UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO
CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA
CARACTERÍSTICAS DA MATRIZ DE GERAÇÃO DE ENERGIA
ELÉTRICA BRASILEIRA E FONTES ALTERNATIVAS DE ENERGIA
Área de Ciências Exatas e Tecnológicas
por
Tiago Pereira Roberto
Autor
William Cesar Mariano, Ms. C
Orientador
Campinas (SP), Dezembro de 2009
1
UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO
CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA
CARACTERÍSTICAS DA MATRIZ DE GERAÇÃO DE ENERGIA
ELÉTRICA BRASILEIRA E FONTES RENOVÁVEIS DE ENERGIA
Área de Ciências Exatas e Tecnológicas
por
Tiago Pereira Roberto
Relatório apresentado à Banca Examinadora do
Trabalho de Conclusão do Curso de Engenharia
Elétrica para análise e aprovação.
Orientador: William Cesar Mariano, Ms. C
Campinas (SP), Dezembro de 2009
i
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho aos meus pais e minha irmã, por
todo amor e apoio nas horas mais difíceis da minha
vida.
ii
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao professor, orientador e amigo William
Cesar Mariano pelo apoio no desenvolvimento deste
trabalho.
Agradeço aos colegas de graduação, por todos os
momentos vividos durante os cinco anos de curso, em
especial aos amigos Felipe Moscardini e Daniel Souza,
os quais se tornaram parte de minha família.
Agradeço aos colegas de trabalho da GE (General
Electric) pelo constante
suporte e compreensão.
Agradeço também minha namorada, Carol, pelo
constante apoio.
iii
SUMÁRIO
LISTA DE ABREVIATURAS ............................................................................................................v
LISTA DE FIGURAS ....................................................................................................................... vii
LISTA DE TABELAS ..................................................................................................................... viii
RESUMO ........................................................................................................................................ ix
ABSTRACT ........................................................................................................................................ x
1. INTRODUÇÃO..............................................................................................................................1
1.1.
OBJETIVOS.....................................................................................................................2
Objetivo Geral ..................................................................................................................2
Objetivos Específicos .......................................................................................................2
1.2.
METODOLOGIA ............................................................................................................2
1.3.
ESTRUTURA DO TRABALHO .....................................................................................2
2. UM POUCO DA HISTÓRIA DA GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL. .........4
3. ASPECTOS REGULATÓRIOS E ORGANIZACIONAIS DO NOVO MODELO DO SETOR
ELÉTRICO BRASILEIRO. ...........................................................................................................7
4. CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA ELÉTRICO BRASILEIRO..............................................9
5. FONTES DE GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA ...............................................................12
5.1.
ENERGIA HIDRÁULICA.............................................................................................12
5.2.
BIOMASSA ...................................................................................................................18
5.3.
ENERGIA EÓLICA.......................................................................................................23
6. IMPACTOS AMBIENTAIS E SOCIOECONÔMICOS .............................................................28
6.1.
USINA HIDRELÉTRICA..............................................................................................28
6.2.
USINA TERMELÉTRICA – BIOMASSA....................................................................32
6.3.
USINA EÓLICA ............................................................................................................33
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................................................35
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...............................................................................................37
GLOSSÁRIO......................................................................................................................................39
iv
LISTA DE ABREVIATURAS
AMFORP
ANEEL
BIG
CBE
CCBFE
CCEE
CEA
CEAL
CEAM
CEEE
CGH
CELESC
CELG
CELPA
CELPE
CELTINS
CELUSA
CEMAR
CEMAT
CEMIG
CEPISA
CESP
CER
CERON
CHERP
CHESF
CHEVAP
CMSE
CNAEE
CNPE
COELBA
COELCE
CONAMA
COPEL
COSERN
EE
EFE
EIA
ELETROACRE
ELETROBRÁS
ELETRONORTE
ENERSUL
ENERGIPE
EPE
ESCELSA
FURNAS
American and Foreign Power Company
Agência Nacional de Energia Elétrica
Banco de Informações de Geração
Companhia Brasileira de Engenharia
Companhia Central Brasileira de Força Elétrica
Câmara de Comercialização de Energia Elétrica
Companhia de Eletricidade do Amapá
Companhia Energética de Alagoas
Companhia Energética do Amazonas
Comissão Estadual de Energia Elétrica
Centrais Geradoras Hidrelétricas
Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A.
Centrais Elétricas de Goiás S.A.
Centrais Elétricas do Pará S.A.
Companhia Energética de Pernambuco
Companhia de Energia Elétrica do Estado do Tocantins
Centrais Elétricas do Urubupungá S.A.
Companhia Energética do Maranhão
Centrais Elétricas Matogrossenses S.A.
Companhia Energética de Minas Gerais
Companhia Energética do Piauí S.A
Centrais Elétricas de São Paulo S.A.
Companhia Energética de Roraima
Centrais Elétricas de Rondônia S.A.
Companhia Hidrelétrica do Rio Pardo
Companhia Hidrelétrica do São Francisco
Companhia Hidrelétrica do Vale do Rio Paraíba
Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico Brasileiro
Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica
Conselho Nacional de Políticas Energéticas
Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia
Companhia Energética do Ceará
Conselho Nacional do Meio Ambiente
Companhia Paranaense de Energia Elétrica
Companhia Energética do Rio Grande do Norte
Energia Elétrica
Empresa Fluminense de Energia Elétrica
Energy information Administration
Companhia de Eletricidade do Acre
Centrais Elétricas Brasileiras S.A.
Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A
Empresa Energética de Mato Grosso do Sul S.A.
Empresa Energética de Sergipe S.A.
Empresa de Planejamento Energético
Espírito Santo Centrais Elétricas S.A.
Furnas Centrais Elétricas S.A.
v
IBAMA
IEA
MAE
MME
OCED
ONS
PCH
RIMA
SAELPA
SIN
SNUC
UHE
ÚNICA
USELPA
WEC
WWEA
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
International Energy Agency
Mercado Atacadista de Energia
Ministério das Minas e Energia
Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento
Operador Nacional do Sistema Elétrico
Pequenas Centrais Hidrelétricas
Relatório de Impacto Ambiental
Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba
Sistema Interligado Nacional
Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza
Usina Hidrelétrica de Energia
União da Industria de Cana-de-açúcar de São Paulo
Usinas Elétricas do Paranapanema S.A.
World Energy Council
World Wind Energy Association
vi
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Estrutura Institucional do setor Elétrico: Fonte ANEEL ......................................................8
Figura 2. Custos de Produção de Energia Elétrica: Fonte ANEEL......................................................9
Figura 3. Matriz Energética nos anos de 1973 a 2006: Fonte IEA ....................................................13
Figura 4. Geração de Energia Elétrica no Mundo por Tipo de Combustível: Fonte IEA ..................13
Figura 5. Participação Relativa da Hidreletricidade no Mundo: Fonte ANEEL................................16
Figura 6. Potencial Mundial Aproveitável: Fonte ANEEL................................................................17
Figura 7. Diagrama dos Processos de Conversão Energética da Biomassa: Fonte MME. ................19
Figura 8. Matriz de oferta de Energia Elétrica no Brasil: Fonte ANEEL ..........................................22
Figura 9. Evolução de Turbinas Eólicas: Fonte IEA..........................................................................24
Figura 10. Aumento do uso da energia eólica no mundo 1990 - 2008: Fonte IEA............................26
Figura 11. Potencial Regional de Geração de Energia Eólica do Brasil: Fonte IEA .........................27
vii
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Unidades Consumidoras – Variação de 2006 para 2007 (em 1.000 unidades) ....................9
Tabela 2. Acréscimo Anual da Geração (em MW) ............................................................................10
Tabela 3. Empreendimentos em Operação.........................................................................................11
Tabela 4. Empreendimentos em Construção ......................................................................................11
Tabela 5. Empreendimentos em Outorgados entre 1998 e 2008 (não iniciaram sua construção) .....11
Tabela 6. Maiores Consumidores de Energia Hidrelétrica (2006 e 2007) em TWh ......................15
Tabela 7. Participação da hidreletricidade na produção total de energia elétrica em 2006 ...............16
Tabela 8. As dez maiores Usinas em Operação, Região e Potência ..................................................17
Tabela 9. Produtores de Bioenergia em 2005.....................................................................................21
Tabela 10. Produtores de Biodiesel (mil toneladas)...........................................................................21
Tabela 11. Produtores de Etanol (hm3) ..............................................................................................22
Tabela 12. Potência Mundial Instalada nos últimos dez anos (MW).................................................24
Tabela 13. Potência Instalada em 2007 ..............................................................................................25
viii
RESUMO
ROBERTO, Tiago. Características da Matriz de Geração de Energia Elétrica brasileira e
Fontes Renováveis de Energia . Campinas, 2009. 50 f. Trabalho de Conclusão de Curso,
Universidade São Francisco, Campinas, 2009.
A eletricidade é fundamental para o desenvolvimento de um país. Nos últimos anos, muito tem se
discutido o uso de Fontes Renováveis como método alternativo aos combustíveis fósseis e
nucleares, por questões estratégicas, uma vez que a escassez de tais combustíveis tende a aumentar,
e também por questões ambientais, pois o Efeito Estufa provocado pela emissão de gases nocivos a
camada de ozônio aumenta cada vez mais a temperatura do planeta. O Brasil é um país rico em
recursos renováveis, sua capacidade de geração, impactos socioeconômicos e ambientais serão
alvos de estudo neste trabalho.
Palavras-chave: Eletricidade. Fontes Renováveis. Energia Hidráulica. Biomassa. Energia Eólica.
ix
ABSTRACT
Electricity is essential to the growth of a country. Last year’s renewable energy sources like an
alternative method of fossil and nuclear fuel have been a highlighted matter, for strategic reasons
once that fuels should be more limited as time goes by, and also environmental issues because
Greenhouse Gases (GHGs) increase every time more the Earth temperature. Brazil has a big
potential in renewable resources and its capacity, socioeconomic and environmental impacts will
be investigated in this study.
