Allan e o PORTAL SECRETO “Que a história comece...” 2012 Sangal, Allan Allan e o Portal Secreto - “Que a história comece...” /Allan Sangal. ─ São Paulo: [s.n.], 2012. ® Todos os direitos Reservados 557.764 SUMÁRIO SINOPSE 5 < CAPÍTULO UM > 7 A origem do Mundo Secreto < CAPÍTULO DOIS > 22 A grande surpresa < CAPÍTULO TRÊS > 37 A Festa < CAPÍTULO QUATRO > 52 Uma invenção inovadora < CAPÍTULO CINCO > 69 Novo mundo, nova História < CAPÍTULO SEIS > 87 75 anos depois < CAPÍTULO SETE > O Portal Secreto 106 < CAPÍTULO OITO > 126 Operação Casa Branca < CAPÍTULO NOVE > 146 A criatura < CAPÍTULO DEZ > 175 Decisão por segurança < CAPÍTULO ONZE > 193 O julgamento < CAPÍTULO DOZE > 211 Punidos < CAPÍTULO TREZE > Nova vida; nova História? 231 SINOPSE Alex é um adolescente norte americano que possui uma inteligência mais avançada que sua época, a qual não revela sua fonte. Ele não é o único, pois seus amigos, Willian Browds e Michael Steven também são gênios e, assim como ele, não revelam o segredo. Estudam no colégio fundado pelos pais de Alex, que sendo filho único, o mimam muito. Durante época de formatura foram surpreendidos pela aparição de uma criatura no colégio que ameaçava a permanência deles naquele local. Seguindo as ordens da criatura e ignorando o problema, Alex começa a dedicar-se totalmente a um projeto para realizar uma hipótese que acabara de descobrir. E junto a Browds conseguem realiza-la, criando uma subdimensão. Enquanto suas amigas, Jade e Rachel recebem dons especiais para cada uma, vidência e telepatia, respectivamente. Onde Rachel tem algumas visões estranhas sobre o futuro da criação deste novo mundo, o que os levam a criar uma máquina do tempo para Alex ir ao futuro tentar entender essas visões para prevenirem-se. E no futuro suas gerações seguintes enfrentam as consequências da criação. Isso envolve Allan, vivendo sua vida na Terra, é levado a conhecer a existência do Mundo Secreto, descobrindo, parentes desconhecidos, estar envolvido nessa história, boatos, fatos e teorias para os recentes acontecimentos. Ainda com o reaparecimento da criatura também encara as consequências da descoberta. Devendo manter a existência desta dimensão em segredo, agora sua vida está literalmente dividida entre dois mundos, sobrevivendo aos problemas dos dois lados. < Capítulo Um > A origem do Mundo Secreto Em um colégio em San Francisco (EUA) chamado Future Stars, fundado pelo casal, Alice Santos, brasileira que assumiu a profissão de empresária em Los Angeles, e Max Tunow, já americano que ao casar-se com Alice mudou-se para San Francisco. Investiram muito neste colégio, pois tinham em mente que quem estudaria naquele local seria seu próprio filho, Alex Santos, seu filho único; também carregavam na consciência que se pensavam assim, os outros pais também pensavam, alias, todos querem um lugar melhor para seus filhos. Mas chega de conscientização e vamos ao que importa, ou como diria Alex: “Que a história comece…”. Para surpresa de Alex, nem imaginava o que seus pais haviam preparado para sua formatura para o colegial. Ainda mais que era um dos gênios da escola, mas além de gênio também era popular por suas criações que beneficiavam os integrantes do colégio. Mas a véspera da surpresa foi um longo dia para Alex que ao chegar à escola e guardar suas coisas em seu armário, reparou que ainda não havia visto seus colegas com quem sempre andava ─ estranho porque geralmente os encontrava conversando em frente seus 7 armários, Jeorge Rocks e Willian Browds. Jeorge, seu primo, tinha um estilo mais esportivo enquanto Browds também era um dos gênios da escola, sua inteligência era mais elevada na área das ciências humanas, enquanto Alex destacava-se mais nas ciências exatas, mas eles nunca revelavam o segredo de sua superinteligência. Jade, Rachel, Vick e Kelly, suas amigas que costumavam conversar enquanto se maquiavam em frente ao espelho que deixavam na porta de seus armários, neste dia, não estavam lá. ─ Cadê as meninas? ─ Alex estranhou. ─ Não sei. Eu também estranhei ─ Browds o respondeu. ─ Podem ir pra sala; eu já estou indo ─ Alex sugeriu ao ouvir o sinal tocar. Procurou-as por quase toda a escola, mas não as encontrou, perguntou para outros se tinham as visto, mas ninguém sabia onde estavam; até entrou atrasado na aula de tanto procurá-las. Pedindo licença a sua professora conseguiu entrar, mas discretamente irritouse ao ver que elas já estavam na sala. Sentou-se normalmente como se nada tivesse acontecido. Enquanto a professora estava de costas passando a lição na lousa, silenciosamente cochichou à Kelly que estava em sua frente. ─ Onde vocês estavam? Procurei vocês por todo o colégio. ─ Oh! Que fofo. Ele estava preocupado com suas amiguinhas ─ exclamou também cochichando Jade que estava na carteira ao lado direito de Kelly que ouviu o cochicho admirando a preocupação dele. 8 ─ Não, eu só queria saber se tinham vindo hoje. ─ Então porque nos procurou por toda escola? ─ Rachel que estava na carteira atrás de Jade o perguntou cochichando ao aproximar a cabeça. ─ Eu só queria ter certeza de que não havia acontecido nada de ruim. ─ Eu chamo isso de preocupação ─ cochichou Jeorge sentado na carteira ao lado esquerdo dele. E Vick logo confirmou a Jeorge também cochichando: ─ Você deve estar certo. Sem mais o que dizer, apenas olhara para trás ao sentir Browds que o cutucava da carteira de trás. ─ O que foi? ─ Cochichou Alex. Alex virou seu olhar lentamente para a lousa ao ver Browds disfarçadamente apontando para sua professora que estava parada de braços cruzados olhando para eles. Imediatamente se ajeitaram em suas carteiras. ─ Vocês querem dizer algo? ─ Perguntou a professora ao grupo de cochichadores. Alex então ergueu a mão dizendo: ─ Sim, professora ─ apontou para a lousa ─ a senhora se esqueceu de fechar aspas depois da quarta palavra da sétima linha na segunda coluna. ─ Nossa! Obrigado. Que visão, Alex. ─ Agradeceu a ele 9 espantando-se com sua atenção. Já os alunos não se espantavam, pois já estavam acostumados com este tipo de atitudes vindas de Alex e Browds. E ele logo jogou um olhar para eles gabando-se ironicamente. Na aula de artes o professor até pensou em deixá-los livres durante a aula, mas mudou de idéia e passou alguns exercícios para reforçar a memória sobre o que aprenderam durante o ano, foi bonzinho e passou algo fácil e anunciou que após terminarem os exercícios e mostrassem-no, poderiam conversar a vontade. O professor Paul era um dos professores que os alunos mais respeitavam, arrumavam a sala alguns minutos antes de sua entrada na sala e quando entrava, todos já estavam ajeitados em seus lugares o esperando. Às vezes costumava bater na porta ao entrar subitamente dando um susto em todos. Ele colocava regra, colocava todos na linha. ─ Número? ─ Perguntou o professor apontando para Alex num tom de voz alto. ─ Três ─ respondeu Alex nervoso diante da situação. ─ Um ponto positivo. ─ Mas por quê? ─ Perguntou Alex estranhando a atitude. ─ Sei lá, deu vontade. E quem é o número 27? ─ Eu! ─ Michael Steven empolgado rapidamente ergueu sua mão. ─ Ponto Negativo. ─ O que? Mas por quê? ─ Perguntou Michael espantado. 10 ─ Sei lá, deu vontade. A sala toda deu uma risadinha meio abafada, Michael não tolerando a atitude do professor pegou uma folha de seu caderno de desenho arrancou-a e começou a mastigá-la, enquanto todos estranhavam. ─ O que está fazendo? ─ Perguntou o professor. ─ Sei lá, deu vontade. ─ Para fora da sala. ─ Por quê? ─ Perguntou arrependido. ─ Sei lá, deu vontade ─, na verdade, esses pontos negativos ou positivos repentinos não valiam de verdade; era apenas ironia do professor. Novamente a sala deu risada, mas dessa vez não foi abafada. Furioso saiu da sala, levando suas coisas. E todos observando a cena até esqueceram que o professor estava na sala. ─ Chega de brincadeira e vamos aos exercícios ─ disse o professor chamando a atenção. ─ Já fizemos! ─ Avisou Alex, Browds, Jeorge, Vick, Kelly, Jade e Rachel exclamando ao mesmo tempo. ─ Mas como se ainda nem passei? ─ Ontem quando estávamos conversando e perguntamos se o senhor passaria algo hoje, nos disse que passaria exercícios sobre isso ─ Jade o explicou. ─ Ah! É verdade, então podem conversar, e quem não fez, 11 tratem de fazer ─ ordenou. Enquanto os outros faziam a lição, o grupo conversava entre si. ─ Será que Michael vai entrar de mau humor depois? ─ Alex perguntou-os. ─ Provavelmente. Depois dessa até o risadinha ficava de mau humor ─ Browds confirmou, e logo olharam para quem apelidaram de risadinha que no momento fazia sua lição sorrindo. E voltaram à conversa se entreolhando por estranharem. ─ O jeito é esperar a próxima aula para ver ─ disse Kelly. ─ Michael é imprevisível. ─ anunciou Vick. E logo Kelly concordou: ─ Sim, você deve estar certa. Ao chegar a aula seguinte, novamente era aula da professora da primeira aula, Renata, professora da língua nativa. Michael entrou na sala tranquilamente ─ tranquilo até demais para quem havia sido tirado da sala ─ deve ter ido para a biblioteca ou deve ter ficado conversando com alguém lá fora e até acabou se esquecendo da raiva. A professora aproveitou que todos estavam em silêncio com os olhos atentos nela para falar sobre o jornal da escola. Era a professora responsável pela organização e o desenvolvimento das equipes. ─ Todos sabem que amanhã é a festa de formatura, certo? ─ Sim! ─ Todos responderam em coral. ─ Portanto a equipe do jornal da escola responsável por esta classe terá muito que dizer amanhã. Matéria é o que não falta para o 12 jornal desse mês. Quero ver bem caprichadinho. Na mesma hora Michael e Susan se olharam com um olhar competitivo, desafiando o outro ─ ao invés de trabalharem juntos para produzirem as duas paginas da classe no jornal da escola, chamado Star’s News. Ainda mais que neste mês ficaram responsáveis pela capa do jornal por motivo desconhecido. Todos já conheciam essa competição entre os dois. Todos os meses era a mesma coisa, os dois competiam para fazer a melhor matéria na página da classe. Na hora do intervalo, Alex estava conversando com seu grupo de costume. ─ Estou indecisa se venho com um vestido vermelho ou preto para a festa de amanhã. ─ Comentou Rachel pedindo ajuda. ─ Vem com qualquer coisa, vai continuar sendo você do mesmo jeito ─ murmurou Browds. ─ Perguntei para Jade ─ respondeu desprezando-o. ─ Calma, Rachel, coitado… ─ Jade parou sua fala ao ouvir um grito apavorado vindo do banheiro feminino. Todos se espantaram no momento, prenderam seus olhos em direção ao banheiro e ficaram mais espantados ainda ao ver continuando a gritar, Susan sair do banheiro correndo apavorada, sem fôlego não aguentara e encostou-se a um dos armários respirando profundamente. Aproximaram-se dela, viram que estava pálida, seus lábios 13 estavam brancos, estava realmente assustada. Rachel presenciando a cena realmente estava espantada. ─ Eu vi, eu vi, eu vi… ─ ela exclamava espantada. ─ Viu o que? ─ Browds curioso perguntou. ─ Cala boca, deixe que eu resolva isso, ao invés de ficar perturbando-a, vá pegar um copo de água para ela ─ Rachel o repreendeu e logo pediu para a multidão de alunos que estavam acompanhando em volta preocupados, afastarem-se. Na verdade, estavam só curiando, porque alguns nem sabiam o que estava acontecendo. Browds chegou correndo com o copo de água. E Rachel tomando o copo de sua mão, o entregou delicadamente para Susan. Tomou a água, respirou fundo e recuperou o fôlego. ─ Eu vi uma vez e não quero ver novamente. E naquele banheiro eu não volto mais. ─ Tudo bem, pode deixar, eu te levo até a diretoria. ─ O quê? Vai deixá-la ir sem ao menos nos dizer o que viu? Rachel que estava agachada de frente para Susan virou seu rosto olhando feio para Browds. ─ Ele tem razão ─ ofegou Susan concordando. ─ Esse idiota tem razão? Você tem certeza? ─ Sim; devo alertá-los sobre o que realmente aconteceu. Então se lembrando da cena tentou começar a detalhar o momento, mas na hora Michael se aproximou perguntando: 14 ─ O que está acontecendo aqui? ─ Eu vi, no banheiro feminino, quando estava me maquiando no espelho, estava passando meu lápis de olho, abaixei a cabeça para guardar o lápis em minha bolsinha e pegar o batom, quando ergui meu rosto para o espelho vi uma coisa… ─ Não era você mesma? ─ Perguntou Michael e imediatamente todos viraram seu rosto jogando um olhar sério para ele ─ Me desculpem, então, é que eu ainda não sei o que está acontecendo ou o que aconteceu. ─ Simples. Susan estava pálida e com os lábios brancos, sem fôlego após sair gritando apavorada do banheiro feminino dizendo que viu algo lá ─ explicou Jeorge. ─ A loira do banheiro? Jeorge novamente olhou feio para ele, até que Rachel ordenou: ─ Calem-se; Susan está tentando continuar. Todos ficaram quietos atentos no que ela ia dizer, pois finalmente matariam sua curiosidade. ─ Continuando. Quando tornei a olhar para o espelho vi que atrás de mim havia alguém, ou melhor, algo, uma criatura. Usava um manto negro, uma capa negra. Virada para mim, a sombra que o capuz do manto fazia não permitia ver seu rosto, era como se não tivesse rosto, mas vi apenas dois olhos pequenos, redondos e vermelhos brilhando. Por baixo de seu manto esguichava fumaça, não sei se estava flutuando, porque eu não via seus pés, como se não 15 os tivesse. Na hora do susto e do medo acabei caindo no chão, fiquei me exprimindo no canto da pia, então a fumaça debaixo dela se expandiu cobrindo seu corpo todo, e quando a fumaça saiu. A criatura desapareceu. Com medo, ainda estava sem força para se levantar, mas me levantei temendo o que poderia vir em seguida. Então corri para cá para escapar da criatura. ─ Já é o bastante, vamos para a diretoria ─ Rachel sugeriu. ─ Deixa que eu a levo ─ Mike o monitor da classe ordenou aproximando-se. ─ Não, não, não, não, acabou de chegar, nem sabe o que aconteceu e quer levá-la? Não vai mesmo, pode deixar que eu cuido disso ─ Rachel ordenou afastando-o com as mãos. Mike segurou os punhos dela com suas mãos e encarou-a: ─ E quem vai me impedir? ─ Eu. ─ Você? Você e quem mais? ─ Eu! ─ Exclamou Browds aproximando-se. ─ E eu! ─ Exclamou Jeorge também se aproximando. ─ E nós! ─ exclamaram Jade, Kelly e Vick em coral. E por ultimo Alex: ─ Eu! E você sabe que com uma ligação minha posso te expulsar da escola. ─ E dela também ─ indicou Browds ao ver a silhueta da diretora aproximando-se no fim do corredor ─ quando fui pegar o copo 16 d’água, aproveitei para chamar a enfermeira da escola, um detetive, a diretora e um psiquiatra. ─ Sério? ─ Perguntou Alex arregalando os olhos. ─ Não, só a enfermeira e a diretora mesmo. A enfermeira estava ocupada atendendo outro aluno que havia levado um soco com piercing no olho. Jade sentiu um frio só de imaginar a cena. ─ Como ficou o olho dele? ─ Perguntou preocupada. ─ Mas não foi no olho que ele levou o soco, foi no nariz, mas depois do soco o piercing foi parar no olho. Fez um estrago danado, mas a enfermeira disse que quando pudesse resolveria isso, mas pelo jeito não precisa mais. Já a diretora deu um trabalho danado para achá-la. E quando achei, parecia estar meio apressada, disse que estava a caminho e tinha assuntos para resolver… e aí está ela. ─ O que está acontecendo aqui? ─ Perguntou a diretora. Alex entregou um papel que havia anotado todo o fato. ─ Aqui está. Eu anotei tudo enquanto Susan descrevia o fato. “Eu vi, no banheiro feminino, quando estava me maquiando no espelho, estava passando meu lápis de olho, abaixei a cabeça para guardar o lápis em minha bolsinha e pegar o batom. Quando tornei a olhar para o espelho vi que atrás de mim havia alguém, ou melhor, uma criatura. Usava um manto negro, um manto negro. Virada para mim, a sombra que o capuz do manto fazia não permitia ver seu rosto, era como se não tivesse rosto, mas vi apenas dois olhos 17 pequenos, redondos e vermelhos brilhando. Por baixo de seu manto esguichava fumaça, não sei se estava flutuando, porque eu não via seus pés, como se não tivesse. Na hora do susto e do medo acabei caindo no chão, fiquei me exprimindo no canto da pia, então a fumaça debaixo dela se expandiu cobrindo seu corpo todo, e quando a fumaça saiu. A criatura desapareceu. Com medo ainda estava sem força para se levantar, mas levantei-me temendo o que poderia vir em seguida, então corri para cá para alertá-los e escapar da criatura.” Terminando de ler o fato, a diretora olhou para Susan, desacreditando perguntou: ─ Suponho que a tal “criatura” não tentou atacá-la, certo? Tem certeza de que realmente viu isso? ─ Diz isso porque não foi você ─ retrucou Rachel. ─ Ela estava pálida, com os lábios brancos e sem fôlego. ─ As atrizes de novela e de filmes começam assim ─ exclamou ao sair caminhando de volta para a secretaria. Eles se entreolharam e Mike afastou-se. No caminho para suas casas, chegaram a ficar quietos de tão preocupados que estavam com este caso, não tiravam isso de suas cabeças confusas. Até Browds exclamar repentinamente assustandoos porque estavam em silêncio. ─ Há! Eu sabia! ─ Sabia o que, idiota? ─ Reclamou Rachel assustada. ─ Uma aparição não pode ser. E também não pode ser um 18 efeito de luz ou sombra, mas com certeza tem alguém por trás disso. ─ E como você sabe que é alguém e não algo? Tipo uma criatura. ─ É obvio ─ disse tirando o papel que Alex havia anotado a descrição; do bolso ─ veja bem como ela descreveu a criatura. ─ Como você conseguiu esse papel? ─ Estranhou Alex. ─ Eu tenho meus meios. ─ Ou melhor, pegou quando a diretora o jogou para trás e caiu no chão ─ explicou Rachel. ─ Estraga prazeres. Mas voltando ao assunto, ela descreve que a “criatura” vestia um manto negro. Com certeza de pano. Esguichava fumaça e tinha olhos redondos, vermelhos e brilhantes. Eu lembro que tudo isso, eles usariam para a festa de amanhã. As bolinhas vermelhas e brilhantes seriam usadas como borda de mesa e outras utilidades. A fumaça era de um projetor de fumaça que usarão para algum tipo de apresentação ou coisa parecida, mas o pano preto, o pano preto para que seria usado? Eles se espantaram vendo que tudo aquilo que Browds dizia fazia sentido, Rachel pensativa desprendeu os olhos da realidade concordando com o raciocínio dele. No momento pararam pensando preocupados. ─ Ele tem razão! ─ E assim Rachel concordou tentando continuar o raciocínio. — Mas de onde a pessoa pode ter tirado esse pano preto? 19 Todos pensaram alguns segundos e finalmente quando perceberam o que estava óbvio se entreolharam e disseram ao mesmo tempo: — A beca da formatura! — Obviamente ─ concluindo Jade afirmou. ─ Temos que descobrir quem e o motivo. — Significa que pode ter sido um aluno, um professor, ou a diretora ─ Alex supôs. ─ Mas por que a diretora faria isso? ─ Perguntou Kelly espantada. ─ Porque ela não tem o que fazer ─ afirmou Vick. ─ Então deve ser algum tipo de passa tempo ─ supôs Kelly. ─ Sim; Você deve estar certa ─ Vick concordou. ─ Voltando ao momento investigação. Temos que descobrir se isso era contra qualquer aluna que estivesse no banheiro, ou se era propriamente contra Susan. Descobrindo isso podemos adiantar a investigação ─ com a conclusão de Jeorge, eles se entreolharam concordando com sua teoria. ─ O jeito é aguardar e observar para ter essa resposta ─ concluiu Alex olhando para eles, com um suspiro tomou o caminho de volta para sua casa. Logo em seguida eles fizeram o mesmo, cada um para sua casa. Durante aquela noite, não apenas Alex, mas também Jeorge, 20 Browds, Rachel, Jade Vick, Kelly e principalmente Susan, estavam preocupados com aquilo, pensando se o acontecimento significava ─ apenas uma travessura, um plano ou uma ameaça? ─ essa era a perguntava que não os deixara em paz dificultando até o sono deles. Rachel quando dificilmente conseguiu dormir, ainda teve pesadelos. E Jade preocupada com tudo isso, sentiu uma repentina dor de cabeça, parecia diferente, mas ignorou e continuou tentando dormir. Uma noite muito difícil para eles, principalmente para Jade e Rachel. Isso porque não eram as vitimas, mas preocupados com que fossem as próximas. Susan evitou contar aos pais temendo que resolvessem entrar com alguma ação contra a escola, ou a tirassem de lá. Pensava que se apenas um fosse o culpado, a escola inteira não poderia pagar por isso. Mas estava um pouco traumatizada, até inventou uma desculpa para dormir perto dos pais, pois temia dormir sozinha, parecia uma criança. 21 < Capítulo Dois > A grande surpresa O início dessa surpresa ocorreu em trinta de novembro, 1938 (mil novecentos e trinta e oito), último dia de aula, dia em que todos os formandos da escola planejaram fazer sua festa de formatura e comemoração à passagem de ano. Na última aula da turma de Alex não tiveram “moleza” de último dia, mas tiveram de fazer a lição ordenada pela professora mais exigente da escola. Copiavam ansiosos para que o sinal tocasse e a aula acabasse. E ao ouvir o sinal tocar largaram suas canetas imediatamente, erguendo as mãos e o rosto para o céu comemorando, estavam tão ansiosos com a festa que quase atropelaram a professora ao saírem da sala. Em seu armário Alex encontrou-se com Jeorge e Browds. Logo eles começaram a comentar entre eles: ─ Ano que vem estaremos na mesma sala, enfrentando novos problemas, novos professores, novos folgados ─ Alex começou comentando. ─ Mais adrenalina! ─ Jeorge adicionou ao comentário. ─ E mais garotas! ─ Browds concluindo exclamou. Alex aproveitando o perguntou: 22 ─ Fora aquelas ali? ─ Apontava indicando que Jade e Rachel aproximavam-se. Entusiasmadas logo os cumprimentaram ao mesmo tempo: ─ Oi Alex, oi Jeorge ─ e fechando a expressão de alegria em seu rosto, alterou seu tom de voz para um tom intolerante. ─ Olá… Browds… ─ Olá. ─ ele a respondeu da mesma forma. ─ Um dia ainda se casam ─ Alex ironizou ao ver a cena. Rachel imediatamente o criticou ao ouvir isso: ─ Você não tem nada melhor ou mais importante para falar? Mas onde estão Vick e Kelly? ─ Não sei. Vocês que deveriam saber, estão sempre juntas, não sei o que vocês tanto fazem juntas. ─ Devia saber. ─ Eu? Isso é assunto de vocês. ─ Não estou falando disso. Estou dizendo que você devia saber onde ela está. ─ E por que eu deveria? ─ Kelly é sua namoradinha, ou seja, no mínimo deveria saber onde ela está neste exato momento. ─ Ela não é minha, ela não é de ninguém… ainda. ─ E daí? Ela já é sua, ou seja, você deveria conter as informações necessárias para me comunicar a resposta da determinada pergunta. 23 ─ Por que sempre quando você discute comigo começa a usar um processo de caça e tentativas de um vocabulário com palavras mais avançadas? Ou seja, fora do seu cotidiano. ─ Ah! Isso não importa, só quero que responda minha pergunta, por favor. ─ Depois dessa discussão vocabular acabei me esquecendo. Qual era a sua pergunta? ─ Pelo amor de Deus, onde é que Vick e Kelly estão? Então de trás dela Vick e Kelly responderam: ─ Aqui! ─ De onde vocês surgiram? ─ Perguntou Alex estranhando o aparecimento repentino. ─ Ouviu isso Vick? Eles não nos perceberam! Um ponto para nós ─ exclamou Kelly à Vick ao pegarem um bloco de anotações anotando algo. Jeorge que também estranhava a cena que havia acabado de ver perguntou-as: ─ Sem querer ser intrometido, mas para que serve este bloquinho? E de onde vocês o tiraram? Eu juro que vi a mão de vocês vazias agora pouco. Também que vocês com certeza não são normais, não mesmo. Então as duas afirmaram juntas: ─ Você deve estar certo ─ Kelly estendendo a palma de sua mão esquerda onde estava a caneta, conclui: ─ São apenas truques. 24 Jeorge espantado ficou de boca aberta ao ver Kelly batendo a mão direita sobre a caneta que estava na mão estendida, separou as duas mãos com a palma para cima e a caneta não estava mais lá presente. E então ela tornou a dizer: ─ Truques. Apressada e ainda não satisfeita Rachel os interrompeu: ─ Chega de conversa mole e… truques. Agora me respondam onde vocês duas estavam? ─ Perguntou ela apontando o dedo para o rosto delas e imediatamente as duas responderam juntas: ─ No banheiro. ─ Até no banheiro você queria que ele soubesse? Que falta de privacidade ─ Browds ironicamente a criticou. ─ Você fique quieto. Vick e Kelly venham comigo, preciso falar com vocês. ─ Rachel apressada chamou-as. E Jade imediatamente a corrigiu: ─ Você não, nós precisamos. ─ Ah! Tanto faz. Ao ver que as quatro afastaram-se Alex afirmou a Browds: ─ Olha! Esta está para você e não adianta negar. ─ Nem vem Alex. ─ Browds, encara a realidade ─ Disse Jeorge concordando com Alex. ─ Viu? Até ele concordou, dois votos contra um, ou seja, ela já é sua. 25 ─ Só no seu mundo. ─ Ouviu, Jeorge? Ele acabou de afirmar, confirmar e concordar que se fosse em meu mundo eles ficariam juntos. ─ Verdade. Mas vocês perceberam que ela parecia estressada? ─ Apenas parecia? ─ Certo, ela estava realmente estressada, mas parecia que não era por nada, mas confusa por algum motivo, espantada. No momento os três ficaram em silêncio, um olhando para o outro e descartaram a idéia dizendo ao mesmo tempo: ─ Não. ─ Não deve ser isso, ela sempre esteve assim ─ Browds comentou. E Jeorge criticou o comentário de Browds: ─ Ela sempre este assim com você. Dessa vez parecia diferente. Não chega a ser isso, mas deve ser alguma outra coisa. ─ E como você observou e percebeu tudo isso? ─ Alex perguntou não entendendo muito a situação. ─ Só observando mesmo. ─ Bela percepção. Mas não deve ser nada… demais. Relaxa. Empolgação. Deve ser a emoção de estar se formando. Ou a fase, deve estar naqueles dias. ─ Você deve estar certo ─ concluiu Jeorge. Browds ao olhar ao seu redor estranhou o fato do corredor estar vazio e sugeriu-lhes: ─ Acho melhor irmos para o pátio, esse corredor deserto me dá 26 calafrios. Concordando foram para o pátio e ao chegarem à entrada espantaram-se e Alex arregalava os olhos, completamente espantado com a cena que via a sua frente, sem saber o que dizer apenas exclamou: ─ Não acredito! ─ Se nem vendo acredita, então o que pode fazê-lo acreditar? ─ Browds indagou a ele. O pátio aberto e coberto pelo céu azul com a luz do sol refletindo em seus rostos; estava atravessado por uma faixa grande e branca escrito nela “Colégio Alex Santos”. Todos os alunos do colégio estavam gritando e aplaudindo sua entrada enquanto confete caía do céu, olhou para o céu onde viu um helicóptero carregando a palavra parabéns formado por bexigas vermelhas. Voltou a olhar para frente e deparou-se com um chapéu de formando dourado e um canudo também dourado. Não entendendo o que estava acontecendo, gritou: ─ O que está acontecendo aqui? A diretora desceu do palco onde estava presente a mesa completamente enfeitada contendo o chapéu e o canudo dourado sobre ela. Caminhou em sua direção e abraçou-lhe sorrindo: ─ Alex, não se faça de bobo, lógico que você sabe o que está acontecendo aqui, afinal você é um gênio. Alex também sorrindo afirmou para ironizar: 27 ─ Como eu sou bobo. Claro que eu sei o que está acontecendo aqui ─ mudando a expressão de seu rosto para sério, perguntou novamente. ─ Dá para explicar logo o que está acontecendo aqui? Ela ainda mantendo o sorriso explicou: ─ Calma, não precisa estressar-se, hoje é motivo de festa, agitação, emoção ─ aproximando seu rosto exclamou ─ e muito mais! Não satisfeito com a resposta perguntou mais uma vez sorrindo sarcasticamente: ─ Por quê? Ela então voltou a explicar: ─ Você sabe que seus pais são donos dessa propriedade, certo? ─ Não, imagina ─ afirmou com um tom de voz de tédio. ─ Mas o que você não sabe é que desde que você ainda era pequeno já planejavam sua formatura e ao decorrer do tempo o fato de você ser um gênio os motivou mais ainda. Então resolveram colocar seu nome ao colégio. ─ Nossa! É o que faltava. E o chapéu e o canudo dourado sobre a mesa? ─ São para você usar na hora das fotos, querido. E além disso, ainda tem uma beca preparada, uma pequena observação, a beca também é dourada. Uma das fotos será usada como quadro em sua casa. Suponho que você também irá querer uma cópia em seu quarto. Outra cópia, a maior de todas, será colocada na entrada do colégio, 28 também com moldura dourada! ─ Sério? Que legal! Brilha no escuro também? Tomara que eu não esteja dourado na foto. ─ O que é isso Alex? Mais animação e aproveite a festa ─ saiu dançando a música que tocava no momento, tocada por uma banda contratada para a festa. ─ Desse jeito é que não vou aproveitar mesmo. Browds também concordando com a diretora sugeriu-lhe: ─ Ela tem razão, aproveita. Olha a garçonete vindo ai. ─ É para aproveitar a garçonete ou o que ela está servindo? Os três riram no momento e Jeorge o avisou brincando: ─ Deixa só você se Kelly ouvisse isso. Então de trás de Alex ouviu-se uma voz dizendo: ─ Eu já ouvi. Alex virou seu rosto para trás ouvindo quem havia dito, e ela afirmou novamente de braços cruzados: ─ Eu já ouvi tudo. Vick interferiu dizendo: ─ Não Kelly, você não ouviu não. ─ Não ouvi? ─ Não, nós ouvimos. ─ Você deve estar certa. Observavam a cena com expressões confusas até que Jeorge concluiu: 29 ─ Sim, elas realmente estão loucas. Ouvindo isso perguntou Vick: ─ Ouviu isso Kelly? ─ Ouvi sim Vick. ─ Eles acham que nós estamos loucas. ─ Larga a mão Vick, algumas pessoas só falam abobrinha e outras se fazem de vegetarianas, mas são canibais. ─ Você deve estar certa. Estranhando mais ainda por entender nada, Alex olhou para eles sussurrando: ─ Não, não estão loucas, são loucas. ─ Você deve estar certo ─ afirmou Jeorge. Kelly percebendo o desvio de assunto fechou a expressão do olhar e tornou a perguntá-lo: ─ Então voltando ao assunto, Alex o que quis dizer com aquilo? Browds em uma questão de menos de um segundo olhou para os lados pensando rápido para tirar Alex dessa situação e disfarçando interrompeu-os avisando: ─ Sem querer interromper e estragar a surpresa, mas a equipe de TV já está para chegar. Rapidamente Alex entendendo sua intenção continuou o desvio de assunto, mas realmente espantado com o aviso. ─ Isso mesmo! ─ Browds confirmou com a cabeça. ─ É o que faltava. Agora sim meu dia está completo. Vão me 30 perguntar ─ fazendo uma imitação básica de repórter fechou as mãos com se estivesse segurando um microfone e simulou entrevistando a si mesmo ─ O que está achando de tudo isso? ─ tomou o “microfone” para si mesmo ─ Legal! Browds concordou com a resposta: ─ Pode ser. ─ Não! Você acha mesmo que eu responderia isso? Seria o maior papelão. Então o que eu poderia responder? ─ continuando a retrucar sugeriu sarcasticamente ─ Já sei. Talvez eu pudesse começar a chorar, chupar dedo e correr para o banheiro trocar minha fralda. Estranhando a sugestão Vick o perguntou: ─ Você usa fraldas? ─ Não! ─ Então sobrou apenas responder “legal” ─ Vick o sugeriu. Browds tentou ajudar com uma sugestão: ─ Diga o que vier a cabeça na hora. ─ Melhor não, é uma boa idéia, mas nunca se sabe ─ pensou um pouco se lembrando de um detalhe sobre a forma que Browds o avisou e acabou raciocinando sem querer, então o perguntou: ─ Você disse “sem querer estragar a surpresa”? ─ E apontou para ele. ─ Então você sabia de tudo isso. Jeorge o respondeu por Browds: ─ Sim e eu também. Ficamos encarregados de distraí-lo até a hora certa e manter tudo em sigilo. 31 ─ Mas por quê?! Rachel imediatamente retrucando sua pergunta o respondeu: ─ Senhor gênio, se era para ser surpresa obviamente deveríamos manter em sigilo, eles pediram nossa ajuda porque nós somos seus amigos mais próximos, então precisavam de alguém para ajudar e distraí-lo, idiota. Vendo que Alex estava espantado com a resposta de Rachel, comentou Jade para aliviar o dialogo. ─ Seus pais confiaram em nós. ─ E em nós também ─ responderam Vick e Kelly ao mesmo tempo. E Jade o perguntou para seu raciocínio: ─ Por que você que todos vieram com roupas especiais hoje? ─ Para festa de formatura. ─ Certo; Para festa de formatura que seus pais planejaram. Isso significa que? ─ A festa era apenas um pretexto para que eu não pudesse desconfiar de nenhum detalhe. ─ Isso mesmo! Até que você é esperto. ─ Então isso significa que todos da escola sabiam exceto eu? ─ Alex espantando-se com o sigilo da escola inteira. Rachel novamente não tolerando a pergunta dele tornou a retrucar: ─ Claro gênio. Se a surpresa era para você, você era o único que não podia saber. Usa o cérebro para algo diferente pelo menos uma vez. 32 Ainda não satisfeito com a resposta dela explicou o motivo de sua pergunta: ─ Mas é impossível toda a escola ter mantido em segredo, sempre há um instinto fofoqueiro. Há quanto tempo sabiam de tudo isso? ─ Para seu alivio mental, só sabiam da festa da formatura, também foram enganados como você. ─ Alguém viu a diretora Polly? ─ Michael ofegou interrompendo-os ao chegar correndo. ─ Não vi não, da ultima vez que eu a vi, ela havia saído dançando por ai ─ explicou Alex. ─ Eu sei, foi eu que ela pegou para dançar, infelizmente. Mas depois disso não a viram? ─ Não ─ responderam em coral. Browds voltando ao assunto concluiu: ─ Os detalhes foram sendo informados ao longo do tempo. Mas alguns ficaram responsáveis pela produção e organização da festa. Susan encontrando-os aproximou-se deles segurando uma taça de refrigerante e logo os cumprimentou. ─ Oi gente, tudo bem? ─ Não, não, não; nós que temos que te perguntar como vai ─ murmurou Rachel preocupada. ─ Não posso dizer que está tudo bem. Esta noite foi tão difícil que tive que dormir com meus pais. Sei que eu devia ter vergonha de 33 contar isso, mas é a pura verdade. ─ Imagino. Fique tranquila, eu entendo ─ e com um olhar ameaçador virando o rosto para Alex, Browds e Jeorge, supôs ─ e aposto que eles também entendem. Imediatamente eles balançaram a cabeça positivamente afirmando que entendiam. ─ Mas continue contando como foi ─ sugeriu Jade. ─ Não tenho muito que dizer, foi difícil. Mas parece que depois daquilo, a diretora está um pouco desconfiada de mim, ela não para de me observar, acha que está sendo discreta, como se eu não tivesse percebendo nada. Alex ouvindo isso suspeitou. Até que Susan pediu: ─ Alguém pode ir ao banheiro comigo? Sabe depois daquilo eu não confio mais de ir sozinha. ─ Eu vou ─ Browds se ofereceu e Rachel virando o rosto olhou feio para ele. E ao prestar atenção no pedido de Susan, logo se explicou ─ ah, desculpa, é que eu não havia prestado atenção que ela pediu para ir ao banheiro. ─ Bom mesmo. Achou que ela iria onde? Tomar sorvete? ─ perguntou Rachel ao sair acompanhando Susan, virou seu rosto para trás, olhou para Browds e fez um gesto com dois dedos apontando para os próprios olhos e em seguida apontando para ele; que significava para ele ficar atento. Browds então voltou ao assunto. ─ Então, Alex, voltando ao assunto. Ficamos responsáveis 34 pela… ─ ao tornar a olhar para Alex, notou que ele estava o observando sorrindo com um olhar desconfiado ─ qual é? ─ Interessante; vocês dois. ─ Nada a ver ─ tentando disfarçar voltou ao assunto anterior ─ Jade, Rachel, Kelly, Vick, Jeorge e eu ficamos responsáveis pela… ─ imediatamente parou o que estava dizendo e virando subitamente para trás ao ouvir novamente o grito de Susan vindo do banheiro. ─ A Rachel, também, não serve pra nada, seria melhor que Browds fosse ─ exclamou Jeorge ao espantar-se também. Correram preocupados em direção ao banheiro, viram saindo de uma cortina de fumaça que saia do banheiro, Susan e Rachel. Susan não parecia tão assustada, enquanto Rachel parecia pensativa. ─ Nossa pergunta está respondida, com certeza é contra Susan ─ exclamou Rachel confirmando. ─ Como você sabe? ─ Perguntou Browds. ─ Simplesmente usei a cabeça. Aproveitei que Susan voltaria ao banheiro para fazer o teste, combinei tudo com ela antes de entrar no banheiro. Pedi a vassoura e um pano para a faxineira dizendo que uma aluna havia vomitado e que não se preocupasse porque eu iria limpar sendo que na verdade eu precisava de algo para ataque e defesa. Quando entramos no banheiro, ficamos um tempinho lá, mas ela não apareceu. Quando fingi que estava saindo do banheiro, me escondi atrás de um dos boxes, e logo em seguida a tal criatura apareceu. Eu a vi apenas de costas, mas então quando resolvi atacá35 la, joguei o pano por cima dela, mas quando tentei golpeá-la com o cabo da vassoura, já havia desaparecido no jato de fumaça, mas o pano estava lá no chão. Não ficamos assustadas porque sabíamos que havia alguém por trás disso ─ assim Rachel descreveu o acontecimento. ─ Boatos e mais boatos, o que estão tentando fazer? Gerar algum tipo de manifestação? Interditar a escola? Tirar-me desse colégio, é isso? ─ Perguntou a diretora ao aproximar-se ouvindo os comentários. ─ Como assim tirar você da escola? Você teria algo a ver com isso? ─ Perguntou Rachel. ─ Claro que não, tenho assuntos mais importantes a resolver ─ saiu caminhando estressada, e acabou esbarrando com Michael que se aproximava correndo, ela nem parou para pedir desculpas, continuou andando. Aproximando-se deles perguntou-os ofegando: ─ O que aconteceu com ela? ─ Parece que sentiu o peso da culpa ─ respondeu Jade. ─ Melhor deixarmos isso para depois e aproveitarmos a festa ─ Vick sugeriu. ─ É verdade ─ Jeorge confirmou. ─ Acho melhor que a diretora também aproveite, podemos nos sair mal nessa história. Vou cuidar para que ela acalme-se ─ exclamou Michael e em seguida correu para alcançar a diretora. 