Cibercultura,
juventude e
alteridade
aprendendo-ensinando
com o outro no
facebook
Dilton Ribeiro do Couto Junior
©2013 Dilton Ribeiro do Couto Junior
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permissão da editora e/ou autor.
C8373 Couto Junior, Dilton Ribeiro do;
Cibercultura, Juventude e Alteridade: aprendendo-ensinando com o outro
no Facebook / Dilton Ribeiro do Couto Junior. Jundiaí, Paco Editorial: 2013.
164 p. Inclui bibliografia.
ISBN: 978-85-8148-180-7
1. Facebook 2. Cibercultura 3. Juventude 4. Alteridade. I. Couto Junior,
Dilton Ribeiro do
CDD: 370
Índices para catálogo sistemático:
Educação – Pedagogia
Escola – Métodos de Ensino. Pedagogia. A Escola –
Política
IMPRESSO NO BRASIL
PRINTED IN BRAZIL
Foi feito Depósito Legal
Rua 23 de Maio, 550
Vianelo - Jundiaí-SP - 13207-070
11 4521-6315 | 2449-0740
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370
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À professora Maria Luiza Oswald e ao
grupo de pesquisa coordenado por ela
no Programa de Pós-Graduação em
Educação da UERJ.
AGRADECIMENTOS
A Maria Luiza Oswald, pela orientação extremamente cuidadosa dada a este estudo. Em 2006, quando fui seu aluno na graduação você já me mostrava a paixão do professor universitário pelo
ofício da pesquisa no campo educacional. Passamos pelo estudo
das mídias de massa e nos aventuramos na cibercultura, o que me
deu a certeza de querer continuar aprendendo com você e com o
grupo de pesquisa maravilhoso que coordena. Obrigado por fazer
de cada reunião de pesquisa um momento único de aprendizado. Obrigado também, Maria Luiza, por compartilhar comigo seu
lado sensível e as suas histórias maravilhosas e divertidíssimas sobre
a sua vida de mãe, de filha, de pesquisadora... Curti muito!
Ao grupo de pesquisa coordenado pela professora Maria Luiza Oswald: Adriana, Sérgio, Dagmar, Tuca, Sarah, Gilse, Tiago,
Rafael, Ana Carolina, Ana Paula, Andréia, Roberta, Adriele,
Shirlei, Renata, Pollyana e Karine! Obrigado pela escuta atenta às
minhas questões e inquietações, pelo companheirismo e amizade
já de alguns anos. Sem isso o estudo não ficaria tão interessante
e, em cada página escrita, lembro de todos vocês. Faltam palavras
para agradecer.
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq), pelo auxílio financeiro concedido na realização desta obra.
Aos professores Paulo Sgarbi, Rita Ribes Pereira e Siomara
Borba Leite, do Programa de Pós-Graduação em Educação da
UERJ. Obrigado pelas contribuições maravilhosas feitas no decorrer das suas disciplinas, que culminaram em discussões importantes para o meu estudo, principalmente sobre o ofício de
como é possível pesquisar. Vejo em cada um de vocês o profissional da educação que almejo ser um dia no ensino superior.
À professora Edméa Santos, que foi escolhida por mim e pelo
grupo de pesquisa para integrar a banca examinadora. Obrigado
pelo olhar atento dado a este estudo. Obrigado pela riqueza que
os textos de sua autoria me proporcionaram, tornando possível conhecer um pouco mais sobre a cibercultura sob a ótica da educação.
Obrigado por mediar de forma tão intensa e competente as discussões nas duas disciplinas ministradas por você das quais participei.
A Rita Frangella, professora maravilhosa que tive a oportunidade de conhecer no curso de especialização em educação infantil. Obrigado pelo carinho e incentivo na trajetória acadêmica.
A todos os meus professores da graduação em pedagogia na
UERJ, também responsáveis pelo amor que sinto pela profissão
que hoje exerço. São muitos nomes para lembrar, mas alguns não
podem faltar: Alessandra Schueler, Ligia Aquino, Márcia Cabral,
José G. Gondra, Edicléa Mascarenhas, Zacarias Gama, Alessandra Melo, Luiza Lemos, Maria Luiza Pontes, José Bessa Freire...
