21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
III-004 – CARACTERIZAÇÃO FÍSICA E FÍSICO-QUÍMICA DOS RESÍDUOS
SÓLIDOS URBANOS DOMESTICOS E COMERCIAIS DA CIDADE DE
PALMAS-TO
Liliana Pena Naval(1)
Doutorada pela Universidad Complutense de Madrid em Engenaria Química, professor
Titular do curso de Engenharia Ambiental da universidade do Tocantins.
Sabrina Matias Gondim(2)
Aluna do Curso de Engenharia Ambiental
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RESUMO
Os resíduos sólidos são subprodutos gerados pela ação das múltiplas atividades do homem contemporâneo. O
lixo domiciliar, hospitalar, industrial, radioativo, de mineração e o lixo de produção ocasional, formam os
principais tipos de resíduos sólidos. Estes resíduos provocam graves riscos à saúde pública e ao meio
ambiente. O lixo produzido pelo homem é um dos principais veículos de poluição do ar, do solo, das águas
superficiais e subterrâneas. O planejamento, a gestão e o monitoramento da limpeza urbana são atividades
necessárias e fundamentais para a preservação do ambiente urbano, com conseqüências importantes para o
controle da poluição ambiental, que pode afetar os componentes bióticos e abióticos.
A amostra foi preparada com base no método proposto por GOMES (1989), onde as amostras foram pesadas e
anotados os dados sobre o peso da amostra, após este procedimento procedeu-se ao quarteamento da amostra
e caracterização dos resíduos.
O presente trabalho tem como principal objetivo a caracterização física e físico- química dos resíduos sólidos
dispostos no Aterro Sanitário de Palmas.
Após a conclusão do estudo foram observados os seguintes resultados médios: um percentual de 62,54 de
matéria orgânica; 11,38% de plástico; 10,67% de papel e papelão; 5,9% de metal; 2,42% de tecido; 2,38% de
vidros; 1,1% de borracha; e 0,3% de couro. A partir das análises verificou-se que a composição dos Resíduos
Sólidos de Palmas apresentam características similares.
PALAVRAS-CHAVE: Resíduos Sólidos, Aterro Sanitário, Caracterização Física e Físico-Química, Lixo.
INTRODUÇÃO
Nos dias de hoje, um dos problemas mais sérios enfrentados pela comunidade é o lixo urbano. Esse problema
se relaciona diretamente com o crescimento constante da população, exigindo mais produção de alimentos e
industrialização de matérias-primas, transformando-as em produtos industrializados, contribuindo, assim, para
o aumento dos resíduos sólidos, com conseqüências desastrosas para o meio ambiente e para a qualidade de
vida da coletividade. (FONSECA,1999).
De acordo com a CETESB (1979), aterro sanitário é definido como um processo utilizado para a disposição de
resíduos no solo, particularmente o lixo domiciliar, que fundamentado em critérios de engenharia e normas
operacionais específicas, permite uma confinação segura, em termos de controle da poluição ambiental e
proteção ao meio ambiente.
O lixo disposto inadequadamente, sem qualquer tratamento pode poluir o solo, alterando suas características
físicas, químicas e biológicas, constituindo-se num problema de ordem estética e, mais ainda, numa séria
ameaça à saúde pública. (LIMA,1995).
Segundo a ABES , (s.d.), a intensificação das atividades humanas, as cidades tem gerado um acelerado
aumento na produção de resíduos sólidos, os quais se constituem em um grande problema para as
administrações públicas. Este fato ocorreu e está ocorrendo mais intensamente em Palmas devido ao
crescimento acelerado, com uma taxa de crescimento de aproximadamente 17%, que é característico de uma
cidade em desenvolvimento.
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Depois de neglicenciado por muitos anos, o impacto ambiental causado pelo mau acondicionamento do lixo
vem sendo encarado como problema de primeiro escalão. Atualmente, com o apoio dos movimentos de
proteção ao meio ambiente dos esforços feitos pelas autoridades de saúde para erradicar focos de doenças o
destino final do lixo já é considerado tema fundamental em projetos políticos. Dispor adequadamente os
resíduos sólidos urbanos é fundamental para a questão do meio ambiente, saneamento e saúde pública (IBAM,
1978).
