RENDIMENTO E QUALIDADE DE GRÃOS DE ARROZ DE TERRAS ALTAS EM
FUNÇÃO DE DOSES E MODOS DE INOCULAÇÃO COM Azospirillum brasilense
Nayara Fernanda Siviero Garcia1, Orivaldo Arf2, José Roberto Portugal3, Mayara
Rodrigues4, Mariele de Souza Penteado4
1. Mestranda em Agronomia na Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita
Filho” FE - Ilha Solteira – SP - Brasil ([email protected]).
2. Professor do curso de Agronomia na Universidade Estadual Paulista “Julio de
Mesquita Filho” FE - Ilha Solteira-SP.
3. Doutorando em Sistemas de Produção na Universidade Estadual Paulista “Julio
de Mesquita Filho” FE - Ilha Solteira-SP.
4. Graduanda em Agronomia pela Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita
Filho” FE - Ilha Solteira - SP
Recebido em: 31/03/2015 – Aprovado em: 15/05/2015 – Publicado em: 01/06/2015
RESUMO
O arroz é um alimento básico que está presente da dieta de mais da metade da
população mundial. O uso de bactérias fixadoras de nitrogênio favorece o
desenvolvimento de plantas, podendo melhorar a produtividade e qualidade de
grãos de arroz. Assim, este trabalho desenvolvido no município de Selvíria-MS,
objetivou-se com o presente trabalho avaliar a eficiência de doses e o modo de
aplicação de inoculante contendo Azospirillum brasilense na qualidade industrial de
grãos de arroz, cultivar IAC 202, em cultivo de terras altas irrigado por aspersão. O
delineamento experimental foi em blocos ao acaso no esquema fatorial 4x4, sendo 4
doses de inoculante (testemunha sem inoculação, 100, 200 e 300 mL do produto
comercial ha-1) x 4 modos de aplicação (inoculação das sementes, aplicação no
sulco de semeadura, pulverização do solo logo após a semeadura e pulverização
foliar no início do perfilhamento das plantas), com 4 repetições. Concluiu-se que a
inoculação com Azospirillum brasilense realizada no solo, no sulco de semeadura,
na semente ou na planta não interfere no rendimento de benefício de grãos de arroz
do cultivar IAC 202. Entretanto, a inoculação promove melhorias na qualidade dos
grãos, apresentando menor quantidade de grãos quebrados, principalmente nas
doses de 100 e 200 ml ha-1 do inoculante contendo Azospirillum brasilense.
PALAVRAS-CHAVE: Oryza sativa L, cv. IAC 202, rendimento industrial, bactérias
diazotróficas
YIELD AND QUALITY OF UPLAND RICE GRAINS ACCORDING TO DOSE AND
INOCULATION METHODS WITH Azospirillum brasilense
ABSTRACT
Rice is a staple food that is present in the diet of more than half the world's
population. The use of nitrogen-fixing bacteria favors the development of plants and
can improve productivity and quality of rice grains. This work developed in SelvíriaENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.21; p.1653
2015
MS, aimed to evaluate the effect of doses and the inoculant application mode
Azospirillum brasilense containing industrial quality rice grains, IAC 202, in cultivation
of high irrigated by sprinkling. The experimental design was a randomized block in a
factorial 4x4, 4 rates of inoculant (without inoculation witness, 100, 200 and 300 mL
of commercial product ha-1) x 4 application modes (seed inoculation, furrow
application of sowing, soil spray after sowing and foliar spray at the beginning of
tillering of plants), with 4 replications. It was concluded that inoculation with
Azospirillum brasilense held in the soil in the planting furrow, the seed or plant does
not interfere with performance benefit of grains of rice cultivar IAC 202. However
inoculation promotes improvements in the quality of the grains, with fewer of broken
grains, particularly at doses of 100 and 200 mL ha-1 inoculant containing Azospirillum
brasilense.
KEYWORDS: Oryza sativa L, cv. IAC 202, industrial yield, diazotrophic,
INTRODUÇÃO
A cultura do arroz vem mantendo sua produção nacional com área cultivada
de pouco mais de 2,3 milhões de hectares, há ainda a expectativa de que a
produção de arroz tenha um crescimento de 0,2%, mantendo-se no mesmo patamar
da safra anterior, ultrapassando pouco mais de 12 milhões de toneladas (CONAB,
2015).