Keywords: Electricity. Renewable Sources. Hydraulic Energy. Biomass. Wind Energy.
x
1. INTRODUÇÃO
A Energia é essencial para a vida, em caráter fundamental, pois os seres vivos necessitam de
alimentos para prover a energia necessária ao corpo, para que este execute as funções vitais, e em
caráter facultativo, a fim de melhorar as condições da existência, proporcionando maior conforto,
diversão e desenvolvimento à sociedade[1].
Em termos de suprimento energético, a eletricidade se tornou uma das formas mais versáteis
e convenientes, passando a ser recurso indispensável e estratégico para o desenvolvimento
socioeconômico de muitos países e regiões [2].
Muito se evoluiu desde os tempos da antiguidade, e os avanços tecnológicos permitem que a
eletricidade chegue até os lugares mais distantes do planeta [3]. Todavia, a evolução desse sistema
ocorreu de forma agressiva e nas duas últimas décadas ocorreu uma crescente movimentação de
âmbito internacional no sentido de se iniciar a transição do atual sistema energético fóssil-nuclear
para um sistema energético baseado em energias renováveis, subordinado às práticas sustentáveis de
aproveitamento de recursos naturais e medidas mitigadoras das mudanças climáticas globais. Um
marco desse movimento foi o Protocolo de Kyoto em 1997 [4]. Hoje, o maior desafio da sociedade
é implementar Fontes Alternativas de Energia, a fim de amenizar o aquecimento global, causado
pelo Efeito Estufa.
O Brasil, apesar de sua grande extensão territorial e diversidade de recursos energéticos,
enfrenta deficiências em sua infraestrutura, pois grande parte dos recursos energéticos do país está
localizada em regiões pouco desenvolvidas, distantes dos grandes centros consumidores e sujeitos a
restrições ambientais. Promover o desenvolvimento econômico-social dessas regiões, preservar a
sua diversidade biológica, garantir o suprimento energético das regiões mais desenvolvidas são
algumas das dificuldades do sistema brasileiro [2].
A finalidade deste trabalho é tratar a geração de energia no Brasil, aprofundando-se em
algumas fontes renováveis de energia, a fim de promover ao leitor informações técnicas e
ambientais do sistema nacional, para que assim haja reflexão sobre sustentabilidade.
.
1
1.1. OBJETIVOS
Objetivo Geral
Apresentar as características políticas, tecnológicas e ambientais da Matriz Energética
Nacional.
Objetivos Específicos
Diante do escopo geral citado no tópico acima, os objetivos específicos deste trabalho são:
•
Descrever os Aspectos Regulatórios do Sistema de Geração;
•
Apresentar a capacidade atual de geração de Energia Elétrica do Brasil;
•
Analisar as características tecnológicas e o impacto ambiental e socioeconômico causado
na implantação de usinas cujo produto final (energia elétrica) seja proveniente de Fontes
Renováveis. Abordando especificamente Usinas Hidrelétricas, Térmicas (Biomassa) e
Eólicas.
1.2. METODOLOGIA
Desenvolver um estudo da Matriz de Geração de Energia Elétrica Brasileira, apresentando
sua capacidade de geração, dando ênfase às Fontes de Energia Renováveis, as quais são encontradas
em abundância no Brasil.
A pesquisa foi elaborada através de consulta a materiais de conceitos sólidos, em áreas
relacionadas à engenharia elétrica, tecnologia e meio ambiente, e ainda, em informações de
instituições governamentais e privadas.
1.3. ESTRUTURA DO TRABALHO
O Capítulo 2 aborda a história da geração de energia no Brasil, desde o surgimento dos
primeiros marcos histórico até a consolidação do processo de privatização no governo de Fernando
Henrique Cardoso. No Capítulo 3, é apresentada a estrutura institucional e organizacional do novo
modelo do sistema nacional. A capacidade de geração e a diversificação da matriz brasileira é
tratada no Capítulo 4. Através do Capítulo 5, apresenta-se as características tecnológicas e o uso de
energia Hidráulica, energia proveniente de Biomassa e Energia Eólica no Brasil e no mundo. O
2
Capítulo 6 trata sobre os impactos socioeconômicos e ambientais das fontes apresentadas no
capítulo anterior. Por fim, no Capítulo 7, é apresentada a visão do autor sobre os aspectos de
geração de energia elétrica no Brasil.
3
2. UM POUCO DA HISTÓRIA DA GERAÇÃO DE ENERGIA
ELÉTRICA NO BRASIL.
Os marcos pioneiros da história da Geração de Energia Elétrica no Brasil são dados a partir
de 1883, onde a necessidade de fornecimento de energia motriz à indústria fez com que
investimentos fossem feitos no setor, daí surgiu a Usina Hidrelétrica de Ribeirão do Inferno em
Diamantina MG (1883), a Usina Hidrelétrica da Companhia Fiação e Tecidos São Silvestre em
Viçosa MG (1885), a Usina Hidrelétrica de Ribeirão dos Macacos também em MG (1887), a Usina
Termelétrica Velha Porto Alegre em Porto Alegre RS (1887) e a Usina Hidrelétrica de Marmelos
em Juiz de Fora MG (1889).
Em meados do século XX, foram construídos no país diversas pequenas centrais de geração
de energia elétrica, a fim de atender a necessidade dos serviços públicos das cidades (iluminação,
bondes e outros), nesse período, a energia proveniente de Usinas Hidrelétricas tornaram-se
predominante, principalmente na região Sudeste. As usinas termelétricas, mais numerosas na fase
pioneira do setor, restringiram-se a áreas economicamente menos ativas e com menos abundância
de recursos hídricos, em termos percentuais, 80% da energia oriunda de Usinas Hidrelétricas e 20%
de Usinas Termelétricas.
Na década de 1930, foram instituídas agências específicas voltadas para a solução dos
problemas relacionados à produção industrial de energia elétrica. Assim, em 1933, foi criada na
órbita do Ministério da Agricultura a Divisão de Águas, denominada Serviço de Águas, com a
atribuição de promover o estudo das águas no país, sob o ponto de sua aplicação ao
desenvolvimento da riqueza nacional, e de atuar na fiscalização e no controle dos serviços de
energia elétrica. Em maio de 1939, foi criado o Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica
(CNAEE), com o escopo de atuar em todos os assuntos pertinentes ao setor elétrico, desde questões
tributárias até planos de interligação de usinas geradoras, e que viria a se configurar como o
principal órgão do governo federal para a política setorial até a criação do Ministério das Minas e
Energia (MME) e das Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (ELETROBRÁS), no início da década de
1960.
Durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), surgiu um novo impulso para o
crescimento da economia, pautado pela estratégia desenvolvimentista, constituindo o recurso ao
capital externo a principal base do financiamento da industrialização brasileira. Verificou-se um
incremento até então inédito com relação aos índices de crescimento da produção industrial,
4
destacando-se os setores de equipamentos de transporte, de material elétrico e de comunicações,
mecânico e siderúrgico como os setores mais modernos e dinâmicos da indústria brasileira [4].
Dentro do setor público federal, destaca-se a criação da CHESF (Companhia Hidrelétrica do
São Francisco em 1945), a constituição da Central Elétrica de Furnas S.A. em 1957, posteriormente
denominada Furnas Centrais Elétricas S.A. (FURNAS), responsável pela construção da Usina
Hidrelétrica Furnas. Em 1960, também no âmbito federal, foi organizada a Companhia Hidrelétrica
do Vale do Rio Paraíba (CHEVAP), com o objetivo de promover a construção da Usina Hidrelétrica
Funil [4].
Dentre as iniciativas de destaque de âmbito estadual, incluem-se a elaboração do Plano de
Eletrificação de Minas Gerais, desenvolvido pela Companhia Brasileira de Engenharia (CBE) em
1950, o qual teve como consequência a organização das Centrais Elétricas de Minas Gerais S.A.
(CEMIG), depois denominada Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG). Esta empresa
tornou-se responsável, no período, pela realização dos projetos da Usina Hidrelétrica Itutinga II, da
Usina Hidrelétrica Américo René Gianetti, da Usina Hidrelétrica Tronqueiras e da Usina
Hidrelétrica Bernardo Mascarenhas [4].
O Plano de Eletrificação do Estado de São Paulo foi desenvolvido entre outubro de 1953 e
maio de 1956, por iniciativa do governo estadual, e também foi executado pela CBE. Foram criadas
em São Paulo, no âmbito estadual, a Usinas Elétricas do Paranapanema S.A. (USELPA), em 1953,
que desenvolveu a execução da Usina Hidrelétrica Lucas Nogueira Garcez e da Usina Hidrelétrica
Jurumirim; a Companhia Hidrelétrica do Rio Pardo (CHERP), em 1955, responsável pela
construção da Usina Hidrelétrica Armando de Salles Oliveira e da Usina Hidrelétrica Euclides da
Cunha; e a Centrais Elétricas do Urubupungá S.A. (CELUSA), que iniciou os projetos da Usina
Hidrelétrica Eng. Souza Dias e da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira.
No Rio Grande do Sul, a Comissão Estadual de Energia Elétrica (CEEE) procedeu à
expansão do parque gerador, dando continuidade à execução do Plano de Eletrificação e
construindo a Usina Hidrelétrica Passo do Inferno, a Usina Hidrelétrica Canastra e a Usina
Termelétrica Candiota [4].
