EMPREENDEDORISMO NA GRÁFICA EDITORA IMPRINT1 Liliana Cardoso dos Santos2 RESUMO Abrir o próprio negócio pode ser o sonho de muitas pessoas, mas poucas têm a coragem de ir atrás e torná-lo realidade. Apenas pessoas com perfil empreendedor é que se sobressaem nesta hora, pois tem a iniciativa de colocar em prática todas as suas idéias e planos. Este artigo objetiva conceituar o tema Empreendedorismo e demonstrar o caso de um empreendedor que, finalizando sua trajetória profissional por meio da aposentadoria, inicia sua própria empresa alçando seu negócio no mesmo patamar dos seus concorrentes. Palavras-chave: Ideias. Empreendedorismo. Sucesso. ABSTRACT Open their own business can be a dream of many people, but just few have courage to make this happen an make this come true. Just people with an entrepreneurial profile is one that stands out in this time, because it has the initiative to put in pratice all those his ideas and plans. This article aims to conceptualize the theme Entrepreneurism and to demosntrate the case of and entrepreneur that in the end of his career trough the retirement, begins your own business getting the same level than your competitors. Keywords: Ideas. Entrepreneurism. Success. ___________ 1 2 Artigo apresentado à Facierc para obtenção do grau de Especialista em Gestão de pessoas Aluna do curso de Pós-Graduação em Gestão de Pessoas. E-mail: [email protected] VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br 1 INTRODUÇÃO É fato que, hoje em dia, o tema empreendedorismo vem sendo discutido com mais intensidade e já é considerado como fundamental para o desenvolvimento econômico e social do país. Isso tudo porque cresce cada vez mais a conscientização da importância deste tema, o empreendedorismo, para o desenvolvimento da economia do país. Dolabela (2000) reconhece que a maioria das pessoas, desde que sejam estimuladas, podem mesmo desenvolver habilidades e competências empreendedoras, e são estas pessoas que irão criar empresas e gerar novos empregos. Ainda de acordo com o autor (2000, p. 97), só agora o ensino do empreendedorismo começa a ampliar os espaços no Brasil e deixa claro porque esse tema deve estar em pauta: O Estudo do comportamento do empreendedor é fonte de novas formas para a compreensão do ser humano em seu processo de criação de riquezas e de realização pessoal. Sob este prisma, o empreendedorismo é visto também como um campo intensamente relacionado com o processo de entendimento e construção da liberdade humana. Por mais que as pessoas possam desenvolver tal habilidade, a percepção de que é desejável iniciar o próprio negócio é resultado da cultura, da subcultura, da família, dos colegas e dos professores de uma pessoa. Assim afirma Hisrich e Peters (2004, p. 31) quando dizem que “A cultura que valoriza um individuo que cria com sucesso um novo negócio dará origem a mais empreendimentos do que uma cultura que não dá valor a isso.” E, embora o desejo de colocar o próprio negócio venha da cultura, subcultura, família, professores e colegas, ainda há vários fatores que contribuem para a criação deste novo empreendimento, tais como: “governo, experiência, marketing, modelos de desempenho e finanças”, conclui Hisrich e Peters (2004, p. 32). Portanto, as empresas precisam estar sempre se diferenciando num mercado cada vez mais competitivo, através de mudanças e inovação. Estas pequenas transformações são fruto do trabalho VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br e iniciativa dos empreendedores que se encontram nas organizações, que acabam colocando seus negócios a frente dos concorrentes. Este estudo analisa o empreendedorismo de um empresário do ramo das gráficas e editoras, relacionando as teorias com a prática, descortinando-se um modelo gestor baseado nas diferenças individuais bem como em suas competências e habilidades. O ambiente empresarial, além de suas ambiguidades e contradições, é cada vez mais instável, surpreendente, imprevisível e se encontra em processo continuo de transformações. Desta forma, são as sociedades desenvolvidas que se diferenciam das demais pela maneira como elas determinam seu processo inovador, ou seja, de criação e de agregação de valor econômico. Segundo Bastos (apud Boog, 1994), o mercado está num momento de alta concorrência, uma vez que as empresas estão muito equilibradas no que diz respeito a padronização da qualidade dos seus serviços