Pró-Reitoria de Graduação
Curso de Educação Física
Trabalho de Conclusão de Curso
INCLUSÃO SOCIAL DE ALUNOS SURDOS POR MEIO DA
ATIVIDADE FÍSICA.
Autor: Rafael dos Santos Medeiros UC 05019925
Orientador: Prof.MSc.Luiz Antonio Vitelli Peixoto
Brasília - DF
2011
RAFAEL DOS SANTOS MEDEIROS
INCLUSÃO SOCIAL DE ALUNOS SURDOS POR MEIO DA
ATIVIDADE FÍSICA
Artigo apresentado ao curso de
graduação
em Educação
Física da
Universidade Católica de Brasília, como
requisito parcial para obtenção do Título
de Licenciatura em Educação física.
Orientador: Prof.MSc. Luiz Antonio
Vitelli Peixoto.
Brasília- DF
2011
Resumo
Este estudo objetivou verificar se na percepção do aluno surdo a educação física
tem contribuído para sua inclusão social. Metodologicamente foi uma pesquisa
exploratória e avaliativa sendo aplicado um questionário com perguntas fechadas com o
auxilio de uma interprete. A inclusão social é um tema bem atual trazendo grandes
repercussões entre os educadores e a sociedade e principalmente pelos deficientes
físicos os quais necessitam dessas conquistas para garantir seu espaço na sociedade. A
pesquisa constatou, dentre outros aspectos, que os surdos têm a sensação de bem estar
após a atividade física (80%); que a oferta de educação física, esporte e lazer não atende
suas expectativas (67%); que os profissionais de educação física possuem boa
qualificação para as aulas (73%); que a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) deveria
fazer parte da formação básica todos os estudantes (87%). Por fim a pesquisa constatou
ainda, que apesar dos surdos se sentirem satisfeitos com as atividades físicas, eles na
grande maioria (67%) não se sentem incluídos plenamente na sociedade como deveria.
Palavras- chaves: inclusão social, atividade física, surdo.
Abstracts
This stydy aimed to verif IF a deaf student inthe perception of physical
education hás contribuid to their social inclusion. Methodologically was na exploratory
and evalutive research is a questionnaire with closed questions with the help of na
interpreter. Social inclusion is a very current theme bringing great repercussions among
educators and society, and especially the disabled Who need these achievements to
ensure their place in society. The survey found, among other things, that deaf people
have a sense of well being after physical activity (80%) that the supply of physical
education, sport and leisure does not meet your expectations (67%), whereas education
professionals have good phsycal skills for the classes (73%), the Brazilian sign language
(LIBRAS), shoud be parto f basic training all students (87%). Finally the survey also
found that despite the deaf feel majority (67%) do not feel fully included in society as it
should.
Keywords: social inclusion, physical activity, deaf.
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INTRODUCÃO
A inclusão social é um tema bem atual, trazendo grandes repercussões entre os
educadores e a sociedade e principalmente pelos deficientes físicos, os quais necessitam
dessas conquistas para garantir seu espaço na sociedade. Devido à necessidade de
inclusão das pessoas com deficiência na sociedade e da importância das pessoas surdas
de serem alfabetizadas e terem os mesmos direitos de todos como, estudarem em
escolas regulares e terem o direito as aulas de educação física com atividades que
atendam as suas necessidades.
Segundo o Ministério da Saúde, a surdez é um dos principais problemas físicos
que acomete o individuo, podendo ser total ou parcial, sendo que a parcial pode variar
de grau leve, moderada, acentuada e severa implicando, a quem adquiri limitações no
desempenho de atividades sociais.
Para Jensem (1999) a idade média para a detecção de perdas auditivas
consideráveis é de 14 meses, portanto a meta da Academia Americana de Pediatria, de
Audiologia e do Joint Committe on Infart Hearing, é que esta deficiência seja detectada
o mais rápido possível, ou seja, antes dos 3 meses de idade, e que os procedimentos de
reabilitação, orientação familiar e colocação de aparelhos não passem dos seis meses de
vida. É nesta fase da vida que a criança desenvolve sua fala. No entanto, mesmo perdas
moderadas, podem levar a sérios efeitos no desenvolvimento da criança.
