Pró-Reitoria de Graduação Curso de Educação Física Trabalho de Conclusão de Curso INCLUSÃO SOCIAL DE ALUNOS SURDOS POR MEIO DA ATIVIDADE FÍSICA. Autor: Rafael dos Santos Medeiros UC 05019925 Orientador: Prof.MSc.Luiz Antonio Vitelli Peixoto Brasília - DF 2011 RAFAEL DOS SANTOS MEDEIROS INCLUSÃO SOCIAL DE ALUNOS SURDOS POR MEIO DA ATIVIDADE FÍSICA Artigo apresentado ao curso de graduação em Educação Física da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para obtenção do Título de Licenciatura em Educação física. Orientador: Prof.MSc. Luiz Antonio Vitelli Peixoto. Brasília- DF 2011 Resumo Este estudo objetivou verificar se na percepção do aluno surdo a educação física tem contribuído para sua inclusão social. Metodologicamente foi uma pesquisa exploratória e avaliativa sendo aplicado um questionário com perguntas fechadas com o auxilio de uma interprete. A inclusão social é um tema bem atual trazendo grandes repercussões entre os educadores e a sociedade e principalmente pelos deficientes físicos os quais necessitam dessas conquistas para garantir seu espaço na sociedade. A pesquisa constatou, dentre outros aspectos, que os surdos têm a sensação de bem estar após a atividade física (80%); que a oferta de educação física, esporte e lazer não atende suas expectativas (67%); que os profissionais de educação física possuem boa qualificação para as aulas (73%); que a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) deveria fazer parte da formação básica todos os estudantes (87%). Por fim a pesquisa constatou ainda, que apesar dos surdos se sentirem satisfeitos com as atividades físicas, eles na grande maioria (67%) não se sentem incluídos plenamente na sociedade como deveria. Palavras- chaves: inclusão social, atividade física, surdo. Abstracts This stydy aimed to verif IF a deaf student inthe perception of physical education hás contribuid to their social inclusion. Methodologically was na exploratory and evalutive research is a questionnaire with closed questions with the help of na interpreter. Social inclusion is a very current theme bringing great repercussions among educators and society, and especially the disabled Who need these achievements to ensure their place in society. The survey found, among other things, that deaf people have a sense of well being after physical activity (80%) that the supply of physical education, sport and leisure does not meet your expectations (67%), whereas education professionals have good phsycal skills for the classes (73%), the Brazilian sign language (LIBRAS), shoud be parto f basic training all students (87%). Finally the survey also found that despite the deaf feel majority (67%) do not feel fully included in society as it should. Keywords: social inclusion, physical activity, deaf. 4 INTRODUCÃO A inclusão social é um tema bem atual, trazendo grandes repercussões entre os educadores e a sociedade e principalmente pelos deficientes físicos, os quais necessitam dessas conquistas para garantir seu espaço na sociedade. Devido à necessidade de inclusão das pessoas com deficiência na sociedade e da importância das pessoas surdas de serem alfabetizadas e terem os mesmos direitos de todos como, estudarem em escolas regulares e terem o direito as aulas de educação física com atividades que atendam as suas necessidades. Segundo o Ministério da Saúde, a surdez é um dos principais problemas físicos que acomete o individuo, podendo ser total ou parcial, sendo que a parcial pode variar de grau leve, moderada, acentuada e severa implicando, a quem adquiri limitações no desempenho de atividades sociais. Para Jensem (1999) a idade média para a detecção de perdas auditivas consideráveis é de 14 meses, portanto a meta da Academia Americana de Pediatria, de Audiologia e do Joint Committe on Infart Hearing, é que esta deficiência seja detectada o mais rápido possível, ou seja, antes dos 3 meses de idade, e que os procedimentos de reabilitação, orientação familiar e colocação de aparelhos não passem dos seis meses de vida. É nesta fase da vida que a criança desenvolve sua fala. No entanto, mesmo perdas moderadas, podem levar a sérios efeitos no desenvolvimento da criança. A surdez pode ser classificada em três tipos: a condutiva, mista e a neurossensorial, sendo a condutiva causada por um problema localizado no ouvido externo ou médio, que tem a função de conduzir o som até o ouvido interno; a neurossensorial, não há problema na “condução’ do som, mas acomete uma diminuição na capacidade de receber os sons que passam pelo ouvido externo e médio. Este tipo de