e produtos. Então, o papel do empreendedorismo envolve mais do que apenas o aumento da produção ou da renda per capita do país. Segundo Hisrich e Peters (2004, p. 33), “o empreendedorismo envolve iniciar e constituir mudanças na estrutura do negócio e da sociedade.” Quando se reflete sobre este contexto, entende-se porque o tema empreendedorismo é uma pauta prioritária para o desenvolvimento da sociedade e, conseqüentemente, para o futuro do país. Como se formam os empreendedores, em nossa sociedade? O que os leva a empreender e criar seu próprio negócio? Quais as dificuldades que mais encontram, como empreendedores? Para estas três questões, dentre outras que podem ser formuladas, este artigo pretende encontrar as respostas, procurando elencar a importância que os empreendedores, com suas habilidades e competências, têm para nossa sociedade. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 DEFINIÇÃO DE EMPREENDEDORISMO E EMPREENDEDOR VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br Por definição, segundo Hisrich e Peters (2004, p. 29), “empreendedorismo é o processo de criar algo novo com valor dedicando o tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psíquicos e sociais correspondentes e recebendo as conseqüentes recompensas da satisfação e independência econômica e pessoal.” Além da definição de empreendedorismo, vale dizer que o empreendedorismo é uma espécie de comportamento que envolve iniciativa, organização e reorganização dos mecanismos sociais e econômicos, a fim de transformar recursos e situações para proveito prático e aceitar o risco e/ou o fracasso. (HERMANN, 2008) E, se tratando de um comportamento, deve ser exercitado constantemente, através da criação e inovação de processos, produtos e serviços que contribuam de forma significativa para a organização e/ou para a sociedade. No que tange ao empreendedor, o Dicionário Aurélio (1988, p. 242) coloca que empreender significa “deliberar-se a praticar, propor-se, tentar; pôr em execução.” Já em relação à palavra empreendedor, o mesmo Dicionário colocar que empreendedor é aquele “que aprende; ativo, arrojado, cometedor; aquele que empreende; cometedor.” Sendo assim, empreendedor é aquele que tem a capacidade de perceber e/ou criar, bem como aproveitar, oportunidades de negócios, e, para isso, desenvolver uma série de conhecimentos, habilidades e atitudes, que serão utilizados no exercício de uma função, com intuito de alcançar os objetivos que ele próprio estabeleceu. Importante salientar que tal conceito serve, atualmente, tanto para grandes como pequenos negócios. 2.1.1 Características de um empreendedor Conforme Hermann (2008, p. 38), existe um aspecto de fundamental importância, além dos três importantes eixos que formam a competência de um profissional, que são eles: conhecimento, habilidade e competência; estamos falando das características que um indivíduo desenvolve desde a sua tenra idade até os últimos anos de sua trajetória de vida. VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br Então, para que se faça bom proveito das potencialidades de uma pessoa é primordial que se cultive algumas características de sua personalidade. Esta personalidade é fruto de vários fatores, dentre eles, os anos de educação que este indivíduo recebeu desempenha papel muito importante. Contudo, é importante destacar que, apesar da importância dos primeiros anos de formação desta personalidade, é possível promover mudanças no modo de agir e pensar de pessoas em diferentes fases da vida, fortalecendo alguns traços de personalidade que as condicionem ao uso de determinadas potencialidades. Pode-se citar algumas características mais encontradas nos empreendedores: iniciativa própria, autonomia, autoconfiança, otimismo, necessidade de realização, energia, intuição, comprometimento, liderança, assunção de riscos, persistência e flexibilidade. (HERMANN, 2008) Mesmo assim, desde um dirigente de uma pequena empresa até um empresário que administra negócios espalhados por um continente inteiro, todos os empreendedores têm características, qualidades e atividades específicas de acordo com seu ramo de negócio. Como atividades, o empreendedor as tem de acordo com as suas características e intervêm diretamente no processo de criação e desenvolvimento das empresas. Assim, pode-se citar sucintamente algumas das suas atividades: estar sempre em busca de novas