36 < Capítulo Três > A Festa ─ Mas voltando ao assunto, quem ajudou em uma grande parte foi Jade, Rachel, Vick, Kelly, Jeorge e claro, eu! ─ Browds explicou. ─ Como assim “claro”? Fala isso como se fosse a mais importante das ajudas ou até o que mais ajudou ─ murmurou Rachel. ─ Não estou medindo esforços, apenas afirmando que nunca iria negar minha ajuda, sabendo que tudo isso seria feito para meu melhor amigo. Logicamente eu ajudaria nas minhas condições fazendo o máximo possível para o melhor da festa ─ sorriu ao terminar sua fala. Alex estranhou essa repentina atitude e resposta de Browds. ─ Era para me emocionar? E porque começou a falar formalmente tão de repente? E esse sorriso? Chega a assustar. ─ Devem ser câmeras ocultas ─ respondeu Kelly. ─ Câmeras ou cultas? ─ Disse Vick corrigindo-a ─ devem ser câmeras, pois cultas não filmam. ─ Você deve estar certa ─ Kelly confirmou. Jade ao olhar para os olhos de Browds; olhou para trás e assim viu a resposta para a pergunta deles. ─ Não, Kelly. Não são câmeras ocultas. Elas já estão expostas o 37 suficiente. Ao olharem para trás perceberam que lá estava à equipe de reportagem de TV e o grupo de entrevista de Michael para o Jornal da escola. E assim uma repórter que pertencia à equipe de reportagem da TV perguntou a Alex erguendo o microfone em frente seu rosto. ─ O que você está achando desse grande dia? A repórter estava usando um vestido em que seus seios ficavam parcialmente a mostra. E Jeorge fascinado com a cena exclamou: ─ Maravilhoso! Alex vendo que todos estavam olhando para Jeorge por sua atitude, fez um sinal discreto e desesperado para ele parar. Logo percebeu o sinal e sua atitude indiscreta. ─ Ops. Desculpe, a pergunta foi para Alex, não é? Eu me encantei e me empolguei tanto com a beleza da festa que acabei respondendo por ele. ─ Encantado com a “grandeza” e a beleza, não é? ─ comentou Browds. ─ Sim, da festa. ─ Sei. ─ Deixe-o aproveitar a festa ─ a repórter criticou. ─ Belo vestido ─ Jeorge aproveitou para elogiá-la. ─ Sua roupa também está bonita, te deixa gato ─ ela comentou. ─ Que nada ─ respondeu cutucando Browds com seu cotovelo 38 gabando-se do elogio. Subitamente olharam para trás assustados ao ouvir o barulho da taça quebrando-se na mão de Vick. ─ Ai, essas taças de hoje em dia são tão frágeis ─ Vick tentou disfarçar percebendo que estavam olhando para ela. ─ Completamente sensíveis ─ comentou Kelly. ─ Se ofendem com qualquer coisa. ─ Você deve estar certa. A repórter estranhou o dialogo das duas: ─ Elas são loucas? ─ Sussurrou a Alex. ─ Não, só quando estão juntas. ─ Como é? Parando de sussurrar, Alex a explicou: ─ Brincadeira. Elas só aparentam ser, mas estão aproveitando o que chamamos de juventude, enquanto há tempo ─ olhando para as duas terminou dizendo ─ na verdade, elas devem estar certas. Vick e Kelly se entreolharam e olharam sorrindo contentes para Alex vendo que ele havia as defendido. ─ Obrigado, Alex ─ virou-se olhando para Jeorge com seu rosto demonstrando insatisfação. ─ Pelo menos um cavalheiro para nos defender. ─ Nossa! A garota é perturbada. Vick parecia irritada com o comentário de Jeorge, mas enquanto isso a repórter fez um sinal positivo para câmera e tornou a perguntar 39 a Alex. ─ Alex, você ainda não me respondeu, o que está achando dessa garota perturbada? ─ O quê? ─ Ops; Me desculpem. O que está achando desse grande dia? ─ Na verdade, eu não esperava tudo isso, mas como vi que tudo foi feito com verdadeiro esforço então devo valorizá-lo e aproveitar a festa até o ultimo segundo. ─ Estas são as palavras desse simpático gênio. Na verdade parece que todos vão aproveitar a festa até o final, veja só ─ voltando a olhar para a câmera disse para encerrar sua matéria ─ aqui é Elizabeth Braek falando do atual Colégio Alex Santos diretamente para o Five News. Elizabeth agradeceu a eles, despediu-se deixando um cartãozinho com Jeorge e retirou-se. Vick pegou no braço de Kelly e puxou-a afastando-se, Kelly até fez um sinal que voltaria logo. Michael aproveitou a reportagem de Elizabeth para entrevistá-lo, aproximou-se de Alex segurando um bloco de anotações. ─ Alex, eu estava ouvindo sua entrevista e ouvi você dizer que irá aproveitar a festa até o fim, ou como você mesmo disse, até o ultimo segundo. ─ Sim, até o ultimo segundo. ─ Então você já deve ter sido informado que a festa irá durar até o final do dia, ou seja, até o seu ultimo segundo. Você afirmou com 40 tanta clareza. Mas o que você acha disso? No momento em que Alex ouviu isso, arregalou os olhos, espantado pelo fato de que teria de ficar o resto do dia, e o que mais estaria por vir. Aproveitando a expressão no rosto de Alex, tirou uma foto para a capa do jornal da escola. ─ Vai ser uma longa noite ─ afirmou Alex sem mais o que dizer. ─ Sim, vai ser uma longa noite ─ afirmou Rachel apoiando a mão em seu ombro. ─ Gente; venham rápido. A vice-diretora disse que vai apresentar a cerimônia da entrega dos canudos daqui a pouco ─ Vick e Kelly os avisaram falando juntas. ─ Mas a diretora que deveria apresentar a cerimônia ─ Alex comentou. ─ Ela disse que a diretora recebeu um chamado urgente, e também disse que a diretora deixou sua beca na secretária, pediu para você buscá-la e vestir lá mesmo ─ Kelly explicou. ─ Obrigado ─ agradeceu se dirigindo ao corredor que levava a secretaria, corredor um pouco escuro e silencioso, pois não havia ninguém, aquele dia apenas os formandos tiveram aula. Os outros alunos foram para suas salas vestir suas becas. Quando Alex entrou na sala da secretaria que não havia ninguém, logo avistou sua beca pendurada. De costas para porta vestiu-a e ao colocar a cabeça para fora da gola avistou a tal “criatura” parada olhando para ele, foi um susto e tanto, imediatamente tentou abrir a 41 porta desesperado, olhava para trás percebendo que a criatura flutuava aproximando-se dele, a porta estava trancada, não sabia como, se havia acabado de entrar, mas isso não importava no momento, só queria saber um jeito de sair dali. Desesperadamente começou a bater na porta com esperança de quebrá-la. Ao olhar para trás novamente percebeu que a criatura não estava mais lá, mas isso não aliviou seu susto e também não impediu que continuasse tentando sair de lá. Com pancadas e mais pancadas tentava arrombar a porta. Até ouvir alguém se aproximando no corredor. ─ ALEX, AFASTE-SE DA PORTA ─ gritou Michael e em seguida quebrou a porta a golpes e pancadas com a vassoura que segurava. E assim Kelly, Vick, Jade, Rachel, Browds, Jeorge e a vicediretora Gina Rocksty entraram na sala desesperados e preocupados. ─ Está tudo bem, Alex? ─ Perguntou Kelly sacudindo-o ao segurar seus ombros. ─ Calma, eu estou bem. Mas porque Michael veio com uma vassoura? ─ Eu vim na esperança de acertar a criatura caso ainda estivesse aqui. ─ Eu a vi, mas como você sabia que ela apareceu? ─ As pancadas na porta, para uma pessoa desesperada desse jeito só podia ter visto a criatura, ou estava sendo atacado por alguém ou a sala estava pegando fogo. ─ Vocês ainda estão com essa história de criatura? A diretora me 42 falou sobre isso, e acho que tudo isso é perda de tempo ─ exclamou Gina. ─ Vocês já pensaram em chamar um detetive? ─ perguntou Alex. ─ Michael já nos pediu isso, mas a diretora disse que isso seria perda de tempo também e eu concordei. E para que chamar um detetive? Podemos descobrir sozinhos a qualquer hora. ─ Nós chamamos de criatura porque não sabemos quem está por trás disso ─ Browds a explicou. ─ Com certeza é alguma travessura de algum aluno que não tem o que fazer. ─ Uma travessura muito bem planejada. Parece que temos mais um gênio aqui na escola ─ comentou Browds. ─ Depois vocês investigam isso, se apressem. Agora é hora da cerimônia. ─ Cadê o fogo? ─ Perguntou Susan ao chegar correndo segurando uma mangueira. ─ Que fogo? ─ Alex estranhou perguntando. ─ Eu disse, ou você estava sendo atacado ou a sala estava pegando fogo. Se fosse um incêndio, dependendo de Susan, você já teria virado mais um item do cardápio da festa, Alex tostado ao fogo ─ explicou Michael. ─ Vamos nos apressar e fingir que nada aconteceu ─ sugeriu Gina. 43 Quando todos os pais estavam atentos ao ouvir o discurso de Gina antes de apresentar a cerimônia, como os alunos eram chamados em ordem alfabética, Alex ficava sendo o terceiro da lista. Susan correndo aproximou-se de Rachel com o coração batendo a mil ─ consegui chegar a tempo ─ ofegou sorrindo. ─ Podia ter ido dar mais uma volta, você é quase a ultima da lista mesmo ─ comentou Rachel. Gina terminou seu discurso, então ela chamou a primeira da lista, Abel subiu emocionado ao palco, recebeu o canudo e posicionou sorrindo para que tirassem fotos dele. E assim foi igualmente quando chamaram o segundo da lista. Logo em seguida chegou à vez de Alex, mas ao posicionar-se sorrindo para tirarem sua foto, deparou com uma fumaça que tomou conta do ar no momento, e dela surgiu a tal criatura de pé flutuando no ar. Mas dessa vez olhava para todos e falava, tinha uma voz muito grossa. ─ Olá, formandos do “Colégio Alex Santos”! Parabéns pelo ultimo ano de vocês neste colégio ─ apontando para Susan, Rachel e Alex, afirmou: ─ alguns alunos aqui já me viram antes, parado, sem atacá-los, só como um aviso de minha existência e vindo de mim só viram fumaça, mas lembrando, onde tem fumaça… tem fogo ─ disse juntando as mãos formando uma bola de fogo e lançando contra a faixa onde estava escrito “Colégio Alex Santos”. Todos correram para os lados para escapar da faixa que caía dividindo-se em duas 44 partes em chamas. Enquanto corriam apavorados, a criatura ria da cena que via. E vendo que todos estavam atentos concluiu ─ Não pensem em estudarem ou trabalharem aqui ano que vem. Abandonem a área; esta propriedade é minha, serei bonzinho e deixarei esta construção inteira. Mas se caso ousarem se intrometerem na minha propriedade, não só derrubarei este colégio com minha própria força, mas serei obrigado a também me intrometer na propriedade de vocês, ou melhor, na vida de vocês. Se não quiserem ter uma vida perturbada evacuem a área ou também conhecerão alguns parentes meus ─ com um movimento de abrir e erguer a mão fazendo surgir de jatos de fumaça, outras criaturas iguais a ele, mas não tinham nem os olhos vermelhos, flutuavam entre os participantes da festa que corriam apavorados de um lado para outro. Enquanto a criatura ria da cena. ─ Voltem meus irmãos, os deixem aproveitar a festa hoje ─ e assim voltaram para perto dele e em jatos de fumaça desapareceram, logo em seguida voltou a alertá-los ─ Vou deixá-los aproveitar a festa hoje, continuem se divertindo, continuem a cerimônia como se nada tivesse acontecido, como se eu não tivesse aparecido, mesmo sabendo que será difícil. Mas lembrem-se, NÃO QUERO NINGUÉM AQUI ANO QUE VEM. Boa sorte, Alex. Vai precisar! ─ Dizendo isso desapareceu novamente num jato de fumaça. Todos se entreolharam assustados, a vice-diretora tentou acalmá-los. 45 ─ Acalmem-se, vamos continuar a cerimônia, assim como a própria “criatura” disse: Continuem se divertindo, continuem a cerimônia como se nada tivesse acontecido. Portanto mesmo sendo difícil, vamos esquecer tudo isso por hoje e continuar a entrega dos canudos e em seguida aproveitar a festa. ─ Está bem claro o que está acontecendo aqui ─ exclamou a diretora ao chegar explodindo em raiva ─ algum deles está tentando me incriminar para me tirar da escola. O chamado urgente que recebi foi de um monitor da escola que havia ficado preso na sala dos professores, fui ajudá-lo e acabei ficando presa lá. Mas não havia monitor nenhum. Até que Michael ouviu meus pedidos de ajuda e me tirou de lá. ─ Sim, Susan e eu fomos colocar a vassoura e a mangueira no lugar antes da cerimônia e na volta ouvimos os berros da diretora, imediatamente pensamos em correr para ver o que estava acontecendo, mas disse a Susan que podia ir para a cerimônia e deixasse que eu fosse ver o que estava acontecendo ─ exclamou Michael. ─ É verdade, eu cheguei correndo para a cerimônia e pude ver novamente a criatura ─ Susan confirmou. ─ Seja quem for é apenas uma travessura de alguém que está querendo me tirar dessa escola ─ repetiu ainda nervosa. E Alex ouvindo isso, pegou emprestada a câmera de um dos pais que estavam filmando momento da cerimônia, para lhe mostrar o 46 aparecimento da criatura, enquanto estava ausente na hora. Ela realmente espantou-se com o que viu. ─ Está bem, foi um plano bem elaborado que fizeram para tentar acabar com essa escola. Mas isso não é nada que um bom detetive não possa resolver ─ afirmou ela na tentativa de acalmá-los. ─ Um bom detetive e uma boa quantia em dinheiro também; ─ Rachel acrescentou. ─ Sim, mas vamos esquecer isso agora e… Aproveitar a festa! ─ Exclamou a diretora animando o tom de voz repentinamente, pegando novamente Michael para dançar, provavelmente era mais uma de suas tentativas de acalmá-los e animá-los. ─ Me ajudem ─ Michael sussurrou a eles. ─ Quis dizer continuar a cerimônia e depois aproveitar a festa, não é? ─ Rachel a corrigiu. ─ Tanto faz, nós vamos aproveitar a festa do mesmo jeito. ─ Você deve estar certa ─ afirmaram Vick e Kelly juntas. E assim continuou a cerimônia e em seguida todos aproveitaram a festa. ─ Não é preciso nem ler mentes para saber o que se passava na mente confusa e preocupada de todos, onde se passavam as únicas perguntas ”Quem é a criatura? Qual seu objetivo? Por quê?”, se Elizabeth ainda estivesse, aqui além de dar uma ótima matéria para a TV, de cara chamaria a atenção de muitos detetives e economizaria bastante ─ comentava Jade com Rachel. 47 Após toda aquela festa, ao chegar em sua casa, Alice ainda estava animada. Max parecia sonolento, mas se dizia ativo. Alice perguntou preocupada: ─ Alex, você está ai, filho? ─ Não, mãe. Ainda estou na festa, mas espere um pouco que logo estarei em casa. ─ Deixa de ser bobo. Por que não continuou lá até o fim? ─ Mas eu cumpri com o horário da festa. ─ Mas você não ficou para despedir-se de todos. ─ Você queria que eu me despedisse de todos? Um por um? Eu iria ficar lá o resto do outro dia. Afinal, eu disse que ficaria lá até o último segundo e fiquei até o ultimo segundo, ou seja, minha parte eu cumpri. Então vim para casa, pois eu já estava apertado. ─ Mas no colégio tem banheiros. ─ Você acha que eu iria ao banheiro com aquela criatura a solta? ─ Mas a criatura disse que nos deixaria em paz para aproveitar a festa hoje. Aquilo era apenas um aviso. Alex parou no momento, virou seu rosto e fixou olhando sério para sua mãe por alguns segundos. ─ Está bem. Você está certo, não é seguro confiar na palavra de uma criatura esquisita e desconhecida que é uma ameaça para o colégio atualmente. Ouvindo isso voltou a caminhar em direção ao banheiro 48 normalmente. ─ O que vai fazer agora? ─ Perguntou a Alex. ─ Tomar banho. ─ E o que vai fazer depois? ─ Obviamente dormir. É mais um dos motivos de eu ter vindo para casa antes. ─ Então boa noite! ─ Boa noite! Mas cadê o pai? ─ Já foi dormir. ─ Pelo menos um que me entende. ─ É, mas ele dormiu cedo porque terá que acordar cedo por negócios, sabe? Assuntos importantes como detetives. ─ Ah! Entendi, mas você não acha que é perigoso mexer com isso? Lembrando-se do aviso que a criatura nos deixou. E nós não sabemos nem quem está por trás disso, ou seja, não sabemos o que essa pessoa é capaz de fazer, depois de tudo isso. ─ Para isso que servem detetives. Não se preocupe. Se a criatura fosse realmente poderosa, você acha que ela teria mandado ninguém se intrometer nisso? Ou seja, tem medo de ser descoberto. ─ É mesmo! Você é mais esperta do que eu pensava. ─ De quem você acha que puxou a inteligência? Do seu pai? ─ Perguntou ironicamente ─ Boa noite! Agora quem vai dormir sou eu. ─ Boa noite, mãe! Depois de seu banho, foi direto para seu quarto, colocou seu 49 pijama e apagou a luz, deixando somente a luz do abajur, que ficava em cima de um criado-mudo ao lado de sua cama, aceso. Deitou-se em sua cama, direcionando sua mão para apagar a luz do abajur, conseguiu tirar a criatura de sua mente naquele momento. Parou olhando para a parede vendo seu quadro de quando ainda era pequeno, não havia nem começado a estudar na época. E lentamente virou seu rosto olhando para o espelho e em seguida olhou para a janela vendo a lua e as estrelas. E com um profundo suspiro desligou o abajur e assim dormiu. Havia sido uma noite tranquila para Alex, pena que nem todos tiveram a mesma sorte. Susan ainda traumatizada teve pesadelos aquela noite, Rachel também teve pesadelos, mas os dela eram diferentes. Concluindo, Rachel e Jade tiveram mais uma noite difícil. Enquanto Vick, Kelly, Jeorge e Browds tiveram uma noite normal, assim como qualquer outra noite. Elas não entendiam o que estava acontecendo naquelas últimas duas noites. O que elas não esperavam é que em breve entenderiam, nem que fosse do modo mais difícil, mas de algum jeito entenderiam. Só não estavam mais preocupados, pois conseguiram tirar de suas mentes as perguntas que não se calavam na mente de outros: ─ Quem é a “criatura”? Quem seria esperto o bastante capaz de fazer tudo isso? Como fez todos esses efeitos? Qual seu objetivo? Por quê? A pessoa só podia estar muito zangada ou precisando muito de algo 50 para fazer isso tudo. ─ Alguns dos alunos presentes na festa tinham vontade de investigar por conta própria, mas temiam a ameaça que a “criatura” deixou como aviso durante a cerimônia, logo perdiam a vontade de investigar e faziam como os outros, esperavam até que um detetive descobrisse tudo e desse as respostas para todas essas perguntas em breve. Enquanto outros, como Alex, Jade e Rachel, que tinham mais coisas mais sérias para preocuparem-se, no momento, nem lembravam que a tal criatura existia. Cada um teve sua noite, embora para uns tenha sido difícil e para outros, mais tranquila, e outros, confusa. Mas o objetivo de todos era ter a resposta para todos esses problemas, embora os problemas de cada um fossem diferentes. E alguns problemas só tinham resposta, mas não tinham solução. 51 < Capítulo Quatro > Uma invenção inovadora Ao acordar, Alex levantou-se ainda sonolento, trocou de roupa e caminhou em direção ao banheiro passando em frente à cozinha onde viu sua mãe preparando o café-da-manhã. ─ Bom dia, Alex! ─ Bom dia, mãe. ─ É melhor apressar-se, o café-da-manhã já está na mesa. ─ Ok. Correu para o banheiro bem animado, lavou seu rosto, escovou seus dentes. Enxugou o rosto e olhou para o espelho dizendo: ─ A vida continua! Em seguida correu para a cozinha pegando o que levaria para comer. ─ Mãe; estou indo para meu laboratório e já vou comer lá. ─ Mais uma invenção? ─ Não. ─ Ah! Porque depois daquele seu espelho mágico que te mostra à realidade por trás de algo, nunca se sabe o que você pode criar agora. E por que você não usa aquele espelho para desvendar o caso da “criatura”? Pode poupar o trabalho dos detetives. 52 ─ Não é um espelho mágico, é um espelho realista, bom para pessoas iludidas, é apenas um estimulo reflexivo que faz a pessoa enxergar uma situação por outra lógica. Mas não serve para este tipo de caso. ─ Certeza? ─ Obviamente. Fui eu mesmo que criei. ─ Mas o que você vai fazer? Alex que já estava caminhando em direção a seu quarto, parou ao estranhar a pergunta. ─ Por que a pergunta? ─ Por nada, só gostaria de saber o que meu mocinho anda fazendo. ─ O de sempre. ─ É este o ponto que eu gostaria chegar, o que você sempre faz? ─ Checar se o sistema está tudo em ordem e utilizá-lo para o que eu precisar. Mas hoje vou apenas acrescentar mais um cérebro ao sistema. ─ Como? ─ Perguntou estranhando tal tecnologia. ─ Fácil. Analisar, estudar, equipar e acrescentar mais uma máquina a ele. ─ Mais uma? Você já deve ter umas catorze que eu me lembre. ─ Uma décima quinta sempre é bem vindo. Mas por que a pergunta? Você sabe muito bem pra que serve um laboratório. ─ É que não são todas as mães que tem um filho de quinze anos 53 que utiliza uma passagem secreta para chegar ao próprio laboratório secreto no subsolo da casa. ─ Ah, mãe! Relaxa, isso é normal. ─ Sério? Então me diga alguém que você conheça que tenha tudo isso. Alex pensava estar com a resposta na ponta da língua, mas realmente foi pego desprevenido, até esforçou para pensar em alguém que servisse como exemplo. ─ Browds também tem um. ─ Mas o dele é mais teórico, diferente do seu. ─ É… ─, mas quando ameaçou falar ─ ah!… ─ Desenho animado não conta ─ interrompeu-o avisando. ─ E o… ─ Não, tem que ser vida real, realidade, alguém que você conheça. ─ Ninguém ─ ofegou desistindo. ─ Viu? Era exatamente disso que eu estava falando. Mas deixa isso pra lá, pode ir. E boa sorte, seja o que for que irá fazer. Até aquele momento, continuava sem lembrar-se da “criatura”, tinha algo mais importante em mente, nem imaginava que desse algo importante surgiria algo mais importante ainda. Assim como Colombo antes de descobrir a América. Chegando ao seu quarto, fechou a porta, abriu seu guarda-roupa e pegou um tipo de controle, apertando um de seus botões, fez projetar na parede um desenho 54 holográfico de um armário e puxou desse desenho uma gaveta oculta camuflada na parede, uma gaveta mais parecida com uma prateleira, onde havia um de seus notebooks. Ativando uma de suas funções colocou a senha e sua cama inclinou-se ficando totalmente inclinada, com sua parte inferior para frente. A parte do chão que ficava sob o inferior da cama servia-lhe de plataforma e o inferior da cama continha alguns botões que moviam a plataforma o que tornava sua cama além de um móvel confortável, um elevador. Alex fechou a gaveta, desligou o holograma e aproximou-se da cama sobre a plataforma, levando o controle. Em seu laboratório, depois de terminado seu café-da-manhã, ainda animado, já havia analisado e estudado o computador, mas ao equipá-lo, parou lentamente lembrando-se de um detalhe que havia percebido ao analisar e estudar especialmente o Hard Disk. Surpreendeu-se com a hipótese que acabara de surgir em sua mente, mesmo achando que era apenas sua imaginação que estava criando coisas. ─ Não acredito! Não pode ser. Será que é possível? ─ Eram as únicas perguntas que surgiam em sua mente. Largou a peça que estava segurando e exclamou: ─ Agora que surgiu a hipótese, vou trabalhar nisso, nem que eu tenha que dedicar o resto de minha vida a isso. Se eu morrer antes de conseguir, os cientistas encontrarão a hipótese e darão continuidade a este projeto ─ pensou bem e corrigiu-se ─ ah, não. É melhor que 55 não saibam disso nunca, não daria certo em mãos erradas, principalmente quem está por trás da criatura. Nossa! É um bom modo de escapar dessa… “criatura”. Agora passarei a trabalhar nesse projeto secreto, e esse será o nome do projeto: Projeto Secreto, isso pode confundir a cabeça de alguém, mas e daí? Que idiota se confundiria com esse nome? O novo rumo de minha vida será o Projeto Secreto. Legal! Até rima, gostei. Projeto Secreto; lá vou eu! ─ afirmou com clareza. Passou o resto do dia em seu laboratório, tinha alguns suprimentos guardados lá, assim não precisou subir para almoçar. Faltando poucos minutos para meia noite, ouviu-se por um dos computadores, sua mãe o chamando. ─ Alex? Você ainda está ai? ─ Sim. ─ Ah! Não te vi o dia todo. Não vai jantar? ─ Vou sim. Prepara meu prato que eu já vou buscá-lo. ─ Vai comer aí novamente? Você nem almoçou, está aí o dia todo. ─ Eu já almocei. ─ Menos mal. Vai dormir ai hoje também? ─ Talvez. ─ O QUE? ─ É… Não sei. ─ Se você dormir será melhor para seu desempenho. 56 ─ Você deve estar certa. ─ Você deve estar certa? Isso me lembra Vick e Kelly. ─ Eu disse isso? Acho que estou andando muito com aquelas duas. Deve ter sido a festa de ontem, ou podem ter colocado algum remédio delas na minha bebida. ─ Você deve estar certo. ─ Mãe! ─ Brincadeira. Mas falando nisso, o que você está fazendo pra demorar tanto? ─ É uma invenção. ─ Nossa! Melhor que a do espelho? ─ Se der certo sim. ─ E porque você não chama Jeorge e Browds? ─ É mesmo! Apesar de que Jeorge vai estar ocupado esses dias, mas Browds obviamente vai me ajudar nisso. Ele disse que viria, quando ele aparecer qualquer hora me chame. ─ Ok. Alex havia criado várias passagens secretas para cada canto da casa, usando uma delas chegou até a cozinha, e depois de jantar voltou a seu quarto, desfez o seu “elevador” para dormir em sua cama, mas antes ajustou seu despertador para acordá-lo cedo. De manhã, já estando trabalhando no Projeto Secreto, estava tentando usar mais que sua inteligência, pois achava que o tanto de 57 inteligência que era disponível pelo cérebro para o ser humano não era o suficiente. Até que para seu alivio ouviu Browds chamá-lo, afinal dois cérebros trabalham melhor que um. Mas Alex teve uma pequena dificuldade em fazer Browds acreditar em tudo o que havia planejado, pois realmente parecia impossível, ficção, piada ou até alguma pegadinha. ─ As chamas da criatura fritaram seu cérebro? ─ Mas é verdade, eu já estudei tudo e comprovei que é possível. ─ Se nós fossemos desenho animado eu até acreditaria ─ Browds ironizou. Alex suspirou desanimando com o realismo e a falta de esperança de Browds, parando pensativo sem dizer uma palavra lembrou-se de o que fez chegar a essa descoberta e o que fez acreditar que esse projeto era possível. ─ Só um minuto, não saia daí ─ disse Alex correndo para pegar seus cálculos e anotações. Entregou as provas anotadas em um papel. ─ Meu cérebro também deve estar se desfazendo, pois realmente tem possibilidade ─ no momento seu olhar desconectouse da realidade, apontando para o papel afirmou com ansiedade ─ eu podia até pensar que você inventou qualquer coisa e escreveu neste papel para me convencer, mas são hipóteses com informações reais. ─ E então? ─ Perguntou para ver a conclusão de Browds. ─ Ainda não me convenceu ─ afirmou. ─ Sério? ─ Alex suspirou. 58 ─ Não ─ ironizou, vendo que Alex tornou a animar-se, prosseguiu: ─ Por que está olhando para mim ainda? Vamos terminar isso logo. Passaram a semana inteira trabalhando no Projeto Secreto, parando somente para comer, dormir e ir ao banheiro (óbvio), Browds teve que dormir na casa de Alex durante aquela semana, enquanto Rachel, Jade, Vick e Kelly estavam preocupadas estranhando o desaparecimento deles. Quando visitavam Alex, sempre recebiam a mesma resposta “Alex e Browds estão mais que ocupados trabalhando em algum projeto, mas logo que estiverem disponíveis entram em contato". A única razão de não estarem mais preocupadas é porque estavam seguras de que eles estavam vivos. Qualquer coisa que acontecesse, elas poderiam achar que tinha alguma ligação com a “criatura”, achariam que a “criatura” estaria envolvida de alguma forma. No final daquela longa semana, conseguira terminar com êxito junto a Browds, a evolução de sua descoberta, o protótipo de sua criação. Para que realmente se emocionassem faltava apenas aprovar o projeto após o período de testes. Apreensivos, com seus corações apertados temendo que todos seus esforços tenham sido em vão. Mas de uma coisa tinham certeza, se dessa vez não desse certo, 59 serviria de lição para as próximas tentativas até conseguirem. Mas quanto mais cedo conseguissem, melhor seria. Os testes também foram concluídos com êxito. Quase emocionados, iniciaram a segunda etapa do projeto: o processo de criação e organização do que criaram. Era como um jogo de computador; tinham de organizar e programar todas as informações. Era mais parecido com um computador, mas era inovador. Este processo durou apenas seis dias, no sétimo dia descansaram usando para analisar se estava tudo em ordem, desfrutando de tudo que criaram e viram que tudo isso era bom. Com muito orgulho aprovaram sua criação. Deixaram tudo preparado, eles pretendiam explicar a que dedicaram todo seu tempo, para todos que estavam preocupados. No dia seguinte, chamaram todos, ou seja, seus pais, Jeorge e seus pais, que já haviam voltado de viagem, Rachel, Jade, Susan, Vick e Kelly para que melhor pudessem explicar e demonstrar sua criação. E quando todos estavam presentes na sala sem saber do que se tratava, entreolhavam-se e sussurravam, mas logo ficaram de olhos atentos ao verem se aproximando Alex segurando seu notebook e Browds carregando algo coberto por um pano vermelho e colocaram sobre uma mesa. Todos estavam em silêncio, atentos na coisa pequena com formato retangular que de vista lhes parecia uma caixinha, mal sabiam eles que a coisa era seu novo projeto, na verdade, alguns nem sabiam que estavam trabalhando em um. Não 60 estavam entendendo nada, pois Alex mexia algo em seu notebook, digitava e clicava, digitava e clicava, mas ninguém entendia o que estava fazendo. Até que perceberam que ele havia parado de digitar. Alex com seus dedos na posição de digitação parados no ar; virou seu rosto lentamente para trás e em seguida virou o resto de seu corpo, caminhou de um lado para o outro apontando seu dedo para todos também lentamente. ─ Eu lhes aviso: tudo que ouvirem aqui, não sairá daqui. Está entendido? ─ Sim ─ responderam em coral. ─ O que criamos foi criado para aproveitarmos e não para gabar-se, portanto tudo que virem e ouvirem aqui não sairá daqui. Deixei bem claro? Sem palavras, de olhos bem abertos espantados balançaram a cabeça positivamente. ─ Perfeito. Primeiramente vamos lhes mostrar e em seguida explicaremos sobre essa criação e explicaremos seus objetivos. O Projeto Secreto ─ fechando a expressão do olhar girou virando-se para todos ─ vocês devem ter alguma idéia do motivo de chamar-se assim, não é? Novamente balançaram a cabeça positivamente assustados. ─ Certo. O Projeto Secreto, ao qual dedicamos todo nosso tempo e esforço para… Foi interrompido pela campainha. 61 Todos olharam para a porta ao ouvirem o som da campainha. A mãe de Alex levantou-se: ─ Deixa que eu atendo ─ caminhou em direção à porta, vendo que era seu pedido, então gentilmente mandou-o entrar ─ Michael! Susan! Entrem. ─ Eu trouxe o jornal da escola que a senhora pediu. ─ Obrigada ─ após dar uma olhada na capa do jornal seguida de uma discreta risadinha, ergueu o jornal para Alex. ─ Veja só, não está perfeito? Alex no momento fez a mesma cara que ele estava na foto, espantado com os olhos arregalados, lembrando-se que Susan havia tirado a foto naquele momento. Com um olhar não satisfeito para Susan, ela deu uma risadinha para disfarçar. ─ Claro; Perfeito. ─ Este é o primeiro exemplar, em primeira mão, tem até uma parte sobre a “criatura” e… ─ percebeu a presença de todos ao seu redor ─ parece que chegamos na hora certa, é alguma festa, reunião de negócios ou assuntos de família? ─ indicando a porta Michael avisou ─ porque seu eu estiver atrapalhando eu posso… ─ Não, não, não. Pode ficar. E respondendo a sua pergunta, nem um e nem outro, a única coisa que acertou é que chegou na hora certa. ─ Ah! Legal!… Mas por quê? ─ Estávamos prontos para mostrar algo que ninguém nunca viu 62 antes. ─ E… ─ ameaçou perguntar algo, mas Alex o avisou antes. ─ Desenho animado não conta, tem que ser vida real, realidade. ─ Eu juro que já vi essa cena antes ─ murmurou Alice. ─ Mas se você realmente quiser ver terá que fazer o juramento. ─ Nossa! ─ Espantou-se com a restrição para sigilo absoluto ─ Tem certeza de que isso tudo é realmente necessário? ─ Isso está começando a parecer brincadeira de criança ─ afirmou Max. Nervoso ao ouvir a pergunta, bateu a mão fechada sobre a mesa e o respondeu aproximando-se dele. ─ Lógico que é necessário. Não se trata de qualquer coisa, mas sim de algo que irá mudar, não só a nossa vida, mas também a vida de quem Browds e eu escolhermos. Agora por favor, me tragam uma bíblia. Mas Browds não entendeu o objetivo do pedido: ─ Bíblia? Por quê? Vai dá-lo o sermão da montanha? ─ Aguarde. Breve verá. Enquanto sua mãe levantou-se para buscar o que havia pedido, Kelly comentou à Vick: ─ Ouviu isso Vick? ─ O que Kelly? ─ Alex agora é um pastor. ─ Se ele é um pastor, todos nós somos ovelhas. Veja, Jeorge é a 63 ovelha negra. ─ E Browds a ovelha perdida ─ Rachel aproveitou ironizando. ─ Agora, você, Rachel, Jade, Susan e eu somos as ovelhas branquinhas, fofinhas e macias. ─ Você deve estar certa ─ afirmou Kelly. ─ Não devem. Estão ─ Rachel confirmou. ─ Dessa vez as duas tem razão ─ Jade concordou. ─ Elas não mudaram nada ─ comentou Michael. ─ Pode ter certeza ─ e assim recebendo a bíblia em suas mãos ordenou a Michael ─ agora, sem perder tempo, coloque sua mão direita sobre ela, ou vice-versa. ─ e Michael obedecendo, concluiu ─ Jura dizer a verdade, somente a verdade, nada além da verdade? ─ Juro. ─ O que? ─ Browds estranhou. ─ Ah! Foi mal, vamos novamente ─ corrigiu-se Alex ─ Jura que o que ouvir aqui, será comentado somente aqui e não sairá daqui? ─ Sim, juro. ─ Certo. Então senta ali e fica quieto. ─ Mas e a Susan, não precisa fazer o juramento? Mas antes que Alex pudesse responder, todos responderam: ─ Não! Michael assustado comentou: ─ Está bem… pode continuar. 64 Virando-se para seu projeto, tirou o pano que o cobria e novamente virou-se para todos perguntando-lhes: ─ O que é isso? Imediatamente Michael ergueu a mão, Browds olhou para todos como se não estivesse o percebendo de mão erguida ─ Alguém ai sabe? ─ Um Hard Disk. E daí? ─ afirmou Rachel com uma voz de tédio. ─ Um Hard Disk? Eu ia dizer que era uma carteira de luxo ─ murmurou Michael, enquanto estranhavam sua resposta. Na verdade, ninguém sabia o que era, pois naquela época não existia tal tecnologia, o fato de Alex e Browds conhecerem e possuírem tecnologia futurística fazia parte do segredo de sua superinteligência. E Rachel apenas conhecia, pois já apresentaram seus laboratórios a ela. ─ Certo. Um Hard Disk. Mas vocês acham que eu chamei todos vocês aqui para tomarem conhecimento sobre o inferior de um computador? Para dar uma palestra sobre como funciona um Hard Disk? ─ Sim? ─ Perguntou Vick em voz baixa. ─ Não! Se eu tomei o precioso tempo de vocês significa que isso não é apenas um Hard Disk ─ olhando para todos, que no momento estavam espantados e atentos, afirmou ─ Darei uma demonstração do que estou dizendo. Será apenas uma introdução, apenas como 65 iniciativa ─ concluiu dirigindo-se a seu notebook. Na tela apareceu um cenário e um personagem interagindo sobre ele. ─ O computador mesmo sendo uma maquina, é um mundo onde vivemos em terceira pessoa. Você não clica, usa algo para clicar, o mouse; Você não digita, usa algo para digitar, o teclado. É disso que estou falando, ─ apontando para a tela do notebook onde estava o cenário com o personagem interagindo, perguntou ─ estão vendo isso? E se vivêssemos tudo isso em primeira pessoa? Todos se entreolharam estranhando, cochichavam, sussurravam e comentavam, e Alex percebendo isso pediu: ─ Browds. Por favor. Conclusão. ─ Seriamos transformados em informações, em kilobytes, Megabytes, Gigabytes ou o quanto for preciso. E se voltássemos para Terra, voltaríamos ao normal e ao voltar a este mundo, seriamos transformados novamente. ─ Este mundo? Vocês criaram uma subdimensão? ─ Exclamou Rachel levantando-se assustada. ─ Sim, uma subdimensão que por enquanto possui apenas um planeta, um mundo ─ afirmou lhes sorrindo e em seguida conferiu ─ estão acompanhando o raciocínio? Na mesma hora, todos impressionados bateram palmas. Enquanto Rachel, novamente, seus olhos desligaram-se da realidade, pensativa com a expressão do olhar assustada e confusa, no mesmo instante Jade sentia algo em sua cabeça, era como se levasse pontadas 66 em seu cérebro, imediatamente percebeu a reação de Rachel que ainda estava pensativa, sentia e entendia o que estava acontecendo. ─ Agora devem estar pensando: como chegaremos lá? Pela tela do monitor? Não, acho que não caberíamos! Talvez colocando algum tipo de óculos bizarro que dê a impressão que estamos vivendo fora da realidade? Não, isso não é uma impressão ─ conclui falando sério e olhando para todos. ─ Então como? No mesmo instante que Michael perguntou, Alex tirou um tipo de caneta metálica prata, mostrando a para ele. ─ O que isso lhe parece? ─ Uma caneta. ─ Isso é o que vamos ver agora ─ afirmou virando-se para o “HD”, conectou-a diretamente nele, e virando-se para seu notebook começou a digitar novamente. Terminando, desconectou a caneta. ─ Vamos ver a função desta caneta. Dando impulso, puxou sua mão para trás e fez um movimento giratório com a caneta, subitamente rápido, esticou seu braço para frente mirando a parede e dizendo: Abre-te Sésamo. De um raio de luz azul que saiu da “caneta”, abriu-se um portal na parede. Todos estavam admirados e assustados, mas só viram o portal após tirarem as mãos de frente dos olhos, pois o raio de luz havia sido muito forte. Dirigiu-se para frente do portal apresentando lhes com clareza: ─ Eis aqui o Portal Secreto. 67 ─ Pra canetinha ai funcionar é só dizer Abra-te Sésamo? ─ Não. Na verdade, não precisava dizer nada, foi só uma frase de efeito. Mas isso é o que nos levará a este mundo e logo… ─ então foi interrompido por Jade. ─ Alex! ─ levantou-se e cochichou ─ Vamos para seu quarto, tenho que te contar algo. No momento, Alex olhou para Kelly, em dúvida. ─ Não se preocupe, Kelly sabe do que se trata. ─ Isso é realmente necessário? ─ Claro que sim, se não fosse necessário, não teria te chamado. ─ Mas é tão importante assim? ─ Cala a boca e vem logo ─ ordenou puxando-o pelo braço. 