ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental III - 037 MONITORAMENTO AMBIENTAL DO ATERRO DE RESÍDUOS SÓLIDOS DA MURIBECA - PE José Fernando Thomé Jucá (1) Professor do Depto. de Eng a Civil da UFPE, D.Sc. pela Univ. Politécnica de Madrid, Membro do Comitê Técnico da Sociedade Internacional de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica, Coordenador do Projeto Geotecnia Ambiental (PADCT/FINEP), Secretário Executivo do Comitê FOTO Nacional de Resíduos Sólidos da ABES, Presidente do Instituto Tecnológico de Pernambuco (ITEP). Vera Lúcia Alves de Melo Mestranda em Geotecnia (UFPE); Auxiliar de pesquisa no Projeto Monitoramento Ambiental do Aterro de Resíduos Sólidos da Muribeca (Bolsista Aperfeiçoamento - Geotecnia - CNPq / UFPE); Engenharia Civil (1994 - UPE) Edinalva Gomes Bastos M.Sc. em Geotecnia (1994-UFPB/Campina Grande); Especialização em Geotecnia (1995Espanha); Enga Civil (1985-UFPE), Responsável pelo projeto e instalação da instrumentação no Aterro de Resíduos Sólidos da Muribeca; participação no Mapeamento das encostas habitadas do Recife, Auxiliar de pesquisa do Laboratório de Solos e Instrumentação-UFPE, Bolsista do Programa Reenge (CNPq / FINEP) da UFPE. Endereço(1): Rua José Nunes da Cunha, 678/1101 - Piedade - Jaboatão dos Guararapes - PE - CEP: 54410-280 - Brasil - Tel: (081) 271-8222 - Fax: (081) 271-8205 - e-mail: [email protected]. RESUMO A falta de um monitoramento sistemático dos aterros de resíduos sólidos tem conduzido a um significativo desconhecimento dos mecanismos envolvidos e suas conseqüências ambientais. Este fato tem sido ainda mais relevante, quando se trata das técnicas para recuperação de áreas degradadas, ou mesmo quando se refere à aplicabilidade do processo de bio -remediaçaõ no tratamento de resíduos sólidos urbanos. O presente trabalho apresenta os primeiros resultados do monitoramento realizado no Aterro de Resíduos Sólidos da Muribeca ( Região Metropolitana do Recife), compreendendo uma célula experimental e a área circunvizinha ao aterro. O objetivo da instrumentação na célula experimental é verificar o nível de eficiência do processo de bio -remediação, através do estudo dos líquidos percolados, dos gases e dos resíduos sólidos da célula. O monitoramento ambiental visa acompanhar o grau de contaminação na área de influência do aterro. Neste sentido são realizadas mensalmente coletas de amostras de líquidos nos Rios Jaboatão e Muribequinha, no riacho de chorume, nas fontes e cacimbas existentes no local. PALAVRAS -CHAVE: Monitoramento , Contaminação, Resíduos Sólidos Urbanos. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 1710 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental III - 037 INTRODUÇÃO Existe uma significativa bibliografia técnica sobre instrumentação para obras convencionais, como barragens, aterros, fundações, etc.. Entretanto, no caso de Aterros de Resíduos Sólidos Urbanos as informações são escassas. Procura-se adaptar a instrumentação existente, ao novo material em estudo (lixo). Atualmente não se possui uma quantidade significativa de dados sobre o desempenho de Aterros de Resíduos Sólidos Urbanos e, menos ainda, sobre o comportamento de Aterros associados ao processo de bio -remediação, devido a não realização de um acompanhamento sistemático destas obras, através de instrumentação adequada. No final da década de 70 a Fundação de Desenvolvimento da Região Metropolitana - FIDEM, elaborou um Plano diretor de Limpeza Urbana com o apoio do Banco Mundial, que entretanto não foi adiante, sendo elaborado um Plano Estratégico de Limpeza Urbana, responsabilizando as prefeituras pelo tratamento dos resíduos sólidos coletados em seu território. As prefeituras passaram a fazer uso de “vazadouros a céu aberto” totalmente descontrolados em relação à contaminação ambiental. O lixão da Muribeca, localizado no município de