1 LIMITES E CONTRIBUIÇÕES DE NÚCLEOS DE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NA REDE FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA NELMA VILAÇA PAES BARRETO Rio de Janeiro Dezembro de 2010 LIMITES E CONTRIBUIÇÕES DE NÚCLEOS DE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NA REDE FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA Dissertação apresentada ao Programa de Pósgraduação em Educação da Universidade Estácio de Sá, como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Educação. Orientadora: Profª. Dra. Lúcia Regina Goulart Vilarinho Rio de Janeiro 2010 B273 Barreto, Nelma Vilaça Paes Limites e contribuições de núcleos de tecnologia e educação a distância na rede federal de educação tecnológica / Nelma Vilaça Paes Barreto. – Rio de Janeiro, 2010. 158 f. ; 30 cm. Dissertação (Mestrado em Educação)– Universidade Estácio de Sá, 2010. 1. Ensino a distância. 2. Tecnologia da informação. I. Título CDD 374.4 AGRADECIMENTOS Durante o processo exaustivo de escrita, diferentes vozes, sorrisos, silêncios, idéias e ideais se uniram para que este sonho se realizasse. É chegada a hora de tentar expressar através de palavras toda a gratidão a todos que (in) diretamente fazem parte desta história. Ao meu esposo Ranuzio, por ter me possibilitado partir em busca de vôos mais altos e por tentar compreender minha ausência-presença. Obrigada por ter me incentivado sempre! Aos meus filhos, Laura, Paula e Conrado, que aceitaram minha ausência e me incentivaram em todos os momentos nesta nova caminhada. Ao querido neto Lucas, por ter compreendido os breves momentos de brincadeiras que não podiam ser ampliados porque o estudo e as pesquisas eram urgentes. A minha querida orientadora e parceira professora Lúcia Regina Vilarinho, que, como dizem os poetas, “é a que trabalha silenciosa procurando todas as coisas desta vida, que a luz ultravioleta a converte em anjo [...] que sorri sem nos ver e nos fala calado [...]” (Meirelles, 1997, p. 273274) Como agradecer-lhe? Eis a questão! Como lhe agradecer pelo exemplo de vida, de ser humano que é? Por ter acreditado em mim, no meu trabalho, na minha capacidade de escrever e me animando a seguir sempre adiante. Como lhe agradecer por sua orientação segura, calma, amiga, competente e profissional que me possibilitou chegar até aqui? Todas as palavras tornamse pequenas perante a enorme gratidão que lhe tenho por tudo que me ensinou. A você meu eterno e sincero: MUITO OBRIGADA! A minha companheira de mestrado, Suely Fernandes, responsável por eu ter ultrapassado os limites geográficos das planícies de Campos dos Goytacazes até a Universidade Estácio de Sá, com sua companhia em nossas viagens e estadias semanais no Rio de Janeiro. Este convívio me deu a oportunidade de conhecer melhor suas qualidades. Aos amigos, Maria Lúcia e Luiz Augusto, agradeço-lhes por todo carinho que sempre tiveram comigo. Cecília Meireles nos diz que “há pessoas que nos falam e nem escutamos; há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossa vida e nos marcam para sempre”, vocês são estas pessoas iluminadas, cuja existência em si me deixa marcas e ensinamentos para toda vida. Ao professor Sérgio França, a quem tive a oportunidade de conhecer em evento do Portal SIEP, meu reconhecimento por ter contribuído efetivamente com o nosso estudo, com seus esclarecimentos e informações sobre o objeto de nossa pesquisa, em vários momentos que lhe foram solicitados. Aos professores do Curso de Mestrado de quem tive o prazer de ser aluna, em especial às professoras Elisângela e Wânia, pela atenção e carinho que sempre tiveram comigo, e a Professora Alda, pelos seus firmes pareceres e tão enriquecedoras intervenções. A professora Lina, por sua presença amiga e silenciosa, mas com intervenções oportunas em nossos momentos de orientação de mestrado. Aos educadores que me acolheram com tanto carinho e atenção, que dividiram comigo suas ricas experiências de vida e de trabalho, que abriram a minha percepção e possibilitaram que eu aprendesse outra forma de olhar a presença das novas tecnologias na sociedade atual e, por conseguinte, no espaço escolar. Meu agradecimento especial ao professor Marco Silva. A amiga Nadja Naira, por sua presença alegre, por sua amizade sincera e gratuita e pela agradável acolhida em sua casa para os meus pernoites, em virtude das aulas no mestrado. Importante é que serei eternamente grata por ter alimentado em meu coração a força da acolhida para realizar o meu sonho do mestrado, assim como na possibilidade de concretizá-los, e o seu incentivo para que eu caminhe para o doutorado. RESUMO As Tecnologias de Informação e Comunicação (computador, Internet, tecnologias digitais); as redes sociais e as comunidades virtuais de aprendizagem vêm permitindo que a informação e o conhecimento sejam possibilidades para todos, e também oportunidade de formação e qualificação. Essas tecnologias se expandem em todas as áreas, sendo que na educacional vêm ao encontro de premissas pedagógicas que, desde o movimento da Escola Nova, no início do século passado, estabelecem que a aprendizagem se torna mais rica quando realizada em grupo. Assim, as tecnologias têm invadido os espaços educacionais, favorecendo atividades colaborativas e processos individualizados de aprendizagem. Neste contexto, podemos situar os Núcleos de Tecnologia e Educação a Distância, objeto de nossa pesquisa, com o objetivo de disseminar o uso das TIC e contribuir com a implantação da EAD. A criação de núcleos em 10 institutos federais levou-nos a pesquisar a atuação e as contribuições para a formação de professores na rede, a partir de análise documental, questionários e entrevistas. As questões formuladas nos permitiram encontrar respostas as nossas indagações, como: (a) que projetos os NTEAD têm desenvolvido visando à inserção das TIC e da Educação a Distância em Cursos de Licenciaturas, e que contribuições dão à formação de licenciandos; (b) em que medida, professores e alunos das licenciaturas têm conhecimento das atividades dos NTEAD e participam dos eventos propostos; (c) como os NTEAD capacitam os professores e alunos das Licenciaturas para o uso pedagógico das TIC e dos ambientes virtuais de aprendizagem; e (d) em que medida, os NTEAD atendem aos seus objetivos. Nosso objetivo foi observar, se a partir da criação dos NTEAD em instituições de educação tecnológica da rede federal, como se comportaram as licenciaturas, e se as TIC foram incorporadas à prática dos professores desses cursos e à formação dos futuros docentes. Para atingir nosso objetivo, realizamos pesquisa de documentos extraídos de sites oficiais relacionados com a educação. A pesquisa documental incluiu também visitas a alguns setores da SETEC/MEC em Brasília, e também à Rede de Pesquisa e Inovação em Tecnologias Digitais (RENAPI), buscando informações sobre os NTEAD. A entrevista foi direcionada aos coordenadores de núcleos e outros gestores. Aos demais sujeitos da pesquisa, aplicamos questionários. Com base na análise qualitativa dos dados coletados, concluímos que os NTEAD não atingiram seus objetivos e nem modificaram o perfil das licenciaturas, na maioria das instituições com NTEAD. Em algumas delas, os avanços ou não acontecerem, ou se deram de forma muito tímida, embora com algumas contribuições importantes. Palavras–Chave: Núcleos de Tecnologias. Tecnologias da Informação e Comunicação. Licenciaturas. Educação a Distância. ABSTRACT The Information and Communication Technologies (computer, Internet, digital technologies), social networks and virtual communities are allowing that information and knowledge be opportunities for everyone, besides the opportunity for training and qualification. These technologies are expanding in all areas, and in education are similar to the pedagogical assumptions that, from the New School movement at the beginning of last century, state that the learning becomes richer when in group. Thus, technologies have invaded the educational spaces by encouraging collaborative activities and individualized learning processes. In this context, we can locate the Core Technology and Distance Education, the object of our research, aiming to spread the use of ICT and contribute to EAD implantation. The creation of nuclei in 10 federal institutes led us to investigate the performance and contributions to the training of teachers in the network, from documentary analysis, questionnaires and interviews. The questions allowed us to find answers to our enquiries, including: (a) that projects the NTEAD have developed for the integration of ICT and Distance Education in Undergraduate courses, which give contributions to the training of undergraduates, (b) in what extent, teachers and students are aware of academic activities of NTEAD and participate in the proposed events, (c) how NTEAD empower teachers and students from undergraduate to the pedagogical use of ICT and virtual learning environments, and (d) to what extent the NTEAD meet your goals. Our goal was to observe, if from the creation the NTEAD in institutions of technical education in the federal system, how the degrees behaved, and if ICTs were incorporated into the practice of teachers of these courses and in the training of future teachers. To achieve our goal, we conducted research of excerpts from the official sites related to education. The desk research also included visits to some sectors of SETEC / MEC in Brasilia, and also to the Network for Research and Innovation in Digital Technologies (RENAPI), seeking information about the NTEAD. The interview was directed to the coordinators of cores and other managers. To other research subjects, we applied questionnaires. Based on qualitative analysis of collected data, we concluded that the NTEAD not fully achieved its objectives and even changed the profile of graduate, in most institutions with NTEAD. In some, the progress or did not happen, or have happened too timidly, although with some important contributions. Key - words: Nucleus Technologies. Information Technology and Communication. Undergraduate. Distance education. LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Mapa com a localização dos estados onde foram propostos os NTEAD.................... 36 Figura 2 – Identificação das instituições à época da proposta de criação dos NTEAD................ 37 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Localização dos NTEAD ...........................................................................................29 Quadro 2 – Cronograma de eventos da REDENET ..................................................................... 35 Quadro 3 – Disciplinas com viés tecnológico nas licenciaturas do IFF .......................................48 Quadro 3 – Diferenças entre um estudante nativo digital e um professor imigrante digital.........62 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Produção de conteúdos didáticos digitais ................................................................. 33 Tabela 2 – Quadro dos Institutos Federais e matrículas das licenciaturas ................................... 39 Tabela 3 – Oferta de licenciaturas dos Institutos Federais com NTEAD, localizados na Região Norte ............................................................................................................................................. 41 Tabela 4 – Oferta de licenciaturas dos Institutos Federais com NTEAD, localizados na Região Sudeste .......................................................................................................................................... 42 Tabela 5 – Oferta de licenciaturas dos Institutos Federais com NTEAD, localizados na Região Sudeste ......................................................................................................................................... 43 Tabela 6 – Oferta de licenciaturas do Instituto Federal do Ceará - Região Nordeste .................. 44 Tabela 7 – Oferta de licenciaturas dos outros Institutos Federais com NTEAD, localizados na Região Nordeste.................................................................................................................................................... 45 Tabela 8 – Oferta de licenciaturas dos Institutos Federais com NTEAD, localizados na Região Centro-oeste ................................................................................................................................. 46 LISTAS DE SIGLAS E ABREVIATURAS AVA- Ambientes Virtuais de Aprendizagem CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CEFET- Centros Federais de Educação Tecnológica CONIF - Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Ciência e Tecnologia CDD - Conteúdos Didáticos Digitais CEDERJ- Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Consórcio CEDERJ) CEDES - Centro de Estudos Educação e Sociedade DINTER - Doutorado Interinstitucional EAD – Educação a Distância ENADE- Exame Nacional de Desempenho de Estudantes ENC- Exame Nacional de Cursos ENEM - Exame Nacional de Ensino Médio EPCT Virtual- Educação Profissional, Científica e Tecnológica Virtual EPT- Educação Profissional e Tecnológica FAETEC- Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro IFCE – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará IFF- Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense IFMT- Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso IFTO- Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Federal de Tocantins INTER-RED- Rede de Interoperação Virtual Temática de Educação Profissional e Tecnológica INEP- Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira MAEP Online - Método de Avaliação Ergonômica e Pedagógica de Produtos Educacionais Informatizados MEC- Ministério da Educação MINUC- Ministério de Urbanismo e Construção de Angola MOODLE- Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment NTEAD - Núcleo de Tecnologias Educacionais e Educação a Distância NTIC – Novas Tecnologias de Informação e Comunicação OAS- Objetos de Aprendizagem PCN- Parâmetros Curriculares Nacionais PRODOC –Projeto Pró-docente REDENET – Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica REDITEC - Reunião Anual de Dirigentes do CONCEFET RENAPI- Rede de Pesquisa e Inovação em Tecnologias Digitais RIVED – Rede Interativa Virtual de Educação RFEPCT -Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica SIEP - Sistema de Informações da Educação Profissional e Tecnológica SINAES – Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior SETEC- Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica TIC- Tecnologias de Informação e Comunicação UAB - Universidade Aberta do Brasil UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura UNICAMP- Universidade Estadual de Campinas SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS ................................................................................................................. 08 LISTA DE QUADROS .............................................................................................................. 08 LISTA DE TABELAS ................................................................................................................ 09 1. CIBERCULTURA E DEMANDAS DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO .................. 13 1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS .............................................................................................. 13 1.2 OBJETIVO E QUESTÕES DE ESTUDO ............................................................................. 22 1.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ........................................................................... 22 2. OS NÚCLEOS DE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DOS INSTITUTOS FEDERAIS: UM POUCO DE SUA HISTÓRIA E FINALIDADES............ 27 2.1 IMPLANTAÇÃO DOS NÚCLEOS DE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA..28 2.2 OS NÚCLEOS DE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E SUA RELAÇÃO COM AS LICENCIATURAS....................................................................................................... 38 2.3 O NÚCLEO DE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO INSTITUTO FEDERAL FLUMINENSE .......................................................................................................... 47 3. A DOCÊNCIA E SUA FORMAÇÃO NO CONTEXTO DA CIBERCULTURA ........... 57 3.1 CIBERCULTURA E DEMANDAS DA DOCÊNCIA........................................................... 60 3.2 FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA O USO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO E DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA.............................. 67 4. LIMITES E CONTRIBUIÇÕES DE NÚCLEOS DE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NA REDE FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA............................ 85 4.1 A VISÃO DE COORDENADORES E OUTROS GESTORES SOBRE OS NTEAD..87 4.2 A PERCEPÇÃO DE PROFESSORES DAS LICENCIATURAS DO INTITUTO FEDERAL FLUMINENSE ........................................................................................................................... 100 4.3 O ENTENDIMENTO DE INTEGRANTES DOS NÚCLEOS........................................... 107 4.4 A PERCEPÇÃO DE LICENCIANDOS DO INSTITUTO FEDERAL FLUMINENSE ... 116 5. CONSIDERAÇÕE FINAIS: REPENSANDO OS NÚCLEOS PARA OS INSTITUTOS FEDERAIS ................................................................................................................................ 122 REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 131 ANEXOS................................................................................................................................ 138 13 1. CIBERCULTURA E DEMANDAS DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO 1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS O desenvolvimento das tecnologias digitais e o crescimento das redes interativas1 colocaram a humanidade diante de um novo mundo, provocando mudanças no nosso modo de pensar, em nossas ações e valores. Uma diversidade de assuntos, abordagens e discussões, em permanente renovação, vem sendo divulgada por outro espaço de comunicação – o ciberespaço2 que advém da interconexão mundial dos computadores (LÉVY, 1999). A cibercultura3, definida como conjunto de práticas, atitudes, modos de pensamento e valores que se desenvolvem no novo espaço comunicacional de sociabilidade e organização do conhecimento, utiliza o ciberespaço – canal por onde circulam formas multimodais, para se concretizar (RAMAL, 2002; LÉVY, 2007; SILVA, 2003a). Com a micro-informática, desenvolvida em meados dos anos 1970, surgem novas formas de relação social e cultural, dando origem a um momento histórico ímpar que torna possível produzir, organizar, armazenar e distribuir informações em alta escala. Tais formas de comunicação despontaram com as redes digitais, afetando a organização sociocultural nos seus mais diferentes setores: negócio, lazer, entretenimento, conhecimento, produção cultural, entre outros. Neste cenário, a internet tem se tornado um meio familiar de acesso a todo o tipo de informação, seja de âmbito tecnológico, econômico, social ou cultural, rompendo barreiras geográficas de tempo e espaço. Os produtos desse avanço tecnológico vêm sendo absorvidos em diferentes áreas. As tecnologias de comunicação provocam impactos no setor educacional, 1 Termo utilizado em educação para caracterizar um conjunto de computadores conectados, permitindo a troca de dados e informações entre eles. Esse novo sistema de comunicação transforma radicalmente o espaço e o tempo, as dimensões fundamentais da vida humana, transcendendo e incluindo a diversidade dos sistemas de representação historicamente transmitidos: a cultura da virtualidade real, onde o faz-de-conta vai se tornando realidade (CASTELLS, 1999, p.353-401). 2 “Espaço de comunicação aberta pela interligação mundial dos computadores e das memórias informáticas.’’(LÉVY, 1997, p.95) 3 De acordo com Lemos; Cunha (2003, p.11), cibercultura é a cultura contemporânea marcada pelas tecnologias digitais. Vivemos já a cibercultura. Ela não é o futuro que vai chegar, mas o nosso presente (home banking, cartões inteligentes, palms, pages, voto eletrônico, celulares, imposto de renda via rede, entre outros). A cibercultura representa a cultura contemporânea sendo conseqüência direta da cultura técnica moderna. 14 permitindo a construção de ambientes inovadores de aprendizagem virtual, via Web. A internet também pode ser vista como fator decisivo do boom da Educação a Distância, nas últimas décadas. Para Lemos (2002, p.107), pioneiro no Brasil em estudos sobre Cibercultura, a informática é, assim, uma forma de aliar o conhecimento da natureza às formas de funcionamento da sociedade moderna. Cria-se a possibilidade de leitura da realidade, traduzida pela linguagem digital, automatizando a informação. De acordo ainda com este autor, a cibercultura é a cultura contemporânea em sua interface com as Tecnologias de Comunicação e Informação (TIC). O ciberespaço e a cibercultura estão intimamente ligados, pois os princípios que os orientam são os mesmos: a interconexão, a criação de comunidades virtuais e a inteligência coletiva4. Com a disseminação do conceito de inteligência coletiva, forma-se uma espécie de ecossistema das idéias humanas, no qual as informações são trocadas e selecionadas pelos indivíduos. E essa inteligência ao possibilitar a partilha da memória, percepção e imaginação, concorre para a aprendizagem coletiva, com base na troca de conhecimentos (LÉVY, 2007). A comunidade virtual é um dos princípios que orienta o crescimento inicial do ciberespaço ao lado da interconexão e da inteligência coletiva, pois no entendimento de Lévy (1999, p. 127), “uma comunidade virtual é construída sobre as afinidades de interesses, de conhecimentos, sobre projetos mútuos, em um processo de cooperação ou de troca, tudo isso independentemente das proximidades geográficas e das filiações institucionais”. O ciberespaço é composto por interfaces5 amigáveis que permitem diversos modos de comunicação: um - um, um - todos e todos - todos em troca simultânea denominada de comunicação síncrona6 ou assíncrona de mensagens. Segundo Almeida (2003a), essas diversas formas de comunicação se realizam via internet e tanto concretizam a interação entre as pessoas, como tornam possível a distribuição rápida de informações na rede. 4 Outro termo desenvolvido por Lévy (2007) é Inteligência Coletiva; este significa a integração de inteligências individuais, gerando novas formas de perceber, compreender e construir conhecimentos. Os conhecimentos passam a ser compartilhados por toda a sociedade graças ao advento de tecnologias de comunicação como a Internet. 5 Na definição de Lévy (1997, p. 40) “interfaces são todos os aparelhos materiais que permitem a interação entre o universo da informação digitalizada e o mundo ordinário”. 6 Termo utilizado para caracterizar a comunicação intermediada por computadores de forma simultânea. No ambiente síncrono todos estão em contato com a rede ao mesmo tempo. Algumas ferramentas de cooperação síncrona são as videoconferências, os editores cooperativos e as sessões de chat (MENEZES; SANTOS, 2009). 15 Por meio de um conjunto de interfaces, os usuários interagem com a máquina, compondo, assim, o ciberespaço e a cibercultura. As interfaces são canais interativos da internet que permitem a mediação interpessoal e o compartilhamento, a socialização e a construção colaborativa, mesmo na dispersão geográfica dos interlocutores. Os novos modos de comunicação provocam mudanças na forma e no conteúdo das relações de aprendizagem do coletivo. Há alguns anos, cibercultura e ciberespaço referiam-se apenas à internet fixa; no entanto, com o avanço cada vez mais abrangente e complexo das tecnologias e, mais recentemente, com o advento dos equipamentos móveis, que complementam e potencializam a internet fixa, oferecendo a internet móvel, o ciberespaço e a cibercultura “vieram a adquirir uma natureza híbrida na constituição de espaços que tenho chamado de espaços intersticiais” 7 (SANTAELLA, 2008, p.21). Assim, um espaço intersticial ou híbrido ocorre quando não há mais necessidade de se ‘sair’ do espaço físico para se entrar em contato com ambientes digitais. As redes interativas produzem e estimulam outras dinâmicas educacionais, que passam a exigir do professor atualizar-se nos movimentos sócio-culturais de seu tempo e nas interfaces pedagógicas das tecnologias contemporâneas. A partir de nossa observação e experiência, esta atualização contribui para que o professor fique atento à realidade de seus alunos, valorizando seus conhecimentos prévios, compartilhando saberes e experiências que permitem a apropriação de conhecimentos e a inserção na sociedade contemporânea. O atual contexto é resultado de mudanças em nível mundial que alteram, de modos diferenciados, todo o planeta, trazendo novas exigências sociais, pessoais e profissionais. São mudanças significativas em todos os campos, que afetam, também, a educação; esta, no entanto, tem se mostrado resistente às demandas advindas da incorporação das tecnologias ao cotidiano, o que acaba por provocar muitos questionamentos em relação às práticas desenvolvidas neste campo. Face a essas mudanças significativas, fica evidenciada a relevância da formação do professor na chamada Sociedade do Conhecimento8, visto que as TIC no cotidiano de cada um 7 “Os espaços híbridos combinam o físico e o digital num ambiente social criado pela mobilidade dos usuários conectados via aparelhos móveis de comunicação. A emergência de tecnologias portáteis contribuiu para a possibilidade de se estar constantemente conectado a espaços digitais e de, literalmente, se ‘carregar’ a internet onde quer que se vá” (SOUZA e SILVA, 2006, p. 27). 8 Daniel Bell, em seu livro “The coming of the post-industrial society” publicado em 1973, criou o termo ‘sociedade do conhecimento’. Neste livro, afirmava que a economia estava saindo de uma era industrial, na qual a maioria das pessoas estava envolvida na produção de coisas, para uma era pós-industrial, na qual o trabalho estava cada vez mais envolvido com a produção de conhecimentos. Estas idéias foram bastante defendidas por Castells. 16 de nós são uma realidade. Mesmo que as TIC não se encontrem materializadas na sala de aula, elas se fazem presentes na vida social e econômica dos alunos, dos professores, dos gestores, enfim, de todos aqueles envolvidos no processo de ensino-aprendizagem (VEIGA; AMARAL, 2003, apud ROCHA, 2008). O computador e o acesso à internet estão transformando o espaço educacional na medida em que a elaboração e a difusão do saber não se encontram vinculadas exclusivamente a determinados tempo e espaço, isto é, à sala de aula onde as atividades acontecem em horários pré-definidos. Atualmente, com as TIC que “viabilizam o aparecimento das escolas virtuais, modalidades de ensino a distância para todos os níveis e todos os assuntos” (KENSKI, 2003, p.33), potencializou-se e tornou-se mais flexível a difusão de conhecimentos. Paralelamente, o uso das TIC no contexto educacional tem contribuído para a valorização da concepção construtivista de ensinar e aprender. A união internet/construtivismo tem permitido a criação de ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) 9 que possibilitam o compartilhamento, a partilha e a construção de novos conhecimentos, colocando em destaque a capacidade de o sujeito exercer sua autonomia nas situações de aprendizagem. Esta questão está diretamente relacionada à aplicação da informática na educação a partir de duas linhas conceituais: uma instrucionista, que visa à preparação técnica de profissionais; outra construcionista, em que o computador é utilizado como instrumento educacional com o qual o aluno resolve problemas significativos (ALMEIDA, 2000). O uso dessas tecnologias aliado à perspectiva de construção do conhecimento pode levar o professor a repensar sua prática pedagógica e a ministrar aulas com potencial de atrair alunos já identificados com o uso das TIC, ao mesmo tempo em que inserem outros que ainda não conseguem estabelecer relações dessas tecnologias com a aprendizagem. Conforme enfatiza Moran (2007a, p.167-169): a educação tem que surpreender cativar, conquistar os estudantes a todo o momento. A educação precisa encantar entusiasmar, seduzir, apontar possibilidades e realizar novos conhecimentos e práticas. O conhecimento se constrói a partir de constantes desafios, de atividades significativas, que excitem a curiosidade, a imaginação e a criatividade. 9 Trata-se de sistemas computacionais disponíveis na Internet destinados ao suporte de atividades mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação. Permitem integrar múltiplas mídias, linguagens e recursos, apresentar informações de maneira organizada, desenvolver interações entre pessoas e objetos de conhecimento, elaborar e socializar produções tendo em vista determinados objetivos (ALMEIDA, 2003a. p.331). 17 A intimidade de muitos alunos com a tecnologia acaba significando para o professor, que se vê como detentor do conhecimento, uma grande ameaça, já que eles trazem para a sala de aula informações que o próprio docente desconhece por se esquivar do uso do computador ligado à grande rede mundial. Cabe ressaltar que muitos docentes ainda se colocam como verdadeiros inimigos desta interface, negando-se à aprendizagem digital; outros não a utilizam por não saberem fazer uso dela. Assim, continuam mais que oportunas discussões sobre a formação de professores, pois em tempos de cibercultura e ciberespaço, os alunos se tornam avessos à linearidade de práticas de ensino tradicionais, além de não se conformarem mais de serem, apenas, receptores de conhecimentos eleitos e transmitidos exclusivamente pelo professor. As tecnologias, principalmente as digitais, vêm reconfigurando as formas de construção do saber e aquisição do conhecimento, fazendo com que estas não sejam mais monopólios nem da escola, nem do professor. Mello (2004, p. 93) afirma que “zelar pela aprendizagem dos alunos exige do professor transformar sua relação com o saber, seu modo de ensinar e sua identidade.” Isto significa atualização constante, exigida em qualquer ocupação. Para Mendelsohn (1966, apud PERRENOUD, 2000, p. 139), entre as principais competências do professor para ensinar nos dias de hoje está o domínio das novas tecnologias, aspecto importante na formação desse profissional, embora este autor não o considere fator principal. Ressalta, no entanto, que o próprio docente deve ter interesse em dominar a tecnologia, afirmando: todo professor, que se preocupa com a transferência, com o reinvestimento dos conhecimentos escolares na vida, teria interesse em adquirir uma cultura básica no domínio das tecnologias – quaisquer que sejam suas práticas pessoais – do mesmo modo que ela é necessária a qualquer um que pretenda lutar contra o fracasso escolar e a exclusão social. A questão da inserção das TIC na educação ganha uma dimensão especial quando se relaciona aos Cursos de Licenciatura porque nestes é feita a formação de formadores, seja em nível presencial ou semipresencial. Era de se esperar que os professores e as instituições desses cursos se valessem das tecnologias digitais em suas aulas, nas disciplinas voltadas especificamente para o domínio das tecnologias (como Informática na Educação). Em outras disciplinas, o uso das TIC poderia entrar de forma transversal, por meio de sites de busca na internet, e-mails, ambientes de aprendizagem, chats, blogs e demais interfaces. Todas essas 18 interfaces dariam valioso suporte metodológico e pedagógico ao professor, enriquecendo aulas e, ao mesmo tempo, inserindo os licenciandos em uma nova dimensão de relacionamento humano, capaz de desembocar no que Lévy (1999) designou de inteligência coletiva. Para estabelecer o diálogo entre as TIC e a formação de professores, instituições de ensino superior têm implantado laboratório de informática e investido no ensino a distância, operado por computadores e rede. No caso do fortalecimento da Educação a Distância (EAD), as instituições têm criado um setor específico, geralmente denominado de Núcleo (ou Coordenação) de Educação a Distância (NEAD), para fomentar os processos de ensino-aprendizagem. No caso específico dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, foi criado um setor para disseminar as TIC e dinamizar a EAD, identificado como Núcleo de Tecnologias e Educação a Distância (NTEAD). No âmbito do Instituto Federal Fluminense (IFF), após a estruturação do seu núcleo (2006), organizou-se a Coordenação de EAD, ambos ocupando o mesmo espaço, com a responsável pelo núcleo acumulando a gestão dos dois setores. As finalidades básicas desses núcleos são: (a) provisão de suportes e ferramentas tecnológicas para a educação presencial e a distância n a instituição, democratizando-os com seus professores e servidores; (b) incorporação das TIC no processo educativo; (c) elaboração de objetos de aprendizagem e sua disponibilização em um repositório para as instituições da rede federal de educação tecnológica; (d) disponibilização da produção de Conteúdos Didáticos Digitais para uso dos professores; (e) divulgação do repositório Inter-Red e suas possibilidades tecnológicas. Coube também aos núcleos existentes em cada instituição promover a dinamização da EAD, conscientizando os professores das razões de introduzi-la como modalidade de educação. A EAD é a parte da educação que mais cresce no mundo, pois possibilita o atendimento a um maior número de pessoas; atende a velhas e novas demandas de vagas em diferentes níveis e graus do ensino; exige menor investimento em infra-estrutura e prédios; rompe com as limitações de tempo e espaço. Ao se cumprir essas finalidades, os núcleos podem contribuir para o aperfeiçoamento do processo ensino – aprendizagem em quaisquer das modalidades, dinamizando os modos de ensinar e aprender, e de realizar interações pedagógicas. O uso das tecnologias atenderia a um 19 perfil de aluno presente em instituições tecnológicas: o aluno em trabalho offshore10, que presente na plataforma, participa das atividades realizadas nas aulas presenciais. Quanto às ferramentas, tanto os softwares quanto os ambientes virtuais de aprendizagem (bem como a colaboração e aprendizagem pela internet, geralmente utilizando uma plataforma de EAD) priorizam umas ou outras funcionalidades, que podem ser implementadas para garantir as relações de comunicação, a difusão e tratamento de conteúdo, a gestão e as interações necessárias ao processo educativo. Os Núcleos de Tecnologia e Educação a Distância têm como responsabilidades11: (a) gestão de projetos e programas de EAD, desde a criação, desenvolvimento e acompanhamento; (b) suporte ao professor no uso das TIC; (c) cursos, pesquisas e trabalhos inovadores; (d) desenvolvimento, produção, transposição e avaliação de material didático. A criação destes núcleos teve como referencial a Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica (REDENET) 12, órgão constituído sob a forma de consórcio pelos Centros Federais de Educação Tecnológica e Escolas Técnicas Federais das regiões Norte e Nordeste, visando tanto potencializar as vocações individuais e coletivas como ampliar a geração, difusão e compartilhamento do conhecimento científico e tecnológico. Em última instância, o consórcio busca reduzir desigualdades sociais dessas regiões, desenvolver suporte tecnológico para o setor produtivo e, sobretudo, a melhoria da qualidade de vida da população. Desde o início de 2006, a organização de sistemas de informação como estratégia de expansão, modernização e melhoria contínua da Educação Profissional, Científica e Tecnológica – EPCT, no âmbito da Secretaria de Educação Tecnológica (SETEC/MEC), tornou-se imprescindível e culminou na concepção do Sistema de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (SIEP). O objetivo deste sistema é prover a SETEC de instrumentos que 10 Atividade da indústria do petróleo desenvolvida em ambiente marítimo. No Brasil, a exploração offshore começou no nordeste em 1968, hoje com mais de 40 anos. O trabalho offshore possui características extremamente peculiares em função de ser uma atividade desenvolvida em ambiente restrito, confinado, distante da sociedade (PESSANHA, 1999). http://www.ppea.cefetcampos.br/biblioteca/banco-de-teses-dissertacoes/tese.2006-0913.9014917975. Acessado em: outubro de 2010. 11 Informações obtidas em material impresso e disponibilizado no I Ciclo de Capacitação do Inter-Red/2006. 12 A REDENET foi criada em 10 de outubro de 2003, com a finalidade de promover a articulação dos CEFET do Norte e Nordeste. Portal REDENET http://www.redenet.edu.br/noticia/index.php. Acessado em março 2009. 20 possibilitam um processo contínuo de avaliação, monitoramento, modernização, transparência e controle social da oferta e da expansão da educação profissional e tecnológica no Brasil. Para atender aos propósitos desta secretaria optou-se pelo desenvolvimento do repositório Inter-Red13, e também pela ampliação do SIEP, com a criação de um conjunto de módulos de organização da informação: SIEP Gerencial, SIGA EPT, Observatório Nacional do Mundo do Trabalho e da Educação Profissional e Tecnológica (EPT), Centro de Documentação Digital, Biblioteca Digital, Cadastro Nacional de Cursos Técnicos e Portal da EPT a Distância, este último integrando o Inter-Red como uma das ferramentas do Espaço Virtual de Suporte à Pesquisa e Aplicação para a Educação Profissional e Tecnológica a Distância. Coube a um grupo de pesquisadores das instituições federais de Educação Profissional o desenvolvimento destes módulos, sua apresentação nos grupos envolvidos, com vista à divulgação dos projetos e implantação em todas as instituições que fazem parte do sistema em estudo. Como os Núcleos de Tecnologia e Educação a Distância (NTEAD) constituem uma proposta nova e vêm ao encontro de necessidades relativas à inserção da formação de professores no contexto do ciberespaço e da cibercultura, consideramos que seria relevante pesquisar o que eles têm realizado nesta direção. Uma vez definido nosso foco de estudo, procuramos nos situar a respeito do que já existe em termos de pesquisa sobre o papel dos NTEAD, como instrumento de fomento das TIC e da EAD nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Assim, realizamos um levantamento no banco de teses e dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) 14 , a fim de identificar pesquisas realizadas em um período de cinco anos (2005/2009), que tivessem como foco de estudo estes núcleos. Não encontramos qualquer estudo nesta direção. Tal constatação nos direcionou a buscar, ainda, no mesmo banco, os estudos que se ocupam da Educação a Distância (EAD) no Ensino Superior. Encontramos aproximadamente 800 13 Inter-Red - Rede de Interoperação Virtual Temática de Educação Profissional e Tecnológica. Esta rede virtual temática visa à gestão de uma base de conteúdos educacionais gerados por instituições da rede de Educação Profissional Tecnológica (EPT) credenciadas, permitindo a publicação, o acesso e o reaproveitamento de conteúdos didáticos também denominados objetos de aprendizagem (OA) em formato digital em diversas mídias. Enquanto repositório, tem como objetivo permitir a reusabilidade, interoperabilidade e compartilhamento entre diferentes plataformas de conteúdos digitalizados produzidos sob a forma de objetos de aprendizagem. Maiores informações disponíveis no site http://interred.cefetce.br/interred/ 14 CAPES - Disponível em www.capes.gov.br/capes/portal/conteúdo/10/Banco. Acessado em abril de 2009. 