RENDIMENTO DE SEMENTES DE GIRASSOL SOB DIFERENTES DISPONIBILIDADES HÍDRICAS E NÍVEIS DE FÓSFORO S. O. Maia Júnior1; D. L. Araujo2; J. T. L. Oliveira2; L. H. G. Chaves3; H. O. C. Guerra3 RESUMO: O potencial de produção do girassol está relacionado principalmente às qualidades organolépticas apresentadas por suas sementes. Objetivou-se com este trabalho avaliar a influência de diferentes disponibilidades de água no solo e níveis de fósforo sobre a produção de sementes de girassol (Helianthus annuus L.). O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado (4 x 4) com três repetições; os tratamentos consistiram da combinação de quatro níveis de fósforo (0; 80; 100 e 120 kg ha-1) e quatro níveis de água disponível no solo (55; 70; 85; e 100%) . Foram avaliados o número de sementes viáveis, de sementes inviáveis, o peso de sementes viáveis e o peso de mil sementes. Foram verificadas diferenças significativas (p<0,01) da interação das disponibilidades hídricas e níveis de adubação fosfatada para todas as variáveis analisadas, exceto para o peso de 1000 sementes. PALAVRAS-CHAVE: adubação fosfatada, irrigação, aquênios. INCOME FROM SUNFLOWER SEEDS AVAILABLE IN DIFFERENT WATER AND PHOSPHORUS LEVELS SUMMARY: The production potential of sunflower is mainly related to the organoleptic qualities provided by its seeds. The objective of this study was to evaluate the influence of different water availability in soil and phosphorus levels on the production of sunflower (Helianthus annuus L.). The experimental design was a completely randomized (4 x 4) with three replicates, the treatments were combinations of four levels of phosphorus (0, 80, 100 and 120 kg ha-1) and four levels of available soil water (55, 70, 85 and 100%). Was evaluated the number of viable seeds, inviable seeds, the weight of viable seeds and the thousand seeds weight. There were significant differences (p <0.01) for the interaction of water availability and levels of phosphorus fertilization for all variables except for the weight of thousand seeds. KEYWORDS: phosphate fertilizer, irrigation, achenes 1 Licenciado em Ciências Agrárias, Mestrando em Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Campina Grande, PB. CEP 58429-140, Fone 83 2101 1000, E-mail:[email protected] 2 -Mestrandos em Engenharia Agrícola, UFCG, Campina Grande, PB. 3 -Professores Doutores do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola, Depto de Engenharia Agrícola, UFCG, Campina Grande, PB S. O. Maia Júnior et al. INTRODUÇÃO A grande importância da cultura do girassol no mundo se dá devido à excelente qualidade do óleo comestível extraído de sua semente, além do aproveitamento dos subprodutos da extração, onde os mesmos podem ser utilizados como rações balanceadas para animais (DICKMAN et al., 2005). O rendimento de grãos em cultivos de girassol pode ultrapassar 2500 kg ha-1, com a tecnologia disponível na atualidade. Em áreas experimentais há registro de rendimentos superiores a 3000 kg ha-1 (SMIDERLE et al., 2003). De acordo com Mandarino (2005), este potencial de cultivo além de está na boa produtividade, está também, nas suas qualidades organolépticas, haja vista que a semente de girassol possui, em sua composição, cerca de 20% de proteínas, 47% de matéria graxa, 20% de carboidratos totais e 4% de minerais. O desenvolvimento e a produção de girassol requer bom suprimento de água no solo no período compreendido da germinação das sementes ao início do florescimento. Após a formação dos grãos a cultura é favorecida por tolerar período de estiagem (SMIDERLE, 2005). Silva et al., (2011) verificaram efeito significativo de doses isoladas de fósforo, para os testes de germinação, primeira contagem e peso de mil sementes, destacando então a importância do uso deste elemento na produção de sementes de girassol por promover incrementos significativos na qualidade física e fisiológica das sementes. Como existe escassez de informações sobre o rendimento de sementes produzidas por girassol cultivado em diferentes condições hídricas e adubação fosfatada, objetivouse com este trabalho avaliar a influência de diferentes disponibilidades de água no solo e níveis de fósforo sobre a produção de sementes de girassol (Helianthus annuus L.). MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi realizado no período entre março e junho de 2011 e foi conduzido em uma casa de vegetação, pertencente