A surdez pode ser classificada em três tipos: a condutiva, mista e a
neurossensorial, sendo a condutiva causada por um problema localizado no ouvido
externo ou médio, que tem a função de conduzir o som até o ouvido interno; a
neurossensorial, não há problema na “condução’ do som, mas acomete uma diminuição
na capacidade de receber os sons que passam pelo ouvido externo e médio. Este tipo de
surdez faz com que a pessoa tenha dificuldade de perceber as diferenças sonoras. Por
fim, a deficiência mista, que ocorre quando ambas as perdas auditivas aparecem numa
mesma pessoa (JENSEM, 1999).
Ao longo dos tempos, os deficientes físicos já vêm sofrendo com limitações
referentes ao esporte por problemas estruturais, de equipamentos e, essencialmente de
ordem social. Historicamente os deficientes físicos vivem uma exclusão na sociedade,
com reflexos para sua saúde física e mental. Depois de um longo período de exclusão
5
esses indivíduos estão ganhando cada vez mais destaque na sociedade (AZEVEDO &
BARROS 2004).
Segundo Azevedo & Barros (2004), diversos motivos podem ser atribuídos a
esta nova fase de interesse.
De imediato podem ser citados: 1º a descoberta dos deficientes físicos pelos
agentes de marketing, 2º o aumento do nível de pressão para que os governantes saiam
do discurso e coloquem em prática políticas de inclusão desses indivíduos na sociedade.
Hoje os deficientes são amparados por leis que asseguram os seus plenos direitos
básicos e bem estar pessoal social e econômico. Apesar de várias mudanças já terem
ocorrido na legislação vigente, o Brasil ainda engatinha em relação aos deficientes.
Somente no final da década de 80 é que o esporte foi incrementado na vida
dessas pessoas, o que mostra sua imaturidade (TUBINO 1996)
Rosadas (1989) afirma que esses indivíduos, na maioria das vezes, são excluídos
da sociedade que por vezes busca inclui-los ou reincluí lós. Porem, para o autor, o
desafio está em oferecer, de maneira permanente, igualdade nas condições de obtenção
de renda e oportunidades.
Algumas legislações foram feitas direcionadas aos deficientes físicos que lhes
dão mais direito na sociedade, dentre estas podemos destacar: “A resolução nº2 da
CNE/CEB de 11 de fevereiro de 2001, que instituiu Diretrizes Nacionais para a
Educação Especial na educação básica: e nos Artigos 58 a 60 da Lei 9.394, de 20 de
dezembro de 1996, que garante o atendimento escolar desses alunos, e que terá início
na educação infantil, nas creches e pré-escolas, assegurando-lhes os serviços de
educação especial sempre que se evidencie a necessidade de atendimento educacional
especializado: - Matricula e educação de qualidade para todos; - Que o atendimento aos
alunos com necessidades educacionais especiais seja realizado em classes comuns do
ensino regular, em qualquer etapa ou modalidade da Educação Básica; - Que as escolas
da rede regular de ensino disponibilizem professores das classes comuns e da educação
especial capacitado e especializado, respectivamente para atender às necessidades
educacionais dos alunos; distribuam os alunos com necessidades educacionais especiais
pelas várias classes do ano escolar; e ofereçam serviços de apoio pedagógico
especializado, realizado nas classes comuns, mediante atuação colaborativa de professor
especializado em educação especial, atuação de professores-intérpretes das linguagens e
códigos aplicáveis, atuação de professores e outros profissionais itinerantes intra e
6
interinstitucional, bem como outros apoios necessários à aprendizagem, à locomoção e à
comunicação dos alunos.
Para se beneficiarem destes direitos, seguindo esta mesma lei, os alunos deverão
apresentar as seguintes características: Dificuldades acentuadas de aprendizagem ou
limitações no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das
atividades curriculares (aquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações ou
deficiências); Dificuldade de comunicação e sinalização diferenciadas dos demais
alunos, demandando a utilização de linguagens e códigos aplicáveis.
