REVISTA do centro universitário vila velha
vila velha (es)
v. 9, n. 1, Janeiro/junho 2008
ISSN 1518-2975
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 1-162, jan/jun 2008
Scientia: REVISTA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO VILA VELHA
© 2007 Centro Universitário Vila Velha (UVV)
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Luciana Dantas da S. Pinheiro
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Conselho Editorial:
Augusto Cesar Salomão Mozine
Danièlle de Oliveira Bresciani
Denise Maria Simões Motta
Marlene Elias Pozzatto
Renata Diniz Ferreira
Revista interdisciplinar semestral
Tiragem: 1.000 exemplares
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Nacional Autónoma de México (UNAM)
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BIOS
Impressão:
Grafitusa
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Scientia : revista do Centro Universitário Vila Velha / Sociedade Educacional do Espírito Santo, Centro Universitário Vila Velha.− Vol. 1, n. 1,
(jan./jun. 2000)- . − Vila Velha : O Centro, 2000- .
v. : il.
Semestral.
ISSN 1518-2975.
1. Generalidades – Periódicos. I. Sociedade Educacional do Espírito
Santo. Centro Universitário Vila Velha.
CDD 000
Sumário
Editorial............................................................................................... 5
Avaliação da Implantação do Cateter Central de
Inserção Periférica - picc Neonatal na NEOCARE
Evaluation on the implantation of peripherally inserted central catheters − Picc
neonatal at neocare
Andressa Freitas de Almeida; Emanuelle Oliveira Vescovi e Andreia Gomes Freitas...... 7
DETERMINAÇÃO DA DL50 EM CÃES INTOXICADOS POR
FLUOROACETATO DE SÓDIO (FAS) COM AVALIAÇÃO CLÍNICA
Determination of dl50 in dogs poisoned by sodium fluoroacetate (sfa)
with clínics evaluated
Luciana Felício de Paula; Michiko Sakate e Katsumasa Hoshino.............................. 21
ESCOAMENTO DE ÓLEO PESADO USANDO A TÉCNICA
“CORE FLOW”
Heavy oil stream using “Core Flow” method
Bruno Soares Salamon e Henri Fiorenza de Lima...................................................... 39
NEURO-REGULAÇÃO HORMONAL DA SAZONALIDADE
REPRODUTIVA DA ÉGUA
Hormonal-neuroregulation of the reproductive seasonality in mare
Fernando Andrade Souza; Álan Maia Borges; Igor Frederico Canisso;
Vicente Ribeiro do Vale Filho; Lucas Luz Emerick e Erotides Capistrano Silva.......... 65
O CONHECIMENTO DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE
QUANTO AO TRABALHO FONOAUDIOLÓGICO EM
PEDIATRIA NO AMBIENTE HOSPITALAR
The knowledge of the professionals of the health how much to
work fonoaudiologic in pediatrics in the hospital environment
Nariely de Sousa Avancini; Verônica Dardengo Gava e
Renata Veiga Andersen Cavalcanti............................................................................. 73
O PROCESSO VIRTUAL NO BRASIL
The virtual process in Brazil
Carlos Fernando Lapenda de Moura.......................................................................... 99
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 3-4, jan./jun. 2008
OCORRÊNCIA DE STAPHYLOCOCCUS COAGULASE
POSITIVA NO “CIRCUITO CIRURGIA” DE PEQUENOS
ANIMAIS DO HOSPITAL VETERINÁRIO PROFESSOR
RICARDO ALEXANDRE HIPPLER E AVALIAÇÃO DO
ESPECTRO DE SENSIBILIDADE DESTES
MICRO-ORGANISMOS AOS ANTIBIÓTICOS
UTILIZADOS PELA EQUIPE CIRÚRGICA
Occurrence of staphylococcus coagulase positive in “surgery circuit”
of small animals from the veterinary hospital teacher Ricardo Alexandre
Hippler, and the evaluation of sensibility of these microorganisms to
antimicrobial used by the surgical team
Luciana Prata Honorato; João Damasceno Lopes Martins;
Marcus Alexandre Vaillant Beltrame e Fernando Luiz Tobias..................................... 113
O TEMPO ENTRE A SUSPEITA DA PERDA AUDITIVA E O
DIAGNÓSTICO
The time between the suspicion of the auditory loss and the diagnosis
Gleice Gonçalves Martins; Maiumy Grechi Leal e Rogério Roberte...........................125
Instruções editoriais aos autores............................................... 149
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 3-4, jan./jun. 2008
Editorial
A produção do conhecimento científico representa um desafio para
as sociedades contemporâneas. Após a quebra paradigmática e a
relativização da ciência cartesiana, a produção do conhecimento experimenta um momento de expansão conduzida, cada vez mais, pela
identificação do saber e pela correlação de ideias entre os mais variados campos de estudos. Nesse sentido, a revista Scientia, apresenta
mais um número, buscando agregar conhecimentos interdisciplinares
e publicar contribuições que possam informar a comunidade científica
acerca das inovações recentemente produzidas nos meios técnicos e
tecnológicos.
Nessa perspectiva, neste número da Revista encontram-se artigos
produzidos por pesquisadores do Centro Universitário Vila Velha, com
o fim de divulgar e difundir na comunidade acadêmica da instituição
novas práticas e técnicas clínicas e laboratoriais, como em “Ocorrência
de Sthaphylococcus coagulase positiva no ‘circuito cirurgia’ de pequenos
animais do Hospital Veterinário professor Ricardo Alexandre Hippler
e avaliação do espectro de sensibilidade destes microrganismos aos
antibióticos utilizados pela equipe cirúrgica” e “Determinação da DL50
em cães intoxicados por fluoroacetato de sódio (FAS) com avaliação
clínica”. Destacam-se, também, a contribuição de autores externos à
Instituição que trazem à Revista amostras dos mais variados debates
realizados no meio acadêmico nacional, como é o caso do artigo “O
processo virtual no Brasil”, apresentando as interfaces entre as inovações jurídicas e a tecnologia da informação. Com isso, afirma-se um
caráter de debate no cenário da produção científica, permitindo tanto a
expressão das pesquisas internas como das externas à instituição.
Ainda nessa ótica, há que se mencionar a constante contribuição da
área da saúde para a projeção dos debates veiculados pela revista.
Neste número, destaca-se a área da Fonoaudiologia, com os artigos
“O conhecimento dos profissionais da saúde quanto ao trabalho fonoaudiológico em pediatria no ambiente hospitalar” e “O tempo entre a
suspeita da perda auditiva e o diagnóstico”. A busca de novas tecnologias nas práticas da área da saúde também foi contemplada no artigo
“Avaliação da implantação do cateter central de inserção periférica
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 5-6, jan./jun. 2008
– PICC neonatal na neocare”, que apresenta essa prática na atuação
do profissional de enfermagem.
Por fim, há a divulgação de estudos envolvendo a análise de práticas e
situações específicas das áreas da engenharia do petróleo e da medicina veterinária. Nesse contexto, o artigo “Escoamento de óleo pesado
usando a técnica Core Flow”, vem apresentar uma forma inovadora na
economia de energia nos grandes processos de escoamento de petróleo.
Já o texto “Neuro-regulação hormonal da sazonalidade reprodutiva da
égua” traz a contribuição da revisão bibliográfica no entendimento de
questões gerais da ciência médica veterinária. Nesse contexto, a revista
Scientia reafirma seu papel de divulgadora isenta e plural da produção
do conhecimento, destacando, sempre, os debates acadêmicos capazes
de contribuir ao progresso da ciência de da pesquisa científica.
Augusto Cesar Salomão Mozine
Professor do Curso de Direito da UVV
Coordenador da Pós-Graduação Lato Sensu
em Políticas Públicas de Gestão da UVV
Doutorando em Ciências Sociais na PUC-SP
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 5-6, jan./jun. 2008
 7
Avaliação da Implantação do Cateter
Central de Inserção Periférica - picc
Neonatal na NEOCARE
Andressa Freitas de Almeida1
Emanuelle Oliveira Vescovi1
Andreia Gomes Freitas2
RESUMO
A introdução do Cateter Central de Inserção Periférica (PICC), realizada
por enfermeiros capacitados atuantes em neonatologia vem, cada vez mais
ganhando espaço. A busca por novas tecnologias proporciona segurança e
qualidade de assistência aos pacientes neonatos. Avalia as implantações
de quarenta Cateteres Centrais de Inserção Periférica. Os protocolos analisados mostraram uma média de permanência por cateter de 9,84 dias e
4,45 punções para cada procedimento. 36% dos catetes foram retirados
eletivamente, ou seja, pelo término da terapia intravenosa proposta. 49%
das veias puncionadas foram cefálicas. Os resultados obtidos desses e dos
outros dados encontrados demonstram a realidade de um serviço que realiza
esse procedimento com técnica de inserção e manutenção eficazes, em
sua maioria, necessitando apenas de alguns ajustes de natureza prática.
Palavras-chave: Enfermagem. Neonatologia. Infusões intravenosas em
crianças. Recém-nascidos – cuidado e tratamento. Veias – punção.
1 INTRODUÇÃO
A partir da introdução do uso de cateteres venosos plásticos para a manutenção de acessos vasculares por tempo prolongado em 1945, esta
1
2
Graduandas do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Vila Velha.
Professora do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Vila Velha. E-mail:
[email protected].
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 8
prática tem sido cada vez mais utilizada. Desde então, a tecnologia e a
pesquisa possibilitaram o desenvolvimento de produtos e equipamentos
específicos para a administração parenteral de soluções e de fármacos.
Os cateteres de curta ou longa permanência, além de sistemas computadorizados de infusão intravenosa, são apenas alguns dos dispositivos
avançados para aplicação de terapia intravenosa de alta qualidade no
século XXI (RYDER, 1993).
Sabe-se que o avanço tecnológico, a sofisticação das unidades de
terapia intensiva neonatal (UTIN’s) e dos recursos terapêuticos,
propiciou um considerável aumento na taxa de sobrevivência dos
recém nascidos (RN`s) gravemente doentes, em especial os prematuros, trazendo-os aos cuidados de enfermagem cada vez mais
precocemente e por longos períodos (GUINSBURG, 1999).
A tecnologia ampliou, consideravelmente, as diversidades de ações da
assistência médica e de enfermagem necessárias a esse tipo de clientela,
levando os profissionais desta área a adquirirem melhor capacitação
técnico-científica para atuar mais eficazmente frente às necessidades
de atendimento aos neonatos (GAÍVA; GOMES, 2003).
O Conselho Federal de Enfermagem regulamenta, através da Resolução
COFEN 258/2001, o procedimento de inserção e acompanhamento do
Cateter Central de Inserção Periférica (PICC) pelo profissional enfermeiro submetido à qualificação e/ou capacitação profissional, sendo uma
conquista para a categoria.
Contudo, um fator dificultador na prestação da assistência e na terapêutica
intravenosa em bebês é, sem dúvida, a limitação da sua rede venosa,
visto que, o corpo deste indivíduo ainda está em fase de crescimento
e desenvolvimento. Assim, o acesso venoso periférico torna-se um dos
procedimentos mais difíceis de se realizar nesses pacientes. Além disso, a dor e o desconforto causados ao recém-nascido pelas inúmeras
punções fazem com que uma das maiores preocupações do enfermeiro
seja a de melhorar a qualidade dessa assistência (TOMA, 1998).
Neste sentido, faz-se necessária ao enfermeiro assistencial em UTIN,
a busca por atualizações nessa área e o conhecimento das inúmeras
variedades de dispositivos para acesso vascular existentes no mercado
(CLINICAL..., 2000).
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 7-20, jan./jun. 2008
 9
O PICC, utilizado mundialmente, é um dispositivo com tempo de permanência prolongado e de fácil instalação, associado a um menor risco de
complicações mecânicas e infecciosas. Lourenço e Kakehashi (2003),
mencionam que:
A partir da década de 90, no Brasil, cada vez mais os PICC’s, têm
sido implantados, principalmente em recém-nascidos, pacientes
oncológicos e outros. A utilização desse tipo de cateter tornou-se
viável uma vez que o dispositivo para acesso vascular faz frente às
dificuldades causadas pelo corpo do recém-nascido, e se adequa
às necessidades terapêuticas.
Trata-se de um cateter de silicone e/ou poliuretano de calibre variável
um a dois French indicados para recém-nascidos (RN’s) implantados
em bebês que deverão receber antibioticoterapia prolongada (SANSIVERO, 1995).
Para Lourenço e Kakehashi (2003)
As veias de inserção mais indicadas são basílicas e cefálicas,
porém, outras como: temporal, safena magna, retroauricular e
axilar também podem ser utilizadas. Para essa escolha deve-se
avaliar as condições anatômicas e fisiológicas que podem interferir
na progressão do cateter.
O procedimento deve ser realizado em condições estéreis, com todos
materiais necessários disponíveis, por pelo menos dois profissionais
(enfermeiro e/ou médico) devidamente qualificados e treinados.
Punciona-se uma veia periférica, introduz-se o cateter até a marca
previamente calculada e, após confirmação radiológica de sua posição,
aplica-se um curativo oclusivo.
Geralmente, os cuidados quanto à manutenção do PICC ficam a
critério do enfermeiro responsável pelo procedimento. Este profissional deverá realizar os curativos quando necessário, avaliar
junto à equipe médica o tempo de permanência ou a necessidade
da retirada e, sobretudo, treinar a equipe de enfermagem para o
uso do mesmo (PHILLIPS, 2001).
Vale ressaltar, a importância da preservação das veias escolhidas para
a passagem do cateter, haja vista que os vasos previamente puncionaScientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 7-20, jan./jun. 2008
 10
dos apresentam grande resistência dificultando ou mesmo impedindo
sua progressão.
Objetiva-se que o motivo da retirada seja o término da terapia intravenosa, após a melhora clínica do bebê. Porém, intercorrências como,
sepse fúngica não controlada, formação de trombos obstruindo o cateter, ou mesmo um “descuido” da equipe, pode resultar em sua retirada
precoce.
1.1 O ESTADO DO ESPÍRITO SANTO E A UTILIZAÇÃO DO PICC
EM NEONATOLOGIA
Atualmente, o Estado do Espírito Santo possui aproximadamente treze
UTIN’s, sendo oito particulares e cinco do serviço público. Em cada
uma há pelo menos um enfermeiro habilitado para esse procedimento,
totalizando 70 profissionais.
Para a maioria desses profissionais os principais desafios quanto à utilização do PICC têm sido: a limitação do acesso venoso, principalmente
nos RN’s que são admitidos por transferência apresentando muitos dos
seus vasos periféricos já puncionados, manter toda a equipe treinada
para a manutenção, manter o enfermeiro exclusivo na UTIN em tempo
integral, o preço do cateter e a autorização dos convênios.
Neste contexto, justifica-se a realização deste estudo, por ser um trabalho
inovador e contributivo para a enfermagem no Espírito Santo. Diante
desses desafios para a utilização do PICC, o que tem sido feito para
mudar essa realidade?
As variáveis quantitativas para o presente estudo foram:
1) O número de Rn’s submetidos a esse procedimento.
2) Principais diagnósticos médicos.
3) Dia de vida em que se encontra no momento do procedimento.
4) Sexo.
5) O número de tentativas de passagem de cateter frustradas.
6) A média de tentativas de punções venosas/procedimento.
7) Veia puncionada.
8) Local de terminação.
9) Método de confirmação.
10) A média de permanência dos cateteres.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 7-20, jan./jun. 2008
 11
11) A média de curativos realizados.
12) Terapêutica em curso.
13) Marca de cateter A x B.
14) Motivos de Retirada.
15) Tempo de permanência.
2OBJETIVO
Este trabalho teve como objetivo avaliar as implantações dos Cateteres
Centrais de Inserção Periférica (PICC’s), na UTIN da Maternidade Gran
Mater (NEOCARE) no período de maio de 2004 a maio de 2006.
3METODOLOGIA
Este estudo é do tipo quantitativo retroativo e segundo Oliveira (1997),
pesquisa quantitativa significa quantificar opiniões, dados, nas formas
de coleta de informações, assim como o emprego de recursos e técnicas estatísticas desde as mais simples às mais complexas e retroativas
comparativas.
A pesquisa foi realizada na UTIN NEOCARE, localizada na Maternidade
Gran Mater, em Vitória-ES. A UTIN foi inaugurada em maio de 2004,
possui nove leitos de internação, não predeterminados quanto a intensivos e semi-intensivos.
Escolhemos esse cenário em função de ser o local onde se concentram
as nossas práticas acadêmicas e ter como rotina a passagem deste
cateter em todos pacientes com indicação clínica. Antes de começar a
pesquisa, foi solicitada uma autorização junto à direção da instituição
para levantamento de dados.
Foram utilizados para este estudo 40 PICC’s, registrados em protocolos
que foram elaborados segundo alguns critérios: média de permanência,
local de terminação do cateter dentre outros, e também a experiência
da enfermeira responsável pelo serviço, de RN’s internados na referida
UTIN, submetidos à passagem do cateter, no período de maio de 2004
a maio de 2006. Alguns desses registros estavam incompletos, sendo
necessário rever prontuários para preencher os dados não revelados. A
coleta de dados foi realizada no período de março a maio de 2006.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 7-20, jan./jun. 2008
 12
A análise dos dados coletados nos protocolos e a apresentação dos
resultados foram feitas em gráfico no programa Excel, versão 2003.
4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS resultados
Os resultados obtidos pela pesquisa promoveram uma série de conhecimentos sobre o PICC, e através de um protocolo de cuidados, poderá
nortear e proporcionar uma assistência com qualidade no que se refere
ao manuseio e manutenção do cateter garantindo, assim, maior durabilidade desse dispositivo venoso e segurança para o cliente.
Durante os dois anos de passagem do PICC na UTIN NEOCARE entre
maio de 2004 a maio de 2006, após análise criteriosa dos protocolos,
obteve-se um total de 40 procedimentos realizados. Destes, 52% foram
Gráfico
1-eDistribuição
da(Gráfico
amostra
em
meninas
48% em meninos
1). segundo sexo
52%
48%
Masculino
Feminino
Gráfico 1 - Distribuição da amostra segundo sexo
Os resultados indicam que 58% dos RN’s encontravam-se na 1ª semana
de vida, confirmando que a rotina da instituição foi respeitada em sua
maioria, ou seja, após a admissão do RN avalia-se a possibilidade de
cateterização umbilical, aguarda-se sua estabilidade hemodinâmica e,
Gráfico
Distribuição
da
amostra do
segundo
dias2).
de vida
assim que2-possível,
realiza-se
a passagem
PICC (Gráfico
8%
5%
11%
58%
1ª semana
2ª semana
3ª semana
4ª semana
1º mês ou mais
18%
Gráfico 2 - Distribuição da amostra segundo dias de vida
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 7-20, jan./jun. 2008
 13
Os 95% dos cateteres foram da marca A e apenas 5% da marca B
(Gráfico 3). Em relação ao calibre, 77% foram de 2,0 FR, 15% de 1,9
FR. Apenas 1 cateter possuía 1,0 FR tendo sido passado em um RN
prematuro extremo, pesando 700g. Para surpresa da equipe, esse cateter permaneceu 35 dias e foi retirado por piora clínica do paciente e
suspeita de sepse fúngica. Segundo relato da enfermeira responsável
pela instituição,
havia um
receio quanto
à perda do cateter por
Gráfico
3- grande
Distribuição
da amostra,
obstrução o que não ocorreu, vale ressaltar que neste protocolo enconsegundo a marca do cateter
tramos registro de apenas uma obstrução em 35 dias (Gráficos 3 e 4).
5%
A
B
95%
Gráfico 4 - Distribuição da amostra,
Gráfico 3 - Distribuição da amostra segundo a marca do cateter
segundo calibre do cateter
77%
5%
3%
15%
1.0fr
1.9fr
2.0fr
Não registrado
Gráfico 4 - Distribuição da amostra segundo calibre do cateter
Para Wong (1999), “[...] a prematuridade é responsável pelo maior número de internações em UTIN”.
Segundo Marcondes e outros (2002), esse grupo de crianças está mais
suscetível a intercorrências frequentes e graves, favorecendo ao desenvolvimento de deficiências a curto ou longo prazo. Os principais problemas
associados são: insuficiência respiratória, crises de apnéia, hiperbilirrubinemia,
asfixia perinatal, dificuldade de manter a temperatura corpórea, retinopatia
da prematuridade, malformações congênitas, entre outros (Gráfico 5).
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 7-20, jan./jun. 2008
Gráfico 5 - Distribuição da amostra,
segundo diagnóstico médico
 14
34%
5%
7%
PIG
11%
Enterocolite necrosante
Membrana hialina
Prematuridade
Sepse
Outros diagnósticos
28%
15%
Gráfico 5 - Distribuição da amostra segundo diagnóstico médico
O PICC tem uma grande importância para o acesso venoso desses
pacientes que, possivelmente, ficarão por longos períodos internados.
Importante destacar que os diagnósticos citados foram aqueles registrados pelo médico no dia da passagem do PICC e os descritos como
os outros são: Icterícia, pequeno para idade gestacional (PIG), etc.
O Gráfico 6 nos informa que 49% das veias puncionadas foram cefálicas,
embora a literatura consultada indique a veia basílica como 1ª escolha.
Na prática, as veias cefálicas são palpáveis, calibrosas e pouco tortuosas,
facilitando a punção (PHILLIPS, 2001). Conclui-se que, apesar das veias
basílica e cefálica serem indicadas como primeira e segunda escolha,
respectivamente, a opção por outros locais tem sido uma alternativa
viável eficaz, quando o recém-nascido apresenta as veias da região
Gráfico 6 -por
Distribuição
daou
amostra,
braquial comprometidas
outras punções,
quando, por qualquer
a veia puncionada
outro motivo, nãosegundo
é possível puncioná-las.
16%
8%
13%
Veia axilar
Cefálica
11%
Safena interna
Veias do couro cabeludo
Jugular externa
3%
49%
Basilica
Gráfico 6 - Distribuição da amostra, segundo a veia puncionada
A média de punção por procedimento foi 4,45, sendo que esse número
variou entre 1 a 20 tentativas. Do total, 12 procedimentos (30%) obtiveram sucesso com apenas uma tentativa de punção, o que nos leva a
pensar em uma equipe com boa destreza manual. Em apenas um caso
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 7-20, jan./jun. 2008
 15
puncionou-se 20 vezes o RN, o que ocorreu após avaliação e decisão
em conjunto da equipe, prévia analgésica e sedação do paciente, sendo
este um dos procedimentos que não houve êxito.
Quanto à manutenção foram, em média, realizados 2 curativos por RN,
variando entre 1 a 4. O responsável pela troca de curativo é o enfermeiro. O que mais tem sido utilizado é o oclusivo com filme transparente,
sendo que o 1º possui um pequeno recorte de gaze sobre a incisão.
Atualmente os curativos transparentes têm ganhado popularidade, em
decorrência da sua natureza oclusiva e possibilidade de visualização
do local de inserção do cateter (PHILLIPS, 2001).
Os demais membros da equipe de enfermagem são responsáveis pelos
cuidados na administração de medicamentos, respeitando as limitações
impostas pelo calibre do cateter, devendo observar qualquer alteração
referente à resistência à infusão, alterações externas ao curativo, sinais
de flebite ou obstrução. Cada técnico de enfermagem avalia, registra e
comunica à enfermeira responsável pelo procedimento suas observações
em relação ao cateter.
A média de permanência do PICC na amostra estudada foi 12,6 dias,
variando de 1 a 57 dias. Quando comparamos o resultado encontrado
com a indicação proposta pela instituição para a realização do procedimento (necessidade de terapia intravenosa por, pelo menos, 7 dias)
considera-se satisfatória a média de permanência.
Segundo Brown (1994) “[...] o tempo de permanência do PICC, após sua
instalação, varia de uma semana a seis meses, conforme o tipo ou marca do
cateter escolhido, tipo de terapia, critério individual de cada paciente”.
Para Ryder (1995),
[...] não se conhece limites para o tempo de permanência dos
dispositivos colocados. Na atualidade, os PICC’s são considerados adequados a administrações endovenosas que excedam 10
a 14 dias, e podem permanecer instaladas enquanto se fizerem
necessários, sem complicações.
O método de confirmação da localização do cateter mais utilizado tem
sido o RX (97%). A análise dos exames de confirmação demonstrou
que 89%, ou seja, 34 cateteres posicionaram-se centralmente (7 desses
em subclávia) e 11% perifericamente. Considera-se central aquele que
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 16
Gráfico 7 - Distribuição da amostra,
atinge a veia cava
superior,
átrio direito
veia cava inferior, acima ou
segundo
método
de ou
confirmação
abaixo do nível do diafragma (Gráficos 7 e 8).
3%
RX
Ecocardiograma
Gráfico 8 - Distribuição da amostra,
97%
segundo local de terminação do cateter
Gráfico 7 - Distribuição da amostra, segundo método de confirmação
11%
Central
Periférica
89%
Gráfico 8 - Distribuição da amostra, segundo local de terminação do cateter
Uns motivos que levaram à retirada do cateter foram, o término da antibioticoterapia e demais terapias intravenosas propostas, totalizando
assim 36%. Em relação à retirada por obstrução do cateter encontramos
Gráfico 9 pequeno
- Distribuição
da amostra,
um número relativamente
(11%) se comparado
a outros dados
segundo
os
motivos
de
retirada
da literatura, como Lourenço e Kakehashi (2003)
que tiveram perda de
22,9% por este motivo (Gráfico 9).
21%
36%
11%
Término da
Antibioticoterapia + HV
Edema
Extravazamento
Obstrução
11%
Suspeita de Sepse
16%
5%
Outros
Gráfico 9 - Distribuição da amostra, segundo os motivos de retirada
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 7-20, jan./jun. 2008
 17
A obstrução pode ser prevenida pela lavagem rotineira do cateter, não
utilizando pressão excessiva. Os neonatos apresentam um número maior
de tromboses arteriais e venosas comparados a crianças maiores.
Destaca que um estado de hipercoagulabilidade relativa no recémnascido poderia resultar de diferenças no endotélio vascular, na
atividade reduzida dos inibidores de coagulação, a proteína C e
S estão diminuídas no RN em níveis tão baixos quanto aqueles
associados com episódios trombóticos em adultos com deficiência
congênita destas proteínas. Assim, o papel dessas alterações na
hipercoagulabilidade do recém-nascido é incerto, pois a diminuição
proporcional nos níveis dos fatores pró-coagulantes dependentes
de vitamina K também está presente (MARCONDES et al., 2002).
Algumas literaturas também relatam a Síndrome de Twiddler como sendo
uma das causas para a retirada precoce do cateter.
Phillips (2001) descreve esta síndrome como o deslocamento do cateter, provocado pela manipulação do curativo ou do cateter. Os sinais e
sintomas característicos incluem edema ou drenagem e cordão palpável
no local de inserção. Também relata que para prevenir essa síndrome
é preciso fixar adequadamente o cateter, utilizar curativo oclusivo e
transparente, evitando tração do cateter durante a manipulação.
Esse fato está ligado à manipulação do curativo. Porém, neste serviço,
apenas dois cateteres foram removidos por este motivo.
Nesse caso também está incluindo a exteriorização do cateter, que pode
se dar pela ineficiência em fixar o cateter à pele (FREITAS; RAPOSO;
FINOQUIO, 1999).
Os 31% dos RN’s que estavam com PICC recebiam NPT, 30% antibioticoterapia, 5% drogas vasoativas, e 34% outros medicamentos, como: diuréticos,
analgésicos, sedativos, antifúngicos, prostaglandinas, anticonvulsivantes
e outros (Gráfico 10). A terapia medicamentosa condiz com os respectivos
tratamentos das patologias mencionadas anteriormente no Gráfico 5.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 7-20, jan./jun. 2008
segundo a terapêutica em curso
 18
NPT
31%
34%
Vasoativas
Antibioticoterapia
Outros
30%
5%
Gráfico 10 - Distribuição da amostra, segundo a terapêutica em curso
Ao final desta análise, observa-se ainda que dois procedimentos (5%)
não obtiveram êxito quanto à progressão do cateter. Os motivos relatados
em protocolo foram infiltração do RN e suspeita de hipercoagulabilidade.
Outros dois cateteres não foram acompanhados integralmente porque
os RN´s foram transferidos para outras instituições.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados alcançados neste estudo apontam para a realidade de
uma utilização do Cateter Central de Inserção Periférica eficaz em um
contexto de UTI neonatal.
Sabe-se que esta experiência trouxe inúmeros benefícios à equipe intensivista neonatal e, principalmente, aos recém-nascidos de alto risco.
Os diversos autores estudados destacam as inúmeras vantagens da
utilização do PICC, pelas diminuições do número de punções e infecções decorrentes de processos invasivos, maior eficiência em relação
ao tempo de permanência, entre outros.
Através da análise dos protocolos, encontramos uma média de permanência por cateter de 12,6 dias, o que concluímos ser um número
satisfatório comparado aos dados da literatura. 4,45 punções para cada
procedimento. 49% das veias puncionadas foram cefálicas, 36% dos
catetes foram retirados eletivamente, ou seja, pelo término da terapia
intravenosa proposta.
Dentro deste contexto, a pesquisa compara os resultados alcançados da
UTI Neonatal NEOCARE com dados da literatura. Outras vertentes, no
entanto, poderiam ainda, ser analisadas, como os resultados das culturas
de ponta de cateteres daqueles encaminhados a essa finalidade.
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 19
Desta forma, recomenda-se a realização de outros trabalhos referentes ao
uso do PICC, o que, certamente, contribuirá para a melhoria da qualidade
da assistência prestada a esses pacientes e também da qualidade de
vida pela diminuição da dor por inúmeras punções, traumas, diminuição
de infecções e outras.
EVALUATION ON THE IMPLANTATION OF
PERIPHERALLY INSERTED CENTRAL CATHETERS −
PICC NEONATAL AT NEOCARE
ABSTRACT
The introduction of Peripherally Inserted Central Catheters (PICCs)
becomes more and more increasing by qualified nurses who perform
in neonatology. The search for new technologies provides security and
quality of insertion 40 Peripherally Inserted Central Catheters. This work
examines the results obtained with the insertion of 40 catheters. The
analyzed protocols indicated an average of permanence per catheter
of 9,84 days and 4,45 awls for each procedure. 36% of the catheters
were electively removed, that is, by ending the intravenous therapy in
view. 49% of the punched veins were cefallic. The analysis of these and
other found data demonstrates the reality of a service that realizes this
procedure with insertion technique and efficient maintenance, in the most
cases, only requiring some adjustments of practical nature.
Keywords: Nursing. Neonatology. Intravenous therapy for children.
Infants (newborn) – care. Veins – puncture.
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Correspondência para/reprint request to:
Andreia Gomes Freitas
Curso de Enfermagem/UVV
Rua Comissário José Dantas de Mello, 21
Boa Vista
29102-770 - Vila Velha – ES (Brasil)
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 21
DETERMINAÇÃO DA DL50 EM CÃES INTOXICADOS
POR FLUOROACETATO DE SÓDIO (FAS) COM
AVALIAÇÃO CLÍNICA
Luciana Felício de Paula1
Michiko Sakate2
Katsumasa Hoshino3
RESUMO
O fluoroacetato de sódio (FAS) é um rodenticida que causa hipocalcemia
e deficiência energética pelo bloqueio do ciclo de Krebs. A ingestão acidental pelos animais é comum e o cão é um dos mais sensíveis, sendo
que a dose letal (DL) varia entre 0,05 a 1,0mg/kg de peso vivo, o que
dificulta o estudo dos possíveis antídotos. Para tanto, determinou-se
a DL50 de cães intoxicados por FAS por via oral com avaliação clínica.
Foram utilizados 12 caninos sadios de 10 a 15kg. Temperatura, FC,
FR e alterações comportamentais foram avaliadas em sete momentos.
Após administração de quatro doses, 0,6; 0,45; 0,30 e 0,20mg/kg respectivamente, observou-se letalidade em todas. A dose de 0,15mg/kg
foi testada e a repetição de testes em oito cães mostrou 50% de óbitos
e 50% de sobrevida. Seis animais apresentaram como primeiros sinais
vocalização aguda, semblante de delírio, corridas desvairadas em linha
reta que culminaram em queda ao chão, decúbito lateral, opistótono e
convulsão tônico-clônica. A hipertermia, taquicardia, taquipnéia e midríase
foram observadas nos primeiros momentos. Seis animais apresentaram
crises de choros, uivos e movimentação desordenada, denominada de
Doutora em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita
Filho. Professora do Centro Universitário Vila Velha. E-mail: [email protected].
2
Doutora em Patologia Experimental e Comparada pela Universidade de São Paulo.
Professora do Departamento de Clínica Veterinária da Universidade Estadual Paulista
Júlio de Mesquita Filho. E-mail: [email protected].
3
Doutor em Bases Gerais da Cirurgia e Professor do Departamento de Ciências Biológicas
da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. E-mail: [email protected].
1
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 21-38, jan./jun. 2008
 22
crises pré-convulsivas. Verificou-se que a maior causa de morte foi devido às convulsões que ocorreram nos primeiros momentos; é possível
interpretar os primeiros sinais comportamentais de intoxicação como
crises pré-convulsivas; a determinação da DL50 neste estudo permitiu
definir uma variável binomial em termos de sobrevida possibilitando
futuros estudos na detecção de antídotos eficazes, bem como seus
efeitos deletérios para a sobrevivência.
Palavras- chave: Cão. Intoxicação. Fluoreto de sódio - toxicologia.