Jaboatão dos Guararapes (Figura 1), sendo utilizado conjuntamente pelas prefeituras de Recife, Jaboatão e Moreno e operado pela primeira, é o maior da Região Metropolitana (Jucá et al, 1996a e b). A partir do início de 1994, a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (EMLURB), da Prefeitura da Cidade do Recife em convênio com o Centro de Tecnologia e Geociências da Universidade Federal de Pernambuco desenvolve estudos para a avaliação da contaminação ambiental provocada pelo lixão da Muribeca, procurando-se identificar o tipo, a intensidade e a extensão da carga contaminante no subsolo e áreas vizinhas; além da escolha da tecnologia empregada na recuperação da área; elaboração de projetos executivos; acompanhamento técnico durante a execução e o monitoramento dos solos, líquidos e gases durante o processo. Inicialmente foram realizadas atividades envolvendo Engenharia Cartográfica, Hidrogeologia, Geofísica, Geotecnia, Hidrologia, Saneamento Ambiental, que propiciaram o conhecimento da área e de seus problemas. No local do Aterro, observa -se no subsolo a presença do embasamento cristalino, que é uma formação rochosa praticamente impermeável, enquanto que nas margens dos rios Muribequinha e Jaboatão, encontram-se aluviões porosos de alta permeabilidade. O Aterro está assente em uma camada de pequena espessura de solo, sobrejacente ao embasamento cristalino, portanto o fluxo de líquidos ocorre apenas superficialmente, não existindo infiltrações para lençóis profundos. Como atividade do Convênio EMLURB/UFPE, realizou-se um Projeto de Instrumentação do Aterro Celular da Muribeca. A instrumentação proposta neste projeto, visa monitorar o processo de bio -remediação, acompanhando as mudanças que ocorrem ao longo das várias fases do processo e a eficiência do mesmo, permitindo verificar se ocorrerá a descontaminação da área de influência do Aterro; compreendendo o monitoramento de célula experimental, de áreas circunvizinhas e do aluvião a jusante do Aterro. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 1711 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental III - 037 OBJETIVOS O objetivo da instrumentação na célula experimental é acompanhar o desenvolvimento do processo de bio-remediação, para verificar seu nível de eficiência, através do estudo dos líquidos percolados, dos gases e dos recalques ocorridos no Aterro. O monitoramento geral da área visa acompanhar o grau de contaminação da área de influência do Aterro. Neste sentido foram coletadas mensalmente amostras de líquidos nos rios Jaboatão e Muribequinha, no riacho de chorume, nas fontes e cacimbas existentes no local. METODOLOGIA Figura 1: Localização dos pontos de amostragem. MONITORAMENTO NA CÉLULA EXPERIMENTAL CHORUME: A coleta de líquido no interior da célula experimental é realizada no piezômetro de diâmetro de ? =85 mm, o que permite o uso de amostrador tipo caneca com diâmetro de ?=50 mm; como também permite que as leituras do nível do chorume não sejam falseadas devido a presença de bolhas de gás. No chorume coletado na célula experimental são realizadas análises físico-químicas, para determinação de: pH, alcalinidade, condutividade, cloretos, DQO, DBO, sólidos totais, sólidos voláteis, nitrogênio, fósforo, zinco, chumbo, cádmio, cromo, cobre, cobalto, níquel, manganês, ferro, alumínio, magnésio, cálcio, sódio e potássio. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 1712 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental III - 037 NÍVEL DA MANTA LÍQUIDA: Na ocasião da coleta, realizada mensalmente, mede-se o nível da manta líquida no interior da célula com o uso de medidor de nível d’água. Depois se esgota o piezômetro, para evitar realizar análise no chorume que se encontra estagnado em seu interior, espera-se que o líquido atinja seu nível normal para, então, coletar uma amostra representativa. GASES: A amostragem de gases permite, através da medida de sua composição estequiométrica, o monitoramento qualitativo dos mesmos. São coletadas amostras nas saídas dos drenos de gás e na camada de cobertura do Aterro para se determinar, em laboratório de cromatografia, o conteúdo de metano em cada uma delas, e a partir do crescimento da concentração do gás calcular a sua taxa de desprendimento. As análises forneceram também informações sobre a concentração de metano no ar em camadas próximas do solo. A metodologia adotada para amostragem no Aterro da Muribeca consiste na coleta de gás através da utilização de câmeras de alumínio medindo 1,15 x 1,15 m e com altura de 0,15 m. Estas câmeras apresentam uma pequena abertura no centro vedada com septos. O gás é retirado com seringas e colocado em gasômetros imersos em água, também vedados com septos. As seringas são bombeadas várias vezes para misturar o gás estratificado, pois o gás antigo fica na parte superior, retirando dessa forma, uma amostra representativa. As amostras são levadas para o laboratório onde é determinada a quantidade de metano, em ppm, através de cromatógrafo. Nos drenos, o fogo é apagado com extintor de CO2 e imediatamente depois é colocada a placa. A metodologia adotada para coleta é a mesma descrita anteriormente. O outro método para estabelecer a composição do gás emitido se baseou na suposição que os tubos de inoculação, de PVC de 4” de diâmetro, instalados verticalmente para futura inoculação contêm gás na composição do emitido. Foram retiradas amostras destes tubos e analisadas em laboratório. MONITORAMENTO DA ÁREA DO ATERRO No monitoramento da área circunvizinha ao aterro foram coletadas amostras dos líquidos superficiais e percolados, para realização de análises físico-químicas com determinação de: pH, alcalinidade, condutividade, DBO, DQO, sólidos totais, sólidos voláteis, cloretos, alumínio, cádmio, chumbo, cromo, cobre, cálcio, cobalto, ferro, fósforo, manganês, magnésio, nitrogênio, potássio, sódio e zinco. Além de realização de análises bacteriológicas, para determinação de coliformes totais e fecai e análises de metais. A coleta de líquidos, para análises físico-químicas, é realizada com o uso de recipiente plástico com capacidade para 5 litros, o qual é lavado duas vezes, com o próprio líquido a ser coletado, para então ser realizada a amostragem. Para a análise bacteriológica a coleta é realizada em recipientes de vidro previamente esterilizados. As análises são realizadas seguindo a Resolução CONAMA N o 20 de 18 de junho de 1986 e Legislação Estadual de Meio Ambiente. Como parte do monitoramento da área do aterro, realiza-se medidas da vazão com uso de molinete e flutuador simples. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 1713 III - 037 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental RESULTADOS Área Circunvizinha ao Aterro Os pontos P-2, P-4 e P-21 apresentam resultados do chorume proveniente do aterro, enquanto os demais pontos apresentam resultados de águas superficiais. Análises Físico-Químicas de Líquidos Figura 2: Evolução da Alcalinidade com o tempo. 2500 200 P-3 P-9 P-5 P-13 100 50 0 FEV/94 P -2 P-4 P-21 2000 Alcalinidade Alcalinidade 150 P-1 P-8 P-14 1500 1000 500 0 FEV/94 JUN DEZ/94 JUN/95 SET DEZ/95 MAR/96 JUN JUN DEZ/94 JUN/95 SET DEZ/95 MAR/96 JUN SET/96 SET/96 DEZ/96 MAR/97 Tempo (meses) Tempo (meses) Figura 3: Evolução da Condutividade com o tempo. 500 P-1 P-5 P-9 P-14 DEQ P-3 P-8 P-13 6 Condutividade x 1000 Condutividade (us/cm) 400 7 300 200 5 P -2 P-4 P-21 4 3 2 100 1 0 FEV/94 JUN DEZ/94 JUN SET DEZ/95 MAR /95 JUN SET/96 DEZ/96 MAR ABR /96 /97 0 FEV/94 JUN Tempo (meses) 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental DEZ/94 JUN SET /95 DEZ/95 MAR JUN /96 SET/96 MAR Tempo (meses) 1714 ABR /97 III - 037 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental Figura 4: Evolução da DBO com o tempo. 