O Ministério da Educação vem mostrando que a escola pública tem se tornado
cada vez mais acessível para os alunos, independente de sua raça, religião ou condição
financeira. No que se refere à inclusão dos deficientes, a história nos aponta que vem
ocorrendo uma evolução super positiva e que cada dia mais deficientes, são encontrados
nos ambientes escolares. Hoje a inclusão não é apenas de interesse dos alunos surdos e
sim de todos, pois com isso está se exigindo que o profissional busque o
aperfeiçoamento em práticas pedagógicas cada vez mais evoluídas, além de mudanças
nas atitudes dos professores com relação ao surdo.
Mesmo com todos os benefícios que a legislação dispõe, e ainda a capacitação a
que os profissionais de educação, especialmente os de educação física, se submetem, é
importante, e até mesmo fundamental que o maior interessado, o aluno surdo, tenha
consciência disto. A educação física é um importante instrumento para a promoção da
inclusão social.
Deste modo, este estudo tem como objetivo verificar, se na percepção do aluno
surdo, a educação física tem contribuído para sua inclusão social.
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METODOLOGIA
Este estudo se caracterizou como uma pesquisa exploratória e avaliativa no
campo da Educação Física inclusiva para a pessoa surda, uma vez que realizou uma
temática atual que é o processo de inclusão social dessas pessoas por meio da prática da
atividade física.
População e Amostra
O estudo foi realizado com 15 alunos do Centro de Apoio ao Surdo (CAS) do
Centro de Ensino Especial nº 1 de Brasília, com média de idade entre 18 e 25 anos de
ambos os sexos.
Tipo de Pesquisa
Para a realização desse estudo optou-se pela pesquisa exploratória e avaliativa.
As pesquisas exploratórias segundo GIL (1995) “[...] tem como principal finalidade
desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, com vistas na formulação de
problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores”.
Para Cook e Reichard (2000), o resultado de uma pesquisa avaliativa deve
produzir algum tipo de mudança qualitativa no objeto da pesquisa, isto é, espera-se que
quem investiga intervenha de algum modo no objeto pesquisado para melhorar a
qualidade dele.
Mynayo (2005) compreende que a pesquisa avaliativa é a expressão de uma
dinâmica de investigação e de trabalho que integra a análise de estruturas, processos e
resultados, compreensão do programa em pauta, de relações envolvidas na
implementação de ações e visão.
Instrumento:
Questionário contendo 8 perguntas fechadas ( Conforme Anexo), com aplicação
contando com auxilio de uma interprete, que foi respondido pelos membros da amostra
desde estudo após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
8
Coleta de dados:
A pesquisa foi realizada durante o período de 30 de setembro a 07 de outubro de
2011.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para que os seguintes resultados fossem obtidos, o presente estudo contou com a
participação de 15 alunos entre 18 e 25 anos do Centro de Apoio ao Surdo (CAS)
localizado no Centro de Ensino nº 1 na quadra 912- conjunto E lote 43/48, Asa- Sul.
Que responderam a um questionário com a ajuda de uma interprete.
Gráfico1: Você pratica alguma atividade física?
Atualmente não se discuti mais sobre os benefícios da atividade física, mas sim a
forma mais correta de realizá-la para alcançar e/ ou manter a saúde; já que a falta e o
excesso de exercicios pode ser danosos ao organismo, especialmente em se tratando de
pessoas com deficiência. O esporte busca nos fundamentos da atividade física, levar
saúde e qualidade de vida aos praticantes que estejam orientados para a forma correta de
seu emprego ( MATSUDO, 1999).
Entende-se por atividade física inclusiva, toda e qualquer que levando em
considerações as potencialidades e as limitaçoes fisico-motoras, sensoriais e mentais do
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seus praticantes, propicie a sua efetiva participação nas diversas atividades esportivas
recreativas e, consequentemente o desenvolvimento de todas as sua potencialidades
(COSTA,2002).
Gráfico2: Você pratica atividade física mais de uma vez durante a semana?