21 trabalhos que tratam da “Educação a Distância”, entre teses e dissertações; 85 trabalhos que abordam “Educação a Distância no Ensino Superior”, sendo 13 teses e 72 dissertações. Uma análise dos resumos dessas 85 produções nos ofereceu a seguinte conclusão: 16 tratam dos ambientes virtuais de aprendizagem; 14 focalizam a formação do professor em EAD; 19 se ocupam das novas mídias (TIC) e as demais abordam outros temas. Nenhum deles se volta da atuação dos NTEAD como proposta de inserção das TIC e da EAD nas licenciaturas dos institutos federais. Percorremos outros repositórios de teses e dissertações, entre os quais cabe destacar: Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), Sciello, Google, Revista Ibero-americana de Educação e percebemos a mesma lacuna. Alguns artigos foram encontrados, inclusive dois nossos15 que discorriam sobre uma proposta do NTEAD em termos de desenvolvimento de estratégias de reforço da aprendizagem e dependência online nas disciplinas de Matemática Básica e Cálculo, oferecidas para alunos dos cursos superiores do atual Instituto Federal Fluminense, em Campos dos Goytacazes, incluindo os da Licenciatura em Ciências da Natureza. Buscamos, também, verificar em periódicos que constam da base de dados Qualis16 disponível no sítio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) com conceito A como: (a) Cadernos de Pesquisa - revista de estudos e pesquisas em educação publicada pela Fundação Carlos Chagas; (b) Pro-posições - revista quadrimestral da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); (c) Educação & Sociedade Revista de Ciência da Educação - publicação do Centro de Estudos Educação e Sociedade CEDES, também vinculada à UNICAMP, se nas suas publicações referentes aos últimos cinco anos existiam estudos envolvendo os NTEAD, mas também não encontramos qualquer artigo que tratasse do nosso objeto de pesquisa. 15 GOMES, M. L. M.; BARRETO, N. V. P. Educação a Distância como ferramenta de dependência e reforço no Ensino Superior do CEFET CAMPOS. Revista Vértices. Essentia Editora (Publicação científica do IFF), v.9, p.61 71, 2007; e BARRETO, N. V. P.; GOMES, M. L. M. Educação a Distância em ambientes virtuais para Cursos Superiores do CEFET CAMPOS: Análise e Sugestões. In: 14º Congresso Internacional ABED de Educação a Distância , Santos-SP, ABED, 2008. 16 “Qualis é o conjunto de procedimentos utilizados pela Capes para estratificação da qualidade da produção intelectual dos programas de pós-graduação. Tal processo foi concebido para atender as necessidades específicas do sistema de avaliação e é baseado nas informações fornecidas por meio do aplicativo Coleta de Dados. Como resultado, disponibiliza uma lista com a classificação dos veículos utilizados pelos programas de pós-graduação para a divulgação da sua produção”. Disponível em: http://www.capes.gov.br/avaliacao/qualis. Acessado em maio 2009. 22 A partir desses levantamentos, ficou apontada a inexistência de pesquisas relativas ao foco de nosso estudo, o que reforçou nossa convicção da relevância de pesquisar como os NTEAD vêm contribuindo (ou não) para proporcionar, a licenciandos e professores das instituições onde estão inseridos, uma apropriação pedagógica das TIC e das possibilidades advindas da EAD. 1.2 OBJETIVO E QUESTÕES DE ESTUDO Constatada a pertinência do nosso foco de estudo, formulamos o objetivo geral que permeou a pesquisa: investigar a atuação dos NTEAD que se encontram inseridos em Instituições Federais de Educação Tecnológica, em termos de fomento ao uso das TIC e, em especial, da EAD em seus Cursos de Licenciatura. Ao optarmos por este objetivo, entendemos que teríamos de estudar dois aspectos que interferem diretamente na proposta de fomento das TIC, a saber: (a) como os NTEAD foram estruturados: implantação, organização, objetivos e metas; e (b) que licenciaturas são oferecidas por essas instituições e como se relacionam com os NTEAD. A partir deste entendimento, elaboramos as questões de estudo que são respondidas ao final da pesquisa: Que projetos os NTEAD têm desenvolvido visando à inserção das TIC e da EAD em Cursos de Licenciaturas, e que contribuições dão à formação de licenciandos? Em que medida, professores e alunos das licenciaturas têm conhecimento das atividades dos NTEAD e participam dos eventos propostos? Como os NTEAD capacitam os professores e alunos das Licenciaturas para o uso pedagógico das TIC e dos ambientes virtuais de aprendizagem? Os NTEAD atendem aos seus objetivos? 1.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A partir da constatação da inexistência de pesquisas envolvendo o nosso objeto de estudo e do teor das questões anteriormente apresentadas, assumimos que a perspectiva teóricometodológica do Construtivismo Social seria a mais adequada para iluminar os procedimentos metodológicos desta investigação. Segundo Alves-Mazzotti (2002, p.133), os construtivistas 23 sociais não se preocupam em testar teorias no processo de investigação de seu problema; eles procuram “estudar o comportamento social, interpretando seu significado subjetivo através das intenções dos indivíduos”. Mais especificamente, buscam “interpretar as ações dos indivíduos no mundo social e as maneiras pelas quais os indivíduos atribuem significado aos fenômenos sociais” (SCHUTZ, 1967, apud ALVES-MAZZOTTI, 2002, p. 133). Portanto, esta perspectiva se baseia na descoberta de dados, fatos, fenômenos e na sua interpretação, considerando o contexto onde surgem; daí ter como um de seus pressupostos a idéia de que “as realidades existem sob forma de múltiplas construções mentais, locais e específicas, fundadas na experiência social de quem as formula” (GUBA, 1990, apud ALVES-MAZZOTTI, 2002, p. 133). Partindo desta perspectiva, tentamos compreender o que é o NTEAD, quais são suas propostas, como as concretiza e os impactos que produzem na formação de professores, tendo como base de dados os significados (as múltiplas construções mentais) que diferentes pessoas (os sujeitos da pesquisa) atribuem ao trabalho ali desenvolvido. Este processo de compreensão dos NTEAD demandou uma abordagem qualitativa dos dados coletados, nela se incluindo duas interfaces, a saber: uma análise cuidadosa de documentos institucionais relacionados à sua criação e desenvolvimento; e a outra voltada para a escuta (fina/acurada) do que diferentes sujeitos têm a dizer sobre este núcleo. Ludke; André (1988, p. 11) afirmam que: “a pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento”. Isto significa que este tipo de pesquisa (também chamada de naturalística) “envolve a obtenção de dados descritivos, obtidos no contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatiza mais o processo do que o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes” (BOGDAN; BIKLEN, 1982 apud LUDKE; ANDRÉ, 1988, p. 13). Assim, os dados coletados contemplaram situações, acontecimentos, transcrições de entrevistas e depoimentos e extratos de diversos documentos. Para melhor conhecer as instituições federais de tecnologia, levantamos dentre os 38 institutos federais recém-criados os que oferecem cursos de licenciaturas em seus processos seletivos. Uma vez elaborado este levantamento, selecionamos aqueles que já têm NTEAD funcionando e que desenvolvem ações junto às licenciaturas. 24 No primeiro momento, buscamos informações nos sites da Secretaria de Educação Tecnológica do Ministério da Educação (SETEC/MEC) 17 e das instituições envolvidas que possuem NTEAD. Em seguida, foram feitos contatos, por e-mail, com o coordenador geral e com a unidade gestora Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), com o objetivo de obter documentos oficiais e informações relevantes sobre os núcleos. Em seguida, analisamos os documentos oficiais que tratam da criação e dos trabalhos já desenvolvidos pelos NTEAD. Concomitantemente a essas duas etapas, ampliamos a revisão da literatura sobre os temas: educação a distância, tecnologias de informação e comunicação, formação de professores e ensino superior, procurando entrelaçá-los ao objeto de estudo: NTEAD. Tal aprofundamento pode ser compreendido como terceira etapa do nosso estudo. O quarto momento da pesquisa, relativo à coleta de informações em campo, referiu-se à aplicação de questionário a alunos, professores das licenciaturas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF) e integrantes dos NTEAD; e entrevista com coordenadores gerais do projeto, gestores do IFF e diretores de setores ligados à educação profissional da SETEC/MEC. Cabe esclarecer os motivos da escolha desses dois instrumentos de coleta de dados. Por termos participado da implantação do NTEAD no Instituto Federal Fluminense, campus Campos – Centro, possuíamos os conhecimentos básicos do nosso objeto de estudo, o que, segundo Rizzini et al (1999), é fundamental quando se opta por aplicar questionário como instrumento de coleta de dados. O outro instrumento de pesquisa escolhido, a entrevista, segundo Rosa e Arnoldi (2006, p.17), constitui uma técnica de coleta de dados “orientada para um objetivo definido que, por meio de um interrogatório leva o informante a discorrer sobre temas específicos, resultando em dados que serão utilizados na pesquisa”. Ainda para essas autoras, a escolha da entrevista deve considerar, entre outros aspectos, o conhecimento do pesquisador em relação ao problema de estudo; o preparo do pesquisador para aplicar a entrevista (capacidade de se afastar da situação; de fazer perguntas inesperadas); as condições e a pertinência dos métodos de análise dos dados. Essas considerações foram tomadas como referência em nosso processo de pesquisa. A coleta de dados teve início no primeiro semestre de 2010, ficando concluída em agosto do mesmo ano. Os dados obtidos foram depurados de forma a gerar o corpus da pesquisa. Com o corpus foi possível realizar as análises dos documentos referentes aos NTEAD e das falas dos 17 http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=286&Itemid=798 25 sujeitos da pesquisa (análise de conteúdo das respostas oferecidas nos questionários e nas entrevistas). Cabe salientar que os instrumentos de coleta de dados (entrevista e questionário), antes de serem aplicados, foram validados por dois especialistas na área de educação, com ênfase no conhecimento da aplicação das TIC em processos educacionais, visando garantir a validade e fidedignidade do teor de suas perguntas. Em algumas situações, quando a entrevista ou o questionário não puderem ser aplicados diretamente com os sujeitos da pesquisa, foram encaminhados online. Após o levantamento e tabulação das respostas dos questionários e das entrevistas, procedemos à análise qualitativa das respostas obtidas e nesta direção usamos como suporte as orientações contidas na técnica de análise de conteúdo, propostas em Bardin (2000); Rizzini et al (1999); e Kientz (1973). O fato de a pesquisa privilegiar aspectos qualitativos não significou ignorar os dados quantitativos relevantes, obtidos na coleta dos dados. Tais dados, quando se mostraram importantes para uma compreensão mais nítida da nossa problemática, foram aproveitados. Nesta direção, foi possível acrescentar aos resultados algumas comparações numéricas. O referencial teórico que iluminou a análise dos dados coletados em campo, tratou dos eixos temáticos: (a) cibercultura e demandas da docência; e (b) formação de professores para o uso das TIC e da EAD. Esses eixos foram selecionados em função do que se indaga nas questões de estudo. Esclarecemos que duas questões nos instigaram, concorrendo para o desenvolvimento do presente trabalho de pesquisa. A primeira diz respeito ao uso pedagógico das tecnologias por apenas alguns professores nos diversos cursos, e principalmente a inexistência das TIC no cotidiano das Licenciaturas, embora sendo o IFF uma instituição da Rede Federal de Educação Tecnológica; a segunda, a existência de um núcleo de tecnologia para disseminar as TIC e implantar a EAD, no qual exercemos nossas atividades profissionais. Para concluir o presente capítulo, cabe esclarecer como está organizada a dissertação. No capítulo um, buscamos oferecer ao leitor a visão geral da pesquisa, aí se incluindo o problema de estudo, o objetivo geral, as questões de investigação e a metodologia. No segundo, situamos os NTEAD com destaque para a sua história e finalidades. No capítulo três, aprofundamos os dois eixos anteriormente mencionados de forma a obter o referencial teórico que nos permitiu analisar os dados coletados. No quarto capítulo, tratamos dos resultados da pesquisa de campo nos quais 26 sobressaíram as limitações da atuação dos NTEAD, embora tenham ficado evidenciadas contribuições importantes neste âmbito. Por fim, no capítulo cinco, tecemos as conclusões que respondem às indagações apresentadas neste capítulo. 27 2. NÚCLEOS DE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DOS INSTITUTOS FEDERAIS: UM POUCO DE SUA HISTÓRIA E FINALIDADES Este capítulo tem por objetivo contextualizar o objeto do nosso estudo – os NTEAD. Para tanto, aborda sua implantação, finalidades e objetivos. A partir de uma solicitação da SETEC (2º semestre de 2005) para que algumas instituições da Rede Federal de Educação Tecnológica participassem de um projeto, inicia-se a trajetória de criação dos núcleos de tecnologia. Assim foi realizado um encontro no qual foi feita a proposta de desenvolvimento de um repositório, que passou a ser denominado Inter-Red, que teria como finalidade abrigar Objetos de Aprendizagem (OA)18, a serem construídos pelo grupo das instituições participantes. Esta proposta se consolidaria com a criação de um núcleo em cada instituição envolvida, denominado Núcleo de Tecnologias e Educação a Distância (NTEAD). Este projeto visava à criação de um espaço virtual, efetivado por meio do desenvolvimento e implantação de um sistema de disponibilização, compartilhamento, busca e recuperação de conteúdos digitais de Educação Profissional e Tecnológica (EPT), de maneira a atender cursos tanto na modalidade presencial quanto a distância. Como desdobramento deste encontro, em fevereiro de 2006, tem início o I Ciclo de Capacitação Inter-Red, na cidade de Recife, com o objetivo de discutir, entre outros temas, a criação dos núcleos, sua implantação, objetivos e atuação. Após o encaminhamento das questões pertinentes aos núcleos, a discussão passou a considerar a definição de setor da instituição que iria abriga os núcleos. Ficou definido que os NTEAD teriam uma atuação abrangente e importante, na medida em que iriam atender ao repositório Inter-Red e, também, às questões definidas no I Ciclo de capacitação: produção de conteúdos digitais; criação de portal para a EAD dos Institutos Federais; apoio aos professores no uso das TIC; implementação da Portaria 4.059/200419 18 Os objetos de aprendizagem são elementos de um novo tipo de instrução baseada em computador apoiada no paradigma da orientação a objetos da informática. A orientação a objetos valoriza a criação de componentes (chamados "objetos") que podem ser reutilizados em múltiplos contextos (WILEY, 2000, p. 3). Os objetos de aprendizagem estão disponibilizados para acesso direto em: http://interred.ifce.edu.br/interred/paginas/objeto_aprendizagem/pagina_todos_oas.php? 19 Portaria Nº 4.059, de 10 de dezembro de 2004 (DOU de 13/12/2004, Seção 1, p. 34) dispõe em seu Art. 1º que as instituições de ensino superior poderão introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos, a oferta de disciplinas integrantes do currículo que utilizem modalidade semipresencial, com base no art. 81 da Lei n. 9.394, de 1.996, e no disposto nesta Portaria. 28 (portaria dos 20%); capacitação inicial e continuada do corpo docente e técnico; implementação de cursos técnicos a distância, cursos de graduação a distância, cursos seqüenciais de nível superior e pós-graduação (lato e stricto sensu). Foram disponibilizados pelo MEC, para cada instituição participante (no total de dez), aportes financeiros para a fase inicial de implantação dos núcleos, com infra-estrutura mínima para seu funcionamento: sala específica para o núcleo abrigar os equipamentos e mobiliário. 2.1 IMPLANTAÇÃO DOS NÚCLEOS DE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Em nossa pesquisa documental, verificamos que não houve um projeto específico para a instituição dos núcleos. Eles surgiram para dar suporte ao repositório Inter-Red nessas instituições, já que eram responsáveis pela elaboração de conteúdos didáticos digitais (CDD), objetos de aprendizagem (OA), e, também, por sua disponibilização neste repositório. Outro objetivo dos NTEAD seria contribuir para a inserção e disseminação das TIC e da EAD nas instituições em que eles estavam inseridos, uma vez que a SETEC propunha à rede federal a criação de um portal próprio para a Educação Profissional e Tecnológica (EPT), atendendo à modalidade de educação presencial e a distância. Após a criação dos Núcleos, surgiram os desdobramentos da proposta, pois cada um deles deveria agregar cinco instituições colaboradoras, podendo ser do próprio campus (ou não), com o objetivo de alcançar 50 instituições na fase inicial de expansão. Ao todo, já foram criados 38 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Desse total, 10 possuem NTEAD instituídos por portaria, nos anos de 2005/2006, enquanto Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFET). No estudo documental, percebemos também que a implantação dos NTEAD nestas instituições não se deu de forma abrangente, pois dos 38 institutos com 322 campi, (dados de 2010) 20 somente 10 tinha criado estes núcleos. A seguir, apresentamos um quadro com a localização dos NTEAD e identificação dos campi, para maior entendimento da situação atual, uma vez que esses núcleos foram criados nas instituições da rede federal enquanto CEFET. 20 Fonte: site http://redefederal.mec.gov.br/ Acessado em: junho de 2010. 29 Quadro 1 – Localização dos NTEAD Nº LOCALIZAÇÃO IDENTICAÇÃO DO CAMPUS 01 Instituto Federal do Ceará Campus Fortaleza 02 Instituto Federal do Espírito Santo Campus Vitória 03 Instituto Federal Fluminense Campus Campos-Centro 04 Instituto Federal de Mato Grosso Campus Cáceres 05 Instituto Federal da Paraíba Campus João Pessoa 06 Instituto Federal de Pernambuco Campus Recife 07 Instituto Federal do Rio Grande do Norte Campus Natal –Central 08 Instituto Federal de Roraima Campus Boa Vista 09 Instituto Federal de Santa Catarina Campus Florianópolis 10 Instituto Federal de Tocantins Campus Palmas Neste levantamento de informações, realizado nos sites dos Institutos Federais, da Rede de Pesquisa e Inovação em Tecnologias Digitais (RENAPI) 21, da SETEC/MEC, observamos que os NTEAD constituem a institucionalização do projeto “Portal da Educação Profissional, Científica e Tecnológica Virtual” (Portal da EPCT Virtual), que é um dos projetos do Sistema de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (SIEP) da SETEC. Segundo informações contidas no site da RENAPI, a institucionalização oficial do SIEP, enquanto ação estratégica da SETEC se deu em novembro de 2006, por meio da Portaria nº 176, DOU de 28/11/2006. A estrutura de gestão e operação instituída naquela ocasião atendeu às necessidades mapeadas até então, além de ter oficializado a Gerência Nacional do SIEP. Já em 2008, considerando uma realidade mais abrangente, formalizou-se a Portaria nº 351, DOU de 01/08/2008, em que novas prioridades foram contempladas. Ainda com base na RENAPI, a Portaria nº 351, além de ampliar a estrutura da sua gerência nacional, oficializou uma relação que há muito vem sendo construída, qual seja, a ação de assessoramento e consulta dos Conselhos e Fóruns representativos da Rede Federal de EPCT. O EPCT Virtual é um espaço digital destinado a contribuir para a formação, informação, 21 http://www.renapi.org/ Acessado em outubro de 2009. 30 instrumentalização e comunicação de professores, pesquisadores, alunos e interessados em tecnologia educacional aplicada à Educação Profissional e Tecnológica (EPT). O objetivo maior desse projeto do MEC é desenvolver e implantar um portal para a publicação e consulta de informações acerca das tecnologias educacionais relacionadas à EPT, tanto para a educação presencial como a distância. Dentre os vários objetivos do Portal EPCT Virtual, segundo Serra; Silva; Soares (2008) se destacam: ofertar alternativas tecnológicas voltadas para o ensino-aprendizagem presencial e a distância; propiciar um espaço de colaboração virtual de troca de experiências e materiais; garantir confiabilidade e segurança nos conteúdos digitais e de seus usuários; preservar o princípio dos direitos à propriedade intelectual; incentivar a produção científica em EPT e disponibilizar recursos e ferramentas para seu público-alvo. Os mesmos autores ainda apontam que, diante dessa realidade, surgem novas problemáticas e novos desafios à EPT: prover os meios e ferramentas para que o professor incorpore a sua prática pedagógica, presencial e a distância, as tecnologias digitais interativas e passe a desenvolver e a utilizar materiais didáticos ricos, de modo a promover a mediação da aprendizagem, utilizando diversos meios digitais (p. 121). O processo colaborativo em rede, de forma descentralizada, estava no cerne do SIEP, representando uma condição indispensável a sua consolidação e evolução, culminando, também, no desenvolvimento da RENAPI; esta, com uma abrangência maior, passou a atender a outros setores além da EPT, substituindo o sistema de informação, até então, existente. A Gerência Nacional da RENAPI, no período de 2006 a 2009, esteve à frente do planejamento, acompanhamento, monitoramento, supervisão e execução das ações do então Sistema de Informações da Educação Profissional e Tecnológica – SIEP, hoje intitulada Rede Nacional de Pesquisa e Inovação em Tecnologias Digitais – RENAPI. Destacamos do site da RENAPI, alguns objetivos da EPCT Virtual e suas ferramentas: definir, modelar e desenvolver ferramentas de auxílio na Educação Profissional e Tecnológica em todas suas modalidades: presencial, semipresencial e a distância; utilizar tecnologias livres; atualizar as ferramentas desenvolvidas, de acordo com as demandas dos usuários finais; 31 capturar as necessidades dos usuários da EPCT e identificar a melhor forma de atendê-los com modificações das ferramentas existentes ou com novas ferramentas; estimular o uso das ferramentas na rede federal em projetos de EAD como UAB22 (Universidade Aberta do Brasil) E-TEC Brasil23; agregar Conteúdos Didáticos Digitais (CDD) na ferramenta Inter-Red que alimenta as demais ferramentas do sistema; permitir a atualização contínua dos conteúdos existentes nas ferramentas e mesmo assim, não perder as informações antigas, retendo sempre uma cópia do que foi postado em um banco de dados que permita recuperar seu histórico; promover a integração com o Moodle24, para que os usuários do Moodle possam selecionar conteúdos das nossas ferramentas e exportá-las para seus Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). Da mesma forma, se um usuário desejar, ele poderá importar para as ferramentas os conteúdos que ele já tenha em seu ambiente virtual de aprendizagem; criar e consolidar padrões de criação e avaliação de CDD. Esses padrões vão conter o mínimo que um CDD deve possuir e um roteiro para, se o usuário desejar, avaliar o CDD quanto a sua qualidade. As dez instituições em todo o país com NTEAD deveriam colaborar para o desenvolvimento do EPT Virtual e do Inter-Red, projetando e construindo interfaces diversas de apoio aos processos ensino e aprendizagem e, também, desenvolvendo e catalogando objetos de aprendizagem vinculados à educação profissional e tecnológica. Equipes de professores, 22 Decreto nº 5.800 – 08/06/2006. Dispõe sobre o Sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB. Publicado no Diário Oficial da União, em 09/06/2006. Disponível em: <http://www.mec.gov.br.> Acesso em: 22/08/2007. 23 Decreto nº 6.301, de 12 de dezembro de 2007. Institui o Sistema Escola Técnica Aberta do Brasil – e- Tec Brasil. Publicado no Diário Oficial da União, em 13/12/2007. Disponível em: <http://www.mec.gov.br.> Acesso em: 30/09/2006. 24 Moodle – O ambiente Moodle (Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment) foi desenvolvido pelo australiano Martin Dougiamas, em 1999, como uma plataforma de software livre, que pode ser baixada, instalada e modificada por qualquer pessoa do mundo, estando disponível no site http://www.moodle.org. Por se tratar de uma ferramenta livre, o Moodle apresenta vantagens em relação a outras ferramentas por não ter custo de aquisição de licença. O Moodle é um ambiente utilizado por empresas e escolas em atividades de educação parcial ou completamente a distância, em que diversos recursos e atividades existentes podem ser adicionados mesmo durante a oferta de um curso, de acordo com o desejo de quem o está ministrando. Esse software sofre um processo de permanente evolução através de uma grande comunidade de desenvolvedores. É um sistema de gerenciamento de aprendizagem ou ambiente virtual de aprendizagem de código aberto, livre e gratuito, que possui interfaces de comunicação, de avaliação, de disponibilização de conteúdos e de administração e organização. AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM. Disponível em: http://ambientesvirtuaisdeaprendizagemposlin.blogspot.com/. Acesso em 20/06/2010. 32 pesquisadores e bolsistas foram formadas para o desenvolvimento deste projeto, havendo ainda o incentivo de bolsas de pesquisa. Os NTEAD visam à produção de conhecimentos e promoção da pesquisa, contribuindo para o desenvolvimento de OA a serem catalogados no Portal da EPCT Virtual. Pelo que foi possível depreender, podemos afirmar que esses objetos são conteúdos pedagógicos digitais reutilizáveis, desenvolvidos para apoiar o processo de aprendizagem, que estimulam o raciocínio e o pensamento crítico, associando as novas abordagens pedagógicas às tecnologias digitais e aos princípios epistemológicos da cibercultura. Os Objetos Virtuais de Aprendizagem podem ser definidos como “qualquer recurso digital que possa ser reutilizado para o suporte ao ensino” (WILEY, 2000, p.3). Existe um consenso de que ele deve ter um propósito educacional bem definido, sendo um elemento que estimule a reflexão do estudante e que sua aplicação não se restrinja a um único contexto (BETTIO; MARTINS, 2004). Pelo estudo realizado, verificamos que a produção de Conteúdos Didáticos Digitais (CDD), no formato de OA, pelas unidades operacionais, disponíveis no repositório Inter-Red, era significativa na fase inicial de funcionamento dos núcleos. Atualizando o quadro da produção dos objetos de aprendizagem, podemos observar que o crescimento desta produção atingiu níveis satisfatórios em algumas instituições, estando os OA disponíveis no repositório Inter-Red para serem utilizados. A seguir, apresentamos a Tabela 1, com dados iniciais e atuais para acesso e uso dos professores, conforme informações contidas no documento ‘Relatório de Produtos da EPCT Virtual’, obtido junto à Coordenação da RENAPI após visita desta pesquisadora ao referido órgão em Brasília. Cabe salientar que esta visita teve o objetivo de levantar dados oficiais sobre o objeto de nossa pesquisa – os Núcleos de Tecnologia e Educação a Distância. 33 Tabela 1- Produção de conteúdos didáticos digitais/objetos de aprendizagem FASE INICIAL (2007) NÚCLEO FASE ATUAL (2008-2009) PRODUÇÃO DE CCD NÚCLEO PRODUÇÃO DE CCD CEFET-CE 103 CEFET-RR 20 IFRR Campus Palmas 67 CEFET-RN 49 IFRN Campus Natal- central 75 CEFET-PB 20 IFPB Campus João Pessoa 83 CEFET Campos 15 CEFET-PE CEFET ES 30 Novo Integrante IFCE Campus Fortaleza IFF Campus Campos-Centro 189 52 IFPE Campus Recife 77 IFES Campus Vitória 14 EAF Cáceres 15 IFMT Campus Cáceres 25 ETF Palmas 16 IFTO Campus Palmas 123 CEFET-SC 20 IFSC Campus Florianópolis 44 O Inter-Red (atualmente, por ter se desenvolvido significativamente, transformou-se na própria EPCT Virtual) é uma das ferramentas da EPCT Virtual que visa à gestão, recuperação e compartilhamento de uma base de conteúdos educacionais gerados por instituições integrantes da Rede Federal de EPCT (RFEPCT). Permite a publicação, o acesso e principalmente o reaproveitamento de conteúdos didáticos digitais, e já possui mais de 700 CDD, que podem ser utilizados nas disciplinas da Educação Profissional e Tecnológica, seja na modalidade presencial ou a distância. Segundo a RENAPI, 25 25 Dado coletado em http://www.renapi.org/epct-virtual/conheca-o-projeto. 34 um grande diferencial das ferramentas da EPCT Virtual é sua integração e o uso de tecnologias livres para realizar essa integração. Uma das grandes inovações das ferramentas é sua integração com o MOODLE, já que o MOODLE é o AVA mais utilizado no Brasil, para ambientes de Educação a Distância. O Projeto Inter-Red procura implantar um sistema de disponibilização, compartilhamento, recuperação de conteúdos digitais relacionados à educação profissional e tecnológica, a ser utilizado tanto na modalidade presencial quanto na a distância, de modo a concretizar uma rede temática específica, que interligue bases de conteúdos educacionais de instituições credenciadas, criando uma co-responsabilidade entre os parceiros. Ferramentas educacionais e conteúdos pedagógicos digitais catalogados compõem o portal EPCT Virtual, sendo mantidos por instituições credenciadas. Essas ferramentas têm origem num projeto desenvolvido pelo então CEFET/CE, denominado Form@; “trata-se de um projeto amplo, que articula e integra diversos outros projetos, subprojetos e eixos disciplinares voltados para a pesquisa e desenvolvimento em processos e produtos para educação a distância” (SERRA; SILVA; SOARES, 2008, p. 127). As ferramentas para a aprendizagem encontram-se disponibilizadas no site http://www.renapi.org/epct-virtual/ferramentas e também no NTEAD do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (http://interred.cefetce.br), para que os professores as utilizem em suas aulas, podendo estes contribuir e fazer as modificações que julgarem necessárias, em virtude das características de compartilhamento e de usabilidade que as ferramentas possuem. Para entender o percurso do processo de implantação dos NTEAD, apresentamos o cronograma dos principais eventos da REDENET que contribuíram para o processo de consolidação desses núcleos, com base nas ações já vivenciadas e resultados colhidos no campo das tecnologias e da EAD. As contribuições desta rede, composta de instituições do norte e nordeste, foram também determinantes para desenvolver e implantar um portal para a publicação e consulta de informações sobre tecnologias educacionais direcionadas para a Educação Profissional e Tecnológica, na modalidade presencial e a distância. 35 Quadro 2 – Cronograma de Eventos da REDENET DATAS EVENTOS Março/2005 Criação do Núcleo de Tecnologias Educacionais e Educação a Distância da REDENET e do Fórum dos Cursos de Segurança do Trabalho. Lançamento do Portal da REDENET. Setembro/2005 Janeiro/2006 Novembro/2006 Maio/2007 Dezembro/2007 Ano 2008 A REDENET apresenta à SETEC o Projeto Inter-Red26 - Redes Virtuais Temáticas, base para estruturação da EAD nas instituições de Educação Profissional Tecnológica (EPT). A REDENET é convidada pela SETEC para coordenar os trabalhos de acompanhamento e supervisão do desenvolvimento, implantação e suporte do Sistema de Informações da Educação Profissional e Tecnológica – SIEP. Participação da REDENET na estruturação e planejamento do Portal de Educação Profissional e Tecnológica a Distância- (EPTC Virtual). Participação nos trabalhos de Planejamento do Sistema de Informação da Educação Profissional e Tecnológica - SIEP 2008. Participação nas Reuniões Técnicas dos diversos Módulos do Sistema de Informação da Educação Profissional e Tecnológica – SIEP. Como se pode observar, os NTEAD tiveram como referencial para sua criação a REDENET. Acreditamos que este fato tenha sido determinante para que um número significativo de estados da Região Nordeste (Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte) participasse da proposta, constituindo seus núcleos. A idéia de núcleos da REDENET foi estendida a algumas instituições da Rede Federal de Educação Tecnológica, totalizando dez. A proposta inicial da SETEC era criar dois núcleos por região brasileira, mas não se concretizou. Há regiões em que foi criado apenas um núcleo, enquanto existe outra com quatro como é a situação já citada da Região Nordeste. Na Região Norte, os estados participantes são: Roraima e Tocantins; nas regiões Centro-Oeste e Sul participam apenas dois estados: Mato Grosso e Santa Catarina; e na Região Sudeste, Rio de Janeiro e Espírito Santo. 26 Originado e adaptado de uma tese de doutorado intitulada “Une Architecture Distribuée pour l’Intéroperabilité Sémantique entre Plates-formes d’Education”, desenvolvida pela Profª. Veronica de Souza Pimentel cabendo à própria autora, a coordenação da implantação do projeto.. 36 Apresentamos no mapa a seguir, a localização dos NTEAD por estados. Figura 1 - Localização dos NTEAD no mapa do Brasil. Fonte: Material retirado de documento do I Ciclo de Capacitação do Inter-Red realizado em Recife (2006). No momento inicial de implantação dos núcleos, o estado de Goiás estava incluído no projeto para criar um núcleo no então CEFET Rio Verde, o que não chegou a se efetivar. Desta forma, permaneceram os 10 núcleos, mesmo com a criação de um núcleo no estado do Espírito Santo – à época, CEFET do Espírito Santo. Reforçando o que já foi dito, coube ao IFCE a coordenação dos NTEAD, reconhecida como unidade gestora deste projeto, sendo as demais instituições envolvidas denominadas unidades operacionais. A escolha do IFCE para conduzir o projeto se justifica pela participação 37 da instituição e experiência de servidores no projeto REDENET, concorrendo para a implantação dos NTEAD. A seguir, a figura reflete a proposta do trabalho colaborativo de todas as instituições, compartilhando a produção numa rede de conexão constante. Figura 2 - Identificação das instituições à época da proposta de criação dos NTEAD. Fonte: Material retirado de documento do I Ciclo de Capacitação do Inter-Red realizado em Recife (2006). 38 2.2. OS NÚCLEOS DE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E SUA RELAÇÃO COM AS LICENCIATURAS Desde a década de 80, já se fazia presente a formação de professores em instituições federais de Educação Tecnológica – CEFET, hoje, o maior número deles denominados Institutos Federais. Anteriormente à obrigatoriedade, instituições públicas de educação profissional e tecnológica já ofereciam cursos de formação de professores, como o Instituto do Maranhão, que atua na área desde 1987. Esta instituição em 2000, através de projeto de cooperação com 42 municípios do estado, atuou na formação de dois mil professores de Matemática. A instituição também oferecia licenciatura em eletricidade, mecânica e construção civil. “Essa vocação para melhorar a educação básica é intrínseca à rede federal”, como destaca o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Fonte: Portal MEC27). No entanto, a formação de professores em instituições de Educação Tecnológica, como políticas públicas de educação surge aliada à expansão de cursos de licenciaturas neste espaço educacional, consolidada após o Decreto 3.462/200028. Em 2009, a formação de professores em instituições tecnológicas incluindo os Institutos Federais encontrava-se politicamente reestruturada e em fase de expansão. A reconfiguração da Rede Federal de Educação Tecnológica, iniciada neste século, com uma política educacional forte voltada para a formação do trabalhador, garante esta expansão. São instituídas novas leis, novos decretos e pareceres que normatizam a expansão das instituições federais de educação tecnológica, assegurando investimentos na formação de professores principalmente para a Educação Profissional e a área das Ciências da Natureza. Dando continuidade ao programa de expansão da educação e, principalmente da oferta de cursos de licenciaturas, o MEC anuncia que serão oferecidas pelos institutos federais de educação, ciência e tecnologia até 2014, mais 135 mil vagas em cursos de licenciatura. Desse total, as instituições podem reservar 20% dessas vagas à oferta de licenciaturas em Química, 27 http://portal.mec.gov.br. Acessado em : 24/04/2010. Ao dar nova redação ao Decreto 2.406/1997, trouxe autonomia aos antigos CEFET para “a criação de cursos e ampliação de vagas nos níveis básico, técnico e tecnológico da Educação Profissional, bem como para implantação de cursos de formação de professores para as disciplinas científicas e tecnológicas do Ensino Médio e da Educação Profissional” (BRASIL, MEC, Dec. 3.462/00, Art. 1º). 28 39 Física, Matemática e Biologia. Deverão oferecer, também, conteúdos específicos da educação profissional, atuando na formação de professores de Mecânica, Eletricidade e Informática. Contribuem para a formação de professores os institutos do Rio de Janeiro, Fluminense e do Rio Grande do Norte. Ainda segundo o MEC, “no primeiro, são oferecidas 360 vagas em Matemática, Física e Química nos campi de Nilópolis, Duque de Caxias e Volta Redonda. O Instituto Federal Fluminense oferece 280 vagas em Biologia, Física, Química, Geografia e Matemática” (Fonte: Portal MEC mencionado na nota de rodapé de número 23). Cabe ressaltar também, a qualidade dos cursos da Rede Federal. O curso de Licenciatura em Geografia do Instituto Federal do Rio Grande do Norte foi classificado como o terceiro melhor do país entre as instituições públicas e particulares; e o curso de formação em Física obteve a sexta colocação. “Nosso trabalho na formação de professores é reconhecido pelos exames de qualidade feitos pelo MEC29”, salienta o reitor Belchior Oliveira, (Fonte: Assessoria de Imprensa da SETEC). A partir da pesquisa nos sites do MEC e dos Institutos Federais, antigos CEFET, e também em documentação específica das licenciaturas, levantamos alguns dados sobre a situação da oferta de cursos de licenciaturas nas diversas áreas, incluindo também a técnica. Um desses dados refere-se ao quantitativo de Institutos Federais, com o respectivo número de campi vinculado a cada um e o total de matrículas, seja no ensino presencial ou na EAD, conforme podemos observar na tabela que se segue. Tabela 2 - Quadro dos Institutos Federais e Matrículas das Licenciaturas30 Nº INSTITUTOS Nº Campi 01 02 03 04 05 IF do Acre IF de Alagoas IF do Amapá IF do Amazonas IF da Bahia 03 11 03 10 16 29 Matrícula Licenciaturas presenciais Sem dados Sem dados Sem dados 365 553 Matrícula Licenciaturas em EAD Total de matriculas NTEAD Sem dados Sem dados Sem dados 365 553 Os exames de qualidade: Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES); Exame Nacional de Cursos (ENC); Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM); Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE) podem ser acessados nos sites: http://portal.mec.gov.br/; http://www.inep.gov.br/superior; http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/13276/000642620.pdf?sequence=1 30 Dados pesquisados no site http://redefederal.mec.gov.br/ e outros dados obtidos na Coordenação da Educação Profissional e Tecnológica do MEC. Acesso em agosto de 2010. 40 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 IF Baiano IF de Brasília IF Catarinense IF do Ceará IF Espírito Santo IF de Farroupilha IF Fluminense IF de Goiás IF Goiano IF do Maranhão IF Mato Grosso Sul IF Mato Grosso IF de Minas Gerais IF Norte de Minas Gerais IF do Pará IF da Paraíba IF da Paraná IF de Pernambuco IF do Piauí IF do Rio de Janeiro IF do Rio Grande do Norte IF do Rio Grande do Sul IF Santa Catarina IF de São Paulo IF de Sergipe IF Sertão de Pernambuco IF Sudeste de Minas Gerais IF Sul de Minas Gerais IF Sul-RioGrandense IF de Rondônia IF de Roraima 09 05 06 12 14 177 39 180 1.636 346 07 281 281 06 08 05 18 07 893 618 1.129 1.245 Sem dados 893 618 1.129 1.245 Sem dados X 10 10 265 378 532 378 X 07 402 11 09 07 09 3.096 196 277 132 11 08 1.237 961 11 1004 09 278 278 13 269 269 24 06 05 877 250 405 877 250 405 04 170 170 03 500 500 07 Sem dados Sem dados 05 03 80 420 80 420 586 204 267 177 39 180 2.222 550 X X 402 2.420 148 5.514 196 277 280 X X 1.237 961 211 1.215 X X X 41 37 38 IF de Tocantins IF Triângulo Mineiro 06 04 314 203 TOTAL 322 19.176 4.047 314 203 X 23.223 10 Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, segundo a Lei nº 11.89231 de 29/12/2008, têm que destinar 20% de seu total de vagas para os cursos de licenciatura. Embora a lei seja recente, os atuais institutos já vinham inserindo em sua oferta vagas para cursos de licenciatura, antecipando assim, o que estava proposto no cerne desta lei. Nos dados que se seguem, identificamos que todos os institutos que possuem NTEAD ofertam cursos de licenciaturas, seja na modalidade presencial ou a distância. Observamos na oferta das licenciaturas que ela nem sempre se deu nos campi onde os NTEAD foram instituídos. Esses núcleos não contribuíram como deveriam para a implantação das licenciaturas, uma vez que alguns desses institutos já faziam a sua oferta antes mesmo da criação dos núcleos. Os dados elencados a seguir, identificando a oferta de cursos de licenciaturas nos 10 institutos com NTEAD, foram obtidos por meio de consultas aos sites dessas instituições e, também, no quadro das matrículas das licenciaturas na Rede Federal de Educação Tecnológica32, que apresenta a oferta atualizada, incluindo dados de 2010. Tabela 3 - Oferta de licenciaturas nos Institutos Federais com NTEAD, localizados na Região Norte Instituição Campus Licenciatura Matrícula Matrícula Total de Cursos em Cursos matrículas EAD Presenciais Campus Ciências Biológicas 83 83 Araguatins INSTITUTO Licenciatura em 81 81 Computação FEDERAL 33 *Campu Licenciatura em DE s Palmas Ciências da Natureza 54 54 TOCANTINS Licenciatura em 51 51 31 Institui a Rede Federal de Educação Profissional,Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências. Acessado em maio 2009. http://www.planalto.gov.br/ccivil/ 32 Levantamento das matrículas da Rede Federal de Educação Tecnológica obtido na Coordenação de Regulação da Educação Profissional e Tecnológica do MEC. 33 * O asterisco é a identificação da oferta de licenciaturas nos Campi dos Institutos Federais onde foram instituídos os NTEAD. 