68 < Capítulo Cinco > Novo mundo, nova História Já estando em seu quarto, Jade tentava pensar um jeito de começar a explicar. ─ Aproveitando que o assunto é coisas sobrenaturais, anormais, fora do normal. Depois de você ter descoberto e criado esta dimensão, suponho que você passou a acreditar que muitas outras coisas são possíveis… ─ Oh, oh, oh, oh ─ a interrompeu silenciando-a com seu dedo indicador ─ só porque eu provei uma teoria quase impossível, não significa que acredito em todas as teorias impossíveis. ─ Eu sei. Você entendeu o que eu quis dizer! ─ em seguida prosseguiu sua explicação ao ver Alex respondendo positivamente com a cabeça ─ Rachel e eu… ─ É algo sobre relacionamento? ─ Não. E o que isto tem a ver com sobrenatural? ─ Não sei, eu não sei do que se trata. Afinal agora é difícil saber o que é possível e o que é impossível. ─ Se não sabe do que se trata cala sua boca e apenas afine seus ouvidos. E enquanto eu estiver explicando ─ e assim concluiu cada palavra lentamente ─ FICA QUIETO E NÃO COMENTA, a não 69 ser que eu permita. ─ Ok. Entendi… A palavra é sua agora. Pode começar. ─ Obrigado ─ agradeceu acalmando-se para continuar sua explicação. ─ Acredita em dons especiais? ─ percebendo que Alex não respondia chamou sua atenção ─ Alex, estou falando com você. ─ Ah! Foi uma pergunta, não é? Depende de que tipo de dons estiver falando. ─ Certo, mas no que você estava pensando? ─ e ao olhar para seus olhos disse ─ não precisa dizer, pois eu sei que você não ia dizer mesmo. Só não te bato agora porque não terminei a explicação. Alex estranhava não entendendo do que ela estava falando. ─ Está bem, vou ser direta. Eu agora tenho o dom de telepatia e Rachel é vidente. Pronto, falei. Alex apresentava uma expressão espantada em seu rosto. ─ Parece loucura, mas… ─ interrompeu sua fala ao perceber que Alex estava soltando algumas risadas abafadas, mas em seguida não aguentando mais segurá-la, caiu na risada. ─ Jade, ─ falou tentando parar de rir ─ eu sei que o lance de eu ter criado uma nova dimensão é estranho e sinistro, mas não precisa levar por esse lado. ─ Eu sabia que você não acreditaria se eu dissesse diretamente. Foi por isso que eu vim falar com você, porque eu posso provar na hora, já Rachel não consegue “prever” a hora que pode provar. ─ Ela não consegue prever a hora que vai prever? 70 ─ É… isso aí. Agora eu vou prová-lo. Pense em qualquer coisa. Então seu olhar centralizou-se nos olhos dele, esforçou não apenas seu olhar, mas também sua mente. ─ Uma letra, um número e uma palavra. Alex estava ficando preocupado, mas não demonstrou isso em seu rosto, mas sim insatisfação. ─ Calma, não terminei ─ continuando seu esforço visual comentou ─ parece até senha: A3Bacon. Agora Alex estava espantado, mas em seu rosto continuou demonstrando insatisfação. ─ Nossa! Como fui boba, claro que parece uma senha, pois é uma senha. É a senha para entrar em seu laboratório. Agora Alex além de espantado e preocupado, desviou seu olhar, desesperado. ─ Droga, andou me espionando, não é? ─ Não; E agora você está me xingando por pensamento. Mas foi você quem pediu ─ então continuou sua sessão de amostra grátis para deixar claro que não se tratava de uma farsa ─ interessante… então você tem um controle remoto do seu quarto que está em… seu guarda roupa! Alex olhou para seu guarda-roupa, em seguida olhou pra ela, com uma expressão desesperada, querendo que ela parasse, pois sabia que seus segredos estavam sendo arruinados. ─ Esperto; muito esperto… ─ disse ela aproximando-se da 71 parede e passando a mão sobre ela ─ então aqui se encontra uma gaveta oculta, você digita a senha e… ─ mostrou esforçar sua mente como se não conseguisse mais informações, percebendo que Alex aliviava-se ao pensar que havia cedido, então olhou para a cama dele e exclamou animada ─ Sua cama se transforma num elevador? Que demais! E parece que… ─ CHEGA! ─ Gritou Alex satisfeito seguido de um suspiro não suportando mais, mas continuava confuso a respeito disso. ─ Finalmente. ─ Mas não entendo; Por quê? Como? Quando? ─ Se você que é o gênio não entende e agente então? Por isso decidimos falar com você, mesmo não entendendo, você poderia estudar isso melhor. E a Rachel teve uns sonhos estranhos, tipo… ─ Espere; depois eu chamo vocês para explicarem melhor, agora o assunto é o Mundo Secreto. Vamos logo, ainda devem estar esperando. Voltando a sala. ─ Voltei, agora deixarei que vocês conheçam pessoalmente o Mundo Secreto. Assim todos se levantaram empolgados, um pouco preocupados, mas confiavam na palavra de Alex. ─ Ao passar pelo Portal Secreto não sentimos nada? Tipo na hora de transformar realidade em códigos binários? ─ Perguntou 72 Michael preocupando-se antecipadamente, antes de atravessar o portal. ─ É como passar por uma porta aberta. Nós também pensamos nisso e nos lembramos do modo mais difícil. ─ Obrigado ─ agradeceu seguindo em direção ao portal atravessando-o. Todos admiraram a beleza do local, além deles não havia mais ninguém. Aproveitaram e se encantaram muito com aquilo. Alex e Browds orgulhavam-se da reação de todos. Na hora de voltar, Alex ativou o Portal Secreto, mas antes que todos atravessassem, ele tinha um aviso, então Browds e ele falaram um seguido do outro, alternadamente. ─ Antes de voltarem tenho um aviso ─ iniciou Alex. ─ Sugiro que prestem muita atenção para o que vão ouvir ─ continuou Browds. ─ O Mundo Secreto, é excelente e impressionante, mas não é como um parque de diversões, que você aproveita um dia ou outro e volta para casa para retornarem… só Deus sabe quando, pois… ─… Este será o novo lar de vocês, portanto… ─… Preparem… ─… Suas… ─… Coisas e… ─… Bem Vindos ao seu… ─… Lar doce lar! ─ Disseram ao mesmo tempo erguendo as 73 mãos, uma para cada lado mostrando as grandezas ao redor, cujo eles já haviam visto e aproveitado. Rachel então ironicamente começou a bater palma. ─ Parabéns! Quanto tempo vocês demoraram ensaiando isso? Os que estavam presentes trouxeram parentes, muitos parentes, pai, mãe, irmãos, primos, tios e outros. Depois de três dias habitando o Mundo Secreto, chegou o dia de criarem seus documentos para identificarem-se como Secretos ─ habitantes do Mundo Secreto, por motivo de uma lei que seria lançada. Só receberia este documento, em quem fosse aplicado um novo tipo de sangue, que Alex e Browds criaram com o objetivo de identificar quem era realmente Secreto. Já nele e em Browds aplicou um tipo diferencial dos outros, para identificarem que eram os criadores, mas o de Alex, sem ele perceber era diferente do de Browds. Mesmo sendo substâncias iguais, ao misturarem-se com sangues diferentes, automaticamente se alteravam. A substância aplicada no sangue de todos era a chamada substância S e a deles que era diferente era a X-S. O Sangue de Alex era A+ (positivo), e de Browds era B+, misturando-se a substância X-S o sangue de Alex passava a ser X-AS+ e o de Browds X-BS+, que sem eles saberem tornavam as substâncias diferentes uma da outra. Neste dia todos estavam presentes reunidos; Alex, antes de iniciar o processo da aplicação da substância S, iniciou seu discurso. ─ Todos que estão presentes aqui, devem saber por qual motivo. 74 A nova lei, que proíbe a transportação de Secretos para a Terra e de terrestres para o Mundo Secreto. Não é a toa que o nome é Mundo Secreto. Por este mesmo motivo… ─ antes de terminar o que estava dizendo foi interrompido pelo susto na expressão dos rostos desesperados de todos. Imediatamente, Alex também assustado virou-se para trás e para sua surpresa, lá estava a “criatura” parada no ar, esguichando fumaça por de baixo de seu manto negro, com seus olhos redondos vermelhos e brilhantes. A “criatura” aproveitou que todos estavam assustados e paralisados de medo, para novamente fazer uma pequena demonstração de seu poder. Colocou sua mão sobre sua outra mão fechada e ao abrir foi lançada para o alto dos céus uma bola de fogo e durante a queda foi adquirindo mais velocidade e força de impacto. Todos se afastaram desesperados ao verem a bola de fogo vindo ao chão e criando um circulo de fogo nele. ─ Acharam que podiam fugir de mim ─ afirmando isso, ele estralou os dedos e todos logo viram o circulo de fogo preenchendose em chamas. E ao olharem para a criatura, havia desaparecido em um de seus jatos de fumaça, e assustaram-se ao vê-la sair do meio das chamas flutuando em pé no ar ─ Não vou fazer nada, pois não mexeram no colégio ─ desceu de volta para o circulo em chamas, onde só podiam ver sua silhueta por trás do fogo e ouvir sua voz dizendo ─ Não se preocupem, não vou fazer nada com vocês porque sei que a intenção de vocês não foi essa. Mas só estou aqui para um 75 único aviso: NINGUEM FOGE DE MIM, NÃO IMPORTA PARA ONDE VÁ! ─ Após afirmar isso, o fogo apagou-se e ela não estava mais lá. Todos se entreolharam assustados. Alex recuperou o fôlego e tentou acalmar a todos para continuarem. ─ Voltem ao que estavam fazendo, fila para os diferentes tipos sanguíneos, faixa azul A… ─ estava com pressa, não conseguia terminar de informá-los, então solicitou ajuda: ─ Jade, termine aqui, por favor, ─ entregando o microfone a Jade, correu em direção a Rachel e sussurrou a ela ─ você vem comigo. Levou-a até sua casa, e ao seu novo quarto no Mundo Secreto; e ela logo estranhou um pouco. ─ Porque tem uma geladeira em seu quarto? Ele não respondeu nada, apenas dirigiu-se a um quadro que havia na parede, onde a cena continha um homem de terno e uma mulher de vestido em um castelo, num cenário medieval. Então com uma caneta que estava segurando tocou em determinados pontos do quadro e em seguida o quadro dividindo-se em quatro pedaços triangulares, abriu-se para os lados liberando um compartimento secreto de metal. Lá havia um controle semelhante a um celular, mas sem teclas, apenas uma tela. Alex pegou e novamente com a caneta tocou os mesmos pontos do quadro, mesmo divididos e separados e o quadro voltou ao normal. Então se dirigiu até a tal “geladeira” abrindo-a, Rachel estava estranhando tudo aquilo, mas estranhou 76 mais ainda ao perceber que na “geladeira” não havia nada, era como uma caixa vazia, mas era uma “geladeira” vazia, chegava a parecer um elevador. Alex ao entrar abriu um pequeno compartimento que havia camuflado e selecionando algumas coisas com a caneta sobre a tela do controle e em seguida o depositou no pequeno compartimento, virou-se para Rachel e fez um sinal com a mão chamando-a para entrar. Ela um pouco assustada, entrou e Alex fechou a porta. ─ Alex, o que você está fazendo? Mas novamente não a respondeu. Não suportando a falta de explicação tentou abrir a porta, mas antes que pudesse tocá-la Alex segurou seu punho balançando a cabeça negativamente. Ela retirou sua mão e ficou olhando para o rosto dele que parecia não estar ligando, e perguntou: ─ Então ao menos, me diga por que me trouxe aqui. Continuou sem responder e cinco segundos depois a “geladeira” apitou, ele logo abriu a porta e já estava em seu novo e mais avançado laboratório Secreto, com a intenção de que ela o contasse sobre suas visões, para ver se podia ajudá-la, pois isso ajudaria em algo no Mundo Secreto. Alex silenciou-se e não a respondia para deixá-la mais atenta e também para evitar que alguma informação interferisse nas memórias dela. Ele saiu da cabine normalmente, mas ela saiu caminhando lentamente observando tudo ao seu redor. ─ Onde estamos? ─ Sente-se ai. 77 Olhou para baixo, mas não viu onde sentar-se. ─ Onde? No chão? ─ Você é mais exigente do que eu pensava ─ ao afirmar, ergueu sua mão para uma cadeira que havia a alguns metros dela, e assim a cadeira moveu-se em direção a ela. ─ Como você fez isso? ─ Não é o mesmo caso que o seu e o de Jade. No meu caso, uso a tecnologia para obedecer ordens de minha mente. Com certeza já viu isso em filmes. ─ Sim. Mas porque não fez algo contra a criatura lá em cima. ─ Mas não é sobre isso que quero falar. ─ Então sobre o que? ─ Sente-se; Quero que conte suas visões que ainda não conseguiu entender. Ela sentou-se lembrando de suas visões, parecia preocupada e não muito contente. ─ Acalme-se. Para facilitar é só fechar os olhos e ir dizendo a primeira palavra que vier a cabeça, relacionado ao que lembrar. Ouvindo as palavras de Alex, fechou os olhos tentando concentrar-se em tudo aquilo que havia visto, enquanto Alex aguardava pacientemente até que ela dissesse alguma palavra. ─ Calendário, dragão, erro… ─ foram suas primeiras palavras pronunciadas, Alex ficou mais alegre de ter um resultado, mesmo sendo um pouco estranho. Mas a interrompeu. 78 ─ Está bem, pode parar, por enquanto vamos usar somente estas palavras começando da ultima. O que você se lembra sobre erro? ─ Só me lembro de que durante a formatura, ouvi uma voz gritando: “Ele ainda está vivo, mataram a pessoa errada”. Olhei para os lados, mas estavam todos tranquilos e contentes como se não tivessem ouvido nada, e não tinham mesmo, perguntei sussurrando a Susan que estava próxima a mim, mas ela disse que não havia ouvido nada. ─ Certo ─ mesmo preocupado demonstrou tranquilidade voltando a perguntar ─ e o dragão? ─ Só me lembro de ter visto quando eu estava indo para sua casa com Jade, Susan, Vick e Kelly. Minha mente puxou a atenção dos meus olhos para aquele prédio próximo a sua casa, na hora vi um dragão destruindo-o, gritei: Olhem, mas elas não viram nada mais que uma rua com pessoas andando de um lado para o outro. ─ Ok ─ cada vez que ela explicava deixava Alex mais assustado e preocupado. ─ E o calendário? ─ Eu achei que fosse tolice minha, porque fui contar o tempo que você e Browds já estavam trabalhando nisso, mas quando olhei o calendário, ele estava no ano de 75… ─ 1975? ─ Não, 75 mesmo, e quando você nos falou sobre o Mundo Secreto, me veio uma dor ou pontada na mente, mas dessa vez eu 79 entendi, pois o ano começaria do zero aqui. ─ Não precisa dizer mais nada, apenas venha ─ chamou levantando-se e caminhando em direção à “geladeira”. ─ Para onde vamos? ─ De volta para nossa terra. ─ Voltar para o planeta Terra? ─ Não, vamos voltar para você poder fazer seu documento. ─ Mas onde estamos? ─ Só para você ter uma idéia, nem estamos no mesmo país mais. A tal “geladeira” como você chamou, é uma cabine que serve como um transportador. Continuando espantada entrou na cabine, mas as dúvidas ainda não saiam de sua mente. No dia seguinte, Alex procurou Browds para dizer o que pretendia fazer a respeito. ─ Oh, oh, oh. Calma aí; só porque provamos… ─… uma teoria impossível não significa que acreditamos em todas as teorias impossíveis ─ completou Alex ao mesmo tempo que Browds. ─ Ei! Como sabia que eu ia dizer isto? Você disse que Jade lia pensamentos e não você. ─ Eu disse a mesma coisa ao duvidar dela antes dela provar que era verdade. E acabei me dando mal, ela descobriu senhas, passagens 80 secretas e esconderijos. ─ Não sei… Como vou saber se não é algum tipo de brincadeira? ─ Nós criamos uma subdimensão, E VOCÊ AINDA TEM DÚVIDA? ─ Gritou Alex não tolerando a desconfiança de Browds, e abaixando o tom concluiu ─ Certo, tudo bem. Você tem todo direito de duvidar, mas se caso quiser comprovar vá até Jade e pergunte a ela o que você estará pensando no momento. Quando tiver confirmado, me procure, estarei ocupado tentando solucionar alguns assuntos futurísticos que sua namorada previu ─ virou para trás e caminhou retirando-se do local. ─ Alex. Ouvindo Browds chamá-lo, parou virando-se para ele, mas sem dizer nada. ─ Esses assuntos do futuro não são seus. São nossos. E se alguém irá solucioná-los, esse alguém não será você. Seremos nós. ─ E quando você passou a acreditar tão repentinamente? ─ O modo que você ficou sério, não podia ser brincadeira e se você levou isso à sério só podia ser coisa séria. O que me fez chegar à conclusão que tudo isso era verdade. ─ Certo, mas não podemos perder tempo agora, temos que descobrir coisas que irão acontecer após setenta e cinco anos… AGORA. ─ Por que após setenta e cinco anos? 81 Alex aproveitou a pergunta para explicar tudo a Browds. Durante a explicação Alex percebeu várias mudanças na expressão do rosto de Browds, como confuso, espantado e etc. ─ Ok. Mas como pretende fazer isso? ─ É ai que entramos, foi exatamente por este motivo que chamei você, dois cérebros pensam melhor que um. ─ Entendi. É simples, se Rachel previu isso, será ela que nos levará até isso. ─ Ah! Entendi a lógica, se a mente dela que previu, é da mente dela que precisamos. Ou seja, estudaremos a mente dela e assim criaremos algo com as informações adquiridas. Ela não pode prever quando vai prever. Mas podemos ajustar nossa maquina e controlá-la para usar qualquer hora. ─ Sim; Ou simplesmente com as informações adquiridas da mente dela você acessará o computador central do Mundo Secreto e criará uma maquina do tempo. Rachel que havia acabado de chegar ao local, logo resmungou ao ouvir a conclusão cientifica deles: ─ Ai, conversa de CDF, tô fora ─ e assim retirou-se. Vendo isso, olharam um para o outro e correram atrás dela com a intenção de iniciar os estudos. ─ Certo. Deixe-me ver se entendi. Vocês querem usar minha mente para criar algo para viajarem no tempo? ─ perguntou Rachel 82 um pouco insegura com o objetivo deles. Estava novamente no Laboratório Secreto de Alex. ─ Não; Queremos apenas estudá-la ─ Alex corrigiu. ─ E como pretendem fazer isto? ─ Simples, coloque este capacete e fique quieta ─ resmungou Browds. As informações na mente dela eram mostradas na tela grande central, aproveitaram para estudar, analisar e tirarem novas conclusões com os dados adquiridos. Rachel não estava entendendo nada, estava um pouco entediante para ela. ─ Em quanto tempo vocês acham que isso ficará pronto? ─ Provavelmente até uma semana ─ respondeu Alex. ─ Como você sabe enquanto tempo terminaremos? ─ indagou Browds não entendendo, e no momento que perguntou percebeu que Alex ainda segurando a caneta, parou o que estava anotando e olhando para Browds respondeu: ─ Se estamos mexendo com o tempo, devemos ter noção do tempo ─ e assim voltou a escrever. Browds ainda não estava muito satisfeito com a resposta, mas não perguntou mais, pois achou que deveria perguntar menos e fazer mais, então olhou para Rachel e voltou ao que estava fazendo. Browds confirmou que o palpite de Alex estava certo, pois passaram apenas três dias e já haviam terminado. Contaram aos 83 outros seus “planos para o futuro”, mas a mãe dele pareceu não ter gostado da idéia ─ Pois o futuro quem faz é o presente ─, mas não havia sido somente ela que não gostou. Então tiveram de explicar melhor a eles. ─ VOCÊ É LOUCO? Você tem algum problema? E se você morrer no futuro? ─ Gritou Kelly ainda não satisfeita com toda aquela explicação, estava muito preocupada. ─ Calma; vocês nem vão notar minha ausência. Na máquina do tempo é possível viver anos em um minuto ─ tentou tranquilizá-los, mas só os deixou mais confusos. ─ Ele está certo, em um minuto ele pode fazer o que precisa. Por exemplo: Ele vai pular setenta e cinco anos, mas quando ele já tiver completado o que ele queria, é só ele voltar a este mesmo laboratório lá no futuro, usar a máquina do tempo também lá no futuro, fazendo voltar para um minuto depois da hora que partiu daqui. É como se ele só estivesse fora por um minuto ─ explicou Browds. ─ Mas se ele morrer no futuro não terá como usar a máquina do tempo para voltar ─ murmurou Michael ─ são tão inteligentes para fazer uma maquina do tempo e não pensaram em um detalhe tão simples como esse. ─ Na verdade pensei sim, Michael… ─ Browds o desenganou. ─ Pensou? ─ Alex indagou não se lembrando de Browds ter comentado sobre isso. 84 ─ Sim, se caso ele não voltar em um minuto, eu uso a maquina do tempo colocando pra pular setenta e cinco anos, lá eu o encontrarei ainda vivo e assim posso te trazer e volta. E com todo esse processo no tempo será como se ele nunca tivesse morrido. ─ Ah! É verdade, Alex deve voltar um minuto depois porque se ele voltar antes, nós teremos dois Alex. ─ Seria bom! ─ exclamou Susan, e na mesma hora o local ficou silencioso, todos olharam para ela, principalmente Kelly. Susan estava envergonhada com o que havia deixado escapar, mas demonstrava espanto olhando para todos como se tivesse sido acusada de algum homicídio. Com o olhar quase de choro tentou correr para se esconder de vergonha, mas no mesmo instante Michael segurou em seu pulso dizendo: ─ Não precisa correr; todo ser humano erra, mas o que você fez não foi um erro. Se Kelly não gostou, o problema é dela, não seu. Olhamos porque nos espantamos por você ter admitido, e… ─ Tá bom. Guarda o resto do discurso para depois, resolvam isso quando eu voltar… ─ E em seguida Alex despediu-se de todos e entrou na maquina. ─ Vocês devem pensar: Porque ele está se despedindo se vai voltar em um minuto? Mas eu digo que vocês vão me ver após um minuto, mas eu posso não ver vocês durante um longo prazo. Vamos adiantar isso logo porque quanto mais rápido melhor… ─ Alex… 85 ─ Diga Kelly. ─ Te amo ─ e olhando para Susan disse ─ suponho que Susan queira dizer o mesmo. ─ Kelly! ─ Alex e todos disseram em coral. ─ O que foi? Foi apenas uma sugestão. Susan olhou para Kelly e em seguida olhou para Alex, e apenas para provoca-la tomou fôlego dizendo: ─ Sim, tenho algo para dizer. ─ Então diga. ─ Te amo demais ─ mandou um beijo com a mão ─ ah não, melhor ─ e assim correu até Alex, abraçou-lhe dando um beijo em seu rosto e em seguida concluiu sorrindo ─ quando voltar será melhor. Todos segurando a risada olharam para Kelly que estava com seu rosto paralisado e seus olhos arregalados. ─ É… Desculpe gente, mas tenho que ir agora… ─ afirmou Alex tentando fugir do problema o mais rápido possível. ─ Tchau, resolveremos isso daqui um minuto ─ afirmou Kelly dizendo em seco, mal mexia a boca para falar. ─ É, Alex. Melhor se segurar no futuro, você já tem problemas o bastante no presente ─ Rachel ironizou, pois sabia que uma hora ou outra isso iria dar problema. Afinal, quem não sabia? Mas Alex ligou a máquina e antes da porta fechar-se, exclamou com firmeza: ─ Que a História comece… 86 < Capítulo Seis > 75 anos depois Ainda na terra, eu, Allan Santos, branco, olhos castanhos… ─ Isso está parecendo inscrição para site de relacionamentos ─, mas não, uma empresa de serviços por assinatura, como TV, telefone e internet. Chamada ANETi, havia me chamado para trabalhar com eles, coincidência, justamente quando eu estava procurando emprego; com certeza alguém se lembrou que eu estava procurando e resolveu me ajudar, gostaria de saber quem foi para poder agradecê-lo, seja quem for. Haviam mandado a proposta de emprego e pediram minha descrição por e-mail. Por esta eu não esperava, na verdade não esperava por nada, assim como não esperava o que ainda estava me aguardando para acontecer. No mesmo dia resolvi contar a novidade sobre a proposta misteriosa à Everton Khronus e Erich Ryan, os conheci ao vir para os Estados Unidos a trabalho. Atualmente os dois trabalhavam na policia. Depois de ter me arrumado, estava preparado para sair, mas minha irmã, Ellen, indignou-se com o que via. ─ Onde você acha que vai? ─ Na casa de Khronus. Recebi uma proposta de emprego e vou 87 lá contar pra eles. ─ Legal, mas não pode contar pra eles depois? O Andrey trouxe um amigo hoje. ─ Droga. Pior que se só tiver você tentar manter a ordem, ele vai querer tomar toda autoridade ─ pensei no caso, mas decidi que ela podia resolver isso ─ dá um jeito ai. ─ Mas não é um amigo, mas sim aquele amigo que você odeia. ─ O que ele está fazendo na minha casa? Ah! Não quero saber. Toma ─ disse entregando uma arma em sua mão ─ saberá usar. ─ É pra matar ele?! ─ Não. Está sem balas. ─ Então? ─ Mas eles não sabem. ─ Gostei! Valeu, volte cedo ─ ela agradeceu olhando, virando e revirando a arma e em seguida simulou que estava carregando a arma e atirando ─ agora poderei me vingar de quando ele tentou me paquerar. No momento eu estava prestes a descer as escadas, pronto para sair, mas no instante que meus ouvidos receberam aquelas palavras, parei arregalando os olhos, e virei o rosto para trás lentamente e ordenei em seco: ─ Me dê essa arma, tive uma idéia melhor. Alguns minutos depois, ela desceu e lá estavam dois folgadões 88 no sofá assistindo o futebol, comendo pipoca, e parte da pipoca caída pelo chão; pareciam porcos. Mostrando indignação tentou ordenar: ─ Sai daqui agora. ─ Quem? ─ Perguntou Andrey. ─ Os dois. ─ Quem vai me tirar? ─ Perguntou novamente mostrando autoridade, mas ela segurando a raiva não respondeu nada ─ já que você tai sem faze nada, vai lá na cozinha e pega dois copos de refrigerante, essa pipoca tá mal ardida, eu coloquei aquele molho de pimenta que você comprou. Minha boca tá ardendo pra caramba. Ah! E eu quero este refrigerante antes de acabar o primeiro tempo, então vai logo, faltam vinte e três minutos. Subitamente assustados viraram-se para a porta ao ouvir o barulho de um homem com máscara de bandido e segurando uma arma, chutando a porta para entrar. ─ Ajoelha os três ai agora. Foi uma ordem, não vou repetir de novo ─ ordenou-os apontando a arma para a cabeça deles, e reparou a TV ligada ─ deixa eu vê quanto que tá o jogo. Ninguém fez gol ainda? Que droga, eles vão perder. ─ É; culpa do… ─ confirmou o amigo tentando animar um pouco, mas foi interrompido. ─ Não falei com você cabeção, agora desliga a TV lá, já que se intrometeu. Imediatamente obedeceu. 89 ─ Está vendo toda aquela pipoca e o molho de pimenta derramado ali no chão? Acenou a cabeça positivamente, estava branco de medo. ─ Se não me obedecer será igual. A pipoca representa seus miolos depois do tiro. E o molho você já deve saber. No momento que ouviu isso, engoliu a seco. Mas reparou que chegou mais um homem de capuz. ─ E aí? Conseguiu? ─ Perguntou o que havia acabado de chegar. ─ Não, essa é a casa de um tira, e ele vem vindo ai. Vamos usar esses daqui de refém. ─ Refém? ─ O amigo completamente assustado, já acreditando que aquele seria o último momento de sua vida. ─ Casa de um tira? ─ Andrey perguntou não entendendo. ─ O Allan também conseguiu emprego para policial ─ respondeu Ellen. ─ Cala a boca os dois, isso não é hora de explicação. Então viram um policial também entrar com um chute na porta, e logo identificaram que era eu: ─ Fiquem todos calmos no lugar, deixem que eu resolva isso, e todos sairemos salvos. ─ O Allan vai resolver? Então já era… ─ murmurou o amigo. ─ Podem dar um tiro nele, por favor? ─ Pedi aos bandidos apontando a arma para ele. Um dos bandidos carregou sua arma e apontou para a cabeça 90 dele, e desesperado suplicou chorando aos pés do que estava o apontando a arma: ─ Não, não, não, não, por favor, eu tenho família… ─ e secou as lágrimas derramadas ao tênis do bandido. ─ Você tem família? ─ Perguntou. ─ Claro! Pai, mãe e irmãos… ─ Ah! Pelo que eu te conheci agora, tenho certeza que nem vão sentir sua falta ─ e ameaçando apertar o gatilho pediu ─ diga x. ─ Ah! Não, espere um pouco, vamos fazer o seguinte, libera esta besta e agente negocia o resto ─ sugeri ao que estava ameaçando. E então ele olhou para mim, olhou para a arma e olhou para o amigo: ─ Certo, pode ir, babaca. Mas não vá pensar que te liberei porque sou bonzinho, só te liberei porque não aguento mais ver esta sua cara feia na minha frente. Vai logo… Todo feliz, sentindo-se salvo, levantou-se agradecendo: ─ Valeu; eu nunca mais volto nesta casa… ─ Finalmente… ─ murmurei agradecido. Então quando fechou a porta ao sair, Erich e Khronus tiraram a máscara de bandido rindo da situação, não só eles, mas sim todos, exceto Andrey que não estava entendendo nada: ─ Erich? Khronus? O que aconteceu aqui? ─ Isso foi só pra… ─ Não, Khronus, pode deixar comigo ─ tomei fôlego, me direcionei a ele, aparentei tranquilidade, mas estava pronto para 91 alterar minha voz ─ Isso foi só pra tirar aquele desgraçado de dentro dessa casa antes que a folga e a idiotice dele infectasse a casa, mas se tiver uma próxima vez você quem vai ser colocado pra fora ─ e assim finalizei a bronca ofegando com o dedo no rosto dele. ─ Tá, entendi, mas e o uniforme e as armas? ─ Nós trabalhamos na policia, ou seja, todas de verdade ─ Erich responde apontando a arma para sua própria cabeça. Espantado com a tal informação, acreditava que era minha arma descarregada, paralisei deixando a arma cair no chão. ─ Mas as balas são de borracha ─ avisou. ─ Ok, gente. Valeu pela ajuda, já colocamos o idiota pra correr, nos divertimos muito, mas agora tenho uma entrevista, ou melhor, conhecer o local de emprego. Então até mais Khronus, até mais Erich, Ellen já pode ir dormir, e Andrey limpa tudo. Todos saíram da sala, foram para suas casas, ou seus quartos, e Andrey vendo a bagunça ao seu redor chamou: ─ Gente, agente tava se divertindo tanto aqui. Mas não havia mais ninguém presente. Aquela noite de sono havia sido boa, pois dormir com o fato de que acabara de ser chamado por uma grande empresa sem eu ter solicitado emprego a eles, e o melhor de tudo, justamente quando eu estava procurando. Seja quem fosse o sujeito, eu gostaria de saber quem estava por trás disso ─ pode ter sido Erich ou Khronus, ou 92 alguém desta casa, ou alguém que eu conheça. Talvez até alguém que eu não conheça ─ aquela era uma dúvida que talvez eu nunca fosse descobrir a resposta, ou a verdade estava mais próxima que eu imaginava. Mas no instante essa era uma questão que devia ser deixada para mais tarde, agora eu tinha um emprego para assumir. Acordei tranquilo como se o dia fosse me esperar, levantei, e após lavar o rosto e escovar os dentes, pensei em que roupa usaria, abrindo o guarda-roupa para decidir melhor, deparei com o retrato que eu deixava lá para sempre que eu abrisse a porta do guarda-roupa pudesse vê-lo. ─ Me desejem boa sorte… Onde quer que estejam neste momento… ─ murmurei ao retrato. Que bom que ele não respondeu, não é? Simplesmente escolhi uma camisa social Sport azul, e uma calça jeans preta, e tênis preto. Em frente ao espelho do banheiro, após terminar de arrumar o cabelo, exclamei aproximando meu rosto e sorrindo num movimento só: ─ Quem é o cara mais sortudo do mundo?! E no mesmo instante o espelho se rachou. ─ Na volta compro outro… de novo… Só pra deixar mais claro, aqui encontramos duas opções, o espelho se rachou por feiura ou por algum motivo desconhecido. Neste caso, logicamente é a segunda opção, não acham? 93 Determinado a ir, era como me sentia naquele momento. Sentei no banco do carro, com as mãos no volante e olhando para o espelho retrovisor declarei: ─ O Destino me aguarda ─ e assim dei partida em direção à empresa. No instante em que saí, o telefone tocou, mas todos na casa ainda estavam dormindo, então tocou até desligar, eram nove da manhã. Ao chegar estacionei meu carro em uma vaga que por mais estranho que pareça, já estava reservada para mim, pelo menos foi isso que um dos seguranças do estacionamento havia me dito quando cheguei, e pela recepção dei-lhe uma nota. E o mais estranho é que ele parecia não saber o que fazer com o dinheiro como se não conhecesse dinheiro ─ eu hein. Antes de entrar, olhei aquele prédio enorme dos pés a cabeça e da cabeça aos pés ─ é aqui! ─ ao passar pela porta senti uma leve sensação estranha ─ devo estar nervoso ─ e tentando ficar mais tranquilo tomei um copo d’água seguindo em direção à sala onde me apresentaria ao gerente. A sala dele ficava em uma área restrita, onde fui levado com ajuda de um funcionário guia autorizado, somente junto a ele poderia acessar aquela área. Este funcionário parecia preocupado, olhava para os lados como se temesse chegar alguém, me deixando em frente à sala do gerente advertiu: 94 ─ Pode entrar, ele já está te aguardando, eu fico aqui fora te esperando, não podem pegar você aqui sozinho sem a companhia de alguém autorizado. Agora vá lá, boa sorte. ─ Obrigado. Para alguém tão preocupado como ele, não parecia alguém autorizado, com certeza o dia a dia dele deve ser difícil. Abri a porta pedindo licença, entrei educadamente e me sentei na cadeira em frente sua mesa, ele estava de costas em sua cadeira giratória elegante. Girou e ficando de frente para mim, segurando um charuto. ─ Mandei você sentar? ─ Ops, desculpe ─ levantei-me rapidamente, já estava nervoso e envergonhado. ─ Brincadeira, pode continuar. Fique a vontade ─ e apontando para um bule em sua mesa, ofereceu ─ quer café? ─ Não, obrigado ─ no momento, eu já estava nervoso, se eu tomasse, não sei o que poderia acontecer. Ele olhou para mim, olhou para sua caderneta que estava segurando na outra mão, colocou o charuto na boca, pegou a caneta que estava sobre a mesa e fez um simples risco. ─ Pronto, era só isso. Pode ir embora. Começa na segunda. ─ O que? Ir embora? É só isso? Não vai me perguntar nada? ─ Você quer esse emprego? ─ Sim. 95 ─ Então até segunda. ─ Mas e as… Então ele tirou o charuto da boca, soprou a fumaça para o ar e disse: ─ Se a pessoa realmente quisesse o emprego ela viria aqui, se você está aqui é porque quer o emprego. Você quer o emprego e ele é seu. Entendeu agora? Ou ainda tem alguma dúvida? ─ Ah! Entendi o esquema, bem esperto, é por isso que você é o gerente. Então como não quero te incomodar mais, já vou indo, até segunda. ─ Ah! Quase me esqueci ─ lembrou, quando eu estava prestes a abrir a porta. ─ Bem vindo à empresa. Todo funcionário, tem direito a esse aparelho que oferece serviço de telefone, internet e TV por assinatura, gratuito em sua casa, é só instalar e aproveitar, só não se esqueça de vir trabalhar. ─ Obrigado ─ agradeci ao pegar a caixa, e logo percebi que ele espantou-se ao ver que havia uma luz piscando em seu relógio de pulso. ─ Então, acho melhor você ir rápido, sabe? O guia que está te esperando no corredor está com pressa porque está quase no horário de almoço e ele está com fome, então se puder se apressar ele agradece e o estômago dele mais ainda. ─ Ok ─ eu respondi ao sair com pressa. Quando toquei o ombro do funcionário que estava de costas 96 olhando para os lados como se temesse que alguém chegasse, ele assustou-se e me puxou pelo braço correndo de volta para a entrada do prédio, mas antes de sair do corredor ouvimos uma voz gritando atrás de nós, no fim do corredor: ─ Ei! Você ai, volta aqui com minha roupa! Quando olhei para trás, reparei que ele estava apenas de roupa de baixo e meias. ─ Droga! Ele ainda não se convenceu até hoje que essa roupa é minha ─ reclamou o funcionário. ─ Ele vem assim todos os dias? ─ Essa empresa é louca, você ainda se acostuma. Agora continua correndo. Chegando ao fim do corredor viramos à esquerda e continuamos correndo, ainda correndo apertou o botão para fechar a porta do elevador que nos esperava, e continuou correndo e me puxou para uma sala em frente. ─ Por que não usou o elevador? ─ Sussurrei estranhando. ─ É óbvio, ele vai ver o elevador fechado e vai descer pelas escadas na intenção de nos encontrar na entrada do prédio lá embaixo, então você desce pela saída de emergência e sai pelos fundos e ele nem te percebe. ─ Mas e você? ─ Eu já convivo nessa empresa, sei me virar. ─ Você realmente trabalha aqui? ─ Desconfiei. 97 ─ Silêncio ─ alertou ao ouvir o homem sem calças se aproximando do elevador. E assim que o viu em direção as escadas, ele ordenou sussurrando: ─ Vá logo. Imediatamente desci sem pensar nas consequências, corri para meu carro, fechei a porta vendo pelo espelho retrovisor que o homem sem calças estava se aproximando correndo, não me sobrava alternativa que não fosse como todos dizem: pé na estrada. No caminho, ainda dirigindo, eu pensava meio que rindo, breve estaria acostumado a viver naquela empresa maluca ─ breve serei um deles ─, mas meu coração gelou quando quase bati no carro parado em frente, o qual eu não havia percebido. Na hora do susto meu cérebro automaticamente pensou no prejuízo para o meu carro e o da pessoa. Desci do carro para ver o que estava acontecendo, avistei uma mulher discutindo com um policial criticando a multa que estava levando, um rapaz caído de bicicleta no chão, uma equipe de reportagem e um helicóptero no ar ─ mais um acidente ─ olhei para o lado, no carro em que quase bati havia um garotinho na janela segurando um chihuahua enquanto esperava sua mãe tentar evitar a multa. O garoto tinha um rosto redondinho, branquinho, loirinho e sorria como se eu estivesse brincando com ele, e por acidente deixou o cachorro cair, obviamente pegaria para o garoto, pois seria maldade resistir aquele rosto de tristeza que se transformou no momento. 