1 INTRODUÇÃO
O atendimento de animais domésticos intoxicados por substâncias
químicas utilizadas para outros fins é fato comum na clínica veterinária.
Uma das substâncias mais tóxicas neste sentido é o fluoroacetato de
sódio (FAS) (composto 1080) e a fluoroacetamida (composto 1081).
Esta substância é utilizada como rodenticida devido à sua eficácia (alta
toxicidade), baixo custo, facilidade de uso e estabilidade por longos períodos em diferentes ambientes. Compostos desta classe, como o ácido
monofluoracético, são encontrados naturalmente na Palicourea marcgravii (PM) (cafezinho, café bravo, erva de rato verdadeira) (PALERMONETO; MOREAU, 1995) e Arrabidea bilabiata (trepadeira de várzea da
Amazônia), plantas identificadas no Brasil que causam mortes súbitas
em bovinos, principalmente na região amazônica (PALERMO-NETO;
MOREAU, 1995). Foi encontrado também na planta africana Dichapetalum cymosum (gifblaar) (MARAIS, 1944) e em espécies australianas
(TWIGG; KING, 1991; VICKERY; VICKERY, 1975).
O uso do FAS, pela sua alta toxicidade, é limitado por lei em alguns
países e seu uso é permitido somente aos aplicadores licenciados que
seguem normas técnicas como as da American Society for Testing and
Materials (ASTM), ou órgãos governamentais relacionados à saúde pública (PALERMO-NETO; MOREAU, 1995). De fato, a sua alta toxicidade
e sua degradação, além do perigo que oferecem diretamente, afetam
secundariamente a cadeia alimentar. Cães, coiotes e suínos morrem
ao ingerir roedores intoxicados pelo FAS (CASPER et al., 1986), sendo
que o cão é uma das espécies mais sensíveis a este agente tóxico e a
ocorrência de mortes nesta espécie pode indicar o uso ilegal e de alto
risco do FAS (CHENOWETH; GILMAN, 1946).
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 23
As iscas deixadas ao ar livre perdem gradativamente a potência, à
medida que o veneno é removido pela água de chuva ou lixiviação;
mesmo assim, há necessidade da remoção das iscas após tentativa
de extermínio dos roedores (HATCH, 1992). Deve ser considerada a
intoxicação secundária de outros elos da cadeia alimentar, pois tanto
cães como coiotes e suínos morrem ao ingerir roedores intoxicados pelo
FAS (CASPER et al., 1986).
A dose letal (DL) em cães e gatos está entre 0,05 a 1,0mg/kg de peso vivo
(LLOYD, 1983; OSWEILER, 1998). Em um trabalho para avaliação das
doses letais médias, o composto 1080 (95% de pureza) foi administrado
por via oral nas doses de 0,01 a 0,30mg/kg com estabelecimento de uma
DL50 de 0,173mg/kg em 83 cães. Neste mesmo trabalho, a dose letal foi
extrapolada para 90% (DL90) 0,216mg/kg (HUGGINS; CASPER; WARD,
1988). Já Kalmbach (1945) listou a DL50 do composto 1080 para alguns
animais, citando a dose de 0,35mg/kg no cão doméstico. Foi reportado
por Atzert, citado por Calver e King (1986) que a dose de 0,30mg/kg
(DL50) de 1080 em cães era considerada baixa.
Em qualquer caso de exposição tóxica, observa-se um período de latência que, de acordo com Pattison (1959), representa o tempo necessário para que o fluoroacetato seja absorvido, penetre na célula e seja
formada uma quantidade suficiente de tóxico para romper os processos
intracelulares, causando os sinais clínicos. O período de latência varia
de aproximadamente 30 minutos a 25 horas e é observado em qualquer
espécie animal. Mesmo doses maciças não provocam uma resposta
imediata. Por exemplo, o aumento de 50 ou até mesmo de 500 vezes
a DL95 de 1080, injetada via intravenosa (IV), em coelhos albinos, diminuiu o período de latência de 30 para 20 minutos (CHENOWETH,
1949). No trabalho feito por Hugghins, Casper e Ward (1988), os cães
intoxicados por FAS tiveram um período latente de várias horas antes
que os sintomas clínicos se tornassem evidentes.
O FAS é facilmente absorvido no intestino, pulmões ou feridas abertas, e
é levado para todo o organismo pela circulação sanguínea. Após entrar
nas células teciduais, transforma-se em fluorocitrato, que compete pelo
local ativo da enzima aconitase do ciclo de Krebs, impedindo desta maneira a finalização do ciclo, diminuindo consequentemente a respiração
celular. Esta ação ocorre em todas as células, mas as funções cerebral
e cardíaca são acometidas mais gravemente (HATCH, 1992; KLAASSEN, 1990). Como alteração metabólica, ocorre acúmulo de amônia no
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 24
cérebro, que pode desencadear convulsões típicas da intoxicação pelo
1080 em algumas espécies (HENDERSHOT; CHENOWETH, 1955).
Outros autores acreditam que os sinais clínicos observados poderiam
ser devido a uma queda acentuada do cálcio ionizado sanguíneo, pela
atuação do citrato como quelante deste cálcio (HATCH, 1992; MOUNT,
1992). A hiperglicemia e acidose metabólica são achados prováveis
devido também à disfunção metabólica (MOUNT, 1992).
O estudo das alterações clínicas vem sendo pesquisado por Marais
desde 1944 na espécie ovina e até os dias atuais em outras espécies
(camundongos, ratos, cobaias, coelhos, bovinos, gatos e cães) (CASPER et al.,1986; HUMPHREYS, 1988; GÓRNIAK; PALERMO-NETO;
SOUZA-SPINOZA, 1989; PALERMO-NETO; MOREAU, 1995; OSWEILER,
1998). Os sinais clínicos da intoxicação por FAS em cães mais frequentemente observados é excitação do sistema nervoso central (SNC), com
apresentação de agitação, vômitos, diarreia, micção, hiperirritabilidade,
hipermotilidade, corrida “desvairada” em linha reta, latidos e ganidos,
convulsões tônico-clônicas intermitentes e, por fim, observa-se coma
terminal e respiração ofegante, com a morte sobrevindo dentro de 2 a
12 horas. O rigor mortis ocorre rapidamente (HATCH, 1992).
As diferentes respostas clínicas envolvendo várias espécies podem ser
explicadas pelas diferenças no sistema metabólico afetado (CHENOWETH; GILMAN, 1946). Segundo Gribble (1973), a toxicidade do FAS
é extraordinariamente específica para a espécie envolvida.
Vários estudos foram feitos no sentido de se obter uma terapia eficaz
para reverter a intoxicação por FAS. A terapia com o monoacetato de
glicerol em cães intoxicados com aplicação de FAS subcutâneo foi descrita com relativo sucesso (CHENOWETH et al., 1951; HENDERSHOT;
CHENOWETH, 1955; PETERS; MORSELLI, 1965; RAMMELL et al.,
1985; GÓRNIAK et al., 1992), inclusive em um modelo experimental
para o estudo das crises convulsivas tônico-clônicas com monitoramento
eletroencefalográfico (HENDERSHOT; CHENOWETH, 1955). O gluconato
de cálcio em associação com succinato de sódio tem efeito antidotal
significativo em camundongos, porém, somente quando administrado
dentro de 15 minutos após a intoxicação por FAS (OMARA; SISODIA,
1990). A eficácia do gluconato de cálcio como antídoto, administrado
isoladamente, ainda não foi avaliada. Apesar deste fato, nenhum trabalho
foi feito com a administração oral do FAS, que é a via mais comum nos
casos atendidos na rotina ambulatorial.
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 25
O uso do FAS no Brasil é alarmante, pois há inúmeras evidências de seu
uso ilegal sem o menor critério. Atesta este fato, a grande facilidade de
se obter produtos comerciais contendo o FAS e que recebem os nomes
populares de era rato, mão branca ou rato branco. O aumento dos casos
de envenenamento proposital de animais domésticos e a intoxicação
acidental de crianças e animais de estimação nos dias atuais também
corrobora esta interpretação. Este fato torna de fundamental importância
o estudo para a determinação da eficácia dos tratamentos correntes
preconizados para os casos de intoxicação por esta substância e, para
tanto, necessita-se da determinação da DL50 do FAS por via oral em
cães, já que na literatura pesquisada existe grande variabilidade desta
dose, além da variabilidade do período de latência e sinais clínicos. Com
esta determinação possibilitará a detecção da eficácia dos antídotos,
bem como seus efeitos deletérios para a sobrevivência.
2OBJETIVOS
A dose letal de 50% é aquela onde a letalidade ocorre com a metade
de uma população exposta (OSWEILER, 1998). Este estudo tem como
objetivo determinar a dose letal de 50% (DL50) de cães adultos, sem raça
definida, intoxicados pelo FAS por via oral. Esta determinação permitirá
a padronização da dose, do período de latência e dos sinais clínicos
para futura detecção de eficácia de antídotos, bem como seus efeitos
para a sobrevivência.
3METODOLOGIA
A presente pesquisa foi realizada no Serviço de Toxicologia Veterinária
do Departamento de Clínica Veterinária do Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual
Paulista (FMVZ−UNESP−Campus de Botucatu-SP).
O fluoroacetato de sódio (FAS), que também recebe o nome de ácido
monofluoracético (97% de pureza), foi cedido pelo Centro de Assistência Toxicológica (CEATOX), da UNESP−Campus de Botucatu, onde foi
manipulado para encapsulamento, após o cálculo da dose total do tóxico
necessário para cada animal. A dosagem foi expressa em mg do tóxico
por kg de peso corporal vivo (mg/kg). Após o cálculo da quantidade
necessária, a substância foi pesada em balança analítica e o encapsuScientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 21-38, jan./jun. 2008
 26
lamento foi feito com uso de cápsulas de gelatina nº 2. Estas cápsulas
foram envoltas em papel alumínio e deixadas em frasco de vidro escuro
com tampa e colocadas em ambiente fresco e escuro quando seu uso
não era imediato.
Foram selecionados e utilizados 12 caninos, sem raça definida, adultos
(idades entre 1 a 6 anos estabelecidas pelas características da dentição
segundo os parâmetros definidos por McCurnin e Poffenbarger (1991),
machos e fêmeas (não prenhes e em diestro), com peso corporal variando de 10 a 15kg. Os animais foram examinados clinicamente de
acordo com os procedimentos preconizados por McCurnin e Poffenbarger
(1991), sendo selecionados para estudo somente aqueles considerados
sadios e com as características de idade e peso na faixa acima citada.
O exame físico constou da aferição da temperatura (T), avaliação de
frequências respiratórias (FR) e cardíacas (FC), além da inspeção clínica
geral. Todos os animais provieram do Biotério Central da Universidade
Estadual Paulista, sediado no Campus de Botucatu.
Os animais selecionados para estudo foram mantidos em jejum de 12
horas e a água mantida adlibitum, colocados em um quarto de alvenaria
(2,0 x 1,5m) revestido de azulejos e assoalho forrado com folhas de jornal.
O FAS foi administrado por via oral entre 1h a 3h (manhã), facilitando-se
a deglutição por mascaramento com um pedaço de pão de leite (aproximadamente 50 gramas) e a deglutição foi conferida sempre pelo mesmo
observador, assim como o aparecimento dos sinais de intoxicação. As
avaliações clínicas (T, FC, FR) foram iniciadas com os primeiros sinais de
intoxicação (vocalização, marcha atípica, abalos mioclônicos, convulsões
tônico-clônicas) e copiladas em ficha padronizada. Os animais com vida,
após 24 horas após o início da intoxicação, foram computados dentro
dos 50% com sobrevida da DL50 proposta neste estudo, já os outros 50%
que vieram a óbito foram submetidos à necropsia.
Tendo em vista uma possível diversidade das latências para o aparecimento dos sinais de intoxicação, como observação da sobrevida,
dos padrões de alterações comportamentais e os dados clínicos dos
12 animais, tomou-se para análise os dados obtidos nos seguintes
momentos:
Momento 0 (M0): antes da intoxicação por FAS (avaliação clínica).
Momento 1 (M1): após o início dos sinais de intoxicação.
Momento 2 (M2): 60 minutos após o início dos sinais de intoxicação.
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 27
Momento 3 (M3): 120 minutos após o início dos sinais de intoxicação.
Momento 4 (M4): 180 minutos após o início dos sinais de intoxicação.
Momento 5 (M5): 240 minutos após o início dos sinais de intoxicação.
Momento 6 (M6): 300 minutos após o início dos sinais de intoxicação.
Embora as técnicas farmacológicas preconizem que a determinação da
dose letal que leva 50% dos animais a óbito seja feita por meio do uso
de grupos de animais para diferentes doses, o presente estudo adaptou
o método da “janela”, utilizado em outras áreas de conhecimento (Psicofísica), tendo em vista sacrificar um número menor possível de animais
(DE PAULA, 1999). Este método consiste em avaliar, alternadamente,
uma dose (ou outra magnitude da variável em estudo) alta e outra baixa para observar efeito positivo e negativo, respectivamente. Em vista
dos resultados, testam-se novas doses intermediárias, estreitando-se
a faixa de avaliação para se localizar a dose onde ocorrem 50% de
efeitos positivos e 50% dos efeitos negativos, aumentado-se o número
de testes neste ponto ou dose.
O estudo das variáveis (FC, FR e T) ao longo dos momentos de avaliação, foram constituídos de intervalos de 95% de confiança, para a média
populacional cujos limites foram apresentados pelo gráfico de linhas do
grupo único (STREINER; NORMAN, 1994). A análise das variáveis tempo
entre o início da intoxicação e o óbito, intervalo da crise pré-convulsiva,
duração da crise pré-convulsiva, intervalo da crise tônico-clônica e duração da crise tônico-clônica foi realizado pelo teste não paramétrico
de Kruskall-Wallis e Fridman, no nível de 5% de significância (SIEGEL;
CASTELLAN, 1988).
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A determinação da DL50 do FAS com a utilização de 12 cães foi iniciada
com uma primeira dose de O,6mg/kg de FAS que levou o animal a óbito, levando a reduzir a segunda dose para 0,45mg/kg e a terceira para
0,30mg/kg. Com a observação de morte nestas doses, a quarta dose
testada foi de 0,15mg/kg que mostrou sobrevida. A dose de 0,20mg/kg
testada subsequentemente mostrou óbito, levando a se repetir a dose
anterior de 0,15mg/kg. Considerando-se que a repetição de testes nesta
última dose em oito animais mostrou 50% de óbitos, ela foi escolhida
para o presente estudo (Gráfico 1).
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 28
dose mg/kg
Método da janela
0,65
0,60
0,55
0,50
0,45
0,40
0,35
0,30
0,25
0,20
0,15
0,10
0,05
0,00
Óbito
Sobrevida
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
cães
Notas:
Gráfico 1 – Sobrevida e óbito de cães intoxicados
com diferentes doses de fluoroacetato de sódio
Os animais foram testados na sequência numérica e com as doses onde os resultados
estão assinalados.
Note-se que na dose de 0,15mg/kg ocorreram 50% de óbitos e 50% de sobrevida. (y:
dose do FAS por mg/kg; x: número dos cães utilizados).
A determinação da DL50 no presente trabalho se justifica pela possibilidade de se detectar uma possível ação protetora como contrária dos
antídotos. Por outro lado, a DL50 está associada à probabilidade de 0,5,
que permite definir uma variável binominal, permitindo assim a prova de
hipótese com um mínimo de animais. Mesmo utilizando a DL50, houve
variações marcantes em relação aos sinais clínicos encontrados e o
tempo de latência de cada animal. O uso de um número restrito de
animais em esquema de teste de uma variável binomial permite definir
uma região crítica de rejeição, extremamente rigorosa, uma vez que
o nível de significância pode ser atingido apenas quando todos eles
conseguirem sobrevida.
A utilização do método de janela não é usual em farmacologia para a determinação da DL50. A fidedignidade deste método é garantida, visto que
ele é rotineiramente utilizado em outras áreas de conhecimento como foi
visto anteriormente. De Paula (1999) utilizou este método com sucesso na
determinação da dose efetiva de 50% de estricnina para induzir pânico em
ratos. A fidedignidade do método pode ser confirmada também quando se
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 29
observa que a DL50 determinada neste estudo (0,15mg/kg) está dentro da
faixa de variação encontrada na literatura. Segundo Lloyd (1983) e Osweiler
(1998) a dose letal nos cães está entre 0,05 a 1,0mg/kg de PV, entretanto
a DL50 aproximada, encontrada por alguns autores, variou entre 0,10mg/kg
até 0,36mg/kg (KALMBACH, 1945; CHENOWETH; GILMAN, 1946; FOSS,
1948; TOURTELLOTTE; COON, 1950; HUGGHINS; CASPER; WARD,
1988). Em contrapartida, Atzert (1971) considerou a DL50 de 0,30mg/kg
em cães baixa para causar 50% de óbito e 50% de sobrevida.
Estas disparidades observadas podem ser explicadas pelos dados de
Chenoweth e Gilman (1946), que estudaram o FAS e demonstraram que
a sucetibilidade varia muito dentro de diferentes espécies e que a via de
administração não afeta a toxicidade. Esta afirmação pode ser confirmada
com os trabalhos descritos na literatura sobre as diferentes vias de administração do agente tóxico (intravenosa, intraperitoneal, intracerebral,
intratecal). Um outro aspecto importante sobre a toxicidade do FAS é que ele
é extraordinariamente específico para cada espécie (GRIBBLE, 1973).
O período de latência dos 12 cães intoxicados por FAS variou de 2 a 16
horas, com média aproximada de 6 horas, o que está de acordo com
Chenoweth (1949), que refere um período de latência que varia de aproximadamente 30 minutos a 25 horas, porém descreve de forma generalizada para qualquer espécie animal. Outro grupo de estudos utilizando
cães refere um período latente de várias horas antes que os sintomas
clínicos se tornassem evidentes (HUGGHINS; CASPER; WARD, 1988),
não especificando a quantidade de horas como no presente estudo.
Alguns animais apresentavam crises repetidas de choros, uivos de curta
duração, movimentos desorientados, midríase, semblante aparentemente de medo e desespero, sugestivo de delírio. Aproximadamente 70%
destes episódios foram seguidos por convulsões. Os animais caiam,
permaneciam em decúbito lateral, contraiam toda a musculatura do
corpo manifestando a crise convulsiva tônica, com opistótono evidente,
seguida de crise clônica, com abalos musculares de alta intensidade
intermitentes, para, finalmente, apresentarem estado comatoso temporário da depressão pós-ictal. Todos estes sinais estão de acordo com
os encontrados por alguns autores (CHENOWETH, 1949; REIGART;
BRUEGGEMAN; KEIL, 1975; HUGGHINS; CASPER; WARD, 1988;
TRABES; RASON; AVRAHAMI, 1983; BOSAKOWSKI; LEVIN, 1986;
GÓRNIAK; PALERMO-NETO; SOUZA-SPINOSA, 1989). Seis animais
(cão 1, 2, 3, 5, 6 e 7) foram a óbito por parada respiratória após uma
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 30
série de crises convulsivas, sendo que quatro deles (cão 1, 2, 3 e 5)
recebeu doses do FAS acima de 0,15mg/kg (Figura 1) o que foi relatado
por Hatch (1992) onde o óbito ocorria com coma terminal e respiração
ofegante dentro de 2 a 12 horas com rápido rigor mortis.
As crises somente de choros, uivos e movimentação desordenada foram
denominadas de crises pré-convulsivas para facilidade de exposição,
sendo que seis cães apresentaram este tipo de crise (cão 4, 8, 9, 10,
11 e 12). Os cães de número 8 e 12 vieram a óbito por parada cardiorespiratória após várias crises pré-convulsivas com apresentação de
taquicardia e taquipnéia. A manipulação do animal para a contenção,
durante as crises, mostrou um estado de hiperexcitabilidade, com latidos e uivos mais intensos, como se não estivesse reconhecendo o
experimentador. Somente Trabes et al. (1983) descrevem estas crises
como pré-convulsivas em um trabalho envolvendo intoxicação por FAS
em um ser humano.
Os seis cães que apresentaram convulsões tônico-clônicas, perfazendo
um total de 27 episódios, que ocorreram predominantemente (mais de
80%) nos momentos M1 e M2, ou seja, nas primeiras horas após o
aparecimento dos sinais de intoxicação e o restante nos momentos M3
e M4 (até os 180 minutos do aparecimento dos sinais de intoxicação).
As crises tônico-clônicas ocorreram com intervalos médio de 119,64 ±
252,8s, quando calculados nos cães que manifestaram mais que um
episódio convulsivo. A média do número de convulsões tônico-clônicas
nestes cães foi de 27 ± 2,77 episódios. A duração média dos episódios
de convulsão nestes cães foi de 77,18 + 76,44s, diminuindo para 35,62
± 74,18s nos momentos M3 e M4.
As crises pré-convulsivas observadas nos seis cães restantes, caracterizadas pelos uivos, choros e movimentação incoordenada tiveram uma
periodicidade de 254,8 + 187,4s ao longo de todo o período de registro.
A duração média destes episódios foi de 20,6 + 4,7s, diminuindo para
9,5 + 13,30s nos momentos M5 e M6.
Os dados da FC, FR e T foram anotados em fichas de registro padronizadas para este estudo, nos momentos preconizados (M0 a M6). No
M1 observou-se que a FC apresentou uma elevação representando os
primeiros sinais de intoxicação, já no M3 e M4 houve aumento significativo comparado ao M0 (p< 0,05) (Gráfico 2).
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 31
G1
frequência respiratória
60
50
M0
M1
M2
M3
M4
M5
M6
40
30
20
10
0
M0
M1
M2
M3
M4
M5
M6
Momentos
Gráfico 2 - Comparações das médias da FC dos 12 cães (grupo 1=G1) no
momento controle e em diferentes momentos após a intoxicação pelo FAS
Nota:
(y: bpm= batimentos por minuto; x: momentos avaliados).
A frequência respiratória (FR) dos 12 cães analisados em M1 foi elevação
significativa, principalmente em M2, mantendo-se elevada até M3, com
posterior queda no M4, M5 e M6 até deparar-se com valores iguais aos
do M0 (Gráfico 3).
40,6
40,4
40,2
40,0
39,8
39,6
Temperatura
39,4
G1
39,2
39,0
38,8
38,6
38,4
38,2
38,0
M0
M1
M2
M3
M4
M5
M6
Momentos
Gráfico 3 - Comparações das médias da FR dos cães do G1 no momento controle
e em diferentes momentos após a intoxicação pelo FAS
Nota:
(y: bpm= movimentos respiratórios por minuto; x: momentos avaliados).
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 21-38, jan./jun. 2008
 32
Os valores das médias da T mantiveram-se homogêneos até M3, com
elevação significativa da T acima dos valores normais em M4 (p< 0,05),
e depois apresentação de queda estatisticamente significativa no M4 que
progrediu até o M6 (p< 0,05) (Gráfico 4). O aumento da T parece estar
relacionado principalmente pelas crises convulsivas e pré-convulsivas
com contrações musculares tônicas e clônicas.
40,6
40,4
40,2
40,0
39,8
39,6
Temperatura
39,4
G1
39,2
39,0
38,8
38,6
38,4
38,2
38,0
M0
M1
M2
M3
M4
M5
M6
Momentos
Gráfico 4 - Comparações das médias da T dos 12 cães (G1) no momento controle
e em diferentes momentos após a intoxicação pelo FAS
Nota:
(y: bpm= movimentos respiratórios por minuto; x: momentos avaliados).
Harrisson, Ambrus e Ambrus (1952) afirmaram que algumas espécies,
como coelhos, bovinos, equinos e macacos, apresentam somente sinais
cardíacos quando intoxicadas por FAS; outros como cão, cobaias e rãs
tem somente convulsões e outros ainda, como gato, porco, galinha,
macaco Rhesus, mostram tanto sinais cardíacos como neurológicos.
Os dados observados neste trabalho estão de acordo com a afirmação
destes autores, pois os cães apresentaram alterações neurológicas
como principal sintoma de intoxicação por FAS.
5 CONCLUSÃO
A determinação da DL50 de 0,15mg/kg permitiu definir uma variável
binomial em termos de sobrevida, possibilitando futuros estudos na
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 33
detecção de antídotos eficazes, bem como seus efeitos deletérios para
a sobrevivência.
Verifica-se que a maior causa de morte foi devido às convulsões e que
ocorreram nos primeiros momentos após o aparecimento dos sinais de
intoxicação por FAS.
É possível interpretar os primeiros sinais comportamentais de intoxicação
por FAS como sendo crises pré-convulsivas nos cães, com apresentação
de surtos de uivos, choros, latidos de curta duração, corridas desorientadas, comportamento de medo e midríase.
A alta variabilidade nas latências de aparecimento dos primeiros sinais
de intoxicação indica grande variabilidade na sensibilidade individual ao
FAS e ao envolvimento de múltiplos fatores em sua ação.
A investigação das causas determinantes da grande variação na sensibilidade ao FAS parece ser um caminho promissor na procura de antídotos
eficazes para o tratamento das intoxicações por este agente tóxico.
DETERMINATION OF DL50 IN DOGS POISONED BY
SODIUM FLUOROACETATE (SFA) WITH CLÍNICS
EVALUATED
ABSTRACT
Sodium fluoroacetate (SFA) is a rodenticide that causes hypocalcemia
and energetic deficiency by blocking Krebs cicle. The accidental ingest
of animals is common and the dog is one of the most sensible species
where the letal dose variable of 0,05 to 1,0mg/kg that make difficult
study of possibles antidotes. Therefore, the determination of DL50 in dogs
poisoned by sodium fluoroacetate (sfa) with clinics evaluated was deed.
Twelve healthy dogs from 10 to 15kg were used. Tempeture, FC, FR and
behavior alterations was avaliable in seven moments. After four doses
administration, 0,6; 0,45; 0,30 and 0,20mg/kg respectivily the letalidy of
all was observed. The dose of 0,15mg/kg was tested and test repetition
in eight dogs demostrate 50% death and 50% survive. Vocalization,
delirium visage, straight running ending on lateral recumbency were
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 34
the first behavior alterations of six animals that followed by opisthotonus and tonic-clonic convulsion. Hypertermia, tachycardy, tachypnea
and mydriasis were observed soon after poisoning. Six animals were
short term outbreaks associated with crying crisis, yelling and rotational
locomotion or standing attempts. The maiority causes of death was related with seisures observed in the first moments; the interpretation of
first intoxication behavior alterations is possible consideration of short
outbreaks; the determination of DL50 in this study define one binomial
variable of survive and possibility futures studies in detection of bether
antidotes, as well as bad effect for survive.
Keywords: Dogs. Auto-intoxication. Sodium fluoride – toxicology.
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Correspondência para/reprint request to:
Luciana Felício de Paula
Rua Brasília, 40/601
Itapuã
29101-730 - Vila Velha – ES (Brasil)
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 39
ESCOAMENTO DE ÓLEO PESADO USANDO A
TÉCNICA “CORE FLOW”
Bruno Soares Salamon1
Henri Fiorenza de Lima2
RESUMO
O óleo pesado, que a cada ano aumenta sua importância na indústria
do petróleo, constitui uma grande parte da reserva a ser produzida.
Contudo, devido às suas características desfavoráveis, como densidade
e viscosidade elevadas, sua produção e transporte são problemáticos,
principalmente pelos enormes gradientes de pressão, motivados pela
fricção. Para superar essas dificuldades, têm-se buscado métodos para
produzi-lo e transportá-lo de forma econômica. Uma dessas técnicas é
o Core Flow, caracterizado pela formação de um fino anel de água que
lubrifica o óleo que se encontra na parte central da tubulação, reduzindo
drasticamente a perda de carga por atrito. Este trabalho descreve experiências realizadas em laboratório, simulando um escoamento bifásico
(óleo pesado − água) em um duto horizontal. Também é verificado o
potencial de redução do consumo de energia para o bombeio ao se
utilizar o método, destacando a eficiência do Core Flow.
Palavras-chave: Oleodutos de petróleo. Escoamento de óleo. Energia – conservação. Energia elétrica – racionamento. Racionamento de
consumo – conservação de energia.
Graduado em Engenharia de Petróleo pelo Centro Universitário Vila Velha. E-mail: bruno.
[email protected].
2
Mestre em Engenharia Submarina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor
do Centro Universitário Vila Velha. E-mail: [email protected].
1
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 39-64, jan./jun. 2008
 40
1 INTRODUÇÃO
Analisando o mercado de petróleo, sabe-se que o preço do barril deste
produto é uma variável de grande impacto na economia mundial, uma vez
que influencia os preços de praticamente tudo. Este depende de vários
fatores, como os custos de investimento e operação para a produção,
transporte e refino, e interfere diretamente na decisão de explorar ou
não um campo de petróleo. Os custos envolvidos no desenvolvimento
de um campo de óleo pesado tendem a ser muito maiores do que para
óleos convencionais (leves). Isso ocorre, principalmente, devido à sua
alta viscosidade e às dificuldades oriundas deste fato.
As principais reservas de óleo pesado e extra-pesado encontram-se no
Canadá, Venezuela e Rússia. Ao todo, somam um volume aproximadamente
três vezes maior que o total de óleo leve, do qual a produção já atingiu
quase a metade. A distribuição destas reservas é mostrada na Tabela 1.
Tabela 1 - Reservas mundiais de óleo pesado
Região
Fator de
Recuperação3
Reservas
(bilhões de barris)
América do Norte
0,19
35,3
América do Sul
0,13
265,7
África
0,18
7,2
Europa
0,15
4,9
Oriente Médio
0,12
78,2
Ásia
0,14
29,6
Rússia
0,13
13,4
TOTAL
-
434,3
Fonte: Trevisan et al. (2006).
Nota:
3
Fator de recuperação: quociente entre a produção acumulada e o volume
original no reservatório.
Em 2004, do total de 25 bilhões de barris produzidos no mundo, apenas
12% corresponderam a óleos pesados.
No Brasil, as reservas de óleo pesado encontram-se nos campos do
Nordeste e Sudeste, em terra e no mar. Apesar da participação dos
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 39-64, jan./jun. 2008
 41
óleos pesados no volume total produzido no Brasil não ser expressiva,
com o aumento do preço do petróleo no mercado internacional, sua
exploração tornou-se bastante atrativa.
Nos últimos anos, o Estado do Espírito Santo destacou-se no cenário
nacional na produção de petróleo e gás. Com as recentes descobertas
da Petrobras, o Estado saiu da quinta posição no ranking brasileiro de
reservas, em 2002, para se transformar na segunda província petrolífera do país, em 2006. Parte deste crescimento deve-se ao polo de
óleo pesado em águas profundas, formado pelos campos de Jubarte e
Cachalote, pertencentes à região conhecida como Parque das Baleias,
localizada no litoral Sul do Estado.
Apesar de todas as dificuldades, o desenvolvimento de um campo de
óleo pesado pode se demonstrar mais interessante se for considerado
que reservas deste tipo de óleo podem ser enormes e os poços tendem
a produzir a uma vazão constante por muito mais tempo, se comparados
com os campos de óleo menos denso.
A demanda pelo desenvolvimento de novas tecnologias para facilitar e
até viabilizar a produção dos hidrocarbonetos de alta densidade tem aumentado, representando um desafio a ser vencido. Desta forma, quanto
mais investimentos em meios que facilitem a produção e o escoamento
de óleo pesado (sendo este o objetivo da técnica em estudo), menores
serão os riscos relacionados à sua exploração e maiores serão as reservas contabilizadas, para o futuro suprimento energético mundial.
Este trabalho pretende explicar o funcionamento da técnica Core Flow,
analisando experimentos realizados em laboratório, convertendo os dados obtidos para situações reais através da aplicação de metodologias
adequadas, a fim de estimar a eficiência do método no transporte de
óleo pesado através de dutos.
2CARACTERÍSTICAS GERAIS DO PETRÓLEO
Todos os óleos brutos são compostos primariamente por hidrocarbonetos,
os quais são feitos pela combinação dos elementos químicos Carbono
e Hidrogênio. Além disso, a maioria dos petróleos contém compostos
sulfurosos e pequenas quantidades outros contaminantes. A diferença
entre os fluidos provenientes de campos distintos deve-se à diferença
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 39-64, jan./jun. 2008
 42
nas quantidades de cada um dos compostos presentes e pelo tipo e
peso molecular dos hidrocarbonetos que os compõem e suas devidas
proporções.
a) Viscosidade: uma das propriedades mais importantes do petróleo é
a viscosidade, propriedade que indica a maior ou menor dificuldade
de o fluido escoar. Essa grandeza varia para cada fluido e para cada
condição a ele imposta como, por exemplo, pressão e temperatura,
ou seja, a viscosidade possui um valor diferente para cada fluido,
podendo variar para um mesmo fluido. De forma simplificada, podese dizer que a viscosidade dos fluidos é originada por uma coesão
entre as moléculas e pelos choques entre elas.
A viscosidade de um líquido incompressível é altamente influenciada
por mudanças da temperatura, variando inversamente com a temperatura absoluta e apresentando um comportamento exponencial.
b) Densidade: a densidade é outra importante variável envolvida na
avaliação quanto à qualidade de um óleo bruto. Os óleos pesados
são aqueles com densidade entre 0,92 e 1 (ou entre 920 e 1000kg/
m3). Óleo extra-pesado é aquele com densidade superior a 1.
Na indústria do petróleo, utiliza-se uma escala definida pela American
Petroleum Institute (API). O grau API é obtido através da Equação 1,
sendo d, a densidade do óleo a 60°F e 1atm.