42 Campus Paraíso dos Tocantins Campus Porto Nacional Campus Gurupi TOTAL em dos Licenciatura Computação em Licenciatura Artes Cênicas em Letras (Espanhol e Literatura Hispânica) INSTITUTO FEDERAL Física Licenciatura Formação Pedagógica Docentes DE *Campus Boa Vista RORAIMA TOTAL 45 54 314 314 171 171 249 249 420 420 Educação Física No Campus Palmas onde está localizado o NTEAD do IF de Tocantins, a oferta de cursos de licenciaturas teve início em 2010. Assim neste campus, ainda não figura qualquer oferta na modalidade a distância. Cabe registrar que não obtivemos o número de alunos matriculados nos cursos de licenciaturas vinculados à área técnica, na modalidade presencial dos campi Porto Nacional e Gurupi. Tabela 4 - Oferta de licenciaturas nos Institutos Federais com NTEAD, localizados na Região Sudeste Campi Licenciaturas Matrícula Matrícula Total de Instituição Cursos em Cursos matrículas EAD Presenciais Licenciatura *Campus em 98 98 Vitória Matemática INSTITUTO Licenciatura 135 135 em Química FEDERAL Licenciatura Campus Serra em 204 204 DO ESPÍRITO Informática Campus Licenciatura 37 37 SANTO Alegre em Ciências 43 Campus Cachoeiro do Itapemirim Campus Santa Teresa Biológicas Licenciatura em Matemática Licenciatura em Ciências Biológicas TOTAL INSTITUTO FEDERAL FLUMINENSE Licenciatura em Ciências * Campus da Natureza Campos Licenciatura Centro em Matemática Licenciatura em Geografia Campus Cabo Licenciatura Frio em Ciências da Natureza TOTAL 204 38 38 38 38 346 550 299 299 104 104 398 398 92 92 893 893 As licenciaturas do IFF começaram a ser ofertadas anteriormente à criação do NTEAD, no Campus Campos – Centro, estando completando no ano em curso (2010), 10 anos desta modalidade de curso, tendo como primeiro curso a licenciatura em Ciências da Natureza. O Campus Cabo Frio incluiu em sua grade de cursos no ano de 2009, a oferta de uma licenciatura, a saber: Ciências da Natureza. Tabela 5 - Oferta de licenciaturas dos Institutos Federais com NTEAD, localizados na Região Sul. Instituição Campus Licenciatura Matrícula Matrícula Total de Cursos em Cursos matricula EAD Presenciais m São José Ciências da Natureza 88 88 (Química) Instituto Araranguá Ciências da Natureza 95 95 Federal de Santa (Física) Catarina Jaraguá do Ciências da Natureza 86 86 Sul (Física) TOTAL 269 269 44 No IF de Santa Catarina, campus Florianópolis onde foi criado o NTEAD, não há cursos de licenciatura. Nos demais campi, também não há oferta de licenciaturas a distância, só na modalidade presencial. Tabela 6 - Oferta de licenciaturas do Instituto Federal do Ceará - Região Nordeste Instituição INSTITUTO FEDERAL DO CEARÁ Campi Licenciaturas *Campus Fortaleza Matemática Física Artes Visuais Teatro Matrícula Matrícula Cursos em Cursos EAD Presenciais 286 246 216 163 Campus Acaraú Física Matemática UAB Campus Cedro Matemática 107 107 Campus Canindé Educação Física 60 60 Campus Sobral Física 57 57 Campus Juazeiro do Norte Matemática Educação Física 122 146 122 146 Campus Maracanaú Licenciatura em Química 124 124 Campus Quixadá Licenciatura em Química 56 56 Campus Iguatu Licenciatura em Química 53 53 1636 2222 TOTAL Total 286 246 216 163 Sem dados 586 586 45 No Campus Acaraú, a Licenciatura em Física é presencial, mas não indicados os números de matrículas; já a de Matemática é oferecida na modalidade a distância pela UAB34. Tabela 7 - Oferta de licenciaturas dos outros Institutos Federais com NTEAD, localizados na Região Nordeste Instituição Licenciaturas Campi Espanhol Geografia Física Letras-Língua Estrangeira Matemática DO GRANDE RIO 39 39 Física 213 213 Biologia 75 75 Campus Mossoró Matemática 75 75 Campi Apodi e Ipanguaçu Química 150 150 Química 159 159 Campi Caicó, João Câmara e Santa Cruz Campi Currais Novos e Pau dos Ferros INSTITUTO FEDERAL DA TOTAL * Campus Pessoa 211 1004 1215 Química 170 170 26 26 196 196 148 40 92 132 40 92 280 João PARAÍBA Campus Sousa Química INSTITUTO TOTAL Campus Recife Matemática FEDERAL DE Campus Pesqueira PARNAMBUCO TOTAL 34 Total 211 115 85 93 DO Campus Macau NORTE Matrículas Cursos Presenciais 115 85 93 *Campus Natal IF Matrículas Cursos em EAD 211 148 Física Matemática 148 A Universidade Aberta do Brasil (UAB) é um programa do Ministério da Educação (MEC) para levar a graduação e outros cursos de ensino superior a distância a docentes e profissionais de ensino das diversas regiões do país. Decreto nº 5.800 de 08/06/2006. Disponível em: http://www.mec.gov.br. 46 No IF de Pernambuco há oferta de Licenciatura em Matemática na modalidade semipresencial, (entradas em 2007.2 e 2009.1); e Licenciatura em Geografia- 2010.1, modalidade semipresencial. Tabela 8 - Oferta de licenciaturas dos Institutos Federais com NTEAD, localizados na Região Centro-oeste. Instituição Campus Licenciatura Campus Licenciatura Campo Novo Plena em dos Parecis Matemática Licenciatura em Ciências da Natureza Licenciatura em Ciências Agrícolas Licenciatura Campus Cuiabá- Bela em Química Vista Matrícula Matrícula Cursos em Cursos EAD Presenciais 77 Campus Confresa INSTITUTO FEDERAL DE MATO GROSSO Campus Pontes Lacerda Total de matrículas 77 35 35 35 35 267 267 Licenciatura e Plena em Física 37 37 Campus São Licenciatura Vicente em Ciências da Natureza TOTAL 81 81 265 532 267 Não há oferta de licenciatura no campus de Cáceres, onde foi instituído um dos NTEAD. A oferta de licenciatura ocorre em outros campi, na modalidade presencial. No Campus Cuiabá - Bela Vista, a oferta de Licenciatura em Química na modalidade de EAD, acontece desde 2008, pela UAB com quatro pólos: Juara, Pontes e Lacerda, Primavera do Leste e Ribeirão Cascalheira, totalizando 267 matrículas A RENAPI como a atual coordenadora dos projetos, (anteriormente coordenados pelo SIEP), entre eles o EPCT VIRTUAL, onde se insere o projeto dos Núcleos de Tecnologia e Educação a Distância, interrompeu este projeto em 2009. O sistema de pagamento de bolsas aos 47 professores e alunos participantes das atividades destes núcleos foi suspenso sob o argumento da necessidade de ser avaliado, para, posteriormente ser apresentado ao Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Ciência e Tecnologia (CONIF), com vistas a alterações e novas proposições, considerando, especialmente, as contribuições dos núcleos para os diversos cursos dos IF, no tocante à apropriação das TIC e da EAD. Verificamos, também, por meio dos dados coletados (documentos e entrevistas), que os NTEAD inseridos em institutos onde houve a parceira com a Universidade Aberta do Brasil (UAB), se consolidaram e se expandiram para outros campi, e como exemplo, citamos o IFCE. Cabe ressaltar que o olhar desta pesquisadora, na parte do estudo em que buscamos verificar as suas relações com os cursos de licenciaturas, se deteve especificamente sobre o NTEAD do Instituto Federal Fluminense – Campus Centro. 2.3 O NÚCLEO DE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO INSTITUTO FEDERAL FLUMINENSE Com base em alguns relatórios de encontros dos coordenadores dos núcleos, verificamos que os núcleos foram criados com o objetivo de dinamizar a Educação a Distância (EAD) nas instituições da Rede Federal de Educação Tecnológica. Na análise desses registros, observamos que seus grupos de trabalhos desenvolveram propostas vinculadas a questões diversas, como: (a) acessibilidade; (b) direitos autorais; (c) padrões de OA; (d) gestão, manutenção; e (e) difusão do Portal. Como já mencionamos, cada núcleo deveria agregar cinco novas instituições colaboradoras, de modo que o projeto se ampliasse para toda a Rede Federal de Educação Tecnológica, e depois se estendesse aos sistemas educacionais estaduais. Desde o início de sua implantação, esperava-se que os NTEAD disseminassem as TIC, fazendo com que elas perpassassem os currículos dos diversos cursos, principalmente dos dirigidos à formação de professores. Nos encontros anuais de avaliação desta proposta, eram reforçados alguns objetivos dos NTEAD: explorar o potencial das TIC na produção e socialização do conhecimento nos diversos níveis de ensino, e se potencializar nas diversas modalidades: presencial, semipresencial e a distância, como complemento. Derivou-se daí a nossa expectativa de que estes núcleos 48 contribuiriam para a inserção das TIC nas propostas curriculares das licenciaturas, caminhando, também, para implementar a EAD nos cursos de formação de professores nos institutos em que esta modalidade ainda não se fazia presente. Com o objetivo de levantar as contribuições dos núcleos para os cursos de licenciaturas dos institutos, nos detivemos no Instituto Federal Fluminense, uma vez que esta pesquisadora, nele exerce suas atividades profissionais como Técnica em Assuntos Educacionais (TAE). Num primeiro momento, levantamos as matrizes curriculares e projetos político-pedagógicos dos cursos de licenciaturas, visando identificar as disciplinas que abordam as tecnologias de forma pedagógica e, se seu uso contribuiu com a prática pedagógica dos futuros docentes. Isto exigiu, de início, levantar o quadro das licenciaturas, com a indicação das disciplinas que tratam das tecnologias. Quadro 3 - Disciplinas com viés tecnológico nas Licenciaturas do IFF CURSOS Licenciatura Matemática Licenciatura Matemática Licenciatura Biologia Licenciatura Biologia Licenciatura Química Licenciatura Química Licenciatura Física Licenciatura Física Licenciatura Geografia Licenciatura Geografia em PERÍODO I em V em I em V, VI, VII em I em V, VI, VII em I em V em I em V, VI DISCIPLINA Educação, Trabalho e Tecnologia ABORDAGEM Teoria sobre os temas Organiz. e Gestão de Ambientes de Informática educativa, Aprendizagem de Matemática Avaliação de softwares educacionais e atividades em ambientes virtuais de aprendizagem Educação, Trabalho e Tecnologia Teoria sobre os temas Organiz. e Gestão de Ambientes de Abordagem teórica e prática. Aprendizagem de Biologia Educação, Trabalho e Tecnologias Teoria sobre os temas Organiz. e Gestão de Ambientes de Abordagem teórica e prática. Aprendizagem de Química Educação, Trabalho e Tecnologia Teoria sobre os temas Organiz. e Gestão de Ambientes de Abordagem teórica e prática. Aprendizagem Educação, Trabalho e Tecnologia Abordagem teórica. Organiz. e Gestão de Ambientes de Abordagem teórica e prática. Aprendizagem A abordagem teórica e prática das disciplinas relacionadas no quadro apresentado é uma referência às questões de organização e gestão da prática dos laboratórios, nas diversas licenciaturas, não se tratando de Ambientes Virtuais de Aprendizagem. 49 A disciplina ‘Organização e Gestão de Ambientes de Aprendizagem de Matemática’, componente curricular das licenciaturas, tem abordagem diferenciada em relação às diversas licenciaturas do IFF. Na licenciatura em Matemática, a presença das TIC é mais forte; utiliza-se a informática educativa, com uso e avaliação de softwares educacionais e propõem-se atividades em ambientes virtuais de aprendizagem. Por iniciativa de uma professora de Matemática da instituição, foi criado o repositório virtual - SOFTMAT35 fruto de sua dissertação de mestrado, realizado junto à Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), daí a presença da logomarca da universidade. É um repositório de softwares avaliados e direcionados à Matemática do Ensino Médio. O SOFTMAT atualmente integra o portal do projeto de pesquisa36 "TIC no processo de ensino e aprendizagem de Matemática", sob a coordenação de duas professoras do IFF que cursam o doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no formato DINTER37. Este projeto de pesquisa tem como objetivo principal incentivar o uso pedagógico das TIC, tendo em vista a melhoria do processo de ensino e aprendizagem de Matemática no Ensino Médio. Vem sendo desenvolvido no IF Fluminense - Campus Campos - Centro e se propõe a promover atividades que mostrem possibilidades de uso das TIC, por meio de propostas a serem executadas em situações reais de ensino. Segundo a página inicial do projeto, o SOFTMAT “tem promovido ações destinadas à formação de professores e licenciandos em Matemática. Além disso, tem desenvolvido e disponibilizado recursos pedagógicos que possam facilitar a utilização das TIC com fins didáticos”. Na página de apresentação do portal, podemos ter acesso a publicações e trabalhos científicos que têm a participação de algum membro do projeto “TIC no Processo de Ensino e 35 Sites para consulta: http://www.es.iff.edu.br/softmat/matematica.html. http://www.es.iff.edu.br/softmat/matematica.html. http://www.es.iff.edu.br/softmat/projetotic/apresentacao.html http://www.es.iff.edu.br/softmat/projetotic/download/leitu/Enem_2010.pdf 36 Disponível em: http://www.es.iff.edu.br/softmat/projetotic/portal.html. Acesso em: 10 de setembro de 2010. 37 Projeto de Doutorado Interinstitucional que visa permitir a formação de um grupo ou turma especial de alunos de doutorado, por curso de pós-graduação reconhecido pelo MEC e já consolidado, sob condições diferentes daquelas previstas na proposta avaliada pela CAPES. Essas "condições especiais" se referem ao fato de parte das atividades de ensino e pesquisa do curso serem desenvolvidas no campus de outra instituição que não aquela a que ele se vincula. Esse tipo de iniciativa permite a utilização da competência de programas de pós-graduação já consolidados para, com base em formas bem estruturadas de parceria ou cooperação interinstitucional, viabilizar a formação de doutores ou de mestres fora dos grandes centros educacionais. Disponível em: http://www.capes.gov.br/avaliacao/projetos-dinter-e-minter. Acesso em: 13 de outubro de 2010. 50 Aprendizagem de Matemática”, assim como, monografias orientadas pelas pesquisadoras do referido projeto. Também na licenciatura em Geografia, alguns de seus professores utilizam as TIC em suas aulas: pesquisa em sites, software de apresentação, e-mail para comunicação e proposição de atividades para os alunos. Para melhor compreender o NTEAD no âmbito do IF Fluminense se torna necessária uma breve retrospectiva sobre o percurso das TIC e da EAD neste contexto. As primeiras inserções no campo da Educação a Distância se iniciaram através de um projeto denominado ‘Proposta de Dependência e Acompanhamento ao Ensino Presencial no Curso Superior no estudo de Cálculo Diferencial e Integral’, utilizando, em um primeiro momento, o ambiente e-Proinfo, fazendo, em seguida, a opção pelo ambiente colaborativo de aprendizagem Moodle. Em outros momentos (2º semestre/2006, 2007 e 1º semestre/2008), ampliou-se esta proposta para todos os cursos Superiores de Tecnologia e Licenciaturas, cujas grades curriculares continham as disciplinas: Matemática Básica e Cálculo Diferencial e Integral, que eram ofertadas como dependência e reforço a distância, com apoio da plataforma Moodle, totalizando cinco possibilidades. O NTEAD em maio/2008 coordenou a oferta do curso para professores do IFF, ‘Aprender fazendo: o sistema Moodle como instrumento de aperfeiçoamento profissional permanente’, com carga de 40 horas na modalidade semipresencial. Foram disponibilizadas 30 vagas que não chegaram a ser preenchidas, pois a demanda naquele momento foi inferior à oferta. Mais adiante, ocorreu um Curso de Capacitação para servidores técnico-administrativos, proposto por duas Técnicas em Assuntos Educacionais do IFF com atividades no NTEAD, concretizado pela Gerência de Recursos Humanos. Outro curso foi o de ‘Inclusão Digital e Português Prático’, na modalidade a distância, com apoio da plataforma Moodle, e coordenado pelo Prof. Giovanne Farias38, representante do Moodle no Brasil, que proferiu a aula inaugural do curso, no IFF para 130 servidores. O curso abordou princípios básicos da Língua Portuguesa com destaque para a Nova Ortografia e 38 É graduado e mestre em Engenharia Elétrica, MBA e especialista em Gestão da Educação a Distância. Através de sua empresa, a GFARIAS.COM, fornece serviços de consultoria, treinamento, geração de conteúdo e soluções tecnológicas aplicadas na implantação de operações de EAD em empresas e instituições de ensino, no Brasil e exterior. 51 conhecimentos de Informática e suas interfaces, totalizando 150 hora/aula, para atender ao corpo técnico-administrativo da instituição em sua formação profissional e pessoal. Em 2008, elaboramos um projeto de extensão para professores da rede pública estadual, denominado Projeto Pró-docente (PRODOC), com a finalidade de desenvolver um programa de capacitação para docentes da rede estadual de ensino. A nossa proposta teve origem no projeto de inclusão digital do governo estadual, a partir da distribuição de um laptop para cada professor da rede. O que nos estimulou a propor à Coordenadoria Regional de Ensino uma parceria para implementar tal projeto, através do NTEAD do então CEFET CAMPOS, foram informações obtidas de que os professores ainda não haviam incorporado a tecnologia disponível a sua prática docente. Tomamos conhecimento também de que o professor não utilizava o recurso por não dominar as possibilidades pedagógicas da tecnologia. Segundo pesquisa realizada pela UNESCO39, a maioria dos professores brasileiros não navega na internet (58,4%) nem usa correio eletrônico (59,6%). Muitos professores ainda não assimilaram as mudanças oriundas da cibercultura e figuram no mapa da exclusão digital. Alguns não possuem computadores; outros dispõem de computadores e conexão precários em suas residências. Em suas escolas e universidades o quadro se repete, pois nem sempre os professores contam com salas informatizadas para pesquisar, preparar suas aulas ou mesmo para atuar online com seus alunos, e para sua formação continuada. Conclui-se que, ainda que tenham acesso ao computador ligado à rede, professores e alunos podem permanecer excluídos digitais, uma vez que a inclusão digital requer mais do que ter acesso ao computador. Entendemos que o computador sozinho nada acrescenta à aprendizagem dos alunos. Os professores precisam, além do domínio da tecnologia, construir novos conhecimentos, integrar conteúdos diversificados e reconstruir um referencial pedagógico para concretizar propostas educacionais inovadoras. Reafirmando a importância do enfoque pedagógico das TIC no processo de formação dos novos docentes, ainda em 2008, a Coordenadora de Prática Profissional do IFF propôs para o último período das licenciaturas, um espaço online de discussão de temas pertinentes à docência. Segundo a coordenadora esta idéia começou a ser gestada a partir de um melhor conhecimento da 39 O texto com os resultados da pesquisa encontra-se disponível no site: http://www2.uol.com.br/aprendiz/guiadeempregos/educadores/noticias/ge020804.htm#1 Acessado em junho/2009. 52 proposta do NTEAD, sendo concretizada após sua participação em um curso de capacitação promovido pelo núcleo, sobre o Ambiente Virtual de Aprendizagem Moodle e suas interfaces. Este projeto, intitulado ‘Prática Profissional em Debate’, teve início no segundo de 2008, sem obrigatoriedade de freqüência, tendo havido uma participação próxima a da totalidade dos alunos. A partir do 2º semestre de 2009, ele passou a ter caráter obrigatório para os alunos do oitavo período das licenciaturas; hoje é bem avaliado (depoimento dos participantes) que o situam como um diferencial na formação docente. Mesmo com suas atividades prejudicadas pela interrupção das bolsas, outros projetos do NTEAD estão sendo postos em prática, (2º semestre de 2010). Entre estes cabe citar: (a) curso ‘Alunos em conflito: os transtornos de aprendizagem em discussão’ tendo como público alvo, alunos do último período das licenciaturas, com a oferta de duas turmas de 20 alunos cada. Seu objetivo é prepará-los para as dificuldades de toda ordem que podem encontrar em sala de aula, de forma a reconhecer os sintomas de uma irregularidade na aprendizagem, encaminhar os alunos neste perfil para o profissional da área pedagógica da escola (se houver) e deste para o profissional qualificado para o tratamento; (b) projeto ‘capacitação de tutores na plataforma Moodle’, oferecido aos profissionais envolvidos na formação do curso Técnico em Segurança do Trabalho na modalidade a distância, com início em 2011, numa parceria com a Prefeitura Municipal de São João da Barra, tendo por finalidade preparar docentes para o uso pedagógico de um ambiente de aprendizagem virtual, especialmente o Moodle. Este curso foi aberto também, via edital, para os servidores do IFF interessados neste tipo de capacitação, com a carga horária de 120h, estando atualmente matriculados no curso 40 servidores. O desenvolvimento dessas duas proposições a distância tem transcorrido sem grandes dificuldades, considerando que se trata de uma primeira experiência. Com o objetivo de compreender melhor a implantação do NTEAD no Instituto Federal Fluminense, tendo em vista a ampliação do uso das TIC em sala de aula e da Educação a Distância, realizamos (2008), um pouco antes de iniciarmos a presente pesquisa, uma sondagem40 com professores e alunos para obter dados básicos sobre a relação desses dois atores com as TIC. A sondagem levou em consideração que o IFF é uma instituição tecnológica, cujo quadro de 40 Foi realizada por esta pesquisadora e uma colega de trabalho, também TAE do IFF, Maria Lúcia Moreira Gomes, exercendo àquela época suas atividades profissionais no NTEAD do Instituto Federal Fluminense, com a colaboração da aluna-bolsista Príscila de Abreu Rangel. 53 professores recebe incentivo constante para sua capacitação. Os alunos têm a sua disposição salas equipadas com microcomputadores conectados em rede, através dos quais eles pesquisam, conversam online, digitam seus trabalhos, sendo que este espaço ainda conta com um professor de informática que acompanha todas as conexões através de um computador. Cabe ressaltar que a aplicação desta sondagem teve caráter de diagnóstico no que diz respeito ao uso de novas tecnologias e não deve ser traduzido como instrumento de crítica ao trabalho docente. Os questionários da sondagem continham questões que buscavam: (a) a identificação pessoal e profissional de cada sujeito; (b) saber qual era o uso das tecnologias na vida pessoal e profissional; (c) conhecer a percepção desses sujeitos em relação ao uso das tecnologias (na vida pessoal e na educação); e (d) compreender o posicionamento de cada um quanto à implantação da educação a distância no IFF. Percebemos, por meio das diversas questões respondidas por 109 professores e 329 alunos, que o interesse pelos temas abordados foi significativo. A maior parte dos professores que respondeu ao questionário era dos cursos de tecnologia, fato que aponta maior identificação destes com esta área. Cabe registrar que o questionário foi enviado eletronicamente para os professores e, depois de respondido, reenviado às pesquisadoras da mesma forma. A seguir são apresentados os principais resultados desta sondagem, relacionados a cada segmento considerado: docentes e alunos. Dados dos docentes. Um contingente de 109 docentes respondeu ao instrumento, representando 30% do total de 366 professores em atividade na instituição. Neste percentual, se incluíam representantes dos campi: Campos Centro, Guarus e Macaé. A maioria tinha entre 21 e 44 anos; muitos eram pósgraduados: mestres (40), doutores (16) e pós-doutores (2). Do total de respondentes, 56 eram do sexo feminino e 53 do masculino. Dos respondentes (109), apenas um não utilizava diariamente o computador/internet, como também não acessava a internet. Entre os demais (108), a finalidade básica de acesso era a comunicação por e-mail (108) e a pesquisa (102). Um número significativo (85) afirmou se valer da rede para buscar atualidades (atualizar-se nos mais variados assuntos). Poucos (35) utilizavam a internet para realizar cursos online (32 % dos participantes da pesquisa). 54 Verificamos que a grande parte dos professores (89 ou 81,6 %) tem acesso à internet em sua casa; outros, em número bem inferior (13), acessam-na no ambiente de trabalho. Foi interessante notar que dois professores se valem de lan house. No que tange à Educação a Distância, detectamos que 47 professores participaram ou participavam de cursos a distância e o restante (62) ainda não tinha tido esta experiência. Quanto à plataforma Moodle, 46% conheciam ou já tinham ouvido falar, mas a maioria (54%) a desconhecia totalmente. Ficou explícito que 87 professores (80%) teriam muito interesse em se atualizar na modalidade a distância na sua área de atuação, número que consideramos expressivo. Ainda procurando observar a disposição desses professores para atuar na EAD, perguntamos sobre a possibilidade de eles ministrarem sua disciplina de forma semipresencial, isto é, com 20% na modalidade a distância. Os resultados indicaram que 57 professores gostariam de ter esta experiência e 54 precisariam de capacitação. Apenas 6% rejeitaram esta possibilidade. Quanto à presença do professor como elemento indispensável na aprendizagem do aluno, encontramos 65% afirmando que isto não é essencial para que o aluno aprenda; já outro grupo, totalizando 33%, disse que a presença do professor é fundamental. Dados dos alunos. Entendemos que não bastava ouvir apenas o professor; era preciso escutar os alunos, buscando conhecer sua percepção sobre o Instituto como um todo, desde sua satisfação e integração com a Escola até seu olhar sobre a atuação dos professores nas salas de aula. Participaram então, 169 alunos e 160 alunas41, totalizando 329 sujeitos do campus Campos - Centro do IFF, respondendo ao questionário em sala de aula, com a colaboração de alunos bolsistas do NTEAD. Grande parte dos alunos (306) estava na faixa etária de 17 a 30 anos, e a maioria (192 alunos) matriculada nos cursos noturnos. Cabe dizer que 122 respondentes (37%) eram alunos das diversas licenciaturas e o restante de outros cursos do 3º grau, com exceção de 30 que estavam vinculados a cursos técnicos de Desenvolvimento de Software e Telecomunicações. Quanto à questão que indagava aos alunos sobre o uso (ou não) das tecnologias pelos professores, por suas respostas, podemos afirmar que estes, na sua maioria, estão atualizados, 41 Consideramos interessante o equilíbrio entre os dois gêneros, tendo em vista tratar-se de uma instituição de Educação Tecnológica, com predominância, até então, do gênero masculino. 55 utilizam as TIC e os recursos online em suas aulas (77%), sendo que 16% ministram aulas tradicionais e o restante apresenta aulas interessantes e atualizadas, mas sem recursos tecnológicos. Um número significativo de alunos (290) considerou seus professores competentes, atualizados nos conteúdos ministrados, e também, na forma de apresentá-los. Um total de 36 alunos registrou que os professores utilizam sempre o mesmo material didático ao longo de vários anos. Sobre o acesso e uso de recursos da tecnologia da informação e comunicação, 320 alunos responderam que fazem uso do computador em seu dia-a-dia e também acessam a Internet (306). Apontaram, as ‘pesquisa em vários assuntos’ e ‘comunicações por e-mail’ como as mais fortes finalidades dos seus acessos. Outro dado relevante levantado foi o número expressivo de alunos que acessam o computador em casa, seguido do acesso ao computador no IFF, e em número menor, o acesso no trabalho. É importante registrar o número de alunos que acessam a rede mundial de computadores diariamente (241), sendo que apenas cinco acessam raramente. Um dos itens abordados na sondagem tratava da presença física do professor como necessária para haver aprendizagem. No entendimento de um número expressivo de alunos (217) a presença física do professor é essencial para que a aprendizagem aconteça. Para o restante dos alunos (111) a presença física do professor não é fundamental para aprendizagem. É bastante significativo o quantitativo de alunos (277) que ainda não tinha feito curso a distância, embora a oferta de cursos no país, nesta modalidade de educação, já tenha aumentado. Quanto à possibilidade de implantação da EAD no IFF, 38% acharam a proposta muito interessante; 34% gostariam de saber como funciona; já 77 alunos não acreditavam em educação sem a presença física do professor; encontramos 217 alunos apontando a presença do professor como necessária para haver aprendizagem. Com base esta sondagem, percebemos que existia uma predisposição e um uso maciço, por parte de docentes e discentes, das tecnologias da informação e comunicação, o que sugeria boas possibilidades para a implantação de ações voltadas para a educação a distância nos vários campi do Instituto Federal Fluminense. 56 A EAD, não parece ser temida nem evitada pelos docentes e alunos, ao contrário, configura-se como algo esperado. Ficou evidente que grande parte dos professores necessita de capacitação para atuar nesta modalidade de educação. Os resultados desse levantamento nos estimularam a elaborar a pesquisa para o Mestrado em Educação. 57 3. 3. A DOCÊNCIA E SUA FORMAÇÃO NO CONTEXTO DA CIBERCULTURA É importante compreender que os desafios da EAD caminham com os desafios do sistema educacional em sua totalidade. Assim, uma análise de problemas na área da EAD implica em saber que educação se pretende realizar, por quem será desenvolvida e a quem se destina. No presente capítulo, discutimos o uso das tecnologias e as abordagens mais adequadas para acelerar o processo de inclusão digital. Partimos do pressuposto de que a análise de um problema na área da educação, em uma perspectiva acadêmica, está intimamente relacionada ao que se encontra na literatura que oferece suporte à compreensão de questões educacionais, tendo em vista que nossa problemática e questões de estudo se inseriram em dois eixos teóricos, organizamos as seções que se seguem, tendo como suporte autores que tratam de conceitos-chave vinculados a cada eixo. No primeiro eixo teórico, situamos as implicações da cibercultura na educação brasileira, buscando um olhar mais específico sobre as práticas pedagógicas decorrentes desta nova modalidade: a educação online. Discutimos, também, a significativa expansão em nosso país das licenciaturas na modalidade a distância, considerando o que a pesquisa educacional já encontrou sobre os impactos da formação docente via EAD. Este levantamento teórico nos interessou particularmente, tendo em vista que os NTEAD das Instituições Federais de Educação Tecnológica foram criados para impulsionar a EAD nessas instituições. A inserção das tecnologias digitais na escola exige do professor novas concepções didáticas e outras posturas pedagógicas, especialmente saber explorar as redes de comunicação interativa e a aprendizagem colaborativa. Ser docente na cultura do ciberespaço – na cibercultura - é estar conscientizado da necessidade de (re) construção de um novo estilo de ensino, capaz de provocar outras formas de aprendizagem. Isto porque, no novo modelo comunicacional, “comunicar não é simplesmente transmitir, mas disponibilizar múltiplas disposições à intervenção do interlocutor”, que participa pela interação e pela possibilidade de intervenção na mensagem (SILVA, 2006, p.69). O segundo eixo aborda a formação de professores e a apropriação das TIC e da EAD no campo educacional, partindo do pressuposto de que as tecnologias não deve ser mais motivo de contestação ou rejeição por parte de educadores e alunos. Entendemos que a ênfase atual está em 58 procurar, cada vez mais, descortinar novas possibilidades para a educação com o uso destas tecnologias, o que demanda atenção e investigação crescentes por parte de pesquisadores e estudiosos. Dentro da variedade do campo educacional, o uso das TIC tem promovido mudanças tanto no modo de fazer, incidindo diretamente nas metodologias de ensino, como na própria concepção do fazer pedagógico, implicando em novas perspectivas. Neste eixo, assumimos a defesa da apropriação crítica das tecnologias pelos professores, com vistas a qualificar sua prática. Moran (2007b, p.13) aponta que “as tecnologias que num primeiro momento são utilizadas de forma separada – computador, celular, Internet, mp3, câmera digital – caminham na direção da convergência, da integração, dos equipamentos multifuncionais que agregam valor”. Podemos observar que o computador continua sendo uma tecnologia muito utilizada, mas agregando a ele valores, como a possibilidade de estar conectado à internet, à câmera digital, ao celular, ao mp3, principalmente nos computadores de mão, a sua utilização é cada vez mais impulsionada. Atualmente, o telefone celular é a tecnologia que mais agrega valor; com o wireless (acesso sem fio) rapidamente é feita a conexão à Internet, a fotos digitais, aos programas de comunicação (voz, TV), aos entretenimentos (jogos, música-mp3) e outros serviços. Este cenário indica que as tecnologias digitais, com seu potencial de desenvolvimento, concorrem para mudanças significativas em todos os campos, aí se incluindo o educacional. O modelo educacional que privilegia espaços e tempos determinados: salas de aula, escola, calendário escolar, grade curricular, pode estar com os seus dias contados. Entendemos que o computador é uma tecnologia importante, mas por si só pouco realiza; sua contribuição para a educação perpassa o uso adequado pelo professor, definido pela qualidade da interação com a tecnologia. Utilizar o computador em atividades extraclasse não atende ao que consideramos como informática na educação; somente a partir da concreta inserção deste recurso em atividades pedagógicas, e quando da necessária formação dos professores por meio de disciplinas capazes de desenvolver propostas pedagógicas que utilizem o computador. A ‘Informática na Educação’ de que estamos tratando, situa o professor da disciplina curricular com conhecimento sobre os potenciais educacionais do computador, sendo capaz de “alternar adequadamente atividades 59 tradicionais de ensino-aprendizagem e atividades que usam o computador” (VALENTE, 1999, p.12). Desde o início dos anos 80, algumas iniciativas sobre o uso da informática na educação já se faziam presentes no Brasil. Podemos considerar como marcos dessa implantação: o primeiro e o segundo - Seminário Nacional de Informática em Educação, respectivamente, realizados na Universidade de Brasília, em 1981, e na Universidade Federal da Bahia, em 1982. Na verdade, a introdução da informática na educação, e conseqüentemente a necessária interação professor - tecnologia exige uma formação bastante ampla e profunda do professor. Seguimos o entendimento de Valente (1999, p. 22): não se trata de criar condições para o professor dominar o computador ou o software, mas sim auxiliá-lo a desenvolver conhecimento sobre o próprio conteúdo e sobre como o computador pode ser integrado no desenvolvimento desse conteúdo. Mais uma vez, a questão da formação do professor mostra-se de fundamental importância no processo de introdução da informática na educação, exigindo soluções inovadoras e novas abordagens que fundamentem os cursos de formação. Concordamos com o autor acima, considerando que as políticas públicas de formação de professores precisam ser redefinidas, com vistas a atender à qualificação dos professores para o magistério diante do novo contexto. A definição dessas políticas pressupõe o rompimento com os modelos habituais de formação, centrados na reprodução/transmissão de conhecimentos e que, pela tradição pedagógica, cabe as Secretarias de Educação ou ao Ensino Superior (FIORENTINI et al, 1999). Surgiram investimentos por parte do governo para dar condições técnicas às escolas e também aos professores para atuar na EAD. O foco foi a educação superior para atender a demanda de formação de professores. A área de abrangência da EAD começava no ensino médio, passava pelo ensino técnico e em toda a educação superior. O Decreto nº 4.494/1998 que trata da educação a distância e a formação de professores estendeu a modalidade de ensino a distância, também para o nível fundamental, mas atendendo somente a formação de jovens e adultos. Este decreto também regulamenta a oferta de educação a Distância pela rede privada. Assim sendo, a EAD atinge uma grande oferta de cursos em EAD, alcançando um contingente expressivo de alunos nesta modalidade. “São bem conhecidos os argumentos dos que defendem a expansão ilimitada da educação a distância e, há que se reconhecer, alguns são bem convincentes” (GIOLO, 2008, p. 1227). 60 Entretanto, este autor defende para os cursos de formação de professores a modalidade presencial, pois a “formação de professores, o ambiente escolar se caracterizam fundamentalmente por possibilitar relações intersubjetivas” (idem, p. 1228). Para ele, a formação do professor pressupõe que fatores inibidores sejam superados pelos futuros professores e também caminha junto com a formação de pessoa autônoma, para atuar no exercício profissional e nas relações com seus alunos. Será possível trabalhar estas questões a distância, sem a presença física dos envolvidos? Há um acentuado crescimento da EAD no país para atender a formação de professores. Com isso, o local de formação passa a ser outro, como escolas virtuais, pólos para momentos presenciais como já podemos ver ou experimentar nos cursos de formação de professores da UAB. Ainda segundo Giolo (2008, p.1229), “o Brasil poderá, no curto prazo, ver espaços universitários (os destinados às licenciaturas, por exemplo) sendo substituídos por pólos de EaD, nos quais a movimentação de pessoas é pequena e o da cultura elaborada menor ainda”. Faz-se necessária uma avaliação dos cursos já existentes. Abordando a temática educação e tecnologia, Papert (1994, p.55) faz a seguinte assertiva: "o que é necessário é reconhecer que a grande questão da educação no futuro da educação é se a tecnologia favorecerá ou subverterá a tecnicidade do que se tornou modelo teórico e, numa grande extensão a realidade da escola”. Isto significa que as questões pertinentes à educação não poderão ser propostas ou resolvidas a partir da aquisição de computadores ou com a inclusão de novas disciplinas no currículo, o que se traduz em forma aparente de modernizar a educação e o trabalho docente. Devemos ter a clareza de que a inserção do computador e de outras tecnologias na atividade docente deve acontecer somente quando o professor atuar como mediador do processo educativo, o que implica em modificar sua ação pedagógica. Esta perspectiva se dará a partir da reflexão acerca da prática pedagógica, com a compreensão de princípios da abordagem construcionista e, fundamentalmente, com a percepção da necessidade de mudar. 