Allan
e o PORTAL SECRETO
“Que a história comece...”
2012
Sangal, Allan
Allan e o Portal Secreto - “Que a história comece...” /Allan Sangal.
─ São Paulo: [s.n.], 2012.
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557.764
SUMÁRIO
SINOPSE
5
< CAPÍTULO UM >
7
A origem do Mundo Secreto
< CAPÍTULO DOIS >
22
A grande surpresa
< CAPÍTULO TRÊS >
37
A Festa
< CAPÍTULO QUATRO >
52
Uma invenção inovadora
< CAPÍTULO CINCO >
69
Novo mundo, nova História
< CAPÍTULO SEIS >
87
75 anos depois
< CAPÍTULO SETE >
O Portal Secreto
106
< CAPÍTULO OITO >
126
Operação Casa Branca
< CAPÍTULO NOVE >
146
A criatura
< CAPÍTULO DEZ >
175
Decisão por segurança
< CAPÍTULO ONZE >
193
O julgamento
< CAPÍTULO DOZE >
211
Punidos
< CAPÍTULO TREZE >
Nova vida; nova História?
231
SINOPSE
Alex é um adolescente norte americano que possui uma
inteligência mais avançada que sua época, a qual não revela sua fonte.
Ele não é o único, pois seus amigos, Willian Browds e Michael
Steven também são gênios e, assim como ele, não revelam o segredo.
Estudam no colégio fundado pelos pais de Alex, que sendo filho
único, o mimam muito.
Durante época de formatura foram surpreendidos pela aparição
de uma criatura no colégio que ameaçava a permanência deles
naquele local.
Seguindo as ordens da criatura e ignorando o problema, Alex
começa a dedicar-se totalmente a um projeto para realizar uma
hipótese que acabara de descobrir. E junto a Browds conseguem
realiza-la, criando uma subdimensão.
Enquanto suas amigas, Jade e Rachel recebem dons especiais
para cada uma, vidência e telepatia, respectivamente. Onde Rachel
tem algumas visões estranhas sobre o futuro da criação deste novo
mundo, o que os levam a criar uma máquina do tempo para Alex ir
ao futuro tentar entender essas visões para prevenirem-se.
E no futuro suas gerações seguintes enfrentam as consequências
da criação. Isso envolve Allan, vivendo sua vida na Terra, é levado a
conhecer a existência do Mundo Secreto, descobrindo, parentes
desconhecidos, estar envolvido nessa história, boatos, fatos e teorias
para os recentes acontecimentos. Ainda com o reaparecimento da
criatura também encara as consequências da descoberta. Devendo
manter a existência desta dimensão em segredo, agora sua vida está
literalmente dividida entre dois mundos, sobrevivendo aos problemas
dos dois lados.
< Capítulo Um >
A origem do Mundo Secreto
Em um colégio em San Francisco (EUA) chamado Future Stars,
fundado pelo casal, Alice Santos, brasileira que assumiu a profissão
de empresária em Los Angeles, e Max Tunow, já americano que ao
casar-se com Alice mudou-se para San Francisco. Investiram muito
neste colégio, pois tinham em mente que quem estudaria naquele
local seria seu próprio filho, Alex Santos, seu filho único; também
carregavam na consciência que se pensavam assim, os outros pais
também pensavam, alias, todos querem um lugar melhor para seus
filhos. Mas chega de conscientização e vamos ao que importa, ou
como diria Alex: “Que a história comece…”.
Para surpresa de Alex, nem imaginava o que seus pais haviam
preparado para sua formatura para o colegial. Ainda mais que era um
dos gênios da escola, mas além de gênio também era popular por
suas criações que beneficiavam os integrantes do colégio. Mas a
véspera da surpresa foi um longo dia para Alex que ao chegar à
escola e guardar suas coisas em seu armário, reparou que ainda não
havia visto seus colegas com quem sempre andava ─ estranho
porque geralmente os encontrava conversando em frente seus
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armários, Jeorge Rocks e Willian Browds. Jeorge, seu primo, tinha
um estilo mais esportivo enquanto Browds também era um dos
gênios da escola, sua inteligência era mais elevada na área das ciências
humanas, enquanto Alex destacava-se mais nas ciências exatas, mas
eles nunca revelavam o segredo de sua superinteligência. Jade,
Rachel, Vick e Kelly, suas amigas que costumavam conversar
enquanto se maquiavam em frente ao espelho que deixavam na porta
de seus armários, neste dia, não estavam lá.
─ Cadê as meninas? ─ Alex estranhou.
─ Não sei. Eu também estranhei ─ Browds o respondeu.
─ Podem ir pra sala; eu já estou indo ─ Alex sugeriu ao ouvir o
sinal tocar.
Procurou-as por quase toda a escola, mas não as encontrou,
perguntou para outros se tinham as visto, mas ninguém sabia onde
estavam; até entrou atrasado na aula de tanto procurá-las. Pedindo
licença a sua professora conseguiu entrar, mas discretamente irritouse ao ver que elas já estavam na sala. Sentou-se normalmente como
se nada tivesse acontecido. Enquanto a professora estava de costas
passando a lição na lousa, silenciosamente cochichou à Kelly que
estava em sua frente.
─ Onde vocês estavam? Procurei vocês por todo o colégio.
─ Oh! Que fofo. Ele estava preocupado com suas amiguinhas ─
exclamou também cochichando Jade que estava na carteira ao lado
direito de Kelly que ouviu o cochicho admirando a preocupação dele.
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─ Não, eu só queria saber se tinham vindo hoje.
─ Então porque nos procurou por toda escola? ─ Rachel que
estava na carteira atrás de Jade o perguntou cochichando ao
aproximar a cabeça.
─ Eu só queria ter certeza de que não havia acontecido nada de
ruim.
─ Eu chamo isso de preocupação ─ cochichou Jeorge sentado
na carteira ao lado esquerdo dele. E Vick logo confirmou a Jeorge
também cochichando:
─ Você deve estar certo.
Sem mais o que dizer, apenas olhara para trás ao sentir Browds
que o cutucava da carteira de trás.
─ O que foi? ─ Cochichou Alex.
Alex virou seu olhar lentamente para a lousa ao ver Browds
disfarçadamente apontando para sua professora que estava parada de
braços cruzados olhando para eles. Imediatamente se ajeitaram em
suas carteiras.
─ Vocês querem dizer algo? ─ Perguntou a professora ao grupo
de cochichadores.
Alex então ergueu a mão dizendo:
─ Sim, professora ─ apontou para a lousa ─ a senhora se
esqueceu de fechar aspas depois da quarta palavra da sétima linha na
segunda coluna.
─ Nossa! Obrigado. Que visão, Alex. ─ Agradeceu a ele
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espantando-se com sua atenção.
Já os alunos não se espantavam, pois já estavam acostumados
com este tipo de atitudes vindas de Alex e Browds. E ele logo jogou
um olhar para eles gabando-se ironicamente. Na aula de artes o
professor até pensou em deixá-los livres durante a aula, mas mudou
de idéia e passou alguns exercícios para reforçar a memória sobre o
que aprenderam durante o ano, foi bonzinho e passou algo fácil e
anunciou que após terminarem os exercícios e mostrassem-no,
poderiam conversar a vontade. O professor Paul era um dos
professores que os alunos mais respeitavam, arrumavam a sala alguns
minutos antes de sua entrada na sala e quando entrava, todos já
estavam ajeitados em seus lugares o esperando. Às vezes costumava
bater na porta ao entrar subitamente dando um susto em todos. Ele
colocava regra, colocava todos na linha.
─ Número? ─ Perguntou o professor apontando para Alex num
tom de voz alto.
─ Três ─ respondeu Alex nervoso diante da situação.
─ Um ponto positivo.
─ Mas por quê? ─ Perguntou Alex estranhando a atitude.
─ Sei lá, deu vontade. E quem é o número 27?
─ Eu! ─ Michael Steven empolgado rapidamente ergueu sua
mão.
─ Ponto Negativo.
─ O que? Mas por quê? ─ Perguntou Michael espantado.
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─ Sei lá, deu vontade.
A sala toda deu uma risadinha meio abafada, Michael não
tolerando a atitude do professor pegou uma folha de seu caderno de
desenho arrancou-a e começou a mastigá-la, enquanto todos
estranhavam.
─ O que está fazendo? ─ Perguntou o professor.
─ Sei lá, deu vontade.
─ Para fora da sala.
─ Por quê? ─ Perguntou arrependido.
─ Sei lá, deu vontade ─, na verdade, esses pontos negativos ou
positivos repentinos não valiam de verdade; era apenas ironia do
professor.
Novamente a sala deu risada, mas dessa vez não foi abafada.
Furioso saiu da sala, levando suas coisas. E todos observando a cena
até esqueceram que o professor estava na sala.
─ Chega de brincadeira e vamos aos exercícios ─ disse o
professor chamando a atenção.
─ Já fizemos! ─ Avisou Alex, Browds, Jeorge, Vick, Kelly, Jade e
Rachel exclamando ao mesmo tempo.
─ Mas como se ainda nem passei?
─ Ontem quando estávamos conversando e perguntamos se o
senhor passaria algo hoje, nos disse que passaria exercícios sobre isso
─ Jade o explicou.
─ Ah! É verdade, então podem conversar, e quem não fez,
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tratem de fazer ─ ordenou.
Enquanto os outros faziam a lição, o grupo conversava entre si.
─ Será que Michael vai entrar de mau humor depois? ─ Alex
perguntou-os.
─ Provavelmente. Depois dessa até o risadinha ficava de mau
humor ─ Browds confirmou, e logo olharam para quem apelidaram
de risadinha que no momento fazia sua lição sorrindo. E voltaram à
conversa se entreolhando por estranharem.
─ O jeito é esperar a próxima aula para ver ─ disse Kelly.
─ Michael é imprevisível. ─ anunciou Vick. E logo Kelly
concordou:
─ Sim, você deve estar certa.
Ao chegar a aula seguinte, novamente era aula da professora da
primeira aula, Renata, professora da língua nativa. Michael entrou na
sala tranquilamente ─ tranquilo até demais para quem havia sido
tirado da sala ─ deve ter ido para a biblioteca ou deve ter ficado
conversando com alguém lá fora e até acabou se esquecendo da raiva.
A professora aproveitou que todos estavam em silêncio com os olhos
atentos nela para falar sobre o jornal da escola. Era a professora
responsável pela organização e o desenvolvimento das equipes.
─ Todos sabem que amanhã é a festa de formatura, certo?
─ Sim! ─ Todos responderam em coral.
─ Portanto a equipe do jornal da escola responsável por esta
classe terá muito que dizer amanhã. Matéria é o que não falta para o
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jornal desse mês. Quero ver bem caprichadinho.
Na mesma hora Michael e Susan se olharam com um olhar
competitivo, desafiando o outro ─ ao invés de trabalharem juntos
para produzirem as duas paginas da classe no jornal da escola,
chamado Star’s News. Ainda mais que neste mês ficaram
responsáveis pela capa do jornal por motivo desconhecido. Todos já
conheciam essa competição entre os dois. Todos os meses era a
mesma coisa, os dois competiam para fazer a melhor matéria na
página da classe.
Na hora do intervalo, Alex estava conversando com seu grupo
de costume.
─ Estou indecisa se venho com um vestido vermelho ou preto
para a festa de amanhã. ─ Comentou Rachel pedindo ajuda.
─ Vem com qualquer coisa, vai continuar sendo você do mesmo
jeito ─ murmurou Browds.
─ Perguntei para Jade ─ respondeu desprezando-o.
─ Calma, Rachel, coitado… ─ Jade parou sua fala ao ouvir um
grito apavorado vindo do banheiro feminino. Todos se espantaram
no momento, prenderam seus olhos em direção ao banheiro e
ficaram mais espantados ainda ao ver continuando a gritar, Susan sair
do banheiro correndo apavorada, sem fôlego não aguentara e
encostou-se a um dos armários respirando profundamente.
Aproximaram-se dela, viram que estava pálida, seus lábios
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estavam brancos, estava realmente assustada. Rachel presenciando a
cena realmente estava espantada.
─ Eu vi, eu vi, eu vi… ─ ela exclamava espantada.
─ Viu o que? ─ Browds curioso perguntou.
─ Cala boca, deixe que eu resolva isso, ao invés de ficar
perturbando-a, vá pegar um copo de água para ela ─ Rachel o
repreendeu e logo pediu para a multidão de alunos que estavam
acompanhando em volta preocupados, afastarem-se.
Na verdade, estavam só curiando, porque alguns nem sabiam o
que estava acontecendo.
Browds chegou correndo com o copo de água. E Rachel
tomando o copo de sua mão, o entregou delicadamente para Susan.
Tomou a água, respirou fundo e recuperou o fôlego.
─ Eu vi uma vez e não quero ver novamente. E naquele
banheiro eu não volto mais.
─ Tudo bem, pode deixar, eu te levo até a diretoria.
─ O quê? Vai deixá-la ir sem ao menos nos dizer o que viu?
Rachel que estava agachada de frente para Susan virou seu rosto
olhando feio para Browds.
─ Ele tem razão ─ ofegou Susan concordando.
─ Esse idiota tem razão? Você tem certeza?
─ Sim; devo alertá-los sobre o que realmente aconteceu.
Então se lembrando da cena tentou começar a detalhar o
momento, mas na hora Michael se aproximou perguntando:
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─ O que está acontecendo aqui?
─ Eu vi, no banheiro feminino, quando estava me maquiando
no espelho, estava passando meu lápis de olho, abaixei a cabeça para
guardar o lápis em minha bolsinha e pegar o batom, quando ergui
meu rosto para o espelho vi uma coisa…
─ Não era você mesma? ─ Perguntou Michael e imediatamente
todos viraram seu rosto jogando um olhar sério para ele ─ Me
desculpem, então, é que eu ainda não sei o que está acontecendo ou
o que aconteceu.
─ Simples. Susan estava pálida e com os lábios brancos, sem
fôlego após sair gritando apavorada do banheiro feminino dizendo
que viu algo lá ─ explicou Jeorge.
─ A loira do banheiro?
Jeorge novamente olhou feio para ele, até que Rachel ordenou:
─ Calem-se; Susan está tentando continuar.
Todos ficaram quietos atentos no que ela ia dizer, pois
finalmente matariam sua curiosidade.
─ Continuando. Quando tornei a olhar para o espelho vi que
atrás de mim havia alguém, ou melhor, algo, uma criatura. Usava um
manto negro, uma capa negra. Virada para mim, a sombra que o
capuz do manto fazia não permitia ver seu rosto, era como se não
tivesse rosto, mas vi apenas dois olhos pequenos, redondos e
vermelhos brilhando. Por baixo de seu manto esguichava fumaça,
não sei se estava flutuando, porque eu não via seus pés, como se não
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os tivesse. Na hora do susto e do medo acabei caindo no chão, fiquei
me exprimindo no canto da pia, então a fumaça debaixo dela se
expandiu cobrindo seu corpo todo, e quando a fumaça saiu. A
criatura desapareceu. Com medo, ainda estava sem força para se
levantar, mas me levantei temendo o que poderia vir em seguida.
Então corri para cá para escapar da criatura.
─ Já é o bastante, vamos para a diretoria ─ Rachel sugeriu.
─ Deixa que eu a levo ─ Mike o monitor da classe ordenou
aproximando-se.
─ Não, não, não, não, acabou de chegar, nem sabe o que
aconteceu e quer levá-la? Não vai mesmo, pode deixar que eu cuido
disso ─ Rachel ordenou afastando-o com as mãos.
Mike segurou os punhos dela com suas mãos e encarou-a:
─ E quem vai me impedir?
─ Eu.
─ Você? Você e quem mais?
─ Eu! ─ Exclamou Browds aproximando-se.
─ E eu! ─ Exclamou Jeorge também se aproximando.
─ E nós! ─ exclamaram Jade, Kelly e Vick em coral.
E por ultimo Alex:
─ Eu! E você sabe que com uma ligação minha posso te
expulsar da escola.
─ E dela também ─ indicou Browds ao ver a silhueta da diretora
aproximando-se no fim do corredor ─ quando fui pegar o copo
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d’água, aproveitei para chamar a enfermeira da escola, um detetive, a
diretora e um psiquiatra.
─ Sério? ─ Perguntou Alex arregalando os olhos.
─ Não, só a enfermeira e a diretora mesmo. A enfermeira estava
ocupada atendendo outro aluno que havia levado um soco com
piercing no olho.
Jade sentiu um frio só de imaginar a cena.
─ Como ficou o olho dele? ─ Perguntou preocupada.
─ Mas não foi no olho que ele levou o soco, foi no nariz, mas
depois do soco o piercing foi parar no olho. Fez um estrago danado,
mas a enfermeira disse que quando pudesse resolveria isso, mas pelo
jeito não precisa mais. Já a diretora deu um trabalho danado para
achá-la. E quando achei, parecia estar meio apressada, disse que
estava a caminho e tinha assuntos para resolver… e aí está ela.
─ O que está acontecendo aqui? ─ Perguntou a diretora.
Alex entregou um papel que havia anotado todo o fato.
─ Aqui está. Eu anotei tudo enquanto Susan descrevia o fato.
“Eu vi, no banheiro feminino, quando estava me maquiando no espelho,
estava passando meu lápis de olho, abaixei a cabeça para guardar o lápis em
minha bolsinha e pegar o batom. Quando tornei a olhar para o espelho vi que
atrás de mim havia alguém, ou melhor, uma criatura. Usava um manto negro,
um manto negro. Virada para mim, a sombra que o capuz do manto fazia não
permitia ver seu rosto, era como se não tivesse rosto, mas vi apenas dois olhos
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pequenos, redondos e vermelhos brilhando. Por baixo de seu manto esguichava
fumaça, não sei se estava flutuando, porque eu não via seus pés, como se não
tivesse. Na hora do susto e do medo acabei caindo no chão, fiquei me exprimindo
no canto da pia, então a fumaça debaixo dela se expandiu cobrindo seu corpo
todo, e quando a fumaça saiu. A criatura desapareceu. Com medo ainda estava
sem força para se levantar, mas levantei-me temendo o que poderia vir em seguida,
então corri para cá para alertá-los e escapar da criatura.”
Terminando de ler o fato, a diretora olhou para Susan,
desacreditando perguntou:
─ Suponho que a tal “criatura” não tentou atacá-la, certo? Tem
certeza de que realmente viu isso?
─ Diz isso porque não foi você ─ retrucou Rachel. ─ Ela estava
pálida, com os lábios brancos e sem fôlego.
─ As atrizes de novela e de filmes começam assim ─ exclamou
ao sair caminhando de volta para a secretaria.
Eles se entreolharam e Mike afastou-se.
No caminho para suas casas, chegaram a ficar quietos de tão
preocupados que estavam com este caso, não tiravam isso de suas
cabeças confusas. Até Browds exclamar repentinamente assustandoos porque estavam em silêncio.
─ Há! Eu sabia!
─ Sabia o que, idiota? ─ Reclamou Rachel assustada.
─ Uma aparição não pode ser. E também não pode ser um
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efeito de luz ou sombra, mas com certeza tem alguém por trás disso.
─ E como você sabe que é alguém e não algo? Tipo uma
criatura.
─ É obvio ─ disse tirando o papel que Alex havia anotado a
descrição; do bolso ─ veja bem como ela descreveu a criatura.
─ Como você conseguiu esse papel? ─ Estranhou Alex.
─ Eu tenho meus meios.
─ Ou melhor, pegou quando a diretora o jogou para trás e caiu
no chão ─ explicou Rachel.
─ Estraga prazeres. Mas voltando ao assunto, ela descreve que a
“criatura” vestia um manto negro. Com certeza de pano. Esguichava
fumaça e tinha olhos redondos, vermelhos e brilhantes. Eu lembro
que tudo isso, eles usariam para a festa de amanhã. As bolinhas
vermelhas e brilhantes seriam usadas como borda de mesa e outras
utilidades. A fumaça era de um projetor de fumaça que usarão para
algum tipo de apresentação ou coisa parecida, mas o pano preto, o
pano preto para que seria usado?
Eles se espantaram vendo que tudo aquilo que Browds dizia
fazia sentido, Rachel pensativa desprendeu os olhos da realidade
concordando com o raciocínio dele. No momento pararam pensando
preocupados.
─ Ele tem razão! ─ E assim Rachel concordou tentando
continuar o raciocínio. — Mas de onde a pessoa pode ter tirado esse
pano preto?
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Todos pensaram alguns segundos e finalmente quando
perceberam o que estava óbvio se entreolharam e disseram ao
mesmo tempo:
— A beca da formatura!
— Obviamente ─ concluindo Jade afirmou. ─ Temos que
descobrir quem e o motivo.
— Significa que pode ter sido um aluno, um professor, ou a
diretora ─ Alex supôs.
─ Mas por que a diretora faria isso? ─ Perguntou Kelly
espantada.
─ Porque ela não tem o que fazer ─ afirmou Vick.
─ Então deve ser algum tipo de passa tempo ─ supôs Kelly.
─ Sim; Você deve estar certa ─ Vick concordou.
─ Voltando ao momento investigação. Temos que descobrir se
isso era contra qualquer aluna que estivesse no banheiro, ou se era
propriamente contra Susan. Descobrindo isso podemos adiantar a
investigação ─ com a conclusão de Jeorge, eles se entreolharam
concordando com sua teoria.
─ O jeito é aguardar e observar para ter essa resposta ─ concluiu
Alex olhando para eles, com um suspiro tomou o caminho de volta
para sua casa. Logo em seguida eles fizeram o mesmo, cada um para
sua casa.
Durante aquela noite, não apenas Alex, mas também Jeorge,
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Browds, Rachel, Jade Vick, Kelly e principalmente Susan, estavam
preocupados com aquilo, pensando se o acontecimento significava ─
apenas uma travessura, um plano ou uma ameaça? ─ essa era a
perguntava que não os deixara em paz dificultando até o sono deles.
Rachel quando dificilmente conseguiu dormir, ainda teve pesadelos.
E Jade preocupada com tudo isso, sentiu uma repentina dor de
cabeça, parecia diferente, mas ignorou e continuou tentando dormir.
Uma noite muito difícil para eles, principalmente para Jade e Rachel.
Isso porque não eram as vitimas, mas preocupados com que fossem
as próximas. Susan evitou contar aos pais temendo que resolvessem
entrar com alguma ação contra a escola, ou a tirassem de lá. Pensava
que se apenas um fosse o culpado, a escola inteira não poderia pagar
por isso. Mas estava um pouco traumatizada, até inventou uma
desculpa para dormir perto dos pais, pois temia dormir sozinha,
parecia uma criança.
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< Capítulo Dois >
A grande surpresa
O início dessa surpresa ocorreu em trinta de novembro, 1938
(mil novecentos e trinta e oito), último dia de aula, dia em que todos
os formandos da escola planejaram fazer sua festa de formatura e
comemoração à passagem de ano.
Na última aula da turma de Alex não tiveram “moleza” de
último dia, mas tiveram de fazer a lição ordenada pela professora
mais exigente da escola. Copiavam ansiosos para que o sinal tocasse e
a aula acabasse. E ao ouvir o sinal tocar largaram suas canetas
imediatamente, erguendo as mãos e o rosto para o céu
comemorando, estavam tão ansiosos com a festa que quase
atropelaram a professora ao saírem da sala.
Em seu armário Alex encontrou-se com Jeorge e Browds. Logo
eles começaram a comentar entre eles:
─ Ano que vem estaremos na mesma sala, enfrentando novos
problemas, novos professores, novos folgados ─ Alex começou
comentando.
─ Mais adrenalina! ─ Jeorge adicionou ao comentário.
─ E mais garotas! ─ Browds concluindo exclamou.
Alex aproveitando o perguntou:
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─ Fora aquelas ali? ─ Apontava indicando que Jade e Rachel
aproximavam-se. Entusiasmadas logo os cumprimentaram ao mesmo
tempo:
─ Oi Alex, oi Jeorge ─ e fechando a expressão de alegria em seu
rosto, alterou seu tom de voz para um tom intolerante. ─ Olá…
Browds…
─ Olá. ─ ele a respondeu da mesma forma.
─ Um dia ainda se casam ─ Alex ironizou ao ver a cena.
Rachel imediatamente o criticou ao ouvir isso:
─ Você não tem nada melhor ou mais importante para falar?
Mas onde estão Vick e Kelly?
─ Não sei. Vocês que deveriam saber, estão sempre juntas, não
sei o que vocês tanto fazem juntas.
─ Devia saber.
─ Eu? Isso é assunto de vocês.
─ Não estou falando disso. Estou dizendo que você devia saber
onde ela está.
─ E por que eu deveria?
─ Kelly é sua namoradinha, ou seja, no mínimo deveria saber
onde ela está neste exato momento.
─ Ela não é minha, ela não é de ninguém… ainda.
─ E daí? Ela já é sua, ou seja, você deveria conter as
informações necessárias para me comunicar a resposta da
determinada pergunta.
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─ Por que sempre quando você discute comigo começa a usar
um processo de caça e tentativas de um vocabulário com palavras
mais avançadas? Ou seja, fora do seu cotidiano.
─ Ah! Isso não importa, só quero que responda minha pergunta,
por favor.
─ Depois dessa discussão vocabular acabei me esquecendo.
Qual era a sua pergunta?
─ Pelo amor de Deus, onde é que Vick e Kelly estão?
Então de trás dela Vick e Kelly responderam:
─ Aqui!
─ De onde vocês surgiram? ─ Perguntou Alex estranhando o
aparecimento repentino.
─ Ouviu isso Vick? Eles não nos perceberam! Um ponto para
nós ─ exclamou Kelly à Vick ao pegarem um bloco de anotações
anotando algo.
Jeorge que também estranhava a cena que havia acabado de ver
perguntou-as:
─ Sem querer ser intrometido, mas para que serve este
bloquinho? E de onde vocês o tiraram? Eu juro que vi a mão de
vocês vazias agora pouco. Também que vocês com certeza não são
normais, não mesmo.
Então as duas afirmaram juntas:
─ Você deve estar certo ─ Kelly estendendo a palma de sua mão
esquerda onde estava a caneta, conclui: ─ São apenas truques.
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Jeorge espantado ficou de boca aberta ao ver Kelly batendo a
mão direita sobre a caneta que estava na mão estendida, separou as
duas mãos com a palma para cima e a caneta não estava mais lá
presente. E então ela tornou a dizer:
─ Truques.
Apressada e ainda não satisfeita Rachel os interrompeu:
─ Chega de conversa mole e… truques. Agora me respondam
onde vocês duas estavam? ─ Perguntou ela apontando o dedo para o
rosto delas e imediatamente as duas responderam juntas:
─ No banheiro.
─ Até no banheiro você queria que ele soubesse? Que falta de
privacidade ─ Browds ironicamente a criticou.
─ Você fique quieto. Vick e Kelly venham comigo, preciso falar
com vocês. ─ Rachel apressada chamou-as. E Jade imediatamente a
corrigiu:
─ Você não, nós precisamos.
─ Ah! Tanto faz.
Ao ver que as quatro afastaram-se Alex afirmou a Browds:
─ Olha! Esta está para você e não adianta negar.
─ Nem vem Alex.
─ Browds, encara a realidade ─ Disse Jeorge concordando com
Alex.
─ Viu? Até ele concordou, dois votos contra um, ou seja, ela já é
sua.
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─ Só no seu mundo.
─ Ouviu, Jeorge? Ele acabou de afirmar, confirmar e concordar
que se fosse em meu mundo eles ficariam juntos.
─ Verdade. Mas vocês perceberam que ela parecia estressada?
─ Apenas parecia?
─ Certo, ela estava realmente estressada, mas parecia que não era
por nada, mas confusa por algum motivo, espantada.
No momento os três ficaram em silêncio, um olhando para o
outro e descartaram a idéia dizendo ao mesmo tempo:
─ Não.
─ Não deve ser isso, ela sempre esteve assim ─ Browds
comentou. E Jeorge criticou o comentário de Browds:
─ Ela sempre este assim com você. Dessa vez parecia diferente.
Não chega a ser isso, mas deve ser alguma outra coisa.
─ E como você observou e percebeu tudo isso? ─ Alex
perguntou não entendendo muito a situação.
─ Só observando mesmo.
─ Bela percepção. Mas não deve ser nada… demais. Relaxa.
Empolgação. Deve ser a emoção de estar se formando. Ou a fase,
deve estar naqueles dias.
─ Você deve estar certo ─ concluiu Jeorge.
Browds ao olhar ao seu redor estranhou o fato do corredor estar
vazio e sugeriu-lhes:
─ Acho melhor irmos para o pátio, esse corredor deserto me dá
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calafrios.
Concordando foram para o pátio e ao chegarem à entrada
espantaram-se e Alex arregalava os olhos, completamente espantado
com a cena que via a sua frente, sem saber o que dizer apenas
exclamou:
─ Não acredito!
─ Se nem vendo acredita, então o que pode fazê-lo acreditar? ─
Browds indagou a ele.
O pátio aberto e coberto pelo céu azul com a luz do sol
refletindo em seus rostos; estava atravessado por uma faixa grande e
branca escrito nela “Colégio Alex Santos”. Todos os alunos do
colégio estavam gritando e aplaudindo sua entrada enquanto confete
caía do céu, olhou para o céu onde viu um helicóptero carregando a
palavra parabéns formado por bexigas vermelhas. Voltou a olhar para
frente e deparou-se com um chapéu de formando dourado e um
canudo também dourado. Não entendendo o que estava
acontecendo, gritou:
─ O que está acontecendo aqui?
A diretora desceu do palco onde estava presente a mesa
completamente enfeitada contendo o chapéu e o canudo dourado
sobre ela. Caminhou em sua direção e abraçou-lhe sorrindo:
─ Alex, não se faça de bobo, lógico que você sabe o que está
acontecendo aqui, afinal você é um gênio.
Alex também sorrindo afirmou para ironizar:
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─ Como eu sou bobo. Claro que eu sei o que está acontecendo
aqui ─ mudando a expressão de seu rosto para sério, perguntou
novamente. ─ Dá para explicar logo o que está acontecendo aqui?
Ela ainda mantendo o sorriso explicou:
─ Calma, não precisa estressar-se, hoje é motivo de festa,
agitação, emoção ─ aproximando seu rosto exclamou ─ e muito
mais!
Não satisfeito com a resposta perguntou mais uma vez sorrindo
sarcasticamente:
─ Por quê?
Ela então voltou a explicar:
─ Você sabe que seus pais são donos dessa propriedade, certo?
─ Não, imagina ─ afirmou com um tom de voz de tédio.
─ Mas o que você não sabe é que desde que você ainda era
pequeno já planejavam sua formatura e ao decorrer do tempo o fato
de você ser um gênio os motivou mais ainda. Então resolveram
colocar seu nome ao colégio.
─ Nossa! É o que faltava. E o chapéu e o canudo dourado sobre
a mesa?
─ São para você usar na hora das fotos, querido. E além disso,
ainda tem uma beca preparada, uma pequena observação, a beca
também é dourada. Uma das fotos será usada como quadro em sua
casa. Suponho que você também irá querer uma cópia em seu quarto.
Outra cópia, a maior de todas, será colocada na entrada do colégio,
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também com moldura dourada!
─ Sério? Que legal! Brilha no escuro também? Tomara que eu
não esteja dourado na foto.
─ O que é isso Alex? Mais animação e aproveite a festa ─ saiu
dançando a música que tocava no momento, tocada por uma banda
contratada para a festa.
─ Desse jeito é que não vou aproveitar mesmo.
Browds também concordando com a diretora sugeriu-lhe:
─ Ela tem razão, aproveita. Olha a garçonete vindo ai.
─ É para aproveitar a garçonete ou o que ela está servindo?
Os três riram no momento e Jeorge o avisou brincando:
─ Deixa só você se Kelly ouvisse isso.
Então de trás de Alex ouviu-se uma voz dizendo:
─ Eu já ouvi.
Alex virou seu rosto para trás ouvindo quem havia dito, e ela
afirmou novamente de braços cruzados:
─ Eu já ouvi tudo.
Vick interferiu dizendo:
─ Não Kelly, você não ouviu não.
─ Não ouvi?
─ Não, nós ouvimos.
─ Você deve estar certa.
Observavam a cena com expressões confusas até que Jeorge
concluiu:
29
─ Sim, elas realmente estão loucas.
Ouvindo isso perguntou Vick:
─ Ouviu isso Kelly?
─ Ouvi sim Vick.
─ Eles acham que nós estamos loucas.
─ Larga a mão Vick, algumas pessoas só falam abobrinha e
outras se fazem de vegetarianas, mas são canibais.
─ Você deve estar certa.
Estranhando mais ainda por entender nada, Alex olhou para eles
sussurrando:
─ Não, não estão loucas, são loucas.
─ Você deve estar certo ─ afirmou Jeorge.
Kelly percebendo o desvio de assunto fechou a expressão do
olhar e tornou a perguntá-lo:
─ Então voltando ao assunto, Alex o que quis dizer com aquilo?
Browds em uma questão de menos de um segundo olhou para
os lados pensando rápido para tirar Alex dessa situação e disfarçando
interrompeu-os avisando:
─ Sem querer interromper e estragar a surpresa, mas a equipe de
TV já está para chegar.
Rapidamente Alex entendendo sua intenção continuou o desvio
de assunto, mas realmente espantado com o aviso.
─ Isso mesmo! ─ Browds confirmou com a cabeça.
─ É o que faltava. Agora sim meu dia está completo. Vão me
30
perguntar ─ fazendo uma imitação básica de repórter fechou as mãos
com se estivesse segurando um microfone e simulou entrevistando a
si mesmo ─ O que está achando de tudo isso? ─ tomou o
“microfone” para si mesmo ─ Legal!
Browds concordou com a resposta:
─ Pode ser.
─ Não! Você acha mesmo que eu responderia isso? Seria o
maior papelão. Então o que eu poderia responder? ─ continuando a
retrucar sugeriu sarcasticamente ─ Já sei. Talvez eu pudesse começar
a chorar, chupar dedo e correr para o banheiro trocar minha fralda.
Estranhando a sugestão Vick o perguntou:
─ Você usa fraldas?
─ Não!
─ Então sobrou apenas responder “legal” ─ Vick o sugeriu.
Browds tentou ajudar com uma sugestão:
─ Diga o que vier a cabeça na hora.
─ Melhor não, é uma boa idéia, mas nunca se sabe ─ pensou um
pouco se lembrando de um detalhe sobre a forma que Browds o
avisou e acabou raciocinando sem querer, então o perguntou:
─ Você disse “sem querer estragar a surpresa”? ─ E apontou
para ele. ─ Então você sabia de tudo isso.
Jeorge o respondeu por Browds:
─ Sim e eu também. Ficamos encarregados de distraí-lo até a
hora certa e manter tudo em sigilo.
31
─ Mas por quê?!
Rachel imediatamente retrucando sua pergunta o respondeu:
─ Senhor gênio, se era para ser surpresa obviamente deveríamos
manter em sigilo, eles pediram nossa ajuda porque nós somos seus
amigos mais próximos, então precisavam de alguém para ajudar e
distraí-lo, idiota.
Vendo que Alex estava espantado com a resposta de Rachel,
comentou Jade para aliviar o dialogo.
─ Seus pais confiaram em nós.
─ E em nós também ─ responderam Vick e Kelly ao mesmo
tempo. E Jade o perguntou para seu raciocínio:
─ Por que você que todos vieram com roupas especiais hoje?
─ Para festa de formatura.
─ Certo; Para festa de formatura que seus pais planejaram. Isso
significa que?
─ A festa era apenas um pretexto para que eu não pudesse
desconfiar de nenhum detalhe.
─ Isso mesmo! Até que você é esperto.
─ Então isso significa que todos da escola sabiam exceto eu? ─
Alex espantando-se com o sigilo da escola inteira. Rachel novamente
não tolerando a pergunta dele tornou a retrucar:
─ Claro gênio. Se a surpresa era para você, você era o único que
não podia saber. Usa o cérebro para algo diferente pelo menos uma
vez.
32
Ainda não satisfeito com a resposta dela explicou o motivo de
sua pergunta:
─ Mas é impossível toda a escola ter mantido em segredo,
sempre há um instinto fofoqueiro. Há quanto tempo sabiam de tudo
isso?
─ Para seu alivio mental, só sabiam da festa da formatura,
também foram enganados como você.
─
Alguém
viu
a
diretora
Polly?
─
Michael
ofegou
interrompendo-os ao chegar correndo.
─ Não vi não, da ultima vez que eu a vi, ela havia saído
dançando por ai ─ explicou Alex.
─ Eu sei, foi eu que ela pegou para dançar, infelizmente. Mas
depois disso não a viram?
─ Não ─ responderam em coral.
Browds voltando ao assunto concluiu:
─ Os detalhes foram sendo informados ao longo do tempo. Mas
alguns ficaram responsáveis pela produção e organização da festa.
Susan encontrando-os aproximou-se deles segurando uma taça
de refrigerante e logo os cumprimentou.
─ Oi gente, tudo bem?
─ Não, não, não; nós que temos que te perguntar como vai ─
murmurou Rachel preocupada.
─ Não posso dizer que está tudo bem. Esta noite foi tão difícil
que tive que dormir com meus pais. Sei que eu devia ter vergonha de
33
contar isso, mas é a pura verdade.
─ Imagino. Fique tranquila, eu entendo ─ e com um olhar
ameaçador virando o rosto para Alex, Browds e Jeorge, supôs ─ e
aposto que eles também entendem.
Imediatamente
eles
balançaram
a
cabeça
positivamente
afirmando que entendiam.
─ Mas continue contando como foi ─ sugeriu Jade.
─ Não tenho muito que dizer, foi difícil. Mas parece que depois
daquilo, a diretora está um pouco desconfiada de mim, ela não para
de me observar, acha que está sendo discreta, como se eu não tivesse
percebendo nada.
Alex ouvindo isso suspeitou. Até que Susan pediu:
─ Alguém pode ir ao banheiro comigo? Sabe depois daquilo eu
não confio mais de ir sozinha.
─ Eu vou ─ Browds se ofereceu e Rachel virando o rosto olhou
feio para ele. E ao prestar atenção no pedido de Susan, logo se
explicou ─ ah, desculpa, é que eu não havia prestado atenção que ela
pediu para ir ao banheiro.
─ Bom mesmo. Achou que ela iria onde? Tomar sorvete? ─
perguntou Rachel ao sair acompanhando Susan, virou seu rosto para
trás, olhou para Browds e fez um gesto com dois dedos apontando
para os próprios olhos e em seguida apontando para ele; que
significava para ele ficar atento. Browds então voltou ao assunto.
─ Então, Alex, voltando ao assunto. Ficamos responsáveis
34
pela… ─ ao tornar a olhar para Alex, notou que ele estava o
observando sorrindo com um olhar desconfiado ─ qual é?
─ Interessante; vocês dois.
─ Nada a ver ─ tentando disfarçar voltou ao assunto anterior ─
Jade, Rachel, Kelly, Vick, Jeorge e eu ficamos responsáveis pela… ─
imediatamente parou o que estava dizendo e virando subitamente
para trás ao ouvir novamente o grito de Susan vindo do banheiro.
─ A Rachel, também, não serve pra nada, seria melhor que
Browds fosse ─ exclamou Jeorge ao espantar-se também.
Correram preocupados em direção ao banheiro, viram saindo de
uma cortina de fumaça que saia do banheiro, Susan e Rachel. Susan
não parecia tão assustada, enquanto Rachel parecia pensativa.
─ Nossa pergunta está respondida, com certeza é contra Susan
─ exclamou Rachel confirmando.
─ Como você sabe? ─ Perguntou Browds.
─ Simplesmente usei a cabeça. Aproveitei que Susan voltaria ao
banheiro para fazer o teste, combinei tudo com ela antes de entrar no
banheiro. Pedi a vassoura e um pano para a faxineira dizendo que
uma aluna havia vomitado e que não se preocupasse porque eu iria
limpar sendo que na verdade eu precisava de algo para ataque e
defesa. Quando entramos no banheiro, ficamos um tempinho lá, mas
ela não apareceu. Quando fingi que estava saindo do banheiro, me
escondi atrás de um dos boxes, e logo em seguida a tal criatura
apareceu. Eu a vi apenas de costas, mas então quando resolvi atacá35
la, joguei o pano por cima dela, mas quando tentei golpeá-la com o
cabo da vassoura, já havia desaparecido no jato de fumaça, mas o
pano estava lá no chão. Não ficamos assustadas porque sabíamos que
havia alguém por trás disso ─ assim Rachel descreveu o
acontecimento.
─ Boatos e mais boatos, o que estão tentando fazer? Gerar
algum tipo de manifestação? Interditar a escola? Tirar-me desse
colégio, é isso? ─ Perguntou a diretora ao aproximar-se ouvindo os
comentários.
─ Como assim tirar você da escola? Você teria algo a ver com
isso? ─ Perguntou Rachel.
─ Claro que não, tenho assuntos mais importantes a resolver ─
saiu caminhando estressada, e acabou esbarrando com Michael que
se aproximava correndo, ela nem parou para pedir desculpas,
continuou andando. Aproximando-se deles perguntou-os ofegando:
─ O que aconteceu com ela?
─ Parece que sentiu o peso da culpa ─ respondeu Jade.
─ Melhor deixarmos isso para depois e aproveitarmos a festa ─
Vick sugeriu.
─ É verdade ─ Jeorge confirmou.
─ Acho melhor que a diretora também aproveite, podemos nos
sair mal nessa história. Vou cuidar para que ela acalme-se ─
exclamou Michael e em seguida correu para alcançar a diretora.
36
< Capítulo Três >
A Festa
─ Mas voltando ao assunto, quem ajudou em uma grande parte
foi Jade, Rachel, Vick, Kelly, Jeorge e claro, eu! ─ Browds explicou.
─ Como assim “claro”? Fala isso como se fosse a mais
importante das ajudas ou até o que mais ajudou ─ murmurou Rachel.
─ Não estou medindo esforços, apenas afirmando que nunca iria
negar minha ajuda, sabendo que tudo isso seria feito para meu
melhor amigo. Logicamente eu ajudaria nas minhas condições
fazendo o máximo possível para o melhor da festa ─ sorriu ao
terminar sua fala.