Aos sujeitos que participaram do estudo, jovens estudantes e
professores, que me permitiram momentos riquíssimos de interação no ciberespaço, sempre me instigando a reaprender o meu
papel enquanto educador que investiga, com internautas, através
da mediação das interfaces digitais. Curti muito a parceria de todos vocês no Facebook!
Aos meus alunos da escola municipal, crianças cheias de vida
que me dão força e esperança para lutar a favor da melhoria da
educação pública brasileira.
A Rosemary dos Santos, também pesquisadora do campo da
educação, que se dedica a investigar a cultura digital. Obrigado pela
amizade e pelo carinho demonstrados desde que ingressamos no
mestrado. Obrigado pela parceria nos trabalhos que desenvolvemos
juntos, nos quais pude perceber a sua competência profissional.
A Josilene Santos, minha amiga e colega de mestrado, pelas muitas risadas no decorrer de deliciosas conversas durante os
nossos almoços na universidade. Nos conhecemos no início da
graduação e, anos depois, continuamos a nos ver na UERJ!
A Annie Gomes Redig, amiga desde a graduação. Participamos, há alguns anos, do mesmo projeto de pesquisa, escrevemos
trabalhos juntos e continuamos a nos encontrar na universidade.
Cada tijolinho que ergo para fortalecer a minha trajetória acadêmica é inspirado no belo trabalho que você vem realizando como
professora da UERJ e doutoranda do Proped/UERJ.
Às minhas amigas do curso de especialização da PUC-Rio,
Cristina Cardozo e Luciana Chamarelli, pelo incentivo constante
na trajetória acadêmica! Sempre quando nos encontramos, risadas e histórias certamente não faltam!
Aos meus outros grandes amigos e companheiros de vida
desde a época do Colégio Marista São José: Rodrigo (e a namorada Aninha), Hugo (e a namorada Karina), Daniel (e a esposa
Raquel) e Karolline. Obrigado pelo carinho e todos esses anos
de amizade, de muitas conversas e risos a cada final de semana
em que conseguimos nos encontrar, mesmo com a vida sempre
repleta de afazeres e de muitos compromissos.
A Alexandre Pedro Selvatti, pelo carinho e incentivo demonstrados durante o processo de desenvolvimento deste estudo. É
totalmente verdade o que diz o livro O Pequeno Príncipe: “Tu te
tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Existem
muitas formas de nos inspirarmos na escrita de um trabalho: assistindo a um espetáculo de música clássica, contemplando os diversos pontos da cidade, olhando pela janela e sentindo o cheiro
da chuva... E fiz tudo isso com você, que contribuiu para que eu
pudesse realizar este estudo de forma leve e fluida, como eu acho
que a vida deveria ser. Volto sempre a repetir: “obrigado por ter
me adicionado no Facebook ^-^”.
A Terezinha Cristina, pelos maravilhosos almoços e o cafezinho feito com tanto carinho. Você tornou a escrita deste livro
ainda mais prazerosa.
Ao vovô Raymundo Siqueira Campos (em memória), pelos
almoços e risadas de domingo! Elas continuam vivas como nunca
nos meus pensamentos.
À minha avó Lee, que semanalmente pergunta quando termina o mestrado e quando vou começar as aulas no doutorado!
Você já foi várias vezes à UERJ acompanhar de perto o meu trabalho, e isso não é toda avó que faz pelo neto!
À minha pequena Grande Família: meu pai Dilton (e a esposa Maria Augusta), minha mãe Martha Lee, o amigo Affonso,
meu irmão Diogo e minhas tias Elizabeth (Lize) e Anna. Obrigado pelos carinho, incentivo e apoio dados incondicionalmente
durante a trajetória acadêmica até aqui trilhada. Se eu terminei o
mestrado é porque vocês existem e fazem parte da minha pequena Grande Família.