Destacam-se, ainda, nos demais estados, a organização da Companhia Paranaense de
Energia Elétrica (COPEL) e da Espírito Santo Centrais Elétricas S.A. (ESCELSA), em 1953; da
Empresa Fluminense de Energia Elétrica (EFE), em 1954; da Centrais Elétricas de Santa Catarina
S.A. (CELESC) e das Centrais Elétricas de Goiás S.A. (CELG), em 1955; da Companhia de
Eletricidade do Amapá (CEA) e das Centrais Elétricas Matogrossenses S.A. (CEMAT), em 1956;
da Companhia Energética do Maranhão (CEMAR), em 1958; da Companhia de Eletricidade do
5
Estado da Bahia (COELBA), da Empresa Energética de Sergipe S.A. (ENERGIPE) e da Companhia
Energética de Alagoas (CEAL), em 1960; e da Companhia Energética do Rio Grande do Norte
(COSERN), em 1962 [4].
Nas décadas de 1960 e 1970, a nacionalização do setor de energia elétrica foi acelerada com
a aquisição, pelo governo federal, dos ativos das empresas do Grupo AMFORP e do Grupo LIGHT,
na época, duas grandes empresas do setor, e que passaram a subsidiar a ELETROBRÁS, atuando no
Rio de Janeiro (LIGHT), e em São Paulo (ELETROPAULO).
Passou também a integrar o sistema da ELETROBRÁS a partir de 1968, a Espírito Santo
Centrais Elétricas S.A (ESCELSA), criada como resultado da fusão de uma empresa do grupo
americano AMFORP, a Companhia Central Brasileira de Força Elétrica (CCBFE).
O crescimento do consumo anual de energia elétrica, entre 1970 e 1980, atingiu o índice de
10%. Nesse contexto, foram implementados projetos de construção de grandes centrais elétricas,
como a Usina Hidrelétrica Tucuruí, sob a responsabilidade da ELETRONORTE, e a Usina
Hidrelétrica Itaipu, executada pelos governos do Brasil e do Paraguai por meio da Itaipu Binacional.
A aceleração do consumo levou, também, a implementação do campo da geração térmica nuclear
no país e a assinatura do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, em 27 de junho de 1975 [4].
O segmento de distribuição, também majoritariamente Estatal, passou a ser controlado por
empresas estaduais, cujas áreas de concessão correspondiam, na maior parte casos, aos limites
geográficos de cada estado. Assim, foram criadas e instaladas no período a Companhia Energética
do Piauí S.A. (CEPISA) e a Centrais Elétricas do Pará S.A. (CELPA), em 1962; a Companhia
Energética do Amazonas (CEAM), em 1963; a Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba
(SAELPA), em 1964; a Centrais Elétricas de São Paulo S.A. (CESP), em 1966; a Companhia
Energética de Pernambuco (CELPE), a Centrais Elétricas de Rondônia S.A. (CERON) e a
Companhia Energética de Roraima (CER), em 1969; a Companhia de Eletricidade do Acre
(ELETROACRE), em 1965; e a Companhia Energética do Ceará (COELCE), em 1971.
Posteriormente, a formação dos estados do Mato Grosso do Sul e do Tocantins daria origem a novas
empresas de âmbito estadual, respectivamente a Empresa Energética de Mato Grosso do Sul S.A.
(ENERSUL), organizada em 1979, e a Companhia de Energia Elétrica do Estado do Tocantins
(CELTINS), organizada em 1986 [4].
A partir de 1992, durante o governo de Fernando Collor de Mello, iniciou-se o processo de
privatização das Estatais do setor elétrico brasileiro, o qual foi acentuado durante o governo de
Fernando Henrique Cardoso.
6
3. ASPECTOS REGULATÓRIOS E ORGANIZACIONAIS DO
NOVO MODELO DO SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO.
Nos últimos anos, o setor elétrico brasileiro tem sofrido importantes alterações de cunho
estrutural e institucional migrando de uma configuração centrada no monopólio Estatal como
provedor dos serviços e único investidor para um modelo de mercado, com a participação de
múltiplos agentes e investimentos partilhados com o capital privado [2].
Em dezembro de 1996, foi sancionada a lei n. 9.427, e através dela determinou-se que a
exploração dos potenciais hidráulicos fosse concedida por meio de concorrência ou leilão, em que o
valor oferecido pela outorga (Uso do Bem Público) determinará o vencedor, ou seja, vencerá o
leilão o investidor que oferecer o menor preço para a venda da produção das futuras usinas, e ainda
instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), autarquia vinculada ao Ministério de
Minas e Energia (MME), cuja finalidade é regulamentar e fiscalizar a produção, transmissão,
distribuição e comercialização de energia elétrica, sendo também responsável pela articulação com
Estados e o Distrito Federal, para o aproveitamento energético dos cursos de água e a
compatibilização com a política nacional de recursos hídricos [5]
Durante a década de 90, foi criado também o ONS, ou Operador Nacional do Sistema
Elétrico, para atuar no ambiente institucional, o qual é responsável pela coordenação da operação
das usinas e redes de transmissão do Sistema Interligado Nacional (SIN), e entre suas atribuições
está a realização de estudos e projeções com base em dados históricos, presentes e futuros da oferta
de energia elétrica e do mercado consumidor.
Os leilões para concessão das usinas são determinados pelo MME e realizados pela ANEEL
e CCEE. Com preço teto fixo do MWh a ser ofertado, a prioridade é dada ao vendedor que praticar
o menor preço. Tais eventos dividem-se em duas modalidades principais: energia existente e
energia nova.
Em 15 de março de 2004, através das leis n. 10.847 e 10.848, foi instituído o Novo Modelo
do Setor Elétrico, onde o Governo Federal preservou a ANEEL e o ONS, e ainda criou outros
órgãos, como a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), cuja função é realizar estudos necessários
ao planejamento da expansão do sistema elétrico, e o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico
Brasileiro (CMSE), o qual é responsável por acompanhar e avaliar permanentemente a continuidade
e a segurança do suprimento eletroenergético nacional.
De forma consolidada, em aspectos institucionais [2], são atribuídas as seguintes
competências:
7
a) ao Poder Executivo a formulação de políticas e diretrizes para o setor elétrico, subsidiadas
pelo Conselho Nacional de Políticas Energéticas (CNPE), formado por ministros de Estado, sob
coordenação do Ministro de Estado de Minas e Energia;
b) ao Poder Concedente, exercido também pelo Poder Executivo, os atos de outorga de
direito de exploração dos serviços de energia elétrica;
c) ao regulador, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a normatização das
políticas e diretrizes estabelecidas e a fiscalização dos serviços prestados;
d) ao Operador Nacional do Sistema (ONS) a coordenação e a supervisão da operação
centralizada do sistema interligado;
e) à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), sucedânea do Mercado
Atacadista de Energia (MAE), o exercício da comercialização de energia elétrica;
f) à Empresa de Planejamento Energético (EPE) a realização dos estudos necessários ao
planejamento da expansão do sistema elétrico, de responsabilidade do Poder Executivo, conduzido
pelo Ministério de Minas e Energia (MME);
g) aos agentes setoriais, a prestação dos serviços de energia elétrica aos consumidores finais.
Abaixo Figura 1., onde é representada a atual estrutura institucional do setor elétrico.
Figura 1. Estrutura Institucional do setor Elétrico: Fonte ANEEL
8
4.
CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA ELÉTRICO BRASILEIRO
Nosso país possui aproximadamente 184 milhões de habitantes, e é considerado a quinta
nação mais populosa do mundo. No ano de 2008, cerca de 95% da população tinha acesso à rede
elétrica, e segundo dados divulgados pela ANEEL, o país conta com mais de 61,5 milhões de
unidades consumidoras em 99% dos municípios brasileiros, sendo a grande maioria, 85%
residencial [5]. Na Tabela 1. é mapeada a distribuição dos centros de consumo de energia elétrica
no Brasil.
Tabela 1. Unidades Consumidoras – Variação de 2006 para 2007 (em 1.000 unidades)
Região
Norte
Nordeste
Sudeste
Sul
Centro-Oeste
Brasil
2006
2007
2.620
12.403
24.399
7.319
3.579
50.319
2.745
13.076
25.101
7.520
3.703
52.146
Absoluta
125
674
702
201
125
1.827
Variação
%
4,8
5,4
2,9
2,8
3,5
3,6
Fonte: ANEEL (2009)
Em função da grande parte da energia nacional ser gerada através de hidrelétricas, o SIN é
responsável também pela interligação entre as usinas, pois como o período de estiagem de uma
região pode corresponder ao período chuvoso de outra região, esse órgão permite que uma usina
envie energia para a outra, evitando assim o acionamento de outras formas de Geração de Energia,
como por exemplo, usinas termelétricas, o que tornaria maior o preço da energia elétrica, sendo os
custos repassados ao consumidor final. O gráfico abaixo mostra os custos de produção de EE.
Figura 2. Custos de Produção de Energia Elétrica: Fonte ANEEL
9
Segundo o Banco de Informações de Geração (BIG), em Novembro de 2008, havia no Brasil
1.768 usinas em operação, que correspondem a uma capacidade instalada de 104.816 MW. Dentre
elas, 159 são Usinas Hidrelétricas, 1.042 Usinas Térmicas abastecidas por fontes diversas (gás
natural, biomassa, óleo diesel e óleo combustível), 320 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), 2
nucleares, 227 Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) e uma solar [5].
Nesse banco de dados, são relacionados ainda 130 empreendimentos em construção e 469
outorgados, o que proporcionará a mais 33,8 mil MW à capacidade instalada no país nos próximos
anos. A Tabela 2. mostra o aumento da geração de energia nos últimos 9 anos.
Tabela 2. Acréscimo Anual da Geração (em MW)
Ano
Acréscimo
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2.840,3
4.264,2
2.506,0
4.638,4
3.998,0
4.234,6
2.425,2
3.935,5
4.028,0
860,5*
(*) Até 16/08/2008
Fonte: ANEEL (2009)
Conforme citado anteriormente, grande parte da energia elétrica brasileira é proveniente de
hidrelétricas, por isso, há um estudo do EPE para diversificar a matriz de geração de energia. O
principal objetivo dessa diversificação é a redução da relação entre o volume produzido e as
condições hidrológicas. Há alguns anos atrás, as hidrelétricas representavam 90% da capacidade
instalada no país, hoje sua participação é de 74%. Tal recuo deve-se principalmente a implantação
de usinas baseadas em outras fontes de energia, por exemplo, termelétricas movidas a gás natural e
a biomassa.