3.1. CIBERCULTURA E DEMANDAS DA DOCÊNCIA Estejamos ou não conectados à internet, vivemos a sociedade em rede (CASTELLS, 1999). Nela, as redes interativas e as comunidades virtuais constituem objetos importantes de estudo e pesquisa. A chamada inclusão digital é perpassada por esforços variados, tais como o 61 movimento do software livre e as discussões em torno dos direitos autorais e da propriedade privada dos conhecimentos produzidos socialmente. Não há mais dúvida que as tecnologias estão presentes em todos os setores da vida humana, e na educação não é diferente. As TIC se fazem presentes, independente da vontade do professor, porque o aluno já se familiarizou com elas, principalmente com o computador. Utilizar o computador e a internet na educação não é apenas fator de modernidade, é uma questão de que envolve a formação do professor e, conseqüentemente uma reflexão na e sobre a prática pedagógica do professor (PRADO, 1999). A grande maioria de nossos alunos qualificados de ‘nativos digitais’42 convive facilmente com o pensamento fugaz, rápido, com as múltiplas informações e a capacidade de filtrá-las. São capazes de pensar diante de tantos links, de (re) significar muitas imagens e discursos, de ouvir música e se apropriar do conhecimento, falar ao telefone celular, manter um diálogo virtual e manipular, ao mesmo tempo, duas ou mais janelas abertas no computador. Atualmente, está chegando à universidade a primeira geração de nativos digitais, isto é, os nascidos imersos na cibercultura, com hábitos e estilos bem diferentes da geração anterior. Esses nativos digitais nasceram em um mundo digital e estão sintonizados com ele; navegam pela internet com muita facilidade, usam as redes sociais e compartilham informações em comunidades virtuais. Apesar deste cenário, ainda é comum encontrarmos muitos professores que se sentem pouco à vontade no ambiente digital online onde os alunos atuam como co-autores da comunicação e da aprendizagem. Estes professores são ‘imigrantes digitais’, isto é, estão imigrando da cultura dos meios de massa (rádio, impressos e TV) para a web, e vêem a tecnologia como um grande desafio, precisando se adaptar à nova realidade (PRENSKY, 2001). No quadro comparativo, apresentado a seguir, percebemos a diferença entre os dois atores envolvidos no processo ensinar- aprender: os novos alunos e os professores, sendo que estes, embora não tendo nascidos no mundo digital e nem recebido formação que inclua competência em tecnologias, procuram se adaptar ao contexto mais atual: os novos alunos, o mundo digital e suas tecnologias. 42 Marc Prensky, famoso pedagogo canadiano, escreveu o interessante artigo “Ouçam os Nativos”, onde introduz os conceitos de nativos digitais e de imigrantes digitais. Para este autor, os nativos digitais se criaram com a TV ligada, controle remoto, celular e computador na mão. Site http://www.marcprensky.co m/writing/ 62 Quadro 4 - Diferenças entre um estudante nativo digital e um professor imigrante digital Fonte: http://blogdaformacao.wordpress.com/2006/11/09/imigrantes-digitais/ Seguindo esta linha, atualmente, há professores de diversas disciplinas que procuram utilizar a tecnologia em suas aulas. Nas aulas de língua Portuguesa é possível conjugar o ensino de novos gêneros, como blogs e fotoblogs43, à produção de textos, atividade plenamente aceita pelos alunos. 43 São páginas da internet atualizadas diariamente por pessoas ou grupos. Mantém diversidade de formas e gêneros e podem conter textos, imagens, áudios e vídeos. Montar blogs e flogs é um fenômeno do século 21 na rede. Desde 1994, quando seu formato foi descoberto pelo jovem Justin Hall se popularizou e graças às ferramentas e um pouco de conhecimento técnico (íntens que são imprescindíveis para as publicações). Blogs é uma abreviação de weblogs e são usados pelas pessoas como uma espécie de diário on-line. Inclusive a própria tradução do seu nome completo – WebLog – é diário da web. O proprietário do blog (ou proprietários, em blogs comunitários) usa essa ferramenta para a publicação de histórias, novidades, assunto diversifcados, idéias e imagens. A vantagem dessa forma de comunicação é a sua facilidade de uso, sendo possível criar um blog com pouco conhecimento de programação ou até nenhum. O crescimento da quantidade de blogs na web (Segundo dados do indexador de blogs o Technorati o número de blogs ativos no mundo já passa de 70 milhões) criou um ambiente onde se pode encontrar de tudo, desde blogs de jornalistas e escritores até blogs de professores de informática, astronautas. 63 Em entrevista a revista de educação44, a professora de Matemática, Flaviana Meneguelli, diz que também faz uso das tecnologias em suas aulas, valendo-se de planilhas eletrônicas no trabalho com operações. “Os alunos fazem cálculos nas planilhas e depois criam gráficos que melhor representam os resultados obtidos” (p. 49). Acrescenta ainda que com a democratização do uso da internet, o crescimento do número de lan house, o barateamento dos computadores e mesmo a implantação de programas de governo destinados à informatização das escolas, não há porque trabalhar usando somente o quadro e o giz. Cabe a nós entender como se dá esse processo e nos atualizar de forma a desafiar os estudantes (idem). Para compreender melhor o significado da cibercultura, nos valemos de Pierre Lévy (1999, p. 17), filósofo francês, otimista com as transformações tecnológicas que defende o surgimento de um novo espaço sociológico onde se construirá uma nova cultura e a verdadeira democracia. Ele afirma que a cibercultura é o “conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores, que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço" Segundo este mesmo autor, Ciberespaço é o “novo meio de comunicação que surge com a interconexão mundial de computadores"; é "o principal canal de comunicação e suporte de memória da humanidade a partir do início do século 21"; “espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores”; “novo espaço de comunicação, de sociabilidade, de organização e de transação, mas também o novo mercado da informação e do conhecimento” que “tende a tornar-se a principal infra-estrutura de produção, transação e gerenciamento econômicos” (idem, p. 32, 92 e 167). A cibercultura é a cultura contemporânea emergente das relações de troca entre a sociedade e que se utiliza do ciberespaço para a circulação das informações em suas diversas Fotoblogs: Derivado do blog, o fotoblog (fotolog ou flog) é também uma ferramenta muito importante para a divulgação de idéias. Nesse caso, no formato de fotografias. Dentro de um fotoblog, é possível postar fotos todos os dias e contar com um sistema de comentários para saber a opinião dos seus visitantes sobre aquela imagem. Aliás, em muitos casos, é essa opinião que motiva os autores a criar imagens cada vez mais interessantes, tornando assim o fotoblog uma enorme forma de interação interpessoal. De maneira semelhante ao blog, o fotoblog também permite o cadastro de diversos fotoblogs “amigos”, formando uma comunidade e fazendo o internauta pular de um fotoblog para o outro e criando assim uma rede de rápida expansão. Algumas empresas estão criando fotoblogs e blogs para a divulgação de produtos, isso mostra que é hora de levar mais a sério esse fenômeno que há muito tempo deixou de ser uma mania de adolescentes. http://vomicae.net/wordpress/o-que-sao-blogs-e-fotologs-saiba-a-diferenca/ cessado em outubro/2010. 44 Entrevista concedida à Revista Nova Escola, outubro/2010. 64 possibilidades. A utilização de cartões de crédito, o uso de tecnologias de comunicação, como o celular, já insere a sociedade contemporânea no novo contexto cultural: a cibercultura. O cotidiano das pessoas recebe o impacto da cultura do ciberespaço quando passa a incorporar uma série de aparatos tecnológicos que são necessários para uma vida em sociedade. Quanto mais as pessoas passam a se comunicar, a interagir com os outros através da tecnologia digital, conectadas em rede, cada vez mais seu cotidiano vai para um espaço coletivo, de mediações e trocas. Passa a existir pouca diferença entre emissor e receptor, uma vez que eles se complementariam através de conhecimentos e experiências compartilhados. Com o processo de mundialização45, as novas tecnologias demandam a presença da interatividade46, impõem atualização e busca de novidades constantes, para que não fiquemos à margem dessa nova sociedade que coloca a informação como condição máxima de sobrevivência. Pode-se observar, ainda, que a presença da automação em grande parte da vida produtiva, aliada à concorrência oriunda da globalização, faz surgir um novo perfil de cidadão: “aquele que seja capaz não apenas de repetir gestos, mas que saiba criar, improvisar, raciocinar, buscar condutas autônomas de aprendizagem nos espaços virtuais” (GOMES, 2007, p.22). Tendo os conceitos de cibercultura e ciberespaço como pontos de reflexão, passamos a visualizar a EAD sob uma nova ótica, considerando o que nos diz Lévy (1999, p.158): a EAD explora certas técnicas de ensino a distância, incluindo as hipermídias, as redes de comunicação interativas e todas as tecnologias intelectuais da cibercultura. Mas o essencial se encontra em um novo estilo de pedagogia, que favorece ao mesmo tempo as aprendizagens personalizadas e a aprendizagem coletiva em rede. Neste contexto, o professor é incentivado a tornar-se um animador da inteligência coletiva de seus grupos de alunos em vez de um fornecedor direto de conhecimentos. Podemos, então, concluir que o ciberespaço e os ambientes que fazem parte dele, concorrem para alterar a relação até então existente entre professor/aluno, ao possibilitarem a cocriação e o compartilhamento. Neste compartilhamento, sobressai o professor construtivista: 45 Processo histórico, com incidência política, econômica, cultural, tecnológica, acelerado na segunda metade do século XX, que representa a consciência da globalização das diversas economias mundiais. 46 Definição encontrada em ‘ O Dicionário Houaiss da língua portuguesa: capacidade de um sistema de comunicação ou equipamento de possibilitar interação. A discussão sobre a interatividade nos faz ver que a questão educacional não passa mais por estarmos juntos ou separados fisicamente, até porque os limites entre essas duas situações ficam cada vez mais tênues com as novas tecnologias. 65 “aquele que cuida da aprendizagem suscitando a expressão e a confrontação dos estudantes a respeito de conteúdos de aprendizagem” (SILVA, 2003a, p. 263). A sociedade do conhecimento traz consigo a concepção de que informação é diferente de conhecimento e este entendimento provoca uma constante mudança nos paradigmas educacionais. Surgem novas formas de aprender, de ensinar e de gerenciar o conhecimento. Neste contexto, a EAD deve ser planejada para atender a cada realidade local, isto é, atingir efetivamente as necessidades da clientela para quem está sendo proposta. As ações devem ser pensadas para que alunos e professores sejam protagonistas e sujeitos ativos, aptos a apropriarem-se das tecnologias educacionais como mediadoras do seu próprio processo de aprendizagem e conhecimento. A escola que não mediar o aprendizado para esta nova sociedade, poderá não ser mais compreendida e aceita pelos novos alunos. Segundo Silva (2003b, p. 53), a primeira preocupação ao se propor um curso na atualidade é conhecer o paradigma da cibercultura. Para este autor, a cibercultura “é a atualidade sociotécnica informacional e comunicacional definida pela codificação digital (bits), isto é, pela digitalização, que garante o caráter plástico, hipertextual, interativo e tratável em tempo real de mensagem”. Apesar da acelerada expansão das tecnologias digitais em quase todos os setores da vida social, é facilmente perceptível que parte significativa dos professores, mesmo estando inseridos em uma sociedade permeada pelas TIC e por suas respectivas linguagens e códigos, continua à margem, ignorando suas potencialidades na área educacional, seja em relação à aprendizagem de seus alunos ou à própria dinâmica audiovisual da sociedade da informação (CASTELLS, 2000). Em nosso contato com alunos, observamos que muitos deles têm se inserindo com muita facilidade no mundo das tecnologias. Isto deve ser considerado e analisado pelos professores para que possa resultar num diálogo com as tradições e proposições já vividas. É importante construir interfaces que permitam a professores e pais contribuir no processo educativo dos alunos e filhos, tentando apreender o que há de mais positivo na relação dos jovens com a tecnologia. Devemos ter a tranqüilidade e a compreensão necessárias para perceber que vivemos um novo tempo, tempo de mudanças significativas no cotidiano das pessoas. É imprescindível, então, questionar qual é o propósito pedagógico do professor para utilizar determinada tecnologia em detrimento de outras, e também como desenvolve uma cultura digital. O professor precisa dialogar com o contexto da cibercultura, incluindo-se digitalmente e 66 usando de modo adequado as tecnologias digitais, levando o aluno/aprendiz, por meio da formulação de problemas, ao processo colaborativo e dialógico, que impulsiona a aprendizagem significativa, isto é, a interação entre o novo conhecimento e o já existente, na qual ambos se modificam. Cabe também, incluir-se em uma nova modalidade de educação, a online, que possibilite ao discente um aprendizado significativo e autônomo, sem desconsiderar as suas lutas por políticas públicas democráticas que fomentem a melhoria da qualidade da escola, a formação contínua dos professores e a ampliação das oportunidades para os alunos. A escolha da modalidade de Educação a Distância e de um determinado Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) deve levar em conta suas funcionalidades e interfaces que facilitem a colaboração, a interatividade e a cooperação. É preciso que as interfaces sejam bastante amigáveis e de fácil navegação para os alunos. Segundo Silva (2003b), um ambiente virtual de aprendizagem pode favorecer ao professor se posicionar em favor de uma participação dos usuários como co-autores da comunicação e da aprendizagem, onde a interatividade, na dimensão comunicacional, promove uma aprendizagem significativa. Aprofundando esta conceituação, pode-se dizer que na interatividade é preciso “garantir a intervenção do usuário ou receptor no conteúdo da mensagem ou do programa, abertos às manipulações e modificações” (ALMEIDA, 2003b, p.206). As comunidades virtuais são comunidades de pessoas compartilhando conhecimentos, interesses, idéias e relacionamentos, através da internet ou outras redes colaborativas. As comunidades virtuais “se entendem como uma rede eletrônica de comunicação interativa ou auto definida, organizada em torno de um interesse ou finalidade compartilhados, embora algumas vezes a própria comunicação se transforme no objetivo” (CASTELLS, 1999, p. 385). Não podemos esquecer que os AVA possuem características distintas do ambiente da educação presencial, daí a dificuldade de muitos professores em transitar de um ambiente ao outro. Partindo do exposto, observamos a necessidade de uma formação específica para que os docentes tenham conhecimento do contexto virtual, dos conteúdos, técnicas e metodologias a serem utilizadas. Para reforçar o que foi dito, o professor precisará ser: [...] um incansável pesquisador. Um profissional que se reinventa a cada dia, que aceita os desafios e a imprevisibilidade da época, para se aprimorar cada vez mais. Que procura conhecer-se para definir seus caminhos, a cada instante. Em um momento social em que não existem regras definidas de atuação, cabe ao professor o exame crítico de si mesmo, procurando orientar seus procedimentos de acordo com seus interesses e anseios de aperfeiçoamento e melhoria de desempenho (KENSKI, 2003, p.90). 67 O que se chama de ambiente de aprendizagem envolve um contexto maior do que o uso de uma simples tecnologia, possibilitando a interatividade, ou seja, o compartilhamento de ações (FRANCIOSI et al, 2003), nas quais atuam simultaneamente professores e alunos. Concordamos que “ambiente de aprendizagem nada mais é do que o (não) lugar, uma escola sem paredes ou carteiras, mas com o que é essencial para que a educação se faça: alunos, conteúdo e tutores em grande interatividade e construção do conhecimento, sem a qual uma educação não se faz” (GOMES; BARRETO, p.68). Finalizamos esta seção, considerando que o século XX e o início do século XXI foram marcados por transformações significativas na sociedade, envolvendo os campos: econômico, político e educacional, a grande maioria alavancada pelas inovações tecnológicas que também afetaram diretamente o ser humano. É exigência do novo cenário que as pessoas sejam mais competentes, mais atuantes e críticas. Neste contexto cibercultural, a educação amplia a consciência dos seus desafios. O desenvolvimento tecnológico, recentemente ampliado pela expansão da Web 2.0, tem tornado os espaços de aprendizagem cada vez mais ricos e funcionais, nos quais alunos, professores e tutores redefinem seus papéis, compartilham e reconstroem conteúdos, através da colaboração e da interação dinâmica, possibilitando a construção de novos saberes nesses ambientes virtuais de aprendizagem. Acreditamos que a relação da educação com os fenômenos da cibercultura favorecerá mudanças na prática pedagógica, na formação de novos professores e a construção de uma escola diferente. Projetos como o do NTEAD, que visam à inserção das TIC e da EAD nos cursos de formação de professores, devem ser estudados à luz de teorias que permitam não só compreendêlos melhor, como ampliá-los consistentemente. 3.2 FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA O USO DAS TIC E DA EAD. A disseminação e a popularização da Internet têm provocado impactos na educação, contribuindo para a melhoria do ensino e/ou aprendizagem à distância e também para mudanças significativas na educação presencial, que tem refletido mais criticamente sobre os modelos tradicionais. A qualidade e a eficácia de um curso a distância passam por questões múltiplas, uma delas refere-se ao professor conhecer com segurança o ambiente no qual são ministradas as aulas, 68 bem como suas tecnologias de suporte. É fato, no entanto, que as tecnologias se alteram tão rápido que dificultam a inserção e o domínio dos professores no universo tecnológico. Evidenciase, assim, a necessidade de se investir na valorização e na formação continuada dos professores, na atualização constante de sua prática pedagógica e na urgência de capacitar o professor para a docência online, pois no âmbito da cibercultura, a educação na modalidade a distância é cada vez mais online. As possibilidades da rede mundial de computadores e os computadores a ela conectados trazem outras dimensões para o processo de aprendizagem, promovendo uma discussão inovadora sobre o ‘quê ensinar e como ensinar’ a distância. O aluno/aprendiz terá um grande leque de informações ao seu dispor e sua autonomia na escolha dos conteúdos não será controlada pelo professor. Esta perspectiva se reflete na afirmação de Vilarinho (2003, p. 268) quando diz que na EAD “valendo-se da tecnologia de rede, que trabalha com interfaces, com pontas livres que podem ser alçadas e puxadas para estender o quê ensinar de formas múltiplas. [...] o aprendiz tenderá a uma maior quantidade de aprendizados, pois a interface é uma espécie de armadilha”. Estamos presenciando um novo momento da educação em que as TIC ajudam a reinventar a escola, na medida em que alteram o papel do professor e do aluno. Por estarem cada vez mais presentes no âmbito educacional, propiciam novas propostas metodológicas, demandando um professor capaz de se apropriar criticamente das tecnologias e de possibilitar ao aluno construir, com autonomia, seus novos conhecimentos. Se assim não for, em breve todos nós seremos obsoletos: escola, professor, aluno, metodologia e conhecimento. É de se esperar uma escola com novas proposições, reinventando o saber e o fazer pedagógicos, impulsionada pelos atores sociais que estão dentro dos seus muros e que começam a se questionar, exigindo assim, uma formação continuada e atualização constante. Apesar das suas possibilidades, ainda é problemática a inserção das TIC na sala de aula. É evidente que as tecnologias são importantes nos espaços pedagógicos, mas o que garante sua sobrevivência pedagógica é a qualidade da interação professor/tecnologia/aluno (FABEL, 1993; TURKLE, 1984 apud OLIVEIRA et al, 2008). Nossa experiência como docente, há muitos anos, nos levou a perceber a falta de preparação adequada dos professores para a utilização pedagógica da informática. As tecnologias digitais, no contexto escolar, podem potencializar a docência e a aprendizagem dos alunos e 69 envolver os professores em uma reflexão crítica sobre suas vantagens e limitações. Por este caminho, os professores são capazes de perceber que a utilização dos recursos tecnológicos não diminui ou anula seu papel; ao contrário, faz com que ele seja ressignificado, a partir do cenário da cibercultura e, mais especificamente, das novas perspectivas conceituais, metodológicas e éticas que se apresentam às práticas pedagógicas. A EAD vem se tornando, cada vez mais, elemento regular e necessário aos sistemas educativos por conter possibilidades de atender a demandas específicas, seja no ensino póssecundário ou na educação da população adulta, o que inclui o ensino superior e as mais variadas necessidades em termos de formação contínua, geradas pela obsolescência acelerada dos conhecimentos (BELLONI, 1999). Isto nos permite inferir que a evolução da EAD terá muitos avanços e que estes irão se relacionar às inovações tecnológicas, visando atender às demandas da contemporaneidade. Estudos de Castro e Vilela (2001) mostram que as políticas educacionais de todo o mundo têm se dedicado a buscar formas alternativas de qualificação dos professores, com vistas a obter uma mudança nos resultados da educação. Essas autoras falam da formação de um novo homem e da construção de uma ordem social mais justa e mais humana, por meio da educação. A formação de professores também vem sendo atingida pela presença das TIC, constituindo, inclusive, foco de políticas específicas, com ênfase na oferta de cursos e programas de formação. Este fato se deve à percepção de que as mudanças no campo educacional passam pela prática do professor e que este ocupa lugar de destaque nos processos de ensino e aprendizagem. Embora o uso das TIC na educação seja recente, já é possível vislumbrar alguns impactos que apontam para mudanças significativas no campo educacional. A formação de professores é, sem dúvida, um desses aspectos que precisa ser mais bem redimensionado. De acordo com Belloni (1999), a formação do educador envolve três dimensões: (a) didática: formação do professor, em uma área específica do conhecimento; (b) pedagógica: relativa às concepções epistemológicas, com destaque para as teorias: construtivista e sóciohistórica; e (c) tecnológica: utilização proficiente dos recursos, estratégias pedagógicas de uso desses recursos, avaliação e seleção de materiais técnico-educacionais. Valente (1999) ao afirmar que vivemos em um mundo dominado pela informação e por processos que ocorrem de maneira muito rápida e imperceptível, sugere a reflexão contínua sobre a prática docente. Hoje, muitos fatos, fenômenos e processos ensinados pela escola, em pouco 70 tempo, se tornam obsoletos e pouco utilizáveis. Portanto, ao invés de memorizar a informação, os alunos devem ser ensinados a buscar e usar a informação na construção de novos conhecimentos e, nesta direção, as tecnologias digitais podem se constituir em importantes aliadas, tanto para os alunos quanto para os professores, pois elas ajudam a dar significado e agilidade aos conteúdos curriculares. A partir da reflexão dos professores sobre sua prática e da compreensão dos princípios das abordagens construcionista e sócio-interacionista, os professores tendem a modificar sua ação pedagógica. A abordagem construcionista fundamenta o uso pedagógico do computador, ao sinalizar que a aprendizagem se dá por meio de interações e de processos ativos de construção do conhecimento do aluno, que desembocam em um produto que lhe seja significativo. Vemos, então, que o ensino não desaparece, mas toma uma dimensão nova e o produto passa a ter uma conotação diferente. O produto passa a ser visto como meio para refletir e depurar o processo de ensinar e aprender. Nesta perspectiva, cabe lembrar Martins e Prado (1998) ao abordarem uma questão importante que é a preparação do professor para o uso pedagógico do computador, integrado aos conteúdos curriculares, na vivência de sua realidade, apontando assim, para uma abordagem construcionista. Esta vertente “a construção do conhecimento baseada na realização concreta de uma ação que produz um produto palpável (um artigo, um projeto, um objeto) de interesse pessoal de quem produz” (VALENTE, 1999, p.141). Segundo o mesmo autor, (VALENTE, 2003) a internet abriu um leque de possibilidades para os cursos a distância, produzindo uma mudança na forma de pensar e fazer a EAD. As possibilidades de interação entre alunos e professores, apresentadas pela rede, levam esta modalidade para um novo patamar: a chamada educação online, bastante diferente das gerações (modelos) anteriores, a saber: o ensino por correspondência; o ensino via rádio; e o ensino com apoio da TV e/ou vídeo (VIANNEY et al, 2003). A transmissão do conhecimento, a memorização e a reprodução de fatos e estratégias de soluções são considerados fatores necessários à aprendizagem no entendimento do instrucionismo. Contrapondo-se a esta abordagem, Papert, 1986 (apud ALTOÉ; PENATI, 2005), pioneiro no uso do computador na educação, fundamentando-se na teoria construtivista de Piaget, cria o termo construcionismo47 para falar da construção do conhecimento por meio do 47 Papert (1986) explica o construcionismo como um modo de aprender baseado no fazer (hands-on) mediado pelo envolvimento intelectual (head-in). Essa noção foi expandida por Valente (1993) em Computadores e 71 computador. Papert (1988) desenvolve uma metodologia de utilização do computador na educação em uma perspectiva pedagógica contrária à abordagem instrucionista, na qual o computador é utilizado como uma máquina de ensinar e consiste na informatização dos métodos de ensino tradicionais. Os subsídios das abordagens construtivistas têm favorecido a criação de ambientes virtuais de aprendizagem, que privilegiam a partilha e a capacidade do sujeito auto-gerir seu processo de aprendizagem na construção de novos conhecimentos, ou seja, de trabalhar colaborativamente e exercer sua autonomia de aprendiz (JONASSEN, 1996). Essa visão mais ampla de educação, para além do espaço escolar, encaminha a discussão do ato de aprender e ensinar para a concepção construtivista-construcionista, inserindo os professores nos princípios construcionistas. Procurando reafirmar o paradigma construcionista, podemos nos pautar em aspectos importantes da aprendizagem, como o desenvolvimento de materiais que concorrem para a atividade reflexiva por parte do aluno e a criação de ambientes de aprendizagem (FREIRE; PRADO, 1996). A Educação a Distância consiste em uma prática educativa que está se consolidando no mundo todo, na qual o processo de construção do conhecimento ocorre em virtude da interação do indivíduo com o que ele conhece, sendo sempre uma construção nova, outra interpretação que ele é capaz de fazer, partindo de conhecimentos pré-estabelecidos (FRANCO et al, 2006). Em linhas, se utiliza de momentos não-presenciais e presenciais, eliminando barreiras temporais e geográficas, provendo informações por meio de recursos tecnológicos. Pode se entendida também como uma metodologia cada vez mais acessível, com a finalidade de atender à demanda educacional, aumentando o potencial pedagógico dos alunos para a aprendizagem, sem a rigidez de horários e locais pré-definidos. Segundo a Coordenadora48 dos cursos de educação a distância da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro - FAETEC, “a educação a distância cumpre o papel de inclusão social, pois valoriza a autonomia e a interação, incentivando o aluno na construção do Conhecimento:repensando a educação. Unicamp: Campinas, SP. A abordagem construcionista é (re) visitada em Prado (1996) O uso do computador no curso de formação de professor: Um enfoque reflexivo da prática pedagógica. Tese de Mestrado. FE/Unicamp (p: 41 a 57) . 48 Fala da Coordenadora da FAETEC, professora Pedrita da Cruz Neves em entrevista à Revista Dirigida, edição julho/2009-ABED. . 72 conhecimento, proporcionando seu aperfeiçoamento, não só em sua formação profissional, mas principalmente na sua integração social.”. Neste sentido, se apresenta como uma estratégia para a construção de conhecimentos. Conceituando a EAD desta forma, estamos falando de educação, com o foco também na formação de cidadãos, que sejam capazes de entender o seu papel na sociedade em que atuam e estejam comprometidos com o seu ambiente social e profissional. A utilização das TIC na EAD pode contribuir para a superação de modelos tradicionais, alterando o foco da instrução para o processo de aprendizagem, adotando padrões inovadores de relacionamento e interação entre os envolvidos, enfatizando a aprendizagem contextualizada, a solução de problemas, a construção de modelos e hipóteses de trabalho e, especialmente, o domínio do estudante sobre o seu próprio processo de aprendizagem, como sinalizam Struchiner et al. (1998). Estes autores também entendem que Educação e EAD não apresentam diferenças, pois ambas pressupõem uma relação de construção entre os parceiros envolvidos no processo. Ao focalizarmos o crescimento da aplicação das TIC na educação, em especial nos cursos a distância que estão se multiplicando de forma acelerada nos últimos anos, na América Latina, aí se incluindo o Brasil, encontramos Fagundes (1999) que, àquela altura, já ponderava sobre o fato de que tais cursos, na realidade, estavam fortalecendo práticas pedagógicas instrucionistas tecnologicamente mais sofisticadas, mas pedagogicamente vazias e empobrecidas, que poucas mudanças traziam aos processos de ensino e aprendizagem. Para Estabel et al. (2006), os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) são portas de entrada para a inserção de indivíduos no ambiente digital, sendo necessário definir, de forma criteriosa, a escolha de um desses recursos de interação, para se garantir o processo de aprendizagem e a atuando do professor como mediador em contexto de cooperação. Cabe, no entanto, afirmar que não são as ferramentas de última geração que marcarão o futuro na educação, mas sim os novos papéis a serem desempenhados por professores e alunos. Esses novos papéis demandam professores cada vez mais orientadores e alunos cada vez mais investigadores. Estudos e pesquisas nesta área estão num movimento crescente. Alguns apresentam projetos bem sucedidos; outros não. Uma pesquisa realizada pelo Prof. Eucídio Arruda49, em duas instituições de ensino situadas em Belo Horizonte/MG, de redes educacionais distintas, teve 49 Graduado em História e mestre em Educação pela UFMG, participa do Grupo de Pesquisa sobre Gestão, Trabalho, Educação e Cidadania (CETEC) da FACE/UFMG. . 73 como objetivo maior observar as mudanças provocadas com a introdução das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC) no ensino tradicional. Em seu livro ‘ Ciberprofessor – novas tecnologias, ensino e trabalho docente’, o autor confirma a importância da presença das novas tecnologias na nossa realidade, embora a sua utilização não tenha apresentado o resultado esperado para a formação do indivíduo na escola. Esta constatação sugere que a escola ainda caminha na contramão das mudanças ocasionadas pelo avanço das TIC em nossa sociedade, perceptíveis nas relações sociais, na nova linguagem, no mundo produtivo e nas relações do trabalho. Segundo este autor, [...] entre os professores entrevistados, verifica-se que a maioria concorda que as TIC significam novidades jamais imaginadas por outra geração, que se envolvem de maneira muito mais dinâmica e veloz. Contudo, não as utiliza em sua prática social ou as utiliza de maneira periférica e eventual (ARRUDA, 2004, p.115). A pesquisa de Arruda (idem) mostrou que a escola e a prática docente não acompanharam a evolução das tecnologias, pois o professor ainda está perplexo diante das possibilidades que elas trouxeram, sendo que a organização escolar se assemelha aos moldes do século XIX. Os alunos estão mais atualizados do que seus professores e apresentam maior domínio no uso de computadores, televisão, telefone celular, internet e outras mídias. Como indica Arruda (idem), há um descompasso entre o domínio que o docente possui das novas linguagens e os conhecimentos que seus alunos adquiriram sobre as mesmas. A maioria dos professores concorda em repensar sua prática docente, mas ainda não sabe como fazê-lo. Confirma também que as demandas trazidas pelos alunos em função das NTIC representam grandes desafios ao seu trabalho. O professor não sabe lidar com essa situação [...]. (Arruda, 2004, p.117) Assim, cabe reconhecer que as tecnologias digitais trazem possibilidades interativas para a educação as quais, aparentemente, ainda não foram incorporadas nas práticas docentes, independentemente da adoção, ou não, dessa nova linguagem. Arruda (idem) considera que a difusão do acesso à internet se deu em torno do ano de 1995, o que permitiu a diversos pesquisadores associarem este recurso às suas investigações, mas ele também reconhece que tal difusão é relativa, mostrando-se mais presente junto às camadas A e B da população brasileira. A utilização de tecnologias educacionais no contexto escolar está inserida em uma realidade econômica mais ampla, a partir do processo de reestruturação capitalista (ARRUDA, 74 2004, p.14), com a organização de movimentos de mudanças pedagógicas, não apenas no Brasil, como também em outros países, entre eles: Chile, Portugal e Espanha. Neste contexto, foram elaboradas diferentes propostas para nosso sistema educacional, em formatos diversos, entre os quais se situam os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN50 (elaborados de 1997 a 2002). Alguns estudiosos entendem a educação online como o momento atual da EAD em que as tecnologias digitais emolduram a nova fase desta modalidade de educação. Outros apontam diferenças significativas entre elas, podendo a educação online ser considerada como uma nova modalidade, caracterizada pela intensa utilização das tecnologias digitais em suas proposições de cursos. Em ambas as perspectivas, a EAD traz uma nova concepção de tempo, espaço, interatividade e presencialidade na educação. Entre os autores que abordam a educação e a educação online situam-se Santos (2010, p. 30), que assume a posição de que “a educação online não é apenas uma evolução das gerações da EAD, mas também um fenômeno da cibercultura” e também Silva (2003b, p.12) ao afirmar que proporcionar educação online não é o mesmo que fornecer educação presencial ou a distância via suportes tradicionais. Isso exige metodologia própria que pode, inclusive, inspirar mudanças profundas no modelo da transmissão que prevalece na sala de aula presencial “infopobre”. Na discussão do papel do professor virtual, alguns autores não fazem uma separação tão acentuada entre as competências da docência online e da docência presencial; é o caso de Belloni (1999, p. 8). Para esta autora, não cabe discutir a formação do professor para atuar em EAD de forma separada da questão da formação do professor para atuar no ensino presencial, onde as situações educativas estão cada vez mais midiatizadas. Tal abordagem sugere, por um lado, a existência de competências comuns à atuação do professor nos ambientes presencial e à distância e, por outro, a expectativa de uma crescente incorporação de novas tecnologias de comunicação e informação (usadas na modalidade à distância) à modalidade presencial. Ainda segundo BELLONI (idem), a formação de professores deve contemplar as competências pedagógicas, tecnológicas e didáticas, habilitando os professores para trabalhar em qualquer modalidade de educação: presencial, semipresencial e a distância. Na EAD, o docente pode desempenhar vários papéis, além da função de professor-tutor, responsável pela mediação 50 Os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam como um dos seus objetivos que os “alunos sejam capazes de utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos”. Disponível em http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro051.pdf. Acesso em março de 2009. 75 pedagógica dos cursos. Pode ser professor-conteudista ou professor-autor; tecnólogo educacional (também conhecido como designer instrucional) ou monitor (que às vezes desempenha papel de facilitador e de suporte técnico). Belloni (idem, p. 74) nos lembra que é nesse momento que ocorre a “transformação do professor de uma entidade individual em uma entidade coletiva”, ou seja, a função docente na EAD passa a ser desempenhada por um conjunto de profissionais de áreas distintas, mas com o objetivo comum de planejar e implementar um processo efetivo de ensino-aprendizagem. Por outro lado, o fato das TIC, das redes e dos conhecimentos serem cada vez mais disseminados e acessíveis possibilita que um único profissional dotado de competências adequadas possa planejar, desenvolver, divulgar e implementar seus próprios projetos de EAD. Isso confronta a noção vigente de que a EAD requer necessariamente o trabalho de equipes multiprofissionais para ser posta em prática. É interessante observar que a docência online poderá contribuir e modificar outras formas de docência: a docência no ensino presencial e semipresencial, atualmente determinadas e influenciadas pela presença das TIC que alteram o ambiente escolar. A dinâmica da sala de aula e a prática pedagógica vêm sendo modificadas profundamente pelos referenciais comunicacionais, pela interação e interatividade presentes no contexto da cibercultura que perpassa o ciberespaço, local onde ela se realiza. A educação online, como modalidade educacional emergente da cibercultura, por ser recente deve merecer estudos mais aprofundados. Nesta modalidade, o professor necessita de conhecimentos específicos para atuar de forma diferente da educação presencial, indo além da atuação em EAD. Para se inserir na educação online, o professor precisará desenvolver e construir saberes docentes para a especificidade do meio online. O docente na cibercultura precisará saber explorar as novas redes de comunicação interativa e desenvolver uma pedagogia que contemple a dinâmica da web, incluindo as potencialidades da WEB 2.051, que traz novos desafios para a evolução da inteligência coletiva, a partir de uma base dirigida à aprendizagem colaborativa (BRITO, 2009). 51 Segundo Primo (2006) o termo Web 2.0 originou-se em 2004 e visa potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações, além de ampliar os espaços para a interação entre os participantes do processo. 