Responde tanto a demandas do capital como do trabalho e só pode
fortalecer um ou outro pólo pela mediação de seu oposto. Participa tanto
dos mecanismos de dominação e exploração como, ao mesmo tempo e
pela mesma atividade, da resposta às necessidades de sobrevivência da
classe trabalhadora e da reprodução do antagonismo nesses interesses
sociais, reforçando as contradições que constituem o móvel básico da
história. A partir dessa compreensão, é que se pode estabelecer uma
estratégia profissional e política, para fortalecer as metas do capital ou do
trabalho, mas não se pode excluí-las do contexto da prática profissional,
visto que as classes só existem inter-relacionadas (IAMAMOTO, 1985, p.75)
A atuação do assistente social na área da saúde, ainda precisa avançar,
apesar de hoje já se ter um espaço conquistado pela profissão, mas que por vezes
persistem nos traços de atendimento ao público subalterno.
Segundo Costa (2000, p.69) “restabelecer o elo orgânico entre setores,
profissões e instituições, quebra a burocratização e verticalização das ações que se
revelam tanto nas relações internas às subunidades do SUS, quanto entre este e as
demais políticas e instituições sociais”.
“Na atual conjuntura, o profissional de Serviço Social, tem por desafio articular
as ações com os demais profissionais e movimentos sociais”, (CFESS, 2010, p. 23),
diante disso, mais do que procurar compreender o significado e papel da profissão
dentro de uma sociedade capitalista frente ao processo de reprodução das relações
sociais
“Tendo como pressuposto as modificações nas políticas sociais, pois só
serão concretizadas através de um vasto movimento de massas que
questione a cultura política da crise gestada pelo grande capital, e lute pela
ampliação da democracia nas esferas da economia, da política e da
cultura”. (CFESS, 2010, p. 23).
Sendo necessária uma “formação profissional que propicie aos Assistentes
Sociais subsídios teóricos, éticos, políticos e técnicos que auxiliem no
desenvolvimento de habilidades que possibilitarão uma ação crítica, criativa e
comprometida”. (OLIVEIRA; SOUZA, 2007, p. 1).
Dessa forma pode-se dizer que o desafio para os profissionais nos dias de
hoje é criar propostas de enfrentamento capazes de consolidar e garantir os direitos
sociais dos usuários, visando a ampliação dos canais de participação no campo
institucional.
Sendo possível compreender, como está inserido o profissional de Serviço
Social descrito no documento do CFESS, cabe ao Serviço Social – numa ação
necessariamente articulada com outros segmentos que defendem o aprofundamento
do Sistema Único de Saúde (SUS) – formular estratégias que busquem reforçar ou
criar experiências nos serviços de saúde que efetivem o direito social à saúde,
atentando que o trabalho do assistente social que queira ter como norte o projeto-
11
ético político profissional tem que, necessariamente, estar articulado ao projeto da
reforma sanitária (CFESS, 2010, p. 29, apud. Matos, 2003; Bravo & Matos, 2004).
Considerando o entendimento do CFESS, (2010, p. 30):
“O código de ética da profissão apresenta ferramentas fundantes para o
trabalho dos assistentes sociais na saúde em todas as suas dimensões: na
prestação de serviços diretos à população, no planejamento e na
assessoria”.
Assim como regulamentodo no projeto político-profissional do Serviço Social
que os assistentes sociais devem pautar suas ações, buscando empreender as
ações, lidando com os limites/obstáculos no agir, comprometidos com os princípios e
diretrizes do Código de Ética Profissional.
De acordo como os Parâmetros, o trabalho na área da saúde:
“É um campo privilegiado de atuação para o assistente social - que com a
direção social adotada pela profissão nas últimas décadas e com a atuação
conjunta com outros profissionais e movimentos sociais que compartilhem
dos princípios e diretrizes defendidos pelo projeto ético político - contribuirá
para o fortalecimento dos trabalhadores enquanto sujeitos históricos neste
processo”. (CFESS, 2008, pag.36).
É relevante que o assistente social saiba trabalhar interdisciplinarmente,
tendo como objetivo a troca de saberes, relação de reciprocidade, melhoria de
atendimento ao usuário por meio de todos os profissionais de saúde. Tendo o
assistente social uma atuação sensibilizada em relação aos outros profissionais
frente aos fenômenos sociais e suas conseqüências na sociedade.