Por ser fonte importante de carboidrato presente na mesa dos brasileiros, o
arroz é cultivado em dois sistemas de produção, o de várzea ou inundado e o de
sequeiro ou terras altas. Sendo o primeiro o responsável por 75% da produção
nacional e o de terras altas com os 25% restante. De acordo com CRUSCIOL et al.,
(2013) e NASCENTE et al., (2013) o cultivo do arroz neste ecossistema de terras
altas torna-se uma alternativa podendo ser no sistema irrigado por aspersão ou no
sequeiro, dependendo apenas das precipitações.
Entretanto, a distribuição irregular de chuvas nas principais regiões
produtoras pode comprometer o desenvolvimento da cultura e consequentemente
acarretar nas baixas produtividades (HEINEMANN & STONE 2009, GUIMARÃES et
al., 2011, MENEZES et al., 2011). Além disso, estes frequentes períodos de
deficiência hídrica, que a planta sofre durante o ciclo, afetam também a qualidade
dos grãos (ARF et al., 2002). O uso de irrigação suplementar por aspersão é uma
alternativa viável para resolver essa situação, dado que, além da estabilidade e
incremento da produtividade de grãos, a irrigação favorece o processo de
enchimento dos grãos contínuo, proporcionando aumento no número de espiguetas
granadas e na massa de grãos (HEINEMANN & STONE 2009, CRUSCIOL et al.,
2012).
As características determinantes da qualidade de grão em arroz refletem-se
diretamente no valor de mercado e na aceitação do produto pelo consumidor. O
rendimento de benefício e a proporção de grãos quebrados estão relacionados às
características genéticas da cultivar, métodos de colheita e secagem dos grãos,
condições climáticas após a floração e adubação (BARBOSA FILHO & FONSECA
1994, CRUSCIOL et al., 1999, SANTOS et al., 2006).
De acordo com BUZETTI et al. (2006), a cultivar utilizada, quantidade de
insumos e técnicas de manejo da cultura são fatores que influenciam no rendimento
e produtividade de grãos. Sendo assim, para os maiores acréscimos de rendimento
de grãos advindos da adubação nitrogenada, o uso de bactérias do gênero
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.21; p.1654
2015
Azospirillum tem sido uma escolha para prática de uma agricultura sustentável, visto
que estas bactérias são fixadoras de nitrogênio, apontando para redução do uso de
fertilizantes nitrogenados e buscando manter os incrementos em rendimento e
qualidade de grãos.
A inoculação com Azospirillum promove incrementos significativos no
desenvolvimento radicular das plantas, além da fixação biológica do nitrogênio,
podendo resultar em melhor aproveitamento e utilização de adubo e água e,
consequentemente, o desenvolvimento das plantas (BALDANI et al., 1997).De
acordo com STEFFENS (2010), experimentos com inoculação a campo revelaram
que o gênero Azospirillum sp., além da fixação biológica do nitrogênio, promove
ganhos em rendimento e no aumento da superfície da absorção das raízes da
planta. O uso dessas bactérias fixadoras de nitrogênio em monocotiledóneas ainda é
recente e atualmente o Azospirillum brasilense é comercializado apenas para a
cultura do milho, trigo e arroz (HUNGRIA, 2011).
No entanto, ainda são poucos os trabalhos relacionando a aplicação de
bactérias fixadoras de nitrogênio com os componentes do rendimento de grãos do
arroz. Assim, objetivou-se com o presente trabalho avaliar doses e modos de
aplicação de inoculante contendo Azospirillum brasilense, na qualidade industrial de
grãos de arroz, cultivar IAC 202, sob sistema de terras altas irrigado por aspersão.
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi desenvolvido no ano agrícola 2012/13 em área experimental
pertencente à Faculdade de Engenharia – UNESP, Campus de Ilha Solteira,
localizada no município de Selvíria – MS, situado a aproximadamente 51º 22’ de
longitude Oeste de Greenwich e 20º 22’ de Latitude Sul, com altitude de 335 m. O
solo do local é do tipo Latossolo Vermelho distrófico argiloso (SANTOS et al., 2013).
A precipitação média anual é de 1.370 mm, a temperatura média anual é de 23,5 ºC
e a umidade relativa do ar entre 70 e 80% (média anual).
O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso disposto em esquema
fatorial 4x4. Os tratamentos foram constituídos pela combinação de doses de
inoculante contendo 2x108 células viáveis de Azospirillum brasilense por mL do
produto comercial (testemunha sem inoculação, 100, 200 e 300 ml do produto
comercial ha-1) e modos de aplicação (inoculação das sementes, aplicação no sulco
de semeadura, aplicação na forma de pulverização do solo logo após a semeadura
seguida de irrigação com aproximadamente 10 mm de água e aplicação na forma de
pulverização foliar por ocasião do início do perfilhamento das plantas), com 4
repetições.