Alex estranhou essa repentina atitude e resposta de Browds.
─ Era para me emocionar? E porque começou a falar
formalmente tão de repente? E esse sorriso? Chega a assustar.
─ Devem ser câmeras ocultas ─ respondeu Kelly.
─ Câmeras ou cultas? ─ Disse Vick corrigindo-a ─ devem ser
câmeras, pois cultas não filmam.
─ Você deve estar certa ─ Kelly confirmou.
Jade ao olhar para os olhos de Browds; olhou para trás e assim
viu a resposta para a pergunta deles.
─ Não, Kelly. Não são câmeras ocultas. Elas já estão expostas o
37
suficiente.
Ao olharem para trás perceberam que lá estava à equipe de
reportagem de TV e o grupo de entrevista de Michael para o Jornal
da escola. E assim uma repórter que pertencia à equipe de
reportagem da TV perguntou a Alex erguendo o microfone em
frente seu rosto.
─ O que você está achando desse grande dia?
A repórter estava usando um vestido em que seus seios ficavam
parcialmente a mostra. E Jeorge fascinado com a cena exclamou:
─ Maravilhoso!
Alex vendo que todos estavam olhando para Jeorge por sua
atitude, fez um sinal discreto e desesperado para ele parar. Logo
percebeu o sinal e sua atitude indiscreta.
─ Ops. Desculpe, a pergunta foi para Alex, não é? Eu me
encantei e me empolguei tanto com a beleza da festa que acabei
respondendo por ele.
─ Encantado com a “grandeza” e a beleza, não é? ─ comentou
Browds.
─ Sim, da festa.
─ Sei.
─ Deixe-o aproveitar a festa ─ a repórter criticou.
─ Belo vestido ─ Jeorge aproveitou para elogiá-la.
─ Sua roupa também está bonita, te deixa gato ─ ela comentou.
─ Que nada ─ respondeu cutucando Browds com seu cotovelo
38
gabando-se do elogio.
Subitamente olharam para trás assustados ao ouvir o barulho da
taça quebrando-se na mão de Vick.
─ Ai, essas taças de hoje em dia são tão frágeis ─ Vick tentou
disfarçar percebendo que estavam olhando para ela.
─ Completamente sensíveis ─ comentou Kelly.
─ Se ofendem com qualquer coisa.
─ Você deve estar certa.
A repórter estranhou o dialogo das duas:
─ Elas são loucas? ─ Sussurrou a Alex.
─ Não, só quando estão juntas.
─ Como é?
Parando de sussurrar, Alex a explicou:
─ Brincadeira. Elas só aparentam ser, mas estão aproveitando o
que chamamos de juventude, enquanto há tempo ─ olhando para as
duas terminou dizendo ─ na verdade, elas devem estar certas.
Vick e Kelly se entreolharam e olharam sorrindo contentes para
Alex vendo que ele havia as defendido.
─ Obrigado, Alex ─ virou-se olhando para Jeorge com seu rosto
demonstrando insatisfação. ─ Pelo menos um cavalheiro para nos
defender.
─ Nossa! A garota é perturbada.
Vick parecia irritada com o comentário de Jeorge, mas enquanto
isso a repórter fez um sinal positivo para câmera e tornou a perguntar
39
a Alex.
─ Alex, você ainda não me respondeu, o que está achando dessa
garota perturbada?
─ O quê?
─ Ops; Me desculpem. O que está achando desse grande dia?
─ Na verdade, eu não esperava tudo isso, mas como vi que tudo
foi feito com verdadeiro esforço então devo valorizá-lo e aproveitar a
festa até o ultimo segundo.
─ Estas são as palavras desse simpático gênio. Na verdade
parece que todos vão aproveitar a festa até o final, veja só ─ voltando
a olhar para a câmera disse para encerrar sua matéria ─ aqui é
Elizabeth Braek falando do atual Colégio Alex Santos diretamente
para o Five News.
Elizabeth
agradeceu
a
eles,
despediu-se
deixando
um
cartãozinho com Jeorge e retirou-se. Vick pegou no braço de Kelly e
puxou-a afastando-se, Kelly até fez um sinal que voltaria logo.
Michael aproveitou a reportagem de Elizabeth para entrevistá-lo,
aproximou-se de Alex segurando um bloco de anotações.
─ Alex, eu estava ouvindo sua entrevista e ouvi você dizer que
irá aproveitar a festa até o fim, ou como você mesmo disse, até o
ultimo segundo.
─ Sim, até o ultimo segundo.
─ Então você já deve ter sido informado que a festa irá durar até
o final do dia, ou seja, até o seu ultimo segundo. Você afirmou com
40
tanta clareza. Mas o que você acha disso?
No momento em que Alex ouviu isso, arregalou os olhos,
espantado pelo fato de que teria de ficar o resto do dia, e o que mais
estaria por vir. Aproveitando a expressão no rosto de Alex, tirou uma
foto para a capa do jornal da escola.
─ Vai ser uma longa noite ─ afirmou Alex sem mais o que dizer.
─ Sim, vai ser uma longa noite ─ afirmou Rachel apoiando a
mão em seu ombro.
─ Gente; venham rápido. A vice-diretora disse que vai
apresentar a cerimônia da entrega dos canudos daqui a pouco ─ Vick
e Kelly os avisaram falando juntas.
─ Mas a diretora que deveria apresentar a cerimônia ─ Alex
comentou.
─ Ela disse que a diretora recebeu um chamado urgente, e
também disse que a diretora deixou sua beca na secretária, pediu para
você buscá-la e vestir lá mesmo ─ Kelly explicou.
─ Obrigado ─ agradeceu se dirigindo ao corredor que levava a
secretaria, corredor um pouco escuro e silencioso, pois não havia
ninguém, aquele dia apenas os formandos tiveram aula.
Os outros alunos foram para suas salas vestir suas becas.
Quando Alex entrou na sala da secretaria que não havia ninguém,
logo avistou sua beca pendurada. De costas para porta vestiu-a e ao
colocar a cabeça para fora da gola avistou a tal “criatura” parada
olhando para ele, foi um susto e tanto, imediatamente tentou abrir a
41
porta desesperado, olhava para trás percebendo que a criatura
flutuava aproximando-se dele, a porta estava trancada, não sabia
como, se havia acabado de entrar, mas isso não importava no
momento, só queria saber um jeito de sair dali. Desesperadamente
começou a bater na porta com esperança de quebrá-la. Ao olhar para
trás novamente percebeu que a criatura não estava mais lá, mas isso
não aliviou seu susto e também não impediu que continuasse
tentando sair de lá. Com pancadas e mais pancadas tentava arrombar
a porta. Até ouvir alguém se aproximando no corredor.
─ ALEX, AFASTE-SE DA PORTA ─ gritou Michael e em
seguida quebrou a porta a golpes e pancadas com a vassoura que
segurava. E assim Kelly, Vick, Jade, Rachel, Browds, Jeorge e a vicediretora Gina Rocksty entraram na sala desesperados e preocupados.
─ Está tudo bem, Alex? ─ Perguntou Kelly sacudindo-o ao
segurar seus ombros.
─ Calma, eu estou bem. Mas porque Michael veio com uma
vassoura?
─ Eu vim na esperança de acertar a criatura caso ainda estivesse
aqui.
─ Eu a vi, mas como você sabia que ela apareceu?
─ As pancadas na porta, para uma pessoa desesperada desse
jeito só podia ter visto a criatura, ou estava sendo atacado por alguém
ou a sala estava pegando fogo.
─ Vocês ainda estão com essa história de criatura? A diretora me
42
falou sobre isso, e acho que tudo isso é perda de tempo ─ exclamou
Gina.
─ Vocês já pensaram em chamar um detetive? ─ perguntou
Alex.
─ Michael já nos pediu isso, mas a diretora disse que isso seria
perda de tempo também e eu concordei. E para que chamar um
detetive? Podemos descobrir sozinhos a qualquer hora.
─ Nós chamamos de criatura porque não sabemos quem está
por trás disso ─ Browds a explicou.
─ Com certeza é alguma travessura de algum aluno que não tem
o que fazer.
─ Uma travessura muito bem planejada. Parece que temos mais
um gênio aqui na escola ─ comentou Browds.
─ Depois vocês investigam isso, se apressem. Agora é hora da
cerimônia.
─ Cadê o fogo? ─ Perguntou Susan ao chegar correndo
segurando uma mangueira.
─ Que fogo? ─ Alex estranhou perguntando.
─ Eu disse, ou você estava sendo atacado ou a sala estava
pegando fogo. Se fosse um incêndio, dependendo de Susan, você já
teria virado mais um item do cardápio da festa, Alex tostado ao fogo
─ explicou Michael.
─ Vamos nos apressar e fingir que nada aconteceu ─ sugeriu
Gina.
43
Quando todos os pais estavam atentos ao ouvir o discurso de
Gina antes de apresentar a cerimônia, como os alunos eram
chamados em ordem alfabética, Alex ficava sendo o terceiro da lista.
Susan correndo aproximou-se de Rachel com o coração batendo a
mil ─ consegui chegar a tempo ─ ofegou sorrindo.
─ Podia ter ido dar mais uma volta, você é quase a ultima da lista
mesmo ─ comentou Rachel.
Gina terminou seu discurso, então ela chamou a primeira da
lista, Abel subiu emocionado ao palco, recebeu o canudo e
posicionou sorrindo para que tirassem fotos dele. E assim foi
igualmente quando chamaram o segundo da lista. Logo em seguida
chegou à vez de Alex, mas ao posicionar-se sorrindo para tirarem sua
foto, deparou com uma fumaça que tomou conta do ar no momento,
e dela surgiu a tal criatura de pé flutuando no ar. Mas dessa vez
olhava para todos e falava, tinha uma voz muito grossa.
─ Olá, formandos do “Colégio Alex Santos”! Parabéns pelo
ultimo ano de vocês neste colégio ─ apontando para Susan, Rachel e
Alex, afirmou: ─ alguns alunos aqui já me viram antes, parado, sem
atacá-los, só como um aviso de minha existência e vindo de mim só
viram fumaça, mas lembrando, onde tem fumaça… tem fogo ─ disse
juntando as mãos formando uma bola de fogo e lançando contra a
faixa onde estava escrito “Colégio Alex Santos”. Todos correram
para os lados para escapar da faixa que caía dividindo-se em duas
44
partes em chamas. Enquanto corriam apavorados, a criatura ria da
cena que via. E vendo que todos estavam atentos concluiu ─ Não
pensem em estudarem ou trabalharem aqui ano que vem.
Abandonem a área; esta propriedade é minha, serei bonzinho e
deixarei esta construção inteira. Mas se caso ousarem se
intrometerem na minha propriedade, não só derrubarei este colégio
com minha própria força, mas serei obrigado a também me
intrometer na propriedade de vocês, ou melhor, na vida de vocês. Se
não quiserem ter uma vida perturbada evacuem a área ou também
conhecerão alguns parentes meus ─ com um movimento de abrir e
erguer a mão fazendo surgir de jatos de fumaça, outras criaturas
iguais a ele, mas não tinham nem os olhos vermelhos, flutuavam
entre os participantes da festa que corriam apavorados de um lado
para outro. Enquanto a criatura ria da cena.
─ Voltem meus irmãos, os deixem aproveitar a festa hoje ─ e
assim voltaram para perto dele e em jatos de fumaça desapareceram,
logo em seguida voltou a alertá-los ─ Vou deixá-los aproveitar a festa
hoje, continuem se divertindo, continuem a cerimônia como se nada
tivesse acontecido, como se eu não tivesse aparecido, mesmo
sabendo que será difícil. Mas lembrem-se, NÃO QUERO
NINGUÉM AQUI ANO QUE VEM. Boa sorte, Alex. Vai precisar!
─ Dizendo isso desapareceu novamente num jato de fumaça.
Todos se entreolharam assustados, a vice-diretora tentou
acalmá-los.
45
─ Acalmem-se, vamos continuar a cerimônia, assim como a
própria “criatura” disse: Continuem se divertindo, continuem a cerimônia
como se nada tivesse acontecido. Portanto mesmo sendo difícil, vamos
esquecer tudo isso por hoje e continuar a entrega dos canudos e em
seguida aproveitar a festa.
─ Está bem claro o que está acontecendo aqui ─ exclamou a
diretora ao chegar explodindo em raiva ─ algum deles está tentando
me incriminar para me tirar da escola. O chamado urgente que recebi
foi de um monitor da escola que havia ficado preso na sala dos
professores, fui ajudá-lo e acabei ficando presa lá. Mas não havia
monitor nenhum. Até que Michael ouviu meus pedidos de ajuda e
me tirou de lá.
─ Sim, Susan e eu fomos colocar a vassoura e a mangueira no
lugar antes da cerimônia e na volta ouvimos os berros da diretora,
imediatamente pensamos em correr para ver o que estava
acontecendo, mas disse a Susan que podia ir para a cerimônia e
deixasse que eu fosse ver o que estava acontecendo ─ exclamou
Michael.
─ É verdade, eu cheguei correndo para a cerimônia e pude ver
novamente a criatura ─ Susan confirmou.
─ Seja quem for é apenas uma travessura de alguém que está
querendo me tirar dessa escola ─ repetiu ainda nervosa. E Alex
ouvindo isso, pegou emprestada a câmera de um dos pais que
estavam filmando momento da cerimônia, para lhe mostrar o
46
aparecimento da criatura, enquanto estava ausente na hora. Ela
realmente espantou-se com o que viu.
─ Está bem, foi um plano bem elaborado que fizeram para
tentar acabar com essa escola. Mas isso não é nada que um bom
detetive não possa resolver ─ afirmou ela na tentativa de acalmá-los.
─ Um bom detetive e uma boa quantia em dinheiro também; ─
Rachel acrescentou.
─ Sim, mas vamos esquecer isso agora e… Aproveitar a festa! ─
Exclamou a diretora animando o tom de voz repentinamente,
pegando novamente Michael para dançar, provavelmente era mais
uma de suas tentativas de acalmá-los e animá-los.
─ Me ajudem ─ Michael sussurrou a eles.
─ Quis dizer continuar a cerimônia e depois aproveitar a festa,
não é? ─ Rachel a corrigiu.
─ Tanto faz, nós vamos aproveitar a festa do mesmo jeito.
─ Você deve estar certa ─ afirmaram Vick e Kelly juntas.
E assim continuou a cerimônia e em seguida todos aproveitaram
a festa.
─ Não é preciso nem ler mentes para saber o que se passava na
mente confusa e preocupada de todos, onde se passavam as únicas
perguntas ”Quem é a criatura? Qual seu objetivo? Por quê?”, se
Elizabeth ainda estivesse, aqui além de dar uma ótima matéria para a
TV, de cara chamaria a atenção de muitos detetives e economizaria
bastante ─ comentava Jade com Rachel.
47
Após toda aquela festa, ao chegar em sua casa, Alice ainda estava
animada. Max parecia sonolento, mas se dizia ativo. Alice perguntou
preocupada:
─ Alex, você está ai, filho?
─ Não, mãe. Ainda estou na festa, mas espere um pouco que
logo estarei em casa.
─ Deixa de ser bobo. Por que não continuou lá até o fim?
─ Mas eu cumpri com o horário da festa.
─ Mas você não ficou para despedir-se de todos.
─ Você queria que eu me despedisse de todos? Um por um? Eu
iria ficar lá o resto do outro dia. Afinal, eu disse que ficaria lá até o
último segundo e fiquei até o ultimo segundo, ou seja, minha parte eu
cumpri. Então vim para casa, pois eu já estava apertado.
─ Mas no colégio tem banheiros.
─ Você acha que eu iria ao banheiro com aquela criatura a solta?
─ Mas a criatura disse que nos deixaria em paz para aproveitar a
festa hoje. Aquilo era apenas um aviso.
Alex parou no momento, virou seu rosto e fixou olhando sério
para sua mãe por alguns segundos.
─ Está bem. Você está certo, não é seguro confiar na palavra de
uma criatura esquisita e desconhecida que é uma ameaça para o
colégio atualmente.
Ouvindo isso voltou a caminhar em direção ao banheiro
48
normalmente.
─ O que vai fazer agora? ─ Perguntou a Alex.
─ Tomar banho.
─ E o que vai fazer depois?
─ Obviamente dormir. É mais um dos motivos de eu ter vindo
para casa antes.
─ Então boa noite!
─ Boa noite! Mas cadê o pai?
─ Já foi dormir.
─ Pelo menos um que me entende.
─ É, mas ele dormiu cedo porque terá que acordar cedo por
negócios, sabe? Assuntos importantes como detetives.
─ Ah! Entendi, mas você não acha que é perigoso mexer com
isso? Lembrando-se do aviso que a criatura nos deixou. E nós não
sabemos nem quem está por trás disso, ou seja, não sabemos o que
essa pessoa é capaz de fazer, depois de tudo isso.
─ Para isso que servem detetives. Não se preocupe. Se a criatura
fosse realmente poderosa, você acha que ela teria mandado ninguém
se intrometer nisso? Ou seja, tem medo de ser descoberto.
─ É mesmo! Você é mais esperta do que eu pensava.
─ De quem você acha que puxou a inteligência? Do seu pai? ─
Perguntou ironicamente ─ Boa noite! Agora quem vai dormir sou eu.
─ Boa noite, mãe!
Depois de seu banho, foi direto para seu quarto, colocou seu
49
pijama e apagou a luz, deixando somente a luz do abajur, que ficava
em cima de um criado-mudo ao lado de sua cama, aceso. Deitou-se
em sua cama, direcionando sua mão para apagar a luz do abajur,
conseguiu tirar a criatura de sua mente naquele momento. Parou
olhando para a parede vendo seu quadro de quando ainda era
pequeno, não havia nem começado a estudar na época. E lentamente
virou seu rosto olhando para o espelho e em seguida olhou para a
janela vendo a lua e as estrelas. E com um profundo suspiro desligou
o abajur e assim dormiu.
Havia sido uma noite tranquila para Alex, pena que nem todos
tiveram a mesma sorte. Susan ainda traumatizada teve pesadelos
aquela noite, Rachel também teve pesadelos, mas os dela eram
diferentes. Concluindo, Rachel e Jade tiveram mais uma noite difícil.
Enquanto Vick, Kelly, Jeorge e Browds tiveram uma noite normal,
assim como qualquer outra noite. Elas não entendiam o que estava
acontecendo naquelas últimas duas noites. O que elas não esperavam
é que em breve entenderiam, nem que fosse do modo mais difícil,
mas de algum jeito entenderiam.
Só não estavam mais preocupados, pois conseguiram tirar de
suas mentes as perguntas que não se calavam na mente de outros: ─
Quem é a “criatura”? Quem seria esperto o bastante capaz de fazer
tudo isso? Como fez todos esses efeitos? Qual seu objetivo? Por quê?
A pessoa só podia estar muito zangada ou precisando muito de algo
50
para fazer isso tudo. ─ Alguns dos alunos presentes na festa tinham
vontade de investigar por conta própria, mas temiam a ameaça que a
“criatura” deixou como aviso durante a cerimônia, logo perdiam a
vontade de investigar e faziam como os outros, esperavam até que
um detetive descobrisse tudo e desse as respostas para todas essas
perguntas em breve. Enquanto outros, como Alex, Jade e Rachel, que
tinham mais coisas mais sérias para preocuparem-se, no momento,
nem lembravam que a tal criatura existia.
Cada um teve sua noite, embora para uns tenha sido difícil e
para outros, mais tranquila, e outros, confusa. Mas o objetivo de
todos era ter a resposta para todos esses problemas, embora os
problemas de cada um fossem diferentes. E alguns problemas só
tinham resposta, mas não tinham solução.
51
< Capítulo Quatro >
Uma invenção inovadora
Ao acordar, Alex levantou-se ainda sonolento, trocou de roupa e
caminhou em direção ao banheiro passando em frente à cozinha
onde viu sua mãe preparando o café-da-manhã.
─ Bom dia, Alex!
─ Bom dia, mãe.
─ É melhor apressar-se, o café-da-manhã já está na mesa.
─ Ok.
Correu para o banheiro bem animado, lavou seu rosto, escovou
seus dentes. Enxugou o rosto e olhou para o espelho dizendo:
─ A vida continua!
Em seguida correu para a cozinha pegando o que levaria para
comer.
─ Mãe; estou indo para meu laboratório e já vou comer lá.
─ Mais uma invenção?
─ Não.
─ Ah! Porque depois daquele seu espelho mágico que te mostra
à realidade por trás de algo, nunca se sabe o que você pode criar
agora. E por que você não usa aquele espelho para desvendar o caso
da “criatura”? Pode poupar o trabalho dos detetives.
52
─ Não é um espelho mágico, é um espelho realista, bom para
pessoas iludidas, é apenas um estimulo reflexivo que faz a pessoa
enxergar uma situação por outra lógica. Mas não serve para este tipo
de caso.
─ Certeza?
─ Obviamente. Fui eu mesmo que criei.
─ Mas o que você vai fazer?
Alex que já estava caminhando em direção a seu quarto, parou
ao estranhar a pergunta.
─ Por que a pergunta?
─ Por nada, só gostaria de saber o que meu mocinho anda
fazendo.
─ O de sempre.
─ É este o ponto que eu gostaria chegar, o que você sempre faz?
─ Checar se o sistema está tudo em ordem e utilizá-lo para o que
eu precisar. Mas hoje vou apenas acrescentar mais um cérebro ao
sistema.
─ Como? ─ Perguntou estranhando tal tecnologia.
─ Fácil. Analisar, estudar, equipar e acrescentar mais uma
máquina a ele.
─ Mais uma? Você já deve ter umas catorze que eu me lembre.
─ Uma décima quinta sempre é bem vindo. Mas por que a
pergunta? Você sabe muito bem pra que serve um laboratório.
─ É que não são todas as mães que tem um filho de quinze anos
53
que utiliza uma passagem secreta para chegar ao próprio laboratório
secreto no subsolo da casa.
─ Ah, mãe! Relaxa, isso é normal.
─ Sério? Então me diga alguém que você conheça que tenha
tudo isso.
Alex pensava estar com a resposta na ponta da língua, mas
realmente foi pego desprevenido, até esforçou para pensar em
alguém que servisse como exemplo.
─ Browds também tem um.
─ Mas o dele é mais teórico, diferente do seu.
─ É… ─, mas quando ameaçou falar ─ ah!…
─ Desenho animado não conta ─ interrompeu-o avisando.
─ E o…
─ Não, tem que ser vida real, realidade, alguém que você
conheça.
─ Ninguém ─ ofegou desistindo.
─ Viu? Era exatamente disso que eu estava falando. Mas deixa
isso pra lá, pode ir. E boa sorte, seja o que for que irá fazer.
Até aquele momento, continuava sem lembrar-se da “criatura”,
tinha algo mais importante em mente, nem imaginava que desse algo
importante surgiria algo mais importante ainda. Assim como
Colombo antes de descobrir a América. Chegando ao seu quarto,
fechou a porta, abriu seu guarda-roupa e pegou um tipo de controle,
apertando um de seus botões, fez projetar na parede um desenho
54
holográfico de um armário e puxou desse desenho uma gaveta oculta
camuflada na parede, uma gaveta mais parecida com uma prateleira,
onde havia um de seus notebooks. Ativando uma de suas funções
colocou a senha e sua cama inclinou-se ficando totalmente inclinada,
com sua parte inferior para frente. A parte do chão que ficava sob o
inferior da cama servia-lhe de plataforma e o inferior da cama
continha alguns botões que moviam a plataforma o que tornava sua
cama além de um móvel confortável, um elevador. Alex fechou a
gaveta, desligou o holograma e aproximou-se da cama sobre a
plataforma, levando o controle.
Em seu laboratório, depois de terminado seu café-da-manhã,
ainda animado, já havia analisado e estudado o computador, mas ao
equipá-lo, parou lentamente lembrando-se de um detalhe que havia
percebido ao analisar e estudar especialmente o Hard Disk.
Surpreendeu-se com a hipótese que acabara de surgir em sua
mente, mesmo achando que era apenas sua imaginação que estava
criando coisas.
─ Não acredito! Não pode ser. Será que é possível? ─ Eram as
únicas perguntas que surgiam em sua mente. Largou a peça que
estava segurando e exclamou:
─ Agora que surgiu a hipótese, vou trabalhar nisso, nem que eu
tenha que dedicar o resto de minha vida a isso. Se eu morrer antes de
conseguir, os cientistas encontrarão a hipótese e darão continuidade a
este projeto ─ pensou bem e corrigiu-se ─ ah, não. É melhor que
55
não saibam disso nunca, não daria certo em mãos erradas,
principalmente quem está por trás da criatura. Nossa! É um bom
modo de escapar dessa… “criatura”. Agora passarei a trabalhar nesse
projeto secreto, e esse será o nome do projeto: Projeto Secreto, isso
pode confundir a cabeça de alguém, mas e daí? Que idiota se
confundiria com esse nome? O novo rumo de minha vida será o
Projeto Secreto. Legal! Até rima, gostei. Projeto Secreto; lá vou eu! ─
afirmou com clareza.
Passou o resto do dia em seu laboratório, tinha alguns
suprimentos guardados lá, assim não precisou subir para almoçar.
Faltando poucos minutos para meia noite, ouviu-se por um dos
computadores, sua mãe o chamando.
─ Alex? Você ainda está ai?
─ Sim.
─ Ah! Não te vi o dia todo. Não vai jantar?
─ Vou sim. Prepara meu prato que eu já vou buscá-lo.
─ Vai comer aí novamente? Você nem almoçou, está aí o dia
todo.
─ Eu já almocei.
─ Menos mal. Vai dormir ai hoje também?
─ Talvez.
─ O QUE?
─ É… Não sei.
─ Se você dormir será melhor para seu desempenho.
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─ Você deve estar certa.
─ Você deve estar certa? Isso me lembra Vick e Kelly.
─ Eu disse isso? Acho que estou andando muito com aquelas
duas. Deve ter sido a festa de ontem, ou podem ter colocado algum
remédio delas na minha bebida.
─ Você deve estar certo.
─ Mãe!
─ Brincadeira. Mas falando nisso, o que você está fazendo pra
demorar tanto?
─ É uma invenção.
─ Nossa! Melhor que a do espelho?
─ Se der certo sim.
─ E porque você não chama Jeorge e Browds?
─ É mesmo! Apesar de que Jeorge vai estar ocupado esses dias,
mas Browds obviamente vai me ajudar nisso. Ele disse que viria,
quando ele aparecer qualquer hora me chame.
─ Ok.
Alex havia criado várias passagens secretas para cada canto da
casa, usando uma delas chegou até a cozinha, e depois de jantar
voltou a seu quarto, desfez o seu “elevador” para dormir em sua
cama, mas antes ajustou seu despertador para acordá-lo cedo.
De manhã, já estando trabalhando no Projeto Secreto, estava
tentando usar mais que sua inteligência, pois achava que o tanto de
57
inteligência que era disponível pelo cérebro para o ser humano não
era o suficiente. Até que para seu alivio ouviu Browds chamá-lo,
afinal dois cérebros trabalham melhor que um. Mas Alex teve uma
pequena dificuldade em fazer Browds acreditar em tudo o que havia
planejado, pois realmente parecia impossível, ficção, piada ou até
alguma pegadinha.
─ As chamas da criatura fritaram seu cérebro?
─ Mas é verdade, eu já estudei tudo e comprovei que é possível.
─ Se nós fossemos desenho animado eu até acreditaria ─
Browds ironizou.
Alex suspirou desanimando com o realismo e a falta de
esperança de Browds, parando pensativo sem dizer uma palavra
lembrou-se de o que fez chegar a essa descoberta e o que fez
acreditar que esse projeto era possível.
─ Só um minuto, não saia daí ─ disse Alex correndo para pegar
seus cálculos e anotações. Entregou as provas anotadas em um papel.
─ Meu cérebro também deve estar se desfazendo, pois
realmente tem possibilidade ─ no momento seu olhar desconectouse da realidade, apontando para o papel afirmou com ansiedade ─ eu
podia até pensar que você inventou qualquer coisa e escreveu neste
papel para me convencer, mas são hipóteses com informações reais.
─ E então? ─ Perguntou para ver a conclusão de Browds.
─ Ainda não me convenceu ─ afirmou.
─ Sério? ─ Alex suspirou.
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─ Não ─ ironizou, vendo que Alex tornou a animar-se,
prosseguiu: ─ Por que está olhando para mim ainda? Vamos terminar
isso logo.
Passaram a semana inteira trabalhando no Projeto Secreto,
parando somente para comer, dormir e ir ao banheiro (óbvio),
Browds teve que dormir na casa de Alex durante aquela semana,
enquanto Rachel, Jade, Vick e Kelly estavam preocupadas
estranhando o desaparecimento deles. Quando visitavam Alex,
sempre recebiam a mesma resposta “Alex e Browds estão mais que
ocupados trabalhando em algum projeto, mas logo que estiverem
disponíveis entram em contato".
A única razão de não estarem mais preocupadas é porque
estavam seguras de que eles estavam vivos. Qualquer coisa que
acontecesse, elas poderiam achar que tinha alguma ligação com a
“criatura”, achariam que a “criatura” estaria envolvida de alguma
forma.
No final daquela longa semana, conseguira terminar com êxito
junto a Browds, a evolução de sua descoberta, o protótipo de sua
criação. Para que realmente se emocionassem faltava apenas aprovar
o projeto após o período de testes. Apreensivos, com seus corações
apertados temendo que todos seus esforços tenham sido em vão.
Mas de uma coisa tinham certeza, se dessa vez não desse certo,
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serviria de lição para as próximas tentativas até conseguirem. Mas
quanto mais cedo conseguissem, melhor seria. Os testes também
foram concluídos com êxito. Quase emocionados, iniciaram a
segunda etapa do projeto: o processo de criação e organização do
que criaram. Era como um jogo de computador; tinham de organizar
e programar todas as informações. Era mais parecido com um
computador, mas era inovador. Este processo durou apenas seis dias,
no sétimo dia descansaram usando para analisar se estava tudo em
ordem, desfrutando de tudo que criaram e viram que tudo isso era
bom. Com muito orgulho aprovaram sua criação. Deixaram tudo
preparado, eles pretendiam explicar a que dedicaram todo seu tempo,
para todos que estavam preocupados.
No dia seguinte, chamaram todos, ou seja, seus pais, Jeorge e
seus pais, que já haviam voltado de viagem, Rachel, Jade, Susan, Vick
e Kelly para que melhor pudessem explicar e demonstrar sua criação.
E quando todos estavam presentes na sala sem saber do que se
tratava, entreolhavam-se e sussurravam, mas logo ficaram de olhos
atentos ao verem se aproximando Alex segurando seu notebook e
Browds carregando algo coberto por um pano vermelho e colocaram
sobre uma mesa. Todos estavam em silêncio, atentos na coisa
pequena com formato retangular que de vista lhes parecia uma
caixinha, mal sabiam eles que a coisa era seu novo projeto, na
verdade, alguns nem sabiam que estavam trabalhando em um. Não
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estavam entendendo nada, pois Alex mexia algo em seu notebook,
digitava e clicava, digitava e clicava, mas ninguém entendia o que
estava fazendo. Até que perceberam que ele havia parado de digitar.
Alex com seus dedos na posição de digitação parados no ar; virou
seu rosto lentamente para trás e em seguida virou o resto de seu
corpo, caminhou de um lado para o outro apontando seu dedo para
todos também lentamente.
─ Eu lhes aviso: tudo que ouvirem aqui, não sairá daqui. Está
entendido?
─ Sim ─ responderam em coral.
─ O que criamos foi criado para aproveitarmos e não para
gabar-se, portanto tudo que virem e ouvirem aqui não sairá daqui.
Deixei bem claro?
Sem palavras, de olhos bem abertos espantados balançaram a
cabeça positivamente.
─ Perfeito. Primeiramente vamos lhes mostrar e em seguida
explicaremos sobre essa criação e explicaremos seus objetivos. O
Projeto Secreto ─ fechando a expressão do olhar girou virando-se
para todos ─ vocês devem ter alguma idéia do motivo de chamar-se
assim, não é?
Novamente balançaram a cabeça positivamente assustados.
─ Certo. O Projeto Secreto, ao qual dedicamos todo nosso
tempo e esforço para…
Foi interrompido pela campainha.
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Todos olharam para a porta ao ouvirem o som da campainha. A
mãe de Alex levantou-se:
─ Deixa que eu atendo ─ caminhou em direção à porta, vendo
que era seu pedido, então gentilmente mandou-o entrar ─ Michael!
Susan! Entrem.
─ Eu trouxe o jornal da escola que a senhora pediu.
─ Obrigada ─ após dar uma olhada na capa do jornal seguida de
uma discreta risadinha, ergueu o jornal para Alex. ─ Veja só, não está
perfeito?
Alex no momento fez a mesma cara que ele estava na foto,
espantado com os olhos arregalados, lembrando-se que Susan havia
tirado a foto naquele momento. Com um olhar não satisfeito para
Susan, ela deu uma risadinha para disfarçar.
─ Claro; Perfeito.
─ Este é o primeiro exemplar, em primeira mão, tem até uma
parte sobre a “criatura” e… ─ percebeu a presença de todos ao seu
redor ─ parece que chegamos na hora certa, é alguma festa, reunião
de negócios ou assuntos de família? ─ indicando a porta Michael
avisou ─ porque seu eu estiver atrapalhando eu posso…
─ Não, não, não. Pode ficar. E respondendo a sua pergunta,
nem um e nem outro, a única coisa que acertou é que chegou na hora
certa.
─ Ah! Legal!… Mas por quê?
─ Estávamos prontos para mostrar algo que ninguém nunca viu
62
antes.
─ E… ─ ameaçou perguntar algo, mas Alex o avisou antes.
─ Desenho animado não conta, tem que ser vida real, realidade.
─ Eu juro que já vi essa cena antes ─ murmurou Alice.
─ Mas se você realmente quiser ver terá que fazer o juramento.
─ Nossa! ─ Espantou-se com a restrição para sigilo absoluto ─
Tem certeza de que isso tudo é realmente necessário?
─ Isso está começando a parecer brincadeira de criança ─
afirmou Max.
Nervoso ao ouvir a pergunta, bateu a mão fechada sobre a mesa
e o respondeu aproximando-se dele.
─ Lógico que é necessário. Não se trata de qualquer coisa, mas
sim de algo que irá mudar, não só a nossa vida, mas também a vida
de quem Browds e eu escolhermos. Agora por favor, me tragam uma
bíblia.
Mas Browds não entendeu o objetivo do pedido:
─ Bíblia? Por quê? Vai dá-lo o sermão da montanha?
─ Aguarde. Breve verá.
Enquanto sua mãe levantou-se para buscar o que havia pedido,
Kelly comentou à Vick:
─ Ouviu isso Vick?
─ O que Kelly?
─ Alex agora é um pastor.
─ Se ele é um pastor, todos nós somos ovelhas. Veja, Jeorge é a
63
ovelha negra.
─ E Browds a ovelha perdida ─ Rachel aproveitou ironizando.
─ Agora, você, Rachel, Jade, Susan e eu somos as ovelhas
branquinhas, fofinhas e macias.
─ Você deve estar certa ─ afirmou Kelly.
─ Não devem. Estão ─ Rachel confirmou.
─ Dessa vez as duas tem razão ─ Jade concordou.
─ Elas não mudaram nada ─ comentou Michael.
─ Pode ter certeza ─ e assim recebendo a bíblia em suas mãos
ordenou a Michael ─ agora, sem perder tempo, coloque sua mão
direita sobre ela, ou vice-versa. ─ e Michael obedecendo, concluiu ─
Jura dizer a verdade, somente a verdade, nada além da verdade?
─ Juro.
─ O que? ─ Browds estranhou.
─ Ah! Foi mal, vamos novamente ─ corrigiu-se Alex ─ Jura que
o que ouvir aqui, será comentado somente aqui e não sairá daqui?
─ Sim, juro.
─ Certo. Então senta ali e fica quieto.
─ Mas e a Susan, não precisa fazer o juramento?
Mas antes que Alex pudesse responder, todos responderam:
─ Não!
Michael assustado comentou:
─ Está bem… pode continuar.
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Virando-se para seu projeto, tirou o pano que o cobria e
novamente virou-se para todos perguntando-lhes:
─ O que é isso?
Imediatamente Michael ergueu a mão, Browds olhou para todos
como se não estivesse o percebendo de mão erguida ─ Alguém ai
sabe?
─ Um Hard Disk. E daí? ─ afirmou Rachel com uma voz de
tédio.
─ Um Hard Disk? Eu ia dizer que era uma carteira de luxo ─
murmurou Michael, enquanto estranhavam sua resposta.
Na verdade, ninguém sabia o que era, pois naquela época não
existia tal tecnologia, o fato de Alex e Browds conhecerem e
possuírem tecnologia futurística fazia parte do segredo de sua
superinteligência. E Rachel apenas conhecia, pois já apresentaram
seus laboratórios a ela.
─ Certo. Um Hard Disk. Mas vocês acham que eu chamei todos
vocês aqui para tomarem conhecimento sobre o inferior de um
computador? Para dar uma palestra sobre como funciona um Hard
Disk?
─ Sim? ─ Perguntou Vick em voz baixa.
─ Não! Se eu tomei o precioso tempo de vocês significa que isso
não é apenas um Hard Disk ─ olhando para todos, que no momento
estavam espantados e atentos, afirmou ─ Darei uma demonstração
do que estou dizendo. Será apenas uma introdução, apenas como
65
iniciativa ─ concluiu dirigindo-se a seu notebook. Na tela apareceu
um cenário e um personagem interagindo sobre ele.
─ O computador mesmo sendo uma maquina, é um mundo
onde vivemos em terceira pessoa. Você não clica, usa algo para clicar,
o mouse; Você não digita, usa algo para digitar, o teclado. É disso
que estou falando, ─ apontando para a tela do notebook onde estava
o cenário com o personagem interagindo, perguntou ─ estão vendo
isso? E se vivêssemos tudo isso em primeira pessoa?
Todos se entreolharam estranhando, cochichavam, sussurravam
e comentavam, e Alex percebendo isso pediu:
─ Browds. Por favor. Conclusão.
─ Seriamos transformados em informações, em kilobytes,
Megabytes, Gigabytes ou o quanto for preciso. E se voltássemos para
Terra, voltaríamos ao normal e ao voltar a este mundo, seriamos
transformados novamente.
─ Este mundo? Vocês criaram uma subdimensão? ─ Exclamou
Rachel levantando-se assustada.
─ Sim, uma subdimensão que por enquanto possui apenas um
planeta, um mundo ─ afirmou lhes sorrindo e em seguida conferiu ─
estão acompanhando o raciocínio?
Na mesma hora, todos impressionados bateram palmas.
Enquanto Rachel, novamente, seus olhos desligaram-se da realidade,
pensativa com a expressão do olhar assustada e confusa, no mesmo
instante Jade sentia algo em sua cabeça, era como se levasse pontadas
66
em seu cérebro, imediatamente percebeu a reação de Rachel que
ainda estava pensativa, sentia e entendia o que estava acontecendo.
─ Agora devem estar pensando: como chegaremos lá? Pela tela
do monitor? Não, acho que não caberíamos! Talvez colocando algum
tipo de óculos bizarro que dê a impressão que estamos vivendo fora
da realidade? Não, isso não é uma impressão ─ conclui falando sério
e olhando para todos.
─ Então como?
No mesmo instante que Michael perguntou, Alex tirou um tipo
de caneta metálica prata, mostrando a para ele.
─ O que isso lhe parece?
─ Uma caneta.
─ Isso é o que vamos ver agora ─ afirmou virando-se para o
“HD”, conectou-a diretamente nele, e virando-se para seu notebook
começou a digitar novamente. Terminando, desconectou a caneta.
─ Vamos ver a função desta caneta.
Dando impulso, puxou sua mão para trás e fez um movimento
giratório com a caneta, subitamente rápido, esticou seu braço para
frente mirando a parede e dizendo: Abre-te Sésamo. De um raio de
luz azul que saiu da “caneta”, abriu-se um portal na parede. Todos
estavam admirados e assustados, mas só viram o portal após tirarem
as mãos de frente dos olhos, pois o raio de luz havia sido muito forte.
Dirigiu-se para frente do portal apresentando lhes com clareza:
─ Eis aqui o Portal Secreto.
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─ Pra canetinha ai funcionar é só dizer Abra-te Sésamo?
─ Não. Na verdade, não precisava dizer nada, foi só uma frase
de efeito. Mas isso é o que nos levará a este mundo e logo… ─ então
foi interrompido por Jade.
─ Alex! ─ levantou-se e cochichou ─ Vamos para seu quarto,
tenho que te contar algo.
No momento, Alex olhou para Kelly, em dúvida.
─ Não se preocupe, Kelly sabe do que se trata.
─ Isso é realmente necessário?
─ Claro que sim, se não fosse necessário, não teria te chamado.
─ Mas é tão importante assim?
─ Cala a boca e vem logo ─ ordenou puxando-o pelo braço.
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< Capítulo Cinco >
Novo mundo, nova História
Já estando em seu quarto, Jade tentava pensar um jeito de
começar a explicar.
─ Aproveitando que o assunto é coisas sobrenaturais, anormais,
fora do normal. Depois de você ter descoberto e criado esta
dimensão, suponho que você passou a acreditar que muitas outras
coisas são possíveis…
─ Oh, oh, oh, oh ─ a interrompeu silenciando-a com seu dedo
indicador ─ só porque eu provei uma teoria quase impossível, não
significa que acredito em todas as teorias impossíveis.
─ Eu sei. Você entendeu o que eu quis dizer! ─ em seguida
prosseguiu sua explicação ao ver Alex respondendo positivamente
com a cabeça ─ Rachel e eu…
─ É algo sobre relacionamento?
─ Não. E o que isto tem a ver com sobrenatural?
─ Não sei, eu não sei do que se trata. Afinal agora é difícil saber
o que é possível e o que é impossível.
─ Se não sabe do que se trata cala sua boca e apenas afine seus
ouvidos. E enquanto eu estiver explicando ─ e assim concluiu cada
palavra lentamente ─ FICA QUIETO E NÃO COMENTA, a não
69
ser que eu permita.