surdez faz com que a pessoa tenha dificuldade de perceber as diferenças sonoras. Por fim, a deficiência mista, que ocorre quando ambas as perdas auditivas aparecem numa mesma pessoa (JENSEM, 1999). Ao longo dos tempos, os deficientes físicos já vêm sofrendo com limitações referentes ao esporte por problemas estruturais, de equipamentos e, essencialmente de ordem social. Historicamente os deficientes físicos vivem uma exclusão na sociedade, com reflexos para sua saúde física e mental. Depois de um longo período de exclusão 5 esses indivíduos estão ganhando cada vez mais destaque na sociedade (AZEVEDO & BARROS 2004). Segundo Azevedo & Barros (2004), diversos motivos podem ser atribuídos a esta nova fase de interesse. De imediato podem ser citados: 1º a descoberta dos deficientes físicos pelos agentes de marketing, 2º o aumento do nível de pressão para que os governantes saiam do discurso e coloquem em prática políticas de inclusão desses indivíduos na sociedade. Hoje os deficientes são amparados por leis que asseguram os seus plenos direitos básicos e bem estar pessoal social e econômico. Apesar de várias mudanças já terem ocorrido na legislação vigente, o Brasil ainda engatinha em relação aos deficientes. Somente no final da década de 80 é que o esporte foi incrementado na vida dessas pessoas, o que mostra sua imaturidade (TUBINO 1996) Rosadas (1989) afirma que esses indivíduos, na maioria das vezes, são excluídos da sociedade que por vezes busca inclui-los ou reincluí lós. Porem, para o autor, o desafio está em oferecer, de maneira permanente, igualdade nas condições de obtenção de renda e oportunidades. Algumas legislações foram feitas direcionadas aos deficientes físicos que lhes dão mais direito na sociedade, dentre estas podemos destacar: “A resolução nº2 da CNE/CEB de 11 de fevereiro de 2001, que instituiu Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na educação básica: e nos Artigos 58 a 60 da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que garante o atendimento escolar desses alunos, e que terá início na educação infantil, nas creches e pré-escolas, assegurando-lhes os serviços de educação especial sempre que se evidencie a necessidade de atendimento educacional especializado: - Matricula e educação de qualidade para todos; - Que o atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais seja realizado em classes comuns do ensino regular, em qualquer etapa ou modalidade da Educação Básica; - Que as escolas da rede regular de ensino disponibilizem professores das classes comuns e da educação especial capacitado e especializado, respectivamente para atender às necessidades educacionais dos alunos; distribuam os alunos com necessidades educacionais especiais pelas várias classes do ano escolar; e ofereçam serviços de apoio pedagógico especializado, realizado nas classes comuns, mediante atuação colaborativa de professor especializado em educação especial, atuação de professores-intérpretes das linguagens e códigos aplicáveis, atuação de professores e outros profissionais itinerantes intra e 6 interinstitucional, bem como outros apoios necessários à aprendizagem, à locomoção e à comunicação dos alunos. Para se beneficiarem destes direitos, seguindo esta mesma lei, os alunos deverão apresentar as seguintes características: Dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das atividades curriculares (aquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações ou deficiências); Dificuldade de comunicação e sinalização diferenciadas dos demais alunos, demandando a utilização de linguagens e códigos aplicáveis. O Ministério da Educação vem mostrando que a escola pública tem se tornado cada vez mais acessível para os alunos, independente de sua raça, religião ou condição financeira. No que se refere à inclusão dos deficientes, a história nos aponta que vem ocorrendo uma evolução super positiva e que cada dia mais deficientes, são encontrados nos ambientes escolares. Hoje a inclusão não é apenas de interesse dos alunos surdos e sim de todos, pois com isso está se exigindo que o profissional busque o aperfeiçoamento em práticas pedagógicas cada vez mais evoluídas, além de mudanças nas atitudes dos professores com relação ao surdo. Mesmo com todos os benefícios que a legislação dispõe, e ainda a capacitação a que os profissionais de educação, especialmente os de educação física, se submetem, é importante, e até mesmo fundamental que o maior interessado, o aluno surdo, tenha consciência disto. A educação física é um importante instrumento para a promoção da inclusão social. Deste modo, este estudo tem como objetivo verificar, se na percepção do aluno surdo, a educação física tem contribuído para sua inclusão social. 