FLORIANÓPOLIS, 19 DE NOVEMBRO DE 2007, No 619
O que significa
aderir ao Reuni?
O modelo inscrito no Reuni atenta contra
o conceito de universidade consignado na
Constituição de 1988 (“Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica,
administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”).
Para o cumprimento das principais metas de
relação aluno-professor de 18/1 e diplomação
de 90% dos ingressantes num período de 5
anos, será obrigatória uma reestruturação
dos cursos para preencher vagas ociosas em
qualquer etapa e disciplina dos cursos, ou pelo
menos de alguns. A criação dos Bacharelados
Interdisciplinares com certificação em três
anos será praticamente obrigatória. Talvez a
forma de acesso aos cursos profissionalizantes
possa se dar em grande medida a partir dessa
modalidade de curso, pinçando-se alunos para
preencher vagas ociosas em todas as fases. Será
que a reestruturação que acabamos de iniciar
já está defasada? Será que ao discutirmos e
mantermos pré-requisitos estamos na contramão da modernidade?
Toda a estrutura da universidade estará
comprometida em atingir metas limitadas
ao ensino em troca de míseros 20% a mais de
sua verba de custeio. Se acreditamos, como
preconiza o decreto, que há ociosidade de
estrutura e pessoal, então não haverá problema em aderir ao Reuni, porém a ansiedade
em aderir ao programa mostra tão somente
a necessidade de verbas para ampliação de
infra-estrutura e equipamentos que faltam
agora, antes da expansão. Os 20% da verba
de custeio que estão sendo negociados com a
universidade são para aumento de vagas com
estabelecimento de contrapartidas, portanto
excluem as atuais necessidades. O Banco de
Professor-Equivalente, ao contrário de incentivar o preenchimento das vagas abertas por
vacância, vem efetivar a figura do substituto
como horista, prejudicando o tripé ensinopesquisa e extensão que caracteriza e qualifica
a universidade pública brasileira.
O governo trata a educação como uma
fábrica de certificados que necessitaria ter sua
produtividade incrementada e, para se tornar
um bom negócio, seus custos de produção
reduzidos. A meta do governo é a de reduzir
o custo médio anual do aluno de graduação
dos quase R$ 6 mil e quinhentos investidos
atualmente para R$ 4 mil. Para obter isso,
ele precisa redefinir a forma de remuneração
dos “recursos humanos”, em particular dos
docentes. Eles terão que ser incentivados a
darem mais aulas e para um número maior
de alunos.
Na reunião do Andes com o Ministério do
Planejamento do último dia 18 de outubro, o
governo apresentou a proposta de criação de
uma nova gratificação produtivista, mas agora
aprofundando o modelo Bresser/ FHC: 20%
de avaliação individual e 80% de avaliação
institucional. O que dá para depreender disso
é que teremos o fim da isonomia salarial nacional mesmo para os professores da ativa, já
que a nota da instituição vai definir o salário
dos docentes nela lotados. É fácil perceber
que o principal quesito nesta avaliação será o
atendimento ou não das metas do Reuni. As
instituições que não atingirem as metas terão
seus docentes punidos salarialmente.
Para receber quantidade elevada de pontos
na gratificação, não bastará ao professor dar
muitas e muitas aulas, será preciso que seu
departamento, seu curso, sua universidade,
alcancem bons resultados, nas metas definidas
pelo Reuni. Lembremos que as metas não se
limitam a quantidades de alunos, mas também
de certificações. Portanto, no limite, a remuneração do docente dependerá também da
redução da evasão e dos índices de conclusão
dos cursos. A reprovação de alunos poderá ser
sentida no bolso dos professores. O governo
impõe a diplomação sem mérito acadêmico.
Para atingir esse objetivo, busca uma fórmula
para obter pelo “bolso” a cumplicidade dos
professores. Esse envolvimento dos docentes,
pretendido pelo governo, levará à degradação
da qualidade do ensino.
É importante observar que a elevação anual
dos valores do ponto da gratificação, expressa
nos parâmetros apresentados pelo governo,
tem por objetivo assegurar as etapas de implantação do Reuni. A cada ano, a parcela da
remuneração que depende do desempenho
assumirá proporção maior em relação aos
demais componentes da remuneração: o
vencimento básico e a titulação – esta última
tornada fixa e que poderá ficar com valor
congelado por longo tempo.