° API =
141,5
− 131,5
d
(1)
Óleos pesados são, então, aqueles entre 22,3 e 10,0°API, e os extrapesados, os com °API inferior a 10,0.
Os óleos pesados contêm baixo teor de hidrocarbonetos leves, sendo ricos em hidrocarbonetos de cadeias mais longas, normalmente
contendo enxofre, gás carbônico, nitrogênio e metais pesados como o
níquel e o vanádio, entre outras substâncias. A proporção de resinas
e, principalmente, de asfaltenos no petróleo (ambos compostos de alto
peso molecular, pouco solúveis em solventes orgânicos) é diretamente
proporcional à sua viscosidade.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 39-64, jan./jun. 2008
 43
2.1 TIPOS DE FLUXO
No escoamento de fluidos, os tipos de fluxo podem ser classificados de
duas formas: laminar e turbulento. O fluxo laminar é aquele em que as
partículas se deslocam em lâminas individualizadas, através de linhas
de corrente, retas ou curvas, paralelas à direção do escoamento, sem
trocas de massa entre elas. Já o fluxo turbulento, se caracteriza pelo
deslocamento caótico de pequenas massas de fluido ao longo do canal,
ou seja, as partículas ou massas de fluido se movem ao acaso, isto é,
as velocidades pontuais mudam de valor e direção a todo instante.
Reynolds verificou que o fato de o movimento ser laminar ou turbulento
pode ser determinado através da avaliação do número adimensional
dado pela Equação 2.
Re =
ρ ⋅V ⋅ D
µ
(2)
Essa expressão, chamada de Número de Reynolds, mostra que o tipo
de escoamento depende do conjunto das grandezas ρ (massa específica do fluido), V (velocidade média do fluxo), D (dimensão do canal do
escoamento) e μ (viscosidade do fluido).
Reynolds verificou, no caso de dutos, a ocorrência dos seguintes valores:
Re ≤ 2000 Escoamento laminar
2000 < Re < 4000 Escoamento de transição (comportamento ambíguo)
Re ≥ 4000 Escoamento turbulento
Analisando a expressão, chega-se à conclusão de que o escoamento
tende a se tornar turbulento com o aumento da velocidade ou com a
diminuição da viscosidade do fluido.
2.2 PADRÕES DE FLUXO
O fluxo de dois líquidos imiscíveis é encontrado em vários processos
e equipamentos, em particular na indústria do petróleo, onde misturas
de água, óleo e o gás saído de solução são transportados em dutos
por longas distâncias. Durante o escoamento em um duto, as interfaces
deformáveis destas três fases podem adquirir uma variedade de confiScientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 39-64, jan./jun. 2008
 44
gurações, as quais são denominadas padrões de fluxo. Uma previsão
precisa das características do fluxo de óleo−água como o padrão de fluxo,
a fração volumétrica da água e o gradiente de pressão são importantes
em muitas aplicações na engenharia.
Diversos padrões de fluxo são observados, tanto em sistemas
líquido−líquido quanto em sistemas líquido−líquido−gás. Estes são determinados pelas vazões e propriedades físicas de cada fase, além do
diâmetro da tubulação em que se está trabalhando. O material de que
é feito o duto também influencia os regimes de escoamento, já que sua
molhabilidade (vista a seguir) pode interferir na distribuição das fases.
Dependendo do material (oleofílico−hidrofóbico ou oleofóbico −hidrofílico)
podem-se encontrar diferentes configurações dos padrões de fluxo.
Os padrões básicos identificados no escoamento em dutos de óleo
pesado e água são:
● ESTRATIFICADO – para taxas de fluxo relativamente pequenas,
ocorre uma completa separação dos líquidos, onde a diferença de
densidade é dominante.
● INTERMITENTE – aumentando-se a vazão da água, podem-se formar bolhas alongadas ou esféricas deste líquido, gerando o fluxo
intermitente, ou seja, um líquido alternadamente ocupa o duto como
um líquido livre ou como uma dispersão.
● ANULAR – o óleo e a água se estabilizam no padrão anular (Core
Flow), tendo o óleo viscoso escoando no centro, o qual é lubrificado
por um filme de água no espaço anular.
● EM BOLHAS – para altas taxas de fluxo de água, toda fase de óleo
se torna descontínua em uma fase de água contínua, formando então
as bolhas.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 39-64, jan./jun. 2008
 45
Óleo
Água
Escoamento estratificado
Escoamento intermitente
Escoamento anular
Escoamento em “bolhas”
Figura 1 - Padrões de fluxo bifásico
Fonte: Vara (2001).
2.3 PERDA DE CARGA
A existência de atrito no escoamento do fluido provoca uma dissipação
de energia também conhecida como Perda de Carga. Se for examinado
o comportamento do escoamento de fluidos em dutos, será possível
distinguir dois tipos de perda de carga.
O primeiro tipo é chamado de perda de carga distribuída, que acontece ao longo de dutos retos, de seção constante, devido ao atrito das
próprias partículas do fluido entre si. Esta perda só será considerável
se houver trechos longos de dutos e pode ser calculada utilizando-se a
Equação de Darcy-Weisbach (3).
ρ ⋅ L ⋅V 2
∆P = f
2⋅ D
(3)
onde ƒ é o fator de atrito e L é o comprimento do duto.
Através da Equação 3, verifica-se que esta perda de pressão é diretamente
proporcional à distância que separa os dois pontos (L) e inversamente
proporcional ao diâmetro da tubulação (D).
O segundo tipo corresponde às chamadas perdas de carga localizadas. Elas ocorrem nos locais das instalações em que o fluido sofre
perturbações bruscas no seu escoamento, como, por exemplo, em válvulas, mudanças de direção, alargamentos ou estreitamentos bruscos,
obstruções parciais, ressaltos, e outros.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 39-64, jan./jun. 2008
 46
Existem dois tipos de análise mais utilizados para incluir o efeito da
perda de carga relativa à presença de singularidades. O primeiro tipo
faz uma correção sobre a carga distribuída, incluindo um comprimento
equivalente para cada um dos componentes presentes na tubulação.
O comprimento equivalente de uma singularidade é o comprimento
fictício de uma tubulação de seção constante de mesmo diâmetro, que
produziria uma perda distribuída igual à perda localizada.
Assim, quando se deseja saber qual a perda de pressão pela presença
de um determinado componente, é só aplicar a Equação 3, substituindo
o comprimento (L) pelo comprimento equivalente (Leq).
A outra forma de análise para expressar este mesmo fenômeno foi desenvolvida a partir da formulação de Bernoulli e das expressões de volume
de controle em mecânica dos fluidos, e é expressa na Equação 4.
∆P = Ks
V2
2⋅ g
(4)
onde Ks é o coeficiente da perda de carga localizada (número adimensional) e g é a aceleração da gravidade. Os valores de Ks dependem do
número de Reynolds, mas para escoamentos totalmente turbulentos,
eles deixam de apresentar variações, ou seja, o fenômeno da perda de
carga singular passa a independer das forças viscosas.
Portanto, a perda de carga total é considerada como a soma das perdas
distribuídas, devido aos efeitos de atrito no escoamento, com as perdas
localizadas, devido a acessórios, mudanças de áreas entre outros.
3 TÉCNICAS DE TRANSPORTE POR DUTOS
Entre as principais técnicas aplicáveis ao escoamento de óleo pesado
em campos marítimos ou terrestres, podem ser destacados o controle
de temperatura, o controle de padrão de escoamento e a diluição com
óleo leve.
O aumento exponencial da viscosidade com o decréscimo da temperatura e o aparecimento de fenômenos químicos indesejáveis, faz com
que haja necessidade de um eficaz controle de temperatura, que pode
ser obtido através de isolamento térmico e/ou aquecimento da linha,
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 47
através da circulação de um líquido aquecido ou por resistência elétrica.
Estes métodos elevam significativamente os custos de investimento e
operacionais.
O controle do padrão de escoamento tem a finalidade de evitar que o
óleo viscoso entre em contato direto com a parede do duto, devendo-se,
para isso, induzir um padrão de escoamento tendo a água como fase
contínua, envolvendo a fase óleo (Core Flow) ou utilizar surfactantes
para criar uma emulsão de óleo em água. Neste segundo caso, as consequências irão se manifestar no momento da separação da mistura
óleo−água.
A adição de diluentes ao óleo pesado requer a existência de uma fonte
de óleo leve nas proximidades e uma boa compatibilidade dos fluidos
que serão misturados.
3.1 INJEÇÃO DE ÁGUA (CORE FLOW)
A técnica Core Flow, desenvolvida por Russel (1959) e Charles (1961),
permite elevar e transportar petróleo de alta viscosidade de forma simples e econômica. Este método consiste na injeção de uma pequena
vazão de água à temperatura ambiente, em um determinado ponto ao
longo da circunferência do duto de produção, que permanece em contato
com as paredes da tubulação, formando um anel lubrificante em toda
sua extensão com uma configuração anular, reduzindo drasticamente
a queda de pressão.
A Figura 2 ilustra a configuração do Core Flow.
água
óleo
água
Figura 2 - Configuração do Core Flow em um escoamento horizontal bifásico
A perda de pressão por atrito seria, então, comparável à do escoamento
de água pura pelo duto à mesma vazão do sistema óleo−água. De acordo
com Bannwart (2000), que vem desenvolvendo essa tecnologia, o principal ganho é a baixa quantidade de energia necessária para bombear
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o óleo, pois, utilizando os métodos convencionais, com somente óleo
no duto, o bombeamento demandaria uma energia centenas de vezes
maior, tornando-se econômica ou tecnicamente inviável.
óleo
O método Core Flow, basicamente, consiste em um sistema de bombeamento de óleo ultraviscoso, o duto de transferência e um tanque
para a separação óleo−água (caso a técnica seja usada na exportação
de óleo). Essa tecnologia é de fácil implantação nas instalações de
produção de petróleo convencionais, sejam marítimas ou terrestres,
por requerer equipamentos simples ou com pequenas modificações. A
principal novidade é a introdução de um sistema para bombeamento
de água e seu bocal injetor (Figura 3), que deve ter formato especial, a
fim de assegurar a formação do anel lubrificante de água em torno do
núcleo de óleo.
água
Figura 3 - Bico injetor
Uma vez dada a partida circulando apenas água pelo duto de produção,
aciona-se a bomba de óleo e reduz-se a vazão de água, ajustando ambas
as vazões aos valores de projeto. Para esse ajuste, bem como para o
bom controle de operação do sistema, é fundamental monitorar a pressão na entrada do duto de produção, que deve manter-se próxima do
valor com apenas água escoando. De acordo com Rodriguez (2002), a
vazão de óleo é cerca de quatro vezes maior do que a de água. Nessas
condições, o óleo e a água não tendem à emulsão, que só aconteceria
se as proporções fossem muito próximas.
Em comparação com os demais métodos de produção, o sistema proposto tem diversas vantagens: permite altas vazões de óleo com baixo
consumo de energia, devido à baixa perda de pressão; tem alta eficiência,
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 49
pois uma pequena quantidade de água precisa ser injetada e não requer
aquecimento do óleo, o que é especialmente importante quando se tratar
de escoamento offshore sob lâminas d’água profundas.
Além disso, mantém a integridade física e química do óleo; torna possível
o uso da própria água da formação produtora, que é recomendável por
sua compatibilidade; não requer uso nem de agentes químicos nem
diluentes ou emulsificantes; apresenta estabilidade através de juntas e
curvas; evita a deposição de resíduos ao longo da tubulação e, por fim,
os dutos que transportam o óleo ultraviscoso operam a pressões muito
mais baixas, diminuindo o custo com bombas e o risco com vazamentos
e acidentes.
4 ESTABILIDADE HIDRODINÂMICA DO CORE FLOW
Os padrões de fluxo são determinados pela estabilidade. Mudando-se os
parâmetros, alguns destes fluxos perdem e outros ganham estabilidade.
A teoria da estabilidade é a forma natural para analisar a transição entre
cada configuração de escoamento.
Dentre os estudos feitos na área de hidrodinâmica, dois modelos clássicos
explicam a estabilidade do padrão Core Flow: o Modelo de Lubrificação
e o Modelo de Levitação.
MODELO DE LUBRIFICAÇÃO – O modelo de lubrificação hidrodinâmica
propõe que o movimento do núcleo ondulado com respeito à parede
da tubulação, gera distribuições de pressões na região anular, as quais
exercem forças na direção vertical, contrabalançando as forças de empuxo
(devido a diferença de densidades) sobre o núcleo do óleo. Mostra que
o escoamento para ser estável deve ter ondas, sendo fundamental para
a lubrificação do núcleo. Se a amplitude destas ondas é nula, o núcleo
alcança a parede do duto, formando o fluxo estratificado.
MODELO DE LEVITAÇÃO – Este conceito apresentou como contribuição a inclusão dos termos inerciais, ou seja, os mecanismos inerciais
também são responsáveis pela manutenção do padrão anular. Para
altas velocidades, o núcleo levitaria no anel de água.
De acordo com o formato das ondulações, os autores do modelo de levitação hidrodinâmica identificaram os regimes onde os mecanismos de
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lubrificação ou de levitação são dominantes, e propuseram a existência
de um número de Reynolds crítico (Recrit), correspondente à mudança
do sentido das forças exercidas sobre o núcleo de óleo, devido aos
gradientes de pressão gerados no filme de água. Para Re<Recrit gerase a sucção do óleo para a parede do duto e para Re>Recrit gera-se a
compressão do núcleo, puxando-o para fora da parede.
A tendência do fluido menos viscoso encapsular o outro fluido seria
explicada através do princípio da dissipação viscosa. Foi realizada uma
análise da estabilidade linear sendo mostrado que o Core Flow é estável apenas quando o fluido mais viscoso ocupa a maior parte da seção
transversal do duto. Mostrou-se que o princípio da dissipação viscosa
não é suficiente para explicar a estabilidade e que a fração volumétrica
é um fator crucial na análise.
Outro aspecto importante é a molhabilidade, propriedade referente ao
material que compõe o duto. Pode ser definida como a tendência do
fluido se espalhar ou aderir sobre a superfície sólida na presença de outro
fluido, podendo estes ser óleo e água. Esta pode ser quantificada em
termos da medida do ângulo de contato em uma superfície sólida por um
líquido. Por definição, o ângulo de contato θ (Figura 4), que pode variar
de 0 a 180º, é o ângulo medido geralmente no líquido mais denso.
Quando este é menor que 90º, diz-se que o líquido mais denso molha
preferencialmente o sólido; quando é maior que 90º, diz-se o contrário.
Quanto menor for o ângulo de contato, mais molhável pela água será a
superfície sólida, então, mais estável será o filme lubrificante de água.
água
água
óleo
sólido
óleo
A
sólido
B
Figura 4 - Superfície molhável por: A) Água (θ < 90º) e B) Óleo (θ >90º)
Fonte: Silva (2003).
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 51
5 TEORIA DA SEMELHANÇA
A fim de simplificar as pesquisas, são construídos modelos em escala
que simulam as condições do fenômeno em escala real, o qual é chamado de protótipo.
Um modelo, para ser útil, deve fornecer informações que possam, por
meio de conversão de escalas, determinar as forças, momentos e cargas
dinâmicas que existiriam no protótipo em tamanho real. Para que os
resultados das grandezas medidas no modelo tenham valor prático em
relação ao protótipo, certas condições devem ser cumpridas.
O primeiro requisito é que o modelo e o protótipo devem ser geometricamente semelhantes, ou seja, o modelo e o protótipo poderão ter
dimensões diferentes, mas têm de ter o mesmo formato. As suas dimensões correspondentes devem ser proporcionais. O segundo requisito é
que os escoamentos do protótipo e do modelo sejam cinematicamente
semelhantes, isto é, as velocidades em pontos homólogos estão no
mesmo sentido e relacionando-se em magnitude por meio de um fator
de escala constante. O terceiro e último requisito é que entre modelo e
protótipo deve existir semelhança dinâmica, isto é, as forças que agem
em pontos correspondentes devem manter relações constantes. As
condições de teste devem ser estabelecidas de tal forma que todas as
variáveis importantes sejam relacionadas pelo mesmo fator de escala
entre os escoamentos do modelo e do protótipo.
Uma ferramenta importante para isso é o Teorema Pi de Buckingham,
que permite definir a relação entre uma função expressa em termos de
parâmetros dimensionais e uma função correlata, de parâmetros adimensionais. Considerando um escoamento incompressível viscoso através de
um duto horizontal, a queda de pressão (ΔP) é função do comprimento
do duto (L), da velocidade média (V), da viscosidade do fluido (μ), do
diâmetro do duto (D), da massa específica do fluido (ρ) e da altura média
da rugosidade (ε). Aplicando o teorema chega-se à Equação 5.
 µ
∆P
l ε 
= f 
, , 
2
ρ ⋅V
 ρVD D D 
(5)
Assim, ao considerar um escoamento geometricamente semelhante do
modelo e do protótipo em um duto horizontal, os escoamentos também
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serão dinamicamente semelhantes se os parâmetros independentes
forem considerados constantes para modelo e protótipo, ou seja:
 µ 
 µ 
 = 


 ρVD  m  ρVD  p
l 
l 
  = 
 D m  D  p
ε 
ε 
  = 
 D m  D  p
(6)
Se os parâmetros independentes são equivalentes, então o parâmetro
dependente entre modelo e protótipo também o será, isto é:
 ∆P

2
 ρV
 ∆P

 = 
2
 m  ρV


p
(7)
Sendo assim, os resultados obtidos do estudo do modelo, podem ser
utilizados na predição da queda de pressão no protótipo em tamanho
real.
6 ESTUDO DE CASO
No experimento realizado por Vara (2001), foi simulado um escoamento
bifásico (óleo pesado−água) em dutos horizontais, analisando o comportamento dos padrões de fluxo, associando sua estabilidade com a
velocidade de cada componente.
As propriedades dos fluidos utilizados no teste estão apresentadas na
Tabela 2.
Tabela 2 - Propriedades dos fluidos (escoamento bifásico)
Propriedade
Água salgada
Óleo
Densidade
1002 kg/m3
946 kg/m3
Viscosidade
1 cp = 0,001 Pa.s
1193 cp = 1,193 Pa.s
Fonte: Vara (2001).
A velocidade e a perda de carga correspondentes a cada padrão são
mostradas na Tabela 3.
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Tabela 3 - Velocidade e perda de carga observadas
Padrão
Óleo (m/s)
Água (m/s)
ΔPbif (Pa)
59,17
Estratificado
0,1
0,12
Intermitente
0,135
0,28
84,17
0,76
0,04
122,88
0,059
0,32
71,54
Anular
Em bolhas
Fonte: Vara (2001).
6.1 PREMISSAS E CRITÉRIOS CONSIDERADOS
Para realização do experimento, usou-se um duto de 2,84cm de diâmetro interno, bombeando um óleo de massa específica de 946kg/m3
e de viscosidade 1,193Pa.s. De acordo com a Tabela 3, o padrão de
fluxo anular (Core Flow) foi observado durante o experimento quando
as velocidades do óleo e da água atingiram 0,76m/s e 0,04m/s, respectivamente. A perda de carga verificada ao longo do duto de 0,81m de
comprimento a essa velocidade, foi de 122,88Pa.
Para o estudo de caso a ser realizado neste trabalho, será considerado
o bombeamento de um óleo pesado com as mesmas características do
experimento, em um duto com 45km de extensão de 10,5pol de diâmetro interno, a uma vazão de 95000bbl/d (barris por dia). Para o cálculo
da vazão de água, a ser injetada juntamente com o fluxo de óleo, será
utilizada a mesma proporção do experimento, ou seja, 95% óleo e 5%
água. Dessa maneira, chega-se a uma vazão de 5000bbl/d de água.
Resumidamente, os valores usados no experimento e no estudo de caso
são mostrados na Tabela 4.
Tabela 4 - Dados do experimento e do caso estudado
Variáveis
Massa espec. óleo (ρo)
Viscosidade do óleo (μo)
Massa espec. água (ρw)
Viscosidade da água (μw)
Comprimento do duto (l)
Diâmetro do duto (D)
Área da seção transv. (A)
Experimento
946kg/m
1193cp = 1,193Pa.s
1002kg/m3
1cp = 0,001Pa.s
0,81m
0,0284m = 1,118pol
0,000633m2
3
(continua)
Caso proposto
946kg/m3
1193cp = 1,193Pa.s
1002kg/m3
1cp = 0,001Pa.s
45000m
0,2667m = 10,5pol
0,05586m2
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 54
Tabela 4 - Dados do experimento e do caso estudado
Variáveis
Vazão de óleo (Qo)
Vazão de água (Qw)
Vazão da mistura (Qt)
Veloc. do óleo (Vo)
Veloc. da água (Vw)
Veloc. da mistura (Vt)
Perda de carga (ΔP)
Experimento
(conclusão)
Caso proposto
0,000481m /s
95000bbl/d = 0,1748m3/s
3
0,00002532m /s
5000bbl/d = 0,0092m3/s
3
0,0005064m /s
100000bbl/d = 0,184m3/s
0,76m/s
3,13m/s
0,04m/s
0,17m/s
0,8m/s
3,3m/s
122,88Pa = 0,0012288bar
a ser verificado
3
6.2 CÁLCULO DA PERDA DE CARGA NO ESCOAMENTO
CONVENCIONAL
Para que se calcule a eficiência da técnica Core Flow, deve-se calcular
a perda de carga em um escoamento convencional de óleo pesado, com
as mesmas condições impostas no estudo de caso.
Para se obter o fator de atrito ƒ, deve-se calcular o número de Reynolds,
que neste caso considera somente a velocidade do óleo, por se tratar
de um escoamento monofásico:
Re =
946 × 3,13 × 0,2667
⇒ Re = 661,94
1,193
o que representa um escoamento laminar. A Equação (8) define o fator
ƒ nesta situação.
f =
64
⇒ f = 0,0967
Re
(8)
Aplicando-se a Equação 3, obtem-se ∆P = 756,1bar.
A perda de carga gerada em um escoamento monofásico de óleo pesado confirma a inviabilidade técnica de se transportar óleo viscoso via
escoamento convencional, visto que as bombas encontradas no mercado
não fornecem a pressão requerida para o caso estudado.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 39-64, jan./jun. 2008
 55
6.3 CÁLCULO DA PERDA DE CARGA USANDO CORE FLOW
Para conversão dos dados do experimento para os dados reais considerados no estudo de caso, será utilizada a teoria da semelhança.
Para correlacionar os dados, primeiramente, equaliza-se o parâmetro
dependente:
∆Pm
ρ mVm
2
=
∆Pp
ρ pV p
2
2
ou
∆Pm ρ mVm
=
∆Pp ρ pV p 2
Sendo o índice m referente ao modelo (experimento), p referente ao
protótipo (caso em estudo) e substituindo-se os valores, obtém-se:
122,88 946 × 0,8 2
=
∆Pp
946 × 3,3 2
∆Pp = 2090,9 Pa
Este resultado significa que para um mesmo fluido, aumentando-se a
velocidade da mistura água−óleo de 0,8m/s para 3,3m/s, representa um
aumento na perda de carga de 122,88Pa para 2090,9Pa.
Para correlacionar os dados de comprimento e diâmetro do duto, procedese da mesma forma com o parâmetro independente:
lp
lm
=
Dm D p
ou
l m Dm
=
l p Dp
Substituindo-se os valores, chega-se:
0,81 1,118
=
lp
10,5
l p = 7,6 m
Significa que a perda de carga obtida em um duto de 0,81m de comprimento com 1,118pol de diâmetro interno, será a mesma em um duto de
10,5pol com 7,6m de comprimento. No estudo de caso proposto neste
trabalho, a extensão de dutos é de 45000m, ou seja, 5921,05 vezes
maior que 7,6m. Desta forma, multiplicando-se 5921,05 pela perda de
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 56
carga obtida com a velocidade da mistura a 3,3m/s, chega-se ao valor
da perda de carga que seria obtida nas condições consideradas no
estudo de caso:
∆Pbifásica = 5921,05 × 2090,88 ⇒ ∆Pbifásica = 12380210,5 Pa = 123,8 bar
O valor obtido representa que um escoamento de óleo pesado usando
Core Flow, com vazões de óleo e água de 95000bbl/d e 5000bbl/d,
respectivamente, em um duto com 45km de extensão e de 10,5pol de
diâmetro interno, terá uma queda de pressão de 123,8bar.
6.4 CÁLCULO ANALÍTICO DA PERDA DE CARGA USANDO CORE
FLOW
Outro modo de se obter a perda de carga nas condições estudadas é
através da equação da perda de carga distribuída (3). Neste caso não
se calcula a perda de carga localizada, por considerar que não há perturbações no fluxo ao longo do escoamento causadas por acessórios.
Para tanto, é necessário utilizar uma viscosidade equivalente da mistura
água−óleo, já que a equação leva em consideração o escoamento de
apenas um fluido. Para tanto, deve-se utilizar a Equação 9.
µ eq =
µw
1 − Eo
(9)
Onde μeq é a viscosidade equivalente da mistura água - óleo, μw é a
viscosidade da água, ambas em Pa.s, e Eo, a fração volumétrica de
óleo, que pode ser calculada através da Equação 10.
Eo =
Qo
Qo + (1,23 × Qw )
(10)
Sendo Qo, a vazão de óleo e Qw, a vazão de água. Primeiramente,
tem-se:
Eo =
0,1748
⇒ E o = 0,939
0,1748 + (1,23 × 0,0092)
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 39-64, jan./jun. 2008
 57
Aplicando-se a equação da viscosidade equivalente, obtém-se:
µ eq =
0,001
⇒ µ eq = 0,0164 Pa.s
1 − 0,939
Dessa maneira, a mistura água-óleo com as vazões acima consideradas,
pode ser representada por um escoamento de apenas um fluido com
viscosidade de 0,0164Pa.s. Antes de se aplicar a equação da perda
de carga distribuída, deve-se calcular o coeficiente de atrito ƒ, este depende da rugosidade relativa (ε/D) e do número de Reynolds. Usando
a Equação (2), chega-se a:
Re =
946 × 3,3 × 0,2667
⇒ Re = 50767,32
0,0164
Considerando que o duto é feito de aço galvanizado, e considerando
rugosidade de 0,00015m, a rugosidade relativa fica:
ε 0,00015
ε
=
⇒ = 0,000562
D 0,2667
D
Relacionando o número de Reynolds e a rugosidade relativa no diagrama de Moody, acha-se um coeficiente de atrito ƒ de, aproximadamente, 0,023. Finalmente, aplicando-se a equação da perda de carga
distribuída, tem-se:
∆P = 0,023 ×
45000 × 3,3 2
× 946 ⇒ ∆P = 19989703,6 Pa ⇒ ∆P = 199,9 bar
0,2667 × 2
Comparando-se o valor obtido pela conversão dos dados experimentais com o valor obtido através de equações, verifica-se uma pequena
diferença, tendo, porém, a mesma ordem de grandeza. Esta diferença
pode ser explicada pelo simples fato de que as equações em geral são
simplificações de fenômenos reais. Sendo assim, nos próximos cálculos
a serem realizados, se utilizará o resultado obtido pela conversão dos
dados, pois representa mais fielmente a situação proposta no estudo
de caso.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 39-64, jan./jun. 2008
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7 EFICIÊNCIA DO CORE FLOW
No transporte de óleos pesados, a técnica Core Flow reduz significativamente a queda de pressão. Esta vantagem pode ser traduzida
no fator de redução de potência (FRP) de bombeamento, o qual é
definido como a relação entre a potência necessária para vencer as
perdas de carga por atrito no escoamento convencional (monofásico)
e aquela requerida para vencer as perdas de carga por atrito, usando
o Core Flow:
FRP =
∆Pmonofásica × Qo
∆Pcore flow × Qt
(11)
Dessa maneira, aplicando-se a equação acima, obtém-se:
FRP =
756,08 × 95000
⇒ FRP = 5,8
123,8 × 100000
(12)
Isto é, a potência necessária para vencer as perdas de carga por atrito
no transporte de óleo pesado, a uma vazão de 95000bbl/d, pode ser
reduzida em 5,8 vezes (injetando água a uma vazão de 5000bbl/d) em
relação à potência requerida para vencer as perdas de carga por atrito
no bombeamento de óleo pesado, à mesma vazão, em escoamento
monofásico.
8 ANÁLISE ECONÔMICA
Como foi visto anteriormente, o método Core Flow é de fácil implantação
nas instalações de produção de petróleo convencionais, tanto marítimas
como terrestres. A principal novidade é a introdução de um sistema de
bombeamento de água e seu bocal injetor.
Sendo assim, para o emprego da técnica, os custos extras com investimento em equipamentos na plataforma seriam compostos basicamente
por uma bomba para injeção de água, um bico injetor para estimular
a formação do Core Flow e um tanque para armazenar a água a ser
injetada. Já os custos operacionais, poderiam ser resumidos em custos
no tratamento da água e inibidores de corrosão. Além dos gastos na
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plataforma, seria necessário um separador bifásico ou trifásico, dependendo da composição do fluxo, nos terminais localizados em terra.
Apesar de todos os gastos extras para a utilização do método, o Core
Flow é bastante vantajoso, devido a sua alta eficiência, pois consegue
escoar o mesmo volume de óleo transportado em um escoamento
monofásico, usando uma potência 5,8 vezes menor, resultando em um
menor consumo de energia.
Para se estimar a redução no consumo de energia usando a técnica,
será considerado um tempo de produção de 15 anos e como fonte
energética, será utilizada a energia liberada pela queima do gás natural.
A equação para o cálculo da potência (U) é:
U = Q⋅P
(12)
Sendo P a pressão de bombeio (em Pa), definida como a pressão imposta
ao fluxo para que este vença as perdas de carga e atinja o seu destino
com uma mínima pressão para a realização dos processos seguintes e
Q, a vazão do fluido (em m3/s).
A pressão mínima considerada no estudo de caso será de 15bar. Sendo
assim, a pressão de bombeio P para um escoamento convencional é
dada por:
Pmon = 15 + 756,08 ⇒ Pmon = 771,08 bar ⇒ Pmon = 77108000 Pa
A potência necessária no escoamento monofásico será de:
U mon = 77108000 × 0,1748 ⇒ U mon = 13478478,4 J / s ⇒ U mon = 3219,13 Kcal / s
Usando a técnica Core Flow, a pressão de bombeio P é dada por:
Pbif = 15 + 123,8 ⇒ Pbif = 138,8 bar ⇒ Pbif = 13880000 Pa
A potência necessária no escoamento bifásico óleo-água será de:
U bif = 13880000 × 0,184 ⇒ U bif = 2553920 J / s ⇒ U bif = 609,96 Kcal / s
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 60
Considerando que o poder calorífico superior (PCS) do gás natural é de
aproximadamente 10000Kcal/m3, o volume de gás consumido ao longo
da produção é dado pela Equação 11.
C GN =
U ×t
PCS
(13)
Onde U é a potência (em kcal/s), PCS é o poder calorífico superior
do gás (em kcal/m3) e t, o tempo de produção (em s). Dessa forma, o
volume consumido de gás natural em 15 anos de produção, utilizando
um escoamento monofásico, será de:
C GN mon =
3219,13 × (3600 × 24 × 365 × 15)
⇒ C GN mon = 152,3 × 10 6 m 3
10000
Já para o escoamento bifásico, o consumo de gás será de:
C GN bif =
609,96 × (3600 × 24 × 365 × 15)
⇒ C GN bif = 28,8 × 10 6 m 3
10000
A diferença do volume consumido nas duas situações representa uma
vantagem dupla no uso da técnica Core Flow, uma pela redução no
consumo de gás e outra pela maior disponibilidade deste produto para
comercialização.
9 CONCLUSÕES
A aplicação da técnica Core Flow no transporte de óleo pesado por
dutos, resulta em uma solução bastante eficiente e economicamente
interessante.
Neste trabalho, apresentou-se um estudo teórico dos conceitos relacionados à técnica, através da simulação realizada por Vara (2001),
de um escoamento bifásico (óleo pesado−água) em dutos horizontais,
analisando-se os possíveis padrões de fluxo através da variação das
velocidades de cada fase.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 39-64, jan./jun. 2008
 61
Os dados experimentais possibilitaram, por meio da aplicação da teoria da semelhança, a obtenção de um valor aproximado de perda de
carga durante o escoamento, caso a técnica proposta fosse utilizada
em situações reais. Em seguida, comparou-se a perda de carga obtida
em um escoamento convencional com a obtida usando o método e
calculou-se o consumo de gás natural necessário para fornecer energia ao sistema de bombeamento, durante o período de produção, nas
duas situações.
Uma síntese das principais conclusões obtidas é:
1 Dentre os quatro padrões de fluxo básicos, o anular (Core Flow)
apresenta maior eficiência, ou seja, transporta um maior volume de
óleo consumindo menos energia.
2 Os valores da perda de carga durante o escoamento bifásico foram
obtidos de duas formas: pela conversão dos dados experimentais e
através de equações clássicas. Os dois resultados, ao serem confrontados, indicaram uma pequena diferença, que pode ser explicada pelo
fato de que as equações são simplificações de fenômenos reais.
3 A perda de carga durante o transporte de óleo pesado nas condições
do exemplo estudado foi reduzida de 756,1bar (escoamento convencional) para 123,8bar (Core Flow). A ordem de grandeza da pressão
calculada para o escoamento convencional é inviável tecnicamente,
tanto do ponto de vista da bomba como do duto.