─ Ok. Entendi… A palavra é sua agora. Pode começar.
─ Obrigado ─ agradeceu acalmando-se para continuar sua
explicação. ─ Acredita em dons especiais? ─ percebendo que Alex
não respondia chamou sua atenção ─ Alex, estou falando com você.
─ Ah! Foi uma pergunta, não é? Depende de que tipo de dons
estiver falando.
─ Certo, mas no que você estava pensando? ─ e ao olhar para
seus olhos disse ─ não precisa dizer, pois eu sei que você não ia dizer
mesmo. Só não te bato agora porque não terminei a explicação.
Alex estranhava não entendendo do que ela estava falando.
─ Está bem, vou ser direta. Eu agora tenho o dom de telepatia e
Rachel é vidente. Pronto, falei.
Alex apresentava uma expressão espantada em seu rosto.
─ Parece loucura, mas… ─ interrompeu sua fala ao perceber
que Alex estava soltando algumas risadas abafadas, mas em seguida
não aguentando mais segurá-la, caiu na risada.
─ Jade, ─ falou tentando parar de rir ─ eu sei que o lance de eu
ter criado uma nova dimensão é estranho e sinistro, mas não precisa
levar por esse lado.
─ Eu sabia que você não acreditaria se eu dissesse diretamente.
Foi por isso que eu vim falar com você, porque eu posso provar na
hora, já Rachel não consegue “prever” a hora que pode provar.
─ Ela não consegue prever a hora que vai prever?
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─ É… isso aí. Agora eu vou prová-lo. Pense em qualquer coisa.
Então seu olhar centralizou-se nos olhos dele, esforçou não
apenas seu olhar, mas também sua mente.
─ Uma letra, um número e uma palavra.
Alex estava ficando preocupado, mas não demonstrou isso em
seu rosto, mas sim insatisfação.
─ Calma, não terminei ─ continuando seu esforço visual
comentou ─ parece até senha: A3Bacon.
Agora Alex estava espantado, mas em seu rosto continuou
demonstrando insatisfação.
─ Nossa! Como fui boba, claro que parece uma senha, pois é
uma senha. É a senha para entrar em seu laboratório.
Agora Alex além de espantado e preocupado, desviou seu olhar,
desesperado.
─ Droga, andou me espionando, não é?
─ Não; E agora você está me xingando por pensamento. Mas foi
você quem pediu ─ então continuou sua sessão de amostra grátis
para deixar claro que não se tratava de uma farsa ─ interessante…
então você tem um controle remoto do seu quarto que está em… seu
guarda roupa!
Alex olhou para seu guarda-roupa, em seguida olhou pra ela,
com uma expressão desesperada, querendo que ela parasse, pois sabia
que seus segredos estavam sendo arruinados.
─ Esperto; muito esperto… ─ disse ela aproximando-se da
71
parede e passando a mão sobre ela ─ então aqui se encontra uma
gaveta oculta, você digita a senha e… ─ mostrou esforçar sua mente
como se não conseguisse mais informações, percebendo que Alex
aliviava-se ao pensar que havia cedido, então olhou para a cama dele
e exclamou animada ─ Sua cama se transforma num elevador? Que
demais! E parece que…
─ CHEGA! ─ Gritou Alex satisfeito seguido de um suspiro não
suportando mais, mas continuava confuso a respeito disso.
─ Finalmente.
─ Mas não entendo; Por quê? Como? Quando?
─ Se você que é o gênio não entende e agente então? Por isso
decidimos falar com você, mesmo não entendendo, você poderia
estudar isso melhor. E a Rachel teve uns sonhos estranhos, tipo…
─ Espere; depois eu chamo vocês para explicarem melhor, agora
o assunto é o Mundo Secreto. Vamos logo, ainda devem estar
esperando.
Voltando a sala.
─ Voltei, agora deixarei que vocês conheçam pessoalmente o
Mundo Secreto.
Assim todos se levantaram empolgados, um pouco preocupados,
mas confiavam na palavra de Alex.
─ Ao passar pelo Portal Secreto não sentimos nada? Tipo na
hora de transformar realidade em códigos binários? ─ Perguntou
72
Michael preocupando-se antecipadamente, antes de atravessar o
portal.
─ É como passar por uma porta aberta. Nós também pensamos
nisso e nos lembramos do modo mais difícil.
─ Obrigado ─ agradeceu seguindo em direção ao portal
atravessando-o.
Todos admiraram a beleza do local, além deles não havia mais
ninguém. Aproveitaram e se encantaram muito com aquilo. Alex e
Browds orgulhavam-se da reação de todos. Na hora de voltar, Alex
ativou o Portal Secreto, mas antes que todos atravessassem, ele tinha
um aviso, então Browds e ele falaram um seguido do outro,
alternadamente.
─ Antes de voltarem tenho um aviso ─ iniciou Alex.
─ Sugiro que prestem muita atenção para o que vão ouvir ─
continuou Browds.
─ O Mundo Secreto, é excelente e impressionante, mas não é
como um parque de diversões, que você aproveita um dia ou outro e
volta para casa para retornarem… só Deus sabe quando, pois…
─… Este será o novo lar de vocês, portanto…
─… Preparem…
─… Suas…
─… Coisas e…
─… Bem Vindos ao seu…
─… Lar doce lar! ─ Disseram ao mesmo tempo erguendo as
73
mãos, uma para cada lado mostrando as grandezas ao redor, cujo eles
já haviam visto e aproveitado.
Rachel então ironicamente começou a bater palma.
─ Parabéns! Quanto tempo vocês demoraram ensaiando isso?
Os que estavam presentes trouxeram parentes, muitos parentes,
pai, mãe, irmãos, primos, tios e outros. Depois de três dias habitando
o Mundo Secreto, chegou o dia de criarem seus documentos para
identificarem-se como Secretos ─ habitantes do Mundo Secreto, por
motivo de uma lei que seria lançada. Só receberia este documento,
em quem fosse aplicado um novo tipo de sangue, que Alex e Browds
criaram com o objetivo de identificar quem era realmente Secreto. Já
nele e em Browds aplicou um tipo diferencial dos outros, para
identificarem que eram os criadores, mas o de Alex, sem ele perceber
era diferente do de Browds. Mesmo sendo substâncias iguais, ao
misturarem-se
com
sangues
diferentes,
automaticamente
se
alteravam. A substância aplicada no sangue de todos era a chamada
substância S e a deles que era diferente era a X-S. O Sangue de Alex
era A+ (positivo), e de Browds era B+, misturando-se a substância
X-S o sangue de Alex passava a ser X-AS+ e o de Browds X-BS+,
que sem eles saberem tornavam as substâncias diferentes uma da
outra. Neste dia todos estavam presentes reunidos; Alex, antes de
iniciar o processo da aplicação da substância S, iniciou seu discurso.
─ Todos que estão presentes aqui, devem saber por qual motivo.
74
A nova lei, que proíbe a transportação de Secretos para a Terra e de
terrestres para o Mundo Secreto. Não é a toa que o nome é Mundo
Secreto. Por este mesmo motivo… ─ antes de terminar o que estava
dizendo foi interrompido pelo susto na expressão dos rostos
desesperados de todos. Imediatamente, Alex também assustado
virou-se para trás e para sua surpresa, lá estava a “criatura” parada no
ar, esguichando fumaça por de baixo de seu manto negro, com seus
olhos redondos vermelhos e brilhantes.
A “criatura” aproveitou que todos estavam assustados e
paralisados de medo, para novamente fazer uma pequena
demonstração de seu poder. Colocou sua mão sobre sua outra mão
fechada e ao abrir foi lançada para o alto dos céus uma bola de fogo e
durante a queda foi adquirindo mais velocidade e força de impacto.
Todos se afastaram desesperados ao verem a bola de fogo vindo ao
chão e criando um circulo de fogo nele.
─ Acharam que podiam fugir de mim ─ afirmando isso, ele
estralou os dedos e todos logo viram o circulo de fogo preenchendose em chamas. E ao olharem para a criatura, havia desaparecido em
um de seus jatos de fumaça, e assustaram-se ao vê-la sair do meio das
chamas flutuando em pé no ar ─ Não vou fazer nada, pois não
mexeram no colégio ─ desceu de volta para o circulo em chamas,
onde só podiam ver sua silhueta por trás do fogo e ouvir sua voz
dizendo ─ Não se preocupem, não vou fazer nada com vocês porque
sei que a intenção de vocês não foi essa. Mas só estou aqui para um
75
único aviso: NINGUEM FOGE DE MIM, NÃO IMPORTA PARA
ONDE VÁ! ─ Após afirmar isso, o fogo apagou-se e ela não estava
mais lá. Todos se entreolharam assustados. Alex recuperou o fôlego e
tentou acalmar a todos para continuarem.
─ Voltem ao que estavam fazendo, fila para os diferentes tipos
sanguíneos, faixa azul A… ─ estava com pressa, não conseguia
terminar de informá-los, então solicitou ajuda: ─ Jade, termine aqui,
por favor, ─ entregando o microfone a Jade, correu em direção a
Rachel e sussurrou a ela ─ você vem comigo.
Levou-a até sua casa, e ao seu novo quarto no Mundo Secreto; e
ela logo estranhou um pouco.
─ Porque tem uma geladeira em seu quarto?
Ele não respondeu nada, apenas dirigiu-se a um quadro que
havia na parede, onde a cena continha um homem de terno e uma
mulher de vestido em um castelo, num cenário medieval. Então com
uma caneta que estava segurando tocou em determinados pontos do
quadro e em seguida o quadro dividindo-se em quatro pedaços
triangulares, abriu-se para os lados liberando um compartimento
secreto de metal. Lá havia um controle semelhante a um celular, mas
sem teclas, apenas uma tela. Alex pegou e novamente com a caneta
tocou os mesmos pontos do quadro, mesmo divididos e separados e
o quadro voltou ao normal. Então se dirigiu até a tal “geladeira”
abrindo-a, Rachel estava estranhando tudo aquilo, mas estranhou
76
mais ainda ao perceber que na “geladeira” não havia nada, era como
uma caixa vazia, mas era uma “geladeira” vazia, chegava a parecer um
elevador. Alex ao entrar abriu um pequeno compartimento que havia
camuflado e selecionando algumas coisas com a caneta sobre a tela
do controle e em seguida o depositou no pequeno compartimento,
virou-se para Rachel e fez um sinal com a mão chamando-a para
entrar. Ela um pouco assustada, entrou e Alex fechou a porta.
─ Alex, o que você está fazendo?
Mas novamente não a respondeu. Não suportando a falta de
explicação tentou abrir a porta, mas antes que pudesse tocá-la Alex
segurou seu punho balançando a cabeça negativamente. Ela retirou
sua mão e ficou olhando para o rosto dele que parecia não estar
ligando, e perguntou:
─ Então ao menos, me diga por que me trouxe aqui.
Continuou sem responder e cinco segundos depois a “geladeira”
apitou, ele logo abriu a porta e já estava em seu novo e mais
avançado laboratório Secreto, com a intenção de que ela o contasse
sobre suas visões, para ver se podia ajudá-la, pois isso ajudaria em
algo no Mundo Secreto. Alex silenciou-se e não a respondia para
deixá-la mais atenta e também para evitar que alguma informação
interferisse nas memórias dela. Ele saiu da cabine normalmente, mas
ela saiu caminhando lentamente observando tudo ao seu redor.
─ Onde estamos?
─ Sente-se ai.
77
Olhou para baixo, mas não viu onde sentar-se.
─ Onde? No chão?
─ Você é mais exigente do que eu pensava ─ ao afirmar, ergueu
sua mão para uma cadeira que havia a alguns metros dela, e assim a
cadeira moveu-se em direção a ela.
─ Como você fez isso?
─ Não é o mesmo caso que o seu e o de Jade. No meu caso, uso
a tecnologia para obedecer ordens de minha mente. Com certeza já
viu isso em filmes.
─ Sim. Mas porque não fez algo contra a criatura lá em cima.
─ Mas não é sobre isso que quero falar.
─ Então sobre o que?
─ Sente-se; Quero que conte suas visões que ainda não
conseguiu entender.
Ela sentou-se lembrando de suas visões, parecia preocupada e
não muito contente.
─ Acalme-se. Para facilitar é só fechar os olhos e ir dizendo a
primeira palavra que vier a cabeça, relacionado ao que lembrar.
Ouvindo as palavras de Alex, fechou os olhos tentando
concentrar-se em tudo aquilo que havia visto, enquanto Alex
aguardava pacientemente até que ela dissesse alguma palavra.
─ Calendário, dragão, erro… ─ foram suas primeiras palavras
pronunciadas, Alex ficou mais alegre de ter um resultado, mesmo
sendo um pouco estranho. Mas a interrompeu.
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─ Está bem, pode parar, por enquanto vamos usar somente
estas palavras começando da ultima. O que você se lembra sobre
erro?
─ Só me lembro de que durante a formatura, ouvi uma voz
gritando: “Ele ainda está vivo, mataram a pessoa errada”. Olhei para
os lados, mas estavam todos tranquilos e contentes como se não
tivessem ouvido nada, e não tinham mesmo, perguntei sussurrando a
Susan que estava próxima a mim, mas ela disse que não havia ouvido
nada.
─ Certo ─ mesmo preocupado demonstrou tranquilidade
voltando a perguntar ─ e o dragão?
─ Só me lembro de ter visto quando eu estava indo para sua casa
com Jade, Susan, Vick e Kelly. Minha mente puxou a atenção dos
meus olhos para aquele prédio próximo a sua casa, na hora vi um
dragão destruindo-o, gritei: Olhem, mas elas não viram nada mais
que uma rua com pessoas andando de um lado para o outro.
─ Ok ─ cada vez que ela explicava deixava Alex mais assustado
e preocupado. ─ E o calendário?
─ Eu achei que fosse tolice minha, porque fui contar o tempo
que você e Browds já estavam trabalhando nisso, mas quando olhei o
calendário, ele estava no ano de 75…
─ 1975?
─ Não, 75 mesmo, e quando você nos falou sobre o Mundo
Secreto, me veio uma dor ou pontada na mente, mas dessa vez eu
79
entendi, pois o ano começaria do zero aqui.
─ Não precisa dizer mais nada, apenas venha ─ chamou
levantando-se e caminhando em direção à “geladeira”.
─ Para onde vamos?
─ De volta para nossa terra.
─ Voltar para o planeta Terra?
─ Não, vamos voltar para você poder fazer seu documento.
─ Mas onde estamos?
─ Só para você ter uma idéia, nem estamos no mesmo país mais.
A tal “geladeira” como você chamou, é uma cabine que serve como
um transportador.
Continuando espantada entrou na cabine, mas as dúvidas ainda
não saiam de sua mente.
No dia seguinte, Alex procurou Browds para dizer o que
pretendia fazer a respeito.
─ Oh, oh, oh. Calma aí; só porque provamos…
─… uma teoria impossível não significa que acreditamos em
todas as teorias impossíveis ─ completou Alex ao mesmo tempo que
Browds.
─ Ei! Como sabia que eu ia dizer isto? Você disse que Jade lia
pensamentos e não você.
─ Eu disse a mesma coisa ao duvidar dela antes dela provar que
era verdade. E acabei me dando mal, ela descobriu senhas, passagens
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secretas e esconderijos.
─ Não sei… Como vou saber se não é algum tipo de
brincadeira?
─ Nós criamos uma subdimensão, E VOCÊ AINDA TEM
DÚVIDA? ─ Gritou Alex não tolerando a desconfiança de Browds,
e abaixando o tom concluiu ─ Certo, tudo bem. Você tem todo
direito de duvidar, mas se caso quiser comprovar vá até Jade e
pergunte a ela o que você estará pensando no momento. Quando
tiver confirmado, me procure, estarei ocupado tentando solucionar
alguns assuntos futurísticos que sua namorada previu ─ virou para
trás e caminhou retirando-se do local.
─ Alex.
Ouvindo Browds chamá-lo, parou virando-se para ele, mas sem
dizer nada.
─ Esses assuntos do futuro não são seus. São nossos. E se
alguém irá solucioná-los, esse alguém não será você. Seremos nós.
─ E quando você passou a acreditar tão repentinamente?
─ O modo que você ficou sério, não podia ser brincadeira e se
você levou isso à sério só podia ser coisa séria. O que me fez chegar à
conclusão que tudo isso era verdade.
─ Certo, mas não podemos perder tempo agora, temos que
descobrir coisas que irão acontecer após setenta e cinco anos…
AGORA.
─ Por que após setenta e cinco anos?
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Alex aproveitou a pergunta para explicar tudo a Browds.
Durante a explicação Alex percebeu várias mudanças na expressão
do rosto de Browds, como confuso, espantado e etc.
─ Ok. Mas como pretende fazer isso?
─ É ai que entramos, foi exatamente por este motivo que
chamei você, dois cérebros pensam melhor que um.
─ Entendi. É simples, se Rachel previu isso, será ela que nos
levará até isso.
─ Ah! Entendi a lógica, se a mente dela que previu, é da mente
dela que precisamos. Ou seja, estudaremos a mente dela e assim
criaremos algo com as informações adquiridas. Ela não pode prever
quando vai prever. Mas podemos ajustar nossa maquina e controlá-la
para usar qualquer hora.
─ Sim; Ou simplesmente com as informações adquiridas da
mente dela você acessará o computador central do Mundo Secreto e
criará uma maquina do tempo.
Rachel que havia acabado de chegar ao local, logo resmungou ao
ouvir a conclusão cientifica deles:
─ Ai, conversa de CDF, tô fora ─ e assim retirou-se.
Vendo isso, olharam um para o outro e correram atrás dela com
a intenção de iniciar os estudos.
─ Certo. Deixe-me ver se entendi. Vocês querem usar minha
mente para criar algo para viajarem no tempo? ─ perguntou Rachel
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um pouco insegura com o objetivo deles. Estava novamente no
Laboratório Secreto de Alex.
─ Não; Queremos apenas estudá-la ─ Alex corrigiu.
─ E como pretendem fazer isto?
─ Simples, coloque este capacete e fique quieta ─ resmungou
Browds.
As informações na mente dela eram mostradas na tela grande
central, aproveitaram para estudar, analisar e tirarem novas
conclusões com os dados adquiridos. Rachel não estava entendendo
nada, estava um pouco entediante para ela.
─ Em quanto tempo vocês acham que isso ficará pronto?
─ Provavelmente até uma semana ─ respondeu Alex.
─ Como você sabe enquanto tempo terminaremos? ─ indagou
Browds não entendendo, e no momento que perguntou percebeu
que Alex ainda segurando a caneta, parou o que estava anotando e
olhando para Browds respondeu:
─ Se estamos mexendo com o tempo, devemos ter noção do
tempo ─ e assim voltou a escrever.
Browds ainda não estava muito satisfeito com a resposta, mas
não perguntou mais, pois achou que deveria perguntar menos e fazer
mais, então olhou para Rachel e voltou ao que estava fazendo.
Browds confirmou que o palpite de Alex estava certo, pois
passaram apenas três dias e já haviam terminado. Contaram aos
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outros seus “planos para o futuro”, mas a mãe dele pareceu não ter
gostado da idéia ─ Pois o futuro quem faz é o presente ─, mas não
havia sido somente ela que não gostou. Então tiveram de explicar
melhor a eles.
─ VOCÊ É LOUCO? Você tem algum problema? E se você
morrer no futuro? ─ Gritou Kelly ainda não satisfeita com toda
aquela explicação, estava muito preocupada.
─ Calma; vocês nem vão notar minha ausência. Na máquina do
tempo é possível viver anos em um minuto ─ tentou tranquilizá-los,
mas só os deixou mais confusos.
─ Ele está certo, em um minuto ele pode fazer o que precisa.
Por exemplo: Ele vai pular setenta e cinco anos, mas quando ele já
tiver completado o que ele queria, é só ele voltar a este mesmo
laboratório lá no futuro, usar a máquina do tempo também lá no
futuro, fazendo voltar para um minuto depois da hora que partiu
daqui. É como se ele só estivesse fora por um minuto ─ explicou
Browds.
─ Mas se ele morrer no futuro não terá como usar a máquina do
tempo para voltar ─ murmurou Michael ─ são tão inteligentes para
fazer uma maquina do tempo e não pensaram em um detalhe tão
simples como esse.
─ Na verdade pensei sim, Michael… ─ Browds o desenganou.
─ Pensou? ─ Alex indagou não se lembrando de Browds ter
comentado sobre isso.
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─ Sim, se caso ele não voltar em um minuto, eu uso a maquina
do tempo colocando pra pular setenta e cinco anos, lá eu o
encontrarei ainda vivo e assim posso te trazer e volta. E com todo
esse processo no tempo será como se ele nunca tivesse morrido.
─ Ah! É verdade, Alex deve voltar um minuto depois porque se
ele voltar antes, nós teremos dois Alex.
─ Seria bom! ─ exclamou Susan, e na mesma hora o local ficou
silencioso, todos olharam para ela, principalmente Kelly. Susan estava
envergonhada com o que havia deixado escapar, mas demonstrava
espanto olhando para todos como se tivesse sido acusada de algum
homicídio. Com o olhar quase de choro tentou correr para se
esconder de vergonha, mas no mesmo instante Michael segurou em
seu pulso dizendo:
─ Não precisa correr; todo ser humano erra, mas o que você fez
não foi um erro. Se Kelly não gostou, o problema é dela, não seu.
Olhamos porque nos espantamos por você ter admitido, e…
─ Tá bom. Guarda o resto do discurso para depois, resolvam
isso quando eu voltar… ─ E em seguida Alex despediu-se de todos e
entrou na maquina.
─ Vocês devem pensar: Porque ele está se despedindo se vai
voltar em um minuto? Mas eu digo que vocês vão me ver após um
minuto, mas eu posso não ver vocês durante um longo prazo. Vamos
adiantar isso logo porque quanto mais rápido melhor…
─ Alex…
85
─ Diga Kelly.
─ Te amo ─ e olhando para Susan disse ─ suponho que Susan
queira dizer o mesmo.
─ Kelly! ─ Alex e todos disseram em coral.
─ O que foi? Foi apenas uma sugestão.
Susan olhou para Kelly e em seguida olhou para Alex, e apenas
para provoca-la tomou fôlego dizendo:
─ Sim, tenho algo para dizer.
─ Então diga.
─ Te amo demais ─ mandou um beijo com a mão ─ ah não,
melhor ─ e assim correu até Alex, abraçou-lhe dando um beijo em
seu rosto e em seguida concluiu sorrindo ─ quando voltar será
melhor.
Todos segurando a risada olharam para Kelly que estava com
seu rosto paralisado e seus olhos arregalados.
─ É… Desculpe gente, mas tenho que ir agora… ─ afirmou
Alex tentando fugir do problema o mais rápido possível.
─ Tchau, resolveremos isso daqui um minuto ─ afirmou Kelly
dizendo em seco, mal mexia a boca para falar.
─ É, Alex. Melhor se segurar no futuro, você já tem problemas o
bastante no presente ─ Rachel ironizou, pois sabia que uma hora ou
outra isso iria dar problema. Afinal, quem não sabia? Mas Alex ligou
a máquina e antes da porta fechar-se, exclamou com firmeza:
─ Que a História comece…
86
< Capítulo Seis >
75 anos depois
Ainda na terra, eu, Allan Santos, branco, olhos castanhos… ─
Isso está parecendo inscrição para site de relacionamentos ─, mas
não, uma empresa de serviços por assinatura, como TV, telefone e
internet. Chamada ANETi, havia me chamado para trabalhar com
eles, coincidência, justamente quando eu estava procurando emprego;
com certeza alguém se lembrou que eu estava procurando e resolveu
me ajudar, gostaria de saber quem foi para poder agradecê-lo, seja
quem for. Haviam mandado a proposta de emprego e pediram minha
descrição por e-mail. Por esta eu não esperava, na verdade não
esperava por nada, assim como não esperava o que ainda estava me
aguardando para acontecer.
No mesmo dia resolvi contar a novidade sobre a proposta
misteriosa à Everton Khronus e Erich Ryan, os conheci ao vir para
os Estados Unidos a trabalho. Atualmente os dois trabalhavam na
policia.
Depois de ter me arrumado, estava preparado para sair, mas
minha irmã, Ellen, indignou-se com o que via.
─ Onde você acha que vai?
─ Na casa de Khronus. Recebi uma proposta de emprego e vou
87
lá contar pra eles.
─ Legal, mas não pode contar pra eles depois? O Andrey trouxe
um amigo hoje.
─ Droga. Pior que se só tiver você tentar manter a ordem, ele
vai querer tomar toda autoridade ─ pensei no caso, mas decidi que
ela podia resolver isso ─ dá um jeito ai.
─ Mas não é um amigo, mas sim aquele amigo que você odeia.
─ O que ele está fazendo na minha casa? Ah! Não quero saber.
Toma ─ disse entregando uma arma em sua mão ─ saberá usar.
─ É pra matar ele?!
─ Não. Está sem balas.
─ Então?
─ Mas eles não sabem.
─ Gostei! Valeu, volte cedo ─ ela agradeceu olhando, virando e
revirando a arma e em seguida simulou que estava carregando a arma
e atirando ─ agora poderei me vingar de quando ele tentou me
paquerar.
No momento eu estava prestes a descer as escadas, pronto para
sair, mas no instante que meus ouvidos receberam aquelas palavras,
parei arregalando os olhos, e virei o rosto para trás lentamente e
ordenei em seco:
─ Me dê essa arma, tive uma idéia melhor.
Alguns minutos depois, ela desceu e lá estavam dois folgadões
88
no sofá assistindo o futebol, comendo pipoca, e parte da pipoca caída
pelo chão; pareciam porcos. Mostrando indignação tentou ordenar:
─ Sai daqui agora.
─ Quem? ─ Perguntou Andrey.
─ Os dois.
─ Quem vai me tirar? ─ Perguntou novamente mostrando
autoridade, mas ela segurando a raiva não respondeu nada ─ já que
você tai sem faze nada, vai lá na cozinha e pega dois copos de
refrigerante, essa pipoca tá mal ardida, eu coloquei aquele molho de
pimenta que você comprou. Minha boca tá ardendo pra caramba.
Ah! E eu quero este refrigerante antes de acabar o primeiro tempo,
então vai logo, faltam vinte e três minutos.
Subitamente assustados viraram-se para a porta ao ouvir o
barulho de um homem com máscara de bandido e segurando uma
arma, chutando a porta para entrar.
─ Ajoelha os três ai agora. Foi uma ordem, não vou repetir de
novo ─ ordenou-os apontando a arma para a cabeça deles, e reparou
a TV ligada ─ deixa eu vê quanto que tá o jogo. Ninguém fez gol
ainda? Que droga, eles vão perder.
─ É; culpa do… ─ confirmou o amigo tentando animar um
pouco, mas foi interrompido.
─ Não falei com você cabeção, agora desliga a TV lá, já que se
intrometeu.
Imediatamente obedeceu.
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─ Está vendo toda aquela pipoca e o molho de pimenta
derramado ali no chão?
Acenou a cabeça positivamente, estava branco de medo.
─ Se não me obedecer será igual. A pipoca representa seus
miolos depois do tiro. E o molho você já deve saber.
No momento que ouviu isso, engoliu a seco. Mas reparou que
chegou mais um homem de capuz.
─ E aí? Conseguiu? ─ Perguntou o que havia acabado de chegar.
─ Não, essa é a casa de um tira, e ele vem vindo ai. Vamos usar
esses daqui de refém.
─ Refém? ─ O amigo completamente assustado, já acreditando
que aquele seria o último momento de sua vida.
─ Casa de um tira? ─ Andrey perguntou não entendendo.
─ O Allan também conseguiu emprego para policial ─
respondeu Ellen.
─ Cala a boca os dois, isso não é hora de explicação.
Então viram um policial também entrar com um chute na porta,
e logo identificaram que era eu:
─ Fiquem todos calmos no lugar, deixem que eu resolva isso, e
todos sairemos salvos.
─ O Allan vai resolver? Então já era… ─ murmurou o amigo.
─ Podem dar um tiro nele, por favor? ─ Pedi aos bandidos
apontando a arma para ele.
Um dos bandidos carregou sua arma e apontou para a cabeça
90
dele, e desesperado suplicou chorando aos pés do que estava o
apontando a arma:
─ Não, não, não, não, por favor, eu tenho família… ─ e secou
as lágrimas derramadas ao tênis do bandido.
─ Você tem família? ─ Perguntou.
─ Claro! Pai, mãe e irmãos…
─ Ah! Pelo que eu te conheci agora, tenho certeza que nem vão
sentir sua falta ─ e ameaçando apertar o gatilho pediu ─ diga x.
─ Ah! Não, espere um pouco, vamos fazer o seguinte, libera esta
besta e agente negocia o resto ─ sugeri ao que estava ameaçando. E
então ele olhou para mim, olhou para a arma e olhou para o amigo:
─ Certo, pode ir, babaca. Mas não vá pensar que te liberei
porque sou bonzinho, só te liberei porque não aguento mais ver esta
sua cara feia na minha frente. Vai logo…
Todo feliz, sentindo-se salvo, levantou-se agradecendo:
─ Valeu; eu nunca mais volto nesta casa…
─ Finalmente… ─ murmurei agradecido.
Então quando fechou a porta ao sair, Erich e Khronus tiraram a
máscara de bandido rindo da situação, não só eles, mas sim todos,
exceto Andrey que não estava entendendo nada:
─ Erich? Khronus? O que aconteceu aqui?
─ Isso foi só pra…
─ Não, Khronus, pode deixar comigo ─ tomei fôlego, me
direcionei a ele, aparentei tranquilidade, mas estava pronto para
91
alterar minha voz ─ Isso foi só pra tirar aquele desgraçado de dentro
dessa casa antes que a folga e a idiotice dele infectasse a casa, mas se
tiver uma próxima vez você quem vai ser colocado pra fora ─ e
assim finalizei a bronca ofegando com o dedo no rosto dele.
─ Tá, entendi, mas e o uniforme e as armas?
─ Nós trabalhamos na policia, ou seja, todas de verdade ─ Erich
responde apontando a arma para sua própria cabeça.
Espantado com a tal informação, acreditava que era minha arma
descarregada, paralisei deixando a arma cair no chão.
─ Mas as balas são de borracha ─ avisou.
─ Ok, gente. Valeu pela ajuda, já colocamos o idiota pra correr,
nos divertimos muito, mas agora tenho uma entrevista, ou melhor,
conhecer o local de emprego. Então até mais Khronus, até mais
Erich, Ellen já pode ir dormir, e Andrey limpa tudo.
Todos saíram da sala, foram para suas casas, ou seus quartos, e
Andrey vendo a bagunça ao seu redor chamou:
─ Gente, agente tava se divertindo tanto aqui.
Mas não havia mais ninguém presente.
Aquela noite de sono havia sido boa, pois dormir com o fato de
que acabara de ser chamado por uma grande empresa sem eu ter
solicitado emprego a eles, e o melhor de tudo, justamente quando eu
estava procurando. Seja quem fosse o sujeito, eu gostaria de saber
quem estava por trás disso ─ pode ter sido Erich ou Khronus, ou
92
alguém desta casa, ou alguém que eu conheça. Talvez até alguém que
eu não conheça ─ aquela era uma dúvida que talvez eu nunca fosse
descobrir a resposta, ou a verdade estava mais próxima que eu
imaginava. Mas no instante essa era uma questão que devia ser
deixada para mais tarde, agora eu tinha um emprego para assumir.
Acordei tranquilo como se o dia fosse me esperar, levantei, e
após lavar o rosto e escovar os dentes, pensei em que roupa usaria,
abrindo o guarda-roupa para decidir melhor, deparei com o retrato
que eu deixava lá para sempre que eu abrisse a porta do guarda-roupa
pudesse vê-lo.
─ Me desejem boa sorte… Onde quer que estejam neste
momento… ─ murmurei ao retrato.
Que bom que ele não respondeu, não é?
Simplesmente escolhi uma camisa social Sport azul, e uma calça
jeans preta, e tênis preto.
Em frente ao espelho do banheiro, após terminar de arrumar o
cabelo, exclamei aproximando meu rosto e sorrindo num movimento
só:
─ Quem é o cara mais sortudo do mundo?!
E no mesmo instante o espelho se rachou.
─ Na volta compro outro… de novo…
Só pra deixar mais claro, aqui encontramos duas opções, o
espelho se rachou por feiura ou por algum motivo desconhecido.
Neste caso, logicamente é a segunda opção, não acham?
93
Determinado a ir, era como me sentia naquele momento. Sentei
no banco do carro, com as mãos no volante e olhando para o
espelho retrovisor declarei:
─ O Destino me aguarda ─ e assim dei partida em direção à
empresa.
No instante em que saí, o telefone tocou, mas todos na casa
ainda estavam dormindo, então tocou até desligar, eram nove da
manhã.
Ao chegar estacionei meu carro em uma vaga que por mais
estranho que pareça, já estava reservada para mim, pelo menos foi
isso que um dos seguranças do estacionamento havia me dito quando
cheguei, e pela recepção dei-lhe uma nota. E o mais estranho é que
ele parecia não saber o que fazer com o dinheiro como se não
conhecesse dinheiro ─ eu hein.
Antes de entrar, olhei aquele prédio enorme dos pés a cabeça e
da cabeça aos pés ─ é aqui! ─ ao passar pela porta senti uma leve
sensação estranha ─ devo estar nervoso ─ e tentando ficar mais
tranquilo tomei um copo d’água seguindo em direção à sala onde me
apresentaria ao gerente. A sala dele ficava em uma área restrita, onde
fui levado com ajuda de um funcionário guia autorizado, somente
junto a ele poderia acessar aquela área. Este funcionário parecia
preocupado, olhava para os lados como se temesse chegar alguém,
me deixando em frente à sala do gerente advertiu:
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─ Pode entrar, ele já está te aguardando, eu fico aqui fora te
esperando, não podem pegar você aqui sozinho sem a companhia de
alguém autorizado. Agora vá lá, boa sorte.
─ Obrigado.
Para alguém tão preocupado como ele, não parecia alguém
autorizado, com certeza o dia a dia dele deve ser difícil.
Abri a porta pedindo licença, entrei educadamente e me sentei
na cadeira em frente sua mesa, ele estava de costas em sua cadeira
giratória elegante. Girou e ficando de frente para mim, segurando um
charuto.
─ Mandei você sentar?
─ Ops, desculpe ─ levantei-me rapidamente, já estava nervoso e
envergonhado.
─ Brincadeira, pode continuar. Fique a vontade ─ e apontando
para um bule em sua mesa, ofereceu ─ quer café?
─ Não, obrigado ─ no momento, eu já estava nervoso, se eu
tomasse, não sei o que poderia acontecer.
Ele olhou para mim, olhou para sua caderneta que estava
segurando na outra mão, colocou o charuto na boca, pegou a caneta
que estava sobre a mesa e fez um simples risco.
─ Pronto, era só isso. Pode ir embora. Começa na segunda.
─ O que? Ir embora? É só isso? Não vai me perguntar nada?
─ Você quer esse emprego?
─ Sim.
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─ Então até segunda.
─ Mas e as…
Então ele tirou o charuto da boca, soprou a fumaça para o ar e
disse:
─ Se a pessoa realmente quisesse o emprego ela viria aqui, se
você está aqui é porque quer o emprego. Você quer o emprego e ele
é seu. Entendeu agora? Ou ainda tem alguma dúvida?
─ Ah! Entendi o esquema, bem esperto, é por isso que você é o
gerente. Então como não quero te incomodar mais, já vou indo, até
segunda.
─ Ah! Quase me esqueci ─ lembrou, quando eu estava prestes a
abrir a porta. ─ Bem vindo à empresa. Todo funcionário, tem direito
a esse aparelho que oferece serviço de telefone, internet e TV por
assinatura, gratuito em sua casa, é só instalar e aproveitar, só não se
esqueça de vir trabalhar.
─ Obrigado ─ agradeci ao pegar a caixa, e logo percebi que ele
espantou-se ao ver que havia uma luz piscando em seu relógio de
pulso.
─ Então, acho melhor você ir rápido, sabe? O guia que está te
esperando no corredor está com pressa porque está quase no horário
de almoço e ele está com fome, então se puder se apressar ele
agradece e o estômago dele mais ainda.
─ Ok ─ eu respondi ao sair com pressa.
Quando toquei o ombro do funcionário que estava de costas
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olhando para os lados como se temesse que alguém chegasse, ele
assustou-se e me puxou pelo braço correndo de volta para a entrada
do prédio, mas antes de sair do corredor ouvimos uma voz gritando
atrás de nós, no fim do corredor:
─ Ei! Você ai, volta aqui com minha roupa!
Quando olhei para trás, reparei que ele estava apenas de roupa
de baixo e meias.
─ Droga! Ele ainda não se convenceu até hoje que essa roupa é
minha ─ reclamou o funcionário.
─ Ele vem assim todos os dias?
─ Essa empresa é louca, você ainda se acostuma. Agora
continua correndo.
Chegando ao fim do corredor viramos à esquerda e continuamos
correndo, ainda correndo apertou o botão para fechar a porta do
elevador que nos esperava, e continuou correndo e me puxou para
uma sala em frente.
─ Por que não usou o elevador? ─ Sussurrei estranhando.
─ É óbvio, ele vai ver o elevador fechado e vai descer pelas
escadas na intenção de nos encontrar na entrada do prédio lá
embaixo, então você desce pela saída de emergência e sai pelos
fundos e ele nem te percebe.
─ Mas e você?
─ Eu já convivo nessa empresa, sei me virar.
─ Você realmente trabalha aqui? ─ Desconfiei.
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─ Silêncio ─ alertou ao ouvir o homem sem calças se
aproximando do elevador. E assim que o viu em direção as escadas,
ele ordenou sussurrando:
─ Vá logo.
Imediatamente desci sem pensar nas consequências, corri para
meu carro, fechei a porta vendo pelo espelho retrovisor que o
homem sem calças estava se aproximando correndo, não me sobrava
alternativa que não fosse como todos dizem: pé na estrada.
No caminho, ainda dirigindo, eu pensava meio que rindo, breve
estaria acostumado a viver naquela empresa maluca ─ breve serei um
deles ─, mas meu coração gelou quando quase bati no carro parado
em frente, o qual eu não havia percebido. Na hora do susto meu
cérebro automaticamente pensou no prejuízo para o meu carro e o
da pessoa. Desci do carro para ver o que estava acontecendo, avistei
uma mulher discutindo com um policial criticando a multa que estava
levando, um rapaz caído de bicicleta no chão, uma equipe de
reportagem e um helicóptero no ar ─ mais um acidente ─ olhei para
o lado, no carro em que quase bati havia um garotinho na janela
segurando um chihuahua enquanto esperava sua mãe tentar evitar a
multa. O garoto tinha um rosto redondinho, branquinho, loirinho e
sorria como se eu estivesse brincando com ele, e por acidente deixou
o cachorro cair, obviamente pegaria para o garoto, pois seria maldade
resistir aquele rosto de tristeza que se transformou no momento.
98
Estávamos na ponte Golden Gate, parti em direção ao cachorro para
pegá-lo, mas correu ao ver uma moto se aproximando a toda
velocidade e para escapar de ser atropelado saltou da ponte, sem ter
noção da altura.
─ Meu Deus ─ simplesmente chocado com a cena, eu olhei para
o garoto e vendo as lágrimas descerem lentamente de seus olhos, me
direcionei à beirada da ponte.
Enquanto a repórter fazia a entrevista sobre o acidente de
bicicleta, as câmeras estavam atentas e espantadas vendo que eu
estava prestes a pular:
─ Estamos aqui na tão conhecida Golden Gate, nesta sexta-feira
13 e temos aqui mais um… ─ estranhou ─ suicida que está prestes a
pular da ponte atrás de mim? ─ Olhou para trás após ouvir e repetir
o que a equipe de produção havia falado e em seguida acenou para
que as câmeras do helicóptero focassem em mim.
Naquele instante apenas alguns pensamentos me vinham à
mente ─ se eu pular agora, de acordo com meu peso, chegarei lá
embaixo primeiro que o cachorro, então o agarro na queda e trago de
volta para o garoto ─ nesse momento saltei. Nesse salto, tudo
silenciou-se, até o rapaz desmaiado da bicicleta que havia sofrido o
acidente inclinou-se para ver.
Quando viram que eu havia pegado o cachorro, imediatamente
entenderam o que estava acontecendo, o helicóptero logo se dirigiu
para próximo da água jogando a escada para me levar de volta à
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ponte.
─ Isso não é um suicídio, é um resgate ─ comentou a repórter
acompanhando aquela cena ao vivo em rede nacional.
Todos torcendo para que eu conseguisse trazer o cachorro de
volta, parecia até um filme de ação.
Eu esticava meu braço ao máximo para poder alcançar o degrau
da escada de madeira e corda, até que finalmente consegui segurar,
quando quase chegando ao helicóptero, o cachorro assustado se
debate e escorrega de meus braços caindo de volta na água ─ não
acredito ─ não querendo que meu esforço tivesse sido em vão, soltei
o degrau e me joguei novamente na água.
─ Ahhhhhhhhhhh ─ murmurou a torcida observando de cima
da ponte, e os telespectadores assistindo pela TV. Mas dessa vez
perderam cachorro e eu de vista, desaparecemos na água, todos
ficaram aflitos, um tempo depois reapareci segurando o cachorro;
segurei a escada e subi a bordo do helicóptero que me levou de volta
a ponte onde imediatamente devolvi o cachorro ao garoto e recebi
um obrigado seguido de um sorriso meigo de criança. Aquilo já fez
valer a pena todo o esforço feito. Em seguida a equipe de produção
me enrolou com toalhas que arrumaram imediatamente.
─ O que te levou a esse bravo ato de coragem? ─ A repórter
perguntou entrevistando-me ─ Ou era um suicídio e você encontrou
o cachorro no caminho?
─ Se fosse um suicídio como que eu saberia que o cachorro
100
pertencia aquele garoto?
─ Ah! É verdade. Mas antes de pular você não pensou que
poderia ter morrido?