98 Estávamos na ponte Golden Gate, parti em direção ao cachorro para pegá-lo, mas correu ao ver uma moto se aproximando a toda velocidade e para escapar de ser atropelado saltou da ponte, sem ter noção da altura. ─ Meu Deus ─ simplesmente chocado com a cena, eu olhei para o garoto e vendo as lágrimas descerem lentamente de seus olhos, me direcionei à beirada da ponte. Enquanto a repórter fazia a entrevista sobre o acidente de bicicleta, as câmeras estavam atentas e espantadas vendo que eu estava prestes a pular: ─ Estamos aqui na tão conhecida Golden Gate, nesta sexta-feira 13 e temos aqui mais um… ─ estranhou ─ suicida que está prestes a pular da ponte atrás de mim? ─ Olhou para trás após ouvir e repetir o que a equipe de produção havia falado e em seguida acenou para que as câmeras do helicóptero focassem em mim. Naquele instante apenas alguns pensamentos me vinham à mente ─ se eu pular agora, de acordo com meu peso, chegarei lá embaixo primeiro que o cachorro, então o agarro na queda e trago de volta para o garoto ─ nesse momento saltei. Nesse salto, tudo silenciou-se, até o rapaz desmaiado da bicicleta que havia sofrido o acidente inclinou-se para ver. Quando viram que eu havia pegado o cachorro, imediatamente entenderam o que estava acontecendo, o helicóptero logo se dirigiu para próximo da água jogando a escada para me levar de volta à 99 ponte. ─ Isso não é um suicídio, é um resgate ─ comentou a repórter acompanhando aquela cena ao vivo em rede nacional. Todos torcendo para que eu conseguisse trazer o cachorro de volta, parecia até um filme de ação. Eu esticava meu braço ao máximo para poder alcançar o degrau da escada de madeira e corda, até que finalmente consegui segurar, quando quase chegando ao helicóptero, o cachorro assustado se debate e escorrega de meus braços caindo de volta na água ─ não acredito ─ não querendo que meu esforço tivesse sido em vão, soltei o degrau e me joguei novamente na água. ─ Ahhhhhhhhhhh ─ murmurou a torcida observando de cima da ponte, e os telespectadores assistindo pela TV. Mas dessa vez perderam cachorro e eu de vista, desaparecemos na água, todos ficaram aflitos, um tempo depois reapareci segurando o cachorro; segurei a escada e subi a bordo do helicóptero que me levou de volta a ponte onde imediatamente devolvi o cachorro ao garoto e recebi um obrigado seguido de um sorriso meigo de criança. Aquilo já fez valer a pena todo o esforço feito. Em seguida a equipe de produção me enrolou com toalhas que arrumaram imediatamente. ─ O que te levou a esse bravo ato de coragem? ─ A repórter perguntou entrevistando-me ─ Ou era um suicídio e você encontrou o cachorro no caminho? ─ Se fosse um suicídio como que eu saberia que o cachorro 100 pertencia aquele garoto? ─ Ah! É verdade. Mas antes de pular você não pensou que poderia ter morrido? Aquela pergunta me fez parar para pensar, eu lembrei que antes de pular eu não pensei na morte, como se eu tivesse a esquecido ou até como se ela não existisse, o normal de uma pessoa é que antes de pular a primeira coisa que ela pensa é na morte. ─ Não. ─ Como assim “não”? ─ Agora eu não tenho tempo, tenho que voltar para meu carro e retomar meu caminho porque eu ainda tenho muita coisa pra fazer ─ então virei em direção a meu carro e ela já estava em minha frente, espantado olhei para trás vendo que ela não estava mais lá. ─ Como você fez isso? ─ Não, quem faz as perguntas aqui sou eu, e nesse momento quero saber o que você tem para fazer de tão importante o resto do dia? Salvar mais animaizinhos? ─ Não; tomar meu café da manhã é um exemplo, já são meio dia e dezenove e eu ainda não comi nada. ─ O que mais? ─ Ainda tenho que comprar três livros para faculdade na livraria, depois volto para casa pra almoçar, tenho um trabalho para entregar hoje e eu ainda estou na metade dele, sorte que não é difícil, depois eu janto, vou pra faculdade e quando volto eu durmo. 101 ─ Nossa! Que dia emocionante ─ comentou sarcasticamente ─, mas na sua rotina acontecem coisas emocionantes? ─ Eu até podia dizer coisas emocionantes, mas estamos em horário nobre ─ risos. ─ Além de corajoso tem senso de humor ─ risos ─, mas falando sério. ─ Nunca prevemos quando vai acontecer algo de emocionante, isso que o torna emocionante. ─ Então sua vida é normal assim como qualquer outra? ─ Se respostas emocionantes é o que você quer, então deveria entrevistar um super-herói. ─ Mas o que você fez foi um ato de heroísmo, isso o torna um herói. ─ Por alguns minutos. Isso só até a mídia esquecer. E sem querer ofender, mas você parece um homem. A repórter então tirou a peruca e disse ─ Mas eu sou um homem. ─ Thomas Blonks? O apresentador do telejornal Atual San Francisco! ─ Sim, mas foi um desafio que tive que cumprir. ─ Vocês ficam brincando enquanto não estão no ar? ─ Só um minuto. Deixe-me encerrar a matéria ─ acenou chamando a câmera ─ Esse foi o herói da Golden Gate para o Atual San Francisco. 102 ─ Herói da Golden Gate? ─ Sou profissional, não só sei como tenho que improvisar. Agora se quiser pode ir para o seu dia tão corrido ─ sugeriu novamente sarcástico. Mas continuei parado sem me mover, somente olhando para ele. ─ Está bem, já entendi o que você quer ─ então tirou do bolso a caneta que ele usava no programa. ─ Você vai autografar a caneta com a própria caneta? Olhou para mim sem dizer nada e tirou outra caneta do bolso usando-a para autografar a sua. ─ Aqui está. Pode ir agora ─ me entregou a caneta ─ Ah! A próxima vez que for pular pensa antes, você pode não ter a mesma sorte. Agora eu tenho que ir, esse salto está acabando com meus pés ─ e assim retirou-se em direção ao helicóptero que o levou embora. Então voltando para meu carro, a mãe do garoto apareceu na minha frente agradecendo. ─ Muito obrigado mesmo, nem sei como agradecer. Não precisava ter feito aquilo, eu podia comprar outro cachorro pra ele. ─ Além de poluir as águas, não seria a mesma coisa para o garoto. Claro, seria outro cachorro, mas vivo. ─ Muito obrigado ─ agradeceu meio que sem palavras, foi sua ultima palavra antes de entrar no carro e partir, o garoto sorria agradecido na janela enquanto o carro partia. E agora que o carro não 103 estava mais no meu caminho, a ambulância já havia levado o rapaz da bicicleta, o caminho estava livre, agora meu carro que atrapalhava os de trás que buzinavam nervosos. Após ter comprado os livros necessários, voltado para casa para almoçar e chegado da faculdade, eu não queria nem mais jantar, estava prestes a dormir. Minha família estava de visita em minha casa, vieram direto do Brasil, minha terra natal. ─ Você tem algum problema psicológico? Pular da Golden Gate? O que você estava pensando? Se não está satisfeito aqui, pode ir embora, tchau ─ murmurou Ellen. Ela tá na minha casa, como ela tá me expulsando? ─ Ah! Agora não, não quero falar nisso agora. ─ Claro, deve estar tão infeliz que quer se jogar na cama e esquecer a vida, né? Sem dizer nada continuei caminhando em direção ao quarto, mas antes que eu entrasse, parei ao ouvi-la dizer: ─ Já tomou aquele seu remédio esquisito? Deve ser por isso, não é? Foi até bom ela ter me lembrado. Aquele remédio eu tomava, mas ninguém sabia sua fórmula, nem mesmo eu. A única pessoa que sabia não dizia. Melhor prevenir-se (mesmo não sabendo o que era) que remediar-se. Mas muitas vezes por curiosidade já levei aquele 104 remédio para estudo, mas ninguém identificava nem do que era composto. E aquela noite eu não estava para pensar sobre isso. Na minha opinião, não sendo hormônios femininos era o que importava. 105 < Capítulo Sete > O Portal Secreto Após um dia estranho, longo e agitado, eu estava demasiado cansado, e naquele momento, dormir um pouco não era uma má idéia. Eu não havia instalado aquele aparelho em minha TV do quarto porque achei melhor deixar para fazer isto na manhã do dia seguinte, com mais tempo e tranquilidade. Naquela noite dormi duas vezes, pois havia acordado na madrugada após ter sonhado com uma criatura que nunca havia visto, mas já havia pesquisado sobre ela durante uma investigação, por este motivo posso ter sonhado com ela algumas vezes, cada vez num sonho diferente, isso pode ter causado a sensação de que já havia a visto. Mas deixando o sonho de lado, virei para o outro lado, em direção à janela, retomei ao travesseiro e tornei a dormir. Logo na madrugada, após ter acordado de um sonho bom para mim, cujo não foi revelá-lo. Estava animado depois daquele sonho e ao garantir que não havia mais nada para fazer, decidi começar a instalação. Abrindo meu guarda-roupa para pegar o aparelho, deparei-me com o retrato novamente. Parado, com o olhar naquele retrato peguei-o em minha mão continuando a observar, mas após 106 alguns segundos me desliguei dele colocando-o de volta, e voltei ao que estava fazendo. Tinha a esperança de que naquele sábado, instalaria aquilo e ficaria assistindo sem fazer nada o dia todo, pois brevemente eu estaria trabalhando, então deveria aproveitar o tempo que me restava. Mas meu palpite estava errado, pois não seria a TV que iria me entreter aquele final de semana. ─ Finalmente! ─ Exclamei ao concluir. Estava crente que deitaria naquela cama e fixaria meus olhos na TV por um bom tempo do dia. Ao deitar, me cobrindo e com o controle em mãos, liguei a TV e fui passando por todos os canais para contá-los, mais havia um canal que a tela estava toda preta e não era o canal de vídeo, parei naquele canal para observar o que era. E subitamente surgiu um circulo grande e branco no centro tela, na hora fiquei um pouco assustado, mas continuei observando até aparecer uma mensagem se formando como tinta preta escorrendo no centro da esfera branca: Está preparado? ─ Não! ─ Neguei continuando a observar. Logo a mensagem como tinta começou a se desfazer formando outra: Aproxime-se da tela. ─ Eu não! E assim formou-se outra mensagem: Isso não foi um pedido, foi uma ordem. ─ Não! 107 E mais outra: Estou mandando. ─ Não! Assim continuavam as mensagens, e formou-se mais outra pedindo: Adicione-me em seu e-mail que resolveremos agora por atendimento online. A mensagem se desfez formando um email: [email protected]. ─ Até parece! ─ Mesmo a situação sendo um pouco engraçada, ainda era assustadora. Recusando a ordem eu me cobri até a cabeça com o cobertor para não ver as mensagens, mas nada adiantou, pois vindo da TV ouvi uma voz roca dizendo: ─ Não me faça ir buscá-lo. No mesmo minuto lancei o cobertor longe e pulei para perto da tela e a seguinte mensagem formou-se: Acho bom. E desfazendo-se formou: Está preparado? ─ Sim! Agora coloque sua mão sobre a tela ─ ordenou novamente a mensagem. Eu estava assustado para fazer isso, pois não sabia o que podia acontecer. Mas quando estava aproximando a mão, apareceu: Antes disso, não se esqueça de me adicionar depois ─ e formou-se o e-mail novamente no centro da esfera ─ [email protected] ─ e desfazendo-se formou ─ boa sorte! Até logo, eu te chamo quando estiver online. Agora pode continuar ─ e assim a mensagem se desfez e não formou mais nenhuma. 108 Então um pouco preocupado me preparei, quando estava aproximando a mão da tela avistei uma nova mensagem na tela: Vai logo, tá demorando. Eu estava espantado com a situação: ─ A tecnologia de hoje em dia é assustadora. Comecei a aproximar minha mão da tela e pressionando minha mão sobre ela, atravessou-a; assustado, imediatamente puxei de volta. Mas olhando para minha mão e percebendo que ela estava do mesmo jeito que estava antes, coloquei-a de volta na TV me inclinando para ver a parte de trás da TV, mas não estava lá, era como se tivesse entrado na TV. Puxando-a de volta, percebi que não havia acontecido nada novamente. Após pensar por alguns segundos, caminhei até a tela e literalmente entrei de cabeça no assunto. Caminhando em direção à tela pude atravessá-la, como um portal. Acabara de encontrar um ambiente completamente diferente do ambiente onde eu estava. Grama no chão ao meu redor e árvores em volta. Assustado, caminhei em passos lentos tocando-as para sentir se era matéria real. Era como uma praça, um caminho de grama e árvores, ao lado uma calçada e em seguida uma rua. E esta parecia um corredor, pois na calçada do outro lado da rua havia um grande muro. Olhei em todo meu redor vendo o escuro da madrugada, e a brisa fria baterem nos galhos e nas folhas das árvores deixando o ambiente mais frio e medonho. Caminhei até a calçada e parei olhando para os dois lados, não para atravessar, mas para ver se 109 encontrava algo ou alguém, mas a rua estava completamente vazia, então decidi procurar alguém, olhei novamente para os dois lados e virando para esquerda caminhei na esperança de encontrar alguém. Assustado pelo fato de não saber o que ainda podia vir acontecer, mas continuei caminhando até me deparar com uma parte onde havia mais ruas, um virando à direita e outra seguindo reto. Mas olhando para a esquerda notei um enorme castelo branco, mas subitamente tive a sensação de algo ter passado perto, e ao virar para trás vi um vulto rápido passando entre os prédios e casas. Mesmo assustado e sem saber o que era, resolvi seguir por curiosidade e com a intenção de que aquilo pudesse me ajudar a voltar. Mas ao entrar onde a sombra havia entrado, notei que havia mais ruas, uma para esquerda e outra para a direita, mas olhando para a direita, vi algo se mexendo então resolvi seguir novamente, mas ao chegar, não estava mais lá, e havia uma rua seguindo reto e outra para esquerda e à esquerda lá estava parada a sombra longe. ─ HEY, você ai. Seja lá quem for. Apareça aqui, por favor… ─ gritei tentando chamá-la, mas continuou parada, parecia não ouvir. ─ SOU DA PAZ ─ continuei gritando e acenando com a mão para o alto tentando criar mais confiança, mas nada adiantou continuava a fugir escondendo-se. E não me sobrava mais nenhuma opção que não fosse segui-la. ─ Eu ainda chego até você ─ ofeguei cansado. Quanto mais me aproximava, mais ficava clara a luz de uma casa 110 que estava no fim da rua e dificilmente estava visível alguém parado em frente aquela casa. Ao me aproximar, notei que era um rapaz de óculos escuro. ─ Por que demorou? ─ Perguntou ironicamente. ─ Quem… é… você?… ─ Perguntei sem responder sua pergunta. ─ Acho que já nos vimos antes… ─ Você pode ter me visto, mas eu não. ─ Certeza? ─ Perguntou-me retirando seus óculos escuros. No mesmo instante me surpreendi ao ver que aquele rapaz era o gerente que havia me contratado na empresa. ─ Tenho uma perguntinha para você. O que você quer? Por que me trouxe aqui? O que estou fazendo aqui? Como vim parar aqui? E Onde estou? ─ Não havia dito que era apenas uma pergunta só? ─ Pacote promocional, você devia entender isso, já que é um homem de negócios. ─ Muito esperto, mas não sou gerente daquela empresa, só estive lá pra te trazer aqui. Agora, o motivo, eu te digo depois, pois ainda é muito cedo, ainda não são nem cinco da manhã. Entre enquanto isso. Se caso não quiser entrar, pode esperar ai fora, fique a vontade, também pode dormir ai no chão se cansar de esperar ─ avisou ao abrir a porta. Depois que entrou, mas quando já estava fechando a porta: 111 ─ É… pensando bem, até que uma visitinha de vez em quando não faria mal algum. ─ Que bom que pensa assim… Era uma casa bem elegante. ─ Se não quiser dormir no sofá pode subir as escadas, à esquerda no corredor penúltimo quarto, pode ficar lá, tem uma cama de casal, espelho, guarda-roupa um notebook e internet discada. ─ INTERNET DISCADA?! ─ Perguntei assustado. Apesar que a internet discada não era tão ruim como algumas 3G de hoje. ─ Zuera. Não se preocupe as caixas de som estão instaladas e camuflada nas paredes. Mas se caso não quiser usar o quarto e preferir ficar aqui na sala esperando, observando o quadro como está fazendo agora ─ percebeu que eu havia me interessado no quadro ao observá-lo. ─ O que achou? ─ Qual é nome do pintor deste quadro? ─ Meu irmãozinho. Ele diz que expressa uma idéia de evolução, não sei o que tem a ver, mas este quadro traz inspiração para a evolução. Por isso deixamos neste local da casa, por chamar mais atenção aos olhos, enquanto estão sendo inspirados e determinados à evolução. E este não foi o único que ele desenhou, mas este por motivo desconhecido teve um maior destaque… Agora vou deixá-lo, mas recomendo que vá conhecer o quarto. Por alguns segundos olhei para ele, estranhando tudo isso, mas 112 me virei e subi as escadas ─ que corredor escuro ─, sussurrei ainda espantado, com esperanças de que aquilo não passasse de um sonho, mas continuei caminhando até me deparar com o penúltimo quarto, de número três, abri a porta vagarosamente, temendo o que podia acontecer, pois não sabia se era realidade ou não. Mas no quarto havia apenas o que ele tinha dito nada que aparentasse ser perigoso. Um pouco mais confiante, peguei o notebook e sentei-me na cama, buscando por música. O som saia das paredes, então com aquela música calma, eu me deitei esparramado na cama. Do quarto ao lado, saiu um garoto caminhando sonolentamente para a cozinha buscar água, mas ao passar em frente ao meu quarto, voltou estranhando o fato de haver alguém naquele quarto, e ficou espionando pelo espaço da porta que estava mal fechada. Empolgado com o que via, vendo que a emoção da música envolviame nela, parou de observar e continuou caminhando em direção à cozinha, lembrando que ainda estava com sede. Algumas horas depois acordei aliviado por saber que estava de volta em casa, mas ao olhar para os lados ainda estava naquele quarto, preocupado com o modo que eu voltaria para casa, levanteime e observei o corredor vazio, mas em seguida saí à procura de um banheiro. Desci as escadas, olhei novamente para aquele quadro que parecia haver algo que me chamava atenção, pelo que eu havia sido informado aquilo havia sido feito por uma criança, e realmente 113 aparentava ser feito por uma criança, simples, uma árvore esquisita com uma corda amarrada em seu único galho, sobre uma grama verde e um buraco em chamas coberto por uma grama falsa, aparentemente uma armadilha, uma flor branca que cuspia água, parecia uma margarida. E atrás da flor uma planta carnívora gigante vermelha. Um revólver voador com asas e usando luva de Box, e no céu um sol com um rosto sorridente, e de cada lado dele, uma nuvem que soltava um raio cada. Tudo aquilo feito pela mente de uma criança, e de algum modo me prendia a atenção, e por mais simples que fosse, por algum motivo, misteriosamente me fazia lembrar fatos passados. Mas então senti e lembrei-me que ainda estava apertado, então corri em busca de um banheiro, mas o pior, é que eu não conhecia a casa e não tinha nenhuma noção de para onde estava indo. Até que quando estava prestes a passar em frente a uma porta com uma placa de símbolo radioativo, a porta se abriu e pude parar antes de me esborrachar nela, e dela saiu um rapaz e ele até pensou em cumprimentar, mas vendo que eu estava me segurando apenas estendeu a mão indicando a direção do banheiro. Sem dizer nada corri até a porta, e com tudo tentei abrir, mas estava trancada. Em alguns segundos saiu outro rapaz do banheiro dizendo aliviado: ─ Nada melhor que um dia após o outro… Não acha? Mas sem respondê-lo entrei correndo esbarrando nele, e tranquei a porta. E ele ainda estranhando a atitude murmurou: ─ Um não já bastava. 114 Alguns segundos depois, ainda no banheiro, ouvi uma voz de criança dizendo: ─ Franz? É você? ─ Não. ─ Ah! Desculpa. Após sair do banheiro, não vi ninguém, então comecei a procurar, até me deparar com a cozinha onde estavam todos sentados à mesa. Até um deles, perguntar: ─ Tá esperando o que? ─ A mesa ir até você? ─ O outro completou. Sentando-me a mesa, olhando para todos, eu queria mais informações, qual o motivo de eu estar ali, e onde eu estava. ─ Onde estou? E porque me trouxeram aqui? O quê vocês querem? ─ Nosso mundo irá passar por uma fase e… ─ o “patrão” tentou começar explicar. ─ NOSSO MUNDO? ONDE ESTOU? ─ Me assustei ao ouvir seu começo de explicação. ─ Bem vindo ao Mundo Secreto! ─ Welcome to Secret World! ─ acrescentou o garotinho. ─ Ok. Então acabei de descobrir mais uma dimensão, certo? Mas como posso saber se isso não é um truque? 115 ─ Podemos deixar você passar sua vida toda na cidade para você tentar se localizar. Espantado achei melhor deixá-lo falar para ouvir sua teoria: ─ É… Então, você estava falando de uma fase, não é? ─ Sim, mas antes de qualquer coisa, deixe me apresentar. Eu sou Jerry Rocks, o irmão mais velho. ─ E aquele ali que eu quase me esbarrei na porta radioativa? ─ Tom Riddy ─ se apresentou. ─ E o outro que eu atropelei na porta do banheiro? ─ Aquele é o Jack, é vice-presidente da GloCom. ─ E o que é GloCom? ─ Breve eu te respondo, porque se respondermos agora, nós nunca chegaremos à resposta de suas duas primeiras perguntas. ─ Mas foram três. ─ As duas últimas são a mesma coisa em outras palavras. Mas termine de comer, depois iremos até a praça e lá você entenderá melhor. ─ Mas você não pode resumir? ─ Nosso mundo irá passar por uma fase, um tipo de revolução. Mas ultimamente parece que está até calmo demais. ─ Mas eu ainda não vi o que isso tem haver comigo. ─ Você está mais envolvido nisso do que imagina. Não só você, mas muitos outros. Mas nossa parte era trazer você. E pra começar a esclarecer as coisas, sua mãe tem uma prima, certo? E ela se chama 116 Marry, não é? ─ Sim ─ respondi eu, não muito contente e também estranhando o fato dele conter essas informações. ─ Você sabe onde ela está? E sua mãe sabe? ─ Não, ela desapareceu, e ninguém teve mais noticia dela. ─ Ela desapareceu após a lua de mel, certo? E falando nisso, você sabe quem é seu bisavô? ─ Alex Santos… ─ Onde ele está? ─ Também desapareceu… descobri isso durante minha última investigação ─ já estava ficando assustado com as informações que ele possuía, por algum motivo tinha a sensação de estar prestes a ter as respostas para essas questões que fugiam do conhecimento da família sem nenhuma hipótese. ─ Voltando a Marry, você sabe se ela ainda está viva? Você sabe se depois desse desaparecimento ela teve algum filho? Se a família cresceu? ─ É… ─ Não, claro que não, e sua mãe sabe? ─ É… ─ Também não, você acabou de falar que sua família não teve mais noticias dela ─ respirou e disse ─ e se eu disser que ela ainda está viva, que ela está aqui no Mundo Secreto, que ela teve filhos e a família cresceu? E se eu disser que este primeiro filho sou eu, e todos 117 nós que estamos presentes nesta sala de jantar somos parentes? Espantado e um pouco duvidoso, sem reação, então dei uma risada para animar um pouco: ─ Ah! É sério vai, qual é a armação agora? ─ Olhei para os lados procurando pista de algo, mas ao olhar de volta para eles, todos estavam sérios olhando para mim, dezesseis olhos virados diretamente para mim. ─ Então… isso é sério? ─ Sim ─ respondeu Jerry seriamente e balançando a cabeça positivamente. ─ Mas e Alex? ─ Perguntei ainda preocupado, mas no momento em que perguntei parece que Jack ficou mais atento para ouvir a resposta, como se ele não soubesse. ─ De Alex nem nós sabemos. Mas uma coisa posso lhe afirmar, se conhece Alex, conhece Browds. E foram exatamente esses dois que criaram o Mundo Secreto. Mais espantado ainda com cada informação que vinha, tentei resumir para tentar ver se entendi corretamente: ─ Deixe ver se entendi. Meu bisavô, ou melhor, nosso bisavô e seu amigo criaram este mundo. E vocês me trouxeram aqui por um motivo que eu não entendi ainda. ─ É isso ai! ─ Exclamou o garoto com animação. ─ Termine de comer, iremos te explicar na prática. Seguindo a ordem de Jerry continuei comendo, mas minha 118 mente dirigia-se a situação atual. Minha esperança de que tudo aquilo não passara de uma brincadeira havia acabado. Seria melhor um churrasco para comemorar esse encontro de família. Depois de terminado, me levaram até uma praça circular próxima ao local, era muito bonita, grama verde, e o que mais reforçava a beleza do lugar, era o sol e o céu azul que estava no dia. ─ Antes de tudo você deve estar preparado, ou seja, deve saber seu nukken especial ─ declarou Jerry preparado. ─ O que é nukken? E por que ele é especial? ─ perguntei sem ter a mínima noção do que ele estava falando. ─ Jerry, eu sei que você esperou muito por isso, mas deixe-me só iniciar ─ Tom sugeriu a Jerry. E Jerry achando aceitável a sugestão, simplesmente permitiu. ─ Primeiramente vou lhe dar uma pequena demonstração, fique atento ─ direcionou-se a uma árvore, tomou distância e dobrara os braços juntando as mãos, levantou seu joelho alcançando as mãos unidas, parecia estar concentrando e juntando forças naquela região e com toda força de expressão exclamou ─ HTRUTS YLATAN ─ num impacto de suas mãos no joelho, brutamente chocou seu pé contra o chão, isto rachara o chão até uma árvore partindo-a ao meio e concluiu dizendo ─ isto é porque eu já tenho controle dá força que eu sabia que seria necessário apenas para partir a árvore ao meio, 119 nada mais. ─ Legal! Isso é algum tipo de ilusionismo, né? No momento estávamos Jerry, Tom, Jack, Franz, Baby, Freddy, Larry, Tarry e eu, mas não acreditei no que via, mesmo sendo pessoalmente. Ao ouvirem isso, Tom e Jerry se entreolharam inconformados com a pergunta. ─ Ilusionismo? ILUSIONISMO? ─ Franz manifestou-se, e ergueu minha mão colocando um maço de baralhos sobre ela ─ veja se tem todos os naipes? Seguindo sua ordem, conferi, e olhando para ele confirmei: ─ Sim, todos. ─ Certeza? ─ SIM? ─ Me espantei ao olhar novamente e ver que a carta estava em branco. Passei por todas as cartas e todas estavam em branco. Pegou o maço de minha mão e colocou virado para baixo sobre a palma de sua mão esquerda e assim ordenou: ─ Esse baralho é velho mesmo, pode pegar qualquer carta pra você. Passei o dedo sobre as cartas e peguei uma sem mostrar a ele. ─ Por que está escondendo de mim? Eu que te dei a carta, pode mostrar. ─ Ok. É um rei de copas ─ na hora que eu mostrei ele parecia espantado e pensativo ─ o que foi? Não podia ter tirado essa? 120 ─ Não, não é nada disso… Apenas uma pequena coincidência. Mas agora erga sua mão segurando sua carta e diga: essa carta é minha, somente minha e ninguém vai tirá-la de mim. ─ Essa carta é minha, somente minha e ninguém vai tirá-la de mim. Então passou a mão em frente a minha carta consumindo-a em chamas, e a transformou em cinzas. ─ Por que você fez isso com a minha carta? Eu nem precisava ter feito aquela declaração. Ele não respondeu nada, apenas indicava para cima, então olhei para o céu e em alguns segundos um pássaro sobrevoou sobre nossas cabeças deixando cair algo. Abaixei-me e peguei, era exatamente minha carta. Eu já estava surpreso, até que Franz ordenou que eu novamente fizesse a declaração. ─ Agora essa carta é só minha somente minha e ninguém vai tirá-la de mim. Novamente tornou a consumi-la em chamas, e as cinzas caíram na grama, ele estendeu a mão e abrira deixando cair um pouco de água sobre as cinzas, e após alguns segundos uma rosa começou a crescer no chão gramado, a rosa se abriu e lá se encontrava exatamente a minha carta. Impressionado segurei a carta fechando a mão: ─ Esta carta será minha somente minha e ninguém vai tirá-la de mim! ─ Mas me espantei quando abri a mão e a carta não estava mais 121 presente. ─ O que? O que você fez com minha carta? ─ Eu? Nada, ela ainda está ai, não vê? ─ Não acredito! ─ Exclamei ao ver a carta em minha mão ─, mas como? ─ Viu? Isso é ilusionismo, nunca confunda nukken com ilusionismo. ─ Ok. Então me expliquem o que é exatamente nukken? ─ O Nukken Especial é a arte de expressar um sentimento através do poder, resultando excesso de força, habilidade ou energia, temporário. Ou seja, para uso imediato ─ explicou Tom. ─ Um ataque especial. ─ Isso! Mas só dá certo se esse sentimento for forte o suficiente para concentrar e acumular força, habilidade ou energia. Não tem como usar um sentimento pequeno para usar um nukken especial pequeno, o seu nukken especial tem um nível só, diferente dos nukkens que não exigem sentimento para usá-los, mas podem deixálo mais forte. ─ O sentimento é só para ativar, então é só eu… ─ Me expressar e ativar? ─ interrompeu continuando ─ Não, a voz é o maior meio de expressar o que sentimos. Então diga o que vier a cabeça, mas você deve sentir o que diz, não importa se as palavras não existirem, o que importa é que diga algo que sinta. Então o espaço é todo seu. Todos se afastaram me dando espaço, vendo que estavam 122 ansiosos olhando para mim, caminhei até o centro da praça e lá me concentrei. E com toda força de expressão exclamei: ─ NOITCA AREMÂC SEZUL… NOITCA AREMÂC SEZUL… SEZUL AREMÂC… NOITCA… ─ luzes de energia haviam começado a se acumular em minhas mãos, mas simplesmente se apagaram quando cai de joelhos no chão quase chorando e ofegando. Imediatamente correram para ver o que acontecia. ─ Allan? É câimbra? Eu devia ter avisado pra fazer um alongamento antes ─ Jerry murmurou. ─ Deixem-no voltar para a casa dele! ─ Ordenou Baby entendendo um pouco do que acontecia. ─ Não, vamos levá-lo lá pra a casa e ver o que aconteceu. Baby então com os olhos luminosos seriamente ordenou: ─ Isso não foi uma sugestão, foi uma ordem. ─ Baby tem razão, acho melhor eu voltar, eu também tenho família, esqueceram? Tô com saudades da minha cama. Amanhã eu volto, não sei como, mas volto ─ sugeri querendo voltar para minha casa na Terra. Jerry olhou para Baby que estava olhando para ele com cara de convencido, voltou a olhar para mim dizendo: ─ Ok. Foi egoísmo de nossa parte não ter pensado na sua vida na Terra. Então temos uma coisinha para você. Então Jack caminhou em direção a mim, segurando uma pequena caixa de presente nas mãos. 123 ─ Oh! Uma lembrancinha! Não precisava ─ agradeci abrindo a caixa, e dentro dela havia um relógio de pulso com uma tela e um tipo de tecladinho que podia ser puxado. ─ Não é uma lembrancinha, é um acessório. ─ Pra quê? ─ Pra voltar quando quiser. Aquilo que você usou para chegar aqui é o Portal Secreto, o aparelho foi só um pretexto. ─ Então é só apertar um botãozinho e vu Alá. ─ Não. O Portal Secreto é um tipo de teletransporte, somente do Mundo Secreto para a Terra e da Terra para o Mundo Secreto, não pode ser usado de um mundo para o mesmo, por isso é um tipo de tele-transporte. E não é preciso apertar nenhum “botãozinho” para ativá-lo é por pensamento, só pensar onde você quer estar e o portal surgirá onde você pensar. E você também não vê o Portal Secreto. Com o tempo você aprende. ─ Como se eu estivesse atravessando algo. ─ Sim, como na TV, ou até como se estivesse desaparecendo no nada. ─ Gostei, posso chamá-lo de telerelógio? ─ Por mim… É seu pode chamá-lo do que quiser, sabendo pra que serve pode colocar até sobrenome. Ah! Me esqueci de avisar, você acha que se quiser falar com a gente é só pegar seu telefone e discar nosso número? ─ É… Sim? 124 ─ Claro que não, dimensões completamente diferentes, para isso que serve o seu “telerelógio”. Nossos números já estão armazenados, e quando nós chamarmos você atende. ─ Legal, agora tenho que ir. ─ Vá. Mas lembre-se, não é a toa que esse mundo é chamado de Mundo Secreto. ─ Ok. Amanhã estou de volta ─ me despedindo e agradecendo a todos notei a felicidade no rosto de Baby. Quando desapareci junto ao portal, Jerry virou-se para Tom perguntando: ─ Certeza que pegamos a pessoa certa? ─ Jerry! 125 < Capítulo Oito > Operação Casa Branca Domingo, ao acordar imediatamente acreditei que tudo aquilo fosse apenas mais um sonho. Levantei-me mais alegre não sabendo o motivo, o único fato garantido era que eu tinha um emprego agora. Espreguicei-me e fui em direção ao banheiro, e olhando para o espelho rachado lembrei que havia me esquecido de mandar fazer outro. Aproveitando que já estava rachado novamente exclamei alegre aproximando o rosto e sorrindo: ─ Quem é o cara mais sortudo do mundo?! E o espelho criou outra rachadura cruzando a primeira. Simplesmente deixei de lado e preocupado com o horário, mesmo sendo num domingo, olhei em meu relógio, nove da manhã ─ Espere aí! Eu não tenho relógio de pulso ─ sim, aquele realmente era meu “telerelógio” ─ então tudo foi real ─, correndo voltei para meu quarto e tranquei a porta, lembrando que o Portal Secreto era ativado por pensamento simplesmente usei-o atravessando contra a parede. Quando vi, já estava na casa deles, parado, em pé na sala. ─ Chegou cedo ─ exclamou Jerry. ─ Mas a tempo de realizar nossos planos para hoje ─ afirmou 126 Tom. ─ Que planos? ─ Primeiro vamos colher seu sangue mandar para a análise para termos provas. Depois faremos o teste dos elementos e finalmente criaremos o seu Registro Secreto. Ah! E vamos assistir a final da Copa do Mundo Secreto. ─ Sangue? Teste? Registro? Copa? ─ Perguntei sem entender nada, como sempre. E quando digo sempre, me refiro a vida toda. ─ Sente-se ai, agora temos tempo de explicar. Após Alex e Browds terem criado o Mundo Secreto, um evento que não podiam deixar de trazer é a Copa do Mundo. Só não puderam trazer o os jogadores famosos ─ disse ele com uma risada simples ─, mas para poder assistir diretamente do estádio ao vivo, deve ter autorização em seu cartão torcedor. Isso fica marcado em seu registro, e para ficar marcado em seu registro você precisa ter um registro. ─ Só pra isso? ─ Não. Calma, eu não terminei. ─ Quer refrigerante diet? ─ Perguntou Baby disposto a me servir. Antes que eu pudesse responder, alguém bateu na porta, Jerry fez um sinal sussurrando para eu me esconder abaixado atrás do sofá. Mesmo sem saber o motivo corri para me esconder o mais rápido possível, tentando evitar o pior. 127 Tom atendeu a porta e ouvimos que ele começou a conversar, então Jerry permitiu que eu deixasse de me esconder, ainda não conseguia ver quem estava na porta, só ouvia-se uma voz feminina. Tentei aguçar meus ouvidos para ouvir o que falavam: ─ Na segunda os resultados oficiais já estarão prontos. Mas porque devo buscar a amostra do sangue na segunda? Não posso vir hoje mesmo? ─ perguntou a voz desconhecida. ─ Allan! Você ainda não me respondeu. Quer diet? ─ voltou a perguntar. Isso me impediu de ouvir o resto da conversa, então voltando à atenção a Baby, aceitei. ─ Mas tem que ser diet? ─ Sim, você deverá se acostumar com uma dieta saudável. ─ Você já segue uma dieta saudável? ─ Estranhei. ─ Não! ─ Exclamou com entusiasmo. ─ Mas vou pegar seu refrigerante… ─ virou-se novamente para mim completando ─ Diet ─ e assim dirigiu-se a cozinha. ─ Ok. ─ Então, Allan, enquanto Tom está ocupado, eu vou falando. Nós estávamos pensando em continuar treinando seu Nukken especial… Aaaaaaaai ─ agonizou ao sentir que Baby acertou sua canela. ─ Por que fez isto? ─ Ah, nossa! Eu não te vi ai, a culpa é sua ficar no meu caminho ─ Baby desculpou-se com uma cara que estava perceptível que ele queria dizer outra coisa, como se estivesse evitando que Jerry 128 continuasse ─ Allan aqui está seu refrigerante… ─… Diet ─ completei. ─ Isso ai, já está aprendendo! Em seguida, Tom voltou à conversa. ─ Então, onde parei? ─ Estava falando sobre o Registro Secreto. ─ Ah! Sim, tem razão. Como eu dizia, não é só para assistir a Copa que você precisa do registro, mas para permanecer legalmente no Mundo Secreto. ─ Ah… Se for a minha permissão que vocês querem para criar o registro, então vamos criar o registro! ─ Exclamei com clareza. ─ Admiro seu entusiasmo, mas não é tão fácil assim. Existe uma lei no Mundo Secreto chamada de LSN. ─ Significa Law<Secret<Name ─ explicou Baby. ─ Obrigado, Baby. Mas voltando, o nome do mundo não foi escolhido à toa, então o nome significa que deve ser mantido em segredo e isso é lei. Traduzindo, isso é tecnicamente uma lei antiterrestres, só entram terrestres autorizados por Alex e Browds, ou seja, ninguém, porque não sabemos onde está Alex, mas há uma exceção para Secretos que ainda se encontram na Terra. ─ E eu sou Secreto? ─ Não exatamente, você e muitos outros que ainda estão na Terra e virão brevemente para essa fase, mas quando vierem são obrigados a provar que são Secretos e o único modo de provar é 129 através do sangue Secreto que Alex e Browds criaram para distinguir os Secretos dos terrestres. Agora veja como essa lógica além de fazer sentido é sábia. Por isso precisamos coletar amostras. ─ Certo! Onde encontro sangue Secreto? ─ Declarei com firmeza, disposto a sair à procura, acreditando que seria uma aventura diferente. Só pode ser culpa dos desenhos animados. Isso até que Tom avisou: ─ Você já tem… ─ Tenho? ─ Não é Secreto, mas pertence à geração Secreta, por este motivo já possuem o sangue e assim provarão que são descendentes Secretos. Havia acabado com minhas esperanças de aventura, mas me espantava ao mesmo tempo. Então Tom recuperou minhas esperanças. ─ Não desanime, o desafio será criar seu registro enquanto não temos provas de que você é descendente. Ou seja, hoje. Teremos que nos infiltrar sem sermos pegos. ─ Tem muitos seguranças? ─ Fica na Casa Branca ─ apontou ele abrindo um mapa com a planta da Casa Branca. ─ Exatamente no Salão Oval. ─ Teremos que acessar o computador do presidente sem sermos pegos? 130 ─ É isso ai. ─ Mas eu nem mesmo conheço o cara. E se formos pegos? ─ Ah! Ai sim nós podemos nos preocupar! ─ Exclamou Baby. ─ Por isso devemos estar de ouvidos bem atentos ao plano e o plano é o seguinte… Mesmo eles já sabendo qual era o plano, ficaram atentos à explicação de Tom, enquanto explicava, senti que voltaria ao ritmo do passado ao mesmo tempo sentindo confiança neles, tendo a sensação de que com eles as coisas seriam interessantes, emocionantes e diferentes, a realidade voltaria a ser como antes, fora do comum. Mais tarde, quando todos estavam cientes sobre o plano, cada um em sua posição, Jerry, Jack e eu esperávamos Franz, Tom e Larry chegarem à entrada da Casa Branca, os seguranças olhavam desconfiados para nós, mas como estavam distantes não podiam ouvir o que dizíamos. Então avistamos os dois se aproximando. ─ Por que demoraram? ─ Perguntou Jerry não satisfeito com o atraso. ─ Tinham duas moças no caminho ─ respondeu Tom. ─ E Franz parou para flertá-las, certo? ─ Supôs Jack. ─ Não, eram lésbicas. Mas elas estavam literalmente em nosso caminho ─ Franz o explicou. ─ E por que não pediram licença? 131 ─ Eram surdas ─ respondeu Tom. ─ Libras. ─ Eram cegas ─ esclareceu Franz. ─ Podiam tocá-las ─ palpitei. ─ Quando íamos fazer isso elas já haviam saído do caminho. ─ E por que demoraram? ─ Esperando Larry preparar as coisas. ─ E cadê ele? ─ Ele falou pra nós dois seguirmos na frente que ele nos alcançaria no caminho. Mas até agora não chegou. ─ TÁ! Ele sabe se virar sozinho. Agora vamos ─ ordenou Jerry. E aproximando-se dos seguranças que guardavam a entrada da Casa Branca. Simplesmente cumprimentou um deles. ─ Nossa! Mundo Secreto calmo sinal de falta de serviço, não é? ─ Ganhando sem fazer nada, acho que o período de conflito já acabou. Não tem mais nada para acontecer, acho que ele disse uma coisa, e a conversa se estendeu e distorceu-se. Ou Alex simplesmente tinha bebido alguma ─ ironizou o segurança. ─ Está bem gente, agora não é hora de debater sobre este assunto. James, o Presidente Harvey está disponível? ─ Não. ─ Ok, fala para ele que estamos entrando. ─ Hey, mas eu disse que ele não está disponível. ─ Tô nem ai, eu disse que estamos entrando. 