4 Mesmo com o aumento das velocidades envolvidas no escoamento
em função da adição de água, a tendência ao aumento da perda de
carga é compensada pela redução da fricção.
5 A potência necessária para vencer a perda de carga durante o escoamento de óleo pesado foi reduzida em 5,8 vezes, injetando-se
água a uma vazão de 5% em relação ao total.
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 62
6 O volume de gás natural consumido para produzir a energia consumida durante o período de 15 anos de produção, estabelecido no
estudo de caso, foi reduzido de 152,3 x 106m3 (monofásico) para
28,8 x 106m3 aplicando-se o método Core Flow.
7 A redução no consumo de gás natural, além de representar menores
gastos operacionais, disponibiliza um maior volume de gás para a
comercialização ou economiza os recursos naturais.
10SUGESTÕES
Como sugestões para trabalhos futuros, indica-se:
1 Analisar o comportamento do gradiente de pressão com a presença
do gás livre durante a aplicação do método (escoamento trifásico).
2 Fazer uma análise econômica quantitativa para utilização da técnica,
levando em conta custos de investimento em equipamentos e custos
operacionais.
3 Investigar quais as possíveis configurações submarinas para o uso
do Core Flow.
4 Otimizar a redução da perda de carga, usando outras proporções
de água injetada, de forma a facilitar o processo de separação e
tratamento desta água ao chegar na planta em terra.
HEAVY OIL STREAM USING “CORE FLOW” METHOD
ABSTRACT
Despite the increasing importance to the oil industry, heavy oil represents a significant part of unexploited reserves. However, because of
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 63
the unfavorable characteristics of this kind of oil, such as high density
and viscosity, its production and transportation are problematic, mainly
because of the huge friction pressure gradient. To handle with these
difficulties, research has been focused on how to produce and transport
heavy oil economically. One of these methods is the Core Flow, that is
based on the lubrication of pipeline inner walls with a thin water film and
thereby confining oil flow to the inner portion of the pipe, reducing drastically the pressure drop. This work describes the experiments carried out
in laboratory, which the two-phase flow pattern (heavy oil - water) was
simulated in an horizontal pipeline. Also it was verified, the reduction of
the consumption of energy when using the method, due to reduction of
the friction during the flow, indicating the Core Flow efficiency.
Keywords: Oil pipelines. Oil seepage. Energy – conservation. Electrical
energy – rationing. Rationing consumption – energy conservation.
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Campinas, 2001.
Correspondência para/reprint request to:
Henri Fiorenza de Lima
Rua Inê Targino Puppim, 110/1602
Praia de Itapuã
29101-952 - Vila Velha – ES (Brasil)
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 39-64, jan./jun. 2008
 65
NEURO-REGULAÇÃO HORMONAL DA
SAZONALIDADE REPRODUTIVA DA ÉGUA
Fernando Andrade Souza1
Álan Maia Borges2
Igor frederico Canisso3
Vicente Ribeiro do Vale Filho4
Lucas Luz Emerick5
Erotides Capistrano Silva6
RESUMO
A égua é uma reprodutora poliéstrica sazonal de dias longos, com o início
da estação reprodutiva ocorrendo na primavera, e o ritmo reprodutivo
circanual é sincronizado com seu padrão endógeno entre as estações do
ano. A sazonalidade nesta espécie é comandada por vários hormônios de
ação central, dentre eles, destaca-se um produzido pela glândula pineal,
a melatonina que tem papel chave como regulador da atividade reprodutiva sazonal. Os sinais da melatonina em combinação com o histórico
fotoperiódico podem providenciar as informações acerca da influência da
estação, sobre a resposta hipotalâmica-hipofisária-gonadal ao longo do ano.
Contudo, o controle da sazonalidade não é mediado apenas pela ação da
melatonina. Em adição a esta, há uma complexa cadeia de interneurônios
que envolvem diferentes neurotransmissores dentro do hipotálamo. A
sazonalidade reprodutiva da égua também sofre influência de peptídeos
Doutorando em Ciência Animal da Universidade Federal de Minas Gerais. E-mail:
[email protected].
2
Professor adjunto da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais.
E-mail: [email protected].
3
Mestrando em Zootecnia da Universidade Federal de Minas Gerais.
E-mail: [email protected].
4
Professor titular da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais.
E-mail: [email protected].
5
Doutorando em Ciência Animal da Universidade Federal de Minas Gerais. E-mail:
[email protected].
6
Mestranda em Medicina Veterinária da Universidade Federal de Viçosa. E-mail:
[email protected].
1
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 65-72, jan./jun. 2008
 66
opióides endógenos e hormônios dopaminérgicos que também suprimem a
secreção do GnRH hipotalâmico, diminuindo por consequência a secreção
das gonadotropinas hipofisárias, influenciando, desta forma, a atividade
reprodutiva sazonal. O objetivo dessa revisão de literatura é ressaltar o
envolvimento da melatonina, dos peptídeos opióides endógenos e da
dopamina no desenvolvimento da sazonalidade na égua.
Palavras-chave: Equinos. Opióides. Dopamina. Melatonina.
1 INTRODUÇÃO
A égua é poliéstrica sazonal, com o início da estação de monta ocorrendo na primavera, associada com o aumento da luminosidade diária,
temperatura e disponibilidade de alimento. Assim como em outras espécies sazonais, o ritmo reprodutivo circanual que sincroniza seu padrão
endógeno entre o inverno e o verão (NAGY; GUILLAUME; DAELS,
2000), assegurando que o nascimento ocorra em condições climáticas
favoráveis e no momento do ano apropriado (ALJARRAH, 2004).
A mudança anual no fotoperíodo é o fator ambiental primário usado para
regular o ciclo reprodutivo da égua, modulando a atividade via glândula
pineal por meio da melatonina, que regula, principalmente, a secreção
do hormônio liberador de gonadotropina−GnRH (GERLACH; AURICH,
2000). Além da melatonina, a sazonalidade reprodutiva da égua sofre
influência de peptídeos opióides endógenos (POE) (AURICH et al., 1996)
e hormônios dopaminérgicos que suprimem a secreção do GnRH hipotalâmico, diminuindo a secreção das gonadotropinas hipofisárias (NAGY;
GUILLAUME; DAELS, 2000). O objetivo dessa revisão de literatura é
ressaltar o envolvimento da melatonina, dos peptídeos opióides endógenos e da dopamina no desenvolvimento da sazonalidade na égua.
2 AÇÃO DA MELATONINA NA SAZONALIDADE DA ÉGUA
A melatonina exerce papel chave na regulação da atividade reprodutiva sazonal. Os sinais luminosos são recebidos pela retina e transmitidos à glândula
pineal, suprimindo a síntese de melatonina por modular a atividade de enzimas
biosintéticas (GERLACH; AURICH, 2000). Por mediar os efeitos diretos da
luminosidade, a melatonina é responsável pela entrada no ritmo circadiano
e sazonal por meio do ciclo de claro e escuro (VANECEK, 1998).
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 65-72, jan./jun. 2008
 67
Quando o comprimento do dia é curto (inverno), o aumento da melatonina
liberada pela glândula pineal suprime a síntese e liberação de GnRH em
equinos. Contudo, no verão, com os dias tendo maior comprimento da
fase clara, a secreção de melatonina é menor e sua influência inibitória
sobre a reprodução é removida (ALJARRAH, 2004). Durante as horas de
escuro, a secreção de melatonina é estimulada pela norepinefrina secretada
pelos neurônios pós-ganglionares do gânglio cervical superior. No cavalo,
este conceito é suportado pela observação que o isoproterenol, agonista
α-adrenérgico, estimula a secreção de melatonina (SHARP et al., 1980).
A melatonina influencia a liberação de GnRH em pontos diferentes do
cérebro, segundo o modelo estudado, podendo ser encontrada próxima à
área mediobasal do hipotálamo em carneiros, na área supraquiasmática em
hamsters e equinos e na porção da pars tuberalis em cavalos e jumentos
(GERLACH; AURICH, 2000). Apesar da divergência quanto ao local preciso de atuação da melatonina, estudos realizados com ratos e hamsters,
animais de dias longos, consideram que ela iniba a liberação do hormônio
luteinizante (LH) hipofisário, induzida pelo GnRH, por diminuir a concentração intracelular de adenosina monofosfato cíclico (AMPc) e bloquear a
mobilização e o influxo de Ca2+, através dos canais voltagem-regulados, nos
gonadotropos (PANG et al., 1998). Essa via também pode ser passível à
espécie equina, todavia, ainda depende de confirmação (SOUZA, 2007).
A atuação da melatonina é bem ampla, sendo mediada por sua ligação a
receptores de alta afinidade a proteína G que ativa segundos mensageiros como guanosina monofosfato cíclico (GMPc), diacilglicerol, proteína
quinase C ou mesmo o ácido araquidônico. Na égua, necessita-se determinar a principal via pela qual a melatonina atua (VANECEK, 1998).
Contudo, reconhece-se que, na égua, o sinal da melatonina em combinação com o histórico fotoperiódico provê informação exata e clara acerca
da estação, influenciando a resposta hipotalâmica-hipofisária-gonadal
durante o ano (GERLACH; AURICH, 2000).
3PEPTÍDEOS OPIÓIDES ENDÓGENOS E A SAZONALIDADE
REPRODUTIVA DA FÊMEA EQUINA
A inibição da secreção de GnRH não ocorre somente pela ação da
melatonina. Há uma complexa cadeia de interneurônios que envolvem
diferentes neurotransmissores dentro do hipotálamo, talvez por caminhos
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independentes, que mediam o efeito dos fatores internos e externos,
tais como o ritmo endógeno, o fotoperíodo, a nutrição e a temperatura,
podendo responder pela ação dos POE e a dopamina (NAGY; GUILLAUME; DAELS, 2000).
Na espécie equina, os dados com relação aos neurotransmissores ainda
são escassos. Contudo, alguns estudos com POE (SMITH; JENNES,
2001), determinaram que sua ação ocorre, primariamente, no sistema
nervoso central (SNC) por meio da sensibilização dos receptores μ-,
δ- e κ-opióide, nas áreas pré-óptica e hipotalâmica, que transmitem as
informações do ambiente esteroidal aos neurônios de GnRH através da
inibição de interneurônios (COSGROVE; RENSIS; FOXCROFT, 1993;
SMITH; JENNES, 2001), assim modulando a liberação de LH em fêmeas
cíclicas (AURICH et al., 1996).
A ação inibitória dos POEs sobre a liberação de gonadotropinas é regulada por uma sequência de mudanças entre os hormônios esteróides
gonadais. Por isso, é preciso que haja ação prolongada do estrógeno,
pois a progesterona sozinha não é suficiente para ativar a regulação da
secreção de LH, através do sistema opióide em éguas durante a estação
de monta (AURICH et al., 1996).
Em ratos, o estrógeno induz a manifestação de receptores de progesterona nos neurônios produtores de opióides endógenos, inibindo a
liberação de GnRH. Esses neurônios são expostos ao estrógeno antes
de serem ativados pela progesterona. Desta forma, este mecanismo é
semelhante em equinos, e pode então explicar o mecanismo pelo qual
a progesterona, por si só, não influencia a regulação da liberação de
LH através dos POEs, mas, por sua vez, pode modular a atividade dos
opióides em animais que foram primeiramente expostos ao estradiol
(AURICH; BURGMANN; HOPPE, 1996).
Apesar de haver divergência sobre a atuação dos POEs durante a estação não-reprodutiva de animais sazonais, pode-se afirmar que, em
equinos, ocorre inibição da secreção de LH mediado pelos POEs. Isso
porque, fora da estação reprodutiva, as éguas respondem com aumento
imediato da concentração plasmática de LH, após injeções de naloxone
(antagonista de opióides) (AURICH et al., 1996). Este mecanismo pode
contribuir para o decréscimo na concentração de gonadotropinas durante
o anestro sazonal. Nesse período, a inibição do LH, por meio dos POEs,
é maior devido às éguas apresentarem certo grau de atividade ovariaScientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 65-72, jan./jun. 2008
 69
na, com prolongada influência das baixas concentrações de estrógeno
(AURICH et al., 1996; AURICH; BURGMANN; HOPPE, 1996; NAGY;
GUILLAUME; DAELS, 2000).
Muito pouco se sabe sobre o modo da ação dos opióides em animais
domésticos. Mas, é bem conhecido que eles modulam fortemente a
secreção das gonadotropinas e os hormônios neurohipofisários em
diferentes fases reprodutivas, fazendo-se presente também na espécie
equina (PARVIZI, 2000).
4 AÇÃO DOPAMINÉRGICA NA SAZONALIDADE DA ÉGUA
Além do sistema opióide, os neurônios catecolaminérgicos também têm
sido implicados na supressão sazonal da secreção de GnRH (NAGY;
GUILLAUME; DAELS, 2000). Segundo Fitzgerald e Mellbye (1988), a
administração de um agonista α-2-adrenérgico, em éguas com anestro
sazonal, aumenta a frequência dos pulsos dos hormônios folículo estimulante e luteinizante, sugerindo a existência do mecanismo inibitório
adrenérgico sobre a pulsatilidade sazonal de LH.
A dopamina, em ovelhas, parece mediar a retroalimentação negativa do
estradiol sobre o anestro sazonal, por agir diretamente sobre os neurônios
GnRH. Contudo, em éguas, os efeitos dos antagonistas de dopamina
sobre o início da atividade reprodutiva são altamente variáveis, sendo
questionável o papel da dopamina na regulação sazonal nesta espécie
(NAGY; GUILAUME; DAELS, 2000).
Apesar de existirem receptores de dopamina do tipo D-2 no cérebro
das éguas, trabalhos utilizando doperidone, antagonista dopaminérgico
que não ultrapassa a barreira hematoencefálica, demonstraram que a
dopamina pode atuar diretamente no ovário, ligando-se aos receptores D-2 do córtex ovariano presentes nas células da granulosa ou da
teca. A descoberta da produção de uma neurotropina, gonadotropina
dependente, pelos folículos antrais na ovelha, fornece evidência para
o mecanismo pelo qual pode haver o controle dinâmico da proliferação
neuronal da estrutura ovariana (KING et al., 2005).
A administração de antagonista dopaminérgico resulta no aumento
da secreção de prolactina que pode exercer efeito em nível ovariano
por elevar o número de receptores de gonadotropinas e, dessa forma,
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mediar o efeito das gonadotropinas circulantes (KELLEY, 2004). O tratamento prolongado com antagonista de receptores D2-dopamina induz
a ciclicidade ovariana de éguas em anestro sazonal. Todavia, quando
usado em éguas em anestro profundo, são necessários 50 a 60 dias
para induzir a atividade ovariana (KING et al., 2005).
Os dados disponíveis na literatura indicam que os antagonistas de dopamina aceleram o início da atividade ovariana cíclica de éguas no período de
transição reprodutiva, mas o tratamento pode ser inefetivo durante o anestro
profundo. Esses achados sugerem, mas não confirmam completamente,
a hipótese de que a dopamina, assim como outros neurotransmissores,
exerce inibição tônica no controle hipotalâmico da ciclicidade sazonal
da égua. É possível que o antagonista dopaminérgico exerça seu efeito
sobre a atividade ovariana incrementando a responsividade do ovário
às gonadotropinas circulantes, por meio do aumento dos receptores de
LH e FSH, induzidos pela prolactina (ALJARRAH, 2004).
5 CONCLUSÃO
O mecanismo neural essencial ao controle da atividade ovariana cíclica
na égua, dentro e fora da estação de monta, é pouco entendido. Requerendo, desta forma, maiores estudos na área.
HORMONAL-NEUROREGULATION OF THE
REPRODUCTIVE SEASONALITY IN MARE
ABSTRACT
The mare is described as a polyestrous, seasonally in long days and
the beginning of the reproductive season in the spring. The circanual
reproductive rhythm is synchronized with her endogenous pattern among
the seasons. The seasonality in this species is commanded by several
hormones of central action, among them stands up one produced by the
pineal glands, the melatonin, that is an important regulator of the reproductive season activity. The signs of the melatonin in combination with
the photoperiodic report can provide the information about the influence
of the season on the hypothalamic-hypofisary-gonadal axis answer along
the year. However, the control of the seasonality is not just mediated
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by the action of the melatonin. In addition, there is a complex systems
interneurons that involves different neurotransmissors inside hypothalamus. The reproductive seasonality of mare also suffers influence of
the endogenous opioid peptides and dopaminergic hormone that also
suppress GRNH hypothalamic secretion, and in this way, influencing the
reproductive season activity. The objective of this review was to highlight
the melatonin, endogenous opioid peptides and dopaminergic hormone
envelopment in the seasonality process of the mare.
Keywords: Equidae. Opioids. Dopamine. Melatonin.
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Correspondência para/reprint request to:
Fernando Andrade Souza
Rua Desembargador Paula Mota, 30/201
Ouro Preto
31310-340 - Belo Horizonte – MG (Brasil)
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 65-72, jan./jun. 2008
 73
O CONHECIMENTO DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE
QUANTO AO TRABALHO FONOAUDIOLÓGICO EM
PEDIATRIA NO AMBIENTE HOSPITALAR
Nariely de Sousa Avancini1
Verônica Dardengo Gava2
Renata Veiga Andersen Cavalcanti3
RESUMO
Investiga o conhecimento dos profissionais da área da saúde, quanto
ao trabalho fonoaudiológico em pediatria no âmbito hospitalar e a importância desta atuação. O instrumento da pesquisa foi um questionário
com cinco questões fechadas e específicas aos profissionais da saúde:
fonoaudiólogos, pediatras, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, assistente social e otorrinolaringologistas, sendo um total de
71 profissionais, das localidades de Cachoeiro de Itapemirim, Linhares e
Grande Vitória, no período de agosto a setembro de 2008. Como resultado
observa que 100% dos profissionais entrevistados acham importante a
atuação do fonoaudiólogo no ambiente hospitalar; 84,5% possuem em
sua equipe de trabalho o profissional fonoaudiólogo e 67,6% trabalham
em ambiente hospitalar. Sobre as áreas de atuação do fonoaudiólogo
no setor de pediatria, 97,2% consideram a motricidade orofacial – estimulação/disfagia a mais importante; 98,6% classificam a estimulação
sensório-motora oral como sendo o benefício que o fonoaudiólogo pode
trazer para o paciente pediátrico; 85,9% classificam a indicação de via
alternativa de alimentação como sendo a contribuição do fonoaudiólogo
nas decisões da equipe interdisciplinar e como contribuição da intervenção
Graduanda do Curso de Fonoaudiologia do Centro Universitário Vila Velha. E-mail:
[email protected].
2
Graduanda do Curso de Fonoaudiologia do Centro Universitário Vila Velha. E-mail:
[email protected].
3
Mestre em Fonoaudiologia pela Universidade Veiga de Almeida. Professora do Centro
Universitário Vila Velha. E-mail: [email protected].
1
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 73-97, jan./jun. 2008
 74
fonoaudiológica para o paciente pediátrico junto à equipe multidisciplinar,
90,1% consideram a melhoria da qualidade de vida do paciente e de
sua família e 88,7% consideram a diminuição do tempo de internação
desses pacientes. Este estudo, conclui que a atuação fonoaudiológica
no ambiente hospitalar é fundamental, pois pode contribuir com a equipe
multidisciplinar através da conduta a ser tomada com o paciente pediátrico, na indicação de via alternativa de alimentação, na estimulação
sensório-motora oral e na introdução da dieta por via oral.
Palavras-chave: Pediatria. Fonoterapia. Fonoaudiologia – prática.
Pacientes hospitalizados – cuidado e tratamento. Acompanhamento
terapêutico.
1 INTRODUÇÃO
No início dos anos 80, surgiu no Brasil a clínica fonoaudiológica hospitalar
voltada para bebês considerados de alto risco, devido à necessidade
imperativa de atendimento aos problemas de alimentação desses pacientes. Houve, também, um grande investimento na área de terapia
intensiva (tecnológico e científico), que culminou na criação de mais
leitos e na inauguração de unidades de terapia intensiva pediátrica
(UTIP) (PÊGO, 2005).
De acordo com Baptista (2003), o Conselho Regional de Fonoaudiologia - 2a região, descreveu e divulgou um parecer regulamentando a
atuação fonoaudiológica nesse campo. O parecer declara que a atuação
fonoaudiológica pode ocorrer no período pré-natal, no berçário e/ou alojamento conjunto, UTI pediátrica e enfermaria pediátrica. Isto configura
a importância da intervenção fonoaudiológica neste âmbito.
A UTIP dedica-se a pacientes portadores de patologias agudas, com
riscos de vida devido à doença de base ou suas complicações, que requerem cuidados e observações contínuas para controle, estabilização
e preservação de suas funções vitais, desde que haja possibilidade de
recuperação (AGUIAR et al., 1999).
Além da sofisticação de seus equipamentos, a qualificação do pessoal na
UTIP se faz de fundamental importância. Não se restringe aqui somente
à equipe médica, mas a toda a equipe multiprofissional (que inclui as
equipes de enfermagem, fisioterapia, assistência social, apoio psicológico
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e outras), estas prestam ao paciente um atendimento constante nas 24
horas do dia (AGUIAR et al., 1999).
Para Rabelo et al. (2004) os profissionais da saúde devem deixar o isolamento de seus discursos e intermediar os saberes, para assim fazerem
do trabalho isolado um trabalho coletivo. A fim de que a interdisciplinaridade dos profissionais não se torne apenas uma linguagem estética,
mas que busque a compreensão que implica correlacionar a saúde aos
problemas sociais e psicológicos gerados em nossa sociedade, na qual
contribuem para condições favoráveis à doença.
Tamez e Silva (2002) descrevem que durante o período crítico, ou seja,
da internação do paciente, o profissional depara-se com os sentimentos
da família e que, diante desta situação, encontra-se com reações de
impotência, culpa, medo e angústia. Estes sentimentos criam estresse
para a família e muitas vezes levam ao distanciamento entre filhos e pais,
na qual estes acabam sendo divididos entre o desejo de aproximação
e afastamento de seus filhos.
No período da internação, aspectos subjetivos e objetivos são importantes
no atendimento do paciente pediátrico. Os aspectos subjetivos referemse à interação da família com o profissional quanto à necessidade de
manutenção do vínculo com o paciente, também aceitação do quadro
clínico, que os permite encarar a dor e a possibilidade de perda, e os
aspectos objetivos, incluem a intervenção fonoaudiológica específica,
sendo avaliação e terapia (FRAZÃO, 2008).
A demanda para a intervenção fonoaudiológica na UTIP é de pacientes
que encontram-se com o quadro de disfagia, na qual o fonoaudiólogo
contribui com uma avaliação, intensificando o diagnóstico e/ou início da
reabilitação nos pacientes disfágicos (FRAZÃO, 2008).
A disfagia é caracterizada por Giannini (2007) como a deglutição desordenada, podendo se manifestar através de tosses, engasgos, broncoaspiração, refluxo, afonia ou disfonia e medo de comer.
A deglutição tem por função transportar material da cavidade oral para
o estômago, não permitindo a entrada de nenhuma substância na via
aérea. Para que este ato seja feito de forma segura, necessita-se de
uma coordenação precisa, principalmente entre as fases oral e faríngea
(MARCHESAN, 2004).
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 73-97, jan./jun. 2008
 76
Furkim e Santini (2004), em sua obra, relatam que o manejo das disfagias
orofaríngeas consiste, numa prática clínica domiciliar, porém, a atuação
principal está no âmbito hospitalar e, para a avaliação e tratamento da
sensibilidade/mobilidade dos órgãos fonoarticulatórios, assim como para
a funcionalidade de todo o processo de alimentação, o responsável maior
é o profissional fonoaudiólogo, habilitado para tal serviço.
Steimberg, Frazão e Furkim (2003) relatam, em sua pesquisa, que a
avaliação e a terapêutica do paciente disfágico requerem uma equipe
especializada, com profissionais que suprem à necessidade real do
paciente e, não somente de sua área, buscando a interface entre as
especialidades, sendo que Rosado et al. (2005), complementa que, após
a avaliação clínica, o fonoaudiólogo é o principal responsável pelo manejo
terapêutico deste paciente com o objetivo de obter melhor resultado na
introdução de forma segura da dieta por via oral.
Segundo Stanich (2004) em vista de um quadro de disfagia de grau
severo com riscos de penetração ou aspiração, se faz necessária a
indicação de via alternativa de alimentação como suporte nutricional,
pois, nestes casos, a alimentação por via oral não é suficiente para
suprir as necessidades orgânicas e nutricionais do indivíduo sendo até
mesmo contraindicada.
Rahal (1985) e Troncon (2000) (apud ROSADO et al., 2005) ressaltam
que a utilização da sonda nasogástrica ou nasoentérica, por um longo
período é desaconselhável por causar desconforto, trauma psíquico,
aumento das secreções da árvore respiratória e irritação da nasofaringe,
faringe e estômago, o que pode levar a complicações pulmonares e
esofágicas. Nestes casos, faz-se a avaliação do paciente para melhor
conduta terapêutica, buscando retirar a sonda e introduzir, de forma
segura, a dieta por via oral.
De acordo com Levy e Rainho (2003), a indicação da via de alimentação mais
adequada, da consistência, temperatura e quantidade de alimento a ser oferecido, utensílios a serem utilizados, o ritmo da alimentação, a postura durante
e após a alimentação, são contribuições do profissional fonoaudiólogo.
Necessário se faz aqui um trabalho integrado: pediatria – fonoaudiologia, no que se refere a dar condições sensório-motoras na região
oral, e assim a criança melhor irá aceitar a introdução de alimentos
(PROENÇA, 1990).
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Para Furkim (1999) e Odderson (1993) (apud ROSADO et al., 2005)
o ato de se alimentar constitui-se fonte de prazer para o ser humano,
além de ser fonte de sobrevivência, muitas vezes, é um ato social que
facilita a interação entre as pessoas. Assim Quintella, Silva e Botelho
(2004) também consideram que a alimentação é um dos mecanismos
inicias do desenvolvimento da comunicação da criança e da afetividade
entre mãe e filho.
O especialista em fonoaudiologia aborda a alimentação de uma forma
diferenciada, devido esta exercer uma forte influência positiva ou negativa
sobre o crescimento craniofacial, também sobre as funções de respiração,
mastigação, deglutição e fala todas envolvendo órgãos fonoarticulatórios
(língua, lábios e bochechas) (SILVEIRA; GOLDENBERG, 2001).
Barros et al. (2006) ressaltam, em seu estudo, que o fonoaudiólogo também verifica a necessidade ou não de realização de exames objetivos, tais
como videofluoroscopia ou nasofibrolaringoscopia, sendo contraindicado
para pacientes com evidências quanto ao risco de aspiração.
Frazão (2008) acrescenta a avaliação da linguagem, realizada a partir do
diálogo entre a criança e seus pais e entre a criança e o fonoaudiólogo.
Com os dados da entrevista inicial e avaliação funcional da deglutição
e de linguagem, serão levantadas hipóteses sobre as possíveis causas
das alterações.
Porém, de acordo com o mesmo autor, a intervenção na linguagem só
será intensificada nos casos de distúrbio de linguagem mais severos,
como retardo de linguagem acentuado e afasias.
Desta forma, ocorre também o atendimento dos pacientes que apresentam distúrbio de fala, ou seja, a estimulação da fala será realizada
somente em casos mais severos, como nas disartrias (PRODOCIMO;
LOPES, 2003).
No estudo realizado por Ribeiro e Mitre (2004), apontam outra atuação
fonoaudiológica, a triagem auditiva neonatal universal (TANU), afirmando
que sua realização é de fundamental importância, pois uma vez detectado alteração no exame de emissões otoacústicas (EOAS) mais cedo
será realizado a intervenção nessa criança, assim, com a plasticidade
cerebral fica garantido um desenvolvimento, principalmente de fala e
linguagem, o mais próximo do normal.
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Um outro estudo, realizado por Hilú e Zeigelboim (2007) para avaliar o
conhecimento e valorização da triagem auditiva, mostra que de 32 médicos entrevistados, 25% referiram-se as EOAS como sendo o melhor
exame para identificação da perda auditiva, 13,5% deles referiram as
EOAS como sendo o exame mais recomendado a ser realizados nos
bebês, porém, 63% afirmaram conhecer, mas não souberam descrevêlas, segundo o autor, provavelmente por falta de conhecimento dos
exames. Já no estudo de Soares, Marques e Flores (2008), 88,9%
dos pediatras apresentaram ter conhecimento sobre a importância da
realização da TANU.
Segundo Frazão (2008), o atendimento fonoaudiológico em pacientes
pediátricos, vem sendo cada vez mais reconhecido, à medida que os
resultados dessa intervenção na recuperação desses pacientes são
constatados, e Rabelo et al. (2004) ainda conclui que a participação de
uma equipe interdisciplinar para o tratamento de determinadas patologias
infantis, que estão ligadas aos distúrbios da área fonoaudiológica, é de
fundamental importância e a atuação em equipe irá garantir a esses
pacientes uma melhor qualidade de vida.
2OBJETIVO
O objetivo do presente estudo foi investigar o conhecimento dos profissionais da área da saúde a respeito da atuação fonoaudiológica em pacientes
pediátricos no âmbito hospitalar e a importância desta atuação.
3METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa transversal analítica.
3.1 PARTICIPANTES
Fizeram parte desta pesquisa 71 profissionais da área da saúde que
trabalham ou não em ambiente hospitalar, nas localidades de Cachoeiro
de Itapemirim, Linhares e da Grande Vitória.
3.2 MATERIAL
- Termo de consentimento livre e esclarecido.
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 79
- Questionário referente ao conhecimento dos profissionais da
saúde sobre a atuação fonoaudiológica em pediatria no ambiente
hospitalar (Apêndice A).
3.3 PROCEDIMENTO
Para a realização desta pesquisa, os participantes foram informados
quanto aos objetivos e procedimentos e assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido, autorizando a participação na pesquisa e
divulgação científica dos dados coletados, sendo que, durante a análise
dos dados, a identidade de cada profissional foi respeitada.
O questionário usado como coleta de dados (Apêndice A) foi aplicado
com os profissionais de nível superior da área da saúde que trabalham
ou não em ambiente hospitalar, no período de agosto a setembro de
2008.
Os participantes responderam ao questionário constituído de cinco
questões fechadas relativas ao conhecimento desses profissionais
sobre a atuação fonoaudiológica em pacientes pediátricos no ambiente hospitalar, a marcação das alternativas era ilimitada, uma vez que
todas as alternativas estavam corretas. O questionário conteve, ainda,
a especialidade do profissional entrevistado, o ano de formação, se
trabalha ou não em ambiente hospitalar, e se sua equipe de trabalho é
composta por um fonoaudiólogo.
4OBTENÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS DADOS
Os dados levantados dos questionários foram classificados da seguinte
forma, para posterior tratamento estatístico:
a) Especialidades
Os profissionais foram distribuídos quanto às especialidades mais
prevalentes.
b) Ano de formação
Foi realizada uma análise descritiva com o tempo de formação dos
profissionais entrevistados, para a obtenção de uma média de tempo
de formados.
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 80
c) Trabalha ou não em ambiente hospitalar
Foi verificado se os profissionais entrevistados atuam ou não em
ambiente hospitalar.
d) Se a equipe de trabalho tem fonoaudiólogo
Foi verificado se as equipes dos profissionais participantes da pesquisa possuem ou não fonoaudiólogo.
e) Se acha importante a atuação fonoaudiológica em ambiente
hospitalar
Foram consideradas as respostas SIM ou NÃO, sobre as opiniões
dos profissionais quanto à importância da atuação do fonoaudiólogo
no ambiente hospitalar.
f) Análise das questões
• Quais benefícios o fonoaudiólogo pode trazer ao paciente pediátrico,
atuando no ambiente hospitalar.
• Quais as áreas de atuação do fonoaudiólogo no setor de pediatria
no ambiente hospitalar.
• Como o fonoaudiólogo poderia contribuir nas decisões da equipe
interdisciplinar, quanto à conduta a ser tomada com o paciente
pediátrico.
• Se a intervenção fonoaudiológica no paciente pediátrico junto à
equipe multidisciplinar daria alguma contribuição.
• Nestas questões foram considerados os números de acertos das
opções dadas, sendo que todas são corretas.
5 ANÁLISE ESTATÍSTICA
Foi realizada a análise estatística descritiva completa e analítica. A parte
analítica, segundo Spiegel (1993), constou da aplicação dos testes a
seguir mencionados:
- Teste de Mann-Whitney, teste não paramétrico visando à comparação de variáveis para amostras independentes, duas a duas.
- Teste de Igualdade Duas Proporções, teste não paramétrico compara se a proporção de resposta de duas determinadas variáveis
e/ou seus níveis é estatisticamente significante.
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 81
- Intervalo de Confiança para a Média, técnica utilizada para verificar
o quanto a média pode variar em uma determinada probabilidade
de confiança.
Foi definido para este trabalho um nível de significância de 0,05 (5%);
e todos os intervalos de confiança foram construídos com 95% de confiança estatística.
Para a análise foram utilizados os softwares: SPSS V11.5, Minitab 14
e Excel XP.
6 RESULTADOS
Os resultados tratam da análise de um questionário constituído de cinco
questões, respondido por 71 profissionais da área da saúde.
A Tabela 1 mostra a distribuição das especialidades.
