O Desenvolvimento do Amazonas que queremos - I Nilson Pimentel (*) Todos tinham conhecimento que a economia brasileira vinha em declínio desde meados do primeiro governo da presidente Dilma, mas o fraco desempenho dos índices e fatores econômicos demonstrados naquele tempo não foi capaz de refletir nas campanhas politicas dos candidatos à presidência e aos governos estaduais e no Amazonas não foi diferente, onde se vivia a expectativa da prorrogação do tempo de vigência do projeto Zona Franca de Manaus (ZFM), da Copa Mundial de Futebol-2014 e suas expectativas e legados que não vingaram, do processo eleitoral majoritário etc. Contudo a situação real se deteriorava mais ainda, o estado continuava com sempre esteve, nada de política pública que induzisse às ações estruturantes e que levasse a processos de desenvolvimento econômico regional, pois se vinha de remedos tipo “Zona Franca Verde”, “Amazonas Rural” e outras ações de menor calibre, mas nada consistente que pudesse alavancar ou minimizar a estagnação econômica que se encontra o interior amazonense. Ainda mais, por o Amazonas se ter brindado como uma das piores safras de prefeitos municipais, haja vista que todas as economias municipais amazonenses decresceram nesse período. Os candidatos ao governo estadual, como sempre prometeram mundos e fundos que não cumpririam, por conta das diversas situações conjunturais que o Brasil mergulhava, quanto por inadequações da equipe de governo que assumiria uma conjuntura desfavorável. Vejam que de saída o governo entrante preconizou uma reestruturação organizacional no Estado do Amazonas, que mais desarrumou a arquitetura orgânica pública que atendeu a diminuição do custeio da máquina pública, tanto que passados mais de seis meses da vitória eleitoral, a situação da gestão estadual se deteriora, emperra as ações governamentais e piora a qualidade dos serviços públicos, principalmente na área da saúde. E, para agravar, a crise econômica brasileira atinge sobremaneira os resultados econômicos do Polo Industrial de Manaus (PIM) refletindo no baixo desempenho das finanças públicas, conforme informado pelo secretário da receita estadual. É claro que preciso ser otimista e acredito que haja solução para os nossos problemas, mas isso exigirá um governo efetivo, proativo, que resgate a capacidade de planejamento e de avaliação real da economia do Estado. O governador precisa se convencer que há necessidade de reformas objetivas até para preservar as conquistas conseguidas as duras penas, a reforma urgente da Política dos Incentivos Fiscais, que aumente o investimento público, com aplicação racional dos recursos dos fundos FTI, FMPES, UEA, P&D e, principalmente estreite caminhos para parcerias público-privadas, com atração de investimentos estrangeiros diretos (mas não os de empréstimos, porém de investimentos produtivos diretos) sem que o caminho para a retomada do desenvolvimento econômico regional continue comprometido, ou desague em fracasso. O Amazonas precisa encontrar outro caminho para se desenvolver basta seguir o que nos ensina mais de três séculos de história econômica e evitar a soluções mágicas de supostos “projetos mirabolantes ou de moda” que, em geral, é um grupo que gosta de impor tais projetos sem articulação setorial sinérgica, mas que podem até aumentar o gasto público e cheios de falhas técnico-cientificas. Há tendências dinâmicas no cenário econômico devido às várias transformações correntes nos âmbitos econômico, social, ambiental e político, relacionadas a fenômenos como a reestruturação capitalista global, (vide crise da Grécia, a desaceleração acentuada da economia chinesa e a economia dos BRIC’s em crise), e o avanço das inovações tecnológicas aumentaram a complexidade e a competitividade entre as Nações e as empresas. Tais fenômenos, na busca por vantagem competitiva frente a esse novo contexto, passaram a valorizar as pessoas e suas capacidades intelectuais, assim a utilização dessa capacidade se tornou um recurso de valor diferencial estratégico e que os governos devem atentar para o aproveitamento desse capital em suas hostes, para dar vazão à gestão dos