Atualmente são gerados diariamente em torno de 242 mil toneladas de resíduos urbanos, dos quais cerca de
76% são dispostos à céu aberto e apenas 24% recebem um tratamento mais adequado, destes 13% vão para
aterros controlados, 10% para aterros sanitários, 0,9% para usinas de compostagem e 0,1% para usinas de
incineração (TIVERON et al in Vilar et al, 1996).
As atividades de gerenciamento dos resíduos sólidos, em seu processo operacional são desencadeadas a partir
da geração (domiciliar, hospitalar, industrial, comercial, capinação, varrição), abrangendo as etapas de
acondicionamento, coleta, transporte, estação de transferência, tratamento e destino final dos resíduos sólidos
Os resíduos sólidos domiciliares, também chamado de lixo domiciliar, são uma mistura de materiais ou restos
de materiais gerados no dia-a-dia das residências e descartados por serem considerados inúteis ao seu
proprietário.
De acordo com os estudos de PEREIRA NETO em 1991, apud GALVÃO JR. (1994), a composição média em
peso do lixo domiciliar brasileiro é a seguinte:
Tabela 1: Composição média dos resíduos sólidos domiciliares no Brasil.
Componentes
Percentual (em peso)
Matéria orgânica
52,5 %
Papel e papelão
24,5 %
Plástico
2,9 %
Metal ferroso
1,4 %
Metal não ferroso
0,9 %
Vidro
1,6 %
Outros
16,2 %
Total
100,0 %
Fonte: GALVÃO JR.(1994)
A determinação desta característica física, para a qual existem diversas formas sendo usual a que se denomina
método do quarteamento, é o primeiro e fundamental passo para os estudos de minimização (ou redução) e
recuperação (reutilização e reciclagem) dos resíduos. A partir dela é possível elaborar projeto de redução, de
segregação na origem e, pela estimativa feita, de aproveitamento dos materiais potencialmente recuperáveis.
De acordo com SALINAS apud SILVA (1995), a composição física também é útil para auxiliar no controle
sobre a presença e o impacto dos diferentes elementos no ambiente.
A composição gravimétrica serve ainda para subsidiar na escolha do tipo de tratamento e/ou destinação final
mais adequado aos componentes do lixo.
Segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS (HEDERRA, 1996) a quantidade de resíduos domiciliares
gerados na América Latina e Caribe varia, em média, entre 0,3 e 0,6 kg/hab/dia. Mas, por exemplo, o
Município de São Paulo produz cerca de 1 kg/hab/dia de resíduo domiciliar (SÃO PAULO, 1996).
A questão é que a falta de tratamento ou o trato inadequado dos resíduos sólidos permite a poluição do ar, solo
e água pelos gases e líquidos expelidos durante sua decomposição. Além disso, o lixo pode servir de alimento
e abrigo para agentes portadores de doenças infecto-contagiosas como animais e insetos, oferecendo riscos à
saúde pública. O caráter anti-estético dos resíduos também deve ser ressaltado.
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Mas, no Brasil, constata-se que, de acordo com o IBGE, 64% dos domicílios brasileiros têm coleta pública de
lixo, 17% jogam o lixo à céu aberto, 12% queimam o lixo, 2% os enterra e 5% têm outros destinos (COSTA,
MELO, 1996).
Mesmo sendo coletados, os resíduos, muitas vezes, não deixam de ser sérios agressores do meio ambiente. Os
dados do IBGE (1992) revelam que 76% dos resíduos sólidos coletados no Brasil permanecem a céu aberto
em “lixões”; 13% são depositados em aterros controlados, áreas que recebem cobertura de material inerte e
apenas 10% do lixo coletado no País segue para aterros sanitários, o único destino sanitariamente adequado.
Atualmente apenas 1% do lixo coletado sofre algum tipo de tratamento, como revelou a pesquisa do IBGE em
1991 (JARDIM, 1995).
Diversas são as vantagens da implantação de um programa de reciclagem de resíduos domiciliares, das quais
podem ser destacadas:
• o aumento da vida útil dos aterros, por ser menor o volume de resíduos destinado a eles;
• o início da consciência da comunidade sobre a relação do homem com a natureza;
• um menor custo de produção devido ao aproveitamento dos recicláveis no processo;
• a diminuição do consumo de energia, água e matéria-prima virgem pelas indústrias;
• a redução da exploração dos recursos naturais não renováveis;
• a geração de empregos.
