A CONSTRUÇÃO DO RETRATO VERBAL CAMONIANO: DUAS LEITURAS
DO TRÍPTICO DE LEANOR
CLARICE ZAMONARO CORTEZ
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ – PR – BRASIL
O amador, a amada, a Natureza e o próprio amor constituem os personagens do
drama amoroso de Camões. Vários são os retratos da mulher amada e idealizada
encontrados nas Rimas e em todos eles, a beleza sensível presentifica-se. Apesar do
platonismo inegável da experiência amorosa, é na mulher que o poeta fica ligado e que
incide o seu deslumbrado olhar, ainda que se tenha consciência de que é outra a origem
dessa beleza retratada. Sensibilidade e inteligência, amor sensual e espiritual são as
oscilações encontradas na construção poética dos retratos femininos na poesia de
Camões.
Na leitura dos textos da medida velha, observamos uma poesia visual, espécie de
fusão entre a poesia e a pintura, permitindo-nos considerar o texto camoniano, além de
figurativo e diagramático, também simbólico e metafórico.
Visualizemos, primeiramente, Leanor, assinalando o último verso como eixo da
leitura:
Descalça vai para a fonte
Leanor pela verdura:
vai fermosa e não segura.
A figura de uma jovem que se dirige à fonte, com os pés descalços pela relva,
provoca uma certa curiosidade no leitor, despertando-lhe o desejo de esclarecer a
situação da não segurança da personagem, repetida no final de cada estrofe do poema
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(vai fermosa e não segura). O ato de andar descalça sugere desproteção e
vulnerabilidade, apesar de uma aproximação mais íntima com a natureza (verdura,
indicativo de primavera, campos verdes, vida, renovação), numa espécie de gesto de
liberdade.
Refletindo mais detalhadamente nessa primeira imagem pintada no texto,
destaca-se a fonte para onde Leanor se dirige, complementando o cenário. Indicia-nos
que a protagonista é uma moça simples do povo e que, em seu cotidiano, está a caminho
do trabalho. Livre, formosa e jovial, movimenta-se em direção a um destino, que o
sintagma não segura nos indica.
Nas voltas que se seguem, predomina a descrição exterior. O eu-lírico pinta-lhe
o retrato físico num fundo de verdura, a caminho da fonte (com evocação de um outro
cenário não menos simbólico e co-referencial: a neve pura), ao evidenciar a sua beleza e
graciosidade, iniciando verticalmente da cabeça para o corpo: Leva na cabeça o pote,
obrigando o leitor/espectador a imagina-la ereta, elegante, ao caminhar. Em seguida, o
uso das metáforas mãos de prata, cabelos de ouro, ressaltam-lhe a brancura das mãos e
o loiro dos cabelos, características do tipo físico da mulher clássica, conforme Ernest
Curtius (1957). As peças do seu vestuário (simples) em si graciosas, e dos objetos que
transporta, pretendem transferir essa afetividade do eu-lírico para Leanor: traz uma cinta
escarlate, um sainho de chamalote, uma vasquinha de cote, uma fita vermelha nas
tranças, ao levar o pote à cabeça e, nas mãos (de prata), o testo.
Descrição plástica (forma) e pictórica (visualidade), em que o rústico e o
delicado combinam-se, assim como o predomínio do vermelho e do branco. Os
instrumentos de trabalho contrastam-se com a fidalguia da brancura das mãos e da
delicada
pele.
Tudo
isso
o
eu-lírico
nos
revela,
servindo-se
das
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rimas
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(pote/prata/escarlata/chamalote/cote) e do ritmo ligeiro dos versos redondilhos
maiores, que traduzem e são os passos graciosos de Leanor. Beleza e vulnerabilidade
são os traços que constituem os versos dessa primeira volta, marcando e perfilando a
protagonista.