informações; traduzir tais informações em novos mercados, técnicas ou bens; descobrir oportunidades; avaliar oportunidades; levantar recursos financeiros para a empresa; desenvolver cronogramas e metas; definir responsabilidades da administração; desenvolver programas motivacionais na empresa; desenvolver/ gerar lideranças para os grupos de trabalho dentro da empresa; definir incertezas e/ou riscos; e vender. (HERMANN, 2008) 2.2 A FORMAÇÃO DO EMPREENDEDOR: AMBIENTE FAMILIAR, IDADE E HISTÓRICO PROFISSIONAL Em relação à ocupação dos pais, há evidências de que pessoas empreendedoras tiveram pais empreendedores ou, então, que tiveram negócio próprio, segundo Hermann (2008, p. 56). VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br Assim, pode-se dizer que o relacionamento dos pais com o filho tem forte impacto na criação da personalidade empreendedora deste indivíduo, principalmente se for uma relação de estímulo à independência e à responsabilidade. Mas não são somente os pais que podem interferir no processo de decisão de empreender, conforme afirma Hisrich e Peters (2004, p. 31), ainda existem as seguintes interferências: “Cultural; Subcultural; Família; Professores; Colegas; Governo; (...) Financiamento.” Quanto à idade: não há idade determinada para criar um negócio próprio. Porém, o fator experiência é fator fundamental, assim como apoio financeiro e alto nível de energia. (HERMANN, 2008) O histórico profissional também se torna item importante na hora de abrir seu próprio negócio. Embora a insatisfação com o atual emprego motive o desligamento e impulsione o início de um novo e próprio empreendimento, segundo Hermann (2008) não se pode ignorar que experiência técnica e industrial é importante na hora de empreender, pois à medida que negócio se estabelece e começa a crescer, experiência e certas habilidades administrativas tornam-se cada vez mais essenciais, porque o empreendimento vai crescer, o numero de funcionários vai aumentar e a complexidade juntamente com a diversidade da empresa irão aparecer. E a experiência empresarial, também exigida, irá ser adquirida a cada oportunidade de empreender que o individuo tiver. Além de ser um empreendedor, o dono do novo negócio terá que administrar sua organização. E administrar significa, em primeiro lugar, ação. Para contribuir com esta temática, temse a citação de Maximiano (2000, p. 26), quando afirma que “a administração é um processo de tomar decisões e realizar ações que compreende quatro processos principais interligados: planejamento, organização, execução e controle.” Neste momento, quem já tem experiência empresarial, como dito antes, sai na frente da concorrência. Segundo Maximiano (2000, p. 28) “administrar é uma arte.” E, como toda arte, precisa de habilidades e competências. O estudioso Maximiano (2000, p. 28) afirma ainda que “a habilidades assim como as competências podem ser adquiridas ou aprimoradas por meio de experiência e estudo.” E é sobre este assunto que este artigo irá tratar no próximo capítulo. 2.3 COMPETÊNCIAS NECESSÁRIAS À ATIVIDADE DE EMPREENDEDOR VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br Segundo Zarifian (1999), a competência é a inteligência prática apoiada sobre os conhecimentos adquiridos, transformando-os de acordo com a complexidade das diversas situações. E de acordo com Maximiano (2000, p. 41) “competências são as qualificações que uma pessoa deve ter para ocupar um cargo e desempenhá-lo eficazmente.” Então, pode-se dizer que a competência não se trata de um estado nem se reduz a um conhecimento específico, não se limita, então, a um estoque de conhecimentos teóricos e empíricos detido pelo indivíduo, muito menos se encontra concentrada em uma única tarefa. De forma geral, as competências são classificadas em três categorias: conhecimentos, habilidades e atitudes. (MAXIMIANO, 2000) Um indivíduo pode ser dotado de grande capacidade e conhecimento, mas de nada servirá se não souber a hora nem o local adequado para aplicá-los ou não consegue aplicar de maneira adequada e pertinente. Assim, só existe competência no ato. Ou seja, para que haja competência é preciso colocar em ação: recursos, conhecimento e capacidades. (HERMANN, 2008) Conforme cita Maximiano (2000), em relação à composição da competência, e para que o indivíduo consiga colocá-la em prática, é necessário ter conhecimento dos três grandes e clássicos eixos: • Conhecimentos (saber): “Os conhecimentos incluem todas as técnicas e informações que o gerente domina e que são necessárias para o desempenho do seu cargo. O principal tipo de conhecimento é a competência técnica sobre o assunto administrado.” (MAXIMIANO, 2000, p. 41) • Habilidades (saber-fazer): “Num trabalho que alcançou grande repercussão, Robert L. Katz dividiu as habilidades em três categorias: a) habilidade técnica; b) habilidade humana e; c) habilidade conceitual.” (MAXIMIANO, 2000, 42) • Atitudes (saber-ser, agir): Neste sentido: VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br As atitudes são competências que permitem às pessoas interpretar e julgar a realidade e a si próprios. (...) formam a base das opiniões segundo as quais as outras pessoas e os fatos, as idéias e os objetos são vistos, interpretados e avaliados. As atitudes estão na base das doutrinas administrativas e da cultura organizacional. (MAXIMIANO, 2000, p. 44) Ainda, no que concerne aos conhecimentos, de acordo com Chiavenato (1994), estes são representados por aquilo que as pessoas sabem a respeito de si mesmas e sobre o ambiente e sobre o ambiente que as rodeia, sendo profundamente influenciadas por seu ambiente físico e social, por sua estrutura e processo fisiológicos, por suas necessidades e por suas experiências anteriores. Os conhecimentos não são adquiridos apenas nos bancos das instituições de ensino, são adquiridos ao longo dos anos de formação e de experiências de vida e profissional. Alguns conhecimentos são primordiais para que o empreendedor possa atuar de forma plena frente à gestão do empreendimento, e segundo Herman (2008, p. 62) são: • Conhecimentos Individuais: noção básica sobre os temas relacionados à Economia, Contabilidade, Direito e Técnicas em Negociação; • Conhecimentos Técnicos: tecnologia envolvida no desenvolvimento do produto ou prestação de serviço, processos que possibilitam o controle de qualidade no desenvolvimento do produto ou prestação de serciço; • Conhecimentos Mercadológicos: Marketing; • Conhecimento Gerenciais: Planejamento, Organização de Processos, Estratégias de Gestão Empresarial e sobre Gestão de Pessoas. No que tange às habilidades, estas se constituem na facilidade de o individuo em utilizar suas capacidades físicas e intelectuais que dispõe. (HERMANN, 2008, p. 62) Tais habilidades possuem papel fundamental na formação das competências, uma vez que é a partir delas que se dá a operacionalização de uma competência. Ou seja, enquanto não utilizada ou desenvolvida, é uma habilidade. Porém, quando aplicada a uma atividade juntamente com os conhecimentos e as atitudes, transforma-se em competência. (HERMANN, 2008) Aprimorando as atitudes, Braghirolli (1990, p. 64), diz que: VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br Atitude é a maneira em geral organizada e coerente de pensar, sentir e reagir a um determinado objeto que pode ser uma pessoa, um grupo de pessoas, uma questão social, um acontecimento, enfim, qualquer evento, coisa, pessoa, idéia, etc. As atitudes podem ser positivas ou negativas, mas invariavelmente, aprendidas; possui três componentes: um componente cognitivo, formado pelos pensamentos e crenças a respeito de um objeto; um componente afetivo, isto é, os sentimentos de atração ou repulsão em relação a ele; e um componente comportamental, representado pela tendência de reação da pessoa em relação ao objeto de atitude. Então, os seres humanos demonstram atitudes em relação a quase tudo, com exceção em relação ao que não conhece ou ao que não dá importância. Segundo Hermann (2008, p. 65) “A atitude está diretamente ligado ao querer fazer alguma coisa porque se quer ou por necessidade. É sair da inércia e tomar iniciativa. E isso tudo tem a ver com o fato de ser empreendedor.” 