35 3000 30 P-1 P-5 P-9 P-14 20 P -2 P-4 P-21 2500 2000 DBO DBO 25 P-3 P-8 P-13 15 1500 1000 10 500 5 0 0 FEV/94 JUN DEZ/94 JUN SET /95 DEZ/95 MAR JUN SET/96 DEZ/96 /96 MAR FEV/94 ABR JUN DEZ/94 JUN /97 SET /95 DEZ/95 MAR JUN /96 SET/96 MAR /97 Tempo (meses) Tempo (meses) Figura 5: Evolução da DQO com o tempo. 350 6 300 DQO 250 P-3 P-8 P-13 5 DQO (mg/l) x 1000 P-1 P-5 P-9 P-14 200 150 4 P -2 P-4 P-21 3 2 100 1 50 0 FEV/94 JUN DEZ/94 JUN SET /95 DEZ/95 MAR JUN SET/96 DEZ/96 /96 MAR 0 FEV/94 ABR JUN DEZ/94 JUN SET /95 /97 DEZ/95 MAR JUN SET/96 /96 DEZ MAR /97 Tempo (meses) Tempo (meses) Figura 6: Evolução do pH com o tempo. 10 10 8 6 6 pH pH 8 4 4 P-1 P-5 P-9 P-14 2 0 FEV/94 JUN DEZ/94 JUN SET /95 DEZ/95 P-3 P-8 P-13 MAR P -2 P-21 2 JUN SET/96 DEZ/96 /96 MAR ABR 0 FEV/94 /97 Tempo (meses) 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental JUN DEZ/94 JUN P-4 SET /95 DEZ/95 MAR JUN /96 SET/96 Tempo (meses) 1715 MAR ABR /97 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental III - 037 Análises Bacteriológicas Quadro 1: Resultados de análises bacteriológicas. Amostra P-1 P-2 P-4 P-5 P-8 P-9 P-21 Pz-9 N0 mais provável de Coliformes Totais 1,1 x 10 5 2,4 x 10 6 4,6 x 10 5 1,5 x 10 4 1,5 x 10 6 2,4 x 10 4 2,1 x 10 4 2,4 x 10 3 N0 mais provável de Coliformes Fecais 1,5 x 10 4 2,8 x 10 4 4,6 x 10 4 2,8 x 10 3 2,3 x 10 3 9,3 x 10 3 2,8 x 10 3 2,8 x 10 3 Vazão Quadro 2: Resultado da análise quantitativa de vazões realizadas em junho/97. LOCAL P-1 P-2 P-4 P-21 VAZÃO (l / s) 935,86 0,88 948,60 12,74 Célula Experimental Análises Físico-Químicas de Líquidos Figura 7: Evolução da Alcalinidade do chorume com o tempo. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 1716 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental III - 037 18 16 14 P17 P19 P18 PZ-9 12 10 8 6 4 2 0 Jun Jul Set Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr /95 /96 /97 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 1717 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental III - 037 Figura 8: Evolução da condutância do chorume com o tempo. 19 17 Condutância (x 1000) 15 13 11 9 7 5 P-17 P-19 3 P-18 PZ-9 1 Jun Jul Set Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr /95 /96 /97 Tempo (meses) Figura 9: Evolução da DBO do chorume com o tempo. 10 P17 P18 PZ-9 DBO (x 1000) 8 6 4 2 0 Jun Set Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Mar Tempo (meses) Figura 10: Evolução da DQO do chorume com o tempo. 12 P-17 P-19 10 P-18 PZ-9 DQO (x 1000) 8 6 4 2 0 Jun Jul Set Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr /95 /96 /97 Tempo (meses) 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 1718 III - 037 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental Figura 11: Evolução do pH do chorume com o tempo. 10 8 pH 6 4 P-17 P-19 2 P-18 PZ-9 0 Jun Jul Set NovDez/95Jan Fev Mar Abr Mai Jun JulA go/96Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr /95 /96 /97 Tempo (meses) Metais Quadro 3: Concentração dos metais no ponto PZ-9. METAIS Outubro /96 20,0 2,69 0,66 <0,05 0,28 0,27 0,12 0,28 2,64 138 73,7 184 474 1200 1620 <0,05 Fósforo ( em mg/l ) Zinco ( em mg/l ) Chumbo ( em mg/l ) Cádmio ( em mg/l ) Cromo ( em mg/l ) Cobre ( em mg/l ) Cobalto ( em mg/l ) Níquel ( em mg/l ) Manganês ( em mg/l ) Ferro ( em mg/l ) Alumínio ( em mg/l ) Magnésio ( em mg/l ) Cálcio ( em mg/l ) Sódio ( em mg/l ) Potássio ( em mg/l ) Prata ( em mg/l ) Dezembro /96 16,8 1,23 0,27 <0,05 0,16 0,11 0,13 0,23 1,00 61,8 30,2 168 215 920 1460 <0,05 Janeiro /97 23,8 2,88 0,55 <0,05 0,23 0,26 0,12 0,27 2,95 149 76 169 416 1150 1480 <0,05 Fevereiro /97 21,2 2,29 0,63 <0,05 0,26 0,29 0,12 0,29 2,50 207 123 169 363 1140 1320 <0,05 Março /97 16,9 1,65 0,49 <0,05 0,26 0,24 0,09 0,22 1,95 236 130 185 263 1220 1460 <0,05 Abril /97 13,9 1,18 0,33 <0,05 0,16 0,14 0,08 0,17 1,49 56,1 30,6 82 133 920 1240 <0,05 Nível do Líquido no Interior da Célula Figura 12: Evolução do nível do líquido com o tempo. 