A seguir, relação de empreendimentos em operação, construção e outorgados.
10
Tabela 3. Empreendimentos em Operação
Tipo
Quantidade
Central Geradora Hidrelétrica
Central Geradora Eolielétrica
Pequena Central Hidrelétrica
Central Geradora Fotovoltaica
Usina Hidrelétrica de Energia
Usina Termelétrica de Energia
Usina Termonuclear
Total em Operação
227
17
320
1
159
1.042
2
1.768
Potência
Outorgada (kW)
120.009
272.650
2.399.598
20
74.632.627
25.383.920
2.007.000
104.815.824
%
0,11
0,26
2,29
0
71,20
24,22
1,92
100
Fonte: ANEEL (2009)
Tabela 4. Empreendimentos em Construção
Tipo
Quantidade
Central Geradora Hidrelétrica
Central Geradora Eolielétrica
Pequena Central Hidrelétrica
Usina Hidrelétrica de Energia
Usina Termelétrica de Energia
Total em Construção
1
22
67
21
19
130
Potência
Outorgada (kW)
848
463.330
1.090.070
4.317.500
1.528.898
7.400.646
%
0,01
6,26
14,73
58,34
20,66
100
Fonte: ANEEL (2009)
Tabela 5. Empreendimentos Outorgados entre 1998 e 2008 (não iniciaram sua construção)
Tipo
Quantidade
Central Geradora Hidrelétrica
Central Geradora Undi-Elétrica
Central Geradora Eolielétrica
Pequena Central Hidrelétrica
Usina Hidrelétrica de Energia
Usina Termelétrica de Energia
Total em Construção
74
1
50
166
15
163
469
Fonte: ANEEL (2009)
11
Potência
Outorgada (kW)
50.189
50
2.401.523
2.432.568
9.053.900
12.526.201
26.464.431
%
0,19
0
9,08
9,19
34,21
47,33
100
5.
FONTES DE GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA
As fontes de energia não renováveis são hoje as mais utilizadas, neste grupo encontram-se
os combustíveis fosseis e os combustíveis nucleares, assim denominados por sua capacidade de
renovação ser muito reduzida se comparada à utilização. As reservas dessas fontes serão esgotadas
em breve, e ainda, os combustíveis fósseis (gás natural, petróleo e carvão) são grandes poluidores,
pois quando queimado libera dióxido de carbono (CO2), o que contribui para o aquecimento do
Planeta Terra, o chamado Efeito Estufa.
Para suprir uma eventual falta de energia em um breve futuro, o homem passou a estudar
novas fontes geradoras de energia elétrica, as quais são denominadas de fontes de energia
renováveis, ora responsáveis pela disseminação do conceito de sustentabilidade, o qual em seu
ensejo principal relaciona a geração de toda energia para a sobrevivência do homem sem
comprometer a existência das futuras gerações.
São consideradas fontes renováveis de energia: Energia Solar, Energia Eólica, Energia das
Marés, Energia das Ondas, Energia Hidráulica, Biomassa e etc.
Nesse trabalho, estudaremos as principais fontes renováveis aplicadas ao sistema nacional:
Hidráulica, Biomassa e Eólica.
5.1. ENERGIA HIDRÁULICA
A água é o recurso natural mais abundante na Terra com um volume estimado em 1,36
bilhões de quilômetros cúbicos (km3), cobrindo cerca de 2/3 da superfície do planeta sob a forma de
oceanos, calotas polares, rios e lagos, ou ainda, em aqüíferos subterrâneos. [5]
Segundo o IEA (International Energy Agency), por meio do relatório Key World Energy
Statistics de 2008, a produção de Energia Elétrica no mundo através de origem hidráulica é de 16%.
Sua oferta aumentou consideravelmente nos últimos anos em dois locais do planeta: Ásia, em
particular na China, e América Latina, em função do Brasil ter a maior parte de sua eletricidade
proveniente dessa fonte [6].
França, Alemanha, Japão, Noruega, Estados Unidos e Suécia apresentam grande
desenvolvimento do potencial hidráulico, no caso da França, 100% do seu potencial técnico já foi
desenvolvido, enquanto que nos países latino-americanos, asiáticos e africanos, esse percentual é
inferior a 30%. [5] [7].
12
Figura 3. Matriz Energética nos anos de 1973 a 2006: Fonte IEA
Figura 4. Geração de Energia Elétrica no Mundo por Tipo de Combustível: Fonte IEA
5.1.1. Aspectos Tecnológicos
A energia elétrica é produzida a partir do aproveitamento da radiação solar e do potencial
gravitacional hidráulico de um curso d água, e para isso, é necessário integrar a vazão do rio, a
quantidade de água disponível em determinado período de tempo e os desníveis de relevo, naturais,
como quedas d água, ou criados artificialmente através de barragens.
O sol e a força da gravidade condicionam a evaporação, a condensação e a precipitação da
água sobre a superfície da Terra. A gravidade faz, ainda, a água fluir ao longo do leito do rio e este
movimento contém energia cinética, que pode ser convertida em energia mecânica e esta em energia
elétrica nas centrais hidrelétricas. Por isso, a hidreletricidade é considerada uma fonte de energia
renovável [7].
13
A estrutura da usina é composta , por barragem, sistemas de captação e adução de água, casa
de força e vertedouro (comportas) que em trabalho conjunto provém a geração de energia elétrica.
A barragem interrompe o curso normal do rio, formando na maioria das vezes, um lago
artificial conhecido como reservatório. As funções da barragem são as de armazenar água nos
períodos de cheias e formar a queda d água, quando não existe um desnível concentrado, permitindo
a captação de água em um nível adequado. Ao acumular água para ser usada na geração de energia
nos períodos de estiagem, o reservatório proporciona controle das vazões naturais do rio. Trata-se,
nesse caso, de reservatórios de regularização, de grande importância estratégica.
Algumas usinas hidrelétricas são chamadas “a fio d’água”, ou seja, próximas à superfície e
utilizam turbinas que aproveitam a velocidade do rio para gerar energia. Essas usinas fio d’água
reduzem as áreas de alagamento e não formam reservatórios para estocar a água ou seja, a ausência
de reservatório diminui a capacidade de armazenamento de água, única maneira de poupar energia
elétrica para os períodos de seca. [5]
A água captada no reservatório é levada até a casa de força através de túneis, canais ou
condutores metálicos. A casa de força abriga as turbinas, que convertem energia cinética em
mecânica, e os geradores, que convertem a energia mecânica em eletricidade. A água conduzida à
turbina faz com que esta gire juntamente com um gerador mecanicamente acoplado, realizando
assim, as diversas conversões de energia. Ao término desse processo, a água é restituída ao leito
natural do rio, através do canal de fuga.
Os principais tipos de turbinas hidráulicas são: Pelton, Kaplan, Francis e Bulbo. Cada
turbina é adaptada para funcionar em usinas com determinada faixa de altura de queda e vazão. A
turbina tipo Bulbo é usada nas usinas fio d’água por ser indicada para baixas quedas e altas vazões,
não exigindo grandes reservatórios. [5]
A função do vertedouro é permitir a passagem água sempre que os níveis do reservatório
ultrapassam os limites recomendados. Uma das razões para a sua abertura é o excesso de vazão ou
de chuva. Em períodos de chuva, o processo de abertura de vertedouros busca evitar enchentes na
região de entorno da usina.
As principais variáveis utilizadas na classificação de uma usina hidrelétrica são: altura da
queda d’água, vazão, capacidade ou potência instalada, tipo de turbina empregada, localização, tipo
de barragem e reservatório. Todos são fatores interdependentes. Assim, a altura da queda d água e a
vazão dependem do local de construção, determinará qual será a capacidade instalada, que por sua
vez, determina o tipo de turbina, barragem e reservatório.
14
A potência instalada determina se a usina é de grande ou médio porte ou uma Pequena
Central Hidrelétrica (PCH). A ANEEL adota três classificações:
•
CGH: Centrais Geradoras Hidrelétricas (com até 1 MW de potência instalada);
•
PCH: Pequenas Centrais Hidrelétricas (entre 1,1 MW e 30 MW de potência instalada);
•
UHE: Usina Hidrelétrica de Energia (UHE, com mais de 30 MW);
Em novembro de 2008, segundo o BIG da ANEEL, 75,68% de toda a potência instalada no
país é oriunda de usinas hidrelétricas [5].
5.1.2. A Hidreletricidade no Mundo
A abundância de recursos naturais que se transformam em fontes de produção de energia é
estratégico para qualquer país, pois reduz a dependência de suprimento externo e aumenta a
segurança em relação ao abastecimento de um serviço vital para o desenvolvimento econômico e
social. No caso do uso do Potencial Elétrico, somam-se a esses fatores o baixo custo do suprimento,
se comparado ao carvão, petróleo ou gás natural, e ainda, o fato de tais usinas não emitirem gases
causadores do efeito estufa, sendo assim consideradas Fontes de Energia limpa.
Segundo um estudo da Beyond Pretroleum, o maior consumidor de energia hidrelétrica em
2007 foi a OCED (Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento), que congrega as
nações mais desenvolvidas do mundo. Na Tabela 6. é apresentado o ranking dos países de maior
consumo.
