6 ENSAIOS 6.1 GENERALIDADES O presente capítulo caracteriza um conjunto de ensaios, cuja finalidade é verificar as características da instalação, nomeadamente no respeitante às redes de cabos e aos sistemas de cablagem. Os ensaios aqui referidos deverão ser efectuados no fim da instalação das ITED, nomeadamente pelo instalador e pela entidade certificadora a fim de se obter a sua certificação. Os ensaios descritos neste capitulo estão adequados aos Níveis de Qualidade (NQ) definidos no ponto 1.2, poderão ser utilizados outros métodos de ensaio mais expeditos e tecnologicamente mais avançados. 6.2 MEDIDAS MÉTRICAS (Para todos os NQ) Deverão ser verificados comprimentos, alturas, espaçamentos, raios de curvatura, diâmetros e outras medidas necessárias à certificação das instalações. Utilizar-se-ão, regra geral, fitas métricas e paquímetros, que não estão sujeitos a calibração. 6.3 RESISTÊNCIA DO ELÉCTRODO DE TERRA (Para todos os NQ) O ensaio da resistência dos eléctrodos de terra tem como objectivo verificar se essa resistência está dentro dos limites que proporcionam uma protecção adequada das ITED. Os eléctrodos de terra não devem apresentar valores de resistência superiores a 20 Ω, excepto a situação referida no ponto 5.6.4. O instrumento que se recomenda para este ensaio é o medidor de terras. Poderá, no entanto, ser utilizado o método de medida descrito no comentário nº 4 do Artigo 637º do RSIUEE. A resistência dos barramentos, bornes e condutores de terra distribuídos ao longo das ITED, para garantir as ligações equipotenciais, deve ser o mais próxima possível de zero. 6.4 ENSAIOS EM CABOS DE PARES DE COBRE (NQ 1) 6.4.1 CONTINUIDADE O ensaio de continuidade tem como objectivo a verificação da correspondência entre os pares e, também, a verificação da continuidade de todos os condutores, desde o RG-PC até aos dispositivos terminais. Os ensaios deverão ser realizados no RG-PC, nos dispositivos de derivação e nos dispositivos terminais (tomadas). Poder-se-ão utilizar os seguintes instrumentos de ensaio: • Multímetro; • Bateria e besouro; ___________________________________________________________________________________________________________ MANUAL ITED - 1ª edição 53 • Dois telefones adequados à operação, com alimentação comum obtida a partir da bateria interna de um deles. O método para a realização dos ensaios é o seguinte: B Colocar o instrumento de medida num lado do troço do cabo, no respectivo par a ensaiar; B Do outro lado provocar a continuidade; B Verificar a correspondência do par. Poderá ser utilizado equipamento equivalente ao indicado, utilizando o método de ensaio respectivo. 6.4.2 ISOLAMENTO O ensaio de isolamento tem como objectivo a detecção de possíveis condutores com baixo isolamento, causado por má qualidade da instalação ou dos cabos, ou vedação deficiente de dispositivos de derivação ou juntas. Todos os condutores devem ter, entre si e entre cada um e a terra, uma resistência de isolamento maior ou igual a 100MΩ, medidos a 500 Vcc. Os ensaios deverão ser realizados na rede colectiva e individual de cabos. O instrumento recomendado para este ensaio é um mega-ohmímetro, de 500 Vcc e que permita a leitura até 200 MΩ, no mínimo. O método a utilizar de acordo com o instrumento que se recomenda é o seguinte: B Curto-circuitar e ligar à terra a blindagem, quando exista, e os condutores de um cabo, deixando o condutor "X" a ensaiar desligado do conjunto; B Medir a resistência de isolamento entre o condutor "X" e os outros condutores, e verificar se os valores estão acima dos 100 MΩ. Poderá ser utilizado equipamento equivalente ao indicado, utilizando o método de ensaio respectivo. 