Já na segunda volta, ocorre um detalhe sensual que reforça a sua informalidade:
Descobre a touca a garganta. Persistem a linguagem descritiva e o uso do cromático,
predominando a beleza do ouro dos cabelos e do vermelho da fita que os adorna,
atributos essenciais da nobreza de sua aparência, resumidos no verso: Tão linda que o
mundo espanta. Essa beleza corresponde ao ideal feminino da Renascença, retrato em
que, mais que a beleza física, visualiza-se a graça e a beleza espiritual, pairando também
a concepção platônica do amor e o tipo de mulher petrarquista. O tema da cantiga, os
elementos bucólicos nela presentes (a fonte e o caminho repleto de verde), bem como as
concepções da mulher e do amor colocam este poema de Camões na linha da poesia
lírica tradicional portuguesa, um tipo de composição encontrado no Cancioneiro Geral
de Garcia de Resende.
Na segunda cantiga que compõe o tríptico, o mote inicial lembra-nos a primeira:
Descalça vai pola neve
assi faz quem Amor serve
Na primeira cantiga, o ir descalça pressupôs uma atitude informal e espontânea
de Leanor, aproximando-a da natureza e da liberdade. Já na segunda, o ato de caminhar
descalça pela neve *(o espaço-temporal, agora, é o inverno), pode ser considerado como
uma espécie de violência, uma atitude irracional, arriscando a vida de quem o pratica.
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Muda, assim, a situação psíquica da personagem, registrada no segundo verso: assi faz
quem o Amor serve. Já não se trata mais da jovem livre, mas de outra que serve com
submissão o Amor, por alguma circunstância de uma experiência amorosa não revelada.
A reflexão substitui o descritivismo, tudo passa a ser uma problemática interior, a partir
do momento em que ela conhece o Amor.
O retrato psicológico dessa Leanor contrasta-se com o retrato físico da primeira,
em que a jovialidade e a descontração dão lugar a uma figura triste e sofredora. Há uma
problemática interiro, conseqüência do seu envolvimento amoroso. Da aparência física
harmônica e graciosa, restam-lhe a beleza e a delicadeza, resistentes à frialdade do
tempo, à dor e à submissão amorosa (medo nem delicadeza/ lhe impede que passe a
neve; /assi faz quem Amor serve), dando-lhe forças para arriscar-se a essa atitude
desmedida. E será o eu-lírico que nos chamará a atenção para esse poder sobre-humano
do Amor, capaz de transformar a personalidade de Leanor, agora enamorada, insatisfeita
e aflita, configurada com as formas verbais no imperativo olhai e vede.
A cantiga que completa o tríptico, assume um aspecto narrativo, ao contrastar-se
com a primeira, dando prosseguimento à sondagem do estado de espírito da
protagonista. O mote situa-nos, novamente, na fonte, lugar de encontro dos namorados e
ambiente em que se exerciam diversas tarefas domésticas. É lá que ela pede às amigas
que lhe dêem notícias do seu amor: lavando a talha e chorando/ às amigas
perguntando: / vistes lá o meu amor? Integrada em seu cotidiano, mas lamentando a
ausência do amigo, trabalha, mas encontra-se enredada nas malhas de sua própria dor e
chora, tal como ocorria nas cantigas medievais. O cenário também é simples para este
retrato: a moça na fonte, a lavar a talha, cantando uma cantiga de suspiros pelo amado
que se encontra distante.
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No primeiro verso da primeira volta, Posto o pensamento nele, a principal ação
de quem ama é pensar no amado. Segue-lhe o não agir ou o não viver em si, o morrer,
de certa forma. O amor não correspondido (vistes lá o meu amor?) leva-a à dor, à eterna
insatisfação e ao sofrimento. Na segunda volta, deparamo-nos com o retrato pictóricoescultórico dessa Leanor abandonada: encurvada, estática e quase sem vida:
O rosto sobre ua mão
Os olhos no chão pregados
Que do chorar já cansados
Algum descanso lhe dão.