Aderir ao Reuni significa abrir mão da
universidade que temos, que, se tem problemas, estes não serão resolvidos com a adesão
a este programa. Ao contrário, a expansão sem
garantia de financiamento suficiente, desvinculada da recuperação da estrutura atual, e
colocada como condição para a recuperação
salarial dos professores, levará ao agravamento
dos problemas, impondo inclusive uma maior
competição entre os centros, em uma mesma
universidade, e entre elas em todo o sistema
federal de ensino superior.
É preciso que todos os professores sejam
alertados sobre todas as conseqüências desse
projeto. Na atual negociação entre Movimento
Docente e governo está em jogo, também,
o futuro das condições para o exercício do
trabalho docente e o futuro da universidade
fundada no princípio da indissociabilidade
entre ensino, pesquisa e extensão.
DEBATE
Reuni: a Reforma Universitária que queremos?
CONVIDADOS: ANDES, FASUBRA, DCE, REITOR DA UFSC, MEC, REITOR ELEITO
dia 20/11, terça, às 8h30, no Centro de Eventos da UFSC
2
Sobre eleições e
candidatos na UFSC
Ricardo Tramonte
Todos nós conhecemos
a frase “o pior analfabeto
é o analfabeto político”. O
que realmente me causa
espanto, na atual situação
que vive a UFSC durante
estas eleições para escolha de um novo reitor,
é a “falta de visão política coletiva”, escancarada durante este processo considerado
“democrático” pela maioria daqueles que
estão vivenciando o mesmo.
Vamos aos fatos concretos deste processo
dito “democrático”. Em primeiro lugar,
nunca se viu tanta gente trabalhando com
afinco e dedicação para mostrar a todos as
“qualidades” de cada uma das três chapas
concorrentes. São pessoas que dedicam um
tempo considerável de sua vida acadêmica
(estudante, servidor técnico ou professor)
para realizar uma “campanha política” no
âmbito da UFSC, apenas para convencer
seus pares de que o seu candidato a reitor é
melhor do que o outro.
Neste processo, levanta-se com muita
dedicação todos os problemas e as “soluções
possíveis” para a maioria dos mesmos.
Coloca-se na UFSC, com bastante veemência, em “debates” e diálogos particulares ou
coletivos, todas as idéias de como deverá ser
conduzida a instituição UFSC nos próximos
quatro anos.
Aparentemente, esta situação é bastante
salutar, mas só aparentemente. O principal
motivo desta “aparência” é que terminado o
processo dito “democrático”, aberta as urnas
e conhecido o nome do novo Reitor, MUDA
TUDO.
Aqueles que perderam as eleições “democráticas” se transformam imediatamente
em “oposição à atual gestão” e vão se reunir
novamente para verificar o “porquê” de terem perdido as eleições e de nenhuma forma
vão participar da administração central da
UFSC, mesmo que suas “soluções para os
problemas da UFSC” sejam as melhores.
Em segundo lugar, o processo de eleição
para reitor, em qualquer Instituição Federal
de Ensino Superior (Ifes) deste país, é realizado para elaboração de uma “lista tríplice” que
deve ser enviada ao MEC pelo CUn. Após isto,
o MEC, e somente o MEC, indica e nomeia
o futuro reitor da UFSC, com poderes plenos
para destituí-lo no momento em que o MEC
achar conveniente. Portanto, todo o processo
“democrático” de eleições de todas as Ifes é
feito e respeitado pelo MEC, apenas para
manter as “aparências” de uma democracia
sólida e eficaz.
Florianópolis
O mesmo MEC faz a “política para as
Ifes” e pelo visto ela não tem sido muito
eficaz, dada a quantidade de problemas
que as Ifes estão vivenciando atualmente.
Resumidamente, gastamos tempo e muito
dinheiro para, no final das contas, entregar
ao MEC uma lista tríplice, elaborada pelo
CUn, para que o MEC nomeie um reitor,
que vai ficar quatro anos sob as ordens do
MEC, com um “grau de liberdade” extremamente pequeno para poder implementar
TODAS AS MUDANÇAS propostas durante
o processo “ democrático” realizado na nossa
UFSC.