76 Nesta direção, é importante conscientizar os professores de que a educação online poderá dar outro sentido à educação, por meio do uso adequado das tecnologias de informação e comunicação, dando margem, inclusive, à criação de outros modelos de aprendizagem. Assim, surge a necessidade de se estabelecer uma pedagogia específica para a docência online. Não cabe mais o professor permanecer na atitude do ditar-falar, da distribuição de informação. Ao propor o conhecimento na forma de hipertexto, os sujeitos do processo, professor e aluno, atuarão com autonomia e de forma colaborativa. A mensagem não é mais fechada, se encontra aberta para modificações, interferências e múltiplas interpretações. Ensinar a distância é muito diferente de ensinar presencialmente, mesmo para aqueles professores com larga experiência de ensino. Os professores devem ser preparados para trabalhar como facilitadores, tutores e até mesmo provocadores de participação. O professor não tem mais a missão de transmitir conhecimento e, sim, de orientar o aluno e ajudá-lo na busca do conhecimento. Essas são as novas tarefas do professor: estipular metas, planejar e estar atento para que os recursos estejam disponíveis. O planejamento do curso e a elaboração dos recursos didáticos, que vão possibilitar a aprendizagem dos alunos, devem ser feitos por docentes especializados a fim de garantir a uniformidade da informação. Profissionais não qualificados, leigos em tecnologias educacionais, dificilmente terão êxito em EAD. O sucesso deste formato de educação somente ocorre quando devidamente planejada e implantada em todas as suas etapas, pois o improviso não faz parte da mesma. A partir do entendimento de que o conceito de competência profissional possui diversas significações e é tema de debate entre os estudiosos da educação e do trabalho, temos a clareza de que não é tão simples conceituar as competências para o docente online. É bom relembrarmos que: a literatura de EAD é bastante diversificada ao caracterizar as competências dos docentes online. Dependendo do modelo de EAD adotado pela instituição, o papel do agente pedagógico responsável por acompanhar os alunos em sua trajetória de aprendizagem – seja ele denominado educador, professor, tutor, mediador ou facilitador online – pode ser encarado de forma distinta. (TRACTENBERG, PEREIRA, SANTOS, 2005, p.4). Na modalidade online, ainda observamos os professores atuando como detentores da informação e não deixando os alunos serem agentes de colaboração, de compartilhamento, tendo a possibilidade de co-criarem no ambiente escolar. Entendemos que mudanças ocorrerão com a 77 presença de “interfaces que concorrem para a nossa comunicação com nossa fala livre e plural”, a partir do “movimento comunicacional e pedagógico dos sujeitos envolvidos para a garantia da interatividade e da co-criação. Acreditamos que aprendemos mais e melhor quando temos a provocação do “outro” com sua inteligência, sua experiência” (SANTOS, 2010, p.47). Como se dará a formação do professor para a docência online, se a maioria dos professores ainda não incorporou à sua prática docente as possibilidades das tecnologias? Entre as diversas falas sobre a educação online52, encontramos no site da Secretaria de Educação a Distância do MEC (SEED), mais especificamente da Seednet, revista eletrônica53 sobre EAD, uma contribuição valiosa para a construção da nossa resposta a essa indagação inicial (REZENDE, 2005). Toda mediação é uma transposição e toda transposição implica transformação de significado, de relevância e de valor estético e ético, coerente com a mudança do espaço da ação educativa – do presencial ao virtual. Para isso, é necessário distinguir a prática educativa presencial e a dos ambientes online para que ocorra a transposição, a passagem ou realização da mediação educativa [conhecida e analisada em espaços presenciais] quando esta se realizar em ambientes mediados por computadores em rede por entender que o espaço é parte integrante da cultura. Com o crescimento desenfreado da EAD no Brasil, não havia, a priori, preocupação com qualidade e sim com quantidade de pessoas nessa modalidade educacional. Além da preocupação do MEC na busca de indicadores de qualidade da EAD54, existem pesquisadores e instituições na busca dessa qualidade. No nosso entendimento, como ocorre na educação presencial, a sociedade está atenta às instituições de ensino, que se preocupam somente com ‘mercado educacional’, empresas que buscam tão somente o lucro. O crescimento desenfreado da educação online é um indício da busca de lucro. No longo prazo, o gasto se torna menor em relação às aulas presenciais. Entretanto, uma educação online com proposta séria, demanda gastos financeiros com o pessoal envolvido e infra-estrutura necessária ao seu desenvolvimento. Depende, ainda, de uma 52 Pode-se definir educação online como “um conjunto de ações de ensino-aprendizagem desenvolvidas por meio de meios telemáticos, como a Internet, a videoconferência e a teleconferência.” (MORAN, 2003, p.39). 53 Seednet é uma revista eletrônica sobre EAD, um projeto da Secretaria de Educação a Distância do MEC. Um veículo que possibilita acesso fácil, gratuito e dinâmico a todo o universo de EAD. A periodicidade de suas notícias é diária e os demais tópicos (artigos, entrevistas, eventos, editorial, casos de sucesso) são quinzenais. Disponível em: http://www.seednet.mec.gov.br. 54 REFERENCIAIS DE QUALIDADE PARA CURSOS A DISTÂNCIA’ - SEED/MEC http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/legislacao/refead1.pdf. - Acessado em abril de 2008. 78 equipe séria e competente de educadores, desenhistas educacionais, entre outros, capazes de pensarem juntos estratégias que viabilizem a aprendizagem online significativa. Sabemos que é complexo criar um curso, elaborar materiais para cada disciplina, pensar em estratégias interativas, conteúdos apropriados, capacitar os professores para fazerem mediação coerente com a proposta. Acreditamos que esta complexidade acaba levando a transposição dos modelos das aulas presenciais, com todos os vícios da pedagogia da transmissão, para as aulas online, até porque esta transposição redunda em menores custos. Em relação à mediação docente, cria-se a possibilidade de contratar tutores com salário inferior ao de um professor, que terão uma mediação reativa, pois o tutor não precisa ‘pensar’ os conteúdos, pois já foram pensados pelos ‘conteudistas’. A cibercultura mediada pelo ciberespaço possibilita novas formas de socialização e aprendizagem por meio dos AVA na educação formal, concorrendo para a concretização da educação online. As mudanças advindas com a educação on-line vão “além da autoaprendizagem; as interfaces dos AVAs permitem a interatividade e a aprendizagem colaborativa” (SANTOS, 2010, p.40), podendo levar o aluno a dialogar com os demais sujeitos envolvidos neste processo educativo – “professores, tutores e outros cursistas – por meio de processos de comunicação síncronos e assíncronos” (SANTOS, idem, p.41). No entanto, a disseminação da cibercultura na educação e a inserção das mídias interativas passam a alterar a relação entre alunos e professores. Para que estas mídias possam ser utilizadas eficazmente, os professores terão de estar dispostos a atuar de forma diferente e usar pedagogicamente as interfaces tecnológicas a seu dispor. Apesar das transformações verificadas, os professores encontram-se, na sua maioria, pouco preparados para atuar neste novo contexto. Isto se deve ao analfabetismo tecnológico que os tornam incapazes de se adaptarem aos ambientes virtuais de aprendizagem, ou também, à resistência às mudanças decorrentes da tecnologia pelo receio de perder o seu espaço como profissional. Uma solução para este problema seria a formação de professores incluindo o trabalho pedagógico com as TIC poderem responder aos desafios sociais. Cabe, ainda, considerar nesta seção a questão da formação da formação continuada de professores. A EAD tem um importante papel social, quando amplia o acesso à educação, mas não se restringe a isto, já que concorre para a qualificação e atualização dos professores. 79 O uso das TIC tem sido experimentado em vários países do mundo e já se investiga sua verdadeira eficácia. Os sistemas educacionais têm sido questionados por não buscarem fundamentos que possibilitem uma formação adequada às novas competências para o cidadão planetário. Os desafios da universalização do ensino e da formação continuada já estão postos e um dos aspectos que vem chamando a atenção ao longo da última década, é a ênfase que se tem dado à educação a distância como possibilidade de superação desses dois desafios. Ainda se pode observar que as questões nessa área são interpretadas como simples conseqüência da evolução das tecnologias, dos sistemas de comunicação e, mais precisamente, da evolução da computação. Precisamos ter a compreensão de que o desafio em tela vai muito além da simples incorporação das tecnologias que abarcam novas interfaces comunicacionais. Valores como solidariedade, trabalho coletivo, ética devem ser recuperados nesse contexto, a partir de um trabalho mais abrangente que situa as tecnologias de comunicação e informação como elementos estruturantes de outros modos de pensar e viver (PRETTO, 1996). Formação Continuada é um tema recorrente nos diversos ramos das atividades humanas. Não se concebe mais um profissional que, ao concluir seu curso, dê como encerrada sua formação, acreditando que ela atenda às exigências do dinâmico mundo do trabalho. Isto se aplica também aos docentes. Mas o que é formação continuada? Como ela se dá? Trata-se de uma possibilidade que permite aos professores se capacitarem para o uso pedagógico das tecnologias? Existem modelos de formação? Que modelos seriam estes? Estas são indagações para as quais buscamos respostas. A reflexão crítica dos professores sobre sua atuação, participação nas decisões importantes e na oferta dos ‘treinamentos de professores’ poderia ser o início da construção de um processo educativo transformador. A nossa preocupação com a formação dos professores se identifica com a de outros educadores, como os pesquisadores do Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED) da Unicamp, os quais apontam a formação em serviço como uma possibilidade de intervenção no processo de reconstrução de uma nova prática pedagógica. Nessa proposta de formação os cursos são, geralmente, realizados no laboratório da própria instituição e o trabalho dos professores em sala de aula com seus alunos são acompanhados pelos formadores. Nesse processo de formação, o professor também aprende no seu contexto (considerando as especificidades da realidade) a integrar o uso do computador nas atividades pedagógicas (MARTINS; PRADO, 1998). 80 Os desafios estão postos para os professores, com as novas tecnologias interferindo na aprendizagem e revolucionando as sociedades e as escolas; a questão da diversidade sendo tratada como uma nova possibilidade de redefinição das práticas de inclusão social e de integração escolar (Nóvoa, 2007). Neste início de século, para atender a estas questões, reaparecem os professores para atuarem nas questões da promoção da aprendizagem e também no desenvolvimento de integração para responderem aos desafios anteriormente citados, fazendo uso das chamadas ‘novas tecnologias’. A disseminação do uso das tecnologias de informação e comunicação em diferentes ramos da atividade humana, bem como sua integração às facilidades das telecomunicações, evidenciou possibilidades de ampliar o acesso à formação continuada e o desenvolvimento colaborativo de pesquisas científicas. Mais importante do que a ampliação de possibilidades, a incorporação de diferentes recursos tecnológicos à EAD, e, especialmente das tecnologias de informação e comunicação, se apresenta como estratégia para democratizar e elevar o padrão de qualidade da formação de profissionais e a melhoria de qualidade da educação brasileira. As iniciativas de inserção de computadores no contexto da escola pública brasileira tiveram e ainda têm influências das idéias de Papert (1988), que sinalizam novas possibilidades de o professor desenvolver sua prática com o aluno usando os recursos computacionais. Todo processo de formação deve valorizar o profissional a ser formado, pois é a partir dele que se consolida o educador como intelectual que compreende as técnicas didáticas, o contexto do processo de desenvolvimento dos educandos e, também, seu próprio papel social. A formação continuada e em serviço é elemento fundamental na definição da identidade profissional. Entendemos que é importante também a proposição da formação em serviço, isto é, realizada no local de trabalho dos professores, possibilitando uma formação reflexiva e concorrendo para a transformação da prática pedagógica. Neste entendimento, a discussão deverá passar pelo uso pedagógico das tecnologias, visualizando-se o computador, que já se tornou uma realidade na escola, muito mais que um instrumento, ou seja, superando a perspectiva do ‘tecnocentrismo’ (PAPERT, 1990 apud FREIRE; PRADO, 1996). A discussão terá também que considerar o papel do educador enquanto mediador do processo de interação com a tecnologia. Os professores já perceberam que o computador auxilia o processo ensino e aprendizagem, pois possibilita acesso rápido à informação e prepara o aluno 81 para o futuro. O grande desafio que está posto é como usar o computador pedagogicamente, nos processos educativos, para que provoque mudanças e confira qualidade à aprendizagem. Nóvoa (1995) tem contribuições importantes sobre o tema, uma vez que disseminou a proposta de formação em serviço, entendida como todo processo de formação técnica que esteja diretamente vinculado ao local e à dinâmica concreta da sala de aula (o serviço, o ofício diário, alçado à condição de objeto de reflexão, sistematização e problematização pelo próprio professor). O espaço da sala de aula passou a ser considerado como lugar de formulação de conhecimentos específicos, que alguns denominaram de "saberes escolares". No posicionamento de Tardif (2002, p.16), o saber não engloba apenas processos mentais suportados pela atividade cognitiva dos indivíduos, mas é também o saber social que se realiza nas relações complexas entre professores e alunos. Segundo este autor, deve-se “situar o saber do professor na interface entre o individual e o social, entre o ator e o sistema, a fim de captar a sua natureza social e individual como um todo”. O caráter inovador das pesquisas de Tardif (idem) é compreender o saber do professor como um conjunto de saberes oriundos de campos diversos: da família, da cultura pessoal, de sua formação, da universidade, dos seus pares, dos cursos de formação, dos currículos das escolas e das contribuições na construção do projeto político pedagógico. Ele ainda considera saber docente como algo construído ao longo de sua atividade docente; é um saber plural, mas personalizado. Retornando a Nóvoa (1995, p.25): a formação não se constrói pela acumulação (de cursos, de conhecimentos ou de técnicas), mas sim, através de um trabalho de reflexibilidade crítica sobre as práticas e de (re) construção permanente de uma identidade pessoal. Por isso é tão importante investir na pessoa e dar um estatuto ao saber da experiência. Este autor aponta a validade de se recriar a profissão docente e preparar um novo ciclo na história das escolas e dos seus atores, com um projeto de autonomia profissional, exigente e responsável, que poderá se concretizar efetivamente a partir da pedagogia da transmissão (NÓVOA, 1992). Para Candau (1997, p.51), a busca pela qualidade do ensino básico comprometido com a cidadania “exige necessariamente repensar a formação de professores, tanto no que se refere à formação inicial, como à formação continuada”. A formação continuada, segundo esta autora (idem), é estruturada a partir do entendimento de que compete à universidade a produção de 82 conhecimentos, cabendo aos profissionais da escola básica, exclusivamente a aplicação, a socialização e a tradução dos conhecimentos propostos pela academia, na sala de aula. De um modo geral, nos processos formativos para professores não são contemplados os valores cultivados pelos professores, suas convicções pedagógicas, suas práticas pedagógicas e se há momentos de discussão coletiva entre os pares. É comum observarmos a existência de programas de formação continuada de professores incluídos, nas políticas públicas, fora da área de interesse dos professores, resultando em ações descontinuadas ou em projetos interrompidos, sem considerar os fatores que concorreram para tal resultado. Pettro (apud TARDIF, 2000, p.125) afirma que “enquanto não tivermos uma política educacional que considere o professor e a professora diferentes entre si e de todos, elementoschave de todo o processo, não adianta distribuir parâmetros, computadores, livros e parabólicas”. O autor pondera que, precisamos de professores bem pagos, com escolas equipadas e, principalmente, conectadas, para, em rede, articulando-se uns com os outros, montarmos uma verdadeira cruzada de transformação educacional em nosso país. Mas isso deve ocorrer com a atualização de projetos e com políticas que fortaleçam os locais e as regiões, não com projetos elaborados por especialistas iluminados e distribuídos em broadcasting para o conjunto de brasileiros que está na escola e fora dela (idem, p.126). A formação dos professores tem sido um grande desafio para as políticas governamentais. Nos dias atuais, a procura pela educação é cada vez maior pelas famílias brasileiras para atender à demanda existente de crianças e jovens em idade escolar. Para atender à demanda crescente é necessária uma grande quantidade de professores, não perdendo de vista a sua boa formação. Mas, o cenário que temos conhecimento, relativo às condições de formação dos professores não vem se mostrando animador pelos dados obtidos em inúmeras pesquisas e, pelo próprio desempenho dos sistemas e níveis de ensino, revelado em vários processos de avaliação. Para Gatti (2000, p.4): reverter um quadro de má formação ou de formação não é processo um dia ou alguns meses, mas para décadas. Não sem fazem milagres com a formação humana, nem mesmo com toda tecnologia disponível. Devemos voltar nossa atenção para a formação de professores para trabalhar com a educação infantil e os quatro primeiros anos do ensino fundamental, até aqui realizada em nível médio, ou a formação de docentes que se faz em nível superior, em universidades ou em 83 faculdades isoladas, para toda a educação básica. Estas formações vêm mostrando problemas curriculares e de qualidade, concorrendo para que iniciativas fossem tomadas, tanto na esfera federal, como programas de governos estaduais e municipais, na tentativa de mudar o quadro atual da formação dos docentes e sua qualificação profissional. A partir de meados da década de 80, algumas universidades também, iniciaram propostas para esta formação, criando alternativas curriculares para o desenvolvimento profissional. Podemos dar como exemplo, a iniciativa do governo do estado de São Paulo, ao desenvolver um programa de educação continuada, para mais de cem mil professores estaduais (entre 1995- 1998), em parceria com universidades e outras instituições com atuação na educação. O professor precisa ter vontade e estar motivado para construir algo novo; assumir uma postura reflexiva; recontextualizar o que aprendeu nos cursos ao integrar as interfaces computacionais, as inovações tecnológicas aos conteúdos específicos. Não é uma tarefa simples. Os cursos ofertados nem sem sempre atendem aos professores, pois não propiciam mudanças no contexto da sua prática pedagógica (PRADO, 1999). O cotidiano do professor precisa ser considerado no processo de formação para que ocorram mudanças significativas em sua prática pedagógica, e, conseqüentemente no âmbito da escola. Os professores, além do domínio da tecnologia, devem construir novos conhecimentos, integrar conteúdos diversificados e reconstruir um referencial pedagógico para concretizar propostas educacionais inovadoras. É preciso que a escola crie condições para que a inovação aconteça muitas vezes dificultada pela estrutura, espaço e currículo escolares. Faz-se necessária a prática pedagógica reflexiva (NÓVOA, 1995) em que a tecnologia não seja apenas uma interface moderna, mas um recurso importante para se repensar a prática pedagógica, e que concorra para transformar a educação, o que se faz urgente. Entendemos que a prática nos cursos de formação em serviço deve estar atrelada à análise das teorias para que em sua capacitação o professor encontre respostas para os desafios existentes no exercício profissional. Serão as concepções teóricas que darão a orientação e a fundamentação necessárias à sua práxis pedagógica. Deve-se valorizar a articulação teoria/prática como possibilidade de se efetivar a formação de docentes críticos, criativos e reflexivos. Reafirmando Nóvoa, Paulo Freire (2006, p. 39) esclarece. Por isso é que, na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. O próprio 84 discurso teórico, necessário à reflexão crítica, tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda com a prática. O seu "distanciamento" epistemológico da prática enquanto objeto de sua análise, deve dela "aproximá-lo" ao máximo. O computador na escola já é uma realidade, e a formação do professor, para que este faça uso desta tecnologia pedagogicamente, necessita de mudanças urgentes. Há oferta de cursos de informática educativa para professores e projetos para implantação da informática na escola por meio de Núcleos de Tecnologia Educacionais (NTE), coordenados pelas Secretarias Estaduais de Educação. Atualmente, a presença do computador na escola é ponto inquestionável, mas continua sendo discutido como fazê-lo chegar às salas de aula, e como usá-lo pedagogicamente nos processos educativos. O computador seria um facilitador do processo de construção do conhecimento, uma vez que confere mais rapidez às tarefas, auxilia o acesso à informação, motiva e prepara o aluno para o futuro, podendo provocar mudanças e conferir qualidade à aprendizagem. Sua presença na escola, no entanto, ou a entrega de laptops aos professores não implicará em a mudança no seu exercício profissional. Há necessidade de mudanças estruturais na organização da escola, na capacitação dos professores, com vista a uma nova leitura dos processos educativos nas escolas (ARRUDA, 2004). A grande discussão está no como modificar o quadro existente e possibilitar que os professores, sujeitos e agentes em formação, se apropriem das TIC, tendo em vista as metodologias educacionais adequadas, com a percepção não apenas do ‘como’ se ensina e como as tecnologias podem permear a prática pedagógica, mas de porque integrar educação e TIC. A escola precisa modificar-se não apenas para acompanhar o novo modo de produção e as inovações tecnológicas. Toda e qualquer mudança deve concorrer para que a aprendizagem aconteça. Não podemos, ao final deste capítulo deixar de concordar com Litwin (1997), que nos diz ser de suma importância, ao se pensar em inovações, reconhecer a necessidade de criá-las nos contextos educacionais específicos a fim de que sua implantação seja significativa. 85 4. LIMITES E CONTRIBUIÇÕES DE NÚCLEOS DE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NA REDE FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA Este capítulo está subdividido em quatro partes, tendo por foco as percepções dos diversos segmentos envolvidos na pesquisa: gestores do projeto ou dos institutos federais, coordenadores dos NTEAD, professores-pesquisadores, alunos-bolsistas e alunos dos cursos de licenciaturas do IFF, expressam nos questionários e entrevistas. Como afirmamos inicialmente, pretendemos com esta pesquisa depreender os limites e as contribuições dos NTEAD na inserção das TIC e da EAD nos institutos federais, em especial nas suas licenciaturas, no período de 2006/2009. O campo pesquisado restringiu-se aos institutos, desde que possuíssem NTEAD, instituídos por seus dirigentes em atendimento a projeto da SETEC/MEC. A partir do objetivo geral da nossa pesquisa, depreendemos dois aspectos que mereceriam maior estudo e detalhamento: (a) a estruturação dos NTEAD: implantação, organização, objetivos e metas; e (b) as licenciaturas oferecidas por essas instituições e seu relacionamento com os NTEAD. Com as respostas obtidas, na análise documental, inferimos as categorias passíveis de análise: (a) projetos de capacitação (extensão, oficina e seminários), contribuições e limites; (b) conhecimento e participação nos projetos; (c) formas de capacitação: professores e alunos das licenciaturas e capacitação no Moodle; (d) atendimentos aos objetivos dos NTEAD. Considerando nossa primeira questão de estudo, foram levantados os projetos desenvolvidos pelos NTEAD visando à inserção das TIC e da EAD em Cursos de Licenciaturas, e as contribuições dadas à formação de licenciados. Esta questão está em estreita relação com a categoria ‘projetos de capacitação’ (extensão, oficina e seminários) e contribuições e limites. A segunda questão, que visava saber se os professores e alunos das licenciaturas tinham conhecimento das atividades dos NTEAD e se participavam dos eventos propostos, relacionamos à categoria dois: conhecimento e participação nos projetos. Já a questão três, que se propunha a determinar a atuação dos NTEAD em relação a capacitações para professores e alunos das Licenciaturas direcionadas ao uso pedagógico das TIC e dos ambientes virtuais de aprendizagem, foi ancorada na categoria três ‘formas de capacitação’: professores e alunos das licenciaturas e capacitação no Moodle. Por fim, a questão quatro 86 direcionada aos objetivos dos NTEAD, relacionou-se à categoria: ‘atendimentos aos objetivos dos NTEAD’. A busca de nossas respostas se iniciou com a pesquisa documental projetada para o levantamento de informações retiradas dos sites dos institutos, resumos e proposições dos ciclos de capacitação das equipes do projeto da EPCT Virtual/SIEP, sob a coordenação da SETEC/MEC. Estes ciclos aconteciam no mínimo uma vez em cada ano, com a finalidade de avaliar o atendimento ou não dos objetivos propostos e elaborar novas proposições para o ano seguinte. A primeira capacitação do projeto Inter-Red aconteceu em Recife (05 a 08/02/2006) e teve, entre outros objetivos, apresentar o projeto pedagógico, as unidades operacionais com suas equipes, sob a coordenação da unidade gestora: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). A partir da primeira capacitação aconteceram outros encontros no período do projeto com o objetivo de avaliar o que estava sendo realizado e fazer novas proposições, em estados como: Ceará, Rio Grande do Norte e Santa Catarina, envolvendo os diversos módulos do SIEP, posteriormente coordenados pela RENAPI, como o evento realizado para avaliar o SIEP, em Goiás, dezembro de 2007. A análise documental apresentada no capítulo dois possibilitou observarmos a (não) concretização dos objetivos propostos para o projeto, como também seus aspectos positivos e negativos, o que foi complementado pela leitura dos documentos elaborados nos diversos ciclos de reunião do Portal da EPCT Virtual. Já as resposta aos questionários (Anexos 3, 4 e 5) e à entrevista (Anexo 6) determinaram a existência (ou não) de projetos com vista à inserção dos NTEAD nas várias instituições, se suas propostas, de uso das TIC e da EAD, trouxeram contribuições importantes para mudanças na prática docente. As respostas dos sujeitos da pesquisa, também, pontuaram o atendimento aos objetivos dos núcleos, contribuições e limites advindos da atuação dos NTEAD nas instituições em que estão inseridos, no tocante à inserção das TIC e da EAD nos seus cursos de licenciaturas. Ressaltamos que a análise das respostas aos questionários e à entrevista foi orientada para a determinação de idéias recorrentes, singulares e inferências sobre o que estaria nas entrelinhas das falas. Para tanto, separamos o conjunto das respostas em diferentes subgrupos os quais agregaram todos os respondentes em torno de uma mesma questão. Assim foi possível levantar as recorrências e singularidades relativas a cada questão. A análise das inferências só pôde ser 87 concluída com a visão integrada das partes no todo, sendo confrontada com os aspectos teóricos inseridos no capítulo três. Apresentamos em seguida, o entendimento que cada segmento representativo dos diferentes sujeitos de nossa pesquisa atribuiu à inserção dos Núcleos de Tecnologia e Educação a Distância na Rede Federal de Educação Tecnológica. 4.1. A VISÃO DE COORDENADORES DOS NÚCLEOS DE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E OUTROS GESTORES Para este segmento de sujeitos da nossa pesquisa, utilizamos a entrevista como instrumento de coleta de dados por “tratar de temas complexos que dificilmente poderiam ser investigados adequadamente, através de questionários, explorando-os em profundidade” (ALVES-MAZZOTTI, 2002, p. 168). Todas as entrevistas foram realizadas pela própria pesquisadora. Por termos participado de um dos ciclos de avaliação do SIEP, em Goiás, no ano de 2007, no qual estavam presentes os integrantes dos diversos módulos deste sistema, e também do EPCT Virtual, passamos a conhecer os coordenadores dos NTEAD. Foi criado um grupo no Google para dar continuidade às discussões do qual também fizemos parte. Apresentamos nossa proposta de pesquisa ao grupo, solicitando sua colaboração. No universo de aproximadamente 20 envolvidos na gestão do projeto dos NTEAD, seis contribuíram com a nossa pesquisa, doravante designados de G1, G2, G3, G4, G5 e G6. Grupo este composto de dois gestores em nível de SETEC/MEC, dois gestores de Núcleos (NTEAD IFCE E NTEAD IFF) e dois gestores em nível institucional (IF Fluminense). Acreditamos que a interrupção do projeto em 2009, com a suspensão do pagamento das bolsas aos professores-pesquisadores e coordenadores dos núcleos, como também a saída de alguns deles, concorreu para que a participação não fosse a esperada. Dada a dispersão geográfica dos IF com NTEAD (em um total de 10), optamos por encaminhar online o roteiro da entrevista aos gestores envolvidos. No entanto, como tivemos a oportunidade de ir à Brasília, a entrevista se deu face a face, também com os gestores em nível SETEC/MEC. 88 Por meios das entrevistas, percebemos que há leituras diferentes por parte dos entrevistados. Para os representantes do MEC, os NTEAD têm seu papel atrelado à concretização das metas propostas. Em algumas instituições desenvolvedoras das ações do projeto não houve um envolvimento maior dos seus gestores quanto ao cumprimento das atividades, especialmente na divulgação dos eventos, o que interfere diretamente no alcance dos seus objetivos mais gerais. Segundo a análise do gerente da RENAPI e responsável pela criação dos núcleos, do Portal da EPCT e do SIEP, os NTEAD não cumpriram o seu papel de disseminar as TIC e implantar a EAD com efetividade. Instituições sem a estrutura dos núcleos apresentaram resultados mais significativos quanto à implantação de cursos na modalidade a distância. Segundo este gerente: G1 a maioria dos núcleos não cumpriu estes objetivos. Há instituições que a implantação do núcleo foi positiva, havendo a apropriação mais rápida e com repercussão em outras instituições sem núcleos. Podemos ilustrar esta questão quando o Instituto Federal do Pará, embora não estivesse no projeto dos núcleos, foi uma instituição que desenvolveu satisfatoriamente a EAD, atingindo o maior número de alunos na modalidade a distância, na rede. Em algumas falas, como a do Diretor de Políticas Públicas para EPT/ SETEC, percebemos que a avaliação é mais abrangente e positiva; já na visão de gestores de instituição com NTEAD, as respostas são divergentes. O mesmo aconteceu com os coordenadores dos núcleos que deram sua contribuição a nossa pesquisa. Os gerentes, neste sentido, registraram: G1 não houve esta expansão. O período da existência dos NTEAD foi de 2006 a 2009 (formalmente). Estes tinham entre os seus objetivos principais e mais imediatos: (a) desenvolver as pesquisas na área tecnológica, e (b) disseminar a cultura de EAD nos institutos, fazer com que as política e diretrizes na área fossem sendo apropriadas, e os núcleos iriam implantando e consolidando a EAD; G2 a importância de se valorizar a EAD no país como um todo, seja pelas condições geográficas, sociais; pela forma de distribuição em que a população está colocada. É também um desafio à implementação no âmbito das instituições da rede de educação profissional tecnológica com suas singularidades. Por outro lado, a rede alcançou um patamar de oferta de cursos muito grande; G3 Não cumpriu os seus objetivos; criou algumas sementes como a proposta de distância que será implantada no IFF; cursos a G4 O núcleo não cumpriu seus objetivos no âmbito da própria instituição onde estava inserido (campus Campos – Centro), nem expandiu ou democratizou para os demais campi do mesmo instituto; 89 G5 Acreditamos em que estamos em uma situação de consolidação da EAD no Instituto, por isso consideramos que os objetivos iniciais de criação de núcleo de EAD evoluíram para a estrutura de uma diretoria dando o suporte institucional para a oferta e gestão dos cursos; G6 Não podemos precisar quanto os núcleos contribuíram ou não, podemos colocar que junto com a UAB e a EAD, os núcleos vão se firmando na rede positivamente. Observamos que as falas dos gestores apontam para a importância da EAD, embora, para alguns, a expansão dos NTEAD não tenha se dado como foi planejada. Para G1, a EAD se faz necessária para atender à demanda existente, indo na linha de Belloni (1999) que considera esta modalidade necessária aos sistemas educacionais com vista ao atendimento da população adulta em suas necessidades de formação e atualização de conhecimentos. A fala de G2 segue o pensamento de Castro e Vilela (2001) e, também, de Belloni (1999) quando diz que a EAD é cada vez mais elemento regular e necessário aos sistemas educacionais. Registra a importância da EAD nas políticas educacionais de todo mundo, incluindo o nosso país, onde as demandas são grandes e intensificadas pelas condições geográficas e sociais. Para G5 e G6, estamos caminhando em direção à consolidação da EAD, e os núcleos podem dar contribuições. Entendemos, pois, que o objetivo geral no sentido de propor ações, como divulgar e inserir as TIC e disseminar a EAD nos institutos federais, contribuindo para a expansão do projeto, agregando mais instituições da própria rede, foi atingido parcialmente, mas a expansão para fora da rede, ou seja, estendendo-se para as redes estaduais e municipais, não foi atingida. Eles assinalaram: G1 a maioria dos núcleos não cumpriu estes objetivos. Há instituições que a implantação do núcleo foi positiva, havendo a apropriação mais rápida e com repercussão em outras instituições sem núcleos. Podemos ilustrar esta questão quando o Instituto Federal do Pará, embora não estivesse no projeto dos núcleos, foi uma instituição que desenvolveu satisfatoriamente a EAD, atingindo o maior número de alunos na modalidade a distância, na rede; G2 não podemos precisar quanto os núcleos contribuíram ou não, podemos colocar que junto com a UAB e a EAD, os núcleos vão se firmando na rede positivamente; G3 não cumpriu os seus objetivos; criou algumas sementes como a proposta de cursos a distância que serão aqui implantados; 90 G4 o núcleo não cumpriu seus objetivos no âmbito da própria instituição onde estava inserido (campus Campos – Centro), nem expandiu ou democratizou para os demais campi do mesmo instituto; G5 o NTEAD agora é uma diretoria de educação a distância, criando as estruturas de Núcleo em outros campi do nosso Instituto, havendo então a expansão da proposta; G6 não houve esta expansão. O período da existência dos NTEAD foi de 2006 a 2009 (formalmente). Estes tinham entre os seus objetivos principais e mais imediatos: - desenvolver as pesquisas na área tecnológica; - disseminar a cultura de EAD nos institutos, fazer com que as política e diretrizes na área fossem sendo apropriadas, e os núcleos iriam implantando e consolidando a EAD. Os gestores responderam parcialmente, uma vez que se detiveram na questão da expansão dos núcleos; já as ações para divulgar e inserir as TIC e disseminar a EAD nos institutos federais não foram abordadas por todos. Cabe ressaltar a fala de G1, quando afirma que o Instituto Federal do Pará, embora não estivesse no projeto dos núcleos, foi uma instituição que desenvolveu satisfatoriamente a EAD, atingindo o maior número de alunos na modalidade a distância, na rede. Esta afirmação nos aponta que a EAD se desenvolveu na rede federal sem a presença dos NTEAD. Já para G6, os núcleos procuraram atender aos seus objetivos mais imediatos, como desenvolver as pesquisas na área tecnológica e disseminar a cultura de EAD nos institutos, entre outros. No que tange às atividades ou eventos propostos pela coordenação do núcleo - NTEAD, para promover a capacitação dos professores e licenciandos no uso pedagógico das TIC e da EAD, os entrevistados apresentaram os seguintes entendimentos: G1 o desenvolvimento da ferramenta InterRed foi o marco mais positivo dos núcleos. É um grande repositório de conteúdos digitais para ser utilizado pela rede atualmente, mas será aberto a todos no Portal da EPCT Virtual. Fará parte da Biblioteca Digital e regulamentará o acesso, como validar e como arquivar os conteúdos digitais; G2 as instituições que hoje têm o papel de formar professores não podem ignorar o tema das TIC e da EAD, até porque parece pouco razoável projetar uma contribuição das TIC que extrapolem a oferta da EAD propriamente dita., e alcançar a própria educação presencial. Nesse sentido, seja com o objetivo de alcançar o profissional da educação já formado e aquele em formação, inserir a EAD e as TIC na formação inicial e continuada, é relevante e imprescindível. As ações, voltadas para a formação inicial e continuada de professores se encontram também no âmbito do NTEAD; G3 a realização de dois encontros de EAD e o PRODOC- projeto para capacitar professores da rede pública estadual nas TIC; 91 G4 Eu destacaria como eventos importantes a capacitação no Moodle para professores e administrativos e a participação do bolsista (Thiago) no RIVED. Entendemos que foi bastante positivo a capacitação de alguns alunos bolsistas do núcleo na construção de OA, podendo destacar o papel formador do NTEAD. O núcleo pecou no papel de divulgador da produção dos OA e de disseminador das TIC; G5 Na atualidade estamos programando capacitar 300 professores (30 de cada campus em produção de conteúdo didático digital e tutoria e preparação de 20 disciplinas que serão ofertadas a distância). O fomento para esta ação é proveniente da CAPES. A implantação e a expansão das TIC e da EAD é uma realidade em nossa instituição. Os gestores apontaram eventos propostos pelos núcleos para promover a capacitação de professores e alunos. Em suas falas, está contemplado o paradigma construcionista abordado por Freire e Prado (1996), ao falar da construção do conhecimento por meio do computador. Reportamo-nos, também, a Estabel et al (2006) quando considera os AVA portas de entrada para a inserção no ambiente digital. A elaboração de objetos de aprendizagem com a participação efetiva de alunos é uma situação singular na proposta dos NTEAD, o que denota o papel formador e educativo dos núcleos. Sobre as contribuições dos NTEAD implantados nas instituições para a formação continuada dos seus professores, encontramos os seguintes posicionamentos: G1 Pouco significativa, não foram propostos projetos para isto, nem em tecnologias nem em atividades; G2 Contribuiu, sim, mas podia contribuir mais. A EAD é uma modalidade de educação que tem uma possibilidade de oferta muito grande; e também a filosofia e os instrumentos da EAD ainda, devem ser utilizados na educação em geral. Num futuro não muito distante, os critérios que definirão a classificação de cursos em educação a distância ou presencial será inevitavelmente pela aplicação das TIC, hoje associada quase que exclusivamente para a EAD, será também para a educação presencial. A presença maior ou menor das tecnologias estará mais associada à filosofia dos cursos do que a modalidade da oferta; G3 A capacitação dos professores e servidores para conhecer o ambiente virtual de aprendizagem Moodle foi importante. O núcleo poderia ter contribuído mais com a formação continuada dos professores da instituição uma vez que esta oferta envolveu um número pequeno de docentes, aproximadamente 15 professores; G4 Não trouxe contribuições para o processo educativo, nem para promover a capacitação efetiva de professores na TIC; G5 Sim, significativamente. A Licenciatura em Matemática, algumas disciplinas de outras licenciaturas se beneficiam do material produzido. 