O Aterro Sanitário de Palmas, localiza-se na região Noroeste, a aproximadamente 6 km do centro urbano,
entre as coordenadas 100 12’46’’latitude e 48ºo 21’37’’longotude oeste, na microbacia do Água Fria,
(ASPLAN,1994). De acordo com dados da SALUS (1996), a área destinada ao recebimento dos resíduos
sólidos em Palmas, está constituída por uma superfície de 20.463m 2 , calculando-se a capacidade disponível
do aterra em 420.000m 3, é previsto a sobreposição dos resíduos, formando-se bancadas de até 4m de altura. A
profundidade média do lençol freático é de 5,75m, sendo que ocorreu um rebaixamento da cota do terreno em
3m do nível atual.
Se faz necessário esta caracterização devido a realocação do aterro sanitário, por ocasião do enchimento do
reservatório que se formará em Palmas decorrente da construção da Usina Hidrelétrica Luís Eduardo
Magalhães e principalmente, devido a implantação de sistema de coleta seletiva na cidade.
MATERIAIS E MÉTODOS
Para determinação do tamanho da amostra dos resíduos, utilizou-se o método proposto por (KRELCTE
MORGAN, apud GERARD SILVA, 1991).
A amostra foi preparada com base no método proposto por GOMES (1989), onde as amostras foram pesadas e
anotados os dados sobre o peso da amostra, após este procedimento procedeu-se ao quarteamento da amostra
e caracterização dos resíduos, que constituem basicamente em:
Uma vez quarteada a amostra, esta foi homogeneizada, determinou-se o peso específico do lixo, procedendose ao segundo quarteamento
A caracterização dos resíduos comerciais realizou-se a partir de resíduos restante, conforme POVINELLI
(1991), o qual foi dividido em oito componentes: papal, plástico, tecido, couro, metal, vidro, matéria orgânica
e inertes. Onde os inertes são compostos por resíduos de terra e elementos não identificados. Após a separação
dos componentes, os mesmos foram pesados e em seguida foram calculadas porcentagens sobre cada
componente.
Os parâmetros físico-químicos, foram determinados a partir da porção orgânica da amostra, dentre os quais
estão:
pH, segundo recomendações de Carnes e Lossin (citado por Nóbrega, 1994);
Teor de umidade e Resíduo Seco, segundo Solyon (citado por Nóbrega,1994);
Teor de Substâncias Voláteis e Não Voláteis, Lima (1991) e Nóbrega (1994);
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Carbono Total, segundo metodologia de Golueke (citado por Nóbrega, 1994) e Kiehl (1985);
% C = %SV : 1,8
Onde: SV= teor de sólidos voláteis (%)
Nitrogênio Total, conforme o método 4500- NH3C TITRIMETRIC METHOD – STANDARD METHODS
(1995).
RESULTADOS
Os resultados apresentados referem-se a análises realizadas de duas amostragens, uma no período da seca, que
compreende os meses de abril a outubro, e uma outra no período da chuva, que compreende os meses de
novembro a março, devido a sazonalidade da região.
Os resultados obtidos a partir da caracterização física e da quantificação dos componentes dos resíduos sólidos
a caracterização físico-química dispostos no Aterro Sanitário de Palmas – TO seguem apresentados nas
Tabelas a seguir.
Tabela 2- Composição Média dos Resíduos Sólidos Urbanos Residencial da cidade de Palmas - TO no
período da seca ( de abril a outubro).
COMPONENTES / RESÍDUOS
%
Matéria orgânica
63,0
Metal
10,5
Plástico
9,5
Papel
5,0
Inertes
4,5
Vidro
4,0
Tecido
3,2
Couro
0,3
TOTAL
100,0
Tabela 3- Composição Média dos Resíduos Sólidos Urbanos Residencial da cidade de Palmas - TO no
período da chuva (de novembro a março).
COMPONENTES / RESÍDUOS
%
Matéria orgânica
62,8
Papel
16,34
Plástico
13,26
Outros
3,0
Tecido
1,64
Metal
1,33
Borracha
1,1
Vidro
0,76
Inertes
0,49
TOTAL
100,0
As características da matéria orgânica contida no lixo variam com o tempo e alguns fatores são responsáveis
por estas variações, tais como a densidade de microorganismos decompositores que define a magnitude do
problema de poluição gerado (LIMA, 1995). Portanto deve-se, levar em conta os percentuais encontrados de
matéria orgânica, que como era esperado, apresentou os maiores valores, tanto no período da seca quanto no
período chuvoso.