Eu pergunto se não seria mais fácil e salutar a todos se os nossos representantes do CUn
realmente cumprissem a sua função de representar TODOS os segmentos da UFSC, com
toda sua diversidade e pluralidade, e indicassem DENTRE os seus membros aquele que
reúne as melhores condições de ser REITOR.
Pelo que me consta, os representantes do CUn
na UFSC são ELEITOS pelos seus pares em
um processo também “democrático”.
Acredito que as três chapas concorrentes
tem como principal objetivo a MELHORIA
DA UFSC como um todo, têm programas já
colocados nos seus sites para que todos possam
analisar e dar palpites, têm pessoas competentes e dedicadas etc. Então, porque estamos
perdendo um TEMPO enorme e gastando
nossas energias e nosso dinheiro para realizar
um processo de eleição para reitor?
A única explicação razoável para a pergunta é que um “grupo” de pessoas resolveu
assumir o PODER dentro da UFSC e, para
isto, se reuniram, conversaram, discutiram
e chegaram à “brilhante conclusão” de que
é possível assumir o poder dentro da UFSC,
colocando como representante do “grupo” um
único indivíduo.
Com base nestes fatos, uma outra pergunta
me deixa absolutamente PASMO. No que nós
professores universitários, alunos e servidores
da UFSC somos DIFERENTES dos deputados e senadores que tanto criticamos?
Fato concreto, TODOS NÓS pertencemos
a uma instituição federal, que vive de verbas
PÚBLICAS. Realidade absoluta, somos todos
contrários à atual política adotado pelo governo federal que não dá autonomia às Ifes.
Concretamente, todos estamos dispostos a
LUTAR para melhorar a qualidade dos serviços prestados pela UFSC para a sociedade.
Inquestionável e urgente é a necessidade de
melhorar as condições salariais e de trabalho
de todos os segmentos da UFSC.
Então, porque diabos estamos brigando
entre nós para eleger um representante da
UFSC junto ao MEC?
BOLETIM APUFSC
A resposta a esta pergunta é muito simples e todos nós sabemos, até um criança
sem nenhuma escolaridade pode responder:
VAIDADE PESSOAL, AMBIÇÃO, GOSTO
PELO PODER, SONHO, etc. São as palavras
que podem perfeitamente responder a este
simples e fácil questionamento.
Um grande amigo meu me disse certa vez:
“se continuarmos a estimular brigas entre
nós, o ‘inimigo’ vai ficar muito feliz”, ou seja,
“time que chuta a canela dos parceiros não
consegue fazer GOL nos adversários”.
Uma solução para esta situação ridícula
que vivenciamos a cada quatro anos seria
realmente elaborar um “projeto UFSC”. Este
projeto praticamente já existe, basta ajuntar
as melhores idéias que existem nos sites de
cada uma das três chapas concorrentes à
próxima reitoria da UFSC. O único problema
é que não está montado o CRONOGRAMA
da sua execução e não existem METAS claras
e objetivas com as quais todos os segmentos
da USFC concordem. Para montar o “projeto
UFSC”, infelizmente, nós temos que passar
pelo processo “democrático” de eleição para
reitor, e, depois, agüentar as brigas internas
e a oposição à administração central para
realizar uma pequena parte daquilo que eram
os principais objetivos do “projeto UFSC”.
Particularmente, estou cansado de vivenciar tudo isto e acredito que há muita
gente pensando o mesmo, só que não diz
claramente isto porque tem MEDO de dizer,
ou porque está lutando por alguma “posição
dentro da administração central” em uma
das três chapas.
Caso este quadro não mude, acho que
vamos todos “morrer abraçadinhos uns nos
outros”, reclamando do governo, dos políticos,
da falta de verbas, da falta de infra-estrutura,
dos colegas de departamento, dos funcionários, dos alunos, etc., etc.
Que tal pedir às três chapas que se reúnam
em uma sala fechada da UFSC, nós todos
deixamos eles TRANCADOS por umas
horas, com suas brilhantes idéias e depois
de algumas horas nós abrimos a porta, e
verificamos quem vai ser o reitor? Será que
o CUn aceita?
Muitas “tribos primitivas” usaram este
tipo de processo para escolher o seu “REI”
no passado, atualmente usamos um “processo democrático”. O pior de tudo é que
tem filósofo dizendo que o ser humano “está
evoluindo”.