92 O que nos pareceu implícito nas colocações dos gestores foram as divergências sobre um mesmo assunto: contribuições dos NTEAD implantados nas instituições para a formação continuada de seus professores. Uns consideram que a formação foi contemplada; outros falam exatamente o contrário. Para G1 e G4, o NTEAD não trouxe contribuições significativas para o processo educativo nem para esta formação. Inferimos que o posicionamento de G2 se apoiou na formação continuada difundida por Nóvoa (1992), que passa pelo uso pedagógico das tecnologias e pelo processo de interação do professor com as TIC. Os gestores ao serem indagados sobre como é vista, pela coordenação do EPCT Virtual, a atuação do NTEAD, no âmbito dos Institutos Federais, considerando os objetivos desse projeto, se posicionaram de forma diversa, observando que alguns NTEAD não cumpriram o seu papel nas instituições, no sentido de disseminar as TIC e implantar a EAD, ficando os núcleos reféns de seus coordenadores e de outros participantes. Registraram: G1 Os NTEAD continuariam a fazer os conteúdos digitais e também deveriam atender aos seus objetivos iniciais: disseminar as TIC e implantar a EAD. Os núcleos existentes tinham produção diferente, com resposta muito diferentes. Começaram a acontecer fatos negativos: como produções de interesse pessoal, bolsas com cunho político, alunos bolsistas realizando pesquisas pessoais. O projeto foi então entregue ao CONIF para reavaliar e dar o novo formato necessário; G2 Entendemos que os NTEAD se configuram como um suporte fundamental para a oferta de EAD nos institutos. No entanto, o seu papel deve ser considerado como indispensável no que se refere a sugestões de providências que contribuem para a melhoria da educação presencial. G3 Não avançamos na operacionalização dos objetivos quanto à disseminação das TIC e da EAD. Há institutos federais que possuem milhares de alunos na EAD, como é o caso de Santa Catarina, e outros em torno de milhares de alunos nesta modalidade. G4 O Portal não foi adiante; não tem contribuído com os professores e neles me incluo, pois enquanto professor não me auxiliou na minha área de atuação. G5 Acreditamos que atingimos os objetivos iniciais de criação de núcleo de EAD: disseminamos as TIC e implantamos a EAD, com a expansão dos núcleos para quatro campi. As falas dos entrevistados apontaram percursos diferentes dos núcleos; uns apresentaram resultados positivos, tendo atingido seus objetivos; em outros, os resultados não foram satisfatórios. Na primeira situação, podemos citar G5 quando afirma: acreditamos que atingimos os objetivos iniciais de criação de núcleo de EAD: disseminamos as TIC e implantamos a EAD. 93 Para G3, sua instituição não avançou na disseminação das TIC e da EAD, pois fazer uso delas é uma questão pertinente à formação do professor e sua prática pedagógica, o que vai ao encontro do pensamento de Prado (1999), destacado em nosso referencial teórico. A Gerência Nacional da RENAPI, no período de 2006 a 2009, esteve à frente do planejamento, acompanhamento, monitoramento, supervisão e execução das ações do então Sistema de Informações da Educação Profissional e Tecnológica – SIEP, hoje Rede Nacional de Pesquisa e Inovação em Tecnologias Digitais – RENAPI. O Relatório de Produtos EPCT Virtual55, elaborado por esta rede nacional registrou os resultados obtidos (produtos e impactos) pelos projetos da RENAPI, relativos ao quadriênio 2006/2009, período chamado de Primeiro Ciclo, composto de quatro fases anuais. Segundo a RENAPI, este relatório trará subsídios para a construção do planejamento do Segundo Ciclo da RENAPI, compreendendo o período dos próximos quatro anos – 2010 a 2013. A partir do novo cenário que se vislumbra para a Educação Profissional e Tecnológica da Rede Federal, com a criação dos institutos federais, levantamos junto aos gestores educacionais os objetivos da RENAPI para os NTEAD. G1 A discussão hoje está acontecendo no âmbito do CONIF. A EPCT Virtual que trata da EAD foi entregue ao CONIF com todas as suas ferramentas e também os demais módulos instituídos à época pelo SIEP, como o Observatório Nacional, SIGA, Biblioteca Digital, o Quáli (instalado no IFF, campus Campos –centro). O observatório assumido pelo CONIF está na Câmara de Extensão. Seu objetivo é ler o território da instituição, definir suas ações e políticas de ensino e pesquisa. Cada Instituto terá seu observatório, observando as peculiaridades de cada campus. G2 A EAD, os Ambientes Virtuais de Aprendizagem e as TIC se inserem como itens fundamentais quanto ao aumento, à democratização e à interiorização da oferta que estão no âmbito das atribuições dos NTEAD e também dos Institutos. Cabe uma observação de que toda e qualquer ação que envolva esses itens não prescindem de um rigor com a qualidade dos cursos. G3 Aqui no IFF, anterior aos NTEAD, já fizemos algum movimento para a EAD: capacitação de professores de Ciências no formato semipresencial. A partir do núcleo houve a oferta de dependência em Matemática e Cálculo para os Cursos de Tecnologia, que atualmente não acontece mais. Agora, estamos propondo o Curso Técnico em Segurança do Trabalho, no formato do E- Tec, com o apoio da Prefeitura Municipal de São João da Barra/RJ. 55 Este relatório apresenta a relação de produtos da RENAPI: a) soluções tecnológicas (serviços tecnológicos, ferramentas e portal); b) produção científica (artigos científicos, teses, dissertações e conteúdos didáticos digitais); c) participação em eventos e capacitações (fórum, congressos e conferências). 94 G4 Há no Plano de Metas do MEC o posicionamento de aumentar o número de matrículas nos cursos a distância em várias áreas e níveis de ensino. Os institutos podem contribuir para a EAD com seus vários cursos e potencializar as licenciaturas nesta modalidade. A questão orçamentária seria fator de motivação para a inclusão da EAD nos institutos que ainda não a implementaram. Inferimos que a implantação dos núcleos não passou por uma discussão democrática nas instituições. Surgiu como proposta da SETEC/MEC, sem ser tratada com os dirigentes dos institutos. Após um período de quatro anos de atuação, novamente sem a participação da comunidade dos institutos, os núcleos estão sendo colocados na mesa de discussão do CONIF. Hoje, há um movimento nas instituições para o crescimento da oferta em EAD. Nesta motivação, está implícita a questão orçamentária, segundo a fala de G4. Nosso entendimento sobre a grande oferta de EAD passa também pela preocupação com a sua qualidade. Não devemos perder de vista a qualidade, conforme coloca G2: toda e qualquer ação que envolva esses itens não prescindem de um rigor com a qualidade dos cursos. A qualidade dos cursos presenciais ou a distância perpassa a formação do professor que é uma preocupação de Belloni (1999). Algumas instituições avançaram na implantação da EAD independentemente da criação dos núcleos, pois já tinham proposta para esta modalidade. Os avanços nestas instituições, quando ocorreram, também podem ser creditados aos cursos propostos pela Universidade Aberta do Brasil (UAB) e pela Escola Técnica Aberta do Brasil (e-Tec). Quanto à inserção das TIC no processo educativo também ocorreu timidamente, ora atendendo aos cursos da UAB, ora acontecendo por iniciativas individuais de alguns professores, e não de propostas de caráter institucional. Metade do total de gestores se limitou a responder ‘não'; os demais gestores registraram: G1 Eu diria que cada instituição teve um comportamento; em algumas delas ocorreram mudanças significativas, em outras as mudanças foram aligeiradas. O projeto da UAB foi bastante definidor das mudanças nas instituições que desenvolvem cursos por este sistema; G2 Pelo lado da oferta sim, na medida em que hoje já pode se afirmar significativamente a oferta de cursos a distância nos institutos da rede federal, com matrícula estimada em 50.000 alunos na modalidade de EAD; G5 Primeiramente, o NTEAD foi criado numa infra-estrutura de apoio à pesquisa em ferramentas para produção e repositório de conteúdo. A oferta de cursos ocorreu na seqüência. 95 A presença das TIC e de propostas em EAD já é um fato consumado na educação. Assim sendo, os IF, instituições de perfil tecnológico, não poderiam ignorar as mudanças advindas da cibercultura Lèvy (2007), que é familiar aos alunos, pois estes já dominam as tecnologias. O professor precisará estar preparado para lidar com os alunos ‘nativos digitais’, segundo Prensky (2001). Segundo G1, as mudanças aconteceram de forma diversificada nas instituições, pois em algumas delas ocorreram mudanças significativas, em outras as mudanças foram aligeiradas. Podemos considerar como um dos aspectos mais relevantes destes núcleos, a criação do repositório Inter-Red (ainda não divulgado como deveria para os professores), e a elaboração de objetos de aprendizagem com a participação dos alunos-bolsistas do projeto. Isto contribuiu, de forma positiva, para a aprendizagem desses alunos, embora tenha atingido número reduzido, em média três alunos por instituição com NTEAD. São da competência do NTEAD a elaboração de objetos de aprendizagem e sua disponibilização no repositório InterRed. Outras ferramentas disponíveis na RENAPI (DidaTIC, AvalTIC, Porta Treco, InterAulas, etc) também se encontram à disposição dos professores para uso pedagógico. Fomos investigar se houve e a quem caberia a divulgação para os professores: se seria aos núcleos ou à unidade gestora. No questionário aplicado aos professores e alunos, observamos pelas respostas dadas que a maioria desses sujeitos não tem conhecimento da existência do núcleo em sua instituição; já os gestores se detiveram na questão da responsabilidade. G1 Caberia a todos eles, mas a divulgação ainda era feita de forma interna, isto é, os 10 núcleos utilizavam as ferramentas sem a preocupação de fazer a divulgação entre os professores. Os que fazem uso acessaram estas ferramentas, mesmo sem a divulgação necessária. O Inter-Red será alocado na Biblioteca Digital, e seu uso a partir de julho de 2010 no Portal da EPTC Virtual. G2 A divulgação das ferramentas já disponíveis caberia aos núcleos numa ação conjunta com as direções das instituições. G3 Esta divulgação não ocorreu como deveria, ficando este conhecimento restrito a alguns servidores e professores deste campus. Debito a mim também esta não divulgação, pois deveria ter cobrado do núcleo esta divulgação. G4 Caberia aos NTEAD popularizar a cultura de EAD na instituição, o que não aconteceu. G5 O núcleo de nossa instituição divulgou as ferramentas disponíveis. O inter-Red está integrado no Moodle dos cursos, na página da instituição e estamos ainda evoluindo a ferramenta para versões mais robustas. 96 G6 A divulgação caberia aos dois, podendo ter utilizado a página virtual dos institutos ou da EAD. Mas, cabe registrar que, em algumas instituições, a equipe dos núcleos democratizava as informações sobre as ferramentas e eventos propostos. Entendemos que a divulgação dos NTEAD caberia a cada um deles em suas respectivas instituições, com o suporte da coordenação da unidade gestora – IFCE. Segundo G1, a divulgação caberia aos dois; no entanto o que se verificou foi que as informações circulavam entre os núcleos, não chegando aos professores. Tendo os NTEAD o objetivo de disseminar as TIC e a EAD, entendemos que este modo de fazer circular as informações ia de encontro aos objetivos e finalidades da EAD, que pressupõe a comunicação e a aprendizagem em rede, como bem salientam Moran (2007) e Gomes (2007). A proposta da EPCT Virtual é contribuir para a formação profissional e tecnológica, e também atuar na qualificação dos professores. Entendendo que a formação de professores é também uma formação profissional e a partir das falas dos entrevistados, foi possível apreendermos que os NTEAD não atuavam em toda formação profissional e tecnológica dos institutos e também em seus cursos de licenciaturas. Cinco gestores assim se pronunciaram: G1 Na época da criação dos núcleos, não houve esta preocupação de atuar nas licenciaturas, porque não era o seu maior foco. As licenciaturas não eram o horizonte que vislumbrávamos, embora nada impedíssemos que as licenciaturas estivessem envolvidas, já que elas estavam em fase de expansão na rede. A Licenciatura é quem mais ganhará com a EAD. Hoje ela é o foco principal da SETEC/MEC quando serão priorizados os laboratórios virtuais que são específicos das licenciaturas; G2 do meu ponto de vista, a EAD ainda não ocupa o espaço devido. Atuar na docência a distância ainda, no geral, não ocupa nos cursos de licenciatura o destaque necessário. No entanto, já observamos iniciativas no IFF comprometidas com a alteração deste quadro. Este projeto não tratou com a atenção necessária desta formação especificamente, mas ao serem implantadas licenciaturas pelo sistema da UAB em alguns dos institutos, a discussão sobre o tema acontece; G3 reconheço hoje que enquanto gestora deveria ter sido mais incisiva no cumprimento dos objetivos do projeto, não permitindo que atuassem apenas na pesquisa; não que eu desmereça as atividades de pesquisa. Não houve um movimento forte para atuar na qualificação dos professores, muito menos privilegiando as licenciaturas. G4 não atendeu como devia; foi pontual, atendendo a alguns professores. O NTEAD não desempenhou esta função; poderia ter sido um núcleo mais atuante. G5 sentimos que a principal dificuldade é de recursos humanos para atuar em EAD, esse profissional precisa ser formado nessa nova modalidade e práticas didáticas. Novas competências e habilidades são requisitadas para trabalhar com EAD. 97 As respostas dos entrevistados apontaram que os NTEAD não tinham como meta atuar na formação continuada dos professores e nas licenciaturas, em qualquer das modalidades. G1 coloca com clareza que as licenciaturas não eram o foco do NTEAD, mas a licenciatura é quem mais ganhará com a EAD. Hoje ela é o foco principal da SETEC/MEC quando serão priorizados os laboratórios virtuais que são específicos das licenciaturas. Segundo G2, o projeto dos núcleos não contemplava as licenciaturas, mas em decorrência de outros projetos como a implantação de licenciaturas pelo sistema da UAB em alguns dos institutos, a discussão sobre o tema acontece. Enquanto para G3, o núcleo privilegiou a pesquisa e não houve um movimento forte para atuar na qualificação dos professores, muito menos privilegiando as licenciaturas. Segundo Freire; Prado (1996), Lèvy (1999), Silva (2003), Arruda (2004), Moran (2003) e Santos (2010), capacitar os professores para a o uso pedagógico das TIC é fundamental para termos uma educação de qualidade, em qualquer modalidade, o que inclui também, preparar o professor para docência online. Concluímos a análise das entrevistas realizadas, verificando se os entrevistados tinham conhecimento como se deu a implantação desses núcleos nas instituições pela SETEC/ MEC, em 2005/2006. Eles falaram sobre a possibilidade de retorno das equipes dos NTEAD aos institutos federais, já que as bolsas de pesquisas foram suspensas pela RENAPI, em 2009. Respondendo à questão da implantação, os entrevistados fizeram uma retrospectiva interessante, apresentando contribuições esclarecedoras sobre o SIEP. G1 O SIEP vem do governo Fernando Henrique Cardoso, com recursos do BIRD para o PROEP com o objetivo de monitorar a educação profissional. Este plano estratégico é o início, e a REDENET também. A afirmação naquela época do SIEP abrangendo os diversos módulos (EPCT Virtual, Observatório, Biblioteca Digital e SIGA) para assegurar o papel da SETEC na execução de projetos e acompanhamento da EPT. A criação inicial destes núcleos teve como referencial a REDENET – Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica, órgão constituído em consórcio, pelos Centros Federais de Educação Tecnológica e Escolas Técnicas Federais das regiões Norte e Nordeste. G2 A implantação dos NTEAD poderia ser o embrião da EAD nestas instituições. Não existe nenhum programa formalizado para instituir estes núcleos. Essa ação se deu a partir da SETEC que resolveu apoiar e fomentar a EAD na rede. As instituições envolvidas se comprometeriam a criar os núcleos, com a garantia de aporte financeiro que viria da secretaria para a concretização dos núcleos. G3 O MEC convida os nossos professores para participarem de projetos sem comunicar à instituição. No caso dos NTEAD as instituições não foram ouvidas para esta implantação. 98 G4 A idéia nesta instituição era uma coordenação de EAD. Com a questão do NTEAD procuramos unir as duas questões, mas o projeto do MEC estava muito focado nos Objetos de Aprendizagem, e com isso não desenvolveu as propostas da CEAD. Esta coordenação deveria estar na área de ensino, e não na pesquisa e pós-graduação, com to foco não ficou direcionada para o ensino. Hoje a EAD é uma decisão dos gestores; é uma ação estratégica e está ligada ao Ensino por questões também orçamentárias: o aluno de EAD está contemplado na matriz orçamentária. Existe uma proposta de pós-graduação da instituição para a EAD na área de pesca para todo o Brasil, a partir de uma experiência presencial realizada por esta instituição. Também já está em fase de implantação o Projeto Tecnologia, Comunicação e Educação com o objetivo de inserir as TIC para mudar o paradigma de aprendizagem aqui no campus Campos - Centro. G5 O NTEAD já é uma realidade institucional e reconhecida por todos. Nossa comunidade está familiarizada com o SIEP e seus módulos, incluindo o Portal da EPCT Virtual. Desenvolvemos um número significativo de AO e também a EAD em nossos diversos campi. Com base nas respostas dos entrevistados, pôde-se perceber que a criação dos NTEAD se deu informalmente, sem uma discussão prévia com as instituições envolvidas, isto é, não teve origem em um projeto específico para os núcleos. Segundo G1, a criação inicial destes núcleos teve como referencial a REDENET, como estratégia para a concretização do SIEP e seus módulos, onde destacamos o Portal da EPCT Virtual. Esta questão é corroborada pelo respondente G5, que reconhece a concretização do SIEP incluindo o Portal da EPCT Virtual, como também, o desenvolvimento da EAD, que atinge outros campi, e a elaboração dos objetos de aprendizagem. O portal e suas contribuições para a EPT vêm sendo tratados por SERRA; SILVA; SOARES (2008) por ofertar alternativas tecnológicas voltadas para o ensino-aprendizagem presencial e a distância e prover os meios e ferramentas para que o professor incorpore à sua prática pedagógica. Estes são os novos desafios para a Educação Profissional e Tecnológica (EPT). Atualmente, há um maior interesse dos gestores dos institutos, pela implantação da EAD onde esta modalidade não se faz presente. Além de outras questões, cabe registrar o fator orçamentário, uma vez que os alunos desta modalidade passam a ser receita no orçamento dos institutos. “Esta questão é abordada por G4: hoje a EAD é uma decisão dos gestores; é uma ação estratégica e está ligada ao ensino por questões também orçamentárias: o aluno de EAD está contemplado na matriz orçamentária”. No que diz respeito ao retorno das equipes de pesquisadores aos NTEAD, quatro entrevistados emitiram posição sobre este problema. 99 G1 Sim, mas em outra dimensão, fortalecendo os grupos que querem ir adiante com as TIC e a EAD. Os núcleos teriam um novo formato para desenvolver duas vertentes importantes da EPTC Virtual: a) Elaboração de Conteúdos Digitais (CDD), com definição dos apoios; b) Construção de laboratórios virtuais, desenvolvidos por grupos de pesquisa. Disponibilizar a metodologia existente no Instituto Federal de Santa de Catarina (IFSC) para a construção de novos laboratórios. Será feito o mapeamento nacional na rede de grupos que tenham tecnologia e pesquisa para propor novos laboratórios e novas tecnologias. G2 Os núcleos foram absorvidos pela implantação de programas especiais voltados para a EAD: UAB e e-Tec Brasil. É necessário que estes núcleos se mantenham independente de uma ação mais direta da SETEC para desenvolver a pesquisa dentro das instituições. G3 Acho que é possível para atender a demanda da EAD. O CONIF está em muitas frentes e esta é uma delas, mas a discussão sobre a manutenção do projeto no mesmo formato ainda não aconteceu. G4 Não estou participando desta discussão da retomada das equipes. Os professores não tiveram acesso aos OA em criação. Toda produção ficou restrita ao grupo de discussão do projeto. G6 Esta discussão foi transferida para o CONIF, órgão que congrega os reitores, de caráter consultivo e deliberativo. Em nosso entendimento, no momento da criação dos núcleos, o CONIF não teve participação. Após a desarticulação dos núcleos pela SETEC/MEC (2009), a discussão sobre sua reativação institucional (ou não) foi transferida para o CONIF. O Inter-Red é uma realidade, disponibilizando a produção de CDD realizada pelos núcleos e os módulos do SIEP; isto deve ser considerado e aproveitado pela rede, como também os demais projetos do SIEP. O respondente G1 faz referência a um novo formato de núcleos com duas vertentes importantes: elaboração de Conteúdos Digitais (CDD), com definição dos apoios; e a construção de laboratórios virtuais, desenvolvidos por grupos de pesquisa. Com esta nova proposta de configuração de núcleos, os professores, para contribuírem, deverão adquirir novas competências no uso pedagógico das tecnologias. Esta questão é tratada por Mendelsohn (1996, apud PERRENOUD, 2000). Os CDD no formato de objetos de aprendizagem são objetos de estudo para Bettio e Martins (2004), enquanto possibilidade de estímulo à reflexão do aluno e de aplicação a diversos contextos de aprendizagem. É oportuno destacar que as entrevistas com esses gestores foram importantes para compreender melhor nosso objeto de estudo. Os entrevistados trouxeram contribuições esclarecedoras sobre a EPCT Virtual, o repositório Inter-Red, ambos relacionados com os 100 NTEAD. Das entrevistas feitas, destacamos a respondida pelo Gerente da RENAPI, que embora não atuando em nível de NTEAD, proporcionou uma espécie de ‘avaliação externa’, destacando aspectos muito interessantes sobre os NTEAD. A fala de alguns entrevistados (enquanto gestores do projeto) foi muito clara no sentido de esclarecer que a proposta não tinha como objetivo atender às licenciaturas de forma especial. Visava à Educação Profissional e Tecnológica de forma geral. 4.2. A PERCEPÇÃO DE PROFESSORES DAS LICENCIATURAS DO INTITUTTO FEDERAL FLUMINENSE Dois fatos nos intrigavam bastante no IF Fluminense: (1º) a não inserção das TIC nos seus cursos presenciais de formação de professores; e (2º) a não adoção de cursos na modalidade semipresencial. Como formar um profissional da educação em nossos dias, sem o conhecimento essencial das tecnologias e sua aplicação pedagógica? Os professores da contemporaneidade terão como alunos os nativos digitais que dominam as tecnologias. Os docentes das licenciaturas do IFF constituem outro segmento dos sujeitos de nossa pesquisa. Enviamos por e-mail o questionário (Anexo 4) para 150 professores que lecionaram nas licenciaturas no período de 2006 a 2009, tendo obtido a participação de somente 21 professores, doravante designados de P1, P2, P3, P4..., seguindo a seqüência numérica até 21. Observamos que alguns não responderam por e-mail, preferindo entregar o questionário respondido impresso. No contato com dois deles, tomamos conhecimento de que eles não sabiam anexar o arquivo para enviar. Em uma pergunta que fazia referência às ‘TIC’, o professor respondente escreveu que desconhecia o seu significado. Pudemos observar que há uma disparidade entre os respondentes, quanto ao domínio e uso das TIC, pois enquanto uns não possuem os conhecimentos básicos, outros dominam e usam. Também participaram da pesquisa quatro professores que cursam o doutorado interinstitucional em Informática na Educação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul- UFRGS, sendo três professores de Matemática e um de Língua Inglesa. Com base nos dados coletados, identificamos o curso em que os professores exercem suas atividades, como também sua participação (ou não) em curso a distância. Do grupo de 21 professores, 15 participaram de curso a distância, sendo que 11 na modalidade online; os 101 demais (seis) não participaram de qualquer curso a distância. O ambiente de aprendizagem mais utilizado em seus cursos foi o Moodle (11 docentes), seguido do TelEduc (três), e outros como: Rooda, CEDERJ, EVA. Procuramos extrair das respostas dos professores como se deu a implantação do NTEAD em sua instituição, as atividades e eventos propostos e dados sobre o envolvimento dos professores e licenciandos nas suas atividades. Grande parte dos professores não sabia como se deu a implantação dos núcleos, não tinha conhecimento das atividades propostas. Este desconhecimento deve ter prejudicado o envolvimento de professores e alunos das licenciaturas. Destacamos 13 respostas que evidenciam este descontentamento. P1 Fiquei sabendo da implantação desse núcleo através de alguns projetos como o de dependência na disciplina de Cálculo e o do curso de Inglês Instrumental. O meu envolvimento se deu pelo interesse que tenho em estudar e usar mais os recursos tecnológicos. Acho que a oferta de cursos nessa área poderia ser ampliada, até porque o curso de Inglês foi oferecido apenas aos alunos. Tive uma autorização especial para cursá-lo. P2 Desconheço a implantação. Destaco as duas atividades em que participei: Curso de Leitura Instrumental em Inglês a Distância para alunos das Licenciaturas (2008), Oficina de Mapas Conceituais (2010). Verifico pouco envolvimento de docentes e licenciando no NTEAD, fato que atribuo ao desconhecimento de seu potencial e ao desinteresse geral por pesquisa e uso didático-pedagógico das tecnologias digitais. P3 Não tenho informações para responder. Desconheço. P4 Desconheço as atividades do NTEAD no IFF campus Campos – Centro. Desconheço qualquer atividade de implantação do núcleo. Sou tutor do CEDERJ e vejo como é valiosa a atividade EAD nas práticas de ensino. P5 Tenho conhecimento do Núcleo de pesquisa na área de Matemática a partir de 2006. Acredito que a ocorrência de eventos e cursos voltados para alunos e professores que atuam no segmento poderia contribuir. Entretanto, a estruturação de um projeto com financiamento do MEC ou órgão de fomento poderia ser de grande relevância. É preciso sensibilizar as pessoas para participar dos cursos/treinamentos. P6 As atividades devem ser mais bem divulgadas e os núcleos devem incentivar a participação de professores e alunos. Não tenho essa informação da implantação. P7 A implantação deste Núcleo veio atender a uma demanda do Governo Federal na implantação de um Repositório de Objetos de Aprendizagem (InterRed) na qual 11 instituições da Rede Federal de Educação Tecnológica se comprometeram a desenvolver objetos de aprendizagem para povoarem o Repositório InterRed. Este Núcleo foi concebido para ser um Núcleo de Pesquisas científicas, na qual seus coordenadores se comprometeram a desenvolver OAs e em contrapartida, bolsas de pesquisa foram definidas para os alunos de cursos superiores de cada Instituição. Artigos científicos seriam resultantes dessas pesquisas. 102 P8 Sei que o IFF implantou um núcleo, mas não sei detalhes desta implantação. Destaco como atividades do NTEAD as Oficinas como as promovidas sobre o Moodle e a Semana da EAD. P9 Não participei da implantação. Não posso responder. Desconheço as atividades. P10 Não sei responder. P11 Infelizmente não estou bem informado. P12 Não tenho dados para responder. P13 Como foi a implantação demanda uma série de informações precisas e detalhadas, que não possuo para responder a questão adequadamente. P15 Não tenho informações adequadas para responder. Cabe registrar que um significativo número de questões não foi respondido pelos professores que participaram da nossa pesquisa; esta é uma delas. A implantação do núcleo em nossa instituição aconteceu sem uma discussão anterior e, também, não se verificou um movimento institucional para marcar sua presença no momento de sua implantação. Assim, as repostas evidenciam unanimemente o desconhecimento da criação dos núcleos. Isto também sugere que somente algumas pessoas tinham informações privilegiadas sobre o setor. Os professores P1 e P7 possuíam alguma informação sobre a existência dos núcleos, mas como se deu sua implantação, não souberam informar. Segundo P7, há, por parte do governo, um projeto para desenvolver objetos de aprendizagem para povoar o Repositório InterRed. No entendimento de estudiosos sobre os OA, Bettio e Martins (2004), esses objetos devem ter um propósito educacional bem definido, com o objetivo de estimular a reflexão do estudante, podendo ser aplicado a múltiplos contextos de aprendizagem. Tomando como referência os objetivos dos núcleos, buscamos saber como eles se concretizaram na prática, e de que forma contribuíram para a capacitação de professores. Aqui também foi possível perceber o desconhecimento dos docentes sobre a atuação do núcleo no IFFcampus Campos- Centro. As perguntas não foram respondidas na maioria dos questionários; outras nada acrescentavam: Não tenho informações sobre a questão; Não sei informar; Não tenho condições de dizer; Não tenho clareza sobre isso; Desconheço; Não participei. Não posso responder; Pouco divulgado; Não tenho essa informação; Não tenho informações para responder; Não tenho dados para responder. 103 Destacamos, no entanto, algumas respostas que dão pistas sobre os temas anteriormente mencionados: (os objetivos do NTEAD e implicações na capacitação docente). P1 penso que os objetivos sejam: fomentar a pesquisa através de projetos de iniciação científica e capacitar esses alunos quanto ao uso das novas tecnologias em contextos educacionais; P2 tenho conhecimento das seguintes iniciativas: Formação Continuada para professores de Matemática e Física da Rede Pública, Cursos de capacitação para servidores administrativos, Curso de Leitura Instrumental em Inglês a Distância para alunos das Licenciaturas, Reforço para alunos dependentes em Cálculo, Oficina de Mapas Conceituais, Curso de Gestão de Redes Sociais em Informação, desenvolvimento de Objetos de Aprendizagem, participação no projeto Inter-Red. O curso “Leitura Instrumental em inglês a Distância” ofereceu aos graduandos a possibilidade de desenvolverem e ampliarem sua competência em ler e compreender textos em inglês, de forma a facilitar seu acesso à produção científica e acadêmica. A Oficina de Mapas Conceituais possibilitou a licenciando e professores a oportunidade de aprender a construir mapas conceituais na ferramenta CMap Tools e a refletirem acerca de seu uso como recurso e estratégica didática; P3 quanto aos objetivos, também não possuo informações suficientes para responder, mas sei que se busca, neste setor, estimular a produção, e efetivamente produzir, atividades de educação a distância. Acredito que o setor e suas atividades são pouco conhecidos na instituição; P4 até onde sei não há nenhuma interação do NTEAD com os alunos do curso de Ciências da Natureza. Desconheço as atividades realizadas. Há diversas possibilidades que poderiam ser discutidas com professores e alunos. O mais importante é a discussão das idéias e não a aplicação das atividades sem a devida capacitação dos professores. Desconheço as atividades de NTEAD. Já ouvi falar de um seminário, mas não vejo nenhuma atividade concreta. Não sabia que o núcleo estava ativo; P5 acredito que a ocorrência de eventos e cursos voltados para alunos e professores que atuam no segmento poderia contribuir. Entretanto, a estruturação de um projeto com financiamento do MEC ou órgão de fomento poderia ser de grande relevância. Precisamos avançar significativamente nos equipamentos e pessoal para suporte; P6 minha impressão é a de que, como os demais núcleos de pesquisa do IFF, o NTEAD é pouco conhecido pela comunidade docente e discente em geral; P7 não foram oferecidos ainda atividades para a capacitação de docentes. A contribuição será repassar aos professores ações de EAD com o uso de recursos digitais e ambientes virtuais para que possam fazer uso em suas práticas de ensino. Vejo o NTEAD e sua equipe, com muito mais destaque fora da instituição, visto a continuação do desenvolvimento de OAs para o repositório InterRed; P13 na minha percepção, o seu envolvimento com os professores e alunos ainda é pequeno. P19 não sei, imagino que seja na melhoria dessa formação visando oferecer instrumentos que aprimorem a prática de licenciandos e professores na escola. 104 Entre as finalidades dos NTEAD, destaca-se a proposta de elaboração de objetos de aprendizagem que seriam disponibilizados num repositório para o acesso dos professores. Este tema é tratado por P7 em sua fala e está em consonância com o que defende WILEY (2000, p. 3), ao dizer que o OA valoriza a criação de componentes que podem ser reutilizados em múltiplos contextos, e também sendo definido como qualquer recurso digital que possa ser reutilizado para o suporte ao ensino (idem). Não era do conhecimento da maioria dos respondentes os objetivos dos NTEAD, como também o núcleo e suas propostas. Para P3, que embora não tendo clareza quanto aos objetivos, os núcleos deveriam: estimular a produção, e efetivamente produzir, atividades de educação a distância. Acredito que o setor e suas atividades são pouco conhecidos na instituição. Na continuidade da pesquisa, fomos buscar informações sobre as atividades propostas pelo NTEAD: como são divulgadas, como se desenvolvem e em que medida têm contribuído para a capacitação dos professores. Sete responderam do seguinte modo: P1 No curso de Inglês, em alguns momentos tivemos que adiar o prazo de entrega das atividades porque o sistema estava “fora” naquele período. Dessa forma acho que os setores do IFF responsáveis por essa comunicação precisam dar um melhor suporte aos professores desses cursos para que os trabalhos não sejam interrompidos. No meu caso fiquei sabendo do curso através do convite feito pelos professores de Inglês diretamente nas turmas da Licenciatura. Não posso negar a participação do núcleo em alguns projetos, mas ainda é pouca a sua contribuição para a melhoria do trabalho de professores e alunos do IFF. P2 As maiores dificuldades resultaram de problemas de infra-estrutura técnica/tecnológica, por exemplo, falta de acesso à rede, falta de suporte técnico. As atividades propostas foram divulgadas nas Coordenações de Curso, em sala de aula e no site da instituição. O núcleo oportuniza a realização de projetos de pesquisa e de iniciativas que incorporam e fomentam o uso de tecnologias tanto na modalidade a distância quanto na presencial ou semipresencial. P3 Não tenho essa informação e desconheço as atividades do núcleo. P4 Eu nunca recebi nenhuma informação. Faltou divulgação. Na verdade vejo um grave problema de falta de divulgação dos eventos realizados pelo IFF. Vários eventos de extensão que são extremamente importantes, como o seminário do observatório ambiental ocorrido ano passado não teve a divulgação devida. Sou tutor do CEDERJ e vejo como é valiosa a atividade em EAD nas práticas de ensino. Um exemplo para dinamizar o ensino, a dependência poderia ser a EAD, uma vez que o aluno necessita apenas de metade da carga horária. Facilitaria o aluno, pois não precisaria trocar de turno ou perder aulas do atual período. A semana do meio ambiente ocorrida no campus Guarus não foi devidamente divulgada. Estes fatos não são importantes para a sua pesquisa, mas estou citando estes exemplos para mostrar que o principal problema é a falta de informação/divulgação dentro do campus 105 P7 O NTEAD tem atualmente uma única linha de pesquisa que é o desenvolvimento de materiais pedagógicos e não de formação continuada de professores. O que estamos fazendo é colocando os materiais desenvolvidos em um ambiente denominado Moodle no qual os professores podem acessar e usar os materiais. P8 Considero as Oficinas promovidas sobre o Moodle e a semana de EAD como atividades importantes realizadas, mas não sei avaliar se contribuíram para a capacitação de professores. P10 Para os meus alunos, sempre trago ferramentas para desenvolverem atividades (hot potatoes, mapa conceitual e mental, softwares e recursos de ambientes virtuais e do Google). A maioria não respondeu às indagações feitas e, entre os respondentes, alguns se distanciaram das perguntas; outros colocaram que as atividades não aconteceram, não contemplaram a capacitação de professores e não foram divulgadas. Para P4 nada é divulgado: eu nunca recebi nenhuma informação. Faltou divulgação. Na verdade vejo um grave problema de falta de divulgação dos eventos realizados pelo IFF e, também, para P1, ao afirmar: não posso negar a participação do núcleo em alguns projetos, mas ainda é pouca a sua contribuição para a melhoria do trabalho de professores e alunos do IFF. Para concluir junto a este segmento, procuramos saber como os docentes interagiam com as TIC em sua prática pedagógica e, também, se já tinham proposto atividades para seus alunos, em ambiente virtual de aprendizagem. Das respostas, verificamos que mais de 60% (12 dos participantes) fazem uso das TIC, sendo que 50% dos professores (11) não utilizam qualquer ambiente virtual de aprendizagem em suas aulas. Seguem-se as respostas dos 12 professores que fazem uso das TIC. P1 Tenho utilizado muito pouco, mas tenho buscado conhecer alguns programas e utilizá-los nas aulas bem como em projetos de monografia. Não tenho utilizando nenhum ambiente virtual de aprendizagem. P2 Neste momento, não sou professora dos cursos de licenciatura. Entretanto, vários alunos dos Cursos de Tecnologia tornam-se professores. Assim, creio estar cooperando para a formação de uma mentalidade mais aberta ao uso das TIC. Com os alunos do 3º Período de Tecnologia, faço atividades de leitura orientada de textos autênticos disponíveis na Web. Desenvolvi e atuei como tutora no curso “Leitura Instrumental em Inglês a Distância” para alunos das Licenciaturas do IFF – campus Campos - centro P3 Tenho incorporado as TIC a minha prática pedagógica, na medida do possível. No Estágio Curricular Supervisionado houve participação em Fórum Virtual. Nas aulas de Prática Pedagógica utilizamos em um semestre o sistema EVA. 106 P4 Quando entrei no IFF, fiz uma proposta de participação dos alunos no fórum, mas não foi bem aceita, e como não conhecia o NTEAD não realizou as atividades. P5 Acredito que uma vez dominada a tecnologia de uso teríamos reflexos na qualidade dos cursos. Não tenho utilizado no momento; preciso conhecer mais para aplicá-las. P6 Sendo professor de cursos de formação de professores, tenho procurado utilizar diversos métodos e materiais que facilitam a aprendizagem e a comunicação durante as aulas. O uso de softwares e da tecnologia é importante na área de Matemática para facilitar a observação de propriedades e elementos. Nas minhas aulas uso os softwares: Calques3D, Excel, Winplot, Régua e Compasso. P7 Para os meus alunos, sempre trago ferramentas para desenvolverem atividades (hot potatoes, mapa conceitual e mental, softwares e recursos de ambientes virtuais e do Google). P8 Acredito que as TIC são recursos que podem contribuir significativamente para a construção do conhecimento, isso não só do ponto de vista da EAD, mas também no ensino presencial. Uso freqüentemente tais tecnologias com meus alunos e faço parte de um projeto de pesquisa que relaciona aprendizagem matemática e TIC. Mas, meu foco sempre foi o ensino presencial, utilizando softwares matemáticos e applets. No âmbito do projeto de pesquisa, realizamos diversos minicursos para licenciandos em Matemática, propondo formas de aplicação de recursos digitais na prática docente. P9 A Prática Profissional propõe um Fórum de Discussão e como sou professora de Prática Pedagógica, incentivo meus alunos a participarem P10 Faço uso pedagógico das TIC para construção de conhecimentos nas disciplinas que ministro. Em particular, na disciplina Educação Matemática e Tecnologias contribuo de forma mais direta com os professores de Matemática em formação. Nessa disciplina é realizado um estudo de vários softwares, sites, applets56 que contém recursos que possibilitam a aprendizagem de Matemática. Vale ressaltar que não é uma abordagem das TIC com fim em si mesmo, mas sim de forma relacionada aos conteúdos de que os professores em formação precisarão em suas futuras práticas docentes. P12 Procuro incorporar as TIC em minha prática pedagógica. Proponho atividades com vídeos de youtube, internet, jogos online, e-mails de grupo, Power point, aulas enviadas virtualmente para os alunos, envio de textos por e-mail, etc. Muito pouco, em relação ao que poderia. Utilizo apenas o básico, como projetores e slides elaborados em Power Point e mapas eletrônicos. Várias atividades que demandaram análise específica de sites ou informações disponibilizadas em internet. O objetivo era não apenas que o aluno coletasse dados, mas percebesse como as informações neste meio têm aspectos positivos, como a rapidez com que elas são divulgadas, e negativos, como a superficialidade e incorreção de muitas delas. 