7 METODOLOGIA Este estudo se caracterizou como uma pesquisa exploratória e avaliativa no campo da Educação Física inclusiva para a pessoa surda, uma vez que realizou uma temática atual que é o processo de inclusão social dessas pessoas por meio da prática da atividade física. População e Amostra O estudo foi realizado com 15 alunos do Centro de Apoio ao Surdo (CAS) do Centro de Ensino Especial nº 1 de Brasília, com média de idade entre 18 e 25 anos de ambos os sexos. Tipo de Pesquisa Para a realização desse estudo optou-se pela pesquisa exploratória e avaliativa. As pesquisas exploratórias segundo GIL (1995) “[...] tem como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, com vistas na formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores”. Para Cook e Reichard (2000), o resultado de uma pesquisa avaliativa deve produzir algum tipo de mudança qualitativa no objeto da pesquisa, isto é, espera-se que quem investiga intervenha de algum modo no objeto pesquisado para melhorar a qualidade dele. Mynayo (2005) compreende que a pesquisa avaliativa é a expressão de uma dinâmica de investigação e de trabalho que integra a análise de estruturas, processos e resultados, compreensão do programa em pauta, de relações envolvidas na implementação de ações e visão. Instrumento: Questionário contendo 8 perguntas fechadas ( Conforme Anexo), com aplicação contando com auxilio de uma interprete, que foi respondido pelos membros da amostra desde estudo após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. 8 Coleta de dados: A pesquisa foi realizada durante o período de 30 de setembro a 07 de outubro de 2011. RESULTADOS E DISCUSSÃO Para que os seguintes resultados fossem obtidos, o presente estudo contou com a participação de 15 alunos entre 18 e 25 anos do Centro de Apoio ao Surdo (CAS) localizado no Centro de Ensino nº 1 na quadra 912- conjunto E lote 43/48, Asa- Sul. Que responderam a um questionário com a ajuda de uma interprete. Gráfico1: Você pratica alguma atividade física? Atualmente não se discuti mais sobre os benefícios da atividade física, mas sim a forma mais correta de realizá-la para alcançar e/ ou manter a saúde; já que a falta e o excesso de exercicios pode ser danosos ao organismo, especialmente em se tratando de pessoas com deficiência. O esporte busca nos fundamentos da atividade física, levar saúde e qualidade de vida aos praticantes que estejam orientados para a forma correta de seu emprego ( MATSUDO, 1999). Entende-se por atividade física inclusiva, toda e qualquer que levando em considerações as potencialidades e as limitaçoes fisico-motoras, sensoriais e mentais do 9 seus praticantes, propicie a sua efetiva participação nas diversas atividades esportivas recreativas e, consequentemente o desenvolvimento de todas as sua potencialidades (COSTA,2002). Gráfico2: Você pratica atividade física mais de uma vez durante a semana? Segundo Rector & Trinta (1990, P.21), citado por Alves (2007), o homem é um ser em movimento e, ao mover-se põe em funcionamento formas de expressão completas e complexas, que são, de resto, socialmente partilhadas. E é desta forma que o corpo, pois comunica, e está comunicação confunde-se com a própria vida. É ela uma necessidade básica da pessoa humana, do homem social. Indivíduos, deficientes ou não, sem um programa de atividade física elaborado, estarão sujeitas aos problemas da civilização moderna regida pelo sedentarismo (ROSADAS, 1989). Desta forma podemos afirmar que pessoas com surdez podem ter sua inclusão facilitada com a prática freqüente de atividade física. 10 Gráfico3: Após a pratica da atividade física regular é notável uma melhora na qualidade de vida? Segundo Mota (2006) o esporte é parte integrante do desenvolvimento humano, desde tempos imemoráveis. Podemos dizer que a prática esportiva está diretamente ligada à qualidade de vida de todo cidadão, seja qual for sua faixa etária. Na área da saúde, por intermédio da fisiologia do exercício, na área social, por meio da participação e lazer, ou na área da educação, pelo esporte escolar. Por todos esses fatores é o segmento em condição mais favorável à promoção do desenvolvimento humano em todos os seus aspectos, com papel fundamental na educação de nossos jovens, formando hábitos e valores para toda a vida. Para isso é preciso que seja democrático e inclusivo, sendo estimulado desde a infância, e o local mais adequado para sua iniciação é a Escola. Com