27/05/2015
DEFINIÇÃO
Uma das tentativas mais recentes para definir vírus foi feita
por Matthews (1992), que considerou vírus como um conjunto
formado por uma ou mais moléculas de ácido nucléico
genômico, normalmente envolto por uma capa ou capas
protetora(s) de proteína ou lipoproteína, o qual é capaz de
mediar sua própria replicação somente no interior das células
hospedeiras apropriadas.
Dentro destas células, a replicação viral é: (a) dependente do sistema
de síntese de proteínas do hospedeiro; (b) derivada de combinações dos
materiais requeridos, ao invés de fissão binária; (c) localizada em sítios
não separados do conteúdo da célula hospedeira por uma membrana
dupla de natureza lipoproteíca.
1
27/05/2015
CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS DE
PLANTAS
• Parasitas obrigatórios.
• Presença de um só tipo de ácido nucléico, RNA ou DNA, em
cadeia simples ou dupla.
• Incapacidade de crescer e se dividir autonomamente.
• Dependem da célula hospedeira para replicação.
• Dependem da célula hospedeira para executar funções vitais.
• Replicação somente a partir de seu próprio material genético.
• Ausência de informação para produção de enzimas do ciclo
energético.
• Ausência de informação para síntese de RNA de
transferência e ribossômico.
2
27/05/2015
CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA DOS VÍRUS
Classificação
Todos os vírus pertencem ao Reino Vírus.
O sistema de classificação dos vírus de plantas se baseia em
características como: tipo de ácido nucléico (DNA ou RNA); número de fitas de
ácido nucléico (monocatenário ou bicatenário); peso percentual do ácido
nucléico em relação à partícula; peso molecular, tamanho e forma da partícula
(isométrica, alongada e baciliforme); presença ou ausência de
envelope características físicas, químicas, biológicas e antigênicas da
partícula; gama de hospedeiros; forma de transmissão.
Através desse conjunto de critérios, os vírus de plantas são reunidos em
gêneros. Os nomes para estes gêneros são geralmente derivados de nomes
de protótipos ou membros mais representativos do grupo. Por
exemplo, o nome do gênero de vírus relacionado ao vírus do mosaico
do tabaco (tobacco mosaic virus) é o tobamovirus.
3
27/05/2015
4
27/05/2015
Nomenclatura
Geralmente os vírus de plantas são denominados pelo tipo de doença
ou sintomatologia apresentada pelo hospedeiro (Tabela 1).
5
27/05/2015
SINTOMATOLOGIA
O
s vírus de plantas podemcausar dois tipos de sintom
as ou infecção:
localizadaesistêm
ica.
O
s sintom
as localizados sãolesões cloróticas e necróticas nos pontos de
penetração, enquanto os sintom
as sistêm
icos afetama planta emvários
aspectosdesuam
orfologiaefisiologia.
O
s sintom
as sistêm
icos m
ais com
um
ente exibidos pelas plantas são
m
osaico, m
osqueado, distorção foliar, m
ancha anelar, am
arelecim
ento,
superbrotam
ento e nanism
o. Com
o conseqüência destes sintom
as
geralm
enteocorreaquedadeprodução, e, àsvezes, am
ortedaplanta.
6
27/05/2015
7
27/05/2015
8
27/05/2015
9
27/05/2015
Tristeza: CTV (Citrus tristeza vírus)
10
27/05/2015
Os frutos tornam-se diminutos, de formato
defeituoso, elevada acidez e baixo teor de
suco.
Folhas pequenas e cloróticas,
semelhante a deficiências de zinco,
manganês e outros nutrientes.
11
27/05/2015
Depressões longitudinais que se formam no
lenho das plantas, associado com
enfezamento das plantas.
Ramos frágeis e quebradiços; Galhos
apresentam-se secos a partir das
extremidades.
12
27/05/2015
Há um rápido declínio das plantas, que
apresentam, algumas vezes, uma linha marrom na
região da enxertia quando a casca é retirada.
CTV (Citrus tristeza vírus)
13
27/05/2015
Enfezamento das plantas
14
27/05/2015
15
27/05/2015
Mosaico Dourado Feijão
Bean golden mosaic vírus BGMV
Vírus do mosaico comum do
feijoeiro (BCMV): Bean Common
Mosaic Virus.
16
27/05/2015
A transmissão do BCMV pode ser feita
mecanicamente, através do pólen, por sementes
infectadas e por insetos vetores.
Sintomas de mosaico comum: Bean common mosaic virus.
Foto: Josias Corrêa de Faria.
Enrugamento e deformação foliar, sintomas causados,
em folhas de soja, pelo Soybean mosaic vírus – SMV
Vírus do mosaico da soja
17
27/05/2015
Soybean mosaic vírus – Vírus do mosaico
da soja
18
27/05/2015
19
27/05/2015
Tomato spotted wilt virus: Viracabeça
O TSWV infecta mais de 650 espécies de plantas.