Tabela 1 - Distribuição das especialidades
Especialidade
Quantidade
%
p-valor*
Pediatria
Fisioterapia
Fonoaudiologia
Enfermagem
Psicologia
Otorrinolaringologia
Serviço Social
Nutrição
20
15
13
12
6
3
1
1
28,2
21,1
18,3
16,9
8,5
4,2
1,4
1,4
0,330
0,164
0,108
0,002**
<0,001**
<0,001**
<0,001**
* Teste de igualdade de duas proporções.
** Diferença estatisticamente significante.
Verifica-se que a especialidade mais prevalente foi pediatria com 28,2%,
mas que, segundo a análise estatística, não pode ser considerada diferente da fisioterapia (21,1%), fonoaudiologia (18,3%) e enfermagem
(16,9%).
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 82
A Tabela 2 mostra a descritiva para anos de formação.
Tabela 2 - Descritiva para anos de formação
Tempo de Formação
Média
Mediana
Desvio Padrão
CV
Min
Max
N
IC
10,11
7
8,06
79,7%
0
34
71
1,87
Verifica-se que a média do tempo de formação foi de 10,11 anos.
A Tabela 3 mostra a distribuição das respostas para as questões que
avaliam a opinião sobre a importância da atuação fonoaudiológica no
ambiente hospitalar, a presença de fonoaudiólogo nas equipes de trabalho e se o participante trabalha em ambiente hospitalar.
Tabela 3 - Distribuição das variáveis com respostas sim/não
Questões
• Acha importante a atuação do
fonoaudiólogo no ambiente
hospitalar?
• Sua equipe de trabalho tem
fonoaudiólogo?
• Trabalha em ambiente
hospitalar?
Não
Qtde
%
Sim
Qtde
%
p-valor*
0
0,0
71
100
<0,001**
11
15,5
60
84,5
<0,001**
23
32,4
48
67,6
<0,001**
* Teste de igualdades de duas proporções.
** Diferença estatisticamente significante.
Verifica-se que 100% da amostra considera importante a atuação do
fonoaudiólogo no ambiente hospitalar; e a maioria dos participantes da
pesquisa possuem fonoaudiólogos em sua equipe de trabalho e também
trabalham em ambiente hospitalar, sendo esses dados estatisticamente
significantes.
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 83
A Tabela 4 mostra quais seriam, para os profissionais entrevistados, as
áreas de atuação do fonoaudiólogo no setor de pediatria e a Tabela 5
mostra os P-valores referentes aos resultados da Tabela 4.
Tabela 4 - Distribuição das áreas de atuação do fonoaudiólogo no setor de
pediatria
Questão 3
Quantidade
%
•Motricidade orofacial
(estimulação – disfagia)
69
97,2
•Audiologia (TANU)
56
78,9
•Linguagem
50
70,4
•Fala
48
67,6
Tabela 5 - P-valores da Tabela 4
Questão 3
A
B
C
B
C
D
<0,001**
<0,001**
<0,001**
0,247
0,129
0,717
* Teste de Igualdade de Duas Proporções.
** Diferença estatisticamente significante.
Verifica-se que a resposta mais prevalente é a área de motricidade
orofacial com 97,2% e segundo a tabela de P-valores este percentual
é estatisticamente diferente de todos os demais.
A Tabela 6 mostra a análise da distribuição do percentual de acerto sobre
quais benefícios o fonoaudiólogo poderia trazer, atuando no ambiente
hospitalar, para o paciente pediátrico (questão 2) e a Tabela 7 mostra
os P-valores referentes aos resultados da Tabela 6.
Tabela 6 - Distribuição do percentual de acerto por item da questão 2
Questão 2
(continua)
N
%
C – Propiciar uma estimulação sensório-motora oral adequada.
70
98,6
A – Estimulação da interação mãe−bebê
63
88,7
E – Favorecer a transição mais rápida da alimentação por
gavagem para a alimentação por via oral.
61
85,9
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 73-97, jan./jun. 2008
 84
Tabela 6 - Distribuição do percentual de acerto por item da questão 2 (conclusão)
Questão 2
N
%
I – Detecção de crianças com problemas auditivos, ocasionando
um rápido encaminhamento e tratamento precoce.
61
85,9
F – A promoção do aleitamento materno a reorganização
dos estados de vigília do bebê em função dos ciclos de
sono, fome e estados de atenção como uma maturação
neurológica mais rápida.
58
81,7
G – Estimulação do desenvolvimento da linguagem.
57
80,3
J – Antecipação da alta hospitalar.
57
80,3
D – Propiciar ganho de peso.
54
76,1
H – Estimulação do desenvolvimento da fala.
52
73,2
B – Humanização do berçário, visando torná-lo um lugar mais
adequado para o desenvolvimento do bebê.
48
67,6
Tabela 7 - P-valores da Tabela 6
Questão 2
C
A
E
I
F
G
J
D
H
A
0,016**
E
0,005**
I
0,005**
0,614
1,000
F
<0,001**
0,237
0,494
0,494
G
<0,001**
0,164
0,370
0,370
0,831
J
<0,001**
0,164
0,370
0,370
0,831
1,000
D
<0,001** 0,047**
0,134
0,134
0,411
0,542
0,542
H
<0,001** 0,019** 0,061# 0,061# 0,228
0,320
0,320 0,700
B
<0,001** 0,002** 0,010** 0,010** 0,054# 0,085# 0,085# 0,263 0,462
0,614
* Teste de Igualdades de Duas Proporções.
** Diferença estatisticamente significante.
Verifica-se que a alternativa com maior percentual foi a alternativa C
(propiciar uma estimulação sensório-motora oral adequada) com 98,6%,
e este é um percentual estatisticamente significante comparando-se com
as demais alternativas sugeridas.
A Tabela 8 mostra a análise da distribuição do percentual de acerto
sobre como o fonoaudiólogo poderia contribuir nas decisões da equipe
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 73-97, jan./jun. 2008
 85
interdisciplinar, quanto à conduta a ser tomada com o paciente pediátrico
(questão 4) e a Tabela 9 mostra os P-valores referentes aos resultados
da Tabela 8.
Tabela 8 - Distribuição do percentual de acerto por item da questão 4
Questão 4
A – Na indicação de via alternativa de alimentação.
B – Na suspensão da sonda orogástrica.
C – Na introdução da dieta por via oral.
D – Na antecipação da alta hospitalar.
N
%
61
56
56
48
85,9
78,9
78,9
67,6
Tabela 9 - P-valores da Tabela 8
Questão 4
A
B
0,271
C
D
0,271
0,010**
B
C
1,000
0,129
0,129
* Teste de Igualdades de Duas Proporções.
** Diferença estatisticamente significante.
Verifica-se que a alternativa com maior percentual foi a alternativa A
(indicação de via alternativa de alimentação) com 85,9%, porém, de
acordo com análise estatística, não apresenta diferença estatisticamente
significante em relação as alternativas B e C, só apresenta diferença
estatisticamente significante em relação a alternativa D.
A Tabela 10 mostra a análise da distribuição do percentual de acerto
sobre como a intervenção fonoaudiológica no paciente pediátrico junto
à equipe multidisciplinar poderia dar alguma contribuição (questão 5) e
na Tabela 11 mostra os P-valores referentes aos resultados da Tabela
10.
Tabela 10 - Distribuição do percentual de acerto por item da questão 5
Questão 5
E – Melhora da qualidade de vida do paciente e de sua família.
A – Diminuição do tempo de internação destes pacientes.
C – Diminuição do uso da dieta nasoentérica.
D – Melhora do quadro clínico.
B – Redução dos gastos hospitalares.
N
%
64
63
59
55
54
90,1
88,7
83,1
77,5
76,1
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 73-97, jan./jun. 2008
 86
Tabela 11 - P-valores da Tabela 10
Questão 5
E
A
0,785
A
C
C
0,218
0,335
D
0,040**
0,073#
0,399
B
0,025**
0,047**
0,298
D
0,843
* Teste de Igualdades de Duas Proporções.
** Diferença estatisticamente significante.
Verifica-se que a alternativa com maior percentual de acerto foi a alternativa E (melhora da qualidade de vida do paciente e de sua família)
com 90,1%, porém, pela análise estatística, não pode ser considerado
estatisticamente diferente do percentual das alternativas A e C, mas apresenta diferença estatisticamente significante das alternativas B e D.
A Tabela 12 mostra a distribuição dos acertos das questões 2, 4 e 5
entre as especialidades e a Tabela 13 mostra a prevalência de acertos
dos profissionais em relação às questões 2, 4 e 5.
Tabela 12 - Distribuição dos acertos por especialidade nas questões 2, 4 e 5
Questão 5
Questão 4
Questão 2
Especialidade
Enfermagem
Fisioterapia
Fonoaudiologia
Pediatria
Psicologia
Enfermagem
Fisioterapia
Fonoaudiologia
Pediatria
Psicologia
Enfermagem
Fisioterapia
Fonoaudiologia
Pediatria
Psicologia
Média Mediana
7,75
6,87
8,62
9,30
7,17
3,08
2,53
3,46
3,60
2,33
3,67
3,80
4,85
4,40
3,50
8,5
7
10
10
7
3
3
4
4
2,5
3,5
4
5
5
3,5
Desvio
Padrão
2,63
2,61
2,10
1,17
2,56
1,00
1,41
1,13
0,68
1,63
0,98
1,37
0,38
0,88
1,38
CV
34,0%
38,1%
24,4%
12,6%
35,8%
32,3%
55,6%
32,5%
18,9%
70,0%
26,9%
36,1%
7,7%
20,1%
39,4%
Q1
Q3
N
IC
6,75
10 12 1,49
4
9 15 1,32
8
10 13 1,14
9
10 20 0,51
5,25 9,5 6 2,05
2,75
4 12 0,56
1
4 15 0,71
4
4 13 0,61
3
4 20 0,30
1,25 3,75 6 1,31
3 4,25 12 0,56
3
5 15 0,69
5
5 13 0,20
4
5 20 0,39
2,25 4,75 6 1,10
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 73-97, jan./jun. 2008
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Tabela 13 - P-valores da Tabela 14
Questão 5
Questão 4
Questão 2
Especialidade
Enfermeiro Fisioterapeuta Fonoaudiólogo
Fisioterapia
Fonoaudiologia
Pediatria
Psicologia
Fisioterapia
Fonoaudiologia
Pediatria
Psicologia
Fisioterapia
Fonoaudiologia
Pediatria
Psicologia
0,384
0,318
0,081
0,629
0,356
0,155
0,102
0,353
0,610
0,002**
0,033**
0,771
Pediatra
0,038**
0,002**
0,723
0,535
0,216
0,045**
0,059
0,019**
0,775
0,851
0,075
0,043**
0,020**
0,213
0,595
0,110
0,014**
0,116
* P-valor: Teste de Mann-Whitney.
** Diferença estatisticamente significante.
Verifica-se que na questão 2 houve prevalência de acertos da pediatria sob
as especialidades da psicologia e fisioterapia, e da fonoaudiologia sob a
fisioterapia com diferença estatisticamente significante. Na questão 4, houve
prevalência de acertos da pediatria sob a fisioterapia e a psicologia com
diferença estatisticamente significante. Na questão 5, houve prevalência
de acertos da fonoaudiologia sob a enfermagem, fisioterapia e psicologia, e
da pediatria sob a enfermagem com diferença estatisticamente significante.
Vale ressaltar que as especialidades de otorrinolaringologia, serviço social
e nutrição não entraram nesta análise devido à baixa amostragem.
A Tabela 14 mostra se há diferença nas respostas dos profissionais que
trabalham no ambiente hospitalar em relação aos que não trabalham.
Tabela 14 - Compara as respostas dos profissionais que trabalham no ambiente
hospitalar em relação aos que não trabalham
Trabalha em Ambiente
Hospitalar
Questão 2
Não
Sim
Questão 4
não
sim
Questão 5
não
Sim
Média
Mediana
Desvio Padrão
CV
N
IC
p-valor*
7,67
8,36
8
10
2,54
2,19
33,1% 26,2%
21
45
1,08
0,64
0,271
2,81
3,27
4
4
1,40
1,05
49,9% 32,2%
21
45
0,60
0,31
0,296
4,24
4,09
5
5
1,09
1,10
25,7% 27,0%
21
45
0,47
0,32
0,573
* Teste de Mann-Whitney.
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Verifica-se que, embora exista diferença nas respostas entre os participantes que trabalham ou não em ambiente hospitalar, essa variável não
interferiu no número de acertos, ou seja, no conhecimento da atuação
do fonoaudiólogo no âmbito hospitalar com pacientes pediátricos.
A Tabela 15 compara os acertos dos profissionais que possuem, em sua
equipe de trabalho, fonoaudiólogos com os que não possuem.
Tabela 15 - Compara os acertos dos profissionais que possuem, em sua equipe de
trabalho, fonoaudiólogos com os que não possuem
Equipe tem
Fonoaudiólogo
Média
Mediana
Desvio Padrão
CV
N
IC
p-valor*
Questão 2
não
sim
Questão 4
não
sim
Questão 5
não
sim
6,56
8,39
7
10
2,55
2,19
39,0%
26,1%
9
57
1,67
0,57
0,032**
1,89
3,32
1
4
1,45
1,02
76,9%
30,8%
9
57
0,95
0,26
0,004**
3,67
4,21
4
5
1,22
1,06
33,4%
25,3%
9
57
0,80
0,28
0,156
* Teste de Mann-Whitney.
** Diferença estatisticamente significante.
Verifica-se que as equipes que têm fonoaudiólogo possuem média de
acerto maior do que as equipes que não têm fonoaudiólogo. Na questão 2,
sobre os benefícios que o fonoaudiólogo poderia trazer para os pacientes,
atuando em ambiente hospitalar, e na questão 4, referente à contribuição
do fonoaudiólogo para a equipe quanto à conduta a ser tomada com o
paciente pediátrico, a diferença é estatisticamente significante.
7 DISCUSSÃO
Os resultados encontrados na presente pesquisa demonstraram que os
profissionais entrevistados, em sua grande maioria, têm conhecimento
sobre a atuação fonoaudiológica no ambiente hospitalar, sendo que
as especialidades de pediatria e fonoaudiologia mostraram ter melhor
conhecimento sobre essa atuação em relação aos demais profissionais.
Tal fato pode ser justificado pela maior parte dos pediatras entrevistados
atuarem em ambiente hospitalar e apresentarem uma equipe composta
por fonoaudiólogo.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 73-97, jan./jun. 2008
 89
Nesta pesquisa, 100% dos profissionais consideraram importante a
atuação do fonoaudiólogo neste ambiente, concordando assim com
Aguiar et al. (1999) e Rabelo et al. (2004) que ressaltam a necessidade
da qualificação dos profissionais da UTIP e a importância da interdisciplinaridade dos profissionais de saúde, na qual se inclui o fonoaudiólogo
atuando em associação com diversas especialidades médicas.
Ainda na pesquisa foi evidenciado que as equipes que possuem fonoaudiólogo obtiveram maior índice de acertos quanto aos benefícios e
contribuições que o profissional fonoaudiólogo, atuando em ambiente
hospitalar, pode trazer ao paciente pediátrico, o que demonstra a interdisciplinaridade desses profissionais entrevistados e o quanto isso se
faz importante.
Verificou-se também que, dentre os profissionais que trabalham em
ambiente hospitalar com os que não trabalham, não houve diferença
nas opções assinaladas quanto a este conhecimento, pode-se supor
que, diante disto, os profissionais da saúde, independente de suas especialidades e subespecialidades, mostraram ter um grau de informação
favorável a respeito da atuação fonoaudiológica hospitalar.
Para estes profissionais, a área de maior atuação fonoaudiológica neste
ambiente se faz na motricidade orofacial (estimulação/disfagia), mais
especificamente em casos de disfagia. Concordando com Steimberg,
Frazão e Furkim (2003), assim como com Furkim e Santini (2004) e
Rosado et al. (2005), o profissional fonoaudiólogo já tem condições de
projetar com pontualidade e responsabilidade a atuação em disfagia, e
Barros et al. (2006) mostrou em sua pesquisa que o fonoaudiólogo também
verifica a necessidade ou não da realização de exames objetivos para
pacientes sem risco de aspiração constatada em avaliação clínica.
Além da área de motricidade orofacial, a atuação fonoaudiológica no
ambiente hospitalar se faz também nas áreas de audiologia – triagem
auditiva neonatal universal (TANU), linguagem e fala, na qual verificou
existir também uma porcentagem significativa do conhecimento dos
participantes dessa pesquisa, sobre essas áreas de atuação fonoaudiológica no setor de pediatria no ambiente hospitalar, porém, ainda hoje se
observa que esses atendimentos são pouco realizados nesse âmbito.
Assim como os demais profissionais entrevistados, a pediatria também
apresentou um conhecimento respeitável sobre a área de audiologia
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 73-97, jan./jun. 2008
 90
(TANU), o que reafirma a pesquisa realizada por Soares, Marques e
Flores (2008) em que a maioria dos pediatras neonatologistas (88,9%)
apresentou ter conhecimento sobre a TANU; e que discorda da pesquisa
realizada por Hilú e Zeigelboim (2007).
Para Hilú e Zeigelboim (2007), a falta de conhecimento deste exame
pode justificar a significativa porcentagem de 63% do total de médicos
entrevistados. E concluem em sua pesquisa que, para minimizar esse
problema, os profissionais da saúde necessitam de maiores informações
a respeito e, consequentemente, poderiam orientar melhor as famílias
sobre a importância da realização das EOAs.
A área de linguagem foi assinalada também pela maioria dos participantes
da presente pesquisa como sendo de atuação fonoaudiológica, o que
mostrou um conhecimento importante sobre essa área da fonoaudiologia
no ambiente hospitalar, mas vale aqui ressaltar que, de acordo com Frazão
(2008), a intervenção na linguagem só será intensificada nos casos de
distúrbio de linguagem mais severos, por exemplo, retardo de linguagem
acentuado e as afasias, assim também, de acordo com Prodocimo e
Lopes (2003), ocorre nos atendimentos de pacientes com distúrbio de
fala, ou seja, a estimulação só ocorre em casos mais severos.
Dentre os vários benefícios que o profissional fonoaudiólogo pode trazer
para o paciente pediátrico, foi considerado, pela maioria dos participantes
desta pesquisa, o favorecimento da estimulação sensório-motora oral,
concordando com Proença (1990) e, para Prodocimo e Lopes (2003),
os benefícios do atendimento fonoaudiológico estão voltados principalmente para a alta hospitalar mais rápida, assim como na introdução da
dieta por via oral, visando à qualidade de vida e estado nutricional do
paciente, o que concorda com Rosado et al. (2005), na qual relata que
para se obter uma melhor conduta terapêutica faz-se a avaliação do
paciente, com o objetivo de retirar a sonda e introduzir, de forma segura,
a dieta por via oral.
Vale ressaltar que para uma alta hospitalar mais rápida e a introdução
da dieta por via oral, a estimulação sensório-motora oral se faz necessária.
Nesses casos, segundo Proença (1990), é necessário um trabalho
integrado, pediatria e fonoaudiologia, para dar ao paciente condições
sensório-motoras na região oral, a fim de que esse melhor aceite a
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 73-97, jan./jun. 2008
 91
introdução de alimentos por via oral, assim contribuindo o profissional
fonoaudiólogo, como encontrado nesta pesquisa, para a melhoria da
qualidade de vida do paciente e de sua família.
Nesta pesquisa, verificou-se também o conhecimento dos profissionais da área da saúde, como sendo o fonoaudiólogo o profissional
que juntamente com a equipe interdisciplinar determina a indicação de
via alternativa de alimentação dos pacientes pediátricos, isso sempre
que houver limitação do transporte do bolo alimentar e principalmente
quando houver risco de aspiração, o que concorda com Stanich (2004)
e Levy e Rainho (2003).
A presente pesquisa ressalta o conhecimento dos profissionais da saúde
quanto à atuação do fonoaudiólogo no ambiente hospitalar, a fim deste
contribuir em uma melhor qualidade de vida do paciente. Entretanto, no
desenvolver da pesquisa, surgiu certa dificuldade de encontrar literatura
e pesquisas sobre a atuação fonoaudiológica no ambiente hospitalar
com pacientes pediátricos, o que sugere a limitação de um melhor conhecimento dos profissionais que participaram desta pesquisa.
8CONCLUSÃO
Com os resultados encontrados, pode-se concluir que a atuação fonoaudiológica no ambiente hospitalar é de fundamental importância, pois
poderá contribuir com a equipe interdisciplinar através da conduta a
ser tomada com o paciente pediátrico na indicação de via alternativa
de alimentação, na estimulação sensório-motora oral, e na introdução
da dieta por via oral. Consequentemente, proporcionando ao paciente
e sua família, uma melhor da qualidade de vida.
Constatou-se que, dos profissionais entrevistados, os pediatras e os
fonoaudiólogos mostraram ter melhor conhecimento sobre essa atuação
do que os demais profissionais.
Deste modo, mais estudos e investimentos em pesquisas na área da
fonoaudiologia, atuando em pacientes pediátricos no ambiente hospitalar,
se fazem necessários, uma vez que poucos são os estudos e pesquisas
encontrados nessa área.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 73-97, jan./jun. 2008
 92
THE KNOWLEDGE OF THE PROFESSIONALS OF THE
HEALTH HOW MUCH TO WORK FONOAUDIOLOGIC IN
PEDIATRICS IN THE HOSPITAL ENVIRONMENT
ABSTRACT
It investigates the knowledge of the professionals of the area of the health, how much to the fonoaudiologics work in pediatrics in the hospital
scope and the importance of this performance. The instrument of the
research consisted of 1 questionnaire with 5 closed and specific questions
to the professionals of the health; fonoaudiologics, pediatrics, nurses,
psychologists, nutritionists, physiotherapists and assistants social, and
otolaryngologist, being a total of 71 professionals, the cities of Cachoeiro
de Itapemirim, Linhares and the Grande Vitória, in the period of August
setembro/2008. It was observed that 100% of the interviewed professionals they find the performance of the fonoaudiologic in the hospital
environment important; 84.5% possess in its team of work the fonoaudiologic professional and 67.6% work in hospital environment. On the
areas of performance of the fonoaudiologic in the pediatrics sector, 97.2%
had considered the motricidade orofacial − most important the disfagia
stimulation/; 98.6% had classified the verbal sensor-motor stimulation
as being the benefit that the fonoaudiologic could bring for the pediatric
patient; 85.9% had classified the indication of by feeding alternative as
being the contribution of the fonoaudiologic in the decisions of the team
to interdisciplinary; e as contribution of the fonoaudiological intervention
for the pediatric patient next to team to multidiscipline, 90.1% had considered the improvement of the quality of life of the patient and of its family
and 88.7% they had considered the reduction of the time of internment
of these patients. In this study, it is concluded that the fonoaudiological
performance in the hospital environment is basic, therefore will be able
to contribute with the team to interdisciplinary through the behavior to
be taken with the pediatric patient, in the indication of by feeding alternative, in the verbal sensor-motor stimulation, and in the introduction of
the diet for it saw verbal.
Keywords: Pediatrics. Speech therapy. Speech – practice. Hospital
patients – care. Continuum of care.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 73-97, jan./jun. 2008
 93
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2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. cap. 19, p. 171.
Correspondência para/reprint request to:
Nariely de Sousa Avancini
Rua Governador Afonso Cláudio, 66
Juparanã
29.900-650 - Linhares – ES (Brasil)
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 73-97, jan./jun. 2008
 96
Apêndice A – Instrumento de coleta de dados
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM PACIENTES
PEDIÁTRICOS NO AMBIENTE HOSPITALAR
IDENTIFICAÇÃO
Nome:________________________________________________
Especialidade
( ) Fonoaudiologia ( ) Pediatria
( ) Enfermagem
( ) Psicologia
( ) Nutrição
( ) Fisioterapia
( ) Serviço Social
( ) Outras especialidades médicas:
____________________________________.
Ano de Formação:__________
Trabalha em ambiente hospitalar?
( ) Sim
Sua equipe de trabalho tem fonoaudiólogo? ( ) Sim
( ) Não
( ) Não
Data da Entrevista:___/____/_____
QUESTIONÁRIO
(A marcação das alternativas é ilimitada)
1) Você acha importante a atuação do profissional fonoaudiólogo
no ambiente hospitalar?
( ) Sim
( ) Não
2) Quais benefícios para os pacientes, esse profissional poderia
trazer com sua atuação neste ambiente?
( ) Estimulação da interação mãe−bebê.
( ) Humanização do berçário, visando torná-lo um lugar mais
adequado para o desenvolvimento do bebê.
( ) Propiciar uma estimulação sensório-motor oral adequada.
( ) Propiciar ganho de peso.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 73-97, jan./jun. 2008
 97
( ) Favorecer a transição mais rápida da alimentação por gavagem para a alimentação por via oral.
( ) A promoção do aleitamento materno a reorganização dos
estados de vigília do bebê em função dos ciclos de sono,
fome e estados de atenção como uma maturação neurológica mais rápida.
( ) Estimulação do desenvolvimento da linguagem.
( ) Estimulação do desenvolvimento da fala.
( ) Detecção de crianças com problemas auditivos, ocasionando um rápido encaminhamento e tratamento precoce.
( ) Antecipação da alta hospitalar.
3) No setor de Pediatria de um hospital, quais seriam as áreas de
atuação do profissional Fonoaudiólogo?
( ) Motricidade orofacial – estimulação / disfagia.
( ) Audiologia – TANU
( ) Linguagem
( ) Fala
( ) Outros_________________________________________.
4) De que forma o fonoaudiólogo poderia contribuir nas decisões
da equipe interdisciplinar, ou seja, na conduta a ser tomada com
o paciente pediátrico?
( ) Na indicação de via alternativa de alimentação.
( ) Na suspensão da sonda orogástrica.
( ) Na introdução da dieta por via oral.
( ) Na antecipação da alta hospitalar.
5) Para você, a intervenção fonoaudiológica no paciente pediátrico,
junto à equipe multidisciplinar ajudaria em quais itens abaixo?
( ) diminuição do tempo de internação destes pacientes.
( ) redução dos gastos hospitalares.
( ) diminuição do uso da dieta nasoentérica.
( ) melhora do quadro clínico.
( ) melhora da qualidade de vida do paciente e de sua família.
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O PROCESSO VIRTUAL NO BRASIL
Carlos Fernando Lapenda de Moura1
RESUMO
Objetiva avaliar a tecnologia da informação no âmbito do processo
judicial, principalmente quanto à evolução processual, a importância
da Lei nº 9.800/1999, o advento da recente Lei nº 11.419/2006, a prática de atos judiciais virtuais, a segurança e autenticidade dos dados
processuais e os pontos favoráveis e restritivos no processo virtual.
Pontos favoráveis: ampla publicidade; máxima velocidade; fácil acesso
às informações; diminuição do contato pessoal; automação das rotinas
e das decisões judiciais; digitalização dos autos; aumento do poder
tecnológico dos juízes; e a diminuição dos custos processuais. Pontos
restritivos: a Justiça virtual é ainda inacessível para a maior parte da
população e para muitos dos operadores do direito que não possuem
conhecimentos em informática (analfabetos tecnológicos); preocupação
constante com a segurança e autenticidade dos dados processuais; e
a substituição exacerbada do foco decisório de questões processuais
para técnicos de informática. Considera, porém, que a tecnologia da
informação é uma verdadeira revolução no processo e as mudanças já
iniciaram e caminham a passos rápidos, trazendo consigo mais benefícios ao processo moderno.
Palavras-chave: Tecnologia da informação. Processo judicial. Prova
documental. Documentos eletrônicos.
1
Mestrando em Administração e Desenvolvimento Rural da Universidade Federal Rural
de Pernambuco. E-mail: [email protected].
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 99-111, jan./jun. 2008
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1 INTRODUÇÃO
É cada vez mais amplo o uso dos computadores na vida social e, em
particular, a difusão das transferências eletrônicas, a explosão da Internet
e o comércio eletrônico, o que acreditamos cedo ou tarde teremos de
nos valer de algum tipo de documento proveniente de um sistema de
elaboração eletrônica, seja ele o recibo de pagamento emitido por um
terminal eletrônico de um banco, um empréstimo bancário on-line, a
inscrição para um concurso público e tantos outros. Mesmo na prática
diária dos juristas, a tecnologia da informação já representa um avanço.
A maioria dos Tribunais já disponibilizou sua jurisprudência, acompanhamento processual pela Internet, bem como, em alguns Tribunais, já
possibilita a prática de atos processuais virtuais, a exemplo do Tribunal
Regional Federal (TRF) da 1ª Região, onde o advogado cadastrado
no Sistema de Transmissão Eletrônica de Atos Processuais se habilita
a utilizar o sistema, podendo peticionar sem precisar apresentar os
documentos originais.
Sabemos que vários setores da vida social dependerão, em maior ou
menor grau, da tecnologia da informação, uma vez que o computador
é hoje a única ferramenta produzida pelo homem em condições de
satisfazer as cada vez maiores e mais sofisticadas exigências de todos
os segmentos sociais. A sociedade moderna estruturou-se de forma
indissociável sobre a tecnologia dos computadores e dos aparelhos
eletrônicos. Não é difícil prever que, em breve período de tempo, toda
a atividade de armazenamento de documentação se desenvolverá,
salvo casos excepcionais, de forma digitalizada. Consequentemente, o
documento redigido pelas formas tradicionais perderá grande parte de
seu uso e importância social, em favor do documento eletrônico.
Um fenômeno social de tal magnitude impõe análise jurídica aprofundada. Urge, em outros termos, indagar-se qual a relevância jurídica do
documento formado por um computador, qual o valor jurídico do documento eletrônico, bem como qual a sua abrangência e peculiaridades
no processo.
Este exame deve levar em conta, de um lado, a necessidade de permitir
a mais eficaz e vasta utilização dos novos meios tecnológicos; por outro,
a necessidade de tutelar adequadamente a confiança na aplicação do
processo judicial, em especial, do processo civil na segurança dos novos
tipos de documento eletrônicos.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 99-111, jan./jun. 2008
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O presente artigo debate tais questões. Sendo assim, tratamos do
processo judicial virtual, a importância da Lei nº 9.800/1999, a segurança e autenticidade dos dados processuais, a prova eletrônica e sua
fundamentação, os pontos favoráveis e desfavoráveis à aplicação da
tecnologia da informação no processo. Utilizamos o apoio da doutrina,
jurisprudência e legislação pátria para confecção deste trabalho. Há de
salientar que encontramos alguns empecilhos tendo em vista a escassez de trabalhos publicados em relação ao tema abordado, porém, a
partir dos conceitos, novos e clássicos, demonstraremos como já é uma
realidade a utilização da tecnologia da informação no processo.
O novo direito processual que surge com o uso da tecnologia da informação
é totalmente diferente do que imaginaram os grandes processualistas
do século passado, pois não há papel, não há documentos físicos, não
há carimbos, ou seja, tudo é ou será digital. Esse novo processo pode
ser chamado de processo eletrônico ou virtual e tem características
peculiares, tais como: publicidade e velocidade ampla, automação das
rotinas e decisões judiciais, digitalização dos autos, reconhecimento
da validade das provas digitais e expansão do conceito espacial de
jurisdição.
Essas mudanças já iniciaram e caminham a passos rápidos. Inclusive, o
presente artigo visa analisar a atual realidade e as futuras consequências
da tecnologia da informação no âmbito do processo.
2PROCESSO JUDICIAL VIRTUAL
2.1 Importância da Lei nº 9.800/1999
Das mudanças propostas no direito processual brasileiro nos últimos
tempos, a Lei nº 9.800/1999 foi a iniciativa mais importante, justamente
por ser a primeira a vislumbrar e admitir o uso de tecnologia da informação como ferramenta para a prática de atos processuais.
Este entendimento é assim explicado:
Pela primeira vez, a lei processual tentou aproveitar a funcionalidade permitida com o avanço das tecnologias da informação.
E isso tem um significado verdadeiramente revolucionário, libertador. Sim, porque representa o primeiro passo no caminho da
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transformação da natureza física do processo judicial (REINALDO
FILHO, 1999).
De acordo com Olivo (2005), a efetivação do processo judicial se faz pelo
suporte material, sendo seu lado físico suas folhas de papel agrupadas em
ordem cronológica, ficando os atos documentados e acessíveis a qualquer
pessoa. Com o advento da Lei nº 9.800/1999, ao permitir a transmissão de
peças processuais por meio de correio eletrônico quebrou o elo da corrente
de documentos materiais. Inicialmente esta ruptura não é completa, pois a
petição que é enviada eletronicamente volta a assumir sua feição corpórea
quando é impressa em papel e anexada aos autos. Além do mais, muitos
Tribunais ainda não dispõem de sistemas informáticos que possibilitem
trabalhar com documentos eletrônicos devidamente confiáveis, e até mesmo
não regulamentaram a aplicação da referida Lei na sua esfera.
A possibilidade da completa virtualização processual judicial e as
vantagens decorrentes da utilização da Lei nº 9.800/1999 é assim
justificada:
Já pensou a economia de tempo e praticidade que representa,
por exemplo, para um advogado, remeter sua petição por e-mail,
diretamente de seu escritório, sem precisar de intermediários?
E o que é melhor, a lei 9.800 estabelece que ‘os juízes poderão
praticar atos de sua competência à vista de transmissões efetuadas na forma dessa lei’. Isso significa que, ao receber a petição
transmitida via e-mail, o juiz imediatamente poderá decidir a respeito do que nela se contém, deferindo ou não uma providência,
por exemplo. Não é preciso esperar a juntada de documento
original para, só então, manifestar-se sobre o assunto objeto da
petição transmitida eletronicamente. Não, o juiz está autorizado a
conhecer de logo da petição e proferir sua decisão sobre o pedido
formulado (REINALDO FILHO, 1999).