132 ─ Onde você acha que está indo? ─ Na Casa Branca, se eu não soubesse, não perguntaria do presidente… Esbarrando no caminho de Jerry impedindo sua passagem, afirmou com um tom de ameaça: ─ Aqui não é assim que as coisas funcionam. ─ James! Larga de frescura, só porque está sem serviço, não significa que deve descontar em qualquer um, isso é antiético. E você sabe disso. ─ É mesmo, foi mal, essa rotina tá me matando. ─ Entendo. Mas tenho que ir agora, até mais. Avisa o presidente que estamos entrando. James ergue seu “telerelógio” até sua boca dizendo: Presidente, Jerry, Tom, Franz, Jack e mais um carinha que eu não conheço estão subindo ─ e como resposta pode-se ouvir ─ O que? O que estão fazendo aqui? Eles não estão ouvindo isso não, né? ─ enquanto estranhávamos a conversa, James o respondeu ─ Estão sim, mas pode deixar comigo. ─ O presidente disse para subirem logo. Surpreendi-me com o que via. Na Terra eu nunca havia entrado na Casa Branca então não sabia se era igual ou não. Subimos as escadas até o Salão Oval, onde encontramos com o presidente, que estava sentado à sua mesa nos esperando. ─ Olá, gente. O que trouxeram vocês aqui? ─ Indagou o 133 presidente sorrindo. ─ As pernas ─ eu respondi ironicamente, rindo logo em seguida, mas percebi que ele não havia gostado, estava olhando sério para mim, e olhando para os outros percebi que pareciam um pouco envergonhados, logo sem graça tentei corrigir ─ brincadeira. Eu não sou ninguém, só estou acompanhando eles. O presidente olhou para eles, com um olhar querendo saber o que estavam fazendo ali. Mas então seu “telerelógio” tocou, parecia ser uma chamada, Harvey atendeu dizendo: ─ Pode falar. ─ Senhor presidente, o entregador de pizza está esperando pelo senhor aqui embaixo. ─ Pizza? Não me lembro de… Pode deixar! Uma pizza agora cai bem… Diga para ele continuar esperando. Já estou descendo. ─ Me aguardem. Vou buscar a pizza do além, e em seguida vocês dizem o que querem aqui. Quando Harvey saiu do Salão Oval, Tom correu para a cadeira dele acessando seu computador. Enquanto isso no saguão da Casa Branca, Harvey avistou o entregador ainda de capacete aguardando para entregar a pizza. Então se aproximou dele agradecendo enquanto segurava a caixa: ─ Obrigado. Eu admiro sua disposição para fazer uma pizza para mim, sem eu precisar ter pedido, mas da próxima vez avise, Tarry. 134 ─ Ah! Presidente, como descobriu? ─ Eu desconfiei por seus irmãos terem aparecido sem motivo nenhum. ─ Tá! Você me pegou, mas a pizza é de verdade e, é meio a meio. ─ Obrigado. Agora vou subindo, tenho muito a fazer ─ enquanto ele caminhava em direção as escadas repentinamente Baby apareceu em sua frente pedindo autógrafo e impedia sua passagem. ─ Baby! Porque um autógrafo? Você pode me ver a qualquer dia. ─ Ah! Você é um homem muito ocupado, representante do governo mundial, claro que tem fãs. ─ Obrigado, Baby… ─ Por isso estou pedindo um autógrafo agora, você pode morrer a qualquer hora ─ no instante em que disse isso, Harvey assustou-se ─ pode acontecer algo a qualquer momento, como por exemplo, você pode cair das escadas e quebrar a coluna ao chegar aqui em baixo, pode levar um tiro, ou ser atingido por uma bala perdida, ou até pode ter uma repentina parada cardíaca, ou… ─ Tá bom, Baby, eu já entendi. Obrigado pelo aviso, bem informativo e… animador ─ tentou sorrir agradecendo ─ agora tenho que ir, muitos deveres e obrigações. Mas ao subir as escadas sentiu que uma de suas pernas estava mais pesada porque Baby estava agarrado nela, mas continuou 135 subindo fazendo uma força a mais para subir. ─ Baby, pode largar? ─ Mas e meu autógrafo? Assinou a caderneta que Baby segurava e despediu-se apressado. Tom exclamou empolgado ao terminar a criação de meu registro. ─ Ok! ─ E então correu para fora da cadeira do presidente a tempo de voltar a sua posição anterior. Eles haviam calculado tudo em minutos exatos, mas eu ainda estava impressionado, se ele era o representante de um governo mundial, devia ser mais esperto, devia ter mais seguranças, não esperava que fosse tão fácil. ─ Nossa! Pra um mundo criado da tecnologia eu não esperava que fosse tão fácil enganar o presidente. O que ele tem na cabeça? Inteligência artificial? No mesmo instante parecendo não terem gostado da piada olharam assustados para mim, na verdade nem parecia estarem olhando para mim. Mas quando percebi a expressão do olhar deles olhei para trás vendo que Harvey estava parado e olhara para mim demonstrando querer explicação para o que acabara de ouvir. Sem graça tentei disfarçar. ─ He… Do que era mesmo a pizza? Harvey assustou-se quando repentinamente Freddy surgiu atrás dele exclamando com entusiasmo: 136 ─ Mãos para o alto, presidente. Você foi pego! Sem palavras estava Harvey, ao ver as câmeras, para ele isso significava que foi mais uma das vitimas do programa de pegadinhas ao vivo, onde Freddy era o apresentador. ─ Presidente, o que o senhor está achando disso? Ou melhor, o que achou? ─ Perguntou em frente às câmeras. ─ Eu não… ─ Nossa! Está vendo isso, gente? Deixamos o presidente sem palavras. ISSO É INCRIVEL! Meu desafio foi cumprido, pegamos o presidente! ─ Exclamou interrompendo o presidente. ─ Realmente vocês me… ─ Mas então presidente Harvey, aproveitando a honrosa oportunidade, farei a pergunta que todos querem saber. ─ Ficarei honrado em… ─ Você vai assistir ao final da Copa hoje? ─ Sim. ─ No estádio? ─ Infelizmente, não poderei. Eu gostaria muito. Mas sabem, obrigações em primeiro lugar. ─ Entendo ─ e assim encerrou a apresentação. ─ Essa foi mais uma das vitimas. Então mãos para o ar, você pode ser o próximo. Concluído, plano finalizado. Agora só precisavam sair da Casa Branca e correrem para garantir seus lugares na arquibancada. Então avistaram Larry aproximar-se trazendo os acessórios de 137 torcida, como bandeira, roupas e etc. Mas não parecia muito tranquilo. ─ Porque a demora? ─ Perguntou Jerry tentando não demonstrar preocupação. ─ Amarrando o cadarço ─ foi sua resposta imediata. Mas observando seu tênis percebi que ele não estava usando tênis de cadarço: ─ Mas não está usando tênis de cadarço. ─ Mas não era o meu cadarço que eu estava amarrando ─ respondeu novamente. ─ Precisa demorar tanto assim para amarrar um cadarço? ─ perguntou Jerry. Mas interrompi antes que pudesse responder. ─ Não responda. Vocês sempre têm uma resposta esquisita pra essas perguntas, parece até improviso. Ai a conversa vai se alongar mais ainda, então vamos esquecer isto e ir para o estádio. No momento se entreolharam e tomaram rumo ao estádio. As duas torcidas demonstravam muitas emoções e expressões durante o jogo, uma hora estavam agitados e outra apreensivos se retorcendo quando o país estava prestes a marcar um gol. Brasil 1 x 0 EUA Este era o placar no momento, até que os EUA tomou atitude e 138 partiu para cima. A cena impressionou a todos. Quando os EUA aproximavam-se da rede, todos ficaram quietos, silenciosamente atentos esperando presenciar um gol. Alguns roíam as unhas, outros se ajoelhavam em seus lugares e os outros simplesmente acompanhavam esperançosos. Quando se preparou para marcar, e o estádio ainda num silêncio total, eu tive a sensação de ter passado uma sombra que cobria o estádio. Isto me desconcentrou do jogo, olhara para o céu buscando encontrar a resposta para isso, mas nada. Olhei para todos, mas parecia que ninguém havia percebido. Ainda pensativo tornei a olhar para o jogo até ser surpreendido pelo grito de comemoração da torcida americana e decepção para a torcida brasileira. Em seguida Jerry me chacoalhou gritando alegre e empolgado: ─ VOCÊ VIU ISSO? VOCÊ VIU ISSO? ─ Não. ─ MAS COMO VOCÊ NÃO VIU? FOI INCRÍVEL! ─ Exclamou até abraçar Baby apertado girando-o no ar e comemorando. Continuei assistindo ao jogo tentando acreditar que aquilo podia ter sido apenas uma nuvem que havia passado em frente ao sol. Mas me desconcentrei novamente ao me lembrar da cena e reparar que a sombra que passou projetou ligeiramente uma sombra que formava a bandeira dos EUA no chão do estádio. Simplesmente tentei esquecer e voltar a assistir ao jogo. 139 Brasil 2 x 3 EUA Assim acabou o jogo, e saímos de lá comemorando como nunca, pois eu já havia me esquecido daquilo. Apesar de todos estarem contentes com a grande vitória, Larry não parecia estar comemorando, como se estivesse preocupado com outra coisa, quando estava me aproximando para perguntar se havia algum problema senti uma mão em meu ombro e uma voz que dizia: ─ Não se preocupe, é normal isso, deixe-o ficar sozinho um pouco, depois te explico o motivo. Me assustei, mas vi que era Franz ao olhar para trás. Mas Jerry ainda empolgado com o jogo comentou: ─ Essa final foi incrível. Baby, qual gol você achou o melhor? ─ Tô em dúvida entre o primeiro e o terceiro. ─ Claro que foi o primeiro! Allan, o primeiro foi o melhor de todos ou não? ─ Eu não vi o primeiro ─ respondi um pouco sem graça por ter perdido. ─ Mas como você não viu? A arquibancada inteira estava de olho na bola naquele momento. ─ Me distrai com uma nuvem que passou em frente o sol. ─ Uma nuvem? Uma nuvem… ─ repetiu parecendo não se conformar. ─ É… ─ afirmei sorrindo tentando disfarçar. 140 Larry estava num canto um pouco afastado, mas virou seu rosto para mim estranhando ao ouvir a explicação da nuvem. Eu ainda estava intrigado querendo a todo custo descobrir porque ele estava assim. Mas se Franz pediu que eu esperasse, supus que fosse melhor ouvi-lo. Quando chegamos em casa, Jerry sugeriu: ─ Iremos trocar de roupa agora. Fique ai sentado que já voltaremos pra organizar o almoço. ─ Eu espero ─ afirmei me sentando no sofá. No outro sofá encontrava-se Larry sentado silencioso e parecia ainda pensativo. O ambiente ficou silencioso. Até que Larry quebrou o silêncio: ─ Se distraiu com uma nuvem que passava em frente ao sol? ─ Indagou num tom meio duvidoso. Antes de responder sua pergunta olhei para os lados para ver se alguém se aproximava. Sentando-me próximo a ele comecei a explicar. ─ Larry, durante o jogo. Durante o momento em que todos estavam atentos para o primeiro gol dos EUA. Você viu um tipo de sombra passar pelo estádio cobrindo tudo? ─ Acho que sim. Mas eu senti algo estranho, tipo um frio na hora. Mas estava pensando em outra coisa, não percebi. ─ Certo, quando uma nuvem fica na frente do sol isso diminui a temperatura e impede parte da luz projetando um tipo de sombra. 141 ─ Sim. ─ Ninguém percebeu nada, mas eu vi a sombra passando pelo estádio. ─ Você viu a sombra e eu senti o frio ─ comentou Larry sorrindo. ─ Ver sombra e sentir frio é normal, mas não quando ninguém vê e nem senti. Eu entendo que estavam atentos, mas pelo menos os jogadores deviam sentir ou ver, meio que escureceu o estádio. ─ Tá, isso é realmente verdade. ─ Outra coisa, a sombra que cobriu o estádio quando projetada no chão do campo formava a bandeira do país. Suas listras e estrelas, iguaizinhas passando ligeiramente pelo estádio. ─ Até as cores? ─ Ai também não, né. Era uma sombra. ─ Do que estão falando? ─ Baby perguntou manifestando sua presença. ─ É… Nós estávamos conversando e acabamos com uma sombra… de dúvidas ─ Larry improvisou. ─ Sobre o que? ─ Perguntou Jerry retornando a sala. ─ Pensa bem, a primeira vez que eu assisto a uma final de copa no Mundo Secreto e ainda perco o primeiro gol por uma distração de alguns segundos ─ expliquei vendo a oportunidade. ─ É… Vacilo… ─ Não tem como ele rever? ─ Larry aproveitou. 142 ─ Boa idéia… Freddy já deve ter algumas gravações pra preparar para seu programa ─ tomou fôlego e chamou ─ FREDDY. ─ O QUÊ? ─ Retornou Freddy sendo que já estava do lado dele. ─ Ah! Desculpa. Mas você tem as… ─ Sim, sim, eu já ouvi. Aqui está ─ disse entregando o cartão de memória onde estava gravado. ─ Como você sabia? ─ Perguntei. ─ No caminho eu ouvi comentando que você havia se distraído, então imaginei que você ia querer ver. ─ Obrigado ─ agradeci me dirigindo para o quarto. Depois de um bom banho, ajeitado em meu quarto, aproveitei que havia um tempo antes do almoço, para assistir ao momento do gol. Na verdade, a intenção não era assistir ao gol, mas ver o momento em que a sombra passou. Coloquei o vídeo para rodar, mas antes que começasse ouvi alguém bater na porta. ─ Pode entrar. ─ Já descobriu? ─ Larry vagarosamente entrou perguntando. ─ Ainda não. Eu ia começar agora. ─ Cheguei na hora certa… ─ fechou a porta e alertou ─ ah! Antes de você permitir que entrem, pergunte quem é. ─ Ok… mas por quê? 143 ─ Questão de segurança. ─ Mas não são apenas vocês aqui? ─ Atrás de você não ─ respondeu Larry desviando seu olhar. ─ Como assim? ─ Perguntei tentando entender, mas ele não respondeu nada, simplesmente deu inicio a gravação para que pudéssemos assistir logo. Aquilo me deixou confuso e preocupado ─ será que estou sendo procurado? ─ é a pergunta que rondava minha mente, mas ao aproximar a hora do gol tive que esquecer isso para prestar atenção. ─ Ali está agente! ─ Anunciou Larry. ─ É meio difícil não ver numa tela de setenta e duas polegadas ─ eu comentei sorrindo. ─ Veja só aquela nuvem, vai passar em frente ao sol, mas não é muito grande, não ocuparia muito tempo e nem espaço de sombra suficiente para cobrir o estádio todo. Mesmo com a observação de Larry continuamos assistindo para ver o que aconteceria, mas dessa vez deixamos em câmera lenta. Atentos até que infelizmente a câmera mudou de ângulo não mostrando mais o céu, apenas o estádio para o grande momento do gol. Mas ainda poderíamos ver a sombra passando no chão e sobre os jogadores. ─ ALI! ─ gritei pausando a imagem enquanto a sombra passava. ─ Ainda não vi nenhuma bandeira ─ disse Larry. ─ Nem eu… ─ respondi estranhando. 144 Então ouvimos Jerry perguntando preocupado do lado de fora: ─ Tá tudo bem ai, Allan? ─ Eu devo ter gritado alto demais ─ sussurrei para Larry e respondi a Jerry. ─ Foi mal, eu tava assistindo o jogo e acabei me empolgando. ─ Emocionante né? ─ É claro… ─, mas logo me dei conta que tinha que voltar para casa onde teria uma família preocupada comigo ─ Jerry! Eu vou ter que voltar para casa pra saberem que ainda estou vivo. Vou perder esse almoço, mas volto para o jantar. ─ Não vá esquecer ─ exigiu Jerry. Despedi-me de Larry e, usando o Portal Secreto voltei para casa. 145 < Capítulo Nove > A criatura De volta para meu quarto, já estava sentindo falta, mas eu ainda tinha que encontrar meus pais ou meus irmãos para saberem que eu estava lá antes que fizessem cartazes de desaparecido e colassem pelos postes, ou até envolvessem o FBI no caso. Mas descendo para a cozinha encontrei-os na hora certa, a hora do almoço. ─ Onde você estava? ─ Ellen perguntou com um olhar desconfiado. ─ No meu quarto ─ respondi num tom de certeza. ─ Mas eu acabei de sair de lá, e não havia mais nada além de sua bagunça. ─ Você não conhece meu quarto, tenho meus esconderijos ─ consegui improvisar sorrindo. ─ Tá se escondendo de quem? Da policia? FBI? ─ Jogou essa indireta discretamente. ─ Senta ai e come, antes que a comida resolva se esconder também ─ meu pai sugeriu. ─ Hoje vou precisar sair ─ avisei esperando que não retrucassem. ─ Pra onde? ─ Minha mãe perguntou preocupada. 146 ─ É mesmo, Allan. Pra onde? ─ Ellen repetiu jogando aquele olhar acusador. ─ Lembra aquela sugestão de emprego que recebi? ─ Sim. ─ Eu consegui! ─ Que bom! Então vai começar hoje? Mas é domingo… ─ Não, não… ─ interrompi antes que reclamasse. ─ Então pra onde vai? Logo que me fez a pergunta, a resposta verdadeira me veio à cabeça, mas de acordo com as normas do Mundo Secreto, eu não poderia falar. Mas aproveitei a oportunidade para dizer indiretamente. Dizer a verdade sem dizer a verdade. Técnica que eu costumava usar para não entregar algo. Uma lógica tanto que esquisita, mas faz sentido, então só precisava confundi-la: ─ Você devia saber para onde estou indo? ─ Como assim? ─ Se você não deixasse de acreditar na família por aquilo que você acredita, saberia para onde estou indo ─ respondi desafiando. Depois daquela resposta todos na mesa entreolhavam-se sem entender, exceto ela que não sei como, entendia um pouco do que eu estava falando, mas não exatamente. Então prossegui ─ não adianta ficarem se olhando não. Se não fosse sua falta de confiança, ele saberia para onde estou indo ─ disse apontando para meu pai ─ e todos aqui saberiam ─ diminuindo o tom de voz conclui ─ Isso se 147 todos nós já não estivéssemos lá agora. Há muita coisa na família que essa família não sabe por falta de confiança. ─ Pode ter certeza! ─ Meu pai afirmou com clareza. Estranhei a afirmação, mas deixei-a de lado e pedi licença ─ como já terminei de comer. Licença ─ disse ao levantar retirando-me da mesa. Então quando prestes a entrar em meu quarto, Ellen me chamou tentando alcançar-me. ─ Que história foi aquela? ─ Perguntou ao aproximar-se. ─ Fácil, pergunte a ela sobre prima dela: Marry. ─ Prima Marry? ─ Você não conhece. ─ Mas é só perguntar isso? ─ Depois, pergunte a explicação da família para o que ela te contou. E em seguida, se ainda não entender, pergunte o motivo dela não acreditar. Mas acho que não vai precisar perguntar o motivo, vai estar muito óbvio ─ com estas palavras entrei para meu quarto fechando a porta após tanta interpretação. Ou Melhor, pergunte sobre os parentes que ninguém chegou a conhecer e os que nem sabiam que existiam. Tá na cara que eu nem sabia o que estava falando, né? Inventei qualquer coisa pra dar uma de adolescente revoltado e encerrar a conversa. Quando retornei ao Mundo Secreto contei o ocorrido a eles, 148 preocuparam-se um pouco, mas logo deram risada. ─ Allan! Em breve, você e sua família estarão aqui, mas por enquanto, permaneça em sigilo. Mas pode continuar usando essa técnica, dizer algo sem dizer algo é bem criativo ─ Tom apoiou ─, mas agora é hora dos testes. E o primeiro é urgente, a prova do sangue AS+ (positivo). ─ O que? ─ Só uma amostra de sangue. Agora fique quietinho ─ ordenou cautelosamente preparando a seringa. ─ Mas eu só queria saber pra… ─ parei imediatamente ao sentir a agulha penetrando meu braço. ─ Pronto, agora é só mandar para as analises onde será oficialmente comprovado ─ comentou Tom ao término da coleta. ─ Mas pra que serve este teste? ─ Bom que perguntou ─ então começou a história ─ você sabe que agora o presidente da Glocom é o Harvey. Mas nos primeiros anos quem governava era John Agrian. Era um governo perfeito. O que não o deixou governar mais? ─ Não… sei ─ respondi mesmo sem palavras. ─ Sua própria insatisfação! Desejo pelo poder! ─ empolgando-se cada vez mais ao explicar ─ Mas do que estou falando? Trouxe de volta ao Mundo Secreto alguém que havia sido expulso, uma verdadeira ameaça. Há acusações que dizem que pretendiam aliar-se para Agrian o ajudar em sua vingança e assim dominar o Mundo 149 Secreto e também boatos de que são os responsáveis pelo desaparecimento de Alex, mas nada disso foi comprovado, então não pode ser condenado por isso, mas foi penalizado por importação de terrestres e como já te explicamos: O que é da Terra permanece na Terra e o que é do Mundo Secreto permanece no Mundo Secreto. Isso foi uma lei que ele reforçou por propósitos próprios. ─ Tom ─ ouviu seu nome ser chamado, então resumiu a história. ─ Resumindo, você é terrestre, e esse teste é só para comprovar que você é descendente de Alex. ─ Mas se os secretos não podem ir a Terra, como fariam o teste de sangue se nós não podemos vir ao Mundo Secreto? ─ Entendeu agora o objetivo? Foi essa lógica que refletiram, desconfiaram e foram a Terra ver se havia algo de errado. Através de fatos e noticias descobriram que estava envolvido num esquema para a Terra, criar um tipo de Glocom na Terra. Mas a pessoa voltou ao Mundo Secreto declarando a mensagem: “Entramos numa guerra sem conhecer nosso adversário” E depois disso voltou para Terra, mas ele deixou isso na época que ‘a criatura reapareceu’, as pessoas não… ─ foi interrompido ao ouvir ser chamado novamente ─ melhor irmos logo, depois te conto o resto. Saímos do laboratório, onde Jerry e Baby estavam esperando na 150 porta. Eles viraram para o lado, ficando de frente com uma estante de livros colada com a parede ao fim do corredor. Não entendi porque haviam parado, até que Tom chegou abrindo um dos livros sem tirá-lo da prateleira que estava. Dentro do livro em uma das paginas havia um mecanismo de dígitos, onde Tom sabia a senha. Depois que digitou, tirou a mão rapidamente, assim o livro fechou-se, as três prateleiras giraram noventa graus verticalmente, derrubando todos os livros no chão formando um tipo de tapete de livros, enquanto as prateleiras formaram uma porta que se abriu lentamente de frente para uma escada que nos levava a um cômodo secreto na casa. Entrando lentamente observava tudo ao meu redor, até depararme com uma cabine que possuía uma grande tela de vidro na parte da frente, obviamente servia como um tipo de janela. Só bastava saber se também era a prova de som. ─ Tá. O que eu devo fazer agora? ─ Nada. Era só isso mesmo. ─ Sério? ─ É. Era só pra ver ─ falou secamente. ─ Então vou embora ─ afirmei caminhando em direção à saída. Mas antes que eu saísse Tom me segurou pela gola. ─ Você acha que ele está falando sério? ─ Dirigiu-se a um painel de comando ordenando ─ Baby, a apresentação. 151 ─ Ele ensaiou tanto, não via a hora ─ sussurrou Jerry. Logo se iniciou a sessão, toda a sala transformara-se num cenário espacial, como se eu estivesse perdido no vácuo, no meio do sistema solar. Avistando uma estrela cadente que se colidiu com outra estrela, um brilho muito forte se fez com o impacto, assim notei que o brilho estava ganhando forma. FORMA HUMANA? Sim. Desse brilho formou-se Baby, onde estava parado olhando para mim e sorrindo. Um sorriso que chegava a dar medo, como ao de uma boneca de plástico. Após flutuar pelo espaço em minha direção como uma fada reluzente, ou uma borboleta no jardim, parou em minha frente e consumiu-se em chamas. Enquanto eu continuava assustado com a tal apresentação, um jato de água caiu sobre as chamas apagando-as, e assim surgiu Baby novamente com aquele sorriso medonho, mas logo adiantou sua fala. ─ Num universo que todos conhecem. Numa Terra conhecida por todos. Mas uma realidade que se diz conhecida. Tanto na Terra quanto no Mundo Secreto, há o que todos conhecem, no qual chamamos de: os quatro elementos. ─ Água, fogo, terra e ar são eles ─ conforme apontava para uma direção surgia o elemento que pronunciava, e também podia mover o elemento desejado ─, mas juntando todos os quatro formamos um elemento só. O elemento X. Você e Alex possuem a mesma química no sangue, que em contato com esse elemento, você não poderia nem imaginar o poder que teriam em mãos ─ estalou os dedos, como 152 se tivesse desligado a gravidade, fazendo com que eu caísse em direção a Terra. Mesmo com meu impacto do espaço ao chão não causou nenhum estrago, nem a mim e nem ao chão. Apenas pude reparar que ele estava flutuando no céu: ─ Poderia provocar atividades sísmicas. Então se iniciou um grande tremor, as pessoas gritavam enquanto tudo tremia e se destruía, prédios caiam, até um deles cair sobre mim. Mas ao abrir os olhos, eu já estava em outro lugar, parecia uma fazenda. E Baby flutuando desceu lentamente do espaço, mas parou um pouco distante de mim. ─ Até iniciar tornados ─ afirmou com um movimento giratório de dedo. Percebi no horizonte um furacão que destruía tudo enquanto passava, aproximando-se rapidamente. Até tentei correr, mas ele conseguiu me alcançar puxando-me para dentro dele. Uma sensação muita estranha é estar dentro de um furacão, quando eu estava prestes a perder o ar, aquele tornado me arremessou para longe, e assim caí numa praia. Vendo todas aquelas pessoas felizes aproveitando o sol, olhei para trás lentamente temendo o pior. Lá estava Baby caminhando sobre o mar, até virar-se para mim com aquele sorriso novamente. ─ E claro. Tsunamis! ─ Exclamou batendo seu pé direito levemente contra a água. Formando aquela enorme onda que acabaria com a alegria de todos ali mesmo. A onda cobriu a tudo e a 153 todos. Quando a água passou, eu estava novamente no espaço, mas ainda molhado. ─ Imagine só poder mover astros! ─ Supôs ao se aproximar de mim flutuando com uma mão em meu ombro e a outra estendida apontando um meteoro que passava por ali. E repentinamente o meteoro se desviou, agora prosseguindo em minha direção. ─ Ah! Não! ─ Assim fechei os olhos e me encolhi com medo da colisão ao vê-lo aproximando-se. Após um tempo, abri os olhos ao perceber que eu não havia sentido nada, procurei ao redor, mas o meteoro sumiu. E ao observar mais um pouco, reparei Baby ao lado do sol. ─ Mas também pode usá-los para o bem ─ afirmou. E em seguida, com um sopro de leve que deu sobre o sol. Tudo se apagou. ─ E FIIIIIIM! ─ Concluiu entusiasmadamente enquanto estava escuro. Todos tamparam os olhos quando a luz ascendeu-se novamente, voltando ao ambiente normal. ─ Então, Allan, agora que já explicamos tudo, entre lá e ascenda a lâmpada ─ Jerry ordenou. Ouvindo isso entrei na cabine e ascendi à lâmpada apertando um botão que havia do lado. Mas ainda sem entender o objetivo. Tom desanimado e Jerry se entreolharam sérios. ─ Quem colocou um botão de ligar justamente naquela lâmpada? ─ Perguntou inconformado. E assim todos olharam para 154 Baby que sorria sem graça no momento. ─ Ah, gente. Eu estava apertado, a lâmpada do banheiro tinha queimado. Aí sabe como é, né? Tom afastou-se do painel de controle, aproximando-se de mim, explicou: ─ Este é um teste para ver se você pode usar o elemento X sem tê-lo. Não poderíamos deixá-lo ter o contato direto com o elemento porque não conseguiria controlar tanto poder. ─ Mal consegue liberar seu nukken especial ─ Jerry comentou. ─ Sim, não aguentaria, se sobrecarregaria e poderia até explodir. ─ Mas o Nukken especial é um poder emocional ─ murmurei. Após ficar pensativo por alguns segundos, Tom voltou a explicar: ─ Verdade, mas não podemos arriscar. É muito poder pra você. Exatamente por esse motivo sobre aquela cabine está concentrada uma força extraída dos quatro elementos, criamos esta cabine para que só você possa ascender esta lâmpada, transformando essa força em eletricidade e a sua concentração é o que fará ascendê-la. ─ Você está dizendo que só eu posso ascender àquela lâmpada, exceto por aquele botão ali do lado? ─ Ou… Alex ─ respondeu ─ agora vá lá, concentre-se e ascenda a lâmpada. E esqueça aquele botão do lado. Entrei na cabine, olhei para a lâmpada e tentei me concentrar, comecei fazendo força. Observavam-me pela tela de vidro da cabine, 155 não demorou muito para verem uma parte da tela embaçar-se, enquanto eu sorria tentando disfarçar, sem graça. ─ Tenta de novo ─ Jerry sugeriu, segurando a risada. Novamente me posicionei, mas dessa vez deixando a força de lado e concentrando mais. Não demorou muito para observarem que uma faísca começara a ascender dentro da lâmpada, mas apagou-se rapidamente. Mas eu não estava vendo, me concentrava de olhos fechados. Em seguida, quando não estavam preparados, a luz se ascendeu de uma vez, mas dessa vez muito forte e a luz ficava cada vez mais forte, até perceberem que a sala começou a entrar em curto. Jerry imediatamente tentou abrir a porta da cabine, mas não se abria com a força da eletricidade, enquanto Tom tentava desligar o painel que agora mesmo desligado se alimentava da própria energia produzida e não podia ser desligado. Tom afastou-se do painel para não ser pego pela eletricidade. ─ ALLAN! PODE PARAR! ─ Jerry gritava batendo no vidro tentando me chamar. Mas a energia era muito forte e nem eu podia controlar mais. Logo as luzes da casa começaram a piscar, e em seguida, da rua toda. Estava fora de controle e não sabiam o que fazer. Principalmente as outras pessoas em suas casas que nem sabiam o que estava acontecendo. Então tudo se apagou, e eu caí ao chão também sem energia. 156 Meia hora depois, quando abri os olhos, quase todos da casa estavam presentes, na esperança de que eu ainda estivesse vivo. Jack chegou preocupado. ─ O que aconteceu aqui? ─ O Allan se sobrecarregou no teste. Mas já está acordando ─ Tom respondeu. ─ O que aconteceu? ─ Perguntei acordando. ─ Você não ouviu não? Você produziu uma super energia, e tudo se apagou e você desmaiou. Olhei para a lâmpada apagada. ─ Mas consegui ascender? ─ Vamos jantar logo! ─ Tarry chamou. E nem vão me dizer se ascendi ou não? Então me levantei, mas quando eu estava perto da porta olhei espantado para a lâmpada. ─ Quem ascendeu a lâmpada agora?! ─ Deve ter sobrado um pouco de energia em você ainda, nada demais, logo passa ─ Tom supôs. Saímos enquanto Jack me olhava estranhando. ─ Vejam pelo lado positivo, teremos um jantar à luz de velas ─ eu aproveitei a oportunidade ironicamente, mas todos continuaram sérios ─ ah, gente, foi uma piada. No dia seguinte, em casa acordei às nove horas para ir ao 157 Mundo Secreto levar Baby à escola, a pedido dele. Ele estava realmente ansioso para me apresentar o lugar. Eu não iria acabar com a alegria do garoto por nada, e nem foi pedir tanto. Depois de arrumado tranquei a porta de meu quarto e fui. Chegando à sala, só estava Larry, sentado no sofá vermelho. ─ Bom dia! Achei que você não viria. ─ Mas que horas Baby estuda? ─ As treze. ─ E porque nove horas? ─ Ele queria garantir que não se atrasaria. Naquele momento pude perceber o quanto aquilo era importante para Baby. E o quanto ele confiava na minha pontualidade, parece até que já me conhecia. Mas parece que sempre nos momentos importantes aparece algo mais importante ainda, mas com outro tipo e grau de importância. Exatamente na hora em que eu estava pensando na importância disso para Baby, meu celular tocou. ─ Alô? ─ Allan! Urgente, aqui na ANETi tão investigando sobre uma tal invasão na segurança, e o que eu achei mais estranho é que as informações deles indicaram que você estava envolvido. Aquela noticia me pegou desprevenido, fiquei realmente assustado. 158 ─ E como você sabe disso? ─ Não há como não saber, eles interditaram a área. ─ O quê? ─ Havia barulho de helicópteros no fundo, o que me impedia de ouvi-la. ─ INTERDITARAM A ÁREA. ─ O quê? ─ Eu não conseguia mais ouvi-la. Vendo que não havia mais condições de conversar. ─ Íris! Íris? ÍRIS? Droga! ─ Mas ela desligou sem responder, aquilo me deixava preocupado. ─ Encrencado? ─ Larry perguntou. ─ Muito. ─ Normal. É como tempestade, tantos estragos, mas no final sempre passa. A tempestade passa, os estragos não. ─ Tô torcendo pra que seja assim. Logo senti o celular vibrar alertando uma mensagem que dizia: "Interditaram a área! Mas não apareça por aqui, é muito arriscado pra você. Vá para sua casa, estou indo para lá." Supondo que seria apenas uma conversa rápida, imaginei que chegaria até as onze, na esperança de resolver algo. ─ Volto em uma hora ─ avisei a Larry. ─ É melhor voltar mesmo. Se tratando de exigir, Baby é o cão. 159 Voltei a Terra, aguardando Íris em frente minha casa. Eu estava com pressa, se passou apenas cinco minutos, mas para mim parecia meia hora. Talvez se eu olhasse o relógio, cinco minutos continuariam sendo cinco minutos e não meia hora. Olhava apreensivo ao redor esperando enxergá-la quando se aproximasse. Não aguentando mais, comecei a caminhar lentamente com passos curtos, acreditando que pudesse encontrá-la pelo caminho. Próximos dali estavam Dick e Lock, dois ladrões amadores que tentavam ganhar a vida participando de uma comunidade criminosa, estavam no nível: Batedores de Carteira. Não saíam deste nível desde que entraram, e não tinha previsão para sair. Eram novatos, daqueles que acham que podem ganhar a vida facilmente, mal sabiam o caminho que haviam escolhido. ─ Dick, o que temos que fazer agora? ─ Não sei, Lock, não sei se você é capaz, você faz tudo errado. Mandei você roubar um cara e você o deixou ir embora sem pegar nada dele. ─ Mas ele tava atrasado, Dick, ele ia perder o emprego. E se perdesse o emprego, não teríamos mais nada pra pegar dele ─ respondeu. 160 Não podemos criticar essa lógica. ─ Pelo amor. Mas se lembra daquela noite que testei você mandando-o roubar aquela simples loja de doces? ─ Mas tava fechado, e se quiser provas volte lá naquele mesmo horário e veja você mesmo. Mas lembrando-se que no dia seguinte eu trouxe doces daquela loja. ─ Mas você não roubou, você comprou. ─ Pelo menos eu trouxe. ─ E quando assaltou aquela velha, você não trouxe nada. ─ Oh, Dick. Não fala assim da senhora, ela ainda foi boazinha em me dar um chiclete de menta. Mas eu não peguei nada porque ela estava sem trocados. ─ Sem trocados? Somos ladrões e não mendigos. E ainda não me esqueço da vez que se recusou a pegar uma carteira que um rapaz havia deixado cair. ─ Mas eu tenho justificativa. Eu tava em horário de almoço. ─ Horário de almoço? HORÁRIO DE ALMOÇO? ─ Repetiu zangado ─ você vai ter muito tempo pra almoço quando a comunidade nos der férias permanentes. Você quer férias permanentes? ─ Perguntou desafiando-o. ─ Não. ─ Então se esforça. ─ Ok. Vou me esforçar ─ afirmou Lock. ─ Então desperta o bandidão dentro de ti. 161 ─ Acordando o bandidão dentro de mim. ─ Vá lá e… ─ olhou para o lado ─ tá vendo aquele trouxa se aproximando? ─ Indicou apontando para mim que se aproximava ainda procurando Íris ─ mostre para ele o bandidão dentro de você. Vou me esconder atrás daquela árvore. Lock sem mais palavras, aproximando-se de mim barrando minha passagem, estendeu a mão dizendo: ─ A grana logo. Mas sem retrucar ou contrariar, sem nem mesmo prestar atenção, retirei a quantia que eu tinha e o entreguei. Agora que conheci o Mundo Secreto, dinheiro não me faria diferença. Com o dinheiro em mãos, Lock voltou animado para junto de Dick mostrar que conseguiu. ─ E aí? ─ Veja só a grana que consegui, Dick! ─ Nossa! E como ele reagiu? ─ Ele meu entregou sem dizer nada. ─ Oh! Deixou ele sem palavras! ─ Na verdade, ele nem prestou atenção. ─ Ah, não acredito. Mas você tinha que fazê-lo se sentir ameaçado. Tome essa arma descarregada, volte lá e pegue mais algo. Mas dessa vez ele tem que sentir que está te entregando porque você é perigoso. Eu continuando a caminhar lentamente, ainda procurando-a, 162 percebi que Lock estava novamente parado em minha frente. ─ Passa o que você tiver de valor ─ ordenou apontando a arma para mim. ─ De novo? ─ Dessa vez é diferente. Eu trouxe essa arma descarregada porque você deve se sentir ameaçado. Da ultima vez você não se sentiu. ─ Ah, entendi ─ concordei notando que ele não era lá muito esperto. Até tentei pensar em algum modo de enganá-lo, mas antes de conseguir alguma idéia, uma pequena bolinha de metal surgiu rolando até meus pés e então se fez uma enorme cortina de fumaça onde eu não podia enxergar mais nada. A fumaça se desfez, e Lock não estava mais lá e, no lugar dele estava Íris. ─ Não pergunte ─ ordenou prosseguindo em direção a minha casa. Então caminhamos até minha casa conversando, enquanto Lock acordou caído em frente a uma árvore. ─ Ai que pancada ─ logo percebeu que Dick estava ao seu lado também caído ─ Nossa! Dick, tá tudo bem? Ainda meio tonto Dick acordou sem entender o que estava acontecendo. ─ Lock! É você? ─ Sou eu sim, Dick. Dick levantou-se esforçadamente. 163 ─ Lock, vamos sair daqui. Este lugar é mal assombrado, ou até mesmo, amaldiçoado! ─ Afirmou Dick, e em seguida os dois correram, mas no meio do caminho ele parou, olhando para trás e declarou à Lock ─ Mas agente ainda pega aquele ali. Íris e eu conversávamos atrás de minha casa. ─ Você esteve na ANETi, certo? ─ Falava agitada. ─ Sim, mas… ─ Então me conte o que aconteceu lá. Dependendo, eu posso te ajudar a sair dessa. ─ Dependendo? ─ É… se não envolver homicídio, suicídio ou masoquismo, eu posso ajudá-lo. ─ Suicídio? Mas eu tô aqui. ─ Mas e se alguém se suicidou durante o ato. Agora se for uma tentativa de dominar o mundo eu posso ajudá-lo. Ai você fica com a parte acima da linha do Equador e eu fico com a parte debaixo. ─ An? ─ Ou se for apenas uma tentativa de dominar a empresa, ai nós dividimos os lucros. Ou se for qualquer outra coisa que não envolva homicídio, suicídio ou masoquismo. Posso ajudá-lo. Mas deixa isso para lá. Vai me conte. Antes de responder lembrei que se eu dissesse a verdade poderia acabar revelando o Mundo Secreto. Então para não puxar muito assunto, pra não me atrasar, tive de mentir. 164 ─ Na verdade, eu havia sido chamado para trabalhar lá, então cheguei, fiz a entrevista e quando eu estava em direção ao elevador, o invasor passou correndo, parou em mim e perguntou: Ei, Você ai, onde fica a saída mais rápida? ─ disse eu fazendo outra voz ─ ai eu apontei as escadas, e ele desceu como uma bala, na verdade, como uma bola, porque ele tropeçou um degrau, mas conseguiu escapar. Então os seguranças, me viram e perguntaram se eu vi o invasor passando, ai eu disse que não. Eles me deixaram ir, mas devem ter achado que eu era cúmplice. ─ Se você sabia que ele era o invasor porque o deixou escapar? ─ Eu não sabia, ele estava com roupa de funcionário ─ foi a única verdade que disse. ─ Ah, é verdade, os seguranças me contaram. Droga! Você não é o invasor! Então tenho que encontrá-lo, o desgraçado vai sair na vantagem, sozinho. ─ Você não devia pegá-lo para entregá-lo as autoridades? ─ Ah! E o que eu ganho com isso? ─ Você bebeu alguma coisa? ─ Perguntei estranhando as atitudes dela. ─ Sim! Sim! É aquela bebida lá, esqueci o nome… só lembro que é mexicana. ─ Ah! ─ Exclamei espantado. ─ Então tchau, vou voltar lá, e vejo se consigo te tirar dessa. ─ Tchau. 