Também conforme os Parâmetros: Pensar e realizar uma atuação
competente e crítica do Serviço Social na área da saúde consiste em: buscar a
necessária atuação em equipe, tendo em vista a interdisciplinaridade da atenção em
saúde. (CFESS, 2010, p.30). O trabalho em equipe configura-se um elemento
indispensável para adquirir bons resultados, além da troca de conhecimentos e
experiências entre os profissionais.
De acordo com Oliveira e Souza, (2007, p. 3), “a interdisciplinaridade tem
como princípio constituinte a diferença. Sabe-se que é próprio do ser humano a
dificuldade em conviver com as diferenças, com o diferente. Percebemos, assim,
que efetivar a interdisciplinaridade requer uma nova postura profissional”.
Conforme as autoras, o trabalho interdisciplinar não acontece imediatamente,
ele se efetiva na sua prática e vivência. (OLIVEIRA e SOUZA, 2007). É através do
conhecimento da realidade e de seu objeto de estudo, que o profissional direciona
suas ações, analisando os entraves e possíveis problemas, que incidirá no conjunto
de metodologias criativas e diferenciadas. É importante que se tenha, para além do
trabalho com o usuário, um bom relacionamento com a equipe, pois permite trocas
de experiências e mais possibilidades de atuação em conjunto, onde todo o
conhecimento é igualmente importante, uma atitude coerente, sendo que é na
opinião crítica do outro que se fundamenta a opinião particular, supondo uma
postura única, engajada e comprometida frente aos fatos da realidade.
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Nessa perspectiva, aparece a necessidade de se aproximar de outras áreas
do conhecimento, contextualizando as relações culturais, econômicas e políticas
vigentes, considerando:
“O objeto de estudo do Serviço Social, a questão social em suas múltiplas
expressões, sendo possível trabalhar o conhecimento produzido por essa
área do saber em torno de seu objeto podendo contribuir para ampliação
dos saberes e a compreensão da sociedade em torno do indivíduo. E, por
outro lado, busca-se também poder contribuir com a produção de
conhecimento dentro do Serviço Social, uma vez que tal profissão intervém
diretamente com os sujeitos sociais nas mais diversas situações do
cotidiano”. (EIDELWEIN, 2007, p. 3).
O objeto institucional do Serviço Social é algo como a cidadania efetiva da
população. O Assistente social tem a função política de mediar às relações entre a
população e o Estado no usufruto de seus aparatos, garantindo e viabilizando
direitos. Faleiros (2010, p. 31), afirma que a construção do objeto, no entanto, não
se faz hoje, fora do contexto institucional, em que se exerce o poder profissional, ou
seja, a construção do objeto de intervenção se dá no espaço de atuação.
Os Parâmetros para Atuação de Assistentes Sociais na Saúde enfoca que:
O Sistema Único de Saúde (SUS) completou vinte anos de existência e, não
obstante ter conseguido algumas inovações, o SUS real está longe do SUS
constitucional. Há uma enorme distância entre a proposta do movimento
sanitário e a prática do sistema público de saúde vigente. O SUS foi se
consolidando como espaço destinado aos que não têm acesso aos
subsistemas privados, como parte de um sistema segmentado. A
proposição inscrita na Constituição de 1988 de um sistema público universal
não se efetivou, apesar de alguns avanços, como o acesso de camadas da
população que antes não tinham direito; o sistema de imunização e de
vigilância epidemiológica e sanitária; os progressos na alta complexidade,
como os transplantes, entre outros. (CFESS, 2010, p.22)
Apesar de ser um grande sistema e todos os parâmetros de aplicação, ainda
deve ser superado alguns desafios, sendo um deles, a defasagem no quadro de
profissionais especialmente nas regiões menos desenvolvidas, onde é grande a
desigualdade e difícil o acesso.
Percebe-se ainda a carência de promoção à Atenção Básica, procurando
fortalece-la; promovendo um amplo programa de qualificação e desprecarização da
força de trabalho em saúde; mobilizar a sociedade e o Estado em torno de um
grande esforço articulado e intersetorial para a promoção da saúde, melhorando os
serviços para reduzir as desigualdades regionais; fortalecer a participação e o
controle social sobre todas as instâncias e agentes do SUS, permitindo um melhor
atendimento ao cidadão; desenvolver a promoção da Cidadania como estratégia de
mobilização social; buscar a intersetorialidade. Assim, a efetivação plena do SUS se
consolidará com êxito mediante pactuação, construção, diversidade solidariedade,
responsabilidade, apoio e compartilhamento, integração e compromisso e com
respeito às diferenças.