Porém, para que este ciclo se complete é necessário que o próprio Poder
Judiciário se equipe de tecnologia no sentido de que os atos processuais
venham a ser naturalmente praticados através dos meios eletrônicos,
regulamentados pela Lei nº 9.800/1999 e que, inexplicavelmente, no seu
art. 5º, desobriga o Judiciário a dispor de equipamentos para recepção
de petições eletrônicas. Provavelmente, o intuito do legislador tenha sido
fazer com que a aplicação fosse feita dentro da realidade administrativa,
financeira e tecnológica de cada Tribunal, haja vista que o Brasil é um
país imenso com várias diferenças.
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Há de salientar-se que o art. 5º não deve servir de pretexto para que o
sistema não seja implantado, até porque a utilização dos meios eletrônicos constitui o único caminho para a democratização da Justiça e o
seu ajustamento ao ritmo da sociedade informatizada, razão pela qual
o correio eletrônico é assim justificado:
O correio eletrônico é instrumento de nossa vida cotidiana. Já é
possível passar e receber mensagem de correio eletrônico até
por meio de telefones celulares. Mesmo quem não tem computador pode ter endereço eletrônico, acessar sua caixa postal
de qualquer lugar. [...] O fax hoje é muito menos utilizado do
que o correio eletrônico. Em breve estará para o e-mail como a
máquina de escrever para o computador pessoal (REINALDO
FILHO, 1999).
Alguns Tribunais, atentos à evolução tecnológica, já dispensam a
apresentação física da petição original, bastando a remessa da petição
eletrônica. Exemplo disso é a iniciativa do Tribunal Regional Federal da
1ª Região chamada e-Jufe, onde o advogado se cadastra no Sistema
de Transmissão Eletrônica de Atos Processuais da Justiça Federal (JF)
da 1ª Região e se habilita a utilizar o sistema, podendo peticionar sem
precisar apresentar os documentos originais.
2.2 PRÁTICA DE ATOS JUDICIAIS VIRTUAIS
O magistrado mineiro Marques (1999), faz interessante observação sobre
a disparidade entre as formas de registro de atos processuais dependendo do rito processual seguido. Recorda que, enquanto o art. 279 do
CPC fala da validade da utilização da taquigrafia, estenotipia e qualquer
outro meio hábil de documentação dos atos realizados em audiência nos
processos de rito sumário, o art. 13, § 2º, da Lei nº 9.099/1995, diz da
validade da solicitação de realização de ato processual em outra Comarca por qualquer meio idôneo de comunicação e o § 3º, diferenciando a
forma de registro dos atos processuais em essenciais e demais atos, diz
que os primeiros podem ser manuscritos, datilografados, taquigrafados
ou estenotipados, enquanto que os segundos podem ser gravados em
fita magnética ou equivalente. Para ele, o legislador esqueceu-se de
que o processo é, essencialmente, um só. E afirma que se o legislador
processual pátrio quiser agilidade dos processos e soluções judiciais
rápidas, deve adequar as normas processuais aos modernos meios de
comunicação e de registro.
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Porém, com o advento recente da Lei nº 11.419, de 19 de dezembro de
2006, no seu art. 1º, § 1º, ficou regulamentado o uso de meio eletrônico
na tramitação de processos judiciais, comunicação de atos e tramitação de peças processuais, indistintamente, aos processos civil, penal
e trabalhista, bem como aos juizados especiais, em qualquer grau de
jurisdição.
2.3 CITAÇÃO E INTIMAÇÃO VIRTUAL
Conforme define o art. 213 do Código de Processo Civil brasileiro, citação “é o ato pelo qual se chama a juízo o réu ou o interessado a fim
de se defender”. Quanto à efetivação, a citação pode ocorrer (art. 221):
I – pelo correio; II – por oficial de justiça; III – por edital.
Tanto a citação quanto a intimação – que são típicos atos processuais
realizados sob a forma escrita, alicerçados nos cuidados com a segurança
e a garantia das partes a fim de não lhes tirar a validade na medida em
que podem ser realizados pelo correio convencional, indubitavelmente,
também o podem pela via do correio eletrônico, via e-mail ou sistema
de transmissão de dados on-line. Notadamente, para os advogados
que se encontrarem cadastrados perante os tribunais ou juízos e que
enviarem suas petições com base na Lei nº 9.800/1999, deve ficar implícito que a citação ou a intimação – ou qualquer outro ato, mesmo os
interlocutórios – poderão ser realizados via correio eletrônico. O órgão
expedidor do ato terá registrado em seu sistema o texto da mensagem
enviada, o exato momento em que foi repassada e o endereço do
destinatário. Em caso de divergência sobre a validade da citação ou
da intimação, tais informações serão publicadas. Se enviadas para o
endereço correto e público do advogado, a este caberá a abertura de
sua caixa postal eletrônica com frequência. Não poderá alegar que não
recebeu a comunicação oficial em função de não ter acessado sua caixa
eletrônica. A desatenção, neste caso, depõe contra o citado ou intimado.
Caso a mensagem tenha sido enviada com falha ou se efetivamente se
tornar inteligível, o advogado não terá maiores dificuldades de provar,
através de corriqueira perícia técnica, o erro do órgão expedidor. Com a
popularização da criptografia e da regulamentação da assinatura digital,
esta questão deverá ser pacificamente resolvida.
Assim, não se justificará mais a recusa da aceitação de que tais atos
venham a ser realizados pelo correio eletrônico, conforme permissivo
legal constante da Lei nº 9.800/1999.
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O mesmo raciocínio se aplica para as partes que sejam funcionários
públicos, órgãos públicos ou mesmo o Ministério Público (MP). A restrição contida no parágrafo 2º, do art. 236, do Código de Processo Civil
brasileiro, de que a intimação do MP, em qualquer caso, será feita pessoalmente, não mais se justifica, visto que a informatização e a utilização
dos recursos da Internet no MP alcançam níveis elevados.
É bom destacar que a lei dos Juizados Especiais Federais (Lei nº
10.259/2001) já permite que os Tribunais Regionais Federais organizem
serviços de intimação das partes e de recepção de petições por meio
eletrônico. Na prática, a tecnologia da informação já vem ocorrendo em
inúmeros Juizados Especiais Federais.
2.4 SEGURANÇA E AUTENTICIDADE DOS DADOS
PROCESSUAIS
Nos autos tradicionais, em papel, não são muito comuns os casos de
falsificação de documentos processuais. Porém, é mais fácil falsificar
um documento de papel do que um documento digital protegido com
mecanismo de segurança, tais como: assinatura digital, criptografia,
senha e biometria. Até pela existência dos modernos scanners e impressoras, qualquer pessoa, com um mínimo de habilidade com os
referidos equipamentos, é capaz de reproduzir com fidelidade documentos em papel.
A preocupação em torno da segurança e autenticidade dos dados na
comunicação virtual dos atos processuais seria sem sentido, já que são
raros os casos de falsificação dos autos em papel e, portanto, seriam
também raros os casos de falsificação/adulteração de documentos
digitais. Porém, no mundo virtual, existe um submundo em que vivem
pessoas cuja maior diversão é violar sistemas de segurança. A preocupação com a segurança deverá estar sempre na pauta de discussões
dos processualistas.
A Medida Provisória nº 2.200, de 24 de agosto de 2001, instituiu a infraestrutura de chaves públicas, visando garantir a autenticidade de documentos eletrônicos, mediante certificação digital e assinatura digital,
[...] possibilitando vislumbrar em um futuro próximo, certa estabilidade aos documentos transmitidos (e contidos) por computadores e, via de conseqüência, autorizando o seu uso como meio
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de prova confiável, protegida de fraudes e erros normais nas
transmissões de dados.
Com a emenda constitucional que restringiu o uso de medidas provisórias, a MP nº 2.200, já na segunda versão, não mais pôde ser reeditada, passando a vigorar por tempo indeterminado, até que o Poder
Legislativo a aprecie.
Recentemente a Lei nº 11.280/2006 alterou o Código de Processo Civil
no Parágrafo único, do art. 154, que diz:
Os tribunais, no âmbito da respectiva jurisdição, poderão disciplinar a prática e a comunicação oficial dos atos processuais por
meios eletrônicos, atendidos os requisitos de autenticidade, integridade, validade jurídica e interoperabilidade da Infra-Estrutura
de Chaves Públicas Brasileira – ICP – Brasil.
Em termos legislativos, o ideal é que a autorização para uso de meios
eletrônicos para a prática de atos processuais fosse genérica, sem vincular a obrigatoriedade restrita a qualquer sistema, técnica ou método.
Neste sentido, em carta aberta sobre a regulamentação de procedimentos
digitais, o Instituto Jurídico de Inteligência e Sistemas (IJURIS) sugere
que a lei processual apenas autorize a utilização de meios eletrônicos
na prática de atos processuais e procedimentais e disponha sobre os
requisitos mínimos de segurança no trânsito de documentos e informações.
Desse modo, o credenciamento, que já vem funcionando em diversos
tribunais e, posteriormente, com a consolidação do sistema de chaves
públicas e privadas, já que atualmente é a mais recomendada, tendo
em vista a segurança. E se, posteriormente, viesse uma solução melhor,
adotava-se sem precisar a toda hora estar mudando a lei.
3DISCUSSÃO SOBRE PONTOS FAVORÁVEIS E RESTRITOS
O objetivo do presente trabalho é também enfatizar os pontos favoráveis e restritivos do processo virtual. Segundo Lima (2003), esse novo
processo, na onda dos modismos cibernéticos, pode ser chamado de
e-processo (processo eletrônico).
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3.1 PONTOS FAVORÁVEIS
O processo digital tem trazido grandes avanços ao processo judicial,
razão pela qual destacamos os seguintes pontos favoráveis:
a) Ampla publicidade − Com o desenvolvimento da tecnologia da informação, a publicidade processual atingirá patamares universais.
Qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, por exemplo, poderá
acompanhar uma determinada audiência judicial, desde que tenha
acesso à Internet. A publicidade, enfim, será plena. Isso permitirá não
apenas o acompanhamento do processo por qualquer interessado,
mas uma maior fiscalização pública dos atos judiciais e administrativos praticados pelos membros do Poder Judiciário.
b) Máxima velocidade – Se atualmente a patológica morosidade processual é o calcanhar de Aquiles do Judiciário brasileiro, em breve,
com o processo digital, essa doença estará curada, pelo menos
em parte. A comunicação dos atos processuais ocorrerá em tempo
real. Não haverá, em regra, citações, intimações e notificações no
mundo real. Tudo será pela Internet. O correio eletrônico (e-mail) é
infinitamente mais eficiente para comunicação dos atos processuais
do que o correio convencional. A lei dos Juizados Especiais Federais
(Lei nº 10.259/2001) já permite que os Tribunais Regionais Federais
organizem serviços de intimação das partes e de recepção de petições
por meio eletrônico. Na prática, isso já vem ocorrendo em inúmeros
Juizados.
c) Fácil acesso às informações – Com a Internet, o acesso às informações jurídicas foi enormemente facilitado. Sem muita dificuldade
e perda de tempo, são encontrados precedentes jurisprudenciais,
doutrina nacional e estrangeira (artigos, livros, monografias), modelos
de petições e contratos, legislação sobre os mais diversos temas.
d) Diminuição do contato pessoal – O contato pessoal com o juiz também
será, gradativamente, substituído pelas comunicações virtuais. Há
uma tendência, do mesmo modo, de diminuir o contato dos advogados
com os servidores. O peticionamento eletrônico, o acompanhamento
processual através da Internet, a publicação on-line do inteiro teor
das decisões e as intimações via e-mail são exemplos disso.
e) Automação das rotinas e das decisões judiciais – A tendência é automatizar boa parte do impulso processual, sobretudo a comunicação
dos atos processuais, a exemplo do mecanismo de intimações pelo
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sistema push. Além disso, algumas decisões serão proferidas com
auxílio de programas dotados de inteligência artificial. Já existem
softwares capazes de elaborar decisões, mediante o preenchimento
de campos previamente estabelecidos. Por exemplo, no âmbito da
Justiça do Trabalho, há um programa que filtra a subida de recursos
ao TST, permitindo a elaboração de despachos-padrão de admissibilidade de recursos.
f) Digitalização dos autos – Os autos físicos em papel serão gradativamente substituídos pelos autos digitais até chegar ao ponto de todos
os autos serem digitais. Por enquanto, vive-se uma fase transitória. O
Supremo Tribunal Federal, por exemplo, disponibiliza o inteiro teor de
todas as petições iniciais das Ações Diretas de Inconstitucionalidade
e Ações Declaratórias de Constitucionalidade, bem como o inteiro
teor das respectivas decisões, em sua página na Internet. Qualquer
pessoa pode visualizar os referidos documentos sem precisar sair
de casa.
g) Aumento do poder tecnológico dos juízes − Com a tecnologia da
informação muitas atividades são realizadas diretamente pelo juiz
ou através de sua delegação. Por exemplo, se o juiz determinar a
penhora de um automóvel, ele próprio (ou um servidor a seu mando) irá efetuar o bloqueio do referido veículo através do seu próprio
computador. Com o Bancen Jud, que é um sistema de solicitação de
informações via Internet, o magistrado pode enviar ordens judiciais
ao Sistema Financeiro Nacional com uma facilidade impressionante.
Com isso, os bloqueios de contas correntes de pessoas físicas e
jurídicas são efetivados com alguns cliques. Obviamente, sem uma
plena consciência tecnológica e sem um efetivo conhecimento técnico
poderá haver inúmeros abusos dos poderes cibernéticos do juiz.
h) Diminuição dos custos processuais – A informatização dos processos significa redução de custos operacionais e administrativos, que
poderão ser verificados na economia de papel e horas de trabalho.
3.2 PONTOS RESTRITIVOS
O processo judicial é, tradicionalmente, um ambiente pouco propício
à participação popular. Conforme Lima (2003), apesar de todos os benefícios trazidos com a informatização do processo, sem uma política
social séria de inclusão digital aumentará ainda mais o abismo entre
o povo e a Justiça. A população de menor renda, que já sente dificulScientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 99-111, jan./jun. 2008
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dade de compreender o funcionamento da Justiça tradicional, ficará
totalmente excluída da Justiça virtual. Em razão deste fato e de outros,
passamos a destacar os pontos restritivos da tecnologia da informação
no processo civil:
a) Acesso ainda restrito – Atualmente a Justiça on-line é uma Justiça
de elites, totalmente inacessível para a maior parte da população e
para muito dos operadores do direito, em razão dos mesmos não
possuírem conhecimentos em informática (analfabetos tecnológicos)
e não possuírem as ferramentas básicas, por exemplo, o computador.
b) Preocupação constante com a segurança e autenticidade dos dados
processuais. A preocupação com a segurança deverá estar sempre
na pauta de discussões dos processualistas, pois, caso contrário,
poderá inviabilizar o processo virtual.
c) Substituição do foco decisório de questões processuais para técnicos
de informática. A substituição exacerbada é também um ponto restritivo, já que, com o avanço da aplicação da tecnologia da informação
no processo judicial, as decisões sobre questões processuais serão
resolvidas, em regra, com auxílio de um técnico em informática, razão pela qual há uma necessidade dos juízes passarem a adquirir
conhecimentos básicos da tecnologia da informação para que decidam corretamente a lide, não se baseando, exclusivamente, nas
informações fornecidas por técnicos de informática.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A tecnologia da informação é uma verdadeira revolução no processo.
Com ela, a publicidade processual ganha contornos jamais imaginados.
A comunicação dos atos processuais ocorre em tempo real. O impulso
processual é automático. O novo direito processual que surge é totalmente diferente do que imaginaram os grandes processualistas do
século passado, pois não há papel, não há documentos físicos, não há
carimbos, ou seja, tudo é ou será digital. Essas mudanças já iniciaram
e caminham a passos rápidos, trazendo consigo mais benefícios ao
processo moderno. Inclusive, com o advento da recente Lei nº 11.419,
de 19 de dezembro de 2006, a informatização do processo judicial
consolidou-se de vez, já que a referida norma é mais detalhada e eficaz,
fazendo com que o uso de meio eletrônico na tramitação de processos
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judiciais, comunicação de atos e transmissão de peças processuais seja
aplicado, indistintamente, aos processos civil, penal e trabalhista, bem
como aos juizados especiais, em qualquer grau de jurisdição. Assim,
o processo virtual já é uma realidade.
THE VIRTUAL PROCESS IN BRAZIL
ABSTRACT
It was objectified with this study to evaluate the technology of the information in the scope of the action at law, mainly how much to the procedural evolution, the importance of Law 9.800/1999, the advent of recent
Law 11.419/2006, the practical one of virtual judicial acts, the security
and authenticity of the procedural data and the favorable and restrictive
points the virtual process. Favorable points: ample advertising; maximum
speed; easy access to the information; reduction of the personal contact;
automation of the routines and the sentences; computerization of files
of legal documents; Increase of the technological power of the judges;
e the reduction of the procedural costs. Restrictive points: virtual Justice
is still inaccessible for most of the population and many of the operators
of the right who do not possess knowledge in computer science (illiterate technological); constant concern with the security and authenticity
of the procedural data; e the exacerbated substitution of the power to
decide focus of procedural questions for computer science technician.
We consider, however, that the technology of the information is a true
revolution in the action and the changes already had initiated and walk
the fast steps, bringing I obtain more benefits to the modern action.
Keywords: Information technology. Judicial process. Documentary
evidence. Electronic records.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 99-111, jan./jun. 2008
 111
REFERÊNCIAS
LIMA, G. M. e-Processo: uma verdadeira revolução procedimental. Jus
Navigandi, Teresina, ano 7, n. 64, abr. 2003. Disponível em: <http://jus2.
uol.com.br/doutrina/ texto.asp?id=3924>. Acesso em: 13 nov. 2006.
MARQUES, L. G. A utilização de novas tecnologias no processo
civil. Disponível em: <http://www.neofito.com.br/artigos>. Acesso em:
10 nov.1999.
OLIVO, L. C. C. de. Processo digital civil e penal sob a ótica da lei
9.800/99. Tubarão: Editorial Studium, 2005.
REINALDO FILHO, D. R. Lei 9.800 – Caminhamos para a virtualização
do processo judicial? 1999. Disponível em: <http://www.buscalegis.
ufsc.br/revistas/ index.php/buscalegis/article/view/3599/3170. Acesso
em: 9 out. 2009.
Correspondência para/reprint request to:
Carlos Fernando Lapenda de Moura
João Ramos, 286/602
Graças
52011-080 - Recife – PE (Brasil)
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 99-111, jan./jun. 2008
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OCORRÊNCIA DE STAPHYLOCOCCUS COAGULASE
POSITIVA NO “CIRCUITO CIRURGIA” DE PEQUENOS
ANIMAIS DO HOSPITAL VETERINÁRIO PROFESSOR
RICARDO ALEXANDRE HIPPLER E AVALIAÇÃO DO
ESPECTRO DE SENSIBILIDADE DESTES
MICRO-ORGANISMOS AOS ANTIBIÓTICOS
UTILIZADOS PELA EQUIPE CIRÚRGICA
Luciana Prata Honorato1
João Damasceno Lopes Martins2
Marcus Alexandre Vaillant Beltrame3
Fernando Luiz Tobias4
RESUMO
Avalia a ocorrência de Staphylococcus coagulase positiva, coletados
em diferentes ambientes do Circuito Cirurgia do Hospital Veterinário
Professor Ricardo Alexandre Hippler e o perfil de sensibilidade destas
bactérias à antimicrobianos utilizados pela equipe cirúrgica. De 39
colheitas realizadas foram isolados Staphylococcus de 22 amostras
(56,4%) sendo, 17 (77,3%) Staphylococcus coagulase negativa e 5
(22,7%) Staphylococcus coagulase positiva. O perfil de sensibilidade
à antimicrobianos encontrado para estes últimos micro-organismos se
mostrou de ampla resistência, revelando eficiência somente à vancomicina, o que justifica a condição destas cepas bacterianas como sempre
presentes em ambiente hospitalar e apresentando um elevado espectro
de resistência à antimicrobianos.
Palavras-chave: Hospitais veterinários. Estafilococos. Bacteriologia
veterinária. Testes microbiológicos. Infecção hospitalar.
Graduanda do Curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Vila Velha. E-mail:
[email protected].
2
Professor do Centro Universitário Vila Velha. E-mail: [email protected].
3
Professor do Centro Universitário Vila Velha. E-mail: [email protected].
4
Doutorando em Ciência Animal da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy
Ribeiro. Professor do Centro Universitário Vila Velha. E-mail: [email protected].
1
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1 INTRODUÇÃO
Os estafilococos são bactérias isoladas com muita frequência de amostras
biológicas. Estas bactérias estão amplamente distribuídas na natureza
e podem ser isoladas de ambientes ou como comensais da pele, mucosas e outros sítios corpóreos tanto dos homens quanto dos animais
(KONEMAN et al., 2001).
Pertencem à família Micrococcaceae, gênero Staphylococcus, sendo
composto de trinta e três espécies, onde as mais importantes são: S.
aureus, S. intermedius, S. epidermidis e S. saprophyticus (BROOKS;
BUTEL; MORSE, 2000; CAVALCANTI; COUTINHO, 2005).
São bactérias esféricas, gram-positivas, que se apresentam como grupamentos irregulares em forma de cachos de uva. São imóveis, não
formam esporos, são anaeróbias facultativas, crescem bem em ágarsangue e quando incubadas a 37°C por 24 horas formam colônias de
um a dois milímetros de diâmetro, circulares, úmidas de cor variando
do branco ao caramelo (MURRAY et al., 2004).
Apresentam ainda, capacidade de produzir catalase; fermentar, lentamente, muitos carboidratos produzindo ácido lático; algumas cepas
apresentam atividade proteolítica, hemolisam sangue e promovem
coagulação do plasma in vitro. Essa característica de formar coágulo
em presença de plasma permite a divisão do gênero Staphylococcus
em dois grupos: os que apresentam capacidade de coagular o plasma
são chamados de Staphylococcus coagulase positiva (S. aureus e S.
intermedius) e os que não coagulam o plasma são denominados Staphylococcus coagulase negativa (S. epidermidis e S. saprophyticus). Além
disso, eles têm relativa resistência ao ressecamento, ao calor (suportam
uma temperatura de 50°C durante 30min), a concentrações elevadas
de cloreto de sódio (7,5%), ao fenol a 2% por 15min e ao formol à 10%
por 10min (BROOKS; BUTEL; MORSE, 2000).
Os Staphylococcus coagulase positiva, assim como os Staphylococcus coagulase negativa estão associados a muitos casos de infecção,
tais como, respiratórias, urinárias e bacteremias. Estas são infecções
hospitalares frequentes e importantes decorrentes, provavelmente, de
procedimentos invasivos, rompimento do equilíbrio do ecossistema
cutâneo, uso prévio de antibioticoterapia e falha na resposta imune do
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hospedeiro (CAVALCANTI; COUTINHO, 2005; CUNHA et al., 2002;
DIENER; COUTINHO; ZOCCOLI, 1996).
Podem causar infecções tipicamente oportunistas, especialmente nos
animais imunossuprimidos, e têm sido descritas como as mais prevalentes em levantamentos realizados sobre infecção de feridas ósseas
(FOSSUM et al., apud SIMIONATO; RAMOS; COUTINHO, 2003). Além
destas, foram relatadas por Cunha et al. (2002) outras infecções causadas
por estes micro-organismos isolados de diferentes fluidos corpóreos,
podendo ser indicativo de bacteremia.
Na década de 40 e 50, estes micro-organismos eram os principais agentes
etiológicos de inúmeras epidemias de infecções hospitalares, enquanto que,
na década de 60, esse posto foi assumido pelos bacilos gram-negativos,
visto que a descoberta da penicilina teve um grande sucesso no combate a
infecções causadas pelos estafilococos. Entretanto, hoje, o papel desempenhado pelos estafilococos, no que diz respeito à infecção hospitalar, volta a
ser de grande importância devido a uma reemergência de Staphylococcus
multirresistentes a antibióticos, passando a ser um problema cada vez mais
frequente em diferentes países (MARANGONI, 1997).
Estes micro-organismos resistentes têm acesso ao paciente através de
fluidos corporais, que contaminam superfícies do hospital, equipamentos
médicos e mãos de pessoal técnico (JOHNSON, 2002). Em alguns fluidos
corpóreos como, por exemplo, no pus dissecado e em crostas de feridas,
os Staphylococcus sobrevivem vários meses, o que explica sua permanência nestes ambientes contaminados (CORRÊA; CORRÊA, 1992).
O surgimento de cepas de Staphylococcus aureus multirresistentes e o
aumento da frequência de infecções causadas por bactérias gram-positivas
estimulam a busca por drogas antimicrobianas mais eficientes.
Por isso, apesar de se conhecer os glicopeptídeos há mais de 35 anos,
estes surgem como um ótimo recurso nos dias atuais para o tratamento
de infecções, especialmente hospitalares, por esses micro-organismos
(JELJASZEWICZ; MLYNARCZYK; MLYNARCZYK, 2000).
Portanto, para se evitar a seleção de bactérias resistentes, a escolha de
um antimicrobiano na terapia de qualquer doença é uma decisão complexa e de grande responsabilidade do médico veterinário e envolve a
avaliação de algumas variáveis clínicas. Além disso, na escolha dessas
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substâncias, deve também ser levado em consideração o resultado da
cultura e sensibilidade do micro-organismo a essas drogas (BUDSBERG;
KEMP, apud SIMIONATO; RAMOS; COUTINHO, 2003).
A incidência de infecções nosocomiais em hospitais veterinários não é bem
investigada, porém, fatores como aumento de procedimentos invasivos,
tempo de internação, permanência em unidades de terapia intensiva
e aumento no uso de drogas antimicrobianas, que contribuem para o
aumento das infecções nosocomiais em hospitais humanos, estão se
tornando mais comuns em medicina veterinária (JOHNSON, 2002).
2OBJETIVO
O objetivo deste trabalho foi verificar a ocorrência de Staphylococcus
coagulase positiva no Circuito Cirurgia de pequenos animais e avaliar
o perfil de sensibilidade destes micro-organismos a antibióticos utilizados
no hospital universitário.
3MATERIAL E MÉTODOS
3.1 ESCOLHA DOS AMBIENTES PARA COLETA DAS AMOSTRAS
Os ambientes escolhidos para coleta do material foram o Ambulatório de
Cirurgia (3 pontos de coleta: duas paredes e a mesa de procedimento), o
Centro Cirúrgico de Pequenos Animais (3 pontos de coleta: duas paredes
e a mesa cirúrgica) e a Sala de Fluidoterapia (7 pontos de coleta: duas
paredes; três boxes − n° dois, quatro e cinco; um colchão e uma maca),
cujo conjunto dos ambientes foi denominado Circuito Cirurgia. Em
cada um destes ambientes, foram selecionados locais para realização
das coletas do material hospitalar.
3.2 COLHEITA DE MATERIAL PARA ANÁLISE
As colheitas foram realizadas uma vez por semana, durante três semanas
consecutivas entre os meses de agosto e setembro de 2005, na parte
da manhã, sempre dez minutos após a limpeza dos ambientes.
Foram selecionados, aleatoriamente, cinco pontos para cada local de colheita, os quais foram demarcados com moldes estéreis de 10cm² e colhidos
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através da técnica de esfregaço de superfície aplicando um swab em cada
um destes pontos, descrevendo-se movimentos primeiro da esquerda
para direita e depois de cima para baixo, rodando-o, continuamente, para
que toda a superfície do algodão entrasse em contato com a amostra. Em
seguida, os cinco swabs foram colocados em um mesmo frasco contendo
25ml de solução salina 0,85% estéril. Este procedimento foi utilizado para
todos os pontos de colheita (SILVA; JUNQUEIRA; SILVEIRA, 2001).
3.3 SEMEADURA DAS AMOSTRAS
Uma alíquota de 100µl de cada amostra foi retirada e semeada em
duplicata em placas de Petri contendo Agar BHI (Brain Heart Infusion)
acrescido de 8% de sangue (AS) de carneiro. Em seguida, o material foi
espalhado com uma alça de Drigalsky nos quatro quadrantes da placa,
depois de seco, incubado em estufa bacteriológica em aerobiose a 37°C
por 48 horas (SIMIONATO; RAMOS; COUTINHO, 2003).
3.4 IDENTIFICAÇÃO DE STAPHYLOCOCCUS
Todos os cocos gram-positivos encontrados foram isolados em culturas
puras e estas submetidas a testes bioquímicos para identificação destes
micro-organismos. Os testes realizados para caracterização desse grupo
foram: Catalase, Coagulase em tubo e fermentação de Manitol, permitindo a separação em Staphylococcus coagulase positiva e coagulase
negativa (KONEMAN et al., 2001).
3.5 TESTE DE SENSIBILIDADE A ANTIMICROBIANOS
Para avaliação da sensibilidade das bactérias isoladas aos diversos agentes
antimicrobianos, foi realizada a técnica de difusão em ágar com discos
de papel filtro impregnados com antibióticos (BAUER et al., 1966).
Amoxicilina, Ampicilina, Enrofloxacina e Vancomicina foram os agentes
antimicrobianos testados, sendo a seleção destes antibióticos baseada
no critério de maior uso dos três primeiros pela equipe de cirurgia do
Hospital Veterinário Professor Ricardo Alexandre Hippler.
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4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
De um total de 39 colheitas realizadas, ocorreu crescimento de bactérias do
gênero Staphylococcus em 22 (56,4%) sendo, 17 Staphylococcus coagulase
negativa (77,3%) e 5 Staphylococcus coagulase positiva (22,7%).
Dos Staphylococcus coagulase positiva, 80% foram isolados na sala
de Fluidoterapia (box dois, colchão e maca) e 20% estavam presentes
no ambulatório. O Centro Cirúrgico não apresentou crescimento destes
micro-organismos (Gráfico 1).
90
80
70
60
50
SCP (%)
SCN (%)
40
30
20
10
0
Ambulatório
Centro Cirúrgico
Fluidoterapia
Gráfico 1 - Ocorrência de Staphylococcus coagulase positiva (SCP) e
Staphylococcus coagulase negativa (SCN) nos diferentes ambientes de coleta
Os Staphylococcus coagulase positiva representam um risco tanto no ambulatório, quanto na sala de fluidoterapia, apresentando esta última um grau
maior de contaminação, quando comparada aos outros ambientes, tornandose um local mais propício para esses micro-organismos se desenvolverem
e causarem infecções oportunistas ou não em animais que tenham acesso
a esse ambiente. Isso se deve, principalmente, ao fato de haver neste local
grande fluxo de pessoas e animais, que albergam esses micro-organismos
na pele, roupas e outros equipamentos, servindo como fonte direta de
contaminação para o ambiente e para os animais internados.
Em trabalho desenvolvido por Seguin et al. (1999), onde se avaliou a ocorrência de Staphylococcus aureus Meticilina Resistente, foi demonstrada a
presença destes micro-organismos em equinos submetidos a procedimentos
cirúrgicos. Conseguiu-se relacionar, como fonte de contaminação destes
animais, o pessoal da equipe cirúrgica através da realização de swabs nasais
dessas pessoas encontrando, em ambos, cepas de mesmo biotipo.
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No Centro Cirúrgico, apesar do animal ficar muito exposto aos patógenos hospitalares, uma vez que os procedimentos cirúrgicos rompem a
barreira normal da pele e membranas mucosas, estando os animais
mais suscetíveis a adquirirem infecção, se mostrou um ambiente que
oferece pouco risco.
Além disso, a presença de tecidos desvitalizados, formação de hematomas, traumatismos tissulares, presença de espaço morto, formação de
seroma e presença de corpo estranho, limitam a habilidade fisiológica
normal de defesa e controle do organismo animal, predispondo a colonização bacteriana. Por isso, a técnica cirúrgica é importante, pois, uma
vez bem realizada, diminui o trauma sofrido pelos tecidos, a formação
de seromas e riscos de hemorragia, evitando o uso indiscriminado de
antibióticos profiláticos, assim como o risco de desenvolvimento de
resistência antimicrobiana (JOHNSON, 2002).
Local de coleta
Ambulatório
Centro Cirúrgico
Fluidoterapia
Antimicrobianos
Amoxicilina Ampicilina Enrofloxacina
R
R
R
R
R
R
R
R
R
Vancomicina
S
S
S
Quadro 1 - Padrão de sensibilidade à antimicrobianos dos Staphylococcus
coagulase positiva isolados do “Circuito Cirurgia” do Hospital Veterinário
Professor Ricardo Alexandre Hippler
Nota:
R = bactérias resistentes e S = bactérias sensíveis.
Local de coleta
Ambulatório
Centro Cirúrgico
Fluidoterapia
Antimicrobianos
Amoxicilina Ampicilina Enrofloxacina Vancomicina
S
S
S
S
S
S
S
S
S
S
S
S
Quadro 2 - Padrão de sensibilidade a antimicrobianos dos Staphylococcus
coagulase negativa isolados do “Circuito Cirurgia” do Hospital Veterinário
Professor Ricardo Alexandre Hippler
Notas:
Algumas bactérias isoladas apresentaram resistência à Ampicilina (Ambulatório e
Fluidoterapia), Amoxicilina (Fluidoterapia) e Enrofloxacina (Centro Cirúrgico).