165 ─ E você vai ficar ai atrás da casa mesmo? ─ É… que vou ver o jardim. Faz um tempo que eu não dou uma olhada ─ tentei disfarçar para voltar ao Mundo Secreto. ─ Ah, sim, tá vendo aquele espantalho do seu jardim? ─ Tô sim ─ confirmei olhando para trás. ─ Parece muito com você. ─ Ah! Obrigado. ─ É sério. Me dá arrepios. Você me dá medo. ─ Nossa! ─ Tem algo em você que me assusta. Isso me dá medo, gosto disso ─ declarava empolgada. ─ Melhor você ir lá tentar resolver aquilo, o bandido sempre volta ao local do crime ─ tentei me despedir, não gostando muito da conversa, e com pressa. Mas logo se ouviu um barulho de helicóptero aproximando-se. ─ Minha carona chegou ─ percebeu ainda agitada, tirando do bolso da calça uma enorme corda com um gancho na ponta. E arremessou contra o helicóptero que passava, prendendo o gancho nele, e o helicóptero arrastou-a pelo ar, pois segurava a corda firmemente e foi subindo até chegar ao helicóptero. ─ Ah! NA MENSSAGEM VOCÊ DIZIA PRA EU VIR PRA CASA TE ENCONTRAR. COMO SABIA QUE EU NÃO ESTAVA EM CASA? ─ Gritei me lembrando de perguntar. ─ É… EU LIGUEI NA SUA CASA E SEU IRMÃO DISSE 166 QUE VOCÊ NÃO ESTAVA ─ gritou quase chegando a bordo do helicóptero. Onde nocauteou o piloto, tomando seu lugar para pilotar. Obviamente estranhei a cena, mas ouvi minha irmã me chamando ao ouvir minha voz gritando. ─ Allan? Fiquei em silêncio, e ligeiramente corri para esconder-me atrás do espantalho. Em seguida, Ellen olhou pela janela me procurando, mas não me vendo, voltou ao que estava fazendo. Olhei no meu "telerelógio", já eram dez horas, resolvi confiar em Íris para resolver a situação. E voltei ao Mundo Secreto para cumprir minha palavra. Chegando lá, Baby que já me esperava preocupado, cobrou. ─ Eu disse nove horas. ─ Eu estava aqui. Mas tive de resolver uns problemas. ─ Então se apresse, ainda tenho duas horas para te mostrar o colégio. ─ E não é o bastante? ─ Acho que sim, o lugar é muito grande, enquanto na verdade, temos apenas uma hora, cinquenta e quatro minutos e, trinta e oito segundos. ─ Nossa! Como você sabe? ─ Tô vendo no seu relógio. Fomos pelo caminho que eu cheguei ao Mundo Secreto antes de 167 saber que existia, aquela rua que parecia um corredor, árvores. Chegando em frente ao colégio. ─ Bem vindo à Starvix! ─ Exclamou Baby. E para minha surpresa, era aquele enorme castelo branco que havia encontrado da primeira vez. Baby me apresentou canto por canto da escola, explicando algumas coisas e contando alguns fatos enquanto caminhávamos. Até avistar seu professor de geografia. ─ Professor! ─ Chamou correndo até ele e me puxando ─ esse é meu primo. ─ Prazer. Mas não me lembro de ter dado aula para você ─ cumprimentou me olhando como se me conhecesse. ─ Ele é estrangeiro. ─ Baby improvisou. ─ Allan Santos ─ eu me apresentei erguendo a mão para cumprimentá-lo. ─ Willian Browds. Oh! Santos? Então você é do Brasil? ─ Sim, mas atualmente estou morando nos Estados Unidos. ─ Estados Unidos? Você não é estrangeiro? ─ Ele é estrangeiro, mas agora veio pra ficar ─ Baby tentou disfarçar, mas Browds sorria parecendo desconfiado. ─ Mas o que faz essa hora na escola, Baby? ─ Vim apresentar o colégio a ele. ─ Oh! Legal! Bem vindo a Starvix! ─ Exclamou. ─ E Baby, boa sorte como guia turístico. Até a aula. 168 ─ Obrigado ─ agradeci. Próximo dali uma garotinha chamava Baby. ─ Baby! Baby! Quem é este daí? ─ É meu primo. Ele é estrangeiro. ─ Nossa! Veio de onde? ─ Brasil ─ eu respondi a ela. ─ Mas então, Baby, fez sua redação sobre algum mito secreto? ─ Mudou de assunto, me ignorando. Mesmo inconformado disfarcei ficando quieto e deixando-os conversar. Mais tarde até pensei em pesquisar o que as leis diziam sobre xenofobia. ─ Ah! É mesmo! Mas ainda tenho tempo de fazer ─ Baby a respondeu. ─ Então se junte ao grupinho de ultima hora ali ─ sugeriu apontando para um grupo de crianças que tentavam fazer uma redação. ─ Não. Obrigado, posso fazer sozinho ─ recusou a sugestão. Pude perceber pelo olhar dele para aquele grupinho, que recusou por não gostar das crianças dali. ─ Certo, mas afinal o que faz na escola essa hora? ─ Te pergunto o mesmo ─ retrucou Baby. ─ Eu estava na biblioteca fazendo a minha redação ─ explicou. ─ Se estava na biblioteca, porque sugeriu que eu fizesse no seu 169 grupo, se nem você estava lá? ─ Nossa! Agora que lembrei, ainda faltam cinco linhas para acabar a minha, vou indo. Até a aula ─ saiu ainda meio confusa depois da pergunta. Baby havia embaraçado a mente dela, por isso saiu disfarçando para evitar constrangimento. Na verdade a pergunta foi simples, ela que não era muito inteligente mesmo. ─ Baby, é melhor eu ir, pra você poder fazer sua redação. ─ Não preciso, eu já fiz. Só fiz aquilo pra dispensá-la. ─ Mas do mesmo jeito, já são meio dia e dezenove, melhor se preparar pra ir pra aula ─ senti um frio ao dizer esse horário. ─ Verdade. Lembra o caminho de volta? ─ Você acha que não? Observava-me enquanto eu caminhava em direção à saída. Até eu parar perguntando: ─ Onde é mesmo a saída? Quando eu passara novamente por aquele corredor, o céu estava escuro, meio acinzentado, o que era estranho, porque ainda eram quase treze horas. Após alguns passos tive uma leve sensação de estar sendo perseguido, continuei caminhando normalmente achando que podia ser coisa de minha mente, mas ainda preocupado. Olhando para trás disfarçadamente percebi que havia uma sombra em forma humana se aproximando. Com medo, apressei o passo, e o vento que batia nas árvores trazia uma sensação ainda mais tensa. Caminhando 170 mais rápido, tropecei ao tentar olhar para trás, mas ao me levantar notei que não havia mais sombra nenhuma. Ainda estranhara ao virar-se para continuar caminhando, me deparei com uma criatura de manto negro e olhos vermelhos, a mesma criatura que aparecera para Alex no inicio, mas dessa vez segurava um cetro dourado com um rubi vermelho na ponta superior. Quase a desmaiar com o susto que levei, ainda tive forças para gritar. Mas a criatura lançou um pigmento preto sobre minha boca, tampando-a para que eu não pudesse mais gritar. Não sabendo o que fazer, eu tentei correr de volta para a escola, mas em meu caminho surgiu do chão do mesmo pigmento preto que estava em minha boca formando mais duas criaturas iguais a ela, mas sem o cetro. Virei-me novamente para ela, notei que erguia o cetro dizendo: ─ Besitz Blut ─ com sua voz grossa, e o cetro passou a brilhar, uma luz branca e forte, mas antes que pudesse erguê-lo, Baby saltou do dentro da copa de uma árvore onde estava escondido entre as folhas. Pendurou-se no cetro erguido acertando-a com um 'coice', lançando-a contra uma árvore, e Baby ficara com o cetro na mão, mas uma das outras criaturas; surgiu atrás dele pegando o cetro de volta. A própria criatura ressurgira para receber o cetro que a outra entregou em suas mãos. Pensei em correr, mas não deixaria Baby sozinho. Quando se preparou para atacar Baby, segurei-o nos braços tirando-o da direção do cetro e assim a criatura aproveitou para tentar atacar nós dois. Preparada para usar uma magia, Larry 171 apareceu impondo-se em nossa frente para nos proteger, o que levou a criatura a mudar de estratégia. ─ Entfernung! ─ Exclamou usando essa magia que atingira Larry que voou contra Baby e eu, lançando nós três à distância. Enquanto Larry conferia se estava tudo bem com agente, ouvimos a criatura dizer. ─ Clawler Fleuer… Nos entreolhávamos vendo que nada havia acontecido. ─ Comigo não aconteceu nada ─ afirmei. ─ Acho que não era pra nós ─ Baby avisou em tom lento e assustado ao olhar para trás vendo que uma das outras duas criaturas estava transformando-se num dragão, um enorme dragão. Parecia ser uma transformação dolorosa, mas não era. Então percebi que o pigmento preto saiu na hora que fomos lançados a distância. Após a transformação completar-se o dragão virou-se para nós, bufando fumaça pelas narinas. E começou a voar em nossa direção. Empurrei Baby para um lado e Larry para o outro, gritando: ─ BABY, CORRA. Logo me atingiu, lançando-me para suas costas, mas antes consegui segurar em sua orelha esquerda, agarrando em sua cabeça para eu não voar. Planava numa alta velocidade, quase tocando o chão. Se inclinava tentando me esmagar contra o muro, mas soltei sua cabeça, sendo lançado para suas costas onde não pode me atingir, e ainda não satisfeito, fazendo uma curva que quase me arremessou 172 longe. Voou entre as árvores, mas dessa vez conseguindo o que planejava, porque fui atingido por um dos pedaços de árvore que voam com o impacto do dragão, partindo para uma queda direta com o chão, mas eu ainda estava vivo. Enquanto a criatura assistia a cena, Baby novamente pegou o cetro dessa vez ameaçando usá-lo. ─ Como é que eu paro aquela coisa? ─ Perguntou com tom e olhar de ameaça erguendo o cetro na direção da criatura enquanto apontava para o dragão que agora voava perseguindo Larry. A criatura percebera que Baby não sabia usar o cetro. Mas intimidou-se quando ouviu Larry avisar: ─ BABY! É só ordenar algo em outro… ─ abaixou-se para o dragão não atingi-lo ─ outro idioma que não seja o seu. ─ Blocca! ─ Exclamou Baby apontando o cetro para uma das outras criaturas, e ela se petrificara instantaneamente. A própria criatura se desfez da frente de Baby reaparecendo atrás dele, mas ele correu para próximo ao muro onde a outra criatura que acabava de surgir se aproximava para capturá-lo. Mas ela parou intimidando-se quando Baby erguera o cetro exclamando novamente: ─ Blocca! Vendo que nada havia acontecido continuou a se aproximar. Até o grande dragão que flutuava muito alto, cair petrificado sobre ela. Vendo isso, a criatura preparava alguma magia para lançar contra Baby, mas então Jerry aparece tomando o cetro da mão de Baby e se 173 impondo contra a criatura para defendê-lo. ─ Não se atreva! ─ Jerry ameaçou-a colocando o cetro bem iluminado de frente com o rosto dela. A criatura desistindo de continuar este combate simplesmente ergueu sua mão. ─ Ritorno ─ exclamara e logo em seguida o cetro passou a tomar força por si mesmo, voltando para a mão da criatura. Tendo o cetro de volta, virou-se, caminhando contra uma árvore atravessando-a desapareceu dentro dela. Quanto aos outros petrificados, viraram cinzas em segundos e logo dissolveram no chão, também desaparecendo. Então as árvores destruídas voltaram ao normal, o sol voltou a brilhar com o céu azul, e tudo continuou intacto como estava antes. Como se a criatura não quisesse deixar rastros de que esteve ali. As únicas provas que restaram foram feridas e arranhões sofridos. 174 < Capítulo Dez > Decisão por segurança O pior é que não sabiam explicar como aquilo aconteceu, mas sabiam por que aquilo aconteceu. Enquanto nos entreolhávamos, sem saber o que dizer, Jerry quebrou o silêncio lembrando ainda sério. ─ Temos de levar Baby à escola, ainda está em horário de aula. Caminhamos até Starvix calados e pensativos com a cena que acabara de acontecer. Logo ao entrar, Larry pediu para falar urgentemente com o diretor, Brian Starvix, que logo nos pediu para entrarmos. Estava assentado à sua mesa, preenchendo alguns relatórios, mas logo parou para nos receber. Era um senhor que podia até ser confundido com o Papai Noel, mas magro. Usando um sobretudo marrom. ─ Mas esse é Baby Tunow! ─ Exclamou sorrindo para Baby ─ Por que não está em aula, junto aos outros alunos? ─ É exatamente sobre isso que viemos falar ─ Larry afirmou. ─ Algum problema com Baby? ─ Ficou sério ao preocupar-se. ─ Não. Na verdade, o problema está com esse daqui ─ falou apontando para mim. 175 ─ O que ele fez? ─ Olhou ainda mais preocupado para mim. ─ Digamos que a questão não é o que ele fez. Mas o que podem fazer com ele ou por causa dele. O diálogo deixava-o cada vez mais preocupado. Então exigiu: ─ Podem ir direto ao assunto? ─ Sim, mas precisamos que Browds também saiba ─ Larry exigiu. Starvix não entendia, mas atendeu seu pedido para tentar resolver qualquer que fosse o problema, o mais rápido possível. Exatamente no momento que Brian abriu a porta para ir chamar Browds, deparou-se com Moly Morgan, a professora de matemática, que estava prestes a abrir a porta para chamá-lo. Ela se assustou, mas começou a falar o que tinha para avisar: ─ Joe ficou preso no banheiro de novo. ─ Puxa vida! Já é a terceira porta. Podem derrubá-la. Pô, Joe, de novo não. ─ Já o tiramos de lá, só vim avisar ao senhor para já providenciar outra porta. ─ Ah! Certo. ─ Ah! Já ia me esquecendo ─ lembrou quando estava quase voltando para a sala ─ falta um aluno em sala de aula, e ele não está na escola ─ avisou preocupada. ─ Não se preocupe, Moly. Ele está bem aqui ─ aliviou-a erguendo seu braço na direção de Baby. 176 ─ Que alivio ─ observando que nós estávamos na secretaria, perguntou ─ aconteceu algo? ─ É um assunto particular. ─ Ai, como eu sou burra, porque fui perguntar? Desculpe minha curiosidade. Você é o diretor e não eu. Então é assunto seu, eu não tenho que saber. ─ Acalme-se, Moly. Sem estresse. Pode chamar o professor Browds para mim? ─ Sim, claro… Mas porque o senhor não usa o interfone? ─ Nossa! ─ Exclamou dando risada ─ é mesmo. É a idade, Moly, é a idade ─ em seguida usou seu "telerelógio" para chamar Browds: ─ Professor Willian Browds. Compareça na secretaria, urgente. Moly, ao ouvir a palavra 'urgente', não pôde controlar sua curiosidade. ─ Quer que eu anote para não se esquecer de trocar a porta? ─ Ah! Sim, obrigado. Pode anotar no bloquinho em cima de minha mesa. Ela entrou olhando para todo mundo, parecia tensa, mas cumprimentava sorrindo, tinha um sorriso atraente, em seguida passou a anotar o recado. ─ Aguardem, em alguns minutos Browds estará… ─ Aqui! ─ Browds terminou a frase entrando repentinamente na secretaria. Até me espantei, porque Baby havia me mostrado o 177 tamanho da escola. Muito grande pra ter chegado tão rápido. ─ Baby? O que faz fora de aula? Afinal você estava hoje cedo aqui na escola ─ Browds perguntou sem entender. ─ Browds, é exatamente sobre isso que vieram nos falar ─ explicou Starvix, e na hora Browds também se preocupou. ─ É particular, assunto sigiloso. ─ Suponho que há gente a mais neste lugar ─ supôs olhando para Moly que enrolava ao copiar ─ Baby. Não era para estar na sala? ─ Ah, sim ─ afirmou Baby. ─ Pode ir, ainda a tempo de terminar a atividade que deixei. ─ Moly? Porque a demora? ─ Perguntou Starvix intrigado. ─ Estou tentando me lembrar do número de telefone do lugar. Mas acho que não vai precisar, não é? ─ Disfarçou percebendo que estava a mais no momento. ─ Não. Ele vai saber ─ Browds afirmou a ela. ─ Ah, certo ─ ria para disfarçar sua vergonha ─ já estou indo pra minha sala ─ sem jeito para disfarçar, e sussurrara para si mesma enquanto fechava a porta, saindo da secretaria: ─ Eu não devia ter nascido. Após presenciar esta cena, perguntei estranhando as reações da professora. ─ Ela é depressiva? ─ Ela não é nem humana, já tentaram mandar ela e sua família para o Submundo Secreto, mas não conseguiram motivos suficientes 178 para mandá-los, então os acusadores perderam o caso e tiveram de responder processo. Provavelmente respondem até hoje. Racismo, xenofobia, esse povo tá complicado mesmo, hein? ─ Submundo? ─ Agora não entendia mais nada, mas Jerry fez um sinal discreto com a mão, mostrando que explicaria depois. ─ Dar aula para alunos dessa idade pode ser difícil para uma jovem novata. Para você é mais fácil porque você tem mais experiência. Afinal, você ajudou Alex a criar o Mundo Secreto ─ falou mansamente para Browds. Mas aquela informação era nova para mim. O que me deixara admirado ao ouvir. ─ Baby. Pode voltar à sala ─ Jerry ordenou vendo que não era necessário, Baby perder aula. Mas antes que Baby cruzasse a porta, alertou-o ─ lembre-se, esse assunto não deve sair daqui. Baby simplesmente concordara balançando a cabeça positivamente e saiu da secretaria. ─ Podemos prosseguir agora? ─ Browds sugeriu curioso e preocupado. Sem demora contamos todo o fato e seus detalhes a eles. Mas Browds apresentou ser o que mais se assustou com o acontecimento. ─ Chegou a hora… e elas perceberam isso. Estão reagindo, isso só prova o que eu já havia previsto, elas já tinha algo preparado para esta situação, só estavam aguardando, por isso agiram tão rápido. ─ Espera aí, não estou entendendo, elas quem? ─ Perguntei 179 insatisfeito com a explicação. ─ As bruxas, Allan! No exato momento em que ouvi aquilo fiquei completamente surpreso: ─ Então vocês também estão envolvidos nisso? ─ Mais envolvidos do que imagina, Allan. Somos a origem disso ─ e acrescentou ─ Allan, você está mais próximo da verdade do que pode imaginar. ─ Agora eu estou confuso ─ comentou Jerry. Imagine eu. ─ Em que você também está envolvido, Allan? O que você sabe sobre isso? ─ Larry interrogou. ─ Eu caço elas há dois anos na Terra, essa é minha função. ─ Um caçador de bruxas? Então nossa missão não era apenas buscar um simples parente? ─ Jerry surpreendeu-se. ─ Prefiro o termo exterminador de bruxas, soa mais impactante ─ murmurei. ─ Você mata elas? ─ NÃO! ─ Então não pode ser chamado exterminador. ─ Posso, porque elimino apenas a bruxa, faço a pessoa deixar de ser… à força. ─ E como descobriram que você está no Mundo Secreto? ─ Jerry questionou. E Larry espantado o respondeu: 180 ─ Nós criamos o registro dele… Se realmente já esperavam esta situação, provavelmente há uma delas ligada ao departamento de registros. ─ EXATAMENTE! ─ Afirmou Browds satisfeito com o raciocínio deles. ─ Quando descobriram que um exterminador da Terra foi trazido ao Mundo Secreto, já se ligaram no que estava acontecendo e assim deram início ao seu plano de ação. ─ E… o que está acontecendo? ─ Questionei. ─ Elas sabem que você veio por algum motivo, então desejam impedir o eliminando. Mas nem elas sabem o motivo. ─ E você sabe? ─ Claro! ─ Qual? ─ Eu já disse, está mais próximo da verdade do que pode imaginar. ─ Ah! Já esperava, parece até alguém que eu conheço. ─ Acredito que sei de quem está falando, mas não posso dizer ─ comentou. E Pediu um favor ─ Starvix, pode cuidar da minha sala por enquanto? ─ Tranquilo, Browds. ─ Enquanto a vocês, venham comigo ─ chamou apressadamente caminhando em direção à porta. O céu agora estava frio. Browds nos levou até uma casa que eu não conhecia. O que era óbvio porque eu não conhecia nenhuma 181 casa. Parou em frente à porta e aguardou até um homem nos receber. Pedindo para entramos, nos recebeu com chá e biscoitos. ─ Mas diga-me, Browds. Qual o motivo de sua visita? ─ Vou ser direto. A criatura voltou ─ nos indicara com o olhar dizendo ─ eles são as únicas testemunhas, pois também são as únicas vitimas do seu reaparecimento. ─ Mas… mas… mas… isso é… Impossível ─ gaguejava como nunca, aquela parecia ser a ultima noticia que não esperava ouvir ─ venha ver, porque é impossível ─ chamou a Browds, seguindo em direção a seu quarto. Quando nos levantamos do sofá, Browds pediu que continuássemos esperando, pois era confidencial. Ficamos aguardando eles voltarem, até que surgiu em minha cabeça a idéia de perguntar onde eu estava. Era estranho ser recebido por alguém, sem ao menos perguntar quem é a pessoa. ─ Quem é ele? ─ Michael Steven. Um dos amigos de Alex, também é um gênio, só não esteve presente na criação do Mundo Secreto ─ Jerry respondeu. Ao ouvir aquilo me veio algo à cabeça que me fazia desconfiar daquilo. Mas mudei de assunto para perguntar sobre outra coisa que havia reparado. ─ Eles não estão muito novos para já estarem vivos a mais de setenta e cinco anos? ─ Sim, mas estamos numa realidade virtual. Estamos sempre atualizando arquivos e renovando os contratos de licença, entendeu? 182 ─ Jerry ironizou metaforicamente. ─ Então neste momento eu sou um software? ─ indaguei não compreendendo a metáfora. ─ É… Quase isso. ─ Um arquivo? Um hardware? Um driver? Pelo menos sou algo importante? ─ Não se preocupe, você vai entender quando Tom te emprestar alguns livros que o explique isso ─ após responder, exclamou dando ênfase seriamente ─ Num computador, tudo é importante. Aquilo não respondia exatamente a minha pergunta, mas foi o bastante para silenciar-me, porque era a pura verdade. Após um tempo esperando aproximou-se uma mulher, nos recebendo ansiosamente. ─ Boa tarde! Que surpresa ver vocês aqui ─ e assim notando Jerry ─ Jerry! Como você está crescido, já é um adulto, ainda me lembro de quando era um feijãozinho. ─ É ─ fingia sorrir ─ devo ter esbarrado com você no útero da minha mãe, como o tempo passa rápido, né? Ela ria como uma hiena descontrolada, uma risada exagerada. ─ Você é…? ─ perguntei porquê ela não havia se apresentado. ─ Dona de casa. ─ Não, ─ eu dava uma risadinha para disfarçar sua idiotice ─ eu quis dizer, quem é você? 183 ─ Ah! Desculpe. Como sou burra. Eu sei. ─ Susan Deackfry ─ ainda ria um pouco ─ esposa do Michael. E você é de onde? ─ Brasil ─ Larry respondeu imediato antes que eu respondesse. ─ Allan, certo? ─ Como você sabe? ─ Alex me falou de você. Você é realmente igual a ele. Mas qual o motivo da visita de vocês aqui? ─ Ah! Browds nos trouxe aqui, ainda não entendi por que. Mas é sobre a criatura que vimos agora pouco. Ouvindo isso, ela ficou um pouco pálida, lábios paralisados e olhos arregalados com aquela expressão de preocupação e medo em seu rosto lembrando-se de quando havia visto a criatura pela primeira vez em seu passado. ─ Está tudo bem com você? ─ Sim, sim ─ afirmava tentando disfarçar com um forçado sorriso que escondia seu medo. ─ É algo parecido com isso? ─ Browds voltara aproximando-se enquanto erguia uma capa semelhante a que a criatura usava ─ Sim ─ respondi sem entender se haviam capturado a criatura ou se aquilo era apenas uma mera fantasia ─ mas… ─ Não se preocupe, estamos confusos por que… ─ Browds pausou sua fala parecendo evitar dizer algo, olhava para Michael 184 como se ele soubesse. ─ Porque já capturamos a criatura no passado e não estamos entendendo como ela está de volta ─ Michael completou. O ambiente ficou silencioso, ouvia-se apenas o som do vento, mas minha mente sentia algo de estranho no ar, além do frio. Olhava para os lados, um clima tenso, até eu me comprimir sentindo uma corrente de ar que passava raspando por minhas costas. ─ Melhor eu fechar a janela ─ afirmou Browds notando. Deixando a capa da antiga criatura sobre o sofá, se dirigiu à janela. Prestes a fechá-la, foi surpreendido por uma corrente negra de ar que entrou com tudo, rodeou Susan e passou sobre o sofá saindo por baixo da porta e levando junto de si a capa que Browds deixou sobre o sofá. Larry olhava surpreso para mim. E Susan completamente assustada. ─ Browds, vá. Sabe o que fazer ─ Michael ordenou enquanto abraçava Susan que deitava a cabeça sobre seu ombro quase chorando. ─ Você não vai? ─ perguntou Browds. ─ Não posso deixá-la sozinha aqui assim. Antes que deixássemos a casa, exclamou: ─ Ah! Boa sorte. Vão precisar ─ desejou mostrando preocupação enquanto abrigava Susan em seu ombro acalmando-a. Saímos ainda calados, não sabíamos para onde estávamos 185 caminhando, exceto Browds que nos guiava. ─ Michael disse que você sabia o que fazer. Certo? ─ perguntei curioso. ─ É. ─ E então? ─ Então o que? ─ O que vai fazer agora? ─ Ah! Sim. O que qualquer um faria. Examinar o local do crime. ─ Ah! Claro. Porque não pensei nisso antes ─ tentei disfarçar minha tolice, enquanto observava que Larry ria discretamente de mim. Quando chegamos ao corredor onde a criatura se manifestou, Browds olhou para os lados estranhando, pois a criatura havia desfeito todos os rastros e estragos, então o local encontrava-se em perfeito estado. ─ Vocês têm certeza de que aconteceu aqui? ─ Sim, claro. Mas no final todos os rastros e estragos se desfizeram e ela entrou nessa árvore e tudo sumiu e o… ─ parei ao perceber que o dia estava ensolarado. ─ E o…? ─ Browds esperava que eu terminasse a descrição. ─Ah! O sol voltou a brilhar, porque na hora que a criatura apareceu… ─ Tudo esfriou, como se as cores perdessem sua força ─ incrementou minha fala lentamente. 186 ─ Como sabe? ─ Eu não entendia, porque eram exatamente as palavras que eu usaria para descrever. ─ Porque foi exatamente como aconteceu agora pouco na casa de Michael. E enquanto as palavras seriam exatamente as palavras que Alex usaria para descrever o fato. ─ Mas como podemos comprovar que isso realmente aconteceu? Browds parou para pensar por um minuto, mas logo tirou de seu bolso, seu celular fazendo uma ligação. ─ Não pergunte, apenas apareça em minha casa urgente ─ foram suas únicas palavras ao celular. ─ Venham comigo ─ chamou guiando-nos à sua casa. Mas no caminho fomos surpreendidos por um cavaleiro que parou seu cavalo barrando nosso caminho, desceu aproximando-se erguendo sua espada para nós. ─ Parados. Quem vem lá? ─ Ah! Não, mais um? O que vocês têm contra mim. Primeiro uma criatura que veio sei lá de onde e também não quero saber e nem ir pra lá. Agora um cara que acha que é o zorro. ─ Calado, extraterrestre histérico ─ ordenou fazendo-me silenciar-se no mesmo instante, mas logo notou Browds ─ Ah! Você eu conheço, mas quem é esse junto a vocês? ─ Não te faz lembrar alguém? ─ Jura? ─ se admirou chegando a não acreditar quando percebeu, e em seguida se desculpou ─ Mil perdões. Sua histeria 187 confundiu minha mente. Mas seu nome é? ─ Allan. ─ Allan! Interessante. E o que fazem aqui? ─ Eu que pergunto. O que você faz aqui? ─ Browds estranhara. ─ Não sei. Minha espada detectou uma força negativa no local, então vim ver o que acontecia para eu ajudar. ─ Não acha que chegou ‘um pouco’ atrasado? ─ Sério? Minha espada está há muito tempo fora de uso, então devo calibrá-la para atualizá-la. Eu apenas observara estranhando a conversa e o individuo. ─ Ok. Antes de continuarmos. Quem é ele? ─ perguntei não suportando mais. ─ É o cavaleiro-da-lâmpada. Uma das lendas do Mundo Secreto. Baby é fanático por ele ─ Jerry respondeu-me. ─ Por que ‘da lâmpada’? ─ Teria que saber a história pra entender. Baby te empresta o livro depois. Que tal continuarmos? ─ Tem razão. Vamos. ─ Para onde vocês vão? ─ o cavaleiro perguntou curioso. ─ Investigação de emergência. Pode vir com agente. No caminho contamos a ele tudo o que aconteceu e ele também se surpreendeu. Browds levou-nos ao seu laboratório tecnológico secreto. Eu 188 que o observava pensava que acessaria seu computador central, mas só o usou para ter acesso a um de seus notebooks. ─ O que vai fazer? ─ Larry perguntou. ─ Acessar o mapa rastreador de histórico. ─ E o que é exatamente um mapa rastreador de histórico? ─ perguntei. ─ Pode rastrear a localização e exibir quem estava no local na determinada hora que for digitada. Ou rastrear a pessoa e exibir o local que ela estava e quem estava no local na determinada hora que for digitada. ─ Um nome mais simples para esse negócio seria Pega-ladrão ─ comentei. ─ Verdade! ─ concordou rindo ─, mas só eu tenho acesso a esse ‘Pega-ladrão’ além de Alex, por sermos os criadores dessa realidade virtual. Esse é apenas o mapa rastreador de histórico. O ‘Pega-ladrão’ de verdade é aquele ali ─ apontava para seu computador central ─, pois aquele possui a câmera rastreadora de histórico, a diferença é que esse mostra a cena. ─ Ah! Espertinho, então você fica aqui o dia todo, né? ─ supus sarcasticamente. ─ Vamos ao que importa. Sabem mais ou menos que horas aconteceu? ─ Sim, foi entre as doze e cinquenta e as treze. Selecionando o local no mapa e digitando a hora, foram 189 imediatamente focados quatro pontos na área, que era Larry, Baby, Jerry e eu. Mas fora esses, não havia mais nenhum onde eram para estarem três pontos: A criatura e as outras duas. Os pontos se movimentavam como aconteceu o fato, de um lado para o outro, mas nem um sinal de outros seres na região. Todos estranharam e espantavam-se com o que viam. Browds não conseguia entender. ─ Melhor vermos a câmera rastreadora de histórico. Enquanto ele ligava o computador central, surgiu-me uma curiosidade: ─ Jerry, afinal, você trabalha do que? ─ Bem, ─ pensou como responder ─ não é bem um trabalho, mas um cargo. Segurança oficial de Washington. Se houver alguma guerra ou algo do tipo, eu tenho que liderá-la, e também lutar. Não com armas, mas como hinukan, porque a força não está nas armas, mas dentro de si. ─ Como sustentam a casa? ─ Tom que monta tudo. Vivemos das invenções dele, mas se não fosse ele, Jack trabalha como vice-presidente na Casa Branca. ─ Aqui está ─ exclamou Browds dando inicio as gravações. Mostrava toda a cena, exatamente como aconteceu: ─ Não é possível ─ ouvimos sendo exclamado em espanto atrás de nós, viramos nosso olhar para quem exclamou. Eles o reconheceram, mas eu não. 190 ─ Desculpe, mas quem é ele? ─ Jeorge Rocks ─ se apresentou enquanto aproximava-se. ─ Primo de Alex ─ Browds avisou. ─ Então esse cara ai, também é da família, certo? E porque o chamou? ─ É o serviço dele. Ele é do Ministério da Justiça Secreta e nos dirá o que deve ser feito, para agirmos de acordo com as leis, para não piorar as coisas ─ explicou-me tranquilamente ─ Mas então, Jeorge. O que deve ser feito? ─ Volte para a Terra ─ ordenou pensativo. ─ Quando resolvermos isso, o buscaremos novamente. É muito arriscado continuar aqui. ─ Mas estou disposto a correr este risco ─ eu afirmava tentando ficar. ─ Não é arriscado somente para você, mas para todo o Mundo Secreto. Melhor ir, quanto mais rápido você for, mais rápido estará de volta. ─ Tudo bem ─ eu concordei, mas não contente, tinha de obedecer porque além de estar de acordo com as leis, era uma decisão por segurança. ─ Ah! Allan, Baby queria deixar isso com você ─ Browds avisou entregando em minhas mãos um livro, o livro com a História do Mundo Secreto. ─ Obrigado ─ agradeci segurando o livro e voltando para a 191 Terra. ─ Agora que ele já foi. Voltarei para pensar e decidir o que vocês devem fazer e lhes trarei resposta o mais rápido possível. Até mais ─ Jeorge se despedira ao retirar-se. Em casa, ao chegar do Mundo Secreto, estava pensativo, querendo voltar ao Mundo Secreto para resolver aquilo e não ficar esperando que resolvessem. Acompanhei minha família num passeio para que conhecessem melhor o país. Embora o passeio tenha sido ótimo, eu ainda desejava estar no Mundo Secreto na luta para resolver o problema. Voltando para casa, após tomar meu banho, e cada um se aconchegar em seus quartos. Tranquei-me em meu quarto para fazer meus trabalhos individuais, em frente ao computador, aquele que me garantia o dinheiro do dia a dia no momento. Enquanto aguardava o programa abrir, reparei no livro que Baby deixara para mim. Desliguei o computador, e me deitei em minha cama para ler na esperança de entender algo novo sobre o Mundo Secreto, mas não durei muitas páginas e cai no sono. 192 < Capítulo Onze > O julgamento Acordei com o barulho de minha irmã batendo na porta e me chamando. Ainda sonolento me levantei sentado na cama colocando os chinelos, olhei para o despertador, vendo que eram doze e dezenove. Bocejando caminhei até a porta para atendê-la. ─ O que você quer? ─ Bom dia, né. ─ Tá, bom dia. O que você quer? ─ Ok. Têm dois caras te chamando lá embaixo. ─ O que eles querem? ─ Perguntei ainda sonolento, mas já estranhando. ─ Não sei. Querem falar com você. São do FBI. ─ FBI? ─ agora estava realmente assustado, imediatamente me lembrei da ANETi, despertei no mesmo instante. ─ São. Até tiveram o trabalho de erguerem a carteira deles pra provarem. ─ Diga que não estou. Ah! E se eles quiserem, deixe-os revisar a casa ─ ordenei só vendo uma escapatória. ─ Mas e você? ─ Esta parte, pode deixar comigo, eu me viro. 193 Fechei a porta, e sabendo que não poderia fugir para o Mundo Secreto, eu teria que inventar algum jeito de escapar. Na tentativa de correr para meu guarda-roupa, pegar uma corda onde seria usada para fugir pela janela e correr pelos fundos. Acabei atingindo o criado-mudo com a canela, o que me levou numa queda direta ao chão para dificultar o serviço. Mas ainda pude levantar-me para continuar. E levantando percebi que havia alguém em cima da cama. ─ Baby? ─ Eu mesmo! ─ Respondeu sorridente. ─ Mas isso é ilegal. ─ E daí? ─ E daí que vai prejudicar você e aos outros ─ expliquei a ele enquanto eu procurava a corda em meu guarda-roupa. ─ Você nem deve ligar pra isso, né? ─ Claro que ligo. Você é novo pra ficar se arriscando assim. ─ Não. Eu estou falando desse porta-retratos que acabou de se repartir no chão. ─ Ah, não! Não, não, não, não ─ me ajoelhei diante os pedaços, me lamentando enquanto tentava juntá-los. ─ Trágico. Mas afinal, o que você estava procurando, tão desesperado? ─ Minha corda de emergência. ─ Ah! ─ Olhou para a janela perguntando ─ tá de saída? ─ Baby, eu estou numa fuga, me entende agora? 194 ─ Oh! Então não sou só eu que fiz algo ilegal por aqui. Mas falando sério, você sabe ao menos para onde está correndo? ─ Sei… não. ─ Já imaginei. Se você não pode resolver o problema, corra para alguém que pode. Entendeu? ─ Sim ─ afirmei enquanto encontrara a corda que estava no fundo do guarda-roupa, debaixo de outras coisas, embrulhado num lençol, provavelmente escondido. O motivo eu não sabia. Mas ainda prestava atenção no que Baby dizia e ouvindo o conselho dele pensei em alguém que poderia me ajudar. ─ Você acorda todos os dias com o canto daquele casal de pássaros? ─ Indagou observando a árvore dos fundos pela janela. ─ Não ─ respondi ao amarrar a corda bem firme para descer por ela. ─ Oh! Eles têm um ninho! E estão cuidando dos ovos. Será que eles são idiotas pra não perceberem que os ovos estão caindo? ─ Me desculpe Baby, mas agora não tem como eu te responder. Vamos descer rápido… e em silêncio ─ o alertei sussurrando. Desci primeiro e quando Baby quase chegava ao chão, peguei-o no colo colocando-o no chão para ir mais rápido. Caminhamos vagarosamente até próximo à janela da sala para ouvir se ainda estavam lá. Estavam na porta de entrada, de costas para a janela, prestes a sair. ─ Você tem certeza que ele não está no quarto dele? ─ 195 perguntava um deles à Ellen. ─ Tenho. Ele nunca tranca a porta, só quando não está lá. Os dois se entreolharam, ainda desconfiados. ─ Para ver se não há nada ilegal, podemos examinar o quarto? Ellen bufou autorizando-os: ─ Vocês são chatos, viu? Vai, podem ver lá, tomara que encontrem uma bomba. Os dois olharam sérios para ela. ─ Além de tudo não têm senso de humor. ─ Hei, parece que vi algo se mexer ali ─ exclamou o outro apontando para janela. E assim correram para fora pela janela mesmo. Nesse instante meu coração acelerou, segurei Baby para nos escondermos num canto. ─ PARADO. Não se mova! FBI. Continue assim ─ intimidaram, aproximaram-se, revistaram e finalmente perceberam. ─ Pô, que vacilo nosso. É só um espantalho. ─ É, mas olha! ─ Observou admirado ─ o cara caprichou, colocou até… peruca? ─ Ele quer mesmo proteger esse jardim. O que será que ele planta? ─ Perguntou olhando desconfiado para o outro. E observando ao redor o outro simplesmente respondeu: ─ Rosas… cravos… margaridas… lírios e… tangerina? Nada demais. 196 ─ Vamos voltar ao serviço ─ estranhando o espantalho ─ cruzes, eu não dormiria tendo um desses no jardim de casa. ─ Nem eu. Pega duas tangerinas ai pra gente e vamos examinar o quarto. ─ Será que estão maduras? ─ Perguntou ao pegar. ─ Não sei. Mas esse jardim não tem cara de ser de algum criminoso. ─ Principalmente o espantalho. Mas fazer o quê? É o nosso trabalho ─ entraram comentando, novamente pela janela. ─ Confundiram o espantalho com você? Nossa! ─ Comentou Baby que observava a cena com o pescoço esticado para espiar. ─ Agora é a hora. Vamos ─ sussurrei enquanto prosseguíamos caminhando cuidadosamente para não sermos percebidos, um dos ovos daquele ninho caiu sobre minha cabeça quando eu passava por baixo dele. Olhando para cima notei que os outros dois ovos que restaram brevemente cairiam também. ─ Pode ir. Eu vou subir pra colocar o ninho no lugar e pode ter certeza que te alcanço ─ ordenou o garoto. ─ Não, Baby. Acho melhor você não ir e voltar para o Mundo Secreto, será mais seguro pra você. ─ Mas eu tenho experiência em fuga. Pegar as coisas do quarto do Jerry não é fácil, o cara é uma máquina de perseguição. ─ Baby, mas isso é diferente. Envolve o FBI também. ─ Eu também tenho experiência profissional. Claro que 197 escondido, porque Jerry e os outros nunca me deixariam fazer essas coisas, mas mesmo assim tenho. ─ Certo. Você pode ter experiência, mas eu… não quero colocar você no meio dos meus problemas. É mais seguro voltar. ─ Você não confia que eu posso resolver. ─ Eu confio. Mas se confia em mim irá voltar pra casa agora. Preocupado abaixou a cabeça: ─ Você não acha mais seguro ir junto comigo pra casa. Assim você pode se livrar disso. ─ Eu posso fugir do perigo, mas não do problema. Se eu quiser resolver isso eu tenho que continuar. Eu sei o que estou fazendo. ─ Sabe mesmo? ─ Sim. Acho que já estou até acostumado ─ assegurei sorrindo ─ há alguns anos atrás, na minha adolescência, eu passava por esses tipos de situações estranhas, a maioria delas fora do real. Ou melhor, todas elas. ─ Sério?! ─ Perguntou mostrando admiração em seu rosto. ─ Sim. As ultimas foram as piores, eu podia estar traumatizado até hoje. Alguns da minha ex-turma ficaram com o trauma, e outros continuaram a vida. Mas veja, hoje estou aqui, enfrentando mais uma delas. ─ Ok ─ sussurrou mais seguro agora ─, mas tem certeza de que sairá vivo dessa? ─ Sim. Isso eu garanto. 