Antes da instalação do experimento foram coletadas amostras de solo para
fins de fertilidade, de acordo com o método proposto por RAIJ & QUAGGIO (1983).
Os resultados estão na tabela 1.
TABELA 1. Resultados da análise química do solo na camada de 0 - 0,20
do experimento sem implantado na área, Selvíria 2012/13.
P resina M.O.
pH
K
Ca
Mg
H+Al
CTC
Ano
-3
-3
-3
mg dm
g dm CaCl2 mmolc dm
2012/13 11
21
5,2
3,0 15,0
10,0
19,0
47,0
Fonte: Laboratório de Análise de Solo da UNESP – Ilha Solteira
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.21; p.1655
m, antes
V
(%)
59
2015
Utilizou-se o preparo do solo por meio de escarificador e duas gradagens para
nivelamento sendo a última às vésperas da semeadura. A semeadura foi realizada em
07/11/2012 utilizando quantidade de sementes necessária para se obter 180 plantas
m-2 do cultivar IAC 202. As sementes foram tratadas previamente com fipronil (50g
do i.a. por 100 kg de sementes), visando o controle de cupins e lagarta elasmo.
As parcelas foram constituídas por cinco linhas de 5 m de comprimento
espaçadas de 0,35 m entre si. A área útil foi constituída pelas três linhas centrais,
desprezando-se 0,50 m em ambas as extremidades de cada linha. A inoculação foi
realizada à sombra, pouco antes da semeadura, com as estirpes Ab-V5 e Ab-V6 de
Azospirillum brasilense. O inoculante utilizado apresentava 2x108 células viáveis por
ml do produto comercial, utilizando-se a dose de acordo com cada tratamento
(testemunha, 100, 200 e 300 ml ha-1). Em pulverização no sulco de semeadura foi
realizada pouco antes da semeadura utilizando-se pulverizador costal com vazão de
200 L ha-1. A aplicação no solo foi realizada no dia posterior à semeadura, por volta
das 16 horas, também utilizando pulverizador costal com vazão de 200L ha-1 e logo
em seguida foi realizada irrigação com aproximadamente 10 mm de água. Já a
aplicação via foliar foi realizada aos 15 DAE, por ocasião do início do perfilhamento
das plantas. Nessa aplicação também foi utilizado pulverizador costal manual com
vazão de 200L ha-1 e a operação foi realizada entre 19:30 e 20:00h, com
temperatura amena, em torno de 25°C, e ventos de ap roximadamente 3 km hora-1.
A adubação química básica utilizada nos sulcos de semeadura foi de 250 kg
ha-1 da formulação 04-30-10 e a adubação em cobertura foi realizada aos 30 dias
após a emergência (DAE) das plantas, utilizando-se o sulfato de amônio como fonte.
Logo após a aplicação foi realizada irrigação com uma lâmina de água de
aproximadamente 10 mm. E a adubação de cobertura foi realizada utilizando a dose
foi de 42 kg ha-1 de N, sendo esta dose definida em função da faixa de produtividade
esperada e da classe de resposta do solo ao nitrogênio, aplicando-se 70% da
recomendação. Em princípio, esperava-se que os outros 30% seriam fornecidos
pelas bactérias diazotróficas.
O fornecimento de água foi realizado por um sistema fixo de irrigação por
aspersão com precipitação média de 3,3 mm hora-1 nos aspersores. No manejo de
água foram utilizados até três coeficientes de cultura (Kc), distribuídos em quatro
períodos compreendidos entre a emergência e a colheita. Para a fase vegetativa
será utilizado o valor de 0,4; para a fase reprodutiva dois coeficientes de cultura
(Kc), o inicial de 0,70 e o final de 1,00 e para a fase de maturação estes valores
serão invertidos, ou seja, o inicial de 1,00 e o final de 0,70.
A emergência de plantas de arroz IAC 202 ocorreu aos sete dias após a
semeadura, em 14/11/2012, de modo uniforme em todos os tratamentos. Com
relação ao florescimento pleno do arroz ocorreu aos 75 DAE e a maturação permitiu
a colheita, da área útil de todas as parcelas, aos 106 DAE, em 26/02/2013, sendo
esta realizada manualmente. Após a colheita, foi realizada a trilha mecânica e em
sequência os grãos foram deixados a sombra para secagem.