Sinceramente, ainda espero encontrar
“vida inteligente” neste planeta, talvez ela
esteja dentro das universidades brasileiras.
Professor do Departamento de Morfologia
19 de novembro de 2007
3
Vandalismo no campus
Waldir José Rampinelli
saíssem do campus para executar o trabalho.
Pela quantidade de material destruído em
vários pontos do campus, tudo indica que não
foi apenas um grupo que atuou, mas vários.
Portanto, trabalho planejado.
Grande parte da responsabilidade deste
vandalismo, debito à candidatura PrataParaná, tendo em vista que o candidato
da chapa oficial, no debate promovido pela
Apufsc, estimulou este tipo de atitude ao
denunciar a destruição de sua propaganda.
O candidato Nildo, que poderia ter feito o
mesmo – pois placas da chapa “Contigo é
Possível” também haviam sido destruídas
– preferiu não fazê-lo para não promover
conflitos.
É profundamente lastimável que tudo isso
ocorra em uma universidade pública. Victor
Nunes Leal, em seu clássico “Coronelismo,
enxada e voto” mostra como “o chefe local
resvala muitas vezes para a zona confusa que
medeia entre o legal e o ilícito, ou penetra
em cheio no domínio da delinqüência, mas
a solidariedade partidária passa sobre todos
os pecados uma esponja regeneradora. A
definitiva reabilitação virá com a vitória
eleitoral porque, no seu critério, só há uma
vergonha: perder”.
Com a palavra, os futuros administradores da UFSC para falar sobre o vandalismo.
Não deixa de ser um bom começo para uma
nova administração.
Mészáros lança livro na UFSC
conferências de lançamento do livro, em Florianópolis (20/11) e São Paulo (21/11). O autor
cedeu à Boitempo Editorial os direitos mundiais
deste seu novo livro, que sai publicado no Brasil
antes mesmo do lançamento das edições inglesa
e espanhola.
Dotado de erudição rara, István Mészáros domina filosofia, economia política e teoria social
como poucos. Seus textos dialogam criticamente
com os principais pensadores deste século e
navegam dos clássicos aos contemporâneos,
sempre com rigor e criativiade. Sua obra enfrenta
com determinação os desafios e as dificuldades
para a superação da vida regulada pelo capital,
em direção a uma existência humana verdadeira
e fundada na igualdade substantiva.
O campus amanheceu
com a quase totalidade da
publicidade Nildo-Mauricio destroçada no dia
seguinte à eleição, 14 de
novembro. Não contentes
com as placas derrubadas, puseram abaixo
a barraca dos estudantes em frente ao Centro
Sócio-Econômico, causando sérios estragos á
mesma. Como a barraca era de empréstimo,
a candidatura Nildo-Maurício deverá reclamar judicialmente as devidas indenizações.
Isso aconteceu durante a madrugada,
mais exatamente entre 2 e 4 horas. Os vândalos esperaram que os últimos estudantes
O filósofo húngaro István Mészáros participa
de conferência na UFSC nesta terça-feira, dia
20, evento que servirá para lançar seu novo livro
O desafio e o fardo do tempo histórico (Coleção
Mundo do Trabalho, Boitempo Editorial).
A conferência, que acontece a partir das
18h30, no auditório da Reitoria, contará com a
participação dos professores Ricardo Antunes
(IFCH-Unicamp), Claudia Mazzei Nogueira
(DSS-UFSC), Paulo Tumolo (PPGE-UFSC) e
Fernando Ponte (PPGSP-UFSC).
Em tempos de reflexão minimalista, István
Mészáros é um pensador fundamental. Em
Publicação semanal da Apufsc
(Associação dos Professores da
UFSC), Seção Sindical do Andes
– Sindicato Nacional
DIRETORIA
GESTÃO 2006/2008
Presidente: Armando de Melo Lisboa
Vice-Presidente: Lino Fernando de
Bragança Peres
Secretária Geral:
Florianópolis
seu novo livro, O desafio e o fardo do tempo
histórico, o filósofo hungáro destrincha o caráter
imperativo e destrutivo das positivações atuais
do capital e aprofunda a análise do significado
histórico de sua crise estrutural à luz de manifestações cada vez mais irracionais e perigosas para
o futuro da humanidade. É a partir da análise de
como a “ordem estabelecida” do capital produz
destruição – do tempo livre, da educação, das
pessoas, da cultura, da natureza, da vida – que
Mészáros reafirma a necessidade do socialismo
no século XXI.