Aquela pergunta me fez parar para pensar, eu lembrei que antes
de pular eu não pensei na morte, como se eu tivesse a esquecido ou
até como se ela não existisse, o normal de uma pessoa é que antes de
pular a primeira coisa que ela pensa é na morte.
─ Não.
─ Como assim “não”?
─ Agora eu não tenho tempo, tenho que voltar para meu carro e
retomar meu caminho porque eu ainda tenho muita coisa pra fazer ─
então virei em direção a meu carro e ela já estava em minha frente,
espantado olhei para trás vendo que ela não estava mais lá.
─ Como você fez isso?
─ Não, quem faz as perguntas aqui sou eu, e nesse momento
quero saber o que você tem para fazer de tão importante o resto do
dia? Salvar mais animaizinhos?
─ Não; tomar meu café da manhã é um exemplo, já são meio dia
e dezenove e eu ainda não comi nada.
─ O que mais?
─ Ainda tenho que comprar três livros para faculdade na livraria,
depois volto para casa pra almoçar, tenho um trabalho para entregar
hoje e eu ainda estou na metade dele, sorte que não é difícil, depois
eu janto, vou pra faculdade e quando volto eu durmo.
101
─ Nossa! Que dia emocionante ─ comentou sarcasticamente ─,
mas na sua rotina acontecem coisas emocionantes?
─ Eu até podia dizer coisas emocionantes, mas estamos em
horário nobre ─ risos.
─ Além de corajoso tem senso de humor ─ risos ─, mas falando
sério.
─ Nunca prevemos quando vai acontecer algo de emocionante,
isso que o torna emocionante.
─ Então sua vida é normal assim como qualquer outra?
─ Se respostas emocionantes é o que você quer, então deveria
entrevistar um super-herói.
─ Mas o que você fez foi um ato de heroísmo, isso o torna um
herói.
─ Por alguns minutos. Isso só até a mídia esquecer. E sem
querer ofender, mas você parece um homem.
A repórter então tirou a peruca e disse ─ Mas eu sou um
homem.
─ Thomas Blonks? O apresentador do telejornal Atual San
Francisco!
─ Sim, mas foi um desafio que tive que cumprir.
─ Vocês ficam brincando enquanto não estão no ar?
─ Só um minuto. Deixe-me encerrar a matéria ─ acenou
chamando a câmera ─ Esse foi o herói da Golden Gate para o Atual
San Francisco.
102
─ Herói da Golden Gate?
─ Sou profissional, não só sei como tenho que improvisar.
Agora se quiser pode ir para o seu dia tão corrido ─ sugeriu
novamente sarcástico.
Mas continuei parado sem me mover, somente olhando para ele.
─ Está bem, já entendi o que você quer ─ então tirou do bolso a
caneta que ele usava no programa.
─ Você vai autografar a caneta com a própria caneta?
Olhou para mim sem dizer nada e tirou outra caneta do bolso
usando-a para autografar a sua.
─ Aqui está. Pode ir agora ─ me entregou a caneta ─ Ah! A
próxima vez que for pular pensa antes, você pode não ter a mesma
sorte. Agora eu tenho que ir, esse salto está acabando com meus pés
─ e assim retirou-se em direção ao helicóptero que o levou embora.
Então voltando para meu carro, a mãe do garoto apareceu na
minha frente agradecendo.
─ Muito obrigado mesmo, nem sei como agradecer. Não
precisava ter feito aquilo, eu podia comprar outro cachorro pra ele.
─ Além de poluir as águas, não seria a mesma coisa para o
garoto.
Claro, seria outro cachorro, mas vivo.
─ Muito obrigado ─ agradeceu meio que sem palavras, foi sua
ultima palavra antes de entrar no carro e partir, o garoto sorria
agradecido na janela enquanto o carro partia. E agora que o carro não
103
estava mais no meu caminho, a ambulância já havia levado o rapaz da
bicicleta, o caminho estava livre, agora meu carro que atrapalhava os
de trás que buzinavam nervosos.
Após ter comprado os livros necessários, voltado para casa para
almoçar e chegado da faculdade, eu não queria nem mais jantar,
estava prestes a dormir.
Minha família estava de visita em minha casa, vieram direto do
Brasil, minha terra natal.
─ Você tem algum problema psicológico? Pular da Golden
Gate? O que você estava pensando? Se não está satisfeito aqui, pode
ir embora, tchau ─ murmurou Ellen.
Ela tá na minha casa, como ela tá me expulsando?
─ Ah! Agora não, não quero falar nisso agora.
─ Claro, deve estar tão infeliz que quer se jogar na cama e
esquecer a vida, né?
Sem dizer nada continuei caminhando em direção ao quarto,
mas antes que eu entrasse, parei ao ouvi-la dizer:
─ Já tomou aquele seu remédio esquisito? Deve ser por isso, não
é?
Foi até bom ela ter me lembrado. Aquele remédio eu tomava,
mas ninguém sabia sua fórmula, nem mesmo eu. A única pessoa que
sabia não dizia. Melhor prevenir-se (mesmo não sabendo o que era)
que remediar-se. Mas muitas vezes por curiosidade já levei aquele
104
remédio para estudo, mas ninguém identificava nem do que era
composto. E aquela noite eu não estava para pensar sobre isso.
Na minha opinião, não sendo hormônios femininos era o que
importava.
105
< Capítulo Sete >
O Portal Secreto
Após um dia estranho, longo e agitado, eu estava demasiado
cansado, e naquele momento, dormir um pouco não era uma má
idéia. Eu não havia instalado aquele aparelho em minha TV do
quarto porque achei melhor deixar para fazer isto na manhã do dia
seguinte, com mais tempo e tranquilidade. Naquela noite dormi duas
vezes, pois havia acordado na madrugada após ter sonhado com uma
criatura que nunca havia visto, mas já havia pesquisado sobre ela
durante uma investigação, por este motivo posso ter sonhado com
ela algumas vezes, cada vez num sonho diferente, isso pode ter
causado a sensação de que já havia a visto. Mas deixando o sonho de
lado, virei para o outro lado, em direção à janela, retomei ao
travesseiro e tornei a dormir.
Logo na madrugada, após ter acordado de um sonho bom para
mim, cujo não foi revelá-lo. Estava animado depois daquele sonho e
ao garantir que não havia mais nada para fazer, decidi começar a
instalação. Abrindo meu guarda-roupa para pegar o aparelho,
deparei-me com o retrato novamente. Parado, com o olhar naquele
retrato peguei-o em minha mão continuando a observar, mas após
106
alguns segundos me desliguei dele colocando-o de volta, e voltei ao
que estava fazendo.
Tinha a esperança de que naquele sábado, instalaria aquilo e
ficaria assistindo sem fazer nada o dia todo, pois brevemente eu
estaria trabalhando, então deveria aproveitar o tempo que me restava.
Mas meu palpite estava errado, pois não seria a TV que iria me
entreter aquele final de semana.
─ Finalmente! ─ Exclamei ao concluir. Estava crente que
deitaria naquela cama e fixaria meus olhos na TV por um bom tempo
do dia. Ao deitar, me cobrindo e com o controle em mãos, liguei a
TV e fui passando por todos os canais para contá-los, mais havia um
canal que a tela estava toda preta e não era o canal de vídeo, parei
naquele canal para observar o que era. E subitamente surgiu um
circulo grande e branco no centro tela, na hora fiquei um pouco
assustado, mas continuei observando até aparecer uma mensagem se
formando como tinta preta escorrendo no centro da esfera branca:
Está preparado?
─ Não! ─ Neguei continuando a observar.
Logo a mensagem como tinta começou a se desfazer formando
outra: Aproxime-se da tela.
─ Eu não!
E assim formou-se outra mensagem: Isso não foi um pedido, foi
uma ordem.
─ Não!
107
E mais outra: Estou mandando.
─ Não!
Assim continuavam as mensagens, e formou-se mais outra
pedindo: Adicione-me em seu e-mail que resolveremos agora por
atendimento online. A mensagem se desfez formando um email:
[email protected].
─ Até parece! ─ Mesmo a situação sendo um pouco engraçada,
ainda era assustadora. Recusando a ordem eu me cobri até a cabeça
com o cobertor para não ver as mensagens, mas nada adiantou, pois
vindo da TV ouvi uma voz roca dizendo:
─ Não me faça ir buscá-lo.
No mesmo minuto lancei o cobertor longe e pulei para perto da
tela e a seguinte mensagem formou-se: Acho bom. E desfazendo-se
formou: Está preparado?
─ Sim!
Agora coloque sua mão sobre a tela ─ ordenou novamente a
mensagem. Eu estava assustado para fazer isso, pois não sabia o que
podia acontecer. Mas quando estava aproximando a mão, apareceu:
Antes disso, não se esqueça de me adicionar depois ─ e formou-se o
e-mail
novamente
no
centro
da
esfera
─
[email protected] ─ e desfazendo-se formou ─ boa
sorte! Até logo, eu te chamo quando estiver online. Agora pode
continuar ─ e assim a mensagem se desfez e não formou mais
nenhuma.
108
Então um pouco preocupado me preparei, quando estava
aproximando a mão da tela avistei uma nova mensagem na tela: Vai
logo, tá demorando.
Eu estava espantado com a situação:
─ A tecnologia de hoje em dia é assustadora.
Comecei a aproximar minha mão da tela e pressionando minha
mão sobre ela, atravessou-a; assustado, imediatamente puxei de volta.
Mas olhando para minha mão e percebendo que ela estava do mesmo
jeito que estava antes, coloquei-a de volta na TV me inclinando para
ver a parte de trás da TV, mas não estava lá, era como se tivesse
entrado na TV. Puxando-a de volta, percebi que não havia
acontecido nada novamente. Após pensar por alguns segundos,
caminhei até a tela e literalmente entrei de cabeça no assunto.
Caminhando em direção à tela pude atravessá-la, como um portal.
Acabara de encontrar um ambiente completamente diferente do
ambiente onde eu estava. Grama no chão ao meu redor e árvores em
volta. Assustado, caminhei em passos lentos tocando-as para sentir se
era matéria real. Era como uma praça, um caminho de grama e
árvores, ao lado uma calçada e em seguida uma rua. E esta parecia
um corredor, pois na calçada do outro lado da rua havia um grande
muro. Olhei em todo meu redor vendo o escuro da madrugada, e a
brisa fria baterem nos galhos e nas folhas das árvores deixando o
ambiente mais frio e medonho. Caminhei até a calçada e parei
olhando para os dois lados, não para atravessar, mas para ver se
109
encontrava algo ou alguém, mas a rua estava completamente vazia,
então decidi procurar alguém, olhei novamente para os dois lados e
virando para esquerda caminhei na esperança de encontrar alguém.
Assustado pelo fato de não saber o que ainda podia vir acontecer,
mas continuei caminhando até me deparar com uma parte onde havia
mais ruas, um virando à direita e outra seguindo reto. Mas olhando
para a esquerda notei um enorme castelo branco, mas subitamente
tive a sensação de algo ter passado perto, e ao virar para trás vi um
vulto rápido passando entre os prédios e casas. Mesmo assustado e
sem saber o que era, resolvi seguir por curiosidade e com a intenção
de que aquilo pudesse me ajudar a voltar. Mas ao entrar onde a
sombra havia entrado, notei que havia mais ruas, uma para esquerda
e outra para a direita, mas olhando para a direita, vi algo se mexendo
então resolvi seguir novamente, mas ao chegar, não estava mais lá, e
havia uma rua seguindo reto e outra para esquerda e à esquerda lá
estava parada a sombra longe.
─ HEY, você ai. Seja lá quem for. Apareça aqui, por favor… ─
gritei tentando chamá-la, mas continuou parada, parecia não ouvir. ─
SOU DA PAZ ─ continuei gritando e acenando com a mão para o
alto tentando criar mais confiança, mas nada adiantou continuava a
fugir escondendo-se. E não me sobrava mais nenhuma opção que
não fosse segui-la.
─ Eu ainda chego até você ─ ofeguei cansado.
Quanto mais me aproximava, mais ficava clara a luz de uma casa
110
que estava no fim da rua e dificilmente estava visível alguém parado
em frente aquela casa.
Ao me aproximar, notei que era um rapaz de óculos escuro.
─ Por que demorou? ─ Perguntou ironicamente.
─ Quem… é… você?… ─ Perguntei sem responder sua
pergunta.
─ Acho que já nos vimos antes…
─ Você pode ter me visto, mas eu não.
─ Certeza? ─ Perguntou-me retirando seus óculos escuros.
No mesmo instante me surpreendi ao ver que aquele rapaz era o
gerente que havia me contratado na empresa.
─ Tenho uma perguntinha para você. O que você quer? Por que
me trouxe aqui? O que estou fazendo aqui? Como vim parar aqui? E
Onde estou?
─ Não havia dito que era apenas uma pergunta só?
─ Pacote promocional, você devia entender isso, já que é um
homem de negócios.
─ Muito esperto, mas não sou gerente daquela empresa, só
estive lá pra te trazer aqui. Agora, o motivo, eu te digo depois, pois
ainda é muito cedo, ainda não são nem cinco da manhã. Entre
enquanto isso. Se caso não quiser entrar, pode esperar ai fora, fique a
vontade, também pode dormir ai no chão se cansar de esperar ─
avisou ao abrir a porta. Depois que entrou, mas quando já estava
fechando a porta:
111
─ É… pensando bem, até que uma visitinha de vez em quando
não faria mal algum.
─ Que bom que pensa assim…
Era uma casa bem elegante.
─ Se não quiser dormir no sofá pode subir as escadas, à
esquerda no corredor penúltimo quarto, pode ficar lá, tem uma cama
de casal, espelho, guarda-roupa um notebook e internet discada.
─ INTERNET DISCADA?! ─ Perguntei assustado.
Apesar que a internet discada não era tão ruim como algumas
3G de hoje.
─ Zuera. Não se preocupe as caixas de som estão instaladas e
camuflada nas paredes. Mas se caso não quiser usar o quarto e
preferir ficar aqui na sala esperando, observando o quadro como está
fazendo agora ─ percebeu que eu havia me interessado no quadro ao
observá-lo. ─ O que achou?
─ Qual é nome do pintor deste quadro?
─ Meu irmãozinho. Ele diz que expressa uma idéia de evolução,
não sei o que tem a ver, mas este quadro traz inspiração para a
evolução. Por isso deixamos neste local da casa, por chamar mais
atenção aos olhos, enquanto estão sendo inspirados e determinados à
evolução. E este não foi o único que ele desenhou, mas este por
motivo desconhecido teve um maior destaque… Agora vou deixá-lo,
mas recomendo que vá conhecer o quarto.
Por alguns segundos olhei para ele, estranhando tudo isso, mas
112
me virei e subi as escadas ─ que corredor escuro ─, sussurrei ainda
espantado, com esperanças de que aquilo não passasse de um sonho,
mas continuei caminhando até me deparar com o penúltimo quarto,
de número três, abri a porta vagarosamente, temendo o que podia
acontecer, pois não sabia se era realidade ou não. Mas no quarto
havia apenas o que ele tinha dito nada que aparentasse ser perigoso.
Um pouco mais confiante, peguei o notebook e sentei-me na cama,
buscando por música. O som saia das paredes, então com aquela
música calma, eu me deitei esparramado na cama.
Do quarto ao lado, saiu um garoto caminhando sonolentamente
para a cozinha buscar água, mas ao passar em frente ao meu quarto,
voltou estranhando o fato de haver alguém naquele quarto, e ficou
espionando pelo espaço da porta que estava mal fechada.
Empolgado com o que via, vendo que a emoção da música envolviame nela, parou de observar e continuou caminhando em direção à
cozinha, lembrando que ainda estava com sede.
Algumas horas depois acordei aliviado por saber que estava de
volta em casa, mas ao olhar para os lados ainda estava naquele
quarto, preocupado com o modo que eu voltaria para casa, levanteime e observei o corredor vazio, mas em seguida saí à procura de um
banheiro. Desci as escadas, olhei novamente para aquele quadro que
parecia haver algo que me chamava atenção, pelo que eu havia sido
informado aquilo havia sido feito por uma criança, e realmente
113
aparentava ser feito por uma criança, simples, uma árvore esquisita
com uma corda amarrada em seu único galho, sobre uma grama
verde e um buraco em chamas coberto por uma grama falsa,
aparentemente uma armadilha, uma flor branca que cuspia água,
parecia uma margarida. E atrás da flor uma planta carnívora gigante
vermelha. Um revólver voador com asas e usando luva de Box, e no
céu um sol com um rosto sorridente, e de cada lado dele, uma nuvem
que soltava um raio cada. Tudo aquilo feito pela mente de uma
criança, e de algum modo me prendia a atenção, e por mais simples
que fosse, por algum motivo, misteriosamente me fazia lembrar fatos
passados. Mas então senti e lembrei-me que ainda estava apertado,
então corri em busca de um banheiro, mas o pior, é que eu não
conhecia a casa e não tinha nenhuma noção de para onde estava
indo. Até que quando estava prestes a passar em frente a uma porta
com uma placa de símbolo radioativo, a porta se abriu e pude parar
antes de me esborrachar nela, e dela saiu um rapaz e ele até pensou
em cumprimentar, mas vendo que eu estava me segurando apenas
estendeu a mão indicando a direção do banheiro. Sem dizer nada
corri até a porta, e com tudo tentei abrir, mas estava trancada. Em
alguns segundos saiu outro rapaz do banheiro dizendo aliviado:
─ Nada melhor que um dia após o outro… Não acha?
Mas sem respondê-lo entrei correndo esbarrando nele, e
tranquei a porta. E ele ainda estranhando a atitude murmurou:
─ Um não já bastava.
114
Alguns segundos depois, ainda no banheiro, ouvi uma voz de
criança dizendo:
─ Franz? É você?
─ Não.
─ Ah! Desculpa.
Após sair do banheiro, não vi ninguém, então comecei a
procurar, até me deparar com a cozinha onde estavam todos
sentados à mesa. Até um deles, perguntar:
─ Tá esperando o que?
─ A mesa ir até você? ─ O outro completou.
Sentando-me a mesa, olhando para todos, eu queria mais
informações, qual o motivo de eu estar ali, e onde eu estava.
─ Onde estou? E porque me trouxeram aqui? O quê vocês
querem?
─ Nosso mundo irá passar por uma fase e… ─ o “patrão”
tentou começar explicar.
─ NOSSO MUNDO? ONDE ESTOU? ─ Me assustei ao ouvir
seu começo de explicação.
─ Bem vindo ao Mundo Secreto!
─ Welcome to Secret World! ─ acrescentou o garotinho.
─ Ok. Então acabei de descobrir mais uma dimensão, certo?
Mas como posso saber se isso não é um truque?
115
─ Podemos deixar você passar sua vida toda na cidade para você
tentar se localizar.
Espantado achei melhor deixá-lo falar para ouvir sua teoria:
─ É… Então, você estava falando de uma fase, não é?
─ Sim, mas antes de qualquer coisa, deixe me apresentar. Eu sou
Jerry Rocks, o irmão mais velho.
─ E aquele ali que eu quase me esbarrei na porta radioativa?
─ Tom Riddy ─ se apresentou.
─ E o outro que eu atropelei na porta do banheiro?
─ Aquele é o Jack, é vice-presidente da GloCom.
─ E o que é GloCom?
─ Breve eu te respondo, porque se respondermos agora, nós
nunca chegaremos à resposta de suas duas primeiras perguntas.
─ Mas foram três.
─ As duas últimas são a mesma coisa em outras palavras. Mas
termine de comer, depois iremos até a praça e lá você entenderá
melhor.
─ Mas você não pode resumir?
─ Nosso mundo irá passar por uma fase, um tipo de revolução.
Mas ultimamente parece que está até calmo demais.
─ Mas eu ainda não vi o que isso tem haver comigo.
─ Você está mais envolvido nisso do que imagina. Não só você,
mas muitos outros. Mas nossa parte era trazer você. E pra começar a
esclarecer as coisas, sua mãe tem uma prima, certo? E ela se chama
116
Marry, não é?
─ Sim ─ respondi eu, não muito contente e também
estranhando o fato dele conter essas informações.
─ Você sabe onde ela está? E sua mãe sabe?
─ Não, ela desapareceu, e ninguém teve mais noticia dela.
─ Ela desapareceu após a lua de mel, certo? E falando nisso,
você sabe quem é seu bisavô?
─ Alex Santos…
─ Onde ele está?
─ Também desapareceu… descobri isso durante minha última
investigação ─ já estava ficando assustado com as informações que
ele possuía, por algum motivo tinha a sensação de estar prestes a ter
as respostas para essas questões que fugiam do conhecimento da
família sem nenhuma hipótese.
─ Voltando a Marry, você sabe se ela ainda está viva? Você sabe
se depois desse desaparecimento ela teve algum filho? Se a família
cresceu?
─ É…
─ Não, claro que não, e sua mãe sabe?
─ É…
─ Também não, você acabou de falar que sua família não teve
mais noticias dela ─ respirou e disse ─ e se eu disser que ela ainda
está viva, que ela está aqui no Mundo Secreto, que ela teve filhos e a
família cresceu? E se eu disser que este primeiro filho sou eu, e todos
117
nós que estamos presentes nesta sala de jantar somos parentes?
Espantado e um pouco duvidoso, sem reação, então dei uma
risada para animar um pouco:
─ Ah! É sério vai, qual é a armação agora? ─ Olhei para os lados
procurando pista de algo, mas ao olhar de volta para eles, todos
estavam sérios olhando para mim, dezesseis olhos virados
diretamente para mim.
─ Então… isso é sério?
─ Sim ─ respondeu Jerry seriamente e balançando a cabeça
positivamente.
─ Mas e Alex? ─ Perguntei ainda preocupado, mas no momento
em que perguntei parece que Jack ficou mais atento para ouvir a
resposta, como se ele não soubesse.
─ De Alex nem nós sabemos. Mas uma coisa posso lhe afirmar,
se conhece Alex, conhece Browds. E foram exatamente esses dois
que criaram o Mundo Secreto.
Mais espantado ainda com cada informação que vinha, tentei
resumir para tentar ver se entendi corretamente:
─ Deixe ver se entendi. Meu bisavô, ou melhor, nosso bisavô e
seu amigo criaram este mundo. E vocês me trouxeram aqui por um
motivo que eu não entendi ainda.
─ É isso ai! ─ Exclamou o garoto com animação.
─ Termine de comer, iremos te explicar na prática.
Seguindo a ordem de Jerry continuei comendo, mas minha
118
mente dirigia-se a situação atual. Minha esperança de que tudo aquilo
não passara de uma brincadeira havia acabado.
Seria melhor um churrasco para comemorar esse encontro de
família.
Depois de terminado, me levaram até uma praça circular
próxima ao local, era muito bonita, grama verde, e o que mais
reforçava a beleza do lugar, era o sol e o céu azul que estava no dia.
─ Antes de tudo você deve estar preparado, ou seja, deve saber
seu nukken especial ─ declarou Jerry preparado.
─ O que é nukken? E por que ele é especial? ─ perguntei sem
ter a mínima noção do que ele estava falando.
─ Jerry, eu sei que você esperou muito por isso, mas deixe-me
só iniciar ─ Tom sugeriu a Jerry. E Jerry achando aceitável a
sugestão, simplesmente permitiu.
─ Primeiramente vou lhe dar uma pequena demonstração, fique
atento ─ direcionou-se a uma árvore, tomou distância e dobrara os
braços juntando as mãos, levantou seu joelho alcançando as mãos
unidas, parecia estar concentrando e juntando forças naquela região e
com toda força de expressão exclamou ─ HTRUTS YLATAN ─
num impacto de suas mãos no joelho, brutamente chocou seu pé
contra o chão, isto rachara o chão até uma árvore partindo-a ao meio
e concluiu dizendo ─ isto é porque eu já tenho controle dá força que
eu sabia que seria necessário apenas para partir a árvore ao meio,
119
nada mais.
─ Legal! Isso é algum tipo de ilusionismo, né?
No momento estávamos Jerry, Tom, Jack, Franz, Baby, Freddy,
Larry, Tarry e eu, mas não acreditei no que via, mesmo sendo
pessoalmente. Ao ouvirem isso, Tom e Jerry se entreolharam
inconformados com a pergunta.
─ Ilusionismo? ILUSIONISMO? ─ Franz manifestou-se, e
ergueu minha mão colocando um maço de baralhos sobre ela ─ veja
se tem todos os naipes?
Seguindo sua ordem, conferi, e olhando para ele confirmei:
─ Sim, todos.
─ Certeza?
─ SIM? ─ Me espantei ao olhar novamente e ver que a carta
estava em branco. Passei por todas as cartas e todas estavam em
branco.
Pegou o maço de minha mão e colocou virado para baixo sobre
a palma de sua mão esquerda e assim ordenou:
─ Esse baralho é velho mesmo, pode pegar qualquer carta pra
você.
Passei o dedo sobre as cartas e peguei uma sem mostrar a ele.
─ Por que está escondendo de mim? Eu que te dei a carta, pode
mostrar.
─ Ok. É um rei de copas ─ na hora que eu mostrei ele parecia
espantado e pensativo ─ o que foi? Não podia ter tirado essa?
120
─ Não, não é nada disso… Apenas uma pequena coincidência.
Mas agora erga sua mão segurando sua carta e diga: essa carta é
minha, somente minha e ninguém vai tirá-la de mim.
─ Essa carta é minha, somente minha e ninguém vai tirá-la de
mim.
Então passou a mão em frente a minha carta consumindo-a em
chamas, e a transformou em cinzas.
─ Por que você fez isso com a minha carta? Eu nem precisava
ter feito aquela declaração.
Ele não respondeu nada, apenas indicava para cima, então olhei
para o céu e em alguns segundos um pássaro sobrevoou sobre nossas
cabeças deixando cair algo. Abaixei-me e peguei, era exatamente
minha carta. Eu já estava surpreso, até que Franz ordenou que eu
novamente fizesse a declaração.
─ Agora essa carta é só minha somente minha e ninguém vai
tirá-la de mim.
Novamente tornou a consumi-la em chamas, e as cinzas caíram
na grama, ele estendeu a mão e abrira deixando cair um pouco de
água sobre as cinzas, e após alguns segundos uma rosa começou a
crescer no chão gramado, a rosa se abriu e lá se encontrava
exatamente a minha carta. Impressionado segurei a carta fechando a
mão:
─ Esta carta será minha somente minha e ninguém vai tirá-la de
mim! ─ Mas me espantei quando abri a mão e a carta não estava mais
121
presente. ─ O que? O que você fez com minha carta?
─ Eu? Nada, ela ainda está ai, não vê?
─ Não acredito! ─ Exclamei ao ver a carta em minha mão ─,
mas como?
─ Viu? Isso é ilusionismo, nunca confunda nukken com
ilusionismo.
─ Ok. Então me expliquem o que é exatamente nukken?
─ O Nukken Especial é a arte de expressar um sentimento
através do poder, resultando excesso de força, habilidade ou energia,
temporário. Ou seja, para uso imediato ─ explicou Tom.
─ Um ataque especial.
─ Isso! Mas só dá certo se esse sentimento for forte o suficiente
para concentrar e acumular força, habilidade ou energia. Não tem
como usar um sentimento pequeno para usar um nukken especial
pequeno, o seu nukken especial tem um nível só, diferente dos
nukkens que não exigem sentimento para usá-los, mas podem deixálo mais forte.
─ O sentimento é só para ativar, então é só eu…
─ Me expressar e ativar? ─ interrompeu continuando ─ Não, a
voz é o maior meio de expressar o que sentimos. Então diga o que
vier a cabeça, mas você deve sentir o que diz, não importa se as
palavras não existirem, o que importa é que diga algo que sinta.
Então o espaço é todo seu.
Todos se afastaram me dando espaço, vendo que estavam
122
ansiosos olhando para mim, caminhei até o centro da praça e lá me
concentrei. E com toda força de expressão exclamei:
─ NOITCA AREMÂC SEZUL… NOITCA AREMÂC
SEZUL… SEZUL AREMÂC… NOITCA… ─ luzes de energia
haviam começado a se acumular em minhas mãos, mas simplesmente
se apagaram quando cai de joelhos no chão quase chorando e
ofegando. Imediatamente correram para ver o que acontecia.
─ Allan? É câimbra? Eu devia ter avisado pra fazer um
alongamento antes ─ Jerry murmurou.
─ Deixem-no voltar para a casa dele! ─ Ordenou Baby
entendendo um pouco do que acontecia.
─ Não, vamos levá-lo lá pra a casa e ver o que aconteceu.
Baby então com os olhos luminosos seriamente ordenou:
─ Isso não foi uma sugestão, foi uma ordem.
─ Baby tem razão, acho melhor eu voltar, eu também tenho
família, esqueceram? Tô com saudades da minha cama. Amanhã eu
volto, não sei como, mas volto ─ sugeri querendo voltar para minha
casa na Terra.
Jerry olhou para Baby que estava olhando para ele com cara de
convencido, voltou a olhar para mim dizendo:
─ Ok. Foi egoísmo de nossa parte não ter pensado na sua vida
na Terra. Então temos uma coisinha para você.
Então Jack caminhou em direção a mim, segurando uma
pequena caixa de presente nas mãos.
123
─ Oh! Uma lembrancinha! Não precisava ─ agradeci abrindo a
caixa, e dentro dela havia um relógio de pulso com uma tela e um
tipo de tecladinho que podia ser puxado.
─ Não é uma lembrancinha, é um acessório.
─ Pra quê?
─ Pra voltar quando quiser. Aquilo que você usou para chegar
aqui é o Portal Secreto, o aparelho foi só um pretexto.
─ Então é só apertar um botãozinho e vu Alá.
─ Não. O Portal Secreto é um tipo de teletransporte, somente
do Mundo Secreto para a Terra e da Terra para o Mundo Secreto,
não pode ser usado de um mundo para o mesmo, por isso é um tipo
de tele-transporte. E não é preciso apertar nenhum “botãozinho”
para ativá-lo é por pensamento, só pensar onde você quer estar e o
portal surgirá onde você pensar. E você também não vê o Portal
Secreto. Com o tempo você aprende.
─ Como se eu estivesse atravessando algo.
─ Sim, como na TV, ou até como se estivesse desaparecendo no
nada.
─ Gostei, posso chamá-lo de telerelógio?
─ Por mim… É seu pode chamá-lo do que quiser, sabendo pra
que serve pode colocar até sobrenome. Ah! Me esqueci de avisar,
você acha que se quiser falar com a gente é só pegar seu telefone e
discar nosso número?
─ É… Sim?
124
─ Claro que não, dimensões completamente diferentes, para isso
que serve o seu “telerelógio”. Nossos números já estão armazenados,
e quando nós chamarmos você atende.
─ Legal, agora tenho que ir.
─ Vá. Mas lembre-se, não é a toa que esse mundo é chamado de
Mundo Secreto.
─ Ok. Amanhã estou de volta ─ me despedindo e agradecendo a
todos notei a felicidade no rosto de Baby.
Quando desapareci junto ao portal, Jerry virou-se para Tom
perguntando:
─ Certeza que pegamos a pessoa certa?
─ Jerry!
125
< Capítulo Oito >
Operação Casa Branca
Domingo, ao acordar imediatamente acreditei que tudo aquilo
fosse apenas mais um sonho. Levantei-me mais alegre não sabendo o
motivo, o único fato garantido era que eu tinha um emprego agora.
Espreguicei-me e fui em direção ao banheiro, e olhando para o
espelho rachado lembrei que havia me esquecido de mandar fazer
outro. Aproveitando que já estava rachado novamente exclamei
alegre aproximando o rosto e sorrindo:
─ Quem é o cara mais sortudo do mundo?!
E o espelho criou outra rachadura cruzando a primeira.
Simplesmente deixei de lado e preocupado com o horário,
mesmo sendo num domingo, olhei em meu relógio, nove da manhã
─ Espere aí! Eu não tenho relógio de pulso ─ sim, aquele realmente
era meu “telerelógio” ─ então tudo foi real ─, correndo voltei para
meu quarto e tranquei a porta, lembrando que o Portal Secreto era
ativado por pensamento simplesmente usei-o atravessando contra a
parede.
Quando vi, já estava na casa deles, parado, em pé na sala.
─ Chegou cedo ─ exclamou Jerry.
─ Mas a tempo de realizar nossos planos para hoje ─ afirmou
126
Tom.
─ Que planos?
─ Primeiro vamos colher seu sangue mandar para a análise para
termos provas. Depois faremos o teste dos elementos e finalmente
criaremos o seu Registro Secreto. Ah! E vamos assistir a final da
Copa do Mundo Secreto.
─ Sangue? Teste? Registro? Copa? ─ Perguntei sem entender
nada, como sempre.
E quando digo sempre, me refiro a vida toda.
─ Sente-se ai, agora temos tempo de explicar. Após Alex e
Browds terem criado o Mundo Secreto, um evento que não podiam
deixar de trazer é a Copa do Mundo. Só não puderam trazer o os
jogadores famosos ─ disse ele com uma risada simples ─, mas para
poder assistir diretamente do estádio ao vivo, deve ter autorização
em seu cartão torcedor. Isso fica marcado em seu registro, e para
ficar marcado em seu registro você precisa ter um registro.
─ Só pra isso?
─ Não. Calma, eu não terminei.
─ Quer refrigerante diet? ─ Perguntou Baby disposto a me
servir.
Antes que eu pudesse responder, alguém bateu na porta, Jerry
fez um sinal sussurrando para eu me esconder abaixado atrás do sofá.
Mesmo sem saber o motivo corri para me esconder o mais rápido
possível, tentando evitar o pior.
127
Tom atendeu a porta e ouvimos que ele começou a conversar,
então Jerry permitiu que eu deixasse de me esconder, ainda não
conseguia ver quem estava na porta, só ouvia-se uma voz feminina.
Tentei aguçar meus ouvidos para ouvir o que falavam:
─ Na segunda os resultados oficiais já estarão prontos. Mas porque devo
buscar a amostra do sangue na segunda? Não posso vir hoje mesmo? ─
perguntou a voz desconhecida.
─ Allan! Você ainda não me respondeu. Quer diet? ─ voltou a
perguntar. Isso me impediu de ouvir o resto da conversa, então
voltando à atenção a Baby, aceitei.
─ Mas tem que ser diet?
─ Sim, você deverá se acostumar com uma dieta saudável.
─ Você já segue uma dieta saudável? ─ Estranhei.
─ Não! ─ Exclamou com entusiasmo. ─ Mas vou pegar seu
refrigerante… ─ virou-se novamente para mim completando ─ Diet
─ e assim dirigiu-se a cozinha.
─ Ok.
─ Então, Allan, enquanto Tom está ocupado, eu vou falando.
Nós estávamos pensando em continuar treinando seu Nukken
especial… Aaaaaaaai ─ agonizou ao sentir que Baby acertou sua
canela. ─ Por que fez isto?
─ Ah, nossa! Eu não te vi ai, a culpa é sua ficar no meu caminho
─ Baby desculpou-se com uma cara que estava perceptível que ele
queria dizer outra coisa, como se estivesse evitando que Jerry
128
continuasse ─ Allan aqui está seu refrigerante…
─… Diet ─ completei.
─ Isso ai, já está aprendendo!
Em seguida, Tom voltou à conversa.
─ Então, onde parei?
─ Estava falando sobre o Registro Secreto.
─ Ah! Sim, tem razão. Como eu dizia, não é só para assistir a
Copa que você precisa do registro, mas para permanecer legalmente
no Mundo Secreto.
─ Ah… Se for a minha permissão que vocês querem para criar o
registro, então vamos criar o registro! ─ Exclamei com clareza.
─ Admiro seu entusiasmo, mas não é tão fácil assim. Existe uma
lei no Mundo Secreto chamada de LSN.
─ Significa Law<Secret<Name ─ explicou Baby.
─ Obrigado, Baby. Mas voltando, o nome do mundo não foi
escolhido à toa, então o nome significa que deve ser mantido em
segredo e isso é lei. Traduzindo, isso é tecnicamente uma lei
antiterrestres, só entram terrestres autorizados por Alex e Browds, ou
seja, ninguém, porque não sabemos onde está Alex, mas há uma
exceção para Secretos que ainda se encontram na Terra.
─ E eu sou Secreto?
─ Não exatamente, você e muitos outros que ainda estão na
Terra e virão brevemente para essa fase, mas quando vierem são
obrigados a provar que são Secretos e o único modo de provar é
129
através do sangue Secreto que Alex e Browds criaram para distinguir
os Secretos dos terrestres. Agora veja como essa lógica além de fazer
sentido é sábia. Por isso precisamos coletar amostras.
─ Certo! Onde encontro sangue Secreto? ─ Declarei com
firmeza, disposto a sair à procura, acreditando que seria uma aventura
diferente.
Só pode ser culpa dos desenhos animados.
Isso até que Tom avisou:
─ Você já tem…
─ Tenho?
─ Não é Secreto, mas pertence à geração Secreta, por este
motivo já possuem o sangue e assim provarão que são descendentes
Secretos.
Havia acabado com minhas esperanças de aventura, mas me
espantava ao mesmo tempo. Então Tom recuperou minhas
esperanças.
─ Não desanime, o desafio será criar seu registro enquanto não
temos provas de que você é descendente. Ou seja, hoje. Teremos que
nos infiltrar sem sermos pegos.
─ Tem muitos seguranças?
─ Fica na Casa Branca ─ apontou ele abrindo um mapa com a
planta da Casa Branca. ─ Exatamente no Salão Oval.
─ Teremos que acessar o computador do presidente sem sermos
pegos?
130
─ É isso ai.
─ Mas eu nem mesmo conheço o cara. E se formos pegos?
─ Ah! Ai sim nós podemos nos preocupar! ─ Exclamou Baby.
─ Por isso devemos estar de ouvidos bem atentos ao plano e o
plano é o seguinte…
Mesmo eles já sabendo qual era o plano, ficaram atentos à
explicação de Tom, enquanto explicava, senti que voltaria ao ritmo
do passado ao mesmo tempo sentindo confiança neles, tendo a
sensação de que com eles as coisas seriam interessantes,
emocionantes e diferentes, a realidade voltaria a ser como antes, fora
do comum.
Mais tarde, quando todos estavam cientes sobre o plano, cada
um em sua posição, Jerry, Jack e eu esperávamos Franz, Tom e Larry
chegarem à entrada da Casa Branca, os seguranças olhavam
desconfiados para nós, mas como estavam distantes não podiam
ouvir o que dizíamos. Então avistamos os dois se aproximando.
─ Por que demoraram? ─ Perguntou Jerry não satisfeito com o
atraso.
─ Tinham duas moças no caminho ─ respondeu Tom.
─ E Franz parou para flertá-las, certo? ─ Supôs Jack.
─ Não, eram lésbicas. Mas elas estavam literalmente em nosso
caminho ─ Franz o explicou.
─ E por que não pediram licença?
131
─ Eram surdas ─ respondeu Tom.
─ Libras.
─ Eram cegas ─ esclareceu Franz.
─ Podiam tocá-las ─ palpitei.
─ Quando íamos fazer isso elas já haviam saído do caminho.
─ E por que demoraram?
─ Esperando Larry preparar as coisas.
─ E cadê ele?
─ Ele falou pra nós dois seguirmos na frente que ele nos
alcançaria no caminho. Mas até agora não chegou.
─ TÁ! Ele sabe se virar sozinho. Agora vamos ─ ordenou Jerry.
E aproximando-se dos seguranças que guardavam a entrada da Casa
Branca. Simplesmente cumprimentou um deles.
─ Nossa! Mundo Secreto calmo sinal de falta de serviço, não é?
─ Ganhando sem fazer nada, acho que o período de conflito já
acabou. Não tem mais nada para acontecer, acho que ele disse uma
coisa, e a conversa se estendeu e distorceu-se. Ou Alex simplesmente
tinha bebido alguma ─ ironizou o segurança.
─ Está bem gente, agora não é hora de debater sobre este
assunto. James, o Presidente Harvey está disponível?
─ Não.
─ Ok, fala para ele que estamos entrando.
─ Hey, mas eu disse que ele não está disponível.
─ Tô nem ai, eu disse que estamos entrando.
132
─ Onde você acha que está indo?
─ Na Casa Branca, se eu não soubesse, não perguntaria do
presidente…
Esbarrando no caminho de Jerry impedindo sua passagem,
afirmou com um tom de ameaça:
─ Aqui não é assim que as coisas funcionam.
─ James! Larga de frescura, só porque está sem serviço, não
significa que deve descontar em qualquer um, isso é antiético. E você
sabe disso.
─ É mesmo, foi mal, essa rotina tá me matando.
─ Entendo. Mas tenho que ir agora, até mais. Avisa o presidente
que estamos entrando.
James ergue seu “telerelógio” até sua boca dizendo: Presidente,
Jerry, Tom, Franz, Jack e mais um carinha que eu não conheço estão
subindo ─ e como resposta pode-se ouvir ─ O que? O que estão
fazendo aqui? Eles não estão ouvindo isso não, né? ─ enquanto
estranhávamos a conversa, James o respondeu ─ Estão sim, mas
pode deixar comigo.
─ O presidente disse para subirem logo.
Surpreendi-me com o que via. Na Terra eu nunca havia entrado
na Casa Branca então não sabia se era igual ou não. Subimos as
escadas até o Salão Oval, onde encontramos com o presidente, que
estava sentado à sua mesa nos esperando.
─ Olá, gente. O que trouxeram vocês aqui? ─ Indagou o
133
presidente sorrindo.
─ As pernas ─ eu respondi ironicamente, rindo logo em seguida,
mas percebi que ele não havia gostado, estava olhando sério para
mim, e olhando para os outros percebi que pareciam um pouco
envergonhados, logo sem graça tentei corrigir ─ brincadeira. Eu não
sou ninguém, só estou acompanhando eles.
O presidente olhou para eles, com um olhar querendo saber o
que estavam fazendo ali. Mas então seu “telerelógio” tocou, parecia
ser uma chamada, Harvey atendeu dizendo:
─ Pode falar.
─ Senhor presidente, o entregador de pizza está esperando pelo senhor aqui
embaixo.
─ Pizza? Não me lembro de… Pode deixar! Uma pizza agora cai
bem… Diga para ele continuar esperando. Já estou descendo.