Para avaliação do rendimento de benefício foi coletada uma amostra de 100g
de grãos de arroz em casca de cada parcela, a qual foi processada em engenho de
prova Suzuki, modelo MT, por 1 minuto. Em seguida, os grãos brunidos (polidos)
foram pesados e o valor encontrado considerou-se como rendimento de benefício,
sendo os resultados expressos em porcentagem (%). Posteriormente, os grãos
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brunidos (polidos) foram colocados no “Trieur” nº 1 e a separação dos grãos foi
processada por 30 segundos. Assim os grãos que permaneceram no “Trieur” foram
pesados, obtendo-se o rendimento de inteiros e os demais, considerados como
grãos quebrados, ambos expressos em porcentagem.
Os dados foram submetidos à análise de variância e, posteriormente, ao teste
de Tukey a 5% de probabilidade para os modos de aplicação e por regressão
polinomial para o estudo das doses do inoculante, ajustando-se modelos de
equações lineares e quadráticas significativas pelo teste F (p<0,01 e p<0,05). As
análises estatísticas foram realizadas com o auxílio do software SISVAR,
desenvolvido por FERREIRA (2007).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os valores obtidos para rendimento de benefício, rendimento de grãos inteiros
e grãos quebrados estão apresentados na Tabela 2. Constatou-se que o rendimento
de grãos inteiros foi significativo a 5% de probabilidade para doses e modos de
inoculação, onde se verificou que a inoculação ajuda também no rendimento, tendo
menor porcentagem de grãos quebrados; já os grãos inteiros obtiveram as menores
médias quando a inoculação foi realizada via semente e na maior dose de inoculante
(300 mL).
TABELA 2. Valores médios de rendimento de benefício, rendimento de grãos inteiros e
grãos quebrados em arroz de terras altas em função de doses e modos de
aplicação de inoculante contendo Azospirillum brasilense. Selvíria-MS,
2012/13.
Tratamentos
Rendimento
de benefício (%)
Modos (M)
Solo
71,0
Sulco
72,1
Semente
71,3
Planta
71,8
Doses de Inoculante (D)
Testemunha
72,2
-1
100 ml ha
71,6
-1
200 ml ha
71,3
-1
300 ml ha
71,1
M
1,72ns
Teste
D
2,04ns
F
M x D 2,10*
CV (%)
2,02
Rendimento
de inteiros (%)
Grãos
quebrados (%)
64,0
64,8
62,8
64,1
8,0
7,5
8,2
7,6
63,21
65,4
64,1
62,9
8,24*
9,1
7,1
7,4
7,71
25,89**
4,36*
4,37**
1,26ns
2,49
2,58*
8,78
ns – não significativo; * – significativo a 5% de probabilidade.
0,000087 x2 (R2= 81,88)
1
y = 63,3384 + 0,024 x –
De acordo com OLIVEIRA et al., (1998) o rendimento de inteiros é um
parâmetro importantíssimo para determinar o valor de comercialização da cultura do
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arroz, significando a quantidade de grãos inteiros que se obtém após o
beneficiamento industrial dos grãos de arroz.
Os valores observados para rendimento de benefício, aos descritos por
aqueles autores, indicando boa qualidade dos grãos. Este efeito pode ser explicado
pela influência do uso da irrigação por aspersão.
No presente trabalho os valores observados para rendimento de benefício,
rendimento de grãos inteiros e rendimento de grãos quebrados são próximos ou
superiores (rendimento de benefício e rendimento de grãos inteiros) e inferiores
(rendimento de grãos quebrados) à média do país, podendo este efeito ser explicado
pelo uso do Azospirillum brasilense. Para FORNASIERI FILHO & FORNASIERI,
(2006), nacionalmente, atribui-se ao arroz em casca uma renda base no benefício de
68%, constituída de um rendimento do grão de 40% de inteiros mais 28% de
quebrados e quirera.
Para o rendimento de benefício e porcentagem de grãos quebrados houve
efeito significativo da interação doses e modos de aplicação do inoculante e os
desdobramentos estão apresentado nas Tabelas 3 e 4, respectivamente. Na Tabela
3, para modos de aplicação dentro de doses, verificou-se que houve diferença na
dose de 100 ml ha-1 de inoculante onde a aplicação no solo apresentou a menor
porcentagem de rendimento de benefício. Para doses de inoculante dentro de modo
de aplicação constatou-se que a aplicação via solo e semente, ajustaram-se a
equação quadrática com os pontos mínimo de 151 ml ha-1, máximo de 109 ml ha-1 e
mínimo de 259 ml ha-1 respectivamente. Já para aplicação via planta ajustou-se a
uma equação linear negativa, portanto quanto maior a dose de inoculante menor o
rendimento de engenho.