à Unidade Acadêmica de Engenharia Agrícola (UAEAg) da Universidade Federal de Campina Grande - UFCG, Campus I, Campina Grande. As coordenadas geográficas do local são 7º12'52” de latitude Sul e 35º54'24” de longitude Oeste e altitude média de 550 m. O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado, em fatorial 4x4 (4 níveis de fósforo: 0; 80; 100 e 120 kg ha-1 e 4 níveis de água disponível no solo 55; 70; 85; e 100% da AD) com três repetições. Cada unidade experimental foi constituída por um vaso plástico com capacidade volumétrica de 35 L onde foram colocados 32 kg de solo e um tubo de acesso de PVC, para medição da umidade do solo com uma sonda segmentada DIVINNER nos tratamentos relativos a 100% da AD. Foram feitas adubações com nitrogênio e potássio alternadamente durante o ciclo. Em relação aos níveis de fósforo provenientes de superfosfato triplo foram aplicadas em fundação. A variedade avaliada foi a Embrapa 122/V-2000 utilizando-se oito sementes distribuídas e distanciadas de forma eqüidistante a uma profundidade de 2 cm; aos 20 DAS realizou-se o desbaste visando à obtenção de apenas uma planta por vaso. S. O. Maia Júnior et al. O conteúdo de água no solo ao longo do período experimental foi monitorado diariamente, através da sonda, denominada de Reflectometria no Domínio da Frequência (FDR) onde a partir dos dados desta, obtinha-se a equação da curva de retenção de água no solo em funções matemáticas previamente programadas para calcular o volume de reposição referente a 100% da AD e, a partir de então, extrapolados para os outros tratamentos. Após a coleta, o material foi colocado em estufa com circulação de ar forçado a uma temperatura de 70°C durante 48 horas, para avaliação das seguintes variáveis: número de sementes viáveis e inviáveis por capítulo, peso de sementes viáveis e peso de 1000 sementes, sendo para esta última utilizadas apenas sementes viáveis. Os dados foram submetidos à análise de variância pelo teste F e as médias comparadas pelo teste de Tuckey até 5%. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram verificadas diferenças significativas (p<0,01) da interação das disponibilidades hídricas e níveis de adubação fosfatada para todas as variáveis analisadas, exceto para o peso de 1000 sementes que demonstrou efeito significativo a 5% (Tabela 1). O número de sementes viáveis foi menor para todos os níveis de água disponível quando não se adicionou fósforo ao solo, sendo que quando o solo esteve com 70 e 85% de água disponível houve redução do número de sementes ao passo que foram elevados os níveis de fósforo. Quando o solo se manteve com 100% de água disponível houve um crescimento linear conforme a equação de ajuste (Tabela 2) no número de sementes, simultâneo ao aumento da adubação fosfatada, atingindo um valor máximo estimado de 179,7 sementes. Resultados superiores foram verificados por Sachs et al., (2006) que trabalhando com a mesma variedade encontraram valores médios para o número de sementes por capítulo de 743. Ressalta-se que os valores apresentados no trabalho em questão são referentes apenas às sementes viáveis. O número de sementes inviáveis, quando o solo esteve com 55, 70 e 100% de água disponível ajustou-se ao modelo linear (Tabela 2) de acordo com o acréscimo dos níveis de fósforo apresentando valores de 145,8; 261,7 e 337 respectivamente, quando se aplicou 120 Kg ha-1. Conforme os valores estimados foi possível analisar que o número de sementes inviáveis se sobressaiu ao de viáveis, contudo, a partir do nível de 80 Kg ha-1 o aumento estimado foi de 49 dentre os intervalos de aplicação de fósforo em 100% de água disponível. Silva et al., (2011) reportam que a produção de sementes chochas está bastante relacionada com a localização na inflorescência, no centro, onde a má formação das sementes provavelmente está associada a inadequadas conexões vasculares que restringem o abastecimento de água e assimilados. Quando o solo esteve a 100% de água disponível o peso de sementes por capítulo cresceu ao modo que se elevou o nível de fósforo no solo, atingindo valores estimados de 14,4 g de sementes viáveis por capítulo. Silva et al., (2011) não observaram efeito da interação entre doses de fósforo e a localização das sementes na inflorescência, no entanto, verificou-se que aquelas localizadas na periferia foram as mais pesadas, em S. O. Maia Júnior et al. seguida as do meio e