S = bactérias sensíveis.
Os Stahylococcus coagulase negativa e coagulase positiva foram isolados dos ambientes em todas as coletas, o que indica sua persistência
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no ambiente hospitalar. Estes micro-organismos apresentaram perfis de
sensibilidade a antimicrobianos diferenciados. Enquanto a maioria dos
Stpahylococcus coagulase negativa (Quadro 2) se mostraram sensíveis
aos antimicrobianos utilizados, os coagulase positiva (Quadro 1) revelaram sensibilidade somente à vancomicina (Gráfico 2).
120
100
80
SCP (%)
SCN (%)
60
40
20
0
Ampicilina
Amoxicilina
Enrofloxacina Vancomicina
Gráfico 2 - Porcentagem de sensibilidade in vitro das cepas de Staphylococcus
coagulase positiva (SCP) e coagulase negativa (SCN) frente a antimicrobianos
Atualmente os glicopeptídeos, como a vancomicina, constituem a melhor
opção terapêutica segura contra infecções causadas por estes microorganismos, especialmente, os Staphylococcus resistentes à meticilina.
Em todo o Brasil, Staphylococcus aureus é o principal agente etiológico
das infecções hospitalares, com elevados percentuais de resistência
à meticilina. Em 1994, foi descrito um isolamento de Staphylococcus
aureus na corrente sanguínea e outros sítios, em paciente submetido à
transplante hepático. De todos os antimicrobianos utilizados, esta cepa
era sensível apenas à vancomicina e à teicoplanina (MARANGONI,
1997).
O primeiro relato de resistência à vancomicina e à teicoplanina, foi descrita
para enterococos no final da década de 80. A origem dessa resistência
é controversa e existem duas teorias. A primeira sugere o surgimento de
cepas destas bactérias resistentes devido ao intenso uso do antibiótico
vancomicina. A segunda associa a ideia do uso de um glicopeptídeo
(avoparcina), como promotor de crescimento, pela indústria agrícola
(AMYES; GEMMELL, 1997).
A transferência de genes resistentes de enterococos para estafilococos
já foi demonstrada em laboratório, mas não foi reportado de isolados
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clínicos, fato que vem causando grande apreensão ante a expectativa
deste fenômeno acontecer na prática clínica (JELJASZEWICZ; MLYNARCZY; MLYNARCZYC, 2000).
5 CONCLUSÃO
Os Staphylococcus coagulase positiva ocorreram em pequena porcentagem, quando comparados aos Staphylococcus coagulase negativa.
Sendo a Fluidoterapia, o local de maior presença destas bactérias e,
por estes micro-organismos apresentarem sensibilidade somente à
vancomicina, representam um risco potencial à saúde do animal.
OCCURRENCE OF STAPHYLOCOCCUS COAGULASE
POSITIVE IN “SURGERY CIRCUIT” OF SMALL
ANIMALS FROM THE VETERINARY HOSPITAL
TEACHER RICARDO ALEXANDRE HIPPLER, AND
THE EVALUATION OF SENSIBILITY OF THESE
MICROORGANISMS TO ANTIMICROBIAL USED BY
THE SURGICAL TEAM
ABSTRACT
It was evaluated the occurrence of Staphylococcus coagulae positive, coleted in different environments from the Surgery Circuit in
the Veterinary Hospital Teacher Ricardo Alexandre Hippler and the
profile of sensibility of these bacterias to antimicrobial used by the
surgical team. Of the 39 samples colleted, 22 examples (56,4%) of
Staphylococcus were isolated, where 17 (77,3%) were Staphylococcus
coagulase negative and 5 (22,7%) were Staphylococcus coagulase
positive. The profile of sensibility to antimicrobial found for these
microorganisms showed ample resistance, revealing efficacy only to
vancomycin, which justifies the condition of these bacterial strains
as always being present in hospital environments and presenting na
elevated espectrum of resistance to antimicrobial.
Keywords: Veterinary hospitals. Staphylococcus. Veterinary bacteriology.
Microbiological assay. Nosocomial infections.
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Correspondência para/reprint request to:
Marcus Alexandre Vaillant Beltrame
Rua Carolina Leal, 65
Centro
29123-220 - Vila Velha – ES (Brasil)
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 113-123, jan./jun. 2008
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O TEMPO ENTRE A SUSPEITA DA
PERDA AUDITIVA E O DIAGNÓSTICO
Gleice Gonçalves Martins1
Maiumy Grechi Leal2
Rogério Roberte3
RESUMO
O diagnóstico precoce da deficiência auditiva oportuniza melhores possibilidades de aquisição da linguagem, podendo propiciar o emprego
de tecnologias e técnicas que visam o adequado desenvolvimento das
habilidades auditivas e um melhor prognóstico, evitando prejuízos decorrentes da falta de estimulação nos primeiros anos de vida. Deste modo,
esta pesquisa tem como objetivo verificar o tempo entre a suspeita e o
diagnóstico da perda auditiva. A partir de um questionário com perguntas
fechadas para os responsáveis das 52 crianças do programa de Alta
Complexidade da Policlínica de Referência do Centro Universitário Vila
Velha (UVV)/ES, analisou que o tempo entre a suspeita e o diagnóstico
da perda auditiva foi inferior a um mês em 15,4% dos casos pesquisados e até 6 meses em 46,1% dos casos, ou seja, em 61,5% dos casos
o tempo entre a suspeita e o diagnóstico é inferior a 6 meses. Conclui,
com base na amostra pesquisada, que as crianças tiveram o período
entre a suspeita e o diagnóstico diminuído em relação a outros estudos
relatados na literatura científica.
Graduanda do Curso de Fonoaudiologia do Centro Universitário Vila Velha. E-mail:
[email protected].
2
Graduanda do Curso de Fonoaudiologia do Centro Universitário Vila Velha. E-mail:
[email protected].
3
Mestre em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor
do Centro Universitário Vila Velha. E-mail: [email protected].
1
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Palavras-chave: Audição (fisiologia). Distúrbios da audição nas crianças – diagnóstico. Distúrbios da audição – prevenção.
1 INTRODUÇÃO
A detecção e o diagnóstico precoce da deficiência auditiva vêm sendo
muito discutidos nos últimos anos, estimulando estudos e pesquisas,
pois quanto mais cedo a criança for diagnosticada melhor será seu
desenvolvimento social e educacional.
Verificando os estudos no Brasil, pode-se analisar que a estimativa é de
3:1.000 crianças que apresentam surdez, ou seja, a perda auditiva ao
nascimento é muito mais frequente do que em outras patologias como a
fenilcetonúria em que a incidência é de 1:10.000, o hipotireoidismo 2,5
para 10.000 e anemia falciforme 2:10.000 (AZEVEDO, 2005; GRUPO
DE APOIO À TRIAGEM AUDITIVA NEONATAL UNIVERSAL, 2008; HILÚ;
ZEIGELBOIM, 2007; NÓBREGA, 2004; RIBEIRO; MITRE, 2004).
Como a incidência de perda auditiva é muito grande no país e o custo
para a identificação dessa deficiência é baixo, é importante que se façam
campanhas informativas sobre o diagnóstico, pois crianças que tiveram
o diagnóstico da perda auditiva e intervenção antes dos 6 meses de
idade desenvolveram-se mais do que aquelas diagnosticadas após 1
ano, minimizando ou até mesmo eliminando as dificuldades encontradas
por elas (RIBEIRO; MITRE, 2004).
Diversos autores salientam que os primeiros anos de vida da criança
são considerados os mais importantes para o desenvolvimento das
habilidades auditivas e da linguagem e é nesse período que ocorre a
maturação neurológica que é de fundamental importância para o desenvolvimento possibilitando, assim, uma melhor maturação socioemocional
da criança (BEVILACQUA; FORMIGONI, 1998; HILÚ; ZEIGELBOIM,
2007; MAGALHÃES; OLIVEIRA; ASSENCIO-FERREIRA, 2001).
A importância do diagnóstico precoce é fundamental pela particularidade
das vias auditivas, cuja maturação ocorre da periferia para o córtex auditivo, na dependência dos estímulos sonoros e cujo período engloba os
fatores pré, peri e pós-natais. Segundo Ruben e Rapin e também Katz
(apud NOBREGA et al.,1998), esses fatores afetam o desenvolvimento
das crianças e, consequentemente, o resto de suas vidas.
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O hábito de fumar e de beber, bem como o de usar todas as outras
drogas, é prejudicial ao recém-nascido. Também vale a pena notar que
o que uma mãe introduz no seu corpo não é o único perigo, altos níveis
de estresse e prolongados períodos de depressão também se mostraram
danosos a crianças ainda não nascidas. Todas essas tendências podem
ter implicações muito sérias para as crianças depois do nascimento.
Alguns dos hábitos são mortais não só para o bebê, mas também para
a mãe (JACOB, 2005).
Dados do Joint Committee on Infant Hearing (2007) ressaltaram alguns
indicadores de risco para deficiência auditiva que são história familiar
de deficiência auditiva neurossensorial congênita ou de aparecimento
tardio, infecções congênitas relacionadas à suspeita de associação
com deficiência auditiva neurossensorial, anomalias cranianas, UTIN
recém-nascido internados por mais de 5 dias, baixo peso ao nascimento
(inferior a 1.500g), hiperbilirrubienemia, medicação ototóxicas, meningite
bacteriana, anóxia severa ao nascimento, ventilação mecânica e síndromes que possam estar relacionadas à perda auditiva neurossensorial
(ex.: Waadenburg ou Usher).
De acordo com o Comitê, todas as crianças devem ser diagnosticadas
até 1 mês de vida ou, no mais tardar, até os 3 meses, pois aquelas que
não passarem na triagem devem fazer uma avaliação audiológica mais
profunda.
Se não passarem na avaliação audiológica, os lactentes com perda auditiva confirmada deverão receber adequada intervenção em até 6 meses
de idade a partir dos cuidados com a saúde e com a educação.
Pois, quando a perda auditiva se dá na infância, acarreta impacto
negativo no desenvolvimento nas habilidades de linguagem, fala,
desempenho escolar, desenvolvimento emocional e social e dinâmica
familiar. Segundo Yoshinaga-Itano et al. (2001), crianças com deficiência auditiva de grau leve a profundo não conseguem adquirir a
linguagem no mesmo período e velocidade que uma criança que ouve.
Melo, Moret e Bevilacqua (2008) ressaltam que as perdas auditivas
severas e profundas são as que mais apresentam alterações de fala
e linguagem.
O aprendizado da linguagem é um evento essencialmente auditivo e as
alterações da linguagem interferem no processo educacional e, conseScientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 125-148, jan./jun. 2008
 128
quentemente, vão afetar as habilidades de leitura e escrita, provocando
repetições nas séries escolares (AZEVEDO, 2005).
Quanto mais prolongado for o tempo para diagnosticar a perda auditiva,
pior será a evolução da criança, pois o diagnóstico precoce favorece
um tratamento correto e evita lesões mais sérias no ouvido e em outros
orgãos do corpo (NORTHERN; DOWNS, 2005).
Além do mais, o diagnóstico precoce é um dos fatores decisivos para
o melhor desenvolvimento da criança deficiente auditiva, permitindo
saber o tipo e o grau da perda, a intervenção adequada com o uso do
aparelho de amplificação sonora favorecendo o aproveitamento da audição residual, possibilitando, assim, atuar de forma preventiva sobre os
problemas secundários de deficiência auditiva em vez de remediá-los
(BEVILACQUA; FORMIGONI, 1998).
Diferentes autores destacam que a audição é fundamental para o
desenvolvimento da lingua­gem oral, pois se sabe que, durante o
quinto mês de gestação, o feto já tem as estruturas da orelha média
e internas formadas, porém, durante o sexto mês de gestação, as
fibras do nervo auditivo começam a se mielinizar, fazendo com que o
feto, ainda no útero materno consiga ouvir determinados sons especialmente as batidas do coração da mãe (HILÚ; ZEIGELBOIM, 2007;
NOBREGA, 2004; PUDO; CICCA; ASSENCIO-FERREIRA, 2002;
RIBEIRO; MITRE, 2004).
Northern e Downs (2005) ressaltam um aspecto muito importante que
afeta os resultados da identificação e da intervenção precoce que é o
intervalo de tempo entre a idade de detecção da perda auditiva e a idade
na qual se dá início aos procedimentos. Eles relatam em seus estudos
que esse intervalo de tempo diminuiu durante os últimos 25 anos, pois,
embora a idade média da suspeita dos pais quanto à surdez tenha sido
de dez meses, demorou-se vinte e um meses até que o diagnóstico
médico de perda auditiva fosse confirmado.
Um diagnóstico tardio muitas vezes tem a ver com a descrença ou a
negação dos pais quanto à perda auditiva, com a demora no agendamento do médico para encaminhar para outro especialista e com bebês
que têm outra patologia associada e, por isso, a audição não é a única
da preocupação dos pais (BOSCOLO; SANTOS 2005).
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 129
Para Ceschin e Roslyng-Jensen (2002), um ponto principal durante o
levantamento da sus­peita é o diagnóstico precoce, pois o mais importante
nessa etapa é bus­car um atendimento adequado o mais rápido possível,
visto que quanto mais cedo começar o processo de estimulação auditiva,
melhor será o desenvolvimento da criança.
As mães geralmente são as primeiras a suspeitarem da perda auditiva,
pois, durante os primeiros anos de vida, elas passam a maior parte do
tempo com seu filho, essa interação irá fazer com que ela acompanhe,
de forma minuciosa, o desenvolvimento de seu filho, estando atenta a
qualquer alteração no desenvolvimento da criança (BOSCOLO; SANTOS, 2005).
Segundo Ceschin e Roslyng-Jensen (2002); Boscolo e Santos (2005),
a confirmação da perda auditiva é o momento mais complicado. Esse
período é caracterizado por muitos sentimentos, além da dor pela
confirmação da deficiência, é o momento em que se deve escolher um
caminho a ser tomado. Para enfrentar essa dor, algumas estratégias
têm-se mostrado úteis para que não ocorra um desequilíbrio familiar.
Os cônjuges devem fazer um esforço no sentido de olharem para dentro
de si, analisarem seus sentimentos mais profundos e compartilhá-los,
devem fazer um estudo das regras e papéis que permeiam a sua relação,
procedendo às modificações necessárias e, em determinados períodos,
os cônjuges precisam estar juntos apenas como marido e mulher, e não
como pai e mãe (BRITO; DESSEN, 2008).
Qualquer que seja a classe social da família, ela não tem como se preparar antecipadamente para receber uma criança com necessidades
especiais. As modificações necessárias somente vão ocorrer à medida
que houver convivência com a criança. As perspectivas atribuídas ao
filho se diferem nas famílias pertencentes a diferentes contextos socioculturais (SIXEL; FROTA; GOLDFELD, 2006).
Segundo as mesmas autoras, a grande incidência da surdez na população de baixa renda relaciona-se às etiologias como rubéola congênita,
toxoplasmose e outras, já que essas doenças acometem com mais
frequência à população que não tem acesso a medidas preventivas
como vacinas, assistência pré-natal ou exames laboratoriais. Naeye et
al. (apud NOBREGA et al., 1998) relatam que o sexo masculino é mais
sensível a intercorrências neonatais graves como hemorragia cerebral,
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 125-148, jan./jun. 2008
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membrana hialina, infecções e outras, favorecendo uma maior predisposição à deficiência auditiva.
Com relação às diferenças sociais, é pertinente informar que cada família
tem sua história particular. É preciso esclarecer que o contexto socioeconômico dos pais e da criança surda precisa ser levado em consideração
e que existe uma grande diferença entre os valores e as percepções de
pessoas letradas com boas condições econômicas e pessoas iletradas,
vivendo em condições de pobreza. É preciso que o acolhimento e as
orientações oferecidas sejam diferenciados de acordo com a realidade
de cada família (SIXEL; FROTA; GOLDFELD, 2006).
Para Azevedo (2005) a dinâmica e o relacionamento familiar podem
ser afetados em decorrência da dificuldade de interação, das rejeições,
sentimentos de culpa. Outro fator importante é a carga econômica gerada
pelo custo do tratamento, bem como da necessidade de disponibilidade
para acompanhar a criança na terapia fonoaudiológica sistemática e nos
serviços médicos impedindo, em muitos casos, que a mãe trabalhe. Essas
consequências serão piores quanto mais tardio é o diagnóstico.
Segundo Bevilacqua e Moret (2005); Tochetto e Gatto (2007), além da
maturação biológica e dos processos de aprendizagem, que se encontram
intimamente ligados durante os períodos de desenvolvimento, o diagnóstico é influenciado por vários fatores, tais como, idade do diagnóstico,
aquisição do aparelho auditivo e idade que se inicia a terapia.
Logo que ocorre o diagnóstico, muitas crianças permanecem em filas
de doação por mais de 2 anos para adquirir sua prótese auditiva. Outro
problema é que, após adquirir a prótese, a criança tem dificuldade de
encontrar vaga para terapia fonoaudiológica, prorrogando ainda mais
sua reabilitação (FERNANDES et al., 2002).
Nobrega et al. (1998), em um estudo com 200 crianças e adolescentes
portadores de deficiência auditiva, selecionadas em um ambulatório
de otorrinolaringologia, concluíram que para 13% dos casos estudados a confirmação do diagnóstico foi até os 2 anos de idade, a mãe
foi a primeira pessoa a suspeitar da deficiência auditiva de seu filho, a
suspeita ocorreu em 56% das crianças antes dos dois anos e 42% das
crianças passaram mais de dois anos entre a suspeita e a confirmação
do diagnóstico da perda auditiva.
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Ferro, Gonçalves e Cieri (2002), em seus estudos, com 46 pais de crianças
portadoras de deficiência auditiva, com idade entre 3 e 20 anos, constataram que o tempo médio decorrido entre a suspeita e o diagnóstico foi
de 1 ano e 3 meses, e a mãe foi quem primeiro suspeitou da deficiência
auditiva. Já Fernandes et al. (2002) em seus estudos fizeram um levantamento dos prontuários dos pacientes atendidos em uma clínica-escola.
Concluíram que 67% dos indivíduos foram diagnosticados entre 1 e 2
anos, a suspeita ocorreu entre 1 ano e 1 mês a 2 anos e, em 92% dos
casos, a suspeita partiu dos pais. No estudo feito por Heck e Raymann
(2003) foi possível comparar os dados de um estudo realizado em 1980
com os resultados encontrados em 2001, analisando 146 questionários
e demonstrar que a média de idades da suspeita da perda foi de 1 ano
e 3 meses, da ida ao profissional pela primeira vez a idade foi de 1 ano
e 11 meses, no diagnóstico a idade foi de 2 anos e 2 meses, o sexo
masculino teve maior incidência de perda auditiva e a mãe foi a primeira
a suspeitar da perda auditiva. Observou-se, na amostra, que o grau da
perda auditiva profunda foi a que mais apareceu. Os dados demonstram
que houve uma diminuição nos tempos obtidos por Raymann em 1980.
No entanto, isto não significa que estão em níveis aceitáveis.
Nóbrega (2004), em seu estudo com 200 crianças e adolescentes portadores de deficiência auditiva atendidas na Universidade Federal de
São Paulo / Escola Paulista de Medicina (UNIFESP/EPM), teve como
objetivo comparar as principais etiologias da deficiência auditiva, e as
crianças selecionadas foram do ano de 1990 a 2000. No entanto, no estudo comparativo, a rubéola congênita, as causas genéticas e as causas
desconhecidas levaram mais tempo entre a suspeita e a confirmação
da deficiência auditiva no ano de 1990 a 1994 do que se comparada
ao período de 1994 a 2000, a deficiência auditiva de grau profundo foi
a que mais apareceu na amostra, gastou-se em média mais de um
ano entre a suspeita e a confirmação da deficiência. Concluiu-se que
a confirmação do diagnóstico da deficiência até os dois anos de idade
ocorreu em apenas 13% dos casos.
2OBJETIVO
O presente estudo teve como objetivo verificar o tempo entre a suspeita da perda auditiva até o diagnóstico e demonstrar a importância do
diagnóstico precoce.
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 132
3MATERIAL E MÉTODOS
Neste capítulo, foi apresentado a casuística, o critério de seleção e de
procedimento, bem como o critério de análise de resultados.
3.1 CASUÍSTICA
A casuística do presente estudo foi constituída de 52 indivíduos com
perda auditiva acompanhada pelo programa de alta complexidade de
saúde auditiva da Policlínica de Referência UVV, com faixa etária entre
0 e 22 anos.
3.2 CRITÉRIOS DE SELEÇÃO DOS INDIVÍDUOS
Serem portadores de deficiência auditiva.
3.3 PROCEDIMENTOS
Os pais das crianças com perda auditiva acompanhadas pelo programa
em questão responderam ao questionário onde constava identificação,
informante, ano de estudo do responsável, rendimento mensal familiar,
grau da perda auditiva, quem suspeitou da perda, idade da suspeita,
idade da confirmação do diagnóstico da surdez, idade da adaptação
da prótese auditiva.
O questionário (Anexo A) foi montado com base no protocolo utilizado
por Lanzetta (2008) em sua dissertação de mestrado.
Foi apresentado um termo de consentimento (Apêndice A), abordando
todos os procedimentos que foram feitos e deixando claro que o responsável pela criança poderá, a qualquer momento, retirar o consentimento
de participação na pesquisa e, assim, deixar de participar do estudo.
Esta atitude não terá nenhum prejuízo à continuidade de assistência
que a criança possa vir a necessitar.
As crianças selecionadas realizaram avaliação audiológica básica ou
eletrofisiológica, e são acompanhadas pelo setor de audiologia educacional e pediatria da Policlínica de Referência UVV.
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 133
3.4 CRITÉRIO DE ANÁLISE DOS RESULTADOS
As informações registradas foram coletadas em questionários e transferidas para o banco de dados do programa Excel, SPSS 11.5 for Windows,
utilizado para tratamento estatístico.
Para análise estatística dos resultados, foram utilizados os testes estatísticos descritivos (distribuição de frequências), inferenciais (teste
qui-quadrado) e o teste exato de Fisher.
Nas Tabelas 9 a 11, foi utilizado o teste não paramétrico qui-quadrado
(χ 2) para verificar uma possível associação entre as variáveis do estudo. O nível de significância foi de 5%, assim o “valor-p” menor que 0,05
indica que existe uma associação (relação) entre as variáveis.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nas tabelas a seguir, são mostradas distribuições de frequências para
as variáveis estudadas no questionário aplicado às crianças com perfil
epidemiológico de surdez.
Tabela 1 - Distribuição de frequências, segundo a idade dos pacientes
Idade
Frequência
1 ano - 1 ano e 11 meses
%
4
7,7
2 anos - 3 anos
10
19,2
4 anos - 6 anos
15
28,8
7 anos - 9 anos
8
15,4
10 anos - 12 anos
8
15,4
13 anos - 15 anos
4
7,7
A partir de 16 anos
3
5,8
52
100,0
Total
Quanto à idade dos pacientes estudados, observou-se, na Tabela 1
que os pacientes entre 2 a 3 anos e 4 a 6 anos representam os mais
estudados, respectivamente, 19,2% e 28,8%.
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Tabela 2 - Distribuição de frequências, segundo o sexo dos pacientes
Frequência
Feminino
Sexo
%
19
36,5
Masculino
33
63,5
Total
52
100,0
Com relação ao sexo, na Tabela 2 pode-se verificar que nesta amostra
há uma maior incidência dos pacientes com perda auditiva no sexo
masculino com 63,5% enquanto que o feminino 36,5%, relação bem
próxima à encontrada por Heck e Raymann (2003).
Segundo Naeye et al. (apud NOBREGA et al., 1998), o sexo masculino
é mais suscetível a intercorrências neonatais graves, favorecendo uma
maior predisposição de desenvolver deficiência auditiva.
Tabela 3 - Distribuição de frequências, segundo grau de perda auditiva
Grau de perda auditiva
Frequência
%
Moderada
10
19,2
Moderadamente Severa
1
1,9
Severa
7
13,5
33
63,5
Profunda
Severa Profunda
Total
1
1,9
52
100,0
Observou-se na Tabela 3 que o grau da perda auditiva profunda é o que
mais aparece na amostra com 63,5%, correlacionando assim com os
estudos de Heck e Raymann (2003) e Nobrega (2004).
As perdas auditivas de qualquer tipo podem acarretar prejuízo no desempenho da criança, porém, Melo, Moret e Bevilacqua (2008) ressaltam que
as perdas auditivas de grau profundo são as que mais trazem prejuízo
no desenvolvimento da linguagem, fala e desempenho escolar.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 125-148, jan./jun. 2008
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Tabela 4 - Distribuição de frequências, segundo a suspeita da deficiência
Suspeita de deficiência
Frequência
%
Pai
5
9,6
Mãe
20
38,5
Outro Parente
9
17,3
Desconhecido
18
34,6
Total
52
100,0
Os dados coletados na Tabela 4 mostram que 38,5% da suspeitas partiram das mães e 34,6% de profissionais da saúde e a da educação,
que foram enquadrados como desconhecidos na tabela.
É importante, porém, chamar a atenção para o fato de que os primeiros
anos de vida, a criança está muito ligada aos pais, principalmente à mãe,
e essa ligação faz com que a mãe fique atenta a qualquer alteração
no seu desenvolvimento (BOSCOLO; SANTOS, 2005). Com relação
aos profissionais da saúde e a da educação, eles são os próximos a
suspeitarem do problema, por serem melhores capacitados e melhores
preparados para identificação da perda auditiva.
A pesquisa correlaciona-se com os estudos de Nobrega et al. (1998),
Fernandes et al. (2002) e Heck e Raymann (2003).
Tabela 5 - Distribuição de frequências, segundo a idade da suspeita da perda
auditiva
Idade de suspeita auditiva
Frequência
%
0 - 6 meses
15
28,8
6 meses - 1 ano
12
23,1
8
15,4
15
28,8
1 ano - 1 ano e 11 meses
2 anos - 3 anos
4 anos - 7 anos
Total
2
3,9
52
100,0
A partir dos dados analisados observou-se na Tabela 5 que a idade da
suspeita da perda auditiva foi de 28,8% até os 6 meses e de 6 meses a
1 ano e onze meses foi de 38,5%, ou seja, suspeita da perda auditiva
ocorreram em crianças menores de dois anos de idade.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 125-148, jan./jun. 2008
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Como já mencionado por Ceschin e Roslyng-Jensen (2002), não adianta
suspeitar precocemente da perda auditiva. É necessário que se faça o
diagnóstico, pois o mais importante nessa etapa é bus­car um atendimento
adequado o mais rápido possível, visto que quanto mais cedo começar
o processo de estimulação auditiva, melhor será o desenvolvimento da
criança.
Esse estudo correlaciona-se com os trabalhos de Nobrega et al. (1998).
Das crianças pesquisadas, 56% tiveram a suspeita antes dos dois anos.
Na pesquisa de Fernandes et al. (2002) a suspeita ocorreu entre 1 ano
e 1 mês a 2 anos. Heck e Raymann (2003) relatam que a idade da suspeita das crianças foram com 1 ano e 3 meses. Já Ferro, Gonçalves e
Cieri (2002) relatam que a suspeita da perda auditiva ocorreu até os 2
anos em 82,6% das crianças.
Tabela 6 - Distribuição de frequências, segundo a idade da confirmação do
diagnóstico da surdez
Idade do diagnóstico da surdez
Frequência
%
0 - 6 meses
15
28,8
6 meses - 1 ano
10
19,2
6
11,5
15
28,8
1 ano - 1 ano e 11 meses
2 anos - 3 anos
A partir de 4 anos
Total
6
11,5
52
100,0
Na Tabela 6, a idade da confirmação do diagnóstico da deficiência auditiva é de 28,8% nas crianças de 0 a 6 meses e nas crianças de 2 a 3
anos. Sabe-se que os primeiros anos de vida são considerados os mais
importantes para a criança, pois é quando ocorre a maturação cerebral.
Assim, o diagnóstico precoce pode proporcionar melhores condições de
desenvolvimento das habilidades auditivas, linguagem, fala e favorecer
a interação da criança com outras pessoas.
As idades da confirmação do diagnóstico dos pacientes deste trabalho
não estão de acordo com as recomendações de Joint Committee on
Infant Hearing (2007) que preconiza o diagnóstico até os 3 meses de
idade e a intervenção até os 6 meses de idade.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 125-148, jan./jun. 2008
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Como já citado anteriormente por Ribeiro e Mitre (2004), o diagnóstico
e intervenção antes dos seis meses de idade proporcionam um melhor
desenvolvimento do que o diagnóstico depois de um ano de idade.
Nesse estudo, pode-se observar que 40% dos 52 indivíduos pesquisados tiveram seu diagnóstico confirmado entre um e três anos de idade,
corroborando os resultados encontrados por Ferro, Gonçalves e Cieri
(2002), que referiram à média da confirmação do diagnóstico da deficiência auditiva por volta de 2 anos e 10 meses. O mesmo podemos afirmar
em relação aos trabalhos de Fernandes et al. (2002), que encontraram,
em seus estudos, 67% dos casos diagnosticados entre 1 e 2 anos, e
de Heck e Raymann (2003), cuja idade da confirmação diagnóstica foi
de 2 anos e 2 meses.
Tabela 7 - Distribuição de frequências segundo o tempo entre a suspeita e a idade
da confirmação do diagnóstico da perda auditiva
Tempo entre a suspeita e a idade
do diagnóstico da perda auditiva (meses)
Frequência
%
,0
8
15,4
,5
1
1,9
1,0
4
7,7
2,0
2
3,8
3,0
4
7,7
4,0
3
5,8
5,0
2
3,8
6,0
8
15,4
8,0
1
1,9
9,0
3
5,8
11,0
2
3,8
12,0
5
9,6
17,0
1
1,9
18,0
2
3,8
22,0
1
1,9
24,0
1
1,9
36,0
2
3,8
60,0
1
1,9
72,0
1
1,9
Total
52
100,0
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 125-148, jan./jun. 2008
 138
A partir dos dados coletados na Tabela 7, pode-se observar que o intervalo
entre a suspeita e o diagnóstico da perda auditiva ocorreu em 15,4%
das crianças antes de um mês, 46,1% em um período de seis meses,
ou seja, o intervalo de zero a seis meses foi observado em 61,5% dos
casos pesquisados.
De acordo com os dados da Tabela 7, pode-se observar que o tempo
entre a suspeita e o diagnóstico foi no período de 6 meses, o que
não garante um diagnóstico precoce, principalmente em casos de
perda auditiva de grau leve e moderado, devendo ser alvo de outra
pesquisa, associando tempo da suspeita e diagnóstico ao grau da
perda auditiva.
Esse estudo difere das pesquisas de Ferro, Gonçalves e Cieri (2002),
no qual o intervalo de tempo entre a suspeita e o diagnóstico foi de 1
ano e três meses. No estudo de Nobrega et al. (1998) em 42% das
crianças passaram mais de dois anos entre a suspeita e a confirmação do diagnóstico da perda auditiva. Nóbrega (2004) em seu estudo
gastou em média mais de um ano entre a suspeita e confirmação da
deficiência auditiva.
Tabela 8 - Distribuição de frequências segundo, idade de adaptação da prótese
auditiva
Idade de adaptação da prótese auditiva
Frequência
%
0 - 6 meses
2
3,8
1 ano - 1 ano e 11 meses
6
11,5
2 anos - 3 anos
14
26,9
4 anos - 6 anos
9
17,3
7 anos - 9 anos
5
9,6
A partir de 10 anos
6
11,5
Sem AASI
3
5,8
Não usa
1
1,9
Não foi adaptado
1
1,9
Não soube responder
Total
5
9,6
52
100,0
Na Tabela 8, observou-se que a maioria das crianças foram adaptadas
entre 2 e 3 anos (26,9%). Esse estudo se correlaciona com os trabalhos
de Fernandes et al. (2002), no qual a idade da adaptação da prótese
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 125-148, jan./jun. 2008
 139
auditiva foi no período de 2 anos e 1 mês a 3 anos. Já no estudo Ferro,
Gonçalves e Cieri (2002), a idade média da adaptação da prótese foi
de 3 anos e 11 meses.
Tabela 9 - Distribuições de frequências observadas, segundo a idade da confirmação
do diagnóstico da surdez e o grau da perda auditiva
Grau da perda autitiva
Moderadamente
Moderadamente
Severa e
Severa Profunda
Severa
Profunda
0
1
9
0
0%
1,9%
17,3%
0,0%
0
1
9
0
0%
1,9%
17,3%
0%
Total
5
9,6%
0
0%
Frequência
% do Total
1
1,9%
0
0%
0
0%
5
9,6%
0
0%
6,0
11,5%
Frequência
% do Total
Frequência
A partir de 4 anos
% do Total
Frequência
Total
% do Total
1
1,9%
3
5,8%
10
19,2%
1
1,9%
0
0%
1
1,9%
3
5,8%
2
3,8%
7
13,5%
10
19,2%
0
0%
33
63,5%
0
0,0%
1
1,9%
1
1,9%
15
28,8%
6
11,5%
52
100,0%
Idade do diagnóstico da surdez
Frequência
% do Total
Frequência
% do Total
0 - 6 meses
6 m - 1 ano
1 ano 1 ano 11 meses
2 anos - 3 anos
15
28,8%
10
19,2%
qui – quadrado: 25,220, valor-p: 0,008
De acordo com a probabilidade de significância (valor-p = 0,008<0,05),
verifica-se que na Tabela 9 há associação entre idade do diagnóstico
da surdez e o grau da perda auditiva.