Sumário
Prefácio..................................................................................11
Introdução.............................................................................15
Capítulo 1 - APRESENTAÇÃO DA PESQUISA
1. Uma trajetória de pesquisa como ponto de partida.............19
2. Delimitação e justificativa do tema: traçando as questões norteadoras do estudo..................................................................21
3. O campo empírico: características e possibilidades do Facebook
na comunicação.....................................................................29
4. Juventude e processos comunicacionais pós-massivos: educação
e redes sociais da internet........................................................31
4.1 Um panorama sobre o conceito de juventude e o jovem internauta.............................................................31
4.2 A liberação da palavra com a emergência das mídias
de função pós-massiva.................................................38
4.3 O poder dos dígitos 0 e 1: a digitalização nos processos
comunicacionais...........................................................44
4.4 Educação e ciberespaço: a relação com o saber nas redes sociais da Web.........................................................49
Capítulo 2 - A ALTERIDADE NA ETNOGRAFIA VIRTUAL:
PERCURSOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS EM AMBIENTES VIRTUAIS
1. Partindo do “por quê” e não do “pois é”.............................57
2. Procedimentos metodológicos no Facebook e em outras interfaces digitais...........................................................................68
3. Reflexões teórico-metodológicas sobre a investigação em ambientes virtuais.......................................................................73
3.1 “Crio ou não crio outro perfil no Facebook?”: pensando a entrada no campo.............................................73
3.2 “Será que eu poderia substituir as conversas online
com os sujeitos no Facebook, por entrevistas presenciais?”:
subutilização da interface..............................................74
3.3 O jovem na rede pesquisando com outros jovens usuários do Facebook.........................................................77
Capítulo 3 - JUVENTUDE E PROCESSOS COMUNICACIONAIS PÓS-MASSIVOS: DA CONEXÃO À INTERNET
AOS TERRITÓRIOS INFORMACIONAIS
1. “Tô sem laptop e internet! Treva! Preciso solucionar esses problemas logo!”: conexão e velocidade na constituição de sociabilidades juvenis no Facebook...................................................81
2. “Hoje é dia de estuprar a Velox baixando jogos pro PS 3. =)”: a
relação dos internautas com a velocidade do download e upload....86
3. “Preciso ficar mais tempo fora de casa, fico sem nada de interessante pra postar qnd estou recatada!”: a relação entre espaço
eletrônico e espaço físico na cibercultura................................89
4. “Como então que as pessoas entenderiam isso?!”: os laços sociais
na dinâmica comunicacional nas/das redes sociais digitais........98
Capítulo 4 - JUVENTUDE, CIBERCULTURA E EDUCAÇÃO: POTENCIALIZANDO AS RELAÇÕES DE ENSINO-APRENDIZAGEM NO FACEBOOK
1. “A menos que seu nome seja Google, pare de agir como se você
soubesse de tudo”: uma afirmação geradora de algumas perguntas iniciais............................................................................105
2. Os arquivos multimídias nas redes sociais digitais: imagens,
vídeos, textos e sons..............................................................109
2.1 As imagens ganham espaço no Facebook..............109
2.1.1 “Passo aqui todo dia e não me canso de olhar...”:
um convite para o mar...........................................110
2.1.2 “Pra quem não conhece os meus amores ^^”:
pensando a educação através das imagens digitais...112
2.2 “Mas nada supera isto!”: imagens em movimento que
movimentam as redes...............................................119
3. Possibilidades para se pensar educações na/com a cibercultura..125
3.1 Um olhar sobre a educação através das redes digitais...126
3.2 Saberes que circulam nas redes sociais: “como assim
‘mistério’?? porra nenhuma”.......................................130
3.3 “Como seria uma aula com o uso do Facebook?”:
desafios e possibilidades...............................................133
3.4 “Facebook lança guia para ajudar professores a usar
mídia social”: algumas considerações..........................137
CONCLUSÃO....................................................................143
REFERÊNCIAS..................................................................149
PREFÁCIO
Não é fácil prefaciar um livro quando a objetividade da tarefa
escapa à razão, distraída pelo vôo do pensamento imerso nas marcas de amizade que o autor deixou impressas em mim. A saída é
deixar que razão e sensibilidade convivam no texto, expressando tanto a amizade por Dilton Ribeiro do Couto Junior, sentimento proveniente do convívio afetivo que mantivemos ao longo
dos últimos seis anos, como também a admiração, o respeito e
a gratidão pela competência, seriedade e responsabilidade com
que ele se envolveu com as questões epistemológicas, teóricas e
metodológicas relativas às temáticas dos projetos que coordenei
no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro/ProPEd desde 2006. Deste ano até maio
de 2012, data da defesa do trabalho de Dissertação de Mestrado
que tive o privilégio de orientar e que ora prefacio, a presença de
Dilton, inicialmente como bolsista PIBIC/CNPq e depois como
mestrando, fez toda a diferença para mim e para os integrantes
do Grupo de Pesquisa “Infância, juventude, educação e cultura”.