as do centro da inflorescência como as sementes mais leves. De outra forma, no trabalho em questão verificou-se que os níveis de fósforo interagiram com as quantidades de água disponível, indicando que o maior peso das sementes não está relacionado apenas a localização na inflorescência. O peso de 1000 sementes se ajustou ao modelo linear quanto aos níveis de água disponíveis e de adubação fosfatada de acordo com as equações apresentadas na tabela 2, indicando um acréscimo no peso de 1000, onde a interação do maior nível de fósforo com a disponibilidade de 100% de água ao solo atingiu valores estimados de 69,46 g e um ganho de aproximadamente 36,75 g no intervalo compreendido entre o menor e o maior níveis de fósforo. Silva et al., (2007) trabalhando com diferentes lâminas em diferentes cultivares encontraram resultados significativos para o peso de mil sementes entre as cultivares, valores inferiores, sendo a cultivar H250 quem apresentou maior peso (41,15 g). CONCLUSÕES O número de sementes viáveis, de sementes inviáveis e peso de sementes viáveis têm efeito da interação de diferentes níveis de fósforo e água disponível. O peso de 1000 sementes cresce linearmente com a interação da elevação de níveis de fósforo e disponibilidade de água. REFERÊNCIAS DICKMANN, L.; CARVALHO, M. A. C.; BRAGA, L. F.; SOUSA, M. P. Comportamento de sementes de girassol (helianthus annuus L.) submetidas a estresse salino. Revista de ciências agro-ambientais, Alta Floresta, v.3, p.64-75, 2005. MANDARINO, J. M. G. Óleo de girassol como alimento funcional. In: LEITE, R. M. V. B. C.; BRIGHENTI, A. M.; CASTRO, C. (Ed.). Girassol no Brasil. Londrina: Embrapa Soja, 2005. p. 43-49. SACHS, L. G.; PORTUGAL, A. P.; FERREIRA, M. H. P.; IDA, E. I.; SACHS, P. J. D.; SACHS, J. P. D. Efeito de NPK na produtividade e componentes químicos do girassol. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 27, n. 4, p. 533-546, 2006. SILVA, H. P.; BRANDÃO JUNIOR, D. S.; NEVES, J. M. G.; SAMPAIO, R. A.; DUARTE, R. F.; OLIVEIRA, A. S. Qualidade de sementes de Helianthus annuus L. em função da adubação fosfatada e da localização na inflorescência. Revista Ciência Rural: Santa Maria, v.41, p.1160-1165, n.7, 2011. SILVA, M. L. O.; FARIA, M. A.; MORAIS, A. R.; ANDRADE, G. P.; LIMA, E. M. Crescimento e produtividade do girassol cultivado na entressafra com diferentes lâminas de água. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental v.11, n.5, p.482–488, 2007. SMIDERLE, O. J., GIANLUPPI, V.; GIANLUPPI, D. Cultivo de girassol em Roraima. Boa Vista: Embrapa Roraima, 2003, 2p. (Embrapa Roraima. Folder Técnico, 09). SMIDERLE, O. J. Orientações Para Cultivo do Girassol em Área de Cerrado de Roraima. Boa Vista: Embrapa Roraima, 2005, 13p. (Embrapa Roraima: Circular Técnica, 05). S. O. Maia Júnior et al. Tabela 1. Resumo das análises de variância para o número de sementes viáveis (NSV), número de sementes não viáveis (NSNV), peso de sementes viáveis (PSV) e peso de mil sementes (P1000S) do girassol Embrapa 122/V2000 sob diferentes disponibilidades hídricas e níveis de Fósforo, Campina Grande-PB, 2011. FV GL Quadrado Médio NSV NSNV PSV P 3 55617,13** 110802,63** 191,35** AD 3 4431,02** 49656,02** 10,12** P*AD 9 10448,37** 10922,89** 30,03** CV (%) 10,63 17,52 19,13 (**) Efeito significativo a 1% e (*) a 5% de probabilidade pelo teste F. P1000S 3037,92** 669,16** 212,13* 19,24 Tabela 2. Equações de ajuste e coeficientes de determinação para o Número de sementes viáveis (NSV), Número de sementes não viáveis (NSNV), Peso de sementes viáveis (PSV) e Peso de mil sementes (P1000S) do girassol Embrapa 122/V2000 sob diferentes disponibilidades hídricas e níveis de Fósforo, Campina Grande-PB, 2011. Variável NSV P*55%AD P*70%AD P*85%AD P*100%AD NSNV P*55%AD P*70%AD P*85%AD P*100%AD PSV P*55%AD P*70%AD P*85%AD P*100%AD P1000S P*55%AD P*70%AD P*85%AD P*100%AD (P) Fósforo e (AD) Água disponível. Equações R2 y = 1,8378x + 22,162 y = -0,0532x2 + 6,5199x + 39,205 y = -0,0212x2 + 3,4074x + 30,473 y = 1,2183x + 33,539 0,942 0,999 0,56 0,889 y = 1,0402x + 20,981 y = 1,7769x + 48,481 y = -0,0447x2 + 6,6243x + 89,592 y = 2,4506x + 43,205 0,854 0,787 0,787 0,980 y = 0,0801x + 0,4389 y = -0,0025x2 + 0,3286x + 0,6566 y = -0,0009x2 + 0,1695x + 0,3666 y = 0,0966x + 0,6966 0,894 0,927 0,733 0,816 y = 0,1058x + 29,602 y = 0,4159x + 14,757 y = 0,3785x + 16,242 y = 0,3062x + 32,718 0,763 0,959 0,959 0,953