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O SUS entendido como processo social em marcha, não se iniciou em
1988, com a consagração constitucional de seus princípios, nem deve ter
um momento definido para seu término, especialmente se esse tempo está
dado por avaliações equivocadas que apontam para o fracasso dessa
proposta. Assim, o SUS nem começou ontem e nem termina hoje.
(MENDES, 1996, p.05)
3 PAV’S DA SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERALSES/DF
Em 2003 foi criado através, do Decreto nº 23.812, de 03 de junho de 2003, o
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Acidentes e Violência – NEPAV, sendo
subordinado à estruturas da Subsecretaria de Atenção à Saúde– SAS. O Núcleo foi
criado por recomendação do Ministério da Saúde, com o objetivo de organizar a
Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências no DF
(Distrito Federal, 2003). O NEPAV passou a ser então o Núcleo central coordenador
dos Programas nas Regionais de Saúde. (Projeto de Fortalecimento da atenção
integral às pessoas em situação de violência no Distrito federal/ NEPAV, 2012, p.
11)
O NEPAV intensificou as capacitações para todas as regionais de saúde
ampliando o número de Comitês que, em 2003, passaram a ser denominados
Programas de Prevenção de Acidentes e Violências – PAVs, sendo o Programa
Violeta um deles. Até 2005 foram implantados 14 destes serviços no DF. A
implantação destes Programas foi considerada responsável por grandes avanços na
melhoria da qualidade do atendimento. (Projeto de Fortalecimento da atenção
integral às pessoas em situação de violência no distrito federal/ NEPAV. Apud.Vilela,
2005)
Dentro da estrutura de complexidade do SUS os PAV’s são de caráter
secundário e unidades especializadas e em algumas Unidades Básicas com
representantes. Atualmente SES-DF é estrutura por 21 PAV’s sendo todos
nomeados com nomes de flores uma estratégia com o objetivo de humanizar o
atendimento.
O Manual para Atendimento às Vítimas de Violência na Rede Pública de
Saúde Pública do DF (2009, p. 09) define as seguintes violências que os
profissionais podem encontrar como demanda de seus usuários nos PAV’s:
Violência contra Criança e Adolescente :É qualquer conduta – ação ou
omissão, agressão ou coerção – ocasionada pelo fato de a vítima ser
criança ou adolescente, e que cause dano, constrangimento, limitação,
sofrimento físico, sexual, moral, psicológico ou social.
Violência contra a Mulher: É qualquer conduta – ação ou omissão – de
discriminação, agressão ou coerção, ocasionada pelo fato de a vítima ser
mulher, e que cause dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento
físico, sexual, moral, psicológico, social, político ou econômico ou perda
patrimonial. Pode acontecer tanto em espaços públicos como privados.
Violência contra o Idoso: É um ato único ou repetido ou ainda, a omissão
que cause dano ou aflição ao idoso, tal como: discriminação; agressão ou
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coerção; morte; constrangimento; limitação; sofrimento físico, sexual, moral,
psicológico, social ou perda patrimonial.
Violência de Gênero: Violência sofrida pelo fato de ser mulher, sem
distinção de raça, classe social, religião, idade ou qualquer outra condição;
produto de um sistema social que subordina o sexo feminino.
Violência Intrafamiliar :Praticada por membros da família (pai, mãe, filha,
filho, marido, sogra, padrasto ou outros), por afinidade (por exemplo, o
primo ou tio do marido) ou afetividade (amigo ou amiga que more na mesma
casa ou fora). Geralmente, expressa-se como abuso físico, sexual,
psicológico ou como negligência ou abandono.
Violência Física: Qualquer ação que machuque ou agrida intencionalmente
uma pessoa, por meio da força física, arma ou objeto, provocando ou não
danos e lesões internas ou externas no corpo.
Violência Institucional: Essa violência permeia todas as instituições
públicas e privadas; apresenta-se na relação de servidores com o
paciente/usuário, podendo se dar de diversas formas: ineficácia e
negligência no atendimento, discriminação (de gênero, étnico-racial,
econômica etc.), intolerância e falta de escuta, desqualificação do saber do
paciente, uso de poder, massificação do atendimento e outros.
Violência Moral: Ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a honra ou a
reputação da mulher ou do homem.