3 EMPREENDEDORISMO NA GRÁFICA EDITORA IMPRINT 3.1 BREVE HISTÓRICO Gráfica Editora Imprint é o nome fantasia da Gráfica Editora Cocal, que teve início em abril de 2000. O que oportunizou o início desta nova empresa foi o fechamento da gráfica que pertencia à empresa Eliane Revestimentos Cerâmicos, porque o empreendedor aqui pesquisado, o Sr. Josedil de Oliveira, trabalhava na mesma e foi demitido. Depois disso, estudou a possibilidade de comprar as máquinas da empresa que fechou as portas, fez sua proposta ao proprietário e ela foi aceita. O segundo passo foi alugar um galpão e iniciar os trabalhos. No começo, trabalhava-se sem hora para sair, pois os recursos financeiros eram escassos. Assim que a empresa se fortaleceu no mercado, o número de funcionários passou de 4 (o VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br proprietário mais três funcionários) para 9, pois, com o aumento dos trabalhos foi possível admitir mais 5 funcionários, possuindo, atualmente, um quadro de 14 colaboradores. Após 11 anos de trabalho forte, a empresa é considerada uma das mais fortes do ramo. 3.2 METODOLOGIA DA PESQUISA Estudos desenvolvidos no “Curso de Pós Graduação Latu Sensu: Especialização em Gestão de Pessoas” deram ênfase, entre outros conteúdos, à fundamental importância do espírito empreendedor, entendido como um conjunto de competências e habilidades para serem colocadas em prática numa organização, empresa ou até mesmo na sociedade. Os capítulos que, neste estudo antecedem a pesquisa de campo sobre a qual se discorrerá ocupam-se de uma teorização abrangendo reflexões introduzidas por Empreendedorismo, Empreendedor, sua definição, suas características e sua formação. Nasceu da percepção da importância do Empreendedorismo para o cotidiano das pessoas e, assim, para a sociedade e suas relações de trabalho, o interesse em realizar esta pesquisa. A escolha do universo de investigação foi determinado pela existência, numa das Empresas do Município de Cocal do Sul, de um homem com espírito empreendedor que resolveu colocá-lo em prática há 11 anos. Surge então, o questionamento: o que levou o profissional da Gráfica e Editora Imprint estando ele, em determinado momento de sua vida, aposentado, iniciar um negócio próprio? E a esta pergunta outras se relacionam, no que se refere à formação de empreendedores e à importância destes à economia e à sociedade. O universo de investigação desta pesquisa abrange um público-alvo constituído pelo proprietário da empresa. VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br 3.3 INSTRUMENTO DE PESQUISA O instrumento de pesquisa utilizado foi um questionário constituído de 10 (dez) questões, as quais, não serão quantificados erros nem acertos, mas sim concepções do entrevistado, quanto ao seu percurso profissional como empreendedor. Para utilização das respostas às questões, como dados que permitem a conseqüente interpretação, solicitou-se, formalizada em documento escrito, a autorização, pelo entrevistado, sendo que, depois de aplicado o questionário e as respostas repassadas para este trabalho, concluise a pesquisa com uma análise dos resultados. As dez questões referidas no questionário abordavam: 1) as considerações do entrevistado sobre o que é ser um empreendedor; 2) o que o motivou a ter a atitude de colocar seu próprio negócio; 3) na sua percepção, qual a importância que o empreendedorismo tem para o desenvolvimento econômico e social; 4) quais os maiores desafios que enfrentou na fase inicial, de constituição, do seu negócio; 5) E, atualmente, quais os maiores desafios que enfrenta; 6) Quais as compensações e desvantagens com que mais se depara; 7) Das características de um empreendedor, quais mais se identifica; 8) Das atividades comuns a um empreendedor, quais as que mais realiza freqüentemente na sua empresa; 9) Quais os maiores conflitos encontrados, como empreendedor e administrador do próprio negócio; 10) E, por último, pediu-se que deixasse uma mensagem aos jovens que sonham em colocar seu próprio negócio. VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br 3.4 APRESENTAÇÃO DA ENTREVISTA Neste capítulo abordaremos as questões pertinentes à pesquisa realizada, conforme foram colocadas as questões no capítulo anterior. Inicialmente, o profissional entrevistado relatou que, para ele, um empreendedor é “quase sempre o sujeito que conhece muito bem um ofício e abre uma empresa para explorá-lo, mas contando com pouco recurso para realizar o que pretende.” Sobre as motivações que o levaram a colocar seu próprio negócio, relatou que “minha vida profissional já estava finalizando, pois estava aposentado, porém, com o fechamento da empresa em que eu trabalhava, surgiu a idéia de comprar suas máquinas e colocar o meu próprio negócio, continuando a trabalhar no que eu gostava e sabia fazer.” Foi então que as máquinas foram compradas, o galpão alugado e as atividades empreendedoras iniciadas. Em relação é importância que tem o empreendedorismo, nosso entrevistado pode falar pautado no que observa na prática: “O fato de eu ter tido espírito empreendedor foi decisivo para a criação da empresa, o que iniciou gerando três empregos, além do meu, e hoje emprega 14 pessoas diretamente. Além disso, hoje é considerada uma das melhores do mercado, atendendo a demanda com qualidade e prazo determinado. E ainda temos ótimas opções de crescimento, o que geraria ainda mais empregos.” No que diz respeito aos desafios, na época em que iniciou seu negócio “foi ir em busca de clientes e abrir crédito para compra de matéria prima, já que não tinha recurso financeiro e pouquíssima matéria prima, apenas a que veio com os equipamentos.” A empresa cresceu, os clientes surgiram, mas os desafios continuam acompanhando: “Hoje em dia, temos a concorrência forte e bem equipada. Além disso, a tecnologia dos equipamentos muda rapidamente; os prazos de entrega e a qualidade são muito exigidos; acompanhar o mercado é difícil, pois é preciso ter força para investir em equipamentos, pois o retorno financeiro é muito demorado.” Quando questionado sobre as compensações de ser empreendedor, rapidamente respondeu: “apenas realização pessoal”. Em compensação, como desvantagem apontou: “possibilidade de fracasso é ameaça constante.” VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br Apesar disso, nosso empreendedor se diz “Otimista e persistente.” Dentre tantas atividades que realiza, “levantar recursos financeiros para a empresa” é principal que realiza atualmente. Como administrador e empreendedor do próprio negócio, diz não ter nenhum tipo de conflito, nem internamente nem externamente. Como último item a ser analisado, pediu-se que deixasse uma mensagem aos jovens que sonham em colocar seu próprio negócio: “A cada jovem que sonha em ter seu próprio negócio, sugiro que faça uma pesquisa de mercado ou consulte o SEBRAE antes de iniciar, pois, hoje em dia, é necessário ter um forte recurso financeiro, pois o mercado exige muito e os concorrentes são fortíssimos.” 3.4.1 Análise e Interpretação Com base nesta entrevista foi possível verificar o que em teoria já havia sido demonstrado: ter espírito empreendedor e colocá-lo em prática realmente pode trazer grandes realizações, pode contribuir com a sociedade, gerando recursos, empregos e fazendo girar a economia. Para tanto, pode-se citar Gottry (2005, p. 305), quando diz que Você pode ter certeza que administrar um pequeno empreendimento será sempre uma grande aventura – porque você irá sempre confrontar o inesperado. Isso é excitante e é também uma das muitas coisas que fazem com que o empreendedorismo seja algo tão forte. Isso pode ser constatado quando o entrevistado respondeu que ser empreendedor é “quase sempre o sujeito que conhece muito bem um ofício e abre uma empresa para explorá-lo, mas VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br contando com pouco recurso para realizar o que pretende.” Pois são nas situações difíceis que, quem tem espírito empreendedor, irá se sobressair. No entanto, pode-se verificar também que existem muitos percalços no caminho, o que pode ocasionar mudança forçada de plano, readaptação, prejuízo ou até mesmo a falência. Assim pode confirmar novamente Gottry (2005, p. 305) ao dizer que Você também pode estar certo de que a economia sempre terá seus picos e suas planícies, e que a mudança no ambiente econômico afetará todos os empreendimentos em algum nível. Como empresário, você terá que se adaptar às mudanças e talvez repensar e redirecionar o seu sonho. Na resposta do entrevistado ficou clara esta posição quando relata que “acompanhar o mercado é difícil, pois é preciso ter força para investir em equipamentos, pois o retorno financeiro é muito demorado.” E, conforme o citação anterior, as mudanças no ambiente econômico podem facilitar ainda mais o acontecimento de crises nas empresas. Enfim, um empreendedor deve estar alerta à mudanças que surgem ou surgirão e que poderão afetar a sua indústria, considerando as possíveis reações cuidadosamente. Além disso, “busque o aconselhamento com outras pessoas”, sugere Gottry (2005, p. 306). Para continuar no mercado é necessário criar oportunidades de ouro, permanecendo positivo, esperançoso, energético e atento, para antecipar o futuro. Importante, também, utilizar sempre o bom senso para atingir o sucesso nos negócios e para “impactar de forma positiva as vidas dos funcionários, dos fornecedores e dos clientes!”