─ Me aguardem. Vou buscar a pizza do além, e em seguida
vocês dizem o que querem aqui.
Quando Harvey saiu do Salão Oval, Tom correu para a cadeira
dele acessando seu computador.
Enquanto isso no saguão da Casa Branca, Harvey avistou o
entregador ainda de capacete aguardando para entregar a pizza.
Então se aproximou dele agradecendo enquanto segurava a caixa:
─ Obrigado. Eu admiro sua disposição para fazer uma pizza
para mim, sem eu precisar ter pedido, mas da próxima vez avise,
Tarry.
134
─ Ah! Presidente, como descobriu?
─ Eu desconfiei por seus irmãos terem aparecido sem motivo
nenhum.
─ Tá! Você me pegou, mas a pizza é de verdade e, é meio a
meio.
─ Obrigado. Agora vou subindo, tenho muito a fazer ─
enquanto ele caminhava em direção as escadas repentinamente Baby
apareceu em sua frente pedindo autógrafo e impedia sua passagem.
─ Baby! Porque um autógrafo? Você pode me ver a qualquer
dia.
─ Ah! Você é um homem muito ocupado, representante do
governo mundial, claro que tem fãs.
─ Obrigado, Baby…
─ Por isso estou pedindo um autógrafo agora, você pode morrer
a qualquer hora ─ no instante em que disse isso, Harvey assustou-se
─ pode acontecer algo a qualquer momento, como por exemplo,
você pode cair das escadas e quebrar a coluna ao chegar aqui em
baixo, pode levar um tiro, ou ser atingido por uma bala perdida, ou
até pode ter uma repentina parada cardíaca, ou…
─ Tá bom, Baby, eu já entendi. Obrigado pelo aviso, bem
informativo e… animador ─ tentou sorrir agradecendo ─ agora
tenho que ir, muitos deveres e obrigações.
Mas ao subir as escadas sentiu que uma de suas pernas estava
mais pesada porque Baby estava agarrado nela, mas continuou
135
subindo fazendo uma força a mais para subir.
─ Baby, pode largar?
─ Mas e meu autógrafo?
Assinou a caderneta que Baby segurava e despediu-se apressado.
Tom exclamou empolgado ao terminar a criação de meu
registro.
─ Ok! ─ E então correu para fora da cadeira do presidente a
tempo de voltar a sua posição anterior.
Eles haviam calculado tudo em minutos exatos, mas eu ainda
estava impressionado, se ele era o representante de um governo
mundial, devia ser mais esperto, devia ter mais seguranças, não
esperava que fosse tão fácil.
─ Nossa! Pra um mundo criado da tecnologia eu não esperava
que fosse tão fácil enganar o presidente. O que ele tem na cabeça?
Inteligência artificial?
No mesmo instante parecendo não terem gostado da piada
olharam assustados para mim, na verdade nem parecia estarem
olhando para mim. Mas quando percebi a expressão do olhar deles
olhei para trás vendo que Harvey estava parado e olhara para mim
demonstrando querer explicação para o que acabara de ouvir. Sem
graça tentei disfarçar.
─ He… Do que era mesmo a pizza?
Harvey assustou-se quando repentinamente Freddy surgiu atrás
dele exclamando com entusiasmo:
136
─ Mãos para o alto, presidente. Você foi pego!
Sem palavras estava Harvey, ao ver as câmeras, para ele isso
significava que foi mais uma das vitimas do programa de pegadinhas
ao vivo, onde Freddy era o apresentador.
─ Presidente, o que o senhor está achando disso? Ou melhor, o
que achou? ─ Perguntou em frente às câmeras.
─ Eu não…
─ Nossa! Está vendo isso, gente? Deixamos o presidente sem
palavras. ISSO É INCRIVEL! Meu desafio foi cumprido, pegamos o
presidente! ─ Exclamou interrompendo o presidente.
─ Realmente vocês me…
─ Mas então presidente Harvey, aproveitando a honrosa
oportunidade, farei a pergunta que todos querem saber.
─ Ficarei honrado em…
─ Você vai assistir ao final da Copa hoje?
─ Sim.
─ No estádio?
─ Infelizmente, não poderei. Eu gostaria muito. Mas sabem,
obrigações em primeiro lugar.
─ Entendo ─ e assim encerrou a apresentação. ─ Essa foi mais
uma das vitimas. Então mãos para o ar, você pode ser o próximo.
Concluído, plano finalizado. Agora só precisavam sair da Casa
Branca e correrem para garantir seus lugares na arquibancada.
Então avistaram Larry aproximar-se trazendo os acessórios de
137
torcida, como bandeira, roupas e etc. Mas não parecia muito
tranquilo.
─ Porque a demora? ─ Perguntou Jerry tentando não
demonstrar preocupação.
─ Amarrando o cadarço ─ foi sua resposta imediata.
Mas observando seu tênis percebi que ele não estava usando
tênis de cadarço:
─ Mas não está usando tênis de cadarço.
─ Mas não era o meu cadarço que eu estava amarrando ─
respondeu novamente.
─ Precisa demorar tanto assim para amarrar um cadarço? ─
perguntou Jerry. Mas interrompi antes que pudesse responder.
─ Não responda. Vocês sempre têm uma resposta esquisita pra
essas perguntas, parece até improviso. Ai a conversa vai se alongar
mais ainda, então vamos esquecer isto e ir para o estádio.
No momento se entreolharam e tomaram rumo ao estádio.
As duas torcidas demonstravam muitas emoções e expressões
durante o jogo, uma hora estavam agitados e outra apreensivos se
retorcendo quando o país estava prestes a marcar um gol.
Brasil 1 x 0 EUA
Este era o placar no momento, até que os EUA tomou atitude e
138
partiu para cima. A cena impressionou a todos. Quando os EUA
aproximavam-se da rede, todos ficaram quietos, silenciosamente
atentos esperando presenciar um gol. Alguns roíam as unhas, outros
se ajoelhavam em seus lugares e os outros simplesmente
acompanhavam esperançosos. Quando se preparou para marcar, e o
estádio ainda num silêncio total, eu tive a sensação de ter passado
uma sombra que cobria o estádio. Isto me desconcentrou do jogo,
olhara para o céu buscando encontrar a resposta para isso, mas nada.
Olhei para todos, mas parecia que ninguém havia percebido. Ainda
pensativo tornei a olhar para o jogo até ser surpreendido pelo grito
de comemoração da torcida americana e decepção para a torcida
brasileira. Em seguida Jerry me chacoalhou gritando alegre e
empolgado: ─ VOCÊ VIU ISSO? VOCÊ VIU ISSO?
─ Não.
─ MAS COMO VOCÊ NÃO VIU? FOI INCRÍVEL! ─
Exclamou até abraçar Baby apertado girando-o no ar e
comemorando.
Continuei assistindo ao jogo tentando acreditar que aquilo
podia ter sido apenas uma nuvem que havia passado em frente ao
sol. Mas me desconcentrei novamente ao me lembrar da cena e
reparar que a sombra que passou projetou ligeiramente uma sombra
que formava a bandeira dos EUA no chão do estádio. Simplesmente
tentei esquecer e voltar a assistir ao jogo.
139
Brasil 2 x 3 EUA
Assim acabou o jogo, e saímos de lá comemorando como nunca,
pois eu já havia me esquecido daquilo. Apesar de todos estarem
contentes com a grande vitória, Larry não parecia estar
comemorando, como se estivesse preocupado com outra coisa,
quando estava me aproximando para perguntar se havia algum
problema senti uma mão em meu ombro e uma voz que dizia:
─ Não se preocupe, é normal isso, deixe-o ficar sozinho um
pouco, depois te explico o motivo.
Me assustei, mas vi que era Franz ao olhar para trás. Mas Jerry
ainda empolgado com o jogo comentou:
─ Essa final foi incrível. Baby, qual gol você achou o melhor?
─ Tô em dúvida entre o primeiro e o terceiro.
─ Claro que foi o primeiro! Allan, o primeiro foi o melhor de
todos ou não?
─ Eu não vi o primeiro ─ respondi um pouco sem graça por ter
perdido.
─ Mas como você não viu? A arquibancada inteira estava de
olho na bola naquele momento.
─ Me distrai com uma nuvem que passou em frente o sol.
─ Uma nuvem? Uma nuvem… ─ repetiu parecendo não se
conformar.
─ É… ─ afirmei sorrindo tentando disfarçar.
140
Larry estava num canto um pouco afastado, mas virou seu rosto
para mim estranhando ao ouvir a explicação da nuvem. Eu ainda
estava intrigado querendo a todo custo descobrir porque ele estava
assim. Mas se Franz pediu que eu esperasse, supus que fosse melhor
ouvi-lo.
Quando chegamos em casa, Jerry sugeriu:
─ Iremos trocar de roupa agora. Fique ai sentado que já
voltaremos pra organizar o almoço.
─ Eu espero ─ afirmei me sentando no sofá. No outro sofá
encontrava-se Larry sentado silencioso e parecia ainda pensativo. O
ambiente ficou silencioso. Até que Larry quebrou o silêncio:
─ Se distraiu com uma nuvem que passava em frente ao sol? ─
Indagou num tom meio duvidoso.
Antes de responder sua pergunta olhei para os lados para ver se
alguém se aproximava. Sentando-me próximo a ele comecei a
explicar.
─ Larry, durante o jogo. Durante o momento em que todos
estavam atentos para o primeiro gol dos EUA. Você viu um tipo de
sombra passar pelo estádio cobrindo tudo?
─ Acho que sim. Mas eu senti algo estranho, tipo um frio na
hora. Mas estava pensando em outra coisa, não percebi.
─ Certo, quando uma nuvem fica na frente do sol isso diminui a
temperatura e impede parte da luz projetando um tipo de sombra.
141
─ Sim.
─ Ninguém percebeu nada, mas eu vi a sombra passando pelo
estádio.
─ Você viu a sombra e eu senti o frio ─ comentou Larry
sorrindo.
─ Ver sombra e sentir frio é normal, mas não quando ninguém
vê e nem senti. Eu entendo que estavam atentos, mas pelo menos os
jogadores deviam sentir ou ver, meio que escureceu o estádio.
─ Tá, isso é realmente verdade.
─ Outra coisa, a sombra que cobriu o estádio quando projetada
no chão do campo formava a bandeira do país. Suas listras e estrelas,
iguaizinhas passando ligeiramente pelo estádio.
─ Até as cores?
─ Ai também não, né. Era uma sombra.
─ Do que estão falando? ─ Baby perguntou manifestando sua
presença.
─ É… Nós estávamos conversando e acabamos com uma
sombra… de dúvidas ─ Larry improvisou.
─ Sobre o que? ─ Perguntou Jerry retornando a sala.
─ Pensa bem, a primeira vez que eu assisto a uma final de copa
no Mundo Secreto e ainda perco o primeiro gol por uma distração de
alguns segundos ─ expliquei vendo a oportunidade.
─ É… Vacilo…
─ Não tem como ele rever? ─ Larry aproveitou.
142
─ Boa idéia… Freddy já deve ter algumas gravações pra preparar
para seu programa ─ tomou fôlego e chamou ─ FREDDY.
─ O QUÊ? ─ Retornou Freddy sendo que já estava do lado
dele.
─ Ah! Desculpa. Mas você tem as…
─ Sim, sim, eu já ouvi. Aqui está ─ disse entregando o cartão de
memória onde estava gravado.
─ Como você sabia? ─ Perguntei.
─ No caminho eu ouvi comentando que você havia se distraído,
então imaginei que você ia querer ver.
─ Obrigado ─ agradeci me dirigindo para o quarto.
Depois de um bom banho, ajeitado em meu quarto, aproveitei
que havia um tempo antes do almoço, para assistir ao momento do
gol. Na verdade, a intenção não era assistir ao gol, mas ver o
momento em que a sombra passou.
Coloquei o vídeo para rodar, mas antes que começasse ouvi
alguém bater na porta.
─ Pode entrar.
─ Já descobriu? ─ Larry vagarosamente entrou perguntando.
─ Ainda não. Eu ia começar agora.
─ Cheguei na hora certa… ─ fechou a porta e alertou ─ ah!
Antes de você permitir que entrem, pergunte quem é.
─ Ok… mas por quê?
143
─ Questão de segurança.
─ Mas não são apenas vocês aqui?
─ Atrás de você não ─ respondeu Larry desviando seu olhar.
─ Como assim? ─ Perguntei tentando entender, mas ele não
respondeu nada, simplesmente deu inicio a gravação para que
pudéssemos assistir logo.
Aquilo me deixou confuso e preocupado ─ será que estou sendo
procurado? ─ é a pergunta que rondava minha mente, mas ao
aproximar a hora do gol tive que esquecer isso para prestar atenção.
─ Ali está agente! ─ Anunciou Larry.
─ É meio difícil não ver numa tela de setenta e duas polegadas ─
eu comentei sorrindo.
─ Veja só aquela nuvem, vai passar em frente ao sol, mas não é
muito grande, não ocuparia muito tempo e nem espaço de sombra
suficiente para cobrir o estádio todo.
Mesmo com a observação de Larry continuamos assistindo para
ver o que aconteceria, mas dessa vez deixamos em câmera lenta.
Atentos até que infelizmente a câmera mudou de ângulo não
mostrando mais o céu, apenas o estádio para o grande momento do
gol. Mas ainda poderíamos ver a sombra passando no chão e sobre
os jogadores.
─ ALI! ─ gritei pausando a imagem enquanto a sombra passava.
─ Ainda não vi nenhuma bandeira ─ disse Larry.
─ Nem eu… ─ respondi estranhando.
144
Então ouvimos Jerry perguntando preocupado do lado de fora:
─ Tá tudo bem ai, Allan?
─ Eu devo ter gritado alto demais ─ sussurrei para Larry e
respondi a Jerry. ─ Foi mal, eu tava assistindo o jogo e acabei me
empolgando.
─ Emocionante né?
─ É claro… ─, mas logo me dei conta que tinha que voltar para
casa onde teria uma família preocupada comigo ─ Jerry! Eu vou ter
que voltar para casa pra saberem que ainda estou vivo. Vou perder
esse almoço, mas volto para o jantar.
─ Não vá esquecer ─ exigiu Jerry.
Despedi-me de Larry e, usando o Portal Secreto voltei para casa.
145
< Capítulo Nove >
A criatura
De volta para meu quarto, já estava sentindo falta, mas eu ainda
tinha que encontrar meus pais ou meus irmãos para saberem que eu
estava lá antes que fizessem cartazes de desaparecido e colassem
pelos postes, ou até envolvessem o FBI no caso. Mas descendo para
a cozinha encontrei-os na hora certa, a hora do almoço.
─ Onde você estava? ─ Ellen perguntou com um olhar
desconfiado.
─ No meu quarto ─ respondi num tom de certeza.
─ Mas eu acabei de sair de lá, e não havia mais nada além de sua
bagunça.
─ Você não conhece meu quarto, tenho meus esconderijos ─
consegui improvisar sorrindo.
─ Tá se escondendo de quem? Da policia? FBI? ─ Jogou essa
indireta discretamente.
─ Senta ai e come, antes que a comida resolva se esconder
também ─ meu pai sugeriu.
─ Hoje vou precisar sair ─ avisei esperando que não
retrucassem.
─ Pra onde? ─ Minha mãe perguntou preocupada.
146
─ É mesmo, Allan. Pra onde? ─ Ellen repetiu jogando aquele
olhar acusador.
─ Lembra aquela sugestão de emprego que recebi?
─ Sim.
─ Eu consegui!
─ Que bom! Então vai começar hoje? Mas é domingo…
─ Não, não… ─ interrompi antes que reclamasse.
─ Então pra onde vai?
Logo que me fez a pergunta, a resposta verdadeira me veio à
cabeça, mas de acordo com as normas do Mundo Secreto, eu não
poderia
falar.
Mas
aproveitei
a
oportunidade
para
dizer
indiretamente. Dizer a verdade sem dizer a verdade. Técnica que eu
costumava usar para não entregar algo. Uma lógica tanto que
esquisita, mas faz sentido, então só precisava confundi-la:
─ Você devia saber para onde estou indo?
─ Como assim?
─ Se você não deixasse de acreditar na família por aquilo que
você acredita, saberia para onde estou indo ─ respondi desafiando.
Depois daquela resposta todos na mesa entreolhavam-se sem
entender, exceto ela que não sei como, entendia um pouco do que eu
estava falando, mas não exatamente. Então prossegui ─ não adianta
ficarem se olhando não. Se não fosse sua falta de confiança, ele
saberia para onde estou indo ─ disse apontando para meu pai ─ e
todos aqui saberiam ─ diminuindo o tom de voz conclui ─ Isso se
147
todos nós já não estivéssemos lá agora. Há muita coisa na família que
essa família não sabe por falta de confiança.
─ Pode ter certeza! ─ Meu pai afirmou com clareza.
Estranhei a afirmação, mas deixei-a de lado e pedi licença ─
como já terminei de comer. Licença ─ disse ao levantar retirando-me
da mesa.
Então quando prestes a entrar em meu quarto, Ellen me chamou
tentando alcançar-me.
─ Que história foi aquela? ─ Perguntou ao aproximar-se.
─ Fácil, pergunte a ela sobre prima dela: Marry.
─ Prima Marry?
─ Você não conhece.
─ Mas é só perguntar isso?
─ Depois, pergunte a explicação da família para o que ela te
contou. E em seguida, se ainda não entender, pergunte o motivo dela
não acreditar. Mas acho que não vai precisar perguntar o motivo, vai
estar muito óbvio ─ com estas palavras entrei para meu quarto
fechando a porta após tanta interpretação.
Ou Melhor, pergunte sobre os parentes que ninguém chegou a
conhecer e os que nem sabiam que existiam. Tá na cara que eu nem
sabia o que estava falando, né? Inventei qualquer coisa pra dar uma
de adolescente revoltado e encerrar a conversa.
Quando retornei ao Mundo Secreto contei o ocorrido a eles,
148
preocuparam-se um pouco, mas logo deram risada.
─ Allan! Em breve, você e sua família estarão aqui, mas por
enquanto, permaneça em sigilo. Mas pode continuar usando essa
técnica, dizer algo sem dizer algo é bem criativo ─ Tom apoiou ─,
mas agora é hora dos testes. E o primeiro é urgente, a prova do
sangue AS+ (positivo).
─ O que?
─ Só uma amostra de sangue. Agora fique quietinho ─ ordenou
cautelosamente preparando a seringa.
─ Mas eu só queria saber pra… ─ parei imediatamente ao sentir
a agulha penetrando meu braço.
─ Pronto, agora é só mandar para as analises onde será
oficialmente comprovado ─ comentou Tom ao término da coleta.
─ Mas pra que serve este teste?
─ Bom que perguntou ─ então começou a história ─ você sabe
que agora o presidente da Glocom é o Harvey. Mas nos primeiros
anos quem governava era John Agrian. Era um governo perfeito. O
que não o deixou governar mais?
─ Não… sei ─ respondi mesmo sem palavras.
─ Sua própria insatisfação! Desejo pelo poder! ─ empolgando-se
cada vez mais ao explicar ─ Mas do que estou falando? Trouxe de
volta ao Mundo Secreto alguém que havia sido expulso, uma
verdadeira ameaça. Há acusações que dizem que pretendiam aliar-se
para Agrian o ajudar em sua vingança e assim dominar o Mundo
149
Secreto e também boatos de que são os responsáveis pelo
desaparecimento de Alex, mas nada disso foi comprovado, então não
pode ser condenado por isso, mas foi penalizado por importação de
terrestres e como já te explicamos: O que é da Terra permanece na
Terra e o que é do Mundo Secreto permanece no Mundo Secreto.
Isso foi uma lei que ele reforçou por propósitos próprios.
─ Tom ─ ouviu seu nome ser chamado, então resumiu a história.
─ Resumindo, você é terrestre, e esse teste é só para comprovar
que você é descendente de Alex.
─ Mas se os secretos não podem ir a Terra, como fariam o teste
de sangue se nós não podemos vir ao Mundo Secreto?
─ Entendeu agora o objetivo? Foi essa lógica que refletiram,
desconfiaram e foram a Terra ver se havia algo de errado. Através de
fatos e noticias descobriram que estava envolvido num esquema para
a Terra, criar um tipo de Glocom na Terra. Mas a pessoa voltou ao
Mundo Secreto declarando a mensagem:
“Entramos numa guerra sem conhecer nosso adversário”
E depois disso voltou para Terra, mas ele deixou isso na época
que ‘a criatura reapareceu’, as pessoas não… ─ foi interrompido ao
ouvir ser chamado novamente ─ melhor irmos logo, depois te conto
o resto.
Saímos do laboratório, onde Jerry e Baby estavam esperando na
150
porta. Eles viraram para o lado, ficando de frente com uma estante
de livros colada com a parede ao fim do corredor.
Não entendi porque haviam parado, até que Tom chegou
abrindo um dos livros sem tirá-lo da prateleira que estava.
Dentro do livro em uma das paginas havia um mecanismo de
dígitos, onde Tom sabia a senha.
Depois que digitou, tirou a mão rapidamente, assim o livro
fechou-se, as três prateleiras giraram noventa graus verticalmente,
derrubando todos os livros no chão formando um tipo de tapete de
livros, enquanto as prateleiras formaram uma porta que se abriu
lentamente de frente para uma escada que nos levava a um cômodo
secreto na casa.
Entrando lentamente observava tudo ao meu redor, até depararme com uma cabine que possuía uma grande tela de vidro na parte da
frente, obviamente servia como um tipo de janela. Só bastava saber
se também era a prova de som.
─ Tá. O que eu devo fazer agora?
─ Nada. Era só isso mesmo.
─ Sério?
─ É. Era só pra ver ─ falou secamente.
─ Então vou embora ─ afirmei caminhando em direção à saída.
Mas antes que eu saísse Tom me segurou pela gola.
─ Você acha que ele está falando sério? ─ Dirigiu-se a um painel
de comando ordenando ─ Baby, a apresentação.
151
─ Ele ensaiou tanto, não via a hora ─ sussurrou Jerry.
Logo se iniciou a sessão, toda a sala transformara-se num
cenário espacial, como se eu estivesse perdido no vácuo, no meio do
sistema solar. Avistando uma estrela cadente que se colidiu com
outra estrela, um brilho muito forte se fez com o impacto, assim
notei que o brilho estava ganhando forma. FORMA HUMANA?
Sim. Desse brilho formou-se Baby, onde estava parado olhando para
mim e sorrindo. Um sorriso que chegava a dar medo, como ao de
uma boneca de plástico. Após flutuar pelo espaço em minha direção
como uma fada reluzente, ou uma borboleta no jardim, parou em
minha frente e consumiu-se em chamas. Enquanto eu continuava
assustado com a tal apresentação, um jato de água caiu sobre as
chamas apagando-as, e assim surgiu Baby novamente com aquele
sorriso medonho, mas logo adiantou sua fala.
─ Num universo que todos conhecem. Numa Terra conhecida por todos.
Mas uma realidade que se diz conhecida. Tanto na Terra quanto no Mundo
Secreto, há o que todos conhecem, no qual chamamos de: os quatro
elementos.
─ Água, fogo, terra e ar são eles ─ conforme apontava para uma
direção surgia o elemento que pronunciava, e também podia mover o
elemento desejado ─, mas juntando todos os quatro formamos um
elemento só. O elemento X. Você e Alex possuem a mesma química
no sangue, que em contato com esse elemento, você não poderia
nem imaginar o poder que teriam em mãos ─ estalou os dedos, como
152
se tivesse desligado a gravidade, fazendo com que eu caísse em
direção a Terra. Mesmo com meu impacto do espaço ao chão não
causou nenhum estrago, nem a mim e nem ao chão. Apenas pude
reparar que ele estava flutuando no céu:
─ Poderia provocar atividades sísmicas.
Então se iniciou um grande tremor, as pessoas gritavam
enquanto tudo tremia e se destruía, prédios caiam, até um deles cair
sobre mim. Mas ao abrir os olhos, eu já estava em outro lugar,
parecia uma fazenda. E Baby flutuando desceu lentamente do espaço,
mas parou um pouco distante de mim.
─ Até iniciar tornados ─ afirmou com um movimento giratório
de dedo.
Percebi no horizonte um furacão que destruía tudo enquanto
passava, aproximando-se rapidamente. Até tentei correr, mas ele
conseguiu me alcançar puxando-me para dentro dele. Uma sensação
muita estranha é estar dentro de um furacão, quando eu estava
prestes a perder o ar, aquele tornado me arremessou para longe, e
assim caí numa praia. Vendo todas aquelas pessoas felizes
aproveitando o sol, olhei para trás lentamente temendo o pior. Lá
estava Baby caminhando sobre o mar, até virar-se para mim com
aquele sorriso novamente.
─ E claro. Tsunamis! ─ Exclamou batendo seu pé direito
levemente contra a água. Formando aquela enorme onda que
acabaria com a alegria de todos ali mesmo. A onda cobriu a tudo e a
153
todos. Quando a água passou, eu estava novamente no espaço, mas
ainda molhado.
─ Imagine só poder mover astros! ─ Supôs ao se aproximar de
mim flutuando com uma mão em meu ombro e a outra estendida
apontando um meteoro que passava por ali. E repentinamente o
meteoro se desviou, agora prosseguindo em minha direção.
─ Ah! Não! ─ Assim fechei os olhos e me encolhi com medo da
colisão ao vê-lo aproximando-se.
Após um tempo, abri os olhos ao perceber que eu não havia
sentido nada, procurei ao redor, mas o meteoro sumiu. E ao observar
mais um pouco, reparei Baby ao lado do sol.
─ Mas também pode usá-los para o bem ─ afirmou. E em
seguida, com um sopro de leve que deu sobre o sol. Tudo se apagou.
─ E FIIIIIIM! ─ Concluiu entusiasmadamente enquanto estava
escuro.
Todos tamparam os olhos quando a luz ascendeu-se novamente,
voltando ao ambiente normal.
─ Então, Allan, agora que já explicamos tudo, entre lá e ascenda
a lâmpada ─ Jerry ordenou.
Ouvindo isso entrei na cabine e ascendi à lâmpada apertando um
botão que havia do lado. Mas ainda sem entender o objetivo. Tom
desanimado e Jerry se entreolharam sérios.
─ Quem colocou um botão de ligar justamente naquela
lâmpada? ─ Perguntou inconformado. E assim todos olharam para
154
Baby que sorria sem graça no momento.
─ Ah, gente. Eu estava apertado, a lâmpada do banheiro tinha
queimado. Aí sabe como é, né?
Tom afastou-se do painel de controle, aproximando-se de mim,
explicou:
─ Este é um teste para ver se você pode usar o elemento X sem
tê-lo. Não poderíamos deixá-lo ter o contato direto com o elemento
porque não conseguiria controlar tanto poder.
─ Mal consegue liberar seu nukken especial ─ Jerry comentou.
─ Sim, não aguentaria, se sobrecarregaria e poderia até explodir.
─ Mas o Nukken especial é um poder emocional ─ murmurei.
Após ficar pensativo por alguns segundos, Tom voltou a
explicar:
─ Verdade, mas não podemos arriscar. É muito poder pra você.
Exatamente por esse motivo sobre aquela cabine está concentrada
uma força extraída dos quatro elementos, criamos esta cabine para
que só você possa ascender esta lâmpada, transformando essa força
em eletricidade e a sua concentração é o que fará ascendê-la.
─ Você está dizendo que só eu posso ascender àquela lâmpada,
exceto por aquele botão ali do lado?
─ Ou… Alex ─ respondeu ─ agora vá lá, concentre-se e
ascenda a lâmpada. E esqueça aquele botão do lado.
Entrei na cabine, olhei para a lâmpada e tentei me concentrar,
comecei fazendo força. Observavam-me pela tela de vidro da cabine,
155
não demorou muito para verem uma parte da tela embaçar-se,
enquanto eu sorria tentando disfarçar, sem graça.
─ Tenta de novo ─ Jerry sugeriu, segurando a risada.
Novamente me posicionei, mas dessa vez deixando a força de
lado e concentrando mais.
Não demorou muito para observarem que uma faísca começara
a ascender dentro da lâmpada, mas apagou-se rapidamente. Mas eu
não estava vendo, me concentrava de olhos fechados.
Em seguida, quando não estavam preparados, a luz se ascendeu
de uma vez, mas dessa vez muito forte e a luz ficava cada vez mais
forte, até perceberem que a sala começou a entrar em curto.
Jerry imediatamente tentou abrir a porta da cabine, mas não se
abria com a força da eletricidade, enquanto Tom tentava desligar o
painel que agora mesmo desligado se alimentava da própria energia
produzida e não podia ser desligado. Tom afastou-se do painel para
não ser pego pela eletricidade.
─ ALLAN! PODE PARAR! ─ Jerry gritava batendo no vidro
tentando me chamar. Mas a energia era muito forte e nem eu podia
controlar mais.
Logo as luzes da casa começaram a piscar, e em seguida, da rua
toda. Estava fora de controle e não sabiam o que fazer.
Principalmente as outras pessoas em suas casas que nem sabiam o
que estava acontecendo. Então tudo se apagou, e eu caí ao chão
também sem energia.
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Meia hora depois, quando abri os olhos, quase todos da casa
estavam presentes, na esperança de que eu ainda estivesse vivo. Jack
chegou preocupado.
─ O que aconteceu aqui?
─ O Allan se sobrecarregou no teste. Mas já está acordando ─
Tom respondeu.
─ O que aconteceu? ─ Perguntei acordando.
─ Você não ouviu não? Você produziu uma super energia, e
tudo se apagou e você desmaiou.
Olhei para a lâmpada apagada.
─ Mas consegui ascender?
─ Vamos jantar logo! ─ Tarry chamou.
E nem vão me dizer se ascendi ou não?
Então me levantei, mas quando eu estava perto da porta olhei
espantado para a lâmpada.
─ Quem ascendeu a lâmpada agora?!
─ Deve ter sobrado um pouco de energia em você ainda, nada
demais, logo passa ─ Tom supôs.
Saímos enquanto Jack me olhava estranhando.
─ Vejam pelo lado positivo, teremos um jantar à luz de velas ─
eu aproveitei a oportunidade ironicamente, mas todos continuaram
sérios ─ ah, gente, foi uma piada.
No dia seguinte, em casa acordei às nove horas para ir ao
157
Mundo Secreto levar Baby à escola, a pedido dele. Ele estava
realmente ansioso para me apresentar o lugar. Eu não iria acabar com
a alegria do garoto por nada, e nem foi pedir tanto. Depois de
arrumado tranquei a porta de meu quarto e fui.
Chegando à sala, só estava Larry, sentado no sofá vermelho.
─ Bom dia! Achei que você não viria.
─ Mas que horas Baby estuda?
─ As treze.
─ E porque nove horas?
─ Ele queria garantir que não se atrasaria.
Naquele momento pude perceber o quanto aquilo era
importante para Baby.
E o quanto ele confiava na minha pontualidade, parece até que já
me conhecia.
Mas parece que sempre nos momentos importantes aparece algo
mais importante ainda, mas com outro tipo e grau de importância.
Exatamente na hora em que eu estava pensando na importância disso
para Baby, meu celular tocou.
─ Alô?
─ Allan! Urgente, aqui na ANETi tão investigando sobre uma tal
invasão na segurança, e o que eu achei mais estranho é que as
informações deles indicaram que você estava envolvido.
Aquela noticia me pegou desprevenido, fiquei realmente
assustado.
158
─ E como você sabe disso?
─ Não há como não saber, eles interditaram a área.
─ O quê? ─ Havia barulho de helicópteros no fundo, o que me
impedia de ouvi-la.
─ INTERDITARAM A ÁREA.
─ O quê? ─ Eu não conseguia mais ouvi-la. Vendo que não
havia mais condições de conversar.
─ Íris! Íris? ÍRIS? Droga! ─ Mas ela desligou sem responder,
aquilo me deixava preocupado.
─ Encrencado? ─ Larry perguntou.
─ Muito.
─ Normal. É como tempestade, tantos estragos, mas no final
sempre passa.
A tempestade passa, os estragos não.
─ Tô torcendo pra que seja assim.
Logo senti o celular vibrar alertando uma mensagem que dizia:
"Interditaram a área! Mas não apareça por aqui, é muito arriscado pra
você. Vá para sua casa, estou indo para lá."
Supondo que seria apenas uma conversa rápida, imaginei que
chegaria até as onze, na esperança de resolver algo.
─ Volto em uma hora ─ avisei a Larry.
─ É melhor voltar mesmo. Se tratando de exigir, Baby é o cão.
159
Voltei a Terra, aguardando Íris em frente minha casa. Eu estava
com pressa, se passou apenas cinco minutos, mas para mim parecia
meia hora.
Talvez se eu olhasse o relógio, cinco minutos continuariam
sendo cinco minutos e não meia hora.
Olhava apreensivo ao redor esperando enxergá-la quando se
aproximasse. Não aguentando mais, comecei a caminhar lentamente
com passos curtos, acreditando que pudesse encontrá-la pelo
caminho.
Próximos dali estavam Dick e Lock, dois ladrões amadores que
tentavam ganhar a vida participando de uma comunidade criminosa,
estavam no nível: Batedores de Carteira.
Não saíam deste nível desde que entraram, e não tinha previsão
para sair.
Eram novatos, daqueles que acham que podem ganhar a vida
facilmente, mal sabiam o caminho que haviam escolhido.
─ Dick, o que temos que fazer agora?
─ Não sei, Lock, não sei se você é capaz, você faz tudo errado.
Mandei você roubar um cara e você o deixou ir embora sem pegar
nada dele.
─ Mas ele tava atrasado, Dick, ele ia perder o emprego. E se
perdesse o emprego, não teríamos mais nada pra pegar dele ─
respondeu.
160
Não podemos criticar essa lógica.
─ Pelo amor. Mas se lembra daquela noite que testei você
mandando-o roubar aquela simples loja de doces?
─ Mas tava fechado, e se quiser provas volte lá naquele mesmo
horário e veja você mesmo. Mas lembrando-se que no dia seguinte eu
trouxe doces daquela loja.
─ Mas você não roubou, você comprou.
─ Pelo menos eu trouxe.
─ E quando assaltou aquela velha, você não trouxe nada.
─ Oh, Dick. Não fala assim da senhora, ela ainda foi boazinha
em me dar um chiclete de menta. Mas eu não peguei nada porque ela
estava sem trocados.
─ Sem trocados? Somos ladrões e não mendigos. E ainda não
me esqueço da vez que se recusou a pegar uma carteira que um rapaz
havia deixado cair.
─ Mas eu tenho justificativa. Eu tava em horário de almoço.
─ Horário de almoço? HORÁRIO DE ALMOÇO? ─ Repetiu
zangado ─ você vai ter muito tempo pra almoço quando a
comunidade nos der férias permanentes. Você quer férias
permanentes? ─ Perguntou desafiando-o.
─ Não.
─ Então se esforça.
─ Ok. Vou me esforçar ─ afirmou Lock.
─ Então desperta o bandidão dentro de ti.
161
─ Acordando o bandidão dentro de mim.
─ Vá lá e… ─ olhou para o lado ─ tá vendo aquele trouxa se
aproximando? ─ Indicou apontando para mim que se aproximava
ainda procurando Íris ─ mostre para ele o bandidão dentro de você.
Vou me esconder atrás daquela árvore.
Lock sem mais palavras, aproximando-se de mim barrando
minha passagem, estendeu a mão dizendo:
─ A grana logo.
Mas sem retrucar ou contrariar, sem nem mesmo prestar
atenção, retirei a quantia que eu tinha e o entreguei. Agora que
conheci o Mundo Secreto, dinheiro não me faria diferença. Com o
dinheiro em mãos, Lock voltou animado para junto de Dick mostrar
que conseguiu.
─ E aí?
─ Veja só a grana que consegui, Dick!
─ Nossa! E como ele reagiu?
─ Ele meu entregou sem dizer nada.
─ Oh! Deixou ele sem palavras!
─ Na verdade, ele nem prestou atenção.
─ Ah, não acredito. Mas você tinha que fazê-lo se sentir
ameaçado. Tome essa arma descarregada, volte lá e pegue mais algo.
Mas dessa vez ele tem que sentir que está te entregando porque você
é perigoso.
Eu continuando a caminhar lentamente, ainda procurando-a,
162
percebi que Lock estava novamente parado em minha frente.
─ Passa o que você tiver de valor ─ ordenou apontando a arma
para mim.
─ De novo?
─ Dessa vez é diferente. Eu trouxe essa arma descarregada
porque você deve se sentir ameaçado. Da ultima vez você não se
sentiu.
─ Ah, entendi ─ concordei notando que ele não era lá muito
esperto. Até tentei pensar em algum modo de enganá-lo, mas antes
de conseguir alguma idéia, uma pequena bolinha de metal surgiu
rolando até meus pés e então se fez uma enorme cortina de fumaça
onde eu não podia enxergar mais nada. A fumaça se desfez, e Lock
não estava mais lá e, no lugar dele estava Íris.
─ Não pergunte ─ ordenou prosseguindo em direção a minha
casa.
Então caminhamos até minha casa conversando, enquanto Lock
acordou caído em frente a uma árvore.
─ Ai que pancada ─ logo percebeu que Dick estava ao seu lado
também caído ─ Nossa! Dick, tá tudo bem?
Ainda meio tonto Dick acordou sem entender o que estava
acontecendo.
─ Lock! É você?
─ Sou eu sim, Dick.
Dick levantou-se esforçadamente.
163
─ Lock, vamos sair daqui. Este lugar é mal assombrado, ou até
mesmo, amaldiçoado! ─ Afirmou Dick, e em seguida os dois
correram, mas no meio do caminho ele parou, olhando para trás e
declarou à Lock ─ Mas agente ainda pega aquele ali.
Íris e eu conversávamos atrás de minha casa.
─ Você esteve na ANETi, certo? ─ Falava agitada.
─ Sim, mas…
─ Então me conte o que aconteceu lá. Dependendo, eu posso te
ajudar a sair dessa.
─ Dependendo?
─ É… se não envolver homicídio, suicídio ou masoquismo, eu
posso ajudá-lo.
─ Suicídio? Mas eu tô aqui.
─ Mas e se alguém se suicidou durante o ato. Agora se for uma
tentativa de dominar o mundo eu posso ajudá-lo. Ai você fica com a
parte acima da linha do Equador e eu fico com a parte debaixo.
─ An?
─ Ou se for apenas uma tentativa de dominar a empresa, ai nós
dividimos os lucros. Ou se for qualquer outra coisa que não envolva
homicídio, suicídio ou masoquismo. Posso ajudá-lo. Mas deixa isso
para lá. Vai me conte.
Antes de responder lembrei que se eu dissesse a verdade poderia
acabar revelando o Mundo Secreto. Então para não puxar muito
assunto, pra não me atrasar, tive de mentir.
164
─ Na verdade, eu havia sido chamado para trabalhar lá, então
cheguei, fiz a entrevista e quando eu estava em direção ao elevador, o
invasor passou correndo, parou em mim e perguntou: Ei, Você ai,
onde fica a saída mais rápida? ─ disse eu fazendo outra voz ─ ai eu
apontei as escadas, e ele desceu como uma bala, na verdade, como
uma bola, porque ele tropeçou um degrau, mas conseguiu escapar.
Então os seguranças, me viram e perguntaram se eu vi o invasor
passando, ai eu disse que não. Eles me deixaram ir, mas devem ter
achado que eu era cúmplice.
─ Se você sabia que ele era o invasor porque o deixou escapar?
─ Eu não sabia, ele estava com roupa de funcionário ─ foi a
única verdade que disse.
─ Ah, é verdade, os seguranças me contaram. Droga! Você não
é o invasor! Então tenho que encontrá-lo, o desgraçado vai sair na
vantagem, sozinho.
─ Você não devia pegá-lo para entregá-lo as autoridades?
─ Ah! E o que eu ganho com isso?
─ Você bebeu alguma coisa? ─ Perguntei estranhando as
atitudes dela.
─ Sim! Sim! É aquela bebida lá, esqueci o nome… só lembro
que é mexicana.
─ Ah! ─ Exclamei espantado.
─ Então tchau, vou voltar lá, e vejo se consigo te tirar dessa.
─ Tchau.
165
─ E você vai ficar ai atrás da casa mesmo?
─ É… que vou ver o jardim. Faz um tempo que eu não dou
uma olhada ─ tentei disfarçar para voltar ao Mundo Secreto.
─ Ah, sim, tá vendo aquele espantalho do seu jardim?
─ Tô sim ─ confirmei olhando para trás.
─ Parece muito com você.
─ Ah! Obrigado.
─ É sério. Me dá arrepios. Você me dá medo.
─ Nossa!
─ Tem algo em você que me assusta. Isso me dá medo, gosto
disso ─ declarava empolgada.
─ Melhor você ir lá tentar resolver aquilo, o bandido sempre
volta ao local do crime ─ tentei me despedir, não gostando muito da
conversa, e com pressa. Mas logo se ouviu um barulho de
helicóptero aproximando-se.
─ Minha carona chegou ─ percebeu ainda agitada, tirando do
bolso da calça uma enorme corda com um gancho na ponta. E
arremessou contra o helicóptero que passava, prendendo o gancho
nele, e o helicóptero arrastou-a pelo ar, pois segurava a corda
firmemente e foi subindo até chegar ao helicóptero.
─ Ah! NA MENSSAGEM VOCÊ DIZIA PRA EU VIR PRA
CASA TE ENCONTRAR. COMO SABIA QUE EU NÃO
ESTAVA EM CASA? ─ Gritei me lembrando de perguntar.
─ É… EU LIGUEI NA SUA CASA E SEU IRMÃO DISSE
166
QUE VOCÊ NÃO ESTAVA ─ gritou quase chegando a bordo do
helicóptero. Onde nocauteou o piloto, tomando seu lugar para
pilotar.
Obviamente estranhei a cena, mas ouvi minha irmã me
chamando ao ouvir minha voz gritando.
─ Allan?
Fiquei em silêncio, e ligeiramente corri para esconder-me atrás
do espantalho. Em seguida, Ellen olhou pela janela me procurando,
mas não me vendo, voltou ao que estava fazendo. Olhei no meu
"telerelógio", já eram dez horas, resolvi confiar em Íris para resolver
a situação. E voltei ao Mundo Secreto para cumprir minha palavra.