Violência Patrimonial: Ato de violência que implique dano, perda,
subtração, destruição ou retenção de objetos, documentos pessoais, bens ,
valores e similares.
Violência Psicológica: Ação ou omissão destinada a degradar ou controlar
as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa, por meio
de intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação,
isolamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde
psicológica, à autodetermina-ção ou ao desenvolvimento pessoal.
Violência Sexual: É toda relação sexual em que a pessoa é obrigada a se
submeter, contra a sua vontade, por meio de força física, coerção, sedução,
ameaça ou influência psicológica. Essa violência é considerada crime,
mesmo quando praticada por um familiar, seja ele pai, marido, namorado ou
companheiro. Considera-se também, como violência sexual o fato de o
agressor obrigar a vítima a realizar alguns desses atos com
terceiros.Consta, ainda, no Código Penal Brasileiro que a violência sexual
pode ser caracterizada de forma física, psicológica ou com ameaça,
compreendendo o estupro, a tentativa de estupro.
Síndome de Munchausen por Procuração: Situação em que os pais
submetem as crianças a consultas médicas, exames clínicos e/ou
cirúrgicos, alegando sintomas físicos, patológicos, fictícios, mediante
administração de substâncias à criança. Conseqüência do desequilíbrio
emocional dos pais/responsáveis.
Negligência: É o abandono, a falta de cuidados básicos e a falta de
atenção e proteção.
É negligência: deixar vacinas em atraso, não levar ao médico, não fazer os
tratamentos necessá-rios, perder documentos importantes da criança (ex:
certidão de nascimento, cartão da criança), a criança não estar matriculada
ou não ir à escola, aparência descuidada e suja, falta de supervisão dos
responsáveis - crianças pequenas sozinhas em casa ou constantemente
fora de casa, em festas populares, em casa de vizinhos, nas ruas, em
abandono; acidentes domésticos previsíveis: quedas da cama, berço,
janelas, escadas, banheiras; asfixias por objetos pequenos, brinquedos,
travesseiros, fios de telefone, saco plástico, pedaços grandes de alimentos,
cordão de chupeta e outros; intoxicações por medicamentos, material de
15
limpeza, veneno de rato, cosméticos, bebida alcoólica, dentre outros;
queimaduras no forno quente, tomada, ferro de passar, velas, fósforos,
panelas, líquidos quentes, álcool e exposição excessiva ao sol;
atropelamentos e afogamentos em piscinas, lagos, praias, banheiras,
baldes e vasos sanitários).
É negligência contra o idoso: negar cuidado e supervisão adequados
(especialmente em casos de pessoas com incapacidades físicas ou
mentais), deixar o idoso passar fome, não dar as medicações que
necessita, não levar às consultas marcadas, não prover outros cuidados
físicos, isolá-lo dos outros, vesti-lo inadequadamente face ao tempo ou às
condições ambientais, deixar o idoso sozinho, entre outros.
Autonegligência: comportamentos de uma pessoa idosa que ameaçam a
sua própria saúde ou segurança. A definição de autonegligência envolve
situações nas quais uma pessoa idosa mentalmente capaz (que
compreende as conseqüências das suas ações) toma decisões conscientes
e voluntárias de se envolver em atos que ameaçam a sua saúde ou
segurança.
Assédio Moral: É a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e
constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e
no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas
autoritárias e assimétricas em que predominam condutas negativas e
interações desumanas de longa duração. Caracteriza-se pela degradação
deliberada das condições de trabalho que desestabiliza a relação da vítima
com o ambiente e a organização, forçando-a a desistir do emprego.
Auto-extermínio/Suicídio : Ação pela qual alguém põe intencionalmente
termo à própria vida. É um ato exclusivamente humano e está presente em
todas as culturas. As causas do suicídio são numerosas e complexas.
A violência pode ser caracterizada como um problema de Saúde Pública, pois
seus danos podem provocar a morte e adoecimentos das vítimas. Tais
acontecimentos chegam ao serviço de saúde, aumentando assim a demanda de
atendimento nos hospitais trazendo consigo inúmeras questões que interferem na
integridade física, psicológica, social, qualidade de vida e bem-estar dessas
pessoas.
A violência é um problema complexo que necessita de planejamento para o
enfrentamento das situações das vítimas, necessitando de uma estrutura de “ações
interdisciplinares, transdisciplinares e intersetoriais, além do comprometimento
profissional e comunitário para juntos atuarem na formação de redes de prevenção e
atendimento” (Caminhos para uma convivência saudável na perspectiva da saúde,
2009).