Tabela 6. Maiores Consumidores de Energia Hidrelétrica (2006 e 2007) em TWh
Tipo
1º China
2º Brasil
3º Canadá
4º Estados Unidos
5º Rússia
6º Noruega
7º Índia
8º Venezuela
9º Japão
10º Suécia
2006
2007
435,8
348,8
355,4
292,2
175,2
119,8
112,4
82,3
96,5
61,7
482,9
371,5
368,2
250,8
179,0
135,3
122,4
83,9
83,6
66,2
Fonte: ANEEL (2009)
15
Variação Participação
%
%
10,8
15,4
6,5
11,9
3,6
11,7
-14,2
8,0
2,2
5,7
12,9
4,3
8,9
3,9
1,9
2,7
-13,4
2,7
7,3
2,1
Na tabela 7. é mostrada a dependência dos países com relação a hidreletricidade.
Tabela 7. Participação da hidreletricidade na produção total de energia elétrica em 2006
País
%
1º Noruega
2º Brasil
3º Venezuela
4º Canadá
5º Suécia
6º Rússia
7º Índia
8º Venezuela
9º Japão
10º Estados Unidos
Outros países
Mundo
98,5
83,2
72,0
58,0
43,1
17,6
15,3
15,2
8,7
7,4
14,3
16,4
Fonte: ANEEL (2009)
A gráfico da figura 5. mostra a dependência dos países em relação a energia hidrelétrica.
Figura 5. Participação Relativa da Hidreletricidade no Mundo: Fonte ANEEL
Segundo informações, a China é o país que mais investe em energia hidrelétrica. A Figura 6
mostra os maiores potenciais tecnicamente aproveitáveis.
16
Figura 6. Potencial Mundial Aproveitável: Fonte ANEEL
5.1.3. O Potencial Hidrelétrico Brasileiro
Em todo o mundo, o Brasil é o país com maior potencial hidrelétrico, sendo um total de 260
mil MW.Deste total, apenas 30% se transformaram em usinas construídas ou outorgadas. Segundo o
Plano Nacional de Energia 2030, o potencial a aproveitar é de cerca de 160.000 MW, sendo que
70% desse total estão nas bacias do Amazonas e Tocantins/Araguaia.
Tabela 8. As dez maiores Usinas em Operação, Região e Potência
Nome
Tucuruí I e II
Itaipú (Parte brasileira)
Ilha Solteira
Xingó
Paulo Afonso IV
Itumbiara
São Simão
Governador Bento Munhoz da Rocha Neta (Foz do Areia)
Jupiá (Eng. Souza Dias)
Porto Primavera (Eng. Sérgio Motta)
Fonte: ANEEL (2009)
17
Potência
(KW)
8370000
6300000
3444000
3162000
2462400
2082000
1710000
1676000
1551200
1540000
Região
Norte
Sul
Sudeste
Nordeste
Nordeste
Sudeste
Sudeste
Sudeste
Sudeste
Sudeste
5.2. BIOMASSA
Para fim de outorga de empreendimentos do setor elétrico, a ANEEL define biomassa como
todo recurso renovável oriundo de matéria que pode ser utilizada na produção de energia. Assim
como a energia hidráulica e outras fontes renováveis, a biomassa é uma forma indireta de energia
solar. A energia solar é convertida em energia química, através da fotossíntese, base dos processos
biológicos de todos os seres vivos [2].
A quantidade de biomassa disponível na Terra é aproximadamente dois trilhões de
toneladas, ou seja, 400 toneladas per capita, o que em termos energéticos corresponde a 3.000 EJ
por ano, equivalente a 8 vezes o consumo mundial de energia primária [2].
Conforme sua origem, a biomassa pode ser:
- Florestal (madeira, principalmente);
- Agrícola (soja, arroz e cana-de-açúcar, entre outras);
- Rejeitos urbanos e industriais (sólidos ou líquidos, como o lixo).
Os derivados obtidos dependem tanto da matéria-prima utilizada (cujo potencial energético
varia de tipo para tipo) quanto da tecnologia de processamento para obtenção dos energéticos.
De forma geral, o uso de tal recurso na geração de energia consiste na conversão de matéria
prima em um produto intermediário, que será usado em uma máquina motriz, a qual produzirá
energia mecânica para acionamento de um gerador de energia elétrica [5].
Essa fonte de energia apresenta um grande potencial de crescimento para os próximos anos,
pois com a exaustão de fontes não renováveis e pressões de ambientalistas, essa fonte tende a ser
uma solução para a diversificação da matriz energética.
5.2.1. Aspectos Tecnológicos
Existem várias formas tecnológicas para conversão de biomassa em energia (Figura 7.), e
todas elas apresentam diferenças significativas quando a questão é a geração de energia elétrica, que
em ciclos de gaseificação podem ser superiores aos ciclos tradicionais baseados na combustão
direta, seja em custos de investimento e operação, sofisticação, domínio tecnológico e
disponibilidade comercial [7].
18
Figura 7. Diagrama dos Processos de Conversão Energética da Biomassa: Fonte MME.
Em termos de geração de Energia Elétrica, os principais processos de conversão são:
Fermentação – Trata-se de um processo biológico anaeróbio em que os açúcares de plantas
como a batata, o milho, a beterraba e, principalmente, a cana de açúcar são convertidos em álcool,
por meio da ação de microrganismos [8]. O Álcool, por sua vez, composto por etanol e metanol
pode ser usado como combustível em motores de combustão interna [2]
Liquefação – É a produção de combustíveis líquidos através da reação da biomassa triturada
em um meio líquido com monóxido de carbono. Dessa forma, obtém-se um líquido viscoso que
pode ser utilizado como combustível em fornos [8].
Combustão Direta – Processo que consiste na conversão de energia química dos
combustíveis em calor por meio de reações dos elementos constituintes com o oxigênio fornecido.
Em termos energéticos, a combustão direta ocorre em fogões (cocção de alimentos), fornos
(metalurgia, por exemplo) e caldeiras (geração de vapor, por exemplo). Apesar de ser prático, esse
19
processo geralmente é ineficiente, pois possui baixa densidade energética, ou seja, precisa de grande
quantidade de matéria orgânica para obtenção da energia necessária [2].
Gaseificação – Processo de conversão de combustíveis sólidos em gasosos através de
reações termoquímicas, envolvendo vapor quente e ar, ou oxigênio. O gás resultante é uma mistura
de monóxido de carbono, hidrogênio, metano, dióxido de carbono e nitrogênio, onde suas
proporções variam de acordo com o tipo de processo. O processo de gaseificação não é um processo
recente, o atual renovado interesse deve-se a limpeza e versatilidade do combustível gerado. Em
termos de limpeza, trata-se da remoção de componentes químicos nocivos ao meio ambiente e à
saúde humana, por exemplo, o enxofre.
Digestão Anaeróbia – Esse processo ocorre sem a presença de ar, e consiste na
decomposição do material pela ação de bactérias. O tratamento e o aproveitamento dos dejetos
orgânicos (esterco animal, resíduos industriais e etc.) é feito em biodigestores e é favorecidos pelo
fato do próprio processo gerar o aquecimento e umidade necessários. O produto final da digestão
anaeróbia é o biogás, composto essencialmente por metano e dióxido de carbono. O efluente gerado
em tal processo, pode ser utilizado como fertilizante.
Transesterificação - É um processo químico baseado na reação de óleos vegetais com um
produto ativo (metóxido ou etóxido), proveniente da reação entre alcoóis (metanol ou etanol) e uma
base (hidróxido de sódio ou potássio). O resultante desse processo são glicerina e ésteres etílicos ou
metílicos (biodiesel), o qual apresenta características físicoquímicas muito semelhantes às do óleo
diesel, e assim, pode ser usado em motores de combustão interna, seja no uso veicular quanto no
uso estacionário.
Pirólise – Conhecida também como carbonização é o mais simples e antigo de conversão de
um combustível (lenha na maioria dos casos) em outro de melhor qualidade e conteúdo energético
(por exemplo, o carvão). Tal processo consiste no aquecimento do material quase na ausência de ar.
O produto final (carvão e gás combustível) têm densidade energética duas vezes maior do que a
matéria prima original.
5.2.2. O Uso de Biomassa no Brasil e no Mundo
Segundo o WEC, os Estados Unidos é o maior gerador de energia elétrica a partir da
biomassa, 56,3 TWh, respondendo por 30% de toda a produção mundial [5]. Em seguida, Alemanha
e Brasil, respondem por 13,4 TWh no ano, 7,3%, na Tabela 9 são mostrados os principais
produtores de bioenergia em 2005.
20
Tabela 9. Produtores de Bioenergia em 2005
País
Estados Unidos
Alemanha
Brasil
Japão
Finlândia
Reino Unido
Canadá
Espanha
Outros Países
Total
TWh
56,3
13,4
13,4
9,4
8,9
8,5
8,5
7,8
57,1
183,3
%
30,7
7,3
7,3
5,1
4,9
4,7
4,6
4,3
31,1
100,0
Fonte: ANEEL (2009)
A Tabela 10 demonstra os principais produtores de biodiesel.
Tabela 10. Produtores de Biodiesel (mil toneladas)
País
2004
1.035
348
320
83
60
57
15
13
70
9
6
2.016
Alemanha
França
Itália
Malásia
Estados Unidos
República Tcheca
Polônia
Áustria
Eslováquia
Espanha
Dinamarca
Reino Unido
Outros Países (União Européia)
Total
2005
1.669
492
396
260
250
133
100
85
78
73
71
51
36
3.694
2006
2.681
775
857
600
826
203
150
134
89
224
81
445
430
7.495
Fonte: ANEEL (2009)
Enquanto que na Tabela 11 é mostrada a produção de Etanol, onde o Brasil é o principal
produtor mundial.