este percentual tão elevado que responderam afirmativamente (80%), podemos inferir que a prática regular da atividade física por surdos causa sensação de bem estar, que está diretamente relacionado à qualidade de vida. 11 Gráfico4: Você acha que as oportunidades de educação física, esporte e lazer que lhe são oferecidas atendem suas expectativas? DUARTE & LIMA (2003) enfatizam que o aluno surdo tem benefícios em aulas de educação física, pois com isso ele interage cada vez mais com toda a comunidade escolar através da atividade física. Não bastando somente coloca-los nas escolas sem que haja capacidade por parte dos profissionais em lidarem com esse tipo de problema, mas isto vem mudando. Eles vêm procurando se aperfeiçoar para atuarem com esses alunos, pois até pouco tempo o pensamento era que ele devesse ter uma escola separada tornando assim maior a distância entre aluno e sociedade. A “Carta Internacional da Educação Física e Desportos” destacam a prática de educação física e o esporte como um direito fundamental para todos e que deverão ser oferecidas oportunidades especiais de prática às pessoas muito jovens, ou idosas ou com algum tipo de deficiência ou enfermidade limitante, a fim de fazer possível o desenvolvimento integral de sua personalidade, por meio de programas de Educação Física e Desporto adaptado as suas necessidades. Isso significou um grande avanço para o beneficio da atividade física fosse estendido a todas as pessoas e em especial aos grupos especiais que até então vinha sendo desprezado por inúmeros governantes mundiais. 12 Na constatação dessa verdade- a legislação existe e cria condições para assegurar a pessoa com deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, tais como, educação, saúde, trabalho, desporto, lazer (ESTATUTO DO DEFICIENTE, 2006). Baseado nas respostas da questão nº 4, podemos constatar neste estudo que parte significativa da amostra (67%), ainda não se sente plenamente atendida pelas políticas públicas de esporte e lazer para surdos. Gráfico5: Você vê condições igualitárias na prática de atividade física entre ouvintes e surdos? Segundo Lacerda (2007), as aquisições e o desenvolvimento da linguagem são fundamentais para a construção de processos cognitivos e para que sejam estabelecidas as relações sociais. A linguagem é a responsável pela regulação da atividade psíquica humana, pois é ela que permeia a estruturação dos processos cognitivos e é assumida como constitutiva do sujeito, pois possibilita interações fundamentais para a construção do conhecimento. Lacerda (2007) apud (VYGOSTSKY, 2001), cita que os sujeitos surdos, devido à defasagem auditiva que possuem, encontram dificuldades para entrar em contato com a linguagem do grupo social no qual estão inseridos. A linguagem, além de sua função comunicativa, interfere na organização do pensamento sendo essencial para o desenvolvimento cognitivo. Assim, no caso de crianças surdas, o atraso de linguagem pode trazer como conseqüência problemas emocionais, sociais e cognitivas, mesmo que haja o aprendizado de uma língua tardiamente (LACERDA 2007 apud GÓES, 1996). 13 A maioria dos respondentes (60%), não percebe essa relação de igualdade entre surdos e ouvintes, possivelmente pelo despreparo seja na linguagem ou até mesmo na dificuldade de comunicação que esses ouvintes podem ter com os surdos. Gráfico6: Você vê os profissionais de educação física capacitados para ministrar aulas com conteúdo e didática que atendem as necessidades da pessoa surda? O educador deve ser um referencial para esses alunos, transmitindo segurança e esclarecendo bem suas idéias, para que assim, essas pessoas participem do sistema educacional superior como um todo dando espaço pra que esse aluno possa participar dos métodos discursivos em sala de aula, permitindo uma correlação entre alunos e professores. A partir dessa perspectiva, o corpo docente deve desenvolver capacitações de ensino de maneira íntegra, indo além das fronteiras didáticas. Os professores precisam humanitariamente possibilitar que seus alunos desenvolvam suas potencialidades, ajudando-os nos mais diversos assuntos, para que conseqüentemente as barreiras preconceituosas sejam exterminadas (SANTANA, 2008). Nesse caso, em se tratando de uma escola especifica para alunos com surdez a relação entre aluno e professor é bem melhor, pois esses profissionais estão mais capacitados para lidarem com os surdos, assim facilitando a comunicação entre eles. Possivelmente seja este motivo que leva esses indivíduos a se sentirem melhor assistido nessas escolas Especiais e não procurem as escolas regulares. 