4 RESULTADO E DISCUSSÃO
4.1 PAV VIOLETA
A experiência do Estágio I e II no Programa Violeta proporcionou a
observação de se compreender a grande importância de se ter um profissional do
Serviço Social atuante nessa temática no atendimento às vítimas de violência.
É fundamental compreender o PAV Violeta no contexto do Sistema Único de
Saúde - SUS que é sistema de saúde, regionalizado e hierarquizado, que integra o
16
conjunto das ações de saúde da União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
(BRASIL, 2003). Sendo ele gerado por meio de lutas e mobilizações, e do
movimento político que recebeu o nome de Movimento Sanitarista, que foi a
mobilização e união de movimentos sociais organizados, profissionais, intelectuais,
trabalhadores, sociedade civil, do campo e da cidade, vinculados ou não ao campo
da saúde.
O assistente social nos PAV’s atua no acolhimento1 às vítimas de violência,
elabora durante a entrevista o perfil socioeconômico, identificando as demandas
socias trazidas pelo usuário. Essa entrevista não necessariamente necessita ser
com a vítima, podendo ser realizada com familiares e/ou colaterais, se necessário.
É de atribuição também do assistente social inserido no PAV buscar e orientar
sobre os serviços disponíveis nas redes setorias, tais como: Centro de Referência
em Assistência Social – CRAS, Centro de Referência Especializado de Assistência
Social – CREAS, Conselho Tutelar, Conselho dos Direitos da Mulher, Fóruns, IML,
DEAM e Delegacias de Polícia. Preenchimento da Ficha Única de Notificação,
realização de visita domiciliar buscando compreender a dinâmica familiar em que a
vítima de violência está inserida visando a sua proteção. Realização e envio de
relatórios sociais para os órgãos competentes aliados à proteção da vítima, tais
como: Conselho Tutelar e Vara da Infância e Juventude nos casos de crianças e
adolescentes até 17 anos e 11 meses.
O Serviço Social a partir da década de 1990 começou a tecer importantes
análises sobre as redes sociais bem como fortaleceu a atuação a partir da
articulação em rede. Conforme Faleiros (2008, p.53) “as redes sociais são como
uma categoria fundamental para fortalecer os sujeitos em sua realidade.”
[...] as redes não são invenções abstratas, mas partem da articulação de
atores/organizações, forças existentes no território, para uma ação conjunta
multidimensional, com responsabilidade compartilhada (parcerias) e
negociada. (FALEIROS, 1988, p. 1)
O trabalho em rede se constitui como um enfrentamento das expressões da
questão social, através de Políticas Sociais que trabalham de forma articulada intrainstitucionalmente quanto intersentorialmente. Conforme Faleiros (1988, p.43), a
política social é um mecanismo que visa à distribuição de riqueza socialmente
produzida sob a forma benefícios, serviços e proteção sem que seja afetada a as
relações de produção capitalista. Nesse sentido a metodologia de trabalho em rede
visa mobilizar pessoas, instituições e órgão públicos e privados com interesses em
comum que se complementam.
1
No acolhimento é realizado o primeiro contato com o usuário e/ou família. O profissional
deve escutar o relato dos fatos de violência que podem ter ocorrido com o usuário. Deve-se oferecer
um atendimento humanizado e sigiloso, respeitando a singularidade, validando o sofrimento que a
violência pode causar. Evitando culpabilizar a vítima e não emitindo juízo de valor diante os relatos o
ouvido com respeito e atenção. Identificar o impacto que a violência pode ter causado a vítima e qual
a possível situação de risco esse usuário se encontra principalmente se ainda tiver algum contato
próximo com o suposto agressor das situações de violência.
17
O assistente social do PAV Violeta trabalha na perspectiva de buscar o
fortalecimento do usuário a partir da rede para a superação da situação de violência,
de maneira a auxiliá-lo no processo de reorganização de seus projetos de vida após
a violência vivenciada. Participa interdisciplinarmente de estudos de caso, viabiliza a
continuidade do usuário ao tratamento, esclarecendo sobre os recursos que a
instituição fornece, como: passes urbanos, medicação, transporte.
O assistente social que lida com a questão da superação da violência deve
cumprir com o seu dever ético de proporcionar um atendimento qualificado e
humanizado ao seu usuário, ainda mais, quando se trata de uma temática tão
delicada de ser abordada e de difícil superação como é caso de pessoas que
sofreram algum tipo de violência.