21
Tabela 11. Produtores de Etanol (hm3)
Brasil
Estados Unidos
China
Índia
França
Rússia
Alemanha
África do Sul
Espanha
Reino Unido
Tailândia
Ucrânia
Canadá
Total
País
2004
15,10
13,40
3,65
1,75
0,83
0,75
0,27
0,42
0,30
0,40
0,28
0,25
0,23
2.016
2005
16,00
16,20
3,80
1,70
0,91
0,75
0,43
0,39
0,35
0,35
0,30
0,25
0,23
3.694
2006
17,00
18,40
3,85
1,90
0,95
0,75
0,77
0,39
0,46
0,28
0,35
0,27
0,58
7.495
Fonte: ANEEL (2009)
Segundo informações do banco de informações da ANEEL, em novembro de 2008, existem
302 termelétricas movidas a biomassa no Brasil, o que corresponde a 5,7 mil MW. Entre elas 13 são
abastecidas por licor negro (resíduo de celulose) com potencia total de 944MW; 27 usinas movidas
por madeira (232 MW); 3 são movidas a biogás (45 MW); 4 por casca de arroz (21 MW); e 252 por
bagaço de cana (4 mil MW) [5].
O uso de biomassa corresponde aproximadamente a 3,7% da potencia instalada no país,
conforme o gráfico da Figura 8. abaixo.
Figura 8. Matriz de oferta de Energia Elétrica no Brasil: Fonte ANEEL
22
A cana-de-açúcar é um dos principais potenciais para o desenvolvimento e expansão do uso
de biomassa no Brasil. Essa é uma ótima oportunidade para diversificação da matriz nacional, pois
no período de estiagem, ajudaria as UHEs a manter o nível de seu reservatório.
Segundo informações da ÚNICA, em 2020 a eletricidade produzida pelo setor poderá
representar 15% da matriz brasileira, com produção anual de 14.440MW.
5.3. ENERGIA EÓLICA
A energia eólica é, de forma geral, a conversão de energia cinética gerada a partir do
deslocamento de ar (vento) em energia mecânica, a qual através de um gerador é transformada em
energia elétrica, por isso o potencial de eletricidade produzida está diretamente ligado à densidade
do ar, à área coberta pela rotação das pás e a velocidade do vento.
5.3.1 Aspectos Tecnológicos
De forma geral, os principais componentes de um aerogerador são: [9]
Nacele: Trata-se da carcaça montada sobre a torre onde estão armazenados a caixa de
engrenagens, a qual aumenta a velocidade de eixo entre o cubo do rotor e o gerador; o gerador, que
converte a energia mecânica em eletricidade; a unidade de controle eletrônico, responsável por
monitorar o sistema, desligando a turbina em caso de mau funcionamento, e também por alinhar a
turbina com o vento; o controlador, que move o rotor para alinhá-lo com a direção do vento; freios,
que em caso de sobrecarga de energia ou falha do sistema, são responsável pela parada dos eixos de
rotação.
Pás: Captam a energia do vento e a transformam em energia mecânica;
Eixo: Transfere a energia rotativa para o gerador;
Torre: Além de sustentar o rotor e a nacele, é responsável também por manter o conjunto a
uma altura segura onde as pás possam girar distantes do solo;
A capacidade de geração de um sistema eólico varia de acordo com o tamanho dos
aerogeradores, a Figura 9. mostra sua evolução no decorrer dos anos com a aplicação de novas
tecnologias.
23
Figura 9. Evolução de Turbinas Eólicas: Fonte IEA
5.3.2. Energia Eólica no Mundo
Segundo informações do WWEA (World Wind Energy Association), a capacidade mundial
instalada aumentou 1.155% de 1997 a 2007, passando de 7,5 mil para 93,5 mil MW, e segundo
estimativas, até 2010 a potência mundial instalada deverá ser de aproximadamente 170 mil MW [5].
A Tabela 12. mostra o crescimento da potencia mundial instalada.
Tabela 12. Potência Mundial Instalada nos últimos dez anos (MW)
Ano
Potência (MW)
1997
7.474
1998
9.663
1999
13.696
2000
18.039
2001
24.320
2002
31.164
2003
39.290
2004
47.693
2005
59.033
2006
74.153
2007
93.849
Crescimento Total
Fonte: ANEEL (2009)
24
Crescimento (%)
29,3
41,7
31,7
34,8
28,1
26,1
21,4
23,8
25,6
26,6
1.155,5
Tal crescimento deve-se ao grande numero de argumentos favoráveis à fonte eólica,
renovabilidade, perenidade, grande disponibilidade, independência de importações e custo zero para
obtenção de suprimento, sendo o custo do equipamento e sua instalação o principal argumento
contrário. De forma análoga ao custo da hidreletricidade, enquanto este é de aproximadamente R$
100,00 por MWh, o custo da energia eólica é de R$ 230,00 por MW [5].
Hoje a Alemanha é o maior produtor mundial de eletricidade a partir de fonte eólica, em
seguida aparecem Estados Unidos e Espanha, conforme Tabela 13.
Tabela 13. Potência Instalada em 2007
Ano
1º Alemanha
2º Estados Unidos
3º Espanha
4º Índia
5º China
6º Dinamarca
7º Itália
8º França
9º Reino Unido
10º Portugal
25º Brasil
Total
Potência (MW)
22.247,40
16.818,80
15.145,10
7.850,00
5.912,00
3.125,00
2.726,10
2.455,00
2.389,00
2.130,00
247,10
93.849,10
% em relação ao
Total
23,7
17,9
16,1
8,4
6,3
3,3
2,9
2,6
2,5
2,3
0,3
100,0
Fonte: ANEEL (2009)
Em 2008, investimentos no setor de geração de energia eólica foram de aproximadamente de
US$ 51 bilhões [10].
Desde 2000, a capacidade mundial instalada cresce aproximadamente 30% ao ano, e em
2008 mais de 27 GW foram instalados em mais de 50 países.
O gráfico da Figura 10 é um retrato da evolução do uso da energia eólica no mundo a partir
de 1990.
25
Figura 10. Aumento do uso da energia eólica no mundo 1990 - 2008: Fonte IEA
5.3.3. Energia Eólica no Brasil
Assim como é favorecido em recursos hídricos, o Brasil também possui grande
favorecimento em termos de ventos, os quais possuem uma presença duas vezes maior do que a
média mundial e ainda, apresentam volatilidade 5%, ou seja, sua variação de velocidade assegura
maior previsibilidade do volume a ser produzido.
Outra característica importante do país é que durante o período de estiagem a velocidade do
vento aumenta, e assim será possível que as usinas eólicas trabalhem de forma complementar as
hidrelétricas, de forma a preservar o nível da água dos reservatórios neste período.
Segundo o último estudo realizado sobre o potencial eólico brasileiro, o potencial de geração
do país é de 143 mil MW [5].
A Figura 11 mostra o potencial regional, sendo o maior localizado no Nordeste,
principalmente nas regiões litorâneas. Hoje o maior parque eólico está localizado na região Sul, em
Osório RS, com mais de 150 MW de potencia.
26
Figura 11. Potencial Regional de Geração de Energia Eólica do Brasil: Fonte IEA
27
6. IMPACTOS AMBIENTAIS E SOCIOECONÔMICOS
Diante da crescente demanda da necessidade do uso energia, muito tem se estudado a
inserção de novas fontes, que sejam renováveis e impactem o mínimo possível no meio ambiente.
Os impactos ambientais gerados pela obtenção de energia interferem enormemente no
desenvolvimento sustentável, e o entendimento deles se faz primordial para a análise de
implementação de projetos e planejamentos energéticos [11].
6.1. USINA HIDRELÉTRICA
A implantação de UHEs provoca impactos ambientais, econômicos e sociais nas áreas onde
são instaladas.
6.1.1. Impactos Ambientais
6.1.1.1. Regulamentação Aplicável [12]
A Constituição Federal, no seu artigo 225, inciso IV, trata que, para as atividades ou obras
potencialmente causadoras de significativa degradação do meio ambiente, é exigível o estudo prévio
de impacto ambiental, ao qual se dará publicidade.
A Resolução CONAMA nº 001/86 situa as usinas de geração de energia elétrica com
potência acima de 10 MW no campo das obras e empreendimentos sujeitos à avaliação de impacto
ambiental, determinando a necessidade de apresentação do EIA/RIMA para aprovação de tais obras
potencialmente poluidoras, indicando o conteúdo mínimo dos estudos. A Resolução CONAMA
006/87 correlaciona a requisição e obtenção de Licença Prévia à apresentação e aprovação do
EIA/RIMA, sendo que a Licença de Instalação deverá ser obtida antes da construção do
empreendimento, enquanto que a Licença de Operação deverá ser obtida antes do fechamento da
barragem.