14 Gráfico7: Você acha importante a inclusão da disciplina Libras na formação básica de crianças e nos cursos de nível superior para as pessoas que não possuem surdez? No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão do surdo pela Lei nº 10.436, de 2002. Apesar disso, em seu parágrafo único a referida Lei reza que a LIBRAS não pode não poderá substituir a modalidade escrita da língua portuguesa, desta forma, não, só é assegurado ao surdo o uso da língua de sinais, como é exigido dos sistemas educacionais o ensino, tanto de LIBRAS, quanto do português escrito. A inclusão de crianças surdas na rede regular vai gerar a necessidade do aprendizado de LIBRAS pelo restante da comunidade escolar A experiência tem demonstrado que os surdos que estudam em escolas regulares possuem leitura mais eficiente, o que influencia na escrita e na sua integração com a comunidade. (FILHA, 2008). Pelo número expressivo da resposta (87%), é possível inferir que a obrigatoriedade da disciplina Libras facilita a inclusão na formação básica da criança e 15 nos cursos superiores. E entre alunos surdos e ouvintes tem promovido a inclusão dessas pessoas. Gráfico8: Dentre as diversas leis existentes você se sente incluído na sociedade atual, com educação, esporte, lazer, emprego e entre outros direitos dos cidadãos surdos? O tema inclusão escolar tem sido debatido em âmbito mundial. Muitos países assumiram a inclusão como tarefa fundamental da educação pública e a partir de diversas tentativas de viabilizá-la surgiu inúmeros debates e controvérsias na área. Os defensores da inclusão como Lacerda (2007) apud, Bunch (1994), Cohen (1994), Kirchner (1994) e Sassaki (1997) argumentam que todos os estudantes devem ter as mesmas oportunidades de freqüentar classes regulares próximas ao local de sua residência, com crianças de mesma faixa etária, ou freqüentar a mesma escola que seus irmãos. Reconhece que para isso se faz necessário um programa educacional adequado as capacidades dos diferentes alunos, e indicam a importância de oferecer suporte e assistência às crianças e jovens com necessidades especiais e aos professores para que esta integração seja a melhor possível. E que a qualificação dos profissionais se mantenha já que as crianças demandam uma atenção especial. A inclusão se constitui mais como uma boa proposta para a comunidade em geral, que se mostra aberta ao contato com as diferenças, do que realmente é adequada para aqueles que, tendo necessidades especiais frente ao seu desenvolvimento escolar, necessitem de uma série de condições que, na maioria dos casos, não tem sido propiciadas (LACERDA, 2007). 16 Com todas as possibilidades que foram encontradas na comunicação entre professores e alunos com surdez e entre surdos e alunos ouvintes ainda assim, na percepção do surdo, a inclusão no meio esportivo, empregatício e lazer ainda não se dar de forma plena. É possível que essa percepção não seja uma exclusividade dos surdos e sim uma falha na execução das políticas públicas voltadas para a educação, esporte, lazer e emprego, como acontece com as pessoas que não possuem nenhum tipo de deficiência. 17 CONCLUSÃO Hoje é indiscutível que a atividade física seja benéfica a todas as pessoas, desde que bem auxiliada por um profissional de Educação Física. Este trabalho veio ressaltar a importância da atividade física para os alunos surdos, sendo uma das formas de inclusão social, já que a Lei os ampara e garante esse direito. O esporte é parte integrante do desenvolvimento das pessoas haja vista que a prática regular de atividade física causa uma sensação de bem estar entre todos inclusive aos surdos, que se sentem bem melhores após a prática de exercícios físicos. Mesmo os surdos achando que a prática de exercícios seja benéfica eles acham que não estão realmente incluídos na sociedade atual, pois não se trata apenas em colocá-los em meio à sociedade só porque hoje é moda a inclusão, sem que haja um preparo não só dos profissionais, mas de toda a sociedade. Baseado, ainda nos resultados do presente estudo podemos inferir que a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), na percepção dos surdos, se fosse incluída na formação básica das crianças como uma segunda língua, certamente aumentariam as possibilidades de inclusão das pessoas surdas. Por fim, podemos concluir fundamentados nas respostas encontradas, que na percepção dos alunos surdos da escola pesquisada, não há um atendimento pleno nem das políticas públicas, nem tão pouco das leis que garantem o oferecimento de educação, esporte, lazer e emprego aos cidadãos com surdez. 