É importante ressaltar que a atuação do assistente social tem como base
segundo Iamamoto (2010) três dimensões, sendo elas: a dimensão ético política, a
dimensão teórico metodológica e a dimensão técnico operativa.
A dimensão ético-política orienta a profissão no sentido de orientação de seus
usuáriosna busca de soluções e viabilizando o acesso aos seus direitos. A busca
profissional na luta por políticas pública eficientes para melhoria do atendimento e
superação das situações de violência. Lisboa e Pinheiro (2005) expressam ainda
que o profissional deve estar atento ao Código de ética que lhe orienta sobre uma
postura de compromisso. O Código de Ética da profissão oferece ao
profissionaldesta área orientação para as devidas intervenções nos atendimentos,
tanto quanto a postura que se deve ter nos atendimento e diante o usuário.
A dimensão teórico-metodológica tem como proposta direcionar a prática
profissional na criação de estratégias para intervenção e enfrentamento das
demandas de violência. Para Iamamoto (2000, p.53), “a apropriação da
fundamentação teórico-metodológica é caminho necessário para a construção de
novas alternativas no exercício profissional”.
A dimensão técnico-operativa apresenta ao assistente social os instrumentos
técnico-operativos de intervenção diante às demandas. O assistente social obtém
diversos instrumentais, sendo assim, se faz necessário avaliar qual o melhor
instrumental para auxiliá-lo na intervenção, devendo articular sua escolha às
dimensões teórica e ético-política.
Tal articulação é necessária, pelo cotidiano profissional ser um espaço que
apresenta obstáculos, oportunidades e desafios para o assistente social, propondo
que a reflexão, a investigação e a criticidade se tornem alguns dos elementos
fundamentais utilizados para articulação dessas dimensões. De acordo com Lisboa
e Pinheiro (2005), os instrumentais técnicos operativos que os profissional do
serviço social utilizam no atendimento às vítimas de violência doméstica são:
relatórios, entrevista, parecer social, visita domiciliar, articulação em rede, reuniões
em grupo, equipe multiprofissional, projetos, planejamento de programas,
documentação, construção de indicadores, pesquisa.
Para fazer uso desses instrumentais, se faz necessário compreender a ética
profissional e a postura ético político sendo primordiais no sentido de direcionar
estratégias que possibilite responder às demandas e estabelecer uma identidade
profissional que desperte o respeito e compromisso diante o enfretamento à
violência doméstica.
18
O instrumental de entrevista que é utilizado pelo profissional do PAV Violeta
implica em ter uma postura ética, pois estabelece ao profissional uma escuta ativa
dos problemas apresentados não fazendo julgamentos de valores, procurando
manter a qualidade e comprometimento no atendimento aos usuários que buscam o
serviço.
A postura ética e o compromisso com o projeto ético político do Serviço Social
na atuação do Assistente Social no PAV Violeta são fundamentais nas reuniões,
tendo em vista que com este instrumental há possibilidade de diálogo, fazendo com
que o assistente social assuma uma postura que contribua na superação das
vulnerabilidades2·, possibilitando o fortalecimento do usuário a partir da socialização
e da discussão sobre o acesso aos direitos sociais.
Sobre o projeto ético político do Serviço Social:
No interior da categoria profissional, modalidades prático-interventivas
tradicionais foram ressignificadas e novas áreas e campos de intervenção
foram emergindo devido, sobretudo, às conquistas dos direitos cívicos e
sociais que acompanharam a restauração democrática na sociedade
brasileira práticas interventivas junto a categorias sociais como criança,
adolescente, mulheres, e outras. (CRESS 17ª Região/ES [s.d.])
Há outros instrumentais que determinam uma postura ética profissional por
parte dos assistentes sociais, sendo eles: documentação e a elaboração de
relatórios, que buscam pontuar as situações de risco e vulnerabilidade que os
usuários podem estar vivenciando, buscando alternativas para o enfrentamento das
situações.
Quando o assistente social se apropria dos instrumentais de maneira a
realizar uma articulação com as orientações teórico-metodológicas, sempre
vinculadas ao projeto ético-político da profissão, a atuação se configura a favor do
usuário, contribuindo para a superação da violência.