198 ─ Ah! Allan ─ chamou enquanto eu já estava indo e quando me virei para ele continuou ─ só volto se me prometer uma coisa. ─ O que? ─ Que depois você vai me contar todas essas histórias de seu passado obscuro ─ sugeriu sorrindo. ─ Pode deixar ─ sussurrei ─, mas agora vou indo, antes que seja tarde demais. O deixei para ajudar os pássaros e corri rua adiante, já sabia para onde estava indo. Mas enquanto corria fui surpreendido, sendo pego pelos braços. Instantaneamente pensei que fossem os seguranças. ─ Ah! Você de novo? ─ Perguntei não acreditando. ─ Sim. Eu de novo ─ Lock repetiu. ─ Mas quem são vocês? Não podem esperar pra me roubar outra hora? Agora estou um pouco ocupado. ─ Não. ─ Eu recomendo que me soltem. O FBI tá atrás de mim, eu estou com o nome bem mais sujo que o de vocês e eles tão vindo ai, se me pegarem provavelmente pegarão vocês também por estarem junto comigo, serão suspeitos ─ avisei enquanto Dick olhava fixamente para mim. ─ Hum… é mesmo? ─ E logo começaram a rir. ─ Ai meu Deus. ─ Espera mesmo que agente acredite nisso? ─ Dick retrucou. ─ Dick. Isso tudo era mentira? ─ Lock indagou confuso. 199 ─ Sem comentários, Lock. Agora fique quieto e lance ele contra aquela árvore ─ ordenou indicando uma árvore próxima. Em seguida sacou sua arma. ─ A arma descarregada de novo? ─ Perguntei desafiando-o. ─ Cale a boca. E não, está bem carregada ─ afirmou. E para provar mirou disparando contra a mesma árvore onde eu estava. Na hora do medo fechei os olhos, mas percebendo que não senti nada, os abri lentamente. Conferi a mim mesmo, vendo que não havia nada, me virei para a árvore observando a marca da bala nela. ─ Bem carregada ─ Dick repetiu. ─ Não acredito que escapei daquilo pra morrer aqui ─ lamentei fechando os olhos. ─ Conseguimos ─ comemorou os dois assistindo minha lamentação ─ agora pode ir. Só queria ensinar a Lock como fazer alguém se sentir realmente ameaçado. ─ Vocês me fizeram perder tempo com isso? ─ Indaguei indignado com tamanha idiotice. Em seguida corri, tomando meu caminho à fuga. Logo não muito longe deles, parei virando-se para trás: ─ Vão trabalhar. Nem pra bandido vocês servem. Ofendido, Dick momentaneamente mirou sua arma para mim, almejando acertar de longe, mas antes que pudesse apertar o gatilho o FBI repreendeu-os num só golpe. O lado bom é que os dois distrairiam os caras por um tempo, e 200 o lado ruim é que os caras eram dois, enquanto um capturava Dick e Lock, o outro continuaria me perseguindo, o que era um motivo para correr mais rápido ainda. Alcançando a casa onde Íris se encontrava, entrei sem avisar, procurei-a pela casa. Confesso que era uma casa, um tanto que esquisita. Logo a encontrei no quintal dos fundos, onde meditava de cabeça para baixo, pendurada pelas dobradiças da perna no varal, que eram na verdade cordas. Abriu os olhos de forma repentina indagando: ─ O que você faz aqui? ─ Indagou num só fôlego. ─ Eu que te pergunto: o que você faz assim? ─ Estou meditando, como um morcego. Não vê? ─ Sim. Mas morcegos meditam? ─ Não sei. Mas estou meditando, como um morcego. ─ Entendo ─ concordei mesmo estranhando, para não prolongar o assunto sem sentido. ─ Mas qual o motivo de sua tão repentina visita? ─ O FBI está atrás de mim. Distraia-os enquanto eu fujo, por favor. ─ Sério? ─ Claro! ─ Pode deixar. Sai pelos fundos. ─ Obrigado, valeu mesmo ─ agradeci ao abraçá-la. ─ Vá logo, você não tem o tempo todo. Meu sensor adrenalina 201 me diz que eles estão mais próximos que imagina. ─ Ok ─ corri para a saída dos fundos, mas logo que cheguei à outra rua pude entender o que o “sensor adrenalina” dela queria dizer. Porque já havia uma barreira de policiais cercando a rua. Tudo que me restou foi erguer as mãos para o auto e entrar no carro. Enquanto me levavam. No Mundo Secreto, Jerry e o cavaleiro da lâmpada procuravam acabar com a situação de vez. Começaram a investigação com uma visita ao bar dos “arrependidos”. Aqueles que cometeram crimes mais leves como furto, assalto, estelionato e outros que não envolvessem homicídio ou algo pior. E já cumpriram seu tempo na prisão, agora se dizendo “arrependidos”. Pois já sabiam o destino de quem cometia qualquer coisa envolvendo homicídio e outros. Assim que chegaram, detectaram um ambiente normal, assim como qualquer outro bar. ─ Por onde começaremos? ─ Perguntou o cavaleiro perdendo a noção do que fazer num lugar tão normal. Jerry cobriu o local com um rápido olhar a sua volta percebendo algo. ─ Está faltando gente ─ afirmou num tom sério. ─ Ah! E você acha que todos que já foram presos na cidade estão aqui? Os que estão aqui são apenas aqueles que querem aproveitar a vida pra esquecer a má experiência que tiveram na cadeia. Os que não estão aqui, provavelmente mudaram de vida, têm 202 novos planos para refazer o futuro. ─ São exatamente esses que temos que procurar. ─ Faz sentido. E por quem começamos? ─ O criador do agrianismo. ─ Isso. Jerry virou-se para um senhor que estava ao seu lado jogando Pôquer, segurou-o pela gola de sua blusa, levantando-o no ar: ─ Onde está John Agrian? ─ Ah! Agrian? Ele é dono de um casino em Las Vegas agora. ─ Ah, perdão ─ colocou-o de volta no lugar e virou para o cavaleiro perguntando: ─ Quanto tempo leva até Las Vegas? ─ Alguns segundos. Na hora fez uma expressão duvidosa, desacreditando. Sem explicar, o cavaleiro tirou sua espada, virou-a de cabeça para baixo dando toques com ela no chão. E com isso, do chão surgiram algumas chamas que aumentaram formando um cavalo de fogo, e assim montou-o chamando Jerry: ─ Suba logo. Jerry montou também o cavalo. ─ Que fogo é esse que não queima? ─ Murmurou Jerry. ─ Você acha que eu montaria um cavalo que queima? ─ enquanto dialogavam todos no bar se surpreendiam assustados. Pois sabiam que ali estava uma dupla, na qual não se podia mexer ─ Qual 203 é o nome do casino? ─ Tudo ou nada ─ respondeu o senhor tremulo e de olhos arregalados. ─ Obrigado ─ então o cavalo e os dois montados se consumiram em chamas repentinamente em segundos e as chamas reapareceram em Las Vegas trazendo eles. ─ Oh! Dois segundos de viagem, bateu seu próprio recorde ─ afirmou o cavaleiro animando seu cavalo que logo desaparecera novamente consumindo-se. ─ Pra onde ele foi? ─ Jerry ainda não entendia. ─ Pra casa. Sem comentários continuaram caminhando à procura do casino Tudo ou Nada. E encontrando-o, entraram admirando-se pelo ambiente maravilhoso, preenchido pela música, dança, jogos, luzes, e as garçonetes que os serviam bebida. Mas sem perder o foco do seu objetivo, Jerry dirigindo-se a um dos seguranças do local, o perguntou onde poderiam encontrar John Agrian. ─ Assunto? ─ Perguntou por segurança. ─ Negócios. ─ Venham comigo ─ ordenou abrindo a expressão com um sorriso ganancioso. Levou-os até a sala de Agrian e ele sem perceber a presença deles, continuou a relaxar com a massagem que recebia de uma de suas assistentes. 204 ─ Agrian? ─ Jerry? ─ virou-se subitamente espantado com a não esperada visita. ─ Não esperava a nossa visita? ─ Está tão óbvio assim? ─ Certo, vamos direto ao assunto. Ficou sabendo sobre o reaparecimento da criatura? ─ Perguntou o cavaleiro indo direto ao ponto. ─ Reaparecimento? ─ Demonstrara uma expressão de quem não sabia do assunto. ─ Ah! Não, espera aí, vocês não estão achando que eu sou responsável por isso, não é? ─ Ridicularizou-os rindo. Mas todos ficaram surpresos ao ouvirem uma voz conhecida vinda da porta da sala: ─ Ele não disse nada disso, você mesmo está se acusando sozinho! ─ Baby?! ─ Jerry espantando-se, não acreditava no que via. Agrian vendo que distraíram os olhares. Aproveitou a oportunidade para pegar num movimento esperto e rápido, a espada do cavaleiro. ─ Agora poderei me vingar por me incriminarem sem provas concretas ─ exclamou vingativamente com um impulso da espada. ─ Não, Agrian, você vai… ─ essas foram as ultimas palavras que puderam ouvir, antes que o casino inteiro se destruísse num clarão de luz. 205 Enquanto na Terra novamente. ─ Para onde estão me levando? ─ Perguntei ao ver que demorava pra chegar. ─ Para o tribunal ─ respondeu um deles. ─ TRIBUNAL? Mas… acabaram de me pegar. E já tem um tribunal preparado para mim? ─ Só fazemos nosso serviço. ─ Ah! Que maravilha! ─ Murmurei cruzando os braços e fechando a cara. E assim fiquei quieto até chegar. No tribunal, todos esperavam minha chegada para dar inicio ao júri, mas não parecia ser para me receber. Enquanto eu caminhava para tomar meu lugar, me olhavam como se eu fosse acusado de ter matado alguém. E logo que sentei, começaram-se os cochichos. Alguns instantes depois, o juiz pigarreou antes para dar inicio ao júri. ─ Silêncio, por favor. ─ Mas logo começou a tossir, a cada segundo, a tosse ficava mais forte até chegar ao ponto que ele não aguentava mais ficar em pé. Teve de ser levado às pressas para o hospital. O ambiente silenciou-se após o resgate levá-lo. Vendo a situação, cheguei a pensar que fosse sorte e tentei aproveitar a oportunidade: ─ Oh! Que pena, eu estava tão ansioso. Outro dia continuamos ─ exclamava me dirigindo a saída ─ quem sabe lá pra… ─, mas antes que eu cruzasse a porta, um dos seguranças me segurou pela gola da 206 blusa com o dedo, repreendendo: ─ Não, não, não. O júri tem que continuar. ─ Mas não temos o juiz. ─ Eu serei o juiz ─ afirmou em tom de ordem. ─ Mas você é o segurança, não tem experiência pra isso. ─ Eu fiz faculdade disso. ─ Então por que é segurança? ─ Porque eu quero ─ dessa vez em tom forte. ─ Ah! Desculpa ─ recuei, pois ele parecia ter vindo do exército. ─ Então tome seu lugar e aguarde sua palavra ser autorizada. Obedecendo a sua ordem, me sentei e bufei não acreditando naquilo. Alguns ainda cochichavam, o segurança vestiu a beca de juiz e tomou seu lugar, e logo que pronto, pigarreou para chamar atenção de todos. ─ Tomara que morra dessa vez ─ sussurrei murmurando. ─ O senhor quer nos dizer alguma coisa? ─ Não, eu estava lembrando que estou com fome, porque não tive tempo de comer nada até agora. ─ Certo. Então podemos dar inicio ao júri. ─ Eu protesto! ─ Exclamei levantando-me e erguendo a mão. ─ Protesta o que? Ainda nem começamos. ─ É sobre isso mesmo que eu protesto. Não podemos começar. ─ Por quê? ─ Perguntou o segurança quase impaciente. ─ Porque fui pego de surpresa para este júri, ninguém me avisou 207 antes... ─ Você também não nos avisou antes de invadir a empresa, nos pegou de surpresa ─ manifestou-se levantando o cara que antes nos perseguiu apenas de roupas de baixo, uma das testemunhas representante da empresa. Até seu advogado segurá-lo tentando tranquilizá-lo. ─ Ordem no tribunal! ─ Ordenou o juiz severamente. ─ Será para isso que vieram aqui, decidir se inocente ou não, este condenado. ─ É!... Condenado? ─ Por apresentar uma justa causa, acho justo te dar o direito a uma ligação para um advogado e até três testemunhas… se tiver. ─ Ah. Muito obrigado, juiz. ─ Se caso não houver advogado e nem testemunhas, continuaremos o júri assim mesmo. Então boa sorte, tem 10 minutos para ligar. E enquanto isso eu vou ao banheiro ─ e assim retirou-se do tribunal. Sem pensar duas vezes, liguei para alguém que eu sabia que resolveria isso de um jeito ou de outro. ─ Íris? ─ Sim, eu mesma. ─ Eu estou aqui no tribunal pra ser julgado em alguns minutos, sem nem testemunhas e muito menos advogado. Então preciso de uma pequena ajuda. ─ Pode deixar! Eu vou arrasar! Vou acabar com eles! ─ exclamou com 208 firmeza. ─ É isso ai. Mostra o que você sabe. E venha o mais rápido possível. ─ Estou mais próxima que você imagina. ─ Muito obrigado, fico te devendo essa. Ela já estava no carro com Erich em frente o tribunal no momento da ligação. Vestida de vaqueira deu apenas uma ordem para Erich: ─ Acelera! ─ Num folego só. Mais tranquilo agora que eu havia consegui ajuda para o julgamento, tomei meu lugar novamente e pensei: ─ Será que ela sabe alguma coisa de direito? Espero que ela tenha entendido ─ tentava não me preocupar. Mas alguns segundos após pensar isso, o carro de Erich invadiu o lugar. Eu não acreditava que isto estava acontecendo. Ela saiu pela pequena abertura de cima do carro com sua corda de cowboy, pulando direto na direção dos acusadores. E me mandava entrar no carro. Já que a situação estava feia mesmo, corri para o carro enquanto Íris amarrava os acusadores. Os jurados e a plateia fugiam desesperados pela entrada e outros pela abertura que o carro havia feito na parede. Os seguranças foram os únicos que não sofreram aos ataques dela, porque saíram antes para correr atrás do carro. Avistando o carro puderam dar um disparo mirando de longe, mas não nos atingiu, o que nos deu motivo para acelerarmos mais. 209 Até que Erich decidiu perder eles de vista e entrar com o carro em algum canto onde não fossemos visto. ─ O que vai fazer? ─ Perguntei estranhando. ─ Quando eles passarem direto, nós retornamos ─ respondeu virando-se para trás para ver a hora que os policiais passassem ─ ah! Droga ─ voltou-se para o volante desesperado tentando ligar o carro, mas não adiantava. Olhei para trás para ver o motivo do desespero e entendi. Havia um rastro de chamas no chão que se aproximava cada vez mais. Tentamos sair pelas portas, mas estavam muito próximas a parede e por isso não abriam. Quando conseguimos sair por um espaço entre a janela e a parede… já era tarde demais. 210 < Capítulo Doze > Punidos Além do susto da explosão, acordei subitamente com o barulho de minha irmã bater na porta me chamando. Assustado, mas aliviado por aquilo ter sido somente um sonho. Levantei-me ainda sonolento, eram doze e dezenove, caminhei sonolentamente bocejando até a porta. ─ O que você quer? ─ Bom dia, né? ─ Tá, bom dia. O que você quer? ─ Ok. Têm dois caras te chamando lá embaixo. ─ São do FBI, certo? ─ Perguntei temendo, e arregalando os olhos me virei para o relógio espantando-se porque eram exatamente doze e dezenove. ─ Se sabia que viriam, por que não ficou acordado pra recebêlos? ─ Olha, faça exatamente como eu mandar. Diga a eles que não estou. ─ Você os traz até aqui e agora foge? ─ Se eles quiserem revistar a casa, pode deixar. Até mesmo meu quarto. Ah! E se eu não estiver aqui até a noite peça pizza ─ após dar 211 as instruções fechei a porta, virei para minha cama subitamente para garantir se era o que eu estava pensando. E confirmei: ─ Baby?! ─ Corri na direção dele e novamente atingi o criadomudo, caindo no chão da mesma forma. ─ Você faz isso todos os dias? ─ Perguntou Baby. ─ Não, isso se chama desespero ─ logo me lembrei da corda, levantei-me apressadamente em direção ao guarda-roupa, ao abrir a porta peguei o porta-retratos antes que chegasse ao chão. ─ Oh! Que reflexo! Parece até que você já sábia ─ exclamou baby admirando a cena. Aquilo me serviu como uma piada, mas continuei minha busca, e me surpreendi mais ainda porque procurei direto no lençol onde estava escondida e encontrei. Enquanto eu pensava, Baby observava a janela: ─ Você acorda com o canto daquele casal de pássaros todos os dias? ─ Não. Puxei Baby para com os ouvidos na porta ouvindo a conversa do FBI no andar debaixo. ─ Você tem certeza que ele não está no quarto dele? ─ eu sussurrava as falas. ─ Você tem certeza que ele não está no quarto dele? ─ perguntava um deles à Ellen. ─ Oh! ─ Baby admirava-se. 212 ─ Tenho. Ele nunca tranca a porta, só quando não está lá. ─ Tenho. Ele nunca tranca a porta, só quando não está lá. ─ Para ver se não há nada ilegal, podemos examinar o quarto? ─ Para ver se não há nada ilegal, podemos examinar o quarto? ─ Vocês são chatos, viu? Vai, podem ver lá, tomara que encontrem uma bomba. ─ Vocês são chatos, viu? Vai, podem ver lá, tomara que encontrem uma bomba. ─ Além de tudo não têm humor. ─ Além de tudo não têm humor. ─ Hei, parece que vi algo se mexer ali. ─ Hei, parece que vi algo se mexer ali. Em seguida puxei Baby para a janela: ─ Agora, eles vão revistar o espantalho. ─ PARADO. Não se mova! FBI. Continue assim ─ intimidaram, aproximaram-se, revistaram e finalmente perceberam. ─ Pô, que vacilo nosso. É só um espantalho. ─ É. Mas olha! ─ observou admirado ─ O cara caprichou, colocou até… peruca? ─ Ele quer mesmo proteger esse jardim. O que será que ele planta? ─ Perguntou olhando desconfiado para o outro. E observando ao redor o outro simplesmente respondeu: ─ Rosas… cravos… margaridas… lírios e… tangerina? Nada demais. ─ Vamos voltar ao serviço ─ estranhando o espantalho ─ cruzes, eu não 213 dormiria tendo um desses no jardim de casa. ─ Nem eu. Pega duas ai pra gente e vamos examinar o quarto. ─ Será que estão maduras? ─ perguntou ao pegar. ─ Não sei. Mas esse jardim não tem cara de ser de algum criminoso. ─ Principalmente o espantalho. Mas fazer o quê? É o nosso trabalho ─ entraram comentando, novamente pela janela. ─ Nossa! Confundiram o espantalho com você? ─ espantou-se Baby. ─ Oh! Eles têm um ninho! E estão cuidando dos ovos. Os ovos estão caindo, será que são idiotas pra não perceberem? ─ Observava os pássaros novamente. ─ É mesmo! O ovo vai cair agora. ─ Ah! Isso estava meio que óbvio ─ comentou Baby observando o ovo cair. ─ Esperai. Você não devia perguntar isso agora. ─ Por que não? ─ Devia ter perguntado antes. E suas perguntas estão um pouco alteradas. ─ Estão? Alguns falam que era ansiedade, mas nunca me preocupei. ─ Não é isso. É… ─ nos distraímos conversando e acabei esquecendo que o FBI ainda estava na casa revistando e logo estaria em meu quarto. Até ver a maçaneta se mexer. Sem pensar, segurei no braço de Baby. E eles abriram a porta, mas não encontraram 214 ninguém ali, porque por sorte eu havia conseguido usar o Portal Secreto a tempo. Regressei estirado no chão pelo teto da sala de Baby, enquanto ele entrou naturalmente pela porta da frente. ─ Você ainda não dominou o Portal Secreto ─ comentou Baby aproximando-se de mim enquanto eu me levantava ─ você não deve pensar somente no lugar aonde quer chegar, mas também como quer chegar. ─ Vocês não me avisaram isso. Mas como sabia que eu ia usar o Portal Secreto? ─ Há! Eu tenho ex… ─ Experiência em fuga. Pegar coisas do quarto do Jerry não é fácil, o cara é uma maquina de perseguição ─ cortei sua fala continuando-a. ─ Como sabia que eu ia dizer isto? Você está adivinhando tudo hoje! ─ espantou-se ─ Já tentou na loteria? ─ Não. Mas por algum motivo parece que eu já vivi esse dia, ou foi apenas uma premonição. ─ Hum! Interessante ─ a mão alisando o queixo com um ar de sábio ─ vou chamar alguém que pode tentar nos explicar isso. ─ Ok. ─ TOOOOOOOOOOOOM! ─ gritou com todo folego que tomou. ─ Podia ter avisado que ia gritar ─ murmurei após destampar os 215 ouvidos porque fui pego desprevenido. ─ Achei que saberia. Você está adivinhando tudo hoje. Tom apareceu tranquilamente, já estava acostumado com os gritos de Baby: ─ O que foi? ─ O paranormal aqui precisa falar com você. ─ Allan? O que faz aqui? Sabe que não é seguro. ─ Allan? ─ Jerry e o cavaleiro dirigiram-se o olhar a mim ao ouvir meu nome ─ o que faz aqui? Sabe que não é seguro ─ continuou Jerry. ─ Eu acabei de dizer isso a ele ─ Tom retrucou. ─ Aonde vocês vão? ─ Perguntei vendo que Jerry e o cavaleiro estavam de saída. ─ Resolver esse problema de segurança logo ─ afirmou o cavaleiro. ─ NÃO VÁ! ─ Manifestei alertando-os. ─ Por que não? ─ Você vai morrer, Jerry vai morrer, Baby vai morrer, e em seguida eu vou morrer. ─ Que história é essa de que nós vamos morrer? ─ Vocês vão buscar por um tal de Agrian, um senhor vai dizer que ele é dono de um casino chamado Tudo ou Nada em Las Vegas. Lá ele vai usar a espada do cavaleiro pra se vingar de vocês, mas acaba destruindo tudo e o idiota morre junto. 216 ─ E eu onde entro? ─ indignou-se Baby. ─ Você estava lá na cena também. ─ E você? ─ Eu? Aí já sou outra história. Por isso corri pra cá. No ambiente ficara um clima silencioso de preocupação enquanto todos se entreolhavam. Até o cavaleiro cortar o silencio: ─ Jerry, isso deve ser verdade, Allan não conhece Agrian. Melhor não arriscarmos. ─ Allan, como você sabe tudo isso? ─ Tom perguntou sério. ─ Parece que eu já vivi esse dia, foi tipo um sonho e quando acordei começou acontecendo exatamente como sonhei… ─ assim contei o sonho todo a ele, explicando os acontecimentos até ali. Claro, com ajuda de Baby como testemunha. Estavam sem palavras porque não sabiam explicar aquilo. ─ Porque você achou que vindo para cá, quebraria o ciclo? ─ Indagou Tom. ─ Olha… eu tive um pouco de experiência nessas coisas com uma turma no passado. E não que eu saiba o que fazer, mas tenho no mínimo uma ideia do que pode dar certo ─ afirmei meio sem jeito, não querendo me mostrar sábio. ─ Certo, prossiga. ─ Percebi que Baby estava fazendo as perguntas dele em horários diferentes do que ele fazia no ‘sonho’, logo pensei que se Baby está fazendo diferente, através de Baby que eu poderia fazer 217 diferente. Lembrei que ele viria para o Mundo Secreto, então deveria vir junto a ele. ─… E assim impediu a morte de todos nós ─ acrescentou o cavaleiro impressionado com tal solução e resultado ─ além de fazer sentido, ainda deu certo. ─ Eu não acredito em segunda chance, que uma pessoa possa viver o mesmo dia pela segunda vez. Acredito que venha ser uma premonição ─ afirmou Tom dando continuidade a sua explicação ─ O cérebro tem uma inteligência que pode criar algo que chamamos de noção ou instinto. Por exemplo, se soltarmos essa caneta, sabemos que irá cair no chão. Se Baby for para escola, sabemos onde ele vai chegar e até podemos imaginar o caminho. Ou seja, através de algumas informações podemos prever o que pode acontecer. Assim como a física faz. Suponho que cada ser humano possui um dom, uns de cantar, outros podem ter o instinto mais aguçado. O que você fazia ou como se sentia antes de dormir? ─ Eu comecei a ler o livro que Baby deixou comigo pra saber mais sobre a história Secreta, quando na verdade eu queria estar no Mundo Secreto ajudando a resolver o problema. E também estava um pouco distraído pela preocupação do que podia acontecer ─ expressei. ─ Ai está! ─ Exclamou com clareza. ─ Onde?! ─ Perguntei procurando ao redor. ─ Aí está a resposta ─ explicou. 218 ─ Ah! ─ Nós tentamos fazer o que queremos. Você queria ajudar a resolver o problema. Estava preocupado, adquiriu informações, do livro que estava lendo e sua mente calculou através das informações que você já possuía e as que você adquiriu. O que podia acontecer agora, para você tentar mudar e acabar de um modo que você pudesse ajudar-nos. Entendeu? ─ Acho que sim. Mas você disse que não acreditava em segunda chance, viver o mesmo dia pela segunda vez ou mais. Acredite, pode acontecer, falo isso por experiência própria. A campainha tocou, mas não estavam esperando ninguém. Escondi-me atrás do sofá por precaução. Tom que foi atender a porta estranhou a visita do agente Edward Browds. ─ Licença. Obrigado e perdão, mas tenho um mandato de busca a fazer. ─ Mandato de busca? ─ Manifestei-me levantando assustado. ─ Sim, mandato de… o que você fazia atrás do sofá? ─ Não, continue a história do mandato. Agora quero saber o que significa isso ─ instantaneamente ao dizer isso fui atingido no rosto por um dicionário que se lançara em minha direção caindo aberto no chão virado para cima, após a pancada continuei. ─ Agora eu pergunto. O que significa isso? ─ apontando para o dicionário. E dessa vez se lançara do chão contra meu estômago, ainda aberto na mesma página, tirei-o de mim para ler percebendo que estava 219 realçada a palavra ‘isso’ e seu significado. is.so: 1. demonstrativo invariável 2. referência a coisa específica que está perto da pessoa com quem se fala ou a assunto acabado de discutir. Após ver o significado, olhei para eles com um olhar de ‘quero explicação’. E Edward não se incomodou de responder: ─ Ora, são dicionários, não conhece? ─ Conheço dicionários, mas não tão intimamente. ─ Por isso mesmo, as pessoas costumam ler ou ouvir algumas palavras sem saber o que significam e deixam para procurar depois, mas depois acabam esquecendo por preguiça. Por isso existem esses dicionários. Programados para mostrar o significado para a pessoa quando ouvem a frase o que significa. ─ E por que não o atingiram? ─ Porque não citei nenhuma palavra após o que significa. Nós Secretos já estamos preparados para pegá-lo após perguntar um significado. ─ Nós Secretos? ─ Sim, você provavelmente é terrestre. Não conhece nem um dicionário. Mas voltando ao assunto, foram denunciados anonimamente de importação de ‘terrestres’ ─ deu ênfase olhando para mim ─ E agora estão respondendo por: Invasão de domínio a Casa Branca, importação de terrestre e falsificação de documento. ─ Meu documento não é falsificado ─ murmurei. ─ Ai meu deus ─ indignou-se Baby. 220 ─ Mas há uma noticia boa para vocês. ─ Qual? ─ A sorte é que não estou contra vocês. Porque não faz sentido, se a pessoa denunciou, é porque ela sabe. E como sabe de tudo isso? Ela estava lá sempre que fizeram algo? Estava os espionando? ─ Assim colocava mais drama em sua fala ─ uma coisa eu sei, se foram denunciados é porque essa pessoa ou o que for, quer alguma coisa. E suspeito disso acontecer logo após o ressurgimento da criatura. ─ Você ficou sabendo? ─ Indagou Tom. Edward ergueu um jornal atual para nós, onde havia uma matéria de capa com o titulo: O retorno da criatura? ─ Alguém deixou isso vazar ─ avisou enquanto nos entreolhávamos ─ há um júri em andamento, de outro caso. Se quiserem já posso colocar o de vocês como próximo, mas suponho que queiram agendar para outro dia. Mas ficaram sobre a vigia de um oficial. No caso, eu, mas deixo a decisão com vocês, o que acham melhor? ─ É melhor hoje ─ afirmei pensativo. ─ Por quê? ─ Indagou Tom alarmado. ─ Está na cara, no sonho escapei de um júri e viu como acabou. Você estava certo Tom, eu queria ajudar e o sonho me alertou e me fez chegar aqui e serviu de aviso que não devo fugir. ─ Tem razão. Pode marcar ─ ordenou Tom a Edward. 221 Edward aproximando o dedo de seu telecomunicador perguntou por garantia: ─ Vocês têm certeza? ─ Sim. ─ Reserve o próximo júri para o caso da denuncia anônima ─ ordenou levando seu telecomunicador junto à boca. ─ Acho que já podemos ir ─ supôs Edward. Enquanto esperávamos Tom do lado de fora da casa, ele trancava portas e janelas com segurança máxima, demorou um pouco para pegar algo em seu quarto. E finalmente ao sair trancou a porta de entrada. Provavelmente já tinha algo em mente. Aguardamos na sala de espera enquanto o caso em julgamento não terminava. ─ O que eu falo? ─ Perguntei um pouco nervoso, a eles. ─ Jura dizer a verdade, somente a verdade e nada além da verdade? ─ Usou Tom a clássica frase de um júri. ─ Eu juro. ─ Faça isso. ─ Que caso demorado ─ murmurou Jerry ─ diga a verdade mesmo pra acabar com isso logo sem enrolação. Logo me assustei com a súbita e rápida rajada de chamas que o cavaleiro usou para trocar para uma roupa formal. ─ O que significa… ─ pausei ao lembrar-me dos dicionários ─ o que é isso? ─ Perguntei enquanto ele arrumava sua gravata. 222 ─ Qual é? Tenho que estar vestido adequadamente para ocasião. ─ Pelo amor, isso é um júri e não um encontro ─ retrucou Jerry. ─ E quem disse que eu iria a um encontro com essa gravata? Logo alguém nos chamou para o júri. Entramos calados, mas eu não sabia onde me sentaria. ─ O terrestre senta na cadeira do meio ─ sugeriu a juíza que eu me sentasse na cadeira localizada no centro do espaço à frente dela ─ quanto os demais ao redor. Exceto o advogado, quem será o advogado de defesa? ─ Eu! ─ Propôs o cavaleiro. ─ Sente-se ali ─ ordenou a juíza indicando seu lugar. ─ Lee será o advogado do cliente anônimo? ─ Jerry reparou irônico. ─ Sim. Algo contra senhor Rocks? ─ Perguntou Lee. ─ Não, mas juíza. ─ Diga. ─ Quero trocar meu advogado. Baby pode ir? ─ Por acaso acham que isso é um RPG? Não esqueçam que quem dá as ordens aqui ainda sou eu. ─ É mesmo? ─ Usando um tom sarcástico ─ se Baby for nosso advogado, você pode fazer o que? ─ Impedir a interação do advogado ─ afirmou com autoridade ─ Certo. Então a defesa não terá, nem advogado e nem testemunhas. Somente o terrestre vai falar. E você não pode nos 223 forçar a dizer alguma coisa, ou pode até vir aqui mexer nossas bocas, mas não pode arrancar palavras. ─ Jerry. Só não chamo os seguranças, porque estou ciente que você pode quebrá-los agora. Então quero que entenda que estou simplesmente fazendo meu trabalho ─ afirmou controlando-se de sua frustração. ─ Nossa situação já está feia, você ainda irrita a juíza? ─ sussurrou Tom para Jerry. ─ Não se preocupe, já entendi sua intenção quando mandou Allan dizer somente a verdade. ─ Tá, mas não precisava apelar. Eu não esperava pela atitude de Jerry, mas pensava somente em cumprir o que Tom havia me ordenado. ─ Senhor Lee está com a palavra ─ chamou a juíza. ─ Boa tarde a todos, estou aqui em nome de meu cliente que não pôde comparecer… ─ Claro, é anônimo, dã. ─ Jerry. Silencio, por favor, ─ pediu a juíza frustrada ─ Lee, continue. ─ Então, como eu dizia… ─ Juíza! ─ manifestei-me erguendo a mão para pedir a palavra. ─ Senhor… ─ Allan. ─ Senhor Allan, Lee está com a palavra agora. 224 ─ To nem ai pra ele. Tenho uma proposta. ─ Qual? ─ Eu conto minha versão de tudo que sei e aconteceu até aqui, agora e depois se Lee tiver algo pra perguntar ou falar, ele protesta. Se não tiver, o problema é dele. Então você tira as conclusões, dá a ordem final, bate o martelinho e acabamos com tudo isso o mais rápido possível. ─ Certo. Quem está de acordo com o terrestre? Assim, todos levantaram as mãos porque não viam a hora de tudo aquilo acabar ao mesmo tempo em que desejavam saber como ia acabar. ─ Então pode continuar senhor Allan. ─ Obrigado juíza… ─ Miley. ─ Obrigado juíza Miley. ─ Por nada. Prossiga. ─ Era uma vez… ─ tentei animar as coisas, mas fui interrompido de inicio. ─ Não, não, não. Se não percebeu, não estamos num conto de fadas, isso é um julgamento e se continuar assim pode não ter um final feliz. Engoli a seco as palavras dela, mas prossegui tentando me redimir: 225 ─ Perdão, só estava tentando distrair o clima ruim no ar. Mas voltando a história. Lembro-me que eu estava vivendo minha vida normal na Terra, sabe como é a vida de um terrestre, né juíza? ─ Não. ─ É… Então, acordei naquele lindo dia, tinha acordado de um sonho muito bom… mas vou deixa-los curiosos porque não vou dizer o que sonhei… ─ Jura? Estou morrendo de curiosidade ─ retrucou Lee num tom de tédio. ─… então, eu esperava não ter o que fazer o dia todo, só assistindo TV e… ─ Senhor Allan, pode resumir? ─ sugeriu a juíza. ─ Certo. Vou resumir. ─ Finalmente ─ sussurrou Lee. ─ Eles me trouxeram para o Mundo Secreto. Trataram-me como alguém da família para revelar que eu era da família. Depois fui com Baby conhecer o colégio Starvix. Conheci Browds e uma professora que não me lembro o nome dela. Na volta encontrei uma criatura, que dizem que queria roubar meu sangue. Depois encontrei o cavaleiro da lâmpada… ─ afirmei apontando para ele involuntariamente. ─ O CAVALEIRO DA LÂMPADA? ─ Olhava espantada para ele ─ Já foi julgado. O que faz aqui? 226 ─ Ops. Acho que à essa hora meu cavalinho já está com fome ─ disfarçou olhando no relógio de pulso que não tinha ─ tenho que ir, até mais ─ e desapareceu com as chamas que o consumiram ligeiramente. Logo a juíza retomou o olhar a mim, nada contente perguntava: ─ O que faziam junto a ele? ─ Ele dizia que me protegeria da criatura e cobiçava capturá-la. Mas voltando. Até dizerem para eu voltar pra Terra, que era a escolha mais segura. Eu queria voltar para ajudar, mas não podia, no dia seguinte tive que voltar, por uma causa de vida ou morte. É isso... ─ conclui, mas a juíza parecia ter se desligado com o que ouvia ─ Juíza? ─ Ah! Claro. Lee algo a perguntar? ─ Voltando o foco ao júri. ─ Percebe-se que as palavras são verdadeiras, pois temos o jornal como prova de que isso aconteceu ─ caminhava lentamente ao meu redor enquanto falava ─ embora o caso estando na mão. Tenho algumas perguntas para finalizar. Primeiro: o que você quis dizer quando disse que revelaram que você pertencia à família? ─ Mostraram que eu sou descendente de Alex. ─ Sendo descendente de Alex tem sangue secreto, mas… Têm provas? ─ Acho que sim, porque um pouco antes de encontrar a criatura, Tom colheu uma amostra de sangue minha para enviar para algum lugar que não conheço, para avaliarem e comprovarem que é Secreto. 227 ─ Então enviaremos um pedido ao laboratório de identificação Secreta, para que nos enviem o resultado dessa amostra já avaliada. Para que se prove que você é Secreto… ou mais ou menos. Mas enquanto não recebemos respostas, os residentes da casa onde Allan ficou hospedado ficaram em prisão sob comprovação da acusação até que se prove o contrário. ─ Juíza. Tenho uma pergunta a ele referente a isso ─ Lee solicitou. ─ Pergunta permitida. ─ Allan, além deles há mais alguém sabendo que você era terrestre? Ao perceber que essa pergunta poderia colocar mais alguém atrás das grades, isso me deixava um pouco perdido. Olhei para Tom buscando resposta e ele apenas jogou para mim um olhar permitindo a verdade, ainda não contente, inclinei a cabeça e respondi: ─ Sim. ─ Quem? ─ Jeorge Rocks, Starvix e… ─ E? ─… Browds. ─ Mandem buscá-los. Também deverão permanecer sob prisão até recebermos respostas. Exceto Browds. Quanto a Baby, deverá voltar para a guarda dos pais até recebermos resposta. E Allan voltar para Terra… 228 ─ Até recebermos respostas ─ Lee completou. Podia-se perceber na expressão da juíza que agora que entendera o caso, torcia para que as respostas chegassem logo para que fossem libertos e tudo voltasse ao normal. Não estava contente com as decisões que aderia, mas devia seguir a lei. ─ Protesto! ─ Diga! ─ Não posso deixa-los serem punidos e voltar pra Terra assim, imagine o peso na consciência. Pretendo ficar e cumprir alguma punição. Não ser preso, porque assim não poderei ver Baby. Mas serviços comunitários ou domésticos. Sei lá. ─ Allan, entenda que não posso puni-lo. Mas a lei diz que enquanto aguardamos respostas, você pode permanecer no Mundo Secreto somente a serviços, se alguém estiver disposto a pagá-lo por algo ─ declarou a juíza. ─ Engraçado Allan ter tocado no assunto e a senhora lembrar-se dessa lei que nem eu como advogado conhecia, pois eu estava procurando por empregados lá em casa, se ele estiver disposto ─ Lee ofereceu-me. ─ O que acha disso, Allan? ─ Perguntou a juíza que na verdade incentivava indiretamente. ─ Eu aceito. ─ Certo. As negociações deverão ser feitas após o júri. Posso encerrar o caso agora? 229 ─ Não, juíza. Ainda tenho uma pergunta para Lee ─ protestei ─ Por que seu cliente não quis identificar-se? Sendo que está seguindo a lei ao denunciar, sabendo que a Justiça tomaria as medidas corretas para a segurança dele ─ disparei a pergunta, e percebi que a juíza gostou da pergunta e ficou atenta para ouvir a resposta, assim como todo tribunal. ─ Meu cliente sentiu-se intimidado envolvendo Jerry na denúncia, medo que acontecesse algo antes ou até mesmo durante o júri, pois como a juíza mesmo sabe. Nosso acusado é muito ágil. Todos se entreolhavam não contentes com a resposta, mas admitindo havia sido bem elaborada e a juíza também não se contentou com a resposta, mas aderiu-a. ─ Caso encerrado ─ Miley encerrou batendo o martelo. 230 < Capítulo Treze > Nova vida; nova História? Após encerrado o júri, Jack correu atrás da juíza que já estava de saída prestes a entrar em seu carro. ─ Juíza. ─ Diga, Jack. ─ Que lei era aquela que… ─ Sei lá, eu inventei na hora ─ preocupada sugeriu. ─ Olha, seja o que forem fazer, façam logo, inventando essa lei coloquei meu nome em risco. ─ Mas por quê? ─ Acreditei em vocês, e eu sei que Lee é agrianista, não confio muito nele. ─ E por que deixou Allan com ele? ─ Se vocês iriam presos, alguém deveria estar solto pra fazer alguma coisa. Agora vá lá, antes que notem sua ausência ─ com essas palavras entrou no carro fechando a porta. Quando ele caminhava de volta, ouviu a juíza chamá-lo ao abaixar o vidro da janela. Virando-se para ouvi-la. ─ Jack. Cuidado com o cavaleiro da lâmpada, Lee pode usar isso contra vocês ─ e terminando o aviso partiu. 