56 Applets (applets Java) são programas desenvolvidos em linguagem de programação Java®, que podem ser incluídos em códigos HTML (DEITEL H. M; DEITEL. P. J, 2003). Estes, em geral, visam à adicionar interatividade a aplicações Web. 107 Segundo P2, P3, P6, P8, P12, as TIC estão presentes na Educação num diálogo com os professores, modificando a sua prática pedagógica e, desta forma, interferindo na relação professor e alunos. Assim sendo, estes professores comungam com as idéias de Prado (1999) de que as TIC, o computador e a internet na educação, envolvem a formação do professor e, conseqüentemente uma reflexão na e sobre a prática pedagógica do professor. Assim, não cabe mais a discussão sobre a presença das TIC na educação, nas salas de aula, virtuais ou não. As TIC estão presentes, também, em nosso cotidiano e nos espaços pedagógicos. Segundo Fabel, 1993; Turkle, 1984 citados por OLIVEIRA, 2008, o que garante sua sobrevivência pedagógica é a qualidade da interação professor/tecnologia/aluno. 4.3. O ENTENDIMENTO DE INTEGRANTES DOS NÚCLEOS Nesta seção, apresentamos os depoimentos de integrantes dos núcleos dos NTEAD que participaram de nossa pesquisa, a saber: coordenadores, alunos bolsistas e servidores pesquisadores. Enviamos e-mail para esses sujeitos, todos vinculados aos dez núcleos. A resposta ao nosso convite para participarem da pesquisa não foi a esperada. A composição dos núcleos sofreu alterações significativas: os componentes da fase inicial não permaneceram nos períodos posteriores; outros ainda estavam se inserindo nos núcleos, ou seja, vivenciavam um período próximo à fase em que o programa de bolsas para pesquisadores e alunos fora interrompido, para o projeto ser avaliado. Assim, alguns componentes dos núcleos não quiseram responder ao questionário, argumentando pouco conhecimento sobre os objetivos e finalidades do projeto. Nossas indagações para estes sujeitos da pesquisa versavam sobre: a implantação dos NTEAD e sua atuação nos IF; seus objetivos em relação à formação dos licenciandos e capacitação dos professores; a participação dos sujeitos no projeto; o envolvimento dos núcleos com as licenciaturas, com as TIC e a EAD e suas contribuições; as ações e projetos propostos e sua divulgação; e a interlocução com a prática pedagógica. Participaram de nossa pesquisa, respondendo ao questionário, sete integrantes dos núcleos, sendo cinco do núcleo do IFF, campus Campos Centro e dois de outros núcleos, sendo um do IFMT, campus Cáceres e o outro IFCE, campus Fortaleza. Apenas um aluno bolsista participou de nossa pesquisa; os demais participantes eram servidores das instituições 108 anteriormente citadas. Todos estes são indicados da seguinte forma: I1 (integrante 1), I2 (integrante 2), ... até I7 (integrante 7). Inicialmente, perguntamos se eles sabiam da implantação dos núcleos, quando e como este momento se deu. As respostas apresentaram as informações a seguir transcritas. I1 A implantação deste Núcleo veio atender a uma demanda do Governo Federal na implantação de um Repositório de Objetos de Aprendizagem, em que as 11 instituições da Rede Federal de Educação Tecnológica se comprometeram a desenvolver objetos de aprendizagem para povoarem o Repositório InterRed. Na implantação do NTEAD, foram feitas no IF Fluminense algumas reuniões com os coordenadores das áreas de tecnologia e licenciatura divulgando o NTEAD e colocando-se à disposição para a elaboração de OAs de outras áreas. I2 A minha instituição foi convidada para participar de um projeto, em que a criação do núcleo era uma exigência, que tinha como objetivo a inclusão de tecnologia de informação aplicada à educação. I3 O NTEAD iniciou em fins de 2005 no CEFET Campos. I4 O NTEAD no antigo CEFET Campos teve início efetivo no ano de 2006, tendo como ação primeira a implementação de aulas de dependência e reforço na disciplina de Matemática, na modalidade a distância, para alguns cursos superiores da Instituição. As ações até o ano de 2008 ficaram restritas as aulas de reforço e dependência. Nenhum curso de educação continuada ou de qualquer outro gênero foi implementado. I5 Deu-se em 2006 por portaria do então diretor do CEFETCE, e eu atuava como coordenadora do Núcleo. I6 Tenho conhecimento do Núcleo de pesquisa na área de Matemática a partir de 2006. I7 A implantação se deu neste mesmo ano (2006), e por uma portaria foi instituído o NTEAD, na ocasião Escola Agrotécnica Federal de Cáceres, hoje Instituto Federal de Mato Grosso-Campus Cáceres, para que as atividades do projeto fossem ali desenvolvidas. Todos os respondentes tinham conhecimento da implantação dos núcleos; sendo que dois não fizeram qualquer referência ao modo como foram implantados. Para I1, a implantação visou atender a demandas de governo, tendo sido feitas reuniões na própria instituição para sua divulgação e, também, para a proposta de elaboração de OA; já I2 destaca que o NTEAD tem por objetivo a inclusão das TIC na educação. No entendimento de I4, podemos apontar como primeira ação o projeto de reforço e dependência a distância (2006), mas ainda segundo I4, as ações até o ano de 2008 ficaram restritas às aulas de reforço e dependência. Nenhum curso de educação continuada ou de qualquer outro gênero foi implementado. Alguns respondentes (I1, I4, I5 E I7) fazem referência ao modo de implantação dos núcleos (portarias, reuniões e oferta de 109 curso); já os objetivos não foram assinalados por três respondentes: I3, I5 e I6. Ficou evidente que o conhecimento dos sujeitos em relação ao ‘quando’, ‘como’ e ‘objetivos dos núcleos’ é fragmentado. Quanto ao atendimento dos objetivos dos NTEAD de sua instituição em relação à formação dos licenciandos, à capacitação dos professores e à forma como esses objetivos foram ou estão sendo colocados em prática, os sujeitos visualizaram essas questões da seguinte forma: I1 Este núcleo foi concebido para ser um núcleo de pesquisas científicas, na qual seus coordenadores se comprometeram a desenvolver OAs e em contrapartida, bolsas de pesquisa foram definidas para os alunos de cursos superiores de cada Instituição. Artigos científicos seriam resultantes dessas pesquisas; I2 No meu entendimento o objetivo do NTEAD na minha instituição não foi alcançado, embora alguns eventos em EAD tenham acontecido para levar aos professores o conhecimento de novas tecnologias e de ambientes de aprendizagem. A participação dos professores foi pequena e a divulgação das atividades do núcleo também. Mesmo após o evento não houve mudanças significativas na instituição quanto ao uso das TIC e da oferta de EAD, na minha percepção; I3 Oferecer suporte à distância para formação continuada de professores. Como não pertenço ao núcleo desde 2009, não sou capaz de responder como seus objetivos estão sendo considerados; I4 Há alguns professores de licenciatura desenvolvendo pesquisas voltadas para ações específicas, mas são restritas a alguns projetos e não para a licenciatura como um todo. Desconheço a forma como esses objetivos foram ou estão sendo colocados em prática; I5 Primeiramente o NTEAD foi criado com o objetivo de dar apoio à pesquisa em ferramentas para produção e repositório de conteúdo. A oferta de cursos a distância ocorreu naturalmente; I6 Não tenho elementos para responder; I7 A princípio as atividades estavam voltadas para o desenvolvimento de material instrucional para o repositório InterRed. O núcleo também mantém a plataforma Moodle e assessora os professores. Observamos que, no conjunto das respostas, as questões abordadas foram respondidas parcialmente, pois se detiveram nos objetivos dos núcleos. Com exceção de I4, os demais destacaram os objetivos: desenvolver e apoiar pesquisas, desenvolver material para o Inter-Red, dar suporte à formação continuada de professores. Para I1, os núcleos atenderiam às pesquisas científicas que produziriam artigos e, também, contribuiriam para o desenvolvimento de objetos 110 de aprendizagem. Já I4 desconhece os objetivos. O respondente I6 disse não ter elementos para dar respostas. Procuramos conhecer as atividades ou eventos propostos pelos NTEAD considerados relevantes pelos componentes, no que se refere à capacitação de licenciandos e professores no uso pedagógico das TIC e da EAD, bem como as contribuições que tais proposições ofereceram à formação de licenciandos e dos docentes do Instituto Federal. Destacamos algumas falas. Ocorreu a oferta de cursos de capacitação e eventos como os encontros de EAD, que possibilitou aos licenciandos e aos docentes do Instituto Federal Fluminense o conhecimento de novas tecnologias e de ambientes de aprendizagem. I3 Foram oferecidos cursos para professores interessados em conhecer ferramentas específicas, via internet, para o ensino à distância. Deram oportunidade de contato com algumas tecnologias vigentes na educação contribuindo para sua formação como docente e os capacitando a utilizá-las em seus métodos de ensino. Houve projetos para a formação continuada de professores, mas as iniciativas nesse campo até 2009 eram tímidas. O núcleo é pequeno, poderia atingir um público maior e com mais áreas de ensino além de Matemática e Física. O NTEAD não tem contribuído para a formação continuada dos seus professores. Até o momento não vejo nenhuma ação neste sentido. Se existe, desconheço. Por iniciativas de alguns professores de licenciatura, há pesquisas sendo desenvolvidas voltadas para ações específicas, mas são restritas a alguns projetos e não para a licenciatura como um todo. Até 2008 houve dois cursos de capacitação para o uso da plataforma Moodle, mas muitos professores não se interessaram em participar do processo. As contribuições do NTEAD para a formação de licenciandos e capacitação dos docentes do InstitutoFederal, tendo em vista a pouca participação, penso que, se houve, foi mínima, já que um ou dois professores fizeram uso da plataforma como ferramenta pedagógica. Há extrema dificuldade dos professores participantes em usar a plataforma, alegando complexidade. I5 Acreditamos em que estamos em uma situação de consolidação da EAD no Instituto, por isso consideramos que os objetivos iniciais de criação de núcleo de EAD evoluíram para a estrutura de uma diretoria dando o suporte institucional para a oferta e gestão dos cursos. A diretoria já consolidou três Núcleos em seus campi: Juazeiro do Norte que faz a gestão do curso de matemática, especialização em EJA e técnico em edificações; Maracanau que faz a gestão do curso de especialização em Educação ambiental e o campus de Fortaleza, onde está sediada a diretoria, faz a gestão dos demais cursos em seu NTEAD. Na atualidade, estamos programando capacitar 300 professores (30 de cada campus em produção de conteúdo didático digital e tutoria) e preparação de 20 disciplinas para serem ofertadas a distância, com recursos provenientes da Capes. I6 Para uma melhor atuação em EAD, temos que avançar significativamente nos equipamentos e pessoal para dar suporte e ampliar o envolvimento das coordenações de ensino e de seus respectivos professores. Acredito que a ocorrência de eventos e cursos voltados para alunos e professores que atuam no segmento poderia contribuir. 111 Entretanto, a estruturação de um projeto com financiamento do MEC ou órgão de fomento poderia ser de grande relevância. I7 A princípio as atividades foram o desenvolvimento de material instrucional para o repositório Interred. O núcleo também mantém a plataforma Moodle e assessora os professores. A primeira fase do projeto foi concluída. Hoje basicamente mantemos o servidor de ensino a distancia. Embora nenhum curso tenha sido oferecido, localmente nas disciplinas ele já é utilizado e em breve provavelmente cursos serão oferecidos. Recentemente, uma proposta de oferta de uma especialização lato senso para uma universidade carioca tem sido estudada. O uso de tais recursos tem melhorado o processo de comunicação entre os professores e alunos, quer pelo grau de interação que as ferramentas proporcionam, quer pela flexibilidade do acesso das informações disponibilizadas para os alunos. As dificuldades detectadas no desenvolvimento das atividades e eventos perpassam pelo fato do nosso campus contar com pouca mão de obra especializada. O trabalho tem sido pouco a pouco, mas constante. Por ser um campus tipicamente voltado para as ciências agrárias, a resistência ao uso das TIC ainda é notada. O nosso campus ainda não tem licenciaturas implantadas. No nosso entendimento, alguns não responderam se os núcleos interagiram com a formação de professores, com os licenciandos e a formação continuada por entenderem que os núcleos não trouxeram contribuições relevantes nesses campos. Como I7 exerce suas atividades no IFMT (Campus Cáceres), tendo feito parte do NTEAD ali implantado, as questões propostas pelo projeto dos NTEAD ganharam contornos diferenciados por se tratar de um campus voltado para as ciências agrárias. Não pudemos avaliar a interação do núcleo com a formação de professores, uma vez que lá não havia cursos de licenciaturas ainda implantados. Segundo I1, responsável à época pela EAD no IFF, mudanças aconteceram. Esta respondente havia participado como tutora nas disciplinas de Matemática Básica e Cálculo Diferencial em apoio ao ensino presencial e na oferta de dependência a distância, utilizando o Ambiente Moodle. Para ela, atualmente o NTEAD do IFF está sendo utilizado em outra proposta, situação perceptível em uma de suas falas. O NTEAD tem atualmente uma única linha de pesquisa que é o desenvolvimento de materiais pedagógicos e não de formação continuada de professores. O que estamos fazendo é colocando os materiais desenvolvidos em um Ambiente denominado Moodle na qual os professores podem acessar e usar os materiais. No ambiente onde os materiais estão sendo desenvolvidos e disponibilizados, deverá acontecer no segundo semestre o primeiro curso online de formação continuada de professores, porém somente após o fechamento de um ciclo de desenvolvimento de materiais para o primeiro ano do Ensino Médio, de acordo com a grade curricular, no qual o projeto foi pautado é que será oferecido o curso. 112 Entendemos que com a suspensão das bolsas de pesquisa para professores e alunos, o NTEAD do IFF deixou de atender aos seus objetivos, isto é, de disseminar as TIC e A EAD na instituição, portanto desvinculou-se dos projetos originais: o Inter-Red e o EPCT Virtual. A atuação do NTEAD, no âmbito dos Institutos Federais, foi outra questão considerada em nosso questionário. Procuramos investigar se, após a implantação dos NTEAD nos institutos, houve mudanças significativas quanto ao uso das TIC e oferta de EAD. Seguem as respostas dadas. I1 Neste segundo semestre de 2010, após o retorno integral para o NTEAD, em conversa informal com professores pesquisadores da UFRGS, pólo de excelência em EAD, estaremos elaborando dois projetos de cursos a distância: Tecnologias na Educação e Educação Especial (a distância) para professores do IFF. Estes projetos têm caráter de pesquisa, nos quais seus resultados serão divulgados na RENOTE- Revista de Tecnologia da UFRGS e Vértices. O projeto envolverá a apresentação de vários recursos pedagógicos que podem ser usados por professores de diferentes áreas e dois professores da UFRGS estarão ministrando mini-cursos para apresentação de algum desses materiais. I2 Sim, a divulgação era feita nas reuniões das coordenações, e também no site institucional e panfletos. I3 A divulgação era por meio de cartazes e informações transmitidas na própria sala de aula presencial. Os materiais produzidos foram reunidos em CDs e distribuídos em escolas da rede pública. Foram oferecidos cursos para professores interessados em conhecer ferramentas específicas, via internet, para o ensino à distância. Foi possível trabalhar a educação sobre outro enfoque contribuindo para a educação de alunos do ensino superior. Embora haja muito a ser a feito, o projeto permitiu que alunos obtivessem, através da internet, um contanto diferenciado com o conhecimento que o ensino presencial não seria capaz de oferecer. Deram oportunidade de contato com algumas tecnologias vigentes na educação contribuindo para sua formação como docente e os capacitando a utilizá-las em seus métodos de ensino. I4 Quanto à divulgação do Inter-Red, a coordenadora do Núcleo tinha acesso ao material, mas isto não foi compartilhado com os professores da Instituição. No primeiro semestre de 2010, dois professores do IFF – Campus Campos - Centro solicitaram permissão para uso do ambiente Moodle como auxiliar para suas aulas presenciais, mas tem se restringido à postagem de material de aula, sem nenhuma conotação interativa. Muito pouca contribuição até o momento quanto ao uso das TIC e da oferta de EAD. O NTEAD implantado em nossa instituição não tem contribuído para a formação continuada dos seus professores; até o momento não vejo nenhuma ação neste sentido. Se existe, desconheço. I5 A comunidade externa é beneficiada indiretamente na vivência com os alunos que estudam a distância. No âmbito acadêmico e de pesquisa, procura-se divulgar as experiências em congressos, seminários e outros eventos. Os núcleos contribuíram com a implantação e a expansão das TIC e da EAD na instituição. No caso do IFCE, o NTEAD já é uma realidade institucional reconhecida por todos. 113 I7 A divulgação utilizava reuniões, chamada de trabalhos, editais internos, site institucional. A capacitação dos docentes no uso dos recursos computacionais e criação de material instrucional. O uso de tais recursos tem melhorado o processo de comunicação entre os professores e alunos, quer pelo grau de interação que as ferramentas proporcionam, quer pela flexibilidade do acesso das informações disponibilizadas para os alunos. Nas indagações feitas, I1 não responde à pergunta e aponta outras questões a serem abordadas futuramente; já I2 responde parte delas. Segundo I5, o núcleo de sua instituição tem uma atuação importante, tendo o reconhecimento dessa comunidade por suas contribuições à EAD. O sujeito da pesquisa I6 não respondeu às questões, embora tenha participado do NTEAD. Neste conjunto de respostas sobre a divulgação dos eventos dos núcleos, I4 aponta a falta de divulgação como, também, a não democratização das informações. O que nos parece bastante singular nos NTEAD é o encaminhamento dos seus objetivos bastante diferenciado em cada núcleo. Há núcleos com bons resultados, com projetos realizados e democratizados; outros se apresentam como espaço não institucional, com informações e projetos para poucos. Mesmo assim, algumas ações tomaram forma na instituição para disseminar as TIC e a EAD. Segundo Veiga; Amaral (2003, apud ROCHA, 2008), as TIC estão presentes na vida social e econômica dos alunos, dos professores, dos gestores, enfim, de todos aqueles envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, embora não se encontrem materializadas na sala de aula. Em seguida, buscamos identificar as contribuições desses núcleos para a formação de professores, para a formação continuada e a EAD. As respostas obtidas são a seguir transcritas. I1 Não ministro aula nas licenciaturas, mas junto aos meus alunos, sempre utilizo algumas interfaces no desenvolvimento de atividades. Este Núcleo foi concebido para ser um Núcleo de Pesquisas científicas, na qual seus coordenadores se comprometeram a desenvolver OAs e em contrapartida, bolsas de pesquisa foram definidas para os alunos de cursos superiores de cada Instituição. Artigos científicos seriam resultantes dessas pesquisas.Projetos de EaD como UAB e e-TEC Brasil de outros institutos passaram a fazer parte de núcleos denominados de NTEAD pela característica de ações de EaD, caso que não aconteceu no IF Fluminense que não apresentou projetos junto ao MEC. I2 O ambiente de aprendizagem moodle foi aplicado em curso de inglês instrumental, matemática e informática. I3 Não sou servidor da instituição. Atuei no núcleo na condição de aluno bolsista. O NTEAD realizou um projeto de dependência à distância, na disciplina de Matemática, para alguns cursos Tecnólogos, como Desenvolvimento de Software, Manutenção Industrial e Automação Industrial, para Engenharia de Controle e Automação e algumas licenciaturas. 114 O curso utilizava a plataforma Moodle. Também participei da produção de Objetos de Aprendizagem para o InterRed na disciplina de Matemática. I4 Atuo como professora de cursos de licenciatura fora do IFF e há algum tempo minhas práticas em sala de aula têm se voltado para uso freqüente de ferramentas como blogs, fóruns, pesquisas em sites, leitura de material online, além de uso diário de TV, datashow, netbook, DVDs, etc. Com certeza essas ações tornam as aulas mais dinâmicas, ao mesmo tempo em que aproxima o aluno de seu uso. I5 Sim, incorporo as TIC na minha prática pedagógica, como também os demais professores e principalmente os estão no programa da UAB e do E-TIC Brasil. I7 Eu e os demais professores envolvidos com os cursos do programa da UAB e do E-TEC Brasil incorporamos as TIC a nossa prática pedagógica. Podemos considerar um avanço o uso do Moodle no trabalho docente como possibilidade de disseminar as TIC. Pelo que depreendemos das respostas, os AVA ainda não fazem parte do cotidiano da prática docente; seu uso é pontual. I6 não respondeu à questão. A participação de I3 no NTEAD se deu na situação de aluno bolsista, tendo sido bastante importante sua atuação na elaboração dos OA pois, segundo JONASSEN (1996), a construção de novos conhecimentos exige trabalho colaborativo e exercício da autonomia. Dois integrantes (I5 e I7) afirmaram que usam as TIC em suas atividades didáticas por força de sua participação em cursos da UAB e e-Tec Brasil; portanto este uso não está diretamente relacionado ao NTEAD. O respondente I1 utiliza as tecnologias em suas atividades docentes, mesmo não sendo professor das licenciaturas do IFF; já I3 faz usos das TIC em cursos de licenciaturas, mas fora do IFF. I2 pontua a presença das TIC em cursos de Inglês Instrumental, Matemática e Informática. Concluindo o conjunto de questões abordadas nos questionários, perguntamos aos componentes dos núcleos se eles achavam possível o retorno das equipes dos NTEAD aos institutos federais, e quais deveriam ser os objetivos desses núcleos de Tecnologias e Educação a Distância (NTEAD), a partir do novo cenário da Educação Profissional e Tecnológica da Rede Federal, com a criação dos institutos. As respostas dadas foram lacônicas, sendo que três participantes não deram qualquer contribuição. I2 Acho viável o retorno das ações proposta pelo NTEAD, inclusive neste novo cenário nos IF e pela disponibilidade de tecnologia. I3 Não sei responder, pois já estou fora do projeto. I5 Sim. 115 I7 A criação dos institutos, no meu ponto de vista, não muda os objetivos que a priori foram definidos para os NTEAD. As necessidades continuam as mesmas, e de certa com uma demanda aumentada, dada agora a gama de licenciaturas previstas e conseqüentemente, mais trabalho a ser realizados pelos núcleos, justificando de forma clara a necessidade de uma equipe de gestão e desenvolvimento atuante nesses departamentos. Está explicitado no projeto de criação dos Institutos Federais o atendimento às demandas regionais e locais. Como entendemos que a formação e a capacitação a distância é uma necessidade dos cidadãos na sociedade da informação e do conhecimento, os institutos deverão estar engajados em proposta de cursos nesta modalidade, especialmente na que se concretiza via tecnologias digitais (online). As formas de fazer educação a distância são matéria de estudo e reflexões de Silva (2003) ao afirmar que “educação online não é o mesmo que fornecer educação presencial ou a distância via suportes tradicionais”. I7, embora diga que a nova institucionalidade não muda os objetivos dos NTEAD, coloca que a demanda cresce com a oferta de mais cursos de licenciaturas nos institutos, e também as atividades dos núcleos. Já I2 entende que o novo cenário nos IF e a disponibilidade de tecnologias tornarão possível o retorno das ações do NTEAD. A atuação dos núcleos passaria pela disseminação das TIC para contribuir com a educação, seja presencial ou a distância. Através dos dados levantados e dos discursos dos participantes, percebemos que os núcleos tiveram atuação diversificada. O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) apresenta situação diferenciada dos demais institutos com NTEAD. Já existia algum movimento em torno da EAD, com a oferta de curso de capacitação de professores para a rede pública. Este trabalho foi intensificado com a entrada da instituição no sistema UAB. Estes acontecimentos foram importantes para a consolidação do NTEAD desse instituto; numa via de mão dupla, o núcleo contribuiu bastante para a implantação de cursos em EAD, tanto no formato UAB como e-Tec Brasil. Segundo a coordenadora do NTEAD do IFCE, a atuação desse núcleo trouxe contribuições importantes para consolidar a EAD nessa instituição. Ainda com o apoio da SETEC e por orientação desta, procuramos compartilhar todas as ações de EAD que implementamos ou participamos com outros institutos. Na percepção do aluno bolsista que participou do NTEAD desde a fase inicial, um dos objetivos do NTEAD era oferecer suporte para formação continuada de professores na modalidade a distância, o que considerou ter sido em parte atingido, embora ainda haja muito a 116 ser feito. Complementa que o projeto permitiu que alunos obtivessem, através da internet, um contanto diferenciado com o conhecimento que o ensino presencial não seria capaz de oferecer. Após a análise do conteúdo das respostas dos questionários, podemos concluir que a instituição dos NTEAD para dar suporte ao Inter-Red e contribuir para a criação do Portal da EPCT Virtual, coincidiu com o momento da implantação do Programa da UAB e, posteriormente do e-Tec Brasil. As produções de CDD e OA foram utilizadas nos cursos da UAB, e também o material produzido para esses cursos seria disponibilizado no repositório Inter-Red. Os resultados mais significativos da atuação dos NTEAD, bem como a concretização dos objetivos propostos estão intimamente relacionados com as instituições que passaram a oferecer cursos de licenciatura pelo programa UAB e cursos técnicos pelo e-TEC Brasil. Daí podermos afirmar que esses dois programas de inclusão impulsionaram os núcleos, e estes deram contribuições relevantes aos cursos a distância de formação docente e formação técnica. 4.4. A PERCEPÇÃO DE LICENCIADOS DO INSTITUTO FEDERAL FLUMINENSE Como entendemos que as TIC trazem contribuições relevantes para os processos educacionais, dando margem a experiências bem sucedidas (e outras não); nada mais importante do que ouvir outros atores deste processo: os alunos das licenciaturas do IFF. O questionário (Anexo 3) foi o instrumento de coleta de dados utilizado com este segmento. Comportando questões abertas e fechadas, foi enviado por e-mail para um total de 228 alunos das diversas licenciaturas ofertadas no IFF, matriculados em 2010, com matrícula inicial entre 2006 e 2009. É importante registrar que os e-mail dos alunos foram obtidos no setor de registro acadêmico do IFF, tendo-se observado, após o encaminhamento, que muitos estavam desativados. Do total de questionários enviados, menos de 10% (21 alunos) participaram da pesquisa, enviando suas respostas, sendo: 12 alunos do curso de Licenciatura em Geografia; quatro de Matemática; três de Química e dois de Biologia. Relacionamos a pouca participação dos alunos a alguns fatores que podem ter contribuído para esta situação, além dos e-mails desatualizados: desconhecimento do objeto da pesquisa, conforme muitos comunicaram via online, não chegando a responder às questões propostas; pouca conscientização da importância da participação em pesquisas desta natureza. Estes fatores podem ser considerados fortes indicativos da divulgação ineficiente das atividades do NTEAD nesta instituição. 117 Depuramos das falas dos alunos que a oferta de capacitação para eles foi muito pequena, atendendo a pequenos grupos, como, por exemplo, o Curso de Inglês Instrumental (atividade específica para os alunos das licenciaturas) e a Proposta de Dependência e Reforço para alunos dos Cursos de Tecnologia, Engenharia de Automação e Licenciatura em Ciências da Natureza, nas disciplinas de Matemática e Cálculo, na modalidade a distância. Foram realizados dois encontros de EAD; o 1º em novembro de 2007, com boa divulgação e o 2º em novembro de 2008 com pouca divulgação entre os alunos. As questões formuladas para os alunos procuravam saber se eles tinham conhecimento da existência do NTEAD na instituição; se conheciam seus objetivos em relação às licenciaturas, como eram colocados em prática, e se eles eram atingidos ou não. A maioria dos alunos não respondeu; outros colocaram que não tinham conhecimento para responder, ou que desconheciam o objeto da pesquisa. Reproduzimos algumas falas desses participantes: - participei da dependência a distância, pois fui informada no momento da matrícula; - fiz o Curso de Inglês Instrumental porque a professora do curso foi na turma convidar; - já vi a divulgação de um curso de inglês à distância para alunos licenciandos a partir do 7º período, mas isso foi por volta de um ano e meio atrás quando ainda cursava o 3º período da graduação; - na época da dependência a distância foi quando eu ouvi falar desse núcleo; - desconheço qualquer curso. Na instituição de ensino ao qual estudo não houve uma divulgação da existência do mesmo ao menos na área da licenciatura de Geografia; - como fui bolsista do núcleo participei de algumas atividades como o curso no Moodle; - desconheço este curso. Na instituição de ensino ao qual estudo não houve uma divulgação da existência do mesmo ao menos na área da licenciatura de Geografia; - sim, achei muito importante a criação deste núcleo. Quanto ao trabalho desempenhado com o Corpo docente, eu desconheço a atuação; 118 - sei que o IFF possui um núcleo de ensino a distância, mas não sei onde funcionou, apenas que algumas disciplinas podem ser cursadas online; não vejo divulgação sobre tal; - essa pergunta eu não sei como responder; - não sei ao certo. Acredito que pretenda oferecer aos professores que lecionam em alguma disciplina sem a devida formação, a oportunidade de se especializar na área; - não sei informar; meu curso é presencial. As TIC estão presentes em todo campo da atividade humana, e também na educação. Assim sendo, não podemos deixar de incluir, nos currículos das licenciaturas, disciplinas que tratem das tecnologias, da EAD e das competências da docência a distância e online. Hoje, não cabe mais ignorar as contribuições da cibercultura e do ciberespaço na formação de docentes, como bem destacam Ramal (2002), Silva (2003) e Lèvy (2007). No tocante ao papel, aos objetivos e às contribuições do núcleo para disseminação das TIC e da EAD, observamos que alguns alunos sabiam da existência do núcleo, mas desconheciam sua proposta (objetivos, finalidades e resultados), ou sejam em ‘que’, ‘onde’ e ‘como’ os núcleos poderiam contribuir com a instituição onde estavam inseridos. Ao serem indagados se tinham conhecimento da existência deste núcleo, 66% responderam que não. Outros, mesmo sabendo da existência do núcleo, afirmaram que não recebiam informações sobre sua atuação e os eventos realizados. - praticamente não, só ouvi algo sobre a implantação quando comecei a trabalhar como bolsista de apoio Tecnológico na Pró-Reitoria de Ensino, e que acredito estar se consolidando agora o núcleo. - não vi divulgação. - não fui informada! - o IFF possui núcleo de EAD? Não sei onde funcionou, apenas sei que algumas disciplinas podem ser cursadas online; não vejo divulgação sobre tal. - não houve uma divulgação da existência do mesmo. Uma singularidade observada nas respostas dos alunos foi o fato de alunos, ‘nativos digitais’, inseridos em uma instituição tecnológica, não terem participado ativamente de projetos envolvendo tecnologias, AVA, comunidades virtuais, internet e EAD, elementos tão presentes em 119 nosso cotidiano, como destacam Almeida (2000), Prensky (2001), Lemos (2002), Kensky (2003) e Santaella (2008). Consideramos importante que os alunos das licenciaturas conhecessem os objetivos do NTEAD para a formação de licenciandos; no entanto, alguns deles não responderam a esta questão e outros deram respostas evasivas, pouco esclarecedoras, como se pode observar a seguir. - tudo é muito recente, acredito não ter conhecimento para responder esta pergunta. - há um desconhecimento sobre este núcleo. - creio que ele traz algumas disciplinas que os alunos podem cursar online. - participei de um fórum de discussão proposto pela coordenação de Práticas Pedagógicas para os alunos das licenciaturas no Moodle. - fazer com que desenvolvamos o hábito de procurar a informação e a proximidade de outros colegas. A ausência de respostas ou respostas incongruentes são, também, reveladoras, pois indicam desconhecimento do assunto em pauta. Somente um aluno disse ter participado de atividade online, um fórum de discussão, proposto pela coordenação de Práticas Pedagógicas para os alunos das licenciaturas no Moodle. Quanto à questão que trata da forma como os objetivos dos núcleos são colocados em prática, 50% dos alunos nada responderam; outros disseram que não sabiam responder; e alguns deram respostas em desacordo com a pergunta feita. Os alunos avaliaram os eventos propostos como insuficientes para atender suas necessidades e com pouca divulgação. Alguns tomaram conhecimento da oferta do Curso de Inglês Instrumental quando este já tinha se iniciado; outros (três alunos) receberam a informação deste curso na sala de aula, pelos próprios professores. Com base nas respostas obtidas, podemos inferir que a maioria dos alunos mostrou desconhecimento sobre a questão em pauta. - extremamente importantes. - eles poderiam divulgar mais as atividades do núcleo. - acredito não ter conhecimento suficiente para citar eventos propostos, pois só recentemente comecei a atuar na EAD do instituto, com ela se consolidando aqui. - acho que não são muito bem divulgados. - tomei conhecimento apenas do fórum de debates. - eu achei muito interessante essa forma de diálogo. 120 -não sei em relação aos núcleos, mas acredito que qualquer evento direcionado com seriedade, pode proporcionar boa oportunidade às pessoas que por motivo de distância ou tempo, não poderiam participar dos mesmos, não fosse as Tecnologias de informação e Comunicação. Porém, advogo que a orientação de um professor deva acontecer em alguns momentos de forma presencial. Podemos concluir que as propostas do NTEAD foram insuficientes para atender às demandas dos alunos, restrita a alguns cursos (como a oferta de dependência em Matemática e Cálculo na modalidade a distância, já anteriormente mencionada). Outros eventos realizados pelo NTEAD do IFF: encontros de EAD (2007 e 2008), capacitação no Moodle para professores e administrativos da instituição e projeto de extensão para professores da rede pública estadual, com o foco no uso pedagógico das tecnologias – PRODOC não chegaram ao conhecimento dos nossos alunos. Entendemos, então, que as TIC não tiveram a atenção necessária no projeto do NTEAD, ou seja, não foram adequadamente utilizadas para implementar atividades pedagógicas, tanto para alunos das licenciaturas, como para professores (em processos de capacitação ou formação continuada em serviço). Segundo Arruda (2004), os professores tendem a visualizar as TIC como novidades e acabam subutilizando-as ou usando-as de forma eventual. Para Nóvoa (2007), as novas tecnologias revolucionam as escolas e as sociedades, e professores e alunos não podem estar indiferentes ao que ocorre ao se redor. As escolas deveriam estar atentas aos desafios que estão postos. Concluímos este capítulo, registrando a importância de se fazer uma leitura acurada do conteúdo das ‘falas’ dos participantes da pesquisa, compreendendo o silêncio de alguns participantes, ou a opção de responder evasivamente às questões apresentadas, como formas de manifestação. Segundo Franco (2007, p.19), “o ponto de partida da Análise do Conteúdo é a mensagem, seja ela, verbal (oral ou escrita), gestual, silenciosa, figurativa, documental ou diretamente provocada.” Ainda podemos acrescentar que a análise de conteúdo trabalha a palavra, isto é, a prática da língua realizada por emissores identificáveis. Com a análise aqui apresentada, buscamos colocar em evidência o conteúdo expresso nas respostas obtidas nas entrevistas e nos questionários. Ao identificarmos os elementos mais presentes no texto, foi possível sistematizar e quantificar a regularidade dessas ocorrências, para , em seguida, analisá-las e relacioná-las, de modo compreender os processos ideológicos presentes no discurso analisado (RIZZINI, CASTRO, SARTOR, 1999). 121 Entendemos que a escolha da abordagem qualitativa e dos procedimentos de coleta e análise de dados utilizados, nos possibilitou encontrar respostas para as questões de estudo desta pesquisa. Tais respostas se encontram sumarizadas no capítulo que se segue. 122 5- CONSIDERAÇÕES FINAIS: REPENSANDO OS NÚCLEOS PARA OS INSTITUTOS FEDERAIS Neste estudo, procuramos construir um olhar crítico acerca das contribuições e limites dos NTEAD em sua relação com as licenciaturas ofertadas nos Institutos Federais. Tal olhar se fundamentou em uma análise documental e nas falas dos sujeitos envolvidos na pesquisa. Com o objetivo de investigar a atuação dos NTEAD inseridos em IF, no que tange à disseminação das TIC e efetiva implantação da EAD nessas instituições que adotam, quase sempre, um percurso tecnológico em seus cursos (ensino médio, cursos técnicos, de tecnologia, graduação, bacharelado, pós-graduação, mestrados e doutorados), fomos conhecer em que modalidades de ensino esta disseminação ocorreu. Com base no conhecimento mais aprofundado da EPT, do SIEP e seus módulos, com destaque para a EPCT Virtual, perpassando pelo Inter-Red, foi possível construir um diálogo com os NTEAD, compreendendo melhor seus objetivos, princípios, finalidades e ações desenvolvidas para o alcance de suas metas. Coube aos NTEAD, inseridos em dez instituições, e às suas equipes, constituídas por professores, pesquisadores e bolsistas, colaborarem para o desenvolvimento do Portal da EPCT Virtual e do Inter-Red, desenvolvendo e catalogando objetos de aprendizagem adequados à educação profissional e tecnológica. Após a implementação desses espaços, foram constituídas as equipes formadas por professores e alunos que recebiam incentivos por meio de bolsas de pesquisas, sob a responsabilidade da SETEC/MEC. O objetivo do nosso estudo era tentar entender o que é o NTEAD, conhecer suas propostas e como as materializava, depreendendo os impactos produzidos na formação de professores, tendo como base de dados os significados que os diferentes sujeitos envolvidos atribuem ao trabalho concretizado nos núcleos. Nossos referenciais de análise foram as respostas dos sujeitos envolvidos registradas nos questionários e entrevistas, Para melhor compreensão desses núcleos, os dados coletados foram avaliados numa abordagem focada preferencialmente na dimensão qualitativa, com ênfase em duas interfaces: uma análise cuidadosa de documentos institucionais relacionados à sua criação e desenvolvimento; e a outra voltada para a escuta fina do que diferentes sujeitos disseram sobre este núcleo. 