Chegando lá, Baby que já me esperava preocupado, cobrou.
─ Eu disse nove horas.
─ Eu estava aqui. Mas tive de resolver uns problemas.
─ Então se apresse, ainda tenho duas horas para te mostrar o
colégio.
─ E não é o bastante?
─ Acho que sim, o lugar é muito grande, enquanto na verdade,
temos apenas uma hora, cinquenta e quatro minutos e, trinta e oito
segundos.
─ Nossa! Como você sabe?
─ Tô vendo no seu relógio.
Fomos pelo caminho que eu cheguei ao Mundo Secreto antes de
167
saber que existia, aquela rua que parecia um corredor, árvores.
Chegando em frente ao colégio.
─ Bem vindo à Starvix! ─ Exclamou Baby. E para minha
surpresa, era aquele enorme castelo branco que havia encontrado da
primeira vez.
Baby me apresentou canto por canto da escola, explicando
algumas coisas e contando alguns fatos enquanto caminhávamos. Até
avistar seu professor de geografia.
─ Professor! ─ Chamou correndo até ele e me puxando ─ esse é
meu primo.
─ Prazer. Mas não me lembro de ter dado aula para você ─
cumprimentou me olhando como se me conhecesse.
─ Ele é estrangeiro. ─ Baby improvisou.
─ Allan Santos ─ eu me apresentei erguendo a mão para
cumprimentá-lo.
─ Willian Browds. Oh! Santos? Então você é do Brasil?
─ Sim, mas atualmente estou morando nos Estados Unidos.
─ Estados Unidos? Você não é estrangeiro?
─ Ele é estrangeiro, mas agora veio pra ficar ─ Baby tentou
disfarçar, mas Browds sorria parecendo desconfiado.
─ Mas o que faz essa hora na escola, Baby?
─ Vim apresentar o colégio a ele.
─ Oh! Legal! Bem vindo a Starvix! ─ Exclamou. ─ E Baby, boa
sorte como guia turístico. Até a aula.
168
─ Obrigado ─ agradeci.
Próximo dali uma garotinha chamava Baby.
─ Baby! Baby! Quem é este daí?
─ É meu primo. Ele é estrangeiro.
─ Nossa! Veio de onde?
─ Brasil ─ eu respondi a ela.
─ Mas então, Baby, fez sua redação sobre algum mito secreto? ─
Mudou de assunto, me ignorando.
Mesmo inconformado disfarcei ficando quieto e deixando-os
conversar.
Mais tarde até pensei em pesquisar o que as leis diziam sobre
xenofobia.
─ Ah! É mesmo! Mas ainda tenho tempo de fazer ─ Baby a
respondeu.
─ Então se junte ao grupinho de ultima hora ali ─ sugeriu
apontando para um grupo de crianças que tentavam fazer uma
redação.
─ Não. Obrigado, posso fazer sozinho ─ recusou a sugestão.
Pude perceber pelo olhar dele para aquele grupinho, que recusou por
não gostar das crianças dali.
─ Certo, mas afinal o que faz na escola essa hora?
─ Te pergunto o mesmo ─ retrucou Baby.
─ Eu estava na biblioteca fazendo a minha redação ─ explicou.
─ Se estava na biblioteca, porque sugeriu que eu fizesse no seu
169
grupo, se nem você estava lá?
─ Nossa! Agora que lembrei, ainda faltam cinco linhas para
acabar a minha, vou indo. Até a aula ─ saiu ainda meio confusa
depois da pergunta. Baby havia embaraçado a mente dela, por isso
saiu disfarçando para evitar constrangimento.
Na verdade a pergunta foi simples, ela que não era muito
inteligente mesmo.
─ Baby, é melhor eu ir, pra você poder fazer sua redação.
─ Não preciso, eu já fiz. Só fiz aquilo pra dispensá-la.
─ Mas do mesmo jeito, já são meio dia e dezenove, melhor se
preparar pra ir pra aula ─ senti um frio ao dizer esse horário.
─ Verdade. Lembra o caminho de volta?
─ Você acha que não?
Observava-me enquanto eu caminhava em direção à saída. Até
eu parar perguntando:
─ Onde é mesmo a saída?
Quando eu passara novamente por aquele corredor, o céu estava
escuro, meio acinzentado, o que era estranho, porque ainda eram
quase treze horas. Após alguns passos tive uma leve sensação de estar
sendo perseguido, continuei caminhando normalmente achando que
podia ser coisa de minha mente, mas ainda preocupado. Olhando
para trás disfarçadamente percebi que havia uma sombra em forma
humana se aproximando. Com medo, apressei o passo, e o vento que
batia nas árvores trazia uma sensação ainda mais tensa. Caminhando
170
mais rápido, tropecei ao tentar olhar para trás, mas ao me levantar
notei que não havia mais sombra nenhuma. Ainda estranhara ao
virar-se para continuar caminhando, me deparei com uma criatura de
manto negro e olhos vermelhos, a mesma criatura que aparecera para
Alex no inicio, mas dessa vez segurava um cetro dourado com um
rubi vermelho na ponta superior. Quase a desmaiar com o susto que
levei, ainda tive forças para gritar. Mas a criatura lançou um pigmento
preto sobre minha boca, tampando-a para que eu não pudesse mais
gritar. Não sabendo o que fazer, eu tentei correr de volta para a
escola, mas em meu caminho surgiu do chão do mesmo pigmento
preto que estava em minha boca formando mais duas criaturas iguais
a ela, mas sem o cetro. Virei-me novamente para ela, notei que erguia
o cetro dizendo:
─ Besitz Blut ─ com sua voz grossa, e o cetro passou a brilhar,
uma luz branca e forte, mas antes que pudesse erguê-lo, Baby saltou
do dentro da copa de uma árvore onde estava escondido entre as
folhas. Pendurou-se no cetro erguido acertando-a com um 'coice',
lançando-a contra uma árvore, e Baby ficara com o cetro na mão,
mas uma das outras criaturas; surgiu atrás dele pegando o cetro de
volta. A própria criatura ressurgira para receber o cetro que a outra
entregou em suas mãos. Pensei em correr, mas não deixaria Baby
sozinho. Quando se preparou para atacar Baby, segurei-o nos braços
tirando-o da direção do cetro e assim a criatura aproveitou para
tentar atacar nós dois. Preparada para usar uma magia, Larry
171
apareceu impondo-se em nossa frente para nos proteger, o que levou
a criatura a mudar de estratégia.
─ Entfernung! ─ Exclamou usando essa magia que atingira
Larry que voou contra Baby e eu, lançando nós três à distância.
Enquanto Larry conferia se estava tudo bem com agente,
ouvimos a criatura dizer.
─ Clawler Fleuer…
Nos entreolhávamos vendo que nada havia acontecido.
─ Comigo não aconteceu nada ─ afirmei.
─ Acho que não era pra nós ─ Baby avisou em tom lento e
assustado ao olhar para trás vendo que uma das outras duas criaturas
estava transformando-se num dragão, um enorme dragão. Parecia ser
uma transformação dolorosa, mas não era. Então percebi que o
pigmento preto saiu na hora que fomos lançados a distância.
Após a transformação completar-se o dragão virou-se para
nós, bufando fumaça pelas narinas. E começou a voar em nossa
direção. Empurrei Baby para um lado e Larry para o outro, gritando:
─ BABY, CORRA.
Logo me atingiu, lançando-me para suas costas, mas antes
consegui segurar em sua orelha esquerda, agarrando em sua cabeça
para eu não voar. Planava numa alta velocidade, quase tocando o
chão. Se inclinava tentando me esmagar contra o muro, mas soltei
sua cabeça, sendo lançado para suas costas onde não pode me atingir,
e ainda não satisfeito, fazendo uma curva que quase me arremessou
172
longe. Voou entre as árvores, mas dessa vez conseguindo o que
planejava, porque fui atingido por um dos pedaços de árvore que
voam com o impacto do dragão, partindo para uma queda direta com
o chão, mas eu ainda estava vivo. Enquanto a criatura assistia a cena,
Baby novamente pegou o cetro dessa vez ameaçando usá-lo.
─ Como é que eu paro aquela coisa? ─ Perguntou com tom e
olhar de ameaça erguendo o cetro na direção da criatura enquanto
apontava para o dragão que agora voava perseguindo Larry.
A criatura percebera que Baby não sabia usar o cetro. Mas
intimidou-se quando ouviu Larry avisar:
─ BABY! É só ordenar algo em outro… ─ abaixou-se para o
dragão não atingi-lo ─ outro idioma que não seja o seu.
─ Blocca! ─ Exclamou Baby apontando o cetro para uma das
outras criaturas, e ela se petrificara instantaneamente.
A própria criatura se desfez da frente de Baby reaparecendo
atrás dele, mas ele correu para próximo ao muro onde a outra
criatura que acabava de surgir se aproximava para capturá-lo. Mas ela
parou intimidando-se quando Baby erguera o cetro exclamando
novamente:
─ Blocca!
Vendo que nada havia acontecido continuou a se aproximar. Até
o grande dragão que flutuava muito alto, cair petrificado sobre ela.
Vendo isso, a criatura preparava alguma magia para lançar contra
Baby, mas então Jerry aparece tomando o cetro da mão de Baby e se
173
impondo contra a criatura para defendê-lo.
─ Não se atreva! ─ Jerry ameaçou-a colocando o cetro bem
iluminado de frente com o rosto dela.
A criatura desistindo de continuar este combate simplesmente
ergueu sua mão.
─ Ritorno ─ exclamara e logo em seguida o cetro passou a
tomar força por si mesmo, voltando para a mão da criatura. Tendo o
cetro de volta, virou-se, caminhando contra uma árvore
atravessando-a desapareceu dentro dela. Quanto aos outros
petrificados, viraram cinzas em segundos e logo dissolveram no chão,
também desaparecendo. Então as árvores destruídas voltaram ao
normal, o sol voltou a brilhar com o céu azul, e tudo continuou
intacto como estava antes. Como se a criatura não quisesse deixar
rastros de que esteve ali. As únicas provas que restaram foram feridas
e arranhões sofridos.
174
< Capítulo Dez >
Decisão por segurança
O pior é que não sabiam explicar como aquilo aconteceu, mas
sabiam por que aquilo aconteceu. Enquanto nos entreolhávamos,
sem saber o que dizer, Jerry quebrou o silêncio lembrando ainda
sério.
─ Temos de levar Baby à escola, ainda está em horário de aula.
Caminhamos até Starvix calados e pensativos com a cena que
acabara de acontecer. Logo ao entrar, Larry pediu para falar
urgentemente com o diretor, Brian Starvix, que logo nos pediu para
entrarmos.
Estava assentado à sua mesa, preenchendo alguns relatórios, mas
logo parou para nos receber. Era um senhor que podia até ser
confundido com o Papai Noel, mas magro. Usando um sobretudo
marrom.
─ Mas esse é Baby Tunow! ─ Exclamou sorrindo para Baby ─
Por que não está em aula, junto aos outros alunos?
─ É exatamente sobre isso que viemos falar ─ Larry afirmou.
─ Algum problema com Baby? ─ Ficou sério ao preocupar-se.
─ Não. Na verdade, o problema está com esse daqui ─ falou
apontando para mim.
175
─ O que ele fez? ─ Olhou ainda mais preocupado para mim.
─ Digamos que a questão não é o que ele fez. Mas o que podem
fazer com ele ou por causa dele.
O diálogo deixava-o cada vez mais preocupado. Então exigiu:
─ Podem ir direto ao assunto?
─ Sim, mas precisamos que Browds também saiba ─ Larry
exigiu.
Starvix não entendia, mas atendeu seu pedido para tentar
resolver qualquer que fosse o problema, o mais rápido possível.
Exatamente no momento que Brian abriu a porta para ir chamar
Browds, deparou-se com Moly Morgan, a professora de matemática,
que estava prestes a abrir a porta para chamá-lo. Ela se assustou, mas
começou a falar o que tinha para avisar:
─ Joe ficou preso no banheiro de novo.
─ Puxa vida! Já é a terceira porta. Podem derrubá-la.
Pô, Joe, de novo não.
─ Já o tiramos de lá, só vim avisar ao senhor para já providenciar
outra porta.
─ Ah! Certo.
─ Ah! Já ia me esquecendo ─ lembrou quando estava quase
voltando para a sala ─ falta um aluno em sala de aula, e ele não está
na escola ─ avisou preocupada.
─ Não se preocupe, Moly. Ele está bem aqui ─ aliviou-a
erguendo seu braço na direção de Baby.
176
─ Que alivio ─ observando que nós estávamos na secretaria,
perguntou ─ aconteceu algo?
─ É um assunto particular.
─ Ai, como eu sou burra, porque fui perguntar? Desculpe minha
curiosidade. Você é o diretor e não eu. Então é assunto seu, eu não
tenho que saber.
─ Acalme-se, Moly. Sem estresse. Pode chamar o professor
Browds para mim?
─ Sim, claro… Mas porque o senhor não usa o interfone?
─ Nossa! ─ Exclamou dando risada ─ é mesmo. É a idade,
Moly, é a idade ─ em seguida usou seu "telerelógio" para chamar
Browds:
─ Professor Willian Browds. Compareça na secretaria, urgente.
Moly, ao ouvir a palavra 'urgente', não pôde controlar sua
curiosidade.
─ Quer que eu anote para não se esquecer de trocar a porta?
─ Ah! Sim, obrigado. Pode anotar no bloquinho em cima de
minha mesa.
Ela entrou olhando para todo mundo, parecia tensa, mas
cumprimentava sorrindo, tinha um sorriso atraente, em seguida
passou a anotar o recado.
─ Aguardem, em alguns minutos Browds estará…
─ Aqui! ─ Browds terminou a frase entrando repentinamente na
secretaria. Até me espantei, porque Baby havia me mostrado o
177
tamanho da escola. Muito grande pra ter chegado tão rápido.
─ Baby? O que faz fora de aula? Afinal você estava hoje cedo
aqui na escola ─ Browds perguntou sem entender.
─ Browds, é exatamente sobre isso que vieram nos falar ─
explicou Starvix, e na hora Browds também se preocupou. ─ É
particular, assunto sigiloso.
─ Suponho que há gente a mais neste lugar ─ supôs olhando
para Moly que enrolava ao copiar ─ Baby. Não era para estar na sala?
─ Ah, sim ─ afirmou Baby.
─ Pode ir, ainda a tempo de terminar a atividade que deixei.
─ Moly? Porque a demora? ─ Perguntou Starvix intrigado.
─ Estou tentando me lembrar do número de telefone do lugar.
Mas acho que não vai precisar, não é? ─ Disfarçou percebendo que
estava a mais no momento.
─ Não. Ele vai saber ─ Browds afirmou a ela.
─ Ah, certo ─ ria para disfarçar sua vergonha ─ já estou indo
pra minha sala ─ sem jeito para disfarçar, e sussurrara para si mesma
enquanto fechava a porta, saindo da secretaria: ─ Eu não devia ter
nascido.
Após presenciar esta cena, perguntei estranhando as reações da
professora.
─ Ela é depressiva?
─ Ela não é nem humana, já tentaram mandar ela e sua família
para o Submundo Secreto, mas não conseguiram motivos suficientes
178
para mandá-los, então os acusadores perderam o caso e tiveram de
responder processo.
Provavelmente respondem até hoje. Racismo, xenofobia, esse
povo tá complicado mesmo, hein?
─ Submundo? ─ Agora não entendia mais nada, mas Jerry fez
um sinal discreto com a mão, mostrando que explicaria depois.
─ Dar aula para alunos dessa idade pode ser difícil para uma
jovem novata. Para você é mais fácil porque você tem mais
experiência. Afinal, você ajudou Alex a criar o Mundo Secreto ─
falou mansamente para Browds. Mas aquela informação era nova
para mim. O que me deixara admirado ao ouvir.
─ Baby. Pode voltar à sala ─ Jerry ordenou vendo que não era
necessário, Baby perder aula. Mas antes que Baby cruzasse a porta,
alertou-o ─ lembre-se, esse assunto não deve sair daqui.
Baby
simplesmente
concordara
balançando
a
cabeça
positivamente e saiu da secretaria.
─ Podemos prosseguir agora? ─ Browds sugeriu curioso e
preocupado.
Sem demora contamos todo o fato e seus detalhes a eles. Mas
Browds apresentou ser o que mais se assustou com o acontecimento.
─ Chegou a hora… e elas perceberam isso. Estão reagindo, isso
só prova o que eu já havia previsto, elas já tinha algo preparado para
esta situação, só estavam aguardando, por isso agiram tão rápido.
─ Espera aí, não estou entendendo, elas quem? ─ Perguntei
179
insatisfeito com a explicação.
─ As bruxas, Allan!
No exato momento em que ouvi aquilo fiquei completamente
surpreso:
─ Então vocês também estão envolvidos nisso?
─ Mais envolvidos do que imagina, Allan. Somos a origem disso
─ e acrescentou ─ Allan, você está mais próximo da verdade do que
pode imaginar.
─ Agora eu estou confuso ─ comentou Jerry.
Imagine eu.
─ Em que você também está envolvido, Allan? O que você sabe
sobre isso? ─ Larry interrogou.
─ Eu caço elas há dois anos na Terra, essa é minha função.
─ Um caçador de bruxas? Então nossa missão não era apenas
buscar um simples parente? ─ Jerry surpreendeu-se.
─ Prefiro o termo exterminador de bruxas, soa mais impactante
─ murmurei.
─ Você mata elas?
─ NÃO!
─ Então não pode ser chamado exterminador.
─ Posso, porque elimino apenas a bruxa, faço a pessoa deixar de
ser… à força.
─ E como descobriram que você está no Mundo Secreto? ─
Jerry questionou. E Larry espantado o respondeu:
180
─ Nós criamos o registro dele… Se realmente já esperavam esta
situação, provavelmente há uma delas ligada ao departamento de
registros.
─ EXATAMENTE! ─ Afirmou Browds satisfeito com o
raciocínio deles. ─ Quando descobriram que um exterminador da
Terra foi trazido ao Mundo Secreto, já se ligaram no que estava
acontecendo e assim deram início ao seu plano de ação.
─ E… o que está acontecendo? ─ Questionei.
─ Elas sabem que você veio por algum motivo, então desejam
impedir o eliminando. Mas nem elas sabem o motivo.
─ E você sabe?
─ Claro!
─ Qual?
─ Eu já disse, está mais próximo da verdade do que pode
imaginar.
─ Ah! Já esperava, parece até alguém que eu conheço.
─ Acredito que sei de quem está falando, mas não posso dizer
─ comentou. E Pediu um favor ─ Starvix, pode cuidar da minha sala
por enquanto?
─ Tranquilo, Browds.
─
Enquanto
a
vocês,
venham
comigo
─
chamou
apressadamente caminhando em direção à porta.
O céu agora estava frio. Browds nos levou até uma casa que eu
não conhecia. O que era óbvio porque eu não conhecia nenhuma
181
casa. Parou em frente à porta e aguardou até um homem nos receber.
Pedindo para entramos, nos recebeu com chá e biscoitos.
─ Mas diga-me, Browds. Qual o motivo de sua visita?
─ Vou ser direto. A criatura voltou ─ nos indicara com o olhar
dizendo ─ eles são as únicas testemunhas, pois também são as únicas
vitimas do seu reaparecimento.
─ Mas… mas… mas… isso é… Impossível ─ gaguejava como
nunca, aquela parecia ser a ultima noticia que não esperava ouvir ─
venha ver, porque é impossível ─ chamou a Browds, seguindo em
direção a seu quarto. Quando nos levantamos do sofá, Browds pediu
que continuássemos esperando, pois era confidencial. Ficamos
aguardando eles voltarem, até que surgiu em minha cabeça a idéia de
perguntar onde eu estava. Era estranho ser recebido por alguém, sem
ao menos perguntar quem é a pessoa.
─ Quem é ele?
─ Michael Steven. Um dos amigos de Alex, também é um gênio,
só não esteve presente na criação do Mundo Secreto ─ Jerry
respondeu. Ao ouvir aquilo me veio algo à cabeça que me fazia
desconfiar daquilo. Mas mudei de assunto para perguntar sobre outra
coisa que havia reparado.
─ Eles não estão muito novos para já estarem vivos a mais de
setenta e cinco anos?
─ Sim, mas estamos numa realidade virtual. Estamos sempre
atualizando arquivos e renovando os contratos de licença, entendeu?
182
─ Jerry ironizou metaforicamente.
─ Então neste momento eu sou um software? ─ indaguei não
compreendendo a metáfora.
─ É… Quase isso.
─ Um arquivo? Um hardware? Um driver? Pelo menos sou algo
importante?
─ Não se preocupe, você vai entender quando Tom te
emprestar alguns livros que o explique isso ─ após responder,
exclamou dando ênfase seriamente ─ Num computador, tudo é
importante.
Aquilo não respondia exatamente a minha pergunta, mas foi o
bastante para silenciar-me, porque era a pura verdade. Após um
tempo esperando aproximou-se uma mulher, nos recebendo
ansiosamente.
─ Boa tarde! Que surpresa ver vocês aqui ─ e assim notando
Jerry ─ Jerry! Como você está crescido, já é um adulto, ainda me
lembro de quando era um feijãozinho.
─ É ─ fingia sorrir ─ devo ter esbarrado com você no útero da
minha mãe, como o tempo passa rápido, né?
Ela ria como uma hiena descontrolada, uma risada exagerada.
─ Você é…? ─ perguntei porquê ela não havia se apresentado.
─ Dona de casa.
─ Não, ─ eu dava uma risadinha para disfarçar sua idiotice ─ eu
quis dizer, quem é você?
183
─ Ah! Desculpe. Como sou burra.
Eu sei.
─ Susan Deackfry ─ ainda ria um pouco ─ esposa do Michael. E
você é de onde?
─ Brasil ─ Larry respondeu imediato antes que eu respondesse.
─ Allan, certo?
─ Como você sabe?
─ Alex me falou de você. Você é realmente igual a ele. Mas qual
o motivo da visita de vocês aqui?
─ Ah! Browds nos trouxe aqui, ainda não entendi por que. Mas
é sobre a criatura que vimos agora pouco.
Ouvindo isso, ela ficou um pouco pálida, lábios paralisados e
olhos arregalados com aquela expressão de preocupação e medo em
seu rosto lembrando-se de quando havia visto a criatura pela primeira
vez em seu passado.
─ Está tudo bem com você?
─ Sim, sim ─ afirmava tentando disfarçar com um forçado
sorriso que escondia seu medo.
─ É algo parecido com isso? ─ Browds voltara aproximando-se
enquanto erguia uma capa semelhante a que a criatura usava
─ Sim ─ respondi sem entender se haviam capturado a criatura
ou se aquilo era apenas uma mera fantasia ─ mas…
─ Não se preocupe, estamos confusos por que… ─ Browds
pausou sua fala parecendo evitar dizer algo, olhava para Michael
184
como se ele soubesse.
─ Porque já capturamos a criatura no passado e não estamos
entendendo como ela está de volta ─ Michael completou.
O ambiente ficou silencioso, ouvia-se apenas o som do vento,
mas minha mente sentia algo de estranho no ar, além do frio. Olhava
para os lados, um clima tenso, até eu me comprimir sentindo uma
corrente de ar que passava raspando por minhas costas.
─ Melhor eu fechar a janela ─ afirmou Browds notando.
Deixando a capa da antiga criatura sobre o sofá, se dirigiu à janela.
Prestes a fechá-la, foi surpreendido por uma corrente negra de ar que
entrou com tudo, rodeou Susan e passou sobre o sofá saindo por
baixo da porta e levando junto de si a capa que Browds deixou sobre
o sofá.
Larry olhava surpreso para mim. E Susan completamente
assustada.
─ Browds, vá. Sabe o que fazer ─ Michael ordenou enquanto
abraçava Susan que deitava a cabeça sobre seu ombro quase
chorando.
─ Você não vai? ─ perguntou Browds.
─ Não posso deixá-la sozinha aqui assim.
Antes que deixássemos a casa, exclamou:
─ Ah! Boa sorte. Vão precisar ─ desejou mostrando
preocupação enquanto abrigava Susan em seu ombro acalmando-a.
Saímos ainda calados, não sabíamos para onde estávamos
185
caminhando, exceto Browds que nos guiava.
─ Michael disse que você sabia o que fazer. Certo? ─ perguntei
curioso.
─ É.
─ E então?
─ Então o que?
─ O que vai fazer agora?
─ Ah! Sim. O que qualquer um faria. Examinar o local do crime.
─ Ah! Claro. Porque não pensei nisso antes ─ tentei disfarçar
minha tolice, enquanto observava que Larry ria discretamente de
mim.
Quando chegamos ao corredor onde a criatura se manifestou,
Browds olhou para os lados estranhando, pois a criatura havia
desfeito todos os rastros e estragos, então o local encontrava-se em
perfeito estado.
─ Vocês têm certeza de que aconteceu aqui?
─ Sim, claro. Mas no final todos os rastros e estragos se
desfizeram e ela entrou nessa árvore e tudo sumiu e o… ─ parei ao
perceber que o dia estava ensolarado.
─ E o…? ─ Browds esperava que eu terminasse a descrição.
─Ah! O sol voltou a brilhar, porque na hora que a criatura
apareceu…
─ Tudo esfriou, como se as cores perdessem sua força ─
incrementou minha fala lentamente.
186
─ Como sabe? ─ Eu não entendia, porque eram exatamente as
palavras que eu usaria para descrever. ─ Porque foi exatamente como
aconteceu agora pouco na casa de Michael. E enquanto as palavras
seriam exatamente as palavras que Alex usaria para descrever o fato.
─ Mas como podemos comprovar que isso realmente
aconteceu?
Browds parou para pensar por um minuto, mas logo tirou de seu
bolso, seu celular fazendo uma ligação.
─ Não pergunte, apenas apareça em minha casa urgente ─ foram suas
únicas palavras ao celular.
─ Venham comigo ─ chamou guiando-nos à sua casa.
Mas no caminho fomos surpreendidos por um cavaleiro que
parou seu cavalo barrando nosso caminho, desceu aproximando-se
erguendo sua espada para nós.
─ Parados. Quem vem lá?
─ Ah! Não, mais um? O que vocês têm contra mim. Primeiro
uma criatura que veio sei lá de onde e também não quero saber e
nem ir pra lá. Agora um cara que acha que é o zorro.
─ Calado, extraterrestre histérico ─ ordenou fazendo-me
silenciar-se no mesmo instante, mas logo notou Browds ─ Ah! Você
eu conheço, mas quem é esse junto a vocês?
─ Não te faz lembrar alguém?
─ Jura? ─ se admirou chegando a não acreditar quando
percebeu, e em seguida se desculpou ─ Mil perdões. Sua histeria
187
confundiu minha mente. Mas seu nome é?
─ Allan.
─ Allan! Interessante. E o que fazem aqui?
─ Eu que pergunto. O que você faz aqui? ─ Browds estranhara.
─ Não sei. Minha espada detectou uma força negativa no local,
então vim ver o que acontecia para eu ajudar.
─ Não acha que chegou ‘um pouco’ atrasado?
─ Sério? Minha espada está há muito tempo fora de uso, então
devo calibrá-la para atualizá-la.
Eu apenas observara estranhando a conversa e o individuo.
─ Ok. Antes de continuarmos. Quem é ele? ─ perguntei não
suportando mais.
─ É o cavaleiro-da-lâmpada. Uma das lendas do Mundo Secreto.
Baby é fanático por ele ─ Jerry respondeu-me.
─ Por que ‘da lâmpada’?
─ Teria que saber a história pra entender. Baby te empresta o
livro depois. Que tal continuarmos?
─ Tem razão. Vamos.
─ Para onde vocês vão? ─ o cavaleiro perguntou curioso.
─ Investigação de emergência. Pode vir com agente.
No caminho contamos a ele tudo o que aconteceu e ele também
se surpreendeu.
Browds levou-nos ao seu laboratório tecnológico secreto. Eu
188
que o observava pensava que acessaria seu computador central, mas
só o usou para ter acesso a um de seus notebooks.
─ O que vai fazer? ─ Larry perguntou.
─ Acessar o mapa rastreador de histórico.
─ E o que é exatamente um mapa rastreador de histórico? ─
perguntei.
─ Pode rastrear a localização e exibir quem estava no local na
determinada hora que for digitada. Ou rastrear a pessoa e exibir o
local que ela estava e quem estava no local na determinada hora que
for digitada.
─ Um nome mais simples para esse negócio seria Pega-ladrão ─
comentei.
─ Verdade! ─ concordou rindo ─, mas só eu tenho acesso a esse
‘Pega-ladrão’ além de Alex, por sermos os criadores dessa realidade
virtual. Esse é apenas o mapa rastreador de histórico. O ‘Pega-ladrão’
de verdade é aquele ali ─ apontava para seu computador central ─,
pois aquele possui a câmera rastreadora de histórico, a diferença é
que esse mostra a cena.
─ Ah! Espertinho, então você fica aqui o dia todo, né? ─ supus
sarcasticamente.
─ Vamos ao que importa. Sabem mais ou menos que horas
aconteceu?
─ Sim, foi entre as doze e cinquenta e as treze.
Selecionando o local no mapa e digitando a hora, foram
189
imediatamente focados quatro pontos na área, que era Larry, Baby,
Jerry e eu. Mas fora esses, não havia mais nenhum onde eram para
estarem três pontos: A criatura e as outras duas.
Os pontos se movimentavam como aconteceu o fato, de um
lado para o outro, mas nem um sinal de outros seres na região.
Todos estranharam e espantavam-se com o que viam. Browds
não conseguia entender.
─ Melhor vermos a câmera rastreadora de histórico.
Enquanto ele ligava o computador central, surgiu-me uma
curiosidade:
─ Jerry, afinal, você trabalha do que?
─ Bem, ─ pensou como responder ─ não é bem um trabalho,
mas um cargo. Segurança oficial de Washington. Se houver alguma
guerra ou algo do tipo, eu tenho que liderá-la, e também lutar. Não
com armas, mas como hinukan, porque a força não está nas armas,
mas dentro de si.
─ Como sustentam a casa?
─ Tom que monta tudo. Vivemos das invenções dele, mas se
não fosse ele, Jack trabalha como vice-presidente na Casa Branca.
─ Aqui está ─ exclamou Browds dando inicio as gravações.
Mostrava toda a cena, exatamente como aconteceu:
─ Não é possível ─ ouvimos sendo exclamado em espanto atrás
de nós, viramos nosso olhar para quem exclamou. Eles o
reconheceram, mas eu não.
190
─ Desculpe, mas quem é ele?
─ Jeorge Rocks ─ se apresentou enquanto aproximava-se.
─ Primo de Alex ─ Browds avisou.
─ Então esse cara ai, também é da família, certo? E porque o
chamou?
─ É o serviço dele. Ele é do Ministério da Justiça Secreta e nos
dirá o que deve ser feito, para agirmos de acordo com as leis, para
não piorar as coisas ─ explicou-me tranquilamente ─ Mas então,
Jeorge. O que deve ser feito?
─ Volte para a Terra ─ ordenou pensativo. ─ Quando
resolvermos isso, o buscaremos novamente. É muito arriscado
continuar aqui.
─ Mas estou disposto a correr este risco ─ eu afirmava tentando
ficar.
─ Não é arriscado somente para você, mas para todo o Mundo
Secreto. Melhor ir, quanto mais rápido você for, mais rápido estará
de volta.
─ Tudo bem ─ eu concordei, mas não contente, tinha de
obedecer porque além de estar de acordo com as leis, era uma
decisão por segurança.
─ Ah! Allan, Baby queria deixar isso com você ─ Browds avisou
entregando em minhas mãos um livro, o livro com a História do
Mundo Secreto.
─ Obrigado ─ agradeci segurando o livro e voltando para a
191
Terra.
─ Agora que ele já foi. Voltarei para pensar e decidir o que vocês
devem fazer e lhes trarei resposta o mais rápido possível. Até mais ─
Jeorge se despedira ao retirar-se.
Em casa, ao chegar do Mundo Secreto, estava pensativo,
querendo voltar ao Mundo Secreto para resolver aquilo e não ficar
esperando que resolvessem. Acompanhei minha família num passeio
para que conhecessem melhor o país. Embora o passeio tenha sido
ótimo, eu ainda desejava estar no Mundo Secreto na luta para
resolver o problema.
Voltando para casa, após tomar meu banho, e cada um se
aconchegar em seus quartos. Tranquei-me em meu quarto para fazer
meus trabalhos individuais, em frente ao computador, aquele que me
garantia o dinheiro do dia a dia no momento. Enquanto aguardava o
programa abrir, reparei no livro que Baby deixara para mim.
Desliguei o computador, e me deitei em minha cama para ler na
esperança de entender algo novo sobre o Mundo Secreto, mas não
durei muitas páginas e cai no sono.
192
< Capítulo Onze >
O julgamento
Acordei com o barulho de minha irmã batendo na porta e me
chamando. Ainda sonolento me levantei sentado na cama colocando
os chinelos, olhei para o despertador, vendo que eram doze e
dezenove. Bocejando caminhei até a porta para atendê-la.
─ O que você quer?
─ Bom dia, né.
─ Tá, bom dia. O que você quer?
─ Ok. Têm dois caras te chamando lá embaixo.
─ O que eles querem? ─ Perguntei ainda sonolento, mas já
estranhando.
─ Não sei. Querem falar com você. São do FBI.
─ FBI? ─ agora estava realmente assustado, imediatamente me
lembrei da ANETi, despertei no mesmo instante.
─ São. Até tiveram o trabalho de erguerem a carteira deles pra
provarem.
─ Diga que não estou. Ah! E se eles quiserem, deixe-os revisar a
casa ─ ordenei só vendo uma escapatória.
─ Mas e você?
─ Esta parte, pode deixar comigo, eu me viro.
193
Fechei a porta, e sabendo que não poderia fugir para o Mundo
Secreto, eu teria que inventar algum jeito de escapar. Na tentativa de
correr para meu guarda-roupa, pegar uma corda onde seria usada
para fugir pela janela e correr pelos fundos. Acabei atingindo o
criado-mudo com a canela, o que me levou numa queda direta ao
chão para dificultar o serviço. Mas ainda pude levantar-me para
continuar. E levantando percebi que havia alguém em cima da cama.
─ Baby?
─ Eu mesmo! ─ Respondeu sorridente.
─ Mas isso é ilegal.
─ E daí?
─ E daí que vai prejudicar você e aos outros ─ expliquei a ele
enquanto eu procurava a corda em meu guarda-roupa.
─ Você nem deve ligar pra isso, né?
─ Claro que ligo. Você é novo pra ficar se arriscando assim.
─ Não. Eu estou falando desse porta-retratos que acabou de se
repartir no chão.
─ Ah, não! Não, não, não, não ─ me ajoelhei diante os pedaços,
me lamentando enquanto tentava juntá-los.
─ Trágico. Mas afinal, o que você estava procurando, tão
desesperado?
─ Minha corda de emergência.
─ Ah! ─ Olhou para a janela perguntando ─ tá de saída?
─ Baby, eu estou numa fuga, me entende agora?
194
─ Oh! Então não sou só eu que fiz algo ilegal por aqui. Mas
falando sério, você sabe ao menos para onde está correndo?
─ Sei… não.
─ Já imaginei. Se você não pode resolver o problema, corra para
alguém que pode. Entendeu?
─ Sim ─ afirmei enquanto encontrara a corda que estava no
fundo do guarda-roupa, debaixo de outras coisas, embrulhado num
lençol, provavelmente escondido. O motivo eu não sabia. Mas ainda
prestava atenção no que Baby dizia e ouvindo o conselho dele pensei
em alguém que poderia me ajudar.
─ Você acorda todos os dias com o canto daquele casal de
pássaros? ─ Indagou observando a árvore dos fundos pela janela.
─ Não ─ respondi ao amarrar a corda bem firme para descer
por ela.
─ Oh! Eles têm um ninho! E estão cuidando dos ovos. Será que
eles são idiotas pra não perceberem que os ovos estão caindo?
─ Me desculpe Baby, mas agora não tem como eu te responder.
Vamos descer rápido… e em silêncio ─ o alertei sussurrando.
Desci primeiro e quando Baby quase chegava ao chão, peguei-o
no colo colocando-o no chão para ir mais rápido. Caminhamos
vagarosamente até próximo à janela da sala para ouvir se ainda
estavam lá. Estavam na porta de entrada, de costas para a janela,
prestes a sair.
─ Você tem certeza que ele não está no quarto dele? ─
195
perguntava um deles à Ellen.
─ Tenho. Ele nunca tranca a porta, só quando não está lá.
Os dois se entreolharam, ainda desconfiados.
─ Para ver se não há nada ilegal, podemos examinar o quarto?
Ellen bufou autorizando-os:
─ Vocês são chatos, viu? Vai, podem ver lá, tomara que
encontrem uma bomba.
Os dois olharam sérios para ela.
─ Além de tudo não têm senso de humor.
─ Hei, parece que vi algo se mexer ali ─ exclamou o outro
apontando para janela. E assim correram para fora pela janela
mesmo.
Nesse instante meu coração acelerou, segurei Baby para nos
escondermos num canto.
─ PARADO. Não se mova! FBI. Continue assim ─
intimidaram, aproximaram-se, revistaram e finalmente perceberam.
─ Pô, que vacilo nosso. É só um espantalho.
─ É, mas olha! ─ Observou admirado ─ o cara caprichou,
colocou até… peruca?
─ Ele quer mesmo proteger esse jardim. O que será que ele
planta? ─ Perguntou olhando desconfiado para o outro. E
observando ao redor o outro simplesmente respondeu:
─ Rosas… cravos… margaridas… lírios e… tangerina? Nada
demais.
196
─ Vamos voltar ao serviço ─ estranhando o espantalho ─
cruzes, eu não dormiria tendo um desses no jardim de casa.
─ Nem eu. Pega duas tangerinas ai pra gente e vamos examinar
o quarto.
─ Será que estão maduras? ─ Perguntou ao pegar.
─ Não sei. Mas esse jardim não tem cara de ser de algum
criminoso.
─ Principalmente o espantalho. Mas fazer o quê? É o nosso
trabalho ─ entraram comentando, novamente pela janela.
─ Confundiram o espantalho com você? Nossa! ─ Comentou
Baby que observava a cena com o pescoço esticado para espiar.
─ Agora é a hora. Vamos ─ sussurrei enquanto prosseguíamos
caminhando cuidadosamente para não sermos percebidos, um dos
ovos daquele ninho caiu sobre minha cabeça quando eu passava por
baixo dele. Olhando para cima notei que os outros dois ovos que
restaram brevemente cairiam também.
─ Pode ir. Eu vou subir pra colocar o ninho no lugar e pode ter
certeza que te alcanço ─ ordenou o garoto.
─ Não, Baby. Acho melhor você não ir e voltar para o Mundo
Secreto, será mais seguro pra você.
─ Mas eu tenho experiência em fuga. Pegar as coisas do quarto
do Jerry não é fácil, o cara é uma máquina de perseguição.
─ Baby, mas isso é diferente. Envolve o FBI também.
─ Eu também tenho experiência profissional. Claro que
197
escondido, porque Jerry e os outros nunca me deixariam fazer essas
coisas, mas mesmo assim tenho.
─ Certo. Você pode ter experiência, mas eu… não quero colocar
você no meio dos meus problemas. É mais seguro voltar.
─ Você não confia que eu posso resolver.
─ Eu confio. Mas se confia em mim irá voltar pra casa agora.
Preocupado abaixou a cabeça:
─ Você não acha mais seguro ir junto comigo pra casa. Assim
você pode se livrar disso.
─ Eu posso fugir do perigo, mas não do problema. Se eu quiser
resolver isso eu tenho que continuar. Eu sei o que estou fazendo.
─ Sabe mesmo?
─ Sim. Acho que já estou até acostumado ─ assegurei sorrindo
─ há alguns anos atrás, na minha adolescência, eu passava por esses
tipos de situações estranhas, a maioria delas fora do real. Ou melhor,
todas elas.
─ Sério?! ─ Perguntou mostrando admiração em seu rosto.
─ Sim. As ultimas foram as piores, eu podia estar traumatizado
até hoje. Alguns da minha ex-turma ficaram com o trauma, e outros
continuaram a vida. Mas veja, hoje estou aqui, enfrentando mais uma
delas.
─ Ok ─ sussurrou mais seguro agora ─, mas tem certeza de que
sairá vivo dessa?
─ Sim. Isso eu garanto.
198
─ Ah! Allan ─ chamou enquanto eu já estava indo e quando me
virei para ele continuou ─ só volto se me prometer uma coisa.
─ O que?
─ Que depois você vai me contar todas essas histórias de seu
passado obscuro ─ sugeriu sorrindo.
─ Pode deixar ─ sussurrei ─, mas agora vou indo, antes que seja
tarde demais.
O deixei para ajudar os pássaros e corri rua adiante, já sabia para
onde estava indo. Mas enquanto corria fui surpreendido, sendo pego
pelos braços. Instantaneamente pensei que fossem os seguranças.
─ Ah! Você de novo? ─ Perguntei não acreditando.
─ Sim. Eu de novo ─ Lock repetiu.
─ Mas quem são vocês? Não podem esperar pra me roubar
outra hora? Agora estou um pouco ocupado.
─ Não.
─ Eu recomendo que me soltem. O FBI tá atrás de mim, eu
estou com o nome bem mais sujo que o de vocês e eles tão vindo ai,
se me pegarem provavelmente pegarão vocês também por estarem
junto comigo, serão suspeitos ─ avisei enquanto Dick olhava
fixamente para mim.
─ Hum… é mesmo? ─ E logo começaram a rir.
─ Ai meu Deus.
─ Espera mesmo que agente acredite nisso? ─ Dick retrucou.
─ Dick. Isso tudo era mentira? ─ Lock indagou confuso.
199
─ Sem comentários, Lock. Agora fique quieto e lance ele contra
aquela árvore ─ ordenou indicando uma árvore próxima. Em seguida
sacou sua arma.
─ A arma descarregada de novo? ─ Perguntei desafiando-o.