Para análise de grãos quebrados, verifica-se que houve decréscimos nas
médias observadas com a elevação das doses de inoculante. Na Tabela 4 estão os
valores do desdobramento referente à porcentagem de grãos quebrados, sendo que
para modos de aplicação dentro de doses de inoculante, verifica-se que houve
diferença na dose de 200 e 300 mL ha-1 de inoculante onde a aplicação no sulco
apresentou a menor porcentagem de grãos quebrados e quando comparado a
aplicação na semente teve resultados contrários. Para doses de inoculante dentro
de modo de aplicação verifica-se que os dados dos tratamentos ajustaram-se à
equações quadráticas com os valores mínimos de grãos quebrados estimados com
as doses de 197, 205, 150 e 176 ml ha-1 para os modos de aplicação via solo, sulco,
semente e planta respectivamente.
TABELA 3. Desdobramentos da interação doses x modos de aplicação do inoculante
contendo Azospirillum brasilense referente ao rendimento de benefício de
arroz de terras altas. Selvíria-MS, 2012/13.
Rendimento de benefício (%)
Modo/Doses
Testemunha
100 mL ha-1
200 mL ha-1
300 mL ha-1
1
Solo
72,2
68,9 b
71,4
71,3
Sulco2
72,2
73,5 a
72,2
70,7
Semente3
72,2
71,8 a
70,3
70,9
4
Planta
72,2
72,1 a
71,5
71,4
DMS = 1,36
Médias seguidas de mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey
1
2
2
2
a 5% de probabilidade. y = 71,7613 - 0,023887x + 0,000079x (R = 0,42). y = 72,2913 + 0,01541x 2
2
3
2
2
4
2
0,000071 x (R =0,92). y = 72,3325 - 0,01243x + 0,000024x (R = 0,77). y = 72,2275 - 0,0031x (R =
0,90).
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.21; p.1658
2015
TABELA 4. Desdobramentos da interação doses x modos de aplicação do
inoculante contendo Azospirillum brasilense referente aos grãos
quebrados de arroz de terras altas. Selvíria-MS, 2012/13.
Grãos Quebrados (%)
Modo/Doses
Testemunha
100 mL ha-1
200 mL ha-1
300 mL ha-1
Solo1
9,1
7,7
7,3 ab
7,8 ab
2
Sulco
9,1
7,3
6,4 b
7,1 b
Semente3
9,1
6,9
8,5 a
8,5 a
4
Planta
9,1
6,4
7,3 ab
7,5 ab
DMS = 0,65
Médias seguidas de mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente entre si
pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. 1y = 9,0425 - 0,0177x + 0,000045x2 (R2 =
0,99). 2y = + 9,09875 - 0,02539x + 0,000062x2 (R2 = 0,98). 3y = + 8,7775 - 0,016225x +
0,000054 x2(R2=0,44). 4y = +8,8438 - 0,02506x + 0,000071x2 (R2= 0,76).
A presença de grãos quebrados em lotes de arroz é uma característica
indesejável, pois diminui a qualidade e o valor comercial do produto (ARF et al.,
2002, SANTOS et al., 2006). Além da redução do valor econômico, pode ocorrer
também, a diminuição da quantidade total de grãos descascado, ou seja, o
rendimento de benefício, pois fração de grãos pode ser eliminada junto com as
cascas.
GUIMARÃES et al., (2011) também evidenciaram a importância do
suprimento adequado de água para a formação e desenvolvimento da cultura, além
de melhorias na qualidade dos grãos. No presente trabalho se fez muito importante
o uso de irrigação por aspersão para garantir as necessidades hídricas da cultura, e
consequentemente manter a produção.
A disponibilidade adequada de água proporciona a translocação de
carboidratos para os grãos, que, bem formados, possuem maior resistência a
choques e vibrações proporcionadas pela colheita e pelo beneficiamento, obtendose, assim, maior rendimento de grãos inteiros (ARF et al., 2002, CRUSCIOL et al.,
2006).
CONCLUSÕES
Os modos de aplicação do inoculante, realizado no solo, no sulco de
semeadura, na semente ou na planta não diferem no rendimento de benefício de
grãos de arroz do cultivar IAC 202, podendo ser realizada de acordo com as
condições adequadas.
A inoculação promove melhorias na qualidade dos grãos, apresentando
menor quantidade de grãos quebrados, principalmente nas doses de 100 e 200 ml
ha-1 do inoculante contendo Azospirillum brasilense, sendo recomendada esta
aplicação.
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