Faz parte do gênero topovirus e da família
Bunyaviridae.
20
27/05/2015
Esta doença foi descrita em 1915 na Austrália e identificado como vírus
15 anos depois. Além do tomate, este vírus também afeta outras
culturas, como amendoim, alface, pimentão, jiló, abobrinha, pepino e
cebola.
O TSWV tem como vetor oito espécies de trips,
sendo Frankliniella occidentalis a mais importante.
21
27/05/2015
Leprose: CiLV (Citrus leprosis virus)
Folhas de laranjeira manchas circulares com coloração verde pálida no
centro e amarela na periferia.
Fruto com manchas levemente deprimidas, cor
marrom escura a preta.
22
27/05/2015
Folhas com lesões arredondadas
e cloróticas
Tobacco mosaic virus TMV
Virus-do-mosaico-do-fumo
23
27/05/2015
O TMV é um vírus muito resistente e estável.
Isolados destes podem manter-se
infecciosos por até 50 anos se bem
preservados em laboratório.
O TMV foi o primeiro a ser descoberto e purificado. Além do
fumo, também afeta tomate e outras solanáceas. Pesquisas
feitas com o TMV e o seu isolamento deram a Wendall
Satanley o Prêmio Nobel em 1946.
24
27/05/2015
Os sintomas típicos são mosaico,
enfezamento, enrolamento foliar e clorose.
Estes são dependentes das condições
climáticas, idade e variedade da planta.
Controle: manejo em cultivo protegido, limpeza e assepsia de
equipamento, proteção das fontes de água, eliminação de restos
culturais, proteção cruzada, uso de cultivares resistentes, evitar
plantio em solos contaminados, eliminação de plantas com
sintomas, rotação de culturas.
25
27/05/2015
Cowpea mild mottle virus
CpMMV: Necrose-da-haste Soja
A necrose da haste é encontrada nas regiões de Barreira
(BA), Sorriso (MT), Balsas (MA) e Palotina (PR). Este vírus
pode ser responsável por danos severos e, dependendo da
variedade, pode levar as plantas à morte.
26
27/05/2015
Sintomas da necrose-da-haste: observados da floração até a
formação das vagens. Os brotos ficam queimados, as hastes
necróticas e a planta morta. As vagens produzidas são também
deformadas e contém grãos subdesenvolvidos.
Sintomas da necrose-da-haste: A medula torna-se escurecida. As
plantas que não morrem tendem a apresentar nanismo e folhas
deformadas.
27
27/05/2015
Vírus do nanismo amarelo da cevada: trigo, aveia,
centeio e triticale.
BYDV Barley yellow dwarf virus
Sintomas foliares do nanismo-amarelo-da-cevada: Os sintomas nas
folhas variam desde a ausência de alterações visíveis na coloração à
clorose ou amarelo intenso, ou mesmo um tom avermelhado nas folhas.
28
27/05/2015
Ao tato, as folhas apresentam
um aspecto quebradiço.
29
27/05/2015
Nas espigas, pode causar a esterilidade basal, apical ou em alguns
casos total, confundindo os sintomas com aqueles resultantes de danos
por geada. Plantas atacadas podem apresentar o sistema radicular
menos desenvolvido quando comparado com plantas sadias.
TRANSMISSÃO DOS VÍRUS DE PLANTAS
• A transmissão dos vírus pode ocorrer
mecanicamente, bem como através de
insetos, fungos, nematóides, ácaros,
sementes, órgãos de propagação
vegetativa e grãos de pólen.
30
27/05/2015
Transmissão mecânica
Édepouca im
portância nocam
po, m
as m
uito
im
portante para a experim
entação. No cam
po,
apenasquandoadensidadedeplantioém
uitoalta,
oventopode causar danos m
ecânicos à folhagem
ocasionando a transm
issão de vírus devido ao
contatoentreplantas.
Se considerarm
os o uso de im
plem
entos
agrícolas emcam
pos complantas afetadas, este
tipo de transm
issão m
ecânica pode se tornar
im
portante.
Transmissão por insetos
• Os insetos têm muita importância como
transmissores de vírus, sendo encontrados na
Ordem Homoptera (afídeos, cigarrinhas e
moscas brancas) e nos Coleopteros e tripes.
• De acordo com o método pelo qual os vírus são
transmitidos por insetos vetores, eles podem ser
agrupados em:
31
27/05/2015
a) Vírus não persistentes ou externos
• O método de transmissão ácido o estiletar
(ex. afídeos), em que os insetos adquirem
as partículas virais num curto espaço de
tempo em plantas infectadas e as
transmitem imediatamente para um
número reduzido de plantas sadias. O
período de tempo que um afídeo
permanece virulífero varia de alguns
minutos a algumas horas.
b) Vírus persistentes ou internos
São os que permanecem no interior dos
insetos vetores por longos períodos de tempo,
podendoser:
-Circulativos: aspartículasdevírussão
ingeridas pelo insetos vetores e levadas pela
hemolinfa para as glândulas salivares de onde
passamparaplantassadias.