18 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZEVEDO, P.H; BARROS, J.F. O nível de participação do Estado na gestão do esporte brasileiro como fator de inclusão social de pessoas portadoras de deficiência. R. Bras. Ci e Mov.2004; BRASIL. Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais. Presidência da República. Brasília, DF, 2002. Disponível em: www.planalto.gov.br/civil 03/Leis/2002/L10436.html. Acesso em 10 out 2011. COOK,T; REICHARD, T. D. Métodos e cualitativos y cuantitativos em investigacion evalutiva. 4. Ed. Madrid: Morata, 2000 COSTA, Alberto Martins da, BITTAR, Ari Fernando. Metodologia aplicada ao deficiente físico. Caderno texto do curso de capacitação de professores multiplicadores em educação física adaptada/ secretaria de Educação Especial- Brasília: MEC; SEESP, 2002, 147 p. DUARTE, E; Lima, ST. Atividade física para pessoas com necessidades Especiais. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2000. FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA (FIEP). Carta Internacional da Educação Física e Desportos. Brasília; MEC/SEED, v.55, nº 1, 1985. FILHA, Dalva Alves dos Santos. Atividade física para surdos. Instituto Nacional de Educação de Surdos. Disponível em: http://ww2.prefeitura.sp.gov.br//a. física.pdf. Acesso em 11 out. 2011. GIL, Antonio Carlos. Métodos e Técnicas de pesquisa social. 4. Ed. São Paulo: Atlas, 1995. JENSEM, Ana Maria Amaral Roslyng, O Começo; São Paulo 1999. Disponível em www.crfaster.com.br/auditiv.htm. Acesso em 21 mar. 2011. 19 LACERDA, Cristina Broglia Feitosa de. O que dizem/sentem alunos participantes de uma experiência de inclusão escolar com aluno surdo. Rev.bras. educ.espec.2007, v. 13 nº 2, PP. 257-280. ISSN 1413-6538. LEI 9394, de 20 de Dezembro de 1996. Disponível em: www.soleis.adv.br/diretrizesbaseseducacao.htm. Acesso em 25 mar de2011. MATSUDO, Sandra Mahecha. Atividade Física e qualidade de vida no trabalho. In: I Congresso Centro-Oeste de Educação Física e Lazer, 1, 1999, Brasília. Anais... Brasília: MET/FEF-UNB/SEDF, P.42-45. MOTA, Agnaldo. Educação integral do surdo por meio do esporte. Disponível: <http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/edu106. Acesso em 09 out. 2011. Resolução CNE/CEB n 2, de 11 de Fevereiro de 2001. Disponível em: <portalsme.prefeitura.sp.gov.br/documentos/bibliped/textolegais/legislacaoeduc acional/resolução-cne-ceb.2.pdf.>. acesso em 25 mar.2011. ROSADAS, Sidney de C. Atividades físicas adaptadas e jogos esportivos para deficientes: eu posso vocês duvidam; Rio de Janeiro, Atheneu, 1989. ROSADAS, Sidney de C.- Educação física para deficientes. 2 ed.Rio de Janeiro, Atheneu, 1986.214p. SANTANA, Daniela. A Universidade: Possibilidades e Desafios na Educação dos Surdos Brasileiros. Disponível em www.webartigos.com/articles/471/1 a universidade- possibilidades -e- desafios-na-educação-dos-surdos. Acesso em 20 out 2011. SENADO FEDERAL DO BRASIL, Estatuto da pessoa com Deficiência, A natureza Respeita as Diferenças. 6ª Ed. Brasília- 2006. 51p TUBINO, M.J.G.O O esporte no Brasil, do período colonial aos nosso dias. São Paulo; Ibrasa, 1996, 139p. 20 Este questionário é parte integrante do trabalho de conclusão do curso de Licenciatura em Educação Física, todas as questões deverão ser respondidas com total imparcialidade. Não há necessidade que você se identifique para que sua identidade seja preservada. QUESTIONÁRIO 1-Você pratica alguma atividade física? Sim ( ) Não ( ) 2- Você pratica atividade física, mais de uma vez durante a semana? Sim ( ) Não ( ) 3- Após a prática da atividade física regular é notável uma melhora na qualidade de vida? Sim ( ) Não ( ) 4- Você acha que as oportunidades de educação física, esporte e lazer que lhe são oferecidas atendem suas expectativas? Sim ( ) Não ( ) 5-Você vê condições igualitárias na prática de atividade física entre ouvintes e portadores de deficiência auditiva? Sim ( ) Não ( ) 6-Você vê os profissionais de educação física capacitados para ministrar aulas com conteúdo e didática que atendam as necessidades da pessoa portadora de deficiência auditiva? Sim ( ) Não ( ) 7-Você acha importante a inclusão da disciplina Libras na formação básica de crianças e nos cursos de nível superior para as pessoas que não possuem deficiência auditiva? Sim ( ) Não ( ) 8-Dentre as diversas Leis existentes você se sente incluído na sociedade atual, com educação, esporte, lazer, emprego, e entre outros direitos dos cidadãos portadores de deficiência auditiva? Sim ( ) Não ( ) 21 22