Voltando à tarefa que me cabe aqui, passo a expor os motivos
que levam esse livro a constituir-se como leitura indispensável para
todos aqueles que, dos campos da Educação e da Comunicação,
vêm sendo chamados a compreender e a levar em consideração
as transformações que a cultura digital tem trazido aos processos
comunicacionais que incidem sobre as experiências cotidianas e
escolares das gerações que já nasceram imersas na cibercultura. Investido da responsabilidade de esclarecer, especialmente para aqueles que trabalham com jovens em contextos educacionais formais
e não-formais, o caráter mediador da cultura digital nos processos
de ensinar-aprender, Dilton dedicou-se, com rigor e profundidade,
a investigar de que modo esses processos estão se constituindo nos
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Cibercultura, juventude e alteridade
ambientes virtuais, tendo como horizonte contribuir para a superação do mal-estar vigente entre os modos juvenis contemporâneos
de aprender e a maneira pela qual a grande maioria das instituições
responsáveis pela educação da juventude lida com a transmissão
dos saberes. Para tanto, o autor tomou a si o desafio de eleger como
foco de estudo as relações de ensino-aprendizagem que ocorrem no
Facebook, rede social cujo potencial comunicativo é inesgotável,
cabendo dizer que a originalidade e a atualidade da temática, bem
como a maneira de examiná-la e de colocá-la na forma escrita, fazem dessa leitura uma experiência da qual não se sai impune, tamanho é seu potencial de mexer com as entranhas do leitor.
Aprovada com louvor pela Banca Examinadora composta,
além de mim, pelos Professores Doutores Nelson De Luca Pretto,
da Universidade Federal da Bahia, e Edméa Oliveira dos Santos,
docente do ProPEd, a Dissertação de Dilton merece destaque tanto
pela temática abordada, explicitada no título do livro, quanto por
desvelar para o campo da pesquisa em educação como é possível
construir os dados da pesquisa por intermédio da etnografia virtual
ou netnografia, assumindo uma perspectiva dialógica e alteritária
que leve em conta a dimensão de outridade dos pesquisados. De
forma competente e ética, Dilton alcançou esse feito pelo diálogo horizontal que estabeleceu cotidianamente, ao longo de quase
dois anos, com os sujeitos da pesquisa, criando um clima online de
cumplicidade coletiva, promotor de conversas francas, interessadas
e animadas sobre questões relacionadas ao tema do trabalho, como
o leitor poderá constatar pela leitura do texto. Assim procedendo,
o autor foi coerente com seu objetivo de mostrar o quanto a imersão dos jovens nos ambientes digitais vem modificando a lógica
de sua relação com a informação e o conhecimento. Mais especificamente, o que seu estudo mostra é que a dinâmica cibercultural
do Facebook pode ser mediadora de processos de ensino-aprendizagem interativos e coautorais que colocam em xeque as práticas
educativas individuais e autorais próprias da cultura tipográfica.