. (GOTTRY, 2005, p. 306) 4 CONCLUSÃO VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br Na Introdução deste trabalho surgiram os seguintes questionamentos: como se formam os empreendedores?,O que os leva a empreender e criar seu próprio negócio? Quais as dificuldades que mais encontram, como empreendedores? E, para conseguir respostas para estas questões, foi-se em busca de referências teóricas, mas também práticas sobre o tema proposto: Empreendedorismo. E é, principalmente, pautado na prática que este trabalho será concluso, através das respostas obtidas pelo entrevistado. Para a primeira pergunta, cabe dizer que foi por intermédio da aposentadoria que surgiu a oportunidade de colocar em prática a experiência já obtida por anos de trabalho e, assim, tornar-se empreendedor do próprio negócio. Além disso, o empresário pesquisado relatou que, foi uma oportunidade de “trabalhar no que eu gostava e sabia fazer”. Muitos motivos levam a criar um negócio próprio, como já foi visto em nosso referencial teórico. No caso do entrevistado, seu principal motivo foi continuar a fazer o que sabia e gostava. Mas para outros empresários pode ser a busca pela oportunidade de alcançar sua independência financeira, realizar um sonho ou trabalhar para si próprio. Em relação a terceira e última pergunta, que diz respeito às dificuldades, as principais encontradas dizem respeito à desvantagem encontrada, que é a “possibilidade de fracasso que é ameaça constante.” Para essas três questões formuladas, este artigo pretendia encontrar as respostas e as encontrou, conseguindo elencar a importância que os empreendedores, com suas habilidades e competências, têm para nossa sociedade. No entanto, foi durante o desenvolvimento da Metodologia de Pesquisa que surgiram outras questões acerca do assunto, uma relacionando-se com a outra e, assim, constituindo nosso instrumento de pesquisa. Foi assim, que os propósitos deste trabalho foram alcançados, através de muita pesquisa e esta sendo estendida à via real. Todo o trabalho levou a concluir que ser dono do próprio negócio vai além da vontade do futuro empresário, ou seja, necessita de espírito empreendedor, coragem e principalmente conhecer o mercado e o negócio que se pretende colocar. Pode-se evidenciar esta afirmação através da citação de Maximiano (2000, p. 41), quando diz que “competências são as qualificações que uma pessoa deve ter para ocupar um cargo e desempenhá-lo eficazmente.” Bem como através da VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br resposta do nosso entrevistado quando relata que um empreendedor é aquele que “ conhece muito bem um ofício e abre uma empresa para explorá-lo”. Então, o objetivo deste trabalho que era demonstrar como se formam os empreendedores e o que os leva a colocar seu próprio negócio foi alcançado, quando foi descoberto que, através de pesquisa bibliográfica, empreendedores se formam por diversos motivos, conforme afirma Hisrich e Peters (2004, p. 31): “Cultural; Subcultural; Família; Professores; Colegas; Governo.”; e, através de pesquisa em campo, que empreendedores se formam por oportunidades que surgem e, assim, talentosos empresários podem criar suas próprias empresas, gerando empregos, ajudando a sustentar famílias, ou mesmo que seja apensas por “realização pessoal”, como nosso caso verídico estudado. VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br REFERÊNCIAS BRAGHIROLLI, E. M. Psicologia geral. 9 ed. Porto Alegre: Editora Vozes, 1990. DOLABELA, Fernando. O ensino do empreendedorismo: panorama brasileiro. Empreendedorismo: ciência, técnica e arte. Brasília: CNI – IEL Nacional, 2000. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Básico de Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988. GOTTRY, Steven R. Visão privilegiada em negócios. Tradução: Miriam Santini. São Paulo: Editora Landscape, 2005. HERMANN, Ingo L. Empreendedorismo: livro didático. 2 ed. Palhoça: Unisul Virtual, 2008. HISRICH, Robert D. PETERS, Michael P. Empreendedorismo. Tradução: Lene Belon Ribeiro. 5 ed. Porto Alegre: Bookman, 2004. MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Introdução à administração. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2000. ZARIFIAN, Philippe. Objetivo competência: por uma nova lógica. Tradução: Maria Helena C. V. Trylinski. São Paulo: Atlas, 2001. VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração – www.convibra.com.br