Segundo Rector & Trinta (1990, P.21), citado por Alves (2007), o homem é um
ser em movimento e, ao mover-se põe em funcionamento formas de expressão
completas e complexas, que são, de resto, socialmente partilhadas. E é desta forma que
o corpo, pois comunica, e está comunicação confunde-se com a própria vida. É ela uma
necessidade básica da pessoa humana, do homem social.
Indivíduos, deficientes ou não, sem um programa de atividade física elaborado,
estarão sujeitas aos problemas da civilização moderna regida pelo sedentarismo
(ROSADAS, 1989).
Desta forma podemos afirmar que pessoas com surdez podem ter sua inclusão
facilitada com a prática freqüente de atividade física.
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Gráfico3: Após a pratica da atividade física regular é notável uma melhora na
qualidade de vida?
Segundo Mota (2006) o esporte é parte integrante do desenvolvimento humano,
desde tempos imemoráveis. Podemos dizer que a prática esportiva está diretamente
ligada à qualidade de vida de todo cidadão, seja qual for sua faixa etária. Na área da
saúde, por intermédio da fisiologia do exercício, na área social, por meio da
participação e lazer, ou na área da educação, pelo esporte escolar. Por todos esses
fatores é o segmento em condição mais favorável à promoção do desenvolvimento
humano em todos os seus aspectos, com papel fundamental na educação de nossos
jovens, formando hábitos e valores para toda a vida. Para isso é preciso que seja
democrático e inclusivo, sendo estimulado desde a infância, e o local mais adequado
para sua iniciação é a Escola.
Com este percentual tão elevado que responderam afirmativamente (80%),
podemos inferir que a prática regular da atividade física por surdos causa sensação de
bem estar, que está diretamente relacionado à qualidade de vida.
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Gráfico4: Você acha que as oportunidades de educação física, esporte e
lazer que lhe são oferecidas atendem suas expectativas?
DUARTE & LIMA (2003) enfatizam que o aluno surdo tem benefícios em aulas
de educação física, pois com isso ele interage cada vez mais com toda a comunidade
escolar através da atividade física. Não bastando somente coloca-los nas escolas sem
que haja capacidade por parte dos profissionais em lidarem com esse tipo de problema,
mas isto vem mudando. Eles vêm procurando se aperfeiçoar para atuarem com esses
alunos, pois até pouco tempo o pensamento era que ele devesse ter uma escola separada
tornando assim maior a distância entre aluno e sociedade.
A “Carta Internacional da Educação Física e Desportos” destacam a prática de
educação física e o esporte como um direito fundamental para todos e que deverão ser
oferecidas oportunidades especiais de prática às pessoas muito jovens, ou idosas ou com
algum tipo de deficiência ou enfermidade limitante, a fim de fazer possível o
desenvolvimento integral de sua personalidade, por meio de programas de Educação
Física e Desporto adaptado as suas necessidades. Isso significou um grande avanço para
o beneficio da atividade física fosse estendido a todas as pessoas e em especial aos
grupos especiais que até então vinha sendo desprezado por inúmeros governantes
mundiais.
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Na constatação dessa verdade- a legislação existe e cria condições para assegurar
a pessoa com deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, tais como,
educação, saúde, trabalho, desporto, lazer (ESTATUTO DO DEFICIENTE, 2006).
Baseado nas respostas da questão nº 4, podemos constatar neste estudo que parte
significativa da amostra (67%), ainda não se sente plenamente atendida pelas políticas
públicas de esporte e lazer para surdos.
Gráfico5: Você vê condições igualitárias na prática de atividade física entre
ouvintes e surdos?
Segundo Lacerda (2007), as aquisições e o desenvolvimento da linguagem são
fundamentais para a construção de processos cognitivos e para que sejam estabelecidas
as relações sociais. A linguagem é a responsável pela regulação da atividade psíquica
humana, pois é ela que permeia a estruturação dos processos cognitivos e é assumida
como constitutiva do sujeito, pois possibilita interações fundamentais para a construção
do conhecimento.
Lacerda (2007) apud (VYGOSTSKY, 2001), cita que os sujeitos surdos, devido
à defasagem auditiva que possuem, encontram dificuldades para entrar em contato com
a linguagem do grupo social no qual estão inseridos.