A grande quantidade de metais no período da seca se deve ao fato da temporada de praia no Rio Tocantins,
havendo um grande fluxo de turistas e grande consumo de bebidas neste período, consequentemente, maior
número de latas descartadas. O mesmo fato se dá com os vidros, cuja quantidade no período da seca aumenta.
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Tabela 4- Composição Média dos Resíduos Sólidos Urbanos Comercial da cidade de Palmas - TO no
período da seca (abril a outubro).
COMPONENTES / RESÍDUOS
%
Matéria orgânica
39,89
Papel
32,23
Plástico
16,95
Outros
3,87
Metal
2,25
Vidro
1,51
Inertes
0,96
Pano
2,34
TOTAL
100,0
Tabela 5- Composição Média dos Resíduos Sólidos Urbanos Comercial da cidade de Palmas - TO no
período da chuva (de novembro a março).
COMPONENTES / RESÍDUOS
%
Matéria orgânica
37,94
Papel
30,25
Plástico
17,19
Outros
4,36
Metal
3,85
Vidro
2,56
Perigosos
2,05
Inertes
1,16
Pano
0,64
TOTAL
100,0
Não se encontrou grandes quantidades de matéria orgânica, devido a coleta comercial não englobar coletas de
feiras livres e de grandes supermercados, que não se localizam no centro comercial da cidade.
Os perigosos encontrados no período da chuva se referem a seringas odontológicas, que foram coletadas
juntamente com o lixo comercial e não com o lixo hospitalar como costuma-se fazer.
Não foi possível incluir no estudo a caracterização do resíduo do Shopping Center e dos grandes
supermercados. Também não foi possível considerar o lixo produzido nos condomínios, pois são coletados
juntamente com o residencial.
Gráfico 1 - Características físico-químicas dos Resíduos Sólidos Urbanos Residencial dispostos no
Aterro Sanitário de Palmas no período da seca (abril a outubro)
pH
60
Umidade (%)
Sól. Voláteis (%)
40
20
Sól. Fixos (%)
COT (%)
Nitrogênio Total
0
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Gráfico 2 - Características físico-químicas dos Resíduos Sólidos Urbanos Residencial dispostos no
Aterro Sanitário de Palmas no período da chuva (novembro a março)
pH
80
Umidade (%)
60
Sól. Voláteis (%)
40
20
Sól. Fixos (%)
COT (%)
Nitrogênio Total
0
Gráfico 3 - Características físico-químicas dos Resíduos Sólidos Urbanos Comercial dispostos no Aterro
Sanitário de Palmas no período da chuva (novembro a março)
pH
80
Umidade (%)
60
Sól. Voláteis (%)
Sól. Fixos (%)
40
COT (%)
20
Nitrogênio Total
(%)
0
Gráfico 4 - Características físico-químicas dos Resíduos Sólidos Urbanos Comercial dispostos no Aterro
Sanitário de Palmas no período da chuva (novembro a março)
pH
60
Umidade (%)
Sól. Voláteis (%)
40
20
Sól. Fixos (%)
COT (%)
Nitrogênio Total
0
As características dos resíduos sólidos, tanto residencial quanto comercial, são similares. Quanto ao teor de
sólidos voláteis detectado no resíduo comercial, em média 55%, o que representa alto índice de material
compostável, .
Em relação a umidade dos resíduos, em ambas estações apresentam teores semelhantes e abaixo da média
nacional. Porém observou-se que as concentrações de carbono orgânico apresentam concentrações mais
elevadas no período da seca, pois este está relacionado aos sólidos voláteis, cujos teores apresentaram-se mais
elevados no período da seca.
Sobre as concentrações de sólidos voláteis encontradas no resíduo, apresentando no período da seca uma
média de 55% e na estação chuvosa uma média de 45%.
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CONCLUSÕES
v Com relação às características físicas, a matéria orgânica apresentou níveis consideráveis, pode-se pensar
na produção de compostos a partir dos resíduos produzidos em Palmas
v A baixa quantidade de papel, plástico e metal, pode estar associado ao fato de que em Palmas existem
“catadores” de papéis, plásticos e latas que são revendidas para usinas de reciclagem.
v Quanto aos aspectos físico-químicos, as altas concentrações de sólidos voláteis indicam que o resíduo
apresenta um nível elevado de material compostável, no entanto a umidade apresentou-se abaixo da média
nacional.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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