Aquela jovem elegante, irradiando vida, graça e jovialidade, a caminhar descalça
pelo verde da relva, já não mais existe. Concluímos que há dois retratos picturais com a
presença do cromático e um retrato escultórico, caracterizado pela a ausência de cor.
Luz e cor, elementos presentes na primeira cantiga, menos incidentes na
segunda e ausentes na terceira, permitiram-nos, portanto, a leitura dos retratos. Três
diferentes estados de alma da mulher apresentaram-se: Leanor livre, Leanor enamorada
e submissa e uma Leanor abandonada. Neles o poeta soube ilustrar um conjunto de
variações sobre um mesmo tema – a alma livre que ainda não conhece as contradições
do Amor e o seu desmascaramento, em que se vê, claramente, a presença do
desconcerto do mundo.
Visualizando os retratos, num quadro comparativo, teríamos:
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Descalça vai para a fonte
•
Descalça vai pola neve
•
Retrato pictural
Na fonte está Leanor
•
Retrato pictural
Retrato
pictórico-
escultórico
•
Há
movimento
•
Há movimento (vai/
exterior (vai / leva);
passa);
leveza
ao Amor.
e
•
submissão
Há
movimento
interior
(está/
estava);
preocupação.
O
rosto
sobre ua mão/ os
olhos
no
chão
pregados.
•
Tempo: Primavera
•
Tempo:
(verdura)
Inverno
•
(neve)
Tempo
interior:
a
reflexão, a dor do
amor sem esperança.
•
Espaço: a caminho
da
fonte
•
Espaço: a caminho
pela
Espaço: na fonte
•
Ausência de cor
•
Movimento interior
da fonte pola neve
fria.
verdura.
•
•
Presença
do
cromático:
a
•
Presença
cor
cromático:
verde
do
a
cor
branca
•
Movimento Exterior
•
Comoções Internas
O tríptico de Leanor abre-nos, ainda, uma segunda possibilidade de leitura,
segundo Lotman (1975). Será o mote que nos dirigirá, uma vez que os textos estão,
assim, agrupados nas Rimas, obedecendo a uma ordem seqüencial – Inverno, Primavera
– pensando na última e primeira estações do ano que, pela natureza temporal, opõem-se.
O Inverno caracterizado pelo gelo, pelo frio e pela solidão é seguido, imediatamente,
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pela Primavera, a traduzir sol, luz, calor e verde. Esse paradoxo temporal da natureza
revela, igualmente, um paradoxo emocional, amoroso. Entretanto, se Leanor sofreu com
a neve (Descalça vai pola neve), ficou insegura com a Primavera (Leanor pela verdura/
vai fermosa e não segura).
Afirmamos, anteriormente, que o mote direciona a leitura, uma vez que ele gira
em torno da realidade da mulher com o amor, o objeto amado. No primeiro momento,
Leanor serve ao Amor, no segundo momento, ela não está segura desse amor e, no
terceiro, ela está chorando por esse amor. A relação de Leanor com o objeto amado é
um tema atemporal, porém o local onde ela busca e encontra o amor – a fonte – é uma
referência medieval. Camões cruza o universalismo do amor com um cultura medieval,
momento em que a mulher vai para a fonte – trata-se de um topos das Cantigas de
Amigo.
Consideramos cada cantiga com três etapas de uma situação: na primeira,
aparecem a moça e o amor, postos numa estrutura erudita-popular da lírica camoniana,
com estrofes ou voltas constituídas de sete versos em redondilha maior; é reflexiva
porque o Amor é maior do que todos os poderes e para ser o seu vassalo, Leanor
enfrenta todos os tipos de sofrimento:
Os privilégios que os Reis
não podem dar, pode Amor,
que faz qualquer amador
livre das humanas leis.
Mortes e guerras cruéis,
ferro, frio, fogo e neve,
tudo sofre quem o serve.