123 A partir da leitura das falas (análise do conteúdo), identificamos três dimensões que nos ajudaram a compreender os limites e as contribuições dos NTEAD, ou seja, a concretização de suas propostas, os impactos que causaram na formação continuada de professores e nas licenciaturas dos institutos, e as lacunas de suas propostas. Essas dimensões foram: (a) a pedagógica; (b) a política; e (c) tecnológica. No que tange à dimensão pedagógica, observamos, no âmbito governamental, a existência de leis e projetos para expandir a EAD, principalmente para suprir a carência da formação de professores no país, como também a preocupação com a formação continuada de professores e a capacitação no uso das tecnologias digitais. Podemos situar os NTEAD como uma instância com potencial para disseminar as TIC em instituições federais, atuando na capacitação de docentes e alunos. Por seu intermédio, espera-se que as TIC sejam inseridas pedagogicamente nos processos educacionais e que a formação continuada de professores e as licenciaturas recebam os impactos relevantes dessa atuação. A formação de professores está no foco do projeto de criação dos Institutos Federais, sendo definida na Lei nº 11.892, 29/12/2008, que instituiu a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e criou os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Estas instituições deverão destinar 20% de seu total de vagas para os cursos de licenciatura, com prioridade para as licenciaturas em áreas com maior carência de professores (Matemática, Física, Química, Biologia). Esta lei ainda especifica em seu Art. 7o, que são objetivos dos Institutos Federais, entre outros, ministrarem em nível de educação superior: “cursos de licenciatura, bem como programas especiais de formação pedagógica, com vistas na formação de professores para a educação básica, sobretudo nas áreas de ciências e matemática, e para a educação profissional”. Assim, percebemos a atenção especial do MEC para a oferta de cursos de licenciaturas, seja na modalidade presencial ou a distância, conforme legislações vigentes. Desta forma, nada mais oportuno do que a manutenção dos núcleos, intensificando as ações destinadas à inserção das TIC e disseminação da EAD na Rede Federal de Educação Tecnológica, enquanto projeto governamental de desenvolvimento da EAD e instrumento de fortalecimento dos Programas UAB e e-Tec Brasil. Na dimensão política, os NTEAD constituem a institucionalização do projeto do Portal da Educação Profissional, Científica e Tecnológica Virtual e, assim sendo, sua atuação é muito 124 importante para a SETEC. Anteriormente à criação dos IF, outros projetos de políticas públicas no país já estavam sendo implantados, como a UAB e e-Tec Brasil com vistas a garantir e suprir a demanda existente, tanto na formação de professores quanto na formação técnica de nível médio, através das modalidades educação a distância ou educação semipresencial. Portanto, nesta perspectiva a manutenção dos NTEAD se justifica plenamente. A dimensão tecnológica encontra-se no cerne de um discurso que valoriza a inovação tecnológica com apoio das TIC e da EAD nas instituições federais. A oferta da EAD se expande por todo o país com o objetivo de suprir a carência de professores em determinadas áreas, principalmente em Matemática e Física. Tal expansão se concretiza especialmente pelos convênios celebrados entre a UAB e inúmeras instituições públicas de ensino superior. Neste contexto os NTEAD possuem um papel relevante: dar qualidade, com apoio da EAD e das inúmeras possibilidades trazidas pelas tecnologias digitais aos cursos de áreas carentes e que, tradicionalmente, são os mais difíceis de serem integralizados (Matemática, Física). Como conclusão básica de nossa pesquisa, percebemos que as TIC não tiveram a atenção que requeriam, isto é, não foram exploradas em seu potencial pedagógico para possibilitar mudanças significativas na prática docente, gerando mudanças no processo educativo. Os sujeitos da pesquisa deixam claro que a inserção das TIC, da forma como vem sendo implantada nas escolas investigadas, não alcançou plenamente os objetivos propostos. Mesmo sendo instituições essencialmente tecnológicas, o uso pedagógico das TIC ainda precisa avançar mais, principalmente nos cursos de formação de professores e na formação continuada dos docentes. Concluímos, então, que os objetivos do NTEAD do IFF não contemplaram as licenciaturas e os eventos realizados para disseminar as TIC e a EAD não tiveram como público-alvo os futuros professores que têm buscado sua formação nesta instituição. Portanto, com esta conclusão respondemos ao objetivo geral de nossa pesquisa. Para confirmar esta conclusão, apresentamos as respostas que encontramos para nossas questões de estudo, as quais se derivaram do objetivo geral da pesquisa. Nossa primeira questão indagava: que projetos os NTEAD têm desenvolvido visando à inserção das TIC e da EAD em Cursos de Licenciaturas, e que contribuições dão à formação de licenciandos? Por meio dos instrumentos de coleta de dados, levantamos os projetos que os NTEAD vêm desenvolvendo nos Institutos Federais, sua divulgação e suas contribuições para a formação de docentes. Atentamos, também, para a questão da capacitação dos professores e 125 alunos das licenciaturas quanto ao uso pedagógico das TIC e dos ambientes virtuais de aprendizagem. Estabelecemos, então, dois grupos de ações dos NTEAD: (a) ações do conjunto de núcleos; e (b) ações específicas do núcleo do IFF. Num primeiro momento, destacamos o conjunto de ações realizadas pelo grupo dos núcleos, com base em seus objetivos e finalidades. A maior parte desses dados foi levantada na pesquisa documental e nas entrevistas. a) Implantação do Inter Red e outras ferramentas. b) Utilização das ferramentas na rede federal em projetos de EAD, como também no e-Tec e na UAB. c) Desenvolvimento do Portal da EPCT Virtual. d) Produção de Conteúdo Didático Digital, conforme apresentada na Tabela 1, podendo destacar os núcleos de maior produção: do IFCE e do IFTO. e) Expansão dos NTEAD já explicitada em nosso trabalho. Cabe registrar esta expansão com a criação de outros núcleos (em 4 campi) no IFCE. f) Implantação e expansão da EAD. Em algumas instituições, em parceria com a oferta de cursos pela UAB e pelo e-Tec. g) Produção científica: 23 artigos, uma dissertação e cinco teses. A produção científica teve como base os produtos gerados nos núcleos e os documentos elaborados nos momentos de integração e avaliação dos módulos do SIEP, incluindo os NTEAD. h) Implantação de projeto de capacitação de professores da rede pública estadual e municipal. i) Expansão dos núcleos (em alguns núcleos). j) Divulgação de seus projetos. k) Participação em Ciclos de Capacitação e Avaliação dos módulos do SIEP. l) Capacitação de avaliadores de CDD. Considerando o conjunto desses núcleos, podemos afirmar que poucos se expandiram; a maioria não se agregou a outras instituições, o que nos leva a inferir a não consecução de metas do projeto, a saber: realizar, inicialmente, a expansão para toda a rede federal e, num outro momento, para as redes estadual, municipal, alcançando, até mesmo, outros países parceiros, principalmente da América Latina. 126 Em seguida, nos detivemos no conjunto de ações realizadas pelo NTEAD do IFF, em resposta à primeira questão de estudo: os projetos do NTEAD para a inserção das TIC e da EAD nas licenciaturas e as contribuições para a formação de licenciandos. Nesta direção, destacamos: a) Proposta de Dependência e Acompanhamento ao Ensino Presencial no Curso Superior no estudo de Cálculo Diferencial e Integral’, no primeiro semestre de 2006, utilizando o ambiente e-Proinfo, e, em seguida, o ambiente colaborativo de aprendizagem Moodle. Esta proposta trouxe contribuições para a inserção dos alunos no uso das TIC e experienciado um curso em EAD, mas não contribuiu com a formação de docentes, pois os alunos eram de cursos de tecnologia; b) Curso de Dependência e Reforço (2º semestre/2006, 2007 e 1º semestre/2008), para os alunos de todos os cursos Superiores de Tecnologia e Licenciaturas do IFF, nas disciplinas: Matemática Básica e Cálculo Diferencial e Integral, no Moodle. Como este curso atendia também aos alunos de licenciatura, eles vivenciaram uma aprendizagem em ambiente virtual e suas diferentes interfaces, a possibilidade de interatividade com o ambiente e a interação com colegas e professores. São questões levantadas por Lèvy (2007) e Almeida (2003) quando falam respectivamente da inteligência coletiva decorrente da integração das inteligências individuais gerando novos conhecimentos, e da distribuição rápida de informações na rede. c) Realização de dois seminários de EAD (novembro de 2007 e de 2008) aberto ao público interno e externo, possibilitando aos participantes conhecer a cultura de EAD e suas possibilidades em várias atividades humanas, estando incluída a educacional. No primeiro evento, a divulgação concorreu para um número significativo de inscritos, e também a programação contemplava atividades práticas no Moodle, entre outras. d) Curso de Leitura Instrumental em Inglês a Distância para alunos das Licenciaturas no ambiente virtual de aprendizagem Moodle, em 2008. Segundo sua coordenadora, o curso de Inglês ofereceu aos graduandos a possibilidade de desenvolverem e ampliarem sua competência em ler e compreender textos em inglês, de forma a facilitar seu acesso à produção científica e acadêmica. Além da atualização em língua estrangeira, os alunos das licenciaturas tiveram uma experiência em EAD, potencializada por um ambiente virtual de aprendizagem. O curso acrescentou conhecimentos importantes para o futuro exercício profissional desses licenciandos. 127 e) Coordenação da oferta (maio/2008) do curso para professores do IFF, ‘Aprender fazendo: o sistema Moodle como instrumento de aperfeiçoamento profissional permanente’, com carga de 40 horas na modalidade semipresencial. f) Curso de capacitação para servidores técnico-administrativos: Inclusão Digital e Português Prático em EAD, no Moodle, em 2008/2009, g) Proposição de projeto de extensão para professores da rede pública, o PRODOC (2008), tendo como primeiros participantes os professores da EJA. A proposta não foi adiante, pois os servidores que a conduziam não estavam mais no núcleo, e a coordenação não deu prosseguimento; h) Projeto ‘Prática Profissional em Debate’ para os alunos do oitavo período das licenciaturas do IFF com início em 2008, estando ainda em curso. Esta proposta atende à formação dos licenciandos, tendo boa divulgação entre os alunos do 8º período das licenciaturas. No que tange às duas questões seguintes de nosso estudo, a saber: (b) em que medida, professores e alunos das licenciaturas têm conhecimento das atividades dos NTEAD e participam dos eventos propostos? e (c) como os NTEAD capacitam os professores e alunos das Licenciaturas para o uso pedagógico das TIC e dos ambientes virtuais de aprendizagem?, cabe registrar que alunos e professores tiveram pouco acesso às atividades do NTEAD, como também à divulgação de alguns eventos, apontando para um número reduzido de participante em alguns momentos. Como já foi dito no capítulo anterior, as informações não eram democratizadas na instituição e algumas atividades ficaram restritas aos integrantes do núcleo. A capacitação de professores e alunos das licenciaturas para o uso pedagógico das TIC e de ambientes virtuais, pouco foi proposta e, pelas respostas na entrevista, as licenciaturas não estavam no foco dos núcleos. Podemos destacar entre essas poucas ações de capacitação para professores e licenciandos: a capacitação para professores no Moodle e oprojeto ‘Prática Profissional em Debate’. As ações a seguir elencadas tiveram, em sua origem, uma relação com o NTEAD, mas não podemos relacioná-las como realizações do núcleo, que já se encontrava desativado; outras foram implementadas sem qualquer participação do NTEAD (item a). Consideramos relevante apresentálas como iniciativas que contemplam as TIC e a EAD no Instituto Federal Fluminense. São elas: 128 a) Criação do SOFTMAT, repositório virtual de softwares avaliados e direcionados à Matemática do Ensino Médio. Este repositório atualmente integra o portal do projeto de pesquisa57 "TIC no processo de ensino e aprendizagem de Matemática". b) Curso ‘Alunos em conflito: os transtornos de aprendizagem em discussão’ tendo como público alunos do último período das licenciaturas. c) Curso de capacitação para tutores na plataforma Moodle com a finalidade de preparar docentes para o uso pedagógico de um ambiente de aprendizagem virtual, especialmente o Moodle. d) Curso Técnico em Segurança do Trabalho na modalidade a distância, no sistema e-Tec, com início previsto para 2011 (1º semestre), numa parceria com a Prefeitura Municipal de São João da Barra. Consolidando esta proposta de curso em EAD, a fase de inscrições se iniciou em 16 de novembro do presente ano. Finalizando o enfoque das questões de estudo, situamos nossa conclusão em relação à última questão de estudo: (d) em que medida o NTEAD atendeu aos seus objetivos. Centramos esta questão no Instituto Federal Fluminense. Aqui cabe retornarmos ao capítulo dois, na parte que trata da atuação dos núcleos. Observamos alguns pontos que se relacionavam com seus objetivos em nível de projeto nacional, como: a criação de portal da EAD dos Institutos Federais, a produção de conteúdos digitais e sua disponibilização no repositório InterRed, e a expansão dos núcleos. Outras questões seriam postas em prática nas instituições pelos núcleos: inserção e disseminação das TIC e da EAD, apoio aos professores no uso da TIC, capacitação inicial e continuada do corpo docente e técnico, implementação de cursos técnicos e de graduação a distância e elaboração de OA. Segundo a Reitora do IFF, em entrevista a esta pesquisadora, o núcleo ‘plantou algumas sementes nesta modalidade, como a proposta de cursos a distância que serão aqui implantados. Agora, estamos propondo o Curso Técnico em Segurança do Trabalho, no formato do E- Tec., com o apoio da Prefeitura Municipal de São João da Barra/RJ’. A instituição já recebeu a visita dos avaliadores do MEC que visitou as áreas onde estão sendo instalados os dois futuros pólos de EAD do Curso Técnico em Segurança do Trabalho, num total de 75 vagas. Podemos, também, registrar, para o início do 1ª semestre de 2011, o curso técnico em Segurança do Trabalho, numa parceria com a Prefeitura Municipal de São João da Barra, 57 Disponível em: http://www.es.iff.edu.br/softmat/projetotic/portal.html. Acesso em: 10 de setembro de 2010. 129 atenderá à demanda que emerge a partir da construção do Complexo Portuário do Açu, maior investimento privado no país, em construção na região. A colaboração do grupo de instituições em torno da construção do Inter-Red, do portal da EPCT Virtual e das demais ferramentas já pode ser considerada um bom resultado deste projeto, a partir do vínculo que vem se estabelecendo entre instituições de EPT existentes em todo o país. Essa integração, que nasceu e se expande por meio do desenvolvimento dos módulos do SIEP, será consolidada com o uso e a administração das ferramentas construídas colaborativamente, bem como com o compartilhamento de uma base nacional de conhecimento e de objetos de aprendizagem em EPT. No entanto, a questão central que era: divulgar e inserir as TIC, disseminar a EAD nos institutos federais, contribuindo para a expansão do projeto, agregando mais instituições da própria rede, estendendo para as estaduais, foi atingida parcialmente. Isto se deve ao fato de que apenas uma instituição com NTEAD expandiu núcleos para outros campi. Conclusivamente podemos dizer que: (a) os avanços na EAD, nestas instituições com NTEAD, quando ocorreram, podem ser creditados ao programa da UAB e do e-Tec. Quanto à inserção das TIC no processo educativo também ocorreu timidamente, ora atendendo aos cursos da UAB, ora acontecendo por iniciativas individuais de alguns professores, e não de propostas de caráter institucional; (b) o projeto em questão vem mostrando avanços nas instituições em que a EAD já despontava, marcada pela presença de coordenações desta modalidade de educação, e também foi se afirmando pela oferta de cursos de licenciatura no sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) e cursos técnicos na modalidade e-TEC Brasil; (c) as instituições que, até o momento, não participavam dos programas de políticas públicas citados, estão implantando-os para atender à demanda do seu entorno, “visando à democratização, à expansão e à interiorização da oferta de ensino superior público e gratuito no país” (SILVA, 2010, p.218). Podemos exemplificar com o IFF que, embora tivesse o NTEAD no seu interior, ainda não havia proposto curso de formação profissional na modalidade a distância; (d) por entendermos que o projeto do NTEAD pode colaborar com as propostas em EAD e ainda fazer novas proposições, seria relevante que se resgatasse o núcleo e sua proposta político- 130 pedagógica, para contribuir no suporte técnico e no acompanhamento pedagógico dos cursos em EAD ora sendo implantados, com a perspectiva de desenvolver pesquisas importantes nesta área. Nosso estudo nos permitiu conhecer um pouco mais a realidade da rede federal de educação tecnológica, o novo formato de instituição proposto pelo MEC, ‘os institutos federais de educação, ciência e tecnologia’, e o novo papel dessas instituições de também formar professores para a Educação Básica. Assim, julgamos importante que os dados de nossa pesquisa sejam divulgados para o corpo docente da instituição de forma a, por um lado, incentivar o uso das novas tecnologias por aqueles que ainda parecem resistentes e, por outro, apontar a possibilidades de ações mais amplas neste sentido, não só com o uso mais efetivo, em aulas, das interfaces das tecnologias atuais, inserindo-as em seus planos de aula como recursos didáticos, como também indicando a possibilidade de se concretizar a educação a distância nesta instituição. 131 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. PROINFO – Informática e formação de professores, v. 1. Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação, SEED, 2000, 192 p. – Série de Estudos. Educação a Distância. ______. Educação a distância na internet: abordagens e contribuições dos ambientes digitais de aprendizagem. Educação e Pesquisa. v. 29 n. 2. São Paulo, FE/USP, jul-dez, 2003a, p.327-340. ______. 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Área de atuação: _______________________________________________________________________ 1.6- Nível de atuação : ( ) médio ( ) técnico ( ) superior Identifique o curso: _________________________________________________________________________ 1.7. Nível de formação: ( ) Graduação ( ) Mestrado ( ) Pós-doutorado ( ) Pós-graduação lato sensu ( ) Doutorado ( ) Outros _____________________________________ 2. Acesso, domínio e uso de recursos multimidiáticos, tecnologia da informação e comunicação. 2.1. Quais recursos metodológicos você utiliza em suas aulas? ________________________________________ ________________________________________________________________________________________ 2.2. Em seu dia-a-dia, você faz uso do computador? ( ) Sim ( ) Não Como? ___________________________________________________________________________________. 2.3. Quanto ao uso do computador, quais ferramentas você domina? ____________________________________________________________________________________________ 2.4. Você utiliza a internet em seu dia-a-dia? ( ) Sim ( ) Não 2.4.1. Para que finalidade? 141 ( ( ( ( ( ( ( ) Pesquisa em vários assuntos ) Canais de bate-papo e/ou relacionamento ) Jogos ) Comunicação por e-mail ) Atualidades ) cursos on-line ) Outros ____________________________________________________________ 2.5. Principal forma de acesso à internet: ( ) Em casa ( ) No trabalho ( ) Em lan-houses ( ) Em todos os lugares indicados ( ) Outra situação. Qual? ________________________________________________ ( ) Não tem acesso 2.6. Periodicidade de acesso a internet: ( ) Diariamente ( ) Quinzenalmente ( ) Semanalmente ( ) Raramente ( ) Nunca 3. Educação a Distância e o processo de construção do conhecimento 3.1. Você acredita que, para haver aprendizagem, é essencial a presença física do professor? ( ) Sim ( ) Não Justifique: _________________________________________________________________________________ 3.2. A Educação a Distância (EaD) não é mais um prognóstico, ela se apresenta como uma modalidade de ensino. Você já fez ou faz um curso a distância? ( ) Sim ( ) Não 3.3. Se você já realizou um curso a distância, qual foi a plataforma utilizada? _______________________________ 3.4. Você já ouviu falar da Plataforma Moodle? ( ) Sim ( ) Não 3.5. Se, para sua capacitação profissional, lhe fosse oferecido um curso a distância em sua área de atuação, qual seria seu nível de interesse? ( ) Muito ( ) Pouco ( ) Nenhum 3.6- Com base no art. 81 da Lei nº 9.394, de 1.996 e da portaria 4.059, de 10 de dezembro 2004, o MEC autoriza que 20% das disciplinas dos cursos superiores reconhecidos possam ser a distância. Você aceitaria este desafio em sua disciplina para um futuro bem próximo? ( ) De forma alguma ( ) Não acredito em aprendizagem a distância ( ) Gostaria de experimentar ( ) Precisaria de capacitação para isso 3.7. Deseja fazer alguma observação? ______________________________________________________________ Caso queira, identifique-se. ____________________________________________________________________ 142 ANEXO 2 SONDAGEM APLICADA AOS ALUNOS DO CEFET CAMPOS (Atualmente IF FLUMINENSE) 143 ANEXO 2 Caro Aluno: O Núcleo de Tecnologias Educacionais e Educação a Distância (NTEAD) , através de suas respostas, se propõe a observar o seu domínio e uso das tecnologias de informação e comunicação que estão presentes no seu cotidiano, enquanto cidadão e aluno. Esperamos contribuir com novas propostas que possibilitarão um movimento maior da instituição para um contexto educacional permeado pela tecnologia. Contamos com sua participação. SONDAGEM - ALUNOS 1. Identificação. 1.1. Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino 1.2. Faixa etária: ( ) 15 a 20 anos ( ) 31 a 40 anos ( ) 21 a 30 anos ( ) acima de 40 anos 1.3. Assinale o turno em que estuda no Instituto Federal Fluminense: ( ) Diurno ( ) Noturno 1.4. Identifique o curso em que está matriculado. _____________________________________________________ 1.5- Nível do seu curso : ( ) médio ( ) técnico ( ) superior 1.6. A partir da sua observação quanto à inserção ou não das tecnologias nas aulas recebidas, como você classificaria as aulas dos seus professores? ( ( ( ( ) Tradicionais ) Atualizadas sem tecnologias ) Mistas ) Modernas com uso efetivo de novas tecnologias 1.7. Marque a(s) resposta(s) que melhor identificaria(m) a atuação dos professores em suas aulas: ( ) Atualizados em conteúdos ( ) Usuários de recursos online ( ) Resistentes ao uso de novas tecnologias ( ) Usuários do mesmo material didático escrito 2. Acesso, domínio e uso de recursos multimidiáticos, tecnologia da informação e comunicação. 2.1. Em seu dia-a-dia, você faz uso do computador? ( ) Sim ( ) Não Como? ___________________________________________________________________________________. 2.2. Quanto ao uso do computador, quais ferramentas você domina? _____________________________________________________________________________________________ 144 2.3. Você utiliza a internet em seu dia-a-dia? ( ) Sim ( ) Não 2.3.1. Para que finalidade? ( ) Pesquisa em vários assuntos ( ) Canais de bate-papo e/ou relacionamento ( ) Jogos ( ) Comunicação por e-mail ( ) Atualidades ( ) cursos on-line ( ) Outros ___________________________________________________________________________________ 2.4. Principal forma de acesso à internet: ( ) Em casa ( ) No trabalho ( ) Em lan houses ( ) No Instituto Federal Fluminense (IFF) ( ) Em casa de parentes ( ) Outra situação. Qual? _________________________________________________________________________ 2.5. Periodicidade de acesso a internet: ( ) Diariamente ( ) Quinzenalmente ( ) Semanalmente ( ) Raramente 3. Educação a Distância e o processo de construção do conhecimento 3.1. Você acredita que, para haver aprendizagem, é essencial a presença física do professor? ( ) Sim ( ) Não Justifique: _____________________________________________________________________________________ 3.2. A Educação a Distância (EAD) não é mais um prognóstico, ela se apresenta como uma modalidade de ensino. Você já fez ou faz um curso a distância? ( ) Sim ( ) Não 3.3. Diante da possibilidade da implantação da Educação a Distância no IFF, você ( ) Aguarda com ansiedade. ( ) Acha a proposta muito interessante. ( ) Não acredita em educação sem a presença física do professor. ( ) Gostaria de saber como funciona. 3.4- Com base no art. 81 da Lei nº 9.394, de 1.996 e da portaria 4.059, de 10 de dezembro 2004, o MEC autoriza que 20% das disciplinas dos cursos superiores reconhecidos possam ser a distância. Você gostaria de ter esta experiência em sua formação? ( ) De forma alguma ( ) Não acredito em aprendizagem a distância ( ) Gostaria de experimentar 3.5. Deseja fazer alguma observação? ______________________________________________________________ Caso queira, identifique-se. _______________________________________________________________________ 145 ANEXO 3 Questionário de pesquisa aplicado aos alunos das Licenciaturas do IF Fluminense 146 ANEXO 3 Prezado(a) Aluno (a), Com o objetivo de realizar uma pesquisa que culminará na minha dissertação de Mestrado em Educação – Linha de Tecnologias da Informação e Comunicação nos Processos Educacionais, junto à Universidade Estácio de Sá – Rio de Janeiro/RJ, gostaria de contar com a sua participação, respondendo o questionário em anexo. Cabe esclarecer que as suas informações serão consideradas especificamente para fins de pesquisa e que seu nome, como sujeito da pesquisa será mantido em absoluto sigilo. Desde já, agradeço a sua colaboração e colocamo-nos à disposição para todo e qualquer esclarecimento. Nelma Vilaça Paes Barreto Mestranda em Educação - UNESA Termo de ciência e concordância Eu, ____________________________________________________________, aceito participar da pesquisa sobre o Núcleo de Tecnologia e Educação a Distância (NTEAD) inserido nesta instituição, com objetivos exclusivamente científicos e acadêmicos. __________________________, ___ de ________ de 2010. Ciente: ________________________________________________________ 147 QUESTIONÁRIO 1) Identifique seu curso e o período que está cursando na instituição: _____________________________________________________________________________________ 2) Já participou de cursos/atividades online? ( ) Sim ( ) Não Em caso afirmativo, identifique-o (s) :_______________________________________________ _____________________________________________________________________________________. 3) O MEC, em 2005, iniciou a implantação de Núcleos de Tecnologia e Educação a Distância (NTEAD) em algumas instituições da Rede Federal de Educação Tecnológica. Você tomou conhecimento da existência deste núcleo? Responda, justificando.______________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 4) Que objetivos o NTEAD possui em relação à formação de licenciados? _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 5) De que forma esses objetivos foram ou são colocados em prática? Explique: _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 6) Cite atividades ou eventos propostos pelo NTEAD de sua instituição. _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 7) Como você avalia esses eventos, considerando o papel implementador e divulgador das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e da Educação a Distância desses núcleos? _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 8) Que facilidades ou dificuldades você encontrou ao procurar se relacionar com o NTEAD? _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 9) Que práticas o NTEAD têm utilizado para capacitar os docentes e alunos do Instituto Federal Fluminense? _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 10) Dê sua opinião sobre a atuação do NTEAD no seu Instituto Federal, considerando seus objetivos institucionais. _________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________. 148 ANEXO 4 Questionário de pesquisa aplicado aos professores das Licenciaturas do IF Fluminense 149 ANEXO 4 Prezado (a) Professor (a). Estou realizando uma pesquisa que redundará na minha dissertação de Mestrado em Educação – Linha de Tecnologias da Informação e Comunicação nos Processos Educacionais, junto à Universidade Estácio de Sá – Rio de Janeiro/RJ. Nela, busco discutir a inserção das tecnologias de informação e comunicação (TIC) em processo de formação de professores, o que me leva a solicitar sua colaboração tendo em vista a experiência vivenciada no IF Fluminense. As informações obtidas serão servirão apenas à pesquisa e seu nome, como sujeito da pesquisa, será mantido em absoluto sigilo. Desde já, agradeço a sua colaboração e colocando-me à disposição para qualquer esclarecimento. Nelma Vilaça Paes Barreto Mestranda em Educação - UNESA Termo de ciência e concordância Eu, ____________________________________________________________, aceito participar da pesquisa sobre o Núcleo de Tecnologia e Educação a Distância (NTEAD) inserido nesta instituição, com objetivos exclusivamente científicos e acadêmicos. __________________________, ___ de ________ de 2010. Ciente: ________________________________________________________ 150 QUESTIONÁRIO 1) Identifique o curso e o período em que exerce suas atividades docentes : _____________________________________________________________________________________ ( ) Não 2) Já participou de cursos/atividades online? ( ) Sim Em caso afirmativo, qual o ambiente virtual utilizado? ________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 3) Já fez ou faz um curso a distância? ( ) Sim ( ) Não Em caso afirmativo, indique o curso e comente um pouco a experiência: _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 4) O MEC, em 2005, iniciou a implantação de Núcleos de Tecnologia e Educação a Distância (NTEAD) em algumas instituições da Rede Federal de Educação Tecnológica. Como foi a implantação deste núcleo em sua instituição?_______________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________. 5) Quais são os objetivos do NTEAD de sua instituição em relação à formação dos licenciandos e capacitação dos professores?_________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ 6) De que forma esses objetivos estão sendo colocados em prática? _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________. 7) Que atividades ou eventos propostos pelo NTEAD, no âmbito de sua instituição, você destacaria como relevantes para promover a capacitação de licenciandos e professores no uso pedagógico das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e da EAD? _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 8) Que contribuições tais atividades / eventos ofereceram à formação de licenciandos e à capacitação dos docentes do IFF?_______________________________________________ 151 _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 9) Que dificuldades e limitações você observou no desenvolvimento dessas atividades e eventos?______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 10) Como os licenciandos e professores se informam a respeito das atividades do NTEAD?_____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 11) Que acertos e desacertos você destacaria em relação ao envolvimento de professores e licenciandos nas atividades desenvolvidas pelos NTEAD?_________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 12) Como você vê a atuação do NTEAD, no âmbito de seu Instituto Federal, considerando os objetivos institucionais desse setor?________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________. 13) O NTEAD implantado em sua instituição tem contribuído para a formação continuada dos seus professores? ( ) Sim, significativamente; ( ) Sim, mas podia contribuir mais; ( ) Não. Justifique sua alternativa:________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 14) Enquanto professor de futuros professores, você incorpora as TIC a sua prática pedagógica? Justifique sua resposta. __________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________. 15) Você desenvolve ou já propôs atividades em suas aulas, utilizando algum ambiente virtual de aprendizagem? ( ) Sim ( ) Não. Em caso afirmativo, identifique a atividade proposta e o ambiente virtual utilizado. _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________. 152 ANEXO 5 Questionário aplicado aos integrantes dos Núcleos de Tecnologia e Educação a Distância (NTEAD) 153 ANEXO 5 Prezado(a) Professor (a) / Servidor (a), Estou realizando uma pesquisa que redundará na minha dissertação de Mestrado em Educação – Linha de Tecnologias da Informação e Comunicação nos Processos Educacionais, junto à Universidade Estácio de Sá – Rio de Janeiro/RJ. Nela, busco discutir a inserção das tecnologias de informação e comunicação (TIC) em processo de formação de professores, o que me leva a solicitar sua colaboração tendo em vista a experiência vivenciada nos Institutos Federais. As informações obtidas serão servirão apenas à pesquisa e seu nome, como sujeito da pesquisa, será mantido em absoluto sigilo. Desde já, agradeço a sua colaboração e colocando-me à disposição para qualquer esclarecimento. Nelma Vilaça Paes Barreto Mestranda em Educação - UNESA Termo de ciência e concordância Eu, _________________________________________________________________, aceito participar da pesquisa sobre o Núcleo de Tecnologia e Educação a Distância (NTEAD) inserido nesta instituição, com objetivos exclusivamente científicos e acadêmicos. __________________________, ___ de ________ de 2010. Ciente: ________________________________________________________ 154 QUESTIONÁRIO 1) O MEC, em 2005, iniciou a implantação de Núcleos de Tecnologia e Educação a Distância (NTEAD) em algumas instituições da Rede Federal de Educação Tecnológica. Quando e como foi a implantação deste núcleo em sua instituição? _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 2) Você participou efetivamente de algum destes Núcleos? ( ) Sim ( ) Não Em caso afirmativo, indique sua função no NTEAD e identifique a instituição. _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 3) O NTEAD de sua instituição já propôs ou realizou algum curso a distância? ( ) Sim Em caso afirmativo, indique o curso e comente um pouco ( ) Não a experiência: _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 4) Quais são os objetivos do NTEAD de sua instituição em relação à formação dos licenciandos e capacitação dos professores?_________________________________________ _____________________________________________________________________________ _______ 5) De que forma esses objetivos foram ou estão sendo colocados em prática? _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 6) Que atividades ou eventos propostos pelo NTEAD, no âmbito de sua instituição, você destacaria como relevantes para promover a capacitação de licenciandos e professores no uso pedagógico das TIC e da EAD?_________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 7) Que contribuições tais atividades / eventos ofereceram à formação de licenciandos e à capacitação dos docentes do Instituto federal? _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 8) Que dificuldades e limitações você observou no desenvolvimento dessas atividades e eventos?______________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 9) Como foram divulgadas as atividades do NTEAD em sua instituição, 155 a)para os alunos? _______________________________________________________________ b)para os professores?___________________________________________________________ c) para a comunidade externa? ____________________________________________________ 10) Após a implantação dos NTEAD em sua instituição, houve mudanças significativas em sua instituição quanto ao uso das TIC e da oferta de EAD? Em caso afirmativo, que ( ) SIM contribuições você ( ) Não atribuiria a este núcleo? _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 11) Como você vê a atuação do NTEAD, no âmbito de seu Instituto Federal, considerando os objetivos institucionais desse projeto?_______________________________________________ ______________________________________________________________________________ 12) O NTEAD implantado em sua instituição tem contribuído para a formação continuada dos seus professores? ( ) Sim, significativamente. ( ) Sim, mas podia contribuir mais. ( ) Não. Justifique sua alternativa:________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 13) A equipe do NTEAD de sua instituição divulgou ou divulga o InterRed e outras ferramentas disponíveis para o professor fazer uso em suas aulas? ( x ) Sim ( ) Não Em caso afirmativo, de que forma é feita esta divulgação? ______________________________ _____________________________________________________________________________ 14) Caso você esteja na situação de professor de futuros professores, você incorpora as TIC a sua prática pedagógica? Justifique sua resposta. ______________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ 15) Você tem conhecimento de que o professor em sua instituição desenvolve ou já propôs atividades em suas aulas, utilizando um ambiente virtual de aprendizagem? ( ) Sim ( ) Não. Em caso afirmativo, identifique a atividade proposta e o ambiente virtual utilizado. _____________________________________________________________________________ 16) Atualmente, você acha que existe possibilidade para o retorno das equipes dos NTEAD, aos institutos federais, e quais deveriam ser os objetivos desses Núcleos de Tecnologias e Educação a Distância (NTEAD), a partir do novo cenário da Educação Profissional e Tecnológica da Rede Federal, com a criação dos institutos? ______________________________________________________________________________ 156 ANEXO 6 Questões elaboradas para entrevista aos gestores 157 ANEXO 6 Prezado (a) gestor (a). Estou realizando uma pesquisa que redundará na minha dissertação de Mestrado em Educação – Linha de Tecnologias da Informação e Comunicação nos Processos Educacionais, junto à Universidade Estácio de Sá – Rio de Janeiro/RJ. Nela, busco discutir a inserção das tecnologias de informação e comunicação (TIC) nos Cursos dos Institutos Federais, e principalmente no processo de formação de professores, o que me leva a solicitar sua colaboração tendo em vista a experiência vivenciada nos Institutos Federais. As informações obtidas servirão apenas à pesquisa, e seu nome como um dos sujeitos da pesquisa, será mantido em absoluto sigilo. Desde já, agradeço a sua colaboração e colocando-me à disposição para qualquer esclarecimento. Nelma Vilaça Paes Barreto Mestranda em Educação - UNESA ENTREVISTA Identificação Nome: _____________________________________________________________________________ Cargo/função: _________________________________________________________________ Instituição: ____________________________________________________________________ Localização do NTEAD: _________________________________________________________ 158 1) O MEC, em 2005, iniciou a implantação de Núcleos de Tecnologia e Educação a Distância (NTEAD) em algumas instituições da Rede Federal de Educação Tecnológica. Como se deu a implantação destes núcleos nas instituições? 2) Atualmente, enquanto gestor de programas ou projetos da SETEC/MEC ou gestor de uma instituição participante do projeto Educação Profissional, Científica e Tecnológica (EPCT), você acha que existe possibilidade de retorno dos NTEAD com pesquisadores/bolsistas aos institutos federais? 3) Em nosso entendimento, os NTEAD atuariam na disseminação das TIC e da Educação a Distância (EAD) nos institutos em que estivessem inseridos, e também no movimento de expansão de núcleos na rede. Eles cumpriram estes objetivos? 4) Que atividades ou eventos propostos pela coordenação do NTEAD, você destacaria como relevantes para promover a capacitação dos professores e licenciandos no uso pedagógico das TIC e da EAD? 5) Como é vista pela coordenação do EPCT Virtual, a atuação do NTEAD, no âmbito dos Institutos Federais, considerando os objetivos desse projeto? 6) O NTEAD implantado nas instituições tem contribuído para a formação continuada dos seus professores? ( ) Sim, significativamente; ( ) Sim, mas podia contribuir mais; ( ) Não. Justifique sua alternativa. 7) Quais seriam os objetivos da EPCT Virtual para os NTEAD, a partir do novo cenário da Educação Profissional e Tecnológica da Rede Federal, com a criação dos institutos? 8) A partir de nossas leituras, podemos observar que a proposta da EPCT Virtual é contribuir com a formação profissional e tecnológica, e também atuar na qualificação dos professores. O NTEAD atendeu ao objetivo de atuar nos cursos de licenciaturas dos institutos? 9) O InterRed e outras ferramentas disponíveis na RENAPI ( DidaTIC, AvalTIC, Porta Treco, InterAulas, etc) encontram-se à disposição dos professores para uso pedagógico. Houve divulgação para os professores? A quem caberia divulgar? Aos NTEAD e/ou à unidade gestora (IFCE)? E de que forma foi feita esta divulgação? 10) Sendo a licenciatura uma formação profissional, como a EPCT tratará especificamente esta formação? 11) Após a implantação dos NTEAD nas instituições, houve mudanças significativas em suas propostas quanto ao uso das TIC e da oferta de EAD? ( ) SIM ( ) NÃO Em caso afirmativo, que contribuições você atribuiria a estes núcleos?