Mészáros virá ao Brasil para proferir duas
Professor do Departamento de História
1° Secretário: Idaleto Malvezzi Aued
Regis
2° Secretário: Edgard Matiello
Júnior
Diretora de Promoções Sociais:
Maristela Fantin
Tesoureiro Geral:
Diretora de Política Sindical: Doroti
Martins
1° Tesoureira: Sandra M. Bayestorff
2° Tesoureiro: Roberto Ferreira de
Melo
Diretor de Divulgação e Imprensa:
Fernando Ponte de Souza
Vice-Diretora de Divulgação e
Imprensa:
Diretora de Promoções Culturais e
Científicas: Albertina Dutra Silva
Vice-Diretor de Prom. Culturais
e Científicas: César de Medeiros
Diretor de Relações Institucionais:
Carlos Becker Westphall
Diretora de Assuntos de
Aposentadoria: Irmgard Alba Haas
CONSELHO FISCAL
Efetivos: Ivo Sostisso, Jonas Salomão
Spricigo, Arthur Ronald de Vallauris
Buchsbaum
Suplentes: Marco Aurélio Da Ros,
Edmundo Vegini, Maurício Roberto
da Silva
BOLETIM APUFSC
PRODUÇÃO
Jornalista Responsável Ney
Pacheco (SC - 735 JP)
Projeto gráfico e editoração
eletrônica Tadeu Meyer Martins
Impressão Gráfica 66
Tiragem 3.500 exemplares
Distribuição gratuita e dirigida
ENTRE EM CONTATO
Endereço Sede da APUFSCSSind, Campus Universitário, CEP
88040-900, Florianópolis – SC
Fone/fax (048) 3234-2844
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19 de novembro de 2007
4
Álvaro Prata
é eleito reitor
Em eleição realizada na última terça-feira,
dia 13, a chapa 2 – UFSC do Século XXI, encabeçada pelos professores Álvaro Prata e Carlos
Alberto Justo da Silva, o Paraná, foi eleita para
dirigir a UFSC nos próximos quatro anos.
Dos 32.702 eleitores aptos a votar, entre
estudantes, professores e técnico-administrativos, 13.300 compareceram às urnas. A
chapa 2 obteve 59,73% dos votos, eliminando
a necessidade de segundo turno. A chapa
3 – Contigo é Possível, dos professores Nildo
Ouriques e Mauricio Pereima, conseguiu
38,56% e a chapa 1 – Nova Visão, de Fernando
Kinoshita e Marcelo Krajnc Alves, contou com
1,72% dos votos.
Agora, cabe ao Conselho Universitário
homologar o resultado da consulta e enviar
a lista tríplice a Brasília, o que deve ocorre
até o final de janeiro. A posse do novo reitor
acontece em maio.
Fundação da UFSM
é acusada de fraude
D
iretores e funcionários da Fundação
de Apoio à Tecnologia e à Ciência
(Fatec), ligada à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), foram presos
pela Polícia Federal (PF), no dia 6 de novembro, acusados de pertencer a uma suposta
quadrilha que teria causado prejuízos de
R$ 40 milhões aos cofres públicos do Rio
Grande do Sul.
Conforme a PF, a suposta quadrilha contava ainda com a participação de funcionários
do Detran-RS, inclusive o atual e o ex-diretor
do órgão, que também foram presos durante
a operação policial, batizada de “Rodin”. Todos eles tiveram seus bens e contas bancárias
seqüestrados por ordem judicial.
Na operação, 252 policiais federais, distribuídos em 71 viaturas, cumpriram 14
mandados de prisão temporária e apreenderam computadores e documentos em três
municípios gaúchos: Porto Alegre, Canoas
e Santa Maria. Neste último, sede da maior
instituição de ensino público do interior do
estado, o alvo da PF foi a Fatec, a fundação
de apoio da UFSM já denunciada pelo
Andes-SN por irregularidades na prestação
de contas.