231 Os seguranças já haviam levado eles para prisão, enquanto Baby exigia ser levado de volta para seus pais na traseira de uma Van, pois queria sentir a emoção de ser levado a força pela assistência social. Os responsáveis por levá-lo o aguardavam conversando no veiculo em frente à casa após atender seu estranho pedido, depois de muita pirraça. Baby pegava tudo o que supostamente precisaria ‘para a casa dos pais’. Foram ajudá-lo ao ver a dificuldade de Baby para passar sua casa de brinquedos pela porta. ─ Uma casinha de bonecas? ─ Perguntou um deles. ─ Não é uma casinha de bonecas, está vendo a cor rosa? Não? Então cala a boca. Porque é uma casa de brinquedos. ─ Nossa! Só perguntei. ─ Isso é o que dá abrir a boca quando não deve ─ zombou o outro colocando a casinha no veiculo. Em seguida Baby subiu e abriu a porta de sua casinha para entrar, porque na verdade essa casa era bem grandinha, cabendo-o dentro. ─ O que você está fazendo? ─ Você é cego? Entrando na casa. ─ Vai ai dentro? ─ Não, vou embaixo. Dã! ─ Retrucou Baby mostrando-se 232 estressado e assim entrou fechando a porta de sua casa, mas antes que fechassem a porta da traseira, Baby abriu uma janelinha da casa e pediu: ─ Ah! Esqueci minha mala de roupas lá dentro perto da porta ─ e fechou a janela. Voltaram e colocaram a mala perto da casinha. ─ Coitado, não me surpreende que esteja estressado. O que você faria na situação dele? ─ Perguntou ao outro sentindo pena ao observar a casa toda fechada e Baby lá dentro. ─ Não faço a mínima ideia, mas fecha isso e vamos logo porque eu estou com fome ─ ignorou a pergunta apressando-o. Entraram no carro e partiram. E sentado, Baby assistia de um dos quintais dos vizinhos, o veiculo partindo. ─ Idiotas ─ insultou-os enquanto tomava seu suco de caixinha. Lee me levava para sua casa para o primeiro dia de serviço, já que faria o pagamento somente quando o serviço estivesse completo. ─ E aí pai como foi o… júri? ─ Perguntou uma jovem que era sua filha, ao recebê-lo. Mas intimidou-se percebendo que havia visita. ─ Oi. ─ Foi tudo bem. Este é o Allan, ele trabalhará para nós até provarem que é um de nós. ─ Da família? ─ Não. Um Secreto. E Allan! Essa é minha filha Karen ─ a 233 apresentava enquanto ela cumprimentava com um olhar sedutor ─ e meu outro filho Leo chegará do colégio daqui uma hora. Mas enquanto isso pode começar lavando a louça, Karen te dirá o que fazer em seguida. Tenho que encontrar meu cliente para lhe contar sobre o júri ─ antes de abrir a porta para sair, lembrou-se. ─ Ah! Aconselho que não tente dar uma de herói ou espião tentando me seguir para descobrir meu cliente. Primeiro porque sou muito rápido, se não sabe sou o terceiro hinukan. E segundo, se você for visto fora do serviço, isso poderá ser usado contra você. ─ Entendi. ─ Volto logo. Karen ficará te vigiando. ─ Acho que ela que vai precisar ser vigiada ─ sussurrei ironicamente para mim mesmo. ─ O que disse? ─ Nada, senhor Lee. ─ Eu também não sou surdo, senhor… Allan ─ sorrindo deixou o local. Logo fui para a cozinha começar o serviço pela louça presente na pia. Alguns minutos depois, Karen chegou à cozinha também, assim como seu pai, era asiática e não muito alta. Jeito delicado e muito atraente. Sentou-se a mesa, toda animada e curiosa perguntou: ─ Como é a Terra? ─ Oras, você nunca foi lá? ─ Que pergunta idiota a se fazer para alguém de outro mundo, ainda mais com leis tão claras sobre a 234 emigração e a imigração. Mas tentei corrigir enquanto ela me olhava sério ─ Ah! A Terra é grande e redonda, tem muitos mares e continentes… ─ respondi ironicamente para disfarçar primeira resposta. ─ Ah! Seu bobo ─ retrucou rindo ─ disso eu sei. Quero saber quais são as diferenças entre Terra e o Mundo Secreto. Do lugar que você vive para o que eu vivo. Agora que eu havia a feito rir, senti mais segurança para respondê-la: ─ Tipo… ─, mas antes que eu começasse, o telefone tocou. Ela levantou-se animada para atender: ─ Já volto. Ai você me explica tuuuuuuudinho. Continuei lavando até ela voltar, não demorou nem um minuto e quando ela retornou eu estava tentando tirar a mancha de uma tigela transparente, uma mancha que não saia de jeito nenhum por mais forte que eu tentasse: ─ Karen. Por acaso você tem algum tipo de removedor de manchas? Essa mancha teimosa aqui não quer sair e… não sei mais o que eu faço. Ela aproximou-se sugerindo: ─ Que tal tentar do outro lado? ─ Virou a tigela para que eu continuasse. Com uma simples passada removi a mancha. Ela realmente estava certa, a mancha estava do outro lado, me confundi pela 235 transparência e agora ela olhava para mim rindo. Segunda idiotice em menos de cinco minutos. Mas percebi que o sorriso dela, logo foi transformando-se em uma expressão de insegurança, parecia preocupada com algo. ─ Você está bem? ─ Sim. Só um minuto vou pegar algo ─ retirou-se apressadamente. Eu só torcia pra que não fosse uma arma. Mas quem sabe ela tivesse ido buscar um cérebro novo para mim? Em alguns segundos ouvi barulhos vindos do andar de cima, parecia que estava tendo dificuldade em achar o que procurava. E logo ela desceu e com jeito pedindo: ─ Allan, você pode arrumar meu quarto? ─ Fazendo cara de anjinha. Pelos barulhos ouvidos, eu podia imaginar como estava a bagunça. ─ Ok. Quando terminar a louça, eu subo lá ─ respondi depois de muito pensar e não resistir ao pedido e a expressão de anjinha. ─ Ai, obrigado mesmo ─ me abraçou e beijou meu rosto agradecendo ─ te espero lá. Aquilo era suspeito, mas nem percebi. Logo que terminei, subi para cumprir o que disse. Não sabia onde era o quarto, caminhava pelo corredor esperando achar a porta aberta. Tive sorte, pois achei a porta aberta, e lá estava ela sentada na cama, mas havia trocado de 236 roupa, usava aqueles uniformes de colégio japonês. ─ Por que está usando isso? ─ Não gostou? Queria que visse como era meu uniforme do colégio de quando eu estudava no Japão. ─ Gostei. Mas melhor eu começar arrumando logo ─ afirmei recolhendo as bagunças do chão. ─ E… lá na Terra, você tem namorada? ─ Perguntou num tom tímido e jeitoso. ─ Não. ─ Por quê? ─ Sei lá. Já estava desconfiado, mas pelo menos ela ainda não me perguntou de onde vinham os bebês terrestres. ─ Nossa! E de onde vêm os bebês terrestres? ─ Dessa vez num tom de inocência Já senti o cheiro de sujeira no ar. Percebi que ela não era nada boba, então resolvi explicar tudo antes que ela me pedisse uma pequena demonstração. ─ Karen, vocês secretos são iguais a nós terrestres, a única diferença é que vocês nascem no Mundo Secreto e os terrestres na Terra. Por exemplo, Alex e Browds que são os criadores do Mundo Secreto, são terrestres e todos que vieram junto com eles também. Logo sua geração também seria. ─ Ah! Mas você ainda não me respondeu a pergunta dos bebês. 237 O cheiro ficava cada vez mais forte, eu tentava apagar o fogo para não trazer problemas. Mas… ─ E aqui no Mundo Secreto? Já tem? ─ Estou aqui há poucos dias. Não faz nem uma semana, não conheço quase ninguém ─ eu respondia tudo sem deixar de recolher as bagunças, mas logo estranhei ao me deparar com dois pés seguidos de duas pernas seguidos de… levantei-me até ficar de frente com ela. Onde declarou: ─ Posso ser sua primeira! ─ Com um sorriso oriental. ─ É… não sei. Estou aqui apenas de empregado, isso não vai te trazer nenhum problema? ─ Deixa de besteira… Agora o clima estava tão forte que eu não sentia o cheiro de mais nada, nem mesmo do guri que observava a cena de boca aberta enquanto ela me beijava. Ela, sem graça interrompeu imediatamente ao perceber que o garoto observava: ─ Leo, o que você faz aqui essa hora? ─ Entendi porque o pai me mandou pra casa mais cedo da escola. Você está encrencada. Que bom que ele não chegou alguns minutos depois. ─ Ela é maior de idade, sabe o que faz. Pode tomar suas decisões sozinhas ─ tentei abafar o problema dela. ─ Cala a boca. Você é apenas um empregado ─ Leo desprezou. Ai, como eu queria saber um palavrão em japonês naquela hora, 238 mas o pior de tudo é que eles entenderiam. Percebi que Karen fazia um sinal discreto para mim, naquela situação era improvável que significasse paz e amor. Usando meu raciocínio lógico e um pouco de leitura labial pude entender que significava: Corre que a coisa tá feia. Depois disso eu poderia tentar uma carreira como tradutor de sinais. ─ Certo, então vou descer e continuar meu serviço ─ disfarcei para vazar sem ele perceber minha ausência. ─ Acho bom ─ afirmou com toda autoridade. E olha que ele nem era o patrão. Será que ele se importaria se eu fizesse o cuecão nele antes de ir? Desci para sair correndo, mas corri só depois que deixei a casa, isso sem me esquecer de fechar a porta, eu sou um fugitivo, mas um fugitivo educado. Se eu corresse assim na minha época de escola talvez eu tirasse dez em educação física. Corri para o primeiro lugar que me veio à cabeça: a casa. E que eu ainda não me sentia digno de chamá-la de minha. Mas era lá onde Jerry disse pra me refugiar e onde acharia o que precisaria se qualquer coisa acontecesse. Cheguei em frente à porta tentando lembrar como entrar. ─ Ai, como Jerry disse pra abrir a porta mesmo? Que tal ABRETI SÉSAMO? ─ Porque fui esquecer logo agora? ─ Enquanto me esforçava para lembrar, a porta abriu-se sozinha. Ah, eu devia ter tentado jogar um Abracadabra, quem sabe a 239 porta desaparecia. Ainda suspeitando entrei cautelosamente, mas no momento em que entrei, a porta se fechou, foi o necessário para eu começar a soar frio. Gelei instantaneamente ao sentir uma mão me tocando atrás de mim, naquele escuro todo que estava a casa, até hoje os médicos tentam entender como não desmaiei naquele momento. Embora não conseguisse me movimentar arrisquei olhar para trás para ver o que me assombrava, não vi nada, mais um motivo para me apavorar. Estava tão congelado que não conseguia nem chorar. ─ Allan? Olhando um pouco mais para baixo pude me aliviar, era apenas Baby. ─ Ah! É você. ─ Claro, esperava quem? ─ Ninguém, mas não era pra estar na casa dos seus pais? ─ Você acha mesmo que eu iria pra lá enquanto as coisas esquentavam por aqui? Na parte de esquentar, ele tem razão. ─ Mas é mais seguro lá enquanto as coisas não voltam ao normal. ─ Mas e você? O que faz aqui? ─ Leo me pegou na pior hora, ─ na verdade, como eu disse antes, poderia ter sido a pior, mas que bom que ele não chegou alguns minutos depois ─ acabei encrencando a Karen e a mim 240 mesmo ─ na verdade, havia sido ela que nos encrencou, mas por um bom motivo. ─ Leo ─ expressou com raiva ─ aquele filhote de peixe asiático ainda vai ter o que merece. ─ Eu espero. Mas agora tenho que sair. ─ Por quê? ─ Preocupado perguntou arregalando os olhos. ─ Porque logo ele perceberá minha ausência e isso resulta em todos me procurando ─ é a matemática dos loucos. ─ Então devo sair, pois aposto que o primeiro lugar que vão me procurar é aqui e se eles vierem aqui irão achar você, que não era pra estar aqui e você irá obrigatoriamente pra casa dos pais. Por isso é melhor eu sair. ─ Não precisa. Aqui na casa tem esconderijos secretos ─ avisoume tentando convencer. ─ Melhor ainda. Mas qualquer coisa nesta casa é Secreta. ─ aleguei ironicamente. ─ É… ─ forçou um sorriso para não me deixar sem graça. Engraçado, com a expressão que ele fez parecia até que não me conhecia. ─ Baby, você me deu uma ideia. ─ Qual? ─ Indagou animado. ─ Você fica aqui assistindo ao noticiário. Quando ver que estão me procurando, não vá atrás de mim. Vá direto pra um desses esconderijos secretos, e fique lá. ─ Noticiário? ─ A única parte que ele ouviu foi: assista ao 241 noticiário. ─ Sim. Aquele programa que passa as notícias atuais do… ─ Eu sei o que é um noticiário ─ me interrompeu ─, mas acontece que isso é uma tortura para uma criança. ─ Baby, se você quiser crescer, não de tamanho, você terá de assistir ao noticiário, querendo ou não. Assista que você vai entender. ─ Tá bom ─ concordou não muito contente. ─ E outra, nesse caso é uma necessidade. ─ E você? Vai estar aonde? ─ Eu vou visitar seus irmãos enquanto ninguém sabe de nada. Tenho que conversar com eles. Mas você não pode ir porque todos pensam que você já está em San Francisco. Se te virem em Washington não vai dar coisa boa. ─ Verdade ─ ainda descontente. Como ninguém gosta de ver uma criança triste por não poder ajudar, resolvi declarar-lhe algo para animá-lo, não palavras qualquer que voassem com o vento, mas algo que ele guardaria em sua mente, talvez para sempre. ─ Baby, sabe nos desenhos animados? Herói não é somente aquele que acaba com o problema, mas também é aquele que impede que aconteça. Já com um sorrisinho no rosto, me abraçou dizendo: ─ Para o caso de você não voltar. Como ele sabe animar uma pessoa, hein? 242 ─ Eu volto sim. ─ E se te pegarem? ─ Vão ter que me soltar qualquer hora. Lembra? Temos as provas que tenho sangue secreto. A não ser que… ─ naquele momento pensei na possibilidade da pessoa que denunciou tentar eliminar as provas, mas eu não queria preocupar Baby com apenas uma possibilidade. ─ A não ser…? ─ Perguntou curioso. ─ Melhor eu ir agora. Antes que percebam. Tchau. ─ me retirei de pressa. Após minha saída, cumpriu o que eu disse, sentou-se ligou a TV no noticiário, mas logo percebeu que eu voltei para perguntar: ─ Onde fica a delegacia? Enquanto isso, na delegacia, Jerry e os outros na prisão conversavam: ─ Por favor. Esse pijama listrado não combina comigo. Pareço uma zebra de duas patas ─ reclamou Franz. ─ Sério? Então que tal aproveitar e ficar quieto, zebras não falam ─ retrucou Jerry ─ Se veja em meu lugar, estou com este pijama ridículo e não estou reclamando por isso, mas sim por ter sido substituído no cargo. E não sei como vocês conseguem ficar tão calmos estando numa sela. Isso é horrível, aqui não é meu lugar. Ouvindo aquilo, Tom levantou-se para acalmá-lo: 243 ─ Acalme-se Jerry. Você só está assim porque está se vendo no lugar das pessoas que você mesmo coloca aqui. Tem que aguentar. Amanhã saímos daqui. Nós não estamos acostumados a estar fora do conforto do lar, mas isso é necessário. ─ Por acaso leu isso em algum livro de psicologia? A questão não é aguentar, é a honra em jogo. ─ Mas pense assim: Amanhã eles pegarão a amostra e os resultados, e sairemos daqui ainda com a razão. Poderemos esfregar na cara deles que estamos certos e eles errados. E você voltará pro seu cargo e vai mostrar quem é que manda. ─ Oh! Esse livro ai deve ser dos bons. Agora sim está falando minha língua. Qual o nome do livro? ─ Mais animado falou ironicamente, mas observou que Tom tirou um livro debaixo de seu travesseiro, mostrando-lhe a capa. ─ Positividade Para Prisioneiros. Esperança a ultima que morre ─ Jerry leu em baixo tom de voz. ─ Trata-se de um guia falando da esperança para prisioneiros com a pena de 0 a 20 anos para não enlouquecer na prisão ─ acrescentou Tom. ─ Brincou ─ Jerry duvidou. ─ Claro! Eu trouxe isso aqui só para zoar que estamos presos ─ Tom declarou animado. ─ Nós estamos presos e você zoa? ─ Indignou-se Franz. ─ O melhor que podemos fazer até amanhã é rir. Reclamando 244 só ficamos mais impacientes e entediados. ─ Isso é verdade ─ concordou Larry caindo de tédio. ─ Tem visita pra vocês ─ avisou Sindy aproximando-se. ─ Allan? ─ Espantaram-se ao mesmo tempo. ─ É. Lee me liberou para fazer uma visitinha pra vocês ─ pisquei para perceberem que não era verdade. ─ Mas Jerry, quem está no seu lugar agora? ─ A loira ai do seu lado ─ respondeu. Procurei o nome dela no distintivo. Ela estranhou tapando os seios com a mão. ─ Não se preocupe, só estou vendo o distintivo ─ avisei retirando a mão dela. ─ Sei ─ murmurou Franz. ─ Sindy Parkson? ─ Perguntei ao ver. ─ Sim. E o seu? ─ Eu não tenho um. ─ Não tem? ─ Ela tá falando do seu nome ─ Franz alertou. ─ Ah! Não é um distintivo? Desculpa, estou meio ansioso. Sou Allan, eu te apresentei o documento na entrada. ─ Ah! Verdade. Perdão ─ então virou-se para uma TV que havia na parede assistindo ao noticiário. ─ Mas voltando ao assunto ─ retomei o assunto a eles ─ antes do júri, vocês disseram pra eu falar à verdade que daria tudo certo. 245 ─ Mas deu certo ─ afirmou Tom. ─ Como assim? Vocês foram presos. ─ Mas pense. Amanhã nós provaremos tudo. E outra coisa, dêmos a Lee a ilusão de ter nos vencido parcialmente. A pessoa que nos denunciou queria nos ver presos, estamos presos, agora vamos ver o que ela vai fazer. Ele tinha razão, sem palavras olhava para os lados até notar uma placa na parede ao lado do elevador, onde descrevia cada andar. Ao olhar para o logotipo do ultimo andar, me veio repentinamente uma imagem de um tipo de laboratório sem ninguém. Mas ao lado do logotipo não o descrevia, dizia apenas: Área restrita. ─ O que tem no último andar? ─ Perguntei curioso. ─ É o laboratório para pericia criminalística ─ respondeu Jerry. ─ Mas lá só entram profissionais da área com cartão e senha ─ acrescentou Sindy alertando. ─ Vejam! ─ Larry impressionado chamou atenção de todos para o noticiário. ─ Parece brincadeira gente, mas não é. Um robô gigante anda solto por Washington. É isso mesmo que vocês ouviram pessoal, um robô gigante andando por Washington. Por enquanto ele não apresentou desejo de destruição, parece que ele só está de passagem, dando uma volta. Está indo em direção ao colégio Starvix. Mas o problema é que apenas com seus passos, as coisas já tremem. Quem tiver embaixo então, nem se fala. Parece 246 que alguém andou assistindo muita TV. Um robô gigante? Pelo amor. Agente ri, mas a coisa é séria. Torço para que a Segurança oficial da cidade esteja assistindo para fazer alguma coisa o mais rápido possível. Para evitar mais estragos. Imagine só se uma coisa dessas se irrita ─ o jornalista anunciava esse bizarro imprevisto. No mesmo instante olhamos para Sindy, até ela perceber que estávamos a observando deixando-a sem graça. ─ Ah! Já volto, tenho que dar um jeito nessa coisa. ─ Um robô gigante? Quem é infantil o bastante para soltar um robô gigante na cidade. Isso é coisa de desenho animado ─ mesmo indignado, paralisei ao lembrar ─ Nossa! Tenho que ir gente ─ avisei desesperado, após Sindy se retirar. ─ Pra onde você vai? ─ perguntou Jerry. ─ Baby não foi para casa dos pais. Ele está em casa. E não posso deixa-lo sozinho com uma coisa dessa a solta ─ me retirei usando as escadas mesmo. Ao chegar a casa, parei por alguns segundos em frente à porta. Em toda minha vida já havia esquecido a chave de casa muitas vezes, mas aquilo era diferente. Logo consegui me lembrar de como entrar, assim empurrei a maçaneta de forma elipse que entrou na porta e reconhecendo minhas digitais se abriu. E entrando me deparei com Baby na sala que procurava algo dentro de sua mochila, mas nem 247 havia percebido minha chegada. ─ Aonde você vai? ─ Ah! ─ Se assustou ao me ouvir ─ É… lugar nenhum. Só estou procurando algo. ─ Sério? O quê? ─ Duvidei. ─ É… canetinhas ─ ele respondeu tirando algumas da bolsa. ─ Sabe? O noticiário tá muito chato, ai resolvi desenhar enquanto assisto. ─ Chato? Um robô gigante solto na cidade. Quer algo maior que isso? ─ Não. Mas eu não posso fazer nada… então pra mim é chato. ─ Que bom que sabe que não pode fazer nada. Vou ter que sair novamente. ─ Pra onde? ─ É… Starvix. Preciso falar com Browds ─ não queria mentir para ele, mas era necessário. ─ Pode ir então. Mas você vai por qual lado? ─ Por aquela rua que encontramos a criatura. ─ Ah! Rua Brendon. ─ Mas porque a pergunta? ─ Só pra garantir que você não fosse na direção do robô ─ afirmou apontando para o noticiário que mostrava o robô aproximando-se de Starvix. ─ Pode deixar. Lembre-se, atento ao noticiário e as regras ainda 248 são as mesmas ─ declarei me retirando. Observou pela janela, eu saindo e quando me perdeu de vista, era sua hora. Pegou sua mochila com as coisas que havia preparado e partiu em direção ao perigo. Achei que com a experiência que tive no passado, podia parar aquele robô. Então segui confiante pelo corredor, ou melhor, Rua Brendon. Peguei um galho que encontrei caído na grama, o bati numa árvore com toda a força para testar sua resistência e ele não quebrou. Assim continuei meu caminho com o plano que tinha em mente. Mas o problema é que não era somente eu que tinha um plano por ali. Baby também prosseguia com seu plano. Entrou em um dos prédios na rua em que o robô se dirigia, era um prédio de odontologia. Subiu usando as escadas, mas antes um dos seguranças o perguntou: ─ Hei garoto. Aonde vai? ─ Minha mãe está me esperando lá em cima. Tenho claustrofobia, não gosto de elevadores. No andar em que as janelas ficavam acima dos fios de eletricidade da rua. Sentou-se numa cadeira ao lado de uma porta onde só podiam entrar profissionais, estavam em reunião. Colocando a mochila em seu colo tirou um papel e suas canetinhas para desenhar, enquanto o segurança apenas observava-o. Enquanto Baby desenhava, eu me arriscava. Vendo a trajetória que o robô fazia, pude supor por onde passaria. No cano ao meu 249 alcance mais próximo do local, comecei a golpeá-lo com o galho até quebrar um pedaço causando um vazamento. Exceto pelo fato da água ter jorrado sobre mim com toda sua pressão me derrubando no chão, até ali o plano tinha dado certo, agora só faltava atraí-lo para o local. Eu só pensava em como eu chamaria a atenção de um robô tendo em mãos apenas um galho. Por sorte, Sindy havia conseguido convencer o robô a ficar parado esperando-a voltar para não causar mais estragos. Perai, ela fala em robonês? Acho que ele era poliglota. Além de amigável falava em múltiplas línguas? E sem contar as múltiplas funções. Esse cara tinha o curriculum melhor que o meu. Baby terminara seu desenho e escreveu um texto no verso da folha e o entregou ao segurança que logo observou o desenho com um sorriso e virou a folha para ler o texto, enquanto o segurança mantinha sua atenção no texto e a folha a frente de sua visão, Baby passou abaixado entrando na porta restrita. Lá dentro, todos reunidos conversando sobre algum assunto importante nem o perceberam passar arrastando-se pelo chão até o banheiro. Onde lá abriu sua mochila novamente tirando algo que logo provocou uma grande fumaça com cheiro de queimado. E com isso saiu do banheiro gritando: ─ Fogo! Fogo! Fogo! ─ Hei garoto. De onde você surgiu? ─ um deles estranhou o surgimento repentino. 250 ─ ISSO NÃO INTERESSA AGORA! É FOGO! Todos corriam tão desesperados que nem pensaram como surgiu fogo num banheiro. Agora que concluiu seu plano, era só terminar o serviço. Voltou ao banheiro para pegar sua mochila, retirando seu arco e flecha, mas na flecha havia três cordas amarradas numa ponta só. E nas outras pontas das cordas tinham ganchos de metal amarrados. Seguiu em direção à janela, onde avistou o robô parado, lançou sua flecha que se prendeu no robô, deixando as cordas suspensas, mas ele não sentia nada. Pegou sua mochila e se retirou do prédio gritando: Fogo! O que fez todos que ouviam abandonar o prédio correndo. Vendo todas aquelas pessoas correndo, pensei que fosse por motivo do robô. Aproximei-me dele, olhando da cabeça aos pés, gritei: ─ HEI LATÃO, OLHA EU AQUI! ─ E o atingi com o galho em seu pé que era a única área ao meu alcance. Com o olhar daquele robô contra mim, pude perceber que galho não é o melhor armamento contra robôs gigantes. Não adiantava nem correr, apenas sua altura se inclinado me alcançava e era exatamente o que ele fez. Esticava sua mão em minha direção para me pegar, mas Sindy apareceu e me pegou antes dele, tirando-me de sua direção: ─ Você é louco? Não responda. Eu acerto as contas com você 251 depois. Mas o robô ainda pretendia me pegar: ─ RUMPY! PARE, ESTE IDIOTA É INOCENTE! ─ Gritou ao robô e ele imediatamente parou, mas sentiu ser atingido por trás, não o afetava, mas ofendia. Olhou para trás vendo que Edward Browds atirava montado em sua moto: ─ Sindy. Tira ele daqui logo. Rumpy virou-se para ele e começou a andar em sua direção para pegá-lo. Conforme Rumpy andava, as cordas da flecha presa nele se arrastavam até os ganchos se prenderem nos fios elétricos e puxando-os levou toda carga elétrica a ele. Tentou suportar a carga, mas era muito forte, e não aguentando causou uma grande explosão e seus pedaços voaram para todo o lado. E a explosão acabou com a luz de toda a cidade. Sindy observava a cena paralisada e de olhos arregalados enquanto segurava meu braço até seu “telerelógio” tocar, tendo de soltar-me para atender. ─ Alô. Senhor Lee. Quando ouvi o nome, Lee, já sabia do que se tratava. E lembrando que disse para Baby que voltaria. Aproveitei o escuro para correr sem ela perceber enquanto estava falando com ele. Tive tempo de chegar ao corredor da Rua Brendon, mas antes de atravessá-la, senti uma mão sobre meu ombro me puxando e em seguida um soco que me fez girar. Não acabando a sessão detone o 252 terrestre, Sindy ainda pulou contra uma árvore segurando-se nela e girando horizontalmente pelas laterais, me atingiu com o pé no estômago dessa vez me derrubando no chão. Quando dizem que mulher nunca está satisfeita, em alguns casos me fazem concordar. Ainda no impulso do giro, soltou-se da árvore lançando-se contra outra para dar mais um impulso e pular contra mim. Mas antes que me atingisse, uma fumaça negra começou a fluir no chão, aumentando e formando a criatura com a mão erguida em direção à Sindy paralisando-a no ar. Virou-se para mim, erguendo a mão para me ajudar a levantar. ─ Obrigado. Mas o que fez com ela? ─ Preocupei-me. ─ Nada demais ─ afirmou ao estralar os dedos fazendo-a voltar ao normal caindo no chão. Tentei ajudá-la, mas quando caminhava na direção dela para prestar ajuda. ─ Se eu fosse você, eu correria ─ alertou. ─ Mas por quê? Ela não está em condições nem de se levantar como vai me pegar? ─ Corre ─ dessa vez ordenou. ─ Mas… ─ antes de terminar, senti uma vibração no chão que aumentava cada vez mais ─ Pra que lado? ─ Qualquer um, eu que estou controlando isso mesmo ─ declarou rindo. 253 Sem pensar, comecei a correr a caminho da casa, o chão desfigurava se destruindo em minha direção enquanto tijolos e galhos lançavam-se atravessando meu caminho, tijolos e galhos de um lado para o outro. Já estava sem ar, não aguentava mais, a destruição do chão me alcançava, mas o cavaleiro da lâmpada apareceu em seu cavalo do meio das árvores cruzando meu caminho. Segurou-me e atravessamos aquele muro entrando num depósito. Seu cavalo se apagou e ele me soltou no chão. Segurava sua espada olhando para todos os lados como se tivesse preparado para algo. ─ Onde você estava? ─ Perguntei. ─ Protegendo as provas ─ respondia ainda atento ao ambiente. ─ Tomara que não nos ache aqui. ─ Ao contrário. ─ Como é que é? Você quer que ela venha? ─ É essa a intenção. ─ Perai, você me trouxe aqui de isca? ─ Isso ai. ─ Me explica isso ai. ─ Você não queria a oportunidade de acabar com o problema? Tai, conseguiu ─ exclamou virando-se pra mim ─ Na hora que me viram sumir do júri, na verdade continuei lá, só não estava visível. Quando vi que aguardariam os resultados da amostra como prova. Estava lógico que alguém tentaria acabar com a prova. Então fui protegê-la e levei-a pessoalmente ao Ministério da Justiça, entregando 254 nas mãos do ministro e lembrei que você estaria correndo risco aqui. E aproveitei para atrair a criatura e acabar com isso. Ou parte disso. Enquanto falava, atrás dele, a fumaça negra surgira novamente formando a criatura que lançou uma rajada da fumaça negra contra ele lançando-o contra algumas caixas de papelão que caíram em cima dele com o impacto. ─ Cavaleiro esperto. Conseguiu o que queria. Atraiu-me até aqui. Mas e agora? Qual o seu plano? ─ Hei criatura. São os quatro elementos que você quer? ─ perguntei tentando acabar com aquilo logo. ─ Vocês ainda me chamam de criatura? Sejam mais criativos ─ flutuou para o alto escrevendo com o dedo em letras de fogo ─ me chamem de: Xhinukan ─ Ops, isso é Arial? Não gosto de Arial ─ então apagou e escreveu novamente ─ Xhinukan. ─ Xhinukan? Por quê? ─ Isso não interessa ─ e retomando o solo continuou ─ já tenho o que preciso. Por que acha que queria os quatro elementos? ─ Pra ter todo o poder que precisaria. ─ Meu poupe, meu objetivo vai muito além. Uma pilha de caixas caiu sobre Xhinukan, pois o cavaleiro se movia para trás dele enquanto conversávamos. ─ Entendeu agora? ─ Perguntou esclarecendo ─ agora vamos ver quem é o desgraçado ─ moveu as caixas com uma mão segurando a espada em outra preparada. Encontrou-o caído. Com a 255 espada apontada para ele tirou a capuz de seu manto, mas não havia ninguém dentro. Ergueu-o com a mão mostrando que estava vazia. Imediatamente virou-se para trás ao ver-me assustado de olhos arregalados. ─ Então era essa a curiosidade de vocês? ─ Xhinukan zombou com um movimento da mão que fez com que a capa dele que o cavaleiro segurava se apagasse. Já possuía outra ─ não sou daqueles vilões que se escondem atrás de capas ou máscaras… ─ Então por que se esconde? ─ O interrompi. ─ Só pra fazer suspense. Na verdade nem sou um vilão. ─ Não? ─ Duvidando. ─ Não. Apenas defendo uma ideia e luto com um objetivo… que Alex sabe. Não se preocupem, vou matar a curiosidade de vocês. Mas antes… ─ com um movimento de sua mão fez as pernas do cavaleiro adormecerem e lançou sua espada encravando contra uma parede distante dele. Aquele cara não foi com a cara do cavaleiro ─ poderia aceitar seus truques e lutar contra você, mas isso não seria justo me atingir ou ser atingido sem saber a verdade antes. Passando a mão em frente de seu rosto: ─ Reveler! ─ Exclamou fazendo a sombra que o escondia desaparecer aos poucos e em seguida seu manto se desfazendo mostrava uma roupa social preta por baixo. ─ Agrian? ─ Espantei-me. ─ Olha! Lembra-se de mim, Allan? ─ Admirou-se. 256 ─ Não. Apenas te reconheci por uma ‘visão’ que tive… Como eu me lembraria de você se nunca nos vimos? ─ Estranhei sua pergunta. ─ Você pode não lembrar, mas já nos vimos sim. É normal que não se lembre, mas foi uma situação tão marcante ─ logo começou a rir ─ marcante… ─ Não entendi a piada. ─ Então veja do lado esquerdo de seu pescoço. Passei a mão lentamente sobre uma pequena marca que tinha no pescoço, lembrando-me de como aquela marca havia sido feita. Mas ainda não entendia. ─ Tá. Já entendi a piada, mas o que você tem a ver com isso? ─ Breve entenderá. Mas o meu objetivo quero que todos saibam, então até mais tarde. Estava prestes a se retirar, mas o cavaleiro o chamou antes. ─ Hei Agrian. ─ Diga. ─ E o cetro de Lilah? ─ O que tem ele? ─ O que fez com ele? ─ Nada. Não faço ideia do que está falando. ─ Mas… Antes que o cavaleiro terminasse seu interrogatório, desapareceu em fumaça que se desfez no solo. Após sua ida, as pernas do 257 cavaleiro voltaram ao normal, levantou-se para pegar sua espada presa na parede. ─ Quem sabe na próxima ─ supôs ele descontente. ─ Vamos voltar. Assim nos transportamos em chamas de volta para a Rua Brendon. ─ Por que você usa fogo para transportar-se? ─ Pra dar mais efeito. Sabe, quando se aprende algo costuma usá-lo ─ explicou. Mas repentinamente arregalou os olhos e desapareceu novamente em chamas. Olhei para trás para ver o que era. Sindy estava atrás de mim e quando virei me segurou pela gola da camisa dizendo: ─ Agora podemos conversar. Você vai me explicar toda essa destruição e voltar para a Terra, pois seu lugar é… ─ Aqui ─ ouvimos uma voz terminando a frase. E quando vimos quem de quem era a voz, imediatamente soltou-me. ─ Senhor Charlie Clarck. ─ Quem é ele? ─ Estranhei. ─ É o ministro da Justiça ─ sussurrou ela respondendo-me. ─ Senhorita Sindy. O que pretendia fazer com ele? ─ Levá-lo a delegacia e apreendê-lo. ─ Mas Allan tem tanto direito de estar livre quanto você. ─ Hã? Como assim? Olhe os estragos que ele causou ─ declarava apontando o chão destruído. 258 Charlie espantado observou o chão destruído, os tijolos e galhos caídos, o muro, o chão novamente, reparou-me da cabeça aos pés e o chão de novo, duvidava pelo fato de eu ser terrestre e ter chegado há pouco tempo: ─ Ele que fez tudo isso? Porque se fez, é um encrenqueiro de primeira. ─ Na verdade, ele não fez, mas foi tudo culpa dele. ─ Como? ─ A criatura esteve aqui e… perseguiu-o e acabou causando tudo isso para pegá-lo. ─ A criatura novamente? ─ Espantou-se. ─ Xhinukan! ─ Lhes corrigi. ─ Bom que lembrou o meu nome ─ ressurgiu flutuando acima do cenário da destruição que ele mesmo causou. No instante, o cavaleiro apareceu atrás de nós, nos empurrando para trás, com a espada erguida e preparada. ─ Guarde a espada ─ ordenou Xhinukan ─ vim apenas ter uma conversa para esclarecer meus objetivos a vocês ─ e começou falando mais manso. ─ Aproveitando que a mídia está aqui ─ disse olhando para o repórter que anotava e os câmeras deixando-os com medo ─ como disse a Allan e o cavaleiro no depósito: Apenas defendo uma ideia e luto com um objetivo, mas se mechem comigo sabe que terá reação. Mas antes de qualquer coisa, vou matar a curiosidade de todos revelando quem sou eu, embora alguns aqui já 259 tiveram o privilégio de descobrir. ─ REVELER! ─ Ergueu a mão para o céu fazendo algumas nuvens girarem em espiral formando um circulo e do meio delas desceu uma luz forte que o cobriu, a luz aos poucos diminuía revelando que era Agrian, foi algo surpreendente para quem não sabia. ─ Isso também é efeito? ─ Sussurrei ao cavaleiro. ─ Sim, efeitos são aqueles que fazemos sem dizer o nome. O Reveler serve apenas para revelar a verdadeira imagem da pessoa ou do que for. ─ Então está fazendo isso por causa da mídia. ─ Com certeza ─ concordou. Agrian continuou seu discurso: ─ Isso, para meus seguidores ou simplesmente de minha ideologia, perceberem que estamos mais próximos de nosso objetivo. Mas para quem não sabe o que é o agrianismo ─ olhando para mim ─ vou explicar ao vivo e em cores. Essa explicação servirá não apenas para os que não sabem, mas também para os que conhecem. E… ─ voltou-se para a câmera ─ inclusive para as crianças ai em casa. E aproveitando a explicação lhes direi o objetivo logo em seguida ─ Esse cara sabe enrolar perfeitamente, parece até apresentador de televisão ─ comentei sussurrando. ─ Ou politico ─ acrescentou Charlie. 260 ─ O agrianismo trata-se de uma teoria que diz que a criação dessa nova dimensão, que é o Mundo Secreto, e trazendo algumas pessoas para cá acabaria causando uma alteração na realidade provocando um desequilibro nela. Isso resultaria na destruição da Terra ou do Mundo Secreto, até mesmo dos dois mundos. Traduzindo, algo sairá destruído nessa História. Mas algo grande e perderemos muitas pessoas com isso. Se tiverem duvidas leiam “O Agrianismo Em Série”, para entender. Já estive na Terra para estudar essa teoria, estudei-a por muitas vezes e de diversas formas e comprovei. Não estamos próximos desse desiquilibro, já estamos nele, na Terra também estão. O que significa que estamos próximos da grande destruição, mas não sabemos do que e suponho que não queiram arriscar descobrir. Quanto a solução, é exatamente esse meu objetivo. ─ Você não tem a solução? ─ Espantou-se Charlie. ─ Tenho, é algo que posso resolver apenas com Alex e ele sabe o motivo. Mas me digam, alguém sabe onde Alex está? ─ Não ─ dissemos todos juntos. ─ Não ouvi direito. ─ Não ─ dissemos novamente. ─ E eu também não. Essa é minha intenção, atraí-lo de onde estiver para resolver isso que posso resolver apenas com ele e Browds, que já temos aqui. Não tenham medo, não vou matar ninguém… ainda. Brincadeira. Se que quisesse já teria feito isso. 261 Então, Browds, traga Alex e diga-o que tenho uma proposta a resolver com vocês e… ─ Agrian, chega de enrolar e me diga logo o que fez com o cetro de Lilah? ─ perguntou o cavaleiro já frustrado. ─ Lá vem você com essa história de cetro de novo ─ aborrecendo-se ─, mas tenho três palavrinhas pra você; amigo: EU NÃO SEI. ─ Como não? Se ontem você os barrou nesta mesma rua com o cetro. E hoje mesmo o vi com ele. ─ Ontem? Como ontem? Se hoje é a primeira vez que apareço para vocês em forma de Xhinukan. ─ Então como o vimos ontem? ─ Suponho que agora vocês têm duas criaturas circulando por ai. Isso é mais uma prova do que eu disse. E sugiro que tenham cuidado, pois essa outra criatura provavelmente não tem o mesmo objetivo que Xhinukan ─ estralou os dedos fazendo-se voltar à forma de Xhinukan e em seguida se desfez desaparecendo. Todos impressionados discutiam enquanto os repórteres corriam para entrevistar o cavaleiro. ─ Como me acharam aqui? ─ Perguntei a Charlie estranhando. ─ Por incrível que pareça, encontrei o resultado junto à amostra de sangue sobre minha mesa quando voltei do almoço. Logo reconheci que era do seu caso porque me lembrei do pedido das provas. Então fui à delegacia para liberá-los. E te acharam pelo 262 rastreador em seu ‘telerelógio’, como prefere de chamar. ─ Mas onde estão eles? ─ Olha! Eles chegando ali ─ apontou. ─ Desculpe a demora. Estávamos procurando Baby, mas ele não parava quieto no rastreador porque também estava te procurando ─ explicou Jerry aproximando-se junto aos outros. ─ Ah! Vocês perderam. ─ É, verdade. Mas ainda podemos assistir depois no noticiário ─ afirmou Baby apontando o repórter que agora entrevistava Sindy. ─ Mas ainda tinha uma duvida. ─ Se o nome não é ‘telerelógio’, qual é o nome certo? ─ Continue chamando assim. É melhor pra você. ─ E Allan continuará trabalhando para Lee por apenas mais uma semana ─ avisou Charlie. ─ Mas por quê? Já provaram tudo! ─ Não. Isso é por um vazamento de água que você deve conhecer ─ explicou. ─ Mas foi com uma boa intenção, eu só queria atrair Rumpy… ─, mas fui interrompido por Larry: ─ Allan, venha aqui rapidinho ─ chamou me puxando pelo braço. ─ Saíram mais rápido do que imaginavam ─ comentei. ─ Finalmente. ─ Mas o que você queria me falar. 263 ─ Ah! Ainda podemos entrar no estádio para assistirmos as imagens das câmeras de segurança para confirmarmos aquilo. Você disse que viu a bandeira do país naquela sombra, no final, exatamente o pais que você viu ganhou. Se for, é melhor irmos agora, depois da Sindy, você é o próximo. ─ Então vamos logo. No caminho, me distraia muito fácil, qualquer barulho de impacto era o bastante, até os segundos que passavam sem barulho nenhum no telerelógio de Larry me chamavam atenção, estranhamente passei a vê-los seguindo decrescentemente como contagem regressiva. ─ O que foi? ─ Estranhou olhando para seu telerelógio. ─ Nada ─, mas comecei a me sentir estranho. ─ Certo. Então agora é só entrarmos e ver isso melhor. ─ Larry. Pensando bem, melhor deixarmos isso para depois. Preciso voltar para a casa. Deixei a família lá e estão apenas de visita, não conhecem o país como eu. ─ Pode ir então. Volte quando puder. E quando não puder também ─ sugeriu rindo. ─ Ok, avise aos outros ─ pedi me retirando ao usar o Portal Secreto. Caminhando de volta para a Rua Brendon, Larry ouviu um barulho de explosão. Voltou-se para trás e espantou-se ao ver que 264 aquela grande explosão vinha de dentro do estádio, sendo que não havia ninguém dentro: ─ Ah! Não. Isso é problema. Já na Terra, em frente minha casa eu a observava parado, ao lado da caixa de correios. Lembrando-me de toda minha vida até ali. ─ A fila anda, o tempo voa. Nova vida, nova História… Minha irmã apareceu pela janela do meu quarto chamando o espantalho: ─ Allan! Você ainda está ai? Entra logo. ─ Eu aqui ─ chamei sua atenção. ─ Ah! Então entra logo ─ sugeriu voltando para dentro. E com um suspiro conclui. ─ A vida continua… 265