Foi possível observar durante o estágio no PAV Violeta como é de sua
importância o assistente social estar sempre atualizado e mobilizando-se diante das
políticas públicas que visam o acesso dos usuários aos demais serviços da rede,
além da busca de estratégias profissionais de inserção do saber profissional diante
da equipe técnica que atua em conjunto na execução do serviço.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
2
Segundo Brasil (2009) a vulnerabilidade está contextualizada na vida social e histórica dos grupos
sociais e está correlacionado ao esforço de superação perante práticas preventivas de saúde
diante o Risco. Colocando em relevância a chance de exposição das pessoas ao adoecimento e a
outros agravos sociais como fator de um conjunto de aspectos individuais, coletivos e
programáticos.Permitindo fazer com que o conceito de vulnerabilidade repense sobre as práticas
de saúde, abordadas de maneira crítica e dinâmica, na busca de contribuição de mudanças
políticas, culturais, cognitivas e tecnológicas, por meio de um trabalho transdisciplinar com ação
de diferentes setores sociais, que possam impactar nos perfis e resultados epidemiológicos
(SÁNCHEZ; BERTOLOZZI, 2007).
19
Diante da observação realizada durante o período estagio, das leituras e
reflexões referentes ao tema em questão, da realidade em que o assistente social
está exposto dentro da política de saúde, trabalhando com a questão da superação
das situações de violência trazidas pelos seus usuários, pode-se inferir o quanto se
faz importante a atuação do profissional de serviço social no acolhimento e
acompanhamento dos usuários do PAV Violeta.
O Serviço Social no PAV Violeta procura trabalhar de maneira abrangente às
questões sociais o que exige a constante busca de informações, a fim de
proporcionar uma orientação de qualidade, articulando os serviços da rede para as
diversas situações e particularidades.
Exige do profissional dedicação e sensibilidade diante de cada vivencia e
nova demanda apresentada pelos usuários. O comprometimento com o contexto
social em que o indivíduo está inserido é uma particularidade da atuação do Serviço
Social, visando a superação das vulnerabilidades na perspectiva da proteção e
garantia dos direitos.
A atuação do assistente social como viabilizador de acesso aos serviços é
fundamental para a superação do ciclo de violência desse usuário visando o
fortalecimento das redes setoriais e dos vínculos de apoio desse indivíduo.
Entretanto, foi possível perceber a partir da vivencia do estagio que a
fragilidade e a desarticulação da rede muitas vezes são fatores determinantes que
dificultam a superação da violência. Nesse sentido, o trabalho em rede é uma
estratégia necessária para o enfrentamento das violações de direitos.
Vale ressaltar a dificuldade em se encontrar bibliografias e estudos que
versem sobre a atuação do assistente social em serviços de saúde que atendem
pessoas em situação de violência.
Dessa forma o presente artigo não esgota os questionamentos e reflexões
sobre o tema em pauta. Aponta-se a necessidade de novos estudos e novas
sistematizações sobre a atuação do assistente e social nesse contexto, tendo em
vista a construção de um serviço social comprometido com o projeto ético politico na
busca da garantia de direitos dos usuários.
ACTION OF THE SOCIAL WORKER PROGRAM OF PREVENTION AND
CARE FOR VICTIMS OF VIOLENCE (PAV VIOLET) THE SECRETARY OF STATE
OF HEALTH OF THE FEDERAL DISTRICT SES / DF
Abstract : The present paper presents the dynamics of action of / the social worker that is inserted in
the Research Assistance and Surveillance Violence (PAV Violet) of the State Department of Health of
the Federal District (SES / DF). Aimed at addressing the challenges of Social inserted in this issue of
violence in a health service in the Unified Health System (SUS) and the collaboration of overcoming
situations of violence brought by users. We attempted to also present the particularities of the role of
social worker whose approach social issues that are explained in the social context in which it
operates the person who experienced some form of violence. As also discuss about the care and
supervision of these situations of violence and the way of operation of the social worker from the
issues experienced by users and the demands that come to PAV Violet. The paper was developed
through literature review and observation experienced during the supervised stage I and II. And it is
20
possible to realize how important it is the role of the social worker within the Research Assistance and
Surveillance Violence (PAV Violet) of the State Department of Health of the Federal District (SES / DF)
and the Social Work profession competent identify and work comprehensively breaches of violence
and direct your users to improve their circumstances and social issue.
Keywords: Social Services. Violence. health
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Gizelle Rocha dos Santos - Universidade Católica de Brasília