A Resolução CONAMA nº 237/87 define as competências para proceder ao licenciamento e
indica as fases a serem contempladas. Além desse ordenamento principal que trata da
obrigatoriedade de elaboração do Estudo de Impacto Ambiental, o mesmo deverá se pautar pelos
seguintes condicionantes legais:
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1) Decreto – Lei nº 25, de 1937, que organiza a proteção do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional;
2) Decreto Federal nº 79.367, de 1977, que dispõem sobre normas e padrões de potabilidade
da água;
3) Decreto Federal nº 1.141, de 1994, que dispõe sobre ações de proteção ambiental de
saúde e apoio de comunidades indígenas;
4) Decreto nº 750, de 1993, que dispõe sobre o corte, a exploração e a supressão de
vegetação primária ou nos estágios médio e avançado de Mata Atlântica e dá outras providências;
5) Decreto nº 4340, de 2002, que regulamenta artigos da Lei no 9.985, de 18 de julho de
2000, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza - SNUC, e dá
outras providências;
6) Legislação estadual de meio ambiente dos Estados de São Paulo e Paraná;
7) Lei Federal nº 9.427, de 1996, que dispõe sobre solicitação a ANEEL de autorização para
realização de estudos ligados ao setor elétrico;
8) Lei Federal nº 3.824, de 1960, que torna obrigatória a destoca, limpeza das bacias
hidráulicas dos açudes, represas ou lagos artificiais;
9) Lei Federal nº 3.924, de 1961, que dispõe sobre os monumentos arqueológicos e préhistóricos;
10) Lei Federal nº 4.771, de 1965, que institui o novo Código Florestal e as alterações
advindas da Lei Federal nº 7.803, de 1989, e da Medida Provisória nº 2166-67, de 24/08/2001;
11) Lei Federal nº 5.197, de 1967, que dispõe sobre a proteção à fauna;
12) Lei Federal nº 7.247, de 1985, que disciplina a ação civil pública de responsabilidade
por danos causados ao meio ambiente;
13) Lei Federal nº 7.990, de 1989, que institui para Estados, Distrito Federal e Municípios a
compensação financeira derivada de empreendimentos hidrelétricos;
14) Lei Federal nº 9.433, de 08/01/1997, que institui a Política Nacional de Recursos
Hídricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e Leis Estaduais de
Recursos Hídricos;
15) Lei Federal nº 9.605, de 1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas
derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente;
16) Lei Federal nº 9.985, de 2000, que dispõe sobre a criação e categorias das Unidades de
Conservação;
29
17) Portaria IBAMA nº 37 N, de 1992, que apresenta e torna oficial a lista de espécies da
flora brasileira ameaçadas de extinção;
18) Portaria IBAMA nº 1.522, que publica a lista oficial de espécies da fauna brasileira
ameaçada de extinção;
19) Resolução CONAMA nº 020/86, que dispõe sobre classes de águas e parâmetros de
qualidade das águas, bem como suas alterações;
20) Resolução CONAMA nº 009/87, que dispõe sobre a realização de audiência pública
durante o período de análise do EIA/RIMA;
21) Resolução CONAMA nº 006/87, que dispõe sobre regras gerais para o licenciamento
ambiental de obras de grande porte do setor elétrico;
22) Resolução CONAMA nº 004/94, que dispõe sobre os diferentes estágios de regeneração
da Mata Atlântica, definição de vegetação primária e secundária e da outras providências;
23) Resolução CONAMA nº 012/94, que dispõe sobre o Glossário de Termos Técnicos,
elaborado pela Câmara Técnica Temporária para Assuntos de Mata Atlântica;
24) Resolução nº 002/96 do CONAMA, que dispõe sobre a destinação de 0,5% do valor dos
custos totais previstos para a implantação do empreendimento destinado a implantação de uma
Unidade de Conservação ou melhoria em unidade já existente; podendo destinar desse montante
15% em sistemas de fiscalização, controle e monitoramento da qualidade ambiental no entorno do
local de implantação da Unidade de Conservação;
25) Resolução CONAMA nº 009/96, que dispõe sobre a definição de "corredores entre
remanescentes", citado no artigo 7º do Decreto nº 750/93, assim como estabelece parâmetros e
procedimentos para a sua identificação e proteção;
26) Resolução CONAMA nº 300/02, que dispõe sobre os casos passíveis de autorização de
corte previstos no art. 2º da Resolução nº 278, de 24 de maio de 2001;
27) Resolução CONAMA nº 303/02, que dispõe sobre parâmetros, definições e limites de
Áreas de Preservação Permanente;
28) Resolução CONAMA nº 309/02, que dispõe sobre Planos de Conservação e de Uso a
serem realizados no âmbito dos Estados da Federação compreendidos no bioma da Mata Atlântica,
com base em estudos técnicos e científicos;
29) planos e programas governamentais propostos e em implantação na área de influência do
empreendimento, considerando-se sua compatibilidade;
30
30) dispositivos legais em vigor em níveis Federal, Estadual e Municipal, referentes à
utilização, proteção e conservação dos recursos ambientais, ao uso e a ocupação do solo e às
penalidades por atividades lesivas ao meio ambiente.
6.1.1.2. Impacto no Meio Físico-Biótico
Em quesitos de geologia e geomorfologia, há impacto na estabilidade das encostas, uma vez
que grandes oscilações sazonais de níveis d água, poderão ocorrer deslizamentos de terra nas
margens dos lagos formados; há o assoreamento do rio, em razão das características do curso d
água; alteração dos aspectos paisagísticos da região, pois com a inundação para criação do
reservatório, toda a paisagem local será alterada; há ainda a perda de recursos minerais, uma vez
que a área alagada poderá cobrir reserva de minérios e materiais naturais.
Já em aspectos de hidrogeologia, há necessidade de se estudar a distribuição das águas
subterrâneas na região de influencia dos reservatórios, pois será elevado o nível dos lençóis
freáticos e assim, haverá o surgimento de novas zonas úmidas/ alagadas em propriedades rurais e,
sobretudo problemas de drenagem e possível contaminação dos aqüíferos subterrâneos por resíduos
agrotóxicos.
A qualidade da água do rio também poderá ser comprometida, inicialmente, durante a
inundação de propriedades agrícolas, poderá haver a contaminação por agrotóxicos, e ainda durante
a vida útil dos reservatórios, se as práticas de uso dos agrotóxicos e manejo do solo não forem
criteriosas.
Quanto ao impacto causado ao solo, os principais são aqueles ligados ao conjunto de obras
de engenharia, tais como: implementação do canteiro de obras, abertura de estradas de serviços e
etc.; e a própria formação do reservatório, a qual acarretará na perda de produção agrícola e
recursos minerais.
A flora também sofre grandes impactos, pois com a formação do lago, há perda de
vegetação nas faixas de matas ciliares e de várzea, e dessa forma, há grande pressão sobre as áreas
remanescentes de vegetação. Por outro lado, pode haver também um impacto positivo, pois a
maioria dos empreendimentos apresenta propostas para reintrodução de espécies nativas nas bordas
dos reservatórios, criação de uma faixa de segurança ecológica e transformação de algumas áreas
remanescentes em santuários. Já no caso da fauna, haverá grande redução da população, pelo fato
da destruição da vegetação existente, que serve como abrigo e aninhamento, e em alguns casos,
como fonte de alimento [13].
31
6.1.2. Impacto Socioeconômico
Muitos são os impactos socioeconômicos causados pela instalação de uma hidrelétrica,
dentre eles o processo de desapropriação irá degradar a qualidade de vida dos pequenos
proprietários, moradores e arrendatários, em muitos casos, os desapropriados deverão mudar-se para
outras cidades, havendo assim impacto cultural; migração de pessoas atraídas por possibilidades de
emprego no empreendimento, gerando problemas após o término das obras, pela falta de emprego e
aumento da demanda por serviços sociais básicos; aumento de prostituição, doenças sexualmente
transmissíveis e violência nas cidades, o que resultará em um aumento da demanda por serviços de
saúde, pressionando a infra-estrutura existente; aumento do tráfego, e conseqüentemente, aumento
de acidentes de transito; a formação do lago aumentará os acidentes com animais peçonhentos e
uma vez cheio o lago propiciará ambiente de proliferação de outros vetores, como por exemplo,
febre amarela, malária, esquistossomose, doença de Chagas, leishmaniose e etc.; o confinamento de
trabalhadores vindos de outras regiões favorecerá a transmissão de doenças infectocontagiosas e
parasitárias [13].
6.2. USINA TERMELÉTRICA – BIOMASSA
Basicamente, os impactos ambientais de uma usina termelétrica movida a biomassa são
similares ao de uma termelétrica fóssil. O calor produzido pela queima dos combustíveis em
caldeira aquece a água que circula numa rede de tubos e produz vapor, o qual movimenta uma
turbina que ligada a um gerador, produz energia elétrica. O vapor usado nesse processo é resfriado
através de um condensador dando início a um novo ciclo [11].
Essas usinas, geralmente são instaladas próximas a leitos de rios ou oceano, pois usa-se a
água para condensar o vapor. O uso da água em tal processo, aumenta a sua temperatura, e sua
devolução compromete a fauna e a flora do local, além de aumentar também a temperatura média da
região, no entanto, destaca-se que:
• O CO2 que é liberado para atmosfera pela utilização de biomassa florestal, não
contribui para agravar o Efeito Estufa, pois a emissão de CO2 pela queima do
combustível acaba sendo anulada pelo processo de absorção de áreas de
reflorestamento [13].
• A emissão de SO2 é baixa, em função do baixo teor de enxofre, e dessa forma, não
há contribuição significativa para a formação de chuva ácida.
32
• A emissão de NOX é menor do que a produzida pela queima de combustíveis fósseis
[13].
O uso da biomassa como combustível de é hoje considerada de grande perspectiva para o
futuro, pois além dos benefícios sociais, o uso da biomassa para geração de energia contribui para a
melhoria do meio ambiente, se as fontes de geração forem exploradas de forma correta.
É de grande importância ressaltar que o uso da biomassa para produção de energia em larga
escala requer uma infraestrutura complexa, pois além de processos tecnológicos eficazes, necessita
também de uma rede de participantes, desde fazendeiros, agricultores, indústrias florestais até a
qualidade e manutenção da malha rodoviária para assegurar a entrega de matéria prima, atendendo a
demanda das usinas.
Em termos socioeconômicos, o uso de biomassa torna-se interessante por gerar empregos,
assim, o governo pode integrar suas estratégias energéticas e de desenvolvimento, ou seja, ao
mesmo tempo em que investe em geração de energia, também proporciona novos empregos e
melhores condições de vida à sociedade, todavia, como aspecto negativo, destaca-se o fluxo
migratório, o qual acarretará uma série de problemas, como por exemplo, o aumento da demanda
por serviços de saúde, aumento da violência e prostituição.
6.3. USINA EÓLICA
A quantificação dos impactos provenientes de energia eólica em parte pode ser avaliada pela
quantidade de CO2 não emitido na atmosfera. Por exemplo, uma turbina de 600KW, dependendo do
regime de vento e do fator de capacidade, pode evitar a emissão de entre 20.000 e 36.000 toneladas
de CO2 equivalentes à geração convencional, durante sua vida útil estimada em 20 anos [14].