Cabe ainda ressaltar a maestria com que o autor colocou
em diálogo teoria e empiria, escapando do modelo positivista
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Dilton Ribeiro do Couto Junior
de pesquisa que, ao levar o pesquisador a operar com o campo
empírico orientado por um quadro teórico previamente definido, o conduz também a desprezar a experiência dos sujeitos da
pesquisa, conferindo-lhes o papel secundário de comprovar a
verdade implícita à ciência. Rejeitando esse modelo, Dilton não
pretere a teoria, mas confere a si mesmo, aos pesquisados e aos
interlocutores teóricos o papel de protagonistas que, de diferentes posições, dialogam. Desse diálogo emerge uma perspectiva de
fazer ciência em que a produção do conhecimento longe de ser
prescritiva, dogmática, é um processo que, por advir de posições
diversas que se completam, permite que dele emerjam, singularmente, alternativas às formas vigentes de ensinar-aprender que
não “fazem mais a cabeça” dos estudantes.
Embora eu tenha orientado a pesquisa, e tenha sido a primeira
leitora do texto que, por seu mérito, ganha agora status de livro,
ainda me surpreendo com a importância do seu conteúdo que me
convence da tese que Dilton defende: “Por permitir que os sujeitos
rompam com as fronteiras das salas de aula, privilegiando a produção e o compartilhamento de ideias e opiniões, produzidas interativa, colaborativa e dinamicamente, o Facebook é um espaço legítimo
de ensino-aprendizagem”. Mas é sem a menor intenção de que seja
vestida como camisa de força que ele a defende. Reconhecendo que
a construção de espaços legítimos de ensino-aprendizagem não é
tarefa simples, necessitando de políticas de formação que confiram
aos professores condições concretas para implementá-los, o autor
deixa implícito em seu estudo que a potencialidade do Facebook
pode ser buscada em outros ambientes virtuais e mesmo na sala de
aula. Se alguém disser que isso é muito difícil, eu concordo. Mas
pergunto: não é a ousadia do fazer que abre o campo do possível? A
leitura deste livro parece indicar que sim.
Rio de Janeiro, 6 de março de 2013
Maria Luiza Magalhães Bastos Oswald
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INTRODUÇÃO
As transformações culturais, as novas condições de produção
dos conhecimentos levam a novos estilos de sociedade nos
quais a inteligência é o produto de relações entre pessoas e dispositivos tecnológicos. Mudam, assim, as formas de construção do conhecimento e os processos de ensino-aprendizagem.
(Freitas, 2005, p. 4)
Os processos comunicacionais contemporâneos já incorporaram
o uso dos artefatos tecnológicos com acesso à internet, propiciando
a comunicação e a interconexão de sujeitos com bilhões de pessoas
ao redor do mundo. Somos capazes de interagir nas redes sociais da
internet, produzindo e compartilhando vídeos, imagens, textos, músicas, dentre outros arquivos, de modo que os usuários têm a oportunidade de conhecer o que cada um tem a contar. Afinal, podemos
recontar histórias, reutilizando, à nossa própria maneira, arquivos
digitais de outros usuários, nos apropriando do conteúdo de forma a
criar novos conteúdos. Como ressaltam Pretto e Assis (2008):
[a] liberdade de acesso, a produção e o uso de informações
têm sido considerados no contexto mais geral de produção
da cultura e de bens culturais e, com isso, têm estimulado e
potencializado as possibilidades de produção descentralizada, em rede. (p. 79)
Segundo dados do Ibope/NetRatings (Lemos, 2010, p. 23),
nosso país apresenta cerca de 45 milhões de internautas, sendo
que mais da metade destes acessa a internet da própria residência. Esta quantidade exponencial de internautas brasileiros fica
evidente na popularidade de softwares sociais como o Facebook,
interface que vem interconectando um número considerável de
usuários nos processos comunicacionais da cibercultura em sua
fase atual. É visível a participação de jovens em dinâmicas de
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