Este vírus nãoperde suainfectividade mesmo
comaecdisedosinsetos.
32
27/05/2015
- Propagativos:
Sãoosquesem
ultiplicamnointeriordosinsetosvetores(ex.
cigarrinhas). Norm
alm
ente é necessário um período de
incubação de 1 a 2 sem
anas desde a aquisição até a prim
eira
transm
issão.
Os vetores m
ais im
portantes são os afídeos e, em
bora haja
especificidade, um
aespéciedeafídeopossatransm
itir apenas 1
ouaté50vírusdiferentes.
Os vírus transm
itidos por afídeos são norm
alm
ente não
persistentesoucirculativoseraram
entepropagativos.
Transmissão por fungos
• Olpidium brassicae, que causa podridão de
raízes de diversas plantas, transmite o vírus da
necrose do fumo, da alface, do pepino e o vírus
do nanismo do fumo.
• Polymixa graminis transmite o vírus do mosaico
do trigo.
• Spongospora subterranea transmite o vírus da
batatinha. O vírus é possivelmente conduzido
externamente ou internamente nos zoosporos,
não havendo evidências de sua multiplicação
nestas estruturas.
33
27/05/2015
Transmissão por nematóides
• Pouco mais de 10 vírus de plantas são transmitidos por nematóides
ectoparasitas pertencentes aos gêneros Xiphinema, Longidorus e
Trichodorus.
• Os dois primeiros transmitem vírus poliédricos do gênero Nepovirus
e o último transmite vírus do tipo bastonete rígido do gênero
Tobravirus.
• Os nematóides transmitem os vírus alimentando-se em raízes de
plantas infetadas e em seguida, em plantas sadias.
• Tanto o adulto como as formas larvais (juvenis) podem adquirir e
transmitir os vírus, no entanto estes não são transmitidos através
dos ovos, nem permanecem no nematóide após sua ecdise.
Coincidentemente todos os vírus transmitidos por nematóides, o
são também por sementes, sendo tal característica muito importante
na distribuição epidemiológica de tais vírus.
Transmissão por ácaros
• Vários ácaros pertencentes às famílias
Eriophyidae
e
Tetranychidae
são
reconhecidamente vetores de vírus vegetais.
• Os membros de tais famílias alimentam-se
através
de seus
penetrantes
estiletes,
introduzindo-os nas células das plantas e
sugando seus conteúdos.
• Alguns vírus são transmitidos nos estiletes dos
ácaros (transmissão estiletar) e outros são
circulativos.
34
27/05/2015
Transmissão por sementes
• Cerca de 20% dos vírus de plantas conhecidos
são transmitidos por sementes.
• De acordo com a localização dos vírus nas
sementes , o processo de transmissão pode ser
do tipo embrionário (no interior do embrião) e
não embrionário (na superfície de sementes de
frutos carnosos ou mesmo debaixo do
tegumento, no seu interior ou dentro do próprio
endosperma, temos como único exemplo deste
grupo, o TMV).
Transmissão por órgãos de propagação
vegetativa
• Qualquer
tipo
de
propagação
vegetativa, que envolva o uso de
borbulhas
(enxertia),
bulbos,
tubérculos, rizomas, estacas e etc.,
serve para transmitir vírus de plantas
matrizes
infectadas
para
sua
progênie.
35
27/05/2015
Transmissão por grãos de pólen
• Os grãos de pólen produzidos em plantas
sistemicamente infectadas por vírus podem
transmiti-los através do processo de polinização
cruzada, para sementes produzidas em plantas
sadias. Tais sementes dão origem a plantas
doentes ampliando o grau de transmissão
iniciada pelo grão de pólen. Em alguns casos os
vírus levados pelo grão de pólen passam
através da flor fertilizada para os demais órgãos
da planta mãe, causando-lhe uma infecção
sistêmica.
Transmissão por plantas
parasitas superiores
• Os vírus podem ser transmitidos
entre
plantas
distintas
ou
pertencentes
a
famílias
completamente distintas através de
parasitas como Cuscuta spp.
36
27/05/2015
CONTROLE DOS VÍRUS DE
PLANTAS
• O controle de viroses pode ser efetuado pelo
emprego de variedades resistentes, eliminação
do vetor, remoção e destruição da planta
afetada, eliminação do hospedeiro intermediário,
emprego de sementes e mudas certificadas,
proteção cruzada ou preimunização (inoculação
de uma estirpe fraca do vírus, visando a
imunização da planta contra a estirpe forte que
causa a doença).
37
Download

Uma das tentativas mais recentes para definir vírus foi feita por