6.4.3 ATENUAÇÃO O ensaio consiste em medir a atenuação, nos pares seleccionados e entre o RG-PC e o ponto terminal, através de um equipamento qualificador de pares multi-serviço, ou equipamento equivalente, que meça atenuações. O método a utilizar depende do equipamento de medida adoptado, consistindo em: BInjectar no inicio do par um sinal; BMedir o sinal na terminação do par; O par está qualificado, nos moldes atrás referidos, desde que cumpra a indicação padronizada pelas normas europeias, normalmente integrada no próprio equipamento de medida. Os valores limite da atenuação são: ___________________________________________________________________________________________________________ MANUAL ITED - 1ª edição 54 • Para o serviço analógico de voz (POTS), o valor deverá ser inferior a 1,5dB/Km na frequência de 800Hz, podendo ser medida a resistência de 96Ω/Km em sua substituição, quando se usem cabos de classe A; • Para as linhas RDIS (acesso básico) o valor deverá ser inferior a 15dB/Km a 96kHz, conforme o referido na norma EN 50098-1, quando se usem cabos da classe B; • Para as linhas RDIS (acesso primário) o valor deverá ser inferior a 30dB/Km a 1024MHz, conforme o referido na norma EN 50098-2, quando se usem cabos da classe B. 6.4.4 DIAFONIA O ensaio de diafonia tem como objectivo detectar possíveis induções electromagnéticas entre condutores de pares diferentes. Os ensaios de diafonia constam principalmente das medidas de paradiafonia (NEXT). São realizados por par a par no mínimo entre 2 pares adjacentes. O método a utilizar depende do equipamento de medida adoptado, consistindo em: BColocar uma carga com impedância igual à impedância característica do cabo na terminação do par e injectar o sinal no inicio deste; BMedir no cabo do lado da emissão nos pares adjacentes a diafonia induzida; A atenuação por diafonia mínima depende do tipo de cabo que se utiliza e do serviço a que se destina, sendo assim: • Para o serviço analógico de voz (POTS), entre dois quaisquer pares da instalação, a atenuação por diafonia deverá ser superior a 75dB a 800Hz, sendo satisfatório o uso de cabos de classe A. Como referência poderá ser consultada a recomendação ITU-T – 0.41 – “Specifications for measuring equipment. Psophometer for use on telephone-type circuits” • Para linhas RDIS (acesso básico) o valor deverá ser superior a 54dB a 96kHz, conforme a norma EN 50098-1, sendo satisfatório o uso de cabos da classe B; • Para linhas RDIS (acesso primário) o valor deverá ser superior a 40dB a 1MHz conforme a norma EN 50098-2, sendo satisfatório o uso de cabos da classe B. Os instrumentos que se recomendam para a realização dos ensaios são um oscilador e um receptor, ou equipamento especifico, como seja um qualificador de pares de cobre. 6.5 ENSAIOS EM CABOS DE PARES DE COBRE (NQ 3) Dadas as características deste tipo de cablagem, os ensaios são realizados em todos os condutores. Deverão ser garantidos os parâmetros constantes da EN50173, de acordo com as classes respectivas, nomeadamente: - Continuidade; - Perdas por retorno; - Atenuação; ___________________________________________________________________________________________________________ MANUAL ITED - 1ª edição 55 - Diafonias (NEXT, PSNEXT, ACR, PSACR, ELFEXT, PSELFEXT); - Resistência de lacete; - Capacidade de transporte de corrente; - Atraso na propagação. Sugere-se o uso de equipamento para ensaio e certificação de redes de cablagem estruturada. O equipamento deverá estar parametrizado segundo a EN 50173, ou outras aplicáveis. 6.6 ENSAIOS PARA CABOS COAXIAIS (NQ2) 6.6.1 CONTINUIDADE A medida da continuidade em cabos coaxiais pode ser feita recorrendo a um multímetro ou besouro, usando método análogo ao descrito no ponto 6.4.1. 6.6.2 ISOLAMENTO Usando o método descrito no ponto 6.4.2, a resistência do isolamento deve ser superior a 10GΩ/Km (conforme a EN 50117-2). 6.6.3 ATENUAÇÃO O método utilizado consiste em alimentar a ITED à entrada do RG-CC com as frequências piloto e os níveis correspondentes, indicados no projecto e na leitura dos níveis deste sinais na tomada, verificando a diferença entre os níveis. Os instrumentos que se recomendam para a realização deste ensaio são um gerador de frequências piloto e um analisador/medidor de nível. As frequências piloto típicas são: 65MHz para a via de retorno, 85 ou 90MHz e 750MHz para a via directa. Os valores médios de referência para a atenuação dos cabos coaxiais constam das tabelas 7 e 8. 