0 Nível do Líquido (m) -0,5 PZ - 9 -1 -1,5 -2 -2,5 -3 MAR/96 ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT Tempo (meses) NOV DEZ JAN/97 FEV 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 1719 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental III - 037 Análises de Gases Quadro 4: Resultados de análises de gás nos tubos de inoculação. LOCAL Tubo1 Tubo 2 Tubo 3 Tubo 11 ANÁLISE 21,3% O2 78,6% N2 0,2% CO2 6,3% O2 86,8% N2 2,9% CH4 8,3% O2 26,6% N2 57,9% CH4 7,2% CO2 15,1% O2 67,8% N2 13,8% CH4 3,3% CO2 CÁLCULO 95,4% N2 4,6% CO2 90,34% N 2 4,0% CH4 89,3% CH4 10,7% CO2 45,6% N2 43,9% CH4 10,5% CO2 CONCLUSÕES O monitoramento na célula experimental dará subsídios para análise do estágio de decomposição da matéria orgânica dos resíduos sólidos, através das análises de líquidos e gases, bem como estabelecer uma referência para o processo de recuperação ambiental proposto Em condições não saturadas, o acompanhamento da decomposição da matéria orgânica através da análise dos gases, permite obter-se resultados mais rapidamente do que com a análise dos líquidos, bem como monitorar qualitativamente estes gases através da medida de sua composição estequiométrica. Constatou-se presença de oxigênio em todas as amostras, que foi tomado como um índice de contaminação pelo ar. É certo que o aterro não emite oxigênio, admitindo-se, desta forma, que sua presença é devido à infiltração de ar. Por esta razão, nos resultados obtidos das análises em laboratório, foi calculada a quantidade de gases, excluído o oxigênio. Quanto à variabilidade das composições achadas, uma das explicações possíveis é que se trate de um efeito da presença de camadas de lixo de idades muito diferentes interligadas por regiões de maior ou menor condutividade para o gás. Deste modo poderia haver nas distintas regiões da superfície, emissão de gás correspondente às regiões mais antigas ou mais novas. A composição sofre forte influência do local da coleta. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 1720 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental III - 037 O aumento na concentração de metais analisados está relacionado com a degradação natural dos resíduos, armazenados no interior do aterro, devido à decomposição de materiais como couro, celulose, papéis, têxteis, entre outros. O alto índice de precipitação pluviométrica, em alguns meses, ocasiona o aumento do nível da manta líquida, não significando a saturação de toda a altura dos resíduos ali aterrados. O monitoramento da área próxima ao aterro permite acompanhar e quantificar o grau de contaminação, o que possibilita uma ação imediata visando minimizar possíveis falhas nas impermeabilizações de líquidos e da estanqueidade dos gases proveniente do aterro. AGRADECIMENTOS O programa experimental descrito neste trabalho foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar da Universidade Federal de Pernambuco, com o apoio financeiro do CNPq e da EMLURB/PCR. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. JUCÁ, J.F.T., MARIANO, M.O.H., MONTEIRO, V.E.D. & BARRETO CAMPELLO,E.M. Geotecnia ambiental aplicada a aterros celulares de resíduos sólidos. Seminário de Resíduos Sólidos: Biorremediação de Áreas Degradadas. Petrolina, 1996a. 2. JUCÁ, J.F.T., MARIANO, M.O.H. & BARRETO CAMPELLO,E.M. Ground and surface water contamination due to municipal solid waste in Recife, Brazil. Second International Congress on Environmental Geotechnics. Osaka, 1996b. 3. CABRAL, J.J.S.P., BASTOS, E.G. & PERRIER JR., G.S. Monitoramento de impactos ambientaisem depósitos de resíduos sólidos municipais. Seminário de Resíduos Sólidos: Biorremediação de Áreas Degradadas. Petrolina, 1996. 4. ATEPE /EMLURB - PCR - Relatórios técnicos. Recife 1994 - 1997. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 1721