Um dos presos foi o professor da UFSM
e diretor da Coperves, Dario Trevisan de
Almeida. Ele é o responsável pela elaboração
do vestibular da instituição, além de coordenar o projeto “Trabalhando pela Vida”, uma
parceria firmada entre o Detran-RS e a Fatec
para a confecção da Carteira Nacional de
Habilitação no estado.
De acordo com a PF, a Fatec contratava
irregularmente empresas terceirizadas para
desenvolver o serviço, ligadas aos diretores do
Detran-RS e a professores da UFSM. Além
disso, a PF aponta indícios de superfaturamento nesses contratos, o que fazia com que
Florianópolis
recurso à reputação da Universidade Federal
de Santa Maria (UFSM), irradiada sobre suas
Fundações de Apoio, para obtenção dos contratos públicos, em cujo preço são embutidos,
além do valor do próprio serviço, a ‘remuneração’ dos lobistas, pela obtenção do contrato,
e, em muitas situações, o superfaturamento,
a carteira de habilitação gaúcha fosse a mais também destinado a corromper funcionários
cara do país.
públicos. Nota-se, por outro lado, grande inAlém de Dario, foram presos o diretor- gerência das empresas subcontratadas dentro
executivo da Fatec, Silvestre Selhorst, funcio- das próprias Fundações de Apoio, revelandonário contratado diretamente pela entidade, se nítida sobreposição de interesses privados
e a ex-secretária-executiva da fundação, sobre o interesse público, chegando mesmo a
Luciana Carneiro, que atuava como assessora ditar a forma de sua contratação e os valores
direta de Dario. Eles poderão responder pelos de sua remuneração”.
crimes de formação de quadrilha, fraude em
Em outro trecho do documento, que
licitações, tráfico de influência, sonegação explicita a investigação e revela os detalhes
fiscal, estelionato e peculato.
da fraude, a juíza diz que a empresa Pensant,
O professor José Antônio Fernandes, que uma das subcontratadas pela Fatec, “é o
foi coordenador do curso de Administração e principal enfoque da investigação, posto
do Centro de Ciências Sociais e Humanas da que pertence a José Antônio Fernandes, deUFSM também foi preso durante a operação, tentor de grande influência dentro da Fatec
em Porto Alegre, juntamente com seu filho, e da antiga reitoria da UFSM, em especial,
Ferdinando Fernandes.
dado suas relações com
Eles são proprietários de
Roberto da Luz, e Paulo
CONTRATO de
uma empresa suspeita
Jorge Sarkis (ex-reitor).
de ter sido contratada ircomo atividade
Detran-RS com Registra
regularmente pela Fatec
assessoria em gestão empara operar os desvios de
presarial. Grande parte de
Fatec causou
recursos públicos.
seu faturamento provém
prejuízo de
O diretor-presidente
da Fatec sendo que em
da Fatec, Luiz Carlos de
2005, 92% de seus rendiR$ 40 milhões
Pellegrini, foi afastado do
mentos foram pagos pela
cargo que ocupava desde
referida Fundação. Entre
2006. Ele ainda é o diretor do Centro de Ci- 2002 e 2005 recebeu da Fatec quase nove
ências Rurais da UFSM. O diretor-financeiro milhões de reais. Peculiaridade: Trata-se
e membro do Conselho Superior da Fatec, de uma empresa familiar posto que além
Renan Rademacher, também foi afastado das do José Fernandes, os outros quatro sócios
suas funções na fundação, mas ainda ocupa integram o mesmo grupo familiar”.
o cargo de diretor do Centro de Ciências da
A investigação também envolve figuras
Saúde da UFSM.
importantes da gestão da governadora gaúNo dia 8 de novembro, a juíza Simone cha Yeda Crusius (PSDB) como o diretorBarbizan Fortes, da 3ª Vara Federal e Juizado presidente do Departamento Estadual de
Especial Criminal da Subseção Judiciária de Trânsito do RS (Detran), Flavio Vaz Netto,
Santa Maria, divulgou documento à imprensa o ex-diretor-presidente do órgão, Carlos
apresentando detalhes sobre a Operação Ubiratan dos Santos, e Lair Ferst, tido como
Rodin. Um dos trechos chama a atenção por um dos coordenadores da campanha de Yeda
afirmar que “verifica-se que o ‘lobby’ se vale do ao governo, em 2006.
BOLETIM APUFSC
19 de novembro de 2007
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