6.6.4 ENSAIO DOS NÍVEIS NAS TOMADAS DE UTILIZADOR O método utilizado consiste em alimentar a ITED à entrada do RG-CC com os níveis de sinal às frequências piloto correspondentes, indicados no projecto e na leitura nas tomadas dos níveis de sinal, C/N, CSO e CTB, referenciados nas tabelas 9, 15 e 16. Os instrumentos que se recomendam para a realização deste ensaio são um gerador de frequências piloto e um analisador/medidor de níveis. Os níveis recomendados serão medidos às frequências piloto de 90 e 750 MHz para a via directa. Os níveis de sinal para a via de retorno são medidos à frequência piloto de 65 MHz, sendo estes ensaios dispensados dado os passivos da rede coaxial serem comuns, pelo que a atenuação é sempre inferior à atenuação para a via directa. Para o caso de se efectuarem ensaios na via de retorno deve ter-se em conta que a figura de ruído não deverá exceder os 7 dB. ___________________________________________________________________________________________________________ MANUAL ITED - 1ª edição 56 A relação Portadora/Ruído (C/N), baseada na EN50083-7, deve ser a seguinte (em dB): C/N Rádio TV( analógica) DVB DAB ≥ 48 ≥ 44 * * Tabela 15 – Relação portadora/ruído (dB) * - Devido às diferenças de C/N para os vários tipos de modulação, sugere-se a consulta da norma EN 50083-7/A1. Para sinais de TV (analógica) recomendam-se valores de C/N maiores ou iguais a 46dB. As distorções de 2º grau (CSO) e 3º grau (CTB) devem ter os seguintes valores mínimos (em dB): BANDA VHF UHF CSO 48 48 CTB 51 58 Tabela 16 - Distorções de 2º grau (CSO) e 3º grau (CTB), em dB 6.7 ENSAIOS PARA FIBRAS ÓPTICAS (NQ4) Deverão ser garantidos os parâmetros constantes da EN50173, de acordo com as classes respectivas, nomeadamente para o ensaio de: - Perdas por retorno; - Atenuação; - Atraso na propagação. Sugere-se o uso de equipamento para ensaio e certificação de redes de cablagem estruturada, com a opção de fibra óptica. O equipamento deverá estar parametrizado segundo a EN 50173, ou outras aplicáveis. ___________________________________________________________________________________________________________ MANUAL ITED - 1ª edição 57 6.8 EQUIPAMENTOS DE ENSAIO E MEDIDA Na tabela seguinte são indicados, a título de referência, os equipamentos necessários à certificação das ITED pelos vários níveis de qualidade. De notar que poderão existir equipamentos análogos aos indicados e que podem cumprir as mesmas funções. Níveis (NQ) Sub nível ENSAIOS Continuidade 1 – Mega-ohmímetro Atenuação Qualificador de pares de cobre Continuidade Atenuação Analisador/Medidor de nível com capacidade para efectuar medidas de C/N, S/N, CSO e CTB, para frequências até 1000 MHz. Níveis de Sinal Continuidade Todos Multímetro ou bateria/besouro Mega-ohmímetro Atenuação Analisador/Medidor de nível com capacidade para efectuar medidas de C/N, S/N, CSO e CTB, para frequências até 2150 MHz. Níveis de Sinal – Gerador de frequências piloto Isolamento b 4 Multímetro ou bateria/besouro Mega-ohmímetro 2 b Qualificador de pares de cobre ou oscilador/receptor Isolamento a a Telefones, multímetro, bateria/besouro Isolamento Diafonia 3 EQUIPAMENTO Gerador de frequências piloto Todos os ensaios (descritos no ponto 6.5) Equipamento para a certificação de cablagens estruturadas Todos os ensaios (descritos no ponto 6.7) Equipamento para a certificação de cablagens estruturadas, com a opção de ensaio em fibra óptica Resistência do eléctrodo de terra Medidor de terras Medidas métricas Fita métrica. Paquímetro. Tabela 17 – Equipamentos de ensaio ___________________________________________________________________________________________________________ MANUAL ITED - 1ª edição 58