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Na segunda etapa, a moça ainda não nomeada, mas fermosa, serve o Amor,
ignorando todos os sofrimentos, todo o frio e toda a dor:
Moça fermosa despreza
todo o frio e toda a dor.
(Olhai quanto pode Amor
mais que a própria natureza):
medo nem delicadeza
lhe impede que passe a neve;
assi faz quem amor serve.
Será na última volta, que o eu-lírico, além de construir o visual do estado
emocional de Leanor, estabelece o conflito (a última etapa), quando opera com a neve e
o fogo, no nível pleonástico: neve fria e que fogo serve:
passa pela neve fria,
mais alva que a própria neve;
com todo o frio se atreve;
vede em que fogo ferve
o triste que o Amor serve.
É interessante notar que, nos sonetos, o poeta é o amador e de “tanto imaginar”
transforma-se na “cousa amada”. Já nas cantigas, é a mulher que ama, sofre e chora.
Duas posturas medievais podem ser depreendidas: a da classe nobre que presta
vassalagem à mulher e a da classe popular, que presta vassalagem ao homem. Essa
dualidade também aparece nas cantigas lírico-amorosas da poética trovadoresca.
Na leitura das três cantigas há um percurso narrativo: Leanor serve ao Amor; em
seguida, apresenta-se insegura, uma vez que esse encontro não pode acontecer. Notamos
que ocorre o mesmo verbo ir com regências diferentes: ir pela e ir para,
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consubstanciando o percurso narrativo do sentido, percurso esse que se completa na
terceira cantiga: o verbo ir das duas primeiras é substituído pelo verbo estar, no sentido
de permanência: Na fonte está Leanor.
Nessa terceira cantiga, o eu-lírico preocupa-se em pintar a cena: como Leanor
vai à fonte (lugar de encontro dos namorados) e nessa oportunidade desenha-lhe o
retrato, utilizando-se do cromático e do seu poder de visualização, criando inversões que
geram ambigüidades. Uma situação rítmica-emocional constrói a cena, enfatizando a
dor da não correspondência amorosa: o amado não aparece, sinal de que, muito
provavelmente, não a ama. O mote é repetido nas estrofes, sofrendo a gradação que
culmina na exclamação final: Olhai que extremos de dor! apontando uma situação
interior. Situação paradoxal e conflituosa, típica do maneirismo, em relação à cantiga,
em que Leanor, despreocupada, caminhava fermosa e não segura. O poeta, num nível
de onisciência sabia que na fonte ela não encontraria o amor, daí a insistência do verso
final do mote: vai fermosa e não segura.
Nessa construção de Leanor e dos cenários, alterados pelo percurso narrativo, na
primeira cantiga há uma consideração sobre o amor, por meio do poder dos reis, uma
vez que eles têm o poder e os súditos devem servi-lo. O cenário do inverno frio e cheio
de dor conjuga-se com o trabalho de Leanor, assim há um paralelismo entre o duro
trabalho humano e o servir ao amor:
Por mais trabalho que leve,
a tudo se ofreceria;
passa pela neve fria,
mais alva que a própria neve;
Com todo o frio se atreve;
Vede em que fogo ferve
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O triste que o Amor serve.
O mesmo exercício retórico, o paradoxo, é usado nesta estrofe para visualizar o
conflito de Leanor; a mesma redundância que enfatiza a situação ante o objeto amado,
presentifica-se em tais construções: com todo o frio se atreve/ vede em que fogo ferve (o
frio é uma situação externa que contrasta com o fogo de uma situação interna); também
a redundância contida nos versos passa pela neve fria/ mais alva que a própria neve,
marca o cenário do Inverno.