─ Cale a boca. E não, está bem carregada ─ afirmou. E para
provar mirou disparando contra a mesma árvore onde eu estava. Na
hora do medo fechei os olhos, mas percebendo que não senti nada,
os abri lentamente. Conferi a mim mesmo, vendo que não havia
nada, me virei para a árvore observando a marca da bala nela.
─ Bem carregada ─ Dick repetiu.
─ Não acredito que escapei daquilo pra morrer aqui ─ lamentei
fechando os olhos.
─ Conseguimos ─ comemorou os dois assistindo minha
lamentação ─ agora pode ir. Só queria ensinar a Lock como fazer
alguém se sentir realmente ameaçado.
─ Vocês me fizeram perder tempo com isso? ─ Indaguei
indignado com tamanha idiotice. Em seguida corri, tomando meu
caminho à fuga. Logo não muito longe deles, parei virando-se para
trás:
─ Vão trabalhar. Nem pra bandido vocês servem.
Ofendido, Dick momentaneamente mirou sua arma para mim,
almejando acertar de longe, mas antes que pudesse apertar o gatilho o
FBI repreendeu-os num só golpe.
O lado bom é que os dois distrairiam os caras por um tempo, e
200
o lado ruim é que os caras eram dois, enquanto um capturava Dick e
Lock, o outro continuaria me perseguindo, o que era um motivo para
correr mais rápido ainda.
Alcançando a casa onde Íris se encontrava, entrei sem avisar,
procurei-a pela casa. Confesso que era uma casa, um tanto que
esquisita. Logo a encontrei no quintal dos fundos, onde meditava de
cabeça para baixo, pendurada pelas dobradiças da perna no varal, que
eram na verdade cordas.
Abriu os olhos de forma repentina indagando:
─ O que você faz aqui? ─ Indagou num só fôlego.
─ Eu que te pergunto: o que você faz assim?
─ Estou meditando, como um morcego. Não vê?
─ Sim. Mas morcegos meditam?
─ Não sei. Mas estou meditando, como um morcego.
─ Entendo ─ concordei mesmo estranhando, para não
prolongar o assunto sem sentido.
─ Mas qual o motivo de sua tão repentina visita?
─ O FBI está atrás de mim. Distraia-os enquanto eu fujo, por
favor.
─ Sério?
─ Claro!
─ Pode deixar. Sai pelos fundos.
─ Obrigado, valeu mesmo ─ agradeci ao abraçá-la.
─ Vá logo, você não tem o tempo todo. Meu sensor adrenalina
201
me diz que eles estão mais próximos que imagina.
─ Ok ─ corri para a saída dos fundos, mas logo que cheguei à
outra rua pude entender o que o “sensor adrenalina” dela queria
dizer. Porque já havia uma barreira de policiais cercando a rua. Tudo
que me restou foi erguer as mãos para o auto e entrar no carro.
Enquanto me levavam. No Mundo Secreto, Jerry e o cavaleiro
da lâmpada procuravam acabar com a situação de vez. Começaram a
investigação com uma visita ao bar dos “arrependidos”. Aqueles que
cometeram crimes mais leves como furto, assalto, estelionato e
outros que não envolvessem homicídio ou algo pior. E já cumpriram
seu tempo na prisão, agora se dizendo “arrependidos”. Pois já sabiam
o destino de quem cometia qualquer coisa envolvendo homicídio e
outros.
Assim que chegaram, detectaram um ambiente normal, assim
como qualquer outro bar.
─ Por onde começaremos? ─ Perguntou o cavaleiro perdendo a
noção do que fazer num lugar tão normal. Jerry cobriu o local com
um rápido olhar a sua volta percebendo algo.
─ Está faltando gente ─ afirmou num tom sério.
─ Ah! E você acha que todos que já foram presos na cidade
estão aqui? Os que estão aqui são apenas aqueles que querem
aproveitar a vida pra esquecer a má experiência que tiveram na
cadeia. Os que não estão aqui, provavelmente mudaram de vida, têm
202
novos planos para refazer o futuro.
─ São exatamente esses que temos que procurar.
─ Faz sentido. E por quem começamos?
─ O criador do agrianismo.
─ Isso.
Jerry virou-se para um senhor que estava ao seu lado jogando
Pôquer, segurou-o pela gola de sua blusa, levantando-o no ar:
─ Onde está John Agrian?
─ Ah! Agrian? Ele é dono de um casino em Las Vegas agora.
─ Ah, perdão ─ colocou-o de volta no lugar e virou para o
cavaleiro perguntando:
─ Quanto tempo leva até Las Vegas?
─ Alguns segundos.
Na hora fez uma expressão duvidosa, desacreditando. Sem
explicar, o cavaleiro tirou sua espada, virou-a de cabeça para baixo
dando toques com ela no chão. E com isso, do chão surgiram
algumas chamas que aumentaram formando um cavalo de fogo, e
assim montou-o chamando Jerry:
─ Suba logo.
Jerry montou também o cavalo.
─ Que fogo é esse que não queima? ─ Murmurou Jerry.
─ Você acha que eu montaria um cavalo que queima? ─
enquanto dialogavam todos no bar se surpreendiam assustados. Pois
sabiam que ali estava uma dupla, na qual não se podia mexer ─ Qual
203
é o nome do casino?
─ Tudo ou nada ─ respondeu o senhor tremulo e de olhos
arregalados.
─ Obrigado ─ então o cavalo e os dois montados se
consumiram em chamas repentinamente em segundos e as chamas
reapareceram em Las Vegas trazendo eles.
─ Oh! Dois segundos de viagem, bateu seu próprio recorde ─
afirmou o cavaleiro animando seu cavalo que logo desaparecera
novamente consumindo-se.
─ Pra onde ele foi? ─ Jerry ainda não entendia.
─ Pra casa.
Sem comentários continuaram caminhando à procura do casino
Tudo ou Nada. E encontrando-o, entraram admirando-se pelo
ambiente maravilhoso, preenchido pela música, dança, jogos, luzes, e
as garçonetes que os serviam bebida. Mas sem perder o foco do seu
objetivo, Jerry dirigindo-se a um dos seguranças do local, o
perguntou onde poderiam encontrar John Agrian.
─ Assunto? ─ Perguntou por segurança.
─ Negócios.
─ Venham comigo ─ ordenou abrindo a expressão com um
sorriso ganancioso.
Levou-os até a sala de Agrian e ele sem perceber a presença
deles, continuou a relaxar com a massagem que recebia de uma de
suas assistentes.
204
─ Agrian?
─ Jerry? ─ virou-se subitamente espantado com a não esperada
visita.
─ Não esperava a nossa visita?
─ Está tão óbvio assim?
─ Certo, vamos direto ao assunto. Ficou sabendo sobre o
reaparecimento da criatura? ─ Perguntou o cavaleiro indo direto ao
ponto.
─ Reaparecimento? ─ Demonstrara uma expressão de quem não
sabia do assunto. ─ Ah! Não, espera aí, vocês não estão achando que
eu sou responsável por isso, não é? ─ Ridicularizou-os rindo.
Mas todos ficaram surpresos ao ouvirem uma voz conhecida
vinda da porta da sala:
─ Ele não disse nada disso, você mesmo está se acusando
sozinho!
─ Baby?! ─ Jerry espantando-se, não acreditava no que via.
Agrian vendo que distraíram os olhares. Aproveitou a
oportunidade para pegar num movimento esperto e rápido, a espada
do cavaleiro.
─ Agora poderei me vingar por me incriminarem sem provas
concretas ─ exclamou vingativamente com um impulso da espada.
─ Não, Agrian, você vai… ─ essas foram as ultimas palavras que
puderam ouvir, antes que o casino inteiro se destruísse num clarão de
luz.
205
Enquanto na Terra novamente.
─ Para onde estão me levando? ─ Perguntei ao ver que
demorava pra chegar.
─ Para o tribunal ─ respondeu um deles.
─ TRIBUNAL? Mas… acabaram de me pegar. E já tem um
tribunal preparado para mim?
─ Só fazemos nosso serviço.
─ Ah! Que maravilha! ─ Murmurei cruzando os braços e
fechando a cara. E assim fiquei quieto até chegar.
No tribunal, todos esperavam minha chegada para dar inicio ao
júri, mas não parecia ser para me receber. Enquanto eu caminhava
para tomar meu lugar, me olhavam como se eu fosse acusado de ter
matado alguém. E logo que sentei, começaram-se os cochichos.
Alguns instantes depois, o juiz pigarreou antes para dar inicio ao júri.
─ Silêncio, por favor. ─ Mas logo começou a tossir, a cada
segundo, a tosse ficava mais forte até chegar ao ponto que ele não
aguentava mais ficar em pé. Teve de ser levado às pressas para o
hospital. O ambiente silenciou-se após o resgate levá-lo. Vendo a
situação, cheguei a pensar que fosse sorte e tentei aproveitar a
oportunidade:
─ Oh! Que pena, eu estava tão ansioso. Outro dia continuamos
─ exclamava me dirigindo a saída ─ quem sabe lá pra… ─, mas antes
que eu cruzasse a porta, um dos seguranças me segurou pela gola da
206
blusa com o dedo, repreendendo:
─ Não, não, não. O júri tem que continuar.
─ Mas não temos o juiz.
─ Eu serei o juiz ─ afirmou em tom de ordem.
─ Mas você é o segurança, não tem experiência pra isso.
─ Eu fiz faculdade disso.
─ Então por que é segurança?
─ Porque eu quero ─ dessa vez em tom forte.
─ Ah! Desculpa ─ recuei, pois ele parecia ter vindo do exército.
─ Então tome seu lugar e aguarde sua palavra ser autorizada.
Obedecendo a sua ordem, me sentei e bufei não acreditando
naquilo. Alguns ainda cochichavam, o segurança vestiu a beca de juiz
e tomou seu lugar, e logo que pronto, pigarreou para chamar atenção
de todos.
─ Tomara que morra dessa vez ─ sussurrei murmurando.
─ O senhor quer nos dizer alguma coisa?
─ Não, eu estava lembrando que estou com fome, porque não
tive tempo de comer nada até agora.
─ Certo. Então podemos dar inicio ao júri.
─ Eu protesto! ─ Exclamei levantando-me e erguendo a mão.
─ Protesta o que? Ainda nem começamos.
─ É sobre isso mesmo que eu protesto. Não podemos começar.
─ Por quê? ─ Perguntou o segurança quase impaciente.
─ Porque fui pego de surpresa para este júri, ninguém me avisou
207
antes...
─ Você também não nos avisou antes de invadir a empresa, nos
pegou de surpresa ─ manifestou-se levantando o cara que antes nos
perseguiu apenas de roupas de baixo, uma das testemunhas
representante da empresa. Até seu advogado segurá-lo tentando
tranquilizá-lo.
─ Ordem no tribunal! ─ Ordenou o juiz severamente. ─ Será
para isso que vieram aqui, decidir se inocente ou não, este
condenado.
─ É!... Condenado?
─ Por apresentar uma justa causa, acho justo te dar o direito a
uma ligação para um advogado e até três testemunhas… se tiver.
─ Ah. Muito obrigado, juiz.
─ Se caso não houver advogado e nem testemunhas,
continuaremos o júri assim mesmo. Então boa sorte, tem 10 minutos
para ligar. E enquanto isso eu vou ao banheiro ─ e assim retirou-se
do tribunal.
Sem pensar duas vezes, liguei para alguém que eu sabia que
resolveria isso de um jeito ou de outro.
─ Íris?
─ Sim, eu mesma.
─ Eu estou aqui no tribunal pra ser julgado em alguns minutos, sem nem
testemunhas e muito menos advogado. Então preciso de uma pequena ajuda.
─ Pode deixar! Eu vou arrasar! Vou acabar com eles! ─ exclamou com
208
firmeza.
─ É isso ai. Mostra o que você sabe. E venha o mais rápido possível.
─ Estou mais próxima que você imagina.
─ Muito obrigado, fico te devendo essa.
Ela já estava no carro com Erich em frente o tribunal no
momento da ligação. Vestida de vaqueira deu apenas uma ordem
para Erich:
─ Acelera! ─ Num folego só.
Mais tranquilo agora que eu havia consegui ajuda para o
julgamento, tomei meu lugar novamente e pensei:
─ Será que ela sabe alguma coisa de direito? Espero que ela
tenha entendido ─ tentava não me preocupar. Mas alguns segundos
após pensar isso, o carro de Erich invadiu o lugar. Eu não acreditava
que isto estava acontecendo.
Ela saiu pela pequena abertura de cima do carro com sua corda
de cowboy, pulando direto na direção dos acusadores. E me
mandava entrar no carro. Já que a situação estava feia mesmo, corri
para o carro enquanto Íris amarrava os acusadores. Os jurados e a
plateia fugiam desesperados pela entrada e outros pela abertura que o
carro havia feito na parede. Os seguranças foram os únicos que não
sofreram aos ataques dela, porque saíram antes para correr atrás do
carro.
Avistando o carro puderam dar um disparo mirando de longe,
mas não nos atingiu, o que nos deu motivo para acelerarmos mais.
209
Até que Erich decidiu perder eles de vista e entrar com o carro em
algum canto onde não fossemos visto.
─ O que vai fazer? ─ Perguntei estranhando.
─ Quando eles passarem direto, nós retornamos ─ respondeu
virando-se para trás para ver a hora que os policiais passassem ─ ah!
Droga ─ voltou-se para o volante desesperado tentando ligar o carro,
mas não adiantava. Olhei para trás para ver o motivo do desespero e
entendi. Havia um rastro de chamas no chão que se aproximava cada
vez mais. Tentamos sair pelas portas, mas estavam muito próximas a
parede e por isso não abriam. Quando conseguimos sair por um
espaço entre a janela e a parede… já era tarde demais.
210
< Capítulo Doze >
Punidos
Além do susto da explosão, acordei subitamente com o barulho
de minha irmã bater na porta me chamando. Assustado, mas aliviado
por aquilo ter sido somente um sonho. Levantei-me ainda sonolento,
eram doze e dezenove, caminhei sonolentamente bocejando até a
porta.
─ O que você quer?
─ Bom dia, né?
─ Tá, bom dia. O que você quer?
─ Ok. Têm dois caras te chamando lá embaixo.
─ São do FBI, certo? ─ Perguntei temendo, e arregalando os
olhos me virei para o relógio espantando-se porque eram exatamente
doze e dezenove.
─ Se sabia que viriam, por que não ficou acordado pra recebêlos?
─ Olha, faça exatamente como eu mandar. Diga a eles que não
estou.
─ Você os traz até aqui e agora foge?
─ Se eles quiserem revistar a casa, pode deixar. Até mesmo meu
quarto. Ah! E se eu não estiver aqui até a noite peça pizza ─ após dar
211
as instruções fechei a porta, virei para minha cama subitamente para
garantir se era o que eu estava pensando. E confirmei:
─ Baby?! ─ Corri na direção dele e novamente atingi o criadomudo, caindo no chão da mesma forma.
─ Você faz isso todos os dias? ─ Perguntou Baby.
─ Não, isso se chama desespero ─ logo me lembrei da corda,
levantei-me apressadamente em direção ao guarda-roupa, ao abrir a
porta peguei o porta-retratos antes que chegasse ao chão.
─ Oh! Que reflexo! Parece até que você já sábia ─ exclamou
baby admirando a cena.
Aquilo me serviu como uma piada, mas continuei minha busca, e
me surpreendi mais ainda porque procurei direto no lençol onde
estava escondida e encontrei. Enquanto eu pensava, Baby observava
a janela:
─ Você acorda com o canto daquele casal de pássaros todos os
dias?
─ Não.
Puxei Baby para com os ouvidos na porta ouvindo a conversa
do FBI no andar debaixo.
─ Você tem certeza que ele não está no quarto dele? ─ eu
sussurrava as falas.
─ Você tem certeza que ele não está no quarto dele? ─ perguntava um
deles à Ellen.
─ Oh! ─ Baby admirava-se.
212
─ Tenho. Ele nunca tranca a porta, só quando não está lá.
─ Tenho. Ele nunca tranca a porta, só quando não está lá.
─ Para ver se não há nada ilegal, podemos examinar o quarto?
─ Para ver se não há nada ilegal, podemos examinar o quarto?
─ Vocês são chatos, viu? Vai, podem ver lá, tomara que
encontrem uma bomba.
─ Vocês são chatos, viu? Vai, podem ver lá, tomara que encontrem uma
bomba.
─ Além de tudo não têm humor.
─ Além de tudo não têm humor.
─ Hei, parece que vi algo se mexer ali.
─ Hei, parece que vi algo se mexer ali.
Em seguida puxei Baby para a janela:
─ Agora, eles vão revistar o espantalho.
─ PARADO. Não se mova! FBI. Continue assim ─ intimidaram,
aproximaram-se, revistaram e finalmente perceberam.
─ Pô, que vacilo nosso. É só um espantalho.
─ É. Mas olha! ─ observou admirado ─ O cara caprichou, colocou até…
peruca?
─ Ele quer mesmo proteger esse jardim. O que será que ele planta? ─
Perguntou olhando desconfiado para o outro. E observando ao redor o outro
simplesmente respondeu:
─ Rosas… cravos… margaridas… lírios e… tangerina? Nada demais.
─ Vamos voltar ao serviço ─ estranhando o espantalho ─ cruzes, eu não
213
dormiria tendo um desses no jardim de casa.
─ Nem eu. Pega duas ai pra gente e vamos examinar o quarto.
─ Será que estão maduras? ─ perguntou ao pegar.
─ Não sei. Mas esse jardim não tem cara de ser de algum criminoso.
─ Principalmente o espantalho. Mas fazer o quê? É o nosso trabalho ─
entraram comentando, novamente pela janela.
─ Nossa! Confundiram o espantalho com você? ─ espantou-se
Baby.
─ Oh! Eles têm um ninho! E estão cuidando dos ovos. Os ovos
estão caindo, será que são idiotas pra não perceberem? ─ Observava
os pássaros novamente.
─ É mesmo! O ovo vai cair agora.
─ Ah! Isso estava meio que óbvio ─ comentou Baby
observando o ovo cair.
─ Esperai. Você não devia perguntar isso agora.
─ Por que não?
─ Devia ter perguntado antes. E suas perguntas estão um pouco
alteradas.
─ Estão? Alguns falam que era ansiedade, mas nunca me
preocupei.
─ Não é isso. É… ─ nos distraímos conversando e acabei
esquecendo que o FBI ainda estava na casa revistando e logo estaria
em meu quarto. Até ver a maçaneta se mexer. Sem pensar, segurei no
braço de Baby. E eles abriram a porta, mas não encontraram
214
ninguém ali, porque por sorte eu havia conseguido usar o Portal
Secreto a tempo.
Regressei estirado no chão pelo teto da sala de Baby, enquanto
ele entrou naturalmente pela porta da frente.
─ Você ainda não dominou o Portal Secreto ─ comentou Baby
aproximando-se de mim enquanto eu me levantava ─ você não deve
pensar somente no lugar aonde quer chegar, mas também como quer
chegar.
─ Vocês não me avisaram isso. Mas como sabia que eu ia usar o
Portal Secreto?
─ Há! Eu tenho ex…
─ Experiência em fuga. Pegar coisas do quarto do Jerry não é
fácil, o cara é uma maquina de perseguição ─ cortei sua fala
continuando-a.
─ Como sabia que eu ia dizer isto? Você está adivinhando tudo
hoje! ─ espantou-se ─ Já tentou na loteria?
─ Não. Mas por algum motivo parece que eu já vivi esse dia, ou
foi apenas uma premonição.
─ Hum! Interessante ─ a mão alisando o queixo com um ar de
sábio ─ vou chamar alguém que pode tentar nos explicar isso.
─ Ok.
─ TOOOOOOOOOOOOM! ─ gritou com todo folego que
tomou.
─ Podia ter avisado que ia gritar ─ murmurei após destampar os
215
ouvidos porque fui pego desprevenido.
─ Achei que saberia. Você está adivinhando tudo hoje.
Tom apareceu tranquilamente, já estava acostumado com os
gritos de Baby:
─ O que foi?
─ O paranormal aqui precisa falar com você.
─ Allan? O que faz aqui? Sabe que não é seguro.
─ Allan? ─ Jerry e o cavaleiro dirigiram-se o olhar a mim ao
ouvir meu nome ─ o que faz aqui? Sabe que não é seguro ─
continuou Jerry.
─ Eu acabei de dizer isso a ele ─ Tom retrucou.
─ Aonde vocês vão? ─ Perguntei vendo que Jerry e o cavaleiro
estavam de saída.
─ Resolver esse problema de segurança logo ─ afirmou o
cavaleiro.
─ NÃO VÁ! ─ Manifestei alertando-os.
─ Por que não?
─ Você vai morrer, Jerry vai morrer, Baby vai morrer, e em
seguida eu vou morrer.
─ Que história é essa de que nós vamos morrer?
─ Vocês vão buscar por um tal de Agrian, um senhor vai dizer
que ele é dono de um casino chamado Tudo ou Nada em Las Vegas.
Lá ele vai usar a espada do cavaleiro pra se vingar de vocês, mas
acaba destruindo tudo e o idiota morre junto.
216
─ E eu onde entro? ─ indignou-se Baby.
─ Você estava lá na cena também.
─ E você?
─ Eu? Aí já sou outra história. Por isso corri pra cá.
No ambiente ficara um clima silencioso de preocupação
enquanto todos se entreolhavam. Até o cavaleiro cortar o silencio:
─ Jerry, isso deve ser verdade, Allan não conhece Agrian.
Melhor não arriscarmos.
─ Allan, como você sabe tudo isso? ─ Tom perguntou sério.
─ Parece que eu já vivi esse dia, foi tipo um sonho e quando
acordei começou acontecendo exatamente como sonhei… ─ assim
contei o sonho todo a ele, explicando os acontecimentos até ali.
Claro, com ajuda de Baby como testemunha. Estavam sem palavras
porque não sabiam explicar aquilo.
─ Porque você achou que vindo para cá, quebraria o ciclo? ─
Indagou Tom.
─ Olha… eu tive um pouco de experiência nessas coisas com
uma turma no passado. E não que eu saiba o que fazer, mas tenho no
mínimo uma ideia do que pode dar certo ─ afirmei meio sem jeito,
não querendo me mostrar sábio.
─ Certo, prossiga.
─ Percebi que Baby estava fazendo as perguntas dele em
horários diferentes do que ele fazia no ‘sonho’, logo pensei que se
Baby está fazendo diferente, através de Baby que eu poderia fazer
217
diferente. Lembrei que ele viria para o Mundo Secreto, então deveria
vir junto a ele.
─… E assim impediu a morte de todos nós ─ acrescentou o
cavaleiro impressionado com tal solução e resultado ─ além de fazer
sentido, ainda deu certo.
─ Eu não acredito em segunda chance, que uma pessoa possa
viver o mesmo dia pela segunda vez. Acredito que venha ser uma
premonição ─ afirmou Tom dando continuidade a sua explicação ─
O cérebro tem uma inteligência que pode criar algo que chamamos
de noção ou instinto. Por exemplo, se soltarmos essa caneta,
sabemos que irá cair no chão. Se Baby for para escola, sabemos onde
ele vai chegar e até podemos imaginar o caminho. Ou seja, através de
algumas informações podemos prever o que pode acontecer. Assim
como a física faz. Suponho que cada ser humano possui um dom,
uns de cantar, outros podem ter o instinto mais aguçado. O que você
fazia ou como se sentia antes de dormir?
─ Eu comecei a ler o livro que Baby deixou comigo pra saber
mais sobre a história Secreta, quando na verdade eu queria estar no
Mundo Secreto ajudando a resolver o problema. E também estava
um pouco distraído pela preocupação do que podia acontecer ─
expressei.
─ Ai está! ─ Exclamou com clareza.
─ Onde?! ─ Perguntei procurando ao redor.
─ Aí está a resposta ─ explicou.
218
─ Ah!
─ Nós tentamos fazer o que queremos. Você queria ajudar a
resolver o problema. Estava preocupado, adquiriu informações, do
livro que estava lendo e sua mente calculou através das informações
que você já possuía e as que você adquiriu. O que podia acontecer
agora, para você tentar mudar e acabar de um modo que você
pudesse ajudar-nos. Entendeu?
─ Acho que sim. Mas você disse que não acreditava em segunda
chance, viver o mesmo dia pela segunda vez ou mais. Acredite, pode
acontecer, falo isso por experiência própria.
A campainha tocou, mas não estavam esperando ninguém.
Escondi-me atrás do sofá por precaução. Tom que foi atender a
porta estranhou a visita do agente Edward Browds.
─ Licença. Obrigado e perdão, mas tenho um mandato de busca
a fazer.
─ Mandato de busca? ─ Manifestei-me levantando assustado.
─ Sim, mandato de… o que você fazia atrás do sofá?
─ Não, continue a história do mandato. Agora quero saber o
que significa isso ─ instantaneamente ao dizer isso fui atingido no
rosto por um dicionário que se lançara em minha direção caindo
aberto no chão virado para cima, após a pancada continuei. ─ Agora
eu pergunto. O que significa isso? ─ apontando para o dicionário. E
dessa vez se lançara do chão contra meu estômago, ainda aberto na
mesma página, tirei-o de mim para ler percebendo que estava
219
realçada a palavra ‘isso’ e seu significado.
is.so: 1. demonstrativo invariável 2. referência a coisa específica que está
perto da pessoa com quem se fala ou a assunto acabado de discutir.
Após ver o significado, olhei para eles com um olhar de ‘quero
explicação’. E Edward não se incomodou de responder:
─ Ora, são dicionários, não conhece?
─ Conheço dicionários, mas não tão intimamente.
─ Por isso mesmo, as pessoas costumam ler ou ouvir algumas
palavras sem saber o que significam e deixam para procurar depois,
mas depois acabam esquecendo por preguiça. Por isso existem esses
dicionários. Programados para mostrar o significado para a pessoa
quando ouvem a frase o que significa.
─ E por que não o atingiram?
─ Porque não citei nenhuma palavra após o que significa. Nós
Secretos já estamos preparados para pegá-lo após perguntar um
significado.
─ Nós Secretos?
─ Sim, você provavelmente é terrestre. Não conhece nem um
dicionário. Mas voltando ao assunto, foram denunciados
anonimamente de importação de ‘terrestres’ ─ deu ênfase olhando
para mim ─ E agora estão respondendo por: Invasão de domínio a
Casa Branca, importação de terrestre e falsificação de documento.
─ Meu documento não é falsificado ─ murmurei.
─ Ai meu deus ─ indignou-se Baby.
220
─ Mas há uma noticia boa para vocês.
─ Qual?
─ A sorte é que não estou contra vocês. Porque não faz sentido,
se a pessoa denunciou, é porque ela sabe. E como sabe de tudo isso?
Ela estava lá sempre que fizeram algo? Estava os espionando? ─
Assim colocava mais drama em sua fala ─ uma coisa eu sei, se foram
denunciados é porque essa pessoa ou o que for, quer alguma coisa. E
suspeito disso acontecer logo após o ressurgimento da criatura.
─ Você ficou sabendo? ─ Indagou Tom.
Edward ergueu um jornal atual para nós, onde havia uma
matéria de capa com o titulo: O retorno da criatura?
─ Alguém deixou isso vazar ─ avisou enquanto nos
entreolhávamos ─ há um júri em andamento, de outro caso. Se
quiserem já posso colocar o de vocês como próximo, mas suponho
que queiram agendar para outro dia. Mas ficaram sobre a vigia de um
oficial. No caso, eu, mas deixo a decisão com vocês, o que acham
melhor?
─ É melhor hoje ─ afirmei pensativo.
─ Por quê? ─ Indagou Tom alarmado.
─ Está na cara, no sonho escapei de um júri e viu como acabou.
Você estava certo Tom, eu queria ajudar e o sonho me alertou e me
fez chegar aqui e serviu de aviso que não devo fugir.
─ Tem razão. Pode marcar ─ ordenou Tom a Edward.
221
Edward aproximando o dedo de seu telecomunicador perguntou
por garantia:
─ Vocês têm certeza?
─ Sim.
─ Reserve o próximo júri para o caso da denuncia anônima ─ ordenou
levando seu telecomunicador junto à boca.
─ Acho que já podemos ir ─ supôs Edward.
Enquanto esperávamos Tom do lado de fora da casa, ele
trancava portas e janelas com segurança máxima, demorou um pouco
para pegar algo em seu quarto. E finalmente ao sair trancou a porta
de entrada. Provavelmente já tinha algo em mente.
Aguardamos na sala de espera enquanto o caso em julgamento
não terminava.
─ O que eu falo? ─ Perguntei um pouco nervoso, a eles.
─ Jura dizer a verdade, somente a verdade e nada além da
verdade? ─ Usou Tom a clássica frase de um júri.
─ Eu juro.
─ Faça isso.
─ Que caso demorado ─ murmurou Jerry ─ diga a verdade
mesmo pra acabar com isso logo sem enrolação.
Logo me assustei com a súbita e rápida rajada de chamas que o
cavaleiro usou para trocar para uma roupa formal.
─ O que significa… ─ pausei ao lembrar-me dos dicionários ─
o que é isso? ─ Perguntei enquanto ele arrumava sua gravata.
222
─ Qual é? Tenho que estar vestido adequadamente para ocasião.
─ Pelo amor, isso é um júri e não um encontro ─ retrucou Jerry.
─ E quem disse que eu iria a um encontro com essa gravata?
Logo alguém nos chamou para o júri. Entramos calados, mas eu
não sabia onde me sentaria.
─ O terrestre senta na cadeira do meio ─ sugeriu a juíza que eu
me sentasse na cadeira localizada no centro do espaço à frente dela ─
quanto os demais ao redor. Exceto o advogado, quem será o
advogado de defesa?
─ Eu! ─ Propôs o cavaleiro.
─ Sente-se ali ─ ordenou a juíza indicando seu lugar.
─ Lee será o advogado do cliente anônimo? ─ Jerry reparou
irônico.
─ Sim. Algo contra senhor Rocks? ─ Perguntou Lee.
─ Não, mas juíza.
─ Diga.
─ Quero trocar meu advogado. Baby pode ir?
─ Por acaso acham que isso é um RPG? Não esqueçam que
quem dá as ordens aqui ainda sou eu.
─ É mesmo? ─ Usando um tom sarcástico ─ se Baby for nosso
advogado, você pode fazer o que?
─ Impedir a interação do advogado ─ afirmou com autoridade
─ Certo. Então a defesa não terá, nem advogado e nem
testemunhas. Somente o terrestre vai falar. E você não pode nos
223
forçar a dizer alguma coisa, ou pode até vir aqui mexer nossas bocas,
mas não pode arrancar palavras.
─ Jerry. Só não chamo os seguranças, porque estou ciente que
você pode quebrá-los agora. Então quero que entenda que estou
simplesmente fazendo meu trabalho ─ afirmou controlando-se de
sua frustração.
─ Nossa situação já está feia, você ainda irrita a juíza? ─
sussurrou Tom para Jerry.
─ Não se preocupe, já entendi sua intenção quando mandou
Allan dizer somente a verdade.
─ Tá, mas não precisava apelar.
Eu não esperava pela atitude de Jerry, mas pensava somente em
cumprir o que Tom havia me ordenado.
─ Senhor Lee está com a palavra ─ chamou a juíza.
─ Boa tarde a todos, estou aqui em nome de meu cliente que
não pôde comparecer…
─ Claro, é anônimo, dã.
─ Jerry. Silencio, por favor, ─ pediu a juíza frustrada ─ Lee,
continue.
─ Então, como eu dizia…
─ Juíza! ─ manifestei-me erguendo a mão para pedir a palavra.
─ Senhor…
─ Allan.
─ Senhor Allan, Lee está com a palavra agora.
224
─ To nem ai pra ele. Tenho uma proposta.
─ Qual?
─ Eu conto minha versão de tudo que sei e aconteceu até aqui,
agora e depois se Lee tiver algo pra perguntar ou falar, ele protesta.
Se não tiver, o problema é dele. Então você tira as conclusões, dá a
ordem final, bate o martelinho e acabamos com tudo isso o mais
rápido possível.
─ Certo. Quem está de acordo com o terrestre?
Assim, todos levantaram as mãos porque não viam a hora de
tudo aquilo acabar ao mesmo tempo em que desejavam saber como
ia acabar.
─ Então pode continuar senhor Allan.
─ Obrigado juíza…
─ Miley.
─ Obrigado juíza Miley.
─ Por nada. Prossiga.
─ Era uma vez… ─ tentei animar as coisas, mas fui
interrompido de inicio.
─ Não, não, não. Se não percebeu, não estamos num conto de
fadas, isso é um julgamento e se continuar assim pode não ter um
final feliz.
Engoli a seco as palavras dela, mas prossegui tentando me
redimir:
225
─ Perdão, só estava tentando distrair o clima ruim no ar. Mas
voltando a história. Lembro-me que eu estava vivendo minha vida
normal na Terra, sabe como é a vida de um terrestre, né juíza?
─ Não.
─ É… Então, acordei naquele lindo dia, tinha acordado de um
sonho muito bom… mas vou deixa-los curiosos porque não vou
dizer o que sonhei…
─ Jura? Estou morrendo de curiosidade ─ retrucou Lee num
tom de tédio.
─… então, eu esperava não ter o que fazer o dia todo, só
assistindo TV e…
─ Senhor Allan, pode resumir? ─ sugeriu a juíza.
─ Certo. Vou resumir.
─ Finalmente ─ sussurrou Lee.
─ Eles me trouxeram para o Mundo Secreto. Trataram-me
como alguém da família para revelar que eu era da família. Depois fui
com Baby conhecer o colégio Starvix. Conheci Browds e uma
professora que não me lembro o nome dela. Na volta encontrei uma
criatura, que dizem que queria roubar meu sangue. Depois encontrei
o cavaleiro da lâmpada… ─ afirmei apontando para ele
involuntariamente.
─ O CAVALEIRO DA LÂMPADA? ─ Olhava espantada para
ele ─ Já foi julgado. O que faz aqui?
226
─ Ops. Acho que à essa hora meu cavalinho já está com fome ─
disfarçou olhando no relógio de pulso que não tinha ─ tenho que ir,
até mais ─ e desapareceu com as chamas que o consumiram
ligeiramente. Logo a juíza retomou o olhar a mim, nada contente
perguntava:
─ O que faziam junto a ele?
─ Ele dizia que me protegeria da criatura e cobiçava capturá-la.
Mas voltando. Até dizerem para eu voltar pra Terra, que era a escolha
mais segura. Eu queria voltar para ajudar, mas não podia, no dia
seguinte tive que voltar, por uma causa de vida ou morte. É isso... ─
conclui, mas a juíza parecia ter se desligado com o que ouvia ─ Juíza?
─ Ah! Claro. Lee algo a perguntar? ─ Voltando o foco ao júri.
─ Percebe-se que as palavras são verdadeiras, pois temos o
jornal como prova de que isso aconteceu ─ caminhava lentamente ao
meu redor enquanto falava ─ embora o caso estando na mão. Tenho
algumas perguntas para finalizar. Primeiro: o que você quis dizer
quando disse que revelaram que você pertencia à família?
─ Mostraram que eu sou descendente de Alex.
─ Sendo descendente de Alex tem sangue secreto, mas… Têm
provas?
─ Acho que sim, porque um pouco antes de encontrar a
criatura, Tom colheu uma amostra de sangue minha para enviar para
algum lugar que não conheço, para avaliarem e comprovarem que é
Secreto.
227
─ Então enviaremos um pedido ao laboratório de identificação
Secreta, para que nos enviem o resultado dessa amostra já avaliada.
Para que se prove que você é Secreto… ou mais ou menos. Mas
enquanto não recebemos respostas, os residentes da casa onde Allan
ficou hospedado ficaram em prisão sob comprovação da acusação
até que se prove o contrário.
─ Juíza. Tenho uma pergunta a ele referente a isso ─ Lee
solicitou.
─ Pergunta permitida.
─ Allan, além deles há mais alguém sabendo que você era
terrestre?
Ao perceber que essa pergunta poderia colocar mais alguém
atrás das grades, isso me deixava um pouco perdido. Olhei para Tom
buscando resposta e ele apenas jogou para mim um olhar permitindo
a verdade, ainda não contente, inclinei a cabeça e respondi:
─ Sim.
─ Quem?
─ Jeorge Rocks, Starvix e…
─ E?
─… Browds.
─ Mandem buscá-los. Também deverão permanecer sob prisão
até recebermos respostas. Exceto Browds. Quanto a Baby, deverá
voltar para a guarda dos pais até recebermos resposta. E Allan voltar
para Terra…
228
─ Até recebermos respostas ─ Lee completou.
Podia-se perceber na expressão da juíza que agora que entendera
o caso, torcia para que as respostas chegassem logo para que fossem
libertos e tudo voltasse ao normal. Não estava contente com as
decisões que aderia, mas devia seguir a lei.
─ Protesto!
─ Diga!
─ Não posso deixa-los serem punidos e voltar pra Terra assim,
imagine o peso na consciência. Pretendo ficar e cumprir alguma
punição. Não ser preso, porque assim não poderei ver Baby. Mas
serviços comunitários ou domésticos. Sei lá.
─ Allan, entenda que não posso puni-lo. Mas a lei diz que
enquanto aguardamos respostas, você pode permanecer no Mundo
Secreto somente a serviços, se alguém estiver disposto a pagá-lo por
algo ─ declarou a juíza.
─ Engraçado Allan ter tocado no assunto e a senhora lembrar-se
dessa lei que nem eu como advogado conhecia, pois eu estava
procurando por empregados lá em casa, se ele estiver disposto ─ Lee
ofereceu-me.
─ O que acha disso, Allan? ─ Perguntou a juíza que na verdade
incentivava indiretamente.
─ Eu aceito.
─ Certo. As negociações deverão ser feitas após o júri. Posso
encerrar o caso agora?
229
─ Não, juíza. Ainda tenho uma pergunta para Lee ─ protestei ─
Por que seu cliente não quis identificar-se? Sendo que está seguindo a
lei ao denunciar, sabendo que a Justiça tomaria as medidas corretas
para a segurança dele ─ disparei a pergunta, e percebi que a juíza
gostou da pergunta e ficou atenta para ouvir a resposta, assim como
todo tribunal.
─ Meu cliente sentiu-se intimidado envolvendo Jerry na
denúncia, medo que acontecesse algo antes ou até mesmo durante o
júri, pois como a juíza mesmo sabe. Nosso acusado é muito ágil.
Todos se entreolhavam não contentes com a resposta, mas
admitindo havia sido bem elaborada e a juíza também não se
contentou com a resposta, mas aderiu-a.
─ Caso encerrado ─ Miley encerrou batendo o martelo.
230
< Capítulo Treze >
Nova vida; nova História?
Após encerrado o júri, Jack correu atrás da juíza que já estava de
saída prestes a entrar em seu carro.
─ Juíza.
─ Diga, Jack.
─ Que lei era aquela que…
─ Sei lá, eu inventei na hora ─ preocupada sugeriu. ─ Olha, seja
o que forem fazer, façam logo, inventando essa lei coloquei meu
nome em risco.
─ Mas por quê?
─ Acreditei em vocês, e eu sei que Lee é agrianista, não confio
muito nele.
─ E por que deixou Allan com ele?
─ Se vocês iriam presos, alguém deveria estar solto pra fazer
alguma coisa. Agora vá lá, antes que notem sua ausência ─ com essas
palavras entrou no carro fechando a porta.
Quando ele caminhava de volta, ouviu a juíza chamá-lo ao
abaixar o vidro da janela. Virando-se para ouvi-la.
─ Jack. Cuidado com o cavaleiro da lâmpada, Lee pode usar isso
contra vocês ─ e terminando o aviso partiu.
231
Os seguranças já haviam levado eles para prisão, enquanto Baby
exigia ser levado de volta para seus pais na traseira de uma Van, pois
queria sentir a emoção de ser levado a força pela assistência social.
Os responsáveis por levá-lo o aguardavam conversando no veiculo
em frente à casa após atender seu estranho pedido, depois de muita
pirraça.
Baby pegava tudo o que supostamente precisaria ‘para a casa dos
pais’.
Foram ajudá-lo ao ver a dificuldade de Baby para passar sua casa
de brinquedos pela porta.
─ Uma casinha de bonecas? ─ Perguntou um deles.
─ Não é uma casinha de bonecas, está vendo a cor rosa? Não?
Então cala a boca. Porque é uma casa de brinquedos.
─ Nossa! Só perguntei.
─ Isso é o que dá abrir a boca quando não deve ─ zombou o
outro colocando a casinha no veiculo.
Em seguida Baby subiu e abriu a porta de sua casinha para
entrar, porque na verdade essa casa era bem grandinha, cabendo-o
dentro.
─ O que você está fazendo?
─ Você é cego? Entrando na casa.
─ Vai ai dentro?
─ Não, vou embaixo. Dã! ─ Retrucou Baby mostrando-se
232
estressado e assim entrou fechando a porta de sua casa, mas antes
que fechassem a porta da traseira, Baby abriu uma janelinha da casa e
pediu:
─ Ah! Esqueci minha mala de roupas lá dentro perto da porta ─
e fechou a janela.
Voltaram e colocaram a mala perto da casinha.
─ Coitado, não me surpreende que esteja estressado. O que você
faria na situação dele? ─ Perguntou ao outro sentindo pena ao
observar a casa toda fechada e Baby lá dentro.
─ Não faço a mínima ideia, mas fecha isso e vamos logo porque
eu estou com fome ─ ignorou a pergunta apressando-o. Entraram no
carro e partiram. E sentado, Baby assistia de um dos quintais dos
vizinhos, o veiculo partindo.
─ Idiotas ─ insultou-os enquanto tomava seu suco de caixinha.
Lee me levava para sua casa para o primeiro dia de serviço, já
que faria o pagamento somente quando o serviço estivesse completo.
─ E aí pai como foi o… júri? ─ Perguntou uma jovem que era
sua filha, ao recebê-lo. Mas intimidou-se percebendo que havia visita.
─ Oi.
─ Foi tudo bem. Este é o Allan, ele trabalhará para nós até
provarem que é um de nós.
─ Da família?