necessários programas e projetos de desenvolvimento econômico regional. Ainda para complicar esse cenário, e que bem demonstra a falta de programação e politica econômica para a Amazônia Ocidental e que também impacta a economia do Amazonas é o fato do MDIC tender à gestão compartilhada do CBA – Centro de Biotecnologia da Amazônia com o INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, o que pode levar ao descrédito esse Centro Científico Regional, pois, pelo que se conhece esse Instituto - INMETRO tem no modelo de gestão orientado para novas práticas gerenciais, com foco em resultados e atendimento aos usuários, qualidade de serviços e eficiência de processos, sem abandonar os parâmetros do modelo burocrático, como o processo seletivo público, a impessoalidade, a prestação de contas aos órgãos de controle, dentre outros. Na semana passada em audiência na Assmebleia legislativa do Amazonas, tudo que foi dito e comentado por representantes do INMETRO e do MDIC que não seja do conhecimento dos nossos cientistas e de técnicos especializados em gestão de instituições de excelência científica tecnológica. Para o Amazonas, o CBA é um dos instrumentos que poderá dar maior impulso aos diversos processos de desenvolvimento econômico regional de base endógeno de máxima valia para se estabelecer outra matriz econômica de importância maior que a estabelecida pelo Polo Industrial de Manaus, como sendo o caminho mais factível de realização econômica regional. Conforme a Convenção de Biotecnologia da ONU (Organização das Nações Unidas) “Biotecnologia significa, qualquer aplicação tecnológica que utilize sistemas biológicos, organismos vivos, ou seus derivados, para fabricar ou modificar produtos ou processos para utilização específica”. A biotecnologia é uma área interdisciplinar fortemente ligada à pesquisa científica e tecnológica que tem como principal objetivo desenvolver processos e produtos utilizando agentes biológicos. Sendo que a biotecnologia moderna engloba áreas de aplicações biológicas em saúde e biomedicina, na agricultura e na produção de insumos industriais, com uma forte orientação multidisciplinar e experimental. Dentre as disciplinas que constituem as bases da Biotecnologia destacam-se aquelas das áreas biológicas (principalmente microbiologia e biologia molecular), das áreas químicas (química orgânica, química analítica e bioquímica) e das áreas de engenharia, principalmente engenharia bioquímica ou de bioprocessos. Na indústria farmacêutica: desenvolvimento de novas drogas, farmacoterapias, produção e melhoramento de antibióticos, produção de proteínas recombinantes para fins terapêuticos, vacinas, estabelecimento de terapias gênicas e outras estratégias para o tratamento de doenças animais e vegetais. Nos laboratórios de análises: desenvolvimento de testes diagnósticos clínicos, alimentícios, agrícolas e ambientais. Na agricultura: desenvolvimento de novas variedades de cultivos/organismos transgênicos. Na indústria alimentícia: diversas aplicações na produção e no controle de qualidade de produtos alimentícios e bebidas. No meio ambiente: tratamento de esgoto e efluentes industriais, bioremediação, biocombustíveis. Na Indústria química: produção de insumos químicos, enzimas e outras proteínas recombinantes. Na instrumentação: desenvolvimento de bioreatores, softwares e consumíveis da área biotecnológica. Na medicina: desenvolvimento de biomateriais reparativos e bioindutores, produção de órgãos e tecidos biológicos ex-vivo. Esse será uns dos caminhos do desenvolvimento econômico para o Amazonas, pois já se possui massa crítica cientifica para desenvolver todas essas vertentes no nosso CBA, só depende da “burrocracia” do Governo Federal, e de competente gestão política do Amazonas, para que se utilize os recursos naturais desse valiosíssimo bioma do território estadual. (*) Economista, Engenheiro e Administrador de empresas, com pós-graduação: MBA in Management (FGV), Engenharia Econômica (UFRJ), Planejamento Estratégico (FGV), Consultoria Industrial (UNICAMP), Mestre em Economia (FGV), Doutorando na UNINI-Mx, Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]