Na segunda cantiga, o retrato de Leanor tem um outro traçado: além do seu
vestuário, está a caminho do trabalho, porém a neve tão tematizada na primeira cantiga,
volta como termo de comparação visual – mais branca que a neve pura. Como o poeta
veste Leanor? Como a mulher portuguesa medieval que caminha para a fonte em busca
de água: Leva na cabeça o pote/ o testo nas mãos de prata. Os versos seguintes
constroem uma pintura figurativa: cinta de fina escarlata,/ sainho de chamalote;/ traz a
vasquinha de cote. Além de pintarem, os versos criam uma textura sensorial pelo tecido
das roupas: chamalote/cote, produzindo, assim, além do visual, o sinestésico. A
visualização e a figuratividade continuam por todo o poema, pois ora é a touca que
descobre a garganta, ora os cabelos d’ ouro o trançado, ora a fita de cor d’encarnado.
O retrato é finalizado pelas considerações do poeta, que expressa o seu ponto de vista a
respeito de Leanor, hiperbolizando a sua intrusão: tão linda que o mundo espanta.
Na terceira cantiga, com o retrato exterior terminado, Leanor na fonte, na
esperança de encontrar o amado, canta, revelando a saudade da alma portuguesa:
cantava, mas a cantiga/ eram suspiros por ele. Surge nesta estrofe a sua primeira fala:
vistes lá o meu amor? A decepção devida à ausência do amado cria uma postura
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exterior da mulher por ele abandonada, reforçando o índice da segunda cantiga: vai
fermosa e não segura.
Nos versos: O rosto sobre ua mão/ os olhos no chão pregados, que do chorar já
cansados,/algum descanso lhe dão temos o retrato gestual, escultórico de Leanor. O
uso da palavra olhos e do verbo olhar, em sua forma imperativa (olhai), lança um apelo
final ao leitor/espectador, além de comprovar a figuratividade e a sensorialidade deste
poema, inserido no rol daqueles da medida velha.
Concluímos o nosso ensaio, afirmando que o estudo dos retratos femininos na
poética camoniana trouxe-nos algumas revelações, como o tratamento da mulher
portuguesa no tríptico de Leanor, mulher portuguesa campesina que caminha descalça
pela neve e pela relva, em direção à fonte. Essa mulher não tinha pérolas no lugar dos
dentes, nem rubis nos lábios e nem rosas nas faces, tal como se delineia a Senhora nos
sonetos. A linguagem, o cenário, o morrer de amor, os locais dos encontros amorosos e
a mulher despojada de ornamentos, ajustam-se a uma postura poética encontrada na
medida velha, que não é maneirista.
Evidenciou-se, também, que no Renascimento houve pintores que foram poetas
e poetas que foram pintores e escultores, como Camões, dedicando-se à arte do pincel e
à arte da pena. As figuras alegóricas da poesia e as da pintura já são em si mesmas
“pinturas”, isto porque na ficção na qual se inscrevem, dão ao relato todas as
características de um quadro. Além do que, esse período também contemplou em seu
contexto histórico-social uma visão antropocêntrica da existência.
Duas leituras foram feitas. Outras, com certeza, surgirão, pois o texto poético de
Camões é quase inesgotável.
BIBLIOGRAFIA
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Descalça vai para a fonte
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Descalça vai pola neve
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Retrato pictural
Na fonte está Leanor
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Retrato pictural
Retrato
pictórico-
escultórico
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Há
movimento
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Há movimento (vai/
exterior (vai / leva);
passa);
leveza
ao Amor.
e
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submissão
Há
movimento
interior (está/ estava);
O rosto sobre ua mão/
preocupação.
os
olhos
no
chão
pregados.
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Tempo: Primavera
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Tempo:
(verdura)
Inverno
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(neve)
Tempo
interior:
a
reflexão, a dor do
amor sem esperança.
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Espaço: a caminho
da
fonte
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Espaço: a caminho
pela
Espaço: na fonte
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Ausência de cor
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Movimento interior
da fonte pola neve
fria.
verdura.
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Presença
do
cromático:
a
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Presença
cor
cromático:
verde
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a
cor
branca
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Movimento Exterior
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Comoções Internas
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1 A CONSTRUÇÃO DO RETRATO VERBAL CAMONIANO: DUAS