Quanto à idade da confirmação do diagnóstico da surdez e o grau da
perda auditiva, pode-se observar na Tabela 9 que as crianças com
perda profunda apresentaram 19,2% entre a idade da confirmação do
diagnóstico da surdez de 2 anos a 3 anos e 34,6% apresentam surdez
profunda entre as idades do diagnóstico de 0 a 1 ano.
Visto isso pode-se perceber que o diagnóstico precoce entre essa idade
é mais comum, pois criança que tem perda auditiva profunda terá mais
dificuldade de responder aos estímulos apresentados do que uma criança
que tem perda moderada. Essa dificuldade pode interferir na aquisição
da linguagem como já foi dito por Yoshinaga-Itano et al. (2001), crianças com deficiência auditiva de grau leve a profundo não conseguem
adquirir a linguagem no mesmo período e velocidade que uma criança
que ouve. Melo, Moret e Bevilacqua (2008) também ressaltam que as
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 125-148, jan./jun. 2008
 140
perdas auditivas severas e profundas são as que mais apresentam
alterações de fala e linguagem.
Tabela 10 -Distribuições de frequências observadas, segundo a idade de adaptação
da prótese auditiva e a idade da confirmação do diagnóstico da surdez
Idade do diagnóstico da surdez
Frequência
% do Total
1
1,9%
0
0%
1
1,9%
0
0%
A partir
dos
4 anos
0
0%
1 ano Frequência
1 ano e 11 meses % do Total
3
5,8%
1
1,9%
1
1,9%
1
1,9%
0
0%
6
11,5%
Frequência
% do Total
Frequência
4 anos - 6 anos
% do Total
Frequência
7 anos - 9 anos
% do Total
A partir dos 10
Frequência
anos
% do Total
Frequência
Sem AASI
% do Total
Frequência
Não usa
% do Total
Frequência
Não foi adaptado
% do Total
Não soube
Frequência
responder
% do Total
Frequência
Total
% do Total
3
5,8%
1
1,9%
2
3,8%
2
3,8%
1
1,9%
1
1,9%
0
0%
1
1,9%
15
28,8%
3
5,8%
2
3,8%
2
3,8%
0
0%
1
1,9%
0
0%
0
0%
1
1,9%
10
19,2%
4
7,7%
0
0%
0
0%
0
0%
0
0%
0
0%
0
0%
0
0%
6
11,5%
4
7,7%
6
11,5%
0
0%
1
1,9%
1
1,9%
0
0%
0
0%
2
3,8%
15
28,8%
0
0%
0
0%
1
1,9%
3
5,8%
0
0%
0
0%
1
1,9%
1
1,9%
6
11,5%
14
26,9%
9
17,3%
5
9,6%
6
11,5%
3
5,8%
1
1,9%
1
1,9%
5
9,6%
52
100,0%
0 - 6 meses 6 m - 1 ano
Idade de adaptação da prótese auditiva
0 - 6 meses
2 anos - 3 anos
1 ano - 1 ano
e 11 meses
2 anos 3 anos
Total
2
3,8%
qui – quadrado: 38,814, valor-p: 0,095
De acordo com a probabilidade de significância (valor-p = 0,095>0,05),
verifica-se que na Tabela 10 não há associação entre a idade de adaptação da prótese auditiva e a idade do diagnóstico da surdez.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 125-148, jan./jun. 2008
 141
Tabela 11 -Distribuições de frequências observadas, segundo a idade da adaptação
da prótese auditiva e a idade da suspeita auditiva
Idade da suspeita auditiva
0 - 6 meses
6 meses - 1 ano - 1 ano
1 ano
e 11 meses
0
0
0%
0%
2 anos 3 anos
0
0%
4 anos 7 anos
0
0%
2
3,8%
Total
Frequência
% do Total
2
3,8%
1 ano Frequência
1 ano e 11 meses % do Total
3
5,8%
3
5,8%
0
0%
0
0%
0
0%
6
11,5%
Frequência
% do Total
Frequência
4 anos - 6 anos
% do Total
Frequência
7 anos - 9 anos
% do Total
A partir dos 10
Frequência
anos
% do Total
Frequência
Sem AASI
% do Total
Frequência
Não usa
% do Total
Frequência
Não foi adaptado
% do Total
Não soube
Frequência
responder
% do Total
Frequência
Total
% do Total
4
7,7%
1
1,9%
2
3,8%
1
1,9%
0
0%
0
0%
0
0%
0
0%
13
25,0%
3
5,8%
1
1,9%
0
0%
1
1,9%
1
1,9%
1
1,9%
0
0%
2
3,8%
12
23,1%
5
9,6%
2
3,8%
1
1,9%
0
0%
1
1,9%
0
0%
0
0%
1
1,9%
10
19,2%
2
3,8%
5
9,6%
1
1,9%
1
1,9%
1
1,9%
0
0%
1
1,9%
1
1,9%
12
23,1%
0
0%
0
0%
1
1,9%
3
5,8%
0
0%
0
0%
0
0%
1
1,9%
5
9,6%
14
26,9%
9
17,3%
5
9,6%
6
11,5%
3
5,8%
1
1,9%
1
1,9%
5
9,6%
52
100,0%
Idade de adaptação da prótese auditiva
0 - 6 meses
2 anos - 3 anos
De acordo com a probabilidade de significância (valor-p = 0,093>0,05),
verifica-se que na Tabela 11 não há associação entre a idade da adaptação da prótese auditiva e a idade da suspeita auditiva.
5 CONCLUSÃO
A partir dos dados da análise das 52 crianças estudadas com perda auditiva, acompanhadas pelo programa de Alta Complexidade da Policlínica de
Referência UVV, pode-se concluir que 38,5% das mães foram as primeiras a
suspeitarem da deficiência auditiva de seus filhos, uma vez que a interação
entre elas e as crianças é mais intensa e contínua. Com relação ao sexo
dos pacientes, 63,5% são do sexo masculino e o grau da perda auditiva
profunda é o que mais aparece na amostra com 63,5%. A idade da suspeita
da perda auditiva foi de 28,8% até os 6 meses, e de 6 meses a 1 ano e
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 125-148, jan./jun. 2008
 142
onze meses foi de 38,5% em crianças menores de dois anos de idade. A
idade da confirmação do diagnóstico da deficiência auditiva é de 28,8%
nas crianças de 0 a 6 meses e nas crianças de 2 a 3 anos. O intervalo
entre a suspeita e o diagnóstico da perda auditiva ocorreu em 15,4% das
crianças antes de um mês e 46,1% em um período de seis meses. Ou
seja, em 61,5% dos casos o tempo entre a suspeita e o diagnóstico foi
inferior a 6 meses. Pode-se concluir, com base na amostra pesquisada,
que houve uma diminuição entre o tempo da suspeita e o diagnóstico
da perda auditiva em relação aos estudos de Ferro, Gonçalves e Cieri
(2002); Nobrega (2004) e Nobrega et al. (1998), o que não pode garantir
um diagnóstico precoce, principalmente em casos de perda auditiva de
grau leve e moderado, devendo ser alvo de outra pesquisa, associando
o tempo da suspeita e o diagnóstico ao grau da perda auditiva.
THE TIME BETWEEN THE SUSPICION OF THE
AUDITORY LOSS AND THE DIAGNOSIS
ABSTRACT
The precocious diagnosis of the auditory deficiency provide better language
acquisition possibilities, being able to propitiate the application of technologies
and techniques that aim at the adequate development of auditory abilities and
a better prognostic preventing decurrent damages of the stimulation lack in
the first years of life. In this way, this research has as objective to verify the
time between the suspicion and the diagnosis of the auditory loss. From a
questionnaire with closed questions for the responsible ones of 52 children
of the Centro Universitário Vila Velha (UVV)/ES of Reference Polyclinic High
Complexity program. It was analyzed that the time between the suspicion
and the diagnosis of auditory loss was inferior to one month in 15,4% of the
searched cases and up to 6 months in 46,1% of the cases, that is, in 61,5%
of the cases the time between the suspicion and the diagnosis is inferior to
6 months. It can be concluded, on the basis of the searched sample, that
children had the period between the suspicion and the diagnosis diminished
in relation to an others studies related in the scientific literature.
Keywords: Hearing. Hearing disorders in children – diagnosis. Hearing
disorders – prevention.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 125-148, jan./jun. 2008
 143
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deficiência auditiva identificada precocemente e tardiamente. PRONAP:
correios de SBP, Rio de Janeiro, ano 7, p. 24-26, 2001.
Correspondência para/reprint request to:
Rogério Roberte
Rua Comissário José Dantas de Mello, 21
Boa Vista
29102-770 - Vila Velha – ES (Brasil)
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 125-148, jan./jun. 2008
 146
Anexo A - Questionário Montado com Base no Protocolo Utilizado na
Dissertação de Mestrado de Lanzetta (2008)
Crianças Surdas
1
Identificação
1.1 Nome:
1.2 Data de Nascimento:
/
/
1.3 Idade de Adaptação da Prótese Auditiva:
1.4 N° do Prontuário:
1.5 Informante:
1 ( ) mãe
4 ( ) outros:
2 ( ) pai
3 ( ) mãe e pai
1.6
Classes de Rendimento Mensal Familiar (IBGE, 2000):
1 ( ) Até 1 salário mínimo
2 ( ) De 1 a 2 salários mínimos
3 ( ) De 3 a 5 salários mínimos
4 ( ) De 5 a 10 salários mínimos
5 ( ) De 10 a 20 salários mínimos
6 ( ) Mais de 20 salários mínimos
7 ( ) Sem Rendimento
1.7
Mãe ­- Anos de Estudos (IBGE, 2000):
1 ( ) Sem instrução e menos de 1 ano
2 ( ) 1 a 3 anos
3 ( ) 4 a 7 anos
4 ( ) 8 a 10 anos
5 ( ) 11 a 14 anos
6 ( ) 15 anos ou mais
1.8 Número de Filhos:
1 ( ) 1 a 2
2 ( ) 3 a 4
3 ( ) acima de 4
1.9 Estado Civil da Mãe (ou responsável):
1 ( ) Solteiro
2 ( ) Casado
3 ( ) Separado
4 ( ) Viúvo
1.10 Condições de Trabalho da Mãe?
1 ( ) Sim
2 ( ) Não
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 125-148, jan./jun. 2008
 147
2
Idade do Diagnóstico da Surdez
1 ( ) 0 a 6 meses
2 ( ) 6 meses a 1 ano
3 ( ) 1 ano a 1 ano 11 meses 4 ( ) 2 anos a 3 anos
5 ( ) A partir de 4 anos
3
Grau da Perda Auditiva
3.1 Caracterização da perda auditiva quanto ao grau da perda: Média dos
limiares de 500, 1000 e 2000 Hz – Lloyd e Kaplan (1978), acrescentar a
frequência de 4000Hz na média de crianças menores Northern e Downs
(1991).
1 ( ) Leve
2 ( ) Moderada 3 ( ) Moderadamente severa
4 ( ) Severa
5 ( ) Profunda
4
Suspeita da Deficiência
4.1 Quem suspeitou a deficiência auditiva pela primeira vez?
1 ( ) Pai
2 ( ) Mãe
3 ( ) Outro parente
4 ( ) Desconhecido
5
Sexo
1 ( ) Feminino
6
Idade da Suspeita da Deficiência Auditiva
1 ( ) 0 a 1 ano e 11 meses
2 ( ) 2 anos a 3 anos
3 ( ) A partir de 4 anos
2 ( ) Masculino
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 125-148, jan./jun. 2008
 148
Centro Universitário Vila Velha
APÊNDICE A
Termo de consentimento
I Dados de identificação do sujeito da pesquisa ou responsável legal
NOME DO PACIENTE:
SEXO: [ ] M
[ ]F
/
/
DATA DE NASCIMENTO:
II Dados sobre a pesquisa científica
TÍTULO DO PROTOCOLO DE PESQUISA “O Tempo entre a Suspeita da
Perda Auditiva e o Diagnóstico”
Pesquisadoras: Gleice Gonçalves Martins e Maiumy Grechi Leal Graduandas do curso de Fonoaudiologia do Centro Universitário Vila Velha.
AVALIAÇÃO DA PESQUISA:
[ ] Sem Risco
[ ] Risco Mínimo
[ ] Risco Baixo
[ ] Risco Maior
[ ] Risco Médio
III Esclarecimentos dados pelos pesquisadores sobre garantia do
sujeito da pesquisa
O responsável pela criança poderá a qualquer momento retirar o consentimento de participação na pesquisa e, assim deixar de participar do estudo. Esta
atitude não terá nenhum prejuízo à continuidade de assistência que a criança
possa vir a necessitar.
Todos os dados obtidos, bem como identidade de cada sujeito participante da
pesquisa, serão mantidos em sigilo e somente as pesquisadoras responsáveis
pelo estudo terão acesso aos dados para análise de discussão.
Declaro que, após convenientemente esclarecido pelos pesquisadores e ter
entendido o que me foi explicado, consinto em participar do presente protocolo
de pesquisa.
Assinatura do responsável legal
Vila Velha - 2008
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 125-148, jan./jun. 2008
 149
Instruções editoriais aos autores1 
1Proposta editorial
Neste momento em que a acessibilidade à informação se tornou uma
questão central no ambiente científico e acadêmico é fundamental que
professores, pesquisadores, alunos e demais profissionais disponham de
canais de informação adequados que viabilizem e estimulem a difusão de
questões vinculadas ao saber científico.
Nessa perspectiva, Scientia: Revista do Centro Universitário Vila Velha é
uma publicação interdisciplinar editada pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação,
Pesquisa e Extensão do Centro Universitário Vila Velha, instituição de
ensino superior mantida pela Sociedade Educacional do Espírito Santo,
com vistas à divulgação semestral de produções científicas e acadêmicas
inéditas nos formatos: editorial, artigo original, artigo de revisão, relato de
experiência ou de técnica, resenha e/ou resumo de tese, de dissertação e
de monografia de pós-graduação.
Na avaliação dos originais é adotada a prática do peer review, conjugada
com o blind review, com a submissão a dois ou mais membros do Conselho
Editorial e/ou a assessores ad hoc, especialistas na temática da contribuição recebida, procurando assegurar isenção, agilidade e objetividade no
processo de julgamento dos originais.
A visibilidade da produção científica publicada na revista Scientia tem se
consolidado a partir da indexação de seu conteúdo nas bases de dados
IRESIE e LATINDEX (UNAM/México) e da disponibilidade no site do Centro
Universitário Vila Velha (<www.uvv.br>).
2Público-alvo real e potencial
Pesquisadores, professores, alunos de graduação e pós-graduação e
demais profissionais do Centro Universitário Vila Velha, da Faculdade de
Vitória, da Faculdade Guaçuí e de outras instituições de ensino superior
do Brasil e do exterior, associações de estudantes e de profissionais de
1
Versão aprovada em 10 de outubro de 2005.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 149-162, jan./jun. 2008
 150
ensino e pesquisa, além de dirigentes de agências de fomento e de política
em Ciência e Tecnologia.
Com uma tiragem de 1.000 exemplares, Scientia é distribuída como
doação para parte do público interno do Centro Universitário Vila Velha e
como permuta para instituições de ensino superior, inclusive bibliotecas,
do Brasil e de outros países.
3 Orientações gerais
As contribuições para publicação, redigidas em português, espanhol ou
inglês, com a devida revisão lingüística, podem ser enviadas por pesquisadores, professores e alunos do Centro Universitário Vila Velha e de
outras instituições de ensino superior, bem como por outros profissionais,
independente de vinculação institucional, do Brasil e do exterior.
Os conceitos e opiniões expressos nas contribuições publicadas são de
total responsabilidade dos autores (Anexo B), que deverão providenciar
permissão, por escrito, para uso de qualquer tipo de ilustração publicada
em outras fontes.
Os autores poderão retirar o original enviado, segundo seus critérios de
conveniência, a qualquer momento antes de ser selecionado pelo Conselho
Editorial.
Os originais aprovados poderão sofrer alterações de ordem normativa,
ortográfica e/ou lingüística, a serem executadas pela equipe da revista,
com vistas a manter o padrão culto do idioma e adequação às normas adotadas por Scientia, respeitando, porém, o estilo dos autores. Os originais
publicados não serão devolvidos aos autores nem as provas finais serão
reapresentadas, exceto em caso de extrema necessidade.
As contribuições recusadas ficarão à disposição do autor responsável pelo
contato com Scientia pelo prazo de 90 dias, a contar da data de comunicação do resultado da avaliação. Após esse prazo, as contribuições serão
eliminadas, garantindo-se nesse processo a total destruição do suporte
(papel, disquete, CD-ROM, etc.)
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 149-162, jan./jun. 2008
 151
As contribuições publicadas passam a ser propriedade de Scientia (Anexo
C), ficando sua reimpressão, total ou parcial, sujeita à autorização expressa
dos Editores da revista. A transferência de direitos autorais mencionada
refere-se, única e exclusivamente, à contribuição encaminhada para publicação na revista Scientia.
Cada autor receberá, gratuitamente, dois exemplares do fascículo que
inclui sua contribuição.
As contribuições enviadas deverão se enquadrar em uma das seguintes
seções:
• Editorial: comentário crítico e aprofundado dos editores ou profissionais
convidados com reconhecido domínio sobre o tema.
• Artigos originais: relatos inéditos e completos de estudos e pesquisas
científicas, representando 60% das contribuições publicadas.
• Artigos de revisão: estudos que fornecem visão sistematizada e crítica
de avanços do conhecimento em determinadas áreas/temáticas, a
partir da literatura disponível.
• Relatos de experiência ou de técnica: descrições criteriosas de práticas de intervenções e vivências profissionais que possam interessar
à atuação de outros profissionais.
• Resenhas: revisões críticas de livros, artigos, teses ou dissertações,
com opiniões que possam nortear interesse para leitura ou não da
publicação na íntegra.
• Resumos: descrições sucintas e de caráter informativo do conteúdo
de teses, dissertações ou monografias de pós-graduação.
Dentre as tipologias anteriormente descritas, exceto para os artigos originais,
as contribuições podem ser produzidas por pesquisadores/profissionais de
renome, a convite da UVV.
Excepcionalmente serão aceitas contribuições que já tenham sido publicadas em periódicos estrangeiros, condicionadas aos mesmos critérios
de avaliação dos trabalhos inéditos e à apresentação, por parte do autor,
da autorização por escrito do editor da revista em que o texto tenha sido
publicado como original.
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 149-162, jan./jun. 2008
 152
A critério do Conselho Editorial de Scientia, poderão ser publicados números
especiais e/ou temáticos com objetivo de atender à demanda das linhas
de pesquisa implantadas nos cursos oferecidos pelo Centro Universitário
Vila Velha.
4Corpo editorial
A estrutura editorial de Scientia está constituída pelos editores, conselho
editorial e assessores científicos ad hoc com as seguintes responsabilidades
e representatividade:
4.1 Editores
Responsáveis pelo gerenciamento da revista, incluindo seus aspectos administrativos, financeiros e controle de qualidade. Sua representatividade envolve
o Vice-Reitor, o Pró-Reitor de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão, o Coordenador de Pesquisa – todos do Centro Universitário Vila Velha –, além de
um profissional, a convite da UVV, que possa contribuir para o aprimoramento
das variáveis intrínsecas e extrínsecas da publicação.
4.2 Conselho Editorial
Sua constituição evidencia a participação de colaboradores do Centro
Universitário Vila Velha e da comunidade científica nacional e, dentro do
possível, estrangeira, a saber:
• Pró-Reitor de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão, membro nato e
seu presidente;
• Coordenador de Pós-Graduação Lato Sensu, membro nato;
• Coordenador de Pesquisa, membro nato; e
• Diretor da Biblioteca Central, membro nato.
• Cinco membros da comunidade acadêmica, representando diferentes
áreas do saber com, no mínimo, o título de mestre. Tais representantes, com mandato de dois anos, devem ser indicados pelos membros
natos do Conselho Editorial.
Suas responsabilidades envolvem a discussão da política editorial de
Scientia; a avaliação da adequação das contribuições ao escopo e ao
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 149-162, jan./jun. 2008
 153
formato da revista, o que envolverá o parecer de dois a três membros; e a
indicação dos assessores científicos ad hoc.
4.3 Assessores científicos ad hoc
A adequação da contribuição, além de ser atestada pelo Conselho Editorial, pode ser comprovada por um processo de avaliação realizado por
assessores científicos ad hoc, especialistas na área de conhecimento das
contribuições recebidas, que desempenham a função de emitir pareceres
elucidativos das questões e/ou pareceres conflitantes que possam ter
emergido no processo de avaliação dos membros do Conselho Editorial,
bem como de avaliar as contribuições que não sejam de pleno domínio
daquele Conselho.
5 Aceitação e publicação das contribuições
A publicação da contribuição está condicionada ao parecer favorável do
Conselho Editorial e/ou dos assessores científicos ad hoc.
Do resultado da avaliação podem derivar três situações, a saber:
• contribuição aceita, sem restrições;
• contribuição aceita, com restrições passíveis de revisão, que deverão
ser atendidas/cumpridas pelo autor;
• contribuição recusada, o que não impede sua reapresentação para
nova avaliação, exceto se a recusa tiver ocorrido por duas vezes.
6 Encaminhamento
A contribuição deve atender ao disposto no item 7 destas Instruções
(Estrutura das contribuições) e ser encaminhada aos editores da revista,
acompanhada de:
• Carta de encaminhamento (Anexo A) assinada por todos os autores,
explicitando: a concordância com as condições e normas adotadas
pela revista; e a indicação de apenas um autor como responsável
pelo contato com Scientia, incluindo seu endereço completo, inclusive
telefones e endereço eletrônico;
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• Declaração de Responsabilidade (Anexo B);
• Termo de Transferência de Direitos Autorais (Anexo C);
• Procedência do artigo com entidade financiadora;
Considerando sua periodicidade semestral, far-se-á o esforço para que as
contribuições recebidas, depois de submetidas ao processo de avaliação,
revisão e de possíveis adaptações, sejam publicadas com base no seguinte
cronograma:
• Contribuições recebidas até setembro de cada ano – publicação no
1º número do ano seguinte;
• Contribuições recebidas até abril de cada ano – publicação no 2º
número do ano.
Essa proposta de cronograma poderá ser modificada levando-se em conta
a necessidade de alterações pelos editores e/ou autores.
Endereço para envio das contribuições:
Centro Universitário Vila Velha – Scientia
Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão
Rua Comissário José Dantas de Melo, 21
CEP 29102-770 - Vila Velha - ES (Brasil)
Telefone: (27) 3421-2097
E-mail: [email protected] ou [email protected]
7 Estrutura das contribuições
É recomendável que a contribuição enviada esteja de acordo com as normas
da ABNT referentes a artigos em publicação periódica científica impressa
(NBR 6022:2003); citações em documentos (NBR 10520:2002); numeração
progressiva de documentos (NBR 6024:2003) e resumo (NBR 6028:2003),
bem como com a norma de apresentação tabular do IBGE, publicada em
1993 (última edição).
A contribuição deve ser redigida em português, espanhol ou inglês, com
estilo de redação claro e coerente na exposição das idéias, observando o
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uso adequado da linguagem. Deve ser digitada em extensão “.doc” (Word,
versão 6.0 ou superior) ou “.rtf” (Rich Text Format), impressa em três vias
e gravada em disquete (3½) ou CD-ROM. Na etiqueta do disquete ou CDROM deverão constar: título do trabalho, autoria e versão do software.
O texto deve estar configurado para papel A4, digitado em fonte Arial 11, com
margens superior, inferior, direita e esquerda de 3cm, folhas devidamente
numeradas no canto superior direito, alinhamento justificado, parágrafo em
bloco e entrelinha com espaço 1,5.
Na primeira lauda do texto devem ser informados:
a) título, em português e inglês, expressando de forma concisa, clara
e precisa o conteúdo da contribuição. O título deve ser centralizado,
em negrito e todo em letras maiúsculas;
b) nome completo dos autores, titulação e vinculação institucional (somente um título acadêmico e uma afiliação por autor);
c) endereço postal completo, telefones e endereço eletrônico dos autores;
d) resumo, em português e inglês (abstract), explicitando objetivo(s),
metodologia, resultados e conclusões, mesmo que parciais, deve ser
redigido com o verbo na voz ativa e terceira pessoa do singular, com
um mínimo de 150 e um máximo de 250 palavras. Não será permitido
o uso de expressões tais como “Este artigo apresenta...”; “O objetivo
deste estudo foi...” e similares (Anexo D);
e) palavras-chave, em português e inglês (keywords), que representem
o conteúdo da contribuição. Apresentar de três a cinco palavraschave. A Biblioteca Central do Centro Universitário Vila Velha (tel.:
(27) 3320-2022; e-mail: [email protected]) deve ser consultada para
orientar a adoção das palavras-chave. O autor deve entrar em contato
com a Biblioteca com antecedência e enviar uma cópia do trabalho,
juntamente com sugestões de palavras-chave. O prazo para entrega
é de 48 horas a contar da data de solicitação.
Na segunda lauda deverá ser iniciado o texto da contribuição propriamente dita, com identificação apenas do título, o que garantirá a prática do
blind review.
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A estrutura das contribuições deverá atender aos seguintes requisitos:
• Artigos originais deverão apresentar introdução, objetivos, metodologia, resultados, discussão e conclusão (ou seções similares) e sua
extensão estará limitada, no máximo, a 30 laudas.
• Artigos de revisão, com exceção da introdução, discussão e conclusão,
terão sua estrutura a critério do autor. Sua extensão estará limitada,
no máximo, a 30 laudas.
• Relatos de experiência ou de técnica terão sua organização a critério
do autor, mas deles deverão constar, no mínimo, introdução, descrição da experiência ou da técnica e discussão. Sua extensão estará
limitada, no máximo, a 10 laudas.
• Resenhas devem ser breves, ter título próprio e diferente do da obra
resenhada, sendo desnecessária a apresentação do resumo na primeira
lauda. Sua extensão não deve ultrapassar 4 laudas e é obrigatória
a inclusão da referência completa da obra objeto da resenha, como
cabeçalho.
• Resumos devem ser iniciados com a referência completa da obra na
estrutura de cabeçalho e ter, no máximo, 1 lauda de extensão.
Os artigos encomendados deverão, de acordo com sua tipologia, atender
a uma das estruturas definidas anteriormente.
Nas citações diretas devem ser observados os seguintes critérios de
estrutura:
• com até 3 linhas, devem estar incluídas no corpo do texto, respeitando
o tamanho da fonte do texto e entre aspas;
• com mais de três linhas, devem vir em parágrafo isolado, recuado
da margem esquerda em 2cm, fonte tamanho 9, sem aspas e com
entrelinha espaço simples.
Na identificação da fonte da qual foram retiradas as citações diretas ou
indiretas deve ser adotado o sistema de chamada autor-data (sobrenome do autor, seguido do ano de publicação da obra e paginação, se
for o caso), que poderá estar incluída no texto (ex.: Segundo Severino
(2000, p. 23) ou no final da frase (SEVERINO, 2000, p. 23).
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As notas de rodapé ou notas no final do texto devem ser evitadas. Somente na primeira lauda recomenda-se o uso de nota de rodapé para indicar
origem de apoio financeiro ou logístico e indicação de apresentação em
eventos, quando necessários. Não é permitido o uso de notas de rodapé
de referências.
As ilustrações devem ser numeradas consecutivamente com algarismos
arábicos, na ordem de citação no texto e de acordo com sua tipologia
(tabelas, gráficos, quadros, desenhos, etc.) e apresentar título conciso.
Devem ser utilizadas somente quando indispensáveis à compreensão e
clareza do texto e na sua legenda deve ser usada fonte Arial tamanho 9 e
entrelinha simples.
A lista de referências deve ser estruturada atendendo às regras da NBR
6023:2002, sendo de inteira responsabilidade do autor sua exatidão e
adequação, devendo constar da lista apenas as obras que foram citadas
no corpo do texto.
Na indicação de autoria das obras citadas, o sobrenome dos autores deve
ser em caixa-alta, com os nomes e prenomes apresentados de forma
abreviada.
As referências poderão sofrer alterações de ordem normativa, com vistas a
manter o padrão mínimo exigido pela NBR 6023:2002 e deverão estar à disposição da revista para caso de consulta pela equipe de normalização.
Exemplos de referências:
a)Livros
QUINET, A. Um olhar a mais: ver e ser visto na psicanálise. Rio de
Janeiro: J. Zahar, 2002.
b) Capítulos de livro ou partes de coletânea
CARVALHO, I. C. L. A tecnologia e sua expansão no espaço-tempo.
In: ____. A socialização do conhecimento no espaço das bibliotecas universitárias. Niterói: Intertexto, 2004. p. 45-76.
WEFFORT, F. Nordestinos em São Paulo: notas para um estudo
sobre cultura nacional e classes populares. In: VALLE, E.; QUEIROZ,
J. J. (Org.). A cultura do povo. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1984. p.
12-23.
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c) Artigos em periódicos
CHAUÍ, M. Ética e universidade. Universidade e Sociedade, São
Paulo, ano 5, n. 8, p. 82-87, fev. 1995.
d) Textos da Internet
CHANDLER, D. An introduction to genre theory. Disponível
em:<http://www.aber.ac.uk/~dgc/intgenre.html>. Acesso em: 23 ago.
2000.
Para acessar o site da Biblioteca, digitar <http://www.uvv.br/biblioteca/>, e
em seguida, clicar em: Normalização de Trabalhos Acadêmicos.
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Anexo A – Carta de Encaminhamento e Declaração de Concordância
Aos
Editores de Scientia: Revista do Centro Universitário Vila Velha
Encaminhamos, em anexo, o artigo intitulado
(indicar o título do artigo), por nós produzido, ao mesmo tempo que declaramos nossa
concordância com as condições e normas adotadas por essa revista, e indicamos o(a) Sr(a).
(nome do indicado) como responsável
pelo contato com Scientia.
,
de
de
Nome e assinatura do autor 1
Nome e assinatura do autor 2
Nome e assinatura do autor 3
Nome e assinatura do autor 4
.
Endereço do representante dos autores:
Rua/Av.
nº
- complemento
CEP:
-
- Bairro
- Município
Estado/País
Telefones:
E-mail:
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Anexo B – Declaração de Responsabilidade
Título da contribuição:
Autores:
(informar o nome de todos os autores)
Certificamos a participação na concepção do trabalho a ser publicado por
Scientia para tornar pública nossa responsabilidade pelo seu conteúdo,
pela não-omissão de quaisquer ligações ou acordos de financiamento
entre os autores e empresas que possam ter interesse na publicação
deste artigo.
Certificamos ainda que a contribuição é original e que seu conteúdo, em
parte ou na íntegra, não foi enviado a outra publicação e não o será enquanto estiver sendo avaliado por Scientia, quer no formato impresso quer
no eletrônico.
,
de
de
.
Assinatura(s):
Anexo C – Termo de Transferência de Direitos Autorais
Título da contribuição:
Autores:
(informar o nome de todos os autores)
Declaramos que caso o trabalho em anexo seja aceito para publicação,
Scientia passa a ter os direitos autorais a ele referentes, tornando-se sua
propriedade exclusiva.
Sua reprodução, total ou parcial, em qualquer outra fonte ou meio de divulgação impressa ou eletrônica dependerá de prévia e necessária autorização
por escrito dos editores de Scientia. Nesse caso, deverá ser consignada a
fonte original, com identificação da edição, respectiva data de publicação e
devidos agradecimentos.
,
de
de
.
Assinatura(s):
Scientia: Rev. Cent. Univ. Vila Velha, Vila Velha (ES), v. 9, n. 1, p. 149-162, jan./jun. 2008
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Anexo D – Exemplo de um Resumo
Investiga se as bibliotecas universitárias têm contribuído para o processo de socialização do conhecimento. Alicerça sua metodologia
no enfoque qualitativo e emprega o questionário como instrumento
de coleta de dados. Resgata o caminho percorrido pela tecnologia,
inclusive a ampliação de seu conceito e reflexos em nosso cotidiano. Evidencia a biblioteca universitária como instituição partícipe do
processo que concebe a escola e a universidade em uma postura
crítico-reflexiva e focaliza o conhecimento e os espaços para sua
socialização, destacando a biblioteca como fórum de interatuação
e comunicação do saber e como espaço de múltipla comunicação
com a missão de buscar alternativas para compartilhar informações
e contribuir para que, nas comunidades de troca (salas de aula e
laboratórios), haja realmente produção e socialização do conhecimento. Numa perspectiva que procura evidenciar os campos de
possibilidades sugeridos pela temática, toma como referencial teórico
as concepções de Pierre Lévy, Michel Authier e Manuel Castells para
articular discussões nas categorias socialização do conhecimento
e tecnologias da informação; e de Gilles Deleuze e Félix Guattari
para construir a imagem de rizoma como forma de organização mais
apropriada às bibliotecas no enfrentamento das transformações que
emergem e modelam a Sociedade da Informação. Sintetiza os resultados reconhecendo que as bibliotecas universitárias brasileiras
devem se revestir como catalisadoras, como espaços de comunicação
pedagógica para promover a cooperação entre pessoas e grupos,
canalizando o potencial das tecnologias da informação e comunicação
no sentido de acelerar a socialização do conhecimento estocado em
seus ambientes, quer no tradicional, quer no virtual.
Palavras-chave: Socialização do conhecimento. Bibliotecas universitárias – automação.
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