A linguagem, além de sua função comunicativa, interfere na organização do
pensamento sendo essencial para o desenvolvimento cognitivo. Assim, no caso de
crianças surdas, o atraso de linguagem pode trazer como conseqüência problemas
emocionais, sociais e cognitivas, mesmo que haja o aprendizado de uma língua
tardiamente (LACERDA 2007 apud GÓES, 1996).
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A maioria dos respondentes (60%), não percebe essa relação de igualdade entre
surdos e ouvintes, possivelmente pelo despreparo seja na linguagem ou até mesmo na
dificuldade de comunicação que esses ouvintes podem ter com os surdos.
Gráfico6: Você vê os profissionais de educação física capacitados para ministrar
aulas com conteúdo e didática que atendem as necessidades da pessoa surda?
O educador deve ser um referencial para esses alunos, transmitindo segurança e
esclarecendo bem suas idéias, para que assim, essas pessoas participem do sistema
educacional superior como um todo dando espaço pra que esse aluno possa participar
dos métodos discursivos em sala de aula, permitindo uma correlação entre alunos e
professores. A partir dessa perspectiva, o corpo docente deve desenvolver capacitações
de ensino de maneira íntegra, indo além das fronteiras didáticas. Os professores
precisam
humanitariamente
possibilitar
que
seus
alunos
desenvolvam
suas
potencialidades, ajudando-os nos mais diversos assuntos, para que conseqüentemente as
barreiras preconceituosas sejam exterminadas (SANTANA, 2008).
Nesse caso, em se tratando de uma escola especifica para alunos com surdez a
relação entre aluno e professor é bem melhor, pois esses profissionais estão mais
capacitados para lidarem com os surdos, assim facilitando a comunicação entre eles.
Possivelmente seja este motivo que leva esses indivíduos a se sentirem melhor assistido
nessas escolas Especiais e não procurem as escolas regulares.
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Gráfico7: Você acha importante a inclusão da disciplina Libras na formação
básica de crianças e nos cursos de nível superior para as pessoas que não possuem
surdez?
No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é reconhecida como meio
legal de comunicação e expressão do surdo pela Lei nº 10.436, de 2002. Apesar disso,
em seu parágrafo único a referida Lei reza que a LIBRAS não pode não poderá
substituir a modalidade escrita da língua portuguesa, desta forma, não, só é assegurado
ao surdo o uso da língua de sinais, como é exigido dos sistemas educacionais o ensino,
tanto de LIBRAS, quanto do português escrito. A inclusão de crianças surdas na rede
regular vai gerar a necessidade do aprendizado de LIBRAS pelo restante da comunidade
escolar
A experiência tem demonstrado que os surdos que estudam em escolas regulares
possuem leitura mais eficiente, o que influencia na escrita e na sua integração com a
comunidade. (FILHA, 2008).
Pelo número expressivo da resposta (87%), é possível inferir que a
obrigatoriedade da disciplina Libras facilita a inclusão na formação básica da criança e
15
nos cursos superiores. E entre alunos surdos e ouvintes tem promovido a inclusão
dessas pessoas.
Gráfico8: Dentre as diversas leis existentes você se sente incluído na sociedade
atual, com educação, esporte, lazer, emprego e entre outros direitos dos cidadãos
surdos?
O tema inclusão escolar tem sido debatido em âmbito mundial. Muitos países
assumiram a inclusão como tarefa fundamental da educação pública e a partir de
diversas tentativas de viabilizá-la surgiu inúmeros debates e controvérsias na área. Os
defensores da inclusão como Lacerda (2007) apud, Bunch (1994), Cohen (1994),
Kirchner (1994) e Sassaki (1997) argumentam que todos os estudantes devem ter as
mesmas oportunidades de freqüentar classes regulares próximas ao local de sua
residência, com crianças de mesma faixa etária, ou freqüentar a mesma escola que seus
irmãos. Reconhece que para isso se faz necessário um programa educacional adequado
as capacidades dos diferentes alunos, e indicam a importância de oferecer suporte e
assistência às crianças e jovens com necessidades especiais e aos professores para que
esta integração seja a melhor possível. E que a qualificação dos profissionais se
mantenha já que as crianças demandam uma atenção especial.