─ Não. Um Secreto. E Allan! Essa é minha filha Karen ─ a
233
apresentava enquanto ela cumprimentava com um olhar sedutor ─ e
meu outro filho Leo chegará do colégio daqui uma hora. Mas
enquanto isso pode começar lavando a louça, Karen te dirá o que
fazer em seguida. Tenho que encontrar meu cliente para lhe contar
sobre o júri ─ antes de abrir a porta para sair, lembrou-se. ─ Ah!
Aconselho que não tente dar uma de herói ou espião tentando me
seguir para descobrir meu cliente. Primeiro porque sou muito rápido,
se não sabe sou o terceiro hinukan. E segundo, se você for visto fora
do serviço, isso poderá ser usado contra você.
─ Entendi.
─ Volto logo. Karen ficará te vigiando.
─ Acho que ela que vai precisar ser vigiada ─ sussurrei
ironicamente para mim mesmo.
─ O que disse?
─ Nada, senhor Lee.
─ Eu também não sou surdo, senhor… Allan ─ sorrindo deixou
o local.
Logo fui para a cozinha começar o serviço pela louça presente
na pia. Alguns minutos depois, Karen chegou à cozinha também,
assim como seu pai, era asiática e não muito alta. Jeito delicado e
muito atraente. Sentou-se a mesa, toda animada e curiosa perguntou:
─ Como é a Terra?
─ Oras, você nunca foi lá? ─ Que pergunta idiota a se fazer para
alguém de outro mundo, ainda mais com leis tão claras sobre a
234
emigração e a imigração. Mas tentei corrigir enquanto ela me olhava
sério ─ Ah! A Terra é grande e redonda, tem muitos mares e
continentes… ─ respondi ironicamente para disfarçar primeira
resposta.
─ Ah! Seu bobo ─ retrucou rindo ─ disso eu sei. Quero saber
quais são as diferenças entre Terra e o Mundo Secreto. Do lugar que
você vive para o que eu vivo.
Agora que eu havia a feito rir, senti mais segurança para
respondê-la:
─ Tipo… ─, mas antes que eu começasse, o telefone tocou. Ela
levantou-se animada para atender:
─ Já volto. Ai você me explica tuuuuuuudinho.
Continuei lavando até ela voltar, não demorou nem um minuto e
quando ela retornou eu estava tentando tirar a mancha de uma tigela
transparente, uma mancha que não saia de jeito nenhum por mais
forte que eu tentasse:
─ Karen. Por acaso você tem algum tipo de removedor de
manchas? Essa mancha teimosa aqui não quer sair e… não sei mais o
que eu faço.
Ela aproximou-se sugerindo:
─ Que tal tentar do outro lado? ─ Virou a tigela para que eu
continuasse.
Com uma simples passada removi a mancha. Ela realmente
estava certa, a mancha estava do outro lado, me confundi pela
235
transparência e agora ela olhava para mim rindo. Segunda idiotice em
menos de cinco minutos. Mas percebi que o sorriso dela, logo foi
transformando-se em uma expressão de insegurança, parecia
preocupada com algo.
─ Você está bem?
─ Sim. Só um minuto vou pegar algo ─ retirou-se
apressadamente.
Eu só torcia pra que não fosse uma arma. Mas quem sabe ela
tivesse ido buscar um cérebro novo para mim? Em alguns segundos
ouvi barulhos vindos do andar de cima, parecia que estava tendo
dificuldade em achar o que procurava. E logo ela desceu e com jeito
pedindo:
─ Allan, você pode arrumar meu quarto? ─ Fazendo cara de
anjinha.
Pelos barulhos ouvidos, eu podia imaginar como estava a
bagunça.
─ Ok. Quando terminar a louça, eu subo lá ─ respondi depois
de muito pensar e não resistir ao pedido e a expressão de anjinha.
─ Ai, obrigado mesmo ─ me abraçou e beijou meu rosto
agradecendo ─ te espero lá.
Aquilo era suspeito, mas nem percebi. Logo que terminei, subi
para cumprir o que disse. Não sabia onde era o quarto, caminhava
pelo corredor esperando achar a porta aberta. Tive sorte, pois achei a
porta aberta, e lá estava ela sentada na cama, mas havia trocado de
236
roupa, usava aqueles uniformes de colégio japonês.
─ Por que está usando isso?
─ Não gostou? Queria que visse como era meu uniforme do
colégio de quando eu estudava no Japão.
─ Gostei. Mas melhor eu começar arrumando logo ─ afirmei
recolhendo as bagunças do chão.
─ E… lá na Terra, você tem namorada? ─ Perguntou num tom
tímido e jeitoso.
─ Não.
─ Por quê?
─ Sei lá.
Já estava desconfiado, mas pelo menos ela ainda não me
perguntou de onde vinham os bebês terrestres.
─ Nossa! E de onde vêm os bebês terrestres? ─ Dessa vez num
tom de inocência
Já senti o cheiro de sujeira no ar. Percebi que ela não era nada
boba, então resolvi explicar tudo antes que ela me pedisse uma
pequena demonstração.
─ Karen, vocês secretos são iguais a nós terrestres, a única
diferença é que vocês nascem no Mundo Secreto e os terrestres na
Terra. Por exemplo, Alex e Browds que são os criadores do Mundo
Secreto, são terrestres e todos que vieram junto com eles também.
Logo sua geração também seria.
─ Ah! Mas você ainda não me respondeu a pergunta dos bebês.
237
O cheiro ficava cada vez mais forte, eu tentava apagar o fogo
para não trazer problemas. Mas…
─ E aqui no Mundo Secreto? Já tem?
─ Estou aqui há poucos dias. Não faz nem uma semana, não
conheço quase ninguém ─ eu respondia tudo sem deixar de recolher
as bagunças, mas logo estranhei ao me deparar com dois pés
seguidos de duas pernas seguidos de… levantei-me até ficar de frente
com ela. Onde declarou:
─ Posso ser sua primeira! ─ Com um sorriso oriental.
─ É… não sei. Estou aqui apenas de empregado, isso não vai te
trazer nenhum problema?
─ Deixa de besteira…
Agora o clima estava tão forte que eu não sentia o cheiro de
mais nada, nem mesmo do guri que observava a cena de boca aberta
enquanto ela me beijava. Ela, sem graça interrompeu imediatamente
ao perceber que o garoto observava:
─ Leo, o que você faz aqui essa hora?
─ Entendi porque o pai me mandou pra casa mais cedo da
escola. Você está encrencada.
Que bom que ele não chegou alguns minutos depois.
─ Ela é maior de idade, sabe o que faz. Pode tomar suas
decisões sozinhas ─ tentei abafar o problema dela.
─ Cala a boca. Você é apenas um empregado ─ Leo desprezou.
Ai, como eu queria saber um palavrão em japonês naquela hora,
238
mas o pior de tudo é que eles entenderiam. Percebi que Karen fazia
um sinal discreto para mim, naquela situação era improvável que
significasse paz e amor. Usando meu raciocínio lógico e um pouco de
leitura labial pude entender que significava: Corre que a coisa tá feia.
Depois disso eu poderia tentar uma carreira como tradutor de sinais.
─ Certo, então vou descer e continuar meu serviço ─ disfarcei
para vazar sem ele perceber minha ausência.
─ Acho bom ─ afirmou com toda autoridade.
E olha que ele nem era o patrão. Será que ele se importaria se eu
fizesse o cuecão nele antes de ir?
Desci para sair correndo, mas corri só depois que deixei a casa,
isso sem me esquecer de fechar a porta, eu sou um fugitivo, mas um
fugitivo educado. Se eu corresse assim na minha época de escola
talvez eu tirasse dez em educação física.
Corri para o primeiro lugar que me veio à cabeça: a casa. E que
eu ainda não me sentia digno de chamá-la de minha. Mas era lá onde
Jerry disse pra me refugiar e onde acharia o que precisaria se qualquer
coisa acontecesse. Cheguei em frente à porta tentando lembrar como
entrar.
─ Ai, como Jerry disse pra abrir a porta mesmo?
Que tal ABRETI SÉSAMO?
─ Porque fui esquecer logo agora? ─ Enquanto me esforçava
para lembrar, a porta abriu-se sozinha.
Ah, eu devia ter tentado jogar um Abracadabra, quem sabe a
239
porta desaparecia.
Ainda suspeitando entrei cautelosamente, mas no momento em
que entrei, a porta se fechou, foi o necessário para eu começar a soar
frio. Gelei instantaneamente ao sentir uma mão me tocando atrás de
mim, naquele escuro todo que estava a casa, até hoje os médicos
tentam entender como não desmaiei naquele momento. Embora não
conseguisse me movimentar arrisquei olhar para trás para ver o que
me assombrava, não vi nada, mais um motivo para me apavorar.
Estava tão congelado que não conseguia nem chorar.
─ Allan?
Olhando um pouco mais para baixo pude me aliviar, era apenas
Baby.
─ Ah! É você.
─ Claro, esperava quem?
─ Ninguém, mas não era pra estar na casa dos seus pais?
─ Você acha mesmo que eu iria pra lá enquanto as coisas
esquentavam por aqui?
Na parte de esquentar, ele tem razão.
─ Mas é mais seguro lá enquanto as coisas não voltam ao
normal.
─ Mas e você? O que faz aqui?
─ Leo me pegou na pior hora, ─ na verdade, como eu disse
antes, poderia ter sido a pior, mas que bom que ele não chegou
alguns minutos depois ─ acabei encrencando a Karen e a mim
240
mesmo ─ na verdade, havia sido ela que nos encrencou, mas por um
bom motivo.
─ Leo ─ expressou com raiva ─ aquele filhote de peixe asiático
ainda vai ter o que merece.
─ Eu espero. Mas agora tenho que sair.
─ Por quê? ─ Preocupado perguntou arregalando os olhos.
─ Porque logo ele perceberá minha ausência e isso resulta em
todos me procurando ─ é a matemática dos loucos. ─ Então devo
sair, pois aposto que o primeiro lugar que vão me procurar é aqui e
se eles vierem aqui irão achar você, que não era pra estar aqui e você
irá obrigatoriamente pra casa dos pais. Por isso é melhor eu sair.
─ Não precisa. Aqui na casa tem esconderijos secretos ─ avisoume tentando convencer.
─ Melhor ainda. Mas qualquer coisa nesta casa é Secreta. ─
aleguei ironicamente.
─ É… ─ forçou um sorriso para não me deixar sem graça.
Engraçado, com a expressão que ele fez parecia até que não me
conhecia.
─ Baby, você me deu uma ideia.
─ Qual? ─ Indagou animado.
─ Você fica aqui assistindo ao noticiário. Quando ver que estão
me procurando, não vá atrás de mim. Vá direto pra um desses
esconderijos secretos, e fique lá.
─ Noticiário? ─ A única parte que ele ouviu foi: assista ao
241
noticiário.
─ Sim. Aquele programa que passa as notícias atuais do…
─ Eu sei o que é um noticiário ─ me interrompeu ─, mas
acontece que isso é uma tortura para uma criança.
─ Baby, se você quiser crescer, não de tamanho, você terá de
assistir ao noticiário, querendo ou não. Assista que você vai entender.
─ Tá bom ─ concordou não muito contente.
─ E outra, nesse caso é uma necessidade.
─ E você? Vai estar aonde?
─ Eu vou visitar seus irmãos enquanto ninguém sabe de nada.
Tenho que conversar com eles. Mas você não pode ir porque todos
pensam que você já está em San Francisco. Se te virem em
Washington não vai dar coisa boa.
─ Verdade ─ ainda descontente.
Como ninguém gosta de ver uma criança triste por não poder
ajudar, resolvi declarar-lhe algo para animá-lo, não palavras qualquer
que voassem com o vento, mas algo que ele guardaria em sua mente,
talvez para sempre.
─ Baby, sabe nos desenhos animados? Herói não é somente
aquele que acaba com o problema, mas também é aquele que impede
que aconteça.
Já com um sorrisinho no rosto, me abraçou dizendo:
─ Para o caso de você não voltar.
Como ele sabe animar uma pessoa, hein?
242
─ Eu volto sim.
─ E se te pegarem?
─ Vão ter que me soltar qualquer hora. Lembra? Temos as
provas que tenho sangue secreto. A não ser que… ─ naquele
momento pensei na possibilidade da pessoa que denunciou tentar
eliminar as provas, mas eu não queria preocupar Baby com apenas
uma possibilidade.
─ A não ser…? ─ Perguntou curioso.
─ Melhor eu ir agora. Antes que percebam. Tchau. ─ me retirei
de pressa.
Após minha saída, cumpriu o que eu disse, sentou-se ligou a TV
no noticiário, mas logo percebeu que eu voltei para perguntar:
─ Onde fica a delegacia?
Enquanto isso, na delegacia, Jerry e os outros na prisão
conversavam:
─ Por favor. Esse pijama listrado não combina comigo. Pareço
uma zebra de duas patas ─ reclamou Franz.
─ Sério? Então que tal aproveitar e ficar quieto, zebras não
falam ─ retrucou Jerry ─ Se veja em meu lugar, estou com este
pijama ridículo e não estou reclamando por isso, mas sim por ter sido
substituído no cargo. E não sei como vocês conseguem ficar tão
calmos estando numa sela. Isso é horrível, aqui não é meu lugar.
Ouvindo aquilo, Tom levantou-se para acalmá-lo:
243
─ Acalme-se Jerry. Você só está assim porque está se vendo no
lugar das pessoas que você mesmo coloca aqui. Tem que aguentar.
Amanhã saímos daqui. Nós não estamos acostumados a estar fora do
conforto do lar, mas isso é necessário.
─ Por acaso leu isso em algum livro de psicologia? A questão
não é aguentar, é a honra em jogo.
─ Mas pense assim: Amanhã eles pegarão a amostra e os
resultados, e sairemos daqui ainda com a razão. Poderemos esfregar
na cara deles que estamos certos e eles errados. E você voltará pro
seu cargo e vai mostrar quem é que manda.
─ Oh! Esse livro ai deve ser dos bons. Agora sim está falando
minha língua. Qual o nome do livro? ─ Mais animado falou
ironicamente, mas observou que Tom tirou um livro debaixo de seu
travesseiro, mostrando-lhe a capa.
─ Positividade Para Prisioneiros. Esperança a ultima que morre
─ Jerry leu em baixo tom de voz.
─ Trata-se de um guia falando da esperança para prisioneiros
com a pena de 0 a 20 anos para não enlouquecer na prisão ─
acrescentou Tom.
─ Brincou ─ Jerry duvidou.
─ Claro! Eu trouxe isso aqui só para zoar que estamos presos ─
Tom declarou animado.
─ Nós estamos presos e você zoa? ─ Indignou-se Franz.
─ O melhor que podemos fazer até amanhã é rir. Reclamando
244
só ficamos mais impacientes e entediados.
─ Isso é verdade ─ concordou Larry caindo de tédio.
─ Tem visita pra vocês ─ avisou Sindy aproximando-se.
─ Allan? ─ Espantaram-se ao mesmo tempo.
─ É. Lee me liberou para fazer uma visitinha pra vocês ─
pisquei para perceberem que não era verdade. ─ Mas Jerry, quem
está no seu lugar agora?
─ A loira ai do seu lado ─ respondeu.
Procurei o nome dela no distintivo. Ela estranhou tapando os
seios com a mão.
─ Não se preocupe, só estou vendo o distintivo ─ avisei
retirando a mão dela.
─ Sei ─ murmurou Franz.
─ Sindy Parkson? ─ Perguntei ao ver.
─ Sim. E o seu?
─ Eu não tenho um.
─ Não tem?
─ Ela tá falando do seu nome ─ Franz alertou.
─ Ah! Não é um distintivo? Desculpa, estou meio ansioso. Sou
Allan, eu te apresentei o documento na entrada.
─ Ah! Verdade. Perdão ─ então virou-se para uma TV que havia
na parede assistindo ao noticiário.
─ Mas voltando ao assunto ─ retomei o assunto a eles ─ antes
do júri, vocês disseram pra eu falar à verdade que daria tudo certo.
245
─ Mas deu certo ─ afirmou Tom.
─ Como assim? Vocês foram presos.
─ Mas pense. Amanhã nós provaremos tudo. E outra coisa,
dêmos a Lee a ilusão de ter nos vencido parcialmente. A pessoa que
nos denunciou queria nos ver presos, estamos presos, agora vamos
ver o que ela vai fazer.
Ele tinha razão, sem palavras olhava para os lados até notar uma
placa na parede ao lado do elevador, onde descrevia cada andar. Ao
olhar para o logotipo do ultimo andar, me veio repentinamente uma
imagem de um tipo de laboratório sem ninguém. Mas ao lado do
logotipo não o descrevia, dizia apenas: Área restrita.
─ O que tem no último andar? ─ Perguntei curioso.
─ É o laboratório para pericia criminalística ─ respondeu Jerry.
─ Mas lá só entram profissionais da área com cartão e senha ─
acrescentou Sindy alertando.
─ Vejam! ─ Larry impressionado chamou atenção de todos para
o noticiário.
─ Parece brincadeira gente, mas não é. Um robô gigante anda solto
por Washington. É isso mesmo que vocês ouviram pessoal, um robô gigante
andando por Washington. Por enquanto ele não apresentou desejo de
destruição, parece que ele só está de passagem, dando uma volta. Está indo
em direção ao colégio Starvix. Mas o problema é que apenas com seus
passos, as coisas já tremem. Quem tiver embaixo então, nem se fala. Parece
246
que alguém andou assistindo muita TV. Um robô gigante? Pelo amor.
Agente ri, mas a coisa é séria. Torço para que a Segurança oficial da
cidade esteja assistindo para fazer alguma coisa o mais rápido possível.
Para evitar mais estragos. Imagine só se uma coisa dessas se irrita ─ o
jornalista anunciava esse bizarro imprevisto.
No mesmo instante olhamos para Sindy, até ela perceber que
estávamos a observando deixando-a sem graça.
─ Ah! Já volto, tenho que dar um jeito nessa coisa.
─ Um robô gigante? Quem é infantil o bastante para soltar um
robô gigante na cidade. Isso é coisa de desenho animado ─ mesmo
indignado, paralisei ao lembrar ─ Nossa! Tenho que ir gente ─ avisei
desesperado, após Sindy se retirar.
─ Pra onde você vai? ─ perguntou Jerry.
─ Baby não foi para casa dos pais. Ele está em casa. E não posso
deixa-lo sozinho com uma coisa dessa a solta ─ me retirei usando as
escadas mesmo.
Ao chegar a casa, parei por alguns segundos em frente à porta.
Em toda minha vida já havia esquecido a chave de casa muitas vezes,
mas aquilo era diferente. Logo consegui me lembrar de como entrar,
assim empurrei a maçaneta de forma elipse que entrou na porta e
reconhecendo minhas digitais se abriu. E entrando me deparei com
Baby na sala que procurava algo dentro de sua mochila, mas nem
247
havia percebido minha chegada.
─ Aonde você vai?
─ Ah! ─ Se assustou ao me ouvir ─ É… lugar nenhum. Só estou
procurando algo.
─ Sério? O quê? ─ Duvidei.
─ É… canetinhas ─ ele respondeu tirando algumas da bolsa. ─
Sabe? O noticiário tá muito chato, ai resolvi desenhar enquanto
assisto.
─ Chato? Um robô gigante solto na cidade. Quer algo maior que
isso?
─ Não. Mas eu não posso fazer nada… então pra mim é chato.
─ Que bom que sabe que não pode fazer nada. Vou ter que sair
novamente.
─ Pra onde?
─ É… Starvix. Preciso falar com Browds ─ não queria mentir
para ele, mas era necessário.
─ Pode ir então. Mas você vai por qual lado?
─ Por aquela rua que encontramos a criatura.
─ Ah! Rua Brendon.
─ Mas porque a pergunta?
─ Só pra garantir que você não fosse na direção do robô ─
afirmou apontando para o noticiário que mostrava o robô
aproximando-se de Starvix.
─ Pode deixar. Lembre-se, atento ao noticiário e as regras ainda
248
são as mesmas ─ declarei me retirando.
Observou pela janela, eu saindo e quando me perdeu de vista,
era sua hora. Pegou sua mochila com as coisas que havia preparado e
partiu em direção ao perigo.
Achei que com a experiência que tive no passado, podia parar
aquele robô. Então segui confiante pelo corredor, ou melhor, Rua
Brendon. Peguei um galho que encontrei caído na grama, o bati
numa árvore com toda a força para testar sua resistência e ele não
quebrou. Assim continuei meu caminho com o plano que tinha em
mente. Mas o problema é que não era somente eu que tinha um
plano por ali. Baby também prosseguia com seu plano. Entrou em
um dos prédios na rua em que o robô se dirigia, era um prédio de
odontologia. Subiu usando as escadas, mas antes um dos seguranças
o perguntou:
─ Hei garoto. Aonde vai?
─ Minha mãe está me esperando lá em cima. Tenho
claustrofobia, não gosto de elevadores.
No andar em que as janelas ficavam acima dos fios de
eletricidade da rua. Sentou-se numa cadeira ao lado de uma porta
onde só podiam entrar profissionais, estavam em reunião. Colocando
a mochila em seu colo tirou um papel e suas canetinhas para
desenhar, enquanto o segurança apenas observava-o.
Enquanto Baby desenhava, eu me arriscava. Vendo a trajetória
que o robô fazia, pude supor por onde passaria. No cano ao meu
249
alcance mais próximo do local, comecei a golpeá-lo com o galho até
quebrar um pedaço causando um vazamento. Exceto pelo fato da
água ter jorrado sobre mim com toda sua pressão me derrubando no
chão, até ali o plano tinha dado certo, agora só faltava atraí-lo para o
local. Eu só pensava em como eu chamaria a atenção de um robô
tendo em mãos apenas um galho.
Por sorte, Sindy havia conseguido convencer o robô a ficar
parado esperando-a voltar para não causar mais estragos.
Perai, ela fala em robonês? Acho que ele era poliglota. Além de
amigável falava em múltiplas línguas? E sem contar as múltiplas
funções. Esse cara tinha o curriculum melhor que o meu.
Baby terminara seu desenho e escreveu um texto no verso da
folha e o entregou ao segurança que logo observou o desenho com
um sorriso e virou a folha para ler o texto, enquanto o segurança
mantinha sua atenção no texto e a folha a frente de sua visão, Baby
passou abaixado entrando na porta restrita. Lá dentro, todos
reunidos conversando sobre algum assunto importante nem o
perceberam passar arrastando-se pelo chão até o banheiro. Onde lá
abriu sua mochila novamente tirando algo que logo provocou uma
grande fumaça com cheiro de queimado. E com isso saiu do
banheiro gritando:
─ Fogo! Fogo! Fogo!
─ Hei garoto. De onde você surgiu? ─ um deles estranhou o
surgimento repentino.
250
─ ISSO NÃO INTERESSA AGORA! É FOGO!
Todos corriam tão desesperados que nem pensaram como
surgiu fogo num banheiro. Agora que concluiu seu plano, era só
terminar o serviço.
Voltou ao banheiro para pegar sua mochila, retirando seu arco e
flecha, mas na flecha havia três cordas amarradas numa ponta só. E
nas outras pontas das cordas tinham ganchos de metal amarrados.
Seguiu em direção à janela, onde avistou o robô parado, lançou sua
flecha que se prendeu no robô, deixando as cordas suspensas, mas
ele não sentia nada. Pegou sua mochila e se retirou do prédio
gritando: Fogo! O que fez todos que ouviam abandonar o prédio
correndo.
Vendo todas aquelas pessoas correndo, pensei que fosse por
motivo do robô. Aproximei-me dele, olhando da cabeça aos pés,
gritei:
─ HEI LATÃO, OLHA EU AQUI! ─ E o atingi com o galho
em seu pé que era a única área ao meu alcance.
Com o olhar daquele robô contra mim, pude perceber que galho
não é o melhor armamento contra robôs gigantes. Não adiantava
nem correr, apenas sua altura se inclinado me alcançava e era
exatamente o que ele fez. Esticava sua mão em minha direção para
me pegar, mas Sindy apareceu e me pegou antes dele, tirando-me de
sua direção:
─ Você é louco? Não responda. Eu acerto as contas com você
251
depois.
Mas o robô ainda pretendia me pegar:
─ RUMPY! PARE, ESTE IDIOTA É INOCENTE! ─ Gritou
ao robô e ele imediatamente parou, mas sentiu ser atingido por trás,
não o afetava, mas ofendia. Olhou para trás vendo que Edward
Browds atirava montado em sua moto:
─ Sindy. Tira ele daqui logo.
Rumpy virou-se para ele e começou a andar em sua direção para
pegá-lo. Conforme Rumpy andava, as cordas da flecha presa nele se
arrastavam até os ganchos se prenderem nos fios elétricos e
puxando-os levou toda carga elétrica a ele. Tentou suportar a carga,
mas era muito forte, e não aguentando causou uma grande explosão
e seus pedaços voaram para todo o lado. E a explosão acabou com a
luz de toda a cidade.
Sindy observava a cena paralisada e de olhos arregalados
enquanto segurava meu braço até seu “telerelógio” tocar, tendo de
soltar-me para atender.
─ Alô. Senhor Lee.
Quando ouvi o nome, Lee, já sabia do que se tratava. E
lembrando que disse para Baby que voltaria. Aproveitei o escuro para
correr sem ela perceber enquanto estava falando com ele.
Tive tempo de chegar ao corredor da Rua Brendon, mas antes
de atravessá-la, senti uma mão sobre meu ombro me puxando e em
seguida um soco que me fez girar. Não acabando a sessão detone o
252
terrestre, Sindy ainda pulou contra uma árvore segurando-se nela e
girando horizontalmente pelas laterais, me atingiu com o pé no
estômago dessa vez me derrubando no chão.
Quando dizem que mulher nunca está satisfeita, em alguns casos
me fazem concordar. Ainda no impulso do giro, soltou-se da árvore
lançando-se contra outra para dar mais um impulso e pular contra
mim.
Mas antes que me atingisse, uma fumaça negra começou a fluir
no chão, aumentando e formando a criatura com a mão erguida em
direção à Sindy paralisando-a no ar. Virou-se para mim, erguendo a
mão para me ajudar a levantar.
─ Obrigado. Mas o que fez com ela? ─ Preocupei-me.
─ Nada demais ─ afirmou ao estralar os dedos fazendo-a voltar
ao normal caindo no chão.
Tentei ajudá-la, mas quando caminhava na direção dela para
prestar ajuda.
─ Se eu fosse você, eu correria ─ alertou.
─ Mas por quê? Ela não está em condições nem de se levantar
como vai me pegar?
─ Corre ─ dessa vez ordenou.
─ Mas… ─ antes de terminar, senti uma vibração no chão que
aumentava cada vez mais ─ Pra que lado?
─ Qualquer um, eu que estou controlando isso mesmo ─
declarou rindo.
253
Sem pensar, comecei a correr a caminho da casa, o chão
desfigurava se destruindo em minha direção enquanto tijolos e galhos
lançavam-se atravessando meu caminho, tijolos e galhos de um lado
para o outro. Já estava sem ar, não aguentava mais, a destruição do
chão me alcançava, mas o cavaleiro da lâmpada apareceu em seu
cavalo do meio das árvores cruzando meu caminho. Segurou-me e
atravessamos aquele muro entrando num depósito. Seu cavalo se
apagou e ele me soltou no chão. Segurava sua espada olhando para
todos os lados como se tivesse preparado para algo.
─ Onde você estava? ─ Perguntei.
─ Protegendo as provas ─ respondia ainda atento ao ambiente.
─ Tomara que não nos ache aqui.
─ Ao contrário.
─ Como é que é? Você quer que ela venha?
─ É essa a intenção.
─ Perai, você me trouxe aqui de isca?
─ Isso ai.
─ Me explica isso ai.
─ Você não queria a oportunidade de acabar com o problema?
Tai, conseguiu ─ exclamou virando-se pra mim ─ Na hora que me
viram sumir do júri, na verdade continuei lá, só não estava visível.
Quando vi que aguardariam os resultados da amostra como prova.
Estava lógico que alguém tentaria acabar com a prova. Então fui
protegê-la e levei-a pessoalmente ao Ministério da Justiça, entregando
254
nas mãos do ministro e lembrei que você estaria correndo risco aqui.
E aproveitei para atrair a criatura e acabar com isso. Ou parte disso.
Enquanto falava, atrás dele, a fumaça negra surgira novamente
formando a criatura que lançou uma rajada da fumaça negra contra
ele lançando-o contra algumas caixas de papelão que caíram em cima
dele com o impacto.
─ Cavaleiro esperto. Conseguiu o que queria. Atraiu-me até aqui.
Mas e agora? Qual o seu plano?
─ Hei criatura. São os quatro elementos que você quer? ─
perguntei tentando acabar com aquilo logo.
─ Vocês ainda me chamam de criatura? Sejam mais criativos ─
flutuou para o alto escrevendo com o dedo em letras de fogo ─ me
chamem de: Xhinukan ─ Ops, isso é Arial? Não gosto de Arial ─
então apagou e escreveu novamente ─ Xhinukan.
─ Xhinukan? Por quê?
─ Isso não interessa ─ e retomando o solo continuou ─ já tenho
o que preciso. Por que acha que queria os quatro elementos?
─ Pra ter todo o poder que precisaria.
─ Meu poupe, meu objetivo vai muito além.
Uma pilha de caixas caiu sobre Xhinukan, pois o cavaleiro se
movia para trás dele enquanto conversávamos.
─ Entendeu agora? ─ Perguntou esclarecendo ─ agora vamos
ver quem é o desgraçado ─ moveu as caixas com uma mão
segurando a espada em outra preparada. Encontrou-o caído. Com a
255
espada apontada para ele tirou a capuz de seu manto, mas não havia
ninguém dentro. Ergueu-o com a mão mostrando que estava vazia.
Imediatamente virou-se para trás ao ver-me assustado de olhos
arregalados.
─ Então era essa a curiosidade de vocês? ─ Xhinukan zombou
com um movimento da mão que fez com que a capa dele que o
cavaleiro segurava se apagasse. Já possuía outra ─ não sou daqueles
vilões que se escondem atrás de capas ou máscaras…
─ Então por que se esconde? ─ O interrompi.
─ Só pra fazer suspense. Na verdade nem sou um vilão.
─ Não? ─ Duvidando.
─ Não. Apenas defendo uma ideia e luto com um objetivo…
que Alex sabe. Não se preocupem, vou matar a curiosidade de vocês.
Mas antes… ─ com um movimento de sua mão fez as pernas do
cavaleiro adormecerem e lançou sua espada encravando contra uma
parede distante dele. Aquele cara não foi com a cara do cavaleiro ─
poderia aceitar seus truques e lutar contra você, mas isso não seria
justo me atingir ou ser atingido sem saber a verdade antes.
Passando a mão em frente de seu rosto:
─ Reveler! ─ Exclamou fazendo a sombra que o escondia
desaparecer aos poucos e em seguida seu manto se desfazendo
mostrava uma roupa social preta por baixo.
─ Agrian? ─ Espantei-me.
─ Olha! Lembra-se de mim, Allan? ─ Admirou-se.
256
─ Não. Apenas te reconheci por uma ‘visão’ que tive… Como
eu me lembraria de você se nunca nos vimos? ─ Estranhei sua
pergunta.
─ Você pode não lembrar, mas já nos vimos sim. É normal que
não se lembre, mas foi uma situação tão marcante ─ logo começou a
rir ─ marcante…
─ Não entendi a piada.
─ Então veja do lado esquerdo de seu pescoço.
Passei a mão lentamente sobre uma pequena marca que tinha no
pescoço, lembrando-me de como aquela marca havia sido feita. Mas
ainda não entendia.
─ Tá. Já entendi a piada, mas o que você tem a ver com isso?
─ Breve entenderá. Mas o meu objetivo quero que todos saibam,
então até mais tarde.
Estava prestes a se retirar, mas o cavaleiro o chamou antes.
─ Hei Agrian.
─ Diga.
─ E o cetro de Lilah?
─ O que tem ele?
─ O que fez com ele?
─ Nada. Não faço ideia do que está falando.
─ Mas…
Antes que o cavaleiro terminasse seu interrogatório, desapareceu
em fumaça que se desfez no solo. Após sua ida, as pernas do
257
cavaleiro voltaram ao normal, levantou-se para pegar sua espada
presa na parede.
─ Quem sabe na próxima ─ supôs ele descontente. ─ Vamos
voltar.
Assim nos transportamos em chamas de volta para a Rua
Brendon.
─ Por que você usa fogo para transportar-se?
─ Pra dar mais efeito. Sabe, quando se aprende algo costuma
usá-lo ─ explicou. Mas repentinamente arregalou os olhos e
desapareceu novamente em chamas. Olhei para trás para ver o que
era. Sindy estava atrás de mim e quando virei me segurou pela gola da
camisa dizendo:
─ Agora podemos conversar. Você vai me explicar toda essa
destruição e voltar para a Terra, pois seu lugar é…
─ Aqui ─ ouvimos uma voz terminando a frase. E quando
vimos quem de quem era a voz, imediatamente soltou-me.
─ Senhor Charlie Clarck.
─ Quem é ele? ─ Estranhei.
─ É o ministro da Justiça ─ sussurrou ela respondendo-me.
─ Senhorita Sindy. O que pretendia fazer com ele?
─ Levá-lo a delegacia e apreendê-lo.
─ Mas Allan tem tanto direito de estar livre quanto você.
─ Hã? Como assim? Olhe os estragos que ele causou ─
declarava apontando o chão destruído.
258
Charlie espantado observou o chão destruído, os tijolos e galhos
caídos, o muro, o chão novamente, reparou-me da cabeça aos pés e o
chão de novo, duvidava pelo fato de eu ser terrestre e ter chegado há
pouco tempo:
─ Ele que fez tudo isso? Porque se fez, é um encrenqueiro de
primeira.
─ Na verdade, ele não fez, mas foi tudo culpa dele.
─ Como?
─ A criatura esteve aqui e… perseguiu-o e acabou causando
tudo isso para pegá-lo.
─ A criatura novamente? ─ Espantou-se.
─ Xhinukan! ─ Lhes corrigi.
─ Bom que lembrou o meu nome ─ ressurgiu flutuando acima
do cenário da destruição que ele mesmo causou. No instante, o
cavaleiro apareceu atrás de nós, nos empurrando para trás, com a
espada erguida e preparada.
─ Guarde a espada ─ ordenou Xhinukan ─ vim apenas ter uma
conversa para esclarecer meus objetivos a vocês ─ e começou
falando mais manso. ─ Aproveitando que a mídia está aqui ─ disse
olhando para o repórter que anotava e os câmeras deixando-os com
medo ─ como disse a Allan e o cavaleiro no depósito: Apenas
defendo uma ideia e luto com um objetivo, mas se mechem comigo
sabe que terá reação. Mas antes de qualquer coisa, vou matar a
curiosidade de todos revelando quem sou eu, embora alguns aqui já
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tiveram o privilégio de descobrir.
─ REVELER! ─ Ergueu a mão para o céu fazendo algumas
nuvens girarem em espiral formando um circulo e do meio delas
desceu uma luz forte que o cobriu, a luz aos poucos diminuía
revelando que era Agrian, foi algo surpreendente para quem não
sabia.
─ Isso também é efeito? ─ Sussurrei ao cavaleiro.
─ Sim, efeitos são aqueles que fazemos sem dizer o nome. O
Reveler serve apenas para revelar a verdadeira imagem da pessoa ou
do que for.
─ Então está fazendo isso por causa da mídia.
─ Com certeza ─ concordou.
Agrian continuou seu discurso:
─ Isso, para meus seguidores ou simplesmente de minha
ideologia, perceberem que estamos mais próximos de nosso objetivo.
Mas para quem não sabe o que é o agrianismo ─ olhando para mim
─ vou explicar ao vivo e em cores. Essa explicação servirá não
apenas para os que não sabem, mas também para os que conhecem.
E… ─ voltou-se para a câmera ─ inclusive para as crianças ai em
casa. E aproveitando a explicação lhes direi o objetivo logo em
seguida
─ Esse cara sabe enrolar perfeitamente, parece até apresentador
de televisão ─ comentei sussurrando.
─ Ou politico ─ acrescentou Charlie.
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─ O agrianismo trata-se de uma teoria que diz que a criação
dessa nova dimensão, que é o Mundo Secreto, e trazendo algumas
pessoas para cá acabaria causando uma alteração na realidade
provocando um desequilibro nela. Isso resultaria na destruição da
Terra ou do Mundo Secreto, até mesmo dos dois mundos.
Traduzindo, algo sairá destruído nessa História. Mas algo grande e
perderemos muitas pessoas com isso. Se tiverem duvidas leiam “O
Agrianismo Em Série”, para entender.
Já estive na Terra para estudar essa teoria, estudei-a por muitas
vezes e de diversas formas e comprovei. Não estamos próximos
desse desiquilibro, já estamos nele, na Terra também estão. O que
significa que estamos próximos da grande destruição, mas não
sabemos do que e suponho que não queiram arriscar descobrir.
Quanto a solução, é exatamente esse meu objetivo.
─ Você não tem a solução? ─ Espantou-se Charlie.
─ Tenho, é algo que posso resolver apenas com Alex e ele sabe
o motivo. Mas me digam, alguém sabe onde Alex está?
─ Não ─ dissemos todos juntos.
─ Não ouvi direito.
─ Não ─ dissemos novamente.
─ E eu também não. Essa é minha intenção, atraí-lo de onde
estiver para resolver isso que posso resolver apenas com ele e
Browds, que já temos aqui. Não tenham medo, não vou matar
ninguém… ainda. Brincadeira. Se que quisesse já teria feito isso.
261
Então, Browds, traga Alex e diga-o que tenho uma proposta a
resolver com vocês e…
─ Agrian, chega de enrolar e me diga logo o que fez com o cetro
de Lilah? ─ perguntou o cavaleiro já frustrado.
─ Lá vem você com essa história de cetro de novo ─
aborrecendo-se ─, mas tenho três palavrinhas pra você; amigo: EU
NÃO SEI.
─ Como não? Se ontem você os barrou nesta mesma rua com o
cetro. E hoje mesmo o vi com ele.
─ Ontem? Como ontem? Se hoje é a primeira vez que apareço
para vocês em forma de Xhinukan.
─ Então como o vimos ontem?
─ Suponho que agora vocês têm duas criaturas circulando por
ai. Isso é mais uma prova do que eu disse. E sugiro que tenham
cuidado, pois essa outra criatura provavelmente não tem o mesmo
objetivo que Xhinukan ─ estralou os dedos fazendo-se voltar à
forma de Xhinukan e em seguida se desfez desaparecendo.
Todos impressionados discutiam enquanto os repórteres corriam
para entrevistar o cavaleiro.
─ Como me acharam aqui? ─ Perguntei a Charlie estranhando.
─ Por incrível que pareça, encontrei o resultado junto à amostra
de sangue sobre minha mesa quando voltei do almoço. Logo
reconheci que era do seu caso porque me lembrei do pedido das
provas. Então fui à delegacia para liberá-los. E te acharam pelo
262
rastreador em seu ‘telerelógio’, como prefere de chamar.
─ Mas onde estão eles?
─ Olha! Eles chegando ali ─ apontou.
─ Desculpe a demora. Estávamos procurando Baby, mas ele não
parava quieto no rastreador porque também estava te procurando ─
explicou Jerry aproximando-se junto aos outros.
─ Ah! Vocês perderam.
─ É, verdade. Mas ainda podemos assistir depois no noticiário ─
afirmou Baby apontando o repórter que agora entrevistava Sindy.
─ Mas ainda tinha uma duvida. ─ Se o nome não é ‘telerelógio’,
qual é o nome certo?
─ Continue chamando assim. É melhor pra você.
─ E Allan continuará trabalhando para Lee por apenas mais uma
semana ─ avisou Charlie.
─ Mas por quê? Já provaram tudo!
─ Não. Isso é por um vazamento de água que você deve
conhecer ─ explicou.
─ Mas foi com uma boa intenção, eu só queria atrair Rumpy…
─, mas fui interrompido por Larry:
─ Allan, venha aqui rapidinho ─ chamou me puxando pelo
braço.
─ Saíram mais rápido do que imaginavam ─ comentei.
─ Finalmente.
─ Mas o que você queria me falar.
263
─ Ah! Ainda podemos entrar no estádio para assistirmos as
imagens das câmeras de segurança para confirmarmos aquilo. Você
disse que viu a bandeira do país naquela sombra, no final, exatamente
o pais que você viu ganhou. Se for, é melhor irmos agora, depois da
Sindy, você é o próximo.
─ Então vamos logo.
No caminho, me distraia muito fácil, qualquer barulho de
impacto era o bastante, até os segundos que passavam sem barulho
nenhum no telerelógio de Larry me chamavam atenção,
estranhamente passei a vê-los seguindo decrescentemente como
contagem regressiva.
─ O que foi? ─ Estranhou olhando para seu telerelógio.
─ Nada ─, mas comecei a me sentir estranho.
─ Certo. Então agora é só entrarmos e ver isso melhor.
─ Larry. Pensando bem, melhor deixarmos isso para depois.
Preciso voltar para a casa. Deixei a família lá e estão apenas de visita,
não conhecem o país como eu.
─ Pode ir então. Volte quando puder. E quando não puder
também ─ sugeriu rindo.
─ Ok, avise aos outros ─ pedi me retirando ao usar o Portal
Secreto.
Caminhando de volta para a Rua Brendon, Larry ouviu um
barulho de explosão. Voltou-se para trás e espantou-se ao ver que
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aquela grande explosão vinha de dentro do estádio, sendo que não
havia ninguém dentro:
─ Ah! Não. Isso é problema.
Já na Terra, em frente minha casa eu a observava parado, ao lado
da caixa de correios. Lembrando-me de toda minha vida até ali.
─ A fila anda, o tempo voa. Nova vida, nova História…
Minha irmã apareceu pela janela do meu quarto chamando o
espantalho:
─ Allan! Você ainda está ai? Entra logo.
─ Eu aqui ─ chamei sua atenção.
─ Ah! Então entra logo ─ sugeriu voltando para dentro.
E com um suspiro conclui.
─ A vida continua…
265
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