Os impactos gerados por essa fonte de energia estão basicamente relacionados ao ruído,
impacto visual e impacto sobre a fauna.
Na década de 80 e 90, as questões relacionadas ao ruído gerado foram uma barreira a
disseminação desse recurso. Entretanto, com o desenvolvimento tecnológico, houve uma
diminuição significativa dos níveis de ruído produzidos pelas turbinas eólicas, que está relacionada
a fatores como a aleatoriedade do seu funcionamento e a variação da freqüência do ruído, uma vez
que este é diretamente proporcional à velocidade de vento incidente. Tal ruído pode ser origem
mecânica ou aerodinâmica [11]
Em termos de impacto visual, é difícil quantificar sua grandeza, todavia, sabe-se que torres
de aproximadamente 40 metros de altura e hélices de 20 metros comprometem a paisagem local.
33
A fauna é afetada devido a colisão de pássaros com as estruturas, entretanto, segundo a
EUREC Agency, esse número de colisões não é preocupante, trata-se de poucos casos em regiões
isoladas. Em regiões costeiras, distúrbios na proliferação e descanso de pássaros podem ser tornar
um problema.
Em aspectos socioeconômicos, os chamados “Parques Eólicos” afetam a população através
do nível de ruído emitido, por exemplo, tem-se uma fazenda eólica na Carolina do Norte, onde as
máquinas das turbinas emitiam vibrações que adoeciam pessoas, balançavam janelas, e fizeram com
que as vacas parassem de dar leite. Algumas turbinas emitem também ondas eletromagnéticas,
interferindo em sistemas de comunicação [11].
O clima e o vento local também são afetados pela implantação dessas usinas.
34
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A eletricidade, em seu sentido mais amplo é de fundamental importância para a sociedade,
como elemento chave para a inclusão social, desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida da
população.
Muito tem se falado sobre a necessidade de expansão da matriz de geração de energia elétrica
brasileira, e a busca por fontes renováveis de energia, visto que combustíveis fósseis tendem a ficar
cada vez mais escassos no planeta.
O Brasil, em função de sua abundância e diversidade de recursos naturais, possui um grande
potencial energético renovável e tecnologia para o desenvolvimento deste, por exemplo, o uso do
Álcool como combustível.
Hoje, 83% de sua matriz de energética é composta por tais fontes [15], sendo a maior parte
gerada através de Usinas Hidrelétricas. Todavia uma perspectiva crescente e positiva é a
implantação de Usinas Eólicas, assim, em função das condições favoráveis do país ao uso dessa
tecnologia, em períodos de estiagem será preservado o reservatório das hidrelétricas e garantida a
vazão dos rios, minimizando questões ambientais.
Dentro da matriz nacional há ainda oportunidade de expansão:
•
Energia Hidráulica: Usamos apenas 30% da capacidade, sendo o potencial total de
aproximadamente 264.415.385,34 kW.
•
Energia Eólica: De acordo com informações da ANEEL, hoje há apenas um parque
eólico instalado no país, responsável pela geração de 150.000 KW. Segundo estimativas, o
potencial eólico nacional é de 143 GW, sendo, 12,8 GW na região norte, 3,1 GW na região
centro-oeste, 22,8 GW na região sul, 29,7 na região sudeste e o maior potencial na região
nordeste, 75GW.
•
Energia Térmica proveniente de Biomassa: O maior potencial dessa fonte no Brasil é
através do aproveitamento do bagaço da cana-de-açúcar, e segundo informações da
ÚNICA, até 2020 a geração de eletricidade será de 14.440 MW.
No entanto, a busca pela sustentabilidade, ou seja, a busca por fontes de energia renováveis,
requer estudos e planejamento, a fim de impactar o mínimo possível o meio ambiente e a vida da
população concentrada na área de instalação de novas usinas.
Por fim, existe um longo caminho a ser percorrido e grandes melhorias a serem feitas dentro da
matriz nacional, a começar pela construção dos 469 empreendimentos outorgados e investimento na
diversificação da matriz. Em um breve futuro, em função do seu potencial energético, o Brasil
35
ocupará posição privilegiada frente a outras nações, sendo referencial na geração de eletricidade,
seja em quesitos tecnológicos, ou em quesitos ambientais, através do uso de fontes de energia
“limpa”.
36
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] COSTA, F. A. P. L. Sobre energia, eletricidade e eletrodomésticos ineficientes. Jornal da
ciência, SBPC, JC E-mail 3699. fev. 2009. Disponível em:
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=61605 > acesso em: 15 set. 2009
[2] AGENCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, ANEEL. Atlas de energia elétrica do
Brasil. 2ª ed. Brasília: ANEEL 2006. 243 p.
[3] RAIA, FATIMA. Eficiência energética, diagnóstico energético e a conservação de Energia.
Disponível em: <http://pessoal.utfpr.edu.br/fatimaraia/arquivos/Eficiencia-Diag-Energetico.pdf >
acesso em: 12 out. 2009
[4] COMPANHIA HIDRELÉTRICA DO SAO FRANCISCO, CHESF. Fontes alternativas.
Disponível em: http://www.chesf.gov.br/energia_fontesalternativas.shtml > acesso em: 01 jul. 2009
[5] AGENCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, ANEEL. Atlas de energia elétrica do
Brasil. 3ª ed. Brasília: ANEEL 2008. 236 p.
[6] International Energy Agency, IEA. Key world energy statistics. Disponível em:
< http://www.iea.org/stats/index.asp > acesso em: 12 out. 2009
[7] TOLMASQUIM, M.T. Geração de energia elétrica no Brasil. 1. ed. Rio de Janeiro, RJ:
Interciência, 2005. 198 p.
[8] SILVA, M.J.M; RUGGERO, P.A. Gaseificação. Disponível em:
< www. http://www.fem.unicamp.br > acesso em: 11 nov. 2009
[9] ____________. Como funciona um aerogerador. Disponível em: < http://www.dee.ufrn.br >
> acesso em: 12 out. 2009
[10] International Energy Agency, IEA. Technology roadmap: wind energy. Disponível em: <
http://www.iea.org > acesso em: 03 dez. 2009
[11] INATOMI, T. A. H; UDAETA, M. E. M. Análise dos impactos ambientais na produção de
energia dentro do planejamento integrado de recursos. Disponível em:
< http://www.cori.rei.unicamp.br > acesso em: 23 nov. 2009
[12] Sistema Compartilhado de Informações Ambientais, SISCOM. Termo de referência para
elaboração do estudo de impacto ambiental e o respectivo relatório de impacto ambiental EIA
- RIMA. Disponível em: < www. siscom.ibama.gov.br > acesso em: 25 nov. 2009
[13] REIS, L.B; CUNHA, E.C.N. Energia Elétrica e Sustentabilidade: Aspectos tecnológicos,
socioambientais e legais. 1.ed. Barueri, SP: Manole, 2006. 243 p.
[14] TOLMASQUIM, M. T. et al. Alternativas energéticas sustentáveis no Brasil. 1.ed. Rio de
Janeiro, RJ.: Relume Dumará., 2004. 488 p.
37
[15] LOBAO, E. Panorama energético brasileiro. Disponível em: < http://www.mme.gov.br >
acesso em: 12 out. 2009
38
GLOSSÁRIO
Camada de ozônio
Localizada na estratosfera, região da atmosfera situada entre 16 e 30 km de
altitude, a camada é tão rarefeita que, se fosse comprimida à pressão
atmosférica ao nível do mar, sua espessura não ultrapassaria a três
milímetros. Esta camada tem a propriedade de absorver a radiação
ultravioleta do Sol; por este motivo, sem a proteção do ozônio, as radiações
causariam graves danos aos organismos vivos que habitam a superfície do
planeta Terra.
Combustão
É uma reação química exotérmica entre um combustível e um comburente,
geralmente o oxigênio. Em uma combustão completa, um combustível
reage com um comburente, e como resultado se obtém compostos
resultantes da união de ambos, além de energia, sendo que alguns desses
compostos são os principais agentes causadores do efeito estufa.
Combustível Fóssil
Material de origem mineral, formado pelos compostos de carbono. São
originados pela decomposição de materiais orgânicos, porém este processo
leva milhões de anos, logo são considerados recursos naturais não
renováveis.
Combustível Nuclear
Material físsil ou fissionável utilizado num reator nuclear para produzir
energia. Os principais combustíveis são Urânio e Plutônio.
Dióxido de Carbono
É um composto químico constituído por dois átomos de oxigênio e um
átomo de carbono. A representação química é CO2.
Efeito Estufa
Trata-se da grande concentração de CO2 na atmosfera, provocando o
aumento da temperatura e um aquecimento global. Em outras palavras, a
temperatura do planeta tende a subir, podendo trazer graves conseqüências
para a humanidade.
Enxofre
Elemento químico de símbolo S , número atômico 16 (16 prótons e 16
elétrons) e de massa atómica 32 u. À temperatura ambiente, o enxofre
encontra-se no estado sólido. É um não-metal insípido e inodoro, facilmente
reconhecido na forma de cristais amarelos que ocorrem em diversos
minerais de sulfito e sulfato, ou mesmo em sua forma pura (especialmente
em regiões vulcânicas). O enxofre é um elemento químico essencial para
todos os organismos vivos, sendo constituinte importante de muitos
aminoácidos.
Monóxido de Carbono É um gás levemente inflamável, incolor, inodoro e muito perigoso devido à
sua grande toxicidade. É produzido pela queima em condições de pouco
oxigênio (combustão incompleta) e/ou alta temperatura de carvão ou outros
materiais ricos em carbono, como derivados de petróleo.
Protocolo de Kyoto
É um tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução
da emissão dos gases que agravam o Efeito Estufa.
39
Sustentabilidade
Suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das
gerações futuras de suprir as suas.
40
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