A inclusão se constitui mais como uma boa proposta para a comunidade em
geral, que se mostra aberta ao contato com as diferenças, do que realmente é adequada
para aqueles que, tendo necessidades especiais frente ao seu desenvolvimento escolar,
necessitem de uma série de condições que, na maioria dos casos, não tem sido
propiciadas (LACERDA, 2007).
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Com todas as possibilidades que foram encontradas na comunicação entre
professores e alunos com surdez e entre surdos e alunos ouvintes ainda assim, na
percepção do surdo, a inclusão no meio esportivo, empregatício e lazer ainda não se dar
de forma plena.
É possível que essa percepção não seja uma exclusividade dos surdos e sim uma
falha na execução das políticas públicas voltadas para a educação, esporte, lazer e
emprego, como acontece com as pessoas que não possuem nenhum tipo de deficiência.
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CONCLUSÃO
Hoje é indiscutível que a atividade física seja benéfica a todas as pessoas, desde
que bem auxiliada por um profissional de Educação Física. Este trabalho veio ressaltar a
importância da atividade física para os alunos surdos, sendo uma das formas de inclusão
social, já que a Lei os ampara e garante esse direito. O esporte é parte integrante do
desenvolvimento das pessoas haja vista que a prática regular de atividade física causa
uma sensação de bem estar entre todos inclusive aos surdos, que se sentem bem
melhores após a prática de exercícios físicos.
Mesmo os surdos achando que a prática de exercícios seja benéfica eles acham
que não estão realmente incluídos na sociedade atual, pois não se trata apenas em
colocá-los em meio à sociedade só porque hoje é moda a inclusão, sem que haja um
preparo não só dos profissionais, mas de toda a sociedade.
Baseado, ainda nos resultados do presente estudo podemos inferir que a Língua
Brasileira de Sinais (LIBRAS), na percepção dos surdos, se fosse incluída na formação
básica das crianças como uma segunda língua, certamente aumentariam as
possibilidades de inclusão das pessoas surdas.
Por fim, podemos concluir fundamentados nas respostas encontradas, que na
percepção dos alunos surdos da escola pesquisada, não há um atendimento pleno nem
das políticas públicas, nem tão pouco das leis que garantem o oferecimento de
educação, esporte, lazer e emprego aos cidadãos com surdez.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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 TUBINO, M.J.G.O O esporte no Brasil, do período colonial aos nosso dias.
São Paulo; Ibrasa, 1996, 139p.
20
Este questionário é parte integrante do trabalho de conclusão do curso de
Licenciatura em Educação Física, todas as questões deverão ser respondidas com total
imparcialidade. Não há necessidade que você se identifique para que sua identidade seja
preservada.
QUESTIONÁRIO
1-Você pratica alguma atividade física?
Sim (
) Não (
)
2- Você pratica atividade física, mais de uma vez durante a semana?
Sim (
) Não (
)
3- Após a prática da atividade física regular é notável uma melhora na qualidade
de vida?
Sim (
) Não (
)
4- Você acha que as oportunidades de educação física, esporte e lazer que lhe
são oferecidas atendem suas expectativas?
Sim (
) Não (
)
5-Você vê condições igualitárias na prática de atividade física entre ouvintes e
portadores de deficiência auditiva?
Sim (
) Não (
)
6-Você vê os profissionais de educação física capacitados para ministrar aulas
com conteúdo e didática que atendam as necessidades da pessoa portadora de
deficiência auditiva?
Sim (
) Não (
)
7-Você acha importante a inclusão da disciplina Libras na formação básica de
crianças e nos cursos de nível superior para as pessoas que não possuem deficiência
auditiva?
Sim (
) Não (
)
8-Dentre as diversas Leis existentes você se sente incluído na sociedade atual,
com educação, esporte, lazer, emprego, e entre outros direitos dos cidadãos portadores
de deficiência auditiva?
Sim (
) Não (
)
21
22
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